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Jorge Jesus criou uma moda em Portugal, nos últimos anos. Foi a moda dos dois avançados. O sucesso desportivo do treinador no Benfica, invariavelmente com dois pontas-de-lança, levou um país globalmente convertido ao 4x3x3 a mudar e a adaptar-se às novas tendências. Não foi preciso muito tempo para se verem mais equipas a regressar ao 4x4x2. Foi assim que Sérgio Conceição, que até foi jogador de Jesus e tem com ele uma excelente relação, encarou o trabalho mais mediático da sua carreira como treinador: à chegada ao FC Porto, meteu gente na frente e essa foi uma das grandes mudanças do seu futebol relativamente ao mais conservador Nuno Espírito Santo. E no entanto, ambos se preparam para jogar o primeiro clássico da época com apenas um atacante de referência. As razões para a alteração são múltiplas e creio que serão diferentes. No Sporting, a decisão será mais imposta pelo plantel ao treinador e tem a ver com a existência de um jogador como Bruno Fernandes, dificilmente compatível com o 4x4x2 em desafios de maior exigência. No FC Porto é ao contrário: é mais o treinador a impor ao plantel a vontade de conseguir mais algum controlo para temperar a vertigem que, desregulada, pode redundar em desastres de comboio como o verificado em casa contra o Besiktas. Todos concordaremos que as melhores exibições tanto de Sporting como do FC Porto esta época foram conseguidas em 4x2x3x1: os leões em Guimarães, em Bucareste ou em Atenas (enquanto estiveram acordados); os dragões no Mónaco, onde a equipa já mostrou mais alguma capacidade de ser contundente do que em Vila do Conde, por exemplo – também porque, por mais estranho que possa parecer, o AS Mónaco foi menos competitivo do que o Rio Ave. E o segredo aqui passa por ser capaz de manejar os dois sistemas e de escolher entre eles, consoante os jogos. Os dissabores que Sporting e FC Porto conheceram esta época tiveram, regra geral, a ver com isso. Descontemos aqui o Sporting-FC Barcelona, onde o normal era os leões perderem e as opções táticas de Jesus até ajudaram a diminuir o fosso, com a articulação Battaglia-Mathieu a fechar as vias de abastecimento a Messi. De resto, de que se queixam Sporting e FC Porto? O Sporting do empate em Moreira de Cónegos, onde entrou com um meio-campo demasiado macio – William e Bruno Fernandes – e com dois avançados – Alan Ruiz e Bas Dost. Estes até lhe garantiam qualidade na frente, mas isso tornou-se irrelevante, por estarem inseridos numa equipa que passava demasiado tempo em outras áreas, onde o adversário era sempre mais vigoroso nos duelos. Jesus corrigiu, mas o facto de estar em desvantagem não lhe permitiu fazer o que se impunha, pelo que acabou por montar um meio-campo mais combativo, mas com menos ideias, porque lhe faltava a capacidade de Bruno Fernandes para ligar o jogo e, estranhamente – talvez já a pensar em agilizar processos para o desafio com o FC Barcelona –com Battaglia atrás de William, roubando à equipa a qualidade que este lhe confere no início da construção. O FC Porto queixar-se-á da derrota em casa com o Besiktas, onde Sérgio Conceição também entrou com Danilo e Óliver Torres a enfrentarem o meio-campo a três da equipa turca, mas com dois extremos – Corona e Brahimi – e dois pontas-de-lança – Marega e Soares, face à ausência de Aboubakar. A quipá tinha mais gente na frente, corrigindo a timidez de 2016/17, mas também não tinha bola para a fazer contar, o que terá levado Sérgio Conceição a corrigir aquilo que antes dissera publicamente ser irrelevante. No Mónaco já apareceu Sérgio Oliveira a dar algum amparo a Danilo, permitindo que Herrera se convertesse em unidade de pressão junto ao avançado, com Marega a rasgar na direita e Brahimi a criar da esquerda para o meio. E o que se viu – o próprio treinador o reconheceu depois, quando disse que a partir dos 20’ percebeu que dificilmente deixaria de ganhar o jogo – foi um FC Porto a controlar todo o jogo e todo o campo, à espera apenas da ocasião em que o contra-ataque prometido entraria e levaria ao golo que relançaria a partida. Acho há muito tempo que o 4x2x3x1 é o esquema mais inútil do futebol, porque na maior parte das vezes pode conduzir a vários vícios e defeitos: anula os defesas-centrais na construção, porque tem ali dois médios para sair com a bola, quase que a marcarem-se um ao outro; tira às equipas a capacidade de meter gente na área, porque se as equipas usam um “10” é para ele aparecer entre-linhas do adversário e isso muitas vezes inibe-o de surgir a engrossar os números na zona de finalização. No Sporting-FC Porto de hoje, no entanto, a chave do jogo vai estar no terceiro médio. Porque antes de mais nada, as duas equipas quererão ter mais controlo e menos vertigem. E isso é sinal de evolução.
2017-10-01
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Último Passe

Um onze mais coerente com os princípios de jogo que defende José Peseiro permitiu ao FC Porto sobreviver a uma entrada caótica em jogo, com golo madrugador de Hélder Postiga, e acabar por vencer por 3-1 o Rio Ave, no meio do temporal de Vila do Conde, com uma exibição interessante. O resultado deixa a vida muito difícil para a equipa de Pedro Martins no acesso à Liga Europa e dá pistas relativamente ao que pode esperar-se dos dragões quando a pressão voltar, isto é, na final da Taça de Portugal. Peseiro mudou sete nomes em relação à equipa que perdeu em casa com o Sporting, na última jornada. Já se sabia que ia voltar Helton à baliza e que seria normal que Layun recuperasse o lugar na lateral-esquerda, mas as outras cinco alterações não estavam “anunciadas”. Voltou Marcano ao centro da defesa e quem caiu foi Martins-Indi e não Chidozie; entraram Ruben Neves e André André para o meio-campo, passando Danilo e Herrera para o banco (o que a somar à excelente exibição de Sérgio Oliveira vem apertar a luta por um lugar ali); e Aboubakar e Corona saíram também, para dar lugar a André Silva (aposta firme, pelos vistos) e Varela. O resultado foi um FC Porto com mais condição para tocar a bola, sobretudo devido às características de Ruben Neves e André André, por oposição às de Danilo e Herrera, mais “verticais” no seu jogo, mas também ao que dá à equipa André Silva, mais forte nas desmarcações de apoio que Aboubakar, sempre mais interessado em dar-lhe profundidade. O jogo mais circular do FC Porto podia ter dado mau resultado, caso a equipa tivesse sentido a forma como entrou em jogo, praticamente a perder, fruto de um grande remate de Postiga na sequência de uma recuperação de Wakaso. Mas depois de uns 15 minutos em que o Rio Ave esteve por cima, o FC Porto instalou-se no meio-campo ofensivo, fazendo circular a bola e deixando entender que dificilmente perderia o jogo. Chegou ao empate de penalti, marcado por Layún, e à vantagem já na segunda parte, quando Sérgio Oliveira meteu uma bomba na baliza de Cássio, minutos depois de ter visto o guarda-redes negar-lhe esse golo num lance semelhante. Pedro Martins mexeu nessa altura, trocando Yazalde por Bressan e depois Kuca por Ukra. A 15 minutos do fim, reforçou a frente de ataque com a entrada de Guedes – sacrificando o médio-defensivo Pedro Moreira – mas o FC Porto já não perdeu o controlo das operações, vindo a fazer o 3-1 por Varela. O Rio Ave não aproveitou, assim, a derrota do Paços de Ferreira para se colocar em zona europeia e entra no último dia a depender do resultado dos pacenses em Setúbal. Já o FC Porto deixou ainda mais dúvidas acerca do onze que Peseiro tenciona apresentar na final da Taça de Portugal, uma vez que a Liga já só lhe serve mesmo de aquecimento.
2016-05-07
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Último Passe

O FC Porto confirmou em Paços de Ferreira que não só está fora da luta pelo título como que nem o facto de ainda poder receber o Sporting no Dragão, na 28ª jornada, lhe permitirá discutir sequer o segundo lugar e a entrada direta na Liga dos Campeões. A equipa de José Peseiro não respondeu bem às palavras de Pinto da Costa, a meio da semana, encarando a partida contra o Paços de Ferreira com uma descrença que nem a ampla superioridade estatística em ataques, remates, cantos ou posse de bola disfarçou. A derrota por 1-0 terá sido punição extrema, face à nula ambição atacante da equipa da casa, e não deverá engrossar o lote de “vergonhas” do presidente, mas foi o grito dado do relvado para que se mude de paradigma. Peseiro respondeu à entrevista do presidente trocando Aboubakar e Brahimi por Suk e Varela, mas mantendo a confiança em Sérgio Oliveira, cuja presença constante no onze foi a maior alteração que promoveu desde a sua chegada. O médio, que passou a última temporada no Paços de Ferreira, até foi dos mais ativos na procura do golo, com remates à entrada da área, como aquele com o qual deu a última vitória aos dragões, em Setúbal, antes da interrupção do campeonato para os jogos das seleções. Porém, acabou por ser também ele a ficar ligado ao lance do golo do Paços de Ferreira. Ele e Layun. O lateral mexicano aliviou mal uma bola para os pés de Edson Farías, que lançou o lateral Bruno Santos, tendo este sido mais rápido e agressivo no ataque à bola que Sérgio Oliveira antes de colocar a bola no coração da área, para a conclusão de Diego Jota. Antes de bater Casillas, o remate ainda tabelou em Danilo, por aquela altura a fazer de segundo central por força da troca de Chidozie por André Silva. Faltavam dez minutos para o final do jogo e aquela era apenas a terceira vez que o Paços entrava na área portista. Até aquele momento, porém, mesmo tendo um domínio amplo do jogo (acabou com 18-5 em remates e com 14-1 em cantos), o FC Porto também não vinha fazendo uma exibição de encher o olho. Podia ter marcado? Podia. Na primeira parte teve dois bons lances: um cruzamento de Sérgio Oliveira, que cruzou a pequena área sem que ninguém lhe tocasse, aos 26’, e um slalom de Corona, concluído com um remate atabalhoado já no centro da área, um minuto depois. Na segunda parte, que os dragões atacaram com Brahimi em vez de Corona, as situações de perigo foram surgindo quase sempre em remates de meia-distância ou bolas paradas. Sérgio Oliveira, que chutara um pouco ao lado, aos 50’, obrigou Defendi a uma boa defesa, aos 71’. Entre os dois lances, tanto Chidozie (de cabeça, após um canto) como Maxi Pereira (numa tentativa de chapéu) falharam por pouco o alvo. Depois do golo pacense, Defendi ainda teve de brilhar por mais duas vezes, a impedir o empate, que quase saiu da bota de André Silva, aos 85’, ou da cabeça de Suk, ao quinto minuto de compensação. O resultado, porém, já não mudaria, levando o treinador do Paços de Ferreira, Jorge Simão, a subir à bancada, de forma a festejar a vitória de forma eufórica com os adeptos e a aplaudir com eles a ação dos jogadores. Do outro lado, mesmo não sendo o mais culpado da situação, José Peseiro ficou ainda com menos espaço para reivindicar um lugar no FC Porto de 2016/17.
2016-04-10
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Sérgio Oliveira o autor do golo da vitória do FC Porto frente ao V. Setúbal, no Bonfim (1-0), fez o segundo golo da época, mas o primeiro na corrente Liga, pois até aqui só tinha marcado ao Gil Vicente, na meia-final da Taça de Portugal. Foi a terceira temporada seguida em que marcou um golo aos sadinos, depois de já o ter feito nas vitórias do Paços de Ferreira para a Taça da Liga (2-0, em Janeiro de 2014) e para o campeonato (4-1, em Novembro de 2014).   O resultado valeu ao FC Porto a 27ª vitória seguida sobre o V. Setúbal, em confrontos para todas as competições, a quinta consecutiva sem sofrer sequer um golo. A última vez que os sadinos fizeram um golo ao FC Porto foi em Agosto de 2013, numa derrota por 3-1 em casa após a qual perderam por 3-0, 4-0 e 2-0 no Dragão e por 2-0 e 1-0 no Bonfim. O último jogo em que evitaram a derrota, esse, já tem mais de dez anos: foi um empate a zero no Dragão, em Outubro de 2005. E para se encontrar a última vitória é preciso recuar 50 jogos, até Maio de 1989, quando ganharam por 1-0, ainda nas Antas.   O FC Porto voltou a manter a baliza inviolada num jogo de campeonato, algo que já não lhe acontecia desde a estreia de José Peseiro à frente da equipa, a 24 de Janeiro. Depois desse 1-0 ao Marítimo, os dragões sofreram golos em sete jornadas consecutivas, igualando uma série negra do ponto de vista defensivo que já não conheciam desde Março e Abril de 2007.   Mesmo mantendo a baliza de Casillas a zeros, o FC Porto voltou a ganhar apenas pela margem mínima. Seis das sete vitórias alcançadas pela equipa de José Peseiro na Liga foram por apenas um golo de diferença, constituindo exceção o sucesso por 3-1 no Estoril, a 30 de Janeiro. Além desse, com o novo treinador, os azuis e brancos ganharam por 1-0 ao Marítimo e ao V. Setúbal, por 2-1 ao Benfica e ao Belenenses e por 3-2 ao Moreirense e ao U. Madeira.   Complicada está a vida para o V. Setúbal em termos ofensivos. Os sadinos fizeram o quarto jogo consecutivo sem marcar golos, levando já 391 minutos sem fazer um único. O último que marcaram, a 21 de Fevereiro, valeu um empate a uma bola em casa perante o Nacional, tendo o Vitória depois disso perdido todos os jogos: 3-0 com o Estoril e 1-0 com Moreirense, Arouca e FC Porto.   O V. Setúbal está, ainda assim, a um jogo – e a 125 minutos – da pior série ofensiva da época passada. Então, depois de um 3-0 ao Boavista, para a Taça da Liga, a 4 de Fevereiro de 2015, a equipa sadina esteve cinco jogos sem marcar (0-0 com a Académica, duas vezes 0-3 com o Benfica, 0-1 com o Penafiel e 0-3 com o Nacional), completando 516 minutos sem um golo até ao que foi marcado por Schmidt, a 7 de Março, num empate com o Belenenses (1-1), no Bonfim.   O Vitória completou, além disso, o oitavo jogo seguido sem ganhar. A última vitória obteve-a a 22 de Janeiro, um 2-1 à Académica, para a Liga, no Bonfim. Depois, perdeu com o Rio Ave, empatou com Marítimo, V. Guimarães e Nacional, e perdeu de enfiada com Estoril, Moreirense, Arouca e FC Porto. Além de ser a maior série de jogos sem vitória desta época, a corrente sequência de resultados supera pela negativa a pior da época passada, que foram sete jogos sem ganhar, entre 14 de Março e 7 de Maio.   Para se encontrar algo de tão mau na história do Vitória é preciso recuar a 2011/12, quando a equipa sadina também esteve oito jogos seguidos sem ganhar, entre 2 de Janeiro e 26 de Fevereiro de 2012, sendo o oitavo precisamente contra o FC Porto (1-3 no Bonfim para a Liga) e a série quebrada logo a seguir, em Aveiro, com uma vitória por 3-2 contra o Beira Mar. Pelo caminho, o treinador, Bruno Ribeiro, foi substituído por José Mota.   O FC Porto fechou a 27ª jornada com 61 pontos, menos quatro do que na época passada, na qual estava, por isso mesmo, mais perto do líder – estava a três pontos, enquanto agora está a seis. Os dragões têm, no entanto, mais seis pontos do que em igual fase do campeonato de há dois anos. Mas para se encontrar um FC Porto campeão com tão fraco pecúlio à 27ª jornada é preciso recuar dez anos. Em 2005/06, os dragões tinham 60 pontos em 27 jogos, ganharam seis e empataram um dois sete jogos restantes e ainda chegaram ao título.   O V. Setúbal, por sua vez, segue com 28 pontos, cinco acima da linha de água e mais três do que tinha na época passada por esta altura da competição. Mesmo tendo em conta a quebra da equipa de Janeiro para cá – 22 dos 28 pontos que fez foram conseguidos na primeira volta – este Vitória está a apenas seis pontos da equipa que há duas épocas chegou à 27ª jornada com 34 pontos e acabou a Liga em sétimo lugar, a cheirar uma qualificação europeia.
2016-03-20
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Último Passe

A confirmação de que Sérgio Oliveira é opção válida para o meio-campo foi, juntamente com os três pontos somados, a boa notícia para o FC Porto na noite chuvosa em que venceu o Vitória, em Setúbal, por 1-0, mantendo a distância relativamente ao Sporting e ajudando a pressionar o Benfica. O jovem médio português, aquele que menos contava para Julen Lopetegui, deu dinâmica ao meio-campo dos dragões e fez, com um remate de ressaca à entrada da área, o golo da vitória justa mas nunca brilhante ou tranquila dos dragões. Mesmo contra um Vitória que confirmou ter ficado a perder muito como equipa com as movimentações do mercado de Janeiro. No final do jogo, José Peseiro elogiou a exibição dos seus jogadores, mas a verdade é que não havia ali muito a admirar. O FC Porto mandou no jogo? Sim. Podia ter feito mais golos? Também, é certo, sobretudo na primeira parte, na qual criou três ou quatro situações de perigo para a baliza de Raeder, marcando precisamente na última, quando já cheirava a intervalo e o 0-0 subsistia teimosamente no marcador. Mas nunca exibiu um futebol fluído, nunca foi avassalador, perante um adversário que, quando decidiu subir o bloco, no segundo tempo, também podia ter chegado ao golo, porque meteu a bola na área onde os dragões costumam errar mais: a sua própria. A ideia que ficou foi a de que, causticado por vir com tantos jogos consecutivos sempre a sofrer golos, o FC Porto colocou a tónica na necessidade de evitar desequilíbrios a atacar e que, por via disso, nunca foi tão envolvente como chegou a ser, a espaços, na primeira parte contra o U. Madeira ou em momentos do jogo da Luz, contra o Benfica. Depois, é certo, que há o reverso da medalha: a equipa mostrou-se mais segura defensivamente. Mas nunca matou o jogo contra um Vitória que já não tem nada a ver com a equipa da primeira volta. Até pode acontecer que, mesmo a jogar como está a jogar, o FC Porto ganhe os oito jogos que lhe faltam para acabar a época – sete na Liga e a final da Taça de Portugal, contra o Sp. Braga. Se o fizer, o final de época acabará por ser feliz, fazendo desaparecer da cabeça dos adeptos boa parte das dúvidas que ali se instalaram quando de lá saiu o alívio por ver Lopetegui ir embora. Se o conseguir, Peseiro pode finalmente ter o tempo para trabalhar que tem reclamado ultimamente, equilibrar um plantel que foi feito para outro futebol e que também não ficou a ganhar nada com os ajustes feitos em andamento. Para já, no entanto, tudo o que Peseiro vai ter são duas semanas, fruto da interrupção para os compromissos das seleções nacionais. E bem precisa de as aproveitar para consolidar as ideias que tem tentado transmitir aos jogadores.
2016-03-20
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Último Passe

Um golo de Corona, a aproveitar nos últimos minutos a acumulação de gente na área por parte do FC Porto para tabelar com Suk antes de rematar com potência e colocação para o fundo das redes, manteve a equipa de José Peseiro viva na Liga, porque permitiu a dramática vitória por 3-2 sobre o U. Madeira. Naquela altura, já poucos dos adeptos presentes no Dragão acreditariam no sucesso que parecia inevitável quando a equipa chegou aos 2-0, a abrir a segunda parte. Mas aí revelou-se a propensão recente deste FC Porto para a reanimação de adversários moribundos, com dois erros seguidos a permitirem os golos de Danilo Dias que quase tiravam dois pontos de que a equipa azul e branca estava tão necessitada. No fim do jogo, Peseiro reforçou duas ideias recorrentes. A de que as constantes lesões e castigos tiram consistência à equipa, que se vê constantemente forçada a mudar e por isso não assimila os processos, e a de que, apesar de tudo, a equipa está viva, que a falta de consistência ainda não a matou. Contra o U. Madeira, porém, obrigou-a a trabalhos forçados, depois de uma primeira parte com bom futebol – ainda que não isenta de erros defensivos. Sem os dois centrais titulares – os dois que restam no plantel – Peseiro compôs a charneira central do setor mais recuado com Chidozie, uma vez mais requisitado à equipa B, e Layun, desviado da esquerda, para onde entrou José Angel. Depois, como além de Marcano e Indi faltavam também Danilo e André André, o treinador chamou Ruben Neves e Sérgio Oliveira, tendo este sido dos melhores num primeiro tempo com movimentos ofensivos de qualidade. Foi dele, aliás, o passe de rotura que Maxi Pereira aproveitou para oferecer o primeiro golo a Aboubakar, também ele regressado à titularidade. Acontece que aos tais movimentos ofensivos de qualidade, o FC Porto continua a somar a tal inconsistência defensiva preocupante, que se deve à constante necessidade de fazer mudanças, com disse Peseiro, mas também a uma escassez de alternativas de qualidade no plantel que, por uma questão de solidariedade institucional com a administração, o treinador não reconheceu. Miguel Cardoso falhou o empate ainda na primeira parte, num lance em que teve tudo para o fazer, e como Hererra, num belo remate em arco que foi o momento da noite, fez o 2-0 logo a abrir o segundo tempo, a questão do resultado parecia resolvida. Só que aí voltou a entrar a inconsistência defensiva deste FC Porto, em dois erros seguidos que deram dois golos a Danilo Dias, entretanto lançado por Norton de Matos no jogo. Com pouco mais de 20 minutos para o fim, o FC Porto apertou na frente, passando a jogar com dois pontas-de-lança, fruto da junção de Suk (que entrou para o lugar de Ruben Neves) a Aboubakar. Só que isso deixava espaço atrás e a ideia que ficou foi a de que os jogadores do U. Madeira ainda sonharam com a reviravolta completa num terceiro golo em contra-ataque. Acabou por ser o FC Porto a marcar, no tal lance de Corona, alcançando uma vitória tão justa como sofrida que, sendo verdade que mantém a equipa viva na Liga – a quatro pontos do Sporting e três do Benfica, que só joga na segunda-feira – não faz augurar nada de bom para os jogos que aí vêm.
2016-03-13
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