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Último Passe

O pai de Teófilo Gutierrez disse ontem à Rádio Renascença que não tem dúvidas de que o golo que valeu a Supertaça ao Sporting é da autoria do filho. O árbitro do jogo, Jorge Sousa, até pode ter tido as suas dúvidas, mas acabou por dar o golo a Teo no relatório que faz letra de lei para a FPF. Por isso é oficial: o golo é de Teo, que dessa forma se vê compensado pela anulação incorreta do golo que tinha feito antes. Discordo. E não é por ser contra a lei da compensação.Os legalistas podem tirar o cavalinho da chuva que nas leis do jogo não há nada a respeito desta matéria. Aliás, nem sequer num campeonato, onde está em causa o título de melhor marcador, a Liga tem por hábito dar cunho oficial a estas decisões, pois não reconhece o troféu, que remete para os jornais. Ora neste caso os jornais desportivos foram unânimes a atribuir o golo a Carrillo, aplicando a diretiva que faz mais sentido: a emitida pela FIFA há uns anos a respeito de autogolos. Dizia a FIFA que no caso de um lance em que a bola é chutada por um atacante e entra na baliza depois de tocar num defensor o fator decisivo era o de perceber se sem a intervenção desse defensor a bola iria na mesma na direção da baliza. Se sim, dá-se o golo ao atacante; se não, trata-se de um autogolo do defensor.Neste caso, em que a intervenção é de outro atacante, há que tentar perceber se a sua participação no lance é intencional ou não. Não sendo - e creio que Teo não procura desviar a bola de Júlio César - há que perceber se o remate ia pelo menos na direção da baliza. E ia. Não vejo assim nenhuma razão para que o golo seja de Teo e não de Carrilllo. Quanto mais não seja por achar que se o golo é o ponto alto do futebol nunca deve ser marcado sem querer.
2015-08-10
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Artigo

1. Vitória justa do Sporting. O jogo foi dividido nalguns momentos, mas os leões foram mais fortes nas entradas da primeira e da segunda parte, criando aí as situações de perigo que justificaram a vantagem.2. A maior limitação do Benfica nem foi futebolística mas de atitude perante o jogo. A única altura em que o Benfica quis mandar no jogo foi quando se viu a perder e aí já era tarde. 3. Grande jogo de João Mário, o melhor em campo. Seguro na posse e no passe, com capacidade para queimar linhas com a bola nos pés foi a cola que os leões nem sempre tiveram para unir 11 jogadores que estavam em campo a 200 à hora.4. O golo de Carrillo até pode ser visto como algo fortuito, porque a bola raspou em Teo Gutierrez, mas nasce de um movimento bem feito da direita para o meio do ala leonino e da "ausência" de Talisca, a aposta mais falhada de Rui Vitória no jogo.5. Além de João Mário, os melhores do Sporting foram os atacantes, tanto pela forma como criaram desequilíbrios como sobretudo pela disponibilidade física que mostraram para pressionar a saída de bola do Benfica. Slimani nesse aspeto foi um monstro. Ruiz foi, ele sim, o cérebro.6. Rui Vitória apresentou um onze longe da estrutura que Jesus utilizava e com ideias muito diferentes: menos largura, menos profundidade, menos velocidade, mais ênfase na posse que a equipa não conseguiu controlar, porém. Mas quando quis ir atrás do resultado, o Benfica regressou ao 4x4x2 de Jesus, com Mitroglu a fazer de Lima, Fejsa a fazer de Samaris e John a fazer de Salvio.7. Lisandro fez um bom jogo, a mostrar que podia ter sido alternativa mais cedo. A seguir ao argentino, os melhores do Benfica foram Pizzi (foi um erro deixá-lo de fora) e Ola John, que carrilou sempre mais jogo que Gaitán.8. Nelson Semedo fez coisas boas e coisas menos boas. Deu profundidade à equipa no corredor direito, mas nalguns momentos acusou ansiedade e falta de experiência. Mas está ali jogador.9. Depois desta vitória, o Sporting vê caucionadas as mudanças que fez, mas tem desafios bem mais complicados pela frente no futuro próximo. O Benfica vê aumentar as dúvidas, mas resta-lhe crescer e acreditar no processo.10. Jorge Sousa teve dois erros graves no jogo. Anulou mal um golo a Teo Gutierrez na primeira parte e deixou passar em claro um penalti sobre Gaitán na segunda. Ninguém tem verdadeira legitimidade para se queixar, portanto.
2015-08-09
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Último Passe

A Supertaça ficará irremediavelmente marcada pelas declarações prévias de Jorge Jesus acerca daquilo que Rui Vitória mudou ou manteve no Benfica. E o que me interessa não é se Jesus foi mais ou menos elegante - não foi, ponto final - ou se teve razão - e também acho que não teve, porque Vitória já mudou alguma coisa. O que interessa aqui são as motivações de Jesus: o próprio, aliás, já veio dizer depois que sabe bem "o que disse e onde queria chegar". E consoante as motivações forem umas ou outras, o treinador do Sporting pode ter sido inteligente ou inconsciente. Primeiro ponto: Jorge Jesus não foi elegante nem correto. Isso nem se discute. Mas nem o futebol é um concurso de misses nem isso é uma novidade quando se fala do treinador campeão nacional. É um estilo que não é novo nele e a que, quando utilizado sem sotaque da Reboleira, já ouvi chamar "mind games". Rui Vitória pode e deve sentir-se atingido, mas isso terá de resolver com o colega de profissão. Entramos, por isso, nas motivações de Jesus. E aqui vejo dois lados de análise. Se o que Jesus quer é ficar numa situação de vitória inevitável (ou ganha a máquina que ele montou ou a equipa capaz de a desmontar) está só a ser idiota e a sacrificar os interesses da sua equipa ao seu ego desmesurado. Se, em contrapartida, quer chamar a si a pressão que devia cair na equipa e até espicaçar o adversário, levá-lo do plano racional para o emocional e forçá-lo a mudar coisas que funcionam bem em nome do orgulho ferido, está a ser inteligente e a meter areia na engrenagem encarnada
2015-08-08
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Stats

A Supertaça marcará o 14º confronto entre Jorge Jesus e Rui Vitória, com a curiosidade de ser o primeiro em que Jesus não é treinador do Benfica (o lugar é agora de Vitória) e de em três dos 13 confrontos anteriores terem sido atribuídos troféus. Jesus ganhou a Taça da Liga em 2011 vencendo na final o Paços de Ferreira de Rui Vitória (2-1); Vitória retribuiu ganhando a Taça de Portugal de 2013 batendo na final do Benfica de Jesus (2-1); e em Maio passado foi empatando em Guimarães face à equipa de Vitória que o Benfica de Jesus assegurou matematicamente a conquista do bi-campeonato nacional. Ao todo, como é natural, por ter estado sempre ao comando de um grande, Jorge Jesus leva vantagem: soma 10 vitórias, um empate (que mesmo assim lhe deu um título) e duas derrotas. Além do jogo da final da Taça de Portugal, Rui Vitória ganhou a Jesus pelo V. Guimarães, em Fevereiro de 2012: 1-0, graças a um golo do brasileiro Toscano, em partida da 19ª jornada da Liga. Os melhores resultados de Jesus foram duas vitórias robustas obtidas fora de casa: 5-1 em Paços de Ferreira, em Março de 2011 (além de um bis de Nuno Gomes, houve golos de Cardozo, Aimar e Gaitán, tendo o Paços marcado num autogolo de Carole) e 4-0 em Guimarães, em Março de 2013 (golos de Cardozo, Garay, Salvio e Rodrigo). É ainda de realçar que Rui Vitória ganhou o primeiro jogo que fez contra o Sporting: foi em Outubro de 2007 e o treinador ribatejano dirigia o Fátima que já tinha feito sensação ao afastar o FC Porto na Taça da Liga. Contra os leões, o Fátima ainda ganhou por 2-1 no Restelo, casa emprestada dos verde-brancos, levando para a segunda mão uma vantagem que não conseguiu segurar, pois o Sporting impôs-se por 3-2. Por sua vez, Jesus defrontou pela primeira vez o Benfica na qualidade de treinador em Fevereiro de 1993, quando comandava o Amora e encaixou 5-0 na Luz em partida dos quartos-de-final da Taça de Portugal. Mostovoi, Pacheco, Yuran (dois) e Paulo Sousa fizeram os golos da equipa da casa. Esta não é, de resto, a primeira vez que Jesus assinala a sua estreia competitiva por um clube a jogar contra o Benfica. Em 1998, abriu a experiência aos comandos do E. Amadora com uma derrota por 2-0 na Luz frente ao Benfica de Souness. Aliás, foi na Amadora que soube pela primeira vez o que era ganhar ao Benfica, aplicando 3-0 à equipa de Jupp Heynckes (dois golos de Gaúcho e um de Kenedy) em Fevereiro de 2000.   - Jorge Jesus está em condições de se vencer a Supertaça pela segunda vez, algo que não é assim tão raro, pois sete técnicos o conseguiram. Mas a seu lado no banco, agora como diretor da SAD, terá um dos únicos homens que a venceram duas vezes por clubes diferentes: Octávio Machado, que a ergueu em 1995/96 ao serviço do Sporting e depois em 2001, já aos comandos do FC Porto. O outro foi António Oliveira (Sporting em 1982 e FC Porto em 1996). Artur Jorge ainda é o rei da Supertaça, pois foi o único a ganhar a prova em três ocasiões: em 1985, 1987 e 1990, sempre pelo FC Porto. Com duas vitórias aparecem ainda Bobby Robson (FC Porto, 1993 e 1994), Fernando Santos (FC Porto, 1998 e 1999), Paulo Bento (Sporting, 2007 e 2008) e Vítor Pereira (FC Porto, 2011 e 2012).   - O Benfica poderá ter em campo seis vencedores da Supertaça da época passada: Luisão, Jardel, Eliseu, Talisca, Gaitán e Ola John. Amorim está fora do grupo e Salvio com uma lesão de longa duração. Em contrapartida, no Sporting só resta um vencedor de 2008: Rui Patrício. Ainda que Adrien tenha estado no banco.   - O balanço recente dos jogos entre Sporting e Benfica é largamente favorável aos encarnados. Os leões venceram o jogo da Taça de Honra da AFL, na pré-temporada passada (1-0, golo de André Martins) e antes disso já não ganhavam desde Abril de 2012 (1-0, golo de Van Wolfswinkel). Pelo meio, três vitórias do Benfica e quatro empates, um deles a resultar em vitória benfiquista no prolongamento e eliminação do Sporting da Taça de Portugal.   - Onze dos últimos doze golos do Benfica ao Sporting nasceram na América do Sul. Desde 2012, Cardozo marcou seis, Gaitán fez dois, Luisão um, Jardel outro, Lima mais um e Salvio o restante. A exceção é Markovic, que marcou em Alvalade no empate (1-1) para a Liga em Agosto de 2013.   - Dos atuais jogadores do Sporting, só um marcou mais do que um golo ao Benfica com a camisola leonina: Slimani, que fez dois, sempre na Luz. Um no empate (1-1) para a Liga passada e outro na eliminação leonina (3-4) para a Taça de Portugal de 2014. Mas Jefferson, por exemplo, também já marcou por duas vezes ao Benfica, só que uma delas foi pelo Estoril, em Maio de 2013, ajudando (muito) o FC Porto a tirar o campeonato ao Benfica de Jesus.
2015-08-07
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Último Passe

Uma das coisas mais complicadas para um treinador que enfrenta um Mundial ou um Europeu é manter o foco de um grupo de jogadores em ambiente que lhes é estranho durante três, quatro, cinco semanas, ainda por cima num sistema de semi-reclusão. E se isso é difícil quando as equipas têm à frente a perspetiva da glória suprema que é vencer um campeonato dessa magnitude, é fácil de compreender que se torna muito mais complicado quando tudo o que está em jogo é um conjunto de jogos de preparação ou de torneios de pré-época, como sucedeu nas últimas semanas com o Benfica de Rui Vitória.A pré-época do Benfica tem sido desastrosa e nas palavras de Rui Vitória após os 3-0 encaixados frente ao Monterrey, modesto 12º classificado do recente Torneio Clausura do campeonato mexicano, nota-se tanto arrependimento em relação ao plano de trabalho desenhado como preocupação acerca daquilo que a equipa possa vir a render no futuro próximo. O Benfica de Rui Vitória joga menos do que jogava o Benfica de Jorge Jesus, é verdade. A equipa perdeu intensidade, perdeu aquela mudança de velocidade própria de quem estava ligado à corrente de alta voltagem, com isso perdendo também profundidade, mas nem só isso explica os fracos resultados da longuíssima digressão pela América do Norte – quase três semanas longe do seu habitat e sem qualquer pote de ouro no final do arco-íris. E, mesmo tendo alguma razão nos seus argumentos, ao recorrer à explicação da saturação e antever com esperança o regresso ao que chamou o “habitat natural” da equipa, o treinador está a elevar a exigência já para domingo, quando jogar a Supertaça frente ao Sporting.Luís Filipe Vieira não costuma ser homem para ver as convicções abaladas por resultados em jogos amigáveis nem para se precipitar nas decisões. O arrependimento que mostrou depois de despedir Fernando Santos após a primeira jornada da Liga, em 2007, ainda lhe estará bem vivo na memória. Mas é inegável que se a pressão já era elevada depois da saída de Jorge Jesus, ela ficou ainda maior depois desta pré-época. A Supertaça subiu ainda mais de cotação na Luz.
2015-08-03
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Último Passe

O facto de José Mourinho ter atirado a medalha de vencido na Supertaça inglesa para a bancada foi apenas uma excentricidade, que nem sequer é inédita na carreira do treinador português do Chelsea. Mourinho não o fez com mau perder, foi até simpático no gesto para com o jovem adepto do Arsenal e embora pareça evidente que estava a esnobar a competição pelo facto de a ter perdido, o ato acaba por ser tão sintomático como a explicação que Cech deu aos seus agora colegas de equipa acerca do lado para onde tinham de virar o troféu na foto oficial, para ele brilhar com a luz do sol. É que uns estão habituados a ganhar e outros não. Mourinho e Cech têm esse hábito; os rapazes do Arsenal nem por isso.Jorge Jesus também é um homem de hábitos – ou não tivesse ele quase sido traído por um lapsus linguae que o ia levando a elogiar a massa associativa do Benfica no final da vitória do Sporting no Troféu Cinco Violinos. E o hábito dele nos últimos anos tem sido liderar a equipa do Benfica, que na mesma conferência de imprensa disse já jogar de olhos fechados, fruto de seis anos de trabalho. Houve quem visse nessa frase de Jesus uma tentativa de passar a ideia de que ele ganharia sempre, porque na Supertaça portuguesa ou vence o Benfica que Jesus trabalhou durante seis anos ou o Sporting que ele trabalha agora. Mas até Jesus sabe bem que não é assim. No domingo, no Algarve, ele só ganha se conseguir derrotar a máquina que ajudou a montar, mas que entretanto já tem coisas de Rui Vitória, o seu sucessor. E, por muita coisa que tenha ganho nos últimos anos, se não o conseguir nem vale a pena pensar em deitar fora a medalha. Ia cheirar a déjà vu.
2015-08-02
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