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Último Passe

Há vários tipos de adeptos de futebol. Isto é: há vários tipos de consumidores para o produto que hoje sai da indústria do futebol e que engloba tudo, desde a bilheteira às assinaturas de canais especializados com passagem pela compra de informação relacionada com o fenómeno futebolístico. Nenhuns valem mais do que os outros. Todos contam. Mas alguns não têm como satisfazer a sua curiosidade. Há os adeptos do pitoresco, aqueles que adoram ver os vídeos do Augusto Inácio a zurzir no presidente do Zamalek, os mesmos que ainda choram a rir só de se lembrarem do Toni a falar do Essan ou do Vítor Pereira a vociferar “I speak the truth” perante uma atónita plateia de jornalistas sauditas. Para estes grandes consumidores de golaços e falhanços ridículos no YouTube, o momento alto do futebol nacional nos últimos anos terá sido a conferência de imprensa em que Paulo Futre deu um novo significado à palavra “sócio”, que até já fazia parte do léxico da modalidade, ainda que com outro alcance. Há os adeptos maravilhados, que agora só falam do futebol feminino e que antes se dedicavam a dizer que o futebol em Portugal não vai para a frente porque os jornalistas só querem saber dos três grandes – eles próprios não leem acerca de outras coisas, mas se pudessem decretavam que elas deviam lá estar, juntamente com aquelas modalidades acerca das quais toda a gente diz ler quando responde a inquéritos, quanto mais não seja para ficar bem na fotografia. Aliás, bastaria a qualquer deles olhar para os gráficos de vendas dos jornais ou para as audiências das televisões com os dois olhos abertos para perceberem o mundo real para o qual os seus hábitos de consumo também contribuem. Há os adeptos maldizentes por natureza, que só vêm futebol para dizer que o Renato Sanches não presta, que o William Carvalho é lento e precisa de um andarilho ou que o Casillas já está tão velho que devia andar de muletas. São os mesmos que toda a vida acharam um ultraje que Secretário tenha jogado no Real Madrid, que Luís Campos tenha feito carreira como diretor desportivo no estrangeiro ou agora que Vítor Pereira tenha sido contratado para dirigir a arbitragem grega – mesmo que sejam os mesmos que dizem que a arbitragem nacional só andava para a frente quando para cá viessem árbitros estrangeiros. Ainda não perceberam que é a realidade que não encaixa nas ideias deles mas continuam a viver na ilusão de uma conspiração global contra os interesses que defendem. Para responder a estes, apareceram os adeptos da embirração positiva. Os que chamam a atenção para o dinheiro que Renato Sanches continua a movimentar, para os golos de Gonçalo Guedes nos particulares do Paris St. Germain, para as grandes exibições do João Mário nos amigáveis do Inter Milão. Estes até podiam ter nascido da influência daqueles jornalistas que sonorizavam os resumos televisivos do futebol internacional nos anos 80 e que – por não haver mais portugueses lá fora – chamavam várias vezes a nossa atenção para o facto de Futre ou Rui Barros terem tocado na bola numa jogada que acabaria por dar golo. Mas não – o que querem, tal como os maldizentes, é prolongar os dérbis nacionais pela Europa, como se os jogadores continuassem a vestir as camisolas que eles defendem até à insanidade. E há os adeptos que gostam de futebol. Não são, como tive o cuidado de referir logo a abrir, melhores nem piores do que os outros, porque o futebol, felizmente, tem lugar para todos. As discussões fazem falta – não o digo no sentido de defender que o erro dos árbitros é o sal do futebol, só para que as pessoas possam debatê-lo, mas sim porque cresci num meio multi-clubístico de rivalidade sã – e também alimentam a indústria. A indústria é que, na sua voracidade controladora, alimenta cada vez menos o debate que faria crescer este último grupo, o dos adeptos que gostam mesmo de futebol. Um grupo no qual gosto mais de me incluir a cada dia que passa. A mim, como a muitos outros integrantes deste grupo, interessar-me-ia ouvir o que tem Rui Vitória a dizer acerca do normal envelhecimento dos homens que ele já tinha substituído há dois anos – Júlio César e Jardel – e da necessidade de voltar a fazer deles primeiras escolhas ao mesmo tempo que tem de inventar mais um lateral direito, depois de ter feito nascer Nelson Semedo para substituir Maxi Pereira. Interessar-me-ia debater com Sérgio Conceição as razões pelas quais Aboubakar, que se tornara excedentário no papel de avançado de referência no FC Porto de Lopetegui, pode ser agora fundamental com Soares à sua frente – ou ao seu lado – numa equipa montada de acordo com princípios diferentes, mais explosivos. Interessar-me-ia ouvir a resposta de Jorge Jesus a uma pergunta sobre o efeito pernicioso que o sistema de três defesas que ele tem andado a testar tem na construção de jogo ou de que forma a colocação de William como um desses três pode garantir qualidade a construir desde trás. Em vez disso, temos os treinadores a lerem respostas ditadas a perguntas igualmente escritas previamente pelos mesmos guionistas e interpretadas por quem se limita a fazer um papel que devia ser bem diferente. Fica tudo em família. A este futebol digo: não, obrigado! Prefiro ir ao cinema ou ao teatro, onde pelo menos os atores têm mais jeito para a representação. Texto inserido na edição de hoje do Diário de Notícias
2017-07-30
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Último Passe

O Google tem destas coisas e de repente há temas que saem debaixo das pedras, que sobem no ranking dos motores de busca, ressuscitados por acontecimentos recentes. No seguimento da venda de Nelson Semedo ao Barcelona, apareceu-me uma frase de Luís Filipe Vieira que comecei por tomar por atual: “Este é o último ano em que precisamos de vender”. Afinal, o presidente do Benfica tinha-a a proferido em Agosto de 2013, há quatro anos, numa entrevista à Benfica TV. E nos anos que se seguiram foi batendo sucessivamente o recorde de vendas. Para gáudio de uns (os adeptos que gostam de ganhar o campeonato das vendas), arrelia de outros (os que acham que o Mundo vai acabar e que é possível manter os jogadores para sempre, como se eles não tivessem vontade própria), dúvida sistemática de outros ainda (os que não entendem como é que, mesmo assim, a dívida não desce substancialmente) e preocupação de um (Rui Vitória, que este ano vai precisar de recompor quase todo o setor defensivo). O ressurgimento da frase nos motores de busca teve a ver com a ação de um destes grupos, os mais descontentes, que a terão recordado em fóruns ou nas redes sociais, fazendo-a crescer nos rankings que estão por trás dos algoritmos. Esses, porém, são em boa parte os mesmos que quando o Benfica não renovou contrato a Maxi Pereira porque tinha lá Semedo desesperaram como se o Mundo tivesse data de validade a expirar. São os pessimistas permanentes, os que olham para a equipa que teriam se não houvesse saídas, mas que depois se esquecem de descontar as entradas, sem as quais a equipa também seria muito mais fraca. A esses, vale a pena lembrar que 30 milhões de euros por um defesa lateral são um bom negócio, mesmo tendo em conta o aumento de importância dos laterais no futebol moderno. E que o erro – que acabou por acicatá-los, até – foi terem andado a dizer-lhes que Semedo só sairia pela irreal cláusula de rescisão que lhe puseram no contrato. Os do primeiro grupo, os que fazem tabelas de vendas e somam milhões como se de repente passassem a tê-los no extrato bancário, andam maravilhados. Esfregam as mãos de contentes por superarem a concorrência neste particular, recordando que entre Ederson, Lindelof, Marçal, Mukhtar, Candeias e agora Nelson Semedo, os 100 milhões já lá vão. A julgar pela regularidade com que o Benfica tem atingido esta fasquia – este é o quarto verão sucessivo, após a tal frase de Vieira, no qual os encarnados rondaram os 100 milhões em vendas – as transferências na Luz já estão mais perto de ser receita ordinária do que extraordinária. E a estes vale a pena lembrar que não é tudo lucro. Que não só há casos de jogadores cujo valor não reverte totalmente para o clube, como foi o caso de Ederson (cujo passe era partilhado com o Rio Ave ou com quem quer que seja que o detivesse por trás do Rio Ave), como já se sabe que quando um clube entra nestas coisas do mercado com a força com que, por força da sua parceria com Jorge Mendes, o Benfica tem entrado, sabe que tem de manter a máquina a rolar. Que para beneficiar da parceria não tem só de vender – também tem de comprar. E neste busílis está a resposta ao terceiro grupo, o dos que não entende como é que apesar de todo o dinheiro realizado, a dívida não baixa substancialmente. O propósito de um clube como o Benfica não é vender nem comprar jogadores. É ganhar campeonatos. E esses o Benfica tem-nos ganho. Pelo caminho, vende muito e compra muito, é verdade, mas isso é acessório. No plano abstrato é fácil de entender que se há um player que exerce uma força dominante sobre o mercado e nos ajuda a vender ativos a valores apetecíveis, depois quererá também que o ajudemos a escoar ativos de outros parceiros que estejam num patamar abaixo. Essa tem sido, até aqui, a estratégia do Benfica, que vende muito, compra muito, move muito dinheiro mas não reduz a dívida de forma substancial. E por que é que isto importa, neste momento? É que pela primeira vez em quatro anos quem parece estar a ser negligenciado é o quarto grupo. O grupo formado por Rui Vitória e pelos que com ele tentam encontrar soluções para refazer a equipa no seguimento das vendas. Este ano, Vitória terá uma tarefa muito dura pela frente. Tem de substituir três dos cinco elementos mais valiosos da sua defesa: um guarda-redes que se tornara preponderante tanto na estratégia defensiva (porque permitia que a defesa jogasse invulgarmente alto) como ofensiva (pela saída de bola de proporciona); um lateral direito que fazia todo o corredor e se impunha a chegar à linha de fundo para cruzar mas também pela velocidade de recuperação; e um defesa-central sóbrio, que funcionava como complemento perfeito a Luisão. Até ver, não se viram grandes movimentações no sentido de assegurar entradas de jogadores pelos valores que, ainda assim, o Benfica vinha gastando, o que até leva a crer que, finalmente, quatro anos depois, a frase de Vieira possa fazer sentido: se abater dívida em vez de se reforçar com jogadores caros, o Benfica pode estar a criar condições para não ter de parecer tão interessado em vender na próxima época. É verdade que no plantel já havia peças sobressalentes para substituir Ederson, Semedo e Lindelof, ou que eles mesmo foram peças sobressalentes lançadas nos últimos dois anos para substituir Júlio César, Maxi Pereira e Jardel. Mas acreditar que o truque resulta sempre pode ser um excesso de confiança quase tão pernicioso como o alimentar permanente da conta corrente de entradas e saídas. Texto incluído na edição de hoje do Diário de Notícias
2017-07-16
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Rui Vitória lançou o alvoroço nas hostes benfiquistas ao dizer, em entrevista à BTV, que está a ponderar fazer “mudanças táticas e na forma de jogar” da equipa tetracampeã nacional. Duas coisas a este respeito. Primeiro, que mudanças táticas não implicam um novo sistema, como já vi escrito. Depois, que a afirmação me parece muito mais para consumo externo do que para debate ou plano de ação no Seixal. A questão não é tanto a de ser tolice mudar algo que, para já, funciona: as grandes organizações são as que mudam antes de entrar na curva descendente. A questão é sobretudo a de não se verem alternativas melhores do que o recurso à qualidade de Jonas. E de se perceber se vai ou não haver Jonas. Muito daquilo que for o Benfica de 2017/18 vai depender da capacidade de Rui Vitória para voltar a potenciar Jonas, o avançado que foi fulcral há dois anos, mas a quem problemas físicos roubaram grande parte da época passada. E Jonas, tal como Ronaldo, por exemplo, rende mais como avançado em 4x4x2, com uma referência frontal presente, que lhe permita escolher por onde circular, do que num sistema mais próximo do 4x3x3, que o obrigasse a ser ponta-de-lança solitário. Rui Vitória, ele próprio um treinador que sempre gostou do 4x2x3x1, tentou aplicar este sistema à chegada à Luz: a primeira partida oficial que fez no Benfica, uma Supertaça perdida contra o Sporting, foi abordada neste sistema, com Talisca atrás e Jonas como ponta-de-lança solitário. Não resultou. E com Jonas será sempre má ideia regressar a essa variante. Porque, tal como Ronaldo, mais uma vez, Jonas é um excelente finalizador, mas não deve pedir-se-lhe que seja a referência avançada da equipa, não se deve amarrá-lo aos centrais adversários. Ele ajuda mais a equipa se aparecer atrás do homem que faz isso. É verdade que, na sequência daquela frase, Rui Vitória deixou essas eventuais mudanças como dependentes de várias coisas. “Está dependente de eventuais saídas de jogadores-chave”, disse. “Uma coisa é ter um lateral que entra na área, outra é ter um que só faz jogo por fora. Uma coisa é ter o Jonas, outra é atuar sem ele”, prosseguiu. E aí está, mais uma vez, Jonas no centro da decisão. Parece mais ou menos evidente que as saídas de jogadores-chave, no Benfica, já não irão muito além das que se verificaram. Sem Ederson, Vitória perde qualidade entre os postes e uma alternativa viável na saída de bola mais direta. Sem Lindelof, também perde qualidade no centro da defesa, que pode tentar resgatar entre as até aqui segundas opções, como Jardel ou Lisandro. Isto, presumindo que Luisão consegue fazer mais um ano no top. A verificarem-se mais saídas, como as dos laterais – e Vitória referiu-se a isso na entrevista – a questão passará sempre por ser capaz de encontrar alternativas no mercado. Tarefa em que os cofres entretanto reforçados podem ajudar. E muito. Porque a maior arma do Benfica para ser considerado favorito na nova época é a continuidade. Há novos argumentos na frente – Seferovic permite uma maior exploração da profundidade ofensiva do que Mitroglou e até Jiménez, sem perder capacidade defensiva – mas há sobretudo a noção de que os que já existiam continuam a ser válidos. E se Jonas já recusou o exílio na China em Janeiro, como também não é admissível que possa vir aí uma equipa de topo de um dos campeonatos mais representativos da Europa atrás dele neste momento, não haverá razão nenhuma para que pense agora que ele possa sair. A não ser que a dúvida de Rui Vitória esteja, de facto, na capacidade de Jonas para voltar a ser o Jonas de 2015/16. No fundo, essa é a grande dúvida em torno de um Benfica que, pela primeira vez desde a chegada de Rui Vitória, entra na Liga com o estatuto de maior favorito popular.
2017-07-07
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O facto de ter conquistado os últimos quatro campeonatos nacionais e de ter terminado a época com uma dinâmica de vitória superior até à da época passada deixa, à partida, o Benfica na “pole position” para a Liga que aí vem. Como, apesar de práticas recentes poderem indiciá-lo, Luís Filipe Vieira já veio dizer que não tenciona mudar de treinador nem de paradigma, ao Benfica resta sobretudo não estragar o que tem feito até aqui, acertando o mais possível nas inevitáveis substituições de jogadores a que o mercado vai obrigá-lo. Mesmo que, como pode acontecer este ano, se veja forçado a substituir muita gente num mesmo setor tão fundamental como é o defensivo. Parece afastada a ideia segundo a qual Vieira e Jorge Mendes poderiam sentir-se tentados a fazer com Rui Vitória o que já quiseram fazem com Jorge Jesus há dois anos: trocá-lo em alta e aproveitar esse facto para o colocar num clube de topo na Europa, de forma a alargarem a sua zona de influência no mercado e potenciarem futuras transferências milionárias. Se Vitória fica, resta verificar se o paradigma de aposta nos jovens do Seixal se mantém também e se essa é a melhor política para um defeso em que se prevê que o Benfica possa perder boa parte da sua estrutura defensiva mais recuada. Porque a maior ameaça à hegemonia que o Benfica tem estabelecido no futebol português é a junção do fator sucesso-mercado à veterania de peças fundamentais, como Luisão e Jonas, que entrarão nesta nova época com 36 e 33 anos no BI, respetivamente. É verdade que o Benfica já suportou esta época uma quebra enorme de rendimento de Jonas, que passou boa parte do tempo de fora, por doença. É verdade também que na época anterior foi quando Luisão se magoou e Vitória fez dupla de centrais com Jardel e Lindelof que a equipa arrancou para o título, aguentando de forma estoica o sprint final do Sporting. A questão é que nunca faltaram os dois ao mesmo tempo, como a crescente veterania de ambos poderá levar a que aconteça, mais cedo ou mais tarde. Além de que, quando eles faltaram, à vez, havia em campo uma estrutura na qual a equipa podia montar-se. Uma estrutura que teve Júlio César e depois Ederson, que tinha Fejsa e Pizzi para permitir as eclosões de Lindelof, Nelson Semedo, Renato Sanches ou até Gonçalo Guedes. E falta perceber se há lá mais como estes – sobretudo se há tantos para um mesmo setor, no caso o defensivo. É mais ou menos consensual que o nível do campeonato de 2016/17 foi um pouco inferior ao de 2015/16, mas também é verdade que o segundo Benfica campeão de Rui Vitória já se baseou mais em ideias do treinador do que o primeiro, excessivamente dependente da inspiração das suas individualidades (Jonas e Gaitán acima de todos) e do efeito Sanches, que deu à equipa uma explosão determinante. Na época que agora termina, o Benfica melhorou muito do ponto de vista defensivo – e a colocação do mais equilibrado e perspicaz Pizzi no lugar que Renato tantas vezes deixava vago, ao meio, foi tão importante para isso como a liderança firme de Luisão, cuja experiência foi um atributo de excelência na coordenação dos comportamentos defensivos. O problema, para Rui Vitória, é que daqui por uns meses Luisão corre riscos sérios de olhar para o lado e não ver as caras a que se habituou. Ederson já foi, Lindelof e Nelson Semedo parecem estar a caminho e até Grimaldo teria mercado, caso agora o Benfica decidisse prescindir dele. Num setor onde a coordenação coletiva é tão importante, até para definir a altura onde se coloca a linha ou o momento de subida, fazer assim tantas mudanças já seria um problema, mesmo que o Benfica estivesse na disposição de gastar muito, de forma a que para o lugar dos que saem entrassem outros do mesmo valor, ou que haja por lá Jardel, já habituado a jogar ao lado do capitão. E é aqui que entra a questão do paradigma: a aposta nos miúdos, que foi desde sempre a maior justificação para a troca de Jesus por Vitória. Porque uma coisa é inserir, com meses de diferença, Lindelof, Renato Sanches e Ederson no onze-base e outra, completamente diferente, é começar a nova época com um novo guarda-redes, um novo defesa-direito e um novo defesa-central, todos vindos do futebol de formação. Assim ficará mais difícil.
2017-06-04
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Dois golos de rajada a abrir a segunda parte deram ao Benfica um sucesso justo (2-1) sobre o Vitória de Guimarães na final da Taça da Portugal, permitindo à equipa liderada por Rui Vitória festejar a dobradinha numa época que só a Taça da Liga impediu de ser perfeita. Com aqueles dois golos, de Jiménez e Salvio, o Benfica pôs para trás das costas uma primeira parte mal conseguida, na qual foi controlado por uma equipa minhota que tinha sido capaz de tirar aos tetracampeões nacionais o espaço de que eles precisavam para meter velocidade no jogo. A ganhar, já se sabe, o Benfica estava como queria e nem a reação mais feita de alma do que de organização ou de capacidade técnica permitiu ao Vitória ir além de um golo, marcado por Zungu, que mais não foi do que um prémio de consolação. O jogo da final foi marcado por dois fatores. Primeiro, a chuva, que caiu copiosamente durante quase todo o tempo. Depois, a goleada (5-0) que o Benfica tinha imposto a este mesmo Vitória há quinze dias, na Luz. Percebendo que nessa altura a sua equipa tinha falhado no espaço que dera entre linhas no corredor central ao Benfica, Pedro Martins juntou linhas, baixou o bloco, e roubou ao Benfica esse espaço de que este precisava para as tabelas ou as acelerações súbitas com que dinamita os adversários nos últimos metros. Assim sendo, o Benfica foi tendo mais bola, mas esta era uma posse quase sempre estéril: só Grimaldo encontrava espaço e tempo para ser perigoso, beneficiando de um menor empenho defensivo (físico?) de Hernâni para o acompanhar. Nessa altura, era o Vitória quem tinha o jogo como queria – controlava sem bola e de quando em vez conseguia meter um ataque rápido no relvado, quase sempre graças a acelerações de Bruno Gaspar na direita. Este impasse não foi sequer quebrado com as lesões que as duas equipas tiveram na primeira parte. O Benfica perdeu Fejsa muito cedo, na sequência de um choque com Marega, e trocou-o por Samaris, sem que isso se notasse. O Vitória ficou sem Hurtado perto do intervalo, após dupla falta de Grimaldo e Cervi, substituindo-o por Cellis. E aí, sim, poderia até dizer-se que se notaram algumas diferenças, porque Cellis foi jogar para o lado de Rafael Miranda, motivando o adiantamento de Zungu para segundo avançado, e no reatamento o Benfica fez dois golos com ação de Jonas, o homem que jogava naquela zona. Primeiro, uma finta de corpo sobre Rafael Miranda e um remate de longe, que Miguel Silva largou e Jiménez aproveitou para inaugurar o marcador. Pouco depois, quase sem tempo para que os vimaranenses se recompusessem, Jonas abriu na direita em Nelson Semedo, que cruzou magistralmente para uma entrada de Salvio, a cabecear entre Pedro Henrique e Rafael Miranda. A ganhar por 2-0, o Benfica ficou como queria – a poder controlar o jogo com bola. E foi isso que foi sempre fazendo. Pedro Martins chamou Teixeira para ponta-de-lança e tentou partir a equipa num 3x4x3 com Rafael Miranda entre os dois centrais e o adiantamento dos dois alas – Bruno Gaspar e Raphinha, que recuou para o lugar do sacrificado Konan – mas o Vitória nunca foi capaz de tomar conta do jogo nem voltou a mostrar sequer indícios da organização que evidenciara enquanto o que lhe tocava fazer era sobretudo defender. O Vitória ainda reduziu, por Zungu, num canto, mas ainda assim foi o Benfica quem teve as melhores ocasiões para fechar o jogo. Os encarnados não aproveitaram nenhuma e o 2-1 final acaba por premiar a alma guerreira do Vitória com uma derrota pela margem mínima face a um Benfica que foi a melhor equipa em campo.
2017-05-28
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A lista de convocados de Fernando Santos para a jornada dupla que a seleção nacional vai viver na primeira semana de Junho, contra Chipre e a Letónia, mas já com vista panorâmica para a Taça das Confederações, não saiu da linha habitual neste selecionador. Foi uma lista que pode ser vista como conservadora, com poucas mudanças relativamente à convocatória de Março, onde até a ausência de Éder é mais notícia no plano das emoções do que das razões meramente futebolísticas. Houve surpresas, sobretudo na baliza, mas a principal novidade do dia na Cidade do Futebol, onde Rui Jorge também anunciou a convocatória para o Euopeu de sub21, será em torno das dores de cabeça que os treinadores dos grandes terão quando quiserem começar a trabalhar a nova época. Mas olhemos primeiro para os AA. Comparando a lista hoje revelada por Santos com a que o selecionador nacional produzira para o último jogo competitivo da equipa, a receção à Hungria em Março, há apenas quatro ausentes: Marafona, que está lesionado, Varela, que na altura foi chamado de recurso para render o lesionado Anthony Lopes, Renato Sanches e Éder. Parte da explicação para estas alterações terá a ver com a recuperação de Nani e Adrien, que naquele mês estavam lesionados e agora recuperam o estatuto. Como alguém tinha de sair, acabaram por cair Éder (dois golos no campeonato francês desde o Ano Novo são ainda assim diferentes dos seis que fez na reta final da época passada e que o levaram ao Europeu) e Renato Sanches (apenas duas vezes titular do Bayern desde o Ano Novo, que dará o seu contributo aos sub21). O resto tem a ver com o regresso de Neto, defesa-central do Zenit com quem Santos quererá contar na Rússia, quando se jogar a Taça das Confederações. De ordem diferente serão as explicações para as alterações na baliza. Sem Marafona (lesionado) e Anthony Lopes (dispensado por motivos pessoais graves), Santos optou por recuperar Beto, que passou grande parte da época no banco do Sporting, e José Sá, que a fez no banco do FC Porto. À partida, ambos terão larga experiência recente naquilo que vão fazer, que é ocupar o banco, na reserva de Rui Patrício. Mas se é verdade que é possível encontrar uma lógica nestas chamadas – Beto já esteve em grandes competições internacionais, chegou mesmo a jogar no Mundial de 2014, e José Sá foi internacional sub21 e jogou um Mundial de sub20 – ela vem num sentido inverso ao de outras feitas pelo selecionador. E sobretudo vem acentuar o problema como que vão deparar-se os treinadores dos três grandes na altura de começar a trabalhar a nova época. Jorge Jesus, por exemplo, começará a treinar a 26 de Junho, porque o Sporting tem o play-off da Champions como data decisiva de toda a temporada, com os seus dois guarda-redes na Taça das Confederações. E os problemas de Jesus não acabam aí. Na medida em que é possível antever o plantel do Sporting para 2017/18, ele terá Rui Patrício, Beto, William, Adrien e Gelson na Taça das Confederações (possivelmente até 2 de Julho), Ruben Semedo, Francisco Geraldes, Podence, Iuri Medeiros e até possivelmente Tobias Figueiredo no Europeu de sub21 (até 30 de Junho) e ainda eventualmente Bryan Ruiz na Copa de Oro da Concacaf durante o mês de Julho. Como todos voltarão e ainda terão de gozar férias, isso quererá dizer que Jesus vai começar a trabalhar com mais de meia equipa que depois acabará por ter de ser colocada no mercado. Como será difícil a tarefa de quem quer que o FC Porto venha a escolher para suceder a Nuno Espírito Santo: José Sá, Danilo, André Silva, Corona, Herrera e Layún estarão na Taça das Confederações (e os três mexicanos poderão ainda jogar a Copa de Oro a seguir), da mesma forma que Ruben Neves estará nos sub21, acompanhado de jogadores sem presença garantida no plantel, como Tomás Podstawski, Fernando Fonseca e Gonçalo Paciência. Tendo menos gente envolvida, Rui Vitória não passa ao lado desta problemática, com Nélson Semedo, Pizzi, Jiménez e (se renovar) Eliseu na Taça das Confederações e João Carvalho no Europeu de sub21.
2017-05-25
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O Benfica confirmou o esperado tetracampeonato com uma goleada (5-0) ao V. Guimarães, numa partida exemplar em que espelhou as maiores virtudes desta época – acima de todas, o comportamento ativo e pressionante nos momentos defensivos e a inspiração das suas maiores figuras na fase da criação. A forma como Fejsa e Jiménez combinaram para ganhar uma bola a Rafael Miranda na saída de jogo do Vitória, conduzindo ao primeiro golo, marcado por Cervi, foi tão importante no quarto título da série como a solução encontrada por Jonas para marcar o seu primeiro, o 4-0, com um chapéu notável a Douglas. As duas coisas juntas fizeram o título do Benfica. Este Benfica foi, ainda assim, ligeiramente inferior ao da época passada. Não em termos de processo coletivo, que nesse particular já em 2015/16 se baseava muito na capacidade das suas individualidades – Jonas acima de todos – e esta época até melhorou do ponto de vista defensivo. Mas baixou porque algumas dessas individualidades desapareceram: Jonas passou metade da época lesionado, Renato Sanches e Gaitán saíram antes de começar o campeonato, roubando à equipa a capacidade que o primeiro tinha para esticar o jogo e o cérebro aliado à técnica que o segundo representava em momentos de criação. Mas se a perda de Jonas, sobretudo na primeira metade da época, foi bem colmatada pela passagem de Gonçalo Guedes para o corredor central – mudando o futebol da equipa, pela maior capacidade de morder os calcanhares aos adversários em transição defensiva – a troca de Renato por um Pizzi a assumir mais responsabilidades também levou a um Benfica mais certeiro do ponto de vista tático, com menos buracos por preencher. E se Pizzi não dava à equipa os esticões que Renato proporcionava, essa vertigem acabava na mesma por ser recuperada pela solução que Rui Vitória encontrava para a esquerda, fosse Cervi, Zivkovic ou Rafa, todos eles velozes e capazes de promover roturas. Este Benfica fez mais jogos fracos do que em 2015/16, é verdade, e por isso mesmo acabará a Liga com menos pontos. Mas se há um ano era uma equipa incapaz de ganhar os jogos grandes – ganhou apenas um de seis nessa primeira época de Rui Vitória – a transformação no sentido de uma maior proatividade defensiva permitiu-lhe passar a ser implacável neste particular. Em 2016/17, o Benfica não perdeu um único jogo com os seus maiores rivais nacionais, chegando à última jornada da Liga com apenas duas derrotas, frente ao Marítimo e ao V. Setúbal. Isso não o impediu de manter o primeiro lugar na tabela desde a quinta jornada, em meados de Setembro. E desde aí muita coisa aconteceu. Grimaldo parou cinco meses; Fejsa esteve de fora durante quase dois; Jonas andou dentro e fora, ao ritmo dos seus problemas físicos; André Horta desapareceu das escolhas para acolher Felipe Augusto; Jiménez ídem, devido à saída fracassada para a China em Janeiro; e Gonçalo Guedes saiu mesmo para o PSG. Mesmo assim, é verdade que por vezes graças a tropeções de um FC Porto que nunca foi capaz de assumir a candidatura a sério, chegou ao título a uma jornada do fim. E se assim foi, é porque o mereceu.
2017-05-13
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O Sporting-Benfica não foi um grande jogo, confirmando que as duas equipas estão esta época um patamar abaixo do que mostravam na época passada. No final, ambos os treinadores vieram puxar para o seu lado a justiça de uma vitória pela qual, na verdade, nunca fizeram muito. Jorge Jesus apresentou como argumento as duas ocasiões de golo flagrantes perdidas por Bas Dost, mas não disse que o golo com que o Sporting se adiantou lhe foi oferecido logo de início num erro idiota de Ederson. Rui Vitória esgrimiu com o maior domínio do Benfica sobre a partida, mas também não reconheceu que com mais bola e a necessidade de correr atrás do resultado durante boa parte do jogo a sua equipa só foi capaz de testar Rui Patrício de bola parada. A verdade é que o empate assenta bem às duas equipas. A forma como o jogo decorreu mostrou boas exibições no plano individual – os quatro centrais, Pizzi e Gelson acima de todos – e uma melhor reação do Benfica aos episódios do jogo: o Sporting pareceu anestesiado pela vantagem madrugadora e demorou muito a reagir ao golo do empate. Os leões até entraram melhor, marcaram antes mesmo de poderem justificá-lo, mas nunca souberam cavalgar a onda da vantagem, permitindo que, aos poucos, o Benfica fosse tomando conta das operações a meio-campo: fosse pelo recuo de Rafa, pela derivação frequente de Salvio e Cervi para zonas mais interiores ou pelo que me pareceu um mau posicionamento de William, os encarnados marcaram superioridade nesse setor até ao intervalo e encaminharam quase sempre o jogo na direção da baliza de Rui Patrício. Faltava-lhes, depois, arte na frente, pois mesmo ganhando muitas vezes aos desastrados laterais leoninos, os desequilibradores benfiquistas não pareciam capazes de transformar esse ascendente em situações de perigo. Na segunda parte, provavelmente com posicionamentos corrigidos pelo treinador durante o intervalo, o Sporting apareceu melhor e teve as tais ocasiões de golo que Bas Dost não costuma perder mas que, desta vez, perdeu. Manteve o jogo no 1-0 e acabou por sofrer o golo do empate, num livre magistral de Lindelof. Vitória já tinha feito a equipa evoluir para o 4x4x2 com dois avançados claros – Mitroglou e Jiménez – mas nem por isso o Benfica tinha melhorado em termos de produção atacante. Só que ao sofrer o golo, o Sporting voltou a vacilar e os minutos que se seguiram foram, a par do final da primeira parte, os melhores dos tricampeões nacionais. Jesus demorou a mexer, mostrando mais uma vez alguma falta de confiança no único revulsivo que tem neste momento a sair do banco – Podence devia ter entrado mais cedo – e só quando Vitória decidiu trancar o jogo com a entrada de mais um médio – Filipe Augusto – e o sacrifício de um dos dois avançados é que os leões voltaram a estar mais perto da baliza de Ederson. Tem sido uma tendência desta época: quanto mais atrás defende, mais o Benfica sofre. O empate acaba por ser justo e deixar benfiquistas e postistas moderadamente satisfeitos face ao que falta jogar nesta Liga. Os benfiquistas sentem que passaram o obstáculo mais difícil e sabem que ganhando as quatro partidas que lhes faltam serão tetracampeões. Os portistas julgam que o Benfica não está a jogar enormidades e que pode bem voltar a vacilar – assim a equipa de Nuno Espírito Santo tenha capacidade para aproveitar uma eventual escorregadela. Ambos têm razão para ter confiança. A Liga nos dirá quem ri no fim.
2017-04-22
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Antes de um dérbi, a pergunta é sempre a mesma: quem está melhor? E a resposta também: depende. Depende de muitas coisas, a começar pelo parâmetro que quisermos privilegiar. Se for a série estatística, está melhor o Sporting. Se for a força mental, vinda da motivação, está melhor o Benfica. Se o peso da responsabilidade funcionar como travão, o compromisso volta a ser mais favorável ao Sporting. Se, em contrapartida, servir de trampolim, então é o Benfica o favorito. Os que procuram respostas definitivas devem ter em conta que quando se defrontam duas equipas de valor tão aproximado, há aspetos incontroláveis, que só um conhecimento aprofundado da dinâmica interna dos dois grupos poderia ajudar a decifrar. E esse, ninguém o tem. O Sporting joga em casa e está numa série melhor do que o Benfica: ganhou oito dos nove jogos que fez desde a derrota no Dragão, há mais de dois meses, enquanto que o Benfica só venceu dois dos últimos cinco (ou três dos derradeiros sete). A melhor forma do momento é, portanto, dos leões. No entanto, olhando para a qualidade de jogo que têm vindo a apresentar, ela não se aproxima sequer da que evidenciavam por alturas do dérbi do ano passado. E esse, ainda assim, perderam-no. As explicações encontram-se nos outros parâmetros, a começar pelo que o jogo significa para cada grupo de jogadores. Há um ano, ganhando o dérbi, o Sporting quase punha um ponto final da Liga, ficando de portas abertas para o desejado título de campeão. E isso, ao fim e ao cabo, não foi um fator motivacional, mas sim um travão de responsabilidade. Uma espécie de medo cénico que levou a equipa a dois jogos consecutivos sem ganhar – empate em Guimarães e derrota em casa com o Benfica – e promoveu a inversão das posições no topo da tabela. Este ano, os leões estão fora da corrida pelo título. E não deixa de ser curioso que tenha sido após o jogo que os afastou – a derrota no Dragão – que encarrilaram para a melhor série da temporada. Estão mais soltos, mais desresponsabilizados. É o Benfica quem joga mais neste dérbi. Falta perceber como reage o grupo de Rui Vitória a este fator, se sentirá acréscimo de pressão ou de motivação. Há um ano, mesmo com um futebol menos trabalhado que o do Sporting de Jorge Jesus, a equipa encarnada ganhou o jogo que tinha de ganhar e não vacilou depois até final da época. A diferença é que, tal como o Sporting, também o Benfica tem feito esta época jogos menos bons do que há um ano – são disso exemplo a vitória em Moreira de Cónegos ou o empate em Paços de Ferreira. Não creio que esteja a jogar menos por uma questão de falta de motivação – a perspetiva de um inédito tetra-campeonato chega para manter a moral em alta – ou de excesso de pressão, que não deve afetar uma equipa tricampeã. Essa baixa de qualidade explica-se, nos dois lados, com aquilo de que menos se fala em Portugal quando se fala de futebol. O que? Precisamente, o futebol. Este Benfica fez quase toda a época sem Jonas, cuja inteligência futebolística – a capacidade técnica servida por uma espécie de presciência que lhe permite adivinhar os lances uma fração de segundo antes de todos os outros e dessa forma tomar as melhores decisões – foi uma arma fundamental no título passado. Durante meia época, o Benfica teve Gonçalo Guedes, que ajudou a transformar a equipa, dando-lhe mais intensidade ofensiva e defensiva. Sem Guedes e com Jonas a aparecer e desaparecer, o Benfica nunca foi a equipa de 2015/16. Vale-lhe que também o Sporting está abaixo do coletivo da época passada. Há um ano, Jesus tinha Slimani e João Mário, que agora lhe faltam. Mas, argumentarão, Bas Dost até faz mais golos do que Slimani… É verdade. Mas Dost é um finalizador, enquanto Slimani fazia jogar toda a equipa. Quando se fala do que trabalhava o argelino, muitos reduzem esse aspeto à pressão defensiva sobre a saída de bola do adversário, mas isso nem era o mais importante: o que falta a este Sporting é um jogador que busque a profundidade ofensiva e dessa forma force o alargar do espaço entre as linhas defensivas do adversário, o espaço onde apareciam Téo Gutièrrez, Bryan Ruiz, João Mário e até Adrien. Aqui chegados, a pergunta permanece: quem está melhor? E a resposta também: depende.
2017-04-21
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Uma noite perfeita de Ederson e o pesadelo protagonizado por Aubameyang ajudam a explicar a vitória por 1-0 do Benfica sobre o Borussia Dortmund e uma ligeira inversão da balança do favoritismo nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, mas resumir o que se passou na Luz a esses dois fatores seria ignorar outros igualmente importantes, como a mudança de estratégia defensiva do Benfica da primeira para a segunda parte. Foi também por aí que os encarnados ganharam o jogo, ainda que a chave tenha sido a eficácia do sul face ao desperdício alemão: Mitroglou marcou no único remate enquadrado da equipa portuguesa; Aubameyang falhou quatro golos cantados, um deles num penalti, que Ederson defendeu. Na primeira parte, quem olhasse apenas para os dois treinadores dificilmente adivinharia o que aí vinha. Rui Vitória deitava repetidamente as mãos à cabeça, por ver a equipa perder hipótese sobre hipótese de lançar contra-ataques que podiam ser perigosos, não conseguindo passar a primeira barreira defensiva imposta pelo Borussia. Tomas Tüchel, por sua vez, limitava-se a sorrir com incredulidade à medida que os seus jogadores iam perdendo ocasiões para marcar. Só à conta de Aubameyang foram, nesses primeiros 45 minutos, duas, uma na cara de Ederson, outra até já sem guarda-redes, depois de um cruzamento rasteiro de Guerreiro a que o gabonês não chegou. O Benfica entrara com Rafa a fazer de Jonas, atrás de Mitroglou, talvez com a ideia de condicionar Weigl, de o cercar de forma a impedi-lo de pegar no jogo alemão, mas a ideia não resultou. Por um lado, porque com exceção de algumas arrancadas de Salvio na direita – sempre bem auxiliado por Semedo – a equipa portuguesa não conseguia criar embaraço aos alemães. Por outro, porque estes iam mandando no campo e monopolizando a bola. Talvez por isso, Rui Vitória mexeu logo ao intervalo. Saiu Carrillo, que não deu boa sequência ao jogo com o Arouca, e entrou Felipe Augusto, descaindo Rafa para a esquerda e avançado Pizzi para ser ao mesmo tempo segundo avançado e terceiro médio. Não se percebeu se a coisa podia dar resultado, porque logo aos 48’ os encarnados marcaram, num canto: Luisão saltou mais alto que toda a gente e Mitroglou aproveitou a colocação deficiente de Guerreiro num dos postes para, em posição legal, bater Burki. De repente, o jogo adiantou-se à estratégia do Benfica, que se via a ganhar e com mais um médio no campo. Ainda assim, e apesar da energia que a equipa passou a pôr no momento de reação à perda da bola, subindo a primeira linha de pressão, o Borussia foi capaz de voltar a pegar no jogo. Teve ocasiões para empatar, em mais um cara-a-cara de Aubameyang com Ederson – que voltou a sair por cima da barra – e numa grande penalidade que o gabonês desperdiçou. Ederson adivinhou o remate para o meio da baliza, deixou-se ficar e socou a bola. Após essa defesa de Ederson, Tüchel chamou Schurrle e sacrificou o seu melhor marcador, cuja noite-não era já sem remissão. E o Benfica animou-se, equilibrando o jogo até ao momento em que os alemães chamaram Pulisic. Foi o norte-americano que, com um remate à entrada da área – desviado no calcanhar de Jiménez – arrancou a Ederson a defesa da noite. Uma defesa que deve ter assegurado ao guardião brasileiro a chamada à sua seleção (se é que Taffarel, que estava a observá-lo, ainda tinha dúvidas) e que garantiu ao Benfica a entrada no Westfallenstadion em vantagem e, sobretudo, sem ter sofrido golos em casa. Se o Borussia era favorito na eliminatória, neste momento as coisas estão pelo menos equilibradas.
2017-02-14
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O FC Porto-Sporting vai definir que campeonato teremos a partir de Fevereiro. As equipas chegam ao clássico em posições inversas relativamente ao igualmente decisivo desafio da época passada, mas com muito mais jornadas por disputar, o que somado à derrota recente do Benfica em Setúbal permite acalentar esperanças a ambas de ainda terem alguma coisa a dizer na luta pelo título. A esperança é, aliás, a palavra-chave para os que hoje forem ao Dragão. Os portistas vão na esperança de saírem de lá líderes à condição – o Benfica só joga no domingo. E se há um mês estavam a seis pontos de diferença do líder, já não estão na situação de olhar para cima e não ver ninguém desde o jogo de abertura desta Liga, quando foram os primeiros a somar três pontos, com a vitória em Vila do Conde sobre o Rio Ave. Os sportinguistas, por sua vez, vão na esperança de pelo menos manter a distância para o topo – são sete pontos neste momento, os tais que o FC Porto tinha de desvantagem há um mês – e reduzir a que os separa do segundo lugar, para voltarem a entrar na discussão. Ambos os treinadores têm a noção de que o futebol é o momento. E a questão é que o momento não tem sido muito favorável a nenhum dos dois. O FC Porto até vem de três vitórias seguidas depois do empate em Paços de Ferreira que parecia condenar a equipa a uma segunda metade de época sem ambição, mas não tem sido convincente no plano exibicional. No Estoril, por exemplo, a equipa só ganhou asas quando o treinador adicionou homens de ataque a um onze inexplicavelmente tímido de início. Uma das dúvidas acerca de que FC Porto vamos ter prende-se com as opções para acompanhar André Silva. Só Diogo Jota, com Herrera, Oliver e André André é curto, como se viu na Amoreira. É verdade que o treinador vinha escaldado pelos dois golos consentidos em casa ante o Rio Ave e pode ter sido impelido a escolher uma equipa mais conservadora, mas entre Corona e Brahimi, pelo menos um tem de estar de início. Ou até os dois, com Jota de fora. Jesus já dissipou a maior dúvida no onze leonino, que tinha a ver com o homem escolhido para substituir o castigado William Carvalho. Joga Palhinha, igualmente forte fisicamente mas menos desequilibrador no passe e naturalmente menos à vontade com a importância de um jogo como este. Logo aí se deve esperar um Sporting menos virado para o ataque, mas a opção fundamental prende-se com a escolha do homem que vai acompanhar Bas Dost na frente. Em 2015/16, Jesus ganhou com “chapa três” na Luz e no Dragão com dois avançados puros – Slimani e Gutiérrez – mas este é um Sporting diferente, logo à partida por não ter a capacidade de luta do argelino, que era ao mesmo tempo primeiro atacante e primeiro defesa. Os dois clássicos desta época tiveram de início Bruno César e Bryan Ruiz a alternar entre a esquerda e o centro e deverá ser assim também no Dragão, onde lá mais para a frente Jesus pode recorrer a Geraldes e Podence, os dois moreirenses que tão moralizados ali chegam.
2017-02-03
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Quando o Benfica sofreu três golos do Boavista e outros três do Moreirense, toda a gente falou de Fejsa e da falta que o sérvio fazia nos equilíbrios defensivos da equipa de Rui Vitória. Hoje, Felsa estava de volta e o Benfica perdeu com o V. Setúbal no Bonfim. O problema não foram tanto os desequilíbrios defensivos – o Vitória não chegou muitas vezes com perigo perto da baliza de Ederson – mas sim a falta de capacidade para criar desequilíbrios ofensivos. Foi por isso que os tricampeões nacionais registaram o primeiro zero no ataque desde a derrota com o Bayern em Munique (em Abril). Ou, se limitarmos a amostra à Liga portuguesa, desde o empate a zero com o U. Madeira no Funchal, em Dezembro de 2015. Tal como tinha feito o Moreirense, o V. Setúbal fechou bem o corredor central. Aos dois centrais habituais – Venâncio e Fábio Cardoso – juntou Vasco Fernandes na missão de lateral direito, pedindo depois a Mikel e Bonilha, os dois médios-centro, que fizessem um jogo sobretudo rigoroso em termos posicionais. Bloqueado pelo meio, o Benfica só teve saída pela direita, onde Nelson Semedo e Zivkovic ainda iam criando algumas dificuldades, em contraste com o jogo menos conseguido de André Almeida e Cervi do outro lado. Vitória ainda tentou trocar os laterais, mas foi na segunda parte, com Rafa no lugar do argentino, que o Benfica ganhou flanco direito. E nem aí foi capaz de tirar de Jonas a influência que o brasileiro tinha na época anterior. Com o 10 sempre emparedado, o Benfica dependia da capacidade de Mitroglou chegar a um cruzamento, de um remate de longe ou de Luisão transformar um dos muitos cantos de que beneficiou num golo. Não aconteceu. Depois, pode até falar-se da ausência de Rui Vitória, ausente do banco por castigo, mas a verdade é que mesmo com ele este Benfica não vira jogos. Como se viu em desvantagem a meio da primeira parte, no seguimento de uma boa combinação de Edinho e Arnold na direita, que o congolês cruzou para o cabeceamento vitorioso de Zé Manuel, o Benfica deixou que dele se apoderasse o sentimento de fatalidade que lhe custou um dissabor em todos os jogos nos quais deixou que o adversário se adiantasse. Todas as equipas que lhe marcaram primeiro tiraram algo dos jogos: já tinha acontecido com este mesmo V. Setúbal na Luz (1-1), mas repetiu-se duas vezes com o Napoli (4-2 em Itália e 2-1 em Lisboa), com o FC Porto (1-1), o Marítimo (2-1) e o Boavista (3-3). Esta não é uma equipa programada para virar resultados, mas sim para marcar cedo e gerir a vantagem com um apetite atacante que quase sempre lhe permite ampliá-la. É, apesar de tudo, e sobretudo com Fejsa, uma equipa mais forte nos momentos defensivos do que nos ofensivos. E por isso mesmo encara agora o duplo compromisso caseiro com Nacional e Arouca sabendo que em vez de poder fechar o campeonato em caso de derrota portista no clássico de sábado, terá sempre de continuar a pedalar até ao fim se quer garantir o tetra.
2017-01-30
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Augusto Inácio tinha dito no lançamento da meia-final da Taça da Liga que se o Moreirense chegasse à final toda a gente ia dizer com espanto: “Ahhhh, o Moreirense ganhou ao Benfica!” No entanto, quando a equipa minhota venceu de facto os tricampeões nacionais, a maioria dos observadores vai dizer outra coisa: “Ahhh, o Benfica perdeu com o Moreirense!” É o normal num futebol tão tricéfalo como o português, mas a verdade é que a surpresa do Algarve tem dois lados. Um fala da perda de qualidade defensiva de um Benfica que entrou em quebra quando perdeu Fejsa e que passou a sofrer muito mais na primeira zona de pressão quando recuperou Jonas. O outro de uma segunda parte épica de um Moreirense seguro por Fernando Alexandre, com Geraldes, Podence, Dramé e Boateng a darem um recital de contra-ataque. A história faz-se dos vencedores. Depois de uma primeira parte sem chama, Augusto Inácio foi à procura da felicidade com duas substituições que ajudam a explicar o desfecho do jogo. O velocíssimo Podence e o sempre inteligente Geraldes já lá estavam, mas faltava a âncora que veio a ser Fernando Alexandre e uma outra seta na frente que foi Dramé. O Moreirense fez três golos, mas podia ter feito mais, fruto da velocidade nos últimos metros, da capacidade de lançar os seus velocistas em passes de rutura desde a zona de meio-campo, mas também da forma de sair a jogar desde trás, iludindo um Benfica muito menos eficaz na reação à perda do que tem sido habitual: uma coisa é ter ali Jiménez, Cervi ou Gonçalo Guedes, que correm sempre atrás da bola e travam a organização adversária desde cedo, e outra, bem diferente, é entrar com Jonas, Rafa e Carrillo, muito mais passivos do ponto de vista defensivo. Não é só por aí que se explicam os três golos encaixados pelo Benfica, porém. Sobretudo porque se sucedem a dois feitos pelo Leixões e outros três pelo Boavista. Fejsa lesionou-se em Guimarães, no dia 7 deste mês, e nos cinco jogos que se seguiram a equipa de Rui Vitória sofreu oito golos. Tantos como nos onze jogos anteriores, sendo que nessa série mais antiga – que incluiu sete partidas seguidas em branco – os adversários foram do calibre de Napoli, Sporting ou Besiktas. A falta do sérvio fez-se sentir na forma como a equipa não tem sido capaz de travar trocas de bola aos adversários, tanto no espaço interior como nos corredores laterais, onde a ação de limpa-pára-brisas de Fejsa costuma ser igualmente importante. É verdade que mesmo assim o Benfica ainda podia ter chegado ao empate – acertou duas vezes nos postes da baliza de Makharidze – mas ninguém estranhará que se diga neste momento que do regresso pronto de Fejsa dependerá a capacidade de impedir que este mau momento defensivo se alargue ao campeonato.
2017-01-26
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Benfica e Sporting deixaram dois pontos pelo caminho face a adversários menos apetrechados, mas fizeram-no por razões diferentes. Os encarnados porque entraram no jogo com o Boavista iludidos com a sucessão de vitórias que transportavam no histórico recente, a ponto de Rui Vitória ter sentido a necessidade de dizer no final que “esta não é uma equipa invencível”; os leões porque mesmo em esforço total e espicaçados pelo tropeção do rival foram curtos para se imporem a um Chaves aguerrido e organizado, porque de facto é como diz Jesus e ali é “sempre o mesmo a marcar os golos”. Quem esteve na Luz pode preferir optar por destacar a recuperação épica do tricampeão nacional, que esteve a perder por 3-0 e ainda salvou um ponto, mas sendo verdade que o volume de jogo ofensivo da equipa encarnada depois de reduzir para 1-3 foi impressionante, não durou sempre e a seguir aos 3-3, já conseguidos em fase de perda, o Boavista até teve a capacidade para criar duas ocasiões de golo claras. A história do jogo está refletida na frase que Rui Vitória disse no final: esta equipa “não é invencível”. Porque a ideia que deu de início, sem rigor nem agressividade atrás foi a de se julgar invencível, como se as camisolas chegassem para ganhar. A ajudar à festa, entrar com Jonas e Gonçalo Guedes na frente roubou-lhe presença na área e uma referência de que o seu jogo precisava para lá chegar em tabelas. Com a entrada de Mitroglou e, ao intervalo, de Cervi para começar a atacar desde a posição de defesa-esquerdo, o Benfica construiu o cenário de que precisava para a tal recuperação. Chegou aos 3-3, mas aí, com mais de 20 minutos por jogar, parou. Falta de pulmão, acerto tático de Miguel Leal com a entrada de Mesquita ou simplesmente a ideia de que esta “equipa não é invencível” e de vez em quando aparecerão adversários capazes de lhe colocar dificuldades, como fez o Boavista com o seu jogo de corredor a corredor. Diferente é a problemática do Sporting. E a frase sintomática, Jesus disse-a na semana passada, depois de ganhar ao Feirense. “Não é normal nas minhas equipas que seja sempre o mesmo a fazer os golos”. Em Chaves, o mesmo fez o seu papel. Bas Dost respondeu com dois golos de oportunidade a um início desconcentrado que permitiu aos transmontanos adiantar-se no marcador. O Sporting até respondeu bem à desvantagem, sempre sem brilhar, é verdade, sem o jogo envolvente que praticava na época passada, mas assumindo a iniciativa do jogo e impedindo o Chaves de criar perigo. Teria chegado, não fosse mais uma vez o descontrolo das emoções em que esta equipa é pródiga: expulsão de Ruben Semedo, necessidade de sacrificar Dost para fazer entrar Paulo Oliveira e um golão de Fábio Martins a dois minutos no fim. O golo do empate do Chaves foi um pouco como a recuperação do Benfica: fez-se anunciar a todos os sentidos antes de se deixar ver por quem estava no estádio. E é destas fatalidades que se faz a história dos campeonatos.
2017-01-14
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O que espanta na forma fácil como o Benfica voltou a vencer o Vitória em Guimarães no Minho e se qualificou para a Final Four da Taça da Liga não é tanto o facto de Rui Vitória ter trocado oito jogadores na equipa inicial, porque também Pedro Martins apresentou uma equipa alternativa na repetição do jogo de sábado. O que espanta mais é a forma diferente como o Benfica jogou: apresentou como denominador comum a velocidade nos momentos ofensivos, mas trocou desta vez a dupla Jonas-Mitroglou por outra, muito mais móvel, com Rafa e Gonçalo Guedes. O que vale, ali, é a ideia. Claro que o sistema continuou a ser o 4x4x2. Mas os jogadores que o serviam hoje eram muito diferentes. Carrillo não é Salvio, Zivkovic até se aproxima do jogo de Cervi, mas sobretudo nem Rafa nem Gonçalo Guedes são jogadores de presença constante na área como é Mitroglou. E se Guedes ainda tem um histórico recente a ocupar as zonas prediletas de Jonas – mesmo que de forma radicalmente diferente, com mais dinâmica, mas muito menos intuição e capacidade de antecipação dos acontecimentos – foi Rafa quem surgiu no apoio. E até aí o Benfica mudou, pois foi quase sempre o segundo avançado a procurar a profundidade, tendo Guedes recolhido para, por exemplo, marcar os dois golos. Tudo diferente, a dificultar o processo defensivo do Vitória, pela imprevisibilidade, mas também a tornar mais difícil de prever a capacidade de resposta dos jogadores. Na Final Four da Taça da Liga, onde já não há FC Porto nem Sporting, com um sorteio favorável na Taça de Portugal e seis pontos de avanço na Liga, este Benfica continua a perseguir um póquer histórico – começou a época a ganhar a Supertaça. E isso tanto pode ser um aspeto de que Rui Vitória venha a servir-se para motivar os jogadores como um fator descompressor, que permita ao plantel meter um maior foco na competição internacional. Mesmo com todos os perigos que isso encerra, uma equipa com esta capacidade de se transfigurar pode ter a tentação de ir por aí. Essa é a grande decisão a tomar nos tempos mais próximos.
2017-01-10
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Quando Pep Guardiola disse que a organização defensiva do Benfica era “digna de uma equipa de Arrigo Sacchi” não tinha visto a forma como os encarnados ganharam em Guimarães, superando um dos obstáculos mais complicados no caminho que pretendem seja o do inédito tetracampeonato. Mais uma vez a equipa de Rui Vitória marcou primeiro e pôde depois sentar-se no cadeirão a gerir a vantagem, conseguindo a proeza rara para um grande de ter sempre mais espaço no ataque do que o adversário – algo que teria dado muito jeito ao FC Porto em Paços de Ferreira, onde não foi além de um empate a zero. Quando um clube grande joga, o normal é ter pela frente equipas fechadas. Isso não acontece tantas vezes com o Benfica e leva muitas vezes os adeptos a insinuar que estes adversários se abrem quando defrontam os tricampeões. Mas não é assim. É que com o Benfica, há dois fatores-extra a ter em conta. Primeiro, o comportamento da equipa nas transições: agressividade na transição defensiva, que permite recuperar a bola mais vezes, mais cedo e mais perto da área adversária; e velocidade na transição ofensiva, levando-a a uma percentagem maior de ataques rápidos e contra-ataques do que os outros grandes, forçados a cair mais vezes em organização ofensiva e a defrontar defesas mais bem posicionadas e organizadas. Neste aspeto, o futebol do Benfica é menos trabalhado no ataque posicional que o do Sporting ou do FC Porto – vale-lhe o facto de fazer por que isso quase nunca lhe faça falta. Depois, os níveis de eficácia na finalização benfiquista permitem que a equipa se coloque quase sempre em vantagem antes de o adversário poder marcar e dão-lhe a oportunidade de fazer o jogo de que gosta. Não é um jogo defensivo, mas é um jogo defensivamente competente, com um posicionamento impecável em organização defensiva, onde se vêem as tais duas linhas bem juntas, entre as quais Guardiola dizia que não cabia sequer “um cabelo”. Não será bem assim, sobretudo quando ali falta Fejsa. Ter Samaris não é a mesma coisa, pela forma como o grego não é capaz de antecipar as ideias do adversário para equilibrar. Em Guimarães, mesmo sem Fejsa durante quase todo o jogo, o Benfica manteve as redes de Ederson a zeros, mas esse já não foi tanto um triunfo da organização como foi da ocasião.
2017-01-07
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É impossível não ligar Mitroglou à vitória sobre o Rio Ave com que o Benfica fechou a sua participação na Liga em 2016, assegurando o título oficioso de campeão de inverno. E não foi só por ter sido ele a desbloquear o marcador, obtendo o primeiro golo do jogo. É que o regresso do ponta-de-lança grego ao onze permitiu a Rui Vitória mudar o jogo atacante da sua equipa, dando-lhe mais presença na área e profundidade no corredor central, por oposição ao futebol mais móvel de Jiménez. Indiferente à discussão acerca de quem será o melhor ponta-de-lança da Liga e mesmo sem ter tantos como o Sporting, por exemplo, o Benfica tem uma certeza: na Luz mora o lote mais complementar de todos os candidatos. Mesmo que depois o melhor marcador da equipa seja o médio Pizzi. É que se Mitroglou anda sempre na perseguição do golo, raramente saindo do corredor central ou se envolvendo em movimentações antes dos últimos 20 ou 30 metros do campo, preferindo ir mais vezes em busca da profundidade, Jiménez, o avançado a quem ele tirou a vaga nos titulares, cai com frequência nas laterais, dessa forma ajudando a desposicionar as defesas adversárias e abrindo caminho à entrada dos médios em situações de finalização. Depois, há Guedes, um corredor por excelência, rápido com bola nos pés e pouco certeiro na definição dos lances – ainda hoje se lhe viram raides sem a decisão correta no final – mas incansável na pressão quando a equipa perde a bola e lhe compete entrar em fase defensiva. E recomeça a haver Jonas, jogador tão diferente dos outros três, por ter até mais golo que Mitroglou, mesmo jogando uns metros atrás, por ser tecnicamente refinado e quase presciente naquilo que falta a Guedes, que é a capacidade para adivinhar o que vai suceder em cada lance. Podendo ainda fazer jogar ali Rafa – um misto de Jonas com Guedes, porque decide quase sempre bem, mas nem sempre define a contento – ou Cervi, Rui Vitória está mais bem servido de atacantes que Nuno Espírito Santo ou Jorge Jesus. No FC Porto, há Jota, um velocista com golo nas botas, há André Silva, um trabalhador que dá tudo – às vezes até demais – e acaba por sair muito da zona de finalização no processo, e há Depoitre, um gigante de área que aparenta ser muito limitado com os pés. Nuno Espírito Santo seguramente poderia usar a capacidade de explosão de Aboubakar, se tivesse havido a capacidade para lhe explicar que a aposta principal era o miúdo da formação e ele se predispusesse a ser útil, ainda assim. E no Sporting, onde mora o maior lote de avançados da Liga, também não se encontrou ainda a complementaridade. Há Bas Dost, outro gigante, que é melhor jogador e finalizador que o dragão belga, mas pouco dado a buscar a profundidade em construção, como fazia Slimani, preferindo baixar para jogar entre linhas, no espaço de Jonas, por exemplo. E aí faltam-lhe argumentos para desequilibrar. E há Bryan Ruiz, tecnicamente muito bom mas lento a executar, mau finalizador e nada propenso às mudanças de velocidade, ou Campbell, que continuo a achar que pela explosão e boa finalização é o melhor par para o holandês no meio. Não tem havido Markovic, ainda não se viu o que pode valer Alan Ruiz, nunca foi dada constância a André e creio que dificilmente se verá Castaignos. Com mais opções, Jesus ainda não definiu claramente o que espera de cada uma delas. E por aí também se explica a diferença pontual que a equipa já tem para o Benfica.
2016-12-21
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O regresso de Jonas aos relvados foi a boa notícia da noite para os benfiquistas que viram a sua equipa vencer à justa o Estoril, por 1-0. O brasileiro entrou na ponta final do jogo, já com o resultado feito, mas em meia dúzia de intervenções mostrou que muda tudo à sua volta, pela inteligência que lhe permite adivinhar o epílogo de cada lance, pela capacidade técnica e a tomada de decisão que o leva a defini-lo melhor que os colegas. E no entanto, como o segundo golo não entrou, também foi com ele em campo que o Benfica mais perto esteve de consentir o empate. Porque com Jonas – e com Mitroglou em vez de Jiménez – muda também a capacidade do Benfica para controlar os jogos e gerir vantagens curtas. E aqui Rui Vitória corre o risco de ser apanhado entre dois fogos, entre os corredores e os definidores. Já vi atribuírem a quebra do Benfica no final do jogo da Amoreira ao cansaço. É possível que sim, porque a primeira metade da época está a ser muito exigente para um plantel que tem sido fustigado por lesões permanentes. Os que permanecem de pé têm sido sugados até ao tutano e devem precisar desta pausa natalícia que aí vem como de ar para respirar. A questão é que esta não é uma tendência nova. É uma realidade constante nos momentos em que o Benfica decide segurar o resultado e muda as zonas de pressão. Nos momentos em que Rui Vitória opta por juntar mais gente atrás, com as entradas de Samaris, Danilo ou Celis e o sacrifício de um dos homens da frente, o Benfica passa a permitir mais facilidades na construção adversária e não consegue depois ser tão eficaz nas manobras para estancar a chegada à área de Ederson. E isso já não tem a ver com cansaço, mas sim com a definição estratégica acerca do local onde a equipa deve colocar o seu foco a cada momento dos jogos. Claro que nem Gonçalo Guedes e Jiménez, dois corredores por excelência, dois homens que trabalham mais sem bola do que com ela, conseguem durar 90 minutos ao mesmo ritmo. Aliás, a primeira parte do jogo mostrou isso mesmo: o Estoril quase nem saiu da sua área antes da meia-hora, porque nessa altura a pressão do Benfica era eficaz e compacta, mas dividiu o jogo nos últimos 15’ antes do intervalo, porque aí, já mais fatigados, os jogadores das linhas da frente do Benfica já não conseguiam pressionar de forma tão compacta. A questão é que, depois, Jiménez sai muito da área e Gonçalo continua a ser sofrível na definição dos lances. Os dois funcionam muito bem em vários parâmetros mas não dão à equipa a mesma facilidade goleadora de Jonas e Mitroglou. Com o brasileiro e o grego, na época passada, o Benfica não defendia tão bem desde a sua primeira linha, mas também não precisava disso, porque muitas vezes quando o opositor começava a pensar em chegar-se à frente já o fazia com o desânimo de dois ou três golos na sua baliza. Esta será a grande dúvida de Rui Vitória na ideia de equipa para depois do Ano Novo. O que está a provar-se que causa dificuldades é começar a construir resultados com os corredores e meter os definidores quando é altura de os defender.
2016-12-17
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A vertigem, que durante anos deu títulos a ganhar a Jorge Jesus, mudou de lado e resolveu o dérbi de ontem a favor do Benfica. Foi muito à conta da velocidade dos homens que tem do meio-campo para a frente, da forma como foi sendo capaz de explorar o espaço vazio entre e atrás das linhas do adversário e da rapidez de decisão e execução dos seus jogadores nas transições que o Benfica bateu um Sporting mais forte sempre que o jogo entrava em controlo. A crise que batia à porta do Estádio da Luz mudou de lado da Segunda Circular e ameaça agora Alvalade.Jorge Jesus sempre construiu equipas vertiginosas. No Sporting, até em função dos jogadores que tinha e tem, mudou um pouco de estilo e aposta agora mais no controlo, ficando mesmo muitas vezes mais próximo do 4x2x3x1 do que do 4x4x2 de que nunca abdicava na Luz. Rui Vitória, por sua vez, sempre foi um treinador de futebol mais pausado e controlado - começou por tentar impor o 4x2x3x1 na Luz - mas este Benfica não lhe segue o pensamento, tanto se aproxima de uma equipa de velocistas, sobretudo na frente. Esta inversão de paradigmas vem mostrar que a identidade dos treinadores não conta assim tanto na definição daquilo a que joga uma equipa e que o papel dos líderes passa muito mais por fazer o melhor aproveitamento possível dos jogadores que têm do que por lhes mudar as formas de jogar ou pensar.Nunca se saberá o que seria este Benfica com Jonas. Mais controlo, mais cérebro na definição de cada jogada, mais capacidade de antecipação do que vai suceder e maior qualidade de decisão, mas sem dúvida menos intensidade e velocidade na exploração dos espaços. Sem o brasileiro, este Benfica está até mais próximo daquilo que são as equipas típicas de Jesus: Jiménez e Guedes correm muito – por vezes até demais – com e sem bola, Salvio parece feito no mesmo molde e o próprio Rafa, que ontem foi o melhor do Benfica na capacidade para ir desenhando jogadas, é muito dependente do espaço atrás das linhas adversárias. O Benfica não precisou por isso do mesmo volume de jogo para criar tantos lances de perigo como o Sporting – e, mais importante, para lhe ganhar – porque era sempre capaz de encontrar estradas menos congestionadas par chegar ao objetivo.Do outro lado, se é verdade que não pôde controlar a saída de Slimani, Jesus ainda fez os possíveis para ter uma equipa mais à sua imagem, vertiginosa, sobretudo com as contratações de Markovic e Campbell, dois velocistas que servem sobretudo para esticar o jogo. Só que, mesmo começando Campbell a justificar a aposta, o DNA desta equipa é outro, ditado pelo jogo mais cerebral de William e Ruiz ou pelas sinuosas corridas de Gelson. O próprio Dost é mais jogador de controlo que de esticões, se bem que a razão mais importante a levar Jesus a mudar de paradigma e a aproximar-se mais vezes do 4x2x3x1 terá sido a qualidade de uns e outros. Tal como no Benfica, não é possível saber como seria um Sporting com Markovic e Campbell e sem Ruiz ou William. Mais vertigem e menos controlo, mas não necessariamente melhores resultados.No dérbi, fundamentalmente, o que decidiu foi a qualidade. A qualidade de Ederson em algumas defesas importantes, mas sempre tendo em conta que Rui Patrício também fez uma de grande nível. A qualidade de Rafa, de Dost, de Gelson, numa tarde em que nenhuma das duas equipas teve defesas laterais à altura dos acontecimentos. Semedo teve problemas com Bruno César e depois com Campbell, André Almeida sofreu com Gelson, mas os dois ainda foram sendo capazes de disfarçar, enquanto que no Sporting nem Zegelaar nem João Pereira estiveram à altura da exigência do jogo: o holandês está nos dois golos do Benfica e o português foi diretamente batido por Jiménez no lance do 2-0, quando tentou fechar ao meio depois do envolvimento dos centrais.O resultado não fecha o campeonato, porque a derrota do Benfica na Madeira assegurou que ele ia continuar aberto. Mas serviu ao Benfica para afastar as nuvens negras que se aproximavam da Luz. Após duas derrotas seguidas e sobretudo num momento em que a equipa não anda a mostrar um futebol muito conseguido, o Benfica voltou a alargar a vantagem para o segundo classificado, porque este agora é o FC Porto. E caberá agora ao Sporting fazer a sua parte para afastar a crise de que terá de se falar devido às duas derrotas seguidas que implicaram o fim da Europa e o regresso aos cinco pontos de desvantagem para o líder. Sem nada a que se agarrar a não ser as competições internas, Jesus sabe que não tem mais margem de erro nas semanas que se aproximam se quer convencer a SAD a dar-lhe em Janeiro mas jogadores para atacar o grande objetivo da época.
2016-12-12
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O Benfica-Sporting de hoje contou várias histórias. O jogo foi bom, colocou frente a frente duas equipas muito distintas na forma de o abordar, e acabou por decidir-se a favor dos tricampeões nacionais sobretudo graças à facilidade que mostraram na chegada à baliza do adversário. Não foi uma questão de finalização, mas sim de capacidade para criar o mesmo perigo com menos volume de jogo.A estatística final mostrou números mais gordos para o lado do Sporting e não foi só porque os leões passaram mais tempo a correr atrás do resultado. Foi também porque graças ao regresso da construção a três - com recuo de William – o Sporting garantiu mais bola (e mais ataques, mais cantos, mais remates…). O preço a pagar foi o aumento de espaço entre setores, que o Benfica aproveitava para desenhar ataques mais rápidos e objetivos. Assim, mais elaborado e coletivo o futebol do Sporting, mais repentista e veloz o do Benfica, os rivais proporcionaram um jogo intenso e equilibrado em ocasiões de golo.Já se sabia que as duas equipas vinham em momento psicológico instável – o Benfica com duas derrotas seguidas, o Sporting na ressaca da eliminação europeia – pelo que o primeiro golo seria ainda mais importante do que é habitual. Pelo conforto que daria a quem o marcasse e pelas dúvidas que criaria em quem o sofresse. Fê-lo o Benfica, em contra-ataque, e isso veio naturalmente condicionar o jogo. O 2-0, instantes após um remate de Bas Dost ao poste, logo a abrir a segunda parte, podia ter acabado com a discussão, mas o que se viu aí foi um Benfica outra vez com dúvidas e um Sporting pouco afetado com o que estava a suceder-lhe. Jesus mexeu com o jogo através da entrada de Campbell, Vitória também quando voltou a baixar a equipa numa situação de vantagem, permitindo que a bola passasse a andar mais onde lhe é mais difícil controlar defensivamente as partidas: as trocas de Salvio e Guedes por Danilo e Cervi levaram a um recuo de linhas do Benfica que o Sporting podia ter aproveitado melhor para ainda sacar um ponto na Luz. Individualmente, os melhores foram Ederson e Rafa no Benfica, Gelson e Bas Dost no Sporting. Sinais de preocupação vieram das laterais defensivas dos dois lados. A diferença aqui é que se Nelson Semedo teve um mau jogo e dele se espera que volte ao nível habitual e se André Almeida é apenas a terceira opção dos encarnados para a lateral esquerda, no Sporting não há no plantel alternativas claramente melhores a João Pereira e Zeegelaar (o ocaso de Jefferson é um mistério). Coisa para se resolver em Janeiro, mas só se o Sporting lá chegar em condições reais de discutir a Liga.
2016-12-12
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Os momentos que antecedem o Benfica-Sporting foram marcados pela mais profunda normalidade. Sem fogo cruzado, ainda que com os dois treinadores empenhados em manter alguma incerteza acerca das equipas que vão fazer subir ao relvado da Luz. Sem provocações e com pedidos para se falar de futebol. Vamos a isso então, com a resposta a nove perguntas acerca do dérbi. 1 – O jogo pode ser decisivo para o campeonato? Não. Uma coisa era o Benfica receber o Sporting com cinco pontos de avanço e a possibilidade de alargar a vantagem para oito. Outra completamente diferente é entrar em campo dois pontos à frente. Mesmo uma vitória do Benfica não deixa os leões fora da corrida. Um empate acentua a noção de que a Liga volta a ser uma corrida à três, sobretudo se antes o FC Porto tiver ganho ao Feirense. E uma vitória do Sporting deixa os leões com vantagem pontual e psicológica para o que resta de campeonato, sobretudo tendo em conta que também já não estão na Europa e podem concentrar-se nas provas internas. 2 – Assim sendo, quem tem mais a perder com o jogo? Mesmo tendo em conta que até pode jogar com dois resultados (o empate deixá-lo-ia como a única equipa a ganhar um clássico na primeira volta), é o Sporting quem arrisca mais em caso de derrota. Porque o Benfica é o campeão em título, mas também porque o fracasso europeu aumentou a pressão sobre Jorge Jesus e Bruno de Carvalho. 3 – Quais são as maiores armas do Benfica? A forma como a equipa de Rui Vitória reage à perda da bola, condicionando muito a saída de bola dos adversários desde a primeira linha de pressão, graças à disponibilidade física e mental dos quatro homens da frente (aumentada se for Jiménez a jogar em vez de Mitroglou). Os problemas do Benfica começam se essa primeira zona de pressão falha a estancar o jogo adversário, porque depois disso a equipa de Vitória tem problemas tanto no controlo da largura (por vezes inferioridade numérica nas alas, por vezes espaço para progredir com bola após variações rápidas e certeiras de flanco) como da profundidade (Luisão não a garante como Jardel). 4 – E do Sporting? A organização ofensiva continua a ser a fase mais forte do jogo leonino, mesmo tendo a equipa de Jesus perdido controlo com a saída de João Mário e capacidade para criar espaço entre as linhas adversárias com a saída de Slimani, cuja busca incessante da profundidade era a melhor forma de encontrar espaço para Ruiz ou Adrien. Ainda assim, o crescimento de Gelson deu a Jesus uma força em lances de um para um que a equipa não tinha na época passada. 5 – Haverá surpresas nos onzes? Não acredito. Presumindo que o Sporting vai mesmo ter Adrien e Gelson, penso que Jesus vai entrar com Bryan Ruiz e Bruno César, desta vez com este na esquerda para, com menos diagonais, condicionar a ação de Nelson Semedo. No Benfica, A dúvida é entre Jiménez e Mitroglou, sendo que em condições ideais acredito mais na titularidade do grego, mais jogador de área, porque com Guedes, Salvio e Cervi a equipa não precisa tanto da capacidade de pressão do mexicano. 6 – E Jonas? Assumindo que está em condições, talvez possa entrar perto do fim, mas só se o Benfica estiver desesperado ou com a vitória garantida. Caso contrário, parece-me que os 80/20 enunciados por Rui Vitória terão sido apenas para manter Jesus em dúvida acerca da possibilidade de o brasileiro poder aparecer. 7 – As derrotas europeias terão influência no jogo? É possível. No Benfica porque vem de duas derrotas seguidas, ainda que o facto de ter conseguido na mesma o apuramento para os oitavos de final da Liga dos Campeões possa servir de atenuante. No Sporting, o fracasso total, a incapacidade de atingir até à Liga Europa, pode ter levado a equipa a duvidar de si mesma, sobretudo porque o treinador não abdicou dos titulares no jogo com o Legia. Aqui falará mais alto a capacidade de Jesus para instigar uma resposta por parte dos jogadores. 8 – E a fadiga pode ser importante? Pode. Porque além de ter tido menos 24 horas de repouso, o Sporting teve de enfrentar uma longa viagem de regresso e um ambiente diferente, com temperaturas muito baixas. 9 – Que resultado convém mais ao FC Porto? Sem dúvida o empate. Porque lhe permite ganhar pontos aos dois, porque não moraliza Benfica nem Sporting.
2016-12-10
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A derrota contra o Napoli, mas sobretudo a forma como os italianos foram tantas vezes capazes de expor as debilidades que a equipa do Benfica ainda revela serão as duas maiores preocupações na cabeça de Rui Vitória na noite em que, mesmo perdendo, celebrou um justo segundo apuramento consecutivo para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. A Europa, porém, pode esperar, porque o que aí vem é o escaldante dérbi com o Sporting, onde o tricampeão nacional põe em risco a liderança na Liga. E aí os problemas de hoje até podem voltar para assombrar o treinador. Porque mesmo que Jesus os não conhecesse, teria tido a oportunidade de os ver. O facto de vir de duas derrotas seguidas (contra o Marítimo e o Napoli) tanto pode provocar no Benfica um sentimento de insegurança como a vontade urgente de superação. A verdade é que as duas derrotas acabam por ser muito diferentes. Mais devida a falta de concentração, alguma sobranceria e até uma boa dose de passividade própria de quem acha que tudo se resolverá a encaixada na Madeira; mais natural e saída das próprias debilidades a que o Napoli impôs na Luz. Mesmo quando ainda estava espacialmente concentrada nos 25/30 metros da sua organização defensiva, quando o ritmo de reação à perda ditado por Gonçalo Guedes ainda imperava no campo, o Benfica viu os italianos serem capazes de o desequilibrar sempre da mesma forma: com passes diagonais a explorar as costas dos seus laterais. Não é um problema nascido da falta de Grimaldo, porque não foi só André Almeida a comprometer: Nelson Semedo também foi réu neste particular, mais nascido da projeção ofensiva natural dos dois laterais e da falta de capacidade defensiva demonstrada quando o adversário ultrapassa a feroz primeira linha de pressão encarnada. Fejsa, sozinho, nem sempre consegue disfarçar. Pior, porém, aconteceria quando, seguro face à goleada que o Besiktas já embrulhava em Kiev, Rui Vitória abdicou de Gonçalo Guedes – poupança para domingo? – e o Napoli trocou o corpulento Gabbiadini pelo repentista Mertens. Tal como em Istambul, após a perda da capacidade defensiva de Guedes, o Benfica sofreu dois golos quase seguidos. E se isso pode ser resolúvel, outras questões podem implicar a necessidade de uma decisão. Os problemas de concentração de Lindelof – eventualmente originados pelas vozes de mercado – estiveram na origem do primeiro golo italiano, enquanto que as dificuldades de Luisão face a avançados rápidos a mudar de direção se somaram à falta de solidariedade defensiva dos extremos (no caso Salvio) para gerar o segundo. Não são questões fáceis de resolver – a projeção ofensiva de laterais e extremos é preciosa para a máquina atacante que este Benfica também é – mas esperará Rui Vitória que sejam irrelevantes no domingo. O problema é que Jorge Jesus até já tinha dito que só estava 90% focado no jogo de Varsóvia e os 10% restantes já estarão a pensar na forma de as explorar.
2016-12-06
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Os dérbis entre Benfica e Sporting sempre foram um jogo à parte na história do futebol português, mas nunca terão sido marcados por tantos “mind games” como na época passada, fruto da passagem de Jorge Jesus de um para o outro lado da Segunda Circular. Dos quatro desafios entre ambos que se jogaram em 2015/16, só o último não ficou marcado por trocas de galhardetes verbais – o que de certa forma vem contrariar a ideia segundo a qual os leões perderam o campeonato por causa da estratégia de polémica constante a envolver os rivais, pois esse foi o único dos quatro jogos que não ganharam. Esta época, porém, tudo parece mais morno. Ainda que o último fim-de-semana já tenha representado um ligeiro aquecer de reatores, a que a semana de Liga dos Campeões pode ou não dar o devido empurrão. A época passada começou com Jorge Jesus ao ataque e Rui Vitória muito mais recatado. Por uma questão de personalidade – mais confrontacional a do atual treinador leonino, muito mais professoral a do técnico benfiquista. Os resultados favoráveis ao Sporting (1-0 na Supertaça, 3-0 na Luz para a Liga e 2-1 em Alvalade para a Taça de Portugal) ainda levaram a um extremar de posições por parte de Jesus, cujo ego, já se sabe, supera em muito o muito que já é capaz de fazer à frente de uma equipa. Passou-se do “eles perderam o cérebro” ao “pu-lo deste tamanhinho” e ao “nem o vejo como treinador”. Ao mesmo tempo, estas constantes provocações levaram ainda a uma tentativa certamente ensaiada mas nunca bem conseguida de resposta por parte de Vitória, que definitivamente não está na sua praia quando se trata de confronto. Não quero aqui fazer juízos morais acerca de um e de outro. Acho mesmo que, dentro de determinados limites, estas provocações animam as bancadas, levam os adeptos a sair de casa e a defender as suas cores com outra paixão. Até porque, no final, elas não foram decisivas: o que ganha os jogos são as bolas na baliza. O que diz a teoria é que Jesus ganhará sempre no bate-boca, mas que terá perdido no campo porque as constantes provocações terão levado a uma muito maior união num adversário que nunca se importou de perder nos soundbytes desde que ganhasse nos relvados. A teoria, porém, também não tem necessariamente de estar certa. Porque da única vez que manteve o recato face ao adversário, Jesus perdeu o jogo (1-0 em Alvalade, para a Liga) e o próprio campeonato. A questão aqui é a de perceber porque esteve Jesus mais calado antes do quarto dérbi. Por falta de assunto, esgotados os temas de provocação? É possível. Por ter empatado em Guimarães na semana anterior, ter visto a vantagem diminuir e passar a correr ali o risco de ver o rival ultrapassá-lo na tabela (tal como pode acontecer agora ao Benfica de Rui Vitória)? É mais provável. Por entender que, já há oito meses na Luz, os jogadores rivais já não podiam ver as suas convicções acerca do velho e do novo mestre abaladas por declarações do primeiro? É ainda mais provável. O que transporta os “mind games” de Jesus para uma dimensão completamente diferente, da mera fanfarronice para a estratégia. Pode ser por isso, aliás, que o aquecimento para o Benfica-Sporting de domingo tem sido tão lento e que talvez até possamos assistir a um cumprimento cordial entre os dois técnicos antes e no final da partida que definirá quem fica na frente do campeonato. Para gáudio de todos os que defendem um desporto assético e impoluto, sem tricas nem ofensas. Não tenho, ainda assim, a certeza de que tal venha a acontecer. Porque apesar dos mornos dias anteriores, houve ali, de parte a parte, sinais de que há alguma vontade de condicionar na sala de imprensa o que vai passar-se no relvado. Começou Rui Vitória, ainda antes da deslocação ao Funchal, quando aproveitou uma pergunta da BTV acerca do departamento médico – dando-se até ao trabalho de mostrar alguma surpresa por essa pergunta ter sido feita – para vir defender os médicos postos em causa e para deixar no ar um nada enigmático “eu não ando nisto há dois dias”. Tradução: alguém anda a pôr na rua notícias acerca do nosso descontentamento com o departamento médico e não somos nós mas sim quem nos quer mal. Continuou Jorge Jesus, quando após a vitória por 2-0 frente ao V. Setúbal aproveitou para vir queixar-se da arbitragem, que anulou dois golos aos leões – quando nem nas derrotas é hábito vê-lo pôr em causa os árbitros. Tradução: já fomos prejudicados hoje, portanto não se atrevam a apitar de modo a que não gostemos no jogo da Luz. Os sinais estão lá. Os vulcões estão ativos, apenas à espera de um sinal para poderem entrar em erupção. E a semana europeia pode bem provocar ali alguma coisa. Antes de um jogo em que pode acabar de deitar ao lixo uma vantagem que já foi de sete pontos, o Benfica recebe o Napoli – que também precisa de pontuar – num jogo que, faça o Besiktas o seu papel em Kiev, pode ser de mata-mata. Um dia depois, o momento leonino pode ser afetado ou confirmado em Varsóvia – e francamente nem sei o que pode ativar mais Jesus, se a euforia ou a depressão – num jogo que pode mandar o Sporting para a Liga Europa ou deixá-lo sem provas europeias até final da temporada. Lá para o final da semana fazemos contas.
2016-12-05
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Dentro de todo o equilíbrio com que indiscutivelmente analisou a derrota do Benfica no Funchal, frente ao Marítimo, Rui Vitória disse não aceitar que alguém viesse considerar que os donos da casa tinham tido o domínio do jogo. “Não posso deixar que se diga que o Marítimo foi a melhor equipa”, sentenciou. São duas coisas diferentes, porém. Claro que o Marítimo não teve o domínio de jogo – nem o queria, de resto. Mas nunca devemos estar à espera que quem quer seja na nossa Liga precise ou procure esse domínio de jogo quando quer ganhar a um dos grandes do futebol português. Foi o caso hoje, num jogo cuja chave foi a troca da confiança pelo sentimento de fatalidade iminente que a sucessão de finais provocou nos encarnados. Usando a expressão também hoje elaborada por Nuno Espírito Santo, na antevisão do FC Porto-Sp. Braga, o Marítimo teve uma ideia para o jogo e defendeu-a como podia. A ideia não era atraente, não leva gente aos estádios, no final aproximou-se perigosamente do anti-jogo – como se aproximam todos os jogos em que os pequenos estão quase a bater o pé aos grandes, ainda que os adeptos achem que isso só acontece aos clubes deles – mas deu indiscutivelmente mais resultado do que a abordagem ingénua e passiva desta mesma equipa ao jogo na Luz, há dias, onde encaixou 6-0 do Benfica. Dir-me-ão que o ideal está no meio. Que bom era que os pequenos conseguissem sacar pontos aos grandes limitando-se a perder a passividade mas mantendo a positividade. E eu até concordo. Mas para tal precisaríamos de ter uma Liga mais equilibrada em todos os aspetos, a começar pelos meios disponíveis a todos. O Marítimo ganhou ao Benfica por várias razões, sendo que a estratégia de perda de tempo no final foi apenas uma delas. Antes disso houve uma entrada estrategicamente muito bem conseguida, reduzindo os espaços que os tricampeões nacionais costumam utilizar e criando até mais ocasiões de golo do que eles durante a primeira parte. Depois houve também o aproveitamento da pressão a que vem sendo repetidamente submetido um Benfica que salta de final em final a cada semana, seja na Liga ou na Europa. Se por um lado jogos houve já recentemente em que a equipa de Rui Vitória podia ter feito um resultado pior, tendo acabado por ganhá-los no detalhe, graças à confiança que se monta em cima da sucessão de bons resultados – aquilo a que genericamente se chama “estrelinha de campeão” mas que é muito mais do que isso – acaba por ser normal também que, confrontada com uma semana na qual não podia falhar, ela vacile e se deixe diminuir pelo mesmo sentimento de fatalidade iminente que afetou o Sporting de Jesus na Primavera passada. A diferença, aqui, vê-se no dia seguinte. Muito do que é feito este Benfica se verá já na terça-feira e no próximo fim-de-semana, contra Napoli e Sporting. Aumenta a pressão, aquece a Liga.    
2016-12-02
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Quando Rui Vitória afirma que o Benfica “funciona como um todo e não por departamentos” está a fazer o mesmo que o goleador que marca um “hat-trick” e vem a seguir dizer que não o conseguiria sem a ajuda dos companheiros ou o mesmo que o defesa-central que, após uma derrota pesada, se justifica dizendo que a missão de defender é de toda a equipa e não apenas da linha mais recuada. Isto é: pode até ter alguma razão, que as lesões não são só culpa dos médicos – mesmo daqueles médicos vistos na perspetiva mais alargada em que o futebol de hoje os transformou –, mas está sobretudo a querer ser politicamente correto e provocador ao mesmo tempo. O que não é nada fácil. O rendimento de uma equipa de futebol depende de muitos fatores. Da categoria dos seus jogadores, da qualidade do treino que fazem, da capacidade do treinador para os juntar e formar um coletivo forte, obedecendo a uma ideia de jogo coerente, da forma como o mesmo treinador desenha estratégias para os levar à vitória, mas também daquilo que a estrutura auxiliar faz para que os jogadores se sintam bem, focados naquilo que importa, da capacidade de resposta de massagistas ou médicos, da perspicácia dos scouts enviados a fazer relatórios acerca dos adversários, do apoio dos adeptos, do acerto das equipas de arbitragem, das condições meteorológicas… E podia ficar aqui até amanhã, nem que fosse para dizer o seguinte: dizer que dentro de uma equipa não há departamentos é errado. Claro que há. E que uns funcionam melhor do que outros. Em todas as equipas. O Benfica não é exceção. O que Rui Vitória pensou ao dizer aquilo foi que não vai entregar na praça pública quem quer que seja nesta cadeia que não estiver a funcionar da melhor maneira. Que tudo é analisado, que ele como chefe da equipa tem a missão de assegurar a melhor forma de funcionar e lidará internamente com o que estiver a funcionar pior. Por que não o disse assim? Porque assim não passava a mensagem que queria. Aquele “eu não ando aqui há dois dias” tinha múltiplos destinatários. Os seus jogadores, que podem até perder a crença no funcionamento no departamento médico e de planificação de treino, mas sobretudo os que estão fora do clube. Foi a forma que Rui Vitória encontrou para ser, ao mesmo tempo, politicamente correto e provocador. Porque com este alívio para a bancada, lançou no ar a suspeita de que as notícias segundo as quais Luís Filipe Vieira não estaria satisfeito com o departamento médico podiam ter sido plantadas com o intuito de desunir o Benfica. Se o foram ou não, não sei dizer. Mas sei que nada funcionaria tão bem como ter o próprio Luís Filipe Vieira a dizê-lo de viva voz e a reiterar a sua confiança nos contestados. Mesmo que isso fosse assim como ver Pinto da Costa renovar nesta altura contrato com Nuno Espírito Santo. E se não o fazem, um nem o outro, por alguma razão será.
2016-12-01
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Toda a gente que viu o Benfica ganhar ao Moreirense enaltecerá a prestação de Pizzi, autor dos primeiros dois golos dos encarnados. Mas para se perceber como é que um homem que joga como segundo médio consegue ser um dos melhores marcadores da equipa de Rui Vitória é preciso colocar os olhos mais à frente, na mobilidade de Raul Jiménez e Gonçalo Guedes. Sobretudo do primeiro, que foi a novidade apresentada hoje pelo treinador encarnado. É que a relação de Pizzi com o golo cresce exponencialmente com o mexicano em campo. Pizzi tomou parte em 19 partidas do Benfica nesta temporada, entre Supertaça, Liga, Liga dos Campeões e Taça de Portugal. Nelas, contabiliza 1603 minutos em campo e sete golos marcados. Mas comecemos então a detalhar as coisas. Destes 1603 minutos, 1071 foram com Mitroglou na frente e apenas 284 com Jiménez (há ainda a registar 23 minutos com os dois avançados em simultâneo e 225 sem nenhum deles). Ora a questão é que com Mitroglou à sua frente Pizzi fez três golos (um a cada 357 minutos), tendo marcado os outros quatro com Jiménez (um a cada 71 minutos). Os números explicam aquilo que os olhos vêem. Isto é, que Jiménez é um ponta-de-lança muito mais móvel, que sai mais da zona de finalização, dessa forma permitindo a entrada dos médios até junto do golo. Foi o que aconteceu no lance do primeiro golo do Benfica hoje, por exemplo, uma jogada que nasce em Jiménez na esquerda e acaba com remate de Pizzi na cara do guarda-redes. Mais a mais depois da quase crucificação de Mitroglou pela ocasião falhada em Istambul, que podia ter dado ao Benfica o 4-1, seria demasiado fácil concluir desde já que os encarnados deviam jogar com o mexicano em vez do grego. Mas não. O que estes números mostram não é que seja melhor para o Benfica jogar com Jiménez. Mostram, sim, que a entrada do mexicano muda a forma de atuar de Pizzi, que lhe pede outras responsabilidades, e que o transmontano, sendo um jogador inteligente, não lhes foge como podia fazer. E mostram ainda que o Benfica tem mais de um método para chegar ao golo, o que, mesmo tendo em conta a predileção encarnada pelas conclusões em transição e ataque rápido, acaba por ser um ponto a favor do trabalho de Rui Vitória.
2016-11-27
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Que este é um Benfica cheio de contradições, já aqui foi escrito vezes sem conta. Mas o empate frente ao Besiktas em Istambul, após estar a ganhar por 3-0 a meia-hora do fim, foi o expoente máximo da bipolaridade encarnada, da forma como esta equipa é capaz de alternar o melhor com o pior. O melhor, com as armas do costume, durou uma hora e devia ter chegado perfeitamente para sentenciar o apuramento para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. O pior, na incapacidade para controlar um jogo quando deixa de ter a bola, adiou tudo por duas semanas e cobriu a última jornada do grupo de incerteza, com a hipótese de Benfica e Napoli se defrontarem quase como se fosse em eliminação direta. O futebol está cheio de clichés que este Benfica desmente a cada vez que entra em campo. Rui Vitória tem muitos jogadores velozes na frente e para muitos isso faria todo o sentido numa equipa especializada em contra-ataque e ataque rápido, mas a rapidez de pernas e de decisão de muitos destes elementos transforma este Benfica numa máquina a jogar em ataque organizado, primeiro fixando as linhas defensivas adversárias no local onde têm de estar só para poder depois dinamitá-las. Foi a isso, que aliás já se vira nos 6-0 ao Marítimo, que se assistiu no arranque do jogo de Istambul e na forma como o Benfica chegou a 3-0. Depois, Vitória tem muita gente forte na reação à perda da bola, o que permite à equipa muitas recuperações altas, e devia transformar o Benfica numa máquina defensiva. E a verdade é que, na maior parte dos casos, isso acontece. Só que, fortíssimo em transição defensiva, na definição desse primeiro momento de pressão, este Benfica sofre essa reação inicial falha e a equipa se vê obrigada a fazer duas coisas: a passar mais tempo sem a bola e a abusar do momento de jogo que menos lhe agrada, que é a organização defensiva a qual todas as equipas que passam mais tempo sem bola se vêem obrigadas a recorrer. Aí, já se lhe notam lacunas de preenchimento de espaços. Claro que no empate de Istambul há erros à mistura: nem outra coisa seria possível quando se fala de uma recuperação de 0-3 para 3-3. Há erro de Lindelof na forma como concede o penalti que origina o segundo golo turco, há deficiências de agressividade no ataque à bola no golo do empate, como há também um erro de Rui Vitória na forma como, trocando Guedes por Samaris, leva a equipa para onde ela é menos forte – para trás. Guedes é uma das chaves do comportamento defensivo do Benfica na frente e apesar de toda a sua inteligência tática, Pizzi corre menos e não condiciona os adversários como ele faz. Tendo em conta que todas as equipas atacam e defendem com onze, a troca de um avançado por um médio defensivo não leva necessariamente a que uma equipa defenda melhor – leva, isso sim, a que ela defenda noutra zona. E essa troca de zona de foco defensivo custou caro ao Benfica.
2016-11-23
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A forma como o Benfica destroçou o Marítimo serviu a toda a gente menos aos adeptos da equipa madeirense, que têm ali muito com que se preocupar. Serviu aos benfiquistas para mostrarem que a sua equipa está fortíssima: afinal de contas, os 6-0 são sempre um resultado imponente, mais a mais se contra uma equipa do mesmo escalão. E serviu aos portistas e aos sportinguistas para fazerem valer a tese segundo a qual frente ao Benfica a generalidade das equipas de menor dimensão comete erros infantis: os três primeiros golos encarnados nasceram de bolas que os insulares chegaram a ter controladas, dentro ou pelo menos nas imediações da sua área. O que uns e outros ainda não perceberam, no debate permanente e sempre hiperbolizado ao extremo, é que estão a dizer exatamente a mesma coisa. Dizem os benfiquistas que o Benfica está muito forte e têm razão. A forma como o onze de Rui Vitória parece adormecer os adversários no início do processo ofensivo, com um ritmo propositadamente mais baixo antes de meter as mudanças de velocidade à entrada dos últimos 30 metros, parte as defesas, que estão sempre obcecadas com a diminuição do espaço entre linhas, explorando-lhes as deficiências no controlo da profundidade e da velocidade. Seja por dentro ou por fora, seja no corredor central ou nas alas, o Benfica mete muitas vezes gente com bola atrás da última linha dos adversários e isso resolve-lhe os jogos. Depois, dizem os adeptos rivais que toda a gente parece facilitar a tarefa ao Benfica e, olhando pelo menos para o jogo desta noite, também tiveram razão. Aqui, as razões são duas. Por um lado, a pressão que a equipa de Rui Vitória mete na saída de bola dos opositores convida ao erro. Por outro, a falta de capacidade que estes mostram para tirar a bola das zonas de pressão leva ao reiniciar do processo e a mais uma vaga de ataque do Benfica. No fundo, a explicação para este Benfica avassalador com os pequenos e mais débil nos jogos com equipas do seu nível escreve-se com uma palavra: investimento. A qualidade do Benfica no processo ofensivo depende de duas coisas: das mudanças de velocidade e da posse de bola. A posse de bola depende de outras duas coisas: da capacidade para a recuperar rapidamente e da qualidade que o adversário (não) tem na sua circulação, de forma a conseguir mantê-la. Quando o adversário consegue, como o FC Porto, ter a bola e iludir esta primeira pressão – e a generalidade das equipas mais fortes têm gente capaz de sair a jogar – transporta o jogo para zonas e momentos nos quais o Benfica investe menos e é capazes de expor as debilidades que esta equipa tem. Por isso, nem o Benfica está uma equipa perfeita e imbatível, nem os adversários perdem os jogos de propósito. E em nome da sanidade do debate, seria excelente que uns o outros compreendessem isso.
2016-11-19
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Os clássicos têm sempre mensagens para quem as quiser ler. O de ontem, no Dragão, trouxe várias, mas a principal é que, continuando a ser o favorito, o Benfica ainda não pode cantar vitória na Liga. Não só porque não conseguiu ganhar e ampliar a vantagem sobre o FC Porto, caso em que o resto da época poderia ser a coisa mais parecida com um passeio de que há memória, mas também porque viu reduzida a que tem sobre o Sporting. Ainda são cinco pontos, em cima dos quais os encarnados podem fundar um favoritismo muito legítimo para chegarem ao tetracampeonato, mas a questão é que, pela frente, os tricampeões ainda têm mais três clássicos. E o de ontem voltou a mostrar como sofrem neste tipo de ambientes. A verdade é que o clássico mostrou um FC Porto perfeitamente capaz de se bater com o Benfica. Tivesse a equipa de Nuno Espírito Santo esta intensidade em todos os jogos da Liga e seguramente não teria empatado com o Tondela ou com o V. Setúbal e estaria em melhores condições para discutir o campeonato. Corona deu largura e repentismo, aliviando a pressão sobre Jota; André Silva conseguiu estar sempre em jogo, mostrando-se o jogador adulto que o BI diz que ainda não pode ser; e Oliver encheu o campo, a jogar atrás e à frente, a defender e a atacar sempre com qualidade. A questão, aqui, é sempre a de saber quando é suficiente e quando é preciso continuar a carregar. Contra o Benfica, com a motivação certa, a equipa portista deu provas de qualidade e encostou o adversário às cordas. Fez um golo, podia ter feito mais um ou dois, mas fracassou duas vezes. Falhou a finalizar quando se lhe pedia que fechasse o jogo e falhou no volume de jogo, quando achou que era altura de proteger o resultado mais perto da sua baliza e não de se manter a jogar alto, como até aí. E essa demonstração de fraqueza, o Benfica não a perdoou. Porque este Benfica pode sofrer sempre que defronta adversários do mesmo calibre, mas tem uma alma que só a conquista reiterada de títulos pode conferir a uma equipa. Há quem lhe chame estrelinha de campeão e dê à coisa ares de fortuna, mas nada podia estar mais errado: é nestas alturas que me lembro do que acontecia vezes sem conta ao Manchester United de Alex Ferguson, especialista em golos nos descontos. Mais. Lembram-se do empate em Alvalade, a uma bola, com um golo de Jardel nos descontos a dar ao Benfica de Jesus um ponto depois de ser dominado durante quase todo o jogo pelo Sporting de Marco Silva, lançando a equipa para o bicampeonato de 2015? No Dragão, ontem, passou a repetição desse filme. Ou a reprise do filme que teve como ator principal Kelvin, a dar ao FC Porto de Vítor Pereira o tricampeonato frente ao Benfica, em 2013. Rui Vitória continua a ter de gerir as constantes lesões – além de Jonas e Rafa, ontem faltaram-lhe Fejsa, Grimaldo e faltou-lhe Luisão a partir dos 20 minutos – mas continua a ser capaz de ir ao banco buscar alternativas para obter resultados. Lisandro, por exemplo, saltou do banco para ser o melhor jogador do Benfica: a ninguém como a ele assentaria tão bem o golo do empate. É certo que Samaris não confere à equipa a mesma competência de Fejsa nos momentos defensivos, mas até foram dele as primeiras duas situações de perigo no ataque: e na maior parte dos jogos, o que o Benfica tem de fazer é atacar. Os clássicos fogem à regra e é nesses que a equipa mais dificuldades tem sentido: o Benfica de Rui Vitória tem uma vitória e três derrotas com o Sporting e um empate e duas derrotas com o FC Porto, mas mesmo assim foi campeão e segue na frente da classificação, com vantagem folgada sobre os rivais. Cinco pontos talvez não lhe cheguem para mais três clássicos, mas a seu favor a equipa do Benfica terá sempre as outras 21 jornadas. É que nessas não costuma falhar. FC Porto e Sporting, por seu turno, não têm podido dizer a mesma coisa.
2016-11-07
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O empate entre FC Porto e Benfica, que deixa tudo na mesma entre as duas equipas no topo da tabela, resulta da excelente exibição do FC Porto durante cerca de 70 minutos, sempre a mandar no campo, mas também da reação benfiquista na ponta final de uma partida em que esteve encostado às cordas mas conseguiu ir ao fundo da alma buscar aquilo de que precisava para pontuar, já nos descontos. Sim, é verdade que até essa ponta final o meio-campo escalado por Rui Vitória nunca se impôs e o FC Porto podia até ter feito mais de um golo, mas também é certo que a reação benfiquista foi auxiliada pelas trocas feitas por Nuno Espírito Santo, a puxar a equipa para trás. Chegar aqui e decidir o que é mérito próprio ou demérito do adversário é conversa para ter na bancada dos sócios, que de qualquer modo andarão mais entretidos nas próximas horas a debater os méritos de decidir o resultado de um clássico no período de compensação. Essa impossibilidade chega até aos lances dos dois golos. No do FC Porto, há mérito na diagonal de Corona, a descobrir Diogo Jota, como na forma como este saiu de Nelson Semedo e chutou forte e colocado, mas também há culpas de Ederson, que permitiu que a bola entrasse entre ele e o poste mais próximo, o poste do guarda-redes. No do Benfica, viu-se um excelente cruzamento de André Horta e a habitual contundência de Lisandro nas bolas paradas ofensivas, mas também um erro de julgamento de Herrera, a ceder um canto despropositado, e a falta de resposta coletiva dos portistas, que não colocaram ninguém para impedir o canto curto e por terem voltado as costas à jogada deram todo o tempo e espaço do mundo a Horta para cruzar. O jogo foi muito interessante também no plano tático e estratégico. Nuno Espírito Santo fez o onze inicial que se impunha, mantendo Maxi Pereira e fazendo entrar Corona, para ganhar largura e repentismo no campo. Com uma excelente noite de Oliver – a melhor desde que regressou ao FC Porto – a equipa recuperava muitas vezes a bola ainda no meio-campo adversário, remetendo o Benfica a uma primeira parte com pouco ataque. Rui Vitória também fez o que se lhe aconselhava, não inventando e trocando os lesionados Fejsa e Grimaldo por Samaris e Eliseu, mas a equipa não respondeu. Fê-lo apenas quando, já em desvantagem, o treinador mexeu e devolveu Pizzi a uma das alas, mas com a incumbência de auxiliar Samaris e Horta, que a partir daí ficaram no meio, na batalha contra Danilo, Oliver e Otávio, que também procurava vir para dentro com frequência. Vitória ainda reforçou o ataque com Jiménez, ao mesmo tempo que Espírito Santo ia puxando a equipa para trás: Ruben Neves por Corona, Layun por Oliver e Herrera por Jota. Em consequência das trocas – e do resultado, também, como é evidente, pois era ao Benfica que competia fazer pela vida – o jogo foi-se aproximando da baliza de Casillas e o Benfica acabou por chegar ao empate. Ficou tudo igual na classificação, num jogo que mostrou três coisas. Que o FC Porto, afinal, tem intensidade para se bater com o Benfica e lutar pelo título. Que o Benfica continua a sentir enormes dificuldades para assumir o jogo quando enfrenta adversários do mesmo calibre. Mas que mesmo assim consegue resultados úteis e mantém-se na frente da tabela e por isso mesmo é ainda o principal favorito na Liga.
2016-11-06
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A importante vitória do Benfica sobre o Dynamo Kiev (1-0), que permitiu ao campeão português continuar bem vivo na Liga dos Campeões, teve o contraponto na infeliz lesão de Fejsa, que abandonou o campo a meio da segunda parte e está em dúvida, pelo menos, para o jogo com o FC Porto, no Dragão, no domingo, do qual depende muito do que será a Liga portuguesa nos próximos tempos. Rui Vitória já se viu a braços com tantas ausências – até Jonas – que há-de haver muito quem pense que mais uma, menos uma, não lhe fará assim tão grande diferença. Mas Fejsa é provavelmente o jogador mais difícil de substituir no Benfica. Porque se a falta de Jonas se sente mais quando o Benfica tem a bola – e portanto a capacidade de escolher caminhos alternativos – a de Fejsa nota-se sobretudo quando é o adversário a controlar a iniciativa. Fejsa é fundamental no processo defensivo do Benfica, porque é capaz de estabelecer o equilíbrio permanente da equipa, aparecendo onde faz mais falta. Depois, joga bem com o corpo, cobrindo a bola e impondo o físico no desarme. Samaris, em comparação, sai mais da posição, oferece mais de si próprio ao ataque, aparece mais até em posições de finalização, mas não tem a leitura de jogo do homem que hoje substituiu. E enganem-se os que pensam que Fejsa é irrelevante a atacar. Não sai com a bola em posse, não dribla, nem tem por hábito fazer golos – e Samaris até os faz com alguma frequência – mas não é de perder passes e até tem vindo a arriscar mais quando os faz, ligando por vezes com os avançados. Lembra-se das derrotas do Benfica na Liga do ano passado? Com o Arouca? Fejsa foi suplente. Com o FC Porto, no Dragão? Estava lesionado. Com o Sporting na Luz? Entrou para a segunda parte, já com 0-3 no marcador, mas magoou-se e teve de sair. E com o FC Porto na Luz? Estava outra vez lesionado. Na época passada, Fejsa não foi apenas campeão. Jogou apenas 22 minutos numa das quatro derrotas da sua equipa, e depois de esta já ter entregue o resultado. Aliás, não é por acaso que ele vem com oito títulos de campeão nacional consecutivos: campeão sérvio pelo Partizan em 2009, 2010 e 2011; campeão grego pelo Olympiakos em 2012 e 2013; campeão português pelo Benfica em 2014, 2015 e 2016. A vitória sobre o Dynamo Kiev deixa o Benfica relativamente bem posicionado para seguir em frente na Champions – precisa, na pior das hipóteses, de uma vitória e um empate nos dois últimos jogos, sendo que se a vitória vier em Istambul a última jornada será irrelevante – mas é seguro que esta noite Rui Vitória não estará tão preocupado a fazer contas a cenários de qualificação como à espera das necessárias 24 horas para que seja feita a reavaliação do estado físico do seu médio-centro. Porque se a equipa soube readaptar-se até à perda de Jonas – Guedes joga diferente, mas a equipa percebeu-o e mudou – mais difícil lhe será habituar-se a não ter Fejsa, cuja importância é mais dificilmente catalogável, por se notar sobretudo em que a iniciativa é do adversário.
2016-11-01
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Há um mundo inteiro de convicções entre Rui Vitória e Jorge Jesus. E são elas que ajudam a explicar os momentos vividos por Benfica e Sporting desde que os dois se enfrentam com estes treinadores no banco. Os adeptos só querem saber quem é melhor, mas isso é como perguntar a um analista político o que é melhor: a esquerda ou a direita? Responder a isso é entrar no domínio do gosto, da opinião. O melhor, no futebol, é sempre quem está à frente. Vitória e Jesus são, isso sim, diferentes, na ideia que têm do jogo e da liderança. Na época passada, o campeão foi o Benfica: logo, o melhor foi Rui Vitória. Durante toda a época, disse e escrevi que o Sporting tinha um futebol coletivamente mais bem trabalhado e que o Benfica ganhava mais graças ao primado da qualidade individual dos seus jogadores. Os adeptos do Benfica acharam que estava a menorizar o trabalho do seu treinador, mas sempre fui dizendo que não. Ser treinador é ser líder e ser líder é escolher a ideia que mais se adapta a um grupo de homens, fazê-la valer e levar a equipa a acreditar nela e a segui-la. Ao optar por dar uma maior liberdade de escolha aos seus jogadores, Vitória não só ganhou como estava a criar uma equipa que se adaptaria sempre melhor a qualquer eventualidade, um todo orgânico capaz de reagir a tudo. Como na verdade se adaptou e reagiu, por exemplo, à crise de lesões que a assolou neste início de época. Jorge Jesus é diferente. O futebol que o Sporting jogou na época passada foi sempre um futebol mais bem trabalhado do ponto de vista coletivo. As movimentações ofensivas postas em prática a cada jogo eram fruto de trabalho hiper-detalhista no campo de treinos, feito por um treinador que, ao contrário de Rui Vitória, dá pouca liberdade de escolha aos seus pupilos. Nas equipas de Jesus – já era assim quando ele treinava o Benfica, ou o Sp. Braga, ou o Belenenses – cada jogador tem de saber, ao milímetro, onde tem que estar em cada situação de jogo, para onde tem de correr, se deve pedir a bola ou procurar o espaço… Todas as situações estão previstas e têm uma resposta antecipada. O processo é menos humanizado, os jogadores acabam por transformar-se em peças de uma máquina, com uma função a cumprir. Se a cumprem bem, a equipa joga um futebol altamente mecanizado e eficaz; se falham, todo o coletivo entra em crise. O problema do método de Jesus é aquele que o Sporting enfrenta neste momento: a máquina perdeu peças fundamentais. O Benfica perdeu mais e mesmo assim ganha? Certo. Mas no Benfica, recordam-se, todo o processo valoriza mais a criatividade, a inspiração dos intérpretes. Falta Jonas? Entra Guedes, que joga diferente, muito diferente, mas o todo acaba por adaptar-se a essa diferença. Falta Gaitán? Entra Cervi, que também joga muito diferente, mas mais uma vez o coletivo acaba por se ajustar. Falta Sanches? Entrou Horta, primeiro, e aqui o coletivo sentiu algumas dificuldades, porque aquilo que Sanches dava à equipa era único e esta sofreu mais para se habituar à perda daquela capacidade de queimar linhas e esticar o jogo. Melhorou com Pizzi, jogador mais experiente, mas também porque o todo-orgânico que compõe a equipa já teve mais tempo para absorver a novidade. No Sporting, o primado da mecanização coletiva – em nome do qual Jesus usa tantas vezes a primeira pessoa do singular, porque na verdade é ele que desenha os movimentos da máquina – leva a que a equipa sinta mais, não tanto a ausência das peças que se foram, mas a incapacidade das que as substituíram para cumprir exatamente as mesmas funções, para fazerem os mesmos movimentos, quase ao milímetro. Não é tanto uma questão de qualidade como é de compreensão. É por isso que a perda simultânea de Slimani e Adrien – João Mário está a ser bem substituído por Gelson –, a juntar à saída de Teo Gutièrrez no início da época, tem conduzido à incapacidade da máquina para operar em boas condições e a esta sucessão de empates que deixou o Sporting a sete pontos de distância – e por isso um pouco mais longe de poder ser o melhor no final da época. Aquilo que Jesus tem de decidir agora é se o que está a pensar fazer não é substituir uma roda dentada por uma peça de formato diferente, que nunca encaixará ali, levando a máquina a encravar. Isto é: se os jogadores que entraram alguma vez serão capazes de fazer as movimentações dos seus antecessores ou se deve desenhar uma máquina nova, com outras mecanizações, que estas peças possam cumprir. É por isso que Jesus diz que tem jogadores que ainda estão a fazer pré-época com as competições em andamento, mas a verdade é que esta não é a primeira vez que passa por uma situação destas e que, nas ocasiões de anteriores transferências no último dia de mercado, nunca as suas equipas levaram tanto tempo a readaptar-se.
2016-10-31
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Se os sportinguistas quiserem ser honestos, sobretudo consigo mesmos, reconhecerão que o anti-jogo sempre existiu, que desde que há futebol se falham penaltis, e que a verdade é que a equipa de Jorge Jesus está mesmo a jogar demasiado pouco para poder justificar uma candidatura convincente ao título nacional. Sim, há um ano, depois de perder o dérbi, o Benfica também ficou a uma distância pontual da liderança que parecia impossível de superar – e superou-a. É verdade ainda que nessa altura também o Benfica jogava pouco, se afundava em dúvidas, enquanto que o Sporting voava – como acontece agora aos encarnados. E no entanto o Benfica foi campeão, porque os seus responsáveis souberam olhar para dentro em vez de apontarem baterias a tudo o que os rodeava. Fez, afinal, aquilo que Jesus defendeu antes da visita à Choupana: “Sem desculpas!” Se deixarmos de lado a partida da Taça de Portugal, contra o Famalicão, o Sporting não ganhou nenhum dos últimos quatro jogos. Segue-se a viagem a Dortmund, da qual vai depender o futuro leonino na Liga dos Campeões. E depois uma jornada fulcral, com a receção ao Arouca em dia de clássico no Dragão, entre FC Porto e Benfica. Correndo-lhe tudo bem, Jorge Jesus poderá continuar a manter esperanças na prova europeia e chegará à 10ª jornada a quatro pontos do líder. O treinador leonino tem, por isso, uma semana para sair desta fase a que chamou segunda pré-época e para encontrar as soluções que devolvam à equipa o futebol que chegou a jogar na época passada. Já aqui escrevi que, mais até do que a lesão de Adrien, o maior problema vivido neste momento pelo Sporting é a falta de Slimani, que deixa a equipa menos capaz em transição defensiva – logo, demorando mais a recuperar a bola e limitando-lhe o número e a zona de início dos ataques – e sobretudo em organização ofensiva, onde as caraterísticas do substituto encontrado (Bas Dost) são radicalmente diferentes e pedem a reformulação quase total do processo. Reconhecê-lo, admitir que aquilo que este Sporting está a jogar é demasiado pouco se for comparado com aquilo que produziu qualquer equipa de Jesus na última década, será meio caminho andado para encetar o processo da recuperação. A questão é que aquilo que os maiores adeptos de Jesus sempre apontaram – e com razão – como a sua maior virtude, que é a forma coletivamente trabalhada que as suas equipas têm de atacar, acabou por ser o seu maior problema assim que lhe faltaram algumas peças na máquina. Dando aos seus homens mais liberdade para decidirem, num futebol onde o primado do individual é maior, Rui Vitória conseguiu que o seu Benfica encontrasse a coerência interna que lhe permitiu superar várias contrariedades neste início de época, sob a forma de lesões de jogadores importantes. E isso voltou a ver-se na vitória clara, indiscutível e sem história que os encarnados obtiveram contra o Paços de Ferreira, num jogo onde o meio-campo Fejsa-Pizzi voltou a funcionar às mil maravilhas, onde a falta de Grimaldo não constituiu problema e onde Gonçalo Guedes foi outra vez fundamental a jogar atrás do ponta-de-lança.
2016-10-29
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As competições europeias não têm necessariamente que afetar o rendimento das equipas na Liga e a prova disso é dada a cada jornada do campeonato pelo Benfica, que venceu todos os seus jogos após as partidas na Champions. Hoje, ante o Belenenses, no Restelo, fê-lo mesmo de uma forma convincente, por duas razões muito simples: tinha melhores jogadores do que o adversário e eles sabiam perfeitamente ao que jogam. Já tinha escrito aqui que o Benfica joga sempre como grande, porque os seus princípios de jogo nunca deixaram de ser os de um grande, mas ganha muitos jogos com armas de um pequeno: a grande eficácia no aproveitamento das ocasiões de golo e a forma como nega esse mesmo golo aos adversários nas ocasiões que ainda assim lhes permite. Pois na noite em que bateu o seu próprio recorde de vitórias consecutivas fora de casa no campeonato (são agora 16, uma acima das 15 conseguidas em 1972 e 1973), a equipa de Rui Vitória foi mais dominadora do que tem sido hábito, sem os períodos de ocaso no jogo que tinham valido alguns sustos nas anteriores deslocações e tendo mesmo a maior dose de desperdício: além dos dois golos, acertou duas vezes no ferro e perdeu mais dois ou três golos cantados. A vitória no Restelo premiou, por isso, a melhor exibição do Benfica em todas as deslocações desta época, provando que a fadiga nem sempre é um problema irresolúvel e que desde que se saiba para onde se deve correr, toda a gente parece bem mais veloz. A questão é que, dos três grandes, este Benfica é aquele que tem o modelo de jogo mais consolidado. E isso sucede mesmo tendo em conta que ali falta Jonas (lesionado) e que, se Cervi compõe bem a ausência de Gaitán, com a sua rapidez na esquerda, ninguém traz à equipa os esticões que lhe dava Renato Sanches. Rui Vitória teve, por isso, que recompor algumas coisas. Manteve dois laterais muito ofensivos, a darem largura, Fejsa como pêndulo ao meio, mas beneficia agora da inteligência de Pizzi, que dá mais consistência à equipa no corredor central (andava toda a gente a exagerar com André Horta, não vos parece?). E, não garantindo a qualidade ofensiva e os golos de Jonas, a capacidade de trabalho de Gonçalo Guedes permite defender muito melhor e desde muito mais à frente no campo. Para os jogos contra a maioria das equipas da Liga portuguesa, chega perfeitamente. Saber se chegará para a próxima deslocação, ao Dragão, em inícios de Novembro, é a questão da qual depende o futuro deste campeonato.
2016-10-23
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Há uns quinze anos, a propósito de uma equipa do Farense, escrevi um texto intitulado "Jogar como os grandes para ser como eles" que se destinava a enaltecer a ideia de jogo como fator determinante para a identidade de uma equipa. Essa tese continua atual, mas ver este Benfica de Rui Vitória jogar traz à discussão outro aspeto igualmente preponderante: a maior qualidade individual em zonas de definição de um jogo. Voltou a ser essa a chave da vitória em Kiev, onde o Benfica reafirmou a candidatura a um lugar nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões.Esta constatação não vem diminuir o papel do treinador. O Benfica de Rui Vitória joga como um grande, sempre com largura, com busca da profundidade nos movimentos de ataque, redução de espaço quando lhe cabe defender (aqui com mais dificuldades, é certo), preocupação de construir com segurança desde trás e colocação de muita gente na frente. É uma equipa positiva. Às vezes até demasiado positiva, o que a leva a perder controlo dos jogos com alguma frequência, pela forma como não ocupa bem a zona central do campo, por exemplo. E é aqui que se separam detratores e defensores do futebol do Benfica. "Têm a sorte de os adversários falharem golos e mais golos e de aproveitarem muitas das ocasiões que criam", dizem os primeiros. É certo que voltarão a dizê-lo hoje sobre o 2-0 ao Dynamo Kiev. Mas ninguém tem sorte tantas vezes como este Benfica - o que devia levar-nos a verificar se ali não há algo mais. Porque há.Claro que esta equipa não atingiu ainda o grau de maturidade que lhe permita ser indiscutível e conseguir ser igualmente eficaz perante os outros grandes, com quem perde mais do que ganha. É provável que não o atinja nunca. Mas desde que vá ganhando contra os que têm menor qualidade nunca os que lhe questionam os atributos terão grande acolhimento. Porque este Benfica joga como um grande mas faz de argumentos geralmente associados aos pequenos - como o desperdício alheio ou um elevado aproveitamento das chances que vai criando - uma arma. É também por isso que ganha.
2016-10-19
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Duas carambolas felizes transformaram o que corria riscos de se tornar um jogo difícil num passeio agradável para o Benfica. Os encarnados ganharam por 4-0 ao Feirense e já seguem com três pontos de avanço sobre os rivais, isolados na liderança do campeonato e indiferentes à onda de lesões que lhes roubou vários titulares nestes primeiros meses de competição. O resultado amplo encerrou também quaisquer questões que a derrota de Nápoles pudesse levantar: aos quatro golos da Champions, respondeu a equipa de Rui Vitória com mais quatro na Liga portuguesa. E no entanto o jogo começou por não se apresentar fácil para os encarnados. Rui Vitória chamou ao onze Ederson e Luisão, por troca com Júlio César e Lisandro, promovendo ainda os regressos de Salvio e Gonçalo Guedes, que em Itália tinham sido sacrificados à estratégia. Pizzi apareceu a jogar pelo meio, devido à ausência de André Horta por lesão, mas os primeiros momentos do jogo mostravam na mesma um Benfica com dificuldades para se opor ao jogo apoiado do adversário. O tricampeão nacional tinha muito mais bola, sim, criava até perigo sempre que chegava à frente em cantos ou livres laterais – a influência de Luisão cresce nesses momentos e faz-se notar – mas ao mesmo tempo o Feirense conseguia chegar à frente em boas condições, quase sempre em contra-ataque, bem ao estilo das equipas de José Mota. O primeiro golo do Benfica, marcado na própria baliza por Luís Aurélio, aos 35’, no seguimento de um lançamento lateral longo, de Salvio, no qual mais ninguém tocou antes do desvio no sentido errado, veio premiar o maior volume de jogo dos encarnados, mas não uma boa exibição. Longe disso. Consciente de que o jogo não estava resolvido, Rui Vitória terá pedido mais aos jogadores durante o intervalo, o que se refletiu num Benfica mais pressionante e intenso na entrada da segunda parte. Foi, ainda assim, noutra carambola feliz que a equipa da casa chegou aos 2-0, aos 61’: o alívio de Ícaro encontrou Salvio pelo caminho e o ressalto tomou a direção da baliza de Peçanha, que estaria à espera de tudo menos daquilo. E aí, de facto, o jogo mudou. O Feirense deixou de acreditar na possibilidade de levar pontos para casa e o Benfica começou a articular belas jogadas de ataque, como a que lhe deu o 3-0, por exemplo: movimentação coletiva a libertar Semedo na direita e cruzamento deste para o cabeceamento de Cervi, que quatro minutos antes entrara para o lugar de Carrillo. Com o jogo ganho, ao Benfica faltava somar mais um golo para se isolar também na lista dos melhores ataques do campeonato. Depois de várias ocasiões, acabou por fazê-lo no último minuto de compensação, num livre direto superiormente executado por Grimaldo. Os 4-0, talvez demasiado penalizantes para um Feirense que até começou o jogo de forma personalizada, valeram ao Benfica o aumento da vantagem para os perseguidores na classificação, a manutenção da melhor defesa (quatro golos sofridos, tantos como o FC Porto) e o regresso ao comando dos ataques (com 17 golos marcados, mais um do que o Sporting). Quando o campeonato segue para uma interrupção de três semanas antes da deslocação ao Restelo, na qual Rui Vitória já deverá ter vários dos lesionados, eis vários motivos para a equipa encarar o que aí vem com otimismo.
2016-10-02
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Dizer que o Benfica médio de Nápoles não foi tão mau como os quatro golos sofridos em menos de uma hora parecem fazer crer é como dizer que o Benfica médio da época passada não foi tão bom como os 88 pontos que somou na tabela final da Liga parecem dar a entender. E é tão profundo na análise como seria afirmar que Rui Vitória errou na escolha do onze só porque os dois jogadores que hoje sacrificou à vontade de dar à equipa mais algum controlo – Salvio e Gonçalo Guedes – acabaram por entrar e fazer os golos com que a equipa transformou um resultado catastrófico numa derrota apenas preocupante. Os 4-2 de Nápoles revelaram fundamentalmente duas coisas. Primeiro, uma propensão para o erro, sobretudo nas bolas paradas defensivas, que o Benfica já mostrara em jogos anteriores – a maior parte dos golos sofridos pelos encarnados esta época nasceu de bolas paradas. E depois um adversário mais matreiro e com maior taxa de acerto do que a maioria das equipas que o Benfica já tinha defrontado até aqui e que por isso mesmo foi capaz de transformar um superior volume de jogo em golos. Porque se Rui Vitória começou o jogo com André Almeida ao lado de Fejsa, de forma a que ambos pudessem ser auxiliados por André Horta, que partia de uma posição mais avançada – a de Jonas, que vem sendo ocupada por Gonçalo Guedes – foi por reconhecer que o Benfica tem tido problemas para controlar o ritmo dos jogos a meio-campo. É verdade que também não controlou este e que, genericamente mais atrás no campo, acabou por ver os erros cometidos transformados em golos. Hamsik fez o 1-0 logo aos 20’, de cabeça, num canto em que Fejsa se mostrou pouco agressivo no ataque à bola no primeiro poste. Ao intervalo, esperar-se-ia que Rui Vitória despertasse Carrillo, em sub-rendimento na esquerda do ataque, e que a equipa se juntasse para lutar pelo empate, mas o que se viu foram mais três golos do Napoli. Em sete minutos, Mertens fez o 2-0 num livre muito bem batido, Milik aumentou para 3-0 de penalti e Mertens chegou aos 4-0, num lance do qual Júlio César dai mal-visto, por ter falhado a interceção de um cruzamento que era dele. Com a discussão do resultado arrumada, Rui Vitória ainda fez entrar Salvio e Gonçalo Guedes, atenuando o resultado de 0-4 para 2-4 com dois golos dos dois suplentes, a dar sinal de uma atitude mais agressiva do Benfica, mas também da natural diminuição de intensidade de um Napoli que chegou aos seis pontos e encara a jornada dupla com o Besiktas na perspetiva de carimbar o apuramento. Para o Benfica, pelo contrário, os dois jogos com o Dynamo Kiev serão uma espécie de última praia, na qual um mínimo de quatro pontos se exige para entrar na fase decisiva em condições de discutir a passagem à fase seguinte.
2016-09-28
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Rui Vitória lembrou esta semana que a máquina do Benfica anda a trabalhar sem várias peças, que espera recuperar em Outubro, mas a verdade é que mesmo sem elas a equipa continua isolada na frente do campeonato. E isso deve-se muito a tardes como a de hoje, nas quais a máquina mostra eficácia máxima nas bolas paradas. De visita a um Chaves tão competente como o seu treinador, Jorge Simão, o Benfica obteve uma complicada vitória por 2-0, graças a mais dois golos nascidos nas bolas paradas: livre lateral de Grimaldo para um ligeiro desvio de Mitroglou, a 20’ do fim, e livre direto do mesmo Grimaldo à barreira, para a rcarga de Pizzi, aos 84’. Esta tem sido, aliás, a receita que o Benfica tem aplicado neste início de campeonato sem asa tais peças que lhe confiram maior qualidade: marcou de bola parada em todas as deslocações, sendo que em duas delas (Nacional e agora Chaves) foi mesmo assim que se adiantou no marcador. Aliás, no jogo de hoje, foi sempre de bola parada que mais ameaçou a baliza de António Filipe: mesmo com dificuldades para evitar que os três médios do Chaves (Assis, Battaglia e Braga) se superiorizassem no corredor central a André Horta e Fejsa, dessa forma gerando várias situações prometedoras que os flavienses desperdiçavam por falta de qualidade no último passe, o Benfica foi tendo as melhores ocasiões de golo até à ponta final da primeira parte. Mitroglou obrigou António Filipe a defesa apertada na ressaca a um livre, logo aos 17’, e Lisandro, na sequência de um canto da esquerda, voltou a cheirar o golo, aos 20’. Não era, porém, um Benfica consistente. As triangulações do Chaves libertavam quase sempre alguém para cruzar – porque Pizzi e Salvio eram muitas vezes chamados a tentar equilibrar ao meio em transição defensiva –, fossem Fábio Martins ou Nelson Lenho na esquerda ou o sempre ofensivo Paulinho à direita. E na sequência de um desses lances, a equipa da casa perdeu por três vezes o golo inaugural, aos 41’: Braga e Fábio Martins acertaram ambos no mesmo poste da baliza de Ederson, tendo depois Rafael Lopes feito a recarga de baliza escancarada ao lado. O Chaves, porém, voltou menos forte para a segunda parte e o jogo entrou num impasse até ao momento em que Mitroglou fez o 1-0, aparecendo no fim de um livre de Grimaldo que nascera de uma falta cometida por João Mário, a seta que Jorge Simão lançara na esquerda para voltar a aparecer nos metros finais do campo. Saiu-lhe mal a receita. A ganhar, o Benfica passou a sentir-se mais à vontade. Simão ainda tentou virar o jogo, chamando a ele Vukcevic para apoiar Rafael Lopes, mas Rui Vitória fechou a partida chamando Cellis para o lado de Fejsa, passando a poder explorar o espaço no meio-campo ofensivo como nunca conseguira até aí. Foi, ainda assim, noutra bola parada que fez o golo da tranquilidade, aos 84’: o livre de Grimaldo, quase em cima da linha de área, bateu na barreira, mas Pizzi estava na meia-lua à espera disso mesmo e teve todo o tempo para colocar a bola rasteira junto ao poste da baliza de António Filipe. Estava definida a atribuição dos pontos e a primeira derrota do Chaves neste campeonato, bem como o regresso do Benfica à liderança. Quando ainda está à espera de peças.
2016-09-24
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Um regresso feliz de Mitroglou ao onze ajudou o Benfica a vencer o Sp. Braga por 3-1 e a isolar-se na frente da classificação da Liga, à quinta jornada. Um bis do grego, somado a um golo de Pizzi, transformou um desafio que se antevia – e que foi… – difícil numa vitória que até permitiu alguma descompressão no final, quando a margem de manobra cresceu e o desgaste do adversário também. Até ao momento em que o Benfica acabou com o jogo, com dois golos de rajada, à entrada para os últimos 20 minutos finais, porém, quase que se via a repetição da partida da Supertaça, com a eficácia na finalização a fazer a diferença entre as equipas de Rui Vitória e José Peseiro. O jogo começou a um ritmo alucinante, o que à partida parecia ser melhor para os donos da casa do que para os visitantes, que tinham menos dois dias de recuperação desde a sua partida europeia. O Benfica, com Mitroglou à frente de Gonçalo Guedes, a alargar o espaço disponível pela forma como busca a profundidade, era melhor com bola do que sem ela: o seu meio-campo ligava bem o jogo ofensivo mas, até pela baixa de Fejsa em momento de construção, era pouco agressivo em transição defensiva, permitindo que o jogo se disputasse muito na largura e na capacidade que ambas as equipas mostravam para encontrar o corredor contrário ao da bola. E aqui invertiam-se os papéis: o 4x2x3x1 do Sp. Braga, com Vukcevic sempre bem no passe e os dois extremos (Pedro Santos e Wilson Eduardo) inteligentes na forma de variar centro de jogo, conseguia expor vulnerabilidades no Benfica e transformar o desafio num jogo de transições que convinha menos aos donos da casa. Nessa altura, só a noite seguríssima de Júlio César evitou males maiores para o Benfica. As ocasiões de golo sucediam-se, nas duas balizas. Mitroglou chutou ao lado da entrada da área aos 2’, respondeu Hassan falhando o alvo depois de isolado frente a Júlio César, aos 4’. O guarda-redes do Benfica tirou um golo cantado a Pedro Santos aos 5’, sendo imitado por Marafona, que deteve um remate perigoso de Salvio aos 12’. Nessa altura, Marafona lesionou-se, o jogo esteve interrompido e da pausa saiu melhor o Benfica, que inaugurou o marcador aos 27’, numa arrancada de Guedes que Mitroglou transformou no 1-0, depois de ser o mais rápido a adivinhar onde ia cair o cruzamento. Até ao intervalo, o Sp. Braga ainda obrigou Júlio César a mais duas defesas providenciais, a remates de Pedro Santos (aos 37’) e Rosic (num canto, aos 45’), mas a equipa de Peseiro já não regressaria tão forte para o segundo tempo. Fosse por causa do desgaste da partida de quinta-feira ou devido às correções feitas ao intervalo por Rui Vitória, a verdade é que passou a pairar na Luz a ideia de que estava mais perto o 2-0 que o 1-1. Guedes, de livre, ainda obrigou Marafona a uma extraordinária defesa, num livre que ainda desviou na barreira, como que a prenunciar que um ressalto acabaria por resolver o jogo. Foi o que aconteceu aos 74’, quando um atraso de Mitroglou bateu no bracarense Douglas Coutinho e ganhou a direção da área, onde Pizzi estava sozinho e aproveitou para fazer o 2-0. A desorientação bracarense conduziu ao terceiro golo, apenas quatro minutos depois, obra de Mitroglou, de cabeça, após uma insistência de Pizzi na esquerda. E o resultado só não foi o mesmo da Supertaça porque, mesmo em cima do minuto 90, Rosic melhorou o que tinha feito a fechar a primeira parte, cabeceando para golo um canto de Wilson Eduardo. O jogo fechava, ainda assim, com a vitória do Benfica, uma vitória que, mesmo no meio de tantas lesões, deixa os tricampeões nacionais isolados na frente da tabela. Rui Vitória não valorizou este aspeto, mas certamente que não o desprezaria se alguém lho antevisse antes deste atribulado arranque de campeonato. Ainda há muitos jogos para fazer, alguns pontos para perder, mas a tendência normal com o regresso dos titulares é que este Benfica fique mais forte.
2016-09-19
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Último Passe

Um livre de Talisca, já em período de compensações, custou ao Benfica dois pontos na estreia na Liga dos Campeões desta temporada. O empate a uma bola, nascido de várias mudanças táticas operadas pela equipa do Besiktas na segunda parte, acaba por punir a quebra dos campeões nacionais nesse mesmo período, depois de em 45 minutos de clara superioridade não ter feito mais de um golo, obra de Cervi. O facto de ter jogado sem as primeiras escolhas no ataque – Jonas, Mitroglou, Jiménez e Rafa estão todos lesionados – acabou por custar caro a Rui Vitória. O Benfica entrou com uma dupla de ataque improvável, formada por Cervi e Gonçalo Guedes, com o primeiro, mais forte em ataque rápido, a jogar nas costas do segundo, que não fazia nada tão bem como a pressão à saída de bola do adversário. A consequência da aliança desta dupla com a excelente exibição de Fejsa e André Horta, os dois médios-centro encarnados, foi o bloqueio total de uma equipa do Besiktas disposta em 4x2x3x1, mas com os dois extremos muito abertos – Quaresma na direita – e Ozyakup perdido no meio das linhas encarnadas no apoio a um isolado Aboubakar. O jogo, no primeiro tempo, tornou-se muito repetitivo: tentativa frustrada de organização ofensiva do Besiktas, bola recuperada pelo meio-campo do Benfica e saída rápida para o ataque. O golo, logo aos 12’, nasceu de um excelente passe de Horta, a rasgar, até encontrar uma diagonal de Salvio da direita para a esquerda. De pé esquerdo, o argentino chutou, o guarda-redes largou a bola e Cervi foi mais rápido que Tosic na reação, fazendo a recarga vitoriosa. A ganhar desde cedo, o Benfica serenou e teve mesmo duas situações de contra-ataque em superioridade numérica que, por erros no passe, não levou sequer até a finalização. Só que aquele Besiktas facilmente manietável da primeira parte voltou diferente para a segunda. Com Talisca em vez de Ozyakup, com Quaresma mais por dentro e Adriano a subir de lateral para extremo-esquerdo, surgindo também mais no corredor central, os turcos subiram de produção. Mais tarde, com a entrada de Tosun para ponta-de-lança e as aproximações de Aboubakar, a equipa de Senol Günes começou mesmo a criar lances de golo: Tosun perdeu um lance na cara de Ederson e este tirou com uma excelente defesa o empate a Marcelo, na sequência de um livre. Nessa altura já o Benfica trocara Cervi por Samaris, numa tentativa provavelmente prematura de encerrar o jogo, fechando a porta ao adversário – talvez se aconselhasse mais nessa altura um ganho de qualidade na frente, com Carrillo, por exemplo. É verdade que mesmo assim Gonçalo Guedes teve nos pés o 2-0. O improvisado ponta-de-lança benfiquista ganhou a bola a Quaresma, que foi fugindo a sucessivos desarmes desde o meio-campo até ser batido à entrada da área, mas depois, isolado frente a Tolga Zengin, não evitou que o guarda-redes turco desviasse o remate com o pé. Esse acabou por ser o lance decisivo do jogo. Antes do final, o Benfica ainda substituiu Fejsa por Celis. E já tinha José Gomes na linha lateral, pronto para entrar e para se tornar o mais jovem de sempre a jogar pelo clube nas provas europeias, quando o médio colombiano meteu a mão a uma bola a uns seis ou sete metros da linha de área. Talisca apontou logo para o peito, a assumir que ia ser ele a bater o livre. E fê-lo de modo imparável, festejando efusivamente o golo que valeu o empate à sua nova equipa frente à que o emprestou.
2016-09-13
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Último Passe

O empate do Benfica, em casa, frente ao V. Setúbal (1-1) já foi comparado, por exemplo, por Raul Jiménez, com a derrota que a equipa encarnada sofreu frente ao Arouca, em Aveiro, à segunda jornada da época passada (0-1). “É seguir em frente!”, sentenciou com clarividência o atacante mexicano. Mas as razões por trás da perda de pontos de hoje são mais profundas do que o normal titubear de muitas equipas no mês de Agosto, quando os processos ainda não estão assimilados. Ao Benfica faltou aquilo que teve em abundância na época passada: boas decisões na frente e ainda melhores finalizações. Em suma, faltou Jonas. Jonas estava na bancada, de óculos postos, a ver as dificuldades que a equipa ia sentindo para criar lances de golo. Porque mesmo tendo mais volume de jogo, os encarnados nunca conseguiram reduzir a produção ofensiva do adversário: Amaral foi uma seta apontada à baliza de Júlio César em toda a primeira parte, período no qual os sadinos chegaram a beneficiar de um lance de dois para dois em ataque rápido e o perderam por falta de qualidade na definição. Claro que o Benfica também teve as suas ocasiões, mas nada que se compare, por exemplo, ao tal jogo com o Arouca ou à avalanche que conseguira na receção anterior a este mesmo V. Setúbal, na última primavera, quando ganhou por 2-1, de virada, na Luz. E foi por ter tido as ocasiões para ainda assim ganhar o jogo – quase todas no forcing final, depois de se ver a perder – que se notou a menor qualidade na finalização. O puzzle Jonas é o mais difícil de resolver por Rui Vitória. Se há um ano o treinador terá tido dúvidas mas ainda assim cedeu quando percebeu que o brasileiro era muito melhor como segundo ponta-de-lança do que como avançado de referência no 4x2x3x1, este ano é Mitroglou quem sente a falta das movimentações sempre inteligentes para a ala, o espaço entre-linhas ou as costas da defesa e das decisões sempre coletivamente válidas do companheiro de ataque. O grego voltou a fazer um jogo anónimo, dele só se retirando um cabeceamento, ainda na primeira parte, para excelente defesa de Bruno Varela. É pouco, como já tinha sido pouco em Tondela. Horta começou bem mas foi-se apagando face à qualidade dos dois médios-centro sadinos (Pacheco e Mikel) e acabou por ser Salvio, por um dia capitão, o melhor do Benfica. Com o jogo no impasse, foi o Vitória quem marcou, de bola parada, por Venâncio. E aí o Benfica entrou em modo pressionante, com dois avançados declarados – Mitroglou e Jiménez – e dois extremos – Guedes e Carrillo – ainda com Salvio e Grimaldo a darem largura no ataque desde a posição de laterais. Era muita gente na frente, o que somado ao menor esclarecimento dos cada vez mais desgastados jogadores do Vitória à medida que o jogo se aproximava do fim, podia ter dado em virada do Benfica. Jiménez ainda empatou, de penalti, e Lindelof acertou na barra, na recarga a um livre de Grimaldo que Varela foi buscar junto ao poste. O Benfica deixou dois pontos no relvado onde lhe faltou, acima de tudo, a qualidade de Jonas e onde voltou a provar-se que foi a qualidade que tem na frente a fazer a diferença no campeonato anterior.
2016-08-21
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Último Passe

Há pelo menos duas maneiras de olhar para a possibilidade de transferência de Luisão para o Wolverhampton. Uma é fazê-lo segundo o ponto de vista do Benfica e é simples. Outra é fazê-lo segundo o ponto de vista do jogador e é muito mais complexa. Porque este é claramente um negócio mais interessante para o clube do que para o jogador, por mais zeros que tenha o salário que ele venha a receber a jogar pelo 14º classificado do último Championship, o segundo escalão do futebol inglês. Para o Benfica, o potencial negócio é simples. Tem um jogador que ganha um bom salário, mas que não é eterno e que, se querem saber a minha opinião, já não é um dos dois melhores defesas centrais do clube – Jardel e Lindelof estão acima e acho mesmo que Lisandro López também, ainda que esse não tenha nunca tido continuidade suficiente para ter acerca dele um veredicto mais avisado. Em Lisboa desde 2003, Luisão é o jogador com mais tempo de clube, terá seguramente muita influência no balneário, ou não fosse ele capitão, mas por muito que isso custe ouvir, a equipa melhorou quando ele se magoou e teve de ser substituído, na época passada. Sobretudo por uma razão. É que o veterano brasileiro é mais lento que os colegas de posição e, com ele, das duas uma: ou a equipa joga com a defesa menos subida, aumentando o espaço entre setores ou diminuindo a capacidade para pressionar o adversário, ou então passa a ter mais problemas com as bolas nas costas. E, no entanto, Rui Vitória tem feito a equipa com ele a titular… Para Luisão, tudo é mais complicado. O que se disse há tempos foi que o Benfica já lhe teria comunicado que não ia renovar-lhe o contrato no final desta época – o homem, afinal, já tem 35 anos – mas lhe ofereceu um lugar na estrutura. Oferta essa que Luisão estava inclinado a recusar, porque queria continuar a jogar. O que, visto pelos olhos dele, até se percebe. Afinal, repito, Rui Vitória tem feito a equipa do Benfica com ele a titular. O que ele perceberá pior, afinal de contas, é que, assim sendo, não lhe renovem o contrato: ao capitão de equipa, titular da equipa aos 35 anos. A não ser que a titularidade de Luisão nas primeiras partidas da época fosse simplesmente uma condição para que ele pudesse ser colocado noutro clube até ao fecho de mercado, um clube que poderia perder o interesse se soubesse que estava a levar um suplente na curva descendente e não sobretudo um ex-internacional brasileiro, capitão do tricampeão português. Não conheço as motivações de Luisão para sequer admitir sair neste momento do Benfica: se precisa de fazer um último grande contrato para assegurar o futuro da família, se desconfia das motivações de quem lhe oferece um lugar no momento em que decidir pendurar as chuteiras, se pura e simplesmente acha mesmo que precisa de continuar a jogar, mesmo que seja numa equipa muitos patamares abaixo daquele a que está habituado. Conheço e percebo as do Benfica: quer encontrar lugar e orçamento para um defesa-central que possa valorizar-se e criar sérios problemas aos melhores que por lá tem. Como ainda por cima, via Jorge Mendes, tem esta ligação recente ao Wolverhampton, onde já colocou Hélder Costa e João Teixeira, tentou encontrar aqui uma via de saída para o problema. Só que quanto mais olho para o caso, mais me parece que não estão todos na mesma página.
2016-08-17
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Último Passe

Rui Vitória sentiu a necessidade de dizer que não anda “à procura de clones” dos jogadores que perdeu neste início de época, que cada um é aquilo que é e tem as suas próprias caraterísticas. Fê-lo após a vitória do Benfica em Tondela, por 2-0, ainda por cima minutos depois de um golaço de André Horta provar que o miúdo tem mesmo muita categoria e que não tem nada que ser o segundo Renato Sanches. Porque na verdade não tem. As equipas são organismos vivos, que crescem de acordo com o que têm. Levam é tempo a crescer, como se percebe pelo total de situações de golo que o Benfica tem permitido aos adversários que vai encontrando. Uma coisa é certa: o Benfica está hoje muito melhor do que há um ano. Há um ano, com uma pré-época calamitosa, Vitória refreou os ímpetos de mudança, deixando a equipa numa espécie de terra de ninguém tática da qual só a emergência de Renato Sanches, somada à inegável categoria dos seus avançados, a resgatou. Agora, sem um duelo com Jesus a abrir a época, respaldado pelo sucesso que foi a última campanha – foi ele o campeão –, Vitória está a levar a equipa para terrenos que lhe agradam mais. O perfume do futebol de André Horta tem muito mais a ver com o jogar de Vitória que a pujança física de Sanches. Não se trata de dizer se é melhor ou pior: é apenas diferente. E a equipa reage a isso. Em Tondela, sem Jonas, Vitória entrou mais próximo do 4x2x3x1, com Gonçalo Guedes atrás de Mitroglou. O jogo mal conseguido dos dois levou-o a aproximar-se ainda mais à medida que o jogo avançava: primeiro trocou Guedes com Pizzi, alimentando a equipa com a capacidade que o médio transmontano tem para fazer (bem) todos os lugares no meio-campo e ataque. Foi dele, aliás, o livre que Lisandro López aproveitou para inaugurar o marcador, minutos depois de ter entrado para o lugar do lesionado Luisão. Mas ainda que seja mais ou menos claro que a defesa benfiquista tem mais capacidade para controlar a profundidade e as bolas nas costas com o argentino do que com o brasileiro, a verdade é que apesar da troca o Tondela continuou a ameaçar chegar ao empate, perdendo várias situações de golo. Com o resultado em risco, Rui VItória reagiu à investida final do Tondela jogando a partir dos 65 minutos com Samaris ao lado de Fejsa, Pizzi à esquerda e Horta a “10”. Foi assim, neste 4x2x3x1 mais claro, que o miúdo fez o segundo golo, num lance em que serpenteou por entre a defesa adversária antes de marcar e no qual muitos viram sombras de Rui Costa. Mas o melhor mesmo é limitarem-se a pensar nisso, sem o dizer muito alto. Porque se há algo de que Horta não precisa é de se livrar da pressão de ser clone de Renato Sanches para o compararem a um ainda maior ídolo de todos os benfiquistas.
2016-08-14
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A vitória do Benfica na Supertaça, frente ao Sp. Braga, pode ter vindo avolumar as certezas de que os encarnados são os principais candidatos à renovação do título nacional. Mas as dificuldades que o tricampeão sentiu na maior parte da partida frente ao onze de José Peseiro e o facto de, no limite, a Supertaça só ter tomado o caminho da Luz porque Rafa e Pedro Santos foram bastante perdulários na finalização – e Jonas, já se sabe, não perdoa… – terão chegado para temperar algum entusiasmo aos mais eufóricos dos adeptos encarnados. O Benfica, pela forma como alargou o lote de opções à disposição de Rui Vitória, é realmente o maior candidato à vitória final na Liga, mas nada do que se viu ontem permite ter certezas de que venha a ter a tarefa mais facilitada do que na caminhada difícil para o tri. Porque Sporting e FC Porto estão à espreita e, resolvidos os problemas na definição, este Sp. Braga também tem de ser levado a sério. Se é verdade que Cervi parece dar garantias de que, mesmo de forma diferente de Gaitán, pode ocupar a faixa esquerda do ataque encarnado – e se não estiver ele podem estar Carrillo ou Salvio, mesmo que isso implique o desvio de flanco de Pizzi – já a substituição de Renato Sanches não está ainda comprovadamente conseguida. Não é que André Horta tenha feito um mau jogo. Não só não fez como ainda falta ver Danilo naquela posição. Só que, com exceção dos primeiros 20 minutos, em que jogou praticamente dentro da área do Sp. Braga, faltou sempre ao Benfica explosão para aproveitar o balanceamento ofensivo de um adversário que se viu a perder cedo e por isso assumiu a partida. Talvez este seja um Benfica mais à imagem de Rui Vitória, até a caminhar para o 4x2x3x1 predileto do treinador campeão, com jogo mais pensado e menos explosivo: a incorporação de Luisão, obrigando a uma defesa mais baixa no campo, a entrada de Grimaldo e Nelson Semedo, dois laterais mais ofensivos que André Almeida e Eliseu, podem até levar a equipa para aí e conduzir a uma maior participação de Jonas na construção. Mas se houve Benfica entusiasmante ontem, em Aveiro, foi nos primeiros 20 minutos, quando a equipa esteve ligada à corrente máxima e desfez a organização defensiva bracarense. Depois vieram as dúvidas. Essas dúvidas podem também encontrar justificação no valor dos adversários. Ainda que o clima depressivo que se vive em Alvalade à conta dos resultados da pré-época pareça indicar o contrário, o Sporting também é forte candidato. A equipa tem perdido muitos jogos na pré-época? É verdade. E tem revelado desatenções defensivas imperdoáveis. Os resultados nos jogos de preparação, no entanto, não justificam tão acirrados estados de alma, como sabe Jorge Jesus, que já foi campeão depois de pré-temporadas bem piores do que esta e tem muito mais com que se preocupar. O problema de Jesus é que o dia 1 de Setembro nunca mais chega e, com ele, o fecho do mercado e a estabilização do grupo. Rui Patrício, William Carvalho, Adrien Silva e, sobretudo, João Mário e Slimani são muito requisitados. Se todos ficarem, o Sporting só tem de contratar mais um homem para o ataque: assumindo que Alan Ruiz vem suprir a falta de Gutierrez, só há que encontrar uma alternativa credível a Slimani. Jesus pode sempre alegar que continua a não ter a profundidade no plantel para atacar todas as frentes que tem, por exemplo, o Benfica, mas não tem uma equipa pior do que há um ano. Pelo contrário. E há o FC Porto, a quem ainda falta um defesa-central e um médio-ofensivo, mas que apresenta como maior arma para esta época uma coerência que lhe faltou na segunda metade da temporada passada. Arrumado o lopeteguismo que Peseiro teve de gerir, Nuno Espírito Santo começa o processo do zero e pode construir uma equipa segundo as suas próprias ideias. O maior reforço parece veio de dentro do plantel: André Silva parece mais alto, mais forte, mais rápido e tudo somado isso quer dizer que será mais goleador. Ao contrário de Aboubakar, um avançado de grandes espaços, André Silva resolve no primeiro toque e isso faz toda a diferença no 4x3x3 de uma equipa grande. De resto, a chegada de Felipe e Alex Teles, a aposta reiterada em Corona e a entrada do mais contante Otávio para o lugar do imprevisível Brahimi só deixa este FC Porto a precisar de algum talento a meio-campo. Mas também ali o mercado ainda não fechou.
2016-08-08
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Último Passe

O Benfica que venceu o Sp. Braga por 3-0 e conquistou a Supertaça foi um Benfica muito diferente do que ganhou a Liga anterior. Mais do que os seis titulares de hoje que não fizeram parte do onze-base no tricampeonato, notou-se uma maneira diferente de encarar o jogo, aproximando a equipa do ideal de Rui Vitória. No melhor e no pior. Além dos reforços André Horta e Cervi, que ocuparam as posições dos tranferidos Renato Sanches e Gaitán, Rui Vitória chamou ao jogo Júlio César, Nelson Semedo, Luisão e Grimaldo, por impedimentos de diversa ordem de Ederson, André Almeida, Jardel e Eliseu. A equipa, naturalmente, comportou-se de uma forma diferente, mesmo tendo mantido a tónica no jogo de avançados que resolvem. Foi diferente no seu período mais eufórico, quando encostou o Sp. Braga atrás, fruto de cavalgadas constantes dos dois laterais, de um jogo elétrico de Cervi e do contributo de Horta, jogador mais cerebral que Renato Sanches. E foi diferente no longo período menos feliz, em que o Sp. Braga acertou posicionamentos, controlou o meio-campo com um losango, passou a criar as melhores ocasiões de golo e ao Benfica faltaram as explosões que Sanches metia no campo, a aproveitar o espaço que nessas ocasiões sempre aparece, a convidar aos contra-ataques ou aos ataques rápidos. Cervi não é Gaitán: é mais extremo, jogador mais linear, mas fez um grande golo e abriu o apetite para o que aí vem. E Horta não é Renato – julgo que Danilo também não o será. O Benfica 2016/17 pode assim aproximar-se mais do ideal de Rui Vitória, na procura de um jogo mais de posse e no desprezo pelo jogo de transições de que Renato se tornou expoente máximo. Vê-se a projeção dos dois laterais, observam-se triangulações constantes entre eles e os extremos, com o auxílio de Pizzi e André Horta, e acentua-se a participação de Jonas na construção que pode levar a equipa para o 4x2x3x1 e arrumar de vez com a herança de Jesus. As alternativas são muitas, mas apesar do 3-0 o teste não foi perfeito. E não necessariamente por causa das ocasiões de golo perdidas pelos bracarenses. Fico à espera de ver o que será esta equipa com Danilo e se Vitória vai manter a aposta em Luisão, tornando mais complicado o controlo da profundidade defensiva. Disso vai depender o que será o Benfica 2016/17.
2016-08-07
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Acabou o campeonato e o Benfica foi campeão. Justo? Sem dúvida nenhuma. Quem faz 88 pontos em 34 jogos, quem ganha 29 das 34 jornadas, quem perde pontos contra apenas quatro das 17 equipas que tem como adversárias no campeonato, é um campeão justo em qualquer parte do Mundo. E no entanto, do lado do Sporting, o derrotado, mantem-se o discurso: “não ganhou a melhor equipa”, disseram jogadores e treinador. É verdade que, com os seus 86 pontos, com apenas duas derrotas em toda a Liga, com cinco vitórias em seis clássicos, o Sporting também teria sido um campeão justo. Os leões foram a equipa que mostrou o futebol mais bonito, mais enleante, mais coletivamente trabalhado. Mas as hipóteses de sucesso da candidatura sportinguista ao título do ano que vem dependem de os seus responsáveis perceberem por que é que o Benfica foi campeão este ano. Porque há razões para isso que vão muito para lá da sorte e do azar. O Benfica foi campeão, primeiro, porque mesmo sem ter sido a equipa com o futebol mais vistoso, foi a equipa mais eficaz, a equipa com mais qualidade dentro da área, que é onde se ganham os troféus. O Benfica teve o melhor ataque e o maior número de vitórias. Sorte? Não. Qualidade nas áreas. Os processos para chegar à frente não foram sempre os melhores, não se lhe vê um futebol tão desenhado em laboratório como aquele que Jesus colocou o Sporting a jogar em tempo recorde, aceita-se mesmo que há ali menos trabalho saído do treino, mas vê-se uma organização defensiva impecável, com dois defesas-centrais rapidíssimos, que permitem encurtar o bloco e jogar com toda a equipa subida – com Luisão, provavelmente, isso não seria possível – e uma forma despachada de chegar à frente, onde o Benfica teve três pontas-de-lança de enormíssima qualidade. Jonas, Mitroglou e Jiménez desataram muitos nós a Rui Vitória, naqueles jogos mais complicados, onde fazia falta um golo caído do céu aos trambolhões. E Jesus viu o Sporting baquear naquele momento da época em que Gutiérrez estava de baixa, Montero tinha sido despachado para a China, Barcos não respondia - se é que alguma vez responderá – e só lhe sobrava Slimani, que também tinha direito a uns dias maus. Lembram-se dos golos cantados que Bryan Ruiz falhou em Guimarães e no dérbi de Alvalade? Jesus também, por muito que prefira esquecê-los. O Benfica foi campeão, depois, porque teve nas provocações do exterior um fator que lhe permitiu fazer das fraquezas forças. As provocações vindas de Alvalade, que resultaram no início da época – Jesus levou Vitória a mudar o que tinha andado a testar antes do jogo da Supertaça, ao reclamar para si mesmo todo o ideário futebolístico do rival, e começou aí a ganhar o troféu – foram perdendo eficácia à medida que a época avançava. E a cada vez que o treinador leonino falava em cérebros, em Ferraris ou em tocas, fazia com que o adversário se unisse mais ainda. Só assim se explica, também, que uma equipa que perde cinco dos seis clássicos que joga numa temporada, uma equipa que a dada altura da época parecia em falência mental e física, tenha conseguido ir sempre buscar mais alento e ganhar cada jogo. Essa injeção de adrenalina, era sempre Jesus que a dava. Como voltou a dar ontem, ao dizer que “uns criam e outros copiam”, rematando a conferência de imprensa com um “é por isso que eu ganho” que pode ter transportado alguns adeptos para um episódio da Twilight Zone. Do outro lado, Rui Vitória optou por se apagar em prol do mérito dos jogadores e afirmou que, mais do que no título, os seus falecidos pais podiam estar orgulhosos da contenção verbal que foi sempre mantendo. O Benfica foi campeão, por fim, porque geriu melhor os aspetos laterais do jogo. Não estou a falar de arbitragem. Estou a falar de casos como o processo a Carrillo – que Jesus perdeu logo no início do campeonato – ou dos confrontos que os encarnados entregaram sempre a assalariados sem real importância, como os seus comentadores engajados ou o departamento de comunicação, e os leões não foram capazes de passar para baixo do presidente. A ponto de até quando Octávio Machado aparecia – e a função dele era essa mesmo – parecer pouco, porque o precedente de ser Bruno de Carvalho a falar tirava importância a todos os outros. Luís Filipe Vieira quase pôde aparecer apenas no fim do campeonato a passar a taça para as mãos do capitão de equipa, enquanto que a Bruno de Carvalho, que passou a época a fazer comunicados a um ritmo quase diário, não restou senão sair pela esquerda baixa, aparentemente até do Facebook. Vieira também já teve os seus tempos de “loose cannon”, mas aprendeu e vai com quatro títulos nos últimos sete anos. Carvalho tem nos meses que se seguem a oportunidade de cortar caminho: basta-lhe ter a noção de que este Sporting cresceu tanto num ano que vai ser preciso fazer muita coisa errada para não acabar por ser também campeão num futuro próximo. In Diário de Notícias, 16.05.2016
2016-05-16
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Último Passe

O Benfica ganhou, como se previa, ao Nacional, por 4-1, na Luz, tornando infrutífera a vitória do Sporting em Braga, por 4-0, e conquistando o seu primeiro tricampeonato desde 1977. Foi um sprint final alucinante, no qual nenhum dos dois primeiros classificados cedeu, acabando o Benfica por impor os seus argumentos e terminar a Liga com uns impressionantes 88 pontos, que tornam irrelevante qualquer discussão à volta da justiça deste título. O Benfica é um campeão justo, porque fez mais pontos. Não jogou o futebol mais bonito, mas foi sempre a equipa mais eficaz, a que teve mais qualidade dentro da área – e isso paga-se com troféus como o que os encarnados acabam de conquistar. No último dia, só por três minutos o Sporting se colocou na frente da tabela provisória. Marcou primeiro, aos 20’, por Téo Gutièrrez, num daqueles lances-tipo do Sporting: bola de João Mário para a esquerda, onde Ruiz alargou a organização defensiva bracarense e devolveu para o meio, para a finalização de primeira do colombiano. O Sporting já tinha estado perto do golo por um par de vezes e desde cedo se percebeu que tinha tudo para ganhar em Braga. Só que os leões precisavam de mais. Precisavam que o Benfica não ganhasse em casa ao Nacional. E três minutos depois do golo de Gutièrrez, Gaitán abriu a festa da Luz, num lance que também é típico do futebol benfiquista: bola em busca da profundidade no corredor central, corte a impedir a finalização de Pizzi, mas para os pés do argentino, que estava solto e marcou num remate cruzado. Daí até final, na classificação, só deu Benfica. Slimani marcou o 2-0 para o Sporting em Braga, após cruzamento de Bruno César, num momento em que a equipa de Paulo Fonseca já tinha ficado reduzida a dez homens, por expulsão de Arghus, que derrubou William quando este se isolava. Só que Jonas também só esperou quatro minutos para dar o segundo ao Benfica, em mais um passe longo, desta vez de Gaitán, a pedir a velocidade de Jonas, que ganhou o duelo com o guarda-redes Gottardi. Ao intervalo dos dois jogos, toda a gente percebia que muito dificilmente o título escaparia ao Benfica. O Nacional ainda veio para a segunda parte a pensar num golo, que poderia reabrir a discussão, mas quem o marcou foi o Benfica, outra vez por Gaitán: recuperação de bola no último terço, cruzamento de Jonas, remate de Mitroglou à barra e recarga do argentino, de cabeça, para a baliza deserta. Começou aí a cantar-se nas bancadas, onde já ninguém estaria preocupado com o resultado do Sporting. Que entretanto chegou também ao terceiro, por Ruiz. E depois ao quarto, também pelo costa-riquenho. Mas, mais golo, menos golo, já nada disso importava. Pizzi ainda fez o 4-0 para o Benfica, já depois de Rui Vitória ter chamado ao relvado Paulo Lopes, o terceiro guarda-redes, que pôde fazer uns minutos e juntar o seu nome ao dos campeões – só mesmo Taarabt subiu ao palanque sem ter jogado. Já era Paulo Lopes quem estava na baliza quando Agra marcou o golo de honra do Nacional, tirando ao Benfica o título de melhor defesa da Liga: os encarnados acabaram com 22 golos sofridos contra 21 do Sporting. Sobrava o título que mais interessava: o de campeão. 
2016-05-15
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Benfica e Sporting vão decidir o título de campeão nacional, na última jornada da Liga, sem Renato Sanches e Adrien Silva, os jogadores que são a alma dos respetivos meios-campos e que tão importantes foram na forma como as duas equipas aqui chegaram em condições de serem campeãs. Ninguém mereceria mais do que eles celebrar o título em campo mas, ocorra o que ocorrer no último dia, os patrões dos dois candidatos ao título terão de ficar a torcer por fora. E num dos casos – porque a Liga não pode ter dois campeões – vai ser “dia santo na loja”. Os jogos das duas equipas têm graus de dificuldade muito diferentes: o Benfica recebe o Nacional, enquanto que o Sporting visita o Sp. Braga. Mas festejará o final deste alucinante sprint quem souber ultrapassar melhor a ausência do coração do seu meio-campo. Renato Sanches foi fundamental na refundação do futebol do Benfica, dando à equipa a explosão de que ela necessitava para fazer a ligação do meio-campo a Jonas. Entrou na equipa quando o Benfica defendia o terceiro lugar face aos avanços do Sp. Braga e acabou por ajudar a carregá-la até esta situação privilegiada em que se encontra neste momento, com 19 vitórias nos últimos 20 jogos e a apenas mais uma do tricampeonato, pois lidera com dois pontos de avanço do Sporting. Ao mesmo tempo, Adrien foi um dos argumentos principais que o Sporting apresentou na época em que já garantiu a melhor pontuação da história e em que entra na última jornada em condições de ser campeão pela primeira vez desde 2007. O capitão dá ao meio-campo agressividade no momento da perda de bola, mas também a capacidade de aproximação à área em posse que lhe permite somar golos e assistências semana após semana. A verdade é que, mesmo sabendo-se que mais de metade do país preferirá contestar as arbitragens – e sim, o cartão amarelo a Adrien frente ao V. Setúbal é mal mostrado, da mesma forma que me parece injustificado o primeiro dos dois amarelos a Renato Sanches nos Barreiros –, os afastamentos dos dois jogadores têm a ver com aquilo que eles são neste momento. Pela forma agressiva como disputa cada duelo, Adrien é um jogador muito propenso aos amarelos. É, de longe, o elemento dos três grandes com mais cartões na Liga: soma 12, contra dez de Maxi Pereira, que é quem mais dele se aproxima, e nove de Eliseu, o benfiquista mais admoestado. Por sua vez, Renato Sanches é ainda um jovem bastante inexperiente, que não teve a necessária contenção depois de ter visto o primeiro amarelo e fez, minutos depois, uma falta que lhe valeu o segundo e podia bem ter deixado o Benfica em muito maus lençóis, tivesse o Marítimo condições para discutir o jogo. A culpa foi dos árbitros? Também. Mas a recusa em aceitar as próprias limitações é sempre um primeiro passo para adiar o crescimento. E nem Renato nem Adrien merecem isso. Em casa contra o Nacional, Rui Vitória não deverá ter muitas dúvidas na forma de formar o onze. Se tiver toda a gente em condições, será Talisca a substituir o jovem da Musgueira, até como forma de premiar o baiano pelo extraordinário golo de livre que marcou, a resolver definitivamente o jogo com o Marítimo – um golo semelhante ao que tinha feito ao Bayern, na Liga dos Campeões. Nestas circunstâncias, o treinador do Benfica não costuma inventar, antes acreditando muito na rotina que vai criando. Por sua vez, em Braga, contra uma equipa que até pode sentir a tentação de tirar o pé, a pensar na final da Taça de Portugal, mas que mesmo assim tem mais potencial e já criou muitas dificuldades ao Sporting – uma vitória na Taça e uma derrota tangencial na Liga, com 6-6 em golos no somatório dos dois jogos –, Jesus terá mais dúvidas para decidir. O grau de dificuldade do jogo sugeriria a aposta em Aquilani, que tem sido o substituto de Adrien em quase todas as ausências, mas o italiano não fez um minuto nas últimas quatro partidas e a boa prova de Gelson contra o V. Setúbal – dois golos – pode até aconselhar a sua manutenção em campo e a reentrada de João Mário para a zona central. É que a resposta usual de Jesus a momentos de dificuldade tem sido, este ano, meter mais gente na frente – e tem resultado. In Diário de Notícias, 09.05.2016
2016-05-09
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Último Passe

Nem a expulsão de Renato Sanches, ainda antes do fim da primeira parte e com o resultado em branco, travou a marcha triunfal do Benfica, que ganhou por 2-0 ao Marítimo nos Barreiros e vai entrar na última jornada como favorito para fazer a festa do tricampeonato: bastar-lhe-á vencer o Nacional na Luz. Mitroglou e Talisca marcaram os golos da vitória na Madeira, mas Jonas (primeiro) e Jiménez (já perto do final) ainda acertaram por duas vezes nos ferros da baliza de Salin. Tudo num jogo em que o Marítimo foi sempre muito tímido do ponto de vista ofensivo e incapaz de parar as tabelas adversárias no espaço interior quando lhe tocava defender e em que o Benfica terá feito a melhor exibição das últimas semanas. O melhor Marítimo, na verdade, viu-se de início. Nelo Vingada optou por um 4x4x2 em que os dois atacantes – Djoussé e Edgar Costa – procuravam sobretudo os corredores laterais, dando depois ordem aos jogadores de meio-campo para preencherem o espaço interior, mas isso só bloqueou o ataque do Benfica enquanto os homens da casa tiveram gás para correr mais que os visitantes. Mesmo sem Gaitán, que por lesão cedeu a vaga a Carcela, o Benfica soltava Renato nos corredores laterais, levando-o muitas vezes a surgir embalado frente aos laterais insulares, e isso chegava para causar a dúvida dos médios interiores: iam à procura dele ou ficavam a tapar o espaço predileto de Jonas? Fosse como fosse, a partir dos 25’ o Benfica desfez o equilíbrio que se verificara até então e teve, de imediato, várias situações para marcar. Jonas acertou no poste aos 29’, Carcela viu um defesa da casa tirar-lhe o golo sobre a linha aos 30’ e, dois minutos depois, foi a vez de Salin tirar o golo a Jonas, com uma defesa magistral, a ir buscar um cabeceamento que o brasileiro dirigira para o chão. E aí apareceu a expulsão de Renato, imprudente a fazer uma falta quando já tinha um amarelo. Com 0-0 e a jogar com menos um durante mais de meio jogo, o Benfica poderia ter um problema. Mas a equipa uniu-se e respondeu bem, mantendo-se sempre alta no terreno, recusando a tentação de baixar as linhas que poderia ter dado iniciativa ao Marítimo. E teve ainda três situações de perigo até ao intervalo: um remate de Carcela sobre a barra e duas finalizações desviadas de Mitroglou. Mesmo com um a mais, o Marítimo não conseguia tapar o espaço entre a linha defensiva e a de meio-campo nem chegar à frente com perigo: atacava quase sempre com poucos e por isso mesmo ficava à mercê do primeiro erro. Que inevitavelmente apareceu logo aos 48’. Alex Soares fez mal um corte e dessa forma isolou Mitroglou, que em boa posição deu de esquerda na bola, sem hipóteses para Salin. Só depois de uma longa interrupção para ser prestada assistência a Maurício é que Nelo Vingada chamou Dyego Souza, o ponta-de-lança de que a equipa precisava para regressar ao 4x3x3, mas a verdade é que nem assim o Marítimo deu a sensação de poder discutir o jogo. Antes de sair, totalmente esgotado, por estar a cumprir a missão dele e a de Renato Sanches, Jonas ainda viu Salin fazer mais uma excelente defesa a um remate seu que podia ter dado o 2-0 (aos 69’). E foi já com Samaris em vez de Jonas que Talisca (que entrara para o lugar de Carcela) arrumou a questão dos três pontos, marcando um livre semelhante ao que já batera Neuer, no empate frente ao Bayern, na Luz. Faltavam sete minutos (mais os dez de compensação, que ainda chegaram para que Jiménez, que substituiu Mitroglou, chutasse uma bola à barra), mas já nada tiraria esta vitória a um Benfica que soube unir-se no momento em que se viu reduzido a dez e terá, até, aproveitado a proximidade para mais um título para fazer a melhor exibição das últimas semanas.
2016-05-08
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Último Passe

Um golo e uma assistência de Jonas, na segunda parte, depois de o artilheiro ter entrado apenas ao intervalo, permitiram ao Benfica dar a volta e vencer o Sp. Braga por 2-1, assegurando a presença em mais uma final da Taça da Liga, numa noite em que Rui Vitória deu descanso a vários titulares, já a pensar na partida de campeonato que aí vem, contra o Marítimo. Os bracarenses, que tinham passado uma primeira parte mais ou menos tranquila, não resistiram à associação de Jonas a Raul Jiménez, e só nos últimos dez minutos mostraram outra vez interesse em chegar à baliza de Ederson, ficando então um par de vezes à beira do empate. Ante a evidência que tem sido o menor rendimento de alguns jogadores, que vêm acusando excesso de utilização, Rui Vitória abordou esta meia-final com alguns elementos menos utilizados. Jardel e Gaitán estavam lesionados e André Almeida castigado, mas as ausências de Eliseu, Pizzi, Fejsa, Jonas e Mitroglou resultaram de opções do treinador, que assim chamou ao relvado muita gente menos rodada para fazer companhia a Lindelof, Renato Sanches e Ederson, os únicos titulares utilizados de início, mas também a Jiménez, Talsica, Carcela e Samaris, que ainda assim têm vindo a ser opções mais ou menos regulares. Com Rafa ao seu melhor nível, o Sp. Braga adiantou-se no marcador e expôs as dificuldades sentidas neste momento por homens como Luisão ou Sílvio, ambos mal na fotografia do golo. Mas o problema do Benfica não estava só ali. O problema é que faltava sempre a capacidade para criar desequilíbrios, numa noite em que nem Renato ajudou neste particular: jogou muito para trás e nem sempre bem. Uma das ligações frequentes no processo ofensivo do Benfica é a que Renato consegue estabelecer com Jonas. Desta vez, porém, Rui Vitória nem a testou, provavelmente porque a sua programação passava também por não exaurir o jovem médio, que saiu ao intervalo para dar lugar ao goleador brasileiro. E com Jonas perto de Jiménez o Benfica transfigurou-se. O mexicano nem estava a jogar mal, como não estava Carcela, mas a utilização de Talisca como segundo avançado não chegava para dar à equipa a presença suficiente no último terço. Jonas empatou, aproveitando o espaço que ele tão bem sabe encontrar no corredor central, depois de uma abertura de Carcela. E depois fez o passe para Jiménez marcar o 2-1, no seguimento de uma falha caricata do guarda-redes Mateus, que falhou um alívio com os pés e deixou o avançado com a baliza escancarada para uma finalização fácil. Só nessa altura o Sp. Braga voltou a acordar para o jogo. Paulo Fonseca já tinha trocado o mais cerebral Wilson Eduardo pelo potente Stojiljkovic e, com a entrada de Aaron em vez de Mauro foi capaz de pegar no jogo nos últimos dez minutos. Rui Vitória sentiu o perigo e reforçou o meio-campo com Fejsa, mas nem assim foi poupado a dois sustos. Valeu-lhe que tanto Aaron como Stojiljkovic dispararam ao lado, carimbando assim a passagem do Benfica à final da Taça de Liga. A última de três finais que faltam ao Benfica esta época, enquanto que o Sp. Braga pode agora centrar todas as atenções na Taça de Portugal, que jogará frente ao FC Porto no Jamor.
2016-05-02
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Rui Vitória já assumiu que deverá, em princípio, poupar alguns jogadores na meia-final da Taça da Liga, que o Benfica jogará hoje na Luz contra o Sp. Braga. Olhando para a forma desgastada como os encarnados têm vindo a cumprir, sempre sem falhas, ainda assim, cada passo da caminhada que o treinador espera venha a conduzir ao tricampeonato, parece sensato que o faça. E, suceda o que suceder, tanto hoje como no próximo fim-de-semana, a história deste campeonato escrever-se-á sempre através do recurso às diferentes estratégias de poupança dos treinadores das duas melhores equipas. Teremos um campeão certificado pelo aforro. Olha-se para Benfica e Sporting e percebe-se que estão equilibrados no total de jogos feitos: hoje, ao receber o Sp. Braga, o Benfica empata com o Sporting em total de jogos feitos (49), podendo vir a superar os leões se assegurar a passagem à final da Taça da Liga. Contudo, isso não quer dizer que o Sporting esteja neste momento mais desgastado, quer porque os seus jogos internacionais – na Liga Europa – tiveram um grau de dificuldade inferior aos do adversário, quer porque Jesus optou por uma gestão diferente do seu plantel, tirando exigência em determinada altura, o que pode ter ajudado a equipa ao nível da fadiga central. Se olharmos para os números, verificamos que ambos os grupos têm seis jogadores com pelo menos 40 jogos efetuados: Jonas (44), Pizzi (44), Eliseu (43), Mitroglou (42), Jardel (41) e Jiménez (41) no Benfica; Rui Patrício (44), João Mário (44), Slimani (44), Ruiz (44), Adrien Silva (40) e Gelson (40) no Sporting. É verdade que entre os sportinguistas há um guarda-redes – e bastaria Júlio César não se ter lesionado para estar também no lote – e que, se em ambos há um jovem tantas vezes saído do banco – Gelson e Jiménez –, a pressão colocada em cima do extremo leonino tem sido sempre muito menor que a feita sobre o ponta-de-lança mexicano, tantas vezes entrado com a necessidade de desbloquear o marcador. Nestas coisas, como se sabe, não há uma verdade científica. Cada grupo, cada organismo reage de uma maneira muito própria a diferentes estímulos, mas parece evidente que as estratégias de Rui Vitória e Jorge Jesus foram radicalmente diferentes. Vitória tem trazido sempre os melhores a cada jogo, porque na Champions a isso era obrigado, e se fez alguma rotação na equipa isso deveu-se tanto às lesões (Júlio César, Luisão, Lisandro, Nelson Semedo…) como à eclosão de Renato Sanches, que tirou espaço a Samaris na equipa principal. Chega assim aos últimos três (ou quatro) jogos da época com os jogadores fundamentais em condições muito difíceis – não é estranho que Jonas, Pizzi e Mitroglou tenham caído tanto de produção nas últimas semanas –, mas na frente da classificação. Do outro lado, com o discurso centrado na Liga, com o menosprezo constante da Liga Europa, Jorge Jesus chega aos últimos dois jogos da época com a equipa em melhores condições. E também não é estranho que os quatro homens mais utilizados da época tenham sido os melhores na vitória de sábado no Dragão. Sobretudo Slimani, João Mário e Rui Patrício chegam a Maio a voar, depois de um período de quebra em Fevereiro-Março, que foi quando o Sporting perdeu a liderança, com apenas duas vitórias em sete jogos, de 8 de Fevereiro a 5 de Março. Acontece que quem ganha o campeonato não é quem faz melhor resultado na última jornada, não é quem chega às férias em melhores condições. É quem soma mais pontos nas 34 rondas da competição. E neste particular o Benfica tem vantagem, pois parte para as últimas duas jornadas com mais dois pontos. Se o campeonato durasse mais umas quatro ou cinco semanas, o Sporting pareceria a equipa em melhores condições para o ganhar, mas com a meta tão perto começa a parecer cada vez mais improvável que o Benfica escorregue antes de a ultrapassar. Claro que o debate acerca da melhor estratégia nunca chegará a conclusões mais definitivas do que o destinado a decidir qual é a melhor equipa das duas. Ninguém garante como estaria o Benfica se Vitória tem tirado exigência na Liga dos Campeões ou como estaria o Sporting se Jesus tivesse ido a jogo sempre com os melhores na Liga Europa. Por isso mesmo, daqui a duas semanas, as conclusões estarão sempre ligadas aos resultados. Se o Benfica mantiver a passada por mais duas jornadas e for campeão, teve razão Rui Vitória; se os encarnados passarem das vitórias difíceis e tangenciais a um empate ou derrota e o Sporting continuar a ganhar os seus jogos e for campeão, teve razão Jesus. Certo é apenas que ambos estão a fazer um fantástico trabalho. In Diário de Notícias, 02.05.2106
2016-05-02
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Último Passe

Um golo de Jardel, a corresponder de cabeça a um livre muito bem batido por Gaitán, mesmo no início da segunda parte, permitiu ao Benfica vencer o V. Guimarães, por 1-0, e assegurar que, graças à quarta vitória seguida pela margem mínima, continuará isolado na frente da Liga, seja qual for o resultado que o Sporting fizer frente ao FC Porto no Dragão. A equipa de Rui Vitória voltou a sentir dificuldades para somar os três pontos, porque a falta de criatividade e de intensidade raramente lhe permitiu entrar na muito povoada organização defensiva dos minhotos, mas acabou por superar mais uma barreira, a antepenúltima, a caminho do tão desejado tricampeonato. E ficou a dever os três pontos a dois lances em que André Almeida, primeiro, e Ederson, depois, tiraram o empate a Hurtado. Sérgio Conceição entrou na Luz com três defesas centrais, num 5x4x1 que soltava apenas Henrique Dourado na frente, com Hurtado num lado e Cafu no outro, mas a sua principal preocupação era a de manter bem preenchido o corredor central à frente da área, de forma a não permitir liberdade de ação a Jonas. O Benfica ressentiu-se disso e, com Pizzi claramente a perder gás, confirmando uma tendência das últimas semanas, não conseguia criar desequilíbrios. Ia rematando, mas sempre sem grande perigo, a ponto de a primeira defesa do jogo ter sido feita por Ederson, aos 34’: o guardião benfiquista opôs-se a um remate seco, feito de fora da área por Henrique Dourado. Mesmo tendo mais volume de jogo e iniciativa, em toda a primeira parte só por uma vez o Benfica criou um lance de verdadeiro perigo, quando Lindelof chegou a um livre de Gaitán e o amorteceu para um remate que, mesmo em boa posição, Mitroglou dirigiu mal, para fora. Era um anúncio do que estava para vir. Logo a abrir a segunda parte, em novo livre de Gaitán, Jardel foi mais rápido que Pedro Henrique e cabeceou para golo. O jogo entrou nessa altura numa espécie de limbo, porque Sérgio Conceição – expulso na primeira parte, por protestos – não desmontou a sua organização e, por isso, o Vitória demorou a reagir. Otávio soltou-se um pouco mais nos lances de ataque, mas foi Hurtado quem perdeu as melhores situações de golo que se viram até final. Aos 67’, beneficiando de uma perda de bola de Jardel, viu André Almeida tirar-lhe o empate sobre a linha no remate e depois na recarga, já sem guarda-redes. E aos 77’, após boa abertura de Otávio, foi batido por uma saída providencial de Ederson, muito rápido a fazer a mancha. O Vitória chamou reforços para o ataque, mas quem se viu mais depois de sair do banco até foi Jiménez, que substituiu Mitroglou e também esteve à beira do golo, sobretudo quando acertou em cheio na barra da baliza de Miguel Silva (aos 84’). Avisado, Rui Vitória tentou fechar o jogo com a entrada de Samaris para o lugar do explosivo mas defensivamente menos consistente Renato Sanches. Conseguiu assim que a partida acabasse no 1-0 que agora lhe permitirá ver descansado como o Sporting se sai da difícil visita ao Dragão. O pior que pode acontecer-lhe é entrar na penúltima jornada, nos Barreiros, com dois pontos de avanço, numa partida onde ainda poderá contar com André Almeida: o lateral estaria excluído, por ter visto o quinto amarelo da Liga, mas já em período de compensação acabou por ser expulso, o que fará com que continue “à bica” na Liga e falhe antes a partida contra o Sp. Braga na meia-final da Taça da Liga.
2016-04-29
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Jorge Jesus veio afirmar, após a vitória do Sporting frente ao U. Madeira, que os leões mereciam ser campeões nacionais, em virtude do excelente campeonato que estão a fazer. É verdade. O problema é que o Benfica está a fazer um campeonato ainda melhor e por isso mesmo tem mais dois pontos, a três jornadas do fim. A questão é que muito dificilmente uma prova de regularidade como um campeonato, jogado em 34 jornadas, deixa de sorrir a quem merece ganhá-la. E por isso mesmo as contas só se fazem no fim. Ou, como também já disse Jorge Jesus noutra ocasião: “isto não é como começa; é como acaba”. Certo é que, no fim-de-semana em que Benfica e Sporting garantiram matematicamente que vão acabar nos dois primeiros lugares da classificação, fica a certeza de que seja quem for a levar a melhor dará um excelente campeão. Neste caso, o verbo merecer não deve ser conjugado só numa pessoa, porque os méritos de ambos os candidatos são evidentes e não podem ser mascarados com erros dos árbitros ou dos adversários, que acontecem um pouco por todo o lado. Ainda neste fim-de-semana os que correram a chamar “vendido” a Gudiño, guarda-redes do U. Madeira, pela forma como sofreu o primeiro golo do Sporting, terão certamente corado de vergonha – se é que ainda têm um pingo dela – quando viram a intervenção de André Vilas Boas no lance do tento de Jiménez ao Rio Ave. Da mesma forma que os que andaram meio campeonato a acusar vários adversários de facilitarem a tarefa ao Benfica, quando este ganhava de goleada, podem agora meter a viola no saco ao ver a equipa de Rui Vitória arrancar vitórias tão difíceis e sofridas como as que obteve contra o Boavista, a Académica, o V. Setúbal ou o Rio Ave. Vitórias onde se houve algo que o Benfica mostrou acima de tudo foi espírito de luta e competitividade, atributos de que não precisaria se alguém lhe facilitasse a vida. Uma equipa que, como o Benfica, vem com 17 vitórias em 18 jornadas desde o empate contra o U. Madeira, em meados de Dezembro, tem méritos mais do que evidentes na posição que ocupa. Na altura em que, empatando no Funchal, ficou a oito pontos do líder – ainda que com um jogo a menos –, o que se disse foi que pelas debilidades que tinha mostrado até ali, o Benfica tinha perdido o direito ao erro. Que só um Super-Benfica podia voltar a discutir a Liga. Ora se a equipa entra nas três últimas jornadas na frente e como favorita, há-de ser porque se transformou de facto nesse Super-Benfica e por isso não deixará de ser um bom campeão. Por outro lado, uma equipa que, como o Sporting, liderou durante a maior parte das jornadas, só perdendo essa liderança com dois zeros atacantes seguidos em jogos – com o V. Guimarães e o Benfica – nos quais teve sempre mais volume de jogo ofensivo mas falhou na finalização também não deixará de ser um bom campeão. Até por ter conseguido manter a pressão sobre o líder, não desabando animicamente no momento em que passou a ter de olhar para cima para ver o adversário. Merecer ser campeão, merecê-lo-á quem chegar à última jornada na frente. E, além de não merecer as tentativas de menorização alheia que alguns idiotas presentes nas duas trincheiras têm vindo a ensaiar, o desafio constante que Benfica e Sporting têm feito um ao outro leva a crer que vamos ter campeonato até ao fim. A tarefa do Sporting, que não depende apenas de si próprio, é bem mais complicada, porque tem dois jogos fora – e logo contra FC Porto e Sp. Braga – mas se há algo que os benfiquistas devem ter certo é que reservar o Marquês de Pombal antecipadamente não dá bons resultados. O último campeonato perdido pelos encarnados, em 2012/13, começou nos festejos exagerados após uma dura vitória fora de casa sobre o Marítimo de Pedro Martins – atual treinador do Rio Ave – a três jornadas do fim. Seguiram-se o empate com o Estoril e o ajoelhar de Jesus no Dragão. O discurso equilibrado de Rui Vitória parece conduzir a equipa do Benfica no sentido inverso ao da euforia. Do outro lado, o discurso inflamado e mesmo assim confiante de Jorge Jesus tenciona levar a sua equipa a acreditar que o título continua a ser possível. E até nisso os dois se merecem um ao outro. In Diário de Notícias, 25.04.2016  
2016-04-25
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Último Passe

Mais um golo decisivo de Raul Jiménez, desta vez a aproveitar um erro de André Vilas Boas, deu ao Benfica uma vitória justa sobre o Rio Ave (1-0), em Vila do Conde, e o regresso à liderança da Liga, quando faltam apenas três jornadas para o fim da prova. A resposta dos encarnados ao desafio lançado na véspera pelo Sporting não foi brilhante como noutras noites deste campeonato, mas foi competente e competitiva. O Rio Ave foi retardando o golo encarnado, mas na verdade nunca deu mostras de poder fazer um seu, enquanto que, mesmo sem jogar enormidades, antes do tento de Jiménez já o Benfica tinha perdido três ou quatro situações claras para marcar. Mais uma vez com o seu onze de gala, trocando apenas Nelson Semedo por André Almeida, Rui Vitória viu um Benfica perro ofensivamente durante toda a primeira parte, na qual o Rio Ave foi capaz de montar acampamento longe da área de Cássio e dessa forma impedir as combinações entre Jonas, Pizzi e Gaitán, que geralmente desequilibram os adversários. O bloco montado por Pedro Martins, com Pedro Moreira e Wakaso à frente da defesa, mas sem recuos excessivos, garantiu o equilíbrio no jogo e impediu o Benfica de criar situações de golo a não ser em lances de bola parada. Jardel viu Paulinho desviar perto da linha um cabeceamento que se seguiu a um canto de Gaitán, logo aos 2’, e o argentino perdeu uma boa oportunidade num remate de ressaca, após um alívio da defesa vila-condense, aos 32’, chutando ao lado de uma boa posição. Mas nada mais se viu em 45 minutos que foram marcados pela competência defensiva da equipa da casa. Na segunda parte, o Benfica passou a entrar com mais frequência na organização do Rio Ave, que por isso se viu forçado a recuar o seu bloco. E as ocasiões de golo apareceram. Gaitán perdeu um golo cantado, fazendo um “passe” a Cássio (aos 54’) após ter sido deixado em posição privilegiada por Jonas. E Jonas imitou-o um minuto depois, quando conseguiu passar entre dois adversários e encarar o guarda-redes vila-condense. Quando, aos 57’ Mitroglou desviou demais um toque subtil na sequência de um canto, fazendo a bola passar a lado, Rui Vitória decidiu mudar o ataque. Trocou Pizzi por Salvio e o próprio grego por Jiménez, enquanto que Pedro Martins optava por refrescar o ataque, com Postiga e Kayembé. E se as alterações do Rio Ave não trouxeram nada de novo ao jogo, as do Benfica resultaram no golo, aos 73’: cruzamento de André Almeida, desvio infeliz de André Vilas Boas para a sua própria barra e recarga à boca da baliza de Jiménez. A ganhar tão perto do fim, o Benfica congelou o jogo. Rui Vitória chamou Samaris para ajudar a equilibrar, sacrificando Jonas, e a equipa passou a controlar pela posse, arriscando sempre o mínimo e somando três pontos sem sobressaltos até final. Os encarnados encaixaram bem o golpe dado pelo Sporting e terão na sexta-feira a hipótese de voltar a bater a bola da pressão para o outro lado do court: se ganharem ao V. Guimarães farão com que o Sporting entre no Dragão, no sábado, com cinco pontos de atraso. A Liga começa a ser para os duros.
2016-04-24
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Stats

Nico Gaitán deve fazer em Vila do Conde o 250º jogo com a camisola do Benfica. A partida frente ao Rio Ave é de extrema importância, porque os encarnados precisam de ganhar para recuperar a liderança da Liga, presentemente ocupada pelo Sporting, que já jogou nesta 31ª jornada, ganhando em casa ao U. Madeira por 2-0. E para isso é natural que precisem do melhor Gaitán, do jogador que fez as duas assistências para golo na vitória frente ao V Setúbal, por 2-1, na ronda anterior da competição. Neste momento, Gaitán já é o quarto jogador estrangeiro com mais partidas pelo Benfica. Os 249 jogos que totaliza são apenas superados pelos 473 de Luisão, pelos 333 de Maxi Pereira e plos 293 de Óscar Cardozo. O esquerdino argentino vai na sexta época ao serviço dos encarnados, tendo-se estreado a 7 de Agosto de 2010, quando substituiu Fábio Coentrão nos últimos 13 minutos de uma derrota com o FC Porto (0-2), na Supertaça. Desde então fez 249 jogos divididos por seis provas. Jogou sobretudo na Liga portuguesa, onde soma 149 jogos, com 23 golos – a deslocação a Vila do Conde assinala assim também um número redondo da história de Gaitán no nosso campeonato. Os 100 desafios restantes divide-os entre Liga dos Campeões (41 jogos, com seis golos), Liga Europa (22 jogos e três golos), Taça de Portugal (20 jogos e três golos), Taça da Liga (14 jogos e três golos) e Supertaça (três jogos sem golos). Soma portanto 249 jogos, com 38 golos apontados e muito mais assistências: o argentino é o segundo melhor assistente da presente Liga, com 13 passes para golo, a apenas dois do líder desta tabela, que é o mexicano Layún, do FC Porto. Em Vila do Conde, Gaitán quererá evitar o amargo de boca que teve quando fez o 200º jogo pelo Benfica: na altura, em Dezembro de 2014, perdeu em Braga, por 2-1, em partida da Taça de Portugal. Serve-lhe na perfeição, em contrapartida, o “score” da partida 150: foi em Dezembro de 2013 e o Benfica ganhou por 3-1 ao Rio Ave em Vila do Conde. Gaitán também ganhou no jogo 100 (2-0 ao Moreirense em Moreira de Cónegos, em Novembro de 2012) e, mesmo tendo empatado na 50ª partida pelo Benfica (1-1 no terreno do Trabzonspor, em Agosto de 2011), festejou a qualificação para o “play-off” da Liga dos Campeões.   Pedro Martins, treinador do Rio Ave, já ganhou três vezes em 15 jogos contra o Benfica, duas ao serviço do Marítimo e outra pelo Rio Ave. Conseguiu todas as vitórias em casa e todas por 2-1. A primeira foi em Dezembro de 2011, nos Barreiros, para a Taça de Portugal: Saviola adiantou o Benfica, Roberto Souza e Sami acabaram por marcar os golos que deram o apuramento ao Marítimo. Na segunda, em Agosto de 2013, Rodrigo ainda cancelou os efeitos de um golo inaugural de Derley, mas Sami voltou a fazer o golo da vitória do Marítimo. E a terceira foi em Março do ano passado, já pelo Rio Ave: Salvio marcou primeiro para os encarnados, mas depois Ukra e Del Valle deram a volta ao marcador.   Nos últimos cinco jogos de equipas de Pedro Martins contra o Benfica prevaleceu o fator casa, sendo que entre eles está intercalada a Supertaça de 2014/15, jogada em campo neutro, na qual encarnados e vila-condenses empataram a zero, acabando o Benfica por conquistar o troféu nas grandes penalidades. A última vez que não ganhou a equipa da casa foi a 29 de Abril de 2013, quando o Benfica foi ao Funchal ganhar por 2-1 ao Marítimo de Pedro Martins.   Essa última derrota de uma equipa de Pedro Martins em casa com o Benfica foi também a três jornadas do fim de um campeonato que o Benfica liderava e desencadeou festejos à chegada da equipa encarnada ao aeroporto, pois aquela era vista como a deslocação mais difícil antes da ida ao Dragão. Só que dois dos quatro pontos de avanço que o Benfica tinha nessa altura sobre o FC Porto se esfumaram na jornada seguinte, um empate em casa com o Estoril, acabando a equipa de Jesus por ser passada na liderança pelos portistas com a derrota no Dragão (1-2).   O confronto entre Pedro Martins e Rui Vitória está absolutamente equilibrado, com quatro vitórias para cada lado e quatro empates nos 12 jogos entre ambos. Nesses 12 jogos, só por uma vez se deu uma vitória da equipa visitante: foi em Janeiro de 2012, quando o Marítimo de Pedro Martins foi a Guimarães bater o Vitória, que na altura era liderado pelo atual treinador do Benfica, por 2-0. O mais perto que Rui Vitória esteve de ganhar em casa de Pedro Martins foi quando levou o seu V. Guimarães a empatar a uma bola nos Barreiros, em jogo da Taça de Portugal, em Dezembro de 2012, impondo-se depois no desempate pelas grandes penalidades.   O Rio Ave não sofre golos há 395 minutos, tendo acumulado quatro zeros consecutivos depois da derrota por 1-0 na Choupana contra o Nacional, a 13 de Março. Mais de um mês passou desde esse golo de Ricardo Gomes na baliza de Rui Vieira, que tinha entrado para o lugar de Tarantini após a expulsão de Cássio. Vieira manteve o sero na vitória sobre o Marítimo (1-0), tendo depois voltado o brasileiro para os sucessos sobre o Moreirense (1-0) e V. Guimarães (2-0) e o empate em Arouca (0-0).   Benfica marca sempre há 17 jornadas, todas desde o empate a zero frente ao U. Madeira, na Choupana. Desses 17 jogos, ganhou 16, perdendo o outro, um 1-2 em casa com o FC Porto. Desde essa altura, contando outras competições, só uma vez o ataque da equipa de Rui Vitória ficou em branco: foi na deslocação a Munique, para enfrentar o Bayern (0-1).   As últimas duas vitórias do Benfica em deslocação, porém, foram muito complicadas e arrancadas a ferros perto do final das partidas. Na 27ª jornada os encarnados ganharam ao Boavista por 1-0, com golo de Jonas aos 90+4’, e na 29ª impuseram-se à Académica por 2-1 com a decisão a chegar ao minuto 85 por intermédio de Jiménez.   O Rio Ave já retirou pontos esta época a Sporting (empate a zero em Alvalade) e FC Porto (1-1 no Dragão). Se pontuar frente ao Benfica repete um pleno que já não consegue desde 2004/05, um campeonato que acabou em oitavo lugar e no qual conseguiu empatar no Dragão com o FC Porto (1-1) e em casa com o Sporting (0-0, ganhando ainda ao Benfica em casa (1-0) e empatando na Luz (3-3).   O Rio Ave ganhou na última visita do Benfica ao Estádio dos Arcos, a 21 de Março do ano passado. Ao todo, porém, o Rio Ave ganhou apenas quatro de 51 jogos com o Benfica, mas foram todos em casa e todos na Liga. A última vitória do Benfica em Vila do Conde aconteceu em Dezembro de 2013, por 3-1, quando um bis de Lima e um golo de Rodrigo chegaram para anular um tento de Ukra, na altura a restabelecer a igualdade.   Foram também esses o resultado e a marcha do marcador na última vez que as duas equipas se encontraram, em Dezembro, no Estádio da Luz: Jonas marcou primeiro para os encarnados, Bressan empatou e, depois, mais um golo de Jonas e um terceiro de Jiménez deram o 3-1 final ao Benfica.
2016-04-24
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O Benfica entra em campo para defrontar o V. Setúbal e, se quer manter a liderança da Liga, precisa de ganhar. Se o fizer, iguala a sua melhor série de jornadas seguidas com vitórias esta temporada: oito, conseguidas entre o empate frente ao U. Madeira, a 15 de Dezembro, e a derrota contra o FC Porto, a 12 de Fevereiro. E se prolongar a série vitoriosa até final da competição não só garante o tricampeonato como supera as melhores sequências dos seis anos de Jorge Jesus, que foram de onze jornadas consecutivas sempre a ganhar. De resto, desde 2004/05, o ano do título nacional com Trapattoni, que o Benfica não é campeão nacional sem uma série de pelo menos nove vitórias consecutivas . A última partida de campeonato que o Benfica não ganhou foi a correspondente à 22ª jornada, a tal derrota caseira com o FC Porto (1-2). Depois disso, venceu sempre: 3-1 em Paços de Ferreira, 2-0 ao U. Madeira, 1-0 ao Sporting em Alvalade, 4-1 ao Tondela, 1-0 ao Boavista no Bessa, 5-1 ao Sp. Braga e 2-1 à Académica em Coimbra. Ao todo, sete vitórias consecutivas, a uma da melhor série de jornadas sempre a ganhar estabelecida pela equipa de Rui Vitória. Após o empate frente ao U. Madeira na Choupana, a 15 de Dezembro, o Benfica ganhou oito jogos de campeonato consecutivos até à derrota caseira com o FC Porto: 3-1 ao Rio Ave, 1-0 em Guimarães, 6-0 ao Marítimo, 4-1 ao Nacional na Choupana, 2-1 no Estoril, 3-1 em Arouca, 4-1 no terreno do Moreirense e 5-0 ao Belenenses, no Restelo. Na situação em que está o campeonato, com os dois primeiros separados por apenas dois pontos e sem a garantia do direito ao erro, o melhor que a equipa do Benfica tem a fazer é pensar em ganhar não só ao V. Setúbal mas depois também os outros quatro jogos até final (as visitas a Rio Ave e Marítimo e as receções a V. Guimarães e Nacional). Se o fizer, supera as duas melhores marcas das equipas de Jorge Jesus, que nunca passaram das 11 vitórias seguidas: em 2010/11, o Benfica ganhou onze jogos seguidos entre uma derrota no Porto (0-5 com o FC Porto, a 7 de Novembro) e outra em Braga (1-2 com o Sp. Braga, a 6 de Março de 2011) e mesmo assim não foi campeão; em 2013/14, repetiu a proeza, ganhando onze jogos seguidos entre um empate com o Gil Vicente em Barcelos (1-1, a 1 de Fevereiro de 2014) e outro empate com o V. Setúbal em casa (1-1, a 4 de Maio), com a nuance de por alturas do segundo empate já ter assegurado matematicamente a conquista do título nacional. Aliás, para ser campeão, Jesus teve sempre de somar pelo menos nove jornadas seguidas a ganhar. Fê-lo em 2009/10 e em 2014/15, tendo em 2013/14 chegado às tais onze vitórias consecutivas.   O V. Setúbal não ganha há dez jogos, tendo apenas uma vitória em toda a segunda volta, que foi o 2-1 à Académica, em casa, a 22 de Janeiro. Depois disso, quatro empates e seis derrotas, com golos sofridos em todos os jogos. Aliás, a última baliza virgem da equipa sadina já data de 5 de Dezembro do ano passado, quando venceu o Belenenses no Restelo por 3-0. Contra o Benfica, uma semana depois, o Vitória iniciou a corrente série de 18 jogos sempre a sofrer golos.   A última vez que o Vitória esteve 18 jogos seguidos sempre a sofrer golos foi em 2010/11, altura em que após uma vitória por 1-0 frente ao Paços de Ferreira (de Rui Vitória), a 27 de Setembro de 2010, viu os adversários marcarem todos pelo menos uma vez até um empate a zero no terreno do Beira Mar, a 14 de Fevereiro de 2011. O 18º jogo dessa série foi em Setúbal, contra o Benfica, que na altura se impôs com golos de Gaitán e Jara.   O pior resultado que Rui Vitória, treinador do Benfica, tem nos três jogos que fez contra Quim Machado, técnico do V. Setúbal, é um empate a zero. Só o recebeu uma vez, em Guimarães, tendo o seu Vitória ganho ao Feirense de Machado por 1-0, com um golo do brasileiro Toscano. Antes disso, tinha-o visitado na Feira, mas ainda ao serviço do Paços de Ferreira: empatou sem golos, no jogo que marcou a despedida de Vitória da Mata Real, antes de assumir o comando da equipa de Guimarães. Já esta época, em Setúbal, o Benfica de Rui Vitória ganhou por 4-2 ao V. Setúbal de Quim Machado.   Em contrapartida, nunca Rui Vitória ganhou duas partidas seguidas ao V. Setúbal. Desde que chegou à I Divisão, para liderar o Paços de Ferreira, em 2010, o atual treinador do Benfica defrontou por 14 vezes os sadinos, com seis sucessos, um empate e sete derrotas. A única época em que ganhou por duas vezes ao V. Setúbal foi 2012/13, quando o seu V. Guimarães venceu as duas partidas da Liga (2-1 em casa e 3-2 fora), mas pelo meio registou um empate no Bonfim, para a Taça de Portugal (2-2). Aí, valeu-lhe o desempate por grandes penalidades para chegar à final, onde os vimaranenses ganharam… ao Benfica.   Quim Machado, treinador do V. Setúbal, perdeu os três jogos que fez contra o Benfica, dois dos quais ao serviço do Feirense. Contudo, a sua equipa marcou sempre golos. Na Luz, em Agosto de 2011, o seu Feirense esteve empatado até ao último quarto-de-hora (golos de Nolito e Rabiola), quando Cardozo e Bruno César marcaram para fazer o 3-1 final. Na Feira, em Janeiro de 2012, até esteve a ganhar (golo de Varela), mas viu depois o Benfica virar para 1-2, com um autogolo do mesmo Varela e um penalti de Cardozo. O jogo mais desequilibrado foi o desta época, em Setúbal, no qual o Benfica chegou cedo aos 3-0 (golos de Pizzi, Jonas e Mitroglou), tendo depois o Vitória amenizado para o 2-4 final (marcaram Vasco Costa, Suk, tendo o guardião sadino Ricardo feito um autogolo).   Raul Jiménez marcou nos últimos dois jogos do Benfica: fez o golo da vitória contra a Académica em Coimbra (2-1) e obteve o primeiro no empate com o Bayern na Luz (2-2). Foi a segunda vez esta época que o mexicano marcou golos em dois jogos consecutivos, depois de ter marcado ao Rio Ave e ao Nacional (na Taça da Liga) em Dezembro. Para lhe encontrar uma série de três jogos seguidos sempre a marcar é preciso recuar a Setembro de 2013, quando ainda representava o America.   Kostas Mitroglou, por sua vez, marcou nas duas últimas jornadas do campeonato. Pertenceu-lhe sempre o primeiro golo do Benfica nas vitórias frente ao Sp. Braga (5-1) e à Académica (2-1). O grego está ainda longe do seu melhor desta época, que foram as sete jornadas seguidas sempre a marcar, a Nacional, Estoril, Arouca, Moreirense, Belenenses, FC Porto e Paços de Ferreira.   O V. Setúbal não ganha ao Benfica desde 31 de Outubro de 2007, quando se impôs no Bonfim em partida da Taça da Liga, por 2-1, e de virada, com golos de Matheus e Edinho, depois de Freddy Adu ter aberto o ativo de penalti para os encarnados. Desde essa data, em 18 jogos, o melhor que os sadinos conseguiram forma quatro empates, dois deles na Luz: 2-2 em Dezembro de 2008 e 1-1 em Maio de 2014. De resto, 14 vitórias do Benfica, algumas delas com score bem largo, como os 8-1 de Agosto de 2009.   As duas últimas visitas do V. Setúbal à Luz acabaram com o mesmo resultado: 3-0. E foram separadas por apenas quatro dias. Talisca, Pizzi (ambos de penalti) marcaram a 11 de Fevereiro de 2015, em jogo da Taça da Liga; Jardel e Lima (este bisou) imitaram-nos a 15 de Fevereiro, em jogo a valer para o campeonato.   Talisca é o melhor marcador do atual plantel do Benfica em jogos com o V. Setúbal: fez quatro golos. Além do que marcou nos 3-0 para a Taça da Liga, em Fevereiro de 2015, assinou um hat-trick nos 5-0 com que o Benfica se impôs no Bonfim em Setembro de 2014. Em contrapartida, do atual plantel do V. Setúbal, só Vasco Costa marcou aos encarnados com a camisola listada: fê-lo na derrota por 4-2 da primeira volta, na qual o outro golo sadino foi apontado por Suk, entretanto transferido para o FC Porto.
2016-04-18
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Último Passe

O Benfica vendeu cara a eliminação da Liga dos Campeões, forçando o Bayern Munique a um empate na Luz (2-2) que se justificou plenamente, face ao que as duas equipas fizeram em campo, e chegando a lançar a dúvida sobre o destino da eliminatória, ao adiantar-se no marcador antes da meia-hora, com um cabeceamento de Jiménez. O Bayern tem outros argumentos, tanto ao nível das individualidades como no plano tático, chegou rapidamente ao empate e até à vantagem, mas Pep Guardiola chegou a irritar-se com os seus jogadores no banco pela forma como estes permitiram que os encarnados colocassem a passagem às meias-finais em dúvida. Rui Vitória já sabia que não ia ter Jonas, que estava castigado, devido ao amarelo que viu em Munique. No dia do jogo ficou a saber também que não poderia contar com Mitroglou e Gaitán, as suas duas outras principais armas ofensivas, que se ressentiram de lesões contraídas em Coimbra, no sábado. Armou a equipa em 4x2x3x1, com Jiménez na frente, apoiado por um Pizzi que não está a viver uma fase particularmente fulgurante, e com Salvio e Carcela nas alas. Provavelmente sabendo que o Benfica ia apresentar três médios, Guardiola abdicou de um dos pontas-de-lança (no caso Lewandowski), fazendo jogar Müller sozinho em cunha, com Douglas de um lado e Ribery do outro, igualando a batalha a meio-campo com a junção de Xabi Alonso a Tiago Alcântara e Vidal. E apesar de um início forte do Benfica, aos 5’ o Bayern congelou o jogo com o seu futebol de posse e variação constante de flancos. Lahm, pela forma como aparecia sempre a aproveitar as manobras de diversão de Douglas Costa, era o principal causador de perigo para Ederson, como se viu no modo como descobriu Lahm (19’) para um volei que este fez passar rente ao poste, ou como esteve na base do lance em que Tiago Alcântara solicitou o cabeceamento de Vidal, para defesa de Ederson (22’). Só que aí o Benfica marcou. A pressão do Bayern a meio-campo falhou, a equipa portuguesa fez a bola chegar a Eliseu, que tinha espaço para correr na esquerda. Rui Vitória percebeu o que aí vinha e correu a incentivar Eliseu, que galgou campo e cruzou para Jiménez, que ganhou o sprint aos dois centrais do Bayern e aproveitou a saída sem sentido de Neuer para cabecear para o 1-0. Eliminatória igualada aos 27’, portanto. O jogo convidava à contemporização, mas três minutos depois Salvio ganhou uma bola na direita e cruzou rasteiro para uma falha de Alonso no corte e um remate fraco de Jiménez, que teve tempo e espaço para fazer mais do que entregar a bola a Neuer. Ora se o Benfica não marcou foi o Bayern que o fez, logo aos 38’, num belo lance de envolvimento na direita que terminou com cruzamento de Lahm. Ederson ainda afastou, mas aí os médios do Benfica foram batidos pela sua própria sofreguidão: acorreram à área, onde o Bayern não tinha assim tanta gente, e deixaram a meia-lua à mercê de Vidal, que fez o golo de primeira. Com 1-1, a eliminatória não ficava sentenciada -o Benfica voltava a precisar de dois golos. Mas o que a equipa sentiu foi que a montanha à sua frente tinha ficado repentinamente inultrapassável, de tão íngreme, tendo perdido concentração e permitido mais espaço às trocas de bola do Bayern. O problema, de resto, não se resolveu após o intervalo, pois foi outra vez o Bayern quem entrou melhor. E aproveitando uma desconcentração global na zona defensiva do Benfica após um canto da esquerda, o Bayern fez o 2-1, aos 52’, por Müller, o único a acorrer a uma primeira bola ganha por Javi Martínez nos ares. Foi o pior período do Benfica no jogo. Ederson teve de se esforçar para impedir o 1-3 logo aos 55’, num contra-ataque, e viu depois Douglas Costa chutar ao poste, aos 60’. Rui Vitória trocou então Pizzi por Gonçalo Guedes, procurando ganhar velocidade no corredor central, e o jovem extremo foi providencial na forma como o Benfica regressou ao jogo: travado em falta por Javi Martínez, após uma arrancada da direita para o meio, deu a Talisca – que entretanto substituíra Salvio – a possibilidade de, num livre magistral, estabelecer o empate. O golo acordou o público e a equipa do Benfica, mas só faltavam 14 minutos para o final da partida. Rui Vitória, expulso do banco por protestos, viu da bancada como o Benfica, já em 4x2x4, com Jovic a juntar-se ao ataque e Carcela a fazer de defesa-esquerdo improvisado, tentou impor ao Bayern uma derrota que talvez os alemães não merecessem. Valeu a tentativa, prova de caráter de uma equipa que fez das tripas coração para estar entre as maiores da Europa e não sai envergonhada da tentativa. Com a certeza de que para o ano haverá mais.
2016-04-13
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O 1-0, na primeira mão de uma eliminatória europeia, é o resultado mais ambíguo que pode haver, pois mantém as duas equipas à mesma distância do apuramento. É o resultado que, por excelência, leva à menção do 50/50. Basta ver que nas oito vezes em que perdeu a primeira mão de uma eliminatória por 1-0 no terreno do adversário, o Benfica se apurou em quatro. E nas cinco em que saiu do seu estádio com esta vantagem, o Bayern seguiu em frente por três vezes. Sempre números muito próximos do 50/50. A última vez que o Benfica entrou na Luz a precisar de recuperar de uma desvantagem de 1-0 nas competições europeias saiu-se bem. Foi em 2013, na meia-final da Liga Europa, e os encarnados tinham perdido por 1-0 com o Fenerbahçe em Istambul. Igualaram a eliminatória bem cedo, com um golo de Gaitán, os turcos fizeram o golo fora que costuma ser fatal, por Huyt, ainda na primeira parte, mas depois o Benfica chegou aos 3-1, graças a um bis de Cardozo. Antes desta proeza, porém, o Benfica já não revertia um 1-0 no terreno do adversário desde 1980, tendo sido eliminado quatro vezes consecutivas. Em 1997/98, depois de perder por 1-0 no terreno do Bastia, não foi além de um empate a zero na Luz; em 1990/91, contra a Roma, perdeu ambas as partidas pelo mesmo score (sempre 1-0, primeiro em Itália e depois em Lisboa); em 1985/86 ainda ganhou a segunda mão, ao Dukla Praga, mas por 2-1, o que permitiu o apuramento dos checoslovacos; e em 1982/83 perdeu assim a final da Taça UEFA: derrota por 1-0 com o Anderlecht em Bruxelas, empate a uma bola (golo português de Shéu) na Luz. Tirando o sucesso contra o Fenerbahçe, todas as situações em que o Benfica reverteu o 1-0 no terreno do adversário aconteceram em tempos antigos. Sucedeu pela primeira vez em Março de 1972, quando um hat-trick de Nené e um bis de Jordão resultaram num 5-1 ao Feyenoord, que se tinha imposto aos encarnados por 1-0 na primeira mão, em Roterdão. Depois disso, em Setembro do mesmo ano, Eusébio (duas vezes), Jordão e Simões marcaram num 4-1 aos suecos do Malmö, que tinham ganho a primeira mão por 1-0. E não aprenderam: em Outubro de 1980, o mesmo Malmö ganhou ao Benfica por 1-0 na Suécia, perdendo depois a segunda mão na Luz por 2-0, com um bis de Nené. Menos frequente é, na sua história, o Bayern sair da primeira mão de uma eliminatória com um 1-0 a seu favor. Mesmo assim, já sucedeu em cinco ocasiões, uma delas contra opositor português. Foi em Setembro de 2007 que um golo do italiano Toni permitiu aos bávaros ganhar a primeira mão de uma eliminatória europeia ao Belenenses, que assim entrou na segunda mão, no Restelo, com esperanças de apuramento. Só que nessa altura Toni e Altintop marcaram em nova vitória do Bayern, desta vez por mais amplos 2-0. Depois disso, o Bayern já fez valer o 1-0 caseiro da primeira mão mais uma vez: em Abril de 2010, na meia-final da Champions, começou por ganhar por 1-0 ao Lyon em casa (golo de Robben), para depois ir vencer a França por 3-0 (hat-trick de Olic). A primeira vez que o Bayern se viu metido numa situação destas também se saiu bem (1-0 e 1-1 com o Glasgow Rangers, em 1970/71). Mas depois disso foi mesmo eliminado por duas vezes. Em Março de 1977 valeu-se de um golo de Künkel para ganhar por 1-0 ao Dynamo Kiev, nos quartos-de-final da Taça dos Campeões (jogo apitado por António Garrido), mas depois perdeu por 2-0 na então URSS, com dois golos nos últimos dez minutos (Burjak e Slobodyan). Por fim, em Novembro e Dezembro de 1983, contra o Tottenham, também se deu mal: ganhou por 1-0 no Estádio Olímpico, graças a um golo tardio de Michael Rümmenigge, mas depois foi batido por 2-0 em Londres, com Archibald e Falco a qualificarem a equipa de Keith Burkinshaw para os quartos-de-final da Taça UEFA.   O Benfica ganhou os últimos quatro jogos em casa, todos desde a derrota contra o FC Porto (1-2), a 12 de Fevereiro. A equipa encarnada já foi batida três vezes na Luz esta época, por Sporting (3-0 a 25 de Outubro), Atlético Madrid (2-1, a 8 de Novembro) e pelos dragões. O jogo com os leões foi o único em que não marcou golos em casa esta época.   Jonas, que não vai jogar contra o Bayern, por estar suspenso, marcou nos últimos quatro jogos do Benfica em casa: fez o golo da vitória contra o Zenit (1-0), bisou nos 2-0 ao U. Madeira, voltou a bisar nos 4-1 ao Tondela, e fez de penalti um dos golos nos 5-1 ao Sp. Braga. Além de Jonas, o jogador com mais jogos seguidos a marcar na Luz é Mitroglou, que deixou o nome ligado às duas últimas vitórias, com um golo ao U. Madeira e dois ao Sp. Braga.   Jonas só falhou três dos 44 jogos que o Benfica já fez esta época, nenhum deles das provas mais importantes (Liga portuguesa ou Champions). Esteve de fora, por opção, na vitória por 2-1 frente ao Vianense, em meados de Outubro, para a Taça de Portugal, e voltou depois a ser poupado nos sucessos por 1-0 contra o Oriental e por 6-1 contra o Moreirense, ambos em Janeiro, para a Taça da Liga.   O Benfica ganhou três dos quatro jogos europeus feitos no seu estádio esta época: 2-0 ao Astana, 2-1 ao Galatasaray e 1-0 ao Zenit. Em contrapartida, o Bayern só perdeu um dos quatro desafios europeus que fez fora de casa esta época: 2-0 com o Arsenal. Dos outros, empatou um (2-2 com a Juventus) e ganhou dois (2-0 ao Dynamo Zagreb e 3-0 ao Olympiakos).   O Bayern entra na Luz com uma série de seis vitórias seguidas, correspondentes a todos os jogos desde o empate a zero no terreno do Borussia Dortmund, a 5 de Março, para a Bundesliga. É a melhor série de vitórias da equipa de Pep Guardiola desde o início de época, quando arrancou com 12 sucessos consecutivos, travados na derrota por 2-0 em Londres, frente ao Arsenal, a 20 de Outubro.   O Benfica procura atingir a primeira meia-final da Liga dos Campeões desde 1990, época em que ultrapassou o Dnipro para defrontar o Ol. Marseille, antes da final contra o Milan. Por sua vez, o Bayern vai tentar atingir a quinta meia-final consecutiva nesta competição. Se o fizerem, os bávaros não atingirão um recorde, mas entram no lote restrito de clubes que já o conseguiram, que para já está limitado a Barcelona e Real Madrid.   O Benfica nunca ganhou um jogo ao Bayern Munique, tendo obtido apenas dois empates em sete partidas, ambos na Luz: 0-0 em Março de 1976 e em Outubro de 1981. Empatou, curiosamente, em dois dos três jogos em que não fez golos – o terceiro foi a recente derrota por 1-0, em Munique. Na Luz, o Benfica só marcou um golo ao Bayern: foi em Dezembro de 1995, numa derrota por 3-1 que se seguiu a um desaire por 4-1 em Munique.   Nos jogos em casa contra equipas alemãs, o Benfica só perdeu duas vezes em 20, tendo ganho dez. Na Luz, só ganharam o Bayern, nesses 3-1 de 1995, e o Schalke, por 2-1, em 2010. Ali já foram batidos o Leverkusen (2-1, em 2013), o Stuttgart (2-1, em 2011), o Hertha (4-0, em 2010), o Nurnberg (1-0, em 2008, e 6-0, em 1962), o Kaiserslautern (2-1, em 1998), o Carl Zeiss (1-0, em 1981), o Fortuna Dusseldorf (1-0, em 1981), o Vorwaerts Berlin (2-0, em 1970) e o Borussia Dortmund (2-1, em 1963).   Por sua vez, o Bayern só perdeu uma vez em 12 visitas a Portugal: foi no ano passado, no jogo dos quartos-de-final da Liga dos Campeões contra o FC Porto, por 3-1. Soma de resto seis empates (dois com o Benfica, um com o FC Porto, um com o Boavista, um com o V. Setúbal e um com o Sp. Braga) e cinco vitórias (uma com o Benfica, duas com o Sporting, uma com o Belenenses e uma com o FC Porto).
2016-04-12
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Último Passe

O Benfica voltou a sentir dificuldades para somar os três pontos numa partida de campeonato no terreno de um dos últimos classificados, ganhando desta vez à Académica, por 2-1, graças a um golo de Jiménez, a cinco minutos do fim da partida. A vitória foi justa, porque foi o Benfica quem esteve sempre por cima no jogo, mas podia ter sido posta em causa pela entrada displicente dos jogadores encarnados, que passaram a primeira meia-hora com a cabeça no jogo da próxima quarta-feira, com o Bayern, e à espera que este, de Coimbra, se resolvesse por si mesmo. A questão não pareceu tanto de fadiga como de foco. Rui Vitória entrou em campo com dez dos onze homens que perderam em Munique na terça-feira – trocou apenas Fejsa por Samaris – mas a forma como o Benfica reagiu ao golo que sofreu à saída do primeiro quarto-de-hora parece indicar que a equipa tinha energia de reserva. A Académica, que Filipe Gouveia escalonou em 30/40 metros à saída da sua própria área, reduzindo o espaço entre linhas e apostando em três defesas-centrais, para ter sempre dois homens sobre Jonas e Mitroglou e alguém à sobra, aproveitava a lentidão do Benfica para conseguir sair com alguma regularidade e impedir o sufoco que a sua colocação em campo poderia deixar adivinhar. E chegou mesmo ao golo, após um corte disparatado de Eliseu, na sequência do qual Pedro Nuno aproveitou a reação tardia de Samaris e Renato Sanches para ganhar o espaço entre linhas e rematar colocado. A perder à saída do primeiro quarto-de-hora, o Benfica reagiu. Pareceu ligar os motores e, como é natural perante uma equipa que defendia tão atrás como a Académica, acabou por aproveitar um dos erros que os da casa cometeram até ao intervalo. João Real, o central solto de Gouveia, tirou duas oportunidades quase seguidas a Gaitán (aos 32’) e Pizzi (aos 37’), mas este redimiu-se aos 39’, com um grande cruzamento, que Mitroglou aproveitou para empatar, de cabeça, nas costas de Iago, que falhou a interceção. Até ao intervalo, Pizzi ainda falhou um golo impossível de falhar, depois de já ter tirado o guarda-redes do caminho e tudo, chutando contra Nuno Piloto, pelo que foi com alguma surpresa que a segunda parte revelou uma Académica outra veze mais certa nas marcações e um Benfica pouco imaginativo. No segundo tempo, apesar de uma superioridade esmagadora em posse de bola e ocupação de terreno, o Benfica quase só se mostrou perigoso em bolas paradas. Pedro Trigueira fez um punhado de boas defesas, primeiro num livre de Gaitán, depois num corte de Ricardo Nascimento que quase dava autogolo, e por fim em dois cabeceamentos de Jonas (após um lançamento lateral) e Jardel (na sequência de um canto). Rui Vitória foi arriscando e meteu mais gente na frente. Depois de trocar Pizzi por Carcela, chamou Talisca para o lugar de Samaris (para ganhar meia-distância) e Raul Jiménez para a vaga de Eliseu, passando a ter três homens na área. E a entrada do mexicano foi decisiva: a 5’ do fim, Jiménez usou as pernas compridas para dominar um cruzamento de André Almeida que parecia ir fugir-lhe e disparou sem hipótese para o guarda-redes da Académica. Depois do 1-0 contra o Boavista, no Bessa, fruto de um golo de Jonas já em tempo de compensação, o Benfica ultrapassava mais uma barreira bem perto do fim de uma partida, aproximando-se do tri-campeonato. Faltam mais cinco.
2016-04-09
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O Benfica visita a Académica, em partida fundamental para as suas aspirações à conquista do tri-campeonato que será a primeira disputada pela equipa de Rui Vitória numa semana que terá dois jogos europeus a abrir e a fechar. Os encarnados perderam na terça-feira com o Bayern, em Munique, por 1-0, e voltam a defrontar o colosso bávaro na Luz na próxima quarta-feira. Os quatro dias entre cada jogo chegam para a recuperação, como parece indicar a resposta que a equipa do Benfica deu em 2013/14, na última vez que se viu metida nestas coisas. Ainda que haja fatores a diferenciar as experiências, como o resultado da primeira mão europeia ou a vontade do treinador proceder ou não a alguma rotação de jogadores. Durante essa época, na qual venceu os três troféus nacionais, falhando a vitória na Liga Europa na final contra o Sevilha (derrota nos penaltis depois do 0-0 em 120 minutos), o Benfica fez quatro jogos entalados entre partidas europeias, ganhando três e empatando outro – mas um que podia empatar. Em Fevereiro, quatro dias depois de ganhar em Salónica ao PAOK por 1-0 e três dias antes de bater os gregos em casa por 3-0, o Benfica bateu o V. Guimarães na Luz por 1-0, em partida da Liga. Mais tarde, em Março, quatro dias depois da vitória em Londres contra o Tottenham (3-1) e três dias antes do empate com os ingleses na Luz (2-2), a equipa de Jesus ganhou fora ao Nacional, por 4-2. Em Abril, quatro dias depois de ganhar em Alkmaar por 1-0 e três dias antes de bater os holandeses na Luz, por 2-0, o Benfica ganhou em casa ao Rio Ave por 4-0. Por fim, em Maio, três dias depois de vencer a Juventus na Luz (2-1) e quatro dias antes de ir empatar a Turim (0-0), a equipa encarnada empatou a zero com o FC Porto no Dragão, apurando-se para a final da Taça da Liga. Há um fator a diferenciar estas quatro situações, que é o facto de o Benfica ter entrado no jogo nacional motivado pela vitória na primeira mão daquelas partidas europeias, enquanto que desta vez entra a perder. E depois há outro, mais discutível, que tem a ver com a rotação de jogadores. Entre a vitória em Salónica e o sucesso em Guimarães, Jesus mudou cinco jogadores no onze. Depois, entre Londres e a Choupana mudou quatro. Mais à frente, entre Alkmaar e a receção ao Rio Ave mudou seis. E, por fim, entre o jogo em casa com a Juventus e a visita ao Dragão já fez sete trocas no onze inicial. Rui Vitória tem sido apologista de manter a equipa na máxima força em todas as partidas e, até ver, não se tem dado mal. Resta perceber o que fará em Coimbra.   Jonas marcou nas últimas duas vezes que o Benfica defrontou a Académica: fez o segundo golo, logo aos 11 minutos, nos 5-1 na Luz, a 11 de Abril do ano passado, e marcou mais dois, ambos de penalti, dos 3-0 de 4 de Dezembro último. Falta-lhe marcar em Coimbra.   Por sua vez, Renato Sanches reencontra o adversário ao qual fez o seu primeiro golo pela equipa principal do Benfica. Foi um golão, num remate de fora da área, a valer o 3-0 no jogo da primeira volta, na Luz.   Rui Vitória e Filipe Gouveia só se defrontaram uma vez como treinadores. Foi na partida da primeira volta, ganha pelo Benfica de Vitória à Académica de Gouveia, por 3-0. A chapa três, aliás, tem sido uma contante nos jogos de Filipe Gouveia contra os grandes: perdeu por 3-0 com o Benfica na Luz, em Dezembro; por 3-1 com o FC Porto no Dragão, no mesmo mês; e por 3-2 com o Sporting em Alvalade, em Janeiro.   Além disso, Rui Vitória não perde com a Académica desde Maio de 2012: 1-2, em Guimarães. Desde então alinhou seis vitórias e um empate contra os “estudantes”, as três últimas confortáveis: 4-2 em Coimbra e 4-0 em Guimarães, com o Vitória, na época passada, e ainda 3-0 na Luz, já com o Benfica, esta época.   A Académica perdeu dois dos três últimos jogos em casa, no que foram as duas primeiras derrotas no seu estádio desde que é liderada por Filipe Gouveia. Ali ganharam o Rio Ave (2-0 a 20 de Fevereiro) e o Estoril (3-0 a 20 de Março). Em onze jogos que fez em casa com este treinador, a equipa de Coimbra só manteve a própria baliza a zeros por duas vezes. Foi contra o Marítimo, na estreia (1-0 a 3 de Outubro) e contra o V. Guimarães (2-0 a 6 de Março).   O Benfica vem de uma derrota contra o Bayern, por 1-0, em Munique, resultado que ultimamente tem sido pouco habitual na equipa. Foi a segunda derrota da equipa de Rui Vitória em 2016, depois da encaixada frente ao FC Porto, na Luz, em Fevereiro (1-2), mas a nona na temporada, que teve um início particularmente difícil. A reação encarnada às derrotas tem sido, no entanto, boa. As últimas duas tiveram como resposta uma vitória no jogo seguinte: 4-2 ao Vitória em Setúbal depois do 1-2 em casa com o Atlético Madrid, em Dezembro, e 1-0 na Luz ao Zenit depois do 1-2 com o FC Porto, em Fevereiro. A última vez que o Benfica não ganhou o jogo a seguir a uma derrota foi em Novembro, quando foi empatar (2-2) em Astana depois de ter sido eliminado da Taça de Portugal pelo Sporting (2-1 em Alvalade).   O jogo com o Bayern interrompeu ainda uma série de 20 jogos seguidos do Benfica sempre a fazer golos. A última vez que os encarnados tinham ficado em branco tinha sido a 15 de Dezembro, quando empataram na Choupana com o U. Madeira (0-0). Desde Abril e Maio de 2014 que o Benfica não passa dois jogos seguidos sem marcar. Nessa altura, porém, os benfiquistas não se queixaram dos resultados, pois a equipa empatou a zero com o FC Porto no Dragão, garantindo nos penaltis a passagem à final da Taça da Liga, e voltou a empatar a zero com a Juventus em Turim, apurando-se para a final da Liga Europa.   O Benfica ganhou os últimos oito jogos frente à Académica, que nessas oito partidas fez apenas um golo: marcou-o Rafael Lopes na derrota por 5-1, na Luz, a 11 de Abril do ano passado. A última vez que a Académica roubou pontos ao Benfica foi a 23 de Setembro de 2012, quando obteve um empate a duas bolas em Coimbra, com dois golos de penalti, marcados por Cissé e Wilson Eduardo. Pelo Benfica marcaram Cardozo (também de penalti) e Lima.   As últimas três vitórias da Académica sobre o Benfica foram todas na Luz: 3-0 a 11 de Abril de 2008 (golos de Miguel Pedro, Berger e Luís Aguiar); 1-0 a 11 de Abril de 2009 (marcou Tiero) e 2-1 a 15 de Agosto de 2010 (Miguel Fidalgo e Laionel marcaram pela Académica, tendo Jara feito o tento do Benfica). Em Coimbra os estudantes não ganham desde 9 de Dezembro de 1973, quando golos de Vítor Campos e Gervásio valeram à equipa de Fernando Vaz um 2-0 sobre o onze comandado por Fernando Cabrita depois do abandono de Jimmy Hagan.   Há 29 anos que o Benfica não é campeão perdendo pontos com a Académica. A última vez que tal sucedeu foi em 1986/87, quando empatou a zero em Coimbra a cinco jornadas do fim (0-0), vendo o FC Porto reduzir a desvantagem para o topo para quatro pontos. No final, o Benfica acabou a Liga com dois pontos de avanço dos portistas. Desde essa altura, sempre que perdeu pontos com a Académica, o Benfica ficou aquém do objetivo: empatou 1-1 em casa e foi segundo em 1987/88, 1997/98 e 2002/03; empatou 0-0 em Coimbra e foi terceiro em 2005/06; perdeu por 3-0 na Luz e foi quarto em 2007/08; perdeu por 1-0 na Luz e foi terceiro em 2008/09; perdeu por 2-1 na Luz e foi segundo em 2010/11; e por fim voltou a ser segundo em 2011/12 e 2012/13 na sequência dos empates em Coimbra.
2016-04-08
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Último Passe

O Benfica sobreviveu ao teste de Munique e fê-lo com personalidade e um futebol adulto que Pep Guardiola até se deu ao luxo de anunciar mas que talvez não esperasse ver tão bem interpretado em campo. É certo que a equipa portuguesa perdeu, que não fez o golo fora que tanto jeito lhe daria – e até teve oportunidades claras para o fazer –, mas conseguiu mesmo assim levar a discussão da eliminatória com o Bayern para o seu estádio, graças a uma derrota pela margem mínima (1-0). O golo de Vidal, logo aos 2’ de jogo, fez temer um descalabro, mas a pouco e pouco Rui Vitória foi juntando as peças e com isso anulando uma das máquinas atacantes mais poderosas desta Liga dos Campeões. Os encarnados tiveram um início difícil, pois Ribery e Douglas Costa, sempre muito abertos nas duas alas, causavam problemas constantes à organização defensiva benfiquista, viciada nas derivações de Pizzi e Gaitán para o espaço interior. Sempre que o Bayern virava o flanco, André Almeida e Eliseu eram apanhados em situação de inferioridade, porque aos extremos o Bayern juntava laterais sempre prontos a ajudar no ataque e médios sem medo de entrar na área. O golo nasce desse “excesso de gente” do Bayern na frente: Ribery veio para dentro, descobriu Lewandowski, que descaiu na esquerda para solicitar o cruzamento de Bernat, entretanto deixado sozinho. E quando o espanhol cruzou, havia na mesma quatro homens do Bayern em zona de finalização. Marcou Vidal, em antecipação a Eliseu. Era o pior começo possível, porque a equipa tremeu. Naturalmente. E nessa altura foi Ederson quem a segurou no jogo, com um punhado de boas intervenções a impedir um 2-0 do qual já seria muito difícil recuperar. Destacou-se o jovem guardião brasileiro em oposição a Lewandowski (16’) e a Müller (20’), mas a partir de dada altura o Benfica corrigiu. Pizzi deixou de se preocupar tanto com o corredor central, obrigando a que Renato Sanches fosse mais posicional – e com isso também menos vistoso, porque o seu futebol atacante ganha com a explosão aquilo que perde se tiver de jogar de pé para pé – e o Benfica começou a ganhar as segundas bolas que vinham de Mitroglou, partindo delas para chegar também à área de Neuer. E a verdade é que, mesmo tendo o Bayern sempre mais bola, o jogo não voltou a estar tão desequilibrado como naqueles primeiros 15 ou 20 minutos. Müller, aos 33’, e Vidal, aos 36’, ainda podiam ter ampliado o marcador, mas ao primeiro opôs-se Ederson, enquanto que o cabeceamento do segundo saiu sobre a barra. E a primeira grande ocasião da segunda parte até pertenceu ao Benfica, quando Jonas se virou bem sobre Alaba e, face a face com Neuer, não conseguiu desviar a bola do guarda-redes alemão. O brasileiro, que viu um cartão amarelo e não poderá estar na segunda mão, teve ainda mais uma situação dourada para empatar, aos 64’, quando um cruzamento de André Almeida o encontrou solto na área, mas o remate acertou em cheio em Javi Martínez, que Guardiola chamara ao campo para substituir Kimmisch, de modo a ganhar presença na área. O maior desafio que o Benfica tinha pela frente nessa altura era segurar os últimos minutos do Bayern, aqueles em que a Juventus, por exemplo, baqueou. Porque contrariar uma equipa que tem tanta bola cansa e a dada altura o mais natural é recolher para perto da área. Guardiola ainda tentou animar o ataque da sua equipa, com Coman e Götze, mas o Bayern nunca chegou ao segundo golo. Ribery, aos 81’, viu Ederson negar-lhe esse intento, após um raide da esquerda para a área. E Lewandowski, aos 89’, preferiu dar a bola a Lahm em vez de tentar bater o guardião brasileiro, que lhe fez a mancha para evitar o que parecia um golo certo: valeu ao Benfica que o passe saiu muito largo e o capitão do Bayern não o captou. O resultado ficava assim numa margem mínima que, não sendo excelente, permite ao Benfica opções sérias para a segunda mão.
2016-04-05
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Stats

A tarefa que espera o Benfica nos quartos-de-final da Liga dos Campeões é gigantesca. Pela frente, a equipa de Rui Vitória tem uma das mais poderosas formações da Europa, um Bayern Munique que procura atingir a quinta meia-final consecutiva nesta competição. Se o fizerem, os bávaros não atingirão um recorde, mas entram no lote restrito de clubes que já o conseguiram, que para já está limitado a Barcelona e Real Madrid. O Bayern esteve nas últimas quatro meias-finais da Liga dos Campeões. Em 2010/11, a última época em que lá não chegou, caiu nos oitavos-de-final, eliminado pelo Inter Milão, mas depois foi sempre a aviar: em 2011/12 eliminou o Ol. Marseille nos quartos-de-final, perdendo depois a final nos penaltis para o Chelses; em 2012/13 chegou à meia-final afastando a Juventus, vindo depois a ganhar na final ao Borussia Dortmund; em 2013/14 afastou nesta fase o Manchester United, mas caiu na meia-final face ao Real Madrid; por fim, na época passada, eliminou o FC Porto nos quartos-de-final, caindo depois na eliminatória seguinte ante o Barcelona. Ora o Barcelona é precisamente a equipa com maior número de meias-finais consecutivas na Liga dos Campões – esteve em seis, nunca falhando esta fase entre 2007/08 e 2012/13, sendo na época seguinte afastado nos quartos-de-final pelo Atlético Madrid. As quatro meias-finais consecutivas do Bayern Munique não são exclusivo europeu na atualidade, nem sequer a melhor série em curso. O Real Madrid lutará pela sexta presença seguida nos últimos quatro clubes a disputar o troféu, depois do falhanço de 2009/10, época em que foi eliminado pelo Lyon, nos oitavos-de-final. A verdade é que, com o alargamento da Liga dos Campeões a mais de um clube por país, ficou mais fácil aos mais fortes das grandes potências chegarem tão longe. Antes do novo formato da Liga dos Campeões, o recorde pertencia ao Inter Milão, que chegou à meia-final por quatro anos seguidos, de 1963/64 a 1966/67. Também a Juventus tem quatro meias-finais consecutivas, mas já com o formato “Champions”, de 1995/96 a 1998/99. Ao Benfica resta sempre o peso da história e de ser o clube português com mais meias-finais consecutivas: três, de 1960/61 a 1962/63, com duas taças para recordar.   Ponto a favor do Benfica é a sua corrente série de resultados: ganhou 19 dos últimos 20 jogos, sendo a única exceção a derrota na Luz contra o FC Porto (2-1), a 12 de Fevereiro. E nesses 20 jogos fez sempre golos: a última vez que o seu ataque ficou em branco foi a 15 de Dezembro do ano passado, no empate a zero contra o U. Madeira.   Consequência dessa série extraordinária, o Benfica está a atravessar a melhor sequência de jogos fora de casa em toda a sua história. Quando entrar no relvado do Allianz Arena fá-lo-á com o peso de onze vitórias consecutivas fora do seu estádio: 1-0 ao V. Guimarães, 4-1 ao Nacional, 2-1 ao Estoril, 1-0 ao Oriental, 6-1 e 4-1 ao Moreirense, 5-0 ao Belenenses, 3-1 ao Paços de Ferreira, 1-0 ao Sporting, 2-1 ao Zenit e 1-0 ao Boavista.   Jonas marcou nas últimas três partidas do Benfica. Bisou nos 4-1 em casa ao Tondela, fez o golo solitário no sucesso no Bessa ante o Boavista (1-0) e voltou a marcar nos 5-1 ao Sp. Braga, na Luz. Naquela que já é a sua melhor época europeia de sempre (já leva 32 golos), o brasileiro fez dois tentos na Liga dos Campeões, ainda assim aquém dos cinco que marcou nesta mesma competição pelo Valencia em 2012/13. Nessa temporada, marcou a todos os adversários europeus do Valencia (Lille, Bate Borisov e Paris Saint Germain) à exceção do Bayern Munique, que defrontou duas vezes, na fase de grupos.   Ribery fez no sábado o golo da vitória do Bayern sobre o Eintracht Frankfurt (1-0). Foi o primeiro golo do francês em 2016: não marcava desde 5 de Dezembro, quando regressou de lesão e ajudou à vitória sobre o Borussia M’Gladbach, por 3-1.   Quem anda de pé quente é o polaco Lewandowski, que ficou em branco contra o Eintracht mas já leva 36 golos esta época, oito dos quais na Liga dos Campeões, competição na qual marcou em todos os jogos do Bayern em casa: assinou um hat-trick nos 5-0 ao Dynamo Zagreb, marcou uma vez nos 5-1 ao Arsenal, outra nos 4-0 ao Olympiakos e ainda mais uma nos 4-2 (após prolongamento) à Juventus.   Esse jogo com a Juventus foi o primeiro em casa na Liga dos Campeões que o Bayern não ganhou em 90 minutos desde 29 de Abril de 2014, quando foi batido em casa pelo Real Madrid, por contundentes 4-0. Depois desse descalabro, a equipa bávara alinhou dez vitórias seguidas no Allianz Arena: 1-0 ao Manchester City, 2-0 à Roma, 3-0 ao CSKA Moscovo, 7-0 ao Shakthar Donetsk, 6-1 ao FC Porto, 3-2 ao Barcelona, 5-0 ao Dynamo Zagreb, 5-1 ao Arsenal, 4-0 ao Olympiakos e 4-2 (o tal, ganho no prolongamento) à Juventus.   O Benfica nunca ganhou um jogo ao Bayern Munique, tendo obtido apenas dois empates em seis partidas, ambos na Luz: 0-0 em Março de 1976 e em Outubro de 1981. Empatou, curiosamente, nos dois únicos jogos em que não fez golos, porque sempre que jogaram no velho Estádio Olímpico de Munique os encarnados acabaram por marcar uma vez. Ali perderam por 5-1 em Março de 1976 (o golo de Nené não chegou para os bis de Dürnberger e Müller, aos quais se somou mais um de Karl Heinz Rummenigge), por 4-1 em Novembro de 1981 (mais uma vez Nené a amenizar um hat-trick de Dieter Höness e um golo de Breitner) e outra vez por 4-1 em Novembro de 1995 (golo de Dimas face ao histórico póquer de Klinsmann).   Ainda assim, mesmo só tendo ganho duas vezes em 20 visitas à Alemanha, o Benfica pode gabar-se de o ter feito recentemente: bateu o Stuttgart por 2-0 em Fevereiro de 2011 e o Leverkusen por 1-0 em Fevereiro de 2013. O paraguaio Cardozo foi o ponto em comum às duas vitórias em solo alemão, pois marcou em ambos os jogos.   Já houve duas equipas portuguesas a conseguirem um resultado positivo em Munique contra o Bayern: o FC Porto empatou, ainda no velho Estádio Olímpico, a um golo, em Março de 1991 (golo de Domingos, a responder a um primeiro, de Bender) e o Sporting levou um 0-0 já do Allianz Arena, em Outubro de 2006. Curiosamente, dragões e leões foram também as equipas submetidas às maiores goleadas do Bayern a equipas portuguesas, nas últimas duas vezes que se deslocaram a Munique: o Sporting encaixou 7-1 em Março de 2009 e o FC Porto 6-1 em Abril do ano passado.   O Bayern, de resto, só perdeu duas vezes contra uma equipa portuguesa e essa foi o FC Porto, que se impôs aos bávaros por 2-1 na final da Taça dos Campeões de 1987 (golos de Madjer e Juary, após um primeiro tento de Kögl) e depois por 3-1 nos quartos-de-final da Champions do ano passado (bis de Quaresma e golo de Jackson contra um de Thiago Alcântara). Em 24 jogos contra portugueses, o Bayern cedeu ainda oito empates, a FC Porto (dois), Benfica (dois), V. Setúbal, Boavista, Sp. Braga e Sporting.
2016-04-05
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Renato Sanches conseguiu um feito notável. Não foi levar um miúdo a invadir um relvado para o abraçar e pedir-lhe uma camisola. Isso é consequência. O que Renato Sanches conseguiu foi pôr um país inteiro a discuti-lo, a ele, com argumentos radicais, próprios da talibanização que tomou conta do futebol nacional. Para uns já é um dos melhores médios da Europa e “tem coisas de Eusébio”, como afirmou José Augusto, que tem pelo menos a seu favor e do que disse o facto de ter conhecido muito bem o “King”. Para outros, é um caceteiro que não joga nada, que tem a data de nascimento martelada e beneficia do beneplácito de adversários pouco empenhados e árbitros desatentos para se impor. Ridículos, uns e outros. Renato Sanches está a fazer o seu caminho. É um bom jogador, pode vir a ser um muito bom jogador, talvez até um extraordinário jogador, sobretudo se aliar ao que já conseguiu mais outro feito notável, que é alhear-se do ruído que a simples menção do seu nome já provoca no futebol português. Quanto vale Renato Sanches? Não digo em milhões, que aí, como todos os jogadores que entram na teia do negócio de import-export em que se transformou ultimamente o futebol nacional, valerá aquilo que o poderoso empresário que vai transacioná-lo quiser, consoante lhe der mais jeito subir ou baixar a fatura. Digo no campo. No campo, Renato Sanches foi um dos grandes responsáveis pela mudança de cara do Benfica, de Novembro para agora. Ele entrou na equipa há meio campeonato, precisamente no jogo em Braga, quando Rui Vitória bebia gole de água atrás de gole de água sem ver a equipa melhorar. O Benfica ganhou esse jogo por 2-0, ultrapassou os minhotos no terceiro lugar, mas continuava a oito pontos do Sporting, ainda que com um jogo a menos, na Madeira contra o União. Com o miúdo na equipa, os encarnados empataram esse jogo com o U. Madeira, perderam com o FC Porto e ganharam todos os outros desafios, estando agora na frente da Liga, com cinco pontos (e um jogo) a mais do que o Sporting. Algum mérito ele terá, porque se fosse irrelevante o treinador já o teria mandado de volta para a equipa B. Renato Sanches não é, por enquanto, um dos melhores médios da Europa e, com franqueza, além do tom de pele, não vejo nele mais nada de Eusébio. Mas o seu futebol, que Vitória definiu como “selvagem”, ajudou a dar a volta ao Benfica. Sobretudo porque, com bola, Renato é muito forte. É forte na aceleração, na mudança de velocidade, no sprint longo, nas bolas divididas e consegue ainda alargar a potência muscular de que dispõe ao remate de meia-distância, que lhe sai bem com regularidade. Fernando Santos chamou-o à seleção e fez bem, porque era importante vê-lo em ação naquele ambiente, nem que fosse para concluir que, por mais que isso custe a quem faz disto o seu cavalo de batalha, ainda é cedo para lhe dar a responsabilidade de ser um João Moutinho. E porquê? Porque ao mesmo tempo que é fortíssimo com bola, o “selvagem” Renato Sanches compromete sem ela. Se não impõe o primeiro momento de pressão, é um dos causadores dos desequilíbrios posicionais do Benfica no momento defensivo, porque sai muito da posição, porque tem fraca noção das responsabilidades de cobertura num meio-campo a dois. Rui Vitória sabe disso e não quer que ele mude, porque em 95% dos jogos do Benfica isso não chega a ser um problema. Pelo contrário. Mas o futebol de altíssima competição é mais do que o momento em que se tem a bola – e nisso Renato ainda tem uma enorme margem de progressão. Pensemos assim: há 90 minutos de jogo e, se as coisas lhe correrem particularmente bem, um jogador tem a bola na sua posse em dois desses 90 minutos. Os outros 88 são passados em movimentos de apoio ofensivo ou de pressão ou contenção defensiva. Ora nesses 88 minutos, o grande jogador do meio-campo do Benfica é Pizzi (além de Jonas, claro, que compreende como ninguém a urgência de cada momento). E por estranho que pareça, não vi ninguém dizer que ele faz lembrar Simões, o extremo que tanto aparecia nos espaços interiores no Benfica europeu dos anos 60, ou que a sua eventual não-convocatória para o Europeu será um escândalo. Com a agravante de, no caso de Pizzi, o ser mesmo, porque não há em Portugal quem faça aquilo melhor do que ele e João Mário. In Diário de Notícias, 04.04.2016
2016-04-04
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Com os cinco golos marcados ao Sp. Braga, na vitória por 5-1, o Benfica chegou aos 100 golos nesta temporada: 76 na Liga, 13 na Liga dos Campeões, oito na Taça da Liga e três na Taça de Portugal. Os encarnados chegaram à centena de golos pela sétima temporada consecutiva, pois a última vez que ficaram aquém desta marca foi em 2008/09, quando a equipa de Quique Flores terminou a época com apenas 73 golos marcados.   O autor do 100º golo do Benfica foi o grego Samaris, naquele que é o 42º jogo oficial da temporada. Foi, nesta série de sete épocas, a segunda em que o Benfica mais depressa chegou ao centenário. A primazia continua a pertencer à época de 2009/10, na qual o brasileiro Alan Kardec fez esse mesmo 100º golo na vitória em Marselha (2-1), para a Liga Europa, a 18 de Março, ao 41º jogo oficial. Em 2012/13, o mesmo 100º golo foi marcado por Lima, a 30 de Março, ao 43º jogo, uma vitória ampla por 6-1 sobre o Rio Ave.   Mitroglou fez neste jogo o seu quarto bis da época (um deles foi mesmo um hat-trick), na qual soma já 21 golos, doze dos quais nos onze desafios que leva a segunda volta da Liga. Esta já é a melhor época de sempre do avançado grego, cujo máximo goleador numa só temporada estava até aqui nos 19 tentos obtidos em nome próprio: em 2011/12, pelo Atromitos (17 na Liga e dois na Taça da Grécia) e em 2014/15 pelo Olympiakos (16 na Liga grega, dois na Liga dos Campeões e um na Liga Europa).   Com o penalti através do qual fez o 2-0, Jonas também superou a sua melhor marca goleadora numa só época desde que chegou à Europa, em Janeiro de 2011. São já 32 golos em 39 jogos, 30 dos quais na Liga portuguesa (os outros dois foram na Champions). A melhor época europeia de Jonas tinha sido a anterior, na qual fez 31 golos em 35 jogos.   Além de o deixarem muito bem colocado na corrida à Bota de Ouro, os 30 golos que Jonas fez na Liga portuguesa permitiram-lhe chegar à meia centena na competição (20 em 2014/15 e 30 em 2015/16). O avançado brasileiro fê-lo num total de 55 jogos, sendo o quinto jogador mais rápido da história do Benfica a atingir esta marca. Melhor do que ele só Eusébio, José Águas, Julinho e José Torres, o mais rápido de todos. O “Bom Gigante”, que chegou aos 50 golos em apenas 39 jogos, precisou, ainda assim, de cinco épocas para lá chegar, pois no início de carreira jogava muito poucas vezes.   O golo de Samaris, além de ter sido o 100º da época, foi o primeiro que os encarnados fizeram de livre direto esta época e o primeiro nessas condições no campeonato desde que, em Setembro de 2014, Talisca marcou assim na vitória por 5-0 em Setúbal.   Além do primeiro golo de livre, o Benfica sofreu também o primeiro penalti da atual edição da Liga, deixando assim de haver equipas sem penaltis contra. O último penalti contra o Benfica na Liga tinha acontecido a 21 de Março de 2015, na derrota por 2-1 em Vila do Conde, contra o Rio Ave. Curiosamente, o Rio Ave é a única equipa ainda sem penaltis a favor na presente edição da Liga.   O Sp. Braga continua a somar maus resultados nas visitas a Lisboa. Foi a quarta derrota em outras tantas viagens à capital esta época: 1-0 no Estoril, 3-2 em Alvalade, 3-0 no Restelo e agora 5-1 na Luz. A somar a isso, os bracarenses registaram ainda mais três resultados negativos seguidos na ponta final da época passada: 2-0 na Luz, 4-1 em Alvalade e 2-2 (com derrota nos penaltis) na final da Taça de Portugal, contra o Sporting, no Jamor. O último bom resultado que fizeram na zona de Lisboa foi a vitória por 2-0 no Estoril, a 8 de Fevereiro de 2015.   Pedro Santos, que marcou o golo do Sp. Braga na Luz, já tinha sido autor de um dos golos dessa vitória no Estoril. Fez na altura o segundo, depois de Ruben Micael abrir o ativo.   Os 5-1 permitiram ao Benfica reforçar a condição de melhor ataque da Liga, já com 76 golos marcados. São mais 20 golos que o segundo melhor ataque, que é o do Sporting, ainda que os leões possam diminuir a desvantagem quando jogarem com o Belenenses no Restelo, na sua partida desta 28ª jornada. É o melhor ataque de uma equipa do Benfica à 28ª jornada desde 1983/84, quando o onze comandado por Eriksson chegou a esta ponto da prova com 83 golos marcados.   O Benfica chegou ainda à 28ª jornada com 70 pontos, que ainda assim, é um a menos do que tinha na mesma jornada da época passada, e menos três do que na primeira época do presente bicampeonato. Para se encontrar um líder com menos pontos à 28ª ronda é preciso recuar até 2011/12, quando o FC Porto de Vítor Pereira comandava com 69 pontos, mais seis do que o segundo, que era o Benfica.   Em contrapartida, o Sp. Braga viu o Arouca reduzir a diferença que separa o quarto do quinto lugar para seis pontos. Os bracarenses somam agora 50 pontos, menos três do que na época passada à passagem da 28ª ronda. Até marcaram mais dois golos (passaram de 45 para 47), mas sofreram mais dez (de 17 para 27).
2016-04-03
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Último Passe

Se o Sp. Braga era o maior obstáculo que o Benfica ia ter pela frente no trilho que os encarnados esperam os conduza o tri-campeonato, os 5-1 com que a equipa de Rui Vitória arrumou a questão e a chegada ao centésimo golo da época deixam poucas dúvidas de que o objetivo está cada vez mais próximo e de que não há muitas equipas em Portugal com capacidade para se atravessar à frente deste comboio em movimento. E, no entanto, no arranque, tudo parecia complicar-se. A vantagem deste Benfica é que mesmo quando a dinâmica coletiva não o favorece, como aconteceu no início da partida frente ao Sp. Braga, a qualidade individual dos seus jogadores permite resolver os jogos. Às vezes de forma avassaladora, como aconteceu hoje. Rui Vitória cumpriu o que tinha prometido e não poupou ninguém a pensar em Munique. Queria era ganhar. Mas o início do jogo deve tê-lo deixado a pensar nas soluções que tinha em campo, pois o Sp. Braga teve as duas primeiras ocasiões de golo: Wilson Eduardo cabeceou ao poste logo no primeiro minuto e Rafa desperdiçou um lance isolado na cara de Ederson, fazendo um chapéu ao lado, aos 11’. O Benfica tinha dificuldades em encaixar com as rápidas movimentações interiores dos alas do Sp. Braga e não conseguia pegar no jogo. Até que Mauro ofereceu o 1-0 a Mitroglou, com dois passes errados sucessivos à entrada da sua própria grande área. Com o golo, a equipa de Paulo Fonseca tremeu e desapareceu em termos ofensivos, ao mesmo tempo que o Benfica se agigantou. E, passando a mandar no jogo, contou com a tal qualidade individual dos seus homens, que não cometem erros em situações-limite. Paulo Fonseca terá ansiado pela chegada do intervalo com aquele resultado, de forma a poder voltar a juntar os cacos a tempo de discutir a segunda parte, mas Jonas fez o 2-0 de penalti, a punir mão de André Pinto, aos 37’. E dois minutos depois, em remate de longe que enfatizou o facto de ser ele o maior injustiçado das últimas convocatórias de Fernando Santos, Pizzi chegou aos 3-0. Com a questão do resultado arrumada, a segunda parte seria um mero pró-forma. O Sp. Braga já não entrou tão bem, mas ainda assim voltou a acertar no poste, por intermédio de Hassan. E se isso serviu para alguma coisa foi para voltar a acordar os atacantes encarnados, que fizeram mais dois golos de rajada. Primeiro, Jonas aproveitou as linhas subidas do adversário para se isolar na esquerda e oferecer o 4-0 a Mitroglou e, depois, foi a vez de Samaris, de livre, chegar aos 5-0. O centésimo golo da época – em todas as provas – chegou de forma inédita, pois o Benfica ainda não tinha marcado de livre direto. Até final, quando toda a gente em campo já pensava nos jogos contra o Bayern Munique e o Shakthar Donetsk, que aí vêm a meio da semana, Gaitán e Jardel ainda foram rendidos por Carcela e Nelson Semedo, ficando este ligado a mais um facto inédito: fez o primeiro penalti sofrido pelos encarnados no presente campeonato, ao derrubar Pedro Santos na área. O próprio Pedro Santos reduziu para os 5-1 finais, não beliscando minimamente o estado de euforia com que a equipa do Benfica vai viajar até Munique.
2016-04-01
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O Benfica-Sp. Braga pode servir a Jonas, que acaba de chegar da seleção do Brasil, para um feito inédito esta época com a camisola dos encarnados: marcar em quatro jogos consecutivos do Benfica na Luz. Na verdade, desde que ficou em branco na derrota contra o FC Porto (1-2), a 12 de Fevereiro, o brasileiro fez o golo da vitória contra o Zenit (1-0) e bisou nos sucessos com U. Madeira (2-0) e Tondela (4-1). E Jonas marcou sempre que foi titular contra os bracarenses, o mais próximo que está de marcar a um grande em Portugal. O brasileiro marcou na derrota por 2-1 para a Taça de Portugal, em Dezembro de 2014, e fez o primeiro golo na vitória por 2-0 para a Liga, em Março de 2015. A única vez que ficou em branco contra o Sp. Braga foi na visita à Pedreira, em Novembro do ano passado, mas aí só alinhou nos últimos 19 minutos, entrando para o lugar de Gonçalo Guedes quando o Benfica já ganhava pelo 2-0 que acabou por ser o resultado final. Se, como tudo indica, for titular no jogo de hoje e voltar a cumprir a tradição, supera a melhor série desta época em jogos na Luz, que são os atuais três jogos seguidos sempre com golos ou – é igual – os três primeiros da temporada na Luz, nos quais marcou a Estoril, Moreirense e Belenenses, ficando depois em branco contra o Astana. Na época passada, depois de ficar a zero contra o Gil Vicente, para a Taça da Liga, Jonas alinhou cinco jogo seguidos a marcar em casa, contra Nacional (um golo, a dar o 1-0), V. Guimarães (um golo nos 3-0), Arouca (um golo, nos 4-0), Boavista (um golo nos 3-0) e V. Setúbal (um golo nos 3-0), ficando depois em branco contra o mesmo V. Setúbal, mas no jogo de campeonato. Acresce ainda que, se fizer pelo menos um golo ao Sp. Braga, Jonas supera o total de golos da época passada. Segue com 31 golos em 38 partidas (29 na Liga e dois na Champions), enquanto que em 2014/15 fechou a época com os mesmos 31 golos em apenas 35 desafios (20 na Liga, seis na Taça de Portugal e cinco na Taça da Liga).   Paulo Fonseca só ganhou uma vez em oito jogos contra o Benfica. Foi em Janeiro do ano passado, que o seu Paços de Ferreira bateu os encarnados por 1-0, graças a um penalti de Sérgio Oliveira, no último minuto. De resto, entre Paços de Ferreira, FC Porto e Sp. Braga, Fonseca soma seis derrotas e apenas um empate, na Luz, na segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal de 2012/13, mas depois de o Benfica já ter ganho em Paços de Ferreira, por 2-0, na primeira partida. São bem mais divididos os confrontos de Rui Vitória com o Sp. Braga: ganhou seis vezes, empatou três e perdeu cinco.   Onde Paulo Fonseca tem clara superioridade é no confronto direto com Rui Vitória, que só lhe ganhou uma vez em dez jogos: na partida da primeira volta, em Braga, que acabou favorável ao Benfica por 2-0 e deu início à recuperação dos encarnados. Antes disso, Fonseca tinha ganho quatro vezes a Rui Vitória e empatado cinco – ainda que um destes empates, um 2-2 num V. Guimarães-FC Porto, tenha sido a gota de água que levou à saída de Fonseca do Dragão.   O Benfica marcou primeiro em nove dos últimos dez confrontos com o Sp. Braga – o outro acabou empatado a zero – mas só ganhou seis vezes, permitindo mais um empate e duas vitórias aos arsenalistas. A última vez que o Sp. Braga marcou primeiro num jogo com o Benfica já foi em Novembro de 2011, para a Liga., na Pedreira, quando Lima fez, de penalti, o 1-0 para os da casa, tendo Rodrigo depois estabelecido o empate.   O Sp. Braga não consegue evitar a desilusão na zona de Lisboa desde que ganhou ao Estoril, por 2-0, para a Liga, em Fevereiro do ano passado (golos de Ruben Micael e Pedro Santos). Depois disso, perdeu por 2-0 com o Benfica na Luz, por 4-1 com o Sporting em Alvalade, no desempate por penaltis com o mesmo Sporting no Jamor, na final da Taça de Portugal e, já esta época, por 1-0 no Estoril, por 3-2 com o Sporting em Alvalade e por 3-0 com o Belenenses no Restelo.   Além disso, o Sp. Braga não faz um golo fora de casa há quatro jogos, mais precisamente desde que ganhou por 2-1 em Sion, a 18 de Fevereiro, nos 1/16 de final da Liga Europa (marcaram Stojiljkovic e Rafa). Depois disso, os bracarenses empataram a zero com Arouca e Rio Ave, perderam por 1-0 com o Fenerbahçe e por 3-0 com o Belenenses.   Josué e Stojiljkovic marcaram nos últimos dois jogos do Sp. Braga, as vitórias em casa contra o Fenerbahçe (4-1) e o U. Madeira (2-0). O médio português não estará na Luz, fruto de uma lesão muscular, mas o atacante sérvio figura nos convocados de Paulo Fonseca.   Renato Sanches reencontra o adversário que lhe marcou a ascensão a titular no Benfica na Liga. O jovem médio jogou 15 minutos frente ao Tondela, a 30 de Outubro, depois um minuto com o Boavista, a 8 de Novembro, foi titular em Astana, a 25 do mesmo mês, e estreou-se como titular na Liga na vitória por 2-0 em Braga, a 30 de Novembro. Desde então, só ficou de forma contra o U. Madeira, por prevenção, e contra o Tondela, por ter visto o quinto amarelo frente ao Sporting.   O Sp. Braga nunca ganhou na Luz para a Liga. A única vitória que obteve em casa dos encarnados, em Outubro de 1954, foi num jogo efetuado no Jamor. Nessa altura, os minhotos impuseram-se por 1-0, fruto de um golo de Imbelloni. Em toda a sua história, os bracarenses só ganharam uma vez na Luz, mas foi para a Taça de Portugal: 2-1, em Dezembro de 2014, de virada, com golos de Aderlan Santos e Pardo a responder a um tento inaugural de Jonas. Para a Liga, o melhor que lá conseguiram foram vários empates. Sete nas últimas 20 visitas, para ser mais preciso.
2016-04-01
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A discussão está lançada e tem feito as delícias de quem vê futebol com óculos coloridos, daqueles que aumentam umas coisas e diminuem outras. Jonas é o maior, o pistoleiro que eleva o nível do futebol do Benfica. Não, Jonas não serve para grande coisa, porque só marca aos pequenos. Jonas está na corrida à Bota de Ouro e até foi chamado à seleção do Brasil. Não, Jonas beneficia da debilidade de quase todas as equipas do campeonato português e Dunga só se lembrou dele porque Roberto Firmino se lesionou. O mais estranho é que é tudo verdade. Jonas não é um dos melhores pontas-de-lança do Mundo, porque se fosse não teria baixado da Liga espanhola para a portuguesa, mas é provavelmente uma das maiores pechinchas na história das contratações decisivas de um clube português. E se o Benfica for esta época tricampeão nacional é em grande parte a ele que o deve. Jonas é um típico centro-avante brasileiro. O que quer isso dizer? Que prefere a conversa ao monólogo, que joga como quem dança o samba, um passo aqui, um toque acolá, sempre com ginga. Mas também que não podem contar com ele para o trabalho árduo, que está viciado na presença de um parceiro que fixe os centrais adversários, que lhe alargue o espaço entre linhas para ele poder aparecer a decidir. Uma das melhores formas de definir o futebol de Jonas é dizer que à frente dele os adversários parecem demasiado rápidos, demasiado sôfregos, porque ele é capaz de definir o timing de cada jogada de forma a que, mesmo abrandando, quem está no momento certo é ele. Os outros passam, mas ele fica com a bola e com a iniciativa. E se ele fica com a bola, isso é quase sempre uma boa notícia para o Benfica, porque ele define como poucos, servindo-se de uma capacidade técnica invulgar, tanto no passe como na finalização, e também daquilo que transforma um grande jogador num grandíssimo jogador: a tomada de decisão. É certamente por não entrar em correrias – e por ter quem o faça por ele – que Jonas pensa quase sempre a solução certa para a equipa. Sem bola, decide se deve procurar o corredor lateral ou baixar em desmarcações de apoio. Com ela, se deve esperar, driblar, chutar, passar e para onde passar. Se ele tiver tempo para pensar, o Benfica sai geralmente a ganhar. Mas então por que razão não saiu Jonas do Valência para o Real Madrid, chegando antes dispensado ao Benfica? É que nos jogos de maior nível de exigência raramente há o tempo para pensar de que Jonas precisa. Raramente o espaço sobra para ele impor a sua ginga. É por isso também que Jonas não fez um único golo em quatro jogos contra o Sporting e está igualmente em branco em três desafios contra o FC Porto. Ou que Jorge Jesus, que sempre o prezou tanto como a Gaitán quando se falava em argumentos capazes de levar o Benfica a ganhar campeonatos, nem sequer o colocou em campo na vitória por 2-0 no Dragão, na época passada. O jogo de ontem, contra o Boavista, serve de exemplo para esta dificuldade. Contra uma equipa que foi competente do ponto de vista tático e sem contar com o imprescindível apoio de Mitroglou, Jonas sofreu horrores. E aqui, se falo de Mitroglou, é mesmo de Mitroglou, não é de outro avançado qualquer. Porque o grego procura quase sempre a profundidade, o espaço nas costas da defesa adversária, quando Raul Jiménez busca a mobilidade, as desmarcações nos corredores laterais. Consequência disso? Ora pensemos. O Boavista defendeu-se com duas linhas bem próximas uma da outra e colocou ao meio da segunda linha dois médios muito fortes na marcação, como são Idris e Tahar. Os movimentos laterais de Jiménez, compensados pelos laterais, não faziam dançar assim tanto a organização axadrezada e raramente redundavam na criação de espaço vital para Jonas. Mas os movimentos mais profundos de Mitroglou costumam obrigar a primeira linha defensiva adversária a compensar essa mesma profundidade, colocando a segunda linha perante uma dificuldade: ou baixava também ou mantinha a posição. Fizessem os médios do Boavista o que fizessem, a consequência seria sempre a mesma e redundaria em espaço para Jonas combinar com quem lhe aparecesse por perto à entrada da área. Depois, quando tudo o resto falha, aparece outra caraterística de Jonas: a capacidade técnica. Num jogo em que raramente teve bola ou espaço para jogar, depois de uma noite em que se eclipsou, foi ele que, ao terceiro minuto de descontos, teve a frieza e a capacidade técnica para finalizar, de pé esquerdo, um passe de cabeça de Carcela. Não só a bola não vinha fácil, como a própria criação da situação de finalização dependeu, em primeira instância, da mente futebolística de Jonas, que adivinhou onde a bola ia cair e avançou para lá antes de Philipe Sampaio. Fez o golo, manteve o Benfica isolado na frente e lançou a euforia nas hostes benfiquistas. Jonas é o maior? Jonas não marca aos grandes? Tudo verdade. Mas mesmo assim está a ser o jogador mais decisivo deste campeonato. In Diário de Notícias, 21.03.2016
2016-03-21
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Ao ganhar por 1-0 ao Boavista, no Bessa, o Benfica conseguiu a 11ª vitória consecutiva em jogos fora de casa, um feito inédito na história do clube. Desde o empate (0-0) com o U. Madeira, no Funchal, os encarnados ganharam sucessivamente a V. Guimarães (1-0), Nacional (4-1), Estoril (2-1), Oriental (1-0), Moreirense (6-1 e 4-1), Belenenses (5-0), Paços de Ferreira (3-1), Sporting (1-0), Zenit (2-1) e agora Boavista (1-0). Superou assim as duas melhores séries do seu passado, fixadas em dez jogos seguidos a ganhar fora, entre Fevereiro e Novembro de 1971 e entre Outubro de 1972 e Abril de 1973.   A vitória no Bessa foi dramática, conseguida com um golo de Jonas ao terceiro minuto de descontos. Foi o segundo sucesso consecutivo fora de casa que os encarnados conseguem com um golo em tempo de compensação, depois de já terem ganho em São Petersburgo ao Zenit por 2-1, com um golo de Talisca aos 90+5’. Foi a terceira vitória da época do Benfica com um golo para lá dos 90’ (depois das duas contra o Zenit, pois também na Luz valeu um golo de Jonas aos 90+1’) e a primeira na Liga desde Agosto de 2013, quando ganhou ao Gil Vicente na Luz (2-1), com tentos de Markovic aos 90+1’ e Lima aos 90+2’.   Jonas, o autor do golo da vitória, continua na corrida à Bota de Ouro, com os mesmos golos que Gonzalo Higuaín Os 29 tentos que marcou em 27 jornadas da Liga são o melhor pecúlio de um jogado do Benfica num campeonato desde que o sueco Mats Magnusson fez 33 na Liga de 1989/90. À 27ª jornada dessa época, porém, o sueco tinha apenas 28 golos marcados. Para encontrar um jogador do Benfica com mais golos por esta altura há que ir até 1972/73, quando Eusébio tinha 34 nas primeiras 27 partidas.   Jonas igualou, além disso, o seu total de golos em toda a época passada, pois além dos 29 que marcou na Liga portuguesa soma ainda mais dois na Liga dos Campeões. Precisou de 38 jogos para fazer estes 31 golos, ao passo que na temporada passada os marcou em 35 partidas: obteve então 20 em 25 jogos na Liga portuguesa, seis em três desafios na Taça de Portugal e cinco em três partidas da Taça da Liga.   O jogo foi ainda marcado pelo regresso de Salvio a um lugar no onze do Benfica. O argentino jogou 54 minutos, o maior período que esteve em campo desde a última vez que tinha sido titular do Benfica, a 23 de Maio de 2015: nesse dia, em partida da última jornada da Liga, contra o Marítimo, saiu lesionado aos 74’.   A vitória do Benfica significou mais uma derrota caseira para o Boavista, a terceira seguida, neste caso. Antes de perderem com o Benfica, os axadrezados já tinham sido batidos por Rio Ave (2-1) e Nacional (1-0). Desde Novembro e Dezembro de 1959 que o Boavista não perdia três vezes seguidas em casa: na altura foio batido pela Académica (3-1), Sporting (5-2) e Belenenses (1-0), antes de ganhar ao Portimonense (3-1), para a Taça de Portugal.   Com a vitória, o Benfica passou a somar 67 pontos, mantendo-se isolado na frente da Liga. Tem, ainda assim, menos um ponto do que tinha à passagem da mesma jornada na época passada e menos três do que em 2013/14, ano do primeiro título dos dois que ganhou consecutivamente. Para encontrar um Benfica campeão com menos pontos à 27ª jornada é preciso recuperar a equipa de 2004/05, liderada por Giovanni Trapatoni, que por esta mesma altura seguia na liderança com apenas 54 pontos, ainda assim mais seis do que os segundos, que eram Sporting, Sp. Braga e FC Porto.
2016-03-21
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Último Passe

Jonas respondeu à convocatória para a seleção do Brasil com um golo fundamental, encontrando ao terceiro minuto de descontos a solução para o bloqueio a que o Benfica estava a ser submetido por parte do Boavista no Estádio do Bessa e assegurando a vitória por 1-0 que permite à equipa de Rui Vitória manter-se isolado no comando da Liga. O Boavista tinha sido, até então, taticamente perfeito, anulando a arma principal do ataque encarnado, que são as combinações pelo espaço interior, mas os bicampeões nacionais mudaram de cara nos últimos minutos e, num lance direto de Eliseu para a cabeça de Carcela, deixaram Jonas na cara do guarda-redes Mika. O brasileiro fez o golo e o líder manteve a vantagem. Entendendo que o Benfica se torna tanto mais perigoso quanto consegue ganhar ascendente à frente da área, seja pelo recuo de Jonas, pelas diagonais de Pizzi ou pelas arrancadas de Renato Sanches, Erwin Sánchez colocou Idris e Tahar à frente da defesa e os dois médios foram fundamentais na forma como a equipa da casa conseguiu bloquear o ataque encarnado. Privado de Mitroglou, que é fundamental na busca da profundidade – que entre outras coisas obriga a última linha do adversário a recuar e abre espaço para a entrada dos médios – e da criatividade de Gaitán, o Benfica foi sentindo dificuldades para ser perigoso. Se no primeiro tempo ainda se mostrou num pontapé de moinho de Jiménez e num remate de Pizzi, o primeiro detido por Mika e o segundo a sair ao lado, na segunda parte nem isso ia conseguindo. Era, ao invés, o Boavista quem saía com a-propósito, fruto da capacidade de Ruben Ribeiro para segurar a bola na frente e da velocidade de Zé Manuel. Rui Vitória mexeu. Colocou Carcela em vez de Salvio, que ainda não tem a capacidade para fazer esquecer a longa paragem a que foi submetido. Depois trocou Nelson Semedo por Talisca, baixando André Almeida para a direita da defesa. E por fim reforçou o ataque com a estreia de Jovic em vez de Pizzi. Mas era o Boavista que, em rápidos contra-ataques, como um que levou a um remate de Luisinho, ameaçava marcar. Até que a qualidade individual de Jonas se fez notar. Ao terceiro minuto de descontos, surgiu o tal pontapé longo de Eliseu, a cabeça de Carcela e a capacidade para Jonas se adiantar ao seu marcador direto e marcar, de pé esquerdo e de primeira. A inédita 11ª vitória consecutiva do Benfica como visitante teve a marca do seu melhor jogador. E, se chegar, o tricampeonato também a terá, porque terá passado por aqui.
2016-03-20
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Stats

O Benfica entra no Estádio do Bessa, para defrontar o Boavista, a defender uma sequência de dez vitórias seguidas fora de casa, contando todas as competições, e à procura de uma décima-primeira que seria absolutamente inédita na sua história centenária. Desde o empate com o U. Madeira, na Choupana, em meados de Dezembro, os encarnados ganharam todos os jogos que fizeram fora da Luz. São dez ao todo, tantos como os conseguidos em duas séries pela equipa do início da década de 70 que Jimmy Hagan levou a três vitórias seguidas em campeonatos. A primeira série de dez vitórias seguidas do Benfica fora de casa começou em Fevereiro de 1971, depois de ter sofrido uma goleada do FC Porto (4-0), nas Antas. Até final dessa temporada, o Benfica ganhou as seis deslocações que teve pela frente: 4-2 ao Tirsense, 2-1 ao Leixões, 4-0 ao Varzim, 7-1 ao Barreirense, 2-0 aos angolanos do Independente (que jogavam a Taça de Portugal) e 3-1 o Tirsense. Para chegar às dez vitórias foi preciso contabilizar as primeiras quatro deslocações da nova época: 3-1 ao FC Porto, 4-0 ao Innsbruck, 3-1 ao V. Setúbal e 3-0 ao Tirsense. A décima-primeira vitória fora não apareceu, pois a 3 de Novembro de 1971 o Benfica empatou sem golos em Sofia com o CSKA, na segunda eliminatória da Taça dos Campeões Europeus. A época seguinte trouxe uma segunda oportunidade para o Benfica chegar às 11 vitórias seguidas fora de casa. Foi o campeonato em que o Benfica ganhou as primeiras 23 jornadas, chegando a finais de Março com a certeza matemática do tricampeonato. Assim sendo, depois de ser eliminado da Taça dos Campeões pelo Derby County (0-3 em Derby, logo na primeira mão, em finais de Outubro), alinhou mais dez vitórias seguidas fora de casa: 1-0 ao V. Setúbal, 2-0 ao U. Tomar, 2-1ao V. Guimarães, 1-0 à CUF, 1-0 ao Montijo, 5-1 ao Leixões, 2-1 ao Beira Mar, 2-1 ao Sporting e ainda 2-0 e 4-2 ao Belenenses, em jornada dupla, com um jogo a contar para o campeonato e o segundo para a Taça de Portugal. Ao 11º jogo, porém, veio o empate (2-2) com o FC Porto nas Antas, fazendo com que a série se ficasse pelas dez partidas. Desde essa altura, nunca mais o Benfica conseguiu as dez vitórias consecutivas fora de casa que conta neste momento. Após o 0-0 com o U. Madeira na Choupana, bateu sucessivamente o V. Guimarães (1-0), o Nacional (4-1), o Estoril (2-1), o Oriental (1-0), o Moreirense (6-1 e 4-1, primeiro para a Taça da Liga e depois para o campeonato), o Belenenses (5-0), o Paços de Ferreira (3-1), o Sporting (1-0) e o Zenit (2-1). O 11º jogo é com o Boavista.   O Boavista tem recuperado com troca de treinador, mas Erwin Sánchez, ex-jogador boavisteiro e benfiquista, não tem sido feliz nos jogos no Bessa nem nos jogos contra os grandes. Há quatro jogos que o Boavista não ganha em casa, mais precisamente desde os 4-0 ao V. Setúbal, a 18 de Janeiro.  Depois disso, empatou a zero com Sp. Braga e Académica, perdendo por 1-2 com o Rio Ave e por 0-1 com o Nacional.   Nos jogos com os grandes, o Boavista de Sánchez leva três derrotas e zero golos marcados: 0-5 e 0-1 com o FC Porto de Rui Barros, primeiro para o campeonato e depois para a Taça de Portugal, e 0-2 com o Sporting em Alvalade.   Rui Vitória e Erwin Sánchez nunca se defrontaram, pois o boliviano só recentemente pegou numa equipa do campeonato português. Sánchez, que até veio para Portugal para jogar no Benfica, também nunca defrontou os encarnados como treinador, ainda que tenha tido na carreira de jogador muitas alegrias neste confronto. O seu penúltimo jogo com a camisola do Boavista, em Dezembro de 2002, foi no Bessa contra o Benfica e acabou com um empate a zero.   Rui Vitória, por sua vez, já ganhou, empatou e perdeu com o Boavista. Na primeira volta do atual campeonato desequilibrou o confronto a seu favor, ganhando na Luz por 2-0, mas antes disso, aos comandos do V. Guimarães, tinha uma vitória (3-0 na cidade-berço), uma derrota (1-3 no Bessa) e um empate (2-2, no Bessa, para a Taça da Liga).   Philipe Sampaio estreou-se na Liga portuguesa a jogar contra o Benfica. O central brasileiro foi lançado como titular à segunda jornada da época passada, na derrota contra os encarnados, no Bessa, em Agosto de 2014.   Há mais de oito anos que o Boavista não marca um golo ao Benfica. O último aconteceu em Novembro de 2007, obtido por Jorge Ribeiro, numa goleada encaixada pelos boavisteiros na Luz (6-1). A descida de divisão do Boavista levou a que, desde então, as duas equipas apenas se tenham defrontado mais quatro vezes, com três vitórias encarnadas e um empate, mas sempre com balizas virgens para as águias. Em Abril de 2008, no Bessa, verificou-se um 0-0; na época passada o Benfica ganhou por 1-0 no Bessa e por 3-0 na Luz e esta temporada impôs-se em casa por 2-0.   No Bessa, porém, o Benfica não costuma ter vida facilitada. Só lá ganhou dois dos últimos dez jogos (1-0 em Agosto de 2014 e 2-0 em Abril de 2006), tendo perdido três (3-0 em Setembro de 2006, e 1-0 em Dezembro de 2001 e Setembro de 2000) e empatado os cinco restantes. Nesses mesmos dez jogos, o ataque do Benfica ficou por seis vezes em branco.
2016-03-20
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Último Passe

Benfica e Sp. Braga não foram bafejados pela sorte nos sorteios dos quartos-de-final da Liga dos Campeões e da Liga Europa. Aos bicampeões nacionais saiu o Bayern, um dos tubarões que havia no sorteio – e havia quatro –, a tornar muito complicado pensar mais à frente nesta competição, enquanto que a equipa minhota terá de defrontar o Shakthar Donetsk, poderosa equipa do Leste europeu, que já se sabe vai ganhando ritmo competitivo à medida que a Primavera substitui o inverno. Não sendo proibido pensar em apuramentos, o que mais interessa agora é ver até que ponto a UEFA justifica um descentrar de ideias na Liga. Ora isso não será um problema para o Sp. Braga, que está a onde pontos do terceiro lugar, tem o quinto a seis pontos ainda assim geríveis e pode dar-se ao luxo de pensar sobretudo nas provas a eliminar que tem pela frente: meia-final da Taça da Liga com o Benfica, final da Taça de Portugal com o FC Porto e quartos-de-final da Liga Europa, com o Shakthar. Ainda assim, e mesmo tendo em conta que tem um plantel muito equilibrado, com 16/17 jogadores do mesmo nível, Paulo Fonseca deve lembrar-se que já teve o quinto lugar mais longe e que não lhe convirá tirar por inteiro a cabeça da Liga portuguesa. O Shakthar, ainda por cima, sendo um adversário forte, não é um opositor que pareça inultrapassável. Os ucranianos acabam de afastar o Anderlecht, com duas vitórias, depois de mesmo em férias ativas terem eliminado o Schalke, sem sofrer golos; estão a apenas três pontos do Dynamo Kiev no topo da sua própria Liga e além disso já vão chegar a Abril mais rodados que neste momento, mas não têm um histórico recente nada famoso contra equipas portuguesas. Muito mais complicada é a tarefa à frente do Benfica. É verdade que, sem alguns dos seus titulares, este Bayern Munique parece uma equipa manejável. A Juventus esteve a um minuto de eliminar os alemães, que durante uma hora pareceram irreconhecíveis, na lentidão com que saíam a jogar, por exemplo. Mas o peso competitivo de um plantel que, recorde-se, ainda há um ano goleou o FC Porto em Munique é incomensurável – e isso viu-se na forma como fez o 2-2 no último minuto e partiu dali para ganhar por 4-2 no prolongamento. Só um super-Benfica poderá pensar em equilibrar a eliminatória com o Bayern – e o FC Porto, apesar de tudo, ainda ganhou a primeira mão, há um ano, antes de soçobrar em Munique – e não é líquido que Rui Vitória esteja em condições para meter tudo na Liga dos Campeões, deixando momentaneamente para segundo plano a Liga portuguesa. É claro que qualquer treinador dirá que aborda um jogo de cada vez, mas alguém duvida que a estratégia e o comportamento do FC Porto no jogo do título da época passada (0-0 com o Benfica na Luz) foi condicionado pelo 6-1 que os dragões tinham apanhado em Munique uns dias antes? Porque uma eliminatória com o Bayern pode pesar de inúmeras formas e a física nem é a mais importante.
2016-03-18
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Os dois golos que fez ao Tondela, na vitória do Benfica por 4-1, serviram a Jonas para chegar aos 28 na Liga e aos 30 em 37 jogos de todas as competições de 2015/16. Jonas ficou assim a apenas um golo do total que fez em toda a época passada (31 em 35 jogos). O brasileiro tornou-se o primeiro jogador a marcar pelo menos 30 golos em duas épocas consecutivas no Benfica desde que Nené o fez entre 1981 e 1983, com 35 golos em 43 jogos em 1981/82 e 31 golos em 46 jogos em 1982/83. Jonas está a cinco golos da marca de Nené nesse biénio, mas também tem menos 17 jogos.   O total de golos que Jonas conta na atual edição da Liga (28) é ainda o maior numa só edição da competição desde que Jardel somou 42 na prova de 2001/02, ao serviço do Sporting. Se olharmos apenas para jogadores do Benfica, ninguém marcava tanto desde que o sueco Magnusson encerrou o campeonato de 1989/90 com 33 golos (em 32 jogos).   Outro avançado em grande destaque no Benfica é o grego Mitroglou, que voltou a marcar um golo. Nas últimas dez jornadas da Liga, Mitroglou marcou em nove, só ficando em branco contra o U. Madeira. A compensar fez três golos ao Belenenses. Ao todo, os 19 golos que já fez esta época (16 na Liga, dois na Champions e um na Taça de Portugal) igualam as suas melhores épocas de sempre: fez 19 golos em 2011/12 no Atromitos e outros tantos em 2014/15 no Olympiakos.   Gaitán, que assistiu Jardel e Jonas para os dois primeiros golos do Benfica, colocou-se como melhor assistente benfiquista no campeonato e segundo melhor da competição, apenas atrás do portista Layun. Ao todo, o argentino soma onze passes de golo, mais dois que Jonas e o belenense Carlos Martins, mas menos quatro que o mexicano do FC Porto.   Jardel, autor do primeiro golo do Benfica no jogo, fez apenas o segundo golo da época, pois até aqui só tinha marcado ao Vianense, arrancando a ferros uma vitória por 2-1 na Taça de Portugal. No campeonato não marcava desde 11 de Abril do ano passado, quando também abriu uma goleada dos encarnados na Luz: 5-1 à Académica.   Nathan Júnior, que marcou o golo de honra do Tondela mesmo em cima do apito final, veio assegurar que a equipa beirã mantém o registo de marcar sempre fora de casa desde que é liderada por Petit. São já sete deslocações seguidas a fazer pelo menos um golo. O problema é que o Tondela também sofre geralmente mais do que um.   Com o golo ao Benfica, Nathan chegou aos dez golos na Liga, oito dos quais nas nove partidas que leva a segunda volta do campeonato. É o valor mais elevado de um jogador de uma equipa recém-promovida desde que Ghilas marcou 13 golos pelo Moreirense em 2012/13, nem assim impedindo a equipa de Moreira de Cónegos de descer de divisão. Com a vitória, o Benfica voltou a assumir a liderança, que perdera momentaneamente no sábado, por via do sucesso do Sporting no Estoril. Os encarnados chegaram aos 64 pontos, apenas um a menos do que tinham na época anterior à passagem desta mesma 26ª jornada. Para se encontrar um Benfica com menos pontos após 26 jogos é preciso recuar a 2011/12, quando a equipa então liderada por Jorge Jesus chegou a esta ronda com apenas 59 pontos, acabando a época com 69, a seis pontos do FC Porto, que foi campeão.   Muito forte está o Benfica no plano atacante, pois os 70 golos que já marcou nas primeiras 26 jornadas só encontram paralelo recente na época de 2012/13, em que também chegou à 26ª ronda com o mesmo total de golos marcados. Na época passada somava 63 e há dois anos seguia com 52. Em 2012/13, porém, o Benfica nem foi campeão.   Muito fraca é a performance do Tondela, que segue com apenas 13 pontos após 26 jornadas. É a pior pontuação de uma equipa na Liga portuguesa a este ponto da competição desde 2007/08, quando a U. Leiria chegou à 26ª ronda com apenas 12 pontos – e acabou o campeonato com 13, em último lugar, a 12 pontos do penúltimo, que foi o Paços de Ferreira. Em toda a história da Liga portuguesa desde que a vitória vale três pontos, só mais três equipas chegaram aqui com tão poucos pontos: o Penafiel de 2005/06, que também tinha 12, o Estrela da Amadora de 2003/04, que tinha 13, e o Gil Vicente de 1996/97, que somava 12. Todos desceram de divisão em último lugar.  
2016-03-15
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Último Passe

O Benfica ganhou com facilidade ao Tondela, por 4-1, e manteve a liderança isolada na Liga, graças a uma demonstração de superioridade natural quando se trata de um jogo em que primeiro recebe o último classificado. A noite foi absolutamente normal para a equipa de Rui Vitória. O bicampeão nacional nem precisou de meter o pé no acelerador – marcou duas vezes de bola parada e cedo chegou a uma tranquilizadora vantagem de dois golos – e teve direito a mais um bis de Jonas, que assim manteve a distância em relação a Slimani no topo da tabela dos goleadores e voltou a gritar bem alto que têm de contar com ele para a disputa da Bota de Ouro. No fim, aproveitou para gerir quem precisa de descansar, quem tem de ganhar ritmo e até quem, como Mitroglou, precisava de limpar o cadastro com um amarelo. Gaitán e Fejsa, por exemplo, saíram a meio da segunda parte, altura em que Rui Vitória chamou outros jogadores, como Salvio ou Gonçalo Guedes, que precisam de ganhar ritmo para poderem contar na apertada ponta final de época que se apresenta à equipa e em que, entre Liga, Taça da Liga e Champions, todos farão falta. Aliás, já o onze inicial apresentava algumas novidades, como a inclusão de Talisca no lugar do castigado Renato Sanches a meio-campo ou de Nelson Semedo em vez de André Almeida na direita da defesa. Antes que qualquer dos dois mostrasse o que quer que fosse, porém, o Benfica chegou ao golo. Marcou-o Jardel, absolutamente à vontade na sequência de um canto, logo aos 11’, a mostrar que o problema do Tondela nunca foi a capacidade para criar futebol. Ao contrário do que lhe aconteceu quando trouxe o Boavista à Luz, Petit montou desta vez uma equipa positiva, sempre capaz de chegar perto da baliza de Ederson com gente em números interessantes, mas muito mais incompetente no aspeto defensivo. Não foi esse o caso do segundo golo do Benfica, uma magistral jogada coletiva, com contribuição dupla de Gaitán, que ofereceu o remate final a Jonas e tornou o jogo numa tarefa impossível para os beirões, com apenas 24 minutos de jogo. O Benfica passou então a gerir. E só aos 69’ matou de vez a partida, com mais um golo de bola parada: lançamento lateral de Eliseu, desvio ao primeiro poste entre Jardel e um defensor do Tondela, e cabeça de Jonas, sem ninguém por perto mas a ter de meter ele força no remate, tão mortiça vinha a bola. Mitroglou ainda fez o 4-0, num lance em que parecia ir de moto pelo meio dos dois centrais do Tondela – ganhou-lhes uns cinco metros em 20 – e que aproveitou para tirar a camisola nos festejos, colocando-se assim fora da deslocação ao Bessa, na próxima jornada, onde o Benfica também não terá Jardel. No final, o Tondela ainda fez um golo, pelo inevitável Nathan Júnior, a premiar o espírito positivo com que a equipa entrou no jogo. Para que o Tondela se salve, porém, vai ser preciso defender melhor.
2016-03-14
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O Benfica recebe o Tondela com os olhos na recuperação da liderança, perdida para o Sporting quando os leões ganharam o seu jogo desta 26ª jornada, no Estoril. E quando o que faz falta são golos, o normal é que se olhe para Jonas, o melhor marcador da equipa. Neste jogo, o brasileiro entra a pensar em dois hat-tricks. Um, mais evidente: se fizer três golos, iguala, em meados de Março, o total de tentos de toda a época passada. Outro, mais rebuscado: depois de ter marcado na Luz ao Zenit e ao U. Madeira, esta será a sua terceira oportunidade da época de fechar três jogos seguidos em casa sempre a marcar. Nas duas anteriores, falhou. Jonas soma até este momento 28 golos em 36 jogos efetuados. Desses 28, 26 foram marcados na Liga portuguesa, aos quais o brasileiro soma dois na Liga dos Campeões. Com mais um jogo do que em toda a época passada, Jonas está a três golos do total de então, pois em 2014/15 marcou 31 golos em 35 jogos. Já superou os totais de golos no campeonato (acabou a Liga anterior com 20), mas em contrapartida ainda não marcou na Taça da Liga nem o fez na curta carreira das águias na Taça de Portugal – e em 2014/15 obteve três golos em cada uma destas competições. Daqui se depreende que Jonas está a três golos do total obtido em toda a época anterior, podendo igualá-la se obtiver algo de raro nele: um hat-trick. Desde que chegou ao Benfica, só fez dois. O primeiro logo na primeira vez que foi titular, frente ao Sp. Covilhã, em Outubro de 2014, e o segundo na vitória de Janeiro sobre o Nacional, na Choupana. Resta dizer que, mesmo que consiga esse hat-trick contra o Tondela, Jonas ainda ficará a um golo do seu melhor campeonato de sempre, que foi o Brasileirão de 2010: ao serviço do Grêmio, fez 32 golos em 33 jogos, chamando a atenção dos olheiros do Valência. Mais fácil será o segundo hat-trick de que se fala. Jonas marcou nas duas últimas partidas do Benfica na Luz, contra o Zenit (fez o 1-0 no último minuto de jogo) e o U. Madeira (bisou, na vitória do bicampeão nacional por 2-0). Foi a terceira vez que o brasileiro marcou em dois jogos seguidos do Benfica em casa esta época, sendo que nas duas anteriores falhou à terceira partida. Tal aconteceu nos 2-0 ao Astana, em meados de Setembro, após o golo nos 3-2 ao Moreirense e o bis nos 6-0 ao Belenenses, e na derrota por 2-1 com o FC Porto, em Fevereiro, na sequência do bis nos 6-0 ao Marítimo e no golo nos 3-1 ao Arouca. Para se encontrarem três jogos seguidos do Benfica na Luz com Jonas a marcar é preciso recuar à época passada. Nessa altura, entre Dezembro e Fevereiro, o brasileiro até conseguiu cinco, quando marcou no 1-0 ao Nacional, nos 3-0 ao V. Guimarães, nos 4-0 ao Arouca, nos 3-0 ao Boavista e nos 3-0 ao V. Setúbal. Mais tarde, entre Fevereiro e Abril, ainda conseguiu quatro jogos consecutivos a marcar na Luz: bisou nos 6-0 ao Estoril, marcou no 2-0 ao Sp. Braga, bisou nos 3-1 ao Nacional e voltou a bisar nos 5-1 à Académica. O confronto entre Rui Vitória e Petit só se desequilibrou a favor do treinador do Benfica esta época, quando os encarnados ganharam na Luz ao Boavista de Petit por 2-0, em Novembro. Antes disso, os dois treinadores já se tinham defrontado por três vezes, com um empate e uma vitória para cada lado e a curiosidade de a equipa de Rui Vitória ter beneficiado de um penalti em todos os jogos. Em Outubro de 2014, o V. Guimarães de Vitória ganhou ao Boavista de Petit por 3-0, perdendo depois por 3-1 no Bessa, em Março de 2015. Pelo meio, em Janeiro, as duas equipas tinham empatado a dois golos no Porto para a Taça da Liga.   Será o segundo jogo do Benfica sem Renato Sanches desde que, na sequência da eliminação da Taça de Portugal, frente ao Sporting, o jovem assumiu a titularidade, em Astana, em meados de Novembro. Na ausência anterior, para o poupar à possibilidade de um quinto amarelo que o afastasse do dérbi de Alvalade, o Benfica ganhou por 2-0 ao U. Madeira. Desde então, Renato esteve em 22 jogos, dois dos quais como suplente utilizado, sendo que o Benfica empatou dois e perdeu outros tantos.   O Tondela obteve fora de casa sete dos oito pontos conquistados sob o comando de Petit. Fê-lo ganhando ao Moreirense (2-1) e ao Rio Ave (3-2), empatando pelo meio com o Sporting em Alvalade (2-2). A exceção foi o ponto saído do empate em casa contra o V. Guimarães (1-1).   Aliás, o Tondela vem com seis jogos seguidos sempre a marcar golos fora de casa… mas também sofreu sempre e só numa dessas ocasiões encaixou menos de dois golos. A última vez que o seu ataque ficou em branco em viagem foi a 6 de Dezembro, frente ao U. Madeira (0-2), ainda com Rui Bento aos comandos. Desde então marcou em Vila do Conde (3-2 ao Rio Ave), em Coimbra (1-2 com a Académica), em Alvalade (2-2 com o Sporting), na Choupana (1-3 com o Nacional), na Amoreira (1-2 com o Estoril) e em Moreira de Cónegos (2-1 ao Moreirense).   Curioso é que em três das quatro últimas deslocações o Tondela teve um penalti a favor. Nathan Junior marcou ao Moreirense, ao Estoril e ao Sporting, sendo a exceção a deslocação ao Nacional. A curiosidade aumenta quando se percebe que o Benfica é a única equipa da Liga que ainda não teve um penalti contra em toda a prova.   Este será apenas o segundo encontro entre Benfica e Tondela na história dos clubes. No anterior, que teve lugar em Aveiro, em finais de Outubro, os encarnados ganharam por 4-0, com golos de Jonas, Gonçalo Guedes, Carcela e Berger (este na própria baliza).   Esse foi, de resto, o último jogo de Berger pelo Tondela, o defesa-central austríaco que até tinha feito ao Benfica o primeiro golo em Portugal, numa histórica vitória da Académica na Luz, por 3-0, em Abril de 2008. Kaká, outro dos defesas-centrais do Tondela, também esteve nesse jogo com a camisola da Académica.
2016-03-14
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Último Passe

A primeira vitória de uma equipa portuguesa contra o Zenit no Petrovskyi, obtida nos últimos minutos de jogo pelo Benfica (2-1), foi a melhor resposta à tentação resultadista em que, a dada altura, ambas as equipas caíram. Tinha-o feito o Benfica no início da segunda parte, ao baixar as linhas e reduzir a intensidade depois de 45 minutos em que foi sempre capaz de dividir o jogo com os russos, e também o fez o Zenit depois do golo de Hulk, apostando num ritmo mais pausado e na espera por um prolongamento que acabou por não chegar, fruto do empate de Gaitán e, depois, do golo da vitória, marcado no último segundo do jogo por Talisca. O resultado da décima vitória seguida dos encarnados fora de casa foi o justo apuramento para os quartos-de-final da Liga dos Campeões. Afinal, só durante 25 dos 180 minutos da eliminatória os russos justificaram os milhões de que é composto o seu plantel. Rui Vitória fez o onze que se impunha, mexendo só no que tinha mesmo de mexer, por força das ausências de Júlio César, André Almeida e Jardel. Baixou Samaris para central, chamou Fejsa e Nelson Semedo a um onze onde se mantinha Ederson. E o início do jogo foi bom para a equipa portuguesa, que durante toda a primeira parte foi capaz de dividir a iniciativa com os russos. Jonas tinha bola no meio-campo adversário, o meio-campo conseguia manobrar à vontade e a equipa até reagia sempre bem à perda de bola, com uma pressão intensa que impedia as transições ofensivas rápidas ao Zenit. Conseguia o Benfica levar o Zenit para onde queria, impedindo os russos de entrar em contra-ataque e forçando-os a um ataque organizado onde, até por imposições táticas – Witsel e Maurício, por exemplo, nunca saíam da sua área de ação – a equipa de Villas-Boas não é tão forte. Daí que o primeiro tempo se tenha concluído com uma igualdade nos remates e até nas ocasiões de golo. A segunda parte, porém, trouxe um Zenit muito mais ofensivo. E, seja por ter deixado de conseguir sair ou porque abdicou de o fazer, o Benfica pareceu preocupar-se demasiado cedo com a proteção da sua baliza. É certo que na primeira parte tinha tido alguns problemas com o controlo da largura defensiva, permitindo por vezes que os laterais do Zenit aparecessem em boa posição, mas o que saiu desta maior contenção encarnada foram os tais 25 minutos de superioridade clara dos russos, a culminar no golo que Zhirkov ofereceu a Hulk. Faltavam 21 minutos para o jogo acabar e, quando qualquer equipa de sangue quente partiria para cima do adversário, para ganhar vantagem, o que o Zenit fez foi congelar o jogo, à espera de um erro do Benfica ou do prolongamento. E, apesar da reação do Benfica, que voltou a dividir o jogo com os russos, era para aí que o jogo se dirigia quando, num momento de espontaneidade, a cinco minutos do final, Raul Jiménez arrancou um remate de fora da área, Lodygin desviou-o para a barra e Gaitán foi mais rápido que Lombaerts a acorrer à recarga. O golo de Gaitán matou o Zenit, que não conseguiu sequer voltar a organizar-se no período de jogo que faltava. E disso se aproveitou o Benfica, que no último dos cinco minutos de desconto dados pelo árbitro, ainda fez o 2-1, através de Talisca. A vitória no jogo, a décima seguida do Benfica em jogos fora de casa, igualando o recorde da equipa de Jimmy Hagan em 1972/73, talvez tenha sido um presente demasiado generoso – o que as equipas fizeram no campo apontava mais para um empate. Mas a honra de figurar entre as oito equipas que em Abril vão discutir os quartos-de-final da Liga dos Campeões, essa, o Benfica mereceu-a inteiramente.
2016-03-09
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O Benfica ganhou as últimas nove deslocações, todas as que fez desde o empate frente ao U. Madeira, na Choupana, em meados de Dezembro. Os encarnados igualaram assim a melhor série das épocas em que foram comandados por Jorge Jesus, obtida entre Novembro de 2010 e Fevereiro de 2011. E se ganharem ao Zenit em São Petersburgo não só se apuram para os quartos-de-final da Liga os Campeões como alcançam a dezena de saídas seguidas a ganhar que já não conhecem desde 1972/73, ano do campeonato que acabaram com 28 vitórias em 30 jogos. Após o empate frente ao U. Madeira, os encarnados ganharam por 1-0 ao V. Guimarães, por 4-1 ao Nacional, por 2-1 ao Estoril, por 1-0 ao Oriental, por 6-1 e 4-1 ao Moreirense, por 5-0 ao Belenenses, por 3-1 ao Paços de Ferreira e por 1-0 ao Sporting. São nove vitórias consecutivas em deslocações, tantas como as que conseguiu a equipa de Jorge Jesus em 2010/11. Nessa altura, também depois de um início atribulado, com seis derrotas nas primeiras nove deslocações da época (Nacional, V. Guimarães, Schalke, Lyon, FC Porto e Hapoel Tel-Aviv), o Benfica ganhou nove desafios seguidos fora de casa: 3-1 ao Beira Mar, 3-0 à U. Leiria, 1-0 à Académica, 2-0 ao Rio Ave, 4-0 ao Desp. Aves, 2-0 ao FC Porto, 2-0 ao V. Setúbal, 2-0 ao Sporting e 2-0 ao Stuttgart. A série foi interrompida ao décimo jogo, a 6 de Março de 2011 – fez no domingo cinco anos – com uma derrota em Braga, por 2-1, que deixou os encarnados a nove pontos do FC Porto de um certo André Villas-Boas. Esse acabou por ser um ano mau para o Benfica, que só ganhou a Taça da Liga, sendo segundo na Liga e afastado nas meias-finais da Taça de Portugal e da Liga Europa. Para se encontrarem dez vitórias seguidas do Benfica fora de casa é preciso recuar até à época de maior aproveitamento da história dos encarnados: 1972/73. Nesse ano, a equipa comandada por Jimmy Hagan foi campeã com largo avanço, ganhando os primeiros 23 jogos do campeonato. Daí que após a derrota frente ao Derby County (3-0, para a Taça dos Campeões), a 25 de Outubro de 1972, tenha ganho as dez saídas que se seguiram: 1-0 ao V. Setúbal, 2-0 ao U. Tomar, 2-1 ao V. Guimarães, 1-0 à CUF, 1-0 ao Montijo, 5-1 ao Leixões, 2-1 ao Beira Mar, 2-1 ao Sporting, 2-0 e 4-2 ao Belenenses. A série foi interrompida ao 11º jogo, um empate a dois golos com o FC Porto nas Antas, que chegou para garantir matematicamente o título quando ainda faltavam seis jornadas para o fim da competição.   Os jogos do Zenit após a interrupção invernal têm-se pautado por poucos golos. Além da derrota por 1-0 com o Benfica (golo de Jonas no último minuto), o Zenit ganhou por 1-0 ao Kuban Krasnodar, na Taça da Rússia, mas só no prolongamento (golo de Maurício), e empatou a zero com o Krasnodar no reatamento da Liga russa, onde ocupa a quinta posição, a nove pontos do líder, que é o CSKA Moscovo.   Só por uma vez o Benfica deixou desbaratar uma vantagem de 1-0 nas competições europeias. Foi em 2004/05, quando ganhou por 1-0 ao Anderlecht na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões e depois foi derrotado por 3-0 em Bruxelas, caindo para a Liga Europa. Nas outras 11 ocasiões em que ganhou a primeira mão de uma eliminatória europeia por 1-0, o Benfica seguiu em frente.   Por sua vez, o Zenit só perdeu fora por 1-0 na primeira mão por uma vez e conseguiu dar a volta. Foi na terceira pré-eliminatória da Champions de 2014/15. Os russos perderam por 1-0 no terreno do AEL Limasol de Cadu, Carlitos e Zezinho e venceram depois em casa por 3-0, com golos de Rondón, Danny e Kerzhakov.   Rui Vitória e André Villas-Boas já se defrontaram três vezes, com uma vitória para cada um e um empate. As duas primeiras aconteceram em 2010/11, ano do super-FC Porto. Os azuis e brancos de Villas-Boas venceram por 3-0 em Paços de Ferreira, onde o atual técnico do Benfica estava a começar a carreira na I Divisão, com um golo e duas assistências de Hulk, atual jogador do Zenit. Depois não foram além de um empate a três bolas no Dragão, com a particularidade de ter sido o atual benfiquista Pizzi a marcar os três golos dos castores. O terceiro jogo foi a primeira mão desta eliminatória, favorável ao Benfica por 1-0, com golo de Jonas.   Nunca uma equipa portuguesa ganhou ao Zenit no Petrovskyi, mas em seis dos sete jogos que ali fizeram as equipas de Portugal marcaram golos. A única exceção foi o Benfica, que ali perdeu por 1-0 na fase de grupos da Liga dos Campeões de 2014/15. De resto, o Benfica já ali tinha perdido por  3-2 nos oitavos de final da Champions de 2011/12, passando a eliminatória. O FC Porto já empatou (1-1, em 2013) e perdeu (1-3 em 2011), havendo ainda a registar uma derrota do Paços de Ferreira (4-2, em 2013), um empate do Nacional (1-1, em 2009) e uma derrota do V. Guimarães (1-2 em 2005).   Além disso, o Benfica só ganhou uma vez na Rússia: foi em Outubro de 1996, quando venceu o Lokomotiv por 3-2, graças a golos de Panduru, Donizete e João Pinto. De resto, soma dois empates (0-0 com o Torpedo de Moscovo em 1977 e 2-2 com o Dynamo Moscovo em 1992) e perdeu nas últimas quatro deslocações: 2-0 com o CSKA em 2005, 3-2 com o Zenit e 2-1 com o Spartak em 2012 e 1-0 com o Zenit em 2014.   O Zenit tem no seu plantel três jogadores que já passaram pelo Benfica: os médios Witsel e Javi Garcia e o defesa-central Garay. Além disso, conta ainda com outros jogadores que têm ligações ao futebol português, como Hulk (ex-FC Porto), Danny (ex-Marítimo e Sporting) e Neto (ex-Varzim e Nacional).   O guardião Ederson vai fazer a estreia na Liga dos Campeões, mas já jogou duas vezes nas provas europeias, ambas na baliza do Rio Ave. Sofreu sempre dois golos: 2-2 em casa com o Steaua Bucareste e 0-2 em Kiev com o Dynamo.
2016-03-08
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Há um momento em “A vida de Brian”, a genial sátira à religião dos Monty Phytom, em que Graham Chapman, que passa a história a ser confundido com Jesus, vocifera: “Eu não sou o Messias! Podem por favor escutar-me? Eu não sou o Messias, compreendem? Honestamente!”. E logo uma rapariga na multidão clama: “Só o verdeiro Messias nega a Sua divindade”. Outro Bryan, este com y, o Ruiz, passou toda a época a ser confundido como a arma principal que inevitavelmente conduziria o Sporting ao título nacional de futebol, para em duas jornadas seguidas e decisivas, contra V. Guimarães e Benfica, falhar duas bolas de golo, de baliza aberta, já sem guarda-redes nem nada. Os dois falhanços fizeram a diferença entre os leões ficarem três pontos à frente do Benfica ou, como acontece neste momento, dois pontos atrás. E Rui Vitória, cujo apelido levou no início da época a tantas piadas sem a graça dos Phyton – “Tratem-me só por Rui, por favor!” – acabou por conseguir a vitória que mais interessava e que, a nove jornadas do fim da época, deixa o Benfica como principal favorito à conquista do título. No fim do dérbi de sábado, Jorge Jesus deixou que a frustração lhe tomasse conta do espírito e diminuiu de forma muito exagerada o mérito do Benfica na vitória de Alvalade. Dizer que “o Benfica ganhou aqui sem saber como” ou que aquele foi o Benfica “mais fraco” dos que esta época defrontou o Sporting é um erro de apreciação inaceitável para quem tem a experiência do treinador leonino. O Benfica de sábado foi mais forte que aquele que se apresentou receoso na Supertaça, que o que se mostrou desorientado na partida da Luz ou que o que se revelou impotente no jogo da Taça de Portugal, que também abriu com um golo no primeiro remate à baliza. Foi um Benfica defensivo? Foi. Mas foi um Benfica que, enquanto o jogo esteve a zero, mandou no jogo e obteve alguma supremacia territorial, abdicando depois de atacar quando se viu em vantagem. Podia ter perdido? Claro que sim. Mas isso não invalida que este tenha sido, isso sim, sem qualquer dúvida, o Sporting “mais fraco” dos quatro dérbis da época. Podia mesmo assim ter ganho? Claro que sim. Bastava que a bola que Jefferson mandou à barra tivesse entrado e que Bryan Ruiz não tivesse sido traído pela relva (que fez subir a bola) e pelo seu excesso de confiança no momento de concluir aquele cruzamento que o deixou a um par de metros da baliza, sem guarda-redes pela frente. Este não foi o Benfica mais fraco dos quatro dérbis. Foi o mais forte. Porque levou sempre o jogo para onde quis e quando quis. Porque, como é seu hábito – e isso é um elogio, não é uma crítica – foi uma equipa de golo fácil, que marcou na primeira vez que rematou. E porque, ao contrário do que aconteceu no jogo da Taça de Portugal em Alvalade, mesmo tendo abdicado da iniciativa quando se viu em vantagem, mesmo tendo baixado o bloco e colocado duas linhas à frente da sua área, mesmo tendo perdido o guarda-redes e um dos centrais titulares, não foi pisado pelos leões. Em contrapartida, o Sporting não mostrou a mesma capacidade para impor o seu jogo ofensivo aos encarnados. Porque nenhuma das três substituições feitas trouxe alguma coisa ao jogo. Porque há ali muita gente a render menos do que há uns meses: Slimani é disso o caso mais paradigmático, mas William (apesar da boa segunda parte, depois de 45 minutos muito fracos), Adrien ou o próprio Bruno César (que não tem o efeito no jogo que tinha Téo no Outono) também são bons exemplos. E francamente, com tanta poupança feita nas provas europeias, não se percebem as razões para a quebra de rendimento dos leões, sobretudo no plano ofensivo – três jogos a zero nos últimos cinco – levando a que as opções feitas na gestão do grupo e na sua recomposição no mercado de Janeiro devam ser avaliadas. O campeonato não ficou resolvido, mas teve mudança de favorito. Ao ganhar em Alvalade, ficando na frente e tendo o calendário mais fácil até final, o Benfica passou a ser a aposta mais segura para a conquista do título. Enquanto o Sporting ainda tem de se deslocar ao Dragão e a Braga (terceiro e quarto classificados) e, mais atrás na classificação, além do jogo com os leões, o FC Porto tem também deslocações complicadas pela frente, a Setúbal, Paços de Ferreira ou Vila do Conde, o Benfica joga cinco vezes em casa e, nas saídas, só Marítimo e Rio Ave parecem poder tirar-lhe pontos. O Sporting manteve a vantagem no confronto direto e provavelmente até poderá fazê-la valer… se ganhar todos os seus jogos. Mas para isso, Jesus, precisa de fazer valer o palmarés, de provar que não é um qualquer Brian, a cantar “Always looking on the bright side of life” enquanto os seus objetivos se esfumam.
2016-03-07
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Jonas obteve, na vitória do Benfica frente ao U. Madeira (2-0) o 10º bis da época, depois de já ter marcado por duas vezes nos jogos com Estoril (4-0), Belenenses (6-0), Paços de Ferreira (3-0), Académica (3-0), Rio Ave (3-1), Marítimo (6-0), Moreirense (4-1) e Belenenses (5-0). Para se chegar aos dez jogos é preciso juntar um hat-trick, ao Nacional (4-1).   Com os dois golos ao U. Madeira, o brasileiro voltou a colocar-se no primeiro lugar da corrida à Bota de Ouro de 2016. Soma 26 golos no campeonato, prova onde marcou a todas as equipas menos cinco: Sporting, FC Porto, Sp. Braga, V. Guimarães e Boavista. Destas cinco, conseguiu na época passada marcar a Sp. Braga, V. Guimarães e Boavista, o que significa que em Portugal só Sporting e FC Porto não sabem ainda o que é sofrer um golo de Jonas.   Jonas soma estes 26 golos em 24 jornadas, produção muito melhor que a da época passada, na qual, é verdade, só começou a jogar à 7ª ronda. À 24ª jornada, Jonas tinha no ano passado apenas nove golos, tendo depois feito mais onze nas dez partidas que restaram até final da época. Há 14 anos que nenhum jogador tinha tantos golos marcados à 24ª jornada da Liga portuguesa. O último foi Jardel, que em 2001/02 chegou a este ponto com 28 golos marcados.   Além disso, Jonas igualou o melhor marcador do Benfica num campeonato deste século, que foi Oscar Cardozo, autor de 26 golos nas 30 rondas de 2009/10. Basta-lhe fazer mais um para se isolar nesta tabela e continuar a perseguir Mats Magnusson, que acabou as 34 jornadas de 1989/90 com 33 golos.   Contabilizando todas as provas, Jonas marcou golos pela terceira partida consecutiva, depois de já ter feito o golo da vitória sobre o Zenit (1-0) e de ter marcado um na vitória em Paços de Ferreira (3-1). Foi a primeira vez que o brasileiro marcou em três jogos consecutivos nesta época, sendo que na anterior tem duas séries de quatro jogos seguidos a marcar.   Quem ficou em branco foi o grego Mitroglou, que assim parou a sua série de jornadas de Liga sempre a marcar nas sete. Tinha marcado ao Nacional (4-1), ao Estoril (2-1), ao Arouca (3-1), ao Moreirense (4-1), ao Belenenses (5-0), ao FC Porto (2-1) e ao Paços de Ferreira (3-1), antes de voltar aos zeros frente ao U. Madeira. Igualou um registo que ninguém conseguia obter desde Jackson Martínez, que marcou sempre entre a segunda e a oitava jornada de 2012/13.   Vinte jogos depois, Renato Sanches falhou um jogo do Benfica. Rui Vitória poupou o médio, que tem quatro amarelos na Liga e por isso corria o risco de ficar suspenso para o jogo com o Sporting, na 25ª jornada. Renato vinha com 20 jogos seguidos sempre a jogar, 18 como titular e dois como suplente utilizado (ambos na Taça da Liga), sendo que não ficava a ver os companheiros jogar precisamente desde a última visita a Alvalade, a derrota (1-2, após prolongamento) para a Taça de Portugal.   O U. Madeira somou a terceira derrota consecutiva fora de casa, depois de perder em Guimarães (1-3 com o Vitória) e em Arouca (0-3). Nas últimas sete deslocações, perdeu seis: todas menos o jogo com o Marítimo, que ganhou por 1-0, mas para o qual não teve de sair da Madeira.   Ganhando ao U. Madeira, o Benfica chega à 24ª jornada com 58 pontos, menos quatro do que na época passada com igual número de partidas jogadas. Apesar de estar apenas a um ponto da liderança, é o Benfica com menos pontos desde 2011/12, quando chegou à 24ª ronda com 56 pontos, a dois do líder, que era o Sp. Braga – e acabou a Liga em segundo lugar, com 69, a seis do FC Porto. Não se vê um campeão com tão poucos pontos desde essa mesma época, pois o FC Porto, que acabou na frente, com 75 pontos, tinha apenas 57 à 24ª jornada.   Os dois golos que os encrnados marcaram ao U. Madeira chegam para que a equipa de Rui Vitória se mantenha como melhor ataque da competição, com 65 golos marcados, mas 16 do que o segundo melhor ataque, que é o do Sporting (tem 49). Mas já deixou de ser preciso ir tão atrás para se encontrar um Benfica tão concretizador como este: esta equipa tem mais cinco golos do que na época passada (somava 60 à 24ª jornada), mas menos um do que em 2012/13 (estava nos 66 após 24 jogos).
2016-03-01
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Kostas Mitroglou marcou, na vitória do Benfica sobre o Paços de Ferreira (3-1), pela sétima jornada consecutiva da Liga. Já tinha feito golos nas partidas frente ao Nacional (4-1), Estoril (2-1), Arouca (3-1), Moreirense (4-1), Belenenses (5-0) e FC Porto (1-2), pelo que o golo inaugural da partida em Paços de Ferreira significou que melhorou o máximo (que já lhe pertencia) na Liga de 2015/16, igualando um registo que ninguém obtinha desde Jackson Martínez. O colombiano do FC Porto tinha feito oito golos em sete jogos seguidos, entre a 2ª e a 8ª jornadas da Liga de 2012/13.   O Benfica obteve a oitava vitória seguida fora de casa, pois ganhou todas as deslocações (em todas as provas) desde o empate a zero na Choupana, contra o U. Madeira, a 15 de Dezembro. Pelo caminho ficaram V. Guimarães (1-0), Nacional (4-1), Estoril (2-1), Oriental (1-0), Moreirense (6-1 e 4-1) e Belenenses (5-0). Os encarnados não conseguiam uma série de deslocações tão boa desde 2010/11, quando ganharam nove deslocações consecutivas após a derrota frente ao Hapoel Tel-Aviv (3-0): 3-1 ao Beira Mar, 3-0 à U. Leiria, 1-0 à Académica, 2-0 ao Rio Ave, 4-0 ao Aves, 2-0 ao FC Porto, 2-0 ao V. Setúbal, 2-0 ao Sporting e 2-0 ao Stuttgart. Essa série foi interrompida a 6 de Março de 2011, com uma derrota em Braga, por 2-1.   O Paços de Ferreira, por sua vez, vem com oito jogos seguidos sem ganhar, quatro deles em casa. A última vitória da equipa de Jorge Simão aconteceu a 11 de Janeiro, frente ao V. Setúbal, por 2-1. Desde aí, empatou fora com Académica e Arouca (ambos 1-1), perdeu em casa com o Sporting (1-3) e o Portimonense (2-3), empatou fora com o Arouca (2-2), perdeu em casa com o Boavista (1-0), empatou no terreno do Rio Ave (1-1) e foi agora batido pelo Benfica (1-3). É a pior sequência de resultados do Paços desde os nove jogos seguidos sem ganhar, entre o 1-0 ao Belenenses (a 24 de Novembro de 2013) e o 2-1 ao Sp. Covilhã (a 15 de Janeiro de 2014).   Jonas fez o 50º jogo na Liga portuguesa e assinalou-o com um golo (o seu 44º na prova) de penalti. Foi o sexto penalti de que o Benfica beneficiou na presente Liga, o que deixa os encarnados apenas atrás dos dez de Paços de Ferreira e Sporting. Em contrapartida, os leões já tiveram quatro contra, os pacenses sofreram neste jogo o segundo e os encarnados ainda não foram punidos com nenhum.   O golão de Diogo Jota foi o nono que o jovem pacense fez esta época (sétimo na Liga), mas apenas o terceiro nos jogos em casa. Antes, Jota só tinha marcado no Capital do Móvel a Estoril e U. Madeira, em dois jogos que o Paços de Ferreira tinha ganho. Aliás, dos 13 golos que Jota já marcou como sénior, este foi o primeiro que não impediu a derrota do Paços. Até aqui, sempre que ele marcou, o Paços de Ferreira só não tinha ganho um jogo: o empate a uma bola com a Académica.   LIndelof fez o seu primeiro golo pelo Benfica – já tinha marcado na equipa B – e na Liga. O último golo do sueco tinha sido a 10 de Abril de 2015, num empate a duas bolas entre o Benfica B e o Chaves.   O Benfica continua a ter o ataque mais realizador da Liga, agora com 63 golos em 23 jornadas. É a maior produtividade atacante de uma equipa do Benfica no campeonato desde 1983/84, quando a formação liderada por Sven-Goran Eriksson chegou à 23ª jornada com mais nove golos: 72. Nessa época, o Benfica foi campeão, com 86 golos em 30 jornadas.   Com a vitória, o Benfica passa a somar 55 pontos, o pior pecúlio dos encarnados em 23 jornadas desde 2010/11, o ano de ressaca do primeiro título nacional com Jesus. Nessa época, em que o campeão foi o FC Porto de Villas-Boas, o Benfica somava 52 pontos à 23ª jornada. Desde aí, tinha estes mesmos 55 em 2011/12 (FC Porto foi bicampeão), 61 em 2012/13 (FC Porto foi tricampeão), 58 em 2013/14 (campeonato para o Benfica) e 59 na época passada (a do bicampeonato).   Eliseu fez o seu 100º jogo na Liga, o 48º com a camisola do Benfica – sendo que os outros 52 foram ao serviço do Belenenses, equipa pela qual se estreou, lançado por Manuel José, a 1 de Junho de 2003. Viu o quinto cartão amarelo da presente Liga, o que teve como consequência que estará suspenso na partida que aí vem, frente ao U. Madeira, mas limpa o cadastro e poderá estar no jogo com o Sporting.
2016-02-21
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Último Passe

Um Benfica menos intenso do que o habitual, possivelmente por força do desgaste do jogo de terça-feira, contra o Zenit, bastou ainda assim para ganhar em Paços de Ferreira por 3-1, resultado que lhe permite voltar a colar-se ao Sporting no topo da tabela da Liga e sentar-se no cadeirão a ver os rivais jogar. Os pacenses, que encararam o jogo com os bicampeões nacionais com dez ausentes, até se saíram melhor do que seria de esperar, sobretudo do ponto de vista ofensivo: dividiram o jogo até ao terceiro golo encarnado, abrindo brechas frequentes na organização defensiva de Rui Vitória. Sem Gaitán, Vitória chamou Carcela ao jogo, e o marroquino voltou a ser útil, fazendo logo aos 13’ a assistência para o golo com que Mitroglou confirmou a sétima jornada seguida a marcar. O facto de o golo ter aparecido na primeira vez que o Benfica entrou na área do Paços, somado às difíceis circunstâncias em que os donos da casa encararam a partida, com tanta gente impedida de alinhar, pareciam fazer adivinhar um passeio benfiquista na capital do móvel, mas foi aí que a equipa de Jorge Simão mostrou qualidade. É verdade que para isso pode ter contribuído alguma macieza do Benfica no jogo, mas Andrezinho, Edson e Diogo Jota conseguiam encontrar-se uns aos outros com muita frequência no meio-campo encarnado, assinando combinações ofensivas que demonstravam que o resultado não estava ainda feito. Um lance genial de Jota, a driblar Eliseu e Lindelof antes de cobrir Júlio César com um remate de fora da área, fez o empate, dez minutos depois, e deu um sinal concreto daquilo que já se adivinhava. Sucede que a qualidade do jogo ofensivo pacense não tinha correspondência no rigor da sua zona defensiva. Lindelof esteve à beira do 1-2, num canto em que ninguém o estorvou, mesmo antes do intervalo. E, antes de as equipas irem para o descanso, Jonas fez mesmo o golo, na conversão de uma grande penalidade que deixou o treinador da equipa da casa tão enervado a ponto de tirar o casaco. Ao Paços, aí, sobrou a ideia de que tinha de subir outra vez uma ladeira que já tinha subido para recuperar no placar. E o Benfica entrou mais forte após o intervalo: Pizzi deu mais ao jogo, ajudando Renato e Samaris na batalha pela zona central. O transmontano acabou mesmo por estar na origem do 1-3, que matou o jogo: bateu um livre lateral e viu Jardel ganhar no ar entre Marco Baixinho e Bruno Araújo, acorrendo Lindelof a finalizar a sobra. A ladeira, que já era íngreme com 1-2, tornou-se intransponível ao 1-3. É verdade que um golo podia acordar o Paços de Ferreira no jogo, mas mesmo gerindo o plantel – entraram Salvio e Nelson Semedo, ambos à procura de ritmo – Rui Vitória viu o Benfica controlar até final. Consumada nova igualdade pontual com o Sporting, que só joga na segunda-feira e tem depois a Europa a atrapalhar a meio da semana, pode sentar-se calmamente a ver se os adversários escorregam.
2016-02-20
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Kostas Mitroglou marcou golos nas últimas seis jornadas da Liga, o que é um recorde desta época e a melhor marca da Liga portuguesa desde 2012/13, época em que o portista Jackson Martínez chegou às sete rondas seguidas a marcar. Se marcar ao Paços de Ferreira, o grego pode igualá-lo, bem como a Óscar Cardozo, que tinha sido o último a marcar em sete jornadas seguidas com a camisola do Benfica, em 2011/12. Na verdade, há 15 anos que ninguém consegue melhor – o último a chegar às oito jornadas seguidas a marcar foi Pena, em 2000/01. Mitroglou começou a saga na 17ª jornada, entrando a 18 minutos do fim para fazer um golo na vitória do Benfica por 4-1. Na 18ª já subiu ao relvado logo no início da segunda parte, participando igualmente com um golo na vitória encarnada sobre o Estoril (2-1). Na 19ª ronda já foi titular, marcando mais um golo nos 3-1 em casa ao Arouca. Depois disso, voltou a ser titular e a fazer um golo nos 4-1 com que o Benfica ganhou fora de casa ao Moreirense, na 20ª jornada. O hat-trick que conseguiu marcar ao Belenenses, nos 5-0 com que os encarnados venceram no Restelo, na 21ª jornada, aumentou a série de jogos a marcar para cinco, sendo os seis atingidos com o golo ao FC Porto, ainda que na derrota do Benfica (1-2), na Luz. Ao marcar em seis jornadas seguidas, Mitroglou estabeleceu um novo recorde da presente edição da Liga, na qual o máximo anterior pertencia ao sportinguista Slimani, que marcara em cinco rondas consecutivas. E tem agora a hipótese de chegar a uma série goleadora que ninguém obtinha desde 2012/13, quando o portista Jackson Martínez marcou oito golos em sete jogos, entre as jornadas 2 e 8 da Liga. Ficou em branco ao oitavo jogo, uma vitória do FC Porto frente à Académica (2-1). Aliás, a maldição do oitavo jogo tem atacado todos os grandes goleadores do campeonato português. O zero no jogo oito da sequência já afetou Cardozo em 2011/12 (oito golos em sete jogos, entre as jornadas 12 e 18, e depois nenhum na derrota do Benfica em Guimarães, à 19ª), Lima na mesma época (dez golos em sete jogos, entre a 18ª e a 24ª jornada, e depois nenhum na derrota do Sp. Braga na Luz, à 25ª), Jardel em 2001/02 (onze golos em sete jogos entre as jornadas 10 e 16 e depois nenhum na vitória do Sporting em Aveiro frente ao Beira Mar, na 17ª) e Derlei nessa mesma época (dez golos em sete jogos, entre a 14ª e a 20ª jornada, e depois nenhum na 21ª, na derrota da U. Leiria frente ao Sporting). O último a conseguir marcar em oito jornadas seguidas na Liga portuguesa foi, assim, o brasileiro Pena, que o FC Porto contratou em 2000, depois de transferir Jardel para o Galatasaray. Pena, aliás, não parou sequer ao nono jogo: teve uma entrada de rompante no futebol português, estreando-se à terceira jornada com um bis ao Paços de Ferreira, e foi marcando sempre até à 11ª. Nesses nove jogos seguidos fez 13 golos, ficando pela primeira vez em branco na vitória do FC Porto no terreno do Desp. Aves, por 1-0, a 19 de Novembro de 2000. Até final da época só fez mais nove golos, mas o acumulado permitiu-lhe ser o melhor marcador da Liga.   Jorge Simão, jovem treinador do Paços de Ferreira, nunca pontuou frente ao Benfica. Quando ainda comandava o Belenenses, perdeu com os encarnados em casa, por 2-0, na Liga passada. E esta época já levou o Paços a ser batido na Luz, por 3-0. Dois aspetos em comum aos dois jogos: a equipa de Simão nunca fez um golo e em ambos Jonas bisou pelo Benfica.   Rui Vitória, por sua vez, tem história no Paços de Ferreira, equipa que comandou em 2010/11 e no início de 2011/12, quando foi chamado a orientar o V. Guimarães. Desde que saiu da Mata Real, ganhou apenas quatro dos nove jogos contra os pacenses, dois dos quais fora de casa, empatando três e perdendo dois. Em todos os jogos a equipa de Rui Vitória (oito vezes o V. Guimarães e uma vez o Benfica) marcou golos.   O Benfica vem com sete vitórias seguidas fora de casa, tendo ganho todas as deslocações (em todas as provas) desde o empate na Choupana com o U. Madeira, a 15 de Dezembro. Pelo caminho ficaram V. Guimarães (1-0), Nacional (4-1), Estoril (2-1), Oriental (1-0), Moreirense (6-1 e 4-1) e Belenenses (5-0).   O Paços de Ferreira, por sua vez, vem com sete jogos seguidos sem conhecer a vitória, três deles em casa. Desde que ganhou na Capital do Móvel ao V. Setúbal, por 2-1, a 11 de Janeiro, a equipa de Jorge Simão empatou fora com Académica e Arouca (ambos 1-1), perdeu em casa com Sporting (1-3) e Portimonense (2-3), empatou fora com o Arouca (2-2), perdeu em casa com o Boavista (1-0) e empatou no terreno do Rio Ave (1-1).   As três derrotas seguidas do Paços de Ferreira em casa (1-3 com o Sporting na Liga, 2-3 com o Portimonense na Taça da Liga e 0-1 com o Boavista na Liga) igualam a pior série da época passada. Na altura, a equipa pacense foi sucessivamente batida por Famalicão (1-2, na Taça de Portugal), Rio Ave (1-2, Liga) e Nacional (2-3, Liga) reagindo precisamente no jogo com o Benfica para a Liga, que ganhou por 1-0.   Fejsa jogou pela primeira vez com a camisola do Benfica contra o Paços de Ferreira. Foi a 14 de Setembro de 2013 que Jorge Jesus o lançou, ainda na primeira parte, no lugar de Ruben Amorim. O Benfica já ganhava por 2-0 e acabou por vencer esse jogo por 3-1. Se recuperasse de lesão a tempo de defrontar os pacenses, o sérvio poderia fazer contra o mesmo adversário a 50ª partida pelos encarnados.   Talisca já tinha jogado pelo Benfica na Supertaça, mas estreou-se na Liga a defrontar o Paços de Ferreira, em partida da primeira jornada da época passada, a 17 de Agosto de 2014. Foi titular na vitória por 2-0, tendo saído aos 74 minutos, já com o jogo muito bem encaminhado. Esse foi também o jogo de estreia na Liga portuguesa de Rafael Defendi, o guarda-redes brasileiro do Paços.   Bruno Moreira, avançado do Paços de Ferreira, já marcou esta época ao Sporting e ao FC Porto. Nos joros em que marcou aos grandes, porém, o Paços perdeu: 1-2 com o FC Porto no Dragão e 1-3 com o Sporting na Mata Real.   O Paços de Ferreira interrompeu a 26 de Janeiro do ano passado uma série de nove vitórias consecutivas do Benfica na Mata Real, ganhando aos encarnados por 1-0, com um golo de penalti de Sérgio Oliveira, no último minuto. Antes desse jogo, a última vez que o Benfica não tinha ganho ali fora em Setembro de 2006, quando as duas equipas empataram a uma bola, com um golo de Katsouranis para os lisboetas e outro de João Paulo, já nos descontos, para os donos da casa.   Entre esses dois jogos, o Paços de Ferreira ainda empatou uma vez na Luz, a uma bola, na meia-final da Taça de Portugal de 2012/13 (marcaram Cardozo e Cícero), mas tal aconteceu quando o Benfica já tinha vencido a primeira mão, no Estádio Capital do Móvel, por 2-0. A superioridade encarnada neste duelo é esmagadora nos últimos anos: o Benfica ganhou 18 dos últimos 20 jogos entre ambos, empatando um e perdendo outro.
2016-02-19
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Último Passe

Um golo de Jonas, a beneficiar do espaço que Jardel lhe ganhou após uma bola parada de Gaitán, no último minuto de jogo, valeu ao Benfica uma vitória suada e difícil mas justa sobre o Zenit e a possibilidade de viajar até São Petersburgo com um 1-0 que pode ser curto, sobretudo em função do esperado crescimento competitivo dos russos nas três semanas que aí vêm, mas que é bem melhor do que parece, por ter sido conseguido sem sofrer golos em casa. Rui Vitória acabou assim por ver recompensada a estratégia de menor vertigem ofensiva que adotou, destinada sobretudo a controlar o contra-ataque de um Zenit sempre demasiado focado na criação de duas barreiras defensivas à frente da sua área e sem capacidade fisica para esticar o jogo até perto da baliza de Júlio César. Vitória acabou por optar pelo 4x4x2 do costume, repetindo mesmo o onze que tinha apresentado contra o FC Porto, mas via-se que a equipa arriscava muito menos do que o habitual, quer nos passes de rotura, quer nas trocas posicionais. A circulação voltou a ser feita com privilégio da segurança, quase sempre por fora e sem procura das penetrações pelo corredor central que têm notabilizado Renato Sanches. E sempre que Pizzi ou Gaitán vinham para dentro, havia a preocupação de Jonas em cair na faixa, de forma a não deixar a equipa descompensada em eventuais momentos de perda de bola. Depois, se André Almeida ainda aparecia com alguma frequência na frente, pela direita, do outro lado Eliseu surgia muito comedido, sempre de olho em Hulk, mesmo quando era o Benfica quem tinha a bola. Tudo somado à organização defensiva impecável dos russos, redundou num jogo muito fechado, sem grandes momentos de perigo. A exceção em toda a primeira parte foi um lance na direita em que Pizzi chutou para as mãos de Lodygin, e um tiro de fora da área de Jonas, que bateu em Lombaerts e podia ter traído o guarda-redes mas saiu ao lado. O Zenit, que no início do jogo dera uma ideia acerca daquilo a que vinha com uma aceleração quase letal de Danny, só voltou a dar um ar de sua graça no início da segunda parte, quando Witsel obrigou Júlio César a uma defesa apertada. Mas, à medida que o jogo avançava, os russos iam perdendo capacidade de chegar à frente e dessa forma ganhar tempo para a sua defesa respirar. Sentindo o adversário a vacilar e o jogo de sentido único, Rui Vitória mexeu. Primeiro Jiménez por Mitroglou, para ganhar mobilidade na frente. Depois, Pizzi por Carcela, de forma a ganhar largura e de meter mais bolas na área. Mas as ocasiões de golo iam na mesma escasseando e as que apareciam eram desperdiçadas. Gaitán podia ter marcado aos 69’, a passe de Jonas, mas chutou contra Lodygin. Jardel também esteve perto do 1-0 aos 72’, depois de solicitado por Lindelof, mas atirou para fora. E já o jogo se arrastava para o final com um 0-0 teimoso quando Jonas finalmente deu expressão ao marcador e uma maior esperança ao Benfica de seguir para os quartos-de-final da Liga dos Campeões. Daqui por três semanas, em São Petersburgo, mesmo sem Jardel e André Almeida – que estão suspensos por via do amarelo que viram na Luz – o Benfica sabe que defende uma vantagem curta, mas que se fizer um golo tem a tarefa muito facilitada. Deve ser essa a sua prioridade. 
2016-02-16
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Último Passe

A possibilidade recentemente levantada de o Benfica vir a jogar frente ao Zenit com Gaitán atrás de um só ponta-de-lança é uma das respostas possíveis ao dilema que afeta Rui Vitória e que em larga medida já afetava Jorge Jesus antes dele. Um dilema que prova que uma equipa é muito mais aquilo que se são os seus jogadores do que o que querem os seus treinadores. Aliás, no caso deste Benfica, falar em problema pode ser um exagero um pelo menos uma visão parcelar de uma mesma realidade. Depende do lado da moeda que virmos. O que me leva a concluir que, mais do que mudar, o Benfica tem de evoluir. E evoluir nunca pode passar pela anulação do seu melhor jogador, que é Jonas. Querem ver a coisa pelo lado mau? A jogar só com dois médios, mais ainda quando um deles é Renato Sanches, que sai muito da posição e a quem falta ainda, como é natural, experiência e capacidade tática no jogo sem bola, o Benfica destapa-se muito. Mas, se quer aproveitar Jonas, o Benfica tem de jogar com dois avançados e, obrigatoriamente, com dois médios, porque já se viu que, essencialmente por falta de efetividade de uma segunda zona de pressão, a possibilidade de fazer um dos alas (quase sempre Pizzi) derivar para o meio, em apoio aos médios-centro, pode resultar em falta de controlo da largura e em espaço a mais para os extremos do adversário entrarem em movimentos diagonais potencialmente letais. Pronto, agora vejamos a coisa pelo lado bom. Renato Sanches é uma máquina atacante e tem um pulmão inesgotável: com ele a carregar a equipa para a frente, o Benfica aumenta exponencialmente as possibilidades de desequilibrar no último terço. E Jonas, provavelmente o melhor jogador do último campeonato, pela capacidade técnica e de leitura de jogo, que o leva a tomar constantemente a melhor decisão tendo em conta aquilo de que a equipa necessita, não tem de ser visto como um problema, podendo, antes, ser uma solução. Grande parte da explicação para o facto de este Benfica ser muito forte com os fracos e mais fraco com os fortes tem a ver com o DNA da equipa. O papel do treinador é o de mascarar os defeitos e exaltar as virtudes. Tanto Jonas como Renato têm virtudes e defeitos. A necessidade de jogar com dois avançados serve para mascarar o defeito de Jonas, que não é capaz de render o mesmo sem referências frontais, sem tabeladores próximos. A eventualidade de jogar com três médios servirá para disfarçar o defeito de Renato, para manter o corredor central sempre bem preenchido nos momentos em que ele dispara para desequilibrar. A solução seria fácil se a equipa pudesse jogar com 12. Não pode, pelo que a mim me parece que o remédio não está na mudança e sim na evolução de Renato, que ainda é um miúdo e tem tempo para se transformar num número oito de classe mundial. Se mudar agora em vez de esperar pela evolução, Rui Vitória estará possivelmente a aumentar as hipóteses que tem de ganhar o jogo – e tempo para si próprio – mas estará a impor limites ao crescimento do jovem mais promissor alguma vez saído das escolas do Seixal. Ninguém disse que era uma decisão fácil…
2016-02-16
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A crescente afirmação internacional dos treinadores portugueses na Europa tem levado à repetição de uma situação até há bem pouco tempo inédita, que é a de equipas nacionais jogarem eliminatórias europeias contra formações dirigidas por técnicos nacionais. É o que vai passar-se quando o Benfica defrontar o Zenit de André Villas-Boas. O portuense é um dos três treinadores portugueses que já defrontou o Benfica nas provas da UEFA e, tendo sido o único a ganhar na Luz, vai também ser o primeiro a repetir a experiência. Villas-Boas já liderava o Zenit na época passada, quando os russos ganharam os dois jogos ao Benfica na fase de grupos da Liga dos Campeões: 2-0 na Luz e 1-0 em São Petersburgo. Na mesma época, o Benfica defrontou o Mónaco de Leonardo Jardim (0-0 no principado e 1-0 para o Benfica em Lisboa). Antes, em 2011, Domingos Paciência tinha sido o primeiro treinador português a defrontar o Benfica nas provas europeias, ainda que o tenha feito aos comandos do Sp. Braga, nas meias-finais da Liga Europa: perdeu por 2-1 na Luz mas ganhou por 1-0 em Braga e apurou-se para jogar a final da prova contra o FC Porto… de Villas-Boas. André Villas-Boas, de resto, vem com três vitórias consecutivas em visitas à Luz. Perdeu na primeira vez que ali foi, com a Académica, em 2009/10, por 4-0, mas depois ganhou sempre. Em 2010/11, já no FC Porto, ganhou para o campeonato por 2-1 (depois de ter goleado o Benfica de Jesus por 5-0 em casa) e para a Taça de Portugal por 3-1 (invertendo o rumo da meia-final, depois de ter perdido no Dragão por 2-0). Por fim, com o Zenit, voltou a vencer na Luz por 2-0, na época passada. Pelo meio, acabou por não visitar a Luz em mais duas ocasiões que os sorteios teriam ditado. Em 2011/12 foi demitido e substituído por Roberto Di Matteo antes das duas vitórias do Chelsea contra o Benfica: 1-0 na Luz e 2-1 em Stamford Bridge, a caminho da vitória nessa Liga dos Campeões. E em 2013/14 também foi afastado e substituído por Tim Sherwood antes de o Tottenham ser eliminado pelos encarnados, com 3-1 em Londres e 2-2 em Lisboa.   Rui Vitória e André Villas-Boas já se defrontaram duas vezes, com uma vitória e um empate para o atual treinador do Zenit. Foi em 2010/11, ano do super-FC Porto. Os azuis e brancos venceram por 3-0 em Paços de Ferreira, onde o atual técnico do Benfica estava a começar a carreira na I Divisão, com um golo e duas assistências de Hulk, atual jogador do Zenit. Mas depois não foram além de um empate a três bolas no Dragão, com a particularidade de ter sido o atual benfiquista Pizzi a marcar os três golos dos castores.   O Zenit ganhou as três últimas partidas que fez em Portugal. Antes dos 2-0 na Luz, na época passada, tinha batido o FC Porto por 1-0 na fase de grupos da Champions de 2013/14, e o Paços de Ferreira por 4-1 no play-off de acesso a essa mesma fase da competição.   O Benfica vem de uma derrota contra o FC Porto, em casa, que interrompeu uma série de onze vitórias seguidas, em todas as competições, desde o empate contra o U. Madeira (0-0), a 15 de Dezembro. Foi a sétima derrota da época para os encarnados, que até aqui reagiram quase sempre bem aos resultados negativos: na sequência das seis derrotas anteriores, ganharam quatro vezes (4-0 ao Estoril, 3-2 ao Moreirense, 3-0 ao Paços de Ferreira e 4-2 ao V. Setúbal), empataram uma (2-2 em Astana) e perderam outra (1-2 com o Galatasaray).   O Zenit, por sua vez, não faz um jogo competitivo há mais de dois meses. O último foi a derrota com o Gent, na Bélgica, por 2-1, que não impediu a equipa de André Villas-Boas de terminar destacada em primeiro lugar do Grupo H da Liga dos Campeões. Antes, o Zenit empatara com o Ufa e perdera com o Terek Grozny, pelo que já não ganha a ninguém desde 24 de Novembro, quando bateu por 2-0 o Valência que então era comandado por outro treinador português, na ocasião Nuno Espírito Santo.   O Zenit tem no seu plantel três jogadores que já passaram pelo Benfica: os médios Witsel e Javi Garcia e o defesa-central Garay. Além disso, conta ainda com outros jogadores que têm ligações ao futebol português, como Hulk (ex-FC Porto), Danny (ex-Marítimo e Sporting) e Neto (ex-Varzim e Nacional).   O Benfica só perdeu uma vez em casa contra equipas russas, tendo ganho quatro e empatado outras duas. A derrota foi precisamente o 0-2 com o Zenit, na época passada. Na Luz, empataram o Torpedo de Moscovo (0-0, em 1977/78) e o CSKA Moscovo (1-1, em 2004/05). E ali foram batidos o Dynamo de Moscovo (2-0, em 1992/93), o Lokomotiv Moscovo (1-0, em 1996/97), o próprio Zenit (2-0, em 2011/12) e o Spartak de Moscovo (2-0, em 2012/13).  
2016-02-15
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A vitória por 2-1 na Luz significa que o FC Porto voltou a ganhar um clássico fora de casa, na Liga, quatro anos (e oito jogos) depois. A última vitória a contar para a Liga contra outro grande, em Lisboa, tinha sido a 2 de Março de 2012: 3-2 na Luz. Desde aí, empatou com o Benfica (2-2) e o Sporting (0-0) em 2012/13; perdeu na Luz (2-0) e em Alvalade (1-0) em 2013/14; voltou a empatar no terreno do Sporting (1-1) e do Benfica (0-0) em 2014/15; e já tinha perdido em Alvalade (2-0) esta época.   Aboubakar, autor do golo da vitória portista, chegou aos 16 golos na época, igualando a sua melhor marca numa temporada inteira, que foi atingida em 2013/14, quando marcou os mesmos 16 golos, mas em 36 jogos pelo Lorient. Desta vez atingiu-os em 31 jogos, tendo marcado onze na Liga, três na Liga dos Campeões, um na Taça de Portugal e um na Taça da Liga.   José Peseiro ganhou pela primeira vez ao Benfica na Luz. Fê-lo à quinta visita – até aqui conseguira apenas dois empates – passando a partir de agora a ter saldo positivo nos confrontos com os encarnados. Ao todo, o treinador de Coruche soma quatro vitórias e três derrotas em dez jogos contra o Benfica.   Em contrapartida, Rui Vitória continua a ver no FC Porto a sua besta negra, pois nunca ganhou à equipa azul-e-branca. Vitória perdeu dez dos 14 jogos contra o FC Porto, ainda que um dos seus quatro empates tenha feito muito por torná-lo conhecido em Portugal: depois de empatar a zero, quando ainda liderava o Fátima, viu a sua equipa afastar o FC Porto da Taça da Liga no desempate por grandes penalidades.   Vitória continua avesso ao sucesso nos clássicos. Perdeu o quinto esta época: 0-1, 0-3 e 1-2 contra o Sporting; 0-1 e 1-2 com o FC Porto. Na Liga, Vitória segue com três derrotas em outros tantos clássicos, sendo que ainda lhe resta uma oportunidade para ganhar um, quando visitar o Sporting, em Março. Ora o Benfica foi campeão na época passada ganhando apenas um clássico: 2-0 frente ao FC Porto no Dragão.   Mesmo que não vença nesse jogo, Vitória pode ficar descansado, pois a história mostra que é possível ser campeão sem vitórias nos clássicos. Mas é preciso recuar muito tempo: o último campeão sem vitórias nos quatro clássicos da época foi precisamente o Benfica, mas há quase 50 anos. Foi em 1968/69 que a equipa de Otto Glória acabou a Liga na frente, com dois pontos de avanço sobre o FC Porto, tendo empatado (0-0) e perdido (1-0) com os dragões e empatado ambos os jogos com o Sporting (sempre 0-0).   Mais complicado é encontrar um campeão sem pontuar nos quatro clássicos. Na verdade nunca aconteceu. E só houve mais uma equipa a vencer a Liga sem ganhar um clássico: foi o Benfica de 1963/64, que também foi campeão sem ganhar um único, mas tirou deles três empates. Por isso, diz a história que em Alvalade, em Março, os encarnados têm de tirar pelo menos um empate.   Se não conseguir pontuar nesse jogo de Alvalade, o Benfica enfrentará a primeira época sem pontos nos clássicos desde 1939/40. Nessa época, a equipa de Janos Biri perdeu duas vezes com o FC Porto (2-3 em casa e 2-4 fora) e outras tantas com o Sporting (sempre 1-3, tanto em casa como fora). O FC Porto de Mihaly Siska ganhou esse campeonato.   Mitroglou marcou pela sexta jornada consecutiva da Liga, depois de já ter feito golos ao Nacional (4-1), Estoril (2-1), Arouca (3-1), Moreirense (4-1) e Belenenses (5-0). Superou Slimani, que estivera cinco jornadas seguidas a marcar, e passou a deter o melhor registo de golos em jornadas seguidas desta Liga. Desde o período entre Dezembro de 2011 e Fevereiro de 2012 que nenhum jogador do Benfica marcava em seis jornadas seguidas. O último a fazê-lo foi Cardozo, que não se ficou por aí e estendeu a série a uma sétima ronda.   O Benfica viu a série de vitórias consecutivas que trazia interrompida nas onze, caindo ao 12º jogo. Na Liga, conseguiu oito vitórias seguidas desde o empate contra o U. Madeira (0-0), quedando-se a uma da melhor série da época passada.   Foi a oitava derrota do Benfica esta época e a segunda com o FC Porto. Os encarnados somam ainda mais três com o Sporting, uma com o Arouca, uma com o Atlético Madrid e outra com o Galatasaray. Nestas oito derrotas, o Benfica marcou primeiro em três: além desta, há ainda mais duas por 2-1, de virada, contra o Sporting e o Galatasaray. Na Liga, foi a primeira derrota do Benfica com virada no marcador desde que foi batido pelo Rio Ave (também 2-1), em Março do ano passado.   Foi, por outro lado, a terceira vitória de virada do FC Porto esta época, depois de já ter conseguido inverter os resultados dos jogos com o Paços de Ferreira (de 0-1 para 2-1) e com o Estoril (de 0-1 para 3-1). Duas destas três reviravoltas aconteceram já com José Peseiro ao leme.   Layun fez mais uma assistência, ao pertencer-lhe o passe para o golo de Herrera. Foi o 14º passe de golo do lateral mexicano nesta Liga, o que faz dele o melhor assistente da prova, a larga distância dos segundos, que são os benfiquistas Jonas e Gaitán, com nove.
2016-02-14
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Último Passe

Um super-Iker Casillas foi o suporte principal de uma exibição personalizada do FC Porto, a ganhar por 2-1 ao Benfica na Luz e a manter-se vivo na luta pelo título, pois dista agora três pontos dos dois primeiros – ainda que o Sporting tenha um jogo a menos. A história do jogo, no entanto, não se resume às três ou quatro grandes defesas do guarda-redes espanhol ou à noite perdulária dos avançados encarnados, que em outras jornadas têm sido um exemplo de eficácia. Houve na vitória portista dedo do treinador, nomeadamente na forma como José Peseiro levou o FC Porto a explorar a incapacidade do Benfica para controlar a largura do ponto de vista defensivo. A primeira aposta de Peseiro, contudo, falhou. O FC Porto tentou surpreender com Brahimi ao meio e André sobre um dos corredores laterais, no 4x2x3x1 habitual, mas a troca não trouxe nada de positivo ao jogo portista. Por essa altura, os dragões até tinham mais bola, mas revelavam aquele que é um dos defeitos habituais nas equipas de Peseiro: deficiente transição defensiva, a permitir saídas rápidas e perigosas ao Benfica. Rui Vitória apresentou a equipa habitual, com Renato Sanches eufórico de energia e contagiante sempre que a equipa tinha a bola, e teve a primeira ocasião de golo, por Pizzi, na sequência de um contra-ataque originado numa perda de bola de Aboubakar na área de Júlio César. O golo de Mitroglou, nascido de uma insistência de Renato, não trouxe grandes mudanças ao jogo, pois o FC Porto continuava a precisar de arriscar: expunha-se a atacar, mas quando em posse fazia valer a superioridade numérica a meio-campo para explorar a dificuldade benfiquista no controlo da largura defensiva. Porque o Benfica pressionava num primeiro momento, mas assim que a primeira pressão era ultrapassada dava espaço aos médios dos dragões para lançar os extremos, sobretudo Brahimi, que por essa altura já andava pela esquerda. Um momento de hesitação de Pizzi, apanhando em terra de ninguém, entre apoiar André Almeida na contenção a Layun e controlar Herrera, deu o golo do empate ao FC Porto, marcado pelo médio mexicano num remate muito colocado, ainda na primeira parte. E depois entrou em campo Casillas. Ainda na primeira parte, o espanhol fez uma defesa monumental, a impedir Jonas de desempatar. Depois do intervalo, roubou o golo a Gaitán, em mais um contra-ataque velocíssimo, após um canto a favo do FC Porto. Pelo meio, Mitroglou e Samaris também falharam o 2-1, em boa posição para o fazer. E Aboubakar, que também tinha já desperdiçado uma boa chance de golo, marcou na outra baliza, aproveitando uma boa combinação entre Brahimi e André André. Com o golo do camaronês, aí sim, o jogo mudou. Porque o FC Porto baixou o bloco e deixou de se expor tanto. O Benfica teve então de enfrentar um jogo diferente, face a um adversário defensivamente organizado. Mesmo assim, Casillas ainda brilhou por mais duas vezes, evitando um autogolo de Martins-Indi e opondo-se a uma finalização de Mitroglou para assegurar que os três pontos iam para Norte. Com este resultado, Rui Vitória enfrenta agora um novo desafio. Continua à frente do FC Porto, mas pode ver o Sporting fugir de novo e, sobretudo, precisa de gerir o esvaziar do balão da euforia que as onze vitórias seguidas vinham enchendo e de convencer os seus jogadores de que é capaz de os levar a ganhar um clássico: até aqui, são cinco derrotas em cinco jogos. Do outro lado, José Peseiro marca posição. O que se viu foi um FC Porto mais forte do que ultimamente, perfeitamente dentro das contas do título, pois está a três pontos do Benfica – que ainda tem de ir a Alvalade – e do Sporting – que tem um jogo a menos mas irá ao Dragão na antepenúltima jornada.
2016-02-12
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Há 22 anos que o FC Porto não ia jogar à Luz a uma tão grande distância do rival. Os dragões de José Peseiro deslocam-se a Lisboa para se manterem vivos na luta pelo título, o que pressupõe uma vitória ou pelo menos um empate e uma grande dose de fé, pois estão a seis pontos do Benfica na tabela. A última vez que entraram na Luz tão longe do rival foi em Fevereiro de 1994, quando a equipa que há pouco tempo era liderada por um treinador que tinha passado com ligações ao Sporting – Bobby Robson – chegou à Luz, em partida da 18ª jornada do campeonato, e deitou tudo a perder com uma derrota por 2-0. Foi o famoso jogo da expulsão de Fernando Couto, por agressão a Mozer, que levou Robson no final a criticar duramente o central, dizendo: “Benfica 2, Couto 0”. No fim da época, o Benfica foi campeão, não sem antes ganhar o dérbi de Alvalade ao Sporting, com o fim de tarde mágico de João Pinto a refletir-se nos 6-3 finais. Nesse Fevereiro de 1994, à entrada para o clássico entre Benfica e FC Porto, os encarnados somavam 28 pontos e os portistas tinham 24. A vitória, no entanto, ainda valia apenas dois pontos, pelo que convertendo as pontuações para a realidade atual veríamos o Benfica com 40 pontos e o FC Porto com 33. Ao contrário de José Peseiro, Bobby Robson fazia naquela noite a estreia como treinador do FC Porto no campeonato, embora já tivesse liderado a equipa numa vitória frente ao Salgueiros na Taça de Portugal. A vitória do Benfica por 2-0, com golos de Ailton (aos 37’) e Rui Costa (aos 55’), distanciou ainda mais os encarnados dos azuis e brancos. O Benfica de Toni seguia nessa altura com três pontos de vantagem sobre o Sporting, que era segundo colocado. Haveria de deixar essa vantagem esfumar-se, mas conseguiu ser campeão graças aos 6-3 no dérbi de Lisboa. Com uma boa ponta final, associada à descrença do Sporting após ser goleado no dérbi, o FC Porto ainda foi segundo classificado, a dois pontos do Benfica – ainda que pelas atuais regras de pontuação essa desvantagem passasse para quatro pontos. Depois desse clássico de Fevereiro de 1994, o FC Porto voltou à Luz para mais 21 jogos a contar para a Liga, mas em nenhum entrou tão atrás do rival. Aliás, em 16 desses 21 jogos entrou mesmo em campo na frente do Benfica, e em alguns casos com vantagem confortabilíssima: 16 pontos em 1995/96, 13 em 2010/11 ou 12 em 1997/98, por exemplo. A maior vantagem que o Benfica teve desde então por ocasião do clássico jogado em sua casa foram os quatro pontos da louca época de 2004/05: os encarnados perderam o jogo, por 1-0, vendo a vantagem diminuir, mas acabaram na mesma por ser campeões no final da época, ultrapassando o Sporting na penúltima jornada, com um golo de Luisão no dérbi (1-0).   - Rui Vitória e José Peseiro chegaram a defrontar-se em campo, quando ambos eram jogadores de III Divisão, mas como treinadores só estiveram frente a frente quatro vezes, em 2012/13, com Vitória no V. Guimarães e Peseiro no Sp. Braga. Peseiro levou a melhor nos dois jogos da Liga (2-0 em Guimarães e 3-2 em Braga), empatou no reduto do adversário (0-0) a caminho da vitória bracarense na Taça da Liga e perdeu (após prolongamento) em Guimarães (2-1), na Taça de Portugal, que acabou por sorrir no final aos vimaranenses.   - Rui Vitória nunca ganhou ao FC Porto, ainda que tenha sido à conta de uma eliminação da equipa portista que o seu nome saltou para a ribalta do futebol português. Foi a 26 de Setembro de 2007, quando o seu Fátima eliminou os dragões da Taça da Liga, com um empate a zero que foi depois transformado em sucesso no desempate por grandes penalidades. Ao todo, em 13 jogos contra os dragões, perdeu nove e empatou quatro.   - Em contrapartida, José Peseiro tem um saldo equilibrado com o Benfica, pois ganhou três e perdeu três dos nove jogos que fez com os encarnados. As vitórias, porém, foram sempre obtidas em casa: 1-0 com o Nacional em 2002/03, 2-1 com o Sporting em 2004/05 e 2005/06. Na Luz, o melhor que conseguiu foram dois empates em quatro jogos, tendo um deles redundado na eliminação do seu Sporting da Taça de Portugal nas grandes penalidades. As mesmas grandes penalidades que, quando estava no Sp. Braga, lhe permitiram transformar um empate em passagem à final da Taça da Liga.   - Mitroglou marcou golos nas últimas cinco jornadas do campeonato, pois esteve entre os goleadores benfiquistas nas vitórias contra o Nacional (4-1), Estoril (2-1), Arouca (3-1), Moreirense (4-1) e Belenenses (5-0). Já igualou a melhor série de jogos a marcar esta época, que era pertença do sportinguista Slimani, também com cinco jornadas seguidas entre os goleadores. Mas se marcar ao FC Porto torna-se o primeiro a marcar em seis rondas consecutivas. No Benfica, ninguém marca golos em mais de cinco jornadas seguidas desde que Cardozo esteve entre os goleadores durante sete partidas de enfiada, entre Dezembro de 2011 e Fevereiro de 2012.   - O Benfica vem numa série de onze vitórias seguidas, contabilizando todas as competições. Os encarnados ganharam todos os desafios desde o empate a zero com o U. Madeira, a 15 de Dezembro. É a melhor série de resultados sucessivos do Benfica desde que obteve 18 vitórias seguidas, em 2010/11.   - Se contabilizarmos apenas os jogos da Liga, então o Benfica traz oito vitórias seguidas, ainda a uma da melhor série da época passada, que foram os nove sucessos seguidos entre a derrota em Braga (1-2, na oitava jornada, a 26 de Outubro) e a derrota em Paços de Ferreira (0-1, na 18ª ronda, a 26 de Fevereiro). Ao mesmo tempo, o Benfica não perde na Liga desde 25 de Outubro, quando foi batido pelo Sporting (0-3, na oitava jornada). São 14 jornadas sem derrota, a série mais longa desde as 28 partidas sem ser batido entre a primeira e a última ronda de 2013/14.   - O FC Porto, por sua vez, vem numa série particularmente negativa, pois perdeu quatro dos últimos sete jogos (V. Guimarães, Famalicão, Feirense e Arouca). Não se coloca sequer aquela teoria segundo a qual é raro os dragões perderem duas vezes seguidas, porque só esta época isso já lhes aconteceu duas vezes: em Dezembro e Janeiro foi o 1-3 com o Marítimo para a Taça da Liga e o 0-2 com o Sporting para o campeonato; mais tarde, em Janeiro, duas vezes 0-1, com o V. Guimarães na Liga e o Famalicão na Taça da Liga.   - Raro, no entanto, será ver o FC Porto perder duas jornadas seguidas na Liga. Tal não lhe acontece desde Outubro e Novembro de 2008, quando a equipa de Jesualdo Ferreira perdeu em casa com o Leixões (3-2) e fora com a Naval (1-0).   - O Benfica não fez golos ao FC Porto nos dois últimos confrontos entre as duas equipas: a derrota por 1-0 no Dragão, na primeira volta do atual campeonato, e o empate sem golos na Luz com que assegurou que mantinha o adversário a três pontos de distância, na ponta final da época passada. Os últimos golos benfiquistas ao FC Porto foram de Lima, no Dragão, em Dezembro de 2014, a valer uma vitória encarnada por 2-0.   - Em contrapartida, o FC Porto não marca na Luz para o campeonato desde Janeiro de 2013, quando ali foi empatar a duas bolas e se manteve com os mesmos pontos do adversário na frente da Liga. Mangala e Jackson Martínez foram os autores dos golos portistas nessa noite, tendo Matic e Gaitán marcado para o Benfica. Depois disso, o FC Poto já ali perdeu por 2-0 (2013/14) e empatou a zero (2014/15).   - O Benfica não ganha um clássico a nenhum dos outros grandes desde esse jogo em Dezembro de 2014 que venceu no Dragão por 2-0. Depois disso, ainda em 2014/15, empatou a uma bola com o Sporting em Alvalade e a zeros com o FC Porto na Luz. Já esta época, perdeu três vezes com o Sporting (1-0 na Supertaça, 3-0 na Liga e 2-1 na Taça de Portugal) e uma com o FC Porto (1-0 no Dragão).
2016-02-11
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O Benfica soma golos em cima de golos e Rui Vitória começa a convencer aqueles que dele tanto duvidavam. As reações têm sido múltiplas, entre os que dizem que os verdadeiros testes vão chegar agora, os que atribuem a melhoria à capacidade individual e à criatividade de três ou quatro jogadores muito acima da média e os que dizem que há muto trabalho do treinador na forma como a equipa subiu de rendimento. Todos têm razão. Porque este Benfica não descolou enquanto Rui Vitória não largou o ideário dos últimos anos e isso levou tempo, mas nunca conseguiria fazê-lo sem a capacidade individual dos seus melhores jogadores e, sim, faltam os testes a sério. Porque se já se sabe que este Benfica é capaz de ser muito forte com os mais fracos, ainda não se percebeu se sabe ser igualmente forte com aqueles que estão ao seu nível. Aquilo que se vê neste momento do Benfica é um futebol ofensivo avassalador, muito por culpa da criatividade e da tomada de decisão de Jonas, Gaitán e Pizzi, da presença na área que é assegurada por Mitroglou, das acelerações dadas ao jogo por Carcela e da dinâmica imprimida no transporte de bola por Renato Sanches. Tudo individualidades, ainda que, com exceção de Carcela e Sanches, que eram preteridos em favor de Gonçalo Guedes e da acumulação de Samaris com Fejsa, todos lá estivessem no penoso início de época em que o Benfica perdia tanto como ganhava. Ora é aí que entra o trabalho do treinador. Porque este Benfica comporta-se agora de forma muito diferente do que fazia nesse início de época. O Benfica de agora joga muito mais curto, com linhas mais próximas e sem a obsessão pela largura que revelava há uns meses, dessa forma favorecendo as coberturas e aumentando a possibilidade de tabelas. E ainda que o comportamento de Renato Sanches, que é ofensivamente tão vistoso, deixe muito a desejar quando a equipa perde a bola – seja porque está geralmente fora do sítio em transição defensiva ou porque ainda percebe mal as necessidades da equipa em organização defensiva – torna a equipa muito menos vulnerável aos ataques lançados pelos adversários. Por que é que isto levou tanto tempo a engendrar? Difícil responder. Mas aquilo que o Benfica vem fazendo permite ter teorias. Primeira de todas: as equipas levam tempo a construir. É que o maior problema do Benfica era, simultaneamente, a sua maior vantagem: a herança de seis anos de trabalho com Jesus. Na Supertaça, contra o Sporting, Jesus jogou bem mentalmente e, com o que disse, obrigou Vitória a abdicar dos suportes dessa herança, obrigou-o a mudar quando ainda era demasiado cedo para o fazer. Mas Vitória, que teve uma pré-época catastrófica por força daquilo que o Benfica quis lucrar na digressão à América do Norte, também terá evoluído na sua forma de pensar. O que se viu no dérbi com o Sporting, na Luz, nesses 0-3 de que o Benfica saiu tão diminuído, foi uma equipa com ideias desajustadas ou pelo menos impraticáveis contra adversários do mesmo nível: largura total, muitos passes laterais a atravessar o corredor central sem cobertura defensiva, convidando o adversário à interceção e à transição. O Benfica de hoje já não é isso. Joga com linhas mais próximas e favorece a diagonal dos alas para o corredor central, onde funcionam como ponto de apoio para progressões trianguladas mais seguras. Trocou a largura e a vertigem por uma posse com cabeça. Chegará para ganhar ao FC Porto e inflar ainda mais o balão da expectativa benfiquista? Essa é a grande dúvida da semana que vai entrar. Porque, por exemplo, no jogo da Taça de Portugal em Alvalade, o novo Benfica não foi capaz de se impor a um adversário do mesmo nível, nem mesmo beneficiando de um golo a frio que podia ter encaminhado o jogo para um desfecho completamente diferente. A favor dos encarnados está o facto de também o FC Porto de Peseiro ser uma equipa em mudança de processos e por isso a precisar do tal tempo de que precisou o Benfica de Vitória. Ou o facto de o Zenit de André Villas-Boas estar a regressar das férias de Inverno e ainda sem o ritmo competitivo de que precisaria para dar uma resposta à altura. Certo é que a próxima semana e meia definirá muito do que vai ser esta época para o Benfica. In Diário de Notícias, 08.02.2016
2016-02-08
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Rui Vitória só perdeu duas vezes em oito jogos com o Belenenses, que enfrentou ao serviço de V. Guimarães (sete vezes) e Benfica (uma), e só uma delas aconteceu no Restelo, onde decorrerá o jogo da 21ª jornada. Uma vitória num palco onde tem sido genericamente feliz pode significar que o treinador do Benfica irá dormir na liderança isolada da Liga, ainda que à condição, pois o Sporting, o atual líder, que segue dois pontos à frente, só fará o seu jogo na segunda-feira. É uma experiência que Rui Vitória não conhece desde 19 de Setembro de 2014, quando o seu V. Guimarães abriu a quinta ronda do campeonato com um empate frente ao Paços de Ferreira e ficou no topo da tabela por um dia e meio, até ser de lá destronado pelo Benfica, que ganhou ao Moreirense (3-1) e se isolou na frente. Na verdade, desde que chegou à Luz, Vitória já terminou uma jornada em primeiro lugar, mas apenas por diferença de golos, pois conseguiu contra o Estoril o resultado mais amplo da primeira jornada. Pode agora repetir a sensação frente a um Belenenses que não só está ligado a uma das maiores vitórias do treinador ribatejano na I Divisão (os 6-0 da primeira volta, já aos comandos do Benfica), como foi o último obstáculo que ele derrubou antes de chegar com o V. Guimarães à final da Taça de Portugal: em 2012/13, ganhou no Restelo por 2-0 e no D. Afonso Henriques por 1-0, qualificando-se para o jogo do Jamor, onde venceu o Benfica, por 2-1. Além desses três resultados, o treinador encarnado tem ainda mais dois contra o Belenenses, ambos na época passada: 2-0 em Guimarães para a Taça da Liga e 3-0 no Restelo para o campeonato. Soma ainda um empate (0-0 em Guimarães, em Dezembro de 2013) e duas derrotas (3-1 no Restelo em Abril de 2014 e 1-0 em Guimarães, faz um ano na próxima segunda-feira). Além disso, o Restelo está na história de Vitória por ter sido lá que obteve um dos sucessos mais mediáticos da sua carreira. Em 2007, depois de ter levado o Fátima a eliminar o FC Porto nos penaltis na primeira ronda da Taça da Liga, esteve à beira de afastar também o Sporting, ganhando por 2-1 no Restelo – casa emprestada dos leões nessa noite de 20 de Outubro – antes de perder por 3-2 em Fátima.     - O Belenenses não perde há cinco jogos. Desde que foi batido pelo Estoril, a 10 de Janeiro, na Amoreira, em jogo da última jornada da primeira volta, soma duas vitórias e um empate na Liga (2-1 ao Rio Ave e ao Marítimo e 3-3 com o V. Guimarães), mais uma vitória e um empate na Taça da Liga (4-0 ao Leixões e 1-1 com o Rio Ave). Esta não é, mesmo assim, a mais longa série de imbatibilidade dos azuis, que no início da época estiveram sete jogos sem perder até serem goleados pelo… Benfica.   - Em contrapartida, o Benfica vem com dez vitórias seguidas, desde o empate a zero com o U. Madeira, a 15 de Dezembro. Já superou o melhor registo da época passada e igualou o recorde de 2013/14. Se ganhar ao Belenenses repete uma série de onze jogos seguidos a ganhar que já não experimenta desde 2011/12 e será preciso recuar a 2010/11 para encontrar uma sequência melhor. Essa já levará mais tempo a igualar, pois é de 18 jogos.   - Desde que substituiu Ricardo Sá Pinto, o treinador espanhol Júlio Velásquez, só perdeu dois dos dez jogos que fez, ambos fora de casa (2-1 com o Sp. Braga e 2-0 com o Estoril). No Restelo, o Belenenses não perde desde 5 de Dezembro, quando foi ali batido pelo V. Setúbal por 3-0, ainda com Sá Pinto aos comandos.   - Além disso, o Belenenses fez pelo menos um golo nos últimos cinco jogos, precisamente desde o 0-2 com o Estoril. Já igualou a melhor série desta época, que aconteceu imediatamente antes desse jogo, quando após ser batido pela Fiorentina (1-0), marcou à Académica (3-4), Boavista (1-0), Sp. Braga (1-2), P. Ferreira (2-2) e Nacional (2-2).   - O Belenenses-Benfica colocará frente a frente a pior defesa da Liga, que é a do Belenenses, com 41 golos sofridos, mais dois do que a do Marítimo, e o ataque mais concretizador, que é o do Benfica, com 54 golos marcados, mãos nove que o do Sporting.   - Mitroglou marcou golos nas últimas quatro jornadas da Liga, frente a Nacional, Estoril, Arouca e Moreirense. Se marcar ao Belenenses iguala o recorde da atual Liga, pertença do sportinguista Slimani, que fez golos em cinco rondas consecutivas da competição.   - Jonas, que bisou na recente vitória frente ao Moreirense (4-1), vem também de dois bis nos últimos dois jogos que fez contra o Belenenses: foi o autor dos dois golos nos 2-0 com que o Benfica ganhou no Restelo em Abril do ano passado e fez o segundo e o terceiro nos 6-0 da primeira volta da atual Liga.   - Lindelof, o sueco que deverá fazer dupla de centrais no Benfica com Jardel, face às ausências de Luisão e Lisandro Lopez, vai somar apenas o oitavo jogo pela equipa principal do Benfica, sendo que ganhou seis dos outros sete: 1-0 ao Cinfães na Taça de Portugal de 2013/14; 3-2 ao Sp. Covilhã na época passada, também na Taça de Portugal; 1-0 ao Nacional e ao Oriental na presente Taça da Liga, 6-1 ao Moreirense na mesma competição e 4-1 ao mesmo Moreirense, na Liga, no domingo. A sua única derrota foi na Liga portuguesa, contra o FC Porto (1-2), a 10 de Maio de 2014.   - O último golo que o Belenenses fez ao Benfica tem mais de dois anos. Foi a 28 de Setembro de 2013, obtido por Diakité, no empate a uma bola na Luz. Desde então, os azuis levam 419 minutos sem marcar no dérbi, nos quais o score é de 12-0 favorável ao Benfica. No Restelo não marcam ao Benfica desde 15 de Dezembro de 2007, num jogo que lhes valeu a última vitória sobre os encarnados.   - Na verdade, há onze jogos que o Belenenses não ganha ao Benfica. A última vitória azul neste dérbi sucedeu nessa noite de 15 de Dezembro de 2007, no Restelo, por 1-0, com golo de Weldon, que depois viria a representar os encarnados. O treinador do Belenenses era… Jorge Jesus. Não resta no Restelo nenhum jogador da equipa que jogou nessa noite. Na do Benfica já só lá está Luisão.   - Luisão tem o Belenenses na sua história em Portugal, pois foi contra os azuis do Restelo que fez o primeiro dos 473 jogos oficiais que já leva de águia ao peito. Foi há mais de 12 anos, a 14 de Setembro de 2003, no Jamor (porque a nova Luz estava a ser construída e a antiga já não estava praticável), o jogo acabou empatado a três golos e Luisão marcou um dos golos encarnados. - Miguel Rosa, médio de ataque que esteve durante anos ligado ao Benfica, pode fazer contra o seu clube de formação o 150º jogo com a camisola do Belenenses, clube que representa desde 2010/11, com uma passagem de regresso pela Luz em 2012/13. Nos 149 jogos até aqui fez 40 golos.   - O lateral belenense João Amorim deve a Rui Vitória os primeiros passos na Liga. Estreou-se a 28 de Abril de 2012, jogando a tempo inteiro numa derrota do V. Guimarães em Barcelos, com o Gil Vicente, por 3-1.   - Os benfiquistas têm várias razões para gostar de Tiago Caeiro. Primeiro porque o ponta-de-lança do Belenenses fez na época passada o golo do empate com o FC Porto, que garantiu ao Benfica o bicampeonato a uma jornada do final. Além disso, nunca fez um golo ao Benfica.  
2016-02-04
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A vitória por 4-1 do Benfica frente ao Moreirense distanciou ainda mais a equipa da Luz como melhor ataque do campeonato. São agora 54 golos marcados em 20 jogos, o melhor parcial nas primeiras 20 jornadas da Liga portuguesa em mais de 30 anos. A última equipa a marcar mais do que este Benfica nas primeiras 20 partidas da Liga portuguesa foi o FC Porto, que em 1984/85 chegou à 20ª jornada com 55 golos marcados. Nas dez últimas jornadas fez mais 23, acabando com 78 e sagrando-se campeão nacional.   - O último Benfica tão goleador também tirou boas recordações da época em que tirou tanto do ataque. Aconteceu um ano antes, em 1983/84, quando a equipa liderada por Eriksson chegou à 20ª ronda com 56 golos marcados. Fez mais 30 nas derradeiras 10 partidas, acabando com 86 (quase três por jogo, de média) e também campeã nacional.   - O maior contribuinte benfiquista para tanto golo é Jonas, que chegou à 20ª jornada com 21 golos no ativo. Nenhum jogador tinha mais golos do que jogos à 20ª jornada na Liga portuguesa desde Jackson Martínez, que em 2012/13 lá chegou com 22 golos marcados, mas até ao fim da Liga só marcou mais quatro. No Benfica, o último a fazê-lo foi o sueco Magnusson, que em 1989/90 fez 22 golos nas primeiras 20 jornadas. Acabou a Liga com 33.   - Jonas já superou o total de golos que fez em toda a Liga passada. Em 2014/15 chegou ao fim da prova com 20 golos marcados em 27 partidas, enquanto que na atual atuou nos 20 jogos que o Benfica já realizou e soma 21 golos. Ainda assim, Jonas soma apenas mais um golo nesta época – feito na Liga dos Campeões – o que leva a que esteja ainda abaixo do total da temporada anterior, que terminou com 31 golos, contando com seis na Taça de Portugal e cinco na Taça da Liga.   - Além do destaque do seu ataque, o Benfica conseguiu em Moreira de Cónegos a décima vitória seguida, contando todas as competições. A última vez que os encarnados não ganharam foi na visita ao U. Madeira, que terminaram com um empate a zero. As dez vitórias seguidas superam o melhor registo da época passada e igualam o recorde de 2013/14. O próximo objetivo são as onze vitórias consecutivas, que o Benfica festejou em 2011/12. E se as conseguir parte ao assalto da série de 18 sucessos de enfiada obtido em 2010/11.   - Muito graças a estas dez vitórias consecutivas, o Benfica segue com 49 pontos na Liga, tendo já reduzido substancialmente a desvantagem que apresentava em relação ao registo parcial da época passada. Há um ano, o Benfica somou 50 pontos nas primeiras 20 jornadas. Mas o registo deste ano já é igual ao de 2013/14, a primeira época do bicampeonato.   - O Moreirense perdeu pela terceira vez consecutiva em casa, depois das derrotas frente a Estoril (1-3, na Liga) e também Benfica (1-6, na Taça da Liga). Além disso, os cónegos vêm com cinco jogos seguidos sem conseguir a vitória como visitados: todos desde o sucesso contra o Nacional (2-0), a 20 de Dezembro. Estão, ainda assim, a um jogo da pior série caseira da época passada, na qual estiveram seis jogos sem ganhar em casa, entre 18 de Janeiro e 11 de Abril.   - Mitroglou marcou o segundo golo do Benfica em Moreira de Cónegos, conseguindo assim a quarta jornada seguida da Liga sempre a marcar, depois de já ter estado nos goleadores dos jogos com o Nacional, o Estoril e o Arouca. Fica por enquanto a um jogo do recorde desta Liga, que pertence a Slimani, goleador em cinco jornadas consecutivas.   - O golo do Moreirense foi marcado por Iuri Medeiros, que já tinha feito o tento solitário da outra derrota da equipa de Moreira de Cónegos frente ao Benfica, na Taça da Liga, a meio da semana. Aliás, esta época Iuri Medeiros também tinha marcado no empate a duas bolas que o Moreirense conseguiu contra o FC Porto, o que faz com que leve três jogos seguidos a marcar aos grandes – não jogou contra o Sporting, que é o detentor do seu passe.   - O jogo assinalou o regresso à Liga portuguesa de Fábio Espinho, médio que em 2013 trocou o Moreirense pelo Ludogorets, da Bulgária, e que entretanto assinou pelo Málaga. O último jogo de Espinho na Liga portuguesa tinha sido no Estádio da Luz, também contra o Benfica e também marcado pela derrota da equipa minhota, na altura por 3-1.
2016-02-01
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Último Passe

A vitória do Benfica em Moreira de Cónegos, por concludentes 4-1, confirmou que os bicampeões nacionais estão bem vivos na corrida ao título. Mantêm-se a dois pontos do Sporting, que lidera, mas voltaram a revelar frente ao Moreirense uma coordenação ofensiva que neste momento mais ninguém exibe em Portugal. Foi a noção exata dos espaços e das movimentações coletivas, tão diferente daquilo que esta equipa fazia há meio campeonato, quando estava em crise de identidade, que permitiu ao Benfica dar uma expressão tão desequilibrada no marcador a um jogo em que o adversário até mostrou coisas boas. Jonas, com mais dois golos e uma assistência, voltou a ser decisivo, mas esteve sempre muito bem acompanhado por Pizzi, a tal peça móvel que dá consistência e desequilíbrio ao meio-campo, e por Gaitán, que voltou a mostrar que está de volta com mais um golo. Mitroglou fez o golo já habitual e Renato Sanches soube empurrar a equipa para a frente, mostrando categoria, por exemplo, na forma como lançou Eliseu no lance do 2-0. É que essa altura foi importante no jogo. Depois de um início impositivo do Benfica, a empurrar o Moreirense para trás até fazer o 1-0, num lance em que Pizzi abriu na direita antes de descobrir a cabeça de Jonas na área, a equipa de Miguel Leal reagiu. Bem servido pela capacidade de desequilíbrio de Iuri Medeiros, sempre ativo e perigoso, bem como pela velocidade de Boateng, o Moreirense deu a ideia de que podia discutir o jogo, mas foi apanhado em contrapé mesmo antes do intervalo pela tal combinação Renato-Eliseu, convertida de primeira por Mitroglou. Apesar do 0-2, o Moreirense continuou vivo na segunda parte. Só que quando se pensava que um golo da equipa da casa poderia reabrir o jogo, foi o Benfica quem chegou aos 4-0, com mais dois golos de rajada. Jonas marcou o terceiro, após solicitação de Pizzi, e ofereceu o quarto a Gaitán. Com o assunto arrumado, o que sobrou de jogo serviu apenas para o Moreirense fazer um golo que Iuri Medeiros mereceu, pela insistência e qualidade que colocou sempre na sua procura. O açoriano, que já tinha marcado ao Benfica a meio da semana, tem futebol para mais do que este Moreirense, mas não chegou para dar uma alegria ao Sporting, que o tem ali emprestado.
2016-01-31
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Stats

O Benfica vem com uma série de nove vitórias consecutivas desde o empate a zero com o U. Madeira na Choupana, a 15 de Dezembro. A equipa de Rui Vitória vai tentar, em Moreira de Cónegos, frente ao Moreirense, o décimo sucesso de enfiada, mas mesmo que o consiga ainda ficará longe da melhor sequência de jogos em seis anos com Jorge Jesus, que foram 18 vitórias seguidas, entre Dezembro de 2010 e Março de 2011. Após o empate com o U. Madeira, que deixou o Benfica a sete pontos do Sporting, já então líder da classificação, o Benfica encetou a recuperação que lhe permitiu reduzir a desvantagem e colocar-se no segundo lugar, tendo ainda conseguido qualificar-se para as meias-finais da Taça da Liga. Para tal, teve de vencer nove jogos consecutivos, a melhor série de uma equipa portuguesa esta época, pois o Sporting não passou das sete vitórias consecutivas e o FC Porto das quatro. Os encarnados começaram esta série batendo o Rio Ave por 3-1, prosseguiram-na ganhando ao Nacional por 1-0 e ao V. Guimarães pelo mesmo score, continuaram com um 6-0 ao Marítimo, um 4-1 ao Nacional e um 2-1 ao Estoril, voltaram a vencer por 1-0 quando defrontaram o Oriental, tendo ainda batido o Arouca por 3-1 e este mesmo Moreirense por 6-1. As nove vitórias seguidas já superam qualquer série do Benfica de 2014/15 e ficam a apenas um sucesso do melhor que a equipa fez em 2013/14, quando ganhou dez jogos seguidos entre um empate frente ao Gil Vicente (1-1, em início de Fevereiro de 2014) e outro empate contra o Tottenham (2-2, em finais de Março). Mas se em 2011/12 o Benfica conseguira onze vitórias consecutivas (entre as derrotas com o Marítimo, em Dezembro de 2011, e com o Zenit, em Fevereiro de 2012), a melhor série dos últimos anos é bem mais longa. Foram as 18 vitórias seguidas que a equipa obteve entre uma derrota contra o Schalke na Luz, a 7 de Dezembro de 2010, e outra contra o Sp. Braga, na Pedreira, a 6 de Março de 2011. Para lá chegar, a este Benfica ainda lhe faltam mais oito vitórias sem vacilar. Uma série que, a concretizar-se, passaria pelas receções ao FC Porto e ao Zenit, pela meia-final da Taça da Liga, contra o Sp. Braga, e se concluiria em Alvalade, contra o Sporting, já em Março.   - Miguel Leal, treinador do Moreirense, perdeu os sete jogos que fez contra o Benfica. Aos dois desta época (3-2 na Luz para a Liga e 6-1 em Moreira de Cónegos para a Taça da Liga) juntam-se ainda os dois da Liga anterior (3-1 na Luz e em Moreira de Cónegos), mais três em competições a eliminar: 4-1 e 2-0 com o Moreirense para a Taça de Portugal e a Taça da Liga da época passada e ainda um 0-1 com o Penafiel para a Taça de Portugal de há dois anos.   - O mexicano Raul Jiménez marcou golos nos dois jogos entre Moreirense e Benfica esta época: fez, a 15’ do fim, o golo do empate a uma bola na Luz, em Agosto, no jogo que os encarnados acabaram por ganhar por 3-2 e, ainda na primeira parte, marcou o quarto da goleada por 6-1 em Moreira de Cónegos, para a Taça da Liga, na terça-feira passada.   - Iuri Medeiros, o autor do golo do Moreirense ao Benfica, na terça-feira passada, no jogo da Taça da Liga, já tinha esta época marcado ao FC Porto, no empate a duas bolas que os dragões cederam em Moreira de Cónegos. E o golo de terça-feira não foi o primeiro do açoriano ao Benfica, uma vez que já tinha batido Júlio César da época passada, ainda ao serviço do Arouca, numa derrota por 3-1 em casa.   - Por sua vez, Talisca marcou nos últimos dois jogos do Benfica fora de casa: fez um hat-trick ao Moreirense (nos 6-1 de terça-feira) e marcou o tento solitário da vitória no Carlos Salema, frente ao Oriental, ambos para a Taça da Liga.   - Mitroglou fez golos nas últimas três jornadas de campeonato, não ficando em branco em jogos da Liga desde a goleada que o Benfica infligiu ao Marítimo (6-0, a 6 de Janeiro). Desde aí, marcou o quarto nos 4-1 ao Nacional na Choupana, o primeiro na reviravolta frente ao Estoril (2-1) e o segundo nos 3-1 ao Arouca, na Luz.   - Rafael Martins, por sua vez, marcou nas últimas três partidas que o Moreirense fez em casa para o campeonato: bisou nos 2-0 ao Nacional e fez um golo em cada uma das derrotas contra o V. Guimarães (3-4) e o Estoril (1-3). Curioso que o brasileiro também marcou o golo com que o Moreirense abriu o score na derrota por 3-2 contra o Benfica na Luz.   - O Moreirense perdeu os últimos dois jogos que fez em casa, pois antes dos 6-1 com que foi batido pelo Benfica na Taça da Liga tinha perdido por 3-1 com o Estoril, em partida de campeonato. Aliás, desde o Natal que os cónegos não ganham um jogo no seu estádio. Após os 2-0 ao Nacional, a 20 de Dezembro, perderam por 4-3 com o V. Guimarães e empataram a zero com o mesmo Nacional, mas em partida da Taça da Liga.   -O médio Vítor Gomes, do Moreirense, estreou-se na Liga contra o Benfica, lançado por João Eusébio numa derrota do Rio Ave frente aos encarnados em Vila do Conde, a 19 de Março de 2006.   - O Benfica venceu os últimos oito confrontos com o Moreirense, todos desde o empate a uma bola em Dezembro de 2012, para a Taça da Liga, no Minho. Em seis das últimas sete vitórias dos encarnados, porém, o Moreirense também marcou golos, tendo ficado apenas em branco nos 2-0 para a Taça da Liga, em Janeiro do ano passado. Contudo, em 17 jogos entre as duas equipas, o Moreirense nunca ganhou ao Benfica, tendo obtido apenas três empates, dois deles na Luz.   - Curioso é que nas últimas quatro vezes que estas duas equipas se defrontaram na Liga, o Benfica marcou sempre três golos e ganhou os quatro jogos (três vezes por 3-1 e uma por 3-2), mas foi sempre o Moreirense a marcar primeiro. Fê-lo Vinicius na Luz no encerramento do campeonato de 2012/13 (respondeu o Benfica por Cardozo e com um bis de Lima), repetiu-o João Pedro nas duas partidas da época passada (Eliseu, Maxi e Lima responderam pelos encarnados na Luz; Luisão, Eliseu e Jonas fizeram-no em Moreira de Cónegos), e por fim fê-lo Rafael Martins nos 3-2 da Luz em Agosto (tendo Jiménez, Samaris e Jonas marcado pelo Benfica e Cardozo pelos minhotos).
2016-01-31
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Os três golos marcados ao Arouca, na vitória por 3-1 com que superou a 19ª jornada da Liga, valeram ao Benfica a manutenção do melhor ataque da competição, agora com 50 golos marcados. Há 26 anos que o Benfica não tinha um ataque tão produtivo nesta fase da prova: em 1989/90, o Benfica de Eriksson chegou à 19ª jornada com os mesmos 50 golos marcados e também em segundo lugar na Liga, a dois pontos do FC Porto de Artur Jorge. No fim da Liga, o Benfica teve o melhor ataque, com 76 golos, mas o FC Porto foi campeão.   - A última vez que uma equipa chegou à 19ª jornada com tantos golos marcados foi em 1995/96. O FC Porto liderava a tabela à 19ª jornada, com 11 pontos de avanço sobre o segundo, que era o Sporting, e um impressionante score de 50 golos marcados e três sofridos. Esse FC Porto ganhou o campeonato com os mesmos 11 pontos de avanço sobre o segundo, que foi o Benfica, e 84 golos marcados.   - Pizzi marcou pela segunda jornada seguida na Liga, depois de já ter estado entre os goleadores na vitória por 2-1 frente ao Estoril, há uma semana. Pelo meio, jogou a segunda parte do desafio com o Oriental, no Carlos Salema, para a Taça da Liga, ficando em branco na vitória (1-0) dos encarnados.   - Mitroglou, por sua vez, marcou pela terceira jornada consecutiva, depois de já ter estado entre os goleadores nas vitórias frente a Nacional (4-1) e Estoril (2-1). Pelo meio, também ficou em branco na Taça da Liga. O grego não marcava em três rondas seguidas de campeonato desde Janeiro e Fevereiro do ano passado, quando ajudou o Olympiakos a ganhar ao OFI (3-0), ao Veria (2-0) e ao Atromitos (2-1), na Liga grega.   - Jonas voltou a marcar ao Arouca, equipa frente à qual se estreou e à qual só não marcou na derrota (0-1) da primeira volta da atual Liga. Além disso, fez a assistência para o golo de Pizzi, tornando-se o maior assistente do Benfica na Liga, com oito passes de golo, e o segundo melhor da prova, atrás apenas do mexicano Layun, do FC Porto, que tem nove.   - Onde Jonas não perdoa é no Estádio da Luz, no campeonato. Desde que bisou frente à Académica, a 4 de Dezembro, marcou ali em todos os jogos da Liga. Foram dois golos nos 3-1 ao Rio Ave, outros dois nos 6-0 ao Marítimo e agora um nos 3-1 ao Arouca. Pelo meio, ficou a zeros na receção ao Nacional, para a Taça da Liga.   - O Benfica obteve a oitava vitória consecutiva desde o empate frente ao U. Madeira na Choupana, a 15 de Dezembro, igualando o que fizera entre Março e Abril de 2014, quando também venceu oito jogos de enfiada, sendo travado ao nono, um empate a zero no Dragão contra o FC Porto que, nos penaltis, valeu o acesso à final da Taça da Liga.   - Dessas oito vitórias, seis foram para a Liga. Esta série, contudo, ainda fica aquém da melhor que a equipa conseguiu na época passada, rumo ao bicampeonato. Entre Outubro de 2014 e Janeiro de 2015, que é como quem diz entre as derrotas contra o Sp. Braga (1-2) e o Paços de Ferreira (0-1), os encarnados venceram nove jornadas consecutivas.   - O que o Benfica deixou de conseguir fazer foi fechar a sua baliza. A equipa encarnada sofreu golos nas últimas três jornadas de campeonato: antes dos 3-1 ao Arouca, os 2-1 ao Estoril e os 4-1 ao Nacional. Os encarnados não sofriam golos em três jornadas seguidas desde Março e Abril, quando depois de perderem por 2-1 com o Rio Ave, ganharam por 3-1 ao Nacional e por 5-1 à Académica.   - O golo do Arouca, marcado por Velásquez, permitiu que a equipa de Lito Vidigal mantenha a série de jogos sempre a marcar golos que já traz há nove jornadas da Liga, desde que perdeu por 1-0 com o Sporting. Porém, o Arouca ganhou apenas três dessas nove partidas. E entretanto ficou a zeros contra o Chaves (0-0, com apuramento por penaltis) e o Sp. Braga (0-2), na Taça de Portugal.
2016-01-25
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Último Passe

A forma impositiva como o Benfica entrou no jogo com o Arouca, fazendo dois golos nos primeiros minutos e deixando desde logo muito bem encaminhada a questão da atribuição dos três pontos, não deixa dúvidas acerca de duas coisas. A primeira, dada a confiança revelada pelos jogadores a cada lance, é que a equipa de Rui Vitória voltou a acreditar que pode chegar ao tricampeonato. A segunda, face à forma como se desembaraçou de uma equipa que ofensivamente mostra futebol de qualidade, é que tem argumentos para entrar nessa luta. Os 3-1 finais deixaram os encarnados na liderança, ainda que à condição, até que o Sporting jogue em Paços de Ferreira. E mesmo tendo sido construídos com base em muito do que a equipa tinha mostrado frente a este mesmo Arouca, na derrota por 1-0 de há cinco meses – com muito Pizzi, a mover bem a bola e a achar sempre os melhores caminhos para deixar a equipa em condições de finalizar – mostra agora bem mais argumentos. Porque agora há Carcela e Renato Sanches, dois jogadores que trouxeram à equipa aquilo que na altura ainda lhe faltava: explosão a meio-campo e capacidade de desequilíbrio junto à linha. E porque já há crença generalizada dos jogadores no processo, algo que no início da época foi bastante afetado pela derrota na Supertaça, por ter sido contra o Sporting e por ter sido contra Jesus. Foi um pouco por isso que depois de não ter feito sequer um golo em mais de 30 remates no jogo de Aveiro, o tal da derrota contra este mesmo Arouca, o Benfica marcou desta vez logo à primeira tentativa de alvejar as redes de Bracali. Não foi só isso, é verdade. Porque tanto o golo de Pizzi, no segundo minuto de jogo, como o calcanhar pleno de confiança de Mitroglou com que o Benfica fez o 2-0, pouco depois, beneficiaram da atitude passiva da defesa amarela: no golo inaugural, Nuno Coelho ficou a ver a chegada de Pizzi para o remate; no 2-0, marcado de canto, não há ninguém do Arouca nas imediações da zona em que Jonas e Mitroglou se encontravam, quase tendo um que pedir licença ao outro para marcar. Até final, o Benfica ainda fez mais um golo, num lance de rasgo de Gaitán, a deixar outra vez os dois pontas-de-lança em situação de marcar – desta vez, porém, Jonas impôs o estatuto de goleador-mor e fez ele o golo à frente do grego. E o regresso do argentino foi a outra boa notícia da noite, dando ainda mais argumentos ao Benfica para prolongar a atual fase boa, não beliscada pelo golo com que, já nos descontos, Velásquez deu alguma expressão à qualidade ofensiva mostrada pelo Arouca.
2016-01-23
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O Benfica ganhou os últimos sete jogos, todos desde o empate frente ao U. Madeira, na Choupana, a 15 de Dezembro. Já igualou a melhor série da época passada, podendo superá-la se vencer o Arouca, em casa, em partida da 19ª jornada da Liga, após a qual pode mesmo assumir, ainda que à condição, a liderança. É que o Sporting, que está dois pontos acima, só joga em Paços de Ferreira umas horas depois. Após o empate frente ao U. Madeira, a equipa de Rui Vitória começou por ganhar em casa ao Rio Ave (3-1, para a Liga) e ao Nacional (1-0, na Taça da Liga), para depois se impor no terreno do V. Guimarães (1-0, na Liga). De regresso à Luz, goleou o Marítimo (6-0, Liga), vencendo depois três saídas consecutivas: 4-1 ao Nacional e 2-1 ao Estoril (ambos na Liga) e 1-0 ao Oriental (para a Taça da Liga). Esta série de sete vitórias já iguala a melhora da época passada, obtida também por esta altura, entre 21 de Dezembro e e 21 de Janeiro. Na altura, após a eliminação da Taça de Portugal, em Braga (1-2), o Benfica ganhou sete jogos da Liga e da Taça da Liga sem sofrer um único golo. Impôs-se ao Gil Vicente (1-0), ao Nacional (1-0), ao Penafiel (3-0), ao V. Guimarães (3-0), ao Arouca (4-0), ao Marítimo (4-0) e ao Moreirense (2-0), só sendo travado a 26 de Janeiro, em Paços de Ferreira: perdeu por 1-0, com um golo de penalti no último minuto. Se ganhar ao Arouca, concretizando a oitava vitória consecutiva, o Benfica supera essa marca de 2014/15. Para se encontrar oito vitórias seguidas dos encarnados, contudo, não é preciso recuar muito mais. Basta ir até Março e Abril de 2014, quando, após a perder com o FC Porto na primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal, frente ao FC Porto, a equipa venceu consecutivamente o Sp. Braga (1-0), o Alkmaar (1-0 e 2-0), o Rio Ave (4-0), o Arouca (2-0), o FC Porto (3-1), o Olhanense (2-0) e a Juventus (2-1). Nessa altura foi travado ao nono jogo, um empate a zero com o FC Porto no Dragão que, ainda assim, nos penaltis, deu acesso à final da Taça da Liga.   - Em casa, o Benfica venceu os últimos três jogos, incluídos na série acima identificada. Só duas equipas evitaram a derrota na Luz esta época: o Sporting, que ali ganhou por 3-0 na Liga, e o Atlético Madrid, que venceu por 2-1 na Champions.   - O Arouca, em contrapartida, não ganha fora de casa na Liga desde a primeira jornada, a 16 de Agosto, quando venceu no terreno do Moreirense por 2-0. Desde então, fora do seu estádio, só ganhou na Taça de Portugal, no terreno do Leixões (2-1, após prolongamento) e do Amarante (2-1).   - Raul Jiménez marcou nos últimos três jogos do Benfica na Luz, não ficando em branco em nenhum jogo ali realizado desde a tal derrota com o Atlético Madrid, a 8 de Dezembro. Depois disso, fechou a contagem nos 3-1 ao Rio Ave, marcou o golo solitário na vitória sobre o Nacional e o terceiro nos 6-0 ao Marítimo.   - A vitória do Arouca sobre o Benfica, na primeira volta, coincidiu com o primeiro – e único – golo marcado por uma equipa dirigida por Lito Vidigal ao Benfica. Antes desse golo de Roberto, Vidigal só tinha defrontado os encarnados por duas vezes, saindo de ambas vergado ao peso de um 3-0. Foi em Fevereiro de 2010, pela U. Leiria, e em Dezembro de 2014, já no Belenenses. O primeiro confronto, que podia ter sido em Novembro de 2008, Lito evitou-o, demitindo-se do E. Amadora dias antes de uma receção ao Benfica, por ter salários em atraso.   - Com quem Lito Vidigal tem vantagem é com Rui Vitória, tendo-a conquistado precisamente no dia em que defrontou o adversário com este ao serviço de um grande. Os dois já se enfrentaram cinco vezes, com três vitórias de Lito (dois Belenenses-V. Guimarães e um Arouca-Benfica) e duas de Rui Vitória (sempre com o V. Guimarães e contra o Belenenses).   - Jonas, o artilheiro da Liga, estreou-se na competição contra o Arouca, na época passada. A 5 de Outubro de 2014, entrou ao intervalo de um Benfica-Arouca, substituindo Lima, e ainda fez o último golo de uma vitória ampla dos encarnados, por 4-0. Repetiu a história em Janeiro de 2015, nos 4-0 da Taça da Liga (substituiu Rui Fonte e fez o último golo) e ajudou a consumar a reviravolta do Benfica em Arouca, em Março, fazendo o empate a um golo num jogo que o Benfica acabou por ganhar por 3-1. Só no jogo da primeira volta do atual campeonato ficou em branco.   - Lisandro López estreou-se na Liga portuguesa no mesmo dia de Jonas, na tal vitória por 4-0 frente ao Arouca, a 5 de Outubro de 2014. O argentino, porém, foi lançado por Jorge Jesus como titular.   - David Simão, do Arouca, tem dupla razão para considerar este jogo especial. Primeiro porque fez a formação no Benfica. Depois, porque chegou a ser jogador-talismã de Rui Vitória. Foi Vitória que o acolheu, no Fátima, no primeiro ano de sénior (2009/10), e quem depois o levou para a Liga principal, quando lá chegou, estreando-o no Paços de Ferreira, numa vitória frente ao Sporting, em Agosto de 2010.   - O Arouca foi uma das equipas que já ganhou ao Benfica na atual Liga – as outras foram o FC Porto e o Sporting. Os comandados de Lito Vidigal impuseram-se por 1-0, em Aveiro, a 23 de Agosto, fruto de um golo de Roberto. Antes disso, em seis jogos contra o Benfica, a equipa nortenha só tinha conseguido um empate: 2-2 na Luz, para a Liga, em Dezembro de 2013. Da equipa que pontuou na Luz restam em Arouca os médios Nuno Coelho, David Simão e Pintassilgo e o avançado Roberto. No mesmo jogo atuaram pelo Benfica Luisão, Fejsa e Gaitán.
2016-01-22
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- Ao ganhar ao Estoril por 2-1, depois de ter estado a perder (1-0 ao intervalo), o Benfica conseguiu a terceira reviravolta da época. A primeira tinha acontecido contra o Moreirense, no Estádio da Luz, em Agosto, num jogo que os encarnados estiveram a perder por 1-0 e ganharam por 3-2. E a segunda em Madrid, na Liga dos Campeões, em Setembro, quando viraram de 0-1 para 2-1 contra o Atlético. O Benfica não conseguia virar um jogo da Liga portuguesa fora de casa desde Março do ano passado, quando ganhou por 3-1 em Arouca depois de estar a perder por 1-0.   - O Benfica obteve ainda a sexta vitória consecutiva, depois do empate a zero contra o U. Madeira, a 15 de Dezembro. Iguala assim a série de seis vitória conseguidas entre Fevereiro e Março de 2015. Para se encontrar uma série maior é preciso ir às sete que a equipa somou entre Dezembro de 2014 e Janeiro de 2015.   - Ganhando o jogo de abertura da segunda volta, quando na época passada o tinham perdido (1-0 em Paços de Ferreira), os encarnados diminuíram a distância pontual que os separa da equipa que foi campeã em 2014/15. Essa equipa tinha 46 pontos à 18ª jornada, enquanto que a atual soma 43.   - Em contrapartida, os 47 golos que o Benfica fez nas primeiras 18 jornadas, e que lhe permitem continuar a ser o ataque mais realizador da competição, correspondem ao ano de melhor produção atacante da equipa encarnada desde 2009/10. Nessa época, a primeira de Jesus, o Benfica tinha feito mais um golo: 48 em 18 jornadas.   - Ao perder, o Estoril confirmou que este está a ser o seu pior meio-campeonato desde que voltou à Liga. Continua com 20 pontos em 18 jogos, menos cinco do que tinha há um ano, com José Couceiro aos comandos. Com Marco Silva, os canarinhos somavam 30 pontos em 2013/14 e 22 em 2012/13. Para encontrar pior que os atuais 20 pontos é preciso recuar a 2004/05, o ano em que a equipa estorilista desceu pela última vez, e em que chegou à 18ª jornada com 18 pontos.   - Pizzi fez o golo da vitória do Benfica no Estoril (2-1). Foi o terceiro neste mês de Janeiro e o quarto que fez esta época, igualando já a produção goleadora das últimas duas temporadas, no Espanyol (quatro golos em 2013/14) e no Benfica (outros quatro em 2014/15). Melhor só os oito golos no Deportivo em 2012/13 e os onze no Paços de Ferreira, em 2010/11. Nesta época tinha como treinador Rui Vitória.   - Jonas falhou mais uma vez a trilogia de golos em jogos consecutivos. Ficou em branco pela primeira vez na vida contra o Estoril, a quem até aqui marcara sempre, mas assistiu Pizzi para o golo da vitória e é agora não só o melhor marcador da Liga (com 18 golos) mas também o melhor assistente do Benfica, com sete passes decisivos, tantos como Gaitán.   - Mitroglou voltou a marcar saído do banco. Já tinha estado entre os goleadores na vitória frente ao Nacional (4-1) na jornada anterior e repetiu a gracinha agora, estabelecendo o empate contra o Estoril, no jogo que os encarnados acabaram por ganhar. Foi a terceira vez que o grego marcou golos em jogos consecutivos, pois já o tinha feito contra Belenenses (6-0) e Astana (2-0) em Setembro e contra Atl. Madrid (1-2) e V. Setúbal (4-2) em Dezembro.   - Leo Bonatini, que já leva 13 golos esta época, 10 dos quais na Liga, já igualou o total de golos dos dois melhores marcadores do Estoril numa época inteira desde que a equipa da Linha voltou à I Liga. Tal como Bonatini, Steven Vitória (em 2012/13) e Evandro (em 2013/14) acabaram a época com 13 golos (ainda que ambos com 11 na Liga). Mas os dois tiveram a época inteira para lá chegar.   - Os golos de Bonatini têm uma particularidade adicional, rara num ponta-de-lança. É que vêm sempre sós. Se por um lado isso pode ser mau, porque não se lhe vê um bis ou um hat-trick, por outro é excelente, porque quase nunca saiu de um jogo em branco. Esta época, marcou em 13 dos 21 jogos em que participou. E das oito vezes em que ficou em branco, o Estoril perdeu sete. O jogo com o Benfica foi apenas o segundo em que, tendo ele marcado, o Estoril saiu derrotado – o outro foi o 3-2 frente ao Oriental, na Taça da Liga.   - Pawel Kieszek, que tinha feito o jogo 100 na Liga contra o Benfica, na Luz, na primeira volta (derrota por 4-0) e que também se estreara na prova contra os encarnados, pelo Sp. Braga, em Fevereiro de 2008 (empate a uma bola), voltou a ver o Benfica assinalar-lhe um momento especial: desta vez fez o 50º jogo na baliza do Estoril.   - Diogo Amado fez o 100º jogo na Liga portuguesa nesta derrota contra o Benfica. Dos 100, 15 foram com a camisola da U. Leiria – entre eles a estreia, lançado por Pedro Caixinha num empate a zero contra o Beira Mar, em Agosto de 2010 – e os restantes 85 pelo Estoril.
2016-01-17
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Último Passe

Na primeira jornada do campeonato, este Estoril tinha perdido por 4-0 com este Benfica mas tinha sido capaz de discutir o jogo na Luz. Esta noite, na Amoreira, os canarinhos perderam só por 2-1, até estavam a ganhar ao intervalo, mas não mostraram sequer por um instante a capacidade para ficar com os três pontos em casa. O que se viu foi um Benfica não muito inspirado onde costuma ser mais forte – os últimos 20 ou 30 metros – mas absolutamente dominador no resto do campo, ganhando duelos sobre duelos e conseguindo assim instalar-se em permanência no meio-campo estorilista. Os dois golos que chegaram no segundo tempo acabaram por ser o corolário lógico do que se via em campo e dão mais alento à equipa de Rui Vitória, que mantém a fase de crescimento e já só vê a liderança a dois pontos. O jogo começou praticamente com o golo do Estoril, obra do inevitável Bonatini, que aproveitou a abordagem negligente de Lisandro – e de Eliseu antes dele – para atacar um cruzamento feito na direita por Anderson Luís e bater Júlio César com uma finalização cheia de classe. O problema para Fabiano Soares é que se tinha visto pouco Estoril até aí, viu-se ainda menos daí para a frente. Se a ideia era juntar duas linhas de quatro atrás, com Diogo Amado entre elas de forma a roubar o espaço habitualmente ocupado por Jonas, ela falhou redondamente, porque o Benfica conseguia quase sempre recuperar a bola instantes depois de a perder, partindo desde logo para nova vaga de ataque às redes de Kieszek. Jonas, Jiménez, Pizzi, Carcela, Sanches ou Fejsa, os próprios laterais quando em posicionamento avançado, qualquer jogador do Benfica ganhava mais bolas divididas do que as que perdia, e isso resultava num massacre ofensivo que, contudo, não tinha reflexo na criação de reais oportunidades de golo. Este Benfica costuma ser uma equipa de golo fácil, que nem precisa de grande volume de jogo para marcar. No Estoril foi ao contrário – muito volume mas poucas situações de golo iminente. Rui Vitória percebeu que precisava de um homem de área e chamou Mitroglou, avançado menos dado a trabalhar sem bola que Jiménez, mas mais posicional e propenso a aproveitar as muitas bolas que iam cruzando a área do Estoril. E, ainda que contando com a sorte do ressalto e da desorientação defensiva dos jogadores canarinhos que estiveram no lance – onde estavam em superioridade de quatro para dois – o grego fez o golo do empate. Pizzi, cada vez mais importante no crescimento deste Benfica, fez o 2-1 e só aí o Estoril saiu para discutir o resultado. Já o fez tarde. Os três pontos assentaram bem aos encarnados, que conseguiram a terceira reviravolta da época e podem ficar agora à espera de ver o que fará o FC Porto em Guimarães para ver se terão companhia na perseguição ao Sporting.
2016-01-16
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Stats

Sempre que defrontou o Estoril, Jonas, o jogador mais em forma no Benfica, bisou. Aconteceu nos 6-0 de Fevereiro e nos 4-0 de Agosto, sempre na Luz. Aliás, nos últimos três confrontos entre Benfica e Estoril houve sempre um benfiquista a bisar: antes de Jonas tal já acontecera a Talisca, autor de dois golos nos 3-2 com que os encarnados ganharam na Amoreira, em Setembro de 2014. Se Jonas é o maior candidato a manter a tradição, é verdade também que há outra, recente, a jogar contra ele: esta época, depois de dois jogos com golos, tem aparecido sempre um zero na sua conta pessoal. Jonas segue, neste momento, para mais uma tentativa de alinhar os tais três jogos seguidos a fazer golos. Em Agosto e Setembro, marcou ao Moreirense (3-2) e bisou ao Belenenses (6-0), mas depois ficou em branco nos 2-0 ao Astana. Depois, em Outubro e Novembro, marcou a Tondela (4-0) e Galatasaray (2-1), ficando a zero na receção ao Boavista (2-0) que completaria a trilogia. Vai agora para a terceira tentativa da época de alinhar três jogos seguidos com golos, depois de ter bisado nos 6-0 ao Marítimo e feito o segundo hat-trick da sua carreira benfiquista nos 4-1 ao Nacional, naquele que indiscutivelmente é o seu melhor momento da época. A última vez que Jonas marcou em três jogos seguidos foi ainda na época anterior. Foi em Abril que o brasileiro alinhou mesmo três bis consecutivos nos jogos com o Nacional (3-1), Académica (5-1) e Belenenses (2-0). Travou, aí, ao quarto jogo, o empate a zero com o FC Porto que, no entanto, servia perfeitamente os propósitos dos encarnados na corrida para o título.   - O Benfica segue na melhor série de resultados da época, pois ganhou os últimos cinco jogos: 3-1 ao Rio Ave, 1-0 ao Nacional, 1-0 ao V. Guimarães, 6-0 ao Marítimo e 4-1 ao Nacional.  Procura a sexta vitória consecutiva depois do empate a zero com o U. Madeira, série que não consegue desde Fevereiro e Março, quando bateu sucessivamente V. Setúbal (duas vezes por 3-0), Moreirense (3-1), Estoril (6-0), Arouca (3-1) e Sp. Braga (2-0). Encalhou a 21 de Março na visita ao Rio Ave, que perdeu por 2-1.   - O Estoril vem de ser afastado da Taça de Portugal, devido à derrota por 3-0 frente ao Rio Ave em Vila do Conde, mas interrompeu na última jornada uma série horrível de resultados na Liga, ao bater em casa o Belenenses por 2-0. Antes disso tinham sido dez jornadas seguidas sem ganhar, a pior série dos canarinhos desde 1993/94, quando não conheceram a vitória durante 13 jornadas seguidas e acabaram por descer de divisão.   - Leo Bonatini fez golos em seis dos últimos sete resultados úteis do Estoril, só tendo mesmo falhado na partida com o Caldas, mas porque não a jogou. De resto, marcou nos empates (1-1) com a Académica, o Nacional, o Boavista e o Marítimo e nas vitórias sobre o Penafiel (1-0) e o Belenenses (2-0). Com exceção da vitória por 1-0 sobre o Caldas, na Taça de Portugal, o Estoril não evita a derrota sem golos de Bonatini desde o empate com o Rio Ave (2-2), a 24 de Outubro.   - Kieszek pode fazer a 50ª partida na baliza do Estoril. A estreia foi em Eindhoven, contra o PSV (na derrota por 1-0, na Liga Europa, em Setembro de 2014) e até hoje o polaco alinhou em 41 jogos da Liga portuguesa, quatro da Taça de Portugal, três da Liga Europa e um da Taça da Liga.   - O Benfica ganhou todos os jogos que fez com o Estoril desde o fatídico empate a uma bola, na Luz, em Maio de 2013, que abriu caminho à perda da Liga, com a derrota no Dragão frente ao FC Porto na jornada seguinte. Esse jogo acabou empatado a uma bola (Jefferson para o Estoril e Maxi Pereira para o Benfica), mas desde então o Benfica venceu os canarinhos por cinco vezes, as duas últimas por margem ampla: 6-0 e 4-0, em casa.   - Fabiano Soares tem um registo muito negativo tanto no confronto com o Benfica como com Rui Vitória. Com o Benfica, em dois jogos, o seu Estoril soma duas derrotas e um score global de 0-10 (0-6 na época passada e 0-4 já nesta temporada, sempre na Luz). Contra Vitória, além dos 0-4 da jornada inaugural deste campeonato, há uma primeira derrota, em Maio, frente ao V. Guimarães, no Minho, por 2-0.   - Na Amoreira, o Benfica também ganhou as últimas cinco partidas, não deixando ali pontos desde Maio de 1993. Também esse empate (a zero) foi fatal para as aspirações encarnadas ao título, pois permitiu que o FC Porto aumentasse a distância para dois pontos, a uma jornada do final. Desde então, os encarnados ganharam sempre, duas vezes por mais de um golo de diferença: 3-0 em Fevereiro de 1994 e 3-1 em Janeiro de 2013.   - Na verdade, há quase 40 anos que o Estoril não ganha ao Benfica. A última vitória aconteceu em Junho de 1977, numa competição chamada Taça FPF que só se jogou nessa época de forma a encher o calendário após o final o campeonato. Os estorilistas impuseram-se nesse jogo por 3-2. No campeonato, não ganham desde Novembro de 1950, quando bateram os encarnados no Campo Grande pelo mesmo resultado: 3-2.   - O Benfica nunca perdeu na Liga com Vasco Santos a apitar. O pior que lhe aconteceu foi empatar três vezes em 13 partidas, a última das quais no terreno do Olhanense, no final da época de 2010/11. Já o Estoril só perdeu uma vez com o juiz do Porto e foi precisamente contra o Benfica: 3-2 na Amoreira, em 2014/15. Além disso, este foi o árbitro da vitória recente do Estoril no Dragão, frente ao FC Porto.
2016-01-15
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Jonas conseguiu o segundo hat-trick com a camisola do Benfica na vitória por 4-1 frente ao Nacional, depois de ter feito um logo ao segundo jogo pelo clube, a 18 de Outubro de 2014, na visita ao Sp. Covilhã (vitória por 3-2), para a Taça de Portugal. Em compensação, já bisou por doze vezes, seis delas esta época.   - O hat-trick na Choupana foi o primeiro de um benfiquista no campeonato desde que Talisca marcou três golos na vitória em Setúbal, por 5-0, a 12 de Setembro de 2014. É curioso que os últimos três hat-tricks de jogadores do Benfica tenham sido marcados a jogar fora de casa. O último a sair da Luz com três golos na conta pessoal foi Cardozo, no dérbi da Taça de Portugal contra o Sporting (4-3), a 9 de Novembro de 2013. Na Liga, foi Lima, nos 6-1 ao Rio Ave, a 30 de Março de 2013.   - Jonas já superou, em pouco mais de um ano de Benfica, o total de hat-tricks que tinha obtido em três anos e meio de Valencia: só tinha um, nos 3-0 ao Osasuna, a 1 de Dezembro de 2013.   - Ao todo, Jonas fez 38 golos em 44 jogos pelo Benfica na Liga. É o melhor registo nas primeiras 44 partidas de campeonato pelo Benfica desde que José Torres fez 58 golos no mesmo total de jogos, entre 1959/60 e 1963/64. Eusébio, por exemplo, “só” fez 36 golos nos primeiros 44 jogos pelo Benfica no campeonato, entre 1960/61 e 1963/64.   - O Benfica ganhou a quinta partida seguida, depois do empate com a U. Madeira, também na Choupana, a 15 de Dezembro. Continua a perseguir a melhor série de jogos seguidos a ganhar desde Fevereiro e Março do ano passado, quando venceu seis vezes consecutivas.   - A vitória permitiu aos encarnados acabarem a primeira volta com 40 pontos, menos seis do que no final da primeira volta da época passada e tantos como ao fim de 17 jornadas em 2013/14, a primeira época do bicampeonato.   - Os quatro golos marcados significam que o Benfica continua a ter o melhor ataque da Liga, com 45 tentos festejados em 17 partidas. É o total mais elevado da equipa da Luz desde 2009/10, a primeira época de Jesus, quando chegou à 17ª jornada com 47 golos na coluna dos ativos.   - Foi ainda a oitava vitória seguida do Benfica em jogos com o Nacional, quatro delas na Choupana. A última vez que os alvi-negros atrapalharam o Benfica foi em Fevereiro de 2013, quando empataram a duas bolas no seu estádio.   - Para o Nacional, o tempo é de crise: vai com oito jogos seguidos sem ganhar desde a vitória por 3-1 frente ao Marítimo, a 27 de Novembro. Desde então, em todas as competições, empatou quatro jogos e perdeu outros quatro. Igualou a série de oito jogos sem vitória que já não conhecia desde o período entre Novembro de 2011 e Janeiro de 2012, ainda que nessa altura tenha empatado cinco vezes e perdido três.   - Soares, o autor do golo do Nacional, não marcava na Liga desde 7 de Novembro, quando decidiu em nome próprio a visita a Guimarães, saldada com vitória dos madeirenses por 1-0.
2016-01-12
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Último Passe

Mais uma demonstração de qualidade de Jonas, hoje muito bem acompanhado por Carcela durante a primeira parte num coletivo defensivamente consolidado por Fejsa a todo o terreno, permitiu ao Benfica desembaraçar-se da complicada visita ao Nacional, que a equipa de Rui Vitória ultrapassou com um 4-1, destacando-se ainda mais como melhor ataque da primeira volta da Liga. A finalização clínica do brasileiro, com um hat-trick em três lances que resolveu a um só toque para o fundo das redes, chegou para ganhar um jogo que podia ter-se complicado num erro de Lisandro, mas que o Benfica soube tornar fácil assim que Manuel Machado optou por parti-lo e colocar mais gente na frente. A primeira dificuldade para as duas equipas foi o facto de o jogo ter começado num dia e acabado noutro, depois de ter sido interrompido ao fim de sete minutos. Nunca há garantias de a disposição no recomeço ser a mesma da véspera e o que se viu neste início de tarde foi um Benfica incisivo na frente, onde Carcela lhe dá, de facto, muita qualidade no um para um e nos cruzamentos para a área. O marroquino teve de esperar para ganhar o lugar na equipa, mas já parece estar muito à frente de Gonçalo Guedes na luta pela posição, pois além de veloz é também muito forte nas assistências exteriores, que são fundamentais no futebol sempre largo de Rui Vitória. Depois de ter estado ligado a alguns lances de perigo, foi ele que ofereceu o primeiro golo a Jonas, ainda na primeira parte, deixando dúvidas acerca do que poderá fazer Vitória quando voltar a ter Gaitán e até Salvio. Há abundância de bons extremos para a segunda volta. A perder e dando a batalha do meio-campo como perdida, devido à exibição muito constante de Fejsa, que ganhava duelos sobre duelos na raça, Manuel Machado resolveu partir o jogo. Primeiro, ainda na primeira parte, chamou Jota para o lugar de um central – Rui Correia – recuando Aly Ghazal para a linha mais recuada. Mas foi um erro de Lisandro Lopez, que demorou a afastar a bola da sua área, a permitir o golo do empate a Soares e a lançar a dúvida sobre o resultado. Para tentar tirar partido da supremacia psicológica que o empate lhe trazia, Machado juntou Gustavo a Soares na frente, mas aí foi a vez de o Benfica mostrar que tem golo fácil. Fez o 2-1 de lançamento lateral, num lance em que a conjugação de uma boa movimentação de Jimenez e da desatenção do Nacional deu hipótese para mais uma finalização de Jonas, em volei de pé esquerdo. E o 3-1 em mais um lance de igualdade numérica na área, após cruzamento de André Almeida, outra vez com Jonas a marcar. Mitroglou ainda pôs mais um no resultado final, mas numa altura em que já mais ninguém tinha a cabeça na Choupana – o Nacional já estava em Barcelos, onde depois de amanhã joga com o Gil Vicente para a Taça de Portugal, e os campeões nacionais na segunda volta, em que entram a uma distância ainda assim manobrável de quatro pontos para o primeiro.
2016-01-11
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A visita do Benfica à Choupana, para defrontar o Nacional, é fundamental para os encarnados manterem a pressão sobre o Sporting na Liga e não podia surgir em melhor altura para a equipa de Rui Vitória. É que o Benfica está na melhor série de resultados da época, enquanto o Nacional atravessa a pior desde há alguns anos. O Nacional vai com sete jogos seguidos sem ganhar. A última vitória (3-1 ao Marítimo) conheceu-a a 27 de Novembro, tendo desde essa altura encaixado três derrotas (2-1 em casa com o FC Porto, 2-0 na deslocação ao terreno do Moreirense e 1-0 na Luz com o Benfica) e quatro empates (1-1 com o Estoril, 2-2 com o Desp. Aves, o Arouca e o Belenenses). É a pior série do Nacional desde o período entre Novembro de 2011 e Janeiro de 2012, quando passou oito jogos sem ganhar (três derrotas e cinco empates). Para evitar igualar esse cenário de crise que coincidiu com a chegada ao clube de Pedro Caixinha, a equipa madeirense precisaria de ganhar agora ao Benfica no jogo da Liga. Ora, na Liga, a equipa de Manuel Machado não ganha há cinco jornadas, também desde a tal vitória contra o Marítimo. Igualou já a pior série da época, as cinco jornadas sem vencer entre os 2-0 em casa à Académica (quarta jornada) e o 1-0 em Guimarães (10ª). O Benfica, em contrapartida, vem da primeira série de quatro vitórias seguidas esta época: ganhou de enfiada a Rio Ave (3-1), Nacional (1-0), V. Guimarães (1-0) e Marítimo (6-0). Procura o quinto sucesso da série, algo que não consegue desde que ganhou seis jogos seguidos em Fevereiro e Março do ano passado, já perto da ponta final da caminhada que acabaria por levá-lo ao título de bicampeão nacional.   - Rui Vitória tem um cruzamento com Manuel Machado na sua história: em Agosto de 2011, Machado começou a época no V. Guimarães com quatro derrotas seguidas, sendo despedido após a eliminação no play-off da Liga Europa, contra o Atlético de Madrid. Rui Vitória foi o treinador contratado para o substituir e, após um curto interinato de Basílio Marques, estreou-se no clube a ganhar fora ao… Nacional, por 4-1.   - Essa foi a segunda e última vez que Rui Vitória ganhou na Choupana e em ambas teve de marcar quatro golos: já lá tinha ganho em 2010/11, com o Paços de Ferreira, na Taça da Liga (4-3). Depois, voltou lá três vezes com o V. Guimarães, com uma derrota (2-1 em 2012/13) e dois empates (1-1 em 2013/14 e 2-2 em 2014/15). E até com o Benfica já ali empatou esta época (0-0), ainda que contra o U. Madeira.   - Por sua vez, Manuel Machado tem tido muitas dificuldades nos confrontos com o Benfica: perdeu os últimos sete, todos com o Nacional, e não ganha desde Setembro de 2010, quando o seu V. Guimarães se impôs aos encarnados no Minho por 2-1.   - Contra Rui Vitória, o saldo do atual treinador do Nacional só ficou desequilibrado com o recente 1-0 com que o Benfica ganhou aos alvi-negros, para a Taça da Liga, na Luz. Ao todo, defrontaram-se dez vezes, com três vitórias de Machado, quatro de Vitória e três empates.   - Luís Aurélio, que está ausente por lesão, marcou golos nos últimos dois jogos do Nacional, os empates a duas bolas em casa com o Arouca e fora com o Belenenses. Foi a terceira vez que o alentejano marca em jogos seguidos na sua carreira, vendo-se privado da hipótese de repetir a graça à terceira partida. E até podia sentir-se inspirado por defrontar a equipa que o viu estrear-se na Liga: foi lançado por Miguel Leal num Benfica-Moreirense que os encarnados ganharam por 3-1, a 21 de Setembro de 2014.   - Também Gaitán, que se estreou na Liga pelo Benfica a defrontar o Nacional, lançado por Jorge Jesus a 21 de Agosto de 2010, na derrota na Choupana por 2-1, está afastado deste jogo por lesão.   - Outro jogador do Nacional que se estreou na Liga a defrontar o Benfica foi Miguel Rodrigues, que a 5 de Maio de 2012 foi lançado às feras por José Dominguez numa derrota da U. Leiria na Luz por 1-0.   - O Benfica ganhou os últimos sete jogos que fez contra o Nacional, três deles na Choupana, onde não deixa pontos desde um empate a duas bolas em Fevereiro de 2013: Diego Barcelos e Mateus marcaram para os madeirenses, Urreta e Mexer (este na própria baliza) fizeram-no para os encarnados.   - A última vez que o Nacional ganhou ao Benfica foi em Agosto de 2010, por 2-1, num jogo que fez com que os benfiquistas começassem a desconfiar de Roberto, o guarda-redes espanhol que tinha sido contratado nessa época ao Atlético de Madrid. Luís Alberto e Orlando Sá marcaram os golos da equipa da casa, Carlos Martins reduziu em cima do apito final para os então campeões nacionais.   - Desde 2010 e 2011 que nenhum jogador benfiquista marcou em mais de um jogo na Choupana. O último a consegui-lo foi Cardozo, que fez ali o golo da vitória (1-0) em Março de 2010 e depois esteve entre os goleadores dos 2-0 de Março de 2011.   - Tiago Martins, o árbitro lisboeta que vai dirigir a partida, está umbilicalmente ligado ao Nacional, pois foi na Choupana que fez o seu primeiro jogo na Liga. Aconteceu em Agosto de 2014 e os alvi-negros ganharam por 2-0 ao Arouca. De resto, Tiago Martins, que só apitou o Benfica uma vez – na vitória por 4-0 frente ao Estoril, esta época – foi também o juiz da última vitória do Nacional, os tais 3-1 ao Marítimo.
2016-01-09
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Último Passe

A noite atípica, com os três grandes a jogar ao mesmo tempo durante uma meia-hora, veio fazer mais do que chamar a atenção para uma peculiaridade de calendário raramente vista na Liga em Portugal. Um Marítimo demasiado macio e um V. Setúbal demasiado aberto não fizeram sequer cócegas a Benfica e Sporting, que os despacharam com goleadas de 6-0 construídas desde muito cedo, pelo que a história da noite só podia chegar do Dragão, onde o FC Porto não foi capaz de vencer um Rio Ave taticamente muito adulto, desde logo confirmando os leões como campeões de Inverno: os quatro pontos que levam de avanço sobre a agora dupla de perseguidores deixam-nos ao abrigo de qualquer contratempo na última jornada da primeira volta, no domingo, em casa contra o Sp. Braga. Não vi – ninguém pode ter visto – os três jogos. Fui vendo um pouco de cada, até dois deles estarem resolvidos, permitindo centrar atenções no Dragão. Na Luz, depois de um início algo dividido, o Benfica aproveitou a macieza de um Marítimo que até é campeão das expulsões mas cometeu apenas três faltas durante a primeira parte para construir desde cedo um resultado folgado. Até ao momento em que virei antena, destaque para Pizzi, pelo oportunismo de chegada à área, e Carcela, por ser o desequilibrador que em alguns jogos faltou à equipa de Rui Vitória. Em Setúbal, o Vitória foi, pelo menos, igual a si próprio: futebol positivo, aberto, por isso mesmo sujeito a sofrer golos. Em suma, um convite à maior dinâmica atacante do Sporting, que arrancou uma grande exibição, fazendo brilhar Bruno César com dois golos na estreia e permitindo a Slimani somar mais dois à sua conta pessoal. Complicada foi a vida do FC Porto. O empate ao intervalo, fruto de um golo afortunado para o Rio Ave, até era lisonjeiro para os visitantes, mas o que a equipa remendada de Pedro Martins conseguiu fazer na segunda parte, tanto do ponto de vista defensivo como nas saídas para o contra-ataque, mostra trabalho de muita qualidade. E, como é evidente, enfatiza as dificuldades de Julen Lopetegui no comando do FC Porto. O treinador basco terá ido ao limite da sua visão do que é o risco, acabando o jogo com três defesas e com Aboubakar e André Silva em simultâneo no ataque (ainda que para tal tenha sacrificado Corona e Layun, que são armas ofensivas de peso), mas é preciso dizer que o problema não esteve nas substituições. Os lenços brancos nas bancadas deveram-se ao resultado e ao facto de a equipa ter somado aos pecados habituais – acima de todos a falta de presença no corredor central – muita ansiedade, que se revelou em vários passes transviados logo no início da construção. Para os dragões, o importante agora é tranquilizar: e aí esteve bem o treinador, ao dizer no final que se sente com força para continuar à frente da equipa mas que a decisão cabe ao presidente. O problema é que, numa Liga com jogos ao domingo e à quarta-feira, não há tempo para terapias muito demoradas. Os dragões precisam de responder já no domingo, no Bessa.
2016-01-06
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Último Passe

A conferência de imprensa com que Rui Vitória antecipou o jogo de hoje, contra o Marítimo, correspondeu àquilo que os benfiquistas esperavam dele, porque veio finalmente dar resposta às indiretas que lhe têm sido dirigidas pelos rivais. É certo que Vitoria vinha evitando responder, seja por razões estratégicas ou até por não se sentir assim tão à vontade na lógica de confronto que mais satisfaz Jorge Jesus, por exemplo, mas ao responder não só não entrou em contradição - o que ele tinha dito antes era que só respondia "a quem quiser, quando quiser" - como deu realmente prova de não se ficar, que é o que mais interessa aos adeptos de base do clube.A razão de Rui Vitória, no entanto, fica por aqui. Porque, na realidade, as perguntas incómodas sempre foram feitas. E acima de tudo porque se engana quando, sem os nomear, diz que Jesus e Lopetegui estão obcecados com o Benfica. Porque não estão. Jesus está, como sempre esteve, obcecado consigo próprio. E Lopetegui está obcecado com a ideia de salvar a própria pele, porque certamente já terá tido a curiosidade de ir espreitar a forma como começaram as crises que levaram à substituição de treinadores a meio da época no Dragão. Ponto em comum (julgo que a todos menos a Del Neri): são sempre os treinadores quem pede para sair, seja por terem sido requisitados em outros sítios ou porque já não aguentam a pressão instrumentalizada.Não me espanta, por isso, que Julen Lopetegui agarre com avidez qualquer mão que se lhe apresente como meio de salvação, mesmo que ela seja a do rival que ainda há uns meses gozava com a forma como dizia o seu nome. Já Jesus é um caso diferente. Tem sido norma aos benfiquistas dizerem que o atual técnico do Sporting está obcecado com a Luz. Pois eu acho qe não está. Jesus está - como sempre esteve, de resto, como já estava quando disse que com ele os jogadores do Benfica iam jogar "o dobro" - ofuscado com o brilho que ele próprio julga emitir na qualidade de Rei Sol. Quando Jesus se mete com Vitória, não é por achar que este está a trabalhar mal ou por querer voltar para o local onde foi feliz. É para realçar que quem o substituiu não está a fazer tanto como ele tinha feito. E não é por causa do Benfica. É por causa dele. Não entender isto é não entender a personagem.
2016-01-05
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O Benfica-Marítimo será a quarta tentativa desta época para o Benfica suplantar a barreira das três vitórias consecutivas. Até este momento, os encarnados já conseguiram por três vezes ganhar três jogos seguidos, mas espalharam-se sempre no quarto, frente a FC Porto, Galatasaray e Sporting. A tendência, aliás, já vem da ponta final da época passada, uma vez que o Benfica não vence quatro jogos seguidos desde Março. A última série vitoriosa superior a três jogos registada pelo Benfica data de Fevereiro e Março, quando a equipa então liderada por Jorge Jesus até se impôs seis vezes seguidas, a V. Setúbal (3-0 para a Taça da Liga e mais 3-0 para o campeonato), Moreirense (3-1), Estoril (6-0), Arouca (3-1) e Sp. Braga (2-0). Essa série foi interrompida com a derrota em Vila do Conde, frente ao Rio Ave (1-2), a 21 de Março de 2015. E logo na época anterior o Benfica se revelou incapaz de ultrapassar a barreira do quarto jogo, quando ganhou a Nacional (3-1), Académica (5-1) e Belenenses (2-0), para depois empatar a zero com o FC Porto, no jogo que começou a definir com mais certeza a conquista do bicampeonato. Já esta época, por mais três vezes o Benfica ganhou três partidas consecutivas, mas esbarrou sempre num adversário mais competente ao quarto. Em Agosto e Setembro, ganhou a Moreirense (3-2), Belenenses (6-0) e Astana (2-0), mas perdeu a seguir com o FC Porto no Dragão (1-0). Depois disso, em Setembro e Outubro, voltou a vencer consecutivamente o Paços de Ferreira (3-0), o Atlético Madrid (2-1) e o Vianense (2-1), mas viu a série interrompida em Istambul, onde foi batido pelo Galatasaray (2-1). Por fim, em Outubro e Novembro bateu o Tondela (4-0), o Galatasaray (2-1) e o Boavista (2-0), caindo de seguida frente ao Sporting, na Taça de Portugal (1-2). A quarta tentativa da época (quinta seguida, se contarmos a ponta final de 2014/15) de somar quatro vitórias seguidas começou a ser construída com os sucessos contra o Rio Ave (3-1), o Nacional (1-0) e o V. Guimarães (1-0). O adversário que se segue é o Marítimo.   - Raul Jiménez fez golos nos últimos dois jogos do Benfica na Luz, sempre perto do final das partidas. Marcou o terceiro nos 3-1 ao Rio Ave, a 7’ do fim, e decidiu a partida frente ao Nacional (1-0), já em cima do minuto 90. Em ambos os casos o avançado mexicano saiu do banco para marcar.   - O Marítimo marcou golos nos últimos quatro jogos: vitória por 4-3 em Guimarães, derrota por 4-1 em Arouca, vitória por 3-1 frente ao FC Porto no Dragão e empate a uma bola em casa com o Estoril. Não fica em branco desde a receção ao Sporting (0-1), a 5 de Dezembro. Em contrapartida, a equipa de Ivo Vieira tem sido incapaz de manter a baliza inviolada: há nove jogos seguidos que sofre sempre golos, não segurando o zero desde a vitória no Bessa (1-0), a 1 de Novembro.   - Marega, avançado que fez o golo do Marítimo na derrota na Luz, em Maio, vem com dois jogos seguidos a marcar: fez o terceiro nos 3-1 com que os insulares ganharam ao FC Porto no Dragão e adiantou a equipa no empate em casa com o Estoril (1-1). A melhor série de jogos consecutivos a marcar do maliano ficou em cinco partidas, na ponta final da época passada, tendo sido interrompida precisamente contra o Benfica, mas na final da Taça da Liga: marcou ao Estoril (1-1), ao Arouca (1-1), ao Sp. Braga (3-1), ao Rio Ave (bis nuns 4-0) e ao Benfica (1-4), falhando depois o encontro com as redes no 1-2 contra o mesmo Benfica, na final da Taça da Liga.   - Ruben Ferreira vai estar fora do jogo com o Benfica, porque foi expulso na partida do Marítimo frente ao Estoril. Foi a 12ª expulsão dos verde-rubros em 15 jornadas da Liga, um total que é o mais elevado do campeonato e já bateu o recorde de expulsões do Marítimo numa época inteira de I Divisão.   - Rui Vitória nunca perdeu em casa com o Marítimo em jogos da Liga – a única derrota foi em 2011/12, na Taça da Liga – e só cedeu um empate, mas nunca viu as suas equipas marcarem mais de um golo a este adversário: 1-0 com o Paços de Ferreira em 2010/11; 1-0, 1-1, 1-0 e 1-0 com o V. Guimarães de 2011/12 em diante.   - Ivo Vieira, por sua vez, perdeu os três jogos que fez na carreira contra o Benfica: 2-0 ainda aos comandos do Nacional, em 2011/12, e na época passada 4-1 e 2-1 nas partidas da Liga e da Taça da Liga. No confronto direto com Rui Vitória soma uma vitória (Nacional 1, P. Ferreira 0, em 2010/11) e uma derrota (Nacional 1, V. Guimarães 4, na estreia de Vitória à frente dos minhotos, em 2011/12).   - O benfiquista André Almeida estreou-se na Liga a defrontar o Marítimo. Foi a 29 de Novembro de 2008 que Jaime Pacheco o lançou no Belenenses, para jogar os últimos 9 minutos de uma derrota frente aos verde-rubros, por 2-0. Além do lateral, também Ederson, guarda-redes suplente dos encarnados, se estreou na Liga frente ao Marítimo, lançado por Nuno Espírito Santo no Rio Ave numa derrota (0-1) em casa, a 18 de Agosto de 2012.   - José Sá, que tem sido guarda-redes suplente do Marítimo e fez parte da formação no Benfica, também se estreou na Liga frente ao adversário de agora. Foi lançado por Pedro Martins, a 18 de Agosto de 2013, precisamente na última vez que os maritimistas venceram os encarnados, por 2-1. Além dele, também o médio Alex Soares se estreou nesse dia.   - O Benfica segue com quatro vitórias seguidas em confrontos com o Marítimo, incluindo a final da Taça da Liga da época passada, em Maio, que venceu por 2-1, com golos de Jonas e Ola John, a responder a um tento de João Diogo. A última vez em que o Marítimo evitou a derrota foi na abertura da Liga de 2013/14, quando ganhou por 2-1 nos Barreiros. O Benfica, porém, veio a ser campeão nesse ano.   - Além disso, o bicampeão nacional ganhou as últimas sete receções ao Marítimo na Luz. Todas elas desde o empate a uma bola na abertura do campeonato de 2009/10, quando só evitou a derrota a quatro minutos do fim, com um golo de Weldon, depois de Alonso ter adiantado os madeirenses. Também nesse ano, contudo, o Benfica acabou por ser campeão.   - Jonas marcou golos nas duas últimas vezes em que defrontou os leões do Funchal: além da final da Taça da Liga, na qual abriu o ativo, bisou na Luz, nos 4-1 com que os encarnados despacharam o Marítimo no encerramento da última Liga, uma semana antes.   - O Marítimo só venceu uma vez na Luz. Foi em Setembro de 1987, por 1-0, graças a um golo do brasileiro Paulo Ricardo, que ajudou a avolumar a crise em torno de Ebbe Skovdahl, o treinador dinamarquês que o Benfica demitiu dois meses depois.   - Fábio Veríssimo apita pela segunda vez o Benfica na Liga, depois de já ter estado na vitória dos encarnados frente ao Tondela, em Aveiro, por 4-0. Nunca dirigiu uma partida do Marítimo no campeonato.    
2016-01-05
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Renato Sanches fez o segundo golo da época e o primeiro decisivo, garantindo a vitória do Benfica frente ao V. Guimarães por 1-0. Os encarnados não ganhavam um jogo na Liga graças a um golo de um jogador ainda júnior desde 7 de Março de 2004, quando bateram fora o Gil Vicente por 2-1 graças a um golo de Manuel Fernandes, a 12’ do fim. - Esta época, o Benfica já tinha ganho um jogo graças a um golo de um miúdo de 18 anos, mas fê-lo na Liga dos Campeões, em Setembro: foi o 2-1 em Madrid, frente ao Atlético, graças a um golo de Gonçalo Guedes.   - O golo de Renato foi ainda o primeiro do Benfica na Liga sem participação direta de Jonas desde a vitória em Setúbal, por 4-2, a 12 de Dezembro. Nesse jogo, o brasileiro não participou no quarto golo encarnado, marcado na própria baliza por Ricardo depois de um remate de Mitroglou ao poste.   - A vitória em Guimarães foi a terceira seguida do Benfica, depois dos sucessos contra o Rio Ave e o Nacional (este na Taça da Liga). Os encarnados igualaram assim as três melhores séries da época, todas compostas por três vitórias consecutivas. Nas três primeiras, caíram ao quarto jogo, contra o FC Porto (0-1), o Galatasaray (1-2) e o Sporting (1-2).   - Foi, além disso, o oitavo jogo seguido do Benfica sem perder na Liga, numa série que começou após a derrota contra o Sporting, na Luz, a 25 de Outubro. Desses oito jogos, os encarnados saíram sete vezes vencedores, empatando apenas frente ao U. Madeira, na Choupana. E só por duas vezes sofreram golos: nos 4-2 em Setúbal e nos 3-1 em casa ao Rio Ave.   - Quinto jogo consecutivo do V. Guimarães sem marcar um golo sequer ao Benfica. O último golo dos vimaranenses na baliza dos encarnados aconteceu no Jamor, em Maio de 2013, e foi marcado por Ricardo Pereira, garantindo a conquista da Taça de Portugal à equipa então comandada por Rui Vitória. Desde então, o Vitória soma quatro derrotas e apenas um empate a zero, em casa, na penúltima ronda da Liga anterior.   - O jogo marcou a segunda derrota consecutiva do V. Guimarães em casa, depois de ter perdido por 4-3 com o Marítimo. Desde Abril de 2014, quando perderam de enfiada com Estoril (1-3) e Arouca (2-3) que os vimaranenses não perdiam duas vezes seguidas no seu terreno.   - Segunda vitória em outros tantos jogos de Rui Vitória contra as suas ex-equipas nesta Liga. Depois dos 3-0 em casa ao Paços de Ferreira ganhou agora por 1-0 fora ao V. Guimarães.   - Cafu fez o 50º jogo com a camisola do V. Guimarães, depois da estreia, em Agosto de 2014, numa vitória por 3-1 frente ao Gil Vicente. O treinador que o lançou, Rui Vitória, estava agora no banco oposto.   - O Benfica continua a ter o melhor ataque da Liga, com 35 golos marcados em 15 jogos, o seu melhor parcial em 15 jogos desde 2012/13, quando chegou à 15ª jornada com 39 golos obtidos. A pontuação é que não é famosa: soma 34 pontos, menos seis que na época passada à mesma altura. Desde 2010/11 que o Benfica não tinha tão poucos pontos à 15ª jornada – nesse ano somava 33.
2016-01-03
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Último Passe

Um golo marcado na raça por Renato Sanches, na recarga a um primeiro remate que ele próprio já fizera na ressaca de um pontapé de canto afastado pela defesa adversária, permitiu ao Benfica ganhar um jogo muito difícil em Guimarães e assistir no conforto do autocarro ao clássico de Alvalade com a certeza de que beneficiará de qualquer resultado que ali venha a verificar-se. A vitória do Benfica foi justa, porque apesar do bom aproveitamento estratégico duas suas lacunas pela equipa de Sérgio Conceição, os encarnados tinham tido a maioria das escassas ocasiões de golo de uma partida que desde cedo se pôs dura e propícia a ser ganha nos duelos. Ora a capacidade de Renato para, nesses mesmos duelos, impor o físico, evitar cair e queimar linhas em posse foi a maior arma do Benfica neste jogo, que o Vitória abordou com agressividade no pressing sobre a primeira fase de construção encarnada. Conceição não temia partir a equipa quando mandava os seus quatro homens da frente apertar na saída de bola do adversário. Quando conseguiam que a pressão fosse eficaz, Licá, Xande e Dourado criavam condições para que Otávio pudesse colocar a retaguarda benfiquista em apuros; em todas as outras ocasiões, Renato saía embalado para o choque com o resto da equipa vimaranense e transportava os campeões nacionais para onde são mais perigosos, que é nas imediações da área adversária. Mesmo num dia de sub-rendimento de Jiménez e Gaitán, este ainda a acusar o regresso de longa paragem. O jogo punha-se, assim, dividido, com a ideia de que o golo podia aparecer em qualquer baliza. Na primeira parte, Licá e Jonas tiveram as melhores situações para chegar ao golo. O vimaranense perdeu a dele por tentar oferecer o golo a um colega, depois de grande abertura de Xande, permitindo a interceção da defesa adversária, enquanto que o benfiquista obrigou o guardião Miguel Silva a grande defesa, após mais uma insistência de Renato Sanches. A chave do jogo estava aí mesmo – na insistência. E depois de Pizzi ter visto o guardião vimaranense tirar-lhe o golo, num lance em que seguia isolado por Jonas para a baliza, Renato marcou mesmo o golo da vitória, a pouco mais de um quarto-de-hora do final. O Vitória já não teve arte para regressar a um jogo que o Benfica fez por ganhar, anunciando a aproximação do Benfica às contas do título. Suceda o que suceder daqui a pouco em Alvalade.
2016-01-02
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Rui Vitória vai defrontar a equipa que mais projeção lhe deu no futebol nacional, o V. Guimarães, podendo por isso aproveitar o conhecimento adquirido nas quatro épocas que lá passou. No caso do atual treinador benfiquista, porém, isso não tem sido uma grande vantagem, pois apesar de uma carreira sempre a subir de nível, não tem um histórico particularmente feliz contra ex-equipas suas: em Guimarães ganhou apenas três dos oito jogos contra o Paços de Ferreira, dois dos quais fora de casa. Há duas ilações a tirar deste histórico. A primeira é que nos oito jogos de Vitória contra a equipa que tinha orientado antes da atual, o ataque foi a tónica dominante: não houve um único zero de nenhuma das equipas, pois ambas marcaram sempre. E a segunda é que Rui Vitória se sente melhor como visitante a um estádio onde já foi feliz do que como anfitrião das suas ex-equipas: tem uma vitória, dois empates e uma derrota nos jogos com o Paços em Guimarães e duas vitórias, um empate e uma derrota nas visitas ao Estádio Capital do Móvel. O melhor resultado, aliás, obteve-o em Paços de Ferreira com o V. Guimarães. Foi uma vitória por 5-1 logo em Novembro de 2011, com hat-trick de Edgar. Boas perspetivas, uma vez que o jogo de sábado se disputará no campo do adversário. A primeira época de Rui Vitória em Guimarães – que, recorde-se, o treinador ainda começou em Paços de Ferreira, tendo por isso amplo conhecimento do adversário – foi a melhor no confronto com a ex-equipa, tendo o atual técnico do Benfica obtido duas vitórias, por 3-1 e 5-1. Em 2012/13 perdeu em Paços de Ferreira por 2-1 e empatou em Guimarães a dois golos. Em 2013/14 ganhou em Paços (3-1), mas perdeu em casa (1-2). E na época passada ambos os jogos redundaram em empates: 1-1 em Guimarães e 2-2 em Paços de Ferreira. Mais um bom prenúncio na viagem do Benfica a Guimarães, pois esta é a primeira temporada do treinador no seu novo clube e a primeira vez que defronta a anterior equipa. Quererão os adeptos benfiquistas acreditar ainda que a tendência para deixar pontos no confronto com as ex-equipas terá ficado definitivamente para trás das costas agora que Rui Vitória deu o salto para um grande. É que, além do mais, esta época o treinador ribatejano já recebeu o Paços de Ferreira, a equipa que orientou antes de se ocupar do V. Guimarães, e levou o seu Benfica a vencer por 3-0 em casa, naquele que foi o primeiro jogo de Vitória na Liga contra uma ex-equipa no qual não sofreu golos.   - Sérgio Conceição, atual treinador do V. Guimarães, foi um dos dois treinadores capazes de ganhar por duas vezes ao Benfica na época passada – o outro foi André Villas-Boas. Enquanto treinador do Sp. Braga, Conceição bateu a equipa de Jorge Jesus em casa para a Liga (2-1) e na Luz para a Taça de Portugal (2-1), curiosamente em dois jogos nos quais começou sempre a perder e virou o placar. Foram as duas únicas vitórias que conseguiu sobre o Benfica em oito jogos, nos quais soma cinco derrotas e um empate (0-0), com o Olhanense, em Março de 2012, na primeira vez que defrontou o Benfica como treinador.   - Além disso, Conceição também só ganhou uma vez a Rui Vitória e foi na época passada: 2-1 para a Taça de Portugal, com o Sp. Braga, em Guimarães. De resto, sempre com o opositor no banco que agora é seu, o atual técnico vimaranense soma três empates e três derrotas (sempre um com cada clube que dirigiu: Sp. Braga, Académica e Olhanense.   - Desde Setembro que o V. Guimarães perde em casa jogo sim-jogo não: ganhou ao Tondela e depois perdeu com o Sp. Braga; empatou com a Académica e depois perdeu com o Nacional; venceu o Rio Ave e depois perdeu com o Marítimo. A sequência não favorece a ideia de uma segunda derrota seguida em casa, algo que os vimaranenses já não conhecem desde Abril de 2014, quando foram consecutivamente batidos por Estoril (1-3) e Arouca (2-3).   - O central benfiquista Jardel vai defrontar o adversário contra o qual se estreou na Liga portuguesa. Foi a 16 de Agosto de 2010 que Daúto Faquirá o lançou num Olhanense-V. Guimarães que acabou empatado a zero.   - Muitos jogadores do plantel vimaranense foram lançados na Liga por Rui Vitória, atual treinador do Benfica. Foi o caso de Douglas, Pedro Correia, Josué, João Afonso, Bruno Gaspar, Luís Rocha, Breno, Cafu, Bouba Saré, Bruno Alves, Otávio, Alex, Ricardo Gomes, Ricardo Valente e Areias. Chegavam para fazer uma equipa, com suplentes e tudo.   - A estreia do atacante Ricardo Valente foi mesmo contra o Benfica, a 10 de Janeiro de 2015, quando substituiu Ricardo Gomes a meia hora do final de uma partida que os minhotos perderam, na Luz, por 3-0.   - Cafu poderá fazer o 50º jogo pelo V. Guimarães. Dos 49 que já realizou, 42 foram na Liga portuguesa, aos quais soma três na Taça da Liga, dois na Liga Europa outros dois na Taça de Portugal.   - Assis, que tem sido o guarda-redes suplente do V. Guimarães, estreou-se na Liga a jogar contra o Benfica, ocupando o lugar de Bruno Vale, quando este foi expulso, a 11’ do fim, num Benfica-Belenenses de Fevereiro de 2010 que os encarnados venceram por 1-0.   - O V. Guimarães não fez um único golo nos últimos quatro jogos em que defrontou o Benfica, perdendo três (duas vezes 1-0 e uma por 3-0) e empatando outra a zero, na tarde em que os encarnados celebraram o bicampeonato, em Maio passado. O último golo vimaranense ao Benfica foi no Jamor, em Maio de 2013, marcado por Ricardo Pereira e valeu a conquista da Taça de Portugal à equipa então orientada por Rui Vitória, pois permitiu um sucesso por 2-1.   - O último golo sofrido pelo Benfica em Guimarães já data de Fevereiro de 2012, quando o Vitória local se impôs por 1-0, graças a um tento do brasileiro Toscano. Dos 14 que Jorge Jesus levou a jogo nessa noite restam no Benfica apenas Luisão e Gaitán, enquanto no Vitória já não está nenhum dos heróis da vitória.   - V. Guimarães e Benfica perderam os jogos que fizeram esta época na Liga com Carlos Xistra. Os vimaranenses em casa com o Nacional (0-1) e os benfiquistas também no seu estádio, face ao Sporting (0-3). De resto, este árbitro que apitou dois penaltis a favor da equipa da casa nos seus dois últimos desafios na Liga (FC Porto-P. Ferreira e Académica-Belenenses), já dirigiu o Benfica por 19 vezes no campeonato (11 vitórias, quatro empates e quatro derrotas) e por 18 ocasiões o V. Guimarães (seis vitórias, cinco empates e sete derrotas). Dois dos 196 jogos que fez na Liga foram V. Guimarães-Benfica: em 2008/09 ganharam os encarnados por 2-1 e em 2011/12 venceram os minhotos por 1-0.
2016-01-01
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Jorge Jesus voltou a dirigir-se aos adeptos que estavam em Alvalade esta semana e recordou aquilo que tinha dito no ato da apresentação: que o Sporting ia ser candidato ao título. Aliás, renovou a promessa de andar lá, “encostado a eles”, num discurso aos adeptos que foram ver a equipa treinar-se e no qual enumerou aquilo que a equipa já conseguiu em cinco meses de trabalho. Mas Jesus, melhor do que ninguém, sabe que para andar lá “encostado a eles”, a equipa precisa de mais um salto em frente. Foi assim que conseguiu dois dos seus três títulos nacionais, sendo que o outro foi ganho a colar com cuspe os remendos de uma equipa que sentiu demasiado os efeitos do mercado de inverno, no qual perdeu Enzo Pérez. O que pode parecer pouco mas se notou muito porque em anos anteriores a equipa já tinha perdido Javi García, Witsel e Matic. A época de 2014/15 foi a exceção nos títulos de Jesus. Nela, o Benfica baixou a média de pontos por jogo do Natal para a frente e mesmo assim conseguiu ser campeão, muito graças a um arranque superlativo: tinha 2,64 pontos por jogo até ao Natal e somou 2,40 pontos por jogo entre o Ano Novo e o fim da Liga. Valeu-lhe um início mais tímido que o atual do FC Porto de Julen Lopetegui, com apenas 2,21 pontos por jogo até à noite de Consoada (contra os 2,57 de agora), e uma ponta final não muito afirmativa dos dragões, com 2,55 pontos por jogo, reflexo, por exemplo, da incapacidade para ganhar o clássico na Luz que os devolveria à luta pelo título. Ora desta vez o FC Porto já está na frente e, se mantiver o “modus operandi” da época passada, Lopetegui não tem a rotatividade para o atrapalhar e lhe roubar pontos. Há um ano, por esta altura, o basco tinha o onze consolidado e, mesmo estando agora também na Taça de Portugal e na Liga Europa com responsabilidades que não tinha na Champions, tudo leva a crer que possa pelo menos manter a pedalada até ao final da Liga. Daí que, caso queira mesmo andar lá em cima, “encostado a eles”, Jesus saiba que tem de repetir o que conseguiu nos seus primeiros dois títulos com o Benfica e subir a média pontual a partir de Janeiro. Em 2009/10 cresceu de 2,35 para 2,68 pontos por jogo e em 2013/14 aumentou a produtividade de 2,35 para 2,56 pontos por jogo. O Sporting de Jesus viaja com uma média de 2,50 pontos por jogo, mas para ser campeão pode ter que melhorar. As duas épocas em que o Benfica de Jesus aumentou a produtividade de Janeiro para a frente tiveram outro ponto em comum, que foi uma vitória sobre o FC Porto em casa, por esta altura do inverno: 1-0 a 20 de Dezembro de 2009 e 2-0 a 12 de Janeiro de 2014. O calendário fez a sua parte e marcou um Sporting-FC Porto para 2 de Janeiro. Resta perceber se a equipa de Jesus faz também a sua ou se, permitindo um bom resultado ao FC Porto, perde a oportunidade de afirmar no campo o que o treinador tem dito aos adeptos. É que se não aproveitar a oportunidade, o Sporting pode vai ter que se ver a contas com o Benfica de Rui Vitória. O Benfica está mais perto do que muitos julgariam possível depois dos 3-0 com que foi despachado pelos leões na Luz, em Outubro, e ainda vem muito a tempo de interferir na guerra do título. Sobretudo se crescer de produção. O histórico de Rui Vitória no V. Guimarães não é de crescimento pós-natalício constante, mas é de crescimento nas épocas em que os inícios defraudaram as expectativas. Como foi o caso com este Benfica, que segue com apenas 2,21 pontos por jogo, a pior produção pré-natalícia na Luz desde 2010/11, a época em que o FC Porto de André Villas-Boas ganhou o campeonato a passear. Voltando a este Benfica, a questão que se coloca é a de saber se o modo de trabalho de Rui Vitória permite pensar num crescimento na segunda metade da temporada. Ora, os dois melhores arranques de Rui Vitória em Guimarães (2,00 pontos por jogo em 2014/15 e 1,64 pontos por jogo em 2013/14) conduziram a um decréscimo de produtividade após o Ano Novo (1,35 e 0,75 pontos por jogo, respetivamente). Aplica-se aqui que nem uma luva a teoria da desresponsabilização que foi usada acerca do estoiro dado pela equipa vimaranense na época passada, por exemplo, na qual até chegou ao Natal à frente do Sporting de Marco Silva. Chegou aos jogadores a mensagem de que estavam a portar-se demasiado bem (iam a par dos Ferraris e só conduziam um Fiat 600) e isso levou-os a baixar o ritmo daí para a frente. Nas épocas em que o início foi mais tremido, porém, Vitória soube reunir a equipa e aumentar as médias na segunda metade da Liga. Foi assim em 2011/12 (de 1,27 para 1,82 pontos por jogo) e em 2012/13 (de 1,25 para 1,38). Ora é desse acréscimo que o Benfica precisa para voltar a entrar na guerra. Claro que tanto na história de Jesus como na de Vitória – na de Lopetegui dificilmente isso será tema – há que ter em conta o papel desempenhado pelo mercado de Janeiro. Mas a ideia que fica para já é a de que vamos ter Liga disputada por mais uns meses. A começar já no sábado que vem, com o V. Guimarães-Benfica e o Sporting-FC Porto.
2015-12-28
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O tropeção do Sporting na Choupana, frente ao União da Madeira, seguido da vitória do FC Porto sobre a Académica, no Dragão, trouxe uma inesperada mudança de líder ao campeonato. A equipa de Julen Lopetegui sucedeu à de Jorge Jesus no primeiro lugar, se calhar nem bem consciente da importância que tem passar a consoada no primeiro lugar: doze dos 16 campeões deste século receberam os embrulhos do Pai Natal na frente da Liga. Que a troca tenha acontecido semana e meia depois da espera dos adeptos portistas ao treinador basco, no aeroporto, no regresso de Londres, após a eliminação da Champions, é um detalhe que serve para acentuar que este pode vir a ser um campeonato de jogadores e não de treinadores. A questão foi muito debatida neste início de época, quando Jorge Nuno Pinto da Costa investiu no reforço de um plantel que já era o mais forte da Liga e Bruno de Carvalho apostou as fichas todas no treinador que ganhara os dois últimos campeonatos. De um lado, acreditava-se que era preciso juntar qualidade a um grupo que continuava a ser liderado por um treinador ao qual nem os adeptos portistas comprariam um carro usado. Do outro, achava-se que um grupo reforçado mas ainda assim limitado poderia transcender-se se fosse liderado por um ganhador acima de qualquer suspeita. Ouviram-se e leram-se inúmeras comparações entre os milhões que custaram jogadores de um lado e os que ganhava o treinador do outro. E é claro que só o final do campeonato trará a resposta definitiva, mas a ascensão do FC Porto à liderança na semana do Natal pode prenunciar que a aposta correta acaba por ser a do presidente portista. É que só por três vezes neste século uma equipa conseguiu ser campeã sem estar pelo menos ex-aequo no topo da Liga por esta altura: aconteceu ao Sporting em 1999/00, ao Boavista em 2000/01, ao Benfica em 2004/05 e ao FC Porto em 2008/09. Em três destes casos (em todos os que acabou por perder, portanto), o campeão de Natal foi o FC Porto, pelo que os dragões sabem bem o que é deitar ao lixo um campeonato nestas circunstâncias. E é por já estarem avisados que têm de olhar para o clássico de dia 2 de Janeiro, com o Sporting, em Alvalade, com a necessidade absoluta de não permitirem nova ultrapassagem: em 2000/01, por exemplo, o FC Porto cedeu o primeiro lugar ao Boavista com uma derrota no confronto direto logo no início de Janeiro e nunca mais o recuperou. Isso pode até querer dizer que o empate em Alvalade acabará por ser um bom resultado para o FC Porto, porque manteria a liderança, mas convém os portistas não esquecerem que também o é para o Benfica, que ontem ganhou ao Rio Ave e se colocou a cinco pontos do topo da tabela. Se os rivais empatarem no clássico e o Benfica vencer em Guimarães, essa distância baixará para três pontos apenas. Uma vitória… Claro que este é um cenário de sonho para os benfiquistas, também ele surgido na semana em que a contestação a Rui Vitória subiu tanto de tom que a “estrutura” sentiu a necessidade de divulgar que o presidente Luís Filipe Vieira tinha ido ao balneário puxar as orelhas ao grupo. Mas é um cenário que acaba por premiar a política híbrida, de navegação à vista, assumida por Vieira. O Benfica quis outro treinador para foçar a aposta nos jovens formados no Seixal – e na verdade alguns deles até estão a jogar – mas acabou por ter de abrir os cordões à bolsa quando a passagem de Jesus para Alvalade veio mudar a conjuntura. Vitória não tem sido capaz de fazer do Benfica um coletivo tão ganhador como o do bicampeonato, mas continua a ter jogadores capazes de resolver, como Gaitán numa altura da época e Jonas agora. Na verdade, também no Benfica se torce para que este seja um campeonato de jogadores. Se será ou não, os meses que faltam é que darão a resposta. Mas do dia 2 de Janeiro já será possível ter umas pistas a este respeito. In Diário de Notícias
2015-12-21
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O Benfica-Rio Ave é um daqueles jogos que cheira a golos. Porque, além de ter o melhor ataque da Liga, com 31 tentos obtidos, o Benfica é a equipa que mais golos fez no seu estádio: 21. E do outro lado está o Rio Ave, que tem o melhor ataque da Liga na condição de visitante, com 13 golos, tantos como o FC Porto. Para o Benfica, fazer golos neste jogo é primordial, fundamentalmente porque precisará de pelo menos um para ganhar e somar três pontos, mas também para evitar um quinto zero ofensivo nesta Liga. É que a equipa de Rui Vitória já ficou em branco contra Arouca (0-1), FC Porto (0-1), Sporting (0-3) e U. Madeira (0-0). Marcar ao Rio Ave servirá para evitar um quinto jogo sem golos no mesmo campeonato, algo que os encarnados não conhecem desde 2008/09, antes da chegada de Jorge Jesus à Luz. Como a equipa vem precisamente de um nulo contra o U. Madeira na Choupana torna-se igualmente importante marcar para evitar um segundo jogo seguido a zeros, o que não lhe acontece desde Fevereiro de 2012, quando perdeu com o V. Guimarães no Minho (0-1) e empatou com a Académica em Coimbra (0-0). Do outro lado, o Rio Ave também confiará mais na capacidade para fazer golos do que para os evitar. É que o Benfica marcou golos ao Rio Ave nos últimos 14 jogos entre ambos na Luz, não ficando em branco desde um empate a zero em Maio de 1997, eram Manuel José e Carlos Brito os treinadores das duas equipas. Além disso, o Rio Ave possui o melhor ataque da Liga em jogos fora de casa, com 13 golos marcados, tantos como o FC Porto e mais um que Sporting e V. Setúbal. Os vila-condenses marcaram em todos os jogos que fizeram na condição de visitantes, tendo-o feito por três vezes em Paços de Ferreira (3-0) e no Restelo contra o Belenenses (3-3). A última deslocação em que o Rio Ave ficou em branco já data de Maio: um 4-0 encaixado na visita ao Marítimo.   - Pedro Martins já ganhou três vezes ao Benfica, uma delas na Taça de Portugal, ainda ao serviço do Marítimo, mas nunca conseguiu sequer arrancar um ponto no Estádio da Luz, onde soma por derrotas os sete jogos efetuados e não marca um golo há pouco mais de três anos: desde que Rodrigo António abriu o marcador num desaire por 4-1, a 15 de Dezembro de 2012.   - Além disso, só por uma vez uma equipa de Pedro Martins ganhou a uma equipa de Rui Vitória na condição de visitante. Foi em Janeiro de 2012, em partida da Taça da Liga, que o Marítimo venceu em Guimarães por 2-0, com golos de Tchô e Danilo Dias.   -Os benfiquistas Ederson e Sílvio já jogaram no Rio Ave. O lateral até se estreou na Liga pelos vila-condenses, num jogo contra o Benfica: foi lançado por João Eusébio no empate (1-1) no Estádio dos Arcos, a 24 de Agosto de 2009. Do lado do Rio Ave também está um ex-benfiquista: Roderick foi formado nos encarnados e por lá esteve até 2013.   - Talisca, auto do golo da vitória do Benfica sobre o Rio Ave na Luz, na época passada (1-0), fez o primeiro jogo oficial pelos encarnados contra o adversário de Vila do Conde, no empate a zero que o Benfica transformou em vitória no desempate por grandes penalidades, ganhando a Supertaça de 2014/15.   - Do outro lado, o avançado Yazalde também se estreou com a camisola do Rio Ave – e na Liga, após chegar a meio da época do Varzim – contra o Benfica. Foi a 3 de Janeiro de 2009 que Carlos Brito lh deu o primeiro jogo, uma derrota com os encarnados na Luz, por 1-0.   - O Rio Ave também não pontua na Luz desde Novembro de 2005, quando ali foi empatar a dois golos, estando mesmo a ganhar até cinco minutos do final, quando Petit fez o tento da igualdade para os encarnados. De resto, nunca os vila-condenses ali ganharam ao Benfica, ainda que já o tenham feito por quatro vezes no seu estádio: em 1981, 1997, 2005 e 2015. Em três desses campeonatos, o Benfica acabou por sagrar-se campeão.   - Os dois jogos do Benfica na Liga apitados por Manuel Oliveira, ambos na época passada, acabaram com o mesmo resultado: vitória dos encarnados por 3-0, frente a Belenenses e V. Setúbal. Por sua vez, o Rio Ave nunca ganhou em este árbitro, que não apanha desde uma derrota em casa com o Gil Vicente (0-1); em 2013/14. A registar que quatro dos cinco jogos apitados por este árbitro no presente campeonato acabaram empatados.
2015-12-19
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Último Passe

Uma primeira parte desperdiçada, à espera que as coisas se resolvessem, e uma segunda jogada com mais velocidade, mas a bater contra a muralha defensiva que o U. Madeira raramente tirava do sítio, levaram o Benfica a deixar dois pontos na Choupana, na sequência de um frustrante 0-0 que, já com o calendário acertado, deixa os encarnados a sete e cinco pontos de Sporting e FC Porto, os dois primeiros da tabela. A jogar contra o autocarro com que Luís Norton de Matos respondeu às críticas dos seus dirigentes, a equipa de Rui Vitória sentiu dificuldades para encontrar o caminho do golo, comprovando mais uma vez que se sente mais à vontade a explorar rápidas transições ofensivas do que quando é obrigada a abusar do ataque posicional. Por alguma razão o Benfica, que tem o melhor ataque da Liga, ficou hoje em branco pela quarta vez em 13 jogos – contra apenas uma de FC Porto e Sporting. E é por isso também que os encarnados nunca se limitam só ao primeiro golo. Quando entra um e os adversários se veem forçados a abrir, o Benfica faz sempre mais: marcou uma vez seis golos, três vezes quatro, três vezes três e duas vezes dois. E muito do que se passou no Funchal tem também a ver com os equilíbrios que a equipa do Benfica encontrou e que a ajudaram a ganhar jogos complicados, como o de Setúbal ou o de Braga. Contra um União estacionado à frente da sua área num 4x5x1 que exigia muito dos alas para que o ponta-de-lança, Cadiz, não ficasse ainda mais abandonado na frente e que metia três médios a fechar o espaço interior à frente da área, que os atacantes benfiquistas procuram para as suas tabelas, faltou ao Benfica explorar mais o conceito em torno do qual Rui Vitória construiu a sua primeira ideia para a equipa: largura. Não há dois jogos iguais. E as constantes derivações de Pizzi para o meio, que foram o segredo das vitórias mais recentes, porque deixavam a equipa mais forte no espaço interior tanto quando atacava como sobretudo quando reagia à perda da bola, foram na Choupana um handicap, acima de tudo porque faltaram laterais capazes de explorar todo o corredor e porque o interesse do U. Madeira no ataque era tão pouco que a transição defensiva se tornou o menos importante para o Benfica. Pizzi fez um bom jogo – esteve aliás em quase todas as ocasiões de golo do Benfica – mas podia tê-lo feito também a partir do corredor central, em vez de Fejsa, por exemplo, com dois extremos a obrigarem o União a dispersar por toda a largura do campo. Foi essa a única mexida que Rui Vitória podia ter feito e não fez, pois de resto viu sempre bem. Trocou um Gonçalo Guedes em quebra por Carcela, que funciona geralmente como abre-latas e tem golo e chamou ao jogo Jiménez, mais forte na resposta a cruzamentos largos, por troca com Jonas, que acusou em demasia a falta de espaço e de Gaitán. Mesmo assim, o Benfica não foi avassalador, como exigia o estatuto de melhor ataque da Liga. E, é preciso dizê-lo, o União responder bem defensivamente aos tiros nos pés que os seus dirigentes deram após o 0-6 de Paços de Ferreira. Domingo se verá se foram fogachos.
2015-12-15
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O Benfica ganhou nas últimas quatro visitas à Madeira, não perdendo ali desde que caiu aos pés do Marítimo na abertura da Liga de 2013/14. Rui Vitória, por sua vez, não tem sido feliz na sequência das viagens à Pérola do Atlântico, onde não ganhou nenhum dos derradeiros oito jogos. A sua última vitória – e única na Madeira ao serviço do V. Guimarães – aconteceu há quatro anos, quando bateu o Nacional por 4-1 em partida da Liga, precisamente no Estádio da Madeira (Choupana), onde vai agora disputar-se o U. Madeira-Benfica. Ainda assim, a conquista mais importante na carreira do atual treinador encarnado passou pelo Funchal: empatou ali com o Marítimo nos oitavos-de-final da Taça de Portugal de 2012/13, qualificou-se no desempate por grandes penalidades e acabou por vencer a prova, na final, contra… o Benfica. Ora é precisamente o Benfica que tem transformado as viagens à Madeira numa limpeza. Depois da derrota frente ao Marítimo, a 18 de Agosto de 2013, na primeira jornada da Liga de 2013/14 (2-1, com golos de Derley e Sami para os verde-rubros e de Rodrigo para as águias), os encarnados ganharam sempre no Funchal. Ainda nessa época, impuseram-se por duas vezes ao Nacional (1-0 para a Taça da Liga e 4-2 para o campeonato). Na temporada passada, sempre a contar para o campeonato, venceram o Nacional por 2-1 e o Marítimo por 4-0, com um nome comum a ambas as fichas de goleadores: o do agora lesionado Salvio. Já Rui Vitória tem tido mais problemas com os voos até ao Funchal. Ao comando do V. Guimarães só lá ganhou uma vez, ainda que possa apresentar como bom auspício o facto de ter sido logo a primeira (como é agora a primeira que ali leva o Benfica) e na primeira vez que orientou a equipa minhota. Manuel Machado saiu após a derrota em casa com o FC Porto (0-1), na primeira jornada da Liga de 2011/12, Basílio Marques orientou a equipa nos 0-3 com o Beira Mar e nem chegou a aquecer o lugar, de modo que Rui Vitória saltou do banco do Paços de Ferreira para o do mais ambicioso V. Guimarães. No jogo de estreia, à terceira jornada, já ganhava por 2-0 ao intervalo, acabando por se impor por 4-1 (marcaram N’Diaye, Toscano e Edgar, este por duas vezes). A mesma chapa quatro com o Benfica de Vitória resolveu dois dos três sucessos fora de casa que leva neste momento. Aquela foi, porém, a única vitória do atual treinador benfiquista no Funchal. Depois disso, na mesma temporada, ainda perdeu (2-1) com o Marítimo. Nos restantes seis jogos que lá fez para a Liga, empatou duas vezes com o Nacional na Choupana (1-1 em 2013/14 e 2-2 na época passada) e perdeu nas outras quatro ocasiões (2-1 com o Nacional em 2012/13 e todos os jogos nos Barreiros com o Marítimo: 1-0 em 2012/13, 2-1 em 2013/14 e 4-0 em 2014/15). A Madeira está, ainda assim, ligada à conquista da Taça de Portugal, que obteve pelo V. Guimarães em 2012/13. A 2 de Dezembro de 2012, empatou nos Barreiros com o Marítimo a uma bola (Ricardo igualou após um primeiro golo de Fidelis), acabando por se qualificar no desempate por grandes penalidades, numa noite mágica de Douglas, que defendeu dois pontapés dos onze metros. Chegou à final, onde venceu o Benfica, mas ainda há-de lembrar-se que nunca como nesse dia esteve tão perto de soçobrar: aquele foi o único dos sete jogos da caminhada que o V. Guimarães não venceu.   - Luís Norton de Matos, treinador do U. Madeira que se diz poder sair ainda antes do jogo com o Benfica, na sequência da derrota por 6-0 em Paços de Ferreira, fez uma época no Benfica B (na qual lançou Lindelof, jogador do atual plantel encarnado), mas nunca defrontou o Benfica como treinador na Liga. Aliás, a confirmar-se a rescisão, esta pode ser a segunda vez que sai mesmo à beira de o fazer: em 2005, conduziu o V. Setúbal até à 15ª jornada, quando se demitiu, alegando salários em atraso, deixando a equipa num excelente terceiro lugar. Na 16ª jornada, o V. Setúbal defrontou o Benfica, perdendo por 1-0.   - Gaitán, que ficará de fora da deslocação à Madeira, fez o primeiro jogo pelo Benfica na Liga na Choupana, o estádio do Nacional que servirá de casa emprestada à U. Madeira para receber o Benfica. Não tem boas memórias dessa noite, porém. Foi a 21 de Agosto de 2010, o argentino saiu aos 65’, com o Benfica a perder por 2-0 com o Nacional. Ainda viu Carlos Martins reduzir para 2-1, mas a derrota acabou por marcar-lhe a estreia.   - O Benfica ganhou as últimas três saídas na Liga: Tondela em Aveiro, Sp. Braga e V. Setúbal. Não conseguia três vitórias fora de casa seguidas na Liga desde o período entre Novembro do ano passado e Janeiro deste ano, quando ganhou cinco jogos consecutivos como visitante.   - Sempre que marcou golos nos jogos em casa esta época, o U. Madeira ganhou. Foi assim com o Marítimo (2-1) e com o Tondela (2-0). Nos outros quatro jogos o seu ataque ficou em branco.   - O União da Madeira perdeu todos os dez jogos que fez com o Benfica na Liga e só marcou quatro golos, todos eles na Luz. Em casa, ficou sempre em branco. A exceção a esta regra válida para a Liga foi uma partida da Taça de Portugal, em Dezembro de 1993, que acabou empatada a uma bola, no Estádio dos Barreiros. No prolongamento, porém, o Benfica impôs-se por 5-1.   - Aliás, o U. Madeira vem de uma derrota por 6-0, contra o Paços de Ferreira, algo que já não lhe acontecia desde Maio de 1992, quando foi batido por igual margem pelo… Benfica: Rui Águas e Paulo Sousa marcaram primeiro, antes de Isaías e Magnusson bisarem e fixarem o resultado final   - Cosme Machado, que será o árbitro do U. Madeira-Benfica, tem um registo curioso: nos cinco jogos que fez esta época na Liga, nenhuma equipa marcou golos a jogar em casa e só uma (o Moreirense, na receção ao Sp. Braga) evitou a derrota. O juiz minhoto já esteve numa derrota dos encarnados na Liga: o 1-2 com a Académica, na Luz, no arranque de 2010/11. Fora de casa, no entanto, o Benfica ganhou sempre com ele e nunca sofreu sequer um golo. Para o U. Madeira será a estreia na Liga com o árbitro minhoto.
2015-12-14
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Último Passe

A vitória do Benfica em Setúbal (4-2) e a forma fácil como a equipa de Rui Vitória a construiu veio mostrar que o treinador encontrou finalmente o equilíbrio e que ele não depende do sistema tático, da presença de Samaris ou Fejsa ou até de Renato Sanches. Depende sobretudo das dinâmicas que a equipa consegue ou não construir dentro desse sistema e essas têm um nome escrito à frente de todos os outros: o de Pizzi, o multi-funções que muda o jogo do coletivo. Em Setúbal, no regresso ao 4x4x2 que permite tirar o melhor de Jonas, com Gonçalo Guedes de um lado e Pizzi do outro, o Benfica beneficiou do facto de o V. Setúbal jogar num 4x4x2 tão aberto como era o de Rui Vitória há umas semanas – com Arnold de um lado e Ruca do outro e com André Claro próximo de Suk na frente – para marcar sempre superioridade nos duelos a meio-campo. Porque Pizzi se aproxima da dupla de médios tanto no início da construção – quando Samaris baixa para fazer a saída de bola com os centrais, desenhando um triângulo e impedindo a proliferação de passes horizontais das alas para o meio – como no momento de transição defensiva, compondo o corredor central e melhorando a reação à perda. O futebol é um jogo que se joga em 105 por 70 metros, mas decide-se em vários pequenos jogos que se desenham pelo campo. E a dinâmica de Pizzi permite ao Benfica marcar superioridade numérica em muitos desses mini-duelos. No jogo de Setúbal, além disso, o trasmontano ainda esteve ligado ao primeiro golo, que marcou após excelente trabalho individual, pouco antes do intervalo. Mas aí entrou a segunda parte da equação: os erros defensivos do V. Setúbal. Ricardo errou no primeiro golo do Benfica; os centrais e William foram demasiado passivos no segundo, feito por Jonas, e ultrapassados no terceiro, com que Mitroglou pôs ponto final na discussão; e o quarto foi um festival de descoordenação defensiva de todo o setor recuado, terminando em autogolo do guarda-redes sadino. O V. Setúbal fez um jogo positivo, de ataque, como tinha feito no Dragão, contra o FC Porto, e o caminho certo é esse. Quim Machado sujeitou a equipa aos erros, mas a mesma filosofia que adotou aqui e que lhe valeu os golos de Vasco Costa e Suk, a manter as distâncias nos dois golos de diferença, servir-lhe-á para ganhar muitos jogos contra adversários do mesmo campeonato. É por isso que o V. Setúbal até sofre muitos golos mas tem tudo para fazer uma época tranquila.
2015-12-13
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O Benfica vem da sétima derrota da época, em casa com o Atlético Madrid, por 2-1, na Liga dos Campeões. Já igualou em quatro meses o total de desaires de toda a época anterior e a esperança na revalidação do título passa por evitar avolumar esta conta. Até aqui, os encarnados responderam a quatro das seis derrotas anteriores com uma vitória no jogo imediatamente a seguir. As exceções foram o empate em Astana depois da derrota com o Sporting na Taça de Portugal e a derrota com os leões no campeonato logo a seguir ao desaire com o Galatasaray em Istambul. Em comum entre os dois casos está o facto de terem sido os únicos em que, depois de perder, o Benfica não teve pelo menos cinco dias para digerir a desilusão e preparar o jogo seguinte. Como agora. A primeira derrota da temporada apareceu logo no jogo de estreia, contra o Sporting, na Supertaça (0-1), a 9 de Agosto. A equipa de Rui Vitória voltou a jogar sete dias depois, na estreia na Liga, e ganhou ao Estoril por 4-0. Voltou depois a perder com o Arouca, em Aveiro, por 1-0, na segunda jornada da Liga, a 23 de Agosto. Contudo, sem ter jogos a meio da semana que a apoquentassem, a equipa recompôs-se e, seis dias depois, ganhou ao Moreirense na Luz por 3-2. Só à quinta jornada da Liga o Benfica voltou a perder: foi o 0-1 com o FC Porto no Dragão, a 20 de Setembro. Mais uma vez, o calendário permitiu-lhe seis dias de recuperação e preparação do jogo seguinte e o Benfica respondeu bem: 3-0 ao Paços de Ferreira, seis dias volvidos. A quarta e a quinta derrotas foram seguidas e assinalam também a primeira vez que o Benfica não teve pelo menos cinco dias para digerir um mau resultado. A 21 de Outubro perdeu por 2-1 com o Galatasaray em Istambul e quatro dias depois não foi capaz de superar o Sporting em casa, saindo vergado ao peso de um concludente 0-3. Rui Vitória teve então cinco dias para preparar os seus jogadores para nova deslocação a Aveiro, onde o Benfica ganhou facilmente ao Tondela por 4-0. A sexta derrota, contra o Sporting, na Taça de Portugal, a 21 de Novembro, veio de certa forma atenuar esta tese, pois com apenas quatro dias de recuperação – e uma longa viagem pelo meio – o Benfica já não perdeu o jogo a seguir. Mas também não o ganhou: empatou a dois golos com o Astana no Cazaquistão. A sétima derrota, frente ao Atlético de Madrid, a 8 de Dezembro, servirá de tira-teimas. O Benfica vai apresentar-se em Setúbal, quatro dias depois, com a responsabilidade de ganhar.   - O V. Setúbal-Benfica pode colocar frente a frente os dois jogadores que se têm revelado ofensivamente mais valiosos da Liga. Jonas, que soma dez golos e quatro assistências, contra Suk, que tem sete golos e as mesmas quatro assistências.   - O V. Setúbal ainda não perdeu no Bonfim esta época, mas também só ganhou um jogo em seis: 1-0 ao Estoril, a 2 de Outubro. Os outros cinco acabaram empatados, quatro deles a duas bolas (Boavista, Rio Ave, V. Guimarães e U. Madeira). O Arouca, que ali empatou a zero, foi a única equipa que segurou o ataque sadino e lhe impôs um nulo goleador.   - Quim Machado, treinador do V. Setúbal, perdeu os dois jogos que fez contra o Benfica, quando comandava o Feirense, mas em ambos marcou golos e vendeu sempre muito cara a derrota: na Luz, em Agosto de 2011, esteve empatado até ao último quarto-de-hora (golos de Nolito e Rabiola), quando Cardozo e Bruno César fizeram o 3-1 final. E na Feira, em Janeiro de 2012, até esteve a ganhar (golo de Varela), mas viu depois o Benfica virar para 1-2, fruto de um autogolo do mesmo Varela e de um penalti de Cardozo.   - Em contrapartida, nunca uma equipa de Quim Machado marcou um golo a uma equipa de Rui Vitória. Os confrontos entre ambos datam de 2011/12, sempre com Machado no Feirense. Primeiro, um Feirense-Paços de Ferreira que acabou empatado a zero e marcou precisamente a despedida de Rui Vitória da Mata Real, para assumir o desafio de liderar o V. Guimarães. E depois um V. Guimarães-Feirense que os vimaranenses ganharam por 1-0, com golo do brasileiro Toscano. Na visita do V. Guimarães à Feira já Quim Machado tinha sido substituído por Henrique Nunes.   - O Benfica ganhou as últimas cinco visitas a Setúbal, todas pelo menos por dois golos de diferença. A última vez que ali deixou pontos foi em Fevereiro de 2010, num jogo que acabou empatado a uma bola, fruto de dois autogolos: Ricardo Silva marcou pelo Benfica e David Luiz pelo V. Setúbal. De então para cá, cinco vitórias encarnadas: 2-0 em 2010/11 (Gaitán e Jara); 3-1 em 2011/12 (bis de Bruno César e golo de Cardozo contra um de Rafael Lopes); 5-0 em 2012/13 (bis de Rodrigo, acrescido de golos de Salvio, Enzo Pérez e Nolito); 2-0 em 2013/14 (Rodrigo e Lima) e outro 5-0 em 2014/15 (Salvio e Ola John complementados por um hat-trick de Talisca).   - O V. Setúbal não ganha ao Benfica há 17 jogos. A última vitória dos sadinos foi em Outubro de 2007, para a Taça da Liga: 2-1, de virada, com golos de Matheus e Edinho depois de Adu ter aberto o ativo para os encarnados. No campeonato, então, o Vitória já não vence desde um 1-0 em Maio de 1999, com golo de Toñito.   - Os últimos troféus conquistados pelo V. Setúbal envolveram vitórias sobre o Benfica. Foi assim na Taça da Liga de 2007/08, na qual a equipa sadina teve de afastar o Benfica e na Taça de Portugal de 2004/05, onde venceu os encarnados na final. Em ambos os casos o sucesso do V. Setúbal sucedeu-se a reviravoltas no marcador: no Jamor, Manuel José e Meyong cancelaram um golo de penalti de Simão logo a abrir.   - Também o único troféu nacional ganho por Rui Vitória envolveu uma passagem pelo Bonfim. Foi a Taça de Portugal de 2012/13, ganha na final ao Benfica com o V. Guimarães: logo na quarta eliminatória, os vimaranenses empataram a duas bolas com o V. Setúbal no Bonfim, tendo-se qualificado graças a uma vitória por 5-3 no desempate por grandes penalidades. Esse foi, de resto, o único jogo de Rui Vitória contra o V. Setúbal que acabou empatado. Dos outros onze, ganhou cinco e perdeu seis.   - Miguel Lourenço, defesa central do V. Setúbal, estreou-se na Liga a jogar contra o Benfica, lançado por José Mota ao intervalo de um jogo que se apresentava complicado, a 26 de Agosto de 2012: o Vitória jogava com dez e já perdia por 3-0. Os 5-0 finais mostram que não pôde ajudar muito.   - Samaris e Cristante também se estrearam na Liga portuguesa com um 5-0 ao V. Setúbal, a 12 de Setembro de 2014. Samaris jogou os 90 minutos, enquanto que Cristante entrou a 17 minutos do final para o lugar de Enzo Pérez. O jogo já estava resolvido, com 4-0, mas Ola John ainda marcou o quinto.   - André Hora celebra no dia do jogo um ano sobre a sua estreia a jogar na Liga e na equipa principal do V. Setúbal. Foi lançado por Domingos Paciência ao intervalo de um jogo com o Boavista que estava empatado a zero, mas o Vitória acabou por perder (0-1).   - O Benfica ganhou todos os jogos que fez na Liga com o árbitro Manuel Mota, quatro deles fora de casa: 1-0 ao Beira Mar e 2-1 ao Marítimo em 2012/13; 2-1 ao Estoril e 4-2 ao Nacional em 2013/14. Só no último destes jogos é que o Benfica não teve um penalti a favor. Em contrapartida, o V. Setúbal ganhou três dos nove jogos com este árbitro, o último dos quais uma receção à Académica, em Setembro de 2013.
2015-12-11
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Carlos Manaca era um bom defesa-central, daquele tempo do futebol “rock and roll”, em que os jogadores eram todos bons. Ou pelo menos era isso que ouvíamos contar na rádio. Mas Manaca era mesmo bom. Notabilizou-se com a camisola do Sporting, que deixou aos 28 anos, para jogar nos Estados Unidos, mas nada fez tanto pela eternização do seu nome como um autogolo, já depois de ter regressado a Portugal. Os autogolos são o dia-a-dia dos defesas-centrais, mas o autogolo de Manaca foi especial, porque valeu a vitória do Sporting em Guimarães e porque essa vitória valeu aos leões o título nacional de 1980, ganho ao sprint ao FC Porto. Quase 40 anos depois, a história de Manaca regressou, mas agora Manaca chama-se Tonel. O problema de Tonel, o defesa-central que também se notabilizou com a camisola do Sporting, saiu para a Croácia e depois regressou a Portugal, é que o penalti que ele fez no último minuto do jogo com os leões foi filmado por mais de uma dezena de câmaras de televisão. Mais. Além disso, Tonel fez um penalti que valeu uma vitória ao Sporting – não um título, pelo menos por enquanto – numa altura em que há redes sociais. Tonel, o Manaca turbinado pelo Twitter e pelo Facebook, tem, tal como tinha Manaca, toda uma carreira atrás dele, mas nem isso impediu milhares de adeptos de garantirem que ele tinha feito o serviço encomendado em benefício do ex-clube, que sem o penalti que ele cometeu não teria ganho ao Belenenses. O assunto foi “trending topic” durante uma semana, até que os mesmos adeptos que tinham crucificado Tonel perceberam envergonhados que há por aí mais Manacas. Veio a jornada seguinte e o Benfica ganhou à Académica por 3-0. Não jogou enormidades, mas foi a única equipa em condições de chegar à vitória, a única que a procurou. Ainda assim, colocou-se em vantagem com dois penaltis perfeitamente desnecessários, cometidos por Trigueira e Ofori, e convertidos por Jonas, que aproveitou para passar a barreira dos dez golos antes do Natal pela primeira vez desde que está na Europa. Pressionado pelo Benfica, o FC Porto viu-se a perder contra o Paços de Ferreira, chegou ao empate ainda antes do intervalo, mas só virou o jogo de penalti, na sequência de um lance em que Marco Baixinho, defesa-central do Paços, começou por atrasar mal a bola para o seu guarda-redes, para depois ir rasteirar Herrera dentro da área, impedindo que ele tirasse vantagem do erro original. Manacas? Claro que sim. Mas só no sentido em que os erros podem perfeitamente acontecer a quem vive a profissão no fio da navalha. Quase parecia uma onda solidária, uma espécie de “Je suis Tonel” – ou “Je suis Manaca”… – dos jogadores que defrontaram os grandes. Mas é pena que os que se entretêm a identificar Manacas – ou Toneis -  não sejam capazes de perceber que se Benfica, FC Porto e Sporting ganharam os seus jogos desta jornada não foi por causa dos erros dos adversários. No Benfica-Académica houve o detalhe tático de um meio-campo que começa a carburar melhor devido à dupla missão de Pizzi, que parte de uma das alas mas compõe bem o meio, mas também ao vigor e à potência do júnior Renato Sanches, autor de um jogo muito interessante e de um golaço num remate a 30 metros que terá valido o bilhete a quem foi ao estádio. No FC Porto-Paços de Ferreira houve um excelente golo de Corona, pela ligação entre os dois extremos – ele e Brahimi – e pela classe do mexicano na definição face ao guarda-redes. E houve uma espécie de renascimento de Herrera, a manter os níveis de intensidade e competitividade da equipa. E no Marítimo-Sporting houve um líder operário, a saber sofrer antes e depois da bela jogada coletiva que deu o golo a Adrien, bem como um Rui Patrício de seleção, autor de duas defesas gigantes a preservar a vantagem. Disso, porém, só se lembram os adeptos dos clubes que ganharam. E diz muito sobre o nosso futebol que até esses prefiram lembrar os erros que levaram aos golos dos rivais. Porque quando vemos futebol estamos sempre em busca de um Manaca. Mesmo que Manaca tenha feito muito mais do que aquele autogolo. In Diário de Notícias, 07.12.2015
2015-12-07
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Último Passe

O ar de incredulidade na cara de Rui Costa depois do golaço de Renato Sanches pode até ter tido alguma coisa de encenado, de feito para as câmaras, mas acaba por pontuar aquilo que valeu verdadeiramente a pena na vitória do Benfica sobre a Académica. O miúdo tem pulmão, tem potência, tem velocidade, tem lata, até lhe falta um pouco de estatura – que já não vai ganhar – e de cultura tática – que essa, ganhá-la-á de certeza – mas mesmo assim já merece o estatuto de revelação benfiquista da época, à frente, por exemplo, de Nelson Semedo. O 3-0 final, que o Benfica começou a construir com dois penaltis de Jonas, numa exibição que não deslumbrou, valeu pelos três pontos, que pressionam FC Porto e Sporting, e pela constatação de que Renato começa a resolver os problemas que os encarnados vinham mostrando a meio-campo. Rui Vitória voltou a recorrer a Jonas, sempre com outro avançado a servir de referência – desta vez foi Mitroglou – mas recompôs o meio-campo de duas formas. Primeiro, abdicou de Gonçalo Guedes e manteve Pizzi, derivando Gaitán para a outra ala, o que dá à equipa outro tipo de soluções que não estão ao alcance do jovem extremo: o transmontano decide melhor, por exemplo, entre os momentos de abrir e de vir para dentro, ajudando ao preenchimento do corredor central. Depois, deu a posição de médio-ofensivo a Renato Sanches, que sem bola sai muito mais vezes para pressionar e com ela imprime ao jogo da equipa um ritmo mais intenso em relação àquilo que o Benfica fazia com qualquer outra dupla de médios anteriormente experimentada por Rui Vitória. Não é um jogador perfeito, precisa ainda de crescer, mas mesmo assim chega para mudar por completo o futebol do Benfica e para permitir que o 4x4x2 funcione sem problemas de maior. É verdade, ainda assim, que o Benfica viu o jogo resolver-se sem ter feito muito para isso. Os dois primeiros golos apareceram em momentos em que, mesmo tendo mais bola e domínio territorial, os encarnados esbarravam sempre na organização defensiva da Académica. Isso diz algo acerca da falta de inspiração atacante do bicampeão nacional, mas diz sobretudo do crescimento desta equipa da Académica. Exceção feita à ingenuidade no momento dos dois penaltis e à falta de soluções atacantes que mostrou em todo o jogo, esta Académica provou que não era por acaso que entrou na Luz depois de sete jogos seguidos sem perder. Se melhorar ofensivamente, a manutenção não deve ser grande problema.
2015-12-04
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Depois de um começo de época complicado, com sete derrotas seguidas nas primeiras sete partidas oficiais, a Académica já alinhou mais sete jogos consecutivos sem perder. A equipa agora comandada por Filipe Gouveia vai com a maior série de invencibilidade desde o período entre Fevereiro e Abril. Na altura, entre Liga e Taça da Liga, a Académica alinhou dez jogos seguidos sem derrotas, vendo a série ser interrompida precisamente no Estádio da Luz, contra o Benfica, numa goleada de 5-1. É curioso que o árbitro desse jogo tenha sido o mesmo que vai apitar o de agora: o minhoto Luís Ferreira. A Académica, porém, também não tem ganho com regularidade. Na verdade, empatou os últimos cinco jogos que fez: 1-1 em Guimarães, em casa com o Moreirense e no Estoril, 0-0 no terreno do Trofense, para a Taça de Portugal, e 1-1 em casa com o Arouca. Somando as vitórias com a Sanjoanense (5-1, para a Taça) e o Marítimo (1-0, na Liga), chegamos aos tais sete jogos seguidos de invencibilidade. A tal invencibilidade que vai ser posta à prova por um Benfica que parece num bom momento, pois ganhou os últimos três jogos que fez para a Liga portuguesa, ainda por cima sem sofrer golos: 4-0 ao Tondela, 2-0 ao Boavista e 2-0 ao Sp. Braga. A última sequência de três vitórias seguidas dos encarnados na competição foi em Abril e também incluiu esses tais 5-1 à Académica, emparedados entre um 3-1 ao Nacional e um 2-0 ao Belenenses. A equipa de Rui Vitória vai agora à procura do quarto sucesso, algo que o Benfica não obtém desde Fevereiro e Março.   - Eliseu pode fazer o 50º jogo com a camisola do Benfica. Conta neste momento 49 (35 na Liga, 8 na Liga dos Campeões, 3 na Taça da Liga, 2 na Taça de Portugal e um na Supertaça) jogos e 4 golos, todos marcados na época passada.   - O guarda-redes Lee e o defesa Oualembo fizeram a estreia na Liga portuguesa a jogar contra o Benfica, há um ano. Foram ambos lançados como titulares pela primeira vez por Paulo Sérgio no jogo Académica-Benfica, em Coimbra, que os encarnados venceram por 2-0, a 30 de Novembro do ano passado.   - Desde o golo de Ruiz, nos 3-0 com que o Sporting ganhou na Luz, a 25 de Outubro, Júlio César esteve 279 minutos sem sofrer golos na Liga. É a melhor sequência da época e a melhor desde Abril e Maio, quando os encarnados alinharam 482 minutos a zeros, entre o golo de Rafael Lopes, da Académica, e o de Marega, do Marítimo.   - Rui Vitória e Filipe Gouveia nunca se defrontaram como treinadores, dada a curta experiência do técnico da Académica ao mais alto nível. Além disso, Gouveia também nunca defrontou o Benfica como treinador. Por sua vez, Rui Vitória não perde com a Académica desde Maio de 2012 (1-2, em Guimarães), tendo alinhado desde então cinco vitórias e um empate. Nos últimos dois jogos, aplicou mesmo chapa 4: 4-2 em Coimbra e 4-0 em Guimarães na época passada.   - O Benfica ganhou as cinco últimas receções à Académica, mas em três delas sofreu golos: 5-1 na época passada, 3-2 na Taça da Liga de 2012/13 e 4-1 na Liga de 2011/12. Lima fez golos em quatro desses jogos, todos aqueles nos quais participou.   - A última vez que a Académica levou pontos da Luz para casa foi em Agosto de 2010, na ressaca do primeiro título do Benfica de Jesus. Ganhou por 2-1, com golos de Miguel Fidalgo e Laionel, a responder a um tento de Jara pelos encarnados. Não resta em Coimbra nenhum dos 18 convocados de Jorge Costa para essa partida, o mesmo sucedendo na Luz com os homens que Jorge Jesus levou para o campo.   - Académica e Benfica cometeram exatamente o mesmo número de faltas na Liga: 163. A diferença é que os encarnados as fizeram em menos um jogo, pois têm em atraso o desafio com o U. Madeira.   - O Benfica ganhou os dois jogos que fez na Liga com o árbitro Luís Ferreira: 3-1 ao Moreirense e 5-1 à Académica, ambos na época passada. Por seu turno, a Académica ainda não conseguiu ganhar com ele aos comandos. Mas empatou quatro dos seis jogos nessas condições, só perdendo na Luz e, já esta época, na Choupana com o Nacional.
2015-12-03
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A vitória do Benfica em Braga, por 2-0, começou a ser construída com um autogolo do guarda-redes Kritciuk: Pizzi rematou, Baiano cortou quase em cima da linha, mas fê-lo contra as costas do seu guarda-redes, levando a bola a entrar. Foi o segundo autogolo a favorecer o Benfica em três jornadas da Liga, depois do marcado por Berger (Tondela), em finais de Outubro, e o primeiro marcado por um jogador do Sp. Braga em 78 jornadas: o último tinha sido de Douglão, no Estoril, numa derrota bracarense por 2-1, a 26 de Abril de 2013.   - O Benfica venceu o terceiro jogo seguido na Liga – e sempre sem sofrer golos. O 2-0 de Braga foi antecedido pelo 4-0 de Tondela e pelo 2-0 em casa frente ao Boavista. Desde Abril que os encarnados não ganhavam em três jornadas seguidas (na altura venceram o Nacional e a Académica em casa e o Belenenses fora). Mas para se encontrar três vitórias consecutivas sem sofrer golos é preciso recuar ao período entre Novembro do ano passado e Janeiro. Aliás, na altura não foram três mas sim sete: 2-0 à Académica, 3-0 ao Belenenses, 2-0 ao FC Porto, 1-0 ao Gil Vicente, 3-0 ao Penafiel, 3-0 ao V. Guimarães e 4-0 ao Marítimo.   - O Sp. Braga ainda não tinha perdido na Pedreira esta época: tinha sete vitórias e um único empate, o 0-0 com o Arouca. Se esta época perdeu pela primeira vez ao nono jogo, na anterior tinha perdido ao décimo, o 0-1 contra o Sporting, decidido num livre de Tanaka já nos descontos.   - Rui Vitória ganhou pela primeira vez na carreira a Paulo Fonseca. Fê-lo ao décimo jogo, após cinco empates e quatro derrotas, todas ao serviço do V. Guimarães, enquanto Fonseca estava no Aves, no Paços de Ferreira e no FC Porto.   - O treinador do Benfica conseguiu a terceira vitória da sua carreira em Braga. E se as primeiras, ambas no Paços de Ferreira, tinham sido graças a um golo de Pizzi e a um autogolo de um jogador bracarense (na ocasião Sílvio), esta teve o “dois-em-um”: um autogolo de Kritciuk após um remate de Pizzi.   - Kritciuk viu interrompida a sua série de imbatibilidade logo aos 3 minutos, com o tal autogolo. Somou ao todo 505 minutos sem sofrer golos e ficou a 81 do recorde estabelecido em Braga por Eduardo em 2009/10.   - Cinco dos 36 golos marcados pelo Benfica esta época em todas as competições surgiram nos primeiros dez minutos de jogo. Antes do autogolo de Kritciuk tinham-no feito Mitroglou (aos 5’, nos 6-0 ao Belenenses), Gaitán (aos 2’, no 1-2 com o Galatasaray), Jonas (aos 4’, nos 4-0 ao Tondela) e de novo Mitroglou (aos 6’, no 1-2 com o Sporting). Ainda assim, o Benfica leva mais golos nas segundas partes (21) do que nas primeiras (15).   - O Sp. Braga, em contrapartida, só tinha sofrido um golo nas primeiras meias-horas dos seus jogos. Marcara-o Soares, aos 2’ do que acabou por ser a vitória bracarense por 2-1, logo na jornada inaugural da Liga. Ainda assim, os minhotos costumam fraquejar logo após a meia-hora e sofrem muito mais golos nas primeiras partes (7) do que nas segundas (3).   - Autor do golo da tranquilidade, Lisandro Lopez marcou pela primeira vez com a camisola do Benfica. O seu último golo tinha sido a 14 de Março de 2014, num empate (3-3) do Getafe com o Granada.
2015-12-01
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Último Passe

O Benfica manteve a cabeça à tona de água e adiou as notícias acerca da sua morte para a Liga, ao vencer com clareza em Braga, por 2-0, fruto de dois golos nos primeiros onze minutos de jogo. Durante o que restou da partida, os bracarenses tiveram sempre mais bola, mas nunca foram capazes de transformar essa posse em superioridade futebolística, mostrando que este Benfica se sente muito mais confortável em vantagem, quando pode vestir o fato preferido do seu treinador, o 4x2x3x1. Sem Jonas, o que apresenta um puzzle muito interessante para Rui Vitória resolver nas próximas semanas. Rui Vitória voltou a abdicar de Jonas, a exemplo do que tinha feito em Alvalade, na Taça, contra o Sporting, e a lançar Gaitán para a zona central, no apoio a Mitroglou, com Pizzi e Gonçalo Guedes nas alas e Renato Sanches a encher o meio-campo de vigor ao lado de Fejsa. Tal como nesse jogo, no seguimento de um lance de perigo do adversário, uma combinação entre Mitroglou e Pizzi – desta vez ao contrário e com alguma sorte no ressalto no corpo do guarda-redes Kritciuk  – deu o primeiro golo ao Benfica, ainda muito cedo. A diferença é que, desta vez, antes que o adversário pudesse reagir, os encarnados chegaram ao segundo, por Lisandro López, na sequência de uma bola parada, condicionando desde logo o resto da partida. Organizado no seu 4x4x2 habitual, o Sp. Braga não só se via em inferioridade numérica a meio-campo – Mauro e Luiz Carlos contra Fejsa, Sanches e Gaitán – como gaguejava bastante na sua primeira fase de organização atacante, fruto da pressão de Sanches fazia sobre a saída de bola. O jogo não teve, por isso, muita história. Mais bola para o Sp. Braga, superioridade territorial também para a equipa da casa, mas um Benfica sempre capaz de criar situações de desequilíbrio quando saía em ataque rápido ou beneficiava do facto de ter mais espaço para atacar, fruto do número reduzido de unidades que metia na frente e, por arrastamento, do número igualmente reduzido de adversários que arrastava para tarefas defensivas. É verdade que nunca poderemos especular acerca do que seria o jogo se o Benfica não se tivesse visto tão cedo em vantagem – nem isso interessa verdadeiramente, a não ser para se perceber qual é a melhor fórmula para este Benfica. Porque a equipa de Rui Vitória tem sido sempre capaz de se impor em casa no 4x4x2 com Jonas e Jiménez, mas está a dar melhores respostas nos jogos mais exigentes quando se apresenta em 4x2x3x1 com Mitroglou. O puzzle que Rui Vitória terá de resolver tem a ver com a fórmula ideal para jogos de grau de dificuldade intermédio, como as deslocações a equipas de meio da tabela. É aí que o Benfica terá de continuar a mostrar que se mantém vivo na Liga.
2015-11-30
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Rui Vitória e Paulo Fonseca vão defrontar-se pela décima vez e o atual treinador do Benfica ainda não conseguiu ganhar uma única – ainda que um empate entre ambos tenha sido a gota de água que levou à sua saída do FC Porto. Ao todo, em nove jogos, registam-se cinco empates e quatro vitórias do atual técnico do Sp. Braga. E mesmo um desses empates acabou por ser favorável a Paulo Fonseca, que logo no primeiro confronto entre ambos levou o Desp. Aves, da II Liga, a eliminar o V. Guimarães da Taça de Portugal, com 3-2 nos penaltis depois de um empate a zero no final do prolongamento. Foi a 20 de Novembro de 2011 que os dois treinadores se defrontaram pela primeira vez. O Desp. Aves de Paulo Fonseca segurou o V. Guimarães no 0-0 durante 120 minutos e, depois, nos penaltis, Rui Faria deteve os pontapés de João Paulo, Barrientos e Nuno Assis, deixando o resultado em 3-2 para os avenses. Os dois só voltaram a encontrar-se em 2012/13, quando Paulo Fonseca chegou à I Liga, para ocupar a vaga deixada quase um ano antes por Rui Vitória em Paços de Ferreira. Nessa época, o Paços de Fonseca foi empatar a Guimarães (2-2) e venceu no Capital do Móvel (2-1). A excelente época feita no Paços de Ferreira valeu a Paulo Fonseca a chegada ao FC Porto, pelo qual defrontou o V. Guimarães de Rui Vitória em quatro ocasiões, na época de 2013/14. Logo a abrir, na Supertaça, os portistas impuseram-se por 3-0. Ganharam depois no Dragão, para a Liga, por 1-0, e foram vencer a Guimarães, na Taça de Portugal, por 2-0. Por fim, outra vez no Minho, o FC Porto ainda esteve a ganhar por 2-0, mas acabou por permitir o empate a dois golos. Foi a gota de água para Paulo Fonseca, que na sequência do jogo abandonou o comando técnico do FC Porto, que passou a ser orientado por Luís Castro. Paulo Fonseca deu então um passo atrás e regressou ao Paços de Ferreira, com o qual voltou a defrontar Rui Vitória por duas vezes, na época passada: empate a dois na Capital do Móvel e a uma bola em Guimarães.   - Em contrapartida, Paulo Fonseca só ganhou uma vez ao Benfica. Foi em Janeiro deste ano, que o Paços de Ferreira bateu os encarnados em casa, por 1-0, com um golo de penalti nos descontos. Antes disso somava cinco derrotas e apenas um empate, na Luz, na segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal de 2012/13, depois de o Benfica já ter ganho em Paços de Ferreira por 2-0 no primeiro jogo.   - São mais divididos os desfechos de Rui Vitória contra o Sp. Braga: ganhou cinco vezes, empatou três e perdeu outras cinco. Em Braga, contudo, Vitória nunca ganhou pelo V. Guimarães: o melhor que conseguiu foi o empate a zero de Dezembro do ano passado. Venceu ali por duas vezes. Ambas em 2011, quando treinava o Paços de Ferreira: 3-2 para a Taça da Liga com um golo do atual benfiquista Pizzi e 2-1 para o campeonato graças a um autogolo do também agora benfiquista Sílvio.   - O Benfica marcou primeiro em oito dos últimos nove jogos com o Sp. Braga - o outro acabou empatado a zero – mas só ganhou cinco vezes, permitindo dois empates e duas vitórias aos minhotos.   - Jonas fez golos nos últimos dois jogos frente ao Sp. Braga. Aliás, marcou sempre que foi titular contra os bracarenses, pois na única vez que ficou em branco só entrou em campo a meia-hora do final, para o lugar de Samaris.   - Carcela e Gonçalo Guedes marcaram nas duas últimas jornadas da Liga, as vitórias do Benfica frente ao Tondela (4-0) e ao Boavista (2-0). Ambos procuram o terceiro jogo seguido a marcar.   - Kritciuk, guarda-redes que o Sp. Braga tem utilizado na Liga, não sofre golos desde 21 de Setembro, data dos 5-1 que os minhotos aplicaram ao Marítimo. Já leva 502 minutos de jogo sem ir buscar a bola ao fundo das redes, incluindo as visitas a Guimarães e ao Dragão. Tem a mais longa série de imbatibilidade em curso na atual Liga e a maior de um só guarda-redes na história do Sp. Braga desde que Eduardo esteve 586 minutos sem sofrer golos entre Dezembro de 2009 e Fevereiro de 2010.   - Luiz Carlos, médio do Sp. Braga, foi lançado na Liga por Rui Vitória, quando este treinava o Paços de Ferreira. Foi a 14 de Agosto de 2011 e o brasileiro entrou no último quarto-de-hora de um V. Setúbal-P. Ferreira que os pacenses perderam por 2-1.   - Sp. Braga e Benfica têm números muito semelhantes na Liga com Hugo Miguel a apitar. Os bracarenses ganharam 10 de 14 jogos (71%), tendo perdido dois (Nacional em 2012/13 e Sporting em 2014/15). Os benfiquistas, por seu lado, ganharam oito de 11 jogos (73%), perdendo apenas uma vez (E. Amadora, em 2008/09).   - Além disso, Hugo Miguel vai fazer o 100º jogo na Liga. A maioria (43%) acabou com vitória da equipa da casa, mas este juiz ainda não apitou um único jogo na presente Liga que desse “1” no Totobola. A última vez que isso lhe aconteceu foi no Moreirense-V. Guimarães da época passada (2-1), no qual saiu derrotada a equipa de Rui Vitória.
2015-11-29
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Último Passe

Quando Julen Lopetegui disse, recorrendo à mais fina ironia que em tempos fez escola no FC Porto, que a sua equipa devia ser a única da Europa que ainda guardava em segredo o nome do seu especialista em penaltis, estava a mostrar duas coisas. Um maior conhecimento da realidade do futebol português, onde facto e opinião se misturam de forma indisfarçável, e a noção de que o vazio deixado pelo maior recato recente de Pinto da Costa tem de ser ocupado por alguém para entrar no jogo que Sporting e Benfica estão a disputar. Portugal está muito longe da realidade que serve de base aos manuais de jornalismo, onde os factos são a base de tudo e podem ser lidos de forma impoluta. Em Portugal, quem consome informação sobre futebol está amplamente colonizado pelas diatribes radicais dos programas de comentadores-adeptos e não é capaz de separar o facto da opinião. A ironia de Lopetegui tem essa noção como princípio orientador. O facto é que o FC Porto ainda não teve penaltis a favor na Liga. A opinião é a de que o FC Porto está a ser prejudicado, porque o Benfica já tem um e o Sporting soma cinco. Só que os factos não são só estes. Primeiro porque o FC Porto não é a única equipa da Liga sem penaltis a favor – há mais sete nessas condições. Depois porque FC Porto e Benfica são duas das oito equipas que também não têm nenhum penalti contra (e o Sporting, por exemplo, já tem dois) e isso não quer dizer que estejam a ser beneficiados. Porque ao contrário do que acontece nos programas de segunda-feira à noite, um facto é um facto e uma opinião, podendo ser nele baseada, é uma opinião. Nada mais… Outra questão prende-se com a razão que leva Lopetegui a entrar neste jogo – e essa tem a ver com aquilo que Rui Vitória disse no final do dérbi da Taça de Portugal. É que, tal como o técnico do Benfica, o treinador basco também não quererá “ser comido de cebolada”. Ora este é mais um plano em que o futebol nacional funciona como prolongamento dos programas de segunda-feira, onde quem fala mais alto e radicaliza mais o discurso é quem ganha. Só que aqui, até ver, FC Porto e Benfica estão a correr atrás, a reagir ao Sporting. Jorge Jesus nem precisa de falar do assunto, de se meter com o lado negro da força, porque Bruno de Carvalho e Octávio Machado têm feito todo o trabalho sujo. No Benfica, Rui Costa foi o primeiro a dizer alguma coisa, mas só o fez na viagem a Astana, depois de Rui Vitória ter sido lançado à fogueira na sequência da derrota de Alvalade. No FC Porto, que foi onde este “jogo” foi inventado, o silêncio impera e só é rompido de quando em vez pelo boletim “Dragões Diário”. O futebol seria muito melhor sem estas guerras. Disso não tenho dúvidas, da mesma forma que não tenho certeza de que a pressão dê frutos e se reflita em benefícios. Mas que Benfica e FC Porto estão próximos do Sporting aristocrático de outrora, onde Paulo Bento tinha de fazer a guerra sozinho, ao passo que em Alvalade se recorre às armas que outrora celebrizaram Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira, disso já não me restam dúvidas nenhumas.
2015-11-27
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Último Passe

A contestação de um grupo de adeptos à equipa do Benfica e ao treinador, primeiro no Seixal e depois no aeroporto, é fruto do início de época titubeante e das seis derrotas que os encarnados somam desde Agosto - três delas com o Sporting, o que dói ainda mais por ser a equipa de Jorge Jesus - mas deve ser relativizada. Porque não são assim tantos os adeptos contestatários; porque uma sequência de bons resultados pode mudar tudo e ainda porque Luís Filipe Vieira não tem grande margem de recuo para mudar uma ideia que assumiu contra parte relevante da SAD há cinco meses.Já se sabe que os grupos de adeptos se movem por impulso. Há os equilibrados, mas também há aqueles que varrem os problemas para debaixo do tapete que é proporcionado pelos erros de arbitragem e entendem que está sempre tudo bem e há os que vêem tudo errado e contestam até quando a equipa ganha títulos. É inquestionável que o novo paradigma do Benfica ainda não está consolidado e que tudo parece andar um pouco à deriva, desde o plano de jogo à política desportiva. O primeiro varia do 4x4x2 em ataque organizado ao 4x2x3x1 com linhas baixas e privilégio às transições. A segunda anuncia cortes e faz apostas na juventude mas conjuga-as com a compra de metade de Jiménez por nove milhões de euros. Só que, também neste caso, num instante tudo muda.O jogo de quarta-feira, com o Astana, é de enorme importância e nem é por causa da Liga dos Campeões, que acabará por se compor, nem que seja à custa do Atlético Madrid, que certamente não perderá com o Galatasaray em casa. O que está em jogo é, sobretudo, a recuperação psicológica de um grupo que precisa de ganhar o jogo em Braga se quer manter o contacto mais ou menos próximo com os rivais na classificação da Liga portuguesa. Se tudo correr mal, aí sim, haverá problemas. Aí, sim, o pequeno grupo de contestatários vai crescer a ponto de obrigar Vieira a fazer gestão de crise.A questão é que, aí, o presidente não terá grande margem de manobra (nem vontade) para mudar de treinador. A falta de vontade tem a ver com a personalidade do presidente e já se viu na forma convicta como defendeu a sua opção por manter Jesus após o catastrófico fim de época de 2013: segurou-o e não se arrependeu. A falta de espaço para recuar explica-se com a ausência de uma alternativa de peso, capaz de apagar que Vieira não quis, por exemplo, ir até ao fim no confronto com o Sporting a ponto de apostar em Marco Silva quando os leões contrataram Jesus. É também por isso que Rui Vitória não está a prazo e só sai do Benfica se claudicar e não aguentar a pressão.
2015-11-23
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Último Passe

O terceiro Sporting-Benfica da época foi o mais equilibrado de todos e por isso mesmo só se resolveu no prolongamento. Foi o mais equilibrado dos três porque o Benfica adequou as ideias do treinador ao sistema tático apresentado e porque o Sporting se mostrou menos fresco do que nos outros dois, com alguns jogadores a acusarem problemas físicos. Ganharam os leões, com justiça, graças a um golo do providencial Slimani, mas o jogo deixou mais dúvidas do que certezas de parte a parte. Jorge Jesus terá ficado com a ideia de que, afinal, o seu plantel não tem a profundidade necessária para tantas batalhas, ao passo que Rui Vitória tem razões para hesitar acerca da ideia de jogo que quer para a equipa. No jogo propriamente dito, começou melhor o Sporting, mais veloz e decisivo nos duelos. Podia ter-se colocado na frente numa cabeçada de Slimani ao poste, mas rapidamente ficou vulnerável às alterações promovidas pelo Benfica. Seja porque Jonas estava lesionado, porque terá percebido que não tem capacidade suficiente para aguentar um meio-campo a dois neste tipo de jogos ou porque as duas derrotas anteriores o levaram a mais cautela no posicionamento, o Benfica assumiu o 4x2x3x1 e a preferência pelo ataque rápido em detrimento do ataque organizado. Com isso garantiu que se expunha menos a perdas de bola do que no 0-3 da Luz e, tendo marcado logo na primeira vez que foi à baliza do Sporting, por Mitroglou, passou a ter o jogo de feição: defendia com duas linhas de quatro e provocava grandes dificuldades ao Sporting para entrar na sua organização defensiva. Os leões empataram numa altura fundamental – mesmo antes do intervalo, por Adrien, num lance que começou numa insistência de Slimani – e Jesus mudou a equipa para a segunda parte: fez sair Montero, mudou João Mário para o corredor central chamou Gelson ao jogo. Com João Mário a juntar-se a Adrien e William ao centro, o Sporting passou a mandar no jogo. Teve 25 minutos de fulgor, mas não marcou, e quando Rui Vitória trocou Pizzi por André Almeida, avançando Talisca e derivando Gaitán para a esquerda, o equilíbrio voltou ao relvado. Mesmo assim, só o Sporting criava situações de golo: Slimani obrigou Júlio César à defesa da noite mesmo sobre o final da partida e, quando a equipa leonina já parecia fisicamente de rastos, fez mesmo o 2-1, numa recarga a um remate de Adrien. A vitória deixa o Sporting num momento único de superioridade sobre o maior rival, mas a forma sofrida como foi alcançada, com Ewerton e Jefferson a saírem por lesão, com jogadores muito fatigados a terem de aguentar os 120 minutos, como foi o caso de Ruiz, por exemplo, mostra que a euforia não é aconselhável e que o plantel precisa mesmo de reforços se Jesus quer encarar várias competições ao mesmo tempo. A poupança na Liga Europa talvez não tenha sido tão má ideia, afinal. A derrota provoca no Benfica um sentimento de frustração, pois não é normal o bi-campeão perder três vezes com o mesmo adversário, ainda por cima treinado pelo seu ex-comandante. E lança a dúvida acerca da identidade deste Benfica. Qual é o verdadeiro Benfica? O que joga em 4x4x2, procura a largura nos extremos bem abertos e um futebol de posse? Ou o que prefere o 4x2x3x1, que na falta de um grande médio suporta esses extremos num duplo-pivot e concentra mais gente atrás? É que uma das razões para as três vitórias do Sporting está aqui à vista: enquanto os leões jogaram sempre com a mesma ideia e já a sabem de cor, as águias mudaram tudo em cada jogo.
2015-11-22
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Um Sporting-Benfica a contar para a Taça de Portugal costuma ser sinónimo de espetáculo e de muitos golos. Os últimos três jogos entre ambos para esta prova produziram 21 golos, a uma média de sete por encontro. E é preciso recuar a 1986 para encontrar um zero parcial no marcador, quando o Benfica se impôs ao Sporting na Luz por 5-0, nos quartos-de-final. Desde então, quatro vitórias do Benfica (uma nos penaltis e outra no prolongamento) e duas do Sporting, mas sempre com ambas as equipas a marcar. Épicos têm sido os últimos confrontos na Taça de Portugal. Em Janeiro de 2005, na Luz, foi o Benfica quem levou a melhor, mas só nos penaltis, depois de um empate a três golos (bis de Geovani e um golo de Simão para as águias, a responderem aos tentos de Hugo Viana, Liedson e Paítopara os leões). Em Abril de 2008, em Alvalade, ganhou o Sporting por 5-3 (bis de Yannick, com golos adicionais de Liedson, Derlei e Vukcevic, a anularem o que chegou a ser uma vantagem de 2-0 dos encarnados, que marcaram por Rui Costa, Nuno Gomes e Rodríguez). Por fim, em Novembro de 2013, voltou a ser o Benfica a superiorizar-se, mas só no prolongamento, por 4-3 (decidiu um golo de Luisão, depois de um hat-trick de Cardozo ter sido anulado por Capel, Maurício e Slimani). O Benfica não ganha em Alvalade para a Taça de Portugal desde 1963. Na verdade, só ganhou por duas vezes no terreno do Sporting nesta competição, mas em ambas, como as eliminatórias eram a duas mãos, acabou afastado: em 1963, ao 1-0 de Alvalade responderam os leões com um 2-0 na Luz; e em 1945, depois de ganhar por 2-1 no Lumiar, perdeu por 3-2 no Campo Grande e outra vez por 1-0 no jogo de desempate.   - O Sporting segue com duas vitórias consecutivas no confronto direto com o Benfica (o 1-0 na Supertaça, no Algarve, e os 3-0 na Luz, para a Liga), algo que já não conseguia desde 2005/06, quando ganhou por 2-1 em Alvalade e por 3-1 na Luz, de ambas as vezes para a Liga. Por sua vez, o Benfica precisou de prolongamento numa das duas vitórias seguidas que obteve em 2013/14: 4-3 (após prolongamento) para a Taça de Portugal e 2-0 para a Liga, sempre na Luz. Se procurarmos duas vitórias seguidas em 90 minutos, também foi o Benfica que as obteve, em 2012/13: 3-1 em Alvalade e 2-0 na Luz, sempre para a Liga.   - Mais difícil é encontrar três vitórias seguidas da mesma equipa no dérbi. O último a consegui-lo foi também o Benfica, que aliás ganhou seis desafios consecutivos, entre Fevereiro de 2010 e Novembro de 2011 (dia 21, fará quatro anos no dia do jogo). Os encarnados começaram essa série com um 4-1 em Alvalade para a Taça da Liga, prosseguiram com duas vitórias por 2-0 na Luz para o campeonato, chegaram à quarta também para o campeonato, mas em Alvalade, e ainda ganharam mais duas vezes: 2-1 na Luz para a Taça da Liga e 1-0 em Alvalade para o campeonato. O Sporting não ganha três vezes seguidas ao Benfica desde 1994 e 1995: nessa altura, ganhou os dois jogos do campeonato de 1994/95 (2-0 e 2-1) e venceu a primeira, em Alvalade, de 1995/96 (2-0, em Outubro de 1995).   - Este será o 16º jogo entre Rui Vitória e Jorge Jesus. O atual treinador do Sporting soma, no confronto direto, 12 vitórias, um empate e duas derrotas, sendo que duas dessas vitórias lhe permitiram ganhar títulos: a Taça da Liga de 2011 (final entre Benfica e Paços de Ferreira) e a Supertaça de 2015 (já no Sporting, contra o Benfica). Um dos sucessos de Rui Vitória, obtido pelo V. Guimarães, contra o Benfica, também lhe permitiu levar para casa a Taça de Portugal de 2013.   - Jorge Jesus tem sido um papa-dérbis. Em 18 jogos (incluindo o da Taça de Honra da AF Lisboa de 2014/15) só perdeu dois e empatou quatro, ganhando os outros 12 (um deles após prolongamento).   - Rui Vitória ganhou na primeira vez que defrontou o Sporting. Foi a 20 de Outubro de 2007 e o treinador ribatejano dirigia o Fátima, que semanas antes fizera sensação ao afastar o FC Porto da edição inaugural da Taça da Liga. Contra os leões, o Fátima ganhou por 2-1 no Restelo, casa emprestada dos verde-brancos, e levou para a segunda mão uma vantagem que não foi capaz de segurar, pois perdeu em casa por 3-2.   - Por sua vez, Jesus foi goleado na primeira vez que levou uma equipa a defrontar o Benfica. Era treinador do Amora que, a 3 de Fevereiro de 1993, foi batido pelos encarnados na Luz por 5-0. E só ao sétimo jogo conseguiu não perder com os encarnados, quando o seu E. Amadora se impôs na Reboleira por 3-0 ao Benfica, a 27 de Fevereiro de 2000.   - Com nove golos em 14 jogos, Jonas está a viver o melhor arranque de época desde que chegou à Europa, há cinco anos. Se marcar ao Sporting, atingirá os dez golos em finais de Novembro, quando nunca lá tinha chegado antes da passagem de ano. A época passada, já no Benfica, foi aquela em que atingiu mais cedo a dezena, fazendo-o a 4 de Janeiro, na vitória por 3-0 frente ao Penafiel.   - Treze dos últimos 14 golos do Benfica ao Sporting nasceram na América do Sul. Desde 2012, Cardozo marcou seis, Gaitán fez dois, Luisão um, Jardel outro, Pérez mais um, Lima outro e Salvio o restante. A exceção é Markovic, que marcou em Alvalade no empate (1-1) para a Liga, em Agosto de 2013.   - O último golo português num dérbi de Lisboa foi marcado por André Martins, no jogo da Taça de Honra da AF Lisboa, em Agosto de 2014 que os leões ganharam por 1-0. Em competições nacionais, fê-lo Hélder Postiga, em 2 de Março de 2011, na derrota do Sporting na Luz (1-2), na meia-final da Taça da Liga. Pelo Benfica, o último português a marcar foi Nuno Gomes, a 16 de Abril de 2008, nos tais 5-3 do Sporting para a Taça de Portugal.   - Dos atuais jogadores leoninos, Slimani é quem mais golos fez ao Benfica: três, sempre na Luz. Um na recente vitória (3-0) para a Liga, outro no empate (1-1) na Liga anterior e o primeiro na eliminação leonina da Taça de Portugal (3-4), em Novembro de 2013. Slimani apresenta-se, além disso, num momento extraordinário, pois fez cinco golos nos últimos três jogos: quatro em dois desafios da seleção argelina frente à Tanzânia e outro na visita do Sporting a Arouca.   -O Sporting é o atual detentor da Taça de Portugal, depois de ter vencido o Sp. Braga, no desempate por penaltis, na final de Maio passado. Os leões não perdem nesta prova há oito jogos, precisamente desde a última vez que pelo caminho lhes apareceu o Benfica, em Novembro de 2013. Mesmo esse jogo foi perdido no prolongamento: nos 90 minutos, a última derrota do Sporting foi a final de 2012 (0-1 com a Académica).
2015-11-20
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Jonas, o melhor marcador da Liga, está a viver o melhor arranque de época desde que chegou à Europa, há cinco anos. Se marcar ao Boavista, atingirá os dez golos na temporada em inícios de Novembro, quando até aqui nunca lá chegara antes da passagem de ano. E olhando para o seu histórico recente é bem possível que marque: fez golos nos últimos dois jogos do Benfica, só não marcou em dois dos sete jogos feitos na Luz esta época, e esteve na lista dos goleadores na receção ao Boavista na última Liga. Até agora, Jonas soma nove golos, com três bis, a Estoril, Belenenses e Paços de Ferreira, todos na Luz. A esses seis soma mais dois golos a Moreirense e Galatasaray, também em casa, e um único em viagem, marcado ao Tondela em Aveiro. Se marcar ao Boavista, atinge a dezena de golos a 8 de Novembro, quando nunca lá tinha chegado antes do período festivo de Natal e Ano Novo. Na época passada, que acabou com 31 golos (mas na qual começou a jogar apenas em Outubro), atingiu o décimo golo em Penafiel (3-0) a 4 de Janeiro. Há dois anos, na que foi a mais fraca das suas épocas em Valência (dez golos apenas, no total), só marcou o décimo a 19 de Abril (1-1 em Pamplona com o Osasuna). Esteve melhor em 2012/13: acabou com 19 golos e fez o décimo a 23 de Fevereiro, num empate a duas bolas no terreno do Saragoça. E melhor ainda em 2011/12, que foi a sua temporada mais produtiva em Espanha (a segunda, como agora): terminou com os mesmos 19 golos mas chegou ao décimo a 12 de Fevereiro, nuns 4-0 em casa ao Sp. Gijón. A época de estreia foi a mais tímida, com a adaptação à Europa e o facto de ter chegado apenas em finais de Janeiro, vindo do Grêmio, a contribuírem para a ter acabado apenas com três golos no ativo. Jonas marcou, além disso, nos últimos dois jogos do Benfica, abrindo sempre o marcador. Fê-lo em Aveiro, na vitória por 4-0 sobre o Tondela, e depois na Luz, contra o Galatasaray, em jogo que acabou com 2-1 a favor dos encarnados. Vai à procura do terceiro jogo seguido a marcar, algo que não consegue desde Abril, quando bisou em três partidas consecutivas: Nacional (3-1), Académica (5-1) e Belenenses (2-0).   - Petit, atual treinador do Boavista, foi jogador do Benfica. Aliás, estava na última equipa do Benfica a perder com o Boavista, em Setembro de 2006 – e até foi expulso no último minuto desse jogo, pelo árbitro João Ferreira. Foi na segunda jornada da Liga de 2006/07, no Bessa, naquele que foi o primeiro jogo de Fernando Santos ao comando dos encarnados da prova. Os axadrezados ganharam por 3-0, com um bis de Linz e um terceiro golo de Kazmierczak.   - Luisão, capitão do Benfica, chegou a jogar na seleção do Brasil com Rivaldo, pai do jovem Rivaldinho, suplente do Boavista. Foi em 2003, ano de chegada de Luisão ao escrete e de saída de Rivaldo. A última vez que jogaram junto, aliás, foi no velho Estádio das Antas, numa derrota do Brasil contra Portugal (2-1), a 29 de Março de 2003.   - O Boavista não ganha em 90 minutos há seis jogos, desde que se impôs em Coimbra à Académica por 2-0, a 20 de Setembro. Desde então, na Liga, empatou com o Sporting e o Nacional e perdeu com Rio Ave e Marítimo, enquanto que nas Taças também obteve dois empates: 1-1com o Feirense (e derrota nos penaltis) na Taça da Liga e com o Loures (e vitória por 2-1 no prolongamento) na Taça de Portugal. Se não ganhar ao Benfica aumenta a série para sete jogos, a pior desde Fevereiro e Março, quando esteve precisamente sete jogos sem uma vitória.   - Essa vitória contra a Académica foi também a data do último golo marcado pelo Boavista na Liga: fê-lo Anderson Carvalho, aos 86 minutos. Desde então, os axadrezados seguem com 364 minutos sem fazer golos na competição, a mais longa série em curso na prova. Na época passada, o máximo que o Boavista esteve sem marcar golos foram 326 minutos, logo no arranque do campeonato.   - Philipe Sampaio estreou-se na Liga portuguesa a jogar contra o Benfica. O central brasileiro foi lançado como titular à segunda jornada na derrota frente aos encarnados, no Bessa, em Agosto do ano passado.   - O confronto entre Rui Vitória e Petit está absolutamente equilibrado. Os dois treinadores já se defrontaram três vezes, com uma vitória para cada lado e um empate, com a curiosidade de Rui Vitória ter beneficiado de um penalti em todos os jogos. Em Outubro do ano passado, o V. Guimarães de Rui Vitória ganhou ao Boavista de Petit por 3-0 na cidade berço (dois golos de Alvez e o tal penalti de André André), mas depois perdeu por 3-1 no Bessa em Março (Cech, Uchebo e Zé Manuel viraram depois de um penalti de Alex ter dado vantagem aos minhotos). Pelo meio, em Janeiro, as duas equipas empataram a dois golos, no Bessa, para a Taça da Liga: Pouga e Owusu marcaram pelo Boavista, Caiado e Ricardo Gomes (este de penalti) fizeram-no pelo V. Guimarães.   - A última vitória do Boavista na Luz já data de Março de 1999, mas foi por 3-0 (bis de Ayew e um terceiro de Luís Manuel). Desde então, o máximo que os axadrezados conseguiram foram quatro empates, o último dos quais a zero, em Fevereiro de 2007. Na época passada, a primeira depois do regresso do Boavista à I Liga, o Benfica ganhou os dois jogos sem sofrer golos: 1-0 no Bessa (marcou Eliseu) e 3-0 na Luz (golos de Lima, Maxi Pereira e Jonas).   - O Benfica ganhou todos os jogos que fez com Bruno Esteves a apitar na Liga, mas o Boavista também. A diferença é que os encarnados já o tiveram por oito vezes, enquanto os axadrezados só coincidiram com ele no relvado numa ocasião: o 1-0 à Académica no Bessa, na época passada. O Benfica soma oito vitórias e 20-4 em golos com este árbitro, tendo-o visto expulsar dois jogadores ao adversário nas duas últimas vezes que o apanhou: Haas num Sp. Braga-Benfica (1-2) de 2012/13 e Addy num V. Guimarães-Benfica (0-1) de 2013/14.
2015-11-07
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Artigo

Em tempos, fazia-se carreira no jornalismo através da bajulação. Era simples: sempre que alguém vivia uma tarde ou noite desastrosa, começava-se a análise com um ponto prévio do tipo “fulano é um extraordinário jogador, mas…” Não gosto de insultar a inteligência de quem faz o favor de me ler e por isso mesmo nunca fui por esse caminho – se escrevo sobre alguém é porque esse alguém já terá feito algo de notável, merecendo por isso a atenção de todos nós. Mesmo que no dia em apreço possa ter estado pior do que habitualmente. E agora que acho que já nos entendemos acerca das regras de convivência acerca de arbitragem para partilharmos este espaço, podemos seguir em frente e definir bem o que se analisa aqui. Não são pessoas! São situações. Quem aqui passa com alguma regularidade já sabe que não vai ler explicações de jogo baseadas em erros de arbitragem. Esse é o caminho mais fácil e, sobretudo, nunca será consensual se quisermos alargar a abrangência. Prefiro sempre colocar o foco naquilo que pode ser debatido com um mínimo de elevação. Já vai sendo altura de chegarmos a acordo acerca de outra coisa. É que não acredito em homens providenciais, em gente que faz sempre tudo bem. Nem em asnos completos, daqueles que fazem sempre tudo mal. Entre os que me dizem “a culpa disto é toda tua!” e os que chegam a comparar o tempo que levo a escrever quando ganha um clube com o tempo que demoro quando ganha outro, aquilo que mais vou lendo por aqui ou que me dizem os que me abordam nos estádios é: “você uma vez disse mal de fulano e agora diz bem!”. Como se isso fosse estranho... Já fiz avaliações positivas a Jorge Jesus, pela forma como mudou o futebol do Benfica ou como preparou os dois jogos com os encarnados esta época e colocou o Sporting na liderança do campeonato. Mas também lhe fiz avaliações negativas, quando geriu mal as substituições em Moscovo ou falhou na motivação dos jogadores que colocou em campo na Liga Europa. Rui Vitória? Já o elogiei quando teve a coragem de apostar em jovens jogadores que se afirmaram, como Nélson Semedo ou Gonçalo Guedes, como o contestei quando essas apostas me parecem pouco criteriosas, como a feita em Clésio. Como antes lhe tinha elogiado o arranque de época que tinha feito em Guimarães, com vários miúdos da equipa B, e criticado a frase alusiva ao Ferrari e ao Fiat 600, que veio tirar exigência à equipa e esteve na génese de uma segunda metade de época menos conseguida. Julen Lopetegui? Já escrevi e disse que construiu uma equipa rotinada, que tem uma ideia de jogo consistente, mas também que a rotatividade que impôs à equipa na época passada atrasou a construção de um onze e que falha na motivação dos seus jogadores para partidas frente a adversários mais modestos da Liga portuguesa. E podia continuar a dar exemplos, porque, repito, não acredito na existência de homens providenciais, daqueles que nunca falham. É aqui chegados que me dizem outras duas coisas. Que analisar é fácil e tomar decisões é difícil. E que elogio muitas vezes os que ganham e critico os que perdem. Pois bem, eis aquilo em que acredito. Acredito que cada um está para o que está. Que os jornalistas fazem jornalismo, os jogadores jogam, os treinadores treinam e os adeptos batem palmas. E que, por isso mesmo, quem quer ler análises que digam sempre bem ou sempre mal – quer os analisados façam o seu trabalho com competência ou sem ela – deve ficar-se pelas páginas de adeptos ou ver os das suas cores nos programas televisivos. Eu prefiro pensar. É uma mania que tenho.
2015-11-06
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Último Passe

Foi fácil, muito fácil, a vitória do Benfica frente ao Tondela, em Aveiro, por 4-0, permitindo a Rui Vitória lançar mais dois miúdos na equipa principal num ambiente de total harmonia que lhes facilita a integração. Num caso como este haverá sempre quem se dedique a encontrar aquilo que os jogadores de Rui Bento fizeram mal, mas a pista para perceber melhor o que se passou é ir por aquilo que o Benfica faz bem. Que, de resto, é aquilo que tem feito sempre bem desde o início da época: a ganhar desde cedo, este Benfica consegue geralmente compatibilizar as ideis de Rui Vitória com o sistema de Jorge Jesus.A chave para entender este Benfica é a altura em que se chega à frente no marcador. Quando o consegue cedo e contra uma equipa mais fraca não é difícil de antever o que vai acontecer a seguir: ganha com facilidade. Este Benfica fica forte sempre que lhe dão espaço no meio-campo ofensivo, que consegue ligar o futebol de Jonas ao de Gaitán, que força o adversário a subir linhas por se ver a perder e a dar espaço nas costas para as investidas de atacantes rápidos, como o é Gonçalo Guedes. E, ao contrário, sofre quando ainda não está em vantagem, quando tem de acelerar a primeira fase de construção e erra nas saídas de bola, quase sempre feitas por fora e sem os devidos apoios, expondo-se a momentos de transição defensiva que são o seu maior ponto fraco.A ganhar desde os 4 minutos, com o 2-0 a chegar pouco depois e o 3-0 antes do intervalo, o Benfica viu-se como mais gosta e provou mais uma vez aquilo que está à vista de todos. Que oque lhe tem corrido mal não tem a ver com falta de qualidade do plantel ou do treinador mas é, isso sim, fruto de um erro de apreciação. É fruto da aplicação do modelo de jogo de que gosta Rui Vitória (a tais saídas por fora, a obsessão pela largura) ao sistema preferido de Jorge Jesus, um sistema em função do qual foi construído o plantel. Podem até ser duas boas ideias, mas para resultarem as duas juntas precisam de um empurãozinho que é o tal golo madrugador.
2015-10-31
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Último Passe

O desastre benfiquista no dérbi provocou ondas de todas as espécies. De um lado, vieram o ex-internacional Romeu Silva e o professor Manuel Sérgio considerar que André Almeida não tem qualidade para jogar no Benfica e que Luisão está acabado. Do outro, a famosa estrutura, que afinal se destina menos a proteger o clube ou a equipa de futebol do que a limpar a sua própria imagem, já fez chegar à comunicação social o relambório dos milhões que Rui Vitória tem desprezado. São duas formas radicais de ver a coisa. E a verdade, como de costume, está mais ao meio do que todos creem. André Almeida não é um craque de qualidade internacional, nunca foi brilhante, mas é um jogador útil, rigoroso e polivalente, que já esteve num Campeonato do Mundo a representar Portugal. E foi bicampeão com Jorge Jesus, jogando em cada uma dessas duas épocas mais vezes do que aquelas que Romeu, por exemplo, alinhou pelo Benfica na soma dos dois anos que passou na Luz. Luisão está um ano mais velho do que no segundo título do bicampeonato, mas se há uns meses era fundamental, nenhum fenómeno conhecido poderia conduzi-lo a uma decadência tão rápida que de repente ficasse obsoleto e acabado. Na verdade, embora seja fácil vir agora dizer que o plantel do Benfica é fraquíssimo e que com ele Rui Vitória não tem forma de se desenrascar, ele não é pior do que aquele que Jesus levou a ganhar os dois últimos títulos nacionais. Falta Maxi? Falta Lima? Mas há Nelson Semedo – ainda por cima a personificação daquilo que o clube quer em termos de política desportiva, que é a aposta na formação – e há Mitroglou e Raul Jiménez. Salvio está lesionado? Mas certamente que os problemas do Benfica não nascem da presença de Gonçalo Guedes nas escolhas do treinador. Além de que se tem havido algo normal em Salvio nas últimas épocas tem sido o facto de se lesionar com alguma regularidade. Por outro lado, é curioso que vários jornais se tenham lembrado, no mesmo dia, de mencionar as resmas de talento que Rui Vitória tem desperdiçado. Falou-se de novas apostas, como Taarabt e Carcela, mas também de Cristante, Djuricic, Talisca ou Lisandro Lopez. Uma coisa é certa: como a combinação de primeiras páginas ainda não é uma realidade entre jornais concorrentes, estas coincidências só revelam a capacidade de persuasão da face visível daquilo a que convencionou chamar-se “a estrutura”. Que neste caso está mais preocupada em salvar a face de quem manda do que em atenuar a pressão em cima do treinador, que afinal de contas seria culpado de desbaratar tanto talento que por lá tem. Mas, é preciso que se diga, Jesus também não aproveitou esse talento: Djuricic, Lisandro e Cristante nunca contaram para o ex-treinador e até Talisca só foi titular três vezes na segunda metade da época passada. O problema, afinal, pode estar no talento... Na verdade, o plantel à disposição de Rui Vitória é tão bom como aquele que Jorge Jesus levou ao bicampeonato. Tem os mesmos pontos fortes e os mesmos pontos fracos. Simplesmente, Jesus conhecia-o melhor, sabia melhor como exaltar-lhe as forças e esconder-lhe as fraquezas. Mas isso a estrutura já devia saber.
2015-10-29
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Último Passe

O dia seguinte ao dérbi ficou marcado por comportamentos antagónicos de Benfica e Sporting face àquilo que se passou em campo. No Benfica, a resposta dos responsáveis às inúmeras manifestações de descrença de adeptos mais ou menos ilustres foi o silêncio. No Sporting, Bruno de Carvalho não resistiu a cavalgar a onda do sucesso com uma declaração. Nada contra uma coisa nem outra. Mas eu faria tudo ao contrário. As cinco derrotas em onze jogos oficiais que o Benfica de Rui Vitória apresenta não são um bom cartão de visita. O campeonato não está perdido, mas está muito mal encaminhado. Claro que o Benfica pode arrepiar caminho, como fez o Sporting de Bölöni em 2001/02, quando perdeu três vezes nas primeiras oito jornadas e ainda chegou ao título, mas os sinais de instabilidade que a equipa apresenta não o prenunciam. E perante isto, não seria má ideia a administração vir agora reafirmar a ideia que teve para o clube, partilhar um pouco o mau momento com o treinador, de forma a diminuir a pressão em cima dele. Não falo de um voto de confiança no treinador, pois acredito que sempre que um presidente dá um voto de confiança público ao técnico é porque na verdade desconfia dele. Falo, isso sim, de uma manifestação clara do que o Benfica quer para o seu futebol e da concentração de energias no apoio à ideia que presidiu às escolhas que fez. Porque a sensação que fica é que na administração anda tudo obcecado com Jesus e que isso não só diminui Rui Vitória como leva a que ele próprio tenha de enfrentar esse fantasma no dia-a-dia, deixando de fazer aquilo em que acredita para fazer aquilo que acha que Jesus não faria. No Sporting, o momento é de euforia e o caso não é para menos. Os leões ganharam na Luz por números que já não aconteciam desde o tempo dos Cinco Violinos e voltaram à liderança da Liga de forma isolada. Jorge Jesus optou pela abordagem discreta e fez bem, ainda que boa parte do que disse e fez durante o jogo, quando evitou os festejos excessivos que podiam ser vistos como provocatórios, possa ser ameaçado por uma simples declaração: a de que podia “deixar Rui Vitória deste tamanhinho”. Os líderes querem-se discretos na hora da vitória e Jesus já foi apanhado suficientes vezes no pecado da soberba para o saber. Bruno de Carvalho é que não resistiu ao comunicado a pontuar o momento. Tê-lo-á feito apenas para agradecer o apoio dos adeptos que estiveram na Luz? É possível. E sabendo-se como a sua liderança é tão próxima das massas é até muito compreensível e defensável, por não ter ultrapassado limites e ter mantido um discurso sempre equilibrado. Ainda assim, a ideia que fica é a de quem não resistiu a chamar a atenção, a dizer “também lá estive”. Como se isso fosse preciso e se o facto de estar a endireitar o clube e a devolvê-lo às grandes decisões só valesse de alguma coisa se o mérito lhe for constantemente reconhecido.
2015-10-27
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Último Passe

Os extremos são dos jogadores mais entusiasmantes no futebol. São geralmente criativos, têm a capacidade para desbloquear jogos com números de magia, mas a ideia que tenho é que as partidas de futebol raramente se ganham na largura. O que as ganha é a consistência. E no dérbi de Lisboa, o Sporting foi sempre mais consistente do que um Benfica cada vez mais obcecado com a largura. Por isso se impôs com clareza por 3-0. O 4x4x2 de Jorge Jesus engana, porque os dois médios-ala, que na Luz foram João Mário e Bryan Ruiz, aparecem muito por dentro, aproximam-se dos dois médios-centro e permitem a projeção ofensiva dos laterais, eles sim responsáveis pela largura no campo. Em contrapartida, no 4x4x2 de Rui Vitória há sempre quatro jogadores encostados à linha: quer a bola esteja num corredor ou noutro, o lateral e o seu médio-ala abrem ao máximo. Isso até pode ajudar, se a equipa tiver capacidade para ligar as pontas com rapidez e eficiência – o que raramente mostrou frente ao Sporting – mas dificulta muito quando o que se pede é consistência. Porque se os extremos encantam as bancadas – e por isso mesmo jogam mais perto delas, junto da linha lateral – é no meio que se ganham os jogos. E no meio, o Sporting esteve sempre em clara superioridade numérica, suficiente para explicar as constantes trocas de passes que até puxaram olés das bancadas, as repetidas interceções das bolas que o Benfica tentava enviar de um flanco ao outro, originando contra-ataques, e a elevada percentagem de duelos ganhos em bolas divididas. William Carvalho, nesse aspeto, foi um gigante. Esta é a explicação tática para a vantagem do Sporting. Depois, é preciso juntar-lhe alguma sorte do jogo, que de facto sorriu aos leões. O Benfica não entrou mal, mas viu-se a perder na primeira vez que o Sporting foi à frente com perigo, num lance que Júlio César não abordou com a decisão necessária e Teo Gutièrrez aproveitou. Tentou reagir e levou com o 0-2, numa jogada que aliou um extraordinário cruzamento de Jefferson, uma cabeçada de grande nível de Slimani e, mais uma vez, falta de agressividade defensiva dos centrais encarnados, que abriram muito espaço entre eles. Com o 0-3, num ataque rápido conduzido pelo possante Slimani, em que mais uma vez faltou agressividade ao Benfica no corredor central e em que Ruiz foi mais decidido a chegar a uma segunda bola do que Sílvio, morriam as hipóteses do Benfica tirar algo do jogo e abria-se a temporada de introspeção benfiquista. Na segunda parte, mesmo assim, o estádio encheu-se de entusiasmo dos adeptos encarnados, a puxarem pela equipa na tentativa de uma improvável reviravolta, mas a vontade nestas coisas não chega. Não sendo totalmente justo aquilo que diz Jesus acerca do que ainda há dele neste Benfica, é verdade que Rui Vitória está a meio caminho entre duas realidades. Decidiu deitar fora muito do que Jesus construíra, para dar um cunho pessoal à equipa, mas cedeu noutras coisas, não chegando a colocar as fichas todas naquele que é o futebol das suas equipas: a manutenção do 4x4x2 em vez do 4x2x3x1 que sempre adotou e que permite povoar melhor o meio do campo é disso exemplo. Jesus, pelo contrário, montou uma equipa à imagem da que tinha construído na Luz, sem se preocupar que depois venham dizer-lhe que está a usar a mesma fórmula. Está, mas ela resulta e, com a vitória clara na Luz e a liderança isolada na Liga – fruto do empate do FC Porto com o Sp. Braga – já mostrou que este Sporting é mesmo um sério candidato ao título.
2015-10-25
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Benfica e Sporting têm ambos muita coisa a perder neste dérbi. O Benfica está a cinco pontos de distância – mesmo com um jogo a menos – e é mais evidente aquilo que arrisca: se perde, passa a precisar de binóculos para ver os rivais na tabela. No Sporting até pode haver quem ache que uma eventual derrota não implicaria males de maior, pois tem vantagem na classificação e ainda terá a segunda volta para a retificar, mas é precisamente na capacidade para não perdoar nestes momentos que terá de residir a mudança de paradigma nos leões. O Benfica não tem muito a ganhar com o recuo de André Almeida para defesa-direito. É verdade que Sílvio não deu a melhor resposta em Istambul, mas Nelson Semedo já não era um portento em termos defensivos e a consistência do setor era muito mantida graças à experiência de Luisão, que continua por lá. André Almeida tem sido um bom par para Samaris e, visto que Rui Vitória tem apostado tão pouco em Pizzi, é a meio-campo que deve manter-se. Até porque a aposta na dupla Samaris-Fejsa não deu bom resultado na Supertaça. Na frente, é absolutamente impensável que venha a repetir-se a colocação de Jonas como primeiro avançado: ele será o responsável pela ligação ao ponta-de-lança, de forma a jogar mais perto de Gaitán, uma vez que a sociedade entre os dois é a melhor esperança do Benfica desequilibrar o jogo. O Sporting já abordou alguns jogos mais difíceis com apenas um avançado – quase sempre Gutièrrez – remetendo Slimani para o banco, mas se há uma coisa certa no jogo da Luz é que Jesus vai entrar com dois na frente e que o argelino estará no onze. É que a última coisa que o treinador do Sporting vai querer é que achem que entra com medo. O mais certo é que atrás de Slim e Téo apareça um meio-campo com William Carvalho e Adrien Silva – Aquilani só faz sentido a três ou em jogos mais fáceis – com João Mário a fugir da direita para o meio e Ruiz na esquerda. Se o costa-riquenho não passar no teste físico que fará antes do jogo, é mais certo que no onze apareça Carlos Mané do que Matheus ou Gelson. Jorge Jesus mudará pelo menos oito dos dez jogadores de campo que enfrentaram o Skenderbeu na quinta-feira. E o mais certo é mesmo que mude os dez: falta perceber se Esgaio e Ewerton podem manter-se ou se regressam João Pereira e Paulo Oliveira. Por isso, a questão da recuperação do esforço não se coloca entre os leões. O jogo do Benfica em Istambul acabou 22 horas antes, mas os encarnados ainda tiveram de viajar, chegaram tarde a Lisboa e vão repetir grande parte do onze que começou o jogo com o Galatasaray – provavelmente Rui Vitória só trocará Jiménez por Mitroglou. É o Benfica quem tem maior probabilidade de sequelas da semana europeia. O jogo deverá mostrar duas equipas a apostarem nos momentos em que são mais fortes. O Benfica no ataque posicional, mais em posse, com saída pelas faixas laterais e busca da profundidade através dos laterais e dos extremos, mas com dificuldades nos momentos de transição. O Sporting no ataque rápido, com acelerações nos corredores laterais e procura do espaço atrás da defesa encarnada através da ativação de Slimani ou entre as linhas benfiquistas com as diagonais dos alas, mas a sofrer em organização defensiva. Quem conseguir mascarar melhor as suas debilidades tem mais hipótese de ganhar o jogo. Rui Vitória vai adotar uma abordagem mais afirmativa ao jogo do que na Supertaça, em que o Benfica entrou de facto com medo do Sporting, provavelmente por ter noção das limitações que lhe foram impostas pela pré-época calamitosa em termos desportivos e de preparação. O discurso do treinador pareceu mais confiante, realçando os pontos fortes da sua equipa, como os excelentes resultados que tem feito em casa, ou as diferenças de nomes para com a equipa que jogou em Agosto no Algarve. Lisandro, Nelson Semedo, Fejsa, Ola John e Talisca estarão agora fora do onze. Jorge Jesus não enveredou tanto pelos “mind games” como em Agosto. O balão da euforia leonina esvaziou um pouco com o afastamento da Liga dos Campeões e nem a co-liderança da Liga, a par do FC Porto, permite ao treinador entrar de peito tão cheio como há dois meses e meio. Desta vez Jesus esteve mais na sombra, pois o confronto foi assumido mais acima, pela estrutura da SAD.
2015-10-25
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O regresso de Jorge Jesus à Luz será um tema à parte do Benfica-Sporting da oitava jornada da Liga. O treinador que ganhou os últimos três campeonatos do Benfica (2010, 2014 e 2015) e que entretanto mudou de cor e já ganhou a Supertaça ao serviço do Sporting nunca foi capaz de sequer empatar com os encarnados naquele estádio. Soma por derrotas os oito jogos ali realizados e só por uma vez viu a sua equipa fazer golos. A primeira vez que Jesus ali levou uma equipa foi a 3 de Fevereiro de 1993 e o confronto era desigual. O Amora, comandado pelo atual treinador leonino, jogava a II Liga e foi batido nos quartos-de-final da Taça de Portugal por 5-0, com golos de Mostovoj, Pacheco, Yuran (dois) e Paulo Sousa. Jesus só voltou à Luz pelo Felgueiras, três anos depois, em Abril de 1996. E voltou a perder, desta vez por 1-0, com um golo já na segunda parte do extremo angolano Paulão. A descida de divisão da equipa nortenha significou o adiamento de novas visitas até Agosto de 1998, quando ali levou o Estrela da Amadora a perder por 2-0. Marcaram Poborsky e Tahar El Khalej. O resultado, aliás, repetiu-se na época seguinte, mas nos 2-0 de Outubro de 1999 quem fez os golos encarnados foram Okunowo e Ronaldo. Só ao quinto jogo na Luz pôde Jorge Jesus festejar um golo de um jogador seu. Foi a 25 de Agosto de 2001 e o V. Setúbal comandado pelo técnico da Reboleira chegou a estar na frente, graças a Marco Ferreira. Acabou, no entanto, por perder, fruto da explosão do fenómeno Mantorras, que nessa tarde fez um “hat-trick” e tornou inútil o tento de Hugo Henrique, que fixou o 3-2 final. Começava a Volta a Portugal em clubes de Jorge Jesus, que até chegar ao Belenenses, em 2006, por fazer apenas partes de épocas em tentativas de salvar equipas da despromoção (algumas delas bem sucedidas) não voltou a jogar como visitante no estádio do Benfica. Regressou em Dezembro de 2006, com o Belenenses, e para perder por 4-0, com golos de Simão, Karagounis, Fonseca e Katsouranis. A tentativa seguinte, em Abril de 2008, outra vez com os azuis do Restelo, redundou em nova derrota, outra vez sem marcar golos: 2-0, com tentos de Luisão e Cardozo, jogadores que já encontrou quando chegou à Luz para treinar o Benfica. Foi à oitava tentativa, porém, que Jesus colocou uma frase no anedotário nacional do futebol. Em Janeiro de 2009 levou o Sp. Braga a perder ali por 1-0 (golo de David Luiz) e, para se queixar da arbitragem, saiu-se com o famoso “o Braga ganhar na Luz ao Benfica só se for na PlayStation”. É o que se verá, na nona tentativa.   - Como jogador, Jesus saiu da Luz sem perder por três vezes, nas três primeiras ocasiões que lá foi: 2-2 com o Olhanense (e esteve a ganhar por 2-0) em Setembro de 1974, 0-0 pelo Sporting em Dezembro de 1975 e 1-1 pelo Belenenses em Março de 1977. Depois, só derrotas, com Riopele, U. Leiria e V. Setúbal.   - Este será o 15º jogo entre Rui Vitória e Jorge Jesus. O atual treinador do Sporting soma, no confronto direto, 11 vitórias, um empate e duas derrotas, sendo que duas dessas vitórias lhe permitiram ganhar títulos: a Taça da Liga de 2011 (final entre Benfica e Paços de Ferreira) e a Supertaça de 2015 (já no Sporting, contra o Benfica). Uma das vitórias de Rui Vitória, obtida pelo V. Guimarães frente ao Benfica, também lhe permitiu levar para casa a Taça de Portugal de 2013.   - Rui Vitória ganhou na primeira vez que defrontou o Sporting. Foi a 20 de Outubro de 2007 e o treinador ribatejano dirigia o Fátima, que semanas antes fizera sensação ao afastar o FC Porto da Taça da Liga. Contra os leões, o Fátima ganhou por 2-1 no Restelo, casa emprestada dos verde-brancos, e levou para a segunda mão da eliminatória uma vantagem que não conseguiu segurar, pois perdeu em Fátima por 3-2.   - O Sporting não ganha na Luz desde 28 de Janeiro de 2006, quando ali bateu os encarnados por 3-1, para a Liga, mesmo depois de ter estado a perder. Simão adiantou o Benfica, na primeira parte, de penalti, mas os leões viraram o jogo na última meia hora, com golos de Sá Pinto (este também de penalti) e Liedson (dois).   - Os últimos três golos marcados pelo Benfica foram de bola parada: Carcela ao Vianense após lançamento lateral de Sílvio; Jardel ao Vianense após canto de Pizzi; e Gaitán ao Galatasaray na sequência de livre apontado rapidamente por Jonas. Em contrapartida, os dois últimos golos sofridos pelo Sporting também nasceram de bolas paradas, ambos de cantos do lado esquerdo do ataque. Marcaram-nos Josué (V. Guimarães) e Jashanica (Skenderbeu). Mas enquanto o Benfica só fez esta época mais dois golos de bola parada (um penalti e um canto de Jonas a Estoril e Belenenses), o Sporting encaixou mais quatro nestas circunstâncias: penaltis de Pelé e Rabiola, além de livres indiretos finalizados por Luís Alberto e Doumbia.   - Treze dos últimos 14 golos do Benfica ao Sporting nasceram na América do Sul. Desde 2012, Cardozo marcou seis, Gaitán fez dois, Luisão um, Jardel outro, Pérez mais um, Lima outro e Salvio o restante. A exceção é Markovic, que marcou em Alvalade no empate (1-1) para a Liga, em Agosto de 2013. O último golo português do Benfica ao Sporting foi marcado por Nuno Gomes, a 16 de Abril de 2008, num jogo que os leões ganharam por 5-3, para a Taça de Portugal.   - Dos atuais jogadores leoninos, só um marcou mais de um golo ao Benfica com a camisola leonina: Slimani, que fez dois, sempre na Luz. Um no empate (1-1) para a Liga passada e outro na eliminação leonina (3-4) da Taça de Portugal de 2014. Jefferson, por exemplo, também já marcou por duas vezes ao Benfica, mas uma delas foi pelo Estoril, em Maio de 2013, ajudando o FC Porto a tirar esse título às águias.   - Mesmo com um jogo a menos, o Benfica continuava a ser, antes do início desta jornada, a equipa que mais rematava na Liga: segue com 114 tentativas de chegar ao golo (19 por jogo), contra 110 do Marítimo (15,7 por jogo). O Sporting chutou 98 vezes (14 por desafio).   - O Sporting é, dos três grandes, o que tem piores números com Carlos Xistra a apitar na Liga, com apenas 56 por cento de vitórias em 27 jogos. Ganhou, contudo, as últimas quatro partidas: 2-1 ao Tondela já esta época, 4-1 ao Sp. Braga e 4-0 ao Gil Vicente na anterior e ainda 3-1 ao P. Ferreira em 2013/14. A última vez que cedeu pontos com este árbitro foi no empate caseiro frente ao Rio Ave (1-1), a 21 de Setembro de 2013. O Benfica ganhou 61% dos 18 jogos que fez com Xistra, três deles consecutivos: 3-1 ao Nacional e 4-0 ao Marítimo na época passada, mais um 2-0 ao Olhanense em 2013/14. A última vez que perdeu pontos com ele foi a 23 de Setembro de 2012, num empate a duas bolas com a Académica, em Coimbra.   - Carlos Xistra vem com uma média de um penalti por jogo esta época: marcou um a favor do Sporting no jogo com o Tondela e dois a favor do Sp. Braga frente ao Marítimo, não chegando a apontar nenhum no Rio Ave-Boavista. Na época passada, a sua média era de 0,2 penaltis por jogo, mas ainda assim teve um jogo com dois penaltis: o Sporting-Sp. Braga, em que assinalou um para cada lado.   - Este vai ser o terceiro clássico de Carlos Xistra na Liga. Nos dois anteriores, o resultado foi o mesmo: 2-0 para a equipa da casa. Aconteceu no Sporting-FC Porto de 2007/08 e no Benfica-Sporting de 2010/11.
2015-10-24
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O Benfica ganhou nas últimas quatro visitas à Madeira, não perdendo ali desde que caiu aos pés do Marítimo na abertura da Liga de 2013/14. Rui Vitória, por sua vez, não tem sido feliz na sequência das viagens à Pérola do Atlântico, onde não ganhou nenhum dos derradeiros oito jogos. A sua última vitória – e única na Madeira ao serviço do V. Guimarães – aconteceu há quatro anos, quando bateu o Nacional por 4-1 em partida da Liga, precisamente no Estádio da Madeira (Choupana), onde vai agora disputar-se o U. Madeira-Benfica. Ainda assim, a conquista mais importante na carreira do atual treinador encarnado passou pelo Funchal: empatou ali com o Marítimo nos oitavos-de-final da Taça de Portugal de 2012/13, qualificou-se no desempate por grandes penalidades e acabou por vencer a prova, na final, contra… o Benfica. Ora é precisamente o Benfica que tem transformado as viagens à Madeira numa limpeza. Depois da derrota frente ao Marítimo, a 18 de Agosto de 2013, na primeira jornada da Liga de 2013/14 (2-1, com golos de Derley e Sami para os verde-rubros e de Rodrigo para as águias), os encarnados ganharam sempre no Funchal. Ainda nessa época, impuseram-se por duas vezes ao Nacional (1-0 para a Taça da Liga e 4-2 para o campeonato). Na temporada passada, sempre a contar para o campeonato, venceram o Nacional por 2-1 e o Marítimo por 4-0, com um nome comum a ambas as fichas de goleadores: o do agora lesionado Salvio. Já Rui Vitória tem tido mais problemas com os voos até ao Funchal. Ao comando do V. Guimarães só lá ganhou uma vez, ainda que possa apresentar como bom auspício o facto de ter sido logo a primeira (como é agora a primeira que ali leva o Benfica) e na primeira vez que orientou a equipa minhota. Manuel Machado saiu após a derrota em casa com o FC Porto (0-1), na primeira jornada da Liga de 2011/12, Basílio Marques orientou a equipa nos 0-3 com o Beira Mar e nem chegou a aquecer o lugar, de modo que Rui Vitória saltou do banco do Paços de Ferreira para o do mais ambicioso V. Guimarães. No jogo de estreia, à terceira jornada, já ganhava por 2-0 ao intervalo, acabando por se impor por 4-1 (marcaram N’Diaye, Toscano e Edgar, este por duas vezes). Aquela foi, porém, a única vitória do atual treinador benfiquista no Funchal. Depois disso, na mesma temporada, ainda perdeu (2-1) com o Marítimo. Nos restantes seis jogos que lá fez para a Liga, empatou duas vezes com o Nacional na Choupana (1-1 em 2013/14 e 2-2 na época passada) e perdeu nas outras quatro ocasiões (2-1 com o Nacional em 2012/13 e todos os jogos nos Barreiros com o Marítimo: 1-0 em 2012/13, 2-1 em 2013/14 e 4-0 em 2014/15). A Madeira está, ainda assim, ligada à conquista da Taça de Portugal, que obteve pelo V. Guimarães em 2012/13. A 2 de Dezembro de 2012, empatou nos Barreiros com o Marítimo a uma bola (Ricardo igualou após um primeiro golo de Fidelis), acabando por se qualificar no desempate por grandes penalidades, numa noite mágica de Douglas, que defendeu dois pontapés dos onze metros. Chegou à final, onde venceu o Benfica, mas ainda há-de lembrar-se que nunca como nesse dia esteve tão perto de soçobrar: aquele foi o único dos sete jogos da caminhada que o V. Guimarães não venceu.   - O Benfica tem o melhor marcador da Liga (Jonas, com sete golos), mas também o melhor assistente, que é Gaitán, com cinco passes decisivos (mais um na Liga dos Campeões). A equipa de Rui Vitória é ainda a que mais remata na prova: soma 114 remates, a uma média de 19 por jogo.   - Em contrapartida, o U. Madeira tem uma das melhores defesas do campeonato (só quatro golos sofridos, a par de Benfica, FC Porto, Sp. Braga e Sporting), sendo ainda aquela que aguenta mais remates sem sofrer um golo. Os quatro golos sofridos pela equipa de Luís Norton de Matos nasceram de 83 remates, a uma média de um golo a cada 20,8 tentativas. A segunda melhor média da Liga é a do Arouca (um golo por cada 16,3 remates).   - Gaitán fez o primeiro jogo pelo Benfica na Liga na Choupana, o estádio do Nacional que servirá de casa emprestada à U. Madeira para receber o Benfica. Não tem boas memórias dessa noite, porém. Foi a 21 de Agosto de 2010, o argentino saiu aos 65’, com o Benfica a perder por 2-0 com o Nacional. Ainda viu Carlos Martins reduzir para 2-1, mas a derrota acabou por marcar-lhe a estreia.   - Luís Norton de Matos, treinador do U. Madeira, fez uma época no Benfica B (na qual lançou Lindelof, jogador do atual plantel encarnado), mas nunca defrontou o Benfica na carreira de treinador. O mais perto que esteve de o fazer foi em 2005, época que iniciou com o V. Setúbal. Conduziu os sadinos até à 15ª jornada, quando se demitiu, alegando salários em atraso, deixando a equipa num excelente terceiro lugar. Na 16ª jornada, o V. Setúbal defrontou o Benfica, perdendo por 1-0.   - Se jogar, como tudo indica que pode acontecer, Luisão ultrapassa o malogrado guarda-redes Bento como sexto jogador com mais jogos na história do Benfica. Luisão e Bento têm ambos 465 jogos de águia ao peito, sendo que à frente de ambos só se encontram Sheu (487), Humberto Coelho (498), Coluna (525), Veloso (538) e Nené (575).   - Jonas e Lisandro López completam na segunda-feira, um dia depois do jogo, um ano sobre a estreia pelo Benfica na Liga. Ambos abriram a conta a 5 de Outubro de 2014 nos 4-0 com que o Benfica ganhou ao Arouca.   - André Moreira, jovem guarda-redes do U. Madeira, é dono da mais longa série de minutos sem sofrer golos na atual Liga. Foram 361 minutos entre o golo de Soares (Nacional), na segunda jornada, e o marcado por Leo Bonatini (Estoril) no último domingo.   - O União da Madeira perdeu todos os dez jogos que fez com o Benfica na Liga e só marcou quatro golos, todos eles na Luz. Em casa, ficou sempre em branco. A exceção a esta regra válida para a Liga foi uma partida da Taça de Portugal, em Dezembro de 1993, que acabou empatada a uma bola, no Estádio dos Barreiros. No prolongamento, porém, o Benfica impôs-se por 5-1.   - O Benfica continua sem marcar um golo em provas nacionais fora do Estádio da Luz desde 29 de Maio de 2015, quando ganhou por 2-1 na final da Taça da Liga, em Coimbra, a uma equipa madeirense: o Marítimo. Para o campeonato, o último golo fora aconteceu a 2 de Maio, em Barcelos, nos 5-0 ao Gil Vicente. Depois disso, o Benfica já empatou (0-0) com o V. Guimarães e perdeu (sempre 1-0) com Arouca e FC Porto   - Cosme Machado, que será o árbitro do U. Madeira-Benfica, expulsou um jogador nos últimos três jogos que dirigiu na Liga, dois deles esta época. O setubalense Fábio Pacheco (na visita à Académica) e o estorilista Diego Carlos (em Tondela) foram tomar duche mais cedo, ambos por acumulação de cartões amarelos.
2015-10-02
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Gonçalo Guedes fez o primeiro golo com a camisola do Benfica, ao 16º jogo oficial, a vitória por 3-0 frente ao Paços de Ferreira. Tornou-se assim o mais jovem marcador da história dos encarnados desde que o norte-americano Freddy Adu marcou o golo do empate (1-1) na Amadora, num jogo frente ao Estrela que contava para a Taça da Liga, oito anos exatos antes do golo do jovem de Benavente. Gonçalo Guedes fez o golo ao Paços de Ferreira a 26 de Setembro de 2015, a dois dias de completar 18 anos e dez meses; Adu tinha-se estreado a marcar pelo Benfica também a 26 de Setembro, mas de 2007, com 18 anos e três meses de idade. Mesmo se contarmos apenas jogos da Liga, Gonçalo Guedes não bate a idade de Adu à data do primeiro golo: fê-lo a 28 de Outubro de 2007, numa vitória por 2-1 sobre o Marítimo, com 18 anos e quatro meses.   - Ao assistir Gonçalo Guedes para o 2-0, o argentino Gaitán mantém-se como melhor assistente da Liga, com cinco passes para golo (antes tinha feito os passes para golos de Mitroglou e Nelson Semedo ao Estoril e Jiménez e Jonas ao Moreirense). O segundo melhor assistente da Liga é Gonçalo Guedes, com quatro passes para golo: Jonas e Talisca ao Belenenses, mais dois para Jonas ao Paços de Ferreira.   - A vitória sobre o Paços de Ferreira permitiu a Rui Vitória chegar pela primeira vez ao fim de um jogo contra uma ex-equipa na Liga sem sofrer golos. Até aqui tinha encaixado doze em oito jogos, nunca mantendo a baliza a zeros.   - Jonas segue com sete golos em seis jornadas da Liga, com uma média superior a um golo por jogo. O último jogador a consegui-lo à sexta jornada tinha sido Montero (Sporting, em 2013/14). No Benfica ninguém tinha uma marca assim desde Cardozo, em 2009/10.   - Jonas vai ainda com seis jogos consecutivos a marcar em casa, na Liga. Ficou em branco contra o FC Porto (0-0), em finais de Abril, mas depois marcou ao Penafiel (um golo nos 4-0), ao Marítimo (dois nos 4-1) e, já esta época, ao Estoril (dois nos 4-0), ao Moreirense (um nos 3-2), ao Belenenses (dois nos 6-0) e agora ao Paços de Ferreira (dois nos 3-0).   - Luisão completou o 465º jogo pelo Benfica, igualando Manuel Bento como o sexto homem com mais partidas pelos encarnados em toda a prova. À frente dele só estão agora Nené (575 jogos), Veloso (538), Coluna (525), Humberto Coelho (498) e Shéu (487).   - O guarda-redes Marafona vai com 40 jogos completos consecutivos no campeonato. Entre a Liga anterior, que fez no Moreirense, e a atual, no Paços de Ferreira, são 3600 minutos sem falhar um, o que faz dele o jogador há mais tempo consecutivo em atividade na prova.   - O Paços de Ferreira sofreu a segunda chapa 3 consecutiva na Liga, depois de ter perdido em casa com o Rio Ave por 3-0. Algo que não acontecia aos pacenses desde Dezembro de 2013, quando depois de perderem em Alvalade com o Sporting por 4-0 foram batidos em casa pelo Estoril por 3-0.
2015-09-27
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Rui Vitória vai defrontar a equipa pela qual se estreou na Liga portuguesa, há cinco anos, mas na qual passou apenas uma época, saindo no início da segunda para se ocupar do V. Guimarães. Ora o histórico do treinador do Benfica nem tem sido particularmente feliz frente a ex-equipas: ganhou apenas três dos oito jogos contra o Paços de Ferreira, dois dos quais fora de casa. Em Guimarães a única vitória foi em Abril de 2012. Há duas ilações a tirar deste histórico. A primeira é que nos oito jogos de Vitória contra uma ex-equipa sua, o ataque foi a tónica dominante: não houve um único zero de nenhuma das equipas, pois ambas marcaram sempre. E a segunda é que Rui Vitória se sente melhor como visitante a um estádio onde já foi feliz do que como anfitrião das suas ex-equipas: tem uma vitória, dois empates e uma derrota nos jogos com o Paços em Guimarães e duas vitórias, um empate e uma derrota nas visitas ao Estádio Capital do Móvel. O melhor resultado, aliás, obteve-o em Paços de Ferreira. Foi uma vitória por 5-1 logo em Novembro de 2011, com hat-trick de Edgar, que era o ponta-de-lança desse V. Guimarães. Essa primeira época – que, recorde-se, Vitória ainda começou em Paços de Ferreira, tendo por isso amplo conhecimento do adversário – foi a melhor no confronto com a ex-equipa, tendo o atual técnico do Benfica obtido duas vitórias, por 3-e e 5-1. Em 2012/13 perdeu em Paços de Ferreira por 2-1 e empatou em Guimarães a dois golos. Em 2013/14 ganhou em Paços (3-1), mas perdeu em casa (1-2). E na época passada ambos os jogos redundaram em empates: 1-1 em Guimarães e 2-2 em Paços de Ferreira.   - Na sua ainda curta carreira como treinador de top, Jorge Simão já defrontou os três grandes e só perdeu com o Benfica. Ainda dirigia o Belenenses quando foi batido em casa (0-2) pelos encarnados, na ponta final da época passada. Foi ainda no Restelo que impôs um empate (1-1) ao FC Porto, dando o bi-campeonato ao Benfica. E já esta época trouxe o Paços de Ferreira a empatar em Alvalade com o Sporting (1-1).   - Aliás, Simão tem quatro derrotas 14 jogos na Liga e só uma delas foi fora de casa, o que faz dele um especialista em viagens. Perdeu no Bessa no seu jogo de estreia (1-0 com o Boavista, a 22 de Março) ao serviço do Belenenses, e depois só voltou a perder em casa, com Benfica, Rio Ave (ambos ainda no Belenenses) e agora outra vez Rio Ave (já no Paços de Ferreira). Fora de casa, vai com uma série de seis jogos sem perder, com três vitórias e três empates.   - O Benfica ganhou os quatro jogos que fez esta época na Luz e marca sempre golos nos jogos em casa há seis jogos consecutivos, desde o empate a zero com o FC Porto, em finais de Abril. Nesses seis jogos, Jonas fez golos em todos menos no último, os 2-0 ao Astana: nos outros cinco marcou por oito vezes, com três bis.   - Luisão é o único jogador disponível para Rui Vitória que já marcou golos ao Paços de Ferreira na Luz. Todos os outros ou já saíram (Maxi, Enzo Pérez, Garay, Cardozo, Saviola, Nolito, Aimar…) ou estão lesionados (Salvio). Do outro lado, Cícero, que ainda começou a época no Paços mas entretanto saiu para o Samsunspor, da Turquia, era o único a já ter festejado um golo nas balizas da Luz com a camisola amarela dos castores.   - Fejsa jogou pela primeira vez com a camisola do Benfica contra o Paços de Ferreira. Foi a 14 de Setembro de 2013 que Jorge Jesus o lançou, ainda na primeira parte, no lugar de Ruben Amorim. O Benfica já ganhava por 2-0 e acabou por vencer esse jogo por 3-1.   - Talisca já tinha jogado pelo Benfica na Supertaça, contra o Rio Ave, mas estreou-se na Liga frente ao Paços de Ferreira, em partida da primeira jornada da época passada, a 17 de Agosto. Foi titular na vitória por 2-0, tendo saído aos 74 minutos, já com o jogo resolvido. Esse foi também o jogo de estreia na Liga portuguesa para Rafael Defendi, atual guarda-redes suplente dos pacenses.   - O Paços de Ferreira só ganhou uma vez na Luz, mas já foi há 14 anos e meio. Dois golos de Rafael e um de Leonardo permitiram uma vitória por 3-2 da equipa de José Mota sobre a dirigida por Toni, em Março de 2001. O Benfica venceu todos os jogos na Luz para a Liga desde o regresso do Paços à divisão mais importante, em 2005, cedendo apenas um empate de todo irrelevante na segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal, em Abril de 2013, depois de ter ganho a primeira partida na Mata Real.   - O Paços de Ferreira, de qualquer modo, vem com três visitas consecutivas a Lisboa sem perder. Já esta época, empatou com o Sporting em Alvalade e, na anterior, depois de perder na Luz com o Benfica por 2-0, foi empatar a Alvalade com o Sporting (1-1) e ganhou no Restelo ao Belenenses (1-0).   - O último confronto entre Paços de Ferreira e Benfica, porém, acabou com vitória dos pacenses. Foi na Mata Real, em Janeiro, e um penalti cometido por Eliseu permitiu a Sérgio Oliveira fazer, já em tempo de compensação, o golo da vitória da equipa da casa (1-0).   - O Benfica continua a ser a equipa mais rematadora da Liga, com 97 remates (19,4 por jogo), mas o Paços de Ferreira é uma das que melhor se defende e menos remates permite: 45, apenas nove por jogo, no que só é suplantado por Sp. Braga (5,6), Benfica (6,6), Sporting (7,2) e FC Porto (7,6).   - O Paços de Ferreira nunca ganhou com Rui Costa a apitar. Soma duas derrotas e três empates, ainda que um deles tenha sido feliz, pois aconteceu frente ao FC Porto no Dragão. Quanto ao Benfica, ganhou 14 dos 17 jogos com este árbitro, sendo mesmo a equipa da Liga com maior percentagem de vitórias com ele a dirigir jogos: 82 por cento, contra 80% do FC Porto. A última vitória dos encarnados com Rui Costa foi no Restelo, na época passada, contra o Belenenses de… Jorge Simão.
2015-09-25
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Último Passe

O FC Porto-Benfica apresenta uma série de aliciantes que vão muito para além de saber quem está mais forte e mais bem colocado para ganhar (o que corre sérios riscos de contraditório no confronto com a verdade) ou de antecipar, pressionando, como correrá a noite ao árbitro. A mim, nenhum debate me interessa tanto como o de perceber os onzes que os dois técnicos irão apresentar.De um lado, Julen Lopetegui tem mostrado duas facetas do FC Porto, consoante lhe apetece privilegiar a segurança ou optar pelos desequilíbrios. Tendo em conta o grau de dificuldade do jogo, a versão adotada no início do jogo de Kiev e no final do desafio em Arouca (quando já estava na frente no marcador) parece a mais provável na cabeça do treinador espanhol, pelo que a inclusão de André André no papel duplo de quarto médio e terceiro avançado me parece aposta segura. O ex-Vitória de Guimarães sabe escolher bem os momentos em que tem de abrir no corredor ou aparecer frente à área e depois, após a perda de bola, é capaz de pressionar mas também de baixar para compor a segunda linha defensiva, pelo que me parece evidente que surgirá no onze com Brahimi e Aboubakar. Resta definir quem estará no meio-campo, onde tenho duas apostas firmes em Danilo e Imbula. Se o terceiro homem será Ruben Neves ou Herrera já tenho mais dúvidas, embora me incline para o jovem português.Quanto ao Benfica, Rui Vitória não tem margem para sentar Jonas, que tem estado a par de Gaitán na influência no jogo ofensivo da equipa, mas também já viu, na Supertaça, contra o Sporting, que o brasileiro não rende isolado na frente. Parece-me seguro que Jonas terá a companhia de Mitroglou ou até de Jimenez, jogador mais móvel e mais capaz de defender que o grego. Só que aí Vitória é bem capaz de compensar a presença de dois avançados com uma opção mais conservadora atrás. Creio que Fejsa aparecerá ao lado de Samaris, deixando a Gaitán o corredor esquerdo. E não tenho certeza de que o médio direito seja o jovem Gonçalo Guedes, ainda que ele tenha estado bem nos últimos jogos: admito perfeitamente a opção por Pizzi como forma de ocupar o espaço no corredor central, pedindo ao transmontano que jogasse em diagonais e trocas posicionais constantes com os avançados, de modo a impedir que o espaço entre os dois médios e esses mesmos avançados seja tão grande a ponto de a ligação se tornar impossível, como na primeira parte do jogo com o Astana.Na verdade, certezas só amanhã ao final do dia. Mas estas apostas fazem sentido.
2015-09-19
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O FC Porto-Benfica de domingo servirá para uma de duas coisas. Ou o FC Porto confirma que montou no Dragão uma barreira inexpugnável, que ninguém é capaz de ultrapassar para marcar golos, ou o Benfica espanta de vez os fantasmas que o têm impedido de fazer golos longe do Estádio da Luz. A apimentar a história, o facto de terem sido os encarnados, por Lima, os últimos a marcar golos no Dragão em jogos da Liga. A 14 de Dezembro do ano passado. Desde o bis de Lima que valeu ao Benfica a vitória por 2-0 no Dragão frente ao FC Porto e um avanço mental na luta pelo título que mais ninguém foi capaz de ali marcar em jogos de campeonato. E entretanto por lá passaram V. Setúbal (4-0), Belenenses (3-0), P. Ferreira (5-0), V. Guimarães (1-0), Sporting (3-0), Arouca (1-0), Estoril (5-0), Académica (1-0), Gil Vicente (2-0), Penafiel (2-0) e, já esta época, V. Guimarães (3-0) e Estoril (2-0). Ao todo, são já doze balizas virgens seguidas nos jogos da Liga, em casa. 1115 minutos (pouco mais de 18 horas e meia) sem sofrer golos, o que deixa a equipa atual à beira de poder igualar o registo de 1995/96, quando Vítor Baía (com breve auxílio de Silvino, que o substituiu num dos jogos) esteve 1127 minutos sem sofrer golos em casa para a Liga, entre um 2-1 ao Sporting (golo de Ouattara, a 20 de Agosto de 1995) e um 6-2 ao Felgueiras (marcou Lewis, a 11 de Fevereiro de 1996). Se mantiver o zero frente ao Benfica, no domingo, até aos 12’ de jogo, o FC Porto atual iguala esse registo. Mas um zero no final do encontro com os encarnados faria com que a série de Fabiano, Helton e Casillas passasse para os 1205 minutos. E para encontrar uma série tão longa é preciso recuar até 1988 e 1989, quando Zé Beto e o ainda adolescente Vítor Baía (que o substituiu no final da época) mantiveram a baliza das Antas inviolada durante 1384 minutos em jogos da Liga, entre um golo do maritimista Jorge Silva, em Outubro de 1988 e outro do setubalense Aparício, em Maio de 1989. O facto de ter sido o Benfica o último a marcar no Dragão para a Liga vem, por um lado, apimentar a história, até porque os encarnados têm sentido esta época dificuldades para fazer golos fora de casa: os 15 que somam foram todos obtidos na Luz. É verdade que, fruto de só ter jogado uma vez fora esta época (e mesmo essa no campo neutro de Aveiro, contra o Arouca), a série do Benfica não é assim tão impressionante em termos de Liga. Só ficou a zero com o Arouca (0-1) e na última deslocação da época passada, a Guimarães (0-0), na tarde em que assegurou a conquista do título. Antes disso tinha ganho por 5-0 ao Gil Vicente, em Barcelos. Mas que o teste do Dragão será exigente em termos de se avaliar a capacidade deste Benfica viajar, lá isso será.   - É o primeiro clássico português para Casillas, que em Espanha estava bem habituado a eles. Só na época passada, ao serviço do Real Madrid, disputou oito, seis deles com o Atlético Madrid, ganhando apenas dois: 1-1 e 0-1 na Supertaça; 0-0 e 1-0 na Liga dos Campeões; 1-2 e 0-4 na Liga. Os outros dois foram para a Liga com o Barcelona: ganhou por 3-1 em casa, perdeu por 1-2 no Camp Nou.   - Rui Vitória nunca ganhou ao FC Porto. Ainda assim, foi à conta de uma proeza contra o FC Porto que se tornou conhecido: a 26 de Setembro de 2007 o seu Fátima eliminou os dragões da Taça da Liga, com um empate a zero que foi depois transformado em sucesso no desempate por grandes penalidades. Ao todo, em doze jogos contra os dragões, perdeu oito e empatou quatro. Com destaque para um 3-3 no Dragão, em Maio de 2011, aos comandos do Paços de Ferreira, com hat-trick de… Pizzi.   - Em contrapartida, o atual treinador do Benfica foi o primeiro a causar dissabores a Lopetegui na sua carreira portuguesa. O espanhol tinha ganho os primeiros cinco jogos no FC Porto (2-0 ao Marítimo, 1-0 e 2-0 ao Lille, 1-0 ao Paços de Ferreira e 3-0 ao Moreirense) quando foi empatar a uma bola a Guimarães, a 14 de Setembro do ano passado.   - O Benfica ganhou por três vezes no Estádio do Dragão, inaugurado em Novembro de 2003, e todas pelo mesmo resultado: 2-0. Em Outubro de 2005 valeu-lhe um bis de Nuno Gomes; em Fevereiro de 2011, para a Taça de Portugal, marcaram Coentrão e Javi Garcia, e em Dezembro passado bisou Lima. No mesmo período o FC Porto soma sete vitórias e registaram-se ainda quatro empates – um único sem golos.   - Dos jogadores do atual plantel do FC Porto, só três marcaram pelos azuis e brancos ao Benfica. Foram eles Varela (duas vezes), Maicon (no golo do título, a fazer um 3-2 na Luz, em Março de 2012) e… Maxi Pereira. Apesar de ser a primeira vez que defronta o Benfica, fez um autogolo na baliza de Artur, em Maio de 2013, estabelecendo o momentâneo empate naquele que ficou conhecido como o jogo de Kelvin.   - Do atual plantel do Benfica, já sabem o que é marcar aos dragões de águia ao peito Gaitán (dois golos, ambos em jogos que acabaram empatados a duas bolas), Salvio (que está lesionado e não pode ser opção para Rui Vitória) e Luisão (numa derrota por 3-1 no Dragão antes do título de 2010).   - O médio André André, ultimamente em foco por ter ganho a titularidade no meio-campo do FC Porto, foi lançado na I Liga por Rui Vitória, treinador dos encarnados. Depois de ter sido junior do FC Porto e de ter passado sem sucesso pela equipa B do Deportivo da Corunha, chegou em 2012 do Varzim (II Divisão B) ao V. Guimarães e Vitória não hesitou em dar-lhe 90 minutos logo na primeira jornada da Liga, um empate a zero em casa com o Sporting.   - Defrontam-se a equipa mais faltosa da Liga, que é o FC Porto (a par do Marítimo), com 78 faltas cometidas, e a que menos infrações comete, que é o Benfica, que fez apenas 50 faltas. A diferença disciplinar tem também a ver com isso: o Benfica viu apenas cinco cartões amarelos nas primeiras quatro jornadas (10 faltas por cartão), enquanto que o FC Porto já viu 13 (seis faltas por cartão).   - Defrontam-se ainda o ataque mais realizador da Liga, que é o do Benfica, com 13 golos, e uma das defesas menos batidas, a do FC Porto, que encaixou apenas dois e lidera esta tabela a par do Paços de Ferreira e do U. Madeira. Os portistas apresentam, no entanto, melhores índices de aproveitamento tanto defensivo como ofensivo. Marcaram nove golos em 51 remates (um golo a cada 5,7 remates), enquanto o Benfica precisou de 91 tentativas para fazer 13 golos (entra uma a cada sete). Aliás, o Benfica também sofre um golo a cada sete remates que os adversários lhe fazem (três golos encaixados em 21 remates permitidos), ao passo que o FC Porto já permitiu 32 remates e sofreu apenas dois golos (um a cada 16 tiros).   - Tanto Benfica como FC Porto perderam apenas uma vez com Soares Dias a apitar. Aos dragões aconteceu apenas em Janeiro de 2014, na deslocação à Luz, onde perderam por 2-0 com o Benfica e viram Danilo expulso. De resto, são onze vitórias e um empate, no Estoril, na época passada, a duas bolas (com um penalti contra). As águias, por seu turno, ganharam doze, empataram quatro e só perderam com Soares Dias em Abril de 2012, num 0-1 com o Sporting em Alvalade (um penalti contra e Luisão expulso). Além disso, não sofrem golos em jogos dirigidos por este árbitro desde Agosto de 2012, quando empataram em casa com o Sp. Braga, na abertura da época (2-2). Depois disso defrontaram FC Porto, Sp. Braga e V. Guimarães. 
2015-09-18
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Último Passe

Franco Cervi chegará em breve à Luz. É um jovem talento, dos melhores que a Argentina produziu nos últimos tempos, que já vi comparado a Di Maria ou a Saviola. Se tiver metade de cada um já será uma boa aquisição, ainda por cima depois da forma como foi conseguida pelo Benfica, ganhando o sprint ao Sporting e lançando a confusão nas fileiras imediatamente debaixo de Bruno de Carvalho. É bom, contudo, que Cervi não valha só por isso – e neste momento estou a lembrar-me de Hanuch, que fez manchetes de jornais quando o Sporting o roubou ao Benfica mas a quem os leões nunca chegaram a dar grandes préstimos. Os tempos são outros, a globalização já é uma realidade, os clubes portugueses conhecem bem e já podem chegar aos melhores jovens da Argentina e estou convicto de que Cervi é aquilo que Hanuch nunca sonhou sequer ser. No entanto, esgotado o início da temporada e o efeito da mudança de Jesus da Luz para o rival, já vai sendo tempo de os adeptos benfiquistas se alegrarem pelo que têm e não pelo que o adversário do outro lado da segunda circular deixa de ter. A motivação dos benfiquistas não tem de ser o off-the-record das entrevistas de Jesus ou o que este falou ao almoço com Carrillo, numa refeição que se fosse para ser secreta não tinha sido marcada para o Ritz. A motivação dos benfiquistas tem de ser o regresso à Liga dos Campeões, com um jogo em casa, ainda por cima frente a um adversário frágil, o mais fraco do grupo, o Astana, que pode permitir à equipa de Rui Vitória manter o registo super-goleador das últimas partidas no seu estádio. A motivação dos benfiquistas tem de ser a passagem aos oitavos de final da Liga dos Campeões, num grupo onde se não tivessem obrigação de passar não seriam cabeças-de-série. Lembrar que a equipa de Jesus falhou clamorosamente esse objetivo nas últimas duas épocas – e sim, também o enfrentou como cabeça-de-série – é lembrar uma realidade. Mas é uma realidade que não traz agarrado o instinto vencedor de que o Benfica precisa. E se não é para manter a polémica com o rival em cima da mesa é para desculpabilizar antecipadamente a eventualidade de uma terceira falha consecutiva. Ora isso não é boa política.
2015-09-14
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Artigo

- Ao vencer o Belenenses por 6-0, o Benfica conseguiu a maior goleada desde a vitória pelo mesmo resultado sobre o Estoril, a 28 de Fevereiro. Tal como nesse jogo, Jonas bisou.   - O bis contra o Belenenses foi o segundo da época para Jonas e o nono desde que chegou a Portugal (sendo que num dos casos somou mesmo mais um golo, fazendo um hat-trick). O atacante brasileiro marcou por três vezes ao Sp. Covilhã e depois bisou contra Moreirense, Estoril (duas vezes), Nacional, Académica, Belenenses (duas vezes) e Marítimo. Em três anos e meio de Valencia só fizera cinco bis e um hat-trick.   - Este foi também o primeiro bis de Mitroglou com a camisola do Benfica. Fê-lo ao quinto jogo pelos encarnados. A última vez que bisara foi a 3 de Maio, na vitória ampla do Olympiakos sobre o Kalloni (5-0), para o campeonato grego.   - A derrota na Luz foi a primeira do Belenenses esta época, ao oitavo jogo (contabilizando todas as competições). Contando apenas com os anos em que os azuis estavam na I Liga, a equipa do Restelo não prolongava a invencibilidade durante tantos jogos desde 1979, quando perdeu pela primeira vez ao oitavo jogo, também contra o Benfica.   - Esta foi a maior derrota do Belenenses desde que caiu em Braga, para a Taça de Portugal, por 7-1, a 7 de Janeiro. A resposta de Lito Vidigal foi mudar seis jogadores entre esse jogo e o seguinte: Matt Jones, João Meira, Tiago Silva, Carlos Martins, Sturgeon e Deyverson (este por ter sido expulso) não alinharam frente ao FC Porto, no Dragão. Mas o Belenenses voltou a perder, por 3-0.   - Os 6-0 encaixados na Luz foram a maior derrota de Ricardo Sá Pinto enquanto treinador. Sucederam, curiosamente, contra o mesmo treinador a quem tinha ganho na sua maior goleada: os 5-0 do Sporting ao V. Guimarães de Rui Vitória, a 11 de Março de 2012, nesse aspeto empatados com outros 5-0 ao Horsens, no arranque da época seguinte.   - O Belenenses não marca um golo ao Benfica há 419 minutos de jogo. O último foi a 28 de Setembro de 2013, obtido por Diakité, no empate a uma bola na Luz. Desde então, os azuis levam 329 minutos sem marcar no dérbi, correspondentes a duas derrotas na Luz (3-0 e 6-0) e outras duas no Restelo (0-1 e 0-2).   - O Benfica fez mais golos esta época no jogo em que menos rematou. Visou as redes de Ventura por apenas 19 vezes, tantas quantas tinha chutado à baliza do Estoril, na primeira jornada. Os jogos em que foi mais rematador (22 remates contra o Moreirense e 31 contra o Arouca) renderam menos golos.
2015-09-12
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Último Passe

Mudou assim tanta coisa entre o Benfica bloqueado do início de época e o que ganhou por 6-0 ao Belenenses, na abertura da quarta jornada da Liga? As duas semanas de paragem terão permitido por fim que Rui Vitória pusesse a equipa a jogar o futebol que queria? A resposta à primeira questão é sim. Mudou de facto muita coisa, a primeira das quais a eficácia na concretização de uma equipa que já era, de longe, a que mais rematava à baliza, mas sofria horrores para fazer o primeiro golo. Para responder à segunda pergunta, aconselha-se calma. Contra o Belenenses, com dois golos até aos 17 minutos, após erros crassos de marcação dos jogadores azuis (Tonel no primeiro e André Geraldes no segundo), o Benfica alargou aos 90 minutos (ou pelo menos até faer o sexto golo) o futebol pujante e atrativo que já tinha mostrado na reta final dos jogos com o Estoril e o Moreirense. Futebol esse que já lhe tinha garantido sete golos em dois quartos de hora. A ganhar, esta equipa solta-se, mostra alegria e confiança, o que desde logo lhe permite estar mais próximo do futebol de um campeão. Claro que também não deve desprezar-se a componente-trabalho. Após uma pré-época muito sacrificada aos interesses financeiros, Rui Vitória teve por fim algum tempo para preparar a equipa e o que se viu foi um Benfica competitivo e muito ambicioso desde os primeiros segundos. Gonçalo Guedes foi uma aposta ganha, porque se mostrou muito mais incisivo e agressivo que os extremos que o antecederam; Mitroglou fez a sua parte, com dois golos; mas os maiores artífices desta goleada foram Gaitán e Jonas. O que é bom sinal ou é pelo menos um sinal de compromisso com uma equipa que até estiveram prestes a abandonar na última janela de mercado, em Agosto. Com a goleada, o Benfica ganha ainda o lastro suficiente para entrar bem na Liga dos Campeões: a receção ao Astana vai ser já na terça-feira e a equipa enfrenta-a tendo posto de lado as núvens negras deste atribulado início de época. O Belenenses, por seu turno, entrará com mais dúvidas na Liga Europa. Sá Pinto já começou o trabalho de controlo de danos, lançando elogios e manifestações de confiança aos jogadores, mas do que os azuis vão precisar frente ao Lech Poznan, quinta-feira, é de um comportamento diferente do ponto de vista defensivo.
2015-09-11
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Stats

A deslocação à Luz será um enorme teste ao arranque invicto do Belenenses nesta época. Os azuis do Restelo já jogaram sete vezes e não perderam nenhuma, embora em boa verdade também só tenham ganho duas, ao IFK Goteborg (2-1) e ao Altach (1-0), nas eliminatórias da Liga Europa. Os outros cinco jogos redundaram em empates. Para encontrar um registo tão positivo – com o Belenenses na I Divisão – é preciso ir até 1979, quando a equipa então liderada por Juca baqueou à oitava jornada, contra… o Benfica. Esta época, os azuis começaram por vencer em casa o IFK Goteborg por 2-1, para depois irem empatar à Suécia, sem golos. Seguiram-se o empate em casa com o Rio Ave (3-3), para a Liga, e a vitória na Áustria frente ao Altach (1-0). Para completar o lote de sete jogos sem derrota devem juntar-se mais três empates: o primeiro em Guimarães (1-1), os dois seguintes no Restelo, com o Altach (0-0) e o Marítimo (1-1). Ora a última vez que o Belenenses esteve mais de sete jogos sem perder no início da época foi em 2011/12. Primeiro, foram três jogos para a Taça da Liga: 0-0 em Penafiel, 5-3 em casa ao Leixões e 3-1 ao Trofense. Depois, três empates para a II Liga: 0-0 em casa com o Atlético, 2-2 em Penafiel e 0-0 em casa com o Desp. Aves. Vieram de seguida a goleada (5-1) contra o Esposende, para a Taça de Portugal, e mais duas vitórias na II Liga: 3-2 no terreno do Portimonense e 1-0 ao Freamunde no Restelo. A primeira derrota surgiu ao 10º jogo, a 2 de Outubro de 2011: 1-0 na Trofa, frente ao Trofense, com um golo de Aderlan Santos já ao cair do pano. Só que nesse ano o grau de exigência era menor. Para encontrarmos um arranque tão bom com o Belenenses na I Liga, só mesmo em 1979. Sempre em jogos do campeonato nacional, a equipa de Juca arrancou com um empate nos Barreiros frente ao Marítimo (0-0), para de seguida ganhar ao Sporting (2-1, com golos de González e Amaral), no Restelo. Seguiram-se um empate (1-1, com Cepeda a fazer o golo belenense) no terreno do Varzim e uma vitória no Restelo (1-0, golo de Baltasar) frente ao Boavista. Esse Belenenses foi ainda empatar (1-1) a Espinho, com golo de Nogueira; venceu o Sp. Braga em casa por 2-0 (golos de Esmoriz e Lincoln) e, com uma vitória por 2-1 em Portimão (golos de Esmoriz e Luís Horta), chegou à sétima jornada invicto e em terceiro lugar, a dois pontos do líder, que era o FC Porto. A primeira derrota surgiu então à oitava jornada, a 21 de Outubro, me casa, com o Benfica. E logo por 3-0 (bis de Jorge Gomes na primeira parte e um terceiro golo de Reinaldo). Nessa equipa do Benfica jogavam Shéu (hoje secretário técnico do clube da Luz) e Pietra (membro da equipa técnica de Rui Vitória). Outro registo interessante do Belenenses atual é o facto de levar dez jogos oficiais seguidos sem perder, pois aos sete desta época podem juntar-se os três últimos da temporada passada, que acabou com dois empates (Académica em Coimbra e FC Porto no Restelo) e uma vitória (2-0 em Barcelos, frente ao Gil Vicente, a garantir a presença nas pré-eliminatórias da Liga Europa). A última série de dez jogos sem derrota do Belenenses também foi na II Liga e decorreu entre os 2-1 nas Aves, a 6 de Outubro de 2012, e os 0-2 em casa com o V. Guimarães, para a Taça de Portugal, a 27 de Março de 2013. Pelo meio passaram 28 jogos e da série resta a curiosidade de ter sido uma equipa de Rui Vitória a colocar-lhe um ponto final.   - O último golo que o Belenenses fez ao Benfica tem quase dois anos. Foi a 28 de Setembro de 2013, obtido por Diakité, no empate a uma bola na Luz. Desde então, os azuis levam 329 minutos sem marcar no dérbi.   - A vitória mais ampla da carreira de treinador de Ricardo Sá Pinto foi obtida contra Rui Vitória: aconteceu num Sporting-V. Guimarães, que os leões ganharam por 5-0 (bis de Jeffren, com golos de Van Wolfswinkel, Matías e Izmailov), a 11 de Março de 2012. Comparável a esta goleada, só uma outra, pelo mesmo resultado, frente aos dinamarqueses do Horsens, a 30 de Agosto de 2012.   - Sá Pinto, aliás, nunca perdeu com Rui Vitória nem sofreu golos contra equipas deste treinador. Além daqueles 5-0, só se encontraram mais uma vez, a abrir a Liga de 2012/13, em Guimarães, com um empate a zero a ficar no marcador final.   - Há dez jogos que o Belenenses não ganha ao Benfica. A última vitória azul neste dérbi sucedeu a 15 de Dezembro de 2007, no Restelo, por 1-0, com golo de Weldon, que depois viria a representar os encarnados. O treinador do Belenenses era… Jorge Jesus. Não resta no Restelo nenhum jogador da equipa que jogou nessa noite. Na do Benfica já só lá está Luisão.   - Para se encontrar uma vitória do Belenenses na Luz já é preciso recuar até 16 de Abril de 2000. Liderados por Vítor Oliveira, os azuis ganharam esse jogo por 3-2, com golos de Fernando Mendes, Filgueira e Rui Gregório. Pelo Benfica marcaram João Tomás e Maniche.   - Luisão tem o Belenenses na sua história em Portugal, pois foi contra os azuis do Restelo que fez o primeiro dos 461 jogos oficiais que já leva de águia ao peito. Foi há quase 12 anos, a 14 de Setembro de 2003, no Jamor (porque a nova Luz estava a ser construída e a antiga já não estava praticável), o jogo acabou empatado a três golos e Luisão marcou um dos golos encarnados.   - O lateral belenense João Amorim deve a Rui Vitória os primeiros passos na Liga. Estreou-se a 28 de Abril de 2012, jogando a tempo inteiro numa derrota do V. Guimarães em Barcelos, com o Gil Vicente, por 3-1.   - Os benfiquistas têm várias razões para gostar de Tiago Caeiro. Primeiro – e acima de tudo – o ponta-de-lança cujo golo colocou o Belenenses na fase de grupos da Liga Europa fez na época passada o golo do empate com o FC Porto, que garantiu ao Benfica o bicampeonato a uma jornada do final. Além disso, nunca fez um golo ao Benfica.   - O Belenenses é a equipa da Liga com menor percentagem de vitórias em jogos apitados por Bruno Paixão: apenas 14%, correspondendo a três vitórias em 21 jogos. O último sucesso azul com este árbitro foi em 2004/05, frente ao V. Guimarães, no Restelo, por 1-0.
2015-09-10
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Último Passe

Julen Lopetegui dizia há dias que não é por se ter muitos avançados em campo que se ataca melhor. É claro que tem razão. O fundamental é ter uma disposição em campo coerente com a ideia de jogo que se defende. E é esta reflexão que me merecem as vitórias caseiras do FC Porto (2-0 ao Estoril) e Benfica (3-2 ao Moreirense).Por alguma razão o Benfica fez todos os sete golos da época nos últimos 20 minutos dos seus jogos, quando já tem toda a artilharia na grande área adversária. É que se não passam a atacar melhor, com Mitroglou, Jonas e Jiménez os encarnados têm pelo menos mais hipóteses de transformar em golo o recurso ofensivo que mais têm apresentado: circulação de bola (mesmo que seja lenta e previsível) e cruzamento para a área ou remate de meia distância na sequência de uma segunda bola dele originada.O Benfica virou o jogo e não foi por ter passado a atacar ou a jogar mais quando Vitória meteu mais atacantes em campo. O bicampeão voltou a fazer um jogo fraco, com dificuldades na construção ou nas mudanças de velocidade. Atacou muito, mas não é por ter chegado ao intervalo com 71 por cento de posse de bola que pode dar-se por satisfeito com a produção nesse período. Vitória reconheceu-o no final. E é bom que aproveite esta interrupção de duas semanas na Liga para consolidar ideias, de forma a ser capaz de mostrar mais futebol contra o Belenenses.Vitória tem repetido que sabe qual é o caminho e não é por lhe fazer por vezes algumas inversões de marcha que precisa de o abandonar. Já o FC Porto suscitou outro tipo de dúvidas. A equipa de Lopetegui ganhou com mais facilidade ao Estoril, por 2-0, até com um golo cedo (logo aos 6', por Aboubakar), na tarde em que o basco cedeu aos que vêm pedindo Brahimi a 10. O argelino entrou em campo em simultâneo com Tello e Varela, mas ao mesmo tempo Lopetegui usou um lateral esquerdo que sabia conter-se mais que o habitual (Indi tem rotinas de central e não a desenvoltura de Alex Sandro) e aprisionou os outros médios: Danilo e Imbula jogaram a par, muito longe da área (e, claro, de Brahimi).O resultado destas ideias de sentido contrário foi uma atuação bipolar. Por um lado, Brahimi mostrou que pode ser um excelente segundo avançado: o modo como abre a linha de defesa do Estoril para o primeiro golo é um exemplo disso. Por outro, a equipa ficou com linhas muito afastadas e deixou os médios à mercê do trio de meio-campo do Estoril. E nem todas as trocas que o treinador foi fazendo (Varela por André antes do intervalo; Imbula por Herrera logo a começar a segunda parte) mudaram um panorama a que só o livre exemplar de Maicon para o 2-0 veio pôr cobro. Se o que quer é trocar (ou até alternar) o seu 4x3x3 dos três dínamos a meio por um 4x2x3x1 de inspiração espanhola, Lopetegui também precisa de deixar ideias bem claras na cabeça dos seus jogadores. Tal como Vitória, tem é de ser o primeiro a mostrar que crê nelas, para que os jogadores também nele acreditem.
2015-08-29
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Rui Vitória tem enfrentado um início de época muito complicado, com duas derrotas nos três primeiros jogos e, mais ainda, sem ter conseguido fazer golos nesses dois desafios que perdeu (1-0 com o Sporting no Algarve e com o Arouca em Aveiro). O último treinador encarnado a quem tinha acontecido isto foi Giovanni Trapattoni, em 2004: começou por vencer o Anderlecht na Luz por 1-0, na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, mas depois perdeu a Supertaça para o FC Porto (0-1) e saiu vergado de Bruxelas por um 3-0 que significou o adeus prematuro à Liga dos Campeões. No final da época, porém, foi campeão nacional. Como o foram os outros dois treinadores a quem aconteceu arranque semelhante na Luz: John Mortimore e Lipo Herzcka. Ora aí está um desafio da história ao treinador ribatejano. Para imitar os antecessores, terá de melhorar muito a equipa. A reação da equipa de Trapattoni apareceu logo à quarta partida, ganha fora de casa ao Beira Mar por 3-2, mas com algum sobressalto final, pois chegou a estar a vencer por 3-0. A verdade é que, no final da época, o Benfica acabou por ser campeão, mesmo com 12 derrotas em 51 jogos oficiais e terminando 11 desses 51 desafios sem fazer golos (Anderlecht, Stuttgart, U. Leiria, Sp. Braga, CSKA Moscovo, Rio Ave e Penafiel fora de casa; FC Porto em campo neutro e ainda Sp. Braga, FC Porto e Beira Mar na Luz). Nada mau para quem revelava tanta dificuldade para encontrar as redes adversárias. Na verdade, não é tão incomum assim o Benfica arrancar de forma lenta: na época anterior a essa (2003/04), a equipa de José António Camacho também venceu apenas um dos três primeiros jogos (V. Guimarães em casa, tendo empatado fora com o Boavista e perdido em Roma com a Lazio), mas pelo menos fez golos em dois deles. Para encontrar arranques ofensivamente tão tímidos como o deste ano e o da época de Trapattoni (dois zeros nos primeiros três jogos) é preciso recuar a 1976, ano em que os encarnados eram treinados por John Mortimore. A época oficial começou a 4 de Setembro com uma derrota por 3-0 face ao Sporting, em Alvalade, prosseguiu a 11 do mesmo mês com um empate caseiro frente ao Sp. Braga (2-2) e a 15 com uma derrota em Dresden (0-2), frente ao Dynamo local, em jogo da ronda inaugural da Liga dos Campeões. Nesse ano, o Benfica voltou a marcar ao quarto jogo (1-1 fora de casa com o Estoril, a 19/9), mas só ganhou pela primeira vez ao quinto (1-0 à Académica, que na altura estava travestida como Académico, na Luz). No final da época, porém, foi campeão nacional, com apenas quatro derrotas em 36 jogos (duas vezes com o Sporting em Alvalade, uma com o V. Setúbal no Bonfim e a tal em Dresden). Antes desse ano, o Benfica só tinha ficado em branco em dois dos primeiros três jogos da época por mais uma vez. E foi, imagine-se, em 1936/37. Nessa altura, a época começava com o campeonato de Lisboa, disputado de Outubro até ao Natal, e os encarnados começaram por empatar a zero com o Casa Pia no Restelo, e por perder nas Amoreiras com o Sporting por claros 5-0. Ao terceiro jogo marcaram os primeiros golos, ganhando ao Belenenses por 3-1. Esse Benfica, dirigido pelo húngaro Lipo Herzcka, ficou em segundo lugar no campeonato regional, mas acabou por ganhar o campeonato da Liga, goleando por 6-0 o FC Porto na última jornada.   - O Benfica é, de longe, a equipa mais rematadora da Liga, com uma média de 25 tentativas por jogo. O Moreirense, em contrapartida, é das que menos procura as redes adversárias: só o fz por 13 vezes, a uma média de 6,5 por jogo que só supera a do Tondela (que rematou em 11 ocasiões).   - O Moreirense nunca ganhou na Luz, mas já ali empatou duas vezes para a Liga, sempre a um golo. Foi em Fevereiro de 2003 (Simão “cancelou” o golo inaugural, de Agostinho) e em Fevereiro de 2004 (Demétrius empatou depois de Fernando Aguiar ter colocado os encarnados em vantagem).   - Das últimas três vezes que se defrontaram para a Liga, Benfica e Moreirense registaram sempre o mesmo resultado (3-1), com a particularidade de os nortenhos terem marcado sempre primeiro. Fê-lo Vinicius na Luz no encerramento do campeonato de 2012/13 (respondeu o Benfica por Cardozo e com um bis de Lima), repetiu-o João Pedro nas duas partidas da época passada (Eliseu, Maxi e Lima responderam pelos encarnados na Luz; Luisão, Eliseu e Jonas fizeram-no em Moreira de Cónegos).   - Todos os quatro golos marcados pelo Benfica na atual Liga surgiram nos últimos 17 minutos de jogo. Além disso, todos os quatro golos sofridos pelo Moreirense na Liga apareceram nos derradeiros 23 minutos de jogo. Condimentos para uma ponta final de jogo entusiasmante.   - Júlio César estreou-se na Liga portuguesa frente ao Moreirense, lançado por Jesus na vitória por 3-1 na Luz, a 21 de Setembro do ano passado. João Pedro, que trocou o Moreirense pelo Apollon Limassol, de Chipre, foi o primeiro a marcar-lhe um golo. O único que já o fez no atual plantel dos cónegos foi Iuri Medeiros, mas ao serviço do Arouca.   - O médio Vítor Gomes, do Moreirense, estreou-se na Liga portuguesa contra o Benfica. Foi lançado por João Eusébio numa derrota do Rio Ave em casa contra os encarnados por 1-0, a 19 de Março de 2006. O mesmo sucedeu com o avançado Luís Carlos, este ano regressado da Polónia, que se estreou num Gil Vicente-Benfica (2-2), a 12 de Agosto de 2011, lançado por Paulo Alves.   - O Benfica ganhou todos os jogos que fez na Liga com o árbitro Jorge Ferreira, o último dos quais em Moreira de Cónegos, na ponta final da época passada: 3-1, com cartão vermelho a André Simões a meia hora do final, numa altura em que o Benfica acabara de restabelecer a igualdade a uma bola. Em contrapartida, o Moreirense nunca ganhou na Liga com ele a apitar: em três jogos, o melhor que conseguiu foi um empate a uma bola em Alvalade, contra o Sporting, com expulsão de Cardozo já nos descontos, pouco depois de os leões terem feito o seu golo.
2015-08-28
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Jonas, um dos melhores marcadores da Liga após a primeira jornada, com dois golos ao Estoril, vai procurar amealhar mais tendo pela frente um dos seus adversários prediletos, o Arouca, uma das equipas nacionais contra a qual nunca ficou em branco, já a tendo enfrentado por três vezes. O Arouca, aliás, será sempre especial para o goleador brasileiro que o Benfica foi buscar ao Valência já a época passada tinha começado, pois foi contra a formação que na altura era comandada por Pedro Emanuel que se estreou na Liga: foi a 5 de Outubro de 2014, Jonas entrou ao intervalo para o lugar de Lima, com 0-0 no marcador, e fez o último tento de uma vitória ampla dos encarnados (4-0), correspondendo a um cruzamento de Ola John.Desde esse dia, Jonas defrontou o Arouca por mais duas vezes. Repetiu a história em Janeiro, nos 4-0 da Taça da Liga (entrou ao intervalo para o lugar de Rui Fonte e fez o quarto golo da partida) e, com mais dificuldades, ajudou a consumar a reviravolta do Benfica em Arouca em Março, obtendo o primeiro golo de uma vitória por 3-1, depois de Iuri Medeiros ter adiantado a equipa da casa. Jonas marcou sempre ao Arouca, portanto, mas a equipa do distrito de Aveiro nem é caso único no historial luso do atacante brasileiro, que entre as formações que já defrontou mais de uma vez também nunca perdoou a Nacional e Moreirense (ambos com três jogos), bem como a Penafiel e Estoril (estes com dois).O Arouca não é, mesmo assim, a equipa portuguesa a quem Jonas fez mais golos, uma vez que Moreirense, Nacional e Estoril foram castigados com quatro. É, de qualquer modo, o próximo adversário, e o Benfica bem precisa que ele volte a mostrar a costumeira eficácia frente às redes. - Tal como Jonas, também Lisandro Lopez entrou no futebol português a enfrentar o Arouca. Ambos se estrearam na Liga a 5 de Outubro de 2014 na vitória do Benfica sobre o adversário deste domingo por 4-0. Pizzi fez nesse dia o primeiro desafio com a camisola do Benfica, mas já tinha experiência anterior na Liga portuguesa. - Rui Vitória vai fazer o 157º jogo ao comando de uma equipa na Liga e tem boas hipóteses de celebrar um golo ou, em contrapartida, de o sofrer, pela 200ª vez. O seu score atual é de 62 vitórias, 36 empates e 58 derrotas, com um empate técnico entre golos marcados e sofridos: 198. - Em contrapartida, Lito Vidigal não conseguiu que equipas lideradas por ele fizessem sequer um golo ao Benfica. Só apanhou os encarnados pela frente duas vezes e de ambas saiu vergado ao peso de um 0-3: aconteceu em Fevereiro de 2010 aos comandos da U. Leiria e em Dezembro de 2014, já no Belenenses. O primeiro confronto, que podia ter sido em Novembro de 2008, Lito evitou-o, demitindo-se do E. Amadora dias antes de uma receção ao Benfica, por ter salários em atraso. A equipa passou para as mãos de Lázaro Oliveira, que perdeu na Reboleira por 1-0. - Apesar de ter estado por vezes à frente de equipas na mesma divisão de Rui Vitória muito antes disso, Lito Vidigal só enfrentou o atual treinador do Benfica pela primeira vez em Abril de 2014, quando o seu Belenenses se impôs em casa ao V. Guimarães do ribatejano por 3-1. Desde então, houve mais três desafios entre os dois, sendo que ambos somam duas vitórias frente ao adversário deste domingo. O Belenenses de Lito ganhou ainda em Guimarães por 1-0 para a Liga em Fevereiro, mas o V. Guimarães de Rui Vitória tinha-se imposto em casa por 2-0 para a Taça da Liga quatro dias antes e tinha ganho no Restelo por 3-0 para a Liga em finais de Agosto de 2014. - O médio David Simão, do Arouca, tem dupla razão para considerar este jogo diferente. Primeiro, porque fez a formação no Benfica. Depois, porque chegou a ser jogador-talismã de Rui Vitória, atual técnico dos encarnados. Foi Vitória quem o acolheu no Fátima, no primeiro ano de sénior (2009/10), e quem depois o levou para a Liga principal quando lá chegou, estreando-o no Paços de Ferreira (2010/11), numa vitória frente ao Sporting (14 de Agosto de 2010). - É preciso recuar oito anos, até 18 de Agosto de 2007, para ver o Benfica perder pontos num jogo fora de casa que não tenha sido disputado no estádio do adversário. Foi no Bessa, terreno do Boavista, que os encarnados não foram além de um empate a uma bola com o Leixões, que nessa noite utilizava por empréstimo o relvado axadrezado. O empate foi fatal para Fernando Santos, atual seleccionador nacional, despedido da Luz dias depois. - Desde essa data, o Benfica já ganhou ao Monsanto em Torres Novas (Taça de Portugal, 6-0, em Outubro de 2009), ao Portimonense no Estádio do Algarve (Liga, 1-0, em Outubro de 2010), à U. Leiria na Marinha Grande (Liga, 4-0, em Janeiro de 2012), ao Olhanense no Estádio do Algarve (Liga, 3-2, em Dezembro de 2013) e a este mesmo Arouca em Aveiro (Liga, 2-0, em Abril de 2014). - Este será o terceiro jogo “em casa” que o Arouca faz fora do seu estádio na Liga, mudando-se para Aveiro. Nos dois anteriores, ambos na ponta final de 2013/14, a equipa ainda comandada por Pedro Emanuel perdeu com o Benfica por 2-0 e ganhou ao Gil Vicente por 1-0. - O único resultado útil que o Arouca conseguiu contra um grande foi ante o Benfica, mas na Luz, onde empatou a dois golos em Dezembro de 2013. Em casa perdeu os seis jogos feitos contra Benfica, FC Porto e Sporting, com a particularidade de ter estado em vantagem em três deles (duas vezes com o Sporting e uma com o Benfica) mas ter acabado por sucumbir. - Nuno Almeida, o árbitro deste Arouca-Benfica, esteve na festa do título encarnado na última época (4-1 ao Marítimo) e, com ele, o pior que aconteceu ao Benfica foi empatar em casa (3-3) com o Rio Ave, em Novembro de 2004, na primeira vez que ele apitou os encarnados. Desde essa altura, o Benfica ganhou os seis jogos que fez com ele na Liga. O árbitro algarvio só apitou o Arouca na Liga por duas vezes, ambas com o mesmo resultado: derrotas por 1-0 em Alvalade frente ao Sporting (há sensivelmente um ano) e em casa com o Belenenses (em Abril). Em ambos os jogos o árbitro assinalou um penalti contra o Arouca: Nani falhou o dos leões, Pelé converteu o dos azuis.
2015-08-21
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O guarda-redes polaco Pawel Kieszek deve somar, no domingo, o 100º desafio na Liga portuguesa. E fá-lo-á a defender as redes do Estoril nas mesmas balizas que lhe assinalaram a estreia, em Fevereiro de 2008. Nessa noite, lançado por Manuel Machado para um lugar que até ali pertencia a Paulo Santos, o polaco aguentou o empate, sofrendo apenas um golo, de Luisão, após livre de Rui Costa. Foi um arranque memorável, num palco onde o guarda-redes do Estoril também já conheceu um dos maiores desgostos da sua vida desportiva: perdeu na época passada por 6-0 e deixou escapar momentaneamente a titularidade.Apesar de um bom final de época em 2008, Kieszek passou a primeira metade da época seguinte (2008/09) na sombra de Eduardo. Acabou, por isso, por sair no mercado de Janeiro para o V. Setúbal, onde voltou a defrontar o Benfica, mas em casa: perdeu por 4-0, graças a dois golos de Nuno Gomes e outros dois de Cardozo. Voltou a Braga em 2009/10, mas apenas para voltar a ser suplente de Eduardo. André Vilas Boas chamou-o ao FC Porto em 2010/11, o que lhe permitiu ganhar a Liga e a Taça de Portugal, mas a jogar outra vez muito pouco, face à concorrência de Helton e Beto. O caminho foi por isso o estrangeiro: passou um ano no Roda, da Holanda, antes de voltar a Portugal, para representar o V. Setúbal.Em 2012/13 assumiu-se como titular do Vitória em finais de Agosto, depois de Caleb, a primeira aposta de José Mota, ter encaixado cinco golos do… Benfica (0-5 no Bonfim). Jogou a segunda volta, na Luz, mas perdeu por 3-0 (golos de Enzo Pérez, Lima e Rodrigo). José Mota continuava a não apostar firmemente nele na época seguinte, mas quando o treinador deu lugar a José Couceiro as coisas mudaram: Kieszek assumiu as redes vitorianas, perdeu no Bonfim por 2-0 (Rodrigo e Lima) mas contribuiu para o empate a uma bola na Luz, na penúltima jornada (golos de André Gomes e Rafael Martins). José Couceiro levou-o depois para o Estoril, onde o polaco dividiu as redes com Vagner. Foi ele, no entanto, que esteve nos dois jogos com o Benfica: 2-3 em casa (Diogo Amado e Kléber marcaram pelo Estoril, tendo Lima e Talisca, este por duas vezes, feito os golos do Benfica) e 0-6 na Luz (dois golos de Jonas, a que acresceram mais quatro de Luisão, Salvio, Lima e Pizzi). A goleada custou o lugar a Couceiro e o novo treinador – Fabiano Soares, que ficou para esta época – resolveu trocar de guarda-redes como terapia para o insucesso. Voltou Vagner, mas quatro semanas depois os 0-5 encaixados no Dragão devolveram tudo à fórmula inicial. Kieszek está assim na calha para o centésimo jogo na Liga (sofreu 134 golos nos primeiros 99) no palco que mais lhe diz em Portugal. - Esperarão os benfiquistas que com a saída de Jorge Jesus a equipa tenha afastado de vez a malapata que lhe vinha atormentando os inícios de campeonato, até porque Rui Vitória tem um histórico de bons arranques. Em seis épocas com Jesus, o Benfica só ganhou uma vez na primeira jornada (2-0 ao Paços de Ferreira, há um ano), tendo somado mais três empates (Braga e Marítimo em casa e Gil Vicente fora) e duas derrotas (Marítimo fora e Académica em casa). Já Rui Vitória perdeu apenas um dos cinco arranques de Liga que conta no seu histórico: no Paços de Ferreira, foi batido em Setúbal em 2011/12. De resto, três vitórias (contra o Sporting, Gil Vicente e Olhanense) e um empate (mais uma vez face ao Sporting). - No dia do jogo completam-se cinco anos exatos sobre a estreia do defesa central benfiquista Jardel na Liga portuguesa. Foi com a camisola do Olhanense, que tinha ido contratá-lo ao… Estoril, e saldou-se por um empate a zero, em casa, contra o V. Guimarães. - O Benfica conseguiu frente ao Estoril a maior goleada da última Liga: 6-0, como já se viu atrás. Mas em 2012/13 começou a perder a vantagem de que dispunha na Liga empatando em casa com este mesmo Estoril, empatando a um golo (marcou Maxi Pereira, a cancelar um golo de Jefferson).
2015-08-14
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1. Vitória justa do Sporting. O jogo foi dividido nalguns momentos, mas os leões foram mais fortes nas entradas da primeira e da segunda parte, criando aí as situações de perigo que justificaram a vantagem.2. A maior limitação do Benfica nem foi futebolística mas de atitude perante o jogo. A única altura em que o Benfica quis mandar no jogo foi quando se viu a perder e aí já era tarde. 3. Grande jogo de João Mário, o melhor em campo. Seguro na posse e no passe, com capacidade para queimar linhas com a bola nos pés foi a cola que os leões nem sempre tiveram para unir 11 jogadores que estavam em campo a 200 à hora.4. O golo de Carrillo até pode ser visto como algo fortuito, porque a bola raspou em Teo Gutierrez, mas nasce de um movimento bem feito da direita para o meio do ala leonino e da "ausência" de Talisca, a aposta mais falhada de Rui Vitória no jogo.5. Além de João Mário, os melhores do Sporting foram os atacantes, tanto pela forma como criaram desequilíbrios como sobretudo pela disponibilidade física que mostraram para pressionar a saída de bola do Benfica. Slimani nesse aspeto foi um monstro. Ruiz foi, ele sim, o cérebro.6. Rui Vitória apresentou um onze longe da estrutura que Jesus utilizava e com ideias muito diferentes: menos largura, menos profundidade, menos velocidade, mais ênfase na posse que a equipa não conseguiu controlar, porém. Mas quando quis ir atrás do resultado, o Benfica regressou ao 4x4x2 de Jesus, com Mitroglu a fazer de Lima, Fejsa a fazer de Samaris e John a fazer de Salvio.7. Lisandro fez um bom jogo, a mostrar que podia ter sido alternativa mais cedo. A seguir ao argentino, os melhores do Benfica foram Pizzi (foi um erro deixá-lo de fora) e Ola John, que carrilou sempre mais jogo que Gaitán.8. Nelson Semedo fez coisas boas e coisas menos boas. Deu profundidade à equipa no corredor direito, mas nalguns momentos acusou ansiedade e falta de experiência. Mas está ali jogador.9. Depois desta vitória, o Sporting vê caucionadas as mudanças que fez, mas tem desafios bem mais complicados pela frente no futuro próximo. O Benfica vê aumentar as dúvidas, mas resta-lhe crescer e acreditar no processo.10. Jorge Sousa teve dois erros graves no jogo. Anulou mal um golo a Teo Gutierrez na primeira parte e deixou passar em claro um penalti sobre Gaitán na segunda. Ninguém tem verdadeira legitimidade para se queixar, portanto.
2015-08-09
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Último Passe

A Supertaça ficará irremediavelmente marcada pelas declarações prévias de Jorge Jesus acerca daquilo que Rui Vitória mudou ou manteve no Benfica. E o que me interessa não é se Jesus foi mais ou menos elegante - não foi, ponto final - ou se teve razão - e também acho que não teve, porque Vitória já mudou alguma coisa. O que interessa aqui são as motivações de Jesus: o próprio, aliás, já veio dizer depois que sabe bem "o que disse e onde queria chegar". E consoante as motivações forem umas ou outras, o treinador do Sporting pode ter sido inteligente ou inconsciente. Primeiro ponto: Jorge Jesus não foi elegante nem correto. Isso nem se discute. Mas nem o futebol é um concurso de misses nem isso é uma novidade quando se fala do treinador campeão nacional. É um estilo que não é novo nele e a que, quando utilizado sem sotaque da Reboleira, já ouvi chamar "mind games". Rui Vitória pode e deve sentir-se atingido, mas isso terá de resolver com o colega de profissão. Entramos, por isso, nas motivações de Jesus. E aqui vejo dois lados de análise. Se o que Jesus quer é ficar numa situação de vitória inevitável (ou ganha a máquina que ele montou ou a equipa capaz de a desmontar) está só a ser idiota e a sacrificar os interesses da sua equipa ao seu ego desmesurado. Se, em contrapartida, quer chamar a si a pressão que devia cair na equipa e até espicaçar o adversário, levá-lo do plano racional para o emocional e forçá-lo a mudar coisas que funcionam bem em nome do orgulho ferido, está a ser inteligente e a meter areia na engrenagem encarnada
2015-08-08
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A Supertaça marcará o 14º confronto entre Jorge Jesus e Rui Vitória, com a curiosidade de ser o primeiro em que Jesus não é treinador do Benfica (o lugar é agora de Vitória) e de em três dos 13 confrontos anteriores terem sido atribuídos troféus. Jesus ganhou a Taça da Liga em 2011 vencendo na final o Paços de Ferreira de Rui Vitória (2-1); Vitória retribuiu ganhando a Taça de Portugal de 2013 batendo na final do Benfica de Jesus (2-1); e em Maio passado foi empatando em Guimarães face à equipa de Vitória que o Benfica de Jesus assegurou matematicamente a conquista do bi-campeonato nacional. Ao todo, como é natural, por ter estado sempre ao comando de um grande, Jorge Jesus leva vantagem: soma 10 vitórias, um empate (que mesmo assim lhe deu um título) e duas derrotas. Além do jogo da final da Taça de Portugal, Rui Vitória ganhou a Jesus pelo V. Guimarães, em Fevereiro de 2012: 1-0, graças a um golo do brasileiro Toscano, em partida da 19ª jornada da Liga. Os melhores resultados de Jesus foram duas vitórias robustas obtidas fora de casa: 5-1 em Paços de Ferreira, em Março de 2011 (além de um bis de Nuno Gomes, houve golos de Cardozo, Aimar e Gaitán, tendo o Paços marcado num autogolo de Carole) e 4-0 em Guimarães, em Março de 2013 (golos de Cardozo, Garay, Salvio e Rodrigo). É ainda de realçar que Rui Vitória ganhou o primeiro jogo que fez contra o Sporting: foi em Outubro de 2007 e o treinador ribatejano dirigia o Fátima que já tinha feito sensação ao afastar o FC Porto na Taça da Liga. Contra os leões, o Fátima ainda ganhou por 2-1 no Restelo, casa emprestada dos verde-brancos, levando para a segunda mão uma vantagem que não conseguiu segurar, pois o Sporting impôs-se por 3-2. Por sua vez, Jesus defrontou pela primeira vez o Benfica na qualidade de treinador em Fevereiro de 1993, quando comandava o Amora e encaixou 5-0 na Luz em partida dos quartos-de-final da Taça de Portugal. Mostovoi, Pacheco, Yuran (dois) e Paulo Sousa fizeram os golos da equipa da casa. Esta não é, de resto, a primeira vez que Jesus assinala a sua estreia competitiva por um clube a jogar contra o Benfica. Em 1998, abriu a experiência aos comandos do E. Amadora com uma derrota por 2-0 na Luz frente ao Benfica de Souness. Aliás, foi na Amadora que soube pela primeira vez o que era ganhar ao Benfica, aplicando 3-0 à equipa de Jupp Heynckes (dois golos de Gaúcho e um de Kenedy) em Fevereiro de 2000.   - Jorge Jesus está em condições de se vencer a Supertaça pela segunda vez, algo que não é assim tão raro, pois sete técnicos o conseguiram. Mas a seu lado no banco, agora como diretor da SAD, terá um dos únicos homens que a venceram duas vezes por clubes diferentes: Octávio Machado, que a ergueu em 1995/96 ao serviço do Sporting e depois em 2001, já aos comandos do FC Porto. O outro foi António Oliveira (Sporting em 1982 e FC Porto em 1996). Artur Jorge ainda é o rei da Supertaça, pois foi o único a ganhar a prova em três ocasiões: em 1985, 1987 e 1990, sempre pelo FC Porto. Com duas vitórias aparecem ainda Bobby Robson (FC Porto, 1993 e 1994), Fernando Santos (FC Porto, 1998 e 1999), Paulo Bento (Sporting, 2007 e 2008) e Vítor Pereira (FC Porto, 2011 e 2012).   - O Benfica poderá ter em campo seis vencedores da Supertaça da época passada: Luisão, Jardel, Eliseu, Talisca, Gaitán e Ola John. Amorim está fora do grupo e Salvio com uma lesão de longa duração. Em contrapartida, no Sporting só resta um vencedor de 2008: Rui Patrício. Ainda que Adrien tenha estado no banco.   - O balanço recente dos jogos entre Sporting e Benfica é largamente favorável aos encarnados. Os leões venceram o jogo da Taça de Honra da AFL, na pré-temporada passada (1-0, golo de André Martins) e antes disso já não ganhavam desde Abril de 2012 (1-0, golo de Van Wolfswinkel). Pelo meio, três vitórias do Benfica e quatro empates, um deles a resultar em vitória benfiquista no prolongamento e eliminação do Sporting da Taça de Portugal.   - Onze dos últimos doze golos do Benfica ao Sporting nasceram na América do Sul. Desde 2012, Cardozo marcou seis, Gaitán fez dois, Luisão um, Jardel outro, Lima mais um e Salvio o restante. A exceção é Markovic, que marcou em Alvalade no empate (1-1) para a Liga em Agosto de 2013.   - Dos atuais jogadores do Sporting, só um marcou mais do que um golo ao Benfica com a camisola leonina: Slimani, que fez dois, sempre na Luz. Um no empate (1-1) para a Liga passada e outro na eliminação leonina (3-4) para a Taça de Portugal de 2014. Mas Jefferson, por exemplo, também já marcou por duas vezes ao Benfica, só que uma delas foi pelo Estoril, em Maio de 2013, ajudando (muito) o FC Porto a tirar o campeonato ao Benfica de Jesus.
2015-08-07
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Último Passe

Uma das coisas mais complicadas para um treinador que enfrenta um Mundial ou um Europeu é manter o foco de um grupo de jogadores em ambiente que lhes é estranho durante três, quatro, cinco semanas, ainda por cima num sistema de semi-reclusão. E se isso é difícil quando as equipas têm à frente a perspetiva da glória suprema que é vencer um campeonato dessa magnitude, é fácil de compreender que se torna muito mais complicado quando tudo o que está em jogo é um conjunto de jogos de preparação ou de torneios de pré-época, como sucedeu nas últimas semanas com o Benfica de Rui Vitória.A pré-época do Benfica tem sido desastrosa e nas palavras de Rui Vitória após os 3-0 encaixados frente ao Monterrey, modesto 12º classificado do recente Torneio Clausura do campeonato mexicano, nota-se tanto arrependimento em relação ao plano de trabalho desenhado como preocupação acerca daquilo que a equipa possa vir a render no futuro próximo. O Benfica de Rui Vitória joga menos do que jogava o Benfica de Jorge Jesus, é verdade. A equipa perdeu intensidade, perdeu aquela mudança de velocidade própria de quem estava ligado à corrente de alta voltagem, com isso perdendo também profundidade, mas nem só isso explica os fracos resultados da longuíssima digressão pela América do Norte – quase três semanas longe do seu habitat e sem qualquer pote de ouro no final do arco-íris. E, mesmo tendo alguma razão nos seus argumentos, ao recorrer à explicação da saturação e antever com esperança o regresso ao que chamou o “habitat natural” da equipa, o treinador está a elevar a exigência já para domingo, quando jogar a Supertaça frente ao Sporting.Luís Filipe Vieira não costuma ser homem para ver as convicções abaladas por resultados em jogos amigáveis nem para se precipitar nas decisões. O arrependimento que mostrou depois de despedir Fernando Santos após a primeira jornada da Liga, em 2007, ainda lhe estará bem vivo na memória. Mas é inegável que se a pressão já era elevada depois da saída de Jorge Jesus, ela ficou ainda maior depois desta pré-época. A Supertaça subiu ainda mais de cotação na Luz.
2015-08-03
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