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Último Passe

É impossível não ligar Mitroglou à vitória sobre o Rio Ave com que o Benfica fechou a sua participação na Liga em 2016, assegurando o título oficioso de campeão de inverno. E não foi só por ter sido ele a desbloquear o marcador, obtendo o primeiro golo do jogo. É que o regresso do ponta-de-lança grego ao onze permitiu a Rui Vitória mudar o jogo atacante da sua equipa, dando-lhe mais presença na área e profundidade no corredor central, por oposição ao futebol mais móvel de Jiménez. Indiferente à discussão acerca de quem será o melhor ponta-de-lança da Liga e mesmo sem ter tantos como o Sporting, por exemplo, o Benfica tem uma certeza: na Luz mora o lote mais complementar de todos os candidatos. Mesmo que depois o melhor marcador da equipa seja o médio Pizzi. É que se Mitroglou anda sempre na perseguição do golo, raramente saindo do corredor central ou se envolvendo em movimentações antes dos últimos 20 ou 30 metros do campo, preferindo ir mais vezes em busca da profundidade, Jiménez, o avançado a quem ele tirou a vaga nos titulares, cai com frequência nas laterais, dessa forma ajudando a desposicionar as defesas adversárias e abrindo caminho à entrada dos médios em situações de finalização. Depois, há Guedes, um corredor por excelência, rápido com bola nos pés e pouco certeiro na definição dos lances – ainda hoje se lhe viram raides sem a decisão correta no final – mas incansável na pressão quando a equipa perde a bola e lhe compete entrar em fase defensiva. E recomeça a haver Jonas, jogador tão diferente dos outros três, por ter até mais golo que Mitroglou, mesmo jogando uns metros atrás, por ser tecnicamente refinado e quase presciente naquilo que falta a Guedes, que é a capacidade para adivinhar o que vai suceder em cada lance. Podendo ainda fazer jogar ali Rafa – um misto de Jonas com Guedes, porque decide quase sempre bem, mas nem sempre define a contento – ou Cervi, Rui Vitória está mais bem servido de atacantes que Nuno Espírito Santo ou Jorge Jesus. No FC Porto, há Jota, um velocista com golo nas botas, há André Silva, um trabalhador que dá tudo – às vezes até demais – e acaba por sair muito da zona de finalização no processo, e há Depoitre, um gigante de área que aparenta ser muito limitado com os pés. Nuno Espírito Santo seguramente poderia usar a capacidade de explosão de Aboubakar, se tivesse havido a capacidade para lhe explicar que a aposta principal era o miúdo da formação e ele se predispusesse a ser útil, ainda assim. E no Sporting, onde mora o maior lote de avançados da Liga, também não se encontrou ainda a complementaridade. Há Bas Dost, outro gigante, que é melhor jogador e finalizador que o dragão belga, mas pouco dado a buscar a profundidade em construção, como fazia Slimani, preferindo baixar para jogar entre linhas, no espaço de Jonas, por exemplo. E aí faltam-lhe argumentos para desequilibrar. E há Bryan Ruiz, tecnicamente muito bom mas lento a executar, mau finalizador e nada propenso às mudanças de velocidade, ou Campbell, que continuo a achar que pela explosão e boa finalização é o melhor par para o holandês no meio. Não tem havido Markovic, ainda não se viu o que pode valer Alan Ruiz, nunca foi dada constância a André e creio que dificilmente se verá Castaignos. Com mais opções, Jesus ainda não definiu claramente o que espera de cada uma delas. E por aí também se explica a diferença pontual que a equipa já tem para o Benfica.
2016-12-21
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O FC Porto ganhou de forma especial ao Chaves, voltou a colar-se ao Benfica no topo da Liga e, no final do jogo, apareceu o Nuno Espírito Certo. Isto é como quem diz que o treinador encontrou finalmente o tom correto para encarar as questões fundamentais que se aproximam. Nem professoral, a roçar o fanfarrão de canudo debaixo do braço, como tinha sido na noite dos desenhos, após a excelente exibição contra o Arouca; nem deprimido, a inspirar comiseração e solidariedade nos que se reviam nas agruras que a equipa ia vivendo, como na sucessão de jogos sem marcar golos. Ontem, Nuno Espírito Santo foi claro nas coisas boas e nas coisas más. E somou pontos. A verdade é que, de forma até tímida, por vezes, o FC Porto está lá em cima, à frente do Sporting de Jesus, que no início da época era tido como principal obstáculo na corrida do Benfica até à conquista do inédito tetra. Nuno até se deu ao luxo de repetir o onze que tinha defrontado o Marítimo dias antes, mas nem por isso viu a equipa fraquejar física ou mentalmente, como acontecera ao Sporting na véspera. É certo que o adversário não era um Sp. Braga, mas se além da amputação do treinador, não perder também jogadores como Battaglia, este Chaves tem personalidade e futebol para ficar muito bem na Liga. E o FC Porto, dentro das suas limitações, foi capaz de dar a volta ao jogo, ganhando até Depoitre para futuras batalhas, de forma mais inesperada do que tinha ganho Brahimi, por exemplo. Nuno foi capaz de fazer uma boa avaliação da primeira metade da época, que foi exigente para ele e para a equipa, desde a necessidade de passar pela pré-eliminatória da Liga dos Campeões às evidentes limitações de um plantel que não tem soluções de sobra. E foi ao mesmo tempo claro mas não impositivo na declaração acerca da necessidade de ir ao mercado em Janeiro. Os dragões continuam na Champions, têm ali uma almofada financeira que pode ao mesmo tempo permitir-lhes e exigir-lhes encontrar mais algumas soluções, por exemplo, para o centro da defesa, as alas do meio-campo e a frente de ataque. Estará Boli à altura? Quem está lá além de Brahimi e Corona, agora que a equipa encontrou o equilíbrio com extremos? E será Depoitre mesmo o avançado de área que o FC Porto precisa para abrir jogos mais fechados? As respostas chegarão depois do Ano Novo.
2016-12-20
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Pinto da Costa já fez a sua parte ao vir dizer que a dupla de centrais formada por Felipe e Marcano é das melhores que alguma vez viu na sua longa permanência à frente do FC Porto – e nisso terá tido o seu quê de exagero. Mas, não sendo entusiasmante no plano ofensivo, esta equipa de Nuno Espírito Santo raramente se desequilibra e fundou na segurança defensiva de 746 minutos de jogo consecutivos sem sofrer golos o regresso a sério à luta pelo título. Nisso e no regresso de Brahimi, o proscrito que passou a servir que nem uma luva nas ideias atacantes do treinador. Djoussé pôs termo à longa imbatibilidade portista, que já durava desde o golo de Lisandro López no clássico com o Benfica, no Dragão, e fê-lo precisamente num lance em que bateu os dois centrais portistas, um após o outro. Não são piores jogadores por isso, mas há que reconhecer que grande parte da segurança defensiva desta equipa tem a ver com a opção por Danilo – em vez de Ruben Neves, por exemplo, que é um jogador ofensivamente muito mais entusiasmante mas menos imponente nos duelos – ou com o facto de os laterais – sobretudo Layun e Teles – terem como motivação fundamental a manutenção da posição, procurando muito o desequilíbrio desde trás em detrimento de uma maior projeção no meio-campo adversário. Se é verdade que as equipas se constroem desde trás, então Nuno Espírito Santo está a fazer bem. As vitórias, porém, só começaram a surgir quando o treinador contrabalançou tanta contenção com mais criatividade na frente, através das entradas de Corona e Brahimi no onze. O primeiro nunca esteve verdadeiramente fora, mas acabou por ganhar a posição a jogadores mais contidos, como Herrera ou André André. O segundo estava com pé e meio fora da equipa, com guia de marcha anunciado para Janeiro, antes de contribuir com três golos nos três últimos jogos. Contra o Marítimo, foi ele que desbloqueou o marcador com um golo de autor, como foi ele que depois colocou André Silva na cara do guarda-redes para o 2-0. Janeiro, se é preocupação, será sobretudo por causa da perda de Brahimi, que nessa altura seguirá para a seleção para jogar a Taça de África das Nações e dará outra vez o lugar a Otávio.
2016-12-15
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O FC Porto podia até nem ter ganho ao Sp. Braga, tão tarde apareceu o golo salvador de Rui Pedro, mas isso teria sido uma tremenda injustiça. Porque hoje, ao contrário do que tem vindo a acontecer em quase todos os jogos dos Dragões, só faltaria mesmo o marcador - e não era aquele que falhou a Nuno Espírito Santo em mais uma aula prática de educação visual, dada esta semana aos jornalistas. O FC Porto encostou à baliza a equipa que, antes do jogo, era terceira na Liga, e nem o facto de os minhotos terem ficado reduzidos a dez ainda na primeira parte serve de justificação para a tão grande diferença entre o futebol jogado pelos dois conjuntos. O que leva a questão da crise portista para outro patamar: se esta equipa sabe jogar, por que razão não o faz mais vezes e passou mais de oito horas de jogo sem fazer um golo, contra equipas bem mais fracas que Benfica e Sp. Braga, que lhe motivaram as últimas exibições de bom nível?À partida, ocorrem-me duas justificações. Uma é meramente futebolística e muito concreta. A outra entra na psicologia de balneário e tem o seu quê de adivinha. A mais concreta fala da ideia de jogo de Nuno Espírito Santo, uma ideia bem mais alicerçada nos momentos de transição do que nos momentos de organização. O FC Porto de Nuno é muito forte na reação à perda da bola - transição defensiva - e imediatamente após a recuperação da posse - transição ofensiva. Para que esta equipa possa exprimir-se na plenitude, é preciso que o adversário queira ter a bola. Ora a maior parte das equipas não é isso que pretendem, limitando-se a juntar as linhas à frente da sua área, abdicando de jogar e forçando os dragões a abusar do momento em que são menos fortes, que é a organização ofensiva.O grão de areia nesta explicação está no facto de o Sp. Braga também não ter tido qualquer interesse em jogar a partir do minuto em que ficou reduzido a dez, por expulsão de Artur Jorge. E mesmo assim o FC Porto jogou a bom nível. É verdade que havia Brahimi e Corona ao mesmo tempo ou que Layun dá mais qualidade no ataque do que Alex Teles, mas isso não me parece suficiente para explicar a diferença entre o FC Porto de qualidade que se viu frente a Benfica e Sp. Braga e a equipa apática e infeliz que se mostrou em Setúbal ou no Restelo. Aqui chegado, a melhor explicação que encontro tem a ver com a motivação do grupo. Que nos jogos com outros grandes aparece bem focado e nos restantes entra a achar que as coisas acabarão por se resolver mais cedo ou mais tarde. Isso só pode querer dizer que a mensagem não está a chegar devidamente ao balneário. E que a Nuno não basta substituir o marcador. Porque é improvável que lá chegue a fazer mais desenhos.
2016-12-03
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Uma equipa que passa 430 minutos sem fazer um golo, como acontece atualmente com o FC Porto, pode queixar-se de muita coisa. Porque quem não marca um golo em mais de sete horas de futebol não tem apenas um problema de criatividade na organização do ataque, de ineficácia na finalização, de falta de qualidade de alguns elementos ou até de infelicidade face a algumas decisões. Tem esses problemas todos ao mesmo tempo. E no segundo 0-0 consecutivo contra o Belenenses de nada serviu a Nuno Espírito Santo recuperar Brahimi e Ruben Neves, cuja presença até vinha sendo reclamada há algum tempo, porque lhes faltou o contexto. Além de ser uma equipa mal trabalhada do ponto de vista do ataque organizado, a este FC Porto já lhe falta confiança em cada movimento, nota-se-lhe a indisponibilidade para assumir o risco de muitos jogadores, que com medo de falhar preferem jogar seguro a procurar o desequilíbrio – e nesse particular Brahimi até foi dos poucos que chamou a si as decisões de risco, acabando até por meter alguns bons cruzamentos na área. A questão é que essa predisposição para o risco também não é ajudada pela presença em campo de jogadores que estão num patamar claramente inferior de qualidade. E aqui, falo por exemplo de Depoitre. Porque quanto mais vejo jogar este lento e complicativo avançado belga mais me confunde que, mesmo com toda a sua altura, possa ser ele o reforço de ataque para uma equipa que quer ganhar a Liga e chegar longe na Champions. Não me recordo de um FC Porto com um avançado tão fraco desde que Tomislav Ivic “inventou” o comprido Vinha para a frente quando queria desbloquear jogos. E Vinha até chegou a fazer alguns golos, como os fará inevitavelmente Depoitre se continuar a jogar. Mas não resolveu, como não resolverá Depoitre, por mais que o treinador o faça jogar. O empate, mais um a chamar lenços brancos às bancadas onde estão adeptos portistas, pode até deixar Nuno Espírito Santo com vontade de acordar cedo para continuar a trabalhar amanhã, mas diminui-lhe ainda mais a margem de manobra e pode deixá-lo em breve sem razões profissionais para se levantar da cama. Contra o Sp. Braga e o Leicester, os adversários que aí vêm, só duas vitórias interessam, porque só ganhando aos minhotos os dragões regressam ao Top 3 da Liga e só batendo o segundo terão a certeza de seguir para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões sem depender do resultado entre Copenhaga e Brugges. E para isso são precisos golos.
2016-11-29
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Os 340 minutos de futebol que o FC Porto leva sem marcar golos desde que Diogo Jota faz o 1-0 frente ao Benfica, no Dragão, há três semanas, chegam para justificar o ar resignado com que Nuno Espírito Santo se apresentou hoje na sala de imprensa do Restelo, após o empate com o Belenenses. O resultado foi mau, porque deixa os dragões dois pontos atrás do Sporting e pode levar ao aumento da desvantagem face ao Benfica para sete pontos já no domingo. E foi flagrante a diferença no olhar do treinador face à chispa confiante que se lhe tinha visto, por exemplo, após a vitória por 3-0 sobre o Arouca, enquanto desenhava para a plateia de jornalistas os pilares em que queria ver a sua equipa assentar o jogo. Hoje não faltou comunicação, compromisso ou cooperação. O que mais faltou foi qualidade. O que mudou desde esse jogo com o Arouca? Ou desde a muito boa exibição contra o Benfica, há três semanas, onde a qualidade ficou à vista de todos? Estas são perguntas com respostas diferentes. As diferenças entre o FC Porto de todos os dias e o FC Porto que encostou o Benfica atrás têm a ver com fatores tão díspares como a motivação dos jogadores para um clássico ou um maior investimento do treinador no delinear da estratégia. O jogo com o Benfica, com variantes interessantes, como a derivação de Oliver para a meia-esquerda, onde com Alex Telles e Otávio foi capaz de tapar a saída a Nelson Semedo e desequilibrar o Benfica, teve dedo de treinador. Tanto na forma como o FC Porto subjugou o tricampeão nacional como mais tarde na forma como lhe permitiu vir à procura do empate, quando tirou do campo quem tinha capacidade para ter a bola. O jogo com o Arouca foi diferente: o FC Porto fez uma muito boa exibição sobretudo porque aquele que é o ponto fulcral do “jogar à NES” – a reação forte à perda da bola – chegou para quase impedir o opositor de sair dos últimos 30 metros. Começando muitas vezes a atacar ali à frente, asfixiou o adversário, dando o mote para justificar uma ideia recorrente acerca deste FC Porto: bom não é ter a bola; bom é que o adversário a tenha, para poder recuperá-la em condições de o surpreender na transição ofensiva. O problema coloca-se quando a frescura física e mental dos jogadores envolvidos nessa pressão não é a ideal ou quando o adversário tem mais categoria e consegue sair da teia, como fez o Belenenses hoje. Aí, o jogo é transportado para outro segmento: o da qualidade. E aqui, o FC Porto não tem conseguido fazer a diferença com os onze que entram nem com as alternativas. Ainda hoje se viu: Depoitre por Jota, para dar peso na áera e tentar superar as condições meteorológicas adversas com um jogo mais direto; André André por Oliver, talvez para ganhar intensidade de pressão, mas seguramente não capacidade para desequilibrar; e Varela por Otávio, quem sabe se para ganhar largura e um jogo mais retilíneo, ainda que com a consequência natural de, sem Oliver e Otávio, a equipa sentir ainda mais a falta de um médio que lhe dê qualidade em ataque posicional, como seria por exemplo Ruben Neves. A verdade é que nenhuma resultou e que o olhar pesado de Nuno Espírito Santo não faz prever que ele venha a ser agora tão claro como foi na semana passada, quando disse que a falta de golos ia deixar de ser assunto.
2016-11-26
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O facto de ter sido André Silva, sempre um dos melhores da equipa, a falhar o último penalti na eliminação do FC Porto da Taça de Portugal, em benefício do Desp. Chaves, pode até retirar um pouco de peso à decisão tomada por Nuno Espírito Santo, que antes mandara Depoitre bater a penúltima grande penalidade, tendo o belga também permitido a defesa a António Filipe. Não concordo com Jorge Simão, treinador dos flavienses, que reduziu o desfecho de um desempate por penaltis à sorte – e creio que o guardião do Chaves, que defendeu três remates, também não concordará – mas o que se espera do FC Porto numa eliminatória como esta é que não deixe as coisas chegar tão longe. E, nesse aspeto, bem mais penalizadora que a escolha do até aqui desastrado Depoitre me pareceu a decisão de Nuno Espírito Santo não chamar ao jogo Brahimi, cuja criatividade poderia ter ajudado a desfazer o 0-0 que durou 120 minutos, a segunda metade dos quais com o FC Porto quase sempre instalado no ataque. Hoje estão de parabéns o Chaves e Jorge Simão, como é evidente. Mas este Chaves não me pareceu sequer tão forte como tinha demonstrado contra o Benfica, num jogo que perdeu com alguma infelicidade – o que é diferente de tê-lo perdido por azar. Não creio que tenha sido o Chaves a piorar, admito que tenha sido o FC Porto a bloquear sempre bem as saídas venenosas do adversário, o que lme eva a não ser capaz de dizer que os dragões tenham jogado mal. O FC Porto foi a melhor equipa em campo e, mais, a partir dos 60’, foi a única com andamento para chegar à baliza adversária. Fosse por incapacidade física, técnica ou tática, o Chaves – que tinha mostrado boas ideias no arranque do jogo – deixou de conseguir sair a jogar e aceitou o papel de saco de boxe: desde que o FC Porto não marcasse no processo, tudo estaria bem para os donos da casa. E a verdade é que o FC Porto não marcou. Nuno começou em 4x3x3, com dois extremos velozes e diretos: Varela de um lado e Jota do outro. Passou durante o jogo para um 4x4x2, com Depoitre perto de André Silva, motivando um jogo mais direto. Mais tarde chamou Evandro e Layun, mas deixou no banco Brahimi, que é possivelmente o mais criativo de todos os jogadores do plantel. Quando pela frente tinha uma equipa que baixava as linhas, que fechava todos os espaços de acesso à sua baliza e o importante era conseguir um golpe de prestidigitação, o FC Porto abdicou do seu jogador mais incontrolável. A não ser que existam fatores extra-rendimento desportivo desconhecidos de quem está de fora a justificar o constante ostracismo ao argelino, tudo parece resumir-se precisamente à imprevisibilidade do jogador, ao facto de ele ser tão incontrolável para os adversários como é para o seu próprio treinador. Mas é uma decisão de risco. E é uma decisão que não creio que Nuno Espírito Santo mantenha em Copenhaga, na terça-feira, se chegar a estar perante a possibilidade de se atrasar na obtenção de mais um objetivo, que é a qualificação para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões.
2016-11-18
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Os clássicos têm sempre mensagens para quem as quiser ler. O de ontem, no Dragão, trouxe várias, mas a principal é que, continuando a ser o favorito, o Benfica ainda não pode cantar vitória na Liga. Não só porque não conseguiu ganhar e ampliar a vantagem sobre o FC Porto, caso em que o resto da época poderia ser a coisa mais parecida com um passeio de que há memória, mas também porque viu reduzida a que tem sobre o Sporting. Ainda são cinco pontos, em cima dos quais os encarnados podem fundar um favoritismo muito legítimo para chegarem ao tetracampeonato, mas a questão é que, pela frente, os tricampeões ainda têm mais três clássicos. E o de ontem voltou a mostrar como sofrem neste tipo de ambientes. A verdade é que o clássico mostrou um FC Porto perfeitamente capaz de se bater com o Benfica. Tivesse a equipa de Nuno Espírito Santo esta intensidade em todos os jogos da Liga e seguramente não teria empatado com o Tondela ou com o V. Setúbal e estaria em melhores condições para discutir o campeonato. Corona deu largura e repentismo, aliviando a pressão sobre Jota; André Silva conseguiu estar sempre em jogo, mostrando-se o jogador adulto que o BI diz que ainda não pode ser; e Oliver encheu o campo, a jogar atrás e à frente, a defender e a atacar sempre com qualidade. A questão, aqui, é sempre a de saber quando é suficiente e quando é preciso continuar a carregar. Contra o Benfica, com a motivação certa, a equipa portista deu provas de qualidade e encostou o adversário às cordas. Fez um golo, podia ter feito mais um ou dois, mas fracassou duas vezes. Falhou a finalizar quando se lhe pedia que fechasse o jogo e falhou no volume de jogo, quando achou que era altura de proteger o resultado mais perto da sua baliza e não de se manter a jogar alto, como até aí. E essa demonstração de fraqueza, o Benfica não a perdoou. Porque este Benfica pode sofrer sempre que defronta adversários do mesmo calibre, mas tem uma alma que só a conquista reiterada de títulos pode conferir a uma equipa. Há quem lhe chame estrelinha de campeão e dê à coisa ares de fortuna, mas nada podia estar mais errado: é nestas alturas que me lembro do que acontecia vezes sem conta ao Manchester United de Alex Ferguson, especialista em golos nos descontos. Mais. Lembram-se do empate em Alvalade, a uma bola, com um golo de Jardel nos descontos a dar ao Benfica de Jesus um ponto depois de ser dominado durante quase todo o jogo pelo Sporting de Marco Silva, lançando a equipa para o bicampeonato de 2015? No Dragão, ontem, passou a repetição desse filme. Ou a reprise do filme que teve como ator principal Kelvin, a dar ao FC Porto de Vítor Pereira o tricampeonato frente ao Benfica, em 2013. Rui Vitória continua a ter de gerir as constantes lesões – além de Jonas e Rafa, ontem faltaram-lhe Fejsa, Grimaldo e faltou-lhe Luisão a partir dos 20 minutos – mas continua a ser capaz de ir ao banco buscar alternativas para obter resultados. Lisandro, por exemplo, saltou do banco para ser o melhor jogador do Benfica: a ninguém como a ele assentaria tão bem o golo do empate. É certo que Samaris não confere à equipa a mesma competência de Fejsa nos momentos defensivos, mas até foram dele as primeiras duas situações de perigo no ataque: e na maior parte dos jogos, o que o Benfica tem de fazer é atacar. Os clássicos fogem à regra e é nesses que a equipa mais dificuldades tem sentido: o Benfica de Rui Vitória tem uma vitória e três derrotas com o Sporting e um empate e duas derrotas com o FC Porto, mas mesmo assim foi campeão e segue na frente da classificação, com vantagem folgada sobre os rivais. Cinco pontos talvez não lhe cheguem para mais três clássicos, mas a seu favor a equipa do Benfica terá sempre as outras 21 jornadas. É que nessas não costuma falhar. FC Porto e Sporting, por seu turno, não têm podido dizer a mesma coisa.
2016-11-07
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O empate entre FC Porto e Benfica, que deixa tudo na mesma entre as duas equipas no topo da tabela, resulta da excelente exibição do FC Porto durante cerca de 70 minutos, sempre a mandar no campo, mas também da reação benfiquista na ponta final de uma partida em que esteve encostado às cordas mas conseguiu ir ao fundo da alma buscar aquilo de que precisava para pontuar, já nos descontos. Sim, é verdade que até essa ponta final o meio-campo escalado por Rui Vitória nunca se impôs e o FC Porto podia até ter feito mais de um golo, mas também é certo que a reação benfiquista foi auxiliada pelas trocas feitas por Nuno Espírito Santo, a puxar a equipa para trás. Chegar aqui e decidir o que é mérito próprio ou demérito do adversário é conversa para ter na bancada dos sócios, que de qualquer modo andarão mais entretidos nas próximas horas a debater os méritos de decidir o resultado de um clássico no período de compensação. Essa impossibilidade chega até aos lances dos dois golos. No do FC Porto, há mérito na diagonal de Corona, a descobrir Diogo Jota, como na forma como este saiu de Nelson Semedo e chutou forte e colocado, mas também há culpas de Ederson, que permitiu que a bola entrasse entre ele e o poste mais próximo, o poste do guarda-redes. No do Benfica, viu-se um excelente cruzamento de André Horta e a habitual contundência de Lisandro nas bolas paradas ofensivas, mas também um erro de julgamento de Herrera, a ceder um canto despropositado, e a falta de resposta coletiva dos portistas, que não colocaram ninguém para impedir o canto curto e por terem voltado as costas à jogada deram todo o tempo e espaço do mundo a Horta para cruzar. O jogo foi muito interessante também no plano tático e estratégico. Nuno Espírito Santo fez o onze inicial que se impunha, mantendo Maxi Pereira e fazendo entrar Corona, para ganhar largura e repentismo no campo. Com uma excelente noite de Oliver – a melhor desde que regressou ao FC Porto – a equipa recuperava muitas vezes a bola ainda no meio-campo adversário, remetendo o Benfica a uma primeira parte com pouco ataque. Rui Vitória também fez o que se lhe aconselhava, não inventando e trocando os lesionados Fejsa e Grimaldo por Samaris e Eliseu, mas a equipa não respondeu. Fê-lo apenas quando, já em desvantagem, o treinador mexeu e devolveu Pizzi a uma das alas, mas com a incumbência de auxiliar Samaris e Horta, que a partir daí ficaram no meio, na batalha contra Danilo, Oliver e Otávio, que também procurava vir para dentro com frequência. Vitória ainda reforçou o ataque com Jiménez, ao mesmo tempo que Espírito Santo ia puxando a equipa para trás: Ruben Neves por Corona, Layun por Oliver e Herrera por Jota. Em consequência das trocas – e do resultado, também, como é evidente, pois era ao Benfica que competia fazer pela vida – o jogo foi-se aproximando da baliza de Casillas e o Benfica acabou por chegar ao empate. Ficou tudo igual na classificação, num jogo que mostrou três coisas. Que o FC Porto, afinal, tem intensidade para se bater com o Benfica e lutar pelo título. Que o Benfica continua a sentir enormes dificuldades para assumir o jogo quando enfrenta adversários do mesmo calibre. Mas que mesmo assim consegue resultados úteis e mantém-se na frente da tabela e por isso mesmo é ainda o principal favorito na Liga.
2016-11-06
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A forma como o FC Porto empatou em Setúbal permitiu perceber que, como é natural, por serem ainda recentes, os processos que Nuno Espírito Santo quer ver na equipa não estão ainda totalmente consolidados. A uma semana do confronto que pode definir os próximos meses de campeonato, a receção ao Benfica no Dragão, falta à equipa portista uma maior capacidade para explorar aquela que foi a sua maior arma, por exemplo, na vitória que foi buscar à Luz, na época passada, com José Peseiro ao leme: o controlo da largura em termos atacantes. E isso nota-se mais sempre que adota uma atitude mais conservadora e abdica de Brahimi e Corona, por exemplo. Com todos os jogadores disponíveis – desta vez regressou Otávio a Corona caiu do onze – já se percebeu que Nuno Espírito Santo aposta num meio-campo a quatro com grande propensão para jogar por dentro. Mais desequilibrador Otávio a sair da esquerda, mais dado ao fortalecimento do coletivo e aos equilíbrios Herrera a partir da direita. Pretende Nuno Espírito Santo que sejam os laterais a dar a tal largura atacante – a equipa faz sempre a saída a três, com Danilo entre os centrais, e Layun e Alex Telles subidos – e que a mobilidade dos dois avançados, Diogo Jota e André Silva, faça o resto no que toca à ocupação dos espaços. Só que, dando à equipa um maior volume de jogo, um maior controlo das operações, esta opção tem custos em termos de criação de desequilíbrios atacantes. Porque lhe tem faltado gente em condições de explorar o espaço deixado vago pela basculação defensiva do adversário e capacidade para, com essas variações de flanco, tirar mais vezes a bola das zonas de pressão. E só os laterais são curtos para isso. É verdade que o FC Porto – tal como o Sporting na véspera, na Choupana – até podia ter ganho em Setúbal: bastaria para tal que Bruno Varela não tivesse feito duas defesas impossíveis, a remates de Oliver e Jota. Mas o futebol que se viu à equipa foi menos completo do que aquele que se lhe tinha visto contra o Arouca, que raramente saiu dos últimos 30 metros do campo. Mérito do adversário? Seguramente: este Vitória joga mais e estava no seu estádio. Mas também falta do repentismo e da mistura de criatividade com rapidez que Corona deu ao FC Porto no jogo da semana passada ou da qualidade no um para um que lhe traz Brahimi. A grande decisão que Nuno Espírito Santo tem a resolver por estes dias é a escolha de quem pode sair do onze-base, porque o que salta à vista é que um dos dois extremos tem mesmo de entrar.
2016-10-29
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Pinto da Costa esteve na exposição destinada a celebrar os 86 anos do andebol do FC Porto e, certamente a isso instado pelos jornalistas – a fazer lembrar o célebre “ainda bem que me faz essa pergunta” – não perdeu a oportunidade de falar daquilo que mais interessa, que é o futebol. Fê-lo para manifestar a sua confiança em Nuno Espírito Santo e no plantel, bem como para manifestar otimismo a respeito do que tem vindo a ver à equipa, tanto em termos de resultados como de espírito, e fez bem. De errado só mesmo a forma como descartou o que se passou nos últimos anos, como se tivesse acabado de chegar de uma viagem a Marte. Este FC Porto teve um início de época complicado, fruto da necessidade de adaptação às ideias do novo treinador e do facto de vir de três anos sem ganhar nada e, por isso mesmo, com um plantel diminuído na qualidade e na moralização. Ainda assim, a equipa respondeu quase sempre bem quando isso foi necessário. Aconteceu em Roma, quando correu riscos de ficar de fora da Champions – e todos sabemos como isso seria problemático para umas contas já a ameaçar o crash – e voltou a acontecer recentemente em Brugges, onde qualquer outro resultado que não fosse a vitória a deixaria em sério risco de desmobilização para a segunda metade do grupo da Liga dos Campeões. A exceção às boas respostas terá sido a visita a Alvalade, onde os dragões perderam com o Sporting, mas mesmo essa derrota terá sido atenuada pelas perdas de pontos sucessivos dos leões – também enfatizadas pelo presidente portista –, podendo ser completamente posta para trás das costas caso o FC Porto ganhe em casa ao Benfica, daqui a semana e meia. Vendo a equipa a crescer ao ritmo da afirmação de André Silva, um ponta-de-lança como o clube não via nascer desde Domingos, há um quarto de século, Pinto da Costa deu-lhe o empurrãozinho que muitas vezes faz a diferença. “Temos uma equipa, um plantel, como eu desejava, e como já não via há algum tempo”, disse, completando: “Nos últimos anos, nem todos os jogadores eram à FC Porto”. Talvez, fruto da longa experiência que já acumulou no cargo de presidente do clube, Pinto da Costa esteja a ver mais longe do que toda a gente, mas o que é mais estranho é que foi acima de tudo ele quem assinou por baixo a tão dispendiosa política de recrutamento dos últimos anos, os anos do Lopeteguismo. E que, depois de um ano sem nada ganhar, manteve a ideia e a política, jogando o “dobro ou nada” que se vê nos filmes e arruína tanta gente nos casinos. O que Pinto da Costa disse agora acerca do espírito criado por Nuno Espírito Santo no plantel do FC Porto é mais do que suficiente para garantir ao treinador a permanência no cargo, mesmo que, por esta ou aquela razão, ele acabe por não ganhar nada. Da mesma forma que o que ele disse da equipa após a derrota caseira contra o Tondela, em início de Abril, chegava a sobrava para que se percebesse que José Peseiro poderia até ganhar a Taça de Portugal que nunca iria continuar em funções na nova época. Mas não foi para nos garantir isso que Pinto da Costa falou agora. Fê-lo para dar o seu empurrão, sob a forma de moral, para evitar um quarto ano sem troféus. Porque não quererá ter de abusar da falta de memória de alguns para voltar a dizer daqui a uns tempos que nos últimos anos, nem todos os jogadores “eram à FC Porto”.
2016-10-26
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Depois de ganhar ao Arouca por 3-0, Nuno Espírito Santo desenhou o boneco que servia de logótipo às míticas camisas Triple Marfel e colocou na base os três pilares que estão na base do que é jogar “à FC Porto”: “compromisso, cooperação e comunicação”. São ideias importantes? Claro. Mas isso lê-se em qualquer livro de auto-ajuda ou em todos os manuais para a liderança nas empresas. A verdadeira razão pela qual o FC Porto passou a ganhar mais vezes – e já agora, na inversa, pela qual o Sporting começou a ganhar com menos regularidade – é tática. Finalmente, a equipa passou a jogar com homens que servem o modelo que o treinador escolheu. O “C” fundamental, aqui, é compatibilidade. À chegada ao Dragão, Nuno Espírito Santo trazia duas novidades. A recuperação da cultura de clube, que se viu na forma como apelou aos sentimentos mais profundos dos adeptos, e a ruptura com o modelo de jogo que presidira aos dois anos de Lopetegui e Peseiro. A primeira era estratégica e extravasava muito o futebol jogado; a segunda era tática e com ela o treinador tencionava acabar com o jogo de posse avassaladora e com o predomínio obsessivo do ataque organizado entre todos os momentos do jogo, para os trocar por um futebol de mais risco e capaz de integrar também o contra-ataque e o ataque rápido. A questão é que, até à titularidade de Diogo Jota – ou à entrada de Corona num bom momento – a equipa padeceu sempre de alguma falta de velocidade. E não me refiro apenas à rapidez do pique, mas sobretudo à sua aplicação na tomada de decisão e no ataque às bolas divididas, à velocidade em espaços curtos, que quase sempre permite fazer a diferença. Da mesma forma, nas últimas semanas todos os jogadores do Sporting parecem mais lentos. Razões? Há quem fale de atitude, da “ressaca” das competições europeias, da lesão de Adrien… Aceito todas essas explicações, mas a fundamental, para mim, é uma súbita inadequação da equipa ao futebol desenhado pelo treinador. O Sporting de Jesus
2016-10-22
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Um hat-trick de Diogo Jota ainda na primeira parte transformou a viagem do FC Porto à Choupana num passeio, reduziu a oposição do Nacional a zero e alertou Nuno Espírito Santo para a existência de valores seguros no plantel para os quais talvez nem os mais fervorosos adeptos portistas estivessem alerta. A vitória por 4-0, para a qual contribuiu mais um golo de André Silva, na segunda parte, permitiu aos dragões colarem-se a Sporting e Benfica (que ainda tem de jogar a sua partida desta jornada) no primeiro lugar. E, apesar de a interrupção da Liga não chegar na melhor altura para uma equipa subitamente remoralizada, permitirá um recomeço quase do zero quando o campeonato regressar: este FC Porto jovem, esta equipa dos "jotinhas", apresentou o melhor compromisso dois dragões desde o início da temporada. Para o desequilíbrio final no marcador contribuiu um Nacional fraco, é verdade, mas também um FC Porto outra vez forte. O regresso de Herrera, melhor em posse do que André André, e sobretudo a titularidade de Jota, explicam alguma coisa. Um jogador rápido e objetivo como Jota, que fez 14 golos ainda como júnior, na época de estreia na Liga, não pode ser visto só como elemento de contra-ataque – é uma arma incontornável na construção do processo ofensivo portista, tendo feito mais numa noite do que todos os outros parceiros de André Silva no 4x4x2 no resto da temporada. Fez o 1-0 após tabela com Herrera, logo aos 11’. Perdeu o segundo golo em lance individual ao qual se opôs o guardião Rui Silva, mas apenas para o fazer pouco depois, após passe de André Silva. E antes do intervalo ainda fez o terceiro, de cabeça, após cruzamento vindo da direita. A perder por 3-0, ninguém regressa a um jogo contra um grande a não ser que este facilite. Na segunda parte, o FC Porto não o fez e na verdade não se viu sequer ameaça de regresso do Nacional à luta pelos pontos. Foi o FC Porto quem marcou mais um, aliás, ainda antes dos 60’: André Silva finalizou, após assistência de Otávio, num lance nascido da criatividade de Oliver. Com Herrera, Otávio e Oliver à frente de Danilo, o meio-campo do FC Porto ganha uma capacidade de construção ofensiva a que depois dois bebés com golo nas botas como são Jota e André Silva podem dar a devida sequência. Chegará tanta juventude para os desafios a que se propõe o FC Porto? Não é fácil responder afirmativamente e sem reservas. Mas que ainda não se tinha visto melhor compromisso esta época aos dragões, isso é uma evidência.
2016-10-02
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Não foi convincente o discurso de Nuno Espírito Santo na sequência da derrota do FC Porto em Leicester. Não é uma anormalidade perder por 1-0 no relvado do campeão inglês, mais a mais quando o FC Porto nunca tinha ganho em Inglaterra, e apesar de entrar na terceira jornada com apenas um ponto este nem sequer é o início de Champions do qual seja impossível recuperar, tendo em conta que aí vêm os dois jogos com o acessível Brugge, dos quais em condições normais os dragões retirarão o pleno de pontos. Mas ao treinador cabe perceber que o problema não foi a equipa não ter sido “mandona”, ter-lhe faltado “confiança” ou “eficácia” ou ainda ter sido pouco “madura”. O problema é que essa tem sido uma avalição recorrente e nasce da demora da equipa a assimilar princípios de jogo atacante. Objetivamente, mesmo tendo em conta que esta foi apenas a quarta vitória em dez jogos para o Leicester desta época, o FC Porto perdeu um jogo com normalidade. Fez uma primeira parte fraca, na qual um erro de Marcano e Felipe deu a Slimani o único golo do jogo: o espanhol estava mal posicionado no momento do cruzamento de Mahrez e o brasileiro permitiu que o ex-avançado do Sporting se lhe antecipasse no ataque à bola, que pelo caminho já tinha passado por Vardy. Depois, a perder, com Herrera, Corona e Jota, o FC Porto melhorou, é verdade. E isso, o facto de a equipa acabar quase sempre bem os seus jogos, quando o treinador recorre às alternativas, também devia ser motivo de reflexão. Se Nuno se queixa de falta de maturidade, por que não joga Herrera? Se se queixa de falta de eficácia e de golo, porque estão de fora jogadores que têm golo nas botas, como Corona – oito golos na época passada – ou Jota – que fez 14 no Paços de Ferreira? O extremo mexicano ainda meteu uma bola no poste da baliza de Schmeichel, já perto do fim, e esse lance, a somar a uma tentativa de chapéu de André Silva que saiu ao lado, logo no início da partida, foi um oásis em mais uma noite de pouca produção atacante da equipa portista. O Leicester também não fez muito mais, é verdade. Mas estranho será olharmos para os dois onzes, ou para os dois plantéis, e de repente acharmos que os ingleses tinham jogadores internacionalmente mais experientes, com mais capacidade para serem mandões ou, face ao terrível início de época que estão a viver, mais confiantes. A questão é que ao FC Porto falta ainda assimilar um plano de jogo em posse. O Leicester também o não tem? Mas o Leicester joga simples e grosso e nem quer saber disso. Ao FC Porto não tem faltado confiança, eficácia ou maturidade. Falta-lhe convicção.
2016-09-27
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A qualidade individual de Otávio e a movimentação sempre inteligente de André Silva, hoje bem complementado por Adrián López, permitiram ao FC Porto ultrapassar o obstáculo constituído por um Boavista que nunca mostrou grande futebol mas teve a capacidade para manter o resultado em aberto até aos últimos minutos. O 3-1, marcado a quatro minutos do fim, quando os axadrezados apostavam num jogo partido, com bola cá-bola lá, permitiu a justa atribuição dos três pontos à equipa de Nuno Espírito Santo, mas a demora no golo da tranquilidade e uma segunda parte muito desinspirada dos dragões não afastaram as nuvens negras do horizonte antes da visita a Leicester, em importante desafio da Liga dos Campeões marcado para terça-feira. Nuno Espírito Santo apostou num 4x4x2 com maior preenchimento do corredor central, pois nele não entraram extremos: a largura era dada pelos dois defesas-laterais e pelas saídas da área dos dois pontas-de-lança, os móveis André Silva e Adrián López, que substituiu o belga Depoitre, nulo no jogo de Tondela. Adrián procurava muito a esquerda, dessa forma compensando as constantes diagonais de Otávio para o meio, nas quais o jovem brasileiro se mostrava o melhor portista na difícil arte de queimar linhas com bola. E isso tornou-se tanto mais importante quanto o início de jogo foi complicado para a equipa da casa, uma vez que o Boavista marcou na primeira vez que chegou perto da baliza de Casillas, logo aos 5’: livre de Fábio Espinho e cabeça de Nuno Henrique para o 0-1. A ganhar desde tão cedo, não se percebeu bem se o Boavista trazia algum plano de jogo a não ser o de impedir os ataques portistas. A equipa de Sánchez juntava linhas perto da área, mostrava um Idris em momento pujante, mas raramente conseguia ligar-se aos jogadores da frente – só Bukia se mostrou, em noite anónima de Iuri Medeiros e Digas. O FC Porto, com Oliver mais atrás do que o habitual e André André a procurar também o corredor central a partir da direita, só entrava na organização defensiva adversária em bolas paradas – dois quase-golos de Danilo, ainda na primeira parte – ou nas tais arrancadas de Otávio. Foi o jovem brasileiro quem descobriu André Silva para o golo do empate, aos 19’, e foi ainda ele quem, numa mudança de velocidade, forçou uma falta de Nuno Henrique junto à linha de fundo. No penalti correspondente, André Silva bisou e colocou o FC Porto na frente do marcador, ainda antes do intervalo. Foi aquilo de que o FC Porto precisou para baixar o ritmo do jogo numa segunda parte que foi correndo mais sonolenta. Foi interessante a entrada de Diogo Jota para o lugar de Adrián, pois permitiu ao jovem português mostrar a rapidez de processos e o descaramento para finalizar que lhe permitirão voar alto, mas o jogo estava por essa altura mais dividido do que seria de supor. Com Schembri em vez de Iuri Medeiros e a subida de rendimento de Fábio Espinho, o Boavista foi ganhando chegada à frente e, mesmo sem ocasiões claras de golo, manteve o suspense no resultado até ao minuto 86, quando um cruzamento de Alex Telles acabou no fundo das redes, fruto de uma intervenção desastrada do guardião Agaev. Estava resolvido o jogo e os dragões podiam finalmente pensar na Champions. Se é que não era já por lá que tinham a cabeça antes disso.  
2016-09-23
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O mesmo défice de criatividade que já lhe custara dois pontos na partida da Liga dos Campeões frente ao Copenhaga, no Dragão, voltou a impedir o FC Porto de vencer na deslocação a Tondela. Num jogo onde beneficiou de iniciativa atacante quase permanente e de amplo domínio territorial, atenuado apenas na segunda parte, quando o jogo partiu e o Tondela conseguiu meter no relvado alguns contra-ataques, a equipa de Nuno Espírito Santo não foi além de um 0-0 que a penaliza. Não foi um problema de esquema tático – voltou o 4x4x2 –, de eficácia ou de falta de homens ofensivos no onze. O que faltou mesmo foi a capacidade para criar desequilíbrios em ataque organizado. Perante um Tondela bem organizado defensivamente e sempre aguerrido, Nuno Espírito Santo voltou ao 4x4x2, juntando Depoitre a André Silva e entregando as faixas laterais ao regressado Brahimi e a Otávio. Os dois alas procuraram sempre o corredor central, para aí promoverem os tais desequilíbrios – algo que Otávio conseguiu sempre melhor do que Brahimi – e para deixarem as laterais aos ofensivos Layun e Alex Telles. Só que, apesar das tentativas de Ruben Neves desempenhar o papel de médio centro de uma forma mais atacante do que o habitual Danilo, os primeiros 45 minutos foram quase um deserto em termos de situações de perigo. De parte a parte: o FC Porto só entrou com perigo na área uma vez, num passe longo de Felipe a, que nem André Silva, primeiro, nem Depoitre, no aproveitamento do ressalto, deram o melhor seguimento. O Tondela, metido num 4x2x3x1 que tinha em Crislan um avançado capaz de segurar a bola e de esperar pela equipa, dando assim tempo aos homens mais recuados para respirar, ia ganhando confiança. E depois de Gonçalves ter procurado, sem sucesso, um dos ângulos superiores da baliza da Casillas, a segunda parte começou com uma equipa da casa mais afoita do ponto de vista atacante. Espírito Santo quis mudar o ataque, primeiro trocando Brahimi por Oliver – e desviando André André para a direita – e depois substituindo o desastrado Depoitre por Adrián López, mas a primeira situação de golo flagrante da partida foi a equipa da casa a perdê-la, quando Murillo se isolou na cara de Casillas e viu o remate esbarrar na mancha do guarda-redes espanhol. Aí, já com Corona em campo, o FC Porto acordou para dez minutos finais melhores, que certamente tiveram a ver também com a quebra física da equipa de Petit, que também perdera Kaká, o seu cérebro defensivo, por lesão. André Silva e Adrián López ainda chegaram com bola à cara de Cláudio Ramos, mas nas duas situações o guarda-redes do Tondela levou a melhor, segurando um 0-0 que manda uma mensagem para o balneário do Dragão. Para ganhar é preciso mais do que um sistema tático ou a acumulação de jogadores de ataque: eles têm de combinar no campo. E isso é que não se tem visto.
2016-09-18
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A dramática derrota do Sporting frente ao Real Madrid no Santiago Bernabéu (1-2) e o insuficiente empate do FC Porto em casa ante o Copenhaga (1-1) puseram um ponto final modesto na semana das equipas portuguesas na Liga dos Campeões. Os dois jogos tiveram histórias muito diferentes mas epílogos semelhantes, de desilusão. Saíram desiludidos os leões, que foram a melhor equipa em campo durante 70 minutos mas não conseguiram congelar o desafio nos últimos 20, ficando à mercê da remontada madridista, como desiludidos saíram os dragões, incapazes de criar desequilíbrios na defesa dinamarquesa, nem mesmo quando o adversário ficou reduzido a dez. A derrota do Sporting veio recheada de uma demonstração de personalidade que não está ao alcance de qualquer equipa. Com um posicionamento irrepreensível e face a um Real pouco dinâmico, a equipa de Jorge Jesus foi sempre assegurando superioridade numérica nos vários duelos a meio-campo, fundando aí a capacidade de assegurar a maior dose de iniciativa de jogo: o Real só chutou à baliza de Rui Patrício à passagem da meia-hora, e de fora da área, por Cristiano Ronaldo. Gelson, mais uma vez o melhor em campo, foi um pesadelo constante para a defesa do Real Madrid, tendo começado nele o lance em que Bruno César abriu o marcador. Foi ainda o jovem ala quem, num lance pela direita, deu a Bas Dost a melhor ocasião do jogo – o holandês tentou meter o pé onde se impunha a cabeça e o cruzamento perdeu-se. O Real acabou por virar o jogo quando já poucos nisso acreditariam, fruto da conjugação de vários fatores. Primeiro, as alterações introduzidas por Zidane: Morata, Lucas Vasquez e James Rodríguez melhoraram muito o rendimento do campeão europeu. Depois, o facto de os leões terem piorado com as trocas de Adrien e Gelson por Elias e Markovic. Por fim, é verdade, a inexperiência de muitos jogadores da equipa portuguesa em momentos como aqueles, em que se impõe quebrar o ímpeto ao adversário. A verdade é que, tendo feito o empate num livre irrepreensível de Ronaldo (após falta de Elias), aos 89’, o Real ainda teve tempo para ganhar, num cabeceamento de Morata após cruzamento de James. Houve muito banco numa reviravolta que deixa o Sporting com zero pontos e a precisar de ganhar ao Legia já na segunda jornada. A pressão, senti-la-á também o FC Porto, que seguirá para Leicester com um ponto e a precisar pelo menos de pontuar em Inglaterra, depois de uma exibição pouco conseguida frente ao Copenhaga. Nuno Espírito Santo voltou ao 4x3x3, remetendo Depoitre para o banco, e parecia até poder sair-se bem, depois de um início premiado com um golaço de Otávio, após bela assistência de André Silva. Já nessa altura, porém, o FC Porto revelava parte dos pecados que haveriam de custar-lhe dois pontos, nomeadamente a falta de controlo do espaço aéreo defensivo face à potência de Santander e Cornelius, os dois avançados dos dinamarqueses. O resto ver-se-ia no segundo tempo, sobretudo depois de o Copenhaga ter empatado – por Cornelius, após mais um cruzamento não desfeito pelo último reduto portista – e de o adversário ter ficado reduzido a dez homens, por expulsão de Gregus. Nessa altura, em que Espírito Santo descobriu falta de eficácia, o que se viu foi falta de capacidade para criar desequilíbrios numa equipa organizada mas de qualidade inferior. O FC Porto voltou então ao 4x4x2, com Depoitre em vez de Corona, e mais tarde com a entrada de Brahimi para as vezes de Herrera, mas nem assim criou verdadeiras ocasiões de golo, parecendo sofrer sempre que as probabilidades estão a seu favor. Talvez não seja esse o caso em Leicester, como não era em Roma.
2016-09-14
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A adoção do 4x4x2, com Depoitre à frente de André Silva, os médios-ala a saírem muito da faixa em busca do espaço interior e o recurso intensivo aos defesas laterais para darem largura ao ataque foi a surpresa reservada por Nuno Espírito Santo para o regresso do FC Porto à competição após a derrota no clássico de Alvalade. A jogar assim, mesmo não exercendo nunca um domínio asfixiante sobre o V. Guimarães, o FC Porto saiu do Dragão com uma vitória indiscutível, por 3-0, sobre uma equipa que vai bater-se pelas posições europeias. Alteração caucionada, portanto, apenas com uma reserva: terá a equipa portista plantel para mudar o seu sistema? Não parece fácil.O próprio Pedro Martins, treinador vimaranense, reconheceu no final da partida que tinha sido surpreendido pelo onde inicial do FC Porto. Com Depoitre a fazer de referência na frente, André Silva ganhou liberdade para estar mais em jogo do que no 4x3x3 sem que com isso a equipa perdesse presença na área. Além disso, o jogo mais interior de Otávio, Oliver e André André, abrindo os corredores laterais a Layun e Alex Telles, levava a que em cada situação de cruzamento ou de tabela a equipa portista tivesse sempre mais gente em potencial situação de finalização, o que terá contribuído para um rácio superior de situações de golo por volume de jogo criado. É verdade que o primeiro golo nasceu de um canto – mais um de bola parada, sinal de que a equipa está a trabalhar bem este tipo de lances – mas antes do golo de Marcano já Depoitre e André Silva tinham estado perto de inaugurar o marcador. E isto num jogo que até estava dividido em termos de estatísticas, com o 4x2x3x1 do V. Guimarães a assegurar ao seu setor mais recuado a capacidade de parar para respirar.Se o 1-0 ao intervalo ainda dava aos minhotos a possibilidade de voltarem para o segundo tempo em condições de discutir o resultado, a forma como o FC Porto chegou ao 2-0, logo a seguir ao intervalo, encerrou o jogo. É verdade que os dois golos portistas no segundo tempo nasceram de lances algo afortunados. Otávio beneficiou de um ressalto em Oliver para fazer o 2-0, enganando o guardião Doulgas. E o 3-0 saiu de um autogolo algo pateta de João Aurélio, incapaz de afastar um cruzamento de Layun para outro locar que não o fundo da baliza. De qualquer modo, em ambos os casos a chave do sucesso portista esteve na acumulação de gente na frente. A julgar pelo que se viu no relvado, este sistema tem pernas para andar, nascendo as maiores dúvidas da profundidade do plantel para preencher condignamente as duas posições no centro do ataque.É certo que além de Depoitre e André Silva ainda há Brahimi (que, mais do que poder jogar ali, tem visto muita gente nos últimos dois anos reclamar que ele deve jogar ali), Adrian López e que o próprio Diogo Jota, que era jogador de corredor lateral no Paços de Ferreira, foi chamado a jogar pelo meio quando entrou. Ainda assim, o que me parece é que este plantel foi construído a pensar no 4x3x3. E que se o 4x4x2 passar a Plano A, vai precisar de retoques em Janeiro. Resta saber se daqui até lá o nome de Aboubakar não será lembrado pelas piores razões.
2016-09-11
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Por mais facilitada que tenha sido pelo descontrolo emocional do adversário, que fruto disso jogou meio desafio apenas com nove homens, a vitória do FC Porto em Roma (3-0) e o acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões constituem um sucesso ao mesmo tempo indiscutível e vital do grupo dirigido por Nuno Espírito Santo. Ao contrário do que tinha sucedido na primeira mão, desta vez os portistas entraram ligados no jogo, concentrados, e foram os italianos que pareciam adormecidos, excessivamente confiantes na vantagem que o empate com golos no Dragão lhes conferia e seguros de que o apuramento não lhes pedia esforço nenhum. É que o jogo, desta vez, não permitia quaisquer contemplações à equipa portuguesa, que aproveitou bem a necessidade de ir à procura de um resultado que a qualificasse. E se em algum momento a coisa se complicou, foi precisamente quando pareceu demasiado fácil. A chave da vitória portista esteve na entrada intensa, por oposição ao início mais passivo de há uma semana. A pressionar alto, a atrapalhar a saída de bola dos italianos, a recuperar muitas bolas bem dentro do meio-campo ofensivo, o FC Porto marcou logo aos 8 minutos, num cabeceamento de Felipe, após livre de Otávio. É verdade que as linhas portistas depois foram baixando e que a Roma foi conquistando cantos atrás de cantos (9-0 ao ingtervalo), mas quando a equipa de Luciano Spalleti começava a tornar-se ameaçadora, De Rossi fez-se expulsar, ainda antes do intervalo, por uma entrada de sola sobre Maxi Pereira. E se a expectativa acerca do que poderia fazer a Roma com dez na segunda parte, numa espécie de 3x4x2, era grande, depressa se perdeu, porque Emerson também foi expulso, por falta semelhante sobre Corona, logo aos 50’. Com onze contra nove, o FC Porto teria de fazer muita asneira para não seguir em frente. E foi aí que a coisa se complicou. Nos 23 minutos entre a expulsão de Emerson e o golo de Layun, o que se viu foi um jogo partido, com finalizações nas duas balizas, algo que face à flagrante superioridade numérica de que dispunha o FC Porto não devia ter permitido. Nuno Espírito Santo, que já trocara o lesionado Maxi por Layun, tentou ganhar consistência na posse com a entrada de Sérgio Oliveira e velocidade no contra-ataque através de Adrián López. A Roma, por sua vez, mandava-se com todos para a frente, porque precisava de empatar para pelo menos forçar o prolongamento, e Perotti e Naingollan ainda tiveram um par de situações nas quais perderam o empate – fundamental o corte de Layun na perdida do argentino. Ao mesmo tempo, o FC Porto ia desperdiçando também ataques rápidos nos quais chegava perto da área em quatro para três ou até três para dois. Até que o golo de Layun, numa dessas situações, sentenciou a eliminatória a favor da equipa portuguesa. Corona ainda fez o 3-0, mas nessa altura já os romanos tinham entregue os pontos, como se via no semblante carregado de Totti, várias vezes apanhado pela realização televisiva com um ar incrédulo de desalento. A vitória e a presença na fase de grupos da Liga dos Campeões pode ser aquilo de que este FC Porto mais precisava para arrancar para uma temporada consistente. Não só porque o encaixe financeiro garantido lhe permitirá ir ao mercado buscar os reforços de que o treinador necessita, mas também porque a equipa entrará em Alvalade, no domingo, mais solta, mais confiante nas suas hipóteses de enfrentar aquela que, no seu terreno, tem sido a besta negra dos dragões.
2016-08-23
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Mudar uma equipa não é tarefa fácil. Rui Vitória percebeu isso no ano passado, quando se sentiu tentado a abdicar de boa parte da herança de Jorge Jesus no Benfica e só acertou o passo lá para Novembro. Nuno Espírito Santo está a abraçar a tarefa no FC Porto, mas o que mostrou o empate (1-1) com a Roma, no Dragão, na primeira mão do play-off da Liga dos Campeões, foi que a este FC Porto falta pelo menos uma referência aglutinadora que seja uma espécie de treinador em campo, de descodificador, para os dias em que a mensagem não passa à primeira. Como foi o caso. Nuno Espírito Santo quer mudar o “chip” a este FC Porto. E isso significa mudar os momentos de jogo em que mais investe. Basicamente quer abandonar o jogo de posse por vezes pouco incisiva e muito especulativa que caraterizou o período anterior e aproximar-se de um jogo com mais aposta no ataque rápido e no contra-ataque. O foco deixa de estar tato na organização ofensiva e na transição defensiva, para passar a estar mais na organização defensiva e na transição ofensiva. É mais Jesualdo Ferreira e menos Julen Lopetegui. É claro que é possível fazê-lo. Mas contra uma Roma que é forte em ataque posicional, era preciso que a mensagem passasse de forma cristalina, para evitar o que aconteceu nos primeiros 25 minutos do jogo, período no qual o FC Porto podia ter hipotecado a eliminatória. Visto de fora, o que pareceu foi que os jogadores do FC Porto entraram em campo a pensar nas ideias-base do treinador e com a noção de que para as pôr em prática era preciso a Roma ter a bola. Como se pode contra-atacar se o adversário não estiver ao ataque? Daí até ao posicionamento expectante do início da partida foi um pequeno passo que a equipa não devia ter dado e ao qual podem ter ajudado indicações de não ir com tudo para cima do adversário: uma equipa mais experiente saberia distinguir as coisas e manter a intensidade, não confundiria a vontade de apostar na transição ofensiva com a cedência do controlo do jogo, porque saberia que qualquer jogo lhe dá todos os momentos treinados. É só saber esperar. O problema é que a passividade portista no que toca à necessidade de assumir o controlo do jogo equivalia a colocar em confronto aquele que por enquanto ainda é o pior momento da equipa de Nuno Espírito Santo – a organização defensiva – com o melhor da Roma – a organização ofensiva. E o que se passou foi que nesses 25 minutos, os italianos tiveram quatro situações de golo claras, tendo concretizado uma. Só depois do intervalo, quando se viu a perder e, mais ainda, com um jogador a mais, por expulsão de Vermaelen, é que o FC Porto assumiu verdadeiramente o que significa jogar em casa numa eliminatória europeia. Mais intenso, mais rápido, mais agressivo na pressão sobre o condutor da bola, esse FC Porto colocou a Roma em dificuldades e até podia ter ido além do empate, obtido de penalti por André Silva. O empate adia a resolução do play-off para Roma, onde o FC Porto precisa de ganhar ou empatar com golos. Os seis dias que faltam podem servir ao treinador para clarificar conceitos, ainda que não lhe seja possível injetar maturidade tática na equipa a tempo de esta ler as situações com mais clareza sem precisar de passar pelo balneário. Para já, basta-lhe ler uma coisa: uma eventual eliminação deixa as coisas mais complicadas no que toca ao que resta de mercado e fará a equipa entrar mais pressionada em Alvalade, para o jogo com o Sporting, no último fim-de-semana de Agosto.
2016-08-18
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Quem tivesse olhado para a primeira parte da vitória do FC Porto em Vila do Conde, frente ao Rio Ave, por 3-1, poderia ter ficado com a ideia de que o meio-campo do FC Porto estava curto demais para o jogo. Danilo, Herrera e André André tinham dificuldades para assegurar a iniciativa, muitas vezes deixados em inferioridade numérica face ao quarteto formado por Wakaso, Pedro Moreira, Tarantini e Ruben Ribeiro e sobretudo com demasiado espaço para cobrir, face à maior distância entre linhas que a equipa mantinha. A forma como o jogo decorreu até final, porém, pode deixar uma sensação diferente: e se tudo isso for estratégico? E se essa for a maior diferença face ao “Lopeteguismo” e ao FC Porto dos últimos dois anos? Este é, na verdade, um FC Porto filosoficamente diferente. Onde a equipa dos últimos anos procurava movimentos de aproximação, encurtar linhas, promover apoios, a equipa de Nuno Espírito Santo quer abrir grandes espaços, procurar o ataque rápido e dar aos médios condição para que, assim que conseguem superar a primeira zona de pressão do adversário, correrem livres em direção a zonas de decisão. O golo de Herrera foi disso exemplo: o passe de Otávio, inteligente no movimento para trás e depois na forma como chamou Wakaso, ajudou a libertar o mexicano, que face à tal maior distância entre as linhas teve à frente uma auto-estrada até à entrada da área, de onde desempatou o desafio com um belo remate ao ângulo. Esse lance marcou a diferença num jogo que teve uma primeira parte sempre equilibrada e pode muito bem ser uma afirmação de identidade deste novo FC Porto, que tem em André Silva um excelente avançado de área e em Corona mais um velocista, capaz de decidir tanto na ala como ao meio. Há um ano, houve quem achasse que a maior lacuna deste FC Porto era a falta de um 10. Nunca tal me pareceu claro, porque a intensidade dada ao jogo pelos médios – sobretudo quando ainda havia Imbula em boa fase – chegava para assegurar a iniciativa durante a maior parte dos jogos e aquilo que mais fazia falta era um 9 com capacidade para resolver no aperto da área, que Aboubakar nunca foi. Por alguma razão o camaronês está atrás de Depoitre, um clone de André Silva... Esta época fala-se menos do 10, porque os movimentos interiores e para o espaço entre-linhas de Otávio, vindo do lado esquerdo, parecem ter como intenção mascarar a falta de soluções para a segunda linha de médios. Ruben Neves é mais um 6 do que um 8, alternativa a Danilo, portanto, e além dos que jogaram ontem (Herrera e André André) só há Sérgio Oliveira, Evandro e João Carlos Teixeira. Faltará mais classe ali? É possível. Classe nunca fez mal a nenhuma equipa. De qualquer modo, a avaliação deste FC Porto pede mais tempo. A capacidade daquele meio-campo não pode ser medida nem pela primeira parte do jogo, em que a teia desenhada pelos médios do Rio Ave acabrunhou os portistas e lhes roubou o controlo do terreno, nem pela segunda parte, quando aumentou o espaço para as correrias e a baliza de Cássio se tornou mais próxima. Numa época tão longa, o FC Porto vai precisar de jogar de muitas formas, de dominar todos os momentos do jogo. É verdade que isso não me parece assegurado. O próprio treinador disse no final do jogo que a equipa está “em construção”. Mas enquanto conseguir ir construindo em cima de vitórias, está a ganhar tempo para consolidar o processo.
2016-08-12
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A vitória do Benfica na Supertaça, frente ao Sp. Braga, pode ter vindo avolumar as certezas de que os encarnados são os principais candidatos à renovação do título nacional. Mas as dificuldades que o tricampeão sentiu na maior parte da partida frente ao onze de José Peseiro e o facto de, no limite, a Supertaça só ter tomado o caminho da Luz porque Rafa e Pedro Santos foram bastante perdulários na finalização – e Jonas, já se sabe, não perdoa… – terão chegado para temperar algum entusiasmo aos mais eufóricos dos adeptos encarnados. O Benfica, pela forma como alargou o lote de opções à disposição de Rui Vitória, é realmente o maior candidato à vitória final na Liga, mas nada do que se viu ontem permite ter certezas de que venha a ter a tarefa mais facilitada do que na caminhada difícil para o tri. Porque Sporting e FC Porto estão à espreita e, resolvidos os problemas na definição, este Sp. Braga também tem de ser levado a sério. Se é verdade que Cervi parece dar garantias de que, mesmo de forma diferente de Gaitán, pode ocupar a faixa esquerda do ataque encarnado – e se não estiver ele podem estar Carrillo ou Salvio, mesmo que isso implique o desvio de flanco de Pizzi – já a substituição de Renato Sanches não está ainda comprovadamente conseguida. Não é que André Horta tenha feito um mau jogo. Não só não fez como ainda falta ver Danilo naquela posição. Só que, com exceção dos primeiros 20 minutos, em que jogou praticamente dentro da área do Sp. Braga, faltou sempre ao Benfica explosão para aproveitar o balanceamento ofensivo de um adversário que se viu a perder cedo e por isso assumiu a partida. Talvez este seja um Benfica mais à imagem de Rui Vitória, até a caminhar para o 4x2x3x1 predileto do treinador campeão, com jogo mais pensado e menos explosivo: a incorporação de Luisão, obrigando a uma defesa mais baixa no campo, a entrada de Grimaldo e Nelson Semedo, dois laterais mais ofensivos que André Almeida e Eliseu, podem até levar a equipa para aí e conduzir a uma maior participação de Jonas na construção. Mas se houve Benfica entusiasmante ontem, em Aveiro, foi nos primeiros 20 minutos, quando a equipa esteve ligada à corrente máxima e desfez a organização defensiva bracarense. Depois vieram as dúvidas. Essas dúvidas podem também encontrar justificação no valor dos adversários. Ainda que o clima depressivo que se vive em Alvalade à conta dos resultados da pré-época pareça indicar o contrário, o Sporting também é forte candidato. A equipa tem perdido muitos jogos na pré-época? É verdade. E tem revelado desatenções defensivas imperdoáveis. Os resultados nos jogos de preparação, no entanto, não justificam tão acirrados estados de alma, como sabe Jorge Jesus, que já foi campeão depois de pré-temporadas bem piores do que esta e tem muito mais com que se preocupar. O problema de Jesus é que o dia 1 de Setembro nunca mais chega e, com ele, o fecho do mercado e a estabilização do grupo. Rui Patrício, William Carvalho, Adrien Silva e, sobretudo, João Mário e Slimani são muito requisitados. Se todos ficarem, o Sporting só tem de contratar mais um homem para o ataque: assumindo que Alan Ruiz vem suprir a falta de Gutierrez, só há que encontrar uma alternativa credível a Slimani. Jesus pode sempre alegar que continua a não ter a profundidade no plantel para atacar todas as frentes que tem, por exemplo, o Benfica, mas não tem uma equipa pior do que há um ano. Pelo contrário. E há o FC Porto, a quem ainda falta um defesa-central e um médio-ofensivo, mas que apresenta como maior arma para esta época uma coerência que lhe faltou na segunda metade da temporada passada. Arrumado o lopeteguismo que Peseiro teve de gerir, Nuno Espírito Santo começa o processo do zero e pode construir uma equipa segundo as suas próprias ideias. O maior reforço parece veio de dentro do plantel: André Silva parece mais alto, mais forte, mais rápido e tudo somado isso quer dizer que será mais goleador. Ao contrário de Aboubakar, um avançado de grandes espaços, André Silva resolve no primeiro toque e isso faz toda a diferença no 4x3x3 de uma equipa grande. De resto, a chegada de Felipe e Alex Teles, a aposta reiterada em Corona e a entrada do mais contante Otávio para o lugar do imprevisível Brahimi só deixa este FC Porto a precisar de algum talento a meio-campo. Mas também ali o mercado ainda não fechou.
2016-08-08
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Último Passe

A apresentação de Nuno Espírito Santo como treinador do FC Porto podia dividir o público entre aqueles que lhe são indiferentes e os que vão pela enésima vez levantar um cenário de exigência máxima segundo o qual esta será – mais uma vez – a última oportunidade de Pinto da Costa para devolver o clube aos tempos de vitória. Neste aspeto, Figo deu uma ajuda. Se o novo treinador dos dragões pudesse escolher um presente para o dia do regresso, certamente não pediria nada diferente, pois o que o antigo Bola de Ouro disse veio transferir toda a pressão que ele podia sentir para cima do presidente. Não é nada habitual ver alguém do futebol falar de forma tão desassombrada sobre outro agente do meio como Figo fez em relação a Pinto da Costa. Neste momento não é sequer importante tentar descobrir uma agenda nas palavras de Figo, ainda que certamente vá haver quem prefira centrar-se na ideia de que ele estava a ser uma mera correia de transmissão ou a repetir palavras que teria ouvido a amigos portistas – e também não é difícil perceber quais. Porque, na verdade, como depois disse o presidente portista, Figo “não faz parte da história do FC Porto” e, francamente, não vejo razão para de repente começar a ter opiniões sobre o que se passa no clube… A não ser o facto de lhe terem perguntado ou ainda outro – também nada despiciendo – de ter no futebol mundial um estatuto que o deixa indiferente ao que dele possam pensar os adeptos deste ou daquele clube. Figo está acima disso tudo. Não é inimputável mas está-se marimbando. A questão é que Figo se limitou a repetir em voz alta aquilo que há anos dizem os adversários do FC Porto e do seu presidente. A teoria segundo a qual Pinto da Costa devia abandonar porque estava a ficar velho já data do início do século, desde que os erros cometidos com Otávio Machado depois dos campeonatos perdidos com Fernando Santos foram emendados pela aposta visionária em José Mourinho. A diferença é que hoje começa a haver portistas a dizer a mesma coisa, a centrar-se nas lutas internas em torno dos jogos de influências na SAD. E isso faz toda a diferença em relação ao último período de três épocas seguidas dos dragões sem ganharem um campeonato (de 2000 a 2002). A pressão mediática de ter de acabar com este período negro, sob pena de estarmos perante a evidência de um fim de ciclo hegemónico, estava em cima de Nuno Espírito Santo até Figo a transferir para Pinto da Costa. O novo treinador podia até agradecer. Mas no fundo ansiará por que Figo esteja enganado. Porque na verdade o que depende dele é muito menos do que se pensa – e aí têm razão os indiferentes. Como estão as coisas, o FC Porto precisa sobretudo de acertar plenamente nos retoques que vai fazer no plantel e isso só será possível se o mercado for conduzido a pensar mais na equipa e menos no poder de cada um. Ao contrário do que tem sucedido, portanto.
2016-06-01
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Ninguém a não ser os próprios poderá dizer com toda a certeza quais são as relações entre a Gestifute de Jorge Mendes e a Doyen Sports. Um pouco por todo o Mundo se leem coisas absolutamente inconciliáveis. Lê-se em italiano que são aliados numa espécie de cartel que se destina a fazer subir os preços dos passes e aumentar a dependência financeira dos clubes face aos investidores. E lê-se em francês que são inimigos figadais desde que a Doyen se meteu no negócio Falcao, financiando a compra do jogador por parte do Atlético de Madrid, ganhando mais que o mais poderoso agente do Mundo e levando-o depois a enveredar pela opção de empréstimos onerosíssimos – nos quais todos ganham menos o fundo que só recupera o investimento na venda. Seja qual for a verdade, uma coisa é certa: se Nuno Espírito Santo entrar como treinador no FC Porto, Jorge Mendes consegue algo de absolutamente extraordinário, que é o estabelecimento de uma relação privilegiadíssima com dois dos três grandes do futebol nacional. Ainda por cima numa altura em que consta que nem está de costas viradas para o terceiro. Se olharmos para esta realidade à escala global, nem há grande novidade: a Doyen é há muito um dos parceiros prediletos do Atlético de Madrid, que ao mesmo tempo é um dos principais portos de abrigo para os jogadores que a Gestifute transfere de Portugal para o estrangeiro. Aí, ganha a tese do interesse comum. Em Portugal, porém, a radicalização de interesses entre os três grandes nunca permitiu grandes confluências. Veja-se o caso de José Veiga, o antecessor de Mendes como maior agente futebolístico nacional. Enquanto trabalhou preferencialmente com o FC Porto, na década de 90, Veiga era frequentemente verberado pelos grandes de Lisboa. Quando se zangou com Pinto da Costa, no final dos anos do “penta”, fez da vontade de ver crescer o Sporting (primeiro) e o Benfica (depois) quase uma profissão de fé, mas nunca conseguiu estar bem com os dois ao mesmo tempo: o processo que levou à autodestruição de Jardel é disso bom exemplo. Veiga conseguiu sempre algo que Mendes também já pôs em prática, que foi ter um segundo clube para os “ressaltos” – o de Veiga era o Boavista, mas Mendes até tem dois, que são o Sp. Braga e o Rio Ave. Mas foi cometendo erros que o impediram de construir aquilo que Mendes pode estar prestes a conseguir: a quase unanimidade. As boas relações de Mendes com o Benfica estão à vista. O rosto da Gestifute tem sido o operacional preferido para as grandes vendas do clube para o estrangeiro – conseguindo no processo valores absolutamente mirabolantes para jogadores que muitas vezes não tinham sequer passado da equipa B – e mantém com Luís Filipe Vieira um entendimento por sinais de fumo. Aqui convém lembrar que Mendes – um Mendes ainda muito longe da influência que tem hoje… – foi o agente escolhido por Manuel Vilarinho para fazer os primeiros negócios depois de o clube ter extirpado os efeitos da liderança de João Vale e Azevedo (os brasileiros Roger e André), mas que chegou a perder espaço no clube quando José Veiga, com quem chegou a envolver-se em lutas físicas, apareceu como “homem do futebol” de Vieira. Tudo isso, porém, são águas passadas: hoje em dia, sempre que há um problema de mercado para resolver no Benfica, Mendes faz parte da solução. Veja-se, por exemplo, o que aconteceu na saída de Jorge Jesus, que tinha de Mendes uma proposta para seguir para o médio oriente enquanto esperava pelo Paris Saint Germain. No FC Porto, porém, Mendes tem enfrentado mais barreiras. É verdade que durante a passagem de Veiga pelo Benfica, já exerceu ali uma espécie de magistério de influência semelhante ao que agora pratica na Luz – ganhou muito e deu muito a ganhar ao clube depois da vitória na Champions, com a venda para o estrangeiro de jogadores como Paulo Ferreira, Deco, Costinha, Maniche ou Derlei – mas esse efeito foi-se extinguindo à medida que se reforçavam os seus laços com Vieira e com o Benfica. Agora, se Nuno Espírito Santo regressar de facto ao Dragão, como parece ser intenção firme de Pinto da Costa, pode reacender-se a chama da parceria, uma vez que além de ser amigo do técnico desde que, ainda como guarda-redes, o transferiu de Guimarães para a Corunha (foi mesmo o primeiro negócio de Mendes no futebol), o agente tem apostado firmemente no treinador, qu colocou no Rio Ave e depois no Valência. Uma parceria que exigirá de Mendes o equilíbrio no fio da navalha que Veiga, por exemplo, nunca conseguiu manter, mas que, somada ao facto de representar boa parte dos jogadores vendáveis do Sporting, a ser bem sucedida pode dar-lhe um domínio do futebol nacional nunca visto até hoje.
2016-05-31
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