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Último Passe

Quando o Benfica sofreu três golos do Boavista e outros três do Moreirense, toda a gente falou de Fejsa e da falta que o sérvio fazia nos equilíbrios defensivos da equipa de Rui Vitória. Hoje, Felsa estava de volta e o Benfica perdeu com o V. Setúbal no Bonfim. O problema não foram tanto os desequilíbrios defensivos – o Vitória não chegou muitas vezes com perigo perto da baliza de Ederson – mas sim a falta de capacidade para criar desequilíbrios ofensivos. Foi por isso que os tricampeões nacionais registaram o primeiro zero no ataque desde a derrota com o Bayern em Munique (em Abril). Ou, se limitarmos a amostra à Liga portuguesa, desde o empate a zero com o U. Madeira no Funchal, em Dezembro de 2015. Tal como tinha feito o Moreirense, o V. Setúbal fechou bem o corredor central. Aos dois centrais habituais – Venâncio e Fábio Cardoso – juntou Vasco Fernandes na missão de lateral direito, pedindo depois a Mikel e Bonilha, os dois médios-centro, que fizessem um jogo sobretudo rigoroso em termos posicionais. Bloqueado pelo meio, o Benfica só teve saída pela direita, onde Nelson Semedo e Zivkovic ainda iam criando algumas dificuldades, em contraste com o jogo menos conseguido de André Almeida e Cervi do outro lado. Vitória ainda tentou trocar os laterais, mas foi na segunda parte, com Rafa no lugar do argentino, que o Benfica ganhou flanco direito. E nem aí foi capaz de tirar de Jonas a influência que o brasileiro tinha na época anterior. Com o 10 sempre emparedado, o Benfica dependia da capacidade de Mitroglou chegar a um cruzamento, de um remate de longe ou de Luisão transformar um dos muitos cantos de que beneficiou num golo. Não aconteceu. Depois, pode até falar-se da ausência de Rui Vitória, ausente do banco por castigo, mas a verdade é que mesmo com ele este Benfica não vira jogos. Como se viu em desvantagem a meio da primeira parte, no seguimento de uma boa combinação de Edinho e Arnold na direita, que o congolês cruzou para o cabeceamento vitorioso de Zé Manuel, o Benfica deixou que dele se apoderasse o sentimento de fatalidade que lhe custou um dissabor em todos os jogos nos quais deixou que o adversário se adiantasse. Todas as equipas que lhe marcaram primeiro tiraram algo dos jogos: já tinha acontecido com este mesmo V. Setúbal na Luz (1-1), mas repetiu-se duas vezes com o Napoli (4-2 em Itália e 2-1 em Lisboa), com o FC Porto (1-1), o Marítimo (2-1) e o Boavista (3-3). Esta não é uma equipa programada para virar resultados, mas sim para marcar cedo e gerir a vantagem com um apetite atacante que quase sempre lhe permite ampliá-la. É, apesar de tudo, e sobretudo com Fejsa, uma equipa mais forte nos momentos defensivos do que nos ofensivos. E por isso mesmo encara agora o duplo compromisso caseiro com Nacional e Arouca sabendo que em vez de poder fechar o campeonato em caso de derrota portista no clássico de sábado, terá sempre de continuar a pedalar até ao fim se quer garantir o tetra.
2017-01-30
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Stats

O FC Porto desloca-se ao Bessa, para defrontar o Boavista, num dérbi da cidade do Porto ainda mais apimentado pela recente chicotada psicológica que afastou Julen Lopetegui do comando dos Dragões. A equipa azul e branca vai ser dirigida por Rui Barros, que carrega aos ombros uma tradição bem pesada: desde que Pinto da Costa é presidente do FC Porto – e já o é há mais de 30 anos, todas as chicotadas psicológicas tiveram como resultado imediato uma vitória. A última vez que o FC Porto mudou de treinador a meio da época e não venceu o jogo imediatamente a seguir foi em 1975. Há 40 anos, portanto. Não foram muitas as mudanças de treinador do FC Porto a meio do percurso, é bom que se diga. Desde essa, de 1975, só aconteceram mais oito, com a particularidade de duas serem antes de a época entrar no seu registo competitivo. Em 2004/05, ainda na pré-época, o italiano Luigi Del Neri deu o lugar ao espanhol Victor Fernández, que mesmo assim ganhou o jogo de estreia, um 1-0 na Supertaça ao Benfica. E em 2006/07 foi a vez de o recém-coroado campeão nacional Co Adriaanse ser substituído, em pleno estágio de preparação, por Rui Barros, que no entanto também se estreou a ganhar uma Supertaça: 3-0 ao V. Setúbal, antes de chegar Jesualdo Ferreira. Chicotadas operadas a meio da época por Pinto da Costa foram, por isso, raras. Esta é apenas a sexta. A primeira vez que o atual presidente portista mudou de treinador a meio do caminho foi em Outubro de 1988, quando Quinito caiu após um empate em Fafe (0-0). Sucedeu-lhe, como técnico interino, Alfredo Murça, que ganhou os três jogos até ao regresso de Artur Jorge, o primeiro dos quais por 2-0, ao Vilafranquense, na Taça de Portugal. A Taça de Portugal serviu também de estreia ao treinador que Pinto da Costa contratou para substituir Tomislav Ivic, em Janeiro de 1994: foi o inglês Bobby Robson, que abriu a sua caminhada com uma vitória por 2-0 frente ao Salgueiros, em Vidal Pinheiro. Depois dessa troca, Pinto da Costa voltou a perder a fé num treinador com Otávio Machado, em Janeiro de 2002. Após uma derrota por 2-0 no Bessa, frente ao Boavista, foi buscar José Mourinho a Leiria e viu o novo treinador arrancar a ganhar por 2-1 ao Marítimo nas Antas. Seguiu-se a demissão de Victor Fernández, que já tinha substituído Del Neri mas não aguentou sequer uma época inteira: foi demitido depois de perder em casa com o Sp. Braga, por 3-1, dando o lugar a José Couceiro, que se estreou a ganhar no Estoril, por 2-1. Por fim, antes da demissão de Lopetegui, o presidente portista já tinha substituído Paulo Fonseca por Luís Castro, após um empate (2-2) em Guimarães, em Março de 2014 – e o novo treinador também se estreou a ganhar, na ocasião por 4-1, na receção ao Arouca. Mesmo antes de Pinto da Costa, as chicotadas costumavam ter resultados imediatos no FC Porto. Em Janeiro de 1976, Monteiro da Costa tinha substituído Branislav Stankovic após uma derrota (1-0) com o Belenenses no Restelo e arrancou com uma goleada em casa ao Farense: 6-1. O mesmo Monteiro da Costa, porém, tinha visto a estreia correr-lhe pior na época anterior: em Fevereiro de 1975 já tinha sido chamado para o lugar do brasileiro Aimoré Moreira, que vinha de uma derrota por 2-0 em Guimarães, e estreou-se a empatar em casa com o V. Setúbal (1-1). Foi a 2 de Março de 1975 e no V. Setúbal dirigido por José Torres jogavam Duda e Otávio, que ainda viriam a ser jogadores do FC Porto.   - Rui Barros e Erwin Sanchez são os dois treinadores com menos experiência de comando de equipas na atual Liga. O boliviano tem quatro jogos na prova, com um empate e três derrotas – e só um golo marcado – enquanto o português faz a sua estreia como responsável máximo de uma equipa na competição.   - Na última vez que Sanchez defrontou o FC Porto, ainda como jogador, ganhou por 2-0, com golos de Petit – o treinador que veio agora substituir – e Martelinho. Foi a 20 de Janeiro de 2002 e a derrota levou os dragões a afastarem Otávio Machado e a contratarem José Mourinho para o comando técnico.   - Rui Barros também não defronta o Boavista desde os tempos de jogador. Aconteceu pela última vez a 21 de Agosto de 1999, no Bessa, com um empate a uma bola a ficar eternizado no marcador. Jardel marcou para o FC Porto logo a abrir; Ahinful empatou para o Boavista quase em cima do apito final.   - Há um mês que o Boavista não faz um golo na Liga. O último foi obtido por Uche, a 11 de Dezembro, e valeu um empate em casa com o Estoril. Os axadrezados vão ainda com onze jogos seguidos sem ganhar na Liga, desde os 2-0 com que se impuseram em Coimbra à Académica, a 26 de Setembro. Igualaram já a pior série desde século, que são os onze jogos seguidos sem vitória na prova que registaram entre um 1-0 ao Gil Vicente, a 24 de Fevereiro de 2006, e um 3-0 ao Benfica, a 9 de Setembro do mesmo ano.   - O FC Porto também vem com três jogos seguidos sem ganhar, algo que não lhe acontecia desde Setembro de 2014. Se agora perderam com Marítimo (3-1) e Sporting (2-0), empatando de seguida com o Rio Ave (1-1), em 2014 tinham empatado três partidas consecutivas: 0-0 com o Boavista, 1-1 com o Sporting e 2-2 com o Shakthar Donetsk.   - Zé Manuel, avançado do Boavista, estreou-se na Liga a jogar contra o FC Porto, lançado por Jorge Jesus a 24 de Maio de 2009 nos últimos dois minutos de um empate do Sp. Braga no Dragão (1-1).   - Do outro lado, Marcano, defesa-central do FC Porto, também se estreou na Liga portuguesa a jogar contra o Boavista: esteve nos 90 minutos do empate a zero no Dragão, a 21 de Setembro de 2014, lançado por Julen Lopetegui.   - O Boavista não marca um golo ao FC Porto desde 28 de Abril de 2007, data da última vitória axadrezada no dérbi da Invicta. Nessa altura, os comandados de Jaime Pacheco impuseram-se por 2-1 a uma equipa liderada por Jesualdo Ferreira, com golos de Ricardo Silva e Zé Manuel, aos quais respondeu Lucho González, de penalti. Dos 28 jogadores que entraram em campo nessa noite, só resta Helton no plantel dos dragões.   - Ainda assim, os axadrezados empataram a zero dois dos últimos quatro jogos entre ambos: no Bessa em Março de 2008 e no Dragão em Setembro de 2014.   -O Boavista-FC Porto no Bessa é um jogo que tradicionalmente tem poucos golos. Neste século, em nove desafios, só se fizeram 13, sendo que só por uma vez as duas equipas marcaram: foi mesmo nesse 2-1 favorável ao Boavista, em 2007.   - Fábio Veríssimo já apitou por duas vezes o Boavista esta época, com duas derrotas da equipa axadrezada: 4-0 em Braga e 1-2 em casa com o V. Guimarães. Mas já os viu ganhar 1-0 ao Penafiel na época passada. Este será o segundo jogo que dirige do FC Porto, tendo os dragões ganho o anterior, por 3-0 ao V. Guimarães, no Dragão.
2016-01-09
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