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Último Passe

A consagração de Cristiano Ronaldo na Gala da FIFA, destinada a premiar o melhor jogador do Mundo em 2016, fez mais que confirmar uma supremacia do português sobre Messi no último ano, que a conquista da Bola de Ouro do France-Football, em Dezembro, já tinha antevisto. Em 2016, Cristiano não se limitou a reduzir o score, que ainda é favorável a Messi, por 5-4. Cristiano conquistou o terceiro troféu de melhor do Mundo nos últimos quatro anos, deixando bem evidente que, apesar de ser mais velho que o argentino, é ele quem está a envelhecer melhor. Apesar de jogar um futebol mais físico. Tendo em conta que os últimos nove anos só viram estes dois vencedores e que Ronaldo até chegou lá primeiro, sendo depois arrasado por quatro troféus consecutivos de Messi, esta retoma é mais do que parece. Argumentarão de um lado que as conquistas de CR7 se devem a momentos físicos menos conseguidos do argentino, mas isso não é forma de menorizar aquilo que Cristiano tem conseguido. Pelo contrário. Também ele tem tido lesões, mas a forma como trabalha permite-lhe superá-las, o seu espírito de sacrifício chega para que jogue e renda mesmo diminuído. E, ainda que a ausência de todo o grupo do Barcelona na gala de hoje não seja vista com o mesmo olhar crítico de que se revestiram as reações às faltas de Ronaldo e Mourinho na cerimónia de há cinco anos (quando as razões são as mesmas), o célebre “mau feitio” do português não o impede de fazer balneário e assegurar que as suas equipas ganham sem ele em campo – veja-se, a título de exemplo, o que se passou na final do Europeu. Sacrificado na gala foi Fernando Santos, cuja vitória com Portugal no Europeu teve muito de treinador, não só na estratégia que foi desenhando para cada jogo como ainda (e sobretudo) na forma como foi capaz de unir os 23 jogadores convocados em torno de um ideal, em tempo de extremismo faccioso no país. Fernando Santos acabou por ser apenas terceiro na votação para os treinadores, mas até isso pode ser compreendido. É que Zidane ganhou a Liga dos Campeões e o Mundial de Clubes depois de ter pegado nos cacos que Rafa Benítez deixara no Real Madrid. E Ranieri protagonizou apenas a maior surpresa do século no futebol mundial. Dir-me-ão que Ranieri não tem uma ideia, que não é treinador para estes palcos, que é muito mais o homem despedido da Grécia do que o campeão com o Leicester e eu até concordo. Mas aquilo que o homem fez com o Leicester merece ser assinalado.
2017-01-09
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Último Passe

Que a relação entre o Real Madrid e Rafa Benítez estava condenada ao fracasso, não era preciso ser muito dotado de perspicácia para o adivinhar. Ainda assim, o desfecho de hoje, com a demissão do treinador apresentado por Florentino Pérez para suceder a Carlo Ancelotti no Verão e a entrada imediata em funções de Zinedine Zidane veio demonstrar muito mais que a evidência de que Benítez não era o homem certo para o projeto. Demonstra o instinto de sobrevivência de Florentino, rápido no gatilho depois de perceber que se insistisse ainda podia levar com o ricochete. E demonstra ainda que o presidente já está tão convicto do erro cometido que cortou a cabeça ao treinador que tinha escolhido, mesmo quando o líder segue a apenas quatro pontos de distância – cinco se o Barcelona vencer o jogo em atraso com o Sp. Gijón. O problema de Benítez não é de falta de conhecimento. É de excesso. Benítez é um daqueles treinadores que sabe tanto de futebol, vive tanto para o futebol, que fica fora da realidade em que estão os comuns mortais. Não é atrasado mental – é adiantado mental. E para o caso faz o mesmo efeito. Porque treinar uma grande equipa é muito mais do que saber de futebol, é muito mais do que montar uma equipa e adequá-la a uma ideia de jogo. É liderar homens, é articular egos. E, antes de falhar no resto, Rafa Benítez falhou nisso também, ao conseguir pôr contra ele a generalidade das fações existentes no complicado balneário madridista. De Sergio Ramos a Cristiano Ronaldo. De James Rodríguez aos jovens espanhóis como Isco ou Jesé. A situação tem algum paralelo com a de José Mourinho no Chelsea, mas também muitas diferenças – porque o Chelsea estava muito longe da liderança e em Londres não havia registo público de desinteligências. Zidane chega do Real Madrid B para aglutinar boas vontades e salvar a Liga, o que não será fácil. Se o francês ganhará o direito a continuar depois do Verão ou se será substituído por mais um “galáctico” do banco vai depender também da forma como for capaz de colocar a equipa a jogar. Porque – e aí está a parte premonitória – não era difícil adivinhar que a ideia de jogo de Benítez tinha pouco ou nada a ver com as caraterísticas dos jogadores que ele tinha à disposição. É verdade que se uma equipa marca dez golos ao Rayo Vallecano e zero ao Málaga, tem uma média de cinco golos nesses dois desafios. Mas deixa pontos pelo caminho. E este Real Madrid tem sido totalmente bipolar, alternando jogos em que abre a barragem goleadora com outros em que embatuca e não sai do zero. Mudar isso é o primeiro desafio de Zidane.
2016-01-04
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