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Último Passe

Uma noite perfeita de Ederson e o pesadelo protagonizado por Aubameyang ajudam a explicar a vitória por 1-0 do Benfica sobre o Borussia Dortmund e uma ligeira inversão da balança do favoritismo nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, mas resumir o que se passou na Luz a esses dois fatores seria ignorar outros igualmente importantes, como a mudança de estratégia defensiva do Benfica da primeira para a segunda parte. Foi também por aí que os encarnados ganharam o jogo, ainda que a chave tenha sido a eficácia do sul face ao desperdício alemão: Mitroglou marcou no único remate enquadrado da equipa portuguesa; Aubameyang falhou quatro golos cantados, um deles num penalti, que Ederson defendeu. Na primeira parte, quem olhasse apenas para os dois treinadores dificilmente adivinharia o que aí vinha. Rui Vitória deitava repetidamente as mãos à cabeça, por ver a equipa perder hipótese sobre hipótese de lançar contra-ataques que podiam ser perigosos, não conseguindo passar a primeira barreira defensiva imposta pelo Borussia. Tomas Tüchel, por sua vez, limitava-se a sorrir com incredulidade à medida que os seus jogadores iam perdendo ocasiões para marcar. Só à conta de Aubameyang foram, nesses primeiros 45 minutos, duas, uma na cara de Ederson, outra até já sem guarda-redes, depois de um cruzamento rasteiro de Guerreiro a que o gabonês não chegou. O Benfica entrara com Rafa a fazer de Jonas, atrás de Mitroglou, talvez com a ideia de condicionar Weigl, de o cercar de forma a impedi-lo de pegar no jogo alemão, mas a ideia não resultou. Por um lado, porque com exceção de algumas arrancadas de Salvio na direita – sempre bem auxiliado por Semedo – a equipa portuguesa não conseguia criar embaraço aos alemães. Por outro, porque estes iam mandando no campo e monopolizando a bola. Talvez por isso, Rui Vitória mexeu logo ao intervalo. Saiu Carrillo, que não deu boa sequência ao jogo com o Arouca, e entrou Felipe Augusto, descaindo Rafa para a esquerda e avançado Pizzi para ser ao mesmo tempo segundo avançado e terceiro médio. Não se percebeu se a coisa podia dar resultado, porque logo aos 48’ os encarnados marcaram, num canto: Luisão saltou mais alto que toda a gente e Mitroglou aproveitou a colocação deficiente de Guerreiro num dos postes para, em posição legal, bater Burki. De repente, o jogo adiantou-se à estratégia do Benfica, que se via a ganhar e com mais um médio no campo. Ainda assim, e apesar da energia que a equipa passou a pôr no momento de reação à perda da bola, subindo a primeira linha de pressão, o Borussia foi capaz de voltar a pegar no jogo. Teve ocasiões para empatar, em mais um cara-a-cara de Aubameyang com Ederson – que voltou a sair por cima da barra – e numa grande penalidade que o gabonês desperdiçou. Ederson adivinhou o remate para o meio da baliza, deixou-se ficar e socou a bola. Após essa defesa de Ederson, Tüchel chamou Schurrle e sacrificou o seu melhor marcador, cuja noite-não era já sem remissão. E o Benfica animou-se, equilibrando o jogo até ao momento em que os alemães chamaram Pulisic. Foi o norte-americano que, com um remate à entrada da área – desviado no calcanhar de Jiménez – arrancou a Ederson a defesa da noite. Uma defesa que deve ter assegurado ao guardião brasileiro a chamada à sua seleção (se é que Taffarel, que estava a observá-lo, ainda tinha dúvidas) e que garantiu ao Benfica a entrada no Westfallenstadion em vantagem e, sobretudo, sem ter sofrido golos em casa. Se o Borussia era favorito na eliminatória, neste momento as coisas estão pelo menos equilibradas.
2017-02-14
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Último Passe

É impossível não ligar Mitroglou à vitória sobre o Rio Ave com que o Benfica fechou a sua participação na Liga em 2016, assegurando o título oficioso de campeão de inverno. E não foi só por ter sido ele a desbloquear o marcador, obtendo o primeiro golo do jogo. É que o regresso do ponta-de-lança grego ao onze permitiu a Rui Vitória mudar o jogo atacante da sua equipa, dando-lhe mais presença na área e profundidade no corredor central, por oposição ao futebol mais móvel de Jiménez. Indiferente à discussão acerca de quem será o melhor ponta-de-lança da Liga e mesmo sem ter tantos como o Sporting, por exemplo, o Benfica tem uma certeza: na Luz mora o lote mais complementar de todos os candidatos. Mesmo que depois o melhor marcador da equipa seja o médio Pizzi. É que se Mitroglou anda sempre na perseguição do golo, raramente saindo do corredor central ou se envolvendo em movimentações antes dos últimos 20 ou 30 metros do campo, preferindo ir mais vezes em busca da profundidade, Jiménez, o avançado a quem ele tirou a vaga nos titulares, cai com frequência nas laterais, dessa forma ajudando a desposicionar as defesas adversárias e abrindo caminho à entrada dos médios em situações de finalização. Depois, há Guedes, um corredor por excelência, rápido com bola nos pés e pouco certeiro na definição dos lances – ainda hoje se lhe viram raides sem a decisão correta no final – mas incansável na pressão quando a equipa perde a bola e lhe compete entrar em fase defensiva. E recomeça a haver Jonas, jogador tão diferente dos outros três, por ter até mais golo que Mitroglou, mesmo jogando uns metros atrás, por ser tecnicamente refinado e quase presciente naquilo que falta a Guedes, que é a capacidade para adivinhar o que vai suceder em cada lance. Podendo ainda fazer jogar ali Rafa – um misto de Jonas com Guedes, porque decide quase sempre bem, mas nem sempre define a contento – ou Cervi, Rui Vitória está mais bem servido de atacantes que Nuno Espírito Santo ou Jorge Jesus. No FC Porto, há Jota, um velocista com golo nas botas, há André Silva, um trabalhador que dá tudo – às vezes até demais – e acaba por sair muito da zona de finalização no processo, e há Depoitre, um gigante de área que aparenta ser muito limitado com os pés. Nuno Espírito Santo seguramente poderia usar a capacidade de explosão de Aboubakar, se tivesse havido a capacidade para lhe explicar que a aposta principal era o miúdo da formação e ele se predispusesse a ser útil, ainda assim. E no Sporting, onde mora o maior lote de avançados da Liga, também não se encontrou ainda a complementaridade. Há Bas Dost, outro gigante, que é melhor jogador e finalizador que o dragão belga, mas pouco dado a buscar a profundidade em construção, como fazia Slimani, preferindo baixar para jogar entre linhas, no espaço de Jonas, por exemplo. E aí faltam-lhe argumentos para desequilibrar. E há Bryan Ruiz, tecnicamente muito bom mas lento a executar, mau finalizador e nada propenso às mudanças de velocidade, ou Campbell, que continuo a achar que pela explosão e boa finalização é o melhor par para o holandês no meio. Não tem havido Markovic, ainda não se viu o que pode valer Alan Ruiz, nunca foi dada constância a André e creio que dificilmente se verá Castaignos. Com mais opções, Jesus ainda não definiu claramente o que espera de cada uma delas. E por aí também se explica a diferença pontual que a equipa já tem para o Benfica.
2016-12-21
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Último Passe

O regresso de Jonas aos relvados foi a boa notícia da noite para os benfiquistas que viram a sua equipa vencer à justa o Estoril, por 1-0. O brasileiro entrou na ponta final do jogo, já com o resultado feito, mas em meia dúzia de intervenções mostrou que muda tudo à sua volta, pela inteligência que lhe permite adivinhar o epílogo de cada lance, pela capacidade técnica e a tomada de decisão que o leva a defini-lo melhor que os colegas. E no entanto, como o segundo golo não entrou, também foi com ele em campo que o Benfica mais perto esteve de consentir o empate. Porque com Jonas – e com Mitroglou em vez de Jiménez – muda também a capacidade do Benfica para controlar os jogos e gerir vantagens curtas. E aqui Rui Vitória corre o risco de ser apanhado entre dois fogos, entre os corredores e os definidores. Já vi atribuírem a quebra do Benfica no final do jogo da Amoreira ao cansaço. É possível que sim, porque a primeira metade da época está a ser muito exigente para um plantel que tem sido fustigado por lesões permanentes. Os que permanecem de pé têm sido sugados até ao tutano e devem precisar desta pausa natalícia que aí vem como de ar para respirar. A questão é que esta não é uma tendência nova. É uma realidade constante nos momentos em que o Benfica decide segurar o resultado e muda as zonas de pressão. Nos momentos em que Rui Vitória opta por juntar mais gente atrás, com as entradas de Samaris, Danilo ou Celis e o sacrifício de um dos homens da frente, o Benfica passa a permitir mais facilidades na construção adversária e não consegue depois ser tão eficaz nas manobras para estancar a chegada à área de Ederson. E isso já não tem a ver com cansaço, mas sim com a definição estratégica acerca do local onde a equipa deve colocar o seu foco a cada momento dos jogos. Claro que nem Gonçalo Guedes e Jiménez, dois corredores por excelência, dois homens que trabalham mais sem bola do que com ela, conseguem durar 90 minutos ao mesmo ritmo. Aliás, a primeira parte do jogo mostrou isso mesmo: o Estoril quase nem saiu da sua área antes da meia-hora, porque nessa altura a pressão do Benfica era eficaz e compacta, mas dividiu o jogo nos últimos 15’ antes do intervalo, porque aí, já mais fatigados, os jogadores das linhas da frente do Benfica já não conseguiam pressionar de forma tão compacta. A questão é que, depois, Jiménez sai muito da área e Gonçalo continua a ser sofrível na definição dos lances. Os dois funcionam muito bem em vários parâmetros mas não dão à equipa a mesma facilidade goleadora de Jonas e Mitroglou. Com o brasileiro e o grego, na época passada, o Benfica não defendia tão bem desde a sua primeira linha, mas também não precisava disso, porque muitas vezes quando o opositor começava a pensar em chegar-se à frente já o fazia com o desânimo de dois ou três golos na sua baliza. Esta será a grande dúvida de Rui Vitória na ideia de equipa para depois do Ano Novo. O que está a provar-se que causa dificuldades é começar a construir resultados com os corredores e meter os definidores quando é altura de os defender.
2016-12-17
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Último Passe

Toda a gente que viu o Benfica ganhar ao Moreirense enaltecerá a prestação de Pizzi, autor dos primeiros dois golos dos encarnados. Mas para se perceber como é que um homem que joga como segundo médio consegue ser um dos melhores marcadores da equipa de Rui Vitória é preciso colocar os olhos mais à frente, na mobilidade de Raul Jiménez e Gonçalo Guedes. Sobretudo do primeiro, que foi a novidade apresentada hoje pelo treinador encarnado. É que a relação de Pizzi com o golo cresce exponencialmente com o mexicano em campo. Pizzi tomou parte em 19 partidas do Benfica nesta temporada, entre Supertaça, Liga, Liga dos Campeões e Taça de Portugal. Nelas, contabiliza 1603 minutos em campo e sete golos marcados. Mas comecemos então a detalhar as coisas. Destes 1603 minutos, 1071 foram com Mitroglou na frente e apenas 284 com Jiménez (há ainda a registar 23 minutos com os dois avançados em simultâneo e 225 sem nenhum deles). Ora a questão é que com Mitroglou à sua frente Pizzi fez três golos (um a cada 357 minutos), tendo marcado os outros quatro com Jiménez (um a cada 71 minutos). Os números explicam aquilo que os olhos vêem. Isto é, que Jiménez é um ponta-de-lança muito mais móvel, que sai mais da zona de finalização, dessa forma permitindo a entrada dos médios até junto do golo. Foi o que aconteceu no lance do primeiro golo do Benfica hoje, por exemplo, uma jogada que nasce em Jiménez na esquerda e acaba com remate de Pizzi na cara do guarda-redes. Mais a mais depois da quase crucificação de Mitroglou pela ocasião falhada em Istambul, que podia ter dado ao Benfica o 4-1, seria demasiado fácil concluir desde já que os encarnados deviam jogar com o mexicano em vez do grego. Mas não. O que estes números mostram não é que seja melhor para o Benfica jogar com Jiménez. Mostram, sim, que a entrada do mexicano muda a forma de atuar de Pizzi, que lhe pede outras responsabilidades, e que o transmontano, sendo um jogador inteligente, não lhes foge como podia fazer. E mostram ainda que o Benfica tem mais de um método para chegar ao golo, o que, mesmo tendo em conta a predileção encarnada pelas conclusões em transição e ataque rápido, acaba por ser um ponto a favor do trabalho de Rui Vitória.
2016-11-27
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Último Passe

Rui Vitória lembrou esta semana que a máquina do Benfica anda a trabalhar sem várias peças, que espera recuperar em Outubro, mas a verdade é que mesmo sem elas a equipa continua isolada na frente do campeonato. E isso deve-se muito a tardes como a de hoje, nas quais a máquina mostra eficácia máxima nas bolas paradas. De visita a um Chaves tão competente como o seu treinador, Jorge Simão, o Benfica obteve uma complicada vitória por 2-0, graças a mais dois golos nascidos nas bolas paradas: livre lateral de Grimaldo para um ligeiro desvio de Mitroglou, a 20’ do fim, e livre direto do mesmo Grimaldo à barreira, para a rcarga de Pizzi, aos 84’. Esta tem sido, aliás, a receita que o Benfica tem aplicado neste início de campeonato sem asa tais peças que lhe confiram maior qualidade: marcou de bola parada em todas as deslocações, sendo que em duas delas (Nacional e agora Chaves) foi mesmo assim que se adiantou no marcador. Aliás, no jogo de hoje, foi sempre de bola parada que mais ameaçou a baliza de António Filipe: mesmo com dificuldades para evitar que os três médios do Chaves (Assis, Battaglia e Braga) se superiorizassem no corredor central a André Horta e Fejsa, dessa forma gerando várias situações prometedoras que os flavienses desperdiçavam por falta de qualidade no último passe, o Benfica foi tendo as melhores ocasiões de golo até à ponta final da primeira parte. Mitroglou obrigou António Filipe a defesa apertada na ressaca a um livre, logo aos 17’, e Lisandro, na sequência de um canto da esquerda, voltou a cheirar o golo, aos 20’. Não era, porém, um Benfica consistente. As triangulações do Chaves libertavam quase sempre alguém para cruzar – porque Pizzi e Salvio eram muitas vezes chamados a tentar equilibrar ao meio em transição defensiva –, fossem Fábio Martins ou Nelson Lenho na esquerda ou o sempre ofensivo Paulinho à direita. E na sequência de um desses lances, a equipa da casa perdeu por três vezes o golo inaugural, aos 41’: Braga e Fábio Martins acertaram ambos no mesmo poste da baliza de Ederson, tendo depois Rafael Lopes feito a recarga de baliza escancarada ao lado. O Chaves, porém, voltou menos forte para a segunda parte e o jogo entrou num impasse até ao momento em que Mitroglou fez o 1-0, aparecendo no fim de um livre de Grimaldo que nascera de uma falta cometida por João Mário, a seta que Jorge Simão lançara na esquerda para voltar a aparecer nos metros finais do campo. Saiu-lhe mal a receita. A ganhar, o Benfica passou a sentir-se mais à vontade. Simão ainda tentou virar o jogo, chamando a ele Vukcevic para apoiar Rafael Lopes, mas Rui Vitória fechou a partida chamando Cellis para o lado de Fejsa, passando a poder explorar o espaço no meio-campo ofensivo como nunca conseguira até aí. Foi, ainda assim, noutra bola parada que fez o golo da tranquilidade, aos 84’: o livre de Grimaldo, quase em cima da linha de área, bateu na barreira, mas Pizzi estava na meia-lua à espera disso mesmo e teve todo o tempo para colocar a bola rasteira junto ao poste da baliza de António Filipe. Estava definida a atribuição dos pontos e a primeira derrota do Chaves neste campeonato, bem como o regresso do Benfica à liderança. Quando ainda está à espera de peças.
2016-09-24
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Último Passe

Um regresso feliz de Mitroglou ao onze ajudou o Benfica a vencer o Sp. Braga por 3-1 e a isolar-se na frente da classificação da Liga, à quinta jornada. Um bis do grego, somado a um golo de Pizzi, transformou um desafio que se antevia – e que foi… – difícil numa vitória que até permitiu alguma descompressão no final, quando a margem de manobra cresceu e o desgaste do adversário também. Até ao momento em que o Benfica acabou com o jogo, com dois golos de rajada, à entrada para os últimos 20 minutos finais, porém, quase que se via a repetição da partida da Supertaça, com a eficácia na finalização a fazer a diferença entre as equipas de Rui Vitória e José Peseiro. O jogo começou a um ritmo alucinante, o que à partida parecia ser melhor para os donos da casa do que para os visitantes, que tinham menos dois dias de recuperação desde a sua partida europeia. O Benfica, com Mitroglou à frente de Gonçalo Guedes, a alargar o espaço disponível pela forma como busca a profundidade, era melhor com bola do que sem ela: o seu meio-campo ligava bem o jogo ofensivo mas, até pela baixa de Fejsa em momento de construção, era pouco agressivo em transição defensiva, permitindo que o jogo se disputasse muito na largura e na capacidade que ambas as equipas mostravam para encontrar o corredor contrário ao da bola. E aqui invertiam-se os papéis: o 4x2x3x1 do Sp. Braga, com Vukcevic sempre bem no passe e os dois extremos (Pedro Santos e Wilson Eduardo) inteligentes na forma de variar centro de jogo, conseguia expor vulnerabilidades no Benfica e transformar o desafio num jogo de transições que convinha menos aos donos da casa. Nessa altura, só a noite seguríssima de Júlio César evitou males maiores para o Benfica. As ocasiões de golo sucediam-se, nas duas balizas. Mitroglou chutou ao lado da entrada da área aos 2’, respondeu Hassan falhando o alvo depois de isolado frente a Júlio César, aos 4’. O guarda-redes do Benfica tirou um golo cantado a Pedro Santos aos 5’, sendo imitado por Marafona, que deteve um remate perigoso de Salvio aos 12’. Nessa altura, Marafona lesionou-se, o jogo esteve interrompido e da pausa saiu melhor o Benfica, que inaugurou o marcador aos 27’, numa arrancada de Guedes que Mitroglou transformou no 1-0, depois de ser o mais rápido a adivinhar onde ia cair o cruzamento. Até ao intervalo, o Sp. Braga ainda obrigou Júlio César a mais duas defesas providenciais, a remates de Pedro Santos (aos 37’) e Rosic (num canto, aos 45’), mas a equipa de Peseiro já não regressaria tão forte para o segundo tempo. Fosse por causa do desgaste da partida de quinta-feira ou devido às correções feitas ao intervalo por Rui Vitória, a verdade é que passou a pairar na Luz a ideia de que estava mais perto o 2-0 que o 1-1. Guedes, de livre, ainda obrigou Marafona a uma extraordinária defesa, num livre que ainda desviou na barreira, como que a prenunciar que um ressalto acabaria por resolver o jogo. Foi o que aconteceu aos 74’, quando um atraso de Mitroglou bateu no bracarense Douglas Coutinho e ganhou a direção da área, onde Pizzi estava sozinho e aproveitou para fazer o 2-0. A desorientação bracarense conduziu ao terceiro golo, apenas quatro minutos depois, obra de Mitroglou, de cabeça, após uma insistência de Pizzi na esquerda. E o resultado só não foi o mesmo da Supertaça porque, mesmo em cima do minuto 90, Rosic melhorou o que tinha feito a fechar a primeira parte, cabeceando para golo um canto de Wilson Eduardo. O jogo fechava, ainda assim, com a vitória do Benfica, uma vitória que, mesmo no meio de tantas lesões, deixa os tricampeões nacionais isolados na frente da tabela. Rui Vitória não valorizou este aspeto, mas certamente que não o desprezaria se alguém lho antevisse antes deste atribulado arranque de campeonato. Ainda há muitos jogos para fazer, alguns pontos para perder, mas a tendência normal com o regresso dos titulares é que este Benfica fique mais forte.
2016-09-19
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Último Passe

O empate do Benfica, em casa, frente ao V. Setúbal (1-1) já foi comparado, por exemplo, por Raul Jiménez, com a derrota que a equipa encarnada sofreu frente ao Arouca, em Aveiro, à segunda jornada da época passada (0-1). “É seguir em frente!”, sentenciou com clarividência o atacante mexicano. Mas as razões por trás da perda de pontos de hoje são mais profundas do que o normal titubear de muitas equipas no mês de Agosto, quando os processos ainda não estão assimilados. Ao Benfica faltou aquilo que teve em abundância na época passada: boas decisões na frente e ainda melhores finalizações. Em suma, faltou Jonas. Jonas estava na bancada, de óculos postos, a ver as dificuldades que a equipa ia sentindo para criar lances de golo. Porque mesmo tendo mais volume de jogo, os encarnados nunca conseguiram reduzir a produção ofensiva do adversário: Amaral foi uma seta apontada à baliza de Júlio César em toda a primeira parte, período no qual os sadinos chegaram a beneficiar de um lance de dois para dois em ataque rápido e o perderam por falta de qualidade na definição. Claro que o Benfica também teve as suas ocasiões, mas nada que se compare, por exemplo, ao tal jogo com o Arouca ou à avalanche que conseguira na receção anterior a este mesmo V. Setúbal, na última primavera, quando ganhou por 2-1, de virada, na Luz. E foi por ter tido as ocasiões para ainda assim ganhar o jogo – quase todas no forcing final, depois de se ver a perder – que se notou a menor qualidade na finalização. O puzzle Jonas é o mais difícil de resolver por Rui Vitória. Se há um ano o treinador terá tido dúvidas mas ainda assim cedeu quando percebeu que o brasileiro era muito melhor como segundo ponta-de-lança do que como avançado de referência no 4x2x3x1, este ano é Mitroglou quem sente a falta das movimentações sempre inteligentes para a ala, o espaço entre-linhas ou as costas da defesa e das decisões sempre coletivamente válidas do companheiro de ataque. O grego voltou a fazer um jogo anónimo, dele só se retirando um cabeceamento, ainda na primeira parte, para excelente defesa de Bruno Varela. É pouco, como já tinha sido pouco em Tondela. Horta começou bem mas foi-se apagando face à qualidade dos dois médios-centro sadinos (Pacheco e Mikel) e acabou por ser Salvio, por um dia capitão, o melhor do Benfica. Com o jogo no impasse, foi o Vitória quem marcou, de bola parada, por Venâncio. E aí o Benfica entrou em modo pressionante, com dois avançados declarados – Mitroglou e Jiménez – e dois extremos – Guedes e Carrillo – ainda com Salvio e Grimaldo a darem largura no ataque desde a posição de laterais. Era muita gente na frente, o que somado ao menor esclarecimento dos cada vez mais desgastados jogadores do Vitória à medida que o jogo se aproximava do fim, podia ter dado em virada do Benfica. Jiménez ainda empatou, de penalti, e Lindelof acertou na barra, na recarga a um livre de Grimaldo que Varela foi buscar junto ao poste. O Benfica deixou dois pontos no relvado onde lhe faltou, acima de tudo, a qualidade de Jonas e onde voltou a provar-se que foi a qualidade que tem na frente a fazer a diferença no campeonato anterior.
2016-08-21
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Último Passe

A final da Taça de Liga foi um espelho perfeito da época do Benfica, com uma demonstração de eficácia máxima nas duas áreas a ditar o destino do troféu. Quando a equipa de Rui Vitória foi pela primeira vez à baliza de Haghighi, iam decorridos 11 minutos de jogo, fez o 1-0, por Jonas. Antes, já os madeirenses tinham perdido dois lances de golo cantado, quando Ederson deteve remates de Edgar Costa, primeiro, e Fransérgio, um minuto depois, ambos em situação extraordinária. Logo a seguir, porém, Pizzi descobriu Mitroglou que, já sem guarda-redes sequer pela frente, fez um 2-0 que, mesmo com apenas 18 minutos de jogo decorridos levou a que já ninguém admitisse outro desfecho que não fosse a taça nas mãos de Luisão. O 6-2 final não deixa sequer margem para que alguém venha agora discutir se é uma questão de sorte ou de qualidade. Houve sorte no primeiro golo do Benfica? Claro que sim: Mitroglou falhou o remate, Patrick tentou o corte e acabou por desviar a bola do seu guarda-redes e por colocá-la à frente de Jonas, que só teve de a empurrar para a baliza deserta. Mas antes, houve qualidade na forma como Ederson impediu os golos de Edgar Costa e Fransérgio? É também evidente que sim. É tão óbvio que o guarda-redes reagiu de forma soberba ao remate acrobático de Edgar Costa, desviando-o, ou que se manteve impecavelmente composto antes da finalização de Fransérgio, parando um autêntico penalti em movimento, como o é que ambos os lances nasceram da falta de rotina de Luisão e das dificuldades que André Almeida teve para se coordenar com o capitão, mais lento e pesado que Lindelof. A primeira parte foi um pesadelo para o lado direito da defesa do Benfica por causa disso mesmo. Depois, é claro que houve qualidade e trabalho na forma como o Benfica chegou ao 2-0: lançamento lateral de André Almeida para Jonas, que no segundo exato desmarcou Pizzi junto à linha de fundo, não restando a este outra coisa que não fosse chamar o guarda-redes e entregar a Mitroglou, que fez o golo. Mesmo contra um Marítimo que, ao contrário do que aconteceu no recente jogo contra 10 no campeonato, conseguia chegar à frente, poucos duvidavam de que o jogo estava resolvido. O 3-0, por Mitroglou, no seguimento de uma combinação entre Grimaldo – bom jogo, a atacar – e Gaitán veio acabar com as dúvidas que ainda restassem. E nem o facto de João Diogo ter reduzido ainda antes do descanso, após passe de Fransérgio, levou quem quer que fosse a colocar a vitória benfiquista em causa. É que na segunda parte o jogo continuou a decorrer como até ali, com o Marítimo a perdoar e o Benfica a castigar. Dyego Souza acertou na barra no único lance em que Ederson falhou, perdendo a posição numa saída dos postes, e logo a seguir Éber Bessa também perdeu por pouco o golo que podia reabrir a final. Quem não perdoou foi o Benfica que, já com Talsica em vez de Mitroglou, viu o brasileiro lançar Jonas e este dar um passe açucarado para uma finalização de pura classe de Gaitán. O argentino, que entrara em campo a chorar e saiu logo a seguir, acenando aos adeptos em jeito de despedida, recebeu o prémio de Homem do Jogo e confirmou no final que está “muito perto” de sair do Benfica. Faltavam 13 minutos para o fim quando Gaitán marcou, mas até final o jogo ainda teve mais três golos. Fransérgio reduziu para 4-2, de penalti, a punir derrube de Samaris a Alex Soares, mas antes que o Marítimo tivesse ideias, o Benfica marcou mais dois, já em período de compensação: primeiro por Jardel, a ganhar nos ares um livre lateral de Pizzi, e depois por Jiménez, de penalti, a punir falta do guarda-redes Haghighi sobre ele próprio. O jogo acabou logo a seguir, com ato de contrição de Nelo Vingada para o que considera ter sido uma má época do Marítimo e Rui Vitória a conquistar o segundo troféu na noite que pode ter sido de despedida para muita gente na equipa: Renato Sanches de certeza, Gaitán muito provavelmente, Jonas e Talisca talvez, Luisão quem sabe.
2016-05-20
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Acabou o campeonato e o Benfica foi campeão. Justo? Sem dúvida nenhuma. Quem faz 88 pontos em 34 jogos, quem ganha 29 das 34 jornadas, quem perde pontos contra apenas quatro das 17 equipas que tem como adversárias no campeonato, é um campeão justo em qualquer parte do Mundo. E no entanto, do lado do Sporting, o derrotado, mantem-se o discurso: “não ganhou a melhor equipa”, disseram jogadores e treinador. É verdade que, com os seus 86 pontos, com apenas duas derrotas em toda a Liga, com cinco vitórias em seis clássicos, o Sporting também teria sido um campeão justo. Os leões foram a equipa que mostrou o futebol mais bonito, mais enleante, mais coletivamente trabalhado. Mas as hipóteses de sucesso da candidatura sportinguista ao título do ano que vem dependem de os seus responsáveis perceberem por que é que o Benfica foi campeão este ano. Porque há razões para isso que vão muito para lá da sorte e do azar. O Benfica foi campeão, primeiro, porque mesmo sem ter sido a equipa com o futebol mais vistoso, foi a equipa mais eficaz, a equipa com mais qualidade dentro da área, que é onde se ganham os troféus. O Benfica teve o melhor ataque e o maior número de vitórias. Sorte? Não. Qualidade nas áreas. Os processos para chegar à frente não foram sempre os melhores, não se lhe vê um futebol tão desenhado em laboratório como aquele que Jesus colocou o Sporting a jogar em tempo recorde, aceita-se mesmo que há ali menos trabalho saído do treino, mas vê-se uma organização defensiva impecável, com dois defesas-centrais rapidíssimos, que permitem encurtar o bloco e jogar com toda a equipa subida – com Luisão, provavelmente, isso não seria possível – e uma forma despachada de chegar à frente, onde o Benfica teve três pontas-de-lança de enormíssima qualidade. Jonas, Mitroglou e Jiménez desataram muitos nós a Rui Vitória, naqueles jogos mais complicados, onde fazia falta um golo caído do céu aos trambolhões. E Jesus viu o Sporting baquear naquele momento da época em que Gutiérrez estava de baixa, Montero tinha sido despachado para a China, Barcos não respondia - se é que alguma vez responderá – e só lhe sobrava Slimani, que também tinha direito a uns dias maus. Lembram-se dos golos cantados que Bryan Ruiz falhou em Guimarães e no dérbi de Alvalade? Jesus também, por muito que prefira esquecê-los. O Benfica foi campeão, depois, porque teve nas provocações do exterior um fator que lhe permitiu fazer das fraquezas forças. As provocações vindas de Alvalade, que resultaram no início da época – Jesus levou Vitória a mudar o que tinha andado a testar antes do jogo da Supertaça, ao reclamar para si mesmo todo o ideário futebolístico do rival, e começou aí a ganhar o troféu – foram perdendo eficácia à medida que a época avançava. E a cada vez que o treinador leonino falava em cérebros, em Ferraris ou em tocas, fazia com que o adversário se unisse mais ainda. Só assim se explica, também, que uma equipa que perde cinco dos seis clássicos que joga numa temporada, uma equipa que a dada altura da época parecia em falência mental e física, tenha conseguido ir sempre buscar mais alento e ganhar cada jogo. Essa injeção de adrenalina, era sempre Jesus que a dava. Como voltou a dar ontem, ao dizer que “uns criam e outros copiam”, rematando a conferência de imprensa com um “é por isso que eu ganho” que pode ter transportado alguns adeptos para um episódio da Twilight Zone. Do outro lado, Rui Vitória optou por se apagar em prol do mérito dos jogadores e afirmou que, mais do que no título, os seus falecidos pais podiam estar orgulhosos da contenção verbal que foi sempre mantendo. O Benfica foi campeão, por fim, porque geriu melhor os aspetos laterais do jogo. Não estou a falar de arbitragem. Estou a falar de casos como o processo a Carrillo – que Jesus perdeu logo no início do campeonato – ou dos confrontos que os encarnados entregaram sempre a assalariados sem real importância, como os seus comentadores engajados ou o departamento de comunicação, e os leões não foram capazes de passar para baixo do presidente. A ponto de até quando Octávio Machado aparecia – e a função dele era essa mesmo – parecer pouco, porque o precedente de ser Bruno de Carvalho a falar tirava importância a todos os outros. Luís Filipe Vieira quase pôde aparecer apenas no fim do campeonato a passar a taça para as mãos do capitão de equipa, enquanto que a Bruno de Carvalho, que passou a época a fazer comunicados a um ritmo quase diário, não restou senão sair pela esquerda baixa, aparentemente até do Facebook. Vieira também já teve os seus tempos de “loose cannon”, mas aprendeu e vai com quatro títulos nos últimos sete anos. Carvalho tem nos meses que se seguem a oportunidade de cortar caminho: basta-lhe ter a noção de que este Sporting cresceu tanto num ano que vai ser preciso fazer muita coisa errada para não acabar por ser também campeão num futuro próximo. In Diário de Notícias, 16.05.2016
2016-05-16
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Último Passe

Nem a expulsão de Renato Sanches, ainda antes do fim da primeira parte e com o resultado em branco, travou a marcha triunfal do Benfica, que ganhou por 2-0 ao Marítimo nos Barreiros e vai entrar na última jornada como favorito para fazer a festa do tricampeonato: bastar-lhe-á vencer o Nacional na Luz. Mitroglou e Talisca marcaram os golos da vitória na Madeira, mas Jonas (primeiro) e Jiménez (já perto do final) ainda acertaram por duas vezes nos ferros da baliza de Salin. Tudo num jogo em que o Marítimo foi sempre muito tímido do ponto de vista ofensivo e incapaz de parar as tabelas adversárias no espaço interior quando lhe tocava defender e em que o Benfica terá feito a melhor exibição das últimas semanas. O melhor Marítimo, na verdade, viu-se de início. Nelo Vingada optou por um 4x4x2 em que os dois atacantes – Djoussé e Edgar Costa – procuravam sobretudo os corredores laterais, dando depois ordem aos jogadores de meio-campo para preencherem o espaço interior, mas isso só bloqueou o ataque do Benfica enquanto os homens da casa tiveram gás para correr mais que os visitantes. Mesmo sem Gaitán, que por lesão cedeu a vaga a Carcela, o Benfica soltava Renato nos corredores laterais, levando-o muitas vezes a surgir embalado frente aos laterais insulares, e isso chegava para causar a dúvida dos médios interiores: iam à procura dele ou ficavam a tapar o espaço predileto de Jonas? Fosse como fosse, a partir dos 25’ o Benfica desfez o equilíbrio que se verificara até então e teve, de imediato, várias situações para marcar. Jonas acertou no poste aos 29’, Carcela viu um defesa da casa tirar-lhe o golo sobre a linha aos 30’ e, dois minutos depois, foi a vez de Salin tirar o golo a Jonas, com uma defesa magistral, a ir buscar um cabeceamento que o brasileiro dirigira para o chão. E aí apareceu a expulsão de Renato, imprudente a fazer uma falta quando já tinha um amarelo. Com 0-0 e a jogar com menos um durante mais de meio jogo, o Benfica poderia ter um problema. Mas a equipa uniu-se e respondeu bem, mantendo-se sempre alta no terreno, recusando a tentação de baixar as linhas que poderia ter dado iniciativa ao Marítimo. E teve ainda três situações de perigo até ao intervalo: um remate de Carcela sobre a barra e duas finalizações desviadas de Mitroglou. Mesmo com um a mais, o Marítimo não conseguia tapar o espaço entre a linha defensiva e a de meio-campo nem chegar à frente com perigo: atacava quase sempre com poucos e por isso mesmo ficava à mercê do primeiro erro. Que inevitavelmente apareceu logo aos 48’. Alex Soares fez mal um corte e dessa forma isolou Mitroglou, que em boa posição deu de esquerda na bola, sem hipóteses para Salin. Só depois de uma longa interrupção para ser prestada assistência a Maurício é que Nelo Vingada chamou Dyego Souza, o ponta-de-lança de que a equipa precisava para regressar ao 4x3x3, mas a verdade é que nem assim o Marítimo deu a sensação de poder discutir o jogo. Antes de sair, totalmente esgotado, por estar a cumprir a missão dele e a de Renato Sanches, Jonas ainda viu Salin fazer mais uma excelente defesa a um remate seu que podia ter dado o 2-0 (aos 69’). E foi já com Samaris em vez de Jonas que Talisca (que entrara para o lugar de Carcela) arrumou a questão dos três pontos, marcando um livre semelhante ao que já batera Neuer, no empate frente ao Bayern, na Luz. Faltavam sete minutos (mais os dez de compensação, que ainda chegaram para que Jiménez, que substituiu Mitroglou, chutasse uma bola à barra), mas já nada tiraria esta vitória a um Benfica que soube unir-se no momento em que se viu reduzido a dez e terá, até, aproveitado a proximidade para mais um título para fazer a melhor exibição das últimas semanas.
2016-05-08
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Artigo

Rui Vitória já assumiu que deverá, em princípio, poupar alguns jogadores na meia-final da Taça da Liga, que o Benfica jogará hoje na Luz contra o Sp. Braga. Olhando para a forma desgastada como os encarnados têm vindo a cumprir, sempre sem falhas, ainda assim, cada passo da caminhada que o treinador espera venha a conduzir ao tricampeonato, parece sensato que o faça. E, suceda o que suceder, tanto hoje como no próximo fim-de-semana, a história deste campeonato escrever-se-á sempre através do recurso às diferentes estratégias de poupança dos treinadores das duas melhores equipas. Teremos um campeão certificado pelo aforro. Olha-se para Benfica e Sporting e percebe-se que estão equilibrados no total de jogos feitos: hoje, ao receber o Sp. Braga, o Benfica empata com o Sporting em total de jogos feitos (49), podendo vir a superar os leões se assegurar a passagem à final da Taça da Liga. Contudo, isso não quer dizer que o Sporting esteja neste momento mais desgastado, quer porque os seus jogos internacionais – na Liga Europa – tiveram um grau de dificuldade inferior aos do adversário, quer porque Jesus optou por uma gestão diferente do seu plantel, tirando exigência em determinada altura, o que pode ter ajudado a equipa ao nível da fadiga central. Se olharmos para os números, verificamos que ambos os grupos têm seis jogadores com pelo menos 40 jogos efetuados: Jonas (44), Pizzi (44), Eliseu (43), Mitroglou (42), Jardel (41) e Jiménez (41) no Benfica; Rui Patrício (44), João Mário (44), Slimani (44), Ruiz (44), Adrien Silva (40) e Gelson (40) no Sporting. É verdade que entre os sportinguistas há um guarda-redes – e bastaria Júlio César não se ter lesionado para estar também no lote – e que, se em ambos há um jovem tantas vezes saído do banco – Gelson e Jiménez –, a pressão colocada em cima do extremo leonino tem sido sempre muito menor que a feita sobre o ponta-de-lança mexicano, tantas vezes entrado com a necessidade de desbloquear o marcador. Nestas coisas, como se sabe, não há uma verdade científica. Cada grupo, cada organismo reage de uma maneira muito própria a diferentes estímulos, mas parece evidente que as estratégias de Rui Vitória e Jorge Jesus foram radicalmente diferentes. Vitória tem trazido sempre os melhores a cada jogo, porque na Champions a isso era obrigado, e se fez alguma rotação na equipa isso deveu-se tanto às lesões (Júlio César, Luisão, Lisandro, Nelson Semedo…) como à eclosão de Renato Sanches, que tirou espaço a Samaris na equipa principal. Chega assim aos últimos três (ou quatro) jogos da época com os jogadores fundamentais em condições muito difíceis – não é estranho que Jonas, Pizzi e Mitroglou tenham caído tanto de produção nas últimas semanas –, mas na frente da classificação. Do outro lado, com o discurso centrado na Liga, com o menosprezo constante da Liga Europa, Jorge Jesus chega aos últimos dois jogos da época com a equipa em melhores condições. E também não é estranho que os quatro homens mais utilizados da época tenham sido os melhores na vitória de sábado no Dragão. Sobretudo Slimani, João Mário e Rui Patrício chegam a Maio a voar, depois de um período de quebra em Fevereiro-Março, que foi quando o Sporting perdeu a liderança, com apenas duas vitórias em sete jogos, de 8 de Fevereiro a 5 de Março. Acontece que quem ganha o campeonato não é quem faz melhor resultado na última jornada, não é quem chega às férias em melhores condições. É quem soma mais pontos nas 34 rondas da competição. E neste particular o Benfica tem vantagem, pois parte para as últimas duas jornadas com mais dois pontos. Se o campeonato durasse mais umas quatro ou cinco semanas, o Sporting pareceria a equipa em melhores condições para o ganhar, mas com a meta tão perto começa a parecer cada vez mais improvável que o Benfica escorregue antes de a ultrapassar. Claro que o debate acerca da melhor estratégia nunca chegará a conclusões mais definitivas do que o destinado a decidir qual é a melhor equipa das duas. Ninguém garante como estaria o Benfica se Vitória tem tirado exigência na Liga dos Campeões ou como estaria o Sporting se Jesus tivesse ido a jogo sempre com os melhores na Liga Europa. Por isso mesmo, daqui a duas semanas, as conclusões estarão sempre ligadas aos resultados. Se o Benfica mantiver a passada por mais duas jornadas e for campeão, teve razão Rui Vitória; se os encarnados passarem das vitórias difíceis e tangenciais a um empate ou derrota e o Sporting continuar a ganhar os seus jogos e for campeão, teve razão Jesus. Certo é apenas que ambos estão a fazer um fantástico trabalho. In Diário de Notícias, 02.05.2106
2016-05-02
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Stats

O Benfica entra em campo para defrontar o V. Setúbal e, se quer manter a liderança da Liga, precisa de ganhar. Se o fizer, iguala a sua melhor série de jornadas seguidas com vitórias esta temporada: oito, conseguidas entre o empate frente ao U. Madeira, a 15 de Dezembro, e a derrota contra o FC Porto, a 12 de Fevereiro. E se prolongar a série vitoriosa até final da competição não só garante o tricampeonato como supera as melhores sequências dos seis anos de Jorge Jesus, que foram de onze jornadas consecutivas sempre a ganhar. De resto, desde 2004/05, o ano do título nacional com Trapattoni, que o Benfica não é campeão nacional sem uma série de pelo menos nove vitórias consecutivas . A última partida de campeonato que o Benfica não ganhou foi a correspondente à 22ª jornada, a tal derrota caseira com o FC Porto (1-2). Depois disso, venceu sempre: 3-1 em Paços de Ferreira, 2-0 ao U. Madeira, 1-0 ao Sporting em Alvalade, 4-1 ao Tondela, 1-0 ao Boavista no Bessa, 5-1 ao Sp. Braga e 2-1 à Académica em Coimbra. Ao todo, sete vitórias consecutivas, a uma da melhor série de jornadas sempre a ganhar estabelecida pela equipa de Rui Vitória. Após o empate frente ao U. Madeira na Choupana, a 15 de Dezembro, o Benfica ganhou oito jogos de campeonato consecutivos até à derrota caseira com o FC Porto: 3-1 ao Rio Ave, 1-0 em Guimarães, 6-0 ao Marítimo, 4-1 ao Nacional na Choupana, 2-1 no Estoril, 3-1 em Arouca, 4-1 no terreno do Moreirense e 5-0 ao Belenenses, no Restelo. Na situação em que está o campeonato, com os dois primeiros separados por apenas dois pontos e sem a garantia do direito ao erro, o melhor que a equipa do Benfica tem a fazer é pensar em ganhar não só ao V. Setúbal mas depois também os outros quatro jogos até final (as visitas a Rio Ave e Marítimo e as receções a V. Guimarães e Nacional). Se o fizer, supera as duas melhores marcas das equipas de Jorge Jesus, que nunca passaram das 11 vitórias seguidas: em 2010/11, o Benfica ganhou onze jogos seguidos entre uma derrota no Porto (0-5 com o FC Porto, a 7 de Novembro) e outra em Braga (1-2 com o Sp. Braga, a 6 de Março de 2011) e mesmo assim não foi campeão; em 2013/14, repetiu a proeza, ganhando onze jogos seguidos entre um empate com o Gil Vicente em Barcelos (1-1, a 1 de Fevereiro de 2014) e outro empate com o V. Setúbal em casa (1-1, a 4 de Maio), com a nuance de por alturas do segundo empate já ter assegurado matematicamente a conquista do título nacional. Aliás, para ser campeão, Jesus teve sempre de somar pelo menos nove jornadas seguidas a ganhar. Fê-lo em 2009/10 e em 2014/15, tendo em 2013/14 chegado às tais onze vitórias consecutivas.   O V. Setúbal não ganha há dez jogos, tendo apenas uma vitória em toda a segunda volta, que foi o 2-1 à Académica, em casa, a 22 de Janeiro. Depois disso, quatro empates e seis derrotas, com golos sofridos em todos os jogos. Aliás, a última baliza virgem da equipa sadina já data de 5 de Dezembro do ano passado, quando venceu o Belenenses no Restelo por 3-0. Contra o Benfica, uma semana depois, o Vitória iniciou a corrente série de 18 jogos sempre a sofrer golos.   A última vez que o Vitória esteve 18 jogos seguidos sempre a sofrer golos foi em 2010/11, altura em que após uma vitória por 1-0 frente ao Paços de Ferreira (de Rui Vitória), a 27 de Setembro de 2010, viu os adversários marcarem todos pelo menos uma vez até um empate a zero no terreno do Beira Mar, a 14 de Fevereiro de 2011. O 18º jogo dessa série foi em Setúbal, contra o Benfica, que na altura se impôs com golos de Gaitán e Jara.   O pior resultado que Rui Vitória, treinador do Benfica, tem nos três jogos que fez contra Quim Machado, técnico do V. Setúbal, é um empate a zero. Só o recebeu uma vez, em Guimarães, tendo o seu Vitória ganho ao Feirense de Machado por 1-0, com um golo do brasileiro Toscano. Antes disso, tinha-o visitado na Feira, mas ainda ao serviço do Paços de Ferreira: empatou sem golos, no jogo que marcou a despedida de Vitória da Mata Real, antes de assumir o comando da equipa de Guimarães. Já esta época, em Setúbal, o Benfica de Rui Vitória ganhou por 4-2 ao V. Setúbal de Quim Machado.   Em contrapartida, nunca Rui Vitória ganhou duas partidas seguidas ao V. Setúbal. Desde que chegou à I Divisão, para liderar o Paços de Ferreira, em 2010, o atual treinador do Benfica defrontou por 14 vezes os sadinos, com seis sucessos, um empate e sete derrotas. A única época em que ganhou por duas vezes ao V. Setúbal foi 2012/13, quando o seu V. Guimarães venceu as duas partidas da Liga (2-1 em casa e 3-2 fora), mas pelo meio registou um empate no Bonfim, para a Taça de Portugal (2-2). Aí, valeu-lhe o desempate por grandes penalidades para chegar à final, onde os vimaranenses ganharam… ao Benfica.   Quim Machado, treinador do V. Setúbal, perdeu os três jogos que fez contra o Benfica, dois dos quais ao serviço do Feirense. Contudo, a sua equipa marcou sempre golos. Na Luz, em Agosto de 2011, o seu Feirense esteve empatado até ao último quarto-de-hora (golos de Nolito e Rabiola), quando Cardozo e Bruno César marcaram para fazer o 3-1 final. Na Feira, em Janeiro de 2012, até esteve a ganhar (golo de Varela), mas viu depois o Benfica virar para 1-2, com um autogolo do mesmo Varela e um penalti de Cardozo. O jogo mais desequilibrado foi o desta época, em Setúbal, no qual o Benfica chegou cedo aos 3-0 (golos de Pizzi, Jonas e Mitroglou), tendo depois o Vitória amenizado para o 2-4 final (marcaram Vasco Costa, Suk, tendo o guardião sadino Ricardo feito um autogolo).   Raul Jiménez marcou nos últimos dois jogos do Benfica: fez o golo da vitória contra a Académica em Coimbra (2-1) e obteve o primeiro no empate com o Bayern na Luz (2-2). Foi a segunda vez esta época que o mexicano marcou golos em dois jogos consecutivos, depois de ter marcado ao Rio Ave e ao Nacional (na Taça da Liga) em Dezembro. Para lhe encontrar uma série de três jogos seguidos sempre a marcar é preciso recuar a Setembro de 2013, quando ainda representava o America.   Kostas Mitroglou, por sua vez, marcou nas duas últimas jornadas do campeonato. Pertenceu-lhe sempre o primeiro golo do Benfica nas vitórias frente ao Sp. Braga (5-1) e à Académica (2-1). O grego está ainda longe do seu melhor desta época, que foram as sete jornadas seguidas sempre a marcar, a Nacional, Estoril, Arouca, Moreirense, Belenenses, FC Porto e Paços de Ferreira.   O V. Setúbal não ganha ao Benfica desde 31 de Outubro de 2007, quando se impôs no Bonfim em partida da Taça da Liga, por 2-1, e de virada, com golos de Matheus e Edinho, depois de Freddy Adu ter aberto o ativo de penalti para os encarnados. Desde essa data, em 18 jogos, o melhor que os sadinos conseguiram forma quatro empates, dois deles na Luz: 2-2 em Dezembro de 2008 e 1-1 em Maio de 2014. De resto, 14 vitórias do Benfica, algumas delas com score bem largo, como os 8-1 de Agosto de 2009.   As duas últimas visitas do V. Setúbal à Luz acabaram com o mesmo resultado: 3-0. E foram separadas por apenas quatro dias. Talisca, Pizzi (ambos de penalti) marcaram a 11 de Fevereiro de 2015, em jogo da Taça da Liga; Jardel e Lima (este bisou) imitaram-nos a 15 de Fevereiro, em jogo a valer para o campeonato.   Talisca é o melhor marcador do atual plantel do Benfica em jogos com o V. Setúbal: fez quatro golos. Além do que marcou nos 3-0 para a Taça da Liga, em Fevereiro de 2015, assinou um hat-trick nos 5-0 com que o Benfica se impôs no Bonfim em Setembro de 2014. Em contrapartida, do atual plantel do V. Setúbal, só Vasco Costa marcou aos encarnados com a camisola listada: fê-lo na derrota por 4-2 da primeira volta, na qual o outro golo sadino foi apontado por Suk, entretanto transferido para o FC Porto.
2016-04-18
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Último Passe

O Benfica voltou a sentir dificuldades para somar os três pontos numa partida de campeonato no terreno de um dos últimos classificados, ganhando desta vez à Académica, por 2-1, graças a um golo de Jiménez, a cinco minutos do fim da partida. A vitória foi justa, porque foi o Benfica quem esteve sempre por cima no jogo, mas podia ter sido posta em causa pela entrada displicente dos jogadores encarnados, que passaram a primeira meia-hora com a cabeça no jogo da próxima quarta-feira, com o Bayern, e à espera que este, de Coimbra, se resolvesse por si mesmo. A questão não pareceu tanto de fadiga como de foco. Rui Vitória entrou em campo com dez dos onze homens que perderam em Munique na terça-feira – trocou apenas Fejsa por Samaris – mas a forma como o Benfica reagiu ao golo que sofreu à saída do primeiro quarto-de-hora parece indicar que a equipa tinha energia de reserva. A Académica, que Filipe Gouveia escalonou em 30/40 metros à saída da sua própria área, reduzindo o espaço entre linhas e apostando em três defesas-centrais, para ter sempre dois homens sobre Jonas e Mitroglou e alguém à sobra, aproveitava a lentidão do Benfica para conseguir sair com alguma regularidade e impedir o sufoco que a sua colocação em campo poderia deixar adivinhar. E chegou mesmo ao golo, após um corte disparatado de Eliseu, na sequência do qual Pedro Nuno aproveitou a reação tardia de Samaris e Renato Sanches para ganhar o espaço entre linhas e rematar colocado. A perder à saída do primeiro quarto-de-hora, o Benfica reagiu. Pareceu ligar os motores e, como é natural perante uma equipa que defendia tão atrás como a Académica, acabou por aproveitar um dos erros que os da casa cometeram até ao intervalo. João Real, o central solto de Gouveia, tirou duas oportunidades quase seguidas a Gaitán (aos 32’) e Pizzi (aos 37’), mas este redimiu-se aos 39’, com um grande cruzamento, que Mitroglou aproveitou para empatar, de cabeça, nas costas de Iago, que falhou a interceção. Até ao intervalo, Pizzi ainda falhou um golo impossível de falhar, depois de já ter tirado o guarda-redes do caminho e tudo, chutando contra Nuno Piloto, pelo que foi com alguma surpresa que a segunda parte revelou uma Académica outra veze mais certa nas marcações e um Benfica pouco imaginativo. No segundo tempo, apesar de uma superioridade esmagadora em posse de bola e ocupação de terreno, o Benfica quase só se mostrou perigoso em bolas paradas. Pedro Trigueira fez um punhado de boas defesas, primeiro num livre de Gaitán, depois num corte de Ricardo Nascimento que quase dava autogolo, e por fim em dois cabeceamentos de Jonas (após um lançamento lateral) e Jardel (na sequência de um canto). Rui Vitória foi arriscando e meteu mais gente na frente. Depois de trocar Pizzi por Carcela, chamou Talisca para o lugar de Samaris (para ganhar meia-distância) e Raul Jiménez para a vaga de Eliseu, passando a ter três homens na área. E a entrada do mexicano foi decisiva: a 5’ do fim, Jiménez usou as pernas compridas para dominar um cruzamento de André Almeida que parecia ir fugir-lhe e disparou sem hipótese para o guarda-redes da Académica. Depois do 1-0 contra o Boavista, no Bessa, fruto de um golo de Jonas já em tempo de compensação, o Benfica ultrapassava mais uma barreira bem perto do fim de uma partida, aproximando-se do tri-campeonato. Faltam mais cinco.
2016-04-09
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Com os cinco golos marcados ao Sp. Braga, na vitória por 5-1, o Benfica chegou aos 100 golos nesta temporada: 76 na Liga, 13 na Liga dos Campeões, oito na Taça da Liga e três na Taça de Portugal. Os encarnados chegaram à centena de golos pela sétima temporada consecutiva, pois a última vez que ficaram aquém desta marca foi em 2008/09, quando a equipa de Quique Flores terminou a época com apenas 73 golos marcados.   O autor do 100º golo do Benfica foi o grego Samaris, naquele que é o 42º jogo oficial da temporada. Foi, nesta série de sete épocas, a segunda em que o Benfica mais depressa chegou ao centenário. A primazia continua a pertencer à época de 2009/10, na qual o brasileiro Alan Kardec fez esse mesmo 100º golo na vitória em Marselha (2-1), para a Liga Europa, a 18 de Março, ao 41º jogo oficial. Em 2012/13, o mesmo 100º golo foi marcado por Lima, a 30 de Março, ao 43º jogo, uma vitória ampla por 6-1 sobre o Rio Ave.   Mitroglou fez neste jogo o seu quarto bis da época (um deles foi mesmo um hat-trick), na qual soma já 21 golos, doze dos quais nos onze desafios que leva a segunda volta da Liga. Esta já é a melhor época de sempre do avançado grego, cujo máximo goleador numa só temporada estava até aqui nos 19 tentos obtidos em nome próprio: em 2011/12, pelo Atromitos (17 na Liga e dois na Taça da Grécia) e em 2014/15 pelo Olympiakos (16 na Liga grega, dois na Liga dos Campeões e um na Liga Europa).   Com o penalti através do qual fez o 2-0, Jonas também superou a sua melhor marca goleadora numa só época desde que chegou à Europa, em Janeiro de 2011. São já 32 golos em 39 jogos, 30 dos quais na Liga portuguesa (os outros dois foram na Champions). A melhor época europeia de Jonas tinha sido a anterior, na qual fez 31 golos em 35 jogos.   Além de o deixarem muito bem colocado na corrida à Bota de Ouro, os 30 golos que Jonas fez na Liga portuguesa permitiram-lhe chegar à meia centena na competição (20 em 2014/15 e 30 em 2015/16). O avançado brasileiro fê-lo num total de 55 jogos, sendo o quinto jogador mais rápido da história do Benfica a atingir esta marca. Melhor do que ele só Eusébio, José Águas, Julinho e José Torres, o mais rápido de todos. O “Bom Gigante”, que chegou aos 50 golos em apenas 39 jogos, precisou, ainda assim, de cinco épocas para lá chegar, pois no início de carreira jogava muito poucas vezes.   O golo de Samaris, além de ter sido o 100º da época, foi o primeiro que os encarnados fizeram de livre direto esta época e o primeiro nessas condições no campeonato desde que, em Setembro de 2014, Talisca marcou assim na vitória por 5-0 em Setúbal.   Além do primeiro golo de livre, o Benfica sofreu também o primeiro penalti da atual edição da Liga, deixando assim de haver equipas sem penaltis contra. O último penalti contra o Benfica na Liga tinha acontecido a 21 de Março de 2015, na derrota por 2-1 em Vila do Conde, contra o Rio Ave. Curiosamente, o Rio Ave é a única equipa ainda sem penaltis a favor na presente edição da Liga.   O Sp. Braga continua a somar maus resultados nas visitas a Lisboa. Foi a quarta derrota em outras tantas viagens à capital esta época: 1-0 no Estoril, 3-2 em Alvalade, 3-0 no Restelo e agora 5-1 na Luz. A somar a isso, os bracarenses registaram ainda mais três resultados negativos seguidos na ponta final da época passada: 2-0 na Luz, 4-1 em Alvalade e 2-2 (com derrota nos penaltis) na final da Taça de Portugal, contra o Sporting, no Jamor. O último bom resultado que fizeram na zona de Lisboa foi a vitória por 2-0 no Estoril, a 8 de Fevereiro de 2015.   Pedro Santos, que marcou o golo do Sp. Braga na Luz, já tinha sido autor de um dos golos dessa vitória no Estoril. Fez na altura o segundo, depois de Ruben Micael abrir o ativo.   Os 5-1 permitiram ao Benfica reforçar a condição de melhor ataque da Liga, já com 76 golos marcados. São mais 20 golos que o segundo melhor ataque, que é o do Sporting, ainda que os leões possam diminuir a desvantagem quando jogarem com o Belenenses no Restelo, na sua partida desta 28ª jornada. É o melhor ataque de uma equipa do Benfica à 28ª jornada desde 1983/84, quando o onze comandado por Eriksson chegou a esta ponto da prova com 83 golos marcados.   O Benfica chegou ainda à 28ª jornada com 70 pontos, que ainda assim, é um a menos do que tinha na mesma jornada da época passada, e menos três do que na primeira época do presente bicampeonato. Para se encontrar um líder com menos pontos à 28ª ronda é preciso recuar até 2011/12, quando o FC Porto de Vítor Pereira comandava com 69 pontos, mais seis do que o segundo, que era o Benfica.   Em contrapartida, o Sp. Braga viu o Arouca reduzir a diferença que separa o quarto do quinto lugar para seis pontos. Os bracarenses somam agora 50 pontos, menos três do que na época passada à passagem da 28ª ronda. Até marcaram mais dois golos (passaram de 45 para 47), mas sofreram mais dez (de 17 para 27).
2016-04-03
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Último Passe

Se o Sp. Braga era o maior obstáculo que o Benfica ia ter pela frente no trilho que os encarnados esperam os conduza o tri-campeonato, os 5-1 com que a equipa de Rui Vitória arrumou a questão e a chegada ao centésimo golo da época deixam poucas dúvidas de que o objetivo está cada vez mais próximo e de que não há muitas equipas em Portugal com capacidade para se atravessar à frente deste comboio em movimento. E, no entanto, no arranque, tudo parecia complicar-se. A vantagem deste Benfica é que mesmo quando a dinâmica coletiva não o favorece, como aconteceu no início da partida frente ao Sp. Braga, a qualidade individual dos seus jogadores permite resolver os jogos. Às vezes de forma avassaladora, como aconteceu hoje. Rui Vitória cumpriu o que tinha prometido e não poupou ninguém a pensar em Munique. Queria era ganhar. Mas o início do jogo deve tê-lo deixado a pensar nas soluções que tinha em campo, pois o Sp. Braga teve as duas primeiras ocasiões de golo: Wilson Eduardo cabeceou ao poste logo no primeiro minuto e Rafa desperdiçou um lance isolado na cara de Ederson, fazendo um chapéu ao lado, aos 11’. O Benfica tinha dificuldades em encaixar com as rápidas movimentações interiores dos alas do Sp. Braga e não conseguia pegar no jogo. Até que Mauro ofereceu o 1-0 a Mitroglou, com dois passes errados sucessivos à entrada da sua própria grande área. Com o golo, a equipa de Paulo Fonseca tremeu e desapareceu em termos ofensivos, ao mesmo tempo que o Benfica se agigantou. E, passando a mandar no jogo, contou com a tal qualidade individual dos seus homens, que não cometem erros em situações-limite. Paulo Fonseca terá ansiado pela chegada do intervalo com aquele resultado, de forma a poder voltar a juntar os cacos a tempo de discutir a segunda parte, mas Jonas fez o 2-0 de penalti, a punir mão de André Pinto, aos 37’. E dois minutos depois, em remate de longe que enfatizou o facto de ser ele o maior injustiçado das últimas convocatórias de Fernando Santos, Pizzi chegou aos 3-0. Com a questão do resultado arrumada, a segunda parte seria um mero pró-forma. O Sp. Braga já não entrou tão bem, mas ainda assim voltou a acertar no poste, por intermédio de Hassan. E se isso serviu para alguma coisa foi para voltar a acordar os atacantes encarnados, que fizeram mais dois golos de rajada. Primeiro, Jonas aproveitou as linhas subidas do adversário para se isolar na esquerda e oferecer o 4-0 a Mitroglou e, depois, foi a vez de Samaris, de livre, chegar aos 5-0. O centésimo golo da época – em todas as provas – chegou de forma inédita, pois o Benfica ainda não tinha marcado de livre direto. Até final, quando toda a gente em campo já pensava nos jogos contra o Bayern Munique e o Shakthar Donetsk, que aí vêm a meio da semana, Gaitán e Jardel ainda foram rendidos por Carcela e Nelson Semedo, ficando este ligado a mais um facto inédito: fez o primeiro penalti sofrido pelos encarnados no presente campeonato, ao derrubar Pedro Santos na área. O próprio Pedro Santos reduziu para os 5-1 finais, não beliscando minimamente o estado de euforia com que a equipa do Benfica vai viajar até Munique.
2016-04-01
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A discussão está lançada e tem feito as delícias de quem vê futebol com óculos coloridos, daqueles que aumentam umas coisas e diminuem outras. Jonas é o maior, o pistoleiro que eleva o nível do futebol do Benfica. Não, Jonas não serve para grande coisa, porque só marca aos pequenos. Jonas está na corrida à Bota de Ouro e até foi chamado à seleção do Brasil. Não, Jonas beneficia da debilidade de quase todas as equipas do campeonato português e Dunga só se lembrou dele porque Roberto Firmino se lesionou. O mais estranho é que é tudo verdade. Jonas não é um dos melhores pontas-de-lança do Mundo, porque se fosse não teria baixado da Liga espanhola para a portuguesa, mas é provavelmente uma das maiores pechinchas na história das contratações decisivas de um clube português. E se o Benfica for esta época tricampeão nacional é em grande parte a ele que o deve. Jonas é um típico centro-avante brasileiro. O que quer isso dizer? Que prefere a conversa ao monólogo, que joga como quem dança o samba, um passo aqui, um toque acolá, sempre com ginga. Mas também que não podem contar com ele para o trabalho árduo, que está viciado na presença de um parceiro que fixe os centrais adversários, que lhe alargue o espaço entre linhas para ele poder aparecer a decidir. Uma das melhores formas de definir o futebol de Jonas é dizer que à frente dele os adversários parecem demasiado rápidos, demasiado sôfregos, porque ele é capaz de definir o timing de cada jogada de forma a que, mesmo abrandando, quem está no momento certo é ele. Os outros passam, mas ele fica com a bola e com a iniciativa. E se ele fica com a bola, isso é quase sempre uma boa notícia para o Benfica, porque ele define como poucos, servindo-se de uma capacidade técnica invulgar, tanto no passe como na finalização, e também daquilo que transforma um grande jogador num grandíssimo jogador: a tomada de decisão. É certamente por não entrar em correrias – e por ter quem o faça por ele – que Jonas pensa quase sempre a solução certa para a equipa. Sem bola, decide se deve procurar o corredor lateral ou baixar em desmarcações de apoio. Com ela, se deve esperar, driblar, chutar, passar e para onde passar. Se ele tiver tempo para pensar, o Benfica sai geralmente a ganhar. Mas então por que razão não saiu Jonas do Valência para o Real Madrid, chegando antes dispensado ao Benfica? É que nos jogos de maior nível de exigência raramente há o tempo para pensar de que Jonas precisa. Raramente o espaço sobra para ele impor a sua ginga. É por isso também que Jonas não fez um único golo em quatro jogos contra o Sporting e está igualmente em branco em três desafios contra o FC Porto. Ou que Jorge Jesus, que sempre o prezou tanto como a Gaitán quando se falava em argumentos capazes de levar o Benfica a ganhar campeonatos, nem sequer o colocou em campo na vitória por 2-0 no Dragão, na época passada. O jogo de ontem, contra o Boavista, serve de exemplo para esta dificuldade. Contra uma equipa que foi competente do ponto de vista tático e sem contar com o imprescindível apoio de Mitroglou, Jonas sofreu horrores. E aqui, se falo de Mitroglou, é mesmo de Mitroglou, não é de outro avançado qualquer. Porque o grego procura quase sempre a profundidade, o espaço nas costas da defesa adversária, quando Raul Jiménez busca a mobilidade, as desmarcações nos corredores laterais. Consequência disso? Ora pensemos. O Boavista defendeu-se com duas linhas bem próximas uma da outra e colocou ao meio da segunda linha dois médios muito fortes na marcação, como são Idris e Tahar. Os movimentos laterais de Jiménez, compensados pelos laterais, não faziam dançar assim tanto a organização axadrezada e raramente redundavam na criação de espaço vital para Jonas. Mas os movimentos mais profundos de Mitroglou costumam obrigar a primeira linha defensiva adversária a compensar essa mesma profundidade, colocando a segunda linha perante uma dificuldade: ou baixava também ou mantinha a posição. Fizessem os médios do Boavista o que fizessem, a consequência seria sempre a mesma e redundaria em espaço para Jonas combinar com quem lhe aparecesse por perto à entrada da área. Depois, quando tudo o resto falha, aparece outra caraterística de Jonas: a capacidade técnica. Num jogo em que raramente teve bola ou espaço para jogar, depois de uma noite em que se eclipsou, foi ele que, ao terceiro minuto de descontos, teve a frieza e a capacidade técnica para finalizar, de pé esquerdo, um passe de cabeça de Carcela. Não só a bola não vinha fácil, como a própria criação da situação de finalização dependeu, em primeira instância, da mente futebolística de Jonas, que adivinhou onde a bola ia cair e avançou para lá antes de Philipe Sampaio. Fez o golo, manteve o Benfica isolado na frente e lançou a euforia nas hostes benfiquistas. Jonas é o maior? Jonas não marca aos grandes? Tudo verdade. Mas mesmo assim está a ser o jogador mais decisivo deste campeonato. In Diário de Notícias, 21.03.2016
2016-03-21
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Os dois golos que fez ao Tondela, na vitória do Benfica por 4-1, serviram a Jonas para chegar aos 28 na Liga e aos 30 em 37 jogos de todas as competições de 2015/16. Jonas ficou assim a apenas um golo do total que fez em toda a época passada (31 em 35 jogos). O brasileiro tornou-se o primeiro jogador a marcar pelo menos 30 golos em duas épocas consecutivas no Benfica desde que Nené o fez entre 1981 e 1983, com 35 golos em 43 jogos em 1981/82 e 31 golos em 46 jogos em 1982/83. Jonas está a cinco golos da marca de Nené nesse biénio, mas também tem menos 17 jogos.   O total de golos que Jonas conta na atual edição da Liga (28) é ainda o maior numa só edição da competição desde que Jardel somou 42 na prova de 2001/02, ao serviço do Sporting. Se olharmos apenas para jogadores do Benfica, ninguém marcava tanto desde que o sueco Magnusson encerrou o campeonato de 1989/90 com 33 golos (em 32 jogos).   Outro avançado em grande destaque no Benfica é o grego Mitroglou, que voltou a marcar um golo. Nas últimas dez jornadas da Liga, Mitroglou marcou em nove, só ficando em branco contra o U. Madeira. A compensar fez três golos ao Belenenses. Ao todo, os 19 golos que já fez esta época (16 na Liga, dois na Champions e um na Taça de Portugal) igualam as suas melhores épocas de sempre: fez 19 golos em 2011/12 no Atromitos e outros tantos em 2014/15 no Olympiakos.   Gaitán, que assistiu Jardel e Jonas para os dois primeiros golos do Benfica, colocou-se como melhor assistente benfiquista no campeonato e segundo melhor da competição, apenas atrás do portista Layun. Ao todo, o argentino soma onze passes de golo, mais dois que Jonas e o belenense Carlos Martins, mas menos quatro que o mexicano do FC Porto.   Jardel, autor do primeiro golo do Benfica no jogo, fez apenas o segundo golo da época, pois até aqui só tinha marcado ao Vianense, arrancando a ferros uma vitória por 2-1 na Taça de Portugal. No campeonato não marcava desde 11 de Abril do ano passado, quando também abriu uma goleada dos encarnados na Luz: 5-1 à Académica.   Nathan Júnior, que marcou o golo de honra do Tondela mesmo em cima do apito final, veio assegurar que a equipa beirã mantém o registo de marcar sempre fora de casa desde que é liderada por Petit. São já sete deslocações seguidas a fazer pelo menos um golo. O problema é que o Tondela também sofre geralmente mais do que um.   Com o golo ao Benfica, Nathan chegou aos dez golos na Liga, oito dos quais nas nove partidas que leva a segunda volta do campeonato. É o valor mais elevado de um jogador de uma equipa recém-promovida desde que Ghilas marcou 13 golos pelo Moreirense em 2012/13, nem assim impedindo a equipa de Moreira de Cónegos de descer de divisão. Com a vitória, o Benfica voltou a assumir a liderança, que perdera momentaneamente no sábado, por via do sucesso do Sporting no Estoril. Os encarnados chegaram aos 64 pontos, apenas um a menos do que tinham na época anterior à passagem desta mesma 26ª jornada. Para se encontrar um Benfica com menos pontos após 26 jogos é preciso recuar a 2011/12, quando a equipa então liderada por Jorge Jesus chegou a esta ronda com apenas 59 pontos, acabando a época com 69, a seis pontos do FC Porto, que foi campeão.   Muito forte está o Benfica no plano atacante, pois os 70 golos que já marcou nas primeiras 26 jornadas só encontram paralelo recente na época de 2012/13, em que também chegou à 26ª ronda com o mesmo total de golos marcados. Na época passada somava 63 e há dois anos seguia com 52. Em 2012/13, porém, o Benfica nem foi campeão.   Muito fraca é a performance do Tondela, que segue com apenas 13 pontos após 26 jornadas. É a pior pontuação de uma equipa na Liga portuguesa a este ponto da competição desde 2007/08, quando a U. Leiria chegou à 26ª ronda com apenas 12 pontos – e acabou o campeonato com 13, em último lugar, a 12 pontos do penúltimo, que foi o Paços de Ferreira. Em toda a história da Liga portuguesa desde que a vitória vale três pontos, só mais três equipas chegaram aqui com tão poucos pontos: o Penafiel de 2005/06, que também tinha 12, o Estrela da Amadora de 2003/04, que tinha 13, e o Gil Vicente de 1996/97, que somava 12. Todos desceram de divisão em último lugar.  
2016-03-15
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Último Passe

O Benfica ganhou com facilidade ao Tondela, por 4-1, e manteve a liderança isolada na Liga, graças a uma demonstração de superioridade natural quando se trata de um jogo em que primeiro recebe o último classificado. A noite foi absolutamente normal para a equipa de Rui Vitória. O bicampeão nacional nem precisou de meter o pé no acelerador – marcou duas vezes de bola parada e cedo chegou a uma tranquilizadora vantagem de dois golos – e teve direito a mais um bis de Jonas, que assim manteve a distância em relação a Slimani no topo da tabela dos goleadores e voltou a gritar bem alto que têm de contar com ele para a disputa da Bota de Ouro. No fim, aproveitou para gerir quem precisa de descansar, quem tem de ganhar ritmo e até quem, como Mitroglou, precisava de limpar o cadastro com um amarelo. Gaitán e Fejsa, por exemplo, saíram a meio da segunda parte, altura em que Rui Vitória chamou outros jogadores, como Salvio ou Gonçalo Guedes, que precisam de ganhar ritmo para poderem contar na apertada ponta final de época que se apresenta à equipa e em que, entre Liga, Taça da Liga e Champions, todos farão falta. Aliás, já o onze inicial apresentava algumas novidades, como a inclusão de Talisca no lugar do castigado Renato Sanches a meio-campo ou de Nelson Semedo em vez de André Almeida na direita da defesa. Antes que qualquer dos dois mostrasse o que quer que fosse, porém, o Benfica chegou ao golo. Marcou-o Jardel, absolutamente à vontade na sequência de um canto, logo aos 11’, a mostrar que o problema do Tondela nunca foi a capacidade para criar futebol. Ao contrário do que lhe aconteceu quando trouxe o Boavista à Luz, Petit montou desta vez uma equipa positiva, sempre capaz de chegar perto da baliza de Ederson com gente em números interessantes, mas muito mais incompetente no aspeto defensivo. Não foi esse o caso do segundo golo do Benfica, uma magistral jogada coletiva, com contribuição dupla de Gaitán, que ofereceu o remate final a Jonas e tornou o jogo numa tarefa impossível para os beirões, com apenas 24 minutos de jogo. O Benfica passou então a gerir. E só aos 69’ matou de vez a partida, com mais um golo de bola parada: lançamento lateral de Eliseu, desvio ao primeiro poste entre Jardel e um defensor do Tondela, e cabeça de Jonas, sem ninguém por perto mas a ter de meter ele força no remate, tão mortiça vinha a bola. Mitroglou ainda fez o 4-0, num lance em que parecia ir de moto pelo meio dos dois centrais do Tondela – ganhou-lhes uns cinco metros em 20 – e que aproveitou para tirar a camisola nos festejos, colocando-se assim fora da deslocação ao Bessa, na próxima jornada, onde o Benfica também não terá Jardel. No final, o Tondela ainda fez um golo, pelo inevitável Nathan Júnior, a premiar o espírito positivo com que a equipa entrou no jogo. Para que o Tondela se salve, porém, vai ser preciso defender melhor.
2016-03-14
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Último Passe

As ausências de André Almeida e Jardel, por castigo, somadas às de Júlio César, Lisandro López e Luisão, estes por lesão, colocam a Rui Vitória um problema de difícil resolução. O Benfica enfrenta o jogo do qual depende a continuidade na Liga dos Campeões, no qual será fundamental manter a solidez atrás, sem o guarda-redes titular, sem as três primeiras escolhas para o centro da defesa e sem ter ainda resolvido por inteiro a questão que se lhe coloca acerca da composição do meio-campo nos jogos de maior grau de exigência. Ainda assim, num jogo em que o primeiro golo pode ser a chave, Vitória deve mexer o mínimo possível, de forma a aproveitar o embalo emocional que o sucesso no dérbi de sábado lhe trouxe. Vai ter de inventar, mas não mais do que o necessário, com a consciência de que este Zenit pode exigir ao Benfica algo que a equipa ainda não mostrou de forma consolidada: que é capaz de ser sólida em desafios de exigência elevada. A vitória em Alvalade, no sábado, como a conquistada em Madrid, no Outono, são as exceções que confirmam a regra: este continua a ser um Benfica mais talhado para jogar contra equipas fracas. Ao todo, em quatro jogos com o Sporting, dois com o FC Porto, dois com o Atlético Madrid, dois com o Galatasaray, um com o Sp. Braga e um com o Zenit, o Benfica, o Benfica só ganhou cinco de doze jogos de grau de dificuldade mais elevado. Pode até chegar para alcançar os objetivos – em São Petersburgo, por exemplo, basta uma derrota pela margem mínima, desde que com golos marcados –, mas deve servir de ponto de partida para uma reflexão interna acerca dos equilíbrios da equipa, que precisa de juntar outro avançado a Jonas para rentabilizar aquele que é o seu melhor jogador e não encontrou ainda uma forma satisfatória de preencher a zona central do meio-campo quando Renato Sanches se torna naquilo a que o treinador chamou “talento selvagem” e perde as referências no jogo sem bola. Problemático é que estas questões se agravem pela ausência de jogadores que são tão importantes nos momentos defensivos, como Jardel ou André Almeida. Lindelof tem respondido muito bem, sobretudo se tivermos em conta que era a quarta opção para o centro da defesa no início da época, mas o que se lhe pedirá no Petrovskyi é que comande o setor, provavelmente com Fejsa a seu lado e sem a ajuda de André Almeida, um lateral cujo principal atributo é a solidez defensiva. A dúvida coloca-se depois, na constituição do meio-campo e do ataque. Salvio à direita com Pizzi no apoio a Mitroglou (ou Jiménez, mais talhado para jogar longe da equipa) ou Jonas com Mitroglou e Pizzi a vir da direita para dentro, no apoio a Samaris e Renato? Rui Vitória saberá melhor que ninguém em que ponto está a recuperação de Salvio e se ele já é capaz de responder num jogo deste grau de exigência, ainda que todos saibamos que nestas coisas o risco maior está na experimentação e não na continuidade. Repetir os seis da frente de Alvalade pode ser uma forma de aproveitar não apenas as rotinas que a equipa vem construindo como a confiança que adquiriu no campo do maior rival. Mas, até pela escassez de golos nos mais recentes jogos do Zenit (0-1, 1-0 e 0-0), a chave da eliminatória estará sempre no primeiro golo. Se o marca o Benfica, pode repetir-se a história do dérbi; se o marca o Zenit o jogo deverá pedir um upgrade àquilo que este Benfica tem mostrado.
2016-03-09
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Há um momento em “A vida de Brian”, a genial sátira à religião dos Monty Phytom, em que Graham Chapman, que passa a história a ser confundido com Jesus, vocifera: “Eu não sou o Messias! Podem por favor escutar-me? Eu não sou o Messias, compreendem? Honestamente!”. E logo uma rapariga na multidão clama: “Só o verdeiro Messias nega a Sua divindade”. Outro Bryan, este com y, o Ruiz, passou toda a época a ser confundido como a arma principal que inevitavelmente conduziria o Sporting ao título nacional de futebol, para em duas jornadas seguidas e decisivas, contra V. Guimarães e Benfica, falhar duas bolas de golo, de baliza aberta, já sem guarda-redes nem nada. Os dois falhanços fizeram a diferença entre os leões ficarem três pontos à frente do Benfica ou, como acontece neste momento, dois pontos atrás. E Rui Vitória, cujo apelido levou no início da época a tantas piadas sem a graça dos Phyton – “Tratem-me só por Rui, por favor!” – acabou por conseguir a vitória que mais interessava e que, a nove jornadas do fim da época, deixa o Benfica como principal favorito à conquista do título. No fim do dérbi de sábado, Jorge Jesus deixou que a frustração lhe tomasse conta do espírito e diminuiu de forma muito exagerada o mérito do Benfica na vitória de Alvalade. Dizer que “o Benfica ganhou aqui sem saber como” ou que aquele foi o Benfica “mais fraco” dos que esta época defrontou o Sporting é um erro de apreciação inaceitável para quem tem a experiência do treinador leonino. O Benfica de sábado foi mais forte que aquele que se apresentou receoso na Supertaça, que o que se mostrou desorientado na partida da Luz ou que o que se revelou impotente no jogo da Taça de Portugal, que também abriu com um golo no primeiro remate à baliza. Foi um Benfica defensivo? Foi. Mas foi um Benfica que, enquanto o jogo esteve a zero, mandou no jogo e obteve alguma supremacia territorial, abdicando depois de atacar quando se viu em vantagem. Podia ter perdido? Claro que sim. Mas isso não invalida que este tenha sido, isso sim, sem qualquer dúvida, o Sporting “mais fraco” dos quatro dérbis da época. Podia mesmo assim ter ganho? Claro que sim. Bastava que a bola que Jefferson mandou à barra tivesse entrado e que Bryan Ruiz não tivesse sido traído pela relva (que fez subir a bola) e pelo seu excesso de confiança no momento de concluir aquele cruzamento que o deixou a um par de metros da baliza, sem guarda-redes pela frente. Este não foi o Benfica mais fraco dos quatro dérbis. Foi o mais forte. Porque levou sempre o jogo para onde quis e quando quis. Porque, como é seu hábito – e isso é um elogio, não é uma crítica – foi uma equipa de golo fácil, que marcou na primeira vez que rematou. E porque, ao contrário do que aconteceu no jogo da Taça de Portugal em Alvalade, mesmo tendo abdicado da iniciativa quando se viu em vantagem, mesmo tendo baixado o bloco e colocado duas linhas à frente da sua área, mesmo tendo perdido o guarda-redes e um dos centrais titulares, não foi pisado pelos leões. Em contrapartida, o Sporting não mostrou a mesma capacidade para impor o seu jogo ofensivo aos encarnados. Porque nenhuma das três substituições feitas trouxe alguma coisa ao jogo. Porque há ali muita gente a render menos do que há uns meses: Slimani é disso o caso mais paradigmático, mas William (apesar da boa segunda parte, depois de 45 minutos muito fracos), Adrien ou o próprio Bruno César (que não tem o efeito no jogo que tinha Téo no Outono) também são bons exemplos. E francamente, com tanta poupança feita nas provas europeias, não se percebem as razões para a quebra de rendimento dos leões, sobretudo no plano ofensivo – três jogos a zero nos últimos cinco – levando a que as opções feitas na gestão do grupo e na sua recomposição no mercado de Janeiro devam ser avaliadas. O campeonato não ficou resolvido, mas teve mudança de favorito. Ao ganhar em Alvalade, ficando na frente e tendo o calendário mais fácil até final, o Benfica passou a ser a aposta mais segura para a conquista do título. Enquanto o Sporting ainda tem de se deslocar ao Dragão e a Braga (terceiro e quarto classificados) e, mais atrás na classificação, além do jogo com os leões, o FC Porto tem também deslocações complicadas pela frente, a Setúbal, Paços de Ferreira ou Vila do Conde, o Benfica joga cinco vezes em casa e, nas saídas, só Marítimo e Rio Ave parecem poder tirar-lhe pontos. O Sporting manteve a vantagem no confronto direto e provavelmente até poderá fazê-la valer… se ganhar todos os seus jogos. Mas para isso, Jesus, precisa de fazer valer o palmarés, de provar que não é um qualquer Brian, a cantar “Always looking on the bright side of life” enquanto os seus objetivos se esfumam.
2016-03-07
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Jonas obteve, na vitória do Benfica frente ao U. Madeira (2-0) o 10º bis da época, depois de já ter marcado por duas vezes nos jogos com Estoril (4-0), Belenenses (6-0), Paços de Ferreira (3-0), Académica (3-0), Rio Ave (3-1), Marítimo (6-0), Moreirense (4-1) e Belenenses (5-0). Para se chegar aos dez jogos é preciso juntar um hat-trick, ao Nacional (4-1).   Com os dois golos ao U. Madeira, o brasileiro voltou a colocar-se no primeiro lugar da corrida à Bota de Ouro de 2016. Soma 26 golos no campeonato, prova onde marcou a todas as equipas menos cinco: Sporting, FC Porto, Sp. Braga, V. Guimarães e Boavista. Destas cinco, conseguiu na época passada marcar a Sp. Braga, V. Guimarães e Boavista, o que significa que em Portugal só Sporting e FC Porto não sabem ainda o que é sofrer um golo de Jonas.   Jonas soma estes 26 golos em 24 jornadas, produção muito melhor que a da época passada, na qual, é verdade, só começou a jogar à 7ª ronda. À 24ª jornada, Jonas tinha no ano passado apenas nove golos, tendo depois feito mais onze nas dez partidas que restaram até final da época. Há 14 anos que nenhum jogador tinha tantos golos marcados à 24ª jornada da Liga portuguesa. O último foi Jardel, que em 2001/02 chegou a este ponto com 28 golos marcados.   Além disso, Jonas igualou o melhor marcador do Benfica num campeonato deste século, que foi Oscar Cardozo, autor de 26 golos nas 30 rondas de 2009/10. Basta-lhe fazer mais um para se isolar nesta tabela e continuar a perseguir Mats Magnusson, que acabou as 34 jornadas de 1989/90 com 33 golos.   Contabilizando todas as provas, Jonas marcou golos pela terceira partida consecutiva, depois de já ter feito o golo da vitória sobre o Zenit (1-0) e de ter marcado um na vitória em Paços de Ferreira (3-1). Foi a primeira vez que o brasileiro marcou em três jogos consecutivos nesta época, sendo que na anterior tem duas séries de quatro jogos seguidos a marcar.   Quem ficou em branco foi o grego Mitroglou, que assim parou a sua série de jornadas de Liga sempre a marcar nas sete. Tinha marcado ao Nacional (4-1), ao Estoril (2-1), ao Arouca (3-1), ao Moreirense (4-1), ao Belenenses (5-0), ao FC Porto (2-1) e ao Paços de Ferreira (3-1), antes de voltar aos zeros frente ao U. Madeira. Igualou um registo que ninguém conseguia obter desde Jackson Martínez, que marcou sempre entre a segunda e a oitava jornada de 2012/13.   Vinte jogos depois, Renato Sanches falhou um jogo do Benfica. Rui Vitória poupou o médio, que tem quatro amarelos na Liga e por isso corria o risco de ficar suspenso para o jogo com o Sporting, na 25ª jornada. Renato vinha com 20 jogos seguidos sempre a jogar, 18 como titular e dois como suplente utilizado (ambos na Taça da Liga), sendo que não ficava a ver os companheiros jogar precisamente desde a última visita a Alvalade, a derrota (1-2, após prolongamento) para a Taça de Portugal.   O U. Madeira somou a terceira derrota consecutiva fora de casa, depois de perder em Guimarães (1-3 com o Vitória) e em Arouca (0-3). Nas últimas sete deslocações, perdeu seis: todas menos o jogo com o Marítimo, que ganhou por 1-0, mas para o qual não teve de sair da Madeira.   Ganhando ao U. Madeira, o Benfica chega à 24ª jornada com 58 pontos, menos quatro do que na época passada com igual número de partidas jogadas. Apesar de estar apenas a um ponto da liderança, é o Benfica com menos pontos desde 2011/12, quando chegou à 24ª ronda com 56 pontos, a dois do líder, que era o Sp. Braga – e acabou a Liga em segundo lugar, com 69, a seis do FC Porto. Não se vê um campeão com tão poucos pontos desde essa mesma época, pois o FC Porto, que acabou na frente, com 75 pontos, tinha apenas 57 à 24ª jornada.   Os dois golos que os encrnados marcaram ao U. Madeira chegam para que a equipa de Rui Vitória se mantenha como melhor ataque da competição, com 65 golos marcados, mas 16 do que o segundo melhor ataque, que é o do Sporting (tem 49). Mas já deixou de ser preciso ir tão atrás para se encontrar um Benfica tão concretizador como este: esta equipa tem mais cinco golos do que na época passada (somava 60 à 24ª jornada), mas menos um do que em 2012/13 (estava nos 66 após 24 jogos).
2016-03-01
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Kostas Mitroglou marcou, na vitória do Benfica sobre o Paços de Ferreira (3-1), pela sétima jornada consecutiva da Liga. Já tinha feito golos nas partidas frente ao Nacional (4-1), Estoril (2-1), Arouca (3-1), Moreirense (4-1), Belenenses (5-0) e FC Porto (1-2), pelo que o golo inaugural da partida em Paços de Ferreira significou que melhorou o máximo (que já lhe pertencia) na Liga de 2015/16, igualando um registo que ninguém obtinha desde Jackson Martínez. O colombiano do FC Porto tinha feito oito golos em sete jogos seguidos, entre a 2ª e a 8ª jornadas da Liga de 2012/13.   O Benfica obteve a oitava vitória seguida fora de casa, pois ganhou todas as deslocações (em todas as provas) desde o empate a zero na Choupana, contra o U. Madeira, a 15 de Dezembro. Pelo caminho ficaram V. Guimarães (1-0), Nacional (4-1), Estoril (2-1), Oriental (1-0), Moreirense (6-1 e 4-1) e Belenenses (5-0). Os encarnados não conseguiam uma série de deslocações tão boa desde 2010/11, quando ganharam nove deslocações consecutivas após a derrota frente ao Hapoel Tel-Aviv (3-0): 3-1 ao Beira Mar, 3-0 à U. Leiria, 1-0 à Académica, 2-0 ao Rio Ave, 4-0 ao Aves, 2-0 ao FC Porto, 2-0 ao V. Setúbal, 2-0 ao Sporting e 2-0 ao Stuttgart. Essa série foi interrompida a 6 de Março de 2011, com uma derrota em Braga, por 2-1.   O Paços de Ferreira, por sua vez, vem com oito jogos seguidos sem ganhar, quatro deles em casa. A última vitória da equipa de Jorge Simão aconteceu a 11 de Janeiro, frente ao V. Setúbal, por 2-1. Desde aí, empatou fora com Académica e Arouca (ambos 1-1), perdeu em casa com o Sporting (1-3) e o Portimonense (2-3), empatou fora com o Arouca (2-2), perdeu em casa com o Boavista (1-0), empatou no terreno do Rio Ave (1-1) e foi agora batido pelo Benfica (1-3). É a pior sequência de resultados do Paços desde os nove jogos seguidos sem ganhar, entre o 1-0 ao Belenenses (a 24 de Novembro de 2013) e o 2-1 ao Sp. Covilhã (a 15 de Janeiro de 2014).   Jonas fez o 50º jogo na Liga portuguesa e assinalou-o com um golo (o seu 44º na prova) de penalti. Foi o sexto penalti de que o Benfica beneficiou na presente Liga, o que deixa os encarnados apenas atrás dos dez de Paços de Ferreira e Sporting. Em contrapartida, os leões já tiveram quatro contra, os pacenses sofreram neste jogo o segundo e os encarnados ainda não foram punidos com nenhum.   O golão de Diogo Jota foi o nono que o jovem pacense fez esta época (sétimo na Liga), mas apenas o terceiro nos jogos em casa. Antes, Jota só tinha marcado no Capital do Móvel a Estoril e U. Madeira, em dois jogos que o Paços de Ferreira tinha ganho. Aliás, dos 13 golos que Jota já marcou como sénior, este foi o primeiro que não impediu a derrota do Paços. Até aqui, sempre que ele marcou, o Paços de Ferreira só não tinha ganho um jogo: o empate a uma bola com a Académica.   LIndelof fez o seu primeiro golo pelo Benfica – já tinha marcado na equipa B – e na Liga. O último golo do sueco tinha sido a 10 de Abril de 2015, num empate a duas bolas entre o Benfica B e o Chaves.   O Benfica continua a ter o ataque mais realizador da Liga, agora com 63 golos em 23 jornadas. É a maior produtividade atacante de uma equipa do Benfica no campeonato desde 1983/84, quando a formação liderada por Sven-Goran Eriksson chegou à 23ª jornada com mais nove golos: 72. Nessa época, o Benfica foi campeão, com 86 golos em 30 jornadas.   Com a vitória, o Benfica passa a somar 55 pontos, o pior pecúlio dos encarnados em 23 jornadas desde 2010/11, o ano de ressaca do primeiro título nacional com Jesus. Nessa época, em que o campeão foi o FC Porto de Villas-Boas, o Benfica somava 52 pontos à 23ª jornada. Desde aí, tinha estes mesmos 55 em 2011/12 (FC Porto foi bicampeão), 61 em 2012/13 (FC Porto foi tricampeão), 58 em 2013/14 (campeonato para o Benfica) e 59 na época passada (a do bicampeonato).   Eliseu fez o seu 100º jogo na Liga, o 48º com a camisola do Benfica – sendo que os outros 52 foram ao serviço do Belenenses, equipa pela qual se estreou, lançado por Manuel José, a 1 de Junho de 2003. Viu o quinto cartão amarelo da presente Liga, o que teve como consequência que estará suspenso na partida que aí vem, frente ao U. Madeira, mas limpa o cadastro e poderá estar no jogo com o Sporting.
2016-02-21
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Último Passe

Um Benfica menos intenso do que o habitual, possivelmente por força do desgaste do jogo de terça-feira, contra o Zenit, bastou ainda assim para ganhar em Paços de Ferreira por 3-1, resultado que lhe permite voltar a colar-se ao Sporting no topo da tabela da Liga e sentar-se no cadeirão a ver os rivais jogar. Os pacenses, que encararam o jogo com os bicampeões nacionais com dez ausentes, até se saíram melhor do que seria de esperar, sobretudo do ponto de vista ofensivo: dividiram o jogo até ao terceiro golo encarnado, abrindo brechas frequentes na organização defensiva de Rui Vitória. Sem Gaitán, Vitória chamou Carcela ao jogo, e o marroquino voltou a ser útil, fazendo logo aos 13’ a assistência para o golo com que Mitroglou confirmou a sétima jornada seguida a marcar. O facto de o golo ter aparecido na primeira vez que o Benfica entrou na área do Paços, somado às difíceis circunstâncias em que os donos da casa encararam a partida, com tanta gente impedida de alinhar, pareciam fazer adivinhar um passeio benfiquista na capital do móvel, mas foi aí que a equipa de Jorge Simão mostrou qualidade. É verdade que para isso pode ter contribuído alguma macieza do Benfica no jogo, mas Andrezinho, Edson e Diogo Jota conseguiam encontrar-se uns aos outros com muita frequência no meio-campo encarnado, assinando combinações ofensivas que demonstravam que o resultado não estava ainda feito. Um lance genial de Jota, a driblar Eliseu e Lindelof antes de cobrir Júlio César com um remate de fora da área, fez o empate, dez minutos depois, e deu um sinal concreto daquilo que já se adivinhava. Sucede que a qualidade do jogo ofensivo pacense não tinha correspondência no rigor da sua zona defensiva. Lindelof esteve à beira do 1-2, num canto em que ninguém o estorvou, mesmo antes do intervalo. E, antes de as equipas irem para o descanso, Jonas fez mesmo o golo, na conversão de uma grande penalidade que deixou o treinador da equipa da casa tão enervado a ponto de tirar o casaco. Ao Paços, aí, sobrou a ideia de que tinha de subir outra vez uma ladeira que já tinha subido para recuperar no placar. E o Benfica entrou mais forte após o intervalo: Pizzi deu mais ao jogo, ajudando Renato e Samaris na batalha pela zona central. O transmontano acabou mesmo por estar na origem do 1-3, que matou o jogo: bateu um livre lateral e viu Jardel ganhar no ar entre Marco Baixinho e Bruno Araújo, acorrendo Lindelof a finalizar a sobra. A ladeira, que já era íngreme com 1-2, tornou-se intransponível ao 1-3. É verdade que um golo podia acordar o Paços de Ferreira no jogo, mas mesmo gerindo o plantel – entraram Salvio e Nelson Semedo, ambos à procura de ritmo – Rui Vitória viu o Benfica controlar até final. Consumada nova igualdade pontual com o Sporting, que só joga na segunda-feira e tem depois a Europa a atrapalhar a meio da semana, pode sentar-se calmamente a ver se os adversários escorregam.
2016-02-20
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Kostas Mitroglou marcou golos nas últimas seis jornadas da Liga, o que é um recorde desta época e a melhor marca da Liga portuguesa desde 2012/13, época em que o portista Jackson Martínez chegou às sete rondas seguidas a marcar. Se marcar ao Paços de Ferreira, o grego pode igualá-lo, bem como a Óscar Cardozo, que tinha sido o último a marcar em sete jornadas seguidas com a camisola do Benfica, em 2011/12. Na verdade, há 15 anos que ninguém consegue melhor – o último a chegar às oito jornadas seguidas a marcar foi Pena, em 2000/01. Mitroglou começou a saga na 17ª jornada, entrando a 18 minutos do fim para fazer um golo na vitória do Benfica por 4-1. Na 18ª já subiu ao relvado logo no início da segunda parte, participando igualmente com um golo na vitória encarnada sobre o Estoril (2-1). Na 19ª ronda já foi titular, marcando mais um golo nos 3-1 em casa ao Arouca. Depois disso, voltou a ser titular e a fazer um golo nos 4-1 com que o Benfica ganhou fora de casa ao Moreirense, na 20ª jornada. O hat-trick que conseguiu marcar ao Belenenses, nos 5-0 com que os encarnados venceram no Restelo, na 21ª jornada, aumentou a série de jogos a marcar para cinco, sendo os seis atingidos com o golo ao FC Porto, ainda que na derrota do Benfica (1-2), na Luz. Ao marcar em seis jornadas seguidas, Mitroglou estabeleceu um novo recorde da presente edição da Liga, na qual o máximo anterior pertencia ao sportinguista Slimani, que marcara em cinco rondas consecutivas. E tem agora a hipótese de chegar a uma série goleadora que ninguém obtinha desde 2012/13, quando o portista Jackson Martínez marcou oito golos em sete jogos, entre as jornadas 2 e 8 da Liga. Ficou em branco ao oitavo jogo, uma vitória do FC Porto frente à Académica (2-1). Aliás, a maldição do oitavo jogo tem atacado todos os grandes goleadores do campeonato português. O zero no jogo oito da sequência já afetou Cardozo em 2011/12 (oito golos em sete jogos, entre as jornadas 12 e 18, e depois nenhum na derrota do Benfica em Guimarães, à 19ª), Lima na mesma época (dez golos em sete jogos, entre a 18ª e a 24ª jornada, e depois nenhum na derrota do Sp. Braga na Luz, à 25ª), Jardel em 2001/02 (onze golos em sete jogos entre as jornadas 10 e 16 e depois nenhum na vitória do Sporting em Aveiro frente ao Beira Mar, na 17ª) e Derlei nessa mesma época (dez golos em sete jogos, entre a 14ª e a 20ª jornada, e depois nenhum na 21ª, na derrota da U. Leiria frente ao Sporting). O último a conseguir marcar em oito jornadas seguidas na Liga portuguesa foi, assim, o brasileiro Pena, que o FC Porto contratou em 2000, depois de transferir Jardel para o Galatasaray. Pena, aliás, não parou sequer ao nono jogo: teve uma entrada de rompante no futebol português, estreando-se à terceira jornada com um bis ao Paços de Ferreira, e foi marcando sempre até à 11ª. Nesses nove jogos seguidos fez 13 golos, ficando pela primeira vez em branco na vitória do FC Porto no terreno do Desp. Aves, por 1-0, a 19 de Novembro de 2000. Até final da época só fez mais nove golos, mas o acumulado permitiu-lhe ser o melhor marcador da Liga.   Jorge Simão, jovem treinador do Paços de Ferreira, nunca pontuou frente ao Benfica. Quando ainda comandava o Belenenses, perdeu com os encarnados em casa, por 2-0, na Liga passada. E esta época já levou o Paços a ser batido na Luz, por 3-0. Dois aspetos em comum aos dois jogos: a equipa de Simão nunca fez um golo e em ambos Jonas bisou pelo Benfica.   Rui Vitória, por sua vez, tem história no Paços de Ferreira, equipa que comandou em 2010/11 e no início de 2011/12, quando foi chamado a orientar o V. Guimarães. Desde que saiu da Mata Real, ganhou apenas quatro dos nove jogos contra os pacenses, dois dos quais fora de casa, empatando três e perdendo dois. Em todos os jogos a equipa de Rui Vitória (oito vezes o V. Guimarães e uma vez o Benfica) marcou golos.   O Benfica vem com sete vitórias seguidas fora de casa, tendo ganho todas as deslocações (em todas as provas) desde o empate na Choupana com o U. Madeira, a 15 de Dezembro. Pelo caminho ficaram V. Guimarães (1-0), Nacional (4-1), Estoril (2-1), Oriental (1-0), Moreirense (6-1 e 4-1) e Belenenses (5-0).   O Paços de Ferreira, por sua vez, vem com sete jogos seguidos sem conhecer a vitória, três deles em casa. Desde que ganhou na Capital do Móvel ao V. Setúbal, por 2-1, a 11 de Janeiro, a equipa de Jorge Simão empatou fora com Académica e Arouca (ambos 1-1), perdeu em casa com Sporting (1-3) e Portimonense (2-3), empatou fora com o Arouca (2-2), perdeu em casa com o Boavista (1-0) e empatou no terreno do Rio Ave (1-1).   As três derrotas seguidas do Paços de Ferreira em casa (1-3 com o Sporting na Liga, 2-3 com o Portimonense na Taça da Liga e 0-1 com o Boavista na Liga) igualam a pior série da época passada. Na altura, a equipa pacense foi sucessivamente batida por Famalicão (1-2, na Taça de Portugal), Rio Ave (1-2, Liga) e Nacional (2-3, Liga) reagindo precisamente no jogo com o Benfica para a Liga, que ganhou por 1-0.   Fejsa jogou pela primeira vez com a camisola do Benfica contra o Paços de Ferreira. Foi a 14 de Setembro de 2013 que Jorge Jesus o lançou, ainda na primeira parte, no lugar de Ruben Amorim. O Benfica já ganhava por 2-0 e acabou por vencer esse jogo por 3-1. Se recuperasse de lesão a tempo de defrontar os pacenses, o sérvio poderia fazer contra o mesmo adversário a 50ª partida pelos encarnados.   Talisca já tinha jogado pelo Benfica na Supertaça, mas estreou-se na Liga a defrontar o Paços de Ferreira, em partida da primeira jornada da época passada, a 17 de Agosto de 2014. Foi titular na vitória por 2-0, tendo saído aos 74 minutos, já com o jogo muito bem encaminhado. Esse foi também o jogo de estreia na Liga portuguesa de Rafael Defendi, o guarda-redes brasileiro do Paços.   Bruno Moreira, avançado do Paços de Ferreira, já marcou esta época ao Sporting e ao FC Porto. Nos joros em que marcou aos grandes, porém, o Paços perdeu: 1-2 com o FC Porto no Dragão e 1-3 com o Sporting na Mata Real.   O Paços de Ferreira interrompeu a 26 de Janeiro do ano passado uma série de nove vitórias consecutivas do Benfica na Mata Real, ganhando aos encarnados por 1-0, com um golo de penalti de Sérgio Oliveira, no último minuto. Antes desse jogo, a última vez que o Benfica não tinha ganho ali fora em Setembro de 2006, quando as duas equipas empataram a uma bola, com um golo de Katsouranis para os lisboetas e outro de João Paulo, já nos descontos, para os donos da casa.   Entre esses dois jogos, o Paços de Ferreira ainda empatou uma vez na Luz, a uma bola, na meia-final da Taça de Portugal de 2012/13 (marcaram Cardozo e Cícero), mas tal aconteceu quando o Benfica já tinha vencido a primeira mão, no Estádio Capital do Móvel, por 2-0. A superioridade encarnada neste duelo é esmagadora nos últimos anos: o Benfica ganhou 18 dos últimos 20 jogos entre ambos, empatando um e perdendo outro.
2016-02-19
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A vitória por 2-1 na Luz significa que o FC Porto voltou a ganhar um clássico fora de casa, na Liga, quatro anos (e oito jogos) depois. A última vitória a contar para a Liga contra outro grande, em Lisboa, tinha sido a 2 de Março de 2012: 3-2 na Luz. Desde aí, empatou com o Benfica (2-2) e o Sporting (0-0) em 2012/13; perdeu na Luz (2-0) e em Alvalade (1-0) em 2013/14; voltou a empatar no terreno do Sporting (1-1) e do Benfica (0-0) em 2014/15; e já tinha perdido em Alvalade (2-0) esta época.   Aboubakar, autor do golo da vitória portista, chegou aos 16 golos na época, igualando a sua melhor marca numa temporada inteira, que foi atingida em 2013/14, quando marcou os mesmos 16 golos, mas em 36 jogos pelo Lorient. Desta vez atingiu-os em 31 jogos, tendo marcado onze na Liga, três na Liga dos Campeões, um na Taça de Portugal e um na Taça da Liga.   José Peseiro ganhou pela primeira vez ao Benfica na Luz. Fê-lo à quinta visita – até aqui conseguira apenas dois empates – passando a partir de agora a ter saldo positivo nos confrontos com os encarnados. Ao todo, o treinador de Coruche soma quatro vitórias e três derrotas em dez jogos contra o Benfica.   Em contrapartida, Rui Vitória continua a ver no FC Porto a sua besta negra, pois nunca ganhou à equipa azul-e-branca. Vitória perdeu dez dos 14 jogos contra o FC Porto, ainda que um dos seus quatro empates tenha feito muito por torná-lo conhecido em Portugal: depois de empatar a zero, quando ainda liderava o Fátima, viu a sua equipa afastar o FC Porto da Taça da Liga no desempate por grandes penalidades.   Vitória continua avesso ao sucesso nos clássicos. Perdeu o quinto esta época: 0-1, 0-3 e 1-2 contra o Sporting; 0-1 e 1-2 com o FC Porto. Na Liga, Vitória segue com três derrotas em outros tantos clássicos, sendo que ainda lhe resta uma oportunidade para ganhar um, quando visitar o Sporting, em Março. Ora o Benfica foi campeão na época passada ganhando apenas um clássico: 2-0 frente ao FC Porto no Dragão.   Mesmo que não vença nesse jogo, Vitória pode ficar descansado, pois a história mostra que é possível ser campeão sem vitórias nos clássicos. Mas é preciso recuar muito tempo: o último campeão sem vitórias nos quatro clássicos da época foi precisamente o Benfica, mas há quase 50 anos. Foi em 1968/69 que a equipa de Otto Glória acabou a Liga na frente, com dois pontos de avanço sobre o FC Porto, tendo empatado (0-0) e perdido (1-0) com os dragões e empatado ambos os jogos com o Sporting (sempre 0-0).   Mais complicado é encontrar um campeão sem pontuar nos quatro clássicos. Na verdade nunca aconteceu. E só houve mais uma equipa a vencer a Liga sem ganhar um clássico: foi o Benfica de 1963/64, que também foi campeão sem ganhar um único, mas tirou deles três empates. Por isso, diz a história que em Alvalade, em Março, os encarnados têm de tirar pelo menos um empate.   Se não conseguir pontuar nesse jogo de Alvalade, o Benfica enfrentará a primeira época sem pontos nos clássicos desde 1939/40. Nessa época, a equipa de Janos Biri perdeu duas vezes com o FC Porto (2-3 em casa e 2-4 fora) e outras tantas com o Sporting (sempre 1-3, tanto em casa como fora). O FC Porto de Mihaly Siska ganhou esse campeonato.   Mitroglou marcou pela sexta jornada consecutiva da Liga, depois de já ter feito golos ao Nacional (4-1), Estoril (2-1), Arouca (3-1), Moreirense (4-1) e Belenenses (5-0). Superou Slimani, que estivera cinco jornadas seguidas a marcar, e passou a deter o melhor registo de golos em jornadas seguidas desta Liga. Desde o período entre Dezembro de 2011 e Fevereiro de 2012 que nenhum jogador do Benfica marcava em seis jornadas seguidas. O último a fazê-lo foi Cardozo, que não se ficou por aí e estendeu a série a uma sétima ronda.   O Benfica viu a série de vitórias consecutivas que trazia interrompida nas onze, caindo ao 12º jogo. Na Liga, conseguiu oito vitórias seguidas desde o empate contra o U. Madeira (0-0), quedando-se a uma da melhor série da época passada.   Foi a oitava derrota do Benfica esta época e a segunda com o FC Porto. Os encarnados somam ainda mais três com o Sporting, uma com o Arouca, uma com o Atlético Madrid e outra com o Galatasaray. Nestas oito derrotas, o Benfica marcou primeiro em três: além desta, há ainda mais duas por 2-1, de virada, contra o Sporting e o Galatasaray. Na Liga, foi a primeira derrota do Benfica com virada no marcador desde que foi batido pelo Rio Ave (também 2-1), em Março do ano passado.   Foi, por outro lado, a terceira vitória de virada do FC Porto esta época, depois de já ter conseguido inverter os resultados dos jogos com o Paços de Ferreira (de 0-1 para 2-1) e com o Estoril (de 0-1 para 3-1). Duas destas três reviravoltas aconteceram já com José Peseiro ao leme.   Layun fez mais uma assistência, ao pertencer-lhe o passe para o golo de Herrera. Foi o 14º passe de golo do lateral mexicano nesta Liga, o que faz dele o melhor assistente da prova, a larga distância dos segundos, que são os benfiquistas Jonas e Gaitán, com nove.
2016-02-14
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Último Passe

Um super-Iker Casillas foi o suporte principal de uma exibição personalizada do FC Porto, a ganhar por 2-1 ao Benfica na Luz e a manter-se vivo na luta pelo título, pois dista agora três pontos dos dois primeiros – ainda que o Sporting tenha um jogo a menos. A história do jogo, no entanto, não se resume às três ou quatro grandes defesas do guarda-redes espanhol ou à noite perdulária dos avançados encarnados, que em outras jornadas têm sido um exemplo de eficácia. Houve na vitória portista dedo do treinador, nomeadamente na forma como José Peseiro levou o FC Porto a explorar a incapacidade do Benfica para controlar a largura do ponto de vista defensivo. A primeira aposta de Peseiro, contudo, falhou. O FC Porto tentou surpreender com Brahimi ao meio e André sobre um dos corredores laterais, no 4x2x3x1 habitual, mas a troca não trouxe nada de positivo ao jogo portista. Por essa altura, os dragões até tinham mais bola, mas revelavam aquele que é um dos defeitos habituais nas equipas de Peseiro: deficiente transição defensiva, a permitir saídas rápidas e perigosas ao Benfica. Rui Vitória apresentou a equipa habitual, com Renato Sanches eufórico de energia e contagiante sempre que a equipa tinha a bola, e teve a primeira ocasião de golo, por Pizzi, na sequência de um contra-ataque originado numa perda de bola de Aboubakar na área de Júlio César. O golo de Mitroglou, nascido de uma insistência de Renato, não trouxe grandes mudanças ao jogo, pois o FC Porto continuava a precisar de arriscar: expunha-se a atacar, mas quando em posse fazia valer a superioridade numérica a meio-campo para explorar a dificuldade benfiquista no controlo da largura defensiva. Porque o Benfica pressionava num primeiro momento, mas assim que a primeira pressão era ultrapassada dava espaço aos médios dos dragões para lançar os extremos, sobretudo Brahimi, que por essa altura já andava pela esquerda. Um momento de hesitação de Pizzi, apanhando em terra de ninguém, entre apoiar André Almeida na contenção a Layun e controlar Herrera, deu o golo do empate ao FC Porto, marcado pelo médio mexicano num remate muito colocado, ainda na primeira parte. E depois entrou em campo Casillas. Ainda na primeira parte, o espanhol fez uma defesa monumental, a impedir Jonas de desempatar. Depois do intervalo, roubou o golo a Gaitán, em mais um contra-ataque velocíssimo, após um canto a favo do FC Porto. Pelo meio, Mitroglou e Samaris também falharam o 2-1, em boa posição para o fazer. E Aboubakar, que também tinha já desperdiçado uma boa chance de golo, marcou na outra baliza, aproveitando uma boa combinação entre Brahimi e André André. Com o golo do camaronês, aí sim, o jogo mudou. Porque o FC Porto baixou o bloco e deixou de se expor tanto. O Benfica teve então de enfrentar um jogo diferente, face a um adversário defensivamente organizado. Mesmo assim, Casillas ainda brilhou por mais duas vezes, evitando um autogolo de Martins-Indi e opondo-se a uma finalização de Mitroglou para assegurar que os três pontos iam para Norte. Com este resultado, Rui Vitória enfrenta agora um novo desafio. Continua à frente do FC Porto, mas pode ver o Sporting fugir de novo e, sobretudo, precisa de gerir o esvaziar do balão da euforia que as onze vitórias seguidas vinham enchendo e de convencer os seus jogadores de que é capaz de os levar a ganhar um clássico: até aqui, são cinco derrotas em cinco jogos. Do outro lado, José Peseiro marca posição. O que se viu foi um FC Porto mais forte do que ultimamente, perfeitamente dentro das contas do título, pois está a três pontos do Benfica – que ainda tem de ir a Alvalade – e do Sporting – que tem um jogo a menos mas irá ao Dragão na antepenúltima jornada.
2016-02-12
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Há 22 anos que o FC Porto não ia jogar à Luz a uma tão grande distância do rival. Os dragões de José Peseiro deslocam-se a Lisboa para se manterem vivos na luta pelo título, o que pressupõe uma vitória ou pelo menos um empate e uma grande dose de fé, pois estão a seis pontos do Benfica na tabela. A última vez que entraram na Luz tão longe do rival foi em Fevereiro de 1994, quando a equipa que há pouco tempo era liderada por um treinador que tinha passado com ligações ao Sporting – Bobby Robson – chegou à Luz, em partida da 18ª jornada do campeonato, e deitou tudo a perder com uma derrota por 2-0. Foi o famoso jogo da expulsão de Fernando Couto, por agressão a Mozer, que levou Robson no final a criticar duramente o central, dizendo: “Benfica 2, Couto 0”. No fim da época, o Benfica foi campeão, não sem antes ganhar o dérbi de Alvalade ao Sporting, com o fim de tarde mágico de João Pinto a refletir-se nos 6-3 finais. Nesse Fevereiro de 1994, à entrada para o clássico entre Benfica e FC Porto, os encarnados somavam 28 pontos e os portistas tinham 24. A vitória, no entanto, ainda valia apenas dois pontos, pelo que convertendo as pontuações para a realidade atual veríamos o Benfica com 40 pontos e o FC Porto com 33. Ao contrário de José Peseiro, Bobby Robson fazia naquela noite a estreia como treinador do FC Porto no campeonato, embora já tivesse liderado a equipa numa vitória frente ao Salgueiros na Taça de Portugal. A vitória do Benfica por 2-0, com golos de Ailton (aos 37’) e Rui Costa (aos 55’), distanciou ainda mais os encarnados dos azuis e brancos. O Benfica de Toni seguia nessa altura com três pontos de vantagem sobre o Sporting, que era segundo colocado. Haveria de deixar essa vantagem esfumar-se, mas conseguiu ser campeão graças aos 6-3 no dérbi de Lisboa. Com uma boa ponta final, associada à descrença do Sporting após ser goleado no dérbi, o FC Porto ainda foi segundo classificado, a dois pontos do Benfica – ainda que pelas atuais regras de pontuação essa desvantagem passasse para quatro pontos. Depois desse clássico de Fevereiro de 1994, o FC Porto voltou à Luz para mais 21 jogos a contar para a Liga, mas em nenhum entrou tão atrás do rival. Aliás, em 16 desses 21 jogos entrou mesmo em campo na frente do Benfica, e em alguns casos com vantagem confortabilíssima: 16 pontos em 1995/96, 13 em 2010/11 ou 12 em 1997/98, por exemplo. A maior vantagem que o Benfica teve desde então por ocasião do clássico jogado em sua casa foram os quatro pontos da louca época de 2004/05: os encarnados perderam o jogo, por 1-0, vendo a vantagem diminuir, mas acabaram na mesma por ser campeões no final da época, ultrapassando o Sporting na penúltima jornada, com um golo de Luisão no dérbi (1-0).   - Rui Vitória e José Peseiro chegaram a defrontar-se em campo, quando ambos eram jogadores de III Divisão, mas como treinadores só estiveram frente a frente quatro vezes, em 2012/13, com Vitória no V. Guimarães e Peseiro no Sp. Braga. Peseiro levou a melhor nos dois jogos da Liga (2-0 em Guimarães e 3-2 em Braga), empatou no reduto do adversário (0-0) a caminho da vitória bracarense na Taça da Liga e perdeu (após prolongamento) em Guimarães (2-1), na Taça de Portugal, que acabou por sorrir no final aos vimaranenses.   - Rui Vitória nunca ganhou ao FC Porto, ainda que tenha sido à conta de uma eliminação da equipa portista que o seu nome saltou para a ribalta do futebol português. Foi a 26 de Setembro de 2007, quando o seu Fátima eliminou os dragões da Taça da Liga, com um empate a zero que foi depois transformado em sucesso no desempate por grandes penalidades. Ao todo, em 13 jogos contra os dragões, perdeu nove e empatou quatro.   - Em contrapartida, José Peseiro tem um saldo equilibrado com o Benfica, pois ganhou três e perdeu três dos nove jogos que fez com os encarnados. As vitórias, porém, foram sempre obtidas em casa: 1-0 com o Nacional em 2002/03, 2-1 com o Sporting em 2004/05 e 2005/06. Na Luz, o melhor que conseguiu foram dois empates em quatro jogos, tendo um deles redundado na eliminação do seu Sporting da Taça de Portugal nas grandes penalidades. As mesmas grandes penalidades que, quando estava no Sp. Braga, lhe permitiram transformar um empate em passagem à final da Taça da Liga.   - Mitroglou marcou golos nas últimas cinco jornadas do campeonato, pois esteve entre os goleadores benfiquistas nas vitórias contra o Nacional (4-1), Estoril (2-1), Arouca (3-1), Moreirense (4-1) e Belenenses (5-0). Já igualou a melhor série de jogos a marcar esta época, que era pertença do sportinguista Slimani, também com cinco jornadas seguidas entre os goleadores. Mas se marcar ao FC Porto torna-se o primeiro a marcar em seis rondas consecutivas. No Benfica, ninguém marca golos em mais de cinco jornadas seguidas desde que Cardozo esteve entre os goleadores durante sete partidas de enfiada, entre Dezembro de 2011 e Fevereiro de 2012.   - O Benfica vem numa série de onze vitórias seguidas, contabilizando todas as competições. Os encarnados ganharam todos os desafios desde o empate a zero com o U. Madeira, a 15 de Dezembro. É a melhor série de resultados sucessivos do Benfica desde que obteve 18 vitórias seguidas, em 2010/11.   - Se contabilizarmos apenas os jogos da Liga, então o Benfica traz oito vitórias seguidas, ainda a uma da melhor série da época passada, que foram os nove sucessos seguidos entre a derrota em Braga (1-2, na oitava jornada, a 26 de Outubro) e a derrota em Paços de Ferreira (0-1, na 18ª ronda, a 26 de Fevereiro). Ao mesmo tempo, o Benfica não perde na Liga desde 25 de Outubro, quando foi batido pelo Sporting (0-3, na oitava jornada). São 14 jornadas sem derrota, a série mais longa desde as 28 partidas sem ser batido entre a primeira e a última ronda de 2013/14.   - O FC Porto, por sua vez, vem numa série particularmente negativa, pois perdeu quatro dos últimos sete jogos (V. Guimarães, Famalicão, Feirense e Arouca). Não se coloca sequer aquela teoria segundo a qual é raro os dragões perderem duas vezes seguidas, porque só esta época isso já lhes aconteceu duas vezes: em Dezembro e Janeiro foi o 1-3 com o Marítimo para a Taça da Liga e o 0-2 com o Sporting para o campeonato; mais tarde, em Janeiro, duas vezes 0-1, com o V. Guimarães na Liga e o Famalicão na Taça da Liga.   - Raro, no entanto, será ver o FC Porto perder duas jornadas seguidas na Liga. Tal não lhe acontece desde Outubro e Novembro de 2008, quando a equipa de Jesualdo Ferreira perdeu em casa com o Leixões (3-2) e fora com a Naval (1-0).   - O Benfica não fez golos ao FC Porto nos dois últimos confrontos entre as duas equipas: a derrota por 1-0 no Dragão, na primeira volta do atual campeonato, e o empate sem golos na Luz com que assegurou que mantinha o adversário a três pontos de distância, na ponta final da época passada. Os últimos golos benfiquistas ao FC Porto foram de Lima, no Dragão, em Dezembro de 2014, a valer uma vitória encarnada por 2-0.   - Em contrapartida, o FC Porto não marca na Luz para o campeonato desde Janeiro de 2013, quando ali foi empatar a duas bolas e se manteve com os mesmos pontos do adversário na frente da Liga. Mangala e Jackson Martínez foram os autores dos golos portistas nessa noite, tendo Matic e Gaitán marcado para o Benfica. Depois disso, o FC Poto já ali perdeu por 2-0 (2013/14) e empatou a zero (2014/15).   - O Benfica não ganha um clássico a nenhum dos outros grandes desde esse jogo em Dezembro de 2014 que venceu no Dragão por 2-0. Depois disso, ainda em 2014/15, empatou a uma bola com o Sporting em Alvalade e a zeros com o FC Porto na Luz. Já esta época, perdeu três vezes com o Sporting (1-0 na Supertaça, 3-0 na Liga e 2-1 na Taça de Portugal) e uma com o FC Porto (1-0 no Dragão).
2016-02-11
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O Benfica soma golos em cima de golos e Rui Vitória começa a convencer aqueles que dele tanto duvidavam. As reações têm sido múltiplas, entre os que dizem que os verdadeiros testes vão chegar agora, os que atribuem a melhoria à capacidade individual e à criatividade de três ou quatro jogadores muito acima da média e os que dizem que há muto trabalho do treinador na forma como a equipa subiu de rendimento. Todos têm razão. Porque este Benfica não descolou enquanto Rui Vitória não largou o ideário dos últimos anos e isso levou tempo, mas nunca conseguiria fazê-lo sem a capacidade individual dos seus melhores jogadores e, sim, faltam os testes a sério. Porque se já se sabe que este Benfica é capaz de ser muito forte com os mais fracos, ainda não se percebeu se sabe ser igualmente forte com aqueles que estão ao seu nível. Aquilo que se vê neste momento do Benfica é um futebol ofensivo avassalador, muito por culpa da criatividade e da tomada de decisão de Jonas, Gaitán e Pizzi, da presença na área que é assegurada por Mitroglou, das acelerações dadas ao jogo por Carcela e da dinâmica imprimida no transporte de bola por Renato Sanches. Tudo individualidades, ainda que, com exceção de Carcela e Sanches, que eram preteridos em favor de Gonçalo Guedes e da acumulação de Samaris com Fejsa, todos lá estivessem no penoso início de época em que o Benfica perdia tanto como ganhava. Ora é aí que entra o trabalho do treinador. Porque este Benfica comporta-se agora de forma muito diferente do que fazia nesse início de época. O Benfica de agora joga muito mais curto, com linhas mais próximas e sem a obsessão pela largura que revelava há uns meses, dessa forma favorecendo as coberturas e aumentando a possibilidade de tabelas. E ainda que o comportamento de Renato Sanches, que é ofensivamente tão vistoso, deixe muito a desejar quando a equipa perde a bola – seja porque está geralmente fora do sítio em transição defensiva ou porque ainda percebe mal as necessidades da equipa em organização defensiva – torna a equipa muito menos vulnerável aos ataques lançados pelos adversários. Por que é que isto levou tanto tempo a engendrar? Difícil responder. Mas aquilo que o Benfica vem fazendo permite ter teorias. Primeira de todas: as equipas levam tempo a construir. É que o maior problema do Benfica era, simultaneamente, a sua maior vantagem: a herança de seis anos de trabalho com Jesus. Na Supertaça, contra o Sporting, Jesus jogou bem mentalmente e, com o que disse, obrigou Vitória a abdicar dos suportes dessa herança, obrigou-o a mudar quando ainda era demasiado cedo para o fazer. Mas Vitória, que teve uma pré-época catastrófica por força daquilo que o Benfica quis lucrar na digressão à América do Norte, também terá evoluído na sua forma de pensar. O que se viu no dérbi com o Sporting, na Luz, nesses 0-3 de que o Benfica saiu tão diminuído, foi uma equipa com ideias desajustadas ou pelo menos impraticáveis contra adversários do mesmo nível: largura total, muitos passes laterais a atravessar o corredor central sem cobertura defensiva, convidando o adversário à interceção e à transição. O Benfica de hoje já não é isso. Joga com linhas mais próximas e favorece a diagonal dos alas para o corredor central, onde funcionam como ponto de apoio para progressões trianguladas mais seguras. Trocou a largura e a vertigem por uma posse com cabeça. Chegará para ganhar ao FC Porto e inflar ainda mais o balão da expectativa benfiquista? Essa é a grande dúvida da semana que vai entrar. Porque, por exemplo, no jogo da Taça de Portugal em Alvalade, o novo Benfica não foi capaz de se impor a um adversário do mesmo nível, nem mesmo beneficiando de um golo a frio que podia ter encaminhado o jogo para um desfecho completamente diferente. A favor dos encarnados está o facto de também o FC Porto de Peseiro ser uma equipa em mudança de processos e por isso a precisar do tal tempo de que precisou o Benfica de Vitória. Ou o facto de o Zenit de André Villas-Boas estar a regressar das férias de Inverno e ainda sem o ritmo competitivo de que precisaria para dar uma resposta à altura. Certo é que a próxima semana e meia definirá muito do que vai ser esta época para o Benfica. In Diário de Notícias, 08.02.2016
2016-02-08
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Mitroglou fez três golos na vitória confortável do Benfica sobre o Belenenses (5-0), no Restelo, assegurando a quinta jornada consecutiva da Liga sempre a marcar, pois já tinha estado entre os goleadores benfiquistas frente ao Nacional (4-1), Estoril (2-1), Arouca (3-1) e Moreirense (4-1). Foi o segundo jogador a conseguir esta sequência na prova, igualando o sportinguista Slimani, que marcou sempre entre as jornadas 15 e 19. No Benfica, ninguém marcava em cinco jornadas consecutivas desde que Cardozo o fez entre a quinta e a nona jornada do campeonato de 2013/14.   - Além disso, este foi o primeiro hat-trick de Mitroglou desde 6 de Outubro de 2013, quando fez três golos na goleada do Olympiakos frente ao Veria (6-0), na sétima jornada da Liga grega. Nessa altura, aliás, Mitroglou conseguiu dois hat-tricks seguidos, pois quatro dias antes também tinha feito três golos nos 3-0 ao Anderlecht, na Liga dos Campeões.   - O segundo dos três golos de Mitroglou ao Belenenses – e o terceiro do Benfica – foi o 500º golo da atual edição da Liga portuguesa. O golo 500 apareceu ao 181º jogo, enquanto que na época passada forma precisos 202 jogos para que o então bracarense Salvador Agra o fizesse, na baliza do Rio Ave, à 23ª jornada.   - Os cinco golos marcados pelo Benfica significam que a equipa de Rui Vitória consolidou o lugar de melhor ataque da Liga, agora com 59 golos marcados em 21 jornadas. É preciso recuar 40 anos, até 1975/76, para ver um Benfica com tantos golos em igual número de jogos: em 1975/76, a equipa liderada por Mário Wilson tinha 61 tentos marcados à 21ª jornada, tendo acabado o campeonato na frente e com o melhor ataque, com 94 golos marcados em 30 jogos.   - Por sua vez, o Belenenses também segue cada vez mais destacado como defesa mais batida da Liga. São já 46 golos sofridos em 21 jogos, o pior registo parcial da equipa do Restelo em toda a história da competição.   - O Benfica conseguiu a 11ª vitória consecutiva, contando jogos de todas as competições. Os encarnados ganharam todos os desafios desde o empate a zero com o U. Madeira, a 15 de Dezembro. Desde 2011/12 que a equipa da Luz não ganhava onze jogos seguidos, sendo preciso recuar até 2010/11 para se encontrar uma sequência melhor. Essa ainda levará mais tempo a igualar, pois contou 18 vitórias consecutivas.   - O Belenenses-Benfica constituiu a primeira derrota do treinador espanhol Julio Velásquez no Restelo desde que foi chamado a substituir Ricardo Sá Pinto. E mesmo com um onze tão ofensivo como o que apresentou frente aos bicampeões nacionais não foi capaz de quebrar a malapata dos golos na baliza do Benfica: o Belenenses não marca ao Benfica desde Setembro de 2013 e, desde esse jogo, segue com um score parcial de 0-17.   - Miguel Rosa jogou pela 150ª vez com a camisola do Belenenses, defrontando o Benfica, clube que o formou. Nos 150 jogos de azul, marcou 40 golos.  
2016-02-06
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Último Passe

Não há muitas formas de iludir a questão: o Benfica está uma equipa fortíssima no ataque e não é por ter beneficiado de alguns erros defensivos do adversário que se explica que tenha sido capaz de golear o Belenenses pela segunda vez neste campeonato. Depois dos 6-0 da primeira volta, na Luz, hoje foram 5-0, a garantir a liderança isolada por mais tempo do que quando ganhou ao Estoril, há três jornadas, mas viu o Sporting reassenhorear-se do topo da tabela antes de ir dormir. Desta vez, a equipa de Rui Vitória pode saborear o primeiro lugar pelo menos até segunda-feira, quando os leões receberem o Rio Ave. E o mais importante, a uma semana do decisivo clássico com o FC Porto, é a qualidade ofensiva que a equipa está a demonstrar. Um hat-trick de Mitroglou e um bis de Jonas, os suspeitos do costume – os dois juntos têm 34 golos em 21 jornadas – poderiam levar a que se pense numa equipa que abusa da qualidade das suas individualidades, mas essa explicação, como a da evidente fragilidade defensiva deste Belenenses, são chão que já deu uvas. A verdade é que este Benfica está a meter combinações ofensivas vistosas no campo com uma rapidez de troca de bola e de posições que atrapalha qualquer defesa. Pizzi e Gaitán estão também numa forma extraordinária, Renato Sanches – que nem fez um grande jogo no Restelo – empurra o meio-campo para a frente e nem a ausência de Fejsa e Lisandro López veio abalar a segurança defensiva da equipa. Pelo menos contra um Belenenses demasiado macio e positivo para ser levado a sério num jogo em que Lindelof nem chegou a ser verdadeiramente testado. O Benfica poderia ter-se adiantado no marcador logo nos primeiros minutos, pois perdeu no arranque várias situações de golo cantado, mas à medida que o relógio avançava e o Belenenses se sentia mais confortável, poderia até pensar-se num jogo equilibrado. Mas um frango de Ventura, que não segurou um cabeceamento de Mitroglou, inclinou a balança a favor dos encarnados ainda antes do intervalo. E mais dois golos logo a abrir a segunda parte, por Jonas e outra vez pelo grego – que marcou pela quinta jornada consecutiva, igualando Slimani – acabaram de vez com a discussão em torno do resultado. Até final, a única dúvida era a de se saber por quantos golos iria o Benfica ganhar. Foram cinco, a confirmar a 11ª vitória seguida dos encarnados e a manter bem alta a média de golos das últimas partidas – 15 em três jogos –, lançando desde já o desafio ao FC Porto, que de hoje a uma semana visita a Luz. Aí, sim, o Benfica precisará de confirmar o estatuto de melhor ataque: um ataque que fez 59 golos em 21 jogos, mas que marcou apenas um em quatro partidas contra os dois rivais na corrida ao título.
2016-02-05
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Stats

Rui Vitória só perdeu duas vezes em oito jogos com o Belenenses, que enfrentou ao serviço de V. Guimarães (sete vezes) e Benfica (uma), e só uma delas aconteceu no Restelo, onde decorrerá o jogo da 21ª jornada. Uma vitória num palco onde tem sido genericamente feliz pode significar que o treinador do Benfica irá dormir na liderança isolada da Liga, ainda que à condição, pois o Sporting, o atual líder, que segue dois pontos à frente, só fará o seu jogo na segunda-feira. É uma experiência que Rui Vitória não conhece desde 19 de Setembro de 2014, quando o seu V. Guimarães abriu a quinta ronda do campeonato com um empate frente ao Paços de Ferreira e ficou no topo da tabela por um dia e meio, até ser de lá destronado pelo Benfica, que ganhou ao Moreirense (3-1) e se isolou na frente. Na verdade, desde que chegou à Luz, Vitória já terminou uma jornada em primeiro lugar, mas apenas por diferença de golos, pois conseguiu contra o Estoril o resultado mais amplo da primeira jornada. Pode agora repetir a sensação frente a um Belenenses que não só está ligado a uma das maiores vitórias do treinador ribatejano na I Divisão (os 6-0 da primeira volta, já aos comandos do Benfica), como foi o último obstáculo que ele derrubou antes de chegar com o V. Guimarães à final da Taça de Portugal: em 2012/13, ganhou no Restelo por 2-0 e no D. Afonso Henriques por 1-0, qualificando-se para o jogo do Jamor, onde venceu o Benfica, por 2-1. Além desses três resultados, o treinador encarnado tem ainda mais dois contra o Belenenses, ambos na época passada: 2-0 em Guimarães para a Taça da Liga e 3-0 no Restelo para o campeonato. Soma ainda um empate (0-0 em Guimarães, em Dezembro de 2013) e duas derrotas (3-1 no Restelo em Abril de 2014 e 1-0 em Guimarães, faz um ano na próxima segunda-feira). Além disso, o Restelo está na história de Vitória por ter sido lá que obteve um dos sucessos mais mediáticos da sua carreira. Em 2007, depois de ter levado o Fátima a eliminar o FC Porto nos penaltis na primeira ronda da Taça da Liga, esteve à beira de afastar também o Sporting, ganhando por 2-1 no Restelo – casa emprestada dos leões nessa noite de 20 de Outubro – antes de perder por 3-2 em Fátima.     - O Belenenses não perde há cinco jogos. Desde que foi batido pelo Estoril, a 10 de Janeiro, na Amoreira, em jogo da última jornada da primeira volta, soma duas vitórias e um empate na Liga (2-1 ao Rio Ave e ao Marítimo e 3-3 com o V. Guimarães), mais uma vitória e um empate na Taça da Liga (4-0 ao Leixões e 1-1 com o Rio Ave). Esta não é, mesmo assim, a mais longa série de imbatibilidade dos azuis, que no início da época estiveram sete jogos sem perder até serem goleados pelo… Benfica.   - Em contrapartida, o Benfica vem com dez vitórias seguidas, desde o empate a zero com o U. Madeira, a 15 de Dezembro. Já superou o melhor registo da época passada e igualou o recorde de 2013/14. Se ganhar ao Belenenses repete uma série de onze jogos seguidos a ganhar que já não experimenta desde 2011/12 e será preciso recuar a 2010/11 para encontrar uma sequência melhor. Essa já levará mais tempo a igualar, pois é de 18 jogos.   - Desde que substituiu Ricardo Sá Pinto, o treinador espanhol Júlio Velásquez, só perdeu dois dos dez jogos que fez, ambos fora de casa (2-1 com o Sp. Braga e 2-0 com o Estoril). No Restelo, o Belenenses não perde desde 5 de Dezembro, quando foi ali batido pelo V. Setúbal por 3-0, ainda com Sá Pinto aos comandos.   - Além disso, o Belenenses fez pelo menos um golo nos últimos cinco jogos, precisamente desde o 0-2 com o Estoril. Já igualou a melhor série desta época, que aconteceu imediatamente antes desse jogo, quando após ser batido pela Fiorentina (1-0), marcou à Académica (3-4), Boavista (1-0), Sp. Braga (1-2), P. Ferreira (2-2) e Nacional (2-2).   - O Belenenses-Benfica colocará frente a frente a pior defesa da Liga, que é a do Belenenses, com 41 golos sofridos, mais dois do que a do Marítimo, e o ataque mais concretizador, que é o do Benfica, com 54 golos marcados, mãos nove que o do Sporting.   - Mitroglou marcou golos nas últimas quatro jornadas da Liga, frente a Nacional, Estoril, Arouca e Moreirense. Se marcar ao Belenenses iguala o recorde da atual Liga, pertença do sportinguista Slimani, que fez golos em cinco rondas consecutivas da competição.   - Jonas, que bisou na recente vitória frente ao Moreirense (4-1), vem também de dois bis nos últimos dois jogos que fez contra o Belenenses: foi o autor dos dois golos nos 2-0 com que o Benfica ganhou no Restelo em Abril do ano passado e fez o segundo e o terceiro nos 6-0 da primeira volta da atual Liga.   - Lindelof, o sueco que deverá fazer dupla de centrais no Benfica com Jardel, face às ausências de Luisão e Lisandro Lopez, vai somar apenas o oitavo jogo pela equipa principal do Benfica, sendo que ganhou seis dos outros sete: 1-0 ao Cinfães na Taça de Portugal de 2013/14; 3-2 ao Sp. Covilhã na época passada, também na Taça de Portugal; 1-0 ao Nacional e ao Oriental na presente Taça da Liga, 6-1 ao Moreirense na mesma competição e 4-1 ao mesmo Moreirense, na Liga, no domingo. A sua única derrota foi na Liga portuguesa, contra o FC Porto (1-2), a 10 de Maio de 2014.   - O último golo que o Belenenses fez ao Benfica tem mais de dois anos. Foi a 28 de Setembro de 2013, obtido por Diakité, no empate a uma bola na Luz. Desde então, os azuis levam 419 minutos sem marcar no dérbi, nos quais o score é de 12-0 favorável ao Benfica. No Restelo não marcam ao Benfica desde 15 de Dezembro de 2007, num jogo que lhes valeu a última vitória sobre os encarnados.   - Na verdade, há onze jogos que o Belenenses não ganha ao Benfica. A última vitória azul neste dérbi sucedeu nessa noite de 15 de Dezembro de 2007, no Restelo, por 1-0, com golo de Weldon, que depois viria a representar os encarnados. O treinador do Belenenses era… Jorge Jesus. Não resta no Restelo nenhum jogador da equipa que jogou nessa noite. Na do Benfica já só lá está Luisão.   - Luisão tem o Belenenses na sua história em Portugal, pois foi contra os azuis do Restelo que fez o primeiro dos 473 jogos oficiais que já leva de águia ao peito. Foi há mais de 12 anos, a 14 de Setembro de 2003, no Jamor (porque a nova Luz estava a ser construída e a antiga já não estava praticável), o jogo acabou empatado a três golos e Luisão marcou um dos golos encarnados. - Miguel Rosa, médio de ataque que esteve durante anos ligado ao Benfica, pode fazer contra o seu clube de formação o 150º jogo com a camisola do Belenenses, clube que representa desde 2010/11, com uma passagem de regresso pela Luz em 2012/13. Nos 149 jogos até aqui fez 40 golos.   - O lateral belenense João Amorim deve a Rui Vitória os primeiros passos na Liga. Estreou-se a 28 de Abril de 2012, jogando a tempo inteiro numa derrota do V. Guimarães em Barcelos, com o Gil Vicente, por 3-1.   - Os benfiquistas têm várias razões para gostar de Tiago Caeiro. Primeiro porque o ponta-de-lança do Belenenses fez na época passada o golo do empate com o FC Porto, que garantiu ao Benfica o bicampeonato a uma jornada do final. Além disso, nunca fez um golo ao Benfica.  
2016-02-04
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A vitória por 4-1 do Benfica frente ao Moreirense distanciou ainda mais a equipa da Luz como melhor ataque do campeonato. São agora 54 golos marcados em 20 jogos, o melhor parcial nas primeiras 20 jornadas da Liga portuguesa em mais de 30 anos. A última equipa a marcar mais do que este Benfica nas primeiras 20 partidas da Liga portuguesa foi o FC Porto, que em 1984/85 chegou à 20ª jornada com 55 golos marcados. Nas dez últimas jornadas fez mais 23, acabando com 78 e sagrando-se campeão nacional.   - O último Benfica tão goleador também tirou boas recordações da época em que tirou tanto do ataque. Aconteceu um ano antes, em 1983/84, quando a equipa liderada por Eriksson chegou à 20ª ronda com 56 golos marcados. Fez mais 30 nas derradeiras 10 partidas, acabando com 86 (quase três por jogo, de média) e também campeã nacional.   - O maior contribuinte benfiquista para tanto golo é Jonas, que chegou à 20ª jornada com 21 golos no ativo. Nenhum jogador tinha mais golos do que jogos à 20ª jornada na Liga portuguesa desde Jackson Martínez, que em 2012/13 lá chegou com 22 golos marcados, mas até ao fim da Liga só marcou mais quatro. No Benfica, o último a fazê-lo foi o sueco Magnusson, que em 1989/90 fez 22 golos nas primeiras 20 jornadas. Acabou a Liga com 33.   - Jonas já superou o total de golos que fez em toda a Liga passada. Em 2014/15 chegou ao fim da prova com 20 golos marcados em 27 partidas, enquanto que na atual atuou nos 20 jogos que o Benfica já realizou e soma 21 golos. Ainda assim, Jonas soma apenas mais um golo nesta época – feito na Liga dos Campeões – o que leva a que esteja ainda abaixo do total da temporada anterior, que terminou com 31 golos, contando com seis na Taça de Portugal e cinco na Taça da Liga.   - Além do destaque do seu ataque, o Benfica conseguiu em Moreira de Cónegos a décima vitória seguida, contando todas as competições. A última vez que os encarnados não ganharam foi na visita ao U. Madeira, que terminaram com um empate a zero. As dez vitórias seguidas superam o melhor registo da época passada e igualam o recorde de 2013/14. O próximo objetivo são as onze vitórias consecutivas, que o Benfica festejou em 2011/12. E se as conseguir parte ao assalto da série de 18 sucessos de enfiada obtido em 2010/11.   - Muito graças a estas dez vitórias consecutivas, o Benfica segue com 49 pontos na Liga, tendo já reduzido substancialmente a desvantagem que apresentava em relação ao registo parcial da época passada. Há um ano, o Benfica somou 50 pontos nas primeiras 20 jornadas. Mas o registo deste ano já é igual ao de 2013/14, a primeira época do bicampeonato.   - O Moreirense perdeu pela terceira vez consecutiva em casa, depois das derrotas frente a Estoril (1-3, na Liga) e também Benfica (1-6, na Taça da Liga). Além disso, os cónegos vêm com cinco jogos seguidos sem conseguir a vitória como visitados: todos desde o sucesso contra o Nacional (2-0), a 20 de Dezembro. Estão, ainda assim, a um jogo da pior série caseira da época passada, na qual estiveram seis jogos sem ganhar em casa, entre 18 de Janeiro e 11 de Abril.   - Mitroglou marcou o segundo golo do Benfica em Moreira de Cónegos, conseguindo assim a quarta jornada seguida da Liga sempre a marcar, depois de já ter estado nos goleadores dos jogos com o Nacional, o Estoril e o Arouca. Fica por enquanto a um jogo do recorde desta Liga, que pertence a Slimani, goleador em cinco jornadas consecutivas.   - O golo do Moreirense foi marcado por Iuri Medeiros, que já tinha feito o tento solitário da outra derrota da equipa de Moreira de Cónegos frente ao Benfica, na Taça da Liga, a meio da semana. Aliás, esta época Iuri Medeiros também tinha marcado no empate a duas bolas que o Moreirense conseguiu contra o FC Porto, o que faz com que leve três jogos seguidos a marcar aos grandes – não jogou contra o Sporting, que é o detentor do seu passe.   - O jogo assinalou o regresso à Liga portuguesa de Fábio Espinho, médio que em 2013 trocou o Moreirense pelo Ludogorets, da Bulgária, e que entretanto assinou pelo Málaga. O último jogo de Espinho na Liga portuguesa tinha sido no Estádio da Luz, também contra o Benfica e também marcado pela derrota da equipa minhota, na altura por 3-1.
2016-02-01
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Último Passe

A vitória do Benfica em Moreira de Cónegos, por concludentes 4-1, confirmou que os bicampeões nacionais estão bem vivos na corrida ao título. Mantêm-se a dois pontos do Sporting, que lidera, mas voltaram a revelar frente ao Moreirense uma coordenação ofensiva que neste momento mais ninguém exibe em Portugal. Foi a noção exata dos espaços e das movimentações coletivas, tão diferente daquilo que esta equipa fazia há meio campeonato, quando estava em crise de identidade, que permitiu ao Benfica dar uma expressão tão desequilibrada no marcador a um jogo em que o adversário até mostrou coisas boas. Jonas, com mais dois golos e uma assistência, voltou a ser decisivo, mas esteve sempre muito bem acompanhado por Pizzi, a tal peça móvel que dá consistência e desequilíbrio ao meio-campo, e por Gaitán, que voltou a mostrar que está de volta com mais um golo. Mitroglou fez o golo já habitual e Renato Sanches soube empurrar a equipa para a frente, mostrando categoria, por exemplo, na forma como lançou Eliseu no lance do 2-0. É que essa altura foi importante no jogo. Depois de um início impositivo do Benfica, a empurrar o Moreirense para trás até fazer o 1-0, num lance em que Pizzi abriu na direita antes de descobrir a cabeça de Jonas na área, a equipa de Miguel Leal reagiu. Bem servido pela capacidade de desequilíbrio de Iuri Medeiros, sempre ativo e perigoso, bem como pela velocidade de Boateng, o Moreirense deu a ideia de que podia discutir o jogo, mas foi apanhado em contrapé mesmo antes do intervalo pela tal combinação Renato-Eliseu, convertida de primeira por Mitroglou. Apesar do 0-2, o Moreirense continuou vivo na segunda parte. Só que quando se pensava que um golo da equipa da casa poderia reabrir o jogo, foi o Benfica quem chegou aos 4-0, com mais dois golos de rajada. Jonas marcou o terceiro, após solicitação de Pizzi, e ofereceu o quarto a Gaitán. Com o assunto arrumado, o que sobrou de jogo serviu apenas para o Moreirense fazer um golo que Iuri Medeiros mereceu, pela insistência e qualidade que colocou sempre na sua procura. O açoriano, que já tinha marcado ao Benfica a meio da semana, tem futebol para mais do que este Moreirense, mas não chegou para dar uma alegria ao Sporting, que o tem ali emprestado.
2016-01-31
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O Benfica vem com uma série de nove vitórias consecutivas desde o empate a zero com o U. Madeira na Choupana, a 15 de Dezembro. A equipa de Rui Vitória vai tentar, em Moreira de Cónegos, frente ao Moreirense, o décimo sucesso de enfiada, mas mesmo que o consiga ainda ficará longe da melhor sequência de jogos em seis anos com Jorge Jesus, que foram 18 vitórias seguidas, entre Dezembro de 2010 e Março de 2011. Após o empate com o U. Madeira, que deixou o Benfica a sete pontos do Sporting, já então líder da classificação, o Benfica encetou a recuperação que lhe permitiu reduzir a desvantagem e colocar-se no segundo lugar, tendo ainda conseguido qualificar-se para as meias-finais da Taça da Liga. Para tal, teve de vencer nove jogos consecutivos, a melhor série de uma equipa portuguesa esta época, pois o Sporting não passou das sete vitórias consecutivas e o FC Porto das quatro. Os encarnados começaram esta série batendo o Rio Ave por 3-1, prosseguiram-na ganhando ao Nacional por 1-0 e ao V. Guimarães pelo mesmo score, continuaram com um 6-0 ao Marítimo, um 4-1 ao Nacional e um 2-1 ao Estoril, voltaram a vencer por 1-0 quando defrontaram o Oriental, tendo ainda batido o Arouca por 3-1 e este mesmo Moreirense por 6-1. As nove vitórias seguidas já superam qualquer série do Benfica de 2014/15 e ficam a apenas um sucesso do melhor que a equipa fez em 2013/14, quando ganhou dez jogos seguidos entre um empate frente ao Gil Vicente (1-1, em início de Fevereiro de 2014) e outro empate contra o Tottenham (2-2, em finais de Março). Mas se em 2011/12 o Benfica conseguira onze vitórias consecutivas (entre as derrotas com o Marítimo, em Dezembro de 2011, e com o Zenit, em Fevereiro de 2012), a melhor série dos últimos anos é bem mais longa. Foram as 18 vitórias seguidas que a equipa obteve entre uma derrota contra o Schalke na Luz, a 7 de Dezembro de 2010, e outra contra o Sp. Braga, na Pedreira, a 6 de Março de 2011. Para lá chegar, a este Benfica ainda lhe faltam mais oito vitórias sem vacilar. Uma série que, a concretizar-se, passaria pelas receções ao FC Porto e ao Zenit, pela meia-final da Taça da Liga, contra o Sp. Braga, e se concluiria em Alvalade, contra o Sporting, já em Março.   - Miguel Leal, treinador do Moreirense, perdeu os sete jogos que fez contra o Benfica. Aos dois desta época (3-2 na Luz para a Liga e 6-1 em Moreira de Cónegos para a Taça da Liga) juntam-se ainda os dois da Liga anterior (3-1 na Luz e em Moreira de Cónegos), mais três em competições a eliminar: 4-1 e 2-0 com o Moreirense para a Taça de Portugal e a Taça da Liga da época passada e ainda um 0-1 com o Penafiel para a Taça de Portugal de há dois anos.   - O mexicano Raul Jiménez marcou golos nos dois jogos entre Moreirense e Benfica esta época: fez, a 15’ do fim, o golo do empate a uma bola na Luz, em Agosto, no jogo que os encarnados acabaram por ganhar por 3-2 e, ainda na primeira parte, marcou o quarto da goleada por 6-1 em Moreira de Cónegos, para a Taça da Liga, na terça-feira passada.   - Iuri Medeiros, o autor do golo do Moreirense ao Benfica, na terça-feira passada, no jogo da Taça da Liga, já tinha esta época marcado ao FC Porto, no empate a duas bolas que os dragões cederam em Moreira de Cónegos. E o golo de terça-feira não foi o primeiro do açoriano ao Benfica, uma vez que já tinha batido Júlio César da época passada, ainda ao serviço do Arouca, numa derrota por 3-1 em casa.   - Por sua vez, Talisca marcou nos últimos dois jogos do Benfica fora de casa: fez um hat-trick ao Moreirense (nos 6-1 de terça-feira) e marcou o tento solitário da vitória no Carlos Salema, frente ao Oriental, ambos para a Taça da Liga.   - Mitroglou fez golos nas últimas três jornadas de campeonato, não ficando em branco em jogos da Liga desde a goleada que o Benfica infligiu ao Marítimo (6-0, a 6 de Janeiro). Desde aí, marcou o quarto nos 4-1 ao Nacional na Choupana, o primeiro na reviravolta frente ao Estoril (2-1) e o segundo nos 3-1 ao Arouca, na Luz.   - Rafael Martins, por sua vez, marcou nas últimas três partidas que o Moreirense fez em casa para o campeonato: bisou nos 2-0 ao Nacional e fez um golo em cada uma das derrotas contra o V. Guimarães (3-4) e o Estoril (1-3). Curioso que o brasileiro também marcou o golo com que o Moreirense abriu o score na derrota por 3-2 contra o Benfica na Luz.   - O Moreirense perdeu os últimos dois jogos que fez em casa, pois antes dos 6-1 com que foi batido pelo Benfica na Taça da Liga tinha perdido por 3-1 com o Estoril, em partida de campeonato. Aliás, desde o Natal que os cónegos não ganham um jogo no seu estádio. Após os 2-0 ao Nacional, a 20 de Dezembro, perderam por 4-3 com o V. Guimarães e empataram a zero com o mesmo Nacional, mas em partida da Taça da Liga.   -O médio Vítor Gomes, do Moreirense, estreou-se na Liga contra o Benfica, lançado por João Eusébio numa derrota do Rio Ave frente aos encarnados em Vila do Conde, a 19 de Março de 2006.   - O Benfica venceu os últimos oito confrontos com o Moreirense, todos desde o empate a uma bola em Dezembro de 2012, para a Taça da Liga, no Minho. Em seis das últimas sete vitórias dos encarnados, porém, o Moreirense também marcou golos, tendo ficado apenas em branco nos 2-0 para a Taça da Liga, em Janeiro do ano passado. Contudo, em 17 jogos entre as duas equipas, o Moreirense nunca ganhou ao Benfica, tendo obtido apenas três empates, dois deles na Luz.   - Curioso é que nas últimas quatro vezes que estas duas equipas se defrontaram na Liga, o Benfica marcou sempre três golos e ganhou os quatro jogos (três vezes por 3-1 e uma por 3-2), mas foi sempre o Moreirense a marcar primeiro. Fê-lo Vinicius na Luz no encerramento do campeonato de 2012/13 (respondeu o Benfica por Cardozo e com um bis de Lima), repetiu-o João Pedro nas duas partidas da época passada (Eliseu, Maxi e Lima responderam pelos encarnados na Luz; Luisão, Eliseu e Jonas fizeram-no em Moreira de Cónegos), e por fim fê-lo Rafael Martins nos 3-2 da Luz em Agosto (tendo Jiménez, Samaris e Jonas marcado pelo Benfica e Cardozo pelos minhotos).
2016-01-31
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Os três golos marcados ao Arouca, na vitória por 3-1 com que superou a 19ª jornada da Liga, valeram ao Benfica a manutenção do melhor ataque da competição, agora com 50 golos marcados. Há 26 anos que o Benfica não tinha um ataque tão produtivo nesta fase da prova: em 1989/90, o Benfica de Eriksson chegou à 19ª jornada com os mesmos 50 golos marcados e também em segundo lugar na Liga, a dois pontos do FC Porto de Artur Jorge. No fim da Liga, o Benfica teve o melhor ataque, com 76 golos, mas o FC Porto foi campeão.   - A última vez que uma equipa chegou à 19ª jornada com tantos golos marcados foi em 1995/96. O FC Porto liderava a tabela à 19ª jornada, com 11 pontos de avanço sobre o segundo, que era o Sporting, e um impressionante score de 50 golos marcados e três sofridos. Esse FC Porto ganhou o campeonato com os mesmos 11 pontos de avanço sobre o segundo, que foi o Benfica, e 84 golos marcados.   - Pizzi marcou pela segunda jornada seguida na Liga, depois de já ter estado entre os goleadores na vitória por 2-1 frente ao Estoril, há uma semana. Pelo meio, jogou a segunda parte do desafio com o Oriental, no Carlos Salema, para a Taça da Liga, ficando em branco na vitória (1-0) dos encarnados.   - Mitroglou, por sua vez, marcou pela terceira jornada consecutiva, depois de já ter estado entre os goleadores nas vitórias frente a Nacional (4-1) e Estoril (2-1). Pelo meio, também ficou em branco na Taça da Liga. O grego não marcava em três rondas seguidas de campeonato desde Janeiro e Fevereiro do ano passado, quando ajudou o Olympiakos a ganhar ao OFI (3-0), ao Veria (2-0) e ao Atromitos (2-1), na Liga grega.   - Jonas voltou a marcar ao Arouca, equipa frente à qual se estreou e à qual só não marcou na derrota (0-1) da primeira volta da atual Liga. Além disso, fez a assistência para o golo de Pizzi, tornando-se o maior assistente do Benfica na Liga, com oito passes de golo, e o segundo melhor da prova, atrás apenas do mexicano Layun, do FC Porto, que tem nove.   - Onde Jonas não perdoa é no Estádio da Luz, no campeonato. Desde que bisou frente à Académica, a 4 de Dezembro, marcou ali em todos os jogos da Liga. Foram dois golos nos 3-1 ao Rio Ave, outros dois nos 6-0 ao Marítimo e agora um nos 3-1 ao Arouca. Pelo meio, ficou a zeros na receção ao Nacional, para a Taça da Liga.   - O Benfica obteve a oitava vitória consecutiva desde o empate frente ao U. Madeira na Choupana, a 15 de Dezembro, igualando o que fizera entre Março e Abril de 2014, quando também venceu oito jogos de enfiada, sendo travado ao nono, um empate a zero no Dragão contra o FC Porto que, nos penaltis, valeu o acesso à final da Taça da Liga.   - Dessas oito vitórias, seis foram para a Liga. Esta série, contudo, ainda fica aquém da melhor que a equipa conseguiu na época passada, rumo ao bicampeonato. Entre Outubro de 2014 e Janeiro de 2015, que é como quem diz entre as derrotas contra o Sp. Braga (1-2) e o Paços de Ferreira (0-1), os encarnados venceram nove jornadas consecutivas.   - O que o Benfica deixou de conseguir fazer foi fechar a sua baliza. A equipa encarnada sofreu golos nas últimas três jornadas de campeonato: antes dos 3-1 ao Arouca, os 2-1 ao Estoril e os 4-1 ao Nacional. Os encarnados não sofriam golos em três jornadas seguidas desde Março e Abril, quando depois de perderem por 2-1 com o Rio Ave, ganharam por 3-1 ao Nacional e por 5-1 à Académica.   - O golo do Arouca, marcado por Velásquez, permitiu que a equipa de Lito Vidigal mantenha a série de jogos sempre a marcar golos que já traz há nove jornadas da Liga, desde que perdeu por 1-0 com o Sporting. Porém, o Arouca ganhou apenas três dessas nove partidas. E entretanto ficou a zeros contra o Chaves (0-0, com apuramento por penaltis) e o Sp. Braga (0-2), na Taça de Portugal.
2016-01-25
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A forma impositiva como o Benfica entrou no jogo com o Arouca, fazendo dois golos nos primeiros minutos e deixando desde logo muito bem encaminhada a questão da atribuição dos três pontos, não deixa dúvidas acerca de duas coisas. A primeira, dada a confiança revelada pelos jogadores a cada lance, é que a equipa de Rui Vitória voltou a acreditar que pode chegar ao tricampeonato. A segunda, face à forma como se desembaraçou de uma equipa que ofensivamente mostra futebol de qualidade, é que tem argumentos para entrar nessa luta. Os 3-1 finais deixaram os encarnados na liderança, ainda que à condição, até que o Sporting jogue em Paços de Ferreira. E mesmo tendo sido construídos com base em muito do que a equipa tinha mostrado frente a este mesmo Arouca, na derrota por 1-0 de há cinco meses – com muito Pizzi, a mover bem a bola e a achar sempre os melhores caminhos para deixar a equipa em condições de finalizar – mostra agora bem mais argumentos. Porque agora há Carcela e Renato Sanches, dois jogadores que trouxeram à equipa aquilo que na altura ainda lhe faltava: explosão a meio-campo e capacidade de desequilíbrio junto à linha. E porque já há crença generalizada dos jogadores no processo, algo que no início da época foi bastante afetado pela derrota na Supertaça, por ter sido contra o Sporting e por ter sido contra Jesus. Foi um pouco por isso que depois de não ter feito sequer um golo em mais de 30 remates no jogo de Aveiro, o tal da derrota contra este mesmo Arouca, o Benfica marcou desta vez logo à primeira tentativa de alvejar as redes de Bracali. Não foi só isso, é verdade. Porque tanto o golo de Pizzi, no segundo minuto de jogo, como o calcanhar pleno de confiança de Mitroglou com que o Benfica fez o 2-0, pouco depois, beneficiaram da atitude passiva da defesa amarela: no golo inaugural, Nuno Coelho ficou a ver a chegada de Pizzi para o remate; no 2-0, marcado de canto, não há ninguém do Arouca nas imediações da zona em que Jonas e Mitroglou se encontravam, quase tendo um que pedir licença ao outro para marcar. Até final, o Benfica ainda fez mais um golo, num lance de rasgo de Gaitán, a deixar outra vez os dois pontas-de-lança em situação de marcar – desta vez, porém, Jonas impôs o estatuto de goleador-mor e fez ele o golo à frente do grego. E o regresso do argentino foi a outra boa notícia da noite, dando ainda mais argumentos ao Benfica para prolongar a atual fase boa, não beliscada pelo golo com que, já nos descontos, Velásquez deu alguma expressão à qualidade ofensiva mostrada pelo Arouca.
2016-01-23
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- Ao ganhar ao Estoril por 2-1, depois de ter estado a perder (1-0 ao intervalo), o Benfica conseguiu a terceira reviravolta da época. A primeira tinha acontecido contra o Moreirense, no Estádio da Luz, em Agosto, num jogo que os encarnados estiveram a perder por 1-0 e ganharam por 3-2. E a segunda em Madrid, na Liga dos Campeões, em Setembro, quando viraram de 0-1 para 2-1 contra o Atlético. O Benfica não conseguia virar um jogo da Liga portuguesa fora de casa desde Março do ano passado, quando ganhou por 3-1 em Arouca depois de estar a perder por 1-0.   - O Benfica obteve ainda a sexta vitória consecutiva, depois do empate a zero contra o U. Madeira, a 15 de Dezembro. Iguala assim a série de seis vitória conseguidas entre Fevereiro e Março de 2015. Para se encontrar uma série maior é preciso ir às sete que a equipa somou entre Dezembro de 2014 e Janeiro de 2015.   - Ganhando o jogo de abertura da segunda volta, quando na época passada o tinham perdido (1-0 em Paços de Ferreira), os encarnados diminuíram a distância pontual que os separa da equipa que foi campeã em 2014/15. Essa equipa tinha 46 pontos à 18ª jornada, enquanto que a atual soma 43.   - Em contrapartida, os 47 golos que o Benfica fez nas primeiras 18 jornadas, e que lhe permitem continuar a ser o ataque mais realizador da competição, correspondem ao ano de melhor produção atacante da equipa encarnada desde 2009/10. Nessa época, a primeira de Jesus, o Benfica tinha feito mais um golo: 48 em 18 jornadas.   - Ao perder, o Estoril confirmou que este está a ser o seu pior meio-campeonato desde que voltou à Liga. Continua com 20 pontos em 18 jogos, menos cinco do que tinha há um ano, com José Couceiro aos comandos. Com Marco Silva, os canarinhos somavam 30 pontos em 2013/14 e 22 em 2012/13. Para encontrar pior que os atuais 20 pontos é preciso recuar a 2004/05, o ano em que a equipa estorilista desceu pela última vez, e em que chegou à 18ª jornada com 18 pontos.   - Pizzi fez o golo da vitória do Benfica no Estoril (2-1). Foi o terceiro neste mês de Janeiro e o quarto que fez esta época, igualando já a produção goleadora das últimas duas temporadas, no Espanyol (quatro golos em 2013/14) e no Benfica (outros quatro em 2014/15). Melhor só os oito golos no Deportivo em 2012/13 e os onze no Paços de Ferreira, em 2010/11. Nesta época tinha como treinador Rui Vitória.   - Jonas falhou mais uma vez a trilogia de golos em jogos consecutivos. Ficou em branco pela primeira vez na vida contra o Estoril, a quem até aqui marcara sempre, mas assistiu Pizzi para o golo da vitória e é agora não só o melhor marcador da Liga (com 18 golos) mas também o melhor assistente do Benfica, com sete passes decisivos, tantos como Gaitán.   - Mitroglou voltou a marcar saído do banco. Já tinha estado entre os goleadores na vitória frente ao Nacional (4-1) na jornada anterior e repetiu a gracinha agora, estabelecendo o empate contra o Estoril, no jogo que os encarnados acabaram por ganhar. Foi a terceira vez que o grego marcou golos em jogos consecutivos, pois já o tinha feito contra Belenenses (6-0) e Astana (2-0) em Setembro e contra Atl. Madrid (1-2) e V. Setúbal (4-2) em Dezembro.   - Leo Bonatini, que já leva 13 golos esta época, 10 dos quais na Liga, já igualou o total de golos dos dois melhores marcadores do Estoril numa época inteira desde que a equipa da Linha voltou à I Liga. Tal como Bonatini, Steven Vitória (em 2012/13) e Evandro (em 2013/14) acabaram a época com 13 golos (ainda que ambos com 11 na Liga). Mas os dois tiveram a época inteira para lá chegar.   - Os golos de Bonatini têm uma particularidade adicional, rara num ponta-de-lança. É que vêm sempre sós. Se por um lado isso pode ser mau, porque não se lhe vê um bis ou um hat-trick, por outro é excelente, porque quase nunca saiu de um jogo em branco. Esta época, marcou em 13 dos 21 jogos em que participou. E das oito vezes em que ficou em branco, o Estoril perdeu sete. O jogo com o Benfica foi apenas o segundo em que, tendo ele marcado, o Estoril saiu derrotado – o outro foi o 3-2 frente ao Oriental, na Taça da Liga.   - Pawel Kieszek, que tinha feito o jogo 100 na Liga contra o Benfica, na Luz, na primeira volta (derrota por 4-0) e que também se estreara na prova contra os encarnados, pelo Sp. Braga, em Fevereiro de 2008 (empate a uma bola), voltou a ver o Benfica assinalar-lhe um momento especial: desta vez fez o 50º jogo na baliza do Estoril.   - Diogo Amado fez o 100º jogo na Liga portuguesa nesta derrota contra o Benfica. Dos 100, 15 foram com a camisola da U. Leiria – entre eles a estreia, lançado por Pedro Caixinha num empate a zero contra o Beira Mar, em Agosto de 2010 – e os restantes 85 pelo Estoril.
2016-01-17
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Na primeira jornada do campeonato, este Estoril tinha perdido por 4-0 com este Benfica mas tinha sido capaz de discutir o jogo na Luz. Esta noite, na Amoreira, os canarinhos perderam só por 2-1, até estavam a ganhar ao intervalo, mas não mostraram sequer por um instante a capacidade para ficar com os três pontos em casa. O que se viu foi um Benfica não muito inspirado onde costuma ser mais forte – os últimos 20 ou 30 metros – mas absolutamente dominador no resto do campo, ganhando duelos sobre duelos e conseguindo assim instalar-se em permanência no meio-campo estorilista. Os dois golos que chegaram no segundo tempo acabaram por ser o corolário lógico do que se via em campo e dão mais alento à equipa de Rui Vitória, que mantém a fase de crescimento e já só vê a liderança a dois pontos. O jogo começou praticamente com o golo do Estoril, obra do inevitável Bonatini, que aproveitou a abordagem negligente de Lisandro – e de Eliseu antes dele – para atacar um cruzamento feito na direita por Anderson Luís e bater Júlio César com uma finalização cheia de classe. O problema para Fabiano Soares é que se tinha visto pouco Estoril até aí, viu-se ainda menos daí para a frente. Se a ideia era juntar duas linhas de quatro atrás, com Diogo Amado entre elas de forma a roubar o espaço habitualmente ocupado por Jonas, ela falhou redondamente, porque o Benfica conseguia quase sempre recuperar a bola instantes depois de a perder, partindo desde logo para nova vaga de ataque às redes de Kieszek. Jonas, Jiménez, Pizzi, Carcela, Sanches ou Fejsa, os próprios laterais quando em posicionamento avançado, qualquer jogador do Benfica ganhava mais bolas divididas do que as que perdia, e isso resultava num massacre ofensivo que, contudo, não tinha reflexo na criação de reais oportunidades de golo. Este Benfica costuma ser uma equipa de golo fácil, que nem precisa de grande volume de jogo para marcar. No Estoril foi ao contrário – muito volume mas poucas situações de golo iminente. Rui Vitória percebeu que precisava de um homem de área e chamou Mitroglou, avançado menos dado a trabalhar sem bola que Jiménez, mas mais posicional e propenso a aproveitar as muitas bolas que iam cruzando a área do Estoril. E, ainda que contando com a sorte do ressalto e da desorientação defensiva dos jogadores canarinhos que estiveram no lance – onde estavam em superioridade de quatro para dois – o grego fez o golo do empate. Pizzi, cada vez mais importante no crescimento deste Benfica, fez o 2-1 e só aí o Estoril saiu para discutir o resultado. Já o fez tarde. Os três pontos assentaram bem aos encarnados, que conseguiram a terceira reviravolta da época e podem ficar agora à espera de ver o que fará o FC Porto em Guimarães para ver se terão companhia na perseguição ao Sporting.
2016-01-16
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Mais uma demonstração de qualidade de Jonas, hoje muito bem acompanhado por Carcela durante a primeira parte num coletivo defensivamente consolidado por Fejsa a todo o terreno, permitiu ao Benfica desembaraçar-se da complicada visita ao Nacional, que a equipa de Rui Vitória ultrapassou com um 4-1, destacando-se ainda mais como melhor ataque da primeira volta da Liga. A finalização clínica do brasileiro, com um hat-trick em três lances que resolveu a um só toque para o fundo das redes, chegou para ganhar um jogo que podia ter-se complicado num erro de Lisandro, mas que o Benfica soube tornar fácil assim que Manuel Machado optou por parti-lo e colocar mais gente na frente. A primeira dificuldade para as duas equipas foi o facto de o jogo ter começado num dia e acabado noutro, depois de ter sido interrompido ao fim de sete minutos. Nunca há garantias de a disposição no recomeço ser a mesma da véspera e o que se viu neste início de tarde foi um Benfica incisivo na frente, onde Carcela lhe dá, de facto, muita qualidade no um para um e nos cruzamentos para a área. O marroquino teve de esperar para ganhar o lugar na equipa, mas já parece estar muito à frente de Gonçalo Guedes na luta pela posição, pois além de veloz é também muito forte nas assistências exteriores, que são fundamentais no futebol sempre largo de Rui Vitória. Depois de ter estado ligado a alguns lances de perigo, foi ele que ofereceu o primeiro golo a Jonas, ainda na primeira parte, deixando dúvidas acerca do que poderá fazer Vitória quando voltar a ter Gaitán e até Salvio. Há abundância de bons extremos para a segunda volta. A perder e dando a batalha do meio-campo como perdida, devido à exibição muito constante de Fejsa, que ganhava duelos sobre duelos na raça, Manuel Machado resolveu partir o jogo. Primeiro, ainda na primeira parte, chamou Jota para o lugar de um central – Rui Correia – recuando Aly Ghazal para a linha mais recuada. Mas foi um erro de Lisandro Lopez, que demorou a afastar a bola da sua área, a permitir o golo do empate a Soares e a lançar a dúvida sobre o resultado. Para tentar tirar partido da supremacia psicológica que o empate lhe trazia, Machado juntou Gustavo a Soares na frente, mas aí foi a vez de o Benfica mostrar que tem golo fácil. Fez o 2-1 de lançamento lateral, num lance em que a conjugação de uma boa movimentação de Jimenez e da desatenção do Nacional deu hipótese para mais uma finalização de Jonas, em volei de pé esquerdo. E o 3-1 em mais um lance de igualdade numérica na área, após cruzamento de André Almeida, outra vez com Jonas a marcar. Mitroglou ainda pôs mais um no resultado final, mas numa altura em que já mais ninguém tinha a cabeça na Choupana – o Nacional já estava em Barcelos, onde depois de amanhã joga com o Gil Vicente para a Taça de Portugal, e os campeões nacionais na segunda volta, em que entram a uma distância ainda assim manobrável de quatro pontos para o primeiro.
2016-01-11
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Ao ganhar por 4-2 ao Vitória em Setúbal, o Benfica conseguiu a quinta vitória seguida na Liga desde a derrota com o Sporting (0-3, a 25 de Outubro). Iguala assim uma série que já datava de Fevereiro e Março. Para encontrar melhor é preciso ir ao período entre Outubro de 2014 e Janeiro deste ano, quando os encarnados venceram nove jogos consecutivos entre as derrotas em Braga (2-1, a 26 de Outubro) e Paços de Ferreira (1-0, a 26 de Janeiro).   - Foi ainda a terceira vitória seguida dos encarnados em deslocações no campeonato, depois dos 4-0 ao Tondela e dos 2-0 em Braga. O Benfica já não ganhava três saídas consecutivas desde Dezembro do ano passado e Janeiro deste ano, quando na verdade ganhou cinco: Nacional, Académica, FC Porto, Penafiel e Marítimo.   - O jogo marcou também a primeira derrota do V. Setúbal esta época no Bonfim. Foram, ao todo, sete jogos sem perder ali, desde o 0-2 com o FC Porto, a 3 de Maio, estabelecendo a melhor série de invencibilidade caseira desde os dez jogos entre Dezembro de 2013 e Setembro de 2014, datas de duas derrotas com o Benfica.   - Ao fazer quatro golos, o Benfica confirmou o estatuto de ataque mais realizador da Liga, com 31 golos em 12 jogos. É o melhor parcial do campeonato desde os 32 golos que o mesmo Benfica marcou nos primeiros 12 jogos de 2012/13.   - Jonas também voltou a marcar, aumentando o sue pecúlio para onze golos. É o melhor marcador do Benfica à 11ª jornada desde o paraguaio Cardozo, que nessa mesma época de 2012/13 chegou à 12ª jornada com 13 golos marcados.   - Pizzi fez o primeiro golo fora de casa com a camisola do Benfica, pois todos os que tinha obtido até aqui tinham sido na Luz. A última vez que tinha marcado como visitante foi no Santiago Bernabéu, em Maio de 2014, quando fez o tento do Espanyol numa derrota por 3-1 contra o Real Madrid.   - Mitroglou fez golo pelo segundo jogo consecutivo, depois de já ter estado na folha de marcadores frente ao Atlético Madrid. É a segunda vez que marca em dois jogos seguidos esta época, depois de já ter festejado frente a Belenenses (bisou nos 6-0) e Astana.   - O Benfica beneficiou ainda do terceiro autogolo da época: Ricardo, depois de Berger (Tondela) e Kritciuk (Sp. Braga). Os encarnados não tinham tantos autogolos desde 2012/13, quando tiveram a felicidade de ver Rojo (Sporting), Insúa (Sporting), Mexer (Nacional), Luís Martins (Gil Vicente) e Igor Rossi (Marítimo) fazer golos na própria baliza.   - O V. Setúbal chega à 13ª jornada com 23 golos marcados, o melhor parcial da equipa sadina a este ponto do campeonato desde 1976. Nessa altura, tinha chegado à 13ª jornada com 28 golos e em terceiro lugar do campeonato. Acabou a época na sexta posição, com o quarto melhor ataque da Liga, apenas atrás de FC Porto, Benfica e Sporting.   - Suk, autor do segundo golo do V. Setúbal, fez o oitavo na presente edição da Liga e, tal como Mitroglou, também marcou pelo segundo jogo seguido, depois de ter estado entre os goleadores frente ao Belenenses. No caso do coreano, porém, há já a registar uma série de três jogos seguidos a marcar: a Académica (bisou), Rio Ave e Marítimo.   - Vasco Costa, extremo vindo do Fafe, marecou ao Benfica o seu primeiro golo na Liga portuguesa. O seu último golo ainda tinha sido no Campeonato Nacional de Seniores, ao Lusitano Vildemoinhos, em Maio.   - O golo de Vasco Costa interromopeu a mais longa série de minutos sem sofrer golos de Júlio César na presente Liga. Ao todo, entre o tento de Bryan Ruiz, no dérbi da Luz, a 25 de Outubro, e o golo de Vasco Costa, no Bonfim, mediaram 473 minutos de inviolabilidade na Liga, a melhor série da época para o guardião benfiquista e a mais longa desde os 491 minutos que passaram entre o golo de Rafael Lopes (a 11 de Abril)  e o de Marega (a 23 de Maio).
2015-12-14
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Já fui suficientemente massacrado acerca de autogolos e no entanto volto ao assunto. Porquê? Porque a Liga portuguesa não dá autogolos a favor dos nossos grandes clubes. Sei que a Liga nem sequer atribui marcadores aos golos, quem o faz são os árbitros. Mas quem quiser que enfie a carapuça. Para mim, que sigo as normas em recomendadas pela FIFA há vários anos, o quarto golo do Benfica em Setúbal é autogolo de Ricardo. Tal como o primeiro do Chelsea ao FC Porto é autogolo de Marcano. Para a Liga portuguesa, quem marcou o quarto golo do Benfica em Setúbal foi Mitroglou. Para a UEFA, quem fez o primeiro do Chelsea ao FC Porto foi mesmo Marcano, na própria baliza. Quem perceber as diferenças entre os dois lances que me explique, mas por favor sem recurso ao discurso gasto e velho da imparcialidade. Não há forma mais imparcial de ver a coisa do que a recomendação da FIFA. Que diz o seguinte: se o último toque na bola antes de ela entrar na baliza é involuntário ou infeliz – como são os toques dos defesas que tentam evitar os golos – deve analisar-se a trajetória da bola levava antes desse mesmo toque. Se a bola ia em direção da baliza, é golo do atacante que a chutou; se ia noutra direcção, então esse último toque ganha caráter decisivo e deve ser atribuído o golo ao seu autor. Parece-me simples. Mas há muito quem complique. Os adeptos por causa da cor das camisolas; as Ligas, sei lá por que razão. Vamos a casos concretos. Quarto golo do Benfica em Setúbal: Mitroglou chuta ao poste, a bola vinha para trás quando bateu nas pernas do guarda-redes Ricardo e voltou em direção da baliza. Não dá para duvidar: é autogolo de Ricardo. Se o tirarmos do lance não há golo. Para a Liga portuguesa, no entanto, o golo é de Mitroglou. Primeiro golo do Chelsea ao FC Porto em Londres: Diego Costa segue isolado em direção à baliza do FC Porto, chuta contra Casillas, a bola vem em direção oposta à da baliza quando bate no peito de Marcano e acaba nas redes. Também não dá para duvidar: é autogolo de Marcano. Foi, aliás, essa, a decisão da UEFA. A lógica é a mesma da que apliquei no primeiro golo do Benfica em Braga. Recordo o que se passou: Pizzi chutou, Baiano impediu a bola de seguir para a baliza e cortou-a, mas ela acabou por bater nas costas de Kritciuk, reassumindo a direção das redes. Para mim, também não há dúvidas: é autogolo de Kritciuk, porque se ele lá não estivesse a bola não iria para a baliza. Para a Liga portuguesa, no entanto, foi golo de Pizzi. É que, por muito que se esforcem, esse lance não tem nada a ver com o do primeiro golo do Benfica em Setúbal, a não ser no facto de também nesse ter sido Pizzi a chutar. Neste caso, Pizzi chuta, Ricardo tenta defender, toca na bola mas não a detém e ela acaba mesmo no fundo das redes. Sucede que, sem a intervenção do guarda-redes, abola ia na mesma para a baliza, pelo que o golo é de Pizzi. Aqui, a Liga portuguesa acertou. Para não dizerem que estou sempre contra.
2015-12-14
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A vitória do Benfica em Setúbal (4-2) e a forma fácil como a equipa de Rui Vitória a construiu veio mostrar que o treinador encontrou finalmente o equilíbrio e que ele não depende do sistema tático, da presença de Samaris ou Fejsa ou até de Renato Sanches. Depende sobretudo das dinâmicas que a equipa consegue ou não construir dentro desse sistema e essas têm um nome escrito à frente de todos os outros: o de Pizzi, o multi-funções que muda o jogo do coletivo. Em Setúbal, no regresso ao 4x4x2 que permite tirar o melhor de Jonas, com Gonçalo Guedes de um lado e Pizzi do outro, o Benfica beneficiou do facto de o V. Setúbal jogar num 4x4x2 tão aberto como era o de Rui Vitória há umas semanas – com Arnold de um lado e Ruca do outro e com André Claro próximo de Suk na frente – para marcar sempre superioridade nos duelos a meio-campo. Porque Pizzi se aproxima da dupla de médios tanto no início da construção – quando Samaris baixa para fazer a saída de bola com os centrais, desenhando um triângulo e impedindo a proliferação de passes horizontais das alas para o meio – como no momento de transição defensiva, compondo o corredor central e melhorando a reação à perda. O futebol é um jogo que se joga em 105 por 70 metros, mas decide-se em vários pequenos jogos que se desenham pelo campo. E a dinâmica de Pizzi permite ao Benfica marcar superioridade numérica em muitos desses mini-duelos. No jogo de Setúbal, além disso, o trasmontano ainda esteve ligado ao primeiro golo, que marcou após excelente trabalho individual, pouco antes do intervalo. Mas aí entrou a segunda parte da equação: os erros defensivos do V. Setúbal. Ricardo errou no primeiro golo do Benfica; os centrais e William foram demasiado passivos no segundo, feito por Jonas, e ultrapassados no terceiro, com que Mitroglou pôs ponto final na discussão; e o quarto foi um festival de descoordenação defensiva de todo o setor recuado, terminando em autogolo do guarda-redes sadino. O V. Setúbal fez um jogo positivo, de ataque, como tinha feito no Dragão, contra o FC Porto, e o caminho certo é esse. Quim Machado sujeitou a equipa aos erros, mas a mesma filosofia que adotou aqui e que lhe valeu os golos de Vasco Costa e Suk, a manter as distâncias nos dois golos de diferença, servir-lhe-á para ganhar muitos jogos contra adversários do mesmo campeonato. É por isso que o V. Setúbal até sofre muitos golos mas tem tudo para fazer uma época tranquila.
2015-12-13
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A sétima derrota da época para o Benfica, em casa com o Atlético Madrid, por 2-1, custou o primeiro lugar do Grupo C da Liga dos Campeões, a desfeita de poder vir a enfrentar um “tubarão” nos oitavos-de-final, mas o forcing final dos encarnados, a encostar os espanhóis atrás, terá servido para adocicar sensações e evitar que o desaire deixasse sequelas a nível psicológico. As últimas imagens são as que perduram e as últimas imagens do jogo da Luz são as de um Benfica a forçar e a impedir o Atlético de sair sequer do seu meio-campo. Mas o jogo não foi sempre assim. E por isso, entre algumas certezas e aspetos animadores, também terá avolumado muitas dúvidas na cabeça de Rui Vitória. Uma das dúvidas que já é quase certeza é acerca da incapacidade de Jonas para jogar como ponta-de-lança de referência. Vitória voltou a usar o 4x2x3x1 dos jogos mais exigentes, mas desta vez, como não havia risco de eliminação, terá decidido dar ao brasileiro o lugar mais avançado no esquema, na esperança de que resultasse e de que assim conseguisse resolver o dilema principal deste Benfica. Que é: o que fazer com Jonas em jogos onde precisa de três médios? Só que Jonas não apareceu. Dispersou-se pelo campo, mas nunca ligou com Gaitán nem foi o homem de referência de que o Benfica precisava, fazendo com que, mesmo tendo mais bola durante toda a primeira parte, os encarnados nunca criassem verdadeiro perigo para a baliza de Oblak. E essa dúvida – avolumada pelo facto de, na primeira vez que tocou na bola, depois de entrar, aos 45’, Mitroglou ter criado um lance de golo iminente – terá contribuído para uma outra: qual é o melhor esquema para o Benfica? O 4x2x3x1 que tão bem funcionara em Braga, por exemplo, porque se montou em cima de uma vantagem madrugadora, falhou desta vez, pois o Benfica só foi perigoso no final, quando juntou dois avançados. Aqui entra em equação a questão do meio-campo. Os adeptos saíram animados com a prestação de Renato Sanches, importante na forma como liderou a equipa – sim, liderou, é verdade – no assalto final à baliza de Oblak. Mas nessa altura juntaram-se duas coisas: cansaço e desorientação de um adversário que até ao golo de Mitroglou mandara no campo, fruto do seu posicionamento mais inteligente e bem aprendido. Se há coisa que Renato Sanches tem é pulmão. Se há coisa que ainda lhe falta é alguma clarividência, para impedir que lhe ganhem as costas, como sucedeu, por exemplo no primeiro golo do Atlético, marcado por Níguez. Isso trabalha-se: o miúdo tem 18 anos… Mas não permite a Rui Vitória pensar na construção de um meio-campo só com Fejsa e Renato para os jogos da Liga dos Campeões, por mais apoio que Pizzi dê à dupla nas constantes movimentações da ala para o meio. E esse apoio também foi uma das coisas boas do jogo. Sem grande explicação ficam as razões pelas quais o Benfica só começou a jogar depois do golo de Mitroglou. Até aí, aos 75’, mandaram no campo a pressão defensiva do Atlético, sempre a cortar linhas de passe de forma eficaz, e as saídas trianguladas que os espanhóis conseguiam orquestrar. Os dois golos, de Níguez e Vietto, eram justos na altura em que apareceram. Mas depois do golo de Mitroglou, o Benfica ainda podia ter chegado ao empate, tão transfigurado ficou o jogo: Jiménez, por exemplo, teve o 2-2 na cabeça. É por isso que, tendo sido pior do que o Atlético, o Benfica não sai por baixo no jogo e pode encarar os próximos desafios de cabeça erguida. A começar já em Setúbal.
2015-12-08
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O terceiro Sporting-Benfica da época foi o mais equilibrado de todos e por isso mesmo só se resolveu no prolongamento. Foi o mais equilibrado dos três porque o Benfica adequou as ideias do treinador ao sistema tático apresentado e porque o Sporting se mostrou menos fresco do que nos outros dois, com alguns jogadores a acusarem problemas físicos. Ganharam os leões, com justiça, graças a um golo do providencial Slimani, mas o jogo deixou mais dúvidas do que certezas de parte a parte. Jorge Jesus terá ficado com a ideia de que, afinal, o seu plantel não tem a profundidade necessária para tantas batalhas, ao passo que Rui Vitória tem razões para hesitar acerca da ideia de jogo que quer para a equipa. No jogo propriamente dito, começou melhor o Sporting, mais veloz e decisivo nos duelos. Podia ter-se colocado na frente numa cabeçada de Slimani ao poste, mas rapidamente ficou vulnerável às alterações promovidas pelo Benfica. Seja porque Jonas estava lesionado, porque terá percebido que não tem capacidade suficiente para aguentar um meio-campo a dois neste tipo de jogos ou porque as duas derrotas anteriores o levaram a mais cautela no posicionamento, o Benfica assumiu o 4x2x3x1 e a preferência pelo ataque rápido em detrimento do ataque organizado. Com isso garantiu que se expunha menos a perdas de bola do que no 0-3 da Luz e, tendo marcado logo na primeira vez que foi à baliza do Sporting, por Mitroglou, passou a ter o jogo de feição: defendia com duas linhas de quatro e provocava grandes dificuldades ao Sporting para entrar na sua organização defensiva. Os leões empataram numa altura fundamental – mesmo antes do intervalo, por Adrien, num lance que começou numa insistência de Slimani – e Jesus mudou a equipa para a segunda parte: fez sair Montero, mudou João Mário para o corredor central chamou Gelson ao jogo. Com João Mário a juntar-se a Adrien e William ao centro, o Sporting passou a mandar no jogo. Teve 25 minutos de fulgor, mas não marcou, e quando Rui Vitória trocou Pizzi por André Almeida, avançando Talisca e derivando Gaitán para a esquerda, o equilíbrio voltou ao relvado. Mesmo assim, só o Sporting criava situações de golo: Slimani obrigou Júlio César à defesa da noite mesmo sobre o final da partida e, quando a equipa leonina já parecia fisicamente de rastos, fez mesmo o 2-1, numa recarga a um remate de Adrien. A vitória deixa o Sporting num momento único de superioridade sobre o maior rival, mas a forma sofrida como foi alcançada, com Ewerton e Jefferson a saírem por lesão, com jogadores muito fatigados a terem de aguentar os 120 minutos, como foi o caso de Ruiz, por exemplo, mostra que a euforia não é aconselhável e que o plantel precisa mesmo de reforços se Jesus quer encarar várias competições ao mesmo tempo. A poupança na Liga Europa talvez não tenha sido tão má ideia, afinal. A derrota provoca no Benfica um sentimento de frustração, pois não é normal o bi-campeão perder três vezes com o mesmo adversário, ainda por cima treinado pelo seu ex-comandante. E lança a dúvida acerca da identidade deste Benfica. Qual é o verdadeiro Benfica? O que joga em 4x4x2, procura a largura nos extremos bem abertos e um futebol de posse? Ou o que prefere o 4x2x3x1, que na falta de um grande médio suporta esses extremos num duplo-pivot e concentra mais gente atrás? É que uma das razões para as três vitórias do Sporting está aqui à vista: enquanto os leões jogaram sempre com a mesma ideia e já a sabem de cor, as águias mudaram tudo em cada jogo.
2015-11-22
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Último Passe

Onze minutos chegaram para reduzir a escombros o que tinha sido meio jogo de apatia e indiferença. Quando os seus jogadores finalmente se consciencializaram que para atacar é preciso moverem-se, saírem das posições, de forma a abrir a organização de quem defende, Gaitán abriu o livro e o Benfica resolveu o problema que lhe estava a ser colocado pelo Astana. Onze minutos depois, Mitroglou fechou o resultado. A vitória por 2-0 com que os encarnados resolveram a primeira jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões foi justa, mas dela resultam tanto sinais de satisfação como de preocupação. De satisfação porque há ali gente muito forte do ponto de vista individual, gente capaz de desequilibrar; de preocupação porque não fico com a certeza que o estatismo da primeira parte não seja mais programático ou estratégico do que fruto de um dia mau. O Benfica começou o jogo num 4x1x3x2 clássico e com saída de bola quase sempre feita pelas laterais. Tinha dois extremos (Gonçalo Guedes e Gaitán) cuja obsessão pela largura ficou bem à vista no momento do pontapé de saída, com cada um encostado à sua linha lateral. Tinha dois pontas-de-lança (Mitroglou e Jonas) muito metidos no corredor central e raramente procurando movimentos em direção aos médios ou aos extremos. E tinha dois médios-centro (Samaris e Talisca) que ou tinham bola e uma cortina de jogadores adversários à frente (e Talisca é inútil nesse tipo de futebol) ou viam o jogo de lado, sem conseguirem cobrir toda a extensão de campo que ia de um ala ao outro para deles se aproximarem. O 4x1x3x2 da primeira parte não só parecia demasiado rígido, como desprezava o fundamental deste esquema táctico – a profundidade dada ao jogo atacante pelos laterais. Como estavam sempre na saída de bola e a dirigiam ao extremo do seu lado, mas a este não eram dadas opções de passe pelos médios centro ou pelos avançados, os laterais não podiam dobrar os extremos em busca de profundidade ou fazer movimentos interiores, com receio que o momento de transição defensiva os apanhasse fora do lugar. Resultado: primeira parte lenta do Benfica (não é possível correr depressa se não se tem para onde) e confortável para o Astana, que nesse período foi mesmo capaz de dividir o jogo. A segunda parte foi diferente. Mitroglou procurou mais os corredores laterais e numa dessas movimentações criou condições para a aceleração de Gaitán que deu o 1-0: notável a forma como, com bola, o argentino conseguiu ser mais rápido que os três adversários que estavam na sua zona. Jonas fez mais desmarcações de apoio para o espaço entre as linhas defensiva e de meio-campo do Astana e numa delas lançou Eliseu no bico da área, para que este pudesse oferecer o 2-0 a Mitroglou. Aquilo que a segunda parte mostrou aos jogadores do Benfica é que é preciso correr, mas com noção exata de que se corre para criar um desequilíbrio. Se assim for – como foi depois do intervalo – as coisas podem correr muito melhor. Se a ideia for pura e simplesmente correr em frente, então mais vale estarem quietinhos.
2015-09-15
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Stats

Muitos benfiquistas ligam o desastre que foi a presença encarnada na Liga dos Campeões da época passada à impossibilidade de utilizar Jonas, que chegou depois de fecharem as inscrições para a fase de grupos. E, além de se ter dado bem na Liga dos Campeões quando representava o Valencia, Jonas vai com cinco jogos seguidos na Luz sempre a marcar golos. É nele que se se centram as esperanças encarnadas quando a equipa receber o Astana para a abertura da temporada europeia. A forma caseira de Jonas tem sido determinante para um Benfica implacável nos jogos na Luz. Desde o empate com o FC Porto (0-0) a 26 de Abril, os encarnados marcaram sempre pelo menos três golos como visitados: 4-0 ao Penafiel, 4-1 ao Marítimo, 4-0 ao Estoril, 3-2 ao Moreirense e agora 6-0 ao Belenenses. Jonas marcou em todos esses jogos: um ao Penafiel, dois ao Marítimo, outros dois ao Estoril, um ao Moreirense e mais dois ao Belenenses. Ficam os benfiquistas à espera que ele meta a sexta no desafio com o Astana. Até porque este conta para uma competição onde o brasileiro tem sido feliz. Ao todo, Jonas tem oito golos em 14 jogos para a Liga dos Campeões, tendo mesmo marcado na despedida, a 6 de Março de 2013, no empate (1-1) frente ao Paris St. Germain, que deixou os espanhóis fora de competição, nos oitavos-de-final. Além desse golo, Jonas fez ainda três ao Lille, um ao Bate Borisov (sempre em 12/13), dois ao Leverkusen e um ao Genk (estes em 11/12). Em 2014/15 não jogou competições europeias, fruto do quarto lugar do Benfica na fase de grupos da Liga dos Campeões, e em 2013/14 andou pela Liga Europa com o Valência, mas sem o mesmo rendimento: ao todo, em duas épocas a jogar a segunda competição da UEFA, marcou apenas duas vezes em 16 jogos.   - Jonas não é, ainda assim, o jogador do Benfica com mais golos na Liga dos Campeões. Aos oito do brasileiro responde o grego Kostas Mitroglou com 13, todos ao serviço do Olympiakos. Aliás, também Mitroglou marcou no último jogo que fez para esta competição: a vitória por 4-2 sobre o Malmö, em Dezembro do ano passado, que permitiu à equipa grega seguir para a Liga Europa. E se Jonas não fez mais do que bisar, numa circunstância, Mitroglou pode gabar-se de ter feito um hat-trick na Champions: foi a 2 de Outubro de 2013 que obteve todos os golos na vitória do Olympiakos por 3-0 frente ao Anderlecht em Bruxelas, desde logo deixando o Benfica (que fazia parte desse grupo) em maus lençóis.   - O Astana é a primeira equipa do Cazaquistão a jogar a Liga dos Campeões. Chegou aqui depois de eliminar os campeões da Eslovénia (Maribor), da Finlândia (HJK Helsínquia) e de Chipre (Apoel Nicosia). A equipa cazaque nunca ganhou fora, mas empatou dois dos três jogos que fez como visitante: 0-0 em Helsínquia e 1-1 em Nicosia.   - Stanimir Stoilov, treinador do Astana, jogou durante duas épocas no Campomaiorense, defrontando por duas vezes o Benfica. A 9 de Dezembro de 1995 perdeu por 2-0 na Luz (golos de Edgar e Marcelo, já na segunda parte) e a 14 de Abril de 1996 empatou a zero em Campo Maior. O Campomaiorense desceu de divisão, mas Stoilov ainda ficou por mais um ano.   - Twumasi (que está suspenso), Cañas e Dzholchiyev, com dois golos cada, são os melhores marcadores do Astana nos seis jogos que a equipa fez até chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões.   - O Astana não perde desde 14 de Julho, quando foi batido pelo Maribor, por 1-0. No último quarto-de-hora desse jogo atuou Luka Zahovic, que passou pelas camadas jovens do Benfica. Desde aí, os cazaques somam sete vitórias e dois empates, nas duas deslocações europeias que entretanto fizeram.
2015-09-14
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Artigo

- Ao vencer o Belenenses por 6-0, o Benfica conseguiu a maior goleada desde a vitória pelo mesmo resultado sobre o Estoril, a 28 de Fevereiro. Tal como nesse jogo, Jonas bisou.   - O bis contra o Belenenses foi o segundo da época para Jonas e o nono desde que chegou a Portugal (sendo que num dos casos somou mesmo mais um golo, fazendo um hat-trick). O atacante brasileiro marcou por três vezes ao Sp. Covilhã e depois bisou contra Moreirense, Estoril (duas vezes), Nacional, Académica, Belenenses (duas vezes) e Marítimo. Em três anos e meio de Valencia só fizera cinco bis e um hat-trick.   - Este foi também o primeiro bis de Mitroglou com a camisola do Benfica. Fê-lo ao quinto jogo pelos encarnados. A última vez que bisara foi a 3 de Maio, na vitória ampla do Olympiakos sobre o Kalloni (5-0), para o campeonato grego.   - A derrota na Luz foi a primeira do Belenenses esta época, ao oitavo jogo (contabilizando todas as competições). Contando apenas com os anos em que os azuis estavam na I Liga, a equipa do Restelo não prolongava a invencibilidade durante tantos jogos desde 1979, quando perdeu pela primeira vez ao oitavo jogo, também contra o Benfica.   - Esta foi a maior derrota do Belenenses desde que caiu em Braga, para a Taça de Portugal, por 7-1, a 7 de Janeiro. A resposta de Lito Vidigal foi mudar seis jogadores entre esse jogo e o seguinte: Matt Jones, João Meira, Tiago Silva, Carlos Martins, Sturgeon e Deyverson (este por ter sido expulso) não alinharam frente ao FC Porto, no Dragão. Mas o Belenenses voltou a perder, por 3-0.   - Os 6-0 encaixados na Luz foram a maior derrota de Ricardo Sá Pinto enquanto treinador. Sucederam, curiosamente, contra o mesmo treinador a quem tinha ganho na sua maior goleada: os 5-0 do Sporting ao V. Guimarães de Rui Vitória, a 11 de Março de 2012, nesse aspeto empatados com outros 5-0 ao Horsens, no arranque da época seguinte.   - O Belenenses não marca um golo ao Benfica há 419 minutos de jogo. O último foi a 28 de Setembro de 2013, obtido por Diakité, no empate a uma bola na Luz. Desde então, os azuis levam 329 minutos sem marcar no dérbi, correspondentes a duas derrotas na Luz (3-0 e 6-0) e outras duas no Restelo (0-1 e 0-2).   - O Benfica fez mais golos esta época no jogo em que menos rematou. Visou as redes de Ventura por apenas 19 vezes, tantas quantas tinha chutado à baliza do Estoril, na primeira jornada. Os jogos em que foi mais rematador (22 remates contra o Moreirense e 31 contra o Arouca) renderam menos golos.
2015-09-12
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Artigo

- O Sporting não ganhava um jogo em período de compensação desde 11 de Janeiro, quando um livre de Tanaka lhe valeu uma vitória por 1-0 em Braga. Para encontrar uma vitória em tempo de compensação com um golo de penalti é preciso recuar até 8 de Fevereiro de 2006, data de um jogo em casa com o Paredes, para a Taça de Portugal, em que o 2-1 final surgiu aos 90+2’ numa grande penalidade convertida por João Moutinho.   - Adrien vai numa série de seis grandes penalidades consecutivamente convertidas. A última vez que falhou foi a 11 de Maio de 2014, na jornada de despedida da Liga, quando permitiu a defesa a Vagner (Estoril). Desde então, marcou a Schalke, Estoril, Marítmo, V. Guimarães, Sp. Braga e Tondela.   - Ao fazer o golo do Tondela, Luís Alberto sucedeu a Bruno Amaro (Arouca), Pinheiro (Trofense), Bruno Fogaça (Naval), João Duarte (Moreirense) e Gamboa (Santa Clara) na honra de fazer o primeiro golo da sua equipa na Liga portuguesa. Dos seis, só Fogaça e João Duarte não o fizeram na baliza do Sporting.   - Ao bisar frente ao V. Guimarães, Aboubakar conseguiu algo que Jackson Martínez nunca foi capaz de fazer na primeira jornada das três Ligas que disputou. O colombiano, aliás, ficou mesmo em branco na abertura de 2012/13, um empate a zero frente ao Gil Vicente, e marcou apenas uma vez na estreia das duas derradeiras Ligas. Mas Jackson tem uma Liga a marcar sempre nas primeiras cinco jornadas e isso Aboubakar ainda terá de tentar.   - O FC Porto obteve a 10ª vitória consecutiva frente ao V. Guimarães no Dragão, um recorde entre as equipas que estão na edição deste ano da Liga. Desde Fevereiro de 2005 que o V. Guimarães não pontua no terreno dos azuis e brancos: na altura empatou a zero.   - Varela fez um o primeiro golo no Dragão desde 19 de Janeiro de 2014. Na altura obteve o segundo de uma vitória que também ficou pelos 3-0 e contra outro Vitória: o de Setúbal. Da equipa do FC Porto que alinhou nesse dia só restaram no jogo de sábado ele, Alex Sandro e Maicon.   - Armando Evangelista entrou na Ligada pior maneira: com uma derrota por 3-0 no Dragão. A última vez que o V. Guimarães estreara um técnico na Liga antes desta correra igualmente mal: em 2011/12, Manuel Machado saiu após a primeira jornada e a equipa ficou entregue ao seu adjunto Basílio Marques, que a 28 de Agosto de 2011 se estreou com uma derrota por 3-0, em casa, com o Beira Mar. Na jornada seguinte entrou em funções Rui Vitória.   - Mitroglu e Nelson Semedo fizeram um golo cada um, na estreia na Liga portuguesa. O último jogador a estrear-se com golo pelo Benfica tinha sido Jonas, que entrou ao intervalo para o lugar de Lima e fez o quarto numa vitória também ela por 4-0 frente ao Arouca, a 5 de Outubro de 2014. Curioso é que também nesse jogo o Benfica só abriu o ativo aos 75’.   - Jonas obteve frente ao Estoril o oitavo bis com a camisola do Benfica. O primeiro deles, aliás, foi mesmo um hat-trick, contra o Sp. Covilhã, na Taça de Portugal (vitória benfiquista por 3-2), naquele que foi o seu segundo jogo pelos encarnados. Desde esse desafio, o brasileiro bisou mais sete vezes, contra Moreirense, Estoril, Nacional, Académica, Belenenses, Marítimo e, de novo agora, Estoril.   - Os 4-0 ao Estoril são o melhor arranque de Liga do Benfica desde 1997, quando a equipa liderada por Manuel José se impôs ao Campomaiorense, na Luz, pelo mesmo resultado (golos de Calado, João Pinto e bis de Paulo Nunes). Para encontrar uma abertura com vitória por mais de quatro golos é preciso recuar a 1975 e a um 9-1 ao Leixões, com cinco golos de Nené, dois de Moinhos, um de Shéu e outro de Toni.   - O Estoril segue numa série horrível de 12-0 em visitas à Luz, depois do empate a um golo que ajudou os encarnados a perder o campeonato de 2012/13. Nas três épocas seguintes, os canarinhos perderam por 2-0, 6-0 e agora 4-0. Aliás, a equipa agora dirigida por Fabiano Soares tem sido freguesa habitual dos grandes sempre que os visita. Desde que, ainda com Marco Silva aos comandos, ganhou em Alvalade ao Sporting na despedida da Liga de 2013/14, vai com uma série de resultados amplos consecutivos: 3-0 em Alvalade, 6-0 na Luz, 5-0 no Dragão e agora 4-0 na Luz. Em todos esses jogos teve um penalti contra…   - Os três grandes ganharam os seus jogos na jornada de abertura na Liga. Algo que não acontecia há 21 anos, desde que, em 1994, o Sporting venceu fora o Farense (2-0, com golos de Juskowiak e Sá Pinto), o Benfica bateu o Beira Mar em Torres Novas (também 2-0, com golos de Paneira e Clóvis) e o FC Porto se impôs em casa ao Sp. Braga (ainda 2-0, com tentos de Rui Filipe e Kostadinov).   - Os 29 golos marcados nos nove jogos da primeira jornada da Liga são o arranque mais goleador desde 1996, quando em igual número de partidas se fizeram 34 tentos. A média de golos por jogo, porém, já tinha vindo a crescer nas últimas duas épocas, tendo há dois anos estado também acima dos três golos por jogo (26 em oito jogos).   - O Sp. Braga conseguiu, frente ao Nacional, a primeira virada da Liga (de 0-1 para 2-1). Curioso é que a última virada do Sp. Braga tinha acontecido no mesmo local e frente ao mesmo adversário: de 0-1 para 3-1 a 28 de Fevereiro de 2015, contra o Nacional, na 22ª jornada da última Liga.   - Gonçalo Brandão marcou ao Rio Ave o seu primeiro golo desde 18 de Outubro de 2003, data em que assinou o tento belenense na derrota em casa frente ao FC Porto, por 4-1. Desde então, além do Belenenses, representou Charlton, Siena, Parma e Cluj, mas nem por uma vez fez um golo.   - Os 3-3 no Restelo assinalaram a terceira época consecutiva do Rio Ave a marcar três golos no campo do Belenenses. Na época passada os vila-condenses tinham ganho por 3-1 e há dois anos por 3-0. Ponto comum às duas vitórias foram golos de Del Valle, o venezuelano entretanto emigrado para o Kasimpasa, da Turquia.   - Espetacular recuperação do Boavista em Setúbal: de 0-2 para 2-2 com um jogador a menos, por expulsão de Idris, aos 69'. O Boavista não recuperava um resultado num jogo que tenha acabado em inferioridade numérica na Liga desde 5 de Novembro de 2005, quando depois da expulsão de Areias, um golo de João Pinto, aos 87', valeu um empate (1-1) ante o Belenenses no Restelo. Na época passada, em casa contra o Rio Ave, também recuperou de 0-1 para 1-1 depois da expulsão de Beckeles, mas o jogo acabou dez contra dez, pois também foi expulso o vila-condense Prince.   - Nuno Coelho (Arouca) abriu em Moreira de Cónegos o caminho à vitória do Arouca, com um golo de cabeça que apenas o segundo na Liga. Sempre que ele marcou, porém, o Arouca ganhou: já tinha sido ele a garantir a vitória em casa ante o V. Setúbal, em Janeiro último (1-0).   - O dérbi da Madeira, com Breitner (U. Madeira) e Briguel (Marítimo) em campo (e não jogava a RFA de 1982…) sorriu à equipa azul e amarela. Não é novidade o Marítimo perder (já tinha saído derrotado nas últimas três visitas ao Nacional. Mas é novidade o U. Madeira ganhar: nos cinco anos que o União passara na I Liga empatara sempre em casa com o Marítimo e perdera nas deslocações aos Barreiros.   - A derrota em Paços de Ferreira significou o 10º jogo seguido sem ganhar na Liga para a Académica de José Viterbo. O treinador, que foi tão importante na recuperação, ganhando três dos primeiros quatro jogos, está ainda a cinco jogos de igualar o recorde de 15 sem vitória que custou o lugar a Paulo Sérgio, antes de ele entrar.
2015-08-17
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Último Passe

As chegadas de Mitroglou ao Benfica e de Osvaldo e Cissokho ao FC Porto têm, objetivamente, um peso diferente na avaliação deste dia de mercado, com vantagem clara para o empréstimo do atacante grego ao Benfica. E não é só por ele ter andado a ser negociado durante semanas pelo Sporting. Cissokho, na verdade, só será notícia se Alex Sandro acabar por sair. O lateral franco-senegalês viveu uma época áurea em Portugal, entre V. Setúbal e FC Porto, e desde então só não conseguiu verdadeiramente impor-se no Liverpool, tendo estado a bom nível em Lyon, Valência e Aston Villa, mas não é jogador para ser titular de caras no lugar do brasileiro. O atacante italo-argentino vem responder a uma carência gritante no futebol de Lopetegui desde a saída de Jackson Martínez: não por falta de qualidade de Aboubakar – que a tem – mas por uma questão de encaixe no futebol que a equipa praticava e que precisa de um finalizador que o camaronês não é. Ainda assim, o futebol de Osvaldo também obrigará a algumas adaptações no processo atacante da equipa e estou longe de o imaginar a produzir o magote de golos que o antecessor colombiano garantia. Por isso, chegamos a Mitroglou. Começa por ser a tal facada no Sporting, que andava a rondar o grego do Fulham há algum tempo – ainda que também em Alvalade a entrada de Mitroglou só fizesse verdadeiramente sentido se o clube quisesse desfazer-se de Slimani, pois nem o grego tiraria o lugar ao argelino nem os leões precisariam de um suplente de tanta categoria. Mas o fundamental é que Mitroglou é um dos jogadores que falta ao futebol gizado por Rui Vitória. Já se sabe que Jonas sai muito da área, que rende mais como segundo avançado – como quase todos os atacantes brasileiros que se prezam – e que um casamento como o que tinha com Lima, com divisão quase total de tarefas, não se encontra com facilidade. Mas Mitroglou pode libertar Jonas e, ao mesmo tempo, garantir golos, porque é um finalizador de categoria máxima. Dirão os mais céticos que ele falhou em Inglaterra. É verdade. E não me ocorre nenhuma razão que não seja o facto de ele ser jogador de clube grande, dos que parece que não estão em campo mas depois aparecem lá para o toque final. Os mais velhos lembrar-se-ão das razões pelas quais, por exemplo, Fernando Gomes não rendia na seleção nacional e marcava tantos golos no FC Porto. É que, apesar dos excelentes jogadores que tinha nesse início da década de 80, Portugal não era uma equipa grande. Não queria sê-lo. Caberá ao Benfica ser a equipa de que Mitroglou precisa para render.
2015-08-05
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