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Último Passe

O Benfica vendeu cara a eliminação da Liga dos Campeões, forçando o Bayern Munique a um empate na Luz (2-2) que se justificou plenamente, face ao que as duas equipas fizeram em campo, e chegando a lançar a dúvida sobre o destino da eliminatória, ao adiantar-se no marcador antes da meia-hora, com um cabeceamento de Jiménez. O Bayern tem outros argumentos, tanto ao nível das individualidades como no plano tático, chegou rapidamente ao empate e até à vantagem, mas Pep Guardiola chegou a irritar-se com os seus jogadores no banco pela forma como estes permitiram que os encarnados colocassem a passagem às meias-finais em dúvida. Rui Vitória já sabia que não ia ter Jonas, que estava castigado, devido ao amarelo que viu em Munique. No dia do jogo ficou a saber também que não poderia contar com Mitroglou e Gaitán, as suas duas outras principais armas ofensivas, que se ressentiram de lesões contraídas em Coimbra, no sábado. Armou a equipa em 4x2x3x1, com Jiménez na frente, apoiado por um Pizzi que não está a viver uma fase particularmente fulgurante, e com Salvio e Carcela nas alas. Provavelmente sabendo que o Benfica ia apresentar três médios, Guardiola abdicou de um dos pontas-de-lança (no caso Lewandowski), fazendo jogar Müller sozinho em cunha, com Douglas de um lado e Ribery do outro, igualando a batalha a meio-campo com a junção de Xabi Alonso a Tiago Alcântara e Vidal. E apesar de um início forte do Benfica, aos 5’ o Bayern congelou o jogo com o seu futebol de posse e variação constante de flancos. Lahm, pela forma como aparecia sempre a aproveitar as manobras de diversão de Douglas Costa, era o principal causador de perigo para Ederson, como se viu no modo como descobriu Lahm (19’) para um volei que este fez passar rente ao poste, ou como esteve na base do lance em que Tiago Alcântara solicitou o cabeceamento de Vidal, para defesa de Ederson (22’). Só que aí o Benfica marcou. A pressão do Bayern a meio-campo falhou, a equipa portuguesa fez a bola chegar a Eliseu, que tinha espaço para correr na esquerda. Rui Vitória percebeu o que aí vinha e correu a incentivar Eliseu, que galgou campo e cruzou para Jiménez, que ganhou o sprint aos dois centrais do Bayern e aproveitou a saída sem sentido de Neuer para cabecear para o 1-0. Eliminatória igualada aos 27’, portanto. O jogo convidava à contemporização, mas três minutos depois Salvio ganhou uma bola na direita e cruzou rasteiro para uma falha de Alonso no corte e um remate fraco de Jiménez, que teve tempo e espaço para fazer mais do que entregar a bola a Neuer. Ora se o Benfica não marcou foi o Bayern que o fez, logo aos 38’, num belo lance de envolvimento na direita que terminou com cruzamento de Lahm. Ederson ainda afastou, mas aí os médios do Benfica foram batidos pela sua própria sofreguidão: acorreram à área, onde o Bayern não tinha assim tanta gente, e deixaram a meia-lua à mercê de Vidal, que fez o golo de primeira. Com 1-1, a eliminatória não ficava sentenciada -o Benfica voltava a precisar de dois golos. Mas o que a equipa sentiu foi que a montanha à sua frente tinha ficado repentinamente inultrapassável, de tão íngreme, tendo perdido concentração e permitido mais espaço às trocas de bola do Bayern. O problema, de resto, não se resolveu após o intervalo, pois foi outra vez o Bayern quem entrou melhor. E aproveitando uma desconcentração global na zona defensiva do Benfica após um canto da esquerda, o Bayern fez o 2-1, aos 52’, por Müller, o único a acorrer a uma primeira bola ganha por Javi Martínez nos ares. Foi o pior período do Benfica no jogo. Ederson teve de se esforçar para impedir o 1-3 logo aos 55’, num contra-ataque, e viu depois Douglas Costa chutar ao poste, aos 60’. Rui Vitória trocou então Pizzi por Gonçalo Guedes, procurando ganhar velocidade no corredor central, e o jovem extremo foi providencial na forma como o Benfica regressou ao jogo: travado em falta por Javi Martínez, após uma arrancada da direita para o meio, deu a Talisca – que entretanto substituíra Salvio – a possibilidade de, num livre magistral, estabelecer o empate. O golo acordou o público e a equipa do Benfica, mas só faltavam 14 minutos para o final da partida. Rui Vitória, expulso do banco por protestos, viu da bancada como o Benfica, já em 4x2x4, com Jovic a juntar-se ao ataque e Carcela a fazer de defesa-esquerdo improvisado, tentou impor ao Bayern uma derrota que talvez os alemães não merecessem. Valeu a tentativa, prova de caráter de uma equipa que fez das tripas coração para estar entre as maiores da Europa e não sai envergonhada da tentativa. Com a certeza de que para o ano haverá mais.
2016-04-13
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Último Passe

O Benfica sobreviveu ao teste de Munique e fê-lo com personalidade e um futebol adulto que Pep Guardiola até se deu ao luxo de anunciar mas que talvez não esperasse ver tão bem interpretado em campo. É certo que a equipa portuguesa perdeu, que não fez o golo fora que tanto jeito lhe daria – e até teve oportunidades claras para o fazer –, mas conseguiu mesmo assim levar a discussão da eliminatória com o Bayern para o seu estádio, graças a uma derrota pela margem mínima (1-0). O golo de Vidal, logo aos 2’ de jogo, fez temer um descalabro, mas a pouco e pouco Rui Vitória foi juntando as peças e com isso anulando uma das máquinas atacantes mais poderosas desta Liga dos Campeões. Os encarnados tiveram um início difícil, pois Ribery e Douglas Costa, sempre muito abertos nas duas alas, causavam problemas constantes à organização defensiva benfiquista, viciada nas derivações de Pizzi e Gaitán para o espaço interior. Sempre que o Bayern virava o flanco, André Almeida e Eliseu eram apanhados em situação de inferioridade, porque aos extremos o Bayern juntava laterais sempre prontos a ajudar no ataque e médios sem medo de entrar na área. O golo nasce desse “excesso de gente” do Bayern na frente: Ribery veio para dentro, descobriu Lewandowski, que descaiu na esquerda para solicitar o cruzamento de Bernat, entretanto deixado sozinho. E quando o espanhol cruzou, havia na mesma quatro homens do Bayern em zona de finalização. Marcou Vidal, em antecipação a Eliseu. Era o pior começo possível, porque a equipa tremeu. Naturalmente. E nessa altura foi Ederson quem a segurou no jogo, com um punhado de boas intervenções a impedir um 2-0 do qual já seria muito difícil recuperar. Destacou-se o jovem guardião brasileiro em oposição a Lewandowski (16’) e a Müller (20’), mas a partir de dada altura o Benfica corrigiu. Pizzi deixou de se preocupar tanto com o corredor central, obrigando a que Renato Sanches fosse mais posicional – e com isso também menos vistoso, porque o seu futebol atacante ganha com a explosão aquilo que perde se tiver de jogar de pé para pé – e o Benfica começou a ganhar as segundas bolas que vinham de Mitroglou, partindo delas para chegar também à área de Neuer. E a verdade é que, mesmo tendo o Bayern sempre mais bola, o jogo não voltou a estar tão desequilibrado como naqueles primeiros 15 ou 20 minutos. Müller, aos 33’, e Vidal, aos 36’, ainda podiam ter ampliado o marcador, mas ao primeiro opôs-se Ederson, enquanto que o cabeceamento do segundo saiu sobre a barra. E a primeira grande ocasião da segunda parte até pertenceu ao Benfica, quando Jonas se virou bem sobre Alaba e, face a face com Neuer, não conseguiu desviar a bola do guarda-redes alemão. O brasileiro, que viu um cartão amarelo e não poderá estar na segunda mão, teve ainda mais uma situação dourada para empatar, aos 64’, quando um cruzamento de André Almeida o encontrou solto na área, mas o remate acertou em cheio em Javi Martínez, que Guardiola chamara ao campo para substituir Kimmisch, de modo a ganhar presença na área. O maior desafio que o Benfica tinha pela frente nessa altura era segurar os últimos minutos do Bayern, aqueles em que a Juventus, por exemplo, baqueou. Porque contrariar uma equipa que tem tanta bola cansa e a dada altura o mais natural é recolher para perto da área. Guardiola ainda tentou animar o ataque da sua equipa, com Coman e Götze, mas o Bayern nunca chegou ao segundo golo. Ribery, aos 81’, viu Ederson negar-lhe esse intento, após um raide da esquerda para a área. E Lewandowski, aos 89’, preferiu dar a bola a Lahm em vez de tentar bater o guardião brasileiro, que lhe fez a mancha para evitar o que parecia um golo certo: valeu ao Benfica que o passe saiu muito largo e o capitão do Bayern não o captou. O resultado ficava assim numa margem mínima que, não sendo excelente, permite ao Benfica opções sérias para a segunda mão.
2016-04-05
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