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Último Passe

A escolha de Renato Sanches como Golden Boy 2016, pelo jornal italiano Tuttosport, e a nomeação de Rui Patrício entre os 30 finalistas da Bola de Ouro, da revista francesa France Football, têm sido apresentadas ora como mais uma prova da influência da Liga portuguesa, ora como arma de arremesso na guerra entre fanáticos de dois clubes. Mas na verdade não deviam ser uma coisa nem a outra, porque – e sei que isto doerá a muita gente – se os dois chegaram a estas distinções, é à fase final do Europeu que o devem. O que, atenção, não quer dizer que as não mereçam. Pelo contrário. Há uma especificidade na votação do Tuttosport em Renato Sanches – na verdade, na votação dos jornalistas de toda a Europa que o Tuttosport consultou. É a transferência milionária do jovem médio para o Bayern, a estabelecer uma espécie de tendência, depois da escolha de Martial (também ele transferido por mundos e fundos para o Manchester United) em 2015. É possível que os jornalistas consultados tenham sido influenciados pelos valores das transferências, coisa em que quem me lê sabe que há muito deixei de acreditar, pois a cartelização que os grandes fundos de investimento e os mega-agentes têm imposto ao mercado tem levado a que a fixação dos preços sirva para pouco mais do que o acerto de contas entre eles. Rui Patrício, no entanto, não se transferiu e está na lista dos 30 melhores da Europa do France Football. Pelo muito que fez na excelente época do Sporting na Liga portuguesa ou na efémera passagem pela Liga Europa? Claro que não. Da mesma maneira que a escolha de Renato se deve sobretudo ao impulso que deu à candidatura portuguesa à vitória no Europeu e não à importância que teve no título do Benfica ou à caminhada da equipa de Rui Vitória até aos quartos-de-final da Champions, a presença de Rui Patrício naquele lote de jogadores predestinados tem a ver com o facto de ter sido a última barreira na quase intransponível muralha defensiva da seleção nacional. Portanto, se o que querem é decidir se as escolhas de Renato Sanches e Rui Patrício são uma maior honra para Benfica ou Sporting, esqueçam. E se o que querem é dizer que afinal a Europa ainda presta atenção à Liga portuguesa, podem também esquecer – ainda que provavelmente devesse fazê-lo. Renato foi o Golden Boy de 2016 porque é um médio com uma potência e mudança de velocidade incrível, com uma alegria contagiante no jogo, porque queima linhas com bola como quase ninguém, seja da sua idade ou mais velho. E isso viu-se no Europeu. Rui Patrício está nos 30 finalistas da Bola de Ouro porque é um guarda-redes seguro, com uma agilidade invulgar para a envergadura física, sobretudo na rapidez de reação entre os postes, e isso também esteve à vista no Europeu. Os clubes são os clubes e infelizmente para todos nós têm andado tão longe de poder influenciar este tipo de votações como perto de orientar as ideias de quem não pensa senão em função de um emblema.
2016-10-25
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A equipa. Não restam muitas dúvidas nem entraves ao consenso. Portugal foi evoluindo à medida que a competição foi avançando e terá encontrado o seu onze de gala na fase decisiva. Hoje o onze titular deve ser igual ao que bateu Gales, com as entradas dos dois jogadores que nessa altura estavam impossibilitados de jogar: Pepe (lesionado) e William (castigado). A seleção deve assim entrar de início com cinco jogadores que começaram a prova como suplentes: Cédric, José Fonte, William, Adrien e Renato. Não tendo sido propositado, esse fator acaba por funcionar a favor da equipa portuguesa, que soma a esse menor peso da prova nas pernas o dia-extra de repouso que estranhamente a equipa organizadora cedeu ao adversário no desenho do calendário. A esperança portuguesa é a de que isso venha a ser decisivo. A estratégia. Portugal é uma equipa difícil de contrariar, porque é uma espécie de camaleão do ponto de vista estratégico. Nunca se sabe muito bem como a equipa vai entrar em campo, porque ela se centra tantas vezes na melhor forma de contrariar o adversário e tão poucas numa identidade própria. Foi assim nos três jogos que a seleção já fez a eliminar nesta prova. Hoje, a estratégia portuguesa pode passar por duas ideias fortes: impedir que as movimentações de Griezmann e Payet se tornem letais no espaço central e não deixar que Pogba e Matuidi empurrem o bloco para perto da baliza de Rui Patrício. Muito se vai jogar, portanto, no meio-campo, sendo que a mobilidade dos jogadores de segunda linha franceses não aconselha a que Portugal mantenha as referências individuais que tem vindo a utilizar com frequência – fê-lo, por exemplo, com a Croácia ou a Polónia. Se o que interessa é controlar as movimentações de Griezmann, há que manter William posicional à frente dos defesas, mas não lhe dar ordens para ir atrás dele, porque se o espaço vaga aparece lá Payet, vindo da esquerda. Se Payet não é tão perigoso pelas idas à linha de fundo para cruzar ou pela largura, mas sim pelas diagonais da esquerda para o meio, há que ter Renato Sanches a fechar esse espaço, permitindo-lhe até que se junte muitas vezes a Adrien mais por dentro, de forma a igualar o duelo com Pogba e Matuidi. Se Pogba e Matuidi gostam de chegar perto da área, de empurrar a equipa para a frente, há que ganhar-lhes as costas, seja através da saída de bola de William, da explosão de Renato, de tabelas com Adrien ou de desmarcações de apoio de Nani ou Cristiano Ronaldo. O jogo. A França vai ter mais bola. Isso parece evidente à partida, ainda que Portugal chegue a esta final com maior percentagem de posse que os donos da casa (53% contra 52%). A chave do jogo para Portugal vai, por isso, estar em grande parte nos comportamentos sem bola, na forma como a equipa for capaz de fechar os espaços, mas também nos momentos de transição ofensiva. A zona central da defesa francesa melhorou com a entrada de Umtiti para o lugar de Rami, mas ainda é a mais vulnerável no jogo francês, pelo que as movimentações de Ronaldo e Nani podem vir a ser fundamentais. O mais certo é Deschamps acabar por pedir aos seus laterais que joguem muito perto dos centrais, sobretudo no lado mais longínquo do campo, para evitar situações de dois para dois que podem ser potencialmente perigosas. Mas onde tudo vai decidir-se é mais atrás, na capacidade que Portugal vier a ter (ou não) de queimar as linhas francesas em contra-ataque. O favoritismo. A França entra como favorita. Fez um Europeu mais convincente, joga em casa e ganhou os dois particulares que fez contra Portugal nos últimos dois anos. O que se jogou aqui, no Stade de France, foi mesmo a estreia de Fernando Santos e começou de forma trágica para uma equipa portuguesa que foi completamente atropelada nos primeiros minutos. Mas isso não quer dizer que ganhe. Esta equipa portuguesa é muito difícil de derrotar. Basta olhar para os últimos dez anos. Em fases finais (2006, 2008, 2010, 2012, 2014 e agora 2016), descontando a meia-final de 2012, resolvida nos penaltis, Portugal só perdeu seis jogos: quatro vezes com a Alemanha (no jogo pelo terceiro lugar de 2006, nos quartos-de-final de 2008, na fase de grupos de 2012 e 2014), uma com a França (na meia-final de 2006), uma com a Espanha (oitavos-de-final de 2010) e outra com a Suíça (num jogo irrelevante de 2008, que a seleção jogou com vários suplentes). Dessas seis derrotas, duas foram contra a equipa da casa e outras duas contra o futuro campeão. Mau agoiro para o jogo de hoje? A tradição e o desdém. Diz o registo histórico que Portugal não ganha à França há 41 anos. Desde que a bateu em Paris, em 1975, num jogo particular. Mas Fernando Santos tem sido pródigo em acabar com as tradições. Foi assim quando Portugal ganhou à Itália como assim foi quando bateu a Argentina. Isso pesa zero no que há-de acontecer mais logo. Como zero pesa o facto de todos os analistas franceses acharem que Portugal não joga nada e que a França ganhará facilmente. É no campo que vai ver-se.
2016-07-10
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Portugal entra na meia final do Europeu, contra Gales, na condição de favorito mas com a noção das dificuldades que terá de enfrentar. A poucas horas do jogo, Fernando Santos já terá escolhido a equipa que vai fazer jogar, tendo para isso superado algumas dúvidas que a mim ainda me assaltam. Têm a ver com gestão física do plantel, com escolhas técnico-táticas e até com a estratégia a adotar face às particularidades do adversário. As respostas à frente são as minhas. As de Fernando Santos ficam para mais perto do jogo. O que fazer se não houver Pepe? Evidentemente, terá de avançar outro defesa-central. A escolha mais óbvia pode ser Bruno Alves, por várias razões. Porque é um jogador tão impetuoso como Pepe (até mais, provavelmente) e isso não é de desprezar face a uma equipa como Gales. Porque depois da asneira que fez em Wembley também ele sente que deve alguma coisa a esta equipa e isso poderá reforçar-lhe o empenho e a concentração. E finalmente porque esta é a forma de o selecionador provar uma coisa que já afirmou vezes sem conta: que esta equipa não são onze, são 23. Ora além dos dois guarda-redes suplentes, é Bruno Alves o único que ainda não jogou neste campeonato. Quem substitui William Carvalho? Vai ser Danilo. Aqui não há grandes dúvidas. Será um estereótipo – ainda por cima errado – dizer que Gales joga como a Inglaterra ou como a Islândia. Não joga. Esta não é uma equipa de “kick and rush”. Aliás, a Inglaterra não joga como a Islândia e isso percebeu-se na forma como Danilo fez uma exibição excelente em Wembley mas depois isso não lhe chegou para ser mais do que sofrível contra os islandeses. De qualquer modo, mesmo sem a capacidade de William para lançar jogo, para arriscar nos primeiros passes, Danilo é quem melhor cumpre a posição de pêndulo à frente da defesa na ausência do titular. E sim, em caso de necessidade, pode aparecer melhor como auxiliar dos centrais de forma a condicionar os movimentos sem bola de Bale. Se o tiver em condições, Fernando Santos deve arriscar Raphael Guerreiro? Sim. Mesmo que perceba que se o colocar a jogar hoje corre riscos elevados de não o ter na final. É verdade que a gestão da condição física de Raphael Guerreiro tem levado o treinador a alterná-lo entre a relva e a bancada e que basta somar um mais um para perceber que esse risco existe. E que qualquer adversário que Portugal venha a ter numa eventual final colocará problemas mais difíceis de resolver que Gales na meia-final. Tudo isso poderia levar o treinador a pensar em poupar o titular da posição no lado esquerdo da defesa. Mas a única realidade que Portugal tem certa pela frente neste momento é a meia-final. Para haver final, é preciso lá chegar. E para isso há que colocar em campo os que mais garantias derem hoje. Qual é o melhor meio-campo para o jogo de hoje? Esta é a pergunta de mais difícil resolução, uma vez que todos os jogadores que têm vindo a ser chamados em vez dos titulares têm dado boas respostas. Havendo André Gomes e João Moutinho em condições, não deixa de haver Adrien Silva, João Mário e Renato Sanches. Certo é que só há três lugares disponíveis para estes cinco jogadores. Aqui, Fernando Santos tem de tomar decisões com base no que viu nos últimos jogos e nas caraterísticas da equipa adversária. Ora, com estes jogadores, dificilmente Portugal pode apresentar um meio-campo em 4x4x2 clássico, porque além de João Mário não tem quem seja capaz de jogar como médio-ala clássico. A questão é que, como Gales procura sobretudo os laterais na profundidade, isso pode acarretar um problema defensivo na largura para qualquer meio-campo em losango, sobretudo se nas alas estiverem jogadores de menor predisposição defensiva, como Renato Sanches e João Mário. Ainda assim, a melhor opção parece-me ser o regresso ao losango, com uma alteração: com Danilo atrás e Renato à frente, na posição que Santos costuma entregar a João Moutinho, dando-lhe indicações para investir na pressão sobre a saída de bola adversária. Assim, Portugal poderia manter Adrien como interior, a tentar condicionar Joe Allen, e João Mário (ou Moutinho, se preferir um jogador mais forte defensivamente) do outro lado. E como é que isso afeta a dinâmica de Gales? A saída de bola de Gales é geralmente feita por Ashley Williams ou com recurso à baixa de Joe Allen, mas com os dois laterais projetados nas alas, à procura de situações de dois para um com os laterais adversários potenciadas pelo apoio de um dos médios. Com a pujança de Renato na pressão ao central responsável pela saída de bola e Adrien Silva a condicionar Allen, como fez com Modric, Santos obrigaria os galeses a mudar: ou Allen baixava demasiado para pegar no jogo e depois faltava na frente, ou a saída teria de ser mais segura, com os laterais menos projetados no ataque. Aí, Nani e Ronaldo também têm uma palavra a dizer. Não se desgastando em infrutíferas (ainda que vistosas) ações de pressing, mas ocupando o espaço de forma a condicionar o jogo do adversário, como Ronaldo fez, por exemplo, contra a Croácia, quando conseguiu impedir as saídas pelo lado de Srna simplesmente procurando a meia esquerda em momentos de transição defensiva. E Quaresma? Que papel tem reservado? É verdade que o facto de Gales jogar com três centrais poderia levar Portugal a apostar num 4x3x3, deixando-os sem referências óbvias e condicionando também assim a ação dos laterais. Aí, Chris Coleman teria de optar: ou transformava o seu habitual 3x4x2x1 em 5x2x2x1 e perdia força ofensiva nas alas ou arriscava mantê-lo e quase jogava um para um na última linha defensiva. Só que isso também teria implicações na estratégia de Portugal. Quem jogaria no “três” de meio-campo? Danilo, Adrien e Renato? E quem sobraria no banco para dar uma volta ao jogo se isso vier a ser necessário? Só Rafa? Quaresma tem funcionado melhor a sair do banco que a jogar de início. E fazê-lo compreender isso, que as equipas não têm só onze titulares, tem sido uma das maiores vitórias de Fernando Santos.
2016-07-06
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Último Passe

Um aproveitamento de 100 por cento nas grandes penalidades, a somar a um penalti defendido por Rui Patrício, permitiu a Portugal carimbar o apuramento para as meias-finais do Europeu, depois de mais um empate – o quinto – da equipa de Fernando Santos nesta fase final. Desta vez, o futebol jogado saldou-se por uma igualdade a um golo: os polacos marcaram logo a abrir, por Lewandowski, tendo os portugueses empatado por Renato Sanches quando Fernando Santos transmitiu alguma clareza tática para dentro do campo, ainda na primeira parte. Cristiano Ronaldo ainda perdeu um par de situações claras para fazer o segundo, mas não vacilou quando se tratou de liderar a equipa no desempate. Aí, além do capitão, Renato Sanches, João Moutinho, Nani e Quaresma também fizeram golo nas suas tentativas, tendo Rui Patrício detido o remate de Blaszczykowski da definição do 5-3 final. Sem Raphael Guerreiro e André Gomes, Fernando Santos colocou finalmente na relva o meio-campo que o país em peso vinha pedindo, mas nem por isso a equipa entrou bem no jogo. Com Wiliam Carvalho atrás de Renato Sanches, Adrien Silva e João Mário, Portugal passou meia-hora numa indefinição tática da qual ninguém se salvava. Ora Cristiano e Nani abriam nas alas deixando a João Mário a missão de aparecer como falso ponta-de-lança; ora o capitão ficava no meio e era Adrien quem mais dele se aproximava, baixando Nani; ora a equipa se aproximava de um 4x3x3 com Adrien e Renato por dentro e João Mário a abrir como extremo... As combinações ofensivas não saíam e, pior do que isso, defensivamente a equipa parecia adormecida. Para cúmulo, a Polónia marcou logo aos 2’, num lance em que alguns portugueses não ficaram isentos de culpas: Cédric falhou a interceção de um passe que encontrou Grosicki na esquerda, este ganhou posição na linha de fundo e, beneficiando de um movimento de Milik, que arrastou os dois centrais portugueses em direção à baliza, deu a bola para a finalização fácil de Lewandowski, que se adiantou a William Carvalho graças a uma melhor e mais rápida leitura do lance. Estava dado o mote para uma meia-hora na qual, mesmo tendo experimentado visar a baliza de Fabianski algumas vezes, Portugal podia ter deitado o jogo a perder, tanta era a desconcentração que a equipa mostrava e que se revelava na perda sucessiva de passes. As melhores ocasiões neste período foram polacas, nelas se contando um remate de Milik ao lado (aos 15’) e uma defesa de Rui Patrício a novo tiro de Lewandowski (aos 17’), mas sobretudo uma troca de passes no lado esquerdo do ataque polaco que, mesmo sem ter criado sensação clara de golo, deixou os portugueses como se fossem meros pinos de treino. Por volta da meia-hora, porém, Fernando Santos parece ter esclarecido as coisas com a equipa. Corrigidas as posições em campo, tendo Portugal assumido um 4x1x3x2 mais clássico, com Renato na direita, João Mário na esquerda e Adrien perto de William, a equipa assentou o jogo. E ato contínuo chegou ao golo, numa bela tabela de Renato com Nani, que o jovem médio concluiu com um remate de pé esquerdo para o fundo da baliza polaca. Houve alguma fortuna na forma como o remate desviou em Krychowiak, fugindo do guarda-redes, mas Portugal encarregar-se-ia nos minutos seguintes de mostrar que merecia essa sorte. Abriu-se aí a melhor fase portuguesa no jogo. E em condições normais esta podia mesmo ter dado origem à primeira vitória portuguesa em 90 minutos. O meio-campo funcionava na forma como era capaz de tirar a bola da zona de pressão polaca e conduzir a equipa a ataques rápidos, como aquele em que Ronaldo se isolou sobre a esquerda e, quando tinha João Mário do outro lado, de baliza aberta, optou por rematar em vez de lhe dar a bola para o que se adivinhava viesse a ser uma conclusão fácil. O remate do capitão, no entanto, acertou na rede lateral (aos 56’). O mesmo Ronaldo acertou mal numa bola já dentro da área (aos 60’), tendo Adrien chutado de ressaca contra um adversário. E até Cédric, num disparo de fora da área, esteve à beira de desempatar (aos 64’). O cansaço de alguns elementos pôs termo a esta boa fase de Portugal. O sinal veio num desvio de Milik, que Rui Patrício deteve com categoria (aos 69’) ou no cartão amarelo mostrado a Adrien pela forma como travou, em falta, um contra-ataque polaco (aos 70’). Mas mesmo com o jogo mais dividido, os portugueses podiam perfeitamente ter ganho. Primeiro num raide de Pepe em que, para evitar que a bola chegasse a Ronaldo, Glik quase fez autogolo (aos 81’). Depois, já em período de compensação, quando João Moutinho (que substituíra Adrien) descobriu mesmo Ronaldo atrás da linha defensiva polaca, mas o capitão luso não foi capaz de desviar o passe alto em direção da baliza do desamparado Fabiánski. O prolongamento foi marcado mais pelo medo de perder do que pela vontade de ganhar. Portugal já tinha lançado Quaresma em vez de João Mário, fazendo-o o jogar pela direita e derivando Renato para a esquerda. Percebendo o cansaço de William, mais uma vez o que mais estava a correr entre os jogadores lusos, Fernando Santos trocou-o então por Danilo, de forma a evitar que essa fadiga se refletisse em falta de cobertura defensiva aos centrais na contenção dos dois pontas-de-lança que Nawalka mantinha em campo e de testar já a solução para a meia-final, uma vez que William viu um amarelo que o afasta do jogo. Ainda assim, com a Polónia a beneficiar nesta fase de alguma falta de agressividade portuguesa no ataque às sobras e a encaminhar o jogo para mais perto da baliza de Rui Patrício, a melhor ocasião de golo pertenceu a Portugal, quando Ronaldo voltou a não acertar bem na bola, desta vez após ficar em boa posição no seguimento de um cruzamento de Eliseu (aos 93’). A verdade é que ninguém desempatou o jogo e este se decidiu mesmo nas grandes penalidades. E aí, 100% de frieza e competência dos marcadores portugueses, tendo Rui Patrício assinado a única defesa do desempate, quando caiu para a sua esquerda para ir buscar o remate de Blaszczykowski. Quaresma não vacilou na hora de bater o penalti decisivo e apurou Portugal para a sétima meia-final do seu historial (já lá tinha estado nos Mundiais de 1966 e 2006 e nos Europeus de 1984, 2000, 2004 e 2012).
2016-07-01
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Último Passe

Um jogo muito diferente dos três anteriores e até daquilo a que a seleção nacional está habituada permitiu a Portugal atingir os quartos-de-final do Europeu, mercê de uma vitória sobre a Croácia, por 1-0, com um golo de Quaresma a três minutos do final do prolongamento. O golo nasceu de um contra-ataque perfeito e coroou de sucesso a tática do esticão em que Fernando Santos apostou quando percebeu que era impossível tirar o domínio ao adversário e chegar lá através de um futebol mais consistente. Também por isso se falou tão pouco de Ronaldo: o primeiro remate do capitão aconteceu precisamente no lance do golo e exigiu uma defesa enorme a Subasic, tendo Quaresma sido o mais rápido a acorrer ao ressalto para marcar de cabeça na baliza deserta. As maiores virtudes lusitanas, no entanto, tiveram pouco a ver com brilho. Foram a exibição imperial de Pepe no comando da defesa, a disponibilidade física de Adrien para contrariar o jogo de posse do meio-campo croata, o jogo quase sem erros de Cédric e Guerreiro e, depois, quando foi preciso mudar o chip ao jogo, as arrancadas de Renato Sanches, a fustigar um adversário que apesar dos dois dias a mais de recuperação de que dispôs também não estava assim tão fresco. Entre os citados estão várias das alterações feitas por Fernando Santos no onze inicial, revelando uma avaliação perfeita do grupo e do que lhe era exigido. Um jogo não se faz com onze jogadores, mas sim com 14. Um jogo não tem de se ganhar nos primeiros minutos: pode ganhar-se nos últimos. Não costuma ser boa política esperar até lá para o ganhar, mas esta seleção tem-no feito com tanta frequência que dá que pensar. Fernando Santos optou por fazer quatro alterações ao onze que tinha defrontado a Hungria. Por três ordens de razões. Raphael Guerreiro regressou à equipa em vez de Eliseu porque é já o titular da posição e já não estava fisicamente impedido de alinhar. José Fonte ocupou a vaga de Ricardo Carvalho no centro da defesa porque os 38 anos do titular não lhe permitem já uma recuperação física tão rápida como a dos companheiros e a fadiga já se lhe notara no jogo com os húngaros, mas também porque era preciso combater o jogo físico do possante Mandzukic. Cédric e Adrien entraram em vez de Vieirinha e João Moutinho por questões ao mesmo tempo estratégicas e de análise do grupo: o lateral direito conteve bem Perisic e o médio não só inibiu Modric de exercer maior influência no jogo como conseguiu ir à frente municiar o ataque: é dele, por exemplo, a recuperação seguida de passe para Nani no lance em que o atacante sofreu uma grande penalidade não assinalada pelo árbitro. Portugal entrou na mesma em 4x4x2, com André Gomes em vez do reclamado Renato Sanches e se a opção parece revelar que Santos não quer Renato numa ala do seu 4x4x2 – e é evidente que não pode jogar com ele ao meio, só com dois médios – a forma como decorreu o jogo deu-lhe razão. Porque entrando aos 50’, Renato ainda teve tempo de se tornar uma força motriz nas chegadas de Portugal à frente. Nessa altura, com a saída de André Gomes, Portugal passou a um 4x3x3 que serve mais as caraterísticas de Renato mas sacrifica João Mário, que teve de se encostar na esquerda do ataque. E não é a mesma coisa ser ala no meio-campo de quatro ou extremo no ataque a três: João Mário, que joga melhor ao meio, pode desempenhar a primeira função mas terá sempre muitas dificuldades em dar à equipa o jogo pleno de velocidade que a segunda exige, razão pela qual foi depois naturalmente sacrificado para dar entrada a Quaresma, quando o treinador percebeu que não ia lá através do jogo consistente e mais valia apostar na tática do esticão. O 4x4x2 português tentava encaixar no 4x2x3x1 croata. Não havia marcações individuais, mas notava-se que William Carvalho se preocupava muito com as movimentações de Rakitic, o croata que jogava mais perto do ponta-de-lança, e que Adrien subia em pressão para ir buscar Modric, o principal cérebro do jogo axadrezado. O jogo era muito feito de encaixes, mas enquanto Portugal baixava para se organizar defensivamente, a equipa de Ante Cacic pressionava a saída de bola portuguesa, levando os centrais lusos a jogar mutas vezes longo e a perder a bola. Isso levou ao domínio territorial e de posse dos croatas, mas nem por isso a um jogo com ocasiões de golo. Em toda a primeira parte não houve um único remate bem enquadrado com as duas balizas e três dos quatro que saíram ao lado (três da Croácia e um de Portugal) nasceram em lances de bola parada. No segundo tempo, com a entrada de Renato Sanches e a passagem dos portugueses para um 4x3x3 que encaixava ainda melhor no 4x2x3x1 croata, só o desgaste natural das duas equipas permitiu que o jogo partisse um pouco e que começassem a entrar contra-ataques e ataques rápidos. Brozovic esteve perto do golo aos 52’, mas chutou cobre a barra da baliza de Patrício e, aos 57’, foi a vez de Renato chutar ao lado de boa posição, após uma boa tabela com João Mário. Até ao final dos 90’, só um cabeceamento de Vida, após livre de Srna, aos 62’, deixou a defesa de Portugal em cuidados. Fernando Santos atacou o prolongamento com Quaresma em vez de João Mário e percebia-se que o jogo estava para os raides do extremo do Besiktas. Ainda assim, o maior volume de jogo croata deixava Portugal em cuidado permanente. Kalinic chutou ao lado de boa posição aos 97’ e Vida voltou a ameaçar num canto, cabeceando por cima da barra aos 112’. Nessa altura já Portugal trocara Adrien por Danilo, numa tentativa de tapar a entrada da área e ganhar altura nas bolas paradas que a Croácia ia tendo com frequência e nas quais criava sempre perigo. Perdia-se a capacidade de Adrien nos penaltis, mas acabou por não ser necessário lá chegar porque a equipa fez valer os argumentos que tinha em campo. Após um cabeceamento de Perisic detido a meias por Rui Patrício e pelo poste, Quaresma desarmou Strinic perto do bico da área portuguesa, a bola sobrou para Ronaldo que a entregou de imediato a Renato Sanches, tirando a bola da zona de pressão croata. Este, com condições para correr, conduziu um contra-ataque de quatro para quatro por uns 50 metros antes de entregar a Nani na esquerda. Nani cruzou de trivela para o segundo poste onde, em boa posição, Ronaldo obrigou Subasic à primeira defesa do jogo. Quaresma, que tinha acompanhado a jogada, só teve de encostar de cabeça para enviar Portugal para os quartos-de-final.
2016-06-26
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Uma exibição decisiva de Ronaldo, que tal como há quatro anos apareceu no Campeonato da Europa à terceira jornada, chegou a Portugal para empatar a três bolas com a Hungria e apurar-se para os oitavos-de-final do Euro’2016, onde a seleção nacional vai defrontar a Croácia. Autor de dois golos de grande execução e de uma assistência para o primeiro dos três tentos portugueses, marcado por Nani, Ronaldo fez a diferença numa tarde em que os portugueses puderam ainda ver os efeitos da sociedade entre João Mário e Renato Sanches a carrilar jogo para o meio-campo adversário, mas na qual a Fernando Santos terá sobrado uma dúvida: como poderá ter os dois miúdos ao mesmo tempo e não sofrer defensivamente? Na resolução desse dilema estará a chave de um Europeu no qual Portugal ainda não convenceu ninguém, mas onde teve a felicidade de calhar na metade certa do quadro, assegurando que só defrontará Espanha, Itália, Alemanha, França ou Inglaterra se chegar à final. Pode parecer uma loucura estar a falar de final quando a seleção nacional teve de sofrer até para ser terceira classificada num grupo que apurou diretamente a Hungria e a Islândia. Ou quando ainda não ganhou uma única das três partidas que fez. No último dia do Grupo F, porém, o jogo foi mesmo de loucos. Mesmo antecipadamente apurada, a Hungria só desistiu de tentar ganhar nos últimos 20 minutos, quando se centrou mais na vontade de acabar o grupo como primeira classificada e fugir também aos favoritos. A precisar de ganhar para ser primeiro, mas sabendo que o empate lhe dava sempre a qualificação, Portugal também só resolveu meter o jogo no bolso nos últimos dez minutos, quando Fernando Santos substituiu Nani por Danilo, na tentativa de evitar uma surpresa desagradável. É que um quatro golo da Hungria mandava a equipa nacional para casa e, além de os dois golos que os húngaros fizeram na segunda parte já terem saído de livres com desvio na barreira, Rui Patrício ainda viu uma bola tabelar-lhe no poste direito que bem podia ter forçado a equipa a recuperar por uma quarta vez. É que a história do jogo mostrou sempre a Hungria na frente e Portugal a ter de recuperar e depois a ver o seu ímpeto destruído por mais um golo húngaro. Enquanto Bernd Storck resolveu poupar os titulares que já tinham visto um cartão amarelo, assegurando dessa forma que os teria no jogo dos oitavos-de-final, Fernando Santos entrou perto daquela que tem sido para ele a equipa de gala. A exceção era a ausência de Raphael Guerreiro, que, lesionado, dava o lugar a Eliseu. André Gomes mantinha a vaga na esquerda de um meio-campo que, com a reentrada de João Mário para o lugar que tinha sido de Quaresma no jogo com a Áustria, regressava aos quatro elementos, enviando a equipa para o 4x4x2. O problema é que André Gomes pareceu limitado e nunca produziu tanto como nos primeiros jogos e William também baixou a sua influência, condenando Portugal a um jogo atacante mais lento – a isso não terá sido estranho o intenso calor de Lyon – e previsível. Daí que, apesar do domínio territorial português, não aparecessem ocasiões de golo na baliza de Kiraly. Portugal quase se limitava a rondar a área, a ganhar cantos e a chutar de fora da área. E foi a Hungria quem marcou primeiro, aos 19’, por Gera, na sequência de um canto de Dzsudzsak: Ronaldo cortou no ar, Nani completou o alívio para a entrada da área portuguesa, onde o médio húngaro apareceu a chutar sem hipóteses para Rui Patrício. O golo húngaro afetou a produtividade da equipa portuguesa, que levou uns minutos a reentrar no jogo. A reação começou num livre de Ronaldo, que Kiraly teve de se esforçar para desviar para canto, aos 29’, mas só teve continuidade já bem perto do intervalo, quando o mesmo Ronaldo solicitou uma diagonal de Nani e este bateu Kiraly com um remate seco para o ângulo mais próximo. Com 45 minutos por jogar, Fernando Santos decidiu assumir o risco de ir à procura da vitória que garantisse o primeiro lugar do grupo e trocou Moutinho por Renato Sanches, mas antes que a alteração pudesse ter efeito, a Hungria voltou a marcar. Dzsudzsak bateu um livre perto da área, a bola desviou em André Gomes e traiu Rui Patrício, deixando Portugal outra vez fora dos oitavos-de-final. A reação portuguesa, desta vez, foi mais rápida. Três minutos depois, aos 50’, João Mário arrancou pela direita e cruzou para o ataque de Ronaldo à bola. Lang acompanhou bem o capitão português e ter-lhe-ia blocado o remate não tivesse Ronaldo inventado uma solução genial: deixou a bola passar e deu-lhe com o calcanhar do pé direito, deixando Kiraly colado ao solo. A espetacularidade do golo, somada à forma como João Mário e Renato Sanches combinavam na direita, parecia poder carregar a seleção para a vitória. Só que, cinco minutos depois, deu-se mais um episódio da Lei de Murphy: Dzsudzsak voltou a ter um livre, desta vez chutou contra a barreira, mas recuperou o ressalto e deu-lhe com alma, fazendo a bola resvalar em Ricardo Carvalho e trair o desamparado Rui Patrício. O 3-2 anulava o efeito do golo de Ronaldo e da substituição e deixava Portugal outra vez a precisar de recuperar. Fernando Santos chamou então Quaresma, para o lugar do fatigado André Gomes e, com o segundo toque na bola – o primeiro tinha sido para marcar o canto – Quaresma cruzou para o bis de Ronaldo, desta vez de cabeça. Faltava meia-hora para o final da partida e Portugal lançou-se à procura da vitória. A ocasião mais flagrante de golo, porém, pertenceu à Hungria, quando Elek se isolou pela esquerda e chutou violentamente contra o poste da baliza de Rui Patrício. Se antes tivera azar na forma como sofreu os dois golos, desta vez a equipa nacional foi sortuda por não ter de procurar a recuperação por uma quarta vez. A jogar em 4x3x3, com Renato Sanches e João Mário à frente de William, e com Quaresma e Nani a ladear Ronaldo na frente, Portugal apresentava o seu onze mais ofensivo imaginável. O empate no outro jogo mandava os portugueses para o segundo lugar e a metade errada do quadro do sorteio e por isso a equipa ainda procurava o quarto golo. Ronaldo esteve por duas vezes perto do hat-trick, mas o que se via também era alguma tremedeira sempre que a Hungria subia até ao ataque. Por isso, mesmo já com os húngaros a jogar com uma linha de cinco atrás, Fernando Santos resolveu tapar o jogo à frente da sua área e substituir Nani por Danilo a nove minutos do fim. O jogo acabou com os húngaros a recusarem sair para o meio-campo adversário e com a notícia do golo islandês na outra partida, a chutar Portugal do segundo para o terceiro lugar e para a metade mais desejada do quadro. Fernando Santos terá gostado do envolvimento atacante que a equipa conseguiu na segunda parte, com a associação de João Mário a Renato Sanches, mas não pode ter ficado satisfeito com os buracos que a equipa abriu a defender. A solução para o jogo com a Croácia terá de ser outra, provavelmente com Renato e João Mário nas alas, sacrificando André Gomes, e João Moutinho ou até Adrien à frente de William (caso o selecionador desista de recuperar Moutinho, como a substituição ao intervalo pode fazer prenunciar). Dúvidas haverá também acerca da condição de Ricardo Carvalho para um jogo que terá lugar já daqui a três dias – ele que já pareceu menos seguro hoje – como na lateral-esquerda, onde Eliseu não fez esquecer Raphael Guerreiro. O tempo para pensar e recuperar não é muito, mas uma coisa é certa: a Croácia é forte e será preciso muito mais Portugal do que o que se viu na primeira fase para seguir em frente.
2016-06-23
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Um dia, quando se aproximava um jogo contra um adversário que abusava do jogo aéreo, sempre direto para o ponta-de-lança, Johan Cruijff surpreendeu Guardiola dizendo-lhe expressamente que não o queria a saltar com o gigante, mas sim colocado uns metros mais atrás, para se concentrar na tarefa de recolher a bola que iria sobrar do duelo que alguém iria disputar – e quase sempre perder – com ele. Ali, o que importava não era saltar mais alto que o armário, não era ser mais forte do que ele no choque: era só atrapalhá-lo o suficiente para que ele não pudesse escolher o local para onde ia dirigir a bola que lhe caía dos ares. O jogo começaria a seguir e aí estaria Guardiola para lhe dar início. Depois de ver o Portugal-Islândia e de analisar todas as estatísticas do jogo, fiquei convencido de que foi um erro a opção por Danilo em detrimento de William Carvalho, porque ao assumi-la o selecionador nacional estava a escolher as batalhas erradas, aquelas que nunca poderia ganhar, face à qualidade de Sigthorsson no jogo aéreo. Acredito que Fernando Santos concordará e que será ali que começarão as alterações na equipa que empatou com a Islândia quando for preciso ganhar à Áustria. Resta perceber se ficarão por aí. “Se uma batalha não pode ser ganha, não a traves”. Este era o conselho de Sun Tzu, na velha “Arte da Guerra”. Ora a batalha corpo a corpo com os possantes islandeses – não era só uma questão de estatura, mas também de peso e sobretudo de predisposição para aquele tipo de futebol – era das que não podia ser ganha. Depois do jogo, olhando para os números é fácil de entender que esta era uma das batalhas que não devia sequer ser travada. Todos os jogadores baixaram a percentagem de duelos corpo-a-corpo ganhos em comparação, por exemplo, com o jogo ante a Inglaterra. Só na linha defensiva, Vieirinha caiu de 71% para 56%, Ricardo Carvalho de 75% para 64%, Pepe ficou pelos 65% e portanto abaixo dos 66% da soma de Bruno Alves com José Fonte em Wembley, e Raphael Guerreiro conseguiu 43% face aos 50% de Eliseu em Inglaterra. A maior diferença, contudo, esteve em Danilo, que tinha ganho 60% dos duelos em Wembley e se ficou agora por uns 32% que são o seu pior número desde Setembro. É claro que um onze não deve ser escolhido com base nos jogadores que ganham mais duelos corpo-a-corpo… a não ser que a base do jogo da equipa seja essa. A de Portugal não é e não será nunca, o que transformou a escolha de Danilo numa contra-medida paradoxal para a ideia de jogo da equipa. O problema não foi Danilo mas sim o facto de ele estar em campo com base em argumentos que são os da Islândia e não os de Portugal. Em vez de travar a batalha das lutas corpo-a-corpo, Portugal devia ter-se concentrado nas que podia vencer, com bola no chão, triangulações para envolver o adversário e ganhar o espaço entre as linhas defensivas do adversário, de onde poderia solicitar os avançados com muito maior perigo. Pois isso raramente foi conseguido: Portugal só criou perigo a jogar por fora e isso teve muito a ver com a forma como priorizou os valores errados no primeiro momento de construção. Será, evidentemente, impossível definir agora se a incapacidade da equipa nacional para meter gente entre linhas teve a ver com uma má gestão da transição ofensiva – o primeiro passe –, com o facto de tanto João Mário como André Gomes estarem demasiado abertos junto às linhas e procurarem pouco as diagonais para dentro ou ainda com um menor rendimento de Moutinho face ao que o treinador dele espera. Olhemos para João Moutinho, por exemplo. Acabou o jogo com uma boa percentagem de passes certos: ficou-se pelos 91%, acima até da sua média do último mês (que é de 89%) e bem acima da média para toda a época, que é de 84%. Ora este é o primeiro dado que pode fazer-nos desconfiar. A olho nu parece que ele está a jogar menos, mas apresenta uma percentagem de passe melhor do que a sua própria média? Provavelmente porque está a proteger-se mais: desde o jogo com a Noruega que Moutinho não tenta sequer um passe de rotura – daqueles que deixam os companheiros com espaço para correr atrás do bloco adversário – quando a sua média para a temporada é de 2,5 por jogo e fechou os meses de Janeiro e Fevereiro com três tentativas por cada 90 minutos. As médias ofensivas da temporada de Moutinho são de longe as melhores entre os candidatos ao lugar de médio-centro: soma 7,0 passes na área por jogo contra 2,3 de Renato e 1,9 de Adrien; 2,5 passes de rotura contra 2,0 de Renato e 1,6 de Adrien. Defensivamente, o melhor é Adrien, com 6,0 interceções contra 4,2 de Moutinho e 3,5 de Renato; e 6,0 recuperações, contra 4,2 de Renato e 3,7 de Moutinho. Adrien tem ainda a melhor percentagem de passe: 88% de entregas certas, contra 85% de Renato e 84% de Moutinho. Aqui, no entanto, começa aquela área da decisão que tem a ver com as convicções. A aposta de Fernando Santos em João Moutinho tem a ver com o facto de querer devolver-lhe o ritmo que ele perdeu com a lesão a tempo de o ter a carburar nos oitavos-de-final. Neste momento a questão que se coloca é: haverá condições para continuar a assumir o risco? Este é um daqueles momentos em que o treinador é o homem mais só do Mundo.
2016-06-16
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Último Passe

Um mérito ninguém tira a Renato Sanches: polarizou o país. Digam o que disserem acerca dele, ninguém lhe fica indiferente. Os benfiquistas acham que acima dele só estará Eusébio, mas os sportinguistas e os portistas – num fenómeno que, tal como a adoração benfiquista, também terá a sua explicação na área da psicanálise – não lhe descobrem sequer nível para jogar no Águias da Musgueira. Diga-se o que se disser, isso já é uma proeza. A transferência para o Bayern trouxe à tona uma série de mitos e de verdades acerca do “Bulo”. Vamos a eles. Renato Sanches passa mal a bola – Não é verdade. Se há coisa que Renato Sanches faz bem é atacar. Com bola, no jeito “selvagem” que lhe identificou Rui Vitória, é extraordinário. Qualquer um é capaz de lhe ver a capacidade de explosão, a mudança de ritmo e de velocidade, que lhe permite queimar linhas em posse. Mas basta recorrer às estatísticas dos dois jogos com o Bayern – para não haver conversas acerca da sobre-valorização por parte da imprensa portuguesa ou da proteção feita pelos árbitros nacionais – para perceber que Renato não só tem uma excelente percentagem de acerto nos passes, como arrisca nos seus destinatários. Em Munique, acertou 20 dos 22 passes que tentou (91%) e o principal destinatário desses passes foi Jonas (seis passes). O jogo da segunda mão, na Luz, já lhe correu um pouco pior, com 19 passes certos em 24 (71%), mas isso terá tido sobretudo a ver com a ausência de Jonas, o que levou a que o jovem perdesse a sua principal referência de passe, entregando mais bolas a Fejsa (quatro passes). Renato Sanches só dá porrada – Também não é verdade. É um jogador agressivo, sim senhores. Talvez até lhe tenham ficado a dever alguns cartões no campeonato nacional, sobretudo à conta da exuberância própria da juventude e das suas características. Mas não é um jogador especialmente faltoso. Recorramos de novo às estatísticas dos jogos com o Bayern, na Liga dos Campeões. Foram zero faltas cometidas na primeira mão, em Munique, e uma na segunda mão, na Luz. Uma falta em 180 minutos. E sem árbitros nomeados por Vítor Pereira. Renato Sanches é o melhor médio do campeonato português – Outro mito. Não é. Renato Sanches foi fulcral na recuperação do Benfica, que sem ele não estaria em condições de ser campeão nacional. Mas não é ainda um jogador completo, sobretudo do ponto de vista tático. Sai muito da posição e, se é certo que os comportamentos sem bola não são alvo de escrutínio por parte dos adeptos comuns – que, sobretudo na TV, só olham para quem tem a bola nos pés – eles constituem 95% das ações de um futebolista. E Renato, nesse aspeto, é um risco defensivo, sobretudo para uma equipa que joga apenas com dois médios na zona central. Precisa de melhorar no jogo posicional, precisa de compreender melhor as necessidades da equipa do ponto de vista defensivo – e para isso Ancelotti pode ser de uma utilidade extrema – e se teve o sucesso que teve na Liga portuguesa isso fica a dever-se à fragilidade e à incapacidade da maior parte das equipas. Numa Liga mais competitiva, para aquela posição, escolheria primeiro Adrien Silva. Porque tem mais oito anos de experiência. Renato Sanches deve ser titular da seleção – Não vejo como. Num enquadramento competitivo mais exigente, como será o do Campeonato da Europa, sobretudo se Fernando Santos decidir jogar em 4x4x2, Portugal não pode arriscar-se a jogar com Renato Sanches na zona central, correndo risco de ficar defensivamente exposto com frequência. O lugar é de João Moutinho e, se não for dele, será de Adrien. Renato pode aparecer como terceira opção, para jogos em que seja preciso atacar e não se preveja grande exigência defensiva ou para jogos em que o treinador opte por jogar com três ao meio. Essa, aliás, é a decisão fulcral na convocatória de Fernando Santos, porque se quer jogar em 4x4x2 vai precisar de quem seja capaz de jogar tanto ao meio como numa das alas – e André Gomes, ao contrário de Renato Sanches, pode fazê-lo. Sendo que só pelo sacrifício de um defesa central ou do ponta-de-lança haverá lugar para os dois. Renato Sanches está sobrevalorizado – Não está. Porque quem compra está a pagar o que ele vale agora e também o que ele pode valer no futuro. Numa avaliação puramente subjetiva, eu diria que, neste momento, Renato valerá entre os 15 e os 20 milhões de euros. Mas nestas coisas paga-se o potencial. Quem mostra o que Renato mostra aos 18 anos, poderá mostrar muito mais quando tiver 23, 24 ou 25, porque agora vai ser submetido a treino de altíssimo rendimento e terá de crescer para continuar a jogar. Extremamente sobrevalorizados foram jogadores como João Cancelo, Ivan Cavaleiro e até, pelo que já tinham mostrado na altura, Bernardo Silva e André Gomes. Mas esses saíram para clubes do circuito-Gestifute (Valência e Mónaco). Com o Bayern, com o rigor e a exigência alemãs, as coisas mudam de figura. E não serve de nada aos “haters” irem agora para a página de Facebook do Bayern dizer que há melhor lá na rua deles. Isso é mesmo para ser levado a sério? Renato Sanches tem a idade aldrabada – Duvido. Mas também não é particularmente importante para o caso, a não ser para estabelecer o preço ou punir legalmente que tenha cometido a ilegalidade (e isso pode sempre correr à margem da discussão presente). Claro que isso só pode ser definido com testes, mas olha-se para a cara dele e vê-se um miúdo. Não tenho dificuldade em acreditar que tem mesmo os 18 anos que apresenta no BI, mas repito: o Bayern contratou-o para jogar nos seniores e tendo em conta o que ele mostra em campo hoje. Claro que os alemães esperarão que Renato melhore e essa margem de progressão dependerá em muito da idade que ele tem neste momento. Mas ninguém paga 35 milhões de euros por uma esperança se não lhe vir condições para ser uma certeza no imediato.
2016-05-11
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Último Passe

O Benfica comunicou à CMVM a venda dos direitos desportivos de Renato Sanches ao Bayern Munique por 35 milhões de euros, informando ainda que “estão previstos valores adicionais, num montante global de 45 milhões de euros, dependentes da concretização de objetivos” até 30 de Junho de 2021. Diz a Kicker que esses objetivos passam pela nomeação de Renato Sanches para o Onze do Ano da FIFA ou para a Bola de Ouro. Subsiste, no entanto, uma dúvida, alimentada pelo facto de estarmos todos habituados ao português insondável de quem escreve estes comunicados: são 35 milhões mais 10 ou 35 milhões mais 45? Uma vírgula, aqui, faz muita diferença. Em todo o caso, mesmo que o valor real seja o mais baixo, trata-se de um excelente negócio para o Benfica. Só divergirá quem está de tal forma iludido pelos valores das transferências de jovens da formação encarnada para os clubes do circuito-Gestifute (Mónaco, Valência…) que acha que a base de licitação de qualquer futebolista está nos 15 milhões de euros. Renato Sanches foi uma das chaves da atual situação do Benfica. Se o clube for tricampeão é em boa parte a ele que o deve, pela explosão que trouxe ao futebol da equipa. Renato já é ofensivamente um extraordinário médio, porque ao contrário do que os seus detratores repetem à exaustão não perde muitos passes (tem uma margem de acerto na ordem dos 90%) e não joga só para trás e para o lado (o destinatário preferencial dos seus passes é Jonas). Além disso tem uma mudança de velocidade que lhe permite queimar linhas em posse como poucos jogadores na Liga portuguesa. E, no entanto, não é ainda um jogador feito. É “um pouco selvagem”, como diz Rui Vitória: defensivamente apresenta lacunas de posicionamento, mesmo que seja preciso procurar bem para as descobrir (o jogo sem bola é sempre menos visível que o jogo com bola). Mas quanto vale Renato Sanches? Valerá menos que um T1 no meio do pântano do Amazonas? Claro que não. O transfermarkt dava-lhe hoje de manhã um valor de mercado de 10 milhões de euros. Acho pouco. Na verdade, o transfermarkt serve-se de um algoritmo que estabelece variações médias e Renato Sanches valorizou a um ritmo extraordinário esta época, pelo que rebenta com esse algoritmo. Eu diria que, até tendo em contra o potencial, só um valor acima dos 25 milhões seria um bom negócio. Se o Bayern já pagou pelo menos 35, esta transferência entra na categoria dos negócios extraordinários – até porque sendo a venda para o Bayern, perdem imediatamente terreno os que virão dizer que o valor está muito inflacionado pela interferência de Jorge Mendes, o empresário que conseguiu vender João Cancelo ou Ivan Cavaleiro por 15 milhões cada um. Se chegar aos 45 milhões, o negócio será ainda melhor. Se, tal como está a ser interpretado pela generalidade dos órgãos de comunicação – que, já se sabe, na área do futebol querem é ver as pessoas felizes e, em caso de dúvida, “beneficiam sempre o ataque” –, o valor por objetivos elevar a transferência para os 80 milhões, então é um negócio da China. Para isso, porém, antes de ficarmos a saber quanto vale Renato Sanches, será necessário a CMVM ter a curiosidade de saber quanto vale uma vírgula. A vírgula que define se a expressão “montante global” se aplica ao negócio em si ou à totalidade do valor por objetivos.
2016-05-10
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Benfica e Sporting vão decidir o título de campeão nacional, na última jornada da Liga, sem Renato Sanches e Adrien Silva, os jogadores que são a alma dos respetivos meios-campos e que tão importantes foram na forma como as duas equipas aqui chegaram em condições de serem campeãs. Ninguém mereceria mais do que eles celebrar o título em campo mas, ocorra o que ocorrer no último dia, os patrões dos dois candidatos ao título terão de ficar a torcer por fora. E num dos casos – porque a Liga não pode ter dois campeões – vai ser “dia santo na loja”. Os jogos das duas equipas têm graus de dificuldade muito diferentes: o Benfica recebe o Nacional, enquanto que o Sporting visita o Sp. Braga. Mas festejará o final deste alucinante sprint quem souber ultrapassar melhor a ausência do coração do seu meio-campo. Renato Sanches foi fundamental na refundação do futebol do Benfica, dando à equipa a explosão de que ela necessitava para fazer a ligação do meio-campo a Jonas. Entrou na equipa quando o Benfica defendia o terceiro lugar face aos avanços do Sp. Braga e acabou por ajudar a carregá-la até esta situação privilegiada em que se encontra neste momento, com 19 vitórias nos últimos 20 jogos e a apenas mais uma do tricampeonato, pois lidera com dois pontos de avanço do Sporting. Ao mesmo tempo, Adrien foi um dos argumentos principais que o Sporting apresentou na época em que já garantiu a melhor pontuação da história e em que entra na última jornada em condições de ser campeão pela primeira vez desde 2007. O capitão dá ao meio-campo agressividade no momento da perda de bola, mas também a capacidade de aproximação à área em posse que lhe permite somar golos e assistências semana após semana. A verdade é que, mesmo sabendo-se que mais de metade do país preferirá contestar as arbitragens – e sim, o cartão amarelo a Adrien frente ao V. Setúbal é mal mostrado, da mesma forma que me parece injustificado o primeiro dos dois amarelos a Renato Sanches nos Barreiros –, os afastamentos dos dois jogadores têm a ver com aquilo que eles são neste momento. Pela forma agressiva como disputa cada duelo, Adrien é um jogador muito propenso aos amarelos. É, de longe, o elemento dos três grandes com mais cartões na Liga: soma 12, contra dez de Maxi Pereira, que é quem mais dele se aproxima, e nove de Eliseu, o benfiquista mais admoestado. Por sua vez, Renato Sanches é ainda um jovem bastante inexperiente, que não teve a necessária contenção depois de ter visto o primeiro amarelo e fez, minutos depois, uma falta que lhe valeu o segundo e podia bem ter deixado o Benfica em muito maus lençóis, tivesse o Marítimo condições para discutir o jogo. A culpa foi dos árbitros? Também. Mas a recusa em aceitar as próprias limitações é sempre um primeiro passo para adiar o crescimento. E nem Renato nem Adrien merecem isso. Em casa contra o Nacional, Rui Vitória não deverá ter muitas dúvidas na forma de formar o onze. Se tiver toda a gente em condições, será Talisca a substituir o jovem da Musgueira, até como forma de premiar o baiano pelo extraordinário golo de livre que marcou, a resolver definitivamente o jogo com o Marítimo – um golo semelhante ao que tinha feito ao Bayern, na Liga dos Campeões. Nestas circunstâncias, o treinador do Benfica não costuma inventar, antes acreditando muito na rotina que vai criando. Por sua vez, em Braga, contra uma equipa que até pode sentir a tentação de tirar o pé, a pensar na final da Taça de Portugal, mas que mesmo assim tem mais potencial e já criou muitas dificuldades ao Sporting – uma vitória na Taça e uma derrota tangencial na Liga, com 6-6 em golos no somatório dos dois jogos –, Jesus terá mais dúvidas para decidir. O grau de dificuldade do jogo sugeriria a aposta em Aquilani, que tem sido o substituto de Adrien em quase todas as ausências, mas o italiano não fez um minuto nas últimas quatro partidas e a boa prova de Gelson contra o V. Setúbal – dois golos – pode até aconselhar a sua manutenção em campo e a reentrada de João Mário para a zona central. É que a resposta usual de Jesus a momentos de dificuldade tem sido, este ano, meter mais gente na frente – e tem resultado. In Diário de Notícias, 09.05.2016
2016-05-09
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Último Passe

Nem a expulsão de Renato Sanches, ainda antes do fim da primeira parte e com o resultado em branco, travou a marcha triunfal do Benfica, que ganhou por 2-0 ao Marítimo nos Barreiros e vai entrar na última jornada como favorito para fazer a festa do tricampeonato: bastar-lhe-á vencer o Nacional na Luz. Mitroglou e Talisca marcaram os golos da vitória na Madeira, mas Jonas (primeiro) e Jiménez (já perto do final) ainda acertaram por duas vezes nos ferros da baliza de Salin. Tudo num jogo em que o Marítimo foi sempre muito tímido do ponto de vista ofensivo e incapaz de parar as tabelas adversárias no espaço interior quando lhe tocava defender e em que o Benfica terá feito a melhor exibição das últimas semanas. O melhor Marítimo, na verdade, viu-se de início. Nelo Vingada optou por um 4x4x2 em que os dois atacantes – Djoussé e Edgar Costa – procuravam sobretudo os corredores laterais, dando depois ordem aos jogadores de meio-campo para preencherem o espaço interior, mas isso só bloqueou o ataque do Benfica enquanto os homens da casa tiveram gás para correr mais que os visitantes. Mesmo sem Gaitán, que por lesão cedeu a vaga a Carcela, o Benfica soltava Renato nos corredores laterais, levando-o muitas vezes a surgir embalado frente aos laterais insulares, e isso chegava para causar a dúvida dos médios interiores: iam à procura dele ou ficavam a tapar o espaço predileto de Jonas? Fosse como fosse, a partir dos 25’ o Benfica desfez o equilíbrio que se verificara até então e teve, de imediato, várias situações para marcar. Jonas acertou no poste aos 29’, Carcela viu um defesa da casa tirar-lhe o golo sobre a linha aos 30’ e, dois minutos depois, foi a vez de Salin tirar o golo a Jonas, com uma defesa magistral, a ir buscar um cabeceamento que o brasileiro dirigira para o chão. E aí apareceu a expulsão de Renato, imprudente a fazer uma falta quando já tinha um amarelo. Com 0-0 e a jogar com menos um durante mais de meio jogo, o Benfica poderia ter um problema. Mas a equipa uniu-se e respondeu bem, mantendo-se sempre alta no terreno, recusando a tentação de baixar as linhas que poderia ter dado iniciativa ao Marítimo. E teve ainda três situações de perigo até ao intervalo: um remate de Carcela sobre a barra e duas finalizações desviadas de Mitroglou. Mesmo com um a mais, o Marítimo não conseguia tapar o espaço entre a linha defensiva e a de meio-campo nem chegar à frente com perigo: atacava quase sempre com poucos e por isso mesmo ficava à mercê do primeiro erro. Que inevitavelmente apareceu logo aos 48’. Alex Soares fez mal um corte e dessa forma isolou Mitroglou, que em boa posição deu de esquerda na bola, sem hipóteses para Salin. Só depois de uma longa interrupção para ser prestada assistência a Maurício é que Nelo Vingada chamou Dyego Souza, o ponta-de-lança de que a equipa precisava para regressar ao 4x3x3, mas a verdade é que nem assim o Marítimo deu a sensação de poder discutir o jogo. Antes de sair, totalmente esgotado, por estar a cumprir a missão dele e a de Renato Sanches, Jonas ainda viu Salin fazer mais uma excelente defesa a um remate seu que podia ter dado o 2-0 (aos 69’). E foi já com Samaris em vez de Jonas que Talisca (que entrara para o lugar de Carcela) arrumou a questão dos três pontos, marcando um livre semelhante ao que já batera Neuer, no empate frente ao Bayern, na Luz. Faltavam sete minutos (mais os dez de compensação, que ainda chegaram para que Jiménez, que substituiu Mitroglou, chutasse uma bola à barra), mas já nada tiraria esta vitória a um Benfica que soube unir-se no momento em que se viu reduzido a dez e terá, até, aproveitado a proximidade para mais um título para fazer a melhor exibição das últimas semanas.
2016-05-08
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O Benfica visita a Académica, em partida fundamental para as suas aspirações à conquista do tri-campeonato que será a primeira disputada pela equipa de Rui Vitória numa semana que terá dois jogos europeus a abrir e a fechar. Os encarnados perderam na terça-feira com o Bayern, em Munique, por 1-0, e voltam a defrontar o colosso bávaro na Luz na próxima quarta-feira. Os quatro dias entre cada jogo chegam para a recuperação, como parece indicar a resposta que a equipa do Benfica deu em 2013/14, na última vez que se viu metida nestas coisas. Ainda que haja fatores a diferenciar as experiências, como o resultado da primeira mão europeia ou a vontade do treinador proceder ou não a alguma rotação de jogadores. Durante essa época, na qual venceu os três troféus nacionais, falhando a vitória na Liga Europa na final contra o Sevilha (derrota nos penaltis depois do 0-0 em 120 minutos), o Benfica fez quatro jogos entalados entre partidas europeias, ganhando três e empatando outro – mas um que podia empatar. Em Fevereiro, quatro dias depois de ganhar em Salónica ao PAOK por 1-0 e três dias antes de bater os gregos em casa por 3-0, o Benfica bateu o V. Guimarães na Luz por 1-0, em partida da Liga. Mais tarde, em Março, quatro dias depois da vitória em Londres contra o Tottenham (3-1) e três dias antes do empate com os ingleses na Luz (2-2), a equipa de Jesus ganhou fora ao Nacional, por 4-2. Em Abril, quatro dias depois de ganhar em Alkmaar por 1-0 e três dias antes de bater os holandeses na Luz, por 2-0, o Benfica ganhou em casa ao Rio Ave por 4-0. Por fim, em Maio, três dias depois de vencer a Juventus na Luz (2-1) e quatro dias antes de ir empatar a Turim (0-0), a equipa encarnada empatou a zero com o FC Porto no Dragão, apurando-se para a final da Taça da Liga. Há um fator a diferenciar estas quatro situações, que é o facto de o Benfica ter entrado no jogo nacional motivado pela vitória na primeira mão daquelas partidas europeias, enquanto que desta vez entra a perder. E depois há outro, mais discutível, que tem a ver com a rotação de jogadores. Entre a vitória em Salónica e o sucesso em Guimarães, Jesus mudou cinco jogadores no onze. Depois, entre Londres e a Choupana mudou quatro. Mais à frente, entre Alkmaar e a receção ao Rio Ave mudou seis. E, por fim, entre o jogo em casa com a Juventus e a visita ao Dragão já fez sete trocas no onze inicial. Rui Vitória tem sido apologista de manter a equipa na máxima força em todas as partidas e, até ver, não se tem dado mal. Resta perceber o que fará em Coimbra.   Jonas marcou nas últimas duas vezes que o Benfica defrontou a Académica: fez o segundo golo, logo aos 11 minutos, nos 5-1 na Luz, a 11 de Abril do ano passado, e marcou mais dois, ambos de penalti, dos 3-0 de 4 de Dezembro último. Falta-lhe marcar em Coimbra.   Por sua vez, Renato Sanches reencontra o adversário ao qual fez o seu primeiro golo pela equipa principal do Benfica. Foi um golão, num remate de fora da área, a valer o 3-0 no jogo da primeira volta, na Luz.   Rui Vitória e Filipe Gouveia só se defrontaram uma vez como treinadores. Foi na partida da primeira volta, ganha pelo Benfica de Vitória à Académica de Gouveia, por 3-0. A chapa três, aliás, tem sido uma contante nos jogos de Filipe Gouveia contra os grandes: perdeu por 3-0 com o Benfica na Luz, em Dezembro; por 3-1 com o FC Porto no Dragão, no mesmo mês; e por 3-2 com o Sporting em Alvalade, em Janeiro.   Além disso, Rui Vitória não perde com a Académica desde Maio de 2012: 1-2, em Guimarães. Desde então alinhou seis vitórias e um empate contra os “estudantes”, as três últimas confortáveis: 4-2 em Coimbra e 4-0 em Guimarães, com o Vitória, na época passada, e ainda 3-0 na Luz, já com o Benfica, esta época.   A Académica perdeu dois dos três últimos jogos em casa, no que foram as duas primeiras derrotas no seu estádio desde que é liderada por Filipe Gouveia. Ali ganharam o Rio Ave (2-0 a 20 de Fevereiro) e o Estoril (3-0 a 20 de Março). Em onze jogos que fez em casa com este treinador, a equipa de Coimbra só manteve a própria baliza a zeros por duas vezes. Foi contra o Marítimo, na estreia (1-0 a 3 de Outubro) e contra o V. Guimarães (2-0 a 6 de Março).   O Benfica vem de uma derrota contra o Bayern, por 1-0, em Munique, resultado que ultimamente tem sido pouco habitual na equipa. Foi a segunda derrota da equipa de Rui Vitória em 2016, depois da encaixada frente ao FC Porto, na Luz, em Fevereiro (1-2), mas a nona na temporada, que teve um início particularmente difícil. A reação encarnada às derrotas tem sido, no entanto, boa. As últimas duas tiveram como resposta uma vitória no jogo seguinte: 4-2 ao Vitória em Setúbal depois do 1-2 em casa com o Atlético Madrid, em Dezembro, e 1-0 na Luz ao Zenit depois do 1-2 com o FC Porto, em Fevereiro. A última vez que o Benfica não ganhou o jogo a seguir a uma derrota foi em Novembro, quando foi empatar (2-2) em Astana depois de ter sido eliminado da Taça de Portugal pelo Sporting (2-1 em Alvalade).   O jogo com o Bayern interrompeu ainda uma série de 20 jogos seguidos do Benfica sempre a fazer golos. A última vez que os encarnados tinham ficado em branco tinha sido a 15 de Dezembro, quando empataram na Choupana com o U. Madeira (0-0). Desde Abril e Maio de 2014 que o Benfica não passa dois jogos seguidos sem marcar. Nessa altura, porém, os benfiquistas não se queixaram dos resultados, pois a equipa empatou a zero com o FC Porto no Dragão, garantindo nos penaltis a passagem à final da Taça da Liga, e voltou a empatar a zero com a Juventus em Turim, apurando-se para a final da Liga Europa.   O Benfica ganhou os últimos oito jogos frente à Académica, que nessas oito partidas fez apenas um golo: marcou-o Rafael Lopes na derrota por 5-1, na Luz, a 11 de Abril do ano passado. A última vez que a Académica roubou pontos ao Benfica foi a 23 de Setembro de 2012, quando obteve um empate a duas bolas em Coimbra, com dois golos de penalti, marcados por Cissé e Wilson Eduardo. Pelo Benfica marcaram Cardozo (também de penalti) e Lima.   As últimas três vitórias da Académica sobre o Benfica foram todas na Luz: 3-0 a 11 de Abril de 2008 (golos de Miguel Pedro, Berger e Luís Aguiar); 1-0 a 11 de Abril de 2009 (marcou Tiero) e 2-1 a 15 de Agosto de 2010 (Miguel Fidalgo e Laionel marcaram pela Académica, tendo Jara feito o tento do Benfica). Em Coimbra os estudantes não ganham desde 9 de Dezembro de 1973, quando golos de Vítor Campos e Gervásio valeram à equipa de Fernando Vaz um 2-0 sobre o onze comandado por Fernando Cabrita depois do abandono de Jimmy Hagan.   Há 29 anos que o Benfica não é campeão perdendo pontos com a Académica. A última vez que tal sucedeu foi em 1986/87, quando empatou a zero em Coimbra a cinco jornadas do fim (0-0), vendo o FC Porto reduzir a desvantagem para o topo para quatro pontos. No final, o Benfica acabou a Liga com dois pontos de avanço dos portistas. Desde essa altura, sempre que perdeu pontos com a Académica, o Benfica ficou aquém do objetivo: empatou 1-1 em casa e foi segundo em 1987/88, 1997/98 e 2002/03; empatou 0-0 em Coimbra e foi terceiro em 2005/06; perdeu por 3-0 na Luz e foi quarto em 2007/08; perdeu por 1-0 na Luz e foi terceiro em 2008/09; perdeu por 2-1 na Luz e foi segundo em 2010/11; e por fim voltou a ser segundo em 2011/12 e 2012/13 na sequência dos empates em Coimbra.
2016-04-08
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Renato Sanches conseguiu um feito notável. Não foi levar um miúdo a invadir um relvado para o abraçar e pedir-lhe uma camisola. Isso é consequência. O que Renato Sanches conseguiu foi pôr um país inteiro a discuti-lo, a ele, com argumentos radicais, próprios da talibanização que tomou conta do futebol nacional. Para uns já é um dos melhores médios da Europa e “tem coisas de Eusébio”, como afirmou José Augusto, que tem pelo menos a seu favor e do que disse o facto de ter conhecido muito bem o “King”. Para outros, é um caceteiro que não joga nada, que tem a data de nascimento martelada e beneficia do beneplácito de adversários pouco empenhados e árbitros desatentos para se impor. Ridículos, uns e outros. Renato Sanches está a fazer o seu caminho. É um bom jogador, pode vir a ser um muito bom jogador, talvez até um extraordinário jogador, sobretudo se aliar ao que já conseguiu mais outro feito notável, que é alhear-se do ruído que a simples menção do seu nome já provoca no futebol português. Quanto vale Renato Sanches? Não digo em milhões, que aí, como todos os jogadores que entram na teia do negócio de import-export em que se transformou ultimamente o futebol nacional, valerá aquilo que o poderoso empresário que vai transacioná-lo quiser, consoante lhe der mais jeito subir ou baixar a fatura. Digo no campo. No campo, Renato Sanches foi um dos grandes responsáveis pela mudança de cara do Benfica, de Novembro para agora. Ele entrou na equipa há meio campeonato, precisamente no jogo em Braga, quando Rui Vitória bebia gole de água atrás de gole de água sem ver a equipa melhorar. O Benfica ganhou esse jogo por 2-0, ultrapassou os minhotos no terceiro lugar, mas continuava a oito pontos do Sporting, ainda que com um jogo a menos, na Madeira contra o União. Com o miúdo na equipa, os encarnados empataram esse jogo com o U. Madeira, perderam com o FC Porto e ganharam todos os outros desafios, estando agora na frente da Liga, com cinco pontos (e um jogo) a mais do que o Sporting. Algum mérito ele terá, porque se fosse irrelevante o treinador já o teria mandado de volta para a equipa B. Renato Sanches não é, por enquanto, um dos melhores médios da Europa e, com franqueza, além do tom de pele, não vejo nele mais nada de Eusébio. Mas o seu futebol, que Vitória definiu como “selvagem”, ajudou a dar a volta ao Benfica. Sobretudo porque, com bola, Renato é muito forte. É forte na aceleração, na mudança de velocidade, no sprint longo, nas bolas divididas e consegue ainda alargar a potência muscular de que dispõe ao remate de meia-distância, que lhe sai bem com regularidade. Fernando Santos chamou-o à seleção e fez bem, porque era importante vê-lo em ação naquele ambiente, nem que fosse para concluir que, por mais que isso custe a quem faz disto o seu cavalo de batalha, ainda é cedo para lhe dar a responsabilidade de ser um João Moutinho. E porquê? Porque ao mesmo tempo que é fortíssimo com bola, o “selvagem” Renato Sanches compromete sem ela. Se não impõe o primeiro momento de pressão, é um dos causadores dos desequilíbrios posicionais do Benfica no momento defensivo, porque sai muito da posição, porque tem fraca noção das responsabilidades de cobertura num meio-campo a dois. Rui Vitória sabe disso e não quer que ele mude, porque em 95% dos jogos do Benfica isso não chega a ser um problema. Pelo contrário. Mas o futebol de altíssima competição é mais do que o momento em que se tem a bola – e nisso Renato ainda tem uma enorme margem de progressão. Pensemos assim: há 90 minutos de jogo e, se as coisas lhe correrem particularmente bem, um jogador tem a bola na sua posse em dois desses 90 minutos. Os outros 88 são passados em movimentos de apoio ofensivo ou de pressão ou contenção defensiva. Ora nesses 88 minutos, o grande jogador do meio-campo do Benfica é Pizzi (além de Jonas, claro, que compreende como ninguém a urgência de cada momento). E por estranho que pareça, não vi ninguém dizer que ele faz lembrar Simões, o extremo que tanto aparecia nos espaços interiores no Benfica europeu dos anos 60, ou que a sua eventual não-convocatória para o Europeu será um escândalo. Com a agravante de, no caso de Pizzi, o ser mesmo, porque não há em Portugal quem faça aquilo melhor do que ele e João Mário. In Diário de Notícias, 04.04.2016
2016-04-04
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O Benfica-Sp. Braga pode servir a Jonas, que acaba de chegar da seleção do Brasil, para um feito inédito esta época com a camisola dos encarnados: marcar em quatro jogos consecutivos do Benfica na Luz. Na verdade, desde que ficou em branco na derrota contra o FC Porto (1-2), a 12 de Fevereiro, o brasileiro fez o golo da vitória contra o Zenit (1-0) e bisou nos sucessos com U. Madeira (2-0) e Tondela (4-1). E Jonas marcou sempre que foi titular contra os bracarenses, o mais próximo que está de marcar a um grande em Portugal. O brasileiro marcou na derrota por 2-1 para a Taça de Portugal, em Dezembro de 2014, e fez o primeiro golo na vitória por 2-0 para a Liga, em Março de 2015. A única vez que ficou em branco contra o Sp. Braga foi na visita à Pedreira, em Novembro do ano passado, mas aí só alinhou nos últimos 19 minutos, entrando para o lugar de Gonçalo Guedes quando o Benfica já ganhava pelo 2-0 que acabou por ser o resultado final. Se, como tudo indica, for titular no jogo de hoje e voltar a cumprir a tradição, supera a melhor série desta época em jogos na Luz, que são os atuais três jogos seguidos sempre com golos ou – é igual – os três primeiros da temporada na Luz, nos quais marcou a Estoril, Moreirense e Belenenses, ficando depois em branco contra o Astana. Na época passada, depois de ficar a zero contra o Gil Vicente, para a Taça da Liga, Jonas alinhou cinco jogo seguidos a marcar em casa, contra Nacional (um golo, a dar o 1-0), V. Guimarães (um golo nos 3-0), Arouca (um golo, nos 4-0), Boavista (um golo nos 3-0) e V. Setúbal (um golo nos 3-0), ficando depois em branco contra o mesmo V. Setúbal, mas no jogo de campeonato. Acresce ainda que, se fizer pelo menos um golo ao Sp. Braga, Jonas supera o total de golos da época passada. Segue com 31 golos em 38 partidas (29 na Liga e dois na Champions), enquanto que em 2014/15 fechou a época com os mesmos 31 golos em apenas 35 desafios (20 na Liga, seis na Taça de Portugal e cinco na Taça da Liga).   Paulo Fonseca só ganhou uma vez em oito jogos contra o Benfica. Foi em Janeiro do ano passado, que o seu Paços de Ferreira bateu os encarnados por 1-0, graças a um penalti de Sérgio Oliveira, no último minuto. De resto, entre Paços de Ferreira, FC Porto e Sp. Braga, Fonseca soma seis derrotas e apenas um empate, na Luz, na segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal de 2012/13, mas depois de o Benfica já ter ganho em Paços de Ferreira, por 2-0, na primeira partida. São bem mais divididos os confrontos de Rui Vitória com o Sp. Braga: ganhou seis vezes, empatou três e perdeu cinco.   Onde Paulo Fonseca tem clara superioridade é no confronto direto com Rui Vitória, que só lhe ganhou uma vez em dez jogos: na partida da primeira volta, em Braga, que acabou favorável ao Benfica por 2-0 e deu início à recuperação dos encarnados. Antes disso, Fonseca tinha ganho quatro vezes a Rui Vitória e empatado cinco – ainda que um destes empates, um 2-2 num V. Guimarães-FC Porto, tenha sido a gota de água que levou à saída de Fonseca do Dragão.   O Benfica marcou primeiro em nove dos últimos dez confrontos com o Sp. Braga – o outro acabou empatado a zero – mas só ganhou seis vezes, permitindo mais um empate e duas vitórias aos arsenalistas. A última vez que o Sp. Braga marcou primeiro num jogo com o Benfica já foi em Novembro de 2011, para a Liga., na Pedreira, quando Lima fez, de penalti, o 1-0 para os da casa, tendo Rodrigo depois estabelecido o empate.   O Sp. Braga não consegue evitar a desilusão na zona de Lisboa desde que ganhou ao Estoril, por 2-0, para a Liga, em Fevereiro do ano passado (golos de Ruben Micael e Pedro Santos). Depois disso, perdeu por 2-0 com o Benfica na Luz, por 4-1 com o Sporting em Alvalade, no desempate por penaltis com o mesmo Sporting no Jamor, na final da Taça de Portugal e, já esta época, por 1-0 no Estoril, por 3-2 com o Sporting em Alvalade e por 3-0 com o Belenenses no Restelo.   Além disso, o Sp. Braga não faz um golo fora de casa há quatro jogos, mais precisamente desde que ganhou por 2-1 em Sion, a 18 de Fevereiro, nos 1/16 de final da Liga Europa (marcaram Stojiljkovic e Rafa). Depois disso, os bracarenses empataram a zero com Arouca e Rio Ave, perderam por 1-0 com o Fenerbahçe e por 3-0 com o Belenenses.   Josué e Stojiljkovic marcaram nos últimos dois jogos do Sp. Braga, as vitórias em casa contra o Fenerbahçe (4-1) e o U. Madeira (2-0). O médio português não estará na Luz, fruto de uma lesão muscular, mas o atacante sérvio figura nos convocados de Paulo Fonseca.   Renato Sanches reencontra o adversário que lhe marcou a ascensão a titular no Benfica na Liga. O jovem médio jogou 15 minutos frente ao Tondela, a 30 de Outubro, depois um minuto com o Boavista, a 8 de Novembro, foi titular em Astana, a 25 do mesmo mês, e estreou-se como titular na Liga na vitória por 2-0 em Braga, a 30 de Novembro. Desde então, só ficou de forma contra o U. Madeira, por prevenção, e contra o Tondela, por ter visto o quinto amarelo frente ao Sporting.   O Sp. Braga nunca ganhou na Luz para a Liga. A única vitória que obteve em casa dos encarnados, em Outubro de 1954, foi num jogo efetuado no Jamor. Nessa altura, os minhotos impuseram-se por 1-0, fruto de um golo de Imbelloni. Em toda a sua história, os bracarenses só ganharam uma vez na Luz, mas foi para a Taça de Portugal: 2-1, em Dezembro de 2014, de virada, com golos de Aderlan Santos e Pardo a responder a um tento inaugural de Jonas. Para a Liga, o melhor que lá conseguiram foram vários empates. Sete nas últimas 20 visitas, para ser mais preciso.
2016-04-01
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Último Passe

A chamada de Renato Sanches aos jogos que Portugal vai fazer com a Bulgária e a Bélgica, no final deste mês, é absolutamente normal e esperada. Por muito que ela seja contestada, já se viram coisas muito mais estranhas. Aliás, no caso do médio benfiquista, estranho seria que Fernando Santos não aproveitasse os últimos jogos antes da convocatória final para o Europeu para ver a nova coqueluche do Benfica num ambiente de seleção A ao qual regressa Ronaldo, em princípio para voltar a jogar como ponta-de-lança. Renato Sanches tem passado nas seleções, pode dar à equipa nacional coisas que ela não tem em abundância, como a amplitude territorial em que se move, a meia-distância ou o arranque forte com bola. Mesmo longe de ser um jogador feito – ainda se lhe notam inconsistências, sobretudo nos comportamentos sem bola – tem sido fundamental na recuperação que trouxe o Benfica dos sete pontos de atraso que tinha quando ele entrou no onze para os dois de avanço que tem neste momento. Não tem um par de jogos como titular, como alguns elementos chamados no passado recente à seleção nacional, pelo que se justifica plenamente a sua convocatória. Aliás, em rigor, toda a convocatória de Fernando Santos parece absolutamente normal. É normal eu estejam Adrien e João Mário, os dois melhores médios do Sporting que, ainda assim, faz figura de desafiante na corrida ao título. É normal que apareçam William e Danilo, quanto mais não seja para Fernando Santos perceber qual dos dois quer levar ao Europeu, uma vez que não será fácil que caibam ambos. É normal que regressem Ronaldo, Danny e Ricardo Carvalho. Aliás, neste caso, o que foi anormal foi não terem estado na última convocatória. É normal que esteja Rafa, um fenómeno de aceleração de jogo no último terço, que pode ter um papel bem mais ativo do que há dois anos, quando foi a surpresa na lista para o Mundial. É normal que caiam Ruben Neves e Gonçalo Guedes, porque deixaram de ser opção no FC Porto e no Benfica. A única coisa anormal é mesmo que ainda esteja por testar um ponta-de-lança capaz de jogar com Ronaldo, algo que o regresso de Éder não vem propriamente resolver. O que me leva a crer cada vez mais que a ideia de Fernando Santos é mesmo a de sacrificar o CR7 na posição de avançado de referência. Talvez nem haja outra solução, mas a verdade é que não foi feito tudo para a encontrar.
2016-03-18
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O Benfica recebe o Tondela com os olhos na recuperação da liderança, perdida para o Sporting quando os leões ganharam o seu jogo desta 26ª jornada, no Estoril. E quando o que faz falta são golos, o normal é que se olhe para Jonas, o melhor marcador da equipa. Neste jogo, o brasileiro entra a pensar em dois hat-tricks. Um, mais evidente: se fizer três golos, iguala, em meados de Março, o total de tentos de toda a época passada. Outro, mais rebuscado: depois de ter marcado na Luz ao Zenit e ao U. Madeira, esta será a sua terceira oportunidade da época de fechar três jogos seguidos em casa sempre a marcar. Nas duas anteriores, falhou. Jonas soma até este momento 28 golos em 36 jogos efetuados. Desses 28, 26 foram marcados na Liga portuguesa, aos quais o brasileiro soma dois na Liga dos Campeões. Com mais um jogo do que em toda a época passada, Jonas está a três golos do total de então, pois em 2014/15 marcou 31 golos em 35 jogos. Já superou os totais de golos no campeonato (acabou a Liga anterior com 20), mas em contrapartida ainda não marcou na Taça da Liga nem o fez na curta carreira das águias na Taça de Portugal – e em 2014/15 obteve três golos em cada uma destas competições. Daqui se depreende que Jonas está a três golos do total obtido em toda a época anterior, podendo igualá-la se obtiver algo de raro nele: um hat-trick. Desde que chegou ao Benfica, só fez dois. O primeiro logo na primeira vez que foi titular, frente ao Sp. Covilhã, em Outubro de 2014, e o segundo na vitória de Janeiro sobre o Nacional, na Choupana. Resta dizer que, mesmo que consiga esse hat-trick contra o Tondela, Jonas ainda ficará a um golo do seu melhor campeonato de sempre, que foi o Brasileirão de 2010: ao serviço do Grêmio, fez 32 golos em 33 jogos, chamando a atenção dos olheiros do Valência. Mais fácil será o segundo hat-trick de que se fala. Jonas marcou nas duas últimas partidas do Benfica na Luz, contra o Zenit (fez o 1-0 no último minuto de jogo) e o U. Madeira (bisou, na vitória do bicampeão nacional por 2-0). Foi a terceira vez que o brasileiro marcou em dois jogos seguidos do Benfica em casa esta época, sendo que nas duas anteriores falhou à terceira partida. Tal aconteceu nos 2-0 ao Astana, em meados de Setembro, após o golo nos 3-2 ao Moreirense e o bis nos 6-0 ao Belenenses, e na derrota por 2-1 com o FC Porto, em Fevereiro, na sequência do bis nos 6-0 ao Marítimo e no golo nos 3-1 ao Arouca. Para se encontrarem três jogos seguidos do Benfica na Luz com Jonas a marcar é preciso recuar à época passada. Nessa altura, entre Dezembro e Fevereiro, o brasileiro até conseguiu cinco, quando marcou no 1-0 ao Nacional, nos 3-0 ao V. Guimarães, nos 4-0 ao Arouca, nos 3-0 ao Boavista e nos 3-0 ao V. Setúbal. Mais tarde, entre Fevereiro e Abril, ainda conseguiu quatro jogos consecutivos a marcar na Luz: bisou nos 6-0 ao Estoril, marcou no 2-0 ao Sp. Braga, bisou nos 3-1 ao Nacional e voltou a bisar nos 5-1 à Académica. O confronto entre Rui Vitória e Petit só se desequilibrou a favor do treinador do Benfica esta época, quando os encarnados ganharam na Luz ao Boavista de Petit por 2-0, em Novembro. Antes disso, os dois treinadores já se tinham defrontado por três vezes, com um empate e uma vitória para cada lado e a curiosidade de a equipa de Rui Vitória ter beneficiado de um penalti em todos os jogos. Em Outubro de 2014, o V. Guimarães de Vitória ganhou ao Boavista de Petit por 3-0, perdendo depois por 3-1 no Bessa, em Março de 2015. Pelo meio, em Janeiro, as duas equipas tinham empatado a dois golos no Porto para a Taça da Liga.   Será o segundo jogo do Benfica sem Renato Sanches desde que, na sequência da eliminação da Taça de Portugal, frente ao Sporting, o jovem assumiu a titularidade, em Astana, em meados de Novembro. Na ausência anterior, para o poupar à possibilidade de um quinto amarelo que o afastasse do dérbi de Alvalade, o Benfica ganhou por 2-0 ao U. Madeira. Desde então, Renato esteve em 22 jogos, dois dos quais como suplente utilizado, sendo que o Benfica empatou dois e perdeu outros tantos.   O Tondela obteve fora de casa sete dos oito pontos conquistados sob o comando de Petit. Fê-lo ganhando ao Moreirense (2-1) e ao Rio Ave (3-2), empatando pelo meio com o Sporting em Alvalade (2-2). A exceção foi o ponto saído do empate em casa contra o V. Guimarães (1-1).   Aliás, o Tondela vem com seis jogos seguidos sempre a marcar golos fora de casa… mas também sofreu sempre e só numa dessas ocasiões encaixou menos de dois golos. A última vez que o seu ataque ficou em branco em viagem foi a 6 de Dezembro, frente ao U. Madeira (0-2), ainda com Rui Bento aos comandos. Desde então marcou em Vila do Conde (3-2 ao Rio Ave), em Coimbra (1-2 com a Académica), em Alvalade (2-2 com o Sporting), na Choupana (1-3 com o Nacional), na Amoreira (1-2 com o Estoril) e em Moreira de Cónegos (2-1 ao Moreirense).   Curioso é que em três das quatro últimas deslocações o Tondela teve um penalti a favor. Nathan Junior marcou ao Moreirense, ao Estoril e ao Sporting, sendo a exceção a deslocação ao Nacional. A curiosidade aumenta quando se percebe que o Benfica é a única equipa da Liga que ainda não teve um penalti contra em toda a prova.   Este será apenas o segundo encontro entre Benfica e Tondela na história dos clubes. No anterior, que teve lugar em Aveiro, em finais de Outubro, os encarnados ganharam por 4-0, com golos de Jonas, Gonçalo Guedes, Carcela e Berger (este na própria baliza).   Esse foi, de resto, o último jogo de Berger pelo Tondela, o defesa-central austríaco que até tinha feito ao Benfica o primeiro golo em Portugal, numa histórica vitória da Académica na Luz, por 3-0, em Abril de 2008. Kaká, outro dos defesas-centrais do Tondela, também esteve nesse jogo com a camisola da Académica.
2016-03-14
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Último Passe

As ausências de André Almeida e Jardel, por castigo, somadas às de Júlio César, Lisandro López e Luisão, estes por lesão, colocam a Rui Vitória um problema de difícil resolução. O Benfica enfrenta o jogo do qual depende a continuidade na Liga dos Campeões, no qual será fundamental manter a solidez atrás, sem o guarda-redes titular, sem as três primeiras escolhas para o centro da defesa e sem ter ainda resolvido por inteiro a questão que se lhe coloca acerca da composição do meio-campo nos jogos de maior grau de exigência. Ainda assim, num jogo em que o primeiro golo pode ser a chave, Vitória deve mexer o mínimo possível, de forma a aproveitar o embalo emocional que o sucesso no dérbi de sábado lhe trouxe. Vai ter de inventar, mas não mais do que o necessário, com a consciência de que este Zenit pode exigir ao Benfica algo que a equipa ainda não mostrou de forma consolidada: que é capaz de ser sólida em desafios de exigência elevada. A vitória em Alvalade, no sábado, como a conquistada em Madrid, no Outono, são as exceções que confirmam a regra: este continua a ser um Benfica mais talhado para jogar contra equipas fracas. Ao todo, em quatro jogos com o Sporting, dois com o FC Porto, dois com o Atlético Madrid, dois com o Galatasaray, um com o Sp. Braga e um com o Zenit, o Benfica, o Benfica só ganhou cinco de doze jogos de grau de dificuldade mais elevado. Pode até chegar para alcançar os objetivos – em São Petersburgo, por exemplo, basta uma derrota pela margem mínima, desde que com golos marcados –, mas deve servir de ponto de partida para uma reflexão interna acerca dos equilíbrios da equipa, que precisa de juntar outro avançado a Jonas para rentabilizar aquele que é o seu melhor jogador e não encontrou ainda uma forma satisfatória de preencher a zona central do meio-campo quando Renato Sanches se torna naquilo a que o treinador chamou “talento selvagem” e perde as referências no jogo sem bola. Problemático é que estas questões se agravem pela ausência de jogadores que são tão importantes nos momentos defensivos, como Jardel ou André Almeida. Lindelof tem respondido muito bem, sobretudo se tivermos em conta que era a quarta opção para o centro da defesa no início da época, mas o que se lhe pedirá no Petrovskyi é que comande o setor, provavelmente com Fejsa a seu lado e sem a ajuda de André Almeida, um lateral cujo principal atributo é a solidez defensiva. A dúvida coloca-se depois, na constituição do meio-campo e do ataque. Salvio à direita com Pizzi no apoio a Mitroglou (ou Jiménez, mais talhado para jogar longe da equipa) ou Jonas com Mitroglou e Pizzi a vir da direita para dentro, no apoio a Samaris e Renato? Rui Vitória saberá melhor que ninguém em que ponto está a recuperação de Salvio e se ele já é capaz de responder num jogo deste grau de exigência, ainda que todos saibamos que nestas coisas o risco maior está na experimentação e não na continuidade. Repetir os seis da frente de Alvalade pode ser uma forma de aproveitar não apenas as rotinas que a equipa vem construindo como a confiança que adquiriu no campo do maior rival. Mas, até pela escassez de golos nos mais recentes jogos do Zenit (0-1, 1-0 e 0-0), a chave da eliminatória estará sempre no primeiro golo. Se o marca o Benfica, pode repetir-se a história do dérbi; se o marca o Zenit o jogo deverá pedir um upgrade àquilo que este Benfica tem mostrado.
2016-03-09
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Jonas obteve, na vitória do Benfica frente ao U. Madeira (2-0) o 10º bis da época, depois de já ter marcado por duas vezes nos jogos com Estoril (4-0), Belenenses (6-0), Paços de Ferreira (3-0), Académica (3-0), Rio Ave (3-1), Marítimo (6-0), Moreirense (4-1) e Belenenses (5-0). Para se chegar aos dez jogos é preciso juntar um hat-trick, ao Nacional (4-1).   Com os dois golos ao U. Madeira, o brasileiro voltou a colocar-se no primeiro lugar da corrida à Bota de Ouro de 2016. Soma 26 golos no campeonato, prova onde marcou a todas as equipas menos cinco: Sporting, FC Porto, Sp. Braga, V. Guimarães e Boavista. Destas cinco, conseguiu na época passada marcar a Sp. Braga, V. Guimarães e Boavista, o que significa que em Portugal só Sporting e FC Porto não sabem ainda o que é sofrer um golo de Jonas.   Jonas soma estes 26 golos em 24 jornadas, produção muito melhor que a da época passada, na qual, é verdade, só começou a jogar à 7ª ronda. À 24ª jornada, Jonas tinha no ano passado apenas nove golos, tendo depois feito mais onze nas dez partidas que restaram até final da época. Há 14 anos que nenhum jogador tinha tantos golos marcados à 24ª jornada da Liga portuguesa. O último foi Jardel, que em 2001/02 chegou a este ponto com 28 golos marcados.   Além disso, Jonas igualou o melhor marcador do Benfica num campeonato deste século, que foi Oscar Cardozo, autor de 26 golos nas 30 rondas de 2009/10. Basta-lhe fazer mais um para se isolar nesta tabela e continuar a perseguir Mats Magnusson, que acabou as 34 jornadas de 1989/90 com 33 golos.   Contabilizando todas as provas, Jonas marcou golos pela terceira partida consecutiva, depois de já ter feito o golo da vitória sobre o Zenit (1-0) e de ter marcado um na vitória em Paços de Ferreira (3-1). Foi a primeira vez que o brasileiro marcou em três jogos consecutivos nesta época, sendo que na anterior tem duas séries de quatro jogos seguidos a marcar.   Quem ficou em branco foi o grego Mitroglou, que assim parou a sua série de jornadas de Liga sempre a marcar nas sete. Tinha marcado ao Nacional (4-1), ao Estoril (2-1), ao Arouca (3-1), ao Moreirense (4-1), ao Belenenses (5-0), ao FC Porto (2-1) e ao Paços de Ferreira (3-1), antes de voltar aos zeros frente ao U. Madeira. Igualou um registo que ninguém conseguia obter desde Jackson Martínez, que marcou sempre entre a segunda e a oitava jornada de 2012/13.   Vinte jogos depois, Renato Sanches falhou um jogo do Benfica. Rui Vitória poupou o médio, que tem quatro amarelos na Liga e por isso corria o risco de ficar suspenso para o jogo com o Sporting, na 25ª jornada. Renato vinha com 20 jogos seguidos sempre a jogar, 18 como titular e dois como suplente utilizado (ambos na Taça da Liga), sendo que não ficava a ver os companheiros jogar precisamente desde a última visita a Alvalade, a derrota (1-2, após prolongamento) para a Taça de Portugal.   O U. Madeira somou a terceira derrota consecutiva fora de casa, depois de perder em Guimarães (1-3 com o Vitória) e em Arouca (0-3). Nas últimas sete deslocações, perdeu seis: todas menos o jogo com o Marítimo, que ganhou por 1-0, mas para o qual não teve de sair da Madeira.   Ganhando ao U. Madeira, o Benfica chega à 24ª jornada com 58 pontos, menos quatro do que na época passada com igual número de partidas jogadas. Apesar de estar apenas a um ponto da liderança, é o Benfica com menos pontos desde 2011/12, quando chegou à 24ª ronda com 56 pontos, a dois do líder, que era o Sp. Braga – e acabou a Liga em segundo lugar, com 69, a seis do FC Porto. Não se vê um campeão com tão poucos pontos desde essa mesma época, pois o FC Porto, que acabou na frente, com 75 pontos, tinha apenas 57 à 24ª jornada.   Os dois golos que os encrnados marcaram ao U. Madeira chegam para que a equipa de Rui Vitória se mantenha como melhor ataque da competição, com 65 golos marcados, mas 16 do que o segundo melhor ataque, que é o do Sporting (tem 49). Mas já deixou de ser preciso ir tão atrás para se encontrar um Benfica tão concretizador como este: esta equipa tem mais cinco golos do que na época passada (somava 60 à 24ª jornada), mas menos um do que em 2012/13 (estava nos 66 após 24 jogos).
2016-03-01
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Último Passe

A possibilidade recentemente levantada de o Benfica vir a jogar frente ao Zenit com Gaitán atrás de um só ponta-de-lança é uma das respostas possíveis ao dilema que afeta Rui Vitória e que em larga medida já afetava Jorge Jesus antes dele. Um dilema que prova que uma equipa é muito mais aquilo que se são os seus jogadores do que o que querem os seus treinadores. Aliás, no caso deste Benfica, falar em problema pode ser um exagero um pelo menos uma visão parcelar de uma mesma realidade. Depende do lado da moeda que virmos. O que me leva a concluir que, mais do que mudar, o Benfica tem de evoluir. E evoluir nunca pode passar pela anulação do seu melhor jogador, que é Jonas. Querem ver a coisa pelo lado mau? A jogar só com dois médios, mais ainda quando um deles é Renato Sanches, que sai muito da posição e a quem falta ainda, como é natural, experiência e capacidade tática no jogo sem bola, o Benfica destapa-se muito. Mas, se quer aproveitar Jonas, o Benfica tem de jogar com dois avançados e, obrigatoriamente, com dois médios, porque já se viu que, essencialmente por falta de efetividade de uma segunda zona de pressão, a possibilidade de fazer um dos alas (quase sempre Pizzi) derivar para o meio, em apoio aos médios-centro, pode resultar em falta de controlo da largura e em espaço a mais para os extremos do adversário entrarem em movimentos diagonais potencialmente letais. Pronto, agora vejamos a coisa pelo lado bom. Renato Sanches é uma máquina atacante e tem um pulmão inesgotável: com ele a carregar a equipa para a frente, o Benfica aumenta exponencialmente as possibilidades de desequilibrar no último terço. E Jonas, provavelmente o melhor jogador do último campeonato, pela capacidade técnica e de leitura de jogo, que o leva a tomar constantemente a melhor decisão tendo em conta aquilo de que a equipa necessita, não tem de ser visto como um problema, podendo, antes, ser uma solução. Grande parte da explicação para o facto de este Benfica ser muito forte com os fracos e mais fraco com os fortes tem a ver com o DNA da equipa. O papel do treinador é o de mascarar os defeitos e exaltar as virtudes. Tanto Jonas como Renato têm virtudes e defeitos. A necessidade de jogar com dois avançados serve para mascarar o defeito de Jonas, que não é capaz de render o mesmo sem referências frontais, sem tabeladores próximos. A eventualidade de jogar com três médios servirá para disfarçar o defeito de Renato, para manter o corredor central sempre bem preenchido nos momentos em que ele dispara para desequilibrar. A solução seria fácil se a equipa pudesse jogar com 12. Não pode, pelo que a mim me parece que o remédio não está na mudança e sim na evolução de Renato, que ainda é um miúdo e tem tempo para se transformar num número oito de classe mundial. Se mudar agora em vez de esperar pela evolução, Rui Vitória estará possivelmente a aumentar as hipóteses que tem de ganhar o jogo – e tempo para si próprio – mas estará a impor limites ao crescimento do jovem mais promissor alguma vez saído das escolas do Seixal. Ninguém disse que era uma decisão fácil…
2016-02-16
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O Benfica soma golos em cima de golos e Rui Vitória começa a convencer aqueles que dele tanto duvidavam. As reações têm sido múltiplas, entre os que dizem que os verdadeiros testes vão chegar agora, os que atribuem a melhoria à capacidade individual e à criatividade de três ou quatro jogadores muito acima da média e os que dizem que há muto trabalho do treinador na forma como a equipa subiu de rendimento. Todos têm razão. Porque este Benfica não descolou enquanto Rui Vitória não largou o ideário dos últimos anos e isso levou tempo, mas nunca conseguiria fazê-lo sem a capacidade individual dos seus melhores jogadores e, sim, faltam os testes a sério. Porque se já se sabe que este Benfica é capaz de ser muito forte com os mais fracos, ainda não se percebeu se sabe ser igualmente forte com aqueles que estão ao seu nível. Aquilo que se vê neste momento do Benfica é um futebol ofensivo avassalador, muito por culpa da criatividade e da tomada de decisão de Jonas, Gaitán e Pizzi, da presença na área que é assegurada por Mitroglou, das acelerações dadas ao jogo por Carcela e da dinâmica imprimida no transporte de bola por Renato Sanches. Tudo individualidades, ainda que, com exceção de Carcela e Sanches, que eram preteridos em favor de Gonçalo Guedes e da acumulação de Samaris com Fejsa, todos lá estivessem no penoso início de época em que o Benfica perdia tanto como ganhava. Ora é aí que entra o trabalho do treinador. Porque este Benfica comporta-se agora de forma muito diferente do que fazia nesse início de época. O Benfica de agora joga muito mais curto, com linhas mais próximas e sem a obsessão pela largura que revelava há uns meses, dessa forma favorecendo as coberturas e aumentando a possibilidade de tabelas. E ainda que o comportamento de Renato Sanches, que é ofensivamente tão vistoso, deixe muito a desejar quando a equipa perde a bola – seja porque está geralmente fora do sítio em transição defensiva ou porque ainda percebe mal as necessidades da equipa em organização defensiva – torna a equipa muito menos vulnerável aos ataques lançados pelos adversários. Por que é que isto levou tanto tempo a engendrar? Difícil responder. Mas aquilo que o Benfica vem fazendo permite ter teorias. Primeira de todas: as equipas levam tempo a construir. É que o maior problema do Benfica era, simultaneamente, a sua maior vantagem: a herança de seis anos de trabalho com Jesus. Na Supertaça, contra o Sporting, Jesus jogou bem mentalmente e, com o que disse, obrigou Vitória a abdicar dos suportes dessa herança, obrigou-o a mudar quando ainda era demasiado cedo para o fazer. Mas Vitória, que teve uma pré-época catastrófica por força daquilo que o Benfica quis lucrar na digressão à América do Norte, também terá evoluído na sua forma de pensar. O que se viu no dérbi com o Sporting, na Luz, nesses 0-3 de que o Benfica saiu tão diminuído, foi uma equipa com ideias desajustadas ou pelo menos impraticáveis contra adversários do mesmo nível: largura total, muitos passes laterais a atravessar o corredor central sem cobertura defensiva, convidando o adversário à interceção e à transição. O Benfica de hoje já não é isso. Joga com linhas mais próximas e favorece a diagonal dos alas para o corredor central, onde funcionam como ponto de apoio para progressões trianguladas mais seguras. Trocou a largura e a vertigem por uma posse com cabeça. Chegará para ganhar ao FC Porto e inflar ainda mais o balão da expectativa benfiquista? Essa é a grande dúvida da semana que vai entrar. Porque, por exemplo, no jogo da Taça de Portugal em Alvalade, o novo Benfica não foi capaz de se impor a um adversário do mesmo nível, nem mesmo beneficiando de um golo a frio que podia ter encaminhado o jogo para um desfecho completamente diferente. A favor dos encarnados está o facto de também o FC Porto de Peseiro ser uma equipa em mudança de processos e por isso a precisar do tal tempo de que precisou o Benfica de Vitória. Ou o facto de o Zenit de André Villas-Boas estar a regressar das férias de Inverno e ainda sem o ritmo competitivo de que precisaria para dar uma resposta à altura. Certo é que a próxima semana e meia definirá muito do que vai ser esta época para o Benfica. In Diário de Notícias, 08.02.2016
2016-02-08
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Último Passe

A vitória do Benfica em Moreira de Cónegos, por concludentes 4-1, confirmou que os bicampeões nacionais estão bem vivos na corrida ao título. Mantêm-se a dois pontos do Sporting, que lidera, mas voltaram a revelar frente ao Moreirense uma coordenação ofensiva que neste momento mais ninguém exibe em Portugal. Foi a noção exata dos espaços e das movimentações coletivas, tão diferente daquilo que esta equipa fazia há meio campeonato, quando estava em crise de identidade, que permitiu ao Benfica dar uma expressão tão desequilibrada no marcador a um jogo em que o adversário até mostrou coisas boas. Jonas, com mais dois golos e uma assistência, voltou a ser decisivo, mas esteve sempre muito bem acompanhado por Pizzi, a tal peça móvel que dá consistência e desequilíbrio ao meio-campo, e por Gaitán, que voltou a mostrar que está de volta com mais um golo. Mitroglou fez o golo já habitual e Renato Sanches soube empurrar a equipa para a frente, mostrando categoria, por exemplo, na forma como lançou Eliseu no lance do 2-0. É que essa altura foi importante no jogo. Depois de um início impositivo do Benfica, a empurrar o Moreirense para trás até fazer o 1-0, num lance em que Pizzi abriu na direita antes de descobrir a cabeça de Jonas na área, a equipa de Miguel Leal reagiu. Bem servido pela capacidade de desequilíbrio de Iuri Medeiros, sempre ativo e perigoso, bem como pela velocidade de Boateng, o Moreirense deu a ideia de que podia discutir o jogo, mas foi apanhado em contrapé mesmo antes do intervalo pela tal combinação Renato-Eliseu, convertida de primeira por Mitroglou. Apesar do 0-2, o Moreirense continuou vivo na segunda parte. Só que quando se pensava que um golo da equipa da casa poderia reabrir o jogo, foi o Benfica quem chegou aos 4-0, com mais dois golos de rajada. Jonas marcou o terceiro, após solicitação de Pizzi, e ofereceu o quarto a Gaitán. Com o assunto arrumado, o que sobrou de jogo serviu apenas para o Moreirense fazer um golo que Iuri Medeiros mereceu, pela insistência e qualidade que colocou sempre na sua procura. O açoriano, que já tinha marcado ao Benfica a meio da semana, tem futebol para mais do que este Moreirense, mas não chegou para dar uma alegria ao Sporting, que o tem ali emprestado.
2016-01-31
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Renato Sanches fez o segundo golo da época e o primeiro decisivo, garantindo a vitória do Benfica frente ao V. Guimarães por 1-0. Os encarnados não ganhavam um jogo na Liga graças a um golo de um jogador ainda júnior desde 7 de Março de 2004, quando bateram fora o Gil Vicente por 2-1 graças a um golo de Manuel Fernandes, a 12’ do fim. - Esta época, o Benfica já tinha ganho um jogo graças a um golo de um miúdo de 18 anos, mas fê-lo na Liga dos Campeões, em Setembro: foi o 2-1 em Madrid, frente ao Atlético, graças a um golo de Gonçalo Guedes.   - O golo de Renato foi ainda o primeiro do Benfica na Liga sem participação direta de Jonas desde a vitória em Setúbal, por 4-2, a 12 de Dezembro. Nesse jogo, o brasileiro não participou no quarto golo encarnado, marcado na própria baliza por Ricardo depois de um remate de Mitroglou ao poste.   - A vitória em Guimarães foi a terceira seguida do Benfica, depois dos sucessos contra o Rio Ave e o Nacional (este na Taça da Liga). Os encarnados igualaram assim as três melhores séries da época, todas compostas por três vitórias consecutivas. Nas três primeiras, caíram ao quarto jogo, contra o FC Porto (0-1), o Galatasaray (1-2) e o Sporting (1-2).   - Foi, além disso, o oitavo jogo seguido do Benfica sem perder na Liga, numa série que começou após a derrota contra o Sporting, na Luz, a 25 de Outubro. Desses oito jogos, os encarnados saíram sete vezes vencedores, empatando apenas frente ao U. Madeira, na Choupana. E só por duas vezes sofreram golos: nos 4-2 em Setúbal e nos 3-1 em casa ao Rio Ave.   - Quinto jogo consecutivo do V. Guimarães sem marcar um golo sequer ao Benfica. O último golo dos vimaranenses na baliza dos encarnados aconteceu no Jamor, em Maio de 2013, e foi marcado por Ricardo Pereira, garantindo a conquista da Taça de Portugal à equipa então comandada por Rui Vitória. Desde então, o Vitória soma quatro derrotas e apenas um empate a zero, em casa, na penúltima ronda da Liga anterior.   - O jogo marcou a segunda derrota consecutiva do V. Guimarães em casa, depois de ter perdido por 4-3 com o Marítimo. Desde Abril de 2014, quando perderam de enfiada com Estoril (1-3) e Arouca (2-3) que os vimaranenses não perdiam duas vezes seguidas no seu terreno.   - Segunda vitória em outros tantos jogos de Rui Vitória contra as suas ex-equipas nesta Liga. Depois dos 3-0 em casa ao Paços de Ferreira ganhou agora por 1-0 fora ao V. Guimarães.   - Cafu fez o 50º jogo com a camisola do V. Guimarães, depois da estreia, em Agosto de 2014, numa vitória por 3-1 frente ao Gil Vicente. O treinador que o lançou, Rui Vitória, estava agora no banco oposto.   - O Benfica continua a ter o melhor ataque da Liga, com 35 golos marcados em 15 jogos, o seu melhor parcial em 15 jogos desde 2012/13, quando chegou à 15ª jornada com 39 golos obtidos. A pontuação é que não é famosa: soma 34 pontos, menos seis que na época passada à mesma altura. Desde 2010/11 que o Benfica não tinha tão poucos pontos à 15ª jornada – nesse ano somava 33.
2016-01-03
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Último Passe

Um golo marcado na raça por Renato Sanches, na recarga a um primeiro remate que ele próprio já fizera na ressaca de um pontapé de canto afastado pela defesa adversária, permitiu ao Benfica ganhar um jogo muito difícil em Guimarães e assistir no conforto do autocarro ao clássico de Alvalade com a certeza de que beneficiará de qualquer resultado que ali venha a verificar-se. A vitória do Benfica foi justa, porque apesar do bom aproveitamento estratégico duas suas lacunas pela equipa de Sérgio Conceição, os encarnados tinham tido a maioria das escassas ocasiões de golo de uma partida que desde cedo se pôs dura e propícia a ser ganha nos duelos. Ora a capacidade de Renato para, nesses mesmos duelos, impor o físico, evitar cair e queimar linhas em posse foi a maior arma do Benfica neste jogo, que o Vitória abordou com agressividade no pressing sobre a primeira fase de construção encarnada. Conceição não temia partir a equipa quando mandava os seus quatro homens da frente apertar na saída de bola do adversário. Quando conseguiam que a pressão fosse eficaz, Licá, Xande e Dourado criavam condições para que Otávio pudesse colocar a retaguarda benfiquista em apuros; em todas as outras ocasiões, Renato saía embalado para o choque com o resto da equipa vimaranense e transportava os campeões nacionais para onde são mais perigosos, que é nas imediações da área adversária. Mesmo num dia de sub-rendimento de Jiménez e Gaitán, este ainda a acusar o regresso de longa paragem. O jogo punha-se, assim, dividido, com a ideia de que o golo podia aparecer em qualquer baliza. Na primeira parte, Licá e Jonas tiveram as melhores situações para chegar ao golo. O vimaranense perdeu a dele por tentar oferecer o golo a um colega, depois de grande abertura de Xande, permitindo a interceção da defesa adversária, enquanto que o benfiquista obrigou o guardião Miguel Silva a grande defesa, após mais uma insistência de Renato Sanches. A chave do jogo estava aí mesmo – na insistência. E depois de Pizzi ter visto o guardião vimaranense tirar-lhe o golo, num lance em que seguia isolado por Jonas para a baliza, Renato marcou mesmo o golo da vitória, a pouco mais de um quarto-de-hora do final. O Vitória já não teve arte para regressar a um jogo que o Benfica fez por ganhar, anunciando a aproximação do Benfica às contas do título. Suceda o que suceder daqui a pouco em Alvalade.
2016-01-02
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Último Passe

A sétima derrota da época para o Benfica, em casa com o Atlético Madrid, por 2-1, custou o primeiro lugar do Grupo C da Liga dos Campeões, a desfeita de poder vir a enfrentar um “tubarão” nos oitavos-de-final, mas o forcing final dos encarnados, a encostar os espanhóis atrás, terá servido para adocicar sensações e evitar que o desaire deixasse sequelas a nível psicológico. As últimas imagens são as que perduram e as últimas imagens do jogo da Luz são as de um Benfica a forçar e a impedir o Atlético de sair sequer do seu meio-campo. Mas o jogo não foi sempre assim. E por isso, entre algumas certezas e aspetos animadores, também terá avolumado muitas dúvidas na cabeça de Rui Vitória. Uma das dúvidas que já é quase certeza é acerca da incapacidade de Jonas para jogar como ponta-de-lança de referência. Vitória voltou a usar o 4x2x3x1 dos jogos mais exigentes, mas desta vez, como não havia risco de eliminação, terá decidido dar ao brasileiro o lugar mais avançado no esquema, na esperança de que resultasse e de que assim conseguisse resolver o dilema principal deste Benfica. Que é: o que fazer com Jonas em jogos onde precisa de três médios? Só que Jonas não apareceu. Dispersou-se pelo campo, mas nunca ligou com Gaitán nem foi o homem de referência de que o Benfica precisava, fazendo com que, mesmo tendo mais bola durante toda a primeira parte, os encarnados nunca criassem verdadeiro perigo para a baliza de Oblak. E essa dúvida – avolumada pelo facto de, na primeira vez que tocou na bola, depois de entrar, aos 45’, Mitroglou ter criado um lance de golo iminente – terá contribuído para uma outra: qual é o melhor esquema para o Benfica? O 4x2x3x1 que tão bem funcionara em Braga, por exemplo, porque se montou em cima de uma vantagem madrugadora, falhou desta vez, pois o Benfica só foi perigoso no final, quando juntou dois avançados. Aqui entra em equação a questão do meio-campo. Os adeptos saíram animados com a prestação de Renato Sanches, importante na forma como liderou a equipa – sim, liderou, é verdade – no assalto final à baliza de Oblak. Mas nessa altura juntaram-se duas coisas: cansaço e desorientação de um adversário que até ao golo de Mitroglou mandara no campo, fruto do seu posicionamento mais inteligente e bem aprendido. Se há coisa que Renato Sanches tem é pulmão. Se há coisa que ainda lhe falta é alguma clarividência, para impedir que lhe ganhem as costas, como sucedeu, por exemplo no primeiro golo do Atlético, marcado por Níguez. Isso trabalha-se: o miúdo tem 18 anos… Mas não permite a Rui Vitória pensar na construção de um meio-campo só com Fejsa e Renato para os jogos da Liga dos Campeões, por mais apoio que Pizzi dê à dupla nas constantes movimentações da ala para o meio. E esse apoio também foi uma das coisas boas do jogo. Sem grande explicação ficam as razões pelas quais o Benfica só começou a jogar depois do golo de Mitroglou. Até aí, aos 75’, mandaram no campo a pressão defensiva do Atlético, sempre a cortar linhas de passe de forma eficaz, e as saídas trianguladas que os espanhóis conseguiam orquestrar. Os dois golos, de Níguez e Vietto, eram justos na altura em que apareceram. Mas depois do golo de Mitroglou, o Benfica ainda podia ter chegado ao empate, tão transfigurado ficou o jogo: Jiménez, por exemplo, teve o 2-2 na cabeça. É por isso que, tendo sido pior do que o Atlético, o Benfica não sai por baixo no jogo e pode encarar os próximos desafios de cabeça erguida. A começar já em Setúbal.
2015-12-08
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Carlos Manaca era um bom defesa-central, daquele tempo do futebol “rock and roll”, em que os jogadores eram todos bons. Ou pelo menos era isso que ouvíamos contar na rádio. Mas Manaca era mesmo bom. Notabilizou-se com a camisola do Sporting, que deixou aos 28 anos, para jogar nos Estados Unidos, mas nada fez tanto pela eternização do seu nome como um autogolo, já depois de ter regressado a Portugal. Os autogolos são o dia-a-dia dos defesas-centrais, mas o autogolo de Manaca foi especial, porque valeu a vitória do Sporting em Guimarães e porque essa vitória valeu aos leões o título nacional de 1980, ganho ao sprint ao FC Porto. Quase 40 anos depois, a história de Manaca regressou, mas agora Manaca chama-se Tonel. O problema de Tonel, o defesa-central que também se notabilizou com a camisola do Sporting, saiu para a Croácia e depois regressou a Portugal, é que o penalti que ele fez no último minuto do jogo com os leões foi filmado por mais de uma dezena de câmaras de televisão. Mais. Além disso, Tonel fez um penalti que valeu uma vitória ao Sporting – não um título, pelo menos por enquanto – numa altura em que há redes sociais. Tonel, o Manaca turbinado pelo Twitter e pelo Facebook, tem, tal como tinha Manaca, toda uma carreira atrás dele, mas nem isso impediu milhares de adeptos de garantirem que ele tinha feito o serviço encomendado em benefício do ex-clube, que sem o penalti que ele cometeu não teria ganho ao Belenenses. O assunto foi “trending topic” durante uma semana, até que os mesmos adeptos que tinham crucificado Tonel perceberam envergonhados que há por aí mais Manacas. Veio a jornada seguinte e o Benfica ganhou à Académica por 3-0. Não jogou enormidades, mas foi a única equipa em condições de chegar à vitória, a única que a procurou. Ainda assim, colocou-se em vantagem com dois penaltis perfeitamente desnecessários, cometidos por Trigueira e Ofori, e convertidos por Jonas, que aproveitou para passar a barreira dos dez golos antes do Natal pela primeira vez desde que está na Europa. Pressionado pelo Benfica, o FC Porto viu-se a perder contra o Paços de Ferreira, chegou ao empate ainda antes do intervalo, mas só virou o jogo de penalti, na sequência de um lance em que Marco Baixinho, defesa-central do Paços, começou por atrasar mal a bola para o seu guarda-redes, para depois ir rasteirar Herrera dentro da área, impedindo que ele tirasse vantagem do erro original. Manacas? Claro que sim. Mas só no sentido em que os erros podem perfeitamente acontecer a quem vive a profissão no fio da navalha. Quase parecia uma onda solidária, uma espécie de “Je suis Tonel” – ou “Je suis Manaca”… – dos jogadores que defrontaram os grandes. Mas é pena que os que se entretêm a identificar Manacas – ou Toneis -  não sejam capazes de perceber que se Benfica, FC Porto e Sporting ganharam os seus jogos desta jornada não foi por causa dos erros dos adversários. No Benfica-Académica houve o detalhe tático de um meio-campo que começa a carburar melhor devido à dupla missão de Pizzi, que parte de uma das alas mas compõe bem o meio, mas também ao vigor e à potência do júnior Renato Sanches, autor de um jogo muito interessante e de um golaço num remate a 30 metros que terá valido o bilhete a quem foi ao estádio. No FC Porto-Paços de Ferreira houve um excelente golo de Corona, pela ligação entre os dois extremos – ele e Brahimi – e pela classe do mexicano na definição face ao guarda-redes. E houve uma espécie de renascimento de Herrera, a manter os níveis de intensidade e competitividade da equipa. E no Marítimo-Sporting houve um líder operário, a saber sofrer antes e depois da bela jogada coletiva que deu o golo a Adrien, bem como um Rui Patrício de seleção, autor de duas defesas gigantes a preservar a vantagem. Disso, porém, só se lembram os adeptos dos clubes que ganharam. E diz muito sobre o nosso futebol que até esses prefiram lembrar os erros que levaram aos golos dos rivais. Porque quando vemos futebol estamos sempre em busca de um Manaca. Mesmo que Manaca tenha feito muito mais do que aquele autogolo. In Diário de Notícias, 07.12.2015
2015-12-07
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- Renato Sanches fez o terceiro golo do Benfica na vitória sobre a Académica (3-0), tornando-se o primeiro jogador de 18 anos a marcar pelos encarnados desde que Manuel Fernandes o fez, em Março de 2004. Na altura, o médio que hoje representa o Lokomotiv Moscovo ajudou o Benfica a vencer fora o Gil Vicente, por 2-1, com 18 anos, um mês e dois dias.  Renato Sanches tem 18 anos, três meses e meio.   - Os dois primeiros golos do Benfica foram marcados por Jonas, de penalti. Não é uma situação assim tão invulgar. A última vez que os encarnados fizeram dois golos de grande penalidade num mesmo jogo foi a 11 de Fevereiro, na receção ao V. Setúbal, para a Taça da Liga, na qual o placar foi aberto com dois penaltis na ponta final da primeira parte. Nessa altura converteram-nos Talisca e Pizzi, tendo Jonas fechado o marcador final (3-0), já no segundo tempo.   - O último jogador do Benfica a marcar dois golos de penalti num jogo foi Cardozo, em 7 de Abril de 2014. O paraguaio bisou na segunda parte, num jogo de campeonato contra o Rio Ave, na Luz, que acabou com 4-0 para os da casa, depois de Rodrigo e Gaitán terem colocado o Benfica a ganhar por 2-0 ainda no primeiro tempo.   - Este foi o terceiro jogo do presente campeonato com mais de um penalti. Até aqui, Bruno Esteves tinha assinalado três no Académica-Sporting e Carlos Xistra marcara dois no Sp. Braga-Marítimo. No jogo de Coimbra, dois dos penaltis assinalados foram a favor dos leões, mas Adrien falhou um. NO de Braga, ambos favoreceram a equipa da casa, mas Rui Fonte falhou um deles. Foi, portanto, a primeira vez que uma equipa fez dois golos de penalti no mesmo jogo na presente Liga.   - Jonas passou a marca dos dez golos na época: tem neste momento onze. É a primeira vez desde que chegou à Europa, em 2011, que chega a este volume goleador antes do Natal.   - Júlio César manteve as redes do Benfica invioladas pela quarta partida seguida da Liga. Desde o golo de Bryan Ruiz, o último marcado pelo Sporting nos 3-0 com que os leões ganharam na Luz, a 25 de Outubro, o Benfica está há 369 minutos sem sofrer golos na Liga. É a melhor sequência desde Abril e Maio, quando os encarnados alinharam 482 minutos a zeros, entre um golo de Rafael Lopes, da Académica, e outro de Marega, do Marítimo.   - O Benfica igualou assim a performance defensiva das primeiras onze jornadas da época passada, com sete golos sofridos. E soma mais dois golos marcados: tem 27-7 contra os 25-7 de 2014/15.   - A Académica voltou a perder, oito jogos depois da última derrota. Ficou assim aquém dos dez jogos seguidos sem perder que alinhou entre Fevereiro e Abril, e que foram interrompidos precisamente no Estádio da Luz, contra o Benfica (1-5).   - Eliseu fez o 50º jogo com a camisola do Benfica. Destes 50, 36 foram na Liga portuguesa, oito na Liga dos Campeões, três na Taça da Liga, dois na Taça de Portugal e um na Supertaça. Marcou quatro golos, todos na época passada.
2015-12-05
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Último Passe

O ar de incredulidade na cara de Rui Costa depois do golaço de Renato Sanches pode até ter tido alguma coisa de encenado, de feito para as câmaras, mas acaba por pontuar aquilo que valeu verdadeiramente a pena na vitória do Benfica sobre a Académica. O miúdo tem pulmão, tem potência, tem velocidade, tem lata, até lhe falta um pouco de estatura – que já não vai ganhar – e de cultura tática – que essa, ganhá-la-á de certeza – mas mesmo assim já merece o estatuto de revelação benfiquista da época, à frente, por exemplo, de Nelson Semedo. O 3-0 final, que o Benfica começou a construir com dois penaltis de Jonas, numa exibição que não deslumbrou, valeu pelos três pontos, que pressionam FC Porto e Sporting, e pela constatação de que Renato começa a resolver os problemas que os encarnados vinham mostrando a meio-campo. Rui Vitória voltou a recorrer a Jonas, sempre com outro avançado a servir de referência – desta vez foi Mitroglou – mas recompôs o meio-campo de duas formas. Primeiro, abdicou de Gonçalo Guedes e manteve Pizzi, derivando Gaitán para a outra ala, o que dá à equipa outro tipo de soluções que não estão ao alcance do jovem extremo: o transmontano decide melhor, por exemplo, entre os momentos de abrir e de vir para dentro, ajudando ao preenchimento do corredor central. Depois, deu a posição de médio-ofensivo a Renato Sanches, que sem bola sai muito mais vezes para pressionar e com ela imprime ao jogo da equipa um ritmo mais intenso em relação àquilo que o Benfica fazia com qualquer outra dupla de médios anteriormente experimentada por Rui Vitória. Não é um jogador perfeito, precisa ainda de crescer, mas mesmo assim chega para mudar por completo o futebol do Benfica e para permitir que o 4x4x2 funcione sem problemas de maior. É verdade, ainda assim, que o Benfica viu o jogo resolver-se sem ter feito muito para isso. Os dois primeiros golos apareceram em momentos em que, mesmo tendo mais bola e domínio territorial, os encarnados esbarravam sempre na organização defensiva da Académica. Isso diz algo acerca da falta de inspiração atacante do bicampeão nacional, mas diz sobretudo do crescimento desta equipa da Académica. Exceção feita à ingenuidade no momento dos dois penaltis e à falta de soluções atacantes que mostrou em todo o jogo, esta Académica provou que não era por acaso que entrou na Luz depois de sete jogos seguidos sem perder. Se melhorar ofensivamente, a manutenção não deve ser grande problema.
2015-12-04
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Último Passe

O empate (2-2) na longínqua Astana não foi um resultado fantástico para o Benfica, mas acabará certamente por cumprir os propósitos da deslocação, pois a não ser que o Galatasaray ganhe mais logo ao Atlético, em Madrid, os encarnados já aterrarão em Lisboa qualificados para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Depois, sendo verdade que a responsabilidade de ganhar era sobretudo do campeão português – que em condições nomais deveria sempre superiorizar-se ao campeão cazaque – a forma como o jogo correu e o facto de nem Atlético nem Galatasaray terem ali ganho fazem com que o resultado seja um mal menor, do qual até é possível retirar aspetos positivos, como o despertar de Jiménez ou a revelação de Renato. Os dois golos do Astana, a punir um início errático do Benfica – no qual se viram os mesmos defeitos de posicionamento e de construção que a equipa tem revelado muitas vezes quando quer assumir o comando dos jogos – fizeram pensar em catástrofe, porque ainda havia muito tempo para jogar, mas a equipa de Rui Vitória foi capaz de juntar as peças e de recuperar para um empate que não envergonha e que por isso mesmo a deixa em condições de acreditar que será capaz de ganhar em Braga, já na segunda-feira. Se depois o faz ou não já dependerá muito da erradicação dos tais defeitos, porque o Sp. Braga será seguramente mais capaz de capitalizar em cima desses problemas do Benfica do que foi um Astana que rebentou cedo demais para um jogo que tem 90 minutos. De Astana, ficam assim algumas boas notícias. Fica o despertar de Raul Jiménez. Dois golos são sempre dois golos e num jogo da Liga dos Campeões são seguramente um fator de motivação extra para os tempos mais próximos, quando se fala de um ponta-de-lança que tem sido o preferido de Rui Vitória sempre que joga com dois na frente mas que tão arredado das balizas tinha andado até aqui. E fica a exibição de Renato Sanches, a subir um patamar no seu plano de afirmação: já se tinha percebido que é capaz de queimar linhas e carregar a equipa às costas na II Liga portuguesa ou na UEFA Youth League, fê-lo agora num jogo da Liga dos Campeões. Foi contra o Astana, é verdade, pelo que faltará perceber se consegue subir ainda mais um patamar e reexibir credenciais contra o Sp. Braga, equipa mais intensa e taticamente competente, já na segunda-feira. Vontade não faltará a Rui Vitória de o experimentar.
2015-11-25
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Talisca voltou a ser titular e o Benfica voltou a ganhar, o que continua a inverter a tendência da época passada. Esta época, na Liga, o brasileiro só foi titular em Aveiro frente ao Tondela e em casa face ao Belenenses: duas vitórias e 10-0 em golos. Na época passada, o Benfica não ganhou nenhum dos três jogos da segunda volta em que o baiano começou de início: 0-0 em casa com o FC Porto, 1-2 fora com o Rio Ave e 0-1 fora com o Paços de Ferreira.   - Gaitán fez, no primeiro golo do Benfica ante o Tondela, a sexta assistência em 20 golos do Benfica na Liga, o que lhe reforça a posição de melhor assistente do campeonato. O curioso é que as cinco anteriores beneficiaram cinco jogadores diferentes: Mitroglou, Nelson Semedo, Jiménez, Jonas e Gonçalo Guedes. Jonas foi o primeiro repetente.   - Berger marcou o segundo autogolo do Tondela nesta Liga e o seu primeiro em Portugal. O anterior autogolo do Tondela tinha sido da lavra de Bruno Nascimento e valera a derrota por 1-0 frente ao V. Guimarães. O Tondela é assim a equipa que mais autogolos fez na Liga, ao passo que o Benfica não beneficiava de um desde a nona jornada de 2013/14, quando Marcelo Goiano (Académica), fez o segundo golo de um 3-0 com que os encarnados ganharam à Académica. Faz amanhã, dia 1 de Novembro, dois anos.   - Jonas marcou o primeiro golo do Benfica fora do Estádio da Luz na Liga desde 2 de Maio, quando os encarnados ganharam por 5-0 em Barcelos ao Gil Vicente. Desde aí o Benfica tinha ficado em branco em Guimarães (0-0), em Aveiro contra o Arouca e no Dragão (ambos 0-1).   - Jonas interrompeu ainda uma série de três jogos sem golos, frente a Atlético Madrid, Galatasaray e Sporting, depois de ter bisado em casa frente ao Paços de Ferreira. O máximo que Jonas tinha ficado sem marcar tinham sido dois jogos seguidos, em duas ocasiões: Sp. Braga e Rio Ave em Outubro do ano passado e Académica e Belenenses em Novembro e Dezembro.   - André Almeida fez o 100º jogo com a camisola do Benfica, entrando aos 64 minutos para o lugar do estreante Clésio. Dos 100, 51 foram na Liga. No mesmo jogo, Rui Vitória estreou mais dois jogadores: o moçambicano Clésio e o júnior Renato Sanches.   - Este foi o quarto jogo de Rui Bento no Tondela, depois de ter substituído Vítor Paneira. O novo treinador continua à espera da primeira vitória, o que é inédito em todos os técnicos que comandaram a equipa beirã desde a subida à II Divisão B, em 2009.   - Além disso, o Tondela não ganha há oito jogos, desde a vitória por 1-0 frente ao Nacional, a 30 de Agosto. É também a mais longa série de jogos sem vitória do clube desde que subiu à II Divisão B. A anterior datava de Fevereiro e Março de 2013 e tinha incluído cinco derrotas seguidas entre vitórias sobre o Benfica B e o V. Guimarães B.
2015-10-31
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