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Último Passe

Benfica e Sporting deixaram dois pontos pelo caminho face a adversários menos apetrechados, mas fizeram-no por razões diferentes. Os encarnados porque entraram no jogo com o Boavista iludidos com a sucessão de vitórias que transportavam no histórico recente, a ponto de Rui Vitória ter sentido a necessidade de dizer no final que “esta não é uma equipa invencível”; os leões porque mesmo em esforço total e espicaçados pelo tropeção do rival foram curtos para se imporem a um Chaves aguerrido e organizado, porque de facto é como diz Jesus e ali é “sempre o mesmo a marcar os golos”. Quem esteve na Luz pode preferir optar por destacar a recuperação épica do tricampeão nacional, que esteve a perder por 3-0 e ainda salvou um ponto, mas sendo verdade que o volume de jogo ofensivo da equipa encarnada depois de reduzir para 1-3 foi impressionante, não durou sempre e a seguir aos 3-3, já conseguidos em fase de perda, o Boavista até teve a capacidade para criar duas ocasiões de golo claras. A história do jogo está refletida na frase que Rui Vitória disse no final: esta equipa “não é invencível”. Porque a ideia que deu de início, sem rigor nem agressividade atrás foi a de se julgar invencível, como se as camisolas chegassem para ganhar. A ajudar à festa, entrar com Jonas e Gonçalo Guedes na frente roubou-lhe presença na área e uma referência de que o seu jogo precisava para lá chegar em tabelas. Com a entrada de Mitroglou e, ao intervalo, de Cervi para começar a atacar desde a posição de defesa-esquerdo, o Benfica construiu o cenário de que precisava para a tal recuperação. Chegou aos 3-3, mas aí, com mais de 20 minutos por jogar, parou. Falta de pulmão, acerto tático de Miguel Leal com a entrada de Mesquita ou simplesmente a ideia de que esta “equipa não é invencível” e de vez em quando aparecerão adversários capazes de lhe colocar dificuldades, como fez o Boavista com o seu jogo de corredor a corredor. Diferente é a problemática do Sporting. E a frase sintomática, Jesus disse-a na semana passada, depois de ganhar ao Feirense. “Não é normal nas minhas equipas que seja sempre o mesmo a fazer os golos”. Em Chaves, o mesmo fez o seu papel. Bas Dost respondeu com dois golos de oportunidade a um início desconcentrado que permitiu aos transmontanos adiantar-se no marcador. O Sporting até respondeu bem à desvantagem, sempre sem brilhar, é verdade, sem o jogo envolvente que praticava na época passada, mas assumindo a iniciativa do jogo e impedindo o Chaves de criar perigo. Teria chegado, não fosse mais uma vez o descontrolo das emoções em que esta equipa é pródiga: expulsão de Ruben Semedo, necessidade de sacrificar Dost para fazer entrar Paulo Oliveira e um golão de Fábio Martins a dois minutos no fim. O golo do empate do Chaves foi um pouco como a recuperação do Benfica: fez-se anunciar a todos os sentidos antes de se deixar ver por quem estava no estádio. E é destas fatalidades que se faz a história dos campeonatos.
2017-01-14
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Bas Dost bisou e já segue na frente da lista de goleadores do campeonato, Alan Ruiz mostrou durante 45 minutos poder ser o segundo avançado de que Jorge Jesus precisa, Campbell voltou a parecer aposta ganha na esquerda, mas nem assim o Sporting foi capaz de passar um domingo sem sofrimento na receção ao modesto Feirense. Após uma excelente primeira parte, a redução de intensidade e concentração no segundo tempo permitiu aos visitantes reduzir para 2-1 e reentrar no jogo a ponto de ameaçar empatar, servindo de metáfora para aquilo que tem sido a época dos leões: se estão a oito pontos da liderança devem-no também a defeitos próprios, que anulam parte do que de bom a equipa vai fazendo a cada jogo. Uma equipa que tem um avançado letal como Bas Dost tem de fazer mais golos. E se não encontrou ainda um segundo ponta-de-lança capaz de o acompanhar, não deve abdicar das boas sensações que alguns candidatos ao lugar lhe vão dando quando por ali passam. Alan Ruiz voltou ontem de umas férias de Natal excessivamente prolongadas e mostrou condições para o lugar que já não se viam na equipa desde que, de outra forma, ali jogou Campbell, no Bessa. Mas entretanto por lá tem passado muita gente, não se dando continuidade a ninguém: e se ainda se compreende o desvio de Campbell para a esquerda, onde tem sido aposta ganha, pela forma como cria situações de superioridade e conduz a equipa à finalização, já é mais difícil de perceber que pelo meio tenham entretanto passado o próprio Alan Ruiz (na Luz), Bryan Ruiz (quase sempre), Castaignos, Markovic e Bruno César. Até final da época, o Sporting terá, na melhor das hipóteses, 22 jogos – quatro na Taça de Portugal e 18 no campeonato. Já se vê que não há grande necessidade de Jesus andar a mudar muita coisa, até porque só uma campanha muito próximo dos 100 por cento de sucesso poderá dar-lhe as tais razões para festejar em Maio de que falava o presidente antes do desaire de Setúbal. E se a lesão de Adrien não é tão preocupante como chegou a temer-se, permitindo ao capitão ficar no onze e aos leões manter o foco defensivo, esses 100 por cento de sucesso dependerão muito da capacidade de Jesus para acertar nos outros dez jogadores. Com especial atenção para o defesa-esquerdo – Bruno César está no golo do Feirense – e o segundo avançado. Estranho será que em Chaves não jogue Alan Ruiz.
2017-01-08
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No dia em que se apresentou um novo – e até ver primeiro – candidato à presidência do Sporting, a tentação será a de se olhar para a lista de Pedro Madeira Rodrigues e procurar entre os seus apoiantes um grupo de adeptos “notáveis” que garanta credibilidade e uma boa hipótese de sucesso na ida às urnas. O Sporting, porém, mudou muito desde que o grupo que o liderou nas últimas décadas caiu em desgraça, levando à eleição de Bruno de Carvalho. E as eleições nos maiores clubes nacionais também.No Sporting, que ainda assim é o único dos três grandes onde as eleições vão para além de um formalismo (e a isso não é estranho o facto de ter ganho muito menos do que os rivais nos últimos anos), o apoio desses tais “notáveis” seria mais um empecilho do que uma real vantagem. Foi em boa parte esse beijo da morte que custou a José Couceiro, uma das melhores e mais modernas cabeças do futebol português, a derrota nas eleições que conduziram Bruno de Carvalho ao trono do leão. A última coisa que poderá acontecer nas eleições de Março é, por isso, vermos um candidato saído do grupo de herdeiros do roquetismo, o movimento que mandou no clube entre meados dos anos 90 – com Pedro Santana Lopes – e a demissão de Godinho Lopes, há três anos. Mesmo que nesse lote de presidentes tenha havido homens tão diferentes como o impulsivo Dias da Cunha, o mais fleumático Soares Franco ou até o patriarca Roquete.O peso dessa liderança e a revolução que foi a sua queda, para abrir caminho a Bruno de Carvalho, faz com que neste momento não se discutam tanto ideias e projetos, mas sim a figura do atual presidente. Talvez ainda seja cedo, mas a Madeira Rodrigues ainda não se ouviu grande coisa acerca do que pretende fazer, mas sim sobre aquilo que o líder atual tem feito de errado: as fugas para a cabina em noites de derrota, as voltas olímpicas em dias de vitória e até a forma dissimulada de falar da obsessão de Bruno de Carvalho com o Benfica, referindo que os anos que este já leva à frente do clube foram de títulos, sim, mas para os encarnados. No fundo, Pedro Madeira Rodrigues e quem está com ele já perceberam uma coisa: nas eleições de Março, mais do que o Sporting, vai discutir-se Bruno de Carvalho. O que ele fez bem – renegociação com a banca, mais dureza nas negociações de jogadores, apoio ao vídeo-árbitro e combate aos fundos – e o que ele fez mal – posições que estão muito perto da irresponsabilidade na relação com outros clubes, radicalismo excessivo naquilo que defende. Até por isso, o candidato diz que espera um combate a dois. É que já sabe que quanto mais gente aparecer a querer discutir Bruno de Carvalho, menos hipótese terá cada um de convencer os votantes dos seus méritos particulares. Até por isso, sem ter ainda desfeito o tabu que evidentemente levará à sua recandidatura, o presidente já veio dizer que todos os candidatos serão bem vindos. Quantos mais, melhor.
2016-12-27
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O Natal é tempo de ofertas e seguramente que os treinadores dos primeiros colocados da Liga portuguesa estarão a pensar no que gostariam de ver debaixo do pinheiro. É uma forma de encarar o que se passou neste ano e o que os espera em 2017: Rui Vitória quererá poder contar com mais gente no ativo; Nuno Espírito Santo com um par de reforços que compatibilizem melhor o plantel com a evolução da ideia de jogo; Jorge Jesus com uma certeza acerca da mudança da ideia de jogo do Sporting; e Jorge Simão com tempo, uma pausa natalícia mais demorada para poder criar um Sp. Braga mais à sua imagem. O maior problema de Rui Vitória têm sido as lesões. Pois o Pai Natal vai trazer-lhe novidades: a interrupção das competições permitir-lhe-á recuperar alguns jogadores e, desde que eles deixem de cair que nem tordos no que falta de Liga – como aconteceu até aqui – aquilo que mais pode preocupar o treinador do Benfica serão as saídas no mercado de Janeiro. É que embora lutem pelo mesmo objetivo, o treinador e o presidente não têm necessariamente de ter as agendas fotocopiadas. A de Rui Vitória passa por manter as armas que tem, mesmo sem estar a pensar em reforços; a de Luís Filipe Vieira – e de Jorge Mendes – fala em aproveitar (e criar) ocasiões de negócio para a SAD. A eventual saída de Lindelof para o Manchester United, mais a mais se for pelos números irreais de que se tem falado, até pode ser bem ultrapassada com o regresso de Jardel ou Lisandro López ao onze, mas se ao central se juntar Nelson Semedo a equipa já sairá prejudicada. Mesmo tendo em conta a recente quebra de rendimento do lateral, a profundidade que ele continua a dar no corredor direito e a velocidade que exibe na recuperação defensiva são fundamentais para manter a força deste Benfica. A desejar que eles saiam estará seguramente Nuno Espírito Santo, treinador de um FC Porto que fez uma primeira parte da época em crescendo e já se mostra o obstáculo maior ao tetra do Benfica. Só que Nuno tem com que se preocupar dentro de casa também, onde lhe faltam mais um extremo verdadeiro e um ponta-de-lança capaz de aliviar a carga de André Silva. O crescimento atacante do FC Porto teve a ver com a entrada no onze de extremos verdadeiros, Corona e Brahimi, por oposição à preferência até ali dada a médios com tendência a jogar por dentro, como Otávio e sobretudo Herrera ou André André. A história da recuperação de Brahimi talvez nunca seja contada, mas o mais certo é ele ter de se ausentar para jogar a Taça de África pela sua seleção – e já se sabe que quando vão jogar esta prova, os africanos voltam muitas vezes com ideias diferentes. Por isso, até tendo em conta que a prova começa já em meados de Janeiro, do que Nuno precisa é de mais um extremo. Pode ser Jota? Poder, até pode, mas isso só virá reforçar a necessidade de outroavançado, que aí já me parece difícil ser Depoitre, condenado a servir como reforço para um Plano B de jogo, com bolas altas a cair na área. A opção, aqui, terá de ser entre manter tudo como está e encontrar um jogador móvel, ou ir à procura de um trabalhador explosivo. O objetivo será sempre o mesmo: conseguir que André Silva se centre mais na tarefa de fazer golos. Jorge Simão quererá certamente aproximar o seu Sp. Braga daquilo que eram o seu Paços de Ferreira ou o seu Chaves e até, em certa medida, o seu Belenenses. A chegada de Battaglia é uma pista nesse sentido, mas a transformação de uma equipa de futebol solto, criativo e em certa medida até potenciador da desorganização em termos atacantes num coletivo sólido e capaz de se impor pela repetição e mecanização de processos não é simples. E o tempo, em competição, nunca é muito para mudar as coisas de forma consolidada. Já Jorge Jesus precisa de pensar numa segunda metade da época muito perto dos 100 por cento de rendimento para ir de férias feliz. Já não tem Europa e poderá trabalhar a equipa para jogar uma vez por semana, o que é o cenário ideal para quem pensa como ele, separando claramente os titulares dos reservistas. O que lhe falta, então, é encontrar a ideia certa para os jogadores que tem – à ideia da época passada, faltam Teo, João Mário e sobretudo Slimani, com todas as implicações que isso tem na agressividade na frente, no controlo ao meio e na capacidade para abrir espaços através da procura da profundidade. Se tiver essa ideia de jogo no sapatinho, talvez o Sporting ainda possa acabar a época a ganhar coisas interessantes. Caso contrário, falar-se-á sempre de um segundo ano em regressão após uma excelente primeira temporada.
2016-12-26
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A questão do total de títulos nacionais de futebol tem sido vista à luz da rivalidade entre os maiores clubes ou da estratégia de comunicação de Bruno de Carvalho, que a trouxe para a agenda mediática com o intuito de comprar mais uma guerra que sirva de forma de afirmação ao Sporting, mas vale muito mais do que tudo isso. Porque em causa não estão só o total de títulos de campeão nacional dos leões e, por inerência, do Benfica e do FC Porto. Em causa estão também os títulos de clubes como o Olhanense, o Marítimo, o Belenenses ou o já extinto Carcavelinhos (um dos clubes que deu lugar ao Atlético), que merecem tanto respeito como os três grandes, suportados em milhões de adeptos. Em causa está se a decisão do campeão nacional é retrospetiva ou prospetiva, feita a olhar para trás ou para a frente. Porque uma coisa é certa: não pode haver anos com dois campeões. A FPF decidiu que contam como títulos de campeão nacional os três campeonatos da I Liga, realizados entre 1934/35 e 1937/38, por serem provas por jornadas, em modelo de todos contra todos, e terem sido jogados antes da instituição do campeonato nacional da I Divisão, em 1938/39. Decidiu ainda a FPF não contar como suscetíveis de atribuição do título de campeão nacional os 17 Campeonatos de Portugal, jogados entre 1921/22 e 1937/38, por os considerar antepassados da Taça de Portugal, também ela jogada por eliminatórias a partir de 1938/39. Dessa forma, aos títulos de vencedor do campeonato nacional de futebol – Benfica por 32 vezes, FC Porto por 26, Sporting por 18, Belenenses e Boavista com um cada – somam-se mais três do Benfica e um do FC Porto, fruto das vitórias que conquistaram no tal campeonato da I Liga. Pretenderia o presidente do Sporting que, em vez desses títulos da I Liga, fossem contabilizados os vencedores do Campeonato de Portugal: quatro troféus do FC Porto e do Sporting, que assim aumentariam o pecúlio para 29 e 22 títulos, respetivamente; três do Benfica, que subiria na mesma para 35, substituindo as três Ligas por igual número de campeonatos de Portugal; três do Belenenses, que passaria a considerar-se quatro vezes campeão nacional; mais um do Olhanense, um do Marítimo e um do Carcavelinhos, que engrossariam o lote de campeões. A tese da FPF é que o antepassado do atual campeonato nacional é o campeonato da Liga, também ele jogado por jornadas. Faz sentido. Mas também pode não fazer. Ora, façamos um pouco de história. O futebol português andou uns anos atrás do resto da Europa, a ponto de só em 1922 se ter extravasado o nível regional no que a competições respeitava. Nesse final de época de 1921/22 jogou-se pela primeira vez o Campeonato de Portugal, que em ano de estreia se resumiu a uma espécie de finalíssima entre os campeões de Lisboa (o Sporting) e do Porto (o FC Porto). Ganharam os nortenhos, que tal como todos os seus sucessores na prova adquiriram o direito a apresentar-se como “campeões de Portugal”. Veja-se o caso do Benfica de 1930, de que se mostra na imagem acima o cartaz relativo ao almoço de homenagem aos jogadores. O Campeonato de Portugal foi evoluindo. Na segunda edição, além de Sporting e FC Porto, outra vez campeões dos seus distritos, já participaram os campeões de Coimbra, da Madeira, do Minho e do Algarve. E a prova foi-se alargando a mais regiões, até passar, a dada altura, a permitir a entrada de mais do que um representante por cada distrito. Iam-se assim sucedendo os campeões de Portugal. E tudo continuou igual até que, em Março de 1934, a seleção nacional foi arrasada pela Espanha em Chamartin. Foram 9-0, a eliminação do Mundial e a abertura de um processo de reformulação dos quadros competitivos do futebol nacional. Uma das coisas que os espanhóis tinham e os portugueses não era competição nacional regular – o Campeonato de Portugal só se jogava de Maio a Julho – sob a forma de uma prova por jornadas, em que todos os clubes se defrontavam a duas voltas. Os portugueses resolveram imitar esse modelo e criaram, ainda que de modo experimental, o campeonato da Liga – cujo nome derivou do modelo inglês. A prova foi introduzida a título experimental, por se temer que o aumento da receita não chegasse para cobrir o aumento da despesa com deslocações mais longas e frequentes. Foi um sucesso. Ora é aqui que se introduz a rotura. Para a FPF, agora, os 13 campeões de Portugal até aí coroados deixaram de o ser. E os vencedores das quatro Ligas experimentais que antecederam a criação do campeonato nacional de futebol, em 1938/39, passaram a poder ostentar o título de campeão nacional. O primeiro campeonato da Liga, em 1934/35, foi ganho pelo FC Porto, mas nesse mesmo ano o Benfica venceu o Campeonato de Portugal, batendo o Sporting na final, por 2-1. Na página 143 do segundo volume da História do Sport Lisboa e Benfica (1904/1954), obra excecional editada aquando do cinquentenário do clube por Mário Fernando de Oliveira e Carlos Rebelo da Silva e prefaciada por Ribeiro dos Reis, reproduz-se a ementa do jantar oficial de homenagem “Ao team de Foot-Ball Campeão de Portugal” do Sport Lisboa e Benfica. Teve lugar nas Portas do Sol, em Santarém, a 21 de Julho de 1935. Claro que se a prova se chamava Campeonato de Portugal, a equipa que a ganhava se considerava campeã de Portugal. Nem outra coisa faria sentido, apesar de já existir o campeonato da Liga, que nesse ano coroou o FC Porto. Só em 1938 o panorama competitivo voltou a mudar. Ao campeonato da Liga sucedeu o campeonato nacional de futebol; ao campeonato de Portugal seguiu-se a Taça de Portugal. As competições mantiveram os moldes de disputa, pelo que é natural que, vendo as coisas de trás para a frente, a FPF considere agora campeões nacionais os clubes vencedores da Liga e não os que ganharam o Campeonato de Portugal. Porque a questão é que, durante quatro anos, houve clubes cuja legitimidade para se considerarem campeões nacionais se funda no futuro (e na evolução que a competição veio a ter) e outros cuja legitimidade se funda no passado (e no facto de até 1934 o campeonato de Portugal ter sido a única prova nacional). Como não podia haver dois campeões nacionais no mesmo ano, era preciso tomar uma decisão. A FPF decidiu assim e a decisão tomou letra de lei. O mais justo, porém, seria separar as quatro provas e os respetivos palmarés. Porque a alternativa é dizer aos jogadores e aos clubes que ganharam o campeonato de Portugal entre 1922 e 1938 que afinal não foram campeões de Portugal. E isso vai muito para lá das provocações de Bruno de Carvalho ou das respostas dos adeptos benfiquistas.
2016-12-23
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É curioso que o golo com que o Sporting ganhou ao Belenenses no Restelo tenha nascido numa casualidade. Sim, o cruzamento de Campbell é excelente. Sim, a finalização de primeira de Bas Dost é igualmente muito boa. Sim, sem jogar uma maravilha, o Sporting já tinha feito o suficiente para se adiantar no marcador antes disso. Mas se Dost estava em posição para marcar deve-o ao facto de ter escorregado e caído, ainda a meio-campo, no momento em que dá início à jogada, num dos seus habituais momentos em que baixa para tabelar com os médios. Só esse “atraso” na chegada à jogada o impediu de estar onde é suposto e, assim, aparecer onde ninguém do Belenenses o esperava: em corrida desenfreada, solto, ao segundo poste. Dost é um jogador muito diferente de Slimani, já aqui o disse vezes sem conta. Mas nem é um jogador assim tão diferente de alguns dos avançados com quem Jesus foi trabalhando ao longo dos tempos. É pesado mas letal na área, um pouco como Cardozo, que foi sempre um jogador contra-natura em todo o jogar daquele Benfica de Jesus: toda a gente corria à volta dele mas ele aparecia a fazer os golos. Nesse aspeto, Dost faz bem o seu papel. É bom finalizador, tem tido um peso incomparável nos resultados da equipa e não é seguramente a ele que o Sporting está a dever a posição em que se encontra na tabela. O que falta fazer é casar a equipa com o avançado que tem e fazer com que ela se esqueça do avançado que deixou de ter. E é nessas contradições, tanto como na fadiga de alguns elementos, que custou ao Sporting os três pontos no jogo com o Sp. Braga, que está a resposta para as dificuldades que a equipa tem vindo a passar nas últimas semanas. O próprio Jesus, que desenha ao mais ínfimo detalhe cada momento, cada triangulação – e por isso é insuperável a treinar – parece ainda enredado nesta teia de indecisões. O que quer do segundo avançado? Alguém que dê a profundidade que Dost não procura, como Markovic ou Campbell? Alguém que traga imprevisibilidade, criatividade e soluções fora da caixa, como Bryan Ruiz ou até, em certa medida, Alan Ruiz? Alguém que seja simultaneamente um terceiro médio, capaz de auxiliar William e Adrien na tarefa de segurar o meio-campo, como Bruno César? Ou ainda alguém que assegure mais presença na área, de forma a aproveitar o facto de Dost exaurir os centrais adversários, como André ou até Castaignos, que desta vez até foi útil? O problema aqui, note-se, não está na diversidade de opções. Isso é bom. O problema está no facto de o resto da equipa não mudar o seu futebol em consonância. Está na busca insistente do espaço interior quando ele não existe fruto da perda da profundidade, por exemplo. Ou até na criação de situações de cruzamento, quando geralmente quem cruza não tem a qualidade necessária para o fazer ou depois falta presença na área (algo pouco habitual nas equipas de Jesus). Quando isto acontece, pode aparecer uma escorregadela que ajude. E isso não é mau nem sequer deslustra. Mas não pode contar-se com isso a cada jornada.
2016-12-22
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É impossível não ligar Mitroglou à vitória sobre o Rio Ave com que o Benfica fechou a sua participação na Liga em 2016, assegurando o título oficioso de campeão de inverno. E não foi só por ter sido ele a desbloquear o marcador, obtendo o primeiro golo do jogo. É que o regresso do ponta-de-lança grego ao onze permitiu a Rui Vitória mudar o jogo atacante da sua equipa, dando-lhe mais presença na área e profundidade no corredor central, por oposição ao futebol mais móvel de Jiménez. Indiferente à discussão acerca de quem será o melhor ponta-de-lança da Liga e mesmo sem ter tantos como o Sporting, por exemplo, o Benfica tem uma certeza: na Luz mora o lote mais complementar de todos os candidatos. Mesmo que depois o melhor marcador da equipa seja o médio Pizzi. É que se Mitroglou anda sempre na perseguição do golo, raramente saindo do corredor central ou se envolvendo em movimentações antes dos últimos 20 ou 30 metros do campo, preferindo ir mais vezes em busca da profundidade, Jiménez, o avançado a quem ele tirou a vaga nos titulares, cai com frequência nas laterais, dessa forma ajudando a desposicionar as defesas adversárias e abrindo caminho à entrada dos médios em situações de finalização. Depois, há Guedes, um corredor por excelência, rápido com bola nos pés e pouco certeiro na definição dos lances – ainda hoje se lhe viram raides sem a decisão correta no final – mas incansável na pressão quando a equipa perde a bola e lhe compete entrar em fase defensiva. E recomeça a haver Jonas, jogador tão diferente dos outros três, por ter até mais golo que Mitroglou, mesmo jogando uns metros atrás, por ser tecnicamente refinado e quase presciente naquilo que falta a Guedes, que é a capacidade para adivinhar o que vai suceder em cada lance. Podendo ainda fazer jogar ali Rafa – um misto de Jonas com Guedes, porque decide quase sempre bem, mas nem sempre define a contento – ou Cervi, Rui Vitória está mais bem servido de atacantes que Nuno Espírito Santo ou Jorge Jesus. No FC Porto, há Jota, um velocista com golo nas botas, há André Silva, um trabalhador que dá tudo – às vezes até demais – e acaba por sair muito da zona de finalização no processo, e há Depoitre, um gigante de área que aparenta ser muito limitado com os pés. Nuno Espírito Santo seguramente poderia usar a capacidade de explosão de Aboubakar, se tivesse havido a capacidade para lhe explicar que a aposta principal era o miúdo da formação e ele se predispusesse a ser útil, ainda assim. E no Sporting, onde mora o maior lote de avançados da Liga, também não se encontrou ainda a complementaridade. Há Bas Dost, outro gigante, que é melhor jogador e finalizador que o dragão belga, mas pouco dado a buscar a profundidade em construção, como fazia Slimani, preferindo baixar para jogar entre linhas, no espaço de Jonas, por exemplo. E aí faltam-lhe argumentos para desequilibrar. E há Bryan Ruiz, tecnicamente muito bom mas lento a executar, mau finalizador e nada propenso às mudanças de velocidade, ou Campbell, que continuo a achar que pela explosão e boa finalização é o melhor par para o holandês no meio. Não tem havido Markovic, ainda não se viu o que pode valer Alan Ruiz, nunca foi dada constância a André e creio que dificilmente se verá Castaignos. Com mais opções, Jesus ainda não definiu claramente o que espera de cada uma delas. E por aí também se explica a diferença pontual que a equipa já tem para o Benfica.
2016-12-21
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A derrota do Sporting em casa, contra o Sp. Braga, com a agravante de ter perdido o terceiro lugar na Liga para os minhotos e de ter ficado a oito pontos do Benfica, vem chamar a atenção para a gestão em Alvalade. Se Jorge Jesus já viu os primeiros lenços brancos nas bancadas de Alvalade é porque há quem lhe atribuía responsabilidades na forma como o treinador tem gerido o plantel disponível – e desta vez a “capacidade de superação” dos jogadores não chegou para ganhar um jogo em que eles pareceram pouco frescos. Mas só internamente poderá perceber-se um pormenor importante: se Jesus esgotou os 12 ou 13 jogadores que tem usado quase sempre porque os outros não servem, ou se os outros não servem porque o treinador os foi “queimando” semana após semana desta época de grande investimento. A evidência do jogo foi a de um Sporting fatigado. Os leões tiveram dificuldades para pressionar, para ganhar duelos diretos, para aguentar as arrancadas dos bracarenses, muito bem organizados por Abel Ferreira, o treinador interino que herdou a equipa de Peseiro e a montou com inteligência. Jesus terá cometido erros neste jogo – a colocação de Ruiz ao meio é, insisto, o maior de todos, porque o costa-riquenho não tem vivacidade para jogar ali e falha clamorosamente nas finalizações, pelo que o ideal será sempre tê-lo mais longe da baliza – mas o foco deve ser alargado a toda a temporada. E ainda que se compreenda que a pressão dos insucessos – de Varsóvia para a Luz, da Luz para Setúbal e para o jogo com o Sp. Braga – tenha levado o treinador a apostar sempre nos mesmos, há espaço para se questionar se isso esteve ou não na base da situação que a equipa vive atualmente. Porque num ano em que os leões contrataram tanta gente com nome, é estranho ver sempre as mesmas caras subir ao relvado, sobretudo quando os seus donos estão fisicamente inferiorizados e perdem os jogos por estarem, como diz o próprio treinador, “menos frescos”. E é aqui que convém perceber-se uma coisa. Beto, Douglas, Petrovic, Elias, Meli, Markovic, Alan Ruiz, André e Castaignos, as aquisições que, juntamente Bas Dost e Campbell, os dois que estão a jogar, encheram os sportinguistas de esperança no Verão, não servem? E não servem porque foram mal escolhidos ou não servem por terem perdido qualidades já depois de terem chegado? Na verdade, acho que há ali gente mal escolhida, uns por falta de qualidade flagrante, outros por não encaixarem naquilo que era o plano de jogo de Jesus, que tinha perdido Slimani e João Mário e recebeu jogadores muito diferentes. Mas outros foram perdendo fulgor à medida que a época seguia o seu curso e eram opção apenas em jogos de menor responsabilidade. Recuperá-los será a tarefa principal do treinador para o novo ano, onde os oito pontos de diferença para o líder não deixam os leões fora mas ao mesmo tempo diminuem a pressão pelo esvaziar do balão da esperança. E disso pode depender também a tranquilidade com que Bruno de Carvalho poderá encarar as eleições de Março.
2016-12-18
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Três assuntos têm animado os adeptos de futebol em Portugal. O caso Sporting-Doyen, a troca de José Peseiro por Jorge Simão no Sp. Braga e a polémica em torno da contagem dos títulos nacionais. Com algum atraso num ou noutro caso, eis o que penso de cada um. 1. O Sporting vai ter de pagar à Doyen no caso relativo à transferência de Rojo para o Manchester United. Sempre foi claro para mim que assim seria, porque havia um contrato em vigor e ele tinha sido assinado pela direção legítima do clube. Não sei se Bruno de Carvalho entrou nesta guerra para adiar o pagamento, para o evitar de todo ou apenas para fazer barulho à volta do tema polémico que é o da participação de fundos de investimento nos passes dos jogadores. Se foi a primeira razão, limitou-se a ser chico-esperto. Se foi a segunda, estava a ser ingénuo. Se foi a terceira, fez bem. Porque os negócios com os fundos de investimento sem rosto são, na maior parte dos casos, lesivos dos interesses dos clubes e abrem a porta ao dinheiro sujo que quem gosta de futebol deve querer ver longe da modalidade. 2. Nutro por José Peseiro a estima de muitos anos de conhecimento, porque crescemos a 150 metros um do outro. Tenho, além disso, o reconhecimento pela qualidade do trabalho que ele fez em muitos clubes, mas acho que fez mal em voltar a Braga. Depois de ele próprio ter perdido a final da Taça de Portugal para o Sp. Braga de Paulo Fonseca, entrar naquele balneário só podia ser feito com a certeza de que tinha condições para fazer melhor. E a verdade é que não tinha. Peseiro não foi demitido por ter perdido com o Sp. Covilhã. Foi demitido porque antes de cair na Taça de Portugal já tinha perdido a passagem à fase seguinte da Liga Europa e porque, antes ainda, a sua equipa mostrara um futebol demasiado pobre no Dragão contra o FC Porto – e o futebol de qualidade até foi sempre uma das imagens de marca deste treinador. Para o lugar dele entra Jorge Simão, um treinador jovem e ambicioso, que tem muito mais condições para ser bem sucedido. Quais? Tem atrás dele um trabalho de enorme qualidade no Chaves e entra num clube onde as expectativas já estão outra vez a um nível muito baixo. O resto é capacidade de trabalho, que tanto um como o outro têm inegavelmente. 3. A FPF manifestou-se finalmente acerca da polémica relativa aos títulos de campeão nacional, decretando que aos torneios da I Liga, disputados por jornadas entre 1934/35 e 1937/38, correspondem títulos de campeão nacional, e que aos Campeonatos de Portugal, jogados por eliminatórias entre 1921/22 e 1937/38, correspondem troféus equiparados à Taça de Portugal. A polémica vem da mais recente cruzada de Bruno de Carvalho, que nem sequer é uma ideia nova: recordo-me de, durante anos, o Record se ter recusado a alinhar com A Bola nessa equiparação, valendo-se da tese de Henrique Parreirão, segundo a qual só havia campeão nacional a partir de 1938/39, havendo antes, sim, o campeão da Liga e o campeão de Portugal, que eram coisas diferentes. E se na altura achei que a tese defendida pelo Record servia sobretudo de afirmação ante o gigante que era A Bola – era preciso contrariar o establishment para poder vir a superá-lo, algo que o Record depois até chegou a conseguir – também agora vejo na preocupação de Bruno de Carvalho uma forma de agitar as hostes e de ser contra-poder. As taças, porém, valem o que valem e estão nos museus dos clubes, de nada valendo agora tentar reescrever a história, seja num ou noutro sentido. O FC Porto, por exemplo, foi duas vezes campeão e europeu? Ou ganhou uma Taça dos Campeões e uma Liga dos Campeões? É que as provas têm nomes e formatos diferentes. E foi campeão mundial de clubes? Ou tem duas Taças Toyota? É claro que o documento da FPF aqui faz lei, mas na minha opinião as contas são outras: o Benfica tem 32 títulos de campeão nacional (e não os 35 que reclama com a soma das três I Ligas que ganhou), o FC Porto tem 26 (e não 27) e o Sporting tem 18 (e não os 22 que exige ver reconhecidos com a adição do Campeonato de Portugal).
2016-12-16
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Apanhado entre duas frentes, Jorge Jesus decidiu optar por “acreditar na capacidade de superação” dos seus jogadores. E fez bem, porque ganhou com toda a justiça o direito a seguir para os quartos-de-final da Taça de Portugal. Mas o mais importante no facto de ter entrado no Estádio do Bonfim, para defrontar o V. Setúbal, com o melhor onze disponível, mudando apenas um elemento relativamente à equipa que alinhou de início contra o Benfica no domingo não é o facto de contrariar aquilo em que o treinador acredita há anos: que ninguém é capaz de render ao mais alto nível quando joga de três em três ou de quatro em quatro dias. É o facto de nesta escolha ter ficado bem à vista que ele não transpira confiança nas segundas escolhas. É verdade que os leões ficaram fora das provas europeias, mas essa ausência de desgaste só se fará notar lá para Fevereiro, quando em condições normais seriam chamados a jogar para a Liga Europa. Para já, a realidade é o calendário nacional, sempre muito congestionado por Dezembro e Janeiro, de forma a que se encontre espaço para a breve pausa de Natal e para a fase de grupos da Taça da Liga. Durante anos se viu Jesus poupar jogadores até antes de se chegar a esta fase. Já esta época, o mesmo Jesus veio justificar a opção de ter resguardado momentaneamente homens como Coates ou Bas Dost com o facto de, sendo jogadores pesados, terem mais dificuldades de recuperação. É uma teoria diferente da seguida, por exemplo, por Rui Vitória, mas é uma teoria cientificamente validada. Desta vez, porém, a importância do momento levou Jesus a ter fé na tal “capacidade de recuperação dos jogadores” – e alguns, como Adrien, estiveram uns furos abaixo do habitual. Acontece que, mesmo não tendo o treinador gostado que lhe fizessem a pergunta logo na flash-interview, o facto de ter ficado fora da Europa veio aumentar a exigência relativa à carreira na Taça de Portugal. Ainda por cima numa Taça de Portugal onde já não estão FC Porto e Sp. Braga mas que pode levá-lo a novo duelo com o Benfica. Como veio aumentar a exigência relativa à carreira na Liga, onde a derrota no dérbi deixou o Sporting a cinco pontos dos encarnados. Só que este ciclo infernal – Legia, Benfica, V. Setúbal, Sp. Braga e Belenenses em 16 dias e sem direito a errar mais – ainda está longe de acabar e o mais certo é Jesus ter nos próximos dois jogos de continuar a acreditar na capacidade de superação dos 12 homens que neste momento contam para ele, que são os onze titulares de ontem, mais Bryan Ruiz (Markovic está lesionado, tal como Schelotto). E num ano em que o Sporting até investiu mais do que o habitual no reforço do plantel, era boa altura para se perceber se os restantes não contam por problemas de gestão de recursos humanos ou se foram apenas erros de casting.
2016-12-14
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A vertigem, que durante anos deu títulos a ganhar a Jorge Jesus, mudou de lado e resolveu o dérbi de ontem a favor do Benfica. Foi muito à conta da velocidade dos homens que tem do meio-campo para a frente, da forma como foi sendo capaz de explorar o espaço vazio entre e atrás das linhas do adversário e da rapidez de decisão e execução dos seus jogadores nas transições que o Benfica bateu um Sporting mais forte sempre que o jogo entrava em controlo. A crise que batia à porta do Estádio da Luz mudou de lado da Segunda Circular e ameaça agora Alvalade.Jorge Jesus sempre construiu equipas vertiginosas. No Sporting, até em função dos jogadores que tinha e tem, mudou um pouco de estilo e aposta agora mais no controlo, ficando mesmo muitas vezes mais próximo do 4x2x3x1 do que do 4x4x2 de que nunca abdicava na Luz. Rui Vitória, por sua vez, sempre foi um treinador de futebol mais pausado e controlado - começou por tentar impor o 4x2x3x1 na Luz - mas este Benfica não lhe segue o pensamento, tanto se aproxima de uma equipa de velocistas, sobretudo na frente. Esta inversão de paradigmas vem mostrar que a identidade dos treinadores não conta assim tanto na definição daquilo a que joga uma equipa e que o papel dos líderes passa muito mais por fazer o melhor aproveitamento possível dos jogadores que têm do que por lhes mudar as formas de jogar ou pensar.Nunca se saberá o que seria este Benfica com Jonas. Mais controlo, mais cérebro na definição de cada jogada, mais capacidade de antecipação do que vai suceder e maior qualidade de decisão, mas sem dúvida menos intensidade e velocidade na exploração dos espaços. Sem o brasileiro, este Benfica está até mais próximo daquilo que são as equipas típicas de Jesus: Jiménez e Guedes correm muito – por vezes até demais – com e sem bola, Salvio parece feito no mesmo molde e o próprio Rafa, que ontem foi o melhor do Benfica na capacidade para ir desenhando jogadas, é muito dependente do espaço atrás das linhas adversárias. O Benfica não precisou por isso do mesmo volume de jogo para criar tantos lances de perigo como o Sporting – e, mais importante, para lhe ganhar – porque era sempre capaz de encontrar estradas menos congestionadas par chegar ao objetivo.Do outro lado, se é verdade que não pôde controlar a saída de Slimani, Jesus ainda fez os possíveis para ter uma equipa mais à sua imagem, vertiginosa, sobretudo com as contratações de Markovic e Campbell, dois velocistas que servem sobretudo para esticar o jogo. Só que, mesmo começando Campbell a justificar a aposta, o DNA desta equipa é outro, ditado pelo jogo mais cerebral de William e Ruiz ou pelas sinuosas corridas de Gelson. O próprio Dost é mais jogador de controlo que de esticões, se bem que a razão mais importante a levar Jesus a mudar de paradigma e a aproximar-se mais vezes do 4x2x3x1 terá sido a qualidade de uns e outros. Tal como no Benfica, não é possível saber como seria um Sporting com Markovic e Campbell e sem Ruiz ou William. Mais vertigem e menos controlo, mas não necessariamente melhores resultados.No dérbi, fundamentalmente, o que decidiu foi a qualidade. A qualidade de Ederson em algumas defesas importantes, mas sempre tendo em conta que Rui Patrício também fez uma de grande nível. A qualidade de Rafa, de Dost, de Gelson, numa tarde em que nenhuma das duas equipas teve defesas laterais à altura dos acontecimentos. Semedo teve problemas com Bruno César e depois com Campbell, André Almeida sofreu com Gelson, mas os dois ainda foram sendo capazes de disfarçar, enquanto que no Sporting nem Zegelaar nem João Pereira estiveram à altura da exigência do jogo: o holandês está nos dois golos do Benfica e o português foi diretamente batido por Jiménez no lance do 2-0, quando tentou fechar ao meio depois do envolvimento dos centrais.O resultado não fecha o campeonato, porque a derrota do Benfica na Madeira assegurou que ele ia continuar aberto. Mas serviu ao Benfica para afastar as nuvens negras que se aproximavam da Luz. Após duas derrotas seguidas e sobretudo num momento em que a equipa não anda a mostrar um futebol muito conseguido, o Benfica voltou a alargar a vantagem para o segundo classificado, porque este agora é o FC Porto. E caberá agora ao Sporting fazer a sua parte para afastar a crise de que terá de se falar devido às duas derrotas seguidas que implicaram o fim da Europa e o regresso aos cinco pontos de desvantagem para o líder. Sem nada a que se agarrar a não ser as competições internas, Jesus sabe que não tem mais margem de erro nas semanas que se aproximam se quer convencer a SAD a dar-lhe em Janeiro mas jogadores para atacar o grande objetivo da época.
2016-12-12
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O Benfica-Sporting de hoje contou várias histórias. O jogo foi bom, colocou frente a frente duas equipas muito distintas na forma de o abordar, e acabou por decidir-se a favor dos tricampeões nacionais sobretudo graças à facilidade que mostraram na chegada à baliza do adversário. Não foi uma questão de finalização, mas sim de capacidade para criar o mesmo perigo com menos volume de jogo.A estatística final mostrou números mais gordos para o lado do Sporting e não foi só porque os leões passaram mais tempo a correr atrás do resultado. Foi também porque graças ao regresso da construção a três - com recuo de William – o Sporting garantiu mais bola (e mais ataques, mais cantos, mais remates…). O preço a pagar foi o aumento de espaço entre setores, que o Benfica aproveitava para desenhar ataques mais rápidos e objetivos. Assim, mais elaborado e coletivo o futebol do Sporting, mais repentista e veloz o do Benfica, os rivais proporcionaram um jogo intenso e equilibrado em ocasiões de golo.Já se sabia que as duas equipas vinham em momento psicológico instável – o Benfica com duas derrotas seguidas, o Sporting na ressaca da eliminação europeia – pelo que o primeiro golo seria ainda mais importante do que é habitual. Pelo conforto que daria a quem o marcasse e pelas dúvidas que criaria em quem o sofresse. Fê-lo o Benfica, em contra-ataque, e isso veio naturalmente condicionar o jogo. O 2-0, instantes após um remate de Bas Dost ao poste, logo a abrir a segunda parte, podia ter acabado com a discussão, mas o que se viu aí foi um Benfica outra vez com dúvidas e um Sporting pouco afetado com o que estava a suceder-lhe. Jesus mexeu com o jogo através da entrada de Campbell, Vitória também quando voltou a baixar a equipa numa situação de vantagem, permitindo que a bola passasse a andar mais onde lhe é mais difícil controlar defensivamente as partidas: as trocas de Salvio e Guedes por Danilo e Cervi levaram a um recuo de linhas do Benfica que o Sporting podia ter aproveitado melhor para ainda sacar um ponto na Luz. Individualmente, os melhores foram Ederson e Rafa no Benfica, Gelson e Bas Dost no Sporting. Sinais de preocupação vieram das laterais defensivas dos dois lados. A diferença aqui é que se Nelson Semedo teve um mau jogo e dele se espera que volte ao nível habitual e se André Almeida é apenas a terceira opção dos encarnados para a lateral esquerda, no Sporting não há no plantel alternativas claramente melhores a João Pereira e Zeegelaar (o ocaso de Jefferson é um mistério). Coisa para se resolver em Janeiro, mas só se o Sporting lá chegar em condições reais de discutir a Liga.
2016-12-12
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Os momentos que antecedem o Benfica-Sporting foram marcados pela mais profunda normalidade. Sem fogo cruzado, ainda que com os dois treinadores empenhados em manter alguma incerteza acerca das equipas que vão fazer subir ao relvado da Luz. Sem provocações e com pedidos para se falar de futebol. Vamos a isso então, com a resposta a nove perguntas acerca do dérbi. 1 – O jogo pode ser decisivo para o campeonato? Não. Uma coisa era o Benfica receber o Sporting com cinco pontos de avanço e a possibilidade de alargar a vantagem para oito. Outra completamente diferente é entrar em campo dois pontos à frente. Mesmo uma vitória do Benfica não deixa os leões fora da corrida. Um empate acentua a noção de que a Liga volta a ser uma corrida à três, sobretudo se antes o FC Porto tiver ganho ao Feirense. E uma vitória do Sporting deixa os leões com vantagem pontual e psicológica para o que resta de campeonato, sobretudo tendo em conta que também já não estão na Europa e podem concentrar-se nas provas internas. 2 – Assim sendo, quem tem mais a perder com o jogo? Mesmo tendo em conta que até pode jogar com dois resultados (o empate deixá-lo-ia como a única equipa a ganhar um clássico na primeira volta), é o Sporting quem arrisca mais em caso de derrota. Porque o Benfica é o campeão em título, mas também porque o fracasso europeu aumentou a pressão sobre Jorge Jesus e Bruno de Carvalho. 3 – Quais são as maiores armas do Benfica? A forma como a equipa de Rui Vitória reage à perda da bola, condicionando muito a saída de bola dos adversários desde a primeira linha de pressão, graças à disponibilidade física e mental dos quatro homens da frente (aumentada se for Jiménez a jogar em vez de Mitroglou). Os problemas do Benfica começam se essa primeira zona de pressão falha a estancar o jogo adversário, porque depois disso a equipa de Vitória tem problemas tanto no controlo da largura (por vezes inferioridade numérica nas alas, por vezes espaço para progredir com bola após variações rápidas e certeiras de flanco) como da profundidade (Luisão não a garante como Jardel). 4 – E do Sporting? A organização ofensiva continua a ser a fase mais forte do jogo leonino, mesmo tendo a equipa de Jesus perdido controlo com a saída de João Mário e capacidade para criar espaço entre as linhas adversárias com a saída de Slimani, cuja busca incessante da profundidade era a melhor forma de encontrar espaço para Ruiz ou Adrien. Ainda assim, o crescimento de Gelson deu a Jesus uma força em lances de um para um que a equipa não tinha na época passada. 5 – Haverá surpresas nos onzes? Não acredito. Presumindo que o Sporting vai mesmo ter Adrien e Gelson, penso que Jesus vai entrar com Bryan Ruiz e Bruno César, desta vez com este na esquerda para, com menos diagonais, condicionar a ação de Nelson Semedo. No Benfica, A dúvida é entre Jiménez e Mitroglou, sendo que em condições ideais acredito mais na titularidade do grego, mais jogador de área, porque com Guedes, Salvio e Cervi a equipa não precisa tanto da capacidade de pressão do mexicano. 6 – E Jonas? Assumindo que está em condições, talvez possa entrar perto do fim, mas só se o Benfica estiver desesperado ou com a vitória garantida. Caso contrário, parece-me que os 80/20 enunciados por Rui Vitória terão sido apenas para manter Jesus em dúvida acerca da possibilidade de o brasileiro poder aparecer. 7 – As derrotas europeias terão influência no jogo? É possível. No Benfica porque vem de duas derrotas seguidas, ainda que o facto de ter conseguido na mesma o apuramento para os oitavos de final da Liga dos Campeões possa servir de atenuante. No Sporting, o fracasso total, a incapacidade de atingir até à Liga Europa, pode ter levado a equipa a duvidar de si mesma, sobretudo porque o treinador não abdicou dos titulares no jogo com o Legia. Aqui falará mais alto a capacidade de Jesus para instigar uma resposta por parte dos jogadores. 8 – E a fadiga pode ser importante? Pode. Porque além de ter tido menos 24 horas de repouso, o Sporting teve de enfrentar uma longa viagem de regresso e um ambiente diferente, com temperaturas muito baixas. 9 – Que resultado convém mais ao FC Porto? Sem dúvida o empate. Porque lhe permite ganhar pontos aos dois, porque não moraliza Benfica nem Sporting.
2016-12-10
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Que o Sporting tenha sido afastado da Liga dos Campeões, num grupo onde teria de ultrapassar Real Madrid e Borussia Dortmund, foi natural. Mas que o Sporting tenha depois ficado fora da Liga Europa, afastado por um Legia Varsóvia que tem apenas dois ou três jogadores acima do razoável e que há mais de 20 anos não ganhava uma partida sequer na Champions já é uma anormalidade que só a falta de estatuto europeu e uma invenção de Jorge Jesus na Polónia pode explicar. Se a ideia era ficar fora da Europa para se centrar nas competições nacionais, Jesus bem podia ter levado a equipa B e poupado os titulares para o dérbi com o Benfica que aí vem. Assim, entrará na Luz com uma equipa cansada, desmoralizada e com mais pressão em cima da cabeça. No dia em que o FC Porto se juntou ao Benfica nas 16 melhores equipas europeias, algo que o futebol português só tinha conseguido uma vez, à entrada de 2009, o Sporting voltou a mostrar ao Mundo que lhe falta aquilo que é preciso para vingar a este nível. E tudo começou na equipa montada por Jorge Jesus. Repetiu os três defesas-centrais que tinha escalado em Dortmund – com o mesmo resultado, a derrota por 1-0 – mas desta vez juntou a essa originalidade a colocação de Bruno César a ala direito, de Gelson mais por dentro e de um também cada vez mais inexplicável Markovic nas costas de Bas Dost. O resultado foram 45 minutos oferecidos aos polacos, com um Sporting à procura de si mesmo, lento por falta de referências e incapaz de compreender a melhor forma de ocupar os espaços, como se viu no golo polaco, marcado em inferioridade numérica na área leonina. É verdade que, depois de dar avanço, Jesus corrigiu e o Sporting melhorou, tendo ficado perto de empatar – André falhou dois golos cantados – mas nem isso serve para atenuar o embaraço que é não ter conseguido fazer um único golo a uma equipa que tinha encaixado 24 nas cinco partidas anteriores da Champions. Fora da Europa em Dezembro, o Sporting terá agora condições para repetir a época que fez sob o comando de Leonardo Jardim, na qual se concentrou na competição interna e fez alguma sombra ao Benfica de Jesus. Este desfecho, porém, vem na pior altura, pois os leões perderam hoje a vantagem emocional que teriam sobre um Benfica que entra no dérbi com duas derrotas seguidas. Quando subirem ao relvado da Luz, no domingo, os jogadores leoninos não estarão apenas fatigados e desmoralizados: vão com a noção de que não podem falhar, porque jogam ainda mais ali do que seria de prever nesta altura do ano. É menos provável, porém, que Jesus repita os três centrais.
2016-12-07
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Os dérbis entre Benfica e Sporting sempre foram um jogo à parte na história do futebol português, mas nunca terão sido marcados por tantos “mind games” como na época passada, fruto da passagem de Jorge Jesus de um para o outro lado da Segunda Circular. Dos quatro desafios entre ambos que se jogaram em 2015/16, só o último não ficou marcado por trocas de galhardetes verbais – o que de certa forma vem contrariar a ideia segundo a qual os leões perderam o campeonato por causa da estratégia de polémica constante a envolver os rivais, pois esse foi o único dos quatro jogos que não ganharam. Esta época, porém, tudo parece mais morno. Ainda que o último fim-de-semana já tenha representado um ligeiro aquecer de reatores, a que a semana de Liga dos Campeões pode ou não dar o devido empurrão. A época passada começou com Jorge Jesus ao ataque e Rui Vitória muito mais recatado. Por uma questão de personalidade – mais confrontacional a do atual treinador leonino, muito mais professoral a do técnico benfiquista. Os resultados favoráveis ao Sporting (1-0 na Supertaça, 3-0 na Luz para a Liga e 2-1 em Alvalade para a Taça de Portugal) ainda levaram a um extremar de posições por parte de Jesus, cujo ego, já se sabe, supera em muito o muito que já é capaz de fazer à frente de uma equipa. Passou-se do “eles perderam o cérebro” ao “pu-lo deste tamanhinho” e ao “nem o vejo como treinador”. Ao mesmo tempo, estas constantes provocações levaram ainda a uma tentativa certamente ensaiada mas nunca bem conseguida de resposta por parte de Vitória, que definitivamente não está na sua praia quando se trata de confronto. Não quero aqui fazer juízos morais acerca de um e de outro. Acho mesmo que, dentro de determinados limites, estas provocações animam as bancadas, levam os adeptos a sair de casa e a defender as suas cores com outra paixão. Até porque, no final, elas não foram decisivas: o que ganha os jogos são as bolas na baliza. O que diz a teoria é que Jesus ganhará sempre no bate-boca, mas que terá perdido no campo porque as constantes provocações terão levado a uma muito maior união num adversário que nunca se importou de perder nos soundbytes desde que ganhasse nos relvados. A teoria, porém, também não tem necessariamente de estar certa. Porque da única vez que manteve o recato face ao adversário, Jesus perdeu o jogo (1-0 em Alvalade, para a Liga) e o próprio campeonato. A questão aqui é a de perceber porque esteve Jesus mais calado antes do quarto dérbi. Por falta de assunto, esgotados os temas de provocação? É possível. Por ter empatado em Guimarães na semana anterior, ter visto a vantagem diminuir e passar a correr ali o risco de ver o rival ultrapassá-lo na tabela (tal como pode acontecer agora ao Benfica de Rui Vitória)? É mais provável. Por entender que, já há oito meses na Luz, os jogadores rivais já não podiam ver as suas convicções acerca do velho e do novo mestre abaladas por declarações do primeiro? É ainda mais provável. O que transporta os “mind games” de Jesus para uma dimensão completamente diferente, da mera fanfarronice para a estratégia. Pode ser por isso, aliás, que o aquecimento para o Benfica-Sporting de domingo tem sido tão lento e que talvez até possamos assistir a um cumprimento cordial entre os dois técnicos antes e no final da partida que definirá quem fica na frente do campeonato. Para gáudio de todos os que defendem um desporto assético e impoluto, sem tricas nem ofensas. Não tenho, ainda assim, a certeza de que tal venha a acontecer. Porque apesar dos mornos dias anteriores, houve ali, de parte a parte, sinais de que há alguma vontade de condicionar na sala de imprensa o que vai passar-se no relvado. Começou Rui Vitória, ainda antes da deslocação ao Funchal, quando aproveitou uma pergunta da BTV acerca do departamento médico – dando-se até ao trabalho de mostrar alguma surpresa por essa pergunta ter sido feita – para vir defender os médicos postos em causa e para deixar no ar um nada enigmático “eu não ando nisto há dois dias”. Tradução: alguém anda a pôr na rua notícias acerca do nosso descontentamento com o departamento médico e não somos nós mas sim quem nos quer mal. Continuou Jorge Jesus, quando após a vitória por 2-0 frente ao V. Setúbal aproveitou para vir queixar-se da arbitragem, que anulou dois golos aos leões – quando nem nas derrotas é hábito vê-lo pôr em causa os árbitros. Tradução: já fomos prejudicados hoje, portanto não se atrevam a apitar de modo a que não gostemos no jogo da Luz. Os sinais estão lá. Os vulcões estão ativos, apenas à espera de um sinal para poderem entrar em erupção. E a semana europeia pode bem provocar ali alguma coisa. Antes de um jogo em que pode acabar de deitar ao lixo uma vantagem que já foi de sete pontos, o Benfica recebe o Napoli – que também precisa de pontuar – num jogo que, faça o Besiktas o seu papel em Kiev, pode ser de mata-mata. Um dia depois, o momento leonino pode ser afetado ou confirmado em Varsóvia – e francamente nem sei o que pode ativar mais Jesus, se a euforia ou a depressão – num jogo que pode mandar o Sporting para a Liga Europa ou deixá-lo sem provas europeias até final da temporada. Lá para o final da semana fazemos contas.
2016-12-05
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As minhas reflexões sobre jornalismo são constantes, diárias, mesmo que muitas vezes as guarde só para mim. Sejam acerca do objetivo da profissão ou das suas permanentes mutações, não só relativas aos modos de funcionar como à rentabilização – porque se o jornalismo é grátis para o consumidor, continua a ter custos para quem o produz e esses custos têm de ser cobertos. Na semana passada, reagi com uma entrada a “pés juntos” à enxurrada de elogios que andava pelas redes sociais acerca de uma primeira página da “Marca”, onde aparecia Cristiano Ronaldo, mas o facto do CR7 aparecer equipado à Sporting fez com que a maior parte de vós quisesse discutir o clubismo em vez de debater o jornalismo. Vou, por isso, voltar a tentar hoje. A primeira página da “Marca” de hoje, feita à volta da tragédia que foi a queda do avião onde viajava a Chapecoense, é belíssima e sensibilizadora. Mas, mais uma vez, acho que está muito mais próxima das relações públicas do que do jornalismo. O facto de o dizer não quer dizer que esteja menos solidário com o drama de familiares e adeptos dos jogadores desaparecidos, mas o que a “Marca” fez, sendo um excelente outdoor, um cartaz de grande nível, não é a evolução do jornalismo. É evidente que o jornalismo tem de evoluir, mas não para se transformar em relações públicas, porque se assim for deixamos de ter dois nomes diferentes para duas funções que, sendo ambas nobres, são adversárias e não aliadas. Já diz a citação, que “jornalismo é aquilo que [os agentes] não querem ver publicado; o resto são relações públicas”. A “Marca” é o expoente máximo, julgo mesmo que a nível mundial, deste género de “jornalismo”. Para o explicar é preciso compreender a história do desporto espanhol, que estava pouco mais do que moribundo no início da década de 90 e soube aproveitar os programas de incentivo gerados por altura dos Jogos Olímpicos de Barcelona para se tornar uma das maiores potências mundiais. Não só em futebol como em muitos outros desportos coletivos e individuais. Seja no que for, há um espanhol no topo do Mundo. E a “Marca” viu ali a oportunidade de responder a uma das maiores preocupações de quem pensa jornalismo em todo o Mundo – a viabilização financeira da atividade. Os jornais têm de se vender, porque apesar de muitos de vós acharem que o jornalismo é gratuito (os cliques na internet não pagam taxa), as empresas de jornalismo continuam a ter de pagar salário aos profissionais que escrevem as notícias. E não, isto não é uma vergonha para a profissão – nenhuma atividade a que os consumidores de informação grátis na internet recorram abdica de se fazer pagar. Pagam pelas obras lá em casa, pelo café na pastelaria, pelo gasóleo para o carro… O que a “Marca” fez a partir do final da década de 90 – e que lhe permitiu ser o único jornal desportivo europeu a não perder vendas no trágico ano de 2002 – foi um produto que se foi aproximando mais das relações públicas, com a glorificação permanente dos seus campeões. Começaram a ver-se primeiras páginas laudatórias, apelando sobretudo ao sentimento dos potenciais consumidores, que gostam que lhes pintem uma realidade até por vezes excessiva. Foi esse o tipo de “jornalismo” exportado pelos tais consultores espanhóis que as principais empresas de media portuguesas chamaram para explicar o segredo do seu sucesso após as quebras de 2002 e 2003. E quando se abre a porta a esse tipo de “infotainement”, chega-se ao radicalismo que um deles uma vez expôs sem qualquer pudor. O problema é que o “há que ser mais fanático do que os adeptos mais fanáticos” que nos foi explicado por um ex-diretor do “As” não será nunca exportável para Portugal, porque as realidades são diferentes. E são diferentes em quê? Primeiro, o desporto português não tem sequer um décimo dos campeões do desporto espanhol. Eles têm o Fernando Alonso, nós temos o Pedro Lamy. Eles têm o Rafael Nadal, nós temos o João Sousa. E por aí a fora. Depois, porque se em Espanha o espectro de adeptos dos maiores clubes chega para alimentar diversos jornais que deles se aproximam, em Portugal somos menos e nenhum clube tem consumidores em número suficiente para manter vivo um jornal. E quando os jornais tentam, à vez, agradar a todas as cores, acabam por perder o respeito das cores adversárias. A este respeito, quando em 2007 estive em Espanha reunido com os cérebros da Unidad Editorial – dona da “Marca” e do “El Mundo” – para estudarmos a possibilidade de se lançar a “Marca” em Portugal, uma das primeiras perguntas que me fizeram foi: “E de que clube vamos ser?” Respondi que de nenhum, que íamos estar rigorosamente ao meio. O que me leva à segunda parte do raciocínio. Porque se a transformação do jornalismo em relações públicas pode até funcionar financeiramente em Espanha – mas não em Portugal – ela vem colocar questões que me parecem pertinentes também no plano deontológico. No meu percurso nos jornais desportivos, tive cinco diretores: João Marcelino, José Manuel Delgado, Alexandre Pais, Manuel Tavares e João Querido Manha. Uns eram pelo jornalismo de combate, outros pelo jornalismo de compromisso, outros ainda pelo jornalismo (sobretudo desportivo) enquanto entretenimento. Aprendi coisas com todos, mas continuei sempre a pensar pela minha cabeça. E sempre rejeitei a vertigem das boas notícias de que o jornalismo desportivo português está cheio: a ideia é sempre agradar ao potencial leitor, tocando-lhe no coração, que tanto pode ser o emblema do clube como, neste caso, o choque recente com a tragédia da Chapecoense. E isso, nalguma parte do caminho, sobrepôs-se à missão principal do jornalismo, que é e continuará a ser a de dar notícias, mesmo que elas sejam incómodas. É evidente que a manchete da “Marca” no dia do Sporting-Real Madrid tinha de ser o regresso de Cristiano Ronaldo a Alvalade: o que contestei foi que aquilo fosse apresentado assim, com foco apenas da beleza do cartaz em vez de ser, por exemplo, numa reportagem aos inícios de carreira do jogador. E se na altura falei em marketing – o que levou muita gente a achar erradamente que era marketing para promover Ronaldo – o que estava a dizer é que era marketing do jornal, às costas de Ronaldo, que serve para vender muita coisa… e também jornais. É evidente que a manchete de hoje da “Marca” ou de qualquer jornal desportivo tem de ser com a Chapecoense, mas em nome do jornalismo eu preferiria que ela fosse noticiosa em vez de parecer um cartão de solidariedade que se envia aos familiares das vítimas. Porque a solidariedade pode até vender mais, mas não é jornalismo – é relações públicas. PS – Muitas das reações ao que vou pensando sobre jornalismo remetem-me para exemplos concretos do que se faz em Portugal. Percebam por favor uma coisa: não vou estar aqui a fazer crítica de primeiras páginas dos jornais portugueses, não só por bons amigos em todos, mas sobretudo porque ninguém me nomeou provedor da imprensa desportiva nem eu me arrogo ao direito de o ser. E porque o facto de já ter passado – e ter sido afastado – da direção de dois dos três jornais poderia levar a que aquilo que penso fosse confundido com despeito. PS II – Quando comentei a primeira página da “Marca” com Cristiano Ronaldo vestido à Sporting, muitos criativos acharam que aquilo era contra o CR7 ou contra o Sporting. Não era. Reitero agora publicamente aquilo que disse nesse dia em mensagem privada aos que me ameaçaram fisicamente: fui ao jogo, da mesma forma que continuarei a ir a todos os estádios de cara destapada e cabeça erguida. Aos que quiseram discutir o tema de forma mais séria, digo que nada me move nem contra Ronaldo – com quem mantenho uma relação de respeito desde que em 2002 comecei a acompanhar a sua carreira – nem contra o Sporting – clube que trato da mesma forma que trato os outros, independentemente das simpatias que tenho ou que me tentam arranjar por esta ou aquela cor. Aliás, continuo convencido que o facto de diariamente virem aqui acusar-me de estar a favorecer Benfica, Sporting ou FC Porto é o maior ato de validação ao meu trabalho que pode haver.
2016-11-30
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Ainda sou do tempo em que havia quem tentasse aplicar ao futebol regras do direito comum do trabalho, advogando que para se libertar de um contrato, rescindindo-o, a um jogador bastaria pagar ao clube a que estava ligado o valor correspondente aos salários que ainda teria a receber. Não era assim, não viria a ser assim, porque o futebol obteve neste particular o direito a uma especificidade que tem a ver com os milhões pelos quais são transacionados os passes dos jogadores e até com os salários muito acima da média que alguns destes recebem. E aí nasceram as cláusulas de rescisão. Que não servem para definir quanto vale um jogador nem muito menos para se fazer um campeonato, ao contrário do que acham os adeptos mais fervorosos e aqueles que se entretêm a alegrar-lhes os dias. Quando um clube contrata um jogador, é porque acredita nele e quer contar com ele até o ver corresponder em campo, até o ver pagar com rendimento desportivo o que nele foi investido. A dada altura, passou a ser habitual que se lhe fixasse uma cláusula de rescisão, que entra num contrato como parâmetro negocial ao nível dos anos de duração, do salário ou do prémio de assinatura. Às vezes há coisas exageradas, como as cláusulas de dezenas de milhões de euros que o Sporting fixou para alguns jogadores da formação que andavam na equipa B ou os 80 milhões em que parece ir ficar a cláusula de rescisão de Nelson Semedo com o Benfica. São casos diferentes – o Sporting blindava os miúdos por ainda não saber se ali ia aparecer um novo Ronaldo, o Benfica blinda Semedo por estar a vê-lo crescer na equipa principal – mas têm em comum uma coisa: ambos os clubes ficaram aquelas cláusulas porque puderam fazê-lo, porque no ato de assinatura dos contratos os jogadores e os seus agentes concordaram com isso. Nunca os clubes insinuaram sequer que aqueles jogadores valiam aquele dinheiro: queriam apenas assegurar que se um dia viessem a valer algo próximo daquilo não podiam fugir a não ser por aquele valor. Cissé não valia 60 milhões de euros, Semedo não vale 80 milhões e, mesmo que venha a assinar o novo contrato com a cláusula que o Sporting quer impor-lhe, Gelson não valerá ainda 100 milhões. O que vale então um jogador? Era costume dizer-se que valia aquilo que alguém se oferecesse para pagar por ele. É assim a lei do mercado. Se eu tenho um ativo – o passe de um jogador –, se me oferecem dez milhões por ele e se eu aceito, esse ativo valerá esses dez milhões. Só que, tal como em tudo na vida, o mercado de futebolistas mudou muito com as intervenções dos mega-agentes e dos fundos de investimento. Não é sequer uma questão exclusiva do futebol. Todas as áreas onde há mega-investimento para criação de mais-valias acolhem este tipo de especulação. Seja o imobiliário, a bolsa de valores ou até o trading em apostas desportivas. Aquilo que mais influencia os mercados hoje em dia não é a qualidade dos jogadores, mas sim o dinheiro dos investidores. Os principais fatores determinantes nos valores das transferências dos jogadores não são a vontade dos clubes vendedores ou compradores ou a qualidade dos futebolistas mas sim a determinação estratégica de grandes grupos financeiros que entraram no futebol. São estes que, de acordo com o caminho que querem dar ao negócio, decidem se é altura de fazer dumping e vender abaixo do preço justo ou se, usando as influências que têm em clubes de vários países e dimensões, o que lhes convém é subir os preços numa espécie futebolística de cartelização. Exemplos disto são as chegadas a Portugal de jogadores como Elias (da primeira vez que veio para o Sporting), Jiménez ou Imbula, mas também saídas como as de Rodrigo para o Valência ou do mesmo Imbula, que fracassou e mesmo assim se valorizou. É por isso, sobretudo, que cada vez fazem menos sentido estes campeonatos da venda de jogadores que só os tais adeptos mais fervorosos vão alimentando. Nem as mais-valias são assim tão grandes, porque para vender caro é preciso comprar caro e manter a roda a girar um nível mais abaixo, nem o objetivo principal dos clubes é vender jogadores. É ganhar campeonatos, daqueles a sério, em que se somam pontos.
2016-11-28
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O empate do Sp. Braga na Bélgica, arriscando vir a fazer depender a continuidade na Liga Europa do resultado frente ao poderoso Shakthar Donetsk de Paulo Fonseca, na última jornada da fase de grupos da prova, não pode ser visto apenas à luz das declarações do diretor financeiro do Benfica, Domingos Soares Oliveira, que veio protestar contra os prémios insignificantes da competição quando comparada com a Liga dos Campeões. Disse Soares Oliveira que o dinheiro que se ganha na Liga Europa é tão pouco que nem os clubes portugueses a levam a sério. Mas nem todos podem pensar assim. Aliás, nem o Benfica devia pensar assim. A razão do dirigente benfiquista parece estar bem à vista, por exemplo, na carreira do Inter Milão, ontem matematicamente afastado dos 1/16 de final da segunda competição da UEFA depois de somar frente aos israelitas do Hapoel Beer Sheva a quarta derrota em cinco partidas, num jogo em que Stefano Pioli trocou cinco jogadores relativamente ao onze que empatou no fim-de-semana com o Milan. Para o Inter, a Liga Europa vale pouco mais de zero, porque o prize-money que ali pode alcançar não faz nenhuma diferença no orçamento da sociedade. Soares Oliveira assenta ainda o que diz na experiência do próprio clube português, que com Jorge Jesus chegou a duas finais da Liga Europa, depois de fracassar na Champions, mas colocando sempre a Liga interna à frente e poupando jogadores até à fase decisiva da competição internacional. Aliás, o próprio Jesus parece ainda pensar assim, não tivesse ele repetido depois da derrota com o Real Madrid que o Sporting tem de se afirmar primeiro em Portugal, para depois poder andar na Europa. Os prémios monetários que a UEFA paga pela progressão na Liga Europa são, na verdade, escandalosamente mais baixos do que na Champions. Nisso, Soares Oliveira tem razão. Se conseguir o segundo lugar no grupo, o Sp. Braga irá ainda buscar um valor na ordem do milhão de euros (um pouco mais se o fizer ganhando ao Shakthar, um pouco menos se se apurar empatando ou até perdendo o último jogo). Depois disso, cada eliminatória vai valendo mais à medida que a prova se aproxima do fim: 750 mil euros por chegar aos oitavos-de-final, um milhão para atingir os quartos, 1,6 milhões pelas meias-finais, mais 3,5 milhões se for finalista vencido ou 6,5 milhões se ganhar a decisão. Para uma equipa como o Sp. Braga, atenção, esses valores já fazem diferença. Aliás, já a fizeram para o Benfica nos anos em que chegou às finais. E não apenas pelo que pesaram na realização orçamental. É que a partir de certa altura os jogadores ganham visibilidade e tornam-se alvos mais apetecíveis no mercado, o que não é despiciendo para clubes de um país periférico e sempre a precisar de realizar mais-valias com transferências, como são os portugueses. E, mesmo que o Benfica tenha esse problema resolvido através da parceria que estabeleceu com Jorge Mendes, até à recente alteração das regras de escalonamento das equipas para o sorteio, privilegiando os campeões dos países mais bem colocados no ranking da UEFA, foi em grande parte aos pontos que foi somando na Liga Europa que os encarnados ficaram a dever as suas sucessivas colocações no Pote 1 da Champions e os grupos menos complicados que tiveram de enfrentar nesta competição. É também por isso que o apuramento para a fase seguinte da Liga Europa é tão importante para o Sp. Braga e até para o Sporting, que por ele vai lutar em Varsóvia, sendo um mal-menor para Benfica e FC Porto, que ainda podem continuar na Liga dos Campeões mas para quem a Liga Europa não pode ser uma hipótese desprezível. Por mais que os prémios não cheguem para virar a cabeça de quem faz as contas todos os semestres.
2016-11-24
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Jorge Jesus disse no final do Sporting-Real Madrid que as diferenças entre os leões e os seus adversários na Liga dos Campeões não são tão grandes como a distância pontual leva a crer. O treinador baseou a teoria nas quatro derrotas pela margem mínima, no "bocadinho assim" que tem faltado aos leões. E podia até ter ido mais longe, se constatasse que em 360 minutos contra Borussia Dortmund e Real Madrid, duas das melhores equipas da Europa, os vice-campeões portugueses só foram mesmo inferiores na primeira parte de Alvalade contra os alemães e nos últimos 20 minutos do Santiago Bernabéu ante os campeões europeus, tendo sido superiores em boa parte do jogo de Madrid e na segunda parte de Lisboa contra os alemães. Esta não é, porém, uma constatação feliz para quem já perdeu um campeonato fazendo um recorde de pontos do clube, porque transporta a necessidade de mudar para um plano que já não depende do treinador. O problema deste Sporting, já se vê, não está no plano do jogo. A equipa consegue equiparar-se às melhores, equilibra jogos com elas, chega a superiorizar-se em alguns momentos. Contra o Real Madrid, hoje, mesmo a jogar com dez – o que implicou ficar sempre com menos um elemento em ataque organizado – foi à procura do empate e teve o 2-1 na cabeça de Campbell na jogada anterior ao golo que valeu o 1-2 a Benzema e ao Real Madrid. O problema deste Sporting está claramente no plano da competitividade, no facto de ficar sempre o tal bocadinho aquém do exigido. E isso é que é dramático, porque não se treina. Jesus pode treinar o ataque posicional, pode treinar a reação à perda, pode treinar a transição ofensiva, pode treinar as variações de centro de jogo, os posicionamentos defensivos ou até tentar aproximar Bas Dost do que representava Slimani, mas não pode dar personalidade vencedora de um momento para o outro aos seus jogadores. Foi por falta dessa personalidade, do “instinto assassino” de que falava Bobby Robson há uns anos, que o Sporting perdeu o último campeonato: não sentenciou a Liga quando tinha pontos suficientes de avanço (derrota frente ao U. Madeira, em Dezembro); permitiu a aproximação do Benfica antes do derbi decisivo (empate em Guimarães); e perdeu depois com o rival em casa, no único jogo que não podia perder, permitindo que os encarnados o ultrapassassem. Jesus atribui estes percalços a erros de crescimento – ainda hoje voltou a falar disso – mas a verdade é que por esta altura a equipa que ele está a construir já passou a fase da adolescência para entrar na vida adulta. Os erros não são de crescimento mas sim de personalidade. E mudar isso é muito mais difícil.  
2016-11-22
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Último Passe

Benfica, Sporting e FC Porto têm todos, esta época, uma jovem coqueluche. E não há como não ficar entusiasmado com o rendimento de Nelson Semedo, Gelson Martins e André Silva, as melhores notícias do futebol português nesta época. Por indiscutível mérito próprio e dos treinadores que neles apostaram, mas também – se calhar sobretudo – de quem desenhou os plantéis sem consagrados que viessem atrasar a sua natural imposição. Seriam os mesmos jogadores se Maxi Pereira e André Carrillo não tivessem desertado? E se Aboubakar não tivesse sido forçado ao exílio na Turquia? Duvido. Sempre achei que não há treinadores com vontade de apostar na juventude e outros menos propensos a isso. Todos os treinadores querem o mesmo, que é ganhar. Jorge Jesus, o treinador que o Benfica terá deixado cair por não querer abraçar o novo paradigma de aposta nos miúdos do Seixal, está agora a jogar reiteradamente com Ruben Semedo e Gelson Martins no Sporting, remetendo para o banco consagrados como Douglas ou Markovic. É por isso que sempre desconfiei dos que o acusavam de ter deixado que se perdessem talentos como Bernado Silva, André Gomes ou João Cancelo, todos eles hoje na seleção nacional, mas transferidos pelo Benfica antes de terem tido sequer a oportunidade de se afirmarem na equipa principal. Jesus foi bruto na forma como tentou matar os sonhos destes jovens, com a famigerada frase do “têm de nascer dez vezes”? Claro que foi. Jesus é bruto, ponto final. Já o tinha sido no passado e voltará a sê-lo no futuro. Faz parte da personagem que ele encarna. Mas daí a ser o único responsável pelo facto de aqueles três internacionais nunca se terem afirmado na Luz já vai uma distância que me recuso a percorrer. Vejamos o caso de Cancelo, atualmente titular na lateral direita da seleção, depois de quase ter passado diretamente do Benfica B para o Valência. Cancelo pouco jogou no Benfica porque à sua frente estava Maxi Pereira. E agora olhemos para Nelson Semedo, que do meu ponto de vista é até superior a Cancelo, sobretudo na forma como defende. Seria ele o jogador que é se Maxi tivesse ficado no Benfica em vez de assinar pelo FC Porto? Claro que não. Porque lhe faltaria aquilo que faz verdadeiramente os grandes, que é a competição. A verdadeira mudança de paradigma no Benfica, o que permitiu nos últimos doze meses a afirmação de jovens como Renato Sanches, Nelson Semedo, Gonçalo Guedes ou Lindelof, tem mais a ver com a ausência de alternativas indiscutíveis no plantel – quase sempre por causa de lesões – do que com a mudança de treinador. Claro que, até pelo seu percurso ligado à formação, Rui Vitória trabalha melhor os miúdos do que Jesus, transmite-lhes uma confiança que este nunca seria nem alguma vez será capaz de transmitir. E isso também conta. Mas nem Nelson jogaria tanto se houvesse Maxi nem nenhum dos outros estaria hoje onde está sem as ondas de lesões que lhes deram as primeiras oportunidades. O mesmo vale, aliás, para Gelson Martins. Estaria Gelson onde está se Carrillo não tivesse querido mudar para o Benfica? Claro que não. Carrillo era no início da época passada o maior desequilibrador do plantel do Sporting e, mesmo tendo ele afirmado em entrevista que Gelson era o miúdo com mais talento que alguma vez tinha treinado, Jesus faria sempre a equipa com o peruano. Aliás, no íntimo e mesmo que o não diga, o treinador há-de estar convencido de que se Bruno de Carvalho não tivesse imposto o ostracismo a Carrillo a partir do momento em que este se recusou a renovar contrato, teria sido campeão. Afinal, ele tinha sido campeão em 2014/15 no Benfica, com Nelson Semedo na equipa B e Maxi a jogar durante meses, depois de se recusar a renovar. Sem Carrillo, a aposta em Gelson foi tão natural como a de Rui Vitória em Gonçalo Guedes quando se viu privado de Salvio e agora de Jonas. E, por mais hesitante que tenha parecido a primeira época, na qual Gelson terá nascido umas quantas vezes, o extremo é ao segundo ano uma das figuras da equipa e um fixo da seleção nacional. Nenhum caso será tão paradigmático, no entanto, como o de André Silva. Não se pode acusar José Peseiro de andar desatento aos jovens: foi ele que deu continuidade a João Moutinho, por exemplo, levando-o a jogar uma final europeia com 18 anos. E no entanto, na época passada, depois de dar a titularidade a André Silva, reverteu a aposta antes do clássico com o Sporting, recuperando Aboubakar. Quando lhe pediram para justificar a ausência de André Silva no Europeu, aliás, Fernando Santos até se deu ao luxo de dizer que tinha ido vê-lo ao clássico mas ele não tinha jogado. A administração portista terá encaixado a direta e, para evitar recuos na aposta naquele que pode ser o bastião do portismo nos anos que aí vêm, substituiu-se ao mercado: sem propostas por Aboubakar, mandou-o para a Turquia sem remissão, por empréstimo. E essa foi a forma de o FC Porto e a seleção ganharem o ponta-de-lança que fazia (a ambos) tanta falta.
2016-11-21
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Último Passe

Sempre que um grande defronta um clube de muito menor dimensão em jogo da Taça de Portugal, a conversa mais frequente é acerca de motivação. Da falta de necessidade do treinador do clube mais pequeno motivar os seus jogadores, porque estes estarão já naturalmente espicaçados pela hipótese de se mostrarem a uma audiência muito mais ampla que a normal, mas também da dificuldade do responsável do clube mais forte em focar os seus homens num jogo de resultado previsível e onde estes terão muito mais a perder do que a ganhar. Essa não é, no entanto, a principal variável em campo. Muito mais importantes são a qualidade e o entendimento coletivo, já para não falar do ritmo competitivo ou da confiança que faltam quase sempre aos que aparecem ali como se aquela fosse a sua última praia. No Sporting-Praiense, o que permitiu aos açorianos ficar dentro da eliminatória durante boa parte da partida – na verdade até ao 3-1, que apareceu a meia-hora do fim – não foi a motivação por defrontar um grande ou por jogar em Alvalade. Foi o entendimento que os seus jogadores mostraram entre si, porque estão habituados a jogar uns com os outros e formam uma verdadeira equipa. Depois, o que permitiu aos leões dar a volta à eliminatória até ao 5-1 final não foi a vontade de mostrar serviço dos nove suplentes habituais chamados ao onze por Jorge Jesus, mas sim a qualidade dos dois titulares (Adrien e, sobretudo, Bruno César) que, por não terem jogado na pausa para partidas de seleções, ficaram na equipa inicial. Porque a motivação, nascida da tal vontade que os suplentes mais habituais podem ter de justificar mais chamadas à equipa, pode muito bem dar bons ou maus resultados: no Sporting, aquilo de que mais gente vai lembrar-se é de mais um jogo desastrado de Castaignos, com especial relevo para uma trivela que, a meio da segunda parte, mais pareceu saída de uma tarde de convívio entre solteiros e casados. Quer isto dizer que fazem mal os treinadores que, face a jogos desta natureza, mudam o onze de forma radical? Não. A questão é que os jogadores chamados para este tipo de jogos não são – não podem ser – tão maus como aparentam. Castaignos, por exemplo, tem uma história atrás dele e, por muito que a mais recente seja negra, tem de ser melhor do que o que se viu. Ou do que os dois golos de André, depois de o substituir, podem ajudar a fazer crer. O que lhe falta – a ele, como a Douglas, a Esgaio, a Jefferson ou a Alan Ruiz, por exemplo – é ritmo competitivo. E a confiança que nasce nele. Essa, porém, não vai aparecer por decreto.
2016-11-17
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Último Passe

Tenho evitado entrar na polémica do túnel de Alvalade, até porque não tenho nada de relevante a acrescentar ao que toda a gente viu: muita gente a portar-se mal, dos dois lados da barricada. Como não sou juiz, não decreto sentenças nem atribuo culpas. Como não sou advogado nem procurador, não faço a defesa de uns nem a acusação de outros. Sou jornalista. E os jornalistas aquilo que mais fazem são perguntas. É a única coisa que posso fazer neste caso. Deixo, assim, as perguntas que gostaria de fazer aos intervenientes neste caso, porque me parece que ainda não foram devidamente respondidas. Por que razão se dirigiu Carlos Pinho a Bruno de Carvalho de forma apressada e intempestiva, indo mesmo de braço em riste até ao confronto? Houve alguma provocação anterior feita por Bruno de Carvalho? O que disseram um ao outro nessa ocasião? O presidente do Sporting cuspiu na cara de Carlos Pinho? Ou mandou-lhe com vapor do cigarro eletrónico para a face? Se cuspiu e tendo em conta as acusações que foram feitas na altura (insultos e tentativa de agressão), isso não era suficientemente relevante a ponto de ter sido citado na conferência de imprensa que se seguiu pelo diretor desportivo do Arouca? Se vaporizou, isso é um comportamento digno? O que disse o steward a Carlos Pinho para, mesmo tendo ele os braços erguidos e abertos, o presidente do Arouca lhe ter dado um “safanão”? Acha digno tentar bater num homem cuja única intenção era, aparentemente, acalmar os ânimos? Para que estava o presidente do Arouca a chamar reforços de dentro do seu balneário? O que disseram os jogadores que compareceram por ali a acalmar a guerra aos seus presidentes? E os adeptos? Por acaso são capazes de se rever no comportamento dos respetivos dirigentes? Enquanto não souber a resposta a estas onze perguntas, não sou capaz de ter opinião acerca dos incidentes a não ser esta: ali, tirando os futebolistas, ninguém se portou bem. É por isso que gosto mais de falar de futebol.
2016-11-16
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Algo de muito estranho se passa em Portugal para que, com dois vencedores da Bola de Ouro pela frente, toda a gente se preocupe sobretudo em saber, de um, se acha que o Sporting pode apanhar o Benfica na classificação da Liga e, do outro, que acaba de assinar uma renovação de contrato que o deixa em Madrid pelos próximos anos, se tenciona voltar a jogar no Sporting. Sei que Rui Costa estabeleceu um precedente invulgar, voltando ao Benfica depois de uma longa carreira em Itália – e não ganhou a Liga nesse regresso, que por isso não foi particularmente feliz nem para ele nem para o clube – e que quase todos os portugueses olham para o futebol não como um desporto, não como um negócio, mas como uma guerra de trincheiras. Como um nós contra eles. Um podemos nem ganhar nada com isso, mas depois de voltar do estrangeiro o craque x ou y provou que gosta é de nós e não deles. Como se isso importasse alguma coisa. Questionado sobre o regresso eventual ao Sporting, Ronaldo – para quem o futebol é uma profissão, na qual ele é parte fundamental de um mega-negócio, conforme se via só pelo facto de as perguntas serem parte da apresentação das novas chuteiras do craque – disse o que podia dizer. “Quem sabe aos 41 anos…” Essa é uma pergunta à qual, em bom rigor, ele neste momento não pode responder. Se o Real Madrid se fartar dele, se ele se fartar do Real Madrid, se não houver mais nenhum clube dos campeonatos de topo a querer contar com ele, se não houver nenhuma reforma num qualquer “Eldorado” onde ele possa impulsionar o negócio. São muitos ses. Bruno de Carvalho já disse que gostaria de o ter de volta, ele certamente também acharia graça à ideia, mas essa não é sequer uma questão atual ou uma questão à qual se possa responder de forma clara com um mínimo de honestidade intelectual. Inspirada na atualidade é a pergunta feita a Figo acerca da classificação da Liga, quando o antigo Bola de Ouro apresentava uma app de telemóvel destinada a ajudar na captação de talentos. Acha que o Sporting ainda consegue apanhar o Benfica? Figo lá balbuciou que sim, que é possível – e para o saber não é preciso ter sido Bola de Ouro – e que para bem dos sportinguistas era bom que isso sucedesse, mas certamente terá sido, pelo menos, surpreendido com a temática. Figo já não joga há uns anos e o futebol, para ele, já é mesmo só negócio. E se estivesse preparado para aquela pergunta até podia ter dito que sim, que o Sporting pode apanhar o Benfica na Liga, mas só porque o acordo que assinou com os encarnados para canalizar os jovens talentos captados pela sua app para o Seixal ainda não está em vigor. Fazia publicidade ao produto que estava a promover e respondia ao nonsense com nonsense.
2016-11-09
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As palavras de Nuno Gomes e Rui Costa acerca do negócio da formação, no “web summit”, casam melhor do que se pensa com as declarações do jornalista italiano Pippo Russo, em mais uma entrevista que este deu para promover o seu mais recente livro acerca do universo de Jorge Mendes. No fundo, ambos defendem a mesma coisa: um modelo de negócio que permita aos clubes florescer, tanto os ricos como aqueles que, como é o caso dos portugueses, vivem das mais-valias feitas com transferências no mercado internacional. A formação em futebol já não é o que era há uns 20 ou 30 anos, quando o FC Porto anunciava aos quatro ventos o primado do “jogador à Porto”, ganhando campeonatos com uma equipa cheia de futebolistas formados em casa. A globalização e a identificação dos jovens jogadores como um negócio em potência trouxeram desafios que Nuno Gomes e Rui Costa identificaram bem na conferência de hoje. Primeiro: por estes dias, o desporto para jovens paga-se. Segundo: por estes dias, os jovens com real talento nos clubes de mercados periféricos são detetados muito cedo e saem para os países ricos antes de poderem dar muitos títulos a ganhar a quem os forma. O modelo de negócio está no equilíbrio, na capacidade para, primeiro, iludir o crivo do poderio financeiro dos pais e, depois, fugir durante algum tempo à pressão dos grandes clubes para terem o próximo Ronaldo. Nuno Gomes deu o exemplo de Gonçalo Guedes e Bernardo Silva, dois jovens talentos cujos pais tiveram de pagar para que eles pudessem jogar nas escolas do Benfica. Ambos são já internacionais A, tendo o segundo saído por muito dinheiro para o Mónaco antes sequer de se afirmar na equipa principal do Benfica. Ora, o que teria sucedido se os pais destes jogadores não tivessem podido pagar para eles jogarem nas escolas do Benfica? Ter-se-ia perdido o talento? Certamente que não. Mas o Benfica iria perder o negócio. E é nesta busca de equilíbrio que está o segredo: em não impedir que os melhores acedam à melhor formação e em impedir, aí sim, que vão embora antes de contribuírem para a conquista de títulos. Porque só assim os clubes portugueses poderão cumprir o desejo de Rui Costa, que quer vê-los a competir no campo com os grandes de Inglaterra ou Espanha. Mas onde entra aí Pippo Russo? Na segunda parte da equação. Diz o jornalista italiano que, estando nas mãos dos grandes agentes e dos fundos de investimento, os clubes não ganham dinheiro. Que ganham nas transferências que fazem, mas como têm de manter o carrossel em funcionamento comprando igualmente caro, essa mais-valia esvai-se. Se olharmos para as dificuldades dos clubes portugueses em amortizar passivo, apesar das vendas que têm feito, teremos de concluir que tem alguma razão. Porque para vender caro, um clube tem de manter satisfeita a clientela. Ainda assim, estou convicto que nem um nem o outro lado da barricada no que respeita à relação entre clubes e fundos encontrou ainda a pedra filosofal da transformação da formação em negócio. Nem o Sporting, que rejeita fundos e super-agentes, não gasta assim tanto, mas depois também não tem a mesma facilidade de escoamento dos seus formandos no mercado internacional, como se viu nas propostas modestas que lhe chegaram pelos seus campeões da europa. Nem o Benfica ou o FC Porto, que trabalham com os super-agentes e os mega-fundos de investimento, conseguindo vendas milionárias mas sendo depois também forçados a fazer compras muito acima do preço de mercado. Esse equilíbrio, estou convicto, só chegará quando houver verdadeira regulação dos mercados. Mas, seja por razões políticas ou estratégicas, a FIFA, para já, não parece muito para aí virada.
2016-11-08
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A vitória do FC Porto frente ao Brugges, imitando o pleno de pontos nos dois jogos com os belgas que o Benfica tinha obtido contra o Dynamo Kiev, deixou os dragões em boa posição para se apurarem para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, levando a que a deslocação a Copenhaga assuma a mesma importância que terá a viagem benfiquista a Istambul. Por sua vez, aliada ao surpreendente empate do Real Madrid em Varsóvia, a derrota do Sporting em Dortmund, que qualifica desde já os alemães, deixa os leões em maiores dificuldades para poder garantir a Liga Europa, mas permite-lhes manter a esperança matemática de se apurarem em detrimento do campeão europeu. Desde que o batam, em Alvalade, daqui a três semanas. Tudo somado, isto significa que vamos ter mais dispersão provocada pela Champions nas próximas jornadas da Liga. Com tudo o que isso pode significar. Um golo de André Silva chegou ao FC Porto para cumprir o caderno de encargos para hoje. Ganhou por 1-0 ao Brugges e justificou em pleno os três pontos. Entrando para as últimas duas jornadas com os mesmos sete pontos do Benfica, a equipa de Nuno Espírito Santo enfrenta menos dificuldades que a de Rui Vitória. Ambas visitam a equipa que lhes disputa a vaga na fase seguinte e acabam em casa contra o líder atual do respetivo grupo, mas enquanto que o FC Porto segue para Copenhaga com a certeza quase firme de que um empate chegará para carimbar o apuramento, ao Benfica esse mesmo empate no terreno do Besiktas pode exigir uma vitória na última ronda, frente ao Napoli. É que, empatando em Copenhaga e mantendo os dois pontos de vantagem sobre os dinamarqueses, o FC Porto beneficiaria de uma última ronda em casa contra um Leicester já apurado, na qual só uma derrota aliada a uma vitória do Copenhaga em Brugges implicaria a queda na Liga Europa. Por sua vez, empatando em Istambul com o Besiktas, o Benfica manteria um ponto de avanço sobre os turcos, mas em nenhuma ocasião poderia desprezar o resultado do último jogo, em casa com o Napoli. É que mesmo que ganhem em casa ao Dynamo Kiev, os italianos chegarão sempre a Lisboa a precisar de pontuar – e o empate no último dia é pouco para o Benfica, se os turcos ganharem em Kiev. No fundo, FC Porto e Benfica sabem que se qualificam de certeza com uma vitória e um empate. Essa – além de já terem garantido, pelo menos, a Liga Europa – é a grande diferença para a realidade vivida pelo Sporting. A equipa de Jorge Jesus melhorou face ao que tinha feito em Alvalade frente ao Borussia Dortmund, mas voltou a perder. Soma apenas três pontos e, tivesse o Real Madrid ganho em Varsóvia ao Legia, até estaria já fora da Champions. Assim sendo, com o empate dos campeões europeus face à equipa mais fraca do grupo, sabe que se ganhar em casa ao Real Madrid, poderá ainda continuar a sonhar com a qualificação na vez de Cristiano Ronaldo e companhia. Um sonho que não passa de uma quimera? Possivelmente – depois disso, os leões ainda precisariam de ganhar em Varsóvia e esperar que os madridistas perdessem em casa com o Borussia Dortmund, que até já está apurado e não precisará de gastar muita energia nessa noite. Mas será certamente o que basta para obrigar Jesus a investir no jogo de dia 22. Isso e outra coisa. É que de repente até a luta pela vaga na Liga Europa se complicou: a não ser que imitem a proeza dos polacos, que tiraram um ponto ao Real Madrid, e presumindo que o Dortmund não vai desinvestir na receção ao Legia, o Sporting ficou a saber que não pode perder em Varsóvia se quer continuar a ter UEFA para lá do Natal. Razão mais do que suficiente para que Jesus tenha de enfrentar os dois jogos que faltam com investimento total.
2016-11-02
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Último Passe

Há um mundo inteiro de convicções entre Rui Vitória e Jorge Jesus. E são elas que ajudam a explicar os momentos vividos por Benfica e Sporting desde que os dois se enfrentam com estes treinadores no banco. Os adeptos só querem saber quem é melhor, mas isso é como perguntar a um analista político o que é melhor: a esquerda ou a direita? Responder a isso é entrar no domínio do gosto, da opinião. O melhor, no futebol, é sempre quem está à frente. Vitória e Jesus são, isso sim, diferentes, na ideia que têm do jogo e da liderança. Na época passada, o campeão foi o Benfica: logo, o melhor foi Rui Vitória. Durante toda a época, disse e escrevi que o Sporting tinha um futebol coletivamente mais bem trabalhado e que o Benfica ganhava mais graças ao primado da qualidade individual dos seus jogadores. Os adeptos do Benfica acharam que estava a menorizar o trabalho do seu treinador, mas sempre fui dizendo que não. Ser treinador é ser líder e ser líder é escolher a ideia que mais se adapta a um grupo de homens, fazê-la valer e levar a equipa a acreditar nela e a segui-la. Ao optar por dar uma maior liberdade de escolha aos seus jogadores, Vitória não só ganhou como estava a criar uma equipa que se adaptaria sempre melhor a qualquer eventualidade, um todo orgânico capaz de reagir a tudo. Como na verdade se adaptou e reagiu, por exemplo, à crise de lesões que a assolou neste início de época. Jorge Jesus é diferente. O futebol que o Sporting jogou na época passada foi sempre um futebol mais bem trabalhado do ponto de vista coletivo. As movimentações ofensivas postas em prática a cada jogo eram fruto de trabalho hiper-detalhista no campo de treinos, feito por um treinador que, ao contrário de Rui Vitória, dá pouca liberdade de escolha aos seus pupilos. Nas equipas de Jesus – já era assim quando ele treinava o Benfica, ou o Sp. Braga, ou o Belenenses – cada jogador tem de saber, ao milímetro, onde tem que estar em cada situação de jogo, para onde tem de correr, se deve pedir a bola ou procurar o espaço… Todas as situações estão previstas e têm uma resposta antecipada. O processo é menos humanizado, os jogadores acabam por transformar-se em peças de uma máquina, com uma função a cumprir. Se a cumprem bem, a equipa joga um futebol altamente mecanizado e eficaz; se falham, todo o coletivo entra em crise. O problema do método de Jesus é aquele que o Sporting enfrenta neste momento: a máquina perdeu peças fundamentais. O Benfica perdeu mais e mesmo assim ganha? Certo. Mas no Benfica, recordam-se, todo o processo valoriza mais a criatividade, a inspiração dos intérpretes. Falta Jonas? Entra Guedes, que joga diferente, muito diferente, mas o todo acaba por adaptar-se a essa diferença. Falta Gaitán? Entra Cervi, que também joga muito diferente, mas mais uma vez o coletivo acaba por se ajustar. Falta Sanches? Entrou Horta, primeiro, e aqui o coletivo sentiu algumas dificuldades, porque aquilo que Sanches dava à equipa era único e esta sofreu mais para se habituar à perda daquela capacidade de queimar linhas e esticar o jogo. Melhorou com Pizzi, jogador mais experiente, mas também porque o todo-orgânico que compõe a equipa já teve mais tempo para absorver a novidade. No Sporting, o primado da mecanização coletiva – em nome do qual Jesus usa tantas vezes a primeira pessoa do singular, porque na verdade é ele que desenha os movimentos da máquina – leva a que a equipa sinta mais, não tanto a ausência das peças que se foram, mas a incapacidade das que as substituíram para cumprir exatamente as mesmas funções, para fazerem os mesmos movimentos, quase ao milímetro. Não é tanto uma questão de qualidade como é de compreensão. É por isso que a perda simultânea de Slimani e Adrien – João Mário está a ser bem substituído por Gelson –, a juntar à saída de Teo Gutièrrez no início da época, tem conduzido à incapacidade da máquina para operar em boas condições e a esta sucessão de empates que deixou o Sporting a sete pontos de distância – e por isso um pouco mais longe de poder ser o melhor no final da época. Aquilo que Jesus tem de decidir agora é se o que está a pensar fazer não é substituir uma roda dentada por uma peça de formato diferente, que nunca encaixará ali, levando a máquina a encravar. Isto é: se os jogadores que entraram alguma vez serão capazes de fazer as movimentações dos seus antecessores ou se deve desenhar uma máquina nova, com outras mecanizações, que estas peças possam cumprir. É por isso que Jesus diz que tem jogadores que ainda estão a fazer pré-época com as competições em andamento, mas a verdade é que esta não é a primeira vez que passa por uma situação destas e que, nas ocasiões de anteriores transferências no último dia de mercado, nunca as suas equipas levaram tanto tempo a readaptar-se.
2016-10-31
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Se os sportinguistas quiserem ser honestos, sobretudo consigo mesmos, reconhecerão que o anti-jogo sempre existiu, que desde que há futebol se falham penaltis, e que a verdade é que a equipa de Jorge Jesus está mesmo a jogar demasiado pouco para poder justificar uma candidatura convincente ao título nacional. Sim, há um ano, depois de perder o dérbi, o Benfica também ficou a uma distância pontual da liderança que parecia impossível de superar – e superou-a. É verdade ainda que nessa altura também o Benfica jogava pouco, se afundava em dúvidas, enquanto que o Sporting voava – como acontece agora aos encarnados. E no entanto o Benfica foi campeão, porque os seus responsáveis souberam olhar para dentro em vez de apontarem baterias a tudo o que os rodeava. Fez, afinal, aquilo que Jesus defendeu antes da visita à Choupana: “Sem desculpas!” Se deixarmos de lado a partida da Taça de Portugal, contra o Famalicão, o Sporting não ganhou nenhum dos últimos quatro jogos. Segue-se a viagem a Dortmund, da qual vai depender o futuro leonino na Liga dos Campeões. E depois uma jornada fulcral, com a receção ao Arouca em dia de clássico no Dragão, entre FC Porto e Benfica. Correndo-lhe tudo bem, Jorge Jesus poderá continuar a manter esperanças na prova europeia e chegará à 10ª jornada a quatro pontos do líder. O treinador leonino tem, por isso, uma semana para sair desta fase a que chamou segunda pré-época e para encontrar as soluções que devolvam à equipa o futebol que chegou a jogar na época passada. Já aqui escrevi que, mais até do que a lesão de Adrien, o maior problema vivido neste momento pelo Sporting é a falta de Slimani, que deixa a equipa menos capaz em transição defensiva – logo, demorando mais a recuperar a bola e limitando-lhe o número e a zona de início dos ataques – e sobretudo em organização ofensiva, onde as caraterísticas do substituto encontrado (Bas Dost) são radicalmente diferentes e pedem a reformulação quase total do processo. Reconhecê-lo, admitir que aquilo que este Sporting está a jogar é demasiado pouco se for comparado com aquilo que produziu qualquer equipa de Jesus na última década, será meio caminho andado para encetar o processo da recuperação. A questão é que aquilo que os maiores adeptos de Jesus sempre apontaram – e com razão – como a sua maior virtude, que é a forma coletivamente trabalhada que as suas equipas têm de atacar, acabou por ser o seu maior problema assim que lhe faltaram algumas peças na máquina. Dando aos seus homens mais liberdade para decidirem, num futebol onde o primado do individual é maior, Rui Vitória conseguiu que o seu Benfica encontrasse a coerência interna que lhe permitiu superar várias contrariedades neste início de época, sob a forma de lesões de jogadores importantes. E isso voltou a ver-se na vitória clara, indiscutível e sem história que os encarnados obtiveram contra o Paços de Ferreira, num jogo onde o meio-campo Fejsa-Pizzi voltou a funcionar às mil maravilhas, onde a falta de Grimaldo não constituiu problema e onde Gonçalo Guedes foi outra vez fundamental a jogar atrás do ponta-de-lança.
2016-10-29
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A escolha de Renato Sanches como Golden Boy 2016, pelo jornal italiano Tuttosport, e a nomeação de Rui Patrício entre os 30 finalistas da Bola de Ouro, da revista francesa France Football, têm sido apresentadas ora como mais uma prova da influência da Liga portuguesa, ora como arma de arremesso na guerra entre fanáticos de dois clubes. Mas na verdade não deviam ser uma coisa nem a outra, porque – e sei que isto doerá a muita gente – se os dois chegaram a estas distinções, é à fase final do Europeu que o devem. O que, atenção, não quer dizer que as não mereçam. Pelo contrário. Há uma especificidade na votação do Tuttosport em Renato Sanches – na verdade, na votação dos jornalistas de toda a Europa que o Tuttosport consultou. É a transferência milionária do jovem médio para o Bayern, a estabelecer uma espécie de tendência, depois da escolha de Martial (também ele transferido por mundos e fundos para o Manchester United) em 2015. É possível que os jornalistas consultados tenham sido influenciados pelos valores das transferências, coisa em que quem me lê sabe que há muito deixei de acreditar, pois a cartelização que os grandes fundos de investimento e os mega-agentes têm imposto ao mercado tem levado a que a fixação dos preços sirva para pouco mais do que o acerto de contas entre eles. Rui Patrício, no entanto, não se transferiu e está na lista dos 30 melhores da Europa do France Football. Pelo muito que fez na excelente época do Sporting na Liga portuguesa ou na efémera passagem pela Liga Europa? Claro que não. Da mesma maneira que a escolha de Renato se deve sobretudo ao impulso que deu à candidatura portuguesa à vitória no Europeu e não à importância que teve no título do Benfica ou à caminhada da equipa de Rui Vitória até aos quartos-de-final da Champions, a presença de Rui Patrício naquele lote de jogadores predestinados tem a ver com o facto de ter sido a última barreira na quase intransponível muralha defensiva da seleção nacional. Portanto, se o que querem é decidir se as escolhas de Renato Sanches e Rui Patrício são uma maior honra para Benfica ou Sporting, esqueçam. E se o que querem é dizer que afinal a Europa ainda presta atenção à Liga portuguesa, podem também esquecer – ainda que provavelmente devesse fazê-lo. Renato foi o Golden Boy de 2016 porque é um médio com uma potência e mudança de velocidade incrível, com uma alegria contagiante no jogo, porque queima linhas com bola como quase ninguém, seja da sua idade ou mais velho. E isso viu-se no Europeu. Rui Patrício está nos 30 finalistas da Bola de Ouro porque é um guarda-redes seguro, com uma agilidade invulgar para a envergadura física, sobretudo na rapidez de reação entre os postes, e isso também esteve à vista no Europeu. Os clubes são os clubes e infelizmente para todos nós têm andado tão longe de poder influenciar este tipo de votações como perto de orientar as ideias de quem não pensa senão em função de um emblema.
2016-10-25
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A quebra evidente de rendimento do Sporting nos últimos jogos tem sido muitas vezes reduzida a fatores demasiado simples, como a ausência de Adrien, as dificuldades de recuperação após os jogos europeus ou a falta de qualidade de alguns novos jogadores. Na verdade, tudo terá o seu peso para explicar exibições tão pobres como a que a equipa de Jorge Jesus assinou frente ao Tondela. No entanto, a razão mais importante é tática e tem a ver, não com a saída de Slimani, mas com o facto de ninguém estar a dar à equipa aquilo que o argelino dava. E mais difícil do que fazer o diagnóstico é encontrar a profilaxia adequada, que no meu ponto de vista só pode passar por Campbell a jogar no corredor central. É claro que Adrien faz falta, pela intensidade e abrangência que mete no jogo a meio-campo. É claro também que se a equipa faz um jogo de elevada exigência competitiva a meio da semana vai perder velocidade e dinâmica no fim-de-semana seguinte. Mas todas as equipas que andam nas competições europeias vivem com isso e algumas até têm mais lesões – e lesões mais importantes – que o Sporting. Veja-se o caso do Benfica, que perdeu Jonas, o melhor jogador da Liga anterior, numa altura em que também não tinha Mitroglou ou Jiménez. E que teve de passar a viver sem Gaitán e Renato Sanches. O Sporting está sem Adrien e teve de reconstruir-se sem Slimani e João Mário, com Bas Dost a aparecer e Gelson a ganhar preponderância. E a questão é que o todo, a soma das partes, deixou de fazer tanto sentido. O que caraterizava o ataque organizado do Sporting de Jesus era a facilidade com que jogava por dentro, no corredor central. Ali apareciam os dois pontas-de-lança, mas também Adrien, Ruiz e João Mário, sendo que havia sempre facilidade em criar desequilíbrios ofensivos. Porquê? Porque havia espaço, muito espaço entre as duas linhas defensivas dos adversários para os jogadores do Sporting penetrarem em tabelas rápidas que muitas vezes deixavam um deles na cara do golo. Então o que mudou? Será que os adversários deixaram de colaborar e fecharam esse espaço? Ora achar isso é uma idiotice. Na verdade, os adversários nunca quiseram colaborar, abrindo esse espaço. O que se passava é que as movimentações de Slimani na busca da profundidade, indo buscar muitas vezes a bola nas costas da última linha do adversário, obrigavam esta última linha a recuar vezes sem conta, alargando o espaço entre ela e a segunda linha, formada pelos médios. Era aí que o Sporting jogava. Sem Slimani – e com um jogador que faz movimentos contrários, de aproximação à equipa, recuando para tabelar com os médios – Jesus podia fazer uma de duas coisas. Ou encontrava uma réplica, um jogador igualmente capaz de esticar o jogo, ou deixava de apostar tanto no jogo interior, preferindo jogar por fora e aproveitar o superior capacidade de finalização de Bas Dost para aumentar a percentagem de jogadas que conclui com cruzamentos. Neste momento, a equipa hesita entre as duas profilaxias. No jogo contra o Tondela, cruzou muito, mas raramente o fez bem ou no momento mais adequado, mesmo quando tinha superioridade posicional e numérica na área – e nesse particular Zeegelaar, autor do melhor cruzamento no jogo com o Borussia Dortmund, foi desastroso. No sábado, aliás, o Sporting procurou vezes demais o labirinto em que se transformou o corredor central: ao espaço entre-linhas do Tondela acorriam Ruiz, Bas Dost, André e até Elias ou Gelson, que neste contexto faria muito melhor em permanecer aberto, para aumentar as possibilidade de combinação na direita que levassem a cruzamentos. Claro que a equipa pode (deve, aliás) adotar as duas soluções, ser igualmente eficaz no jogo exterior como no interior. Mas para isso tem de dominar melhor cada momento e tomar nele as melhores decisões. O problema é que para isso tem de aperfeiçoar a ideia de jogo e encaixar melhor as peças: o Sporting de 2015/16 tinha um onze encaixado; o desta época ainda não encontrou o parceiro para Bas Dost nem a forma que ele terá de encarar o jogo. Umas vezes joga com Bruno César, outras com Markovic, outras ainda com André, no sábado experimentou até somar Castaignos ao seu compatriota. Olhando para o grupo, vejo duas possibilidades: Bruno César atrás de Dost para jogos em que se quer o bloco mais unido e jogar mais desde trás (FC Porto em casa ou jogos da Champions com Real Madrid e Borussia Dortmund) e Campbell ao lado do holandês nos restantes. Da forma como vejo as coisas, Markovic só pode jogar na ala, onde está condenado a ser suplente de Gelson. Ao sérvio falta presença na área e capacidade de trabalho para jogar no corredor central, onde a pressão em transição defensiva é muito importante. Campbell tem as duas coisas. E até a capacidade de ir à procura da profundidade, como fazia Slimani, dessa forma permitindo que se abra o tal espaço entre as linhas do adversário para que a equipa possa jogar por dentro. Mistério para mim é mesmo a razão pela qual o costa-riquenho ainda não foi experimentado ali.
2016-10-24
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Depois de ganhar ao Arouca por 3-0, Nuno Espírito Santo desenhou o boneco que servia de logótipo às míticas camisas Triple Marfel e colocou na base os três pilares que estão na base do que é jogar “à FC Porto”: “compromisso, cooperação e comunicação”. São ideias importantes? Claro. Mas isso lê-se em qualquer livro de auto-ajuda ou em todos os manuais para a liderança nas empresas. A verdadeira razão pela qual o FC Porto passou a ganhar mais vezes – e já agora, na inversa, pela qual o Sporting começou a ganhar com menos regularidade – é tática. Finalmente, a equipa passou a jogar com homens que servem o modelo que o treinador escolheu. O “C” fundamental, aqui, é compatibilidade. À chegada ao Dragão, Nuno Espírito Santo trazia duas novidades. A recuperação da cultura de clube, que se viu na forma como apelou aos sentimentos mais profundos dos adeptos, e a ruptura com o modelo de jogo que presidira aos dois anos de Lopetegui e Peseiro. A primeira era estratégica e extravasava muito o futebol jogado; a segunda era tática e com ela o treinador tencionava acabar com o jogo de posse avassaladora e com o predomínio obsessivo do ataque organizado entre todos os momentos do jogo, para os trocar por um futebol de mais risco e capaz de integrar também o contra-ataque e o ataque rápido. A questão é que, até à titularidade de Diogo Jota – ou à entrada de Corona num bom momento – a equipa padeceu sempre de alguma falta de velocidade. E não me refiro apenas à rapidez do pique, mas sobretudo à sua aplicação na tomada de decisão e no ataque às bolas divididas, à velocidade em espaços curtos, que quase sempre permite fazer a diferença. Da mesma forma, nas últimas semanas todos os jogadores do Sporting parecem mais lentos. Razões? Há quem fale de atitude, da “ressaca” das competições europeias, da lesão de Adrien… Aceito todas essas explicações, mas a fundamental, para mim, é uma súbita inadequação da equipa ao futebol desenhado pelo treinador. O Sporting de Jesus
2016-10-22
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Lazar Markovic e Joel Campbell, emprestados pelo Liverpool e pelo Arsenal, foram apresentados em Alvalade como duas armas fortíssimas no ataque do Sporting ao título e a uma boa Liga dos Campeões. Passaram-se entretanto dois meses de competição e ainda não se viu maneira de isso acontecer. Não são maus jogadores - se fossem não teriam chegado onde chegaram - mas movem-se sempre ao contrário do que pede o futebol de Jesus. E têm sido mais as vezes em que se tornam empecilho do que aquelas em que contribuem ativamente para os sucessos do coletivo. Já sei que vão dizer-me que Markovic até marcou em Guimarães, num jogo que se o Sporting o não ganhou não foi seguramente por culpa dele. E que lhe pertenceu o golo da vitória frente ao Famalicão, na Taça de Porugal. Até acrescento: mais golos marcará, porque é um jogador explosivo, veloz com bola e capaz de ir buscar a profundidade nas costas das defesas adversárias. E se Jesus quis recuperá-lo e juntar-lhe Campbell, que com ele partilha várias dessas características, é porque quer ter um Plano B ao seu futebol habitual. Quer certamente encontrar diversidade, uma forma de contornar obstáculos moldados à sua forma de jogar. Mas duvido muito que um ou outro possam tornar-se ponto de partida no jogo desta equipa. Qual é a marca dominante do jogo ofensivo de Jesus? São as triangulações, os movimentos da ala para o meio, as entradas no espaço entre o central e o lateral, a rapidez no passe para tirar a bola das zonas de pressão. Tudo aquilo que faz Gelson, por exemplo, e que lhe permitiu crescer tanto de um ano para o outro. E exatamente o contrário do que fazem Markovic e Campbell, do que fizeram ainda no jogo com o Borussia Dortmund, no qual insistiram em soluções individuais, sempre de cabeça em baixo e sem ver o resto da equipa, perdendo por isso inúmeras bolas e comprometendo o esforço ofensivo da equipa. O Sporting não perdeu por causa deles, mas para ganhar com eles terá formatá-los à forma de jogar deste grupo. Porque a continuarem assim serão sempre um corpo estranho
2016-10-18
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A incapacidade do Sporting para controlar os jogos em situações de vantagem custou à equipa de Jorge Jesus dois pontos numa partida que dominou por completo até aos 75 minutos, mas onde um quarto-de-hora de pesadelo lhe custou um empate a três bolas, frente ao Vitória, em Guimarães. A ganhar por 3-0 e tendo perdido mais três ou quatro situações claras de golo, foi a equipa do Sporting que, a 15 minutos do final, levantou o ânimo aos minhotos, cedendo um penalti escusado e falhando depois na marcação a Marega num cruzamento. Num ápice, um jogo que estava fechado, reabriu, de 0-3 para 2-3. O Vitória acreditou e já sobre o minuto 90 chegou a um empate que o muito maior volume de jogo leonino não faria prever, mas que castigou a desconcentração e a tremedeira final dos leões. Esta não foi a primeira vez que os leões cederam neste tipo de situações. Basta lembrar o jogo de Madrid (de 1-0 para 1-2 nos últimos dois minutos) ou até a partida caseira com o Estoril (dois golos sofridos nos últimos cinco minutos, transformando uma noite tranquila num jogo de emoção no final). Em Guimarães, hoje, nada o faria prever, face ao que o jogo vinha dando. Jesus apresentou um onze muito próximo da sua equipa de gala, mudando apenas os dois defesas-laterais e apresentando Markovic na frente, no apoio a um Bas Dost desta vez mais apagado e distante da equipa. O Vitória, com três homens declaradamente na frente – Soares, Marega e Hernâni – ainda ameaçou num passe longo para as costas da defesa leonina que o malinês não conseguiu captar em condições, mas depois desse lance os leões passaram a mandar no jogo. Gelson voltou a mostrar o futebol que o levou à convocatória para a seleção nacional e numa arrancada pelo corredor central inventou o primeiro golo: passou por vários adversários e chutou para uma defesa incompleta de Douglas, tendo Markovic sido o mais rápido a chegar para a recarga. O facto de ter perdido o capitão, Adrien, pouco depois, com uma lesão muscular, poderia ter afetado o rendimento leonino, mas não foi pela presença de Elias que a equipa fraquejou, pois o brasileiro até entrou bem na manobra geral. Coates ainda fez o segundo golo antes do intervalo, na sequência de um canto de Ruiz e o Sporting parecia rumar tranquilamente a mais três pontos. Até pela facilidade com que criava – e perdia – lances de golo. Isso viu-se, por exemplo, no arranque da segunda parte. Elias, em boa posição, chutou ao lado, aos 46’, tendo Douglas tirado o terceiro a Markovic um minuto depois, quando o sérvio lhe surgiu isolado pela frente em mais um belo lance de Gelson. O guarda-redes vimaranense, que já não tinha ficado isento de culpas no golo de Coates, tentava redimir-se, mas acabou por voltar ao lado errado da partida, deixando escapar para as redes um remate de Elias que queria enviar pela linha de fundo. Com 0-3, a 19 minutos do fim, o jogo parecia ter acabado. Mas não. Um penalti escusado de William sobre Hernâni, convertido por Marega aos 74’, podia ser um incidente meramente folclórico, não tivesse o mesmo Marega feito o 2-3 logo um minuto depois, surgindo entre Coates e Schelloto na sequência de um cruzamento da direita. De repente, o jogo reabria. O Vitória voltava a acreditar, puxado de forma entusiasta pelo seu público. E chegou mesmo ao empate num dos muitos livres de que beneficiou nessa ponta final: cobrança de Rafinha e cabeça de Soares, ao segundo poste, nas costas de Schelloto. O golo premiava 15 minutos finais com muito coração da equipa de Pedro Martins, mas acabava por ser bem mais o reflexo das dificuldades defensivas que este Sporting vem enfrentando: desde Madrid, em cinco jogos, o Sporting sofreu dez golos. Começa a ser uma tendência.
2016-10-01
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Um Sporting poupado, tanto nos golos como na exibição que assinou na segunda parte, chegou para ganhar por 2-0 ao Legia Varsóvia, a pior equipa do grupo na Champions, e entrar na dupla jornada contra o Borussia Dortmund com os alemães à vista na tabela. Bryan Ruiz e o inevitável Bas Dost fizeram dois golos em nove minutos, no melhor período dos leões, que depois, ainda antes do intervalo, fecharam a loja e deixaram que o campeão polaco revelasse alguma vulgaridade: nem com os leões em ritmo de treino o Legia foi capaz de ameaçar discutir o resultado. Notava-se, de início, que o Legia vinha com duas ideias fixas: pressionar a saída de bola leonina, sobretudo quando ela era feita por William Carvalho, e quando recuperava a iniciativa mais atrás, explorar as costas dos laterais adversários com passes rápidos. Isso chegou para que os leões – ontem escalados com Bruno César como segundo avançado, num onze mais conservador do que o habitual – tivessem dúvidas. Mas só por uns minutos. Assim que acertou posicionamentos, a equipa dirigida por Raul José encostou o adversário à sua baliza, raramente o deixando sequer passar a linha de meio-campo. Gelson surgia ao nível habitual, imparável na direita, e tanto Adrien como Bryan Ruiz se aproximavam com critério de Bas Dost, o pivot ofensivo do esquema. Como resultado disso, acumulavam-se as ocasiões de golo na baliza de Malarz. Antes do 1-0, Gelson já tinha acertado na barra, numa finalização de baliza aberta, e tanto Dost como Adrien e Ruiz tinham estado também perto do golo. O golo de Ruiz, mesmo nascido de um mau corte de um polaco, justificava-se, o mesmo sucedendo com o segundo, que Dost marcou nove minutos depois, após bela abertura de Adrian. Até ao intervalo, Coates ainda obrigou o guardião Malarz a uma grande defesa, para evitar o 3-0, o mesmo tendo acontecido logo a abrir a segunda parte com Adrien. Só que aí já o Sporting entrara em modo de poupança. Os leões chamaram ao campo Markovic, Campbell e até Petrovic, acabando o jogo num assumido 4x2x3x1, revelando que não estavam assim tão interessados em correr riscos para ir à procura do 3-0. Com mais bola, o Legia também não foi capaz de deixar sequer a sensação de que podia vir a discutir o jogo: teve uma ocasião de perigo, por Radovic, mas a bola saiu ao lado da baliza de Rui Patrício. Terá de melhorar muito o Legia se quer evitar uma dupla goleada nos jogos com o Real Madrid que aí vêm. Ao mesmo tempo, o Sporting vai tentar discutir a qualificação com o Borussia Dortmund. Sem poupanças, nesse caso.
2016-09-28
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Mais uma noite fulgurante de Gelson Martins, desta vez bem acompanhado pela certeza na finalização de um Bas Dost que começa a ser solução, valeu ao Sporting uma vitória tranquila sobre o Estoril, à qual só uma meia-hora de descompressão final deu números ainda assim equilibrados: o 4-2 definitivo, com três golos nos últimos cinco minutos (dois deles para os visitantes), reflete tanto o amplo domínio que os leões exerceram sobre o adversário até ao momento em que Jorge Jesus deu descanso a alguns titulares como a total desconcentração da equipa na ponta final da partida. Gelson mereceu bem as palavras que Jesus lhe endereçou na flash-interview: está numa forma impressionante, não só pela velocidade que imprime ao jogo, mas também pela capacidade que revela no um para um e às vezes até no um para dois. Com ele colado à direita, o treinador do Sporting sabe que tem uma fonte permanente de desequilíbrio, bastando-lhe depois somar um finalizador e juntar a tudo uma equipa concentrada e taticamente bem colocada no terreno. Foi por isso que, tirando uma investida logo aos 4’, na qual criou alguma sensação de perigo na esquerda do seu ataque, o Estoril só voltou a aproximar-se da área leonina quando já perdia por 3-0. E mais podiam ter sido se Bryan Ruiz não estivesse num daqueles dias de perder golos cantados. É verdade que o Sporting marcou bastante cedo, num lance que pode tornar-se típico no futebol dos leões: desequilíbrio de Gelson na direita, cruzamento para a área, onde Bas Dost se antecipou a Lucas Farias e marcou de cabeça. Apesar de ainda faltar mais de meia-hora para o intervalo e de o jogo se desenrolar todo o meio-campo do Estoril – muito bem os dois centrais leoninos, a jogarem em antecipação e a não deixarem que os adversários construíssem os seus contra-ataques – o resultado não sofreu alterações antes do descanso. Bryan Ruiz pode explicar porquê: teve uma bola a saltitar à entrada da pequena área mas chutou-a para a bancada, perdendo o 2-0. Com André em vez de Alan Ruiz, que desperdiçou mais 45 minutos no onze titular para causar boa impressão, o Sporting entrou forte na segunda parte, chegando aos 3-0 por volta da hora de jogo. Marcou primeiro Coates, de cabeça, após canto de Bryan Ruiz, tendo depois Bas Dost bisado, na conclusão de um contra-ataque à Slimani: recuperação de Gelson, tabela entre André e William, que colocou a bola na profundidade, onde o holandês a foi buscar e bateu Moreira. Fabiano Soares preparava-se para tentar discutir o jogo quando levou com este golpe duplo, mas as entradas de Gustavo e, sobretudo, de Bruno Gomes – que substituiu o ponta-de-lança Paulo Henrique – ainda haviam de dar os seus resultados. Antes disso, porém, foi o Sporting quem perdeu por duas vezes a possibilidade do 4-0: primeiro André, aos 74’, após jogada entre Gelson e Markovic; depois William, aos 78’, após tabela com Gelson; e por fim Bryan Ruiz, aos 81’, a ver Moreira tirar-lhe o golo com o pé. Jesus, nessa altura, já substituíra jogadores fundamentais. Bas Dost e Adrien já viram do banco a forma como os dois suplentes do Estoril combinaram para reduzir a desvantagem: cruzou Gustavo, para uma bela finalização de Bruno Gomes, que por fim conseguiu chegar a uma bola antes de Ruben Semedo. Faltavam cinco minutos para o fim e o golo de André, a passe de Bryan Ruiz, acabava com quaisquer veleidades que os canarinhos ainda tivessem de vir a discutir o resultado, mas não com a possibilidade de lhe dar um cariz mais equilibrado: Bruno Gomes ainda bisou, após um canto em que toda a equipa do Sporting já estava a pensar no Legia de Varsóvia. Com quatro dias de avanço.  
2016-09-24
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Jorge Jesus já devia saber que quando faz aquele barulho, como que a espremer a língua entre os dentes para pontuar uma tirada bombástica, é porque não vem aí coisa boa. Quando resolveu concluir um debate acerca da melhor equipa ou do melhor plantel do campeonato com mais uma tirada de auto-elogio absolutamente desnecessária, dizendo que “quem faz a diferença é o treinador”, esqueceu-se que a realidade pode sempre encontrar formas de contrariar a teoria. Porque, sim, otreinador faz diferença, mas não a faz só de uma maneira. E quem faz sempre a diferença, em todos os momentos, são os jogadores que esse treinador leva a jogo.Jesus costuma fazer a diferença de várias formas. Faz a diferença a trabalhar a equipa ao longo da semana, criando comportamentos defensivos e movimentações ofensivas difíceis de contrariar. Por isso o seu Sporting cresceu até aos 86 pontos na Liga passada ou se superiorizou ao Real Madrid na quarta-feira, antes de um final de jogo que lhe foi fatal. Depois, faz a diferença no banco, com a pressão permanente sobre os jogadores exercida desde a linha lateral, fazendo crescer a concentração e baixar o total de erros. Faz ainda a diferença nas coisas que diz, aqui nem sempre uma diferença positiva, deixando no ar a dúvida acerca dos intuitos dessa comunicação: estratégia ou incontinência? E ontem, em Vila do Conde, fez ainda a diferença numa avaliação errada, tanto do estado em que se encontravam os seus jogadores depois do jogo intenso que tinham feito no Santiago Bernabéu como das armas do Rio Ave, que dinamitou de forma irreparável o flanco esquerdo leonino em 45 minutos. Porque desde os primeiros instantes do jogo se percebeu que Gil Dias ganhava sempre em velocidade ao improvisado lateral-esquerdo que é Bruno César, ainda por cima muito mal apoiado por Campbell, ou que André e Alan Ruiz não estavam a cumprir a tarefa de pressionar a saída de bola do adversário, permitindo ao Rio Ave um jogo fluído.Nessa altura, quem fez a diferença foi Nuno Capucho, que percebeu o que ali estava e meteu naquele lado direito uma gazua capaz de abrir a defesa do Sporting e de chegar a um 3-0 de que os leões já não recuperaram. Mais ainda. Quem fez a diferença foi Gil Dias, porque os treinadores só fazem verdadeiramente a diferença no mais longo prazo e quem decide jogo a jogo são os futebolistas. É por isso que o debate que motivou toda esta polémica foi lançado em bases erradas. Tudo nasceu, recorde-se, numa pergunta feita a Jorge Jesus: “o Sporting tem o melhor plantel da Liga?” E se é verdade que o Sporting tem um plantel melhor do que tinha na época passada, ao nível do grupo do Benfica na profundidade das opções à disposição do treinador, também é certo que os leões têm neste momento pior onze do que tinham na Liga anterior. Jesus, que respondeu dizendo que uma equipa orientada por ele será sempre a melhor, porque “quem faz a diferença é o treinador”, esqueceu-se que muitos dos jogadores que ia levar a jogo em Vila do Conde ainda não estavam familiarizados com o processo de jogo que ele trabalha e que, no médio e longo prazo, sim, pode fazer mesmo a diferença. Mas para já não fazem, porque se Gelson ainda disfarça a saída de João Mário, ninguém está à altura do rendimento de Slimani e não há quem dê à equipa o que lhe dá Bryan Ruiz (ontem suplente) na esquerda do ataque.A explicar o banho de humildade a Jesus esteve a rotação na equipa, com a saída de quatro titulares de Madrid, numa inversão da lógica que presidiu à época passada, na qual os leões guardavam as melhores opções para a Liga portuguesa e andavam pela Liga Europa com segundas escolhas. Ainda por cima segundas escolhas bem mais fracas do que as de agora – daí a chapa três na Albânia, frente ao Skenderbeu, por exemplo. Mas esteve também o facto de os jogadores ontem utilizados na frente, que é onde está a base de qualquer equipa de Jesus, ainda não terem tempo suficiente de trabalho para compreenderem como hão-de fazer a diferença naquela organização. É por isso que este Sporting tem melhor plantel do que em 2015/16, mas ainda tem pior equipa. Se vai chegar ao nível exibido na época passada ou não, isso sim, já dependerá da capacidade do treinador. Sendo que o direito ao erro ficou ontem mais reduzido.
2016-09-19
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Quarenta e cinco minutos calamitosos, ao nível apenas do que se tinha visto ao Sporting de Jorge Jesus na Albânia, frente ao Skenderbeu, na época passada, custaram aos leões uma desvantagem de três golos ao intervalo frente a um Rio Ave competente, organizado e inteligente a aproveitar as debilidades do adversário e impediram o líder do campeonato de pontuar em Vila do Conde. O 3-1 final, nascido da incapacidade leonina para pressionar e para fechar o flanco esquerdo face à velocidade de Gil Dias, foi um banho de humildade para Jesus, que fechara a semana com declarações de peito cheio mas teve depois um encontro imediato com uma realidade mais sombria do que ele a pintou: este Sporting não é ainda a equipa que pode ser. A derrota, que deixa o Sporting à mercê do que fizerem Benfica e Sp. Braga no encerramento da quinta jornada da Liga – se algum dos dois ganhar na Luz isola-se na frente – foi justíssima, por mais que tenha surpreendido a exibição pouco intensa e rigorosa da equipa lisboeta. Jesus sacrificou quatro titulares do Santiago Bernabéu – Bas Dost, Bryan Ruiz, João Pereira e Zeegelaar – apostando em André e Alan Ruiz para a frente de ataque e em Campbell para atacar na esquerda, à frente de Bruno César, que voltou a ser defesa-lateral. Do outro lado, Nuno Capucho optou por um 4x3x3 que metia o móvel Guedes em cunha na frente e abria o veloz Gil Dias na direita. E foi aí que começaram os problemas do Sporting: desde cedo se viu que Campbell não defendia e que, lançado nas costas de Bruno César, Gil Dias ganhava sempre em velocidade e abria uma avenida naquele lado. A ajudar à festa vila-condense, ninguém fazia a pressão que notabilizou Slimani: nem André nem Alan Ruiz se preocupavam em atrapalhar a construção de jogo do Rio Ave, como se viu, aliás, no lance do primeiro golo, em que o defesa-central Roderick avançou desde o seu meio-campo até à linha de fundo para ali descobrir Tarantini, que não perdoou. O golo surgiu, é verdade, num momento em que, passado o primeiro embate, o Sporting até já tinha conseguido equilibrar o jogo. André até tinha desperdiçado uma boa ocasião de desfeitear Cássio, permitindo, aos 22’, que este fizesse a mancha depois de um bom passe de Coates. Sete minutos depois, porém, Tarantini inaugurou o marcador. E outros sete minutos volvidos, aos 36’, Gil Dias teve no corredor central espaço para arrancar, correr umas dezenas de metros e solicitar a desmarcação circular de Guedes, que isolado ante Rui Patrício lhe meteu a bola no poste mais próximo. O 2-0 não resistiu muito tempo: foram mais sete minutos. Aos 43’, antes da saída para o intervalo, Gil Dias lançou Guedes na direita, este ganhou a linha de fundo e cruzou para o segundo poste, onde o mesmo Gil Dias tornava o jogo uma missão impossível para os leões. Ao intervalo, Jesus chamou a sua artilharia pesada: Bas Dost e Bryan Ruiz substituíram os desastrados Alan Ruiz e Campbell, mas, mesmo não tendo o Rio Ave voltado a beneficiar de situações de golo, a verdade é que a produção atacante do Sporting nunca atingiu o nível a que a equipa habituou os seus adeptos. Dost, de cabeça, aos 51’, e sobretudo Ruiz, de frente para a baliza, aos 62’, perderam as melhores oportunidades para relançar o jogo, o que levou Capucho a puxar os seus um pouco para trás, com as entradas de Pedro Moreira e João Novais. Quando chegou o golo leonino, marcado por Dost aos 82’, após assistência corajosa de Gelson (ainda assim, juntamente com Adrien um dos melhores do Sporting), já não havia tempo para pensar em pontos. Depois da derrota injusta do Santiago Bernabéu, o Sporting levou de Vila do Conde uma lição de humildade que não deve esquecer tão cedo e a certeza de que esta equipa ainda precisa de muito trabalho para igualar a da época passada.
2016-09-18
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A dramática derrota do Sporting frente ao Real Madrid no Santiago Bernabéu (1-2) e o insuficiente empate do FC Porto em casa ante o Copenhaga (1-1) puseram um ponto final modesto na semana das equipas portuguesas na Liga dos Campeões. Os dois jogos tiveram histórias muito diferentes mas epílogos semelhantes, de desilusão. Saíram desiludidos os leões, que foram a melhor equipa em campo durante 70 minutos mas não conseguiram congelar o desafio nos últimos 20, ficando à mercê da remontada madridista, como desiludidos saíram os dragões, incapazes de criar desequilíbrios na defesa dinamarquesa, nem mesmo quando o adversário ficou reduzido a dez. A derrota do Sporting veio recheada de uma demonstração de personalidade que não está ao alcance de qualquer equipa. Com um posicionamento irrepreensível e face a um Real pouco dinâmico, a equipa de Jorge Jesus foi sempre assegurando superioridade numérica nos vários duelos a meio-campo, fundando aí a capacidade de assegurar a maior dose de iniciativa de jogo: o Real só chutou à baliza de Rui Patrício à passagem da meia-hora, e de fora da área, por Cristiano Ronaldo. Gelson, mais uma vez o melhor em campo, foi um pesadelo constante para a defesa do Real Madrid, tendo começado nele o lance em que Bruno César abriu o marcador. Foi ainda o jovem ala quem, num lance pela direita, deu a Bas Dost a melhor ocasião do jogo – o holandês tentou meter o pé onde se impunha a cabeça e o cruzamento perdeu-se. O Real acabou por virar o jogo quando já poucos nisso acreditariam, fruto da conjugação de vários fatores. Primeiro, as alterações introduzidas por Zidane: Morata, Lucas Vasquez e James Rodríguez melhoraram muito o rendimento do campeão europeu. Depois, o facto de os leões terem piorado com as trocas de Adrien e Gelson por Elias e Markovic. Por fim, é verdade, a inexperiência de muitos jogadores da equipa portuguesa em momentos como aqueles, em que se impõe quebrar o ímpeto ao adversário. A verdade é que, tendo feito o empate num livre irrepreensível de Ronaldo (após falta de Elias), aos 89’, o Real ainda teve tempo para ganhar, num cabeceamento de Morata após cruzamento de James. Houve muito banco numa reviravolta que deixa o Sporting com zero pontos e a precisar de ganhar ao Legia já na segunda jornada. A pressão, senti-la-á também o FC Porto, que seguirá para Leicester com um ponto e a precisar pelo menos de pontuar em Inglaterra, depois de uma exibição pouco conseguida frente ao Copenhaga. Nuno Espírito Santo voltou ao 4x3x3, remetendo Depoitre para o banco, e parecia até poder sair-se bem, depois de um início premiado com um golaço de Otávio, após bela assistência de André Silva. Já nessa altura, porém, o FC Porto revelava parte dos pecados que haveriam de custar-lhe dois pontos, nomeadamente a falta de controlo do espaço aéreo defensivo face à potência de Santander e Cornelius, os dois avançados dos dinamarqueses. O resto ver-se-ia no segundo tempo, sobretudo depois de o Copenhaga ter empatado – por Cornelius, após mais um cruzamento não desfeito pelo último reduto portista – e de o adversário ter ficado reduzido a dez homens, por expulsão de Gregus. Nessa altura, em que Espírito Santo descobriu falta de eficácia, o que se viu foi falta de capacidade para criar desequilíbrios numa equipa organizada mas de qualidade inferior. O FC Porto voltou então ao 4x4x2, com Depoitre em vez de Corona, e mais tarde com a entrada de Brahimi para as vezes de Herrera, mas nem assim criou verdadeiras ocasiões de golo, parecendo sofrer sempre que as probabilidades estão a seu favor. Talvez não seja esse o caso em Leicester, como não era em Roma.
2016-09-14
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O mercado de transferências no futebol europeu não tem a função niveladora do “draft” nos desportos norte-americanos, mas a forma como está estruturado acaba por abalar as certezas que muitos tinham a 31 de Agosto e deixaram de ter a 1 de Setembro. O primeiro jogo do Sporting sem Slimani veio confirmar a ideia de que Jorge Jesus vai ter trabalho a sério para devolver à equipa o futebol que esta praticava com o argelino. E se o facto de ter mantido o onze até às vésperas de encerramento do mercado conferia ao Sporting alguma vantagem face aos seus mais diretos competidores, a saída de João Mário e, sobretudo, do avançado argelino vem atrasar a vida aos leões e deixar toda a gente na mesma situação: a de ter de construir tudo de novo.Aqui, do que se fala não é da qualidade dos jogadores. Não é se Rafa é melhor que Gaitán, se Bas Dost tem mais qualidade que Slimani ou se Oliver pode fazer esquecer Brahimi. Nada disso. Aqui fala-se da qualidade dos coletivos, daquilo que cada jogador dá à equipa e daquilo que a equipa pode fazer quando o perde. A maior vantagem do Sporting na luta pelo título era não ter mudado quase nada. De repente, sem Slimani, vê-se forçado, não a mudar, mas a reconstruir a casa a partir dos alicerces – porque ao contrário do que sucede com a maior parte dos treinadores, Jesus constrói as suas equipas a partir da frente. Daí que o primeiro jogo do Sporting sem Slimani não tenha sido brilhante nem sequer uma simples aproximação ao que a equipa já tinha produzido esta época ou, sobretudo, na anterior. No fim dos 3-0 ao Moreirense, Jesus explicou: “O Bas Dost jogou de acordo com a ideia dele e não com a ideia da equipa”. E nem podia ser de outra forma, tãopoucas vezes o ponta-de-lança holandês treinou com a equipa.Qual foi a ideia de Bas Dost? Jogou à ponta-de-lança de equipa grande, baixando por vezes para o espaço entre-linhas, em desmarcações de apoio, mas procurando estar sempre no centro da área, para a finalização. Acontece que essa não é a ideia de Jesus, que quer que o seu homem mais avançado procure as laterais, em movimentos coordenados com os alas, que ao mesmo tempo preenchem o espaço interior, e sobretudo que ele alargue o espaço à frente da defesa adversária através da busca da profundidade, com desmarcações para o espaço entre a última linha defensiva e a baliza. Era em Slimani que começavam a surgir os espaços para as diagonais de Gelson ou Bryan Ruiz, as oportunidades de remate de Teo Gutièrrez ou as bolas à frente de Adrien Silva. No fim, não se tratará tanto de saber se Bas Dost conseguirá fazer tantos golos como Slimani – ele parece ser até melhor finalizador que o argelino. Trata-se de saber se cria tantas condiçõescomo ele para que os colegas possam criar desequilíbrios. Talvez lá chegue, mas para isso precisa de tempo para compreender aquilo a que Jesus chamou “a ideia da equipa”.Rafa, que durante algum tempo achei que, face à proliferação de extremos no plantel do Benfica, podia ser alternativa a Jonas no centro do ataque, teve uma entrada bastante mais impositiva no onze de Rui Vitória. Não fez golos na vitória em Arouca, mas a sua entrada num onze de emergência fez mexer muito mais o futebol do Benfica que a de Dost veio influenciar o jogo do Sporting. Porque a criação de desequilíbrios promovida por Rafa é muito mais resultante de variantesindividuais: tem a ver com a sua tomada de decisão, com a velocidade, o pique, com as trajetórias que escolhe por instinto e que dependem menos de variáveis coletivas. Visto o jogo de Arouca, e tendo em conta mais uma noite tão infeliz do ex-bracarense na finalização como influente na criação, fiquei convencido de que ele terá o lugar na esquerda do ataque à disposição assim que Jonas voltar da lesão que o apoquenta. E num momento em que ainda não acabou de habituar a equipa a superar a falta que lhe faz a capacidade de Renato Sanches para queimar linhas em posse, Rui Vitória terá de começar a trabalhar na coordenação dos dois, porque o jogo de Rafa é diferente do de Gaitán: menos cerebral, menos técnico, mais repentista, mais veloz.No mesmo fim-de-semana em que Benfica e Sporting estrearam Rafa e Bas Dost, o FC Porto apresentou um novo sistema de jogo, um 4x4x2 que lhe dá mais presença na frente. Pode ser uma mudança histórica para uma equipa que há anos navega na dinâmica de um 4x3x3 em nome do qual tem sempre construído os seus plantéis. Uma carga de trabalhos também para Nuno Espírito Santo. Com uma diferença: é que o FC Porto era, dos três, o que mais precisava de mudar, tão débil era a herança deixada por Lopetegui e Peseiro. Até aí, o mercado foi nivelador.
2016-09-12
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A vitória fácil do Sporting frente ao Moreirense, em Alvalade, por 3-0, permitiu aos reforços Campbell e Bas Dost estrearem-se a marcar com a camisola leonina, deu para a substituição antecipada de Adrien, de forma ao capitão poder ser aplaudido de pé pelos adeptos, mas serviu acima de tudo para mostrar que Gelson está um homem. A jogar pela direita de um ataque onde era o único jogador com mais de um par de meses a trabalhar com Jorge Jesus, o jovem Gelson era o único a conhecer de cor as movimentações que o treinador tanto preza e serviu-se desse conhecimento e da sua indiscutível qualidade para se cotar como melhor jogador em campo. Com tanta gente a chegar para o ataque leonino, uma coisa é certa: não vai ser fácil tirar o lugar ao miúdo. A influência de Gelson no jogo ofensivo do Sporting foi mais visível na primeira parte, um período onde o fantasma de Slimani pairou sobre Alvalade. Bas Dost é um finalizador por excelência, mas nem dá à equipa a busca permanente da profundidade ou dos corredores laterais a que esta estava habituada com o argelino, nem teve ainda o tempo suficiente de treino com os colegas para os compreender e para que estes o compreendam a ele. A jogar pela esquerda, Campbell mostrou velocidade e repentismo, mas não é o jogador cerebral que é Bryan Ruiz, provavelmente poupado a pensar em Madrid. O resultado da soma dos dois a um Alan Ruiz que também não estava a atravessar uma tarde-sim foi um início de partida em que o Sporting dominava territorialmente mas onde tinha dificuldades para criar lances de golo iminente. Com um Dramé motivado pelo regresso a Alvalade, o Moreirense tinha menos bola mas dava a ideia de poder surpreender caso o 0-0 se prolongasse por muito mais tempo. Só que aí entrou em ação Gelson. Numa diagonal da direita para o corredor central, o extremo apareceu no fim de um excelente passe de William e inaugurou o marcador. O golo, aliado à expulsão de Neto, poucos minutos depois, podia ter entusiasmado os leões, mas o que aconteceu foi precisamente o contrário: a equipa adormeceu face à facilidade que antevia. E só depois de ouvir das boas ao intervalo resolveu definitivamente o jogo. Entrando na segunda parte com mais intensidade, fez dois golos rápidos e viu o guardião Mackaridze impedir mais dois. Campbell fez o 2-0, de cabeça, após cruzamento de Alan Ruiz, e Bas Dost fechou a conta com um remate feito quando estava já sentado no chão, depois de ter falhado a entrada à bola cruzada por Schelotto e aproveitado o ressalto num adversário. Jesus aproveitou então para promover mais duas estreias e um regresso, mas a equipa voltou a perder concentração e as entradas de Markovic, Elias e André não lhe trouxeram nada de novo em termos de foco e qualidade, a ponto de Rui Patrício ainda ter tido que se empenhar para manter o zero na sua baliza. A altura era tanto de celebrar a continuação da liderança isolada no campeonato, com pleno de vitórias, como de pensar no jogo de quarta-feira em Madrid, frente ao Real, na estreia na Liga dos Campeões. E para esse Jesus bem gostaria de ter mais algum tempo de treino para ensinar o seu futebol a todos estes reforços – é que sem ele quase mais vale pensar em enfrentar o Bernabéu com jogadores que sabem ao que jogam.
2016-09-10
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A entrevista de Jorge Jesus ao Record teve assuntos para satisfazer todas as correntes. Dela saíram a sorrir os benfiquistas que depois de ele abandonar a Luz descobriram que não o queriam lá, tal como suspiraram de alívio os sportinguistas que não compraram as versões que circulavam no panorama mediático, segundo as quais treinador, capitão e presidente já não podem nem ver-se. Ainda assim, por mais entretida que a entrevista tenha sido, dali tiro acima de todas uma opinião do treinador leonino: afinal, o plantel que Marco Silva tinha em Alvalade não só não era maravilhoso como tinha tanta sucata que, confrontado com ele, Jesus ponderou ir-se embora ao fim de um mês. Já se sabe que no futebol de hoje a realidade se cruza muitas vezes com as versões que os departamentos de comunicação nos querem impingir. O caso da demissão de Marco Silva, que além de muitas justificações lançadas e nunca provadas (a defesa de outros interesses que não os do Sporting) resume-se, no fim, a uma questão de resultados. Foram maus, como quis fazer crer uma grande parcela de sportinguistas? Aparentemente não. Terão sido até muito bons. Quem o valida é o próprio Jesus, ao sustentar que ao fim de um mês em Alvalade quis sair, face à falta de qualidade que encontrou no balneário. O resto da entrevista são versões da realidade. Há uma coisa que é factual - que uma só aquisição do Benfica quase chega para pagar todas as que o Sporting fez - mas que ainda assim satisfaz duas vezes, como o chocolate do anúncio: satisfaz os leões que querem sacudir a pressão criada por um mercado bem sucedido, da mesma forma que alegra as águias, que veem nestas repetidas alusões ao Benfica uma mal curada obsessão do treinador com o seu anterior clube.  E há outras histórias que são puramente subjetivas. A quem duvida da relação profícua que mantém com Bruno de Carvalho ou da forma como lida com as aspirações de Adrien, Jesus diz que estão os três como o aço. A quem acha que o Benfica é que geriu bem o caso Luisão, ele responde com uma versão segundo a qual os encarnados quiseram e querem ainda correr com o seu capitão. Quem fala a verdade? Quem mente? Tal como no caso do alegado interesse leonino em Rafa, é impossível decidir com certeza. As 31 jornadas que faltam da Liga, no entanto, podem dar-nos umas pistas. Porque é mais fácil construir em cima de um clima saudável que de uma mentira repetida mil vezes por spin doctors a soldo.
2016-09-06
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O futebol continua a ser um oásis na economia portuguesa. Mais nenhuma área consegue aquilo que os maiores clubes nacionais voltaram a alcançar neste defeso: fechar as contas com amplo saldo positivo e acabar com a equipa bem mais forte do que há um ano. Crise, se existe, nestes casos, é de abundância, fazendo crer que os grandes estão a preparar-se para um campeonato ainda mais disputado, mesmo que mais longe do resto do pelotão da prova. O Benfica faturou bastante com as vendas de Renato Sanches e Gaitán, tornando quase irrelevante a saída de Carcela. Os quase 70 milhões que o clube recebeu chegaram e sobraram para recompor o plantel com opções do agrado de Rui Vitória e ainda para adquirir o passe de Mitroglou, que estava na Luz por empréstimo, ou completar a compra de Jiménez, que cortou as amarras ao Atlético Madrid. Rafa, Cervi, Carrillo e Zivkovic bater-se-ão pelo lugar do argentino, ao passo que Danilo, Horta e Celis por lá estarão à espera de ocupar a vaga de Renato, pela qual também concorre o grego Samaris, que acabou por ficar no clube. Claro que nunca será igual, mas o próprio Rui Vitória se negou a entrar na lógica da substituição por clones, pelo que agora lhe restará a tarefa de gerir a abundância, que é mais evidente nas alas do ataque, já que o clube não conseguiu desfazer-se de todos os jogadores que queria colocar até ao fecho do mercado. Mesmo dando de barato que Rafa até pode jogar ao meio e concorrer com Jonas pelo lugar atrás do avançado de referência (e os 16 milhões que os encarnados bateram por ele fazem pensar em mais do que isso), há ali muita gente a esforçar-se por garantir um lugar nas alas do ataque. Se as vagas são duas, por elas se batem Salvio, Pizzi, Carrillo, Zivkovic, Cervi e Gonçalo Guedes. É muito? Nada de estranho no outro lado da segunda circular, por exemplo. Porque apesar de se ter também regalado com 70 milhões de euros por João Mário e Slimani - e o valor de Naldo também aparece aqui como um acrescento quase irrelevante - o Sporting só precisou de gastar pouco mais de um terço desse montante para reforçar o grupo de forma evidente. Se há um ano Jesus só tinha Slimani para jogar na frente (Barcos nunca contou), já lá tem Dost e André, enquanto espera pela recuperação de Spalvis. Se face à saída de Montero, Teo Gutierrez era também opção quase única para ser segundo avançado, obrigando Jesus a desviar para ali Bryan Ruiz em alguns jogos, agora já lá tem Castaignos e Alan Ruiz. E nas alas, as opções são inúmeras: para dois lugares, há Gelson, Campbell, Markovic, Bruno César e Bryan Ruiz. Tudo somado à existência de duas ou três opções para cada lugar a meio-campo, onde Adrien e William ficam, mas entram Elias ou Melli, leva a que este seja um plantel sem desculpa na falta de profundidade para desistir de nenhuma prova. Nacional ou europeia. O FC Porto foi, dos três, quem menos mexeu no mercado e o único a fechar com saldo negativo entre compras e vendas. As três épocas de insucesso impediram o clube de fazer grandes operações. Martins-Indi, Aboubakar, Bueno ou Reyes saíram apenas por empréstimo, Brahimi por lá continua, o que terá impedido os dragões de atacarem com certeza maior alvos que pretenderiam, como Mangala. As aquisições de Depoitre, Felipe, Alex Telles e Boly, bem como a compra do passe de Layun, o regresso de Otávio e as chegadas, por empréstimo, de Oliver e Jota, implicam, ainda assim, um investimento demasiado elevado para se afastar os dragões na corrida ao título. Até por ter mudado ideia de jogo e de equipa técnica, o FC Porto parece ligeiramente atrás dos rivais de Lisboa na bolsa de favoritismo da Liga, mas seria um erro afastar Nuno Espírito Santo do lote de treinadores candidatos ao título.
2016-09-01
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As lágrimas vertidas por Slimani à saída do relvado de Alvalade, depois da vitória do Sporting sobre o FC Porto, podem até revelar um sentimentalão na pele de um Terminator, mas serão mais rapidamente deitadas para trás das costas do que as preocupações de Jorge Jesus face ao desmantelamento da sua equipa pelos últimos dias de mercado. É verdade que os leões só perderam dois titulares, que um deles - João Mário - até já estava fora desde a jornada anterior, mas será a saída do ponta-de-lança argelino que mais mexerá com toda a organização da equipa. É por isso que apesar da chegada à liderança isolada do campeonato o treinador receberá de braços abertos a pausa para os jogos das seleções: não poderá capitalizar em cima da moralização que essa liderança inevitavelmente gera, mas poderá começar a trabalhar os novos elementos numa espécie de segunda pré-época que todos os anos se repete na interrupção para os jogos das seleções. As equipas de Jesus são sempre muito montadas em cima dos seus pontas-de-lança. Foi assim no Belenenses, no Sp. Braga, no Benfica e é agora no Sporting, onde Slimani se transformou no elemento fundamental de todo o onze. É-o pelos golos que marca, mas não só. Aliás, golos também Bas Dost, Castaignos ou André poderão dar à equipa. A questão que torna Slimani o jogador mais difícil de substituir no plantel do Sporting tem que ver com a compreensão que ele já tem da forma de jogar das equipas de Jesus. Com os momentos em que procura o corredor lateral, os momentos em que busca a profundidade nas costas da defesa adversária, os momentos em que adivinha a movimentação do homem que joga atrás dele e ainda com os momentos em que pressiona a saída de bola do adversário. Ofensivamente, toda a equipa se mexe de acordo com as escolhas feitas pelo ponta-de-lança; defensivamente, ela depende da sua intensidade na primeira zona de pressão para poder reduzir espaços mais atrás, tornando a vida mais fácil para quem ali joga. Mesmo tendo Jesus ontem dito que "Slimani só há um" e que "por isso é que vale 40 milhões", o que torna o argelino dificilmente substituível no imediato não tem tanto que ver com a qualidade que ele mostra, mas mais com o trabalho que com ele já foi feito e que fez dele o jogador que ele é, neste contexto. É a mesma razão pela qual Óliver Torres, sendo o excelente jogador que é, valendo até mais do que os jogadores que veio substituir e tendo ainda a vantagem de já ser um menino da casa, de conhecer um pouco aquilo que é ser FC Porto, não se mostrou ainda em condições de ser a mais-valia que pode vir a ser. Porque Óliver acaba de chegar e do que se lembra do FC Porto era de uma equipa que pensava o jogo de outra forma. Para ser o craque que é precisa de perceber bem as diagonais de André Silva, os movimentos interiores de Otávio, as subidas de Danilo e até os movimentos de compensação de André André, possivelmente o jogador que acabará por substituir no onze. Se Óliver já foi ao banco em Alvalade - e acabou mesmo por jogar toda a segunda parte - foi apenas porque é mesmo um excelente jogador, que estava fisicamente apto, por ter feito a pré-época no Atlético de Madrid. Mas faltava-lhe o resto, aquilo que forma as equipas. É por isso que cada vez percebo pior que os campeonatos comecem e duas ou três semanas depois ainda haja jogadores a mudar-se de um lado para o outro. Isso dá azo a mudanças na forma de jogar das equipas com a época em curso, ao necessário período de readaptação, que as diminui no plano das competências, mas sobretudo a uma enorme instabilidade emocional nos balneários, que pode ser fomentada por quem quer, seja com intenção de contratar ou não. E no entanto, apesar de todos os anos os treinadores se queixarem, de todos os anos andarem a trabalhar uma coisa na pré-época e depois terem de trabalhar outra durante a interrupção para os jogos das seleções em setembro, apesar de o mercado estar aberto desde o final da época anterior e de ter havido tempo mais do que suficiente para todas as transações possíveis e imaginárias, nada se altera. Todos os anos há quem pergunte porquê. E a resposta é sempre a mesma e está na letra da música de Lisa Minelli: "Money makes the world go round" [o dinheiro faz girar o mundo]. E como quem manda é o dinheiro, vamos agora entrar numa segunda pré-época, à qual, dos grandes portugueses, só escapará o Benfica. Porque foi o único a fechar as entradas e as saídas importantes a tempo de estabilizar o grupo.
2016-08-29
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A vitória (2-1) sobre o FC Porto em Alvalade permitiu ao Sporting assumir a liderança isolada da Liga pela primeira vez desde a derrota contra o Benfica naquele mesmo palco, em Março, e deixou Jorge Jesus nas condições ideais para atacar Setembro, quando regressar a competição e já estiver o mercado encerrado. Os leões ganharam com justiça, num jogo intenso, no qual o FC Porto até começou melhor, mas onde Jesus corrigiu a tempo o erro tantas vezes repetido de colocar Bryan Ruiz ao meio. Muito do jogo do Sporting se baseia nas movimentações e na intensidade dos dois homens da frente, na forma como Slimani busca a profundidade ou a largura e como o seu parceiro o compensa ou se aproxima do meio-campo. Com Ruiz ali em vez de estar à esquerda, a equipa leonina foi perdendo a batalha do meio-campo, setor onde o trio portista, formado por Danilo, Herrera e André André, se impunha com naturalidade a William e Adrien, desamparados face à falta de genica do costa-riquenho. Havia sempre um portista a soltar-se para lançamentos capazes de aproveitar as diagonais de André Silva para o espaço entre o central e o lateral do Sporting, pelo que foi com alguma naturalidade que os dragões se adiantaram bem cedo no jogo. Foi de livre, à semelhança da abertura do marcador no jogo de Roma, desta vez de Layun para Felipe. O resto do jogo, contudo, foi muito diferente do de terça-feira. Porque Jesus reagiu a tempo e devolveu Ruiz ao lugar onde faz mais sentido, que é na esquerda, derivando Bruno César para o meio. Com o brasileiro ali, os leões ganharam ascendente e foram capazes de virar o marcador. O 1-1 saiu de um livre marcado por Bruno César ao poste, de uma primeira recarga de Gelson e de uma segunda de Slimani, a impedir que Casillas fizesse uma segunda defesa. E o 2-1 de um belo remate de Gelson, depois de beneficiar de um ressalto em Ruiz de uma bola mal aliviada por Felipe. Após o intervalo, Nuno Espírito Santo tentou mexer com o jogo, mas as coisas não lhe saíram bem. Oliver fez a estreia, entrando para o meio, com a passagem de Herrera para a direita,  mas mostrou que ainda não está em condições de ser a mais-valia que será assim que compreender melhor a equipa. Depoitre e Adrian Lopez entraram depois, na tentativa de dar outra acutilância ao ataque, mas por essa altura já o Sporting reforçara o meio-campo com Bruno Paulista e só não aproveitou o balanceamento do adversário porque Campbell também ainda não parece preparado. Sporting e FC Porto enfrentam agora duas semanas de paragem nas quais terão de fechar os planteis e de dar aos novos elementos a capacidade de compreender melhor as dinâmicas  coletivas. O primeiro clássico da época mostrou que há ali matéria prima para se trabalhar.
2016-08-28
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As três equipas portuguesas na Liga dos Campeões tiveram sortes radicalmente diferentes no sorteio do Mónaco. O FC Porto teve um sorteio tão feliz que nem os mais otimistas seriam capazes de o antecipar. Pelo menos no plano desportivo. O Benfica vai estar num grupo muito aberto, no qual é favorito para fazer valer o estatuto de cabeça de série, mas não terá pêras doces pelo caminho. E ao Sporting calhou todo o azar da tarde: os duelos com o Real Madrid e o Borussia Dortmund tornam difícil pensar em mais que na Liga Europa, ao mesmo tempo que farão de Alvalade cabeça de cartaz europeu em algumas noites até ao Natal.Depois de ter tido azar no adversário que lhe calhou no playoff (a Roma), o FC Porto beneficiou agora de toda a fortuna que lhe podia calhar numa só tarde. Primeiro, apanhou o Leicester, o mais fraco dos sete cabeças de série que podiam surgir-lhe à frente. Sim, trata-se do campeão inglês, mas foi um campeão de tal modo surpreendente que ninguém espera que volte a jogar ao nível que foi prolongando em esforço até ao fim da época passada. Terminada a Premier League, esvaziou-se o balão de adrenalina que levou a equipa até ali e, como se viu no início da atual temporada, a fábula da pizza não chegará a Ranieri para manter o rendimento dos seus jogadores lá em cima, muito acima do que eles valem na verdade. E depois do Leicester, o FC Porto ainda teve a mão amiga de Ian Rush a enviar-lhe o Bruges e o Copenhaga, duas equipas vindas de um patamar inferior e que elevam o nível de exigência dos portistas. O FC Porto não só é favorito, como poderá acabar esta fase com uns 12 pontos, que tanto ajudarão o ranking próprio e o de Portugal.A expectativa de bons resultados poderá ser o principal fator aglutinador para levar espectadores ao Dragão, pois não será certamente o cartel dos adversários a tornar os cartazes atrativos. É quase o que sucede com o Benfica, que também não terá na Luz grandes da Europa, mas ainda assim vai enfrentar um grupo mais complicado, sobretudo tendo em conta que era cabeça de série. O Napoli é uma força ofensiva muito difícil de controlar e o Dynamo Kiev, num dia bom, pode também criar problemas aos encarnados - eliminou o FC Porto há um ano, por exemplo. Não tendo, ainda assim, tido azar nos Potes 2 e 3, onde havia alternativas muito piores, o Benfica ficará a lamentar não lhe ter calhado um docinho no Pote 4. É que até o Besiktas de Ricardo Quaresma pode ser um problema. Este vai seguramente ser um grupo aberto, onde o pleno de pontos em casa será fundamental e onde as coisas podem decidir-se com um ou dois resultados úteis como visitante. Ainda na última época o FC Porto e o Sporting empataram em Kiev e Istambul, pelo que é possível ao Benfica fazer uns 10 ou 11 pontos e até ganhar o grupo.Quem não pode queixar-se de falta de adversarios atrativos no seu estádio é o Sporting, uma vez que por Alvalade vão passar os complicados Real Madrid e Borussia Dortmund. O Real é o campeão da Europa e favorito em todos os jogos da fase de grupos. Basta ver que nas últimas três temporadas cedeu apenas dois empates em 18 partidas nesta fase, quando visitou a Juventus e o Paris St Germain. E o Borussia Dortmund é a equipa que mais sombra faz ao Bayern na Alemanha, não tendo perdido nada da sua força ofensiva com a saída de Klopp e a entrada de Tuchel. O sucesso para o Sporting passa por fazer seis pontos contra o Legia de Varsóvia, a equipa mais fraca do grupo, ganhar ao Borussia em casa e depois esperar uma de duas coisas: ou que os alemães se distraiam na rivalidade geográfica com os polacos e deixem pontos num dos jogos com o Legia ou que seja capaz de pontuar no WestfalenStadion. Difícil, sim. Muito difícil. Mas não impossível.
2016-08-26
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Meio Slimani foi o suficiente para o Sporting sair de Paços de Ferreira com uma difícil vitória por 1-0. Claro que não foi só ele. Houve um Adrien dos grandes dias, dois defesas-centrais em tarde-sim e melhorias, por exemplo, na combinação entre defesas-laterais e extremos, sobretudo no plano defensivo, onde Gelson parece mais crescido. Mas a questão é que no jogo em que deixou de ter João Mário e recuperou o avançado argelino, o Sporting só teve direito a metade: a metade que luta até à insanidade. Aos que suspeitavam que Slimani estaria desencantado e especulavam que por isso podia não se entregar a 100 por cento, esta foi uma boa resposta. O golo decisivo, obtido por Adrien mesmo a fechar a primeira parte, nasceu de uma insistência do argelino, de uma bola que só ele acreditou que podia ir buscar à linha de fundo, em tackle. Bruno César cuzou-a para Gelson, que a entregou para uma bela finalização de Adrien. Mas a resposta de Slimani não pode ser só a esses. Ao Sporting faltou o Slimani goleador, o jogador que resolve jogos em nome próprio. Teve pelo menos duas ocasiões claras para acabar com o jogo, mas em ambas perdeu a possibilidade de fazer o 2-0. Numa delas, após passe de Gelson, já nem tinha guarda-redes à frente, mas não conseguiu dar bem na bola e esta perdeu-se. Na verdade, ao Sporting fez mais falta esse meio-Slimani que João Mário, que Jorge Jesus disse – e sem se rir – que não tinha sido convocado por causa de uma situação física no último treino, mas que está em vias de se transferir para o Inter de Milão. Teve razão o treinador leonino quando disse que os leões estiveram melhor a defender do que a atacar – e isso notou-se sobretudo nos passes perdidos a meio-campo – mas criaram ainda assim situações de golo suficientes para não terem passado pelo aperto final, quando o Paços se lançou em busca do empate com dois pontas-de-lança (Cícero e Whelton) a forçarem a igualdade numérica na frente pelo corredor central. Nessa altura, pela primeira vez no jogo, o Paços de Ferreira fez figura de mandão e instalou-se no meio-campo leonino, ganhando quase sempre espaço para cruzar. É verdade que nem aí criou autênticas situações de perigo para Rui Patrício, porque o setor mais recuado dos leões funcionou sempre bem, com grandes jogos de Coates e Ruben Semedo. Só que foi tendo livres e cantos em número suficiente para afligir Jesus e para o fazer lamentar-se com os seus botões acerca do jeito que lhe teria dado ter o Slimani inteiro.
2016-08-20
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No dia em que o futebol se tornou um negócio, os negócios do futebol tornaram-se mais difíceis de perceber. Desenganem-se todos os que se entretêm nas férias a imaginar campeonatos de defeso, a avaliar clubes e jogadores pelos muitos milhões que fazem movimentar no mercado. É que os valores atingidos pelas transferências de jogadores têm cada vez menos a ver com o valor real e mais com fatores extra, como a cartelização feita entre fundos de investimento, empresários e clubes cúmplices, o desespero que alguns vendedores têm e outros se dão ao luxo de desprezar no momento de se desfazerem das suas pérolas ou a necessidade que alguns compradores têm de levar a cabo operações de lavandaria a mando dos seus investidores principais ou, por oposição, de comprar abaixo do preço de mercado para respeitar as diretivas orçamentais que chegam de Nyon, sede da UEFA. Quando ouvi pela primeira vez falar no empréstimo de João Mário ao Inter, por 10 milhões de euros, francamente, pareceu-me um péssimo negócio, porque com dez milhões o Sporting não ficaria com a folga necessária para poder aventurar-se no mercado em busca de um substituto que dê garantias no imediato e dessa forma estaria a prejudicar as suas hipóteses de ganhar muito mais do que isso sendo campeão nacional. Diziam-me que o Inter não podia pagar mais, porque está a contas com o rigor que as normas do fair-play financeiro ditado pela UEFA lhe impõe e que por isso mesmo até tentou que fosse o Jiangsu, clube chinês do mesmo dono, a comprar o passe do jogador, para mais tarde o emprestar aos italianos. Não tendo isso sido possível em Julho, porque na altura o Sporting manteve a intransigência negocial, os italianos quererão agora o empréstimo direto, atirando para daqui por um ano uma cláusula de compra obrigatória do jogador, por mais 35 milhões. É uma forma de driblar o controlo do fair-play financeiro, de o remeter à condição de “treta” – como dizia Jorge Jesus há anos do fair-play em campo – como há muitas outras. Desde as compras inflacionadas aos acordos com patrocinadores que pertencem aos mesmos donos dos clubes e pagam muito acima da tabela pelo espaço nas camisolas de forma a mascarar as injeções de capital de corriqueiras receitas operacionais. Resta ao Sporting a avaliação do negócio em todos os planos e mais um. Para uns, os hooligans das redes sociais, tudo se resume a uma medição de egos clubísticos: o importante é fazer mais dinheiro que o rival, é ter o recorde da maior transferência. Para outros, que julgam sempre saber mais do que sabem na verdade, o que importa é simplesmente vender, porque é preciso amortizar dívida. À banca, à Doyen, a quem quer que seja. Estes dois grupos pecam por excesso e por defeito ao mesmo tempo. Na verdade, o importante aqui é apenas uma coisa: vender pelo preço justo, ou pelo menos não vender muito abaixo só porque se corre o risco de o jogador ficar contrariado e de se ter em mãos mais um choque como o que levou à perda de Carrillo a custo zero. O preço justo não são os 60 milhões da cláusula de rescisão – bastaria ter visto os problemas de João Mário na finalização para o perceber – mas andará entre os 30 e os 35, pelo que uma proposta de 10 mais 35 é boa e só tem mesmo o defeito de o grosso do dinheiro vir apenas daqui por um ano e não permitir procurar já um substituto, incorrendo o Sporting em prejuízo desportivo imediato. Só que é aqui que entra o negócio. Porque não sendo o Sporting dono da totalidade do passe de João Mário e estando obrigado a entregar percentagem significativa da parte que lhe toca em cada transferência para amortizar a dívida à banca, o que lhe conviria, aliás, era emprestar João Mário por vários anos consecutivos, embolsando a totalidade dos valores apurados, e nunca o vender. Há quem o faça, aliás. Porque o mercado de transferências parece-se cada vez menos com aquilo que era há um par de décadas, quando se um jogador era o mais caro do Mundo isso quereria necessariamente dizer que seria também o melhor. Hoje, há muito mais fatores a ter em conta. E nenhum deles é o fair-play financeiro.
2016-08-15
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Último Passe

O que Jorge Jesus disse acerca das possíveis saídas de João Mário e Slimani, no final da vitória do Sporting sobre o Marítimo (2-0), está dentro da razão e vem muito no sentido do que tem vindo a dizer Bruno de Carvalho ultimamente sobre mercado: os jogadores têm contrato, o clube é que decide se os transfere ou não e nada do que eles possam ansiar tem importância decisiva nos casos. Ou, como disse Jesus de Slimani, “isso, se ele quer sair ou ficar, é igual ao litro”. O que não quer dizer que o facto de eles saírem ou ficarem seja igual para o clube. Porque não é. E da resolução destes casos depende o desfecho da batalha da qualidade que este Sporting vai travar. O que se viu frente ao Marítimo foi uma equipa forte na criação, na sequência do que já fazia na época passada. Com bola, este Sporting continua muito bem. Sem ela, continuou a deixar-se tolher por um par de momentos de desconcentração que já se tinham visto na pré-época e que podiam ter posto em causa o desfecho do jogo: nas duas vezes que chegou à baliza leonina, ainda na primeira parte, o Marítimo devia ter marcado, valendo aos leões uma grande defesa de Rui Patrício frente a Baba e, no segundo lance, as finalizações desastradas de Ghazaryan e Alex Soares. Jesus corrigiu os problemas defensivos ao intervalo, com um puxão de orelhas a Gelson, que passou a estar mais perto de João Pereira, e a troca de Jefferson por Bruno César, lançando os leões para um segundo tempo amplamente dominador. Nada disto quer dizer que a vitória do Sporting tenha sido sequer difícil. Não foi. Porque a equipa da casa teve situações de golo mais do que suficientes para construir um score mais amplo – o que seguramente faria se Slimani estivesse em campo. Alan Ruiz jogou como ponta-de-lança e nem jogou mal: vê-se que tem escola, que tem visão, que apesar de estar longe do seu melhor em termos físicos tem qualidade no último passe. Mas golos é que nem vê-los. João Mário jogou como segundo avançado, assistiu Coates para o 1-0 e provou que não está com a cabeça em Itália – ainda que a sua saída, aos 89 minutos, para ser ovacionado, tenha cheirado a despedida – com uma exibição mexida e presente, nunca se escondendo e aparecendo em três ou quatro situações que teriam dado golo se a finalização deficiente não fosse o que o separa de valer já os 60 milhões da cláusula de rescisão. Bryan Ruiz até marcou um golo, o segundo, mas também se sabe que para ele os adornos estão sempre primeiro e que as conclusões simples dos lances não lhe dão grande satisfação. A questão é que o Sporting não pode abdicar de mais do que um dos seus jogadores mais requisitados se quer ganhar a tal batalha da qualidade – e se esse jogador não for Slimani, tanto melhor, porque é o mais difícil de substituir. Para já, João Mário parece estar na pole position. O próprio Bruno de Carvalho já deixou entender que há limites para a intransigência negocial: o clube deve acautelar os seus interesses, não cedendo a propostas que o penalizam desportivamente sem o beneficiarem no imediato do ponto de vista financeiro, como o empréstimo, mas acabará por vender. E aqui, quanto mais depressa o fizer, mais depressa poderá Jesus começar a construir a equipa com que pretende atacar a Liga.
2016-08-14
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Último Passe

A vitória do Benfica na Supertaça, frente ao Sp. Braga, pode ter vindo avolumar as certezas de que os encarnados são os principais candidatos à renovação do título nacional. Mas as dificuldades que o tricampeão sentiu na maior parte da partida frente ao onze de José Peseiro e o facto de, no limite, a Supertaça só ter tomado o caminho da Luz porque Rafa e Pedro Santos foram bastante perdulários na finalização – e Jonas, já se sabe, não perdoa… – terão chegado para temperar algum entusiasmo aos mais eufóricos dos adeptos encarnados. O Benfica, pela forma como alargou o lote de opções à disposição de Rui Vitória, é realmente o maior candidato à vitória final na Liga, mas nada do que se viu ontem permite ter certezas de que venha a ter a tarefa mais facilitada do que na caminhada difícil para o tri. Porque Sporting e FC Porto estão à espreita e, resolvidos os problemas na definição, este Sp. Braga também tem de ser levado a sério. Se é verdade que Cervi parece dar garantias de que, mesmo de forma diferente de Gaitán, pode ocupar a faixa esquerda do ataque encarnado – e se não estiver ele podem estar Carrillo ou Salvio, mesmo que isso implique o desvio de flanco de Pizzi – já a substituição de Renato Sanches não está ainda comprovadamente conseguida. Não é que André Horta tenha feito um mau jogo. Não só não fez como ainda falta ver Danilo naquela posição. Só que, com exceção dos primeiros 20 minutos, em que jogou praticamente dentro da área do Sp. Braga, faltou sempre ao Benfica explosão para aproveitar o balanceamento ofensivo de um adversário que se viu a perder cedo e por isso assumiu a partida. Talvez este seja um Benfica mais à imagem de Rui Vitória, até a caminhar para o 4x2x3x1 predileto do treinador campeão, com jogo mais pensado e menos explosivo: a incorporação de Luisão, obrigando a uma defesa mais baixa no campo, a entrada de Grimaldo e Nelson Semedo, dois laterais mais ofensivos que André Almeida e Eliseu, podem até levar a equipa para aí e conduzir a uma maior participação de Jonas na construção. Mas se houve Benfica entusiasmante ontem, em Aveiro, foi nos primeiros 20 minutos, quando a equipa esteve ligada à corrente máxima e desfez a organização defensiva bracarense. Depois vieram as dúvidas. Essas dúvidas podem também encontrar justificação no valor dos adversários. Ainda que o clima depressivo que se vive em Alvalade à conta dos resultados da pré-época pareça indicar o contrário, o Sporting também é forte candidato. A equipa tem perdido muitos jogos na pré-época? É verdade. E tem revelado desatenções defensivas imperdoáveis. Os resultados nos jogos de preparação, no entanto, não justificam tão acirrados estados de alma, como sabe Jorge Jesus, que já foi campeão depois de pré-temporadas bem piores do que esta e tem muito mais com que se preocupar. O problema de Jesus é que o dia 1 de Setembro nunca mais chega e, com ele, o fecho do mercado e a estabilização do grupo. Rui Patrício, William Carvalho, Adrien Silva e, sobretudo, João Mário e Slimani são muito requisitados. Se todos ficarem, o Sporting só tem de contratar mais um homem para o ataque: assumindo que Alan Ruiz vem suprir a falta de Gutierrez, só há que encontrar uma alternativa credível a Slimani. Jesus pode sempre alegar que continua a não ter a profundidade no plantel para atacar todas as frentes que tem, por exemplo, o Benfica, mas não tem uma equipa pior do que há um ano. Pelo contrário. E há o FC Porto, a quem ainda falta um defesa-central e um médio-ofensivo, mas que apresenta como maior arma para esta época uma coerência que lhe faltou na segunda metade da temporada passada. Arrumado o lopeteguismo que Peseiro teve de gerir, Nuno Espírito Santo começa o processo do zero e pode construir uma equipa segundo as suas próprias ideias. O maior reforço parece veio de dentro do plantel: André Silva parece mais alto, mais forte, mais rápido e tudo somado isso quer dizer que será mais goleador. Ao contrário de Aboubakar, um avançado de grandes espaços, André Silva resolve no primeiro toque e isso faz toda a diferença no 4x3x3 de uma equipa grande. De resto, a chegada de Felipe e Alex Teles, a aposta reiterada em Corona e a entrada do mais contante Otávio para o lugar do imprevisível Brahimi só deixa este FC Porto a precisar de algum talento a meio-campo. Mas também ali o mercado ainda não fechou.
2016-08-08
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Acabou o campeonato e o Benfica foi campeão. Justo? Sem dúvida nenhuma. Quem faz 88 pontos em 34 jogos, quem ganha 29 das 34 jornadas, quem perde pontos contra apenas quatro das 17 equipas que tem como adversárias no campeonato, é um campeão justo em qualquer parte do Mundo. E no entanto, do lado do Sporting, o derrotado, mantem-se o discurso: “não ganhou a melhor equipa”, disseram jogadores e treinador. É verdade que, com os seus 86 pontos, com apenas duas derrotas em toda a Liga, com cinco vitórias em seis clássicos, o Sporting também teria sido um campeão justo. Os leões foram a equipa que mostrou o futebol mais bonito, mais enleante, mais coletivamente trabalhado. Mas as hipóteses de sucesso da candidatura sportinguista ao título do ano que vem dependem de os seus responsáveis perceberem por que é que o Benfica foi campeão este ano. Porque há razões para isso que vão muito para lá da sorte e do azar. O Benfica foi campeão, primeiro, porque mesmo sem ter sido a equipa com o futebol mais vistoso, foi a equipa mais eficaz, a equipa com mais qualidade dentro da área, que é onde se ganham os troféus. O Benfica teve o melhor ataque e o maior número de vitórias. Sorte? Não. Qualidade nas áreas. Os processos para chegar à frente não foram sempre os melhores, não se lhe vê um futebol tão desenhado em laboratório como aquele que Jesus colocou o Sporting a jogar em tempo recorde, aceita-se mesmo que há ali menos trabalho saído do treino, mas vê-se uma organização defensiva impecável, com dois defesas-centrais rapidíssimos, que permitem encurtar o bloco e jogar com toda a equipa subida – com Luisão, provavelmente, isso não seria possível – e uma forma despachada de chegar à frente, onde o Benfica teve três pontas-de-lança de enormíssima qualidade. Jonas, Mitroglou e Jiménez desataram muitos nós a Rui Vitória, naqueles jogos mais complicados, onde fazia falta um golo caído do céu aos trambolhões. E Jesus viu o Sporting baquear naquele momento da época em que Gutiérrez estava de baixa, Montero tinha sido despachado para a China, Barcos não respondia - se é que alguma vez responderá – e só lhe sobrava Slimani, que também tinha direito a uns dias maus. Lembram-se dos golos cantados que Bryan Ruiz falhou em Guimarães e no dérbi de Alvalade? Jesus também, por muito que prefira esquecê-los. O Benfica foi campeão, depois, porque teve nas provocações do exterior um fator que lhe permitiu fazer das fraquezas forças. As provocações vindas de Alvalade, que resultaram no início da época – Jesus levou Vitória a mudar o que tinha andado a testar antes do jogo da Supertaça, ao reclamar para si mesmo todo o ideário futebolístico do rival, e começou aí a ganhar o troféu – foram perdendo eficácia à medida que a época avançava. E a cada vez que o treinador leonino falava em cérebros, em Ferraris ou em tocas, fazia com que o adversário se unisse mais ainda. Só assim se explica, também, que uma equipa que perde cinco dos seis clássicos que joga numa temporada, uma equipa que a dada altura da época parecia em falência mental e física, tenha conseguido ir sempre buscar mais alento e ganhar cada jogo. Essa injeção de adrenalina, era sempre Jesus que a dava. Como voltou a dar ontem, ao dizer que “uns criam e outros copiam”, rematando a conferência de imprensa com um “é por isso que eu ganho” que pode ter transportado alguns adeptos para um episódio da Twilight Zone. Do outro lado, Rui Vitória optou por se apagar em prol do mérito dos jogadores e afirmou que, mais do que no título, os seus falecidos pais podiam estar orgulhosos da contenção verbal que foi sempre mantendo. O Benfica foi campeão, por fim, porque geriu melhor os aspetos laterais do jogo. Não estou a falar de arbitragem. Estou a falar de casos como o processo a Carrillo – que Jesus perdeu logo no início do campeonato – ou dos confrontos que os encarnados entregaram sempre a assalariados sem real importância, como os seus comentadores engajados ou o departamento de comunicação, e os leões não foram capazes de passar para baixo do presidente. A ponto de até quando Octávio Machado aparecia – e a função dele era essa mesmo – parecer pouco, porque o precedente de ser Bruno de Carvalho a falar tirava importância a todos os outros. Luís Filipe Vieira quase pôde aparecer apenas no fim do campeonato a passar a taça para as mãos do capitão de equipa, enquanto que a Bruno de Carvalho, que passou a época a fazer comunicados a um ritmo quase diário, não restou senão sair pela esquerda baixa, aparentemente até do Facebook. Vieira também já teve os seus tempos de “loose cannon”, mas aprendeu e vai com quatro títulos nos últimos sete anos. Carvalho tem nos meses que se seguem a oportunidade de cortar caminho: basta-lhe ter a noção de que este Sporting cresceu tanto num ano que vai ser preciso fazer muita coisa errada para não acabar por ser também campeão num futuro próximo. In Diário de Notícias, 16.05.2016
2016-05-16
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Último Passe

O Benfica ganhou, como se previa, ao Nacional, por 4-1, na Luz, tornando infrutífera a vitória do Sporting em Braga, por 4-0, e conquistando o seu primeiro tricampeonato desde 1977. Foi um sprint final alucinante, no qual nenhum dos dois primeiros classificados cedeu, acabando o Benfica por impor os seus argumentos e terminar a Liga com uns impressionantes 88 pontos, que tornam irrelevante qualquer discussão à volta da justiça deste título. O Benfica é um campeão justo, porque fez mais pontos. Não jogou o futebol mais bonito, mas foi sempre a equipa mais eficaz, a que teve mais qualidade dentro da área – e isso paga-se com troféus como o que os encarnados acabam de conquistar. No último dia, só por três minutos o Sporting se colocou na frente da tabela provisória. Marcou primeiro, aos 20’, por Téo Gutièrrez, num daqueles lances-tipo do Sporting: bola de João Mário para a esquerda, onde Ruiz alargou a organização defensiva bracarense e devolveu para o meio, para a finalização de primeira do colombiano. O Sporting já tinha estado perto do golo por um par de vezes e desde cedo se percebeu que tinha tudo para ganhar em Braga. Só que os leões precisavam de mais. Precisavam que o Benfica não ganhasse em casa ao Nacional. E três minutos depois do golo de Gutièrrez, Gaitán abriu a festa da Luz, num lance que também é típico do futebol benfiquista: bola em busca da profundidade no corredor central, corte a impedir a finalização de Pizzi, mas para os pés do argentino, que estava solto e marcou num remate cruzado. Daí até final, na classificação, só deu Benfica. Slimani marcou o 2-0 para o Sporting em Braga, após cruzamento de Bruno César, num momento em que a equipa de Paulo Fonseca já tinha ficado reduzida a dez homens, por expulsão de Arghus, que derrubou William quando este se isolava. Só que Jonas também só esperou quatro minutos para dar o segundo ao Benfica, em mais um passe longo, desta vez de Gaitán, a pedir a velocidade de Jonas, que ganhou o duelo com o guarda-redes Gottardi. Ao intervalo dos dois jogos, toda a gente percebia que muito dificilmente o título escaparia ao Benfica. O Nacional ainda veio para a segunda parte a pensar num golo, que poderia reabrir a discussão, mas quem o marcou foi o Benfica, outra vez por Gaitán: recuperação de bola no último terço, cruzamento de Jonas, remate de Mitroglou à barra e recarga do argentino, de cabeça, para a baliza deserta. Começou aí a cantar-se nas bancadas, onde já ninguém estaria preocupado com o resultado do Sporting. Que entretanto chegou também ao terceiro, por Ruiz. E depois ao quarto, também pelo costa-riquenho. Mas, mais golo, menos golo, já nada disso importava. Pizzi ainda fez o 4-0 para o Benfica, já depois de Rui Vitória ter chamado ao relvado Paulo Lopes, o terceiro guarda-redes, que pôde fazer uns minutos e juntar o seu nome ao dos campeões – só mesmo Taarabt subiu ao palanque sem ter jogado. Já era Paulo Lopes quem estava na baliza quando Agra marcou o golo de honra do Nacional, tirando ao Benfica o título de melhor defesa da Liga: os encarnados acabaram com 22 golos sofridos contra 21 do Sporting. Sobrava o título que mais interessava: o de campeão. 
2016-05-15
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Benfica e Sporting vão decidir o título de campeão nacional, na última jornada da Liga, sem Renato Sanches e Adrien Silva, os jogadores que são a alma dos respetivos meios-campos e que tão importantes foram na forma como as duas equipas aqui chegaram em condições de serem campeãs. Ninguém mereceria mais do que eles celebrar o título em campo mas, ocorra o que ocorrer no último dia, os patrões dos dois candidatos ao título terão de ficar a torcer por fora. E num dos casos – porque a Liga não pode ter dois campeões – vai ser “dia santo na loja”. Os jogos das duas equipas têm graus de dificuldade muito diferentes: o Benfica recebe o Nacional, enquanto que o Sporting visita o Sp. Braga. Mas festejará o final deste alucinante sprint quem souber ultrapassar melhor a ausência do coração do seu meio-campo. Renato Sanches foi fundamental na refundação do futebol do Benfica, dando à equipa a explosão de que ela necessitava para fazer a ligação do meio-campo a Jonas. Entrou na equipa quando o Benfica defendia o terceiro lugar face aos avanços do Sp. Braga e acabou por ajudar a carregá-la até esta situação privilegiada em que se encontra neste momento, com 19 vitórias nos últimos 20 jogos e a apenas mais uma do tricampeonato, pois lidera com dois pontos de avanço do Sporting. Ao mesmo tempo, Adrien foi um dos argumentos principais que o Sporting apresentou na época em que já garantiu a melhor pontuação da história e em que entra na última jornada em condições de ser campeão pela primeira vez desde 2007. O capitão dá ao meio-campo agressividade no momento da perda de bola, mas também a capacidade de aproximação à área em posse que lhe permite somar golos e assistências semana após semana. A verdade é que, mesmo sabendo-se que mais de metade do país preferirá contestar as arbitragens – e sim, o cartão amarelo a Adrien frente ao V. Setúbal é mal mostrado, da mesma forma que me parece injustificado o primeiro dos dois amarelos a Renato Sanches nos Barreiros –, os afastamentos dos dois jogadores têm a ver com aquilo que eles são neste momento. Pela forma agressiva como disputa cada duelo, Adrien é um jogador muito propenso aos amarelos. É, de longe, o elemento dos três grandes com mais cartões na Liga: soma 12, contra dez de Maxi Pereira, que é quem mais dele se aproxima, e nove de Eliseu, o benfiquista mais admoestado. Por sua vez, Renato Sanches é ainda um jovem bastante inexperiente, que não teve a necessária contenção depois de ter visto o primeiro amarelo e fez, minutos depois, uma falta que lhe valeu o segundo e podia bem ter deixado o Benfica em muito maus lençóis, tivesse o Marítimo condições para discutir o jogo. A culpa foi dos árbitros? Também. Mas a recusa em aceitar as próprias limitações é sempre um primeiro passo para adiar o crescimento. E nem Renato nem Adrien merecem isso. Em casa contra o Nacional, Rui Vitória não deverá ter muitas dúvidas na forma de formar o onze. Se tiver toda a gente em condições, será Talisca a substituir o jovem da Musgueira, até como forma de premiar o baiano pelo extraordinário golo de livre que marcou, a resolver definitivamente o jogo com o Marítimo – um golo semelhante ao que tinha feito ao Bayern, na Liga dos Campeões. Nestas circunstâncias, o treinador do Benfica não costuma inventar, antes acreditando muito na rotina que vai criando. Por sua vez, em Braga, contra uma equipa que até pode sentir a tentação de tirar o pé, a pensar na final da Taça de Portugal, mas que mesmo assim tem mais potencial e já criou muitas dificuldades ao Sporting – uma vitória na Taça e uma derrota tangencial na Liga, com 6-6 em golos no somatório dos dois jogos –, Jesus terá mais dúvidas para decidir. O grau de dificuldade do jogo sugeriria a aposta em Aquilani, que tem sido o substituto de Adrien em quase todas as ausências, mas o italiano não fez um minuto nas últimas quatro partidas e a boa prova de Gelson contra o V. Setúbal – dois golos – pode até aconselhar a sua manutenção em campo e a reentrada de João Mário para a zona central. É que a resposta usual de Jesus a momentos de dificuldade tem sido, este ano, meter mais gente na frente – e tem resultado. In Diário de Notícias, 09.05.2016
2016-05-09
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Último Passe

Foi um Sporting muito forte, aquele que goleou o V. Setúbal por 5-0, em jogo da penúltima jornada da Liga, regressando à liderança pelo menos até ao momento em que o Benfica visitar o Marítimo e forçando desde já o suspense acerca do campeão até à última ronda. O clima de festa com que os jogadores se despediram dos adeptos, no final do jogo, deixa perceber que todos acreditam ainda que o bicampeão possa escorregar no seu duplo compromisso madeirense e só foi atenuado com a desilusão que foi perder o capitão, Adrien Silva, para a última batalha, devido ao 12º cartão amarelo na Liga. Mas ficou evidente que os leões continuam a sonhar com a possibilidade de interromperem o jejum de 14 anos sem títulos nacionais já na primeira época de Jorge Jesus. Sem João Mário, que Jesus preferiu não arriscar, face a uma questão muscular, e com Gelson a jogar pela direita num onze que tinha Bruno César como lateral-esquerdo, o Sporting deparou-se com um V. Setúbal que repetiu a organização com três defesas-centrais que já tinha utilizado contra o Benfica na Luz. E se é certo que nessa noite perdeu apenas por um golo e conseguiu durante boa parte do jogo anular o jogo interior dos encarnados, também viveu 20 minutos de terror, até ver o adversário chegar ao 2-1 que acabou por ser o score final. Desta vez, a diferença é que o terror durou mais tempo, porque este Sporting chega ao fim da Liga com mais gás e não parou de cavalgar a onda. Gelson – com Ruiz e Ruben Semedo os melhores em campo – só abriu o marcador aos 25’, picando a bola sobre Ricardo depois de ser isolado por um excelente passe do costa-riquenho, mas antes disso já o guardião setubalense tinha tirado dois golos cantados a Bruno César e Slimani e Ruca evitara sobre a linha de golo um cabeceamento de Coates que parecia destinado às redes no seguimento de um canto. O Sporting estava pujante e colocou o jogo em segurança ainda antes do intervalo, num ataque rápido em que William descobriu Gutièrrez para um remate que entrou junto ao poste mais próximo. E se dúvidas houvesse, o bis de Gelson, aos 55’, após passe de Adrien, veio acabar com elas. Só depois (tarde…) Quim Machado mexeu, chamando ao jogo André Horta – muito assobiado o futuro reforço do Benfica – e Miguel Lourenço. Com 3-0 e vendo que não havia perigo de reação do adversário, Jesus precaveu-se em relação a Braga, retirando de campo Slimani – também à beira da suspensão, tal como Adrien, que já tinha visto o cartão amarelo proibido na primeira parte – e acabando por ver a ponta final da partida coroada com mais dois golos de Ruiz, ambos em bolas paradas. Notável a execução, em vólei, do remate que deu o 4-0; mais fruto da inspiração do momento e de alguma ratice o livre direto que passou debaixo da barreira para fixar o resultado nos tais 5-0 que fazem crescer a pressão sobre o Benfica. É agora a vez da equipa de Rui Vitória responder, neste sprint alucinante em que já leva dez vitórias seguidas. Provavelmente vai precisar de mais duas para ser tricampeão e evitar a concretização do sonho leonino. Desde 1993 que nenhuma equipa perde a Liga nas últimas jornadas sem ser no confronto direto com o que haveria de ser campeão. Sucedeu nessa altura ao Benfica, que perdeu em Aveiro com o Beira Mar (1-0), deixando-se ultrapassar pelo FC Porto à 31ª de 34 jornadas. Depois disso, só houve mais duas ultrapassagens consumadas na reta final: o Benfica de Trapattoni superou o Sporting de Peseiro ganhando-lhe o dérbi na penúltima partida de 2004/05 e o FC Porto de Vítor Pereira passou o Benfica de Jesus batendo-o no Dragão, igualmente na penúltima partida de 2012/13. Aquilo em que os sportinguistas acreditam agora é que seja o Marítimo ou o Nacional a fazer encalhar o Benfica. E acreditam mesmo, a julgar pela forma efusiva como celebraram os seus na partida frente ao V. Setúbal.
2016-05-08
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Último Passe

Não sei se o Sporting tem um agente a passear-se pelo país com uma mala cheia de dinheiro para incentivar os adversários do Benfica a tirarem pontos ao líder do campeonato. Se tem, acho mal. Como acharei mal se o mesmo se passar com o Benfica relativamente aos adversários do Sporting. Como achei mal que, no passado, tenha havido ausências difíceis de explicar contra qualquer dos grandes ou contratações em alturas menos apropriadas, feitas por qualquer um deles. Se atribuídos por terceiros, os prémios para ganhar um jogo não são tão graves como os prémios para o perder, mas devem na mesma ser punidos, porque desvirtuam a lealdade da competição. Por isso mesmo acho muito bem que a Comissão de Inquéritos da Liga abra um expediente para lidar com as suspeitas lançadas para o espectro mediático. Ainda que me pareça absolutamente impossível que venha a concluir seja o que for sem o auxílio da polícia. O problema aqui, porém, resume-se àquilo a que se resumiu em todos os outros inquéritos que lidam com assuntos tão nebulosos: a prova. Foi estranho que o Marítimo tenha poupado a maioria dos jogadores que tinha à beira da suspensão na partida com o Estoril, para os ter contra o Benfica? Foi. Só que as vozes também se levantaram antes, quando o U. Madeira poupou os jogadores que tinha “à bica” contra o Sporting, de forma a garantir que os tinha na partida seguinte, perante a Académica, onde acabou por dar um passo decisivo em direção à manutenção. Sim, o Marítimo já não tem objetivos na Liga. Mas isso chega para dizer que não tem nenhuma razão para querer fazer boa figura ante o campeão nacional, no jogo com mais visibilidade de toda a época? A verdade é que as equipas, nesta altura do campeonato, poupam jogadores em alguns desafios. Devia Nelo Vingada fazê-lo antes de jogar com o Benfica? Claramente: não! Até para evitar a suspeita. O facto de o ter feito indicia, só por si, um ilícito? Claramente, também: não! Pelo menos até que esse ilícito seja provado. Porque, vamos a ver se nos entendemos, a única diferença entre o que se passa este ano e o que se passou em anos anteriores no nosso campeonato tem a ver com o clima de suspeição generalizada provocado pelos programas de comentadores-engajados e pelo cada vez maior descaramento dos acusadores, que têm cada vez menos vergonha na cara. Façamos uma viagem ao passado. Foi estranho que Armando Sá, que era o melhor jogador do Rio Ave em 1999/00, tenha falhado o jogo com o Sporting (treinado pelo sogro, Augusto Inácio), na ponta final desse campeonato, em que os leões sprintavam com o FC Porto pelo título? Realmente, foi. Foi ilícito? Que se saiba, não! Estava lesionado. Foi estranho que Rui Duarte, que tinha apenas três amarelos em 29 jogos do campeonato de 2004/05, tenha provocado dois em 25 minutos, fazendo-se expulsar a meio da primeira parte do famoso Estoril-Benfica jogado no Algarve, onde os encarnados arrancaram para esse título nacional? Realmente, foi. Foi ilícito? Que se saiba, também não! Teve uma tarde destemperada. Da mesma forma que, por si só, não houve ilícito no facto de André Horta ter falhado apenas um jogo por opção no campeonato do V. Setúbal – contra o Benfica –, no penalti cometido por Tonel no Sporting-Belenenses, no frango de Gudiño no Sporting-U. Madeira ou no corte em rosca de André Vilas Boas no Rio Ave-Benfica, permitindo o golo da vitória a Jiménez. Queremos ir ao fundo da questão? Vamos a isso! Mas não creio que seja através da Comissão de Inquéritos da Liga que lá chegaremos. E também não me parece normal que a cada decisão discutível de um treinador, a cada gesto técnico imperfeito, se chame a polícia. Porque se há um homem a correr o país com uma mala cheia de dinheiro para incentivar terceiros, não é bom que a necessidade de uma investigação seja travada por causa de uns quantos Pedros que passam a vida a gritar “Lobo!”
2016-05-05
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Portugal está em êxtase com o título do Leicester. “É a prova de que tudo é possível no futebol”, dizem uns. “É o regresso do romantismo”, dizem outros. Depois, uns recordam o Boavista, outros falam na fábula da pizza e do trabalho. Sim, também eu fiquei com os olhos marejados quando li a história da fábula da pizza. Mas se quisermos falar disto a sério, sem clichés nem frases feitas, daquelas que se destinam apenas às partilhas nas redes sociais, temos de colocar a cabeça a funcionar. E de perguntar a nós mesmos: quereríamos nós um Leicester em Portugal? Deixem-me responder por vós. Não! Porque se quiséssemos já estaríamos a fazer alguma coisa para que algo de semelhante pudesse acontecer por cá. E a verdade é que nos dirigimos cada vez mais no sentido contrário. Primeira fase da reflexão – desconstrução de mitos. Há, de facto, algo de Boavista de Jaime Pacheco na proeza do Leicester de Claudio Ranieri. Há um plantel humilde, pelo menos se comparado com os que com ele se batem na mesma Liga. Há espírito de grupo, resultante dos laços que se vão criando a cada semana que o “underdog” segue na frente. “Somos nós contra o Mundo”. É aqui que entra a fábula da pizza. Se tivesse tido comunicação, o Boavista de Jaime Pacheco também teria tido uma fábula da pizza para contar. Esta, de Ranieri, explica-se de forma simples. O treinador estava a ganhar jogos, mas preocupado com o facto de a equipa sofrer sempre golos. Um dia, temendo que essa permeabilidade se tornasse um problema, ofereceu-se para pagar o jantar a toda a equipa se esta mantivesse as redes a zero. E quando isso foi conseguido, cumpriu. Ranieri levou os jogadores a um restaurante italiano e, ante a ausência previamente combinada do pessoal da cozinha, ordenou-lhes que fizessem as suas próprias pizzas. “Vou pagar-vos o jantar, mas aqui, tal como no campo, vocês vão ter de trabalhar para o conseguirem”, disse-lhes. Ranieri, como Jaime Pacheco, pode não ser um génio da metodologia de treino ou um paradigma de modernidade na tática, mas tem vivência, tem mundo, sabe como motivar um grupo. As comparações entre o Boavista e o Leicester, porém, acabam aqui, no balneário. Porque o Boavista do início do século já andava a ameaçar as posições cimeiras há algum tempo e este Leicester só era candidato a descer de divisão. Porque aquele Boavista era uma das equipas com mais poder nos bastidores do futebol português e este Leicester não é tido nem achado nesses pormenores. Porque aquele Boavista caiu vitimado por alguma soberba – aumento exponencial de orçamento – e pelas mesmas armas de bastidores que lhe permitiu chegar lá acima e este Leicester vai cair porque, pura e simplesmente, a fábula da pizza só resulta com jogadores esfomeados de sucesso. Ou acham que Mahrez, Kanté ou Vardy, daqui por um ano, quererão sujar as mãos com a massa? Claro que não. Vão passar a ter quem faça a pizza por eles, mesmo sem perceberem que foi isso que lhes permitiu ganhar. Mas é da natureza humana e não há nada neles que lhes permita ver isso por antecipação. Por que ganhou então o Leicester? Por várias razões. E o espírito de grupo criado por situações como a fábula da pizza é uma delas. Outra é o facto de, apesar de tudo, o Leicester não ser uma equipa de coitadinhos. Porque na Premier League não há equipas de coitadinhos. É certo que aquilo que o Leicester gastou não chegará para pagar as comissões gastas por Chelsea, Manchester City ou Manchester United nas suas aquisições, mas ainda assim os novos campeões ingleses investiram esta temporada 4,2 milhões de euros em Huth, 9 milhões em N’Golo Kanté, 7 milhões em Inler e 11 milhões em Okazaki, aos quais acrescentaram, em Janeiro, mais 6,6 milhões em Amartey e 5,1 milhões em Gray. Foram, ainda assim, mais de 40 milhões de euros em aquisições, o que permite que se diga que a equipa não é de bidons e que quem está errado é que gasta isso e muito mais em jogadores que ainda não são o Messi ou o Cristiano Ronaldo só para satisfazer a clientela. E é aqui que a realidade inglesa se separa da portuguesa. Porque, estando inserido num mercado que funciona, o Leicester teve, por um lado, a vontade, e por outro a possibilidade, de tomar as suas próprias decisões. Agora vamos à parte chata. Perguntemos a todos aqueles que têm vibrado nas redes sociais com o título do Leicester e que são adeptos do Benfica, do Sporting e do FC Porto, se gostavam de ver uma coisa assim na Liga portuguesa. Quase todos vão dizer que sim, sobretudo porque vão estar a pensar que o nosso Leicester seria campeão em vez de um rival e não do clube deles. Mas quase todos vão recuar quando se lhes disser que enquanto o futebol português estiver organizado como está isso não será possível e que só poderemos ter um Leicester como tivemos um Boavista, se esse clube estiver encostado aos bastidores do poder. Porque para termos um Leicester teremos de ter, primeiro, um mercado interno que funcione para lá dos humores dos grandes, que jogam o jogo das influências emprestando jogadores à esquerda ou à direita. Para termos um Leicester teremos de ter uma distribuição mais equitativa das receitas de televisão, teremos de ter limitação do número de jogadores que cada clube pode ter sob contrato, teremos de ter clubes com vontade e acima de tudo com a possibilidade de tomarem as suas próprias decisões em vez de terem de se colocar debaixo da asa do "seu" grande. E é aqui que os nossos adeptos, que são extensões dos nossos clubes, vacilam. Mais: é aqui que recuam, que concluem que afinal de contas é melhor não termos um Leicester. Eu, que há uns dez anos já escrevo isto – a ponto de achar que me repito – quero ter um Leicester em Portugal. Até acho normal que os clubes grandes não queiram. O que acho estranho é que a Liga não queira.
2016-05-03
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Rui Vitória já assumiu que deverá, em princípio, poupar alguns jogadores na meia-final da Taça da Liga, que o Benfica jogará hoje na Luz contra o Sp. Braga. Olhando para a forma desgastada como os encarnados têm vindo a cumprir, sempre sem falhas, ainda assim, cada passo da caminhada que o treinador espera venha a conduzir ao tricampeonato, parece sensato que o faça. E, suceda o que suceder, tanto hoje como no próximo fim-de-semana, a história deste campeonato escrever-se-á sempre através do recurso às diferentes estratégias de poupança dos treinadores das duas melhores equipas. Teremos um campeão certificado pelo aforro. Olha-se para Benfica e Sporting e percebe-se que estão equilibrados no total de jogos feitos: hoje, ao receber o Sp. Braga, o Benfica empata com o Sporting em total de jogos feitos (49), podendo vir a superar os leões se assegurar a passagem à final da Taça da Liga. Contudo, isso não quer dizer que o Sporting esteja neste momento mais desgastado, quer porque os seus jogos internacionais – na Liga Europa – tiveram um grau de dificuldade inferior aos do adversário, quer porque Jesus optou por uma gestão diferente do seu plantel, tirando exigência em determinada altura, o que pode ter ajudado a equipa ao nível da fadiga central. Se olharmos para os números, verificamos que ambos os grupos têm seis jogadores com pelo menos 40 jogos efetuados: Jonas (44), Pizzi (44), Eliseu (43), Mitroglou (42), Jardel (41) e Jiménez (41) no Benfica; Rui Patrício (44), João Mário (44), Slimani (44), Ruiz (44), Adrien Silva (40) e Gelson (40) no Sporting. É verdade que entre os sportinguistas há um guarda-redes – e bastaria Júlio César não se ter lesionado para estar também no lote – e que, se em ambos há um jovem tantas vezes saído do banco – Gelson e Jiménez –, a pressão colocada em cima do extremo leonino tem sido sempre muito menor que a feita sobre o ponta-de-lança mexicano, tantas vezes entrado com a necessidade de desbloquear o marcador. Nestas coisas, como se sabe, não há uma verdade científica. Cada grupo, cada organismo reage de uma maneira muito própria a diferentes estímulos, mas parece evidente que as estratégias de Rui Vitória e Jorge Jesus foram radicalmente diferentes. Vitória tem trazido sempre os melhores a cada jogo, porque na Champions a isso era obrigado, e se fez alguma rotação na equipa isso deveu-se tanto às lesões (Júlio César, Luisão, Lisandro, Nelson Semedo…) como à eclosão de Renato Sanches, que tirou espaço a Samaris na equipa principal. Chega assim aos últimos três (ou quatro) jogos da época com os jogadores fundamentais em condições muito difíceis – não é estranho que Jonas, Pizzi e Mitroglou tenham caído tanto de produção nas últimas semanas –, mas na frente da classificação. Do outro lado, com o discurso centrado na Liga, com o menosprezo constante da Liga Europa, Jorge Jesus chega aos últimos dois jogos da época com a equipa em melhores condições. E também não é estranho que os quatro homens mais utilizados da época tenham sido os melhores na vitória de sábado no Dragão. Sobretudo Slimani, João Mário e Rui Patrício chegam a Maio a voar, depois de um período de quebra em Fevereiro-Março, que foi quando o Sporting perdeu a liderança, com apenas duas vitórias em sete jogos, de 8 de Fevereiro a 5 de Março. Acontece que quem ganha o campeonato não é quem faz melhor resultado na última jornada, não é quem chega às férias em melhores condições. É quem soma mais pontos nas 34 rondas da competição. E neste particular o Benfica tem vantagem, pois parte para as últimas duas jornadas com mais dois pontos. Se o campeonato durasse mais umas quatro ou cinco semanas, o Sporting pareceria a equipa em melhores condições para o ganhar, mas com a meta tão perto começa a parecer cada vez mais improvável que o Benfica escorregue antes de a ultrapassar. Claro que o debate acerca da melhor estratégia nunca chegará a conclusões mais definitivas do que o destinado a decidir qual é a melhor equipa das duas. Ninguém garante como estaria o Benfica se Vitória tem tirado exigência na Liga dos Campeões ou como estaria o Sporting se Jesus tivesse ido a jogo sempre com os melhores na Liga Europa. Por isso mesmo, daqui a duas semanas, as conclusões estarão sempre ligadas aos resultados. Se o Benfica mantiver a passada por mais duas jornadas e for campeão, teve razão Rui Vitória; se os encarnados passarem das vitórias difíceis e tangenciais a um empate ou derrota e o Sporting continuar a ganhar os seus jogos e for campeão, teve razão Jesus. Certo é apenas que ambos estão a fazer um fantástico trabalho. In Diário de Notícias, 02.05.2106
2016-05-02
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Último Passe

Uma tarde quase perfeita de Slimani e João Mário, conjugada com alguma fortuna em momentos capitais e com o desacerto dos homens das linhas mais recuadas do FC Porto permitiram ao Sporting uma vitória tão afirmativa como justa no Dragão, por 3-1, e a continuidade na luta pelo título, a dois pontos do Benfica. A equipa de Jorge Jesus mostrou princípios de jogo mais coerentes e uma qualidade superior, tanto na criação como na definição, pelo que saiu do relvado com os três pontos – que na verdade raramente estiveram em dúvida, mesmo que o terceiro golo leonino só tenha sido marcado por Bruno César a quatro minutos do fim. Mesmo com mais iniciativa em toda a segunda parte, sobretudo quando André André veio dar alguma dinâmica ao meio-campo, os comandados de José Peseiro viram sempre a equipa leonina criar mais situações de golo. A diferença entre leões e dragões foi tanto marcada pelos dois golos de Slimani como pelas duas assistências de João Mário, as duas figuras superlativas de um Sporting onde Adrien ocupou muito espaço a meio-campo e Rui Patrício também foi importante. No FC Porto, que na primeira parte só foi perigoso quando procurava a profundidade de Aboubakar ou este fazia movimentos contrários para soltar Herrera, lamentam-se os dois remates aos ferros da baliza de Rui Patrício, mas a verdade é que o guardião leonino teve um papel importante em ambos: no primeiro, é ele que desvia a finalização de Herrera para a base do poste; no segundo, caso o livre de Sérgio Oliveira tivesse saído cinco centímetros mais abaixo, em vez de esbarrar na barra seria desviado pela luva do guarda-redes, que lá estava bem posicionada. Entre estes lances, porém, o que se viu foi um Sporting sempre mais forte. Tanto no espaço interior, muito graças à imprevisibilidade da movimentação de João Mário e à forma como Adrien, Ruiz e Téo Gutièrrez apareciam também a jogar na zona livre entre Danilo e Sérgio Oliveira e o mais avançado Herrera, como quando escolhia procurar a largura, onde Brahimi e Corona nunca foram capazes de ajudar devidamente os defesas-laterais a travar as duplas leoninas para ali destacadas. Depois de um início dividido, a história do jogo começou a escrever-se na superioridade do flanco direito do Sporting sobre a esquerda portista. João Mário, logo aos 3’, tinha deixado bem à vista a sua grande debilidade – a finalização – chutando uma bola que estava a saltitar à entrada da pequena área sobre a barra; Herrera, aos 7’, viu Rui Patrício roubar-lhe o golo, no tal lance que foi bater no poste. E depois de também Slimani (em canto de Ruiz) e Aboubakar (em antecipação a Rui Patrício) terem também estado perto do golo, o Sporting marcou mesmo. William, sem pressão, abriu o jogo na direita, onde João Mário dominou, superou José Angel e descobriu Slimani totalmente à vontade na área – errada a abordagem de Chidozie – para inaugurar o marcador. Havia 23 minutos de jogo e ali começava o melhor período do Sporting, durante o qual Slimani voltou a estar perto do golo, outra vez após lance na direita: dessa vez, porém, Casillas impediu o 0-2. Só que aí, quando parecia entregue, o FC Porto marcou, por Herrera, num penalti a castigar falta de Coates sobre Brahimi. O FC Porto parecia acreditar que podia equilibrar o jogo, mas nessa altura foi de novo traído pelos erros do seu setor mais recuado: primeiro foi Maxi a deixar Ruiz à vontade para cruzar e depois Martins-Indi a não atacar a bola nem o adversário. Como o adversário era Slimani, o melhor cabeceador da Liga, a bola foi parar às redes de Casillas. Faltava um minuto para o intervalo. E à felicidade de marcar no final da primeira parte, o Sporting somou a de não sofrer no início da segunda, primeiro quando Maxi Pereira viu um remate de boa posição negado por uma mancha de Patrício e depois quando Sérgio Oliveira, de livre, acertou na barra da baliza leonina – ainda que a mão de Rui Patrício estivesse logo ali, para deter a bola, se esta viesse um nadinha mais baixa. José Peseiro optou então por trocar Sérgio Oliveira, demasiado preso no meio-campo, por André André, e o FC Porto ganhou algum ascendente, ainda que meramente territorial. A meia hora do final, o Sporting tentava controlar os ritmos de jogo, se conseguia sair com a bola até era mais perigoso que o adversário, mas este andava sempre mais perto da sua área. Aí faltou aos portistas alguma qualidade na frente, algo que também não melhorou com a troca de Corona por Varela. O FC Porto tinha mais bola, mas as melhores situações de golo eram verdes e brancas. Como quando André André veio compensar mais um erro atrás e tirou o 1-3 a João Mário (aos 66’). Ou quando Casillas fez uma defesa monstruosa, a deter sobre a linha um cabeceamento de Slimani que levava selo de golo (aos 69’). Percebendo isto mesmo, José Peseiro tardou a fazer a sua última aposta, que passava por tirar gente de trás e meter mais homens na frente. A cinco minutos do fim, trocou o desastrado Chidozie por mais um ponta-de-lança, na ocasião André Silva. E um minuto depois, o Sporting matou o jogo: João Mário veio para dentro, descobriu um desequilíbrio que a troca provocara na defesa portista e meteu a bola à frente de Bruno César, que entretanto entrara para o lugar de Téo. O “Chuta-Chuta” chutou e Casillas deixou a sua marca no clássico, permitindo que a bola se lhe enrolasse debaixo do corpo e entrasse. O 1-3 acabava com a discussão do jogo e, em contrapartida, mantinha bem acesa a da Liga. O Sporting superava o teste maior com muita personalidade e mantinha-se a dois pontos do Benfica. Os leões serão agora os próximos a jogar, recebendo no sábado o aflito V. Setúbal e, se ganharem, devolvem a pressão ao Benfica, que no domingo visita o Marítimo nos Barreiros. Este campeonato, um dia, vai acabar. Mas ainda não foi desta.
2016-04-30
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Jorge Jesus veio afirmar, após a vitória do Sporting frente ao U. Madeira, que os leões mereciam ser campeões nacionais, em virtude do excelente campeonato que estão a fazer. É verdade. O problema é que o Benfica está a fazer um campeonato ainda melhor e por isso mesmo tem mais dois pontos, a três jornadas do fim. A questão é que muito dificilmente uma prova de regularidade como um campeonato, jogado em 34 jornadas, deixa de sorrir a quem merece ganhá-la. E por isso mesmo as contas só se fazem no fim. Ou, como também já disse Jorge Jesus noutra ocasião: “isto não é como começa; é como acaba”. Certo é que, no fim-de-semana em que Benfica e Sporting garantiram matematicamente que vão acabar nos dois primeiros lugares da classificação, fica a certeza de que seja quem for a levar a melhor dará um excelente campeão. Neste caso, o verbo merecer não deve ser conjugado só numa pessoa, porque os méritos de ambos os candidatos são evidentes e não podem ser mascarados com erros dos árbitros ou dos adversários, que acontecem um pouco por todo o lado. Ainda neste fim-de-semana os que correram a chamar “vendido” a Gudiño, guarda-redes do U. Madeira, pela forma como sofreu o primeiro golo do Sporting, terão certamente corado de vergonha – se é que ainda têm um pingo dela – quando viram a intervenção de André Vilas Boas no lance do tento de Jiménez ao Rio Ave. Da mesma forma que os que andaram meio campeonato a acusar vários adversários de facilitarem a tarefa ao Benfica, quando este ganhava de goleada, podem agora meter a viola no saco ao ver a equipa de Rui Vitória arrancar vitórias tão difíceis e sofridas como as que obteve contra o Boavista, a Académica, o V. Setúbal ou o Rio Ave. Vitórias onde se houve algo que o Benfica mostrou acima de tudo foi espírito de luta e competitividade, atributos de que não precisaria se alguém lhe facilitasse a vida. Uma equipa que, como o Benfica, vem com 17 vitórias em 18 jornadas desde o empate contra o U. Madeira, em meados de Dezembro, tem méritos mais do que evidentes na posição que ocupa. Na altura em que, empatando no Funchal, ficou a oito pontos do líder – ainda que com um jogo a menos –, o que se disse foi que pelas debilidades que tinha mostrado até ali, o Benfica tinha perdido o direito ao erro. Que só um Super-Benfica podia voltar a discutir a Liga. Ora se a equipa entra nas três últimas jornadas na frente e como favorita, há-de ser porque se transformou de facto nesse Super-Benfica e por isso não deixará de ser um bom campeão. Por outro lado, uma equipa que, como o Sporting, liderou durante a maior parte das jornadas, só perdendo essa liderança com dois zeros atacantes seguidos em jogos – com o V. Guimarães e o Benfica – nos quais teve sempre mais volume de jogo ofensivo mas falhou na finalização também não deixará de ser um bom campeão. Até por ter conseguido manter a pressão sobre o líder, não desabando animicamente no momento em que passou a ter de olhar para cima para ver o adversário. Merecer ser campeão, merecê-lo-á quem chegar à última jornada na frente. E, além de não merecer as tentativas de menorização alheia que alguns idiotas presentes nas duas trincheiras têm vindo a ensaiar, o desafio constante que Benfica e Sporting têm feito um ao outro leva a crer que vamos ter campeonato até ao fim. A tarefa do Sporting, que não depende apenas de si próprio, é bem mais complicada, porque tem dois jogos fora – e logo contra FC Porto e Sp. Braga – mas se há algo que os benfiquistas devem ter certo é que reservar o Marquês de Pombal antecipadamente não dá bons resultados. O último campeonato perdido pelos encarnados, em 2012/13, começou nos festejos exagerados após uma dura vitória fora de casa sobre o Marítimo de Pedro Martins – atual treinador do Rio Ave – a três jornadas do fim. Seguiram-se o empate com o Estoril e o ajoelhar de Jesus no Dragão. O discurso equilibrado de Rui Vitória parece conduzir a equipa do Benfica no sentido inverso ao da euforia. Do outro lado, o discurso inflamado e mesmo assim confiante de Jorge Jesus tenciona levar a sua equipa a acreditar que o título continua a ser possível. E até nisso os dois se merecem um ao outro. In Diário de Notícias, 25.04.2016  
2016-04-25
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Último Passe

Vinte minutos de bom futebol, com aproveitamento total das situações de golo criadas nessa altura, valeram ao Sporting uma vitória tranquila sobre o U. Madeira em Alvalade, por 2-0, a certeza matemática da qualificação para a Liga dos Campeões da próxima época e a continuação na luta pelo título, metendo pressão sobre o Benfica, que amanhã visita o Rio Ave. Teo Gutièrrez voltou a marcar e a mostrar-se importante na manobra global da equipa, para a qual também contribuíram em grande parte os três médios, ante um adversário que só deu um ar da sua graça num remate de Danilo Dias, superiormente defendido por Rui Patrício. Jorge Jesus disse mesmo no fim do jogo que “em oito meses”, já pagou o seu “contrato de três anos”, mas por muito que o treinador se esforce por realçar o crescimento da equipa, que superou a três jornadas do fim o total de pontos feito na época passada, o objetivo principal está por alcançar e não depende apenas daquilo que o Sporting possa fazer. O treinador leonino tem razão quando diz que o Sporting está a fazer um “campeonato espetacular”, mas já foi demasiado parcimonioso ao afirmar que o Benfica – “o rival”, nas palavras dele – também está a fazer “um bom campeonato”. Ambos estão a ser bem mais do que bons e a verdade é que, ganhe quem ganhar, acabará por tê-lo merecido. Como o Sporting mereceu a vitória contra o U. Madeira, de resto. Os leões entraram sem Ruiz, fazendo alinhar Bruno César na esquerda, mas mostraram na mesma as movimentações trabalhadas em momentos ofensivos, conseguindo criar situações de golo desde o arranque da partida. Téo Gutièrrez marcou logo aos 7’, na sequência de um canto na direita em que os leões fizeram girar a bola até à esquerda, de onde saiu um cruzamento de Zeegelaar para o cabeceamento do colombiano. Mesmo sem cinco habituais titulares, todos em risco de exclusão e por isso poupados para a batalha com a Académica, que terá lugar já na próxima jornada, o União da Madeira podia ter empatado, por Danilo Dias, também na sequência de um canto, mas o remate esbarrou numa excelente intervenção de Rui Patrício. E, ainda antes dos 20’, João Mário acorreu a mais um cruzamento de Zeegelaar para fazer o 2-0 num vólei que permitiu que o jogo entrasse numa fase pachorrenta. Até final, o União só criou perigo em duas situações, ambas na segunda parte e sempre fruto de erros leoninos. Primeiro quando Ruben Semedo cortou mal um cruzamento e quase o endereçava para a própria baliza, e depois, já perto do final, quando Rui Patrício largou uma bola vinda de um canto. Pelo meio, o Sporting limitava-se a gerir o jogo em posse, raramente metendo a velocidade que lhe permitiria o 3-0 e a tranquilidade total. Téo ainda perdeu esse terceiro golo na primeira parte, após belo trabalho de Coates na direita, e voltou a estar perto dele no segundo tempo, mas se na primeira vez acertou mal na bola, na segunda viu Gudiño impedir o golo com uma boa mancha. Slimani, que saiu mais cedo para evitar riscos de um amarelo que o afastasse do decisivo jogo do Dragão, também teve duas chances, disparando em ambos os casos para fora. E Adrien ainda acertou com estrondo no poste. O golo, porém, não fazia grande falta. Não tanta como poderá vir a fazer um do Rio Ave ao Benfica na partida de amanhã.
2016-04-23
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Stats

O Sporting de Jorge Jesus entra em campo para defrontar o U. Madeira de Norton de Matos com a obrigatoriedade de ganhar se quer manter a pressão sobre o Benfica, que só joga amanhã, em Vila do Conde, e sabendo que, mesmo que o FC Porto ganhe em Coimbra, garantirá a segunda posição e os milhões da Champions se vencer os insulares. Para Jesus, o desafio é enorme, tendo em conta que pela frente vai aparecer-lhe uma espécie de vírus: o União foi a primeira equipa portuguesa a ganhar-lhe desde que é treinador do Sporting e Norton de Matos um treinador com o qual, em jogos da Liga, perdeu sempre, não sendo sequer capaz de fazer um golo. Os dois treinadores são sensivelmente da mesma idade – Norton é sete meses mais velho – e defrontaram-se muitas vezes em campo. Foram colegas de equipa apenas no final das respetivas carreiras, no Estrela da Amadora comandado por Fernando Cabrita, em 1986/87, jogando a Zona Sul da II Divisão. Como treinadores, começaram a defrontar-se logo em 1991, na II Divisão, tendo o Amora de Jesus ganho as duas partidas ao Barreirense de Norton. Na I Divisão, porém, foi Norton quem levou a melhor nos dois confrontos entre ambos. A primeira vez foi num V. Setúbal-U. Leiria de Outubro de 2005, que os sadinos ganharam por 2-0, com golos de Ricardo Chaves e Fábio. E a outra foi o U. Madeira-Sporting desta época, em que o União bateu surpreendentemente os leões por 1-0, graças a um tento de Danilo Dias. O cruzamento de histórias entre os dois vai muito para lá da época que passaram juntos, ainda de calções, no Estrela da Amadora. Jesus e Norton de Matos trabalharam ambos no Benfica, em 2012/13, com o atual técnico do Sporting a ocupar-se da equipa principal e o treinador do U. Madeira a liderar a equipa B. Além disso, ambos sabem o que é trabalhar no rival de hoje. Jorge Jesus já foi treinador do U. Madeira, não tendo conseguido bons resultados na passagem pelos azuis e amarelos do Funchal: esteve apenas dois meses no cargo, em Fevereiro e Março de 1988, perdendo mais jogos do que os que ganhou. Norton de Matos nunca treinou o Sporting mas já foi lá diretor desportivo.   Na sua carreira de treinador, Norton de Matos já defrontou os leões por três vezes, todas com o mesmo resultado: 1-0. Aconteceu primeiro quando Norton dirigia o Barreirense, em Novembro de 1992, e a equipa da margem sul do Tejo foi batida em casa pelos leões de Robson por 1-0 em jogo da Taça de Portugal (marcou Cadete). Depois, já Norton estava no V. Setúbal, voltou a perder, desta vez em jogo da Liga, em Alvalade, datado de Setembro de 2005, no qual o Sporting de Peseiro se impôs graças a um golo de Deivid. Por fim, na primeira volta, o U. Madeira de Norton impôs a primeira derrota ao Sporting de Jesus no atual campeonato, graças a um golo de Danilo Dias.   O Sporting ganhou as últimas cinco partidas que efetuou, mas está ainda assim a duas vitórias da melhor série da época, que são as sete vitórias seguidas de Novembro e Dezembro, encaixadas entre as derrotas frente ao Skenderbeu e ao Sp. Braga. A série atual começou logo após a derrota caseira com o Benfica (0-1). Depois desse jogo, os leões impuseram-se ao Estoril (2-1), ao Arouca (5-1), ao Belenenses (5-2), ao Marítimo (3-1) e ao Moreirense (1-0).   Se contarmos apenas com jogos da Liga, esta também, não é a melhor série dos leões, que entre a sétima e a 13ª jornadas ganharam também sete jogos consecutivos. Essa série, que começou após o empate com o Boavista no Bessa, foi interrompida precisamente com a derrota frente ao U. Madeira na Choupana (1-0).   Slimani marcou golos nos últimos três jogos do Sporting, interrompendo frente ao Marítimo um período de quase três meses sem marcar em Alvalade que já durava desde o empate com o Tondela (2-2), a 15 de Janeiro. Nas últimas três partidas, o argelino fez os dois primeiros nos 5-2 aplicados ao Belenenses, no Restelo, fechou a contagem leonina nos 3-1 em casa ao Marítimo e obteve o único golo na vitória por 1-0 frente ao Moreirense, no Minho. Há mais de um mês que não passa um jogo sem marcar: o último zero foi frente ao Arouca, em casa, a 15 de Março.   Por outro lado, há dois meses que o Sporting sofre sempre golos nos jogos em casa. A última baliza virgem de Rui Patrício em Alvalade aconteceu a 22 de Fevereiro, contra o Boavista (2-0). Depois disso, marcaram ali o Benfica (0-1), o Arouca (5-1) e o Marítimo (3-1).   O U. Madeira chega a Alvalade com uma série de onze jogos sem ganhar. A última vitória conseguiu-a em casa, frente ao Nacional, a 23 de Janeiro (3-0). Depois disso, tem três empates (1-1 com o Estoril, 0-0 com o Belenenses e 2-2 com o V. Setúbal) e perdeu os restantes oito jogos (3-1 com o V. Guimarães, 1-0 com o Moreirense, 3-0 com o Arouca, 2-0 com o Benfica, 3-2 com o FC Porto, 2-0 com o Sp. Braga, 1-0 com o Tondela e 4-3 com o Paços de Ferreira). Se não ganhar em Alvalade, o União iguala a sua pior série de sempre na Liga portuguesa, que foram as doze jornadas sem ganhar entre um 2-0 ao Gil Vicente, a 18 de Setembro de 1994, e um 3-0 ao V. Setúbal, a 15 de Janeiro de 1995.   Além do mais, o U. Madeira vem com nove derrotas seguidas no continente, desde que empatou a duas bolas em Setúbal, frente ao Vitória, a 28 de Novembro. Desde esse jogo até conseguiu uma vitória fora de casa, mas foi frente ao Marítimo, no Funchal (1-0). Em jogos que se seguiram à viagem até ao continente perdeu sucessivamente com Paços de Ferreira (6-0), Académica (3-1), Rio Ave (1-0), V. Guimarães (3-1), Arouca (3-0), Benfica (2-0), FC Porto (3-2), Sp. Braga (2-0) e Tondela (1-0).   O U. Madeira marcou já esta época três golos aos grandes, todos da autoria do mesmo jogador: Danilo Dias. O brasileiro fez o golo com que a equipa insular se impôs ao Sporting na Choupana por 1-0 e depois marcou os dois com que chegaram a ameaçar a vitória do FC Porto no Dragão, em jogo resolvido por Corona, a 3 minutos do fim (3-2).   Miguel Fidalgo poderá fazer em Alvalade o 100º jogo pelo U. Madeira, depois de se ter estreado pelo clube a 4 de Fevereiro de 2013, com uma derrota por 4-1 frente ao Benfica B, em Lisboa, em jogo em que o adversário era dirigido pelo seu atual treinador, Luís Norton de Matos. Ao todo, Miguel Fidaldo soma 99 jogos (13 na Liga, 73 na II Liga, quatro na Taça de Portugal e nove na Taça da Liga) e 25 golos (22 na II Liga, um na Taça de Portugal e dois na Taça da Liga) pelo U. Madeira. Na última vez que jogou contra o Sporting, marcou um golo mas perdeu: foi a 13 de Novembro de 2010, Fidalgo jogava na Académica e bateu Rui Patrício numa derrota por 2-1 em Coimbra.   O lateral Paulinho, do U. Madeira, estreou-se na Liga a defrontar o Sporting, lançado por Jorge Casquilha num empate (2-2) alcançado pelo Moreirense na receção aos leões, a 26 de Novembro de 2012. Desta vez estará fora, poupado por Norton de Matos a pensar em confrontos futuros.   O U. Madeira nunca marcou sequer um golo em Alvalade, tendo perdido todas as partidas que ali efetuou: 2-0 em 1989 e 1990, 3-0 em 1991, 1-0 em 1993 e 4-0 em 1995.   Neste século, as duas equipas só se defrontaram duas vezes, ambas no Funchal. Em Dezembro de 2006, para a Taça de Portugal, ganhou o Sporting por 3-1, com golos de Moutinho, Farnerud e Tello ainda na primeira parte, aos quais respondeu Belic já perto do final. Em Dezembro do ano passado, ganhou o U. Madeira por 1-0, com o tal golo de Danilo Dias.  
2016-04-23
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Quem faz o favor de me ler há tempo suficiente sabe que adotei de Sven-Goran Eriksson a teoria segundo a qual discutir arbitragens é irrelevante porque, no fim, feitas as contas, entre o deve e o haver, as coisas acabam por se equilibrar. É por isso, e também porque nunca encontrei um debate sobre penaltis ou foras-de-jogo em cujos padrões de urbanidade ou educação me reveja, que não sigo o caminho geral, o caminho que manda o adepto comum vociferar contra os árbitros nos fins-de-semana em que a sua cor saiu prejudicada e silenciar essas discussões quando são os outros a queixar-se. Mas também já ando no futebol português há tempo suficiente para acrescentar à teoria de Eriksson uma outra, à qual chamo a “teoria do remediado”. E que diz o seguinte: nos últimos dez ou quinze anos, em cada momento conjuntural do futebol português, há sempre um que ganha, um que é cúmplice porque joga na mesma na Champions e um terceiro que luta por aquilo a que chama “a verdade desportiva”, mas que não é mais do que a defesa dos seus interesses e a vontade em ocupar o lugar de um dos outros dois. Não vou ao ponto de dizer, como Jorge Jesus disse do fair-play, que a verdade desportiva seja uma treta. Não é. Sou, aliás, favorável à introdução no futebol de meios auxiliares de diagnóstico que venham ajudar os árbitros a decidir melhor. Mas não tenho a ilusão de que isso venha acabar com a discussão, porque não é preciso recorrer às hordas de fanáticos que enxameiam as redes sociais para encontrar gente que, perante as mesmas imagens, tira conclusões diferentes. Basta muitas vezes consultar ex-árbitros internacionais. Como não existe uma verdade absoluta, mas sim diferentes interpretações de um mesmo acontecimento, quando houver vídeo-árbitro – e reparem que não disse “se”, disse “quando”, porque acredito que isso é inevitável – as suspeitas de favorecimento manter-se-ão, mas mudarão de destinatário: passarão do relvado para a régie. E isso será assegurado por todos os que mantém a funcionar o sistema de acordo com a “teoria do remediado”, esse axioma nascido da evidência de que só há lugar para dois clubes verdadeiramente grandes no futebol nacional, porque são apenas duas as vagas garantidas na distribuição de milhões da Liga dos Campeões. Foi de acordo com essa evidência que as coisas mudaram. Se até há uns dez, quinze anos, o que interessava era só ganhar, depois da reforma das provas europeias, que assegurou uma segunda vaga direta de clubes portugueses na Champions, passou a interessar também ficar em segundo lugar. Chegámos, nessa altura, ao ponto de ouvir um presidente do Sporting dizer que ante dois desafios, preferia ficar em segundo no campeonato a ganhar a Taça de Portugal. Ou ser duas vezes segundo a ser uma vez primeiro e outra terceiro. Essa, já se vê, era a altura em que o Sporting era o remediado. O FC Porto ganhava – e nos últimos 30 anos nunca deixou de ganhar por mais de três anos seguidos, mantendo mesmo assim com frequência o segundo lugar – e o Sporting era segundo, o que garantia à equipa de Paulo Bento um cartão de passageiro frequente na Liga dos Campeões. E dinheiro, muito dinheiro. Quem lutava nessa altura pela “verdade desportiva”? O Benfica, pois então. Era Luís Filipe Vieira quem falava mais na regeneração do sistema. António Dias da Cunha, um voluntarioso franco-atirador que, na qualidade de presidente do Sporting, chegou a alinhar com Vieira nalgumas iniciativas, acabou por ser afastado dentro do próprio clube, pois estava a ir contra a “teoria do remediado”. Entretanto, o Benfica passou a ganhar – é neste momento favorito à conquista do tricampeonato. E da Luz passaram a chegar vozes de moderação, de crítica a quem passa a vida a falar dos árbitros. Quem passou a ser o principal crítico do sistema? O Sporting, pois então, onde Bruno de Carvalho diz tudo aquilo que Luís Filipe Vieira disse e talvez até muito mais, questionando os árbitros e clamando por injustiça em todas as jornadas e chegando mesmo ao ponto de recusar a admissão de favorecimentos quando eles acontecem – como foi o caso esta semana. O FC Porto tem sido o remediado e por isso mesmo ninguém se juntou a Lopetegui quando este criticou as arbitragens, na época passada. Veremos como passarão a comportar-se no Dragão na próxima época, quando se torna mais ou menos evidente que o FC Porto será terceiro na Liga que se aproxima do fim e tem a Liga dos Campeões em risco. In Diário de Notícias, 19.04.2016
2016-04-18
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Último Passe

O Sporting venceu o Moreirense, fora de casa, por 1-0, graças a um golo do inevitável Slimani, em jogada inventada por Téo Gutièrrez, que voltou a confirmar o bom momento que atravessa. A partida esteve longe de ser brilhante: os leões controlaram-na no limite do risco, mas acabaram por ganhar bem, face à total inoperância ofensiva da equipa da casa. Além de lhe chegarem para manter a pressão sobre o Benfica e para o regresso provisório ao topo da classificação – pelo menos até que os encarnados recebam o V. Setúbal, na segunda-feira – os três pontos permitem à equipa de Jorge Jesus ficar a apenas uma vitória da certeza matemática do apuramento para a próxima edição da Liga dos Campeões. Sem a sua principal arma ofensiva, que é Iuri Medeiros, jogador emprestado pelo Sporting e por isso excluído da partida, o Moreirense optou por abordar o jogo com um bloco muito baixo, apostando no reagrupamento defensivo junto da sua área e na criação de lances de perigo em contra-ataque ou em bolas paradas. Isso deixou o Sporting como dono e senhor do meio-campo, sem ter sequer que meter velocidade no jogo. Quando chegava aos últimos 30 metros e procurava fazê-lo, era tanta a densidade de pernas ali colocadas que tal se tornava difícil. Com isto perdeu o espetáculo, que nunca foi bom. O Moreirense ainda teve a primeira situação de perigo, logo aos 5’, num canto que André Micael cabeceou ao lado, aparecendo só ao primeiro poste. Os cónegos deixavam desde logo nota da única forma que tinha de ameaçar Rui Patrício: em toda a primeira parte só causaram frisson em mais dois livres, um de Fábio Espinho, ao lado (aos 26’) e outro de Nildo, para defesa apertada do guardião leonino (aos 36’). O Sporting vivia muito da capacidade dos seus médios tirarem a bola da zona de pressão, onde havia mais opositores. E de vez em quando ainda conseguia criar lances bonitos. João Mário beneficiou de uma bela abertura de Adrien, aos 15’, para se isolar sobre a direita, mas finalizou mal. Um minuto depois, foi a vez de Téo inventar a solução: à entrada da área, com uma densa barreira pela frente, picou a bola sobre a linha defensiva, isolando Schelotto na direita, de forma a que este pudesse cruzar e Slimani aparecesse a finalizar à boca da baliza. A ganhar, o Sporting pareceu diminuir a intensidade do seu jogo. A equipa parecia até algo anestesiada pela incapacidade adversária, mas ainda assim foi sempre a mais perigosa em campo. Téo Gutièrrez (39’) e João Mário (42’) estiveram mesmo perto do 2-0, mas o intervalo chegou com um só golo a separar as duas equipas. Na segunda parte, o jogo mudou pouco. Téo Gutièrrez voltou a ser o primeiro a estar perto do golo, num cabeceamento após assistência de Slimani, aos 61’. E poucos minutos depois começaram as substituições. Jesus trocou Zeegelaar, que já tinha amarelo, por Bruno César, que voltou a ser lateral-esquerdo e, mais tarde, substituiu Ruiz por Gelson, que também esteve perto do golo, aos 78’. Do outro lado, Miguel Leal não mexia muito, talvez por sentir que não tinha no banco quem fosse capaz de virar o jogo. A primeira substituição foi para refrescar (Ernest por Boateng), a segunda apareceu apenas a cinco minutos do fim (Nildo por Fati). A verdade é que a equipa da casa não conseguia chegar-se à frente: em toda a segunda parte, só dois remates de ressaca de Schons, aos 70’ e aos 71’, causaram alguma perturbação à defesa leonina. Daí que, mesmo sem ter feito um bom jogo, o Sporting tenha acabado por ser a única equipa que mostrou argumentos para procurar a vitória que acabou por sorrir-lhe.
2016-04-17
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Stats

O Sporting entra em campo, frente ao Moreirense, com o intuito de vencer e recuperar, ainda que à condição – pois o Benfica só joga na segunda-feira – a liderança da Liga, mas há outro encontro com a história à mercê dos leões. Basta à equipa de Jorge Jesus repetir os quatro golos marcados na época passada naquele campo para chegar ao centenário de tentos marcados esta época. Os leões somam neste momento 96, entre todas as competições, sendo 64 na Liga, 15 na Liga Europa, nove na Taça de Portugal, quatro na Taça da Liga, três no play-off da Champions e um na Supertaça. Se chegarem aos 100, fazem-no pela segunda época seguida, pois já em 2014/15 terminaram a competição com 105. Para que se veja a importância da proeza, há que dizer que a última vez que o Sporting marcou pelo menos 100 golos em duas épocas seguidas foi entre 1961 e 1963. Há mais de 50 anos, portanto. Em 1961/62 os leões acabaram a época com 101 golos marcados – tendo chegado ao centésimo por Monteiro, na 40ª partida oficial, uma derrota por 4-3 com o Belenenses, na Taça de Portugal – e em 1962/63 fizeram 125 – tendo atingido o 100º por Figueiredo, ao 36º jogo, uma vitória por 2-1 frente ao V. Setúbal. Desde então, contam-se pelos dedos de uma mão as vezes em que os leões fizeram pelo menos 100 golos numa época desportiva. Marcaram 119 em 1973/74, tendo chegado aos 100 ao 36º jogo, por Marinho, que fez o tento solitário na derrota (1-2) com o Magdburg, nas meias-finais da Taça das Taças. Depois disso, os 100 golos só apareceram em 2001/02, tendo o golo 100 chegado por intermédio de Jardel, ao 44º jogo, um empate caseiro com o Benfica (1-1). Em 2004/05, a equipa de Peseiro também superou a marca do centenário, mas o centésimo golo apareceu numa tarde de infelicidade: marcou-o Rogério ao 51º jogo da temporada, a derrota na final da Taça UEFA frente ao CSKA Moscovo. Por fim, na época passada, o golo 100 apareceu também ao 51º jogo, marcado por Tobias Figueiredo na vitória por 4-1 sobre o Sp. Braga. Esta época, os leões podem superar a marca em temos de rapidez a chegar aos 100 golos, pois o jogo em Moreira de Cónegos será apenas o 47º de uma temporada que, suceda o que suceder, terminarão com 51 jogos oficiais realizados. Para Jorge Jesus é que nada disto é novidade, pois já vem com seis épocas seguidas a ver as suas equipas a marcar pelo menos 100 golos. Todas desde que chegou ao Benfica, em 2009, e onde interrompeu uma série de 15 anos sem que os encarnados chegassem à centena de golos. Ainda assim, Jesus já não pode bater a sua própria melhor marca em termos de rapidez – estabelecida em 2009/10, quando o seu Benfica chegou ao 100º golo em 41 jogos – sendo quase impossível atingir também o seu máximo de uma só época, que foi também em 2009/10, quando o Benfica acabou os seus 51 jogos oficiais com 124 golos. Faltam-lhe 28.   Jorge Jesus e Miguel Leal defrontaram-se seis vezes e Jesus ganhou sempre. A estreia foi em Fevereiro de 2014, quando o Benfica de Jesus foi ganhar fora ao Penafiel de Leal, em jogo da Taça de Portugal, mas com muita dificuldade: marcou Sulejmani, a apenas seis minutos do fim. Houve mais quatro confrontos entre o Benfica de Jesus e o Moreirense de Leal, todos em 2014/15: duas vezes 3-1 para a Liga, 2-0 para a Taça da Liga e 4-1 para a Taça de Portugal. Pelo Sporting, Jesus repetiu o resultado nos dois confrontos para a Liga: 3-1 em Alvalade.   Jorge Jesus já treinou o Moreirense, em 2004/05, tendo sido ali que conheceu a última descida de divisão. Chegou à equipa a sete jornadas do fim, em substituição de Vítor Oliveira, que a deixara em 17º lugar, a um ponto da linha de água. Perdeu os dois primeiros jogos – um deles contra o Sporting, por 3-1 – e somou depois três empates e duas vitórias, acabando a Liga em 16º lugar, mas a quatro pontos da salvação.   André Fontes e Danielson, do Moreirense, fizeram a estreia na Liga a jogar contra o Sporting. O médio foi lançado por Rogério Gonçalves na derrota (0-2) da Académica em casa, a 30 de Agosto de 2009. Melhor sorte teve o defesa central brasileiro: Carlos Brito lançou-o como titular na contundente vitória do Rio Ave, por 4-0, a 24 de Abril de 2004.   O Moreirense ainda não ganhou um único jogo em casa em 2016. As quatro vitórias que tem este ano surgiram todas como visitante: 3-0 ao Boavista, 2-1 ao Arouca, 1-0 ao U. Madeira e 1-0 ao V. Setúbal. A última vitória no Joaquim Almeida de Freitas experimentou-a a 20 de Dezembro, quando recebeu e bateu o Nacional por 2-0, graças a um bis de Rafael Martins. Depois disso, o melhor que conseguiu foram dois empates (0-0 com o mesmo Nacional, para a Taça da Liga, e 2-2 com a Académica), tendo perdido os restantes sete jogos.   O Sporting sofre golos há cinco jogos seguidos, não mantendo a baliza a zeros desde o empate (0-0) em Guimarães, a 29 de Fevereiro. Depois disso, perdeu por 1-0 com o Benfica, ganhou 2-1 ao Estoril, 5-1 ao Arouca, 5-2 ao Belenenses e 3-1 ao Marítimo. Está ainda a duas partidas da pior série defensiva da época, que lhe aconteceu logo no início da época, após a vitória sobre o Benfica (1-0) na Supertaça. Nessa altura foram sete jogos seguidos sempre a sofrer golos: 2-1 ao Tondela, 2-1 ao CSKA Moscovo, 1-1 com o Paços de Ferreira, 1-3 na segunda mão com o CSKA, 3-1 à Académica, 2-1 ao Rio Ave e 1-3 com o Lokomotiv Moscovo. Essa série foi interrompida a 21 de Setembro, com o 1-0 ao Nacional em Alvalade.   De fora das escolhas de Miguel Leal no Moreirense estará Iuri Medeiros, o extremo emprestado pelo Sporting que esteve na origem de todos os golos apontados pela equipa nos últimos cinco jogos. Desde que Rafael Martins marcou ao Tondela, a 28 de Fevereiro, numa recarga, sempre que a equipa chegou ao golo houve esse denominador comum: Iuri assistiu Nildo Petrolina para o golo da vitória em Setúbal (1-0), deu a Boateng o primeiro golo e sofreu o penalti no seguimento do qual Rafael Martins fez o segundo ndo empate com a Académica (2-2), pertencendo-lhe ainda a assistência para o golo de Evaldo no recente empate em Braga (1-1).   Simani bisou nas últimas duas saídas do Sporting. Marcou os dois golos nos 2-1 ao Estoril, no António Coimbra da Mota, e dois dos cinco com que o Sporting ganhou ao Belenenses (5-2) no Restelo. Antes do 0-0 em Guimarães, a última saída na qual Slimani não fez mossa, o avançado argelino já tinha bisado em três jogos fora seguidos na Liga: 6-0 em Setúbal, 3-1 em Paços de Ferreira e 4-0 ao Nacional na Choupana.   O Moreirense ganhou duas vezes em 14 jogos contra o Sporting: por 1-0, com golo de Manoel – que depois viria a representar os leões – em Setembro de 2003, e por 3-2, após prolongamento, na Taça de Portugal, em Outubro de 2012. Nas duas últimas épocas em que estiveram na Liga, os cónegos conseguirem sempre pelo menos um ponto contra os lisboetas: empataram a dois golos em casa em Novembro de 2012 e a uma bola em Alvalade em Dezembro de 2014.   Este confronto tem sido o paraíso para quem gosta de golos. Nas últimas nove vezes que estiveram frente a frente, as duas equipas marcaram sempre golos. O último zero que se verificou entre ambos foi em Fevereiro de 2004, quando o Sporting se impôs ao Moreirense por 1-0 em Alvalade, graças a um golo de Rochemback.   O Moreirense-Sporting já se jogou com Jorge Jesus no banco da equipa minhota. Faz na segunda-feira onze anos – a 18 de Abril de 2005 – que os cónegos receberam os leões num sprint final na Liga para tentarem evitar a despromoção, mas perderam por 3-1. Douala, Sá Pinto e Liedson fizeram os golos dos lisboetas, à data orientados por José Peseiro, tendo o brasileiro Fernando feito o golo da equipa da casa.
2016-04-16
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Último Passe

O Sporting manteve a distância relativamente ao Benfica no topo da Liga em dois pontos, ao vencer em casa o Marítimo por 3-1, numa partida que fica marcada pela continuação do bom momento de Teo Gutièrrez e pelo regresso de Slimani aos golos em Alvalade mas também pela confirmação da influência de Adrien Silva na equipa e pelo lançamento de algumas dúvidas acerca da possibilidade de Bruno César continuar a ser lateral-esquerdo. Sem o capitão, o meio-campo leonino perdeu qualidade e agressividade nos momentos defensivos e colocou-se várias vezes à mercê de perigosos ataques maritimistas. Aí, por mais de uma vez, valeram intervenções de qualidade de Rui Patrício, a fazer a diferença entre os dois ataques. Não pode sequer dizer-se que a vitória se justifique com um excelente índice de aproveitamento das ocasiões de golo criadas, pois tal como habitualmente os avançados leoninos pareceram apostados em tirar expressões de desespero da face de Jorge Jesus, como a que o treinador fez logo aos 15’, quando Ruiz perdeu um golo feito, cabeceando ao lado após um cruzamento de Gutièrrez. Não foi caso isolado, porém, e felizmente para os leões foi até um problema comum ao Marítimo, que chegou ao intervalo com o dobro dos remates (seis contra três) da equipa da casa. A forma como o Sporting chegou à vantagem, aliás, foi duplamente afortunada. Edgar Costa já tinha perdido uma ocasião soberana aos 17’, quando surgiu nas costas de Bruno César, mas desviou a bola sobre a barra, mas o momento definidor do primeiro tempo tem a ver com as botas de João Diogo: aos 41’, o lateral maritimista fez uma bela jogada na direita, superou os passivos Ruiz e Bruno César e chegou a uma boa posição para marcar, mas permitiu a defesa de Rui Patrício; um minuto depois, desviou com a ponta da bota um remate de fora da área feito por Teo Gutiérrez, levando a bola a fazer um arco e fugir da tentativa de defesa de Salin, aninhando-se nas redes. Gutièrrez, que até tinha sido o melhor do Sporting na primeira parte, colocava a equipa da casa numa situação de vantagem que, verdadeiramente, ela só mereceu no segundo tempo. Mais alerta, o Sporting entrou bem no segundo tempo, fazendo uma boa meia-hora, na qual chegou aos 3-0 sem grandes dificuldades. Logo aos 53’, William Carvalho fez o segundo, com um remate muito colocado após iniciativa de João Mário. E aos 76’, pouco depois de Aquilani ter estado perto do terceiro, num lance que também teve direito a carambola mas que desta vez Salin conseguiu defender, foi a vez de Slimani pôr fim ao jejum de golos em casa que já datava desde a partida com o Tondela, há três meses, aparecendo na ponta final de mais um remate de João Mário que a defesa maritimista desviou. Com o jogo resolvido, os lisboetas relaxaram e talvez até o tenham feito em demasia, porque o Marítimo pôde assim crescer. Ghazaryan fez o merecido golo de honra insular, aos 81’, e os últimos minutos foram particularmente abertos, com ocasiões de golo de parte a parte, perdidas pelo maritimista Djoussé e pelo sportinguista Matheus (esta escandalosa, após um lance em que os leões apareceram em três para um, num contra-ataque). Nenhum dos dois marcou, pelo que o jogo ficou nuns 3-1 que se aceitam sem problemas, ainda que a margem mínima talvez fosse mais acertada para uma partida que mostrou que o Marítimo vale mais que o 12º lugar que ocupa na tabela e que, defensivamente, o Sporting não vive muito bem com as ausências de Adrien.
2016-04-10
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Stats

Adrien Silva, que viu o nono cartão amarelo na Liga na última jornada, na deslocação ao Restelo, para defrontar o Belenenses, estará ausente na receção do Sporting ao Marítimo. Jorge Jesus fica assim sem o maior contribuinte para a série de seis vitórias seguidas que os leões levam nos jogos com os insulares: o capitão de equipa marcou em quatro dessas seis partidas, tendo mesmo sido ele a garantir o sucesso com um golo solitário nas últimas duas. Em início de Dezembro, nos Barreiros, foi Adrien quem fez o golo que valeu ao Sporting a vitória por 1-0 nos Barreiros. Marcou no início da segunda parte, a aproveitar uma jogada de João Mário pela direita, seguida de passe rasteiro para um remate seco à entrada da área. Já em Março do ano passado, na partida da segunda volta da Liga anterior, os leões tinham ganho por 1-0 nos Barreiros, também com um golo de Adrien, dessa vez a punir uma grande penalidade cometida por Raul Silva sobre Jefferson. Nos 4-2 de Alvalade em Outubro de 2014, o médio limitou-se a assistir Montero para o golo com que os leões encerraram a contagem, não marcando nenhum em nome próprio. Em Março de 2014, foi também de penalti, assinalado a punir derrube de Márcio do Rozário a Carlos Mané, que Adrien começou a desenhar a vitória do Sporting nos Barreiros, por 3-1. Sem ligação aos golos nos 3-0 com que o Sporting se impôs em partida da Taça da Liga, em Janeiro de 2014, Adrien decidiu ainda a favor dos leões na vitória por 3-2, em Alvalade, em Novembro de 2013. Esta será a quarta ausência de Adrien Silva em jogos de campeonato esta época, a terceira por castigo. Não esteve na nona jornada, a vitória em casa frente ao Estoril, por 1-0, por ter visto o quinto amarelo na competição contra o Benfica, na semana anterior. Falhou depois o empate em Guimarães (0-0), na 24ª ronda, por causa de uma lesão que já o impedira, a meio da semana, de estar na derrota em Leverkusen (1-3). E voltou a faltar na vitória no Estoril (2-1), à 26ª jornada, porque estava a cumprir um jogo de castigo na sequência da expulsão na derrota frente ao Benfica, em Alvalade (0-1).   O Marítimo também não poderá contar com Dyego Souza, o goleador que foi expulso na vitória que os verde-rubros conseguiram contra o Nacional, na última jornada. Dyego Souza é o melhor marcador do Marítimo na Liga, com 11 golos, a maior parte dos quais (seis) fora de casa: marcou no terreno do U. Madeira (1-2), do Sp. Braga (1-5), do Boavista (1-0), do Arouca (1-4), do Tondela (4-3) e do Paços de Ferreira (2-2).   Os últimos oito golos de Slimani pelo Sporting foram todos fora de casa. O argelino anda há seis jogos à procura de um golo em Alvalade, algo que já lhe escapa desde 15 de Janeiro, quando fez o primeiro de um empate caseiro com o Tondela (2-2). Depois disso, não marcou à Académica (3-2), ao Rio Ave (0-0), ao Leverkusen (0-1), ao Boavista (2-0), ao Benfica (0-1) e ao Arouca (5-2). A maior série de jogos de Slimani em branco em Alvalade foi de sete jogos, iniciada precisamente depois de marcar ao Marítimo, a 2 de Novembro de 2013 (3-2). Depois disso, ficou a zeros contra Paços de Ferreira (4-0), Belenenses (3-0), Nacional (0-0), FC Porto (0-0), Marítimo (3-0), Académica (0-0) e Olhanense (1-0), interrompendo o jejum caseiro com um golo ao Sp. Braga (2-1), a 1 de Março de 2014. Em cinco destes sete jogos, porém, foi apenas suplente utilizado.   Nelo Vingada ganhou na última vez que levou uma equipa a Alvalade. Foi em 16 de Outubro de 2005 que um golo de Marcel chegou à Académica, então dirigida pelo atual treinador do Marítimo, para ganhar em Lisboa ao Sporting de José Peseiro, motivando a demissão do treinador leonino e a ascensão de Paulo Bento ao comando técnico dos leões. Depois disso, Nelo Vingada defrontou o Sporting por mais duas vezes, ambas em casa, perdendo sempre: 0-3 para o campeonato, em Fevereiro de 2006, e 0-2 para a Taça de Portugal, em Março do mesmo ano.   Na última vez que Nelo Vingada visitou uma equipa liderada por Jorge Jesus… também ganhou. Foi a 5 de Março de 2006 que a Académica se impôs em Leiria à União, que na altura era comandada pelo atual treinador do Sporting, por 2-0, com golos de Filipe Teixeira e Joeano. Depois disso, em Agosto de 2009, os dois voltaram a enfrentar-se, em Guimarães, e o Vitória de Nelo Vingada acabou batido no Minho pelo Benfica de Jesus por 1-0, graças a um golo de Ramíres no último minuto de jogo.   Jorge Jesus, porém, ganhou os últimos cinco jogos contra o Marítimo: 1-0 pelo Sporting nos Barreiros, já neste campeonato; 4-1 em casa e 4-0 fora pelo Benfica no campeonato passado; 2-1, igualmente pelo Benfica, na última final da Taça da Liga; e 2-0 em casa na época de 2013/14. O último percalço de Jesus contra os leões do Funchal foi em Agosto de 2013: perdeu por 2-1 com o Benfica nos Barreiros.   Rui Patrício e João Mário estrearam-se na Liga portuguesa a jogar contra o Marítimo. O guarda-redes fê-lo a 19 de Novembro de 2006, lançado por Paulo Bento numa vitória por 1-0 nos Barreiros, na qual até teve de defender um penalti. O médio estreou-se a 10 de Fevereiro de 2013, lançado por Jeusaldo Ferreira na derrota leonina por 1-0, em Alvalade.   O Sporting ganhou as últimas seis partidas contra o Marítimo, as duas últimas sem sofrer golos, ambas nos Barreiros. A última vez que os insulares escaparam à derrota no confronto com os leões foi em Alvalade, a 10 de Fevereiro de 2013, quando ali foram ganhar por 1-0, com um golo do coreano Suk, que agora joga no FC Porto.   Aliás, se contarmos só jogos da Liga, o Marítimo marcou sempre nas últimas quatro visitas a Alvalade. A última vez que ali ficou em branco foi em Agosto de 2010, quando um penalti de Matias Fernández deu a vitória aos leões, por 1-0. Depois disso, até ganhou duas vezes: 3-2 em Agosto de 2011, com golos de Rafael Miranda, Sami e Baba a responderem a tentos de Izmailov e Jeffrén, e o tal 1-0 de Fevereiro de 2013, com a assinatura de Suk. As últimas duas partidas ganhou-as o Sporting: 3-2 em Novembro de 2013 (Capel, Slimani e Adrien marcaram para os lisboetas, Ruben Ferreira e Heldon para os insulares) e 4-2 em Outubro de 2014 (com um bis de Maazou a revelar-se insuficiente para contrariar um autogolo de Bauer e os tentos de João Mário, Paulo Oliveira e Montero).   O Sporting sofre golos há quatro jogos consecutivos, não mantendo a baliza a zeros na Liga desde o empate em Guimarães, a 29 de Fevereiro: 0-1 com o Benfica, 2-1 ao Estoril, 5-1 ao Arouca e 5-2 ao Belenenses. Esta foi a terceira série de quatro jornadas seguidas da Liga com os leões a sofrerem golos esta época. Para se encontrarem cinco jogos consecutivos dos leões na Liga sempre a sofrer golos é preciso recuar a Março e Abril do ano passado, quando a equipa de Marco Silva defrontou o V. Guimarães (4-1), o Paços de Ferreira (1-1), o V. Setúbal (2-1), o Boavista (2-1) e o Moreirense (4-1).
2016-04-08
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Último Passe

O Sporting não desiste do campeonato e respondeu à goleada do Benfica ao Sp. Braga com outra goleada ao Belenenses no Restelo, com um resultado quase idêntico (5-2). Livres de todas as outras obrigações e compromissos, os leões voltaram a fazer uma grande exibição, impondo desde o início o seu habitual futebol feito de triangulações e apagando com naturalidade a luz que dava esperança ao Belenenses. Slimani bisou durante a primeira parte, Téo Gutiérrez imitou-o na segunda, tendo Adrien, Bakic e Tiago Silva feito os restantes golos de um segundo tempo em que Julio Velásquez desequilibrou a equipa azul com substituições atacantes que não tiveram o efeito desejado. Mas não foi por aí que o jogo se resolveu. Jorge Jesus voltou a apostar em Bruno César como defesa-esquerdo, mostrando que a solução não lhe serve apenas para os jogos em casa, enquanto que o Belenenses entrava com a equipa esperada, em 4x2x3x1, com Carlos Martins a comandar as operações. A chave da partida foi a forma como, logo desde o início, os jogadores do Sporting iam à procura da bola ainda bem dentro do meio-campo adversário, cortando linhas de passe e conseguindo muitas recuperações altas, das quais partiam para situações de golo, umas atrás das outras. Quando Slimani abriu o marcador, aos 23’, após passe de Adrien, já Jorge Jesus praguejava no banco com tanta falha na finalização: Téo Gutiérrez, por duas vezes, e William Carvalho, noutra, a mais escandalosa de todas, porque caiu com a baliza à mercê, depois de passar o guarda-redes, perderam esse golo de abertura. Não os imitou o argelino, como também não falhou depois, quando Jesus deu para dentro do campo ordens expressas para que fosse ele a bater o penalti cometido por Tiago Almeida sobre Bryan Ruiz; à passagem da meia-hora de jogo. Com 2-0 ao intervalo, Julio Velásquez tentou repetir o que fizera contra o FC Porto. Trocou Tiago Almeida e Tiago Caeiro por Tiago Silva e Juanto, mandou Sturgeon tapar o flanco direito e incentivou a equipa a ir para cima da baliza de Rui Patrício. O problema é que, ao contrário do que sucedeu nesse jogo, desta vez a equipa teve de encarar mais ou menos o mesmo desfecho que tinha enfrentado na sequência da estratégia ofensiva adotada na receção ao Benfica: mais golos nas redes de Ventura. Adrien fez, com um belo remate, o 0-3. Minutos depois, Ruiz voltou a perder um golo cantado por excesso de confiança (que originou um corte oportuno de Gonçalo Brandão).O costa-riquenho deu depois, noutro lance, esse mesmo quarto golo a Téo, que desta vez não falhou. Com o jogo resolvido, o Belenenses ainda reduziu, num livre lateral em que Bakic foi mais forte que Slimani. Téo fez o 5-1, após jogada do recém-entrado Carlos Mané, tendo Tiago Silva fixado o 5-2 final num remate de fora da área. Mais golo, menos golo, a vitória do Sporting não sofre contestação e mantém os leões na corrida ao título. A equipa de Jesus manteve os dois pontos de atraso para o Benfica, que desta forma continua proibido de falhar.
2016-04-04
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Jorge Jesus, treinador do Sporting, foi jogador e treinador do Belenenses. Deixou o Restelo pela última vez em 2008, precisamente o ano da última vitória dos azuis sobre os leões a contar para o campeonato. E desde essa altura, nunca mais Jesus cedeu pontos ou sofreu sequer um golo nas várias visitas que fez ao estádio da sua ex-equipa. O desfile de bons resultados começou para Jesus logo em 2008/09, quando assumiu o comando do Sp. Braga. Foi ao Restelo e ganhou por claros 5-0, a 11 de Maio de 2009: bisaram Renytería e Paulo César, tendo Alan marcado o tento restante. No final dessa época, Jesus seguiu caminho para o Benfica, mas mesmo no novo clube continuou a golear nas vistas à sua antiga casa: em Setembro de 2009 foram 4-0, com golos de Saviola, Cardozo, Javi Garcia e Ramíres. Os maus resultados atiraram nessa altura com o Belenenses para a II Liga, pelo que Jesus só teve de lá regressar em Março de 2014. Teve então mais dificuldades, ganhando apenas por 1-0, graças a um golo de Gaitán. Por fim, na época passada, um bis de Jonas permitiu ao Benfica de Jesus ganhar ao Belenenses no Restelo, por 2-0, a 18 de Abril de 2015. Desde que saiu do Belenenses, de resto, só por uma vez Jesus cedeu pontos aos azuis. Ganhou as duas partidas pelo Sp. Braga (2-0 e 5-0) e a da primeira volta ao comando do Sporting (1-0). Com o Benfica, além das três vitórias sem sofrer golos no Restelo, impôs-se ainda duas vezes na Luz: 1-0 em 2009/10 e 3-0 em 2014/15. A exceção foi um empate a uma bola, na Luz, a 28 de Setembro de 2013: Cardozo adiantou os encarnados e, ao tornar-se no único jogador do Belenenses a marcar um golo a uma equipa de Jesus desde que este saiu do Restelo, o maliano Diakité alcançou o empate, ainda na primeira parte.   Quem Jorge Jesus nunca defrontou foi o espanhol Julio Velásquez, que chegou a meio da época para substituir Ricardo Sá Pinto. Velásquez, de resto, já defrontou em casa o Benfica e o FC Porto, com duas derrotas, ainda que de sabor diferente: com o Benfica encaixou um 5-0 que sublimou o mau comportamento defensivo da sua equipa; contra o FC Porto perdeu por 2-1 e esteve à beira de forçar o empate.   O Belenenses interrompeu contra o Sp. Braga uma série de três derrotas seguidas no seu estádio. Os golos de Gonçalo Silva, Miguel Rosa e Tiago Caeiro permitiram uma vitória por 3-0 sobre os minhotos, depois de a equipa azul ter sido batida em casa sucessivamente por Benfica (5-0), Arouca (2-0) e FC Porto (2-1).   O defesa central Gonçalo Silva marcou golos nos dois últimos jogos do Belenenses: abriu mesmo o marcador, tanto na vitória (3-0) sobre o Sp. Braga como no empate (2-2) em Tondela, que se lhe seguiu. Curioso é que em toda a sua carreira como profissional, Gonçalo Silva só tinha marcado um golo, pelo Sp. Braga B, ao Marítimo, em Abril de 2014.   O Sporting vem com uma série de três jornadas seguidas a sofrer golos, mas mantém ainda assim o registo de defesa menos batida da atual Liga. Rui Patrício foi batido contra o Benfica (0-1), o Estoril (2-1) e o Arouca (5-1), não deixando a baliza inviolada desde a visita a Guimarães, que o Sporting empatou a zero. Na atual Liga, o Sporting já passou duas séries seguidas de quatro jornadas a sofrer golos: da primeira à quarta (2-1 ao Tondela, 1-1 com o Pacos de Ferreira, 3-1 à Académica e 2-1 ao Rio Ave) e depois da 17ª à 20ª, com três adversários repetidos (3-2 ao Sp. Braga, 2-2 com o Tondela, 3-1 ao P. Ferreira e 3-2 à Académica).   Slimani bisou em quatro das últimas cinco saídas do Sporting na Liga: nos 6-0 ao V. Setúbal, nos 3-1 ao P. Ferreira, nos 4-0 ao Nacional e nos 2-1 ao Estoril. Nas últimas vezes em que ele ficou em branco fora de Alvalade, o Sporting perdeu pontos. Aconteceu no empate a zero com o Vitória, em Guimarães, e na derrota por 1-0 contra o União, na Madeira.   Além disso, Slimani continua a perseguir o 50º golo com a camisola do Sporting. Tem neste momento 49, 10 em 2013/14, 15 em 2014/15 e 24 em 2015/16.  Ao todo, o argelino tem 40 golos na Liga, cinco na Taça de Portugal, três na Liga dos Campeões e um na Liga Europa. Mas nunca fez um golo ao Belenenses.   O Belenenses não ganha ao Sporting para o campeonato desde Fevereiro de 2008, quando um golo de Zé Pedro lhe permitiu bater os leões, no Restelo, por 1-0. O treinador dessa equipa do Belenenses era Jorge Jesus, que atualmente dirige os leões, ao passo que na equipa do Sporting estiveram em campo Rui Patrício, que ainda é o guarda-redes leonino, e Tonel, que joga agora no Belenenses.   Desde essa vitória, os azuis ganharam mais uma vez ao Sporting, em Janeiro do ano passado, mas em partida da Taça da Liga: impuseram-se por 3-2 contra uma equipa leonina sem titulares. O Sporting ganhou entretanto sete vezes ao Belenenses, três delas no Restelo: 2-1 em Fevereiro de 2009, 4-0 em Março de 2010 e 1-0 em Abril de 2014. Na época passada verificou-se um empate a um golo, tendo Rui Fonte marcado para os azuis e Carlos Mané empatado para os leões ao quinto minuto de compensação.
2016-04-03
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Artigo

Ao aguentar 15 minutos sem sofrer golos em Alvalade, Rafael Bracalli, guarda-redes do Arouca, passou a ser o dono da mais longa série de minutos sem sofrer golos no presente campeonato, superando precisamente Rui Patrício, guarda-redes do Sporting. Bracalli, que não sofria um golo na Liga desde que foi batido por Aboubakar, do FC Porto, a 7 de Fevereiro, aguentou 541 minutos sem ir buscar a bola ao fundo das redes, tendo durante esse período defendido duas grandes penalidades. Patrício tinha estado 538 minutos sem sofrer golos, entre um marcado por Josué (V. Guimarães) e outro de Rafael Martins (Moreirense).   Rui Patrício continua, no entanto, a ser o líder da defesa menos batida do campeonato, com 17 golos sofridos em 27 jornadas. É a melhor performance defensiva do Sporting num campeonato desde 2006/07, quando a equipa chegou à 27ª ronda com 14 golos sofridos, tendo acabado a prova com a melhor defesa, com 15 golos sofridos em 30 jornadas. O guarda-redes do Sporting era então o internacional Ricardo.   A principal nota do jogo de Alvalade foi, contudo, a performance ofensiva do Sporting, com bis de Teo Gutièrrez e João Mário. O colombiano, que não marcava desde 10 de Dezembro (nos 3-1 ao Besiktas) e que na Liga estava em jejum desde o penalti ao Estoril, a 31 de Outubro, fez o primeiro bis com a camisola leonina e o primeiro desde 16 de Fevereiro de 2015, quando marcou dois golos nos 4-1 do River Plate ao Sarmiento de Junin, na Liga argentina.   Já no caso de João Mário, este foi mesmo o primeiro bis na carreira sénior do jovem médio, que não fazia um golo desde a derrota por 3-1 em Leverkusen, na eliminação leonina da Liga Europa (1-3), a 25 de Fevereiro. Os quatro golos de João Mário em 2015/16 tinham sido todos em deslocações, pelo que o médio não marcava em Alvalade há um ano: o último que fizera ali tinha sido a 22 de Março de 2015, nos 4-1 ao V. Guimarães.   Quem regressou aos golos foi Bryan Ruiz, que tinha falhado ocasiões relativamente fáceis contra o V. Guimarães, o Benfica e o Estoril. Ruiz, pelo contrário, tem escolhido sempre Alvalade para fazer os seus golos. Não marcava desde os 2-0 ao Boavista, a 22 de Fevereiro, sendo que este foi o seu quarto golo consecutivo em Alvalade depois de ter feito um em Braga, na eliminação do Sporting da Taça de Portugal (3-4).   Em branco ficou Slimani – daí, provavelmente, a insatisfação que revelou no momento em que foi substituído por Barcos. O argelino não marca em casa desde 15 de Janeiro, quando fez um golo no empate (2-2) contra o Tondela, tendo desde essa data feito três bis, mas todos em deslocações, nos campos de Paços de Ferreira, Nacional e Estoril.   Gegé, autor do golo do Arouca, fez o primeiro golo na I Divisão. O cabo-verdiano não festejava um golo em nome próprio desde 18 de Novembro de 2012, quando contribuiu para atenuar uma derrota caseira do Marítimo B com a Naval (2-3), na II Liga.   O Arouca voltou a perder um jogo, oito desafios depois de ter sido batido em casa por este mesmo Sporting, por 1-0, em jogo da Taça da Liga. A série de sete partidas sem perder assim estabelecida igualou a melhor que a equipa de Lito Vidigal tinha conseguido nesta época, entre as derrotas com o FC Porto (1-3, a 12 de Setembro de 2015) e com o Sporting (0-1, a 8 de Novembro de 2015). São as duas maiores séries de invencibilidade do Arouca desde que subiu à I Divisão, em 2013.   O Sporting chega assim à 27ª jornada com 65 pontos, mais oito do que tinha na mesma ronda da época passada. Este continua a ser o melhor registo do Sporting à 27ª jornada desde que a vitória vale três pontos. E para encontrar um melhor, mesmo aplicando as atuais regras de pontuação às Ligas anteriores, é preciso recuar a 1979/80, campeonato em que os leões somavam por esta altura 21 vitórias, quatro empates e duas derrotas – que seriam 67 pontos pelas regras atuais.
2016-03-20
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Último Passe

Uma exibição quase perfeita do Sporting valeu à equipa de Jorge Jesus uma goleada (5-1) sobre um Arouca que chegava a Alvalade com o lastro do quinto lugar e de quase nove noras seguidas sem sofrer golos. O resultado permitiu que os leões reassumissem, à condição, a liderança da Liga, à espera do jogo que o Benfica fará amanhã no Bessa, mas esse primeiro lugar provisório nem terá sido tão festejado como o regresso aos golos de Bryan Ruiz e Téo Gutièrrez ou a grande noite de João Mário. Ao contrário do habitual, o Sporting de hoje teve uma boa relação com o golo – e por aí se explica em parte o resultado amplo que conseguiu. Se o que é normal é os leões precisarem de várias ocasiões para desbloquearem um resultado, desta vez os níveis de eficácia do seu ataque estiveram em alta. Ruiz ainda teve na cabeça o 1-0 antes do primeiro golo ser efetivamente marcado, mas nem pelo facto de ter desviado para fora um cruzamento perfeito do improvisado lateral esquerdo Bruno César a abertura do marcador demorou: ao quarto-de-hora, após um canto ganho ao primeiro poste por Coates, Téo Gutièrrez apareceu a desviar ao segundo, na cara do guarda-redes. O Arouca, que até já beneficiara de um canto e dois livres laterais perto da área de Rui Patrício, mostrava na mesma os dentes. Mas isso servia-lhe de pouco: Walter González perdeu um mano a mano com Rui Patrício, após lance veloz na esquerda, aos 17’, e na resposta os leões ampliaram para 2-0, por João Mário, após assistência de Téo. O Sporting tem sentido na pele como é ingrato um resultado de 2-0 e a equipa de Lito Vidigal sabia disso. Só que os leões continuavam pressionantes sem bola e acertados nas triangulações no último terço, criando mais situações de golo. João Mário bisou aos 32’, a culminar uma grande jogada de Adrien Silva e, antes do intervalo, Téo imitou o colega, voltando a surgir ao segundo poste após um canto, desta vez para emendar na cara do guarda-redes uma primeira bola ganha por William Carvalho. Se com 4-0 ao intervalo já não havia dúvidas, o quinto golo, marcado por Ruiz com um remate ao ângulo, após passe de Slimani, aos 60’, só terá servido mesmo para que o costa-riquenho afastasse de vez a má sina que vinha experimentando nos últimos jogos, nos quais falhou golos fáceis. Foi a deixa perfeita para que Jesus o tirasse de campo e lhe desse duas coisas: repouso e moral, vindo das bancadas como uma ovação que mostrou que os adeptos estão com ele. Antes, já Adrien e Slimani, que estão a um cartão amarelo da suspensão, tinham dado os seus lugares a Aquilani e Barcos, este ainda uma incógnita, quase dois meses depois de ter chegado. O Arouca ainda reduziu, por Gegé, após um canto, dando ao resultado uma expressão diferente, mas cedo terá entendido que deste jogo não ia levar nada. A guerra de Lito Vidigal é outra. E a do Sporting começa amanhã, no Bessa, onde os leões têm de esperar que o Boavista tire pontos ao Benfica.
2016-03-19
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Islam Slimani, o melhor marcador do Sporting, procura no jogo com o Arouca o 50º golo com a camisola leonina em ambiente que não tem sido o mais favorável para ele, pois não marca em Alvalade há dois meses. O último golo que o avançado argelino ali fez foi a 15 de Janeiro, ao Tondela. Depois disso ficou a zeros contra Académica, Rio Ave, Leverkusen, Boavista e Benfica, tendo feito seis golos fora de casa, em três bis a Paços de Ferreira, Nacional e Estoril. O bis ao Estoril serviu a Slimani para chegar aos 49 golos pelo Sporting, ultrapassando Beto Acosta e Oceano, que somaram 48 nas suas carreiras de verde-e-branco. O “matador” argentino fez os seus 48 golos em 99 jogos, enquanto que o médio português precisou de muito mais partidas (401) para lá chegar. Slimani, por sua vez, obteve 49 golos em 101 jogos, alcançando outro dos goleadores da história recente do Sporting: Paulinho Cascavel, que precisou de 108 desafios para ficar à beira do cinquentenário. O aregelino é, por agora, o 34º maior goleador na história do Sporting, estando a apenas um golo do 32º lugar, que é ocupado ex-aequo por Hugo, um médio que fez 50 golos em 211 jogos nas décadas de 50 e 60, e Sá Pinto, que se ficou por esse mesmo cinquentenário de golos nas 228 partidas que fez nas suas duas passagens pelo Sporting. Para chegar ao Top 30 ainda vai ter de pedalar alguma coisa, pois os senhores que se seguem nesta tabela liderada pelos 529 golos de Peyroteo são Pedro Barbosa (31º, com 53 golos) e Armando Ferreira (30º, com 54) Além de lhe faltar um golo para chegar aos 50, também falta um golo a Slimani para que, nesta temporada, some tantos marcados como nas duas épocas anteriores somadas. Slimani fez dez golos em 2013/14 e 15 em 2014/15, ao passo que na que já é, de qualquer modo, a sua melhor época em Alvalade, o argelino segue com 24 golos: 20 na Liga, dois na Taça de Portugal, um na Liga dos Campeões e um na Liga Europa. Destes 24 golos, contudo, só onze foram obtidos em Alvalade, o que transforma o argelino num caso raro de goleador especializado em viagens, talvez porque se dê melhor com o espaço que os adversários lhe cedem nas costas da defesa quando sobem linhas. Esta é, de resto, uma tendência recente, pois na primeira época dividiu irmãmente os golos (cinco em casa e cinco fora), enquanto que na segunda preferiu claramente Alvalade (nove em casa, um em campo neutro, na final da Taça de Portugal, e cinco fora).   O problema para Slimani é que o Arouca e o seu guarda-redes Bracalli são a equipa e o guarda-redes há mais tempo sem sofrer golos na Liga portuguesa. O último golo encaixado pelo Arouca aconteceu a 7 de Fevereiro, há mais de um mês, portanto, e foi marcado por Aboubakar, no Dragão, não chegando porém para evitar a vitória da equipa de Lito Vidigal por 2-1. Desde esse golo, Bracalli já está há 526 minutos sem sofrer golos, correspondentes ao resto desse jogo e a cinco partidas em branco, contra U. Madeira, Belenenses, Sp. Braga, Tondela e V. Setúbal. Pelo caminho defendeu dois penaltis, do bracarense Alan e de Nathan Júnior (Tondela).   Em consequência disso, o Arouca não perde há sete jogos, precisamente desde a derrota contra o Sporting, em casa, para a Taça da Liga (0-1, a 26 de Janeiro). No campeonato, a última derrota que conta aconteceu em Lisboa, contra o Benfica (1-3), três dias antes. Nos sete jogos que se seguiram, ganhou cinco (entre os quais todas as deslocações, aos terrenos de FC Porto, Belenenses e Tondela) e empatou apenas duas vezes (em casa com Paços de Ferreira e Sp. Braga).   Mateus marcou nas duas últimas partidas do Arouca, resolvendo-as com dois golos solitários. Foi dele o golo que valeu a vitória por 1-0 em Tondela e depois foi também ele quem sentenciou o 1-0 com que a equipa de Vidigal se impôs em casa (1-0) ao V. Setúbal.   Lito Vidigal perdeu sempre com Jorge Jesus e as suas equipas nunca marcaram sequer um golo em cinco jogos, tendo sofrido 13. O primeiro confronto entre os dois ocorreu em Outubro de 2008, numa goleada por 5-0 do Sp. Braga de Jesus sobre o E. Amadora de Vidigal. Depois disso, encontraram-se mais quatro vezes. Jesus ganhou duas vezes por 3-0, num Benfica-U. Leiria e num Benfica-Belenenses, e outras duas por 1-0, ambas num Arouca-Sporting.   Em contrapartida, só com as duas derrotas desta época (uma na Liga e outra na Taça da Liga) Lito Vidigal passou a ter um registo negativo nos confrontos com o Sporting. Soma agora duas vitórias, três empates e quatro derrotas. As vitórias conseguiu-as pela U. Leiria (1-0 em Alvalade, em 2009/10) e pelo Belenenses (3-2 para a Taça da Liga contra um Sporting sem titulares, na época passada).   Jesus, por sua vez, ganhou seis dos sete jogos que fez contra o Arouca. A exceção foi o empate a duas bolas, na Luz, em Dezembro de 2013, quando defrontou pela primeira vez esta equipa.   Regresso do Sporting a Alvalade, depois da derrota com o Benfica no dérbi e de um histórico recente que não tem sido feliz. Depois das vitórias sobre FC Porto (2-0) e Sp. Braga (3-2), no arranque deste ano de 2016, os leões ganharam apenas dois dos seis jogos que fizeram no seu estádio (3-2 à Académica e 2-0 ao Boavista), empatando outros dois (2-2 com o Tondela e 0-0 com o Rio Ave) e perdendo os outros dois (0-1 com Leverkusen e Benfica).   Desde Março de 2013, porém, que o Sporting responde sempre com vitória às derrotas em casa. A última vez que tal não sucedeu foi quando, após perder com o Marítimo (0-1, a 10 de Fevereiro de 2013), empatou sem golos com o FC Porto (a 2 de Março). Desde aí, a história fez-se de respostas com vitória: 1-0 ao Arouca em Agosto de 2014, na primeira partida caseira da época, depois da derrota com o Estoril (0-1), a fechar 2013/14; 4-2 ao Marítimo em Outubro de 2014 depois do 0-1 com o Chelsea; 1-0 ao Nacional em Setembro de 2015 depois do 1-3 com o Lokomotiv; e 2-0 ao Boavista no mês passado, depois do 0-1 com o Leverkusen.   O Sporting ganhou os seis jogos que fez contra o Arouca, três deles por 1-0 – e estes sempre com golos nos últimos dez minutos – e os outros três de virada, tendo permitido que o adversário se adiantasse no marcador por duas vezes em Arouca e uma em Alvalade. As duas vitórias desta época, ambas por 1-0 e em Arouca, foram obtidas graças a golos de Slimani e Zeegelaar, ambos em recarga a remates de Montero, que já não está em Alvalade.   Este era um jogo para Montero, aliás. O colombiano fez o primeiro jogo oficial com a camisola dos leões frente ao Arouca marcando logo quatro golos, em Agosto de 2013, e esteve ligado às três últimas vitórias leoninas neste confronto, marcando numa e originando os lances dos golos nas duas outras. Do lado do Arouca era Bruno Amaro o jogador-fétiche, pois marcou os dois primeiros golos do Arouca ao Sporting.
2016-03-18
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Artigo

Islam Slimani voltou a resolver um jogo do Sporting, marcando os dois golos dos leões na vitória (2-1) frente ao Estoril, na Amoreira. Com os dois golos de sábado, o argelino aumentou a sua conta de leão ao peito para 49, ultrapassando Acosta e Oceano, que concluíram as passagens por Alvalade com 48, e igualando Paulinho Cascavel, ainda que em menos sete jogos (de 101 para 108). À frente de Slimani, que é agora o 34º maior goleador da história do Sporting, estão agora Sá Pinto e Hugo, ambos com 50 golos marcados.   Slimani interrompeu, além disso, o seu maior jejum de golos desta época. Estava em branco há cinco jogos, pois após o bis frente ao Nacional, na Choupana, a 13 de Fevereiro, não marcou nos dois jogos com o Leverkusen (nos quais foi suplente utilizado), nem nas partidas com Boavista, V. Guimarães e Benfica. O argelino não passava cinco jogos seguidos sem marcar desde Dezembro de 2014, quando ficou em branco face a Boavista, Chelsea, Moreirense, Vizela e Nacional, interrompendo a série negra a 3 de Janeiro de 2015, com um golo ao… Estoril.   Os últimos seis golos de Slimani aconteceram fora de Alvalade e sempre aos pares. Depois de ter marcado no empate a duas bolas com o Tondela, no seu estádio, a 15 de Janeiro, o avançado do Sporting só festejou longe de casa, bisando contra o Paços de Ferreira, o Nacional e agora o Estoril.   Outro jogador com a pontaria afinada foi Leo Bonatini, que marcou o golo do Estoril, dando início ao período de reação da equipa da casa, a 11 minutos do final. O avançado brasileiro, que esta época já tinha marcado ao Benfica, mas que ficou em branco nas duas partidas contra o FC Porto, fez golo pela terceira jornada consecutiva, pois vinha de um hat-trick ao V. Setúbal e de um golo ao Rio Ave. Foi a primeira vez que Bonatini marcou em três jornadas seguidas do campeonato.   Rui Patrício, guarda-redes do Sporting, fez o 254º jogo na baliza dos leões a contar para a Liga, superando Azevedo, que atuou em 253 partidas de campeonato. O único guarda-redes com mais jogos na baliza leonina na principal prova nacional passa agora a ser Vítor Damas, que esteve em 332. Patrício precisará pelo menos de mais três épocas para o alcançar.   Bruno César, que até começou a época no Estoril e defrontou o Sporting no jogo da primeira volta com a camisola canarinha, somou a 50ª presença em jogos de campeonato, a oitava pelo Sporting. A estas oito, nas quais fez três golos, o brasileiro junta dez pelo Estoril (com um golo) e 32 no Benfica (com dez golos).   Bryan Ruiz, que fez o cruzamento para o segundo golo de Slimani, assinou a sétima assistência na Liga, não sendo, ainda assim, o melhor entre os leões neste capítulo. É que João Mário tem oito passes decisivos.   Ganhando ao Estoril, o Sporting chegou aos 62 pontos, ainda acima dos 56 que tinha à 26ª jornada da época passada ou dos 60 que somava na mesma fase da Liga de há dois anos. Esta ainda é a maior pontuação do Sporting em 26 jornadas desde que a vitória vale três pontos, superando os 61 feitos pela equipa de Fernando Santos em 2003/04. Para se encontrar melhor entre os leões há que recuar à formação que foi campeã nacional em 1979/80 e que chegou à 26ª jornada com 21 vitórias, três empates e duas derrotas, que pelas atuais regras de pontuação corresponderiam a 65 pontos.   Apesar do golo sofrido, os leões continuam a ter a melhor defesa do campeonato, com 16 golos sofridos. Esta é a melhor performance defensiva de uma equipa do Sporting desde 2006/07, quando os comandados de Paulo Bento chegaram à 26ª jornada com apenas 13 golos sofridos.
2016-03-15
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Último Passe

O Sporting respondeu da melhor maneira à derrota no dérbi e venceu no Estoril, por 2-1, com uma exibição que começou por ser de controlo total, corporizada em dois golos de Slimani ainda na primeira parte, mas que acabou em sofrimento, depois de Leo Bonatini ter recolocado os estorilistas no jogo, marcando e lançando o descontrolo na equipa verde-branca ante o futebol mais direto dos donos da casa. Depois de várias oportunidades perdidas para matar o jogo, os leões viram Rui Patrício segurar os três pontos num cabeceamento de Michael, mesmo em cima do apito final da partida e regressaram à liderança da Liga, ainda que à condição, pois o Benfica só joga na segunda-feira. Os leões voltaram ao 4x4x2 com dois avançados de área, juntando Teo Gutièrrez a Slimani no meio e voltando a desviar Ruiz para um dos corredores laterais, e isso, somado a uma primeira parte hiperativa de Schelotto na direita, permitiu-lhes voltar a ganhar a profundidade e a presença na frente que raramente mostram quando o costa-riquenho parte do corredor central, não deixando de ter controlo da partida e ocupação permanente do meio, fruto das constantes diagonais para dentro de Ruiz e João Mário. O Estoril, por sua vez, colocava o alto Mendy à frente de Bonatini, de forma a encontrar espaço para o que é indiscutivelmente o melhor jogador da equipa, num futebol mais direto. A aposta de Fabiano Soares, porém, não surtiu efeito, porque com melhor ocupação dos espaços ao meio, a equipa de Jesus voltou a encontrar o seu futebol triangulado e a esconder a bola ao adversário. O Estoril teve até o primeiro remate da partida, pelo lateral Anderson Luís, logo no primeiro minuto, mas a partir daí foi impotente para impedir o Sporting de se instalar no seu meio-campo. E após dois ou três lances de envolvimento pela direita, os leões marcaram mesmo, aos 5’, num belo trabalho de Slimani, a mudar de um pé para o outro antes de rematar ao ângulo da baliza de Kieszek. O segundo golo não surgiu aos 26’, quando Slimani serviu Ruiz de calcanhar mas este chutou ao lado, em boa posição, e acabou por aparecer mesmo no final do primeiro tempo, quando os dois protagonistas inverteram os papéis: Ruiz cruzou largo da esquerda e Slimani ganhou no ar de forma a fazer o 0-2. O jogo parecia resolvido, mas ainda havia 45 minutos pela frente. E com a nuance de o Sporting ter diminuído a intensidade e a concentração no regresso dos balneários, colocando-se à mercê dos donos da casa. Rui Patrício negou o golo a Mendy logo aos 50’, quando este lhe apareceu na cara, mas o Estoril nem aproveitou esse lance para crescer por aí além e foi o Sporting quem, mesmo com menos bola, continuou a ter as melhores ocasiões para marcar. Slimani e João Mário falharam o terceiro e, quando Leo Bonatini aproveitou a má colocação de Schelotto num canto para, em posição regular, fazer o 1-2, a 11 minutos do fim, o Estoril acordou e o Sporting tremeu. Os canarinhos passaram a abusar do futebol direto e a jogar no meio-campo leonino e podiam até ter empatado, no tal lance de Michael, aos 90+3’. Só que Patrício voltou a defender e a assegurar a justa vitória dos leões.
2016-03-12
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O Sporting chega ao Estoril pressionado, entrando pela primeira vez numa ronda a ter de olhar para cima na tabela desde a 15ª jornada, após a derrota na Choupana com o U. Madeira. A equipa de Jorge Jesus enfrenta, além disso, a necessidade de interromper a pior série de resultados da época, pois somou pela primeira vez três jogos seguidos sem ganhar: 1-3 em Leverkusen, na despedida da Liga Europa, 0-0 em Guimarães e 0-1 com o Benfica em Alvalade. Desde Fevereiro e Março do ano passado que os leões não passavam três jogos seguidos sem ganhar, mas para se encontrarem os quatro a que a série ascenderá caso o Sporting não ganhe no Estoril é preciso recuar à época negra de 2012/13. Nesse ano, que culminou com a não qualificação para as competições europeias, o Sporting chegou a estar oito jogos seguidos sem ganhar (entre um 2-1 ao Gil Vicente em Setembro de 2012 e um 1-0 ao Sp. Braga em Novembro). A última sequência de mais de três jogos seguidos sem vitória, no entanto, data de Dezembro de 2012/Janeiro de 2013 e ficou marcada a meio pela saída de Frankie Vercauteren e a entrada de Jesualdo Ferreira para o comando técnico. Após ganharem por 2-1 ao Videoton, no adeus à Europa, a 7 de Dezembro de 2012, ainda com o belga aos comandos, os leões perderam em casa com o Benfica (1-3), empataram nos terrenos do Nacional (1-1) e do Marítimo (2-2, este para a Taça da Liga), foram batidos fora pelo Rio Ave (3-0, também para a Taça da Liga) e em casa pelo Paços de Ferreira (1-0, no jogo que ditou o afastamento de Vercauteren). A série negra foi interrompida ao sexto jogo, numa vitória caseira frente ao mesmo Paços de Ferreira (1-0, para a Taça da Liga), já com Jesualdo Ferreira à frente da equipa. Desde então, foram ainda assim várias as séries de três jogos seguidos sem ganhar da equipa do Sporting, mas todas elas interrompidas à quarta partida. Aconteceu com Jesualdo por duas vezes, ainda nessa época, uma com Leonardo Jardim em 2013/14, e três com Marco Silva em 2014/15. A última destas séries terminou há precisamente um ano, com uma vitória por 3-2, em casa, frente ao Penafiel, a 9 de Março de 2015, depois do empate frente ao Wolfsburg (0-0, na despedida da Liga Europa), da derrota frente ao FC Porto (0-3) e de novo empate, ante o Nacional (2-2, nas meias-finais da Taça de Portugal).   Além dos jogos sem ganhar, o Sporting de Jesus somou também a primeira série de duas partidas seguidas sem marcar golos. O zero no ataque foi comum ao empate em Guimarães (0-0) e à derrota caseira com o Benfica (0-1). Há um ano que os leões não ficavam dois jogos seguidos em branco: desde o 0-0 com o Wolfsburg (26 de Fevereiro de 2015) e do 0-3 com o FC Porto (1 de Março de 2015). Para se encontrarem três jogos seguidos sem marcar já é preciso recuar a Dezembro de 2013/Janeiro de 2014, quando os leões juntaram três empates a zero sucessivos. Com a curiosidade de o terceiro ter sido no palco do jogo de hoje: após os 0-0 com o Nacional e o FC Porto, a equipa de Leonardo Jardim empatou a zero no Estoril, para a Taça da Liga.   Depois de uma fase menos boa, som seis derrotas em dez jogos, o Estoril parece estar a acertar agulhas, pois ganhou três das últimas quatro partidas: 2-1 ao Tondela e 3-0 ao V. Setúbal em casa e 3-1 ao Rio Ave em Vila do Conde. Desde a derrota em Braga, a 8 de Fevereiro, os estorilistas marcaram pelo menos um golo em todos os jogos-   O avançado estorilista Leo Bonatini interrompeu nas últimas duas jornadas um jejum de golos que já durava desde que, a 16 de Janeiro, fez um golo ao Benfica na Amoreira. Depois do hat-trick ao V. Setúbal, na 24ª jornada, marcou também na vitória frente ao Rio Ave, na 25ª. Se marcar ao Sporting completa três jornadas seguidas sempre a marcar, igualando o seu melhor registo desta época, que foram golos em jornadas seguidas a Sp. Braga, Tondela e U. Madeira, na primeira volta.   Por sua vez, o avançado sportinguista Slimani não marca golos há cinco jogos, na que já é a sua pior sequência da época. Após o bis ao Nacional, a 13 de Fevereiro, ficou em branco nos dois jogos contra o Leverkusen (que jogou como suplente utilizado), bem como nas partidas com Boavista, V. Guimarães e Benfica. A última série de cinco jogos seguidos sem marcar de Slimani aconteceu em Dezembro de 2014 (Boavista, Chelsea, Moreirense, Vizela e Nacional) e foi interrompida precisamente contra o Estoril, a 3 de Janeiro de 2015, numa vitória leonina por 3-0, em Alvalade.   Depois de uma primeira volta sem marcar aos grandes (0-4 na Luz, 0-2 no Dragão e 0-1 em Alvalade), o Estoril marcou primeiro nos jogos com o Benfica e o FC Porto no seu estádio, mas perdeu ambas as partidas. Contra o Benfica Bonatini fez o 1-0 aos 12’, mas Mitroglou e Pizzi viraram para 1-2. Frente ao FC Porto, Diego Carlos abriu o ativo logo aos 3’, mas Aboubakar, Danilo e André André viraram para o 1-3 final.   O Estoril vem assim numa sequência de cinco jogos seguidos sem pontuar frente aos grandes na Liga. Igualou a sequência de 2004/05: após um empate a duas bolas com o FC Porto no Dragão logo à terceira jornada, perdeu as outras cinco partidas com os três grandes, numa época que culminou com a despromoção. A série foi interrompida com um empate frente ao Sporting (2-2), em Alvalade, em Setembro de 2012, o ano do regresso da equipa da Linha à I Divisão.   Para se encontrarem mais de cinco jogos seguidos do Estoril sem pontuar frente aos grandes é preciso recuar ao início da década de 80, quando após um empate com o FC Porto na Amoreira (0-0 em Novembro de 1979), a equipa canarinha perdeu de enfiada contra o Sporting (0-1 em Janeiro de 1980), Benfica (0-2, em Março de 1980), FC Porto (0-3, em Abril de 1980), Benfica (0-3, em Setembro de 1981, após a despromoção e o regresso), FC Porto (0-1, em Dezembro de 1981) e Sporting (3-2, em Dezembro de 1981). Essa série foi interrompida com um empate a zero frente ao Benfica, em casa, a 7 de Março de 1982.   Este é apenas o segundo confronto entre Jorge Jesus e Fabiano Soares. O primeiro foi no jogo da primeira volta, com sucesso do Sporting de Jesus, em Alvalade, por 1-0. Mas se Fabiano pode alegar que o Sporting foi o único grande ao qual conseguiu tirar pontos como treinador (empate a um golo na Amoreira, em Maio do ano passado) e que Jesus até já começou a perder um campeonato contra o Estoril (empate a uma bola, na Luz, em Maio de 2013, deixando o Benfica à mercê do FC Porto), o treinador do Sporting também pode apresentar um currículo invejável em visitas ao Estoril, onde ganhou sempre como treinador do Benfica.   O sportinguista Bruno César começou a época no Estoril, tendo alinhado durante os 90 minutos na derrota dos canarinhos em Alvalade, a 31 de Outubro de 2015.   O Sporting não ganhou nenhuma das quatro últimas partidas no Estoril. A última vitória leonina ali foi a 16 de Outubro de 2010, em jogo da Taça de Portugal (2-1, de virada, com golos de Liedson e Postiga, depois de Alex Afonso ter aberto o ativo para os donos da casa). Dos 28 jogadores que subiram ao relvado nessa tarde, restam nas duas equipas os laterais direitos Anderson Luís (Estoril) e João Pereira (Sporting). Jefferson, que atualmente joga no Sporting, alinhou então pelos canarinhos.   Depois desse jogo, o Sporting perdeu duas vezes (2-1 para a Taça da Liga em Janeiro de 2011 e 3-1 para a Liga em Fevereiro de 2013) e empatou outras duas (0-0 em Janeiro de 2014 e 1-1 em Maio de 2015, sempre para a Liga) no António Coimbra da Mota. Aliás, três das cinco vitórias que o Estoril obteve contra o Sporting em toda a sua história aconteceram nos últimos seis anos. Até então, os canarinhos só tinham ganho duas vezes aos leões: em Fevereiro de 1976 para o campeonato nacional e em Outubro de 1945 no regional de Lisboa.
2016-03-12
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Há um momento em “A vida de Brian”, a genial sátira à religião dos Monty Phytom, em que Graham Chapman, que passa a história a ser confundido com Jesus, vocifera: “Eu não sou o Messias! Podem por favor escutar-me? Eu não sou o Messias, compreendem? Honestamente!”. E logo uma rapariga na multidão clama: “Só o verdeiro Messias nega a Sua divindade”. Outro Bryan, este com y, o Ruiz, passou toda a época a ser confundido como a arma principal que inevitavelmente conduziria o Sporting ao título nacional de futebol, para em duas jornadas seguidas e decisivas, contra V. Guimarães e Benfica, falhar duas bolas de golo, de baliza aberta, já sem guarda-redes nem nada. Os dois falhanços fizeram a diferença entre os leões ficarem três pontos à frente do Benfica ou, como acontece neste momento, dois pontos atrás. E Rui Vitória, cujo apelido levou no início da época a tantas piadas sem a graça dos Phyton – “Tratem-me só por Rui, por favor!” – acabou por conseguir a vitória que mais interessava e que, a nove jornadas do fim da época, deixa o Benfica como principal favorito à conquista do título. No fim do dérbi de sábado, Jorge Jesus deixou que a frustração lhe tomasse conta do espírito e diminuiu de forma muito exagerada o mérito do Benfica na vitória de Alvalade. Dizer que “o Benfica ganhou aqui sem saber como” ou que aquele foi o Benfica “mais fraco” dos que esta época defrontou o Sporting é um erro de apreciação inaceitável para quem tem a experiência do treinador leonino. O Benfica de sábado foi mais forte que aquele que se apresentou receoso na Supertaça, que o que se mostrou desorientado na partida da Luz ou que o que se revelou impotente no jogo da Taça de Portugal, que também abriu com um golo no primeiro remate à baliza. Foi um Benfica defensivo? Foi. Mas foi um Benfica que, enquanto o jogo esteve a zero, mandou no jogo e obteve alguma supremacia territorial, abdicando depois de atacar quando se viu em vantagem. Podia ter perdido? Claro que sim. Mas isso não invalida que este tenha sido, isso sim, sem qualquer dúvida, o Sporting “mais fraco” dos quatro dérbis da época. Podia mesmo assim ter ganho? Claro que sim. Bastava que a bola que Jefferson mandou à barra tivesse entrado e que Bryan Ruiz não tivesse sido traído pela relva (que fez subir a bola) e pelo seu excesso de confiança no momento de concluir aquele cruzamento que o deixou a um par de metros da baliza, sem guarda-redes pela frente. Este não foi o Benfica mais fraco dos quatro dérbis. Foi o mais forte. Porque levou sempre o jogo para onde quis e quando quis. Porque, como é seu hábito – e isso é um elogio, não é uma crítica – foi uma equipa de golo fácil, que marcou na primeira vez que rematou. E porque, ao contrário do que aconteceu no jogo da Taça de Portugal em Alvalade, mesmo tendo abdicado da iniciativa quando se viu em vantagem, mesmo tendo baixado o bloco e colocado duas linhas à frente da sua área, mesmo tendo perdido o guarda-redes e um dos centrais titulares, não foi pisado pelos leões. Em contrapartida, o Sporting não mostrou a mesma capacidade para impor o seu jogo ofensivo aos encarnados. Porque nenhuma das três substituições feitas trouxe alguma coisa ao jogo. Porque há ali muita gente a render menos do que há uns meses: Slimani é disso o caso mais paradigmático, mas William (apesar da boa segunda parte, depois de 45 minutos muito fracos), Adrien ou o próprio Bruno César (que não tem o efeito no jogo que tinha Téo no Outono) também são bons exemplos. E francamente, com tanta poupança feita nas provas europeias, não se percebem as razões para a quebra de rendimento dos leões, sobretudo no plano ofensivo – três jogos a zero nos últimos cinco – levando a que as opções feitas na gestão do grupo e na sua recomposição no mercado de Janeiro devam ser avaliadas. O campeonato não ficou resolvido, mas teve mudança de favorito. Ao ganhar em Alvalade, ficando na frente e tendo o calendário mais fácil até final, o Benfica passou a ser a aposta mais segura para a conquista do título. Enquanto o Sporting ainda tem de se deslocar ao Dragão e a Braga (terceiro e quarto classificados) e, mais atrás na classificação, além do jogo com os leões, o FC Porto tem também deslocações complicadas pela frente, a Setúbal, Paços de Ferreira ou Vila do Conde, o Benfica joga cinco vezes em casa e, nas saídas, só Marítimo e Rio Ave parecem poder tirar-lhe pontos. O Sporting manteve a vantagem no confronto direto e provavelmente até poderá fazê-la valer… se ganhar todos os seus jogos. Mas para isso, Jesus, precisa de fazer valer o palmarés, de provar que não é um qualquer Brian, a cantar “Always looking on the bright side of life” enquanto os seus objetivos se esfumam.
2016-03-07
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Ao empatar a zero em Guimarães, com o Vitória, o Sporting fez a sétima partida da época sem marcar golos, quarta na Liga. Ao todo, no campeonato, os leões já ficaram em branco contra Boavista (0-0), U. Madeira (0-1), Rio Ave (0-0) e agora V. Guimarães (0-0), desafios aos quais há a somar ainda os zeros contra o Skenderbeu (0-3, na Liga Europa), Leverkusen (0-1, na Liga Europa) e Portimonense (0-2, na Taça da Liga).   Em todas as equipas da Liga, só duas têm menos jogos a zero do que o Sporting: o FC Porto, que não marcou em três das 24 jornadas, e o Rio Ave, que só ficou em branco duas vezes. O Benfica soma os mesmos quatro zeros do Sporting, sendo o U. Madeira (13 zeros) e o Boavista (14) as que mais vezes deixaram de fazer pelo menos um golo.   O Sporting já duplicou esta época o total de zeros no ataque que tinha tido na Liga anterior, na qual só não marcou golos nas derrotas em Guimarães (3-0) com o Vitória e no Dragão (3-0) com o FC Porto. Em 2013/14, época de Leonardo Jardim, chegou ao fim do campeonato com cinco zeros ofensivos: 0-0 com o Nacional em casa, 0-0 no Estoril, 0-0 com a Académica em Alvalade, 0-2 com o Benfica na Luz e 0-1 com o Estoril em Alvalade.   Em contrapartida, os leões estão a ter um excelente desempenho defensivo, pois vão na quarta jornada seguida sem sofrer golos: 0-0 com o Rio Ave, 4-0 ao Nacional, 2-0 ao Boavista e 0-0 com o V. Guimarães. São 392 minutos seguidos sem que Rui Patrício tenha de ir buscar a bola ao fundo das redes, o que o deixa a um jogo e 146 minutos da sua melhor série na corrente Liga, que são os 538 minutos seguidos sem sofrer golos, entre o tento de Josué (5-1 ao V. Guimarães) e o de Rafael Martins (3-1 ao Moreirense, a 13 de Dezembro). Pelo meio, o Sporting ganhou ao Benfica (3-0), ao Estoril (1-0), ao Arouca (1-0), ao Belenenses (1-0) e ao Marítimo (1-0).   Ao todo, os leões têm 13 jogos sem sofrer golos nesta Liga, o que já é um a mais do que em toda a Liga anterior, que terminaram com 12 balizas invioladas (em 34 jornadas). Estão a duas partidas com um zero nas redes de Rui Patrício de igualar os 15 zeros em 30 jornadas de 2013/14. E são a equipa que mais vezes deixou os adversários a zero na competição, acima dos 12 zeros da defesa do Sp. Braga e dos onze da defesa do Benfica.   Não espanta, por isso, que o Sporting tenha a defesa menos batida da Liga, com 14 golos sofridos, contra os 17 do Benfica. Os leões têm menos cinco golos sofridos do que à 24 ª jornada da época passada, mas estão ainda assim pior o que as melhores defesas desse campeonato, pois por esta altura o FC Porto tinha sofrido apenas dez golos e o Benfica onze. A defesa do Sporting está a repetir a performance de 2013/14, quando chegou à 24ª jornada com os mesmos 17 golos sofridos.   Diferentes são as contas dos pontos. Apesar de ter deixado dois pontos em Guimarães, o Sporting chega à 24ª jornada na liderança, com 59 pontos, mais nove do que há um ano, quando tinha 50, e mais cinco do que há dois anos. O Sporting tem, ainda assim, menos três pontos do que o líder da época passada, que era o Benfica de Jesus, com 62 pontos. Aliás, não se vê um campeão em Portugal com menos pontos à 24ª jornada desde 2011/12, quando o FC Porto de Vítor Pereira venceu a Liga e tinha apenas 57 pontos por esta altura.   Ainda assim, este continua a ser o melhor Sporting à 24ª jornada desde que a vitória passou a valer três pontos, superando os 55 pontos que tinha a equipa de Fernando Santos em 2003/04 e os 54 da formação de Leonardo Jardim em 2013/14. Mesmo as equipas que entretanto foram campeãs não estavam tão bem: em 2001/02, com Bölöni, o Sporting somava 53 pontos à 24ª jornada e em 1999/00, com Inácio, estava nos 52. Para se encontrar um Sporting mais forte, adaptando as regras de pontuação antigas às atuais, é preciso ir até 1979/80, quando os leões chegaram à 24ª jornada com 41 pontos que, com a vitória a três pontos, equivaleriam a 60.   O Sporting somou ainda o segundo jogo consecutivo sem ganhar, o que lhe aconteceu pela quinta vez esta época. Nas quatro anteriores reagiu sempre à terceira partida. Ganhou à Académica (3-1) depois de empatar com o Paços de Ferreira (1-1) e de perder com o CSKA (1-3); ganhou ao V. Guimarães (5-1) depois de empatar com Boavista (0-0) e Besiktas (1-1); ganhou ao Paços de Ferreira (3-1) após perder com Sp. Braga (3-4) e U. Madeira (0-1); e voltou a vencer o Paços de Ferreira (3-1) depois de empatar com o Tondela (2-2) e perder com o Portimonense. Agora, na sequência da derrota com o Leverkusen (1-3) e do empate em Guimarães com o Vitória, terá pela frente o Benfica.   O V. Guimarães, em contrapartida, vai em nove jogos seguidos sem perder, depois de ter sido batido em casa pelo Benfica, por 1-0, a 2 de Janeiro. Os últimos quatro foram empates (1-1 em Tondela, 2-2 em casa com o V. Setúbal, 3-3 em Braga e agora 0-0 com o Sporting), mas antes o Vitória tinha ganho ao U. Madeira (3-1), empatado com o Belenenses (3-3), batido o FC Porto (1-0), empatado com o Arouca (2-2) e vencido o Moreirense (4-3). Com estes nove jogos, Sérgio Conceição superou a melhor série dos anos de Rui Vitória à frente do clube, que foram os oito jogos seguidos sem perder entre Dezembro de 2012 e Fevereiro de 2013. Para se encontrar melhor no historial dos minhotos é preciso recuar ao período entre Janeiro e Outubro de 2007, quando estiveram 22 jogos sem conhecer a derrota (ainda que os primeiros 14 correspondessem à II Liga).
2016-03-01
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Último Passe

O Sporting vai entrar no dérbi de sábado, contra o Benfica, em primeiro lugar da Liga, como realçava William Carvalho aos adeptos no final do empate com o Vitória em Guimarães (0-0), mas viu a vantagem sobre o principal rival reduzida para apenas um ponto, pois minutos antes os encarnados venceram com naturalidade o U. Madeira por 2-0 na Luz. Aquece o dérbi, fruto de mais uma clara demonstração de que o Benfica é uma equipa de golo fácil – marcou no primeiro remate que fez e tornou desde logo o jogo mais simples – e de uma noite perfeita de Miguel Silva, o guarda-redes do Vitória, que tirou dois golos cantados a Ruiz e outro a Slimani. Tudo a contribuir para que no dérbi de sábado o empate não sirva a ninguém. Com o dérbi no pensamento, Rui Vitória pôde optar por deixar de fora André Almeida e Renato Sanches, dois dos três jogadores que estavam à beira da suspensão, arriscando apenas Jardel. Em Guimarães, Jorge Jesus fez ao contrário: entrou com os jogadores que estavam tapados, perdeu mesmo Ruben Semedo, que viu o quinto amarelo na Liga, mas antes do final do jogo acabou por retirar de campo Slimani, claramente a meter menos de si próprio em cada bola dividida por receio de um incidente que o retirasse do dérbi. Jesus não o fez para o poupar, no entanto. Fê-lo para tentar ganhar o jogo, mesmo que por essa altura o Vitória já estivesse com um homem a menos, por expulsão de Josué. Entrou Barcos, com antes tinham entrado Téo Guitièrrez e Aquilani, todos com a mesma ideia. Quanto aos jogos, o Benfica acabou por navegar com tranquilidade até um 2-0 nascido de mais dois golos de Jonas, um em cada parte. Podia ter marcado mais, mas parece que nunca teve de se esforçar verdadeiramente por isso, tanta foi a superioridade que demonstrou num desafio sem grande história. Em Guimarães, Rui Patrício até foi o primeiro guarda-redes a ter de se empenhar, para deter um remate cruzado de Licá. Mas daí até final foi sempre o Sporting a ter as melhores ocasiões para marcar, vendo Miguel Silva assinar um punhado de manchas de grande qualidade, a impedir Slimani e Ruiz – este por pelo menos duas vezes – de fazer o golo que permitiria aos leões manter o avanço na entrada para o dérbi. Certo é que, com os resultados de hoje, o dérbi de sábado passou a ter ainda outro interessado: o FC Porto. Já a quatro pontos da liderança, os dragões podem beneficiar do que vier a suceder em Alvalade para reentrarem de forma direta na luta pelo título, até por ainda receberem o Sporting em casa, na antepenúltima jornada da competição. E, mesmo que desvalorize o facto de ter agora um só ponto de avanço, lembrando que quem está atrás é que tem de se preocupar, Jesus sabe que, ao contrário do que fez no jogo do título da época passada, tem de entrar no dérbi para ganhar, tão complicado se lhe apresenta o calendário na ponta final.
2016-02-29
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Último Passe

O Sporting vendeu cara a eliminação, deixou até uma boa imagem na BayArena, mas acabou por ceder nova derrota frente ao Leverkusen (3-1) e cair da Liga Europa. Jesus voltou a poupar jogadores nucleares, mas não foi por isso que os leões se deixaram bater: ao contrário do que aconteceu na semana passada, a equipa leonina surgiu personalizada, beneficiou de um maior relaxamento do adversário e teve situações de golo suficientes para seguir na competição. Não as concretizou, o que deixa a equipa numa situação de pressão total. É que, perdidas todas as competições a eliminar, só resta mesmo o campeonato, com onze jornadas de tudo ou nada para definir a primeira época de aposta total em Jesus. Bellarabi, que já tinha marcado o golo alemão em Alvalade, foi o homem da noite, fazendo os dois primeiros golos alemães, ainda por cima ambos em alturas em que os leões estavam melhor no campo. Pelo meio, Carlos Mané perdeu duas situações na cara do guarda-redes, que podiam ter relançado a eliminatória, ambas por excesso de altruísmo ou falta de confiança na finalização: procurou sempre um companheiro em vez de tentar o remate que se impunha. Pela velocidade que é capaz de meter nos últimos metros – é tão rápido como Gelson, mas mais objetivo – Mané causa desequilíbrios de forma constante, mas parece ter regressado da ausência prolongada no onze menos eficaz na finalização. Em Leverkusen, podia ter sido o parceiro ideal para João Mário, que fez uns excelentes 65 minutos como segundo ponta-de-lança, até ao segundo golo alemão, incluindo o golo que deu esperança na qualificação. E o jogo até tinha começado mal para os leões. O Leverkusen entrou forte, a querer marcar para colocar desde logo um ponto final na questão, pelo menos do ponto de vista emocional. Não o fez e o Sporting cresceu. Os leões assentaram o jogo, com João Mário a explorar sempre bem as costas dos dois laterais alemães e o correspondente movimento interior de Mané ou Bruno César a criar problemas na organização defensiva do Leverkusen. Foi quando o jogo estava assim que Bellarabi fez o 1-0, à meia-hora, a explorar uma deficiente transição defensiva dos leões. Mané perdeu o empate pouco depois, mas foi no lance seguinte um dos causadores do desequilíbrio que levou ao empate, feito por João Mário aos 38’. Com o empate, a vantagem anímica passou para a equipa portuguesa, que voltou a perder um golo cantado aos 57’, outra vez por Mané. O Leverkusen já não se expunha muito e Jesus começou a lançar as suas armas. Só que um minuto depois da entrada de Ruiz, surgiu o segundo golo de Bellarabi (aos 65’), um grande remate de fora da área, a entrar onde tinha de o fazer e a aninhar-se nas redes laterais. Jesus ainda chamou Slimani e Gelson, para tentar um segundo golo que reanimasse a questão, o argelino ainda viu Leno tirar-lhe a hipótese de empatar, com uma boa saída dos postes (aos 72’), mas o Sporting acabou aí. Çalhanoglu fez o 3-1 (aos 87’) e Jefferson ainda sacou uma bola de golo em cima da linha, evitando que o resultado assumisse outras proporções e permitindo à equipa, pelo menos, manter a face numa altura em que isso é muito importante. É que, segunda-feira, em Guimarães, joga o primeiro dos onze jogos com que vai acabar a época. E quando só lhe resta mesmo o campeonato, tem em cima a pressão de dar razão ao treinador nas poupanças que lhe custaram a carreira na Europa.
2016-02-25
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Stats

A tarefa que espera o Sporting é indubitavelmente muito complicada. Depois de terem perdido em Alvalade por 1-0 com o Leverkusen, os leões precisam de virar a eliminatória europeia no campo do adversário. A normalidade é isso não acontecer. Mas dentro da exceção o Sporting já o fez. Só o fez uma vez, mas foi precisamente na última das dez ocasiões em que se viu metido numa embrulhada destas: em 2010, ganhou em Copenhaga ao Brondby por 3-0, depois de ter sido batido em casa pela mesma equipa por 2-0. O Leverkusen, claro, é muito melhor equipa do que aquele Brondby, eliminado por um Sporting comandado por Paulo Sérgio e no qual jogaram Rui Patrício e João Pereira (este apenas no primeiro jogo, o da derrota em Alvalade). Os golos da reviravolta foram obtidos por Evaldo, mesmo a acabar a primeira parte, e depois por Nuno André Coelho e Yannick, este em cima do minuto 90, a impedir o prolongamento. É que na outra vez em que o Sporting esteve perto de consumar a reviravolta na eliminatória foi o prolongamento a impedi-lo. Aconteceu em 2002/03 a uma equipa do Sporting que acabara de ser campeã nacional. Na nova época, Bölöni debateu-se com a crise Jardel e viu fugir a Liga dos Campeões logo na pré-eliminatória, contra o Inter Milão. Restou-lhe tentar aceder à Taça UEFA, mas o 1-3 caseiro contra o Partizan deixava poucas esperanças. Ainda assim, os leões foram a Belgrado ganhar pelo mesmo resultado (3-1, com golos de Toñito, Kutuzov e Contreras), só que depois baquearam no prolongamento, no qual os sérvios estabeleceram o 3-3 final e sentenciaram a eliminação leonina. Nas dez ocasiões em que, antes do recente desaire com o Leverkusen, o Sporting perdeu uma primeira mão de uma eliminatória europeia em casa, o mais normal, de resto, é que perca também o segundo jogo. Assim aconteceu em 1958/59 contra o Standard Liège (2-3 em Alvalade e 0-3 na Bélgica), em 1978/79 com o Banik Ostrava (0-1, tanto em Lisboa como na Checoslováquia), em 1998/99 face ao Bologna (0-2 em casa e 1-2 em Itália) e, mais recentemente, em 2005/06 perante a Udinese (0-1 e 2-3) e em 2008/09 contra o Bayern Munique (0-5 e 1-7). Além da vitória e prémio de apuramento contra o Brondby em 2010/11 e do empate contra o Partizan, há a assinalar mais dois empates: Cardiff em 1964/65 (0-0 em Gales depois do 1-2 de Alvalade) e Real Sociedad em 1988/89 (0-0 em San Sebastian depois do 1-2 de Lisboa).   O Leverkusen perdeu os últimos dois jogos em casa: 1-3 com o Werder Bremen nos quartos-de-final da Taça da Alemanha e 0-1 com o Borussia Dortmund na Bundesliga. Em jogos internacionais, no entanto, a equipa de Roger Schmidt defende uma invencibilidade caseira que já data de Novembro de 2014. O último a ganhar ali foi o Mónaco de Leonardo Jardim (ex-treinador do Sporting), que venceu na BayArena por 1-0 na fase de grupos da Liga dos Campeões da época passada. Depois disso, já por lá passaram sem ganhar Atlético Madrid (1-0), Lazio (3-0), Bate Borisov (4-1), Roma (4-4) e Barcelona (1-1).   O Sporting, por sua vez, ganhou os últimos três jogos fora: 3-1 ao Paços de Ferreira na Liga, 1-0 ao Arouca na Taça da Liga e 4-0 ao Nacional na Liga. Tem ainda pelo seu lado o facto de ter interrompido em Novembro, na última saída europeia, em Moscovo (4-2 ao Lokomotiv) uma série de 17 jogos europeus seguidos sem vitórias fora de Portugal.   O Sporting nunca ganhou ao Leverkusen, em cinco partidas entre os dois clubes. O máximo que os portugueses conseguiram foi um empate a zero em Alvalade, em Novembro de 2000, na fase de grupos da Liga dos Campeões. Antes disso, tinham perdido por 3-2 na Alemanha. E na Champions de 1997/98 perderam ambos os jogos: 2-0 em Alvalade e 4-1 em Leverkusen. Por fim, há uma semana, foram batidos (0-1) em Alvalade, na primeira mão desta eliminatória.   De resto, os leões têm um saldo amplamente negativo em jogos contra equipas alemãs, tendo ganho apenas dois de 23 jogos: 1-0 ao Hertha de Berlim em Outubro de 2009 e 4-2 ao Schalke em Novembro de 2014, sempre em Lisboa. Até aqui, nunca o Sporting ganhou um jogo na Alemanha. A última vez que lá perdeu foi contra o Wolfsburg, em Fevereiro de 2015: os donos da casa impuseram-se por 2-0 e defenderam essa vantagem na segunda mão dos 16 avos de final da Liga Europa em Lisboa.   O Leverkusen, por sua vez, tem saldo positivo contra adversários portugueses, pois venceu seis de 15 partidas, perdendo cinco e empatando as outras quatro. Curiosamente, quatro dessas seis vitórias foram contra o Sporting, sendo as outras frente à U. Leiria (3-1, em Setembro de 2007) e ao Benfica de Jorge Jesus (3-1 em Outubro de 2014).   Na última vez que o Leverkusen esteve nos 16 avos de final da Liga Europa, perdeu o jogo em casa, contra o Benfica, que era treinado por Jorge Jesus. Foi a 14 de Fevereiro de 2013 e o Benfica ganhou por 1-0, com golo de Cardozo. Os encarnados voltaram depois a impor-se na segunda mão, na Luz, por 2-1.   Rui Patrício fará o 73º jogo pelo Sporting nas competições europeias, tornando-se o jogador com mais partidas da UEFA na história do clube lisboeta. Não é, ainda assim, o mais experiente, pois se contarmos os jogos feitos por outras equipas, João Pereira já soma 83 jogos europeus.   O lateral sportinguista João Pereira, aliás, faz 32 anos no dia do jogo. Já jogou na Alemanha, na parte final da época passada, pelo Hannover, mas nunca defrontou o Leverkusen enquanto por lá esteve.  
2016-02-24
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A vitória do Sporting, em Alvalade, frente ao Boavista, por 2-0, pôs termo a uma sequência de dois jogos seguidos dos leões sem marcar golos em casa (0-0 com o Rio Ave e 0-1 com o Leverkusen) e interrompeu aos 365’ a série de minutos sem sofrer golos na Liga do guardião boavisteiro Mika. O último a bater Mika tinha sido Nathan Júnior, do Tondela, de penalti, aos 32 minutos do jogo de 25 de Janeiro. Desde então até ao golo obtido por Ewerton, num canto, aos 37 minutos do jogo contra o Sporting, o Boavista tinha mantido a baliza fechada face a Sp. Braga (0-0), P. Ferreira (1-0) e Académica (0-0).   Rui Patrício substituiu agora Mika como o guarda-redes há mais tempo sem sofrer golos na Liga: são já 302 minutos de inviolabilidade desde um lance que também envolveu Ewerton, que tocou na bola na tentativa de cortar o remate: o segundo golo da Académica em Alvalade, aos 58 minutos de um jogo que os leões acabaram por ganhar por 3-2, no dia 30 de Janeiro. Desde então, o Sporting não sofreu mais golos na Liga, empatando a zero com o Rio Ave e ganhando a Nacional (4-0) e Boavista (2-0).   Ewerton marcou o primeiro golo da época e o terceiro com a camisola do Sporting. Não marcava desde 10 de Maio, quando fez o tento do empate leonino frente ao Estoril (1-1), também com um cabeceamento na sequência de uma bola parada, na ocasião um livre lateral. Aliás, todos os golos (foram três) de Ewerton pelo Sporting foram de cabeça e nasceram em bolas paradas, como é normal num defesa-central: o primeiro, em Abril, a dar uma vitória sobre o Nacional (1-0), na Taça de Portugal, também saiu de um livre lateral, batido por Jefferson.   Ruiz, por sua vez, fez o oitavo golo da época e terceiro na Liga portuguesa. Dos oito, este foi o primeiro de livre direto. Aliás, o Sporting ainda não tinha marcado de livre direto esta época: a única situação em que esteve próximo disso foi no jogo com o V. Guimarães, em que Adrien marcou de livre, mas após um pequeno toque de Jefferson.   Além de marcar o segundo golo, Ruiz assistiu Ewerton no lance do primeiro. Foi a terceira vez esta época que o costa-riquenho conseguiu marcar e assistir no mesmo jogo: tal já lhe tinha sucedido contra o Besiktas (marcou e assistiu Slimani nos 3-1 de Alvalade) e contra o Sp. Braga (também marcou e assistiu o argelino nos 3-4 da Pedreira).   Jorge Jesus obteve a 250ª vitória como treinador na Liga portuguesa. Fê-lo em 475 jogos, dos quais ganhou 250, empatou 112 e perdeu 113. A primeira destas 250 vitórias já tem mais de 20 anos: conseguiu-a a 27 de Agosto de 1995, num Marítimo-Felgueiras que os nortenhos venceram por 2-0.   Ao manter a baliza a zeros, o Sporting destacou-se ainda mais como melhor defesa do campeonato. Tem agora 14 golos sofridos em 23 jornadas contra o 17 de Benfica e FC Porto. Os leões não têm uma defesa tão sólida como tinham as duas menos batidas por esta altura da época passada – Benfica e FC Porto tinham sofrido apenas 10 golos nas primeiras 23 partidas de 2014/15 – mas têm a melhor marca do clube desde 2008/09, quando a equipa de Paulo Bento aqui chegou com os mesmos 14 golos encaixados.   Os 58 pontos que o Sporting soma à 23 ª jornada estão na linha daquilo que Jorge Jesus vinha conseguindo fazer no Benfica nas últimas épocas: tinha 59 na época passada e 58 há dois anos, na época que deu início ao bicampeonato. São, ainda assim, a melhor marca do Sporting desde que a vitória vale três pontos. E mesmo aplicando as atuais regras de pontuação a Ligas mais antigas, só em 1969/70 a equipa estava tão bem: tinha as mesmas 18 vitórias, quatro empates e uma derrota, com a diferença de que já era virtual campeã, pois a Liga tinha apenas 26 jornadas, e os segundos, V. Setúbal e Benfica, estavam bem longe.
2016-02-23
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Último Passe

O Sporting não precisou de ser brilhante para ganhar ao Boavista, por 2-0, voltando assim a isolar-se no topo da tabela da Liga, num jogo em que Jorge Jesus acabou por poupar mais titulares do que tinha feito contra o Leverkusen, deixando a ideia de que na quinta-feira poderá ir com a equipa mais completa possível à Alemanha, para ficar na Liga Europa. Os leões voltaram a começar mal um jogo em casa, entrando devagar e sem grande ligação, mas serviram-se daquele que o seu treinador batizou como o quinto momento de um jogo de futebol (as bolas paradas) para ganhar sem contestação. Ewerton, após um canto, e Ruiz, num livre com ressalto na barreira, deixaram o jogo resolvido antes do intervalo. Jorge Jesus começou o jogo sem várias das que têm sido as suas primeiras escolhas: entre castigos, lesões e poupanças, faltaram João Pereira, Jefferson, Coates, William e Mané ou Bruno César. A equipa, no entanto, voltou a mostrar a cara do costume nos últimos jogos em casa. Lento, pouco agressivo e dinâmico, o Sporting permitiu que o Boavista ganhasse confiança e se instalasse no meio-campo ofensivo nos primeiros 15 minutos. Só a partir dessa altura, quando Schelotto começou a acelerar e descobriu a forma de combinar com Gelson, na direita, os leões começaram a empurrar o adversário para trás. Ruiz foi dos que respondeu bem à subida de nível do flanco oposto e, na esquerda, ofereceu a Teo Gutièrrez a primeira grande ocasião de golo do jogo. O colombiano falhou escandalosamente – mesmo assim, quando saiu, já na segunda parte, o público aplaudiu-o, respondendo positivamente ao que o treinador tinha pedido. Se mesmo assim não conseguia jogar rápido, se continuavam a faltar-lhe as desmarcações profundas de Slimani, que estão na base do seu futebol atacante, o Sporting só podia fazer uma coisa: parar a bola. E foi de bola parada – que Jesus define como o quinto momento do jogo, além das organizações e transições defensivas e ofensivas – que a equipa ganhou o desafio. Aos 37’, Ewerton, que já tinha ameaçado em dois livres laterais, movimentou-se bem na área, aproveitou a desconcentração de Idris e concluiu de cabeça ao primeiro poste um canto batido por Ruiz. E, antes do intervalo, o costa-riquenho fez ele mesmo o 2-0, num livre frontal em que contou com um desvio na barreira para trair o guardião Mika. Percebia-se que, com dois golos de desvantagem, muito dificilmente o Boavista inverteria as coisas na segunda parte. Um golo podia reabrir o jogo, mas o poste, primeiro, e Rui Patrício, depois, tiraram esse golo a Anderson Carvalho. Em consequência disso, o Sporting conseguiu gerir a partida sem problemas até final. Slimani ainda viu, por duas vezes, Mika tirar-lhe o 3-0 – na segunda Mané fez a recarga, a dois metros da baliza, ao poste – mas o jogo chegou ao fim sem mais novidades. Os leões asseguram que irão a Guimarães, antes de receber o Benfica, três pontos à frente dos rivais. Antes, porém, há a viagem a Leverkusen, onde Jesus poderá fazer regressar alguns dos titulares que desta vez repousaram. Mesmo que o tenha desdenhado com o que disse no final deste jogo. Mas isso é Jesus a ser Jesus.
2016-02-22
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Alguns amigos, tanto de direita como de esquerda, têm comentado comigo a preocupação que lhes cresce na alma perante a possibilidade cada vez mais iminente de Donald Trump vir a ser presidente dos Estados Unidos. O que lhes digo sempre é que isso não me surpreende, porque o estado do Mundo é um convite à intolerância, ao radicalismo, ao soundbyte que deles se alimenta. E não é só na política. Fruto daquilo em que se transformaram os media, da amplificação da opinião do “idiota da aldeia” que trouxeram as redes sociais, o futebol português está cheio de radicais encartados, de gente cuja única missão é sobrepor as suas cores às de todos os outros, nem que para isso seja preciso atropelar todas as regras do bom-senso, da educação ou da ética. Um fim-de-semana como o que acaba de viver a Liga portuguesa, com penaltis polémicos e discutíveis, é o combustível destes Donald Trumps dos relvados, desta gente para quem mais importante do que ganhar ou perder é garantir que o rival teve ajudas. Passei boa parte do fim-de-semana a responder a esta legião de radicais, a adeptos que repetem até à exaustão as mesmas expressões – “jornaleiro”, “cobarde”, “burro”, “faccioso”, “invertebrado”, “azia”, “tira as palas”, despe a camisola”, “se falas acabam-se os tachos”… – e que me acusam de ser sempre adepto ou de estar a ser pago por um clube que não o deles. Seja o deles qual for. Aliás, já me aconteceu ser acusado por leitores diferentes de estar ao serviço de cada um dos três grandes e contra cada um os três grandes por causa de um só texto. Na parte que me sobrou do fim-de-semana, achei que precisava de me reconciliar com a profissão e foi ver “Spotlight”, um excelente filme acerca de jornalismo como ele deve ser e que recomendo sem reservas a todos os talibans da bola nacional. Sei que as realidades não têm comparação, que uma coisa é falar-se de penaltis e outra denunciar o crime mais hediondo que possamos imaginar, que é o crime de pedofilia, mas acreditem que, com mais ou menos tempo – a investigação acerca da pedofilia na igreja em Boston levou meses de dedicação total e só foi denunciada com provas irrefutáveis – e com mais ou menos meios, os jornalistas são e querem ser sempre jornalistas. E, dentro da responsabilidade ética e moral da profissão, o que querem é revelar a verdade e denunciar quem a não respeita. Simplesmente, se Trump acha que consegue resolver o problema da criminalidade nos Estados Unidos impedindo a entrada de imigrantes mexicanos, os radicais do futebol português acham sempre que o futebol seria uma limpeza se os jornalistas se comportassem como os comentadores engajados que aparecem nos programas de segunda-feira a gritar penalti sempre que é um jogador deles que cai e a assobiar para o ar quando quem se estatela é um dos rivais. Nunca escolhi, nem escolherei esse caminho. Porque não creio que a minha opinião em lances polémicos seja palavra de lei. Porque acredito no erro – e tenho visto os mesmos árbitros errar para todos os lados. Porque ainda estou para ver uma discussão acerca de arbitragem mantida no plano racional e de urbanidade no qual me reveja. E porque, francamente, muito mais interessante do que discutir penaltis é perceber que o Paços de Ferreira encontrou espaço para jogar entre as linhas do Benfica porque, desgastada, a equipa de Rui Vitória não foi tão compacta como costuma ser. Ou explicar que os problemas defensivos do FC Porto têm a ver com o deficiente controlo da profundidade defensiva ou com o espaço que a equipa deixa criar entre central e lateral quando o adversário cruza referências à sua frente. Assim será até que, tal como em “Spotlight”, a história não seja ir atrás de um penalti, não seja dar a minha irrelevante opinião acerca de um lance, mas sim denunciar todo um sistema. Até perceber que há uma teia a manobrar para favorecer um clube – os do Benfica dizem que é o Sporting, os do Sporting dizem que é o Benfica, ambos concordam que há uns anos era o FC Porto e os do FC Porto dizem agora que quem é favorecido são os de Lisboa – vou continuar a ver e interpretar futebol sem me focar nos árbitros. Da mesma forma que os religiosos falam com Deus sem precisar da intermediação dos padres. In Diário de Notícias, 22.02.2016
2016-02-22
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O Sporting não faz golos em Alvalade há 186 minutos de jogo. O último, marcado por Montero, a 30 de Janeiro, garantiu a vitória (3-2) sobre a Académica, a seis minutos do fim da partida. Desde então, os leões empataram a zero com o Rio Ave, para a Liga, e perderam por 1-0 com o Leverkusen (na Liga Europa). É a primeira série de dois jogos seguidos do Sporting sem marcar em casa desde Dezembro de 2013, sendo que para encontrar uma série de mais de dois zeros seguidos em Alvalade é preciso recuar a Abril e Maio de 1991. A resposta à interrupção da série de 22 jogos seguidos a marcar em casa – que durava desde o 0-0 com o Wolfsburg, a 26 de Fevereiro de 2015 – não foi a melhor, pois o Sporting alinhou um segundo jogo seguido sem golos. A última vez que tal sucedera era Leonardo Jardim quem comandava os leões, que a 21 de Dezembro de 2013 empataram a zero com o Nacional em Alvalade e oito dias depois repetiram o resultado frente ao FC Porto, em desafio da Taça da Liga. Ao terceiro jogo, a 14 de Janeiro de 2014, viram os golos: 3-0 ao Marítimo, na Taça da Liga, com tentos de Carlos Mané, Vítor e Rojo. As séries de dois jogos seguidos sem marcar em casa não são assim tão raras na história recente do Sporting: neste século, esta é já a sétima. Mas ao terceiro jogo vieram sempre os golos. Antes dos jogos atuais e dos já descritos no parágrafo anterior, o Sporting tinha acumulado zeros seguidos em Fevereiro e Março de 2013 (0-1 com o Marítimo e 0-0 com o FC Porto, ganhando depois ao V. Setúbal por 2-1), em Abril de 2006 (0-0 com FC Porto e Naval, ganhando depois ao Sp. Braga por 1-0), em Dezembro de 2004 (0-1 com o Sochaux e 0-0 com o Sp. Braga, batendo depois o Pampilhosa por 4-1), em Novembro de 2000 (0-0 com Leverkusen e Boavista, ganhando depois ao Belenenses por 2-1) e em Outubro de 2000 (0-3 com o Spartak Moscovo e 0-1 com o FC Porto, seguindo-se uma vitória por 4-0 com a U. Leiria). Recuando mais, é ainda possível identificar mais duas séries de dois jogos a zero antes de se encontrar a última em que a improdutividade atacante se prolongou para lá disso. Em Janeiro de 1996, os leões perderam por 2-0 com o FC Porto e por 1-0 com o Sp. Braga antes de baterem por 4-1 o Campomaiorense. E em Agosto de 1995, empataram a zero com FC Porto e Boavista antes de se imporem ao Maccabi por 4-0. Se recuarmos a 1991, porém, o caso muda de figura. O Sporting de Marinho Peres, que até começara essa época em grande, ficou tão abalado com o empate a zero nas meias-finais da Taça UEFA, frente ao Inter, a 10 de Abril de 1991, que esteve depois quatro jogos seguidos sem marcar no velho Estádio José Alvalade: 0-1 com o FC Porto a 20 de Abril, 0-1 com o Farense a 28 de Abril e 0-0 com o Marítimo, a 12 de Maio. O enguiço só foi quebrado na última jornada do campeonato, com um 2-0 ao Gil Vicente, cortesia de golos de Careca e Fernando Gomes.   O Sporting vem de uma derrota em casa: o 0-1 com o Leverkusen assinala a segunda vez que os leões perderam esta época em Alvalade, tendo a outra sido o 1-3 com o Lokomotiv de Moscovo, igualmente para a Liga Europa. Na primeira vez, os leões reagiram com uma vitória de 1-0 sobre o Nacional.   Outra questão tem a ver pura e simplesmente com a reação da equipa leonina à derrota. O desaire frente ao Leverkusen foi o sétimo desta época, sendo que em cinco dos seis anteriores a equipa ganhou o jogo seguinte: respondeu ao 1-3 com o CSKA Moscovo ganhando por 3-1 à Académica; venceu o Nacional por 1-0 depois de ter perdido com o Lokomotiv (1-3), ganhou em Arouca (1-0) após a derrota com o Skenderbeu (0-3), bateu duas vezes o Paços de Ferreira (sempre 3-1) após os desaires com o U. Madeira (1-0) e o Portimonense (2-0). A exceção foi a derrota na Choupana, frente ao U. Madeira (1-0) na sequência da eliminação da Taça de Portugal, frente ao Sp. Braga (4-3).   O Boavista, no entanto, não perde há cinco jogos, desde que somou a quinta derrota seguida, na partida da Taça de Portugal, frente ao FC Porto (0-1), no Bessa. Desde então, sempre na Liga, ganhou ao V. Setúbal (4-0) e ao Tondela (2-1), empatou a zero com o Sp. Braga, venceu em Paços de Ferreira (1-0) e voltou a empatar com a Académica (0-0).   Mika, o guarda-redes do Boavista, que fará em Alvalade o 50º jogo na baliza do Boavista, não sofre golos há 328 minutos. O último a batê-lo foi Nathan Júnior, do Tondela, de grande penalidade, no dia 25 de Janeiro.   Será o primeiro confronto entre Jorge Jesus e Erwin Sanchéz enquanto treinadores e a primeira vez que Sanchéz leva uma equipa a defrontar o Sporting. Jesus já enfrentou o Boavista por três vezes desde o regresso dos axadrezados à I Divisão, nunca tendo sequer sofrido um golo: 3-0 em casa e 1-0 ora com o Benfica na época passada; 0-0 no Bessa com o Sporting esta época.   Se o Sporting vencer o jogo, será a 250ª vitória de Jorge Jesus como treinador na Liga portuguesa. Em 475 jogos. Até ao momento, o treinador do Sporting, que se estreou a comandar uma equipa na Liga a 20 de Agosto de 1995, com um empate a duas bolas entre o seu Felgueiras e o Chaves, soma 474 jogos na prova, com 249 vitórias, 112 empates e 113 derrotas. A primeira vitória obteve-a a 27 de Agosto de 1995, nos Barreiros, frente ao Marítimo, por 2-0.   O lateral sportinguista João Pereira estreou-se na Liga portuguesa frente ao Boavista, lançado por Jose Antonio Camacho nos últimos 29 minutos de um empate a zero no Bessa, entre axadrezados e Benfica, a 17 de Agosto de 2003.   O Boavista, que já tirou dois pontos ao Sporting esta época, empatando a zero no Bessa no jogo da primeira volta, já não ganha aos leões desde 5 de Janeiro de 2008, quando se impôs no Bessa por 2-0, com golos de Marcelão e Jorge Ribeiro. Dos 28 jogadores que estiveram em campo nessa noite, só Rui Patrício está em condições de jogar agora, ainda que no Sporting tenha estado no banco Adrien Silva.   Em Alvalade, o Sporting vem com sete vitórias seguidas, algumas por margem confortável, sendo que nas duas últimas foram conquistadas com os leões em inferioridade numérica: a 14 de Janeiro, na Taça da Liga, Rosell foi expulso por Luís Ferreira aos 60’, antes de Tanaka fazer o golo da vitória leonina (1-0, aos 75’); e a 19 de Abril, na Liga, Tobias Figueiredo foi expulso mesmo antes do intervalo, tendo Slimani marcado o 2-1 definitivo aos 66’.   A última vez que o Boavista pontuou em Alvalade foi a 16 de Março de 2003, quando a equipa de Jaime Pacheco empatou a uma bola, curiosamente também conseguindo o golo do empate em inferioridade numérica: Paulo Turra foi expulso aos 4’, o Sporting marcou, por Jardel, no penalti que se seguiu à falta que originou a expulsão, e Jocivalter fez o empate aos 21’. Na equipa do Sporting alinhou, na última meia-hora, um certo Cristiano Ronaldo.   A última vitória do Boavista em Alvalade foi conseguida apenas no prolongamento de um jogo da Taça de Portugal, a 14 de Abril de 1993 – marcou o ex-leão Marlon Brandão. Desde então, houve 14 vitórias do Sporting e cinco empates. Para se encontrar uma vitória boavisteira em 90 minutos e na Liga é preciso ir mais longe, a 4 de Janeiro de 1976: também ficou 0-1, tendo o golo pertencido ao brasileiro Salvador. Na equipa do Sporting foi titular Augusto Inácio, tendo entrado a 5 minutos do fim um certo Jorge Jesus.    
2016-02-22
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Último Passe

Um Sporting muito abaixo do exigível comprometeu seriamente a continuidade na Liga Europa, ao perder em casa com o Leverkusen, por 1-0, numa noite em que Jesus até foi parco nas poupanças, mas na qual a equipa se mostrou demasiado descontraída e sempre incapaz de meter em campo combinações ofensivas e de criar situações de perigo. Como resultado, os leões foram submetidos durante quase todo o jogo à superioridade dos alemães. O 0-1 foi mesmo um resultado lisonjeiro para a equipa portuguesa, que viu os alemães desperdiçarem as melhores ocasiões para ampliar a marca, incluindo um remate de Bellarabi ao poste a quatro minutos do fim, e podia bem ter ido para casa com a eliminatória resolvida e sem o dilema acrescido acerca do que fazer na segunda mão: poupar ou arriscar para tentar virar. Desta vez, nem a poupança de titulares ou a prioridade à Liga portuguesa serve de justificação para o que se viu em campo. Jesus entrou em campo com a melhor equipa possível, exceção feita às poupanças de Adrien e Slimani, que foram substituídos por Aquilani e Teo Gutièrrez e entraram apenas a meia-hora do fim. Ainda assim, desde cedo se percebeu que o Leverkusen mandava no campo, fruto da superioridade no corredor central, não só em números, pois Mané estava sempre mais perto de Gutièrrez do que dos dois médios, mas também em vigor físico, uma vez que Kramer e Brandt impunham a sua força a William e Aquilani e empurravam a equipa para a frente. O jogo corria pouco fluído, muito à base de ressaltos, e ainda nem tinha tido muitas situações de golo (só um cabeceamento de Toprak por cima e um remate de Jefferson defendido por Leno) quando Bellarabi aproveitou um cruzamento de Jedvaj e a desatenção de Coates e João Pereira para surgir ao segundo poste a emendar para o 0-1. Jesus não mexeu, nem sequer ao intervalo, obedecendo impassível ao plano de jogo previamente desenhado. O desafio pedia um flanqueador como Gelson, pedia a intensidade de Adrien e a profundidade de Slimani, mas se o primeiro não chegou a entrar, os outros dois subiram ao relvado apenas aos 60’, fazendo com que o melhor que se viu dos leões tenham sido as iniciativas individuais de Ruiz e Mané. Quando Adrien e Slimani entraram, já Mehmedi tinha obrigado Rui Patrício a empenhar-se para evitar o 0-2. E antes de as substituições se refletirem no jogo, Ruben Semedo fez-se expulsar com segundo amarelo, acabando de matar as esperanças na reviravolta. Até final, com William Carvalho a defesa-central ao lado de Ewerton, que pouco antes substituíra Coates, o Sporting não chegou sequer a mostrar os dentes. A melhor ocasião de golo ainda pertenceu aos alemães, num remate de Bellarabi ao poste, mas o 0-1 já não se alterou. O que deixa os responsáveis leoninos ante um dilema: o que fazer na segunda mão? É que se as perspetivas de seguir em frente são agora menores, há ainda a somar a tudo isso a certeza de que o jogo de campeonato que se segue à viagem a Leverkusen (visita a Guimarães) pede muito mais poupança do que o próximo (receção ao Boavista).ruiz
2016-02-18
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William Carvalho pode fazer contra o Leverkusen o 100º jogo com a camisola do Sporting. Dias depois de ter renovado contrato com os leões, quando parece estar a recuperar de uma notória baixa de forma, o médio parte para uma ponta final de época em que tem de pedalar para assegurar um lugar na convocatória de Fernando Santos para a fase final do Europeu – e nada como jogos internacionais para convencer o selecionador. Dos 99 jogos de William pelo Sporting desde que se estreou, a 3 de Abril de 2011, entrando a um minuto do fim para o lugar de Matías Fernández num jogo em Guimarães – e nessa noite ainda viu o Vitória estabelecer o empate a uma bola, com um golo de João Paulo – só dez foram para as competições europeias. Com ele a jogar na Europa, o Sporting ganhou quatro vezes, empatou três e perdeu outras três, a última das quais em Londres, contra o Chelsea (3-1), em Dezembro de 2014. Desde então, William esteve no empate caseiro com o Wolfsburg (0-0), no empate com o Besiktas em Istambul (1-1) e nas vitórias caseiras contra o Skenderbeu (5-1) e o Besiktas (3-1). A maior porção dos 99 jogos de William pelo Sporting aconteceu, naturalmente, na Liga portuguesa- São 76 jogos, nos quais o médio marcou seis dos seus sete golos. O sétimo apareceu na edição deste ano da Taça de Portugal, no jogo em que os leões foram eliminados pelo Sp. Braga (3-4). Na Taça de Portugal, para cuja conquista contribuiu na época passada, William fez nove partidas (e esse golo), somando ainda quatro desafios na Taça da Liga.   O Sporting defende uma série de 14 jogos seguidos (em todas as competições) sem perder em casa, desde que foi batido em Alvalade pelo Lokomotiv Moscovo (3-1), em Setembro, na abertura da fase de grupos desta mesma Liga Europa. Conseguiu depois onze vitórias seguidas mas tem vindo a afrouxar e já empatou duas das últimas três partidas: 2-2 com o Tondela e 0-0 com o Rio Ave. Além disso, sofreu golos em seis dos últimos oito jogos em casa, pois desde o início de Dezembro só o FC Porto e o Rio Ave ali ficaram em branco.   Também o Leverkusen tem tendência para marcar golos fora de casa, pois não fica em branco desde um 0-0 em visita ao Hamburger, em meados de Outubro. Daí para cá, ganhou cinco vezes, ganhou duas e perdeu três, mas com um aspeto em comum: marcou sempre golos.   Bryan Ruiz marcou nas duas últimas partidas europeias do Sporting, fazendo sempre o segundo golo da equipa portuguesa, na altura a consumar a reviravolta no marcador. Marcou o 2-1 em Moscovo, ao Lokomotiv, depois de Maicon ter adiantado os russos e Montero ter empatado e depois voltou a marcar o 2-1 em casa ao Besiktas depois de Mario Gomez ter feito o 0-1 e Slimani ter empatado.   O Sporting ganhou as últimas duas partidas caseiras nas competições europeias: 5-1 ao Skenderbeu e 3-1 ao Besiktas. Antes, foi batido (3-1) pelo Lokomotiv Moscovo. Já o Leverkusen vem com seis jogos europeus fora de casa consecutivos sem ganhar, desde que foi vencer o Zenit em São Petersburgo (2-1) em Novembro de 2014. Depois disso, empatou com o Benfica (0-0), perdeu com o Atlético Madrid (1-0), com a Lazio (1-0), com o Barcelona (2-1), com a Roma (3-2) e empatou com o Bate Borisov (1-1).   Se contarmos todos os jogos europeus, o Leverkusen chega a Lisboa com cinco partidas seguidas sem vitória, desde que ganhou em casa ao Bate Borisov (4-1), a 16 de Setembro: 1-2 em Barcelona, 4-4 com a Roma em casa, 2-3 em Roma, 1-1 no terreno do Bate Borisov e 1-1 com o Barcelona na Bay Arena. O Sporting, por sua vez, ganhou duas partidas após a escandalosa derrota (0-3) com o Skenderbeu em Elbasan: 4-2 ao Lokomotiv em Moscovo e 3-1 ao Besiktas em Alvalade.   Apesar de a última visita do Leverkusen a Lisboa – e para enfrentar uma equipa de Jorge Jesus, na ocasião o Benfica – ter acabado num empate a zero, a tendência das duas equipas nos jogos europeus é a de participarem em jogos com muitos golos. Ambas as equipas marcaram esta época nos três jogos do Sporting em Alvalade na Liga Europa (1-3, 5-1 e 3-1), bem como nos três jogos do Leverkusen fora da Alemanha na Champions (2-1, 3-2 e 1-1).   O Sporting nunca ganhou ao Leverkusen, em quatro partidas entre aos dois clubes. O máximo que os portugueses conseguiram foi um empate a zero em Alvalade, em Novembro de 2000, na fase de grupos da Liga dos Campeões. Antes disso, tinha perdido por 3-2 na Alemanha. E na Champions de 1997/98 perdeu ambos os jogos: 2-0 em Alvalade e 4-1 em Leverkusen.   De resto, os leões têm um saldo amplamente negativo em jogos contra equipas alemãs, tendo ganho apenas dois de 22 jogos: 1-0 ao Hertha de Berlim em Outubro de 2009 e 4-2 ao Schalke em Novembro de 2014. A última equipa alemã a ganhar ao Sporting em Alvalade foi o Bayern, em Fevereiro de 2009, mas fê-lo com estrondo: 5-0.   O Leverkusen tem saldo neutro contra adversários portugueses, pois venceu cinco de 14 partidas, perdendo outras cinco. Curiosamente, três dessas cinco vitórias foram contra o Sporting, sendo as outras frente à U. Leiria (3-1, em Setembro de 2007) e ao Benfica de Jorge Jesus (3-1 em Outubro de 2014).
2016-02-18
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Último Passe

Há duas razões para se considerar que o Sp. Braga é a única das três equipas portuguesas a fazer figura de favorito nos 16 avos de final da Liga Europa. Por um lado, defronta um adversário mais fraco que os que tocaram a FC Porto e Sporting, que terão pela frente duas equipas de Champions. Por outro, com a classificação praticamente definida na Liga portuguesa, pode centrar esforços em ir o mais longe possível na competição europeia, ao contrário de leões e dragões, que enfrentam uma batalha esgotante com o Benfica na corrida ao título de campeão. Jorge Jesus deixou bem claro que ia optar pela rotatividade na receção ao Leverkusen, como quase sempre tem feito esta época nos jogos europeus, pois a prioridade do treinador era e continua a ser o campeonato. Não está provado que os jogadores do Sporting não possam render o mesmo se tiverem de jogar duas vezes por semana em vez de uma. Os três jogos europeus em que Jesus usou maioritariamente os titulares – a pré-eliminatória da Champions com o CSKA em Agosto e o desafio decisivo na fase de grupos da Liga Europa, com o Besiktas, em Dezembro – geraram consequências diversas: empate com o Paços de Ferreira entre os jogos com os russos, vitória sobre a Académica no rescaldo da saída da Champions e sucessos contra o Marítimo e o Moreirense antes e depois da partida com o Besiktas. Contudo, é Jesus quem assume a rotatividade, seja porque acredita que a equipa poderia ressentir-se ou porque sente que, ao fazê-lo, consegue de uma cajadada encontrar justificações antecipadas para um eventual insucesso europeu e evitar que esse eventual insucesso cause danos emocionais no plantel. Nos jogos com o Leverkusen, terceiro classificado da Bundesliga, não precisaria, pois o poderio do adversário fala por si. Como fala também a qualidade do Borussia Dortmund, que é segundo do campeonato alemão e vai defrontar o FC Porto. Peseiro não estará a pensar em rodar a equipa, mas a verdade é que corre o risco de enfrentar o jogo com o melhor ataque da Bundesliga com uma defesa muito diferente da que os responsáveis da equipa idealizaram. Sem Maxi Pereira e Danilo, castigados; sem Maicon, que já foi embora; sem Chidozie, a alternativa inventada para o jogo com o Benfica na Luz; e ainda com Marcano em dúvida, por lesão, Peseiro só não terá de inventar muito para formar o quarteto defensivo porque provavelmente não terá sequer jogadores para escolher: além dos citados, há Layun, Verdasca, Martins-Indi e Jose Angel. E precisará certamente de uma noite inspirada no ataque para entrar na segunda mão em condições favoráveis. Daí que, frente ao Sion, sexto da Liga suíça, dez pontos à frente do quinto e a sete do terceiro na Liga portuguesa, o Sp. Braga seja quem está em melhores condições para encarar os 16 avos de final da Liga Europa com otimismo. Até porque, das três equipas portuguesas envolvidas, a minhota é a que tem o plantel mais homogéneo, sem grandes diferenças entre titulares e suplentes. E isso pode dar jeito.
2016-02-17
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Não há grandes equipas sem grandes defesas-centrais. Ou pelo menos é o que passamos a vida a ouvir dizer. Que o talento desequilibra mas nenhuma equipa ganha se não estiver construída em torno de um pilar que lhe dê estabilidade. É pensarmos nas grandes equipas da história, na enorme importância que tinham os jogadores encarregues de impedir o adversário de finalizar em boas condições. Todos têm duas coisas em comum: são super-valorizados pelos jornalistas que cobrem os acontecimentos e pelos treinadores que os comandam; e são depois esquecidos na atribuição dos prémios para os melhores jogadores do ano e apagados pela espuma dos anos que passam, que só eterniza o talento puro. Será que não são assim tão importantes? Olhemos para o campeonato português e para os seus três candidatos ao título. Ao Sporting, diz-se desde o início, falta um defesa-central que seja ao mesmo tempo experiente, forte fisicamente e competente. O Benfica tinha Luisão, mas perdeu-o há meses e tem vivido tão bem sem ele que já deve haver quem se atreva a duvidar que a equipa beneficie assim tanto com o seu regresso. E ao FC Porto, também se comenta desde o Verão, tem faltado sempre um central à altura da qualidade do resto do plantel – com a agravante de à falta de qualidade se ter somado agora alguma falta de quantidade, fruto dos problemas com Maicon. Neste fim-de-semana, um fim-de-semana decisivo  na Liga, o Sporting estreou uma dupla de centrais nova – Coates e Ruben Semedo –, o Benfica fez confiança em Lindelof, que ainda nem tinha uma dezena de jogos na Liga e, sendo ribatejano, José Peseiro deu a alternativa a Chidozie. E, adivinhem: todos se saíram muito bem. Se calhar quem tem mais razão são mesmo os adeptos que, com o passar do tempo e o desfilar das fintas dos atacantes, se esquecem de quem era o defesa central naquele jogo fundamental que deu o título nacional de mil novecentos e qualquer coisa. Coates, é bom que se diga, tem quase tudo para poder ser decisivo na ponta final da época do Sporting. É imponente, tem quase dois metros, o que pode valer-lhe uma importância acrescida nas bolas paradas. É experiente, fruto dos anos que passou na Premier League e tem ainda mais uma qualidade importante, que partilha com Lindelof, Ruben Semedo ou Chidozie: os adversários ainda não tiveram tempo para aprender as suas debilidades, de forma a poderem explorá-las a cada jogo. O novo tem aqui sempre uma atração irreprimível, que tem a ver com isso mesmo. É fácil dizer agora que Luisão já não tem a velocidade de outros tempos e que com Lisandro López e Jardel o Benfica pode jogar com as linhas mais próximas e subidas, com a chamada “equipa mais curta”. E isso não tem a ver só com a idade de Luisão ou com o facto de a sua mobilidade, mudança de velocidade ou de trajetória já não ser a de outros tempos. Tem a ver também – ou sobretudo – com o facto de já todos sabermos disso. Qual é o ponto fraco de Lindelof? Ou de Chidozie? Ou até de Coates, que apesar de ser mais consagrado (o homem é internacional uruguaio, caramba), também há-de tê-lo, ou então teria vingado na Premier League? A questão é que, para já, ninguém sabe identificá-los com clareza. Estou seguro, no entanto, que os defesas-centrais vão desempenhar um papel primordial na luta pelo título. E todos os treinadores terão dilemas a enfrentar. No Sporting, acredito que Jesus já se tenha decidido pela titularidade do gigante uruguaio, precisamente por ser novo – e mais difícil de ler – e por poder vir a ser importante nos livres laterais e nos cantos. Mas quem, para jogar ao lado dele? Paulo Oliveira é o melhor de todos, mas teria de desviar-se para a meia-esquerda. Naldo não compromete, está habituado àquele quadrante, mas não tem o futuro e a qualidade de Oliveira. E até Ruben Semedo parece mais perto de ser opção que Ewerton. No Benfica, Rui Vitória encontrou a estabilidade em torno da dupla Jardel-Lisandro, dois centrais rápidos e por isso mesmo muito importantes da definição estratégica do onze, no posicionamento do bloco. Mas poderá Luisão exercer a liderança de que o plantel necessita de fora quando, daqui por um mês, mês e meio, estiver apto a regressar? Por fim, no FC Porto, Peseiro tem em Martins-Indi o potencialmente melhor mas ao mesmo tempo mais inconstante dos seus centrais, e em Marcano o mais apagado mas ao mesmo tempo mais fiável. Com Maicon fora do baralho, haverá espaço para Chidozie se mostrar mais vezes e até vir a ser importante. Pelo menos até lhe aprenderem as debilidades. In Diário de Notícias, 15.02.2016    
2016-02-15
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Slimani voltou a bisar em mais uma vitória do Sporting, os 4-0 ao Nacional, na Choupana. Foi o terceiro bis consecutivo do argelino em deslocações dos leões, depois de já ter feito dois golos nos 6-0 ao V. Setúbal e nos 3-1 ao Paços de Ferreira. A última vez que Slimani ficou em branco num jogo fora de Alvalade também tinha sido neste mesmo estádio, quando o Sporting perdeu por 1-0 com o U. Madeira, a 20 de Dezembro do ano passado.   Com estes dois golos, Slimani já chegou aos 22 esta época, sendo 18 na Liga. Está ainda a cinco golos do benfiquista Jonas, mas já assegurou o lugar de melhor marcador sportinguista num campeonato desde que Liedson acabou a Liga com 25 golos, em 2004/05.   Os 47 golos que o Sporting marcou nas primeiras 22 jornadas da Liga também não lhe asseguram o posto de melhor ataque do campeonato, que pertence ao Benfica, mas garantem o melhor registo parcial dos leões desde 2001/02, quando a equipa de Jardel, João Pinto, Pedro Barbosa e Quaresma chegou à 22ª jornada com 50 golos marcados.   Jorge Jesus aumentou para oito a série de vitórias consecutivas sobre Manuel Machado. Ganhou-lhe todos os jogos desde um empate do Benfica com o Nacional na Choupana (2-2), em Fevereiro de 2013.   O Sporting, de resto, continua sem perder com o Nacional desde Fevereiro de 2011 (1-0, para a Liga), tendo desde essa altura defrontado os alvi-negros por 14 vezes, ganhando nove e empatando cinco. O Nacional, aliás, não marca um golo ao Sporting na Liga desde Maio de 2014, somando já 376 minutos seguidos de jogo sem golos aos leões.   Ao vencer o Nacional, o Sporting reassumiu a liderança isolada do campeonato, com 55 pontos em 22 jornadas. São mais oito pontos do que na época passada por esta altura e o melhor registo leonino à 22ª ronda desde que a vitória vale três pontos. Para encontrar um Sporting melhor nesta altura da época é preciso recuar até 1979/80, quando os leões tinham 18 vitórias e dois empates, que pelas regras atuais de pontuação valeriam 56 pontos.   O Nacional, por sua vez, somou a 11ª derrota deste campeonato, apenas duas a menos do que em toda a Liga passada. E passou a ter a certeza de perder os três jogos em casa com os grandes: 1-2 com o FC Porto, 1-4 com o Benfica e 0-4 com o Sporting. Foi a primeira vez desde 2011/12 que os nacionalistas não pontuaram na Choupana com nenhum dos grandes. Nessa época, foram batidos por 2-0 por FC Porto e Benfica e por 3-2 pelo Sporting. E ainda ali perderam por 3-1 com os leões nas meias-finais da Taça de Portugal.   O Sporting voltou a ter dois penaltis num jogo, um convertido por Adrien e outro por Slimani. Já não sucedia aos leões beneficiarem de dois remates dos onze metros desde 30 de Agosto, quando venceram fora a Académica por 3-1. Nessa tarde, porém, Adrien falhou o primeiro e Aquilani marcou o segundo.   Rui Patrício fez o 250º jogo na Liga portuguesa na mesma ilha onde efetuou o primeiro: a Madeira. A estreia foi a 19 de Novembro de 2006, numa vitória por 1-0 frente ao Marítimo, nos Barreiros. O guarda-redes já é o oitavo futebolista com mais jogos pelo Sporting no campeonato, a apenas três partidas de Azevedo.    
2016-02-14
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Último Passe

Um jogo impositivo na Choupana, contra um Nacional que confirmou fragilidades já anteriormente detetadas, permitiu ao Sporting regressar ao comando isolado da Liga. O 4-0 final expressa muito bem a diferença de rendimento entre as duas equipas. Rui Patrício fez a primeira defesa aos 89’, num livre, tão permanente foi o domínio leonino e tão boa foi a presença da dupla de centrais criada entre Coates e Ruben Semedo. Na frente, as combinações trianguladas entre defesa-lateral, médio e extremo geraram inúmeras situações de finalização, só sendo verdadeiramente estranho que a equipa de Jorge Jesus tenha demorado tanto a chegar ao segundo golo e à tranquilidade. Em altura de renovação de contratos com vários jogadores, a equipa renovou a esperança dos adeptos pela forma como respondeu à derrota do Benfica no clássico contra o FC Porto e volta a olhar de cima para baixo para os adversários. É verdade que o Sporting entrou praticamente a ganhar, com um golo a nascer de um canto logo aos 3’, fruto da movimentação veloz de Slimani no ataque à bola. Mas o Nacional, que tentava surpreender em 4x4x2, com Ricardo Gomes perto do regressado Soares, nunca entrou no jogo em condições de ripostar. O jogo sem falhas dos dois centrais leoninos, que começaram pela primeira vez um jogo lado a lado, sempre bem auxiliados por um William Carvalho mais perto do seu real valor, anulava a única arma atacante dos madeirenses, que eram os cruzamentos largos. E, assegurando que tinha mais bola, era uma questão de tempo até o Sporting ampliar a vantagem. Não o fez na primeira parte, na qual Carlos Mané até teve nos pés um lance de golo cantado, na sequência de uma tabela entre Slimani e João Mário, acabou por fazê-lo bem cedo na segunda, num penalti de Adrien. Manuel Machado tentou mudar as coisas, chamando um ataque novo ao relvado. Vieram Román, Bonilha e Rodrigo Pinho, mas continuava a ser o Sporting a mandar, mesmo depois de Jorge Jesus ter começado a gerir a equipa face ao jogo da Liga Europa que aí vem, retirando Adrien e Zeegelaar. O 3-0, marcado por João Mário, na recarga de uma bola de Slimani à barra, matou muito cedo quaisquer esperanças do Nacional ainda reabrir a discussão do resultado e o 4-0, conseguido de penalti por Slimani, confirmou a ideia de que este Sporting vive muito melhor a jogar longe de casa do que em Alvalade: foi como visitante que conseguiu as últimas três vitórias por mais de um golo.  
2016-02-13
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Stats

O Sporting volta a sair de Alvalade, onde tem perdido mais pontos esta época. Desloca-se, porém,ao único estádio onde foi derrotado neste campeonato: a Choupana, onde perdeu com o U. Madeira por 1-0, e para defrontar uma equipa que parece estar a reencontrar a capacidade para ganhar pontos em casa. Dos onze pontos que o Sporting perdeu neste campeonato, mais de metade (seis) foram esbanjados em Alvalade: ali a equipa de Jorge Jesus empatou com Paços de Ferreira (1-1), Tondela (2-2) e Rio Ave (0-0). Fora de casa obteve as últimas duas vitórias por mais de um golo de diferença (6-0 em Setúbal e 3-1 em Paços de Ferreira), tendo cedido apenas cinco pontos: o empate a zero com o Boavista no Bessa e a derrota por 1-0 com o U. Madeira, no mesmo estádio onde vai jogar agora. Ao todo, os leões já conseguiram oito vitórias fora de casa neste campeonato, estando ainda a duas do total da época passada. O Nacional, por sua vez, esteve 17 jogos sem perder em casa entre Dezembro de 2014 (0-1 com o Sporting) e Dezembro de 2015 (1-2 com o FC Porto), mas passou depois uma fase negra da qual parece estar a recompor-se: após derrotas com os portistas, o Benfica (1-4) e o Sp. Braga (2-3), intervaladas por um empate com o Arouca (2-2), já ganhou as duas últimas partidas na Choupana: 1-0 ao Oriental e 3-1 ao Tondela.   Salvador Agra marcou nas últimas três partidas do Nacional na Choupana: fez um golo na derrota frente ao Sp. Braga (2-3), assinou a vitória contra o Oriental (1-0) e bisou nos 3-1 ao Tondela.   Por sua vez, Islam Slimani bisou nas últimas duas deslocações dos leões para o campeonato, que foram também as duas últimas em que participou: os 6-0 em Setúbal e os 3-1 em Paços de Ferreira. Como o argelino não esteve nas viagens a Portimão e Arouca, para a Taça da Liga, isso quer dizer que não fica em branco como visitante desde a ida à Choupana, para jogar com o U. Madeira, a 20 de Dezembro.   O colombiano Freddy Montero, que o Sporting vendeu para o futebol chinês na última abertura de mercado, fez os últimos três golos dos leões ao Nacional, todos em Alvalade. Em Maio de 2015 bisou na vitória leonina por 2-0 e em Setembro fez o golo solitário do 1-0 que deu três pontos à equipa de Jorge Jesus.   Jorge Jesus e Manuel Machado já tiveram desentendimentos públicos, mas os encontros entre os dois têm sido geralmente favoráveis ao treinador do Sporting. Jesus ganhou os últimos sete confrontos com Machado, cinco para a Liga e dois para a Taça da Liga, e não perde pontos com ele desde Fevereiro de 2013, quando o seu Benfica foi empatar com o Nacional à Choupana (2-2). Por sua vez, Machado não ganha a Jesus desde Setembro de 2010, quando o seu V. Guimarães se impôs no Minho ao Benfica por 2-1.   Wyllian pode fazer o 50º jogo com a camisola do Nacional. Estreou-se a 31 de Agosto de 2014, alinhando um minuto na vitória por 2-0 frente ao Arouca e, até hoje, jogou 49 vezes pelo Nacional. Dessas, 39 foram a contar para a Liga, sete na Taça de Portugal e três na Taça da Liga.   O Nacional não ganha ao Sporting desde Fevereiro de 2011. Na altura impôs-se por 1-0 (golo de Mateus) numa partida do campeonato na Choupana. Desde esse jogo, as duas equipas já se encontraram mais 13 vezes, com oito vitórias do Sporting e cinco empates.   Há 286 minutos de jogo que o Nacional não marca ao Sporting no campeonato. Na verdade, os últimos três jogos entre ambos para esta competição acabaram com um zero na baliza leonina: 1-0 na Choupana e 2-0 em Alvalade em 2014/15 e 1-0 em Alvalade já esta época. O último golo do Nacional ao Sporting na Liga foi marcado por Diego Barcellos, num empate a uma bola, em Maio de 2014, na Choupana. Depois, os madeirenses voltaram a marcar, num empate a dois, mas foi para a Taça de Portugal.   O Nacional já viu esta época adiados em um dia as partidas que ia disputar em casa com os outros dois grandes do futebol português. Tanto FC Porto como Benfica começaram a jogar num domingo e acabaram à segunda-feira.
2016-02-12
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Último Passe

O empate do Sporting com o Rio Ave, conjugado com a vitória do Benfica frente ao Belenenses, deu a primeira liderança da Liga partilhada envolvendo os grandes de Lisboa desde há uns dois anos. Na altura, ainda fazia eu parte da direção do Record, o caso deu origem à feroz guerra das classificações. Para mim, que não sigo carneiradas, mantenho a coerência e sei que a liderança que vale é a da última jornada e não a da 21ª, quem comanda agora a Liga é o Sporting e não o Benfica, como está no site oficial. E o mais divertido vai ser ver os fanáticos da aritmética de conveniência que me (nos) insultaram há dois anos mudarem de posição consoante os argumentos passaram a favorecer quem outrora desfavoreceram. Ou aqueles que há dois anos acharam que tínhamos razão virem agora chamar-me nomes porque se há uma classificação oficial os jornalistas têm mais é que a seguir de forma cega. A situação explica-se facilmente. Em Dezembro de 2013, o empate do Sporting em casa com o Nacional – também 0-0, como agora – deu até uma liderança a três: FC Porto, Benfica e Sporting, todos com 33 pontos. Para a Liga, as regras são claras: o desempate faz-se por diferença de golos até à penúltima jornada e por confronto direto no final da prova. Pelas regras da Liga, o primeiro naquele mês de Dezembro era o Sporting, com diferença de 24 golos positivos, seguido de FC Porto (20) e Benfica (15); pelas do bom-senso, que foram aplicadas pelo Record, quem liderava era o FC Porto, que ganhara aos leões, seguido de Benfica, porque tinha empatado em Alvalade, e de Sporting, o mais fraco numa mini-Liga a três. Tal como agora é o Benfica quem lidera pelas regras da Liga, mas na verdade, o líder do bom-senso é o Sporting, que ganhou por 3-0 aos encarnados na Luz – a este propósito, cresce o meu respeito pelo zerozero.pt, que manteve a coerência na diferença. As regras da Liga fazem pouco sentido. Imaginemos que Benfica e Sporting ganham todos os jogos até à última jornada, empatando de caminho no dérbi entre ambos, em Alvalade. Imaginemos ainda que os encarnados mantêm a vantagem na diferença de golos geral. Aí, o que sucederá é que, mesmo entrando para a última jornada em primeiro lugar – para a Liga – o Benfica pode até ganhar por 50-0 ao Nacional que a mesma Liga o despromoverá à segunda posição desde que o Sporting vença em Braga. Normal? A mim não me parece. Como não pareceu há dois anos, na altura em que a direção do Record de que fazia parte foi chamada a deliberar acerca de uma decisão tomada em outras núpcias por uma direção anterior – e que é em grande parte a atual – acabando por decidir manter as regras que aquele coletivo tomara. Na altura, uma onda de contestação nasceu em Alvalade e chegou às imediações do Estádio da Luz, às instalções da Cofina. Houve condenações, imolações, tudo em crescendo à medida que o ruído vindo das redes sociais aumentava. Vinham de quem não é capaz de perceber que nem todos têm de seguir a carneirada e que as tomadas de posição, se são prévias aos acontecimentos, não podem ser acusadas de ser parciais quando se trata de os avaliar. Dois anos depois, cá estou, a manter a coerência e a dizer: para mim, quem vai à frente é o Sporting.
2016-02-09
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O Sporting ficou pela primeira vez em branco nos jogos em casa esta época. Na verdade, o empate a zero com o Rio Ave foi o primeiro nulo ofensivo dos leões no seu estádio desde 26 de Fevereiro de 2015, quando ali empataram sem golos com o Wolfsburg, para a Liga Europa. Ao todo, foram 22 jogos sempre a marcar, que são um recorde deste novo estádio e a melhor série desde os 26 jogos com golos entre Janeiro de 1999 e Maio de 2000, ainda no estádio antigo.   Além de ser o primeiro zero ofensivo do Sporting em casa esta época, este foi também o primeiro jogo de campeonato em que o Rio Ave não marcou como visitante. Os vila-condenses tinham feito golos nas primeiras nove saídas, ainda que ganhando apenas uma: 3-0 em Paços de Ferreira. Pelo caminho, perderam marcando (1-3) com o Benfica na Luz e empataram (1-1) com o FC Porto no Dragão.   Para o Sporting, contudo, este foi o terceiro zero do campeonato, pois os leões já tinham ficado em branco nas visitas ao Boavista (0-0) e ao U. Madeira (1-0). Ao mesmo tempo, porém, também foi o primeiro jogo sem sofrer golos em casa desde a visita do FC Porto, a 2 de Janeiro. Nesse jogo, os leões venceram por 2-0.   Estranhamente, os leões perderam mais pontos em casa neste campeonato – seis, resultantes de três empates com Paços de Ferreira, Tondela e Rio Ave – do que fora, onde só deixaram cinco, fruto do empate com o Boavista e da derrota com o U. Madeira.   Ainda assim, apesar de ter perdido a liderança isolada na Liga – partilha-a agora com o Benfica – a equipa de Jorge Jesus ainda tem mais oito pontos do que na época passada à 21ª jornada (subiu de 44 para 52), detendo a melhor pontuação de qualquer formação leonina desde que a vitória vale três pontos (em 1995). Mesmo convertendo as regras para o modelo atual a pontuação das épocas anteriores, é preciso recuar a 1979/80 para ver um Sporting melhor: nessa época, em que acabou por ser campeão, tinha 17 vitórias, dois empates e duas derrotas à 21ª ronda.   William Carvalho foi substituído pela quarta vez nas últimas cinco jornadas da Liga. Na segunda volta só completou os 90 minutos por uma vez: nos 3-1 ao Paços de Ferreira, saindo duas ao intervalo e outra – agora – antes do último quarto-de-hora.   Depois dos seus cinco jogos sempre a marcar, que foram um recorde pessoal de sempre, Slimani vai com duas partidas seguidas em branco, algo que não lhe acontecia desde Dezembro, quando não marcou ao U. Madeira nem ao Paços de Ferreira (aqui, num jogo da Taça da Liga em que só entrou na última meia-hora). Se procurarmos dois jogos seguidos a titular do argelino sem marcar, teremos de recuar a Setembro, quando ficou a zeros frente a Nacional (1-0) e Boavista (0-0).   Cássio, guarda-redes do Rio Ave que tinha saído de Alvalade com quatro golos nas suas redes na época passada, voltou agora a deixar o estádio dos leões com a baliza virgem, sensação que já tinha experimentado em Janeiro de 2013, quando ali ganhou por 1-0 com o Paços de Ferreira.
2016-02-09
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Último Passe

O Sporting voltou a ceder pontos em Alvalade, empatando a zero com o Rio Ave, e deixou-se dessa forma apanhar pelo Benfica no topo da classificação da Liga. Foi, ao mesmo, tempo, um jogo igual mas também diferente daqueles que os leões vinham fazendo em casa. Igual porque a equipa leonina não consegue descolar e meter no campo as combinações ofensivas que em dada altura da época lhe permitiam desbaratar as defesas adversárias. Mas diferente porque desta vez Jesus não arriscou tanto – as duas primeiras trocas foram de jogadores por outros para a mesma posição – e, mesmo tendo errado um par de vezes atrás, a equipa leonina teve em Rui Patrício a garantia do zero nas suas redes. Os dois guarda-redes, aliás, foram os melhores em campo. É verdade que ao Sporting faltam alguns dos argumentos desequilibradores que em tantas alturas da época foram tão importantes. Faltou a fluidez pela esquerda que Jefferson costuma dar, faltou o critério de distribuição que William Carvalho assegurava quando estava bem, faltou o Slimani que é capaz de desbloquear jogos, faltou até Montero, estranhamente transferido quando a equipa ficou com um Gutierrez que tarda em mostrar serviço de forma convincente e para o lugar dele entrou Barcos, que está muito fora de ritmo competitivo e não se vê quando pode vir a ser útil. A primeira parte foi, por isso, jogada com intensidade mas sem grandes desequilíbrios, porque o Rio Ave ia sempre buscar a saída de bola leonina e matava um dos momentos do jogo em a equipa de Jesus é mais forte – a transição ofensiva. Rui Patrício, face a Kayembé, e Cássio, contra Adrien, Coates ou João Mário, asseguraram o zero ao intervalo, mas nem isso esmorecia o público que acorreu em massa a Alvalade. Afinal, o Sporting nem tem saído para o intervalo a ganhar assim com tanta frequência. Na segunda parte, talvez fatigada pelo facto de ter jogado para a Taça de Portugal na quinta-feira, o Rio Ave baixou linhas e remeteu-se à defesa do 0-0, o que acabou por conseguir fazer, mais uma vez fruto de dois fatores: um grande Cássio e, nessa fase, alguma falta de criatividade dos leões na frente. Depois de trocar Paulo Oliveira por Ruben Semedo, Jesus chamou Barcos para o lugar de Gutièrrez e só a 15’ do fim meteu mais gente na frente, chamando Gelson para a vaga de William. Não resultou, mesmo tendo o Sporting mudado processos e passado a cruzar muito de fora para as duas torres que tinha na frente. O momento presente é, por isso, de grande importância para o Sporting, que já viu anulada por completo a larga vantagem que chegou a ter sobre o Benfica e vê o rival a galgar barreira atrás de barreira com uma voracidade incrível. Os leões têm a vantagem de receber o rival em casa, mas a desvantagem de precisarem de inverter uma quebra evidente de resultados para chegarem ao dérbi em condições de o jogar com os olhos no título. 
2016-02-08
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Jorge Jesus ganhou onze dos quinze confrontos com Pedro Martins, atual treinador do Rio Ave. Dos 15 jogos entre ambos, Jesus esteve quase sempre no Benfica – a exceção foi o Rio Ave-Sporting da primeira volta – enquanto Martins andou entre o Marítimo e os vila-condenses. Curioso é que nas duas vezes que perdeu na Liga com Martins, Jesus acabou por ser campeão: 2-1 no Marítimo-Benfica na abertura de 2013/14 e 2-1 no Rio Ave-Benfica da época passada. Pedro Martins, por sua vez, vai em seis derrotas consecutivas em jogos contra o Sporting: 1-2 em Vila do Conde já esta época; 2-4 em Alvalade e 0-1 nos Arcos na anterior; 1-3 nos Barreiros e 2-3 com o Marítimo em Alvalade para a Liga de 2013/14, época em que também perdeu por 3-0 em Lisboa para a Taça da Liga. Até então, Martins até tinha saldo positivo contra os leões de Lisboa, com duas derrotas, dois empates e três vitórias, a última das quais a 10 de Fevereiro de 2013 – faz na quarta-feira três anos – por 1-0, graças a um golo do agora portista Suk.   - O Sporting deu avanço nos últimos três jogos em Alvalade. Começou a perder (até aos 0-2) contra o Sp. Braga – e acabou por vencer por 3-2. Repetiu contra o Tondela e virou de 0-1 para 2-1 antes de sofrer o 2-2 já perto do final. E voltou a ver o adversário adiantar-se no desafio contra a Académica, em que esteve a perder por 1-0 e acabou por vencer por 3-2.   - Além disso, o Sporting marcou golos nos últimos 22 jogos em casa, contando todas as competições. O último zero leonino em Alvalade aconteceu a 26 de Fevereiro do ano passado, contra os alemães do Wolfsburg. Para celebrarem um ano sempre a fazer golos no seu estádio, os leões terão de marcar agora ao Rio Ave e ainda a outra equipa alemã, o Leverkusen, e ao Boavista, que já forçou a equipa de Jesus a um zero no Bessa.   - O Rio Ave perdeu os últimos dois jogos que fez fora de casa, ambos com o Sp. Braga: 5-1 para a Liga e 1-0 na primeira mão da meia-final da Taça de Portugal. Mas o antepenúltimo foi o empate a uma bola no Dragão com o FC Porto, que levou à demissão de Lopetegui.   - Zeegelaar, jogador do Sporting que, face à lesão de Jefferson, deve alinhar na lateral-esquerda, começou a época no Rio Ave, tendo alinhado na equipa que saiu derrotada frente ao Sporting no jogo da primeira volta.   - Tobias Figueiredo fez o seu jogo de estreia na Liga portuguesa contra o Rio Ave. Foi a 18 de Janeiro de 2015 que Marco Silva o lançou como titular na vitória dos leões por 4-2 contra os vila-condenses em Alvalade.   - O Sporting ganhou as últimas quatro partidas contra o Rio Ave e não perde desde Fevereiro de 2013, quando foi batido – de virada – em Vila do Conde por 2-1: marcaram Joãozinho (na própria baliza) e Ukra depois de Jeffrén ter adiantado os leões. Ainda assim, os vila-condenses têm um histórico recente neutro nas últimas deslocações ao reduto do leão: nos últimos três jogos ali realizados, perdeu um, ganhou outro e empatou o outro.
2016-02-08
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Há um mistério por resolver acerca da equipa do Sporting. Como é que os leões passam tão bem pelas melhores equipas da Liga e tremem contra as mais pequenas? Como é que arrumaram por três vezes o Benfica, entre Supertaça, Liga e Taça de Portugal, ganharam sem espinhas ao FC Porto, golearam em Setúbal, mas depois já deixaram dois pontos ao Boavista, outros dois ao Tondela e três ao U. Madeira? Como é que vão ganhar sem problemas a Paços de Ferreira, mas sofrem tanto no jogo em casa com a Académica, que só conseguem vencer nos últimos dez minutos? A necessidade de uma explicação pediria que se deitasse a equipa no divã para uma sessão de psicanálise, mas é claramente do domínio do emocional, porque as rotinas e a qualidade dos jogadores continuam lá e teriam até mais razões para aparecer nos jogos em que os adversários são mais fracos. Quem chegasse agora a Portugal e visse, por um lado, que o Benfica vai com dez vitórias seguidas, a maioria delas com clareza, que o FC Porto acaba de mudar de treinador e que o Sporting vem de um empate a dois golos e duas vitórias sofridas por 3-2 nos três últimos jogos em Alvalade teria alguma dificuldade em olhar para os leões como mais fortes candidatos ao título ou em explicar que eles sigam isolados na frente da tabela. Mas se depois lhe dissessem que a equipa de Jorge Jesus ganhou todos os jogos grandes em que entrou – e já defrontou três vezes o Benfica e uma o FC Porto –, se calhar esse observador já pensaria outra coisa. E tentaria explicar esta dualidade sem recorrer à justificação mais primária, que é sempre a que fala das arbitragens como fator determinante. Ora, aí chegados, há duas explicações possíveis: ou falta de foco ou excesso de confiança. Apesar de todos os sinais aduzidos em sentido contrário, ainda me inclino mais para a segunda. Se, como pretendem alguns analistas, a quebra recente do Sporting na Liga, não tanto expressa em pontos mas sobretudo na dificuldade para ganhar jogos em casa, tivesse mais a ver com o excesso de ruído criado à volta da equipa, dessa forma desfocando os jogadores, os leões não teriam sido capazes de ganhar com clareza em Setúbal ou em Paços de Ferreira. É claro que o que se passa durante a semana, que o clima de constante conflitualidade fomentado acima do balneário, tem efeito naquilo que a equipa vai rendendo – por exemplo, contra a Académica viu-se um Slimani menos imponente fisicamente, como que tolhido pelo que se tem vindo a dizer da sua forma de atuar – mas se fosse esse o problema a equipa teria muito mais razões para falhar nos jogos difíceis. Porque o ruído já não é novidade de agora e porque as pontuações das equipas de Jesus sempre se fizeram à conta de uma regularidade impressionante nos jogos em casa contra adversários mais fracos. Por isso me inclino mais para a outra explicação, a explicação que tem a ver com a falta de foco seletiva, apenas em alguns jogos, sobretudo aqueles que se afiguram mais fáceis. Excesso de confiança, portanto. O modo como os leões deram golos de avanço contra o Sp. Braga (0-2 ao intervalo), mas sobretudo contra o Tondela e a Académica, que também marcaram primeiro em Alvalade, tem todos os sintomas do adormecimento coletivo de uma equipa que se viu na frente da Liga e com mais jogos em casa por fazer do que os adversários e que por isso se terá deixado contagiar pelo otimismo permanente do seu treinador acerca das suas próprias capacidades. Se Jesus é capaz de dizer à Marca que o grande problema de Lopetegui em Portugal foi ele próprio, não admira que a equipa, sobretudo uma equipa menos experiente no ataque aos títulos, também entre nos jogos mais fáceis a julgar que não precisa de pôr o pé a fundo para os ganhar. Mas a questão é que precisa. E agora mais do que nunca, porque Benfica e FC Porto vão defrontar-se daqui a duas jornadas e bastará ao Sporting manter a cadência para se afastar em breve pelo menos de um dos perseguidores. In Diário de Notícias, 01.02.2016
2016-02-01
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Ao vencer a Académica por 3-2, o Sporting passou a somar 51 pontos em 20 jogos, ainda a melhor marca da história do clube desde que a vitória vale três pontos. E mesmo que aplicássemos as atuais regras de pontuação às Ligas anteriores à alteração seria necessário recuar até 1948/49 para encontrar uma caminhada tão forte dos leões. Nessa época, que lhe valeu o tricampeonato, o Sporting dos Cinco Violinos chegou à 20ª jornada com 17 vitórias, um empate e duas derrotas, que com as regras atuais dariam 52 pontos.   - 52 pontos são também o máximo de uma equipa de Jorge Jesus nas primeiras 20 jornadas de uma Liga. O atual treinador leonino atingiu-os em 2012/13, no Benfica, quando chegou à 20ª ronda com 16 vitórias e quatro empates. Tinha por esta altura os mesmos pontos do FC Porto, que acabou por ser campeão.   - Este Sporting ganhou 16 dos seus primeiros 20 jogos na Liga, algo que a equipa leonina já não conseguia desde 1979/80, quando bateu em casa o Boavista à 20ª ronda e se manteve a par do FC Porto no topo da tabela, com 16 vitórias, dois empates e duas derrotas. A equipa liderada por Fernando Mendes acabou por ser campeã nacional nessa época.   - Esta foi ainda a quarta reviravolta do Sporting no marcador. Ganhou por 3-2 à Académica depois de ter estado a perder por 1-0, mas já tinha conseguido o mesmo, sempre em Alvalade, contra o Benfica (de 0-1 para 2-1), o Besiktas (de 0-1 para 3-1) e o Sp. Braga (de 0-2 para 3-2).   - Além disso, foi o terceiro jogo consecutivo em Alvalade no qual o Sporting deu avanço. De facto, os últimos três visitantes ao estádio leonino marcaram todos primeiro, mas nenhum venceu: o Sp. Braga perdeu por 3-2, o Tondela empatou a duas bolas e a Académica perdeu também por 3-2.   - O Sporting sofreu, assim, nos últimos três jogos da Liga em casa o dobro dos golos que tinha sofrido no seu estádio para esta competição. Das primeiras sete equipas que ali se deslocaram em jogos da Liga, só Paços de Ferreira (1-1), V. Guimarães (5-1) e Moreirense (3-1) tinham marcado um golo. Agora, Sp. Braga, Tondela e Académica dobraram a dose.   - O Sporting conseguiu o 13º jogo seguido sem peder em casa, desde a derrota por 3-1 com o Lokomoiv de Moscovo. Se contarmos só jogos da Liga, são ao todo 27 partidas sem derrotas em casa, desde que o Estoril ali ganhou, no encerramento da época de 2013/14. O registo atual supera o melhor deste estádio, que foram as 26 partidas seguidas sem derrota no período entre um 0-2 com o Benfica em Dezembro de 2006 e um 1-2 com o FC Porto em Outubro de 2008.   - Outro recorde deste novo estádio batido no jogo com a Académica foi o do total de jogos seguidos do Sporting a marcar em casa. São já 22 os jogos (de todas as competições) consecutivos com golo dos leões, todos desde o empate a zero com o Wolfsburg, em Fevereiro do ano passado. A equipoa continua agora atrás dos 26 jogos sempre a marcar conseguidos em 1999 e 2000 pelos leões de Jozic, Materazzi e Inácio.   - Adrien voltou a marcar à equipa na qual esteve emprestado, obtendo o sétimo golo da época, o segundo de bola corrida, depois de já ter marcado assim ao Benfica. Dos outros cinco, quatro foram de penalti e um quinto, ao V. Guimarães, num livre batido a dois toques.   - Montero voltou a decidir um jogo do Sporting, marcando o 3-2 a seis minutos do fim. Foi o segundo desafio leonino que o colombiano decidiu perto do fim esta época, depois de já ter sido ele o autor do golo que derrotou o Nacional, em Alvalade, aos 86’ (1-0). Além disso, Montero também tomou parte ativa na reviravolta contra o Sp. Braga, mas aí fez o segundo golo de outra vitória por 3-2.   - Slimani voltou a ficar em branco num jogo de campeonato, mais de um mês depois de isso lhe ter acontecido pela última vez. Após o 0-1 frente ao U. Madeira, a 20 de Dezembro, o argelino marcara em cinco jornadas consecutivas, a FC Poto (bis), V. Setúbal (bis), Sp. Braga, Tondela e Paços de Ferreira (outro bis).   - A Académica fez pela primeira vez dois golos fora de casa na Liga desta época – tinha só quatro nas nove primeiras deslocações – mas continua sem ganhar em viagem. A última vitória longe de Coimbra na Liga obteve-a em Moreira de Cónegos, a 8 de Março do ano passado (2-0), seguindo agora com 15 saídas seguidas sem ganhar, a pior série desde as 16 que registou após regressar à I Liga, em 2002. Que se somadas às 14 com que se despediu do escalão em 1999 dão uma conta bem mais redonda.   - O lateral Rafa Soares marcou o primeiro golo na Liga portuguesa, pouco depois de chegar por empréstimo do FC Porto – fazia apenas a segunda partida. Rafa já tinha marcado cinco golos esta época, mas no FC Porto B. E também aí tem mostrado tendência para os jogos com os grandes, pois os seus últimos golos tinham sido nas vitórias sobre as equipas B do Sporting (4-0) e do Benfica (3-0). - Filipe Gouveia completou a ronda de visitas aos três grandes enquanto treinador da Académica e fê-lo sempre a melhor, mesmo tendo sofrido sempre três golos: perdeu por 3-0 com o Benfica na Luz, por 3-1 com o FC Porto no Dragão e agora por 3-2 com o Sporting em Alvalade.
2016-01-31
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Último Passe

Um golo de Montero, a seis minutos do final da partida, deu ao Sporting uma vitória por 3-2 sobre a Académica e três pontos muito importantes na luta pelo título, porque permitem pelo menos manter os adversários à distância e evitam que caia sobre a equipa a pressão acrescida que esta teria de suportar se fosse alcançada. Claro que na sequência do jogo se falará muito mais sobre a arbitragem de Cosme Machado do que sobre as dificuldades que o líder do campeonato vem revelando jornada a jornada, mas estas também devem ser dignas de análise em Alvalade. Porque se, como disse no final da partida Adrien Silva, “há fatores que a equipa não consegue controlar”, mais vale centrar-se naqueles que controla. Para Jesus, o que tem de importar é manter o foco no jogo. Frente à Académica, tal como acontecera nas receções ao Sp. Braga e ao Tondela, o Sporting viu-se em desvantagem no marcador durante a primeira parte, dando avanço ao adversário, tanto no marcador como na confiança com que este passou a enfrentar o jogo. Tal como há uma semana fizera o Paços de Ferreira, a Académica marcou numa bola parada ofensiva em que a equipa leonina desligou. Os gestos de Jesus no banco após o golo de Rafa Soares são sintomáticos do que pensou do lance. Certo é que, a perder, o Sporting teve de redobrar a energia com que se lançou sobre a baliza de Pedro Trigueira, tendo acabado por virar o resultado ainda antes do intervalo. Valeram um golo de bandeira de Adrien Silva e uma excelente jogada de Mané – mais uma opção para Jesus, a julgar pelo que mostrou até ser substituído – a oferecer uma concretização fácil a Ruiz. Temendo a repetição do que se passara frente ao Tondela, em que também chegou ao 2-1 depois de estar a perder, Jesus terá mandado forçar o andamento e substituiu William por Gelson à procura de um terceiro golo que matasse o jogo. Só que o Sporting já não estava com a velocidade nem com a certeza de passe da primeira parte, permitia que a Académica também chegasse perto da baliza de Patrício e acabou por ceder o empate, em mais uma bola parada onde nem o erro do árbitro anula a descoordenação entre o guarda-redes e o estreante Ruben Semedo no ataque à bola. Acabou por ser Montero a garantir o 3-2, a seis minutos do final, num lance em que os leões fizeram valer a superioridade numérica na área adversária, mas nem os três pontos devem desviar Jesus do que mais lhe importa neste momento. E, lamento desiludir os mais radicais, não é de arbitragem que falo.
2016-01-31
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Último Passe

Quando Jorge Nuno Pinto da Costa e Jorge Jesus estão de acordo acerca de um tema no qual quem fica a rir-se é o Benfica, é caso para se dizer que não estão a fazer favor nenhum e que o que dizem é justo. Acerca do interesse do Benfica em Carrillo, tanto o presidente do FC Porto – que o denunciou – como o treinador do Sporting – que o comentou – disseram o mesmo: Carrillo é profissional e vai para onde se sentir melhor. Mas nestas coisas do futebol-negócio há cada vez menos ingenuidades e convém todos sabermos acerca do que falamos. E do que falamos aqui é também do processo que o Benfica moveu a Jesus. Se perder Carrillo a custo zero, é evidente que o Sporting sai prejudicado pela estratégia que escolheu na abordagem ao tema. Bruno de Carvalho já fez excelentes operações em casos como este, nos quais fez da inflexibilidade negocial uma força, mas haveria de chegar o dia em que encontrava alguém igualmente inflexível do outro lado e sairia a perder. Já perdeu o contributo que o jogador podia ter dado durante a época desportiva – ainda que a sua ausência tenha sido gradualmente mitigada à medida que a equipa encontrou outras soluções – e prepara-se agora para partilhar com o investidor que ajudou a trazer Carrillo para Alvalade a perda do valor do passe. Às duas perdas, pode somar ainda uma terceira: a de ver Carrillo jogar com a camisola de um rival e, ainda, a de eventualmente vê-lo depois ser transferido por bom dinheiro. Mas é evidente que Carrillo tem todo o direito de assinar pelo Benfica. Assim como Jesus teve todo o direito de assinar pelo Sporting. A esse respeito, podemos criar todos os cenários que quisermos, mas ainda que Jesus não tenha sido convenientemente fotografado na mesma rua e no mesmo dia de Bruno de Carvalho, numa data em que já poderia assinar por um novo clube, como aconteceu com Carrillo e Luís Filipe Vieira, fará tanto sentido vir agora o Sporting processar Carrillo pela vontade que este tenha de jogar aqui ou ali como fez o Benfica processar Jesus por se ter mudado da Luz para Alvalade no verão passado. Nenhum sentido, portanto.
2016-01-29
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Stats

O Sporting recebe a Académica, em jogo da 20ª jornada da Liga, precisando de ganhar para pelo menos manter a distância sobre Benfica e FC Porto na tabela classificativa. Além disso, a equipa leonina tentará somar o 22º jogo consecutivo a marcar golos em Alvalade, onde não fica em branco desde o empate a zero com o Wolfsburg, em Fevereiro do ano passado. Se marcarem pelo menos um golo, os leões superam a série obtida em 2007/08, época na qual estiveram precisamente 21 jogos seguidos a marcar em casa, entre uma derrota com o Manchester United (0-1, em Setembro de 2007) e outra com o Glasgow Rangers (0-2, em Abril de 2008). Caso consiga esse golo à Académica, a atual equipa leonina consegue a maior série de jogos seguidos a marcar no novo estádio de Alvalade, pois para se encontrar uma mais longa é preciso recuar até ao tempo em que a equipa jogava no antigo José Alvalade, mais concretamente até ao período entre Janeiro de 1999 e Maio de 2000. Após um empate a zero com o V. Setúbal, a 15 de Janeiro de 1999, a equipa na altura liderada por Mirko Jozic – mas que depois passou a ter Giuseppe Materazzi e mais tarde Augusto Inácio – marcou consecutivamente em casa durante 26 jogos, até voltar a ficar em branco naquele que poderia ter sido o jogo do título: uma derrota com o Benfica, por 1-0, a 6 de Maio de 2000. Ainda que a Académica tenha a quarta pior defesa da Liga, a receção aos estudantes não tem sido fácil para os leões nos últimos anos. Nos últimos três jogos entre ambas as equipas em Alvalade, o Sporting fez apenas um golo, por João Mário, que resultou na vitória por 1-0 em Janeiro do ano passado. Antes disso, empatou duas vezes a zero com a formação de Coimbra, em Outubro de 2012 e Fevereiro de 2014.   - Foi à Académica que Jorge Jesus marcou o seu único golo com a camisola do Sporting. Aconteceu a 2 de Novembro de 1975, quando Jesus saiu do banco ao mesmo tempo que Vítor Gomes, tendo ambos substituído os extremos Marinho e Chico Faria, a seis minutos do final de um Académica-Sporting que os leões já venciam por 3-1 e acabaram por ganhar por 4-1, com o golo do então jovem médio amadorense.   - Este é um jogo especial também para Adrien, que ganhou uma Taça de Portugal pela Académica (na final contra o Sporting, em 2012) e se estreou na Liga pelos leões a defrontar a Briosa: entrou a um minuto do fim de uma vitória por 4-1 em Alvalade, a 17 de Agosto de 2007, lançado por Paulo Bento.   - Quatro jogadores do atual plantel da Académica estrearam-se na Liga frente ao Sporting, no empate a uma bola, em Coimbra, na época passada. São eles o brasileiro Iago, o ganês Ofori, o nigeriano Obiora e o jovem português Pedro Nuno.   - A Académica perdeu as suas últimas cinco deslocações, não conseguindo um resultado útil desde o empate (0-0) frente ao Trofense, para a Taça de Portugal, a 21 de Novembro. Desde então a Briosa foi batida por Benfica (3-0), Boavista (1-0), FC Porto (3-1), Sp. Braga (3-0) e V. Setúbal (2-1).  Na Liga, os estudantes só conseguiram dois empates fora de casa esta época, com o V. Guimarães e o Estoril. E não ganham fora de Coimbra desde que se impuseram no terreno do Moreirense (2-0), a 8 de Março do ano passado.   - A última vitória da Académica sobre o Sporting na Liga aconteceu em Alvalade, em Fevereiro de 2010. Na altura, os estudantes impuseram-se por 2-1, com golos de Orlando e João Ribeiro, aos quais os leões responderam por João Moutinho. Depois disso, a Briosa também venceu os leões na final da Taça de Portugal de 2012, por 1-0, graças a um golo de Marinho.
2016-01-29
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Último Passe

A instauração de um processo disciplinar a Slimani pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, na sequência da queixa do Benfica, que acusa o argelino de ter dado uma cotovelada em Samaris, é absolutamente normal. Primeiro porque, ao contrário do que pode parecer pela reação inflamada do Sporting, Slimani não foi castigado. Pode vir a sê-lo, como pode acabar ilibado. Depois porque há uma grande diferença entre o choque de Slimani com Samaris e os lances apresentados pelo Sporting como represália. É uma coisa redonda, que se chama bola, que não está num e aparece nos outros. Aqui chegado, não tenho nada a certeza de que Slimani tenha de ser castigado. Aliás, o argumento apresentado hoje por Octávio Machado parece-me plausível ou pelo menos defensável: o argelino estaria a tentar chegar à bola e para isso tentou tirar da frente o adversário que lhe bloqueava o caminho. Terá sido isso? Ninguém pode garanti-lo. Nem isso nem o seu contrário. Mas a defesa ensaiada por Octávio Machado serve na perfeição para arrumar a um canto as queixas leoninas acerca de lances em que vários jogadores do Benfica são vistos a atingir adversários, nesse mesmo jogo. É que todos esses lances são duros, estão mesmo um pouco para lá dos limites da dureza aceitável, mas em todos a bola está bem presente e a ser disputada pelos intervenientes. Não percebo, por isso, tão inflamadas queixas leoninas acerca da existência de dois pesos e duas medidas, pelo menos no que toda aos lances de futebol. Diferente é se falarmos das motivações por trás de cada queixa. E aí tão mal fica o Sporting, por ter ido a correr compilar imagens de jogo que lhe servissem de represália à queixa benfiquista, como o Benfica, por se ter queixado de Slimani só para se vingar as denúncias acerca dos vouchers, feitas por Bruno de Carvalho. É que se queremos falar de um arquivamento incompreensível, é neste que devemos centrar atenções.
2016-01-27
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Último Passe

As contratações de José Sá e Marega pelo FC Porto ao Marítimo têm sido analisadas sobretudo à luz do que se disse ser o interesse do Sporting nos dois jogadores. Agora, consumado o desfecho dos negócios, é evidente que mesmo que tenha havido interesse, o Sporting o desmentirá. Mas o mais interessante aqui não é perceber se um clube ganhou a corrida ao outro. É ver onde os dois jogadores fariam mais sentido. E na verdade eles fariam muito mais sentido em Alvalade do que no Dragão. A não ser que Peseiro queira mudar muita coisa. José Sá é um bom guarda-redes. Esteve no Mundial de sub20 e na final do Mundial de sub21, é um guarda-redes de futuro, mas já tem 23 anos, está na quarta época de sénior no Marítimo e ainda não se impôs como titular dos insulares. Não se vê que pudesse ser titular no imediato em vez de Rui Patrício, como o não será no lugar de Casillas. E a questão aqui é mesmo a de ver quem precisa mais de uma alternativa. O FC Porto tem Helton, tem no mexicano Gudiño uma aposta de futuro, que roda na equipa B, e ainda pode chamar de volta Fabiano e Ricardo, emprestados a Fenerbahçe e V. Setúbal. Por sua vez, o Sporting conta apenas com Marcelo Boeck, que se diz inclinado para um regrsso ao Brasil, e com a incógnita que é o esloveno Jug. Por sua vez, Marega é um excelente avançado. Forte fisicamente, rápido, tem jogado mais sobre a direita, mas poderia perfeitamente ser a alternativa a Slimani que o plantel leonino não tem. Mais ainda: com a vontade mal disfarçada de Teo Gutiérrez regressar à América do Sul, a contratação de um avançado torna-se ainda mais importante em Alvalade, onde Jesus pode de repente ver-se reduzido a Slimani, Montero e Tanaka, com a ajuda de Ruiz. Já no FC Porto, onde há Aboubakar, Suk e André Silva, falta um avançado, mas de preferência um capaz de jogar mais posicional na área, um finalizador que a equipa não tem desde a saída de Jackson Martínez. Claro que tudo depende muito daquilo que José Peseiro quiser fazer com a equipa – se a ideia é manter o 4x3x3, há gente a mais para o centro do ataque e não me parece que Marega seja verdadeiramente uma alternativa para extremo numa equipa que joga em ataque posicional; se a aposta for num 4x4x2 com atacantes móveis, convém ter três e aí, sim, Marega faz mais sentido. Até para demonstrar que faltavam a Lopetegui soluções para o lugar.
2016-01-25
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Slimani continua de pé quente. Ao bisar na vitória do Sporting em Paços de Ferreira (3-1), o argelino fez golos pela quinta jornada consecutiva, pois já tinha marcado dois ao FC Porto (2-0), outros dois ao V. Setúbal (6-0), um ao Sp. Braga (3-2) e outro ao Tondela (2-2). Pelo meio, não jogou na derrota frente ao Portimonense (0-2), para a Taça da Liga. Foi a primeira vez desde que chegou à Europa que Slimani marcou em cinco jogos seguidos: o seu anterior máximo eram quatro partidas a marcar.   - O argelino marcou mais de um golo num jogo pela quarta vez esta época, depois de ter feito um hat-trick ao V. Guimarães (5-1) e bisado nas já referidas partidas frente a V. Setúbal e FC Porto. Na época passada só tinha conseguido dois bis (Penafiel e V. Setúbal), enquanto que na estreia em Portugal (2013/14) nunca marcara mais de um golo num só jogo.   - Além de ter marcado dois golos, Slimani fez ainda a assistência para Bruno César marcar o primeiro dos leões. O argelino não marcava e assistia no mesmo jogo desde Setembro de 2014, quando assistiu Adrien para o primeiro e marcou ele mesmo o terceiro golo de uma vitória por 4-0 frente ao Gil Vicente, em Barcelos.   - Bruno César, por sua vez, fez o terceiro golo com a camisola dos leões, depois de ter bisado na estreia, os 6-0 frente ao V. Setúbal.   - Ao vencer o Paços de Ferreira, o Sporting manteve a liderança, chegando à excelente marca de 48 pontos em 19 jornadas. Tem, ainda assim, menos um ponto do que tinha o Benfica de Jorge Jesus à passagem da mesma ronda: 49. Os 48 pontos são o máximo que os leões conseguem amealhar à 19ª jornada desde que a vitória vale três pontos. E mesmo aplicando as atuais regras de pontuação aos campeonatos anteriores, é preciso recuar até 1969/70 para encontrar um Sporting tão forte. Nessa época, a equipa de Fernando Vaz chegou à 19ª jornada com as mesmas 15 vitórias, três empates e uma derrota, que na altura já lhe davam uma vantagem confortável sobre o segundo, que era o V. Setúbal.   - João Mário fez os passes para os dois golos de Slimani, mostrando que está a aumentar bastante a sua influência na produção ofensiva da equipa. Já tinha feito dois passes de golo nos 6-0 com que o Sporting ganhou em Setúbal e entretanto assistira o mesmo Slimani frente ao Tondela. Ao todo, soma sete assistências na Liga, o que lhe dá o terceiro posto na tabela geral, ao lado de Gaitán, a uma de Jonas e duas de Layun.   - Imparável está também Bruno Moreira. O avançado pacense marcou ao Sporting o 16º golo da época, que é o 12º na Liga. E, na noite em que vestiu a camisola do Paços pela 50ª vez, conseguiu o quinto jogo consecutivo sempre a marcar no Capital do Móvel: já tinha feito um golo nos 2-0 ao Estoril, dois nos 6-0 ao U. Madeira, um nos 2-2 com o Belenenses e ouros dois nos 2-1 ao V. Setúbal.   - Ganhando ao Paços de Ferreira, além disso, o Sporting evitou pela quarta vez esta época passar três jogos seguidos sem vencer, pois vinha de um empate com o Tondela (2-2) e uma derrota com o Portimonense (2-0). Tal como na terceira vez que evitou essa série negra, o Sporting ganhou ao mesmo adversário (Paços de Ferreira) e pelo mesmo resultado (3-1).
2016-01-25
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Último Passe

O Sporting respondeu em Paços de Ferreira como tem de responder um candidato ao título e aliou os movimentos ofensivos que desenvolve sempre e que costumam render golos com regularidade a um incremento de concentração que lhe permitiu aproveitar o primeiro erro cometido no jogo pelo adversário para se adiantar. Isso fez toda a diferença relativamente aos últimos jogos, nos quais os leões tiveram sempre de lutar para recuperar no marcador. A vitória por 3-1 permitiu conservar a liderança isolada na Liga e, mais do que isso, manter em sentido os perseguidores, quando estes já afiavam o dente a pensar na ultrapassagem. Slimani foi mais uma vez o homem do jogo. O argelino trabalhou muito bem para oferecer o primeiro golo a Bruno César, após um lançamento lateral de Jefferson, e fez ele mesmo os outros dois, ambos a passe de João Mário e ambos de grande importância, pois colocaram sempre o adversário a uma distância de conforto. O terceiro, aliás, apareceu um minuto depois de o Paços de Ferreira ter reduzido a desvantagem, já perto do final, quando os leões facilitaram. Quem se lembra do jogo da primeira volta, há-de recordar o momento, nos primeiros minutos, em que Jorge Jesus saltou do banco e correu furiosamente pela linha lateral para recordar aos jogadores que o pacense João Góis fazia lançamentos laterais longos na direita. Em Paços de Ferreira, por mais de uma vez, ninguém se opôs aos lançamentos de Góis. Num deles, a falta de agressividade no ataque à bola dos jogadores leoninos permitiu que esta chegasse a Bruno Moreira, que reabriu o jogo com um cabeceamento difícil mas eficaz a cobrir Rui Patrício. A vitória no terreno do quinto classificado, pela forma clara como foi construída, vem dar um impulso importante ao discurso de Jorge Jesus, que antes do jogo recusou de forma veemente o cenário de crise que lhe traçavam face ao empate com o Tondela e à derrota com o Portimonense. É verdade que os leões viram reduzir drasticamente nas últimas semanas a vantagem que chegaram a ter para o Benfica, mas ao mesmo tempo entram agora para uma dupla jornada em casa, frente à Académica e ao Rio Ave, em semanas nas quais os encarnados visitarão Moreirense e Belenenses. E a seguir aparece o Benfica-FC Porto. Até meados de Fevereiro a Liga vai aquecer.
2016-01-24
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O Sporting segue com dois jogos seguidos sem vitória: empate caseiro com o Tondela (2-2) para a Liga e derrota (2-0) com o Portimonense na Taça da Liga. A última vez que isso lhe aconteceu, teve como adversário à terceira partida precisamente o Paços de Ferreira e respondeu bem: ganhou por 3-1 em casa, para a Taça da Liga, a 29 de Dezembro, depois de ter perdido consecutivamente com o Sp. Braga (4-3, na Taça de Portugal) e o U. Madeira (1-0, na Liga). Aliás, esta época, os leões ainda não estiveram mais de dois jogos consecutivos sem vencer. A estas últimas duas séries – a atual e a de Dezembro – juntam-se mais duas. Em Agosto, a equipa de Jorge Jesus empatou em casa com o Paços de Ferreira (1-1) e perdeu em Moscovo com o CSKA (3-1), mas foi capaz de reagir ao terceiro jogo, ganhando em Coimbra à Académica (3-1). Depois, entre finais de Setembro e início de Outubro, empataram consecutivamente no Bessa com o Boavista (0-0) e em Istambul com o Besiktas (1-1), ganhando o terceiro jogo ao V. Guimarães (5-1). Na verdade, a última vez que os leões estiveram três jogos seguidos sem ganhar foi em Fevereiro e Março do ano passado, quando ao empate caseiro com o Wolfsburg (0-0), que ditou o afastamento da Liga Europa, se sucederam a derrota frente ao FC Porto no Dragão (0-3) e o empate com o Nacional na Choupana (2-2), que ao menos deixava a equipa de Marco Silva em boa posição para a segunda mão da meia-final da Taça de Portugal que acabaria por ganhar. Tão preocupante para Jesus como a atual série de resultados será seguramente a incapacidade defensiva que a equipa tem revelado nos últimos jogos, pois encaixou seis golos nas derradeiras três partidas: 3-2 ao Sp. Braga antes do 2-2 com o Tondela e do 0-2 com o Portimonense. Isso já não é novidade na presente temporada, ainda que na única vez que tal lhe acontecera – em Dezembro – tenha sido preciso um prolongamento: 3-4 com o Sp. Braga, 0-1 com o U. Madeira e 3-1 ao Paços de Ferreira. O que é novo é a tendência para os leões saírem atrás no marcador: ao intervalo dos últimos três jogos perdiam por 2-0 com o Sp. Braga e por 1-0 tanto com o Tondela como com o Portimonense. Nos 32 jogos oficiais que leva esta época, o Sporting só teve um 0-0 (com o Boavista, no Bessa) e nos 31 restantes marcou primeiro em 22. Dos nove em que teve de suportar um primeiro golo do adversário, só ganhou três vezes, a Benfica (2-1, após prolongamento), Besiktas (3-1) e Sp. Braga (3-2).   - O Paços de Ferreira não perdeu nenhuma das cinco partidas que já fez em 2016, tendo ganho duas: 2-0 ao Tondela e 2-1 ao V. Setúbal, ambas para a Liga. A última derrota dos castores aconteceu precisamente contra o Sporting, no último jogo de 2015, a 29 de Dezembro: 3-1 em Alvalade para a Taça da Liga. No campeonato não perdem desde 5 de Dezembro, quando foram batidos pelo FC Porto, no Dragão, por 2-1.   - Slimani, que não jogou na derrota do Sporting em Portimão, para a Taça da Liga, marcou nas últimas quatro partidas em que subiu ao relvado, que foram também as últimas quatro dos leões na Liga: aos bis ao FC Porto (2-0) e ao V. Setúbal (6-0), juntou o golo da vitória contra o Sp. Braga (3-2) e um outro no empate com o Tondela (2-2). Até hoje, nunca Slimani fez golos em cinco jornadas seguidas.   - Bruno Moreira, o goleador do Paços de Ferreira, tem estado imparável nos jogos em casa: vai com quatro seguidos sempre a marcar no Estádio Capital do Móvel, onde não fica a zeros desde 22 de Novembro (1-2 com o Rio Ave). Desde então, fez um golo nos 2-0 ao Estoril, dois nos 6-0 ao U. Madeira, um nos 2-2 com o Belenenses e outros dois nos 2-1 ao V. Setúbal.   - Além desse desafio, que será marcar na quinta partida consecutiva no Estádio Capital do Móvel, Bruno Moreira tem a oportunidade de jogar pela 50ª vez com a camisola do Paços de Ferreira. Dos 49 jogos que já fez, 43 foram para a Liga, tendo nessa competição feito 21 golos. Bruno Moreira atuou ainda cinco vezes na Taça de Portugal (com oito golos marcados) e uma na Taça da Liga (em que ficou em branco).   - Jorge Simão, treinador do Paços de Ferreira, vai para o sétimo jogo contra um grande e ainda procura a primeira vitória, mas já conseguiu empatar duas vezes, uma delas frente ao Sporting. Nos dois jogos em que enfrentou os leões, ambos em Alvalade, já ao serviço da equipa nortenha, obteve um empate a uma bola para a Liga, na primeira volta, e perdeu por 3-1 para a Taça da Liga.   - Além disso, Simão nunca ganhou a Jorge Jesus. Aliás, o empate de Alvalade, na primeira volta, foi mesmo a única ocasião em que evitou a derrota. Antes desse empate (e do desaire por 3-1, para a Taça da Liga, já referido), soma-lhe uma derrota por 2-0 no Restelo, ainda aos comandos do Belenenses, e frente ao Benfica, em 2014/15.   - Jorge Jesus só perdeu três vezes na Liga no ano de 2015, todas fora de casa e uma delas em Paços de Ferreira. Faz exatamente um ano na terça-feira que o Benfica de Jesus saiu do Estádio Capital do Móvel vergado a uma derrota por 1-0 (penalti convertido por Sérgio Oliveira ao minuto 90’), perdendo a oportunidade de se distanciar do FC Porto, que na véspera tinha pedido com o Marítimo nos Barreiros. Depois dessa derrota, Jesus ainda perdeu um jogo no Benfica (2-1 frente ao Rio Ave) e outro já no Sporting (1-0 com o U. Madeira).   - Os jogos entre Paços de Ferreira e Sporting costumam dar golos e sempre para os dois lados. Nas últimas cinco partidas entre as duas equipas, ambas marcaram, com duas vitórias leoninas por 3-1 (recentemente em Alvalade, para a Taça da Liga, e em Abril de 2014, em Paços de Ferreira, para o campeonato) e três empates a uma bola. A última vez que alguém ficou em branco já foi há mais de dois anos: em Dezembro de 2013, o Sporting ganhou em Alvalade ao Paços por 4-0.   - O Paços de Ferreira não ganha ao Sporting desde Maio de 2013, quando ali venceu na ponta final do campeonato, por 1-0, um resultado importante na sua caminhada para o terceiro lugar e que foi também relevante no afastamento dos leões dos lugares de acesso às competições europeias. O lateral Tony fez o golo solitário dessa vitória, da qual restam na capital do móvel o defesa Ricardo, o extremo Manuel José e o avançado Cícero, entretanto regressado da Turquia.
2016-01-23
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A Taça da Liga não é a competição mais importante do panorama nacional. Longe disso. Há quem dela se sirva para dar ritmo competitivo aos jogadores menos utilizados, com isso ganhando mais alternativas para os jogos que realmente contam. E há quem tente recuperar jogadores titulares que atravessam um mau momento, de forma a poder voltar a confiar neles em jornadas de maior dificuldade. Benfica e Sporting tentaram fazer um pouco das duas coisas nos jogos com o Oriental e o Portimonense, duas equipas do segundo escalão. Com mais apostas ganhas pelo Benfica, que sofreu muito mas acabou por ganhar (1-0) no Carlos Salema, e algumas perdidas, sobretudo pelo Sporting, que foi batido no Algarve (2-0). O destaque vai para William Carvalho, que começa a ser um problema sério para Jorge Jesus resolver, de preferência a tempo de o ver ser importante na corrida ao título e convocado para o Europeu. Substituído ao intervalo nos últimos dois jogos do Sporting, fosse por apatia ou desconcentração, o médio internacional esteve ligado aos momentos mais importantes da derrota leonina. Primeiro, porque falhou uma cobertura defensiva a um movimento (também ele errado e hesitante, aliás) de aproximação à bola de Ewerton, deixando que o seu homónimo do Portimonense se lhe adiantasse a aparecesse frente ao guarda-redes para abrir o marcador, num momento em que os leões até estavam bem no jogo. Depois, por ter desperdiçado uma grande penalidade, ainda com 1-0 no marcador, a 10 minutos do fim, ainda muito a tempo de devolver a equipa na discussão do jogo. Jorge Jesus, que foi capaz de potenciar médios-centro posicionais como Javi Garcia ou Matic e até de transformar Samaris num jogador apto a alinhar naquela posição, está a assistir a um fenómeno inverso com William, que foi a joia mais brilhante a crescer no Sporting nos últimos anos. Basta ver que, nas últimas três partidas, o Sporting tem um score de 0-5 nos 180 minutos com William em campo e de 5-1 nos 90 em que ele ficou a ver os companheiros. A derrota deixa os leões em situação muito problemática na competição: entram para a última jornada a precisar de ganhar em Arouca e, mesmo que o Portimonense perca em Paços de Ferreira, ainda têm de anular os cinco golos de desvantagem que têm neste momento relativamente aos algarvios. Mas afinal, mesmo que tenha sido apenas para acicatar o treinador anterior, Bruno de Carvalho até decretou, há um ano, que o Sporting jogasse a Taça da Liga com a equipa B, de onde se depreende que a sua conquista não era bem uma prioridade. Bem ao contrário da Liga, onde o sucesso dos leões depende muito do regresso do verdadeiro William Carvalho. 
2016-01-19
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Ainda faço parte de uma geração que passou boa parte da infância e da adolescência a correr atrás de uma bola, a ler sobre bola, a ver bola, a discutir bola. As mães e as avós, que não nos compreendiam, nem a nós nem aos nossos pais, diziam que éramos “doentes da bola”. Ouvi essa expressão com alguma frequência. Hoje, os doentes da bola deram lugar a outro tipo de doentes. São os doentes da arbitragem, aqueles que não correm atrás de uma bola, não leem sobre bola, não veem bola nem discutem bola. Só discutem penaltis e off-sides, mãos na bola e bolas na mão, intensidades e intenções. O problema é que ou estão a ficar em maioria ou são uma minoria demasiado ruidosa. É sintomático que no fim-de-semana em que o Tondela, último classificado da Liga portuguesa, surpreendeu o Sporting, que é primeiro, com um empate a dois golos no seu próprio estádio não se esteja a debater a audácia de Petit, que jogou com as linhas subidas e soltou dois velocistas em diagonais para a área do leão, ou que depois, no final, fez substituições ofensivas para ir buscar o empate. Argumentarão que não se discute o jogo dos pequenos. OK, discuta-se então a forma como Jesus montou a equipa na segunda parte, com dez, para virar um jogo que estava complicado, chamando outra vez Gelson e prescindindo de William em quebra. Ou como depois deixou que a equipa baixasse o ritmo antes de ter o resultado seguro e não fez atempadamente as trocas que se impunham para o congelar. Não. O que se discute é um penalti de Rui Patrício sobre Nathan Júnior. Para uns é, porque o guarda-redes toca na perna do jogador adversário. Para outros não é, porque também toca na bola, porque antes do choque, o avançado do Tondela deu um chuto na relva e depois festejou o apito do árbitro. É sintomático também que não se discuta a pressão que o Benfica foi capaz de fazer ao Estoril, não o deixando sair do seu meio-campo, ou o jogo nada ambicioso dos estorilistas, que amontoaram homens à saída da sua própria grande área, quase se limitando a dar a bola ao adversário e a convidá-lo a encadear ofensiva sobre ofensiva. Não. O que se discute é se Mitroglou estava fora de jogo no lance do 1-1 e se uma bola que tabelou nas costas de Pizzi entrou ou não na baliza de Kieszek. E não se discute a forma como os jogadores que o V. Guimarães tem na frente foram capazes de manter em respeito o FC Porto, o erro de Casillas no lance que deu a vitória aos minhotos ou a incapacidade do FC Porto para fazer um golo num jogo em que jogou mais pelo meio e menos pelas pontas relativamente à herança de Lopetegui. Não. Discute-se se é admissível que haja notícias nos jornais acerca do interesse do FC Porto no treinador do V. Guimarães e assinalam-se nexos de causalidade do tipo: se Conceição for mesmo para o FC Porto, é porque vendeu o resultado. Como se um dirigente no seu perfeito juízo pudesse contratar um treinador que vende resultados, sabendo que um dia, na Champions ou onde for, também o FC Porto encontrará adversários mais poderosos que ele. O problema são os malucos da arbitragem. Os fanáticos da ilegalidade. Posso dar a minha opinião sobre os lances polémicos – é penalti de Rui Patrício sobre Nathan, porque o guarda-redes do Sporting toca antes no adversário e só depois na bola; há fora-de-jogo de Mitroglou no golo que deu o empate ao Benfica e a bola impelida inadvertidamente por Pizzi entrou na baliza de Kieszek. Nos três lances, contudo, admito que me digam o contrário. O que não admito, porque não é saudável, é que queiram dizer-me o contrário com letra de lei, porque são três lances tão difíceis de analisar, tão no limite, que todas as opiniões são válidas. E porque, continuo convencido disso, no final as contas entre o deve e o haver não vão influenciar assim tanto a tabela classificativa. Tendem mesmo a equilibrar-se entre os três, como acho que estão realmente equilibradas neste momento. E é aí que entram em campo os malucos da arbitragem. Uns fazem-no por carolice, porque são facilmente influenciáveis, outros por dever profissional, porque são pagos para isso. Porque se convencionou que a melhor maneira de um clube ser beneficiado – ou de não ser prejudicado – é convencer a opinião pública que quem está a ser beneficiado é o adversário direto. E aí vale tudo, valem todas as formas de influenciar os observadores. Valem conferências de imprensa, posts no Facebook, tweets no Twitter, longos monólogos em programas de comentadores engajados ou soundbytes em newsletters diárias. Mas, ao contrário do que acontece no campeonato da bola, não me interessa rigorosamente nada saber quem vai à frente neste campeonato, no campeonato da estrutura, da comunicação. Porque posso ser doente mas sou um doente da bola. In Diário de Notícias
2016-01-18
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Ao empatar com o Tondela (2-2), o Sporting não conseguiu obter a 12ª vitória consecutiva em jogos em casa, ficando a um jogo de igualar a série estabelecida em 1999/00 pela equipa que era comandada por Giuseppe Materazzi e depois Augusto Inácio e que acabou por ser campeã nacional. Ao todo, os leões obtiveram agora 11 vitórias seguidas desde a derrota contra o Lokomotiv Moscovo (1-3), a 17 de Setembro do ano passado, igualando outras duas séries de onze vitórias conseguidas em 2007/08 e em 2012.   - O facto de terem feito dois golos ao Tondela permitiu aos leões marcarem em 21 jogos seguidos em Alvalade, não ficando ali em branco desde o empate a zero com o Wolfsburg, em Fevereiro do ano passado. A equipa atual igualou assim a série obtida em 2007/08, entre uma derrota com o Manchester United (0-1, em Setembro de 2007) e outra com o Glasgow Rangers (0-2, em Abril de 2008).   - Entre os autores dos golos leoninos esteve Slimani, que marcou o primeiro, nessa altura a fazer o empate (1-1). Dessa forma, Slimani marcou nos últimos quatro jogos do Sporting, igualando a sua melhor série desde que chegou a Alvalade. O argelino fez agora golos a FC Porto, V. Setúbal, Sp. Braga e Tondela, quando em Fevereiro e Março de 2014 tinha marcado sucessivamente a Rio Ave, Sp. Braga, V. Setúbal e FC Porto.   - Os golos de Slimani e Gelson Martins foram obtidos em inferioridade numérica, devido à expulsão de Rui Patrício, sendo a segunda vez esta época que o Sporting consegue chegar ao golo nessas condições. Já lhe tinha acontecido em Arouca, quando Slimani marcou o 1-0 após a expulsão de Naldo.   - Rui Patrício foi expulso pela segunda vez esta época, depois de ter visto o vermelho, também por causa de uma grande penalidade, em Elbasan, contra o Skenderbeu. Ao todo, os leões já viram cinco cartões vermelhos, pois além de Patrício e Naldo (nesse jogo com o Arouca) também João Pereira (contra o P. Ferreira) e João Mário (frente ao CSKA) receberam ordem de expulsão.   - Petit tirou mais dois pontos ao Sporting, depois de já ter forçado os leões a um empate quando ainda comandava o Boavista: 0-0 no Bessa. A presença do treinador no banco visitante e o facto de o Sporting ter chegado à vantagem por 2-1 com menos um jogador são dois factos em comum com a última visita do árbitro Luís Ferreira a Alvalade. No campeonato passado, foi depois de Ferreira ter mostrado o vermelho a Tobias Figueiredo que o Sporting chegou ao 2-1 frente ao Boavista, mas ao contrário do que aconteceu agora, a equipa de Petit já não conseguiu empatar.   - O penalti convertido por Nathan Junior foi o primeiro que o Tondela transformou em golo esta época, depois de a equipa beirã já ter falhado quatro, contra o Estoril (Piojo), o Nacional (Nathan), o FC Porto (Chamorro) e o V. Setúbal (Guzzo).   - Foi também o quinto golo de penalti sofrido pelo Sporting esta época, depois de já ter sido assim batido por P. Ferreira (Pelé), Académica (Rabiola), Lilaj (Skenderbeu) e Rafael Martins (Moreirense).   - O Tondela marcou golos pela terceira deslocação consecutiva, depois de ter ganho por 3-2 no terreno do Rio Ave e de ter perdido por 2-1 em Coimbra com a Académica.   - Com os dois golos sofridos contra o Tondela, o Sporting deixou de ter a defesa menos batida da Liga, pelo menos até o FC Porto (10 golos sofridos) jogar em Guimarães. Os leões sofreram onze golos nas primeiras 18 jornadas (quatro deles nos últimos dois jogos) e têm, mesmo assim, a melhor defesa do clube neste total de partidas desde que lá chegaram com 10, em 1996/97.
2016-01-16
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Último Passe

O Sporting deixou dois pontos que podem vir a fazer-lhe muita falta na luta pelo título ao empatar em casa com o último classificado, o Tondela, na partida de abertura da segunda volta. O 2-2 final reflete uma exibição positiva da equipa de Petit, que soube jogar em todo o campo e aproveitar os desequilíbrios defensivos dos leões no corredor central, mas também o facto de o líder ter tirado o pé do acelerador assim que chegou à vantagem, numa virada em que muitos não acreditariam. O destaque vai para os velocistas que o Tondela teve na frente, sempre capazes de desestabilizar a linha defensiva leonina, mas também para Gelson Martins e Ruiz, que pelo que fizeram no início da segunda parte não mereciam a traição dos jogadores das linhas recuadas. O primeiro problema para o Sporting foi ter entrado desligado. Falhando muitos passes no início de organização, onde o Tondela metia sempre gente, recusando defender à entrada da sua área, o líder aparecia desconcentrado e lento. Quando o Tondela chegou à vantagem, num penalti convertido por Nathan, a meio da primeira parte, o Sporting não tinha feito nada para justificar aquilo a que vinha, parecendo estar apenas à espera de ver o que o jogo lhe trazia. Como se o facto de o primeiro receber o último em clima de euforia bastasse para somar três pontos. A expulsão de Rui Patrício, no lance da grande penalidade, veio retardar a reação leonina até à segunda parte. Mas aí, sim, com a entrada de Gelson por William – mais um mau jogo do 14 leonino – e certamente as palavras de Jesus no balneário, o leão pareceu o líder do campeonato. Concentrado no que interessa e finalmente a meter velocidade no jogo, muito por força do futebol de filigrana de Bryan Ruiz e da capacidade de Gelson Martins para desequilibrar no um contra um, o Sporting chegou com naturalidade à vantagem. Teve alguma sorte no golo com que Slimani fez o empate – o ressalto num adversário traiu Matt Jones – mas continuou a carregar e viu o esforço premiado com o 2-1, marcado por Gelson. Aí, a jogar com menos um, com meia hora por jogar, a tentação do Sporting foi controlar o ritmo de jogo, algo que já se sabe que esta equipa faz menos bem. Petit percebeu que podia tirar alguma coisa do jogo, fez entrar mais um avançado – Chamorro – e teve prémio no golo em que o espanhol bateu Jefferson em velocidade antes de fazer a bola passar entre as pernas de Boeck. O Sporting até tem tirado pontos dos últimos minutos dos jogos, mas uma coisa é fazê-lo quando está centrado na busca de um objetivo e outra, bem mais complicada, é voltar a ligar o motor depois de ter feito tudo para o desligar. Isso, o Sporting já não conseguiu fazer. E fica agora à mercê dos resultados que Benfica e FC Porto fizerem no Estoril e em Guimarães e pode ver a vantagem na liderança reduzida para dois pontos.
2016-01-15
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Stats

O Sporting recebe o Tondela com a noção de que uma vitória pode ser fundamental para a equipa pelo menos manter a vantagem sobre os rivais diretos na luta pelo título e a saber que, ganhando, supera mais um recorde recente do clube e iguala outra marca de uma equipa que acabou por ser campeã nacional – no caso a de 1999/00. É que os leões seguem com onze vitórias seguidas em jogos em casa, desde a derrota com o Lokomotiv Moscovo, a 17 de Setembro, e se conseguirem o 12º sucesso atingem uma marca que nenhuma equipa leonina obtém desde o período entre Setembro de 1999 e Fevereiro de 2000. Com vários pontos em comum com a atualidade, a começar pela presença de Jorge Jesus no início e de um certo Petit no final. A diferença é que se em 1999/00 Jesus era o treinador da equipa que foi a última a travar os leões antes da tal série de 12 jogos seguidos a ganhar em casa – treinava o Estrela da Amadora que saiu de Alvalade com um empate a um golo, a 20 de Setembro de 1999 – agora dirige os leões. Estava no banco no dia 17 de Setembro de 2015, quando o Sporting se viu pela última vez impedido de ganhar em casa, saindo derrotado da partida da primeira jornada da Liga Europa, frente ao Lokomotiv de Moscovo (1-3). E por lá continuou nas onze vitórias que se seguiram: 1-0 ao Nacional, 5-1 ao V. Guimarães, outra vez 5-1 ao Skenderbeu, 1-0 ao Estoril, 2-1 (após prolongamento) ao Benfica, 1-0 ao Belenenses, 3-1 ao Besiktas, ao Moreirense e ao Paços de Ferreira, 2-0 ao FC Porto e 3-2 ao Sp. Braga. Esta série de onze vitórias já igualou duas outras conseguidas pelos leões no passado recente. A última foi entre Fevereiro e Agosto de 2012, entalada entre uma derrota contra o Gil Vicente (0-1 para a Taça da Liga) e outra frente ao Rio Ave (0-1, já no campeonato seguinte). Antes disso, os leões tinham conseguido as mesmas onze partidas a ganhar sucessivamente no seu estádio entre Dezembro de 2007 (1-1 com a U. Leiria, no campeonato) e Março de 2008 (1-1 com o Benfica, ainda na Liga). Para se encontrarem doze jogos ganhos em casa de enfiada é preciso então recuar até 1999/00. Depois do tal empate a uma bola contra o E. Amadora de Jesus, o Sporting passou até pela troca de Giuseppe Materazzi por Augusto Inácio (à segunda partida), mas ganhou consecutivamente a Viking Stavanger (1-0), Boavista (2-0), Sp. Braga (2-0), Campomaiorense (1-0), U. Leiria (2-0), Rio Ave (2-1), Marítimo (4-2), U. Leiria (1-0), Salgueiros (2-0), Santa Clara (4-1), Farense (3-1) e Dragões Sandinenses (3-0). A série foi interrompida a 19 de Fevereiro de 2000, num empate a uma bola face ao Gil Vicente onde despontava um tal… Petit, que agora treina o Tondela.   - O Sporting segue ainda com 20 jogos seguidos a marcar golos em casa, todos desde o empate a zero com o Wolfsburg, em Fevereiro do ano passado. Se marcar ao Tondela, a equipa de Jesus vai igualar a série de 21 partidas consecutivas a fazer golos em casa obtida em 2007/08, entre uma derrota (0-1) com o Manchester United (a 19 de Setembro de 2007) e outra (0-2) com o Glasgow Rangers (a 10 de Abril de 2008).   - Murillo fez golos nas duas últimas partidas do Tondela fora de casa. Em Vila do Conde ajudou à primeira vitória do clube na condição de visitante (3-2 ao Rio Ave), enquanto que em Coimbra o seu golo não chegou para evitar a derrota face à Académica.   - Petit já roubou pontos ao Sporting esta época, ainda na condição de treinador do Boavista: os leões não foram além de um empate a zero na visita ao Bessa. Na época passada, em que também esteve no Boavista, o treinador do Tondela perdeu os três jogos frente aos leões: 3-1 e 2-1 na Liga e 1-0 na Taça da Liga, em Alvalade.   - Nunca uma equipa de Petit fez golos a uma equipa de Jesus, no entanto. Além do 0-0 no Boavista-Sporting desta época, há a registar duas derrotas dos axadrezados contra o Benfica na temporada anterior: 0-1 no Bessa e 0-3 na Luz.   - Slimani marcou golos nos últimos três jogos do Sporting, bisando contra FC Porto e V. Setúbal e fazendo o golo da vitória ao Sp. Braga. Se marcar ao Tondela iguala a melhor série que conheceu em Portugal, datada de Fevereiro e Março de 2014. Nessa altura fez golos consecutivamente a Rio Ave, Sp. Braga, V. Setúbal e FC Porto. Três dos adversários são repetentes.   - Se jogar, como é previsível, Rui Patrício iguala Manuel Marques como sexto jogador com mais partidas pelo Sporting em toda a história do clube: 355. À frente dos dois só ficarão Oceano (401), Azevedo (410), Manuel Fernandes (433), Damas (444) e Hilário (471).   - Para marcar outro encontro com a história nesta partida, o Sporting teria de golear: segue neste momento com 4995 golos marcados no campeonato, encontrando-se a cinco da marca dos 5000. À frente dos leões estão FC Porto, com 5062, e Benfica com 5512.   - Sporting e Tondela só se defrontaram uma vez e foi no jogo inaugural desta Liga. Ganharam os leões por 2-1, em Aveiro, mas o golo da vitória só surgiu em tempo de compensação, marcado por Adrien, de penalti.   - Luís Ferreira, o árbitro do jogo, só apitou uma vez o Sporting e foi num jogo contra uma equipa de Petit: o Sporting-Boavista que os leões ganharam por 2-1, na Liga anterior, chegando à vantagem em inferioridade numérica, depois da expulsão de Tobias Figueiredo logo a abrir a segunda parte. Também só apitou o Tondela uma vez, tendo os beirões perdido contra o Boavista (1-0), cujo treinador era… Petit, pois então.
2016-01-14
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A reviravolta do Sporting frente ao Sp. Braga, de 0-2 para 3-2, foi a primeira que os leões consumaram depois de estarem a perder por dois golos ao intervalo na Liga desde 10 de Abril de 1998, quando em visita ao Campomaiorense saíram para o descanso a perder por 3-1 e acabaram por se impor por 5-3. Demetrius fez os três golos dos alentejanos na primeira parte, tendo os leões respondido com um hat-trick de Paulo Alves e golos de Oceano e Edmilson.   - Caso se procure por uma reviravolta leonina depois de estar a perder por 2-0 ao intervalo, já é preciso recuar a 24 de Fevereiro de 1963. Nessa altura, a equipa liderada por Juca perdia em casa com o V. Guimarães por 2-0 (marcaram Armando e Lua) e acabou por vencer por 4-2, graças a golos de Augusto, Lúcio e a um bis de Osvaldo Silva. A vitória, porém, não foi tão dramática, pois os leões chegaram à vantagem aos 63’. - Contando jogos de outras competições, os leões operaram uma reviravolta épica contra o Benfica, na Taça de Portugal, em Abril de 2008, quando recuperaram de um 0-2 em casa contra o Benfica (golos de Rui Costa e Nuno Gomes) para um 5-3 final - marcaram Yannick (dois), Liedson, Derlei e Vukcevic, tendo Cristian Rodriguez feito o terceiro dos encarnados.   - Esta foi ainda a quinta vitória que o Sporting arrancou nos últimos cinco minutos na presente edição da Liga. Duas delas aconteceram nos descontos: 2-1 ao Tondela em Aveiro com um golo de Adrien aos 90+8’ e 1-0 em casa ao Belenenses com o tento de William Carvalho aos 90+3’. Slimani, que desta vez marcou o golo da vitória ao minuto 90 já o tinha feito no 1-0 com que o Sporting bateu o Arouca. E Montero decidiu a partida em casa com o Nacional, fazendo o golo aos 86’.   - Muito graças a essas vitórias arrancadas a ferros, o Sporting foi campeão de Inverno, título não oficial que se atribui à equipa que lidera a Liga após o fim da primeira volta. Os leões não estavam na frente à viragem da prova desde 2004/05, quando chegaram à 17ª jornada com os mesmos 31 pontos de FC Porto e Benfica. Nesse ano acabaram a Liga em terceiro. Mas na última vez que viraram para a segunda volta isolados foram campeões: foi em 2001/02, que a equipa de Bölöni entrou na segunda volta com três pontos de avanço sobre o Boavista e já não cedeu o primeiro lugar.   - Já Jorge Jesus conquistou os últimos cinco títulos de campeão de Inverno, quatro deles pelo Benfica, mas em dois dos quatro que já chegaram ao fim ainda perdeu a Liga: em 2011/12 perdeu uma vantagem de dois pontos para o FC Porto e em 2012/13 chegou a meio caminho com os mesmos pontos dos dragões, acabando a prova em segundo lugar. Em 2013/14 fez alargou uma vantagem sobre o Sporting que a meio era de dois pontos e na época passada fez valer os seis pontos de avanço que levava sobre os dragões à 17ª jornada.   - Os 44 pontos que o Sporting somou na primeira volta são o melhor pecúlio dos leões desde que a vitória vale três pontos. Aplicando as atuais regras de pontuação, desde 1969/70 que a equipa de Alvalade não amealhava tanto nas primeiras 17 jornadas. Nesse campeonato, tal como agora, ganhou 14 e empatou dois dos 17 primeiros jogos. E seguiu em frente até ser campeão, interrompendo um ciclo de vitórias do Benfica.   - Slimani marcou golos pelo terceiro jogo consecutivo na Liga, depois de dois bis ao FC Porto e ao V. Setúbal. É a segunda vez que tal lhe sucede. Aliás, a sua melhor série é de quatro jornadas seguidas a marcar, frente a Rio Ave, Sp. Braga, V. Setúbal e FC Porto, em Fevereiro e Março de 2014. É no mínimo curioso que os adversários sejam agora os mesmos.   - Wilson Eduardo voltou a marcar ao Sporting. Já o tinha feito no jogo da Taça de Portugal, esta época, com a camisola do Sp. Braga, e antes fizera-o pela Académica e pelo Olhanense. Ao todo, são quatro golos em oito jogos do avançado formado em Alvalade contra a equipa que o viu crescer.   - Foi a 11ª vitória seguida do Sporting em Alvalade, desde a derrota com o Lokomotiv Moscovo (1-3), a 17 de Setembro. Os leões igualaram a série de onze jogos seguidos a ganhar em casa que tinham registado entre Fevereiro e Maio de 2012, mas podem superá-la na receção ao Tondela, já na sexta-feira.   - Foi, ainda, a 20ª partida seguida do Sporting a marcar golos em casa, desde o 0-0 com o Wolfsburg, em Fevereiro do ano passado. Esta é já a série mais longa de jogos dos leões a marcar em casa desde 2007/08, quando marcaram sempre em 21 jogos consecutivos.   - Foi ainda a primeira vitória do Sporting sobre uma equipa liderada por Paulo Fonseca na Liga. Até aqui, o treinador do Sp. Braga já tinha ganho ao Sporting com o P. Ferreira (duas vezes por 1-0 em 2012/13) e uma com o FC Porto (3-1), em 2013/14, empatando as duas partidas no regresso aos castores (sempre 1-1), em 2014/15. A única vez que o Sporting tinha vencido Paulo Fonseca tinha sido na Taça da Liga de 2012/13: 1-0 em Alvalade ao Paços de Ferreira.
2016-01-11
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Último Passe

Há pelo menos duas formas de olhar para a reviravolta que o Sporting conseguiu contra o Sp. Braga em Alvalade, acabando por vencer por 3-2 um jogo que parecia perdido ao intervalo, quando eram os minhotos a liderar por 2-0. Uma é concentrarmo-nos no caráter, na coragem e na qualidade de jogo ofensivo que os leões mostraram na segunda parte. Outra é olhar para a apatia do seu jogo defensivo durante o primeiro tempo. Sem descontar a qualidade do Sp. Braga, que está perto dos grandes e pode sempre discutir qualquer jogo com eles, consensual será apenas que este foi o terceiro grande espetáculo de futebol consecutivo em jogos entre estas duas equipas. Os três pontos que os leões somaram – e a forma como a eles chegaram, com um golo de Slimani em cima do minuto 90 – foram celebrados de forma entusiasta por um estádio cheio, que verá neles uma espécie de premonição de conquistas que estarão para vir. Mas, mesmo tendo reforçado que no primeiro tempo o Sporting teve ocasiões para fazer golos, certamente que Jorge Jesus não deixará de alertar os seus jogadores para o facto de na primeira parte se terem mostrado apáticos, lentos na reação e passivos sem bola. É certo que Slimani podia ter aberto o ativo, que Paulo Oliveira acertou com uma cabeçada no poste, mas defensivamente a equipa não se entendia com o futebol rápido dos bracarenses, sobretudo de Rafa, uma enguia a escapulir-se aos defensores leoninos. E se tinha escapado incólume a um início fraco, com o Sp. Braga por cima, o Sporting acabou por sucumbir a dois lances perto do intervalo, que valeram outros tantos golos a Wilson Eduardo e ao próprio Rafa. À entrada para a segunda parte, já se sabia que só um Sporting intenso podia sonhar com a ideia de uma reviravolta. Gelson entrou para o lugar de um William demasiado pausado e mexeu com o jogo por três ordens de razões. Primeiro, porque, forçando muitas vezes o um-para-um, desestabilizou a defesa do Sp. Braga. Depois porque, permitindo a passagem de João Mário para o corredor central, deu aos leões mais qualidade no seu jogo. E por fim porque foi num cruzamento dele que André Pinto cometeu o penalti que deu o 1-2 à equipa da casa, marcado por Adrien. Depois do golo, o Sporting acreditou, forçou ainda mais, com a entrada de Montero para o lugar de Bruno César, e esteve muitas vezes perto do empate, que acabou por obter com alguma sorte, quando Jefferson falhou um remate, Montero recuperou a bola e bateu Kritciuk. Faltava um quarto de hora para o final. E se por um lado o Sp. Braga se recompunha, com as entradas de Alan e Stojiljkovic, aproximando-se mais do 4x3x3, o Sporting acusava o esforço. A saída de João Mário, esgotado, parecia corresponder a uma desistência leonina de chegar mais longe e foi Rafa, nessa altura, quem esteve mais perto de desbloquear o jogo para os visitantes. Até que Ruiz e Slimani resolveram o jogo – o costa-riquenho com um cruzamento milimétrico, o argelino, que até já tinha falhado dois golos cantados, com um cabeceamento letal. O Sporting ganhava um jogo que parecia ter perdido e, antes de FC Porto e Benfica jogarem, garantira que chegará ao fim da primeira volta pelo menos com quatro pontos de avanço sobre o segundo. Mas para os manter – e tendo em conta que acaba o campeonato com deslocações ao Dragão e a Braga nas últimas três jornadas, convém que os mantenha – terá de ser mais vezes a equipa intensa da segunda parte e menos o coletivo apático da primeira.
2016-01-10
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O Sporting entra na última jornada da primeira volta com a certeza de que virará a metade do campeonato em primeiro lugar, mas o nível de conforto dependerá do resultado que fizer contra o Sp. Braga, equipa comandada pela nemesis dos leões: Paulo Fonseca. O atual técnico bracarense é dos poucos treinadores da Liga portuguesa que tem um saldo favorável no confronto com o Sporting, tendo-o construído em clubes de menor dimensão. Ao todo, o atual técnico do Sp. Braga já defrontou os leões por oito vezes, tendo ganho quatro (ainda que uma após prolongamento) empatado três e perdido apenas uma: na Taça da Liga de 2012/13, por 1-0, em Alvalade, com o Paços de Ferreira. Na Liga, o saldo é amplamente favorável a Fonseca: duas vitórias por 1-0 com o Paços de Ferreira em 2012/13, uma vitória por 3-1 com o FC Porto no Dragão em 2013/14 e dois empates a uma bola outra vez com o Paços de Ferreira em 2014/15. Além destes jogos, há ainda a registar um empate a zero, com o FC Porto, em Alvalade, para a Taça da Liga e a recente vitória por 4-3 (ainda que após prolongamento), já com o Sp. Braga, para a Taça de Portugal. Já no confronto com Jorge Jesus, de quem até foi jogador no E. Amadora, em 2002/03, na II Divisão de Honra, Fonseca tem saldo negativo, ainda que com a particularidade de ter ganho as duas últimas partidas: 4-3 na recente eliminatória da Taça de Portugal e 1-0 com o Paços de Ferreira na Liga passada. Ao todo, porém, Jesus ainda tem vantagem, com cinco vitórias (uma delas contra o FC Porto, por 2-0, na Liga de 2013/14), um empate e estas duas derrotas mais recentes.   - Jorge Jesus defrontou o Sp. Braga por 18 vezes desde que abandonou a Pedreira. Ganhou metade (nove), já tendo sofrido seis derrotas, com a particularidade de três delas terem sido nos últimos quatro jogos. Na época passada, ainda no Benfica, Jesus perdeu com o Sp. Braga por 2-1 no Minho para Liga e pelo mesmo resultado na Luz para a Taça de Portugal, tendo ganho a partida em casa para a Liga por 2-0. Esta época, já no Sporting, foi eliminado da Taça de Portugal em Braga por 4-3.   - O Sporting procura a 11ª vitória consecutiva nos jogos em casa, depois de ter pedido com o Lokomotiv Moscovo (1-3), a 17 de Setembro. Desde então, os leões ganharam sucessivamente a Nacional (1-0), V. Guimarães (5-1), Skenderbeu (5-1), Estoril (1-0), Benfica (2-1, após prolongamento), Belenenses (1-0), Besiktas (3-1), Moreirense (3-1), P. Ferreira (3-1) e FC Porto (2-0). A última série de 11 vitórias seguidas dos leões no seu estádio a aconteceu entre Fevereiro e Maio de 2012, coincidindo com o final da época, e foi interrompida logo no arranque da Liga seguinte, com uma derrota por 1-0 frente ao Rio Ave.   - Além disso, os leões marcaram golos em casa nos últimos 19 jogos, não ficando em branco desde o empate a zero com o Wolfsburg, em Fevereiro do ano passado. É a mais longa série de jogos sempre a marcar da equipa leonina em casa desde os 21 desafios consecutivos a marcar que obteve entre Setembro de 2007 (0-1 com o Manchester United) e Abril de 2008 (0-2 com o Glasgow Rangers).   - Suceda o que suceder neste jogo, o Sporting já garantiu que chegará ao final da primeira volta da Liga isolado no primeiro lugar. Os leões não eram campeões de Inverno desde 2001/02, quando viraram com três pontos de avanço sobre o Boavista, e acabaram por ser campeões. Nessa Liga, porém, o Sporting chegou à 17ª jornada com 36 pontos, pecúlio menor do que os 41 que já têm neste momento. Além disso, com a recente vitória em Setúbal, por 6-0, os leões asseguraram também um arranque melhor do que em 1990/91, o arranque mais fulgurante da história recente do clube: nessa altura, apesar de terem ganho as primeiras onze partidas, os leões já chegaram à 17ª jornada com três derrotas e um empate, o que com as atuais regras de pontuação valeria apenas 40 pontos.   - Mesmo que ganhe ao Sp. Braga, o Sporting fará, no máximo, 44 pontos nas primeiras 17 jornadas. São menos dois do que os que tinha o Benfica de Jorge Jesus na época passada, quando se sagrou campeão de Inverno com 15 vitórias, um empate e uma derrota.   - O Sp. Braga procura o nono jogo seguido sem derrota, o que lhe permitiria igualar a melhor série desta época. A equipa de Paulo Fonseca esteve sem perder exatamente nove jogos entre os desaires no Estoril (1-0, a 12 de Setembro) e em Marselha (1-0, a 5 de Novembro). A última derrota do Sp. Braga aconteceu no Minho, frente ao Benfica: 2-0, a 30 de Novembro.   - Slimani marcou golos nas três últimas vezes que defrontou o Sp. Braga. A série começou na última jornada da Liga passada, quando fez o 4-1 final de Alvalade já em período de descontos. Depois disso, na final da Taça de Portugal, marcou a sete minutos do fim, na altura reduzindo para 1-2 um jogo que acabou empatado e em que os leões ganharam nos penalties. Por fim, no recente jogo da Taça de Portugal, voltou a marcar, desta vez empatando provisoriamente o jogo a duas bolas, aos 57’, antes de o Sp. Braga se impor no prolongamento.   - Jorge Jesus já treinou o Sp. Braga e é a confirmação de uma curiosidade: todos os treinadores que conseguem ganhar ao Sporting aos comandos do Sp. Braga acabam por treinar os leões. Jesus ganhou ao Sporting em Alvalade, em Fevereiro de 2009 (3-2) e está agora em Alvalade. Depois dele, ganharam ao Sporting Domingos Paciência (em Agosto de 2009 e Janeiro de 2010) e Leonardo Jardim (em Janeiro de 2012), tendo ambos acabado por dirigir a equipa lisboeta. Antes, já o tinha feito Jesualdo Ferreira (em Janeiro de 2006), que também passou depois por Alvalade. José Peseiro (que já tinha comandado os leões), Jorge Paixão e Sérgio Conceição nunca ganharam com o Sp. Braga ao Sporting, de modo que a única exceção dos últimos tempos é António Caldas, que venceu em Novembro de 2007 e depois emigrou para Angola. Além de Paulo Fonseca, claro…   - Os últimos dois jogos entre Sporting e Sp. Braga acabaram empatados no final dos 90 minutos, tendo o Sporting vencido a final da Taça de Portugal, em Maio, nas grandes penalidades, e o Sp. Braga ganho a eliminatória da mesma competição, no mês passado, durante o prolongamento. Antes disso, os leões tinham sete vitórias consecutivas sobre os arsenalistas.   - A última vez que o Sp. Braga evitou a derrota num jogo com o Sporting para a Liga foi em Janeiro de 2012, faz quatro anos na próxima sexta-feira. Na ocasião, dirigidos por Leonardo Jardim, os arsenalistas venceram no Minho por 2-1, com golos de Hélder Barbosa e Lima, aos quais respondeu Carrillo pela equipa de Domingos Paciência. Dessa equipa do Sp. Braga só resta no clube o veterano Alan. Dela fazia parte o central Ewerton, que agora joga no Sporting, onde se mantêm Rui Patrício, João Pereira, André Martins e Carrillo.    - O Sporting venceu os últimos sete jogos contra o Sp. Braga em Alvalade, mas o Sp. Braga fez golos em cinco deles. A última vez que os minhotos fugiram à derrota no terreno do adversário foi em Agosto de 2009, quando ali venceram por 2-1, com golos de Alan e Meyong, tendo Yannick marcado para os leões.   - Estreia de Jorge Sousa a apitar o Sporting esta época, sendo que os leões vão com seis vitórias seguidas na Liga com este árbitro, uma delas frente ao Braga (3-2 no Minho, em 2012/13), e não deixam pontos com ele em campo desde a derrota por 2-0 no Dragão, frente ao FC Porto, nessa mesma época. É a quinta vez que Sousa dirige um jogo entre Sporting e Sp. Braga na Liga: nos quatro anteriores, verificaram-se duas vitórias para cada lado, três delas por 3-2.
2016-01-09
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Último Passe

As informações saídas da Assembleia Geral da SAD do Sporting parecem indicar que os bancos aceitaram prolongar o prazo de pagamento das VMOC contra um ligeiríssimo aumento de juros, abdicando assim do direito de transformar as ditas VMOC em ações e de retirar ao Sporting – clube a maioria do capital da sua SAD. É uma decisão que terá de ser amadurecida – e por isso mesmo Millenium e Novo Banco têm uma semana para a confirmar – e que, se por um lado faz todo o sentido, por outro vem dar razão aos que se queixam de favorecimento da banca aos leões, por oposição ao tratamento dado aos rivais. Resta ver ser estes querem aproveitar a disponibilidade dos novos players que substituíram o BES e a PT. Primeiro, a decisão. O que há, para já, é uma votação unânime na dita Assembleia no sentido de prolongar o prazo de pagamento das VMOC. Não foram anunciadas contrapartidas ou sequer se as houve. Mas causa alguma estranheza que, horas depois de ter feito saber que não ia aceitar o plano de Bruno de Carvalho, o Novo Banco tenha afinal acabado por o viabilizar. A ser assim, sem letras pequeninas no acordo, “chapeau” ao presidente do Sporting, que foi fazendo bluff até final e acabou por abandonar a mesa com as fichas todas. Terá sido um jogo de risco elevado, mas com a noção de uma coisa: que as ações das SAD portuguesas são ativos tóxicos, que dificilmente podem ser rentabilizadas. Afinal de contas, para que queria o Novo Banco ações que desvalorizam a toda a hora? Não lhe convirá mais acabar por receber o dinheiro, nem que seja a dez anos? Essa jogada de antecipação do que ia ser o pensamento da outra parte poderá ter estado na base da jogada de Bruno de Carvalho, que não quis desviar milhões para o pagamento desta dívida e terá acabado por ver a sua tese vingar. O problema é que o Sporting compete com clubes que estão a fazer esse desvio de dinheiro para pagar aos bancos. E, mesmo não sendo a banca estatal e não se colocando aqui uma questão de favorecimento institucional a um clube face aos outros – ainda que o resgate de que foi alvo o BES, titular original do crédito, possa levar a que o caso tenha de ser visto também à luz desta realidade – a verdade é que Benfica e FC Porto têm aqui razão suficiente para se queixarem. A questão é a de se perceber se querem fazer mais do que queixar-se, se querem aproveitar para provocar a renegociação da dívida ou apenas continuar a falar em descriminação positiva dos leões. Com jeito, talvez se verifique com a banca um fenómeno idêntico ao que se viu com as operadoras de televisão, com renegociações de dívida sequenciais em condições favoráveis para os clubes. E aí, sim, passaria a haver dinheiro para o futebol português se tornar mais competitivo no plano internacional. É que a PT e o BES já lá vão, mas o futebol continua uma força incomensurável nos players que os substituíram.
2016-01-08
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Último Passe

A noite atípica, com os três grandes a jogar ao mesmo tempo durante uma meia-hora, veio fazer mais do que chamar a atenção para uma peculiaridade de calendário raramente vista na Liga em Portugal. Um Marítimo demasiado macio e um V. Setúbal demasiado aberto não fizeram sequer cócegas a Benfica e Sporting, que os despacharam com goleadas de 6-0 construídas desde muito cedo, pelo que a história da noite só podia chegar do Dragão, onde o FC Porto não foi capaz de vencer um Rio Ave taticamente muito adulto, desde logo confirmando os leões como campeões de Inverno: os quatro pontos que levam de avanço sobre a agora dupla de perseguidores deixam-nos ao abrigo de qualquer contratempo na última jornada da primeira volta, no domingo, em casa contra o Sp. Braga. Não vi – ninguém pode ter visto – os três jogos. Fui vendo um pouco de cada, até dois deles estarem resolvidos, permitindo centrar atenções no Dragão. Na Luz, depois de um início algo dividido, o Benfica aproveitou a macieza de um Marítimo que até é campeão das expulsões mas cometeu apenas três faltas durante a primeira parte para construir desde cedo um resultado folgado. Até ao momento em que virei antena, destaque para Pizzi, pelo oportunismo de chegada à área, e Carcela, por ser o desequilibrador que em alguns jogos faltou à equipa de Rui Vitória. Em Setúbal, o Vitória foi, pelo menos, igual a si próprio: futebol positivo, aberto, por isso mesmo sujeito a sofrer golos. Em suma, um convite à maior dinâmica atacante do Sporting, que arrancou uma grande exibição, fazendo brilhar Bruno César com dois golos na estreia e permitindo a Slimani somar mais dois à sua conta pessoal. Complicada foi a vida do FC Porto. O empate ao intervalo, fruto de um golo afortunado para o Rio Ave, até era lisonjeiro para os visitantes, mas o que a equipa remendada de Pedro Martins conseguiu fazer na segunda parte, tanto do ponto de vista defensivo como nas saídas para o contra-ataque, mostra trabalho de muita qualidade. E, como é evidente, enfatiza as dificuldades de Julen Lopetegui no comando do FC Porto. O treinador basco terá ido ao limite da sua visão do que é o risco, acabando o jogo com três defesas e com Aboubakar e André Silva em simultâneo no ataque (ainda que para tal tenha sacrificado Corona e Layun, que são armas ofensivas de peso), mas é preciso dizer que o problema não esteve nas substituições. Os lenços brancos nas bancadas deveram-se ao resultado e ao facto de a equipa ter somado aos pecados habituais – acima de todos a falta de presença no corredor central – muita ansiedade, que se revelou em vários passes transviados logo no início da construção. Para os dragões, o importante agora é tranquilizar: e aí esteve bem o treinador, ao dizer no final que se sente com força para continuar à frente da equipa mas que a decisão cabe ao presidente. O problema é que, numa Liga com jogos ao domingo e à quarta-feira, não há tempo para terapias muito demoradas. Os dragões precisam de responder já no domingo, no Bessa.
2016-01-06
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Duas equipas com propensão goleadora, V. Setúbal e Sporting têm montado os ataques muito em cima dos seus avançados-estrela, o coreano Suk e o argelino Slimani, respetivamente o terceiro e o segundo melhor marcadores da Liga, com nove e dez golos. Ambos estão a viver um excelente momento e mostram apetência por marcar ao adversário de agora, não sendo por isso estranho que se comente – até por semelhanças físicas – que os leões tenham pensado em Suk como alternativa a Slimani. Suk, que chegou a Portugal, vindo do futebol holandês, em Janeiro de 2013, fez o seu primeiro golo lusitano, ainda ao serviço do Marítimo, na baliza de Rui Patrício, na altura valendo uma vitória dos insulares em Alvalade, por 1-0. Era o terceiro jogo do asiático com a camisola verde-rubra e logo ali ele deixava um cartão de visita que raramente deixou de honrar. Depois de uma passagem pela Arábia Saudita, regressou a Portugal para vestir a camisola do Nacional – o único clube com o qual não conseguiu marcar ao Sporting, ficando em branco na derrota por 1-0 na Choupana, em Dezembro de 2014. Só voltou a defrontar os leões na Liga em Abril de 2015, já em representação do V. Setúbal, voltando a marcar, para atenuar a derrota da sua equipa por 2-1 no Bonfim. Além disso, Suk fez golos nas três últimas partidas do Vitória no Bonfim, onde não fica em branco desde os 2-2 com o U. Madeira, em Novembro. Desde então, fez um golo nos 2-4 com o Benfica, outro no empate a uma bola frente ao Rio Ave (Taça de Portugal) e outro ainda no 1-1 com o Sp. Braga, no sábado passado. Mas o bom momento é comum ao argelino Slimani, que vem de um bis inspirador nos 2-0 ao FC Porto, estando a apenas um golo do seu recorde para uma época inteira, que são os 15 golos de 2014/15. Ora Slimani tem três golos em outros tantos jogos contra o V. Setúbal, sendo que marcou sempre que foi titular: só ficou em branco nos 2-1 do Bonfim, em Abril, mas aí só entrou em campo a 20’ do fim. Antes, já tinha marcado nos 2-2 de Março de 2014 e bisado nos 3-0 de Novembro do mesmo ano.   - O V. Setúbal só perdeu uma vez no Bonfim esta época. Foram os 4-2 contra o Benfica, em Dezembro. Em contrapartida, também só ganhou uma vez: 1-0 ao Estoril, em Outubro. Soma, além desses dois jogos atípicos, sete empates, seis deles com golos.   - O Sporting segue com duas derrotas consecutivas fora de casa, não ganhando como visitante desde a deslocação ao Funchal, para defrontar o Marítimo, a 5 de Dezembro (1-0). Desde então, foi batido pelo Sp. Braga (4-3, após prolongamento, na Taça de Portugal) e pelo U. Madeira (1-0).   - Quim Machado, treinador do V. Setúbal, perdeu os dois jogos que fez contra o Sporting e nas duas vezes que defrontou Jorge Jesus, mas com nuances diferentes. Frente aos leões o seu Feirense não fez sequer um golo (0-2 em Aveiro e 0-1 em Alvalade). Já nos jogos com o Benfica de Jesus vendeu sempre muito mais cara a derrota: 1-3 na Luz, aguentando o empate até ao último quarto-de-hora, e 1-2 na Feira, de virada.   - Regresso de Jorge Jesus a Setúbal, onde foi jogador (de 1980 a 1983) e treinador (de 2000 a 2002). Desde que saiu do banco do Vitória, após uma derrota com o Varzim, em Janeiro de 2002, Jesus voltou com equipas suas a Setúbal por dez vezes, ganhando sete, empatando duas e perdendo apenas uma, com a U. Leiria (2-0), em Outubro de 2005. A última vez que não ganhou em Setúbal foi em Fevereiro de 2010, quando ali empatou (1-1) com o Benfica.   - Nuno Pinto, lateral do V. Setúbal, estreou-se na Liga portuguesa com a camisola do Boavista num empate a uma bola frente ao Sporting, a 28 de Janeiro de 2007. Foi lançado por Jaime Pacheco. O mesmo sucedeu com o avançado André Claro, a quem Pedro Emanuel deu os primeiros minutos na Liga numa partida com os leões, perdida em Alvalade pelo Arouca (5-1), a 18 de Agosto de 2013.   - Nos leões, Carlos Mané também se estreou na Liga a defrontar o adversdário desta jornada. Foi lançado por Leonardo Jardim nos últimos 7 minutos de uma vitória dos leões frente ao V. Setúbal, por 4-0, a 5 de Outubro de 2013.   - O Sporting não perde com o V. Setúbal desde Novembro de 2012, quando saiu do Bonfim vergado a uma derrota por 2-1, com golos de Meyong e Pedro Santos contra um de Jeffrén. Dos 14 homens que José Mota fez alinhar nessa noite pelo Vitória, subsistem no clube Paulo Tavares e Miguel Lourenço, que até foi expulso. Do Sporting só sobra Rui Patrício.   - O Sporting interrompeu na época passada uma série de três jogos sem ganhar em Setúbal, impondo-se por 2-1 (Carlos Mané e Tanaka marcaram para os leões, Suk fê-lo para os sadinos), mas já não sai do Bonfim sem sofrer golos desde Dezembro de 2010, quando ali venceu por 3-0 (bis de Yannick a somar a um golo de Abel). Foi a última vez que os leões se deslocaram a Setúbal com um treinador que lá tinha jogado: Paulo Sérgio, como agora Jorge Jesus.   - O V. Setúbal empatou todos os jogos que fez com Jorge Ferreira a apitar na Liga, dos quais apenas um foi no Bonfim: o V. Setúbal-Estoril de 2013/14 (1-1). Com este árbitro, o Sporting ganhou seis jogos em oito na Liga, tendo perdido os seus únicos pontos em Alvalade, num 0-1 com o Estoril (2013/14) e um 1-1 contra o Moreirense (2014/15).
2016-01-05
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Quando apareceu a treinar na I Divisão, Jorge Jesus era conhecido como o “Cruijff da Reboleira”. Era a forma depreciativa que o futebol nacional encontrava para ridicularizar um treinador de uma equipa pequena com manias de grandeza, porque lhe dava a alcunha do líder do grande Barcelona desse tempo mas juntava-lhe a origem suburbana para o diminuir. Passaram 20 anos e a maior parte dos que gozavam com Jesus nessa altura ainda acham que o decalque do “cruijffismo” passava pela tentação de colocar o Felgueiras a jogar em 3x4x3 ou que a descida de divisão naquele ano e a preferência posterior pelo 4x4x2 pressupunham o abandono do modelo do “Fininho”. Estão enganados. O futebol de Jesus continua a beber muita da sua inspiração na revolução de Cruijff porque é lá que vai buscar o seu conceito fundamental: posicionamento que permita superioridade numérica na zona da bola. Como se viu na vitória do Sporting frente ao FC Porto, anteontem, por exemplo. Cruijff era o mentor em campo daquilo a que se chamou o “futebol total”, inventado por Stefan Kovacs e aperfeiçoado por Rinus Michels. Ora, o “futebol total” nunca se definiu através de um esquema tático. Podia ser o 4x3x3 da Holanda e do Ajax da década de 70, o 3x4x3 do Barcelona do final dos anos 80 ou o 4x6x0 da Espanha de 2010 e 2012. Há quem diga até que era o 4x2x4 da Hungria dos anos 50… Pouco importa. O que mais interessa ali é a predisposição de todas essas equipas para viverem e mudarem dentro desses esquemas, de forma a criarem situações de superioridade numérica onde mais interessa. Isso, por muito que os gozões de 1995 ainda não o tenham compreendido, treina-se. E não me espantou que a primeira vez que falei com Jesus, num jantar de aniversário do Record, era ele treinador do Felgueiras e eu comentador dos jogos da Liga espanhola na TVI, tenha sido sobre os treinos de Johann Cruijff, a que ambos tínhamos assistido em Barcelona, ainda que em alturas diferentes: ele quando lá estagiou e eu quando por lá passei uma semana em reportagem ao serviço do Expresso. O que interessava ao Cruijff da Reboleira não eram esquemas táticos, não era a obsessão do verdadeiro Cruijff pelos extremos puros, pela largura das suas equipas no campo, mas sim a forma como ele treinava para garantir a progressão em triangulações e as situações de superioridade numérica na zona da bola. Ao contrário do Cruijff verdadeiro, o da Reboleira já mudou de esquema tático predileto muitas vezes. Mas se Cruijff transformou o 4x3x3 em 3x4x3 porque achou que precisava de ter mais gente no meio-campo e não tinha de sacrificar sempre quatro homens atrás contra adversários que só atacavam com um ou dois elementos, Jesus também compreendeu a importância da criação de desequilíbrios favoráveis. As contas são fáceis de fazer. Todas as equipas começam com onze em campo e para se ter mais gente numa determinada área é preciso ter menos noutras – o segredo é ter mais gente onde importa e menos onde o adversário tem menos hipóteses de fazer valer a sua superioridade parcial. Foi por isso que, sendo adepto do 4x4x2, Jesus abordou o jogo em Braga em 4x3x3, com Aquilani a fazer de segundo avançado mas muito mais predisposto a baixar para a zona do meio-campo – onde o Sp. Braga tinha apenas dois homens – e assegurar ali um desequilíbrio favorável ao Sporting. É por isso que os extremos de Jesus procuram sempre o espaço interior, de forma a assegurarem superioridade coletiva naquela zona, mesmo sacrificando a largura que é uma das ideias base do futebol de Lopetegui, por exemplo. O jogo em Braga, o Sporting perdeu-o, após 120 minutos muito divididos, com superioridade ora de uma, ora de outra equipa. Contra o FC Porto ganhou com clareza, tal como já tinha ganho os três clássicos da temporada frente ao Benfica. E sempre com a mesma filosofia – a da criação de desequilíbrios favoráveis. Foi essa a história do Sporting-FC Porto. Superioridade dos leões no corredor central, onde tinham William, um Adrien de movimentos amplos, João Mário a sair da direita e Ruiz a baixar do ataque contra Danilo e Ruben Neves muito fixos, aos quais só se juntava Herrera. A aposta do FC Porto era na largura, com Brahimi e Corona sempre abertos sem bola, ainda que procurassem o corredor central quando a tinham nos pés. Os dragões criavam perigo se conseguiam variar rapidamente o flanco no ataque, porque o Sporting jogava estreito e as costas do lateral do flanco oposto eram muito apetecíveis, mas raramente conseguiam tornar essa superioridade efetiva – era preciso fazer chegar lá a bola. A supremacia do Sporting fundou-se na superioridade no local onde a bola andava mais tempo: o corredor central. Chegou para ganhar o jogo com a clareza de um 2-0 ao qual se somaram mais duas bolas nos ferros. Pode não chegar para ganhar a Liga, tal como não chegou para ganhar em Braga, na Taça de Portugal. Mas nem isso fará com que a ideia não seja boa. In Diário de Notícias
2016-01-04
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As três equipas que ainda não tinham tido penaltis a seu favor na Liga tiveram todas um nesta jornada: o U. Madeira converteu o seu na baliza da Académica, o Nacional fez o mesmo contra o Arouca, mas o Rio Ave falhou o seu primeiro penalti do campeonato, contra o Tondela. A partir de agora, já todas as equipas tiveram pelo menos um penalti a favor, sendo que ainda há duas sem qualquer grande penalidade contra: V. Guimarães e Benfica.   - Ainda acerca de penaltis, Bruno Moreira fez, de grande penalidade, o primeiro golo do Paços de Ferreira no empate a duas bolas frente ao Belenenses. Foi o sétimo penalti desta Liga a favor dos pacenses, que desta forma igualaram o Sporting na condição de equipa com mais remates dos onze metros a seu favor na competição. Aliás, o Paços de Ferreira vai com três jornadas seguidas a ter pelo menos um penalti a seu favor.   - Ao vencer o U. Madeira por 3-1, a Académica obteve a segunda vitória consecutiva em casa, pois já tinha ganho ao Belenenses por 4-3 na 13ª jornada. A última vez que a Académica tinha ganho duas vezes seguidas em casa tinha sido em Janeiro de 2014, quando bateu consecutivamente o P. Ferreira (4-2) e o Gil Vicente (1-0). João Real e Ivanildo, que fizeram golos na sequência presente, também já os tinham feito na de 2014.   - Fernando Alexandre, em contrapartida, marcou nos dois últimos jogos da Académica em Coimbra: fez o quarto nos 4-3 ao Belenenses e o segundo nos 3-1 ao U. Madeira.   - O central Paulo Monteiro fez o primeiro golo na Liga, na transformação de um penalti (o tal que foi o primeiro da equipa de Norton de Matos no campeonato). Mas já foi o seu quarto golo desta época, pois tinha obtido um hat-trick no jogo da Taça de Portugal contra o Sertanense, que o U. Madeira venceu por 5-1. Todos os seus golos foram de penalti.   - O Moreirense ganhou pela primeira vez na história no terreno do Boavista e fê-lo logo por 3-0. Foi a terceira vitória consecutiva dos cónegos em todas as competições, depois de terem ganho ao Nacional (2-0, para a Liga) e ao Oriental (4-2, para a Taça da Liga), algo que a equipa não conseguia desde Agosto de 2013, quando ainda estava na II Liga e venceu sucessivamente Ac. Viseu, Sp. Covilhã e Chaves.   - Rafael Martins, do Moreirense, vai com quatro jogos seguidos sempre a marcar golos: fez o golo ao Sporting na derrota por 3-1 em Alvalade, depois bisou nos 2-0 ao Nacional e nos 4-2 ao Oriental e agora fez o segundo nos 3-0 ao Boavista. Melhorou a sua melhor sequência desta época, que era de três jogos sempre a marcar (Tondela, Aves e V. Setúbal) e igualou a melhor desde que está em Portugal, quando festejou sucessivamente contra Nacional, Académica, Benfica e Olhanense, em Abril e Maio de 2014. Esta sequência, porém, tem uma particularidade: é que pelo meio o brasileiro não jogou frente ao Sp. Braga.   - Os 3-0 encaixados contra o Moreirense representam a derrota mais alargada do Boavista em casa desde uns 4-1 que sofreram do Vizela, em Março de 2014, no Campeonato Nacional de Seniores. Na I Liga, o Boavista não perdia em casa por três ou mais golos desde Outubro de 2006, quando o Nacional ali venceu por 4-0.   - Ao empatar com o Arouca, em casa (2-2), o Nacional somou o sexto jogo seguido sem vitória, contando todas as competições. A equipa de Manuel Machado iguala assim a série negra de Março e Abril do ano passado, quando somou três empates e três derrotas contra Sporting (duas vezes), Benfica, FC Porto, Académica e Rio Ave. Desta vez, após a vitória contra o Marítimo (3-1, em finais de Novembro), também tem três empates e três derrotas, ante FC Porto, Benfica, Estoril, Aves, Moreirense e Arouca.   - O empate na Choupana confirma que o Arouca gosta mesmo de dividir os pontos: foi o oitavo em 15 jornadas para a equipa orientada por Lito Vidigal. Na últimas cinco jornadas, porém, os jogos dos arouquenses têm descoberto os golos, pois em todas elas se verificou que ambas as equipas marcaram.   - Zequinha, que fez o primeiro golo do Arouca na Choupana, ainda não tinha marcado esta época. O seu último golo na Liga já tinha sido na Madeira, a 6 de Abril de 2015, e também tinha valido um empate, mas ao V. Setúbal (que representava nessa altura) num jogo frente ao Marítimo.   - O empate frente ao Estoril valeu mais uma expulsão ao Marítimo. Desta vez foi Ruben Ferreira, a ver o segundo amarelo já em período de compensações. Foi a 12ª expulsão dos verde-rubros em 15 jornadas da Liga, o que transforma este parcial no total de expulsões mais elevado da história do Marítimo na I Liga. E ainda falta mais de meio campeonato.   - Leo Bonatini fez o golo que valeu ao Estoril o empate nos Barreiros contra o Marítimo. O avançado brasileiro marcou os últimos quatro golos dos canarinhos, todos os que a equipa fez desde o início de Dezembro. O último além dele a marcar um golo pelo Estoril foi Dieguinho, na vitória por 1-0 frente ao Caldas, na Taça de Portugal, a 22 de Novembro. Na Liga, então, ninguém a não ser Bonatini faz um golo pelo Estoril desde que Afonso Taira obteve o tento do empate (2-2) frente ao Rio Ave, a 24 de Outubro.   - O empate significou para o Estoril a continuação da série negra de jogos sem vitórias na Liga. São já nove, desde a vitória sobre o U. Madeira (2-1) em casa, a 27 de Setembro. O Estoril igualou assim a pior série da época passada, que foi de precisamente nove jogos da Liga sem ganhar entre um 1-0 ao Arouca (a 25 de Janeiro) e um 1-0 ao Paços de Ferreira (a 13 de Abril). Pelo caminho, José Couceiro saiu e cedeu o lugar a Fabiano Soares, o atual treinador.   - O golo de Suk ao Sp. Braga significa que esta já é a época mais produtiva do coreano do V. Setúbal. Ao todo, contabilizando todas as competições, Suk soma já onze concretizações (nove na Liga e duas na Taça de Portugal), batendo os seus próprios registos de 2014/15 quando, entre Nacional e V. Setúbal, acabou a temporada com dez (seis na Liga, três na Taça de Portugal e um na Taça da Liga).   - O bracarense Marcelo Goiano, que garantiu o empate do Sp. Braga em Setúbal, fez o seu primeiro golo na Liga. Já tinha marcado pelo Sp. Braga, mas sempre na Taça de Portugal: ao Alcains na época passada e ao Sporting esta época. Antes disso, pelo Feirense, também tinha um golo pelo Feirense, mas ao Fafe, também na Taça de Portugal.   - Carlos Martins voltou a ser expulso, no empate do Belenenses em Paços de Ferreira, o que já não lhe acontecia desde 8 de Fevereiro do ano passado, quando o Belenenses perdeu em Guimarães, por 1-0. Foi a terceira expulsão do médio desde que regressou de Espanha, para jogar no Benfica, e em nenhum desses jogos a sua equipa ganhou.   - Ukra falhou o primeiro penalti do Rio Ave nesta Liga e o primeiro de que os vila-condenses beneficiam desde 21 de Março. Nessa altura, o mesmo Ukra fez golo ao Benfica, contribuindo para uma vitória por 2-1 dos verde-e-brancos.        
2016-01-04
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O Sporting venceu o FC Porto por 2-0 e continua imparável nos clássicos, tendo ganho os primeiros quatro da época, pois a esta vitória somam-se as três obtidas contra o Benfica na Supertaça, na Liga e na Taça de Portugal. Esta foi a primeira vez que o Sporting ganhou os primeiros quatro clássicos da época, mas não a primeira vez que ganhou quatro clássicos consecutivos: tinha-o conseguido em 1948, quando ganhou ao Benfica a 25 de Abril (4-1, para a Liga), ao FC Porto a 16 de Maio (5-2, para a Liga), e mais duas vezes ao Benfica a 27 de Junho (3-0 para a Taça de Portugal) e a 14 de Novembro (5-1 para a Liga). Encalhou à quinta partida, perdendo por 1-0 frente ao FC Porto a 5 de Dezembro, no Campo da Constituição.   - Continua assim a saga negativa do FC Porto em Alvalade, onde os dragões já não ganham há dez jogos, com seis empates e quatro vitórias leoninas. A última vez que o FC Porto venceu o Sporting em Alvalade foi a 5 de Outubro de 2008, por 2-1, graças a golos de Lisandro López e Bruno Alves, tendo João Moutinh feito o tento dos leões.   - Além de Alvalade, nota-se a incapacidade do FC Porto ganhar em Lisboa. É que são já 12 os jogos seguidos desde a última vitória dos dragões em Lisboa, um 3-2 sobre o Benfica, a 2 de Março de 2012. Desde aí, o FC Porto soma três derrotas e dois empates com o Benfica na Luz, dois empates com o Belenenses no Restelo e duas derrotas e três empates com o Sporting em Alvalade.   - Slimani chegou aos 14 golos na época e está a apenas um de toda a produção na época passada. Fez, além disso, o quarto golo em clássicos nesta temporada, só tendo ficado em branco no desafio da Supertaça. De resto, fez o segundo golo nos 3-0 ao Benfica na Luz, o tento que decidiu o prolongamento (2-1) frente aos encarnados na Taça de Portugal e agora ambos os golos dos 2-0 ao FC Porto em Alvalade.   - O argelino foi, além disso, o primeiro jogador do Sporting a bisar num clássico desde que Liedson o fez numa vitória por 3-2 frente ao Benfica, em Fevereiro de 2009. Num jogo com o FC Porto, o último leão a marcar dois golos tinha sido Romagnoli, nuns 4-1 a contar para a Taça da Liga, poucos dias antes desse jogo com o Benfica.   - O Sporting obteve a décima vitória consecutiva em casa, depois da derrota contra o Lokomotiv de Moscovo, a 17 de Setembro, a contar para a Liga Europa. Os leões continuam a perseguir a série de 2011/12, quando a equipa de Ricardo Sá Pinto ganhou consecutivamente os derradeiros onze jogos no seu estádio.   - Além disso, os leões aumentaram para 24 o total de jogos que levam sem perder me casa para a Liga desde que foram batidos em Alvalade pelo Estoril de Marco Silva, a 11 de Maio de 2014 (1-0, na última jornada desse campeonato). Aqui, perseguem a marca estabelecida pela equipa de Paulo Bento, que esteve 26 jogos seguidos sem perder em Alvalade para a Liga entre um 0-2 contra o Benfica a 1 de Dezembro de 2006 e um 1-2 contra o FC Porto a 5 de Outubro de 2008.   - Foi a primeira derrota do FC Porto na Liga desde 25 de Janeiro do ano passado, quando os dragões foram batidos nos Barreiros pelo Marítimo, por 1-0. Desde aí, a equipa de Lopetegui somara 30 jogos sem perder no campeonato, com 24 vitórias e seis empates.   - Foi, além disso, a segunda derrota seguida do FC Porto em todas as competições, depois de ter sido batido pelo Marítimo, no Dragão, para a Taça da Liga (1-3). Lopetegui nunca tinha perdido dois jogos seguidos no FC Porto, pois a última série de duas derrotas consecutivas dos dragões já datava de Novembro de Dezembro de 2012, quando a equipa de Vítor Pereira foi consecutivamente batida pelo Sp. Braga (2-1, na Taça de Portugal) e pelo Paris St. Germain (2-1 na Liga dos Campeões).   - Apesar de tudo, os 36 pontos que o FC Porto soma nas primeiras 15 jornadas ainda se superiorizam aos 34 que a equipa somou nos primeiros 15 jogos da época passada. Para se encontrar um FC Porto mais forte por esta altura da época há que recuar à última vez que os dragões foram campeões: em 2012/13 tinham 39 pontos à 15ª jornada.   - Muito mais forte está o Sporting, cujos 38 pontos são amplamente mais largos que os 30 que a equipa somava por esta altura da época passada. Para encontrar um Sporting com tantos pontos ao fim de 15 jogos é preciso recuar a 1990/91, quando a equipa de Marinho Peres comandava a Liga com 27 pontos, fruto de 13 vitórias e um empate, que com as regras de pontuação atuais seriam 40.   - O Sporting tem, além disso, a melhor defesa da Liga, com apenas sete golos sofridos, menos cinco do que à mesma altura da Liga anterior. A última vez que os leões chegaram tão pouco vulneráveis à 15ª jornada da Liga foi em 1996/97, quando a equipa que começou a ser comandada pelo belga Robert Waseige e depois viu suceder-lhe Otávio Machado tinha os mesmos sete golos encaixados em 15 jogos.   - Lopetegui apresentou exatamente o mesmo onze inicial que já tinha mostrado na vitória frente à Académica, na 14ª jornada, repetindo onze pela primeira vez na prova desde Março, quando abordou os jogos com o Sporting, no Dragão, e o Sp. Braga, na Pedreira, com os mesmos titulares. Maicon, Herrera e Brahimi são os únicos jogadores em comum às quatro partidas.   - O treinador basco continua sem conseguir ganhar e, pior, sem marcar um único golo em jogos contra equipas dirigidas por Jorge Jesus. Em três jogos, empatou um a zero e perdeu os outros dois pelo mesmo resultado: 2-0.   - O jovem Matheus Pereira foi titular na Liga pela primeira vez, entrando logo num clássico. Já tinha começado vários jogos dos leões esta época, mas nenhum no campeonato: quatro na Liga Europa, um na Taça da Liga e um na Taça de Portugal.   - Estreia na Liga de André Silva, que entrou para o lugar de Aboubakar a 19’ do final depois de já ter sido titular na partida da Taça da Liga frente ao Marítimo.
2016-01-03
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Último Passe

Um Super Slim deu a vitória no clássico sobre o FC Porto a um Sporting "Slim Fit" e devolveu aos leões a liderança da Liga que haviam deixado na Choupana, na derrota com o U. Madeira. Falo de Super Slim porque foi Slimani quem fez os dois golos de um 2-0 que pôs justiça no placar e de "Slim Fit" porque os leões continuam a fazer valer o seu futebol estreito, com concentração de unidades no corredor central, face ao jogo mais feito de largura do adversário de hoje. E porque, além disso, em situações de equilíbrio, como a que se vivia na primeira parte, Jesus adaptou bem a estratégia da equipa às características do atacante argelino, criando condições para o libertar nas bolas paradas, por exemplo. Quando se avalia o que se viu no clássico, é impossível não destacar o papel de Slimani, sempre incansável na pressão sobre a saída de bola do adversário e na busca de profundidade nos flancos quando são os colegas que a têm, mas também por ter feito os dois golos do jogo e ainda ter enviado um cabeceamento à barra. Mas não foi só o argelino a separar duas equipas muito iguais a si mesmas. No Sporting há a realçar ainda uma exibição fulgurante do meio-campo, pela amplitude de movimentos de Adrien, cuja presença atrás não o impediu de aparecer em zonas de conclusão com frequência – também acertou uma vez no poste de Casillas – e de João Mário, sempre o maior causador de desequilíbrios na organização portista, pela facilidade com que saía do corredor direito e aparecia ao meio. E um Naldo sempre certo, a compensar a equipa nos momentos em que era o FC Porto a fazer valer as suas armas. Porque o FC Porto foi também igual a si mesmo, na aposta permanente na construção por fora. E nos momentos em que libertava Brahimi na esquerda ou, sobretudo, quando conseguir girar a bola com rapidez dali para a direita, explorando a estreiteza da organização leonina para descobrir Corona nas costas de Jefferson, criava também condições para chegar com perigo até perto de Rui Patrício. O jogo era assim um confronto de duas ideias diferentes, mas começou a resolver-se num detalhe – nisso tiveram razão os dois treinadores, na avaliação final – fruto do trabalho semanal. O Sporting adiantou-se, por Slimani, no aproveitamento de um livre lateral de Jefferson, graças a uma jogada trabalhada nos treinos e várias vezes tentada no jogo: o argelino escondia-se atrás de um colega e ganhava assim espaço para ludibriar a marcação individual feita pelo FC Porto nas bolas paradas. E ao marcar primeiro pôde gerir o jogo de forma diferente. Lopetegui tentou ganhar presença pelo meio com a troca de um médio mais posicional, como Ruben Neves, por outro com mais capacidade para esticar o jogo, como André André. Mas em vez de dar mais presença na frente ao FC Porto, isso libertou os médios do Sporting para uma segunda parte fulgurante. Pouco importou, de facto, que o basco tenha sido mais uma vez igual a si próprio ao recusar juntar os dois pontas-de-lança, trocando Aboubakar por André Silva. Era o Sporting quem mandava no relvado e se o 2-0 não chegou no tal cabeceamento de Slimani à barra nem num remate de Adrien ao poste, acabou por aparecer quando Ruiz isolou o argelino e este bateu Casillas com repentismo e potência. Confirmava-se a quarta vitória do Sporting em outros tantos clássicos e o estado de graça de Jorge Jesus, que regressa ao topo da Liga, mas o FC Porto está perto e o Benfica não ficou fora de combate – a Liga vai durar.
2016-01-03
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O Estádio José Alvalade está transformado numa espécie de local maldito para o FC Porto, que ali não ganha desde Outubro de 2008. A visita ao Sporting é aquela em que os dragões deixaram mais pontos nos últimos dez campeonatos: 19, ao todo, contra 17 na Luz e 15 nos Barreiros (já contando os dois que lá ficaram na temporada atual). Desde esse sucesso de 2008, o FC Porto já ganhou em todos os estádios do campeonato pelo menos uma vez. Foi Jesualdo Ferreira o último treinador dos dragões a ganhar em Alvalade, nessa quinta jornada da Liga de 2008/09. O FC Porto adiantou-se, por Lisandro López, João Moutinho empatou para os leões, na altura liderados por Paulo Bento, de penalti, e um livre de Bruno Alves permitiu a vitória azul-e-branca, por 2-1. Dos 28 jogadores que nesse dia estiveram em campo só resta nos dois clubes o guardião leonino Rui Patrício, que por esses tempos ainda estava a começar a impor-se na baliza do Sporting. Desde essa vitória, o melhor que o FC Porto conseguiu levar de Alvalade foram empates, ainda que um deles, um mês depois, lhe tenha permitido seguir em frente na Taça de Portugal, no desempate por grandes penalidades, depois de os 120 minutos de jogo não terem desempatado as duas equipas. Na Liga, o Sporting ganhou por 3-0 em 2009/10 (marcaram Yannick, Izmailov e Veloso), verificou-se um empate a uma bola em 2010/11 (golos de Valdés para os leões e Falcao para os dragões) e mais dois, ambos sem golos, em 2011/12 e 2012/13. Em 2013/14 ganhou o Sporting por 1-0 (golo de Slimani) e na época passada as duas equipas voltaram a empatar a um golo (Jonathan Silva adiantou os lisboetas, tendo os portistas empatado através de um autogolo de Sarr). Alvalade é assim o estádio da Liga onde o FC Porto não ganha há mais tempo. São já sete anos (e quase três meses), o máximo período de invencibilidade leonina em casa contra os portistas na Liga desde as décadas de 60 e 70. Nessa altura, os leões estiveram sem perder com o FC Porto em casa para o campeonato entre Março de 1963 (0-1, com golo de Serafim) e Dezembro de 1972 (0-3, com golo de Abel e bis de Flávio).   - O Sporting ganhou os últimos três jogos em casa pelo mesmo resultado: 3-1 ao Besiktas para a Liga Europa, ao Moreirense para a Liga portuguesa e ao Paços de Ferreira para a Taça da Liga. Além disso, os leões seguem com nove vitórias seguidas nos jogos em casa desde que perderam com o Lokomotiv, também por 3-1, na Liga Europa, a 17 de Setembro. No jogo com o FC Porto procuram a décima vitória caseira sucessiva, algo que não conseguem desde o final da época de 2011/12, quando a equipa de Ricardo Sá Pinto venceu consecutivamente os últimos onze jogos caseiros da temporada.   - O FC Porto, por sua vez, vem de uma derrota em casa frente ao Marítimo na Taça da Liga, por 3-1, sendo absolutamente regular nos últimos nove jogos disputados: ganha três e perde o quarto. Venceu Maccabi, V. Setúbal e Angrense antes da derrota com o Dynamo Kiev; bateu Tondela, U. Madeira e P. Ferreira antes de ceder ante o Chelsea; derrotou Nacional, Feirense e Académica antes de ser derrotado pelo Marítimo. Seguindo a série, agora é vez de ganhar.                - Julen Lopetegui nunca ganhou um jogo a Jorge Jesus e nunca viu sequer uma equipa sua marcar um golo a uma liderada pelo atual treinador leonino. Os dois só se defrontaram duas vezes, com o Benfica de Jesus a ganhar no Dragão por 2-0 e a empatar na Luz (0-0). Por sua vez, nos jogos com o Sporting tem uma vitória, um empate e uma derrota: ganhou por 3-0 na Liga, no jogo em casa, perdeu por 3-1 na Taça de Portuigal, também no seu estádio, e empatou a uma bola em Alvalade para o campeonato.   - Nos 19 jogos que fez pelo Benfica contra o FC Porto, Jorge Jesus tem saldo negativo: ganhou sete vezes e perdeu oito, empatando os quatro restantes. Antes de chegar ao Benfica, nunca tinha sequer ganho ao FC Porto, tendo no entanto conseguido empatar com Sp. Braga, Belenenses, Moreirense e Felgueiras.   - Aquilani e Gelson Martins marcaram ambos nas duas últimas partidas do Sporting em casa, contra o Paços de Ferreira e o Moreirense.   - André André estreou-se na Liga a jogar contra o Sporting, lançado por Rui Vitória num empate do V. Guimarães frente aos leões, em casa, a 19 de Agosto de 2012. O mesmo sucedeu a Evandro, que teve o primeiro odor a Liga portuguesa com a camisola do Estoril em Alvalade, noutro empate, a 29 de Setembro de 2012, lançado por Marco Silva.   - O equilíbrio tem sido a nota dominante nos últimos confrontos entre Sporting e FC Porto, pois desde 2012 que nenhum dos dois ganha dois jogos seguidos. Nesse ano, os dragões impuseram-se duas vezes consecutivas por 2-0 no Dragão: na 29ª jornada da Liga de 2011/12 e na sexta ronda da prova de 2012/13. Nas últimas duas épocas, houve sempre três jogos entre ambos, com divisão equitativa dos três resultados possíveis: duas vitórias para cada lado e dois empates.   - Hugo Miguel, o árbitro do clássico, ainda não viu uma vitória das equipas da casa nos seis jogos que apitou esta época. Dois desses jogos envolveram o FC Porto: o empate (1-1) com o Marítimo nos Barreiros e a vitória (2-1) contra o Rio Ave em Vila do Conde. O juiz lisboeta já não dirige um jogo do Sporting na Liga desde a vitória em Braga (1-0) na época passada. Com ele, o Sporting já perdeu duas vezes (no Estoril em 2012/13 e em Guimarães em 2014/15) em dez jogos, ao passo que o FC Porto segue invicto, com 13 vitórias e apenas um empate (o desta época, nos Barreiros) em 14 jogos.
2016-01-01
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Último Passe

Os mais mil e trezentos milhões de euros injetados em três clubes de futebol pelas principais operadoras de TV por cabo nas últimas semanas vieram agitar o futebol nacional e merecem uma explicação. Ao mesmo tempo que os adeptos querem sobretudo ver escrito que o seu clube fez o melhor negócio dos três - seja ele qual for -, essa medição é o que menos me interessa, porque só é feita por quem vê o futebol como um exercício de culto da personalidade, seja ela a de Luís Filipe Vieira, de Pinto da Costa ou de Bruno de Carvalho. Mais interessante é perceber como é que isto foi possível e o que vai acontecer daqui para a frente.É verdade que o panorama de rivalidade fortíssima entre os clubes, que está na génese das tais atitudes de confronto do adepto comum, ajudou a potenciar todos os negócios, porque contribuiu para o crescimento da concorrência: todas as operadoras temem o efeito de rejeição dos adeptos de um clube excluído. Mas a chave destes negócios esteve na decisão tomada há tempos pela autoridade da concorrência, quando impediu a entrada da PT no capital da Sport TV e impôs que os contratos existentes expirassem em 2018, matando a cláusula de preferência que eternizava o domínio exercido pela PPTV de Joaquim Oliveira no direitos de TV do futebol.Se o aparecimento da concorrência e o desaparecimento do intermediário ajuda a explicar de onde veio o dinheiro, já me parece impossível definir quem dos três fez o melhor negócio, porque fruto da tal predisposição para o culto do líder, todos os clubes acabaram por meter mais e mais coisas nos contratos para poderem subir o montante final de cada contrato, que é o que faz manchetes nos jornais e motiva a discussão dos adeptos. Creio que os tempos da gestão irresponsável ds operadoras estão bem lá atrás e que tanto a Nos como a Altisse pagaram um justo valor, não pelo que os direitos valem agora mas sim pelo que poderão valer nos próximos dez anos, com a criação de novas plataformas e o aparecimento em Portugal de realidades como o Pay Per View.Aliás, essa é uma das inquietações que me assaltam neste momento. É que se é mais ou menos claro que até 2018 - até os jogos do FC Porto passarem para a Altice - o futebol vai ficar concentrado na Sport TV, onde a Nos deverá querer meter o Benfica, a dúvida é acerca do que acontecerá depois. Quererá a Altice criar um novo canal de desporto - diz-se até que já está a negociar com outros clubes nesse sentido - para concorrer com a Sport TV? E com os valores que ambos estão a pagar aos clubes, poderão estes dois canais ser rentáveis a médio prazo, tendo só metade do futebol? É que, ainda por cima, apesar de a Liga de Proença estar a falhar o encontro com a história ao perder a oportunidade de centralizar pelo menos as negociações dos clubes além dos três grandes - se 17 jogos de um dos grandes em casa valem 400 milhões por dez anos, 45 jogos dos três fora de casa valerão seguramente mais de mil milhões - ainda há muito dinheiro a gastar para assegurar todo o futebol. E os pequenos têm de entender que nesta guerra não são de todo um verbo de encher.
2015-12-29
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Jorge Jesus voltou a dirigir-se aos adeptos que estavam em Alvalade esta semana e recordou aquilo que tinha dito no ato da apresentação: que o Sporting ia ser candidato ao título. Aliás, renovou a promessa de andar lá, “encostado a eles”, num discurso aos adeptos que foram ver a equipa treinar-se e no qual enumerou aquilo que a equipa já conseguiu em cinco meses de trabalho. Mas Jesus, melhor do que ninguém, sabe que para andar lá “encostado a eles”, a equipa precisa de mais um salto em frente. Foi assim que conseguiu dois dos seus três títulos nacionais, sendo que o outro foi ganho a colar com cuspe os remendos de uma equipa que sentiu demasiado os efeitos do mercado de inverno, no qual perdeu Enzo Pérez. O que pode parecer pouco mas se notou muito porque em anos anteriores a equipa já tinha perdido Javi García, Witsel e Matic. A época de 2014/15 foi a exceção nos títulos de Jesus. Nela, o Benfica baixou a média de pontos por jogo do Natal para a frente e mesmo assim conseguiu ser campeão, muito graças a um arranque superlativo: tinha 2,64 pontos por jogo até ao Natal e somou 2,40 pontos por jogo entre o Ano Novo e o fim da Liga. Valeu-lhe um início mais tímido que o atual do FC Porto de Julen Lopetegui, com apenas 2,21 pontos por jogo até à noite de Consoada (contra os 2,57 de agora), e uma ponta final não muito afirmativa dos dragões, com 2,55 pontos por jogo, reflexo, por exemplo, da incapacidade para ganhar o clássico na Luz que os devolveria à luta pelo título. Ora desta vez o FC Porto já está na frente e, se mantiver o “modus operandi” da época passada, Lopetegui não tem a rotatividade para o atrapalhar e lhe roubar pontos. Há um ano, por esta altura, o basco tinha o onze consolidado e, mesmo estando agora também na Taça de Portugal e na Liga Europa com responsabilidades que não tinha na Champions, tudo leva a crer que possa pelo menos manter a pedalada até ao final da Liga. Daí que, caso queira mesmo andar lá em cima, “encostado a eles”, Jesus saiba que tem de repetir o que conseguiu nos seus primeiros dois títulos com o Benfica e subir a média pontual a partir de Janeiro. Em 2009/10 cresceu de 2,35 para 2,68 pontos por jogo e em 2013/14 aumentou a produtividade de 2,35 para 2,56 pontos por jogo. O Sporting de Jesus viaja com uma média de 2,50 pontos por jogo, mas para ser campeão pode ter que melhorar. As duas épocas em que o Benfica de Jesus aumentou a produtividade de Janeiro para a frente tiveram outro ponto em comum, que foi uma vitória sobre o FC Porto em casa, por esta altura do inverno: 1-0 a 20 de Dezembro de 2009 e 2-0 a 12 de Janeiro de 2014. O calendário fez a sua parte e marcou um Sporting-FC Porto para 2 de Janeiro. Resta perceber se a equipa de Jesus faz também a sua ou se, permitindo um bom resultado ao FC Porto, perde a oportunidade de afirmar no campo o que o treinador tem dito aos adeptos. É que se não aproveitar a oportunidade, o Sporting pode vai ter que se ver a contas com o Benfica de Rui Vitória. O Benfica está mais perto do que muitos julgariam possível depois dos 3-0 com que foi despachado pelos leões na Luz, em Outubro, e ainda vem muito a tempo de interferir na guerra do título. Sobretudo se crescer de produção. O histórico de Rui Vitória no V. Guimarães não é de crescimento pós-natalício constante, mas é de crescimento nas épocas em que os inícios defraudaram as expectativas. Como foi o caso com este Benfica, que segue com apenas 2,21 pontos por jogo, a pior produção pré-natalícia na Luz desde 2010/11, a época em que o FC Porto de André Villas-Boas ganhou o campeonato a passear. Voltando a este Benfica, a questão que se coloca é a de saber se o modo de trabalho de Rui Vitória permite pensar num crescimento na segunda metade da temporada. Ora, os dois melhores arranques de Rui Vitória em Guimarães (2,00 pontos por jogo em 2014/15 e 1,64 pontos por jogo em 2013/14) conduziram a um decréscimo de produtividade após o Ano Novo (1,35 e 0,75 pontos por jogo, respetivamente). Aplica-se aqui que nem uma luva a teoria da desresponsabilização que foi usada acerca do estoiro dado pela equipa vimaranense na época passada, por exemplo, na qual até chegou ao Natal à frente do Sporting de Marco Silva. Chegou aos jogadores a mensagem de que estavam a portar-se demasiado bem (iam a par dos Ferraris e só conduziam um Fiat 600) e isso levou-os a baixar o ritmo daí para a frente. Nas épocas em que o início foi mais tremido, porém, Vitória soube reunir a equipa e aumentar as médias na segunda metade da Liga. Foi assim em 2011/12 (de 1,27 para 1,82 pontos por jogo) e em 2012/13 (de 1,25 para 1,38). Ora é desse acréscimo que o Benfica precisa para voltar a entrar na guerra. Claro que tanto na história de Jesus como na de Vitória – na de Lopetegui dificilmente isso será tema – há que ter em conta o papel desempenhado pelo mercado de Janeiro. Mas a ideia que fica para já é a de que vamos ter Liga disputada por mais uns meses. A começar já no sábado que vem, com o V. Guimarães-Benfica e o Sporting-FC Porto.
2015-12-28
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Último Passe

O Sporting perdeu o caso Doyen/Rojo no Tribunal Arbitral do Desporto porque tinha de o perder, porque objetivamente desrespeitou um contrato assinado por responsáveis anteriores do clube. Bruno de Carvalho anuncia que vai recorrer e que continuará a lutar contra aquilo que considera ser um “subsistema opaco” no futebol porque tem de o fazer e porque objetivamente os fundos de investimento fazem mal ao futebol. Uma coisa não invalida a outra. Primeiro, a decisão do tribunal. Sabendo bem o que estava a fazer, o Sporting firmou um acordo com a Doyen para a contratação de vários jogadores, um dos quais era Rojo. As premissas do acordo eram simples e similares às de outros acordos que outros clubes assinam com este e com outros fundos de investimento: os investidores entram com parte do capital necessário à contratação dos ativos e assumem parte do risco ou do lucro. Isto é, se o jogador fracassar – como está a ser o caso de Labyad, por exemplo – já não voltam a ver a cor do dinheiro; se se valorizar, recebem uma percentagem semelhante à do capital investido no valor de uma futura transação. Rojo valorizou-se, foi vendido ao Manchester United e mandava o contrato assinado pela direção anterior que o executivo de Bruno de Carvalho entregasse à Doyen a parte que lhe cabia do bolo. Não o fez e por isso foi agora condenado. Tanto quanto me parece, justamente. Depois, as ações de Bruno de Carvalho. O Sporting não entregou à Doyen a parte que lhe cabia do lucro, em primeiro lugar, porque lhe dava jeito o capital. Como atravessava um período de vacas magras, em que o capital fazia muita falta, fez aquilo que na gíria se chama empurrar o problema com a barriga: usou o dinheiro primeiro, optando por pagar mais tarde, quando os cofres estivessem já mais forrados. Mas não foi só por isso. Pelo meio, Bruno de Carvalho assumiu uma guerra que também é justa e que merece continuar a ser travada. A verdade é que os fundos de investimento – todos eles – fazem mal ao futebol. Porque não se sabe de onde vem o dinheiro e no limite pode haver interesses comuns em equipas diferentes a manipular resultados ou transações inflacionadas ou deflacionadas para proceder à lavagem de capitais vindos de atividades criminosas. Porque abrem caminho a possibilidades de ingerência externa em decisões dos clubes, obrigando-os a comprar ou a vender quando não querem ou até indo ao ponto de estipular quem joga e quem fica de fora. E porque, por fim, ao abrigo da ilusão de estarem a proporcionar acesso a jogadores que de outra forma os clubes não poderiam contratar – sobretudo porque os próprios fundos inflacionam os valores dos passes – estão a contribuir para a descapitalização dos clubes, que qualquer dia já não são donos de nada. Por isso, Bruno de Carvalho faz bem em continuar a luta. Tanto quanto me parece, com razão.
2015-12-21
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O tropeção do Sporting na Choupana, frente ao União da Madeira, seguido da vitória do FC Porto sobre a Académica, no Dragão, trouxe uma inesperada mudança de líder ao campeonato. A equipa de Julen Lopetegui sucedeu à de Jorge Jesus no primeiro lugar, se calhar nem bem consciente da importância que tem passar a consoada no primeiro lugar: doze dos 16 campeões deste século receberam os embrulhos do Pai Natal na frente da Liga. Que a troca tenha acontecido semana e meia depois da espera dos adeptos portistas ao treinador basco, no aeroporto, no regresso de Londres, após a eliminação da Champions, é um detalhe que serve para acentuar que este pode vir a ser um campeonato de jogadores e não de treinadores. A questão foi muito debatida neste início de época, quando Jorge Nuno Pinto da Costa investiu no reforço de um plantel que já era o mais forte da Liga e Bruno de Carvalho apostou as fichas todas no treinador que ganhara os dois últimos campeonatos. De um lado, acreditava-se que era preciso juntar qualidade a um grupo que continuava a ser liderado por um treinador ao qual nem os adeptos portistas comprariam um carro usado. Do outro, achava-se que um grupo reforçado mas ainda assim limitado poderia transcender-se se fosse liderado por um ganhador acima de qualquer suspeita. Ouviram-se e leram-se inúmeras comparações entre os milhões que custaram jogadores de um lado e os que ganhava o treinador do outro. E é claro que só o final do campeonato trará a resposta definitiva, mas a ascensão do FC Porto à liderança na semana do Natal pode prenunciar que a aposta correta acaba por ser a do presidente portista. É que só por três vezes neste século uma equipa conseguiu ser campeã sem estar pelo menos ex-aequo no topo da Liga por esta altura: aconteceu ao Sporting em 1999/00, ao Boavista em 2000/01, ao Benfica em 2004/05 e ao FC Porto em 2008/09. Em três destes casos (em todos os que acabou por perder, portanto), o campeão de Natal foi o FC Porto, pelo que os dragões sabem bem o que é deitar ao lixo um campeonato nestas circunstâncias. E é por já estarem avisados que têm de olhar para o clássico de dia 2 de Janeiro, com o Sporting, em Alvalade, com a necessidade absoluta de não permitirem nova ultrapassagem: em 2000/01, por exemplo, o FC Porto cedeu o primeiro lugar ao Boavista com uma derrota no confronto direto logo no início de Janeiro e nunca mais o recuperou. Isso pode até querer dizer que o empate em Alvalade acabará por ser um bom resultado para o FC Porto, porque manteria a liderança, mas convém os portistas não esquecerem que também o é para o Benfica, que ontem ganhou ao Rio Ave e se colocou a cinco pontos do topo da tabela. Se os rivais empatarem no clássico e o Benfica vencer em Guimarães, essa distância baixará para três pontos apenas. Uma vitória… Claro que este é um cenário de sonho para os benfiquistas, também ele surgido na semana em que a contestação a Rui Vitória subiu tanto de tom que a “estrutura” sentiu a necessidade de divulgar que o presidente Luís Filipe Vieira tinha ido ao balneário puxar as orelhas ao grupo. Mas é um cenário que acaba por premiar a política híbrida, de navegação à vista, assumida por Vieira. O Benfica quis outro treinador para foçar a aposta nos jovens formados no Seixal – e na verdade alguns deles até estão a jogar – mas acabou por ter de abrir os cordões à bolsa quando a passagem de Jesus para Alvalade veio mudar a conjuntura. Vitória não tem sido capaz de fazer do Benfica um coletivo tão ganhador como o do bicampeonato, mas continua a ter jogadores capazes de resolver, como Gaitán numa altura da época e Jonas agora. Na verdade, também no Benfica se torce para que este seja um campeonato de jogadores. Se será ou não, os meses que faltam é que darão a resposta. Mas do dia 2 de Janeiro já será possível ter umas pistas a este respeito. In Diário de Notícias
2015-12-21
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A derrota na Choupana contra o União da Madeira implicou a perda da liderança para o Sporting dias antes do Natal. Os leões já não lideram a Liga isolados no Natal desde 2001: nessa altura foram campeões. Há dois anos lideravam de forma partilhada com FC Porto e Benfica uma Liga que acabaram em segundo lugar.   - Tal como em 1990/91, a última vez que tinham prolongado a invencibilidade até tão longe, os leões sofreram a primeira derrota à 14ª jornada. Nessa altura foram derrotados pelo FC Porto nas Antas por 2-0. E também nessa altura cederam a liderança aos dragões. O registo desta época, porém, ainda é ligeiramente pior que o da equipa liderada por Marinho Peres: em 1990, o Sporting tinha 12 vitórias, um empate e uma derrota e agora tem onze vitórias, dois empates e uma derrota.   - Foi primeira derrota do Sporting na Liga desde Março, quando a equipa de Marco Silva perdeu com o FC Porto, e a segunda seguida se considerarmos todas as competições, depois da sofrida em Braga, após prolongamento, na Taça de Portugal. Os leões não perdiam dois jogos seguidos desde Fevereiro de 2013, quando foram sucessivamente batidos por Rio Ave (2-1) e Marítimo (1-0).   - Foi também a primeira série de duas derrotas consecutivas de Jorge Jesus enquanto treinador desde que, em Maio de 2013, perdeu o título nacional contra o FC Porto, no Dragão (1-2) e a Liga Europa ante o Chelsea, em Amesterdão (1-2).   - Foi a segunda vez que o Sporting ficou em branco num jogo esta época. Já tinha acontecido na visita ao Boavista, a 26 de Setembro, num jogo que acabou empatado a zero.   - Danilo Dias marcou o segundo golo da sua carreira ao Sporting. O anterior foi ao serviço do Marítimo, em Fevereiro de 2012, também a meio da segunda parte, e contribuiu para uma vitória por 2-0.   - Com a vitória sobre o Sporting a suceder ao empate contra o Benfica, o União da Madeira passou a ser a equipa com mais pontos ganhos aos grandes neste campeonato: quatro, contra três do Arouca. Foi ainda a primeira vez que o União ganhou um jogo a um dos grandes do futebol nacional.   - Slimani interrompeu uma série de três jogos seguidos a marcar golos com o zero na Madeira. E continua sem marcar golos em visita à ilha, já tendo lá jogado por sete vezes.   - Luís Norton de Matos, treinador do U. Madeira, ganhou pela primeira vez ao Sporting, mas mantém o registo 100 por cento vitorioso nos confrontos com Jorge Jesus: em dois jogos, soma duas vitórias e nunca sofreu sequer um golo.   - Depois da tempestade que foram os seis golos sofridos em Paços de Ferreira, André Moreira manteve a baliza inviolada pela segunda partida seguida, o que tem mais valor por ter sido nos jogos com Benfica e Sporting. O jovem guarda-redes do União já está há 203 minutos sem sofrer golos, atrás apenas do bracaranese Kritciuk nas séries em curso. Ainda está longe dos 361 minutos que já conseguiu esta época, porém.
2015-12-21
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Último Passe

A primeira derrota do Sporting na Liga, inesperadamente surgida frente ao U. Madeira, por 1-0, na Choupana, apareceu num jogo que os leões dominaram de início ao fim e no qual até falharam ocasiões de golo suficientes para ganhar com algum à-vontade, mas veio confirmar a tendência de perda que a equipa de Jorge Jesus vinha revelando nas últimas semanas, naquela série de vitórias arrancadas a ferros por 1-0. Um golo de Danilo Dias, provavelmente na única vez que o União foi até à baliza de Rui Patrício, e um punhado de grandes defesas de André Moreira fizeram o resultado final de um jogo em que o individual se sobrepôs ao coletivo, deixando a liderança leonina à mercê do resultado que o FC Porto fizesse a seguir, em casa, contra a Académica. O União levou para o campo o mesmo autocarro que já lhe tinha valido um empate a zero com o Benfica, na terça-feira: linha de quatro homens atrás, com três médios de trabalho à frente deles no corredor central e os extremos obrigados a baixar para fechar as laterais. Parte do seu sucesso foi, portanto, coletivo: nasceu na união e na organização defensiva. A questão é que, mercê das suas habituais combinações triangulares, o Sporting até teve muito mais situações de finalização na área do que as que tinha conseguido o Benfica. Mas ou os remates saíam desenquadrados ou aparecia André Moreira, o super-inspirado condutor do veículo, absolutamente inultrapassável nesta noite, a detê-los, mantendo o zero nas suas redes. Ao Sporting terá faltado alguma frescura física – que a equipa deixou em Braga, nos 120 minutos de quarta-feira. Slimani foi menos intenso, Jefferson e Ruiz apareceram pouco… O perigo leonino saía quase sempre do flanco direito, onde estavam Esgaio (poupado em Braga) e Gelson (que só jogou 60 minutos nessa partida), o que dixa pensar que no resto do campo havia jogadores fatigados e que parte do insucesso terá de encontrar explicação no facto de Jesus ter deixado de rodar totalmente a equipa numa sequência de quatro jogos em 11 dias (Besiktas, Moreirense, Sp. Braga e U. Madeira). Daí a ansiedade dos responsáveis leoninos, a pressa para contarem com os reforços de Inverno. Só que a este Sporting não falta só acrescentar em números: é preciso acrescentar em qualidade também, é preciso ter quem resolva individualmente os jogos que o coletivo não ganha.
2015-12-20
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Stats

Islam Slimani fez um golo nos últimos três jogos do Sporting: esteve nos goleadores dos 3-1 ao Besiktas e ao Moreirense e do 3-4 com o Sp. Braga, após prolongamento. Procurará frente ao U. Madeira um quarto jogo seguido a marcar, algo que só conseguiu uma vez pelo clube de Alvalade: em Fevereiro e Março de 2014, quando marcou consecutivamente a Rio Ave (2-1), Sp. Braga (2-1), V. Setúbal (2-2) e FC Porto (1-0). Ficou em branco ao quinto jogo, precisamente no Funchal, mas contra o Marítimo, o que não impediu o Sporting de ganhar por 3-1. Não deixa de ser curioso que o último jogo do Sporting sem um golo de Slimani tenha sido também no Funchal: a vitória por 1-0 contra o Marítimo, nos Barreiros, no início deste mês. É verdade que o atacante argelino nem jogou nessa noite, pois estava suspenso, fruto de ter visto o quinto cartão amarelo na Liga na receção ao Belenenses. Mas a verdade é que Slimani nunca fez um golo na Madeira, já tendo lá jogado por seis vezes. A primeira foi precisamente essa vitória por 3-1 sobre o Marítimo, em Março de 2014, na qual interrompeu a série de quatro jogos a marcar, mas depois disso voltou lá para defrontar o Nacional por três ocasiões (uma vitória por 1-0 e dois empates, por 2-2 e 1-1) e o Marítimo por mais uma (sucesso por 1-0), nunca marcando golos. Marque ou não na visita ao U. Madeira, esta está a ser a melhor época de Slimani no Sporting: já chegou aos 12 golos em 22 jogos – de todas as competições – o que o deixa a apenas três do total da época passada, na qual fez 15 tentos em 33 jogos, e já supera os números de 2013/14, em que marcou por dez vezes em 30 partidas. De qualquer modo, nunca tinha feito tantos golos até à pausa de Natal e Ano Novo: na época passada tinha chegado aos oito golos e há dois anos aos quatro. É verdade que há aqui uma tendência de progressão geométrica, mas para lhe dar continuidade, a Slimani não bastaria romper frente ao União a malapata da U. Madeira: teria de acabar o jogo com um póquer que lhe permitisse chegar ao Natal com 16 golos no ativo. Difícil.   - O Sporting vem da quarta derrota da época, em Braga, por 4-3 (após prolongamento), na Taça de Portugal. Até aqui, ganhou sempre o jogo que se seguiu a uma derrota: 3-1 à Académica após o 1-3 com o CSKA Moscovo; 1-0 ao Nacional após o 1-3 com o Lokomotiv Moscovo; e 1-0 ao Arouca após o 0-3 com o Skenderbeu. A última vez que os leões não ganharam um jogo após uma derrota, porém, foi no mesmo estádio onde vão agora jogar: empataram a duas bolas com o Nacional na Choupana depois de terem sido derrotados por 3-0 pelo FC Porto, no Dragão, em Março.   - Se ganhar ao U. Madeira, o Sporting garante que chega ao Natal na liderança isolada da Liga. Tal não acontece desde 2001, quando os leões de Laszlo Bölöni ganharam a 22 de Dezembro em Alvalade ao V. Setúbal de um certo Jorge Jesus, por 1-0, atingindo a 16ª jornada na liderança, com um ponto a mais que o Boavista. No final da época, foram campeões. Em 2013/14, o Sporting de Leonardo Jardim encalhou na última barreira: empatou em casa com o Nacional (0-0), na partida da 14ª jornada, a 21 de Dezembro, permitindo que FC Porto e Benfica o alcançassem e que todos celebrassem o Natal com uma liderança conjunta.   - O U. Madeira ficou em branco em cinco dos sete jogos que fez esta época em casa na Liga, já tendo empatado ali a zero com Benfica, Arouca e V. Guimarães. Nos dois em que marcou golos, ganhou: 2-1 ao Marítimo e 2-0 ao Tondela.   - Luís Norton de Matos, treinador do U. Madeira, já foi diretor desportivo do Sporting. Na sua carreira de treinador já defrontou os leões por duas vezes, ambas com o mesmo resultado: uma derrota por 1-0. Aconteceu quando Norton dirigia o Barreirense, em Novembro de 1992, e a equipa da margem sul do Tejo foi batida em casa pelos leões de Robson por 1-0 em jogo da Taça de Portugal (marcou Cadete). E depois, já Norton estava no V. Setúbal, em jogo da Liga em Alvalade, datado de Setembro de 2005, o Sporting de Peseiro impôs-se pelo mesmo resultado, graças a um golo de Deivid.   - Jorge Jesus também já foi treinador do U. Madeira, não tendo conseguido bons resultados na passagem pelos azuis e amarelos do Funchal. Esteve apenas dois meses no cargo, em Fevereiro e Março de 1988, perdendo mais jogos do que os que ganhou.   - Os dois treinadores são sensivelmente da mesma idade – Norton é sete meses mais velho – e defrontaram-se muitas vezes em campo. Foram colegas de equipa apenas no final das respetivas carreiras, no Estrela da Amadora comandado por Fernando Cabrita, em 1986/87, jogando a Zona Sul da II Divisão. Como treinadores, começaram a defrontar-se logo em 1991, na II Divisão, tendo o Amora de Jesus ganho as duas partidas ao Barreirense de Norton. Na I Divisão, porém, foi Norton quem levou a melhor no único confronto, um V. Setúbal-U. Leiria de Outubro de 2005 que os sadinos ganharam por 2-0.   - Joãozinho e Chaby, do U. Madeira, já representaram o Sporting. O lateral, que esteve em Alvalade na segunda metade da época de 2012/13, poderá defrontar o antigo clube, ao contrário do médio, que está impedido de o fazer por se encontrar emprestado.   - O lateral Paulinho, do U. Madeira, estreou-se na Liga a defrontar o Sporting, lançado por Jorge Casquilha num empate (2-2) alcançado pelo Moreirense na receção aos leões, a 26 de Novembro de 2012.   - O U. Madeira nunca ganhou ao Sporting, mas empatou três dos seis jogos em que recebeu os leões lisboetas, o último dos quais em Novembro de 1994, por 1-1, numa tarde em que acabou reduzido a nove homens, por expulsões de Márcio Luís e Milton Mendes. Aliás, nessa tarde, já fez o golo do empate a jogar com dez.   - Aliás, já o penúltimo empate entre U. Madeira e Sporting, em Março de 1994, tinha acabado com expulsões, só que nessa tarde divididas entre as duas equipas: Isidoro Rodrigues expulsou primeiro os leões Cadete e Peixe e mais tarde os unionistas Marco Aurélio e Jokanovic. O jogo acabou empatado a zero.   - Neste século, as duas equipas só se defrontaram uma vez, para a Taça de Portugal, em Dezembro de 2006. Ganhou o Sporting no Funchal por 3-1, com golos de Moutinho, Farnerud e Tello ainda na primeira parte, aos quais respondeu Belic já perto do final. Nessa equipa do U. Madeira jogava o futuro internacional Ruben Micael.   - O Sporting não tem um registo fantástico com o portuense Vasco Santos a apitar na Liga, uma vez que venceu apenas cinco de nove jogos, já tendo perdido duas vezes. Ambas as derrotas são já antigas, porém (U. Leiria e Marítimo, em 2009/10). E ainda que uma delas tenha acontecido no Funchal, onde se joga esta partida, há a registar que Vasco Santos é o árbitro da Liga há mais tempo sem ver uma equipa da casa ganhar: nos seus últimos 11 jogos houve cinco empates e seis vitórias dos visitantes.
2015-12-19
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Último Passe

A guerra que Bruno de Carvalho iniciou há quase três anos para tirar o Sporting do buraco para onde o qual o clube estava a cair é uma guerra sem quartel, com mil e uma batalhas e que cansa até de ouvir. Por sede de protagonismo, desconfiança nos que lhe estão mais próximos ou simples espírito de missão, o presidente do Sporting trava-as as todas na primeira pessoa do singular, tornando-se numa espécie de metralhadora falante. Depois, por simples questão de personalidade ou apelo ao populismo, extrema posições, arrastando as suas hostes com ele e afastando todos os outros daquele que de outra forma até poderia ser um caminho consensual – porque Bruno de Carvalho tem razão em muitas das guerras. Na verdade, Bruno de Carvalho não procura consensos, porque sabe que não é com eles que ganhará a guerra, e até tem uma noção segura do que mais interessa aqui: a realpolitik. O problema surge quando essa mesma realpolitik conflitua com o estilo de combate do presidente do Sporting, como no caso da abertura das inscrições dos reforços de Janeiro. Bruno de Carvalho defende o vídeo-árbitro com razão total, mas só depois dos jogos em que o Sporting é prejudicado – é a realpolitik que o manda manter um silêncio conivente nos outros todos. Combate a entrada dos fundos de investimento no futebol, mais uma vez com razão absoluta, mas não só muda de ideias quando o dinheiro entra no Sporting, como convence os que estão nas suas trincheiras de que essa situação é radicalmente diferente – é a realpolitik a ditar leis. Quer manter o controlo do clube sobre a SAD, e por isso apela à boa-vontade da banca credora para alargar o prazo de conversão das VMOCs em ações, fazendo-o baseado na noção prática de que os bancos quererão sobretudo receber em dinheiro e não em ações de baixo valor facial – é mais uma vez a realpolitik, desta vez a melhorar-lhe a posição negocial. É baseado numa noção prática das coisas que o presidente do Sporting abriu nova frente de batalha, desta vez contra a Liga, por causa da proibição da inscrição dos jogadores contratados no mercado de Janeiro antes da jornada de dia 2, onde há um Sporting-FC Porto que pode ser decisivo. Se já acho que não faz nenhum sentido que um espetáculo de lazer como o futebol pare numa época festiva, em que as famílias têm mais tempo livre e predisposição para assistir aos jogos, muito mais bizarro se torna que a Liga feche nos primeiros três dias após a reabertura do mercado, impedindo os clubes de utilizar os seus novos jogadores na primeira jornada do ano. Bruno de Carvalho tem, portanto, razão. Mas não vai ganhar a batalha extremando posições, deixando sequer implícito que a Liga esteja a defender os interesses do FC Porto, porque o Sporting tem reforços já contratados. Tal como nos erros dos árbitros, as coisas podem melhorar, mas não é preciso nenhuma teoria da conspiração para lá chegar. A Liga não aceita inscrições a 1 de Janeiro porque, inexplicavelmente, é uma instituição amadora a gerir uma atividade que movimenta milhões de euros. Essa é a realidade. A realpolitik tem de assentar nela.
2015-12-18
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Último Passe

A vitória épica do Sp. Braga sobre o Sporting, a afastar o Sporting da Taça de Portugal com um 4-3 no qual teve de recuperar de duas situações de desvantagem no marcador, veio provar que a equipa de Paulo Fonseca pode mesmo ombrear com os grandes em termos de futebol ofensivo e ao mesmo tempo deixar dúvidas acerca da capacidade dos leões para o patamar elevado em que Jorge Jesus tenta colocá-los desde já. Objetivamente, a primeira derrota da época do Sporting no futebol nacional nasceu na incapacidade da equipa líder do campeonato controlar os ritmos de um jogo em que esteve por duas vezes a ganhar, a última das quais até aos 83’. É esse o teste de maioridade que falta a este Sporting ultrapassar. O jogo teve muito a ver com a final de Maio passado, no Jamor, com a diferença de que desta vez os papéis se inverteram: foi o Sp. Braga quem teve de correr atrás para anular uma desvantagem. Quando não há grande desequilíbrio de forças é sempre mais fácil ter a bola, jogar para o golo, do que controlar o jogo sem ela, gerindo o resultado. Foi isso que mostrou o Sporting na final da Taça da época passada, quando recuperou de 0-2 para 2-2 com menos um jogador, acabando por ganhar nos penaltis, e que voltou a mostrar agora o Sp. Braga, ao derrotar o detentor do troféu por 4-3, depois de estar a perder por 0-1 e por 2-3. Para controlar jogos em que não se tem muita bola é preciso uma maturidade que este Sporting ainda não tem – e que o Sp. Braga da final da época passada também não tinha, como não tem nenhuma equipa portuguesa do momento, aliás. E isso, no que toca aos leões, nem é estranho: basta que se repare que em campo tinham dois meninos ainda inexperientes (Matheus e Gelson) ou que Jesus se sentiu impelido a trocar um dos defesas centrais no início do prolongamento, mas que mesmo assim o quarto golo bracarense nasceu de um golpe de cabeça de Rui Fonte na zona dos centrais. Assim sendo, não é de estranhar que, com duas equipas de elevada qualidade ofensiva e sem capacidade de controlo, o jogo tenha descambado no festival de golos em que descambou. Ruiz aproveitou um lançamento lateral para dar vantagem ao Sporting, premiando a estratégia mais conservadora de Jesus, que entrou mais perto do 4x3x3 que do 4x4x2, com João Mário à direita e o triângulo formado por William, Adrien e Aquilani ao meio. Ainda assim, foi no corredor central que o Sp. Braga construiu o empate, de Rafa para Wilson Eduardo. Alan fez o 2-1, mas, assim que teve de correr atrás do resultado em vez de o gerir, o Sporting reagiu bem: Slimani empatou de súbito e William marcou o 3-2. O empate saiu de um belo remate de fora da área de Macelo Goiano, a sete minutos do final do tempo regulamentar e, já no prolongamento, Rui Fonte sentenciou a eliminatória a favor dos minhotos. Ao Sporting resta, em termos internos, o campeonato – que a Taça da Liga será fraca consolação. Falta ver se os intensíssimos 120 minutos de Braga terão reflexo na produção da equipa já no domingo, frente ao U. Madeira, num compromisso em que, mais que gerir, terá mesmo de fazer as despesas da partida.
2015-12-16
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Andamos todos há anos a ouvir uma frase feita, que uns atribuem a Phil Jackson, ex-treinador de basquetebol dos Chicago Bulls e dos Los Angeles Lakers, na NBA, e outros a Alex Ferguson, que se celebrizou como “manager” do Manchester United, na Premier League inglesa de futebol. Diz o cliché que “o ataque ganha jogos, mas é a defesa que ganha campeonatos”. Pois bem, querem saber uma coisa? É mentira. Escrevo-o enquanto ainda decorre a jornada com mais golos na Liga portuguesa desde Janeiro, quando se fizeram os mesmos 33 que esta já leva. Uma jornada na qual os candidatos ao título sofreram todos golos e na qual, porém, deram os maiores sinais de vitalidade de que há memória no histórico recente da competição. Quando ainda faltam jogar o Académica-Belenenses, previsto para logo à noite, já se marcaram 33 golos nesta 13ª jornada da Liga. E é preciso recuar 13 anos, até Novembro de 2002, para se verem ataques mais produtivos que os deste fim-de-semana. Desde essa ronda número nove de 2002/03, estava José Mourinho a começar a construção do seu FC Porto europeu, o Sporting a gerir a euforia do seu último título de campeão nacional e o Benfica a preparar a sucessão de Manuel Vilarinho por Luís Filipe Vieira, jogaram-se 410 jornadas de campeonato e em mais nenhuma se chegou às 34 bolas nas redes. Agora, basta que entre mais uma em 90 minutos de futebol que ainda faltam, para que o número seja igualado. Ou duas, para que ele seja batido. Defendeu-se mal? Também, seguramente. Mas eu não fixaria muito nisso a análise ao que se passou. O Benfica apresentou-se em Setúbal, onde ainda ninguém tinha ganho esta época, com autoridade de campeão. Beneficiou dos equilíbrios táticos que a colocação de Pizzi na direita do meio-campo lhe permite, tanto em construção como na reação à perda, e chegou ao intervalo com um 2-0 que já era tranquilizador. Ainda fez o 3-0 antes de suportar o regresso do Vitória ao jogo, mas acabou com um 4-2 que lhe permitiu manter-se a oito pontos do líder, que é o Sporting, e com um jogo a menos. Sofreu dois golos, é verdade, mas tem o melhor ataque da Liga: 31 golos marcados. Um total que, em comparação com a mesma altura, só fica atrás de dois dos seis anos de Jorge Jesus, nos quais o Benfica fazia valer uma produtividade ofensiva fora do comum. O FC Porto ganhou ao Nacional na Choupana, onde ninguém ganhava há quase um ano – completava-se de hoje a uma semana – por 2-1, num jogo dividido entre dois dias por causa do nevoeiro. E, quando se viu apertado pelos adeptos, que o contestaram à chegada de Londres, Lopetegui pôs as fichas todas no ataque. Não tanto na formação do onze, que seguiu os cânones habituais, mas na forma como os jogadores se comportaram em campo: o segundo golo é conseguido num momento em que, com bola na esquerda, os dragões têm quatro unidades na área. Quatro e não as duas que normalmente lá fazem chegar em lances desta natureza. Por fim, mesmo poupando vários titulares, numa inversão da estratégia de rotatividade que vinha utilizando até aqui – desta vez usou a equipa de gala na Liga Europa, contra o Besiktas, e rodou no campeonato – o Sporting chegou aos 2-0 antes do intervalo da receção ao Moreirense e pôde depois gerir essa vantagem até final. Com alguns excessos de tranquilidade, que permitiram que os minhotos regressassem ao jogo com um golo que foi o primeiro encaixado pelos leões na Liga desde inícios de Outubro, mas ainda assim com uma demonstração importante de profundidade do plantel, com respostas positivas das segundas escolhas. Todos sofreram golos. E isso, de acordo com a tal frase feita, é mau. Mas sabem quantas equipas foram campeãs nacionais nos últimos dez anos sem terem o melhor ataque da Liga? Uma: o FC Porto de 2012/13. E mesmo essa, não fosse um tal Kelvin, na penúltima jornada, teria ficado a ver outros celebrar. Adaptado do texto do Diário de Notícias (atualizado)
2015-12-14
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O Sporting ganhou ao Moreirense por 3-1, sentenciando a sétima vitória seguida desde a derrota com o Skenderbeu, na Albânia (3-0). É a melhor série da época e a melhor desde as oito vitórias consecutivas que a equipa de Marco Silva entre um empate com o Moreirense (14 de Dezembro de 2014) e uma derrota com o Belenenses para a Taça da Liga (21 de Janeiro).   - Com a vitória, os leões chegam à 13ª jornada com 35 pontos, fruto de 11 vitórias e dois empates. Este ainda é o seu melhor arranque no campeonato desde 1990, quando atingiram esta fase da prova com 12 vitórias e um empate. Na altura, com as normas de pontuação antiga, os resultados valeram 25 pontos, que seriam 37 com a vitória a três pontos.   - Rui Patrício e Stefanovic entraram em campo como os dois guarda-redes há mais tempo sem sofrer golos na Liga, mas ambos viram as séries interrompidas. O guardião leonino passou 538 minutos sem ir buscar uma bola ao fundo das redes, entre o golo de Josué (V. Guimarães, a 4 de Outubro) e o penalti de Rafael Martins. Bateu assim a melhor marca da atual Liga, que estava na posse do bracarense Kritciuk, com 505 minutos de imbatibilidade.   - Stefanovic, por seu turno, já não sofria golos desde que foi batido por Obiorah (Académica, a 1 de Novembro). Acumulou 374 minutos seguidos sem sofrer golos até ao tento de Gelson Martins, ainda na primeira parte do jogo de Alvalade.   - Gelson Martins fez nessa altura o seu primeiro golo no campeonato. Já tinha marcado por duas vezes, mas sempre noutras competições: nos 4-0 ao Vilafranquense, na Taça de Portugal, e nos 4-2 ao Lokomotiv Moscovo, na Liga Europa.   - Aquilani fez o primeiro golo de bola corrida pelo Sporting, pois os dois que tinha marcado até aqui tinham saído de grandes penalidades convertidas face à Académica e ao Skenderbeu. O italiano não fazia um golo de bola corrida desde 2 de Outubro de 2014, quando abriu o marcador numa vitória da Fiorentina sobre o Dynamo Minsk (3-0), na Liga Europa.   - Jorge Jesus mandou Slimani marcar um penalti, com Adrien em campo. Foi a segunda vez esta época que, estando em campo, Adrien foi preterido na marcação de uma grande penalidade: a anterior foi em Coimbra, contra a Académica, porque o médio já tinha falhado um pontapé dos onze metros nesse jogo. Na altura foi Aquilani o designado para bater.   - O Sporting aumentou para sete o total de penaltis de que beneficiou em 13 jornadas, mantendo-se como equipa que beneficiou de mais grandes penalidades e em linha nesse particular com a época de 2001/02, quando foi campeão pela última vez. Na altura, chegou ao fim das 34 jornadas com 17 penaltis a favor e também tinha sete à passagem da 13ª jornada.   - Em contrapartida, o Sporting já viu os árbitros apitarem-lhe três penaltis contra. Só o Marítimo, com cinco, e a Académica, com quatro, foram tão penalizados como os leões.   - Rafael Martins, que marcou esse penalti, fez um golo ao Sporting em Alvalade depois de já ter feito outro ao Benfica na Luz. Não jogou contra o FC Porto em casa, mas ainda terá a oportunidade de completar o ramalhete na visita ao Dragão, na segunda volta. Em 2013/14, na sua época de estreia em Portugal, pelo V. Setúbal, marcou aos três grandes.   - Slimani falhou um penalti, ainda que marcando o golo na recarga, o que lhe permitiu marcar pelo segundo jogo consecutivo pela terceira vez esta época. Foi ainda a primeira vez que marcou em dois jogos seguidos em Alvalade depois de o ter feito a Boavista e Sp. Braga em Abril e Maio.
2015-12-14
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Último Passe

Jorge Jesus inverteu a sua lógica de poupanças, usou a equipa titular contra o Besiktas, onde o Sporting assegurou a continuidade na Liga Europa, e poupou alguns titulares no desafio com o Moreirense, ganhando-o na mesma, por 3-1, e mantendo a liderança na Liga, mesmo que o FC Porto acabe mesmo por ganhar o seu jogo com o Nacional na Choupana. E se na quinta-feira esteve à beira do falhanço que podia pôr os dois objetivos em causa – perdia a meia-hora do fim um jogo que tinha de ganhar, desgastando a equipa titular – hoje pôde gerir com toda a tranquilidade uma partida que se pôs fácil ainda durante a primeira parte. Tranquilidade a mais, até, numa ponta final que quase complicava os objetivos do treinador. Jesus tinha três objetivos para estes dois jogos: ganhá-los e nivelar o esforço do plantel, poupando os tradicionalmente mais sacrificados e dando rodagem a quem dela precisava, já a pensar na Taça de Portugal, quarta-feira, em Braga. Ora, tirando Rui Patrício, Naldo, Ruiz e Slimani, nenhum leão cumpriu mais de jogo e meio nas duas partidas. O guarda-redes não está assim tão sujeito a esforço físico, Naldo até pode ficar de fora em Braga, Slimani é fisicamente muito forte e, de Ruiz, Jorge Jesus espera sempre superação total, pelo que não será difícil de perceber que as coisas lhe correram exatamente como ele queria, sem desvios ao planeado. Contra o Moreirense, o Sporting entrou tal como o vem fazendo ultimamente: sem chama ofensiva, a beneficiar os equilíbrios. Tinha superioridade territorial mas sofria par criar situações de golo, até que marcou dois na ponta final do primeiro tempo: primeiro Gelson, de livre indireto trabalhado no laboratório; depois Aquilani, num raro lance em que os dois médios-centro apareceram envolvidos até ao fim num movimento ofensivo, pois a assistência para golo foi de Adrien Silva. Com o 3-0, marcado antes da hora de jogo por Slimani, na recarga a um penalti que o treinador quis que fosse ele a bater mas que ele começou por falhar, o Sporting tinha o jogo resolvido, e Jesus passou para o modo gestão. Trocou os dois médios e, ao fazê-lo, perdeu o controlo da partida para um Moreirense que sabe jogar a bola e que, para já, fez golos a Benfica (2-3), FC Porto (2-2) e Sporting (1-3). Desta vez a reação final não lhe valeu pontos, mas chegou para interromper a série de jogos dos leões com a baliza a zeros na Liga: o Moreirense marcou por Rafael Martins, de penalti, mas ainda obrigou Rui Patrício a duas grandes defesas nos últimos dez minutos, mostrando que há limites para a gestão. Não a que é feita pelo treinador, mas a que fazem os homens que estão em campo.
2015-12-13
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O Sporting vai receber o Moreirense em Alvalade no que vai ser um duelo entre duas das defesas que melhor se têm portado nas últimas jornadas da Liga. Os leões são a equipa há mais tempo sem sofrer golos na competição, com 458 minutos de imbatibilidade, mas à frente dos 345 minutos a zeros do Moreirense só aparece mais uma equipa: o Benfica, com 414. Um golo pode chegar para resolver o desafio de Alvalade. Essa tem sido, aliás, a norma dos últimos jogos do Sporting na Liga. Depois de ganhar por 5-1 ao V. Guimarães, a 4 de Outubro, quando sofreu o seu último golo nesta prova (marcou-o o central vimaranense Josué, na sequência de um canto), a equipa de Jorge Jesus fechou a porta guardada por Rui Patrício e impôs-se por 3-0 ao Benfica e por 1-0 a Estoril, Arouca, Belenenses e Marítimo. Os zeros defensivos, porém, têm sido guardados apenas para os jogos da Liga, uma vez que desde essa altura o Sporting sofreu golos em quase todos os jogos que fez para outras competições: ganhou por 5-1 ao Skenderbeu, perdeu por 3-0 com a mesma equipa albanesa, ganhou por 2-1 ao Benfica, por 4-2 ao Lokomotiv e por 3-1 ao Besiktas. A exceção foram os 4-0 ao Vilafranquense (dos distritais), na Taça de Portugal. O Moreirense, por sua vez, não sofre golos desde o empate (1-1) em Coimbra, com a Académica, a 1 de Novembro. Obiorah bateu Stefanovic logo aos 15’ dessa partida, mas o guarda-redes sérvio já leva, desde então, 345 minutos sem sofrer golos, fruto das vitórias por 2-0 contra o Paços de Ferreira e por 1-0 frente ao Rio Ave e do empate sem golos com o Sp. Braga.   - Stefanovic, que não sofre golos há 345 minutos e está num excelente momento na baliza do Moreirense, regressa ao palco da sua estreia na Liga, na altura com a camisola do Arouca. Foi a 18 de Agosto de 2013 e não lhe correu nada bem, pois o Arouca perdeu por 5-1 e o guardião não só não voltou a jogar nessa época como voltou recambiado para o FC Porto (a quem pertencia o seu passe) no mercado de Janeiro.   - A vitória do Sporting frente ao Besiktas (3-1) foi a sexta consecutiva desde que os leões perderam com o Skenderbeu, em Elbasan, na Liga Europa: 1-0 ao Arouca, 2-1 (após prolongamento) ao Benfica, 4-2 ao Lokomotiv Moscovo, 1-0 a Belenenses e Marítimo e 3-1 ao Besiktas. Para encontrar uma série melhor dos leões é preciso recuar a Dezembro e Janeiro, quando a equipa de Marco Silva venceu oito jogos seguidos, entre o empate com o Moreirense (1-1) e a derrota com o Belenenses (3-2, para a Taça da Liga).   - Na Liga portuguesa, o Sporting também leva seis vitórias seguidas, desde o empate com o Boavista (0-0, a 26 de Setembro). Já igualou as melhores séries das equipas de Marco Silva e Leonardo Jardim. Silva somou seis vitórias seguidas entre o empate com o Moreirense (14 de Dezembro de 2014) e o empate com o Benfica (8 de Fevereiro de 2015), enquanto os seis sucessos de enfiada de Jardim se deram entre o empate com o V. Setúbal (9 de Março de 2014)  e o empate com o Nacional (3 de Maio de 2014). O Sporting não ganha sete jogos seguidos na Liga desde Setembro a Novembro de 2011, quando a equipa de Domingos Paciência venceu sucessivamente P. Ferreira (3-2), Rio Ave (3-2), V. Setúbal (3-0), V. Guimarães (1-0), Gil Vicente (6-1), Feirense (2-0) e U. Leiria (3-1), antes de perder na Luz (1-0) com o Benfica de Jorge Jesus.   - Evaldo, atual defesa esquerdo do Moreirense, esteve em alguns dos jogos dessa série de sete vitórias, pois nessa altura alinhava pelo Sporting, ao serviço do qual fez 72 jogos em duas épocas, marcando três golos.   - Jorge Jesus e Miguel Leal defrontaram-se por cinco vezes e Jesus ganhou sempre. A estreia foi em Fevereiro de 2014, na Taça de Portugal, quando o Benfica de Jesus foi ganhar ao Penafiel de Leal por 1-0, mas com muita dificuldade: marcou Sulejmani, a apenas seis minutos do fim. Na época passada, mais quatro confrontos entre o Benfica de Jesus e o Moreirense de Leal: duas vezes 3-1 para a Liga (e o Moreirense esteve sempre em vantagem, até se ver reduzido a dez jogadores), 2-0 para a Taça da Liga e 4-1 para a Taça de Portugal.   - Na última vez que estiveram frente a frente, Jorge Jesus e Miguel Leal, treinadores do Sporting e do Moreirense, foram expulsos pelo árbitro Jorge Ferreira. Jesus era então treinador do Benfica e acabou na bancada por ter entrado dentro do campo de jogo, o mesmo tendo sucedido com Leal, que alegou ter entrado no relvado para acalmar os seus jogadores na sequência da expulsão do jogador André Simões. O Benfica ganhou esse jogo por 3-1.   - Jesus já treinou o Moreirense, em 2004/05, mas não conseguiu evitar a descida de divisão dos cónegos. Chegou à equipa a sete jornadas do fim, em substituição de Vítor Oliveira, que a deixara em 17º lugar, a um ponto da linha de água. Perdeu os dois primeiros jogos – um deles contra o Sporting, por 3-1 – e somou depois três empates e duas vitórias, acabando em 16º, mas a quatro pontos da salvação.   - O Moreirense não perde há quatro jogos: desde a derrota em Setúbal, por 2-0, a 25 de Outubro, ganhou ao Paços de Ferreir (2-0) e ao Rio Ave (1-0), empatando com a Académica (1-1) e o Sp. Braga (0-0). Depois de um arranque de época muito difícil, esta é já a mais longa série de invencibilidade dos cónegos desde Dezembro do ano passado, quando ganharam ao Paços de Ferreira (2-0), ao Boavista (1-0) e ao Arouca (2-0) e empataram com o Sporting em Alvalade (1-1). Para se encontrar melhor é preciso recuar a Setembro e Outubro do ano passado, quando estiveram cinco jogos seguidos sem perder.   - O Moreirense nunca ganhou em Alvalade, mas empatou lá dois dos últimos três jogos, tendo perdido o outro com um golo no último minuto. Na época passada, faz na segunda feira um ano, saiu de Lisboa com um amargo empate a um golo que os leões só alcançaram aos 90+2’, por Montero, depois de Cardozo ter adiantado os minhotos ainda na primeira parte. Em Abril de 2013 o resultado ficou em 3-2 para os leões, mas só porque Viola separou as equipas com um golo aos 90’. E em Janeiro de 2012, para a Taça da Liga, o jogo entre ambos acabou empatado a uma bola.   - Em toda a sua história, o Sporting só perdeu duas vezes com o Moreirense: 1-0 em Setembro de 2003 (marcou Manoel, que viria a assinar pelos leões, aos 90’) e 3-2 após prolongamento, na Taça de Portugal, em Outubro de 2012. Os leões ganharam oito dos 13 jogos entre os dois clubes.   - André Fontes, do Moreirense, fez a estreia na Liga portuguesa a defrontar o Sporting, lançado por Rogério Gonçalves na derrota (0-2) da Académica em casa, frente aos leões, a 30 de Agosto de 2009.   - O mesmo sucedeu com Danielson, o defesa central que regressou à equipa no empate a zero com o Sp. Braga. Danielson, contudo, foi mais feliz na estreia, pois Carlos Brito lançou-o como titular na vitória do Rio Ave sobre os leões por um expressivo 4-0, a 24 de Abril de 2004.   - Nono jogo do Sporting na Liga com Nuno Almeida a apitar. Dos oito anteriores, os leões ganharam seis, empataram um (2-2 com o Estoril, em 2012/13) e perderam um (0-2 com o Penafiel, em 2004/05). Por sua vez, o Moreirense ganhou apenas dois dos oito jogos que fez com este árbitro, empatando três e perdendo outros três. E apadrinhou-lhe a estreia: um empate a duas bolas com o V. Setúbal, a 3 de Janeiro de 2002.
2015-12-12
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Último Passe

O despertador tocado por Slimani, a acordar o Sporting de 67 minutos de letargia na partida frente ao Besiktas, veio outra vez provar que o problema que quase custava o apuramento aos leões na Liga Europa não foi nunca a rotatividade promovida por Jorge Jesus, que enfrentou a maioria dos compromissos com segundas escolhas, mas sim a noção de que os jogos europeus não eram para dar tudo. Em dez minutos de futebol intenso, os leões viraram de um 0-1 que até era lisonjeiro para um 3-1 que acabaram por justificar, evitando o que seria um ato falhado do seu treinador na noite em que finalmente decidiu meter as fichas todas. Pela primeira vez nesta competição, naquele que era o jogo do “tudo-ou-nada”, onde ou ganhava ou saltava fora, Jesus entrou com o onze de gala, mas a cabeça dos jogadores parecia balançar entre a vontade de evitar uma eliminação desprestigiante e o discurso tantas vezes ouvido, segundo o qual a Liga Europa não interessa nada. Que Jesus queria ganhar, era evidente. Caso contrário teria poupado as munições para o jogo com o Moreirense, no domingo. Mas a ideia que ficou foi a de que era nesse jogo que os seus escolhidos mais pensavam. Perdiam a generalidade dos duelos, falhavam passes em cima de passes no seu próprio meio-campo e se chegaram ao intervalo com o placard a zero bem podem agradecer a Rui Patrício e a um par de falhanços comprometedores dos atacantes do Besiktas. Na segunda parte, Jesus tentou mudar. Deve ter deixado muitas orelhas a arder com o que disse aos jogadores no balneário e chamou Gelson para o lugar de Montero, desviando João Mário para o apoio a Slimani, de forma a equilibrar as coisas com o meio-campo do Besiktas. O Sporting até melhorou, mas mais um erro no início da construção permitiu a Quaresma oferecer o 0-1 a Mario Gómez. Faltava meia-hora para jogar e o Sporting tinha de melhorar muito para virar o jogo. E se nos minutos que se seguiram ao golo não o fez, parecendo resignado, foi já com Teo Gutierrez em vez de Adrien e de regresso ao 4x4x2 que um lance inventado por Ruiz e Slimani, sempre nos limites, acordou a equipa. Cinco minutos depois, Ruiz fez o 2-1 e, volvidos mais cinco minutos, Teo aproveitou um passe de Gelson para marcar ele próprio o 3-1, acabando com qualquer ideia de recuperação do Besiktas. O Sporting segue merecidamente para os 16 avos de final da Liga Europa, porque era a melhor equipa de um grupo forte para os standards da competição – haverá na próxima fase da prova muitas equipas piores que o Besiktas, que fica pelo caminho – e evita um problema de consciência a Jesus, que correu riscos sérios de ser o homem que apostou tudo numa cor e perdeu. Livre da maldição de ter cansado os titulares e mesmo assim acabar eliminado, o treinador terá agora de esperar por domingo para saber se tem direito a “jackpot” contra o Moreirense.
2015-12-10
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Stats

O Sporting precisa de meter a sexta pela primeira vez esta época se quer seguir em frente na Liga Europa. Na receção ao Besiktas, apenas um resultado assegura o apuramento aos leões independentemente do que vier a passar-se no jogo entre Skenderbeu e Lokomotiv: a vitória. Que, se vier, será a sexta consecutiva, depois dos sucessos contra o Arouca (1-0), o Benfica (2-1), o Lokomotiv (4-2), o Belenenses (1-0) e o Marítimo (1-0). Na única vez que encarreiraram cinco vitórias seguidas esta época, os leões encalharam à sexta. Já aconteceu à equipa de Jorge Jesus ganhar cinco vezes seguidas, precisamente a seguir ao empate em Istambul frente ao Besiktas. Despacharam o V. Guimarães por 5-1, o Vilafranquense por 4-0, o Skenderbeu por novos 5-1, o Benfica por 3-0 e o Estoril por 1-0. A sexta partida da sequência foi a deslocação a Elbasan, para defrontar o Skenderbeu, e saldou-se com a humilhante derrota por 3-0 que deixou a equipa portuguesa em tão maus lençóis na Liga Europa. Já na época passada a última grande série do Sporting encalhara à sexta partida: empate a uma bola no Estoril, em Maio, depois de cinco vitórias contra Nacional (1-0 e 2-0), V. Setúbal (2-1), Boavista (2-1) e Moreirense (4-1). As almejadas seis vitórias seguidas não acontecem ao Sporting desde Janeiro, quando a equipa então liderada por Marco Silva até ganhou oito vezes seguidas: 3-2ao Vizela, 1-0 ao Nacional, 2-0 ao V. Guimarães, 3-0 ao Estoril, 4-0 ao Famalicão, 1-0 ao Sp. Braga e ao Boavista e 4-2 ao Rio Ave. A série foi interrompida no Restelo, em partida da Taça da Liga, contra o Belenenses, que os leões perderam por 3-2 e para a qual não foram escolhidos os titulares. Essa tem sido a política de Jorge Jesus na Liga Europa. Veremos se a mantém ou se ataca a sexta com toda a artilharia disponível.   - O Sporting só garante a qualificação se ganhar ao Besiktas. Se empatar, só se apura se o Lokomotiv Moscovo perder com o Skenderbeu na Albânia. Em contrapartida, o Besiktas qualifica-se sempre em caso de empate e, na eventualidade de vir a perder, só segue em frente no cenário de derrota dos russos. Um empate entre Lokomotiv e Skenderbeu deixaria russos e turcos com nove pontos e igualdade no confronto direto, a desempatarem na diferença de golos, que é favorável ao Besiktas por um golo, pelo que tudo dependeria da diferença de golos em Alvalade – derrota turca por um golo deixaria ambos com dois golos à maior – e do total de golos marcados, aspeto em que os turcos têm três de vantagem.   - O Sporting ganhou sete dos nove jogos feitos em casa este ano. As exceções foram o empate com o P. Ferreira (1-1, a 22 de Agosto) e a derrota com o Lokomotiv Moscovo (1-3, a 17 de Setembro). Os últimos seis jogos saldaram-se por vitórias. Se ganhar ao Besiktas, somará sete vitórias seguidas em casa, igualando a série estabelecida entre o final da época passada e o início da atual.   - O Besiktas ainda não perdeu fora de casa esta época, somando sete vitórias e apenas dois empates (1-1 com o Gençlerbirligi e o Lokomotiv Moscovo). A última derrota fora de casa da equipa turca foi a 24 de Maio, por 2-0, frente ao Galatasaray, o que permitiu aos grandes rivais sagrarem-se campeões turcos a uma jornada do fim, em despique com o Fenerbahçe.   - Além disso, o Besiktas não perde um jogo internacional desde a época passada. Vai com cinco jogos de invencibilidade desde o 1-3 com que foi afastado da última Liga Europa, pelo Brugge, a 19 de Março. Se não perder em Alvalade, o Besiktas acaba a fase de grupos sem derrotas pela segunda época consecutiva.   - Este será o quarto jogo entre Jorge Jesus e Senol Gunes. Até aqui, Jesus ganhou uma vez (2-0, no Benfica-Trabzonspor de Julho de 2011) e empatou duas (sempre 1-1, pelo Benfica em Trabzon e pelo Sporting contra o Besiktas em Istambul). Além disso, Jesus ganhou sempre que defrontou turcos em casa: 3-0 pelo Sp. Braga contra o Sivaspor em 2008/09, 2-0 pelo Benfica ao Trabzonspor em 2011/12 e 3-1 pelo Benfica ao Fenerbahçe em 2012/13.   - Teo Gutièrrez, que está fora do jogo com o Besiktas, passou um ano na Turquia, onde jogou pelo Trabzonspor. O último jogo que fez com a camisola do clube turco foi precisamente uma vitória por 1-0 contra o Besiktas, a 3 de Outubro de 2010. Foi expulso com duplo cartão amarelo e não voltou a alinhar pelo Trabzonspor, onde tinha como treinador o atual treinador do Besiktas, Senol Gunes.   - Ricardo Quaresma, uma das estrelas do Besiktas em quem se diz que o Sporting pode estar interessado, fez a formação nos leões, por quem foi campeão nacional em 2001/02. Passou no entanto várias épocas na Liga portuguesa em representação do FC Porto. Ao todo, entre FC Porto e Besiktas, já jogou 15 vezes contra os leões, ganhando apenas quatro (uma em Alvalade, em 2005/06). Quaresma perdeu ainda cinco vezes com o Sporting, quatro delas em Lisboa.   - O Sporting já jogou duas vezes contra turcos em Alvalade, ganhando uma e perdendo a outra. Venceu por 2-0 o Kocaelispor em 1993/94 e perdeu por 3-0 com o Gençlerbirligi em 2003/04. Sempre na sequência de empates na Turquia nas partidas da primeira mão.   - O Besiktas ganhou duas vezes em oito jogos contra equipas portuguesas, ambas fora de casa: 3-1 ao V. Guimarães em 2005/06 e 2-0 ao Sp. Braga em 2011/12. Nesses oito jogos contam-se ainda quatro derrotas, mas três delas foram na Turquia. A única equipa portuguesa a ganhar aos turcos em casa foi o FC Porto, que os bateu no Dragão por 2-0, em 2007/08. Lucho González e Quaresma marcaram os golos portistas.   - Mario Gomez, o avançado alemão que fez o primeiro golo da recente vitória do Besiktas frente ao Kayserispor, por 2-1, e que já soma 12 golos esta época, já marcou uma vez a Rui Patrício, no 1-0 com que a sua seleção se impôs a Portugal na estreia no Europeu de 2012.    
2015-12-09
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Carlos Manaca era um bom defesa-central, daquele tempo do futebol “rock and roll”, em que os jogadores eram todos bons. Ou pelo menos era isso que ouvíamos contar na rádio. Mas Manaca era mesmo bom. Notabilizou-se com a camisola do Sporting, que deixou aos 28 anos, para jogar nos Estados Unidos, mas nada fez tanto pela eternização do seu nome como um autogolo, já depois de ter regressado a Portugal. Os autogolos são o dia-a-dia dos defesas-centrais, mas o autogolo de Manaca foi especial, porque valeu a vitória do Sporting em Guimarães e porque essa vitória valeu aos leões o título nacional de 1980, ganho ao sprint ao FC Porto. Quase 40 anos depois, a história de Manaca regressou, mas agora Manaca chama-se Tonel. O problema de Tonel, o defesa-central que também se notabilizou com a camisola do Sporting, saiu para a Croácia e depois regressou a Portugal, é que o penalti que ele fez no último minuto do jogo com os leões foi filmado por mais de uma dezena de câmaras de televisão. Mais. Além disso, Tonel fez um penalti que valeu uma vitória ao Sporting – não um título, pelo menos por enquanto – numa altura em que há redes sociais. Tonel, o Manaca turbinado pelo Twitter e pelo Facebook, tem, tal como tinha Manaca, toda uma carreira atrás dele, mas nem isso impediu milhares de adeptos de garantirem que ele tinha feito o serviço encomendado em benefício do ex-clube, que sem o penalti que ele cometeu não teria ganho ao Belenenses. O assunto foi “trending topic” durante uma semana, até que os mesmos adeptos que tinham crucificado Tonel perceberam envergonhados que há por aí mais Manacas. Veio a jornada seguinte e o Benfica ganhou à Académica por 3-0. Não jogou enormidades, mas foi a única equipa em condições de chegar à vitória, a única que a procurou. Ainda assim, colocou-se em vantagem com dois penaltis perfeitamente desnecessários, cometidos por Trigueira e Ofori, e convertidos por Jonas, que aproveitou para passar a barreira dos dez golos antes do Natal pela primeira vez desde que está na Europa. Pressionado pelo Benfica, o FC Porto viu-se a perder contra o Paços de Ferreira, chegou ao empate ainda antes do intervalo, mas só virou o jogo de penalti, na sequência de um lance em que Marco Baixinho, defesa-central do Paços, começou por atrasar mal a bola para o seu guarda-redes, para depois ir rasteirar Herrera dentro da área, impedindo que ele tirasse vantagem do erro original. Manacas? Claro que sim. Mas só no sentido em que os erros podem perfeitamente acontecer a quem vive a profissão no fio da navalha. Quase parecia uma onda solidária, uma espécie de “Je suis Tonel” – ou “Je suis Manaca”… – dos jogadores que defrontaram os grandes. Mas é pena que os que se entretêm a identificar Manacas – ou Toneis -  não sejam capazes de perceber que se Benfica, FC Porto e Sporting ganharam os seus jogos desta jornada não foi por causa dos erros dos adversários. No Benfica-Académica houve o detalhe tático de um meio-campo que começa a carburar melhor devido à dupla missão de Pizzi, que parte de uma das alas mas compõe bem o meio, mas também ao vigor e à potência do júnior Renato Sanches, autor de um jogo muito interessante e de um golaço num remate a 30 metros que terá valido o bilhete a quem foi ao estádio. No FC Porto-Paços de Ferreira houve um excelente golo de Corona, pela ligação entre os dois extremos – ele e Brahimi – e pela classe do mexicano na definição face ao guarda-redes. E houve uma espécie de renascimento de Herrera, a manter os níveis de intensidade e competitividade da equipa. E no Marítimo-Sporting houve um líder operário, a saber sofrer antes e depois da bela jogada coletiva que deu o golo a Adrien, bem como um Rui Patrício de seleção, autor de duas defesas gigantes a preservar a vantagem. Disso, porém, só se lembram os adeptos dos clubes que ganharam. E diz muito sobre o nosso futebol que até esses prefiram lembrar os erros que levaram aos golos dos rivais. Porque quando vemos futebol estamos sempre em busca de um Manaca. Mesmo que Manaca tenha feito muito mais do que aquele autogolo. In Diário de Notícias, 07.12.2015
2015-12-07
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Rui Patrício, com duas defesas extraordinárias, esteve em destaque na vitória do Sporting frente ao Marítimo, por 1-0. O guardião leonino sofreu apenas cinco golos nas primeiras 12 jornadas da Liga, o melhor registo defensivo dos leões desde 1970/71, quando a defesa liderada por Damas chegou à 12ª ronda com apenas dois golos sofridos. Nessa época, o Sporting defendia o título nacional conquistado meses antes, liderava à 12ª ronda, mas mesmo mantendo a melhor defesa (14 golos encaixados nas 26 jornadas que tinha a prova) acabou o campeonato em segundo lugar, a três pontos do Benfica.   - Além disso, o guardião leonino encarrilou o quinto jogo seguido sem sofrer golos na atual Liga, depois dos 5-1 ao V. Guimarães: Benfica (3-0), Estoril (1-0), Arouca (1-0), Belenenses (1-0) e agora Marítimo (1-0). São já 458 minutos seguidos sem sofrer golos na Liga, desde o tento de Josué nos 5-1 ao V. Guimarães, a sua melhor série desde os 600 minutos de inviolabilidade que alinhou entre Novembro de 2013 e Janeiro de 2014. Patrício é o guarda-redes há mais tempo sem sofrer golos no campeonato, mas ainda a 44 minutos do recorde da época, os 502 minutos do bracarense Kritciuk.   - Os 32 pontos que os leões somam ao fim de 12 jornadas são o melhor registo pontual da equipa verde e branca desde 1990/91, quando o grupo comandado por Marinho Peres chegou à 12ª ronda com onze vitórias e um empate: 23 pontos pelo sistema antigo que seriam 34 no atual regime de pontuação. Esse Sporting, no entanto, acabou a Liga em terceiro lugar. Ninguém somava tantos pontos nas primeiras 12 jornadas desde 2012/13, quando FC Porto e Benfica chegaram a este ponto do campeonato com as mesmas 10 vitórias e dois empates.   - Sete das dez vitórias do Sporting na Liga (entre elas as últimas quatro) aconteceram por apenas um golo de diferença. Em toda a época passada, o Sporting só ganhou nove jogos da Liga pela margem mínima. E só uma nas primeiras doze jornadas.   - Além disso, o Sporting registou a sexta vitória consecutiva na Liga, algo que já não conseguia desde o período entre Dezembro do ano passado e Fevereiro. Se agora se impôs a V. Guimarães (5-1), Benfica (3-0), Estoril (1-0), Arouca (1-0), Belenenses (1-0) e Marítimo (1-0), na altura levou a melhor sobre Nacional (1-0), Estoril (3-0), Sp. Braga (1-0), Rio Ave (4-2), Académica (1-0) e Arouca (3-1), encalhando ao sétimo jogo, a receção ao Benfica (1-1).   - Adrien Silva voltou a ser decisivo na vitória do Sporting nos Barreiros. Já na época passada os leões tinham ganho por 1-0 no Funchal, graças a um penalti do médio. Em 2013/14 também tinha sido ele a abrir o ativo, de penalti, mas o resultado acabara em 3-1 para os lisboetas.   - O Marítimo perdeu o terceiro jogo consecutivo, depois das derrotas frente ao Amarante (1-0) e ao Nacional (3-1). Os insulares não perdiam três jogos consecutivos desde o final da época passada e do início da atual, quando foram duas vezes batidos pelo Benfica (4-1 na última ronda da Liga e 2-1 na final da Taça da Liga) e uma terceira pelo U. Madeira (2-1, na abertura do atual campeonato).
2015-12-06
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Último Passe

FC Porto e Sporting responderam bem à vitória do Benfica na abertura da 12ª jornada da Liga, ganharam também e deixaram tudo na mesma no topo da classificação. Não foram vitórias fáceis, mas chegaram com declaração de voto: o FC Porto superou pela primeira vez com Lopetegui o trauma de entrar a perder e virou o jogo contra o Paços de Ferreira, aproveitando da melhor forma a ingenuidade de um penalti nascido do nada, enquanto que o Sporting repetiu mais uma vez a margem mínima que vem sendo a sua imagem de marca, desta vez com direito a sofrimento contra um Marítimo que, com jogadores motivados para salvarem a cabeça do treinador, Ivo Vieira, exigiu o melhor que Rui Patrício tinha para dar. Duas super-defesas do guarda-redes da seleção nacional, uma ainda com o marcador em branco e outra depois de Adrien ter adiantado os líderes, enfatizaram o sucesso de um Sporting de fato-macaco vestido. Em condições difíceis, da relva à humidade do Funchal, que ajudaram o Marítimo a suplantar a equipa de Jorge Jesus na intensidade com que abordava cada duelo, sobretudo durante a primeira parte, os leões tiveram de aguentar um arranque exigente, foram equilibrando a equipa e chegaram à vantagem na mais bonita jogada de todo o desafio, uma triangulação perfeita com rasgo de imaginação de João Mário antes da assistência para o capitão de equipa. Depois, mesmo já não tendo começado com muita gente na frente – a lesão de Gutièrrez e o castigo a Slimani aproximaram mais o Sporting do 4x3x3 que do 4x4x2 preferido do seu treinador – Jesus foi puxando a equipa para trás, entendendo que seria essa a melhor forma de preservar a vantagem. Trocou Gelson por Aquilani e no final, para conter o maior assédio do Marítimo, ainda chamou Naldo ao campo, por troca com João Mário. É feio? Talvez. Mas deu três pontos num campo onde o FC Porto tinha deixado dois. Antes, o FC Porto tinha sofrido também para se colocar em vantagem contra um Paços de Ferreira personalizado e com gente que sabe bem o que está a fazer em campo. O golo de Bruno Moreira, fruto de um erro de posicionamento do bloco defensivo portista na sequência de um canto, apresentava um desafio de monta, pois até aqui nunca o FC Porto de Lopetegui conseguira virar um jogo. Mas os dragões foram empurrando o adversário para trás, criaram várias situações de golo – em noite negativa de Aboubakar, que, traído por um mau primeiro toque, confirmou as dificuldades para ser decisivo em espaços curtos –, empataram ainda antes do intervalo, numa bela movimentação de Corona em direção ao espaço interior, e acabaram por chegar à vantagem no seu primeiro penalti da época. O FC Porto jogou o suficiente para ganhar de outra forma, mas acabou por beneficiar de um mau atraso de Baixinho para o guarda-redes Marafona, de uma insistência pressionante de Herrera – bom jogo do médio mexicano – e de uma rasteira imprudente do mesmo Baixinho para se colocar em vantagem num penalti de Layun.
2015-12-06
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Stats

O castigo a Slimani, por ter visto o quinto cartão amarelo, impedirá que o Marítimo-Sporting coloque frente a frente os dois mais fortes cabeceadores da Liga do ponto de vista ofensivo. É que o Rei dos Ares na atual edição do campeonato tem sido o brasileiro Dyego Souza, do Marítimo. Souza tem cinco golos de cabeça, contra quatro do argelino do Sporting, estando os dois bem à frente dos mais próximos perseguidores, que são Guedes (Rio Ave), Mitroglou (Benfica), Jonas (Benfica), Aboubakar (FC Porto) e Soares (Nacional), todos com dois golos obtidos em resultado do futebol aéreo antes do início da 12ª jornada. Dyego Souza marcou seis dos 23 golos que o Marítimo obteve em todas as competições nesta época e só um deles (nos 1-5 com que os verde-rubros se inclinaram em Braga) não foi marcado de cabeça. Os cinco golos de cabeça na Liga asseguram-lhe, para já, a menção honrosa de Rei dos Ares e o que é curioso é que desses cinco golos de cabeça, três nasceram de cruzamentos de Marega: foram os golos ao U. Madeira, ao Boavista e ao Rio Ave. Os outros dois golos de cabeça, ambos obtidos contra o V. Setúbal, nasceram de cruzamentos de Edgar Costa e de Xavier. Já Slimani fez em nome próprio nove dos 41 golos que o Sporting obteve em todas as provas desta temporada, mas só sete foram na Liga. Destes, marcou com o pé esquerdo a Académica e Arouca e com o pé direito ao V. Guimarães, o que o deixa com quatro golos de cabeça no campeonato nacional: dois ao V. Guimarães, um ao Benfica e um ao Rio Ave. E tal como no caso de Dyego Souza é possível identificar o principal assistente, pois três desses golos nasceram de cruzamentos de Jefferson. A exceção foi o primeiro aos minhotos, que teve origem numa bola cruzada por João Mário. Curioso é que nem Marítimo nem Sporting têm sido muito propensos a sofrer golos de cabeça. Se a média da Liga é de 23,5% (marcaram-se 53 golos de cabeça em 225), as duas equipas estão abaixo dessa média. O Marítimo sofreu esta época, em todas as competições, um total de 23 golos, dos quais apenas três foram de cabeça (13%). O Sporting, por seu turno, encaixou 20, dos quais três (15%) foram de cabeça.   - Rui Patrício não sofre golos na Liga desde 4 de Outubro, data da vitória do Sporting sobre o V. Guimarães, por 5-1. O golo vimaranense foi marcado por Josué, aos 82 minutos, o que significa que o guardião leonino leva já 368 minutos de jogo sem ir buscar a bola ao fundo das redes. É a melhor série de inviolabilidade de Rui Patrício na Liga desde os 600 minutos exatos que alinhou entre Novembro de 2013 e Janeiro de 2014.   - Além disso, o guarda-redes do Sporting tem a oportunidade de reviver a jornada de lançamento na Liga. Estreou-se na baliza leonina, lançado por Paulo Bento, a 19 de Novembro de 2006, numa vitória por 1-0 frente ao Marítimo, na qual defendeu um penalti batido por Kanu.   - Também João Mário se estreou na Liga portuguesa pelo Sporting contra o Marítimo, mas com um resultado completamente diferente. Foi a 10 de Fevereiro de 2013 que Jesualdo Ferreira lançou o jovem médio nos últimos 17 minutos de uma partida em Alvalade que os leões perdiam por 1-0 e cujo resultado já não se alterou.   - O Marítimo é a equipa com mais jogadores expulsos neste campeonato: dez em onze jornadas. E é também, de longe, a que mais faltas comete: soma 217, a uma média de 19,7 por jogo (o Sporting fica-se pelas 15,1 faltas por desafio). Ainda assim, os jogadores do Marítimo não são os que têm a relação falta/cartão mais penalizadora da Liga: veem um cartão a cada 4,9 faltas, quando os da Académica, por exemplo, o veem a cada 4,4 faltas.   - O Sporting vem com quatro vitórias seguidas (Arouca, Benfica, Lokomotiv e Belenenses), ainda que uma delas (na Taça, com o Benfica) tenha surgido apenas no prolongamento. O melhor registo da época leonina são as cinco vitórias consecutivas de Outubro, contra V. Guimarães, Vilafranquense, Skenderbeu, Benfica e Estoril, interrompido com o surpreendente 3-0 que os leões trouxeram da Albânia.   - O Marítimo, em contrapartida, perdeu os últimos dois jogos, com o Amarante (1-0) e o Nacional (3-1). Os madeirenses não perdem três vezes seguidas desde o final da época passada e início da atual: acabaram 2014/15 a perder duas vezes com o Benfica (4-1 na Liga e 2-1 na final da Taça da Liga) e começaram 2015/16 a perder com o U. Madeira (2-1, na abertura da Liga).   - Ivo Vieira, treinador do Marítimo, só defrontou o Sporting uma vez. Foi em Março, nos Barreiros, e o seu Marítimo perdeu por 1-0, graças a um penalti de Adrien Silva. Esta será, porém, a quarta vez que vai ter pela frente Jorge Jesus. As três primeiras, perdeu-as: 0-2 com o Benfica, quando ainda comandava o Nacional, em 2012/13, e na ponta final da época passada 1-4 e 1-2 contra o mesmo Benfica, na última jornada da Liga e na final da Taça da Liga.   - O Sporting ganhou os últimos cinco jogos com o Marítimo e em quatro deles marcou sempre pelo menos três golos – a exceção foi o magro 1-0 nos Barreiros, em Março. A última vez que os leões madeirenses conseguiram sair sem perder do confronto com os de Lisboa foi em Fevereiro de 2013, quando até foram ganhar a Alvalade por 1-0, graças a um golo de Suk. Dessa equipa do Marítimo ainda restam no clube Salin, Briguel, João Diogo e Ruben Ferreira, enquanto que no Sporting se mantêm Rui Patrício, Adrien Silva, João Mário (que se estreava na Liga) e Carrillo.   - Além disso, a equipa lisboeta não perde na Madeira desde Fevereiro de 2012, quando foi batida pelo Marítimo nos Barreiros por 2-0, com golo de Benachour e Danilo Dias. Desde então, em nove jogos com Marítimo e Nacional, os leões ganharam quatro e empataram cinco.   - O Sporting nunca perdeu na Liga com Rui Costa a apitar – e já fez 15 jogos. Os leões ganharam mesmo as últimas quatro partidas com este árbitro do Porto, uma delas nos Barreiros frente ao Marítimo (o 1-0 da época passada), mas somam seis empates com ele, o último dos quais na Madeira, contra o Nacional (1-1, em 2013/14). Por sua vez, o Marítimo empata muito com Rui Costa: oito dos 16 jogos em que o teve a apitar acabaram igualados.
2015-12-04
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Último Passe

Quase todos crescemos a ouvir dizer que Portugal é um país louco por futebol. Vemos os programas acerca de futebol proliferarem nas televisões, as transmissões dos jogos de futebol baterem recordes de audiências. Mas depois chega-se à altura em que percebemos que a esmagadora maioria dos negócios à volta do futebol são deficitários. Os clubes precisam de vender jogadores para pagar salários, os jogadores precisam de emigrar, há jogos com menos de mil espectadores na nossa maior Liga…. Os jornais perdem vendas, não temos uma revista de grande circulação sobre futebol. Tentei durante anos pôr de pé esse projeto, que esbarrou sempre na mesma parede: as marcas não querem associar o nome ao futebol e já se sabe que sem publicidade não há revistas. Parece um contrassenso? Mas não é. É que os portugueses não gostam de futebol. Gostam do escapismo que o futebol lhes permite, da possibilidade que têm de se insultar ao abrigo das rivalidades do futebol. Já todos ouvimos que os portugueses, na verdade, não gostam de futebol – gostam dos seus clubes, aprenderam a gostar da seleção em períodos de sucesso, mas gostam acima de tudo de odiar os clubes dos outros. Só assim se explica que passemos horas de televisão a discutir penaltis, foras-de-jogo, mãos na bola e bolas na mão, intencionalidades ou falta delas e depois não sejamos capazes de aceitar factos ou de debater técnica, tática, estratégia... Essa é, para todos nós, para todos vós, a parte aborrecida. Quando comecei a andar no futebol, antes de as televisões colonizarem as conferências de imprensa com os seus diretos, sempre na busca do “soundbyte”, ainda apareciam perguntas dessas. Depressa foram erradicadas porque não levavam a declarações bombásticas. Por isso, um dia como o de hoje, com queixas do Benfica acerca do Sporting, com queixas do Sporting acerca do Benfica, é o máximo a que podem aspirar os “adeptos” de futebol. Comunicados e contra-comunicados, tiros nos pés e momentos flagrantes de auto-flagelação. Haja animação! O problema é que esta lógica das queixas permanentes – que está no sangue dos portugueses – é a génese de todos os problemas. Do défice à falta de patrocinadores, com passagem pela falta de liquidez. Simpatizo com as ideias de Bruno de Carvalho, como o vídeo-árbitro ou o ataque aos fundos de investimento, mas desagrada-me a vitimização e a pressão permanentes. Simpatizo as atuais ideias de Luís Filipe Vieira, como a discrição em defesa do negócio do futebol, mas aborrece-me que só tenha chegado a elas quando começou a ganhar mais vezes do que as que perdia. Simpatizei com a eleição de Pedro Proença, por ser alguém que conhece o futebol profissional de altíssimo rendimento por dentro, mas chateia-me que ainda não tenha posto mão no problema. É que, no fundo, os portugueses não são loucos por futebol. São só loucos.
2015-12-01
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Artigo

O penalti cometido por Tonel e convertido por William Carvalho permitiu ao Sporting manter a liderança na Liga e consolidar a posição enquanto equipa que mais penaltis tem a favor na Liga. São já seis, em onze jornadas, dos quais os leões converteram cinco, por Adrien (dois), Aquilani, Gutièrrez e agora William (Adrien enviou um ao poste, na visita à Académica). O Sporting está a ter inclusive mais penaltis do que em 2001/02, época que terminou com 17 grandes penalidades em 34 jornadas, mas na qual contava apenas cinco nas primeiras onze rondas. - Este foi o segundo golo sofrido pelo Belenenses de penalti esta época, tendo o anterior sido cometido por Filipe Ferreira, no jogo com o Basileia. Os azuis tiveram ainda mais um penalti contra, na Taça de Portugal, no jogo com o Olhanense (falta de Gonçalo Brandão), mas Ricardo Ribeiro defendeu.   - O Sporting ganhou pela primeira vez ao Belenenses desde Abril de 2014 e fê-lo da mesma forma: por 1-0 e com golo de penalti. Desde esse jogo, tinha havido dois empates para a Liga e uma vitória belenense para a Taça da Liga.   - Jorge Jesus também ganhou pela primeira vez a Ricardo Sá Pinto, mas também esta foi apenas a segunda vez que se defrontaram. Na anterior, também tinha ganho o Sporting, por 1-0, com golo de penalti, mas quem estava no Sporting era Sá Pinto, enquanto Jesus defendia as cores do Benfica. O árbitro também era Soares Dias.   - O golo de William Carvalho significa que o Sporting leva já 15 jogos seguidos a marcar em Alvalade, superando a melhor série da época passada, que era de 14 jogos caseiros sempre com golos, entre o 0-1 com o Chelsea e o 0-0 ante o Wolfsburg. Esse jogo com os alemães, que ditou a eliminação leonina da Liga Europa, foi o último zero caseiro dos leões.   - Rui Patrício não sofre golos na Liga desde 4 de Outubro, data da vitória do Sporting sobre o V. Guimarães, por 5-1. O golo vimaranense foi marcado por Josué, aos 82’, o que significa que o guardião leonino leva já 368 minutos sem ir buscar a bola ao fundo das redes, tendo superado os 364 que registara entre Dezembro do ano passado e Janeiro deste ano. Persegue agora os 600 minutos exatos que passou sem sofrer golos entre Novembro de 2013 e Janeiro de 2014.   - Além disso, os cinco golos sofridos em onze jornadas pelo Sporting representam o melhor arranque defensivo do Sporting desde 1990/91. Nesse ano, comandados por Marinho Peres, os leões entraram de rompante na Liga, ganharam os primeiros onze jogos e neles sofreram apenas quatro golos. Cederam os primeiros pontos à 12ª jornada, um empate em Chaves (2-2) e perderam pela primeira vez na 14ª (2-0 com o FC Porto nas Antas). Ao fim de 38 jornadas, porém, o Sporting foi terceiro, com seis derrotas.   - Desde 1990, o Sporting voltou a chegar sem derrotas à 11ª jornada em 1998, mas nunca mais fez tantos pontos como os 29 que tem agora. Os últimos líderes com 29 pontos à 11ª jornada foram Benfica e FC Porto, em 2012/13, época que acabou com o ajoelhar de Jesus no Dragão após o golo de Kelvin.   - O Sporting está ainda a especializar-se em golos nos instantes finais. O penalti de William Carvalho, aos 90+3’ permitiu a quarta vitória leonina nos últimos cinco minutos (e a segunda seguida), depois de ter ganho ao Tondela em Aveiro (2-1, aos 90+8’), ao Nacional em Alvalade (1-0, aos 86’) e no terreno do Arouca (1-0, aos 90’). O Belenenses já tinha sofrido três golos nos últimos cinco minutos (Arouca, FC Porto e Tondela), mas só o de Arouca implicara perda de pontos, pois o resultado passou a ser um empate.   - William não marcava um golo desde a vitória dos leões em casa contra o Penafiel, por 3-2, a 9 de Março. Nesse jogo, porém, marcou logo a abrir, aos 5’.
2015-12-01
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Último Passe

O Sporting manteve a vantagem sobre o FC Porto na liderança da Liga ao vencer o Belenenses por um muito sofrido e suado 1-0, graças a um penalti cometido por Tonel e convertido por William Carvalho, já para lá do minuto 90. Ricardo Sá Pinto leu bem o Sporting, fechou o espaço entre linhas no corredor central, encostou o bloco atrás e, sem os erros individuais que lhe tinham causado dissabores noutras rondas, anulou quase por completo o futebol leonino, deixando a equipa de Jorge Jesus à míngua no que respeita a oportunidades de golo. Foi a terceira vitória seguida dos leões por 1-0 na Liga, a segunda com o suspiro de alívio provocado pelo golo a surgir apenas nos últimos instantes. As dificuldades ofensivas que o Sporting vinha sentindo nos últimos jogos de campeonato quase provocavam a perda de dois pontos contra a defesa que tinha encaixado seis golos na Luz e quatro no Dragão e em Braga. Na primeira parte, com João Mário à direita e Montero perto de Slimani, o líder do campeonato só criou duas situações de perigo: um remate de ressaca de Adrien, que foi bloqueado por um adversário, e uma jogada brilhante de Ruiz, à qual o costa-riquenho quis colocar ele mesmo o ponto final, motivando uma grande defesa a Ventura, quando tinha Slimani em boa posição para marcar. Era pouco para o volume ofensivo habitual do Sporting, sintomático de uma quebra de dinâmica atacante face a uma equipa que fechava bem os espaços. Foi na procura dessa dinâmica que Jesus recorreu primeiro a Gelson (saiu Adrien e passou João Mário para o meio), depois a Matheus (com saída de Montero e passagem de Ruiz para o meio) e por fim a Tanaka (com sacrifício de Ruiz). Mas o problema do Sporting não se resolvia nem com os aceleradores, provando que esta equipa sofre muito mais quando o adversário joga tão atrás como o fez este Belenenses. Montero esteve perto do golo, Matheus também, mas era pouco para tanta posse. E, ainda que o Belenenses já estivesse a refrescar, com as entradas de Carlos Martins e Tiago Caeiro, provavelmente para tentar explorar o adiantamento do opositor e meter um conta-ataque em campo, já pouca gente acreditava no golo quando Tonel meteu a mão à bola num lance aéreo com Slimani. William fez o golo salvador, Jesus suspirou de alívio, mas é evidente que lhe falta encontrar um antídoto para jogos como este se quer manter a passada na Liga.
2015-11-30
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Stats

Jorge Jesus e Ricardo Sá Pinto têm uma história longa de ligações ao adversário desta segunda-feira. Jesus, treinador do Sporting, já jogou e treinou no Belenenses, enquanto Sá Pinto, técnico dos azuis, também jogou e dirigiu os leões. A diferença de idades explica que nunca se tenham defrontado em campo. Mas nos bancos Sá Pinto é certamente dos poucos que pode gabar-se de apresentar um saldo positivo contra o treinador bicampeão nacional, pois ganhou o único confronto direto: 1-0 num Sporting-Benfica de 9 de Abril de 2012, graças a um golo de Van Wolfswinkel. Como jogadores, ambos vestiram a camisola verde-e-branca do Sporting. Mais velho, Jesus foi lá formado, mas resumiu a sua carreira a 12 jogos e um golo, em 1975/76. Um desses jogos, porém, teve como adversário o Belenenses: a 23 de Novembro de 1975, fez na semana passada 40 anos, o jovem Jesus entrou para o lugar de Chico Faria a 14 minutos do fim, ajudando os leões a ganharem por 1-0, com golo de Marinho no último minuto. Mais novo, Sá Pinto entrou na Liga com a camisola do Salgueiros e logo em Alvalade, contra o Sporting. A 21 de Agosto de 1993, o Salgueiros deixou Lisboa com uma derrota por 2-1, mas o jovem Ricardo fez o golo que atenuou o resultado. Nessa mesma época, ainda defrontou o Sporting por mais uma vez (derrota por 1-0, na Maia), mas no Verão de 1994 já vestia de verde-e-branco. Pelo Sporting, Sá Pinto fez 227 jogos, marcando 50 golos. A primeira vez que jogou pelos leões em Alvalade foi precisamente contra o Belenenses (2-1, em Agosto de 1994). Foi o primeiro de 13 jogos pelo Sporting contra a equipa que agora comanda, nos quais Sá Pinto só perdeu uma vez (1-0 no Restelo em 2004/05), ganhando nove e empatando três. Já Jesus fez 13 jogos pelo Belenenses em 1976/77, dois dos quais contra o Sporting. E perdeu ambos: 1-0 no Restelo e 4-0 em Alvalade. Já como treinador, Jesus dirigiu o Belenenses entre 2006 e 2008, registando quatro derrotas e uma vitória (1-0 no Restelo, em Fevereiro de 2008, com golo de José Pedro) contra os leões. Uma das derrotas foi a final da Taça de Portugal de 2007 (1-0, marcou Liedson). Por sua vez, Sá Pinto comandou o Sporting durante boa parte do ano de 2012, mas nunca defrontou o Belenenses, que por esses tempos estava na II Liga.   - Há três jogos que o Sporting não ganha ao Belenenses. A última vitória, em Abril de 2014, fruto de um golo de Adrien no Restelo (1-0), valeu a certeza matemática da qualificação para a Liga dos Campeões seguinte. Desde então, verificaram-se dois empates a um golo para a Liga (Carrillo e Deyverson marcaram em Alvalade; Rui Fonte e Carlos Mané no Restelo) e uma vitória azul por 3-2 para a Taça da Liga (bis de Camará e golo de Dálcio para o Belenenses após dois golos madrugadores de Gauld para o Sporting).   - Há 60 anos que o Belenenses não ganha em casa do Sporting para a Liga. A última vitória azul (2-1) verificou-se a 2 de Janeiro de 1955, ainda não havia Estádio José Alvalade, graças a dois golos de Matateu, enquanto pelo Sporting marcou Juca. Desde essa altura, os azuis empataram sete vezes e perderam todos os outros jogos.   - O Sporting marca golos em casa há 14 jogos consecutivos, tendo o último zero sido a 26 de Fevereiro, contra o Wolfsburg. Já igualou a melhor série da época passada – 14 jogos sempre a marcar em casa entre o 0-1 com o Chelsea e o 0-0 com o Wolfsburg –, que é também a melhor série desde 2007/08, quando a equipa de Paulo Bento fez consecutivamente golos em Alvalade por 21 jogos, entre o 0-1 com o Manchester United e o 0-2 com o Glasgow Rangers.   - O Belenenses completa a quadrilogia das visitas às equipas mais fortes da Liga e ainda está por conseguir fazer um golo. Até aqui, perdeu por 6-0 com o Benfica, por 4-0 com o FC Porto e por 4-0 com o Sp. Braga.   - André Martins, que fez em Moscovo o 100º jogo com a camisola do Sporting, passou pelo Belenenses em 2010/11, mas não foi feliz: só jogou cinco vezes e não ganhou um único jogo de azul vestido.   - Gonçalo Brandão, capitão do Belenenses, estreou-se na Liga em Alvalade, com uma derrota por 4-2 contra o Sporting. Foi em Agosto de 2003 que Manuel José o lançou a 26 minutos do fim, para o lugar de Rui Borges.   - Artur Soares Dias, o árbitro deste jogo, já apitou o único confronto direto entre Jesus e Sá Pinto, o tal Sporting-Benfica de 2012 que os leões de Sá Pinto venceram por 1-0. Com ele, contudo, o Sporting perdeu cinco vezes em 25 jogos, não tendo ganho nenhuma das duas últimas (3-0 contra o FC Porto no Dragão, em Março, e 0-0 com o Boavista no Bessa, já na atual Liga). O Belenenses não o tem a apitar desde uma vitória por 3-1 contra o V. Guimarães, na parte final de 2013/14.
2015-11-28
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Último Passe

Quando Julen Lopetegui disse, recorrendo à mais fina ironia que em tempos fez escola no FC Porto, que a sua equipa devia ser a única da Europa que ainda guardava em segredo o nome do seu especialista em penaltis, estava a mostrar duas coisas. Um maior conhecimento da realidade do futebol português, onde facto e opinião se misturam de forma indisfarçável, e a noção de que o vazio deixado pelo maior recato recente de Pinto da Costa tem de ser ocupado por alguém para entrar no jogo que Sporting e Benfica estão a disputar. Portugal está muito longe da realidade que serve de base aos manuais de jornalismo, onde os factos são a base de tudo e podem ser lidos de forma impoluta. Em Portugal, quem consome informação sobre futebol está amplamente colonizado pelas diatribes radicais dos programas de comentadores-adeptos e não é capaz de separar o facto da opinião. A ironia de Lopetegui tem essa noção como princípio orientador. O facto é que o FC Porto ainda não teve penaltis a favor na Liga. A opinião é a de que o FC Porto está a ser prejudicado, porque o Benfica já tem um e o Sporting soma cinco. Só que os factos não são só estes. Primeiro porque o FC Porto não é a única equipa da Liga sem penaltis a favor – há mais sete nessas condições. Depois porque FC Porto e Benfica são duas das oito equipas que também não têm nenhum penalti contra (e o Sporting, por exemplo, já tem dois) e isso não quer dizer que estejam a ser beneficiados. Porque ao contrário do que acontece nos programas de segunda-feira à noite, um facto é um facto e uma opinião, podendo ser nele baseada, é uma opinião. Nada mais… Outra questão prende-se com a razão que leva Lopetegui a entrar neste jogo – e essa tem a ver com aquilo que Rui Vitória disse no final do dérbi da Taça de Portugal. É que, tal como o técnico do Benfica, o treinador basco também não quererá “ser comido de cebolada”. Ora este é mais um plano em que o futebol nacional funciona como prolongamento dos programas de segunda-feira, onde quem fala mais alto e radicaliza mais o discurso é quem ganha. Só que aqui, até ver, FC Porto e Benfica estão a correr atrás, a reagir ao Sporting. Jorge Jesus nem precisa de falar do assunto, de se meter com o lado negro da força, porque Bruno de Carvalho e Octávio Machado têm feito todo o trabalho sujo. No Benfica, Rui Costa foi o primeiro a dizer alguma coisa, mas só o fez na viagem a Astana, depois de Rui Vitória ter sido lançado à fogueira na sequência da derrota de Alvalade. No FC Porto, que foi onde este “jogo” foi inventado, o silêncio impera e só é rompido de quando em vez pelo boletim “Dragões Diário”. O futebol seria muito melhor sem estas guerras. Disso não tenho dúvidas, da mesma forma que não tenho certeza de que a pressão dê frutos e se reflita em benefícios. Mas que Benfica e FC Porto estão próximos do Sporting aristocrático de outrora, onde Paulo Bento tinha de fazer a guerra sozinho, ao passo que em Alvalade se recorre às armas que outrora celebrizaram Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira, disso já não me restam dúvidas nenhumas.
2015-11-27
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Último Passe

Sp. Braga apurado, Sporting e Belenenses vivos para a última jornada. Não podia ter corrido muito melhor às equipas portuguesas a quinta jornada da Liga Europa, mesmo que os resultados dos lisboetas impliquem o “aumentar de um problema”, como frisou Jorge Jesus. Deixando para outro dia a reflexão em torno do que paga esta prova, em comparação com o que paga a Liga dos Campeões, e o consequente desinvestimento desportivo que daí resulta para alguns clubes, é ainda assim caso para dizer que o problema não tem sido de rotatividade excessiva mas sim de desfocagem total nalgumas ocasiões. O fundamental era mesmo o foco.  Os casos das três equipas portuguesas são radicalmente diferentes mas vão todos desembocar na mesma questão: o foco. O Sp. Braga fez um arranque hiper-focado, com três vitórias seguidas a deixarem a qualificação à mão de semear. Ou melhor: duas vitórias seguidas e uns momentos de desconcentração após o 2-0 no terceiro jogo, quando a equipa interiorizou que tinha os 16 avos de final à mão de semear. Os dois golos do Ol. Marselha em Braga ainda tiveram remédio, com o 3-2 em tempo de descontos, mas a derrota no quarto jogo adiou tudo para a receção ao Slovan. Os minhotos qualificaram-se voltando a ganhar ao Slovan, graças a uma grande segunda parte, que promete outras coisas, e agora sim podem tirar o foco desta prova e centrar-se no campeonato até Fevereiro. O Belenenses nunca teve as mesmas aspirações de Sporting e Sp. Braga, pelo que no caso da equipa do Restelo a questão do foco deve ser vista ao contrário. Aqui, com exceção do jogo com a Fiorentina, que é de facto muito superior, as coisas funcionaram enquanto a responsabilidade era nula: empate em Poznan, vitória em Basileia… Nessa altura, a equipa terá percebido que podia seguir em frente. Bastaria, em princípio, ganhar os jogos em casa contra as mesmas equipas que já lhe tinham permitido fazer quatro pontos fora. Pois não ganhou nenhum e só segue para Florença com hipóteses de apuramento porque os italianos se deixaram empatar em Basileia. Mais uma vez, a responsabilidade dos jogadores de Sá Pinto – que terão de vencer em Florença para se qualificarem – é quase nula. Pode ser que resulte. E o foco foi também a questão fundamental para o Sporting, que ainda hoje mostrou em Moscovo que mesmo com as segundas escolhas é melhor que as outras equipas do grupo. Se entra na última jornada com a obrigação de ganhar ao Besiktas em Alvalade para se apurar, três dias antes da receção ao Moreirense (daí o problema…), não é porque Jesus tenha optado por jogar com uma equipa recheada de segundas escolhas. Foi porque só hoje, quando estavam entre a espada e a parede, os jogadores entraram verdadeiramente focados na tarefa de fazer uma figura digna nesta Liga Europa. E nem um golo azarado e mal sofrido logo a abrir os impediu de passearem com classe pelo frio de Moscovo para uma vitória claríssima, para mais uma demonstração de que um pouco mais de foco teria permitido acabar com a conversa muito mais cedo.
2015-11-26
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O Sporting desloca-se a Moscovo para defrontar o Lokomotiv em partida decisiva da Liga Europa e fá-lo sem Rui Patrício, que foi expulso contra o Skenderbeu em Elbasan. É apenas a segunda vez que os leões jogam sem o seu guarda-redes esta época, sendo que na anterior venceram fora o Vilafranquense por 4-0. Aliás, a equipa verde-e-branca nem costuma ressentir-se das ausências de Rui Patrício, seja porque ele costuma ser poupado em jogos mais fáceis ou porque Boeck tem estado à altura. Dos oito jogos que o Sporting fez sem Rui Patrício na época passada só um acabou com derrota: os 3-2 com o Belenenses no Restelo, para a Taça da Liga, jogado com muita gente da equipa B. De resto, seis vitórias (Rio Ave no campeonato; Vizela, Famalicão e Sp. Espinho na Taça de Portugal e ainda V. Guimarães e Boavista na Taça da Liga) e um empate (V. Setúbal na Taça da Liga). E nos anos anteriores o panorama é igualmente animador: três vitórias e um empate (0-0 com o FC Porto, na Taça da Liga) em 2013/14; duas vitórias e um empate (com o Marítimo) em 2012/13. A pior época da história do Sporting – na qual não conseguiu sequer apurar-se para as provas da UEFA – fica ainda marcada pelo último jogo europeu dos leões sem Patrício: foi a vitória sobre o Videoton, em casa, por 2-1, na última ronda da Liga Europa, já sem chances de apuramento para os 16 avos de final. Já se vê que têm sido raros os jogos internacionais que Patrício vê pela TV. Antes desse contra o Videoton, a 7 de Dezembro de 2012, já tinha sido Boeck a defender as redes leoninas em Novembro e Dezembro de 2011, com uma vitória (Zurique, em casa, por 2-0) e duas derrotas (Vaslui e Lazio fora, por 1-0 e 2-0). Boeck está ainda sem saber o que é ganhar pelo Sporting a jogar e fora de Portugal. Além de Patrício, o último guada-redes a conseguir fazê-lo foi Tiago, que defendeu as balizas leoninas em Lille, nos 2-1 de 16 de Setembro de 2010.   - Para manter esperanças no apuramento para os 16 avos de final, o Sporting terá em princípio de fazer pelo menos o mesmo resultado que o Besiktas fizer na receção ao Skenderbeu, de forma a diminuir ou manter a distância de dois pontos para os turcos, permitindo-lhe depois ultrapasá-los com uma vitória em Alvalade no último dia. A exceção é um cenário improvável de derrota do Besiktas com os albaneses, caso em que o Sporting poderia também perder em Moscovo, desde que depois ganhasse ao Besiktas no último dia e o Skenderbeu não vencesse o Lokomotiv em Elbasan. Mas simples são as contas do Lokomotiv: apura-se já se ganhar ao Sporting ou mesmo se empatar, desde que o Besiktas não perca com o Skenderbeu.   - Slimani marcou nos dois últimos jogos do Sporting: o 1-0 em Arouca e o 2-1 ao Benfica na Taça de Portugal. Persegue o se primeiro golo na Liga Europa – já marcou na Champions – e uma série de três jogos seguidos com golos. Algo que não consegue desde Março de 2014. Nessa altura, aliás, marcou em quatro desafios seguidos: Rio Ave, Sp. Braga, V. Setúbal e FC Porto.   -O Lokomotiv ganhou apenas um dos últimos sete jogos, mas fê-lo contra o Zenit: 2-0 em casa a 8 de Novembro, na Liga russa. Desses jogos, houve mais três em casa: 1-1 com o Besiktas, 0-1 com o Amkar e 0-2 com o Anzhi.   - Mais uma oportunidade para o Sporting interromper a série de jogos sem ganhar fora de casa nas competições europeias. A última vitória do Sporting europeu como visitante aconteceu a 15 de Setembro de 2011, no Letzigrund, de Zurique, frente ao FC Zurique, por 2-0 (golos de Insúa e van Wolfswinkel). Nos 17 jogos que se seguiram, os leões obtiveram cinco empates e 12 derrotas.   - O Sporting nunca foi feliz contra equipas russas, tendo ganho apenas um dos oito jogos disputados (ao CSKA, em casa, no play-off da atual Liga dos Campeões). Em seis desses oito jogos sofreu sempre três golos. Em contrapartida, o Lokomotiv ganhou dois de cinco desafios contra opositores portugueses, ambos por 3-1: ao Sp. Braga em 1998/99 e ao Sporting na primeira ronda da atual Liga Europa.   - Ewerton, que não estava disponível no jogo da primeira jornada, em Alvalade, já jogou na Rússia, no Anzhi, e tem um histórico imaculado contra o Lokomotiv. Em dois jogos, empatou a zero, fora, em Abril de 2014, quando já tinha ganho por 2-1 em casa. Em Maio de 2013.   - Manuel Fernandes, o português do Lokomotiv, já recebeu o Sporting em três ocasiões, sempre ao serviço do Benfica. Tem uma vitória (1-0 em Maio de 2005), um empate (3-3, em Janeiro de 2005, com vitória nas grandes penalidades) e uma derrota (1-3, em Janeiro de 2006).
2015-11-25
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É inquestionável que Jorge Jesus deu a volta ao dérbi de Lisboa. Se nos seis anos que passou no Benfica perdeu apenas um em 17 – dois em 18, vá lá, se contarmos o da Taça de Honra, com muitas segundas escolhas metidas ao barulho e em pré-época –, nos cinco meses de Sporting já leva três vitórias em três. Alguma coisa mudou. E por muito que isso tenha custado a quem antes perdia ou custe a quem perde agora, não foram os árbitros que deixaram de gostar de vermelho para passarem a gostar de verde. Acreditar nisso é como acreditar na Carochinha ou no Pai Natal. Quando chegou ao Benfica, Jesus disse com todas as letras que ia colocar os encarnados a jogar o dobro. Nada disso é mensurável, mas sendo verdade que a equipa de Quique Flores jogava de facto muito pouco, o crescimento do futebol do Benfica foi uma evidência que se refletiu em títulos nacionais. E as razões foram muito simples e semelhantes às que agora motivaram o crescimento do Sporting nos dérbis de Lisboa. Assim de repente, identifico cinco: a aplicação concreta de uma ideia de jogo a um grupo de jogadores; a empatia do treinador com os seus favoritos; o realismo nas escolhas e nas decisões; uma cultura de exigência que chega a roçar o insuportável e um instinto assassino de bom malandro. Muitas destas razões servem também, pela inversa, para explicar os problemas que Rui Vitória está a sentir no Benfica. Mas isso é outra conversa… Há um futebol à Jesus. Já havia no Benfica, continua a haver no Sporting. Ele pode sofrer ligeiras mutações de ano para ano, de grupo de jogadores para grupo de jogadores, mas está lá para quem o quiser ver. Baseia-se num ritmo intenso; em diagonais dos alas para o espaço interior; na procura alternada de profundidade nos corredores laterais, ora pelo defesa lateral, ora por um dos avançados; em triangulações na busca constante do espaço vazio e em presença massiva na área na altura de meter a bola naquilo a que Jesus chama “zona de definição”. Era assim que jogava o Benfica de Jesus e é assim que joga o Sporting de Jesus. E o treinador já domina tão bem esta ideia de jogo que vai aperfeiçoando a noção de quem precisa de recrutar para a interpretar. Esta adequação dos jogadores à ideia de jogo do treinador é um trunfo que Rui Vitória não tem no Benfica, por exemplo. Porque quis trazer ideias novas mas esbarrou num grupo que era campeão nacional mas estava formatado e era adequado às antigas: a questão Jonas nasce aí. A tal escolha de jogadores de acordo com as suas ideias leva Jesus a criar sempre um grupo de favoritos, de jogadores que são os dele. Neste Sporting há os jogadores “de Jesus” e os que lá estão porque têm qualidade mas não encaixam tão bem nas ideias do treinador. Montero é um destes casos e por isso era evidente que nem o desgaste motivado pelas viagens transatlânticas de Ruiz levaria o treinador a manter o colombiano em campo quando quisesse fazer a primeira substituição no dérbi. Porque Ruiz é um jogador “de Jesus”. Este fenómeno, que leva a que os ex-jogadores de equipas orientadas por Jesus o amem ou odeiem, consoante faziam parte ou não dos favoritos do treinador, leva a que este Sporting tenha um onze bastante consolidado e taticamente consciente, mas baixe muito de rendimento quando tem que lhe fazer múltiplas alterações. É por causa desta empatia com os “seus” jogadores, que já não consegue criar em grupos muito alargados, e não devido a qualquer inadequação do seu 4x4x2 às provas da UEFA, que Jesus não tem tido a nível internacional o sucesso que consegue intramuros. Só o lastro ganho junto do grupo com conquistas nacionais lhe permitiu chegar a duas finais da Liga Europa com o Benfica. Depois, Jesus é extremamente realista nas escolhas que faz. Os adeptos gostam de ver miúdos da formação a jogar, gostam de trufas e caviar a preço de sandes de courato, mas o treinador sabe que isso raramente se encontra e que no final vai ser avaliado pelos troféus ganhos e não pelo total de miúdos que lançou. Por muito que no Benfica agora andem radiantes com a quantidade de jovens promovidos por Rui Vitória ou que a Sporting TV pergunte a Jesus se para ele tem algum significado ter acabado o último dérbi com sete jogadores da formação, o mais certo é ele nem ter pensado nisso por um segundo. Porque o que lhe interessa é ganhar. Com jovens formados em casa ou velhos contratados fora. E é por isso que o Sporting vai mexer no mercado de Janeiro. Porque se Jesus não lançava miúdos no Benfica não era por não gostar deles, mas sim porque gostava mais de ganhar. Esta noção vem construir também a cultura de exigência de Jesus, que nalguns casos chega a roçar o insuportável. A verdade é que o treinador não está ali para ser amigo dos jogadores ou para ser compreensivo com as falhas deles. Está lá para tirar o melhor de cada um e, à falta de outras mais polidas, a forma que Jesus encontra para o fazer é ser tão exigente que passa dos limites. Ainda não se viu nada disso no Sporting, mas o modo como o treinador recriminou Eliseu por este ter feito o penalti que custou ao Benfica a derrota em Paços de Ferreira, na época passada, por exemplo, chegou a motivar vergonha alheia. Não estando lá dentro, não é difícil de imaginar as conversas no balneário. E nessas conversas, como no que diz para fora, Jesus far-se-á também valer da sua retórica de bom malandro. A comunicação de Jesus pode parecer básica, mas é só porque muita gente se centra no que chama mais a atenção: as gaffes gramaticais, a incapacidade para pronunciar os nomes estrangeiros ou a bazófia sem limites de quem se julga mesmo o melhor do Mundo. Mas a comunicação de Jesus é muito mais do que isso. É a comunicação de quem cresceu a jogar à bola na rua e não hesita em humilhar se isso lhe permitir ganhar mais vezes. De quem não é um caso exemplar de instrução mas é um compêndio de ratice futebolística. De quem sabe que a bazófia pode voltar em dobro e acertar-lhe na testa se perder (como no desastroso final de época de 2013), mas que ao usá-la está a contribuir para vir a ganhar mais vezes. No final da época, Jesus pode ou não ser campeão pelo Sporting. Mas, quer seja quer não seja, uma coisa é certa: os seus defeitos e virtudes são conhecidos de quem anda no futebol e serão parte fundamental da explicação dos resultados finais.  
2015-11-22
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Último Passe

O terceiro Sporting-Benfica da época foi o mais equilibrado de todos e por isso mesmo só se resolveu no prolongamento. Foi o mais equilibrado dos três porque o Benfica adequou as ideias do treinador ao sistema tático apresentado e porque o Sporting se mostrou menos fresco do que nos outros dois, com alguns jogadores a acusarem problemas físicos. Ganharam os leões, com justiça, graças a um golo do providencial Slimani, mas o jogo deixou mais dúvidas do que certezas de parte a parte. Jorge Jesus terá ficado com a ideia de que, afinal, o seu plantel não tem a profundidade necessária para tantas batalhas, ao passo que Rui Vitória tem razões para hesitar acerca da ideia de jogo que quer para a equipa. No jogo propriamente dito, começou melhor o Sporting, mais veloz e decisivo nos duelos. Podia ter-se colocado na frente numa cabeçada de Slimani ao poste, mas rapidamente ficou vulnerável às alterações promovidas pelo Benfica. Seja porque Jonas estava lesionado, porque terá percebido que não tem capacidade suficiente para aguentar um meio-campo a dois neste tipo de jogos ou porque as duas derrotas anteriores o levaram a mais cautela no posicionamento, o Benfica assumiu o 4x2x3x1 e a preferência pelo ataque rápido em detrimento do ataque organizado. Com isso garantiu que se expunha menos a perdas de bola do que no 0-3 da Luz e, tendo marcado logo na primeira vez que foi à baliza do Sporting, por Mitroglou, passou a ter o jogo de feição: defendia com duas linhas de quatro e provocava grandes dificuldades ao Sporting para entrar na sua organização defensiva. Os leões empataram numa altura fundamental – mesmo antes do intervalo, por Adrien, num lance que começou numa insistência de Slimani – e Jesus mudou a equipa para a segunda parte: fez sair Montero, mudou João Mário para o corredor central chamou Gelson ao jogo. Com João Mário a juntar-se a Adrien e William ao centro, o Sporting passou a mandar no jogo. Teve 25 minutos de fulgor, mas não marcou, e quando Rui Vitória trocou Pizzi por André Almeida, avançando Talisca e derivando Gaitán para a esquerda, o equilíbrio voltou ao relvado. Mesmo assim, só o Sporting criava situações de golo: Slimani obrigou Júlio César à defesa da noite mesmo sobre o final da partida e, quando a equipa leonina já parecia fisicamente de rastos, fez mesmo o 2-1, numa recarga a um remate de Adrien. A vitória deixa o Sporting num momento único de superioridade sobre o maior rival, mas a forma sofrida como foi alcançada, com Ewerton e Jefferson a saírem por lesão, com jogadores muito fatigados a terem de aguentar os 120 minutos, como foi o caso de Ruiz, por exemplo, mostra que a euforia não é aconselhável e que o plantel precisa mesmo de reforços se Jesus quer encarar várias competições ao mesmo tempo. A poupança na Liga Europa talvez não tenha sido tão má ideia, afinal. A derrota provoca no Benfica um sentimento de frustração, pois não é normal o bi-campeão perder três vezes com o mesmo adversário, ainda por cima treinado pelo seu ex-comandante. E lança a dúvida acerca da identidade deste Benfica. Qual é o verdadeiro Benfica? O que joga em 4x4x2, procura a largura nos extremos bem abertos e um futebol de posse? Ou o que prefere o 4x2x3x1, que na falta de um grande médio suporta esses extremos num duplo-pivot e concentra mais gente atrás? É que uma das razões para as três vitórias do Sporting está aqui à vista: enquanto os leões jogaram sempre com a mesma ideia e já a sabem de cor, as águias mudaram tudo em cada jogo.
2015-11-22
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Um Sporting-Benfica a contar para a Taça de Portugal costuma ser sinónimo de espetáculo e de muitos golos. Os últimos três jogos entre ambos para esta prova produziram 21 golos, a uma média de sete por encontro. E é preciso recuar a 1986 para encontrar um zero parcial no marcador, quando o Benfica se impôs ao Sporting na Luz por 5-0, nos quartos-de-final. Desde então, quatro vitórias do Benfica (uma nos penaltis e outra no prolongamento) e duas do Sporting, mas sempre com ambas as equipas a marcar. Épicos têm sido os últimos confrontos na Taça de Portugal. Em Janeiro de 2005, na Luz, foi o Benfica quem levou a melhor, mas só nos penaltis, depois de um empate a três golos (bis de Geovani e um golo de Simão para as águias, a responderem aos tentos de Hugo Viana, Liedson e Paítopara os leões). Em Abril de 2008, em Alvalade, ganhou o Sporting por 5-3 (bis de Yannick, com golos adicionais de Liedson, Derlei e Vukcevic, a anularem o que chegou a ser uma vantagem de 2-0 dos encarnados, que marcaram por Rui Costa, Nuno Gomes e Rodríguez). Por fim, em Novembro de 2013, voltou a ser o Benfica a superiorizar-se, mas só no prolongamento, por 4-3 (decidiu um golo de Luisão, depois de um hat-trick de Cardozo ter sido anulado por Capel, Maurício e Slimani). O Benfica não ganha em Alvalade para a Taça de Portugal desde 1963. Na verdade, só ganhou por duas vezes no terreno do Sporting nesta competição, mas em ambas, como as eliminatórias eram a duas mãos, acabou afastado: em 1963, ao 1-0 de Alvalade responderam os leões com um 2-0 na Luz; e em 1945, depois de ganhar por 2-1 no Lumiar, perdeu por 3-2 no Campo Grande e outra vez por 1-0 no jogo de desempate.   - O Sporting segue com duas vitórias consecutivas no confronto direto com o Benfica (o 1-0 na Supertaça, no Algarve, e os 3-0 na Luz, para a Liga), algo que já não conseguia desde 2005/06, quando ganhou por 2-1 em Alvalade e por 3-1 na Luz, de ambas as vezes para a Liga. Por sua vez, o Benfica precisou de prolongamento numa das duas vitórias seguidas que obteve em 2013/14: 4-3 (após prolongamento) para a Taça de Portugal e 2-0 para a Liga, sempre na Luz. Se procurarmos duas vitórias seguidas em 90 minutos, também foi o Benfica que as obteve, em 2012/13: 3-1 em Alvalade e 2-0 na Luz, sempre para a Liga.   - Mais difícil é encontrar três vitórias seguidas da mesma equipa no dérbi. O último a consegui-lo foi também o Benfica, que aliás ganhou seis desafios consecutivos, entre Fevereiro de 2010 e Novembro de 2011 (dia 21, fará quatro anos no dia do jogo). Os encarnados começaram essa série com um 4-1 em Alvalade para a Taça da Liga, prosseguiram com duas vitórias por 2-0 na Luz para o campeonato, chegaram à quarta também para o campeonato, mas em Alvalade, e ainda ganharam mais duas vezes: 2-1 na Luz para a Taça da Liga e 1-0 em Alvalade para o campeonato. O Sporting não ganha três vezes seguidas ao Benfica desde 1994 e 1995: nessa altura, ganhou os dois jogos do campeonato de 1994/95 (2-0 e 2-1) e venceu a primeira, em Alvalade, de 1995/96 (2-0, em Outubro de 1995).   - Este será o 16º jogo entre Rui Vitória e Jorge Jesus. O atual treinador do Sporting soma, no confronto direto, 12 vitórias, um empate e duas derrotas, sendo que duas dessas vitórias lhe permitiram ganhar títulos: a Taça da Liga de 2011 (final entre Benfica e Paços de Ferreira) e a Supertaça de 2015 (já no Sporting, contra o Benfica). Um dos sucessos de Rui Vitória, obtido pelo V. Guimarães, contra o Benfica, também lhe permitiu levar para casa a Taça de Portugal de 2013.   - Jorge Jesus tem sido um papa-dérbis. Em 18 jogos (incluindo o da Taça de Honra da AF Lisboa de 2014/15) só perdeu dois e empatou quatro, ganhando os outros 12 (um deles após prolongamento).   - Rui Vitória ganhou na primeira vez que defrontou o Sporting. Foi a 20 de Outubro de 2007 e o treinador ribatejano dirigia o Fátima, que semanas antes fizera sensação ao afastar o FC Porto da edição inaugural da Taça da Liga. Contra os leões, o Fátima ganhou por 2-1 no Restelo, casa emprestada dos verde-brancos, e levou para a segunda mão uma vantagem que não foi capaz de segurar, pois perdeu em casa por 3-2.   - Por sua vez, Jesus foi goleado na primeira vez que levou uma equipa a defrontar o Benfica. Era treinador do Amora que, a 3 de Fevereiro de 1993, foi batido pelos encarnados na Luz por 5-0. E só ao sétimo jogo conseguiu não perder com os encarnados, quando o seu E. Amadora se impôs na Reboleira por 3-0 ao Benfica, a 27 de Fevereiro de 2000.   - Com nove golos em 14 jogos, Jonas está a viver o melhor arranque de época desde que chegou à Europa, há cinco anos. Se marcar ao Sporting, atingirá os dez golos em finais de Novembro, quando nunca lá tinha chegado antes da passagem de ano. A época passada, já no Benfica, foi aquela em que atingiu mais cedo a dezena, fazendo-o a 4 de Janeiro, na vitória por 3-0 frente ao Penafiel.   - Treze dos últimos 14 golos do Benfica ao Sporting nasceram na América do Sul. Desde 2012, Cardozo marcou seis, Gaitán fez dois, Luisão um, Jardel outro, Pérez mais um, Lima outro e Salvio o restante. A exceção é Markovic, que marcou em Alvalade no empate (1-1) para a Liga, em Agosto de 2013.   - O último golo português num dérbi de Lisboa foi marcado por André Martins, no jogo da Taça de Honra da AF Lisboa, em Agosto de 2014 que os leões ganharam por 1-0. Em competições nacionais, fê-lo Hélder Postiga, em 2 de Março de 2011, na derrota do Sporting na Luz (1-2), na meia-final da Taça da Liga. Pelo Benfica, o último português a marcar foi Nuno Gomes, a 16 de Abril de 2008, nos tais 5-3 do Sporting para a Taça de Portugal.   - Dos atuais jogadores leoninos, Slimani é quem mais golos fez ao Benfica: três, sempre na Luz. Um na recente vitória (3-0) para a Liga, outro no empate (1-1) na Liga anterior e o primeiro na eliminação leonina da Taça de Portugal (3-4), em Novembro de 2013. Slimani apresenta-se, além disso, num momento extraordinário, pois fez cinco golos nos últimos três jogos: quatro em dois desafios da seleção argelina frente à Tanzânia e outro na visita do Sporting a Arouca.   -O Sporting é o atual detentor da Taça de Portugal, depois de ter vencido o Sp. Braga, no desempate por penaltis, na final de Maio passado. Os leões não perdem nesta prova há oito jogos, precisamente desde a última vez que pelo caminho lhes apareceu o Benfica, em Novembro de 2013. Mesmo esse jogo foi perdido no prolongamento: nos 90 minutos, a última derrota do Sporting foi a final de 2012 (0-1 com a Académica).
2015-11-20
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Último Passe

Janeiro já está perto, a Liga parou para dar lugar a dois particulares sem importância da seleção nacional e o mais normal é as atenções centrarem-se no mercado, no que os candidatos vão fazer para assegurar as melhores armas na fase decisiva do ataque ao título. Identificação de fragilidades, correção de erros de casting… O tempo de agir é agora. O Sporting lidera a Liga, está mal na Europa – o que, sendo uma vergonha, pode até facilitar-lhe a segunda metade da época – e para já aponta claramente aos corredores laterais. Zeegelaar é uma aposta segura para dar luta a Jefferson e permitir rodagem a Jonathan, para que a falta de competição não o faça perder o comboio no ambiente das seleções argentinas. E Bruno César já chegou do Estoril, regressando ao mais alto nível que deixara quando trocou o Benfica pelo Al Ahly saudita mais devido à confiança que nele tem Jorge Jesus do que em função do futebol que mostrou até aqui nos canarinhos. Jesus acreditará que pode fazer de Bruno César aquilo que ele já foi e que ele se transformará na melhor opção para substituir Carrillo, o que por si só vem mostrar que também o treinador acha que precisa de gente com os quilómetros de experiência nas pernas que faltam a Gelson e Matheus. E que Carlos Mané, que já vai na terceira época de plantel principal, não lhe enche as medidas. No FC Porto, cujo plantel parece rico em todas as vertentes, com pelo menos duas soluções de quase idêntica valia para cada posição, fala-se agora num avançado. Não será seguramente para substituir Aboubakar, que o camaronês tem sido das melhores surpresas nos dragões. E como a fé de Lopetegui no 4x3x3 é inabalável, quem está em causa é Osvaldo. Mesmo com pouco tempo de jogo, o italo-argentino perde assim espaço, o que significará que não foi preciso muito para convencer os responsáveis de que ele foi um erro de casting que convém emendar. Por fim, no Benfica, a ideia parece ser a de deixar sair Lisandro Lopez, para que o argentino não desvalorize com a inatividade a que está a ser condenado na sombra de Luisão e Jardel. O vimaranense Josué, jogador de confiança de Rui Vitória, está apontado à vaga de terceiro central e, ainda que muito esteja em jogo na capacidade que o treinador terá para fazer vingar a sua opção junto da tão badalada estrutura, todos sabemos que o futuro do Benfica não se joga aqui: do que o Benfica precisa mesmo é de um super-médio que lhe permita aguentar o 4x4x2 que serve a Jonas.
2015-11-15
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Último Passe

Quando há dias aqui defendi um papel mais proactivo da Liga no combate aos problemas que afetam o futebol nacional estava longe de antecipar uma tarde tão intensa como a vivida hoje pela Comissão de Instrução e Inquéritos. Os visitantes foram tão ilustres e incompatíveis que só faltou transformar a sede do organismo de acordo com as normas arquitetónicas de um qualquer consultório de psicologia clínica, para evitar que eles se cruzassem. Só hoje por lá passaram Luís Filipe Vieira, Bruno de Carvalho e Jorge Jesus – e alguns outros podiam ter lá dado um salto também. A questão é que, além de ser um empecilho – Vieira, a crer nas palavras de Rui Gomes da Silva, não pôde ir à Guiné Bissau, ao passo que Bruno de Carvalho e Jesus também terão coisas mais importantes para fazer – não vai ser a ouvir que a Liga lá chega. Há questões de procedimento, nada moderno para um desporto que se considera na vanguarda, e fazer os protagonistas correr meio país para lhes fazer perguntas de resposta óbvia é uma delas. Jesus terá então dito de onde conhece o árbitro Jorge Ferreira. Dos campos de futebol? A sério? Bruno de Carvalho terá sido questionado acerca das acusações que fez ao Benfica sobre o “vouchergate”? E não adiantou mais do que tudo o que já tinha dito no programa Prolongamento há um mês – um mês, veja-se a rapidez processual… – ou nas dezenas de intervenções que se seguiram? E Vieira terá sido questionado acerca das razões que levam o Benfica a oferecer os vouchers aos árbitros? E disse que era uma questão de cortesia e de bem-receber? Palavra de honra? Para cúmulo, os árbitros ouvidos também acham que as ofertas que recebem dos clubes não lhes toldam o discernimento, nem em campo nem no momento de escrever os relatórios? E isso é a resposta de agora e também a que darão se entretanto descerem de divisão? De certeza? Nem vale a pena dizer que nada disso me conforta, porque nem assim houve um único membro da equipa de arbitragem liderada por Cosme Machado a ver Lito Vidigal confrontar Naldo antes de este o empurrar para fora de campo, o que terá estado na origem da leveza do castigo ao treinador do Arouca. E não sei o que me preocupa mais. Se é que esta Comissão se leve tão a sério que ache que tem de convocar estas mini-cimeiras para ouvir respostas óbvias, que qualquer comentador engajado das segundas-feiras à noite daria, ou se é que mais ninguém faça nada para mudar isto. Vai-se a ver e no fim ficam todos amigos e vão almoçar juntos. Seja com vouchers ou senhas de presença.
2015-11-11
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Último Passe

Não me espanta nada o enquadramento do processo disciplinar a Naldo após o defesa central do Sporting ter empurrado Lito Vidigal no jogo em Arouca. E nem é preciso descodificar as razoes para isso em artigos e alíneas dos regulamentos: bastam a memória e uma noção mínima do comportamento que se exige a quem anda nos estádios. As tais que no domingo à noite falharam a muito mais gente.Ver um atleta de alta competição dar um empurrão daqueles num treinador que, mesmo tendo sido futebolista e, tendo a constituição robusta de sempre, não tem a obrigação de estar em forma e suportar este tipo de cargas sem cair, é um claro e grave atropelo às regras da educação e da boa convivência num relvado. Uma coisa são as quezílias entre jogadores e outra é vê-los esbarrar com contundência em gente mais velha. E aqui, o histórico dos castigos a Vandinho ou a Luisão, por exemplo, vinha tornar impossível que Naldo escapasse com uma punição leve, como chegou a ser ventilado nos jornais de hoje. As atenuantes - como o facto de ter reagido a uma ação anterior - deverão servir para que o central do Sporting escape com a pena mínima, mas os dois meses certamente ninguém lhos tirará. O problema é que Naldo não foi o único vilão em campo. A ação de Lito Vidigal foi igualmente muito grave: num misto de irritação com uma decisão do árbitro e de falta de fair-play, tentou impedir o jogador do Sporting de marcar uma falta, entrando pelo campo a dentro e chegando a confrontá-lo fisicamente. Uma ação de que, mais calmo, Lito Vidigal não se orgulhará e que obviamente não pode ser enquadrada nos 40 euros de multa que foram aplicados ao técnico do Arouca. Por fim, mesmo ficando fora do âmbito da Comissão Disciplinar, os festejos provocatórios de Octávio Machado em direção aos adeptos da casa e as palavras desbragadas do presidente do Arouca no final do jogo não deviam passar sem uma chamada de atenção de uma qualquer Comissão de Ética. É que o diretor do Sporting arriscou-se a provocar uma onda incontrolável de protestos dos adeptos da casa, certamente mais preocupados com o seu próprio clube do que Carlos Pinho, que pareceu bem mais consternado com os dois pontos ganhos pelo Sporting do que com o ponto perdido pelo Arouca. É que em vez de se centrar na luta do Arouca pela manutenção, o que se lhe ouviu foram queixas acerca da forma como o Sporting poderá ganhar a Liga. E para isso já há muita gente encartada.
2015-11-10
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O Sporting venceu em Arouca, por 1-0, chegando à décima jornada com 26 pontos, no que é o seu melhor arranque de Liga desde que a vitória vale três pontos – o melhor eram os 23 de 2013/14, 2011/12, 2006/07 e 1995/96. Transpondo a pontuação da equipa de Carlos Queiroz em 1994/95 para o sistema atual, chegaríamos então aos mesmos 26 pontos de agora. Esse foi, de resto, o último ano em que o Sporting chegou à 10ª jornada na liderança, tendo acabado em segundo lugar, atrás do FC Porto.   - Jorge Jesus, por sua vez, igualou o arranque de época que fez no Benfica, em 2012/13, quando também somava 26 pontos à décima jornada. Nesse campeonato acabou por ser ultrapassado pelo FC Porto, perto do final, mas a verdade é que não liderava sozinho à décima ronda: tinha os mesmos pontos que os dragões.   - Além disso, o Sporting mantém-se sem perder jogos na Liga ao fim de dez jornadas, algo que já não conseguia desde 1998/99. A equipa de Mirko Jozic chegou à décima jornada dessa Liga com 22 pontos, fruto de seis vitórias e quatro empates, e em segundo lugar, a dois pontos do Boavista. A primeira derrota chegou à 14ª ronda e o Sporting acabou o campeonato em quarto lugar, com cinco jogos perdidos.   - Foi a terceira vitória do Sporting na Liga com golos nos últimos cinco minutos. Aconteceu logo na primeira jornada, graças a um penalti de Adrien frente ao Tondela, em Aveiro (2-1); na quinta, quando Montero marcou aos 86’ o golo que valeu os três pontos contra o Nacional, em Alvalade (1-0); e agora em Arouca, graças a um tento de Slimani ao minuto 90 (outra vez 1-0).   - Slimani fez o oitavo golo da época, chegando lá em menos tempo mas mais jogos do que na temporada anterior. Em 2014/15 só chegou aos oito golos a 29 de Novembro, na vitória caseira frente ao V. Setúbal (3-0), mas fê-lo em 14 jogos. Desta vez precisou de 16, viajando a uma média rigorosa de um golo a cada dois desafios.   - Lito Vidigal, treinador do Arouca, foi expulso pela segunda vez esta época. Já lhe tinha sucedido no empate em casa frente ao Belenenses, em Setembro, na altura por ordens do árbitro Luís Ferreira.   - Jorge Jesus voltou a obter uma vitória na sequência de um jogo perdido. São já dez vitórias seguidas na ressaca de uma derrota de uma equipa sua. A última vez que não respondeu com uma vitória a uma derrota foi no final da época de 2013/14, quando, ainda no Benfica, perdeu com o FC Porto na Liga e a seguir empatou na final da Liga Europa com o Sevilha.   - Naldo foi o segundo jogador do Sporting expulso na Liga esta época, depois de o mesmo ter acontecido a João Pereira, a 11 minutos do fim, no empate caseiro (1-1) com o Paços de Ferreira, a 29 de Agosto. O vermelho visto pelo brasileiro a três minutos do final do jogo de Arouca foi o seu primeiro desde Novembro de 2011, quando foi expulso a cinco minutos do fim de um empate do Cruzeiro com o Avaí, em Florianópolis.   - As expulsões do Sporting têm vindo aos pares, esta época. No jogo imediatamente após o vermelho a João Pereira, veio outro para a João Mário, contra o CSKA, em Moscovo. E agora o vermelho a Naldo sucedeu no jogo que se seguiu à expulsão de Rui Patrício na Albânia, frente ao Skenderbeu.   - Os últimos golos do Sporting em inferioridade numérica tinham valido um troféu. Aconteceram a 31 de Maio, no Estádio Nacional, e permitiram levar a final da Taça de Portugal de 0-2 para 2-2 e para o desempate por penaltis que acabou por sorrir aos verde-brancos. Nesse dia, após a expulsão de Cédric, marcaram Slimani e Montero, os dois intervenientes no lance do golo de ontem.   - Rui Patrício voltou a manter a baliza a zeros na Liga, o que já lhe acontece pelo terceiro jogo seguido (3-0 ao Benfica, 1-0 ao Estoril e 1-0 ao Arouca) e lhe permite aumentar para 278 o total de minutos sem sofrer golos na prova. O Sporting não estava três jogos seguidos sem sofrer golos na Liga desde Dezembro/Janeiro, quando defrontou Nacional (1-0), Estoril (3-0) e Sp. Braga (1-0). Na altura, Rui Patrício esteve 364 minutos sem sofrer golos, entre um obtido por Cardozo (Moreirense, a 14/12) e outro de Del Valle (Rio Ave , a 18/1).   - O Arouca perdeu, após cinco empates seguidos na Liga, contra U. Madeira, Belenenses, Sp. Braga, Tondela e V. Setúbal. Depois de ter vencido nas primeiras duas jornadas, já não ganha há oito jogos na Liga, o que fica a um jogo da pior série da equipa na prova, estabelecida em nove jogos, entre Setembro e Dezembro de 2013.  
2015-11-09
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Último Passe

Um golo caído do céu – literalmente, pois surgiu num passe aéreo para a área, numa altura em que picardias várias tinham posto o futebol em suspenso – permitiu ao Sporting vencer por 1-0 em Arouca, com apenas dez homens em campo e manter a vantagem na tabela sobre Benfica e FC Porto, que tinham ganho antes os seus jogos da 10ª jornada. Os líderes da Liga não fizeram uma boa exibição, porque lhes faltou perceber que o futebol de solicitação constante dos avançados nas laterais exige um ritmo mais elevado e uma chegada mais rápida dos médios à zona de definição. Foram lentos e previsíveis face a um Arouca que não se destapava nem para contra-atacar e acabaram por chegar ao golo quando o aproximar do final do jogo e a expulsão de Naldo os levou a abdicar do plano original: Ruiz picou a bola para a área e apanhou lá ambos os pontas-de-lança, Montero controlou e rematou contra um defesa e Slimani fez o golo na recarga. O Sporting foi mandando sempre no jogo, mas o ritmo baixo que lhe impôs fazia crer que a equipa estava fatigada de um jogo europeu que, na realidade, não fez na passada quinta-feira: dos titulares, só Rui Patrício, Adrien, João Mário e Paulo Oliveira estiveram em campo na Albânia. O plano de jogo era o habitual, com as diagonais dos extremos para o meio e a saída dos pontas-de-lança para os corredores laterais, mas a lentidão na chegada à área, fruto provavelmente do excelente preenchimento do corredor central por parte da equipa do Arouca, impedia o Sporting de ser perigoso. E a verdade é que mesmo com mais bola, mais ataques, mais remates, o Sporting só ameaçava a baliza de Bracalli em lances de bola parada: na primeira parte, só mesmo no final, num livre de Jefferson para a cabeça de Paulo Oliveira os leões estiveram à beira de se colocar em vantagem. O Arouca chegou do intervalo ainda mais centrado na defesa da sua baliza, quase abdicando de contra-atacar. E o jogo entrou num impasse perfeito, que fazia crer na eternização do 0-0. Até ao momento em que se virou a mesa, a três minutos do fim: Lito Vidigal, treinador do Arouca, entrou em campo, só ele saberá se para protestar uma falta que acharia que era ao contrário ou para impedir o Sporting de marcar o respetivo livre com rapidez; Naldo empurrou-o pelas costas, fazendo-o ir ao chão. Ambos foram expulsos e gerou-se um clima instável, um clima em que a emoção se sobrepôs à razão, aproveitado por Slimani para fazer o golo de uma vitória celebrada pelos jogadores e responsáveis leoninos como se tivesse valido um troféu. Vale, pelo menos, a liderança até Dezembro.
2015-11-08
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O Sporting vem de uma derrota pesada nas competições europeias, por 3-0, em Elbasan, frente aos albaneses do Skenderbeu. Esta é uma daquelas alturas em que toda a gente – jogadores, treinadores, dirigentes, adeptos… - querem que o próximo jogo chegue depressa, para apagar a má impressão deixada em campo. E se o Sporting este ano tem respondido bem às derrotas, essa não era a norma no passado recente. Já Jorge Jesus tem um registo diametralmente oposto: respondeu com vitórias às últimas nove derrotas. A parte mais recente deste percurso é comum, pois Jesus está no Sporting. Esta época, o Sporting perdeu em Moscovo com o CSKA (3-1, ficando fora da Champions) e a seguir foi a Coimbra bater a Académica pelo mesmo resultado. Depois disso, veio o desaire caseiro com o Lokomotiv (1-3), seguido de nova vitória, desta vez frente ao Nacional (por 1-0). Os 3-0 que os leões encaixaram do Skenderbeu foram a terceira derrota da época, pelo que fica a dúvida acerca da forma como a ela responderão. Na época passada, responderam com vitória a cinco das sete derrotas que cederam, sendo as exceções o empate na Choupana com o Nacional (2-2), na meia-final da Taça de Portugal, depois da derrota no Dragão com o FC Porto (0-3), em Março, e o empate em casa com o Moreirense (1-1) após o desaire ante o Chelsea, em Londres (1-3), em Dezembro. Ao mesmo tempo, Jorge Jesus dava cartas no Benfica. Em toda a época passada perdeu sete vezes, mas a todas elas respondeu com vitórias no jogo seguinte. Perdeu em casa com o Zenit (2-0) e a seguir bateu o Moreirense (3-1). Perdeu fora com o Leverkusen (3-1), mas respondeu com uma vitória por 4-0 sobre o Arouca. Saiu derrotado de Braga (2-1), mas reencontrou-se a tempo de ganhar em casa ao Rio Ave (1-0). Perdeu com o Zenit na Rússia (1-0), mas foi depois vencer a Académica em Coimbra (2-0). Foi eliminado da Taça de Portugal pelo Sp. Braga (1-2) e ganhou de seguida ao Gil Vicente (1-0). Depois do Natal, já sem competições europeias, só teve mais duas derrotas: 1-0 em Paços de Ferreira, a que se seguiu um 3-0 ao Boavista, e 2-1 em Vila do Conde com o Rio Ave, a que se seguiu um 3-1 ao Nacional. Ao todo, são nove respostas positivas das equipas de Jesus às nove últimas derrotas, o que leva a que para se encontrar uma má sequência seja preciso recuar ao fim da época de 2013/14, quando o Benfica de Jesus perdeu com o FC Porto na Liga (2-1) antes do empate a zero (seguido de derrota nos penaltis) na final da Liga Europa, frente ao Sevilha.   - Lito Vidigal perdeu sempre com Jorge Jesus e as suas equipas não marcaram sequer um golo em três jogos, tendo sofrido onze. O primeiro confronto entre os dois ocorreu em Outubro de 2008, numa goleada por 5-0 do Sp. Braga de Jesus sobre o E. Amadora de Vidigal. Depois disso só se encontraram mais duas vezes, ambas ganhas por Jesus por 3-0: um Benfica-U. Leiria em Dezembro de 2010 e um Benfica-Belenenses em Dezembro de 2014.   - Em contrapartida, o atual treinador do Arouca consegue ter um registo neutro nos confrontos com o Sporting: duas vitórias, três empates e duas derrotas. Na época passada, no Belenenses, não perdeu nenhuma vez, tendo empatado as partidas da Liga (1-1 em Alvalade e no Restelo) e ganho por 3-2 em casa na Taça da Liga (ainda que com um “Sporting B”). A última derrota foi, assim, em Abril de 2014: 0-1 no Restelo, no jogo em que o Sporting de Jardim assegurou matematicamente o segundo lugar e o apuramento direto para a Champions. Antes disso, mais três jogos, sempre pela U. Leiria, em 2009/10: vitória por 1-0 em Alvalade, empate a uma bola em Leiria e derrota em casa por 2-1 para a Taça da Liga.   - Jesus tem quatro vitórias e um empate frente ao Arouca, sempre ao serviço do Benfica. Ganhou por 2-0 e por 3-1 em Arouca, impondo-se duas vezes por 4-0 na Luz (uma delas para a Taça da Liga). O único revés foi o empate a dois golos na Luz, em Dezembro de 2013, quando defrontou pela primeira vez esta formação.   - Montero e Tanaka fizeram as estreias na Liga portuguesa contra o Arouca. O colombiano, lançado como titular por Leonardo Jardim a 18 de Agosto de 2013, contribuiu com um “hat-trick” para os 5-1 com que o Sporting ganhou. E o japonês teve os primeiros 14 minuto na prova, dados por Marco Silva, a 23 de Agosto de 2014, estando na génese do golo de Carlos Mané, já em período de descontos.   - David Simão, por sua vez, estreou-se na Liga a jogar frente ao Sporting. E com uma vitória. Foi lançado como titular por Rui Vitória, a 14 de Agosto de 2010, num Paços de Ferreira-Sporting que os castores venceram por 1-0. Roberto também se estreou contra o Sporting, mas com derrota: Pedro Emanuel deu-lhe a titularidade nos tais 5-1 de Agosto de 2013.   - O Arouca vem com sete empates consecutivos, um deles transformado em vitória no prolongamento (2-1 em Matosinhos, contra o Leixões, na Taça de Portugal. De resto, depois da derrota com o FC Porto (1-3, a 12 de Setembro), a equipa de Lito Vidigal empatou com U. Madeira (0-0), Belenenses (2-2), Sp. Braga (0-0), Varzim (0-0, com derrota nos penaltis, na Taça da Liga), Leixões (1-1, com vitória por 2-1 no prolongamento, na Taça de Portugal), Tondela (1-1) e V. Setúbal (0-0).   - O Sporting ganhou os quatro jogos que fez com o Arouca, mas só num não esteve a perder – e foi naquele que enfrentou mais dificuldades. Aconteceu em Agosto de 2014, quando só um golo de Carlos Mané, aos 90+3’, separou as duas equipas para o 1-0 final. De resto, a história tem sido semelhante: o Arouca marca primeiro e o Sporting vira o placar, sempre com um defesa-central entre os marcadores: Maurício nos 5-1 de Agosto de 2013, Rojo nos 2-1 de Janeiro de 2014 e Tobias nos 3-1 de Fevereiro deste ano.   - Cosme Machado faz o 99º jogo na Liga portuguesa e o 14º a envolver o Sporting. Com ele, os leões só perderam uma vez (2-0 com o Marítimo, nos Barreiros, em 2011/12), mas empataram quatro, enquanto que o Arouca nunca ganhou (um empate e duas derrotas). Foi o árbitro de uma das vitórias do Sporting em Arouca (2-1, em Janeiro de 2014, com vermelhos a Tinoco e Rojo) e esteve no empate entre os leões e o Belenenses de Lito Vidigal, em Alvalade, na época passada (1-1).
2015-11-07
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Em tempos, fazia-se carreira no jornalismo através da bajulação. Era simples: sempre que alguém vivia uma tarde ou noite desastrosa, começava-se a análise com um ponto prévio do tipo “fulano é um extraordinário jogador, mas…” Não gosto de insultar a inteligência de quem faz o favor de me ler e por isso mesmo nunca fui por esse caminho – se escrevo sobre alguém é porque esse alguém já terá feito algo de notável, merecendo por isso a atenção de todos nós. Mesmo que no dia em apreço possa ter estado pior do que habitualmente. E agora que acho que já nos entendemos acerca das regras de convivência acerca de arbitragem para partilharmos este espaço, podemos seguir em frente e definir bem o que se analisa aqui. Não são pessoas! São situações. Quem aqui passa com alguma regularidade já sabe que não vai ler explicações de jogo baseadas em erros de arbitragem. Esse é o caminho mais fácil e, sobretudo, nunca será consensual se quisermos alargar a abrangência. Prefiro sempre colocar o foco naquilo que pode ser debatido com um mínimo de elevação. Já vai sendo altura de chegarmos a acordo acerca de outra coisa. É que não acredito em homens providenciais, em gente que faz sempre tudo bem. Nem em asnos completos, daqueles que fazem sempre tudo mal. Entre os que me dizem “a culpa disto é toda tua!” e os que chegam a comparar o tempo que levo a escrever quando ganha um clube com o tempo que demoro quando ganha outro, aquilo que mais vou lendo por aqui ou que me dizem os que me abordam nos estádios é: “você uma vez disse mal de fulano e agora diz bem!”. Como se isso fosse estranho... Já fiz avaliações positivas a Jorge Jesus, pela forma como mudou o futebol do Benfica ou como preparou os dois jogos com os encarnados esta época e colocou o Sporting na liderança do campeonato. Mas também lhe fiz avaliações negativas, quando geriu mal as substituições em Moscovo ou falhou na motivação dos jogadores que colocou em campo na Liga Europa. Rui Vitória? Já o elogiei quando teve a coragem de apostar em jovens jogadores que se afirmaram, como Nélson Semedo ou Gonçalo Guedes, como o contestei quando essas apostas me parecem pouco criteriosas, como a feita em Clésio. Como antes lhe tinha elogiado o arranque de época que tinha feito em Guimarães, com vários miúdos da equipa B, e criticado a frase alusiva ao Ferrari e ao Fiat 600, que veio tirar exigência à equipa e esteve na génese de uma segunda metade de época menos conseguida. Julen Lopetegui? Já escrevi e disse que construiu uma equipa rotinada, que tem uma ideia de jogo consistente, mas também que a rotatividade que impôs à equipa na época passada atrasou a construção de um onze e que falha na motivação dos seus jogadores para partidas frente a adversários mais modestos da Liga portuguesa. E podia continuar a dar exemplos, porque, repito, não acredito na existência de homens providenciais, daqueles que nunca falham. É aqui chegados que me dizem outras duas coisas. Que analisar é fácil e tomar decisões é difícil. E que elogio muitas vezes os que ganham e critico os que perdem. Pois bem, eis aquilo em que acredito. Acredito que cada um está para o que está. Que os jornalistas fazem jornalismo, os jogadores jogam, os treinadores treinam e os adeptos batem palmas. E que, por isso mesmo, quem quer ler análises que digam sempre bem ou sempre mal – quer os analisados façam o seu trabalho com competência ou sem ela – deve ficar-se pelas páginas de adeptos ou ver os das suas cores nos programas televisivos. Eu prefiro pensar. É uma mania que tenho.
2015-11-06
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Último Passe

Jorge Jesus pode até achar que ganhará a Liga dos Campeões assim que sair de Portugal, mas primeiro vai precisar de encontrar a fórmula que lhe permita fazer com que o Sporting deixe de envergonhar a sua tradição quando joga no contexto bem mais fácil da Liga Europa. É que perder por 3-0 com uma equipa albanesa que ainda não tinha feito sequer um ponto na prova e é claramente de outro campeonato não veio complicar apenas as contas leoninas na prova: vem dificultar o anseio agora confessado por Jorge Jesus de ainda emigrar para uma equipa que lhe permita ganhar a Liga dos Campeões. Porque afinal há quem se meta com ele.Aquilo que Jesus tem de perceber é que a Europa do grande futebol não costuma correr atrás de quem não consegue pôr uma equipa a jogar a bom nível em duas competições ao mesmo tempo. Porque se os adeptos do Sporting assobiam para o lado, se vão deixando convencer com a liderança no campeonato nacional e até acham normal que o treinador que acabam de contratar já esteja a pensar emigrar, nos clubes que brigam pela Champions há a obrigação permanente de lutar também pela vitória nas Ligas nacionais. E isso, das duas uma, ou passa pela utilização mais constante dos melhores jogadores do plantel nas duas provas ou por uma avaliação de riscos mais bem feita nos momentos em que se pensa em fazer a rotatividade.A derrota em Elbasan significa que agora o Sporting só tem um caminho se não quer sair prematuramente da Liga Europa: ganhar os dois jogos que lhe restam. Terá de ir vencer o Lokomotiv a Moscovo, na quinta jornada, para levar a decisão final para a sexta, em que recebe o Besiktas num desafio em que só nova vitória resolveria o apuramento a contento. Se Jesus crê que pode fazê-lo com os suplentes, é lá com ele. Mas de uma coisa tenho a certeza: antes, terá de os convencer a encarar os jogos com um nível de empenho diferente daquele que mostraram na Albânia. Porque muito do que sucedeu em Elbasan tem a ver com a perda sucessiva de duelos por parte de uma equipa que entrou em campo com a ideia de que ou seriam favas contadas ou nada do que ali viesse a passar-se seria relevante. E, com suplentes ou titulares, a contar para a qualificação ou não, ver o Sporting perder por 3-0 na Albânia será sempre relevante.
2015-11-05
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Stats

A deslocação a Elbasan, para defrontar o Skenderbeu, é mais uma oportunidade para o Sporting ultrapassar a corrente série de maus resultados fora de casa nas competições europeias. Há 16 jogos europeus consecutivos que os leões não vencem fora de Alvalade – a última vitória ocorreu há mais de quatro anos, a 15 de Setembro de 2011, no Letzigrund de Zurique, frente ao FC Zurich, por 2-0 (golos de Insúa e van Wolfswinkel). Desde esse dia, a equipa leonina conseguiu apenas cinco empates, perdendo os restantes 11 jogos. Mesmo nessa época de 2011/12, o Sporting conseguiu chegar à meia-final da Liga Europa não voltando a ganhar fora. Perdeu as outras duas deslocações na fase de grupos (0-1 com o Vaslui e 0-2 com a Lazio), somando depois um empate em Varsóvia com o Legia (2-2), uma derrota com o City em Manchester (2-3), novo empate com o Mettalist (1-1) e a derrota fatal com o Athletic Bilbau (1-3). Em 2012/13 só o play-off permitiu ao Sporting regressar a Portugal com um resultado que não a derrota: empatou a uma bola com o Horsens, na Dinamarca. Depois disso, uma fase de grupos catastrófica, com três derrotas: 0-3 com o Videoton, 1-2 com o Genk e 0-3 com o Basel. Como o desastre europeu de 2012/13 teve reflexos na campanha interna, os leões não se qualificaram para as provas internacionais de 2013/14. Regressaram em 2014/15 na Liga dos Campeões e nunca terão estado tão próximo de uma vitória como em Maribor: estiveram em vantagem até ao último lance da partida, onde uma gaffe combinada de Maurício e Sarr permitiu a Luka Zahovic fixar o resultado final num empate a uma bola. Seguiram-se as derrotas com o Schalke (3-4), o Chlesea (1-3) e o Wolfsburg (0-2, esta já na Liga Europa). Esta época, por fim, o 15º e o 16º jogos da série foram a derrota por 3-1 com o CSKA em Moscovo e o empate a uma bola com o Besiktas em Istambul. Agora impõe-se uma vitória na Albânia, terminando a série de jogos sem ganhar fora do país. Outro resultado deixará o Sporting ante contas muito complicadas para seguir em frente na prova.   - Bryan Ruiz, que falhou o jogo em casa com o Skenderbeu, marcou nas duas últimas deslocações em que subiu ao relvado: abriu o placar no empate com o Besiktas em Istambul e fez o terceiro golo nos 3-0 ao Benfica na Luz. Vem, além disso, com uma série inédita desde que chegou a Alvalade de dois jogos a alinhar durante 90 minutos (Benfica e Estoril).   - O Sporting segue com uma série de cinco vitórias seguidas, desde o empate na Turquia. Ganhou ao V. Guimarães (5-1), ao Vilafranquense (4-0), ao Skenderbeu (5-1), ao Benfica (3-0) e ao Estoril (1-0). A ideia em Elbasan é ir à procura da sexta, que já não consegue desde Dezembro e Janeiro últimos. Na altura, a equipa comandada por Marco Silva ganhou oito jogos consecutivos, a Vizela (3-2), Nacional (1-0), V. Guimarães (2-0), Estoril (3-0), Famalicão (4-0), Sp. Braga (1-0), Boavista (1-0) e Rio Ave (4-2), antes de perder com o Belenenses, no Restelo (3-2), para a Taça da Liga.   - Os leões estão também há dois jogos consecutivos sem sofrer golos (e podiam ser cinco, não tivessem acontecido as duas desatenções finais com V. Guimarães e Skenderbeu). Vão à procura do terceiro, algo que também já não conseguem desde Janeiro, quando estiveram seis desafios seguidos com a baliza a zeros.   - O Skenderbeu perdeu os derradeiros cinco jogos internacionais. Na fase de grupos da Liga Europa foi batido em casa pelo Besiktas (1-0) e fora pelo Lokomotiv Moscovo (2-0) e pelo Sporting (5-1). Antes disso, no play-off da Liga dos Campeões, tinha sido duas vezes derrotado pelo Dynamo Zagreb: 4-1 em Zagreb e 2-1 em Elbasan. A última vitória europeia do Skenderbeu aconteceu a 5 de Agosto, por 2-0, em casa, na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, frente ao Milsami Orhei, com arbitragem do português Soares Dias.   - O Skenderbeu não poderá contar com Hamdi Salihi, avançado que foi expulso em Alvalade, e que leva 11 golos marcados em 13 jogos oficiais esta época: seis na Liga albanesa e cinco nas pré-eliminatórias da Liga dos Campeões.   - Nunca nenhuma equipa albanesa conseguiu ganhar a uma equipa portuguesa nas provas da UEFA. O melhor resultado obtido por clubes albaneses foi o empate a zero do Dinamo de Tirana precisamente frente ao Sporting, na capital albanesa, a 23 de Outubro de 1985. O Sporting passou a eliminatória, ganhando por 1-0 na segunda mão, graças a um golo de Venâncio.   - Depois dessa eliminatória entre Sporting e Dinamo, houve apenas mais dois jogos entre clubes portugueses e albaneses. O Benfica ganhou por 4-0 na Luz ao Partizan Tirana, mas o mau comportamento dos jogadores visitantes (quatro expulsões), levaram a UEFA a anular a segunda mão. Há duas semanas, o Sporting goleou o Skenderbeu em Alvalade por 5-1, tendo Jashanica marcado nessa data o primeiro golo de uma equipa albanesa a uma equipa portuguesa.   - O Skenderbeu é de Korce, mas o jogo com o Sporting vai decorrer em Elbasan, no mesmo estádio em que recentemente a seleção nacional portuguesa venceu a Albânia por 1-0 (golo de Miguel Veloso, já nos descontos). Rui Patrício foi o único jogador do Sporting em campo nesse dia, tendo Paulo Oliveira, Adrien e João Mário ficado no banco.
2015-11-04
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Último Passe

O futebol português repete há décadas o mesmo padrão de comportamentos entre os três grandes, acentuado desde que passou a ter duas vagas garantidas nos milhões da Liga dos Campeões. Ao fim de muitos anos, continuo sem estar convencido que daí advenham benefícios reais, que tudo não passa de uma ilusão de controlo, mas a verdade é que um dos clubes se sente geralmente confortável, outro não tanto, e por isso agita-se, de forma a evitar perder a posição de conforto, enquanto um terceiro vai fazendo barulho no intuito de a ela aceder. Podem mudar os protagonistas – e já mudaram algumas vezes, nos últimos anos – mas não muda o cariz desta dança das cadeiras, sobretudo por duas razões. É que quem manda quer o apoio dos grandes – e com o apoio de dois deles, assegura que continua a mandar – e quem não manda continua a ser muito seletivo na perceção dos males que afetam o futebol. Neste momento, apesar de não ter ganho nada na época passada, o FC Porto ainda é quem se sente mais confortável e, seja por isso ou por já ter conseguido um estatuto europeu muito difícil de igualar nos tempos modernos, que o deixa a cobro de surpresas, vai mantendo o silêncio nos canais oficiais, limitando-se a alguns textos mais mordazes nos seus órgãos de informação. Sempre sem comprometer os seus dirigentes. O Benfica, que no final da última década, antes da chegada de Jorge Jesus ao clube, era quem mais barulho fazia – contrastando com o silêncio do Sporting, que não ganhava Ligas mas ia acumulando segundos lugares, Taças de Portugal e Supertaças – calou-se quando ganhou três campeonatos em seis anos. E o Sporting encontrou na eleição de Bruno de Carvalho o despertar que o levou a assumir a posição de principal contestatário da situação, somando intervenções que dão azo a polémicas infindas. Até aqui, nada de novo, portanto. Um dia, porém, isto vai ter de parar. Porque aquilo que o Benfica e os opinadores que o clube tem nas diversas televisões dizem agora é verdade: o ataque continuado às instituições não dá boa imagem ao setor e acaba por prejudicar o negócio como um todo. Basta seguir o exemplo inglês e ver o que acaba de acontecer a Mourinho: 40 mil libras de multa e um jogo de suspensão por confrontar um árbitro. Em Portugal, na verdade, nunca será possível encontrar um momento zero, um momento em que todos estejam iguais, a partir do qual se faça “reset” e as coisas comecem a funcionar como deve ser. O momento atual, na verdade, é tão bom como qualquer outro, pelo que o pedido de um inquérito disciplinar às declarações de Bruno de Carvalho sobre a nomeação de Jorge Ferreira para o Sporting-Estoril faz todo o sentido. Mas seria bom que aqueles que agora se queixam – Conselho de Arbitragem e APAF, acima de todos – tivessem sentido a mesma vontade de inquirir, por exemplo, quando Marco Ferreira fez as acusações que fez a Vítor Pereira. É que o momento zero exige que se vá ao fundo de todas as questões. Todas. Nem que, se fosse caso disso, sirva para se concluir que o ex-árbitro internacional estava a ser manobrado.
2015-11-02
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Ao ganhar ao Estoril, o Sporting assegurou o melhor arranque de época desde 1994/95, a última Liga da vitória a dois pontos. Neste momento, os leões somam 23 pontos, fruto de sete vitórias e dois empates, total só batido pelas oito vitórias e um empate que tinham à nona jornada de 1994/95, com Carlos Queiroz aos comandos (e que só deram 17 pontos, pela regra antiga de pontuação). Por outro lado, desde 1998/99 que o Sporting não chegava invicto à nona jornada: Nesse ano, a equipa de Mirko Jozic atingiu a nona jornada com seis vitórias e três empates, perdeu pela primeira vez à 14ª jornada (com o Salgueiros, em Vidal Pinheiro) e chegou ao fim da Liga em quarto lugar, com cinco derrotas. Curioso é que os dois títulos de campeão dos leões neste século tiveram arranques muito titubeantes: 15 pontos à nona jornada de 1999/00 e 14 à nona jornada de 2001/02. - Jorge Jesus também iguala os seus dois melhores arranques de sempre como treinador. Em 2011/12 e 2012/13 chegou à nona jornada com os mesmos 23 pontos de agora. Em nenhuma dessas épocas acabou como campeão nacional, deixando-se ultrapoassar pelo FC Porto perto do final.   - Ainda que beneficiando do adiamento do U. Madeira-FC Porto, o Sporting chega à nona jornada com cinco pontos de avanço sobre o segundo classificado, algo que já não lhe acontecia desde 1976, quando ali chegou com 17 pontos, contra 12 do Benfica. Contudo, o Benfica acabou por ser nessa época tricampeão, com nove pontos de avanço sobre o Sporting.   - O Sporting tornou-se a equipa com mais penaltis a favor na Liga até ao momento: cinco, dos quais quatro foram convertidos. Ao todo, foram assinalados na Liga 22 penaltis até ao momento, sendo o Sp. Braga a outra equipa em alta, pois teve quatro grandes penalidades a favor. FC Porto, Moreirense, Boavista, Arouca, Nacional, Estoril, U. Madeira e Rio Ave ainda não se estrearam nos remates dos onze metros.   - Os cinco penaltis a favor do Sporting em nove jornadas são um máximo do passado recente no clube. Até na época de 2001/02, em que os leões beneficiaram de 17 penaltis em 34 jornadas, tinham apenas quatro à nona ronda e só chegaram ao quinto na 11ª. Tal como em 2001/02, em 2007/08 e em 2013/14 o Sporting chegou à 9ª jornada com quatro penaltis a favor, mas no primeiro caso o quinto só chegou à 12ª jornada e no segundo apareceu à 11ª.   - Teo Gutierrez marcou golos pelo terceiro jogo consecutivo, pois já tinha estado na lista de goleadores ante o V. Guimarães e o Benfica (as duas últimas partidas em que tinha alinhado). Não o conseguia desde Agosto, quando, fez golos nos últimos dois jogos ao serviço do River Plate (contra o Cruzeiro na Libertadores e o Rosario Central na Liga argentina) e depois no primeiro pelo Sporting. Isto, claro, considerando que o golo da Supertaça lhe foi atribuído – se o dermos a Carrillo, a última série de três jogos de Teo a marcar já data de Agosto e Setembro de 2014. Simplesmente, aí, pelo River, fez golos em seis jogos seguidos: Gimnasia, Rosario Central, Godoy Cruz (bisou), Defensa y Justicia, San Lorenzo e Independiente.   - O Estoril de Fabiano Soares continua sem conseguir marcar um golo no campo de um dos grandes, mesmo tendo dado boa réplica em todos os jogos desta época. Perdeu 1-0 em Alvalade, depois de já ter perdido por 2-0 no Dragão e por 4-0 na Luz. Na época passada, só visitara o Dragão, onde foi derrotado por 5-0 pelo FC Porto.   - Este jogo marcou a quinta vitória seguida do Sporting, algo que já não conseguia desde Abril e Maio. Os leões ganharam agora a V. Guimarães (5-1), Vilafranquense (4-0), Skenderbeu (5-1), Benfica (3-0) e Estoril (1-0), quando na altura se tinham desembaraçado de Nacional (1-0), V. Setúbal (2-1), Boavista (2-1), Moreirense (4-1) e outra vez Nacional (2-0), antes de empatarem… no Estoril.   - Rui Patrício igualou Anderson Polga e Pedro Barbosa como oitavo jogador com mais desafios feitos com a camisola do Sporting: 342. Está a seis jogos de José Carlos, o sétimo da tabela, que seguramente ultrapassará ainda durante esta época.
2015-11-01
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Último Passe

A vitória do Sporting frente ao Estoril foi difícil, fruto da boa leitura que os canarinhos fizeram da forma de jogar do líder da Liga e, ainda que, face ao 1-0 final, Jorge Jesus tenha optado por destacar que os leões estão “defensivamente muito fortes”, fruto também da diminuição da capacidade da primeira zona de pressão leonina face à ausência de Adrien. O Sporting guardou os três pontos, é verdade, mas deixou que os seus laterais ficassem mais expostos do que é habitual e não fosse a exibição de Rui Patrício podia ter permitido que o jogo se complicasse bastante durante a primeira parte. Face à suspensão de Adrien, Jesus devolveu João Mário ao corredor central, fazendo entrar Gelson para a direita, mas com ordens para também ele aparecer muito por dentro, como faz qualquer ala no sistema leonino. O Estoril respondeu com uma elevada concentração de unidades defensivas no espaço interior, cortando linhas de passe e, procurando depois transições velozes com a preocupação de meter a bola rapidamente nos extremos. Face à diminuição da intensidade da primeira zona de pressão leonina – João Mário não morde os calcanhares dos adversários como Adrien… - a bola chegava rapidamente aos corredores laterais, deixando os laterais da casa muitas vezes em situações de um para um. Foi aí que, fruto do arranque supersónico de Gerso no jogo, apareceu Rui Patrício, com duas intervenções na primeira parte a mostrar o que tem de ser um guarda-redes de um grande: pouco trabalho, mas trabalho de grande qualidade. No seu posicionamento defensivo, o Estoril abandonava as faixas laterais e daí resultaram inúmeros cruzamentos de qualidade dos laterais do Sporting, que em condições normais deveriam ter dado pelo menos um golo a Slimani ou Bryan Ruiz. Mas não deram. E o 0-0 ao intervalo veio mostrar que, para se manter na frente, o Sporting vai ter de superar muitos jogos complicados, contra equipas que se esforçam para lhe compreender os movimentos e para lhos contrariar. É verdade que a segunda parte leonina foi melhor, sabe-se lá se fruto de uma menor frescura que o Estoril já revelara nos segundos tempos na Luz ou no Dragão ou de correções feitas por Jesus ao intervalo, e que o golo acabou mesmo por chegar, num penalti de Teo Gutièrrez, permitindo a continuação da caminhada vitoriosa e metendo outra vez a pressão em cima de FC Porto e Benfica. Mas o jogo do Estoril, presenciado em êxtase por mais de 40 mil adeptos, pode ter arrefecido um pouco o otimismo de quem o viu com atenção, pois voltou a provar que o Sporting tem vulnerabilidades. Mesmo que o zero nas redes de Patrício possa contrariá-las.
2015-11-01
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Stats

O Sporting entra na nona jornada, em que vai receber o Estoril, na liderança isolada da Liga, algo tão raro que só lhe aconteceu em duas semanas na última década. Foi no ano em que Leonardo Jardim conduziu os leões ao segundo lugar final na Liga, que estes passaram duas jornadas isolados na frente da tabela. Resistiram ao primeiro obstáculo, mas baquearam logo no segundo. Ambos em Alvalade, onde voltam agora a colocar a liderança à prova. Nessa época, que arrancaram em primeiro lugar – ainda que com outras equipas a seu lado – fruto dos 5-1 com que despacharam o Arouca logo na primeira jornada, os leões chegaram à liderança isolada à 12ª jornada, quando venceram fora o Gil Vicente (bis de Montero), a 8 de Dezembro, tendo beneficiado do empate do Benfica em casa com o Arouca (2-2), dois dias antes. O Sporting ficou então com dois pontos a mais que FC Porto e Benfica e tinha pela frente dois jogos em casa, que acentuaram o otimismo pré-natalício. A 13ª jornada ainda foi de festa, pois o Sporting ganhou logo no sábado ao Belenenses por 3-0, com um penalti de Adrien, seguido de golos de André Martins e Wilson Eduardo. Benfica e FC Porto, porém, não esmoreceram, e ganharam também, no domingo (15 de Dezembro): as águias sofreram para levar de vencida o Olhanense, por 3-2, no Estádio do Algarve, ao passo que os dragões se impuseram ao Rio Ave, em Vila do Conde, por 3-1. Na 14ª jornada, o Sporting cedeu, empatando a zero em casa com o Nacional, com um golo anulado a Slimani a provocar muita polémica. FC Porto e Benfica já tinham ganho na véspera a Olhanense (4-0) e V. Setúbal (2-0), pelo que a liderança voltou a ser tripartida. Desde essa altura, nunca mais o Sporting esteve na liderança isolada da Liga. Teve uma boa ocasião recentemente, quando o FC Porto empatou fora com o Moreirense, mas também não foi capaz de ganhar ao Boavista (0-0 no Bessa) e de se isolar. Andando para trás, a liderança isolada do Sporting é também um acontecimento raro: é preciso recuar até Janeiro de 2005 para encontrar outra ocorrência. Nessa altura, o Sporting de José Peseiro passou o Natal a um ponto do FC Porto, a par do Benfica e com um ponto de avanço do Boavista. Depois, à 16ª jornada, começou por ganhar em casa ao Benfica, por 2-1 (bis de Liedson contra um golo de Nuno Gomes), beneficiando do empate caseiro do FC Porto com o Rio Ave (1-1) para se isolar. A queda, porém, foi súbita, logo na jornada seguinte: a 16 de Janeiro, na ronda que fechava a primeira volta, o Sporting foi perder por 3-2 à Choupana com o Nacional (e estava a perder por 3-0 aos 21’ de jogo, mas Liedson e Custódio ainda atenuaram a desvantagem), permitindo que FC Porto (que empatou fora com a Académica) e Benfica (que venceu o Boavista por 4-0) voltassem a estabelecer a liderança tripartida.   - Se jogar contra o Estoril, como é previsível, Rui Patrício iguala Pedro Barbosa e Anderson Polga como oitavo jogador com mais partidas feitas em toda a história do Sporting. Passarão a ser 342 os jogos nas redes dos leões. Esta época ainda poderá alcançar José Carlos (348) e Manuel Marques (355). Mas o “top 5” está dependente de mais um ou dois anos de permanência: Oceano é o quinto de uma tabela liderada por Hilário (471 jogos), com 401 jogos feitos pelos leões.   - O Sporting não vai contar com Adrien Silva, que tem vindo a ser peça fulcral do meio-campo, mas que viu frente ao Benfica o quinto cartão amarelo na Liga, ficando por isso suspenso. No último ano, os leões fizeram doze jogos sem Adrien, dos quais ganharam nove, empataram dois (em Paços de Ferreira para a Liga e em casa com o V. Setúbal, para a Taça da Liga) e perderam apenas um (no Restelo, com o Belenenses, para a Taça da Liga). Um destes empates e a derrota foram obtidos com a equipa secundária que o Sporting apresentou na edição da Taça da Liga do ano passado.   - Leo Bonatini, que é o melhor marcador do Estoril esta época, com seis golos divididos pelas diversas competições, também não vai poder alinhar, pois foi expulso no empate caseiro com o Rio Ave (2-2). Desde que ele se estreou na equipa, na vitória no Bessa, frente ao Boavista, por 2-1, a 18 de Janeiro, o Estoril não ganhou uma única vez sem ele: perdeu na Covilhã para a Taça da Liga (3-2) e depois, na Liga, empatou com Gil Vicente (1-1), Belenenses (2-2) e Moreirense (1-1). Marcou sempre golos, no entanto.   - O Sporting foi o único dos grandes ao qual Fabiano Soares conseguiu roubar pontos, desde que chegou ao comando técnico do Estoril, em Janeiro deste ano. Fê-lo num empate a uma bola, em casa, a 10 de Maio, com golos de Sebá (para o Estoril) e Ewerton (para o Sporting). De resto, o atual treinador estorilista já perdeu duas vezes com o FC Porto no Dragão (5-0 na época passada e 2-0 esta época) e uma com o Benfica na Luz (4-0, esta época).   - Jorge Jesus já começou a perder um campeonato num jogo com o Estoril, que empatou em casa a uma bola, em Maio de 2013: marcou Maxi Pereira, a anular um primeiro golo estorilista, de Jefferson (atual jogador do Sporting). Desde então, porém, Jesus ganhou sempre ao Estoril: 2-1 e 2-0 em 2013/14; 3-2 e 6-0 em 2014/15.   - O lateral estorilista Mano foi lançado no futebol profissional por Jorge Jesus, hoje treinador do Sporting, quando ambos estavam no Belenenses. A estreia deu-se numa vitória dos azuis em Setúbal (1-0), a 4 de Fevereiro de 2007.   - O Estoril só ganhou uma vez em 23 visitas a Alvalade para a Liga, mas foi a última equipa a ganhar ali ao Sporting em jogos de campeonato. Aconteceu em Maio de 2014, na última jornada do campeonato em que Leonardo Jardim levou os leões ao segundo lugar, graças a um penalti convertido por Evandro. Da 14 estorilistas que ganharam em Alvalade, restam apenas Mano, Diogo Amado, Yohann Tavares e Luis Phellype.   - Os 20 jogos que o Sporting leva sem perder em casa para o campeonato são a melhor série desde os tempos de Paulo Bento, quando os leões estiveram 26 partidas seguidas sem perder em casa na Liga, entre um 0-2 com o Benfica, a 1 de Dezembro de 2006 e um 1-2 com o FC Porto a 5 de Outubro de 2008.   - Jorge Ferreira, o árbitro deste jogo, foi quem dirigiu essa vitória do Estoril em Alvalade, tendo apontado dois penaltis, um para cada equipa. Evandro converteu o do Estoril, Adrien falhou o do Sporting. Essa foi a única vez que esteve numa derrota do Sporting, que ganhou cinco e empatou um dos sete jogos feitos com ele. O Estoril, em contrapartida, nunca perdeu com este árbitro: tem quatro vitórias e um empate (em Setúbal).
2015-10-30
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Último Passe

Luís Filipe Vieira tem razão quando pede a Pedro Proença que aja. O futebol português já tem problemas suficientes para ainda andar constantemente a dar tiros nos pés, a espantar os potenciais patrocinadores com o levantamento de suspeitas. Sei do que falo. Já há 20 anos que defendo a aplicação de uma regra semelhante à que vigora em Inglaterra muito antes da Premier League, em que quem “provoca má reputação ao futebol” é severamente punido. Já o defendo desde o meu início de carreira, ligado ao futebol internacional, ainda Bruno de Carvalho andava na Juventude Leonina, ainda Luís Filipe Vieira estagiava no Alverca para vir a ser presidente do Benfica. Bruno de Carvalho, de facto, resiste mal aos microfones, às luzes das câmaras, que o levam sempre a passar à ação. Tem abusado do tempo de antena, e isso nota-se sobretudo quando não tem nada de novo para dizer, quando vem ofuscar aquilo que os jogadores vão conseguindo no campo. Mas se lhe condeno o repisar permanente do assunto, já não posso condenar as revelações que fez. Porque não sou eu quem tem de distinguir entre a oferta dos jantares aos árbitros, a fruta e o café com leite ou as máquinas fotográficas dadas noutros tempos. Não sou eu quem tem de dizer se uns devem descer de divisão e outros não. Já aqui escrevi aquilo que acho: não me interessa se as ofertas levam diretamente a benefícios, se são mais ou menos valiosas, mas nenhum clube devia oferecer aos árbitros nada que não tenha a ver com a tarefa que eles estão a desempenhar. E por isso acho que Vieira tem razão quando pede a Proença que aja. O presidente da Liga já devia ter agido para perceber realmente o que se passa ou passou e punir os prevaricadores, se tal se revelar justo. Só a Liga, através dos seus órgãos disciplinares, poderá estipular se o que se passou agora é ou não grave e que castigos deve ou não merecer. Andar um presidente de clube constantemente a dizer que ouro deve descer de divisão não é positivo. Como o não era ter o canal de televisão de outro clube a repetir “ad nauseam” as escutas do Apito Dourado, quando o seu presidente achava que ainda era preciso credibilizar o futebol nacional. Sim: um dos problemas do futebol português é que toda a gente tem rabos-de-palha e ninguém se queixa quando ganha. E alguém tem mesmo de agir, de fazer um risco no chão e dizer: “a partir de agora, chega!” Pode ser Pedro Proença. Mas se quer mesmo conduzir esta locomotiva, tem de a pôr em andamento. E vai-se fazendo cada vez mais tarde.
2015-10-29
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Último Passe

O dia seguinte ao dérbi ficou marcado por comportamentos antagónicos de Benfica e Sporting face àquilo que se passou em campo. No Benfica, a resposta dos responsáveis às inúmeras manifestações de descrença de adeptos mais ou menos ilustres foi o silêncio. No Sporting, Bruno de Carvalho não resistiu a cavalgar a onda do sucesso com uma declaração. Nada contra uma coisa nem outra. Mas eu faria tudo ao contrário. As cinco derrotas em onze jogos oficiais que o Benfica de Rui Vitória apresenta não são um bom cartão de visita. O campeonato não está perdido, mas está muito mal encaminhado. Claro que o Benfica pode arrepiar caminho, como fez o Sporting de Bölöni em 2001/02, quando perdeu três vezes nas primeiras oito jornadas e ainda chegou ao título, mas os sinais de instabilidade que a equipa apresenta não o prenunciam. E perante isto, não seria má ideia a administração vir agora reafirmar a ideia que teve para o clube, partilhar um pouco o mau momento com o treinador, de forma a diminuir a pressão em cima dele. Não falo de um voto de confiança no treinador, pois acredito que sempre que um presidente dá um voto de confiança público ao técnico é porque na verdade desconfia dele. Falo, isso sim, de uma manifestação clara do que o Benfica quer para o seu futebol e da concentração de energias no apoio à ideia que presidiu às escolhas que fez. Porque a sensação que fica é que na administração anda tudo obcecado com Jesus e que isso não só diminui Rui Vitória como leva a que ele próprio tenha de enfrentar esse fantasma no dia-a-dia, deixando de fazer aquilo em que acredita para fazer aquilo que acha que Jesus não faria. No Sporting, o momento é de euforia e o caso não é para menos. Os leões ganharam na Luz por números que já não aconteciam desde o tempo dos Cinco Violinos e voltaram à liderança da Liga de forma isolada. Jorge Jesus optou pela abordagem discreta e fez bem, ainda que boa parte do que disse e fez durante o jogo, quando evitou os festejos excessivos que podiam ser vistos como provocatórios, possa ser ameaçado por uma simples declaração: a de que podia “deixar Rui Vitória deste tamanhinho”. Os líderes querem-se discretos na hora da vitória e Jesus já foi apanhado suficientes vezes no pecado da soberba para o saber. Bruno de Carvalho é que não resistiu ao comunicado a pontuar o momento. Tê-lo-á feito apenas para agradecer o apoio dos adeptos que estiveram na Luz? É possível. E sabendo-se como a sua liderança é tão próxima das massas é até muito compreensível e defensável, por não ter ultrapassado limites e ter mantido um discurso sempre equilibrado. Ainda assim, a ideia que fica é a de quem não resistiu a chamar a atenção, a dizer “também lá estive”. Como se isso fosse preciso e se o facto de estar a endireitar o clube e a devolvê-lo às grandes decisões só valesse de alguma coisa se o mérito lhe for constantemente reconhecido.
2015-10-27
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Jorge Jesus conseguiu a operação perfeita na Luz. Ganhou ali pela primeira vez na condição de adversário, pois até aqui perdera os oito jogos lá efetuados como treinador e o melhor que conseguira tinham sido três empates como jogador. Venceu o Benfica pela segunda vez seguida, algo que os leões não conseguiam desde 2005/06, quando Peseiro ganhou em Alvalade por 2-1 e depois Paulo Bento se impôs na Luz por 3-1. E ainda imitou Carlos Queiroz, que foi o último treinador a conduzir o Sporting a duas vitórias sucessivas sobre o rival (1-0 em Alvalade em Dezembro de 1994 e 2-1 na Luz, no famoso jogo da expulsão de Caniggia, em Abril de 1995).   - A vitória do Sporting na Luz garantiu ao clube a primeira liderança isolada da Liga desde Dezembro de 2013, quando venceu o Belenenses por 3-0, mantendo dois pontos de avanço sobre FC Porto e Benfica. Essa equipa, liderada por Leonardo Jardim, encalhou depois na 14ª jornada em casa com o Nacional (0-0), permitindo que os três grandes chegassem ao Natal com os mesmos 33 pontos.   - O Sporting marcou mais golos nos últimos quatro jogos (17, resultantes dos 3-0 ao Benfica, dos 5-1 ao Skenderbeu, dos 4-0 ao Vilafranquense e dos 5-1 ao V. Guimarães) que nos 11 primeiros encontros da época (nos quais fez 15 golos).   - Esta é a sétima vez que o Benfica chega à oitava ronda com três derrotas. Nas seis anteriores acabou a Liga em segundo lugar. Aconteceu-lhe em 2010/11 (perdeu um total de sete jogos e ficou a 19 pontos do FC Porto), em 1987/88 (perdeu seis vezes e acabou a 15 pontos do FC Porto, mas ainda com a vitória a valer apenas dois pontos), em 1981/82 (acabou com seis desaires e a dois pontos do Sporting), em 1978/79 (perdeu quatro vezes e terminou a um ponto do FC Porto), em 1952/53 (também perdeu quatro vezes e acabou a quatro pontos do Sporting) e em 1946/47 (perdeu cinco vezes e terminou a seis pontos do Sporting).   - Em toda a história da Liga portuguesa só houve um campeão com três derrotas à oitava jornada. Foi o Sporting de Laszlo Bölöni, em 2001/02. Os leões perderam na segunda jornada com o Belenenses (0-3), na terceira em casa com o Alverca (0-1) e na oitava em Braga (1-2). Seguiam nessa altura em quarto lugar, a três pontos do líder, que era o FC Porto, mas não voltaram a perder na Liga, que acabaram na frente, com cinco pontos de avanço sobre o Boavista.   - Slimani fez ainda golos em três das quatro vezes que foi ao Estádio da Luz. Já tinha marcado na derrota (3-4, após prolongamento) de Novembro de 2013 e no empate (1-1) na Liga passada. Na Luz, o argelino só ficou em branco na derrota leonina por 2-0 em Fevereiro de 2014. E nunca marcou ao Benfica fora daquele relvado: nem em Alvalade nem no Algarve, onde jogou a Supertaça.   - O golo de cabeça entre os centrais do Benfica valeu a Slimani tornar-se o melhor marcador da Liga no futebol aéreo. O argelino já fez quatro golos nos ares, depois de ter marcado assim ao Rio Ave e, por duas vezes, ao V. Guimarães. Dyego Souza, do Marítimo, tem três.   - Bryan Ruiz fez ao Benfica o primeiro golo na Liga portuguesa, acentuando a tradição de marcar ao clube da Luz e sempre que visita aquele estádio. O costa-riquenho já tinha marcado aos encarnados pelo Twente, nas duas partidas da pré-eliminatória da Liga dos Campeões de 2011/12: empate (2-2) na Holanda e derrota (3-1) na Luz. Só ficou em branco na Supertaça.   - Também Téo Gutièrrez vem com um registo 100 por cento goleador ao Benfica. Uma vez que o árbitro lhe atribuiu o golo da vitória na Supertaça, marcou nas duas primeiras vezes que defrontou os encarnados. O último avançado do Sporting a fazê-lo tinha sido Jardel, que bisou num empate (2-2) na Luz em Dezembro de 2001 e voltou a marcar noutro empate (1-1) em Abril de 2002.   - À décima visita à Luz com a camisola do Sporting, Rui Patrício conseguiu pela primeira vez manter a baliza a zeros. Até aqui perdera sete jogos e empatara dois (um deles depois perdido no prolongamento), sofrendo 18 golos, a uma média de dois por jogo.   - O Benfica somou a segunda derrota consecutiva, depois de ter sido batido pelo Galatasaray por 2-1, na quarta-feira, em Istambul. A última vez que tal lhe tinha acontecido tinha sido entre épocas: perdeu a final da Taça de Portugal de 2012/13, frente ao V. Guimarães (1-2) e depois saiu derrotado do confronto com o Marítimo, no Funchal, na abertura da Liga de 2013/14 (1-2). Se procurarmos duas derrotas seguidas na mesma época é preciso recuar até Maio de 2013, quando o Benfica perdeu no Dragão com o FC Porto (1-2), entregando essa Liga, e logo a seguir foi batido pelo Chelsea na final da Liga Europa (1-2).   - Esta foi também a primeira derrota do Benfica em casa na Liga desde Março de 2012, quando ali perdeu com o FC Porto, por 3-2. Desde então, os encarnados somavam 55 jogos sem derrotas, com 47 vitórias e oito empates.   - O Benfica não perdia por três golos de diferença desde a visita ao Paris St. Germain, em Outubro de 2013, para a Liga dos Campeões. Tal como ontem, também aí estava a perder por 3-0 ao intervalo. Na Luz, ninguém ganhava por três golos desde que a Académica de Domingos ali se impôs a um Benfica comandado por Chalana, em Abril de 2008.
2015-10-26
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Último Passe

Os extremos são dos jogadores mais entusiasmantes no futebol. São geralmente criativos, têm a capacidade para desbloquear jogos com números de magia, mas a ideia que tenho é que as partidas de futebol raramente se ganham na largura. O que as ganha é a consistência. E no dérbi de Lisboa, o Sporting foi sempre mais consistente do que um Benfica cada vez mais obcecado com a largura. Por isso se impôs com clareza por 3-0. O 4x4x2 de Jorge Jesus engana, porque os dois médios-ala, que na Luz foram João Mário e Bryan Ruiz, aparecem muito por dentro, aproximam-se dos dois médios-centro e permitem a projeção ofensiva dos laterais, eles sim responsáveis pela largura no campo. Em contrapartida, no 4x4x2 de Rui Vitória há sempre quatro jogadores encostados à linha: quer a bola esteja num corredor ou noutro, o lateral e o seu médio-ala abrem ao máximo. Isso até pode ajudar, se a equipa tiver capacidade para ligar as pontas com rapidez e eficiência – o que raramente mostrou frente ao Sporting – mas dificulta muito quando o que se pede é consistência. Porque se os extremos encantam as bancadas – e por isso mesmo jogam mais perto delas, junto da linha lateral – é no meio que se ganham os jogos. E no meio, o Sporting esteve sempre em clara superioridade numérica, suficiente para explicar as constantes trocas de passes que até puxaram olés das bancadas, as repetidas interceções das bolas que o Benfica tentava enviar de um flanco ao outro, originando contra-ataques, e a elevada percentagem de duelos ganhos em bolas divididas. William Carvalho, nesse aspeto, foi um gigante. Esta é a explicação tática para a vantagem do Sporting. Depois, é preciso juntar-lhe alguma sorte do jogo, que de facto sorriu aos leões. O Benfica não entrou mal, mas viu-se a perder na primeira vez que o Sporting foi à frente com perigo, num lance que Júlio César não abordou com a decisão necessária e Teo Gutièrrez aproveitou. Tentou reagir e levou com o 0-2, numa jogada que aliou um extraordinário cruzamento de Jefferson, uma cabeçada de grande nível de Slimani e, mais uma vez, falta de agressividade defensiva dos centrais encarnados, que abriram muito espaço entre eles. Com o 0-3, num ataque rápido conduzido pelo possante Slimani, em que mais uma vez faltou agressividade ao Benfica no corredor central e em que Ruiz foi mais decidido a chegar a uma segunda bola do que Sílvio, morriam as hipóteses do Benfica tirar algo do jogo e abria-se a temporada de introspeção benfiquista. Na segunda parte, mesmo assim, o estádio encheu-se de entusiasmo dos adeptos encarnados, a puxarem pela equipa na tentativa de uma improvável reviravolta, mas a vontade nestas coisas não chega. Não sendo totalmente justo aquilo que diz Jesus acerca do que ainda há dele neste Benfica, é verdade que Rui Vitória está a meio caminho entre duas realidades. Decidiu deitar fora muito do que Jesus construíra, para dar um cunho pessoal à equipa, mas cedeu noutras coisas, não chegando a colocar as fichas todas naquele que é o futebol das suas equipas: a manutenção do 4x4x2 em vez do 4x2x3x1 que sempre adotou e que permite povoar melhor o meio do campo é disso exemplo. Jesus, pelo contrário, montou uma equipa à imagem da que tinha construído na Luz, sem se preocupar que depois venham dizer-lhe que está a usar a mesma fórmula. Está, mas ela resulta e, com a vitória clara na Luz e a liderança isolada na Liga – fruto do empate do FC Porto com o Sp. Braga – já mostrou que este Sporting é mesmo um sério candidato ao título.
2015-10-25
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Benfica e Sporting têm ambos muita coisa a perder neste dérbi. O Benfica está a cinco pontos de distância – mesmo com um jogo a menos – e é mais evidente aquilo que arrisca: se perde, passa a precisar de binóculos para ver os rivais na tabela. No Sporting até pode haver quem ache que uma eventual derrota não implicaria males de maior, pois tem vantagem na classificação e ainda terá a segunda volta para a retificar, mas é precisamente na capacidade para não perdoar nestes momentos que terá de residir a mudança de paradigma nos leões. O Benfica não tem muito a ganhar com o recuo de André Almeida para defesa-direito. É verdade que Sílvio não deu a melhor resposta em Istambul, mas Nelson Semedo já não era um portento em termos defensivos e a consistência do setor era muito mantida graças à experiência de Luisão, que continua por lá. André Almeida tem sido um bom par para Samaris e, visto que Rui Vitória tem apostado tão pouco em Pizzi, é a meio-campo que deve manter-se. Até porque a aposta na dupla Samaris-Fejsa não deu bom resultado na Supertaça. Na frente, é absolutamente impensável que venha a repetir-se a colocação de Jonas como primeiro avançado: ele será o responsável pela ligação ao ponta-de-lança, de forma a jogar mais perto de Gaitán, uma vez que a sociedade entre os dois é a melhor esperança do Benfica desequilibrar o jogo. O Sporting já abordou alguns jogos mais difíceis com apenas um avançado – quase sempre Gutièrrez – remetendo Slimani para o banco, mas se há uma coisa certa no jogo da Luz é que Jesus vai entrar com dois na frente e que o argelino estará no onze. É que a última coisa que o treinador do Sporting vai querer é que achem que entra com medo. O mais certo é que atrás de Slim e Téo apareça um meio-campo com William Carvalho e Adrien Silva – Aquilani só faz sentido a três ou em jogos mais fáceis – com João Mário a fugir da direita para o meio e Ruiz na esquerda. Se o costa-riquenho não passar no teste físico que fará antes do jogo, é mais certo que no onze apareça Carlos Mané do que Matheus ou Gelson. Jorge Jesus mudará pelo menos oito dos dez jogadores de campo que enfrentaram o Skenderbeu na quinta-feira. E o mais certo é mesmo que mude os dez: falta perceber se Esgaio e Ewerton podem manter-se ou se regressam João Pereira e Paulo Oliveira. Por isso, a questão da recuperação do esforço não se coloca entre os leões. O jogo do Benfica em Istambul acabou 22 horas antes, mas os encarnados ainda tiveram de viajar, chegaram tarde a Lisboa e vão repetir grande parte do onze que começou o jogo com o Galatasaray – provavelmente Rui Vitória só trocará Jiménez por Mitroglou. É o Benfica quem tem maior probabilidade de sequelas da semana europeia. O jogo deverá mostrar duas equipas a apostarem nos momentos em que são mais fortes. O Benfica no ataque posicional, mais em posse, com saída pelas faixas laterais e busca da profundidade através dos laterais e dos extremos, mas com dificuldades nos momentos de transição. O Sporting no ataque rápido, com acelerações nos corredores laterais e procura do espaço atrás da defesa encarnada através da ativação de Slimani ou entre as linhas benfiquistas com as diagonais dos alas, mas a sofrer em organização defensiva. Quem conseguir mascarar melhor as suas debilidades tem mais hipótese de ganhar o jogo. Rui Vitória vai adotar uma abordagem mais afirmativa ao jogo do que na Supertaça, em que o Benfica entrou de facto com medo do Sporting, provavelmente por ter noção das limitações que lhe foram impostas pela pré-época calamitosa em termos desportivos e de preparação. O discurso do treinador pareceu mais confiante, realçando os pontos fortes da sua equipa, como os excelentes resultados que tem feito em casa, ou as diferenças de nomes para com a equipa que jogou em Agosto no Algarve. Lisandro, Nelson Semedo, Fejsa, Ola John e Talisca estarão agora fora do onze. Jorge Jesus não enveredou tanto pelos “mind games” como em Agosto. O balão da euforia leonina esvaziou um pouco com o afastamento da Liga dos Campeões e nem a co-liderança da Liga, a par do FC Porto, permite ao treinador entrar de peito tão cheio como há dois meses e meio. Desta vez Jesus esteve mais na sombra, pois o confronto foi assumido mais acima, pela estrutura da SAD.
2015-10-25
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Stats

O regresso de Jorge Jesus à Luz será um tema à parte do Benfica-Sporting da oitava jornada da Liga. O treinador que ganhou os últimos três campeonatos do Benfica (2010, 2014 e 2015) e que entretanto mudou de cor e já ganhou a Supertaça ao serviço do Sporting nunca foi capaz de sequer empatar com os encarnados naquele estádio. Soma por derrotas os oito jogos ali realizados e só por uma vez viu a sua equipa fazer golos. A primeira vez que Jesus ali levou uma equipa foi a 3 de Fevereiro de 1993 e o confronto era desigual. O Amora, comandado pelo atual treinador leonino, jogava a II Liga e foi batido nos quartos-de-final da Taça de Portugal por 5-0, com golos de Mostovoj, Pacheco, Yuran (dois) e Paulo Sousa. Jesus só voltou à Luz pelo Felgueiras, três anos depois, em Abril de 1996. E voltou a perder, desta vez por 1-0, com um golo já na segunda parte do extremo angolano Paulão. A descida de divisão da equipa nortenha significou o adiamento de novas visitas até Agosto de 1998, quando ali levou o Estrela da Amadora a perder por 2-0. Marcaram Poborsky e Tahar El Khalej. O resultado, aliás, repetiu-se na época seguinte, mas nos 2-0 de Outubro de 1999 quem fez os golos encarnados foram Okunowo e Ronaldo. Só ao quinto jogo na Luz pôde Jorge Jesus festejar um golo de um jogador seu. Foi a 25 de Agosto de 2001 e o V. Setúbal comandado pelo técnico da Reboleira chegou a estar na frente, graças a Marco Ferreira. Acabou, no entanto, por perder, fruto da explosão do fenómeno Mantorras, que nessa tarde fez um “hat-trick” e tornou inútil o tento de Hugo Henrique, que fixou o 3-2 final. Começava a Volta a Portugal em clubes de Jorge Jesus, que até chegar ao Belenenses, em 2006, por fazer apenas partes de épocas em tentativas de salvar equipas da despromoção (algumas delas bem sucedidas) não voltou a jogar como visitante no estádio do Benfica. Regressou em Dezembro de 2006, com o Belenenses, e para perder por 4-0, com golos de Simão, Karagounis, Fonseca e Katsouranis. A tentativa seguinte, em Abril de 2008, outra vez com os azuis do Restelo, redundou em nova derrota, outra vez sem marcar golos: 2-0, com tentos de Luisão e Cardozo, jogadores que já encontrou quando chegou à Luz para treinar o Benfica. Foi à oitava tentativa, porém, que Jesus colocou uma frase no anedotário nacional do futebol. Em Janeiro de 2009 levou o Sp. Braga a perder ali por 1-0 (golo de David Luiz) e, para se queixar da arbitragem, saiu-se com o famoso “o Braga ganhar na Luz ao Benfica só se for na PlayStation”. É o que se verá, na nona tentativa.   - Como jogador, Jesus saiu da Luz sem perder por três vezes, nas três primeiras ocasiões que lá foi: 2-2 com o Olhanense (e esteve a ganhar por 2-0) em Setembro de 1974, 0-0 pelo Sporting em Dezembro de 1975 e 1-1 pelo Belenenses em Março de 1977. Depois, só derrotas, com Riopele, U. Leiria e V. Setúbal.   - Este será o 15º jogo entre Rui Vitória e Jorge Jesus. O atual treinador do Sporting soma, no confronto direto, 11 vitórias, um empate e duas derrotas, sendo que duas dessas vitórias lhe permitiram ganhar títulos: a Taça da Liga de 2011 (final entre Benfica e Paços de Ferreira) e a Supertaça de 2015 (já no Sporting, contra o Benfica). Uma das vitórias de Rui Vitória, obtida pelo V. Guimarães frente ao Benfica, também lhe permitiu levar para casa a Taça de Portugal de 2013.   - Rui Vitória ganhou na primeira vez que defrontou o Sporting. Foi a 20 de Outubro de 2007 e o treinador ribatejano dirigia o Fátima, que semanas antes fizera sensação ao afastar o FC Porto da Taça da Liga. Contra os leões, o Fátima ganhou por 2-1 no Restelo, casa emprestada dos verde-brancos, e levou para a segunda mão da eliminatória uma vantagem que não conseguiu segurar, pois perdeu em Fátima por 3-2.   - O Sporting não ganha na Luz desde 28 de Janeiro de 2006, quando ali bateu os encarnados por 3-1, para a Liga, mesmo depois de ter estado a perder. Simão adiantou o Benfica, na primeira parte, de penalti, mas os leões viraram o jogo na última meia hora, com golos de Sá Pinto (este também de penalti) e Liedson (dois).   - Os últimos três golos marcados pelo Benfica foram de bola parada: Carcela ao Vianense após lançamento lateral de Sílvio; Jardel ao Vianense após canto de Pizzi; e Gaitán ao Galatasaray na sequência de livre apontado rapidamente por Jonas. Em contrapartida, os dois últimos golos sofridos pelo Sporting também nasceram de bolas paradas, ambos de cantos do lado esquerdo do ataque. Marcaram-nos Josué (V. Guimarães) e Jashanica (Skenderbeu). Mas enquanto o Benfica só fez esta época mais dois golos de bola parada (um penalti e um canto de Jonas a Estoril e Belenenses), o Sporting encaixou mais quatro nestas circunstâncias: penaltis de Pelé e Rabiola, além de livres indiretos finalizados por Luís Alberto e Doumbia.   - Treze dos últimos 14 golos do Benfica ao Sporting nasceram na América do Sul. Desde 2012, Cardozo marcou seis, Gaitán fez dois, Luisão um, Jardel outro, Pérez mais um, Lima outro e Salvio o restante. A exceção é Markovic, que marcou em Alvalade no empate (1-1) para a Liga, em Agosto de 2013. O último golo português do Benfica ao Sporting foi marcado por Nuno Gomes, a 16 de Abril de 2008, num jogo que os leões ganharam por 5-3, para a Taça de Portugal.   - Dos atuais jogadores leoninos, só um marcou mais de um golo ao Benfica com a camisola leonina: Slimani, que fez dois, sempre na Luz. Um no empate (1-1) para a Liga passada e outro na eliminação leonina (3-4) da Taça de Portugal de 2014. Jefferson, por exemplo, também já marcou por duas vezes ao Benfica, mas uma delas foi pelo Estoril, em Maio de 2013, ajudando o FC Porto a tirar esse título às águias.   - Mesmo com um jogo a menos, o Benfica continuava a ser, antes do início desta jornada, a equipa que mais rematava na Liga: segue com 114 tentativas de chegar ao golo (19 por jogo), contra 110 do Marítimo (15,7 por jogo). O Sporting chutou 98 vezes (14 por desafio).   - O Sporting é, dos três grandes, o que tem piores números com Carlos Xistra a apitar na Liga, com apenas 56 por cento de vitórias em 27 jogos. Ganhou, contudo, as últimas quatro partidas: 2-1 ao Tondela já esta época, 4-1 ao Sp. Braga e 4-0 ao Gil Vicente na anterior e ainda 3-1 ao P. Ferreira em 2013/14. A última vez que cedeu pontos com este árbitro foi no empate caseiro frente ao Rio Ave (1-1), a 21 de Setembro de 2013. O Benfica ganhou 61% dos 18 jogos que fez com Xistra, três deles consecutivos: 3-1 ao Nacional e 4-0 ao Marítimo na época passada, mais um 2-0 ao Olhanense em 2013/14. A última vez que perdeu pontos com ele foi a 23 de Setembro de 2012, num empate a duas bolas com a Académica, em Coimbra.   - Carlos Xistra vem com uma média de um penalti por jogo esta época: marcou um a favor do Sporting no jogo com o Tondela e dois a favor do Sp. Braga frente ao Marítimo, não chegando a apontar nenhum no Rio Ave-Boavista. Na época passada, a sua média era de 0,2 penaltis por jogo, mas ainda assim teve um jogo com dois penaltis: o Sporting-Sp. Braga, em que assinalou um para cada lado.   - Este vai ser o terceiro clássico de Carlos Xistra na Liga. Nos dois anteriores, o resultado foi o mesmo: 2-0 para a equipa da casa. Aconteceu no Sporting-FC Porto de 2007/08 e no Benfica-Sporting de 2010/11.
2015-10-24
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É tão raro Portugal obter três vitórias no mesmo dia de futebol europeu que esse será sempre um facto digno de realce. Ainda por cima numa época em que a quinta posição nacional no ranking da UEFA volta a ser posta em causa por franceses e russos e em que o mundo parecia estar ao contrário, com os nossos clubes a portarem-se melhor na Liga dos Campeões do que na Liga Europa. A partir de agora, com o Sp. Braga praticamente apurado, o Sporting também volta a ter o destino nas mãos e até o Belenenses pode acreditar no futuro. A tripla de apuramentos é possível. O Sporting fez tudo o que queria no jogo com o Skenderbeu. Primeiro, ganhou de forma clara, chegando mesmo à terceira goleada consecutiva (5-1, depois dos 4-0 ao Vilafranquense e dos 5-1 ao V. Guimarães). Depois, Jorge Jesus pôde nivelar o plantel em termos de utilização, poupando os jogadores preponderantes para o dérbi de domingo e dando minutos e rotinas a quem delas necessitava: e pela lentidão com que o Sporting jogou na primeira parte parece que ainda continua a precisar. Por fim, colocou-se a apenas um ponto do Besiktas – que ainda terá de jogar em Alvalade – e fê-lo garantindo que alguns jogadores saíssem do relvado com um reforço de confiança. Foi o caso de Matheus, autor de mais dois golos, que mostrou que está acima de qualquer outro projeto de jogador no ataque leonino no aspeto fundamental que é a tomada de decisão. Mais épicas foram, claramente, as vitórias de Sp. Braga e Belenenses. Os minhotos chegaram a 2-0 frente ao Ol. Marselha, pareciam ter a noite colorida por golos como o belo chapéu de Hassan, mas quase foram traídos pela dimensão emocional que deixaram que o jogo adquirisse, com toda a gente a querer dedicar o sucesso ao goleador egípcio, que tinha perdido o pai na véspera. Um par de minutos de desconcentração quase custava dois pontos à equipa de Paulo Fonseca, que se salvou graças à alma de Alan e à capacidade de renovação que vai sempre mostrando no ataque, setor onde tem opções ao nível de um grande. Com nove pontos feitos, só uma catástrofe poderia retirar o Sp. Braga da fase seguinte. Uma fase à qual até o Belenenses pode agora sonhar aceder: a vitória em Basileia deixa os azuis a dependerem sobretudo do que forem capazes de fazer no Restelo, onde ainda recebem os suíços e os polacos do Lech Poznan. É verdade que em seis jogos deste grupo já houve quatro vitórias fora e apenas uma em casa mas, até porque a Fiorentina precisa de pedalar muito e ganhar fora para se chegar à frente, se voltar a vencer daqui a quinze dias, a equipa de Sá Pinto poderá ajudar a um pleno incomum de apuramentos nacionais na Liga Europa. O ranking agradeceria.
2015-10-23
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Stats

O Sporting recebe os albaneses do Skenderbeu com a obrigatoriedade de vencer se quer manter aspirações a seguir em frente na Liga Europa. Na verdade, os leões só ficaram pelo caminho na fase de grupos desta competição uma vez, na terrível época de 2012/13, durante a qual também registaram a segunda pior série de jogos seguidos sem ganhar nas provas europeias: cinco. Para já, as duas derrotas por 3-1 com CSKA e Lokomotiv de Moscovo e o empate a uma bola com o Besiktas em Istambul mantém a série corrente em três. Apenas três? Não. O sucesso na prova depende da capacidade para interromper já esta série. Em toda a sua história europeia, os leões já conheceram três séries de seis desafios sem ganhar na Europa. Uma em 2000/01 (os seis jogos na Champions, com Real Madrid, Leverkusen e Spartak Moscovo), outra dividida entre 2006/07 e 2007/08 (dois jogos com o Spartak Moscovo, dois com o Bayern, um com o Inter Milão e um sexto já na nova temporada, com o Manchester United) e a mais recente em 2008/09. Nesta última, o Sporting de Paulo Bento até passou pela primeira (e até hoje única) vez a fase de grupos da Champions, mas nos oitavos-de-final baqueou com estrondo ante o Bayern de Munique, com derrotas por 5-0 em Alvalade e 7-1 na Baviera. Somados a estas duas derrotas, os quatro empates com que arrancou para a temporada europeia de 2009/10 (0-0 e 1-1 com o Twente; 2-2 e 1-1 com a Fiorentina) valeram os tais seis jogos sem ganhar, antes dos 3-2 infligidos fora de casa ao Heerenveen. Para ficar de fora na fase de grupos da Liga Europa de 2012/13, o Sporting nem precisou de tanto. Começou por empatar em casa com o Basileia (0-0), para depois perder fora com o Videoton (0-3) e o Genk (1-2). O empate caseiro com o Genk (1-1) e a derrota em Basileia (0-3) deixaram a equipa verde-e-branca sem hipóteses de progressão, mesmo tendo ganho o sexto jogo, em casa, ao Videoton (2-1). Desta vez, é bem provável que um quarto jogo sem ganhar, a somar às derrotas com as duas equipas moscovitas e ao empate com o Besiktas chegue para causar sérios danos às aspirações europeias do Sporting de Jesus.   - Jorge Jesus cumprirá o 100º jogo como treinador nas competições europeias. Dos 99 que já fez, ganhou 50, empatou 22 e perdeu 27. O primeiro fê-lo ao comando do Estrela da Amadora, na Taça Intertoto, em 1998/99, frente aos polacos do Ruch Chorzow, tendo-lhes depois juntado mais dois no Belenenses, em 2007, 14 no Sp. Braga, 78 no Benfica e quatro no Sporting. Por competição, soma 40 desafios na Liga dos Campeões, 56 na Taça UEFA ou Liga Europa e três na Taça Intertoto. O mais que esteve foram cinco jogos seguidos sem ganhar na Europa, por duas vezes.   - O Sporting ganhou o último jogo europeu que fez sem Rui Patrício na baliza. Foi a 7 de Dezembro de 2012, na Liga Europa, em Alvalade, contra o Videoton. Jogou Marcelo Boeck – do atual plantel também Esgaio esteve em campo, fazendo nesse dia a sua estreia pela equipa principal – e os leões ganharam por 2-1.   -O Skenderbeu perdeu os derradeiros quatro jogos internacionais. Na fase de grupos da Liga Europa foi batido em casa pelo Besiktas por 1-0 e fora pelo Lokomotiv Moscovo por 2-0. Antes disso, no play-off da Liga dos Campeões, tinha sido duas vezes derrotado pelo Dynamo Zagreb: 4-1 em Zagreb e 2-1 em Elbasan. A última vitória europeia do Skenderbeu aconteceu a 5 de Agosto, por 2-0, em casa, na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, frente ao Milsami Orhei, com arbitragem do português Soares Dias.   - Tal como o Sporting, também o Skenderbeu lidera ex-aequo a Liga albanesa. Tem 19 pontos em sete jogos, os mesmos que o Partizan Tirana, correspondentes a seis vitórias e um empate.   - Nunca nenhuma equipa albanesa conseguiu ganhar ou sequer marcar um golo a uma equipa portuguesa nas provas da UEFA. O melhor resultado obtido por clubes albaneses foi o empate a zero do Dinamo de Tirana frente ao Sporting, na capital albanesa, a 23 de Outubro de 1985 (faz 30 anos na sexta-feira). O Sporting passou a eliminatória, ganhando por 1-0 na segunda mão, graças a um golo de Venâncio.   - Depois dessa eliminatória entre Sporting e Dinamo, houve apenas mais um jogo entre clubes portugueses e albaneses. O Benfica ganhou por 4-0 na Luz ao Partizan Tirana, mas o mau comportamento dos jogadores visitantes (quatro expulsões), levaram a UEFA a anular a segunda mão.
2015-10-21
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Último Passe

O Benfica teve muita sorte na forma como viu a UEFA suspender a pena de um jogo à porta fechada devido às tochas lançadas pelos seus adeptos na direção dos espectadores do Atlético de Madrid, na segunda ronda da Liga dos Campeões, no Vicente Calderon. A opinião não é só minha: manifestaram-na ontem José Ribeiro e Castro e Gaspar Ramos. E se isso não chegar para os radicais, céleres a falar daqueles ex-dirigentes encarnados como oposicionistas, foi também o que presidiu à condenação imediata dos incidentes por parte de Luís Filipe Vieira. Uma condenação que terá sido fulcral na leveza assumida pela pena. O problema é que falar não basta. A lógica de confrontação existente no futebol nacional de há muitos anos a esta parte, e que neste momento tem o Benfica de um lado e o Sporting do outro, acabará por conduzir a novos problemas, mais cedo ou mais tarde. Do lado do Benfica acusa-se Bruno de Carvalho e o seu discurso hiper-belicista pela escalada do confronto. Com razão. Mas do lado do Sporting acusa-se a estrutura encarnada de fazer o trabalho sujo que permite a Vieira manter a pose de estadista e não se manifestar. E igualmente com razão. Nesta guerra não há quem tenha as mãos limpas. Há excesso de risco nas sucessivas intervenções de Bruno de Carvalho, muitas delas a roçar a piromania furiosa, e que pelo estilo populista têm tido o suporte da maioria dos sportinguistas. Mas tem havido também silêncio a mais de Luís Filipe Vieira na forma como, por exemplo, o Benfica é há anos convivente com a atuação das suas claques, que nunca se legalizaram no IPDJ mas nunca deixaram de ter apoio do clube, mesmo que ele não seja assumido. O derbi de domingo até pode acabar sem incidentes. Espero que sim. Mas se assim for, o mérito há-de ser da polícia ou do bom-senso de quem for ao estádio. Porque o que há por aí mais é gente a contribuir para a confusão em nome de outros interesses.
2015-10-20
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Último Passe

Sporting e FC Porto cumpriram com naturalidade aquilo que a Taça de Portugal esperava deles na estreia. Os leões ganharam com facilidade ao Vilafranquense: ficaram-se pelos 4-0, mas com dois golos de vantagem desde muito cedo, nascidos dos pés do interessante Matheus, que mais uma vez mostrou que um bom atacante precisa de criatividade mas também de sentido prático. O FC Porto bateu o Varzim por 2-0, num jogo cujo vencedor esteve em suspenso até ao segundo golo portista, mesmo em cima do minuto 90, mas apenas porque a vantagem no marcador era mínima, fruto do desperdício do ataque azul e branco. Jorge Jesus aproveitou o facto de estar a defrontar um adversário dos distritais para rodar jogadores menos utilizados, como o estreante Bruno Paulista, testar o regressado Ewerton em competição e dar mais rodagem a William Carvalho, que ficou fora dos jogos das seleções. O Sporting apresentou apenas dois titulares recentes de início (Paulo Oliveira e William), outros dois que têm cumprido esse papel a meio-tempo (João Pereira e Aquilani), mas teve o prémio de ganhar com quatro golos sub-20, de Matheus (dois), Bruno Paulista e Gelson. Os dois tentos de Matheus nos primeiros 16 minutos de jogo revelaram que o jovem brasileiro tem aquilo que, entre os extremos de Alvalade, só Carlos Mané também mostra em iguais quantidades: espírito prático e sentido de baliza. O grau de dificuldade, porém, vai crescer já na quinta-feira, com o Skenderbeu, ainda que o objetivo máximo de Jesus seja naturalmente chegar em pleno ao dérbi de domingo, com o Benfica. Aí sim, estará muito em jogo. À noite, o FC Porto fez um jogo seguro, contra um adversário que está apenas um escalão abaixo, na II Liga, mas que ainda recentemente tinha perdido por 4-0 com a sua equipa B, em Gaia, em jogo de campeonato. Julen Lopetegui poupou de início nove dos onze jogadores que deverá apresentar frente ao Maccabi na terça-feira – só Imbula e Indi ou Layun deverão repetir-se no onze – e mesmo assim teve sempre o comando de jogo. Também marcou cedo, por Tello, podia ter resolvido o jogo com maior brevidade, se Osvaldo tivesse concretizado uma das muitas ocasiões de que dispôs, mas teve de esperar pelo minuto 90 para ver o inevitável André André matar a partida, com o golo da praxe no regresso à Póvoa. Eliminatória resolvida e cabeça já na receção aos israelitas, onde a Champions pode passar para lá de bem encaminhada, ou até no jogo como Sp. Braga, com a ideia de aproveitar os efeitos do dérbi lisboeta.
2015-10-17
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Último Passe

Há uma grande diferença entre dar uma esmola e promover a distribuição de riqueza. Uma esmola dá-se por caridade. É um gesto muito nobre mas nunca resolve o problema e deixa sempre o necessitado a precisar de nova esmola, pouco tempo depois. A distribuição da riqueza é que pode tornar a esmola desnecessária. E o futebol português está tão cheio de gente interessada em dar e receber esmolas como escasso de quem gere e esteja depois interessado em distribuir riqueza. A Taça de Portugal, que coloca grandes e pequenos no mesmo pote, pode ser um instrumento muito interessante na distribuição de riqueza. Mas não é só isso. É suposto ser uma festa, também. Quando foi decidido que, a partir desta época, os pequenos jogariam em casa sempre que o sorteio lhes ditasse defrontar um grande, a ideia não era gerar riqueza de forma imediata: era publicitar o futebol, levar as grandes equipas a estádios onde nunca vão, fazê-las jogar para públicos que nunca as veem ao vivo. Era, em suma, criar engajamento, ganhar esse público para o futebol de bancada, em vez de o ter no futebol de sofá e, aí sim, gerar e distribuir riqueza, nem que seja num plano secundário. Os clubes, no entanto, não conseguiram ver tão longe. O Vianense deslocou a receção ao Benfica para Barcelos, onde o Gil Vicente teve nos últimos anos muito futebol de primeira, ao passo que o Vilafranquense vai “receber” o Sporting no Estoril, num relvado que até à Liga Europa já está habituado. Só o Varzim manteve o jogo com o FC Porto no seu recinto. Calculo que a pressão de pagar salários, de encontrar verba para cumprir orçamentos, seja muito forte e leve os clubes a tomar decisões com base no imediato, mas se a ideia era ter mais receita já, o melhor teria sido decidir ao contrário: sempre que um grande defrontasse um pequeno, o jogo disputar-se-ia no estádio com mais lotação. Dava-se uma esmola em vez de se gerar e distribuir riqueza. Ao mudarem os jogos para campos neutros só porque levam mais gente nas bancadas, os clubes modestos estão a alienar o futuro em nome do presente, estão a preferir os tostões de hoje aos milhares de amanhã, estão a decidir pela caixa das esmolas que o sorteio lhes deixou escancarada – podiam ter calhado uns contra os outros e nem fazer receita nenhuma - em detrimento da sustentabilidade futura do futebol como um todo. Os clubes pequenos podem até argumentar que não é a eles que lhes cabe pensar nisso, pois se eles até jogam no Campeonato Nacional de Seniores… Por isso é de uma assinalável coerência virem depois, como veio o presidente do Vilafranquense, estranhar que o Sporting não abdique da sua parte da receita: a caixa das esmolas devia ser toda para o pobre e dela não devia beneficiar o remediado. Numa forma pequenina de pensar, faz sentido. Mas pensar grande era outra coisa. Era fazer da Taça da Portugal a festa do país futebolístico, era ganhar gente para os domingos seguintes, era fazer com que dentro em breve não se precisasse tanto da caixa das esmolas porque a riqueza estava a crescer. Infelizmente ainda não estamos prontos para isso.
2015-10-16
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Último Passe

A questão dos patrocínios a Benfica, FC Porto e Sporting tem feito correr muita tinta - na verdade o que não corre tanto por ali é dinheiro. Em causa está acima de tudo o estoiro da Portugal Telecom, a marca que, tal como o BES, injectou nos últimos anos muito do dinheiro que se foi vendo no futebol nacional. Dinheiro que não tinham, em primeiro lugar. E dinheiro que o mercado veio provar que o futebol português não justificava. E é aí que está o problema. O Benfica precaveu-se a tempo e assinou com a Emirates um contrato que, ao que se conta, até lhe vale o dobro daquilo que recebia da Meo, a cabeça de cartaz da PT. Mas o Benfica, apesar de tudo, é o clube com maior percentagem de mercado em Portugal, quer se compre a teoria dos seis milhões de adeptos ou se aceite a mais modesta, de quatro milhões e meio, vendida por Bruno de Carvalho. E é aí que entra a lógica muito própria de rivalidade que é específica de Portugal e que tem levado as diferentes marcas a patrocinar três clubes ao mesmo tempo, para não terem publicidade negativa. Se o Benfica recebe oito milhões de euros por ano, os rivais não querem fechar por menos, mesmo que venham dizer que não acreditam nos oito milhões da Luz. E é isso que está a emperrar o negócio e que leva a que, mesmo com Casillas e a fazer uma excelente Liga dos Campeões, o FC Porto ainda tenha a camisola virgem de publicidade. Ou que o mesmo suceda ao Sporting, para onde se mudou Jorge Jesus, que até foi modelo na sessão fotográfica feita no dia da assinatura do acordo entre o Benfica e a Emirates. Tal como Maxi Pereira, aliás. A questão, agravada pelo estudo recente que valoriza as camisolas de dragões e leões em 35 milhões de euros por ano, é a de saber até que ponto é legítimo a FC Porto e Sporting continuarem à espera de valores desse calibre. Na realidade, se o valor real do patrocínio fosse esse, o que se concluía era que a PT até andava a pagar abaixo do preço de mercado. E isso é que seria caso para espanto.
2015-10-14
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Último Passe

A presença do presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, no programa “Prolongamento”, da TVI24, onde tem cadeira o adepto benfiquista Pedro Guerra, agitou o panorama futebolístico nacional mas não por ali terem sido feitas revelações bombásticas ou por se terem esclarecido casos importantes. Na verdade também ninguém estava à espera que isso acontecesse. Nem Bruno de Carvalho, que aceitou sentar-se a debater com o mais retorcido dos “adeptos públicos” do rival, só para o menosprezar, excluindo-o várias vezes da conversa; nem Pedro Guerra, que sabia que entrava num combate desigual, por estatuto e até por deferência da estação televisiva para com o convidado, no qual o mais que podia fazer era agitar os braços atrás de resmas de papel e gritar as frases de propaganda com que tem feito carreira mediática; nem a própria TVI, que tinha a obrigação de saber que isto ia acontecer e apenas terá visto no programa a aproximação mais próxima possível aos “reality shows” com que tomou de assalto as tabelas de audiências. Uma “Quinta dos Presidentes”. A motivação de Bruno de Carvalho para estar ali era clara. Defender o Sporting, defender-se a ele próprio do ataque que tem vindo a ser conduzido pelo site “Football Leaks” – e nunca como hoje o Sporting e o seu presidente são tantas vezes confundidos, pelo uso repetido da primeira pessoa do singular por parte deste quando fala do clube – e meter na ordem o agitador Pedro Guerra. Podemos achar que um presidente do clube não devia colocar-se a este nível e ir debater com alguém que nem sequer é dirigente mas sim assalariado do rival, mas na verdade tanto Pinto da Costa como Luís Filipe Vieira o fizeram em tempos, antes de assumirem a atual pose de estadistas. Já várias vezes disse que o que me separa de Bruno de Carvalho não são tanto as ideias – já defendo o vídeo-árbitro e considero os fundos de investimento uma ameaça à transparência do futebol muito antes de Bruno de Carvalho ter sido eleito – mas sim o estilo, a forma populista como o presidente do Sporting usa a linguagem mordaz e desrespeitosa para garantir o apoio das faixas mais radicais de adeptos do clube. E ao aceitar sentar-se num programa onde está Pedro Guerra, Bruno de Carvalho não podia presumir que ia falar apenas com o moderador, Joaquim Sousa Martins. Como não presumia, de facto. Bruno de Carvalho foi ao prolongamento para esvaziar Pedro Guerra – e nisso esteve o seu equívoco. Porque os sportinguistas acharão hoje que o fez muito bem – com o bónus do seu próprio momento Football Leaks, que foi a caixa com as ofertas do Benfica aos árbitros, vindo de um remetente “anónimo” – e os benfiquistas acharão que o fez muito mal. Os neutros é que ficaram todos na mesma. Já Pedro Guerra tinha razões para sentir orgulho no que estava a acontecer-lhe. A atualidade colocou-o para Bruno de Carvalho como em tempos esteve João Malheiro para Pinto da Costa, com a vantagem de poder debater cara a cara, coisa que sempre esteve vedada àquele. Ao contrário de Malheiro, Guerra é um super-preparado obsessivo, faz-se acompanhar de dezenas de dossiers, conhece-os a todos com minúcia, mas a verdade é que nem o curso de direito e a oratória de tribunal lhe garantem o apoio popular entre benfiquistas que tinha o diretor de comunicação da voz de trovão. De Pedro Guerra separa-me muita coisa, das ideias ao estilo. A começar pelo facto de já ter mentido a meu respeito na televisão sem eu lá estar para me defender e a terminar na constatação de que a dureza das suas certezas absolutas não tem correspondência na facilidade com que as altera: basta uma visita rápida à internet para ver o que disse em momentos diferentes acerca de Jorge Jesus, desde a sua não-aposta na formação até ao seu comportamento enquanto cidadão. Guerra não ganhou o debate, mas também nunca poderia ganhá-lo, porque o campo estava naturalmente inclinado a favor do convidado, que era quem tinha de falar e cedo se recusou a falar com ele diretamente. O mais que podia fazer era o que fez e que faz sempre: levantar suspeitas e depois, impedido que estava de as concretizar por respeito do moderador do programa ao convidado, queixar-se dele, do árbitro, que o impedia de se adiantar no marcador. No fundo, Pedro Guerra esteve para o “Prolongamento” como os sportinguistas estão para o “sistema” quando perdem jogos no campo. Quem já lhe apreciava o estilo vai achar que ele fez bem o seu papel, quem não se revê nele encontrou ali mais do mesmo. Por fim, a TVI queria audiências e certamente deve tê-las tido, pois o programa foi “trending topic” nas redes sociais. Alegarão os mais puritanos que não houve esclarecimento, mas contar com isso era um pouco como ver a “Casa dos Segredos”, o “Big Brother” ou “A Quinta das Celebridades” em busca de elementos credíveis para uma tese acerca de comportamento humano. Não era esclarecimento que estava prometido. Era confronto, era um “reality show”. E qualquer telespectador que venha agora fingir que não sabia disso está a ser tão retorcido como os participantes naqueles programas de adeptos, para quem a verdade é uma coisa manejável. Porque, como dizia o Dr. House acerca dos religiosos fervorosos, “se fosse possível discutir razoavelmente com adeptos radicais, não haveria adeptos radicais”.
2015-10-06
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Islam Slimani conseguiu nos 5-1 ao V. Guimarães o seu primeiro hat-trick desde que chegou ao Sporting, interrompendo uma série de quatro jogos sem marcar (Lokomotiv, Nacional, Boavista e Besiktas). O máximo que tinha conseguido foram dois bis, frente ao V. Setúbal e ao Penafiel, ambos em jogos que o Sporting tinha ganho confortavelmente (3-0 e 4-0). Este foi também o primeiro hat-trick