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Último Passe

Há pelo menos duas maneiras de olhar para a possibilidade de transferência de Luisão para o Wolverhampton. Uma é fazê-lo segundo o ponto de vista do Benfica e é simples. Outra é fazê-lo segundo o ponto de vista do jogador e é muito mais complexa. Porque este é claramente um negócio mais interessante para o clube do que para o jogador, por mais zeros que tenha o salário que ele venha a receber a jogar pelo 14º classificado do último Championship, o segundo escalão do futebol inglês. Para o Benfica, o potencial negócio é simples. Tem um jogador que ganha um bom salário, mas que não é eterno e que, se querem saber a minha opinião, já não é um dos dois melhores defesas centrais do clube – Jardel e Lindelof estão acima e acho mesmo que Lisandro López também, ainda que esse não tenha nunca tido continuidade suficiente para ter acerca dele um veredicto mais avisado. Em Lisboa desde 2003, Luisão é o jogador com mais tempo de clube, terá seguramente muita influência no balneário, ou não fosse ele capitão, mas por muito que isso custe ouvir, a equipa melhorou quando ele se magoou e teve de ser substituído, na época passada. Sobretudo por uma razão. É que o veterano brasileiro é mais lento que os colegas de posição e, com ele, das duas uma: ou a equipa joga com a defesa menos subida, aumentando o espaço entre setores ou diminuindo a capacidade para pressionar o adversário, ou então passa a ter mais problemas com as bolas nas costas. E, no entanto, Rui Vitória tem feito a equipa com ele a titular… Para Luisão, tudo é mais complicado. O que se disse há tempos foi que o Benfica já lhe teria comunicado que não ia renovar-lhe o contrato no final desta época – o homem, afinal, já tem 35 anos – mas lhe ofereceu um lugar na estrutura. Oferta essa que Luisão estava inclinado a recusar, porque queria continuar a jogar. O que, visto pelos olhos dele, até se percebe. Afinal, repito, Rui Vitória tem feito a equipa do Benfica com ele a titular. O que ele perceberá pior, afinal de contas, é que, assim sendo, não lhe renovem o contrato: ao capitão de equipa, titular da equipa aos 35 anos. A não ser que a titularidade de Luisão nas primeiras partidas da época fosse simplesmente uma condição para que ele pudesse ser colocado noutro clube até ao fecho de mercado, um clube que poderia perder o interesse se soubesse que estava a levar um suplente na curva descendente e não sobretudo um ex-internacional brasileiro, capitão do tricampeão português. Não conheço as motivações de Luisão para sequer admitir sair neste momento do Benfica: se precisa de fazer um último grande contrato para assegurar o futuro da família, se desconfia das motivações de quem lhe oferece um lugar no momento em que decidir pendurar as chuteiras, se pura e simplesmente acha mesmo que precisa de continuar a jogar, mesmo que seja numa equipa muitos patamares abaixo daquele a que está habituado. Conheço e percebo as do Benfica: quer encontrar lugar e orçamento para um defesa-central que possa valorizar-se e criar sérios problemas aos melhores que por lá tem. Como ainda por cima, via Jorge Mendes, tem esta ligação recente ao Wolverhampton, onde já colocou Hélder Costa e João Teixeira, tentou encontrar aqui uma via de saída para o problema. Só que quanto mais olho para o caso, mais me parece que não estão todos na mesma página.
2016-08-17
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