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Último Passe

Há dias, forçado a tal pelas notícias acerca do desencontro de opiniões com Quim Machado acerca da melhor forma de escolher um plantel, Rui Pedro Soares, presidente da SAD do Belenenses, veio dar em público aquela que é a versão mais comumente aceite – ainda que tão raramente praticada, porque se as coisas resvalam para o lado da gestão, é sempre a gestão que impõe as leis. Jorge Jesus deu hoje, no congresso “The Future of Football”, organizado pelo Sporting, uma versão mais “futeboleira” da coisa: deve ser o treinador a decidir tendo em conta aquilo que no fim mais importa, que é a capacidade de atingir os resultados desportivos. Mas o paraíso está a meio. Como se prova na época feita pelo Sp. Braga entre José Peseiro, Jorge Simão e Abel Silva. Primeiro, o Belenenses. Quim Machado justificou a não renovação – que depois veio a resultar na sua substituição por Domingos Paciência – com a intransigência em relação a duas cláusulas que a SAD azul queria impor no contrato. “Uma era que o treinador praticamente não tinha interferência nas contratações e outra em que a SAD teria o direito de retirar jogadores de uma convocatória”, revelou o treinador que acabou por sair do Restelo. Sem mencionar o segundo caso, Rui Pedro Soares veio dar a sua visão acerca do assunto na globalidade: o treinador pode dizer quem quer, mas quem escolhe quem contrata é a SAD. Não é uma coisa assim tão idiota: há mesmo muito quem defenda que é assim que deve ser, porque os treinadores vão e vêm e os clubes não podem ficar reféns das escolhas feitas por, como costuma dizer-se, “meros funcionários”. Não me parece, de qualquer modo, a coisa mais inteligente do Mundo, também. Porque se há ali quem de facto saiba de futebol e do futebol que quer pôr a equipa a jogar é o treinador. Foi um pouco isso que disse hoje Jorge Jesus em Alvalade, ao defender “três fatores fundamentais” para que seja o treinador quem escolhe as contratações: “sistema tático, modelo de jogo e modelo de jogador”. A questão é que se a predominância da gestão não satisfaz do ponto de vista dos resultados em campo, o predomínio do técnico pode falhar do ponto de vista da gestão. No Sporting desta época, por exemplo, não foi seguida uma política de perfis adequada, visando a substituição dos jogadores vendidos – Slimani, Téo e João Mário – por elementos que dessem à equipa as mesmas valências. Bas Dost move-se ao contrário de Slimani, Alan Ruiz levou muito tempo a calçar as botas de Téo e Gelson dá soluções individuais e brilho no um para um onde João Mário dava enquadramento coletivo e controlo. É melhor? É pior? É sobretudo diferente e levou tempo a acertar. Uma equipa funciona tanto melhor quanto houver concertação entre todos os decisores ou de preferência uma boa compreensão global de quem está no plano superior das escolhas (todas, incluindo a do treinador) e que deve ser competente tanto do ponto de vista da gestão como do futebol. Excelente exemplo disso mesmo foi a deriva do Sp. Braga entre José Peseiro e Jorge Simão, dois treinadores que não podiam ser mais opostos em termos de modelo de jogo defendido. Peseiro é um homem da mobilidade atacante, dos desequilíbrios ofensivos, do 4x4x2 puro, cujas equipas defendem a pensar como vão atacar a seguir. Toda as suas equipas jogaram assim. Simão é um homem do rigor a meio-campo, dos equilíbrios defensivos, do 4x2x3x1 com dois médios sempre posicionais, cujas equipas atacam a pensar como vão defender a seguir. Todas as suas equipas jogaram assim. O plantel bracarense teve grandes mudanças a meio e, como treinadores competentes que são, cada um tentou construir a equipa à sua imagem o melhor que pôde e soube. Mas quem decidiu começar a época com um e acabá-la com outro estava a pensar exatamente no quê?
2017-04-26
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Último Passe

Foi um Sporting muito forte, aquele que goleou o V. Setúbal por 5-0, em jogo da penúltima jornada da Liga, regressando à liderança pelo menos até ao momento em que o Benfica visitar o Marítimo e forçando desde já o suspense acerca do campeão até à última ronda. O clima de festa com que os jogadores se despediram dos adeptos, no final do jogo, deixa perceber que todos acreditam ainda que o bicampeão possa escorregar no seu duplo compromisso madeirense e só foi atenuado com a desilusão que foi perder o capitão, Adrien Silva, para a última batalha, devido ao 12º cartão amarelo na Liga. Mas ficou evidente que os leões continuam a sonhar com a possibilidade de interromperem o jejum de 14 anos sem títulos nacionais já na primeira época de Jorge Jesus. Sem João Mário, que Jesus preferiu não arriscar, face a uma questão muscular, e com Gelson a jogar pela direita num onze que tinha Bruno César como lateral-esquerdo, o Sporting deparou-se com um V. Setúbal que repetiu a organização com três defesas-centrais que já tinha utilizado contra o Benfica na Luz. E se é certo que nessa noite perdeu apenas por um golo e conseguiu durante boa parte do jogo anular o jogo interior dos encarnados, também viveu 20 minutos de terror, até ver o adversário chegar ao 2-1 que acabou por ser o score final. Desta vez, a diferença é que o terror durou mais tempo, porque este Sporting chega ao fim da Liga com mais gás e não parou de cavalgar a onda. Gelson – com Ruiz e Ruben Semedo os melhores em campo – só abriu o marcador aos 25’, picando a bola sobre Ricardo depois de ser isolado por um excelente passe do costa-riquenho, mas antes disso já o guardião setubalense tinha tirado dois golos cantados a Bruno César e Slimani e Ruca evitara sobre a linha de golo um cabeceamento de Coates que parecia destinado às redes no seguimento de um canto. O Sporting estava pujante e colocou o jogo em segurança ainda antes do intervalo, num ataque rápido em que William descobriu Gutièrrez para um remate que entrou junto ao poste mais próximo. E se dúvidas houvesse, o bis de Gelson, aos 55’, após passe de Adrien, veio acabar com elas. Só depois (tarde…) Quim Machado mexeu, chamando ao jogo André Horta – muito assobiado o futuro reforço do Benfica – e Miguel Lourenço. Com 3-0 e vendo que não havia perigo de reação do adversário, Jesus precaveu-se em relação a Braga, retirando de campo Slimani – também à beira da suspensão, tal como Adrien, que já tinha visto o cartão amarelo proibido na primeira parte – e acabando por ver a ponta final da partida coroada com mais dois golos de Ruiz, ambos em bolas paradas. Notável a execução, em vólei, do remate que deu o 4-0; mais fruto da inspiração do momento e de alguma ratice o livre direto que passou debaixo da barreira para fixar o resultado nos tais 5-0 que fazem crescer a pressão sobre o Benfica. É agora a vez da equipa de Rui Vitória responder, neste sprint alucinante em que já leva dez vitórias seguidas. Provavelmente vai precisar de mais duas para ser tricampeão e evitar a concretização do sonho leonino. Desde 1993 que nenhuma equipa perde a Liga nas últimas jornadas sem ser no confronto direto com o que haveria de ser campeão. Sucedeu nessa altura ao Benfica, que perdeu em Aveiro com o Beira Mar (1-0), deixando-se ultrapassar pelo FC Porto à 31ª de 34 jornadas. Depois disso, só houve mais duas ultrapassagens consumadas na reta final: o Benfica de Trapattoni superou o Sporting de Peseiro ganhando-lhe o dérbi na penúltima partida de 2004/05 e o FC Porto de Vítor Pereira passou o Benfica de Jesus batendo-o no Dragão, igualmente na penúltima partida de 2012/13. Aquilo em que os sportinguistas acreditam agora é que seja o Marítimo ou o Nacional a fazer encalhar o Benfica. E acreditam mesmo, a julgar pela forma efusiva como celebraram os seus na partida frente ao V. Setúbal.
2016-05-08
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O Benfica entra em campo para defrontar o V. Setúbal e, se quer manter a liderança da Liga, precisa de ganhar. Se o fizer, iguala a sua melhor série de jornadas seguidas com vitórias esta temporada: oito, conseguidas entre o empate frente ao U. Madeira, a 15 de Dezembro, e a derrota contra o FC Porto, a 12 de Fevereiro. E se prolongar a série vitoriosa até final da competição não só garante o tricampeonato como supera as melhores sequências dos seis anos de Jorge Jesus, que foram de onze jornadas consecutivas sempre a ganhar. De resto, desde 2004/05, o ano do título nacional com Trapattoni, que o Benfica não é campeão nacional sem uma série de pelo menos nove vitórias consecutivas . A última partida de campeonato que o Benfica não ganhou foi a correspondente à 22ª jornada, a tal derrota caseira com o FC Porto (1-2). Depois disso, venceu sempre: 3-1 em Paços de Ferreira, 2-0 ao U. Madeira, 1-0 ao Sporting em Alvalade, 4-1 ao Tondela, 1-0 ao Boavista no Bessa, 5-1 ao Sp. Braga e 2-1 à Académica em Coimbra. Ao todo, sete vitórias consecutivas, a uma da melhor série de jornadas sempre a ganhar estabelecida pela equipa de Rui Vitória. Após o empate frente ao U. Madeira na Choupana, a 15 de Dezembro, o Benfica ganhou oito jogos de campeonato consecutivos até à derrota caseira com o FC Porto: 3-1 ao Rio Ave, 1-0 em Guimarães, 6-0 ao Marítimo, 4-1 ao Nacional na Choupana, 2-1 no Estoril, 3-1 em Arouca, 4-1 no terreno do Moreirense e 5-0 ao Belenenses, no Restelo. Na situação em que está o campeonato, com os dois primeiros separados por apenas dois pontos e sem a garantia do direito ao erro, o melhor que a equipa do Benfica tem a fazer é pensar em ganhar não só ao V. Setúbal mas depois também os outros quatro jogos até final (as visitas a Rio Ave e Marítimo e as receções a V. Guimarães e Nacional). Se o fizer, supera as duas melhores marcas das equipas de Jorge Jesus, que nunca passaram das 11 vitórias seguidas: em 2010/11, o Benfica ganhou onze jogos seguidos entre uma derrota no Porto (0-5 com o FC Porto, a 7 de Novembro) e outra em Braga (1-2 com o Sp. Braga, a 6 de Março de 2011) e mesmo assim não foi campeão; em 2013/14, repetiu a proeza, ganhando onze jogos seguidos entre um empate com o Gil Vicente em Barcelos (1-1, a 1 de Fevereiro de 2014) e outro empate com o V. Setúbal em casa (1-1, a 4 de Maio), com a nuance de por alturas do segundo empate já ter assegurado matematicamente a conquista do título nacional. Aliás, para ser campeão, Jesus teve sempre de somar pelo menos nove jornadas seguidas a ganhar. Fê-lo em 2009/10 e em 2014/15, tendo em 2013/14 chegado às tais onze vitórias consecutivas.   O V. Setúbal não ganha há dez jogos, tendo apenas uma vitória em toda a segunda volta, que foi o 2-1 à Académica, em casa, a 22 de Janeiro. Depois disso, quatro empates e seis derrotas, com golos sofridos em todos os jogos. Aliás, a última baliza virgem da equipa sadina já data de 5 de Dezembro do ano passado, quando venceu o Belenenses no Restelo por 3-0. Contra o Benfica, uma semana depois, o Vitória iniciou a corrente série de 18 jogos sempre a sofrer golos.   A última vez que o Vitória esteve 18 jogos seguidos sempre a sofrer golos foi em 2010/11, altura em que após uma vitória por 1-0 frente ao Paços de Ferreira (de Rui Vitória), a 27 de Setembro de 2010, viu os adversários marcarem todos pelo menos uma vez até um empate a zero no terreno do Beira Mar, a 14 de Fevereiro de 2011. O 18º jogo dessa série foi em Setúbal, contra o Benfica, que na altura se impôs com golos de Gaitán e Jara.   O pior resultado que Rui Vitória, treinador do Benfica, tem nos três jogos que fez contra Quim Machado, técnico do V. Setúbal, é um empate a zero. Só o recebeu uma vez, em Guimarães, tendo o seu Vitória ganho ao Feirense de Machado por 1-0, com um golo do brasileiro Toscano. Antes disso, tinha-o visitado na Feira, mas ainda ao serviço do Paços de Ferreira: empatou sem golos, no jogo que marcou a despedida de Vitória da Mata Real, antes de assumir o comando da equipa de Guimarães. Já esta época, em Setúbal, o Benfica de Rui Vitória ganhou por 4-2 ao V. Setúbal de Quim Machado.   Em contrapartida, nunca Rui Vitória ganhou duas partidas seguidas ao V. Setúbal. Desde que chegou à I Divisão, para liderar o Paços de Ferreira, em 2010, o atual treinador do Benfica defrontou por 14 vezes os sadinos, com seis sucessos, um empate e sete derrotas. A única época em que ganhou por duas vezes ao V. Setúbal foi 2012/13, quando o seu V. Guimarães venceu as duas partidas da Liga (2-1 em casa e 3-2 fora), mas pelo meio registou um empate no Bonfim, para a Taça de Portugal (2-2). Aí, valeu-lhe o desempate por grandes penalidades para chegar à final, onde os vimaranenses ganharam… ao Benfica.   Quim Machado, treinador do V. Setúbal, perdeu os três jogos que fez contra o Benfica, dois dos quais ao serviço do Feirense. Contudo, a sua equipa marcou sempre golos. Na Luz, em Agosto de 2011, o seu Feirense esteve empatado até ao último quarto-de-hora (golos de Nolito e Rabiola), quando Cardozo e Bruno César marcaram para fazer o 3-1 final. Na Feira, em Janeiro de 2012, até esteve a ganhar (golo de Varela), mas viu depois o Benfica virar para 1-2, com um autogolo do mesmo Varela e um penalti de Cardozo. O jogo mais desequilibrado foi o desta época, em Setúbal, no qual o Benfica chegou cedo aos 3-0 (golos de Pizzi, Jonas e Mitroglou), tendo depois o Vitória amenizado para o 2-4 final (marcaram Vasco Costa, Suk, tendo o guardião sadino Ricardo feito um autogolo).   Raul Jiménez marcou nos últimos dois jogos do Benfica: fez o golo da vitória contra a Académica em Coimbra (2-1) e obteve o primeiro no empate com o Bayern na Luz (2-2). Foi a segunda vez esta época que o mexicano marcou golos em dois jogos consecutivos, depois de ter marcado ao Rio Ave e ao Nacional (na Taça da Liga) em Dezembro. Para lhe encontrar uma série de três jogos seguidos sempre a marcar é preciso recuar a Setembro de 2013, quando ainda representava o America.   Kostas Mitroglou, por sua vez, marcou nas duas últimas jornadas do campeonato. Pertenceu-lhe sempre o primeiro golo do Benfica nas vitórias frente ao Sp. Braga (5-1) e à Académica (2-1). O grego está ainda longe do seu melhor desta época, que foram as sete jornadas seguidas sempre a marcar, a Nacional, Estoril, Arouca, Moreirense, Belenenses, FC Porto e Paços de Ferreira.   O V. Setúbal não ganha ao Benfica desde 31 de Outubro de 2007, quando se impôs no Bonfim em partida da Taça da Liga, por 2-1, e de virada, com golos de Matheus e Edinho, depois de Freddy Adu ter aberto o ativo de penalti para os encarnados. Desde essa data, em 18 jogos, o melhor que os sadinos conseguiram forma quatro empates, dois deles na Luz: 2-2 em Dezembro de 2008 e 1-1 em Maio de 2014. De resto, 14 vitórias do Benfica, algumas delas com score bem largo, como os 8-1 de Agosto de 2009.   As duas últimas visitas do V. Setúbal à Luz acabaram com o mesmo resultado: 3-0. E foram separadas por apenas quatro dias. Talisca, Pizzi (ambos de penalti) marcaram a 11 de Fevereiro de 2015, em jogo da Taça da Liga; Jardel e Lima (este bisou) imitaram-nos a 15 de Fevereiro, em jogo a valer para o campeonato.   Talisca é o melhor marcador do atual plantel do Benfica em jogos com o V. Setúbal: fez quatro golos. Além do que marcou nos 3-0 para a Taça da Liga, em Fevereiro de 2015, assinou um hat-trick nos 5-0 com que o Benfica se impôs no Bonfim em Setembro de 2014. Em contrapartida, do atual plantel do V. Setúbal, só Vasco Costa marcou aos encarnados com a camisola listada: fê-lo na derrota por 4-2 da primeira volta, na qual o outro golo sadino foi apontado por Suk, entretanto transferido para o FC Porto.
2016-04-18
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Sérgio Oliveira o autor do golo da vitória do FC Porto frente ao V. Setúbal, no Bonfim (1-0), fez o segundo golo da época, mas o primeiro na corrente Liga, pois até aqui só tinha marcado ao Gil Vicente, na meia-final da Taça de Portugal. Foi a terceira temporada seguida em que marcou um golo aos sadinos, depois de já o ter feito nas vitórias do Paços de Ferreira para a Taça da Liga (2-0, em Janeiro de 2014) e para o campeonato (4-1, em Novembro de 2014).   O resultado valeu ao FC Porto a 27ª vitória seguida sobre o V. Setúbal, em confrontos para todas as competições, a quinta consecutiva sem sofrer sequer um golo. A última vez que os sadinos fizeram um golo ao FC Porto foi em Agosto de 2013, numa derrota por 3-1 em casa após a qual perderam por 3-0, 4-0 e 2-0 no Dragão e por 2-0 e 1-0 no Bonfim. O último jogo em que evitaram a derrota, esse, já tem mais de dez anos: foi um empate a zero no Dragão, em Outubro de 2005. E para se encontrar a última vitória é preciso recuar 50 jogos, até Maio de 1989, quando ganharam por 1-0, ainda nas Antas.   O FC Porto voltou a manter a baliza inviolada num jogo de campeonato, algo que já não lhe acontecia desde a estreia de José Peseiro à frente da equipa, a 24 de Janeiro. Depois desse 1-0 ao Marítimo, os dragões sofreram golos em sete jornadas consecutivas, igualando uma série negra do ponto de vista defensivo que já não conheciam desde Março e Abril de 2007.   Mesmo mantendo a baliza de Casillas a zeros, o FC Porto voltou a ganhar apenas pela margem mínima. Seis das sete vitórias alcançadas pela equipa de José Peseiro na Liga foram por apenas um golo de diferença, constituindo exceção o sucesso por 3-1 no Estoril, a 30 de Janeiro. Além desse, com o novo treinador, os azuis e brancos ganharam por 1-0 ao Marítimo e ao V. Setúbal, por 2-1 ao Benfica e ao Belenenses e por 3-2 ao Moreirense e ao U. Madeira.   Complicada está a vida para o V. Setúbal em termos ofensivos. Os sadinos fizeram o quarto jogo consecutivo sem marcar golos, levando já 391 minutos sem fazer um único. O último que marcaram, a 21 de Fevereiro, valeu um empate a uma bola em casa perante o Nacional, tendo o Vitória depois disso perdido todos os jogos: 3-0 com o Estoril e 1-0 com Moreirense, Arouca e FC Porto.   O V. Setúbal está, ainda assim, a um jogo – e a 125 minutos – da pior série ofensiva da época passada. Então, depois de um 3-0 ao Boavista, para a Taça da Liga, a 4 de Fevereiro de 2015, a equipa sadina esteve cinco jogos sem marcar (0-0 com a Académica, duas vezes 0-3 com o Benfica, 0-1 com o Penafiel e 0-3 com o Nacional), completando 516 minutos sem um golo até ao que foi marcado por Schmidt, a 7 de Março, num empate com o Belenenses (1-1), no Bonfim.   O Vitória completou, além disso, o oitavo jogo seguido sem ganhar. A última vitória obteve-a a 22 de Janeiro, um 2-1 à Académica, para a Liga, no Bonfim. Depois, perdeu com o Rio Ave, empatou com Marítimo, V. Guimarães e Nacional, e perdeu de enfiada com Estoril, Moreirense, Arouca e FC Porto. Além de ser a maior série de jogos sem vitória desta época, a corrente sequência de resultados supera pela negativa a pior da época passada, que foram sete jogos sem ganhar, entre 14 de Março e 7 de Maio.   Para se encontrar algo de tão mau na história do Vitória é preciso recuar a 2011/12, quando a equipa sadina também esteve oito jogos seguidos sem ganhar, entre 2 de Janeiro e 26 de Fevereiro de 2012, sendo o oitavo precisamente contra o FC Porto (1-3 no Bonfim para a Liga) e a série quebrada logo a seguir, em Aveiro, com uma vitória por 3-2 contra o Beira Mar. Pelo caminho, o treinador, Bruno Ribeiro, foi substituído por José Mota.   O FC Porto fechou a 27ª jornada com 61 pontos, menos quatro do que na época passada, na qual estava, por isso mesmo, mais perto do líder – estava a três pontos, enquanto agora está a seis. Os dragões têm, no entanto, mais seis pontos do que em igual fase do campeonato de há dois anos. Mas para se encontrar um FC Porto campeão com tão fraco pecúlio à 27ª jornada é preciso recuar dez anos. Em 2005/06, os dragões tinham 60 pontos em 27 jogos, ganharam seis e empataram um dois sete jogos restantes e ainda chegaram ao título.   O V. Setúbal, por sua vez, segue com 28 pontos, cinco acima da linha de água e mais três do que tinha na época passada por esta altura da competição. Mesmo tendo em conta a quebra da equipa de Janeiro para cá – 22 dos 28 pontos que fez foram conseguidos na primeira volta – este Vitória está a apenas seis pontos da equipa que há duas épocas chegou à 27ª jornada com 34 pontos e acabou a Liga em sétimo lugar, a cheirar uma qualificação europeia.
2016-03-20
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O FC Porto desloca-se a Setúbal, onde defrontará o Vitória num jogo fundamental para, utilizando a expressão de José Peseiro após a última partida, continuar “vivo” na Liga. Fá-lo frente à equipa que tem sido o seu mais habitual “freguês” dos últimos tempos: contabilizando todas as provas, os dragões seguem com 26 vitórias seguidas sobre o V. Setúbal, série sem igual com qualquer outra equipa do primeiro escalão. A última vez que o V. Setúbal defrontou o FC Porto sem perder já foi há mais de dez anos, a 29 de Outubro de 2005. Nessa noite, uma equipa comandada por Luís Norton de Matos, na qual jogava o agora internacional José Fonte, foi empatar ao Dragão (0-0) com o FC Porto de Co Adriaanse, onde alinharam Pepe e Quaresma, por exemplo. E mesmo olhando mais para trás o panorama não melhora muito para os sadinos, que obtiveram apenas dois empates nos últimos 40 jogos entre as duas equipas e não ganham aos dragões desde 7 de Maio de 1989. Foi há quase 27 anos que um golo de Aparício deu a uma equipa liderada por Manuel Fernandes uma vitória por 1-0 nas Antas face ao FC Porto de Artur Jorge. No Bonfim, então, a última vez que o V. Setúbal ganhou ao FC Porto foi em Março de 1983: Manuel de Oliveira levou o Vitória a ganhar por 3-1 ao FC Porto de José Maria Pedroto. A superioridade azul e branca tem sido marcadíssima nos últimos tempos. Há quase três anos que o V. Setúbal não marca sequer um golo neste confronto: o último marcou-o Rafael Martins na ronda de abertura do campeonato de 2013/14, num jogo que o FC Porto acabou por ganhar por 3-1. Desde esse dia 18 de Agosto de 2013, o FC Porto ganhou por 3-0, 4-0 e 2-0 no Dragão e por 2-0 no Bonfim. As 26 vitórias consecutivas do FC Porto contra o V. Setúbal, que incluem uma final da Taça de Portugal (1-0, golo de Adriano) e a Supertaça que se lhe seguiu (3-0, marcados por Adriano, Anderson e Vieirinha) não têm sequer comparação próxima com qualquer outro adversário do atual primeiro escalão. A seguir aos sadinos, o adversário mais dócil para o FC Porto é o Paços de Ferreira, contra o qual os dragões levam sete sucessos de enfiada.   José Peseiro, treinador do FC Porto, e Quim Machado, do V. Setúbal, nunca se defrontaram como treinadores. As equipas do atual técnico sadino nunca ganharam nem fizeram um único golo ao FC Porto, ainda que ele já tenha levado o Feirense a empatar com os dragões (0-0 com o Feirense, em Aveiro, em Setembro de 2011) no único jogo que não fez como visitante. Depois disso, perdeu por duas vezes no Porto: 0-2 com o Feirense e com o V. Setúbal. Peseiro, por sua vez, ganhou na última vez que levou uma equipa a Setúbal: 1-0 com o Braga, em Maio de 2013. Mas antes tinha ali perdido com o Sporting (2-0, em Setembro de 2004) e empatado duas vezes com o Nacional (2-2 em Março de 2003 e Abril de 2001).   O V. Setúbal não faz um golo no campeonato há 301 minutos, equivalentes a três jogos a zero (0-3 no Estoril, 0-1 com o Moreirense e 0-1 em Arouca) e ao período após o golo de André Claro no empate caseiro com o Nacional (1-1), a 21 de Fevereiro.   Além disso, o FC Porto vai em sete jogos seguidos sempre a sofrer golos para o campeonato. A última vez que manteve a baliza a zeros foi na estreia de Peseiro, em que ganhou por 1-0 ao Marítimo. Depois, bateu o Estoril por 3-1, perdeu com o Arouca por 2-1, ganhou ao Benfica por 2-1, ao Moreirense por 3-2, ao Belenenses por 2-1, perdeu com o Sp. Braga por 3-1 e ganhou ao U. Madeira por 3-2. Foi a primeira série de sete jornadas seguidas do FC Porto a sofrer golos desde Março e Abril de 2007, mas se sofrerem pelo menos um golo em Setúbal a sequência aumenta para oito partidas, que os azuis-e-brancos já não conhecem desde 1978/79. Há quase 40 anos, portanto.   Ao todo, os sadinos não ganham há sete jogos, mais precisamente desde o 2-1 em casa à Académica, a 22 de Janeiro. Depois disso empataram com Marítimo (1-1), V. Guimarães (2-2) e Nacional (1-1) e perderam com Rio Ave (1-2), Estoril (0-3), Moreirense (0-1) e Arouca (0-1). A presente série de jogos sem ganhar já é, de longe, a pior da época e só encontra paralelo na ponta final da temporada passada, quando a equipa liderada por Bruno Ribeiro esteve também sete jogos sem ganhar, vencendo o oitavo: 2-1 ao Arouca a 17 de Maio de 2015. Suk, atual jogador do FC Porto, fez o primeiro golo sadino nesse jogo.   Lukas Raeder deve regressar à baliza do V. Setúbal, face à indisponibilidade do titular, Ricardo, que está emprestado pelo FC Porto. Será o primeiro jogo do guarda-redes alemão desde a derrota por 4-0 com o Boavista, no Bessa, a 18 de Janeiro.   O portista Herrera estreou-se na Liga portuguesa contra o V. Setúbal, lançado por Paulo Fonseca a 9 minutos do fim da vitória dos dragões no Bonfim, por 3-1, a 18 de Agosto de 2013. 
2016-03-19
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Duas equipas com propensão goleadora, V. Setúbal e Sporting têm montado os ataques muito em cima dos seus avançados-estrela, o coreano Suk e o argelino Slimani, respetivamente o terceiro e o segundo melhor marcadores da Liga, com nove e dez golos. Ambos estão a viver um excelente momento e mostram apetência por marcar ao adversário de agora, não sendo por isso estranho que se comente – até por semelhanças físicas – que os leões tenham pensado em Suk como alternativa a Slimani. Suk, que chegou a Portugal, vindo do futebol holandês, em Janeiro de 2013, fez o seu primeiro golo lusitano, ainda ao serviço do Marítimo, na baliza de Rui Patrício, na altura valendo uma vitória dos insulares em Alvalade, por 1-0. Era o terceiro jogo do asiático com a camisola verde-rubra e logo ali ele deixava um cartão de visita que raramente deixou de honrar. Depois de uma passagem pela Arábia Saudita, regressou a Portugal para vestir a camisola do Nacional – o único clube com o qual não conseguiu marcar ao Sporting, ficando em branco na derrota por 1-0 na Choupana, em Dezembro de 2014. Só voltou a defrontar os leões na Liga em Abril de 2015, já em representação do V. Setúbal, voltando a marcar, para atenuar a derrota da sua equipa por 2-1 no Bonfim. Além disso, Suk fez golos nas três últimas partidas do Vitória no Bonfim, onde não fica em branco desde os 2-2 com o U. Madeira, em Novembro. Desde então, fez um golo nos 2-4 com o Benfica, outro no empate a uma bola frente ao Rio Ave (Taça de Portugal) e outro ainda no 1-1 com o Sp. Braga, no sábado passado. Mas o bom momento é comum ao argelino Slimani, que vem de um bis inspirador nos 2-0 ao FC Porto, estando a apenas um golo do seu recorde para uma época inteira, que são os 15 golos de 2014/15. Ora Slimani tem três golos em outros tantos jogos contra o V. Setúbal, sendo que marcou sempre que foi titular: só ficou em branco nos 2-1 do Bonfim, em Abril, mas aí só entrou em campo a 20’ do fim. Antes, já tinha marcado nos 2-2 de Março de 2014 e bisado nos 3-0 de Novembro do mesmo ano.   - O V. Setúbal só perdeu uma vez no Bonfim esta época. Foram os 4-2 contra o Benfica, em Dezembro. Em contrapartida, também só ganhou uma vez: 1-0 ao Estoril, em Outubro. Soma, além desses dois jogos atípicos, sete empates, seis deles com golos.   - O Sporting segue com duas derrotas consecutivas fora de casa, não ganhando como visitante desde a deslocação ao Funchal, para defrontar o Marítimo, a 5 de Dezembro (1-0). Desde então, foi batido pelo Sp. Braga (4-3, após prolongamento, na Taça de Portugal) e pelo U. Madeira (1-0).   - Quim Machado, treinador do V. Setúbal, perdeu os dois jogos que fez contra o Sporting e nas duas vezes que defrontou Jorge Jesus, mas com nuances diferentes. Frente aos leões o seu Feirense não fez sequer um golo (0-2 em Aveiro e 0-1 em Alvalade). Já nos jogos com o Benfica de Jesus vendeu sempre muito mais cara a derrota: 1-3 na Luz, aguentando o empate até ao último quarto-de-hora, e 1-2 na Feira, de virada.   - Regresso de Jorge Jesus a Setúbal, onde foi jogador (de 1980 a 1983) e treinador (de 2000 a 2002). Desde que saiu do banco do Vitória, após uma derrota com o Varzim, em Janeiro de 2002, Jesus voltou com equipas suas a Setúbal por dez vezes, ganhando sete, empatando duas e perdendo apenas uma, com a U. Leiria (2-0), em Outubro de 2005. A última vez que não ganhou em Setúbal foi em Fevereiro de 2010, quando ali empatou (1-1) com o Benfica.   - Nuno Pinto, lateral do V. Setúbal, estreou-se na Liga portuguesa com a camisola do Boavista num empate a uma bola frente ao Sporting, a 28 de Janeiro de 2007. Foi lançado por Jaime Pacheco. O mesmo sucedeu com o avançado André Claro, a quem Pedro Emanuel deu os primeiros minutos na Liga numa partida com os leões, perdida em Alvalade pelo Arouca (5-1), a 18 de Agosto de 2013.   - Nos leões, Carlos Mané também se estreou na Liga a defrontar o adversdário desta jornada. Foi lançado por Leonardo Jardim nos últimos 7 minutos de uma vitória dos leões frente ao V. Setúbal, por 4-0, a 5 de Outubro de 2013.   - O Sporting não perde com o V. Setúbal desde Novembro de 2012, quando saiu do Bonfim vergado a uma derrota por 2-1, com golos de Meyong e Pedro Santos contra um de Jeffrén. Dos 14 homens que José Mota fez alinhar nessa noite pelo Vitória, subsistem no clube Paulo Tavares e Miguel Lourenço, que até foi expulso. Do Sporting só sobra Rui Patrício.   - O Sporting interrompeu na época passada uma série de três jogos sem ganhar em Setúbal, impondo-se por 2-1 (Carlos Mané e Tanaka marcaram para os leões, Suk fê-lo para os sadinos), mas já não sai do Bonfim sem sofrer golos desde Dezembro de 2010, quando ali venceu por 3-0 (bis de Yannick a somar a um golo de Abel). Foi a última vez que os leões se deslocaram a Setúbal com um treinador que lá tinha jogado: Paulo Sérgio, como agora Jorge Jesus.   - O V. Setúbal empatou todos os jogos que fez com Jorge Ferreira a apitar na Liga, dos quais apenas um foi no Bonfim: o V. Setúbal-Estoril de 2013/14 (1-1). Com este árbitro, o Sporting ganhou seis jogos em oito na Liga, tendo perdido os seus únicos pontos em Alvalade, num 0-1 com o Estoril (2013/14) e um 1-1 contra o Moreirense (2014/15).
2016-01-05
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Último Passe

A vitória do Benfica em Setúbal (4-2) e a forma fácil como a equipa de Rui Vitória a construiu veio mostrar que o treinador encontrou finalmente o equilíbrio e que ele não depende do sistema tático, da presença de Samaris ou Fejsa ou até de Renato Sanches. Depende sobretudo das dinâmicas que a equipa consegue ou não construir dentro desse sistema e essas têm um nome escrito à frente de todos os outros: o de Pizzi, o multi-funções que muda o jogo do coletivo. Em Setúbal, no regresso ao 4x4x2 que permite tirar o melhor de Jonas, com Gonçalo Guedes de um lado e Pizzi do outro, o Benfica beneficiou do facto de o V. Setúbal jogar num 4x4x2 tão aberto como era o de Rui Vitória há umas semanas – com Arnold de um lado e Ruca do outro e com André Claro próximo de Suk na frente – para marcar sempre superioridade nos duelos a meio-campo. Porque Pizzi se aproxima da dupla de médios tanto no início da construção – quando Samaris baixa para fazer a saída de bola com os centrais, desenhando um triângulo e impedindo a proliferação de passes horizontais das alas para o meio – como no momento de transição defensiva, compondo o corredor central e melhorando a reação à perda. O futebol é um jogo que se joga em 105 por 70 metros, mas decide-se em vários pequenos jogos que se desenham pelo campo. E a dinâmica de Pizzi permite ao Benfica marcar superioridade numérica em muitos desses mini-duelos. No jogo de Setúbal, além disso, o trasmontano ainda esteve ligado ao primeiro golo, que marcou após excelente trabalho individual, pouco antes do intervalo. Mas aí entrou a segunda parte da equação: os erros defensivos do V. Setúbal. Ricardo errou no primeiro golo do Benfica; os centrais e William foram demasiado passivos no segundo, feito por Jonas, e ultrapassados no terceiro, com que Mitroglou pôs ponto final na discussão; e o quarto foi um festival de descoordenação defensiva de todo o setor recuado, terminando em autogolo do guarda-redes sadino. O V. Setúbal fez um jogo positivo, de ataque, como tinha feito no Dragão, contra o FC Porto, e o caminho certo é esse. Quim Machado sujeitou a equipa aos erros, mas a mesma filosofia que adotou aqui e que lhe valeu os golos de Vasco Costa e Suk, a manter as distâncias nos dois golos de diferença, servir-lhe-á para ganhar muitos jogos contra adversários do mesmo campeonato. É por isso que o V. Setúbal até sofre muitos golos mas tem tudo para fazer uma época tranquila.
2015-12-13
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Stats

O Benfica vem da sétima derrota da época, em casa com o Atlético Madrid, por 2-1, na Liga dos Campeões. Já igualou em quatro meses o total de desaires de toda a época anterior e a esperança na revalidação do título passa por evitar avolumar esta conta. Até aqui, os encarnados responderam a quatro das seis derrotas anteriores com uma vitória no jogo imediatamente a seguir. As exceções foram o empate em Astana depois da derrota com o Sporting na Taça de Portugal e a derrota com os leões no campeonato logo a seguir ao desaire com o Galatasaray em Istambul. Em comum entre os dois casos está o facto de terem sido os únicos em que, depois de perder, o Benfica não teve pelo menos cinco dias para digerir a desilusão e preparar o jogo seguinte. Como agora. A primeira derrota da temporada apareceu logo no jogo de estreia, contra o Sporting, na Supertaça (0-1), a 9 de Agosto. A equipa de Rui Vitória voltou a jogar sete dias depois, na estreia na Liga, e ganhou ao Estoril por 4-0. Voltou depois a perder com o Arouca, em Aveiro, por 1-0, na segunda jornada da Liga, a 23 de Agosto. Contudo, sem ter jogos a meio da semana que a apoquentassem, a equipa recompôs-se e, seis dias depois, ganhou ao Moreirense na Luz por 3-2. Só à quinta jornada da Liga o Benfica voltou a perder: foi o 0-1 com o FC Porto no Dragão, a 20 de Setembro. Mais uma vez, o calendário permitiu-lhe seis dias de recuperação e preparação do jogo seguinte e o Benfica respondeu bem: 3-0 ao Paços de Ferreira, seis dias volvidos. A quarta e a quinta derrotas foram seguidas e assinalam também a primeira vez que o Benfica não teve pelo menos cinco dias para digerir um mau resultado. A 21 de Outubro perdeu por 2-1 com o Galatasaray em Istambul e quatro dias depois não foi capaz de superar o Sporting em casa, saindo vergado ao peso de um concludente 0-3. Rui Vitória teve então cinco dias para preparar os seus jogadores para nova deslocação a Aveiro, onde o Benfica ganhou facilmente ao Tondela por 4-0. A sexta derrota, contra o Sporting, na Taça de Portugal, a 21 de Novembro, veio de certa forma atenuar esta tese, pois com apenas quatro dias de recuperação – e uma longa viagem pelo meio – o Benfica já não perdeu o jogo a seguir. Mas também não o ganhou: empatou a dois golos com o Astana no Cazaquistão. A sétima derrota, frente ao Atlético de Madrid, a 8 de Dezembro, servirá de tira-teimas. O Benfica vai apresentar-se em Setúbal, quatro dias depois, com a responsabilidade de ganhar.   - O V. Setúbal-Benfica pode colocar frente a frente os dois jogadores que se têm revelado ofensivamente mais valiosos da Liga. Jonas, que soma dez golos e quatro assistências, contra Suk, que tem sete golos e as mesmas quatro assistências.   - O V. Setúbal ainda não perdeu no Bonfim esta época, mas também só ganhou um jogo em seis: 1-0 ao Estoril, a 2 de Outubro. Os outros cinco acabaram empatados, quatro deles a duas bolas (Boavista, Rio Ave, V. Guimarães e U. Madeira). O Arouca, que ali empatou a zero, foi a única equipa que segurou o ataque sadino e lhe impôs um nulo goleador.   - Quim Machado, treinador do V. Setúbal, perdeu os dois jogos que fez contra o Benfica, quando comandava o Feirense, mas em ambos marcou golos e vendeu sempre muito cara a derrota: na Luz, em Agosto de 2011, esteve empatado até ao último quarto-de-hora (golos de Nolito e Rabiola), quando Cardozo e Bruno César fizeram o 3-1 final. E na Feira, em Janeiro de 2012, até esteve a ganhar (golo de Varela), mas viu depois o Benfica virar para 1-2, fruto de um autogolo do mesmo Varela e de um penalti de Cardozo.   - Em contrapartida, nunca uma equipa de Quim Machado marcou um golo a uma equipa de Rui Vitória. Os confrontos entre ambos datam de 2011/12, sempre com Machado no Feirense. Primeiro, um Feirense-Paços de Ferreira que acabou empatado a zero e marcou precisamente a despedida de Rui Vitória da Mata Real, para assumir o desafio de liderar o V. Guimarães. E depois um V. Guimarães-Feirense que os vimaranenses ganharam por 1-0, com golo do brasileiro Toscano. Na visita do V. Guimarães à Feira já Quim Machado tinha sido substituído por Henrique Nunes.   - O Benfica ganhou as últimas cinco visitas a Setúbal, todas pelo menos por dois golos de diferença. A última vez que ali deixou pontos foi em Fevereiro de 2010, num jogo que acabou empatado a uma bola, fruto de dois autogolos: Ricardo Silva marcou pelo Benfica e David Luiz pelo V. Setúbal. De então para cá, cinco vitórias encarnadas: 2-0 em 2010/11 (Gaitán e Jara); 3-1 em 2011/12 (bis de Bruno César e golo de Cardozo contra um de Rafael Lopes); 5-0 em 2012/13 (bis de Rodrigo, acrescido de golos de Salvio, Enzo Pérez e Nolito); 2-0 em 2013/14 (Rodrigo e Lima) e outro 5-0 em 2014/15 (Salvio e Ola John complementados por um hat-trick de Talisca).   - O V. Setúbal não ganha ao Benfica há 17 jogos. A última vitória dos sadinos foi em Outubro de 2007, para a Taça da Liga: 2-1, de virada, com golos de Matheus e Edinho depois de Adu ter aberto o ativo para os encarnados. No campeonato, então, o Vitória já não vence desde um 1-0 em Maio de 1999, com golo de Toñito.   - Os últimos troféus conquistados pelo V. Setúbal envolveram vitórias sobre o Benfica. Foi assim na Taça da Liga de 2007/08, na qual a equipa sadina teve de afastar o Benfica e na Taça de Portugal de 2004/05, onde venceu os encarnados na final. Em ambos os casos o sucesso do V. Setúbal sucedeu-se a reviravoltas no marcador: no Jamor, Manuel José e Meyong cancelaram um golo de penalti de Simão logo a abrir.   - Também o único troféu nacional ganho por Rui Vitória envolveu uma passagem pelo Bonfim. Foi a Taça de Portugal de 2012/13, ganha na final ao Benfica com o V. Guimarães: logo na quarta eliminatória, os vimaranenses empataram a duas bolas com o V. Setúbal no Bonfim, tendo-se qualificado graças a uma vitória por 5-3 no desempate por grandes penalidades. Esse foi, de resto, o único jogo de Rui Vitória contra o V. Setúbal que acabou empatado. Dos outros onze, ganhou cinco e perdeu seis.   - Miguel Lourenço, defesa central do V. Setúbal, estreou-se na Liga a jogar contra o Benfica, lançado por José Mota ao intervalo de um jogo que se apresentava complicado, a 26 de Agosto de 2012: o Vitória jogava com dez e já perdia por 3-0. Os 5-0 finais mostram que não pôde ajudar muito.   - Samaris e Cristante também se estrearam na Liga portuguesa com um 5-0 ao V. Setúbal, a 12 de Setembro de 2014. Samaris jogou os 90 minutos, enquanto que Cristante entrou a 17 minutos do final para o lugar de Enzo Pérez. O jogo já estava resolvido, com 4-0, mas Ola John ainda marcou o quinto.   - André Hora celebra no dia do jogo um ano sobre a sua estreia a jogar na Liga e na equipa principal do V. Setúbal. Foi lançado por Domingos Paciência ao intervalo de um jogo com o Boavista que estava empatado a zero, mas o Vitória acabou por perder (0-1).   - O Benfica ganhou todos os jogos que fez na Liga com o árbitro Manuel Mota, quatro deles fora de casa: 1-0 ao Beira Mar e 2-1 ao Marítimo em 2012/13; 2-1 ao Estoril e 4-2 ao Nacional em 2013/14. Só no último destes jogos é que o Benfica não teve um penalti a favor. Em contrapartida, o V. Setúbal ganhou três dos nove jogos com este árbitro, o último dos quais uma receção à Académica, em Setembro de 2013.
2015-12-11
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Último Passe

A aposta na dupla de pontas-de-lança a que Julen Lopetegui resistira, por exemplo, nos empates contra o Marítimo e o Sp. Braga, pôs em causa a organização normal do jogo do FC Porto mas permitiu à equipa quebrar o enguiço com as balizas da última partida da Liga e vencer o V. Setúbal por 2-0. Mesmo a fazer um bom jogo e, sobretudo depois de aumentar o ritmo, após o intervalo, a conseguir levar a bola até à área sadina, com criação constante de desequilíbrios, a equipa azul e branca não chegou ao golo enquanto o treinador basco não juntou Aboubakar e Osvaldo na área. Um dos primeiros cruzamentos depois de isso suceder, aos 70 minutos, permitiu ao camaronês abrir o marcador, num cabeceamento sem tirar os pés do chão, e começou a desfazer as dúvidas acerca da atribuição dos três pontos. Uma discussão a que Layun pôs termo pouco depois, com mais um golo de pé direito vindo da sua posição de lateral esquerdo. As bases do jogo do FC Porto são bem conhecidas: posse de bola (acima dos 70 por cento até ao golo de Aboubakar) e triangulações com alternância entre os movimentos dos extremos para dentro com subida dos laterais ou a abertura dos extremos com entrada dos médios na zona do ponta-de-lança. Na primeira parte, jogada a um ritmo mais lento, isso não chegou para tirar da frente as duas linhas defensivas de um bem organizado V. Setúbal que, fruto da qualidade nas saídas de bola, nem parecia jogar com o autocarro à frente da baliza de Raeder. Suk e André Claro eram boas referências atacantes, tornando possível que o meio-campo sadino subisse e que a equipa de Quim Machado se equilibrasse mais acima e pudesse assim respirar. Só nos últimos cinco minutos do primeiro tempo o FC Porto encostou o adversário atrás, o que deixou a dúvida acerca dos efeitos do intervalo. Voltaria o jogo a ser tão dividido como chegara a ser ou manter-se-ia a pressão portista? Na verdade, o FC Porto ainda conseguiu subir o ritmo e o V. Setúbal continuou a enfrentar dificuldades para voltar a jogar no campo todo. Mas isso não chegava para aquilo que o FC Porto queria, que era fazer um golo. Esse só apareceu quando Lopetegui trocou Evandro por Osvaldo e assumiu uma espécie de 4x2x4, com André e Danilo a segurarem o meio-campo. Ao contrário do que sucedeu em Moreira de Cónegos, onde a aposta no segundo ponta-de-lança só surgiu à terceira substituição, sem hipótese de emenda, portanto, desta vez o treinador portista recompôs de imediato o equilíbrio natural da equipa, chamando Imbula ao jogo. Mas, já sem dinâmica atacante, que se extinguira no período de intensa pressão portista, o Vitória limitou-se a esperar o fim do jogo, acabando o 2-0 por aparecer naturalmente, após uma incursão de Imbula que Layun finalizou.
2015-11-08
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O FC Porto já leva 25 vitórias seguidas em jogos contra o V. Setúbal, de longe a sua série vitoriosa mais longa contra equipas do mesmo escalão. A última vez que os sadinos conseguiram não perder com os dragões já fez dez anos na semana passada: foi a 29 de Outubro de 2005 que uma equipa do Vitória comandada por Luís Norton de Matos foi ao Dragão empatar a zero com os comandados de Co Adriaanse. De então para cá, a história tem sido repetitiva, com 25 jogos e 25 vitórias do FC Porto, 66 golos marcados e apenas sete sofridos. A superioridade azul e branca tem sido ainda mais marcada ultimamente, pois há mais de dois anos que os setubalenses não fazem sequer um golo neste desafio. O último fê-lo Rafael Martins, no Bonfim, a dar momentânea vantagem aos então comandados de José Mota, na abertura da Liga de 2013/14. Mas Josué, Quintero e Jackson viraram esse resultado para o 3-1 final, a favor do FC Porto. Nos três jogos seguintes, só houve golos portistas: 3-0 (Jackson, Varela e Carlos Eduardo), 4-0 (Quaresma, Jackson, Brahimi e Danilo) e 2-0 (Brahimi e Jackson). As 25 vitórias consecutivas do FC Porto frente ao V. Setúbal, que incluem uma final da Taça de Portugal (1-0, golo de Adriano) e a Supertaça que se lhe seguiu (3-0, marcados por Adriano, Anderson e Vieirinha), em 2006, não têm sequer comparação com mais nenhuma série em curso na equipa do FC Porto. A seguir aos sadinos, os adversários tradicionalmente mais dóceis para os portistas são o Rio Ave (sete vitórias seguidas), o Paços de Ferreira (seis sucessos de enfiada) e o Arouca (cinco vitórias nos únicos cinco jogos efetuados entre ambos).   - Brahimi marcou nas únicas duas vezes em que defrontou o V. Setúbal. Na época passada, abriu o marcador nos 2-0 do Bonfim e fez o terceiro nos 4-0 do Dragão. Jackson Martínez tinha feito golos nos últimos quatro jogos entre estas duas equipas mas já não está no FC Porto.   - Casillas continuará a tentar aumentar a corrente série de minutos sem golos sofridos pelo FC Porto em casa, na Liga. O último jogador a marcar ali nestas condições foi o benfiquista Lima, a 14 de Dezembro do ano passado, na vitória dos encarnados por 2-0. Desde então, nos jogos em casa para a Liga, o FC Porto vem acumulando zeros nas suas redes, a ponto de, com contributo de Fabiano, Helton e Casillas, somar já 1385 minutos de jogo sem sofrer golos. Está a 196 minutos da série estabelecida por Vítor Baía e Cândido de Janeiro a Dezembro de 1994. Foram na altura 1581 minutos sem sofrer golos em casa para a Liga.   - O FC Porto continua também sem perder esta época. Já lá vão 13 jogos, com nove vitórias e quatro empates, ainda a cinco partidas de igualar o arranque da equipa de Vítor Pereira, que em 2012/13 esteve 18 jogos sem perder até ser eliminado pelo Sp. Braga da Taça da Portugal (2-1), a 30 de Novembro.   - O V. Setúbal só perdeu uma vez nas primeiras nove jornadas (frente ao Marítimo, por 5-2, à quarta) e soma já 14 pontos, que fazem deste o melhor arranque de época sadino desde 2007. Por esta altura, a equipa de Carlos Carvalhal ainda não tinha perdido e somava 15 pontos, tendo acabado essa Liga em sexto lugar.   - Além disso, os sadinos não sofrem golos na Liga há 314 minutos, desde o tento de Rui Correia no empate (1-1) na Choupana com o Nacional. Desde então ganharam por 1-0 ao Estoril, por 2-0 ao Moreirense e empataram a zero com o Arouca. Esta série é a maior desde uma estabelecida em Fevereiro e Março de 2013, quando a equipa dirigida por José Mota esteve 343 minutos sem sofrer golos, entre um 0-3 frente ao Benfica na Luz (último golo de Rodrigo, aos 56’) e um 0-2 em Paços de Ferreira (golo inaugural de Cícero aos 39’). Pelo meio a baliza ficou virgem nas vitórias frente a Gil Vicente, Olhanense e Beira Mar, todas por 1-0.   - Ricardo, o guarda-redes do V. Setúbal que tem estado na baliza na série em curso, não poderá jogar, pois está emprestado pelo FC Porto. Já na altura da anterior série o guarda-redes tinha ligação aos dragões: era Kieszek, que assinara pelo V. Setúbal depois de cumprir um ano de empréstimo no Roda (Holanda).   - O portista Herrera estreou-se na Liga portuguesa contra o V. Setúbal, lançado por Paulo Fonseca a 9 minutos do fim da vitória por 3-1 no Bonfim, a 18 de Agosto de 2013.   - Julen Lopetegui e Quim Machado vão defrontar-se pela primeira vez na história. O treinador do FC Porto ganhou os dois jogos que fez contra o V. Setúbal (4-0 e 2-0 na época passada, pelo FC Porto). Já Quim Machado conseguiu empatar com os dragões ao serviço do Feirense (0-0, em Setembro de 2011), mas foi depois perder ao FC Porto por 2-0 (em Fevereiro de 2012).   - Ao 14º jogo na Liga, o jovem Tiago Martins ainda não viu uma equipa ganhar fora de casa: nos 13 anteriores verificaram-se oito vitórias caseiras e cinco empates. O juiz lisboeta, de 35 anos, vai estrear-se a apitar o FC Porto, mas no currículo já tem uma partida de um grande, pois esteve no Benfica-Estoril da primeira jornada (4-0 para os encarnados). O V. Setúbal fez dois jogos com ele sem ganhar (empate em casa com o V. Guimarães, já esta época, e derrota fora com o Moreirense, na anterior).
2015-11-07
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