PESQUISA 

Último Passe

Um regresso feliz de Mitroglou ao onze ajudou o Benfica a vencer o Sp. Braga por 3-1 e a isolar-se na frente da classificação da Liga, à quinta jornada. Um bis do grego, somado a um golo de Pizzi, transformou um desafio que se antevia – e que foi… – difícil numa vitória que até permitiu alguma descompressão no final, quando a margem de manobra cresceu e o desgaste do adversário também. Até ao momento em que o Benfica acabou com o jogo, com dois golos de rajada, à entrada para os últimos 20 minutos finais, porém, quase que se via a repetição da partida da Supertaça, com a eficácia na finalização a fazer a diferença entre as equipas de Rui Vitória e José Peseiro. O jogo começou a um ritmo alucinante, o que à partida parecia ser melhor para os donos da casa do que para os visitantes, que tinham menos dois dias de recuperação desde a sua partida europeia. O Benfica, com Mitroglou à frente de Gonçalo Guedes, a alargar o espaço disponível pela forma como busca a profundidade, era melhor com bola do que sem ela: o seu meio-campo ligava bem o jogo ofensivo mas, até pela baixa de Fejsa em momento de construção, era pouco agressivo em transição defensiva, permitindo que o jogo se disputasse muito na largura e na capacidade que ambas as equipas mostravam para encontrar o corredor contrário ao da bola. E aqui invertiam-se os papéis: o 4x2x3x1 do Sp. Braga, com Vukcevic sempre bem no passe e os dois extremos (Pedro Santos e Wilson Eduardo) inteligentes na forma de variar centro de jogo, conseguia expor vulnerabilidades no Benfica e transformar o desafio num jogo de transições que convinha menos aos donos da casa. Nessa altura, só a noite seguríssima de Júlio César evitou males maiores para o Benfica. As ocasiões de golo sucediam-se, nas duas balizas. Mitroglou chutou ao lado da entrada da área aos 2’, respondeu Hassan falhando o alvo depois de isolado frente a Júlio César, aos 4’. O guarda-redes do Benfica tirou um golo cantado a Pedro Santos aos 5’, sendo imitado por Marafona, que deteve um remate perigoso de Salvio aos 12’. Nessa altura, Marafona lesionou-se, o jogo esteve interrompido e da pausa saiu melhor o Benfica, que inaugurou o marcador aos 27’, numa arrancada de Guedes que Mitroglou transformou no 1-0, depois de ser o mais rápido a adivinhar onde ia cair o cruzamento. Até ao intervalo, o Sp. Braga ainda obrigou Júlio César a mais duas defesas providenciais, a remates de Pedro Santos (aos 37’) e Rosic (num canto, aos 45’), mas a equipa de Peseiro já não regressaria tão forte para o segundo tempo. Fosse por causa do desgaste da partida de quinta-feira ou devido às correções feitas ao intervalo por Rui Vitória, a verdade é que passou a pairar na Luz a ideia de que estava mais perto o 2-0 que o 1-1. Guedes, de livre, ainda obrigou Marafona a uma extraordinária defesa, num livre que ainda desviou na barreira, como que a prenunciar que um ressalto acabaria por resolver o jogo. Foi o que aconteceu aos 74’, quando um atraso de Mitroglou bateu no bracarense Douglas Coutinho e ganhou a direção da área, onde Pizzi estava sozinho e aproveitou para fazer o 2-0. A desorientação bracarense conduziu ao terceiro golo, apenas quatro minutos depois, obra de Mitroglou, de cabeça, após uma insistência de Pizzi na esquerda. E o resultado só não foi o mesmo da Supertaça porque, mesmo em cima do minuto 90, Rosic melhorou o que tinha feito a fechar a primeira parte, cabeceando para golo um canto de Wilson Eduardo. O jogo fechava, ainda assim, com a vitória do Benfica, uma vitória que, mesmo no meio de tantas lesões, deixa os tricampeões nacionais isolados na frente da tabela. Rui Vitória não valorizou este aspeto, mas certamente que não o desprezaria se alguém lho antevisse antes deste atribulado arranque de campeonato. Ainda há muitos jogos para fazer, alguns pontos para perder, mas a tendência normal com o regresso dos titulares é que este Benfica fique mais forte.
2016-09-19
LER MAIS

Artigo

A história da final da Taça de Portugal escreveu-se com o nome de dois heróis e não com os de quatro réus, como chegou a prometer. Antes assim, que as finais servem para que se cantem canções de glória. Mas nem é seguro que os heróis possam tirar grande proveito da tarde como o não é que os réus tenham o futuro imediato assegurado. O defeso ainda vai ter muitas histórias para contar acerca de todos eles. Primeiro os heróis, com Marafona à cabeça. O guarda-redes do Sp. Braga foi a grande diferença entre o pesadelo de há um ano e a festa de ontem, ao defender dois penaltis que impediram que os minhotos voltassem a morrer na praia. Tal como há um ano, beneficiaram de uma vantagem de dois golos sem terem feito muito por isso. Tal como há um ano, viram o adversário chegar ao 2-2 no último minuto de jogo, lançando-os num prolongamento que, até pelo que tinham vivido antes, cheirava a tragédia por todos os lados. Mas ao contrário do que sucedeu há um ano levaram a taça para casa, muito à conta do guarda-redes que começou a época no Paços de Ferreira. O mais improvável herói da tarde defendeu dois penaltis e esteve quase a deter um terceiro, mas ainda vai ter de se esforçar para manter a preponderância num plantel em constante mutação. Outro herói foi André Silva. O avançado portista veio mostrar a todo o país aquilo que alguns já sabiam: que está mais do que pronto para ser o ponta-de-lança da seleção nacional. Marcou dois golos, o primeiro pleno de oportunismo, o segundo numa execução técnica perfeita, resgatando o FC Porto de uma derrota que parecia inevitável, mas nem precisava de os ter marcado, tão boa é a generalidade das suas intervenções no jogo. Sempre bem a decidir, se busca a profundidade, o movimento de rotura, se passa ou remata ou se baixa em apoio, André Silva tinha na falta de golos o argumento dos que diziam que ainda não fizera o suficiente para “merecer” ir à seleção. Acontece que à seleção não se vai porque se merece – vai-se quando se pode ser útil. E André Silva vai poder ser útil. Não já em 2016, mas seguramente depois dos Jogos Olímpicos, quando assumir o lugar que é dele no futuro do FC Porto e da seleção nacional. O que nos leva ao primeiro réu: José Peseiro. O treinador do FC Porto confirmou as teses dos que o acusam de ser “pé frio”, como se isso existisse no futebol ou na vida. Ao perder a final da Taça de Portugal, Peseiro perdeu também a melhor oportunidade que tinha para agarrar um lugar à frente do plantel para 2016/17. Mas se por um lado não deve ser por um jogo que se julga a competência de um líder, por outro também é evidente que o FC Porto não cresceu o que os seus responsáveis esperariam após a troca de Lopetegui pelo ribatejano. Primeiro porque continuou a promover o “lopeteguismo” sem Lopetegui, na forma de jogar; depois porque a equipa passou a perder muito mais derrotas do que anteriormente. Peseiro não foi capaz de empurrar a equipa para as conquistas que gostaria de ter alcançado, por falta de tempo para trabalhar, de convicção na liderança ou por ter sido vítima de um plantel desequilibrado. Ainda resolveu a lacuna do ponta-de-lança – que Aboubakar nunca foi e André Silva começa a ser – mas não foi capaz de construir uma defesa capaz com tanta falta de qualidade. E ainda que isso em parte o absolva, deverá também chegar para o impedir de continuar. Porque um homem é ele mesmo e as suas circunstâncias e, aos olhos do público, pelo menos, Peseiro é um perdedor. Mesmo que os réus principais no jogo de ontem tenham sido outros. Helton e Chidozie pelo desentendimento no lance do primeiro golo, no qual o defesa se encolheu e o guarda-redes saiu sem resolver; outra vez Helton e Marcano na jogada do segundo, no qual o guarda-redes deu a bola ao central com este de costas para o jogo e prestes a ser pressionado e o defesa não teve a perceção disso mesmo, deixando-se antecipar. Uma coisa é certa: o FC Porto de 2016/17 não deve ter Peseiro ao leme, mas também dificilmente terá Helton, Chidozie ou até Marcano em posições de destaque. Porque o renascimento de um FC Porto ganhador ao fim de três anos de jejum total dependerá muito da construção de uma defesa capaz. In Diário de Notícias, 23.05.2016
2016-05-23
LER MAIS

Último Passe

Dois penaltis defendidos por Marafona permitiram ao Sp. Braga ganhar a segunda Taça de Portugal da sua história, 50 anos exatos depois da anterior. O guarda-redes apareceu quando em Braga já não se pensava noutra coisa a não ser na final do ano passado, perdida contra o Sporting depois de uma vantagem de dois golos que os leões anularam com o empate em cima do minuto 90. Desta vez foi André Silva, o jovem goleador portista, quem reanimou o FC Porto e, com um bis, levou a equipa de José Peseiro a um empate (2-2) que teve pelo menos um mérito: passou para segundo plano a forma como os bracarenses se colocaram em vantagem, com dois erros crassos da defesa portista e de Helton. André Silva e Marafona foram, assim, os dois grandes vencedores de uma tarde que bem podia ter ficado marcada pelo papel dos anti-heróis Helton, Chidozie e Marcano. Foram os protagonistas que asseguraram que os nomes aos quais ficará ligada esta final da Taça de Portugal o são pelas razões certas, por proezas e não por erros. Porque a história até ao 2-0 foi, sobretudo, uma história de erros. Primeiro, erraram Helton e Chidozie, quando ficaram um à espera do outro após um passe para as costas da defesa do FC Porto, permitindo que Rui Fonte, a aposta surpresa de Paulo Fonseca, se intrometesse e marcasse numa baliza deserta. A primeira parte ainda mostrou um Sp. Braga a sair bem do primeiro momento de pressão portista e a encontrar espaço nas costas dos laterais, quinda por cima queimando bem linhas em posse. Ante um FC Porto inoperante na frente, o 1-0 ao intervalo até se compreendia. Para a segunda parte, que Peseiro abordou sem Chidozie, com Ruben Neves a meio-campo e Danilo como defesa-central, apareceu um FC Porto diferente. Melhor, mais acordado, a procurar o empate que Herrera quase conseguiu ao minuto 57, quando fez um remate de ressaca passar a milímetros do poste da baliza de Marafona. E na resposta veio o segundo erro: bola longa, a chegar a Helton, que a entregou a Marcano; desatenção do defesa espanhol, que olhou para um lado quando Josué lhe apareceu do outro, a roubar-lhe o esférico e a marcar. Com 2-0, a sorte do FC Porto dependia do tempo que levasse a reduzir – e fê-lo rapidamente, porque aí começou a grande tarde de André Silva. Primeiro a empurrar para as redes um primeiro remate de Brahimi que Marafona defendera; depois, já em período de compensação, a empatar o jogo com um remate acrobático de excelente execução, após cruzamento de Herrera. O empate fazia nascer na mente dos bracarenses o fantasma daquilo que foi a final do ano passada, perdida nos penaltis depois de o Sporting ter anulado uma desvantagem de dois golos no último minuto da partida. Paulo Fonseca há-de ter centrado a conversa com a equipa na necessidade de reação a uma segunda parte que tinha sido de ampla superioridade portista. E, mesmo não tendo voltado a ser capaz de incomodar Helton, o Sp. Braga conseguiu pelo menos impedir o FC Porto de fazer um terceiro golo e levar a decisão para as grandes penalidades. Só que aí, naquela que podia ser a oportunidade de ouro para a redenção, Helton não brilhou e quem o fez foi Marafona – o guardião bracarense deteve os penaltis de Herrera e Maxi Pereira (e ficou a poucos centímetros de parar o de Ruben Neves também), o que, somado aos 100% de acerto dos seus colegas que bateram, levou o Sp. Braga a fazer a festa e lançou ainda mais dúvidas no que vai ser a próxima época do FC Porto. Se uma eventual vitória na final da Taça de Portugal podia dar a José Peseiro a força de que necessitava para reivindicar o cumprimento do ano de contrato que lhe falta, mesmo depois de seis meses em que não foi capaz de recuperar a equipa, a confirmação de um terceiro ano sem um único troféu deixa-o numa posição frágil, à espera de uma palavra de Pinto da Costa. Do outro lado, Paulo Fonseca celebrou um lugar na história do Sp. Braga recusando-se a garantir que quer prosseguir. Neste aspeto, a final da Taça de Portugal pode ser igual à do ano passado.
2016-05-22
LER MAIS

Artigo

Gonçalo Guedes fez o primeiro golo com a camisola do Benfica, ao 16º jogo oficial, a vitória por 3-0 frente ao Paços de Ferreira. Tornou-se assim o mais jovem marcador da história dos encarnados desde que o norte-americano Freddy Adu marcou o golo do empate (1-1) na Amadora, num jogo frente ao Estrela que contava para a Taça da Liga, oito anos exatos antes do golo do jovem de Benavente. Gonçalo Guedes fez o golo ao Paços de Ferreira a 26 de Setembro de 2015, a dois dias de completar 18 anos e dez meses; Adu tinha-se estreado a marcar pelo Benfica também a 26 de Setembro, mas de 2007, com 18 anos e três meses de idade. Mesmo se contarmos apenas jogos da Liga, Gonçalo Guedes não bate a idade de Adu à data do primeiro golo: fê-lo a 28 de Outubro de 2007, numa vitória por 2-1 sobre o Marítimo, com 18 anos e quatro meses.   - Ao assistir Gonçalo Guedes para o 2-0, o argentino Gaitán mantém-se como melhor assistente da Liga, com cinco passes para golo (antes tinha feito os passes para golos de Mitroglou e Nelson Semedo ao Estoril e Jiménez e Jonas ao Moreirense). O segundo melhor assistente da Liga é Gonçalo Guedes, com quatro passes para golo: Jonas e Talisca ao Belenenses, mais dois para Jonas ao Paços de Ferreira.   - A vitória sobre o Paços de Ferreira permitiu a Rui Vitória chegar pela primeira vez ao fim de um jogo contra uma ex-equipa na Liga sem sofrer golos. Até aqui tinha encaixado doze em oito jogos, nunca mantendo a baliza a zeros.   - Jonas segue com sete golos em seis jornadas da Liga, com uma média superior a um golo por jogo. O último jogador a consegui-lo à sexta jornada tinha sido Montero (Sporting, em 2013/14). No Benfica ninguém tinha uma marca assim desde Cardozo, em 2009/10.   - Jonas vai ainda com seis jogos consecutivos a marcar em casa, na Liga. Ficou em branco contra o FC Porto (0-0), em finais de Abril, mas depois marcou ao Penafiel (um golo nos 4-0), ao Marítimo (dois nos 4-1) e, já esta época, ao Estoril (dois nos 4-0), ao Moreirense (um nos 3-2), ao Belenenses (dois nos 6-0) e agora ao Paços de Ferreira (dois nos 3-0).   - Luisão completou o 465º jogo pelo Benfica, igualando Manuel Bento como o sexto homem com mais partidas pelos encarnados em toda a prova. À frente dele só estão agora Nené (575 jogos), Veloso (538), Coluna (525), Humberto Coelho (498) e Shéu (487).   - O guarda-redes Marafona vai com 40 jogos completos consecutivos no campeonato. Entre a Liga anterior, que fez no Moreirense, e a atual, no Paços de Ferreira, são 3600 minutos sem falhar um, o que faz dele o jogador há mais tempo consecutivo em atividade na prova.   - O Paços de Ferreira sofreu a segunda chapa 3 consecutiva na Liga, depois de ter perdido em casa com o Rio Ave por 3-0. Algo que não acontecia aos pacenses desde Dezembro de 2013, quando depois de perderem em Alvalade com o Sporting por 4-0 foram batidos em casa pelo Estoril por 3-0.
2015-09-27
LER MAIS