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Último Passe

Começa a ser um clássico que Cristiano Ronaldo se veja metido em grandes novelas por altura das grandes competições. Agora, garante a Marca, através do seu enviado a Kazan, o jogador já terá garantido a colegas de seleção que se vai embora do Real Madrid. Razão? Sente-se “maltratado em Espanha”, na sequência da investigação a que foi submetido e da posterior acusação de fuga ao fisco. Ora se nestas coisas entre o cidadão comum e a máquina fiscal a simpatia da quase todos nós está quase sempre com o cidadão comum, quando o cidadão é, digamos, menos comum, como é o caso de Cristiano Ronaldo, convém distinguir os factos do que é comunicação. E descansar os adeptos: não será por causa disto que Ronaldo vai render menos na Taça das Confederações. Bem pelo contrário. Vamos a factos. Em Dezembro, o Der Spiegel obteve documentos via Football Leaks indicando que Ronaldo teria recebido parte substancial das verbas de direitos de imagem através de paraísos fiscais, fugindo à tributação devida. Soube-se então que a Fiscalía espanhola ia abrir – ou já teria até aberto – um expediente de investigação à conduta do jogador do Real Madrid. Duas semanas depois, Jorge Mendes, o agente de Ronaldo, declarou à Sky Itália que havia propostas da China pelo jogador: 300 milhões de euros para o Real Madrid e 150 milhões anuais para Ronaldo. Nunca se soube que clube fez a oferta – nem tinha de se saber, na realidade, pelo que esse facto tanto poderia servir para evitar um desmentido formal como para preservar o natural secretismo do negócio. Ato contínuo, foi dito que as propostas foram recusadas, porque, ainda nas palavras de Jorge Mendes, “o dinheiro não é tudo e o Real Madrid é a vida de Cristiano Ronaldo”. Passaram seis meses e A Bola foi a primeira a noticiar que ia aparecer uma oferta de 180 milhões de euros – que o As, diário de Madrid, elevou depois para 200 milhões – por Ronaldo. Não tinha aparecido, note-se: ia aparecer. Semana e meia depois, a Fiscalía de Madrid fez sair a denúncia, acusando o futebolista português de criar uma estrutura societária para defraudar o estado espanhol em 14,7 milhões de euros, de forma “consciente”. O facto pressupõe a clara escalada do conflito mas, é preciso dizê-lo, não é uma condenação. É, isso sim, uma acusação, à qual Ronaldo tem o direito a apresentar defesa, como estará a fazer. António Lobo Xavier, advogado do jogador, diz que não há fraude fiscal mas sim “diferença de critério” e que Cristiano até pagou mais impostos do que deveria. O que em si também é peculiar. Os factos são estes. As leituras, essas, podem ser diversas, dependendo do crédito que se dá às máquinas comunicacionais. Se olharmos para esta disputa como se de um jogo de póquer se tratasse, em que os jogadores vão de bluff em bluff sem que a outra parte possa saber onde está a realidade, verificamos que se há seis meses tudo se colocava no plano das relações públicas – “o Real Madrid é a vida de Cristiano” –, neste momento o conflito ameaça chegar a vias de facto – “Ronaldo quer ir embora de Espanha”. Para dizer a verdade, não me convence nem uma coisa nem a outra. Por mais que o sinta, nenhum jogador de futebol profissional pode alguma vez dizer de forma 100 por cento honesta que um clube é a sua vida, porque a este nível é o mercado que manda. E manda muito mais se, como é o caso, falamos do melhor de todos eles. Por outro lado, não vejo na ameaça de sair de Madrid muito mais do que uma forma de arregimentar para a luta os “soldados” que a máquina de Ronaldo sabe ter do seu lado – os milhões de “madridistas” que nenhuma administração fiscal ou política gostará de ver culpá-la se o clube vier a perder o jogador que deu um contributo tão decisivo para a conquista de três Ligas dos Campeões nos últimos quatro anos. Aqueles que, mais do que saber se Ronaldo paga ou não ao fisco espanhol, querem sobretudo que ele conduza a seleção portuguesa a uma Taça das Confederações repleta de glória podem neste momento ter uma certeza. É que o capitão da equipa nacional está bem, chega a Junho numa forma que há muitos anos não conhecia nesta fase da época e não só não é rapaz para deixar que estas coisas o afetem em campo como sabe que, para a estratégia comunicacional que tem em campo fazer ainda mais efeito, não haverá nada como levar a taça para casa. É nisso que ele está concentrado. E é isso que dirá aos jornalistas de todo o Mundo, se hoje for escolhido para falar à imprensa e for confrontado com as notícias da sua vontade de deixar Espanha e o Real Madrid.
2017-06-17
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Último Passe

O hat-trick de Cristiano Ronaldo ao Atletico Madrid, na primeira mão das meias-finais da Liga dos Campeões, fez mais do que escancarar as portas da final de Cardiff ao Real Madrid – aquilo a que assistimos foi ao goleador português a colocar a mão em cima de mais uma Bola de Ouro e praticamente a assegurar a igualdade a cinco com Leo Messi. Argumentarão muitos que ainda é cedo, que só estamos em Maio e que o argentino até foi a estrela maior do clássico Real-Barça de há semana e meia, mas estas coisas têm timings e eventos próprios para se decidirem. E o timing e o evento exatos são estes. Ronaldo nem tem estado a fazer uma época tão boa como as anteriores, nem sequer como algumas nas quais não chegou à Bola de Ouro, sobretudo porque nessas desperdiçava muitas vezes trunfos quando eles eram menos necessários. Com menos golos, com menos jogos, com menos influência numa equipa que até já faz algumas partidas internas sem ele por opção, para Ronaldo está a aparecer nesta fase final da época cheio de energia e de capacidade para resolver os jogos mais importantes. Fez cinco golos em dois jogos ao Bayern nos quartos-de-final da Liga dos Campeões, já vai com três na primeira mão das meias-finais, contra o Atlético, e ainda tem a segunda mão, provavelmente a final de Cardiff e a Taça das Confederações para dar o remate final na candidatura. Em contrapartida, o que sobra a Messi ou Neymar? Podem até ser campeões espanhóis – ainda que o Real esteja no lugar do condutor e mantenha a maior dose de favoritismo, mesmo tendo perdido o clássico – mas estão fora da Europa e nem Argentina nem Brasil vão figurar na Taça das Confederações. Messi pode até ganhar a Bota de Ouro – segue na frente, pelo menos… – e arrancar na próxima época em grande estilo e com muitos golos na fase de grupos da Liga dos Campeões. Mas o que vale uma fase de grupos? Esta Bola de Ouro, Messi já dificilmente poderá ganhá-la. Só Ronaldo é que pode perdê-la.
2017-05-02
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A conquista da quarta Bola de Ouro por parte de Cristiano Ronaldo, com uma gritante superioridade sobre a concorrência liderada por Messi, é vista por alguns como muita coisa que não tem necessariamente de ser. A votação dos correspondentes da France-Football – na qual, deixem-me dizê-lo, acredito muito mais do que naquela que vai ser feita pelos capitães e selecionadores nacionais chamados a votar pela FIFA, por ser menos suscetível a lóbis – confirma que Ronaldo foi o melhor jogador de 2016 e é um dos maiores da atualidade, a par do argentino. E mesmo assim dá que pensar, porque a vitória de Ronaldo se monta muito em cima de um jogo no qual ele saiu lesionado logo nos primeiros minutos: a final do Europeu. Nesse aspeto, esteve bem Ronaldo no discurso de agradecimento, no qual falou nos colegas da seleção nacional e do Real Madrid. Porque o futebol é um desporto coletivo e quase de certeza que se a França de Griezmann tivesse ganho aquele jogo ao Portugal sem Ronaldo as votações seriam, pelo menos, muito mais equilibradas. Como ganharam os portugueses, Ronaldo leva a Bola de Ouro para juntar aos títulos de campeão europeu de clubes e de seleções, elevando-se bem acima de Messi, “apenas” campeão espanhol com o Barcelona. O resto são leituras. Mais enviesadas umas, mais escorreitas outras. Já vi por aí que esta é a melhor reposta de Ronaldo ao escândalo fiscal em que se viu envolvido? Não creio, pois uma coisa nada tem a ver com a outra e ou muito me engano ou nem Ronaldo nem nenhum dos muitos envolvidos no processo divulgado pelo Football Leaks tem responsabilidade além da procuração quase plenipotenciária passada a quem lhes trata do dinheiro e dos negócios. Mais seguro será dizer que a quarta Bola de Outro eleva Ronaldo a um patamar ao qual ainda nenhum português tinha acedido. Mas mesmo isso é polémico. Sim, é verdade que o futebol de hoje é muito diferente do que era nos tempos de Eusébio. É evidente que a globalização permite a entronização muito para além do efémero dos melhores, independentemente do rendimento que tenham nos dois ou três jogos maiores do ano, que há meio século eram os únicos que muita gente via – e daí Messi e Ronaldo terem açambarcado as nove últimas Bolas de Ouro. É ainda claro para mim que a Eusébio nunca lhe foi permitido jogar fora de Portugal e que, tivesse ele ficado igualmente por cá, Ronaldo certamente levaria a uma nova mudança hegemónica no futebol nacional, a favor do Sporting, mas não poderia ser o fenómeno global que é hoje. Mesmo assim, tudo descontado, acho legítimo que se acabe com o debate. Porque como este nunca tivemos. E tenho sérias dúvidas de que voltemos a ter a tempo de eu poder vê-lo.
2016-12-13
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Jorge Jesus disse no final do Sporting-Real Madrid que as diferenças entre os leões e os seus adversários na Liga dos Campeões não são tão grandes como a distância pontual leva a crer. O treinador baseou a teoria nas quatro derrotas pela margem mínima, no "bocadinho assim" que tem faltado aos leões. E podia até ter ido mais longe, se constatasse que em 360 minutos contra Borussia Dortmund e Real Madrid, duas das melhores equipas da Europa, os vice-campeões portugueses só foram mesmo inferiores na primeira parte de Alvalade contra os alemães e nos últimos 20 minutos do Santiago Bernabéu ante os campeões europeus, tendo sido superiores em boa parte do jogo de Madrid e na segunda parte de Lisboa contra os alemães. Esta não é, porém, uma constatação feliz para quem já perdeu um campeonato fazendo um recorde de pontos do clube, porque transporta a necessidade de mudar para um plano que já não depende do treinador. O problema deste Sporting, já se vê, não está no plano do jogo. A equipa consegue equiparar-se às melhores, equilibra jogos com elas, chega a superiorizar-se em alguns momentos. Contra o Real Madrid, hoje, mesmo a jogar com dez – o que implicou ficar sempre com menos um elemento em ataque organizado – foi à procura do empate e teve o 2-1 na cabeça de Campbell na jogada anterior ao golo que valeu o 1-2 a Benzema e ao Real Madrid. O problema deste Sporting está claramente no plano da competitividade, no facto de ficar sempre o tal bocadinho aquém do exigido. E isso é que é dramático, porque não se treina. Jesus pode treinar o ataque posicional, pode treinar a reação à perda, pode treinar a transição ofensiva, pode treinar as variações de centro de jogo, os posicionamentos defensivos ou até tentar aproximar Bas Dost do que representava Slimani, mas não pode dar personalidade vencedora de um momento para o outro aos seus jogadores. Foi por falta dessa personalidade, do “instinto assassino” de que falava Bobby Robson há uns anos, que o Sporting perdeu o último campeonato: não sentenciou a Liga quando tinha pontos suficientes de avanço (derrota frente ao U. Madeira, em Dezembro); permitiu a aproximação do Benfica antes do derbi decisivo (empate em Guimarães); e perdeu depois com o rival em casa, no único jogo que não podia perder, permitindo que os encarnados o ultrapassassem. Jesus atribui estes percalços a erros de crescimento – ainda hoje voltou a falar disso – mas a verdade é que por esta altura a equipa que ele está a construir já passou a fase da adolescência para entrar na vida adulta. Os erros não são de crescimento mas sim de personalidade. E mudar isso é muito mais difícil.  
2016-11-22
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A dramática derrota do Sporting frente ao Real Madrid no Santiago Bernabéu (1-2) e o insuficiente empate do FC Porto em casa ante o Copenhaga (1-1) puseram um ponto final modesto na semana das equipas portuguesas na Liga dos Campeões. Os dois jogos tiveram histórias muito diferentes mas epílogos semelhantes, de desilusão. Saíram desiludidos os leões, que foram a melhor equipa em campo durante 70 minutos mas não conseguiram congelar o desafio nos últimos 20, ficando à mercê da remontada madridista, como desiludidos saíram os dragões, incapazes de criar desequilíbrios na defesa dinamarquesa, nem mesmo quando o adversário ficou reduzido a dez. A derrota do Sporting veio recheada de uma demonstração de personalidade que não está ao alcance de qualquer equipa. Com um posicionamento irrepreensível e face a um Real pouco dinâmico, a equipa de Jorge Jesus foi sempre assegurando superioridade numérica nos vários duelos a meio-campo, fundando aí a capacidade de assegurar a maior dose de iniciativa de jogo: o Real só chutou à baliza de Rui Patrício à passagem da meia-hora, e de fora da área, por Cristiano Ronaldo. Gelson, mais uma vez o melhor em campo, foi um pesadelo constante para a defesa do Real Madrid, tendo começado nele o lance em que Bruno César abriu o marcador. Foi ainda o jovem ala quem, num lance pela direita, deu a Bas Dost a melhor ocasião do jogo – o holandês tentou meter o pé onde se impunha a cabeça e o cruzamento perdeu-se. O Real acabou por virar o jogo quando já poucos nisso acreditariam, fruto da conjugação de vários fatores. Primeiro, as alterações introduzidas por Zidane: Morata, Lucas Vasquez e James Rodríguez melhoraram muito o rendimento do campeão europeu. Depois, o facto de os leões terem piorado com as trocas de Adrien e Gelson por Elias e Markovic. Por fim, é verdade, a inexperiência de muitos jogadores da equipa portuguesa em momentos como aqueles, em que se impõe quebrar o ímpeto ao adversário. A verdade é que, tendo feito o empate num livre irrepreensível de Ronaldo (após falta de Elias), aos 89’, o Real ainda teve tempo para ganhar, num cabeceamento de Morata após cruzamento de James. Houve muito banco numa reviravolta que deixa o Sporting com zero pontos e a precisar de ganhar ao Legia já na segunda jornada. A pressão, senti-la-á também o FC Porto, que seguirá para Leicester com um ponto e a precisar pelo menos de pontuar em Inglaterra, depois de uma exibição pouco conseguida frente ao Copenhaga. Nuno Espírito Santo voltou ao 4x3x3, remetendo Depoitre para o banco, e parecia até poder sair-se bem, depois de um início premiado com um golaço de Otávio, após bela assistência de André Silva. Já nessa altura, porém, o FC Porto revelava parte dos pecados que haveriam de custar-lhe dois pontos, nomeadamente a falta de controlo do espaço aéreo defensivo face à potência de Santander e Cornelius, os dois avançados dos dinamarqueses. O resto ver-se-ia no segundo tempo, sobretudo depois de o Copenhaga ter empatado – por Cornelius, após mais um cruzamento não desfeito pelo último reduto portista – e de o adversário ter ficado reduzido a dez homens, por expulsão de Gregus. Nessa altura, em que Espírito Santo descobriu falta de eficácia, o que se viu foi falta de capacidade para criar desequilíbrios numa equipa organizada mas de qualidade inferior. O FC Porto voltou então ao 4x4x2, com Depoitre em vez de Corona, e mais tarde com a entrada de Brahimi para as vezes de Herrera, mas nem assim criou verdadeiras ocasiões de golo, parecendo sofrer sempre que as probabilidades estão a seu favor. Talvez não seja esse o caso em Leicester, como não era em Roma.
2016-09-14
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O fim de semana foi de sentimentos mistos para os adeptos de futebol portugueses. No sábado, Cristiano Ronaldo fez um jogo de sofrimento e sem a qualidade habitual na final da Liga dos Campeões pelo Real Madrid, lançando a preocupação entre os que tanto esperam dele no Europeu. E se a lesão não é ainda parte do passado? No domingo, sem ele, a seleção ganhou por 3-0 à Noruega, permitindo aos que mais duvidam acreditar que o milagre pedido por Fernando Santos até é possível. Afinal, há Portugal sem Ronaldo! Só que há aqui uns quantos “mas”. Porque nem tudo o que parece é. Primeiro Ronaldo. Mesmo sem ser decisivo, o craque respondeu presente em Milão. Meteu a defesa do Atlético em respeito com uns quantos sprints e até marcou o penalti que deu a décima-primeira Champions ao Real Madrid. No momento da decisão, foi ele quem respondeu presente. Não se escondeu, e nenhuma equipa pode prescindir de um capitão assim, que não se esconde. Depois, Portugal. Mesmo ganhando por 3-0, a seleção mostrou algumas debilidades ante uma Noruega fraquinha, que não está sequer entre os 24 apurados para o Europeu. Coletivamente deixou que os noruegueses se apoderassem do jogo entre os 30’ e os 65’, quando Guerreiro fez o 2-0 num livre exemplarmente batido. Individualmente, Cédric teve períodos de desconcentração; Fonte cometeu um erro que até podia ter custado o empate momentâneo; Moutinho está sem ritmo, depois de dois meses a lutar com uma lesão, a ponto de a equipa melhorar quando ele saiu; Quaresma fez um grande golo, mas nunca deu à equipa presença na área, custando a perceber como pode encaixar no 4x4x2 engendrado por Fernando Santos; e Éder, que também marcou, parece um corpo estranho naquele onze. Para fazer o tal Europeu de grande qualidade, a equipa precisa de melhorar – e o próprio Fernando Santos o reconheceu no final. Há, é evidente, muita margem para que tal aconteça. A renovação do onze está bem à vista no facto de ter sido Éder quem acabou o jogo com a braçadeira de capitão: todos os outros estão ainda menos habituados a estas coisas do que ele. Fernando Santos começou a partida com um meio-campo que, à exceção de João Moutinho, veio do último Europeu de sub21 – William, João Mário e André Gomes – e podia bem estar nos Jogos Olímpicos e não no Europeu de seleções A. Isso é bom? Claro que sim. Porque a renovação não foi forçada, porque se estão a jogar é porque fizeram por isso. E sobretudo porque já mostraram há um ano que têm qualidade coletiva ao chegarem à final da categoria etária a que então pertenciam. Só que é aí que entra Ronaldo. Teria aquela seleção de sub21 resistido a um Ronaldo em mau momento? Provavelmente não. Uma das qualidades a permitir que o meio-campo das esperanças portuguesas mandasse no último Europeu foi o facto de à sua frente ter dois avançados que não resolviam mas também não atrapalhavam. E a verdade é que Ronaldo faz as duas coisas. Quase sempre a primeira, mas infelizmente às vezes também a segunda. A seleção de 2014 valia mais do que os resultados mostraram, mas caiu logo na primeira fase do Mundial porque Ronaldo estava magoado e a equipa não foi capaz de superar esse inconveniente. Em contrapartida, a de 2012 valia menos do que os resultados mostraram, mas chegou às meias-finais do Europeu porque Ronaldo estava inspirado e a equipa seguiu atrás do exemplo dele. Posto de outra forma. Com um bom Ronaldo, o meio-campo de Portugal vai necessariamente render menos, mas ninguém vai reparar, porque o CR7 é um dos melhores do Mundo e ganha jogos praticamente sozinho. Com um mau Ronaldo, o meio-campo de Portugal também vai render menos, porque o facto de ele estar em campo é o suficiente para que tudo no jogo tenha de passar por ele e, mesmo sendo um dos melhores do Mundo, se ele não estiver bem, a equipa vai ressentir-se disso. Aqui chegado, Fernando Santos não pode fazer muita coisa a não ser esperar que venhamos a ter um bom Ronaldo e criar condições ao nível do treino, da recuperação física e da idealização do jogo para que ele emirja. Se assim não for, é esperar pela próxima oportunidade. Porque ter Ronaldo é e será sempre uma benesse. E ainda que a renovação da equipa prove a quem quer ver que há e haverá sempre futuro quando ele acabar, ainda é cedo para se pensar nisso. Por enquanto é aproveitar. E esperar que ele apareça como Portugal precisa. In Diário de Notícias, 30.05.2016
2016-05-30
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A eliminação do Barcelona pelo Atlético Madrid, somada à proeza individual de Cristiano Ronaldo, na véspera, contra o Wolfsburg, vem animar muita gente no futebol português. À cabeça, pois claro, o selecionador nacional. Fernando Santos pode ser um dos principais beneficiários da subida de nível que o contexto pede a Ronaldo. Porque, independentemente de se achar que um é melhor ou pior do que o outro, a Bola de Ouro volta a estar ao alcance do português e dependerá em boa parte de um grande Europeu. Que, juntamente com a Liga dos Campeões, são os grandes objetivos de Ronaldo nesta ponta final da época. Se em 2015 não havia sequer discussão, pois Messi tinha ganho tudo – Liga espanhola, Champions e Taça do Rei – desta vez a questão voltará a animar os debates sobre futebol um pouco por todo o lado, lá mais para o fim do Verão ou início do Inverno. Messi passou pela Liga dos Campeões, não diria de forma anónima, mas sem fazer golos além dos oitavos-de-final, nos quais foi fundamental para o sucesso do Barcelona ante o Arsenal. Ficou em branco nas duas partidas com o Atlético Madrid e disso se ressentiu a equipa, que acabou eliminada. Aos seis golos de Messi na Liga dos Campeões, respondeu já Ronaldo com 16, entre eles o hat-trick que virou a eliminatória contra o Wolfsburg. A Liga espanhola, por sua vez, ainda pode ser alvo de discussão coletiva – o Barça tem quatro pontos de vantagem sobre o Real e três sobre o Atlético, um calendário minimamente acessível, mas vem de duas derrotas seguidas – mas dificilmente verá aberto o debate acerca do maior contributo individual. É que Ronaldo tem mais oito golos e mais uma assistência do que Messi, que no plano individual está mesmo atrás de Suárez na influência no jogo do Barcelona. Já se sabe que Ronaldo é especialista nos arranques de época – os seus totais goleadores na Champions têm muito a ver com a forma como despacha adversários mais débeis na fase de grupos – pelo que as hipóteses de vir a ser coroado Bola de Ouro no final de 2016 têm muito a ver com o que acontecer no Europeu. Uma performance convincente nos relvados de França, ao mesmo tempo que Messi joga uma Copa América que, mesmo em edição especial, nunca terá a mesma visibilidade da prova europeia, pode desde logo garantir a redução do score global para 5-4, ainda a favor do argentino. E com isso pode ganhar a seleção nacional. 
2016-04-14
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O regresso de Julen Lopetegui ao palco cénico do futebol espanhol, por via de uma entrevista à Marca, a falar do Real Madrid e do conhecimento que tem de boa parte do plantel de Zidane, não foi propriamente uma surpresa. O basco tem cartel em Espanha, pelo trabalho que por lá fez, levou o FC Porto aos quartos-de-final da Liga dos Campeões e não há-de ser por não ter sido campeão em Portugal que os espanhóis deixam de considerá-lo. Aliás, em boa verdade, não creio que Lopetegui seja mau treinador: já vi piores a dirigir o Real Madrid, clube ao qual os espanhóis dizem agora que ele pode chegar. É certo que o FC Porto não ganhou nenhuma das duas últimas Ligas nem está bem colocado para ganhar a atual, mas o apuramento de responsabilidades não começa nem acaba no treinador. Se não forem campeões este ano, os dragões vão para o terceiro ano seguido sem ganhar a Liga – e para a segunda série de três anos sem lá chegar desde que Pinto da Costa se sentou na cadeira da presidência. A primeira, de 1999 a 2002, teve como treinadores Fernando Santos, Octávio Machado e José Mourinho, que foi também quem operou a revolução que levou o clube de volta a caminhos ganhadores. Desta vez, Paulo Fonseca e Julen Lopetegui já estão na lista negra, só faltando ver se José Peseiro a continua ou interrompe, mas tal como há década e meia a ideia que fica é a de que os treinadores não foram os mais culpados em dois dos três anos deste série. Há dois anos, Paulo Fonseca, que está a fazer um excelente trabalho em Braga e virá a ser um nome incontornável da nova geração de treinadores portugueses – a par de Marco Silva – teve ao dispor um plantel fraco, demasiado fraco para as aspirações portistas. Não sendo fraco, o grupo deste ano é bastante desequilibrado, com excesso de opções e de concorrência para umas posições e falta de alternativas para outras – e aí alguém na SAD deve ser chamado a dar explicações. Resta justificar a época passada, na qual Lopetegui teve um grupo de luxo, aquele que ainda acho que era o melhor plantel da Liga. E perdeu-a para o Benfica. Não por falta de uma boa ideia de jogo, que isso o FC Porto também tinha. O que faltou ao primeiro FC Porto de Lopetegui foi um treinador com mais conhecimento da realidade nacional e menos soberba, um treinador que não menosprezasse alguns dos quintais e algumas das equipas que jogam a Liga portuguesa e que valorizasse mais aquilo que Vítor Pereira, por exemplo, sempre teve como claro. O “Somos Porto” que o treinador de Espinho tantas vezes repetiu nunca entrou na cabeça do treinador basco e foi por isso que não conseguiu convencer os seus jogadores, por exemplo, que era mais importante ganhar na Choupana ao Nacional depois de o Benfica ter perdido com o Rio Ave em Vila do Conde do que fazer boa figura na eliminatória com o Bayern Munique. O problema de Lopetegui foi ter treinado o FC Porto a pensar que estava no Real Madrid. E nisso os espanhóis são muito práticos: se ele alguma vez treinar o Real Madrid, o problema desaparece.
2016-03-23
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Cristiano Ronaldo não tem que saber de jornalismo e por isso até pode queixar-se do tratamento que os jornalistas espanhóis lhe têm dado. É verdade que ao CR7 lhe tem bastado aquilo que sabe de futebol, que é muito, sobretudo por ele ter a capacidade tão rara de o pôr em prática. Mas não tem havido muitas situações melhores do que esta para aplicar a velha máxima de Manuel Sérgio, segundo a qual “quem só sabe de futebol, nem de futebol sabe”. E, descontando o desconforto que mostrou com a exigência sempre nos píncaros com que os media espanhóis lhe sobrecarregam os ombros, Cristiano tinha a obrigação de saber mais do que a melhor forma de meter um remate cruzado ao ângulo. Tinha de saber que a exigência, que é algo fundamental em qualquer equipa que quer ser grande, tem locais para ser colocada. Os jornalistas colocam-na nos jornais, os jogadores de futebol nos balneários. Primeiro, o jornalismo. Aqui há uns anos, quiseram convencer-me que o jornalismo desportivo era o palco do domínio inevitável do emocional sobre o racional. Nunca o aceitei. Em Espanha, contudo, é assim que o negócio está montado, até na forma como os jornais cavalgam o sucesso dos clubes que estão no mesmo lado do que eles e descobrem os podres aos que estão do outro lado. Quando Cristiano é bom, é o melhor; quando é menos bom – porque não me lembro de alguma vez o ter visto ser mau num campo de futebol – é o pior. Se aqui, à distância, qualquer um já se apercebeu disso, é evidente que Cristiano, que é quem há anos deve ter momentos de deleite narcísico a olhar para umas manchetes e outros de pura raiva a contemplar outras, não pode ter tido agora uma epifania. Percebo mal, por isso, que aquele que é um dos dois melhores jogadores do Mundo há várias épocas venha queixar-se da injustiça dos jornalistas espanhóis. São injustos? Claro que são injustos. Sempre o foram. Para o bem e para o mal, em toda a carreira de Cristiano Ronaldo, desde que ele chegou ao Real Madrid. São excessivamente bajuladores numas alturas e demasiado críticos noutras. É normal, portanto, que perante o fracasso que está a ser a época do Real Madrid os media se virem para Cristiano Ronaldo. Ele segue com 34 golos em 33 jogos feitos esta época e por isso se sai com aquela frase que pretende ser deinitiva: “Olhem para as estatísticas!”. OK. Olhemos então para as estatísticas. Na época passada, Ronaldo seguia em finais de Fevereiro com 38 golos em 35 jogos, números que eram apenas ligeiramente melhores que os atuais. Mas só tinha ficado em branco onze vezes (31,4%), ao passo que este ano não marcou em 16 ocasiões (48,4%). E nessas o Real Madrid empatou seis e perdeu quatro. É a olhar para as estatísticas que se conclui que, se há uma época Cristiano não marcara golos num terço das partidas, esta época ficou a seco em metade. Claro que segue com uma média excelente, que qualquer clube daria tudo o que tem por um avançado que tem mais golos do que jogos, mas a verdade é que deixou de levantar sozinho a equipa quando esta se mostra incapaz de ganhar por outros meios. A culpa é dele? Claro que não. Nisso, tem razão Cristiano: a única culpa que ele tem aqui é a de ter feito ganhadora uma equipa que valeu sempre menos do que aquilo que parecia. E, agora, a de se ter expressado de forma inapropriada, ou pelo menos num local inapropriado, acerca dessa evidência. Cristiano tem razão em ser exigente com os colegas. Tem essa obrigação, aliás. Mas tal como teve razão nas críticas à valia geral da seleção portuguesa antes do Mundial 2014 e escolheu mal o timing e sobretudo a forma de as expressar, voltou agora a cometer o mesmo erro. “Se todos estivessem ao meu nível seríamos primeiros”, disse, na zona mista após a frustrante derrota em casa com o Atlético. Mais uma evidência, que não precisava que o CR7 viesse depois fazer o esclarecimento que fez, alegando que se referia a “nível físico” e não a “qualidade” de jogo. Como? Deixando de parte o facto de ninguém se expressar assim, de ninguém dizer “se todos estivessem ao meu nível” em vez de “se todos estivessem aptos”, este é um discurso que Ronaldo pode ter em todos os locais menos à frente dos jornalistas. Pode dizer a Florentino que contratou um treinador que era um problema (Rafa Benítez) e que mais tarde ou mais cedo isto aconteceria. Ou que a pré-época foi catastrófica e redundou na quantidade absolutamente irreal de lesões, que tem mantido a equipa amputada de alguns dos seus melhores elementos. Pode dizer a Zidane que, de Kroos a James, com passagem por Danilo, Mayoral e Isco, houve muitos erros defensivos acumulados a contribuir para o golo com que Griezmann derrotou o Real Madrid. Mas quando escolhe dizê-lo na zona mista, o mínimo que pode ouvir é que está a abrir a porta de saída do clube. E não, isto não é uma perseguição. In Diário de Notícias, 29.02.2016
2016-02-29
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Que a relação entre o Real Madrid e Rafa Benítez estava condenada ao fracasso, não era preciso ser muito dotado de perspicácia para o adivinhar. Ainda assim, o desfecho de hoje, com a demissão do treinador apresentado por Florentino Pérez para suceder a Carlo Ancelotti no Verão e a entrada imediata em funções de Zinedine Zidane veio demonstrar muito mais que a evidência de que Benítez não era o homem certo para o projeto. Demonstra o instinto de sobrevivência de Florentino, rápido no gatilho depois de perceber que se insistisse ainda podia levar com o ricochete. E demonstra ainda que o presidente já está tão convicto do erro cometido que cortou a cabeça ao treinador que tinha escolhido, mesmo quando o líder segue a apenas quatro pontos de distância – cinco se o Barcelona vencer o jogo em atraso com o Sp. Gijón. O problema de Benítez não é de falta de conhecimento. É de excesso. Benítez é um daqueles treinadores que sabe tanto de futebol, vive tanto para o futebol, que fica fora da realidade em que estão os comuns mortais. Não é atrasado mental – é adiantado mental. E para o caso faz o mesmo efeito. Porque treinar uma grande equipa é muito mais do que saber de futebol, é muito mais do que montar uma equipa e adequá-la a uma ideia de jogo. É liderar homens, é articular egos. E, antes de falhar no resto, Rafa Benítez falhou nisso também, ao conseguir pôr contra ele a generalidade das fações existentes no complicado balneário madridista. De Sergio Ramos a Cristiano Ronaldo. De James Rodríguez aos jovens espanhóis como Isco ou Jesé. A situação tem algum paralelo com a de José Mourinho no Chelsea, mas também muitas diferenças – porque o Chelsea estava muito longe da liderança e em Londres não havia registo público de desinteligências. Zidane chega do Real Madrid B para aglutinar boas vontades e salvar a Liga, o que não será fácil. Se o francês ganhará o direito a continuar depois do Verão ou se será substituído por mais um “galáctico” do banco vai depender também da forma como for capaz de colocar a equipa a jogar. Porque – e aí está a parte premonitória – não era difícil adivinhar que a ideia de jogo de Benítez tinha pouco ou nada a ver com as caraterísticas dos jogadores que ele tinha à disposição. É verdade que se uma equipa marca dez golos ao Rayo Vallecano e zero ao Málaga, tem uma média de cinco golos nesses dois desafios. Mas deixa pontos pelo caminho. E este Real Madrid tem sido totalmente bipolar, alternando jogos em que abre a barragem goleadora com outros em que embatuca e não sai do zero. Mudar isso é o primeiro desafio de Zidane.
2016-01-04
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Último Passe

Quando se julga que o Real Madrid não pode cobrir-se mais de ridículo, há sempre uns criativos no Santiago Bernabéu que se encarregam de mostrar que o maior clube de futebol do Mundo consegue ser total e absolutamente amador nalgumas matérias. O caso da utilização indevida de Cheryshev no jogo da Taça do Rei contra o Cadiz é um daqueles episódios que, se acontecesse com um grande de Portugal, seria motivo de chacota e de demissão imediata de quem fosse responsável ou pelo menos servisse de bode expiatório. Foi o que aconteceu até no Belenenses, onde Carlos Janela não resistiu à irregularidade na utilização de Meyong, no início de 2008. Mas em Madrid já se descobriu que a culpa afinal é da Federação. O que está em causa é o facto de Cheryshev ter visto três amarelos na Taça do Rei da época passada, no Villarreal, o que acarretava a suspensão de um jogo na reentrada na prova, que o jogador fez no Real Madrid. O caso foi denunciado por um ouvinte na Cadena Cope e logo provocou uma onda de desresponsabilização no Santiago Bernabéu. “Ninguém foi negligente”, disse Florentino Pérez, depois de consultar os serviços jurídicos do clube. Mas à memória dos mais velhos veio logo o momento de Outubro de 1994 em que Jorge Valdano substituiu Luis Enrique pelo eslovaco Dubovsky, a um minuto do fim de um jogo com o Compostela, passando a ter quatro jogadores estrangeiros em campo – já lá estavam Laudrup, Redondo e Zamorano – o que era irregular. Ou o afastamento do Valencia de Rafa Benítez da mesma prova, em 2001, por utilizar quatro extra-comunitários. A defesa do Real Madrid assenta no facto de a Federação não ter avisado que o jogador estaria suspenso – o que a Federação diz que fez. O que se passa é que, mesmo que isso seja verdade, não se percebe como é que um clube que gasta para cima de 100 milhões de euros a contratar jogadores todos os anos consegue deixar-se bater por um ouvinte da Cope, por um auto-didata, quando se trata de saber se os seus jogadores têm castigos para cumprir. A coisa é simples: basta anotar os amarelos numa folha de Excel ou, se quiserem fazer à antiga, num caderno de apontamentos. Enquanto não o fazem, bem podem rir-se um pouco com as campanhas que têm enchido a internet, dos “emoticons” em gargalhadas de Piqué no Twitter à imagem de Johny, que está castigado e não pode defrontar o Cadiz na próxima ronda, amarrado e amordaçado pelos dirigentes do Mérida para impedir que apareça no jogo. Riam-se, que pagam o mesmo.
2015-12-03
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Último Passe

Podemos achar o que quisermos sobre o facto de haver um documentário acerca de Cristiano Ronaldo destinado ao ecrã grande do cinema, mas uma coisa não pode ser ignorada: a indiferença com que toda a gente no Real Madrid encarou a cerimónia de lançamento da obra. Se lá esteve Ancelotti, se lá esteve Ferguson, se lá esteve até José Mourinho, o técnico com quem o CR7 não mantém relações propriamente efusivas, não se vê na falta de Rafa Benítez, de Florentino Pérez ou de algum representante seu mais do que uma declaração. Uma declaração acerca do futuro, à qual me custa a entender que Jorge Mendes, pelo poder que tem, seja alheio.O clima anda tenso, como era inevitável que viesse a acontecer a partir do dia em que a aposta do Real Madrid foi em Rafa Benítez, um treinador com tanta vontade de deixar marcas no clube que precisava de pôr tudo em causa. Incluindo a forma de funcionar com e para Ronaldo. Seja por razões táticas, seja devido à falta que lhe faz Benzema - aproximando Ronaldo dos problemas que enfrenta no ataque móvel e sem referências da seleção nacional - seja por ter deixado de sentir o afeto entretanto partilhado com outros, a verdade é que Ronaldo não está a gosto e tanto ele como os que o rodeiam fazem questão de que isso se saiba sem terem de o dizer. Porque não podem dizê-lo, como é evidente.Foi a entrevista à Kicker, a admitir que há-de sair de Madrid um dia; foi o segredo a Laurent Blanc, no jogo contra o PSG, a abrir caminho a especulações; foi agora a discussão com Sérgio Ramos, no final da derrota em Sevilha, a primeira da época. Tudo achas para uma mesma fogueira, a fogueira que vinha sendo alimentada por meia dúzia de exibições tristes, para as quais as táticas de Benítez contribuem com frequência. E exatamente a mesma fogueira que foi mais inflamada ainda por Florentino Pérez, quando confrontou o jogador à frente das câmaras de TV após as declarações à Kicker ou não se fez sequer representar a si ou ao clube no lançamento do documentário sobre a vida do seu jogador bandeira, do seu Bola e Bota de Ouro.  Ora se Florentino não é idiota - e eu acho que não é - e sabe bem o que vai dizer-se neste tipo de circunstâncias, não creio que esteja a ser surpreendido pelo que está a passar-se. Como todos os bons gestores, tê-lo-á mesmo antecipado. Tê-lo-á feito ele, como certamente podem tê-lo Ronaldo ou Jorge Mendes, que esteve bem à vista de todos na cerimónia de Londres, como o esteve também José Mourinho, treinador estrela da Gestifute cuja presença foi o sublinhado a grosso da ausência do Real Madrid. Novidades? Lá para o fim da época veremos.
2015-11-09
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