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Último Passe

A vitória de um Portugal cheio de segundas linhas sobre o Luxemburgo foi uma coisa natural. Apesar dos progressos recentes dos luxemburgueses, que ainda no fim-de-semana tinham ganho à Grécia, e da ausência de vários titulares na equipa das quinas, a diferença de qualidade entre as duas seleções era tão evidente que nem o relvado em mau estado, a chuva, a ventania e alguns períodos de menor empenho e intensidade dos portugueses foram suficientes para equilibrar o resultado. Os 2-0 finais pecaram por escassos e permitiram a Fernando Santos a primeira vitória por mais de um golo desde que chegou à seleção, há 13 meses, mas não lhe deram para tirar muitas conclusões acerca dos testes que pretenderia fazer. Só André André deu um passo em frente. Nenhum dos estreantes de Moscovo ontem chamados à titularidade ou dos jogadores que podiam aproveitar a ausência das primeiras linhas para brilhar fez uma declaração de interesses de tal forma forte que lhe permitisse marcar bilhete para o Europeu. Lucas João falhou o encontro com o jogo, Ruben Neves limitou-se a ser regular, Gonçalo Guedes ainda fez um bom remate e sofreu a falta que deu o segundo golo a Nani, mas esteve pouco tempo em campo, tal como Ricardo Pereira. Quer isto dizer que estão fora? Não. Só que não meteram o pé na porta para impedir que ela se fechasse, tal como o não fez Nelson Oliveira, ouro candidato agora recuperado à vaga de parceiro de Ronaldo no ataque. E as dúvidas que restam a Fernando Santos terão de ser esclarecidas em andamento pelo rendimento que os diversos candidatos forem apresentando ao longo da época nos seus clubes. Nos jogos de Março, assumiu o selecionador nacional, o grupo já estará muito mais próximo do que viajará para França. E se alguém marcou lugar para essas datas terá sido André André, o melhor em campo no Luxemburgo e o mais forte candidato a duplo de João Moutinho na fase final. O problema aqui é que as coisas a meio-campo têm duas razões para se complicarem. Por um lado, os candidatos às seis ou sete vagas são pelo menos uma dezena (William, Danilo, Tiago, Moutinho, André André, André Gomes, João Mário, Ruben Neves, Veloso, Adrien ou até Pizzi e André Almeida se entretanto se afirmarem no Benfica). Por outro, ainda falta a Santos definir o modelo de meio-campo que quer. Se é com um médio-centro e dois interiores, se é com dois médios de perfil e outro no apoio direto ao ponta-de-lança ou até se é a quatro, caso encontre um parceiro que permita soltar Ronaldo no ataque.
2015-11-17
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Stats

A visita ao Luxemburgo parece ser a ocasião ideal para a seleção de Fernando Santos ultrapassar o que já começa a ser um aspeto criticado pelos adeptos e a que podemos chamar o “trauma da vantagem mínima”, evitando igualar um recorde histórico que data do pós-Saltillo. A equipa de Santos ganhou todos os jogos de competição que fez e saiu em primeiro do seu grupo de qualificação para o Europeu, o que é notável e vale mais do que qualquer estatística, mas nem em jogos competitivos nem em particulares ganhou uma única vez por mais de um golo de diferença. Desde o jogo de preparação contra a Rep. Irlanda, nos Estados Unidos, antes do Mundial de 2014, vencido por 5-1 ainda com Paulo Bento no banco que Portugal não ganha por mais de um golo a ninguém. São já 17 jogos, a um do máximo no historial da seleção, que está fixado em 18 partidas sem uma vitória confortável. Desde esse jogo com a Rep. Irlanda, a 11 de Junho de 2014, em New Jersey, Portugal fez 17 jogos, ganhando dez, empatando um e perdendo os restantes seis. Nos dez que ganhou, fê-lo sempre por um golo de diferença: 2-1 ao Gana, ainda no Mundial e por duas vezes à Sérvia, na qualificação do Europeu; 1-0 por duas vezes à Dinamarca, bem como à Arménia, à Argentina, à Itália e à Albânia; e 3-2 na Arménia. Com o empate frente aos Estados Unidos (2-2, no Mundial) e as derrotas contra Alemanha (4-0), Albânia (1-0), França (2-1 e 1-0), Cabo Verde (2-0) e agora Rússia (1-0) são já 17 jogos sem ganhar um por mais de um golo. Ora o máximo histórico da seleção de Portugal está em 18 jogos seguidos sem uma vitória por pelo menos dois golos de diferença e foi estabelecido entre Fevereiro de 1986 e Março de 1989. Também com um Mundial a correr mal pelo meio. Nessa altura, depois de ganhar por 2-0 ao Luxemburgo, num particular, em Fevereiro de 1986, e até golear Angola por 6-0 noutro jogo de preparação, em Março de 1989, Portugal fez 18 jogos, ganhando apenas seis, empatando sete e perdendo cinco. As seis vitórias foram pela margem mínima, sempre por 1-0: à Inglaterra, na fase final do Mundial do México; à Bélgica num particular; à Suècia, em Estocolmo, no regresso dos proscritos de Saltillo; a Malta, na despedida da qualificação para o Europeu de 1988; e ao Luxemburgo, na abertura do apuramento para o Mundial de 1990. Esse apuramento para o Mundial, curiosamente, marca também a última partida entre Portugal e o Luxemburgo que não acabou com vitória lusitana, pois o jogo no Luxemburgo acabou empatado a uma bola. Desde esse empate, em 1991, Portugal ganhou sempre e em seis dos sete jogos fê-lo por mais de um golo. A exceção foi em Setembro de 2012, na qualificação para o Mundial do Brasil, em que os portugueses se impuseram apenas por 2-1.   - Após a derrota na Rússia (1-0), Portugal procurará ainda evitar ficar dois jogos seguidos sem ganhar, algo que já não lhe acontece desde a mudança de selecionador. Em Setembro do ano passado, a seleção perdeu em casa com a Albânia (1-0), naquele que acabou por ser o último jogo de Paulo Bento aos comandos, saindo depois também derrotada do primeiro desafio de Fernando Santos, um particular com a França em Paris (2-1).   - Essa foi também a última série de duas derrotas consecutivas da seleção nacional. Para se encontrarem duas derrotas seguidas com o mesmo selecionador no banco é preciso recuar a Junho de 2012, quando Paulo Bento perdeu o último particular antes do Europeu, por 3-1, com a Turquia, e depois saiu derrotado na estreia na prova, por 1-0 contra a Alemanha. A equipa acabou por só cair nas meias-finais, nos penaltis, contra a Espanha.   - O Luxemburgo vem de uma significativa vitória sobre a Grécia, por 1-0, com golo de Joachim já nos descontos. Na qualificação para o Euro’2016 também ganhou um jogo: 1-0 à Macedónia, com golo de Thill, também nos descontos. Já no apuramento para o Mundial de 2014 ganhara apenas uma vez: 3-2 à Irlanda do Norte. Mas aí o golo da vitória chegou mais cedo, obra de Jänisch, a três minutos do fim.   - Portugal fez 14 jogos com o Luxemburgo e só não ganhou dois, ambos fora. Perdeu por 4-2 em 1961, em desafio marcado pela estreia de Eusébio (que marcou um golo), e empatou a uma bola em 1991, na noite em que se estreou Figo.  Isto é: dois dos três Bolas de Outro do futebol português deram os primeiros passos na seleção no Luxemburgo. Desta vez não há estreias em perspetiva.   - Postiga marcou nos últimos três jogos entre Portugal e o Luxemburgo. Fez um golo nos 5-0 de Agosto de 2011, outro nos 2-1 de Setembro de 2012 e mais um nos 3-0 de Outubro de 2013.   - Depois de atingir a quota de 19 estreantes no jogo com a Rússia, no qual deu a primeira internacionalização a Gonçalo Guedes, Ruben Neves, Lucas João e Ricardo Pereira, Fernando Santos não tem mais novos internacionais na calha. Ainda assim, com apenas um ano e um mês no cargo, está a apenas cinco estreias de Paulo Bento, que promoveu 24 jogadores à seleção, mas em quatro anos. No passado recente, só Carlos Queiroz (35 estreantes em duas passagens, de sensivelmente dois anos cada), António Oliveira (31 estreantes, também em duas passagens de dois anos cada), Luiz Felipe Scolari (30 estreantes em cinco anos) e Paulo Bento (24 em quatro anos) superam a quota de Fernando Santos.
2015-11-16
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