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O mercado foi decisivo no desfecho do FC Porto-Sporting. O bis de Soares impulsionou os dragões para uma vitória que os deixa à condição na frente do campeonato e tira os leões da luta a três meses do final da época. A aposta de Nuno Espírito Santo no jogador recentemente recrutado ao V. Guimarães deu frutos, enquanto que no Sporting Jesus viu Palhinha ser insuficiente face à ausência forçada de William: o médio chegado do Belenenses fez uma boa segunda parte, mas acusou falta de rotinas com o resto da equipa e cometeu um erro de posicionamento quando se atrasou a subir para fazer o fora-de-jogo no lance do primeiro golo portista. Na verdade, ainda que de forma tímida, dos três candidatos ao título só o FC Porto foi ao mercado buscar argumentos para fortalecer a sua candidatura. Do V. Guimarães chegou Soares, que se por um lado pode ser visto como alternativa fisicamente imponente a André Silva, por outro tem a velocidade de ponta capaz de dinamitar as defesas mais rápidas: a forma como bateu Ruben Semedo no segundo golo é disso prova acabada. A chegada de Soares acaba por ser também a assunção do falhanço na contratação de Depoitre, que Nuno Espírito Santo nunca conseguiu transformar no jogador que vira no duplo confronto entre o seu Valencia e o Gent, há um ano. Com a entrada de Soares e a saída de Adrian López, emprestado ao Villarreal, o FC Porto deu uma composição diferente ao seu ataque, que agora conta com três pontas-de-lança mais clássicos para um melhor preenchimento do espaço na área adversária e com a irreverência de Rui Pedro, cuja qualidade certamente o impedirá de perder espaço nas opções do treinador. O resto do ataque continuará a depender da velocidade de Jota, do repentismo de Corona e da criatividade de Brahimi – que chegou a estar com pé e meio fora, no Outono, antes de acertar o passo com as ideias do treinador –, bem como da disposição de Nuno Espírito Santo para os colocar a jogar ao mesmo tempo em vez de ir acumulando médios e privilegiando a segurança, confiando nas bolas paradas. No Sporting, o mercado podia ser visto de duas maneiras. Ou redução de custos, com a saída de jogadores que eram excedentários no campo e no orçamento, ou recuperação da identidade do clube, feita da aposta nos jogadores da casa que tanto agrada aos adeptos mas que, valha a verdade, pouco mais deu nos últimos anos do que insignificantes vitórias de Pirro. Ainda assim, Francisco Geraldes parece um médio com capacidade de se impor no onze dos leões, sobretudo se Jorge Jesus conseguir trabalhá-lo de forma a juntar agressividade inteligente (o contrário da que lhe valeu a expulsão no Dragão, ainda pelo Moreirense) ao cérebro futebolístico que o jovem inegavelmente tem. É, no fundo, dar-lhe um pouco de Enzo Pérez para ele poder ser alternativa ou complemento a Adrien. Apesar dos soluços de ontem, Palhinha será sempre melhor alternativa a William do que o inexplicável Petrovic. E Podence, mesmo parecendo jogador mais feito para equipas de contra-ataque, é uma pilha de energia e velocidade constantes. Tudo somado à renovação de Gelson e à compra do passe de Coates chegaria para ter os sportinguistas satisfeitos não fosse a derrota no Dragão, mas a verdade é que ficou a ideia de que o clube não conseguiu colocar todos os erros de casting do mercado de Verão. Saíram Markovic (Hull), Elias (Atlético Mineiro) e Petrovic (Rio Ave), bem como Spalvis, que foi para o Rosenborg acabar a última fase (a ativa) de recuperação da grave lesão que teve na pré-época. Mas ainda ficaram em Alvalade (para já) jogadores como André ou Castaignos, este uma espécie de Depoitre, com a mesma aversão ao golo. Por fim, durante todo o mercado sentado confortavelmente no cadeirão de uma liderança entretanto ameaçada, o Benfica estabeleceu a realização de mais-valias financeiras como grande prioridade desta janela de transferências. Com o auxílio de Jorge Mendes, os tricampeões conseguiram mais duas enormes operações, fazendo 45 milhões de euros com Gonçalo Guedes (Paris St. Germain) e Hélder Costa (que poucos em Portugal sabem quem é mas valeu 15 milhões da opção de compra pelo Wolverhampton, do segundo escalão inglês). A chegada de Hermes (ex-Grêmio) destina-se a compor mais as laterais da defesa, face à lesão de longa duração de Grimaldo, restando perceber onde se enquadram Pedro Pereira e Filipe Augusto. O lateral contará para Rui Vitória ou terá sido apenas uma forma de resolver o imbróglio Djuricic, que seguiu a título definitivo em caminho inverso para a Sampdoria? E será o médio capaz de se impor onde Danilo falhou ou a sua contratação não passa de mais um efeito secundário da parceria com a Gestifute? As semanas que aí vêm o dirão, sendo que para já o Benfica é, dos três, o único a poder lamentar, no plano estritamente futebolístico, o desfecho de Janeiro: o futebol-ventoinha de Gonçalo Guedes, sempre a mexer, sempre a correr, sempre a pressionar, já terá feito a sua falta nas derrotas com o Moreirense e o V. Setúbal. 
2017-02-05
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Último Passe

Foram o FC Porto e Nuno Espírito Santo que ganharam ou foram o Sporting e Jorge Jesus que perderam? Como sempre, na sequência de um clássico, onde as duas formas de olhar para o jogo assumem igual protagonismo, esta é a pergunta que muitos fazem. A resposta é simples: ambas as afirmações são verdadeiras. Nuno Espírito Santo começou a ganhar o jogo quando apostou em Soares e numa frente de ataque alargada, mas só o ganhou mesmo graças ao compromisso defensivo revelado por jogadores como Corona e Brahimi. E Jorge Jesus começou a perdê-lo, não tanto na aposta-surpresa em Matheus Pereira, mas mais na falta de William Carvalho e na insistência em Bryan Ruiz pelo corredor central, como segundo avançado, quando ainda não ganhou um jogo verdadeiramente competitivo com o costa-riquenho a jogar naquela posição. Soares foi o homem do jogo, pelos dois golos que marcou, mas sobretudo pela volta que permitiu dar ao futebol do FC Porto. Com Soares, o FC Porto pôde mudar para um 4x4x2, porque passou a ter um avançado de referência, com escola a jogar de costas para a baliza, a cobrir a bola, mas que ao mesmo tempo tem finalização e explosão. Talvez fosse isso que o treinador tinha em mente quando contratou Depoitre, mas a verdade é que esses trunfos chegaram com seis meses de atraso. Com Soares na frente, André Silva passou a ser menos massacrado – ainda que ao mesmo tempo tenha perdido protagonismo – e a equipa pôde juntar dois pontas-de-lança a dois extremos puros, como Corona e Brahimi, não perdendo em termos defensivos. Pelo contrário… A diferença para a equipa que atacou no Estoril, há uma semana, com André Silva, Jota, Herrera e André André foi abissal em termos de resultados práticos, mas também de modelo de jogo: o FC Porto de hoje apostou num jogo mais direto, na busca mais rápida da profundidade, juntando linhas atrás e vivendo muito do comportamento defensivo rigoroso dos dois alas, que estiveram sempre bem nos momentos de transição, reduzindo o espaço ao Sporting para atacar. Claro que muito disto teve a ver com o golo madrugador de Soares, obtido logo aos 6’, que permitiu ao FC Porto gerir a vantagem e ao Sporting obter superioridade estatística, porque lhe coube desde cedo a necessidade de recuperar no marcador. E aqui é onde entram os defeitos leoninos. Seria fácil vir agora criticar a aposta surpresa em Matheus Pereira – um minuto jogado na Liga antes de ser titular no Dragão – mas a verdade é que sem ter sido brilhante, não foi por ele que o Sporting começou a claudicar. O início da queda teve a ver com a falta de rotinas de Palhinha com a equipa, mas o essencial passou pela noite má de Zeegelaar e por mais uma manifestação de incapacidade de Bryan Ruiz para jogar como segundo avançado, pelo meio, em jogos onde o patamar de exigência e de competitividade aumentam. Em suma, Jesus não perdeu por ter inventado, como amanha vamos ler um pouco por todo o lado. Perdeu por insistir em soluções que já lhe tinham custado pontos em várias outras situações. É muito por aqui que se explica o jogo. Adiantou-se o FC Porto logo aos 6’, por Soares, num lance onde a criatividade de Corona se juntou ao comportamento insuficiente de Zeegelaar, que o deixou cruzar, e onde depois a eficácia do avançado recrutado ao V. Guimarães veio combinar com a falta de rotina de Palhinha com Coates e Ruben Semedo: os dois centrais definiram bem o momento da subida, um segundo antes do cruzamento, para deixar Soares em fora-de-jogo, mas Palhinha, que estava na área para restabelecer a superioridade numérica, tardou a reagir e deu condição legal ao atacante brasileiro. A ganhar, o FC Porto assumiu o bloco baixo e a busca rápida da profundidade, sobretudo em ataque rápido e contra-ataque. E, mesmo tendo superioridade numérica no corredor central – Palhinha, Adrien e Bryan Ruiz contra Danilo e Oliver – o Sporting não só não tinha saída pelo meio, procurando sempre os corredores laterais, como perdia quase todas as divididas por ali, fruto da inadequação de Bryan Ruiz à posição. O talento está lá, não se discute, mas para jogar a este nível naquela posição é preciso pensar e executar a uma velocidade que o costa-riquenho não tem. Ruiz começou ali contra o FC Porto em Alvalade e Jesus trocou-o por Bruno César quando se viu a perder, ainda na primeira parte; voltou a começar ali contra o Benfica na Luz e Jesus voltou a trocá-lo, desta vez por Alan Ruiz, aos 60’, mais uma vez a perder, mas desta vez por 2-0; por fim, o treinador repetiu a aposta no Dragão, voltando a mudá-lo de posição ao intervalo, outra vez a perder por dois golos. O segundo nascera de um contra-ataque que teve contributo de Danilo, num excelente passe de rotura, e de Soares, que bateu em velocidade a defesa do Sporting, superou Rui Patrício e fez o 2-0. Na segunda parte, com Adrien e Gelson a manterem a bitola elevada, Esgaio na esquerda em vez de Zeegelaar, Palhinha a subir de rendimento – sendo mais médio e menos terceiro central – e sobretudo com Alan Ruiz no apoio direto a Bas Dost, assegurando que o Sporting tinha alguém capaz de jogar dentro do bloco portista, os leões melhoraram. Adrien acertou na trave e Alan Ruiz reduziu, após combinar com Bas Dost. Aqui, foi a vez de o FC Porto repetir o erro que já cometera contra o Benfica, baixando o ritmo, deixando de sair com a certeza dos primeiros 45 minutos, fruto da falta de gente na frente: André Silva deu o lugar a André André, Brahimi foi trocado por Jota e Corona por João Carlos. Podence deu alma ao flanco esquerdo leonino e nos últimos dez minutos pairou sobre o Dragão a hipótese de repetição do golpe de teatro que já sucedera frente ao Benfica. A diferença é que desta vez Casillas fez duas excelentes defesas a cabeceamentos de Coates, impedindo o empate. E em resultado disso não só o FC Porto viu legitimada a sua candidatura ao título, como o Sporting saltou fora da carruagem.
2017-02-04
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Último Passe

O FC Porto-Sporting vai definir que campeonato teremos a partir de Fevereiro. As equipas chegam ao clássico em posições inversas relativamente ao igualmente decisivo desafio da época passada, mas com muito mais jornadas por disputar, o que somado à derrota recente do Benfica em Setúbal permite acalentar esperanças a ambas de ainda terem alguma coisa a dizer na luta pelo título. A esperança é, aliás, a palavra-chave para os que hoje forem ao Dragão. Os portistas vão na esperança de saírem de lá líderes à condição – o Benfica só joga no domingo. E se há um mês estavam a seis pontos de diferença do líder, já não estão na situação de olhar para cima e não ver ninguém desde o jogo de abertura desta Liga, quando foram os primeiros a somar três pontos, com a vitória em Vila do Conde sobre o Rio Ave. Os sportinguistas, por sua vez, vão na esperança de pelo menos manter a distância para o topo – são sete pontos neste momento, os tais que o FC Porto tinha de desvantagem há um mês – e reduzir a que os separa do segundo lugar, para voltarem a entrar na discussão. Ambos os treinadores têm a noção de que o futebol é o momento. E a questão é que o momento não tem sido muito favorável a nenhum dos dois. O FC Porto até vem de três vitórias seguidas depois do empate em Paços de Ferreira que parecia condenar a equipa a uma segunda metade de época sem ambição, mas não tem sido convincente no plano exibicional. No Estoril, por exemplo, a equipa só ganhou asas quando o treinador adicionou homens de ataque a um onze inexplicavelmente tímido de início. Uma das dúvidas acerca de que FC Porto vamos ter prende-se com as opções para acompanhar André Silva. Só Diogo Jota, com Herrera, Oliver e André André é curto, como se viu na Amoreira. É verdade que o treinador vinha escaldado pelos dois golos consentidos em casa ante o Rio Ave e pode ter sido impelido a escolher uma equipa mais conservadora, mas entre Corona e Brahimi, pelo menos um tem de estar de início. Ou até os dois, com Jota de fora. Jesus já dissipou a maior dúvida no onze leonino, que tinha a ver com o homem escolhido para substituir o castigado William Carvalho. Joga Palhinha, igualmente forte fisicamente mas menos desequilibrador no passe e naturalmente menos à vontade com a importância de um jogo como este. Logo aí se deve esperar um Sporting menos virado para o ataque, mas a opção fundamental prende-se com a escolha do homem que vai acompanhar Bas Dost na frente. Em 2015/16, Jesus ganhou com “chapa três” na Luz e no Dragão com dois avançados puros – Slimani e Gutiérrez – mas este é um Sporting diferente, logo à partida por não ter a capacidade de luta do argelino, que era ao mesmo tempo primeiro atacante e primeiro defesa. Os dois clássicos desta época tiveram de início Bruno César e Bryan Ruiz a alternar entre a esquerda e o centro e deverá ser assim também no Dragão, onde lá mais para a frente Jesus pode recorrer a Geraldes e Podence, os dois moreirenses que tão moralizados ali chegam.
2017-02-03
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Último Passe

Foram bem diferentes as dificuldades sentidas por FC Porto e Sporting para vencerem os seus jogos da 18ª jornada da Liga, na antecâmara do clássico que vai complicar muito mais a vida a um deles – ou até a ambos, se empatarem. Os dragões voltaram a ver-se em défice ofensivo, fruto da recuperação da opção conservadora por parte do treinador, Nuno Espírito Santo, que começou por tentar vencer o Estoril com a equipa muito atrás. Os leões sentiram um défice defensivo quando já ganhavam por 3-0, quando Adrien começou a proteger-se face à hipótese de ver um amarelo que o afastasse da próxima jornada e Jorge Jesus deixou que o seu próprio conservadorismo se manifestasse quando tardou em retirá-lo de campo. No fundo, a história devia ser a de duas vitórias claras. Não foi assim, porém. Na Amoreira, o FC Porto só desbloqueou o 0-0 aos 82 minutos, quando um penalti de André Silva permitiu a Nuno Espírito Santo um suspiro de alívio que as suas opções iniciais dificultaram. A equipa começou com André Silva como ponta-de-lança, Diogo Jota a apoiá-lo e com a missão de cair na esquerda, e com André André e Herrera como médios-ala que frequentemente procuravam o espaço interior. Afinal de contas são essas as suas caraterísticas. As consequências eram duas: falta de largura e falta de gente na frente. Quando Brahimi se levantou do banco para entrar, ainda na primeira parte, não me passou pela cabeça que o sacrificado pudesse ser Jota. O problema manteve-se até que pouco depois da hora de jogo surgiu finalmente a opção atacante, com as entradas de Corona e Rui Pedro com a saída de dois médios. O mexicano dava largura, Rui Pedro acentuava a presença na frente, tirando o foco da defesa estorilista um pouco de cima de André Silva e os golos apareceram. Esse problema, de desbloqueio do jogo, não o teve o Sporting, que marcou cedo e aos 35’ já ganhava por 3-0. Com Gelson de regresso às noites boas, Schelotto a ajudá-lo ofensivamente, Alan Ruiz a desenhar trajetórias menos previsíveis no apoio ao imperturbável Bas Dost, a equipa parecia no caminho de uma vitória tranquila até ao minuto 45. Nessa altura, William Carvalho viu um cartão amarelo que o afastava do clássico de sábado próximo e a situação afetou Bruno César e – sobretudo – Adrien Silva, os outros dois jogadores leoninos que estavam a um cartão da suspensão. O que se viu no regresso para a segunda parte, na qual me surpreendeu até que Adrien tenha sequer reentrado em campo, foi um Sporting defensivamente passivo. Quando não há Adrien – e face ao risco assumido, naquele início de segunda parte foi quase como se não houvesse – o Sporting deixa de funcionar defensivamente. O Paços também sabia disso e Whelton aproveitou para fazer dois golos que, antes do bis de Bas Dost, colocaram o resultado em risco. A dúvida que vai alimentar a semana que aí vem tem a ver com as opções para o clássico. Irá Nuno Espírito Santo repetir a equipa sem pontas e com aposta no meio-campo que titubeou ante o Estoril? Não creio, porque isso equivalerá a dar a iniciativa ao Sporting. E quem irá Jorge Jesus utilizar no lugar de William? Palhinha entrou tímido no jogo com o Paços, mas teve contra ele uma equipa que naquela altura já duvidava muito, e deve ser ainda assim a melhor aposta. A outra opção – Adrien com Bruno César – viria impedir aquele que parece ser o Plano A leonino, no qual Bruno César deverá ser, como foi em Madrid ou na receção ao FC Porto, na primeira volta, simultaneamente segundo avançado e terceiro médio. Porque se é verdade que na época passada Jesus foi à Luz e ao Dragão com dois atacantes (Gutièrrez e Slimani), ganhando ambos os jogos com clareza, as circunstâncias atuais são muito diferentes.
2017-01-28
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Último Passe

O empate do Sporting nos Barreiros, frente ao Marítimo, e a vitória do FC Porto frente ao Rio Ave, em casa, veio confirmar à entrada da segunda volta que se há uma equipa em condições de fazer frente ao Benfica na luta pelo título é a de Nuno Espírito Santo. Não só pela cada vez maior distância pontual dos leões para o topo – podem ficar amanhã a dez pontos do primeiro lugar – mas sobretudo pela forma anímica em que se encontram os dois conjuntos: confiante o FC Porto, mesmo num desafio em que teve de suportar um volume de jogo acima do normal do Rio Ave; desconfiado o Sporting, que voltou a comprometer com erros idiotas uma partida da qual devia ter tirado mais. O FC Porto não fez um bom jogo. Chegou ao intervalo em desvantagem face ao Rio Ave em vários parâmetros estatísticos – posse de bola, ataques… –, apanhou pela frente um adversário sempre forte nos corredores laterais e viu-se mesmo a perder no início do segundo tempo, no seguimento de um penalti infantil de Layun. Mas a equipa de Nuno Espírito Santo foi competitiva. Percebendo que estava a perder o jogo pela falta de controlo a meio-campo aproveitou a lesão de Corona para equilibrar com André André, marcou três golos em bolas paradas laterais e acabou por ganhar com um quarto golo segundos depois de o Rio Ave ter estado à beira do empate. Não é sorte. É confiança. Exatamente a confiança que falta aos jogadores do Sporting neste momento mais conturbado da sua época. O jogo do Sporting foi um pouco o reverso da medalha daquele que fez o FC Porto: sofreu dois golos de bola parada, com responsabilidades evidentes de Rui Patrício em ambos e da zona central da marcação no segundo, e apesar de ter tido mais volume de jogo do que o opositor ainda viu o Marítimo desperdiçar algumas boas ocasiões para marcar mais. Tudo isso a somar às já habituais noites falhadas de alguns jogadores – nos últimos cinco jogos, Jesus fez oito substituições até ao intervalo e só três delas se deveram a lesões – acabou por custar ao Sporting mais dois pontos e o agravar da crise. A de resultados e a de confiança. Se o sucesso na corrida ao título dependia de ganhar todos os jogos da segunda volta, ele já ficou comprometido: se o Benfica vencer amanhã o Tondela, a distância para o líder crescerá para dez pontos e, mais grave, o FC Porto já está a seis e o Sp. Braga pode alargar a distância para quatro. Qualquer ponto perdido nesta altura já não põe em risco apenas a candidatura ao título.
2017-01-21
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Último Passe

O Natal é tempo de ofertas e seguramente que os treinadores dos primeiros colocados da Liga portuguesa estarão a pensar no que gostariam de ver debaixo do pinheiro. É uma forma de encarar o que se passou neste ano e o que os espera em 2017: Rui Vitória quererá poder contar com mais gente no ativo; Nuno Espírito Santo com um par de reforços que compatibilizem melhor o plantel com a evolução da ideia de jogo; Jorge Jesus com uma certeza acerca da mudança da ideia de jogo do Sporting; e Jorge Simão com tempo, uma pausa natalícia mais demorada para poder criar um Sp. Braga mais à sua imagem. O maior problema de Rui Vitória têm sido as lesões. Pois o Pai Natal vai trazer-lhe novidades: a interrupção das competições permitir-lhe-á recuperar alguns jogadores e, desde que eles deixem de cair que nem tordos no que falta de Liga – como aconteceu até aqui – aquilo que mais pode preocupar o treinador do Benfica serão as saídas no mercado de Janeiro. É que embora lutem pelo mesmo objetivo, o treinador e o presidente não têm necessariamente de ter as agendas fotocopiadas. A de Rui Vitória passa por manter as armas que tem, mesmo sem estar a pensar em reforços; a de Luís Filipe Vieira – e de Jorge Mendes – fala em aproveitar (e criar) ocasiões de negócio para a SAD. A eventual saída de Lindelof para o Manchester United, mais a mais se for pelos números irreais de que se tem falado, até pode ser bem ultrapassada com o regresso de Jardel ou Lisandro López ao onze, mas se ao central se juntar Nelson Semedo a equipa já sairá prejudicada. Mesmo tendo em conta a recente quebra de rendimento do lateral, a profundidade que ele continua a dar no corredor direito e a velocidade que exibe na recuperação defensiva são fundamentais para manter a força deste Benfica. A desejar que eles saiam estará seguramente Nuno Espírito Santo, treinador de um FC Porto que fez uma primeira parte da época em crescendo e já se mostra o obstáculo maior ao tetra do Benfica. Só que Nuno tem com que se preocupar dentro de casa também, onde lhe faltam mais um extremo verdadeiro e um ponta-de-lança capaz de aliviar a carga de André Silva. O crescimento atacante do FC Porto teve a ver com a entrada no onze de extremos verdadeiros, Corona e Brahimi, por oposição à preferência até ali dada a médios com tendência a jogar por dentro, como Otávio e sobretudo Herrera ou André André. A história da recuperação de Brahimi talvez nunca seja contada, mas o mais certo é ele ter de se ausentar para jogar a Taça de África pela sua seleção – e já se sabe que quando vão jogar esta prova, os africanos voltam muitas vezes com ideias diferentes. Por isso, até tendo em conta que a prova começa já em meados de Janeiro, do que Nuno precisa é de mais um extremo. Pode ser Jota? Poder, até pode, mas isso só virá reforçar a necessidade de outroavançado, que aí já me parece difícil ser Depoitre, condenado a servir como reforço para um Plano B de jogo, com bolas altas a cair na área. A opção, aqui, terá de ser entre manter tudo como está e encontrar um jogador móvel, ou ir à procura de um trabalhador explosivo. O objetivo será sempre o mesmo: conseguir que André Silva se centre mais na tarefa de fazer golos. Jorge Simão quererá certamente aproximar o seu Sp. Braga daquilo que eram o seu Paços de Ferreira ou o seu Chaves e até, em certa medida, o seu Belenenses. A chegada de Battaglia é uma pista nesse sentido, mas a transformação de uma equipa de futebol solto, criativo e em certa medida até potenciador da desorganização em termos atacantes num coletivo sólido e capaz de se impor pela repetição e mecanização de processos não é simples. E o tempo, em competição, nunca é muito para mudar as coisas de forma consolidada. Já Jorge Jesus precisa de pensar numa segunda metade da época muito perto dos 100 por cento de rendimento para ir de férias feliz. Já não tem Europa e poderá trabalhar a equipa para jogar uma vez por semana, o que é o cenário ideal para quem pensa como ele, separando claramente os titulares dos reservistas. O que lhe falta, então, é encontrar a ideia certa para os jogadores que tem – à ideia da época passada, faltam Teo, João Mário e sobretudo Slimani, com todas as implicações que isso tem na agressividade na frente, no controlo ao meio e na capacidade para abrir espaços através da procura da profundidade. Se tiver essa ideia de jogo no sapatinho, talvez o Sporting ainda possa acabar a época a ganhar coisas interessantes. Caso contrário, falar-se-á sempre de um segundo ano em regressão após uma excelente primeira temporada.
2016-12-26
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Último Passe

A questão do total de títulos nacionais de futebol tem sido vista à luz da rivalidade entre os maiores clubes ou da estratégia de comunicação de Bruno de Carvalho, que a trouxe para a agenda mediática com o intuito de comprar mais uma guerra que sirva de forma de afirmação ao Sporting, mas vale muito mais do que tudo isso. Porque em causa não estão só o total de títulos de campeão nacional dos leões e, por inerência, do Benfica e do FC Porto. Em causa estão também os títulos de clubes como o Olhanense, o Marítimo, o Belenenses ou o já extinto Carcavelinhos (um dos clubes que deu lugar ao Atlético), que merecem tanto respeito como os três grandes, suportados em milhões de adeptos. Em causa está se a decisão do campeão nacional é retrospetiva ou prospetiva, feita a olhar para trás ou para a frente. Porque uma coisa é certa: não pode haver anos com dois campeões. A FPF decidiu que contam como títulos de campeão nacional os três campeonatos da I Liga, realizados entre 1934/35 e 1937/38, por serem provas por jornadas, em modelo de todos contra todos, e terem sido jogados antes da instituição do campeonato nacional da I Divisão, em 1938/39. Decidiu ainda a FPF não contar como suscetíveis de atribuição do título de campeão nacional os 17 Campeonatos de Portugal, jogados entre 1921/22 e 1937/38, por os considerar antepassados da Taça de Portugal, também ela jogada por eliminatórias a partir de 1938/39. Dessa forma, aos títulos de vencedor do campeonato nacional de futebol – Benfica por 32 vezes, FC Porto por 26, Sporting por 18, Belenenses e Boavista com um cada – somam-se mais três do Benfica e um do FC Porto, fruto das vitórias que conquistaram no tal campeonato da I Liga. Pretenderia o presidente do Sporting que, em vez desses títulos da I Liga, fossem contabilizados os vencedores do Campeonato de Portugal: quatro troféus do FC Porto e do Sporting, que assim aumentariam o pecúlio para 29 e 22 títulos, respetivamente; três do Benfica, que subiria na mesma para 35, substituindo as três Ligas por igual número de campeonatos de Portugal; três do Belenenses, que passaria a considerar-se quatro vezes campeão nacional; mais um do Olhanense, um do Marítimo e um do Carcavelinhos, que engrossariam o lote de campeões. A tese da FPF é que o antepassado do atual campeonato nacional é o campeonato da Liga, também ele jogado por jornadas. Faz sentido. Mas também pode não fazer. Ora, façamos um pouco de história. O futebol português andou uns anos atrás do resto da Europa, a ponto de só em 1922 se ter extravasado o nível regional no que a competições respeitava. Nesse final de época de 1921/22 jogou-se pela primeira vez o Campeonato de Portugal, que em ano de estreia se resumiu a uma espécie de finalíssima entre os campeões de Lisboa (o Sporting) e do Porto (o FC Porto). Ganharam os nortenhos, que tal como todos os seus sucessores na prova adquiriram o direito a apresentar-se como “campeões de Portugal”. Veja-se o caso do Benfica de 1930, de que se mostra na imagem acima o cartaz relativo ao almoço de homenagem aos jogadores. O Campeonato de Portugal foi evoluindo. Na segunda edição, além de Sporting e FC Porto, outra vez campeões dos seus distritos, já participaram os campeões de Coimbra, da Madeira, do Minho e do Algarve. E a prova foi-se alargando a mais regiões, até passar, a dada altura, a permitir a entrada de mais do que um representante por cada distrito. Iam-se assim sucedendo os campeões de Portugal. E tudo continuou igual até que, em Março de 1934, a seleção nacional foi arrasada pela Espanha em Chamartin. Foram 9-0, a eliminação do Mundial e a abertura de um processo de reformulação dos quadros competitivos do futebol nacional. Uma das coisas que os espanhóis tinham e os portugueses não era competição nacional regular – o Campeonato de Portugal só se jogava de Maio a Julho – sob a forma de uma prova por jornadas, em que todos os clubes se defrontavam a duas voltas. Os portugueses resolveram imitar esse modelo e criaram, ainda que de modo experimental, o campeonato da Liga – cujo nome derivou do modelo inglês. A prova foi introduzida a título experimental, por se temer que o aumento da receita não chegasse para cobrir o aumento da despesa com deslocações mais longas e frequentes. Foi um sucesso. Ora é aqui que se introduz a rotura. Para a FPF, agora, os 13 campeões de Portugal até aí coroados deixaram de o ser. E os vencedores das quatro Ligas experimentais que antecederam a criação do campeonato nacional de futebol, em 1938/39, passaram a poder ostentar o título de campeão nacional. O primeiro campeonato da Liga, em 1934/35, foi ganho pelo FC Porto, mas nesse mesmo ano o Benfica venceu o Campeonato de Portugal, batendo o Sporting na final, por 2-1. Na página 143 do segundo volume da História do Sport Lisboa e Benfica (1904/1954), obra excecional editada aquando do cinquentenário do clube por Mário Fernando de Oliveira e Carlos Rebelo da Silva e prefaciada por Ribeiro dos Reis, reproduz-se a ementa do jantar oficial de homenagem “Ao team de Foot-Ball Campeão de Portugal” do Sport Lisboa e Benfica. Teve lugar nas Portas do Sol, em Santarém, a 21 de Julho de 1935. Claro que se a prova se chamava Campeonato de Portugal, a equipa que a ganhava se considerava campeã de Portugal. Nem outra coisa faria sentido, apesar de já existir o campeonato da Liga, que nesse ano coroou o FC Porto. Só em 1938 o panorama competitivo voltou a mudar. Ao campeonato da Liga sucedeu o campeonato nacional de futebol; ao campeonato de Portugal seguiu-se a Taça de Portugal. As competições mantiveram os moldes de disputa, pelo que é natural que, vendo as coisas de trás para a frente, a FPF considere agora campeões nacionais os clubes vencedores da Liga e não os que ganharam o Campeonato de Portugal. Porque a questão é que, durante quatro anos, houve clubes cuja legitimidade para se considerarem campeões nacionais se funda no futuro (e na evolução que a competição veio a ter) e outros cuja legitimidade se funda no passado (e no facto de até 1934 o campeonato de Portugal ter sido a única prova nacional). Como não podia haver dois campeões nacionais no mesmo ano, era preciso tomar uma decisão. A FPF decidiu assim e a decisão tomou letra de lei. O mais justo, porém, seria separar as quatro provas e os respetivos palmarés. Porque a alternativa é dizer aos jogadores e aos clubes que ganharam o campeonato de Portugal entre 1922 e 1938 que afinal não foram campeões de Portugal. E isso vai muito para lá das provocações de Bruno de Carvalho ou das respostas dos adeptos benfiquistas.
2016-12-23
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É impossível não ligar Mitroglou à vitória sobre o Rio Ave com que o Benfica fechou a sua participação na Liga em 2016, assegurando o título oficioso de campeão de inverno. E não foi só por ter sido ele a desbloquear o marcador, obtendo o primeiro golo do jogo. É que o regresso do ponta-de-lança grego ao onze permitiu a Rui Vitória mudar o jogo atacante da sua equipa, dando-lhe mais presença na área e profundidade no corredor central, por oposição ao futebol mais móvel de Jiménez. Indiferente à discussão acerca de quem será o melhor ponta-de-lança da Liga e mesmo sem ter tantos como o Sporting, por exemplo, o Benfica tem uma certeza: na Luz mora o lote mais complementar de todos os candidatos. Mesmo que depois o melhor marcador da equipa seja o médio Pizzi. É que se Mitroglou anda sempre na perseguição do golo, raramente saindo do corredor central ou se envolvendo em movimentações antes dos últimos 20 ou 30 metros do campo, preferindo ir mais vezes em busca da profundidade, Jiménez, o avançado a quem ele tirou a vaga nos titulares, cai com frequência nas laterais, dessa forma ajudando a desposicionar as defesas adversárias e abrindo caminho à entrada dos médios em situações de finalização. Depois, há Guedes, um corredor por excelência, rápido com bola nos pés e pouco certeiro na definição dos lances – ainda hoje se lhe viram raides sem a decisão correta no final – mas incansável na pressão quando a equipa perde a bola e lhe compete entrar em fase defensiva. E recomeça a haver Jonas, jogador tão diferente dos outros três, por ter até mais golo que Mitroglou, mesmo jogando uns metros atrás, por ser tecnicamente refinado e quase presciente naquilo que falta a Guedes, que é a capacidade para adivinhar o que vai suceder em cada lance. Podendo ainda fazer jogar ali Rafa – um misto de Jonas com Guedes, porque decide quase sempre bem, mas nem sempre define a contento – ou Cervi, Rui Vitória está mais bem servido de atacantes que Nuno Espírito Santo ou Jorge Jesus. No FC Porto, há Jota, um velocista com golo nas botas, há André Silva, um trabalhador que dá tudo – às vezes até demais – e acaba por sair muito da zona de finalização no processo, e há Depoitre, um gigante de área que aparenta ser muito limitado com os pés. Nuno Espírito Santo seguramente poderia usar a capacidade de explosão de Aboubakar, se tivesse havido a capacidade para lhe explicar que a aposta principal era o miúdo da formação e ele se predispusesse a ser útil, ainda assim. E no Sporting, onde mora o maior lote de avançados da Liga, também não se encontrou ainda a complementaridade. Há Bas Dost, outro gigante, que é melhor jogador e finalizador que o dragão belga, mas pouco dado a buscar a profundidade em construção, como fazia Slimani, preferindo baixar para jogar entre linhas, no espaço de Jonas, por exemplo. E aí faltam-lhe argumentos para desequilibrar. E há Bryan Ruiz, tecnicamente muito bom mas lento a executar, mau finalizador e nada propenso às mudanças de velocidade, ou Campbell, que continuo a achar que pela explosão e boa finalização é o melhor par para o holandês no meio. Não tem havido Markovic, ainda não se viu o que pode valer Alan Ruiz, nunca foi dada constância a André e creio que dificilmente se verá Castaignos. Com mais opções, Jesus ainda não definiu claramente o que espera de cada uma delas. E por aí também se explica a diferença pontual que a equipa já tem para o Benfica.
2016-12-21
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Último Passe

O FC Porto ganhou de forma especial ao Chaves, voltou a colar-se ao Benfica no topo da Liga e, no final do jogo, apareceu o Nuno Espírito Certo. Isto é como quem diz que o treinador encontrou finalmente o tom correto para encarar as questões fundamentais que se aproximam. Nem professoral, a roçar o fanfarrão de canudo debaixo do braço, como tinha sido na noite dos desenhos, após a excelente exibição contra o Arouca; nem deprimido, a inspirar comiseração e solidariedade nos que se reviam nas agruras que a equipa ia vivendo, como na sucessão de jogos sem marcar golos. Ontem, Nuno Espírito Santo foi claro nas coisas boas e nas coisas más. E somou pontos. A verdade é que, de forma até tímida, por vezes, o FC Porto está lá em cima, à frente do Sporting de Jesus, que no início da época era tido como principal obstáculo na corrida do Benfica até à conquista do inédito tetra. Nuno até se deu ao luxo de repetir o onze que tinha defrontado o Marítimo dias antes, mas nem por isso viu a equipa fraquejar física ou mentalmente, como acontecera ao Sporting na véspera. É certo que o adversário não era um Sp. Braga, mas se além da amputação do treinador, não perder também jogadores como Battaglia, este Chaves tem personalidade e futebol para ficar muito bem na Liga. E o FC Porto, dentro das suas limitações, foi capaz de dar a volta ao jogo, ganhando até Depoitre para futuras batalhas, de forma mais inesperada do que tinha ganho Brahimi, por exemplo. Nuno foi capaz de fazer uma boa avaliação da primeira metade da época, que foi exigente para ele e para a equipa, desde a necessidade de passar pela pré-eliminatória da Liga dos Campeões às evidentes limitações de um plantel que não tem soluções de sobra. E foi ao mesmo tempo claro mas não impositivo na declaração acerca da necessidade de ir ao mercado em Janeiro. Os dragões continuam na Champions, têm ali uma almofada financeira que pode ao mesmo tempo permitir-lhes e exigir-lhes encontrar mais algumas soluções, por exemplo, para o centro da defesa, as alas do meio-campo e a frente de ataque. Estará Boli à altura? Quem está lá além de Brahimi e Corona, agora que a equipa encontrou o equilíbrio com extremos? E será Depoitre mesmo o avançado de área que o FC Porto precisa para abrir jogos mais fechados? As respostas chegarão depois do Ano Novo.
2016-12-20
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Três assuntos têm animado os adeptos de futebol em Portugal. O caso Sporting-Doyen, a troca de José Peseiro por Jorge Simão no Sp. Braga e a polémica em torno da contagem dos títulos nacionais. Com algum atraso num ou noutro caso, eis o que penso de cada um. 1. O Sporting vai ter de pagar à Doyen no caso relativo à transferência de Rojo para o Manchester United. Sempre foi claro para mim que assim seria, porque havia um contrato em vigor e ele tinha sido assinado pela direção legítima do clube. Não sei se Bruno de Carvalho entrou nesta guerra para adiar o pagamento, para o evitar de todo ou apenas para fazer barulho à volta do tema polémico que é o da participação de fundos de investimento nos passes dos jogadores. Se foi a primeira razão, limitou-se a ser chico-esperto. Se foi a segunda, estava a ser ingénuo. Se foi a terceira, fez bem. Porque os negócios com os fundos de investimento sem rosto são, na maior parte dos casos, lesivos dos interesses dos clubes e abrem a porta ao dinheiro sujo que quem gosta de futebol deve querer ver longe da modalidade. 2. Nutro por José Peseiro a estima de muitos anos de conhecimento, porque crescemos a 150 metros um do outro. Tenho, além disso, o reconhecimento pela qualidade do trabalho que ele fez em muitos clubes, mas acho que fez mal em voltar a Braga. Depois de ele próprio ter perdido a final da Taça de Portugal para o Sp. Braga de Paulo Fonseca, entrar naquele balneário só podia ser feito com a certeza de que tinha condições para fazer melhor. E a verdade é que não tinha. Peseiro não foi demitido por ter perdido com o Sp. Covilhã. Foi demitido porque antes de cair na Taça de Portugal já tinha perdido a passagem à fase seguinte da Liga Europa e porque, antes ainda, a sua equipa mostrara um futebol demasiado pobre no Dragão contra o FC Porto – e o futebol de qualidade até foi sempre uma das imagens de marca deste treinador. Para o lugar dele entra Jorge Simão, um treinador jovem e ambicioso, que tem muito mais condições para ser bem sucedido. Quais? Tem atrás dele um trabalho de enorme qualidade no Chaves e entra num clube onde as expectativas já estão outra vez a um nível muito baixo. O resto é capacidade de trabalho, que tanto um como o outro têm inegavelmente. 3. A FPF manifestou-se finalmente acerca da polémica relativa aos títulos de campeão nacional, decretando que aos torneios da I Liga, disputados por jornadas entre 1934/35 e 1937/38, correspondem títulos de campeão nacional, e que aos Campeonatos de Portugal, jogados por eliminatórias entre 1921/22 e 1937/38, correspondem troféus equiparados à Taça de Portugal. A polémica vem da mais recente cruzada de Bruno de Carvalho, que nem sequer é uma ideia nova: recordo-me de, durante anos, o Record se ter recusado a alinhar com A Bola nessa equiparação, valendo-se da tese de Henrique Parreirão, segundo a qual só havia campeão nacional a partir de 1938/39, havendo antes, sim, o campeão da Liga e o campeão de Portugal, que eram coisas diferentes. E se na altura achei que a tese defendida pelo Record servia sobretudo de afirmação ante o gigante que era A Bola – era preciso contrariar o establishment para poder vir a superá-lo, algo que o Record depois até chegou a conseguir – também agora vejo na preocupação de Bruno de Carvalho uma forma de agitar as hostes e de ser contra-poder. As taças, porém, valem o que valem e estão nos museus dos clubes, de nada valendo agora tentar reescrever a história, seja num ou noutro sentido. O FC Porto, por exemplo, foi duas vezes campeão e europeu? Ou ganhou uma Taça dos Campeões e uma Liga dos Campeões? É que as provas têm nomes e formatos diferentes. E foi campeão mundial de clubes? Ou tem duas Taças Toyota? É claro que o documento da FPF aqui faz lei, mas na minha opinião as contas são outras: o Benfica tem 32 títulos de campeão nacional (e não os 35 que reclama com a soma das três I Ligas que ganhou), o FC Porto tem 26 (e não 27) e o Sporting tem 18 (e não os 22 que exige ver reconhecidos com a adição do Campeonato de Portugal).
2016-12-16
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Pinto da Costa já fez a sua parte ao vir dizer que a dupla de centrais formada por Felipe e Marcano é das melhores que alguma vez viu na sua longa permanência à frente do FC Porto – e nisso terá tido o seu quê de exagero. Mas, não sendo entusiasmante no plano ofensivo, esta equipa de Nuno Espírito Santo raramente se desequilibra e fundou na segurança defensiva de 746 minutos de jogo consecutivos sem sofrer golos o regresso a sério à luta pelo título. Nisso e no regresso de Brahimi, o proscrito que passou a servir que nem uma luva nas ideias atacantes do treinador. Djoussé pôs termo à longa imbatibilidade portista, que já durava desde o golo de Lisandro López no clássico com o Benfica, no Dragão, e fê-lo precisamente num lance em que bateu os dois centrais portistas, um após o outro. Não são piores jogadores por isso, mas há que reconhecer que grande parte da segurança defensiva desta equipa tem a ver com a opção por Danilo – em vez de Ruben Neves, por exemplo, que é um jogador ofensivamente muito mais entusiasmante mas menos imponente nos duelos – ou com o facto de os laterais – sobretudo Layun e Teles – terem como motivação fundamental a manutenção da posição, procurando muito o desequilíbrio desde trás em detrimento de uma maior projeção no meio-campo adversário. Se é verdade que as equipas se constroem desde trás, então Nuno Espírito Santo está a fazer bem. As vitórias, porém, só começaram a surgir quando o treinador contrabalançou tanta contenção com mais criatividade na frente, através das entradas de Corona e Brahimi no onze. O primeiro nunca esteve verdadeiramente fora, mas acabou por ganhar a posição a jogadores mais contidos, como Herrera ou André André. O segundo estava com pé e meio fora da equipa, com guia de marcha anunciado para Janeiro, antes de contribuir com três golos nos três últimos jogos. Contra o Marítimo, foi ele que desbloqueou o marcador com um golo de autor, como foi ele que depois colocou André Silva na cara do guarda-redes para o 2-0. Janeiro, se é preocupação, será sobretudo por causa da perda de Brahimi, que nessa altura seguirá para a seleção para jogar a Taça de África das Nações e dará outra vez o lugar a Otávio.
2016-12-15
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Último Passe

O FC Porto podia até nem ter ganho ao Sp. Braga, tão tarde apareceu o golo salvador de Rui Pedro, mas isso teria sido uma tremenda injustiça. Porque hoje, ao contrário do que tem vindo a acontecer em quase todos os jogos dos Dragões, só faltaria mesmo o marcador - e não era aquele que falhou a Nuno Espírito Santo em mais uma aula prática de educação visual, dada esta semana aos jornalistas. O FC Porto encostou à baliza a equipa que, antes do jogo, era terceira na Liga, e nem o facto de os minhotos terem ficado reduzidos a dez ainda na primeira parte serve de justificação para a tão grande diferença entre o futebol jogado pelos dois conjuntos. O que leva a questão da crise portista para outro patamar: se esta equipa sabe jogar, por que razão não o faz mais vezes e passou mais de oito horas de jogo sem fazer um golo, contra equipas bem mais fracas que Benfica e Sp. Braga, que lhe motivaram as últimas exibições de bom nível?À partida, ocorrem-me duas justificações. Uma é meramente futebolística e muito concreta. A outra entra na psicologia de balneário e tem o seu quê de adivinha. A mais concreta fala da ideia de jogo de Nuno Espírito Santo, uma ideia bem mais alicerçada nos momentos de transição do que nos momentos de organização. O FC Porto de Nuno é muito forte na reação à perda da bola - transição defensiva - e imediatamente após a recuperação da posse - transição ofensiva. Para que esta equipa possa exprimir-se na plenitude, é preciso que o adversário queira ter a bola. Ora a maior parte das equipas não é isso que pretendem, limitando-se a juntar as linhas à frente da sua área, abdicando de jogar e forçando os dragões a abusar do momento em que são menos fortes, que é a organização ofensiva.O grão de areia nesta explicação está no facto de o Sp. Braga também não ter tido qualquer interesse em jogar a partir do minuto em que ficou reduzido a dez, por expulsão de Artur Jorge. E mesmo assim o FC Porto jogou a bom nível. É verdade que havia Brahimi e Corona ao mesmo tempo ou que Layun dá mais qualidade no ataque do que Alex Teles, mas isso não me parece suficiente para explicar a diferença entre o FC Porto de qualidade que se viu frente a Benfica e Sp. Braga e a equipa apática e infeliz que se mostrou em Setúbal ou no Restelo. Aqui chegado, a melhor explicação que encontro tem a ver com a motivação do grupo. Que nos jogos com outros grandes aparece bem focado e nos restantes entra a achar que as coisas acabarão por se resolver mais cedo ou mais tarde. Isso só pode querer dizer que a mensagem não está a chegar devidamente ao balneário. E que a Nuno não basta substituir o marcador. Porque é improvável que lá chegue a fazer mais desenhos.
2016-12-03
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As minhas reflexões sobre jornalismo são constantes, diárias, mesmo que muitas vezes as guarde só para mim. Sejam acerca do objetivo da profissão ou das suas permanentes mutações, não só relativas aos modos de funcionar como à rentabilização – porque se o jornalismo é grátis para o consumidor, continua a ter custos para quem o produz e esses custos têm de ser cobertos. Na semana passada, reagi com uma entrada a “pés juntos” à enxurrada de elogios que andava pelas redes sociais acerca de uma primeira página da “Marca”, onde aparecia Cristiano Ronaldo, mas o facto do CR7 aparecer equipado à Sporting fez com que a maior parte de vós quisesse discutir o clubismo em vez de debater o jornalismo. Vou, por isso, voltar a tentar hoje. A primeira página da “Marca” de hoje, feita à volta da tragédia que foi a queda do avião onde viajava a Chapecoense, é belíssima e sensibilizadora. Mas, mais uma vez, acho que está muito mais próxima das relações públicas do que do jornalismo. O facto de o dizer não quer dizer que esteja menos solidário com o drama de familiares e adeptos dos jogadores desaparecidos, mas o que a “Marca” fez, sendo um excelente outdoor, um cartaz de grande nível, não é a evolução do jornalismo. É evidente que o jornalismo tem de evoluir, mas não para se transformar em relações públicas, porque se assim for deixamos de ter dois nomes diferentes para duas funções que, sendo ambas nobres, são adversárias e não aliadas. Já diz a citação, que “jornalismo é aquilo que [os agentes] não querem ver publicado; o resto são relações públicas”. A “Marca” é o expoente máximo, julgo mesmo que a nível mundial, deste género de “jornalismo”. Para o explicar é preciso compreender a história do desporto espanhol, que estava pouco mais do que moribundo no início da década de 90 e soube aproveitar os programas de incentivo gerados por altura dos Jogos Olímpicos de Barcelona para se tornar uma das maiores potências mundiais. Não só em futebol como em muitos outros desportos coletivos e individuais. Seja no que for, há um espanhol no topo do Mundo. E a “Marca” viu ali a oportunidade de responder a uma das maiores preocupações de quem pensa jornalismo em todo o Mundo – a viabilização financeira da atividade. Os jornais têm de se vender, porque apesar de muitos de vós acharem que o jornalismo é gratuito (os cliques na internet não pagam taxa), as empresas de jornalismo continuam a ter de pagar salário aos profissionais que escrevem as notícias. E não, isto não é uma vergonha para a profissão – nenhuma atividade a que os consumidores de informação grátis na internet recorram abdica de se fazer pagar. Pagam pelas obras lá em casa, pelo café na pastelaria, pelo gasóleo para o carro… O que a “Marca” fez a partir do final da década de 90 – e que lhe permitiu ser o único jornal desportivo europeu a não perder vendas no trágico ano de 2002 – foi um produto que se foi aproximando mais das relações públicas, com a glorificação permanente dos seus campeões. Começaram a ver-se primeiras páginas laudatórias, apelando sobretudo ao sentimento dos potenciais consumidores, que gostam que lhes pintem uma realidade até por vezes excessiva. Foi esse o tipo de “jornalismo” exportado pelos tais consultores espanhóis que as principais empresas de media portuguesas chamaram para explicar o segredo do seu sucesso após as quebras de 2002 e 2003. E quando se abre a porta a esse tipo de “infotainement”, chega-se ao radicalismo que um deles uma vez expôs sem qualquer pudor. O problema é que o “há que ser mais fanático do que os adeptos mais fanáticos” que nos foi explicado por um ex-diretor do “As” não será nunca exportável para Portugal, porque as realidades são diferentes. E são diferentes em quê? Primeiro, o desporto português não tem sequer um décimo dos campeões do desporto espanhol. Eles têm o Fernando Alonso, nós temos o Pedro Lamy. Eles têm o Rafael Nadal, nós temos o João Sousa. E por aí a fora. Depois, porque se em Espanha o espectro de adeptos dos maiores clubes chega para alimentar diversos jornais que deles se aproximam, em Portugal somos menos e nenhum clube tem consumidores em número suficiente para manter vivo um jornal. E quando os jornais tentam, à vez, agradar a todas as cores, acabam por perder o respeito das cores adversárias. A este respeito, quando em 2007 estive em Espanha reunido com os cérebros da Unidad Editorial – dona da “Marca” e do “El Mundo” – para estudarmos a possibilidade de se lançar a “Marca” em Portugal, uma das primeiras perguntas que me fizeram foi: “E de que clube vamos ser?” Respondi que de nenhum, que íamos estar rigorosamente ao meio. O que me leva à segunda parte do raciocínio. Porque se a transformação do jornalismo em relações públicas pode até funcionar financeiramente em Espanha – mas não em Portugal – ela vem colocar questões que me parecem pertinentes também no plano deontológico. No meu percurso nos jornais desportivos, tive cinco diretores: João Marcelino, José Manuel Delgado, Alexandre Pais, Manuel Tavares e João Querido Manha. Uns eram pelo jornalismo de combate, outros pelo jornalismo de compromisso, outros ainda pelo jornalismo (sobretudo desportivo) enquanto entretenimento. Aprendi coisas com todos, mas continuei sempre a pensar pela minha cabeça. E sempre rejeitei a vertigem das boas notícias de que o jornalismo desportivo português está cheio: a ideia é sempre agradar ao potencial leitor, tocando-lhe no coração, que tanto pode ser o emblema do clube como, neste caso, o choque recente com a tragédia da Chapecoense. E isso, nalguma parte do caminho, sobrepôs-se à missão principal do jornalismo, que é e continuará a ser a de dar notícias, mesmo que elas sejam incómodas. É evidente que a manchete da “Marca” no dia do Sporting-Real Madrid tinha de ser o regresso de Cristiano Ronaldo a Alvalade: o que contestei foi que aquilo fosse apresentado assim, com foco apenas da beleza do cartaz em vez de ser, por exemplo, numa reportagem aos inícios de carreira do jogador. E se na altura falei em marketing – o que levou muita gente a achar erradamente que era marketing para promover Ronaldo – o que estava a dizer é que era marketing do jornal, às costas de Ronaldo, que serve para vender muita coisa… e também jornais. É evidente que a manchete de hoje da “Marca” ou de qualquer jornal desportivo tem de ser com a Chapecoense, mas em nome do jornalismo eu preferiria que ela fosse noticiosa em vez de parecer um cartão de solidariedade que se envia aos familiares das vítimas. Porque a solidariedade pode até vender mais, mas não é jornalismo – é relações públicas. PS – Muitas das reações ao que vou pensando sobre jornalismo remetem-me para exemplos concretos do que se faz em Portugal. Percebam por favor uma coisa: não vou estar aqui a fazer crítica de primeiras páginas dos jornais portugueses, não só por bons amigos em todos, mas sobretudo porque ninguém me nomeou provedor da imprensa desportiva nem eu me arrogo ao direito de o ser. E porque o facto de já ter passado – e ter sido afastado – da direção de dois dos três jornais poderia levar a que aquilo que penso fosse confundido com despeito. PS II – Quando comentei a primeira página da “Marca” com Cristiano Ronaldo vestido à Sporting, muitos criativos acharam que aquilo era contra o CR7 ou contra o Sporting. Não era. Reitero agora publicamente aquilo que disse nesse dia em mensagem privada aos que me ameaçaram fisicamente: fui ao jogo, da mesma forma que continuarei a ir a todos os estádios de cara destapada e cabeça erguida. Aos que quiseram discutir o tema de forma mais séria, digo que nada me move nem contra Ronaldo – com quem mantenho uma relação de respeito desde que em 2002 comecei a acompanhar a sua carreira – nem contra o Sporting – clube que trato da mesma forma que trato os outros, independentemente das simpatias que tenho ou que me tentam arranjar por esta ou aquela cor. Aliás, continuo convencido que o facto de diariamente virem aqui acusar-me de estar a favorecer Benfica, Sporting ou FC Porto é o maior ato de validação ao meu trabalho que pode haver.
2016-11-30
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Uma equipa que passa 430 minutos sem fazer um golo, como acontece atualmente com o FC Porto, pode queixar-se de muita coisa. Porque quem não marca um golo em mais de sete horas de futebol não tem apenas um problema de criatividade na organização do ataque, de ineficácia na finalização, de falta de qualidade de alguns elementos ou até de infelicidade face a algumas decisões. Tem esses problemas todos ao mesmo tempo. E no segundo 0-0 consecutivo contra o Belenenses de nada serviu a Nuno Espírito Santo recuperar Brahimi e Ruben Neves, cuja presença até vinha sendo reclamada há algum tempo, porque lhes faltou o contexto. Além de ser uma equipa mal trabalhada do ponto de vista do ataque organizado, a este FC Porto já lhe falta confiança em cada movimento, nota-se-lhe a indisponibilidade para assumir o risco de muitos jogadores, que com medo de falhar preferem jogar seguro a procurar o desequilíbrio – e nesse particular Brahimi até foi dos poucos que chamou a si as decisões de risco, acabando até por meter alguns bons cruzamentos na área. A questão é que essa predisposição para o risco também não é ajudada pela presença em campo de jogadores que estão num patamar claramente inferior de qualidade. E aqui, falo por exemplo de Depoitre. Porque quanto mais vejo jogar este lento e complicativo avançado belga mais me confunde que, mesmo com toda a sua altura, possa ser ele o reforço de ataque para uma equipa que quer ganhar a Liga e chegar longe na Champions. Não me recordo de um FC Porto com um avançado tão fraco desde que Tomislav Ivic “inventou” o comprido Vinha para a frente quando queria desbloquear jogos. E Vinha até chegou a fazer alguns golos, como os fará inevitavelmente Depoitre se continuar a jogar. Mas não resolveu, como não resolverá Depoitre, por mais que o treinador o faça jogar. O empate, mais um a chamar lenços brancos às bancadas onde estão adeptos portistas, pode até deixar Nuno Espírito Santo com vontade de acordar cedo para continuar a trabalhar amanhã, mas diminui-lhe ainda mais a margem de manobra e pode deixá-lo em breve sem razões profissionais para se levantar da cama. Contra o Sp. Braga e o Leicester, os adversários que aí vêm, só duas vitórias interessam, porque só ganhando aos minhotos os dragões regressam ao Top 3 da Liga e só batendo o segundo terão a certeza de seguir para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões sem depender do resultado entre Copenhaga e Brugges. E para isso são precisos golos.
2016-11-29
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Ainda sou do tempo em que havia quem tentasse aplicar ao futebol regras do direito comum do trabalho, advogando que para se libertar de um contrato, rescindindo-o, a um jogador bastaria pagar ao clube a que estava ligado o valor correspondente aos salários que ainda teria a receber. Não era assim, não viria a ser assim, porque o futebol obteve neste particular o direito a uma especificidade que tem a ver com os milhões pelos quais são transacionados os passes dos jogadores e até com os salários muito acima da média que alguns destes recebem. E aí nasceram as cláusulas de rescisão. Que não servem para definir quanto vale um jogador nem muito menos para se fazer um campeonato, ao contrário do que acham os adeptos mais fervorosos e aqueles que se entretêm a alegrar-lhes os dias. Quando um clube contrata um jogador, é porque acredita nele e quer contar com ele até o ver corresponder em campo, até o ver pagar com rendimento desportivo o que nele foi investido. A dada altura, passou a ser habitual que se lhe fixasse uma cláusula de rescisão, que entra num contrato como parâmetro negocial ao nível dos anos de duração, do salário ou do prémio de assinatura. Às vezes há coisas exageradas, como as cláusulas de dezenas de milhões de euros que o Sporting fixou para alguns jogadores da formação que andavam na equipa B ou os 80 milhões em que parece ir ficar a cláusula de rescisão de Nelson Semedo com o Benfica. São casos diferentes – o Sporting blindava os miúdos por ainda não saber se ali ia aparecer um novo Ronaldo, o Benfica blinda Semedo por estar a vê-lo crescer na equipa principal – mas têm em comum uma coisa: ambos os clubes ficaram aquelas cláusulas porque puderam fazê-lo, porque no ato de assinatura dos contratos os jogadores e os seus agentes concordaram com isso. Nunca os clubes insinuaram sequer que aqueles jogadores valiam aquele dinheiro: queriam apenas assegurar que se um dia viessem a valer algo próximo daquilo não podiam fugir a não ser por aquele valor. Cissé não valia 60 milhões de euros, Semedo não vale 80 milhões e, mesmo que venha a assinar o novo contrato com a cláusula que o Sporting quer impor-lhe, Gelson não valerá ainda 100 milhões. O que vale então um jogador? Era costume dizer-se que valia aquilo que alguém se oferecesse para pagar por ele. É assim a lei do mercado. Se eu tenho um ativo – o passe de um jogador –, se me oferecem dez milhões por ele e se eu aceito, esse ativo valerá esses dez milhões. Só que, tal como em tudo na vida, o mercado de futebolistas mudou muito com as intervenções dos mega-agentes e dos fundos de investimento. Não é sequer uma questão exclusiva do futebol. Todas as áreas onde há mega-investimento para criação de mais-valias acolhem este tipo de especulação. Seja o imobiliário, a bolsa de valores ou até o trading em apostas desportivas. Aquilo que mais influencia os mercados hoje em dia não é a qualidade dos jogadores, mas sim o dinheiro dos investidores. Os principais fatores determinantes nos valores das transferências dos jogadores não são a vontade dos clubes vendedores ou compradores ou a qualidade dos futebolistas mas sim a determinação estratégica de grandes grupos financeiros que entraram no futebol. São estes que, de acordo com o caminho que querem dar ao negócio, decidem se é altura de fazer dumping e vender abaixo do preço justo ou se, usando as influências que têm em clubes de vários países e dimensões, o que lhes convém é subir os preços numa espécie futebolística de cartelização. Exemplos disto são as chegadas a Portugal de jogadores como Elias (da primeira vez que veio para o Sporting), Jiménez ou Imbula, mas também saídas como as de Rodrigo para o Valência ou do mesmo Imbula, que fracassou e mesmo assim se valorizou. É por isso, sobretudo, que cada vez fazem menos sentido estes campeonatos da venda de jogadores que só os tais adeptos mais fervorosos vão alimentando. Nem as mais-valias são assim tão grandes, porque para vender caro é preciso comprar caro e manter a roda a girar um nível mais abaixo, nem o objetivo principal dos clubes é vender jogadores. É ganhar campeonatos, daqueles a sério, em que se somam pontos.
2016-11-28
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Último Passe

Os 340 minutos de futebol que o FC Porto leva sem marcar golos desde que Diogo Jota faz o 1-0 frente ao Benfica, no Dragão, há três semanas, chegam para justificar o ar resignado com que Nuno Espírito Santo se apresentou hoje na sala de imprensa do Restelo, após o empate com o Belenenses. O resultado foi mau, porque deixa os dragões dois pontos atrás do Sporting e pode levar ao aumento da desvantagem face ao Benfica para sete pontos já no domingo. E foi flagrante a diferença no olhar do treinador face à chispa confiante que se lhe tinha visto, por exemplo, após a vitória por 3-0 sobre o Arouca, enquanto desenhava para a plateia de jornalistas os pilares em que queria ver a sua equipa assentar o jogo. Hoje não faltou comunicação, compromisso ou cooperação. O que mais faltou foi qualidade. O que mudou desde esse jogo com o Arouca? Ou desde a muito boa exibição contra o Benfica, há três semanas, onde a qualidade ficou à vista de todos? Estas são perguntas com respostas diferentes. As diferenças entre o FC Porto de todos os dias e o FC Porto que encostou o Benfica atrás têm a ver com fatores tão díspares como a motivação dos jogadores para um clássico ou um maior investimento do treinador no delinear da estratégia. O jogo com o Benfica, com variantes interessantes, como a derivação de Oliver para a meia-esquerda, onde com Alex Telles e Otávio foi capaz de tapar a saída a Nelson Semedo e desequilibrar o Benfica, teve dedo de treinador. Tanto na forma como o FC Porto subjugou o tricampeão nacional como mais tarde na forma como lhe permitiu vir à procura do empate, quando tirou do campo quem tinha capacidade para ter a bola. O jogo com o Arouca foi diferente: o FC Porto fez uma muito boa exibição sobretudo porque aquele que é o ponto fulcral do “jogar à NES” – a reação forte à perda da bola – chegou para quase impedir o opositor de sair dos últimos 30 metros. Começando muitas vezes a atacar ali à frente, asfixiou o adversário, dando o mote para justificar uma ideia recorrente acerca deste FC Porto: bom não é ter a bola; bom é que o adversário a tenha, para poder recuperá-la em condições de o surpreender na transição ofensiva. O problema coloca-se quando a frescura física e mental dos jogadores envolvidos nessa pressão não é a ideal ou quando o adversário tem mais categoria e consegue sair da teia, como fez o Belenenses hoje. Aí, o jogo é transportado para outro segmento: o da qualidade. E aqui, o FC Porto não tem conseguido fazer a diferença com os onze que entram nem com as alternativas. Ainda hoje se viu: Depoitre por Jota, para dar peso na áera e tentar superar as condições meteorológicas adversas com um jogo mais direto; André André por Oliver, talvez para ganhar intensidade de pressão, mas seguramente não capacidade para desequilibrar; e Varela por Otávio, quem sabe se para ganhar largura e um jogo mais retilíneo, ainda que com a consequência natural de, sem Oliver e Otávio, a equipa sentir ainda mais a falta de um médio que lhe dê qualidade em ataque posicional, como seria por exemplo Ruben Neves. A verdade é que nenhuma resultou e que o olhar pesado de Nuno Espírito Santo não faz prever que ele venha a ser agora tão claro como foi na semana passada, quando disse que a falta de golos ia deixar de ser assunto.
2016-11-26
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O empate do Sp. Braga na Bélgica, arriscando vir a fazer depender a continuidade na Liga Europa do resultado frente ao poderoso Shakthar Donetsk de Paulo Fonseca, na última jornada da fase de grupos da prova, não pode ser visto apenas à luz das declarações do diretor financeiro do Benfica, Domingos Soares Oliveira, que veio protestar contra os prémios insignificantes da competição quando comparada com a Liga dos Campeões. Disse Soares Oliveira que o dinheiro que se ganha na Liga Europa é tão pouco que nem os clubes portugueses a levam a sério. Mas nem todos podem pensar assim. Aliás, nem o Benfica devia pensar assim. A razão do dirigente benfiquista parece estar bem à vista, por exemplo, na carreira do Inter Milão, ontem matematicamente afastado dos 1/16 de final da segunda competição da UEFA depois de somar frente aos israelitas do Hapoel Beer Sheva a quarta derrota em cinco partidas, num jogo em que Stefano Pioli trocou cinco jogadores relativamente ao onze que empatou no fim-de-semana com o Milan. Para o Inter, a Liga Europa vale pouco mais de zero, porque o prize-money que ali pode alcançar não faz nenhuma diferença no orçamento da sociedade. Soares Oliveira assenta ainda o que diz na experiência do próprio clube português, que com Jorge Jesus chegou a duas finais da Liga Europa, depois de fracassar na Champions, mas colocando sempre a Liga interna à frente e poupando jogadores até à fase decisiva da competição internacional. Aliás, o próprio Jesus parece ainda pensar assim, não tivesse ele repetido depois da derrota com o Real Madrid que o Sporting tem de se afirmar primeiro em Portugal, para depois poder andar na Europa. Os prémios monetários que a UEFA paga pela progressão na Liga Europa são, na verdade, escandalosamente mais baixos do que na Champions. Nisso, Soares Oliveira tem razão. Se conseguir o segundo lugar no grupo, o Sp. Braga irá ainda buscar um valor na ordem do milhão de euros (um pouco mais se o fizer ganhando ao Shakthar, um pouco menos se se apurar empatando ou até perdendo o último jogo). Depois disso, cada eliminatória vai valendo mais à medida que a prova se aproxima do fim: 750 mil euros por chegar aos oitavos-de-final, um milhão para atingir os quartos, 1,6 milhões pelas meias-finais, mais 3,5 milhões se for finalista vencido ou 6,5 milhões se ganhar a decisão. Para uma equipa como o Sp. Braga, atenção, esses valores já fazem diferença. Aliás, já a fizeram para o Benfica nos anos em que chegou às finais. E não apenas pelo que pesaram na realização orçamental. É que a partir de certa altura os jogadores ganham visibilidade e tornam-se alvos mais apetecíveis no mercado, o que não é despiciendo para clubes de um país periférico e sempre a precisar de realizar mais-valias com transferências, como são os portugueses. E, mesmo que o Benfica tenha esse problema resolvido através da parceria que estabeleceu com Jorge Mendes, até à recente alteração das regras de escalonamento das equipas para o sorteio, privilegiando os campeões dos países mais bem colocados no ranking da UEFA, foi em grande parte aos pontos que foi somando na Liga Europa que os encarnados ficaram a dever as suas sucessivas colocações no Pote 1 da Champions e os grupos menos complicados que tiveram de enfrentar nesta competição. É também por isso que o apuramento para a fase seguinte da Liga Europa é tão importante para o Sp. Braga e até para o Sporting, que por ele vai lutar em Varsóvia, sendo um mal-menor para Benfica e FC Porto, que ainda podem continuar na Liga dos Campeões mas para quem a Liga Europa não pode ser uma hipótese desprezível. Por mais que os prémios não cheguem para virar a cabeça de quem faz as contas todos os semestres.
2016-11-24
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Benfica, Sporting e FC Porto têm todos, esta época, uma jovem coqueluche. E não há como não ficar entusiasmado com o rendimento de Nelson Semedo, Gelson Martins e André Silva, as melhores notícias do futebol português nesta época. Por indiscutível mérito próprio e dos treinadores que neles apostaram, mas também – se calhar sobretudo – de quem desenhou os plantéis sem consagrados que viessem atrasar a sua natural imposição. Seriam os mesmos jogadores se Maxi Pereira e André Carrillo não tivessem desertado? E se Aboubakar não tivesse sido forçado ao exílio na Turquia? Duvido. Sempre achei que não há treinadores com vontade de apostar na juventude e outros menos propensos a isso. Todos os treinadores querem o mesmo, que é ganhar. Jorge Jesus, o treinador que o Benfica terá deixado cair por não querer abraçar o novo paradigma de aposta nos miúdos do Seixal, está agora a jogar reiteradamente com Ruben Semedo e Gelson Martins no Sporting, remetendo para o banco consagrados como Douglas ou Markovic. É por isso que sempre desconfiei dos que o acusavam de ter deixado que se perdessem talentos como Bernado Silva, André Gomes ou João Cancelo, todos eles hoje na seleção nacional, mas transferidos pelo Benfica antes de terem tido sequer a oportunidade de se afirmarem na equipa principal. Jesus foi bruto na forma como tentou matar os sonhos destes jovens, com a famigerada frase do “têm de nascer dez vezes”? Claro que foi. Jesus é bruto, ponto final. Já o tinha sido no passado e voltará a sê-lo no futuro. Faz parte da personagem que ele encarna. Mas daí a ser o único responsável pelo facto de aqueles três internacionais nunca se terem afirmado na Luz já vai uma distância que me recuso a percorrer. Vejamos o caso de Cancelo, atualmente titular na lateral direita da seleção, depois de quase ter passado diretamente do Benfica B para o Valência. Cancelo pouco jogou no Benfica porque à sua frente estava Maxi Pereira. E agora olhemos para Nelson Semedo, que do meu ponto de vista é até superior a Cancelo, sobretudo na forma como defende. Seria ele o jogador que é se Maxi tivesse ficado no Benfica em vez de assinar pelo FC Porto? Claro que não. Porque lhe faltaria aquilo que faz verdadeiramente os grandes, que é a competição. A verdadeira mudança de paradigma no Benfica, o que permitiu nos últimos doze meses a afirmação de jovens como Renato Sanches, Nelson Semedo, Gonçalo Guedes ou Lindelof, tem mais a ver com a ausência de alternativas indiscutíveis no plantel – quase sempre por causa de lesões – do que com a mudança de treinador. Claro que, até pelo seu percurso ligado à formação, Rui Vitória trabalha melhor os miúdos do que Jesus, transmite-lhes uma confiança que este nunca seria nem alguma vez será capaz de transmitir. E isso também conta. Mas nem Nelson jogaria tanto se houvesse Maxi nem nenhum dos outros estaria hoje onde está sem as ondas de lesões que lhes deram as primeiras oportunidades. O mesmo vale, aliás, para Gelson Martins. Estaria Gelson onde está se Carrillo não tivesse querido mudar para o Benfica? Claro que não. Carrillo era no início da época passada o maior desequilibrador do plantel do Sporting e, mesmo tendo ele afirmado em entrevista que Gelson era o miúdo com mais talento que alguma vez tinha treinado, Jesus faria sempre a equipa com o peruano. Aliás, no íntimo e mesmo que o não diga, o treinador há-de estar convencido de que se Bruno de Carvalho não tivesse imposto o ostracismo a Carrillo a partir do momento em que este se recusou a renovar contrato, teria sido campeão. Afinal, ele tinha sido campeão em 2014/15 no Benfica, com Nelson Semedo na equipa B e Maxi a jogar durante meses, depois de se recusar a renovar. Sem Carrillo, a aposta em Gelson foi tão natural como a de Rui Vitória em Gonçalo Guedes quando se viu privado de Salvio e agora de Jonas. E, por mais hesitante que tenha parecido a primeira época, na qual Gelson terá nascido umas quantas vezes, o extremo é ao segundo ano uma das figuras da equipa e um fixo da seleção nacional. Nenhum caso será tão paradigmático, no entanto, como o de André Silva. Não se pode acusar José Peseiro de andar desatento aos jovens: foi ele que deu continuidade a João Moutinho, por exemplo, levando-o a jogar uma final europeia com 18 anos. E no entanto, na época passada, depois de dar a titularidade a André Silva, reverteu a aposta antes do clássico com o Sporting, recuperando Aboubakar. Quando lhe pediram para justificar a ausência de André Silva no Europeu, aliás, Fernando Santos até se deu ao luxo de dizer que tinha ido vê-lo ao clássico mas ele não tinha jogado. A administração portista terá encaixado a direta e, para evitar recuos na aposta naquele que pode ser o bastião do portismo nos anos que aí vêm, substituiu-se ao mercado: sem propostas por Aboubakar, mandou-o para a Turquia sem remissão, por empréstimo. E essa foi a forma de o FC Porto e a seleção ganharem o ponta-de-lança que fazia (a ambos) tanta falta.
2016-11-21
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O facto de ter sido André Silva, sempre um dos melhores da equipa, a falhar o último penalti na eliminação do FC Porto da Taça de Portugal, em benefício do Desp. Chaves, pode até retirar um pouco de peso à decisão tomada por Nuno Espírito Santo, que antes mandara Depoitre bater a penúltima grande penalidade, tendo o belga também permitido a defesa a António Filipe. Não concordo com Jorge Simão, treinador dos flavienses, que reduziu o desfecho de um desempate por penaltis à sorte – e creio que o guardião do Chaves, que defendeu três remates, também não concordará – mas o que se espera do FC Porto numa eliminatória como esta é que não deixe as coisas chegar tão longe. E, nesse aspeto, bem mais penalizadora que a escolha do até aqui desastrado Depoitre me pareceu a decisão de Nuno Espírito Santo não chamar ao jogo Brahimi, cuja criatividade poderia ter ajudado a desfazer o 0-0 que durou 120 minutos, a segunda metade dos quais com o FC Porto quase sempre instalado no ataque. Hoje estão de parabéns o Chaves e Jorge Simão, como é evidente. Mas este Chaves não me pareceu sequer tão forte como tinha demonstrado contra o Benfica, num jogo que perdeu com alguma infelicidade – o que é diferente de tê-lo perdido por azar. Não creio que tenha sido o Chaves a piorar, admito que tenha sido o FC Porto a bloquear sempre bem as saídas venenosas do adversário, o que lme eva a não ser capaz de dizer que os dragões tenham jogado mal. O FC Porto foi a melhor equipa em campo e, mais, a partir dos 60’, foi a única com andamento para chegar à baliza adversária. Fosse por incapacidade física, técnica ou tática, o Chaves – que tinha mostrado boas ideias no arranque do jogo – deixou de conseguir sair a jogar e aceitou o papel de saco de boxe: desde que o FC Porto não marcasse no processo, tudo estaria bem para os donos da casa. E a verdade é que o FC Porto não marcou. Nuno começou em 4x3x3, com dois extremos velozes e diretos: Varela de um lado e Jota do outro. Passou durante o jogo para um 4x4x2, com Depoitre perto de André Silva, motivando um jogo mais direto. Mais tarde chamou Evandro e Layun, mas deixou no banco Brahimi, que é possivelmente o mais criativo de todos os jogadores do plantel. Quando pela frente tinha uma equipa que baixava as linhas, que fechava todos os espaços de acesso à sua baliza e o importante era conseguir um golpe de prestidigitação, o FC Porto abdicou do seu jogador mais incontrolável. A não ser que existam fatores extra-rendimento desportivo desconhecidos de quem está de fora a justificar o constante ostracismo ao argelino, tudo parece resumir-se precisamente à imprevisibilidade do jogador, ao facto de ele ser tão incontrolável para os adversários como é para o seu próprio treinador. Mas é uma decisão de risco. E é uma decisão que não creio que Nuno Espírito Santo mantenha em Copenhaga, na terça-feira, se chegar a estar perante a possibilidade de se atrasar na obtenção de mais um objetivo, que é a qualificação para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões.
2016-11-18
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As palavras de Nuno Gomes e Rui Costa acerca do negócio da formação, no “web summit”, casam melhor do que se pensa com as declarações do jornalista italiano Pippo Russo, em mais uma entrevista que este deu para promover o seu mais recente livro acerca do universo de Jorge Mendes. No fundo, ambos defendem a mesma coisa: um modelo de negócio que permita aos clubes florescer, tanto os ricos como aqueles que, como é o caso dos portugueses, vivem das mais-valias feitas com transferências no mercado internacional. A formação em futebol já não é o que era há uns 20 ou 30 anos, quando o FC Porto anunciava aos quatro ventos o primado do “jogador à Porto”, ganhando campeonatos com uma equipa cheia de futebolistas formados em casa. A globalização e a identificação dos jovens jogadores como um negócio em potência trouxeram desafios que Nuno Gomes e Rui Costa identificaram bem na conferência de hoje. Primeiro: por estes dias, o desporto para jovens paga-se. Segundo: por estes dias, os jovens com real talento nos clubes de mercados periféricos são detetados muito cedo e saem para os países ricos antes de poderem dar muitos títulos a ganhar a quem os forma. O modelo de negócio está no equilíbrio, na capacidade para, primeiro, iludir o crivo do poderio financeiro dos pais e, depois, fugir durante algum tempo à pressão dos grandes clubes para terem o próximo Ronaldo. Nuno Gomes deu o exemplo de Gonçalo Guedes e Bernardo Silva, dois jovens talentos cujos pais tiveram de pagar para que eles pudessem jogar nas escolas do Benfica. Ambos são já internacionais A, tendo o segundo saído por muito dinheiro para o Mónaco antes sequer de se afirmar na equipa principal do Benfica. Ora, o que teria sucedido se os pais destes jogadores não tivessem podido pagar para eles jogarem nas escolas do Benfica? Ter-se-ia perdido o talento? Certamente que não. Mas o Benfica iria perder o negócio. E é nesta busca de equilíbrio que está o segredo: em não impedir que os melhores acedam à melhor formação e em impedir, aí sim, que vão embora antes de contribuírem para a conquista de títulos. Porque só assim os clubes portugueses poderão cumprir o desejo de Rui Costa, que quer vê-los a competir no campo com os grandes de Inglaterra ou Espanha. Mas onde entra aí Pippo Russo? Na segunda parte da equação. Diz o jornalista italiano que, estando nas mãos dos grandes agentes e dos fundos de investimento, os clubes não ganham dinheiro. Que ganham nas transferências que fazem, mas como têm de manter o carrossel em funcionamento comprando igualmente caro, essa mais-valia esvai-se. Se olharmos para as dificuldades dos clubes portugueses em amortizar passivo, apesar das vendas que têm feito, teremos de concluir que tem alguma razão. Porque para vender caro, um clube tem de manter satisfeita a clientela. Ainda assim, estou convicto que nem um nem o outro lado da barricada no que respeita à relação entre clubes e fundos encontrou ainda a pedra filosofal da transformação da formação em negócio. Nem o Sporting, que rejeita fundos e super-agentes, não gasta assim tanto, mas depois também não tem a mesma facilidade de escoamento dos seus formandos no mercado internacional, como se viu nas propostas modestas que lhe chegaram pelos seus campeões da europa. Nem o Benfica ou o FC Porto, que trabalham com os super-agentes e os mega-fundos de investimento, conseguindo vendas milionárias mas sendo depois também forçados a fazer compras muito acima do preço de mercado. Esse equilíbrio, estou convicto, só chegará quando houver verdadeira regulação dos mercados. Mas, seja por razões políticas ou estratégicas, a FIFA, para já, não parece muito para aí virada.
2016-11-08
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Os clássicos têm sempre mensagens para quem as quiser ler. O de ontem, no Dragão, trouxe várias, mas a principal é que, continuando a ser o favorito, o Benfica ainda não pode cantar vitória na Liga. Não só porque não conseguiu ganhar e ampliar a vantagem sobre o FC Porto, caso em que o resto da época poderia ser a coisa mais parecida com um passeio de que há memória, mas também porque viu reduzida a que tem sobre o Sporting. Ainda são cinco pontos, em cima dos quais os encarnados podem fundar um favoritismo muito legítimo para chegarem ao tetracampeonato, mas a questão é que, pela frente, os tricampeões ainda têm mais três clássicos. E o de ontem voltou a mostrar como sofrem neste tipo de ambientes. A verdade é que o clássico mostrou um FC Porto perfeitamente capaz de se bater com o Benfica. Tivesse a equipa de Nuno Espírito Santo esta intensidade em todos os jogos da Liga e seguramente não teria empatado com o Tondela ou com o V. Setúbal e estaria em melhores condições para discutir o campeonato. Corona deu largura e repentismo, aliviando a pressão sobre Jota; André Silva conseguiu estar sempre em jogo, mostrando-se o jogador adulto que o BI diz que ainda não pode ser; e Oliver encheu o campo, a jogar atrás e à frente, a defender e a atacar sempre com qualidade. A questão, aqui, é sempre a de saber quando é suficiente e quando é preciso continuar a carregar. Contra o Benfica, com a motivação certa, a equipa portista deu provas de qualidade e encostou o adversário às cordas. Fez um golo, podia ter feito mais um ou dois, mas fracassou duas vezes. Falhou a finalizar quando se lhe pedia que fechasse o jogo e falhou no volume de jogo, quando achou que era altura de proteger o resultado mais perto da sua baliza e não de se manter a jogar alto, como até aí. E essa demonstração de fraqueza, o Benfica não a perdoou. Porque este Benfica pode sofrer sempre que defronta adversários do mesmo calibre, mas tem uma alma que só a conquista reiterada de títulos pode conferir a uma equipa. Há quem lhe chame estrelinha de campeão e dê à coisa ares de fortuna, mas nada podia estar mais errado: é nestas alturas que me lembro do que acontecia vezes sem conta ao Manchester United de Alex Ferguson, especialista em golos nos descontos. Mais. Lembram-se do empate em Alvalade, a uma bola, com um golo de Jardel nos descontos a dar ao Benfica de Jesus um ponto depois de ser dominado durante quase todo o jogo pelo Sporting de Marco Silva, lançando a equipa para o bicampeonato de 2015? No Dragão, ontem, passou a repetição desse filme. Ou a reprise do filme que teve como ator principal Kelvin, a dar ao FC Porto de Vítor Pereira o tricampeonato frente ao Benfica, em 2013. Rui Vitória continua a ter de gerir as constantes lesões – além de Jonas e Rafa, ontem faltaram-lhe Fejsa, Grimaldo e faltou-lhe Luisão a partir dos 20 minutos – mas continua a ser capaz de ir ao banco buscar alternativas para obter resultados. Lisandro, por exemplo, saltou do banco para ser o melhor jogador do Benfica: a ninguém como a ele assentaria tão bem o golo do empate. É certo que Samaris não confere à equipa a mesma competência de Fejsa nos momentos defensivos, mas até foram dele as primeiras duas situações de perigo no ataque: e na maior parte dos jogos, o que o Benfica tem de fazer é atacar. Os clássicos fogem à regra e é nesses que a equipa mais dificuldades tem sentido: o Benfica de Rui Vitória tem uma vitória e três derrotas com o Sporting e um empate e duas derrotas com o FC Porto, mas mesmo assim foi campeão e segue na frente da classificação, com vantagem folgada sobre os rivais. Cinco pontos talvez não lhe cheguem para mais três clássicos, mas a seu favor a equipa do Benfica terá sempre as outras 21 jornadas. É que nessas não costuma falhar. FC Porto e Sporting, por seu turno, não têm podido dizer a mesma coisa.
2016-11-07
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O empate entre FC Porto e Benfica, que deixa tudo na mesma entre as duas equipas no topo da tabela, resulta da excelente exibição do FC Porto durante cerca de 70 minutos, sempre a mandar no campo, mas também da reação benfiquista na ponta final de uma partida em que esteve encostado às cordas mas conseguiu ir ao fundo da alma buscar aquilo de que precisava para pontuar, já nos descontos. Sim, é verdade que até essa ponta final o meio-campo escalado por Rui Vitória nunca se impôs e o FC Porto podia até ter feito mais de um golo, mas também é certo que a reação benfiquista foi auxiliada pelas trocas feitas por Nuno Espírito Santo, a puxar a equipa para trás. Chegar aqui e decidir o que é mérito próprio ou demérito do adversário é conversa para ter na bancada dos sócios, que de qualquer modo andarão mais entretidos nas próximas horas a debater os méritos de decidir o resultado de um clássico no período de compensação. Essa impossibilidade chega até aos lances dos dois golos. No do FC Porto, há mérito na diagonal de Corona, a descobrir Diogo Jota, como na forma como este saiu de Nelson Semedo e chutou forte e colocado, mas também há culpas de Ederson, que permitiu que a bola entrasse entre ele e o poste mais próximo, o poste do guarda-redes. No do Benfica, viu-se um excelente cruzamento de André Horta e a habitual contundência de Lisandro nas bolas paradas ofensivas, mas também um erro de julgamento de Herrera, a ceder um canto despropositado, e a falta de resposta coletiva dos portistas, que não colocaram ninguém para impedir o canto curto e por terem voltado as costas à jogada deram todo o tempo e espaço do mundo a Horta para cruzar. O jogo foi muito interessante também no plano tático e estratégico. Nuno Espírito Santo fez o onze inicial que se impunha, mantendo Maxi Pereira e fazendo entrar Corona, para ganhar largura e repentismo no campo. Com uma excelente noite de Oliver – a melhor desde que regressou ao FC Porto – a equipa recuperava muitas vezes a bola ainda no meio-campo adversário, remetendo o Benfica a uma primeira parte com pouco ataque. Rui Vitória também fez o que se lhe aconselhava, não inventando e trocando os lesionados Fejsa e Grimaldo por Samaris e Eliseu, mas a equipa não respondeu. Fê-lo apenas quando, já em desvantagem, o treinador mexeu e devolveu Pizzi a uma das alas, mas com a incumbência de auxiliar Samaris e Horta, que a partir daí ficaram no meio, na batalha contra Danilo, Oliver e Otávio, que também procurava vir para dentro com frequência. Vitória ainda reforçou o ataque com Jiménez, ao mesmo tempo que Espírito Santo ia puxando a equipa para trás: Ruben Neves por Corona, Layun por Oliver e Herrera por Jota. Em consequência das trocas – e do resultado, também, como é evidente, pois era ao Benfica que competia fazer pela vida – o jogo foi-se aproximando da baliza de Casillas e o Benfica acabou por chegar ao empate. Ficou tudo igual na classificação, num jogo que mostrou três coisas. Que o FC Porto, afinal, tem intensidade para se bater com o Benfica e lutar pelo título. Que o Benfica continua a sentir enormes dificuldades para assumir o jogo quando enfrenta adversários do mesmo calibre. Mas que mesmo assim consegue resultados úteis e mantém-se na frente da tabela e por isso mesmo é ainda o principal favorito na Liga.
2016-11-06
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A vitória do FC Porto frente ao Brugges, imitando o pleno de pontos nos dois jogos com os belgas que o Benfica tinha obtido contra o Dynamo Kiev, deixou os dragões em boa posição para se apurarem para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, levando a que a deslocação a Copenhaga assuma a mesma importância que terá a viagem benfiquista a Istambul. Por sua vez, aliada ao surpreendente empate do Real Madrid em Varsóvia, a derrota do Sporting em Dortmund, que qualifica desde já os alemães, deixa os leões em maiores dificuldades para poder garantir a Liga Europa, mas permite-lhes manter a esperança matemática de se apurarem em detrimento do campeão europeu. Desde que o batam, em Alvalade, daqui a três semanas. Tudo somado, isto significa que vamos ter mais dispersão provocada pela Champions nas próximas jornadas da Liga. Com tudo o que isso pode significar. Um golo de André Silva chegou ao FC Porto para cumprir o caderno de encargos para hoje. Ganhou por 1-0 ao Brugges e justificou em pleno os três pontos. Entrando para as últimas duas jornadas com os mesmos sete pontos do Benfica, a equipa de Nuno Espírito Santo enfrenta menos dificuldades que a de Rui Vitória. Ambas visitam a equipa que lhes disputa a vaga na fase seguinte e acabam em casa contra o líder atual do respetivo grupo, mas enquanto que o FC Porto segue para Copenhaga com a certeza quase firme de que um empate chegará para carimbar o apuramento, ao Benfica esse mesmo empate no terreno do Besiktas pode exigir uma vitória na última ronda, frente ao Napoli. É que, empatando em Copenhaga e mantendo os dois pontos de vantagem sobre os dinamarqueses, o FC Porto beneficiaria de uma última ronda em casa contra um Leicester já apurado, na qual só uma derrota aliada a uma vitória do Copenhaga em Brugges implicaria a queda na Liga Europa. Por sua vez, empatando em Istambul com o Besiktas, o Benfica manteria um ponto de avanço sobre os turcos, mas em nenhuma ocasião poderia desprezar o resultado do último jogo, em casa com o Napoli. É que mesmo que ganhem em casa ao Dynamo Kiev, os italianos chegarão sempre a Lisboa a precisar de pontuar – e o empate no último dia é pouco para o Benfica, se os turcos ganharem em Kiev. No fundo, FC Porto e Benfica sabem que se qualificam de certeza com uma vitória e um empate. Essa – além de já terem garantido, pelo menos, a Liga Europa – é a grande diferença para a realidade vivida pelo Sporting. A equipa de Jorge Jesus melhorou face ao que tinha feito em Alvalade frente ao Borussia Dortmund, mas voltou a perder. Soma apenas três pontos e, tivesse o Real Madrid ganho em Varsóvia ao Legia, até estaria já fora da Champions. Assim sendo, com o empate dos campeões europeus face à equipa mais fraca do grupo, sabe que se ganhar em casa ao Real Madrid, poderá ainda continuar a sonhar com a qualificação na vez de Cristiano Ronaldo e companhia. Um sonho que não passa de uma quimera? Possivelmente – depois disso, os leões ainda precisariam de ganhar em Varsóvia e esperar que os madridistas perdessem em casa com o Borussia Dortmund, que até já está apurado e não precisará de gastar muita energia nessa noite. Mas será certamente o que basta para obrigar Jesus a investir no jogo de dia 22. Isso e outra coisa. É que de repente até a luta pela vaga na Liga Europa se complicou: a não ser que imitem a proeza dos polacos, que tiraram um ponto ao Real Madrid, e presumindo que o Dortmund não vai desinvestir na receção ao Legia, o Sporting ficou a saber que não pode perder em Varsóvia se quer continuar a ter UEFA para lá do Natal. Razão mais do que suficiente para que Jesus tenha de enfrentar os dois jogos que faltam com investimento total.
2016-11-02
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A forma como o FC Porto empatou em Setúbal permitiu perceber que, como é natural, por serem ainda recentes, os processos que Nuno Espírito Santo quer ver na equipa não estão ainda totalmente consolidados. A uma semana do confronto que pode definir os próximos meses de campeonato, a receção ao Benfica no Dragão, falta à equipa portista uma maior capacidade para explorar aquela que foi a sua maior arma, por exemplo, na vitória que foi buscar à Luz, na época passada, com José Peseiro ao leme: o controlo da largura em termos atacantes. E isso nota-se mais sempre que adota uma atitude mais conservadora e abdica de Brahimi e Corona, por exemplo. Com todos os jogadores disponíveis – desta vez regressou Otávio a Corona caiu do onze – já se percebeu que Nuno Espírito Santo aposta num meio-campo a quatro com grande propensão para jogar por dentro. Mais desequilibrador Otávio a sair da esquerda, mais dado ao fortalecimento do coletivo e aos equilíbrios Herrera a partir da direita. Pretende Nuno Espírito Santo que sejam os laterais a dar a tal largura atacante – a equipa faz sempre a saída a três, com Danilo entre os centrais, e Layun e Alex Telles subidos – e que a mobilidade dos dois avançados, Diogo Jota e André Silva, faça o resto no que toca à ocupação dos espaços. Só que, dando à equipa um maior volume de jogo, um maior controlo das operações, esta opção tem custos em termos de criação de desequilíbrios atacantes. Porque lhe tem faltado gente em condições de explorar o espaço deixado vago pela basculação defensiva do adversário e capacidade para, com essas variações de flanco, tirar mais vezes a bola das zonas de pressão. E só os laterais são curtos para isso. É verdade que o FC Porto – tal como o Sporting na véspera, na Choupana – até podia ter ganho em Setúbal: bastaria para tal que Bruno Varela não tivesse feito duas defesas impossíveis, a remates de Oliver e Jota. Mas o futebol que se viu à equipa foi menos completo do que aquele que se lhe tinha visto contra o Arouca, que raramente saiu dos últimos 30 metros do campo. Mérito do adversário? Seguramente: este Vitória joga mais e estava no seu estádio. Mas também falta do repentismo e da mistura de criatividade com rapidez que Corona deu ao FC Porto no jogo da semana passada ou da qualidade no um para um que lhe traz Brahimi. A grande decisão que Nuno Espírito Santo tem a resolver por estes dias é a escolha de quem pode sair do onze-base, porque o que salta à vista é que um dos dois extremos tem mesmo de entrar.
2016-10-29
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A mais do que certa reeleição de Luís Filipe Vieira para um quinto mandato como presidente do Benfica não é sequer notícia. Seja porque o trabalho já feito na devolução do clube aos patamares de exigência competitiva no futebol – que é o que interessa aos sócios – está à vista de todos; seja também porque, em consequência disso, Vieira passou pelo segundo ato eleitoral sem qualquer oposição. Nesse aspeto, aliás, Vieira e o Benfica estão a fazer um percurso muito igual ao de Jorge Nuno Pinto da Costa e do FC Porto. E é nisso, mais do que nas “admiráveis manifestações de fervor clubístico” que os presidentes agradecem sempre aos sócios que se dão ao trabalho de ir votar em dias de eleições de lista única, que vale a pena debater em plebiscitos como o de hoje. Porque no futebol, nem a política é política. Vieira, que já era o presidente mais durável no comando do Benfica – completará 17 anos no final do mandato para que será hoje eleito – foi cinco vezes a votos, duas delas sem oposição. Nas três ocasiões em que alguém lhe disputou o cargo, no entanto, as suas votações foram arrasadoras: 90% contra Jaime Antunes e Guerra Madaleno em 2003; 91% contra Bruno de Carvalho em 2009; e 83% contra Rui Rangel em 2012. É uma realidade muito próxima da experimentada por Pinto da Costa, que no final da época passada foi eleito para um 13º mandato consecutivo à frente do FC Porto, os últimos nove sem qualquer oposição nas urnas. Aliás, o lendário presidente portista só teve um adversário em 34 anos: Martins Soares concorreu em 1988 (menos de 5% dos votos) e em 1991 (20% dos votos). E desapareceu de circulação até que, já neste século, a TSF o descobriu e lhe recolheu declarações de apoio ao trabalho feito pelo atual presidente Em comum, Pinto da Costa e Vieira têm a recuperação competitiva dos seus clubes. Mais completa a do presidente portista, que cinco anos depois de ser eleito estava a sagrar-se campeão europeu e mundial e a dar entrada em década e meia de hegemonia indiscutível no espaço nacional; mais restrita ao panorama interno a do líder benfiquista, que depois de um título atribulado ao segundo ano de presidência, ganhou quatro Ligas e esteve em duas finais europeias nos últimos sete anos. Fizeram um excelente trabalho, tanto um como o outro, e isso ajuda a perceber como se foram eternizando nos cargos. O mais difícil de entender, porém, é que mesmo assim não apareça ninguém com uma ideia diferente e disponível para se bater por ela. Sim, boa parte dessa abrangência tem a ver com a integração das diferentes sensibilidades no bolo cozinhado para cada ato eleitoral. Vieira, por exemplo, já o tinha feito com José Eduardo Moniz e voltou a fazê-lo agora com Fernando Tavares; Pinto da Costa ter-lo-á feito em tempos com Adelino Caldeira, o aliado que quis aproveitar das candidaturas de Martins Soares. E é aqui chegado que qualquer teorizador político pode alertar para o perigo que é a falta de massa crítica, o desaparecimento da oposição em qualquer organização. Mas o contraponto, fornecido a cada eleição pelo Sporting, não tem sido o mais feliz. Em 2011, as eleições mais disputadas na história recente do clube, com cinco listas concorrentes e vitória de Luís Godinho Lopes, com apenas 36% dos votos, deram lugar à maior crise competitiva de que o futebol leonino tem memória. E o facto de João Rocha (1973 a 1986) ter sido o último presidente a durar pelo menos uma década poderá ser apresentado como justificação para o declínio competitivo do futebol do clube, que ganhou apenas dois campeonatos nos 30 anos após a saída daquele seu importante líder. No fundo, o que falta explicar é se a falta de oposição leva às vitórias ou se são as vitórias que levam à falta de oposição. Seja como for, o fenómeno faz do futebol um palco único para os admiradores de plebiscitos e dos líderes totais a que eles dão azo.
2016-10-27
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Pinto da Costa esteve na exposição destinada a celebrar os 86 anos do andebol do FC Porto e, certamente a isso instado pelos jornalistas – a fazer lembrar o célebre “ainda bem que me faz essa pergunta” – não perdeu a oportunidade de falar daquilo que mais interessa, que é o futebol. Fê-lo para manifestar a sua confiança em Nuno Espírito Santo e no plantel, bem como para manifestar otimismo a respeito do que tem vindo a ver à equipa, tanto em termos de resultados como de espírito, e fez bem. De errado só mesmo a forma como descartou o que se passou nos últimos anos, como se tivesse acabado de chegar de uma viagem a Marte. Este FC Porto teve um início de época complicado, fruto da necessidade de adaptação às ideias do novo treinador e do facto de vir de três anos sem ganhar nada e, por isso mesmo, com um plantel diminuído na qualidade e na moralização. Ainda assim, a equipa respondeu quase sempre bem quando isso foi necessário. Aconteceu em Roma, quando correu riscos de ficar de fora da Champions – e todos sabemos como isso seria problemático para umas contas já a ameaçar o crash – e voltou a acontecer recentemente em Brugges, onde qualquer outro resultado que não fosse a vitória a deixaria em sério risco de desmobilização para a segunda metade do grupo da Liga dos Campeões. A exceção às boas respostas terá sido a visita a Alvalade, onde os dragões perderam com o Sporting, mas mesmo essa derrota terá sido atenuada pelas perdas de pontos sucessivos dos leões – também enfatizadas pelo presidente portista –, podendo ser completamente posta para trás das costas caso o FC Porto ganhe em casa ao Benfica, daqui a semana e meia. Vendo a equipa a crescer ao ritmo da afirmação de André Silva, um ponta-de-lança como o clube não via nascer desde Domingos, há um quarto de século, Pinto da Costa deu-lhe o empurrãozinho que muitas vezes faz a diferença. “Temos uma equipa, um plantel, como eu desejava, e como já não via há algum tempo”, disse, completando: “Nos últimos anos, nem todos os jogadores eram à FC Porto”. Talvez, fruto da longa experiência que já acumulou no cargo de presidente do clube, Pinto da Costa esteja a ver mais longe do que toda a gente, mas o que é mais estranho é que foi acima de tudo ele quem assinou por baixo a tão dispendiosa política de recrutamento dos últimos anos, os anos do Lopeteguismo. E que, depois de um ano sem nada ganhar, manteve a ideia e a política, jogando o “dobro ou nada” que se vê nos filmes e arruína tanta gente nos casinos. O que Pinto da Costa disse agora acerca do espírito criado por Nuno Espírito Santo no plantel do FC Porto é mais do que suficiente para garantir ao treinador a permanência no cargo, mesmo que, por esta ou aquela razão, ele acabe por não ganhar nada. Da mesma forma que o que ele disse da equipa após a derrota caseira contra o Tondela, em início de Abril, chegava a sobrava para que se percebesse que José Peseiro poderia até ganhar a Taça de Portugal que nunca iria continuar em funções na nova época. Mas não foi para nos garantir isso que Pinto da Costa falou agora. Fê-lo para dar o seu empurrão, sob a forma de moral, para evitar um quarto ano sem troféus. Porque não quererá ter de abusar da falta de memória de alguns para voltar a dizer daqui a uns tempos que nos últimos anos, nem todos os jogadores “eram à FC Porto”.
2016-10-26
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Depois de ganhar ao Arouca por 3-0, Nuno Espírito Santo desenhou o boneco que servia de logótipo às míticas camisas Triple Marfel e colocou na base os três pilares que estão na base do que é jogar “à FC Porto”: “compromisso, cooperação e comunicação”. São ideias importantes? Claro. Mas isso lê-se em qualquer livro de auto-ajuda ou em todos os manuais para a liderança nas empresas. A verdadeira razão pela qual o FC Porto passou a ganhar mais vezes – e já agora, na inversa, pela qual o Sporting começou a ganhar com menos regularidade – é tática. Finalmente, a equipa passou a jogar com homens que servem o modelo que o treinador escolheu. O “C” fundamental, aqui, é compatibilidade. À chegada ao Dragão, Nuno Espírito Santo trazia duas novidades. A recuperação da cultura de clube, que se viu na forma como apelou aos sentimentos mais profundos dos adeptos, e a ruptura com o modelo de jogo que presidira aos dois anos de Lopetegui e Peseiro. A primeira era estratégica e extravasava muito o futebol jogado; a segunda era tática e com ela o treinador tencionava acabar com o jogo de posse avassaladora e com o predomínio obsessivo do ataque organizado entre todos os momentos do jogo, para os trocar por um futebol de mais risco e capaz de integrar também o contra-ataque e o ataque rápido. A questão é que, até à titularidade de Diogo Jota – ou à entrada de Corona num bom momento – a equipa padeceu sempre de alguma falta de velocidade. E não me refiro apenas à rapidez do pique, mas sobretudo à sua aplicação na tomada de decisão e no ataque às bolas divididas, à velocidade em espaços curtos, que quase sempre permite fazer a diferença. Da mesma forma, nas últimas semanas todos os jogadores do Sporting parecem mais lentos. Razões? Há quem fale de atitude, da “ressaca” das competições europeias, da lesão de Adrien… Aceito todas essas explicações, mas a fundamental, para mim, é uma súbita inadequação da equipa ao futebol desenhado pelo treinador. O Sporting de Jesus
2016-10-22
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Quando se perde, é normal que surjam as queixas. Quando se perde muitas vezes, como tem acontecido ao Nacional neste início de época, é ainda mais normal que as queixas se acumulem como ficheiros em lista de espera em cima de uma secretária. Manuel Machado, que viu a sua equipa perder mais vezes que as esperadas nas primeiras sete jornadas da Liga, passou a semana a queixar-se. Mas, ainda que as queixas tenham o seu quê de circunstancial e, pelo menos num caso, de desculpa de mau pagador, o veterano treinador não deixa de ter alguma razão. Já se sabe que o futebol português se move de acordo com os estados de alma dos três grandes, mas nunca é demais lembrar que sem os outros não haveria Liga. E portanto é importante saber o que têm para dizer. Ora Machado começou por se queixar de um calendário que o forçou a receber o Benfica à terceira jornada e o FC Porto à sétima e que em breve o levará a medir forças com o Sporting. Qual é o problema? Nenhum, como é óbvio. A Liga joga-se em sistema de todos contra todos e este não é sequer um daqueles casos evidentes – que já se viu em épocas anteriores – de um “rolo compressor”, em que uma equipa jogava, por exemplo, com dois dos três grandes de seguida. Acha que nunca aconteceu? Pois engana-se. Em 1992/93, por exemplo, quase todas as equipas do campeonato defrontaram, de seguida, Sporting, Benfica, Boavista e FC Porto. A questão é que isso só deixou de ser possível porque o grande que jogava primeiro se queixou, pois os rivais acabavam por beneficiar, por exemplo, de castigos provocados por expulsões nesses jogos. E aí, mesmo não tendo razão nenhuma na queixa que fez, Machado mete uma “lança em África” ao completá-la com a alusão a tantos condicionalismos que se fazem nos sorteios, sempre em benefício dos mesmos. Por que razão não hão-de os grandes jogar entre si a abrir os campeonatos? Há alguma razão que o justifique e que os mais pequenos não possam depois apresentar em sua defesa para fugirem a este tipo de confrontos de perfil mais elevado nas primeiras jornadas? Claro que não há, a não ser a proteção dos mais fortes. Mais interessante, porém, é a temática em torno da segunda queixa de Machado. Então o FC Porto pôde jogar com dois jogadores emprestados pelo Atlético Madrid – Diogo Jota e Oliver Torres – e o Nacional não pôde fazer o mesmo com o jogador que tem emprestado pelo FC Porto? Dita assim, a coisa parece ser para rir. Vítor Garcia não pôde jogar por estar emprestado: ele não pôde jogar por estar emprestado pelo clube que o Nacional ia defrontar. Aliás, no mesmo jogo, o Nacional alinhou com César, que está emprestado pelo Benfica, e Tobias Figueiredo, emprestado pelo Sporting. No entanto, mesmo não tendo outra vez razão, Machado voltou a pôr o dedo numa ferida que está mal cicatrizada. Sei que a Liga portuguesa proibiu os clubes de utilizarem os emprestados nos jogos contra o clube-mãe para evitar suspeições. Sei até que não é a única Liga mundial que o faz. Assim sendo, a utilização dos jogadores não fica dependente da boa vontade de quem empresta – e já se sabe que uns autorizavam e outros não – ou até da capacidade para influenciar decisões que cada clube grande vai tendo junto da sua “clientela”. E no entanto, esta é uma solução que nunca me convenceu. Porque afasta bons jogadores dos relvados, porque desvirtua a concorrência e porque se baseia na ideia de que os clubes não podem ser todos iguais, mesmo que participem todos no mesmo campeonato. Ora isso não é bom. Será esta solução melhor que a anterior, na qual a utilização dos emprestados era deixada ao critério de cada um? Admito que sim, como admito o contrário. Depende das boas ou más intenções de cada um. Mas sei que a solução ideal passava, isso sim, pela limitação do total de jogadores que cada clube pode ter sob contrato e, depois, do total de jogadores que poderia emprestar. Uma equipa mais forte do ponto de vista financeiro – e já se sabe a influência que o dinheiro da Champions tem em campeonatos de países periféricos como o nosso – pode contratar sem limites e depois espalhar jogadores por vários clubes concorrentes, assegurando desde logo que está a defrontar equipas que nesses dias se apresentam inferiorizadas jornada após jornada. Ora se cada clube visse limitado o total de jogadores que podia contratar e emprestar isso viria automaticamente reduzir os efeitos deste atropelo às regras da concorrência. Se são bons, os jogadores que os grandes contratam e emprestam não iam deixar de ter emprego – teriam, isso sim, outros empregadores. Empregadores pelos quais poderiam lutar em todas as rondas da Liga. Ganhariam menos dinheiro? Talvez. Mas a essa questão – a da distribuição da receita, que continua a ser o maior entrave a um futebol português verdadeiramente competitivo – voltarei um dia.
2016-10-03
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Um hat-trick de Diogo Jota ainda na primeira parte transformou a viagem do FC Porto à Choupana num passeio, reduziu a oposição do Nacional a zero e alertou Nuno Espírito Santo para a existência de valores seguros no plantel para os quais talvez nem os mais fervorosos adeptos portistas estivessem alerta. A vitória por 4-0, para a qual contribuiu mais um golo de André Silva, na segunda parte, permitiu aos dragões colarem-se a Sporting e Benfica (que ainda tem de jogar a sua partida desta jornada) no primeiro lugar. E, apesar de a interrupção da Liga não chegar na melhor altura para uma equipa subitamente remoralizada, permitirá um recomeço quase do zero quando o campeonato regressar: este FC Porto jovem, esta equipa dos "jotinhas", apresentou o melhor compromisso dois dragões desde o início da temporada. Para o desequilíbrio final no marcador contribuiu um Nacional fraco, é verdade, mas também um FC Porto outra vez forte. O regresso de Herrera, melhor em posse do que André André, e sobretudo a titularidade de Jota, explicam alguma coisa. Um jogador rápido e objetivo como Jota, que fez 14 golos ainda como júnior, na época de estreia na Liga, não pode ser visto só como elemento de contra-ataque – é uma arma incontornável na construção do processo ofensivo portista, tendo feito mais numa noite do que todos os outros parceiros de André Silva no 4x4x2 no resto da temporada. Fez o 1-0 após tabela com Herrera, logo aos 11’. Perdeu o segundo golo em lance individual ao qual se opôs o guardião Rui Silva, mas apenas para o fazer pouco depois, após passe de André Silva. E antes do intervalo ainda fez o terceiro, de cabeça, após cruzamento vindo da direita. A perder por 3-0, ninguém regressa a um jogo contra um grande a não ser que este facilite. Na segunda parte, o FC Porto não o fez e na verdade não se viu sequer ameaça de regresso do Nacional à luta pelos pontos. Foi o FC Porto quem marcou mais um, aliás, ainda antes dos 60’: André Silva finalizou, após assistência de Otávio, num lance nascido da criatividade de Oliver. Com Herrera, Otávio e Oliver à frente de Danilo, o meio-campo do FC Porto ganha uma capacidade de construção ofensiva a que depois dois bebés com golo nas botas como são Jota e André Silva podem dar a devida sequência. Chegará tanta juventude para os desafios a que se propõe o FC Porto? Não é fácil responder afirmativamente e sem reservas. Mas que ainda não se tinha visto melhor compromisso esta época aos dragões, isso é uma evidência.
2016-10-02
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Não foi convincente o discurso de Nuno Espírito Santo na sequência da derrota do FC Porto em Leicester. Não é uma anormalidade perder por 1-0 no relvado do campeão inglês, mais a mais quando o FC Porto nunca tinha ganho em Inglaterra, e apesar de entrar na terceira jornada com apenas um ponto este nem sequer é o início de Champions do qual seja impossível recuperar, tendo em conta que aí vêm os dois jogos com o acessível Brugge, dos quais em condições normais os dragões retirarão o pleno de pontos. Mas ao treinador cabe perceber que o problema não foi a equipa não ter sido “mandona”, ter-lhe faltado “confiança” ou “eficácia” ou ainda ter sido pouco “madura”. O problema é que essa tem sido uma avalição recorrente e nasce da demora da equipa a assimilar princípios de jogo atacante. Objetivamente, mesmo tendo em conta que esta foi apenas a quarta vitória em dez jogos para o Leicester desta época, o FC Porto perdeu um jogo com normalidade. Fez uma primeira parte fraca, na qual um erro de Marcano e Felipe deu a Slimani o único golo do jogo: o espanhol estava mal posicionado no momento do cruzamento de Mahrez e o brasileiro permitiu que o ex-avançado do Sporting se lhe antecipasse no ataque à bola, que pelo caminho já tinha passado por Vardy. Depois, a perder, com Herrera, Corona e Jota, o FC Porto melhorou, é verdade. E isso, o facto de a equipa acabar quase sempre bem os seus jogos, quando o treinador recorre às alternativas, também devia ser motivo de reflexão. Se Nuno se queixa de falta de maturidade, por que não joga Herrera? Se se queixa de falta de eficácia e de golo, porque estão de fora jogadores que têm golo nas botas, como Corona – oito golos na época passada – ou Jota – que fez 14 no Paços de Ferreira? O extremo mexicano ainda meteu uma bola no poste da baliza de Schmeichel, já perto do fim, e esse lance, a somar a uma tentativa de chapéu de André Silva que saiu ao lado, logo no início da partida, foi um oásis em mais uma noite de pouca produção atacante da equipa portista. O Leicester também não fez muito mais, é verdade. Mas estranho será olharmos para os dois onzes, ou para os dois plantéis, e de repente acharmos que os ingleses tinham jogadores internacionalmente mais experientes, com mais capacidade para serem mandões ou, face ao terrível início de época que estão a viver, mais confiantes. A questão é que ao FC Porto falta ainda assimilar um plano de jogo em posse. O Leicester também o não tem? Mas o Leicester joga simples e grosso e nem quer saber disso. Ao FC Porto não tem faltado confiança, eficácia ou maturidade. Falta-lhe convicção.
2016-09-27
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A qualidade individual de Otávio e a movimentação sempre inteligente de André Silva, hoje bem complementado por Adrián López, permitiram ao FC Porto ultrapassar o obstáculo constituído por um Boavista que nunca mostrou grande futebol mas teve a capacidade para manter o resultado em aberto até aos últimos minutos. O 3-1, marcado a quatro minutos do fim, quando os axadrezados apostavam num jogo partido, com bola cá-bola lá, permitiu a justa atribuição dos três pontos à equipa de Nuno Espírito Santo, mas a demora no golo da tranquilidade e uma segunda parte muito desinspirada dos dragões não afastaram as nuvens negras do horizonte antes da visita a Leicester, em importante desafio da Liga dos Campeões marcado para terça-feira. Nuno Espírito Santo apostou num 4x4x2 com maior preenchimento do corredor central, pois nele não entraram extremos: a largura era dada pelos dois defesas-laterais e pelas saídas da área dos dois pontas-de-lança, os móveis André Silva e Adrián López, que substituiu o belga Depoitre, nulo no jogo de Tondela. Adrián procurava muito a esquerda, dessa forma compensando as constantes diagonais de Otávio para o meio, nas quais o jovem brasileiro se mostrava o melhor portista na difícil arte de queimar linhas com bola. E isso tornou-se tanto mais importante quanto o início de jogo foi complicado para a equipa da casa, uma vez que o Boavista marcou na primeira vez que chegou perto da baliza de Casillas, logo aos 5’: livre de Fábio Espinho e cabeça de Nuno Henrique para o 0-1. A ganhar desde tão cedo, não se percebeu bem se o Boavista trazia algum plano de jogo a não ser o de impedir os ataques portistas. A equipa de Sánchez juntava linhas perto da área, mostrava um Idris em momento pujante, mas raramente conseguia ligar-se aos jogadores da frente – só Bukia se mostrou, em noite anónima de Iuri Medeiros e Digas. O FC Porto, com Oliver mais atrás do que o habitual e André André a procurar também o corredor central a partir da direita, só entrava na organização defensiva adversária em bolas paradas – dois quase-golos de Danilo, ainda na primeira parte – ou nas tais arrancadas de Otávio. Foi o jovem brasileiro quem descobriu André Silva para o golo do empate, aos 19’, e foi ainda ele quem, numa mudança de velocidade, forçou uma falta de Nuno Henrique junto à linha de fundo. No penalti correspondente, André Silva bisou e colocou o FC Porto na frente do marcador, ainda antes do intervalo. Foi aquilo de que o FC Porto precisou para baixar o ritmo do jogo numa segunda parte que foi correndo mais sonolenta. Foi interessante a entrada de Diogo Jota para o lugar de Adrián, pois permitiu ao jovem português mostrar a rapidez de processos e o descaramento para finalizar que lhe permitirão voar alto, mas o jogo estava por essa altura mais dividido do que seria de supor. Com Schembri em vez de Iuri Medeiros e a subida de rendimento de Fábio Espinho, o Boavista foi ganhando chegada à frente e, mesmo sem ocasiões claras de golo, manteve o suspense no resultado até ao minuto 86, quando um cruzamento de Alex Telles acabou no fundo das redes, fruto de uma intervenção desastrada do guardião Agaev. Estava resolvido o jogo e os dragões podiam finalmente pensar na Champions. Se é que não era já por lá que tinham a cabeça antes disso.  
2016-09-23
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O mesmo défice de criatividade que já lhe custara dois pontos na partida da Liga dos Campeões frente ao Copenhaga, no Dragão, voltou a impedir o FC Porto de vencer na deslocação a Tondela. Num jogo onde beneficiou de iniciativa atacante quase permanente e de amplo domínio territorial, atenuado apenas na segunda parte, quando o jogo partiu e o Tondela conseguiu meter no relvado alguns contra-ataques, a equipa de Nuno Espírito Santo não foi além de um 0-0 que a penaliza. Não foi um problema de esquema tático – voltou o 4x4x2 –, de eficácia ou de falta de homens ofensivos no onze. O que faltou mesmo foi a capacidade para criar desequilíbrios em ataque organizado. Perante um Tondela bem organizado defensivamente e sempre aguerrido, Nuno Espírito Santo voltou ao 4x4x2, juntando Depoitre a André Silva e entregando as faixas laterais ao regressado Brahimi e a Otávio. Os dois alas procuraram sempre o corredor central, para aí promoverem os tais desequilíbrios – algo que Otávio conseguiu sempre melhor do que Brahimi – e para deixarem as laterais aos ofensivos Layun e Alex Telles. Só que, apesar das tentativas de Ruben Neves desempenhar o papel de médio centro de uma forma mais atacante do que o habitual Danilo, os primeiros 45 minutos foram quase um deserto em termos de situações de perigo. De parte a parte: o FC Porto só entrou com perigo na área uma vez, num passe longo de Felipe a, que nem André Silva, primeiro, nem Depoitre, no aproveitamento do ressalto, deram o melhor seguimento. O Tondela, metido num 4x2x3x1 que tinha em Crislan um avançado capaz de segurar a bola e de esperar pela equipa, dando assim tempo aos homens mais recuados para respirar, ia ganhando confiança. E depois de Gonçalves ter procurado, sem sucesso, um dos ângulos superiores da baliza da Casillas, a segunda parte começou com uma equipa da casa mais afoita do ponto de vista atacante. Espírito Santo quis mudar o ataque, primeiro trocando Brahimi por Oliver – e desviando André André para a direita – e depois substituindo o desastrado Depoitre por Adrián López, mas a primeira situação de golo flagrante da partida foi a equipa da casa a perdê-la, quando Murillo se isolou na cara de Casillas e viu o remate esbarrar na mancha do guarda-redes espanhol. Aí, já com Corona em campo, o FC Porto acordou para dez minutos finais melhores, que certamente tiveram a ver também com a quebra física da equipa de Petit, que também perdera Kaká, o seu cérebro defensivo, por lesão. André Silva e Adrián López ainda chegaram com bola à cara de Cláudio Ramos, mas nas duas situações o guarda-redes do Tondela levou a melhor, segurando um 0-0 que manda uma mensagem para o balneário do Dragão. Para ganhar é preciso mais do que um sistema tático ou a acumulação de jogadores de ataque: eles têm de combinar no campo. E isso é que não se tem visto.
2016-09-18
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A dramática derrota do Sporting frente ao Real Madrid no Santiago Bernabéu (1-2) e o insuficiente empate do FC Porto em casa ante o Copenhaga (1-1) puseram um ponto final modesto na semana das equipas portuguesas na Liga dos Campeões. Os dois jogos tiveram histórias muito diferentes mas epílogos semelhantes, de desilusão. Saíram desiludidos os leões, que foram a melhor equipa em campo durante 70 minutos mas não conseguiram congelar o desafio nos últimos 20, ficando à mercê da remontada madridista, como desiludidos saíram os dragões, incapazes de criar desequilíbrios na defesa dinamarquesa, nem mesmo quando o adversário ficou reduzido a dez. A derrota do Sporting veio recheada de uma demonstração de personalidade que não está ao alcance de qualquer equipa. Com um posicionamento irrepreensível e face a um Real pouco dinâmico, a equipa de Jorge Jesus foi sempre assegurando superioridade numérica nos vários duelos a meio-campo, fundando aí a capacidade de assegurar a maior dose de iniciativa de jogo: o Real só chutou à baliza de Rui Patrício à passagem da meia-hora, e de fora da área, por Cristiano Ronaldo. Gelson, mais uma vez o melhor em campo, foi um pesadelo constante para a defesa do Real Madrid, tendo começado nele o lance em que Bruno César abriu o marcador. Foi ainda o jovem ala quem, num lance pela direita, deu a Bas Dost a melhor ocasião do jogo – o holandês tentou meter o pé onde se impunha a cabeça e o cruzamento perdeu-se. O Real acabou por virar o jogo quando já poucos nisso acreditariam, fruto da conjugação de vários fatores. Primeiro, as alterações introduzidas por Zidane: Morata, Lucas Vasquez e James Rodríguez melhoraram muito o rendimento do campeão europeu. Depois, o facto de os leões terem piorado com as trocas de Adrien e Gelson por Elias e Markovic. Por fim, é verdade, a inexperiência de muitos jogadores da equipa portuguesa em momentos como aqueles, em que se impõe quebrar o ímpeto ao adversário. A verdade é que, tendo feito o empate num livre irrepreensível de Ronaldo (após falta de Elias), aos 89’, o Real ainda teve tempo para ganhar, num cabeceamento de Morata após cruzamento de James. Houve muito banco numa reviravolta que deixa o Sporting com zero pontos e a precisar de ganhar ao Legia já na segunda jornada. A pressão, senti-la-á também o FC Porto, que seguirá para Leicester com um ponto e a precisar pelo menos de pontuar em Inglaterra, depois de uma exibição pouco conseguida frente ao Copenhaga. Nuno Espírito Santo voltou ao 4x3x3, remetendo Depoitre para o banco, e parecia até poder sair-se bem, depois de um início premiado com um golaço de Otávio, após bela assistência de André Silva. Já nessa altura, porém, o FC Porto revelava parte dos pecados que haveriam de custar-lhe dois pontos, nomeadamente a falta de controlo do espaço aéreo defensivo face à potência de Santander e Cornelius, os dois avançados dos dinamarqueses. O resto ver-se-ia no segundo tempo, sobretudo depois de o Copenhaga ter empatado – por Cornelius, após mais um cruzamento não desfeito pelo último reduto portista – e de o adversário ter ficado reduzido a dez homens, por expulsão de Gregus. Nessa altura, em que Espírito Santo descobriu falta de eficácia, o que se viu foi falta de capacidade para criar desequilíbrios numa equipa organizada mas de qualidade inferior. O FC Porto voltou então ao 4x4x2, com Depoitre em vez de Corona, e mais tarde com a entrada de Brahimi para as vezes de Herrera, mas nem assim criou verdadeiras ocasiões de golo, parecendo sofrer sempre que as probabilidades estão a seu favor. Talvez não seja esse o caso em Leicester, como não era em Roma.
2016-09-14
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A adoção do 4x4x2, com Depoitre à frente de André Silva, os médios-ala a saírem muito da faixa em busca do espaço interior e o recurso intensivo aos defesas laterais para darem largura ao ataque foi a surpresa reservada por Nuno Espírito Santo para o regresso do FC Porto à competição após a derrota no clássico de Alvalade. A jogar assim, mesmo não exercendo nunca um domínio asfixiante sobre o V. Guimarães, o FC Porto saiu do Dragão com uma vitória indiscutível, por 3-0, sobre uma equipa que vai bater-se pelas posições europeias. Alteração caucionada, portanto, apenas com uma reserva: terá a equipa portista plantel para mudar o seu sistema? Não parece fácil.O próprio Pedro Martins, treinador vimaranense, reconheceu no final da partida que tinha sido surpreendido pelo onde inicial do FC Porto. Com Depoitre a fazer de referência na frente, André Silva ganhou liberdade para estar mais em jogo do que no 4x3x3 sem que com isso a equipa perdesse presença na área. Além disso, o jogo mais interior de Otávio, Oliver e André André, abrindo os corredores laterais a Layun e Alex Telles, levava a que em cada situação de cruzamento ou de tabela a equipa portista tivesse sempre mais gente em potencial situação de finalização, o que terá contribuído para um rácio superior de situações de golo por volume de jogo criado. É verdade que o primeiro golo nasceu de um canto – mais um de bola parada, sinal de que a equipa está a trabalhar bem este tipo de lances – mas antes do golo de Marcano já Depoitre e André Silva tinham estado perto de inaugurar o marcador. E isto num jogo que até estava dividido em termos de estatísticas, com o 4x2x3x1 do V. Guimarães a assegurar ao seu setor mais recuado a capacidade de parar para respirar.Se o 1-0 ao intervalo ainda dava aos minhotos a possibilidade de voltarem para o segundo tempo em condições de discutir o resultado, a forma como o FC Porto chegou ao 2-0, logo a seguir ao intervalo, encerrou o jogo. É verdade que os dois golos portistas no segundo tempo nasceram de lances algo afortunados. Otávio beneficiou de um ressalto em Oliver para fazer o 2-0, enganando o guardião Doulgas. E o 3-0 saiu de um autogolo algo pateta de João Aurélio, incapaz de afastar um cruzamento de Layun para outro locar que não o fundo da baliza. De qualquer modo, em ambos os casos a chave do sucesso portista esteve na acumulação de gente na frente. A julgar pelo que se viu no relvado, este sistema tem pernas para andar, nascendo as maiores dúvidas da profundidade do plantel para preencher condignamente as duas posições no centro do ataque.É certo que além de Depoitre e André Silva ainda há Brahimi (que, mais do que poder jogar ali, tem visto muita gente nos últimos dois anos reclamar que ele deve jogar ali), Adrian López e que o próprio Diogo Jota, que era jogador de corredor lateral no Paços de Ferreira, foi chamado a jogar pelo meio quando entrou. Ainda assim, o que me parece é que este plantel foi construído a pensar no 4x3x3. E que se o 4x4x2 passar a Plano A, vai precisar de retoques em Janeiro. Resta saber se daqui até lá o nome de Aboubakar não será lembrado pelas piores razões.
2016-09-11
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A saída de Antero Henrique do FC Porto, no final de um defeso capaz de deprimir a maioria dos adeptos do clube, pode até ter sido mesmo devida apenas a razões pessoais do ex-administrador da SAD com responsabilidade máxima no mercado, conforme foi escrito no comunicado que pôs termo a mais de duas décadas de ligação. Mas no futebol estas coisas raramente se explicam com recurso a uma só leitura e neste caso parece evidente que o que está aqui em causa é a chicana política visando a inevitável sucessão de Pinto da Costa e a aplicação das duas leis do Pinto-da-Costismo.Sim, é verdade que o presidente portista tomou posse em Abril para o 14º mandato, apontando a mais quatro anos à frente do clube, até 2020. Goste-se ou não do estilo e da estratégia, há que reconhecer ao veterano líder dos dragões o estatuto dos gigantes, de quem mudou o panorama do futebol em Portugal. Se a hegemonia do Benfica começou com Eusébio, na década de 60, a portista teve início com Pinto da Costa, entre os anos 80 e 90. Só que tal como Eusébio deixou de jogar, um dia Pinto da Costa vai deixar de liderar. E à noção de que esse dia está próximo – o presidente completará 79 anos em Dezembro – junta-se o facto de o futebol portista estar a atravessar um dos períodos mais difíceis desde que Pinto da Costa tomou posse para o primeiro mandato, em 1982. Desde que ele é presidente, esta é apenas a segunda vez que o FC Porto passa três campeonatos seguidos sem ganhar (a primeira foi de 1999 a 2002 e acabou com a chegada às Antas de Mourinho) e a primeira em que, nesses três anos, não ganha mais nenhum troféu. A Supertaça de Agosto de 2013 foi a última conquista do plantel azul-e-branco.A verdade é que há muitos anos que se fala na sucessão de Pinto da Costa e até aqui o presidente sempre soube dar a volta por cima. Chegou a pensar-se que o sucessor podia ser José Guilherme Aguiar, que podia ser Angelino Ferreira, que podia ser Fernando Gomes – seja o Bibota de Ouro ou o presidente da FPF –,que podia ser Vítor Baía, que podia ser António Oliveira… Houve quem mencionasse o próprio Antero Henrique ou até António Salvador, presidente do Sp. Braga mas portista de coração. Como todas as estrelas do firmamento, Pinto da Costa atrai vários planetas à sua órbita, mas ao contrário do que sucede na lei da gravidade universal, estes planetas acabam por se afastar. Porque aqui não se aplicam as Leis de Newton, mas sim as tais leis do Pinto-da-Costismo. A primeira é que Pinto da Costa nunca “nomeará” um sucessor, nem formal nem informalmente. A segunda é que não se pode ganhar um lugar no pós-Pinto da Costa afrontando Pinto da Costa. Nem é o legado, esse inatacável: é a presidência atual e as decisões de hoje.E em que medida é que se enquadra aqui a saída de Antero Henrique? Isso é matéria de discussão para blogues, uns acusando Antero de ser o culpado dos erros de mercado cometidos pelo FC Porto nos últimos anos, outros atribuindo esses erros à intervenção do presidente e dos seus “yesmen”. Uns achando que o regresso de Luís Gonçalves é a vitória da importância do scouting sobre os jogos de bastidores, outros rebatendo que é apenas uma forma de o clube deixar de ter massa crítica que se oponha aos especialistas nos tais jogos de bastidores. Qual é a verdade? Só o próprio Antero poderia vir esclarecê-lo. Mas tal como nunca se ouviram a Angelino Ferreira declarações públicas acerca das divergências que mantinha com a linha dominante na SAD acerca do destino a dar às mais-valias que se iam fazendo no mercado de transferências – abatimento de passivo ou compra de mais e mais jogadores –, também dificilmente se ouvirá Antero Henrique falar abertamente das últimas escolhas de treinador ou da crescente influência de Alexandre Pinto da Costa, filho do presidente, que voltou às boas graças do pai depois de ter sido o parceiro predileto de José Veiga na tentativa de o derrubar.A questão é que, apesar dos tais três anos sem ganhar nada, a segunda lei do Pinto-da-Costismo continua válida. Foi por ela que, depois de se ter esticado mais do que quereria a propósito do presidente, Baía adotou imediatamente uma atitude conciliadora, deixando a animosidade para o debate entre as esposas dos dois nas redes sociais. É por isso que Oliveira mantém há muito um distanciamento cauteloso em relação às políticas do clube, que não abandona sequer nas suas múltiplas intervenções públicas, na TV ou nos jornais onde escreve opinião. Foi para aparecer na fotografia que, depois de também ter sido tão próximo de José Veiga, Fernando Gomes regressou ao clube para ocupar uma posição de alguma visibilidade mas nula importância estratégica. Onde se encaixa Antero Henrique? Di-lo-á o futuro próximo. E isso em muito vai depender do que fizer o plantel que ele deixa no clube na época que agora se inicia.
2016-09-05
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O futebol continua a ser um oásis na economia portuguesa. Mais nenhuma área consegue aquilo que os maiores clubes nacionais voltaram a alcançar neste defeso: fechar as contas com amplo saldo positivo e acabar com a equipa bem mais forte do que há um ano. Crise, se existe, nestes casos, é de abundância, fazendo crer que os grandes estão a preparar-se para um campeonato ainda mais disputado, mesmo que mais longe do resto do pelotão da prova. O Benfica faturou bastante com as vendas de Renato Sanches e Gaitán, tornando quase irrelevante a saída de Carcela. Os quase 70 milhões que o clube recebeu chegaram e sobraram para recompor o plantel com opções do agrado de Rui Vitória e ainda para adquirir o passe de Mitroglou, que estava na Luz por empréstimo, ou completar a compra de Jiménez, que cortou as amarras ao Atlético Madrid. Rafa, Cervi, Carrillo e Zivkovic bater-se-ão pelo lugar do argentino, ao passo que Danilo, Horta e Celis por lá estarão à espera de ocupar a vaga de Renato, pela qual também concorre o grego Samaris, que acabou por ficar no clube. Claro que nunca será igual, mas o próprio Rui Vitória se negou a entrar na lógica da substituição por clones, pelo que agora lhe restará a tarefa de gerir a abundância, que é mais evidente nas alas do ataque, já que o clube não conseguiu desfazer-se de todos os jogadores que queria colocar até ao fecho do mercado. Mesmo dando de barato que Rafa até pode jogar ao meio e concorrer com Jonas pelo lugar atrás do avançado de referência (e os 16 milhões que os encarnados bateram por ele fazem pensar em mais do que isso), há ali muita gente a esforçar-se por garantir um lugar nas alas do ataque. Se as vagas são duas, por elas se batem Salvio, Pizzi, Carrillo, Zivkovic, Cervi e Gonçalo Guedes. É muito? Nada de estranho no outro lado da segunda circular, por exemplo. Porque apesar de se ter também regalado com 70 milhões de euros por João Mário e Slimani - e o valor de Naldo também aparece aqui como um acrescento quase irrelevante - o Sporting só precisou de gastar pouco mais de um terço desse montante para reforçar o grupo de forma evidente. Se há um ano Jesus só tinha Slimani para jogar na frente (Barcos nunca contou), já lá tem Dost e André, enquanto espera pela recuperação de Spalvis. Se face à saída de Montero, Teo Gutierrez era também opção quase única para ser segundo avançado, obrigando Jesus a desviar para ali Bryan Ruiz em alguns jogos, agora já lá tem Castaignos e Alan Ruiz. E nas alas, as opções são inúmeras: para dois lugares, há Gelson, Campbell, Markovic, Bruno César e Bryan Ruiz. Tudo somado à existência de duas ou três opções para cada lugar a meio-campo, onde Adrien e William ficam, mas entram Elias ou Melli, leva a que este seja um plantel sem desculpa na falta de profundidade para desistir de nenhuma prova. Nacional ou europeia. O FC Porto foi, dos três, quem menos mexeu no mercado e o único a fechar com saldo negativo entre compras e vendas. As três épocas de insucesso impediram o clube de fazer grandes operações. Martins-Indi, Aboubakar, Bueno ou Reyes saíram apenas por empréstimo, Brahimi por lá continua, o que terá impedido os dragões de atacarem com certeza maior alvos que pretenderiam, como Mangala. As aquisições de Depoitre, Felipe, Alex Telles e Boly, bem como a compra do passe de Layun, o regresso de Otávio e as chegadas, por empréstimo, de Oliver e Jota, implicam, ainda assim, um investimento demasiado elevado para se afastar os dragões na corrida ao título. Até por ter mudado ideia de jogo e de equipa técnica, o FC Porto parece ligeiramente atrás dos rivais de Lisboa na bolsa de favoritismo da Liga, mas seria um erro afastar Nuno Espírito Santo do lote de treinadores candidatos ao título.
2016-09-01
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A vitória (2-1) sobre o FC Porto em Alvalade permitiu ao Sporting assumir a liderança isolada da Liga pela primeira vez desde a derrota contra o Benfica naquele mesmo palco, em Março, e deixou Jorge Jesus nas condições ideais para atacar Setembro, quando regressar a competição e já estiver o mercado encerrado. Os leões ganharam com justiça, num jogo intenso, no qual o FC Porto até começou melhor, mas onde Jesus corrigiu a tempo o erro tantas vezes repetido de colocar Bryan Ruiz ao meio. Muito do jogo do Sporting se baseia nas movimentações e na intensidade dos dois homens da frente, na forma como Slimani busca a profundidade ou a largura e como o seu parceiro o compensa ou se aproxima do meio-campo. Com Ruiz ali em vez de estar à esquerda, a equipa leonina foi perdendo a batalha do meio-campo, setor onde o trio portista, formado por Danilo, Herrera e André André, se impunha com naturalidade a William e Adrien, desamparados face à falta de genica do costa-riquenho. Havia sempre um portista a soltar-se para lançamentos capazes de aproveitar as diagonais de André Silva para o espaço entre o central e o lateral do Sporting, pelo que foi com alguma naturalidade que os dragões se adiantaram bem cedo no jogo. Foi de livre, à semelhança da abertura do marcador no jogo de Roma, desta vez de Layun para Felipe. O resto do jogo, contudo, foi muito diferente do de terça-feira. Porque Jesus reagiu a tempo e devolveu Ruiz ao lugar onde faz mais sentido, que é na esquerda, derivando Bruno César para o meio. Com o brasileiro ali, os leões ganharam ascendente e foram capazes de virar o marcador. O 1-1 saiu de um livre marcado por Bruno César ao poste, de uma primeira recarga de Gelson e de uma segunda de Slimani, a impedir que Casillas fizesse uma segunda defesa. E o 2-1 de um belo remate de Gelson, depois de beneficiar de um ressalto em Ruiz de uma bola mal aliviada por Felipe. Após o intervalo, Nuno Espírito Santo tentou mexer com o jogo, mas as coisas não lhe saíram bem. Oliver fez a estreia, entrando para o meio, com a passagem de Herrera para a direita,  mas mostrou que ainda não está em condições de ser a mais-valia que será assim que compreender melhor a equipa. Depoitre e Adrian Lopez entraram depois, na tentativa de dar outra acutilância ao ataque, mas por essa altura já o Sporting reforçara o meio-campo com Bruno Paulista e só não aproveitou o balanceamento do adversário porque Campbell também ainda não parece preparado. Sporting e FC Porto enfrentam agora duas semanas de paragem nas quais terão de fechar os planteis e de dar aos novos elementos a capacidade de compreender melhor as dinâmicas  coletivas. O primeiro clássico da época mostrou que há ali matéria prima para se trabalhar.
2016-08-28
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As três equipas portuguesas na Liga dos Campeões tiveram sortes radicalmente diferentes no sorteio do Mónaco. O FC Porto teve um sorteio tão feliz que nem os mais otimistas seriam capazes de o antecipar. Pelo menos no plano desportivo. O Benfica vai estar num grupo muito aberto, no qual é favorito para fazer valer o estatuto de cabeça de série, mas não terá pêras doces pelo caminho. E ao Sporting calhou todo o azar da tarde: os duelos com o Real Madrid e o Borussia Dortmund tornam difícil pensar em mais que na Liga Europa, ao mesmo tempo que farão de Alvalade cabeça de cartaz europeu em algumas noites até ao Natal.Depois de ter tido azar no adversário que lhe calhou no playoff (a Roma), o FC Porto beneficiou agora de toda a fortuna que lhe podia calhar numa só tarde. Primeiro, apanhou o Leicester, o mais fraco dos sete cabeças de série que podiam surgir-lhe à frente. Sim, trata-se do campeão inglês, mas foi um campeão de tal modo surpreendente que ninguém espera que volte a jogar ao nível que foi prolongando em esforço até ao fim da época passada. Terminada a Premier League, esvaziou-se o balão de adrenalina que levou a equipa até ali e, como se viu no início da atual temporada, a fábula da pizza não chegará a Ranieri para manter o rendimento dos seus jogadores lá em cima, muito acima do que eles valem na verdade. E depois do Leicester, o FC Porto ainda teve a mão amiga de Ian Rush a enviar-lhe o Bruges e o Copenhaga, duas equipas vindas de um patamar inferior e que elevam o nível de exigência dos portistas. O FC Porto não só é favorito, como poderá acabar esta fase com uns 12 pontos, que tanto ajudarão o ranking próprio e o de Portugal.A expectativa de bons resultados poderá ser o principal fator aglutinador para levar espectadores ao Dragão, pois não será certamente o cartel dos adversários a tornar os cartazes atrativos. É quase o que sucede com o Benfica, que também não terá na Luz grandes da Europa, mas ainda assim vai enfrentar um grupo mais complicado, sobretudo tendo em conta que era cabeça de série. O Napoli é uma força ofensiva muito difícil de controlar e o Dynamo Kiev, num dia bom, pode também criar problemas aos encarnados - eliminou o FC Porto há um ano, por exemplo. Não tendo, ainda assim, tido azar nos Potes 2 e 3, onde havia alternativas muito piores, o Benfica ficará a lamentar não lhe ter calhado um docinho no Pote 4. É que até o Besiktas de Ricardo Quaresma pode ser um problema. Este vai seguramente ser um grupo aberto, onde o pleno de pontos em casa será fundamental e onde as coisas podem decidir-se com um ou dois resultados úteis como visitante. Ainda na última época o FC Porto e o Sporting empataram em Kiev e Istambul, pelo que é possível ao Benfica fazer uns 10 ou 11 pontos e até ganhar o grupo.Quem não pode queixar-se de falta de adversarios atrativos no seu estádio é o Sporting, uma vez que por Alvalade vão passar os complicados Real Madrid e Borussia Dortmund. O Real é o campeão da Europa e favorito em todos os jogos da fase de grupos. Basta ver que nas últimas três temporadas cedeu apenas dois empates em 18 partidas nesta fase, quando visitou a Juventus e o Paris St Germain. E o Borussia Dortmund é a equipa que mais sombra faz ao Bayern na Alemanha, não tendo perdido nada da sua força ofensiva com a saída de Klopp e a entrada de Tuchel. O sucesso para o Sporting passa por fazer seis pontos contra o Legia de Varsóvia, a equipa mais fraca do grupo, ganhar ao Borussia em casa e depois esperar uma de duas coisas: ou que os alemães se distraiam na rivalidade geográfica com os polacos e deixem pontos num dos jogos com o Legia ou que seja capaz de pontuar no WestfalenStadion. Difícil, sim. Muito difícil. Mas não impossível.
2016-08-26
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Por mais facilitada que tenha sido pelo descontrolo emocional do adversário, que fruto disso jogou meio desafio apenas com nove homens, a vitória do FC Porto em Roma (3-0) e o acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões constituem um sucesso ao mesmo tempo indiscutível e vital do grupo dirigido por Nuno Espírito Santo. Ao contrário do que tinha sucedido na primeira mão, desta vez os portistas entraram ligados no jogo, concentrados, e foram os italianos que pareciam adormecidos, excessivamente confiantes na vantagem que o empate com golos no Dragão lhes conferia e seguros de que o apuramento não lhes pedia esforço nenhum. É que o jogo, desta vez, não permitia quaisquer contemplações à equipa portuguesa, que aproveitou bem a necessidade de ir à procura de um resultado que a qualificasse. E se em algum momento a coisa se complicou, foi precisamente quando pareceu demasiado fácil. A chave da vitória portista esteve na entrada intensa, por oposição ao início mais passivo de há uma semana. A pressionar alto, a atrapalhar a saída de bola dos italianos, a recuperar muitas bolas bem dentro do meio-campo ofensivo, o FC Porto marcou logo aos 8 minutos, num cabeceamento de Felipe, após livre de Otávio. É verdade que as linhas portistas depois foram baixando e que a Roma foi conquistando cantos atrás de cantos (9-0 ao ingtervalo), mas quando a equipa de Luciano Spalleti começava a tornar-se ameaçadora, De Rossi fez-se expulsar, ainda antes do intervalo, por uma entrada de sola sobre Maxi Pereira. E se a expectativa acerca do que poderia fazer a Roma com dez na segunda parte, numa espécie de 3x4x2, era grande, depressa se perdeu, porque Emerson também foi expulso, por falta semelhante sobre Corona, logo aos 50’. Com onze contra nove, o FC Porto teria de fazer muita asneira para não seguir em frente. E foi aí que a coisa se complicou. Nos 23 minutos entre a expulsão de Emerson e o golo de Layun, o que se viu foi um jogo partido, com finalizações nas duas balizas, algo que face à flagrante superioridade numérica de que dispunha o FC Porto não devia ter permitido. Nuno Espírito Santo, que já trocara o lesionado Maxi por Layun, tentou ganhar consistência na posse com a entrada de Sérgio Oliveira e velocidade no contra-ataque através de Adrián López. A Roma, por sua vez, mandava-se com todos para a frente, porque precisava de empatar para pelo menos forçar o prolongamento, e Perotti e Naingollan ainda tiveram um par de situações nas quais perderam o empate – fundamental o corte de Layun na perdida do argentino. Ao mesmo tempo, o FC Porto ia desperdiçando também ataques rápidos nos quais chegava perto da área em quatro para três ou até três para dois. Até que o golo de Layun, numa dessas situações, sentenciou a eliminatória a favor da equipa portuguesa. Corona ainda fez o 3-0, mas nessa altura já os romanos tinham entregue os pontos, como se via no semblante carregado de Totti, várias vezes apanhado pela realização televisiva com um ar incrédulo de desalento. A vitória e a presença na fase de grupos da Liga dos Campeões pode ser aquilo de que este FC Porto mais precisava para arrancar para uma temporada consistente. Não só porque o encaixe financeiro garantido lhe permitirá ir ao mercado buscar os reforços de que o treinador necessita, mas também porque a equipa entrará em Alvalade, no domingo, mais solta, mais confiante nas suas hipóteses de enfrentar aquela que, no seu terreno, tem sido a besta negra dos dragões.
2016-08-23
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André Silva mantém a média e torna impossível que não se perceba que é nele que tem de começar o renascimento do FC Porto. Foi mais uma vez com um golo do jovem ponta-de-lança – o terceiro em outros tantos jogos oficiais – que os dragões ganharam ao Estoril, numa partida que se jogou nos 40 metros mais próximos da baliza canarinha mas na qual tiveram de esperar até aos últimos cinco minutos para se colocarem em vantagem. Mas o jogo com o Estoril tem outro protagonista: Layún fez o cruzamento fantástico para o golo da vitória, uma espécie de grito de revolta vindo do melhor assistente da última Liga, de repente colocado na situação de reservista. Nuno Espírito Santo não mostrou, com a escolha do onze, que esteja tão obcecado com o jogo de terça-feira em Roma como a importância da continuidade na Liga dos Campeões talvez justificasse. Só mudou quatro nomes em relação à partida anterior, um deles por obrigação: Layún apareceu na lateral esquerda em vez do castigado Alex Telles. As outras trocas, de Adrian Lopez por Varela, de Danilo por Ruben Neves e André André por Corona, derivando Otávio para o meio-campo, foram depois sendo emendadas à medida que a partida se aproximava do fim com o resultado em branco: Adrian entrou ao intervalo, André André a meio da segunda parte. Mas nem assim o FC Porto mudou de cara. Foi até ao fim uma equipa mais dominadora do que o habitual mas com alguma dificuldade em transformar domínio evidente em golos. É verdade que teve algum infortúnio – duas bolas à barra, num remate de Otávio e num quase autogolo de Denkler, e uma noite grande de Moreira, guarda-redes estorilista – mas também não deixa de ser claro que este Estoril jogou de menos e que tanto na terça-feira, em Roma, como na generalidade dos jogos deste campeonato, vai enfrentar maiores dificuldades, a exigirem outras soluções. Faltam melhores cruzamentos para aproveitar o ponta-de-lança que é André Silva – e daí a importância de Layún, seja a lateral ou a médio – como falta maior intensidade e velocidade face a equipas remetidas aos metros mais defensivos do retângulo de jogo. Faltou perceber se falta capacidade atrás, que o Estoril não chegou lá: esse teste vai ser feito em Roma. E num desafio do qual dependerá em boa parte a capacidade de resolver todos esses problemas. É que sem Liga dos Campeões será certamente mais difícil ir ao mercado buscar argumentos.
2016-08-21
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Mudar uma equipa não é tarefa fácil. Rui Vitória percebeu isso no ano passado, quando se sentiu tentado a abdicar de boa parte da herança de Jorge Jesus no Benfica e só acertou o passo lá para Novembro. Nuno Espírito Santo está a abraçar a tarefa no FC Porto, mas o que mostrou o empate (1-1) com a Roma, no Dragão, na primeira mão do play-off da Liga dos Campeões, foi que a este FC Porto falta pelo menos uma referência aglutinadora que seja uma espécie de treinador em campo, de descodificador, para os dias em que a mensagem não passa à primeira. Como foi o caso. Nuno Espírito Santo quer mudar o “chip” a este FC Porto. E isso significa mudar os momentos de jogo em que mais investe. Basicamente quer abandonar o jogo de posse por vezes pouco incisiva e muito especulativa que caraterizou o período anterior e aproximar-se de um jogo com mais aposta no ataque rápido e no contra-ataque. O foco deixa de estar tato na organização ofensiva e na transição defensiva, para passar a estar mais na organização defensiva e na transição ofensiva. É mais Jesualdo Ferreira e menos Julen Lopetegui. É claro que é possível fazê-lo. Mas contra uma Roma que é forte em ataque posicional, era preciso que a mensagem passasse de forma cristalina, para evitar o que aconteceu nos primeiros 25 minutos do jogo, período no qual o FC Porto podia ter hipotecado a eliminatória. Visto de fora, o que pareceu foi que os jogadores do FC Porto entraram em campo a pensar nas ideias-base do treinador e com a noção de que para as pôr em prática era preciso a Roma ter a bola. Como se pode contra-atacar se o adversário não estiver ao ataque? Daí até ao posicionamento expectante do início da partida foi um pequeno passo que a equipa não devia ter dado e ao qual podem ter ajudado indicações de não ir com tudo para cima do adversário: uma equipa mais experiente saberia distinguir as coisas e manter a intensidade, não confundiria a vontade de apostar na transição ofensiva com a cedência do controlo do jogo, porque saberia que qualquer jogo lhe dá todos os momentos treinados. É só saber esperar. O problema é que a passividade portista no que toca à necessidade de assumir o controlo do jogo equivalia a colocar em confronto aquele que por enquanto ainda é o pior momento da equipa de Nuno Espírito Santo – a organização defensiva – com o melhor da Roma – a organização ofensiva. E o que se passou foi que nesses 25 minutos, os italianos tiveram quatro situações de golo claras, tendo concretizado uma. Só depois do intervalo, quando se viu a perder e, mais ainda, com um jogador a mais, por expulsão de Vermaelen, é que o FC Porto assumiu verdadeiramente o que significa jogar em casa numa eliminatória europeia. Mais intenso, mais rápido, mais agressivo na pressão sobre o condutor da bola, esse FC Porto colocou a Roma em dificuldades e até podia ter ido além do empate, obtido de penalti por André Silva. O empate adia a resolução do play-off para Roma, onde o FC Porto precisa de ganhar ou empatar com golos. Os seis dias que faltam podem servir ao treinador para clarificar conceitos, ainda que não lhe seja possível injetar maturidade tática na equipa a tempo de esta ler as situações com mais clareza sem precisar de passar pelo balneário. Para já, basta-lhe ler uma coisa: uma eventual eliminação deixa as coisas mais complicadas no que toca ao que resta de mercado e fará a equipa entrar mais pressionada em Alvalade, para o jogo com o Sporting, no último fim-de-semana de Agosto.
2016-08-18
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Quem tivesse olhado para a primeira parte da vitória do FC Porto em Vila do Conde, frente ao Rio Ave, por 3-1, poderia ter ficado com a ideia de que o meio-campo do FC Porto estava curto demais para o jogo. Danilo, Herrera e André André tinham dificuldades para assegurar a iniciativa, muitas vezes deixados em inferioridade numérica face ao quarteto formado por Wakaso, Pedro Moreira, Tarantini e Ruben Ribeiro e sobretudo com demasiado espaço para cobrir, face à maior distância entre linhas que a equipa mantinha. A forma como o jogo decorreu até final, porém, pode deixar uma sensação diferente: e se tudo isso for estratégico? E se essa for a maior diferença face ao “Lopeteguismo” e ao FC Porto dos últimos dois anos? Este é, na verdade, um FC Porto filosoficamente diferente. Onde a equipa dos últimos anos procurava movimentos de aproximação, encurtar linhas, promover apoios, a equipa de Nuno Espírito Santo quer abrir grandes espaços, procurar o ataque rápido e dar aos médios condição para que, assim que conseguem superar a primeira zona de pressão do adversário, correrem livres em direção a zonas de decisão. O golo de Herrera foi disso exemplo: o passe de Otávio, inteligente no movimento para trás e depois na forma como chamou Wakaso, ajudou a libertar o mexicano, que face à tal maior distância entre as linhas teve à frente uma auto-estrada até à entrada da área, de onde desempatou o desafio com um belo remate ao ângulo. Esse lance marcou a diferença num jogo que teve uma primeira parte sempre equilibrada e pode muito bem ser uma afirmação de identidade deste novo FC Porto, que tem em André Silva um excelente avançado de área e em Corona mais um velocista, capaz de decidir tanto na ala como ao meio. Há um ano, houve quem achasse que a maior lacuna deste FC Porto era a falta de um 10. Nunca tal me pareceu claro, porque a intensidade dada ao jogo pelos médios – sobretudo quando ainda havia Imbula em boa fase – chegava para assegurar a iniciativa durante a maior parte dos jogos e aquilo que mais fazia falta era um 9 com capacidade para resolver no aperto da área, que Aboubakar nunca foi. Por alguma razão o camaronês está atrás de Depoitre, um clone de André Silva... Esta época fala-se menos do 10, porque os movimentos interiores e para o espaço entre-linhas de Otávio, vindo do lado esquerdo, parecem ter como intenção mascarar a falta de soluções para a segunda linha de médios. Ruben Neves é mais um 6 do que um 8, alternativa a Danilo, portanto, e além dos que jogaram ontem (Herrera e André André) só há Sérgio Oliveira, Evandro e João Carlos Teixeira. Faltará mais classe ali? É possível. Classe nunca fez mal a nenhuma equipa. De qualquer modo, a avaliação deste FC Porto pede mais tempo. A capacidade daquele meio-campo não pode ser medida nem pela primeira parte do jogo, em que a teia desenhada pelos médios do Rio Ave acabrunhou os portistas e lhes roubou o controlo do terreno, nem pela segunda parte, quando aumentou o espaço para as correrias e a baliza de Cássio se tornou mais próxima. Numa época tão longa, o FC Porto vai precisar de jogar de muitas formas, de dominar todos os momentos do jogo. É verdade que isso não me parece assegurado. O próprio treinador disse no final do jogo que a equipa está “em construção”. Mas enquanto conseguir ir construindo em cima de vitórias, está a ganhar tempo para consolidar o processo.
2016-08-12
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A vitória do Benfica na Supertaça, frente ao Sp. Braga, pode ter vindo avolumar as certezas de que os encarnados são os principais candidatos à renovação do título nacional. Mas as dificuldades que o tricampeão sentiu na maior parte da partida frente ao onze de José Peseiro e o facto de, no limite, a Supertaça só ter tomado o caminho da Luz porque Rafa e Pedro Santos foram bastante perdulários na finalização – e Jonas, já se sabe, não perdoa… – terão chegado para temperar algum entusiasmo aos mais eufóricos dos adeptos encarnados. O Benfica, pela forma como alargou o lote de opções à disposição de Rui Vitória, é realmente o maior candidato à vitória final na Liga, mas nada do que se viu ontem permite ter certezas de que venha a ter a tarefa mais facilitada do que na caminhada difícil para o tri. Porque Sporting e FC Porto estão à espreita e, resolvidos os problemas na definição, este Sp. Braga também tem de ser levado a sério. Se é verdade que Cervi parece dar garantias de que, mesmo de forma diferente de Gaitán, pode ocupar a faixa esquerda do ataque encarnado – e se não estiver ele podem estar Carrillo ou Salvio, mesmo que isso implique o desvio de flanco de Pizzi – já a substituição de Renato Sanches não está ainda comprovadamente conseguida. Não é que André Horta tenha feito um mau jogo. Não só não fez como ainda falta ver Danilo naquela posição. Só que, com exceção dos primeiros 20 minutos, em que jogou praticamente dentro da área do Sp. Braga, faltou sempre ao Benfica explosão para aproveitar o balanceamento ofensivo de um adversário que se viu a perder cedo e por isso assumiu a partida. Talvez este seja um Benfica mais à imagem de Rui Vitória, até a caminhar para o 4x2x3x1 predileto do treinador campeão, com jogo mais pensado e menos explosivo: a incorporação de Luisão, obrigando a uma defesa mais baixa no campo, a entrada de Grimaldo e Nelson Semedo, dois laterais mais ofensivos que André Almeida e Eliseu, podem até levar a equipa para aí e conduzir a uma maior participação de Jonas na construção. Mas se houve Benfica entusiasmante ontem, em Aveiro, foi nos primeiros 20 minutos, quando a equipa esteve ligada à corrente máxima e desfez a organização defensiva bracarense. Depois vieram as dúvidas. Essas dúvidas podem também encontrar justificação no valor dos adversários. Ainda que o clima depressivo que se vive em Alvalade à conta dos resultados da pré-época pareça indicar o contrário, o Sporting também é forte candidato. A equipa tem perdido muitos jogos na pré-época? É verdade. E tem revelado desatenções defensivas imperdoáveis. Os resultados nos jogos de preparação, no entanto, não justificam tão acirrados estados de alma, como sabe Jorge Jesus, que já foi campeão depois de pré-temporadas bem piores do que esta e tem muito mais com que se preocupar. O problema de Jesus é que o dia 1 de Setembro nunca mais chega e, com ele, o fecho do mercado e a estabilização do grupo. Rui Patrício, William Carvalho, Adrien Silva e, sobretudo, João Mário e Slimani são muito requisitados. Se todos ficarem, o Sporting só tem de contratar mais um homem para o ataque: assumindo que Alan Ruiz vem suprir a falta de Gutierrez, só há que encontrar uma alternativa credível a Slimani. Jesus pode sempre alegar que continua a não ter a profundidade no plantel para atacar todas as frentes que tem, por exemplo, o Benfica, mas não tem uma equipa pior do que há um ano. Pelo contrário. E há o FC Porto, a quem ainda falta um defesa-central e um médio-ofensivo, mas que apresenta como maior arma para esta época uma coerência que lhe faltou na segunda metade da temporada passada. Arrumado o lopeteguismo que Peseiro teve de gerir, Nuno Espírito Santo começa o processo do zero e pode construir uma equipa segundo as suas próprias ideias. O maior reforço parece veio de dentro do plantel: André Silva parece mais alto, mais forte, mais rápido e tudo somado isso quer dizer que será mais goleador. Ao contrário de Aboubakar, um avançado de grandes espaços, André Silva resolve no primeiro toque e isso faz toda a diferença no 4x3x3 de uma equipa grande. De resto, a chegada de Felipe e Alex Teles, a aposta reiterada em Corona e a entrada do mais contante Otávio para o lugar do imprevisível Brahimi só deixa este FC Porto a precisar de algum talento a meio-campo. Mas também ali o mercado ainda não fechou.
2016-08-08
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A apresentação de Nuno Espírito Santo como treinador do FC Porto podia dividir o público entre aqueles que lhe são indiferentes e os que vão pela enésima vez levantar um cenário de exigência máxima segundo o qual esta será – mais uma vez – a última oportunidade de Pinto da Costa para devolver o clube aos tempos de vitória. Neste aspeto, Figo deu uma ajuda. Se o novo treinador dos dragões pudesse escolher um presente para o dia do regresso, certamente não pediria nada diferente, pois o que o antigo Bola de Ouro disse veio transferir toda a pressão que ele podia sentir para cima do presidente. Não é nada habitual ver alguém do futebol falar de forma tão desassombrada sobre outro agente do meio como Figo fez em relação a Pinto da Costa. Neste momento não é sequer importante tentar descobrir uma agenda nas palavras de Figo, ainda que certamente vá haver quem prefira centrar-se na ideia de que ele estava a ser uma mera correia de transmissão ou a repetir palavras que teria ouvido a amigos portistas – e também não é difícil perceber quais. Porque, na verdade, como depois disse o presidente portista, Figo “não faz parte da história do FC Porto” e, francamente, não vejo razão para de repente começar a ter opiniões sobre o que se passa no clube… A não ser o facto de lhe terem perguntado ou ainda outro – também nada despiciendo – de ter no futebol mundial um estatuto que o deixa indiferente ao que dele possam pensar os adeptos deste ou daquele clube. Figo está acima disso tudo. Não é inimputável mas está-se marimbando. A questão é que Figo se limitou a repetir em voz alta aquilo que há anos dizem os adversários do FC Porto e do seu presidente. A teoria segundo a qual Pinto da Costa devia abandonar porque estava a ficar velho já data do início do século, desde que os erros cometidos com Otávio Machado depois dos campeonatos perdidos com Fernando Santos foram emendados pela aposta visionária em José Mourinho. A diferença é que hoje começa a haver portistas a dizer a mesma coisa, a centrar-se nas lutas internas em torno dos jogos de influências na SAD. E isso faz toda a diferença em relação ao último período de três épocas seguidas dos dragões sem ganharem um campeonato (de 2000 a 2002). A pressão mediática de ter de acabar com este período negro, sob pena de estarmos perante a evidência de um fim de ciclo hegemónico, estava em cima de Nuno Espírito Santo até Figo a transferir para Pinto da Costa. O novo treinador podia até agradecer. Mas no fundo ansiará por que Figo esteja enganado. Porque na verdade o que depende dele é muito menos do que se pensa – e aí têm razão os indiferentes. Como estão as coisas, o FC Porto precisa sobretudo de acertar plenamente nos retoques que vai fazer no plantel e isso só será possível se o mercado for conduzido a pensar mais na equipa e menos no poder de cada um. Ao contrário do que tem sucedido, portanto.
2016-06-01
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Ninguém a não ser os próprios poderá dizer com toda a certeza quais são as relações entre a Gestifute de Jorge Mendes e a Doyen Sports. Um pouco por todo o Mundo se leem coisas absolutamente inconciliáveis. Lê-se em italiano que são aliados numa espécie de cartel que se destina a fazer subir os preços dos passes e aumentar a dependência financeira dos clubes face aos investidores. E lê-se em francês que são inimigos figadais desde que a Doyen se meteu no negócio Falcao, financiando a compra do jogador por parte do Atlético de Madrid, ganhando mais que o mais poderoso agente do Mundo e levando-o depois a enveredar pela opção de empréstimos onerosíssimos – nos quais todos ganham menos o fundo que só recupera o investimento na venda. Seja qual for a verdade, uma coisa é certa: se Nuno Espírito Santo entrar como treinador no FC Porto, Jorge Mendes consegue algo de absolutamente extraordinário, que é o estabelecimento de uma relação privilegiadíssima com dois dos três grandes do futebol nacional. Ainda por cima numa altura em que consta que nem está de costas viradas para o terceiro. Se olharmos para esta realidade à escala global, nem há grande novidade: a Doyen é há muito um dos parceiros prediletos do Atlético de Madrid, que ao mesmo tempo é um dos principais portos de abrigo para os jogadores que a Gestifute transfere de Portugal para o estrangeiro. Aí, ganha a tese do interesse comum. Em Portugal, porém, a radicalização de interesses entre os três grandes nunca permitiu grandes confluências. Veja-se o caso de José Veiga, o antecessor de Mendes como maior agente futebolístico nacional. Enquanto trabalhou preferencialmente com o FC Porto, na década de 90, Veiga era frequentemente verberado pelos grandes de Lisboa. Quando se zangou com Pinto da Costa, no final dos anos do “penta”, fez da vontade de ver crescer o Sporting (primeiro) e o Benfica (depois) quase uma profissão de fé, mas nunca conseguiu estar bem com os dois ao mesmo tempo: o processo que levou à autodestruição de Jardel é disso bom exemplo. Veiga conseguiu sempre algo que Mendes também já pôs em prática, que foi ter um segundo clube para os “ressaltos” – o de Veiga era o Boavista, mas Mendes até tem dois, que são o Sp. Braga e o Rio Ave. Mas foi cometendo erros que o impediram de construir aquilo que Mendes pode estar prestes a conseguir: a quase unanimidade. As boas relações de Mendes com o Benfica estão à vista. O rosto da Gestifute tem sido o operacional preferido para as grandes vendas do clube para o estrangeiro – conseguindo no processo valores absolutamente mirabolantes para jogadores que muitas vezes não tinham sequer passado da equipa B – e mantém com Luís Filipe Vieira um entendimento por sinais de fumo. Aqui convém lembrar que Mendes – um Mendes ainda muito longe da influência que tem hoje… – foi o agente escolhido por Manuel Vilarinho para fazer os primeiros negócios depois de o clube ter extirpado os efeitos da liderança de João Vale e Azevedo (os brasileiros Roger e André), mas que chegou a perder espaço no clube quando José Veiga, com quem chegou a envolver-se em lutas físicas, apareceu como “homem do futebol” de Vieira. Tudo isso, porém, são águas passadas: hoje em dia, sempre que há um problema de mercado para resolver no Benfica, Mendes faz parte da solução. Veja-se, por exemplo, o que aconteceu na saída de Jorge Jesus, que tinha de Mendes uma proposta para seguir para o médio oriente enquanto esperava pelo Paris Saint Germain. No FC Porto, porém, Mendes tem enfrentado mais barreiras. É verdade que durante a passagem de Veiga pelo Benfica, já exerceu ali uma espécie de magistério de influência semelhante ao que agora pratica na Luz – ganhou muito e deu muito a ganhar ao clube depois da vitória na Champions, com a venda para o estrangeiro de jogadores como Paulo Ferreira, Deco, Costinha, Maniche ou Derlei – mas esse efeito foi-se extinguindo à medida que se reforçavam os seus laços com Vieira e com o Benfica. Agora, se Nuno Espírito Santo regressar de facto ao Dragão, como parece ser intenção firme de Pinto da Costa, pode reacender-se a chama da parceria, uma vez que além de ser amigo do técnico desde que, ainda como guarda-redes, o transferiu de Guimarães para a Corunha (foi mesmo o primeiro negócio de Mendes no futebol), o agente tem apostado firmemente no treinador, qu colocou no Rio Ave e depois no Valência. Uma parceria que exigirá de Mendes o equilíbrio no fio da navalha que Veiga, por exemplo, nunca conseguiu manter, mas que, somada ao facto de representar boa parte dos jogadores vendáveis do Sporting, a ser bem sucedida pode dar-lhe um domínio do futebol nacional nunca visto até hoje.
2016-05-31
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A história da final da Taça de Portugal escreveu-se com o nome de dois heróis e não com os de quatro réus, como chegou a prometer. Antes assim, que as finais servem para que se cantem canções de glória. Mas nem é seguro que os heróis possam tirar grande proveito da tarde como o não é que os réus tenham o futuro imediato assegurado. O defeso ainda vai ter muitas histórias para contar acerca de todos eles. Primeiro os heróis, com Marafona à cabeça. O guarda-redes do Sp. Braga foi a grande diferença entre o pesadelo de há um ano e a festa de ontem, ao defender dois penaltis que impediram que os minhotos voltassem a morrer na praia. Tal como há um ano, beneficiaram de uma vantagem de dois golos sem terem feito muito por isso. Tal como há um ano, viram o adversário chegar ao 2-2 no último minuto de jogo, lançando-os num prolongamento que, até pelo que tinham vivido antes, cheirava a tragédia por todos os lados. Mas ao contrário do que sucedeu há um ano levaram a taça para casa, muito à conta do guarda-redes que começou a época no Paços de Ferreira. O mais improvável herói da tarde defendeu dois penaltis e esteve quase a deter um terceiro, mas ainda vai ter de se esforçar para manter a preponderância num plantel em constante mutação. Outro herói foi André Silva. O avançado portista veio mostrar a todo o país aquilo que alguns já sabiam: que está mais do que pronto para ser o ponta-de-lança da seleção nacional. Marcou dois golos, o primeiro pleno de oportunismo, o segundo numa execução técnica perfeita, resgatando o FC Porto de uma derrota que parecia inevitável, mas nem precisava de os ter marcado, tão boa é a generalidade das suas intervenções no jogo. Sempre bem a decidir, se busca a profundidade, o movimento de rotura, se passa ou remata ou se baixa em apoio, André Silva tinha na falta de golos o argumento dos que diziam que ainda não fizera o suficiente para “merecer” ir à seleção. Acontece que à seleção não se vai porque se merece – vai-se quando se pode ser útil. E André Silva vai poder ser útil. Não já em 2016, mas seguramente depois dos Jogos Olímpicos, quando assumir o lugar que é dele no futuro do FC Porto e da seleção nacional. O que nos leva ao primeiro réu: José Peseiro. O treinador do FC Porto confirmou as teses dos que o acusam de ser “pé frio”, como se isso existisse no futebol ou na vida. Ao perder a final da Taça de Portugal, Peseiro perdeu também a melhor oportunidade que tinha para agarrar um lugar à frente do plantel para 2016/17. Mas se por um lado não deve ser por um jogo que se julga a competência de um líder, por outro também é evidente que o FC Porto não cresceu o que os seus responsáveis esperariam após a troca de Lopetegui pelo ribatejano. Primeiro porque continuou a promover o “lopeteguismo” sem Lopetegui, na forma de jogar; depois porque a equipa passou a perder muito mais derrotas do que anteriormente. Peseiro não foi capaz de empurrar a equipa para as conquistas que gostaria de ter alcançado, por falta de tempo para trabalhar, de convicção na liderança ou por ter sido vítima de um plantel desequilibrado. Ainda resolveu a lacuna do ponta-de-lança – que Aboubakar nunca foi e André Silva começa a ser – mas não foi capaz de construir uma defesa capaz com tanta falta de qualidade. E ainda que isso em parte o absolva, deverá também chegar para o impedir de continuar. Porque um homem é ele mesmo e as suas circunstâncias e, aos olhos do público, pelo menos, Peseiro é um perdedor. Mesmo que os réus principais no jogo de ontem tenham sido outros. Helton e Chidozie pelo desentendimento no lance do primeiro golo, no qual o defesa se encolheu e o guarda-redes saiu sem resolver; outra vez Helton e Marcano na jogada do segundo, no qual o guarda-redes deu a bola ao central com este de costas para o jogo e prestes a ser pressionado e o defesa não teve a perceção disso mesmo, deixando-se antecipar. Uma coisa é certa: o FC Porto de 2016/17 não deve ter Peseiro ao leme, mas também dificilmente terá Helton, Chidozie ou até Marcano em posições de destaque. Porque o renascimento de um FC Porto ganhador ao fim de três anos de jejum total dependerá muito da construção de uma defesa capaz. In Diário de Notícias, 23.05.2016
2016-05-23
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Último Passe

Dois penaltis defendidos por Marafona permitiram ao Sp. Braga ganhar a segunda Taça de Portugal da sua história, 50 anos exatos depois da anterior. O guarda-redes apareceu quando em Braga já não se pensava noutra coisa a não ser na final do ano passado, perdida contra o Sporting depois de uma vantagem de dois golos que os leões anularam com o empate em cima do minuto 90. Desta vez foi André Silva, o jovem goleador portista, quem reanimou o FC Porto e, com um bis, levou a equipa de José Peseiro a um empate (2-2) que teve pelo menos um mérito: passou para segundo plano a forma como os bracarenses se colocaram em vantagem, com dois erros crassos da defesa portista e de Helton. André Silva e Marafona foram, assim, os dois grandes vencedores de uma tarde que bem podia ter ficado marcada pelo papel dos anti-heróis Helton, Chidozie e Marcano. Foram os protagonistas que asseguraram que os nomes aos quais ficará ligada esta final da Taça de Portugal o são pelas razões certas, por proezas e não por erros. Porque a história até ao 2-0 foi, sobretudo, uma história de erros. Primeiro, erraram Helton e Chidozie, quando ficaram um à espera do outro após um passe para as costas da defesa do FC Porto, permitindo que Rui Fonte, a aposta surpresa de Paulo Fonseca, se intrometesse e marcasse numa baliza deserta. A primeira parte ainda mostrou um Sp. Braga a sair bem do primeiro momento de pressão portista e a encontrar espaço nas costas dos laterais, quinda por cima queimando bem linhas em posse. Ante um FC Porto inoperante na frente, o 1-0 ao intervalo até se compreendia. Para a segunda parte, que Peseiro abordou sem Chidozie, com Ruben Neves a meio-campo e Danilo como defesa-central, apareceu um FC Porto diferente. Melhor, mais acordado, a procurar o empate que Herrera quase conseguiu ao minuto 57, quando fez um remate de ressaca passar a milímetros do poste da baliza de Marafona. E na resposta veio o segundo erro: bola longa, a chegar a Helton, que a entregou a Marcano; desatenção do defesa espanhol, que olhou para um lado quando Josué lhe apareceu do outro, a roubar-lhe o esférico e a marcar. Com 2-0, a sorte do FC Porto dependia do tempo que levasse a reduzir – e fê-lo rapidamente, porque aí começou a grande tarde de André Silva. Primeiro a empurrar para as redes um primeiro remate de Brahimi que Marafona defendera; depois, já em período de compensação, a empatar o jogo com um remate acrobático de excelente execução, após cruzamento de Herrera. O empate fazia nascer na mente dos bracarenses o fantasma daquilo que foi a final do ano passada, perdida nos penaltis depois de o Sporting ter anulado uma desvantagem de dois golos no último minuto da partida. Paulo Fonseca há-de ter centrado a conversa com a equipa na necessidade de reação a uma segunda parte que tinha sido de ampla superioridade portista. E, mesmo não tendo voltado a ser capaz de incomodar Helton, o Sp. Braga conseguiu pelo menos impedir o FC Porto de fazer um terceiro golo e levar a decisão para as grandes penalidades. Só que aí, naquela que podia ser a oportunidade de ouro para a redenção, Helton não brilhou e quem o fez foi Marafona – o guardião bracarense deteve os penaltis de Herrera e Maxi Pereira (e ficou a poucos centímetros de parar o de Ruben Neves também), o que, somado aos 100% de acerto dos seus colegas que bateram, levou o Sp. Braga a fazer a festa e lançou ainda mais dúvidas no que vai ser a próxima época do FC Porto. Se uma eventual vitória na final da Taça de Portugal podia dar a José Peseiro a força de que necessitava para reivindicar o cumprimento do ano de contrato que lhe falta, mesmo depois de seis meses em que não foi capaz de recuperar a equipa, a confirmação de um terceiro ano sem um único troféu deixa-o numa posição frágil, à espera de uma palavra de Pinto da Costa. Do outro lado, Paulo Fonseca celebrou um lugar na história do Sp. Braga recusando-se a garantir que quer prosseguir. Neste aspeto, a final da Taça de Portugal pode ser igual à do ano passado.
2016-05-22
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O FC Porto colocou um ponto final feliz numa Liga triste, ganhando por 4-0 ao Boavista, no Dragão, e assegurando que na pior das hipóteses terminará a 15 pontos do Benfica na classificação. O terceiro lugar serve de fraca consolação e deixa os responsáveis portistas a pensar no próximo fim-de-semana, quando a final da Taça de Portugal poderá permitir ao clube interromper um jejum de três anos sem troféus. Frente a um Boavista que melhora semana após semana e, a espaços, até conseguiu andar mais próximo da baliza de Casillas, também houve quem já só tivesse a cabeça no Jamor. Não foi o caso de André Silva, cujo golo, o quarto, a dois minutos do fim, foi o momento alto do jogo: na estreia do futebol matinal, horário ao qual estava habituado na equipa B, abriu por fim a sua conta de goleador. No último ensaio antes da final, José Peseiro fez um onze sem Martins-Indi, Sérgio Oliveira, Brahimi ou Aboubakar, deixando a ideia de que quis dar a André André ou a Corona a possibilidade de ainda discutirem um lugar na equipa que fará para o Jamor. Quem jogou e jogará a final foram Chidozie e André Silva: o primeiro, mesmo sem grandes problemas causados pelo Boavista, não complicou, ao passo que o segundo, mesmo antes de marcar o seu golo voltou a trabalhar bastante em prol da equipa, com movimentações de rotura ou de apoio e empenho do ponto de vista defensivo. Foi dele, por exemplo, o passe para o golo de Layun, a jogada que arrumou com a incerteza de que o jogo ainda pudesse estar rodeado, aos 56 minutos. E no entanto o FC Porto começou muito bem, com um futebol fluído e chegadas constantes com perigo à baliza de Mika, protegida por um Boavista organizado, como de costume, em 4x2x3x1. É certo que o golo inaugural, de Danilo, logo aos 11’, não nasceu de um belo movimento, mas sim da presença na área contrária, de um ressalto fortuito em Marcano e do oportunismo do médio, que chutou sem pedir licença. Mas aquilo que o FC Porto mostrou nesses primeiros 20 minutos deixava boas perspetivas. Só que, aos poucos, o FC Porto foi abrandando o ritmo e permitindo que o rival entrasse no jogo. Fê-lo a equipa de Erwin Sanchez com combinações interessantes nos corredores laterais, chegando a deixar uma vez Mesquita na cara de Casillas – com boa defesa do guarda-redes espanhol, que terá feito o último jogo da época. A segunda parte correu no mesmo ritmo, com Ruben Neves e Brahimi em vez de Danilo e Corona, no tal Lado B do ensaio para o Jamor. E no momento em que o FC Porto chegou ao 2-0, num belo remate de Layun a premiar um lance de insistência e visão de André Silva, o jogo fechou. Tudo se resumia a perceber se André Silva conseguia finalmente abrir a sua conta de goleador com a camisola do FC Porto. A primeira boa oportunidade para tal saiu frustrada quando, a cinco minutos do fim, Ruben Ribeiro derrubou Maxi Pereira na área e Carlos Xistra apontou para a marca de grande penalidade. Herrera e Brahimi aproximaram-se para bater, o público assobiou, provavelmente a pedir que fosse André Silva a marcar, mas não se desfez o pré-estabelecido – e bem, porque um penalti falhado faria mais mal do que um golo marcado. Brahimi fez então o terceiro, mas quem foi embora aí perdeu o momento do jogo. Até final, André Silva ainda foi capaz de desbloquear finalmente a conta: respondeu a um passe em profundidade de Brahimi, torneou Mika e chutou para a baliza. O público exultou, porque um golo é sempre um golo, o jovem jogador também, recebendo felicitações de toda a gente, mas a verdade é que mesmo sem esse golo a manhã já tinha sido dele. E, ao contrário do que aconteceu no clássico recente com o Sporting, quando fizer o onze para a final da Taça de Portugal, Peseiro pode começar por ele.
2016-05-14
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Último Passe

Um onze mais coerente com os princípios de jogo que defende José Peseiro permitiu ao FC Porto sobreviver a uma entrada caótica em jogo, com golo madrugador de Hélder Postiga, e acabar por vencer por 3-1 o Rio Ave, no meio do temporal de Vila do Conde, com uma exibição interessante. O resultado deixa a vida muito difícil para a equipa de Pedro Martins no acesso à Liga Europa e dá pistas relativamente ao que pode esperar-se dos dragões quando a pressão voltar, isto é, na final da Taça de Portugal. Peseiro mudou sete nomes em relação à equipa que perdeu em casa com o Sporting, na última jornada. Já se sabia que ia voltar Helton à baliza e que seria normal que Layun recuperasse o lugar na lateral-esquerda, mas as outras cinco alterações não estavam “anunciadas”. Voltou Marcano ao centro da defesa e quem caiu foi Martins-Indi e não Chidozie; entraram Ruben Neves e André André para o meio-campo, passando Danilo e Herrera para o banco (o que a somar à excelente exibição de Sérgio Oliveira vem apertar a luta por um lugar ali); e Aboubakar e Corona saíram também, para dar lugar a André Silva (aposta firme, pelos vistos) e Varela. O resultado foi um FC Porto com mais condição para tocar a bola, sobretudo devido às características de Ruben Neves e André André, por oposição às de Danilo e Herrera, mais “verticais” no seu jogo, mas também ao que dá à equipa André Silva, mais forte nas desmarcações de apoio que Aboubakar, sempre mais interessado em dar-lhe profundidade. O jogo mais circular do FC Porto podia ter dado mau resultado, caso a equipa tivesse sentido a forma como entrou em jogo, praticamente a perder, fruto de um grande remate de Postiga na sequência de uma recuperação de Wakaso. Mas depois de uns 15 minutos em que o Rio Ave esteve por cima, o FC Porto instalou-se no meio-campo ofensivo, fazendo circular a bola e deixando entender que dificilmente perderia o jogo. Chegou ao empate de penalti, marcado por Layún, e à vantagem já na segunda parte, quando Sérgio Oliveira meteu uma bomba na baliza de Cássio, minutos depois de ter visto o guarda-redes negar-lhe esse golo num lance semelhante. Pedro Martins mexeu nessa altura, trocando Yazalde por Bressan e depois Kuca por Ukra. A 15 minutos do fim, reforçou a frente de ataque com a entrada de Guedes – sacrificando o médio-defensivo Pedro Moreira – mas o FC Porto já não perdeu o controlo das operações, vindo a fazer o 3-1 por Varela. O Rio Ave não aproveitou, assim, a derrota do Paços de Ferreira para se colocar em zona europeia e entra no último dia a depender do resultado dos pacenses em Setúbal. Já o FC Porto deixou ainda mais dúvidas acerca do onze que Peseiro tenciona apresentar na final da Taça de Portugal, uma vez que a Liga já só lhe serve mesmo de aquecimento.
2016-05-07
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Portugal está em êxtase com o título do Leicester. “É a prova de que tudo é possível no futebol”, dizem uns. “É o regresso do romantismo”, dizem outros. Depois, uns recordam o Boavista, outros falam na fábula da pizza e do trabalho. Sim, também eu fiquei com os olhos marejados quando li a história da fábula da pizza. Mas se quisermos falar disto a sério, sem clichés nem frases feitas, daquelas que se destinam apenas às partilhas nas redes sociais, temos de colocar a cabeça a funcionar. E de perguntar a nós mesmos: quereríamos nós um Leicester em Portugal? Deixem-me responder por vós. Não! Porque se quiséssemos já estaríamos a fazer alguma coisa para que algo de semelhante pudesse acontecer por cá. E a verdade é que nos dirigimos cada vez mais no sentido contrário. Primeira fase da reflexão – desconstrução de mitos. Há, de facto, algo de Boavista de Jaime Pacheco na proeza do Leicester de Claudio Ranieri. Há um plantel humilde, pelo menos se comparado com os que com ele se batem na mesma Liga. Há espírito de grupo, resultante dos laços que se vão criando a cada semana que o “underdog” segue na frente. “Somos nós contra o Mundo”. É aqui que entra a fábula da pizza. Se tivesse tido comunicação, o Boavista de Jaime Pacheco também teria tido uma fábula da pizza para contar. Esta, de Ranieri, explica-se de forma simples. O treinador estava a ganhar jogos, mas preocupado com o facto de a equipa sofrer sempre golos. Um dia, temendo que essa permeabilidade se tornasse um problema, ofereceu-se para pagar o jantar a toda a equipa se esta mantivesse as redes a zero. E quando isso foi conseguido, cumpriu. Ranieri levou os jogadores a um restaurante italiano e, ante a ausência previamente combinada do pessoal da cozinha, ordenou-lhes que fizessem as suas próprias pizzas. “Vou pagar-vos o jantar, mas aqui, tal como no campo, vocês vão ter de trabalhar para o conseguirem”, disse-lhes. Ranieri, como Jaime Pacheco, pode não ser um génio da metodologia de treino ou um paradigma de modernidade na tática, mas tem vivência, tem mundo, sabe como motivar um grupo. As comparações entre o Boavista e o Leicester, porém, acabam aqui, no balneário. Porque o Boavista do início do século já andava a ameaçar as posições cimeiras há algum tempo e este Leicester só era candidato a descer de divisão. Porque aquele Boavista era uma das equipas com mais poder nos bastidores do futebol português e este Leicester não é tido nem achado nesses pormenores. Porque aquele Boavista caiu vitimado por alguma soberba – aumento exponencial de orçamento – e pelas mesmas armas de bastidores que lhe permitiu chegar lá acima e este Leicester vai cair porque, pura e simplesmente, a fábula da pizza só resulta com jogadores esfomeados de sucesso. Ou acham que Mahrez, Kanté ou Vardy, daqui por um ano, quererão sujar as mãos com a massa? Claro que não. Vão passar a ter quem faça a pizza por eles, mesmo sem perceberem que foi isso que lhes permitiu ganhar. Mas é da natureza humana e não há nada neles que lhes permita ver isso por antecipação. Por que ganhou então o Leicester? Por várias razões. E o espírito de grupo criado por situações como a fábula da pizza é uma delas. Outra é o facto de, apesar de tudo, o Leicester não ser uma equipa de coitadinhos. Porque na Premier League não há equipas de coitadinhos. É certo que aquilo que o Leicester gastou não chegará para pagar as comissões gastas por Chelsea, Manchester City ou Manchester United nas suas aquisições, mas ainda assim os novos campeões ingleses investiram esta temporada 4,2 milhões de euros em Huth, 9 milhões em N’Golo Kanté, 7 milhões em Inler e 11 milhões em Okazaki, aos quais acrescentaram, em Janeiro, mais 6,6 milhões em Amartey e 5,1 milhões em Gray. Foram, ainda assim, mais de 40 milhões de euros em aquisições, o que permite que se diga que a equipa não é de bidons e que quem está errado é que gasta isso e muito mais em jogadores que ainda não são o Messi ou o Cristiano Ronaldo só para satisfazer a clientela. E é aqui que a realidade inglesa se separa da portuguesa. Porque, estando inserido num mercado que funciona, o Leicester teve, por um lado, a vontade, e por outro a possibilidade, de tomar as suas próprias decisões. Agora vamos à parte chata. Perguntemos a todos aqueles que têm vibrado nas redes sociais com o título do Leicester e que são adeptos do Benfica, do Sporting e do FC Porto, se gostavam de ver uma coisa assim na Liga portuguesa. Quase todos vão dizer que sim, sobretudo porque vão estar a pensar que o nosso Leicester seria campeão em vez de um rival e não do clube deles. Mas quase todos vão recuar quando se lhes disser que enquanto o futebol português estiver organizado como está isso não será possível e que só poderemos ter um Leicester como tivemos um Boavista, se esse clube estiver encostado aos bastidores do poder. Porque para termos um Leicester teremos de ter, primeiro, um mercado interno que funcione para lá dos humores dos grandes, que jogam o jogo das influências emprestando jogadores à esquerda ou à direita. Para termos um Leicester teremos de ter uma distribuição mais equitativa das receitas de televisão, teremos de ter limitação do número de jogadores que cada clube pode ter sob contrato, teremos de ter clubes com vontade e acima de tudo com a possibilidade de tomarem as suas próprias decisões em vez de terem de se colocar debaixo da asa do "seu" grande. E é aqui que os nossos adeptos, que são extensões dos nossos clubes, vacilam. Mais: é aqui que recuam, que concluem que afinal de contas é melhor não termos um Leicester. Eu, que há uns dez anos já escrevo isto – a ponto de achar que me repito – quero ter um Leicester em Portugal. Até acho normal que os clubes grandes não queiram. O que acho estranho é que a Liga não queira.
2016-05-03
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Último Passe

Uma tarde quase perfeita de Slimani e João Mário, conjugada com alguma fortuna em momentos capitais e com o desacerto dos homens das linhas mais recuadas do FC Porto permitiram ao Sporting uma vitória tão afirmativa como justa no Dragão, por 3-1, e a continuidade na luta pelo título, a dois pontos do Benfica. A equipa de Jorge Jesus mostrou princípios de jogo mais coerentes e uma qualidade superior, tanto na criação como na definição, pelo que saiu do relvado com os três pontos – que na verdade raramente estiveram em dúvida, mesmo que o terceiro golo leonino só tenha sido marcado por Bruno César a quatro minutos do fim. Mesmo com mais iniciativa em toda a segunda parte, sobretudo quando André André veio dar alguma dinâmica ao meio-campo, os comandados de José Peseiro viram sempre a equipa leonina criar mais situações de golo. A diferença entre leões e dragões foi tanto marcada pelos dois golos de Slimani como pelas duas assistências de João Mário, as duas figuras superlativas de um Sporting onde Adrien ocupou muito espaço a meio-campo e Rui Patrício também foi importante. No FC Porto, que na primeira parte só foi perigoso quando procurava a profundidade de Aboubakar ou este fazia movimentos contrários para soltar Herrera, lamentam-se os dois remates aos ferros da baliza de Rui Patrício, mas a verdade é que o guardião leonino teve um papel importante em ambos: no primeiro, é ele que desvia a finalização de Herrera para a base do poste; no segundo, caso o livre de Sérgio Oliveira tivesse saído cinco centímetros mais abaixo, em vez de esbarrar na barra seria desviado pela luva do guarda-redes, que lá estava bem posicionada. Entre estes lances, porém, o que se viu foi um Sporting sempre mais forte. Tanto no espaço interior, muito graças à imprevisibilidade da movimentação de João Mário e à forma como Adrien, Ruiz e Téo Gutièrrez apareciam também a jogar na zona livre entre Danilo e Sérgio Oliveira e o mais avançado Herrera, como quando escolhia procurar a largura, onde Brahimi e Corona nunca foram capazes de ajudar devidamente os defesas-laterais a travar as duplas leoninas para ali destacadas. Depois de um início dividido, a história do jogo começou a escrever-se na superioridade do flanco direito do Sporting sobre a esquerda portista. João Mário, logo aos 3’, tinha deixado bem à vista a sua grande debilidade – a finalização – chutando uma bola que estava a saltitar à entrada da pequena área sobre a barra; Herrera, aos 7’, viu Rui Patrício roubar-lhe o golo, no tal lance que foi bater no poste. E depois de também Slimani (em canto de Ruiz) e Aboubakar (em antecipação a Rui Patrício) terem também estado perto do golo, o Sporting marcou mesmo. William, sem pressão, abriu o jogo na direita, onde João Mário dominou, superou José Angel e descobriu Slimani totalmente à vontade na área – errada a abordagem de Chidozie – para inaugurar o marcador. Havia 23 minutos de jogo e ali começava o melhor período do Sporting, durante o qual Slimani voltou a estar perto do golo, outra vez após lance na direita: dessa vez, porém, Casillas impediu o 0-2. Só que aí, quando parecia entregue, o FC Porto marcou, por Herrera, num penalti a castigar falta de Coates sobre Brahimi. O FC Porto parecia acreditar que podia equilibrar o jogo, mas nessa altura foi de novo traído pelos erros do seu setor mais recuado: primeiro foi Maxi a deixar Ruiz à vontade para cruzar e depois Martins-Indi a não atacar a bola nem o adversário. Como o adversário era Slimani, o melhor cabeceador da Liga, a bola foi parar às redes de Casillas. Faltava um minuto para o intervalo. E à felicidade de marcar no final da primeira parte, o Sporting somou a de não sofrer no início da segunda, primeiro quando Maxi Pereira viu um remate de boa posição negado por uma mancha de Patrício e depois quando Sérgio Oliveira, de livre, acertou na barra da baliza leonina – ainda que a mão de Rui Patrício estivesse logo ali, para deter a bola, se esta viesse um nadinha mais baixa. José Peseiro optou então por trocar Sérgio Oliveira, demasiado preso no meio-campo, por André André, e o FC Porto ganhou algum ascendente, ainda que meramente territorial. A meia hora do final, o Sporting tentava controlar os ritmos de jogo, se conseguia sair com a bola até era mais perigoso que o adversário, mas este andava sempre mais perto da sua área. Aí faltou aos portistas alguma qualidade na frente, algo que também não melhorou com a troca de Corona por Varela. O FC Porto tinha mais bola, mas as melhores situações de golo eram verdes e brancas. Como quando André André veio compensar mais um erro atrás e tirou o 1-3 a João Mário (aos 66’). Ou quando Casillas fez uma defesa monstruosa, a deter sobre a linha um cabeceamento de Slimani que levava selo de golo (aos 69’). Percebendo isto mesmo, José Peseiro tardou a fazer a sua última aposta, que passava por tirar gente de trás e meter mais homens na frente. A cinco minutos do fim, trocou o desastrado Chidozie por mais um ponta-de-lança, na ocasião André Silva. E um minuto depois, o Sporting matou o jogo: João Mário veio para dentro, descobriu um desequilíbrio que a troca provocara na defesa portista e meteu a bola à frente de Bruno César, que entretanto entrara para o lugar de Téo. O “Chuta-Chuta” chutou e Casillas deixou a sua marca no clássico, permitindo que a bola se lhe enrolasse debaixo do corpo e entrasse. O 1-3 acabava com a discussão do jogo e, em contrapartida, mantinha bem acesa a da Liga. O Sporting superava o teste maior com muita personalidade e mantinha-se a dois pontos do Benfica. Os leões serão agora os próximos a jogar, recebendo no sábado o aflito V. Setúbal e, se ganharem, devolvem a pressão ao Benfica, que no domingo visita o Marítimo nos Barreiros. Este campeonato, um dia, vai acabar. Mas ainda não foi desta.
2016-04-30
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Dois golos de grande recorte técnico e uma série de oportunidades bem construídas pelas duas equipas mereciam mais do que o “charuto” com que Brahimi deu ao FC Porto a vitória frente à Académica em Coimbra (2-1), mantendo, nem que seja por umas horas, as hipóteses matemáticas de a equipa chegar ao título ou ao segundo lugar, que também dá qualificação direta para a Liga dos Campeões. Se o jogo mostrou alguma coisa, porém, foi um FC Porto descontraído, pouco pendente do resultado, que conseguiu mais uma vez de virada – a quarta do FC Porto de Peseiro – e uma Académica muito mais pressionada, porque entra nas últimas três jornadas em posição de despromoção. O jogo valeu pelos golos. Primeiro o de Pedro Nuno, a dar vantagem à Académica com um livre pleno de potência e colocação, ainda que fiquem dúvidas acerca da possibilidade de Helton fazer um pouco mais no lance. A jogar para ganhar rodagem para a final da Taça de Portugal, o guardião brasileiro viu a bola entrar pelo seu lado, ainda que possa ter como atenuante a visibilidade nula que tinha do momento do remate. Fez depois o empate Ruben Neves, num remate colocadíssimo, de fora da área, a encobrir Pedro Trigueira com um chapéu milimétrico depois de a defesa da casa ter rechaçado para a zona frontal um lançamento lateral de Maxi Pereira. Depois de dois golos tão belos, o jogo acabou por se decidir a meio da segunda parte com um tento fortuito de Brahimi, que procurava meter a bola no interior da área, onde André Silva fazia uma diagonal de encontro a ela, quando a bola desviou em Hugo Seco e foi aninhar-se nas redes, sem que o ponta-de-lança portista ou o guarda-redes da Académica lhe tocasse. A vantagem portista aceitava-se, porque a equipa de Peseiro foi sempre a que procurou o golo com mais insistência, ainda que nem sempre o tenha feito com grande qualidade ofensiva. Quase sempre em contra-ataque, a Académica também teve lances em que podia ter marcado, nomeadamente uma tentativa de chapéu de Nii Plange a Helton, já perto do minuto 90, que passou o guarda-redes e bateu na barra da baliza, resvalando para fora. O FC Porto assegurava aí a vitória, que lhe valeu tanto pelos três pontos como por algumas boas indicações deixadas por Danilo a defesa-central ou por Ruben Neves, um pouco menos perro que contra o Nacional, na semana passada. A pensar na final da Taça de Portugal, o regresso de André André também deve ser assinalado, faltando a Peseiro que André Silva marque finalmente um golo e que, com a abertura da conta pessoal, o jovem português justifique a persistência do treinador para lá do esforço e do trabalho na movimentação que indiscutivelmente vem mostrando.
2016-04-23
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Uma derrota com a Académica, quando dirigia o Sporting, motivou a única chicotada psicológica de que o atual treinador do FC Porto foi alvo em Portugal. Aconteceu a 16 de Outubro de 2005, fruto de um golo solitário de Marcel, em Alvalade, e Peseiro acabou por deixar o clube, levando atrás dele o presidente leonino, António Dias da Cunha. Desde então, porém, exorcizou o “fantasma”, com duas vitórias nos dois jogos que fez contra os estudantes, enquanto liderou a equipa do Sp. Braga, em 2012/13. Ao todo, Peseiro ganhou quase metade dos jogos que fez contra a Académica: cinco em onze. O que é curioso é que numa dessas vitórias – os 3-2, de 11 de Outubro de 2002 – tinha no onze Filipe Gouveia, que hoje é treinador da Académica. Gouveia tinha sido campeão no meio-campo do Boavista em 2001, passara meia época emprestado ao Paços de Ferreira e no Verão de 2002 assinou pelo Nacional, que Peseiro acabara de promover à I Liga. Nesse desafio, na Choupana, o adversário entrou para a segunda parte em vantagem, mas a reviravolta começou no pé esquerdo de Gouveia, que bateu um livre lateral para conclusão do espanhol Alvaréz. Mais à frente, Alvárez fez mais um golo e o Nacional ganhou por 3-2. Peseiro já tinha ganho o primeiro jogo contra a Académica, ainda na II Liga, em Janeiro de 2001. Nessa primeira época no segundo escalão ganhou em casa por 2-1 e perdeu em Coimbra por 3-0. Na segunda temporada, que acabou com a subida de Nacional e Académica, verificaram-se dois empates: 0-0 em Coimbra e 2-2 no Funchal. Além da tal vitória por 3-2 na Choupana, a última época de Peseiro ao comando do Nacional, antes de sair para ser adjunto de Carlos Queiroz no Real Madrid, teve ainda um empate a zero em Coimbra. De regresso a Portugal, para liderar o Sporting, o treinador de Coruche ganhou por 3-2 em Coimbra, em Dezembro de 2004, empatando depois a zero em casa, em Abril de 2005 – faz hoje 11 anos. Peseiro só defrontou mais uma vez a equipa da Académica enquanto treinador do Sporting, na tal derrota em Alvalade que motivou a demissão, mas teve depois 100 por cento de aproveitamento enquanto técnico do Sp. Braga: 4-1 em Coimbra, em Dezembro de 2012, e 1-0 em Braga, em Abril de 2013.   Filipe Gouveia, treinador da Académica, perdeu os quatro jogos que fez com os grandes, mas nos últimos dois já esteve muito perto de evitar a derrota. Começou por ser batido por 3-0 pelo Benfica na Luz e de seguida perdeu por 3-1 com o FC Porto no Dragão. Na segunda volta, o Sporting só lhe ganhou (3-2) em Alvalade com um golo de Montero a seis minutos do fim e o Benfica só ganhou em Coimbra com um tento de Jiménez aos 85’.   As cinco vitórias obtidas pela Académica no campeonato foram todas em casa, mas os estudantes entram em campo com um registo de cinco jogos sem ganhar, desde que bateram o V. Guimarães, em Coimbra, por 2-0, a 6 de Março. Desde então sofreram golos em todos os jogos, mas também marcaram em quatro deles: 2-2 com o Moreirense, 0-3 com o Estoril, 2-3 com o Arouca, 1-2 com o Benfica e 1-1 com o Belenenses.   Em contrapartida, o FC Porto tem vindo a alternar o pior com o melhor nas deslocações desde o início de Fevereiro. Nessa altura, a equipa de Peseiro alinhou três vitórias seguidas fora de casa – 3-1 ao Estoril, 3-0 ao Gil Vicente para a Taça de Portugal e 2-1 ao Benfica –, algo que não voltou a conseguir repetir. A série “montanha russa” começou logo a seguir com a derrota em Dortmund, por 2-0. Seguiram-se a vitória no Restelo contra o Belenenses, por 2-1, e a derrota em Braga, por 3-1. Vieram depois a vitória em Setúbal por 1-0 e a derrota em Paços de Ferreira, pelo mesmo score. Pela teoria da alternância, é a vez de ganhar.   Em nove jogos fora de casa, o FC Porto de José Peseiro só manteve a baliza a zeros por duas vezes: nas vitórias por 3-0 em Barcelos, contra o Gil Vicente, para a Taça de Portugal, e por 1-0 em Setúbal, contra o Vitória, na Liga. Nos outros sete desafios, sofreu onze golos.   Marinho, da Académica, estreou-se na Liga a jogar contra o FC Porto, lançado por Ulisses Morais, a 6 de Janeiro de 2008, a 15 minutos do fim de uma derrota da Naval por 1-0 no Dragão.   Rabiola e Rui Pedro, ambos com passagem pelo FC Porto, já marcaram aos Dragões. Rui Pedro, que foi mesmo formado pelos Dragões e só fez um jogo de azul e branco – a eliminação da Taça da Liga aos pés do Fátima, em 2007 – marcou o golo na derrota da Académica no Porto, na primeira volta do atual campeonato. Já Rabiola, que foi formado no V. Guimarães e contratado pelo FC Porto ainda como adolescente, só fez seis jogos de azul e branco, em 2008 e 2009, tendo marcado aos dragões em Janeiro de 2015, numa derrota por 1-3 com a camisola do Penafiel.   Helton vai regressar à baliza do FC Porto, por troca com Casillas, já a pensar na final da Taça de Portugal. O guardião brasileiro fará o primeiro jogo na Liga esta época, uma vez que não joga na competição desde a vitória frente ao Penafiel (2-0), no Dragão, a 22 de Maio de 2015. Regressa exatamente contra o adversário que lhe assinalou a estreia, já lá vão mais de treze anos. Foi a 23 de Março de 2003 que Manuel Cajuda o lançou num empate caseiro entre a U. Leiria e a Académica.   O FC Porto ganhou os últimos cinco jogos com a Académica mas, destes, quatro foram no Dragão. Em Coimbra, os portistas têm alternado vitória e derrota com uma grande regularidade: ganharam lá por 3-0 em Outubro de 2011 (golos de Walter, James e Guarín) e perderam por 3-0 para a Taça de Portugal em Novembro do mesmo ano (marcaram Marinho, Adrien e Diogo Valente); depois voltaram a vencer por 3-0 em Março de 2013 (golos de Mangala, Danilo e Castro) e perderam por 1-0 em Novembro do mesmo ano (marcou Fernando Alexandre). Desde então, voltaram a ganhar por 3-0 em Dezembro de 2014 (bis de Jackson e golo de Herrera).  
2016-04-23
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Último Passe

A resposta dada na RTP por Julen Lopetegui às declarações de Jorge Nuno Pinto da Costa acerca da situação que ainda o liga ao FC Porto mostrou que o treinador espanhol mudou mais do que a forma física – parece mais gordito, provavelmente por causa dos três meses de inatividade a que foi forçado pela demissão no Dragão. Mudou mesmo uma coisa fundamental: começa finalmente a perceber o que é ser FC Porto e de que é feito o futebol português. Se tivesse entendido antes, talvez ainda estivesse no clube. Há um aspeto em que o treinador basco tem 100 por cento de razão. É que quando chegou a Portugal, o FC Porto tinha ficado a 13 pontos do Benfica; acabou o campeonato seguinte a três e com a desvantagem competitiva de ter estado na Champions até Abril; saiu do atual, a um jogo de terminar a primeira volta, empatado com os encarnados e a quatro pontos do Sporting; e, 14 jogos depois, os dragões estão a dez pontos do Sporting e a doze do Benfica. Além disso, se o FC Porto perdeu sete vezes nos 30 jogos de 2013/14, já foi derrotado apenas três vezes em 50 jogos com ele e entretanto cedeu mais cinco derrotas em 14 jogos, depois da sua saída. Olhando para os números, tem razão Lopetegui quando alega que foi um erro demiti-lo. Mas o futebol não são números. O futebol são títulos. E ele, nesse aspeto, prolongou aquilo que vinha sendo o falhanço do FC Porto – e que, é preciso dizê-lo, não melhorou depois da sua saída. Porque falhou Lopetegui, então? Sempre tive a mesma opinião: Lopetegui chegou a Portugal com a sobranceria natural de quem vem de uma Liga superior e nunca procurou perceber bem o ambiente que o rodeia: basta ver que mesmo tendo estado ano e meio em Portugal e a dar uma entrevista à RTP, que é uma televisão portuguesa, e a uma jornalista portuguesa, para ser vista por portugueses, falou em castelhano. São detalhes? Sem dúvida. Mas não é um detalhe falhar na motivação dos seus jogadores, muitos deles também vindos de ambientes competitivos superiores, sempre que iam jogar a um daqueles “quintais” que são tão vulgares na nossa Liga. Como não é um detalhe não se ter preparado para lidar com a tal “fação” da claque portista onde teve origem a tal “contestação exagerada” após o empate com o Rio Ave. Então Lopetegui veio treinar o FC Porto e não se deu sequer ao trabalho de saber quem foi e como saiu Co Adriaanse do Dragão? Quando diz agora que finalmente começa a compreender essa tal “fação”, Lopetegui pretende enfatizar o que considera ser um processo de manipulação vindo de fora para dentro mas com origem no interior do clube, mas acaba por deixar bem à vista que não tinha feito o trabalho de casa no que respeita à compreensão do ambiente – “el entorno, señor Lopetegui, si es que me entiende” – do qual (também) dependia o seu sucesso. Aliás, não foi só isso que Lopetegui não entendeu logo à primeira: também lhe faltou perceber que, em Portugal, mercado pequeno, quando um clube quer ver-se livre de um treinador, o mais normal é que, para voltar a trabalhar e não ficar com o nome sujo no mercado, esse treinador abdique de receber o que falta do contrato. Tantas vezes ouvi essa história! Aqui, no entanto, quando diz que nem precisa de dois segundos para resolver o assunto, que as negociações foram feitas na altura de assinar o contrato e que depois disso tudo o que as partes têm a fazer é cumpri-lo, é Lopetegui quem tem razão. Neste aspeto, sim, os nossos dirigentes deviam aprender com ele.
2016-04-22
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Quem faz o favor de me ler há tempo suficiente sabe que adotei de Sven-Goran Eriksson a teoria segundo a qual discutir arbitragens é irrelevante porque, no fim, feitas as contas, entre o deve e o haver, as coisas acabam por se equilibrar. É por isso, e também porque nunca encontrei um debate sobre penaltis ou foras-de-jogo em cujos padrões de urbanidade ou educação me reveja, que não sigo o caminho geral, o caminho que manda o adepto comum vociferar contra os árbitros nos fins-de-semana em que a sua cor saiu prejudicada e silenciar essas discussões quando são os outros a queixar-se. Mas também já ando no futebol português há tempo suficiente para acrescentar à teoria de Eriksson uma outra, à qual chamo a “teoria do remediado”. E que diz o seguinte: nos últimos dez ou quinze anos, em cada momento conjuntural do futebol português, há sempre um que ganha, um que é cúmplice porque joga na mesma na Champions e um terceiro que luta por aquilo a que chama “a verdade desportiva”, mas que não é mais do que a defesa dos seus interesses e a vontade em ocupar o lugar de um dos outros dois. Não vou ao ponto de dizer, como Jorge Jesus disse do fair-play, que a verdade desportiva seja uma treta. Não é. Sou, aliás, favorável à introdução no futebol de meios auxiliares de diagnóstico que venham ajudar os árbitros a decidir melhor. Mas não tenho a ilusão de que isso venha acabar com a discussão, porque não é preciso recorrer às hordas de fanáticos que enxameiam as redes sociais para encontrar gente que, perante as mesmas imagens, tira conclusões diferentes. Basta muitas vezes consultar ex-árbitros internacionais. Como não existe uma verdade absoluta, mas sim diferentes interpretações de um mesmo acontecimento, quando houver vídeo-árbitro – e reparem que não disse “se”, disse “quando”, porque acredito que isso é inevitável – as suspeitas de favorecimento manter-se-ão, mas mudarão de destinatário: passarão do relvado para a régie. E isso será assegurado por todos os que mantém a funcionar o sistema de acordo com a “teoria do remediado”, esse axioma nascido da evidência de que só há lugar para dois clubes verdadeiramente grandes no futebol nacional, porque são apenas duas as vagas garantidas na distribuição de milhões da Liga dos Campeões. Foi de acordo com essa evidência que as coisas mudaram. Se até há uns dez, quinze anos, o que interessava era só ganhar, depois da reforma das provas europeias, que assegurou uma segunda vaga direta de clubes portugueses na Champions, passou a interessar também ficar em segundo lugar. Chegámos, nessa altura, ao ponto de ouvir um presidente do Sporting dizer que ante dois desafios, preferia ficar em segundo no campeonato a ganhar a Taça de Portugal. Ou ser duas vezes segundo a ser uma vez primeiro e outra terceiro. Essa, já se vê, era a altura em que o Sporting era o remediado. O FC Porto ganhava – e nos últimos 30 anos nunca deixou de ganhar por mais de três anos seguidos, mantendo mesmo assim com frequência o segundo lugar – e o Sporting era segundo, o que garantia à equipa de Paulo Bento um cartão de passageiro frequente na Liga dos Campeões. E dinheiro, muito dinheiro. Quem lutava nessa altura pela “verdade desportiva”? O Benfica, pois então. Era Luís Filipe Vieira quem falava mais na regeneração do sistema. António Dias da Cunha, um voluntarioso franco-atirador que, na qualidade de presidente do Sporting, chegou a alinhar com Vieira nalgumas iniciativas, acabou por ser afastado dentro do próprio clube, pois estava a ir contra a “teoria do remediado”. Entretanto, o Benfica passou a ganhar – é neste momento favorito à conquista do tricampeonato. E da Luz passaram a chegar vozes de moderação, de crítica a quem passa a vida a falar dos árbitros. Quem passou a ser o principal crítico do sistema? O Sporting, pois então, onde Bruno de Carvalho diz tudo aquilo que Luís Filipe Vieira disse e talvez até muito mais, questionando os árbitros e clamando por injustiça em todas as jornadas e chegando mesmo ao ponto de recusar a admissão de favorecimentos quando eles acontecem – como foi o caso esta semana. O FC Porto tem sido o remediado e por isso mesmo ninguém se juntou a Lopetegui quando este criticou as arbitragens, na época passada. Veremos como passarão a comportar-se no Dragão na próxima época, quando se torna mais ou menos evidente que o FC Porto será terceiro na Liga que se aproxima do fim e tem a Liga dos Campeões em risco. In Diário de Notícias, 19.04.2016
2016-04-18
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Último Passe

Uma entrada contundente, com dois golos em nove minutos, permitiu ao FC Porto de José Peseiro afastar o espectro das duas derrotas consecutivas que subiu ao relvado com os seus jogadores para a partida com o Nacional e deu ao treinador a hipótese de ganhar pela primeira vez ao seu antigo clube. Os 4-0 com que se concluiu a partida, maior vitória do FC Porto desde a chegada de Peseiro, chegaram para que os dragões mantivessem as hipóteses matemáticas de alcançar os dois rivais de Lisboa na classificação mas, muito mais importante do que isso, lançaram mais três jogadores para o foco mediático nesta espécie de pré-época em que se transformaram as semanas que antecedem a final da Taça de Portugal: André Silva, Ruben Neves e Varela juntam-se a Sérgio Oliveira como “descobertas” de fim de temporada. O golaço de Varela, logo aos 2’, na primeira vez que o FC Porto visou as redes de Rui Silva, e o tento que se lhe seguiu, de Herrera, aos 9’, transformaram uma partida que se presumia pudesse ser competitiva num mero exercício de avaliação. A perder por 2-0 desde tão cedo, o Nacional deixou cair grande parte das esperanças de levar pontos do Dragão, pelo que o que havia a ver era sobretudo como se comportavam as novas apostas de Peseiro. E não se portaram nada mal, lançando entre os dragões a esperança de se verem mais representados na escolha final de Fernando Santos para jogar o Europeu, na qual só mesmo Danilo já estava seguro. O treinador recuou o médio para defesa-central, em vez de Chidozie, e dessa forma permitiu, de bónus, o regresso de Ruben Neves à titularidade no comando das operações a meio-campo, a tempo de voltar a ter algumas – poucas, é verdade… – esperanças de ser chamado. Na frente, com Aboubakar sentado no banco, apostou no jovem André Silva, que voltou a não marcar (esteve perto, aos 18’ e aos 67’) mas se mexeu sempre bem e deu o seu contributo para o excelente arranque da equipa. Com 2-0 ao intervalo – e Sérgio Oliveira também esteve perto do terceiro ainda na primeira parte – o Nacional procurou reagir no início do segundo tempo, com Luís Aurélio em vez de Aly Ghazal. Ainda assim foi o FC Porto quem marcou, por Danilo, de cabeça, após cruzamento de Corona. Se dúvidas havia – até então, um golo do Nacional ainda podia reabrir o jogo – elas acabaram nesse momento. E houve ainda tempo para que Aboubakar, que entrou a 15 minuto do fim, reforçasse o seu estatuto de maior goleador da equipa, rompendo a resistência que vinha sendo feita pelo guarda-redes Rui Silva e fechando o marcador num golo de chapéu. Os três pontos não estavam em discussão há muito, mas o jogo valeu mesmo para que vários jogadores dissessem que se o que o clube atravessa neste momento é uma pré-época, então devem contar com eles quando começar a competição.
2016-04-17
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É sempre com um misto de alegria e gratidão que os dirigentes e adeptos do Nacional encaram José Peseiro, o treinador do FC Porto, que levou o clube insular da II Divisão B à I Divisão. O sentimento, porém, não tem sido recíproco. É que o técnico de Coruche perdeu todos os jogos que fez contra o seu antigo clube desde que, em 2003, o trocou por um lugar como adjunto de Carlos Queiroz no Real Madrid. E alguns custaram-lhe bem caro. Peseiro regressou de Madrid em 2004 para se ocupar do Sporting, o primeiro clube grande que treinou. Nessa época, em que chegou à final da Taça UEFA e fez figura de favorito na luta pelo título até à penúltima jornada (derrota com o Benfica por 1-0), Peseiro perdeu as duas partidas contra o Nacional: 3-2 na Choupana a 16 de Janeiro de 2005 e 4-2 em Alvalade, a 22 de Maio do mesmo ano. Esta última derrota foi difícil de digerir, porque o Sporting vinha de uma semana complicada: perdera o campeonato num fim-de-semana, na Luz (derrota por 1-0 com o Benfica), e a Taça UEFA na quarta-feira (1-3 com o CSKA Moscovo), em Alvalade; de regresso a casa, os leões foram batidos pelo Nacional, na última jornada, e falharam o segundo lugar e o acesso direto à Liga dos Campeões, condicionando desde logo o trabalho de Peseiro na nova época. Em 2005/06, Peseiro ainda dirigiu o Sporting até meados de Outubro. Nesse período, porém, ainda teve tempo para perder uma terceira vez com o Nacional: 2-1 na Choupana, a 19 de Setembro de 2005, no primeiro confronto com Manuel Machado desde uma vitória num Sporting-V. Guimarães da época anterior, em que a vitória leonina (1-0) deixara os leões no topo da tabela, a duas rondas do fim. Depois de sair do Sporting, Peseiro fez um tirocínio pelo estrangeiro, só voltando a Portugal em 2012, para comandar o Sp. Braga. Defrontou por mais duas vezes o Nacional, perdendo ambas: 3-2 na Choupana, a 12 de Janeiro de 2013, e 3-1 em Braga, a 11 de Maio de 2013. Quer isto dizer que os últimos três confrontos entre José Peseiro e Manuel Machado – o outro treinador a marcar lugar na história recente do Nacional – foram favoráveis ao professor minhoto. Essa é, aliás, uma tendência que Peseiro só conseguiu contrariar no Sporting, quando Machado estava no V. Guimarães. Em 2004/05, o tal ano completo no Sporting, Peseiro ganhou duas vezes a Machado, por 4-2 no Minho e por 1-0 em Alvalade, de certa forma exorcizando o fantasma que lhe restava do ano da subida do Nacional à I Divisão: nessa altura, perdendo por 5-1 com o Moreirense de Manuel Machado na penúltima jornada, o Nacional de Peseiro teve de esperar pelo último dia para poder carimbar o passaporte.   Manuel Machado é um dos treinadores mais experientes da Liga e vai para o 31º confronto com o FC Porto. Dos 30 anteriores, quatro foram com o Moreirense (um empate e três derrotas), oito com o V. Guimarães (uma vitória, dois empates e cinco derrotas), dois com a Académica (ambos perdidos), um com o Sp. Braga (mais uma derrota) e 15 com o Nacional (duas vitórias, dois empates e onze derrotas). Ao todo, ganhou quatro vezes, empatou cinco e perdeu 21, entre elas as duas em que esteve mais próximo de levar um troféu para casa, sempre aos comandos do V. Guimarães: perdeu por 6-2 na final da Taça de Portugal de 2010/11 e por 2-1 na Supertaça de 2011/12.   O FC Porto perdeu os últimos dois jogos: 0-1 em casa com o Tondela e no terreno do Paços de Ferreira. Esta é já a terceira vez que os dragões perdem dois jogos seguidos esta época, uma com cada treinador que passou pelo banco. Julen Lopetegui perdeu contra o Marítimo (1-3 em casa, na Taça da Liga, em Dezembro) e o Sporting (0-2, em Alvalade, em Janeiro), sendo demitido após o terceiro jogo, o empate em casa com o Rio Ave (1-1). Rui Barros foi batido fora de casa por V. Guimarães (0-1, em Janeiro) e Famalicão (0-1, também em Janeiro, para a Taça da Liga). José Peseiro, que pegou na equipa após as duas derrotas de Barros e ganhou ao Marítimo, por 1-0, tem de novo a responsabilidade de interromper a série.   Os dragões já perderam cinco vezes em casa esta época: 1-3 com o Marítimo para a Taça da Liga, 1-2 com o Arouca e 0-1 com o Tondela para a Liga, 0-2 com o Dynamo Kiev para a Champions e 0-1 com o Borussia Dortmund para a Liga Europa. Esta já é a época com mais derrotas em casa desde 2001/02, quando foram batidos no velho Estádio das Antas por Belenenses, Sparta de Praga, Sp. Braga, Beira Mar e Real Madrid. Para se encontrar pior é preciso ir a 1971/72, quando ali ganharam o Benfica, o Nantes, o Atlético, a Académica, o V. Guimarães e o V. Setúbal.   Depois de uma fase negra – doze jogos sem ganhar em Dezembro e Janeiro – o Nacional parece ter entrado nos eixos, tendo obtido cinco vitórias nas últimas seis partidas. A única exceção foi a derrota por 2-0 com o Marítimo, no dérbi do Funchal, a 2 de Abril, porque de resto a equipa de Manuel Machado ganhou ao Paços de Ferreira (3-0), ao Boavista (1-0), ao Rio Ave (1-0), ao V. Guimarães (3-2) e ao Estoril (4-1).   Brahimi, que não joga por estar suspenso, marcou nas duas últimas vitórias do FC Porto sobre o Nacional. Fez o segundo golo nos 2-0 de Novembro de 2014, no Dragão, repetindo a graça nos 2-1 de Dezembro de 2015, na Choupana. Em Março de 2015 o argelino ficou em branco e o Nacional não foi além de um empate a uma bola no terreno do adversário.   Sequeira, o lateral esquerdo do Nacional, pode fazer no Dragão o 50º jogo com a camisola do clube, pelo qual se estreou oficialmente neste mesmo estádio, alinhando a tempo inteiro no empate a uma bola de 23 de Novembro de 2013. Esse foi também o seu jogo de estreia na Liga.   O Nacional já ganhou quatro vezes no terreno do FC Porto, três delas a contar para o campeonato: 2-1 (de virada) em Outubro de 1990, 4-0 em Março de 2005 e 3-0 em Maio de 2008. A quarta vitória, que foi a mais recente, aconteceu em Janeiro de 2011, a contar para a Taça da Liga (2-1). Desde esse jogo, o FC Porto soma quatro vitórias e um empate nas receções aos alvinegros do Funchal.   Nos últimos 13 anos, sempre que fez golos no Dragão o Nacional conseguiu evitar a derrota. Desde Novembro de 2002 que não lhe acontece marcar ali e perder. Nessa altura, Adriano e Rossato marcaram, o Nacional – que era comandado por José Peseiro – chegou a estar em vantagem sobre o FC Porto de José Mourinho mas saiu derrotado por 5-2.    
2016-04-17
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Pinto da Costa disse, a meio da semana, que já estava a preparar a próxima época do FC Porto com José Peseiro, mas que não podia garantir a continuidade do treinador. Mesmo assim, ao revelar que a derrota em casa com o Tondela tinha sido a que mais vergonha lhe provocara em toda a sua história no clube estava a tornar a vida do técnico ainda vez mais difícil do que a soma de maus resultados que a equipa vem somando. No fundo, aquilo que o presidente do clube estava a afirmar era que ia mudar não só de treinador, numa espécie de chicotada psicológica “avant-la-lettre”, como também de paradigma: na próxima época, quem vier para o lugar de Peseiro terá pouco a dizer acerca da composição do plantel. Ao contrário do que se passou com Julen Lopetegui e o processo de espanholização do Dragão. Ou com José Mourinho, na última vez que o clube se viu metido num problema com esta dimensão. As mais de três décadas de experiência de Pinto da Costa à frente do FC Porto podem até permitir que ele cometa erros, mas nunca um deste calibre – o que me leva a suspeitar que tudo não passou de uma ação premeditada por parte de um presidente que quer mudar de responsável pela equipa. Pinto da Costa sabe bem que ao dizer o que disse, ao tornar pública a sua vergonha, está a condenar o responsável máximo por essa vergonha, não só aos olhos do público como fundamentalmente aos dos jogadores. E isso viu-se no jogo seguinte, a derrota de ontem em Paços de Ferreira. O FC Porto teve sempre mais bola, jogou sempre mais no meio-campo adversário, rematou e atacou muito mais do que a equipa da casa, mas acabou por perder mais uma vez, tornando até o segundo lugar uma possibilidade meramente matemática, face aos dez pontos de que a equipa já dista do Sporting. E se desta vez o presidente até pode não ter sentido a mesma vergonha que aquando da derrota em casa com o último classificado, a equipa revelou os mesmos sintomas de descrença e falta de espírito ganhador que já tinha mostrado contra o Tondela. Porque ao longo dos últimos meses o processo transformou-a num coletivo amorfo e perdedor. A Taça de Portugal ainda pode ajudar a atenuar o desastre que está a ser esta época, a terceira seguida sem que o FC Porto chegue ao título, algo que o clube só viveu uma vez com Pinto da Costa: entre 2000 e 2002, período no qual pelo banco dos dragões passaram Fernando Santos e Otávio Machado, antes da chegada de José Mourinho. O presidente do FC Porto teria tudo a ganhar em recordar a forma como saiu do buraco numa altura em que – e atenção que já lá vão 15 anos – começaram a aparecer as piadas acerca da sua idade e de uma alegada perda de qualidades. Foram as apostas firmes de Mourinho na contratação de jogadores como Paulo Ferreira, Nuno Valente, Maniche ou Pedro Emanuel, já para não falar no regresso de Jorge Costa, que tinha sido exilado no Charlton, a transformar uma equipa que passou três anos a perder tudo em bicampeã nacional, vencedora da Taça UEFA e da Liga dos Campeões. Nestas coisas do futebol, convém dar o poder de decisão a quem sabe. E Mourinho já sabia. O problema é que, mesmo nesta altura, em que se prepara para ver a sua legitimidade como líder do clube amplamente reforçada por mais um plebiscito, que serão as próximas eleições – um ato sem candidato de uma oposição que parece afiar as facas mas apenas para se bater entre si quando o líder máximo decidir abdicar –, Pinto da Costa esgotou a confiança total num treinador na forma como deixou que Lopetegui fizesse o desenho de um plantel ao qual desde o início se adivinhavam alguns excessos (muita e boa concorrência a meio-campo) mas também carências (um grande defesa-central e um ponta-de-lança de real qualidade). Desta forma, quando precisar de ajuda, a Pinto da Costa só lhe resta olhar para o lado, para os conselheiros que tem tido em tudo o que se são transferências nestes últimos tempos. E isso não é uma boa notícia para o FC Porto. In Diário de Notícias, 11.04.2016
2016-04-11
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O FC Porto confirmou em Paços de Ferreira que não só está fora da luta pelo título como que nem o facto de ainda poder receber o Sporting no Dragão, na 28ª jornada, lhe permitirá discutir sequer o segundo lugar e a entrada direta na Liga dos Campeões. A equipa de José Peseiro não respondeu bem às palavras de Pinto da Costa, a meio da semana, encarando a partida contra o Paços de Ferreira com uma descrença que nem a ampla superioridade estatística em ataques, remates, cantos ou posse de bola disfarçou. A derrota por 1-0 terá sido punição extrema, face à nula ambição atacante da equipa da casa, e não deverá engrossar o lote de “vergonhas” do presidente, mas foi o grito dado do relvado para que se mude de paradigma. Peseiro respondeu à entrevista do presidente trocando Aboubakar e Brahimi por Suk e Varela, mas mantendo a confiança em Sérgio Oliveira, cuja presença constante no onze foi a maior alteração que promoveu desde a sua chegada. O médio, que passou a última temporada no Paços de Ferreira, até foi dos mais ativos na procura do golo, com remates à entrada da área, como aquele com o qual deu a última vitória aos dragões, em Setúbal, antes da interrupção do campeonato para os jogos das seleções. Porém, acabou por ser também ele a ficar ligado ao lance do golo do Paços de Ferreira. Ele e Layun. O lateral mexicano aliviou mal uma bola para os pés de Edson Farías, que lançou o lateral Bruno Santos, tendo este sido mais rápido e agressivo no ataque à bola que Sérgio Oliveira antes de colocar a bola no coração da área, para a conclusão de Diego Jota. Antes de bater Casillas, o remate ainda tabelou em Danilo, por aquela altura a fazer de segundo central por força da troca de Chidozie por André Silva. Faltavam dez minutos para o final do jogo e aquela era apenas a terceira vez que o Paços entrava na área portista. Até aquele momento, porém, mesmo tendo um domínio amplo do jogo (acabou com 18-5 em remates e com 14-1 em cantos), o FC Porto também não vinha fazendo uma exibição de encher o olho. Podia ter marcado? Podia. Na primeira parte teve dois bons lances: um cruzamento de Sérgio Oliveira, que cruzou a pequena área sem que ninguém lhe tocasse, aos 26’, e um slalom de Corona, concluído com um remate atabalhoado já no centro da área, um minuto depois. Na segunda parte, que os dragões atacaram com Brahimi em vez de Corona, as situações de perigo foram surgindo quase sempre em remates de meia-distância ou bolas paradas. Sérgio Oliveira, que chutara um pouco ao lado, aos 50’, obrigou Defendi a uma boa defesa, aos 71’. Entre os dois lances, tanto Chidozie (de cabeça, após um canto) como Maxi Pereira (numa tentativa de chapéu) falharam por pouco o alvo. Depois do golo pacense, Defendi ainda teve de brilhar por mais duas vezes, a impedir o empate, que quase saiu da bota de André Silva, aos 85’, ou da cabeça de Suk, ao quinto minuto de compensação. O resultado, porém, já não mudaria, levando o treinador do Paços de Ferreira, Jorge Simão, a subir à bancada, de forma a festejar a vitória de forma eufórica com os adeptos e a aplaudir com eles a ação dos jogadores. Do outro lado, mesmo não sendo o mais culpado da situação, José Peseiro ficou ainda com menos espaço para reivindicar um lugar no FC Porto de 2016/17.
2016-04-10
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Último Passe

O FC Porto voltou a complicar a vida a si próprio, perdendo em casa com o último classificado da Liga, o Tondela, por 1-0, e vendo desaparecerem as últimas esperanças de chegar ao título, com o aumento da desvantagem para o Benfica para nove pontos. O jogo era um desastre à espera de acontecer, face aos antecedentes das duas equipas: um Tondela que só mostra os dentes fora de casa e um FC Porto que vinha sofrendo susto atrás de susto quando defrontava as equipas mais fracas do campeonato no Dragão. O resultado foi ditado por um grande golo de Luís Alberto, aos 59’, mas nem com mais de meia-hora para reverter a situação a equipa de Peseiro foi capaz de chegar sequer ao empate. Valeu-se aí o Tondela de duas grandes intervenções do seu guarda-redes, Cláudio Ramos. O início da partida, na verdade, não fazia prever nada do que acabou por suceder. A avalanche de ataque do FC Porto chegava a ser asfixiante para uma defesa do Tondela que, muitas vezes, nem sabia como conseguia tirar a bola da sua área. Ia sobrevivendo, apenas. Danilo e Aboubakar, este por duas vezes, estiveram à beira de abrir o marcador nuns primeiros 20/25 minutos de grande ritmo e com bons lances de envolvimento da equipa portista, mas o abaixamento da intensidade de jogo que se seguiu, sem um golo portista para servir de farol, permitiu a entrada do Tondela no jogo. E a equipa de Petit começou desde logo a ensaiar alguns contra-ataques, como que a mostrar que pode já estar meio condenada à despromoção mas sabe o que fazer quando lhe dão espaço: já tinha empatado a dois golos em Alvalade, por exemplo. Quem esperasse um FC Porto outra vez desenfreado na sequência do intervalo terá ficado desiludido com a entrada tímida dos dragões na segunda parte. Foi mesmo o Tondela quem mais se mostrou na frente, até ao momento em que marcou mesmo: Luís Alberto aproveitou o espaço que lhe deram à entrada da área para escolher o canto em que colocou a bola, fora do alcance de Casillas. Tal como o Moreirense e o Arouca, também o Tondela se adiantava no Dragão. Definia desde logo o que seria a última meia-hora de jogo: muita gente na área de Cláudio Ramos. E o guarda-redes do Tondela teve ainda tempo de se ligar ao resultado do jogo, com duas manchas gigantes, face a Corona e depois face a Aboubakar, impedindo-os de chegar ao empate. A segunda derrota do FC Porto em casa, a deixar os dragões a nove pontos do líder, arrumou de vez com as esperanças que ainda pudessem ter de chegar ao título. Em contrapartida, a terceira vitória fora de casa do Tondela pode nem ajudar assim tanto a equipa de Petit, que ainda está a oito pontos da linha de água. 
2016-04-04
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O FC Porto prepara-se para receber o Tondela, que fez esta época a estreia na I Divisão. E se é certo que os dragões têm tido dificuldades nos jogos em casa com as equipas mais fracas do campeonato, também é verdade que nos últimos 25 anos só perderam duas vezes pontos contra equipas que se estreavam na I Liga: o Felgueiras de 1995/96 e o Trofense de 2008/09. E tanto uma como a outra acabaram por descer de divisão, como parece ser o cada vez mais seguro destino desta equipa do Tondela. Desde 1991, estrearam-se na I Divisão dez equipas, a última das quais foi o Tondela, em Agosto do ano passado. Nos 19 jogos feitos nessa época de estreia contra os novos primodivisionários, o FC Porto ganhou 17, incluindo a vitória por 1-0 em Tondela, em Novembro, empatando apenas dois: 2-2 no terreno do Felgueiras, em 1995/96, e 0-0 em casa com o Trofense, em 2008/09. O Felgueiras foi antepenúltimo nesse campeonato, acabando por descer, ao passo que o Trofense foi mesmo último, regressando também ao segundo escalão. Os outros dois jogos dos dragões contra estas equipas saldaram-se por vitórias: 6-2 ao Felgueiras nas Antas e 4-1 na deslocação ao relvado do Trofense. Como em dupla vitória se resolveram os confrontos com os outros estreantes: 2-0 e 3-0 ao Paços de Ferreira em 1991/92; 5-0 e 1-0 ao Campomaiorense em 1995/96; 3-1 e 5-1 ao Alverca em 1998/99; 1-0 e 2-0 ao Santa Clara em 1999/00; 2-1 e 1-0 ao Moreirense em 2002/03; 1-0 e 3-2 à Naval em 2005/06; e 4-1 e 3-1 ao Arouca em 2013/14. O Tondela, de resto, já fez um ponto contra um dos grandes esta época, empatando a duas bolas com o Sporting em Alvalade, na abertura da segunda volta do campeonato. Repetiu, nesse aspeto, a estreia do Arouca, que em 2013/14 também só fez um ponto nos seis jogos contra os grandes, um empate a dois golos com o Benfica (de Jesus, também), na Luz. O último estreante a ganhar a um grande na época de estreia foi o Trofense, que em 2008/09, aliás, roubou pontos aos três grandes e mesmo assim foi o último da tabela: ganhou em casa ao Benfica (2-0), empatou no mesmo local com o Sporting (0-0) e foi empatar a zero com o FC Porto ao Dragão.   O FC Porto sofreu dois golos em cada um dos últimos três jogos em, casa para a Liga: perdeu por 2-1 com o Arouca e ganhou in-extremis ao Moreirense (3-2) e ao U. Madeira (3-2). Desde que José Peseiro chegou ao Dragão, os azuis e brancos sofreram golos em quatro dos seis jogos feitos em casa, sendo as exceções as receções ao Marítimo (1-0) e ao Gil Vicente (2-0, este para a Taça de Portugal).   Peseiro, aliás, nunca conseguiu que o FC Porto ganhasse mais de dois jogos seguidos: ao terceiro, tem vindo sempre borrasca. Logo depois das vitórias frente ao Estoril (3-1) e Gil Vicente (3-0), veio a derrota com o Arouca (1-2). Após as vitórias contra o Belenenses (2-1) e outra vez Gil Vicente (2-0), surgiu a derrota em Braga (3-1). Ora neste momento o FC Porto vem de duas vitórias seguidas, contra o U. Madeira (3-2) e o V. Setúbal (1-0).   O Tondela, em contrapartida, só ganhou duas das 15 partidas feitas sob o comando de Petit, que em Dezembro se tornou o terceiro treinador do clube esta época, depois de Vítor Paneira e Rui Bento. Ambas as vitórias de Petit aconteceram em jogos fora: 3-2 ao Rio Ave e 2-1 ao Moreirense. Além desses dois jogos, a equipa de Petit empatou com o Sporting em Alvalade e sacou ainda dois pontos de dois empates em casa, com V. Guimarães e Belenenses.   Nathan Júnior fez golos nas últimas três deslocações do Tondela: marcou de penalti o golo de honra na derrota frente ao Estoril (1-2), repetiu a proeza, outra vez dos onze metros, na vitória em Moreira de Cónegos, e fez o golo do Tondela na derrota com o Benfica na Luz. Se marcar ao FC Porto, torna-se no primeiro jogador do presente campeonato a fazer golos aos três grandes, com a agravante de o fazer sempre nos jogos fora de casa. Até aqui, o máximo que vários jogadores conseguiram foi marcar a dois dos três: Leo Bonatini (Estoril) e Rafael Martins (Moreirense) não marcaram ao FC Porto; Bruno Moreira (P. Ferreira) e Rafa (Sp. Braga) não marcaram ao Benfica; e Iuri Medeiros (Moreirense) não fez golos ao Sporting.   Tondela e FC Porto só se defrontaram uma vez em toda a história: foi a 28 de Novembro de 2015, em Tondela, e os dragões ganharam por 1-0, graças a um golo de Brahimi. Nesse jogo, a equipa da casa falhou um penalti perto do fim: Chamorro permitiu a defesa de Casillas.   Aliás, o Tondela é uma das equipas com mais penaltis a favor na Liga: tem nove, sendo apenas superado por Paços de Ferreira e Sporting, que contam dez. Os beirões, no entanto, converteram apenas cinco, falhando os outros quatro. E tiveram, no ano de estreia na I Divisão, um penalti a favor contra o Sporting e outro contra o FC Porto.   José Peseiro e Petit vão defrontar-se pela primeira vez como treinadores. Antes de assumir o atual clube, o atual técnico do FC Porto treinou pela última vez em Portugal no Sp. Braga, em 2012/13, ano em que Petit começava a carreira de técnico no Boavista, na II Divisão B. Ainda assim, na única vez que levou uma equipa ao Dragão, Petit saiu de lá com um empate: 0-0 com o Boavista, a 21 de Setembro de 2014.
2016-04-03
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Último Passe

O regresso de Julen Lopetegui ao palco cénico do futebol espanhol, por via de uma entrevista à Marca, a falar do Real Madrid e do conhecimento que tem de boa parte do plantel de Zidane, não foi propriamente uma surpresa. O basco tem cartel em Espanha, pelo trabalho que por lá fez, levou o FC Porto aos quartos-de-final da Liga dos Campeões e não há-de ser por não ter sido campeão em Portugal que os espanhóis deixam de considerá-lo. Aliás, em boa verdade, não creio que Lopetegui seja mau treinador: já vi piores a dirigir o Real Madrid, clube ao qual os espanhóis dizem agora que ele pode chegar. É certo que o FC Porto não ganhou nenhuma das duas últimas Ligas nem está bem colocado para ganhar a atual, mas o apuramento de responsabilidades não começa nem acaba no treinador. Se não forem campeões este ano, os dragões vão para o terceiro ano seguido sem ganhar a Liga – e para a segunda série de três anos sem lá chegar desde que Pinto da Costa se sentou na cadeira da presidência. A primeira, de 1999 a 2002, teve como treinadores Fernando Santos, Octávio Machado e José Mourinho, que foi também quem operou a revolução que levou o clube de volta a caminhos ganhadores. Desta vez, Paulo Fonseca e Julen Lopetegui já estão na lista negra, só faltando ver se José Peseiro a continua ou interrompe, mas tal como há década e meia a ideia que fica é a de que os treinadores não foram os mais culpados em dois dos três anos deste série. Há dois anos, Paulo Fonseca, que está a fazer um excelente trabalho em Braga e virá a ser um nome incontornável da nova geração de treinadores portugueses – a par de Marco Silva – teve ao dispor um plantel fraco, demasiado fraco para as aspirações portistas. Não sendo fraco, o grupo deste ano é bastante desequilibrado, com excesso de opções e de concorrência para umas posições e falta de alternativas para outras – e aí alguém na SAD deve ser chamado a dar explicações. Resta justificar a época passada, na qual Lopetegui teve um grupo de luxo, aquele que ainda acho que era o melhor plantel da Liga. E perdeu-a para o Benfica. Não por falta de uma boa ideia de jogo, que isso o FC Porto também tinha. O que faltou ao primeiro FC Porto de Lopetegui foi um treinador com mais conhecimento da realidade nacional e menos soberba, um treinador que não menosprezasse alguns dos quintais e algumas das equipas que jogam a Liga portuguesa e que valorizasse mais aquilo que Vítor Pereira, por exemplo, sempre teve como claro. O “Somos Porto” que o treinador de Espinho tantas vezes repetiu nunca entrou na cabeça do treinador basco e foi por isso que não conseguiu convencer os seus jogadores, por exemplo, que era mais importante ganhar na Choupana ao Nacional depois de o Benfica ter perdido com o Rio Ave em Vila do Conde do que fazer boa figura na eliminatória com o Bayern Munique. O problema de Lopetegui foi ter treinado o FC Porto a pensar que estava no Real Madrid. E nisso os espanhóis são muito práticos: se ele alguma vez treinar o Real Madrid, o problema desaparece.
2016-03-23
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Sérgio Oliveira o autor do golo da vitória do FC Porto frente ao V. Setúbal, no Bonfim (1-0), fez o segundo golo da época, mas o primeiro na corrente Liga, pois até aqui só tinha marcado ao Gil Vicente, na meia-final da Taça de Portugal. Foi a terceira temporada seguida em que marcou um golo aos sadinos, depois de já o ter feito nas vitórias do Paços de Ferreira para a Taça da Liga (2-0, em Janeiro de 2014) e para o campeonato (4-1, em Novembro de 2014).   O resultado valeu ao FC Porto a 27ª vitória seguida sobre o V. Setúbal, em confrontos para todas as competições, a quinta consecutiva sem sofrer sequer um golo. A última vez que os sadinos fizeram um golo ao FC Porto foi em Agosto de 2013, numa derrota por 3-1 em casa após a qual perderam por 3-0, 4-0 e 2-0 no Dragão e por 2-0 e 1-0 no Bonfim. O último jogo em que evitaram a derrota, esse, já tem mais de dez anos: foi um empate a zero no Dragão, em Outubro de 2005. E para se encontrar a última vitória é preciso recuar 50 jogos, até Maio de 1989, quando ganharam por 1-0, ainda nas Antas.   O FC Porto voltou a manter a baliza inviolada num jogo de campeonato, algo que já não lhe acontecia desde a estreia de José Peseiro à frente da equipa, a 24 de Janeiro. Depois desse 1-0 ao Marítimo, os dragões sofreram golos em sete jornadas consecutivas, igualando uma série negra do ponto de vista defensivo que já não conheciam desde Março e Abril de 2007.   Mesmo mantendo a baliza de Casillas a zeros, o FC Porto voltou a ganhar apenas pela margem mínima. Seis das sete vitórias alcançadas pela equipa de José Peseiro na Liga foram por apenas um golo de diferença, constituindo exceção o sucesso por 3-1 no Estoril, a 30 de Janeiro. Além desse, com o novo treinador, os azuis e brancos ganharam por 1-0 ao Marítimo e ao V. Setúbal, por 2-1 ao Benfica e ao Belenenses e por 3-2 ao Moreirense e ao U. Madeira.   Complicada está a vida para o V. Setúbal em termos ofensivos. Os sadinos fizeram o quarto jogo consecutivo sem marcar golos, levando já 391 minutos sem fazer um único. O último que marcaram, a 21 de Fevereiro, valeu um empate a uma bola em casa perante o Nacional, tendo o Vitória depois disso perdido todos os jogos: 3-0 com o Estoril e 1-0 com Moreirense, Arouca e FC Porto.   O V. Setúbal está, ainda assim, a um jogo – e a 125 minutos – da pior série ofensiva da época passada. Então, depois de um 3-0 ao Boavista, para a Taça da Liga, a 4 de Fevereiro de 2015, a equipa sadina esteve cinco jogos sem marcar (0-0 com a Académica, duas vezes 0-3 com o Benfica, 0-1 com o Penafiel e 0-3 com o Nacional), completando 516 minutos sem um golo até ao que foi marcado por Schmidt, a 7 de Março, num empate com o Belenenses (1-1), no Bonfim.   O Vitória completou, além disso, o oitavo jogo seguido sem ganhar. A última vitória obteve-a a 22 de Janeiro, um 2-1 à Académica, para a Liga, no Bonfim. Depois, perdeu com o Rio Ave, empatou com Marítimo, V. Guimarães e Nacional, e perdeu de enfiada com Estoril, Moreirense, Arouca e FC Porto. Além de ser a maior série de jogos sem vitória desta época, a corrente sequência de resultados supera pela negativa a pior da época passada, que foram sete jogos sem ganhar, entre 14 de Março e 7 de Maio.   Para se encontrar algo de tão mau na história do Vitória é preciso recuar a 2011/12, quando a equipa sadina também esteve oito jogos seguidos sem ganhar, entre 2 de Janeiro e 26 de Fevereiro de 2012, sendo o oitavo precisamente contra o FC Porto (1-3 no Bonfim para a Liga) e a série quebrada logo a seguir, em Aveiro, com uma vitória por 3-2 contra o Beira Mar. Pelo caminho, o treinador, Bruno Ribeiro, foi substituído por José Mota.   O FC Porto fechou a 27ª jornada com 61 pontos, menos quatro do que na época passada, na qual estava, por isso mesmo, mais perto do líder – estava a três pontos, enquanto agora está a seis. Os dragões têm, no entanto, mais seis pontos do que em igual fase do campeonato de há dois anos. Mas para se encontrar um FC Porto campeão com tão fraco pecúlio à 27ª jornada é preciso recuar dez anos. Em 2005/06, os dragões tinham 60 pontos em 27 jogos, ganharam seis e empataram um dois sete jogos restantes e ainda chegaram ao título.   O V. Setúbal, por sua vez, segue com 28 pontos, cinco acima da linha de água e mais três do que tinha na época passada por esta altura da competição. Mesmo tendo em conta a quebra da equipa de Janeiro para cá – 22 dos 28 pontos que fez foram conseguidos na primeira volta – este Vitória está a apenas seis pontos da equipa que há duas épocas chegou à 27ª jornada com 34 pontos e acabou a Liga em sétimo lugar, a cheirar uma qualificação europeia.
2016-03-20
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Último Passe

A confirmação de que Sérgio Oliveira é opção válida para o meio-campo foi, juntamente com os três pontos somados, a boa notícia para o FC Porto na noite chuvosa em que venceu o Vitória, em Setúbal, por 1-0, mantendo a distância relativamente ao Sporting e ajudando a pressionar o Benfica. O jovem médio português, aquele que menos contava para Julen Lopetegui, deu dinâmica ao meio-campo dos dragões e fez, com um remate de ressaca à entrada da área, o golo da vitória justa mas nunca brilhante ou tranquila dos dragões. Mesmo contra um Vitória que confirmou ter ficado a perder muito como equipa com as movimentações do mercado de Janeiro. No final do jogo, José Peseiro elogiou a exibição dos seus jogadores, mas a verdade é que não havia ali muito a admirar. O FC Porto mandou no jogo? Sim. Podia ter feito mais golos? Também, é certo, sobretudo na primeira parte, na qual criou três ou quatro situações de perigo para a baliza de Raeder, marcando precisamente na última, quando já cheirava a intervalo e o 0-0 subsistia teimosamente no marcador. Mas nunca exibiu um futebol fluído, nunca foi avassalador, perante um adversário que, quando decidiu subir o bloco, no segundo tempo, também podia ter chegado ao golo, porque meteu a bola na área onde os dragões costumam errar mais: a sua própria. A ideia que ficou foi a de que, causticado por vir com tantos jogos consecutivos sempre a sofrer golos, o FC Porto colocou a tónica na necessidade de evitar desequilíbrios a atacar e que, por via disso, nunca foi tão envolvente como chegou a ser, a espaços, na primeira parte contra o U. Madeira ou em momentos do jogo da Luz, contra o Benfica. Depois, é certo, que há o reverso da medalha: a equipa mostrou-se mais segura defensivamente. Mas nunca matou o jogo contra um Vitória que já não tem nada a ver com a equipa da primeira volta. Até pode acontecer que, mesmo a jogar como está a jogar, o FC Porto ganhe os oito jogos que lhe faltam para acabar a época – sete na Liga e a final da Taça de Portugal, contra o Sp. Braga. Se o fizer, o final de época acabará por ser feliz, fazendo desaparecer da cabeça dos adeptos boa parte das dúvidas que ali se instalaram quando de lá saiu o alívio por ver Lopetegui ir embora. Se o conseguir, Peseiro pode finalmente ter o tempo para trabalhar que tem reclamado ultimamente, equilibrar um plantel que foi feito para outro futebol e que também não ficou a ganhar nada com os ajustes feitos em andamento. Para já, no entanto, tudo o que Peseiro vai ter são duas semanas, fruto da interrupção para os compromissos das seleções nacionais. E bem precisa de as aproveitar para consolidar as ideias que tem tentado transmitir aos jogadores.
2016-03-20
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O FC Porto desloca-se a Setúbal, onde defrontará o Vitória num jogo fundamental para, utilizando a expressão de José Peseiro após a última partida, continuar “vivo” na Liga. Fá-lo frente à equipa que tem sido o seu mais habitual “freguês” dos últimos tempos: contabilizando todas as provas, os dragões seguem com 26 vitórias seguidas sobre o V. Setúbal, série sem igual com qualquer outra equipa do primeiro escalão. A última vez que o V. Setúbal defrontou o FC Porto sem perder já foi há mais de dez anos, a 29 de Outubro de 2005. Nessa noite, uma equipa comandada por Luís Norton de Matos, na qual jogava o agora internacional José Fonte, foi empatar ao Dragão (0-0) com o FC Porto de Co Adriaanse, onde alinharam Pepe e Quaresma, por exemplo. E mesmo olhando mais para trás o panorama não melhora muito para os sadinos, que obtiveram apenas dois empates nos últimos 40 jogos entre as duas equipas e não ganham aos dragões desde 7 de Maio de 1989. Foi há quase 27 anos que um golo de Aparício deu a uma equipa liderada por Manuel Fernandes uma vitória por 1-0 nas Antas face ao FC Porto de Artur Jorge. No Bonfim, então, a última vez que o V. Setúbal ganhou ao FC Porto foi em Março de 1983: Manuel de Oliveira levou o Vitória a ganhar por 3-1 ao FC Porto de José Maria Pedroto. A superioridade azul e branca tem sido marcadíssima nos últimos tempos. Há quase três anos que o V. Setúbal não marca sequer um golo neste confronto: o último marcou-o Rafael Martins na ronda de abertura do campeonato de 2013/14, num jogo que o FC Porto acabou por ganhar por 3-1. Desde esse dia 18 de Agosto de 2013, o FC Porto ganhou por 3-0, 4-0 e 2-0 no Dragão e por 2-0 no Bonfim. As 26 vitórias consecutivas do FC Porto contra o V. Setúbal, que incluem uma final da Taça de Portugal (1-0, golo de Adriano) e a Supertaça que se lhe seguiu (3-0, marcados por Adriano, Anderson e Vieirinha) não têm sequer comparação próxima com qualquer outro adversário do atual primeiro escalão. A seguir aos sadinos, o adversário mais dócil para o FC Porto é o Paços de Ferreira, contra o qual os dragões levam sete sucessos de enfiada.   José Peseiro, treinador do FC Porto, e Quim Machado, do V. Setúbal, nunca se defrontaram como treinadores. As equipas do atual técnico sadino nunca ganharam nem fizeram um único golo ao FC Porto, ainda que ele já tenha levado o Feirense a empatar com os dragões (0-0 com o Feirense, em Aveiro, em Setembro de 2011) no único jogo que não fez como visitante. Depois disso, perdeu por duas vezes no Porto: 0-2 com o Feirense e com o V. Setúbal. Peseiro, por sua vez, ganhou na última vez que levou uma equipa a Setúbal: 1-0 com o Braga, em Maio de 2013. Mas antes tinha ali perdido com o Sporting (2-0, em Setembro de 2004) e empatado duas vezes com o Nacional (2-2 em Março de 2003 e Abril de 2001).   O V. Setúbal não faz um golo no campeonato há 301 minutos, equivalentes a três jogos a zero (0-3 no Estoril, 0-1 com o Moreirense e 0-1 em Arouca) e ao período após o golo de André Claro no empate caseiro com o Nacional (1-1), a 21 de Fevereiro.   Além disso, o FC Porto vai em sete jogos seguidos sempre a sofrer golos para o campeonato. A última vez que manteve a baliza a zeros foi na estreia de Peseiro, em que ganhou por 1-0 ao Marítimo. Depois, bateu o Estoril por 3-1, perdeu com o Arouca por 2-1, ganhou ao Benfica por 2-1, ao Moreirense por 3-2, ao Belenenses por 2-1, perdeu com o Sp. Braga por 3-1 e ganhou ao U. Madeira por 3-2. Foi a primeira série de sete jornadas seguidas do FC Porto a sofrer golos desde Março e Abril de 2007, mas se sofrerem pelo menos um golo em Setúbal a sequência aumenta para oito partidas, que os azuis-e-brancos já não conhecem desde 1978/79. Há quase 40 anos, portanto.   Ao todo, os sadinos não ganham há sete jogos, mais precisamente desde o 2-1 em casa à Académica, a 22 de Janeiro. Depois disso empataram com Marítimo (1-1), V. Guimarães (2-2) e Nacional (1-1) e perderam com Rio Ave (1-2), Estoril (0-3), Moreirense (0-1) e Arouca (0-1). A presente série de jogos sem ganhar já é, de longe, a pior da época e só encontra paralelo na ponta final da temporada passada, quando a equipa liderada por Bruno Ribeiro esteve também sete jogos sem ganhar, vencendo o oitavo: 2-1 ao Arouca a 17 de Maio de 2015. Suk, atual jogador do FC Porto, fez o primeiro golo sadino nesse jogo.   Lukas Raeder deve regressar à baliza do V. Setúbal, face à indisponibilidade do titular, Ricardo, que está emprestado pelo FC Porto. Será o primeiro jogo do guarda-redes alemão desde a derrota por 4-0 com o Boavista, no Bessa, a 18 de Janeiro.   O portista Herrera estreou-se na Liga portuguesa contra o V. Setúbal, lançado por Paulo Fonseca a 9 minutos do fim da vitória dos dragões no Bonfim, por 3-1, a 18 de Agosto de 2013. 
2016-03-19
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A vitória do FC Porto sobre o U. Madeira (3-2) foi arrancada a ferros pelos dragões, com um golo de Corona perto do final, depois de terem permitido que os madeirenses recuperassem de 2-0 para 2-2. Foi o sétimo jogo de campeonato consecutivo do FC Porto a sofrer golos, que não deixa a baliza a zeros desde o 1-0 ao Marítimo, na estreia de José Peseiro. Desde aí, a equipa portista ganhou por 3-1 ao Estoril, perdeu por 2-1 com o Arouca, ganhou 2-1 ao Benfica, 3-2 ao Moreirense, 2-1 ao Belenenses, perdeu 3-1 com o Sp. Braga e agora bateu por 3-2 o U. Madeira. Para se encontrar uma série defensivamente tão negativa é preciso recuar a Março e Abril de 2007, quando os dragões estiveram as mesmas sete jornadas seguidas a sofrer golos: 2-1 ao Marítimo, 0-1 com o Sporting, 1-1 com o Benfica, 5-1 ao V. Setúbal, 2-1 à Académica, 3-1 ao Belenenses e 1-2 com o Boavista, antes de um 2-0 ao Nacional.   Corona, autor do golo decisivo, já não marcava desde 10 de Janeiro, na última jornada da primeira volta, quando esteve entre os goleadores dos 5-0 ao Boavista, no Bessa. Foi o oitavo golo do ala mexicano esta época, sendo que o FC Porto nunca perdeu com ele a marcar e o pior que lhe sucedeu foi empatar a duas bolas no terreno do Moreirense.   Aboubakar, que abriu o marcado no FC Porto-U. Madeira, voltou a marcar, exatamente um mês depois do seu último golo, que tinha sido obtido a 12 de Fevereiro, frente ao Benfica, na Luz. O golo ao U. Madeira foi o 17º desta época para o camaronês (12º na Liga, aos quais junta três na Liga dos Campeões, um na Taça de Portugal e outro na Taça da Liga), transformando a presente temporada na melhor da carreira do atacante camaronês, que nunca tinha feito mais que os 16 golos obtidos ao serviço do Lorient em 2013/14.   Esta foi apenas a terceira vez que o FC Porto de José Peseiro marcou o primeiro golo de um jogo, em oito jornadas de campeonato. Já o tinha conseguido no 1-0 ao Marítimo e no 2-1 ao Belenenses. Nos outros cinco jogos, começou sempre em desvantagem: no 3-1 ao Estoril, no 1-2 com o Arouca, no 2-1 ao Benfica, no 3-2 ao Moreirense e no 1-3 com o Sp. Braga.   Herrera autor do segundo golo do FC Porto, também marcou pela primeira vez desde o jogo com o Benfica, há exatamente um mês, a 12 de Fevereiro. O mexicano igualou o total de golos da época passada – sete – mas em menos 16 jogos – de 46 para 30. Os sete golos desta época foram todos na Liga portuguesa, enquanto que na temporada anterior o médio mexicano tinha conseguido quatro na Champions.   Danilo Dias, autor dos dois golos do U. Madeira, foi o autor de todos os golos da equipa insular desde a vitória por 3-0 sobre o Nacional, a 23 de Janeiro. Depois disso, já tinha sido ele a marcar na derrota em Guimarães (1-3) e no empate em casa com o Estoril (1-1).   Foi o terceiro jogo consecutivo de campeonato em que o FC Porto sofre dois golos no Dragão, pois antes tinha ganho por 3-2 ao Moreirense e perdido por 2-1 com o Arouca. Em três jogos, o FC Porto sofreu o dobro dos golos no Dragão que tinha sofrido nos dez anteriores (três, marcados por Paços de Ferreira, Académica e Rio Ave). E o dobro dos que ali sofreu em todo o campeonato passado (também três, dois do Benfica e um do Sp. Braga).   Contando todas as competições, o U. Madeira não ganha há sete jogos. A mais longa série de partidas sem vitória dos madeirenses teve início logo após a vitória sobre o Nacional, por 3-0, a 23 de Janeiro e engloba cinco derrotas (V. Guimarães, Moreirense, Arouca, Benfica e FC Porto) e dois empates (Estoril e Belenenses). O União, que esta época já tinha duas sequências de seis jogos sem ganhar, não deixava que elas se alargassem a um sétimo desde Março e Abril de 2013, quando esteve sem vencer entre a 31ª e a 37ª ronda da II Liga.   Com a vitória frente ao U. Madeira, o FC Porto chegou aos 58 pontos, menos quatro do que na época passada. Há dois anos, porém, os dragões estavam pior, com apenas 52 pontos, tendo acabado essa época no terceiro lugar. Já os 23 golos sofridos nas primeiras 26 jornadas de campeonato são um recorde negativo desde os 28 que a equipa de Otávio Machado e depois José Mourinho tinha encaixado em 2001/02.
2016-03-15
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Último Passe

Um golo de Corona, a aproveitar nos últimos minutos a acumulação de gente na área por parte do FC Porto para tabelar com Suk antes de rematar com potência e colocação para o fundo das redes, manteve a equipa de José Peseiro viva na Liga, porque permitiu a dramática vitória por 3-2 sobre o U. Madeira. Naquela altura, já poucos dos adeptos presentes no Dragão acreditariam no sucesso que parecia inevitável quando a equipa chegou aos 2-0, a abrir a segunda parte. Mas aí revelou-se a propensão recente deste FC Porto para a reanimação de adversários moribundos, com dois erros seguidos a permitirem os golos de Danilo Dias que quase tiravam dois pontos de que a equipa azul e branca estava tão necessitada. No fim do jogo, Peseiro reforçou duas ideias recorrentes. A de que as constantes lesões e castigos tiram consistência à equipa, que se vê constantemente forçada a mudar e por isso não assimila os processos, e a de que, apesar de tudo, a equipa está viva, que a falta de consistência ainda não a matou. Contra o U. Madeira, porém, obrigou-a a trabalhos forçados, depois de uma primeira parte com bom futebol – ainda que não isenta de erros defensivos. Sem os dois centrais titulares – os dois que restam no plantel – Peseiro compôs a charneira central do setor mais recuado com Chidozie, uma vez mais requisitado à equipa B, e Layun, desviado da esquerda, para onde entrou José Angel. Depois, como além de Marcano e Indi faltavam também Danilo e André André, o treinador chamou Ruben Neves e Sérgio Oliveira, tendo este sido dos melhores num primeiro tempo com movimentos ofensivos de qualidade. Foi dele, aliás, o passe de rotura que Maxi Pereira aproveitou para oferecer o primeiro golo a Aboubakar, também ele regressado à titularidade. Acontece que aos tais movimentos ofensivos de qualidade, o FC Porto continua a somar a tal inconsistência defensiva preocupante, que se deve à constante necessidade de fazer mudanças, com disse Peseiro, mas também a uma escassez de alternativas de qualidade no plantel que, por uma questão de solidariedade institucional com a administração, o treinador não reconheceu. Miguel Cardoso falhou o empate ainda na primeira parte, num lance em que teve tudo para o fazer, e como Hererra, num belo remate em arco que foi o momento da noite, fez o 2-0 logo a abrir o segundo tempo, a questão do resultado parecia resolvida. Só que aí voltou a entrar a inconsistência defensiva deste FC Porto, em dois erros seguidos que deram dois golos a Danilo Dias, entretanto lançado por Norton de Matos no jogo. Com pouco mais de 20 minutos para o fim, o FC Porto apertou na frente, passando a jogar com dois pontas-de-lança, fruto da junção de Suk (que entrou para o lugar de Ruben Neves) a Aboubakar. Só que isso deixava espaço atrás e a ideia que ficou foi a de que os jogadores do U. Madeira ainda sonharam com a reviravolta completa num terceiro golo em contra-ataque. Acabou por ser o FC Porto a marcar, no tal lance de Corona, alcançando uma vitória tão justa como sofrida que, sendo verdade que mantém a equipa viva na Liga – a quatro pontos do Sporting e três do Benfica, que só joga na segunda-feira – não faz augurar nada de bom para os jogos que aí vêm.
2016-03-13
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Stats

O FC Porto enfrenta mais um jogo sem Marcano, o mais estável dos seus defesas-centrais, e isso, somado à ausência de Martins-Indi, deverá obrigar José Peseiro a proceder à adaptação de Layun ao centro, onde jogará ao lado do jovem Chidozie. A ausência de Marcano, que está lesionado, não tem sido boa notícia para os dragões, que sem ele em jogos  de grau de exigência médio ou alto sofrem sempre pelo menos um golo. Caso para dizer que em sete testes sem o espanhol, a defesa do FC Porto chumbou sempre. Entre campeonato, Liga dos Campeões e Liga Europa – os jogos de maior exigência – os dragões sofreram golos nos sete jogos que fizeram sem o defesa central espanhol, ainda que tenham conseguido ganhar três: 2-1 ao Paços de Ferreira, 3-1 à Académica e 2-1 ao Benfica. Além disso, também terão saído satisfeitos com o empate (2-2) frente ao Dynamo, em Kiev, o mesmo já não podendo dizer-se das derrotas encaixadas contra o Sporting (0-2), Arouca (1-2) e Borussia Dortmund (0-2). Além destes sete jogos, Marcano falhou mais cinco, mas contra equipas de segundo escalão, a contar para a Taça da Liga ou a Taça de Portugal. Na Taça da Liga, não esteve nas derrotas frente ao Famalicão (0-1) e Feirense (0-2), tendo a equipa mostrado outro rendimento nas ausências do espanhol em partidas da Taça de Portugal. Aí, mesmo sem ele (e sempre com Helton na baliza), os dragões ganharam ao Varzim (2-0), ao Feirense (1-0) e ao Gil Vicente (2-0).   A deslocação ao Dragão corresponderá ao 200º jogo do U. Madeira na I Divisão, prova em que a equipa se estreou a 19 de Agosto de 1989, com uma derrota por 1-0 frente ao Feirense em Santa Maria da Feira. Até aqui, os insulares ganharam 47 jogos, empataram 61 e perderam 91 dos 199 jogos que fizeram neste escalão, marcando 166 golos e sofrendo 282.   José Peseiro, treinador do FC Porto, tem uma longa história de sucesso na Madeira, onde foi treinador do Nacional. Depois de deixar o Funchal, em 2003, nunca defrontou o U. Madeira, mas tem tido uma baixa taxa de sucesso contra equipas da ilha. Entre Sporting (seis jogos), Sp. Braga (quatro jogos) e FC Porto (um jogo), soma cinco derrotas contra o Nacional (perdeu sempre) e quatro vitórias e duas derrotas contra o Marítimo, a equipa que lhe assinalou a estreia pelos dragões.   Luís Norton de Matos, treinador do U. Madeira, já defrontou o FC Porto por duas vezes e nunca viu as suas equipas marcar um único golo aos dragões. Na única visita ao Dragão, porém, obteve um empate a zero: foi a 29 de Outubro de 2005 que o V. Setúbal comandado por Norton impôs um 0-0 ao FC Porto de Co Adriaanse. Depois disso, já com o U. Madeira, perdeu por 4-0 na Choupana contra o FC Porto de Julen Lopetegui.   O último confronto entre José Peseiro e Luís Norton de Matos foi a 25 de Setembro de 2005 e acabou com uma vitória do Sporting de Peseiro sobre o V. Setúbal de Norton, por 1-0, graças a um golo de Deivid, mas com assobios da bancada de Alvalade quando, a 10 minutos do fim, o então treinador leonino substituiu Liedson por Beto para segurar a vantagem contra um Vitória reduzido a dez, por expulsão do guarda-redes Moretto. Antes, os dois já se tinham defrontado no banco na II Liga de 2001/02: o Nacional de Peseiro ganhou na Choupana ao Sp. Espinho de Norton por 3-1.   O FC Porto de José Peseiro continua sem empatar: soma sete vitórias e cinco derrotas em 12 jogos. Após cada derrota, porém, reagiu sempre com uma vitória. Ganhou ao Estoril depois de perder com o Feirense, ganhou ao Benfica depois de perder com o Arouca e ganhou ao Moreirense e ao Belenenses na sequência das duas derrotas com o Borussia Dortmund. Como vem de uma derrota contra o Sp. Braga, a sequência lógica seria a vitória contra o U. Madeira.   Em casa, no entanto, a equipa de José Peseiro tem sido absolutamente bipolar, nunca tendo ganho dois jogos seguidos. O gráfico de altos e baixos fez-se numa sequência alternada de vitórias e derrotas: ganhou ao Marítimo, perdeu com o Arouca, ganhou ao Moreirense, perdeu com o Borussia Dortmund e ganhou ao Gil Vicente. A sequência lógica seria, portanto, uma derrota contra o U. Madeira.   O U. Madeira, por sua vez, chega ao Dragão com seis jogos seguidos sem ganhar, nos quais obteve dois empates (em casa com Estoril e Belenenses) e quatro derrotas (em casa com o Moreirense e nas deslocações aos terrenos do V. Guimarães, Arouca e Benfica). Foi a segunda sequência de seis jogos sem ganhar do U. Madeira esta época, depois das três derrotas e três empates em Agosto e Setembro, série interrompida com uma vitória por 5-1 face ao Sertanense, a 18 de Outubro, para a Taça de Portugal. O adversário de hoje será um pouco mais difícil.   Marega e José Sá, atuais jogadores do FC Porto, estavam em campo na última vitória do U. Madeira, mas com a camisola do Marítimo. Foi a 16 de Janeiro, que o União ganhou à equipa verde-rubra por 1-0, nos Barreiros, graças a um golo de Cadiz.   Danilo Dias marcou os últimos dois golos do U. Madeira e os únicos que a equipa insular fez nas últimas seis partidas: o primeiro não impediu a derrota em Guimarães (3-1 a 29 de Janeiro), ao passo que o segundo valeu um empate em casa frente ao Estoril (1-1, a 19 de Fevereiro). Danilo até já marcou por mais de uma vez ao Sporting, mas na sua carreira nunca fez um golo ao FC Porto.   Entre os jogadores do União, quem já sabe o que é marcar ao FC Porto é Miguel Fidalgo, avançado lançado por Peseiro no Nacional, em Novembro de 2000, na II Liga. O atacante madeirense já fez três golos aos dragões quando representava o Nacional. Nesses jogos, ganhou dois (4-0 no Dragão, em Março de 2005, e 2-1 na Choupana em Janeiro de 2009), tendo perdido o outro (4-2, também em Janeiro de 2009).   O U. Madeira nunca ganhou ao FC Porto e o máximo que conseguiu em 13 jogos contra os dragões foram dois empates, ambos no Funchal: 2-2 em Abril de 1992 e 0-0 em Fevereiro de 1995. Quando visitou o FC Porto (uma vez no Dragão e seis nas Antas) perdeu sempre, sofreu pelo menos três golos nas últimas cinco visitas e só por duas vezes marcou, no 4-1 de 1994 e no 3-1 de 2015.
2016-03-12
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Último Passe

O Sporting vai entrar no dérbi de sábado, contra o Benfica, em primeiro lugar da Liga, como realçava William Carvalho aos adeptos no final do empate com o Vitória em Guimarães (0-0), mas viu a vantagem sobre o principal rival reduzida para apenas um ponto, pois minutos antes os encarnados venceram com naturalidade o U. Madeira por 2-0 na Luz. Aquece o dérbi, fruto de mais uma clara demonstração de que o Benfica é uma equipa de golo fácil – marcou no primeiro remate que fez e tornou desde logo o jogo mais simples – e de uma noite perfeita de Miguel Silva, o guarda-redes do Vitória, que tirou dois golos cantados a Ruiz e outro a Slimani. Tudo a contribuir para que no dérbi de sábado o empate não sirva a ninguém. Com o dérbi no pensamento, Rui Vitória pôde optar por deixar de fora André Almeida e Renato Sanches, dois dos três jogadores que estavam à beira da suspensão, arriscando apenas Jardel. Em Guimarães, Jorge Jesus fez ao contrário: entrou com os jogadores que estavam tapados, perdeu mesmo Ruben Semedo, que viu o quinto amarelo na Liga, mas antes do final do jogo acabou por retirar de campo Slimani, claramente a meter menos de si próprio em cada bola dividida por receio de um incidente que o retirasse do dérbi. Jesus não o fez para o poupar, no entanto. Fê-lo para tentar ganhar o jogo, mesmo que por essa altura o Vitória já estivesse com um homem a menos, por expulsão de Josué. Entrou Barcos, com antes tinham entrado Téo Guitièrrez e Aquilani, todos com a mesma ideia. Quanto aos jogos, o Benfica acabou por navegar com tranquilidade até um 2-0 nascido de mais dois golos de Jonas, um em cada parte. Podia ter marcado mais, mas parece que nunca teve de se esforçar verdadeiramente por isso, tanta foi a superioridade que demonstrou num desafio sem grande história. Em Guimarães, Rui Patrício até foi o primeiro guarda-redes a ter de se empenhar, para deter um remate cruzado de Licá. Mas daí até final foi sempre o Sporting a ter as melhores ocasiões para marcar, vendo Miguel Silva assinar um punhado de manchas de grande qualidade, a impedir Slimani e Ruiz – este por pelo menos duas vezes – de fazer o golo que permitiria aos leões manter o avanço na entrada para o dérbi. Certo é que, com os resultados de hoje, o dérbi de sábado passou a ter ainda outro interessado: o FC Porto. Já a quatro pontos da liderança, os dragões podem beneficiar do que vier a suceder em Alvalade para reentrarem de forma direta na luta pelo título, até por ainda receberem o Sporting em casa, na antepenúltima jornada da competição. E, mesmo que desvalorize o facto de ter agora um só ponto de avanço, lembrando que quem está atrás é que tem de se preocupar, Jesus sabe que, ao contrário do que fez no jogo do título da época passada, tem de entrar no dérbi para ganhar, tão complicado se lhe apresenta o calendário na ponta final.
2016-02-29
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O FC Porto ganhou ao Belenenses, por 2-1, no Restelo, obtendo a terceira vitória seguida na Liga em jogos fora de casa, pois vinha de sucessos ante o Estoril (3-1) e o Benfica (2-1). É a segunda série da três vitórias fora esta temporada, pois já em Novembro e Dezembro a equipa azul e branca tinha batido Tondela (1-0), U. Madeira (4-0) e Nacional (2-1).   Esta foi também a terceira vitória seguida dos dragões na zona de Lisboa, onde antes do sucesso no Estoril já não ganhavam há mais de três anos. De repente, ganharam no Estoril (3-1), na Luz ao Benfica (2-1) e agora no Restelo ao Belenenses (2-1).   O Belenenses, em contrapartida, sofreu a terceira derrota consecutiva no Restelo: 0-5 com o Benfica, 0-2 com o Arouca e agora 1-2 com o FC Porto. A equipa de Julio Velásquez não ganha em casa em jogos da Liga desde 21 de Dezembro, quando ali bateu o Boavista, por 1-0, tendo entretanto empatado com o Nacional (2-2) e o V. Guimarães (3-3) e perdido os referidos jogos com Benfica, Arouca e FC Porto. Igualou a série de cinco jogos sem ganhar no Restelo que tinha feito entre o final da época passada e o início da atual (0-2 com o Benfica, 1-3 com o Rio Ave, 1-1 com o FC Porto, 3-3 com o Rio Ave e 1-1 com o Marítimo). Mas para se encontrarem três derrotas seguidas em casa é preciso recuar ao período entre Janeiro e Março de 2010, quando cinco derrotas consecutivas no Restelo atiraram com a equipa para a II Liga.   Foi o sexto jogo consecutivo do FC Porto a sofrer golos, que não mantém a baliza a zeros desde os 3-0 ao Gil Vicente, a 3 de Fevereiro: 1-2 com o Arouca, 2-1 ao Benfica, 0-2 com o Borussia Dortmund, 3-2 ao Moreirense, 0-1 na segunda mão com o Borussia Dortmund, 3-2 ao Moreirense e agora 2-1 ao Belenenses. Os dragões ultrapassaram as duas piores sequências da época passada, ambas de cinco golos seguidos a sofrer golos, a primeira entre 26 de Setembro de 2014 e 21 de Outubro de 2014 e a segunda entre 13 e 28 de Janeiro de 2015. Para se encontrarem seis jogos seguidos do FC Porto a sofrer golos é preciso recuar ao período pré-Lopetegui, aos jogos entre 16 de Fevereiro e 9 de Março de 2014.   Contabilizando apenas a Liga, a última equipa a não marcar ao FC Porto foi o Marítimo, que a 24 de Janeiro perdeu no Dragão por 1-0. Depois disso, Estoril (3-1), Arouca (1-2), Benfica (2-1), Moreirense (3-2) e Belenenses (2-1) fizeram todos golos a Casillas. Esta é a segunda vez esta época que os dragões sofrem golos em cinco jornadas seguidas, pois já lhes tinha acontecido entre 5 de Dezembro e 6 de Janeiro, quando defrontaram Paços de Ferreira (2-1), Nacional (2-1), Académica (3-1), Sporting (0-2) e Rio Ave (1-1).   Brahimi fez o sétimo golo da época, o quinto seguido fora de casa, depois de marcar a Tondela, U. Madeira, Nacional e Boavista. Marcou também pela segunda vez consecutiva ao Belenenses, pois já tinha estado entre os goleadores nos 4-0 no Dragão, na primeira volta.   Em contrapartida, Juanto Ortuño marcou pela quarta vez desde que chegou ao Belenenses, vindo do Llagostera, no mercado de Janeiro, e todas foram no Restelo. O espanhol já tinha marcado no empate (3-3) com o V. Guimarães e na vitória (4-0) frente ao Leixões, na Taça da Liga.   Tonel fez o primeiro autogolo desde o seu jogo de estreia na I Divisão, a 31 de Agosto de 2002. Na altura jogava na Académica e o beneficiado foi o Sporting, num jogo na Figueira da Foz que acabou com vitória dos leões por 2-0.   Foi o segundo autogolo de que o FC Porto beneficiou esta época. Ainda que no relatório desse jogo o árbitro tenha atribuído o golo a André André, o anterior tinha sido marcado por Salin, no Dragão, no desafio em que os dragões venceram o Marítimo por 1-0. Antes disso, o FC Porto não beneficiava de um autogolo na Liga desde que tinha empatado a uma bola com o Sporting em Alvalade, a 26 de Setembro de 2014, graças a um golo na própria baliza de Sarr.   Com a vitória no Restelo, o FC Porto chegou aos 55 pontos, menos três do que os que tinha em 24 jornadas em 2014/15, mas mais seis do que aqueles que contava em 2013/14. Nessas duas épocas, no entanto, os dragões não foram campeões. Para se encontrar um FC Porto campeão com menos pontos do que este há que recuar a 2008/09, quando a equipa de Jesualdo Ferreira chegou à 24ª ronda com 54 pontos e mesmo assim foi campeã, fazendo mais 16 (cinco vitórias e um empate) nas que faltavam até final. A diferença é que, mesmo com 54 pontos, esse FC Porto liderava a prova com quatro pontos de avanço do segundo, que era o Sporting.   O Belenenses continua a ter a pior defesa do campeonato, com 52 golos sofridos em 24 jornadas. Há doze anos que não se via uma equipa tão permeável na Liga portuguesa: a última a chegar à 24ª partida com tantos golos sofridos foi o E. Amadora de 2003/04 (exatamente os mesmos 52 golos em 24 jogos, mas apenas 13 pontos e um último lugar, face aos 28 que deixam os azuis a meio da tabela). 
2016-02-29
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Último Passe

A aproximação positiva de Julio Velásquez ao jogo, que tinha sido um problema no jogo com o Benfica, perdido com goleada (0-5), foi a chave para explicar as dificuldades que o FC Porto sentiu para vencer o Belenenses no Restelo. As dificuldades sentidas pelos dragões para ganhar nasceram na capacidade que os azuis tiveram para construir futebol durante a segunda parte, mesmo estando a perder por dois golos de diferença desde bastante cedo, fruto daquele que é o maior problema desta equipa: a deficiência dos seus comportamentos defensivos. Nessa altura valeu à equipa portista ter sido capaz de aguentar a pressão. José Peseiro apareceu com André André e Herrera a fazer companhia a Danilo no meio-campo, parecendo querer apostar num jogo de iniciativa e posse: o facto de ter escolhido Brahimi e Corona já o indiciava, mas foi a aposta em Suk para a posição de Aboubakar que o denunciou. Do outro lado, Velásquez também foi menos atrevido do que contra o Benfica, procurando manter algum equilíbrio atrás. Mas foram dois lances em que esses equilíbrios falharam a encaminhar o jogo para as cores do dragão. Primeiro, num movimento interior de Brahimi, com José Angel a abrir na faixa lateral, Tonel ficou nas covas, deixando que o extremo portista aparecesse para concluir à vontade uma segunda bola nascida de uma dividida entre Gonçalo e Suk. Depois, numa boa combinação do ataque portista na direita, o cruzamento de Maxi originou um gesto técnico imperfeito de Tonel, que cortou a bola para dentro da sua própria baliza. Com 2-0 aos 19 minutos, o jogo parecia resolvido. O Belenenses, no entanto, não desistiu. Carlos Martins estava num bom dia, criativo e dinâmico como José Peseiro se lembra dele dos tempos no Sporting ou Jesus o teve depois, no Benfica. Foi dos pés dele que saiu a primeira situação a dizer que o jogo não estava fechado: um livre ao poste, ainda na primeira parte. No segundo tempo, com Miguel Rosa em vez de Tonel e Ruben Pinto a baixar para defesa-central – a tal ousadia que se revelou suicida contra o Benfica – o Belenenses foi à procura do empate. Marcou, por Ortuño, após um cruzamento de André Geraldes, e forçou o FC Porto a uma segunda parte de incerteza, na qual Casillas teve de responder presente por mais de uma vez. Peseiro foi direcionando a equipa mais para o ataque rápido, com as entradas de Marega e Varela, mas acabou por ter na segurança atrás a garantia da vitória que lhe permite manter a pressão sobre Benfica e Sporting.
2016-02-28
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Último Passe

O FC Porto despediu-se da Liga Europa, somando a quarta derrota internacional consecutiva, todas sem marcar golos: desta vez foi batido por 1-0 pelo Borussia Dortmund. Os alemães, que já tinham ganho por 2-0 no Westfalen Stadion, mataram cedo a eliminatória, com um autogolo de Casillas, aos 23’, fazendo com que as únicas notas a compensar a frustração portista tenham sido os factos de a expectativa de apuramento já não ser muito elevada e de esta ser já encarada como uma época de transição pós-Lopetegui. Restam ao FC Porto a presença quase certa na final da Taça de Portugal e a esperança de que Sporting e Benfica se atrapalhem mutuamente nas próximas semanas, de forma a que os dragões possam voltar a acreditar mais na hipótese de recuperarem o título de campeões nacionais que já lhes escapa desde 2013. Ante a difícil missão que era ganhar pelo menos por dois golos ao Borussia Dortmund, Peseiro só surpreendeu verdadeiramente nas escolhas de Varela e Evandro em detrimento de Brahimi e Hererra. A primeira opção explica-se com a vontade de, com Varela e Marega perto de Aboubakar, ser mais direto nos últimos metros. A segunda com uma melhor chegada do brasileiro à área. De resto, foi normal a adaptação de Layun a defesa-central, porque assim foi possível manter Danilo a meio-campo. E Danilo foi, com Evandro, um dos melhores do FC Porto no jogo. O problema é que, com o desafio equilibrado, o FC Porto cometeu o já habitual erro em transição defensiva, permitindo que o Borussia Dortmund chegasse em cinco contra três à área (ver imagem). Casillas ainda parou o primeiro remate, de Reus, mas já não pôde fazer nada na recarga de Aubameyang: acabou por ser ele, aliás, a introduzi-la na baliza, quando ela vinha da barra, tornando a missão portista ainda mais impossível. Eram precisos quatro golos para seguir em frente. Depois de absorver o impacto, o FC Porto ainda foi à procura de golos. Evandro, numa boa iniciativa, falhou por pouco o alvo, aos 41’. Varela, de cabeça, obrigou Bürki a grande defesa, dois minutos depois. Aboubakar, de calcanhar, contou mais uma vez com a oposição de qualidade do guardião suíço, mas aí, aos 55’, acabou verdadeiramente a esperança portista. Suk, que substituiu o ponta-de-lança camaronês logo depois desse lance, ainda tentou mostrar serviço, mas o Borussia, que até já tinha retirado de campo Gundogan e Hümmels, passou a controlar a partida sem problemas. Até final, tirando um remate de Brahimi à barra e outro de Mkitharyan ao poste, pouco mais se viu, confirmando a superioridade global da equipa alemã. A eliminatória, na verdade, foi perdida na primeira mão, que o FC Porto encarou com os desequilíbrios só possíveis num plantel onde falta mais gente atrás para qualquer eventualidade.
2016-02-25
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O FC Porto enfrenta uma tarefa ciclópica, se quer continuar em prova na Liga Europa. A derrota por 2-0 em Dortmund, na primeira mão dos 16 avos de final da competição, deixa a equipa portista em muito má situação e exige uma reviravolta sem precedentes no seu historial europeu. Na verdade, nas onze ocasiões em que entrou numa segunda mão de uma eliminatória europeia com dois ou mais golos de desvantagem, o FC Porto foi sempre eliminado. Há outra tendência interessante, que se reflete no facto de os dragões terem ganho a maioria desses segundos jogos – sete em onze – e de nunca o terem perdido. Isso pode querer dizer uma de duas coisas: ou um assomo de orgulho da equipa azul e branca, ou um desinvestimento dos opositores, já demasiado confiantes no resultado que trazem dos seus estádios. Ainda assim, é curioso que dois dos quatro adversários que não perderam a segunda mão tenham sido as duas últimas equipas a chegar ao Porto com vantagem confortável: o Manchester United, que empatou sem golos nas Antas em 1996/97 depois de ter ganho em Old Trafford por 4-0; e o Tottenham, que em 1991/92 também saiu das Antas com um 0-0 depois de ter vencido a primeira mão em Londres por 3-1. Curioso é, também, que nos últimos 25 anos estas tenham sido as duas únicas situações em que o FC Porto entrou numa segunda mão com pelo menos dois golos de desvantagem. A maioria destas situações são mais antigas, o que reflete o crescimento europeu recente do FC Porto e o facto de os dragões estarem sobretudo na Liga dos Campeões, que se joga por grupos e só mais à frente a eliminar. No histórico, verifica-se que a primeira vez que tal sucedeu ao FC Porto foi com uma equipa alemã, o Hannover, que ganhou a primeira mão em casa por 5-0 e depois foi batido nas Antas por 2-1 (1965/66). Seguiram-se o Hibernian (3-0 seguido de 3-1 para o FC Porto, em 1967/68), o Nantes (2-0 e 1-1, em 1971/72), o Hamburger (2-0 e 2-1, em 1975/76), o AEK Atenas (6-1 e 4-1 em 1978/79), o Standard Liège (2-0 e 2-2 em 1981/82), o Anderlecht (4-0 e 3-2 em 1982/83), o Barcelona (2-0 e 3-1 em 1985/86) e o PSV Eindhoven (5-0 e 2-0, em 1988/89), além dos dois casos mais recentes e já citados.   O FC Porto perdeu as três últimas partidas europeias, todas pelo mesmo resultado: 0-2. Viu-se impedido de seguir para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões por ter sido batido nas duas últimas jornadas da fase de grupos por Dynamo Kiev (2-0, no Dragão) e Chelsea (2-0, em Londres) e foi agora superado pelo Borussia Dortmund, na primeira mão dos 16 avos de final da Liga Europa pelo mesmo resultado.   Se perder um quarto jogo, na segunda mão da eliminatória com a equipa alemã, o FC Porto continua no caminho que pode levá-lo a repetir uma sequência negativa que não conhece desde a estreia nas competições da UEFA, nos anos 50 e 60. Nessa altura perdeu cinco jogos consecutivos: 1-2 e 2-3 com o Athletic Bilbau em 1956/57; 1-2 e 0-2 com o Ruda Hzvezda em 1959/60 e 1-2 com o Dynamo Zagreb em 1962/63. A série foi interrompida com um 0-0 em casa face aos jugoslavos.   O Borussia Dortmund não perdeu nenhum jogo desde a interrupção de Inverno do futebol alemão, somando seis vitórias e um empate (0-0 com o Hertha). Já foi quatro vezes batido fora de casa esta época (Bayern, Hamburger, Krasnodar e Koln), mas só um desses resultados chegaria para o afastar da Liga Europa neste momento: os 5-1 em Munique, a 4 de Outubro.   A derrota do FC Porto no Dragão com o Dynamo Kiev, em Novembro (0-2), veio interromper uma série de 12 jogos sem derrotas em casa nas competições europeias. A última equipa estrangeira a ganhar no Dragão tinha sido o Zenit, que ali se impôs por 1-0 em Outubro de 2013.   É a segunda vez que José Peseiro recebe uma equipa da Alemanha. Já lhe aconteceu em 2008/09, quando empatou em casa com o Wolfsburg aos comandos do Rapid Bucareste (1-1), depois de ter perdido na Alemanha por 1-0.   Borussia Dortmund e FC Porto só se defrontaram uma vez nas competições europeias: foi há uma semana, com vitória dos alemães por 2-0. Até aqui, os alemães ganharam sempre que defrontaram equipas portuguesas no seu estádio, mas perderam todos os jogos feitos em Portugal: 2-1 com o Benfica em 1963/64, 1-0 com o Boavista em 1999/00 e 2-1 com o mesmo Boavista em 2001/02. Por sua vez, o FC Porto ganhou nove das 15 jogos com alemães nas Antas e no Dragão: o último a evitar ali a derrota foi o Eintracht Frankfurt, que empatou ali a duas bolas, em Fevereiro de 2014.
2016-02-24
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A vitória do FC Porto frente ao Moreirense foi a terceira reviravolta dos dragões em oito jogos desde a chegada de José Peseiro: antes de virar este jogo de 0-2 para 3-2, o FC Porto já tinha ganho depois de começar a perder frente ao Estoril (fora, de 0-1 para 3-1) e ao Benfica (fora, de 0-1 para 2-1). Em ano e meio com Julen Lopetegui, só por uma vez a equipa azul e branca virou um resultado. Foi esta época, contra o Paços de Ferreira, no Dragão: esteve a perder por 1-0 e ganhou por 2-1.   A reviravolta contra o Moreirense teve ainda outra particularidade: foi a primeira que o FC Porto conseguiu na Liga depois de estar a perder por dois golos de diferença desde 1976. Agora, partiu de um 0-2 para acabar por ganhar por 3-2, da mesma forma que em Maio de 1976, na jornada de encerramento do campeonato – que o Benfica ganhou – virou o jogo frente aos encarnados na Luz. Toni e Vítor Batista tinham colocado o Benfica a ganhar por 2-0 à meia-hora, mas na segunda parte os suplentes Ademir e Júlio (este bisou) fizeram o 3-2 final.   A razão primeira para o FC Porto estar a virar resultados é que sofre golos cedo nos jogos. Nos oito jogos com Peseiro aos comandos, o FC Porto só não sofreu golos por duas vezes – Marítimo, em casa, na Liga, e Gil Vicente, fora, na Taça de Portugal. Nos seis em que sofreu golos, esteve sempre em desvantagem. Ganhou três (Estoril, Benfica e Moreirense) e perdeu os outros três (Feirense, Arouca e Borussia Dortmund).   Ao fazer dois golos no Dragão, o Moreirense alargou para onze o total de jogos em que faz golos fora de casa. Todos desde a derrota por 2-0 frente ao Belenenses, no Restelo, a 21 de Setembro. É a maior série do clube de Moreira de Cónegos se contarmos apenas as épocas em que esteve na I Divisão. E supera os dez jogos que conseguira entre Março e Setembro de 1997, entre a II Divisão de Honra e a Taça de Portugal dessas duas épocas.   Iuri Medeiros, autor do primeiro golo do Moreirense ao FC Porto, já tinha marcado aos dragões na primeira volta (2-2) e ao Benfica nos dois jogos contra os encarnados em casa (1-6 na Taça da Liga e 1-4 na Liga). Como não joga contra o Sporting, por ser emprestado pelos leões, vai com quatro jogos seguidos a marcar aos grandes, desde que ficou em branco na derrota por 3-2 frente ao Benfica na Luz, em Agosto.   Fábio Espinho, autor do segundo golo do Moreirense, marcou pela primeira vez na Liga portuguesa desde Maio de 2013, antes de trocar os cónegos pelo Ludogorets. Na altura marcou ao Sp. Braga, mas o Moreirense também acabou por perder esse jogo por 3-2.   Layun voltou a fazer um golo e uma assistência num jogo do FC Porto, repetindo o que conseguira frente ao V. Setúbal, partida na qual assistiu Aboubakar para o primeiro e marcou ele próprio o segundo tento de uma vitória por 2-0. Com o cruzamento para o golo de Suk, o mexicano ganhou ainda mais vantagem sobre os benfiquistas Gaitán e Jonas na lista dos melhores assistentes da Liga: tem agora 15 passes para golo, contra nove dos rivais.   Suk marcou o segundo golo com a camisola do FC Porto, mas o primeiro na Liga, uma vez que se estreara a marcar na Taça de Portugal, contra o Gil Vicente. Nos quatro jogos em que foi titular, só não marcou ao Feirense e ao Famalicão, na Taça da Liga, nas primeiras vezes que começou de início pelos dragões, que nessas noites apresentaram equipas alternativas.   Evandro, que fez o golo da vitória do FC Porto, ainda não tinha marcado esta época. O último golo fizera-o na Taça da Liga, a 2 de Abril do ano passado, na noite em que o FC Porto foi eliminado pelo Marítimo (1-2, nos Barreiros). Na Liga não marcava há mais de um ano, desde 10 de Janeiro de 2015, quando saiu do banco a 20 minutos do fim e estabeleceu o 3-0 final ao Belenenses já em período de descontos.   Os 52 pontos que o FC Porto passou a somar após 23 jornadas são o pior pecúlio acumulado pelos portistas nesta ronda do campeonato desde 2013/14, quando aqui chegaram com apenas 46. Mas nesse ano não foram campeões. Para encontrar um FC Porto campeão com tão poucos pontos à 23ª jornada há que recuar até 2008/09, quando a equipa de Jesualdo Ferreira somava apenas 51… mas mesmo assim liderava, com quatro pontos de avanço do Sporting.
2016-02-23
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Alguns amigos, tanto de direita como de esquerda, têm comentado comigo a preocupação que lhes cresce na alma perante a possibilidade cada vez mais iminente de Donald Trump vir a ser presidente dos Estados Unidos. O que lhes digo sempre é que isso não me surpreende, porque o estado do Mundo é um convite à intolerância, ao radicalismo, ao soundbyte que deles se alimenta. E não é só na política. Fruto daquilo em que se transformaram os media, da amplificação da opinião do “idiota da aldeia” que trouxeram as redes sociais, o futebol português está cheio de radicais encartados, de gente cuja única missão é sobrepor as suas cores às de todos os outros, nem que para isso seja preciso atropelar todas as regras do bom-senso, da educação ou da ética. Um fim-de-semana como o que acaba de viver a Liga portuguesa, com penaltis polémicos e discutíveis, é o combustível destes Donald Trumps dos relvados, desta gente para quem mais importante do que ganhar ou perder é garantir que o rival teve ajudas. Passei boa parte do fim-de-semana a responder a esta legião de radicais, a adeptos que repetem até à exaustão as mesmas expressões – “jornaleiro”, “cobarde”, “burro”, “faccioso”, “invertebrado”, “azia”, “tira as palas”, despe a camisola”, “se falas acabam-se os tachos”… – e que me acusam de ser sempre adepto ou de estar a ser pago por um clube que não o deles. Seja o deles qual for. Aliás, já me aconteceu ser acusado por leitores diferentes de estar ao serviço de cada um dos três grandes e contra cada um os três grandes por causa de um só texto. Na parte que me sobrou do fim-de-semana, achei que precisava de me reconciliar com a profissão e foi ver “Spotlight”, um excelente filme acerca de jornalismo como ele deve ser e que recomendo sem reservas a todos os talibans da bola nacional. Sei que as realidades não têm comparação, que uma coisa é falar-se de penaltis e outra denunciar o crime mais hediondo que possamos imaginar, que é o crime de pedofilia, mas acreditem que, com mais ou menos tempo – a investigação acerca da pedofilia na igreja em Boston levou meses de dedicação total e só foi denunciada com provas irrefutáveis – e com mais ou menos meios, os jornalistas são e querem ser sempre jornalistas. E, dentro da responsabilidade ética e moral da profissão, o que querem é revelar a verdade e denunciar quem a não respeita. Simplesmente, se Trump acha que consegue resolver o problema da criminalidade nos Estados Unidos impedindo a entrada de imigrantes mexicanos, os radicais do futebol português acham sempre que o futebol seria uma limpeza se os jornalistas se comportassem como os comentadores engajados que aparecem nos programas de segunda-feira a gritar penalti sempre que é um jogador deles que cai e a assobiar para o ar quando quem se estatela é um dos rivais. Nunca escolhi, nem escolherei esse caminho. Porque não creio que a minha opinião em lances polémicos seja palavra de lei. Porque acredito no erro – e tenho visto os mesmos árbitros errar para todos os lados. Porque ainda estou para ver uma discussão acerca de arbitragem mantida no plano racional e de urbanidade no qual me reveja. E porque, francamente, muito mais interessante do que discutir penaltis é perceber que o Paços de Ferreira encontrou espaço para jogar entre as linhas do Benfica porque, desgastada, a equipa de Rui Vitória não foi tão compacta como costuma ser. Ou explicar que os problemas defensivos do FC Porto têm a ver com o deficiente controlo da profundidade defensiva ou com o espaço que a equipa deixa criar entre central e lateral quando o adversário cruza referências à sua frente. Assim será até que, tal como em “Spotlight”, a história não seja ir atrás de um penalti, não seja dar a minha irrelevante opinião acerca de um lance, mas sim denunciar todo um sistema. Até perceber que há uma teia a manobrar para favorecer um clube – os do Benfica dizem que é o Sporting, os do Sporting dizem que é o Benfica, ambos concordam que há uns anos era o FC Porto e os do FC Porto dizem agora que quem é favorecido são os de Lisboa – vou continuar a ver e interpretar futebol sem me focar nos árbitros. Da mesma forma que os religiosos falam com Deus sem precisar da intermediação dos padres. In Diário de Notícias, 22.02.2016
2016-02-22
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Último Passe

O FC Porto teve de sofrer para ganhar ao Moreirense e manter-se vivo na luta pelo título. Valeu-lhe a terceira reviravolta em cinco vitórias que tem a era-Peseiro, desta vez com direito a trabalho dobrado, pois a equipa portista chegou a estar a perder por 2-0 e acabou por vencer por 3-2. Quer isto dizer que o FC Porto precisou de forçar muito o ataque, de meter mais e mais gente na frente e de se sujeitar ao perigo dos contra-ataques do Moreirense, só chegando à vantagem quando os cónegos deixaram de ter pulmão ou organização para surgir perto de Casillas e foram baixando, baixando, até encostarem à baliza de Stefanovic. Os dragões salvaram os três pontos, mas devem rever o jogo para compreenderem que, sobretudo defensivamente, continuam a fazer muita coisa mal. Peseiro introduziu sete jogadores novos face à equipa de Dortmund, o que nem deve ter sido muito difícil, dada a possibilidade de fazer regressar alguns titulares – Maxi, Marcano, Danilo – e o recente impedimento de outros, como Martins-Indi. As restantes alterações explicam-se com razões de pura estratégia, como as que explicam as ausências de André André ou Corona no jogo da Alemanha ou a alternância no ataque, onde apareceu Suk em vez de Aboubakar. A verdade é que, mesmo com tanta gente fresca, a equipa portista não teve uma entrada forte, permitindo sempre o tempo e o espaço ao Moreirense para se tornar ameaçador. Boateng quase marcou, Iuri fê-lo mesmo e Fábio Espinho dobrou a marca antes da meia-hora, sempre em lances onde o FC Porto mostrou as dificuldades no controlo da profundidade defensiva que já tinha exibido na Luz, contra o Benfica, por exemplo, ou a imensidão de espaço que se cria entre central e lateral em alguns momentos do seu processo defensivo. A reação do FC Porto foi, primeiro, emocional. A equipa foi metendo mais e mais gente na área, tentando jogar depressa – mas nem sempre bem. Suk ainda cabeceou uma vez à barra – e o jogo de cabeça do coreano pareceu ser uma arma a que o FC Porto terá de recorrer mais vezes – antes de Layun reduzir, de penalti, já muito perto do intervalo. O facto de ter ido para o balneário apenas a um golo de distância pode ter sido fundamental no discurso de Peseiro aos seus jogadores, mas na verdade não foi uma forma de atemorizar o Moreirense. O treinador do FC Porto trocou Corona por Evandro, de forma a ganhar ascendente por dentro, mas as duas primeiras ocasiões de golo da segunda parte ainda pertenceram aos visitantes, quando Nildo e Iuri Medeiros obrigaram Casillas a duas boas defesas. E apesar do reforço do ataque portista – entrou Marega para o lugar de Chidozie – não se via como o FC Porto poderia dar a volta ao texto. A equipa de Peseiro ia chegando mais vezes, o Moreirense deixava de conseguir sair, mas faltavam ocasiões claras de golo em cima das quais os dragões pudessem montar o espírito da reviravolta. O que sucede é que quando os jogos se colocam assim, quando se jogam tão dentro de uma área, o normal é quem defende cometer erros, fruto da elevada exigência física e emocional do jogo. Foi o que sucedeu quando um erro de marcação num canto deu a Suk a oportunidade para, de cabeça, empatar o jogo. Quatro minutos depois, Herrera viu o esforço de ir buscar uma bola na linha de fundo recompensado com o terceiro golo, marcado por Evandro. O Moreirense já não tinha maneira de voltar dali.
2016-02-21
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O FC Porto regressa ao Dragão, depois da derrota em Dortmund, frente ao Borussia, para a Liga Europa (0-2), tendo agora como adversário o Moreirense, que nunca ali pontuou. E se noutros tempos o facto de vir de uma derrota poderia levar a que se pensasse que este era um jogo em que os dragões necessariamente reagiriam, a realidade desta época tem sido diferente, pois já por duas vezes a equipa azul-e-branca encandeou duas derrotas seguidas. Diferente é a história nos jogos em casa: o FC Porto perdeu ali com o Arouca, na última vez que subiu ao relvado do Dragão: desde Outubro de 2008 que o FC Porto não perde dois jogos seguidos em casa. A última vez que tal aconteceu, era Jesualdo Ferreira o treinador portista, os dragões foram batidos por 1-0 frente ao Dynamo Kiev, na Liga dos Campeões, e perderam depois o jogo seguinte em casa, por 3-2, frente ao Leixões, na Liga portuguesa. Ao terceiro jogo venceram o V. Guimarães por 2-0. Desde então, o FC Porto perdeu mais 14 jogos no Dragão, mas a norma tem sido a resposta com uma vitória na partida seguinte: após essas 14 derrotas, registaram-se 12 vitórias e apenas um empate (já esta época, a motivar a saída de Lopetegui), faltando perceber o que acontece agora contra o Moreirense no seguimento do desaire face ao Arouca. E atenção que nem todos os jogos de rescaldo foram contra adversários fáceis: destaque para um 3-1 ao Sporting, em 2013/14, após uma derrota em casa com o Zenit (0-1), ou para o 2-1 ao Athletic Bilbau no seguimento da saída da Taça de Portugal, frente ao Sporting (1-3), em 2014/15. Esta época, porém, já se registou a primeira reação sem vitória a uma derrota caseira: depois de perder com o Marítimo, por 3-1, na Taça da Liga, o FC Porto empatou no Dragão com o Rio Ave (1-1), motivando a chicotada psicológica. Numa época que também já ficou marcada por duas raras sequências de duas derrotas (Marítimo e Sporting em Dezembro/Janeiro e depois V. Guimarães e Famalicão em Janeiro), falta perceber como vai agora a equipa reagir aos resultados negativos na partida frente ao Moreirense.   O FC Porto vem também de um jogo em que não marcou golos: o 0-2 em Dortmund foi o oitavo zero atacante dos dragões esta época, depois de ter ficado em branco contra Sp. Braga (0-0), Dynamo Kiev (0-2), Chelsea (0-2), Sporting (0-2), V. Guimarães (0-1), Famalicão (0-1) e Feirense (0-2). E atenção que a equipa também já encadeou dois zeros seguidos, quando perdeu de enfiada com V. Guimarães e Famalicão.   As únicas vitórias que o Moreirense obteve em 2016 foram fora de casa. Os cónegos fizeram dez jogos desde o Ano Novo, ganhando três, todos longe do seu estádio: 3-0 ao Boavista a 2 de Janeiro, 2-1 ao Arouca no dia 17 e 1-0 ao U. Madeira a 7 de Fevereiro. A equipa de Miguel Leal perdeu a outra deslocação, por 5-1, frente ao Marítimo, nos Barreiros.   Aboubakar marcou golos nas últimas três jornadas de campeonato. Fez o primeiro do FC Porto na vitória frente ao Estoril (3-1, de virada), marcou o golo portista na derrota em casa frente ao Arouca (1-2) e foi dele o tento da vitória nos 2-1 (outra vez de virada) frente ao Benfica, na Luz. Foi a segunda vez que o camaronês marcou em três jogos de campeonato seguidos – a anterior ainda tinha sido em França, no Lorient, em Novembro/Dezembro de 2013. Na altura bisou frente ao Evian e depois marcou nas vitórias frente a Nice e Montpellier.   Marega, o avançado que o FC Porto foi buscar ao Marítimo na última janela de mercado, obteve o seu único bis desta época na baliza do Moreirense. Foi a 10 de Janeiro que Marega marcou dois golos a Stefanovic, na vitória do Marítimo sobre os cónegos, por 5-1.   Rafael Martins marcou nas duas últimas jornadas da Liga: fez o golo da vitória (1-0) ante o U. Madeira, na Ribeira Brava, e depois bisou na derrota caseira frente ao Belenenses (2-3). Já tinha sido ele a marcar na derrota com o Estoril (1-3, na 19ª jornada), o que eleva para três jogos a sua série de partidas a fazer golos. É que na 20ª jornada o brasileiro não foi escalado para defrontar o Benfica, tal como agora está fora do jogo com o FC Porto.   Rafael Martins, além disso, estaria em condições de obter um feito raro, caso marcasse um golo ao FC Porto no Dragão. É que já fez um dos golos na derrota do Moreirense na Luz (3-2) e o tendo de honra nos 3-1 com que os Cónegos perderam em Alvalade. Se marcasse ao FC Porto podia repetir a proeza que já conseguiu em 2013/14, época em que marcou aos três grandes com a camisola do V. Setúbal:  fez um golo na derrota por 3-1 com o FC Porto no Bonfim, outro no empate a duas bolas com o Sporting no mesmo local e outro ainda no empate a uma bola com o Benfica na Luz.   Aliás, Rafael Martins raramente deixa de marcar nos jogos grandes: como em 2014/15 esteve no Levante, em Espanha, vai já com quatro jogos seguidos sempre a marcar aos grandes: esta época fez um ao Benfica (2-3) e um ao Sporting (1-3) e em 2013/14 tinha feito um ao Benfica (1-1) e um ao Sporting (2-2), nas últimas quatro vezes que defrontou um grande. A última vez que ficou em branco num jogo destes foi precisamente no Dragão, a 19 de Janeiro de 2014, quando o V. Setúbal perdeu por 3-0 com o FC Porto e ele jogou toda a segunda parte.   Face à ausência de Martins, resta ao Moreirense esperar a contribuição de outro jogador com tendência para marcar aos grandes: Iuri Medeiros, que já fez oito golos esta época, sendo dois ao Benfica e um ao FC Porto. Como está no Moreirense emprestado pelo Sporting – e não joga contra os leões – isso quer dizer que marcou em todos os jogos com os grandes à exceção da visita à Luz, em Agosto. Aliás, todos os golos de Iuri aos grandes – já na época passada marcara ao Benfica, pelo Arouca – foram em casa.     Evaldo, do Moreirense, foi campeão nacional ao serviço do FC Porto, alinhando na penúltima jornada da Liga de 2003/04, numa partida em que José Mourinho poupou os titulares habituais para a final da Liga dos Campeões.   Ramon Cardozo, avançado do Moreirense, estreou-se na Liga portuguesa frente ao FC Porto. Foi a 18 de Agosto de 2014 que José Mota o lançou numa derrota do V. Setúbal, em casa, frente aos dragões. Do outro lado, o lateral Jose Angel também se estreou contra o Moreirense, jogando os 90 minutos pelo FC Porto de Lopetegui na vitória por 3-0 no Dragão, a 31 de Agosto de 2014.   José Peseiro ganhou os últimos quatro jogos feitos contra o Moreirense, por Sporting (4-1 e 3-1 em 2004/05) e Sp. Braga (1-0 e 3-2 em 2012/13). Mas os cónegos eram uma das suas bestas negras quando dirigia o Nacional, pois nessa altura nunca lhe conseguiu ganhar. Nem em 2001/02, o ano em que ambas as equipas subiram à I Liga (0-0 na Choupana e 5-1 para o Moreirense no Minho, na penúltima ronda, a adiar a promoção dos alvi-negros para o último dia), nem em 2002/03, já entre os grandes (2-0 para o Moreirense no Minho e 1-1 na Choupana).   Por sua vez, Miguel Leal, treinador do Moreirense, perdeu todos os jogos que fez contra o FC Porto no Dragão: 4-0 pelo Penafiel na Taça da Liga de 2013/14 e 3-0 pelo Moreirense na Liga passada. Ao todo, em quatro jogos contra o FC Porto, perdeu três e empatou um (o 2-2 da primeira volta da atual Liga). Esta será a primeira vez que Miguel Leal defronta José Peseiro.   O Moreirense já tirou dois pontos esta época ao FC Porto, através do empate a duas bolas em Moreira de Cónegos, na primeira volta. Foi uma das três vezes (em 12 encontros) que os verde-brancos evitaram a derrota com os portistas, a quem nunca ganharam em toda a sua história. E, tanto nas Antas como no Dragão, perderam sempre, ainda que só uma vez por mais de um golo (3-0 em Agosto de 2014).                   
2016-02-20
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Último Passe

A derrota por 2-0 que o FC Porto traz de Dortmund veio complicar as hipóteses de sucesso dos dragões chegarem aos oitavos-de-final da Liga Europa e enfatizar como pode ser ilusória a ideia de controlo num jogo tão cínico como o que decorreu no Westfalenstadion. Este Borussia de Tuchel, que até costuma fazer muitos golos, tem pouco a ver com a equipa vertiginosamente ofensiva de Klopp: recusou cavalgar o golo madrugador que obteve, deixou o FC Porto adormecer o ritmo de jogo, a ponto de se instalar uma sensação de que a equipa portista estava a controlar, mas estava mesmo só à espera de um erro. Que acabou por surgir onde era mais natural: no remendado espaço defensivo do FC Porto. O 2-0 não deixa a eliminatória resolvida, pelo que Peseiro acabou por cumprir o prometido: uma defesa de Casillas a remate de Kagawa e um cabeceamento de Mkitharyan ao poste, já nos últimos dez minutos, asseguraram que tudo se decidirá no Dragão, daqui por uma semana. Mas aí, em princípio já com a equipa recomposta – com Maxi Pereira e Marcano, pelo menos –, o FC Porto sabe que não terá sequer o direito ao erro se quer seguir em frente na Liga Europa. Em Dortmund, com Varela a lateral-direito, bem auxiliado pelo possante Marega, Layun ao lado de Martins-Indi ao meio e José Angel à esquerda, o FC Porto entrou praticamente a perder: mais uma vez, um golo muito cedo, de novo fruto de uma desatenção na forma de defender um canto, faz temer o naufrágio de uma equipa à qual faltava também o ponto de equilíbrio que costuma ter em Danilo, na cabeça de área. O Borussia, contudo, não forçou, em parte porque o FC Porto manteve a sua organização defensiva – um bloco baixo com duas linhas bem próximas, a roubar espaço à velocidade de Aubameyang e Reus – mas também porque os próprios alemães terão sentido que, mantendo a bola, mais tarde ou mais cedo teriam ocasião para aumentar a vantagem. O jogo foi então decorrendo em ritmo pachorrento, entre duas equipas com a ilusão do controlo: o FC Porto aceitava o 0-1 e esperava que os alemães se descontrolassem para eventualmente empatar em contra-ataque, ao passo que o Borussia esperava pelo erro no bloco defensivo portista. Acabou por ser a equipa portuguesa a errar, quando uma recuperação de bola de Marega não teve seguimento ofensivo, antes levando a uma contra-transição que apanhou José Angel muito por dentro. André André, que entrara para o lugar de Brahimi de forma a fechar melhora esquerda, também não acompanhou Mkhitaryan, que não teve dificuldade em dar o golo a Reus. Até final, Peseiro ainda chamou ao relvado Evandro e Suk, que entre os dois fabricaram a melhor situação de golo portista, obrigando Bürki a uma mancha complicada, mas a verdade é que para dar a volta a esta eliminatória o FC Porto não precisava só de dois jogadores novos. Precisava de uma nova ideia de jogo. E essa só poderá assumi-la na segunda mão. Sem direito ao erro.
2016-02-18
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Último Passe

Há duas razões para se considerar que o Sp. Braga é a única das três equipas portuguesas a fazer figura de favorito nos 16 avos de final da Liga Europa. Por um lado, defronta um adversário mais fraco que os que tocaram a FC Porto e Sporting, que terão pela frente duas equipas de Champions. Por outro, com a classificação praticamente definida na Liga portuguesa, pode centrar esforços em ir o mais longe possível na competição europeia, ao contrário de leões e dragões, que enfrentam uma batalha esgotante com o Benfica na corrida ao título de campeão. Jorge Jesus deixou bem claro que ia optar pela rotatividade na receção ao Leverkusen, como quase sempre tem feito esta época nos jogos europeus, pois a prioridade do treinador era e continua a ser o campeonato. Não está provado que os jogadores do Sporting não possam render o mesmo se tiverem de jogar duas vezes por semana em vez de uma. Os três jogos europeus em que Jesus usou maioritariamente os titulares – a pré-eliminatória da Champions com o CSKA em Agosto e o desafio decisivo na fase de grupos da Liga Europa, com o Besiktas, em Dezembro – geraram consequências diversas: empate com o Paços de Ferreira entre os jogos com os russos, vitória sobre a Académica no rescaldo da saída da Champions e sucessos contra o Marítimo e o Moreirense antes e depois da partida com o Besiktas. Contudo, é Jesus quem assume a rotatividade, seja porque acredita que a equipa poderia ressentir-se ou porque sente que, ao fazê-lo, consegue de uma cajadada encontrar justificações antecipadas para um eventual insucesso europeu e evitar que esse eventual insucesso cause danos emocionais no plantel. Nos jogos com o Leverkusen, terceiro classificado da Bundesliga, não precisaria, pois o poderio do adversário fala por si. Como fala também a qualidade do Borussia Dortmund, que é segundo do campeonato alemão e vai defrontar o FC Porto. Peseiro não estará a pensar em rodar a equipa, mas a verdade é que corre o risco de enfrentar o jogo com o melhor ataque da Bundesliga com uma defesa muito diferente da que os responsáveis da equipa idealizaram. Sem Maxi Pereira e Danilo, castigados; sem Maicon, que já foi embora; sem Chidozie, a alternativa inventada para o jogo com o Benfica na Luz; e ainda com Marcano em dúvida, por lesão, Peseiro só não terá de inventar muito para formar o quarteto defensivo porque provavelmente não terá sequer jogadores para escolher: além dos citados, há Layun, Verdasca, Martins-Indi e Jose Angel. E precisará certamente de uma noite inspirada no ataque para entrar na segunda mão em condições favoráveis. Daí que, frente ao Sion, sexto da Liga suíça, dez pontos à frente do quinto e a sete do terceiro na Liga portuguesa, o Sp. Braga seja quem está em melhores condições para encarar os 16 avos de final da Liga Europa com otimismo. Até porque, das três equipas portuguesas envolvidas, a minhota é a que tem o plantel mais homogéneo, sem grandes diferenças entre titulares e suplentes. E isso pode dar jeito.
2016-02-17
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O Borussia Dortmund-FC Porto de hoje será uma nova experiência para Iker Casillas. O guarda-redes espanhol que o FC Porto foi buscar ao Real Madrid no início da época é um dos futebolistas com mais experiência internacional nas provas europeias, mas nunca jogou outra competição que não seja a Liga dos Campeões. Aos 34 anos, Casillas está pronto para a estreia, precisamente num estádio que para ele tem sido maldito: nunca lá ganhou e sofreu ali as únicas duas derrotas nas últimas deslocações do Real Madrid à Alemanha. Com 163 jogos somados em partidas da UEFA, Iker Casillas é mesmo o líder da lista de jogadores com mais jogos disputados na Liga dos Campeões, excluídas as pré-eliminatórias: entre Real Madrid e FC Porto soma, ao todo, 156, mais cinco que Xavi e mais 21 que Giggs, o terceiro da tabela. Se contarmos todas as partidas das provas europeias, nesse caso o guardião espanhol tem à sua frente Paolo Maldini (174 jogos) e Xavi (173), preparando-se para deixar para trás Seedorf, que com ele divide a terceira posição, ambos com 163 jogos. E no entanto, Casillas nunca jogou na Taça UEFA ou na Liga Europa. O que não é novo para ele são jogos na Alemanha. Este será já o 16º desafio do guarda-redes espanhol em visita a um clube alemão, sempre ao serviço do Real Madrid. Já ganhou (quatro vezes), já empatou (duas) e já perdeu (nove), com a particularidade de só em duas ocasiões ter conseguido manter a baliza inviolada. Bom augúrio pode ser o facto de terem sido as duas últimas: 2-0 ao Schalke há precisamente um ano (18 de Fevereiro de 2015) e 4-0 ao Bayern em Abril de 2014. Mau presságio pode ser o facto de Casillas só ter perdido duas das últimas cinco visitas à Alemanha (ganhando as outras três, mas ambas terem sido em Dortmund: 2-1 em Outubro de 2012 e 2-0 em Abril de 2014. Aliás, o melhor que Casillas trouxe de Dortmund foi um empate a uma bola, em Fevereiro de 2003. Já lá vão quase 13 anos.   O Borussia Dortmund não perdeu nenhum jogo desde a interrupção de Inverno do futebol alemão, somando quatro vitórias e um empate (0-0 com o Hertha). Em casa tem sido uma equipa letal. Se excluirmos a derrota com o PAOK, que já não contava em nada para o apuramento, ganhou todos os jogos menos um, o empate a dois golos frente ao Darmstadt, em Setembro. O jogo com o PAOK foi também o único em que não marcou golos esta época no Westfalenstadion. Soma ao todo 56 golos marcados em 16 jogos em casa, a uma estrondosa média de 3,5 por jogo.   O FC Porto ganhou as últimas três deslocações: 3-1 ao Estoril, 3-0 ao Gil Vicente e 2-1 ao Benfica. Aboubakar marcou em duas delas (Estoril e Benfica), tendo ficado em branco em Barcelos, mas numa partida em que só entrou em campo a 15 minutos do fim.   Maxi Pereira e Danilo estarão fora do jogo de Dortmund, por suspensão, e isso não é boa notícia para José Peseiro. Esta época, o FC Porto só ganhou tês dos oito jogos que fez sem Maxi, todos na Taça de Portugal e contra equipas de escalões secundários (2-0 ao Varzim, 2-0 ao Angrense e 1-0 ao Feirense). Nos outros cinco, empatou a zero com o Sp. Braga (Liga) e perdeu com o Arouca (1-2, Liga), Feirense (0-2, Taça da Liga), Famalicão (0-1, Taça da Liga) e Marítimo (1-3, Taça da Liga). Por sua vez, Danilo só faltou nas três derrotas da Taça da Liga e na vitória frente ao Angrense.   Tanto FC Porto como Borussia Dortmund vêm de duas derrotas nas duas últimas partidas europeias, ambos sem marcar um único golo. O FC Porto viu-se impedido de seguir para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões por ter sido batido nas duas últimas jornadas da fase de grupos por Dynamo Kiev (2-0, no Dragão) e Chelsea (2-0, em Londres). Já o Borussia Dortmund perdeu nas duas últimas rondas da Liga Europa contra o FK Krasnodar (1-0, fora) e o PAOK Salónica (1-0, em casa), mas seguiu para os 16 avos de final porque já somava dez pontos nas primeiras quatro jornadas.   É a segunda vez que José Peseiro leva uma equipa à Alemanha. Já lhe aconteceu em Setembro de 2008, quando se deslocou a Wolfsburg com o Rapid Bucareste e perdeu por 1-0 (golo de Grafite), na primeira eliminatória da Liga Europa. Na segunda mão as duas equipas empataram a uma bola, o que levou ao afastamento do Rapid.   Borussia Dortmund e FC Porto vão defrontar-se pela primeira vez na história das competições europeias. Até aqui, porém, os alemães ganharam sempre que defrontaram equipas portuguesas no seu estádio: 5-0 ao Benfica em 1963/64, 3-1 ao Boavista em 1999/00 e 2-1 ao mesmo Boavista em 2001/02. Por sua vez, o FC Porto ganhou três das 14 visitas à Alemanha: 5-0 ao Werder Bremen em 1993/94, 1-0 ao Hertha Berlim em 1999/00 e 3-1 ao Hamburger em 2006/07.
2016-02-17
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Não há grandes equipas sem grandes defesas-centrais. Ou pelo menos é o que passamos a vida a ouvir dizer. Que o talento desequilibra mas nenhuma equipa ganha se não estiver construída em torno de um pilar que lhe dê estabilidade. É pensarmos nas grandes equipas da história, na enorme importância que tinham os jogadores encarregues de impedir o adversário de finalizar em boas condições. Todos têm duas coisas em comum: são super-valorizados pelos jornalistas que cobrem os acontecimentos e pelos treinadores que os comandam; e são depois esquecidos na atribuição dos prémios para os melhores jogadores do ano e apagados pela espuma dos anos que passam, que só eterniza o talento puro. Será que não são assim tão importantes? Olhemos para o campeonato português e para os seus três candidatos ao título. Ao Sporting, diz-se desde o início, falta um defesa-central que seja ao mesmo tempo experiente, forte fisicamente e competente. O Benfica tinha Luisão, mas perdeu-o há meses e tem vivido tão bem sem ele que já deve haver quem se atreva a duvidar que a equipa beneficie assim tanto com o seu regresso. E ao FC Porto, também se comenta desde o Verão, tem faltado sempre um central à altura da qualidade do resto do plantel – com a agravante de à falta de qualidade se ter somado agora alguma falta de quantidade, fruto dos problemas com Maicon. Neste fim-de-semana, um fim-de-semana decisivo  na Liga, o Sporting estreou uma dupla de centrais nova – Coates e Ruben Semedo –, o Benfica fez confiança em Lindelof, que ainda nem tinha uma dezena de jogos na Liga e, sendo ribatejano, José Peseiro deu a alternativa a Chidozie. E, adivinhem: todos se saíram muito bem. Se calhar quem tem mais razão são mesmo os adeptos que, com o passar do tempo e o desfilar das fintas dos atacantes, se esquecem de quem era o defesa central naquele jogo fundamental que deu o título nacional de mil novecentos e qualquer coisa. Coates, é bom que se diga, tem quase tudo para poder ser decisivo na ponta final da época do Sporting. É imponente, tem quase dois metros, o que pode valer-lhe uma importância acrescida nas bolas paradas. É experiente, fruto dos anos que passou na Premier League e tem ainda mais uma qualidade importante, que partilha com Lindelof, Ruben Semedo ou Chidozie: os adversários ainda não tiveram tempo para aprender as suas debilidades, de forma a poderem explorá-las a cada jogo. O novo tem aqui sempre uma atração irreprimível, que tem a ver com isso mesmo. É fácil dizer agora que Luisão já não tem a velocidade de outros tempos e que com Lisandro López e Jardel o Benfica pode jogar com as linhas mais próximas e subidas, com a chamada “equipa mais curta”. E isso não tem a ver só com a idade de Luisão ou com o facto de a sua mobilidade, mudança de velocidade ou de trajetória já não ser a de outros tempos. Tem a ver também – ou sobretudo – com o facto de já todos sabermos disso. Qual é o ponto fraco de Lindelof? Ou de Chidozie? Ou até de Coates, que apesar de ser mais consagrado (o homem é internacional uruguaio, caramba), também há-de tê-lo, ou então teria vingado na Premier League? A questão é que, para já, ninguém sabe identificá-los com clareza. Estou seguro, no entanto, que os defesas-centrais vão desempenhar um papel primordial na luta pelo título. E todos os treinadores terão dilemas a enfrentar. No Sporting, acredito que Jesus já se tenha decidido pela titularidade do gigante uruguaio, precisamente por ser novo – e mais difícil de ler – e por poder vir a ser importante nos livres laterais e nos cantos. Mas quem, para jogar ao lado dele? Paulo Oliveira é o melhor de todos, mas teria de desviar-se para a meia-esquerda. Naldo não compromete, está habituado àquele quadrante, mas não tem o futuro e a qualidade de Oliveira. E até Ruben Semedo parece mais perto de ser opção que Ewerton. No Benfica, Rui Vitória encontrou a estabilidade em torno da dupla Jardel-Lisandro, dois centrais rápidos e por isso mesmo muito importantes da definição estratégica do onze, no posicionamento do bloco. Mas poderá Luisão exercer a liderança de que o plantel necessita de fora quando, daqui por um mês, mês e meio, estiver apto a regressar? Por fim, no FC Porto, Peseiro tem em Martins-Indi o potencialmente melhor mas ao mesmo tempo mais inconstante dos seus centrais, e em Marcano o mais apagado mas ao mesmo tempo mais fiável. Com Maicon fora do baralho, haverá espaço para Chidozie se mostrar mais vezes e até vir a ser importante. Pelo menos até lhe aprenderem as debilidades. In Diário de Notícias, 15.02.2016    
2016-02-15
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A vitória por 2-1 na Luz significa que o FC Porto voltou a ganhar um clássico fora de casa, na Liga, quatro anos (e oito jogos) depois. A última vitória a contar para a Liga contra outro grande, em Lisboa, tinha sido a 2 de Março de 2012: 3-2 na Luz. Desde aí, empatou com o Benfica (2-2) e o Sporting (0-0) em 2012/13; perdeu na Luz (2-0) e em Alvalade (1-0) em 2013/14; voltou a empatar no terreno do Sporting (1-1) e do Benfica (0-0) em 2014/15; e já tinha perdido em Alvalade (2-0) esta época.   Aboubakar, autor do golo da vitória portista, chegou aos 16 golos na época, igualando a sua melhor marca numa temporada inteira, que foi atingida em 2013/14, quando marcou os mesmos 16 golos, mas em 36 jogos pelo Lorient. Desta vez atingiu-os em 31 jogos, tendo marcado onze na Liga, três na Liga dos Campeões, um na Taça de Portugal e um na Taça da Liga.   José Peseiro ganhou pela primeira vez ao Benfica na Luz. Fê-lo à quinta visita – até aqui conseguira apenas dois empates – passando a partir de agora a ter saldo positivo nos confrontos com os encarnados. Ao todo, o treinador de Coruche soma quatro vitórias e três derrotas em dez jogos contra o Benfica.   Em contrapartida, Rui Vitória continua a ver no FC Porto a sua besta negra, pois nunca ganhou à equipa azul-e-branca. Vitória perdeu dez dos 14 jogos contra o FC Porto, ainda que um dos seus quatro empates tenha feito muito por torná-lo conhecido em Portugal: depois de empatar a zero, quando ainda liderava o Fátima, viu a sua equipa afastar o FC Porto da Taça da Liga no desempate por grandes penalidades.   Vitória continua avesso ao sucesso nos clássicos. Perdeu o quinto esta época: 0-1, 0-3 e 1-2 contra o Sporting; 0-1 e 1-2 com o FC Porto. Na Liga, Vitória segue com três derrotas em outros tantos clássicos, sendo que ainda lhe resta uma oportunidade para ganhar um, quando visitar o Sporting, em Março. Ora o Benfica foi campeão na época passada ganhando apenas um clássico: 2-0 frente ao FC Porto no Dragão.   Mesmo que não vença nesse jogo, Vitória pode ficar descansado, pois a história mostra que é possível ser campeão sem vitórias nos clássicos. Mas é preciso recuar muito tempo: o último campeão sem vitórias nos quatro clássicos da época foi precisamente o Benfica, mas há quase 50 anos. Foi em 1968/69 que a equipa de Otto Glória acabou a Liga na frente, com dois pontos de avanço sobre o FC Porto, tendo empatado (0-0) e perdido (1-0) com os dragões e empatado ambos os jogos com o Sporting (sempre 0-0).   Mais complicado é encontrar um campeão sem pontuar nos quatro clássicos. Na verdade nunca aconteceu. E só houve mais uma equipa a vencer a Liga sem ganhar um clássico: foi o Benfica de 1963/64, que também foi campeão sem ganhar um único, mas tirou deles três empates. Por isso, diz a história que em Alvalade, em Março, os encarnados têm de tirar pelo menos um empate.   Se não conseguir pontuar nesse jogo de Alvalade, o Benfica enfrentará a primeira época sem pontos nos clássicos desde 1939/40. Nessa época, a equipa de Janos Biri perdeu duas vezes com o FC Porto (2-3 em casa e 2-4 fora) e outras tantas com o Sporting (sempre 1-3, tanto em casa como fora). O FC Porto de Mihaly Siska ganhou esse campeonato.   Mitroglou marcou pela sexta jornada consecutiva da Liga, depois de já ter feito golos ao Nacional (4-1), Estoril (2-1), Arouca (3-1), Moreirense (4-1) e Belenenses (5-0). Superou Slimani, que estivera cinco jornadas seguidas a marcar, e passou a deter o melhor registo de golos em jornadas seguidas desta Liga. Desde o período entre Dezembro de 2011 e Fevereiro de 2012 que nenhum jogador do Benfica marcava em seis jornadas seguidas. O último a fazê-lo foi Cardozo, que não se ficou por aí e estendeu a série a uma sétima ronda.   O Benfica viu a série de vitórias consecutivas que trazia interrompida nas onze, caindo ao 12º jogo. Na Liga, conseguiu oito vitórias seguidas desde o empate contra o U. Madeira (0-0), quedando-se a uma da melhor série da época passada.   Foi a oitava derrota do Benfica esta época e a segunda com o FC Porto. Os encarnados somam ainda mais três com o Sporting, uma com o Arouca, uma com o Atlético Madrid e outra com o Galatasaray. Nestas oito derrotas, o Benfica marcou primeiro em três: além desta, há ainda mais duas por 2-1, de virada, contra o Sporting e o Galatasaray. Na Liga, foi a primeira derrota do Benfica com virada no marcador desde que foi batido pelo Rio Ave (também 2-1), em Março do ano passado.   Foi, por outro lado, a terceira vitória de virada do FC Porto esta época, depois de já ter conseguido inverter os resultados dos jogos com o Paços de Ferreira (de 0-1 para 2-1) e com o Estoril (de 0-1 para 3-1). Duas destas três reviravoltas aconteceram já com José Peseiro ao leme.   Layun fez mais uma assistência, ao pertencer-lhe o passe para o golo de Herrera. Foi o 14º passe de golo do lateral mexicano nesta Liga, o que faz dele o melhor assistente da prova, a larga distância dos segundos, que são os benfiquistas Jonas e Gaitán, com nove.
2016-02-14
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Último Passe

Um super-Iker Casillas foi o suporte principal de uma exibição personalizada do FC Porto, a ganhar por 2-1 ao Benfica na Luz e a manter-se vivo na luta pelo título, pois dista agora três pontos dos dois primeiros – ainda que o Sporting tenha um jogo a menos. A história do jogo, no entanto, não se resume às três ou quatro grandes defesas do guarda-redes espanhol ou à noite perdulária dos avançados encarnados, que em outras jornadas têm sido um exemplo de eficácia. Houve na vitória portista dedo do treinador, nomeadamente na forma como José Peseiro levou o FC Porto a explorar a incapacidade do Benfica para controlar a largura do ponto de vista defensivo. A primeira aposta de Peseiro, contudo, falhou. O FC Porto tentou surpreender com Brahimi ao meio e André sobre um dos corredores laterais, no 4x2x3x1 habitual, mas a troca não trouxe nada de positivo ao jogo portista. Por essa altura, os dragões até tinham mais bola, mas revelavam aquele que é um dos defeitos habituais nas equipas de Peseiro: deficiente transição defensiva, a permitir saídas rápidas e perigosas ao Benfica. Rui Vitória apresentou a equipa habitual, com Renato Sanches eufórico de energia e contagiante sempre que a equipa tinha a bola, e teve a primeira ocasião de golo, por Pizzi, na sequência de um contra-ataque originado numa perda de bola de Aboubakar na área de Júlio César. O golo de Mitroglou, nascido de uma insistência de Renato, não trouxe grandes mudanças ao jogo, pois o FC Porto continuava a precisar de arriscar: expunha-se a atacar, mas quando em posse fazia valer a superioridade numérica a meio-campo para explorar a dificuldade benfiquista no controlo da largura defensiva. Porque o Benfica pressionava num primeiro momento, mas assim que a primeira pressão era ultrapassada dava espaço aos médios dos dragões para lançar os extremos, sobretudo Brahimi, que por essa altura já andava pela esquerda. Um momento de hesitação de Pizzi, apanhando em terra de ninguém, entre apoiar André Almeida na contenção a Layun e controlar Herrera, deu o golo do empate ao FC Porto, marcado pelo médio mexicano num remate muito colocado, ainda na primeira parte. E depois entrou em campo Casillas. Ainda na primeira parte, o espanhol fez uma defesa monumental, a impedir Jonas de desempatar. Depois do intervalo, roubou o golo a Gaitán, em mais um contra-ataque velocíssimo, após um canto a favo do FC Porto. Pelo meio, Mitroglou e Samaris também falharam o 2-1, em boa posição para o fazer. E Aboubakar, que também tinha já desperdiçado uma boa chance de golo, marcou na outra baliza, aproveitando uma boa combinação entre Brahimi e André André. Com o golo do camaronês, aí sim, o jogo mudou. Porque o FC Porto baixou o bloco e deixou de se expor tanto. O Benfica teve então de enfrentar um jogo diferente, face a um adversário defensivamente organizado. Mesmo assim, Casillas ainda brilhou por mais duas vezes, evitando um autogolo de Martins-Indi e opondo-se a uma finalização de Mitroglou para assegurar que os três pontos iam para Norte. Com este resultado, Rui Vitória enfrenta agora um novo desafio. Continua à frente do FC Porto, mas pode ver o Sporting fugir de novo e, sobretudo, precisa de gerir o esvaziar do balão da euforia que as onze vitórias seguidas vinham enchendo e de convencer os seus jogadores de que é capaz de os levar a ganhar um clássico: até aqui, são cinco derrotas em cinco jogos. Do outro lado, José Peseiro marca posição. O que se viu foi um FC Porto mais forte do que ultimamente, perfeitamente dentro das contas do título, pois está a três pontos do Benfica – que ainda tem de ir a Alvalade – e do Sporting – que tem um jogo a menos mas irá ao Dragão na antepenúltima jornada.
2016-02-12
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Há 22 anos que o FC Porto não ia jogar à Luz a uma tão grande distância do rival. Os dragões de José Peseiro deslocam-se a Lisboa para se manterem vivos na luta pelo título, o que pressupõe uma vitória ou pelo menos um empate e uma grande dose de fé, pois estão a seis pontos do Benfica na tabela. A última vez que entraram na Luz tão longe do rival foi em Fevereiro de 1994, quando a equipa que há pouco tempo era liderada por um treinador que tinha passado com ligações ao Sporting – Bobby Robson – chegou à Luz, em partida da 18ª jornada do campeonato, e deitou tudo a perder com uma derrota por 2-0. Foi o famoso jogo da expulsão de Fernando Couto, por agressão a Mozer, que levou Robson no final a criticar duramente o central, dizendo: “Benfica 2, Couto 0”. No fim da época, o Benfica foi campeão, não sem antes ganhar o dérbi de Alvalade ao Sporting, com o fim de tarde mágico de João Pinto a refletir-se nos 6-3 finais. Nesse Fevereiro de 1994, à entrada para o clássico entre Benfica e FC Porto, os encarnados somavam 28 pontos e os portistas tinham 24. A vitória, no entanto, ainda valia apenas dois pontos, pelo que convertendo as pontuações para a realidade atual veríamos o Benfica com 40 pontos e o FC Porto com 33. Ao contrário de José Peseiro, Bobby Robson fazia naquela noite a estreia como treinador do FC Porto no campeonato, embora já tivesse liderado a equipa numa vitória frente ao Salgueiros na Taça de Portugal. A vitória do Benfica por 2-0, com golos de Ailton (aos 37’) e Rui Costa (aos 55’), distanciou ainda mais os encarnados dos azuis e brancos. O Benfica de Toni seguia nessa altura com três pontos de vantagem sobre o Sporting, que era segundo colocado. Haveria de deixar essa vantagem esfumar-se, mas conseguiu ser campeão graças aos 6-3 no dérbi de Lisboa. Com uma boa ponta final, associada à descrença do Sporting após ser goleado no dérbi, o FC Porto ainda foi segundo classificado, a dois pontos do Benfica – ainda que pelas atuais regras de pontuação essa desvantagem passasse para quatro pontos. Depois desse clássico de Fevereiro de 1994, o FC Porto voltou à Luz para mais 21 jogos a contar para a Liga, mas em nenhum entrou tão atrás do rival. Aliás, em 16 desses 21 jogos entrou mesmo em campo na frente do Benfica, e em alguns casos com vantagem confortabilíssima: 16 pontos em 1995/96, 13 em 2010/11 ou 12 em 1997/98, por exemplo. A maior vantagem que o Benfica teve desde então por ocasião do clássico jogado em sua casa foram os quatro pontos da louca época de 2004/05: os encarnados perderam o jogo, por 1-0, vendo a vantagem diminuir, mas acabaram na mesma por ser campeões no final da época, ultrapassando o Sporting na penúltima jornada, com um golo de Luisão no dérbi (1-0).   - Rui Vitória e José Peseiro chegaram a defrontar-se em campo, quando ambos eram jogadores de III Divisão, mas como treinadores só estiveram frente a frente quatro vezes, em 2012/13, com Vitória no V. Guimarães e Peseiro no Sp. Braga. Peseiro levou a melhor nos dois jogos da Liga (2-0 em Guimarães e 3-2 em Braga), empatou no reduto do adversário (0-0) a caminho da vitória bracarense na Taça da Liga e perdeu (após prolongamento) em Guimarães (2-1), na Taça de Portugal, que acabou por sorrir no final aos vimaranenses.   - Rui Vitória nunca ganhou ao FC Porto, ainda que tenha sido à conta de uma eliminação da equipa portista que o seu nome saltou para a ribalta do futebol português. Foi a 26 de Setembro de 2007, quando o seu Fátima eliminou os dragões da Taça da Liga, com um empate a zero que foi depois transformado em sucesso no desempate por grandes penalidades. Ao todo, em 13 jogos contra os dragões, perdeu nove e empatou quatro.   - Em contrapartida, José Peseiro tem um saldo equilibrado com o Benfica, pois ganhou três e perdeu três dos nove jogos que fez com os encarnados. As vitórias, porém, foram sempre obtidas em casa: 1-0 com o Nacional em 2002/03, 2-1 com o Sporting em 2004/05 e 2005/06. Na Luz, o melhor que conseguiu foram dois empates em quatro jogos, tendo um deles redundado na eliminação do seu Sporting da Taça de Portugal nas grandes penalidades. As mesmas grandes penalidades que, quando estava no Sp. Braga, lhe permitiram transformar um empate em passagem à final da Taça da Liga.   - Mitroglou marcou golos nas últimas cinco jornadas do campeonato, pois esteve entre os goleadores benfiquistas nas vitórias contra o Nacional (4-1), Estoril (2-1), Arouca (3-1), Moreirense (4-1) e Belenenses (5-0). Já igualou a melhor série de jogos a marcar esta época, que era pertença do sportinguista Slimani, também com cinco jornadas seguidas entre os goleadores. Mas se marcar ao FC Porto torna-se o primeiro a marcar em seis rondas consecutivas. No Benfica, ninguém marca golos em mais de cinco jornadas seguidas desde que Cardozo esteve entre os goleadores durante sete partidas de enfiada, entre Dezembro de 2011 e Fevereiro de 2012.   - O Benfica vem numa série de onze vitórias seguidas, contabilizando todas as competições. Os encarnados ganharam todos os desafios desde o empate a zero com o U. Madeira, a 15 de Dezembro. É a melhor série de resultados sucessivos do Benfica desde que obteve 18 vitórias seguidas, em 2010/11.   - Se contabilizarmos apenas os jogos da Liga, então o Benfica traz oito vitórias seguidas, ainda a uma da melhor série da época passada, que foram os nove sucessos seguidos entre a derrota em Braga (1-2, na oitava jornada, a 26 de Outubro) e a derrota em Paços de Ferreira (0-1, na 18ª ronda, a 26 de Fevereiro). Ao mesmo tempo, o Benfica não perde na Liga desde 25 de Outubro, quando foi batido pelo Sporting (0-3, na oitava jornada). São 14 jornadas sem derrota, a série mais longa desde as 28 partidas sem ser batido entre a primeira e a última ronda de 2013/14.   - O FC Porto, por sua vez, vem numa série particularmente negativa, pois perdeu quatro dos últimos sete jogos (V. Guimarães, Famalicão, Feirense e Arouca). Não se coloca sequer aquela teoria segundo a qual é raro os dragões perderem duas vezes seguidas, porque só esta época isso já lhes aconteceu duas vezes: em Dezembro e Janeiro foi o 1-3 com o Marítimo para a Taça da Liga e o 0-2 com o Sporting para o campeonato; mais tarde, em Janeiro, duas vezes 0-1, com o V. Guimarães na Liga e o Famalicão na Taça da Liga.   - Raro, no entanto, será ver o FC Porto perder duas jornadas seguidas na Liga. Tal não lhe acontece desde Outubro e Novembro de 2008, quando a equipa de Jesualdo Ferreira perdeu em casa com o Leixões (3-2) e fora com a Naval (1-0).   - O Benfica não fez golos ao FC Porto nos dois últimos confrontos entre as duas equipas: a derrota por 1-0 no Dragão, na primeira volta do atual campeonato, e o empate sem golos na Luz com que assegurou que mantinha o adversário a três pontos de distância, na ponta final da época passada. Os últimos golos benfiquistas ao FC Porto foram de Lima, no Dragão, em Dezembro de 2014, a valer uma vitória encarnada por 2-0.   - Em contrapartida, o FC Porto não marca na Luz para o campeonato desde Janeiro de 2013, quando ali foi empatar a duas bolas e se manteve com os mesmos pontos do adversário na frente da Liga. Mangala e Jackson Martínez foram os autores dos golos portistas nessa noite, tendo Matic e Gaitán marcado para o Benfica. Depois disso, o FC Poto já ali perdeu por 2-0 (2013/14) e empatou a zero (2014/15).   - O Benfica não ganha um clássico a nenhum dos outros grandes desde esse jogo em Dezembro de 2014 que venceu no Dragão por 2-0. Depois disso, ainda em 2014/15, empatou a uma bola com o Sporting em Alvalade e a zeros com o FC Porto na Luz. Já esta época, perdeu três vezes com o Sporting (1-0 na Supertaça, 3-0 na Liga e 2-1 na Taça de Portugal) e uma com o FC Porto (1-0 no Dragão).
2016-02-11
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Último Passe

A conferência de imprensa de José Peseiro antes do clássico com o Benfica na Luz fez eco na comunicação social à conta de duas frases: a queixa acerca da arbitragem do jogo com o Arouca e o modo afirmativo como o treinador do FC Porto se referiu aos casos de Maicon e Brahimi. A primeira, já se sabia, vale zero porque nem as conclusões de Peseiro podem ser comprovadas nem um jogo vale um campeonato. A segunda, porém, pode mudar a imagem que o treinador traz em cima dos ombros há mais de dez anos.Quando Peseiro diz que se o árbitro não tivesse anulado o golo que daria o 2-1 ao FC Porto a sua equipa estaria a três pontos de Benfica e Sporting, está logo à partida a ignorar que a formação de Lito Vidigal ainda marcou um segundo golo e depois a assumir que nada mais viria a suceder até final. Normal num país que se habituou a funcionar em função das chamadas "ligas da verdade" que mais não fazem que servir-se de virtualidades e assumir que elas explicam a realidade como um todo. Mas anormal porque no raciocínio Peseiro está a esquecer outros jogos em que as suas cores viram estes erros sorrir-lhe. Afinal de contas a razão pela qual este tipo de contas de somar e diminuir não passam de uma perda de tempo enfatizada pelos comentadores engajados.Mais interessante é ver o que fará o FC Porto com Maicon e Brahimi. O central brasileiro saiu de campo após o erro que deu o segundo golo ao Arouca, sem ter sequer esperado pelo veredicto da equipa médica - na qual ao menos a sua mulher não acredita -, enquanto que o argelino reagiu de forma intempestiva quando do banco veio a ordem para o substituir. O que disse Peseiro foi simples: as regras do clube serão cumpridas. E se houve por aí quem se lembrou do incidente com Rochemback, no Sporting, agora se verá se na altura Peseiro foi mesmo mole ou se o que lhe faltou foi suporte e apoio da SAD leonina. A resposta à dúvida virá, o mais tardar, na sexta-feira, quando o FC Porto subir ao relvado da Luz para o jogo que vale a época.
2016-02-11
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Último Passe

O empate do Sporting com o Rio Ave, conjugado com a vitória do Benfica frente ao Belenenses, deu a primeira liderança da Liga partilhada envolvendo os grandes de Lisboa desde há uns dois anos. Na altura, ainda fazia eu parte da direção do Record, o caso deu origem à feroz guerra das classificações. Para mim, que não sigo carneiradas, mantenho a coerência e sei que a liderança que vale é a da última jornada e não a da 21ª, quem comanda agora a Liga é o Sporting e não o Benfica, como está no site oficial. E o mais divertido vai ser ver os fanáticos da aritmética de conveniência que me (nos) insultaram há dois anos mudarem de posição consoante os argumentos passaram a favorecer quem outrora desfavoreceram. Ou aqueles que há dois anos acharam que tínhamos razão virem agora chamar-me nomes porque se há uma classificação oficial os jornalistas têm mais é que a seguir de forma cega. A situação explica-se facilmente. Em Dezembro de 2013, o empate do Sporting em casa com o Nacional – também 0-0, como agora – deu até uma liderança a três: FC Porto, Benfica e Sporting, todos com 33 pontos. Para a Liga, as regras são claras: o desempate faz-se por diferença de golos até à penúltima jornada e por confronto direto no final da prova. Pelas regras da Liga, o primeiro naquele mês de Dezembro era o Sporting, com diferença de 24 golos positivos, seguido de FC Porto (20) e Benfica (15); pelas do bom-senso, que foram aplicadas pelo Record, quem liderava era o FC Porto, que ganhara aos leões, seguido de Benfica, porque tinha empatado em Alvalade, e de Sporting, o mais fraco numa mini-Liga a três. Tal como agora é o Benfica quem lidera pelas regras da Liga, mas na verdade, o líder do bom-senso é o Sporting, que ganhou por 3-0 aos encarnados na Luz – a este propósito, cresce o meu respeito pelo zerozero.pt, que manteve a coerência na diferença. As regras da Liga fazem pouco sentido. Imaginemos que Benfica e Sporting ganham todos os jogos até à última jornada, empatando de caminho no dérbi entre ambos, em Alvalade. Imaginemos ainda que os encarnados mantêm a vantagem na diferença de golos geral. Aí, o que sucederá é que, mesmo entrando para a última jornada em primeiro lugar – para a Liga – o Benfica pode até ganhar por 50-0 ao Nacional que a mesma Liga o despromoverá à segunda posição desde que o Sporting vença em Braga. Normal? A mim não me parece. Como não pareceu há dois anos, na altura em que a direção do Record de que fazia parte foi chamada a deliberar acerca de uma decisão tomada em outras núpcias por uma direção anterior – e que é em grande parte a atual – acabando por decidir manter as regras que aquele coletivo tomara. Na altura, uma onda de contestação nasceu em Alvalade e chegou às imediações do Estádio da Luz, às instalções da Cofina. Houve condenações, imolações, tudo em crescendo à medida que o ruído vindo das redes sociais aumentava. Vinham de quem não é capaz de perceber que nem todos têm de seguir a carneirada e que as tomadas de posição, se são prévias aos acontecimentos, não podem ser acusadas de ser parciais quando se trata de os avaliar. Dois anos depois, cá estou, a manter a coerência e a dizer: para mim, quem vai à frente é o Sporting.
2016-02-09
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Artigo

O FC Porto perdeu no Dragão com o Arouca, por 2-1. Foi a primeira derrota dos azuis e brancos em casa para a Liga desde 14 de Dezembro de 2014, quando ali ganhou o Benfica (2-0). Desde então, porém, já ali tinham ganho o Dynamo Kiev (2-0 para a Liga dos Campeões, a 24 de Novembro de 2015) e o Marítimo (3-1 para a Taça da Liga, a 29 de Dezembro de 2015).   O Arouca tornou-se, com esta vitória, na segunda equipa nacional a ganhar a dois dos grandes de Portugal esta época, uma vez que já tinha batido o Benfica, em Aveiro (1-0). A outra equipa que o fez foi uma das grandes: o Sporting, que ganhou por três vezes ao Benfica e uma ao FC Porto.   A equipa de Lito Vidigal é a equipa nacional que marca golos há mais jornadas seguidas da Liga. São já onze rondas, desde a última vez que o Arouca ficou em branco. Aconteceu a 8 de Novembro de 2015, na derrota em casa contra o Sporting (1-0).   Walter González foi o segundo jogador a bisar frente ao FC Porto esta época, tendo o anterior sido Slimani, na vitória do Sporting frente ao FC Porto (2-0), em Alvalade. González foi, porém, o primeiro adversário a bisar no Dragão desde que Lima o conseguiu, na tal vitória do Benfica por 2-0, em Dezembro de 2014.   O primeiro golo de González foi o mais rápido desta edição da Liga, pois foi obtido com apenas 10 segundos de jogo. Para o FC Porto é uma sensação repetida, pois nos últimos quatro jogos para a Liga só por uma vez não sofreu golos nos primeiros cinco minutos – contra o Marítimo, no jogo que venceu por 1-0. De resto, frente ao V. Guimarães, Casillas foi batido por Bouba Saré aos 4 minutos e no jogo com o Estoril, Diego Carlos marcou aos 3’.   Aboubakar, que marcou o seu 50º jogo com a camisola do FC Porto com mais um golo, continua a manter o registo 100 por cento goleador frente ao Arouca. Em quatro vezes que defrontou esta equipa, marcou sempre. Desta vez, porém, não ganhou – e isso foi uma estreia.   Além disso, Aboubakar marcou golos pela segunda jornada consecutiva da Liga, pois já estivera entre os goleadores na vitória por 3-1 frente ao Estoril, na Amoreira. Repetiu o que já havia conseguido na primeira volta, quando marcou consecutivamente aos mesmos Estoril e Arouca. Até aqui, o camaronês nunca marcou em três jornadas seguidas.   O golo de Aboubakar resultou de mais uma assistência de Layun, a 13ª do mexicano nas primeiras 21 jornadas da competição. Layun é o maior assistente da Liga, com mais quatro passes decisivos que os benfiquistas Gaitán e Jonas.   Ao ganhar ao FC Porto, o Arouca passou a somar 28 pontos, tantos quantos fez nas 34 jornadas da Liga anterior, e 28 golos marcados, mais dois do que em toda a Liga de 2014/15 e os mesmos que no ano de estreia entre os grandes – 2013/14. Faltam três pontos para igualar o total dessa primeira época.   André André fez o 100º jogo na Liga portuguesa, o 19º com a camisola do FC Porto – uma vez que os primeiros 81 foram todos em representação do V. Guimarães. Ao todo soma 19 golos, três deles pelo FC Porto.   Herrera também celebrou um centenário, mas de jogos com a camisola do FC Porto, nem todos na Liga. Dos 100, 67 foram para a Liga portuguesa, 18 na Liga dos Campeões, sete na Taça de Portugal, cinco na Liga Europa e três na Taça da Liga. Nesses 100 jogos não chegou nenhum troféu.
2016-02-09
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Último Passe

A derrota do FC Porto em casa com o Arouca, por 2-1, numa noite mágica de González, que fez os dois golos dos visitantes, tem muitas explicações e algumas até são coletivas e estarão relacionadas com a falta de qualidade da equipa portista nas combinações ofensivas ou a com a boa organização defensiva dos visitantes. Mas a justificação principal para os três pontos desperdiçados pelos dragões esteve nos erros individuais, de que é maior exemplo a forma como Maicon falhou no momento que deu o segundo tento ao atacante paraguaio. As perdas de bola do último homem eram um clássico com Lopetegui e resistiram à mudança no comando técnico, deixando a equipa de José Peseiro cada vez mais dependente de uma vitória contra o Benfica, na Luz, na próxima sexta-feira. É que os seis pontos de atraso para os encarnados e os cinco – que hoje podem passar a oito – para o Sporting exigem medidas drásticas. O FC Porto que se viu contra o Arouca, em 4x2x3x1, já exibe comportamentos muito diferentes dos que mostrava com o treinador basco, procurando sobretudo as combinações ofensivas no espaço interior, em busca de um último passe capaz de isolar um dos muitos jogadores que coloca sempre em zonas de finalização. Mas a ideia que fica é a de que Peseiro quis mudar as coisas sem mudar o onze e dessa forma terá sempre grandes dificuldades para fazer valer o novo ideário. André André, por exemplo, que tem sido um dos melhores da equipa até este momento, funciona melhor com espaço à frente do que como 10, onde precisa de tomar decisões e de puxar por argumentos que não são os seus. É um excelente oito, a chegar de trás sem bola, um bom ala, a vir das laterais para dentro numa equipa que queira dar mais iniciativa ao adversário, mas como dez de uma equipa que passa grande parte do jogo a circundar a área à espera de um momento de penetração deixou a desejar. Não foi o único a falhar, como é evidente. Mas as próprias substituições de Peseiro pareciam revelar duas coisas: respeito pelo Arouca e receio de ver a equipa falhar atrás. Porque o Arouca já tinha mostrado na Luz, por exemplo, que tinha qualidade na frente, que pressionava bem a saída do adversário. Fez assim o segundo golo, quando meteu dois homens em cima de Maicon, que não teve a capacidade de perceber que ali não tinha de limpar o lance e precisava era de dar um chutão para fora. E porque na verdade o treinador nunca mudou muita coisa: trocou André por Varela, percebendo que aquela não era a missão para ele, mas não o recuando para onde ele podia ser mais útil; trocou Maicon por Ruben Neves, baixando Danilo, mas porque não tinha alternativas para o centro da defesa e o brasileiro lesionou-se; e trocou Brahimi por Marega quando quis colocar mais potência na frente. Soube a pouco mas, mais uma vez, o problema não esteve aí, pois além de falhar atrás, a equipa ainda falhou lances de golo cantado em número suficiente para conseguir outro resultado.
2016-02-07
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Stats

Aboubakar, que voltou aos golos na Liga na vitória do FC Porto frente ao Estoril (3-1) marcou sempre nas três vezes que defrontou o Arouca, mas só por uma vez foi decisivo: aconteceu precisamente no magro 1-0 com que os dragões se impuseram no Dragão, na época passada. Nas outras duas ocasiões, o golo do camaronês fechou sempre a conta da equipa azul e branca. Quando se prepara para vestir pela 50ª vez a camisola do FC Porto, o camaronês é a maior aposta de Peseiro para o golo na perseguição aos dois primeiros na tabela. Foi frente ao Arouca, aliás, que Aboubakar marcou o primeiro golo no campeonato português. Aconteceu a 25 de Outubro de 2014, quando o camaronês entrou a 15 minutos do fim de um jogo no Municipal de Arouca, já com o resultado em 4-0 para a equipa então liderada por Lopetegui e ainda fixou o resultado final em 5-0. Este só não foi o primeiro golo de Aboubakar de azul e branco porque antes o camaronês já tinha marcado na goleada ao BATE Borisov (6-0), na Liga dos Campeões. Depois, a 15 de Março de 2015, o jogo foi muito mais complicado. O guardião Fabiano foi expulso logo aos 12 minutos e o FC Porto sofreu para ganhar por 1-0 no Dragão, valendo na ocasião o golo de Aboubakar. Por fim, a 12 de Setembro do ano passado, o camaronês fechou a contagem portista na vitória em Arouca por 3-1, depois de um bis de Corona ter colocado o jogo confortável para os dragões. O Arouca aparece no calendário da equipa agora orientada por José Peseiro numa altura em que Aboubakar parece estar de volta a um bom momento: depois de ser expulso na derrota em Guimarães (1-0) e substituído na magra vitória sobre o Marítimo, na estreia do treinador ribatejano, o camaronês fez o primeiro golo do FC Porto no sucesso por 3-1 frente ao Estoril, elevando a sua contagem particular para 14 golos nesta temporada. Está a dois golos do seu recorde numa só época, que são os 16 golos apontados no Lorient em 2013/14. Numa noite feliz, poderia igualar essa marca e assinalar assim a 50ª partida com a camisola do FC Porto – jogou até aqui 49 vezes, 33 delas na Liga portuguesa, dez na Liga dos Campeões, três na Taça de Portugal e outras tantas na Taça da Liga. Soma, ao todo, 22 golos.   - Hector Herrera pode fazer frente ao Arouca o 100º jogo com a camisola do FC Porto. Dos 99 em que já atuou, 66 foram a contar para a Liga, somando o mexicano ainda mais 18 na Liga dos Campeões, sete na Taça de Portugal, cinco na Liga Europa e três na Taça da Liga. Ao todo, marcou 15 golos.   - José Peseiro, o novo treinador do FC Porto, nunca defrontou Lito Vidigal. Nos anos em que Lito treinou na I Divisão, Peseiro andava pelo estrangeiro. E se quando Peseiro orientou o Sporting ainda Lito crescia nos escalões secundários, quando o ribatejano voltou a Portugal para dirigir o Sp. Braga andava o angolano no estrangeiro. Além disso, Peseiro também nunca viu uma equipa sua jogar contra o Arouca.   - Por sua vez, Lito perdeu sempre que defrontou o FC Porto. Em 2009/10, quando dirigia a U. Leiria, perdeu por 3-2 no Dragão (Janeiro de 2010) e por 4-1 em casa (Maio de 2010). Depois, foi batido por 1-0 no Dragão na estreia à frente do Belenenses, em Março de 2014, regressando lá com os azuis para nova derrota, desta vez por 3-0, em Janeiro de 2015. Na única ocasião em que defrontou o FC Porto aos comandos do Arouca, em Setembro do ano passado, perdeu em casa por 3-1.   -O FC Porto vai com 20 jogos seguidos sem perder em casa na Liga, tendo cedido apenas dois empates desde a derrota contra o Benfica (0-2), em Dezembro de 2014. Uma série ainda assim muito longe dos 81 desafios consecutivos sem ser derrotado para o campeonato no Dragão entre um 2-3 com o Leixões, a 25 de Outubro de 2008, e um 0-1 com o Estoril, a 23 de Fevereiro de 2014.   - O Arouca, em contrapartida, segue com sete jogos sem ganhar, todos desde que bateu o Estoril em casa, por 1-0, a 6 de Janeiro. A equipa de Vidigal já igualou a mais longa série de jogos sem ganhar desde que subiu à I Liga, em 2013. O pior até aqui eram precisamente sete jogos seguidos sem ganhar, entre uma vitória frente ao Belenenses (2-0), a 12 de Janeiro de 2014, e outra ante o Olhanense (2-0), a 16 de Março do mesmo ano.   - Maxi Pereira vai voltar a faltar a uma partia do FC Porto na Liga por castigo: na única vez que tal sucedeu os dragões empataram em casa com o Sp. Braga (0-0). Além disso, o lateral uruguaio não esteve nos três jogos da Taça da Liga (três derrotas, com Marítimo, Famalicão e Feirense), pelo que, sem ele, o FC Porto ainda só ganhou na Taça de Portugal, frente a Varzim, Angrense e Feirense.   - Tal como Maxi, também Marcano estará ausente do jogo, por força do quinto cartão amarelo visto contra o Estoril. A solução pela ausência deve passar pelo regresso de Maicon, o que pode levar a novo encontro de irmãos com Maurides, avançado do Arouca que marcou ao FC Porto no jogo da primeira volta.   - Jailson, lateral do Arouca, estreou-se na Liga portuguesa a jogar contra o FC Porto. Foi lançado por Henrique Calisto, numa derrota do Paços de Ferreira por 3-0 no Dragão, a 9 de Fevereiro de 2014. Faz dois anos na próxima terça-feira.   - O FC Porto ganhou todos os jogos que fez contra o Arouca e só um dos cinco foi pela margem mínima: o do Dragão, na última Liga, vencido por 1-0, com golo de Aboubakar, depois de a equipa portista ter ficado reduzida a dez elementos logo aos 12 minutos, por expulsão do guarda-redes Fabiano. 
2016-02-06
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Último Passe

Que o FC Porto está a mudar, já há poucas dúvidas. Claro que a vitória de hoje, sobre o Gil Vicente, pode sempre ser contestada na sua clareza (3-0) pelas duas bolas que os donos da casa enviaram aos ferros da baliza de Helton ainda com o resultado em aberto. Mas até nisso José Peseiro, que era tido como um “pé frio” por força da anterior passagem pelo Sporting, parece trazer um upgrade relativamente a Julen Lopetegui. As maiores diferenças, porém, não têm a ver com sorte e azar ou com a evidência de que, sem o basco, os dragões estão prestes a assegurar a presença num jogo que pode dar-lhes o primeiro troféu em quase três anos – desde a Supertaça ganha por Paulo Fonseca em Agosto de 2013. As maiores diferenças percebem-se sobretudo no comportamento coletivo dos jogadores. Não há receitas infalíveis para o sucesso e o próprio Peseiro reconheceu aspetos menos positivos no jogo contra o Gil Vicente, que por sua vez não deixa de ser uma equipa do segundo escalão. Mas, se já se sabe que a proposta do novo treinador portista tem o foco na capacidade de criar desequilíbrios ofensivos e se está à vista de todos que a equipa mete agora mais gente em situações de finalização, é igualmente claro que precisa de trabalhar melhor a transição defensiva, para evitar ser apanhada em campo aberto. E se há algo claro é que, sendo coerente, a ideia de jogo de Lopetegui cerceava a capacidade ofensiva da equipa, pela sua linearidade em cada corredor, pela timidez dos jogadores laterais na exploração do espaço interior e até pela ausência dos jogadores de meio-campo em zonas de finalização. Com a presença na final da Taça de Portugal assegurada a 99 por cento, Peseiro tem agora três meses para trabalhar a equipa para essa tarde em particular. Tempo mais do que suficiente. Bem diferentes são as contas do campeonato, onde os timings são muito mais apertados. A semana e meia da visita ao Estádio da Luz, onde o espera um Benfica que está ofensivamente muito forte, o FC Porto terá de acelerar o seu tempo de resposta em termos defensivos, sob pena de comprometer seriamente o seu encontro com esta Liga. Seja como for, uma coisa é certa: na Luz, de sexta-feira a uma semana, vai jogar-se com os olhos nas balizas do adversário.
2016-02-03
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Último Passe

A transferência de Gianelli Imbula do FC Porto para o Stoke City, por 24 milhões de euros – mais 15 por cento de uma futura mais-valia – foi a grande novidade do último dia de mercado no futebol português. O negócio pode ser apresentado como uma espécie de milagre da multiplicação dos pães e já foi mencionado por muito boa gente como a prova acabada de que as faculdades de Pinto da Costa não só estão intactas como têm vindo a ser aprimoradas. Não duvido disso. Mas se o caso Imbula prova alguma coisa é algo bem diferente e tem a ver com a gestão que os fundos de investimento fazem dos seus ativos. Uma gestão paralela à dos clubes. Não é fácil explicar de forma razoável como é que um jogador que nunca lutou por títulos e que já não era um adolescente – tinha cinco épocas a jogar com regularidade nos seniores em França – chegou ao FC Porto a valer 20 milhões de euros. Mas mais difícil ainda se torna encontrar uma boa justificação para que, após seis meses num ambiente diferente, nos quais não conseguiu impor-se como titular indiscutível de uma equipa que neste momento é de classe média europeia, o seu passe valorize 20 por cento. A única explicação plausível chama-se Doyen. A Doyen, cujos representantes andaram em reuniões com o FC Porto à altura da aquisição e que pode ter participado na operação, precisa de proteger os seus investimentos, o que faz inflacionando os valores dos jogadores que tem em carteira. Sai a ganhar o FC Porto? Depende. Neste caso, é evidente que sai a ganhar o FC Porto. Como saem a ganhar nas vendas todos os clubes que são capazes de manter boas relações com os fundos de investimento. De repente, vejo apenas um problema, que é a necessidade de manter boas relações com os fundos de investimento, pois sem essas boas relações a venda já não será tão facilitada. É que essas boas relações passam também por comprar, num patamar abaixo, quem esses fundos querem que se compre, ao preço que eles querem fazer. Foi assim que Imbula chegou ao FC Porto por 20 milhões. Ou, numa operação muito parecida mas com outros protagonistas, que Raul Jiménez também se valorizou brutalmente: foi adquirido pelo Atlético de Madrid ao América por 10 milhões de euros, passou um ano no banco e viu depois o Benfica comprar 50 por cento do seu passe por 9 milhões. Se Jiménez justificar esse investimento, o problema fica resolvido; se não justificar, vai ser precisa a boa vontade de quem patrocinou a compra para ele seguir para outras paragens sem perdas. Como aconteceu com o guarda-redes Roberto, outro grande conhecedor da rota Manzanares-Luz. É por tudo isto ser tão difuso que não aceito a tese de que os fundos de investimento fazem falta ao futebol português. E são os valores praticados nestas operações que me levam a concluir que não é verdade que os clubes portugueses precisem destes fundos para chegar ao verdadeiro talento. Porque se é claro que, em parceria com os fundos, vendem caro, geralmente são obrigados a comprar igualmente caro, porque a influência dos fundos inflaciona o mercado. E no fim quem sai a ganhar são sempre os mesmos. Com um problema acrescido: é que ninguém sabe bem quem eles são nem onde têm o dinheiro. 
2016-02-02
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Artigo

Ao vencer o Estoril por 3-1 na Amoreira, o FC Porto voltou a ganhar na zona de Lisboa, algo que já não conseguia desde Outubro de 2012, quando ganhou precisamente naquele mesmo estádio e àquele mesmo adversário, por 2-1. Desde então, foram 14 jogos seguidos sem ganhar na zona de Lisboa, a contar para a Liga, a Taça de Portugal e a Taça da Liga. A saber: 2-2 com o Estoril, 2-2 com o Benfica e 0-0 com o Sporting ainda em 2012/13; 2-2 com o Estoril, 1-1 com o Belenenses, 0-0 com o Sporting, 0-2 com o Benfica, 0-1 com o Sporting e 1-3 com o Benfica em 2013/14; 1-1 com o Sporting, 2-2 com o Estoril, 0-0 com o Benfica e 1-1 com o Belenenses em 2014/15; e ainda o 0-2 com o Sporting desta época.   - Esta foi a segunda vitória do FC Porto de virada esta época, depois de já ter ganho assim em casa ao Paços de Ferreira – na ocasião de 0-1 para 2-1. Fora de casa, os dragões não viravam um jogo desde a abertura do campeonato de 2013/14, quando ganharam em Setúbal por 3-1 depois de a equipa da casa se ter adiantado.   - Em contrapartida, esta foi a segunda jornada consecutiva em que o Estoril fez golos nos primeiros cinco minutos. Há uma semana, em Moreira de Cónegos, marcara ao minuto 1 e ao minuto 3, por Anderson Luís e Diogo Amado; desta vez fê-lo também ao terceiro minuto, por Diego Carlos. Nos últimos três jogos, o Estoril marcou sempre primeiro, mas só ganhou um (3-1 ao Moreirense), tendo perdido os outros dois (1-2 com o Benfica e 1-3 com o FC Porto).   - Layun continua imparável nas assistências. Fez mais duas, para os golos de Aboubakar e Danilo, passando agora a somar 13 em 20 jornadas da Liga. É cada vez mais o maior assistente da competição.   - Aboubakar marcou golos ao Estoril pela terceira partida consecutiva. Já tinha aberto o marcador nos 2-0 do Dragão, na primeira volta, enquanto que na época passada fizera o segundo nos 5-0 com que os canarinhos baquearam no Porto. O camaronês só ficou em branco contra o Estoril no empate a duas bolas na Amoreira, em Novembro de 2014, mas aí entrou apenas a 27 minutos do final.   - Diego Carlos, que passou a época passada no FC Porto B, marcou aos dragões o segundo golo da sua carreira em Portugal. O primeiro, também em casa, contra o Rio Ave, tinha valido um empate a dois golos.   - O médio portista Danilo, que já estivera entre os marcadores frente a U. Madeira, Académica e Boavista, fez o quarto golo da época, que já é a mais goleadora de toda a sua carreira. O seu máximo eram os três golos que fez pelo Marítimo em 2014/15.   - Maxi Pereira viu o nono cartão amarelo, incorrendo na segunda suspensão da época por acumulação de cartões. Na época passada precisou de 28 jornadas para chegar aos nove amarelos, em vez das atuais 20. O mais perto que Maxi esteve do atual registo foi em 2010/11 e em 2011/12, épocas nas quais precisou de 22 jornadas para ver tantos amarelos.   - José Peseiro voltou a ganhar no Estoril, numa fase difícil para a sua equipa. Em 2004/05, quando comandava o Sporting, ganhou lá por 4-1 à sexta jornada, depois de duas derrotas e dois empates. Na altura, tal como agora acontece com o FC Porto em relação ao Sporting, os leões colocaram-se a cinco pontos dos líderes, que eram Benfica e Marítimo. Dez jornadas depois, o Sporting de Peseiro estava isolado em primeiro lugar.
2016-01-31
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Último Passe

O FC Porto ganhou pela primeira vez nos últimos anos no Estoril (3-1) e já começou a mostrar algumas boas ideias, fruto da mudança recente no comando técnico. Ainda assim, a incerteza que durou no resultado até ao terceiro golo portista, marcado a 10 minutos do final, e a forma como até aí os canarinhos foram sendo capazes de meter a cabeça de fora na procura do empate mostraram que Peseiro tem ainda várias questões para resolver até colocar a equipa a jogar à sua imagem. No Estoril, viram-se um excelente Layun e momentos bons de Aboubakar, a contrastar com a forma incrível como falhou o 3-1 que podia ter resolvido o jogo mais cedo, mas uma equipa ainda sofrível em momentos de transição defensiva e a mostrar dificuldades para ativar os extremos e para os fazer compreender a nova movimentação de André André. O Estoril começou como contra o Benfica, marcando um golo cedo, desta vez por Diego Carlos, após um canto. Ao contrário do que aconteceu no jogo com os encarnados, porém, a equipa de Fabiano Soares não ficou remetida ao seu meio-campo depois de se ver em vantagem. A diferença é que, apesar da supremacia natural, que conseguia por ter melhores jogadores e porque precisava de correr atrás do resultado, o FC Porto não era capaz de responder tão bem à perda de bola e deixava os donos da casa sair com alguma frequência, sobretudo fruto do critério dos médios estorilistas no passe e da velocidade de Gerso na esquerda. O FC Porto repetia o 4x2x3x1 do jogo com o Marítimo, encostando Herrera a Danilo na primeira fase de organização e pedindo a André André que procurasse os corredores laterais, convidando os extremos a virem para dentro, para darem alguma iniciativa aos defesas laterais. E se o médio foi sempre respondendo bem, Corona e Brahimi nunca o fizeram, passando ao lado do desafio durante grande parte do tempo. Acabou por ser Layun a resolver da forma habitual: com assistências. Começou por explorar um desequilíbrio no corredor direito do Estoril para arrancar por ali a fora e oferecer o empate a Aboubakar. Depois, de canto, encontrou a cabeça de Danilo na zona do primeiro poste, deixando o FC Porto em vantagem ainda antes do intervalo. Faltava um terceiro golo para que a equipa pudesse acalmar, mas o que se via era o contrário: alguma passividade no momento da perda de bola, a dar ao Estoril a possibilidade de lançar contra-ataques que o perigoso Bonatini aguardava, ameaçando com o empate. Nunca aconteceu e, depois de Aboubakar falhar o tal golo de baliza aberta, foi André André quem mateou o jogo a nove minutos do fim. Peseiro levou os três pontos para o Dragão, afinal aquilo de que precisa para ir ganhando tempo para dar as suas afinações à máquina. NO Estoril, ganhou mais uma semana.
2016-01-30
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Stats

O FC Porto desloca-se ao Estoril na sequência de três derrotas consecutivas como visitante e com a obrigatoriedade de vencer, para manter a pressão sobre Benfica e Sporting, que ocupam os dois primeiros lugares da tabela classificativa da Liga. Se em 2013/14 estiveram seis saídas seguidas sem ganhar, é preciso recuar muito mais, até 2005, para se encontrar uma equipa do FC Porto que tenha perdido três jogos consecutivos como visitante. Agora é preciso evitar o quarto, que os dragões não conhecem desde 1985. Depois das vitórias frente ao Boavista para a Liga (5-0) e para a Taça de Portugal (1-0), ainda com Rui Barros aos comandos, o FC Porto perdeu as três deslocações que se seguiram: 1-0 com o Vitória em Guimarães, o mesmo resultado com o Famalicão e 2-0 com o Feirense, este último desafio já com José Peseiro no banco a liderar a equipa. Começam por ser preocupantes as dificuldades que os dragões têm encontrado para fazer golos fora do seu estádio, pois são já três jogos seguidos a zero. Mas mais negro se torna o panorama quando se percebe que é preciso recuar mais de dez anos para se encontrar uma série tão negra. Em Março e Abril de 2005, a época horrível que se seguiu à saída de José Mourinho, o FC Porto perdeu consecutivamente em Milão com o Inter (3-1), em Alvalade com o Sporting (2-0) e no Bessa com o Boavista (1-0), reagindo ao quarto jogo, no qual foi ganhar ao Beira Mar em Aveiro por 1-0, com golo de Quaresma ao minuto 89. Para se encontrar uma série de quatro deslocações seguidas com derrota é preciso ir muito mais atrás, a Novembro e Dezembro de 1985, quando a equipa dirigida por Artur Jorge perdeu consecutivamente com Benfica (1-0), Portimonense (1-0), V. Guimarães (2-1) e Sp. Covilhã (2-0). Desde então, a equipa portista já teve várias situações de duas derrotas seguidas fora de casa, mas conseguiu sempre pontuar à terceira partida. Foi o caso de 2013/14, em que esta situação se repetiu por três vezes. Às derrotas frente a Académica (1-0) e Atlético Madrid (2-0) seguiu-se uma vitória ante o Rio Ave (3-1). Depois, na sequência dos insucessos com o Benfica (2-0) e Marítimo (1-0) apareceu uma vitória no terreno do Gil Vicente (2-1). Por fim, quando o FC Porto perdeu frente ao Nacional (2-1) e ao Sevilha (4-1), foi o Sp. Braga a pagar as favas (3-1). De 2013/14 vem também a última série de três deslocações seguidas sem que o FC Porto tenha conseguido marcar golos – mas também aí a equipa reagiu ao quarto jogo: após um empate a zero com o Sporting em Alvalade e as derrotas nos terrenos de Benfica (2-0) e Marítimo (1-0), ganhou a tal partida ao Gil Vicente, graças a um bis de Varela (2-1).   - Desde Dezembro, o Estoril tem sempre alternado resultados nos jogos em casa: ora ganha, ora cede pontos. Após o empate com o Nacional (1-1, a 6 de Dezembro), venceu o Penafiel (1-0, a 16). Depois perdeu com o V. Guimarães (1-0, a 19) e ganhou ao Belenenses (2-0, a 10 de Janeiro). Por fim, perdeu com o Benfica (2-1, a 16) e recebe agora o FC Porto.   - À exceção do jogo com o V. Guimarães, Leo Bonatini fez golos em todos os desafios do Estoril em casa desde o empate com o Rio Ave, a 24 de Outubro. Marcou à Académica (1-1), Nacional (1-1), Penafiel (1-0), Belenenses (2-0) e Benfica (1-2).   - Será a primeira vez que Fabiano Soares e José Peseiro se defrontam como treinadores. O técnico do Estoril perdeu até aqui sempre que defrontou o FC Porto, equipa que foi a primeira a derrotá-lo na qualidade de treinador principal e à qual nunca fez um golo: perdeu por 5-0 na época passada e por 2-0 esta temporada, sempre no Dragão.   - Peseiro, por sua vez, perdeu na última vez que levou uma equipa ao Estoril (2-1, com o Sp. Braga, em 2013), mas arrancou ali para uma série de bons resultados na sua passagem pelo Sporting. Após um início difícil e quatro jogos seguidos sem ganhar, os leões venceram no Estoril por 4-1, em Outubro de 2004, encetando uma recuperação que os levaria ao topo da Liga.   - Matheus estreou-se pelo Estoril a jogar contra o FC Porto, a 6 de Abril do ano passado. Fabiano Soares fê-lo entrar para o lugar de Filipe Gonçalves a 15 minutos do fim de um jogo que os canarinhos já perdiam por 4-0 e que acabou com 5-0 para os dragões.   - O lateral Mano pode fazer o jogo 100 pelo Estoril, depois de se ter estreado a 13 de Setembro de 2012, com uma vitória por 1-0 na Taça da Liga, frente ao U. Madeira. Dos 99 em que já atuou, 73 foram na Liga portuguesa, 10 na Liga Europa, oito na Taça de Portugal e outros oito na Taça da Liga. Ainda não fez um único golo com a camisola amarela.   - O FC Porto ganhou os últimos dois jogos ao Estoril, ambos sem sofrer golos, mas já não vence na Amoreira desde Outubro de 2012, tendo entretanto empatado ali por três vezes, todas com o mesmo resultado: 2-2. A última vitória dos dragões no Estoril foi para a Liga e teve Vítor Pereira como treinador, tendo acontecido de virada, graças a golos de Varela e Jackson Martínez, depois de Steven Vitória ter adiantado os canarinhos.   - Nos três últimos jogos jogados entre o Estoril e o FC Porto no António Coimbra da Mota, todos eles terminados com um empate a dois golos, os estorilistas tiveram sempre um penalti a favor. Converteram-nos Steven Vitória (Taça da Liga, em Dezembro de 2012), Evandro (Liga, em Setembro de 2013) e Tozé (Liga, em Novembro de 2014). Em dois destes três jogos, o FC Porto só chegou ao empate em período de descontos, com golos de João Moutinho e Oliver Torres.   - A última vitória do Estoril sobre o FC Porto foi no Dragão, em Fevereiro de 2014, e também resultou de um penalti, na altura convertido por Evandro no 1-0 final. Em casa, o Estoril não ganha ao FC Porto desde Janeiro de 1979, altura em que a equipa canarinha era a “besta negra” do FC Porto de Pedroto, que esteve sem ganhar ali de 1975 a 1988. Nessa tarde, marcaram Vitinha, Marinho e Fonseca, todos nos últimos 10 minutos, para um 3-0 que eliminou os dragões da Taça de Portugal.
2016-01-29
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No futebol, há muito quem ligue a estas coisas das superstições. Há quem entre em campo a saltitar em cima do pé direito, porque só ao fim de calcar a relva uma meia dúzia de vezes com aquela chuteira lhes é permitido pousar a esquerda. Há treinadores que não deixam o autocarro da equipa fazer marcha-atrás, causando dores de cabeça infindas aos respetivos motoristas. Há quem vá para os jogos sem fazer a barba ou com uma peça de roupa em particular. E há quem ligue aos inícios. Muita gente liga aos inícios. Como representante de uma escola mais científica, das que acredita mais no valo do trabalho que nos sinais, José Peseiro, espero, não deve ser muito de ligar aos inícios. Porque se o início da sua etapa no FC Porto foi marcado por uma exibição pouco conseguida, nem o prenúncio se salvou. Os adeptos do FC Porto lembram com saudade José Mourinho, o último treinador que lhes deu a alegria de uma Liga dos Campeões, em 2004. Ora Peseiro vem do mesmo sítio: o antigo ISEF, a que agora se chama Faculdade de Motricidade Humana. São dois representantes de uma mesma escola de treino e Peseiro até esteve para ser um continuador de Mourinho, no início do século, quando apurou o Sporting para a final da Taça UEFA de 2005, um ano depois de o Special One ter ganho a tal Liga dos Campeões com o FC Porto. Perdeu-a, é certo, com algum azar – uma bola nos dois postes em resposta à qual o adversário fechou o jogo com o 3-1 – mas já se sabe que a diferença entre uma vitória e uma derrota é tantas vezes tão ténue que se explica com minudências. Assim como as superstições, por exemplo. Ora Peseiro estava lançado para uma estreia de sonho para quem acredita nestas coisas. Chegou ao FC Porto em meados de Janeiro, como Mourinho. Fez o primeiro jogo contra o Marítimo, como Mourinho. No outro banco, tinha como padrinho Nelo Vingada, como Mourinho, quase parecendo que o Marítimo tinha ido a correr contratá-lo só para poder haver mais uma coincidência. Abriu o marcador aos 22 minutos, apenas dois minutos depois de Mourinho. E fê-lo com um autogolo do adversário, como Mourinho. O problema é que se na altura valeu a lei dos jornalistas, que atribuíram o golo de abertura do jogo a Briguel, na própria baliza, agora a Liga tem a mania de se organizar e estende as suas influências por todo o lado. E logo veio, na mesma noite, dizer que o autogolo de Salin, afinal, era um golo de André André. Não vou ao ponto de dizer que a Liga o fez só para estragar a coincidência a Peseiro. Acho que não. Acho francamente que o fez porque, além de andar toda a gente louca com as mãos na bola e as bolas na mão – qualquer dia os futebolistas têm de jogar de mãos amarradas atrás das costas para não causarem aquilo a que os especialistas de arbitragem chamam “volumetria” – o futebol nacional está cheio de especialistas que acham que não há autogolos. Ora o golo de André André é muito parecido com o primeiro do Benfica em Braga. Na altura Pizzi chutou, agora chutou André; na altura a bola foi cortada por um defesa em cima da linha, agora acertou na barra; na altura bateu nas costas de Kritciuk e voltou a assumir a direção da baliza, agora bateu nas pernas de Salin e tomou de novo o caminho das redes. Presumo que, movidos pela maior força motriz do futebol em Portugal, que é o fanatismo clubístico, os que na altura acharam que era golo de Pizzi, agora virão dizer que é autogolo de Salin, enquanto que os que na altura defenderam que era autogolo de Kritciuk virão agora sustentar que é golo de André André. Nesse aspeto, a Liga foi coerente e deu os dois golos a quem chutou: Pizzi e André André. Eu também o sou. Para mim são ambos autogolos. E não é para permitir a Peseiro compor melhor o filme das suas premonições. É mesmo porque sem a intervenção involuntária dos dois guarda-redes, aquelas duas bolas nunca chegariam à baliza. Vinham na direção oposta, aliás. In Diário de Notícias
2016-01-26
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Último Passe

As contratações de José Sá e Marega pelo FC Porto ao Marítimo têm sido analisadas sobretudo à luz do que se disse ser o interesse do Sporting nos dois jogadores. Agora, consumado o desfecho dos negócios, é evidente que mesmo que tenha havido interesse, o Sporting o desmentirá. Mas o mais interessante aqui não é perceber se um clube ganhou a corrida ao outro. É ver onde os dois jogadores fariam mais sentido. E na verdade eles fariam muito mais sentido em Alvalade do que no Dragão. A não ser que Peseiro queira mudar muita coisa. José Sá é um bom guarda-redes. Esteve no Mundial de sub20 e na final do Mundial de sub21, é um guarda-redes de futuro, mas já tem 23 anos, está na quarta época de sénior no Marítimo e ainda não se impôs como titular dos insulares. Não se vê que pudesse ser titular no imediato em vez de Rui Patrício, como o não será no lugar de Casillas. E a questão aqui é mesmo a de ver quem precisa mais de uma alternativa. O FC Porto tem Helton, tem no mexicano Gudiño uma aposta de futuro, que roda na equipa B, e ainda pode chamar de volta Fabiano e Ricardo, emprestados a Fenerbahçe e V. Setúbal. Por sua vez, o Sporting conta apenas com Marcelo Boeck, que se diz inclinado para um regrsso ao Brasil, e com a incógnita que é o esloveno Jug. Por sua vez, Marega é um excelente avançado. Forte fisicamente, rápido, tem jogado mais sobre a direita, mas poderia perfeitamente ser a alternativa a Slimani que o plantel leonino não tem. Mais ainda: com a vontade mal disfarçada de Teo Gutiérrez regressar à América do Sul, a contratação de um avançado torna-se ainda mais importante em Alvalade, onde Jesus pode de repente ver-se reduzido a Slimani, Montero e Tanaka, com a ajuda de Ruiz. Já no FC Porto, onde há Aboubakar, Suk e André Silva, falta um avançado, mas de preferência um capaz de jogar mais posicional na área, um finalizador que a equipa não tem desde a saída de Jackson Martínez. Claro que tudo depende muito daquilo que José Peseiro quiser fazer com a equipa – se a ideia é manter o 4x3x3, há gente a mais para o centro do ataque e não me parece que Marega seja verdadeiramente uma alternativa para extremo numa equipa que joga em ataque posicional; se a aposta for num 4x4x2 com atacantes móveis, convém ter três e aí, sim, Marega faz mais sentido. Até para demonstrar que faltavam a Lopetegui soluções para o lugar.
2016-01-25
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José Peseiro manteve a tradição de todos os treinadores contratados pelo FC Porto desde Ivic, em 1993, e ganhou o jogo de estreia. Bateu o Marítimo por 1-0, graças a um autogolo de Salin, o que trouxe à memória a estreia de Mourinho, em 2002. Tal como então, a estreia foi em Janeiro, o FC Porto ganhou por um golo ao mesmo adversário, o Marítimo, e o primeiro golo do novo consulado foi marcado na própria baliza por um adversário – então Briguel, agora Salin.   - Foi o primeiro autogolo de que o FC Porto beneficiou no campeonato desde Setembro de 2014, quando Sarr marcou na própria baliza o tento que haveria de valer aos dragões um empate (1-1) em Alvalade frente ao Sporting. Em contrapartida, foi o primeiro autogolo de um jogador do Marítimo na Liga desde que Bauer marcou na própria baliza frente ao Sporting, a 26 de Outubro de 2014, numa derrota por 4-2.   - Esta foi a primeira vitória do FC Porto sobre o Marítimo em cinco jogos, mais precisamente desde a estreia de Lopetegui, no Dragão, em 15 de Agosto de 2014: na altura, o FC Porto ganhou por 2-0. Desde então, o Marítimo tinha ganho (1-0) e empatado (1-1) nos Barreiros, para Liga, tendo ainda batido os dragões por duas vezes na Taça da Liga: 2-1 nos Barreiros em Abril de 2015 e 3-1 no Dragão em Dezembro passado.   - Este foi ainda o primeiro jogo do FC Porto sem sofrer golos no Dragão desde o início de Novembro. Após o 2-0 ao V. Setúbal, os azuis e brancos perderam ali com o Dynamo Kiev (0-2), bateram o Paços de Ferreira (2-1) e a Académica (3-1), foram batidos pelo Marítimo (1-3) e empataram com o Rio Ave (1-1).   - Foi a primeira vez que uma equipa de Peseiro marcou golos em casa a uma equipa de Nelo Vingada. Até aqui, o Nacional de Peseiro tinha empatado a zero com o Marítimo de Vingada e, mais tarde, o Sporting de Peseiro somava um empate a zero e uma derrota por 1-0 contra a Académica de Vingada.   - Nelo Vingada, o novo treinador do Marítimo, também regressou à Liga portuguesa. Entrou como tinha saído: a perder. No último jogo que tinha feito, a 5 de Outubro de 2009, o seu V. Guimarães tinha sido batido pelo Nacional, na Choupana, por 2-0.   - O zero no ataque do Marítimo significa que o FC Porto se isolaram como a melhor defesa da Liga. Os portistas sofreram até aqui onze golos, menos um que o Sporting, menos dois que o Benfica e menos três que o Sp. Braga. Têm, ainda assim, uma defesa pior do que a que tinham há um ano, quando encaixaram dez golos nas primeiras 19 jornadas, mesmo assim mais dois do que o Benfica que ganhou o bicampeonato.   - No que o FC Porto está igual é na pontuação. Soma agora 43 pontos, fruto de 13 vitórias, quatro empates e duas derrotas, exatamente os mesmos que tinha à 19ª jornada da época passada. Com duas diferenças. É que na altura os 43 pontos lhe valiam o segundo lugar e agora só chegam para o terceiro. E por outro lado agora estão a cinco pontos do líder, quando na altura estavam a seis.   - Pior está o Marítimo, que soma apenas 21 pontos e há um ano tinha 24. Estes 21 pontos, que resultam de seis vitórias, três empates e dez derrotas, são o pior pecúlio dos verde-rubros à 19ª jornada desde 2010/11, quando aqui chegaram com apenas 19 pontos. Nessa época, ainda assim, o Marítimo recuperou a tempo de acabar em nono lugar.   - Varela celebrou o 200º jogo na Liga portuguesa, curiosamente às ordens do mesmo treinador que lhe tinha dado o primeiro. Foi José Peseiro quem o lançou a 19 de Agosto de 2005, num Sporting-Belenenses que os leões ganharam por 2-1.   - Do outro lado, João Diogo fez o 100º jogo com a camisola do Marítimo com a braçadeira de capitão. O lateral jogou pela primeira vez pelos maritimistas a 19 de Janeiro de 2011, lançado por Pedro Martins numa vitória por 2-1 frente ao Desp. Aves a contar para a Taça da Liga.  
2016-01-25
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Último Passe

Não se ouviram violinos na estreia do FC Porto de José Peseiro. Bem pelo contrário, aliás. A equipa manteve alguns dos defeitos que se lhe vinham vendo ultimamente, como a incerteza no passe e alguma ansiedade sempre nefasta à tomada de decisão, não revelando ainda, como é evidente, o que o novo treinador pode trazer-lhe, sobretudo no processo ofensivo. Salvou-se, para os dragões, o autogolo de Salin, a valer uma vitória por 1-0 frente a um Marítimo que, seja por intervenção de Nelo Vingada ou, o que é mais provável, por ter sentido as fragilidades do adversário, cresceu face às últimas jornadas e apareceu a dividir o jogo durante boa parte dos 90 minutos. O pouco tempo que Peseiro e Vingada levam de trabalho nas novas equipas ainda não poderia, é óbvio, trazer grandes alterações. Peseiro optou por um 4x2x3x1 mais perto do 4x3x3 de Lopetegui do que do seu 4x4x2 tradicional, mas seria um engano pensar que as alterações que o treinador quererá fazer se resumem ao esquema tático ou à escolha dos titulares, que foram os mesmos de Guimarães. O problema é que enquanto não conseguir executar o modelo de jogo que exija mais dos jogadores em termos de mobilidade e troca de posições, como é apanágio das equipas de José Peseiro, é natural que a equipa se veja um pouco perdida, a meio caminho entre dois pontos. Essa dificuldade viu-se sobretudo na exibição de Herrera, que neste jogo fez par de médios com Danilo, a quem Lopetegui pedia passe seguro, muitas vezes lateral, e subida sem bola e a quem Peseiro terá pedido mais risco na saída. O resultado foram as perdas sucessivas de passes, que fizeram o FC Porto duvidar mais à medida que o jogo se aproximava do fim com vantagem mínima no marcador. E que em contrapartida davam ideias ao Marítimo. Mesmo estando privado de vários jogadores, por lesão ou suspensão, o Marítimo tentava provocar a incomodidade do FC Porto, dispondo-se em torno das suas referências ofensivas, sem medo de galgar metros na frente. Peseiro viu-se forçado a injetar confiança na equipa através das substituições e o que é certo é que ela melhorou com Suk, Ruben Neves e Varela: ao colocar mais gente na frente, o treinador fez ver aos que estavam em campo que era preciso jogar mais perto da baliza de Salin e meter um pouco de respeito no adversário, fazê-lo duvidar antes de cada “cavalgada” ao longo do campo. E o final do jogo foi bem mais tranquilo para os portistas, que salvaram os três pontos num jogo em que as equipas se separaram fundamentalmente pelo desfecho diferente de duas bolas à barra, ainda na primeira parte: a de André André bateu nas pernas do guarda-redes Salin e dirigiu-se para a rede; a de Marega bateu no chão e continuou em jogo. O 1-0 serve mais os propósitos dos FC Porto que do Marítimo, mas não restam dúvidas que as duas equipas têm condições para melhorar no que falta de campeonato.
2016-01-24
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Stats

O FC Porto-Marítimo terá como principal ponto de atração a estreia de José Peseiro no banco dos dragões. Muito já recordaram que foi contra o Marítimo, numa noite de Janeiro de 2002, que José Mourinho comandou pela primeira vez o FC Porto. Só que não foi o único. Também Lopetegui se estreou à frente da equipa contra os verde-rubros madeirenses que foram sempre a sua “besta negra” em Portugal e aos quais poucas vezes ganhou. Certo é que é preciso recuar muito para se ver um treinador abrir a carreira à frente do FC Porto com outro resultado que não a vitória. À atenção de Peseiro: foi Tomislav Ivic, há mais de 20 anos, em 1993. Primeiro, as boas recordações. José Mourinho dirigiu pela última vez a U. Leiria a 20 de Janeiro de 2002, num empate a uma bola frente ao Santa Clara, nos Açores, deixando a equipa com mais um ponto que o FC Porto, no quarto lugar da tabela. E no dia 26 estava à frente do onze que venceu o Marítimo por 2-1, nas Antas, com um autogolo de Briguel e um segundo de Postiga a valerem mais que um tento de Alan pelos madeirenses. Mourinho dava ali início a um percurso de dois anos e meio que valeram dois títulos de campeão nacional, uma Taça UEFA e uma Taça dos Campeões Europeus. Só que será precipitado dizer que foi o Marítimo – que agora assinala a estreia de José Peseiro – a funcionar como talismã, uma vez que também Julen Lopetegui, que não ganhou nada em ano e meio, abriu o seu percurso oficial a defrontar a equipa do Funchal. Foi a 15 de Agosto de 2014, e o FC Porto até ganhou com mais à-vontade: bateu o Marítimo no Dragão por 2-0, com golos de Ruben Neves e Jackson Martínez. A vitória na estreia é, de resto, uma constante para os treinadores contratados pelo FC Porto nos últimos anos (excluem-se deste artigo os interinos). Paulo Fonseca, que passou sem grande sucesso pelo Dragão em 2013/14, também ganhou o primeiro jogo, levando logo para casa a Supertaça, fruto dos 3-0 aplicados em Aveiro ao V. Guimarães, com golos de Licá, Jackson Martínez e Lucho González. Antes dele, também Vítor Pereira se estreara a ganhar uma Supertaça ao V. Guimarães: 2-1 em Aveiro, em Agosto de 2011, graças a um bis improvável de Rolando, ao qual respondeu o brasileiro Toscano. A Supertaça, de resto, era nessa altura uma constante para a estreia dos treinadores portistas. André Villas-Boas fez o primeiro jogo como responsável máximo em Agosto de 2010, batendo o Benfica por 2-0 em Aveiro: golos de Rolando e Falcao. E o próprio Jesualdo só não se estreou na Supertaça porque foi contratado muito tarde, já com 2006/07 em curso, para substituir Co Adriaanse, sendo Rui Barros a comandar a equipa nesse jogo de 2006, com o V. Setúbal. Jesualdo estreou-se só uma semana depois, ganhando por 2-1 à U. Leiria (marcaram Adriano e Quaresma para o FC Porto e Sougou para os leirienses). Um ano antes, o holandês Co Adriaanse tinha-se estreado a liderar o FC Porto a ganhar por 1-0 ao E. Amadora (golo de Ricardo Costa). E nem na confusa época pós-Mourinho, em 2004/05, houve estreias sem vitória. Luigi Del Neri foi contratado e despedido antes do início da época competitiva. Victor Fernández teve a estreia mais usual: a ganhar uma Supertaça ao Benfica. Um golo de Ricardo Quaresma valeu a vitória (1-0) ao FC Porto, em Coimbra. Como o espanhol não chegou ao fim da época, foi contratado José Couceiro, que em Janeiro de 2005 abriu a sua etapa no FC Porto com uma vitória por 2-1 no Estoril – golos de Bosingwa e Quaresma para os dragões e de Felahi para os canarinhos. Antes de Mourinho, em 2001, Otávio Machado estreara-se a golear o Barry Town por 8-0, na fase de qualificação da Liga dos Campeões. E Fernando Santos abriu os três anos de azul e branco com uma vitória por 1-0 frente ao Sp. Braga, na Supertaça de 1998. Aliás, o mesmo score e o mesmo troféu ganho por António Oliveira em 1996, com a diferença que o adversário de Oliveira nessa Supertaça foi o Benfica. Antes de Oliveira, em Janeiro de 1994, Bobby Robson abrira a fase no FC Poto a ganhar por 2-0 ao Salgueiros, para a Taça de Portugal. E o último a estrear-se sem ser a ganhar foi Tomislav Ivic, que chegou em Agosto de 1993 para suceder a Carlos Alberto Silva e coeçou a perder com o Benfica, na Supertaça, por 1-0. Ivic, no entanto, tinha a seu favor o facto de estar a regressar, depois de uma primeira passagem pelas Antas em que tinha sido campeão nacional e ganho a Taça Intercontinental de 1988.   - José Peseiro já abriu o último desafio desta dimensão a ganhar. Quando chegou ao Sporting, em Agosto de 2004, estreou-se a ganhar em casa ao Gil Vicente, por 3-2, graças a um bis de Liedson e a um autogolo de Marcos António, que mais tarde haveria de marcar também na baliza leonina. Fábio fez o segundo dos gilistas. Mais tarde, no Sp. Braga, começou com um empate na Luz frente ao Benfica: 2-2 em Agosto de 2012.   - O Marítimo também estreia um treinador, no caso Nelo Vingada, que regressa ao clube doze anos e meio depois de de lá ter saído, em Março de 2003, na sequência de um empate a uma bola, em casa, frente ao Santa Clara. Peseiro era nessa altura treinador do Nacional, pelo que os dois já se conhecem muito bem.   - Não deixa de ser curioso que tenha sido Nelo Vingada a “despedir” José Peseiro do Sporting. A 16 de Outubro de 2005, a Académica de Vingada venceu em Alvalade por 1-0 e o resultado foi o suficiente para que os leões decidissem separar-se do treinador, substituindo-o por Paulo Bento.   - Desde esse jogo, os dois nunca mais se defrontaram, ainda que tenham andado por caminhos muito semelhantes, pela Ásia. Antes, há uma vitória para cada lado e dois empates a zero. O primeiro confronto foi um Nacional-Marítimo, com Peseiro nos alvi-negros e Vingada nos verde-rubros, e acabou empatado a zero, em Setembro de 2002. Depois disso, em Fevereiro de 2003, o Nacional de Peseiro foi ganhar aos Barreiros por 3-2. E já com Peseiro no Sporting, Vingada manteve em mais dois jogos a inviolabilidade das suas equipas em visita a equipas de Peseiro, empatando a zero com a Académica em Alvalade, em Março de 2005, e ganhando lá por 1-0 ao Sporting em Outubro do mesmo ano.   - O FC Porto regressa a casa, depois de quatro jogos em viagem, com duas vitórias sobre o Boavista e derrotas consecutivas frente a V. Guimarães e Famalicão. A equipa portista precisa de ganhar para manter o contacto com os dois primeiros e para evitar acumular pela segunda vez esta época três jogos seguidos sem vitória – já lhe aconteceu no último suspiro de Lopetegui, que perdeu com este mesmo Marítimo (1-3) e com o Sporting (0-2) antes de empatar com o Rio Ave.   - Além disso, os dragões não ganharam nenhuma das duas últimas partidas no seu estádio: 1-3 com o Marítimo e 1-1 com o Rio Ave. Desde Dezembro de 2014 que a equipa não passava dois jogos seguidos sem ganhar em casa – na altura 1-1 com o Shakthar e 0-2 com o Benfica. Mas para se encontrarem três partidas seguidas sem vitória caseira há que recuar muito mais. Na verdade, até Fevereiro e Março de 2005, quando o FC Porto empatou com o V. Guimarães (0-0), com o Inter Milão (1-1), com o Benfica (1-1) e perdeu com o Nacional (0-4).
2016-01-24
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Último Passe

Se há coisa evidente no universo do FC Porto é que, mesmo que os dois anos seguidos sem ganhar nada se prolonguem para três, ver Pinto da Costa perder umas eleições no clube é algo quase tão improvável como assistir ao regresso de Jesus Cristo à Terra. Vítor Baía sabe disso, porque não é tolo e conhece bem o clube. Por isso, mais do que antecipar resultados de uma eventual disputa eleitoral entre o presidente de mais de 30 anos e o seu jogador mais titulado, o que importa agora entender é o que quer cada um deles – mandar – e que estratégia seguem para lá chegar. Pinto da Costa anunciou a recandidatura a mais três anos de liderança, o que significa que quer continuar a mandar no clube e, por inerência, na SAD. Por isso, das duas uma: ou o que Baía disse acerca dos maus conselheiros que por lá proliferam não é verdadeiro ou é algo que o presidente conhece e não valoriza. É verdade que até os grandes líderes estão sujeitos à decadência, mas não será certamente por causa de um poder ilusório que Pinto da Costa terá ido ao ponto de fazer um exame médico completo para prolongar a presidência quando já tem 78 anos de idade e poderia gozar o tempo que lhe resta. Se o faz, é porque julga que pode ser influente no regresso aos troféus no curto prazo. Quanto a Baía, quererá seguramente ser importante no momento em que o líder renunciar. Mas como ele haverá mais uns quantos. Discutível é se essa é a melhor estratégia para ganhar avanço antes do tiro de partida. Claro que Baía teve razão em muito do que disse – basta olhar para quem sai e entra no círculo mais próximo do presidente para o perceber – mas daí até achar que a melhor estratégia é a do afrontamento, que inevitavelmente lhe provocará desgaste antes do tempo e até a resposta cáustica da primeira dama do momento, vai uma longa distância. Se não foram um erro estratégico, as palavras de Baía foram pelo menos um erro político motivado por má informação. O que quer dizer que, para ele, a recandidatura terá sido uma surpresa.
2016-01-21
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Último Passe

A derrota do FC Porto em Famalicão teve muito a ver com a forma como o Sporting perdeu em Portimão: mais bola, domínio sobre a partida, criação de lances suficientes para conquistar uma vantagem confortável e um erro a deitar tudo a perder. Neste caso de Helton, que julgou mal a trajetória de uma bola parada. No caso do FC Porto, porém, o resultado não terá sido encarado com a mesma preocupação. Porque o clube já não dava nada pela Taça da Liga, depois de ter perdido a primeira jornada em casa com o Marítimo, mas sobretudo porque vem aí um treinador novo, capaz de renovar a esperança, nem que seja sob a forma de uma pergunta: qual é o melhor sistema para este plantel? José Peseiro, na bancada, já terá comçado a pensar nisso. A verdade é que o FC Porto continua a ser apetecível no mercado, conforme se percebeu pela forma como contratou Suk ao V. Setúbal. O coreano, que o presidente sadino, Fernando Oliveira, revelou ter forçado a passagem para o Dragão, recusando uma proposta financeiramente mais vantajosa do Sporting, acreditará que o futuro é azul e branco. Em Famalicão, teve uma estreia cinzenta, ainda que abrilhantada com um bom movimento, já perto do final, que o fez cabecear uma bola à barra da baliza famalicense. À ponta-de-lança. O treinador ribatejano há-de ter tomado nota e feito as suas contas à exibição do coreano e de André Silva – que já vai em várias partidas de utilização e tarda em conseguir um golo que lhe solte o potencial – bem como ao que já conhece de Aboubakar para começar a pensar no sistema que quer implementar. É que tanto Sporting como Benfica jogam em 4x4x2 e o FC Porto pode seguir-lhes o exemplo. O melhor futebol de Peseiro nasceu no 4x4x2 losango que adotou no Sporting, sendo que neste FC Porto tem uma vantagem acrescida: médios de grande qualidade para o corredor central, gente que rotinada pode dar uma consistência defensiva diferente em relação àquele Sporting de 2005. Depois, é verdade que este plantel foi construído para o 4x3x3, com muita gente que prefere jogar nos corredores laterais, e que tem sobretudo rotinas de construção por fora. Mas estas rotinas podem trabalhar-se, transformar-se através do treino, que é o ponto mais forte do novo treinador dos dragões. E muitos dos extremos deste FC Porto seriam perfeitamente capazes de jogar em posições mais interiores, como 10 ou interior mais ofensivo. Peseiro vai ter tempo para escolher, até porque uma mudança destas não se faz de um dia para o outro – o problema é que o FC Porto não tem assim tanto tempo. Porque a esperança no novo treinador mostrada tanto por Rui Barros como por Helton na flash interview que se sucedeu ao final do jogo de Famalicão depende de uma resposta já no domingo, contra o Marítimo.
2016-01-21
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Último Passe

A tentação dos “portólogos encartados” face à contratação de José Peseiro para suceder a Julen Lopetegui como treinador do FC Porto há-de ser a de avaliar se esta foi uma ação à Pinto da Costa – surpreendente, portanto – ou se ela revela apenas a falta de sucesso nas abordagens feitas aos treinadores de quem mais se falou, como Marco Silva, Sérgio Conceição ou até André Villas-Boas. A verdade é que pode até dar-se o caso de ambas as versões serem verdadeiras, mas nem é isso que mais importa. O que interessa é que tanto o FC Porto como Peseiro enfrentam aqui o desafio de uma vida e que ambos têm razões para acreditar no sucesso. É verdade que Peseiro estava exilado no Egito ou que não conseguiu nunca chegar a uma Liga de nível médio ou superior. Daí o fator surpresa, tão do agrado de Pinto da Costa, pois pareceria que a carruagem de primeira classe já tinha passado e o treinador de Coruche não a apanhara. Mas é verdade também que Peseiro é um dos treinadores mais bem preparados que Portugal conheceu nos últimos anos, que colocou o Sporting a jogar um futebol entusiasmante como talvez não se tenha voltado a ver em Alvalade nem na era de Paulo Bento – que era mais resultadista – e que o próprio Pinto da Costa, há uma década, tinha por ele muito apreço. Peseiro tem colada na testa a imagem de perdedor, porque perdeu tudo – Liga, final da Taça UEFA e apuramento para a Champions – naquela semana de Maio de 2005, mas até Jesus já provou que a distância entre a vitória e a derrota é tão ténue que pode passar-se de uma à outra num ápice. Depois, tem fama de ser um treinador frouxo, amplificada pelas imagens televisivas de um Fábio Rochemback vociferante na direção do banco, mas nunca ficou claro acerca de quem teve mesmo responsabilidade nesse e noutros casos de indisciplina no balneário leonino. A ideia dos dirigentes do FC Porto é que se Peseiro fez o que fez com o plantel e a estrutura daquele Sporting, poderá fazer muito mais com o grupo de jogadores riquíssimo e uma estrutura calejada, como a que tem em casa. Cabe agora a equipa e dirigentes provar que estão à altura.
2016-01-18
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Ainda faço parte de uma geração que passou boa parte da infância e da adolescência a correr atrás de uma bola, a ler sobre bola, a ver bola, a discutir bola. As mães e as avós, que não nos compreendiam, nem a nós nem aos nossos pais, diziam que éramos “doentes da bola”. Ouvi essa expressão com alguma frequência. Hoje, os doentes da bola deram lugar a outro tipo de doentes. São os doentes da arbitragem, aqueles que não correm atrás de uma bola, não leem sobre bola, não veem bola nem discutem bola. Só discutem penaltis e off-sides, mãos na bola e bolas na mão, intensidades e intenções. O problema é que ou estão a ficar em maioria ou são uma minoria demasiado ruidosa. É sintomático que no fim-de-semana em que o Tondela, último classificado da Liga portuguesa, surpreendeu o Sporting, que é primeiro, com um empate a dois golos no seu próprio estádio não se esteja a debater a audácia de Petit, que jogou com as linhas subidas e soltou dois velocistas em diagonais para a área do leão, ou que depois, no final, fez substituições ofensivas para ir buscar o empate. Argumentarão que não se discute o jogo dos pequenos. OK, discuta-se então a forma como Jesus montou a equipa na segunda parte, com dez, para virar um jogo que estava complicado, chamando outra vez Gelson e prescindindo de William em quebra. Ou como depois deixou que a equipa baixasse o ritmo antes de ter o resultado seguro e não fez atempadamente as trocas que se impunham para o congelar. Não. O que se discute é um penalti de Rui Patrício sobre Nathan Júnior. Para uns é, porque o guarda-redes toca na perna do jogador adversário. Para outros não é, porque também toca na bola, porque antes do choque, o avançado do Tondela deu um chuto na relva e depois festejou o apito do árbitro. É sintomático também que não se discuta a pressão que o Benfica foi capaz de fazer ao Estoril, não o deixando sair do seu meio-campo, ou o jogo nada ambicioso dos estorilistas, que amontoaram homens à saída da sua própria grande área, quase se limitando a dar a bola ao adversário e a convidá-lo a encadear ofensiva sobre ofensiva. Não. O que se discute é se Mitroglou estava fora de jogo no lance do 1-1 e se uma bola que tabelou nas costas de Pizzi entrou ou não na baliza de Kieszek. E não se discute a forma como os jogadores que o V. Guimarães tem na frente foram capazes de manter em respeito o FC Porto, o erro de Casillas no lance que deu a vitória aos minhotos ou a incapacidade do FC Porto para fazer um golo num jogo em que jogou mais pelo meio e menos pelas pontas relativamente à herança de Lopetegui. Não. Discute-se se é admissível que haja notícias nos jornais acerca do interesse do FC Porto no treinador do V. Guimarães e assinalam-se nexos de causalidade do tipo: se Conceição for mesmo para o FC Porto, é porque vendeu o resultado. Como se um dirigente no seu perfeito juízo pudesse contratar um treinador que vende resultados, sabendo que um dia, na Champions ou onde for, também o FC Porto encontrará adversários mais poderosos que ele. O problema são os malucos da arbitragem. Os fanáticos da ilegalidade. Posso dar a minha opinião sobre os lances polémicos – é penalti de Rui Patrício sobre Nathan, porque o guarda-redes do Sporting toca antes no adversário e só depois na bola; há fora-de-jogo de Mitroglou no golo que deu o empate ao Benfica e a bola impelida inadvertidamente por Pizzi entrou na baliza de Kieszek. Nos três lances, contudo, admito que me digam o contrário. O que não admito, porque não é saudável, é que queiram dizer-me o contrário com letra de lei, porque são três lances tão difíceis de analisar, tão no limite, que todas as opiniões são válidas. E porque, continuo convencido disso, no final as contas entre o deve e o haver não vão influenciar assim tanto a tabela classificativa. Tendem mesmo a equilibrar-se entre os três, como acho que estão realmente equilibradas neste momento. E é aí que entram em campo os malucos da arbitragem. Uns fazem-no por carolice, porque são facilmente influenciáveis, outros por dever profissional, porque são pagos para isso. Porque se convencionou que a melhor maneira de um clube ser beneficiado – ou de não ser prejudicado – é convencer a opinião pública que quem está a ser beneficiado é o adversário direto. E aí vale tudo, valem todas as formas de influenciar os observadores. Valem conferências de imprensa, posts no Facebook, tweets no Twitter, longos monólogos em programas de comentadores engajados ou soundbytes em newsletters diárias. Mas, ao contrário do que acontece no campeonato da bola, não me interessa rigorosamente nada saber quem vai à frente neste campeonato, no campeonato da estrutura, da comunicação. Porque posso ser doente mas sou um doente da bola. In Diário de Notícias
2016-01-18
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Bouba Saré, que fez o golo que derrotou o FC Porto em Guimarães, tem queda para marcar aos grandes: na época passada, o seu golo de estreia na Liga tinha sido obtido na vitória (3-0) frente ao Sporting, no Minho. Com este golo, Saré já igualou o total de tentos do último campeonato (dois), com a particularidade de agora os ter feito em jornadas consecutivas, a Arouca e FC Porto. Foi a primeira vez que o marfinense fez golos em dois jogos seguidos desde que é sénior.   - Confirma-se ainda a tendência de Casillas para sofrer sempre pelo menos um golo. O guarda-redes espanhol foi batido em sete das últimas oito partidas na baliza dos dragões. Desde os 4-0 ao U. Madeira, a 2 de Dezembro, só manteve o zero nas redes na visita ao Boavista, ganha pelo FC Porto por um score ainda mais imponente: 5-0. Nos outros dois zeros que se verificaram desde então (1-0 ao Feirense e ao Boavista, na Taça), quem estava na baliza era Helton.   - Em contrapartida, a vitória dos minhotos ficou a dever-se à capacidade invulgar para manterem a baliza inviolada nos jogos em casa. A última vez que tal acontecera tinha sido a 13 de Setembro, na vitória frente ao Tondela (1-0), ainda a equipa era dirigida por Armando Evangelista. Com Sérgio Conceição, o Vitória só tinha mantido o zero nas suas redes por duas vezes, ambas fora de casa: 1-0 em Paços de Ferreira e no Estoril.   - Aboubakar foi expulso pela primeira vez desde que chegou à Europa, em 2010, para jogar no Valenciennes. No FC Porto, tinha visto cinco amarelos em 47 jogos, mas viu dois na mesma partida frente ao V. Guimarães.   - Foi a segunda expulsão de um jogador do FC Porto em partidas consecutivas, depois de Imbula ter visto o vermelho no jogo da Taça de Portugal frente ao Boavista. Os dragões só tinham tido um jogador expulso no resto da época, que foi Osvaldo na vitória (4-0) sobre o U. Madeira. Na época passada tinham tido dois expulsos no mesmo jogo (Reyes e Evandro contra o Sp. Braga, na meia-final da Taça da Liga), mas para se encontrar dois expulsos em jogos consecutivos é preciso recuar até 2008, quando Lucho González foi expulso no último minuto da vitória em Kiev (2-1), a 5 de Novembro, e depois Pedro Emanuel e Hulk viram o vermelho na eliminatória da Taça de Portugal ganha nos penaltis ao Sporting, (1-1 no prolongamento), no dia 9.   - Ao perder em Guimarães, o FC Porto chega à 18ª jornada com 40 pontos, mantendo-se a par do que fez na época passada, na qual também entrou a perder na segunda volta (1-0 com o Marítimo, nos Barreiros) e somava 40 pontos. Se na altura o líder, que era o Benfica, estava a seis pontos de distância, agora o Sporting está a cinco. A diferença é que agora há mais uma equipa metida na luta (o Benfica, que é segundo).   - Há exatamente 30 anos que a equipa portista não ganha um campeonato saindo do terceiro lugar à 18ª jornada. A última vez que tal aconteceu foi em 1985/86 e numa Liga de apenas 30 jornadas, mas nessa altura a equipa de Artur Jorge era terceira a apenas dois pontos do Benfica (que seriam três com a vitória a três pontos) e a um do Sporting (também um, com vitória a três pontos). No fim da época, o FC Porto foi campeão com mais dois pontos que o Benfica e mais três que o Sporting.   - Rui Barros ter-se-á despedido da tarefa de treinador principal do FC Porto com a primeira derrota em todos os jogos em que foi máximo responsável, tanto agora como em 2006, quando assegurou o interinato entre Co Adriaanse e Jesualdo Ferreira. O golo de Saré foi ainda o primeiro golo que uma equipa de Rui Barros sofreu em quatro jogos oficiais: um em 2006 e três agora.
2016-01-18
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Último Passe

Oitenta e seis minutos não chegaram ao FC Porto para, mesmo com mais iniciativa, anular os efeitos do golo madrugador de Bouba Saré com que o V. Guimarães o bateu no Minho, atrasando-o na corrida pelo título face a Sporting e Benfica. O resultado fez-se de um início muito desconcentrado dos dragões, mas também da qualidade que o Vitória revelou. Tanto na frente como atrás. E veio mostrar mais duas coisas. Que, esgotados os efeitos da chicotada, o FC Porto já deveria ter definido a situação do treinador e que, como é evidente, nem Sérgio Conceição se vende nem os dragões poderiam alguma vez apostar num treinador que se vendesse. Primeiro, o jogo. Com o FC Porto a entrar adormecido atrás, expondo-se às diatribes de quatro homens que aliam explosão e agressividade – jogadores à Sérgio Conceição, portanto. Boyd, que se estreava na Liga, quase inaugurou o marcador perante a apatia dos centrais portistas, logo no primeiro minuto, e Bouba Saré fê-lo mesmo aos 4’, a aproveitar uma abordagem inexplicável de Casillas a um remate que lhe pingou sobre a baliza. Em vez de agarrar ou de sacudir para fora, o internacional espanhol amorteceu a bola para a frente, onde o marfinense a recolheu para marcar. Faltava muito jogo para o Vitória poder celebrar desde logo a conquista dos três pontos, porém. E o FC Porto foi entrando na partida aos poucos. Nunca asfixiou o Vitória, porque os vimaranenses conseguiam sempre aproveitar a qualidade na frente para sair a jogar e dar tempo às linhas recuadas para respirar, mas foi alternando jogo exterior com muitas tentativas de combinação por dentro e criou, mesmo assim, ocasiões para poder chegar, pelo menos, ao empate. Faltou aí ao FC Porto mais acerto na finalização de Brahimi, Corona, Aboubakar ou André André, todos eles protagonistas de lances em boa situação. Rui Barros mostrou mais diferenças em relação a Lopetegui. Primeiro, porque a equipa voltou a procurar mais o corredor central para penetrar, muitas vezes em tentativas de tabela que não se lhe viam até há pouco tempo, quando procurava sempre construir por fora. Depois, porque a 17 minutos do final não hesitou em juntar os dois pontas-de-lança disponíveis, trocando Herrera por André Silva e mantendo Aboubakar em campo. Antes, Barros já tinha chamado ao jogo Varela, uma espécie de proscrito para o basco, que voltou a entrar bem e a marcar pontos para continuar no grupo. Respondeu Sérgio Conceição com o reforço progressivo das linhas mais atrasadas: primeiro trocando Boyd por Phete; depois, já perto do fim, chamando ao jogo João Afonso, um terceiro defesa-central, em vez de Saré. Chegou para manter o FC Porto a zeros e para o treinador do V. Guimarães poder, no fim, bater no peito e bradar justificadamente por injustiça dos que suspeitavam da sua honorabilidade. Era tão evidente que Sérgio Conceição não ia facilitar – até porque, se alguma vez quer ser treinador do FC Porto, sabe que nunca lá chegaria se se vendesse – como que o FC Porto precisa de definir o que vai fazer com alguma urgência. Quando viu Lopetegui sair, a equipa soltou-se. Rui Barros foi capaz de tornar as coisas simples no primeiro jogo com o Boavista. Mas se há algo que se sabe é que um interino vai perdendo legitimidade à medida que o seu interinato se prolonga. Ou se aposta nele de forma conclusiva ou chega quem o substitua. Nas voltas da decisão, o FC Porto lá deixou mais três pontos, que farão falta a quem há-de vir.
2016-01-17
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O V. Guimarães não ganhou nenhum dos três últimos jogos que fez em sua casa, fator através do qual se justifica a incapacidade de a equipa confirmar plenamente os indícios de retoma após a entrada de Sérgio Conceição para o comando técnico: os vimaranenses perderam por 4-3 com o Marítimo, por 1-0 com o Benfica e empataram a duas bolas com o Arouca, já não conseguindo acabar um jogo sem sofrer golos no D. Afonso Henriques desde que ganharam por 1-0 ao Tondela, a 13 de Setembro. Há quatro meses, portanto. O FC Porto, em contrapartida, vem de duas saídas consecutivas a ganhar e sem sofrer golos: ambas no Bessa, frente ao Boavista, com 5-0 na Liga e 1-0 na Taça de Portugal. Não é uma série excelente, sobretudo porque se seguiu à derrota por 2-0 com o Sporting em Alvalade, mas também porque esta época os dragões já ganharam cinco deslocações consecutivas: Varzim (2-0), Maccabi (3-1), Angrense (2-0), Tondela (1-0) e U. Madeira (4-0). Essa série de vitórias foi na altura interrompida na deslocação a Londres, onde os portistas acabaram batidos pelo Chelsea (2-0).   - Herrera marcou nas últimas duas partidas do FC Porto na Liga: adiantou os dragões face ao Rio Ave, no jogo que acabou empatado a um golo, e abriu o ativo na goleada frente ao Boavista (5-0). É a segunda vez que o mexicano marca em duas jornadas consecutivas, pois já tinha estado entre os goleadores na vitória frente ao Rio Ave (3-0) e na derrota contra o Olhanense (1-2), em Abril e Maio de 2014. Na altura ficou em branco ao terceiro jogo, os 2-1 em casa contra o Benfica.   - Sérgio Conceição, o técnico do V. Guimarães, de quem se disse que podia ser hipótese para suceder a Julen Lopetegui no comando do FC Porto, foi jogador portista e, como treinador, já defrontou os dragões por sete vezes, tendo ganho apenas uma: 1-0 no Académica-FC Porto, em 2013/14. Obteve ainda um empate (1-1 com o Sp. Braga, na última Taça da Liga) e perdeu as outras cinco partidas, duas delas em casa.   - Rui Barros, o treinador aparentemente interino do FC Porto, continua com o registo 100 por cento vitorioso nas duas passagens pelo comando da equipa. Em jogos oficiais, não sofreu sequer um golo, tendo ganho por 3-0 ao V. Setúbal na Supertaça de 2006 e agora por 5-0 e 1-0 ao Boavista, em jogos da Liga e da Taça de Portugal.   - Sérgio Conceição e Rui Barros jogaram duas épocas juntos no FC Porto, entre as saídas de um e do outro para o estrangeiro. A última partida em que ambos marcaram presença simultânea correu mal aos dragões: foi a 2 de Maio de 1998, quando os portistas saíram derrotados da Luz por 3-0, frente ao Benfica. O FC Porto acabou por se sagrar tetra-campeão nessa época.   - Bruno Gaspar, lateral do V. Guimarães, estreou-se na Liga a jogar contra o FC Porto, lançado por Rui Vitória a 14 de Setembro de 2014, num empate a uma bola no Minho. - Do outro lado, o avançado Aboubakar tem várias recordações do V. Guimarães, pois foi no D. Afonso Henriques que se estreou na Liga portuguesa. O resultado não foi famoso, pois o FC Porto empatou esse jogo a uma bola, a 14 de Setembro de 2014. O camaronês, ainda assim, só jogou um minuto nessa tarde. E só voltou a defrontar o V. Guimarães na jornada de abertura da atual Liga, obtendo nessa noite o seu primeiro bis pla equipa portista, que ajudou a vencer por 3-0.   - O FC Porto não venceu nenhuma das duas últimas visitas a Guimarães: empatou a duas bolas em Março de 2014, num jogo que ditou a demissão de Paulo Fonseca, e a um golo em Setembro desse mesmo ano. A última vitória portista no D. Afonso Henriques aconteceu em Novembro de 2013, para a Taça de Portugal, por 2-0, com golos de Jackson Martínez e Fernando.   - O Vitória não ganha ao FC Porto desde Outubro de 2004, quando eliminou os dragões da Taça de Portugal com uma vitória por 2-1, graças a um bis de Nuno Assis, a que respondeu Derlei. Para a Liga, os minhotos não vencem desde Dezembro de 2001, quando golos de Marco e Nuno Assis lhes deram uma vitória por 2-0.   - O V. Guimarães nunca ganhou nem perdeu jogos com Manuel Oliveira a apitar: empatou as quatro partidas que fez com este árbitro, que foram duas receções ao P. Ferreira e à Académica e as visitas ao Nacional e à mesma Académica. O FC Porto também empatou um jogo em dois com Manuel Oliveira (1-1 com o Nacional na Choupana), mas ganhou o outro, na ocasião uma receção ao V. Setúbal (4-0).
2016-01-16
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Último Passe

Helton foi o herói do FC Porto, a força que assegurou a entrada dos dragões nas meias-finais da Taça de Portugal, ao defender uma grande penalidade que compensou dois momentos de desequilíbrio emocional de Imbula e Martins-Indi, evitando o problema que traria um a necessidade de jogar um prolongamento em inferioridade numérica contra um Boavista em crescendo. Valeu ao FC Porto um golo de autor de Brahimi para ganhar por 1-0 no Bessa e tirar bilhete para o confronto com o Gil Vicente, a única barreira que separa a equipa da viagem ao Jamor. Mas a forma como um confronto que há dias tinha sido tão fácil se transformou numa batalha equilibrada deve ser suficiente para preocupar os responsáveis portistas. Rui Barros trocou três unidades em relação à equipa que jogou no domingo no mesmo relvado: Casillas por Helton, André André por Evandro e Corona por Varela. E o FC Porto caiu de produção de uma forma que não pode ter apenas a ver com a saída daqueles três titulares. Para compreender o que se passou, pode ser necessário recorrer a fatores tão diversos como o crescimento competitivo do Boavista, o péssimo estado do relvado ou, o que é mais grave, algum descontrolo emocional associado a muita ansiedade de uma equipa que precisa de perceber com o que conta no futuro. A forma como Imbula se fez expulsar ou como Martins-Indi fez um penalti escusado no último minuto de compensação é disso reflexo. E se aquilo que Rui Barros disse após a goleada de domingo fazia todo o sentido – o “bastou os jogadores terem a noção do clube onde jogam” funcionou como forma de simplificar as coisas – o que o mesmo Rui Barros afirmou depois do jogo de hoje já sabe a pouco. Não está em causa a “disponibilidade” de Barros para “servir o FC Porto” sempre que o clube dele vier a necessitar. Disso, aliás, nunca ninguém duvidou. Está em causa a importância de os jogadores saberem o que vai acontecer-lhes daqui para a frente. Se, depois de Guimarães, fica Barros ou se vem outro treinador. Se, como diz Carlos Bucero, empresário de Lopetegui, “o FC Porto está a tentar desviar as atenções do facto de ainda não ter treinador” com a incerteza acerca da rescisão do basco. O que se viu no Bessa hoje foi ansiedade. E se este Boavista não teve capacidade para disso se aproveitar, o V. Guimarães de Sérgio Conceição, ainda por cima a jogar no seu castelo, é equipa para o fazer.
2016-01-13
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Último Passe

Se há coisa que intriga mais que preço elevado que custou Gianelli Imbula ao FC Porto ou o seu fraco rendimento nestes meses no Dragão são as declarações hoje atribuídas ao pai do jogador, Willy N’Dangi, segundo as quais o filho terá sido vítima de um contexto que não foi bom e o FC Porto já lhe terá comunicado que o liberta já no mercado de Janeiro se aos 20 milhões pagos no Verão ao Ol. Marselha o comprador juntar agora mais cinco. A questão é que pouca coisa aqui faz sentido. Começaram por fazer pouco sentido os 20 milhões que o jogador custou no Verão. Imbula é um excelente médio, com dois anos ao mais alto nível em França, mas nunca ganhou uma competição na vida. E, nessas condições, não são muitos os jogadores a valer tanto dinheiro, muito menos se não estiverem a chegar a um dos campeonatos mais ricos da Europa, onde se sabe que os clubes pagam mais que o real valor por uma transferência. Sim, a intervenção da Doyen terá servido para inflacionar o preço, porque é à conta desses atos inflacionistas que os fundos de investimento conseguem tornar-se imprescindíveis para os clubes, numa espécie de pescadinha de rabo na boca que nunca tem fim. No FC Porto, Imbula mostrou potencial, mas não qualidade suficiente para fazer a diferença num meio-campo tão competitivo como o que Rui Barros herdou agora de Julen Lopetegui. A equipa não andou bem? Pois não. Mas também fazem pouco sentido as declarações de N’Dangi, que atribui esse fraco rendimento do filho ao facto de ele se sentir “desprotegido”. Mas, caramba, um jogador que chega ao FC Porto por 20 milhões não tem que ser protegido – tem de saber proteger os companheiros, que os fazer subir de rendimento. Foi o que, em tempos, fez João Moutinho. E nem custou tanto dinheiro. Por fim, faz pouco sentido que, após o que Imbula mostrou no FC Porto, o seu passe – que, recorde-se, já estava inflacionado – seja aumentado em mais cinco milhões de euros. Por isso, a forma como N’Dangi aposta tudo numa transação do filho já em Janeiro e afasta a hipótese de entendimento com o FC Porto para a permanência no clube parece no mínimo muito arriscada. A não ser que a Doyen volte mostrar o que vale e consiga mais um negócio do século.
2016-01-12
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Rui Barros repetiu o que tinha feito na ocasião anterior em que pegou na equipa do FC Porto: ganhou e não sofreu golos. Os 5-0 ao Boavista, depois de substituir Julen Lopetegui, sucedem-se aos 3-0 com que bateu o V. Setúbal na Supertaça de 2006, após suceder a Co Adriaanse. Nessa altura ganhou também ao Portsmouth (2-1) e ao Manchester City (1-0), em particulares de pré-época.   - Manteve-se também a tradição que dura desde que Pinto da Costa é presidente do clube: sempre que um treinador é despedido durante a temporada competitiva, o FC Porto ganha o jogo seguinte. Já tinha acontecido em 1988 quando Murça ocupou interinamente o cargo após a saída de Quinito; em 1994, no momento em que Bobby Robson substituiu Ivic; em 2002 quando José Mourinho sucedeu a Otávio Machado; em 2005 com José Couceiro a ocupar a vaga de Victor Fernandez; e em 2014, quando Luís Castro foi substituir Paulo Fonseca.   - Os 5-0 com que o FC Porto ganhou ao Boavista são a maior goleada da equipa esta época e a maior desde que venceu o Estoril por resultado idêntico, no Dragão, a 6 de Abril do ano passado. Fora de casa, o FC Porto não marcava cinco golos desde a visita ao Gil Vicente (5-1, a 3 de Janeiro de 2015) e não ganhava por cinco de diferença desde os 5-0 em Arouca, a 25 de Outubro de 2014. No Bessa, já não ganhava por tanta vantagem desde Maio de 1982, quando lá se impôs por 6-0.   - Aboubakar fez o terceiro bis da época, o segundo na Liga, depois de já ter marcado duas vezes ao V. Guimarães, no Dragão, logo a abrir a prova, num jogo que o FC Porto venceu por 3-0, em Agosto. Além desse jogo, também tinha bisado em Kiev, no empate a duas bolas contra o Dynamo, a contar para a Liga dos Campeões.   - Herrera marcou pela segunda jornada consecutiva na Liga, depois de já ter feito o tento que deu um ponto na receção ao Rio Ave (1-1). É a segunda vez que o consegue, depois de já ter estado entre os goleadores na vitória frente ao Rio Ave (3-0) e na derrota contra o Olhanense (1-2), em Abril e Maio de 2014.   - Layun consolidou a sua posição como maior assistente desta Liga. Fez o nono passe de golo na prova, desta vez para Aboubakar, enquanto que o benfiquista Gaitán soma sete e segue em segundo nesta tabela.   - Casillas viu o primeiro cartão amarelo da época, por derrubar Luisinho. Foi simultaneamente a sua primeira advertência desde Outubro de 2012, quando foi admoestado numa vitória do Real Madrid sobre o Celta de Vigo, no Santiago Bernabéu (2-0).   - Além disso, o guarda-redes espanhol voltou a manter a baliza virgem, algo que já não lhe acontecia a ele pessoalmente desde a vitória por 4-0 frente ao U. Madeira, a 2 de Dezembro. Entretanto, sofrera golos de P. Ferreira (2-1), Chelsea (0-2), Nacional (2-1), Académica (3-1), Sporting (0-2) e Rio Ave (1-1). O último zero defensivo do FC Porto, contra o Feirense, na Taça de Portugal (1-0) tivera Helton nas redes.   - O FC Porto chega ao fim da primeira volta exatamente com a mesma pontuação que na época passada, fruto das mesmas 12 vitórias, quatro empates e uma derrota – na época passada contra o Benfica, agora contra o Sporting. Mas se há um ano isso lhe garantia o segundo lugar isolado, ainda que a seis pontos do líder, agora obriga-o a partilhar a segunda posição, mas está mais perto do comandante: a apenas quatro pontos.   - O Boavista, em contrapartida, fez as piores 17 jornadas inaugurais de toda a sua história da I Divisão. Soma 10 pontos, piorando os 12 de 1971/72. E atenção que, caso a vitória nessa altura valesse três pontos e não dois, esse Boavista teria 15 pontos à 17ª jornada.
2016-01-11
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Último Passe

Foi muito fácil a vitória do FC Porto no Bessa, por 5-0, sobre um Boavista que terá de mudar muito se quer evitar uma queda na II Liga que só o arreganho nos limites impediu durante a época passada. Lopetegui foi embora há tão pouco tempo que os comportamentos da equipa portista são ainda os que o treinador basco definiu, sendo por isso um abuso atribuir à mudança de comando técnico quaisquer méritos pela vitória. É verdade que Rui Barros não inventou e que a saída do treinador anterior soltou animicamente a equipa, a ponto de a superioridade azul-e-branca no relvado do Bessa ter sido sempre evidente, só sofrendo alguma contestação no início da segunda parte. Mas até isso o FC Porto resolveu à antiga: com um golo de autor marcado por Corona, o maior talento individual da equipa. Mesmo mantendo o onze que tinha empatado com o Rio Ave, na quarta-feira, Rui Barros promoveu, ainda assim, algumas alterações, sobretudo quando teve de chamar os suplentes a entrar no jogo. Só que mesmo estas acabaram por ser apenas simbólicas, porque se Imbula voltou à competição na Liga, onde não atuava desde a vitória na Choupana, há um mês, também só entrou em campo com o jogo resolvido, nos últimos dez minutos. De resto, a equipa também não teve um início arrasador: fez refletir uma superioridade natural na primeira parte num golo de Herrera que até teve algo de fortuito, na forma como a finalização bateu Gideão, e teve depois de aguentar a reação de um Boavista que parece apostar nos argumentos errados para os jogadores que tem. O futebol de Petit, muito feito de arreganho, marcação e agressividade, era o que mais convinha a um plantel muito limitado; o estilo de jogo de Sanchez, mais dado a ideias no plano atacante, expõe demasiado uma equipa sem andamento para isso. Os seis pontos que a equipa já dista da linha de água fazem antever grandes dificuldades. O Boavista ainda chegou a ameaçar enquanto o jogo esteve no 1-0, mas um truque genial de Corona, a passar entre Afonso Figueiredo e Inkoom antes de, com grande velocidade de execução, marcar o 2-0, acabou com a conversa. Com meia-hora para se jogar, já se via que os três pontos estavam atribuídos. Um bis de Aboubakar e um golo de calcanhar de Danilo, em cima do apito final, puseram o rótulo de goleada numa vitória que terá servido para o FC Porto entrar nos eixos. À viragem para a segunda volta, os dragões distam quatro pontos do primeiro lugar. Nada de irrecuperável, quando a equipa assume que está a sair da crise e quando Rui Barros simplifica: basta saber em que clube se está a jogar.
2016-01-10
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O FC Porto desloca-se ao Bessa, para defrontar o Boavista, num dérbi da cidade do Porto ainda mais apimentado pela recente chicotada psicológica que afastou Julen Lopetegui do comando dos Dragões. A equipa azul e branca vai ser dirigida por Rui Barros, que carrega aos ombros uma tradição bem pesada: desde que Pinto da Costa é presidente do FC Porto – e já o é há mais de 30 anos, todas as chicotadas psicológicas tiveram como resultado imediato uma vitória. A última vez que o FC Porto mudou de treinador a meio da época e não venceu o jogo imediatamente a seguir foi em 1975. Há 40 anos, portanto. Não foram muitas as mudanças de treinador do FC Porto a meio do percurso, é bom que se diga. Desde essa, de 1975, só aconteceram mais oito, com a particularidade de duas serem antes de a época entrar no seu registo competitivo. Em 2004/05, ainda na pré-época, o italiano Luigi Del Neri deu o lugar ao espanhol Victor Fernández, que mesmo assim ganhou o jogo de estreia, um 1-0 na Supertaça ao Benfica. E em 2006/07 foi a vez de o recém-coroado campeão nacional Co Adriaanse ser substituído, em pleno estágio de preparação, por Rui Barros, que no entanto também se estreou a ganhar uma Supertaça: 3-0 ao V. Setúbal, antes de chegar Jesualdo Ferreira. Chicotadas operadas a meio da época por Pinto da Costa foram, por isso, raras. Esta é apenas a sexta. A primeira vez que o atual presidente portista mudou de treinador a meio do caminho foi em Outubro de 1988, quando Quinito caiu após um empate em Fafe (0-0). Sucedeu-lhe, como técnico interino, Alfredo Murça, que ganhou os três jogos até ao regresso de Artur Jorge, o primeiro dos quais por 2-0, ao Vilafranquense, na Taça de Portugal. A Taça de Portugal serviu também de estreia ao treinador que Pinto da Costa contratou para substituir Tomislav Ivic, em Janeiro de 1994: foi o inglês Bobby Robson, que abriu a sua caminhada com uma vitória por 2-0 frente ao Salgueiros, em Vidal Pinheiro. Depois dessa troca, Pinto da Costa voltou a perder a fé num treinador com Otávio Machado, em Janeiro de 2002. Após uma derrota por 2-0 no Bessa, frente ao Boavista, foi buscar José Mourinho a Leiria e viu o novo treinador arrancar a ganhar por 2-1 ao Marítimo nas Antas. Seguiu-se a demissão de Victor Fernández, que já tinha substituído Del Neri mas não aguentou sequer uma época inteira: foi demitido depois de perder em casa com o Sp. Braga, por 3-1, dando o lugar a José Couceiro, que se estreou a ganhar no Estoril, por 2-1. Por fim, antes da demissão de Lopetegui, o presidente portista já tinha substituído Paulo Fonseca por Luís Castro, após um empate (2-2) em Guimarães, em Março de 2014 – e o novo treinador também se estreou a ganhar, na ocasião por 4-1, na receção ao Arouca. Mesmo antes de Pinto da Costa, as chicotadas costumavam ter resultados imediatos no FC Porto. Em Janeiro de 1976, Monteiro da Costa tinha substituído Branislav Stankovic após uma derrota (1-0) com o Belenenses no Restelo e arrancou com uma goleada em casa ao Farense: 6-1. O mesmo Monteiro da Costa, porém, tinha visto a estreia correr-lhe pior na época anterior: em Fevereiro de 1975 já tinha sido chamado para o lugar do brasileiro Aimoré Moreira, que vinha de uma derrota por 2-0 em Guimarães, e estreou-se a empatar em casa com o V. Setúbal (1-1). Foi a 2 de Março de 1975 e no V. Setúbal dirigido por José Torres jogavam Duda e Otávio, que ainda viriam a ser jogadores do FC Porto.   - Rui Barros e Erwin Sanchez são os dois treinadores com menos experiência de comando de equipas na atual Liga. O boliviano tem quatro jogos na prova, com um empate e três derrotas – e só um golo marcado – enquanto o português faz a sua estreia como responsável máximo de uma equipa na competição.   - Na última vez que Sanchez defrontou o FC Porto, ainda como jogador, ganhou por 2-0, com golos de Petit – o treinador que veio agora substituir – e Martelinho. Foi a 20 de Janeiro de 2002 e a derrota levou os dragões a afastarem Otávio Machado e a contratarem José Mourinho para o comando técnico.   - Rui Barros também não defronta o Boavista desde os tempos de jogador. Aconteceu pela última vez a 21 de Agosto de 1999, no Bessa, com um empate a uma bola a ficar eternizado no marcador. Jardel marcou para o FC Porto logo a abrir; Ahinful empatou para o Boavista quase em cima do apito final.   - Há um mês que o Boavista não faz um golo na Liga. O último foi obtido por Uche, a 11 de Dezembro, e valeu um empate em casa com o Estoril. Os axadrezados vão ainda com onze jogos seguidos sem ganhar na Liga, desde os 2-0 com que se impuseram em Coimbra à Académica, a 26 de Setembro. Igualaram já a pior série desde século, que são os onze jogos seguidos sem vitória na prova que registaram entre um 1-0 ao Gil Vicente, a 24 de Fevereiro de 2006, e um 3-0 ao Benfica, a 9 de Setembro do mesmo ano.   - O FC Porto também vem com três jogos seguidos sem ganhar, algo que não lhe acontecia desde Setembro de 2014. Se agora perderam com Marítimo (3-1) e Sporting (2-0), empatando de seguida com o Rio Ave (1-1), em 2014 tinham empatado três partidas consecutivas: 0-0 com o Boavista, 1-1 com o Sporting e 2-2 com o Shakthar Donetsk.   - Zé Manuel, avançado do Boavista, estreou-se na Liga a jogar contra o FC Porto, lançado por Jorge Jesus a 24 de Maio de 2009 nos últimos dois minutos de um empate do Sp. Braga no Dragão (1-1).   - Do outro lado, Marcano, defesa-central do FC Porto, também se estreou na Liga portuguesa a jogar contra o Boavista: esteve nos 90 minutos do empate a zero no Dragão, a 21 de Setembro de 2014, lançado por Julen Lopetegui.   - O Boavista não marca um golo ao FC Porto desde 28 de Abril de 2007, data da última vitória axadrezada no dérbi da Invicta. Nessa altura, os comandados de Jaime Pacheco impuseram-se por 2-1 a uma equipa liderada por Jesualdo Ferreira, com golos de Ricardo Silva e Zé Manuel, aos quais respondeu Lucho González, de penalti. Dos 28 jogadores que entraram em campo nessa noite, só resta Helton no plantel dos dragões.   - Ainda assim, os axadrezados empataram a zero dois dos últimos quatro jogos entre ambos: no Bessa em Março de 2008 e no Dragão em Setembro de 2014.   -O Boavista-FC Porto no Bessa é um jogo que tradicionalmente tem poucos golos. Neste século, em nove desafios, só se fizeram 13, sendo que só por uma vez as duas equipas marcaram: foi mesmo nesse 2-1 favorável ao Boavista, em 2007.   - Fábio Veríssimo já apitou por duas vezes o Boavista esta época, com duas derrotas da equipa axadrezada: 4-0 em Braga e 1-2 em casa com o V. Guimarães. Mas já os viu ganhar 1-0 ao Penafiel na época passada. Este será o segundo jogo que dirige do FC Porto, tendo os dragões ganho o anterior, por 3-0 ao V. Guimarães, no Dragão.
2016-01-09
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As informações saídas da Assembleia Geral da SAD do Sporting parecem indicar que os bancos aceitaram prolongar o prazo de pagamento das VMOC contra um ligeiríssimo aumento de juros, abdicando assim do direito de transformar as ditas VMOC em ações e de retirar ao Sporting – clube a maioria do capital da sua SAD. É uma decisão que terá de ser amadurecida – e por isso mesmo Millenium e Novo Banco têm uma semana para a confirmar – e que, se por um lado faz todo o sentido, por outro vem dar razão aos que se queixam de favorecimento da banca aos leões, por oposição ao tratamento dado aos rivais. Resta ver ser estes querem aproveitar a disponibilidade dos novos players que substituíram o BES e a PT. Primeiro, a decisão. O que há, para já, é uma votação unânime na dita Assembleia no sentido de prolongar o prazo de pagamento das VMOC. Não foram anunciadas contrapartidas ou sequer se as houve. Mas causa alguma estranheza que, horas depois de ter feito saber que não ia aceitar o plano de Bruno de Carvalho, o Novo Banco tenha afinal acabado por o viabilizar. A ser assim, sem letras pequeninas no acordo, “chapeau” ao presidente do Sporting, que foi fazendo bluff até final e acabou por abandonar a mesa com as fichas todas. Terá sido um jogo de risco elevado, mas com a noção de uma coisa: que as ações das SAD portuguesas são ativos tóxicos, que dificilmente podem ser rentabilizadas. Afinal de contas, para que queria o Novo Banco ações que desvalorizam a toda a hora? Não lhe convirá mais acabar por receber o dinheiro, nem que seja a dez anos? Essa jogada de antecipação do que ia ser o pensamento da outra parte poderá ter estado na base da jogada de Bruno de Carvalho, que não quis desviar milhões para o pagamento desta dívida e terá acabado por ver a sua tese vingar. O problema é que o Sporting compete com clubes que estão a fazer esse desvio de dinheiro para pagar aos bancos. E, mesmo não sendo a banca estatal e não se colocando aqui uma questão de favorecimento institucional a um clube face aos outros – ainda que o resgate de que foi alvo o BES, titular original do crédito, possa levar a que o caso tenha de ser visto também à luz desta realidade – a verdade é que Benfica e FC Porto têm aqui razão suficiente para se queixarem. A questão é a de se perceber se querem fazer mais do que queixar-se, se querem aproveitar para provocar a renegociação da dívida ou apenas continuar a falar em descriminação positiva dos leões. Com jeito, talvez se verifique com a banca um fenómeno idêntico ao que se viu com as operadoras de televisão, com renegociações de dívida sequenciais em condições favoráveis para os clubes. E aí, sim, passaria a haver dinheiro para o futebol português se tornar mais competitivo no plano internacional. É que a PT e o BES já lá vão, mas o futebol continua uma força incomensurável nos players que os substituíram.
2016-01-08
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Há quem olhe para a saída de Julen Lopetegui do FC Porto como uma manifestação da força do poder popular, julgando-a nascida dos lenços brancos que o público agitou nos últimos jogos no Dragão. Há também quem a veja como consequência da gota de água final que fez transbordar o copo da paciência de Pinto da Costa face ao futebol pobre que a equipa vinha exibindo nas últimas semanas. E há ainda quem a julgue injusta, face à evidência dos 37 pontos que os dragões têm ao fim de 16 jornadas, exatamente os mesmos 37 pontos que tinham na época passada, na qual se mostraram capazes de se manter vivos na luta pelo título até bem perto do fim da competição. A mim, a demissão do treinador basco parece-me sobretudo a falência de uma ideia de jogo e vem motivar-me uma curiosidade acima de todas: quem vem a seguir e em que medida é que isso vai influenciar a gestão que Jorge Mendes faz da balança de poderes no futebol nacional? A demissão do treinador basco é um rude golpe na ideia de jogo que o FC Porto vinha professando há ano e meio. O culto da posse, a largura na construção e a presença permanente de extremos tinham como objetivo a implementação de uma espécie de “tiki-taka” à portuguesa, algo que, porém, nunca teve resultados a condizer devido a fatores tão diversos como a falta de maleabilidade tática do treinador, o desinvestimento de alguns jogadores em partidas de menor visibilidade ou a ausência de um finalizador de excelência capaz de colocar o ponto final em tanto jogo pelas alas. A verdade é que, mesmo tendo o FC Porto perdido Jackson Martínez – e há muito que venho dizendo que o futebol de Aboubakar pede outro tipo de construção – o plantel à disposição de Lopetegui continua a ser o mais forte da Liga portuguesa. E mesmo assim tem zero títulos para apresentar e apenas duas vitórias em sete clássicos disputados. Com Lopetegui posto de parte, os nomes dos potenciais sucessores já estão a dançar na agenda mediática. Pinto da Costa tem duas opções: ou aposta num interino até poder contratar o técnico que quer, no final da época, como fez há dois anos, entre Paulo Fonseca e Lopetegui (e muito se tem falado de André Villas-Boas, que no entanto ainda não está disponível); ou avança já para uma solução de futuro. Neste caso, estranhamente, nem se tem falado de Marco Silva, treinador ligado à Doyen que está a arrasar na Grécia. Mas fala-se de Paulo Bento (o que é estranho, porque o ex-selecionador teve vários atritos com Pinto da Costa) e de Nuno Espírito Santo, um treinador do topo da agenda nacional de Mendes, que o super-agente português faria tudo para ajudar. Até equacionar a parceria com Luís Filipe Vieira e o Benfica, que tem sido o aliado preferencial nos negócios portugueses da Gestifute? Essa é a parte mais interessante do problema, a parte que pode afastar Nuno do Dragão.
2016-01-07
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A noite atípica, com os três grandes a jogar ao mesmo tempo durante uma meia-hora, veio fazer mais do que chamar a atenção para uma peculiaridade de calendário raramente vista na Liga em Portugal. Um Marítimo demasiado macio e um V. Setúbal demasiado aberto não fizeram sequer cócegas a Benfica e Sporting, que os despacharam com goleadas de 6-0 construídas desde muito cedo, pelo que a história da noite só podia chegar do Dragão, onde o FC Porto não foi capaz de vencer um Rio Ave taticamente muito adulto, desde logo confirmando os leões como campeões de Inverno: os quatro pontos que levam de avanço sobre a agora dupla de perseguidores deixam-nos ao abrigo de qualquer contratempo na última jornada da primeira volta, no domingo, em casa contra o Sp. Braga. Não vi – ninguém pode ter visto – os três jogos. Fui vendo um pouco de cada, até dois deles estarem resolvidos, permitindo centrar atenções no Dragão. Na Luz, depois de um início algo dividido, o Benfica aproveitou a macieza de um Marítimo que até é campeão das expulsões mas cometeu apenas três faltas durante a primeira parte para construir desde cedo um resultado folgado. Até ao momento em que virei antena, destaque para Pizzi, pelo oportunismo de chegada à área, e Carcela, por ser o desequilibrador que em alguns jogos faltou à equipa de Rui Vitória. Em Setúbal, o Vitória foi, pelo menos, igual a si próprio: futebol positivo, aberto, por isso mesmo sujeito a sofrer golos. Em suma, um convite à maior dinâmica atacante do Sporting, que arrancou uma grande exibição, fazendo brilhar Bruno César com dois golos na estreia e permitindo a Slimani somar mais dois à sua conta pessoal. Complicada foi a vida do FC Porto. O empate ao intervalo, fruto de um golo afortunado para o Rio Ave, até era lisonjeiro para os visitantes, mas o que a equipa remendada de Pedro Martins conseguiu fazer na segunda parte, tanto do ponto de vista defensivo como nas saídas para o contra-ataque, mostra trabalho de muita qualidade. E, como é evidente, enfatiza as dificuldades de Julen Lopetegui no comando do FC Porto. O treinador basco terá ido ao limite da sua visão do que é o risco, acabando o jogo com três defesas e com Aboubakar e André Silva em simultâneo no ataque (ainda que para tal tenha sacrificado Corona e Layun, que são armas ofensivas de peso), mas é preciso dizer que o problema não esteve nas substituições. Os lenços brancos nas bancadas deveram-se ao resultado e ao facto de a equipa ter somado aos pecados habituais – acima de todos a falta de presença no corredor central – muita ansiedade, que se revelou em vários passes transviados logo no início da construção. Para os dragões, o importante agora é tranquilizar: e aí esteve bem o treinador, ao dizer no final que se sente com força para continuar à frente da equipa mas que a decisão cabe ao presidente. O problema é que, numa Liga com jogos ao domingo e à quarta-feira, não há tempo para terapias muito demoradas. Os dragões precisam de responder já no domingo, no Bessa.
2016-01-06
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Stats

O FC Porto enfrenta a receção ao Rio Ave após duas derrotas consecutivas: 1-3 frente ao Marítimo, em casa, na Taça da Liga, e 0-2 com o Sporting, em Alvalade, para o campeonato. É uma situação invulgar, a pedir reação, e por isso mesmo têm clamado os adeptos azuis-e-brancos. É que os dragões não perdiam dois jogos seguidos desde Novembro e Dezembro de 2012, quando foram sucessivamente batidos por Sp. Braga (1-2, para a Taça de Portugal) e Paris St. Germain (1-2, para a Champions). Para se encontrarem três derrotas seguidas do FC Porto é preciso recuar até Outubro e Novembro de 2008, quando a equipa que era comandada por Jesualdo Ferreira foi sucessivamente batida por Dynamo Kiev (0-1), Leixões (2-3) e Naval (0-1). O que é curioso é que, mesmo assim, essa equipa do FC Porto acabou por se sagrar campeã nacional, com quatro pontos de avanço sobre o segundo, que foi o Sporting. À altura da terceira derrota, os dragões seguiam em sétimo, a cinco pontos do líder, que era o Leixões. Apesar de não ser uma situação tão grave, a equipa portista não conseguiu inverter a situação na última vez que passou três jogos seguidos sem ganhar. Tal sucedeu-lhe pela última vez numa sequência de três empates em Setembro de 2014: 0-0 com o Boavista, 1-1 com o Sporting e 2-2 com o Shakthar Donetsk. O FC Porto saiu do segundo destes empates em segundo lugar na Liga, a quatro pontos do líder, que era o Benfica, e acabou a prova nesse mesmo segundo lugar, a três pontos de distância. Um dos aspetos que mais mudou nos últimos resultados do FC Porto foi a incapacidade para manter o zero nas suas balizas. Iker Casillas segue com quatro jornadas seguidas a sofrer golos na Liga, redundando nas vitórias por 2-1 frente a P. Ferreira e Nacional, nos 3-1 à Académica e na derrota por 2-0 com o Sporting em Alvalade. Para se perceber como a situação é invulgar, basta reparar que o FC Porto só tinha sofrido golos em três das onze primeiras jornadas ou que encaixou mais golos (cinco) nos últimos quatro jogos que nos onze primeiros (em que sofreu apenas quatro). Para se encontrar uma sequência de pelo menos quatro jogos seguidos do FC Porto a sofrer golos na Liga é preciso recuar até Outubro e Novembro de 2013, quando a equipa dirigida por Paulo Fonseca foi incapaz de manter o zero nas suas redes por cinco jogos consecutivos: 3-1 ao Arouca e ao Sporting, 1-1 com Belenenses e Nacional e 0-1 frente à Académica   - O Rio Ave, que só tinha perdido uma vez esta época até ao início de Novembro (1-2 contra o Sporting, em Setembro), já soma mais cinco derrotas desde essa altura: 3-2 com o Marítimo, 1-0 com o Moreirense, 3-1 com o V. Guimarães, 3-1 com o Benfica e 3-2 com o Tondela. É curioso que os vila-condenses tenham feito golos em cinco das seis derrotas da época. Aliás, o Rio Ave só ficou em branco uma vez em 20 jogos oficiais esta temporada, a derrota por 1-0 em Moreira de Cónegos.   - Este jogo será, por isso, o confronto entre um dos melhores ataques da Liga nos jogos fora e a melhor defesa na partidas em casa. O Rio Ave já fez 14 golos em deslocação, menos um que o V. Setúbal, que tem o melhor ataque da prova fora de casa. Mas o FC Porto só sofreu dois golos no Dragão, menos um que o Sporting, a segunda melhor defesa nas partidas em casa.   - Pedro Martins, o treinador do Rio Ave, perdeu os três jogos que fez contra Julen Lopetegui, todos na época passada. O FC Porto do basco impôs-se por 5-0 no Dragão e 3-1 em Vila do Conde nas partidas da Liga e ainda foi ganhar aos Arcos por 1-0 na Taça da Liga.   - Aliás, só por uma vez Pedro Martins viu uma equipa sua marcar um golo no Dragão, em jogos da Liga. E foi logo na primeira vez que lá foi, faz na terça-feira cinco anos: o FC Porto ganhou por 4-1 ao Marítimo do técnico feirense. Depois disso, Martins perdeu sempre no Dragão: 2-0 em 2011/12, 5-0 em 2012/13, 3-0 em 2013/14 (as três vezes com o Marítimo) e outra vez 5-0 em 2014/15 (já com o Rio Ave). A somar a estes jogos há mais uma visita, outra derrota, esta por 3-2, no jogo da Taça da Liga que ficou célebre pelo atraso com que se jogou.   - Martins já ganhou uma vez ao FC Porto em 12 jogos: foi em 2013/14 que o seu Marítimo bateu os dragões por 1-0, mas nos Barreiros.   - Danilo Pereira, médio internacional do FC Porto, foi lançado na Liga por Pedro Martins, quando este dirigia o Marítimo. Aconteceu a 18 de Agosto de 2013, numa vitória dos insulares sobre o Benfica, por 2-1.   - Pedro Moreira pode completar o 50º jogo com a camisola do Rio Ave, depois de ter chegado a Vila do Conde emprestado pelo FC Porto, na época passada. Dos 49 que já fez, 32 foram na Liga portuguesa, sete na Liga Europa, seis na Taça de Portugal, três na Taça da Liga e um na Supertaça.   - Cássio, guarda-redes do Rio Ave, estreou-se na Liga a jogar contra o FC Porto, lançado por Paulo Sérgio a 26 de Setembro de 2008, numa derrota do Paços de Ferreira no Dragão, por 2-0. Também Roderick se estreou na Liga a perder no Dragão, encaixando cinco golos sem resposta com a camisola do Benfica, a 7 de Novembro de 2010 – lançou-o Jorge Jesus. Por fim, Guedes, avançado dos vila-condenses, também chegou à Liga pela porta do Dragão, lançado por Luís Castro numa derrota do Penafiel por 3-1, a 17 de Dezembro de 2005.   - André Vilas Boas, uma das referências do Rio Ave, foi campeão pelo FC Porto, em 2003/04. José Mourinho deu-lhe um minuto nesse campeonato, depois de o mandar de volta para a equipa B e de o devolver ao Rio Ave.   - O FC Porto ganhou os derradeiros sete jogos que fez contra o Rio Ave (e 16 dos últimos 17). Nas últimas 20 vezes que os dois clubes se defrontaram, o máximo que os vila-condenses conseguiram foram três empates: 2-2 em Setembro de 2012, 0-0 em Setembro de 2008 e em Janeiro de 2006. De resto, o Rio Ave só pontuou uma vez no Dragão, num empate a uma bola que faz 11 anos na próxima terça-feira. Ao todo, soma ali três empates e uma vitória, mas as ocasiões anteriores em que voltou do Porto com pontos tinham sido na sequência de jogos nas Antas.   - As últimas três visitas do Rio Ave ao Dragão foram resolvidas de forma clara: 4-0 em 2012/13, 3-0 em 2013/14 e 5-0 em 2014/15. O último golo do Rio Ave neste estádio foi obtido por Braga, numa derrota por 2-1, em Fevereiro de 2013. Jackson tem sido o goleador mais frequente do FC Porto neste confronto, tendo obtido quatro golos nos últimos quatro jogos. Dos que ainda estão no FC Poto, só Tello e Varela marcaram na receção ao Rio Ave, ainda que Maicon e Aboubakar o tenham feito em Vila do Conde.   - Será o 11º jogo em que Rui Costa apita o FC Porto na Liga, sendo que os Dragões nunca perderam com ele. O pior que lhes aconteceu foi ceder dois empates, frente ao P. Ferreira em 2009/10 e ao Belenenses em 2014/15. Com ele, o Rio Ave perdeu sete vezes (em 15 jogos), duas delas na Luz, contra o Benfica.
2016-01-05
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O Sporting venceu o FC Porto por 2-0 e continua imparável nos clássicos, tendo ganho os primeiros quatro da época, pois a esta vitória somam-se as três obtidas contra o Benfica na Supertaça, na Liga e na Taça de Portugal. Esta foi a primeira vez que o Sporting ganhou os primeiros quatro clássicos da época, mas não a primeira vez que ganhou quatro clássicos consecutivos: tinha-o conseguido em 1948, quando ganhou ao Benfica a 25 de Abril (4-1, para a Liga), ao FC Porto a 16 de Maio (5-2, para a Liga), e mais duas vezes ao Benfica a 27 de Junho (3-0 para a Taça de Portugal) e a 14 de Novembro (5-1 para a Liga). Encalhou à quinta partida, perdendo por 1-0 frente ao FC Porto a 5 de Dezembro, no Campo da Constituição.   - Continua assim a saga negativa do FC Porto em Alvalade, onde os dragões já não ganham há dez jogos, com seis empates e quatro vitórias leoninas. A última vez que o FC Porto venceu o Sporting em Alvalade foi a 5 de Outubro de 2008, por 2-1, graças a golos de Lisandro López e Bruno Alves, tendo João Moutinh feito o tento dos leões.   - Além de Alvalade, nota-se a incapacidade do FC Porto ganhar em Lisboa. É que são já 12 os jogos seguidos desde a última vitória dos dragões em Lisboa, um 3-2 sobre o Benfica, a 2 de Março de 2012. Desde aí, o FC Porto soma três derrotas e dois empates com o Benfica na Luz, dois empates com o Belenenses no Restelo e duas derrotas e três empates com o Sporting em Alvalade.   - Slimani chegou aos 14 golos na época e está a apenas um de toda a produção na época passada. Fez, além disso, o quarto golo em clássicos nesta temporada, só tendo ficado em branco no desafio da Supertaça. De resto, fez o segundo golo nos 3-0 ao Benfica na Luz, o tento que decidiu o prolongamento (2-1) frente aos encarnados na Taça de Portugal e agora ambos os golos dos 2-0 ao FC Porto em Alvalade.   - O argelino foi, além disso, o primeiro jogador do Sporting a bisar num clássico desde que Liedson o fez numa vitória por 3-2 frente ao Benfica, em Fevereiro de 2009. Num jogo com o FC Porto, o último leão a marcar dois golos tinha sido Romagnoli, nuns 4-1 a contar para a Taça da Liga, poucos dias antes desse jogo com o Benfica.   - O Sporting obteve a décima vitória consecutiva em casa, depois da derrota contra o Lokomotiv de Moscovo, a 17 de Setembro, a contar para a Liga Europa. Os leões continuam a perseguir a série de 2011/12, quando a equipa de Ricardo Sá Pinto ganhou consecutivamente os derradeiros onze jogos no seu estádio.   - Além disso, os leões aumentaram para 24 o total de jogos que levam sem perder me casa para a Liga desde que foram batidos em Alvalade pelo Estoril de Marco Silva, a 11 de Maio de 2014 (1-0, na última jornada desse campeonato). Aqui, perseguem a marca estabelecida pela equipa de Paulo Bento, que esteve 26 jogos seguidos sem perder em Alvalade para a Liga entre um 0-2 contra o Benfica a 1 de Dezembro de 2006 e um 1-2 contra o FC Porto a 5 de Outubro de 2008.   - Foi a primeira derrota do FC Porto na Liga desde 25 de Janeiro do ano passado, quando os dragões foram batidos nos Barreiros pelo Marítimo, por 1-0. Desde aí, a equipa de Lopetegui somara 30 jogos sem perder no campeonato, com 24 vitórias e seis empates.   - Foi, além disso, a segunda derrota seguida do FC Porto em todas as competições, depois de ter sido batido pelo Marítimo, no Dragão, para a Taça da Liga (1-3). Lopetegui nunca tinha perdido dois jogos seguidos no FC Porto, pois a última série de duas derrotas consecutivas dos dragões já datava de Novembro de Dezembro de 2012, quando a equipa de Vítor Pereira foi consecutivamente batida pelo Sp. Braga (2-1, na Taça de Portugal) e pelo Paris St. Germain (2-1 na Liga dos Campeões).   - Apesar de tudo, os 36 pontos que o FC Porto soma nas primeiras 15 jornadas ainda se superiorizam aos 34 que a equipa somou nos primeiros 15 jogos da época passada. Para se encontrar um FC Porto mais forte por esta altura da época há que recuar à última vez que os dragões foram campeões: em 2012/13 tinham 39 pontos à 15ª jornada.   - Muito mais forte está o Sporting, cujos 38 pontos são amplamente mais largos que os 30 que a equipa somava por esta altura da época passada. Para encontrar um Sporting com tantos pontos ao fim de 15 jogos é preciso recuar a 1990/91, quando a equipa de Marinho Peres comandava a Liga com 27 pontos, fruto de 13 vitórias e um empate, que com as regras de pontuação atuais seriam 40.   - O Sporting tem, além disso, a melhor defesa da Liga, com apenas sete golos sofridos, menos cinco do que à mesma altura da Liga anterior. A última vez que os leões chegaram tão pouco vulneráveis à 15ª jornada da Liga foi em 1996/97, quando a equipa que começou a ser comandada pelo belga Robert Waseige e depois viu suceder-lhe Otávio Machado tinha os mesmos sete golos encaixados em 15 jogos.   - Lopetegui apresentou exatamente o mesmo onze inicial que já tinha mostrado na vitória frente à Académica, na 14ª jornada, repetindo onze pela primeira vez na prova desde Março, quando abordou os jogos com o Sporting, no Dragão, e o Sp. Braga, na Pedreira, com os mesmos titulares. Maicon, Herrera e Brahimi são os únicos jogadores em comum às quatro partidas.   - O treinador basco continua sem conseguir ganhar e, pior, sem marcar um único golo em jogos contra equipas dirigidas por Jorge Jesus. Em três jogos, empatou um a zero e perdeu os outros dois pelo mesmo resultado: 2-0.   - O jovem Matheus Pereira foi titular na Liga pela primeira vez, entrando logo num clássico. Já tinha começado vários jogos dos leões esta época, mas nenhum no campeonato: quatro na Liga Europa, um na Taça da Liga e um na Taça de Portugal.   - Estreia na Liga de André Silva, que entrou para o lugar de Aboubakar a 19’ do final depois de já ter sido titular na partida da Taça da Liga frente ao Marítimo.
2016-01-03
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Um Super Slim deu a vitória no clássico sobre o FC Porto a um Sporting "Slim Fit" e devolveu aos leões a liderança da Liga que haviam deixado na Choupana, na derrota com o U. Madeira. Falo de Super Slim porque foi Slimani quem fez os dois golos de um 2-0 que pôs justiça no placar e de "Slim Fit" porque os leões continuam a fazer valer o seu futebol estreito, com concentração de unidades no corredor central, face ao jogo mais feito de largura do adversário de hoje. E porque, além disso, em situações de equilíbrio, como a que se vivia na primeira parte, Jesus adaptou bem a estratégia da equipa às características do atacante argelino, criando condições para o libertar nas bolas paradas, por exemplo. Quando se avalia o que se viu no clássico, é impossível não destacar o papel de Slimani, sempre incansável na pressão sobre a saída de bola do adversário e na busca de profundidade nos flancos quando são os colegas que a têm, mas também por ter feito os dois golos do jogo e ainda ter enviado um cabeceamento à barra. Mas não foi só o argelino a separar duas equipas muito iguais a si mesmas. No Sporting há a realçar ainda uma exibição fulgurante do meio-campo, pela amplitude de movimentos de Adrien, cuja presença atrás não o impediu de aparecer em zonas de conclusão com frequência – também acertou uma vez no poste de Casillas – e de João Mário, sempre o maior causador de desequilíbrios na organização portista, pela facilidade com que saía do corredor direito e aparecia ao meio. E um Naldo sempre certo, a compensar a equipa nos momentos em que era o FC Porto a fazer valer as suas armas. Porque o FC Porto foi também igual a si mesmo, na aposta permanente na construção por fora. E nos momentos em que libertava Brahimi na esquerda ou, sobretudo, quando conseguir girar a bola com rapidez dali para a direita, explorando a estreiteza da organização leonina para descobrir Corona nas costas de Jefferson, criava também condições para chegar com perigo até perto de Rui Patrício. O jogo era assim um confronto de duas ideias diferentes, mas começou a resolver-se num detalhe – nisso tiveram razão os dois treinadores, na avaliação final – fruto do trabalho semanal. O Sporting adiantou-se, por Slimani, no aproveitamento de um livre lateral de Jefferson, graças a uma jogada trabalhada nos treinos e várias vezes tentada no jogo: o argelino escondia-se atrás de um colega e ganhava assim espaço para ludibriar a marcação individual feita pelo FC Porto nas bolas paradas. E ao marcar primeiro pôde gerir o jogo de forma diferente. Lopetegui tentou ganhar presença pelo meio com a troca de um médio mais posicional, como Ruben Neves, por outro com mais capacidade para esticar o jogo, como André André. Mas em vez de dar mais presença na frente ao FC Porto, isso libertou os médios do Sporting para uma segunda parte fulgurante. Pouco importou, de facto, que o basco tenha sido mais uma vez igual a si próprio ao recusar juntar os dois pontas-de-lança, trocando Aboubakar por André Silva. Era o Sporting quem mandava no relvado e se o 2-0 não chegou no tal cabeceamento de Slimani à barra nem num remate de Adrien ao poste, acabou por aparecer quando Ruiz isolou o argelino e este bateu Casillas com repentismo e potência. Confirmava-se a quarta vitória do Sporting em outros tantos clássicos e o estado de graça de Jorge Jesus, que regressa ao topo da Liga, mas o FC Porto está perto e o Benfica não ficou fora de combate – a Liga vai durar.
2016-01-03
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O Estádio José Alvalade está transformado numa espécie de local maldito para o FC Porto, que ali não ganha desde Outubro de 2008. A visita ao Sporting é aquela em que os dragões deixaram mais pontos nos últimos dez campeonatos: 19, ao todo, contra 17 na Luz e 15 nos Barreiros (já contando os dois que lá ficaram na temporada atual). Desde esse sucesso de 2008, o FC Porto já ganhou em todos os estádios do campeonato pelo menos uma vez. Foi Jesualdo Ferreira o último treinador dos dragões a ganhar em Alvalade, nessa quinta jornada da Liga de 2008/09. O FC Porto adiantou-se, por Lisandro López, João Moutinho empatou para os leões, na altura liderados por Paulo Bento, de penalti, e um livre de Bruno Alves permitiu a vitória azul-e-branca, por 2-1. Dos 28 jogadores que nesse dia estiveram em campo só resta nos dois clubes o guardião leonino Rui Patrício, que por esses tempos ainda estava a começar a impor-se na baliza do Sporting. Desde essa vitória, o melhor que o FC Porto conseguiu levar de Alvalade foram empates, ainda que um deles, um mês depois, lhe tenha permitido seguir em frente na Taça de Portugal, no desempate por grandes penalidades, depois de os 120 minutos de jogo não terem desempatado as duas equipas. Na Liga, o Sporting ganhou por 3-0 em 2009/10 (marcaram Yannick, Izmailov e Veloso), verificou-se um empate a uma bola em 2010/11 (golos de Valdés para os leões e Falcao para os dragões) e mais dois, ambos sem golos, em 2011/12 e 2012/13. Em 2013/14 ganhou o Sporting por 1-0 (golo de Slimani) e na época passada as duas equipas voltaram a empatar a um golo (Jonathan Silva adiantou os lisboetas, tendo os portistas empatado através de um autogolo de Sarr). Alvalade é assim o estádio da Liga onde o FC Porto não ganha há mais tempo. São já sete anos (e quase três meses), o máximo período de invencibilidade leonina em casa contra os portistas na Liga desde as décadas de 60 e 70. Nessa altura, os leões estiveram sem perder com o FC Porto em casa para o campeonato entre Março de 1963 (0-1, com golo de Serafim) e Dezembro de 1972 (0-3, com golo de Abel e bis de Flávio).   - O Sporting ganhou os últimos três jogos em casa pelo mesmo resultado: 3-1 ao Besiktas para a Liga Europa, ao Moreirense para a Liga portuguesa e ao Paços de Ferreira para a Taça da Liga. Além disso, os leões seguem com nove vitórias seguidas nos jogos em casa desde que perderam com o Lokomotiv, também por 3-1, na Liga Europa, a 17 de Setembro. No jogo com o FC Porto procuram a décima vitória caseira sucessiva, algo que não conseguem desde o final da época de 2011/12, quando a equipa de Ricardo Sá Pinto venceu consecutivamente os últimos onze jogos caseiros da temporada.   - O FC Porto, por sua vez, vem de uma derrota em casa frente ao Marítimo na Taça da Liga, por 3-1, sendo absolutamente regular nos últimos nove jogos disputados: ganha três e perde o quarto. Venceu Maccabi, V. Setúbal e Angrense antes da derrota com o Dynamo Kiev; bateu Tondela, U. Madeira e P. Ferreira antes de ceder ante o Chelsea; derrotou Nacional, Feirense e Académica antes de ser derrotado pelo Marítimo. Seguindo a série, agora é vez de ganhar.                - Julen Lopetegui nunca ganhou um jogo a Jorge Jesus e nunca viu sequer uma equipa sua marcar um golo a uma liderada pelo atual treinador leonino. Os dois só se defrontaram duas vezes, com o Benfica de Jesus a ganhar no Dragão por 2-0 e a empatar na Luz (0-0). Por sua vez, nos jogos com o Sporting tem uma vitória, um empate e uma derrota: ganhou por 3-0 na Liga, no jogo em casa, perdeu por 3-1 na Taça de Portuigal, também no seu estádio, e empatou a uma bola em Alvalade para o campeonato.   - Nos 19 jogos que fez pelo Benfica contra o FC Porto, Jorge Jesus tem saldo negativo: ganhou sete vezes e perdeu oito, empatando os quatro restantes. Antes de chegar ao Benfica, nunca tinha sequer ganho ao FC Porto, tendo no entanto conseguido empatar com Sp. Braga, Belenenses, Moreirense e Felgueiras.   - Aquilani e Gelson Martins marcaram ambos nas duas últimas partidas do Sporting em casa, contra o Paços de Ferreira e o Moreirense.   - André André estreou-se na Liga a jogar contra o Sporting, lançado por Rui Vitória num empate do V. Guimarães frente aos leões, em casa, a 19 de Agosto de 2012. O mesmo sucedeu a Evandro, que teve o primeiro odor a Liga portuguesa com a camisola do Estoril em Alvalade, noutro empate, a 29 de Setembro de 2012, lançado por Marco Silva.   - O equilíbrio tem sido a nota dominante nos últimos confrontos entre Sporting e FC Porto, pois desde 2012 que nenhum dos dois ganha dois jogos seguidos. Nesse ano, os dragões impuseram-se duas vezes consecutivas por 2-0 no Dragão: na 29ª jornada da Liga de 2011/12 e na sexta ronda da prova de 2012/13. Nas últimas duas épocas, houve sempre três jogos entre ambos, com divisão equitativa dos três resultados possíveis: duas vitórias para cada lado e dois empates.   - Hugo Miguel, o árbitro do clássico, ainda não viu uma vitória das equipas da casa nos seis jogos que apitou esta época. Dois desses jogos envolveram o FC Porto: o empate (1-1) com o Marítimo nos Barreiros e a vitória (2-1) contra o Rio Ave em Vila do Conde. O juiz lisboeta já não dirige um jogo do Sporting na Liga desde a vitória em Braga (1-0) na época passada. Com ele, o Sporting já perdeu duas vezes (no Estoril em 2012/13 e em Guimarães em 2014/15) em dez jogos, ao passo que o FC Porto segue invicto, com 13 vitórias e apenas um empate (o desta época, nos Barreiros) em 14 jogos.
2016-01-01
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Último Passe

Os mais mil e trezentos milhões de euros injetados em três clubes de futebol pelas principais operadoras de TV por cabo nas últimas semanas vieram agitar o futebol nacional e merecem uma explicação. Ao mesmo tempo que os adeptos querem sobretudo ver escrito que o seu clube fez o melhor negócio dos três - seja ele qual for -, essa medição é o que menos me interessa, porque só é feita por quem vê o futebol como um exercício de culto da personalidade, seja ela a de Luís Filipe Vieira, de Pinto da Costa ou de Bruno de Carvalho. Mais interessante é perceber como é que isto foi possível e o que vai acontecer daqui para a frente.É verdade que o panorama de rivalidade fortíssima entre os clubes, que está na génese das tais atitudes de confronto do adepto comum, ajudou a potenciar todos os negócios, porque contribuiu para o crescimento da concorrência: todas as operadoras temem o efeito de rejeição dos adeptos de um clube excluído. Mas a chave destes negócios esteve na decisão tomada há tempos pela autoridade da concorrência, quando impediu a entrada da PT no capital da Sport TV e impôs que os contratos existentes expirassem em 2018, matando a cláusula de preferência que eternizava o domínio exercido pela PPTV de Joaquim Oliveira no direitos de TV do futebol.Se o aparecimento da concorrência e o desaparecimento do intermediário ajuda a explicar de onde veio o dinheiro, já me parece impossível definir quem dos três fez o melhor negócio, porque fruto da tal predisposição para o culto do líder, todos os clubes acabaram por meter mais e mais coisas nos contratos para poderem subir o montante final de cada contrato, que é o que faz manchetes nos jornais e motiva a discussão dos adeptos. Creio que os tempos da gestão irresponsável ds operadoras estão bem lá atrás e que tanto a Nos como a Altisse pagaram um justo valor, não pelo que os direitos valem agora mas sim pelo que poderão valer nos próximos dez anos, com a criação de novas plataformas e o aparecimento em Portugal de realidades como o Pay Per View.Aliás, essa é uma das inquietações que me assaltam neste momento. É que se é mais ou menos claro que até 2018 - até os jogos do FC Porto passarem para a Altice - o futebol vai ficar concentrado na Sport TV, onde a Nos deverá querer meter o Benfica, a dúvida é acerca do que acontecerá depois. Quererá a Altice criar um novo canal de desporto - diz-se até que já está a negociar com outros clubes nesse sentido - para concorrer com a Sport TV? E com os valores que ambos estão a pagar aos clubes, poderão estes dois canais ser rentáveis a médio prazo, tendo só metade do futebol? É que, ainda por cima, apesar de a Liga de Proença estar a falhar o encontro com a história ao perder a oportunidade de centralizar pelo menos as negociações dos clubes além dos três grandes - se 17 jogos de um dos grandes em casa valem 400 milhões por dez anos, 45 jogos dos três fora de casa valerão seguramente mais de mil milhões - ainda há muito dinheiro a gastar para assegurar todo o futebol. E os pequenos têm de entender que nesta guerra não são de todo um verbo de encher.
2015-12-29
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Jorge Jesus voltou a dirigir-se aos adeptos que estavam em Alvalade esta semana e recordou aquilo que tinha dito no ato da apresentação: que o Sporting ia ser candidato ao título. Aliás, renovou a promessa de andar lá, “encostado a eles”, num discurso aos adeptos que foram ver a equipa treinar-se e no qual enumerou aquilo que a equipa já conseguiu em cinco meses de trabalho. Mas Jesus, melhor do que ninguém, sabe que para andar lá “encostado a eles”, a equipa precisa de mais um salto em frente. Foi assim que conseguiu dois dos seus três títulos nacionais, sendo que o outro foi ganho a colar com cuspe os remendos de uma equipa que sentiu demasiado os efeitos do mercado de inverno, no qual perdeu Enzo Pérez. O que pode parecer pouco mas se notou muito porque em anos anteriores a equipa já tinha perdido Javi García, Witsel e Matic. A época de 2014/15 foi a exceção nos títulos de Jesus. Nela, o Benfica baixou a média de pontos por jogo do Natal para a frente e mesmo assim conseguiu ser campeão, muito graças a um arranque superlativo: tinha 2,64 pontos por jogo até ao Natal e somou 2,40 pontos por jogo entre o Ano Novo e o fim da Liga. Valeu-lhe um início mais tímido que o atual do FC Porto de Julen Lopetegui, com apenas 2,21 pontos por jogo até à noite de Consoada (contra os 2,57 de agora), e uma ponta final não muito afirmativa dos dragões, com 2,55 pontos por jogo, reflexo, por exemplo, da incapacidade para ganhar o clássico na Luz que os devolveria à luta pelo título. Ora desta vez o FC Porto já está na frente e, se mantiver o “modus operandi” da época passada, Lopetegui não tem a rotatividade para o atrapalhar e lhe roubar pontos. Há um ano, por esta altura, o basco tinha o onze consolidado e, mesmo estando agora também na Taça de Portugal e na Liga Europa com responsabilidades que não tinha na Champions, tudo leva a crer que possa pelo menos manter a pedalada até ao final da Liga. Daí que, caso queira mesmo andar lá em cima, “encostado a eles”, Jesus saiba que tem de repetir o que conseguiu nos seus primeiros dois títulos com o Benfica e subir a média pontual a partir de Janeiro. Em 2009/10 cresceu de 2,35 para 2,68 pontos por jogo e em 2013/14 aumentou a produtividade de 2,35 para 2,56 pontos por jogo. O Sporting de Jesus viaja com uma média de 2,50 pontos por jogo, mas para ser campeão pode ter que melhorar. As duas épocas em que o Benfica de Jesus aumentou a produtividade de Janeiro para a frente tiveram outro ponto em comum, que foi uma vitória sobre o FC Porto em casa, por esta altura do inverno: 1-0 a 20 de Dezembro de 2009 e 2-0 a 12 de Janeiro de 2014. O calendário fez a sua parte e marcou um Sporting-FC Porto para 2 de Janeiro. Resta perceber se a equipa de Jesus faz também a sua ou se, permitindo um bom resultado ao FC Porto, perde a oportunidade de afirmar no campo o que o treinador tem dito aos adeptos. É que se não aproveitar a oportunidade, o Sporting pode vai ter que se ver a contas com o Benfica de Rui Vitória. O Benfica está mais perto do que muitos julgariam possível depois dos 3-0 com que foi despachado pelos leões na Luz, em Outubro, e ainda vem muito a tempo de interferir na guerra do título. Sobretudo se crescer de produção. O histórico de Rui Vitória no V. Guimarães não é de crescimento pós-natalício constante, mas é de crescimento nas épocas em que os inícios defraudaram as expectativas. Como foi o caso com este Benfica, que segue com apenas 2,21 pontos por jogo, a pior produção pré-natalícia na Luz desde 2010/11, a época em que o FC Porto de André Villas-Boas ganhou o campeonato a passear. Voltando a este Benfica, a questão que se coloca é a de saber se o modo de trabalho de Rui Vitória permite pensar num crescimento na segunda metade da temporada. Ora, os dois melhores arranques de Rui Vitória em Guimarães (2,00 pontos por jogo em 2014/15 e 1,64 pontos por jogo em 2013/14) conduziram a um decréscimo de produtividade após o Ano Novo (1,35 e 0,75 pontos por jogo, respetivamente). Aplica-se aqui que nem uma luva a teoria da desresponsabilização que foi usada acerca do estoiro dado pela equipa vimaranense na época passada, por exemplo, na qual até chegou ao Natal à frente do Sporting de Marco Silva. Chegou aos jogadores a mensagem de que estavam a portar-se demasiado bem (iam a par dos Ferraris e só conduziam um Fiat 600) e isso levou-os a baixar o ritmo daí para a frente. Nas épocas em que o início foi mais tremido, porém, Vitória soube reunir a equipa e aumentar as médias na segunda metade da Liga. Foi assim em 2011/12 (de 1,27 para 1,82 pontos por jogo) e em 2012/13 (de 1,25 para 1,38). Ora é desse acréscimo que o Benfica precisa para voltar a entrar na guerra. Claro que tanto na história de Jesus como na de Vitória – na de Lopetegui dificilmente isso será tema – há que ter em conta o papel desempenhado pelo mercado de Janeiro. Mas a ideia que fica para já é a de que vamos ter Liga disputada por mais uns meses. A começar já no sábado que vem, com o V. Guimarães-Benfica e o Sporting-FC Porto.
2015-12-28
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Último Passe

O negócio feito pelo FC Porto com a Meo tem sido visto como uma resposta ao acordo entre o Benfica e a Nos, mas francamente essa é a parte que me parece menos interessante na notícia. Ainda que a generalidade dos adeptos veja o futebol como uma simples forma de medir virtudes – para poder dizer: “a minha é maior do que a tua” – aquilo que mais me interessa no negócio entre o FC Porto e a Meo são outras coisas. É, por exemplo, perceber quanto é que os mesmos adeptos que agora se digladiam para defender o negócio feito pelo seu presidente como melhor que o do rival terão de pagar para continuar a ver o futebol. Porque há um admirável mundo novo a desembrulhar-se à nossa frente e convém percebê-lo desde os primeiros tempos. Interessa primeiro dizer que, tal como o Benfica, o FC Porto fez um excelente negócio e conseguiu assegurar uma importante fonte de financiamento para os próximos anos. Se um negócio é melhor do que o outro é difícil ou até impossível de dizer, porque o que foi vendido foram coisas diferentes e por isso mesmo incomparáveis, as do Benfica por 400 milhões, as do FC Porto por 457. Depois, interessa salientar que se confirma a entrada do futebol nacional num novo paradigma, em que o produtor de conteúdos vende diretamente às empresas aglutinadoras desses mesmos conteúdos, dispensando não apenas o intermediário que fez lei e ditou preços durante anos no futebol nacional, com isso exercendo influência política, mas fundamentalmente dispensando também os canais propriamente ditos. Porque, mais do que perceber se este negócio torna a centralização dos direitos mais próxima ou total e absolutamente inviável, como à primeira vista parece, interessa perceber algo tão simples como: onde vão os jogos ser transmitidos? Os do Benfica na Sport TV (de Oliveira, portanto)? E os do FC Porto, onde? E o que quer a Meo? Melhorar a posição negocial? Quer os direitos para revender? Para lhe servirem de moeda de troca? E poderá a Sport TV aumentar o valor da assinatura sem ter os jogos do FC Porto em casa, mesmo que ganhe o Benfica e a Liga inglesa? E será que a Liga de Proença, que vai somando punhaladas nas costas, pode ainda vir à tona no final desta guerra? Vêm aí tempos animados.
2015-12-27
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A vitória do FC Porto sobre a Académica (3-1) significa que os dragões chegam à liderança isolada da Liga pela primeira vez desde que chegou Julen Lopetegui. O FC Porto não estava sozinho no primeiro lugar desde 23 de Novembro de 2013, quando ainda eram liderados por Paulo Fonseca. Perderam essa liderança para Benfica e Sporting a 30 de Novembro, ao serem derrotados… pela Académica, em Coimbra (1-0).   - Com esta vitória, o FC Porto assegura que é “campeão de Natal”. Neste século, três em cada quatro campeões de Natal acabaram por ser campeões nacionais na Primavera. Três das quatro exceções ocorreram com equipas do FC Porto: em 1999/00 o campeão acabou por ser o Sporting; em 2000/01 foi o Boavista e em 2004/05 foi o Benfica. A quarta exceção penalizou o Benfica, que liderava em 2008/09 e acabou por ver o FC Porto celebrar a conquista da Liga.   - Além disso, os 36 pontos que o FC Porto soma ao fim de quatro jornadas, fruto de onze vitórias e três empates, são o terceiro melhor pecúlio portista do século à 14ª jornada a seguir aos 38 da equipa de André Villas-Boas em 2010/11 e aos 37 da formação comandada por Jesualdo Ferreira em 2006/07. Nos dois anos de José Mourinho, o FC Porto chegou à 14ª jornada com estes mesmos 36 pontos.   - O FC Porto somou ainda o 30º jogo seguido na Liga sem perder, pois a última derrota aconteceu à 18ª jornada da prova da época passada, a 25 de Janeiro, frente ao Marítimo (0-1). A equipa portista não chegava invicta à 14ª jornada desde 2012/13, quando era orientada por Vítor Pereira.   - Foi ainda a sexta vitória seguida do FC Porto na Liga, depois do empate em casa com o Sp. Braga, a 25 de Outubro. A melhor série de Lopetegui está em sete vitórias consecutivas, conseguidas entre Janeiro e Março, entre a derrota com o Marítimo (0-1) e um empate com o Nacional (1-1), ambos no Funchal.   - Em contrapartida, o FC Poto sofreu um golo em casa pelo terceiro jogo seguido (Dynamo Kiev, Paços de Ferreira e Académica), o segundo na Liga. Mudança de tendência, quando antes do desafio com o Paços os portistas estavam prestes a conseguir um ano inteiro sem golos encaixados em casa para o campeonato – o último tinha sido marcado pelo Benfica, a 14 de Dezembro do ano anterior.   - Layun confirmou-se como melhor assistente do FC Porto, igualando o benfiquista Gaitán no topo da tabela dos passes de golo, com sete. O mexicano, que fez os passes para os golos de Danilo e Aboubakar, assistiu colegas pela segunda jornada consecutiva.   - Vincent Aboubakar marcou golos pelo segundo jogo consecutivo, depois de já ter assegurado a vitória do FC Porto frente ao Feirense, na Taça de Portugal, a meio da semana. É a segunda vez que o consegue esta época, sendo que na primeira alargou a série a três jogos: Estoril, Arouca e Dynamo Kiev.   - O camaronês já superou o total de golos da época passada: leva 10 golos marcados, seis na Liga, três na Champions e um na Taça de Portugal. Na época passada ficou-se pelos oito, quatro na Liga, três na Champions e um na Taça da Liga.   - A Académica perdeu a terceira deslocação deslocação consecutiva, depois dos 3-0 contra o Benfica na Luz e do 1-0 ante o Boavista, no Bessa, para a Taça de Portugal. Voltou a marcar um golo fora, o que já não lhe acontecia desde a visita ao Estoril, a 6 de Novembro. Tal como nesse jogo, que acabou empatado a uma bola, o golo dos estudantes saiu do banco: então foi Rabiola, agora Rui Pedro.
2015-12-21
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O tropeção do Sporting na Choupana, frente ao União da Madeira, seguido da vitória do FC Porto sobre a Académica, no Dragão, trouxe uma inesperada mudança de líder ao campeonato. A equipa de Julen Lopetegui sucedeu à de Jorge Jesus no primeiro lugar, se calhar nem bem consciente da importância que tem passar a consoada no primeiro lugar: doze dos 16 campeões deste século receberam os embrulhos do Pai Natal na frente da Liga. Que a troca tenha acontecido semana e meia depois da espera dos adeptos portistas ao treinador basco, no aeroporto, no regresso de Londres, após a eliminação da Champions, é um detalhe que serve para acentuar que este pode vir a ser um campeonato de jogadores e não de treinadores. A questão foi muito debatida neste início de época, quando Jorge Nuno Pinto da Costa investiu no reforço de um plantel que já era o mais forte da Liga e Bruno de Carvalho apostou as fichas todas no treinador que ganhara os dois últimos campeonatos. De um lado, acreditava-se que era preciso juntar qualidade a um grupo que continuava a ser liderado por um treinador ao qual nem os adeptos portistas comprariam um carro usado. Do outro, achava-se que um grupo reforçado mas ainda assim limitado poderia transcender-se se fosse liderado por um ganhador acima de qualquer suspeita. Ouviram-se e leram-se inúmeras comparações entre os milhões que custaram jogadores de um lado e os que ganhava o treinador do outro. E é claro que só o final do campeonato trará a resposta definitiva, mas a ascensão do FC Porto à liderança na semana do Natal pode prenunciar que a aposta correta acaba por ser a do presidente portista. É que só por três vezes neste século uma equipa conseguiu ser campeã sem estar pelo menos ex-aequo no topo da Liga por esta altura: aconteceu ao Sporting em 1999/00, ao Boavista em 2000/01, ao Benfica em 2004/05 e ao FC Porto em 2008/09. Em três destes casos (em todos os que acabou por perder, portanto), o campeão de Natal foi o FC Porto, pelo que os dragões sabem bem o que é deitar ao lixo um campeonato nestas circunstâncias. E é por já estarem avisados que têm de olhar para o clássico de dia 2 de Janeiro, com o Sporting, em Alvalade, com a necessidade absoluta de não permitirem nova ultrapassagem: em 2000/01, por exemplo, o FC Porto cedeu o primeiro lugar ao Boavista com uma derrota no confronto direto logo no início de Janeiro e nunca mais o recuperou. Isso pode até querer dizer que o empate em Alvalade acabará por ser um bom resultado para o FC Porto, porque manteria a liderança, mas convém os portistas não esquecerem que também o é para o Benfica, que ontem ganhou ao Rio Ave e se colocou a cinco pontos do topo da tabela. Se os rivais empatarem no clássico e o Benfica vencer em Guimarães, essa distância baixará para três pontos apenas. Uma vitória… Claro que este é um cenário de sonho para os benfiquistas, também ele surgido na semana em que a contestação a Rui Vitória subiu tanto de tom que a “estrutura” sentiu a necessidade de divulgar que o presidente Luís Filipe Vieira tinha ido ao balneário puxar as orelhas ao grupo. Mas é um cenário que acaba por premiar a política híbrida, de navegação à vista, assumida por Vieira. O Benfica quis outro treinador para foçar a aposta nos jovens formados no Seixal – e na verdade alguns deles até estão a jogar – mas acabou por ter de abrir os cordões à bolsa quando a passagem de Jesus para Alvalade veio mudar a conjuntura. Vitória não tem sido capaz de fazer do Benfica um coletivo tão ganhador como o do bicampeonato, mas continua a ter jogadores capazes de resolver, como Gaitán numa altura da época e Jonas agora. Na verdade, também no Benfica se torce para que este seja um campeonato de jogadores. Se será ou não, os meses que faltam é que darão a resposta. Mas do dia 2 de Janeiro já será possível ter umas pistas a este respeito. In Diário de Notícias
2015-12-21
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Último Passe

O FC Porto reassumiu a liderança da Liga ao vencer a Académica por 3-1, num jogo que começou a resolver nas bolas paradas de Layun e acabou num calcanhar de Herrera, a passe de Corona. Os dragões não fizeram um jogo tão brilhante como a nota artística do seu terceiro golo poderia fazer crer, permitiram períodos de supremacia da Académica, no final das duas partes, mas ganharam com inteira justiça e podem encarar o clássico de Alvalade, contra o Sporting, no recomeço da prova, com a tranquilidade do primeiro lugar e de serem a única equipa sem derrotas na competição. No final do jogo, na instalação sonora do Dragão, ouviu-se o “A Todos Um Bom Natal”, mas bem podia ter tocado o “Cielito Lindo”. Porque acima deste FC Porto de influência mexicana já não há mais ninguém. Sabendo da derrota do Sporting na Madeira, a entrada do FC Porto no jogo não podia ter sido mais impositiva: logo aos 7’, canto de Layun e golo de Danilo, fortíssimo no ataque à bola. O segundo golo podia ter surgido numa série de ocasiões, mas com o impasse no 1-0 Casillas ainda acabou o primeiro tempo a precisar de se empenhar para manter a vantagem, num período em que o jogo portista baixou de intensidade. E se dúvidas houvesse, um livre lateral do mesmo Layun deu o 2-0 a Aboubakar, ainda a segunda parte não tinha dez minutos. A Académica tentava construir, mas não tinha qualidade suficiente para levar o jogo para perto da baliza de Casillas e desde logo se percebeu que acabaria por sucumbir como sucumbiu na Luz ante o Benfica. Como que a confirmá-lo, tal como nesse jogo, foi o terceiro golo a levar as bancadas ao êxtase: perfuração de Corona, cruzamento e, com o conforto dos dois golos de vantagem, risco máximo assumido por Herrera na finalização de calcanhar. Até final, o FC Porto voltou a perder intensidade, permitindo ainda um golo aos visitantes, obra de Rui Pedro, e pedindo a Casillas que evitasse um segundo que até podia ter reaberto a questão do resultado. Com o 3-1 final, veio a liderança, com mais um ponto que o Sporting e mais cinco que o Benfica, semana e meia depois da contestação dos adeptos a Lopetegui no aeroporto à chegada de Londres, onde a equipa caiu na Liga dos Campeões. Razão suficiente para que todo o grupo tenha um bom Natal.
2015-12-20
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O FC Porto ainda não perdeu esta época na Liga e procura o 30º jogo seguido sem derrotas na prova, desde que foi batido pelo Marítimo, por 1-0, em Janeiro. Uma série que equivaleria a um campeonato inteiro com 16 equipas e que é a mais longa invencibilidade na prova dos dragões desde os 53 jogos seguidos sem perder na Liga conseguidos por Vítor Pereira, André Villas-Boas e Paulo Fonseca entre Janeiro de 2012 e Novembro de 2013 e interrompida precisamente com uma derrota frente à Académica, em Coimbra, por 1-0. Além disso, o FC Porto fez, na semana passada, um ano sem perder em casa para a Liga. A última derrota no Dragão para esta competição foi a 14 de Dezembro de 2014, frente ao Benfica, por 2-0, tendo os dragões jogado ali para esta prova mais 17 vezes. Muito aquém dos 81 jogos que a equipa azul e branca esteve sem perder em casa para o campeonato entre uma derrota com o Leixões em Outubro de 2008 e outra com o Estoril em Fevereiro de 2014. O problema para os academistas é que a sua equipa não marca golos fora há três jogos: empatou a zero com o Trofense na Taça de Portugal, ganhando nas grandes penalidades, sendo depois batida pelo Benfica (3-0, para a Liga) e pelo Boavista (1-0, para a Taça). O último golo da equipa fora de Coimbra foi obtido por Rabiola, no empate (1-1) no Estoril, a 6 de Novembro.   - Julen Lopetegui ganhou os três jogos que fez contra a Académica, todos na época passada: 3-0 em Coimbra e 1-0 no Dragão para a Liga a juntar a um 4-1 em casa para a Taça da Liga. Este último jogo serviu a Gonçalo Paciência, atual jogador da Académica – impedido de jogar por estar emprestado pelos dragões – para marcar o seu único golo com a camisola azul-e-branca.   - Filipe Gouveia, treinador da Académica, só defrontou um grande do futebol nacional como treinador, tendo perdido com o Benfica na Luz, por 3-0. O último que enfrentou enquanto jogador, ao serviço do Gil Vicente, foi precisamente o FC Porto, no Dragão, em Abril de 2006. E também perdeu por 3-0.   - Layun esteve entre os marcadores de golos dos últimos dois jogos do FC Porto em casa para a Liga. Fez, de penalti, o 2-1 decisivo ao Paços de Ferreira e já tinha sido ele a fechar o placar nos 2-0 ao V. Setúbal.   - A Académica teve dois penaltis contra em cada um dos jogos que já fez contra os outros dois grandes. Perdeu com o Sporting em casa por 3-1, num jogo em que Adrien falhou um penalti e Aquilani converteu outro, e foi batido por 3-0 pelo Benfica na Luz, com dois penaltis de Jonas pelo meio.   - Helton, o guarda-redes portista que jogou na Taça de Portugal frente ao Feirense e que deverá estar no banco contra a Académica, estreou-se na Liga portuguesa precisamente frente aos estudantes, a 23 de Março de 2003 (há mais de doze anos!), quando Manuel Cajuda o lançou num empate caseiro da U. Leiria.   - A Académica tem no plantel três jogadores que ganharam campeonato nacional e Taça de Portugal pelo FC Porto. O lateral Emídio Rafael ganhou a dobradinha em 2010/11, o extremo Ivanildo tinha conseguido a mesma dupla de troféus em 2005/06 e o avançado Rabiola fê-lo em 2008/09.   - O FC Porto ganhou os últimos quatro jogos em casa à Académica, que não pontua no Dragão desde Março de 2012, quando esteve mesmo à beira de ganhar: adiantou-se por Edinho e só cedeu o empate nos descontos, graças a um penalti convertido por Hulk. Para encontrar uma vitória da Académica no Porto é preciso recuar a 1971 e ao velhinho Estádio das Antas: na altura a equipa liderada por Juca impôs-se por 3-2 ao FC Porto de António Teixeira.   - O FC Porto nunca perdeu na Liga com Bruno Esteves a apitar, tendo cedido apenas dois empates em oito jogos (Feirense e Rio Ave, ambos fora de casa). A Académica ganhou duas vezes em dez jogos com ele, mas já o teve esta época na receção ao Sporting, que perdeu por 3-1. Nesse jogo, Esteves fez jus à reputação de disciplinador e expulsou Fernando Alexandre. Em cinco jogos da atual Liga, o árbitro de Setúbal já mostrou quatro vermelhos e assinalou quatro grandes penalidades.
2015-12-19
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O argelino Brahimi, autor do golo da vitória do FC Porto frente ao Nacional (2-1), na Choupana, marcou nas três últimas deslocações dos dragões: fez o segundo golo nas vitórias face ao Nacional e ao U. Madeira e o único no sucesso contra o Tondela em Aveiro. O último portista a marcar golos em três saídas seguidas na Liga tinha sido Jackson Martínez, que esteve entre os goleadores nas vitórias nos terrenos de Académica (3-0), Gil Vicente (5-1) e Penafiel (3-1), entre Dezembro do ano passado e Janeiro deste ano.   A vitória do FC Porto foi a segunda dos dragões na Madeira esta época, depois de já ali terem ganho ao U. Madeira (4-0). Após ter quebrado nesse jogo a maldição da Madeira, onde não ganhava desde Maio de 2013, o FC Porto voltou agora a imitar essa época, ganhando duas vezes na ilha: nessa altura também tinha ganho por duas vezes na Choupana, ainda que ambas ao Nacional: 3-1 para a Liga e 3-0 para a Taça de Portugal.   - Este jogo significou ainda a primeira derrota caseira do Nacional em quase um ano. A equipa de Manuel Machado não perdia em casa desde 21 de Dezembro de 2014, quando ali foi batida pelo Sporting (1-0, para a Liga). Passou desde então 17 jogos sem perder, com onze vitórias e seis empates.   - Foi a quinta vitória seguida do FC Porto na Liga, desde o empate a zero com o Sp. Braga. A equipa portista consegue a melhor série de vitórias na competição desde Fevereiro e Março, quando alinhou sete sucessos consecutivos entre a derrota com o Marítimo e o empate com o Nacional, ambos no Funchal.   - O FC Porto celebrou ainda a terceira vitória seguida em jogos fora na Liga, depois de se ter imposto a Tondela (1-0) e U. Madeira (4-0), e a 14ª deslocação seguida sem derrotas na competição, pela qual já não perde como visitante desde que foi batida pelo Marítimo, nos Barreiros, a 25 de Janeiro (1-0). No primeiro caso, a equipa de Julen Lopetegui iguala a série de Fevereiro e Março, quando ganhou sucessivamente a Moreirense (2-0), Boavista (2-0) e Sp. Braga (1-0). No segundo vai ainda longe dos 27 jogos seguidos sem perder como visitante obtidos entre uma derrota por 3-1 contra o Gil Vicente em Janeiro de 2012 e outra por 1-0 com a Académica em Novembro de 2013.   - Os 33 pontos que o FC Porto soma ao fim destas 13 jornadas são o melhor registo da equipa azul e branca desde 2012/13, quando chegou à mesma ronda com 35 pontos, fruto de onze vitórias e dois empates. Lopetegui conseguiu mais cinco pontos que na sua primeira época em Portugal.   - No seu 50º jogo com a camisola portista, Marcano voltou a fazer um golo na sequência de um canto, tal como contra o Belenenses. Foi também o segundo golo de canto do FC Porto nesta Liga – fez mais um, na Champions, por Maicon, ao Chelsea. O espanhol não fazia pelo menos dois golos num mesmo campeonato desde 2011/12, quando marcou quatro na Liga grega pelo Olympiakos.   - O golo de Marcano, aos 6 minutos de jogo, foi ainda o mais madrugador do FC Porto esta época, a par do marcado por Aboubakar ao Estoril, na terceira jornada, num jogo que os dragões acabaram por vencer por 2-0.   - Willyan marcou pelo segundo jogo consecutivo na Choupana, depois de já ter estado entre os goleadores na vitória do Nacional contra o Marítimo. Este foi, porém, o primeiro golo de cabeça que marcou com a camisola do Nacional.
2015-12-15
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Andamos todos há anos a ouvir uma frase feita, que uns atribuem a Phil Jackson, ex-treinador de basquetebol dos Chicago Bulls e dos Los Angeles Lakers, na NBA, e outros a Alex Ferguson, que se celebrizou como “manager” do Manchester United, na Premier League inglesa de futebol. Diz o cliché que “o ataque ganha jogos, mas é a defesa que ganha campeonatos”. Pois bem, querem saber uma coisa? É mentira. Escrevo-o enquanto ainda decorre a jornada com mais golos na Liga portuguesa desde Janeiro, quando se fizeram os mesmos 33 que esta já leva. Uma jornada na qual os candidatos ao título sofreram todos golos e na qual, porém, deram os maiores sinais de vitalidade de que há memória no histórico recente da competição. Quando ainda faltam jogar o Académica-Belenenses, previsto para logo à noite, já se marcaram 33 golos nesta 13ª jornada da Liga. E é preciso recuar 13 anos, até Novembro de 2002, para se verem ataques mais produtivos que os deste fim-de-semana. Desde essa ronda número nove de 2002/03, estava José Mourinho a começar a construção do seu FC Porto europeu, o Sporting a gerir a euforia do seu último título de campeão nacional e o Benfica a preparar a sucessão de Manuel Vilarinho por Luís Filipe Vieira, jogaram-se 410 jornadas de campeonato e em mais nenhuma se chegou às 34 bolas nas redes. Agora, basta que entre mais uma em 90 minutos de futebol que ainda faltam, para que o número seja igualado. Ou duas, para que ele seja batido. Defendeu-se mal? Também, seguramente. Mas eu não fixaria muito nisso a análise ao que se passou. O Benfica apresentou-se em Setúbal, onde ainda ninguém tinha ganho esta época, com autoridade de campeão. Beneficiou dos equilíbrios táticos que a colocação de Pizzi na direita do meio-campo lhe permite, tanto em construção como na reação à perda, e chegou ao intervalo com um 2-0 que já era tranquilizador. Ainda fez o 3-0 antes de suportar o regresso do Vitória ao jogo, mas acabou com um 4-2 que lhe permitiu manter-se a oito pontos do líder, que é o Sporting, e com um jogo a menos. Sofreu dois golos, é verdade, mas tem o melhor ataque da Liga: 31 golos marcados. Um total que, em comparação com a mesma altura, só fica atrás de dois dos seis anos de Jorge Jesus, nos quais o Benfica fazia valer uma produtividade ofensiva fora do comum. O FC Porto ganhou ao Nacional na Choupana, onde ninguém ganhava há quase um ano – completava-se de hoje a uma semana – por 2-1, num jogo dividido entre dois dias por causa do nevoeiro. E, quando se viu apertado pelos adeptos, que o contestaram à chegada de Londres, Lopetegui pôs as fichas todas no ataque. Não tanto na formação do onze, que seguiu os cânones habituais, mas na forma como os jogadores se comportaram em campo: o segundo golo é conseguido num momento em que, com bola na esquerda, os dragões têm quatro unidades na área. Quatro e não as duas que normalmente lá fazem chegar em lances desta natureza. Por fim, mesmo poupando vários titulares, numa inversão da estratégia de rotatividade que vinha utilizando até aqui – desta vez usou a equipa de gala na Liga Europa, contra o Besiktas, e rodou no campeonato – o Sporting chegou aos 2-0 antes do intervalo da receção ao Moreirense e pôde depois gerir essa vantagem até final. Com alguns excessos de tranquilidade, que permitiram que os minhotos regressassem ao jogo com um golo que foi o primeiro encaixado pelos leões na Liga desde inícios de Outubro, mas ainda assim com uma demonstração importante de profundidade do plantel, com respostas positivas das segundas escolhas. Todos sofreram golos. E isso, de acordo com a tal frase feita, é mau. Mas sabem quantas equipas foram campeãs nacionais nos últimos dez anos sem terem o melhor ataque da Liga? Uma: o FC Porto de 2012/13. E mesmo essa, não fosse um tal Kelvin, na penúltima jornada, teria ficado a ver outros celebrar. Adaptado do texto do Diário de Notícias (atualizado)
2015-12-14
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Já fui suficientemente massacrado acerca de autogolos e no entanto volto ao assunto. Porquê? Porque a Liga portuguesa não dá autogolos a favor dos nossos grandes clubes. Sei que a Liga nem sequer atribui marcadores aos golos, quem o faz são os árbitros. Mas quem quiser que enfie a carapuça. Para mim, que sigo as normas em recomendadas pela FIFA há vários anos, o quarto golo do Benfica em Setúbal é autogolo de Ricardo. Tal como o primeiro do Chelsea ao FC Porto é autogolo de Marcano. Para a Liga portuguesa, quem marcou o quarto golo do Benfica em Setúbal foi Mitroglou. Para a UEFA, quem fez o primeiro do Chelsea ao FC Porto foi mesmo Marcano, na própria baliza. Quem perceber as diferenças entre os dois lances que me explique, mas por favor sem recurso ao discurso gasto e velho da imparcialidade. Não há forma mais imparcial de ver a coisa do que a recomendação da FIFA. Que diz o seguinte: se o último toque na bola antes de ela entrar na baliza é involuntário ou infeliz – como são os toques dos defesas que tentam evitar os golos – deve analisar-se a trajetória da bola levava antes desse mesmo toque. Se a bola ia em direção da baliza, é golo do atacante que a chutou; se ia noutra direcção, então esse último toque ganha caráter decisivo e deve ser atribuído o golo ao seu autor. Parece-me simples. Mas há muito quem complique. Os adeptos por causa da cor das camisolas; as Ligas, sei lá por que razão. Vamos a casos concretos. Quarto golo do Benfica em Setúbal: Mitroglou chuta ao poste, a bola vinha para trás quando bateu nas pernas do guarda-redes Ricardo e voltou em direção da baliza. Não dá para duvidar: é autogolo de Ricardo. Se o tirarmos do lance não há golo. Para a Liga portuguesa, no entanto, o golo é de Mitroglou. Primeiro golo do Chelsea ao FC Porto em Londres: Diego Costa segue isolado em direção à baliza do FC Porto, chuta contra Casillas, a bola vem em direção oposta à da baliza quando bate no peito de Marcano e acaba nas redes. Também não dá para duvidar: é autogolo de Marcano. Foi, aliás, essa, a decisão da UEFA. A lógica é a mesma da que apliquei no primeiro golo do Benfica em Braga. Recordo o que se passou: Pizzi chutou, Baiano impediu a bola de seguir para a baliza e cortou-a, mas ela acabou por bater nas costas de Kritciuk, reassumindo a direção das redes. Para mim, também não há dúvidas: é autogolo de Kritciuk, porque se ele lá não estivesse a bola não iria para a baliza. Para a Liga portuguesa, no entanto, foi golo de Pizzi. É que, por muito que se esforcem, esse lance não tem nada a ver com o do primeiro golo do Benfica em Setúbal, a não ser no facto de também nesse ter sido Pizzi a chutar. Neste caso, Pizzi chuta, Ricardo tenta defender, toca na bola mas não a detém e ela acaba mesmo no fundo das redes. Sucede que, sem a intervenção do guarda-redes, abola ia na mesma para a baliza, pelo que o golo é de Pizzi. Aqui, a Liga portuguesa acertou. Para não dizerem que estou sempre contra.
2015-12-14
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Último Passe

A frequência com que a meteorologia particular no alto da Choupana, onde se situa o Estádio da Madeira, tem dado problemas à Liga é tanta que já nem pode ser visto com surpresa que o Nacional-FC Porto não tenha chegado ao fim. Há regulamentos, eles foram cumpridos por Jorge Sousa, que ainda levou muito para lá do aceitável as tentativas de concluir a tarefa – porque o calendário que aí vem é tão pesado que não deixa muito espaço para adiamentos –, mas a verdade é que, pelo menos tanto quanto me foi dado ver, já não houve segunda parte, irremediavelmente afetada pelas constantes interrupções e reatamentos, que tiram toda e qualquer hipótese de continuidade no trabalho das equipas em campo. O jogo prossegue amanhã, ao meio-dia e meia, hora muito mais aconselhável para se jogar ali, mas que não será a observada por Benfica e Sporting, que por lá passarão ainda esta semana.  Do que se viu, durante a primeira parte, o jogo estava a ser agradável e competitivo. O FC Porto surgiu mais solto do que o habitual, meteu gente na área, mostrou que queria ganhar e assim dar a única resposta possível à contestação de que foi alvo o treinador à chegada de Londres. Podemos até descontar os dois primeiros golos, ambos nascidos de falhas de marcação na sequência de pontapés de canto: Marcano aproveitou a demora na reação de Soares para fazer o 0-1 e Willyan antecipou-se a Brahimi para empatar logo de seguida. Mas o 1-2 nasce de uma jogada que é pouco habitual no FC Porto de Lopetegui, pois havia quatro jogadores na área do adversário num lance de cruzamento pela esquerda – e o facto de Brahimi surgir solto para fazer a recarga a um primeiro remate de Herrera nasce daí. Este foi, de resto, um jogo em que os golos se anteciparam a tudo. Com 1-2 aos 13’, seria ridículo dizer que alguma das duas equipas tinha já feito o que quer que fosse no plano estratégico para justificar o resultado. Daí até ao intervalo mandou o equilíbrio, com muita bola discutida a meio-campo. Na segunda parte, o Nacional arriscou mais, mas foi o FC Porto quem perdeu as melhores ocasiões para acabar de vez com a discussão do resultado: Aboubakar e Herrera, por exemplo, desperdiçaram lances flagrantes na cara do guarda-redes. Mas já se via pouco no campo. Apesar de os sinais que vinham da relva serem bons, Lopetegui parecia ser o mais intranquilo e interessado naquilo que também era o mais normal para qualquer espectador: o adiamento. Nacional e FC Porto concluirão o jogo amanhã, pela hora de almoço, mas o mais curioso é que tanto Benfica (na terça) como Sporting (no domingo que vem) passarão pela Choupana para defrontar o U. Madeira. A ver se a meteorologia não prega mais partidas à Liga.
2015-12-13
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A receção ao FC Porto é um duríssimo teste à imbatibilidade caseira do Nacional, que já vai em 17 jogos e é a mais longa de sempre em épocas nas quais o clube madeirense joga a I Liga. Se evitarem a derrota contra os dragões, os alvi-negros completarão um ano seguido sem perder na Choupana, pois a última vez que dali saíram derrotados foi a 21 de Dezembro do ano passado, contra o Sporting, em jogo da Liga. E o próximo jogo do Nacional em casa será apenas a 2 de Janeiro, contra o Arouca, no regresso da Liga. Nesse 21 de Dezembro, um golo do extremo sportinguista Carlos Mané chegou para derrotar pela última vez o Nacional no seu estádio. Desde então, a equipa de Manuel Machado jogou mais 17 vezes em casa, para todas as competições, ganhando onze e empatando seis. Por ali passaram sem perder o Moreirense (1-1, na Taça da Liga), o Sporting (2-2, na Taça de Portugal), o FC Porto (1-1, na Liga), o V. Guimarães (2-2, na Liga), o V. Setúbal (1-1, na Liga) e o Boavista (0-0, na Liga). Os outros onze jogos saldaram-se por vitórias do Nacional: 2-1 ao Boavista, 2-1 ao Belenenses, 1-0 ao Estoril, 3-0 ao V. Setúbal, 3-2 ao Gil Vicente, 2-0 ao Penafiel, 3-0 ao P. Ferreira (todos na Liga da época passada), 1-0 ao U. Madeira, 2-0 à Académica (na Liga desta época), 5-0 ao Cova da Piedade (Taça de Portugal) e 3-1 ao Marítimo (Liga).   - Julen Lopetegui cedeu em Londres, frente ao Chelsea, a sétima derrota (2-0) como treinador do FC Porto. Até aqui, nunca perdeu dois jogos seguidos: o pior que lhe aconteceu a seguir a uma derrota foi empatar a zero com o Benfica, na Luz, depois de ter sido esmagado pelo Bayern em Munique (1-6), na eliminação da Liga dos Campeões da época passada. De resto, respondeu sempre com vitórias: 2-1 ao Athletic Bilbau depois do 1-3 com o Sporting (Outubro de 2014); 4-0 ao V. Setúbal após o 0-2 com o Benfica (Dezembro de 2014); 4-1 à Académica na sequência do 0-1 com o Marítimo (Janeiro de 2015); 5-0 ao Estoril após o 1-2 com o Marítimo (Abril de 2015) e, já esta época, 1-0 ao Tondela depois do 0-2 com o Dynamo Kiev (Novembro de 2015).   - Regresso do FC Porto à Madeira, onde há semana e meia interrompeu uma série de sete jogos sem vitórias, batendo o U. Madeira por 4-0 precisamente no estádio onde vai agora jogar: a Choupana. O adversário desta vez é o Nacional, a quem os dragões não ganham fora de casa desde Maio de 2013, quando ali venceram por 3-1, graças a golos de James Rodríguez, Mangala e Lucho González nos primeiros 22 minutos. Candeias fez o tento dos madeirenses. Depois disso, há a registar uma derrota por 2-1 (2013/14) e um empate a uma bola (2014/15).   - Julen Lopetegui nunca perdeu com Manuel Machado nem com o Nacional. Os dois confrontos entre ambos resumem-se a uma vitória portista no Dragão em Novembro do ano passado (2-0) e a um empate (1-1) na Choupana em Março.   - Sendo um dos treinadores mais experientes da Liga, Manuel Machado tem um longo histórico de confrontos com o FC Porto: vai fazer o 30º. Dos 29 anteriores, foram quatro com o Moreirense (um empate e três derrotas), oito com o V. Guimarães (uma vitória, dois empates e cinco derrotas), dois com a Académica (ambos perdidos), um com o Sp. Braga (mais uma derrota) e 14 com o Nacional (duas vitórias, dois empates e dez derrotas). Ao todo, ganhou quatro vezes, empatou cinco e perdeu 20, entre elas as duas vezes em que esteve mais próximo de levar um troféu para casa: FC Porto 6, V. Guimarães 2 (final da Taça de Portugal de 2010/11) e FC Porto 2, V. Guimarães 1 (Supertaça de 2011/12).   - O FC Porto vem com quatro vitórias seguidas na Liga, na sequência do empate em casa com o Sp. Braga (0-0): 2-0 ao V. Setúbal, 1-0 ao Tondela, 4-0 ao U. Madeira e 2-1 ao P. Ferreira. Esta é já a melhor sequência da época e a melhor desde Fevereiro e Março, quando ganhou sete jogos seguidos na prova até ver a série de vitórias interrompida com um empate (1-1) precisamente frente ao Nacional no Funchal.   - O defesa central Rui Correia marcou em três dos últimos quatro jogos do Nacional na Choupana: 1-1 com o V. Setúbal, 5-0 ao Cova da Piedade e 3-1 ao Marítimo. Só ficou em branco frente ao Boavista e os alvinegros não saíram do 0-0.   - O lateral esquerdo Sequeira estreou-se na Liga a jogar contra o FC Porto, num empate a uma bola na Choupana, a 23 de Novembro de 2013. Manuel Machado lançou-o como titular e Sequeira esteve em campo pelos 90 minutos, vendo um cartão amarelo.   - Brahimi marcou golos nas últimas duas deslocações do FC Porto na Liga: garantiu o 1-0 ao Tondela em Aveiro e fez o segundo dos quatro golos sem resposta com que os dragões se impuseram ao U. Madeira no mesmo estádio onde vão jogar agora com o Nacional.   - Maicon regressa ao estádio onde se projetou para uma carreira no futebol português. Chegou a Portugal em 2008, emprestado pelo Cruzeiro ao Nacional, onde passou apenas uma época, antes de se transferir para o FC Porto. Quem o lançou na Liga portuguesa foi Manuel Machado, que agora vai ser o treinador rival.   - Marcano pode fazer o 50º jogo com a camisola do FC Porto. Dos 49 que já realizou, 31 foram na Liga, 11 na Liga dos Campeões, cinco na Taça da Liga e dois na Taça de Portugal. Só marcou um golo, nos 4-0 ao Belenenses, em Outubro.   - Maxi Pereira estreou-se na Liga portuguesa na Choupana, lançado por José Antonio Camacho num Nacional-Benficva, a 2 de Setembro de 2007. Os encarnados ganharam por 3-0 e Maxi jogou os 90 minutos como médio defensivo.   - Também o árbitro regressa ao estádio onde se estreou na Liga. Foi a 25 de Agosto de 2002 que um então muito jovem Jorge Sousa fez o primeiro jogo na Liga, um Nacional-Gil Vicente que os madeirenses perderam por 0-1. Desde então apitou por mais 19 vezes o Nacional nesta competição e por outras 19 vezes o FC Porto. Com ele, o Nacional ganhou nove vezes e perdeu oito, enquanto que o FC Porto ganhou onze e perdeu quatro (três delas até 2006/07).
2015-12-12
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Último Passe

Julen Lopetegui sempre demonstrou tanto respeito pela história do FC Porto como falta de interesse pelo que dizem da sua equipa os jornalistas em Portugal. Em Stamford Bridge, no entanto, não lhe fez falta seguir as ideias dos comentadores acerca da sua rotatividade excessiva, mas sim uma demonstração de conhecimento acerca de pormenores relativos ao passado do clube. Emulou bem o FC Porto dos anos 70, ao qual, no dizer de Pedroto, “faltavam 30 metros”, mas não aprendeu bem a lição acerca do futebol de Mourinho, que quando se coloca em vantagem baixa as linhas e dificilmente se deixa surpreender por quem quer que seja. A surpresa tática desenhada pelo treinador espanhol foi posta em causa logo aos 12’, quando o autogolo de Marcano a transformou numa má ideia, e conduziu os dragões à eliminação que há duas jornadas parecia impensável. O treinador basco abdicou do ponta-de-lança, deixando Aboubakar no banco e pedindo a Brahimi e Corona que ocupassem a frente de ataque. Abriu Layun na esquerda, povoo o meio-campo com Imbula, Danilo e Herrera e pediu a Martins-Indi que auxiliasse os centrais a partir do lado esquerdo. O resultado foram dez minutos personalizados, mas sem profundidade nem contundência no corredor central. Era o tal futebol ao qual faltavam os últimos 30 metros, por uma razão muito simples: a equipa concentra os jogadores nos outros 75. O Chelsea não precisava de ganhar mas tentava ainda assim chegar à frente e, a cada recuperação de bola, o FC Porto conseguia ligar passes e deixar uma ideia de domínio que até podia ter resultado nalguma coisa de útil se os dragões se adiantassem no marcador. Só que quem marcou foi o Chelsea, no tal autogolo de carambola de Marcano. E foi aí que faltou a segunda lição de portismo a Lopetegui: a que respeita ao futebol de Mourinho em vantagem. A ganhar, o Chelsea baixou as linhas, cedeu o pouco de iniciativa que ainda tinha e impossibilitou os tais lances de contra-ataque que vinham alimentando a esperança portista. Daí para a frente, o que se viu fui um Chelsea perigoso quando saía rápido e um FC Porto com mais bola mas com Brahimi a jogar sozinho contra o Mundo. O segundo golo era uma questão de tempo e apareceu num lance onde se viu outro problema da equipa portuguesa: a indefinição tática. Indi veio fechar ao meio, Layun não terá percebido se tinha de ser ala ou defesa esquerdo e Willian fugiu no espaço entre os dois para fazer o 2-0. Até final, Lopetegui ainda mudou muita coisa, mas já se percebia que as únicas notícias boas que poderiam aparecer teriam de vir de Kiev. Não apareceram, pois o Dynamo ganhou ao Maccabi e ao FC Porto resta o caminho da Liga Europa. Com mais convicção e menos surpresas pode ser um caminho interessante.
2015-12-09
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O FC Porto entra em Stamford Bridge com uma certeza: a não ser que o Dynamo Kiev não ganhe em casa ao Maccabi (que até agora perdeu todos os jogos), só se qualifica para os oitavos de final da Liga dos Campeões se ganhar ao Chelsea. E isso significaria o afastamento dos londrinos da prova. Complicado, se olharmos aos precedentes históricos. É que em 16 visitas a Inglaterra, tudo o que os dragões conseguiram foram dois empates. E num deles a equipa era liderada por José Mourinho – que agora treina o Chelsea – e acabou por sagrar-se campeã da Europa. Os empates aconteceram ambos no mesmo cenário: Old Trafford, em Manchester. Em 2003/04, um golo de Costinha, já perto do fim da partida, valeu um empate a uma bola contra o United, que tinha perdido no Dragão por 2-1 e assim ficou pelo caminho nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões que o FC Porto acabou por vencer. O outro empate foi em 2008/09, mas a dois golos: marcaram pelos portistas Cristian Rodriguez a abrir e Mariano González a um minuto do fim. O resultado deixava a equipa de Jesualdo Ferreira numa boa posição para seguir para os quartos-de-final da Liga dos Campeões, mas um golo de Cristiano Ronaldo valeu ao United uma vitória no Dragão (1-0) na segunda mão e a caminhada até à final, que acabou por perder com o Barcelona. De resto, as outras 11 visitas do FC Porto a Inglaterra saldaram-se todas por derrotas, algumas delas com números concludentes. Três delas, aliás, aconteceram em Stamford Bridge: 3-1 em Setembro de 2004, 2-1 em Março de 2007 e 1-0 em Setembro de 2009. Além desses jogos, o FC Porto perdeu ainda com o Newcastle (1-0 em 1969/70), o Wolverhampton (3-1 em 1974/75), o Manchester United (5-2 em 1977/78 e 4-0 em 1996/97), o Tottenham (3-1 em 1991/92), o Liverpool (2-0 em 2000/01 e 4-1 em 2007/08), o Arsenal (2-0 em 2006/07, 4-0 em 2008/09 e 5-0 em 2009/10) e o Manchester City (4-0 em 2011/12).   - O Chelsea entra em campo sabendo que a vitória lhe garante sempre o primeiro lugar do grupo e que o empate lhe vale a qualificação, mas em segundo lugar: se o Dynamo ganhar ao Maccabi, ficaria atrás dos ucranianos; caso o Maccabi consiga pontuar em Kiev, o Chelsea continuaria a ser segundo, mas nesse caso atrás do FC Porto. A derrota só chega ao Chelsea para ser segundo no caso de o Dynamo não ganhar ao Maccabi.   - Nunca uma equipa portuguesa conseguiu ganhar ao Chelsea em Stamford Bridge. Além do FC Porto, também já ali perderam o Benfica (2-1 em 2011/12) e o Sporting (3-1 em 2014/15). O FC Poirto foi, porém, a única equipa nacional que já ganhou aos “blues”, ainda que sempre no Dragão: 2-1 na fase de grupos de 2004/05 (fez na segunda feira onze anos) e outra vez 2-1 na presente época.   - O Chelsea já perdeu quatro vezes em casa nesta época negra: 2-1 com o Crystal Palace, 3-1 com o Southampton, 3-1 com o Liverpool e 1-0 com o Bournemouth. Todas as derrotas aconteceram em jogos da Premier League. Em partidas internacionais o Chelsea não perde em casa desde Abril de 2014, quando o Atlético Madrid ali venceu por 3-1 nas meias-finais da Liga dos Campeões.   - Além disso, o Chelsea não faz golos há dois jogos seguidos: 0-0 com o Tottenham e 0-1 com o Bournemouth. Não lhe acontecia semelhante coisa desde Novembro de 2012, quando até esteve três jogos seguidos sem marcar golos: uma derrota por 3-0 em Turim com a Juventus seguida de dois empates a zero com Manchester City e Fulham. Na altura o Chelsea esteve seis jogos sem ganhar e Roberto Di Matteo foi demitido, cedendo o lugar a Rafa Benítez.   - O FC Porto vem com três vitórias seguidas: 1-0 ao Tondela, 4-0 ao U. Madeira e 2-1 ao P. Ferreira. Procura a quarta da sequência, o que já conseguiu esta época quando bateu sucessivamente Chelsea (2-1), Belenenses (4-0), Varzim (2-0) e Maccabi Tel Aviv (2-0).   - Além disso, os dragões ganharam o último jogo fora de casa na Liga dos Campeões (3-1 ao Maccabi). Não ganham duas deslocações europeias consecutivas desde Novembro do ano passado, quando se impuseram a Athletic Bilbau (2-0) e Bate Borisov (3-0).   - Bruno Martins Indi poide fazer o 50º jogo com a camisola do FC Porto. Tem até aqui 49, 30 deles na Liga portuguesa. Os restantes dividem-se entre a Liga dos Campeões (16), a Taça da Liga (dois) e a Taça de Portugal (um). Marcou dois golos, a Gil Vicente e Sp. Braga.
2015-12-08
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Carlos Manaca era um bom defesa-central, daquele tempo do futebol “rock and roll”, em que os jogadores eram todos bons. Ou pelo menos era isso que ouvíamos contar na rádio. Mas Manaca era mesmo bom. Notabilizou-se com a camisola do Sporting, que deixou aos 28 anos, para jogar nos Estados Unidos, mas nada fez tanto pela eternização do seu nome como um autogolo, já depois de ter regressado a Portugal. Os autogolos são o dia-a-dia dos defesas-centrais, mas o autogolo de Manaca foi especial, porque valeu a vitória do Sporting em Guimarães e porque essa vitória valeu aos leões o título nacional de 1980, ganho ao sprint ao FC Porto. Quase 40 anos depois, a história de Manaca regressou, mas agora Manaca chama-se Tonel. O problema de Tonel, o defesa-central que também se notabilizou com a camisola do Sporting, saiu para a Croácia e depois regressou a Portugal, é que o penalti que ele fez no último minuto do jogo com os leões foi filmado por mais de uma dezena de câmaras de televisão. Mais. Além disso, Tonel fez um penalti que valeu uma vitória ao Sporting – não um título, pelo menos por enquanto – numa altura em que há redes sociais. Tonel, o Manaca turbinado pelo Twitter e pelo Facebook, tem, tal como tinha Manaca, toda uma carreira atrás dele, mas nem isso impediu milhares de adeptos de garantirem que ele tinha feito o serviço encomendado em benefício do ex-clube, que sem o penalti que ele cometeu não teria ganho ao Belenenses. O assunto foi “trending topic” durante uma semana, até que os mesmos adeptos que tinham crucificado Tonel perceberam envergonhados que há por aí mais Manacas. Veio a jornada seguinte e o Benfica ganhou à Académica por 3-0. Não jogou enormidades, mas foi a única equipa em condições de chegar à vitória, a única que a procurou. Ainda assim, colocou-se em vantagem com dois penaltis perfeitamente desnecessários, cometidos por Trigueira e Ofori, e convertidos por Jonas, que aproveitou para passar a barreira dos dez golos antes do Natal pela primeira vez desde que está na Europa. Pressionado pelo Benfica, o FC Porto viu-se a perder contra o Paços de Ferreira, chegou ao empate ainda antes do intervalo, mas só virou o jogo de penalti, na sequência de um lance em que Marco Baixinho, defesa-central do Paços, começou por atrasar mal a bola para o seu guarda-redes, para depois ir rasteirar Herrera dentro da área, impedindo que ele tirasse vantagem do erro original. Manacas? Claro que sim. Mas só no sentido em que os erros podem perfeitamente acontecer a quem vive a profissão no fio da navalha. Quase parecia uma onda solidária, uma espécie de “Je suis Tonel” – ou “Je suis Manaca”… – dos jogadores que defrontaram os grandes. Mas é pena que os que se entretêm a identificar Manacas – ou Toneis -  não sejam capazes de perceber que se Benfica, FC Porto e Sporting ganharam os seus jogos desta jornada não foi por causa dos erros dos adversários. No Benfica-Académica houve o detalhe tático de um meio-campo que começa a carburar melhor devido à dupla missão de Pizzi, que parte de uma das alas mas compõe bem o meio, mas também ao vigor e à potência do júnior Renato Sanches, autor de um jogo muito interessante e de um golaço num remate a 30 metros que terá valido o bilhete a quem foi ao estádio. No FC Porto-Paços de Ferreira houve um excelente golo de Corona, pela ligação entre os dois extremos – ele e Brahimi – e pela classe do mexicano na definição face ao guarda-redes. E houve uma espécie de renascimento de Herrera, a manter os níveis de intensidade e competitividade da equipa. E no Marítimo-Sporting houve um líder operário, a saber sofrer antes e depois da bela jogada coletiva que deu o golo a Adrien, bem como um Rui Patrício de seleção, autor de duas defesas gigantes a preservar a vantagem. Disso, porém, só se lembram os adeptos dos clubes que ganharam. E diz muito sobre o nosso futebol que até esses prefiram lembrar os erros que levaram aos golos dos rivais. Porque quando vemos futebol estamos sempre em busca de um Manaca. Mesmo que Manaca tenha feito muito mais do que aquele autogolo. In Diário de Notícias, 07.12.2015
2015-12-07
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Ao vencer o Paços de Ferreira por 2-1, depois de ter estado a perder, o FC Porto conseguiu virar o marcador pela primeira vez desde que é treinado por Julen Lopetegui. A última virada dos dragões tinha sido a 5 de Fevereiro de 2014, ainda com Paulo Fonseca aos comandos, num jogo da Taça de Portugal, frente ao Estoril, no Dragão: Babanco adiantou os canarinhos, Quaresma empatou antes do intervalo e Ghilas fez o golo da vitória a três minutos do final.   - Mesmo vencendo, o FC Porto falhou o objetivo de passar um ano inteiro sem sofrer golos em casa em jogos da Liga portuguesa. Faltaram nove dias, pois ninguém marcava no Dragão para o nosso campeonato desde que Lima ali bisou na vitória do Benfica por 2-0, a 14 de Dezembro do ano passado. O golo de Bruno Moreira, logo aos 8 minutos de jogo, significa ainda que a série de minutos de jogo sem sofrer golos em casa para a Liga estancou aos 1483, 98 minutos aquém dos 1581 que Vítor Baía e Cândido estiveram sem sofrer golos nas Antas em 1994   - Pelo segundo jogo consecutivo, o FC Porto teve dois mexicanos a marcar. Na Madeira, contra o União, Herrera e Corona tinham estado entre os goleadores do 4-0 final, ao passo que agora, contra o Paços de Ferreira, Corona e Layun fizeram os tentos portistas. O segundo veio na sequência de um penalti cometido sobre Hererra.   - O primeiro penalti a favor do FC Porto esta época veio finalmente permitir que se perceba quem é “o especialista” dos dragões nesse tipo de lances. É Layun, o primeiro jogador do FC Porto a marcar um penalti desde que Quaresma converteu um frente ao Bayern Munique, a 15 de Abril. Depois disso, a 10 de Maio, o mesmo Quaresma falhou um contra o Gil Vicente.   - O FC Porto obteve a terceira vitória consecutiva, depois dos sucessos contra o Tondela (1-0) e U. Madeira (4-0). Está a um sucesso de igualar a melhor sequência da época, que são quatro vitórias seguidas, contra o Chelsea (2-1), o Belenenses (4-0), o Varzim (2-0) e o Maccabi (2-0), em Setembro e Outubro.   - Na Liga, os dragões ganharam os últimos quatro jogos depois do empate em casa com o Sp. Braga: V. Setúbal (2-0), Tondela (1-0), U. Madeira (4-0) e P. Ferreira (2-1). Não o conseguiam desde as sete vitórias seguidas em Fevereiro e Março.   - Brahimi viu interrompida uma série de dois jogos seguidos a marcar golos, mas fez a terceira assistência da época, ao servir Corona para o primeiro golo portista. Antes, já tinham sido dele os passes para os golos de Aboubakar e Corona que inauguraram o marcador nos jogos com o Estoril e o Belenenses.   - Corona voltou a ser titular e a marcar um golo. Vai com seis jogos a titular pelo FC Porto e seis golos. A jogar de início, só ficou em branco contra o Benfica, mas em contrapartida bisou no jogo com o Arouca.   - Tal como Corona, também o pacense Bruno Moreira marcou pelo segundo jogo consecutivo, depois de ter estado na folha de goleadores da vitória da sua equipa contra o Estoril (2-0). Repete o que já conseguira contra o Nacional e a Naval, em Outubro, com uma nuance: na altura bisou ante os madeirenses e fez quatro tentos aos figueirenses.
2015-12-06
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Último Passe

FC Porto e Sporting responderam bem à vitória do Benfica na abertura da 12ª jornada da Liga, ganharam também e deixaram tudo na mesma no topo da classificação. Não foram vitórias fáceis, mas chegaram com declaração de voto: o FC Porto superou pela primeira vez com Lopetegui o trauma de entrar a perder e virou o jogo contra o Paços de Ferreira, aproveitando da melhor forma a ingenuidade de um penalti nascido do nada, enquanto que o Sporting repetiu mais uma vez a margem mínima que vem sendo a sua imagem de marca, desta vez com direito a sofrimento contra um Marítimo que, com jogadores motivados para salvarem a cabeça do treinador, Ivo Vieira, exigiu o melhor que Rui Patrício tinha para dar. Duas super-defesas do guarda-redes da seleção nacional, uma ainda com o marcador em branco e outra depois de Adrien ter adiantado os líderes, enfatizaram o sucesso de um Sporting de fato-macaco vestido. Em condições difíceis, da relva à humidade do Funchal, que ajudaram o Marítimo a suplantar a equipa de Jorge Jesus na intensidade com que abordava cada duelo, sobretudo durante a primeira parte, os leões tiveram de aguentar um arranque exigente, foram equilibrando a equipa e chegaram à vantagem na mais bonita jogada de todo o desafio, uma triangulação perfeita com rasgo de imaginação de João Mário antes da assistência para o capitão de equipa. Depois, mesmo já não tendo começado com muita gente na frente – a lesão de Gutièrrez e o castigo a Slimani aproximaram mais o Sporting do 4x3x3 que do 4x4x2 preferido do seu treinador – Jesus foi puxando a equipa para trás, entendendo que seria essa a melhor forma de preservar a vantagem. Trocou Gelson por Aquilani e no final, para conter o maior assédio do Marítimo, ainda chamou Naldo ao campo, por troca com João Mário. É feio? Talvez. Mas deu três pontos num campo onde o FC Porto tinha deixado dois. Antes, o FC Porto tinha sofrido também para se colocar em vantagem contra um Paços de Ferreira personalizado e com gente que sabe bem o que está a fazer em campo. O golo de Bruno Moreira, fruto de um erro de posicionamento do bloco defensivo portista na sequência de um canto, apresentava um desafio de monta, pois até aqui nunca o FC Porto de Lopetegui conseguira virar um jogo. Mas os dragões foram empurrando o adversário para trás, criaram várias situações de golo – em noite negativa de Aboubakar, que, traído por um mau primeiro toque, confirmou as dificuldades para ser decisivo em espaços curtos –, empataram ainda antes do intervalo, numa bela movimentação de Corona em direção ao espaço interior, e acabaram por chegar à vantagem no seu primeiro penalti da época. O FC Porto jogou o suficiente para ganhar de outra forma, mas acabou por beneficiar de um mau atraso de Baixinho para o guarda-redes Marafona, de uma insistência pressionante de Herrera – bom jogo do médio mexicano – e de uma rasteira imprudente do mesmo Baixinho para se colocar em vantagem num penalti de Layun.
2015-12-06
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Mais um zero na suas redes e o FC Porto assegurará um ano inteiro sem sofrer golos em casa na Liga. O último jogador a marcar ali nesta competição foi Lima, a 14 de Dezembro do ano passado, na vitória do Benfica por 2-0. Depois de receber o Paços de Ferreira, o FC Porto só volta a jogar em casa na Liga no dia 20, contra a Académica. Mas se a celebração do ano inteiro sem sofrer golos em casa na Liga pode chegar já nesta ronda, os dragões terão ainda outra marca em mente na próxima partida. É que desde o segundo golo do Benfica nessa partida de 2014, os dragões somam já 1475 minutos de jogo sem golos dos adversários no seu estádio. Faltam-lhes 106 minutos para igualarem uma série estabelecida por Vítor Baía e Cândido de Janeiro a Dezembro de 1994. Nessa altura, os dois guarda-redes que o FC Porto usou estiveram 1581 minutos sem sofrer golos em casa no campeonato, entre um golo de Hermé (nos 4-1 ao U. Madeira, a 5 de Janeiro de 1994) e outro de Figo (no 1-1 com o Sporting, a 11 de Dezembro do mesmo ano). Atualmente, Helton, Fabiano e Casillas foram responsáveis pela manutenção do zero nos jogos com V. Setúbal (4-0), Belenenses (3-0), Paços de Ferreira (5-0), V. Guimarães (1-0), Sporting (3-0), Arouca (1-0), Estoril (5-0), Académica (1-0), Gil Vicente (2-0), Penafiel (2-0), V. Guimarães (3-0), Estoril (2-0), Benfica (1-0), Belenenses (4-0), Sp. Braga (0-0) e V. Setúbal (2-0). Dezasseis jogo completos, mais 35 minutos na partida perdida contra o Benfica. A ajudar à festa, Iker Casillas é também o guarda-redes há mais tempo sem sofrer golos na Liga, se contabilizarmos também os jogos fora de casa. O último golo sofrido pelo FC Porto foi obtido por André Fontes, a 2’ do final do empate (2-2) que os dragões cederam ante o Moreirense. Desde aí, são 452 minutos sem sofrer golos na prova, ainda assim a 50 minutos do recorde desta época, que são os 502 minutos fixados pelo bracarense Kritciuk antes dos golos encaixados na partida contra o Benfica, na passada segunda-feira.   - Brahimi marcou golos nos últimos dois jogos do FC Porto, as vitórias em Aveiro contra o Tondela (1-0) e na Choupana ante o U. Madeira (4-0). Se voltar a marcar contra o Paços de Ferreira iguala a sua melhor série de 2014/15, em que fez golos consecutivamente a Nacional, Athletic Bilbau e Estoril.   - Ruben Neves poderá fazer o 50º jogo com a camisola do FC Porto. Soma até este momento 49 partidas e um golo, logo na primeira de todas, os 2-0 ao Marítimo a 15 de Agosto de 2014. Dos 49 jogos, 30 foram na Liga portuguesa, 14 na Liga dos Campeões, três na Taça da Liga e dois na Taça de Portugal.   - Fábio Cardoso estreou-se na Liga portuguesa a jogar contra o FC Porto, mas não levou uma história muito feliz para contar em casa: Paulo Fonseca fê-lo entrar a sete minutos do fim da derrota do Paços no Dragão (5-0) em Fevereiro. O mesmo sucedeu, aliás, com Minhoca, que se estreou na Liga portuguesa contra o FC Porto, lançado como titular por Henrique Calisto na derrota (3-0) no Dragão, em Fevereiro do ano passado.   - Jorge Simão, o treinador do Paços de Ferreira, empatou o único confronto com o FC Porto e com Julen Lopetegui. Foi em Maio e o empate, ainda ao serviço do Belenenses, no Restelo (1-1) valeu a certeza matemática do bi-campeonato ao Benfica de Jorge Jesus, que ao mesmo tempo empatava a zero com o Vitória em Guimarães.   - O FC Porto ganhou os últimos seis jogos com o Paços de Ferreira, todos eles sem sofrer golos. Na última vez que marcaram um golo ao FC Porto, por Melgarejo, em Março de 2012, os pacenses roubaram dois pontos aos dragões, fruto de um empate a uma bola na Mata Real. No Dragão, então, os castores não fazem golos desde Maio de 2011, quando eram dirigidos por Rui Vitória e ali empataram a três golos, com um hat-trick de Pizzi.   - Jackson Martínez marcou nos últimos cinco jogos do FC Porto com o Paços de Ferreira, isto é, em todos desde Janeiro de 2013. Essa vitória portista, por 2-0, no Dragão, representa a última vez em que o sucesso do FC Porto sobre o Paços não teve golos do ponta-de-lança. Boas perspetivas para Aboubakar, que não marca desde a receção ao V. Setúbal (a 8 de Novembro) e fez apenas dois golos nos últimos dois meses: esse um outro, contra o Maccabi, a 20 de Outubro.   - O Paços de Ferreira só ganhou duas vezes ao FC Porto em toda a sua história, ambas em casa, mas a última já foi em Maio de 2003, com os dragões em descompressão, a caminho da final da Taça UEFA, que jogaram dez dias depois. Cadu fez o golo solitário da vitória pacense, já em período de descontos.   - O FC Porto só perdeu duas vezes em 26 jogos com Carlos Xistra a apitar, na Liga, a última das quais em Janeiro de 2008, em Alvalade, com o Sporting (2-0). Nos quase oito anos desde essa partida, Xistra apitou 15 jogos dos dragões, com 12 vitórias e três empates. Sucede que também o Paços de Ferreira costuma dar-se bem com este árbitro, o único da atual primeira categoria com o qual, tendo feito mais de um jogo, têm uma percentagem de vitórias superior a 50%: ganharam 11 das 20 partidas com ele a apitar (55%).
2015-12-04
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Casillas não sofre golos na Liga há 452 minutos de jogo, desde que foi batido por André Fontes, a 2 minutos do final da partida que o FC Porto empatou (2-2) em Moreira de Cónegos, a 25 de Setembro. Desde então, o espanhol manteve a baliza inviolada contra Belenenses (4-0), Sp. Braga (0-0), V. Setúbal (2-0), Tondela (1-0) e agora U. Madeira (4-0). É já o dono da maior série de imbatibilidade em curso na prova, mas ainda a 50 minutos do máximo da temporada, que é do bracarense Kritciuk.   - Em consequência disso, o FC Porto chega à 11ª jornada com apenas quatro golos sofridos na Liga, menos um do que na época passada. Desde 2010/11, do ano em que era liderada por André Villas-Boas, que a equipa portista não tinha tão poucos golos sofridos a esta altura da prova. Nessa época, o FC Porto foi campeão, com 16 golos sofridos em 30 jogos e sem derrotas.   - Foi a primeira vitória do FC Porto na Madeira em sete jogos. A última vez que o FC Porto ali ganhara também tinha sido na Choupana, a 4 de Maio de 2013, mas contra o Nacional, que os dragões tinham batido por 3-1. Nesse jogo, o FC Porto chegou aos 3-0 em 22 minutos; ontem precisou de 23’ para fazer os três primeiros golos.   - O FC Porto segue com cinco vitórias consecutivas em jogos fora de casa: 2-0 ao Varzim, 3-1 ao Maccabi Tel Aviv, 2-0 ao Angrense, 1-0 ao Tondela e agora 4-0 ao U. Madeira. A última vez que tinha ganho cinco deslocações seguidas foi entre Novembro do ano passado e Janeiro, quando se impôs a Bate Borisov (3-0), Académica (3-0), Rio Ave (1-0), Gil Vicente (5-1) e Penafiel (3-1).   - Esta foi a maior vitória do FC Porto em jogos fora de casa desde os 5-1 ao Gil Vicente, em Barcelos, a 3 de Janeiro. Brahimi foi o ponto comum às duas listas de goleadores: marcou o terceiro em Barcelos e o segundo na partida da Choupana.   - Em contrapartida, o U. Madeira não sofria quatro golos em casa desde uma visita do Tirsense, em Setembro de 2007, na qual foi batido por 4-2. Para se encontrar uma derrota caseira por quatro golos de diferença é prciso recuar 21 anos, a 27 de Novembro de 1994, quando o Salgueiros venceu por 4-0 nos Barreiros.   - André Moreira, o jovem guarda-redes do U. Madeira, não sofria quatro golos num só jogo desde Abril de 2014. Nessa altura jogava ainda no Ribeirão e viu a sua equipa empatar (4-4) em Joane, num jogo para a manutenção no Campeonato Nacional de Seniores.   - Foi também a terceira vitória seguida do FC Porto na Liga, depois do 1-0 ao Tondela e dos 2-0 ao V. Setúbal. Os dragões igualaram a melhor série desta época, pois já tinham batido de enfiada Estoril (2-0), Arouca (3-1) e Benfica (1-0).   - Maxi Pereira fez a sexta assistência da época (quinta na Liga), ao oferecer o segundo golo da partida a Brahimi. É o jogador com mais passes de golo do FC Porto, com a curiosidade de ter sido a primeira vez que repetiu o destinatário: antes dera um golo a Aboubakar, outro a Varela, outro a Brahimi, outro a André André e outro ainda a Layun.   - A expulsão de Osvaldo, a 15 minutos do fim, significa que o FC Porto deixa o grupo de equipas que ainda não tinham tido cartões vermelhos na atual Liga, e que agora é composto apenas por Arouca, Benfica, Moreirense e U. Madeira. O último portista expulso na Liga tinha sido o guarda-redes Fabiano, a 15 de Março, na receção ao Arouca, que os dragões ganharam por 1-0. O árbitro desse jogo tinha sido Jorge Tavares.   - Brahimi marcou golo pelo segundo jogo seguido. Já não o conseguia desde Novembro do ano passado, quando esteve na lista de goleadores por três vezes seguidas, contra Nacional, Athletic Bilbau e Estoril.   - Corona fez o quinto golo em outros tantos jogos em que foi titular do FC Porto. Nessas condições, só ficou em branco contra o Benfica, mas em contrapartida bisou no desafio frente ao Arouca. 
2015-12-03
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O FC Porto desloca-se pela segunda vez à Choupana para defrontar o União da Madeira (a primeira foi adiada devido a más condições climatéricas) na tentativa de contrariar aquilo a que já pode chamar-se a “maldição da Madeira”. Já lá vão seis jogos no Funchal sem uma vitória azul e branca: três derrotas e um empate com o Marítimo, a que acrescem uma derrota e um empate com o Nacional. A última vitória portista na Madeira aconteceu precisamente na Choupana, a 4 de Maio de 2013, há pouco mais de dois anos e meio. O adversário era o dono da casa, o Nacional, e os portistas, ainda comandados por Vítor Pereira, chegaram aos 3-0 em 22 minutos, fruto de golos de James, Mangala e Lucho González (este de grande penalidade). O Nacional ainda reduziu, num penalti de Candeias, mas o resultado ficou pelos 3-1 que, somados ao empate do Benfica em casa ante o Estoril, dois dias depois, permitiu que o golo de Kelvin no clássico da semana seguinte redundasse na ultrapassagem na tabela e na revalidação do título pelos azuis e brancos. Dos 14 portistas que jogaram nesse dia na Choupana, só restam no plantel Helton e Varela, que nem deverão ser titulares frente ao U. Madeira. Depois dessa vitória, nunca mais o FC Porto ganhou na Madeira. Em 2013/14 perdeu os dois jogos ali feitos: 1-0 com o Marítimo e 2-1 com o Nacional. Na época passada, já com Lopetegui aos comandos, foi lá três vezes, mas o melhor que conseguiu foi um empate na Choupana, face ao Nacional (1-1, horas depois de o Benfica ter perdido com o Rio Ave em Vila do Conde, a revelar hesitação no ataque ao título nacional). Com o Marítimo, perdeu as duas vezes: 1-0 para a Liga e 2-1 na meia-final da Taça da Liga, o que transforma a Madeira na ilha maldita na luta do treinador basco pelos títulos. A completar o rol, esta época o FC Porto já foi à Madeira, para jogar com o Marítimo, mas veio de lá com um empate (1-1).   - Luís Norton de Matos, treinador do U. Madeira, só defrontou o FC Porto uma vez no banco, num jogo que já fez dez anos e um mês. Foi a 29 de Outubro de 2005 que o V. Setúbal de Norton foi ao Dragão empatar a zero com o FC Porto de Co Adriaanse, em jogo que abriu a nona jornada da Liga.   - O FC Porto ganhou as últimas quatro deslocações: 1-0 ao Tondela, 2-0 ao Angrense, 3-1 ao Maccabi Tel Aviv e 2-0 ao Varzim. A última vez que voltou a casa sem uma vitória foi quando empatou a duas bolas com o Moreirense, na sexta jornada da Liga.   -O U. Madeira só venceu uma vez na atual Liga, logo na primeira jornada, quando recebeu o Marítimo (2-1). Desde então só conseguiu vencer o Sertanense, na Taça de Portugal (5-1), mas vem de um empate (2-2) em Setúbal, no qual fez apenas menos um golo do que em todas as outras jornadas da Liga somadas (tinha três).   -O veterano Miguel Fidalgo sabe bem o que é marcar golos ao FC Porto, pois já o fez por três vezes, com a camisola do Nacional. Nos jogos em que marcou, ganhou dois (4-0 no Dragão em Março de 2005 e 2-1 na Choupana em Janeiro de 2009), tendo perdido o outro (4-2, também em Janeiro de 2009).   - O U. Madeira nunca ganhou ao FC Porto e o máximo que conseguiu foram dois empates, nas três últimas visitas dos dragões ao arquipélago para o defrontar: um 0-0 em Fevereiro de 1995 e um 2-2 em Abril de 1992. Neste, o União esteve mesmo a ganhar por 2-0, fruto de golos de Jairo e Horácio, mas o FC Porto chegou ao empate através de Rui Filipe e Vlk.   - O último confronto entre as duas equipas aconteceu em Janeiro, para a Taça da Liga, no Dragão. O FC Porto ganhou por 3-1, com golos de Quintero, Quaresma e Evandro, tendo Élio Martins marcado pelos insulares.   - Bruno Paixão não dirige um jogo do FC Porto na Liga desde Janeiro de 2012, quando os dragões foram perder a Barcelos (3-1), com ele a apitar. Nesse jogo, Paixão assinalou um penalti contra os azuis e brancos, por mão de Otamendi na área. Ao todo, o FC Porto perdeu três e empatou quatro dos 18 jogos na Liga com Bruno Paixão, apresentando a mais baixa percentagem de vitórias dos três grandes: 61%, contra 71% do Benfica e 76% do Sporting.
2015-12-01
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Pelo segundo jogo seguido, o FC Porto teve um penalti contra – já lhe tinha acontecido na receção ao Dynamo Kiev. Antes disso, na visita ao Maccabi Tel Aviv, Casillas também tinha sido submetido a um remate da marca dos onze metros. Mas na Liga portuguesa, há já mais de um ano que o FC Porto não sofria uma grande penalidade: a última tinha acontecido a 9 de Novembro de 2014, no Estoril, e tinha sido convertida por Tozé, colocando os canarinhos em vantagem (2-1, aos 81’), num jogo que acabou empatado a dois golos.   - O penalti falhado por Chamorro frente ao FC Porto foi o segundo que o Tondela perdeu esta época, depois do perdido por Piojo na derrota em casa contra o Estoril (também 0-1). Foi o primeiro defendido por Casillas desde que chegou a Portugal.   - O FC Porto conquistou a 1500ª vitória na Liga portuguesa. Continua a ser a segunda equipa que mais jogos ganhou, apenas atrás do Benfica, que ganhou 1539. O Sporting conta 1396 vitórias.   - Um golo de Brahimi decidiu o jogo. Foi o terceiro golo do argelino pelo FC Porto esta época, depois dos marcados ao Belenenses e ao Maccabi, ambos no Estádio do Dragão. Na época passada, por esta altura, Brahimi já tinha marcado por sete vezes.   - Foi o segundo jogo consecutivo do FC Porto sem sofrer golos fora de casa, depois dos 2-0 ao Angrense. Não acontecia desde o final da Liga passada, quando os dragões empataram a zero com o Benfica na Luz e foram depois vencer por 2-0 a Setúbal.   - O FC Porto tem 24 pontos ao fim de dez jogos – tem o desafio com o U. Madeira em atraso – o que significa que soma mais dois pontos que ao fim das primeiras dez jornadas da época anterior e iguala o arranque de 2013/14, onde também somava sete vitórias e três empates.   - Em contrapartida, os cinco pontos em onze jogos feitos pelo Tondela garantem o último lugar à equipa de Rui Bento. É preciso recuar a 2000/01 para encontrar uma equipa que se tenha salvado com tão fraco pecúlio ao fim de onze jornadas: aconteceu ao Gil Vicente, que somava apenas três pontos e acabou a Liga em 14º lugar, cinco pontos acima da linha de água. As sete últimas equipas que estavam tão mal à 11ª jornada desceram.   - O FC Porto rematou apenas onze vezes, o total mais baixo desde a terceira jornada, quando com oito remates ganhou por 2-0 ao Estoril. Para o Tondela, os onze remates permitidos ao adversário estão perto do valor médio (que era de 13 remates por jogo), mas suplantam, por exemplo, o total cedido ao Benfica, que só com 10 remates venceu os beirões por 4-0.   - O Tondela leva já dez jogos seguidos sem ganhar (oito na Liga, um na Taça de Portugal e um na Taça da Liga), desde que venceu o Nacional em casa por 1-0. É a mais longa sequência sem vitórias desde que a equipa chegou aos campeonatos nacionais.
2015-11-29
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Último Passe

Casillas salvou o FC Porto de um empate que seria ao mesmo tempo embaraçoso e preocupante em termos de Liga. Com a defesa de um penalti de Chamorro, perto do final do jogo com o Tondela, o guarda-redes espanhol permitiu a conquista dos três pontos, mantendo a pressão sobre o Sporting, e mascarou uma exibição pouco conseguida dos portistas, que se valeram de um golo magistral de Brahimi para se imporem por 1-0. Não fizeram um bom jogo, mas levam os três pontos para casa e se Lopetegui deixar de parte os excessos de criatividade podem capitalizar em cima de uma boa ideia de jogo e de um plantel que continua a ser o mais forte de Portugal. Contestado após a derrota caseira contra o Dynamo Kiev, que veio complicar muito as contas portistas na Champions, Julen Lopetegui já viu o lance decisivo da tribuna, depois de ter sido expulso ainda durante a primeira parte, mas terá tido razões suficientes para agradecer a Casillas o facto de poder respirar melhor até ao jogo com o U. Madeira, na quarta-feira. É que, com nova arrumação tática, num 4x2x3x1 que incluía Bueno atrás do ponta-de-lança, desviava André André do meio para um das alas e abdicava de jogadores fluídos na construção como Rúben Neves ou Imbula, os dragões perderam qualidade atrás e levaram sempre pouco futebol até Aboubakar. O resultado da inclusão do tal “10” que tanta gente vinha pedindo desde o início da época e que Lopetegui sempre recusara (e bem…), preferindo o meio-campo intenso e rotativo, foi um jogo em que o FC Poto tinha mais bola, mais controlo, mas no qual raramente se tornava perigoso, enquanto o Tondela deixava sempre a sensação de que poderia vir a aproveitar o espaço no meio-campo ofensivo para surpreender numa das ocasiões em que metia um contra-ataque. Para o embaraço final ainda podia ter contribuído a criatividade excessiva do treinador nas substituições. Com os dois centrais amarelados, resolveu tirar Marcano e chamar ao jogo Ruben Neves, recuando Danilo. Nove minutos depois, sacrificou Brahimi, devolveu André André à ala, de onde saíra para permitir a entrada de Tello, recolocou Danilo no meio-campo, chamando Maicon ao jogo. A frio, dois minutos depois de entrar, o novo defesa-central fez um penalti que podia ter tido custos elevados na classificação, não tivesse Casillas defendido o remate de Chamorro. O espanhol, réu no jogo com o Dynamo, pôs o nome nos três pontos. Lopetegui, esse, continua à espera de uma ocasião para se redimir – no fundo, bastar-lhe-ia capitalizar em cima da boa ideia de jogo que soube construir. Mas isso talvez seja demasiado simples.
2015-11-29
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Último Passe

Quando Julen Lopetegui disse, recorrendo à mais fina ironia que em tempos fez escola no FC Porto, que a sua equipa devia ser a única da Europa que ainda guardava em segredo o nome do seu especialista em penaltis, estava a mostrar duas coisas. Um maior conhecimento da realidade do futebol português, onde facto e opinião se misturam de forma indisfarçável, e a noção de que o vazio deixado pelo maior recato recente de Pinto da Costa tem de ser ocupado por alguém para entrar no jogo que Sporting e Benfica estão a disputar. Portugal está muito longe da realidade que serve de base aos manuais de jornalismo, onde os factos são a base de tudo e podem ser lidos de forma impoluta. Em Portugal, quem consome informação sobre futebol está amplamente colonizado pelas diatribes radicais dos programas de comentadores-adeptos e não é capaz de separar o facto da opinião. A ironia de Lopetegui tem essa noção como princípio orientador. O facto é que o FC Porto ainda não teve penaltis a favor na Liga. A opinião é a de que o FC Porto está a ser prejudicado, porque o Benfica já tem um e o Sporting soma cinco. Só que os factos não são só estes. Primeiro porque o FC Porto não é a única equipa da Liga sem penaltis a favor – há mais sete nessas condições. Depois porque FC Porto e Benfica são duas das oito equipas que também não têm nenhum penalti contra (e o Sporting, por exemplo, já tem dois) e isso não quer dizer que estejam a ser beneficiados. Porque ao contrário do que acontece nos programas de segunda-feira à noite, um facto é um facto e uma opinião, podendo ser nele baseada, é uma opinião. Nada mais… Outra questão prende-se com a razão que leva Lopetegui a entrar neste jogo – e essa tem a ver com aquilo que Rui Vitória disse no final do dérbi da Taça de Portugal. É que, tal como o técnico do Benfica, o treinador basco também não quererá “ser comido de cebolada”. Ora este é mais um plano em que o futebol nacional funciona como prolongamento dos programas de segunda-feira, onde quem fala mais alto e radicaliza mais o discurso é quem ganha. Só que aqui, até ver, FC Porto e Benfica estão a correr atrás, a reagir ao Sporting. Jorge Jesus nem precisa de falar do assunto, de se meter com o lado negro da força, porque Bruno de Carvalho e Octávio Machado têm feito todo o trabalho sujo. No Benfica, Rui Costa foi o primeiro a dizer alguma coisa, mas só o fez na viagem a Astana, depois de Rui Vitória ter sido lançado à fogueira na sequência da derrota de Alvalade. No FC Porto, que foi onde este “jogo” foi inventado, o silêncio impera e só é rompido de quando em vez pelo boletim “Dragões Diário”. O futebol seria muito melhor sem estas guerras. Disso não tenho dúvidas, da mesma forma que não tenho certeza de que a pressão dê frutos e se reflita em benefícios. Mas que Benfica e FC Porto estão próximos do Sporting aristocrático de outrora, onde Paulo Bento tinha de fazer a guerra sozinho, ao passo que em Alvalade se recorre às armas que outrora celebrizaram Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira, disso já não me restam dúvidas nenhumas.
2015-11-27
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O FC Porto de Julen Lopetegui vem de uma derrota traumática, em casa, contra o Dynamo Kiev, a complicar bastante a tarefa de qualificação para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões e a cabeça dos jogadores estará seguramente cheia de ideias de reação. Costuma dizer-se que as grandes equipas não perdem dois jogos seguidos e a verdade é que tal não sucede aos dragões há cerca de três anos. Desde então, a reação à derrota tem sido quase sempre boa. Preocupante é o facto de a última sequência de duas derrotas dos azuis-e-brancos ter acontecido numa época em que, tal como agora, a equipa prolongou a invencibilidade até finais de Novembro. Quando perdeu a primeira, caiu logo a segunda. Há uma grande diferença entre as duas situações – o nome do segundo adversário. Em 2012, depois de perder em Braga (2-1) e ser eliminado da Taça de Portugal, interrompendo uma série de 18 jogos sem perder do arranque da época, o FC Porto apanhou pela frente com o Paris St. Germain, no Parque dos Príncipes. Voltou a perder pelo mesmo resultado (2-1, com golos de Thiago Silva e Lavezzi para os franceses e de Jackson para os portistas). Desta vez, o opositor é o bem mais frágil Tondela, o que permite pensar que a reação será certamente mais fácil do que nessa ocasião. Na verdade, bastará ao FC Porto aquilo que é a sua reação normal às derrotas. Desde esse desaire contra o Paris St. Germain, o FC Porto soma 20 derrotas (a de terça-feira foi a 21ª), tendo reagido com 16 vitórias e apenas quatro empates. Em 2012/13 perdeu mais três vezes, ganhando dois jogos e empatando um nas ressacas. Em 2013/14 somou umas invulgares 12 derrotas, mas ganhou dez e empatou dois dos jogos que se seguiram. Por fim, na época passada, perdeu cinco vezes, às quais respondeu com quatro sucessos e um único empate – ainda que tenha sido um empate altamente penalizador, a zero, na Luz, contra o Benfica, depois dos 6-1 de Munique, o que impediu os dragões de se chegarem ao Benfica na tabela da Liga.   - O FC Porto registou, contra o Dynamo Kiev, a primeira derrota da época, ao 16º jogo, ficando assim aquém dos 18 jogos sem perder registados pela equipa de Vítor Pereira em 2012/13. Os 20 jogos oficiais sem perder, desde a derrota em Munique, contra o Bayern, na época passada, são ainda assim um recorde de Lopetegui como treinador de clube.   - Rui Bento e Julen Lopetegui nunca se defrontaram, mas o atual treinador do Tondela já tem experiência de ver uma equipa sua jogar contra o FC Porto. A 10 de Dezembro de 2012, neste mesmo Estádio Municipal de Aveiro, o Beira Mar comandado por Rio Bento ainda esteve a ganhar ao FC Porto de Vítor Pereira (golo de Zhang), mas acabou por perder por 2-1 (marcaram James e Hulk).   - Este será o primeiro jogo da história entre Tondela e FC Porto e o primeiro jogo dos dragões em “campo neutro” na atual Liga. Desde 1 de Setembro de 2013 que o FC Porto não joga fora, no campeonato, contra uma equipa que recorre a um estádio emprestado. Na altura venceu o Paços de Ferreira em Felgueiras por 1-0. Volta agora a fazê-lo em Aveiro, onde o Tondela já perdeu esta época com Sporting (1-2) e Benfica (0-4).   - O Tondela é último da Liga, com apenas cinco pontos em dez jogos. A última equipa a evitar a despromoção nestas condições foi o Gil Vicente de 2004/05: tinha os mesmos cinco pontos à 10ª jornada e acabou a Liga em 13º lugar, seis pontos acima da linha de água. Mas para lá chegar começou a ganhar logo à 11ª ronda (2-1 ao V. Setúbal). Desde então, as cinco equipas que protagonizaram um arranque tão pouco produtivo desceram todas de divisão.   - O Tondela não ganha há nove jogos, desde o 1-0 frente ao Nacional, em casa, a 30 de Agosto. É a mais longa série de jogos sem vitórias desde que a equipa chegou aos campeonatos nacionais, em 2005, quando jogou a Série C da III Divisão.   - Além disso, o Tondela ainda não marcou um único golo na primeira parte dos seus jogos. Os seus cinco golos no campeonato aconteceram todos nas segundas partes, sendo os mais “madrugadores” os marcados ao Arouca e ao Nacional, ambos ao minuto 48. Acresce dizer que só um dos quatro golos sofridos pelo FC Porto apareceu antes do intervalo: foi o encaixado no empate (1-1) contra o Marítimo, nos Barreiros.   - Layun participou nos últimos três golos marcados pelo FC Porto. Fez o terceiro em Haifa, ao Maccabi Tel-Aviv, assistiu Aboubakar para o primeiro ao V. Setúbal e fez ele mesmo o segundo. Ao todo, o lateral mexicano tem dois golos marcados e quatro assistências, todas para golos de cabeça, três deles de Aboubakar.   - O jogador do FC Porto com mais passes de golo é, contudo, Maxi Pereira. São já, ao todo, cinco assistências, todas para jogadores diferentes: Aboubakar, Varela (ambos frente ao V. Guimarães), Brahimi (contra o Belenenses), André André (ante o Maccabi) e Layun (face ao V. Setúbal).   - Tello completou no jogo com o Dynamo Kiev o 50º jogo oficial com a camisola do FC Porto. Desses 50, 32 foram na Liga portuguesa, na qual marcou sete golos. Esta época, o espanhol tem dois golos, mas nenhum no campeonato.   - Manuel Mota é, de longe, o árbitro menos caseiro da Liga. Desde 10 de Janeiro que não vê em campo uma vitória da equipa da casa no campeonato, sendo que dirigiu 12 jogos desde então, com seis empates e seis vitórias dos visitantes. Ao todo, nos 53 jogos do árbitro de Braga, há 34% de vitórias dos anfitriões e 38% dos visitantes, o que o transforma no único árbitro da atual I Liga com pelo menos cinco jogos dirigidoa a ter mais sucessos de quem viaja do que de quem recebe.   - A última vitória de uma equipa da casa com Manuel Mota a apitar foi precisamente num jogo do FC Porto, que com ele se impôs no Dragão ao Belenenses por 3-0, a 10 de Janeiro último. Nos sete jogos com Mota, o FC Porto ganhou seis e empatou apenas um – a visita ao Restelo, em 2013/14 (1-1). O Tondela só o apanhou uma vez, tendo empatado em Arouca (1-1).
2015-11-27
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Último Passe

O FC Porto comprometeu de forma clamorosa as suas hipóteses de entrada nos oitavos de final da Liga dos Campeões ao perder em casa com o Dynamo Kiev por 2-0. No final do jogo, a atenção geral irá para os erros individuais de dois dos jogadores mais credenciados da equipa de Julen Lopetegui – Imbula e Casillas –, porque estiveram na origem dos dois golos dos ucranianos, mas a realidade exige que se vá mais além. Porque aquilo que se viu no relvado do Dragão foi um novo sintoma da enfermidade que mais vezes afeta esta equipa: a síndroma do facilitismo, do “está quase feito”. Com a derrota frente ao Dynamo, ainda por cima por 2-0 (e aqui o azar também jogou um papel importante, nas duas bolas que o FC Porto meteu nos postes), os dragões só podem esperar uma de duas coisas. Ou têm fé de que o Dynamo não ganhe em casa ao Maccabi, o que é muito improvável, pois os israelitas perderam todos os jogos até aqui, ou terão de ir vencer o Chelsea a Londres – caso em que seria a equipa de Mourinho a cair para a Liga Europa. O facto de o FC Porto ter perdido por dois golos, ainda por cima, vem deixar os dragões numa situação de desvantagem num eventual confronto direto a três, pelo que o empate em Stamford Bridge não é opção. O que se pede agora aos dragões é que remediem em Londres, face à melhor equipa do grupo, o que não conseguiram resolver em casa contra a terceira melhor. O que, bem vistas as coisas, até está mais de acordo com as características desta equipa. É que a derrota explica-se com o penalti tolo cometido por Imbula e com o frango inexplicável de Casillas, mas também com o jogo mais macio que o habitual protagonizado pelo FC Porto. A ideia de que faltava apenas um ponto em dois jogos transportou a equipa que ganhou ao Chelsea e ao Bayern naquele mesmo cenário para a realidade em que empatou com o Moreirense ou com o Marítimo. A realidade em que as poupanças de esforços são permitidas. E na Champions não são. Nunca.
2015-11-24
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O FC Porto só precisa de empatar no Dragão com o Dynamo Kiev, mas se partir do princípio que o Chelsea deve ganhar ao Maccabi e se quer entrar na última jornada nas melhores condições para lutar pelo primeiro lugar do grupo com a equipa de José Mourinho tem de apontar a uma vitória. E se a conseguir será a quarta seguida em jogos da Liga dos Campeões, algo que os dragões já não obtêm desde 1996. Há quase 20 anos. Depois do empate em Kiev, cedido no último minuto, o FC Porto ganhou os três jogos da prova europeia: 2-1 ao Chelsea, 2-0 e 3-1 ao Maccabi. Para continuar a lutar a sério pelo topo do grupo deve agora somar a estas três vitórias uma quarta, algo que não consegue desde a abertura da Champions de 1996/97, quando ganhou ao Milan (3-2 em San Siro), ao IFK Goteborg (2-1) e duas vezes ao Rosenborg (1-0 e 3-0). Desde aí, os dragões somaram várias vezes três vitórias consecutivas, mas encalharam sempre ao quarto jogo: Real Madrid (1-3 em casa, em 1999); outra vez Real Madrid (1-1 fora, em 2003); Arsenal (0-0 em casa, em 2006); Atlético Madrid (2-2 fora, em 2009); Chelsea (0-1 em casa, em 2009); Dynamo Kiev (0-0 fora, em 2012) e Shakthar Donetsk (1-1 em casa, em 2014). Não deixa de ser curioso que os últimos dois tropeções tenham ocorrido contra equipas ucranianas. Vale que ao FC Porto um empate servirá para carimbar desde já o apuramento para os oitavos de final da competição. Ora o FC Porto já não perde um jogo da Champions em casa desde Outubro de 2013, quando o Zenit foi ganhar ao Dragão por 1-0, com golo de Kerzhakov a cinco minutos do fim. Desde então, já ali perderam o Bayern e o Chelsea, por exemplo.   - O Dynamo Kiev está na história do FC Porto, pois foi a equipa que os dragões venceram nas meias finais da Taça dos Campeões Europeus de 1987, antes de baterem o Bayern na final. Na altura, o FC Porto ganhou ambos os jogos por 2-1. Nas Antas marcaram Futre e André (o pai de André André) para o FC Porto, reduzindo Yakovenko para os soviéticos. Em Kiev, Celso e Gomes deram vantagem à equipa portuguesa nos primeiros 10’ de jogo, de nada servindo um golo de Mikailichenko.   - Depois dessa meia-final, FC Porto e Dynamo Kiev voltaram a encontrar-se por cinco vezes na fase de grupos da Liga dos Campeões. Em 2008, cada um ganhou o jogo no terreno do adversário: 1-0 para o Dynamo no Dragão (marcou Aliyev); 2-1 para o FC Porto em Kiev (virada de Rolando e Lucho, depois de um primeiro golo de Milevskiy). Em 2012, os portugueses ganharam por 3-2 em casa (dois golos de Jackson e um de Varela, contra um de Gusev e outro de Ideye) e empataram a zero na Ucrânia. Já na corrente fase de grupos, as duas equipas empataram a dois golos em Kiev (bis de Aboubakar para os dragões, golos de Gusev e Buyalsky para os ucranianos).   - Antunes e Miguel Veloso, jogadores portugueses do Dynamo Kiev, já marcaram golos ao FC Porto. O lateral fê-lo a 13 de Maio de 2007, de livre direto, num empate a uma bola, ao serviço do Paços de Ferreira. O centrocampista conseguiu-o a 28 de Fevereiro de 2010, em recarga a um primeiro remate de Liedson, num sucesso do Sporting por 3-0, em Alvalade.   - Varela e Aboubakar foram os únicos jogadores do atual plantel do FC Porto que já marcaram ao Dynamo Kiev. O extremo abriu o ativo na vitória por 3-2 dos portistas, a passe de Lucho González, em Outubro de 2012, enquanto que o ponta-de-lança bisou no empate em Kiev, em Setembro passado.   - O FC Porto não perde há 20 jogos oficiais, precisamente desde que foi eliminado da Liga dos Campeões, com o pesado 6-1 às mãos do Bayern, em Munique. Foi a 21 de Abril. Os 20 jogos de invencibilidade são a melhor série do clube desde 2012, quando esteve 25 jogos sem perder, entre os 3-2 contra o Benfica, na Taça da Liga, a 20 de Março, e os 2-1 com que foi eliminado da Taça de Portugal pelo Sp. Braga, a 30 de Novembro.   - Este é também o melhor arranque de época do FC Porto desde 2012/13. Leva 15 jogos desta época sem perder (11 vitórias e 4 empates) e está a três partidas de igualar o arranque da equipa liderada por Vítor Pereira, que esteve 18 jogos sem perder até ser eliminado da Taça de Portugal pelo Sp. Braga.
2015-11-23
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O FC Porto tem sido uma fortaleza defensiva. Não sofre golos de oposição nacional há quase dois meses, desde 25 de Setembro, quando cedeu um empate em Moreira de Cónegos (2-2). E os dois golos que encaixou desde essa altura nasceram de lances de bola parada, na Liga dos Campeões. O último jogador de uma equipa portuguesa a marcar ao FC Porto foi André Fontes, do Moreirense. Desde então, Casillas sofreu mais dois golos: um livre direto de Willian (Chelsea) e um penalti de Zahava (Maccabi), ambos na Liga dos Campeões. Aliás, dos oito golos sofridos pelo FC Porto esta época, três foram na sequência de bolas paradas, pois há a acrescentar o tento de Buyalskiy, também perto do final do jogo de Kiev, após um livre de Rybalka à barreira. Com a curiosidade acrescida de dois destes três golos terem nascido bem perto do final dos períodos a que dizem respeito: Buyalskiy marcou aos 89’ e Willian aos 45+2’. Em Angra do Heroísmo, no entanto, o guarda-redes do FC Porto será certamente Helton, que já defrontou o Varzim na eliminatória anterior. Como os dragões ganharam esse jogo por 2-0, isso quer dizer que Helton ainda não sofreu golos esta época. O último foi-lhe marcado pelo belenense Tiago Caeiro a 17 de Maio, custou dois pontos (o jogo acabou empatado a uma bola) e valeu a festa do título ao Benfica, que nessa mesma tarde empatava a zero em Guimarães.   - O FC Porto procura o 15º jogo da época sem derrota. Para já, nos 14 que fez, ganhou dez e empatou quatro. Está, ainda assim, a quatro jogos de igualar o arranque da equipa de Vítor Pereira, que em 2012/13 esteve 18 jogos sem perder, até ser eliminado da Taça de Portugal pelo Sp. Braga (2-1), a 30 de Novembro.   - Ao todo, incluindo desafios da época passada, o FC Porto de Julen Lopetegui não perde há 19 jogos. A última derrota foram os 6-1 em Munique, a 21 de Abril, nos quartos-de-final da Liga dos Campeões. Estes 19 jogos são também a melhor série da equipa desde 2012, quando o FC Porto esteve 25 jogos sem perder, entre os 3-2 contra o Benfica, na Taça da Liga, a 20 de Março, e os tais 2-1 com o Sp. Braga, a 30 de Novembro.   - Pedro Aguiar marcou golos nos últimos três jogos do Angrense. Fez o 2-0 momentâneo do empate a dois golos com o Sp. Ideal, mas antes já tinha bisado nos 5-1 ao Pampilhosa e tinha feito o golo do empate (1-1) no terreno do Oliveira do Hospital. É, com o avançado Magina, o melhor marcador do Angrense esta época. Ambos têm dez golos.   - Miguel Layun também marcou nos últimos dois jogos do FC Porto (ao Maccabi Tel Aviv e ao V. Setúbal), mas foi poupado à viagem aos Açores por Lopetegui em virtude de ter estado ao serviço da seleção do México.   - Este é o quarto jogo que o Angrense faz esta época na Taça de Portugal, o que permite igualar a época de 1994/95. Nessa altura, os açorianos eliminaram o 1º Maio do Funchal (2-1), o Vilanovense (2-1) e o Carcavelos (4-1), antes de caírem aos pés do Feramunde (4-0). Desta vez já afastaram a Académica-SF (2-1), o Moura (2-1) e o Torre Moncorvo (4-1).   - Angrense e FC Porto nunca se defrontaram em competição, mas uma das últimas campanhas na Taça de Portugal levaram os açorianos a jogar com o Nacional da Madeira, pelo qual alinhou Maicon, atualmente no FC Porto, embora fora dos convocados de Lopetegui para este jogo. Foi a 18 de Outubro de 2008 e os madeirenses ganharam por 4-0, com bis de Miguel Fidalgo e mais dois golos de Nené (que falhou um penalti) e Juninho. Maicon jogou os 90 minutos e Ruben Micael, que também jogou mais tarde no FC Porto, entrou a meio da segunda parte.   - A única experiência do Angrense com um grande foi traumática. Aconteceu na Taça de Portugal de 1959/60 e os açorianos defrontaram o Benfica. José Augusto e Cavém marcaram os golos do 2-0 para os benfiquistas em Angra do Heroísmo, mas na Luz o resultado foi muito mais desequilibrado: 10-0 para o Benfica com hat-tricks de Águas e José Augusto, bis de Coluna e ainda mais um golo de Cavém e outro de Santana.
2015-11-20
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Há algumas coisas que me custa compreender na seleção nacional, mas se houve uma que me pareceu clara, limpa e justa foi a divisão dos minutos de jogo entre os selecionados por Fernando Santos nos jogos com a Rússia e o Luxemburgo. Foi por isso com algum espanto que vi a reação enérgica do FC Porto à utilização dos seus três médios no segundo desafio. Pareceu-me desproporcionada e nada mais do que uma tentativa falhada de marcar a agenda num período em que anda por aí muita gente convencida de que os jogos e os campeonatos se ganham nos comunicados, nos boletins ou nas entrevistas dadas por quem não joga. Não percebi, por exemplo, a convocatória de Fernando Santos – e já tinha escrito que preparar o Europeu e testar soluções para a parceria com Cristiano Ronaldo sem levar Cristiano Ronaldo é uma ideia difícil de justificar a não ser com a vontade de agradar ao Real Madrid. Como não tinha percebido outras ausências antes desta, essas com consequências que iam muito para lá da preparação de um jogo tão importante como o clássico de Espanha. Foi o caso, por exemplo, da não convocação de João Moutinho para o Mundial de 2010, da qual se queixou o Sporting, por entender que ela esteve na base da vontade de saída do clube revelada pelo jogador. Ou, agora, da relutância na chamada de Ruben Neves, de que se queixavam os portistas, alegando que ele já é titular e capitão de equipa e que há muito justificava a entrada no lote dos mais credenciados – e por isso mais valorizados. Até por isso, por portistas e sportinguistas andarem constantemente a queixar-se da influência maléfica do Benfica ou de Jorge Mendes nas escolhas dos sucessivos selecionadores, me parece muito retorcido vir agora o boletim Dragões Diário queixar-se de que Fernando Santos andava a “poupar os jogadores do Sporting e do Benfica e a gastar os do FC Porto”. Sim, o FC Porto vai ter seis jogos em 19 dias e tanto Benfica como Sporting terão menos um. Mas o próximo encontro dos dragões tem um grau de dificuldade muito inferior ao de Benfica e Sporting: os dragões jogam com o Angrense horas antes do dérbi de Lisboa. E sim, André André foi o único titular nos dois jogos e o homem que somou mais minutos de jogo (143) nestes dias, mas João Mário jogou apenas menos 28 minutos e Gonçalo Guedes menos 29. E não devia sequer ser preciso lembrar que William Carvalho alinhou por mais nove minutos que Ruben Neves ou que Rui Patrício e Eliseu também estiveram mais tempo em campo que Danilo. É que, por muito que as estruturas de comunicação se esforcem por torcer a realidade, está é bem simples de compreender. E explica-se assim: é melhor jogar na seleção do que não jogar.
2015-11-18
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Último Passe

Janeiro já está perto, a Liga parou para dar lugar a dois particulares sem importância da seleção nacional e o mais normal é as atenções centrarem-se no mercado, no que os candidatos vão fazer para assegurar as melhores armas na fase decisiva do ataque ao título. Identificação de fragilidades, correção de erros de casting… O tempo de agir é agora. O Sporting lidera a Liga, está mal na Europa – o que, sendo uma vergonha, pode até facilitar-lhe a segunda metade da época – e para já aponta claramente aos corredores laterais. Zeegelaar é uma aposta segura para dar luta a Jefferson e permitir rodagem a Jonathan, para que a falta de competição não o faça perder o comboio no ambiente das seleções argentinas. E Bruno César já chegou do Estoril, regressando ao mais alto nível que deixara quando trocou o Benfica pelo Al Ahly saudita mais devido à confiança que nele tem Jorge Jesus do que em função do futebol que mostrou até aqui nos canarinhos. Jesus acreditará que pode fazer de Bruno César aquilo que ele já foi e que ele se transformará na melhor opção para substituir Carrillo, o que por si só vem mostrar que também o treinador acha que precisa de gente com os quilómetros de experiência nas pernas que faltam a Gelson e Matheus. E que Carlos Mané, que já vai na terceira época de plantel principal, não lhe enche as medidas. No FC Porto, cujo plantel parece rico em todas as vertentes, com pelo menos duas soluções de quase idêntica valia para cada posição, fala-se agora num avançado. Não será seguramente para substituir Aboubakar, que o camaronês tem sido das melhores surpresas nos dragões. E como a fé de Lopetegui no 4x3x3 é inabalável, quem está em causa é Osvaldo. Mesmo com pouco tempo de jogo, o italo-argentino perde assim espaço, o que significará que não foi preciso muito para convencer os responsáveis de que ele foi um erro de casting que convém emendar. Por fim, no Benfica, a ideia parece ser a de deixar sair Lisandro Lopez, para que o argentino não desvalorize com a inatividade a que está a ser condenado na sombra de Luisão e Jardel. O vimaranense Josué, jogador de confiança de Rui Vitória, está apontado à vaga de terceiro central e, ainda que muito esteja em jogo na capacidade que o treinador terá para fazer vingar a sua opção junto da tão badalada estrutura, todos sabemos que o futuro do Benfica não se joga aqui: do que o Benfica precisa mesmo é de um super-médio que lhe permita aguentar o 4x4x2 que serve a Jonas.
2015-11-15
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Ao marcar o golo inaugural da vitória do FC Porto frente ao V. Setúbal, Aboubakar igualou já o total de tentos que tinha feito em toda a época passada: oito. Fê-los em 13 jogos, quando em 2014/15 precisou de 20 partidas, ainda que muitas delas como suplente utilizado. Na temporada mais produtiva da sua carreira precisou de mais algum tempo para lá chegar. Foi em 2012/13 que, ao serviço do Lorient, terminou a época com 16 golos, marcando o oitavo a 30 de Novembro, frente ao Nice, ao 16º jogo.   - Aboubakar e Osvaldo estiveram pela terceira vez lado a lado em campo esta época, pois o italo-argentino entrou a 31 minutos do fim e o camaronês por lá ficou. Ao todo, os dois coincidiram por 48 minutos, tendo o FC Porto marcado três golos nesse período. Já tinha acontecido por 13 minutos em Moreira de Cónegos (com um golo) e por quatro minutos frente ao Chelsea no Dragão (sem efeitos no resultado).   - Apesar de ter igualado a série de 16 jogos seguidos sem sofrer golos em casa na Liga estabelecida em 1994, o FC Porto ainda está a pouco mais de um jogo de bater o recorde de Vítor Baía e Cândido, que entre Janeiro e Dezembro desse ano estiveram 1571 minutos sem ir buscar a bola ao fundo das redes das Antas. Com a ajuda de Fabiano e Helton, que se ocuparam das redes na época passada, Casillas prolongou a série atual para 1475 minutos desde que Lima ali marcou, na vitória do Benfica, por 2-0, a 14 de Dezembro do ano passado.   - O V. Setúbal voltou a sofrer golos na Liga, vendo a série de imbatibilidade que durava desde o tento de Rui Correia (Nacional) interrompida após 384 minutos. Mas Ricardo, o guarda-redes emprestado pelo FC Porto, que nesse dia estava na baliza e ontem não, mantém a folha limpa para a próxima jornada.   - Layun é o homem do momento nos dragões, pois participou nos últimos três golos da equipa. Marcou o terceiro em Haifa, ao Maccabi Tel-Aviv, assistiu Aboubakar para o primeiro ao V. Setúbal e fez ele mesmo o segundo. Ao todo, o lateral mexicano tem dois golos marcados e quatro assistências, todas para golos de cabeça, três deles de Aboubakar.   - Maxi Pereira também voltou a fazer uma assistência para golo, tal como sucedera em Israel, mantendo-se como o jogador com mais passes decisivos no FC Porto esta época. São já, ao todo, cinco assistências, todas para jogadores diferentes: Aboubakar, Varela (ambos frente ao V. Guimarães), Brahimi (contra o Belenenses), André André (ante o Maccabi) e agora Layun (Face ao V. Setúbal).   - Foi a 26ª vitória consecutiva do FC Porto frente ao V. Setúbal, em confrontos válidos para várias competições. O FC Porto ganha sempre que os dois se encontram desde um empate a zero, no Dragão, a 29 de Outubro de 2005. Foi ainda o quarto jogo entre ambos em que os sadinos não fazem sequer um golo, desde a derrota por 3-1, no Bonfim, em Agosto de 2013.   - Foi ainda o 14º jogo do FC Porto sem perder esta época. Ao todo, os dragões somam dez vitórias e quatro empates, mantendo-se na corrida para pelo menos igualar o arranque de época de Vítor Pereira em 2012/13. Nessa época, os azuis e brancos estiveram 18 jogos sem perder, até à eliminação da Taça de Portugal, frente ao Sp. Braga, a 30 de Novembro (1-2).   - Quim Machado estreou o croata Gorupec na Liga. Depois de Hassan, Costinha, Arnold, Vasco Costa, Ruben Semedo e Ruca, foi a sétima estreia absoluta de um jogador do V. Setúbal na Liga esta época.
2015-11-09
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Último Passe

A aposta na dupla de pontas-de-lança a que Julen Lopetegui resistira, por exemplo, nos empates contra o Marítimo e o Sp. Braga, pôs em causa a organização normal do jogo do FC Porto mas permitiu à equipa quebrar o enguiço com as balizas da última partida da Liga e vencer o V. Setúbal por 2-0. Mesmo a fazer um bom jogo e, sobretudo depois de aumentar o ritmo, após o intervalo, a conseguir levar a bola até à área sadina, com criação constante de desequilíbrios, a equipa azul e branca não chegou ao golo enquanto o treinador basco não juntou Aboubakar e Osvaldo na área. Um dos primeiros cruzamentos depois de isso suceder, aos 70 minutos, permitiu ao camaronês abrir o marcador, num cabeceamento sem tirar os pés do chão, e começou a desfazer as dúvidas acerca da atribuição dos três pontos. Uma discussão a que Layun pôs termo pouco depois, com mais um golo de pé direito vindo da sua posição de lateral esquerdo. As bases do jogo do FC Porto são bem conhecidas: posse de bola (acima dos 70 por cento até ao golo de Aboubakar) e triangulações com alternância entre os movimentos dos extremos para dentro com subida dos laterais ou a abertura dos extremos com entrada dos médios na zona do ponta-de-lança. Na primeira parte, jogada a um ritmo mais lento, isso não chegou para tirar da frente as duas linhas defensivas de um bem organizado V. Setúbal que, fruto da qualidade nas saídas de bola, nem parecia jogar com o autocarro à frente da baliza de Raeder. Suk e André Claro eram boas referências atacantes, tornando possível que o meio-campo sadino subisse e que a equipa de Quim Machado se equilibrasse mais acima e pudesse assim respirar. Só nos últimos cinco minutos do primeiro tempo o FC Porto encostou o adversário atrás, o que deixou a dúvida acerca dos efeitos do intervalo. Voltaria o jogo a ser tão dividido como chegara a ser ou manter-se-ia a pressão portista? Na verdade, o FC Porto ainda conseguiu subir o ritmo e o V. Setúbal continuou a enfrentar dificuldades para voltar a jogar no campo todo. Mas isso não chegava para aquilo que o FC Porto queria, que era fazer um golo. Esse só apareceu quando Lopetegui trocou Evandro por Osvaldo e assumiu uma espécie de 4x2x4, com André e Danilo a segurarem o meio-campo. Ao contrário do que sucedeu em Moreira de Cónegos, onde a aposta no segundo ponta-de-lança só surgiu à terceira substituição, sem hipótese de emenda, portanto, desta vez o treinador portista recompôs de imediato o equilíbrio natural da equipa, chamando Imbula ao jogo. Mas, já sem dinâmica atacante, que se extinguira no período de intensa pressão portista, o Vitória limitou-se a esperar o fim do jogo, acabando o 2-0 por aparecer naturalmente, após uma incursão de Imbula que Layun finalizou.
2015-11-08
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Stats

O FC Porto já leva 25 vitórias seguidas em jogos contra o V. Setúbal, de longe a sua série vitoriosa mais longa contra equipas do mesmo escalão. A última vez que os sadinos conseguiram não perder com os dragões já fez dez anos na semana passada: foi a 29 de Outubro de 2005 que uma equipa do Vitória comandada por Luís Norton de Matos foi ao Dragão empatar a zero com os comandados de Co Adriaanse. De então para cá, a história tem sido repetitiva, com 25 jogos e 25 vitórias do FC Porto, 66 golos marcados e apenas sete sofridos. A superioridade azul e branca tem sido ainda mais marcada ultimamente, pois há mais de dois anos que os setubalenses não fazem sequer um golo neste desafio. O último fê-lo Rafael Martins, no Bonfim, a dar momentânea vantagem aos então comandados de José Mota, na abertura da Liga de 2013/14. Mas Josué, Quintero e Jackson viraram esse resultado para o 3-1 final, a favor do FC Porto. Nos três jogos seguintes, só houve golos portistas: 3-0 (Jackson, Varela e Carlos Eduardo), 4-0 (Quaresma, Jackson, Brahimi e Danilo) e 2-0 (Brahimi e Jackson). As 25 vitórias consecutivas do FC Porto frente ao V. Setúbal, que incluem uma final da Taça de Portugal (1-0, golo de Adriano) e a Supertaça que se lhe seguiu (3-0, marcados por Adriano, Anderson e Vieirinha), em 2006, não têm sequer comparação com mais nenhuma série em curso na equipa do FC Porto. A seguir aos sadinos, os adversários tradicionalmente mais dóceis para os portistas são o Rio Ave (sete vitórias seguidas), o Paços de Ferreira (seis sucessos de enfiada) e o Arouca (cinco vitórias nos únicos cinco jogos efetuados entre ambos).   - Brahimi marcou nas únicas duas vezes em que defrontou o V. Setúbal. Na época passada, abriu o marcador nos 2-0 do Bonfim e fez o terceiro nos 4-0 do Dragão. Jackson Martínez tinha feito golos nos últimos quatro jogos entre estas duas equipas mas já não está no FC Porto.   - Casillas continuará a tentar aumentar a corrente série de minutos sem golos sofridos pelo FC Porto em casa, na Liga. O último jogador a marcar ali nestas condições foi o benfiquista Lima, a 14 de Dezembro do ano passado, na vitória dos encarnados por 2-0. Desde então, nos jogos em casa para a Liga, o FC Porto vem acumulando zeros nas suas redes, a ponto de, com contributo de Fabiano, Helton e Casillas, somar já 1385 minutos de jogo sem sofrer golos. Está a 196 minutos da série estabelecida por Vítor Baía e Cândido de Janeiro a Dezembro de 1994. Foram na altura 1581 minutos sem sofrer golos em casa para a Liga.   - O FC Porto continua também sem perder esta época. Já lá vão 13 jogos, com nove vitórias e quatro empates, ainda a cinco partidas de igualar o arranque da equipa de Vítor Pereira, que em 2012/13 esteve 18 jogos sem perder até ser eliminado pelo Sp. Braga da Taça da Portugal (2-1), a 30 de Novembro.   - O V. Setúbal só perdeu uma vez nas primeiras nove jornadas (frente ao Marítimo, por 5-2, à quarta) e soma já 14 pontos, que fazem deste o melhor arranque de época sadino desde 2007. Por esta altura, a equipa de Carlos Carvalhal ainda não tinha perdido e somava 15 pontos, tendo acabado essa Liga em sexto lugar.   - Além disso, os sadinos não sofrem golos na Liga há 314 minutos, desde o tento de Rui Correia no empate (1-1) na Choupana com o Nacional. Desde então ganharam por 1-0 ao Estoril, por 2-0 ao Moreirense e empataram a zero com o Arouca. Esta série é a maior desde uma estabelecida em Fevereiro e Março de 2013, quando a equipa dirigida por José Mota esteve 343 minutos sem sofrer golos, entre um 0-3 frente ao Benfica na Luz (último golo de Rodrigo, aos 56’) e um 0-2 em Paços de Ferreira (golo inaugural de Cícero aos 39’). Pelo meio a baliza ficou virgem nas vitórias frente a Gil Vicente, Olhanense e Beira Mar, todas por 1-0.   - Ricardo, o guarda-redes do V. Setúbal que tem estado na baliza na série em curso, não poderá jogar, pois está emprestado pelo FC Porto. Já na altura da anterior série o guarda-redes tinha ligação aos dragões: era Kieszek, que assinara pelo V. Setúbal depois de cumprir um ano de empréstimo no Roda (Holanda).   - O portista Herrera estreou-se na Liga portuguesa contra o V. Setúbal, lançado por Paulo Fonseca a 9 minutos do fim da vitória por 3-1 no Bonfim, a 18 de Agosto de 2013.   - Julen Lopetegui e Quim Machado vão defrontar-se pela primeira vez na história. O treinador do FC Porto ganhou os dois jogos que fez contra o V. Setúbal (4-0 e 2-0 na época passada, pelo FC Porto). Já Quim Machado conseguiu empatar com os dragões ao serviço do Feirense (0-0, em Setembro de 2011), mas foi depois perder ao FC Porto por 2-0 (em Fevereiro de 2012).   - Ao 14º jogo na Liga, o jovem Tiago Martins ainda não viu uma equipa ganhar fora de casa: nos 13 anteriores verificaram-se oito vitórias caseiras e cinco empates. O juiz lisboeta, de 35 anos, vai estrear-se a apitar o FC Porto, mas no currículo já tem uma partida de um grande, pois esteve no Benfica-Estoril da primeira jornada (4-0 para os encarnados). O V. Setúbal fez dois jogos com ele sem ganhar (empate em casa com o V. Guimarães, já esta época, e derrota fora com o Moreirense, na anterior).
2015-11-07
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Em tempos, fazia-se carreira no jornalismo através da bajulação. Era simples: sempre que alguém vivia uma tarde ou noite desastrosa, começava-se a análise com um ponto prévio do tipo “fulano é um extraordinário jogador, mas…” Não gosto de insultar a inteligência de quem faz o favor de me ler e por isso mesmo nunca fui por esse caminho – se escrevo sobre alguém é porque esse alguém já terá feito algo de notável, merecendo por isso a atenção de todos nós. Mesmo que no dia em apreço possa ter estado pior do que habitualmente. E agora que acho que já nos entendemos acerca das regras de convivência acerca de arbitragem para partilharmos este espaço, podemos seguir em frente e definir bem o que se analisa aqui. Não são pessoas! São situações. Quem aqui passa com alguma regularidade já sabe que não vai ler explicações de jogo baseadas em erros de arbitragem. Esse é o caminho mais fácil e, sobretudo, nunca será consensual se quisermos alargar a abrangência. Prefiro sempre colocar o foco naquilo que pode ser debatido com um mínimo de elevação. Já vai sendo altura de chegarmos a acordo acerca de outra coisa. É que não acredito em homens providenciais, em gente que faz sempre tudo bem. Nem em asnos completos, daqueles que fazem sempre tudo mal. Entre os que me dizem “a culpa disto é toda tua!” e os que chegam a comparar o tempo que levo a escrever quando ganha um clube com o tempo que demoro quando ganha outro, aquilo que mais vou lendo por aqui ou que me dizem os que me abordam nos estádios é: “você uma vez disse mal de fulano e agora diz bem!”. Como se isso fosse estranho... Já fiz avaliações positivas a Jorge Jesus, pela forma como mudou o futebol do Benfica ou como preparou os dois jogos com os encarnados esta época e colocou o Sporting na liderança do campeonato. Mas também lhe fiz avaliações negativas, quando geriu mal as substituições em Moscovo ou falhou na motivação dos jogadores que colocou em campo na Liga Europa. Rui Vitória? Já o elogiei quando teve a coragem de apostar em jovens jogadores que se afirmaram, como Nélson Semedo ou Gonçalo Guedes, como o contestei quando essas apostas me parecem pouco criteriosas, como a feita em Clésio. Como antes lhe tinha elogiado o arranque de época que tinha feito em Guimarães, com vários miúdos da equipa B, e criticado a frase alusiva ao Ferrari e ao Fiat 600, que veio tirar exigência à equipa e esteve na génese de uma segunda metade de época menos conseguida. Julen Lopetegui? Já escrevi e disse que construiu uma equipa rotinada, que tem uma ideia de jogo consistente, mas também que a rotatividade que impôs à equipa na época passada atrasou a construção de um onze e que falha na motivação dos seus jogadores para partidas frente a adversários mais modestos da Liga portuguesa. E podia continuar a dar exemplos, porque, repito, não acredito na existência de homens providenciais, daqueles que nunca falham. É aqui chegados que me dizem outras duas coisas. Que analisar é fácil e tomar decisões é difícil. E que elogio muitas vezes os que ganham e critico os que perdem. Pois bem, eis aquilo em que acredito. Acredito que cada um está para o que está. Que os jornalistas fazem jornalismo, os jogadores jogam, os treinadores treinam e os adeptos batem palmas. E que, por isso mesmo, quem quer ler análises que digam sempre bem ou sempre mal – quer os analisados façam o seu trabalho com competência ou sem ela – deve ficar-se pelas páginas de adeptos ou ver os das suas cores nos programas televisivos. Eu prefiro pensar. É uma mania que tenho.
2015-11-06
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Último Passe

É verdade que o Maccabi Tel-Aviv não é uma equipa digna da Liga dos Campeões e que por isso o FC Porto teve a missão muito facilitada, mas enganem-se os que pensam que o passeio dos dragões a Israel teve a ver apenas com as fragilidades tão evidentes no adversário. A equipa de Lopetegui ganhou com clareza, por 3-1, acertou duas vezes nos postes, falhou dois golos de baliza aberta e tudo porque já está num patamar de construção com o qual os impostores têm muitas dificuldades para conviver. Os impostores são, neste caso, os jogadores do Maccabi, que jogam numa competição para a qual não estão talhados. A forma como os golos portistas surgiram, todos iguais, com a bola a girar da direita do ataque para o jogador mais à esquerda, com este sempre a ganhar ao lateral antes de finalizar, mostra a incapacidade do Macabi para compreender um dos artifícios mais normais neste jogo: a utilização da largura. Foi devido à falta de pressão à entrada da área que André André descobriu Tello bem aberto, escancarando-lhe a via para correr para o guarda-redes e fazer o primeiro golo. Foi a passividade do lateral no ataque à bola que permitiu que André André se lhe antecipasse para responder ao cruzamento de Maxi Pereira no segundo. E a bola voltou a cruzar a área sem interceções antes do bom trabalho de Layun, após passe de Tello, valer o 3-0 que desde logo sentenciava o jogo e quase garantia a qualificação portista para a próxima fase da Liga dos Campeões. Além dos erros israelitas, contudo, há ali também muito trabalho português. Há trabalho tático de uma equipa que já aprendeu a viver com a rotatividade – ontem não estiveram no onze Brahimi nem Imbula… – sem perder qualidade nem rotinas, bem visíveis em cada movimentação do coletivo. E há trabalho mental no convencimento destes homens de que isto de jogar a fase de grupos já é um mero pro-forma para o que verdadeiramente conta, que começa nos oitavos-de-final. É por essa razão que a equipa aparece nesta fase com a confiança normal de quem sabe que é mais forte. E é essa tomada de consciência que se espera já na próxima jornada, onde um empate caseiro frente ao Dynamo de Kiev garantirá matematicamente o apuramento mas onde uma vitória permite continuar em vantagem na luta com o Chelsea pelo primeiro lugar. 
2015-11-04
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Stats

Os sete pontos que o FC Porto já soma nas primeiras três jornadas da Liga dos Campeões não são uma garantia absoluta de qualificação, mas a verdade é que só uma anormalidade poderá ainda afastar os dragões dos oitavos-de-final da competição. Desde 2007 que uma equipa não é eliminada fazendo sete pontos nos primeiros três jogos – e uma das últimas a quem isso aconteceu até estava num grupo com o FC Porto. As 50 equipas que chegaram a meio do percurso com sete pontos nas últimas sete temporadas seguiram todas em frente. No lote incluem-se o FC Porto de 2014/15 (sete pontos a meio caminho e 14 no final) e de 2012/13 (passou de nove para 13 pontos) e ainda o Benfica de 2011/12 (sete pontos à terceira ronda e 12 no final). Para se encontrar uma equipa capaz de estragar tudo depois de somar sete pontos nos primeiros três jogos é preciso recuar até 2007/08, época em que isso aconteceu logo a duas formações: o Ol. Marselha e o Glasgow Rangers. Com um ponto em comum a ambos: perderam os três jogos da segunda volta dos seus grupos. Os franceses arrancaram com uma vitória por 2-0 em casa com o Besiktas, venceram depois fora de casa o Liverpool por 1-0 e cederam um empate em casa ao FC Porto (1-1). Tudo parecia bem encaminhado para eles, mas a segunda volta foi calamitosa: 1-2 no Dragão, 1-2 em Istambul com o Besiktas e 0-4 em casa com o Liverpool, o que valeu um final com apenas sete pontos a três dos ingleses e a quatro da equipa portuguesa. Semelhante foi o descalabro do Glasgow Rangers, que arrancou a ganhar (2-1) em casa ao Stuttgart, foi depois vencer fora o Lyon por 3-0 e à terceira jornada empatou em casa com o Barcelona (0-0). Até final, só derrotas: 2-0 em Barcelona, 3-2 em Estugarda e 0-3 em casa com o Lyon, o que deixou os escoceses a três pontos dos franceses e a sete dos espanhóis. O mais normal numa equipa que faz pelo menos sete pontos nas primeiras três jornadas, porém, é mesmo ganhar o seu grupo. Das 50 que o fizeram nas últimas sete temporadas, 37 (algo como 74 por cento, três em cada quatro, portanto) acabaram o grupo em primeiro lugar. É para esse objetivo que o FC Porto tem agora de pedalar, pois tal significará evitar alguns colossos no sorteio dos oitavos de final.   - Yacine Brahimi não fez a viagem até Israel e será uma carta fora do baralho de Julen Lopetegui para defrontar o Maccabi Tel Aviv. Será apenas a segunda vez que os dragões deixam de contar com o extremo argelino em jogos internacionais desde que ele chegou a Portugal: na outra, a equipa não foi além de um empate em casa contra o Shakthar Donetsk (1-1). Brahimi fez seis golos e quatro assistências na campanha da Liga dos Campeões de 2014/15, mas esta época segue com apenas um golo nos primeiros três jogos.   - O FC Porto não sofre golos desde 29 de Setembro, data da vitória sobre o Chelsea, por 2-1, para a segunda jornada da Champions. Desde essa altura os portistas ganharam ao Belenenses (4-0), ao Varzim (2-0), ao Maccabi (2-0) e empataram com o Sp. Braga (0-0). São já 405 minutos sem sofrer golos, partilhados entre Casillas e Helton, que jogou com o varzinistas na Taça de Portugal. E constituem a melhor série de imbatibilidade dos dragões desde os 591 minutos sem sofrer golos registados em Fevereiro e Março.   - Os dragões vão tentar esticar para 13 o número de jogos sem derrota no arranque da época. Os doze que já conseguiram (oito vitórias e quatro empates) superam os onze da época passada (derrota com o Sporting, por 3-1, ao 12º jogo) e os oito de 2013/14 (derrota com o Atl. Madrid, por 2-1, na Champions, ao nono jogo). Em 2012/13 a equipa de Vítor Pereira esteve 18 jogos sem perder até ser eliminado da Taça de Portugal pelo Sp. Braga (2-1), a 30 de Novembro.   - Ao todo, incluindo a ponta final da época passada, o FC Porto vai com 17 jogos seguidos sem perder, desde os 6-1 com o Bayern Munique com que foi afastado da Liga dos Campeões da época passada, a 21 de Abril. Essa foi, aliás, a única derrota do FC Porto nos últimos 15 jogos europeus: para encontrar outra é preciso recuar até aos 4-1 encaixados em Sevilha, na Liga Europa, a 10 de Abril de 2014.   - O Maccabi já tem sete derrotas em jogos oficiais esta época e está a apenas uma de igualar o total de toda a época passada. Os israelitas perderam já com FC Porto (2-0), Dynamo Kiev (2-0) e Chelsea (4-0) na Champions. Antes tinham sido batidos pelo Plzen (2-1) e pelo Hibernians (2-1), nas eliminatórias de acesso à prova. E na Liga israelita caíram aos pés de Beitar Jerusalem (4-2) e Hapoel Ra’anana (2-1).   - O empate a zero com o Sp. Braga foi o primeiro jogo desta época em que o FC Porto não fez golos. Precisa de marcar pelo menos um em Israel para evitar ficar duas vezes seguidas em branco, algo que já não lhe sucede desde Novembro de 2011, quando ao empate a zero frente ao Olhanense se seguiu uma derrota por 3-0 com a Académica, a custar a eliminação da Taça de Portugal.   - Estoril e U. Leiria foram as únicas equipas portuguesas a ganhar em Israel. Os estorilistas bateram por 1-0 o Hapoel Ramat Gan em Agosto de 2013 e os leirienses impuseram-se pelo mesmo resultado ao Maccabi Netanya, em Agosto de 2007. O FC Porto nunca ali jogou, mas o Sporting já lá empatou duas vezes (sempre 0-0, com o Maccabi Haifa em 1995 e com o Beitar Jerusalem em 1997) e o Benfica foi sempre lá perder (4-2 com o Beitar Jerusalem em 1998 e 3-0 com o Hapoel Tel-Aviv em 2010).    
2015-11-03
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Último Passe

O futebol português repete há décadas o mesmo padrão de comportamentos entre os três grandes, acentuado desde que passou a ter duas vagas garantidas nos milhões da Liga dos Campeões. Ao fim de muitos anos, continuo sem estar convencido que daí advenham benefícios reais, que tudo não passa de uma ilusão de controlo, mas a verdade é que um dos clubes se sente geralmente confortável, outro não tanto, e por isso agita-se, de forma a evitar perder a posição de conforto, enquanto um terceiro vai fazendo barulho no intuito de a ela aceder. Podem mudar os protagonistas – e já mudaram algumas vezes, nos últimos anos – mas não muda o cariz desta dança das cadeiras, sobretudo por duas razões. É que quem manda quer o apoio dos grandes – e com o apoio de dois deles, assegura que continua a mandar – e quem não manda continua a ser muito seletivo na perceção dos males que afetam o futebol. Neste momento, apesar de não ter ganho nada na época passada, o FC Porto ainda é quem se sente mais confortável e, seja por isso ou por já ter conseguido um estatuto europeu muito difícil de igualar nos tempos modernos, que o deixa a cobro de surpresas, vai mantendo o silêncio nos canais oficiais, limitando-se a alguns textos mais mordazes nos seus órgãos de informação. Sempre sem comprometer os seus dirigentes. O Benfica, que no final da última década, antes da chegada de Jorge Jesus ao clube, era quem mais barulho fazia – contrastando com o silêncio do Sporting, que não ganhava Ligas mas ia acumulando segundos lugares, Taças de Portugal e Supertaças – calou-se quando ganhou três campeonatos em seis anos. E o Sporting encontrou na eleição de Bruno de Carvalho o despertar que o levou a assumir a posição de principal contestatário da situação, somando intervenções que dão azo a polémicas infindas. Até aqui, nada de novo, portanto. Um dia, porém, isto vai ter de parar. Porque aquilo que o Benfica e os opinadores que o clube tem nas diversas televisões dizem agora é verdade: o ataque continuado às instituições não dá boa imagem ao setor e acaba por prejudicar o negócio como um todo. Basta seguir o exemplo inglês e ver o que acaba de acontecer a Mourinho: 40 mil libras de multa e um jogo de suspensão por confrontar um árbitro. Em Portugal, na verdade, nunca será possível encontrar um momento zero, um momento em que todos estejam iguais, a partir do qual se faça “reset” e as coisas comecem a funcionar como deve ser. O momento atual, na verdade, é tão bom como qualquer outro, pelo que o pedido de um inquérito disciplinar às declarações de Bruno de Carvalho sobre a nomeação de Jorge Ferreira para o Sporting-Estoril faz todo o sentido. Mas seria bom que aqueles que agora se queixam – Conselho de Arbitragem e APAF, acima de todos – tivessem sentido a mesma vontade de inquirir, por exemplo, quando Marco Ferreira fez as acusações que fez a Vítor Pereira. É que o momento zero exige que se vá ao fundo de todas as questões. Todas. Nem que, se fosse caso disso, sirva para se concluir que o ex-árbitro internacional estava a ser manobrado.
2015-11-02
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O FC Porto desloca-se à Choupana para defrontar o União da Madeira na tentativa de contrariar aquilo a que já pode chamar-se a “maldição da Madeira”. Já lá vão seis jogos no Funchal sem uma vitória azul e branca: três derrotas e um empate com o Marítimo, a que acrescem uma derrota e um empate com o Nacional. A última vitória portista na Madeira aconteceu precisamente na Choupana, a 4 de Maio de 2013, há quase dois anos e meio. O adversário era o dono da casa, o Nacional, e os portistas, ainda comandados por Vítor Pereira, chegaram aos 3-0 em 22 minutos, fruto de golos de James, Mangala e Lucho González (este de grande penalidade). O Nacional ainda reduziu, num penalti de Candeias, mas o resultado ficou pelos 3-1 que, somados ao empate do Benfica em casa ante o Estoril, dois dias depois, permitiu que o golo de Kelvin no clássico da semana seguinte redundasse na ultrapassagem na tabela e na revalidação do título pelos azuis e brancos. Dos 14 portistas que jogaram nesse dia na Choupana, só restam no plantel Helton e Varela, que nem deverão ser titulares frente ao U. Madeira. Depois dessa vitória, nunca mais o FC Porto ganhou na Madeira. Em 2013/14 perdeu os dois jogos ali feitos: 1-0 com o Marítimo e 2-1 com o Nacional. Na época passada, já com Lopetegui aos comandos, foi lá três vezes, mas o melhor que conseguiu foi um empate na Choupana, face ao Nacional (1-1, horas depois de o Benfica ter perdido com o Rio Ave em Vila do Conde, a revelar hesitação no ataque ao título nacional). Com o Marítimo, perdeu as duas vezes: 1-0 para a Liga e 2-1 na meia-final da Taça da Liga, o que transforma a Madeira na ilha maldita na luta do treinador basco pelos títulos. A completar o rol, esta época o FC Porto já foi à Madeira, para jogar com o Marítimo, mas veio de lá com um empate (1-1).   - Luís Norton de Matos, treinador do U. Madeira, só defrontou o FC Porto uma vez no banco, num jogo que fez dez anos na quinta-feira. Foi a 29 de Outubro de 2005 que o V. Setúbal de Norton foi ao Dragão empatar a zero com o FC Porto de Co Adriaanse, em jogo que abriu a nona jornada da Liga.   - O FC Porto não sofre golos há 405 minutos, desde o livre de Willian (Chelsea), no Dragão, à beira do intervalo do jogo da Liga dos Campeões. Depois disso, ganhou por 4-0 ao Belenenses, por 2-0 ao Varzim e ao Maccabi Tel-Aviv e empatou a zero com o Sp. Braga. É a melhor série de imbatibilidade desde os 591 minutos sem sofrer golos registados em Fevereiro e Março, entre o golo de Derlis González em Basileia e o de Wagner (Nacional) na Choupana.   - Os Dragões vão ainda tentar esticar para 13 o número de jogos sem derrota no arranque da época. Os doze que já conseguiram (oito vitórias e quatro empates) superam os 11 da época passada (derrota com o Sporting, por 3-1, na Taça de Portugal, ao 12º jogo) e os oito de 2103/14 (derrota com o Atl. Madrid, por 2-1, na Champions). Em 2012/13, a equipa de Vítor Pereira esteve 18 jogos sem perder até à derrota com o Sp. Braga, na Taça de Portugal (2-1), a 30 de Novembro.   - Em contrapartida, o U. Madeira segue com duas derrotas seguidas na Liga: 1-0 no Restelo com o Belenenses e 2-1 no Estoril. Na época passada perdeu três jogos seguidos de campeonato (Leixões, Feirense e Sp. Covilhã) entre Dezembro e Janeiro.   - O empate a zero com o Sp. Braga foi o primeiro jogo da época em que o FC Porto não fez golos. Pela lógica, vai fazer pelo menos um na Madeira, pois desde Novembro de 2011 que a equipa portista não fica duas vezes seguidas em branco. A última vez aconteceu quando ao empate frente ao Olhanense se seguiu a derrota por 3-0 com a Académica, que custou a eliminação da Taça de Portugal.   -O veterano Miguel Fidalgo sabe bem o que é marcar golos ao FC Porto, pois já o fez por três vezes, com a camisola do Nacional. Nos jogos em que marcou, ganhou dois (4-0 no Dragão em Março de 2005 e 2-1 na Choupana em Janeiro de 2009), tendo perdido o outro (4-2, também em Janeiro de 2009).   - O U. Madeira nunca ganhou ao FC Porto e o máximo que conseguiu foram dois empates, nas três últimas visitas dos dragões ao arquipélago para o defrontar: um 0-0 em Fevereiro de 1995 e um 2-2 em Abril de 1992. Neste, o União esteve mesmo a ganhar por 2-0, fruto de golos de Jairo e Horácio, mas o FC Porto chegou ao empate através de Rui Filipe e Vlk.   - O último confronto entre as duas equipas aconteceu em Janeiro, para a Taça da Liga, no Dragão. O FC Porto ganhou por 3-1, com golos de Quintero, Quaresma e Evandro, tendo Élio Martins marcado pelos insulares.   - Bruno Paixão não dirige um jogo do FC Porto na Liga desde Janeiro de 2012, quando os dragões foram perder a Barcelos (3-1), com ele a apitar. Nesse jogo, Paixão assinalou um penalti contra os azuis e brancos, por mão de Otamendi na área. Ao todo, o FC Porto perdeu três e empatou quatro dos 18 jogos na Liga com Bruno Paixão, apresentando a mais baixa percentagem de vitórias dos três grandes: 61%, contra 71% do Benfica e 76% do Sporting.
2015-10-30
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Último Passe

Luís Filipe Vieira tem razão quando pede a Pedro Proença que aja. O futebol português já tem problemas suficientes para ainda andar constantemente a dar tiros nos pés, a espantar os potenciais patrocinadores com o levantamento de suspeitas. Sei do que falo. Já há 20 anos que defendo a aplicação de uma regra semelhante à que vigora em Inglaterra muito antes da Premier League, em que quem “provoca má reputação ao futebol” é severamente punido. Já o defendo desde o meu início de carreira, ligado ao futebol internacional, ainda Bruno de Carvalho andava na Juventude Leonina, ainda Luís Filipe Vieira estagiava no Alverca para vir a ser presidente do Benfica. Bruno de Carvalho, de facto, resiste mal aos microfones, às luzes das câmaras, que o levam sempre a passar à ação. Tem abusado do tempo de antena, e isso nota-se sobretudo quando não tem nada de novo para dizer, quando vem ofuscar aquilo que os jogadores vão conseguindo no campo. Mas se lhe condeno o repisar permanente do assunto, já não posso condenar as revelações que fez. Porque não sou eu quem tem de distinguir entre a oferta dos jantares aos árbitros, a fruta e o café com leite ou as máquinas fotográficas dadas noutros tempos. Não sou eu quem tem de dizer se uns devem descer de divisão e outros não. Já aqui escrevi aquilo que acho: não me interessa se as ofertas levam diretamente a benefícios, se são mais ou menos valiosas, mas nenhum clube devia oferecer aos árbitros nada que não tenha a ver com a tarefa que eles estão a desempenhar. E por isso acho que Vieira tem razão quando pede a Proença que aja. O presidente da Liga já devia ter agido para perceber realmente o que se passa ou passou e punir os prevaricadores, se tal se revelar justo. Só a Liga, através dos seus órgãos disciplinares, poderá estipular se o que se passou agora é ou não grave e que castigos deve ou não merecer. Andar um presidente de clube constantemente a dizer que ouro deve descer de divisão não é positivo. Como o não era ter o canal de televisão de outro clube a repetir “ad nauseam” as escutas do Apito Dourado, quando o seu presidente achava que ainda era preciso credibilizar o futebol nacional. Sim: um dos problemas do futebol português é que toda a gente tem rabos-de-palha e ninguém se queixa quando ganha. E alguém tem mesmo de agir, de fazer um risco no chão e dizer: “a partir de agora, chega!” Pode ser Pedro Proença. Mas se quer mesmo conduzir esta locomotiva, tem de a pôr em andamento. E vai-se fazendo cada vez mais tarde.
2015-10-29
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Artigo

- O FC Porto voltou a não sofrer golos em casa em jogos da Liga. Já lá vão 1385 minutos de jogo desde a última vez que algum adversário ali marcou um golo em desafios de campeonato. O último foi Lima (Benfica), a 14 de Dezembro do ano passado. Casillas, Fabiano e Helton estão ainda a perseguir a série de 1581 minutos seguidos sem sofrer golos em casa obtida por Vítor Baía e Cândido entre um golo de Hermê (nos 4-1 ao União da Madeira, a 5 de Janeiro de 1994) e outro de Figo (no empate a uma bola com o Sporting, a 11 de Dezembro do mesmo ano).   - O FC Porto ficou-se pelas 20 vitórias caseiras consecutivas, vendo a série estancar a quatro do recorde de Artur Jorge, estabelecido entre Novembro de 1984 e Dezembro de 1985. Desde a derrota (0-2) com o Benfica, a 14 de Dezembro do ano passado, os dragões tinham ganho todos os jogos feitos no seu estádio.   - O Sp. Braga vai com oito jogos seguidos sem perder, desde que foi batido pelo Estoril (1-0), a 12 de Setembro. Está, ainda assim, a dois jogos de igualar a melhor série da época passada, que foi de dez partidas, entre duas derrotas por 2-1, frente ao FC Porto (a 5 de Outubro) e ao União da Madeira (a 28 de Dezembro).   - Perdida a série de vitórias consecutivas, o FC Porto consegue, ainda assim, o arranque de época com maior série de invencibilidade desde 2012/13, quando perdeu a primeira vez à 19ª partida, uma deslocação a Braga, para a Taça de Portugal (com eliminação após derrota por 2-1), a 30 de Novembro. Desta vez, o FC Porto já evitou a derrota nas primeiras 12 partidas. E na verdade não perde há 17 jogos, desde o 6-1 de Munique, a 21 de Abril. Esta é também a maior série de jogos sem perder de Lopetegui e a maior desde os 25 jogos seguidos sem derrota experimentados entre o 2-3 frente ao Benfica, para a Taça da Liga, a 20 de Março de 2012, e o tal 2-1 em Braga, a 20 de Novembro do mesmo ano.   - Paulo Fonseca conseguiu pela primeira vez não perder um jogo com o FC Porto. Até aqui, ao serviço de Paços de Ferreira (quatro vezes) e Pinhalnovense (uma), somava cinco derrotas em cinco tentativas, com zero golos marcados e 12 sofridos. Voltou a não marcar golos, mas fez um ponto.   - Kritciuk não sofre um golo desde 21 de Setembro, somando já 322 minutos de imbatibilidade. O último a marcar-lhe foi o brasileiro Dyego Souza (Marítimo), na vitória bracarense por 5-1. É neste momento o guarda-redes há mais tempo sem sofrer golos na Liga.
2015-10-26
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O Sp. Braga é a ameaça que se segue aos dois recordes que o FC Porto está a tentar estabelecer. A equipa de Julen Lopetegui segue com 1295 minutos sem sofrer golos no Dragão em partidas da Liga, mas os bracarenses marcaram ali em seis dos últimos sete campeonatos. Além disso, os dragões ganharam os últimos 20 jogos em casa e o Sp. Braga vem com uma série de sete jogos sem derrota. O último jogador a fazer um golo ao FC Porto no Dragão em jogos da Liga foi Lima, na altura ainda benfiquista, na vitória por 2-0 que os encarnados ali obtiveram, a 14 de Dezembro de 2014. Desde então, todos os adversários que subiram ao relvado do Dragão de lá saíram sem festejar sequer um golo. São, por isso, já 1295 minutos consecutivos de Helton, Fabiano e Casillas sem sofrer golos no Dragão para a Liga portuguesa, a 286 minutos (pouco mais de três jogos) da marca estabelecida por Vítor Baía e Cândido entre um golo de Hermé (nos 4-1 ao U. Madeira, a 5 de Janeiro de 1994) e outro de Figo (no 1-1 com o Sporting, a 11 de Dezembro do mesmo ano). Foram na altura 1581 minutos seguidos sem sofrer golos em casa em jogos do campeonato nacional. Isso quer dizer que para lá chegar a defesa comandada por Casillas tem de manter o zero frente a Sp. Braga, V. Setúbal, P. Ferreira e parte do jogo com a Académica, a 20 de Dezembro. A questão é que o Sp. Braga criou uma tradição recente de fazer golos no Dragão, onde nas últimas sete temporadas só por uma vez ficou em branco (2-0 em 2013/14). Zé Luís marcou na época passada (2-1 para o FC Porto); Alan em 2012/13 (3-1 no placar final); Lima (esse mesmo!) bisou em 2011/12 (3-2 para os dragões) e já tinha marcado, juntamente com Luís Aguiar, em 2010/11 (ainda 3-2 para os dragões); Alan também marcara em 2009/10 (5-1 para o FC Porto) e Edimar fizera o tento bracarense no empate (1-1) de 2008/09. Reparará o leitor que, marcando quase sempre no Dragão, o Sp. Braga também tem por hábito perder os jogos que ali faz. Ora isso pode ajudar ao outro objetivo portista que, combinando todas as competições, segue com 20 vitórias seguidas em casa, também desde a tal derrota com o Benfica (0-2), a 14 de Dezembro de 2014. Lopetegui já ultrapassou a melhor série de José Mourinho (que eram 19 vitórias) e segue agora em busca do recorde do clube, que são 24 sucessos de enfiada, conseguidos pela equipa de Artur Jorge entre Novembro de 1984 e Dezembro de 1985. O problema é que para continuar nesta perseguição, o FC Porto precisa de anular um objetivo do Sp. Braga, que vem com uma série de sete jogos sem derrota, desde que perdeu no Estoril (1-0), a 12 de Setembro, e quererá manter-se na perseguição às dez partidas seguidas sem perder conseguidas por Sérgio Conceição na época passada, entre duas derrotas por 2-1, com o FC Porto no Dragão (5 de Outubro) e com a U. Madeira na Ribeira Brava, para a Taça da Liga (28 de Dezembro).   - Regresso de Paulo Fonseca ao Dragão, onde na época passada foi goleado por 5-0, na liderança do Paços de Ferreira. Aliás, sempre que defrontou o FC Porto como treinador, o atual técnico bracarense perdeu e nunca fez um golo. Pelo Paços de Ferreira, saiu derrotado por 5-0 no Dragão e por 1-0 na Capital do Móvel na época passada, como tinha saído com dois desaires por 2-0 nos desafios com os portistas em 2012/13, antes de ir parar ao FC Porto. Na estreia no Dragão, pelo Pinhalnovense, tinha perdido pelo mesmo 2-0, em Janeiro de 2011.   - O FC Porto venceu os últimos seis jogos em casa com o Sp. Braga. A última vez que o Sp. Braga pontuou no Dragão foi a 24 de Maio de 2009, num empate a uma bola: Farías adiantou os da casa, Edimar estabeleceu o empate final. Nesse dia, pelo FC Porto de Jesualdo Ferreira jogaram Helton e Cissokho, que ainda fazem parte do atual plantel, enquanto na equipa do Sp. Braga de Jorge Jesus estava Alan.   - O último treinador portista a não ganhar ao Sp. Braga no Dragão foi também o último a ir ali vencer com a equipa minhota. Trata-se de Jesualdo Ferreira, que a 30 de Janeiro de 2005 levou o Sp. Braga a impor-se por 3-1 aos dragões de Victor Fernández. João Tomás, com dois golos, foi a figura do jogo. Marcaram ainda Diego, pelo FC Porto, e Wender, pelos bracarenses.   - O último troféu nacional ganho pelo Sp. Braga foi obtido numa final frente ao FC Porto. Foi a Taça da Liga de 2012/13, vencida (1-0) em Coimbra a 13 de Abril de 2013, com um golo de Alan. O FC Porto também tem várias histórias felizes em jogos com o Sp. Braga. Há a vitória na final da Liga Europa de 2010/11 (1-0), com um golo de Falcao, em Dublin, a 18 de Maio de 2011. E há ainda a interrupção do jejum de 19 anos de campeonatos, a 9 de Junho de 1978, graças a uma vitória por 4-0 nas Antas frente aos bracarenses (dois golos de Gomes, um de Oliveira e outro de Octávio), garantindo o título em igualdade pontual com o Benfica.   - Soares Dias esteve na última derrota do Sp. Braga, no Estoril, tendo na ocasião expulsado dois jogadores arsenalistas: Mauro e Boly. Aliás, o Sp. Braga perdeu os últimos quatro jogos que fez com ele como visitante na Liga (Nacional, Sporting, Benfica e Estoril). O FC Porto, em contrapartida, ganhou sempre com este árbitro em casa, tendo em todo o seu historial com ele apenas um empate (no Estoril) e uma derrota (na Luz) contra 12 vitórias.
2015-10-25
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Último Passe

Ganhar ao Maccabi Tel Aviv em casa não é, em si, motivo para se fazer uma festa. Mas ganhar ao Maccabi Tel Aviv depois de se ter ganho ao Chelsea e de se ter empatado fora com o Dynamo Kiev é colocar mais de pé e meio nos oitavos de final da Liga dos Campeões. Ainda por cima com um acréscimo de estilo que foi a nomeação de Ruben Neves como o mais novo capitão da história desta competição.Os dois pontos que tem de avanço do Dynamo e os três de vantagem para o Chelsea garantem ao FC Porto a possibilidade de gerir o destino já na próxima jornada, quando se deslocar a Israel. Não será um jogo fácil - o Maccabi ainda esta noite mostrou a tal organização de que falava Julen Lopetegui, pelo menos no plano defensivo - mas em contrapartida há a vantagem de na mesma noite o Dynamo ter de ir jogar a Londres com um Chelsea que está obrigado a ganhar para manter boas hipóteses de qualificação.A presença nos oitavos de final já é quase uma certeza para o FC Porto e a passagem em primeiro lugar do grupo começa a parecer mais que uma simples hipótese académica. É outra forma de valorizar jogadores como Ruben Neves, que superou o holandês Van der Vaart por quase dois anos como capitão mais jovem da história da Liga dos Campeões. Ao liderar a equipa com pouco mais de 18 anos e meio de idade, Ruben Neves confirmou que já é a maior certeza de um meio-campo por onde andam os internacionais Danilo e Herrera, o dínamo André André ou o Imbula dos 20 milhões. Aliás, depois do encontro que teve com a história neste jogo, o próprio Ruben Neves terá acrescentado um par de milhões ao valor de mercado que tem no rótulo que alguém há-de acionar mais cedo ou mais tarde. E é mais provável que seja mais cedo do que mais tarde.
2015-10-21
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O FC Porto procurará obter contra o Maccabi Tel Aviv, de Israel, a 20ª vitória consecutiva em casa, superando a melhora marca das equipas de José Mourinho, que segue em 19 sucessos de enfiada. Se o conseguir, continuará a caminho de igualar o recorde da equipa de Artur Jorge, que venceu 24 desafios seguidos, entre Novembro de 1984 e Dezembro de 1985. A última vez que os portistas não ganharam no Dragão foi quando receberam o Benfica, em jogo da última Liga portuguesa. Dois golos de Lima, a 14 de Dezembro de 2014, valeram um 2-0 aos encarnados e atrasaram os portistas na tabela, mas estes aproveitaram o momento para iniciar uma longa série de vitórias no Dragão. Em todas as competições, por ali passaram e foram batidos, entretanto, o V. Setúbal (4-0), o Belenenses (3-0), o U. Madeira (3-1), a Académica (4-1), o Paços de Ferreira (5-0), o V. Guimarães (1-0), o Sporting (3-0), o Basel (4-0), o Arouca (1-0), o Estoril (5-0), o Bayern (3-1), a Académica (1-0), o Gil Vicente (2-0), o Penafiel (2-0) e, já na presente época, o V. Guimarães (3-0), o Estoril (2-0), o Benfica (1-0), o Chelsea (2-1) e o Belenenses (4-0). Ao todo, 19 jogos sempre com vitória em casa. A série atual já iguala a melhor das equipas de José Mourinho, também ela estabelecida em 19 jogos entre uma derrota com o Real Madrid (1-3, a 1 de Outubro de 2003) e um empate com o Deportivo da Corunha (0-0, a 21 de Abril de 2004). Durante essa série, os portistas fizeram boa parte da caminhada que os levou à vitória na Liga dos Campeões de 2004. Se ganharem ao Maccabi, os jogadores de Julen Lopetegui deixam para trás a marca de Mourinho e centram-se numa outra, estabelecida pela equipa de Artur Jorge, mas bem antes da caminhada que a levou à vitória na Taça dos Campeões Europeus de 1987. Entre um empate a zero com o Sporting, a 25 de Novembro de 1984 e outro nulo sem golos com o Benfica, a 4 de Dezembro de 1985, o FC Porto esteve 24 jogos seguidos sempre a ganhar nas Antas. Essa série só teve dois jogos europeus (Ajax e Barcelona, derrotados por 2-0 e 3-1), mas por lá passaram o Sporting e o Benfica, este derrotado por três vezes. - O FC Porto está também numa série muito positiva (onze jogos sem derrota) de resultados em casa para as competições europeias. O Chelsea foi recentemente batido no Dragão, tal como o tinham sido o Bayern e o Basileia, na reta final da época passada. A última equipa estrangeira a empatar ali foi o Shakthar Donetsk (1-1, a 10 de Dezembro do ano passado), sendo que ninguém ali ganha desde que o Zenit o fez, por 1-0, a 22 de Outubro de 2013. Faz dois anos na quinta-feira.   - Os dragões nunca defrontaram uma equipa de Israel nas provas da UEFA, mas o Maccabi já teve pela frente um adversário português. Ganhou por 1-0 ao Boavista na primeira mão da primeira eliminatória da Taça UEFA de 2002/03, num jogo que foi disputado em Sofia, na Bulgária, mas depois perderam por 4-1 no Bessa, graças a golos de Strul (própria baliza), Jocivalter (dois) e Serginho Baiano, aos quais respondeu Torjman.   - Sendo verdade que só uma equipa israelita eliminou uma portuguesa em confronto direto, também é certo que as últimas visitas de israelitas a Portugal têm acabado mal para os lusos. O Hapoel Ramat Gan empatou a zero no Estoril em 2013, o Hapoel Tel Aviv empatou com a Académica (1-1) em Coimbra em 2012 e perdeu na Luz com o Benfica (2-0) em 2010, o Bnei Yehuda ganhou (1-0) ao Paços de Ferreira e o Maccabi Netanya empatou a zero com a U. Leiria em 2007. Antes disso, sim, só vitórias portuguesas: além dos 4-1 do Boavista ao Maccabi Tel Aviv (2002), há um 6-0 do Benfica ao Beitar Jerusalem em 1998, um 3-0 do Sporting ao mesmo Beitar em 1997 e um 4-0 do Sporting ao Maccabi Haifa em 1995.   - Eran Zahavi marcou nos últimos dois jogos do Maccabi. Fez o terceiro e o quinto golos dos 5-0 com que os campeões de Israel ganharam ao Hapoel Acre e marcou de penalti o golo da vitória (2-1) no terreno do Maccabi Petah Tivka, antes da expulsão do guarda-redes Lifshitz ter forçado Bem Haim a acabar o jogo na baliza. Zahavi já tinha marcado dois golos na vitória do Hapoel Tel Aviv sobre o Benfica (3-0) na Liga dos Campeões de 2010/11.   - Vincent Aboubakar, o melhor marcador do FC Porto nesta edição da Champions (fez dois golos no empate em Kiev) segue com quatro jogos consecutivos sem marcar (Benfica, Moreirense, Chelsea e Belenenses). Já é a sua mais longa seca com a camisola portista, sendo que no Lorient esteve seis jogos seguidos sem marcar, entre o início de Fevereiro e o final de Março de 2014.
2015-10-19
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Último Passe

Sporting e FC Porto cumpriram com naturalidade aquilo que a Taça de Portugal esperava deles na estreia. Os leões ganharam com facilidade ao Vilafranquense: ficaram-se pelos 4-0, mas com dois golos de vantagem desde muito cedo, nascidos dos pés do interessante Matheus, que mais uma vez mostrou que um bom atacante precisa de criatividade mas também de sentido prático. O FC Porto bateu o Varzim por 2-0, num jogo cujo vencedor esteve em suspenso até ao segundo golo portista, mesmo em cima do minuto 90, mas apenas porque a vantagem no marcador era mínima, fruto do desperdício do ataque azul e branco. Jorge Jesus aproveitou o facto de estar a defrontar um adversário dos distritais para rodar jogadores menos utilizados, como o estreante Bruno Paulista, testar o regressado Ewerton em competição e dar mais rodagem a William Carvalho, que ficou fora dos jogos das seleções. O Sporting apresentou apenas dois titulares recentes de início (Paulo Oliveira e William), outros dois que têm cumprido esse papel a meio-tempo (João Pereira e Aquilani), mas teve o prémio de ganhar com quatro golos sub-20, de Matheus (dois), Bruno Paulista e Gelson. Os dois tentos de Matheus nos primeiros 16 minutos de jogo revelaram que o jovem brasileiro tem aquilo que, entre os extremos de Alvalade, só Carlos Mané também mostra em iguais quantidades: espírito prático e sentido de baliza. O grau de dificuldade, porém, vai crescer já na quinta-feira, com o Skenderbeu, ainda que o objetivo máximo de Jesus seja naturalmente chegar em pleno ao dérbi de domingo, com o Benfica. Aí sim, estará muito em jogo. À noite, o FC Porto fez um jogo seguro, contra um adversário que está apenas um escalão abaixo, na II Liga, mas que ainda recentemente tinha perdido por 4-0 com a sua equipa B, em Gaia, em jogo de campeonato. Julen Lopetegui poupou de início nove dos onze jogadores que deverá apresentar frente ao Maccabi na terça-feira – só Imbula e Indi ou Layun deverão repetir-se no onze – e mesmo assim teve sempre o comando de jogo. Também marcou cedo, por Tello, podia ter resolvido o jogo com maior brevidade, se Osvaldo tivesse concretizado uma das muitas ocasiões de que dispôs, mas teve de esperar pelo minuto 90 para ver o inevitável André André matar a partida, com o golo da praxe no regresso à Póvoa. Eliminatória resolvida e cabeça já na receção aos israelitas, onde a Champions pode passar para lá de bem encaminhada, ou até no jogo como Sp. Braga, com a ideia de aproveitar os efeitos do dérbi lisboeta.
2015-10-17
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Último Passe

Há uma grande diferença entre dar uma esmola e promover a distribuição de riqueza. Uma esmola dá-se por caridade. É um gesto muito nobre mas nunca resolve o problema e deixa sempre o necessitado a precisar de nova esmola, pouco tempo depois. A distribuição da riqueza é que pode tornar a esmola desnecessária. E o futebol português está tão cheio de gente interessada em dar e receber esmolas como escasso de quem gere e esteja depois interessado em distribuir riqueza. A Taça de Portugal, que coloca grandes e pequenos no mesmo pote, pode ser um instrumento muito interessante na distribuição de riqueza. Mas não é só isso. É suposto ser uma festa, também. Quando foi decidido que, a partir desta época, os pequenos jogariam em casa sempre que o sorteio lhes ditasse defrontar um grande, a ideia não era gerar riqueza de forma imediata: era publicitar o futebol, levar as grandes equipas a estádios onde nunca vão, fazê-las jogar para públicos que nunca as veem ao vivo. Era, em suma, criar engajamento, ganhar esse público para o futebol de bancada, em vez de o ter no futebol de sofá e, aí sim, gerar e distribuir riqueza, nem que seja num plano secundário. Os clubes, no entanto, não conseguiram ver tão longe. O Vianense deslocou a receção ao Benfica para Barcelos, onde o Gil Vicente teve nos últimos anos muito futebol de primeira, ao passo que o Vilafranquense vai “receber” o Sporting no Estoril, num relvado que até à Liga Europa já está habituado. Só o Varzim manteve o jogo com o FC Porto no seu recinto. Calculo que a pressão de pagar salários, de encontrar verba para cumprir orçamentos, seja muito forte e leve os clubes a tomar decisões com base no imediato, mas se a ideia era ter mais receita já, o melhor teria sido decidir ao contrário: sempre que um grande defrontasse um pequeno, o jogo disputar-se-ia no estádio com mais lotação. Dava-se uma esmola em vez de se gerar e distribuir riqueza. Ao mudarem os jogos para campos neutros só porque levam mais gente nas bancadas, os clubes modestos estão a alienar o futuro em nome do presente, estão a preferir os tostões de hoje aos milhares de amanhã, estão a decidir pela caixa das esmolas que o sorteio lhes deixou escancarada – podiam ter calhado uns contra os outros e nem fazer receita nenhuma - em detrimento da sustentabilidade futura do futebol como um todo. Os clubes pequenos podem até argumentar que não é a eles que lhes cabe pensar nisso, pois se eles até jogam no Campeonato Nacional de Seniores… Por isso é de uma assinalável coerência virem depois, como veio o presidente do Vilafranquense, estranhar que o Sporting não abdique da sua parte da receita: a caixa das esmolas devia ser toda para o pobre e dela não devia beneficiar o remediado. Numa forma pequenina de pensar, faz sentido. Mas pensar grande era outra coisa. Era fazer da Taça da Portugal a festa do país futebolístico, era ganhar gente para os domingos seguintes, era fazer com que dentro em breve não se precisasse tanto da caixa das esmolas porque a riqueza estava a crescer. Infelizmente ainda não estamos prontos para isso.
2015-10-16
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Último Passe

A questão dos patrocínios a Benfica, FC Porto e Sporting tem feito correr muita tinta - na verdade o que não corre tanto por ali é dinheiro. Em causa está acima de tudo o estoiro da Portugal Telecom, a marca que, tal como o BES, injectou nos últimos anos muito do dinheiro que se foi vendo no futebol nacional. Dinheiro que não tinham, em primeiro lugar. E dinheiro que o mercado veio provar que o futebol português não justificava. E é aí que está o problema. O Benfica precaveu-se a tempo e assinou com a Emirates um contrato que, ao que se conta, até lhe vale o dobro daquilo que recebia da Meo, a cabeça de cartaz da PT. Mas o Benfica, apesar de tudo, é o clube com maior percentagem de mercado em Portugal, quer se compre a teoria dos seis milhões de adeptos ou se aceite a mais modesta, de quatro milhões e meio, vendida por Bruno de Carvalho. E é aí que entra a lógica muito própria de rivalidade que é específica de Portugal e que tem levado as diferentes marcas a patrocinar três clubes ao mesmo tempo, para não terem publicidade negativa. Se o Benfica recebe oito milhões de euros por ano, os rivais não querem fechar por menos, mesmo que venham dizer que não acreditam nos oito milhões da Luz. E é isso que está a emperrar o negócio e que leva a que, mesmo com Casillas e a fazer uma excelente Liga dos Campeões, o FC Porto ainda tenha a camisola virgem de publicidade. Ou que o mesmo suceda ao Sporting, para onde se mudou Jorge Jesus, que até foi modelo na sessão fotográfica feita no dia da assinatura do acordo entre o Benfica e a Emirates. Tal como Maxi Pereira, aliás. A questão, agravada pelo estudo recente que valoriza as camisolas de dragões e leões em 35 milhões de euros por ano, é a de saber até que ponto é legítimo a FC Porto e Sporting continuarem à espera de valores desse calibre. Na realidade, se o valor real do patrocínio fosse esse, o que se concluía era que a PT até andava a pagar abaixo do preço de mercado. E isso é que seria caso para espanto.
2015-10-14
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Último Passe

Quando disparou a frase que lhe garantiu a eternidade no mundo das citações, Bill Shankly não conhecia o Portugal da segunda década do século XXI. O antigo treinador do Liverpool dizia que “o futebol não é assunto de vida ou de morte – é muito mais importante do que isso!” e a ideia que tinha era a de que jogadores, treinadores e dirigentes deviam fazer tudo para defender os seus clubes. De que os adeptos deviam apoiar sempre. Shankly apelava ao fervor, ao empenho, ao profissionalismo. Nunca me passou pela cabeça que no âmago da sua frase estivesse aquilo que se vive em Portugal neste momento, que é o fanatismo sem regra, o debate de ideias onde vale tudo. Nunca gostei de programas com comentadores engajados, como os que quase todas as estações de televisão em Portugal nos dão para debater futebol hoje em dia. Prefiro e preferirei sempre o debate inteligente e independente à discussão condicionada por interesses clubísticos, mas sei que estou em absoluta minoria: os programas “dos marretas”, como começaram a ser chamados por analogia a Statler e Waldorf, os dois idosos que criticavam tudo no camarote do “Muppet Show”, são pico de audiência em qualquer canal de notícias da TV portuguesa e um balão de oxigénio para quem tem por missão encontrar publicidade que pague aqueles canais. E isso, francamente, diz tanto de quem faz as grelhas de programação como do país que somos, um país onde, por preguiça, os adeptos substituíram as estimulantes conversas de café com amigos que são adeptos de outro clube pelas conversas que têm na televisão os “adeptos famosos”. Claro que nos programas existentes no espectro audiovisual do momento há gente de todo o género. Há gente mais equilibrada, gente que se exalta com mais facilidade, gente mais inteligente, gente mais cega, gente mais básica, gente mais brilhante na argumentação, gente que pensa pela própria cabeça e gente que cumpre ordens e serve agendas que não são próprias, mas sim do clube que lá a colocou. Isso, para mim, que até gostei do comunicado do FC Porto acerca da matéria, são minudências. Porque a verdade é que todos os clubes convivem bem com esta realidade até ao momento em que sentem que estão a perder – e gostava de ter a certeza de que esse comunicado não nasce apenas da convicção de que o Benfica tem, neste momento, os adeptos televisivos mais eficazes neste tipo de debate. Porque a verdade é que, goste-se ou não dos argumentos que apresentam, tem. O problema é que este panorama nos transporta para uma realidade em que o futebol deixa de se pensar com racionalidade e tem sempre de ser visto com óculos de fanático. E não devia ter. O facto de a promoção à transmissão do jogo FC Porto-Maccabi Tel Aviv, na RTP, ter conseguido irar, ao mesmo tempo, adeptos do FC Porto e do Benfica é disso sinal. O autor da promoção usou imagens de jogadores do Benfica para dar a ideia de que o jogo é tão importante como um clássico – e isso está bem explicado no vídeo. Zangaram-se os portistas, porque o centralismo só vê o Benfica à frente. E zangaram-se os benfiquistas, que até foram ao ponto de emitir uma declaração oficial, acusando a dita promoção de “falta de bom-senso”. Não acho que esta promoção seja tão feliz como foi, por exemplo, a da “Supertaça é um Ai-Jesus”, que acabou por sair do ar por pressão de benfiquistas e sportinguistas, mas o que está em causa nem sequer é isso. O que está em causa é o clima de intolerância criado e fermentado ao longo de anos por programas onde o mais radical é sempre o mais eficaz. E aqui a citação mais a propósito não é de Bill Shankly mas sim de Brian Clough, no qual sempre me revi mais. “Hooligans? Bom, para começar, há 92 presidentes na Liga”, disse o campeão europeu pelo Nottingham Forest.
2015-10-13
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Maxi Pereira viu nos 4-0 ao Belenenses o quinto amarelo em sete jogos do FC Porto na Liga, ficando desde já suspenso para a oitava jornada, na qual os dragões recebem o Sp. Braga. Iguala o pior registo de sempre com a camisola do Benfica: em 2013/14 também tinha visto cinco amarelos nas primeiras sete rondas, com a nuance de dois deles terem sido no mesmo jogo, a deslocação ao Estoril, o que lhe valeu a expulsão e a suspensão à oitava jornada. A época em que Maxi viu mais rapidamente cinco amarelos em jogos diferentes da Liga foi em 2010/11, na qual atingiu a marca à 10ª jornada.   - Pablo Osvaldo fez o primeiro golo com a camisola do FC Porto ao sétimo jogo, ainda que em cinco deles tenha jogado menos de 20 minutos. A demora foi a segunda mais longa da sua carreira. Só no Bologna tinha levado mais desafios a estrear-se a marcar: 14, pois não fez qualquer golo na meia época que lá passou, em 2008/09, só marcando a primeira vez já em 2009/10. Foi o primeiro golo de Osvaldo desde 29 de Março, quando marcou pelo Boca Juniors nos 3-0 ao Estudiantes-   - O jogo com o Belenenses assinalou também o primeiro golo de Ivan Marcano com a camisola azul e branca. Fê-lo à 40ª partida oficial. Marcano não fazia um golo desde Fevereiro de 2014, quando contribuiu com um na vitória por 4-2 do Olympiakos sobre o Platanias, no campeonato grego.   - Brahimi foi o primeiro jogador do FC Porto a marcar um golo e assistir para outro em jogos desta época. O último a fazê-lo tinha sido Aboubakar, no desafio que encerrou a temporada passada: nos 2-0 ao Penafiel, fez o primeiro golo e assistiu Danilo para o segundo.   - A vitória do FC Porto sobre o Belenenses foi a 19ª consecutiva do FC Porto no seu estádio, onde ganha sempre desde que ali perdeu com o Benfica, por 2-0, a 14 de Dezembro do ano passado. Esta equipa iguala assim o melhor registo da de José Mourinho, que também ganhou 19 jogos seguidos em casa entre uma derrota com o Real Madrid (1-3 a 1 de Outubro de 2003) e um empate com o Deportivo da Corunha (0-0, a 21 de Abril de 2004).   - Além disso, o zero na baliza de Casillas significa que já lá vão 1295 minutos de jogo desde que o FC Porto sofreu o último golo em casa em partidas da Liga. O último entrou precisamente na derrota com o Benfica, a 14 de Dezembro de 2014, e foi marcado por Lima. O registo de Helton, Fabiano e Casillas fica ainda assim aquém do estabelecido por Vítor Baía e Cândido entre um golo de Hermé (nos 4-1 ao U. Madeira, a 5 de Janeiro de 1994) e outro de Figo (no 1-1 com o Sporting, a 11 de Dezembro do mesmo ano): foram nessa altura 1581 minutos seguidos sem sofrer golos em casa.   - Continuam os problemas defensivos do Belenenses, que tem a defesa mais batida da Liga, com 17 golos encaixados em sete jogos. Este é o pior registo defensivo parcial do Belenenses à 7ª jornada desde 1974, quando chegou à sétima jornada com os mesmos 17 golos sofridos, mas com duas vitórias (1-0 ao Atlético e 6-4 ao Olhanense), dois empates (2-2 com o FC Porto e 3-3 com o V. Setúbal) e três derrotas (0-2 com o V. Guimarães, 1-2 com a Académica e 0-4 com o Benfica) face a uma vitória, quatro empates e duas derrotas da presente época. Essa equipa de 1974/75, dirigida por Peres Bandeira, chegou ao final da época em sexto lugar, com a sétima melhor defesa da prova (37 golos em 30 jogos).   - Aboubakar completou o quarto jogo consecutivo sem marcar golos, depois do bis em Kiev, no empate (2-2) frente ao Dynamo. É a sua mais longa “seca” desde que representa o FC Porto e a mais longa desde Fevereiro e Março de 2014 quando, ainda no Lorient, esteve seis jogos sem marcar, entre um golo ao Monaco, a 1 de Fevereiro, e outro ao Stade Reims, a 29 de Março.
2015-10-05
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Último Passe

Os resultados largos com que FC Porto e Sporting despacharam os históricos Belenenses e V. Guimarães permitiram que as duas equipas mantivessem a liderança conjunta da Liga mas foram bem diferentes entre si. Acusando o desgaste da épica jornada europeia contra o Chelsea, os dragões fizeram um jogo menos intenso e acabaram por valer-se da inspiração individual dos seus dois extremos, Corona e Brahimi, para desmontar a longa resistência do autocarro azul. Mais tarde, mudando cinco titulares em relação ao empate de Istambul, que até tinha sido dois dias depois, o Sporting voltou ao jogo pressionante e rápido que chegou a mostrar no início da temporada e desde cedo reduziu a escombros a resistência de um Vitória que quis jogar no campo todo. Os dois jogos permitiram ainda que os treinadores provassem razão em duas das suas mais contestadas opções. Lopetegui tirou rendimentos da obsessão pelo jogo pelas faixas laterais, por onde criou os lances que desbloquearam o resultado: Brahimi furou pela esquerda antes de servir Corona com talento para o 1-0; Maxi cruzou na direita para Brahimi fazer o 2-0 e Tello arrancou igualmente pela direita antes de dar o 3-0 a Osvaldo. Marcano ainda fez o último golo da noite numa bola parada. Por sua vez, Jesus mostrou que a opção de fazer repousar parte dos titulares na Liga Europa deu rendimento: aliada a um maior aproveitamento das ocasiões criadas, a capacidade de pressão e recuperação de bola ainda bem no meio-campo adversário permitiu que os leões cedo chegassem aos dois golos de vantagem e partissem daí para a melhor exibição coletiva da época. Depois de João Mário dar o 1-0 a Slimani, Gutierrez aproveitou uma oferta do adversário para dobrar a vantagem; na segunda parte Jefferson fez três assistências para golos de Slimani (dois) e Adrien antes de Josué reduzir para os 5-1 que se verificaram no final. É verdade que a essa subida de rendimento dos leões não é alheia a presença de João Mário no corredor direito ou a subida de forma de William. O médio centro recentemente regressado de lesão dá outra dimensão ao meio-jogo leonino e o jovem convertido em extremo, melhor na tomada de decisão e na capacidade de transformar o jogo em esforço coletivo que todas as alternativas anteriormente testadas para a vaga de Carrillo, permite que os leões liguem melhor os setores e até sejam mais rápidos – porque deixa de haver tanto raide individual com o resto da equipa na expectativa. É que a capacidade de iluminar individualmente o jogo de uma equipa não depende apenas da criatividade ou da capacidade de drible, como tão bem o mostraram Corona e Brahimi no FC Porto. Eles têm tudo: a criatividade, a capacidade de drible, a rapidez de execução, mas sobretudo a inteligência na tomada de decisão que lhes advém de uma maior experiência que já foram adquirindo. Por isso foram investimentos pesados e não são projetos mas sim jogadores feitos.
2015-10-04
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Ricardo Sá Pinto, atual treinador do Belenenses, tem muito boas recordações do FC Porto. Começou a carreira nos iniciados do clube azul-e-branco, antes de se mudar e de se revelar no Salgueiros, e foi nas Antas que marcou o primeiro golo da sua carreira profissional, batendo Vítor Baía, já o guarda-redes da seleção. Depois disso, como jogador, esteve 12 anos sem perder nas Antas e no Dragão. Só como treinador foi infeliz na visita ao FC Porto: perdeu o único jogo que lá fez e acabou com oito jogadores. A promoção dos juniores aos seniores do Salgueiros aconteceu no final da época de 1991/92, mas a estreia na Liga Sá Pinto só a fez a 22 de Agosto de 1992, numa derrota em Faro, contra o Farense, por 2-0. Ao quinto jogo na Liga, fez o primeiro golo. Palco? O Estádio das Antas, a 20 de Setembro de 1992: Sá Pinto desfeiteou Vítor Baía, a estabelecer o momentâneo empate a um golo, mas o FC Porto acabou por vencer esse jogo por 4-1. Foi a primeira derrota naquele estádio, sendo que a segunda surgiu no e meio depois: 1-0 na última vez que lá jogou pelo Salgueiros, antes de se mudar para o Sporting. Ora no Sporting, Sá Pinto nunca perdeu nas Antas nem no Dragão. Foi batido em finais, em jogos em campo neutro, chegou a perder em Alvalade ou a ver a sua equipa perder com ele lesionado. Mas com ele em campo, o saldo é excelente: uma vitória (2-1 para a Liga, em Março de 1997) e quatro empates, todos a um golo, entre Dezembro de 1994 e a última vez que lá jogou, em Março de 2006. Este jogo, da meia-final da Taça de Portugal, foi, aliás, o mais parecido com uma derrota para Sá Pinto no Dragão, pois os portistas acabaram por se impor nas grandes penalidades. Já sem ele em campo, pois saiu no início do prolongamento, para dar lugar a Tello. Como treinador, Sá Pinto só defrontou o FC Porto uma vez. Foi a 5 de Maio de 2012, na liderança do Sporting, e perdeu por 2-0 no Dragão, com bis de Hulk nos últimos dez minutos de um jogo que os leões acabaram com oito homens, devido às expulsões de Onyewu e Polga e a uma lesão de Pereirinha quando o técnico já tinha esgotado as substituições. O segundo confronto esteve para acontecer, mas foi evitado pela demissão do treinador após a derrota na Hungria contra o Videoton, por 3-0. Três dias depois já foi Oceano Cruz quem conduziu a equipa ao Dragão. Para nova derrota por 2-0.   - O FC Porto ganhou os derradeiros 18 jogos em casa. A última equipa a não perder no Dragão foi o Benfica, que ali venceu por 2-0 a 14 de Dezembro de 2014 e desde então já por lá voltou a passar, o mesmo tendo sucedido com Bayern, Chelsea ou Sporting, só para citar os mais fortes adversários. Se ganharem ao Belenenses, os dragões elevam a série de vitórias consecutivas no seu estádio, algo que não conseguiam desde 2003/04, quando estiveram exatamente 19 jogos seguidos a ganhar em casa, entre uma derrota com o Real Madrid (1-3, a 1 de Outubro de 2003) e um empate com o Deportivo da Corunha (0-0, a 21 de Abril de 2004).   - Essa derrota com o Benfica foi também a última vez que o FC Porto sofreu golos no Dragão em partidas da Liga portuguesa – desde então, o zero nas redes azuis e brancas tem sido a regra. Já lá vão 13 jogos inteiros desde o último golo ali marcado por um adversário no campeonato: Lima. São ao todo 1205 minutos, em nome de Fabiano, Helton e Casillas, mas ainda assim aquém dos 1384 minutos consecutivos de imbatibilidade conseguidos por Zé Beto e Vítor Baía entre Outubro de 1988 e Maio de 1989.   - Os 13 golos sofridos pelo Belenenses à sexta jornada são o pior arranque defensivo dos azuis na Liga desde Outubro de 1987, quando chegaram a esta ronda com 14 bolas nas redes (e com elevado contributo dos 7-1 que encaixaram nas Antas, frente ao FC Porto). As coisas nessa época recompuseram-se e a equipa acabou a Liga em terceiro lugar, com a sexta melhor defesa (38 golos em 38 jogos).   - Lopetegui não terá as melhores recordações do Belenenses, pois foi frente aos azuis, no Restelo, que perdeu as esperanças matemáticas de ser campeão nacional da época passada. O empate a uma bola ali obtido significou que o Benfica se sagrou campeão à 33ª jornada, com outro empate, em Guimarães.   - O Belenenses nunca ganhou no Dragão e a última vez que o fez nas Antas foi em Outubro de 2001, vai fazer 14 anos. Filgueira e Zé Afonso marcaram então para os do Restelo, tendo Pena reduzido para os azuis e brancos. Desde essa vitória conseguiu três empates no terreno do FC Porto. Dirigiram essas equipas João Carlos Pereira, Jorge Jesus e Marinho Peres – dois deles passaram pelo banco do Sporting, como Ricardo Sá Pinto.   - As maiores vitórias do Belenenses no terreno do FC Porto foram por quatro golos: 6-2 em 1944/45 e 4-0 em 1974/75. Nesta última vitória estiveram dois jogadores que viriam a ser bicampeões pelo FC Porto em 1978 e 1979: Freitas e González.   - Varela estreou-se na Liga portuguesa contra o Belenenses, lançado por José Peseiro para o lugar de Deivid a 11 minutos do final de uma vitória do Sporting sobre os azuis, em Alvalade, a 19 de Agosto de 2005.   - Ventura, o guarda-redes do Belenenses, foi bicampeão nacional pelo FC Porto em 2007/08 e 2008/09, jogando apenas uma partida em cada edição da Liga.   - André Sousa, médio do Belenenses que fez o primeiro golo no empate em Arouca, na semana passada, estreou-se na Liga no Dragão, lançado por Ulisses Morais numa derrota por 4-0 frente ao FC Porto., a 22 de Setembro de 2012.   - O jogo marca o regresso ao Dragão do árbitro Jorge Ferreira, que ali expulsou Maicon no empate (0-0) do FC Porto com o Boavista, em Setembro de 2014. O FC Porto ganhou os outros dois jogos que fez com este árbitro na Liga (5-2 ao Rio Ave e 3-0 ao Marítimo), ao passo que o Belenenses ainda está para conseguir vencer com ele: soma um empate e uma derrota, esta em casa com o Benfica.    
2015-10-03
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Último Passe

A vitória do FC Porto sobre o Chelsea e sobretudo a exibição superlativa da equipa portuguesa, que encostou o campeão inglês às cordas em várias alturas do jogo, vieram confirmar a razão de Julen Lopetegui na construção do FC Porto dos quatro médios como melhor forma de abordar jogos de elevado grau de dificuldade, como serão os da Liga dos Campeões. Aliás, essa é uma teoria que vem dos tempos de José Mourinho, que trocou o 4x3x3 da equipa que ganhou a Taça UEFA de 2003 pelo 4x4x2 com meio-campo em losango com que haveria de vencer a Champions de 2004. Contando com a inteligência que André André empresta à equipa na dupla missão de quarto médio e terceiro avançado – está encontrado um titular no meio-campo para os dois jogos da seleção em Outubro – a equipa já consegue meter gente na área quando tem a bola no ataque e ao mesmo tempo cria condições para ser defensivamente asfixiante na pressão quando a perde. É verdade que sofre quando o adversário consegue instalar-se no seu meio-campo, mas o jogo acabou por ser uma lição para os que torceram o nariz ao onze inicial apresentado pelo espanhol. É verdade que o FC Porto começou por depender de um par de intervenções de Casillas naquilo em que ele é melhor – a mancha, o jogo entre os postes – antes de se adiantar no marcador, em mais um golo decisivo de André André. Mas aquilo que fez na segunda parte, depois de Willian empatar e de Maicon marcar o 2-1, foi uma demonstração de classe internacional, muito às custas do rendimento de um meio-campo onde, como sempre me pareceu evidente, não faz falta nenhuma um número 10 desde que os dois oitos joguem como sabem. Importa pouco que este Chelsea seja um pesadelo de comportamentos defensivos (as bolas paradas, então, nem parecem de uma equipa de Mourinho). A verdade é que, além de dar mais lastro a Lopetegui na sua construção da equipa, o sucesso do FC Porto conjugado com a vitória do Dynamo Kiev em Israel deixa os portistas de cadeirinha à espera que o Chelsea faça o que têm de fazer no duplo confronto com os ucranianos que aí vem nas jornadas 3 e 4. Isto, claro, desde que nos dois jogos contra o Maccabi a equipa portuguesa não volte a cair no pecado da soberba que já lhe custou pelo menos dois resultados perto do final dos jogos esta época. É isso que falta afinar.
2015-09-29
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O FC Porto-Chelsea será um teste à forma caseira da equipa de Julen Lopetegui. Os dragões ganharam os últimos 17 jogos oficiais em casa, série iniciada a 19 de Dezembro do ano passado, com uma vitória por 4-0 frente ao V. Setúbal. A última equipa a não perder no Dragão foi o Benfica, que ali ganhou por 2-0, para a Liga portuguesa, a 14 de Dezembro de 2014. E para se encontrar uma série mais longa de vitórias portistas em casa é preciso recuar até 2004, quando a equipa azul e branca era liderada por um certo José Mourinho. Depois dessa derrota com o Benfica, os dragões ganharam sucessivamente no Dragão a V. Setúbal (4-0, Liga), Belenenses (3-0, Liga), U. Madeira (3-1, para a Taça da Liga), Académica (4-1, Taça da Liga), Paços de Ferreira (5-0, Liga), V. Guimarães (1-0, Liga), Sporting (3-0, Liga), Basel (4-0, Champions), Arouca (1-0, Liga), Estoril (5-0, Liga), Bayern Munique (3-1, Champions), Académica (1-0, Liga), Gil Vicente (2-0, Liga), Penafiel (2-0, Liga), V. Guimarães (3-0, Liga), Estoril (2-0, Liga) e Benfica (1-0, Liga). São, ao todo, 17 vitórias consecutivas, algo que o FC Porto não conseguia desde 2003/04. Nessa altura, a equipa comandada por José Mourinho conseguiu estender a série de vitórias caseiras a 19 jogos, entre a derrota com o Real Madrid (1-3 para a Liga dos Campeões, a 1 de Outubro de 2003) e o empate com o Deportivo da Corunha (0-0 nas meias-finais da mesma prova, a 21 de Abril de 2004. Pelo caminho ficaram os seguintes adversários: Académica (4-1, Liga), Nacional (1-0, Liga), Ol. Marseille (1-0, Champions), Boavista (1-0, Taça de Portugal), Partizan (2-1, Champions), Gil Vicente (4-1, Liga), Beira Mar (3-0, Liga), Maia (3-0, Taça), Rio Ave (1-0, Liga), Vilafranquense (4-0, Taça), E. Amadora (2-0, Liga), U. Leiria (2-1, Liga), V. Guimarães (3-0, Liga), Manchester United (2-1, Champions), Belenenses (4-1, Liga), Boavista (1-0, Liga), Lyon (2-0, Champions), Moreirense (1-0, Liga) e Marítimo (1-0, Liga).   - A questão é que José Mourinho também raramente perdeu jogos no estádio do FC Porto. Soma ali, ao todo, apenas seis derrotas em 65 jogos, 63 dos quais foram ao serviço dos dragões. Mas já lá não ganha um jogo desde 9 de Maio de 2004, quando celebrou a conquista do título nacional com um 3-1 ao Paços de Ferreira (hat-trick de Benny McCarthy). Três das derrotas de Mourinho no terreno portista aconteceram em 2001/02: foi batido por 2-1 pelo FC Porto na primeira vez que lá foi, ainda aos comandos da U. Leiria, e perdeu depois com o Beira Mar (2-3) e com o Real Madrid (1-2), já à frente dos azuis e brancos. Depois disso, foi derrotado pelo Panathinaikos (0-1) a caminho da vitória na Taça UEFA de 2002/03, pelo Real Madrid (1-3, com Casillas na baliza) no percurso até à vitória portista na Liga dos Campeões de 2003/04 e pelo FC Porto na fase de grupos da Liga dos Campeões de 2004/05 (2-1), quando já estava no Chelsea.   - A história dos regressos de Mourinho a Portugal inclui apenas mais dois jogos de competição, sempre pelo Chelsea. Um empate com o FC Porto no Dragão nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões de 2006/07 (1-1) e uma vitória em Alvalade, frente ao Sporting, na fase de grupos da da época passada (1-0).   - De resto, todos os regressos de equipas de Mourinho a Portugal foram para jogar particulares de pré-época com o Benfica na Luz: ganhou por 1-0 com o Chelsea em 2005/06, empatou a zero com o Inter (vencendo no desempate por penaltis) em 2008/09 e perdeu por 5-2 com o Real Madrid em 2012/13.   - O Chelsea tem um registo muito favorável no confronto com equipas portuguesas, tendo ganho nove, empatado um e perdido apenas um dos onze jogos que fez e somando neste momento oito vitórias consecutivas. Os londrinos ganharam na época passada os dois jogos ao Sporting (1-0 em Alvalade e 3-1 em Stamford Bridge). Antes disso, tinham vencido o Benfica na final da Liga Europa de 2012/13 (2-1, em Amesterdão) e tinham-se imposto por duas vezes ao mesmo Benfica nos quartos-de-final da Champions de 2011/12 (1-0 na Luz e 2-1 em Londres). Em 2009/10 ganharam também os dois jogos contra o FC Porto (ambos por 1-0) e, em 2006/07, iniciaram a atual série de oito vitórias seguidas com um 2-1 frente aos dragões em Londres. O último jogo não ganho pelo Chelsea foi o empate no Dragão a 21 de Fevereiro de 2007 (1-1, com golos de Raul Meireles e Shevchenko) e dele resistem nas duas equipas Helton, Obi Mikel e John Terry.   - O Chelsea segue ainda com uma série de nove jogos europeus seguidos sem perder. Além dos 4-0 com que despachou o Maccabi Tel-Aviv na primeira ronda da Liga dos Campeões atual, passou sem derrotas pela prova do ano passado (quatro vitórias e quatro empates), da qual foi eliminada pelo Paris St. Germain pela regra dos golos fora. A última derrota europeia do Chelsea aconteceu em Madrid, a 30 de Abril de 2014: 3-1 contra o Atlético, a significarem eliminação nas meias-finais da Champions cuja final se jogou em Lisboa.   - Ao mesmo tempo, o FC Porto segue com 10 jogos europeus seguidos sem perder em casa. Na época passada, ganhou cinco e empatou apenas um (1-1 com o Shakthar Donetsk) e na temporada anterior tinha empatado com o Austria Viena e com o Eintracht Frankfurt antes de ganhar a Napoli e Sevilha. A última derrota sucedeu a 22 de Outubro de 2013, contra o Zenit (1-0, golo de Kerzhakov).   - Em contrapartida, o FC Porto não se dá historicamente bem com clubes ingleses, aos quais ganhou apenas seis de oito jogos. A última vitória portista aconteceu a 17 de Fevereiro de 2010 (2-1 ao Arsenal), mas a esse jogo seguiram-se três derrotas: 5-0 com o Arsenal em Londres; 1-2 e 0-4 com o Manchester City nos 16 avos de final da Liga Europa de 2011/12.   - Iker Casillas deve tornar-se o jogador com mais jogos efetuados na história da Liga dos Campeões. Soma neste momento 151, tantos como o ex-barcelonista Xavi, que alcançou no empate em Kiev, pelo que pode isolar-se na tabela.   - O FC Porto vai com seis jogos consecutivos sem sofrer golos no Dragão. Três já esta época (1-0 ao Benfica, 2-0 ao Estoril e 3-0 ao V. Guimarães) e outros tantos na época passada (2-0 ao Penafiel e ao Gil Vicente e 1-0 à Académica). O último jogador a marcar ali um golo ao FC Porto foi Thiago Alcântara, na derrota (3-1) do Bayern ali, a 15 de Abril. Desde então passaram-se 602 minutos de futebol sem golos na baliza portista.
2015-09-28
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O FC Porto fez apenas sete faltas no empate (2-2) frente ao Moreirense, mostra de alguma falta de agressividade que não vinha sendo habitual numa equipa que até era das mais faltosas da Liga: somava 94 (18,8 por jogo), total que só era suplantado por Marítimo (100), Estoril (96) e P. Ferreira (95). Para efeitos de comparação deve dizer-se que o mínimo desta época tinham sido as 16 faltas cometidas nos jogos com Marítimo, Estoril e Benfica. Para encontrar um jogo tão bem comportado dos jogadores portistas é preciso recuar até Março, quando a equipa azul e branca venceu em casa o Arouca, por 1-0, fazendo as mesmas sete faltas. Esse não foi, de resto, o único desafio abaixo das dez faltas na última Liga para uma equipa que antes da chegada de Lopetegui e do seu modelo de posse raramente se ficava por um algarismo na contagem das infrações: nos 5-0 ao Estoril, os jogadores portistas tinham feito nove faltas.   - Segundo golo de livre de Maicon esta época, foi também o segundo que marcou na equipa principal do FC Porto (tinha, também, um ao serviço do FC Porto B).  Todos os outros golos de Maicon tinham sido obtidos de cabeça.   - O FC Porto sofreu golos nos últimos cinco jogos fora de casa: antes dos dois marcados pelo Moreirense, tinha sofrido outros tantos em Kiev com o Dynamo (2-2), um em Arouca (3-1), outro no Funchal com o Marítimo (1-1) e, ainda na época passada, outro no Restelo com o Belenenses (1-1). Não acontecia nada de semelhante aos dragões desde o final da época de 2013/14, ainda que nessa altura tenham sido doze jogos consecutivos a sofrer golos em viagem, desde a derrota na Luz por 2-0, com o Benfica, até à última saída da época, perdida no Algarve com o Olhanense (2-1).   - Julen Lopetegui conseguiu pela primeira vez ultrapassar o traumático 12º jogo sem perder. Nas duas anteriores ocasiões em que, como treinador do FC Porto, alinhara 1 jogos seguidos sem derrota, caíra ao 12º. Primeiro contra o Sporting, no Dragão, para a Taça de Portugal (1-3); depois com o Marítimo, na Madeira, para a Taça da Liga (1-2). Desta vez não ganhou, mas também não perdeu.   - Quarto golo na Liga de Iuri Medeiros, o jovem emprestado pelo Sporting ao Moreirense. Antes de marcar ao FC Porto, já tinha feito o mesmo ao Benfica, quando estava cedido ao Arouca, ainda que nessa tarde a sua equipa tenha perdido (1-3).   - Terceiro golo em outras tantas partidas de Corona com a camisola do FC Poro na Liga. Na Liga holandesa, ao serviço do Twente, precisou de 16 jogos para chegar aos três golos.   - Ao entrar para o lugar do lesionado Brahimi, Varela atingiu os 200 jogos pelo FC Porto (em todas as competições). NO atual plantel, só Helton o supera, com 322.   - Os 70% por cento de posse de bola que o FC Porto teve no jogo com o Moreirense são o segundo total mais elevado da atual Liga, apenas atrás dos 71% que o Benfica conseguiu, em casa, contra o mesmo Moreirense.
2015-09-26
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Quando, no rescaldo do Marítimo-FC Porto, Julen Lopetegui explicou as razões que, face ao empate que se eternizava no placar dos Barreiros, o levaram a trocar Aboubakar por Osvaldo, estaria tão convicto do que disse como esteve no momento em que, para desfazer o impasse no jogo de Moreira de Cónegos, há pouco, optou por juntar os dois pontas-de-lança em campo e abdicar de um defesa-central. “Não se joga melhor por ter mais avançados”, disse na altura Lopetegui. Pois não. Mas há jogos que só se resolvem com gente na área. O de Moreira de Cónegos podia ter sido um deles. Contra um Moreirense que estacionou o autocarro à frente da área de Stefanovic, que baixou tanto o bloco que quase convidava os portistas a entrarem pela baliza com a bola controlada, impunha-se ter gente na área. Muita gente na área. O treinador espanhol percebeu-o e somou Aboubakar a Osvaldo, pedindo ainda a Corona que aparecesse também no espaço interior. Foi num lance em que o italo-argentino insistiu e o mexicano recuperou um ressalto que o FC Porto chegou à vantagem, a 12 minutos do final. Claramente, o jogo devia ter ficado ganho para os dragões naquele momento, deixando para trás o livre de Maicon e o golo de Iuri Medeiros, que davam o empate momentâneo. Só que o Moreirense ainda chegou a novo empate, por André Fontes, a dois minutos do final. A tentação mais normal pode ser a de culpar a falta de gente atrás, mas a verdade é que o FC Porto tinha gente na área em números mais do que suficientes para evitar o golo. Não estava Marcano, mas estava Danilo, porque depois do 2-1 Lopetegui mandou recompor o quarteto defensivo com o médio centro ao lado de Maicon. E mesmo assim, antes, já Luís Carlos obrigara Casillas a boa defesa para evitar o que também podia ter sido o empate. A questão é que, porventura iludida pelo facto de o adversário se demitir da opção de jogar (os 30% de posse de bola do Moreirense frente ao FC Porto só encontram paralelo na atual Liga dos 29% que o mesmo Moreirense teve na Luz, onde também esteve a minutos de empatar com o Benfica), o FC Porto fez um jogo lento no ataque e pouco agressivo quando perdia a bola: fez apenas sete faltas, quando o seu mínimo na Liga eram 16. E como disse Lopetegui no final, a Liga vai ser longa e vai ser preciso pedalar muito. Mas isso não basta dizê-lo. Tem é de convencer os seus jogadores.
2015-09-25
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Último Passe

Não há exemplo como o de Maxi Pereira para provar que o futebol consegue extrair o que há de mais irracional em cada cidadão que é exemplar em muitas outras áreas da sociedade. Julen Lopetegui deu o mote, ao considerar que os cartões amarelos vistos pelo lateral uruguaio esta época são “uma média exagerada para o que ele fez” e, nesse particular, até foi um exemplo raro de equilíbrio num panorama em que quase toda a gente devia ter vergonha do que disse ou escreveu. Porque têm abundado as asneiras. Por estes dias, o espectro mediático tem-se enchido de respeitáveis cidadãos que achavam que Maxi Pereira era um jogador viril, mas que agora é um exemplo de violência. E são quase tantos aqueles que consideravam que o lateral uruguaio era um sarrafeiro e agora é um caso raro de entrega leal ao jogo. Pois bem, arranjem uns e outros as estatísticas forjadas que quiserem, mas Maxi Pereira é o mesmo, apesar de ter trocado o Benfica pelo FC Porto. É um exemplo paradigmático de entrega, profissionalismo e competitividade, sim senhores, sempre foi um futebolista que joga e sempre jogou nos limites – e por vezes para além deles – da virilidade. E por isso, coleciona cartões amarelos. É verdade que Maxi Pereira está esta época com uma média ligeiramente superior à habitual no que toca a advertências dos árbitros. Em cinco jornadas da Liga, viu quatro. A questão é que os quatro amarelos de Maxi Pereira não estão assim tão fora da média como muitos querem fazer crer. Na época passada, ainda no Benfica, Maxi fez 32 jogos na Liga e viu 11 amarelos (ainda que só dois nas primeiras 5 jornadas, naquele que foi o seu arranque mais disciplinado). Há dois anos, em 25 desafios na Liga (passou alguns no banco, poupado devido à caminhada benfiquista até à final da Liga Europa), viu sete amarelos, dos quais três nas primeiras cinco jornadas. Andemos mais um ano para trás: em 2012/13, fez 28 jogos na Liga e viu oito amarelos (três nas primeiras cinco partidas). E em 2011/12 viu 11 amarelos em 25 jogos na Liga (dois nas primeiras cinco jornadas, nas quais jogou apenas quatro vezes). Haverá então razão para tanto alarido? Parece evidente que não. Aliás, se olharmos para as avaliações feitas ao minuto por quatro ex-árbitros internacionais no site casos.pt verificamos que três dos quatro amarelos de Maxi Pereira são absolutamente incontestáveis (avaliações reconhecidas como corretas pela unanimidade dos ex-árbitros consultados). Mais: num dos jogos, Maxi podia mesmo ter visto um segundo amarelo (contra o Benfica). E só um dos amarelos (o de Arouca) divide as opiniões dos antigos juízes: Paulo Paraty achou-o exagerado, Pinto Correia considera que foi bem mostrado. Estamos, então, a discutir um cartão amarelo? Não haverá nada de mais importante?
2015-09-24
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O FC Porto leva neste momento onze jogos seguidos sem derrota, desde que caiu em Munique aos pés do Bayern, por 6-1. Julen Lopetegui igualou assim frente ao Benfica o seu melhor registo da época passada. Se passar em Moreira de Cónegos, estabelece portanto um novo recorde pessoal. Um recorde que já esbarrou por duas vezes no que mais parece ser uma maldição. A maldição do 12º jogo. Desde que perdeu com estrondo em Munique, a 21 de Abril, vendo-se afastado da Liga dos Campeões, a equipa portista empatou fora com Benfica (0-0), Belenenses (1-1), Marítimo (1-1) e Dynamo Kiev (2-2), tendo ganho as restantes sete partidas: V. Setúbal (2-0), Gil Vicente (2-0), Penafiel (2-0), V. Guimarães (3-0), Estoril (2-0), Arouca (3-1) e Benfica (1-0). Curioso que, com exceção da recente deslocação a Arouca, tenha perdido pontos em todos os jogos nos quais sofreu pelo menos um golo. A vitória contra o Benfica significou que Lopetegui igualou o seu máximo pessoal de jogos seguidos sem perder, estabelecido em várias ocasiões da época passada. Depois de ganhar sete e empatar quatro dos onze primeiros jogos da época passada, perdeu a 12ª partida, a receção ao Sporting para a Taça de Portugal (3-1), a 10 de Outubro. Encarreirou de seguida dez jogos sem perder e voltou a ser batido no Dragão, dessa vez pelo Benfica, para a Liga (0-2, a 14 de Dezembro). Após mais sete jogos, perdeu na Madeira com o Marítimo, para a Liga (1-0, a 25 de Janeiro), aí encetando nova série de onze desafios sem conhecer a derrota: ganhou nove e empatou dois, até perder mais uma vez ao 12º jogo, outra vez com o Marítimo, mas agora para a Taça da Liga (2-1, a 2 de Abril). Até final da época, o FC Porto só perdeu mais uma vez, em Munique, na partida que iniciou a terceira série de onze jogos sem derrota de Lopetegui. A ver se desta vez chega aos 12.   - MIguel Leal, treinador do Moreirense, perdeu os três jogos que fez contra o FC Porto. O primeiro foi ao serviço do Penafiel, na Taça da Liga de 2013/14 (0-4 no Dragão contra Paulo Fonseca). E os dois restantes sucederam na época passada, já ele estava em Moreira de Cónegos. Perdeu por 3-0 no Dragão e por 2-0 em casa. Esses foram os dois únicos jogos de Julen Lopetegui contra o Moreirense, pelo que o espanhol tem um registo 100% vitorioso.   - O Moreirense é a equipa menos rematadora da Liga. Apenas 42 remates em cinco jogos, a uma média de 8,4 por jogo. Tendo em conta que o FC Porto só sofre um golo a cada 19 remates do adversário (dois golos sofridos para 38 remates permitidos) não se afigura fácil a tarefa dos cónegos.   - Há dez anos que o Moreirense não marca um golo ao FC Porto. O último foi da autoria de Nei, em Maio de 2005, valeu um empate (1-1) em Moreira de Cónegos mas já não foi suficiente para impedir a despromoção da equipa verde e branca. De então para cá, o FC Porto ganhou os cinco jogos entre os dois clubes e fê-lo sem sofrer golos.   - Nenhum dos jogadores do atual plantel portista marcou golos ao Moreirense pelo FC Porto. Este era um jogo para Jackson Martínez, que fez seis dos nove golos deste confronto desde que o Moreirense regressou à I Liga. Os outros três pertenceram a Fernando, Oliver e Casemiro.   - O Moreirense nunca ganhou ao FC Porto. O melhor que conseguiu foram dois empates, ambos em casa, na anterior passagem pela I Liga. Além disso, não ganhou um único jogo nas primeiras cinco jornadas, seguindo com apenas um ponto. É algo de inédito nas cinco épocas dos cónegos na Liga. O pior que tinham até aqui era uma vitória e quatro derrotas, no ano de estreia (2002/03). Nas últimas três temporadas apresentavam o mesmo registo: uma vitória, dois empates e duas derrotas.   - Evaldo, do Moreirense, foi campeão nacional ao serviço do FC Porto, alinhando na penúltima jornada da Liga de 200/04, quando José Mourinho poupava os titulares para a final da Liga dos Campeões.   - Além disso, o Moreirense também nunca ganhou um jogo da Liga com Vasco Santos a apitar. Empatou duas vezes e perdeu três, a última das quais na receção ao Sporting, na época passada (1-4). O FC Porto também tem uma derrota com este árbitro: em casa com o Estoril, com o golo decisivo a ser marcado de grande penalidade. Mas ganhou os restantes sete jogos com ele a apitar.
2015-09-24
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Último Passe

A paisagem virtual foi ontem agitada pela iniciativa de alguns adeptos do Atlético Paranaense, que colocaram o ex-avançado portista Delatorre à venda no E-Bay por um real, isto é, por um punhado de cêntimos. Teve graça, até pode ter ofendido, mas a lei do futebol é essa: um jogador é querido hoje e indesejado amanhã. Foi isso que percebeu Quaresma e que o levou a trocar o FC Porto pelo Besiktas. Que Lopetegui não gostava do que lhe dava Quaresma ficou bem à vista logo nos primeiros jogos da época passada. Que, não havendo ordens superiores, os adeptos organizados não levariam mais longe a admiração que tinham pelo extremo português era uma evidência que o jogador não ignorava. Viesse a ordem de cima e não faltaria muito para que também o pusessem à venda no E-Bay... Daí que a única opção para Quaresma, que queria estar no Europeu, fosse a saída.  Foi isso que Quaresma explicou na entrevista que concedeu à TSF. Uma entrevista que deixa bem evidente que o extremo que em tempos era visto como um jogador talentoso e estouvado é hoje dos poucos que pensa pela sua própria cabeça num panorama gradualmente mais acéfalo como é o do futebol. Um dos poucos a falar com desassombro de tudo o que tem a ver com aquilo que faz na vida, seja o abraço dado ao treinador adversário ou a relação com quem manda no seu próprio balneário. E só por isso - se outras razões faltassem - já justificava um lugar nos eleitos de Fernando Santos para o Europeu de França.
2015-09-23
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Histórias invertidas entre André André e o pai, o antigo médio António André. O pai marcou logo no primeiro jogo oficial com a camisola do FC Porto (fez o quinto tento de uma goleada de 5-0 sobre o Farense, em Outubro de 1984), enquanto ele precisou de seis jogos para marcar o primeiro golo. No entanto, André André marcou ao primeiro clássico, enquanto António André só marcou ao… sexto (abriu o ativo numa vitória por 2-1 sobre o Sporting, em Novembro de 1985).   - André André não marcava um golo de bola corrida desde 4 de Janeiro, quando até fez um hat-trick nos 4-0 ao Nacional. Mesmo nesse dia, porém, o primeiro foi de penalti e o segundo num canto. Desde então tinha marcado mais quatro vezes, todas de penalti.   - O FC Porto continua sem sofrer golos para a Liga no Dragão. Já lá vão 13 jogos inteiros desde o último, que foi obtido por Lima, a 14 de Dezembro do ano passado. Ao todo, 1205 minutos  que só encontram paralelo na história recente portista com uma série de 1384 minutos que foi estabelecida por Zé Beto e por um ainda adolescente Vítor Baía entre Outubro de 1988 e Maio de 1989.   - O Benfica, por sua vez, não marca um golo fora da Luz desde a época passada. Os encarnados fizeram todos os seus (15) golos desta época em casa, tendo ficado em branco nas duas saídas (0-1 com o Arouca em Aveiro e 0-1 com o FC Porto no Dragão). A última vez que sucedeu perderem as duas primeiras deslocações foi em 2010 (sempre 1-2, com Nacional e V. Guimarães), mas para encontrar zero golos marcados na primeiras duas partidas fora há que recuar até 2003 (0-0 no Bessa e 0-2 com o FC Porto no Dragão).   - O FC Porto leva onze jogos sem derrota, tendo a último sido os 6-1 em Munique, frente ao Bayern, que lhe custou a saída da Liga dos Campeões. Está igualado o melhor registo de Julen Lopetegui, que na época passada passou exatamente onze jogos sem perder entre as duas derrotas frente ao Marítimo: 1-0 para a Liga a 25 de Janeiro e 2-1 para a Taça da Liga a 2 de Abril.   - Maxi Pereira é um de quatro jogadores que já viram quatro amarelos nas primeiras cinco jornadas da Liga (os outros são Pelé, David Simão e Bouba Saré). O mais cedo que o uruguaio tinha chegado ao quarto amarelo na Liga foi em 2010/11, mas na altura precisou de oito jornadas.   - Os seis remates feitos pelo Benfica no Dragão são o mínimo desta época numa equipa que andava com uma média de 22,7 por jogo. O Benfica não rematava tão pouco num jogo desde 18 de Abril, mas nessa altura os seis remates chegaram-lhe para ganhar por 2-0 ao Belenenses no Restelo.
2015-09-21
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Último Passe

O FC Porto-Benfica não foi um grande jogo, mas foi um jogo em que as duas equipas até mostraram razões para o otimismo dos seus adeptos. A primeira parte mostrou o melhor Benfica da época: compacto, taticamente disciplinado e a ameaçar – ainda que só nas bolas paradas – a baliza de Casillas. A segunda mostrou um FC Porto pressionante, com Aboubakar a cair muito na esquerda e André a soltar-se mais do meio-campo em direção à área, na antevisão repetida da jogada que – já com Osvaldo em campo no lugar do camaronês – acabou por dar o golo da vitória. O FC Porto teve nesse período três ocasiões claras de golo, jogou em crescendo, pelo que foi com justiça que alargou a vantagem sobre o bicampeão para quatro pontos. O Benfica paga as dores de crescimento da juventude que teve em campo e que tão bem se portou até ao momento do 1-0. Como repetiu Luisão até à exaustão na sequência do lance: “Têm que fazer falta!” Quando digo que a primeira parte do clássico mostrou o melhor Benfica da época não estou a esquecer os 6-0 ao Belenenses – esse tinha sido um jogo de sentido único, em que as águias só tiveram de trabalhar a parte ofensiva. No Dragão, a equipa mostrou-se nos primeiros 45 minutos muito competente do ponto de vista defensivo: mesmo em dois para três (Samaris e André Almeida contra Ruben Neves, Imbula e André), serviu-se da pequena distância entre linhas para ganhar a batalha do meio-campo, e ao mesmo tempo conseguia chegar à frente como um bloco. Além disso, se a maior esperança do FC Porto eram os duelos individuais nos corredores laterais, eles não sorriram aos azuis e brancos: surpreendentemente, Nelson (muito mais concentrado e disciplinado a defender do que o habitual) e Eliseu raramente deixaram Corona e Brahimi jogar. Nesse período, o FC Porto chegava sempre à frente com pouca gente e não se via como poderia desbloquear o resultado. A segunda parte trouxe um FC Porto surpreendentemente vivo, tanto na intensidade que manteve no campo (porque não só jogou na Champions um dia mais tarde como o fez em Kiev) como na capacidade para empurrar o Benfica para o seu meio-campo. Lopetegui mandou recuar Imbula para perto de Ruben Neves, assumiu Corona como extremo (em vez de o mandar andar à procura do espaço interior), deu mais liberdade a André no corredor central e terá também ordenado a Aboubakar que procurasse mais os terrenos de Nelson, em trocas posicionais com Brahimi, que fazia o movimento inverso. As trocas deram a supremacia ao FC Porto, Aboubakar teve duas ocasiões claras para marcar, mas já o jogo se encaminhava para o final sem se ver como é que o 0-0 desapareceria do placar quando um desequilíbrio no meio-campo benfiquista deu o golo da vitória ao FC Porto: Jardel saiu na pressão a Osvaldo, perdeu o lance, ninguém o dobrou e o italo-argentino conseguiu soltar a bola para uma arrancada de Brahimi em quatro para três. Ninguém fez a tal falta que Luisão veio depois a reclamar aos seus colegas e um calcanhar de Varela deixou André na cara de Júlio César. Saiu a ganhar o FC Porto, porque já tem quatro pontos de vantagem sobre o bicampeão, mas não sai assim tão mal o Benfica, que jogou muito melhor do que no outro clássico desta época, perdido para o Sporting por 1-0, no Algarve. Rui Vitória sabe bem que lançar jovens tem o seu preço e por isso mesmo disse no final que o “caminho vai ser longo”. Resta-lhe esperar que eles acelerem a aprendizagem.
2015-09-20
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Último Passe

O FC Porto-Benfica apresenta uma série de aliciantes que vão muito para além de saber quem está mais forte e mais bem colocado para ganhar (o que corre sérios riscos de contraditório no confronto com a verdade) ou de antecipar, pressionando, como correrá a noite ao árbitro. A mim, nenhum debate me interessa tanto como o de perceber os onzes que os dois técnicos irão apresentar.De um lado, Julen Lopetegui tem mostrado duas facetas do FC Porto, consoante lhe apetece privilegiar a segurança ou optar pelos desequilíbrios. Tendo em conta o grau de dificuldade do jogo, a versão adotada no início do jogo de Kiev e no final do desafio em Arouca (quando já estava na frente no marcador) parece a mais provável na cabeça do treinador espanhol, pelo que a inclusão de André André no papel duplo de quarto médio e terceiro avançado me parece aposta segura. O ex-Vitória de Guimarães sabe escolher bem os momentos em que tem de abrir no corredor ou aparecer frente à área e depois, após a perda de bola, é capaz de pressionar mas também de baixar para compor a segunda linha defensiva, pelo que me parece evidente que surgirá no onze com Brahimi e Aboubakar. Resta definir quem estará no meio-campo, onde tenho duas apostas firmes em Danilo e Imbula. Se o terceiro homem será Ruben Neves ou Herrera já tenho mais dúvidas, embora me incline para o jovem português.Quanto ao Benfica, Rui Vitória não tem margem para sentar Jonas, que tem estado a par de Gaitán na influência no jogo ofensivo da equipa, mas também já viu, na Supertaça, contra o Sporting, que o brasileiro não rende isolado na frente. Parece-me seguro que Jonas terá a companhia de Mitroglou ou até de Jimenez, jogador mais móvel e mais capaz de defender que o grego. Só que aí Vitória é bem capaz de compensar a presença de dois avançados com uma opção mais conservadora atrás. Creio que Fejsa aparecerá ao lado de Samaris, deixando a Gaitán o corredor esquerdo. E não tenho certeza de que o médio direito seja o jovem Gonçalo Guedes, ainda que ele tenha estado bem nos últimos jogos: admito perfeitamente a opção por Pizzi como forma de ocupar o espaço no corredor central, pedindo ao transmontano que jogasse em diagonais e trocas posicionais constantes com os avançados, de modo a impedir que o espaço entre os dois médios e esses mesmos avançados seja tão grande a ponto de a ligação se tornar impossível, como na primeira parte do jogo com o Astana.Na verdade, certezas só amanhã ao final do dia. Mas estas apostas fazem sentido.
2015-09-19
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Stats

O FC Porto-Benfica de domingo servirá para uma de duas coisas. Ou o FC Porto confirma que montou no Dragão uma barreira inexpugnável, que ninguém é capaz de ultrapassar para marcar golos, ou o Benfica espanta de vez os fantasmas que o têm impedido de fazer golos longe do Estádio da Luz. A apimentar a história, o facto de terem sido os encarnados, por Lima, os últimos a marcar golos no Dragão em jogos da Liga. A 14 de Dezembro do ano passado. Desde o bis de Lima que valeu ao Benfica a vitória por 2-0 no Dragão frente ao FC Porto e um avanço mental na luta pelo título que mais ninguém foi capaz de ali marcar em jogos de campeonato. E entretanto por lá passaram V. Setúbal (4-0), Belenenses (3-0), P. Ferreira (5-0), V. Guimarães (1-0), Sporting (3-0), Arouca (1-0), Estoril (5-0), Académica (1-0), Gil Vicente (2-0), Penafiel (2-0) e, já esta época, V. Guimarães (3-0) e Estoril (2-0). Ao todo, são já doze balizas virgens seguidas nos jogos da Liga, em casa. 1115 minutos (pouco mais de 18 horas e meia) sem sofrer golos, o que deixa a equipa atual à beira de poder igualar o registo de 1995/96, quando Vítor Baía (com breve auxílio de Silvino, que o substituiu num dos jogos) esteve 1127 minutos sem sofrer golos em casa para a Liga, entre um 2-1 ao Sporting (golo de Ouattara, a 20 de Agosto de 1995) e um 6-2 ao Felgueiras (marcou Lewis, a 11 de Fevereiro de 1996). Se mantiver o zero frente ao Benfica, no domingo, até aos 12’ de jogo, o FC Porto atual iguala esse registo. Mas um zero no final do encontro com os encarnados faria com que a série de Fabiano, Helton e Casillas passasse para os 1205 minutos. E para encontrar uma série tão longa é preciso recuar até 1988 e 1989, quando Zé Beto e o ainda adolescente Vítor Baía (que o substituiu no final da época) mantiveram a baliza das Antas inviolada durante 1384 minutos em jogos da Liga, entre um golo do maritimista Jorge Silva, em Outubro de 1988 e outro do setubalense Aparício, em Maio de 1989. O facto de ter sido o Benfica o último a marcar no Dragão para a Liga vem, por um lado, apimentar a história, até porque os encarnados têm sentido esta época dificuldades para fazer golos fora de casa: os 15 que somam foram todos obtidos na Luz. É verdade que, fruto de só ter jogado uma vez fora esta época (e mesmo essa no campo neutro de Aveiro, contra o Arouca), a série do Benfica não é assim tão impressionante em termos de Liga. Só ficou a zero com o Arouca (0-1) e na última deslocação da época passada, a Guimarães (0-0), na tarde em que assegurou a conquista do título. Antes disso tinha ganho por 5-0 ao Gil Vicente, em Barcelos. Mas que o teste do Dragão será exigente em termos de se avaliar a capacidade deste Benfica viajar, lá isso será.   - É o primeiro clássico português para Casillas, que em Espanha estava bem habituado a eles. Só na época passada, ao serviço do Real Madrid, disputou oito, seis deles com o Atlético Madrid, ganhando apenas dois: 1-1 e 0-1 na Supertaça; 0-0 e 1-0 na Liga dos Campeões; 1-2 e 0-4 na Liga. Os outros dois foram para a Liga com o Barcelona: ganhou por 3-1 em casa, perdeu por 1-2 no Camp Nou.   - Rui Vitória nunca ganhou ao FC Porto. Ainda assim, foi à conta de uma proeza contra o FC Porto que se tornou conhecido: a 26 de Setembro de 2007 o seu Fátima eliminou os dragões da Taça da Liga, com um empate a zero que foi depois transformado em sucesso no desempate por grandes penalidades. Ao todo, em doze jogos contra os dragões, perdeu oito e empatou quatro. Com destaque para um 3-3 no Dragão, em Maio de 2011, aos comandos do Paços de Ferreira, com hat-trick de… Pizzi.   - Em contrapartida, o atual treinador do Benfica foi o primeiro a causar dissabores a Lopetegui na sua carreira portuguesa. O espanhol tinha ganho os primeiros cinco jogos no FC Porto (2-0 ao Marítimo, 1-0 e 2-0 ao Lille, 1-0 ao Paços de Ferreira e 3-0 ao Moreirense) quando foi empatar a uma bola a Guimarães, a 14 de Setembro do ano passado.   - O Benfica ganhou por três vezes no Estádio do Dragão, inaugurado em Novembro de 2003, e todas pelo mesmo resultado: 2-0. Em Outubro de 2005 valeu-lhe um bis de Nuno Gomes; em Fevereiro de 2011, para a Taça de Portugal, marcaram Coentrão e Javi Garcia, e em Dezembro passado bisou Lima. No mesmo período o FC Porto soma sete vitórias e registaram-se ainda quatro empates – um único sem golos.   - Dos jogadores do atual plantel do FC Porto, só três marcaram pelos azuis e brancos ao Benfica. Foram eles Varela (duas vezes), Maicon (no golo do título, a fazer um 3-2 na Luz, em Março de 2012) e… Maxi Pereira. Apesar de ser a primeira vez que defronta o Benfica, fez um autogolo na baliza de Artur, em Maio de 2013, estabelecendo o momentâneo empate naquele que ficou conhecido como o jogo de Kelvin.   - Do atual plantel do Benfica, já sabem o que é marcar aos dragões de águia ao peito Gaitán (dois golos, ambos em jogos que acabaram empatados a duas bolas), Salvio (que está lesionado e não pode ser opção para Rui Vitória) e Luisão (numa derrota por 3-1 no Dragão antes do título de 2010).   - O médio André André, ultimamente em foco por ter ganho a titularidade no meio-campo do FC Porto, foi lançado na I Liga por Rui Vitória, treinador dos encarnados. Depois de ter sido junior do FC Porto e de ter passado sem sucesso pela equipa B do Deportivo da Corunha, chegou em 2012 do Varzim (II Divisão B) ao V. Guimarães e Vitória não hesitou em dar-lhe 90 minutos logo na primeira jornada da Liga, um empate a zero em casa com o Sporting.   - Defrontam-se a equipa mais faltosa da Liga, que é o FC Porto (a par do Marítimo), com 78 faltas cometidas, e a que menos infrações comete, que é o Benfica, que fez apenas 50 faltas. A diferença disciplinar tem também a ver com isso: o Benfica viu apenas cinco cartões amarelos nas primeiras quatro jornadas (10 faltas por cartão), enquanto que o FC Porto já viu 13 (seis faltas por cartão).   - Defrontam-se ainda o ataque mais realizador da Liga, que é o do Benfica, com 13 golos, e uma das defesas menos batidas, a do FC Porto, que encaixou apenas dois e lidera esta tabela a par do Paços de Ferreira e do U. Madeira. Os portistas apresentam, no entanto, melhores índices de aproveitamento tanto defensivo como ofensivo. Marcaram nove golos em 51 remates (um golo a cada 5,7 remates), enquanto o Benfica precisou de 91 tentativas para fazer 13 golos (entra uma a cada sete). Aliás, o Benfica também sofre um golo a cada sete remates que os adversários lhe fazem (três golos encaixados em 21 remates permitidos), ao passo que o FC Porto já permitiu 32 remates e sofreu apenas dois golos (um a cada 16 tiros).   - Tanto Benfica como FC Porto perderam apenas uma vez com Soares Dias a apitar. Aos dragões aconteceu apenas em Janeiro de 2014, na deslocação à Luz, onde perderam por 2-0 com o Benfica e viram Danilo expulso. De resto, são onze vitórias e um empate, no Estoril, na época passada, a duas bolas (com um penalti contra). As águias, por seu turno, ganharam doze, empataram quatro e só perderam com Soares Dias em Abril de 2012, num 0-1 com o Sporting em Alvalade (um penalti contra e Luisão expulso). Além disso, não sofrem golos em jogos dirigidos por este árbitro desde Agosto de 2012, quando empataram em casa com o Sp. Braga, na abertura da época (2-2). Depois disso defrontaram FC Porto, Sp. Braga e V. Guimarães. 
2015-09-18
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Último Passe

No tempo em que a Grã Bretanha estava isolada do resto do Mundo, os treinadores ingleses tinham por hábito ver as primeiras partes dos jogos na tribuna, só descendo para o banco nos segundos 45 minutos. Essa era uma altura, porém, em que havia apenas um suplente, que só entrava se alguém partisse uma perna e essa observação não fazia assim tanta falta. Vendo todo o desafio do FC Porto com o Dynamo Kiev da tribuna, Julen Lopetegui fez uma gestão de jogo excelente, compreendendo os momentos exatos para fazer a substituições certas. O FC Porto não ganhou – ainda que o merecesse – porque no final toda a equipa cometeu um erro de apreciação, fruto talvez do cansaço aliado à falta de concentração que ele provoca. E nem sequer pode dizer-se que a questão se resolvesse com um grito do treinador, estivesse ele no banco. O 2-2 conseguido pelo FC Porto em Kiev vale pelo ponto conquistado, pelos dois que o Dynamo deixou pelo caminho – um empate fora é sempre um empate fora – mas vale sobretudo pela forma como o comportamento da equipa deixou perceber uma maturidade tática de que não se suspeitava. O plano de jogo foi o de Arouca, mas invertido: a equipa começou num 4x2x3x1 em que André André era, ao mesmo tempo, terceiro avançado e quarto médio, tal como terminara no jogo de sábado. A procura constante do espaço interior pelo número 20 dos Dragões nas fases ofensivas permitia assegurar a presença frente à área que tantas vezes tem faltado; a sua derivação para a ala no momento de perda de bola permitia manter a linha de quatro médios e travar um Dynamo que cedo desistiu de mandar no jogo e passou a limitar-se a chutar bolas longas na frente. Com o jogo controlado e um empate a uma bola no placar, Lopetegui lançou Tello e Corona, voltou ao 4x3x3 mais clássico e criou as condições para chegar à vitória. Marcou o segundo golo, numa jogada que enfatiza as excelentes exibições de Ruben Neves e Aboubakar – o primeiro a assegurar uma segunda vaga ofensiva depois do canto; o segundo a finalizar sem complacência depois de uma falha do guarda-redes Rybka. Previa-se que este fosse um jogo para Aboubakar, avançado de grandes espaços, lutador de excelência, mas ele acabou por se impor também naquilo que menos se esperava: a finalização na área. E com seis golos em cinco jogos, vai lançado para uma grande época. A maturidade tática demonstrada pela equipa do FC Porto não chegou para impedir o golo do empate do Dynamo, mas deixa a equipa em boa posição para lutar pela qualificação – roubou pontos no terreno daquele que se pensa venha a ser o seu maior adversário – e confiante de que sabe ser controladora ou ameaçadora quando o jogo lhe pede uma ou outra face. Teste já no domingo, na receção ao Benfica, no Dragão. Com Lopetegui no banco.
2015-09-16
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Numa competição de curta duração, como a Liga dos Campeões, entrar a ganhar é meio caminho andado para o sucesso. Jogadores e técnicos do FC Porto podem encarar a partida de hoje, com o Dynamo, em Kiev, sabendo disso, pois esse tem sido, ultimamente, o método dos dragões: vão com quatro vitórias consecutivas na primeira jornada, as três últimas sem sofrer qualquer golo. Séries mais longas do que esta na Liga dos Campeões só as apresentam o Bayern de Munique (que ganha sempre o primeiro jogo desde que falhou a presença na competição, em 2007/08) e o Real Madrid (cuja última partida de abertura sem vitória remonta a 2006/07, quando foi batido em Lyon por 2-0). A última vez que o FC Porto não venceu o jogo de abertura na Liga dos Campeões foi em 2009/10, quando foi batido pelo Chelsea em Stanford Bridge, por 1-0 (golo de Anelka). Na época que se seguiu a equipa azul e branca andou apenas pela Liga Europa (que venceu, de resto) e, desde que regressou à Champions, são só vitórias a abrir. Em 2011 ganhou em casa ao Shakthar Donetsk por 2-1 (golos de Hulk e Kléber, a virar o jogo, depois de Luiz Adriano ter aberto o placar para os ucranianos). Em 2012 foi ganhar o Dynamo a Zagreb por 2-0 (marcaram Lucho González e Defour); em 2013 impôs-se em Viena ao Austria por 1-0 (marcou outra vez Lucho); e no ano passado goleou o Bate Borisov no Dragão, por 6-0 (hat-trick de Brahimi, a somar a golos de Jackson Martínez, Adriàn López e Aboubakar). Resta uma questão. É que, sendo meio caminho andado, a vitória a abrir não garante o sucesso. É preciso fazer a outra metade do caminho. E em duas destas quatro épocas, os portistas acabaram por se ficar pela fase de grupos. Em 2011/12, fecharam o grupo em terceiro lugar, muito devido ao facto de terem feito apenas um ponto no duplo confronto com o Apoel e de não terem sido capazes de ganhar em casa ao Zenit, na última jornada (acabou 0-0). E em 2013/14 fizeram apenas cinco pontos, não voltando sequer a ganhar na competição – e bastaria ter repetido a vitória sobre o Austria Viena no Dragão para almejar a mais do que a continuação pela porta da Liga Europa.   - O Dynamo Kiev está na história do FC Porto, pois foi a equipa que os dragões venceram nas meias finais da Taça dos Campeões Europeus de 1987, antes de baterem o Bayern na final. Na altura, o FC Porto ganhou ambos os jogos por 2-1. Nas Antas marcaram Futre e André (o pai de André André) para o FC Porto, reduzindo Yakovenko para os soviéticos. Em Kiev, Celso e Gomes deram vantagem à equipa portuguesa nos primeiros 10’ de jogo, de nada servindo um golo de Mikailichenko.   - Depois dessa meia-final, FC Porto e Dynamo Kiev voltaram a encontrar-se por duas vezes na fase de grupos da Liga dos Campeões. Em 2008, cada um ganhou o jogo no terreno do adversário: 1-0 para o Dynamo no Dragão (marcou Aliyev); 2-1 para o FC Porto em Kiev (virada de Rolando e Lucho, depois de um primeiro golo de Milevskiy). Em 2012, os portugueses ganharam por 3-2 em casa (dois golos de Jackson e um de Varela, contra um de Gusev e outro de Ideye) e empataram a zero na Ucrânia.   - O FC Porto, aliás, nunca perdeu na Ucrânia. Além das três visitas a Kiev, foi ainda duas vezes jogar no terreno do Shakthar Donetsk, ganhando por 2-0 em 2011 e empatando a dois golos na época passada (este jogo foi em Lviv, devido à guerra civil na Ucrânia). Antes do desmembramento da URSS, o primeiro jogo do FC Porto na Ucrânia também tinha acabado empatado: 1-1 com o Shakthar em Donetsk, em 1984, a caminho da final da Taça das Taças que os portistas perderam com a Juventus.   - A última vez que o Dynamo Kiev ganhou a uma equipa portuguesa foi precisamente o 1-0 frente ao FC Porto no Dragão, em Outubro de 2008. Desde então, perdeu com o FC Porto na retribuição, em Kiev, empatou duas vezes com o Sp. Braga, nos quartos-de-final da Liga Europa de 2010/11, e empatou e perdeu com o FC Porto na fase de grupos da Liga dos Campeões de 2012/13. A última vitória do Dynamo sobre portugueses em Kiev foi sobre o Boavista: 1-0, em Outubro de 2001.   - Antunes e Miguel Veloso, jogadores portugueses do Dynamo Kiev, já marcaram golos ao FC Porto. O lateral fê-lo a 13 de Maio de 2007, de livre direto, num empate a uma bola, ao serviço do Paços de Ferreira. O centrocampista conseguiu-o a 28 de Fevereiro de 2010, em recarga a um primeiro remate de Liedson, num sucesso do Sporting por 3-0, em Alvalade.   - Varela foi o único jogador do atual plantel do FC Porto que já marcou ao Dynamo Kiev. A 24 de Outubro de 2012, abriu o ativo na vitória por 3-2 dos portistas, a passe de Lucho González.   - O FC Porto não perde há nove jogos oficiais, precisamente desde que foi eliminado da Liga dos Campeões, com o pesado 6-1 às mãos do Bayern, em Munique. Foi a 21 de Abril. Desde então, no entanto, só ganhou duas vezes fora (no sábado, ao Arouca, e ainda na época passada, em Setúbal), tendo empatado com Benfica, Belenenses e Marítimo.   - O Dynamo Kiev ganhou sete dos nove jogos que já fez esta época, perdendo apenas a Supertaça (0-2 com o Shakthar, a 14 de Julho) e empatando a zero com o Zorya para a Liga, a 30 de Agosto. Não sofre golos há 400 minutos, desde que Fedorchuk reduziu para 1-2, na vitória sobre o Dnipro em Dnipropetrovsk.
2015-09-15
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Jesus Corona teve uma estreia de sonho: dois golos na baliza do Arouca no primeiro jogo que fez na Liga portuguesa. Foi o primeiro jogador a bisar na estreia no nosso campeonato desde que o romeno Rusescu também marcou dois na vitória do Sp. Braga sobre o V. Guimarães (3-0), a 10 de Janeiro de 2014. Rusescu, no entanto, tinha ficado em branco num jogo anterior para a Taça de Portugal, frente ao Arouca. Para se encontrar um jogador que tenha feito pelo menos dois golos no primeiro jogo competitivo em Portugal é preciso ir buscar Montero, que a 18 de Agosto de 2013 fez um hat-trick nos 5-1 do Sporting ao… Arouca. No FC Porto, o último a bisar na estreia tinha sido Pena, que a 9 de Setembro de 2000 contribuiu com dois golos para os 2-1 do FC Porto, em casa, ao Paços de Ferreira.   - Esta não é a primeira vez que Corona marca na estreia. A 29 de Setembro de 2013 já tinha marcado nos 5-0 do Twente ao Groningen, o primeiro jogo que fez para a Liga holandesa.   - Aboubakar manteve o registo 100 por cento goleador sempre que defronta o Arouca. Na época passada já tinha marcado a fechar os 5-0 no terreno do adversário e feito o único golo na vitória caseira por 1-0. Ontem voltou a encerrar a conta portista, fazendo o que na altura era o 3-0.   - André André foi titular do FC Porto pela primeira vez à quarta tentativa, depois de três jogos como suplente utilizado (V. Guimarães, Marítimo e Estoril). Repete a história do pai, mas com muito mais rapidez, pois fê-lo à quarta ronda: em 1984, António André só foi titular à 11ª jornada, num empate a zero nas Antas contra o Sporting, depois de ter sido suplente utilizado contra Farense, Salgueiros e Penafiel.   - O segundo golo sofrido pelos portistas esta época teve vários pontos em comum com o primeiro. Tal como no Funchal, o golo de Maurides nasceu de um cruzamento na esquerda do ataque e foi marcado nas costas do lateral esquerdo azul e branco. Com menos culpas de Layun neste caso do que de Cissokho no tento de Edgar Costa, que custou ao francês o seu lugar no onze.   - Maurides fez ao FC Porto o seu segundo golo saído do banco nesta Liga, tornando-se o suplente mais goleador do campeonato. Antes já tinha feito o mesmo nos 2-0 com que o Arouca venceu o Moreirense.
2015-09-13
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A Liga portuguesa seria muito mais justa se todas as equipas jogassem os seus desafios “em casa” nos seus próprios estádios. Disso não há dúvidas. Contudo, basta fazer uma análise aos dados dos últimos anos para se perceber que a maior injustiça aqui cometida não é na comparação entre os grandes: é, isso sim, entre os grandes e os outros. Porque alargando a pesquisa aos jogos deste século, vê-se que as diferenças entre grandes não são assim tão evidentes. Pelo contrário. Enorme é a diferença entre os grandes e os outros, que como não arrastam muita gente nem proporcionam grandes bilheteiras, jogam sempre no estádio do clube que visitam. Alargando a pesquisa até à Liga de 2000/01, verifica-se que o Benfica beneficiou desta situação por 14 vezes, o FC Porto por 13 e o Sporting por 11. Podem discutir-se as razões. E aí há casos que são escandalosos, como o famoso Estoril-Benfica de 2005, jogado no Algarve numa altura em que os encarnados vacilavam na corrida ao título. Mas o que o tornou mais escandaloso até foram as relações entre as duas SAD, com dirigentes de uma a terem estado já na outra. O caso é, por isso, apesar de tudo, muito diferente do Arouca-Benfica desta época, de que agora se queixam os adeptos e os responsáveis pelo FC Porto. É claro que uma coisa é um clube jogar em casa emprestada por ter o seu estádio em obras (e isso foi frequente nos anos antes do Euro’2004) e outra é fazê-lo por mera opção económica. Mas quão fácil será a qualquer clube inventar umas obras no estádio antes dos jogos que lhe interessa fazer em recintos maiores? Fica a lista completa dos jogos feitos em casa emprestada nos últimos 15 anos, para quem gosta de suportar a discussão em factos e não em suposições BENFICA 14 jogos, 11 vitórias, 2 empates e 1 derrota 2015/16               Arouca Aveiro  D: 1-0 2013/14               Olhanense         Algarve V: 3-2 2013/14               Arouca Aveiro  V: 2-0 2011/12               U. Leiria               Marinha Grande              V: 4-0 2010/11               Portimonense  Algarve V: 1-0 2007/08               Leixões Bessa    E: 1-1 2004/05               Estoril   Algarve V: 2-1 2004/05               Moreirense       Guimarães V: 2-1 2003/04               Moreirense       Braga    V: 4-1 2002/03               Moreirense       Braga    V: 3-2 2002/03               V. Guimarães    Felgueiras           V: 2-1 2002/03               U. Leiria               Marinha Grande              V: 3-0 2002/03