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Último Passe

O novo Sporting de Jorge Jesus é uma incógnita quase tão grande como o novo FC Porto de Sérgio Conceição. O segundo falhanço na tentativa de ataque ao título nacional – e sobretudo a clara noção de que a equipa esteve mais longe de lá chegar do que na primeira vez – levaram a mais uma revolução no plantel, a um abalo que pode até estar ainda longe de conhecer o fim, uma vez que falta saber o que vai acontecer com os alvos que o leão tem mais apetecíveis no mercado internacional: Rui Patrício, William, Adrien e Gelson. No fundo, tudo depende deles e da política adotada por Bruno de Carvalho para lidar com os apetites internacionais por eles. Nem tão mole como era tradição em Alvalade antes da sua chegada, nem tão inflexível como se mostrou há um ano. A grande dificuldade na condução de uma equipa da dimensão do Sporting – que é grande num mercado periférico, mas cujos resultados internacionais e salários praticados mostram que é pouco mais do que irrelevante no panorama internacional – tem precisamente a ver com a gestão de expetativas dos jogadores mais renomados. A excelente primeira época de Jesus, seguida de um Europeu onde Portugal foi muito para lá do esperado, sagrando-se campeão europeu com uma série de jogadores leoninos no onze, levou a que lá fora se olhasse para Alvalade como se de um mercado de pechinchas se tratasse. Porque os jogadores até podem ter cláusulas de rescisão muito altas, mas se elas forem pouco condizentes com os salários que lhes são pagos isso acaba sempre por se virar contra o clube que as estabelece. De que serve proteger um jogador com uma cláusula de rescisão de 100 milhões de euros, se depois ele ganha dez vezes menos do que os jogadores cujo valor real de mercado são mesmo esses 100 milhões de euros?  Na prática, serve para que o clube possa segurar o jogador, é verdade. Mas isso é bom se de repente houver quem lhe ofereça um salário quatro ou cinco vezes maior do que ele ganha mas queira pagar apenas um terço da cláusula de rescisão, isto é, o real valor do jogador? A dúvida é: vale a pena ficar com jogadores contrariados? Não há certezas a este respeito. No ano passado, Bruno de Carvalho aceitou perder João Mário e Slimani, mas teve de se atravessar para ficar com Adrien, por exemplo, que fez de tudo – incluindo uma entrevista à revelia do clube, na qual assumiu a vontade de ir embora – para forçar a saída para o Leicester. E se é verdade que nenhuma equipa que tenha aspirações deve ser de um ano para o outro forçada a perder mais do que dois ou três jogadores, o que o fracasso da última época terá dito é que também não pode assentar a estrutura em elementos cuja cabeça esteja longe. O mais razoável é que haja um fluxo de comunicação desempoeirado entre clube e jogadores, em que estes aceitem a lógica do par de saídas por ano e o clube assuma uma fila de prioritários. Olhemos para casos práticos. Em 2003, por exemplo, José Eduardo Bettencourt assumira que, já tendo vendido Quaresma ao Barcelona, e sem necessidades de tesouraria prementes, não ia deixar sair mais nenhum jogador de peso. Mas apareceu o Manchester United por Ronaldo e o Sporting não resistiu. Foi um erro? Creio que sim. Um ano depois, o jogador poderia certamente ser muito mais rentabilizado financeiramente e de caminho até poderia ter conquistado algo com a camisola do Sporting. Saiu logo ali porquê, então? Porque o clube não era capaz de resistir à pressão do mercado, dos jogadores, dos empresários, dos colossos europeus. A cena repetiu-se vezes sem conta no Sporting desde essa altura. Jogadores a saírem antes de tempo, antes da glória desportiva, antes de terem um valor decente no mercado, um valor que compensasse o clube por se separar deles. Porquê? Porque eles queriam. Chegava-se ao ponto de qualquer jogador formado no Sporting já não ter como objetivo imediato de carreira o fixar-se na equipa principal mas sim o sair para o estrangeiro. A geração dos Bruma, dos Ilori, dos Edgar Ié, já não tem raiz em Portugal. Bruno de Carvalho mudou isso e assumiu a atitude rigorosamente inversa desde o seu primeiro defeso, onde teve de lidar com os casos Dier e Bruma, por exemplo. O Sporting passou a ser capaz de vender menos e muito melhor, mas a forma como correu a última época desportiva deixa dúvidas acerca de tanta inflexibilidade e pode ser uma forma de lançar o que aí vem. Até ver, os leões estão a construir um super-plantel. Falta perceber duas coisas. Se as estrelas que por cá estavam ficam e se, em caso afirmativo, isso não pode transformar os novos recrutas em peças sobressalentes sem uso, acabando por torná-los tão inúteis como aconteceu há um ano com Petrovic, Elias ou Markovic.
2017-07-09
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Último Passe

A Taça das Confederações é um pouco aquilo que se quiser. Com as costas protegidas, Joachim Löw quis dar férias aos titulares e trazer uma segunda equipa. Escaldado pela crítica, que olha para ele como o primo feio de Sampaoli, Juan Antonio Pizzi quis ganhá-la e mete em cada jogo toda a combatividade do futebol sul-americano, ameaçando levar toda a gente aos limites da exaustão. Os dois vão jogar a final hoje. Antes, como se fossem um prato de amendoins torrados, aparecem portugueses e mexicanos, que ficaram ali um pouco a meio-caminho. O que levam daqui? Um grupo “mais consolidado”, como disse Fernando Santos? Sim. Mas o futebol é o momento e a partir de Agosto há que desconstruí-lo de novo. Fernando Santos não veio para a Taça das Confederações nem com a displicência alemã – e palavra de honra que nunce pensei poder vir a juntar estas duas palavras na mesma frase – nem com a combatividade chilena. Trouxe os mais fortes, mas não os esticou. Nunca abusou deles. E assim que a vitória na prova deixou de ser possível libertou o melhor de todos ele por razões pessoais, que toda a gente afirma compreender mas que no final será sempre uma incómoda pedra no sapato de cada um, quanto mais não seja porque faz jurisprudência. Porque, suceda o que suceder, esta é uma sombra a pairar sobre o jogo de hoje e sobre o futuro próximo desta equipa. Com que legitimidade poderá o selecionador daqui para a frente agir de forma diferente com outro jogador da seleção num jogo oficial? O que está em causa não são o empenho ou o profissionalismo de Ronaldo. Ronaldo – ainda que outro Ronaldo, numa fase diferente da carreira – jogou aqui mesmo, na Rússia, um dia depois da morte do pai, de que teve conhecimento já em estágio. E quis jogar. Ronaldo continuou na equipa depois de saber que os gémeos tinham nascido – e isto não é um elogio, fez o que tinha de fazer, sendo ele o líder desta equipa – e se foi agora dispensado o que isso nos diz é que o jogo contra o México já não é uma prioridade para ninguém. Que apesar da cautela com que Fernando Santos e André Silva abordaram o tema na conferência de imprensa de ontem, o jogo com o México quer-se ganhar, como querem ganhar-se todos os jogos, mas o resultado não é a prioridade maior. Essa era a final e, não podendo estar lá, é pouco mais do que irrelevante ficar em terceiro ou em quarto. Joga-se porquê, então? Joga-se, primeiro, porque está no calendário. Jogar-se-á, depois, pela mesma razão pela qual se esteve nesta Taça das Confederações, aquilo a que Fernando Santos chamou “consolidar o grupo”. E isso acaba por ser o que se leva daqui, além de uma presença nas meias-finais – que em termos futuros é isso que fica e não se se obteve o terceiro ou o quarto lugar. Da Rússia, Portugal leva três jogadores com mais estatuto na seleção e uma grande preocupação a juntar à escassez de defesas-centrais capazes de substituir os trintões que aqui vieram. Os jogadores que ganharam peso foram Cédric, William e Bernardo Silva. Cédric porque foi um dos melhores e mais constantes elementos da equipa na prova, a render muito tanto defensiva como ofensivamente; William, porque a evidência da sua importância estratégica na tarefa de dar visão ao meio-campo fez com que a contestação à sua titularidade já seja sobretudo de cariz clubístico; e Bernardo Silva porque mostrou finalmente no contexto de seleção que é um jogador único, com condução de bola e criatividade juntas ao serviço do desequilíbrio e com uma escolha de caminhos em campo que permite à equipa ser mais controladora nos jogos com adversários fortes. Aliás, a preocupação prende-se também com Bernardo Silva e com o homem que está do outro lado do espelho, André Gomes. A questão é que também André Gomes é um jogador quase único no contexto do 4x4x2 da seleção. O jogador do Barça tornou-se o ódio de estimação da generalidade dos portugueses que gostam de ver futebol através das embirrações – outros candidatos são, de há muito tempo, Moutinho, Eliseu e, agora menos, William Carvalho. André Gomes não fez um mau torneio – jogou bem com a Rússia, menos mal com o México, só ficando aquém na parte final do desafio com um Chile que era demasiado rápido nos espaços curtos para ele. Mas o futuro da seleção em grandes competições passa por ter um médio como ele, alguém capaz de jogar na ala e de se juntar ao núcleo central do meio-campo. Na Rússia, como alternativa, Fernando Santos só tinha Pizzi, podendo em breve voltar a juntar-lhe João Mário, que não veio por estar lesionado. E o problema é que a Taça das Confederações pode ter sido uma das últimas oportunidades para convencer o público desta necessidade: nas eliminatórias do Mundial, com o regresso dos adversários mais fracos, os jogos vão voltar a pedir extremos puros e a solução vai voltar a parecer colada com fita-cola se e quando se chegar ao Mundial. Original escrito para a edição de 2 de Julho do Diário de Notícias
2017-07-02
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Chipre não é propriamente um adversário de enorme valor, o jogo era um simples particular, mas a vitória por 4-0 que Portugal conseguiu na preparação para a viagem à Letónia e para a Taça das Confederações deixou indicações positivas, algumas dúvidas e ainda uma curiosa preocupação. Os portugueses fizeram dois golos em cada parte, os dois primeiros beneficiando da inspiração de João Moutinho nos livres diretos, os dois últimos a premiar uma exibição mais bem conseguida do ponto de vista coletivo. Foi neste segundo período que a equipa mostrou coisas melhores, como a aceleração e a criatividade de Gelson, o critério de William na saída de bola ou a chegada de Pizzi à área. Tudo somado, leva à grande preocupação: é que, ao contrário do que sucedeu há um ano, a equipa está bem na entrada para a reta final da época. E, pelo menos nas competições como os Europeus e os Mundiais, isso não costuma ser bem. Falta ver como é na Taça das Confederações. Fernando Santos tinha dito que os campeões europeus não estão nunca em teste, mas a verdade é que têm de estar, quanto mais não seja por comparação com eles mesmos. Primeiro, porque é preciso deslindar a questão do onze titular. E se ao onze de hoje somarmos Pepe e Cristiano Ronaldo, já se vê que é preciso sacar de lá dois homens. Se depois verificarmos que o treinador fez algumas poupanças e muito mais experiências, não fica fácil entender quem vai começar em Riga, no final da próxima semana, ou muito menos quem vai arrancar na Taça das Confederações, daqui a duas semanas. William ou Danilo? João Moutinho ou Adrien? João Mário ou André Gomes? Nani, Bernardo Silva ou Gelson? Ou até Pizzi? Tudo questões de difícil resposta. Porque Danilo fez melhor época que William, mas a equipa respira melhor com este a pautar o jogo de ataque do que com aquele à frente dos centrais. Porque tanto Moutinho como Adrien tiveram esta época Ligas menos extenuantes, o que lhes permite chegar a Junho e disputar o lugar apenas com base na capacidade de cada um. E a coisa complica-se ainda mais quando se percebe que para Ronaldo entrar no onze, no lugar ontem ocupado por Nani – e a partir de meio da segunda parte por Pizzi – os dois terão de disputar vagas noutras posições. Se Fernando Santos persistir na ideia de compor o meio-campo a quatro com um extremo puro e um médio que permita os equilíbrios, a Nani resta disputar a vaga com Bernardo e Gelson, que foi dos três o melhor frente a Chipre, por ser capaz de ir para cima dos adversários e explorar as acelerações e o um contra um. Por outro lado, Pizzi, que foi dos médios o que evidenciou melhor chegada à área – sim, jogou no lugar que vai ser de Ronaldo e isso também conta – poderia bater-se com Moutinho e Adrien pela posição de segundo médio se Fernando Santos fosse mais arrojado, mas restar-lhe-á um lugar de suplente de luxo ou a disputa da vaga de médio-ala mais dado a cair no meio e a equilibrar atrás, em cuja órbita têm andado João Mário e André Gomes. No final do jogo, Fernando Santos dizia que não podia ter opções melhores do que as que teve no Europeu, porque Portugal ganhou o Europeu e os jogadores que lá estiveram foram “absolutamente brilhantes”. Mas a verdade é que o selecionador tem mesmo mais opções. E tem opções em melhor momento. A começar por Ronaldo, que foi poupado a muitos dos jogos do Real Madrid na ponta final da época para poder brilhar na Champions, não se veem neste grupo jogadores presos por arames, como se viam há um ano, antes do Europeu. E isso é bom. Mesmo que daqui por um mês possamos estar a dizer que a equipa chegou ao topo cedo demais para poder aguentar esse momento até à fase decisiva da Taça das Confederações.
2017-06-03
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Jorge Jesus queixou-se uma vez do excesso de influência de Bas Dost nos golos do Sporting. “Não estou habituado a ter um jogador a marcar todos os golos das minhas equipas”, disse nessa altura. Hoje, depois de mais um “hat-trick” do holandês valer ao Sporting a vitória em Braga e a manutenção das distâncias relativamente a FC Porto (segundo, a cinco pontos) e V. Guimarães (quarto, a oito), o treinador não se mostrou incomodado. E não o fez porque tenha passado a gostar de ter um jogador com tamanha influência na produção goleadora da sua equipa. Fê-lo porque o Sporting fez um excelente jogo no ataque e aquilo que verdadeiramente incomodava Jesus no Inverno era o pouco que a sua equipa estava a jogar. Bas Dost chegou em Braga aos 31 golos em 28 jogos de campeonato. Já garantiu que chegará ao fim da Liga, na pior das hipóteses, com um golo por jogo – e isto se não marcar nas três últimas rondas –, algo que ninguém faz em Alvalade desde que Jardel assinou 42 nas 30 partidas em que participou na conquista do campeonato de 2001/02, com Bölöni. E segue exatamente com metade (50 por cento) dos golos leoninos, percentagem de influência que nenhum jogador do Sporting conseguia também desde esse ano de apogeu de Jardel, cujos 42 golos nessa Liga representaram 56,7% dos 74 feitos pela equipa. Liedson, por exemplo, nunca passou dos 37,8% (25 golos em 66 em 2004/05, com Peseiro) e Slimani dos 34,1% (27 golos em 79, na época passada, já com Jesus). Quem tinha estado mais perto da marca de Jardel até tinha sido van Volfswinkel, que na trágica época de 2012/13 (Sporting fora dos lugares de qualificação europeia) marcara 14 dos 36 golos da equipa na Liga (38,8%). Ora por aqui se vê que os números nos dizem o que quisermos. Nem o Sporting de 2001/02 foi campeão porque Jardel marcava mais de metade dos golos da equipa nem o de 2012/13 ficou fora da UEFA por causa da influência de van Wolfswinkel. A questão é que a primeira equipa, a que foi campeã, jogava muito, e a segunda, a que ficou fora da Europa, jogava pouco. Como o Sporting dos meses de Inverno nesta Liga que deverá acabar em terceiro. No jogo de Braga, por isso, o hat-trick de Bas Dost e o facto de ele se ter aproximado da percentagem de influência de Jardel não foi um problema, porque o Sporting desenvolveu um futebol atacante vistoso, com influência das acelerações de Podence, dos dribles e da velocidade de Gelson, de uma boa atuação dos dois laterais – coisa rara esta época – e de uma tarde dominadora de William a sair com bola. Quando assim é, Jesus não se importará que um só avançado seque o resto da equipa e faça todos os golos. Até porque dali vai chegar-lhe o único troféu da época, que será o título de melhor marcador nacional e um lugar no pódio dos mehores da Europa.
2017-04-30
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A equipa. Não restam muitas dúvidas nem entraves ao consenso. Portugal foi evoluindo à medida que a competição foi avançando e terá encontrado o seu onze de gala na fase decisiva. Hoje o onze titular deve ser igual ao que bateu Gales, com as entradas dos dois jogadores que nessa altura estavam impossibilitados de jogar: Pepe (lesionado) e William (castigado). A seleção deve assim entrar de início com cinco jogadores que começaram a prova como suplentes: Cédric, José Fonte, William, Adrien e Renato. Não tendo sido propositado, esse fator acaba por funcionar a favor da equipa portuguesa, que soma a esse menor peso da prova nas pernas o dia-extra de repouso que estranhamente a equipa organizadora cedeu ao adversário no desenho do calendário. A esperança portuguesa é a de que isso venha a ser decisivo. A estratégia. Portugal é uma equipa difícil de contrariar, porque é uma espécie de camaleão do ponto de vista estratégico. Nunca se sabe muito bem como a equipa vai entrar em campo, porque ela se centra tantas vezes na melhor forma de contrariar o adversário e tão poucas numa identidade própria. Foi assim nos três jogos que a seleção já fez a eliminar nesta prova. Hoje, a estratégia portuguesa pode passar por duas ideias fortes: impedir que as movimentações de Griezmann e Payet se tornem letais no espaço central e não deixar que Pogba e Matuidi empurrem o bloco para perto da baliza de Rui Patrício. Muito se vai jogar, portanto, no meio-campo, sendo que a mobilidade dos jogadores de segunda linha franceses não aconselha a que Portugal mantenha as referências individuais que tem vindo a utilizar com frequência – fê-lo, por exemplo, com a Croácia ou a Polónia. Se o que interessa é controlar as movimentações de Griezmann, há que manter William posicional à frente dos defesas, mas não lhe dar ordens para ir atrás dele, porque se o espaço vaga aparece lá Payet, vindo da esquerda. Se Payet não é tão perigoso pelas idas à linha de fundo para cruzar ou pela largura, mas sim pelas diagonais da esquerda para o meio, há que ter Renato Sanches a fechar esse espaço, permitindo-lhe até que se junte muitas vezes a Adrien mais por dentro, de forma a igualar o duelo com Pogba e Matuidi. Se Pogba e Matuidi gostam de chegar perto da área, de empurrar a equipa para a frente, há que ganhar-lhes as costas, seja através da saída de bola de William, da explosão de Renato, de tabelas com Adrien ou de desmarcações de apoio de Nani ou Cristiano Ronaldo. O jogo. A França vai ter mais bola. Isso parece evidente à partida, ainda que Portugal chegue a esta final com maior percentagem de posse que os donos da casa (53% contra 52%). A chave do jogo para Portugal vai, por isso, estar em grande parte nos comportamentos sem bola, na forma como a equipa for capaz de fechar os espaços, mas também nos momentos de transição ofensiva. A zona central da defesa francesa melhorou com a entrada de Umtiti para o lugar de Rami, mas ainda é a mais vulnerável no jogo francês, pelo que as movimentações de Ronaldo e Nani podem vir a ser fundamentais. O mais certo é Deschamps acabar por pedir aos seus laterais que joguem muito perto dos centrais, sobretudo no lado mais longínquo do campo, para evitar situações de dois para dois que podem ser potencialmente perigosas. Mas onde tudo vai decidir-se é mais atrás, na capacidade que Portugal vier a ter (ou não) de queimar as linhas francesas em contra-ataque. O favoritismo. A França entra como favorita. Fez um Europeu mais convincente, joga em casa e ganhou os dois particulares que fez contra Portugal nos últimos dois anos. O que se jogou aqui, no Stade de France, foi mesmo a estreia de Fernando Santos e começou de forma trágica para uma equipa portuguesa que foi completamente atropelada nos primeiros minutos. Mas isso não quer dizer que ganhe. Esta equipa portuguesa é muito difícil de derrotar. Basta olhar para os últimos dez anos. Em fases finais (2006, 2008, 2010, 2012, 2014 e agora 2016), descontando a meia-final de 2012, resolvida nos penaltis, Portugal só perdeu seis jogos: quatro vezes com a Alemanha (no jogo pelo terceiro lugar de 2006, nos quartos-de-final de 2008, na fase de grupos de 2012 e 2014), uma com a França (na meia-final de 2006), uma com a Espanha (oitavos-de-final de 2010) e outra com a Suíça (num jogo irrelevante de 2008, que a seleção jogou com vários suplentes). Dessas seis derrotas, duas foram contra a equipa da casa e outras duas contra o futuro campeão. Mau agoiro para o jogo de hoje? A tradição e o desdém. Diz o registo histórico que Portugal não ganha à França há 41 anos. Desde que a bateu em Paris, em 1975, num jogo particular. Mas Fernando Santos tem sido pródigo em acabar com as tradições. Foi assim quando Portugal ganhou à Itália como assim foi quando bateu a Argentina. Isso pesa zero no que há-de acontecer mais logo. Como zero pesa o facto de todos os analistas franceses acharem que Portugal não joga nada e que a França ganhará facilmente. É no campo que vai ver-se.
2016-07-10
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Último Passe

Um aproveitamento de 100 por cento nas grandes penalidades, a somar a um penalti defendido por Rui Patrício, permitiu a Portugal carimbar o apuramento para as meias-finais do Europeu, depois de mais um empate – o quinto – da equipa de Fernando Santos nesta fase final. Desta vez, o futebol jogado saldou-se por uma igualdade a um golo: os polacos marcaram logo a abrir, por Lewandowski, tendo os portugueses empatado por Renato Sanches quando Fernando Santos transmitiu alguma clareza tática para dentro do campo, ainda na primeira parte. Cristiano Ronaldo ainda perdeu um par de situações claras para fazer o segundo, mas não vacilou quando se tratou de liderar a equipa no desempate. Aí, além do capitão, Renato Sanches, João Moutinho, Nani e Quaresma também fizeram golo nas suas tentativas, tendo Rui Patrício detido o remate de Blaszczykowski da definição do 5-3 final. Sem Raphael Guerreiro e André Gomes, Fernando Santos colocou finalmente na relva o meio-campo que o país em peso vinha pedindo, mas nem por isso a equipa entrou bem no jogo. Com Wiliam Carvalho atrás de Renato Sanches, Adrien Silva e João Mário, Portugal passou meia-hora numa indefinição tática da qual ninguém se salvava. Ora Cristiano e Nani abriam nas alas deixando a João Mário a missão de aparecer como falso ponta-de-lança; ora o capitão ficava no meio e era Adrien quem mais dele se aproximava, baixando Nani; ora a equipa se aproximava de um 4x3x3 com Adrien e Renato por dentro e João Mário a abrir como extremo... As combinações ofensivas não saíam e, pior do que isso, defensivamente a equipa parecia adormecida. Para cúmulo, a Polónia marcou logo aos 2’, num lance em que alguns portugueses não ficaram isentos de culpas: Cédric falhou a interceção de um passe que encontrou Grosicki na esquerda, este ganhou posição na linha de fundo e, beneficiando de um movimento de Milik, que arrastou os dois centrais portugueses em direção à baliza, deu a bola para a finalização fácil de Lewandowski, que se adiantou a William Carvalho graças a uma melhor e mais rápida leitura do lance. Estava dado o mote para uma meia-hora na qual, mesmo tendo experimentado visar a baliza de Fabianski algumas vezes, Portugal podia ter deitado o jogo a perder, tanta era a desconcentração que a equipa mostrava e que se revelava na perda sucessiva de passes. As melhores ocasiões neste período foram polacas, nelas se contando um remate de Milik ao lado (aos 15’) e uma defesa de Rui Patrício a novo tiro de Lewandowski (aos 17’), mas sobretudo uma troca de passes no lado esquerdo do ataque polaco que, mesmo sem ter criado sensação clara de golo, deixou os portugueses como se fossem meros pinos de treino. Por volta da meia-hora, porém, Fernando Santos parece ter esclarecido as coisas com a equipa. Corrigidas as posições em campo, tendo Portugal assumido um 4x1x3x2 mais clássico, com Renato na direita, João Mário na esquerda e Adrien perto de William, a equipa assentou o jogo. E ato contínuo chegou ao golo, numa bela tabela de Renato com Nani, que o jovem médio concluiu com um remate de pé esquerdo para o fundo da baliza polaca. Houve alguma fortuna na forma como o remate desviou em Krychowiak, fugindo do guarda-redes, mas Portugal encarregar-se-ia nos minutos seguintes de mostrar que merecia essa sorte. Abriu-se aí a melhor fase portuguesa no jogo. E em condições normais esta podia mesmo ter dado origem à primeira vitória portuguesa em 90 minutos. O meio-campo funcionava na forma como era capaz de tirar a bola da zona de pressão polaca e conduzir a equipa a ataques rápidos, como aquele em que Ronaldo se isolou sobre a esquerda e, quando tinha João Mário do outro lado, de baliza aberta, optou por rematar em vez de lhe dar a bola para o que se adivinhava viesse a ser uma conclusão fácil. O remate do capitão, no entanto, acertou na rede lateral (aos 56’). O mesmo Ronaldo acertou mal numa bola já dentro da área (aos 60’), tendo Adrien chutado de ressaca contra um adversário. E até Cédric, num disparo de fora da área, esteve à beira de desempatar (aos 64’). O cansaço de alguns elementos pôs termo a esta boa fase de Portugal. O sinal veio num desvio de Milik, que Rui Patrício deteve com categoria (aos 69’) ou no cartão amarelo mostrado a Adrien pela forma como travou, em falta, um contra-ataque polaco (aos 70’). Mas mesmo com o jogo mais dividido, os portugueses podiam perfeitamente ter ganho. Primeiro num raide de Pepe em que, para evitar que a bola chegasse a Ronaldo, Glik quase fez autogolo (aos 81’). Depois, já em período de compensação, quando João Moutinho (que substituíra Adrien) descobriu mesmo Ronaldo atrás da linha defensiva polaca, mas o capitão luso não foi capaz de desviar o passe alto em direção da baliza do desamparado Fabiánski. O prolongamento foi marcado mais pelo medo de perder do que pela vontade de ganhar. Portugal já tinha lançado Quaresma em vez de João Mário, fazendo-o o jogar pela direita e derivando Renato para a esquerda. Percebendo o cansaço de William, mais uma vez o que mais estava a correr entre os jogadores lusos, Fernando Santos trocou-o então por Danilo, de forma a evitar que essa fadiga se refletisse em falta de cobertura defensiva aos centrais na contenção dos dois pontas-de-lança que Nawalka mantinha em campo e de testar já a solução para a meia-final, uma vez que William viu um amarelo que o afasta do jogo. Ainda assim, com a Polónia a beneficiar nesta fase de alguma falta de agressividade portuguesa no ataque às sobras e a encaminhar o jogo para mais perto da baliza de Rui Patrício, a melhor ocasião de golo pertenceu a Portugal, quando Ronaldo voltou a não acertar bem na bola, desta vez após ficar em boa posição no seguimento de um cruzamento de Eliseu (aos 93’). A verdade é que ninguém desempatou o jogo e este se decidiu mesmo nas grandes penalidades. E aí, 100% de frieza e competência dos marcadores portugueses, tendo Rui Patrício assinado a única defesa do desempate, quando caiu para a sua esquerda para ir buscar o remate de Blaszczykowski. Quaresma não vacilou na hora de bater o penalti decisivo e apurou Portugal para a sétima meia-final do seu historial (já lá tinha estado nos Mundiais de 1966 e 2006 e nos Europeus de 1984, 2000, 2004 e 2012).
2016-07-01
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Há uma razão acima de todas as outras para que o futebol seja muito baseado em triângulos: é que quando estamos num dos vértices, podemos desenhar o triângulo independentemente do lado que escolhermos. Uma das justificações fundamentais para a melhoria do futebol da seleção nacional no jogo contra a Áustria foi a construção de um triângulo a meio-campo. Outra foi o facto de a Áustria ter dado um pouco mais de espaço. Outra ainda foi a entrada no onze de William Carvalho. Querer atribuir a apenas uma das justificações a melhoria global da equipa é como dizer que o mais alto aí em casa só chega à prateleira de cima do armário porque se põe em cima de um banco ou porque estica o braço, quando na verdade, mesmo esticando-se ou subindo para cima de um banco ele não chegaria lá se não fosse o mais alto. Os “mapas de calor” da equipa portuguesa nos dois primeiros jogos não deixam dúvidas acerca do que foi visível a olho nu. Avaliando o preenchimento do campo pelos jogadores colocados em campo por Fernando Santos é evidente que o selecionador trocou o 4x4x2 por um 4x3x3, com Moutinho e André Gomes à frente de William Carvalho. Desenhou ali o tal triângulo, que ajudou a modificar o futebol da equipa e a que esta conseguisse meter mais gente dentro do bloco defensivo adversário, podendo assim causar mais desequilíbrios atacantes. É por causa desta evidência geométrica que o 4x3x3 é muito mais fácil de interpretar do que o 4x4x2. Mas será o melhor para a equipa? Isso é discutível: Ronaldo pode render mais ofensivamente solto na frente, alternando entre o meio e a esquerda com uma referência frontal, mas cria mais problemas defensivos à própria equipa se lhe for atribuído o fecho de um dos corredores laterais e depois raramente lá estiver no momento de perda da bola. Isso, porém, nunca foi posto à prova por uma Áustria que raramente conseguiu sair com perigo para o ataque. Mas centremo-nos nos momentos ofensivos, para entender o que mudou em Portugal do jogo com a Islândia para o jogo com a Áustria. A análise do circuito preferencial de jogo da equipa de acordo com a estatística oficial fornecida pela UEFA vem confirmar a ideia de que as coisas mudaram. Selecionando o companheiro a quem cada jogador português deu mais passes certos, contra a Islândia a equipa jogou preferencialmente de Rui Patrício para Pepe (oito passes), deste para Ricardo Carvalho (18 passes, contra nove para Danilo), depois para Raphael Guerreiro (17 passes, com onze para Danilo), do lateral esquerdo para Moutinho (15 passes) e desde de volta a Guerreiro (outros 15 passes). Nani (25 passes) e Ronaldo (44 passes) foram os menos solicitados da equipa, tendo Portugal feito chegar apenas 69 passes aos jogadores de ataque. No jogo com a Áustria, o circuito mudou. Rui Patrício fez os mesmos oito passes para Pepe, que no entanto entregou 19 bolas a William Carvalho e apenas oito a Ricardo Carvalho. Teve instruções para isso ou simplesmente passou a ter um médio que se ofereceu mais frequentemente para dar seguimento à construção? Provavelmente as duas coisas. Depois, há outra alteração importante: enquanto no jogo com a Islândia os destinatários preferidos de Danilo foram Pepe e Ricardo Carvalho (doze passes para cada um), frente à Áustria William escolheu João Moutinho (16 passes) e André Gomes (11 passes). Efeitos da criação do triângulo ou uma maior predisposição de William relativamente a Danilo para jogar para a frente? Mais uma vez, provavelmente as duas coisas. O circuito português no jogo com a Áustria prosseguiu com Moutinho a dar onze passes a Quaresma, que por sua vez jogou sobretudo com o mesmo Moutinho (quatro passes) e André Gomes (outros quatro passes). Portugal fez chegar mais bolas ao ataque (91 contra 69), envolveu mais gente no seu circuito preferencial, mas Ronaldo esteve menos em jogo (recebeu só 33 passes, aos quais há a somar 24 para Nani e 34 para Quaresma). Ainda assim, Portugal voltou a não ganhar e, apesar de ter mais bolas na frente, até rematou menos: 23 tiros, contra os 27 totalizados ante a Islândia. A questão é que rematou de melhores posições e em condições normais teria feito mais golos. O que faltou foi o acerto normal de Ronaldo: olhando para as médias de toda a época, entre o Real Madrid e a seleção nacional, Ronaldo faz seis remates a cada 90 minutos, marcando 0,9 golos por jogo: a média dá um golo a cada 6,6 remates. Nos dois jogos do Europeu que já disputou, Ronaldo tentou 22 remates. Em condições normais, já teria feito pelo menos três golos. É isso que é preciso melhorar para Portugal poder ter futuro neste Europeu além da final de quarta-feira próxima contra a Hungria. In Diário de Notícias, 20.06.2016
2016-06-20
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Último Passe

Portugal melhorou do primeiro para o segundo jogo do Europeu, mas voltou a não conseguir ganhar. Desta vez, nem com 23 finalizações e um penalti, nem com duas bolas nos postes da baliza de Almer, nem com uma mudança de sistema que lhe permitiu fazer os médios jogar com mais frequência dentro do bloco adversário os portugueses conseguiram fazer um único golo à Áustria, saindo do Parque dos Príncipes com um 0-0 que é ao mesmo tempo frustrante e pressionante. Frustrante porque a equipa fez mais por ganhar e em condições normais teria ganho, pressionante porque o resultado deve obriga-la a vencer o último jogo, frente à Hungria, na quarta-feira, para seguir para os oitavos-de-final. No fundo faltou à seleção aquilo que Cristiano Ronaldo pode dar-lhe: golos. O capitão teve tudo para os fazer, mas nem de penalti lá chegou: a 11 minutos do fim, ganhou uma grande penalidade, na sequência de um raid de Raphael Guerreiro na esquerda, mas apesar de ter enganado o guarda-redes, fez a bola esbarrar no poste. O segundo penalti consecutivo falhado por Cristiano Ronaldo na seleção – já tinha permitido a defesa do guarda-redes contra a Bulgária, em Março – pode nem levar o selecionador a mudar a hierarquia dos marcadores, mas terá seguramente levado o capitão de equipa a aproximar-se dos restantes “humanos” e procurar tirar mais de si mesmo daqui para a frente. Além de que enfatizou a falta que os golos dele fazem a uma equipa que já na primeira parte tinha acertado no poste, num cabeceamento de Nani, após cruzamento de André Gomes. E essas nem foram as únicas ocasiões flagrantes desperdiçadas por Portugal, o que justifica a forma efusiva como os adeptos austríacos festejaram o empate no final: ficaram a cantar nas bancadas, apesar de a equipa de Koller continuar em último lugar no Grupo F e sem depender apenas de si própria para se apurar. Ao empate não é alheia também a forma como Fernando Santos geriu a equipa no banco. De início, o técnico corrigiu bem os erros táticos cometidos ante a Islândia mas mexeu mal durante o jogo. A entrada de William para o comando do meio-campo trouxe a Portugal a capacidade de afastar a bola das zonas de pressão, graças à sua maior agilidade no passe longo e à capacidade que tem para ganhar terreno com bola, ao passo que passagem para o 4x3x3 também ajudou João Moutinho e André Gomes a entrarem com bola entre as linhas defensivas adversárias: Moutinho foi mesmo designado pela UEFA, com exagero, é verdade, como o melhor em campo (ainda que tenha estado abaixo do rendimento de William e dos dois laterais). A questão é que, com Portugal a encostar a Áustria às cordas, Fernando Santos demorou a mexer. E quando mexeu permitiu que se instalasse a confusão na equipa. Nunca foi claro o que o treinador quis obter, por exemplo, com a entrada de João Mário: impunha-se que ele (ou Renato Sanches) entrasse até antes do minuto 71, mas para jogar em vez de um dos médios-interiores, de forma a dar mais criatividade naquela zona, mas ao fazê-lo entrar para o lugar de Quaresma na direita e mandá-lo explorar o jogo interior, Santos perdeu o flanco. André Gomes acabou por sair, mas apenas a sete minutos do fim, quando o desespero levou o selecionador à entrada de Éder para jogar ao lado de Cristiano no centro do ataque. E Rafa, o último a ser chamado, acabou por ser quem mais trouxe ao jogo – percebeu-se no final que devia ter ocupado a vaga de um Nani que já estava esgotado muito antes do minuto 89, que foi quando ele entrou no relvado. Ainda assim, em condições normais, Portugal devia ter ganho o jogo. Apesar da largueza que os dois centrais portugueses foram dando a Harnik, o ponta-de-lança solitário dos austríacos, para este poder combinar com os médios, a Áustria só chegou três vezes à baliza de Rui Patrício. Logo aos 3’, de cabeça, Harnik soltou-se atrás da defesa portuguesa para cabecear um cruzamento de Sabitzer, mas fê-lo ao lado. O ponta-de-lança voltou a ameaçar aos 41’, na sequência de um livre lateral que Alaba bateu direto à baliza, mas nessa ocasião Vieirinha evitou que ele fizesse a finalização e cortou junto ao poste. E a abrir a segunda parte Rui Patrício fez a sua única defesa, detendo um remate de longe de Illsanker. Até final, com Alaba (que jogou atrás do ponta-de-lança, a ser completamente dominado por William e a ser substituído) os austríacos limitaram-se a conter as ofensivas de Portugal, que só ficou a dever a si próprio a vitória. E aqui Nani e Ronaldo terão de dividir responsabilidades, pois foram perdendo golos à vez. Aos 12’, Nani ganhou um ressalto e isolou-se face a Almer, mas não conseguiu evitar a mancha do guarda-redes. Dez minutos depois, foi Ronaldo quem teve a bola à frente para marcar, após trabalho de Raphael Guerreiro, mas chutou de pé direito ao lado. Nani acertou no poste aos 29’, de cabeça, após cruzamento de André Gomes e aos 38’ foi outra vez Ronaldo quem cabeceou para o guarda-redes, no seguimento de um canto de Quaresma. Na segunda parte, Nani foi-se apagando e teve de ser Ronaldo a assumir as responsabilidades: chutou de longe para grande defesa de Almer aos 55’, cabeceou para o guarda-redes após o canto de Quaresma aos 56’, bateu um livre em boa posição por cima da barra aos 65’ e acertou no poste com o penalti que ganhou aos 79’. Tanto fogo, sem um único tiro certeiro acaba por deixar a equipa numa posição desconfortável e sem o direito a errar de novo no jogo com a Hungria. Santos parece ter acertado no regresso ao 4x3x3, seja com Nani ou Ronaldo ao meio, mas o pouco que se viu neste jogo parece impor a entrada de Rafa na equipa para o último jogo, onde João Mário e Renato Sanches também podem ter um papel a desempenhar – nem que seja saindo do banco – mas para jogar ao meio. 
2016-06-18
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Último Passe

Portugal vai enfrentar a Áustria numa situação que não é brilhante mas também não é desesperada. Saiu com um ponto do primeiro jogo, precisará de fazer mais três – em dois jogos – para se qualificar, uma vez que os quatro pontos darão quase de certeza para se ser um dos quatro melhores terceiros. Contra a Áustria, a obrigação é a mesma que já era ante a Islândia: ganhar. A forma de procurar essa vitória será, no entanto, diferente, porque as circunstâncias próprias e alheias são diferentes. Na conferência de imprensa no Parque dos Príncipes, Fernando Santos não deu muitas respostas que permitam adivinhar o que lhe vai na mente, ao que o próprio diz para não mostrar o jogo todo ao treinador adversário, mas ainda assim é possível fazer sem ele um exercício de pergunta-resposta no qual se colocam as principais dúvidas e se fornecem alguns esclarecimentos com base no mero senso-comum. Pergunta 1: Fernando Santos vai fazer uma revolução no onze? Resposta: Não. Aliás, o próprio o disse na conferência de imprensa. “Revolução foi em 1974”, brincou. Em Portugal muito se tem falado da falsa partida do Europeu de 2004, quando após a derrota com a Grécia no Dragão, Scolari teria feito uma revolução, indispensável para que a equipa chegasse à final. Mas depois olha-se com mais atenção e verifica-se que, do jogo com a Grécia para a segunda partida, frente à Rússia, que Portugal ganhou por 2-0, Felipão só mudou quatro jogadores: Paulo Ferreira por Miguel, Rui Jorge por Nuno Valente, Fernando Couto por Ricardo Carvalho e Rui Costa por Deco. Ronaldo, por exemplo, continuou no banco e só no terceiro jogo, contra a Espanha, ganhou o lugar a Simão. Por isso, desenganem-se os que querem ver muito sangue antes do jogo com a Áustria. No máximo, Fernando Santos mudará quatro jogadores. Mas o mais provável é que só troque dois ou três. Pergunta 2: Portugal pode jogar com Quaresma, Nani e Ronaldo no onze? Resposta: Pode. Aliás, Fernando Santos já o fez em alguns momentos, embora não de início. Na conferência de imprensa, o selecionador limitou-se a dizer que isso “era uma possibilidade”, o que à saída da sala era interpretado de duas formas diferentes pelos vários jornalistas presentes. Uns diziam terem ficado convencidos de que os “três reis magos” iam jogar desde o início, outros que aquilo que Fernando Santos disse veio apenas engrossar o que acham que é um bluff para assustar os austríacos. A questão deve, por isso ser colocada de uma outra forma. Portugal vai jogar com Quaresma, Nani e Ronaldo no onze? Não me parece a hipótese mais provável, sobretudo por duas razões. A primeira – e fundamental – é que essa alteração deixava a equipa com três jogadores que pouco participam no processo defensivo e que veem o jogo sobretudo de uma forma individual. Olhando para os números de toda a época, Ronaldo soma uma média de 1,8 recuperações ou interceções por jogo, Quaresma tem 4,1 e Nani soma 4,6, enquanto que os dois potenciais sacrificados estão acima: André Gomes com 5,9 e João Mário com 6,2. Depois, porque esse onze não deixaria a Fernando Santos muitas hipóteses de reforçar o ataque se as coisas começassem a correr mal. Acresce a isso, para os defensores da disciplina de caserna, que a alteração iria premiar as declarações “fora da caixa” de Quaresma, que de certa forma desautorizou o treinador ao dizer que estava em condições de ter sido titular contra a Islândia, quando Fernando Santos disse que se o tivesse colocado a jogar corria o risco de ter de o tirar aos 40 minutos. Pergunta 3: Se ainda assim Quaresma entrar, qual será o esquema de Portugal? E quem sai? Resposta: O facto de Quaresma entrar não significa que a equipa mude para o 4x3x3, porque com ele não fica resolvido o problema da colocação de Ronaldo, que ainda hoje Fernando Santos voltou a dizer que “nunca será um avançado-centro” na perspetiva de jogar sozinho na frente. A equipa continuará por isso a jogar em 4x4x2, ainda que a presença em simultâneo dos três atacantes permita uma série de alternativas. Até aqui, o extremo do Besiktas tem alinhado sempre numa das alas do meio-campo, deixando na mesma Ronaldo e Nani no centro do ataque, mas pessoalmente acho que faz mais sentido ter Quaresma e Ronaldo na frente, com Nani a ocupar uma posição no meio-campo, seja como “10” num losango ou como ala esquerda no 4x4x2 mais clássico. Mais difícil é definir quem pode sair. E isso depende muito da arrumação inicial dos jogadores. Em condições normais, seja com Nani e Ronaldo na frente e Quaresma numa ala ou com Ronaldo e Quaresma na frente e Nani numa ala, sairia André Gomes, porque além de ter uma melhor percentagem de passe (84% para 83% em termos médios durante a época), João Mário faz mais passes de rotura (3,1 para 2,7 por jogo) e aparece mais na área (sete passes por jogo contra 2,7 são dentro da área). A questão é que com tanta gente que só vê baliza na frente, Fernando Santos pode sentir-se tentado a manter quem pense o jogo mais atrás, e aí André Gomes ganha algum avanço. Até porque os números defensivos dos dois são muito semelhantes. Diferente será se Santos optar por colocar Nani como “10”: aí sairia Moutinho. Pergunta 4: Quem pode então ser sacrificado nas alterações que Fernando Santos anunciou? Resposta: Fernando Santos disse claramente que ia fazer algumas alterações “para refrescar a equipa”. Uma delas será a troca de médio mais recuado, posição que Danilo dificilmente ocupará. A sua entrada contra a Islândia tinha a ver com um aspeto muito específico do jogo islandês, que era o jogo aéreo. Sem essa ameaça, certamente nem seria necessária a lesão de Danilo para que a equipa passasse a apresentar ali um jogador que arrisca mais nos momentos atacantes, como é o caso de William. As outras alterações não são claras. A não ser que queira colocar Nani a “10”, Santos dará provavelmente pelo menos mais um jogo a Moutinho para que ele possa reganhar o ritmo que lhe vem faltando mas que, assim que o recuperar, fará a diferença nos oitavos-de-final, porque é o jogador mais coletivo desta seleção. Adrien e Renato continuarão certamente à espera. Depois, o jogo de Vieirinha contra a Islândia não foi assim tão mau a ponto de justificar uma alteração na hierarquia – e se o facto de o lateral do Wolfsburg ter estado no golo islandês contribui para algo é para que Fernando Santos não o deixe cair em nome da mera rotatividade que noutras circunstâncias talvez até se justificasse. Pergunta 5: O que precisa Portugal de mudar para ter mais garantias de obter um resultado positivo? Resposta: Primeiro que tudo, tem de melhorar a finalização. A seleção nacional foi a que mais rematou na primeira jornada do Euro, mas só fez um golo, que lhe valeu apenas um ponto. As ocasiões de golo, porém, abundaram – e é bom que todos se consciencializem que contra a Áustria não vão ser tantas, porque os austríacos vão querer jogar mais do que os islandeses. Ainda assim, há que perceber que boa parte do baixo índice de certeza na finalização teve a ver com as condições não tão favoráveis em que muitos dos remates foram feitos. E isso já tem a ver com todo o processo de construção de jogo de Portugal. Por raramente ter conseguido meter gente entre as duas linhas defensivas da Islândia, faltou a Portugal o necessário ponto de apoio nas suas jogadas, de onde pudesse partir um passe de rotura para as alas ou para deixar um dos avançados na cara do guarda-redes. Não apareceram ali Nani nem Ronaldo, da mesma forma que nem João Mário nem André Gomes procuraram o corredor central com a frequência recomendada. João Moutinho também andou sempre mais longe da baliza islandesa do que seria desejável, o que pode ter a ver com o facto de Danilo não assumir tanto a construção. O ataque ao espaço central terá de ser uma das prioridades da equipa no jogo de amanhã, o que pode levar à adoção da solução com o meio-campo em losango. Da mesma forma que terá de o ser a agilidade na transição ofensiva. Pergunta 6: E Ronaldo, o que tem de fazer diferente? Resposta: Ronaldo tem sobretudo que compreender que o futebol é um jogo coletivo e que o facto de ser o melhor finalizador do Mundo não recomenda que seja sempre ele a chutar. A luta do CR7 contra os recordes tem destas coisas: se anda obcecado com os golos que lhe permitam ser o melhor marcador da história dos Europeus, acaba por secar tudo à sua volta, não tomando as decisões que seriam mais recomendáveis em benefício da equipa. E nem falo de livres ou de falta de empenho no processo defensivo: isso já faz parte do pacote. Contra a Islândia, no entanto, Ronaldo optou várias vezes por rematar em situações nas quais havia companheiros melhor colocados para dar seguimento a lances que podiam ter tido outro final. Mas este é um problema que só se resolverá quando Ronaldo marcar o primeiro golo e aliviar um pouco a ansiedade que o come por dentro em cada grande competição internacional.
2016-06-17
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Um dia, quando se aproximava um jogo contra um adversário que abusava do jogo aéreo, sempre direto para o ponta-de-lança, Johan Cruijff surpreendeu Guardiola dizendo-lhe expressamente que não o queria a saltar com o gigante, mas sim colocado uns metros mais atrás, para se concentrar na tarefa de recolher a bola que iria sobrar do duelo que alguém iria disputar – e quase sempre perder – com ele. Ali, o que importava não era saltar mais alto que o armário, não era ser mais forte do que ele no choque: era só atrapalhá-lo o suficiente para que ele não pudesse escolher o local para onde ia dirigir a bola que lhe caía dos ares. O jogo começaria a seguir e aí estaria Guardiola para lhe dar início. Depois de ver o Portugal-Islândia e de analisar todas as estatísticas do jogo, fiquei convencido de que foi um erro a opção por Danilo em detrimento de William Carvalho, porque ao assumi-la o selecionador nacional estava a escolher as batalhas erradas, aquelas que nunca poderia ganhar, face à qualidade de Sigthorsson no jogo aéreo. Acredito que Fernando Santos concordará e que será ali que começarão as alterações na equipa que empatou com a Islândia quando for preciso ganhar à Áustria. Resta perceber se ficarão por aí. “Se uma batalha não pode ser ganha, não a traves”. Este era o conselho de Sun Tzu, na velha “Arte da Guerra”. Ora a batalha corpo a corpo com os possantes islandeses – não era só uma questão de estatura, mas também de peso e sobretudo de predisposição para aquele tipo de futebol – era das que não podia ser ganha. Depois do jogo, olhando para os números é fácil de entender que esta era uma das batalhas que não devia sequer ser travada. Todos os jogadores baixaram a percentagem de duelos corpo-a-corpo ganhos em comparação, por exemplo, com o jogo ante a Inglaterra. Só na linha defensiva, Vieirinha caiu de 71% para 56%, Ricardo Carvalho de 75% para 64%, Pepe ficou pelos 65% e portanto abaixo dos 66% da soma de Bruno Alves com José Fonte em Wembley, e Raphael Guerreiro conseguiu 43% face aos 50% de Eliseu em Inglaterra. A maior diferença, contudo, esteve em Danilo, que tinha ganho 60% dos duelos em Wembley e se ficou agora por uns 32% que são o seu pior número desde Setembro. É claro que um onze não deve ser escolhido com base nos jogadores que ganham mais duelos corpo-a-corpo… a não ser que a base do jogo da equipa seja essa. A de Portugal não é e não será nunca, o que transformou a escolha de Danilo numa contra-medida paradoxal para a ideia de jogo da equipa. O problema não foi Danilo mas sim o facto de ele estar em campo com base em argumentos que são os da Islândia e não os de Portugal. Em vez de travar a batalha das lutas corpo-a-corpo, Portugal devia ter-se concentrado nas que podia vencer, com bola no chão, triangulações para envolver o adversário e ganhar o espaço entre as linhas defensivas do adversário, de onde poderia solicitar os avançados com muito maior perigo. Pois isso raramente foi conseguido: Portugal só criou perigo a jogar por fora e isso teve muito a ver com a forma como priorizou os valores errados no primeiro momento de construção. Será, evidentemente, impossível definir agora se a incapacidade da equipa nacional para meter gente entre linhas teve a ver com uma má gestão da transição ofensiva – o primeiro passe –, com o facto de tanto João Mário como André Gomes estarem demasiado abertos junto às linhas e procurarem pouco as diagonais para dentro ou ainda com um menor rendimento de Moutinho face ao que o treinador dele espera. Olhemos para João Moutinho, por exemplo. Acabou o jogo com uma boa percentagem de passes certos: ficou-se pelos 91%, acima até da sua média do último mês (que é de 89%) e bem acima da média para toda a época, que é de 84%. Ora este é o primeiro dado que pode fazer-nos desconfiar. A olho nu parece que ele está a jogar menos, mas apresenta uma percentagem de passe melhor do que a sua própria média? Provavelmente porque está a proteger-se mais: desde o jogo com a Noruega que Moutinho não tenta sequer um passe de rotura – daqueles que deixam os companheiros com espaço para correr atrás do bloco adversário – quando a sua média para a temporada é de 2,5 por jogo e fechou os meses de Janeiro e Fevereiro com três tentativas por cada 90 minutos. As médias ofensivas da temporada de Moutinho são de longe as melhores entre os candidatos ao lugar de médio-centro: soma 7,0 passes na área por jogo contra 2,3 de Renato e 1,9 de Adrien; 2,5 passes de rotura contra 2,0 de Renato e 1,6 de Adrien. Defensivamente, o melhor é Adrien, com 6,0 interceções contra 4,2 de Moutinho e 3,5 de Renato; e 6,0 recuperações, contra 4,2 de Renato e 3,7 de Moutinho. Adrien tem ainda a melhor percentagem de passe: 88% de entregas certas, contra 85% de Renato e 84% de Moutinho. Aqui, no entanto, começa aquela área da decisão que tem a ver com as convicções. A aposta de Fernando Santos em João Moutinho tem a ver com o facto de querer devolver-lhe o ritmo que ele perdeu com a lesão a tempo de o ter a carburar nos oitavos-de-final. Neste momento a questão que se coloca é: haverá condições para continuar a assumir o risco? Este é um daqueles momentos em que o treinador é o homem mais só do Mundo.
2016-06-16
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Último Passe

O Sporting manteve a distância relativamente ao Benfica no topo da Liga em dois pontos, ao vencer em casa o Marítimo por 3-1, numa partida que fica marcada pela continuação do bom momento de Teo Gutièrrez e pelo regresso de Slimani aos golos em Alvalade mas também pela confirmação da influência de Adrien Silva na equipa e pelo lançamento de algumas dúvidas acerca da possibilidade de Bruno César continuar a ser lateral-esquerdo. Sem o capitão, o meio-campo leonino perdeu qualidade e agressividade nos momentos defensivos e colocou-se várias vezes à mercê de perigosos ataques maritimistas. Aí, por mais de uma vez, valeram intervenções de qualidade de Rui Patrício, a fazer a diferença entre os dois ataques. Não pode sequer dizer-se que a vitória se justifique com um excelente índice de aproveitamento das ocasiões de golo criadas, pois tal como habitualmente os avançados leoninos pareceram apostados em tirar expressões de desespero da face de Jorge Jesus, como a que o treinador fez logo aos 15’, quando Ruiz perdeu um golo feito, cabeceando ao lado após um cruzamento de Gutièrrez. Não foi caso isolado, porém, e felizmente para os leões foi até um problema comum ao Marítimo, que chegou ao intervalo com o dobro dos remates (seis contra três) da equipa da casa. A forma como o Sporting chegou à vantagem, aliás, foi duplamente afortunada. Edgar Costa já tinha perdido uma ocasião soberana aos 17’, quando surgiu nas costas de Bruno César, mas desviou a bola sobre a barra, mas o momento definidor do primeiro tempo tem a ver com as botas de João Diogo: aos 41’, o lateral maritimista fez uma bela jogada na direita, superou os passivos Ruiz e Bruno César e chegou a uma boa posição para marcar, mas permitiu a defesa de Rui Patrício; um minuto depois, desviou com a ponta da bota um remate de fora da área feito por Teo Gutiérrez, levando a bola a fazer um arco e fugir da tentativa de defesa de Salin, aninhando-se nas redes. Gutièrrez, que até tinha sido o melhor do Sporting na primeira parte, colocava a equipa da casa numa situação de vantagem que, verdadeiramente, ela só mereceu no segundo tempo. Mais alerta, o Sporting entrou bem no segundo tempo, fazendo uma boa meia-hora, na qual chegou aos 3-0 sem grandes dificuldades. Logo aos 53’, William Carvalho fez o segundo, com um remate muito colocado após iniciativa de João Mário. E aos 76’, pouco depois de Aquilani ter estado perto do terceiro, num lance que também teve direito a carambola mas que desta vez Salin conseguiu defender, foi a vez de Slimani pôr fim ao jejum de golos em casa que já datava desde a partida com o Tondela, há três meses, aparecendo na ponta final de mais um remate de João Mário que a defesa maritimista desviou. Com o jogo resolvido, os lisboetas relaxaram e talvez até o tenham feito em demasia, porque o Marítimo pôde assim crescer. Ghazaryan fez o merecido golo de honra insular, aos 81’, e os últimos minutos foram particularmente abertos, com ocasiões de golo de parte a parte, perdidas pelo maritimista Djoussé e pelo sportinguista Matheus (esta escandalosa, após um lance em que os leões apareceram em três para um, num contra-ataque). Nenhum dos dois marcou, pelo que o jogo ficou nuns 3-1 que se aceitam sem problemas, ainda que a margem mínima talvez fosse mais acertada para uma partida que mostrou que o Marítimo vale mais que o 12º lugar que ocupa na tabela e que, defensivamente, o Sporting não vive muito bem com as ausências de Adrien.
2016-04-10
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Último Passe

A chamada de Renato Sanches aos jogos que Portugal vai fazer com a Bulgária e a Bélgica, no final deste mês, é absolutamente normal e esperada. Por muito que ela seja contestada, já se viram coisas muito mais estranhas. Aliás, no caso do médio benfiquista, estranho seria que Fernando Santos não aproveitasse os últimos jogos antes da convocatória final para o Europeu para ver a nova coqueluche do Benfica num ambiente de seleção A ao qual regressa Ronaldo, em princípio para voltar a jogar como ponta-de-lança. Renato Sanches tem passado nas seleções, pode dar à equipa nacional coisas que ela não tem em abundância, como a amplitude territorial em que se move, a meia-distância ou o arranque forte com bola. Mesmo longe de ser um jogador feito – ainda se lhe notam inconsistências, sobretudo nos comportamentos sem bola – tem sido fundamental na recuperação que trouxe o Benfica dos sete pontos de atraso que tinha quando ele entrou no onze para os dois de avanço que tem neste momento. Não tem um par de jogos como titular, como alguns elementos chamados no passado recente à seleção nacional, pelo que se justifica plenamente a sua convocatória. Aliás, em rigor, toda a convocatória de Fernando Santos parece absolutamente normal. É normal eu estejam Adrien e João Mário, os dois melhores médios do Sporting que, ainda assim, faz figura de desafiante na corrida ao título. É normal que apareçam William e Danilo, quanto mais não seja para Fernando Santos perceber qual dos dois quer levar ao Europeu, uma vez que não será fácil que caibam ambos. É normal que regressem Ronaldo, Danny e Ricardo Carvalho. Aliás, neste caso, o que foi anormal foi não terem estado na última convocatória. É normal que esteja Rafa, um fenómeno de aceleração de jogo no último terço, que pode ter um papel bem mais ativo do que há dois anos, quando foi a surpresa na lista para o Mundial. É normal que caiam Ruben Neves e Gonçalo Guedes, porque deixaram de ser opção no FC Porto e no Benfica. A única coisa anormal é mesmo que ainda esteja por testar um ponta-de-lança capaz de jogar com Ronaldo, algo que o regresso de Éder não vem propriamente resolver. O que me leva a crer cada vez mais que a ideia de Fernando Santos é mesmo a de sacrificar o CR7 na posição de avançado de referência. Talvez nem haja outra solução, mas a verdade é que não foi feito tudo para a encontrar.
2016-03-18
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Stats

William Carvalho pode fazer contra o Leverkusen o 100º jogo com a camisola do Sporting. Dias depois de ter renovado contrato com os leões, quando parece estar a recuperar de uma notória baixa de forma, o médio parte para uma ponta final de época em que tem de pedalar para assegurar um lugar na convocatória de Fernando Santos para a fase final do Europeu – e nada como jogos internacionais para convencer o selecionador. Dos 99 jogos de William pelo Sporting desde que se estreou, a 3 de Abril de 2011, entrando a um minuto do fim para o lugar de Matías Fernández num jogo em Guimarães – e nessa noite ainda viu o Vitória estabelecer o empate a uma bola, com um golo de João Paulo – só dez foram para as competições europeias. Com ele a jogar na Europa, o Sporting ganhou quatro vezes, empatou três e perdeu outras três, a última das quais em Londres, contra o Chelsea (3-1), em Dezembro de 2014. Desde então, William esteve no empate caseiro com o Wolfsburg (0-0), no empate com o Besiktas em Istambul (1-1) e nas vitórias caseiras contra o Skenderbeu (5-1) e o Besiktas (3-1). A maior porção dos 99 jogos de William pelo Sporting aconteceu, naturalmente, na Liga portuguesa- São 76 jogos, nos quais o médio marcou seis dos seus sete golos. O sétimo apareceu na edição deste ano da Taça de Portugal, no jogo em que os leões foram eliminados pelo Sp. Braga (3-4). Na Taça de Portugal, para cuja conquista contribuiu na época passada, William fez nove partidas (e esse golo), somando ainda quatro desafios na Taça da Liga.   O Sporting defende uma série de 14 jogos seguidos (em todas as competições) sem perder em casa, desde que foi batido em Alvalade pelo Lokomotiv Moscovo (3-1), em Setembro, na abertura da fase de grupos desta mesma Liga Europa. Conseguiu depois onze vitórias seguidas mas tem vindo a afrouxar e já empatou duas das últimas três partidas: 2-2 com o Tondela e 0-0 com o Rio Ave. Além disso, sofreu golos em seis dos últimos oito jogos em casa, pois desde o início de Dezembro só o FC Porto e o Rio Ave ali ficaram em branco.   Também o Leverkusen tem tendência para marcar golos fora de casa, pois não fica em branco desde um 0-0 em visita ao Hamburger, em meados de Outubro. Daí para cá, ganhou cinco vezes, ganhou duas e perdeu três, mas com um aspeto em comum: marcou sempre golos.   Bryan Ruiz marcou nas duas últimas partidas europeias do Sporting, fazendo sempre o segundo golo da equipa portuguesa, na altura a consumar a reviravolta no marcador. Marcou o 2-1 em Moscovo, ao Lokomotiv, depois de Maicon ter adiantado os russos e Montero ter empatado e depois voltou a marcar o 2-1 em casa ao Besiktas depois de Mario Gomez ter feito o 0-1 e Slimani ter empatado.   O Sporting ganhou as últimas duas partidas caseiras nas competições europeias: 5-1 ao Skenderbeu e 3-1 ao Besiktas. Antes, foi batido (3-1) pelo Lokomotiv Moscovo. Já o Leverkusen vem com seis jogos europeus fora de casa consecutivos sem ganhar, desde que foi vencer o Zenit em São Petersburgo (2-1) em Novembro de 2014. Depois disso, empatou com o Benfica (0-0), perdeu com o Atlético Madrid (1-0), com a Lazio (1-0), com o Barcelona (2-1), com a Roma (3-2) e empatou com o Bate Borisov (1-1).   Se contarmos todos os jogos europeus, o Leverkusen chega a Lisboa com cinco partidas seguidas sem vitória, desde que ganhou em casa ao Bate Borisov (4-1), a 16 de Setembro: 1-2 em Barcelona, 4-4 com a Roma em casa, 2-3 em Roma, 1-1 no terreno do Bate Borisov e 1-1 com o Barcelona na Bay Arena. O Sporting, por sua vez, ganhou duas partidas após a escandalosa derrota (0-3) com o Skenderbeu em Elbasan: 4-2 ao Lokomotiv em Moscovo e 3-1 ao Besiktas em Alvalade.   Apesar de a última visita do Leverkusen a Lisboa – e para enfrentar uma equipa de Jorge Jesus, na ocasião o Benfica – ter acabado num empate a zero, a tendência das duas equipas nos jogos europeus é a de participarem em jogos com muitos golos. Ambas as equipas marcaram esta época nos três jogos do Sporting em Alvalade na Liga Europa (1-3, 5-1 e 3-1), bem como nos três jogos do Leverkusen fora da Alemanha na Champions (2-1, 3-2 e 1-1).   O Sporting nunca ganhou ao Leverkusen, em quatro partidas entre aos dois clubes. O máximo que os portugueses conseguiram foi um empate a zero em Alvalade, em Novembro de 2000, na fase de grupos da Liga dos Campeões. Antes disso, tinha perdido por 3-2 na Alemanha. E na Champions de 1997/98 perdeu ambos os jogos: 2-0 em Alvalade e 4-1 em Leverkusen.   De resto, os leões têm um saldo amplamente negativo em jogos contra equipas alemãs, tendo ganho apenas dois de 22 jogos: 1-0 ao Hertha de Berlim em Outubro de 2009 e 4-2 ao Schalke em Novembro de 2014. A última equipa alemã a ganhar ao Sporting em Alvalade foi o Bayern, em Fevereiro de 2009, mas fê-lo com estrondo: 5-0.   O Leverkusen tem saldo neutro contra adversários portugueses, pois venceu cinco de 14 partidas, perdendo outras cinco. Curiosamente, três dessas cinco vitórias foram contra o Sporting, sendo as outras frente à U. Leiria (3-1, em Setembro de 2007) e ao Benfica de Jorge Jesus (3-1 em Outubro de 2014).
2016-02-18
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O Sporting ficou pela primeira vez em branco nos jogos em casa esta época. Na verdade, o empate a zero com o Rio Ave foi o primeiro nulo ofensivo dos leões no seu estádio desde 26 de Fevereiro de 2015, quando ali empataram sem golos com o Wolfsburg, para a Liga Europa. Ao todo, foram 22 jogos sempre a marcar, que são um recorde deste novo estádio e a melhor série desde os 26 jogos com golos entre Janeiro de 1999 e Maio de 2000, ainda no estádio antigo.   Além de ser o primeiro zero ofensivo do Sporting em casa esta época, este foi também o primeiro jogo de campeonato em que o Rio Ave não marcou como visitante. Os vila-condenses tinham feito golos nas primeiras nove saídas, ainda que ganhando apenas uma: 3-0 em Paços de Ferreira. Pelo caminho, perderam marcando (1-3) com o Benfica na Luz e empataram (1-1) com o FC Porto no Dragão.   Para o Sporting, contudo, este foi o terceiro zero do campeonato, pois os leões já tinham ficado em branco nas visitas ao Boavista (0-0) e ao U. Madeira (1-0). Ao mesmo tempo, porém, também foi o primeiro jogo sem sofrer golos em casa desde a visita do FC Porto, a 2 de Janeiro. Nesse jogo, os leões venceram por 2-0.   Estranhamente, os leões perderam mais pontos em casa neste campeonato – seis, resultantes de três empates com Paços de Ferreira, Tondela e Rio Ave – do que fora, onde só deixaram cinco, fruto do empate com o Boavista e da derrota com o U. Madeira.   Ainda assim, apesar de ter perdido a liderança isolada na Liga – partilha-a agora com o Benfica – a equipa de Jorge Jesus ainda tem mais oito pontos do que na época passada à 21ª jornada (subiu de 44 para 52), detendo a melhor pontuação de qualquer formação leonina desde que a vitória vale três pontos (em 1995). Mesmo convertendo as regras para o modelo atual a pontuação das épocas anteriores, é preciso recuar a 1979/80 para ver um Sporting melhor: nessa época, em que acabou por ser campeão, tinha 17 vitórias, dois empates e duas derrotas à 21ª ronda.   William Carvalho foi substituído pela quarta vez nas últimas cinco jornadas da Liga. Na segunda volta só completou os 90 minutos por uma vez: nos 3-1 ao Paços de Ferreira, saindo duas ao intervalo e outra – agora – antes do último quarto-de-hora.   Depois dos seus cinco jogos sempre a marcar, que foram um recorde pessoal de sempre, Slimani vai com duas partidas seguidas em branco, algo que não lhe acontecia desde Dezembro, quando não marcou ao U. Madeira nem ao Paços de Ferreira (aqui, num jogo da Taça da Liga em que só entrou na última meia-hora). Se procurarmos dois jogos seguidos a titular do argelino sem marcar, teremos de recuar a Setembro, quando ficou a zeros frente a Nacional (1-0) e Boavista (0-0).   Cássio, guarda-redes do Rio Ave que tinha saído de Alvalade com quatro golos nas suas redes na época passada, voltou agora a deixar o estádio dos leões com a baliza virgem, sensação que já tinha experimentado em Janeiro de 2013, quando ali ganhou por 1-0 com o Paços de Ferreira.
2016-02-09
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Último Passe

A Taça da Liga não é a competição mais importante do panorama nacional. Longe disso. Há quem dela se sirva para dar ritmo competitivo aos jogadores menos utilizados, com isso ganhando mais alternativas para os jogos que realmente contam. E há quem tente recuperar jogadores titulares que atravessam um mau momento, de forma a poder voltar a confiar neles em jornadas de maior dificuldade. Benfica e Sporting tentaram fazer um pouco das duas coisas nos jogos com o Oriental e o Portimonense, duas equipas do segundo escalão. Com mais apostas ganhas pelo Benfica, que sofreu muito mas acabou por ganhar (1-0) no Carlos Salema, e algumas perdidas, sobretudo pelo Sporting, que foi batido no Algarve (2-0). O destaque vai para William Carvalho, que começa a ser um problema sério para Jorge Jesus resolver, de preferência a tempo de o ver ser importante na corrida ao título e convocado para o Europeu. Substituído ao intervalo nos últimos dois jogos do Sporting, fosse por apatia ou desconcentração, o médio internacional esteve ligado aos momentos mais importantes da derrota leonina. Primeiro, porque falhou uma cobertura defensiva a um movimento (também ele errado e hesitante, aliás) de aproximação à bola de Ewerton, deixando que o seu homónimo do Portimonense se lhe adiantasse a aparecesse frente ao guarda-redes para abrir o marcador, num momento em que os leões até estavam bem no jogo. Depois, por ter desperdiçado uma grande penalidade, ainda com 1-0 no marcador, a 10 minutos do fim, ainda muito a tempo de devolver a equipa na discussão do jogo. Jorge Jesus, que foi capaz de potenciar médios-centro posicionais como Javi Garcia ou Matic e até de transformar Samaris num jogador apto a alinhar naquela posição, está a assistir a um fenómeno inverso com William, que foi a joia mais brilhante a crescer no Sporting nos últimos anos. Basta ver que, nas últimas três partidas, o Sporting tem um score de 0-5 nos 180 minutos com William em campo e de 5-1 nos 90 em que ele ficou a ver os companheiros. A derrota deixa os leões em situação muito problemática na competição: entram para a última jornada a precisar de ganhar em Arouca e, mesmo que o Portimonense perca em Paços de Ferreira, ainda têm de anular os cinco golos de desvantagem que têm neste momento relativamente aos algarvios. Mas afinal, mesmo que tenha sido apenas para acicatar o treinador anterior, Bruno de Carvalho até decretou, há um ano, que o Sporting jogasse a Taça da Liga com a equipa B, de onde se depreende que a sua conquista não era bem uma prioridade. Bem ao contrário da Liga, onde o sucesso dos leões depende muito do regresso do verdadeiro William Carvalho. 
2016-01-19
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O penalti cometido por Tonel e convertido por William Carvalho permitiu ao Sporting manter a liderança na Liga e consolidar a posição enquanto equipa que mais penaltis tem a favor na Liga. São já seis, em onze jornadas, dos quais os leões converteram cinco, por Adrien (dois), Aquilani, Gutièrrez e agora William (Adrien enviou um ao poste, na visita à Académica). O Sporting está a ter inclusive mais penaltis do que em 2001/02, época que terminou com 17 grandes penalidades em 34 jornadas, mas na qual contava apenas cinco nas primeiras onze rondas. - Este foi o segundo golo sofrido pelo Belenenses de penalti esta época, tendo o anterior sido cometido por Filipe Ferreira, no jogo com o Basileia. Os azuis tiveram ainda mais um penalti contra, na Taça de Portugal, no jogo com o Olhanense (falta de Gonçalo Brandão), mas Ricardo Ribeiro defendeu.   - O Sporting ganhou pela primeira vez ao Belenenses desde Abril de 2014 e fê-lo da mesma forma: por 1-0 e com golo de penalti. Desde esse jogo, tinha havido dois empates para a Liga e uma vitória belenense para a Taça da Liga.   - Jorge Jesus também ganhou pela primeira vez a Ricardo Sá Pinto, mas também esta foi apenas a segunda vez que se defrontaram. Na anterior, também tinha ganho o Sporting, por 1-0, com golo de penalti, mas quem estava no Sporting era Sá Pinto, enquanto Jesus defendia as cores do Benfica. O árbitro também era Soares Dias.   - O golo de William Carvalho significa que o Sporting leva já 15 jogos seguidos a marcar em Alvalade, superando a melhor série da época passada, que era de 14 jogos caseiros sempre com golos, entre o 0-1 com o Chelsea e o 0-0 ante o Wolfsburg. Esse jogo com os alemães, que ditou a eliminação leonina da Liga Europa, foi o último zero caseiro dos leões.   - Rui Patrício não sofre golos na Liga desde 4 de Outubro, data da vitória do Sporting sobre o V. Guimarães, por 5-1. O golo vimaranense foi marcado por Josué, aos 82’, o que significa que o guardião leonino leva já 368 minutos sem ir buscar a bola ao fundo das redes, tendo superado os 364 que registara entre Dezembro do ano passado e Janeiro deste ano. Persegue agora os 600 minutos exatos que passou sem sofrer golos entre Novembro de 2013 e Janeiro de 2014.   - Além disso, os cinco golos sofridos em onze jornadas pelo Sporting representam o melhor arranque defensivo do Sporting desde 1990/91. Nesse ano, comandados por Marinho Peres, os leões entraram de rompante na Liga, ganharam os primeiros onze jogos e neles sofreram apenas quatro golos. Cederam os primeiros pontos à 12ª jornada, um empate em Chaves (2-2) e perderam pela primeira vez na 14ª (2-0 com o FC Porto nas Antas). Ao fim de 38 jornadas, porém, o Sporting foi terceiro, com seis derrotas.   - Desde 1990, o Sporting voltou a chegar sem derrotas à 11ª jornada em 1998, mas nunca mais fez tantos pontos como os 29 que tem agora. Os últimos líderes com 29 pontos à 11ª jornada foram Benfica e FC Porto, em 2012/13, época que acabou com o ajoelhar de Jesus no Dragão após o golo de Kelvin.   - O Sporting está ainda a especializar-se em golos nos instantes finais. O penalti de William Carvalho, aos 90+3’ permitiu a quarta vitória leonina nos últimos cinco minutos (e a segunda seguida), depois de ter ganho ao Tondela em Aveiro (2-1, aos 90+8’), ao Nacional em Alvalade (1-0, aos 86’) e no terreno do Arouca (1-0, aos 90’). O Belenenses já tinha sofrido três golos nos últimos cinco minutos (Arouca, FC Porto e Tondela), mas só o de Arouca implicara perda de pontos, pois o resultado passou a ser um empate.   - William não marcava um golo desde a vitória dos leões em casa contra o Penafiel, por 3-2, a 9 de Março. Nesse jogo, porém, marcou logo a abrir, aos 5’.
2015-12-01
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Último Passe

Os resultados largos com que FC Porto e Sporting despacharam os históricos Belenenses e V. Guimarães permitiram que as duas equipas mantivessem a liderança conjunta da Liga mas foram bem diferentes entre si. Acusando o desgaste da épica jornada europeia contra o Chelsea, os dragões fizeram um jogo menos intenso e acabaram por valer-se da inspiração individual dos seus dois extremos, Corona e Brahimi, para desmontar a longa resistência do autocarro azul. Mais tarde, mudando cinco titulares em relação ao empate de Istambul, que até tinha sido dois dias depois, o Sporting voltou ao jogo pressionante e rápido que chegou a mostrar no início da temporada e desde cedo reduziu a escombros a resistência de um Vitória que quis jogar no campo todo. Os dois jogos permitiram ainda que os treinadores provassem razão em duas das suas mais contestadas opções. Lopetegui tirou rendimentos da obsessão pelo jogo pelas faixas laterais, por onde criou os lances que desbloquearam o resultado: Brahimi furou pela esquerda antes de servir Corona com talento para o 1-0; Maxi cruzou na direita para Brahimi fazer o 2-0 e Tello arrancou igualmente pela direita antes de dar o 3-0 a Osvaldo. Marcano ainda fez o último golo da noite numa bola parada. Por sua vez, Jesus mostrou que a opção de fazer repousar parte dos titulares na Liga Europa deu rendimento: aliada a um maior aproveitamento das ocasiões criadas, a capacidade de pressão e recuperação de bola ainda bem no meio-campo adversário permitiu que os leões cedo chegassem aos dois golos de vantagem e partissem daí para a melhor exibição coletiva da época. Depois de João Mário dar o 1-0 a Slimani, Gutierrez aproveitou uma oferta do adversário para dobrar a vantagem; na segunda parte Jefferson fez três assistências para golos de Slimani (dois) e Adrien antes de Josué reduzir para os 5-1 que se verificaram no final. É verdade que a essa subida de rendimento dos leões não é alheia a presença de João Mário no corredor direito ou a subida de forma de William. O médio centro recentemente regressado de lesão dá outra dimensão ao meio-jogo leonino e o jovem convertido em extremo, melhor na tomada de decisão e na capacidade de transformar o jogo em esforço coletivo que todas as alternativas anteriormente testadas para a vaga de Carrillo, permite que os leões liguem melhor os setores e até sejam mais rápidos – porque deixa de haver tanto raide individual com o resto da equipa na expectativa. É que a capacidade de iluminar individualmente o jogo de uma equipa não depende apenas da criatividade ou da capacidade de drible, como tão bem o mostraram Corona e Brahimi no FC Porto. Eles têm tudo: a criatividade, a capacidade de drible, a rapidez de execução, mas sobretudo a inteligência na tomada de decisão que lhes advém de uma maior experiência que já foram adquirindo. Por isso foram investimentos pesados e não são projetos mas sim jogadores feitos.
2015-10-04
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O primeiro zero atacante do Sporting esta época apareceu ao décimo jogo e, por mais que o tema seja tabu na estrutura leonina, fica associado à ausência de Carrillo, até por se notarem as dificuldades que a equipa de Jesus tem tido para fazer golos desde o afastamento do jogador, que se recusa a renovar contrato. Com Carrillo em campo, o Sporting fez 11 golos em 608 minutos, a uma média de um golo a cada 55 minutos. Sem ele, em 292 minutos, os leões fizeram apenas três golos em 292 minutos, a uma média de um golo por cada 97 minutos.   - Ao empatar a zero no Bessa, com o Boavista, o Sporting falhou mais uma vez na tentativa de obter uma quinta vitória consecutiva fora de casa em partidas da Liga. A última vez que as conseguiu foi em 2011. Desde então, já falhou quatro vezes ao quinto jogo: Benfica (0-1, em 2011/12), FC Porto (1-3, em 2013/14), Belenenses (1-1, em 2014/15) e agora Boavista (0-0).   - Além disso, os leões interromperam uma série de 23 jogos consecutivos sempre a marcar pelo menos um golo. A última vez que tinham ficado em branco tinha sido também no Porto, mas no Dragão, na derrota frente ao FC Porto por 3-0, a 1 de Março. A equipa de Jorge Jesus ficou assim aquém da série de 1969/70, quando marcou consecutivamente em 36 partidas.   - O Boavista pontuou pela primeira vez frente a um grande em casa desde que regressou à Liga. Na época passada tinha perdido os três jogos: 0-1 com o Benfica, 1-3 com o Sporting e 0-2 com o FC Porto. Já tinha conseguido empatar a zero com os azuis e brancos, mas no Dragão.   - Paulo Vinicius cumpriu frente ao Sporting o 100º jogo na Liga portuguesa. Dos 100, apenas seis foram com a camisola do Boavista. Soma, além disso, dois no Leixões, 53 na U. Leiria e 39 no Sp. Braga, de onde saiu para regressar ao Brasil.   - William Carvalho voltou a competir com a camisola do Sporting, quase quatro meses depois da última partida, que foi a final da Taça de Portugal, a 31 de Maio. Tal como nessa tarde, no Jamor, contra o Sp. Braga, o jogo acabou empatado.   - Jogo disciplinarmente imaculado do Boavista. A equipa axadrezada não viu um único amarelo, o que lhe sucede pela primeira vez desde Abril, quando perdeu em casa com o Marítimo por 2-0. O árbitro era o mesmo de ontem: Soares Dias.
2015-09-27
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Stats

O Tondela será a 71ª equipa a estrear-se no principal campeonato português e a primeira do distrito de Viseu desde a descida do Académico de Viseu, em 1989. Tentará a formação agora liderada por Vítor Paneira entrar na prova sem perder, algo que ninguém consegue há dez anos, quando a Naval de Manuel Cajuda entrou de rompante vencendo fora o V. Guimarães por 2-0. Os últimos dois estreantes, porém, tiveram uma dificuldade acrescida, pois enfrentaram o mesmo padrinho que o Tondela vai ter. Foi o Sporting que acolheu o Trofense em 2008 e o Arouca em 2013, sempre em Alvalade, ganhando os dois jogos por 3-1 e por 5-1. Os leões, aliás, têm-se especializado em apadrinhamentos: três dos dez últimos estreantes na Liga tiveram que os defrontar logo na primeira jornada. Tirando esses casos em que apanham logo pela frente com um grande do futebol português, as estreias na Liga (ver quadro dos últimos dez estreantes mais abaixo) nem têm sido muito aziagas para clubes que certamente as vivem com um acréscimo de entusiasmo absolutamente compreensível. Dos outros oito neófitos na Liga desde a década de 90 do século passado só dois perderam o primeiro jogo: o Moreirense de Manuel Machado em 2002 e o Campomaiorense de Manuel Fernandes em 1995. O atual dirigente leonino, no entanto, apresenta uma medalha no cartão de visita, pois foi o último a pontuar na estreia frente a um grande: o seu Santa Clara fez encalhar o Sporting em 1999, com um empate a dois golos nos Açores (e depois de ter estado a ganhar por 2-0…), ainda que os leões tenham acabado por ser campeões nacionais. Certamente Manuel Fernandes aceitaria a repetição da história nesta época, com o Tondela a fazer de Santa Clara. As vitórias não têm sido muito comuns nas estreias de equipas na I Liga. Nos últimos 25 anos só duas o conseguiram. A Naval de Manuel Cajuda ganhou um jogo épico em Guimarães, em 2005, em que acabou com oito jogadores, por expulsões de Fernando, China e Lito. E o Gil Vicente de Rodolfo Reis bateu o Marítimo, já em finais de Agosto de 1990, mas com uma particularidade: viu adiado o jogo da primeira jornada, contra o Benfica, na Luz, em virtude de uma digressão de início de época da equipa da capital. E esse acabou por perdê-lo por 3-0. - O Sporting enfrenta o jogo sem uma das suas estrelas, o lesionado William Carvalho, mas isso não deve deixar Jesus muito preocupado, pois os leões ganharam todas as partidas que fizeram sem o médio a titular no último campeonato: Rio Ave (fora, 1-0), Nacional (casa, 2-0), V. Setúbal (fora, 2-1), Marítimo (fora, 1-0), Arouca (casa, 1-0).   - O jogo será disputado no Estádio Municipal de Aveiro, repetindo os leões uma situação em que jogam como visitantes em casa emprestada. Na última vez que tal sucedeu, em Setembro de 2013, venceram o Olhanense por 2-0 no Estádio do Algarve. Antes disso, mais vitórias: 1-0 à U. Leiria na Marinha Grande (em Abril de 2012); 2-0 ao Feirense em Aveiro (Outubro de 2011) e 3-1 ao Portimonense no Estádio do Algarve (Dezembro de 2010). - Além de fazer a estreia na I Liga, o Tondela nunca defrontou nenhum dos grandes do futebol português em qualquer partida oficial, mesmo de outra competição.   - Matt Jones é, dos jogadores do Tondela, o que leva a maior série de jogos sem perder contra o Sporting. Já são três, todos na época passada, ao serviço do Belenenses: dois empates a um golo na Liga e uma vitória por 3-2 na Taça da Liga. Porém, sempre que jogou contra os leões sofreu golos.   - Um dos momentos altos da carreira de Wagner, extremo que o Tondela foi buscar ao Nacional, foi o golo que eliminou o Sporting da Taça de Portugal, em Outubro de 2012, quando ele ainda representava o Moreirense. Corria o prolongamento quando a bola saiu do guarda-redes, Ghilas ganhou-a no ar e Wagner foi mais rápido a recuperá-la, nas costas da defesa leonina, batendo Rui Patrício para o 3-2 final.   - O Sporting está intimamente ligado à história de Markus Berger em Portugal. O jogador chegado a Tondela do Gil Vicente estreou-se na Liga portuguesa em Agosto de 2007, em Alvalade, com a camisola da Académica. E perdeu por 4-1, embora tenha saído ao intervalo, com o placar a acusar apenas 1-0 para os leões.
2015-08-12
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