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Último Passe

O facto de ter conquistado os últimos quatro campeonatos nacionais e de ter terminado a época com uma dinâmica de vitória superior até à da época passada deixa, à partida, o Benfica na “pole position” para a Liga que aí vem. Como, apesar de práticas recentes poderem indiciá-lo, Luís Filipe Vieira já veio dizer que não tenciona mudar de treinador nem de paradigma, ao Benfica resta sobretudo não estragar o que tem feito até aqui, acertando o mais possível nas inevitáveis substituições de jogadores a que o mercado vai obrigá-lo. Mesmo que, como pode acontecer este ano, se veja forçado a substituir muita gente num mesmo setor tão fundamental como é o defensivo. Parece afastada a ideia segundo a qual Vieira e Jorge Mendes poderiam sentir-se tentados a fazer com Rui Vitória o que já quiseram fazem com Jorge Jesus há dois anos: trocá-lo em alta e aproveitar esse facto para o colocar num clube de topo na Europa, de forma a alargarem a sua zona de influência no mercado e potenciarem futuras transferências milionárias. Se Vitória fica, resta verificar se o paradigma de aposta nos jovens do Seixal se mantém também e se essa é a melhor política para um defeso em que se prevê que o Benfica possa perder boa parte da sua estrutura defensiva mais recuada. Porque a maior ameaça à hegemonia que o Benfica tem estabelecido no futebol português é a junção do fator sucesso-mercado à veterania de peças fundamentais, como Luisão e Jonas, que entrarão nesta nova época com 36 e 33 anos no BI, respetivamente. É verdade que o Benfica já suportou esta época uma quebra enorme de rendimento de Jonas, que passou boa parte do tempo de fora, por doença. É verdade também que na época anterior foi quando Luisão se magoou e Vitória fez dupla de centrais com Jardel e Lindelof que a equipa arrancou para o título, aguentando de forma estoica o sprint final do Sporting. A questão é que nunca faltaram os dois ao mesmo tempo, como a crescente veterania de ambos poderá levar a que aconteça, mais cedo ou mais tarde. Além de que, quando eles faltaram, à vez, havia em campo uma estrutura na qual a equipa podia montar-se. Uma estrutura que teve Júlio César e depois Ederson, que tinha Fejsa e Pizzi para permitir as eclosões de Lindelof, Nelson Semedo, Renato Sanches ou até Gonçalo Guedes. E falta perceber se há lá mais como estes – sobretudo se há tantos para um mesmo setor, no caso o defensivo. É mais ou menos consensual que o nível do campeonato de 2016/17 foi um pouco inferior ao de 2015/16, mas também é verdade que o segundo Benfica campeão de Rui Vitória já se baseou mais em ideias do treinador do que o primeiro, excessivamente dependente da inspiração das suas individualidades (Jonas e Gaitán acima de todos) e do efeito Sanches, que deu à equipa uma explosão determinante. Na época que agora termina, o Benfica melhorou muito do ponto de vista defensivo – e a colocação do mais equilibrado e perspicaz Pizzi no lugar que Renato tantas vezes deixava vago, ao meio, foi tão importante para isso como a liderança firme de Luisão, cuja experiência foi um atributo de excelência na coordenação dos comportamentos defensivos. O problema, para Rui Vitória, é que daqui por uns meses Luisão corre riscos sérios de olhar para o lado e não ver as caras a que se habituou. Ederson já foi, Lindelof e Nelson Semedo parecem estar a caminho e até Grimaldo teria mercado, caso agora o Benfica decidisse prescindir dele. Num setor onde a coordenação coletiva é tão importante, até para definir a altura onde se coloca a linha ou o momento de subida, fazer assim tantas mudanças já seria um problema, mesmo que o Benfica estivesse na disposição de gastar muito, de forma a que para o lugar dos que saem entrassem outros do mesmo valor, ou que haja por lá Jardel, já habituado a jogar ao lado do capitão. E é aqui que entra a questão do paradigma: a aposta nos miúdos, que foi desde sempre a maior justificação para a troca de Jesus por Vitória. Porque uma coisa é inserir, com meses de diferença, Lindelof, Renato Sanches e Ederson no onze-base e outra, completamente diferente, é começar a nova época com um novo guarda-redes, um novo defesa-direito e um novo defesa-central, todos vindos do futebol de formação. Assim ficará mais difícil.
2017-06-04
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Último Passe

A derrota contra o Napoli, mas sobretudo a forma como os italianos foram tantas vezes capazes de expor as debilidades que a equipa do Benfica ainda revela serão as duas maiores preocupações na cabeça de Rui Vitória na noite em que, mesmo perdendo, celebrou um justo segundo apuramento consecutivo para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. A Europa, porém, pode esperar, porque o que aí vem é o escaldante dérbi com o Sporting, onde o tricampeão nacional põe em risco a liderança na Liga. E aí os problemas de hoje até podem voltar para assombrar o treinador. Porque mesmo que Jesus os não conhecesse, teria tido a oportunidade de os ver. O facto de vir de duas derrotas seguidas (contra o Marítimo e o Napoli) tanto pode provocar no Benfica um sentimento de insegurança como a vontade urgente de superação. A verdade é que as duas derrotas acabam por ser muito diferentes. Mais devida a falta de concentração, alguma sobranceria e até uma boa dose de passividade própria de quem acha que tudo se resolverá a encaixada na Madeira; mais natural e saída das próprias debilidades a que o Napoli impôs na Luz. Mesmo quando ainda estava espacialmente concentrada nos 25/30 metros da sua organização defensiva, quando o ritmo de reação à perda ditado por Gonçalo Guedes ainda imperava no campo, o Benfica viu os italianos serem capazes de o desequilibrar sempre da mesma forma: com passes diagonais a explorar as costas dos seus laterais. Não é um problema nascido da falta de Grimaldo, porque não foi só André Almeida a comprometer: Nelson Semedo também foi réu neste particular, mais nascido da projeção ofensiva natural dos dois laterais e da falta de capacidade defensiva demonstrada quando o adversário ultrapassa a feroz primeira linha de pressão encarnada. Fejsa, sozinho, nem sempre consegue disfarçar. Pior, porém, aconteceria quando, seguro face à goleada que o Besiktas já embrulhava em Kiev, Rui Vitória abdicou de Gonçalo Guedes – poupança para domingo? – e o Napoli trocou o corpulento Gabbiadini pelo repentista Mertens. Tal como em Istambul, após a perda da capacidade defensiva de Guedes, o Benfica sofreu dois golos quase seguidos. E se isso pode ser resolúvel, outras questões podem implicar a necessidade de uma decisão. Os problemas de concentração de Lindelof – eventualmente originados pelas vozes de mercado – estiveram na origem do primeiro golo italiano, enquanto que as dificuldades de Luisão face a avançados rápidos a mudar de direção se somaram à falta de solidariedade defensiva dos extremos (no caso Salvio) para gerar o segundo. Não são questões fáceis de resolver – a projeção ofensiva de laterais e extremos é preciosa para a máquina atacante que este Benfica também é – mas esperará Rui Vitória que sejam irrelevantes no domingo. O problema é que Jorge Jesus até já tinha dito que só estava 90% focado no jogo de Varsóvia e os 10% restantes já estarão a pensar na forma de as explorar.
2016-12-06
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Último Passe

Duas carambolas felizes transformaram o que corria riscos de se tornar um jogo difícil num passeio agradável para o Benfica. Os encarnados ganharam por 4-0 ao Feirense e já seguem com três pontos de avanço sobre os rivais, isolados na liderança do campeonato e indiferentes à onda de lesões que lhes roubou vários titulares nestes primeiros meses de competição. O resultado amplo encerrou também quaisquer questões que a derrota de Nápoles pudesse levantar: aos quatro golos da Champions, respondeu a equipa de Rui Vitória com mais quatro na Liga portuguesa. E no entanto o jogo começou por não se apresentar fácil para os encarnados. Rui Vitória chamou ao onze Ederson e Luisão, por troca com Júlio César e Lisandro, promovendo ainda os regressos de Salvio e Gonçalo Guedes, que em Itália tinham sido sacrificados à estratégia. Pizzi apareceu a jogar pelo meio, devido à ausência de André Horta por lesão, mas os primeiros momentos do jogo mostravam na mesma um Benfica com dificuldades para se opor ao jogo apoiado do adversário. O tricampeão nacional tinha muito mais bola, sim, criava até perigo sempre que chegava à frente em cantos ou livres laterais – a influência de Luisão cresce nesses momentos e faz-se notar – mas ao mesmo tempo o Feirense conseguia chegar à frente em boas condições, quase sempre em contra-ataque, bem ao estilo das equipas de José Mota. O primeiro golo do Benfica, marcado na própria baliza por Luís Aurélio, aos 35’, no seguimento de um lançamento lateral longo, de Salvio, no qual mais ninguém tocou antes do desvio no sentido errado, veio premiar o maior volume de jogo dos encarnados, mas não uma boa exibição. Longe disso. Consciente de que o jogo não estava resolvido, Rui Vitória terá pedido mais aos jogadores durante o intervalo, o que se refletiu num Benfica mais pressionante e intenso na entrada da segunda parte. Foi, ainda assim, noutra carambola feliz que a equipa da casa chegou aos 2-0, aos 61’: o alívio de Ícaro encontrou Salvio pelo caminho e o ressalto tomou a direção da baliza de Peçanha, que estaria à espera de tudo menos daquilo. E aí, de facto, o jogo mudou. O Feirense deixou de acreditar na possibilidade de levar pontos para casa e o Benfica começou a articular belas jogadas de ataque, como a que lhe deu o 3-0, por exemplo: movimentação coletiva a libertar Semedo na direita e cruzamento deste para o cabeceamento de Cervi, que quatro minutos antes entrara para o lugar de Carrillo. Com o jogo ganho, ao Benfica faltava somar mais um golo para se isolar também na lista dos melhores ataques do campeonato. Depois de várias ocasiões, acabou por fazê-lo no último minuto de compensação, num livre direto superiormente executado por Grimaldo. Os 4-0, talvez demasiado penalizantes para um Feirense que até começou o jogo de forma personalizada, valeram ao Benfica o aumento da vantagem para os perseguidores na classificação, a manutenção da melhor defesa (quatro golos sofridos, tantos como o FC Porto) e o regresso ao comando dos ataques (com 17 golos marcados, mais um do que o Sporting). Quando o campeonato segue para uma interrupção de três semanas antes da deslocação ao Restelo, na qual Rui Vitória já deverá ter vários dos lesionados, eis vários motivos para a equipa encarar o que aí vem com otimismo.
2016-10-02
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Último Passe

O papel do capitão de equipa não está escrito em lado nenhum. No papel, sabe-se que é ele quem fala com o árbitro durante o jogo, quem escolhe campo ou bola no início dos jogos, quem oferece o galhardete do clube ao capitão do adversário. Mas ser capitão é mais do que isso: é ser o líder de um balneário, o exemplo de comportamento para os outros, uma espécie de representante do clube na equipa, de extensão do treinador em campo. Neste particular, Adrien Silva e Luisão não estão a ter um início de semana à altura da função de porta-estandarte dos clubes de que são a referência maior. Porque o futebol é cada vez mais um desporto individual na qual a noção de coletivo está pela hora da morte. Vejamos caso a caso. Adrien Silva é o capitão do Sporting, jogador da casa há mais de uma década. Assinou um novo contrato há seis meses, válido até 2020, com cláusula de rescisão de 45 milhões de euros. É muito? É! É mais do que pode valer um jogador da idade e do nível de Adrien? Muito provavelmente. Mas acredito que o jogador, o seu pai e o agente que lhe trata da vida se terão feito pagar por essa cláusula, seja com um prémio de assinatura robusto ou um salário à altura. Entretanto, é verdade, surgiu o Europeu de futebol, onde Adrien foi arma importante na vitória da equipa portuguesa. O mercado não reagiu de imediato mas, seja ou não com a interferência de Jorge Mendes, como foi denunciado pelo presidente do Ol. Lyon, eis que aparece uma proposta de Inglaterra, a poucos dias do fecho do mercado. Gerir é avaliar os pros e contras de cada ação e terá sido isso que fez o Sporting, que face ao montante da proposta (fala-se em 25 milhões) e à dificuldade de encontrar substituto para o seu capitão, terá recusado as abordagens do Leicester. O jogador, que pensa naturalmente nos seus interesses pessoais antes de pensar nos da equipa que capitaneia, ficou afetado. Deu uma entrevista na qual, a bem, disse que era altura de dizer adeus a casa e, face à resposta que o Sporting deu, libertou o empresário e o pai para falarem, a única forma de radicalizar sem se comprometer. A questão, porém, é muito simples: da mesma forma que o clube não tem o direito de despedir um jogador por falta de rendimento (e o Sporting e o Benfica muito gostavam muito de poder despedir Labyad ou Taarabt, por exemplo), também não tem a obrigação de os libertar se eles se destacarem e de repente tiverem propostas mais tentadoras. Se lhe prometeram a liberdade, como o pai e o empresário dizem, não estavam no direito de o fazer. A liberdade de Adrien tem um preço: são 45 milhões de euros. Ele sabe isso e, mais ainda sendo capitão de equipa, devia estar em condições de o entender. Menos claro é o caso de Luisão. O capitão do Benfica protagonizou, anos a fio, vários casos de mercado, nos quais tentou forçar a saída da Luz. Nunca chegou uma proposta que o Benfica considerasse boa e o jogador foi ficando, até ao momento em que já não é sequer escolha para titular do clube. Neste momento, os melhores centrais do Benfica são Lindelof, Jardel e Lisandro, sendo o capitão uma alternativa. E é a partir daqui que o caso se torna obscuro: o Benfica não tem interesse em dar ao capitão mais um ano de contrato, este acha que pode continuar a jogar e, mais, tem dificuldade em entender que o seu papel mudou, que poderá continuar a ser uma referencia dentro do balneário sem jogar regularmente. Nunca ficou claro se foi o Benfica a querer "despachar" Luisão para o Wolverhampton, do segundo escalão inglês, aproveitando as ligações de Jorge Mendes aos proprietários do clube, e se o fez por achar que não é fácil manter Luisão como suplente, ou se, pelo contrário, é o jogador que quer partir, em busca de um último contrato em grande. Seja como fôr, a verdade é que os 13 anos de ligação de Luisão ao Benfica e a braçadeira de capitão que ostenta mereciam algo diferente do que o "é difícil ficar calado" que o jogador publicou na sua conta de instagam.
2016-08-30
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Último Passe

Há pelo menos duas maneiras de olhar para a possibilidade de transferência de Luisão para o Wolverhampton. Uma é fazê-lo segundo o ponto de vista do Benfica e é simples. Outra é fazê-lo segundo o ponto de vista do jogador e é muito mais complexa. Porque este é claramente um negócio mais interessante para o clube do que para o jogador, por mais zeros que tenha o salário que ele venha a receber a jogar pelo 14º classificado do último Championship, o segundo escalão do futebol inglês. Para o Benfica, o potencial negócio é simples. Tem um jogador que ganha um bom salário, mas que não é eterno e que, se querem saber a minha opinião, já não é um dos dois melhores defesas centrais do clube – Jardel e Lindelof estão acima e acho mesmo que Lisandro López também, ainda que esse não tenha nunca tido continuidade suficiente para ter acerca dele um veredicto mais avisado. Em Lisboa desde 2003, Luisão é o jogador com mais tempo de clube, terá seguramente muita influência no balneário, ou não fosse ele capitão, mas por muito que isso custe ouvir, a equipa melhorou quando ele se magoou e teve de ser substituído, na época passada. Sobretudo por uma razão. É que o veterano brasileiro é mais lento que os colegas de posição e, com ele, das duas uma: ou a equipa joga com a defesa menos subida, aumentando o espaço entre setores ou diminuindo a capacidade para pressionar o adversário, ou então passa a ter mais problemas com as bolas nas costas. E, no entanto, Rui Vitória tem feito a equipa com ele a titular… Para Luisão, tudo é mais complicado. O que se disse há tempos foi que o Benfica já lhe teria comunicado que não ia renovar-lhe o contrato no final desta época – o homem, afinal, já tem 35 anos – mas lhe ofereceu um lugar na estrutura. Oferta essa que Luisão estava inclinado a recusar, porque queria continuar a jogar. O que, visto pelos olhos dele, até se percebe. Afinal, repito, Rui Vitória tem feito a equipa do Benfica com ele a titular. O que ele perceberá pior, afinal de contas, é que, assim sendo, não lhe renovem o contrato: ao capitão de equipa, titular da equipa aos 35 anos. A não ser que a titularidade de Luisão nas primeiras partidas da época fosse simplesmente uma condição para que ele pudesse ser colocado noutro clube até ao fecho de mercado, um clube que poderia perder o interesse se soubesse que estava a levar um suplente na curva descendente e não sobretudo um ex-internacional brasileiro, capitão do tricampeão português. Não conheço as motivações de Luisão para sequer admitir sair neste momento do Benfica: se precisa de fazer um último grande contrato para assegurar o futuro da família, se desconfia das motivações de quem lhe oferece um lugar no momento em que decidir pendurar as chuteiras, se pura e simplesmente acha mesmo que precisa de continuar a jogar, mesmo que seja numa equipa muitos patamares abaixo daquele a que está habituado. Conheço e percebo as do Benfica: quer encontrar lugar e orçamento para um defesa-central que possa valorizar-se e criar sérios problemas aos melhores que por lá tem. Como ainda por cima, via Jorge Mendes, tem esta ligação recente ao Wolverhampton, onde já colocou Hélder Costa e João Teixeira, tentou encontrar aqui uma via de saída para o problema. Só que quanto mais olho para o caso, mais me parece que não estão todos na mesma página.
2016-08-17
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Último Passe

Rui Vitória sentiu a necessidade de dizer que não anda “à procura de clones” dos jogadores que perdeu neste início de época, que cada um é aquilo que é e tem as suas próprias caraterísticas. Fê-lo após a vitória do Benfica em Tondela, por 2-0, ainda por cima minutos depois de um golaço de André Horta provar que o miúdo tem mesmo muita categoria e que não tem nada que ser o segundo Renato Sanches. Porque na verdade não tem. As equipas são organismos vivos, que crescem de acordo com o que têm. Levam é tempo a crescer, como se percebe pelo total de situações de golo que o Benfica tem permitido aos adversários que vai encontrando. Uma coisa é certa: o Benfica está hoje muito melhor do que há um ano. Há um ano, com uma pré-época calamitosa, Vitória refreou os ímpetos de mudança, deixando a equipa numa espécie de terra de ninguém tática da qual só a emergência de Renato Sanches, somada à inegável categoria dos seus avançados, a resgatou. Agora, sem um duelo com Jesus a abrir a época, respaldado pelo sucesso que foi a última campanha – foi ele o campeão –, Vitória está a levar a equipa para terrenos que lhe agradam mais. O perfume do futebol de André Horta tem muito mais a ver com o jogar de Vitória que a pujança física de Sanches. Não se trata de dizer se é melhor ou pior: é apenas diferente. E a equipa reage a isso. Em Tondela, sem Jonas, Vitória entrou mais próximo do 4x2x3x1, com Gonçalo Guedes atrás de Mitroglou. O jogo mal conseguido dos dois levou-o a aproximar-se ainda mais à medida que o jogo avançava: primeiro trocou Guedes com Pizzi, alimentando a equipa com a capacidade que o médio transmontano tem para fazer (bem) todos os lugares no meio-campo e ataque. Foi dele, aliás, o livre que Lisandro López aproveitou para inaugurar o marcador, minutos depois de ter entrado para o lugar do lesionado Luisão. Mas ainda que seja mais ou menos claro que a defesa benfiquista tem mais capacidade para controlar a profundidade e as bolas nas costas com o argentino do que com o brasileiro, a verdade é que apesar da troca o Tondela continuou a ameaçar chegar ao empate, perdendo várias situações de golo. Com o resultado em risco, Rui VItória reagiu à investida final do Tondela jogando a partir dos 65 minutos com Samaris ao lado de Fejsa, Pizzi à esquerda e Horta a “10”. Foi assim, neste 4x2x3x1 mais claro, que o miúdo fez o segundo golo, num lance em que serpenteou por entre a defesa adversária antes de marcar e no qual muitos viram sombras de Rui Costa. Mas o melhor mesmo é limitarem-se a pensar nisso, sem o dizer muito alto. Porque se há algo de que Horta não precisa é de se livrar da pressão de ser clone de Renato Sanches para o compararem a um ainda maior ídolo de todos os benfiquistas.
2016-08-14
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Último Passe

O Benfica que venceu o Sp. Braga por 3-0 e conquistou a Supertaça foi um Benfica muito diferente do que ganhou a Liga anterior. Mais do que os seis titulares de hoje que não fizeram parte do onze-base no tricampeonato, notou-se uma maneira diferente de encarar o jogo, aproximando a equipa do ideal de Rui Vitória. No melhor e no pior. Além dos reforços André Horta e Cervi, que ocuparam as posições dos tranferidos Renato Sanches e Gaitán, Rui Vitória chamou ao jogo Júlio César, Nelson Semedo, Luisão e Grimaldo, por impedimentos de diversa ordem de Ederson, André Almeida, Jardel e Eliseu. A equipa, naturalmente, comportou-se de uma forma diferente, mesmo tendo mantido a tónica no jogo de avançados que resolvem. Foi diferente no seu período mais eufórico, quando encostou o Sp. Braga atrás, fruto de cavalgadas constantes dos dois laterais, de um jogo elétrico de Cervi e do contributo de Horta, jogador mais cerebral que Renato Sanches. E foi diferente no longo período menos feliz, em que o Sp. Braga acertou posicionamentos, controlou o meio-campo com um losango, passou a criar as melhores ocasiões de golo e ao Benfica faltaram as explosões que Sanches metia no campo, a aproveitar o espaço que nessas ocasiões sempre aparece, a convidar aos contra-ataques ou aos ataques rápidos. Cervi não é Gaitán: é mais extremo, jogador mais linear, mas fez um grande golo e abriu o apetite para o que aí vem. E Horta não é Renato – julgo que Danilo também não o será. O Benfica 2016/17 pode assim aproximar-se mais do ideal de Rui Vitória, na procura de um jogo mais de posse e no desprezo pelo jogo de transições de que Renato se tornou expoente máximo. Vê-se a projeção dos dois laterais, observam-se triangulações constantes entre eles e os extremos, com o auxílio de Pizzi e André Horta, e acentua-se a participação de Jonas na construção que pode levar a equipa para o 4x2x3x1 e arrumar de vez com a herança de Jesus. As alternativas são muitas, mas apesar do 3-0 o teste não foi perfeito. E não necessariamente por causa das ocasiões de golo perdidas pelos bracarenses. Fico à espera de ver o que será esta equipa com Danilo e se Vitória vai manter a aposta em Luisão, tornando mais complicado o controlo da profundidade defensiva. Disso vai depender o que será o Benfica 2016/17.
2016-08-07
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Artigo

Não há grandes equipas sem grandes defesas-centrais. Ou pelo menos é o que passamos a vida a ouvir dizer. Que o talento desequilibra mas nenhuma equipa ganha se não estiver construída em torno de um pilar que lhe dê estabilidade. É pensarmos nas grandes equipas da história, na enorme importância que tinham os jogadores encarregues de impedir o adversário de finalizar em boas condições. Todos têm duas coisas em comum: são super-valorizados pelos jornalistas que cobrem os acontecimentos e pelos treinadores que os comandam; e são depois esquecidos na atribuição dos prémios para os melhores jogadores do ano e apagados pela espuma dos anos que passam, que só eterniza o talento puro. Será que não são assim tão importantes? Olhemos para o campeonato português e para os seus três candidatos ao título. Ao Sporting, diz-se desde o início, falta um defesa-central que seja ao mesmo tempo experiente, forte fisicamente e competente. O Benfica tinha Luisão, mas perdeu-o há meses e tem vivido tão bem sem ele que já deve haver quem se atreva a duvidar que a equipa beneficie assim tanto com o seu regresso. E ao FC Porto, também se comenta desde o Verão, tem faltado sempre um central à altura da qualidade do resto do plantel – com a agravante de à falta de qualidade se ter somado agora alguma falta de quantidade, fruto dos problemas com Maicon. Neste fim-de-semana, um fim-de-semana decisivo  na Liga, o Sporting estreou uma dupla de centrais nova – Coates e Ruben Semedo –, o Benfica fez confiança em Lindelof, que ainda nem tinha uma dezena de jogos na Liga e, sendo ribatejano, José Peseiro deu a alternativa a Chidozie. E, adivinhem: todos se saíram muito bem. Se calhar quem tem mais razão são mesmo os adeptos que, com o passar do tempo e o desfilar das fintas dos atacantes, se esquecem de quem era o defesa central naquele jogo fundamental que deu o título nacional de mil novecentos e qualquer coisa. Coates, é bom que se diga, tem quase tudo para poder ser decisivo na ponta final da época do Sporting. É imponente, tem quase dois metros, o que pode valer-lhe uma importância acrescida nas bolas paradas. É experiente, fruto dos anos que passou na Premier League e tem ainda mais uma qualidade importante, que partilha com Lindelof, Ruben Semedo ou Chidozie: os adversários ainda não tiveram tempo para aprender as suas debilidades, de forma a poderem explorá-las a cada jogo. O novo tem aqui sempre uma atração irreprimível, que tem a ver com isso mesmo. É fácil dizer agora que Luisão já não tem a velocidade de outros tempos e que com Lisandro López e Jardel o Benfica pode jogar com as linhas mais próximas e subidas, com a chamada “equipa mais curta”. E isso não tem a ver só com a idade de Luisão ou com o facto de a sua mobilidade, mudança de velocidade ou de trajetória já não ser a de outros tempos. Tem a ver também – ou sobretudo – com o facto de já todos sabermos disso. Qual é o ponto fraco de Lindelof? Ou de Chidozie? Ou até de Coates, que apesar de ser mais consagrado (o homem é internacional uruguaio, caramba), também há-de tê-lo, ou então teria vingado na Premier League? A questão é que, para já, ninguém sabe identificá-los com clareza. Estou seguro, no entanto, que os defesas-centrais vão desempenhar um papel primordial na luta pelo título. E todos os treinadores terão dilemas a enfrentar. No Sporting, acredito que Jesus já se tenha decidido pela titularidade do gigante uruguaio, precisamente por ser novo – e mais difícil de ler – e por poder vir a ser importante nos livres laterais e nos cantos. Mas quem, para jogar ao lado dele? Paulo Oliveira é o melhor de todos, mas teria de desviar-se para a meia-esquerda. Naldo não compromete, está habituado àquele quadrante, mas não tem o futuro e a qualidade de Oliveira. E até Ruben Semedo parece mais perto de ser opção que Ewerton. No Benfica, Rui Vitória encontrou a estabilidade em torno da dupla Jardel-Lisandro, dois centrais rápidos e por isso mesmo muito importantes da definição estratégica do onze, no posicionamento do bloco. Mas poderá Luisão exercer a liderança de que o plantel necessita de fora quando, daqui por um mês, mês e meio, estiver apto a regressar? Por fim, no FC Porto, Peseiro tem em Martins-Indi o potencialmente melhor mas ao mesmo tempo mais inconstante dos seus centrais, e em Marcano o mais apagado mas ao mesmo tempo mais fiável. Com Maicon fora do baralho, haverá espaço para Chidozie se mostrar mais vezes e até vir a ser importante. Pelo menos até lhe aprenderem as debilidades. In Diário de Notícias, 15.02.2016    
2016-02-15
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Rui Vitória só perdeu duas vezes em oito jogos com o Belenenses, que enfrentou ao serviço de V. Guimarães (sete vezes) e Benfica (uma), e só uma delas aconteceu no Restelo, onde decorrerá o jogo da 21ª jornada. Uma vitória num palco onde tem sido genericamente feliz pode significar que o treinador do Benfica irá dormir na liderança isolada da Liga, ainda que à condição, pois o Sporting, o atual líder, que segue dois pontos à frente, só fará o seu jogo na segunda-feira. É uma experiência que Rui Vitória não conhece desde 19 de Setembro de 2014, quando o seu V. Guimarães abriu a quinta ronda do campeonato com um empate frente ao Paços de Ferreira e ficou no topo da tabela por um dia e meio, até ser de lá destronado pelo Benfica, que ganhou ao Moreirense (3-1) e se isolou na frente. Na verdade, desde que chegou à Luz, Vitória já terminou uma jornada em primeiro lugar, mas apenas por diferença de golos, pois conseguiu contra o Estoril o resultado mais amplo da primeira jornada. Pode agora repetir a sensação frente a um Belenenses que não só está ligado a uma das maiores vitórias do treinador ribatejano na I Divisão (os 6-0 da primeira volta, já aos comandos do Benfica), como foi o último obstáculo que ele derrubou antes de chegar com o V. Guimarães à final da Taça de Portugal: em 2012/13, ganhou no Restelo por 2-0 e no D. Afonso Henriques por 1-0, qualificando-se para o jogo do Jamor, onde venceu o Benfica, por 2-1. Além desses três resultados, o treinador encarnado tem ainda mais dois contra o Belenenses, ambos na época passada: 2-0 em Guimarães para a Taça da Liga e 3-0 no Restelo para o campeonato. Soma ainda um empate (0-0 em Guimarães, em Dezembro de 2013) e duas derrotas (3-1 no Restelo em Abril de 2014 e 1-0 em Guimarães, faz um ano na próxima segunda-feira). Além disso, o Restelo está na história de Vitória por ter sido lá que obteve um dos sucessos mais mediáticos da sua carreira. Em 2007, depois de ter levado o Fátima a eliminar o FC Porto nos penaltis na primeira ronda da Taça da Liga, esteve à beira de afastar também o Sporting, ganhando por 2-1 no Restelo – casa emprestada dos leões nessa noite de 20 de Outubro – antes de perder por 3-2 em Fátima.     - O Belenenses não perde há cinco jogos. Desde que foi batido pelo Estoril, a 10 de Janeiro, na Amoreira, em jogo da última jornada da primeira volta, soma duas vitórias e um empate na Liga (2-1 ao Rio Ave e ao Marítimo e 3-3 com o V. Guimarães), mais uma vitória e um empate na Taça da Liga (4-0 ao Leixões e 1-1 com o Rio Ave). Esta não é, mesmo assim, a mais longa série de imbatibilidade dos azuis, que no início da época estiveram sete jogos sem perder até serem goleados pelo… Benfica.   - Em contrapartida, o Benfica vem com dez vitórias seguidas, desde o empate a zero com o U. Madeira, a 15 de Dezembro. Já superou o melhor registo da época passada e igualou o recorde de 2013/14. Se ganhar ao Belenenses repete uma série de onze jogos seguidos a ganhar que já não experimenta desde 2011/12 e será preciso recuar a 2010/11 para encontrar uma sequência melhor. Essa já levará mais tempo a igualar, pois é de 18 jogos.   - Desde que substituiu Ricardo Sá Pinto, o treinador espanhol Júlio Velásquez, só perdeu dois dos dez jogos que fez, ambos fora de casa (2-1 com o Sp. Braga e 2-0 com o Estoril). No Restelo, o Belenenses não perde desde 5 de Dezembro, quando foi ali batido pelo V. Setúbal por 3-0, ainda com Sá Pinto aos comandos.   - Além disso, o Belenenses fez pelo menos um golo nos últimos cinco jogos, precisamente desde o 0-2 com o Estoril. Já igualou a melhor série desta época, que aconteceu imediatamente antes desse jogo, quando após ser batido pela Fiorentina (1-0), marcou à Académica (3-4), Boavista (1-0), Sp. Braga (1-2), P. Ferreira (2-2) e Nacional (2-2).   - O Belenenses-Benfica colocará frente a frente a pior defesa da Liga, que é a do Belenenses, com 41 golos sofridos, mais dois do que a do Marítimo, e o ataque mais concretizador, que é o do Benfica, com 54 golos marcados, mãos nove que o do Sporting.   - Mitroglou marcou golos nas últimas quatro jornadas da Liga, frente a Nacional, Estoril, Arouca e Moreirense. Se marcar ao Belenenses iguala o recorde da atual Liga, pertença do sportinguista Slimani, que fez golos em cinco rondas consecutivas da competição.   - Jonas, que bisou na recente vitória frente ao Moreirense (4-1), vem também de dois bis nos últimos dois jogos que fez contra o Belenenses: foi o autor dos dois golos nos 2-0 com que o Benfica ganhou no Restelo em Abril do ano passado e fez o segundo e o terceiro nos 6-0 da primeira volta da atual Liga.   - Lindelof, o sueco que deverá fazer dupla de centrais no Benfica com Jardel, face às ausências de Luisão e Lisandro Lopez, vai somar apenas o oitavo jogo pela equipa principal do Benfica, sendo que ganhou seis dos outros sete: 1-0 ao Cinfães na Taça de Portugal de 2013/14; 3-2 ao Sp. Covilhã na época passada, também na Taça de Portugal; 1-0 ao Nacional e ao Oriental na presente Taça da Liga, 6-1 ao Moreirense na mesma competição e 4-1 ao mesmo Moreirense, na Liga, no domingo. A sua única derrota foi na Liga portuguesa, contra o FC Porto (1-2), a 10 de Maio de 2014.   - O último golo que o Belenenses fez ao Benfica tem mais de dois anos. Foi a 28 de Setembro de 2013, obtido por Diakité, no empate a uma bola na Luz. Desde então, os azuis levam 419 minutos sem marcar no dérbi, nos quais o score é de 12-0 favorável ao Benfica. No Restelo não marcam ao Benfica desde 15 de Dezembro de 2007, num jogo que lhes valeu a última vitória sobre os encarnados.   - Na verdade, há onze jogos que o Belenenses não ganha ao Benfica. A última vitória azul neste dérbi sucedeu nessa noite de 15 de Dezembro de 2007, no Restelo, por 1-0, com golo de Weldon, que depois viria a representar os encarnados. O treinador do Belenenses era… Jorge Jesus. Não resta no Restelo nenhum jogador da equipa que jogou nessa noite. Na do Benfica já só lá está Luisão.   - Luisão tem o Belenenses na sua história em Portugal, pois foi contra os azuis do Restelo que fez o primeiro dos 473 jogos oficiais que já leva de águia ao peito. Foi há mais de 12 anos, a 14 de Setembro de 2003, no Jamor (porque a nova Luz estava a ser construída e a antiga já não estava praticável), o jogo acabou empatado a três golos e Luisão marcou um dos golos encarnados. - Miguel Rosa, médio de ataque que esteve durante anos ligado ao Benfica, pode fazer contra o seu clube de formação o 150º jogo com a camisola do Belenenses, clube que representa desde 2010/11, com uma passagem de regresso pela Luz em 2012/13. Nos 149 jogos até aqui fez 40 golos.   - O lateral belenense João Amorim deve a Rui Vitória os primeiros passos na Liga. Estreou-se a 28 de Abril de 2012, jogando a tempo inteiro numa derrota do V. Guimarães em Barcelos, com o Gil Vicente, por 3-1.   - Os benfiquistas têm várias razões para gostar de Tiago Caeiro. Primeiro porque o ponta-de-lança do Belenenses fez na época passada o golo do empate com o FC Porto, que garantiu ao Benfica o bicampeonato a uma jornada do final. Além disso, nunca fez um golo ao Benfica.  
2016-02-04
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Há muito que o Benfica sabia que não ia poder contar com Gaitán na viagem a Astana, porque o argentino foi expulso perto do final da receção ao Galatasaray. Novidade mais recente é a ausência forçada de Luisão, que se lesionou no dérbi da Taça de Portugal contra o Sporting. Será sem a sua maior estrela e sem o seu capitão e principal referência que os encarnados tentarão ganhar ao bicampeão cazaque para desde logo assegurarem a qualificação para os oitavos-de-final da Liga os Campeões sem dependerem do resultado do Atlético Madrid-Galatasaray, que se joga mais à noite. O precedente histórico é animador. Desde que Gaitán chegou ao Benfica, em 2010, só houve dois jogos europeus em que o Benfica não o utilizou a ele nem a Luisão. E não perdeu nenhum: venceu em casa o Spartak Moscovo por 2-0 na Champions de 2012/13 e, também na Luz, empatou sem golos com o Leverkusen, na edição do ano passado. Aliás, as ausências europeias de Gaitán – que marcou golos nas primeiras três jornadas da atual Liga dos Campeões – nem têm sido assim tão importantes, pois o Benfica nunca perdeu sem ele: em nove jogos, soma seis vitórias (4-3 ao Lyon, 2-0 ao Spartak Moscovo, 2-0 ao Anderlecht, 1-0 ao PAOK Salónica, 2-0 ao Alkmaar e 2-1 à Juventus) e três empates (0-0 com o Leverkusen e em Barcelona e 2-2 com o Tottenham). Mais complicada é a história no que toca às ausências de Luisão. No mesmo período, o capitão também faltou a nove partidas, das quais o Benfica só ganhou três: os 2-0 ao Spartak Moscovo já anteriormente mencionados, 3-2 ao Bordéus e 1-0 ao Otelul. Soma, de resto, dois empates (0-0 com o Leverkusen e com o Celtic, em Glasgow) e quatro derrotas (2-1 com o Chelsea, 2-0 em Barcelona, 2-1 com o Spartak Moscovo e 1-0 com o Fenerbahçe).   - Só a vitória permitirá ao Benfica assegurar a qualificação antes do Atlético de Madrid-Galatasaray, que se jogará à noite. Ganhando, o Benfica soma 12 pontos, garante pelo menos o segundo lugar do grupo e só perder o primeiro se o Atlético ganhar os dois jogos que lhe restam (Galatasaray em casa e Benfica fora). Empatando, os encarnados chegam aos 10 pontos e até podem qualificar-se enquanto viajam de regresso a Portugal, desde que à noite o Galatasaray não ganhe em Madrid – caso em que os turcos chegariam, no máximo, aos oito pontos. Nesse caso, aliás, até a derrota em Astana pode garantir a qualificação.   - O Astana, por seu turno, luta ainda pela entrada na Liga Europa. Se ganhar ao Benfica e beneficiar da derrota do Galatasaray em Madrid fica à frente dos turcos e ganha o direito a ir a Istambul decidir o terceiro lugar. Nesse caso, bastar-lhe-ia um empate.   - O Benfica procura o quinto jogo consecutivo a marcar pelo menos um golo, coisa que já não consegue desde Abril, quando encerrou na Luz, frente ao FC Porto (0-0), uma série de 22 jogos seguidos sempre com golos. Esta época, os encarnados encalharam ao quarto jogo de uma sequência no Dragão com o FC Porto (0-1) e ao quinto de outra na Luz contra o Sporting (0-3). Seguem neste momento com quatro jogos sempre a marcar: 4-0 ao Tondela, 2-1 ao Galatasaray, 2-0 ao Boavista e 1-2 com o Sporting.   - O Astana perdeu no sábado a final da Taça do Cazaquistão. Apesar de se ter colocado em vantagem, por Twumasi, viu o Kairat Almaty virar para 1-2 e perdeu assim a oportunidade de vencer a dobradinha, uma vez que a 8 de Novembro se sagrou bi-campeão nacional, ao vencer o Aqtobe por 1-0, graças a um golo de Kabananga, a 3’ do fim.   - O Astana é a primeira equipa do Cazaquistão a jogar a Liga dos Campeões. Chegou aqui depois de eliminar os campeões da Eslovénia (Maribor), da Finlândia (HJK Helsínquia) e de Chipre (Apoel Nicosia), ganhando sempre os jogos em casa. Na fase de grupos ainda não ganhou mas também não perdeu em casa: Galatasaray (2-2) e Atlético de Madrid (0-0) saíram de Astana com empates. A última equipa estrangeira a ganhar no Astana Arena foi o Villarreal, que ali venceu por 3-0 a 21 de Agosto de 2014.   - Stanimir Stoilov, treinador do Astana, jogou durante duas épocas no Campomaiorense, defrontando por duas vezes o Benfica. A 9 de Dezembro de 1995 perdeu por 2-0 na Luz (golos de Edgar e Marcelo, já na segunda parte) e a 14 de Abril de 1996 empatou a zero em Campo Maior. O Campomaiorense desceu de divisão, mas Stoilov ainda ficou por mais um ano.  
2015-11-24
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Jonas, o melhor marcador da Liga, está a viver o melhor arranque de época desde que chegou à Europa, há cinco anos. Se marcar ao Boavista, atingirá os dez golos na temporada em inícios de Novembro, quando até aqui nunca lá chegara antes da passagem de ano. E olhando para o seu histórico recente é bem possível que marque: fez golos nos últimos dois jogos do Benfica, só não marcou em dois dos sete jogos feitos na Luz esta época, e esteve na lista dos goleadores na receção ao Boavista na última Liga. Até agora, Jonas soma nove golos, com três bis, a Estoril, Belenenses e Paços de Ferreira, todos na Luz. A esses seis soma mais dois golos a Moreirense e Galatasaray, também em casa, e um único em viagem, marcado ao Tondela em Aveiro. Se marcar ao Boavista, atinge a dezena de golos a 8 de Novembro, quando nunca lá tinha chegado antes do período festivo de Natal e Ano Novo. Na época passada, que acabou com 31 golos (mas na qual começou a jogar apenas em Outubro), atingiu o décimo golo em Penafiel (3-0) a 4 de Janeiro. Há dois anos, na que foi a mais fraca das suas épocas em Valência (dez golos apenas, no total), só marcou o décimo a 19 de Abril (1-1 em Pamplona com o Osasuna). Esteve melhor em 2012/13: acabou com 19 golos e fez o décimo a 23 de Fevereiro, num empate a duas bolas no terreno do Saragoça. E melhor ainda em 2011/12, que foi a sua temporada mais produtiva em Espanha (a segunda, como agora): terminou com os mesmos 19 golos mas chegou ao décimo a 12 de Fevereiro, nuns 4-0 em casa ao Sp. Gijón. A época de estreia foi a mais tímida, com a adaptação à Europa e o facto de ter chegado apenas em finais de Janeiro, vindo do Grêmio, a contribuírem para a ter acabado apenas com três golos no ativo. Jonas marcou, além disso, nos últimos dois jogos do Benfica, abrindo sempre o marcador. Fê-lo em Aveiro, na vitória por 4-0 sobre o Tondela, e depois na Luz, contra o Galatasaray, em jogo que acabou com 2-1 a favor dos encarnados. Vai à procura do terceiro jogo seguido a marcar, algo que não consegue desde Abril, quando bisou em três partidas consecutivas: Nacional (3-1), Académica (5-1) e Belenenses (2-0).   - Petit, atual treinador do Boavista, foi jogador do Benfica. Aliás, estava na última equipa do Benfica a perder com o Boavista, em Setembro de 2006 – e até foi expulso no último minuto desse jogo, pelo árbitro João Ferreira. Foi na segunda jornada da Liga de 2006/07, no Bessa, naquele que foi o primeiro jogo de Fernando Santos ao comando dos encarnados da prova. Os axadrezados ganharam por 3-0, com um bis de Linz e um terceiro golo de Kazmierczak.   - Luisão, capitão do Benfica, chegou a jogar na seleção do Brasil com Rivaldo, pai do jovem Rivaldinho, suplente do Boavista. Foi em 2003, ano de chegada de Luisão ao escrete e de saída de Rivaldo. A última vez que jogaram junto, aliás, foi no velho Estádio das Antas, numa derrota do Brasil contra Portugal (2-1), a 29 de Março de 2003.   - O Boavista não ganha em 90 minutos há seis jogos, desde que se impôs em Coimbra à Académica por 2-0, a 20 de Setembro. Desde então, na Liga, empatou com o Sporting e o Nacional e perdeu com Rio Ave e Marítimo, enquanto que nas Taças também obteve dois empates: 1-1com o Feirense (e derrota nos penaltis) na Taça da Liga e com o Loures (e vitória por 2-1 no prolongamento) na Taça de Portugal. Se não ganhar ao Benfica aumenta a série para sete jogos, a pior desde Fevereiro e Março, quando esteve precisamente sete jogos sem uma vitória.   - Essa vitória contra a Académica foi também a data do último golo marcado pelo Boavista na Liga: fê-lo Anderson Carvalho, aos 86 minutos. Desde então, os axadrezados seguem com 364 minutos sem fazer golos na competição, a mais longa série em curso na prova. Na época passada, o máximo que o Boavista esteve sem marcar golos foram 326 minutos, logo no arranque do campeonato.   - Philipe Sampaio estreou-se na Liga portuguesa a jogar contra o Benfica. O central brasileiro foi lançado como titular à segunda jornada na derrota frente aos encarnados, no Bessa, em Agosto do ano passado.   - O confronto entre Rui Vitória e Petit está absolutamente equilibrado. Os dois treinadores já se defrontaram três vezes, com uma vitória para cada lado e um empate, com a curiosidade de Rui Vitória ter beneficiado de um penalti em todos os jogos. Em Outubro do ano passado, o V. Guimarães de Rui Vitória ganhou ao Boavista de Petit por 3-0 na cidade berço (dois golos de Alvez e o tal penalti de André André), mas depois perdeu por 3-1 no Bessa em Março (Cech, Uchebo e Zé Manuel viraram depois de um penalti de Alex ter dado vantagem aos minhotos). Pelo meio, em Janeiro, as duas equipas empataram a dois golos, no Bessa, para a Taça da Liga: Pouga e Owusu marcaram pelo Boavista, Caiado e Ricardo Gomes (este de penalti) fizeram-no pelo V. Guimarães.   - A última vitória do Boavista na Luz já data de Março de 1999, mas foi por 3-0 (bis de Ayew e um terceiro de Luís Manuel). Desde então, o máximo que os axadrezados conseguiram foram quatro empates, o último dos quais a zero, em Fevereiro de 2007. Na época passada, a primeira depois do regresso do Boavista à I Liga, o Benfica ganhou os dois jogos sem sofrer golos: 1-0 no Bessa (marcou Eliseu) e 3-0 na Luz (golos de Lima, Maxi Pereira e Jonas).   - O Benfica ganhou todos os jogos que fez com Bruno Esteves a apitar na Liga, mas o Boavista também. A diferença é que os encarnados já o tiveram por oito vezes, enquanto os axadrezados só coincidiram com ele no relvado numa ocasião: o 1-0 à Académica no Bessa, na época passada. O Benfica soma oito vitórias e 20-4 em golos com este árbitro, tendo-o visto expulsar dois jogadores ao adversário nas duas últimas vezes que o apanhou: Haas num Sp. Braga-Benfica (1-2) de 2012/13 e Addy num V. Guimarães-Benfica (0-1) de 2013/14.
2015-11-07
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Último Passe

A imagem da noite no Estádio da Luz é a de Luisão a apontar para a palavra “Respect” inscrita pela UEFA na manga de todas as camisolas das equipas participantes na Liga dos Campeões, depois de marcar o golo que deixa o Benfica com a certeza quase absoluta de que estará nos oitavos de final da competição. É coisa de capitão, de quem sente que esta equipa precisa de quem a puxe para cima, de quem quer instigar um momento de união fruto da revolta coletiva. Mas a verdade é que não foi isso o que de melhor se viu do Benfica na vitória por 2-1 sobre o Galatasaray. Essa união pode ter sido decisiva, por exemplo, quando Eliseu e o próprio Luisão fecharam a porta a Yasin Öztekin, impedindo-o de fazer o que seria o golo de um injusto empate. Mas aí já o Benfica estava com dez, fruto da expulsão de Gaitán, a resistir como podia a uma equipa turca que saiu pior do que a encomenda e que, tivesse tudo corrido com normalidade, podia já estar a uma distância superior a um golo, tantas foram as situações que os encarnados desperdiçaram para chegar ao terceiro tento. Quando foi preciso resistir, na verdade, o Benfica resistiu. Mas a verdade é que não devia ter sido preciso chegar a tanto. Contra um adversário que mostrou sempre estar satisfeito com o empate, o Benfica mostrou algumas lacunas, sobretudo na primeira parte, em que não imprimiu ao jogo um ritmo e uma continuidade que o favorecessem: falou nessa altura um dínamo a meio-campo, que não pode ser André Almeida nem Talisca. Mas também exibiu novas soluções, como o aparecimento frequente de Gonçalo Guedes na posição de ponta-de-lança, tanto vindo da direita como da esquerda, a provocar desequilíbrios constantes na organização defensiva dos turcos, porque permitia a Jonas baixar no campo e abria o corredor às investidas de um lateral que Sílvio, contudo, nunca soube ser. No final, o melhor foi mesmo o resultado, mas a verdade é que mesmo sem uma grande exibição o Benfica podia muito bem ter conseguido números amplos sobre o Galatasaray. É por ser melhor equipa que vai estar nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Não é por uma questão de respeito.
2015-11-03
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Último Passe

O desastre benfiquista no dérbi provocou ondas de todas as espécies. De um lado, vieram o ex-internacional Romeu Silva e o professor Manuel Sérgio considerar que André Almeida não tem qualidade para jogar no Benfica e que Luisão está acabado. Do outro, a famosa estrutura, que afinal se destina menos a proteger o clube ou a equipa de futebol do que a limpar a sua própria imagem, já fez chegar à comunicação social o relambório dos milhões que Rui Vitória tem desprezado. São duas formas radicais de ver a coisa. E a verdade, como de costume, está mais ao meio do que todos creem. André Almeida não é um craque de qualidade internacional, nunca foi brilhante, mas é um jogador útil, rigoroso e polivalente, que já esteve num Campeonato do Mundo a representar Portugal. E foi bicampeão com Jorge Jesus, jogando em cada uma dessas duas épocas mais vezes do que aquelas que Romeu, por exemplo, alinhou pelo Benfica na soma dos dois anos que passou na Luz. Luisão está um ano mais velho do que no segundo título do bicampeonato, mas se há uns meses era fundamental, nenhum fenómeno conhecido poderia conduzi-lo a uma decadência tão rápida que de repente ficasse obsoleto e acabado. Na verdade, embora seja fácil vir agora dizer que o plantel do Benfica é fraquíssimo e que com ele Rui Vitória não tem forma de se desenrascar, ele não é pior do que aquele que Jesus levou a ganhar os dois últimos títulos nacionais. Falta Maxi? Falta Lima? Mas há Nelson Semedo – ainda por cima a personificação daquilo que o clube quer em termos de política desportiva, que é a aposta na formação – e há Mitroglou e Raul Jiménez. Salvio está lesionado? Mas certamente que os problemas do Benfica não nascem da presença de Gonçalo Guedes nas escolhas do treinador. Além de que se tem havido algo normal em Salvio nas últimas épocas tem sido o facto de se lesionar com alguma regularidade. Por outro lado, é curioso que vários jornais se tenham lembrado, no mesmo dia, de mencionar as resmas de talento que Rui Vitória tem desperdiçado. Falou-se de novas apostas, como Taarabt e Carcela, mas também de Cristante, Djuricic, Talisca ou Lisandro Lopez. Uma coisa é certa: como a combinação de primeiras páginas ainda não é uma realidade entre jornais concorrentes, estas coincidências só revelam a capacidade de persuasão da face visível daquilo a que convencionou chamar-se “a estrutura”. Que neste caso está mais preocupada em salvar a face de quem manda do que em atenuar a pressão em cima do treinador, que afinal de contas seria culpado de desbaratar tanto talento que por lá tem. Mas, é preciso que se diga, Jesus também não aproveitou esse talento: Djuricic, Lisandro e Cristante nunca contaram para o ex-treinador e até Talisca só foi titular três vezes na segunda metade da época passada. O problema, afinal, pode estar no talento... Na verdade, o plantel à disposição de Rui Vitória é tão bom como aquele que Jorge Jesus levou ao bicampeonato. Tem os mesmos pontos fortes e os mesmos pontos fracos. Simplesmente, Jesus conhecia-o melhor, sabia melhor como exaltar-lhe as forças e esconder-lhe as fraquezas. Mas isso a estrutura já devia saber.
2015-10-29
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O Benfica ganhou nas últimas quatro visitas à Madeira, não perdendo ali desde que caiu aos pés do Marítimo na abertura da Liga de 2013/14. Rui Vitória, por sua vez, não tem sido feliz na sequência das viagens à Pérola do Atlântico, onde não ganhou nenhum dos derradeiros oito jogos. A sua última vitória – e única na Madeira ao serviço do V. Guimarães – aconteceu há quatro anos, quando bateu o Nacional por 4-1 em partida da Liga, precisamente no Estádio da Madeira (Choupana), onde vai agora disputar-se o U. Madeira-Benfica. Ainda assim, a conquista mais importante na carreira do atual treinador encarnado passou pelo Funchal: empatou ali com o Marítimo nos oitavos-de-final da Taça de Portugal de 2012/13, qualificou-se no desempate por grandes penalidades e acabou por vencer a prova, na final, contra… o Benfica. Ora é precisamente o Benfica que tem transformado as viagens à Madeira numa limpeza. Depois da derrota frente ao Marítimo, a 18 de Agosto de 2013, na primeira jornada da Liga de 2013/14 (2-1, com golos de Derley e Sami para os verde-rubros e de Rodrigo para as águias), os encarnados ganharam sempre no Funchal. Ainda nessa época, impuseram-se por duas vezes ao Nacional (1-0 para a Taça da Liga e 4-2 para o campeonato). Na temporada passada, sempre a contar para o campeonato, venceram o Nacional por 2-1 e o Marítimo por 4-0, com um nome comum a ambas as fichas de goleadores: o do agora lesionado Salvio. Já Rui Vitória tem tido mais problemas com os voos até ao Funchal. Ao comando do V. Guimarães só lá ganhou uma vez, ainda que possa apresentar como bom auspício o facto de ter sido logo a primeira (como é agora a primeira que ali leva o Benfica) e na primeira vez que orientou a equipa minhota. Manuel Machado saiu após a derrota em casa com o FC Porto (0-1), na primeira jornada da Liga de 2011/12, Basílio Marques orientou a equipa nos 0-3 com o Beira Mar e nem chegou a aquecer o lugar, de modo que Rui Vitória saltou do banco do Paços de Ferreira para o do mais ambicioso V. Guimarães. No jogo de estreia, à terceira jornada, já ganhava por 2-0 ao intervalo, acabando por se impor por 4-1 (marcaram N’Diaye, Toscano e Edgar, este por duas vezes). Aquela foi, porém, a única vitória do atual treinador benfiquista no Funchal. Depois disso, na mesma temporada, ainda perdeu (2-1) com o Marítimo. Nos restantes seis jogos que lá fez para a Liga, empatou duas vezes com o Nacional na Choupana (1-1 em 2013/14 e 2-2 na época passada) e perdeu nas outras quatro ocasiões (2-1 com o Nacional em 2012/13 e todos os jogos nos Barreiros com o Marítimo: 1-0 em 2012/13, 2-1 em 2013/14 e 4-0 em 2014/15). A Madeira está, ainda assim, ligada à conquista da Taça de Portugal, que obteve pelo V. Guimarães em 2012/13. A 2 de Dezembro de 2012, empatou nos Barreiros com o Marítimo a uma bola (Ricardo igualou após um primeiro golo de Fidelis), acabando por se qualificar no desempate por grandes penalidades, numa noite mágica de Douglas, que defendeu dois pontapés dos onze metros. Chegou à final, onde venceu o Benfica, mas ainda há-de lembrar-se que nunca como nesse dia esteve tão perto de soçobrar: aquele foi o único dos sete jogos da caminhada que o V. Guimarães não venceu.   - O Benfica tem o melhor marcador da Liga (Jonas, com sete golos), mas também o melhor assistente, que é Gaitán, com cinco passes decisivos (mais um na Liga dos Campeões). A equipa de Rui Vitória é ainda a que mais remata na prova: soma 114 remates, a uma média de 19 por jogo.   - Em contrapartida, o U. Madeira tem uma das melhores defesas do campeonato (só quatro golos sofridos, a par de Benfica, FC Porto, Sp. Braga e Sporting), sendo ainda aquela que aguenta mais remates sem sofrer um golo. Os quatro golos sofridos pela equipa de Luís Norton de Matos nasceram de 83 remates, a uma média de um golo a cada 20,8 tentativas. A segunda melhor média da Liga é a do Arouca (um golo por cada 16,3 remates).   - Gaitán fez o primeiro jogo pelo Benfica na Liga na Choupana, o estádio do Nacional que servirá de casa emprestada à U. Madeira para receber o Benfica. Não tem boas memórias dessa noite, porém. Foi a 21 de Agosto de 2010, o argentino saiu aos 65’, com o Benfica a perder por 2-0 com o Nacional. Ainda viu Carlos Martins reduzir para 2-1, mas a derrota acabou por marcar-lhe a estreia.   - Luís Norton de Matos, treinador do U. Madeira, fez uma época no Benfica B (na qual lançou Lindelof, jogador do atual plantel encarnado), mas nunca defrontou o Benfica na carreira de treinador. O mais perto que esteve de o fazer foi em 2005, época que iniciou com o V. Setúbal. Conduziu os sadinos até à 15ª jornada, quando se demitiu, alegando salários em atraso, deixando a equipa num excelente terceiro lugar. Na 16ª jornada, o V. Setúbal defrontou o Benfica, perdendo por 1-0.   - Se jogar, como tudo indica que pode acontecer, Luisão ultrapassa o malogrado guarda-redes Bento como sexto jogador com mais jogos na história do Benfica. Luisão e Bento têm ambos 465 jogos de águia ao peito, sendo que à frente de ambos só se encontram Sheu (487), Humberto Coelho (498), Coluna (525), Veloso (538) e Nené (575).   - Jonas e Lisandro López completam na segunda-feira, um dia depois do jogo, um ano sobre a estreia pelo Benfica na Liga. Ambos abriram a conta a 5 de Outubro de 2014 nos 4-0 com que o Benfica ganhou ao Arouca.   - André Moreira, jovem guarda-redes do U. Madeira, é dono da mais longa série de minutos sem sofrer golos na atual Liga. Foram 361 minutos entre o golo de Soares (Nacional), na segunda jornada, e o marcado por Leo Bonatini (Estoril) no último domingo.   - O União da Madeira perdeu todos os dez jogos que fez com o Benfica na Liga e só marcou quatro golos, todos eles na Luz. Em casa, ficou sempre em branco. A exceção a esta regra válida para a Liga foi uma partida da Taça de Portugal, em Dezembro de 1993, que acabou empatada a uma bola, no Estádio dos Barreiros. No prolongamento, porém, o Benfica impôs-se por 5-1.   - O Benfica continua sem marcar um golo em provas nacionais fora do Estádio da Luz desde 29 de Maio de 2015, quando ganhou por 2-1 na final da Taça da Liga, em Coimbra, a uma equipa madeirense: o Marítimo. Para o campeonato, o último golo fora aconteceu a 2 de Maio, em Barcelos, nos 5-0 ao Gil Vicente. Depois disso, o Benfica já empatou (0-0) com o V. Guimarães e perdeu (sempre 1-0) com Arouca e FC Porto   - Cosme Machado, que será o árbitro do U. Madeira-Benfica, expulsou um jogador nos últimos três jogos que dirigiu na Liga, dois deles esta época. O setubalense Fábio Pacheco (na visita à Académica) e o estorilista Diego Carlos (em Tondela) foram tomar duche mais cedo, ambos por acumulação de cartões amarelos.
2015-10-02
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Último Passe

A vitória do Benfica em Madrid (2-1), contra o Atlético, vale mais do que os três pontos, a noção de que, com cinco pontos de vantagem sobre o Galatasaray, dificilmente deixará de seguir em frente na prova ou a verba paga pela UEFA por cada sucesso na Liga dos Campeões. E vale mais do que a quebra das duas malapatas que afetavam a equipa portuguesa ante este desafio: se ainda não marcara golos fora esta época, fez logo dois; se não ganhava em Espanha há 33 anos, ganhou logo no Vicente Calderón, onde nenhuma equipa estrangeira tinha ganho desde que ali chegou Diego Simeone. A vitória em Madrid vale sobretudo pela crença que toda a equipa mostrou ter no processo de construção e pela confirmação de meia dúzia de verdades acerca do que este Benfica vale em competição. Primeiro, e acima de tudo, confirma que este Benfica já está a defender muito bem. O jogo não permitiu avaliar-lhe os méritos no ataque organizado e posicional, mas esse tem sido o momento do jogo que mais tem valido aos encarnados na Liga portuguesa. No Calderón, com exceção dos momentos de desorientação que se seguiram ao golo espanhol, viu-se um Benfica muito forte do ponto de vista defensivo e igualmente competente no ataque rápido e no contra-ataque. E se isso só é possível numa equipa que acredita naquilo que está a fazer – e o atribulado início de época podia ter dado aos jogadores para duvidarem – fará a partir daqui com que creia ainda mais naquilo a que Rui Vitória chama “o processo”. Depois, há as confirmações individuais. A vitória do Benfica mostrou que, em condições físicas normais, Júlio César ainda pode ser um dos melhores guarda-redes da Europa. Deixou à vista que Luisão e Jardel formam uma dupla coriácea e difícil de bater por quem quase se limita a um jogo de cruzamentos largos para a área. Evidenciou que Gonçalo Guedes tem tudo para ser uma certeza no curto prazo – fez mais um golo, no aproveitamento exemplar de um contra-ataque conduzido pelo flanco oposto e, juntamente com Nelson Semedo, nem tremeu na cobertura do corredor direito. E acima de tudo, num jogo em que nem houve assim tanto Jonas, voltou a revelar um Gaitán cuja permanência em Portugal parece um verdadeiro milagre. Autor do primeiro golo e da jogada que conduziu ao segundo, o argentino está um patamar acima da generalidade dos companheiros e adversários. E, com ele à frente, os colegas têm mais uma razão par acreditar que podem também chegar lá.
2015-09-30
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Gonçalo Guedes fez o primeiro golo com a camisola do Benfica, ao 16º jogo oficial, a vitória por 3-0 frente ao Paços de Ferreira. Tornou-se assim o mais jovem marcador da história dos encarnados desde que o norte-americano Freddy Adu marcou o golo do empate (1-1) na Amadora, num jogo frente ao Estrela que contava para a Taça da Liga, oito anos exatos antes do golo do jovem de Benavente. Gonçalo Guedes fez o golo ao Paços de Ferreira a 26 de Setembro de 2015, a dois dias de completar 18 anos e dez meses; Adu tinha-se estreado a marcar pelo Benfica também a 26 de Setembro, mas de 2007, com 18 anos e três meses de idade. Mesmo se contarmos apenas jogos da Liga, Gonçalo Guedes não bate a idade de Adu à data do primeiro golo: fê-lo a 28 de Outubro de 2007, numa vitória por 2-1 sobre o Marítimo, com 18 anos e quatro meses.   - Ao assistir Gonçalo Guedes para o 2-0, o argentino Gaitán mantém-se como melhor assistente da Liga, com cinco passes para golo (antes tinha feito os passes para golos de Mitroglou e Nelson Semedo ao Estoril e Jiménez e Jonas ao Moreirense). O segundo melhor assistente da Liga é Gonçalo Guedes, com quatro passes para golo: Jonas e Talisca ao Belenenses, mais dois para Jonas ao Paços de Ferreira.   - A vitória sobre o Paços de Ferreira permitiu a Rui Vitória chegar pela primeira vez ao fim de um jogo contra uma ex-equipa na Liga sem sofrer golos. Até aqui tinha encaixado doze em oito jogos, nunca mantendo a baliza a zeros.   - Jonas segue com sete golos em seis jornadas da Liga, com uma média superior a um golo por jogo. O último jogador a consegui-lo à sexta jornada tinha sido Montero (Sporting, em 2013/14). No Benfica ninguém tinha uma marca assim desde Cardozo, em 2009/10.   - Jonas vai ainda com seis jogos consecutivos a marcar em casa, na Liga. Ficou em branco contra o FC Porto (0-0), em finais de Abril, mas depois marcou ao Penafiel (um golo nos 4-0), ao Marítimo (dois nos 4-1) e, já esta época, ao Estoril (dois nos 4-0), ao Moreirense (um nos 3-2), ao Belenenses (dois nos 6-0) e agora ao Paços de Ferreira (dois nos 3-0).   - Luisão completou o 465º jogo pelo Benfica, igualando Manuel Bento como o sexto homem com mais partidas pelos encarnados em toda a prova. À frente dele só estão agora Nené (575 jogos), Veloso (538), Coluna (525), Humberto Coelho (498) e Shéu (487).   - O guarda-redes Marafona vai com 40 jogos completos consecutivos no campeonato. Entre a Liga anterior, que fez no Moreirense, e a atual, no Paços de Ferreira, são 3600 minutos sem falhar um, o que faz dele o jogador há mais tempo consecutivo em atividade na prova.   - O Paços de Ferreira sofreu a segunda chapa 3 consecutiva na Liga, depois de ter perdido em casa com o Rio Ave por 3-0. Algo que não acontecia aos pacenses desde Dezembro de 2013, quando depois de perderem em Alvalade com o Sporting por 4-0 foram batidos em casa pelo Estoril por 3-0.
2015-09-27
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Rui Vitória vai defrontar a equipa pela qual se estreou na Liga portuguesa, há cinco anos, mas na qual passou apenas uma época, saindo no início da segunda para se ocupar do V. Guimarães. Ora o histórico do treinador do Benfica nem tem sido particularmente feliz frente a ex-equipas: ganhou apenas três dos oito jogos contra o Paços de Ferreira, dois dos quais fora de casa. Em Guimarães a única vitória foi em Abril de 2012. Há duas ilações a tirar deste histórico. A primeira é que nos oito jogos de Vitória contra uma ex-equipa sua, o ataque foi a tónica dominante: não houve um único zero de nenhuma das equipas, pois ambas marcaram sempre. E a segunda é que Rui Vitória se sente melhor como visitante a um estádio onde já foi feliz do que como anfitrião das suas ex-equipas: tem uma vitória, dois empates e uma derrota nos jogos com o Paços em Guimarães e duas vitórias, um empate e uma derrota nas visitas ao Estádio Capital do Móvel. O melhor resultado, aliás, obteve-o em Paços de Ferreira. Foi uma vitória por 5-1 logo em Novembro de 2011, com hat-trick de Edgar, que era o ponta-de-lança desse V. Guimarães. Essa primeira época – que, recorde-se, Vitória ainda começou em Paços de Ferreira, tendo por isso amplo conhecimento do adversário – foi a melhor no confronto com a ex-equipa, tendo o atual técnico do Benfica obtido duas vitórias, por 3-e e 5-1. Em 2012/13 perdeu em Paços de Ferreira por 2-1 e empatou em Guimarães a dois golos. Em 2013/14 ganhou em Paços (3-1), mas perdeu em casa (1-2). E na época passada ambos os jogos redundaram em empates: 1-1 em Guimarães e 2-2 em Paços de Ferreira.   - Na sua ainda curta carreira como treinador de top, Jorge Simão já defrontou os três grandes e só perdeu com o Benfica. Ainda dirigia o Belenenses quando foi batido em casa (0-2) pelos encarnados, na ponta final da época passada. Foi ainda no Restelo que impôs um empate (1-1) ao FC Porto, dando o bi-campeonato ao Benfica. E já esta época trouxe o Paços de Ferreira a empatar em Alvalade com o Sporting (1-1).   - Aliás, Simão tem quatro derrotas 14 jogos na Liga e só uma delas foi fora de casa, o que faz dele um especialista em viagens. Perdeu no Bessa no seu jogo de estreia (1-0 com o Boavista, a 22 de Março) ao serviço do Belenenses, e depois só voltou a perder em casa, com Benfica, Rio Ave (ambos ainda no Belenenses) e agora outra vez Rio Ave (já no Paços de Ferreira). Fora de casa, vai com uma série de seis jogos sem perder, com três vitórias e três empates.   - O Benfica ganhou os quatro jogos que fez esta época na Luz e marca sempre golos nos jogos em casa há seis jogos consecutivos, desde o empate a zero com o FC Porto, em finais de Abril. Nesses seis jogos, Jonas fez golos em todos menos no último, os 2-0 ao Astana: nos outros cinco marcou por oito vezes, com três bis.   - Luisão é o único jogador disponível para Rui Vitória que já marcou golos ao Paços de Ferreira na Luz. Todos os outros ou já saíram (Maxi, Enzo Pérez, Garay, Cardozo, Saviola, Nolito, Aimar…) ou estão lesionados (Salvio). Do outro lado, Cícero, que ainda começou a época no Paços mas entretanto saiu para o Samsunspor, da Turquia, era o único a já ter festejado um golo nas balizas da Luz com a camisola amarela dos castores.   - Fejsa jogou pela primeira vez com a camisola do Benfica contra o Paços de Ferreira. Foi a 14 de Setembro de 2013 que Jorge Jesus o lançou, ainda na primeira parte, no lugar de Ruben Amorim. O Benfica já ganhava por 2-0 e acabou por vencer esse jogo por 3-1.   - Talisca já tinha jogado pelo Benfica na Supertaça, contra o Rio Ave, mas estreou-se na Liga frente ao Paços de Ferreira, em partida da primeira jornada da época passada, a 17 de Agosto. Foi titular na vitória por 2-0, tendo saído aos 74 minutos, já com o jogo resolvido. Esse foi também o jogo de estreia na Liga portuguesa para Rafael Defendi, atual guarda-redes suplente dos pacenses.   - O Paços de Ferreira só ganhou uma vez na Luz, mas já foi há 14 anos e meio. Dois golos de Rafael e um de Leonardo permitiram uma vitória por 3-2 da equipa de José Mota sobre a dirigida por Toni, em Março de 2001. O Benfica venceu todos os jogos na Luz para a Liga desde o regresso do Paços à divisão mais importante, em 2005, cedendo apenas um empate de todo irrelevante na segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal, em Abril de 2013, depois de ter ganho a primeira partida na Mata Real.   - O Paços de Ferreira, de qualquer modo, vem com três visitas consecutivas a Lisboa sem perder. Já esta época, empatou com o Sporting em Alvalade e, na anterior, depois de perder na Luz com o Benfica por 2-0, foi empatar a Alvalade com o Sporting (1-1) e ganhou no Restelo ao Belenenses (1-0).   - O último confronto entre Paços de Ferreira e Benfica, porém, acabou com vitória dos pacenses. Foi na Mata Real, em Janeiro, e um penalti cometido por Eliseu permitiu a Sérgio Oliveira fazer, já em tempo de compensação, o golo da vitória da equipa da casa (1-0).   - O Benfica continua a ser a equipa mais rematadora da Liga, com 97 remates (19,4 por jogo), mas o Paços de Ferreira é uma das que melhor se defende e menos remates permite: 45, apenas nove por jogo, no que só é suplantado por Sp. Braga (5,6), Benfica (6,6), Sporting (7,2) e FC Porto (7,6).   - O Paços de Ferreira nunca ganhou com Rui Costa a apitar. Soma duas derrotas e três empates, ainda que um deles tenha sido feliz, pois aconteceu frente ao FC Porto no Dragão. Quanto ao Benfica, ganhou 14 dos 17 jogos com este árbitro, sendo mesmo a equipa da Liga com maior percentagem de vitórias com ele a dirigir jogos: 82 por cento, contra 80% do FC Porto. A última vitória dos encarnados com Rui Costa foi no Restelo, na época passada, contra o Belenenses de… Jorge Simão.
2015-09-25
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Último Passe

O FC Porto-Benfica não foi um grande jogo, mas foi um jogo em que as duas equipas até mostraram razões para o otimismo dos seus adeptos. A primeira parte mostrou o melhor Benfica da época: compacto, taticamente disciplinado e a ameaçar – ainda que só nas bolas paradas – a baliza de Casillas. A segunda mostrou um FC Porto pressionante, com Aboubakar a cair muito na esquerda e André a soltar-se mais do meio-campo em direção à área, na antevisão repetida da jogada que – já com Osvaldo em campo no lugar do camaronês – acabou por dar o golo da vitória. O FC Porto teve nesse período três ocasiões claras de golo, jogou em crescendo, pelo que foi com justiça que alargou a vantagem sobre o bicampeão para quatro pontos. O Benfica paga as dores de crescimento da juventude que teve em campo e que tão bem se portou até ao momento do 1-0. Como repetiu Luisão até à exaustão na sequência do lance: “Têm que fazer falta!” Quando digo que a primeira parte do clássico mostrou o melhor Benfica da época não estou a esquecer os 6-0 ao Belenenses – esse tinha sido um jogo de sentido único, em que as águias só tiveram de trabalhar a parte ofensiva. No Dragão, a equipa mostrou-se nos primeiros 45 minutos muito competente do ponto de vista defensivo: mesmo em dois para três (Samaris e André Almeida contra Ruben Neves, Imbula e André), serviu-se da pequena distância entre linhas para ganhar a batalha do meio-campo, e ao mesmo tempo conseguia chegar à frente como um bloco. Além disso, se a maior esperança do FC Porto eram os duelos individuais nos corredores laterais, eles não sorriram aos azuis e brancos: surpreendentemente, Nelson (muito mais concentrado e disciplinado a defender do que o habitual) e Eliseu raramente deixaram Corona e Brahimi jogar. Nesse período, o FC Porto chegava sempre à frente com pouca gente e não se via como poderia desbloquear o resultado. A segunda parte trouxe um FC Porto surpreendentemente vivo, tanto na intensidade que manteve no campo (porque não só jogou na Champions um dia mais tarde como o fez em Kiev) como na capacidade para empurrar o Benfica para o seu meio-campo. Lopetegui mandou recuar Imbula para perto de Ruben Neves, assumiu Corona como extremo (em vez de o mandar andar à procura do espaço interior), deu mais liberdade a André no corredor central e terá também ordenado a Aboubakar que procurasse mais os terrenos de Nelson, em trocas posicionais com Brahimi, que fazia o movimento inverso. As trocas deram a supremacia ao FC Porto, Aboubakar teve duas ocasiões claras para marcar, mas já o jogo se encaminhava para o final sem se ver como é que o 0-0 desapareceria do placar quando um desequilíbrio no meio-campo benfiquista deu o golo da vitória ao FC Porto: Jardel saiu na pressão a Osvaldo, perdeu o lance, ninguém o dobrou e o italo-argentino conseguiu soltar a bola para uma arrancada de Brahimi em quatro para três. Ninguém fez a tal falta que Luisão veio depois a reclamar aos seus colegas e um calcanhar de Varela deixou André na cara de Júlio César. Saiu a ganhar o FC Porto, porque já tem quatro pontos de vantagem sobre o bicampeão, mas não sai assim tão mal o Benfica, que jogou muito melhor do que no outro clássico desta época, perdido para o Sporting por 1-0, no Algarve. Rui Vitória sabe bem que lançar jovens tem o seu preço e por isso mesmo disse no final que o “caminho vai ser longo”. Resta-lhe esperar que eles acelerem a aprendizagem.
2015-09-20
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O FC Porto-Benfica de domingo servirá para uma de duas coisas. Ou o FC Porto confirma que montou no Dragão uma barreira inexpugnável, que ninguém é capaz de ultrapassar para marcar golos, ou o Benfica espanta de vez os fantasmas que o têm impedido de fazer golos longe do Estádio da Luz. A apimentar a história, o facto de terem sido os encarnados, por Lima, os últimos a marcar golos no Dragão em jogos da Liga. A 14 de Dezembro do ano passado. Desde o bis de Lima que valeu ao Benfica a vitória por 2-0 no Dragão frente ao FC Porto e um avanço mental na luta pelo título que mais ninguém foi capaz de ali marcar em jogos de campeonato. E entretanto por lá passaram V. Setúbal (4-0), Belenenses (3-0), P. Ferreira (5-0), V. Guimarães (1-0), Sporting (3-0), Arouca (1-0), Estoril (5-0), Académica (1-0), Gil Vicente (2-0), Penafiel (2-0) e, já esta época, V. Guimarães (3-0) e Estoril (2-0). Ao todo, são já doze balizas virgens seguidas nos jogos da Liga, em casa. 1115 minutos (pouco mais de 18 horas e meia) sem sofrer golos, o que deixa a equipa atual à beira de poder igualar o registo de 1995/96, quando Vítor Baía (com breve auxílio de Silvino, que o substituiu num dos jogos) esteve 1127 minutos sem sofrer golos em casa para a Liga, entre um 2-1 ao Sporting (golo de Ouattara, a 20 de Agosto de 1995) e um 6-2 ao Felgueiras (marcou Lewis, a 11 de Fevereiro de 1996). Se mantiver o zero frente ao Benfica, no domingo, até aos 12’ de jogo, o FC Porto atual iguala esse registo. Mas um zero no final do encontro com os encarnados faria com que a série de Fabiano, Helton e Casillas passasse para os 1205 minutos. E para encontrar uma série tão longa é preciso recuar até 1988 e 1989, quando Zé Beto e o ainda adolescente Vítor Baía (que o substituiu no final da época) mantiveram a baliza das Antas inviolada durante 1384 minutos em jogos da Liga, entre um golo do maritimista Jorge Silva, em Outubro de 1988 e outro do setubalense Aparício, em Maio de 1989. O facto de ter sido o Benfica o último a marcar no Dragão para a Liga vem, por um lado, apimentar a história, até porque os encarnados têm sentido esta época dificuldades para fazer golos fora de casa: os 15 que somam foram todos obtidos na Luz. É verdade que, fruto de só ter jogado uma vez fora esta época (e mesmo essa no campo neutro de Aveiro, contra o Arouca), a série do Benfica não é assim tão impressionante em termos de Liga. Só ficou a zero com o Arouca (0-1) e na última deslocação da época passada, a Guimarães (0-0), na tarde em que assegurou a conquista do título. Antes disso tinha ganho por 5-0 ao Gil Vicente, em Barcelos. Mas que o teste do Dragão será exigente em termos de se avaliar a capacidade deste Benfica viajar, lá isso será.   - É o primeiro clássico português para Casillas, que em Espanha estava bem habituado a eles. Só na época passada, ao serviço do Real Madrid, disputou oito, seis deles com o Atlético Madrid, ganhando apenas dois: 1-1 e 0-1 na Supertaça; 0-0 e 1-0 na Liga dos Campeões; 1-2 e 0-4 na Liga. Os outros dois foram para a Liga com o Barcelona: ganhou por 3-1 em casa, perdeu por 1-2 no Camp Nou.   - Rui Vitória nunca ganhou ao FC Porto. Ainda assim, foi à conta de uma proeza contra o FC Porto que se tornou conhecido: a 26 de Setembro de 2007 o seu Fátima eliminou os dragões da Taça da Liga, com um empate a zero que foi depois transformado em sucesso no desempate por grandes penalidades. Ao todo, em doze jogos contra os dragões, perdeu oito e empatou quatro. Com destaque para um 3-3 no Dragão, em Maio de 2011, aos comandos do Paços de Ferreira, com hat-trick de… Pizzi.   - Em contrapartida, o atual treinador do Benfica foi o primeiro a causar dissabores a Lopetegui na sua carreira portuguesa. O espanhol tinha ganho os primeiros cinco jogos no FC Porto (2-0 ao Marítimo, 1-0 e 2-0 ao Lille, 1-0 ao Paços de Ferreira e 3-0 ao Moreirense) quando foi empatar a uma bola a Guimarães, a 14 de Setembro do ano passado.   - O Benfica ganhou por três vezes no Estádio do Dragão, inaugurado em Novembro de 2003, e todas pelo mesmo resultado: 2-0. Em Outubro de 2005 valeu-lhe um bis de Nuno Gomes; em Fevereiro de 2011, para a Taça de Portugal, marcaram Coentrão e Javi Garcia, e em Dezembro passado bisou Lima. No mesmo período o FC Porto soma sete vitórias e registaram-se ainda quatro empates – um único sem golos.   - Dos jogadores do atual plantel do FC Porto, só três marcaram pelos azuis e brancos ao Benfica. Foram eles Varela (duas vezes), Maicon (no golo do título, a fazer um 3-2 na Luz, em Março de 2012) e… Maxi Pereira. Apesar de ser a primeira vez que defronta o Benfica, fez um autogolo na baliza de Artur, em Maio de 2013, estabelecendo o momentâneo empate naquele que ficou conhecido como o jogo de Kelvin.   - Do atual plantel do Benfica, já sabem o que é marcar aos dragões de águia ao peito Gaitán (dois golos, ambos em jogos que acabaram empatados a duas bolas), Salvio (que está lesionado e não pode ser opção para Rui Vitória) e Luisão (numa derrota por 3-1 no Dragão antes do título de 2010).   - O médio André André, ultimamente em foco por ter ganho a titularidade no meio-campo do FC Porto, foi lançado na I Liga por Rui Vitória, treinador dos encarnados. Depois de ter sido junior do FC Porto e de ter passado sem sucesso pela equipa B do Deportivo da Corunha, chegou em 2012 do Varzim (II Divisão B) ao V. Guimarães e Vitória não hesitou em dar-lhe 90 minutos logo na primeira jornada da Liga, um empate a zero em casa com o Sporting.   - Defrontam-se a equipa mais faltosa da Liga, que é o FC Porto (a par do Marítimo), com 78 faltas cometidas, e a que menos infrações comete, que é o Benfica, que fez apenas 50 faltas. A diferença disciplinar tem também a ver com isso: o Benfica viu apenas cinco cartões amarelos nas primeiras quatro jornadas (10 faltas por cartão), enquanto que o FC Porto já viu 13 (seis faltas por cartão).   - Defrontam-se ainda o ataque mais realizador da Liga, que é o do Benfica, com 13 golos, e uma das defesas menos batidas, a do FC Porto, que encaixou apenas dois e lidera esta tabela a par do Paços de Ferreira e do U. Madeira. Os portistas apresentam, no entanto, melhores índices de aproveitamento tanto defensivo como ofensivo. Marcaram nove golos em 51 remates (um golo a cada 5,7 remates), enquanto o Benfica precisou de 91 tentativas para fazer 13 golos (entra uma a cada sete). Aliás, o Benfica também sofre um golo a cada sete remates que os adversários lhe fazem (três golos encaixados em 21 remates permitidos), ao passo que o FC Porto já permitiu 32 remates e sofreu apenas dois golos (um a cada 16 tiros).   - Tanto Benfica como FC Porto perderam apenas uma vez com Soares Dias a apitar. Aos dragões aconteceu apenas em Janeiro de 2014, na deslocação à Luz, onde perderam por 2-0 com o Benfica e viram Danilo expulso. De resto, são onze vitórias e um empate, no Estoril, na época passada, a duas bolas (com um penalti contra). As águias, por seu turno, ganharam doze, empataram quatro e só perderam com Soares Dias em Abril de 2012, num 0-1 com o Sporting em Alvalade (um penalti contra e Luisão expulso). Além disso, não sofrem golos em jogos dirigidos por este árbitro desde Agosto de 2012, quando empataram em casa com o Sp. Braga, na abertura da época (2-2). Depois disso defrontaram FC Porto, Sp. Braga e V. Guimarães. 
2015-09-18
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A deslocação à Luz será um enorme teste ao arranque invicto do Belenenses nesta época. Os azuis do Restelo já jogaram sete vezes e não perderam nenhuma, embora em boa verdade também só tenham ganho duas, ao IFK Goteborg (2-1) e ao Altach (1-0), nas eliminatórias da Liga Europa. Os outros cinco jogos redundaram em empates. Para encontrar um registo tão positivo – com o Belenenses na I Divisão – é preciso ir até 1979, quando a equipa então liderada por Juca baqueou à oitava jornada, contra… o Benfica. Esta época, os azuis começaram por vencer em casa o IFK Goteborg por 2-1, para depois irem empatar à Suécia, sem golos. Seguiram-se o empate em casa com o Rio Ave (3-3), para a Liga, e a vitória na Áustria frente ao Altach (1-0). Para completar o lote de sete jogos sem derrota devem juntar-se mais três empates: o primeiro em Guimarães (1-1), os dois seguintes no Restelo, com o Altach (0-0) e o Marítimo (1-1). Ora a última vez que o Belenenses esteve mais de sete jogos sem perder no início da época foi em 2011/12. Primeiro, foram três jogos para a Taça da Liga: 0-0 em Penafiel, 5-3 em casa ao Leixões e 3-1 ao Trofense. Depois, três empates para a II Liga: 0-0 em casa com o Atlético, 2-2 em Penafiel e 0-0 em casa com o Desp. Aves. Vieram de seguida a goleada (5-1) contra o Esposende, para a Taça de Portugal, e mais duas vitórias na II Liga: 3-2 no terreno do Portimonense e 1-0 ao Freamunde no Restelo. A primeira derrota surgiu ao 10º jogo, a 2 de Outubro de 2011: 1-0 na Trofa, frente ao Trofense, com um golo de Aderlan Santos já ao cair do pano. Só que nesse ano o grau de exigência era menor. Para encontrarmos um arranque tão bom com o Belenenses na I Liga, só mesmo em 1979. Sempre em jogos do campeonato nacional, a equipa de Juca arrancou com um empate nos Barreiros frente ao Marítimo (0-0), para de seguida ganhar ao Sporting (2-1, com golos de González e Amaral), no Restelo. Seguiram-se um empate (1-1, com Cepeda a fazer o golo belenense) no terreno do Varzim e uma vitória no Restelo (1-0, golo de Baltasar) frente ao Boavista. Esse Belenenses foi ainda empatar (1-1) a Espinho, com golo de Nogueira; venceu o Sp. Braga em casa por 2-0 (golos de Esmoriz e Lincoln) e, com uma vitória por 2-1 em Portimão (golos de Esmoriz e Luís Horta), chegou à sétima jornada invicto e em terceiro lugar, a dois pontos do líder, que era o FC Porto. A primeira derrota surgiu então à oitava jornada, a 21 de Outubro, me casa, com o Benfica. E logo por 3-0 (bis de Jorge Gomes na primeira parte e um terceiro golo de Reinaldo). Nessa equipa do Benfica jogavam Shéu (hoje secretário técnico do clube da Luz) e Pietra (membro da equipa técnica de Rui Vitória). Outro registo interessante do Belenenses atual é o facto de levar dez jogos oficiais seguidos sem perder, pois aos sete desta época podem juntar-se os três últimos da temporada passada, que acabou com dois empates (Académica em Coimbra e FC Porto no Restelo) e uma vitória (2-0 em Barcelos, frente ao Gil Vicente, a garantir a presença nas pré-eliminatórias da Liga Europa). A última série de dez jogos sem derrota do Belenenses também foi na II Liga e decorreu entre os 2-1 nas Aves, a 6 de Outubro de 2012, e os 0-2 em casa com o V. Guimarães, para a Taça de Portugal, a 27 de Março de 2013. Pelo meio passaram 28 jogos e da série resta a curiosidade de ter sido uma equipa de Rui Vitória a colocar-lhe um ponto final.   - O último golo que o Belenenses fez ao Benfica tem quase dois anos. Foi a 28 de Setembro de 2013, obtido por Diakité, no empate a uma bola na Luz. Desde então, os azuis levam 329 minutos sem marcar no dérbi.   - A vitória mais ampla da carreira de treinador de Ricardo Sá Pinto foi obtida contra Rui Vitória: aconteceu num Sporting-V. Guimarães, que os leões ganharam por 5-0 (bis de Jeffren, com golos de Van Wolfswinkel, Matías e Izmailov), a 11 de Março de 2012. Comparável a esta goleada, só uma outra, pelo mesmo resultado, frente aos dinamarqueses do Horsens, a 30 de Agosto de 2012.   - Sá Pinto, aliás, nunca perdeu com Rui Vitória nem sofreu golos contra equipas deste treinador. Além daqueles 5-0, só se encontraram mais uma vez, a abrir a Liga de 2012/13, em Guimarães, com um empate a zero a ficar no marcador final.   - Há dez jogos que o Belenenses não ganha ao Benfica. A última vitória azul neste dérbi sucedeu a 15 de Dezembro de 2007, no Restelo, por 1-0, com golo de Weldon, que depois viria a representar os encarnados. O treinador do Belenenses era… Jorge Jesus. Não resta no Restelo nenhum jogador da equipa que jogou nessa noite. Na do Benfica já só lá está Luisão.   - Para se encontrar uma vitória do Belenenses na Luz já é preciso recuar até 16 de Abril de 2000. Liderados por Vítor Oliveira, os azuis ganharam esse jogo por 3-2, com golos de Fernando Mendes, Filgueira e Rui Gregório. Pelo Benfica marcaram João Tomás e Maniche.   - Luisão tem o Belenenses na sua história em Portugal, pois foi contra os azuis do Restelo que fez o primeiro dos 461 jogos oficiais que já leva de águia ao peito. Foi há quase 12 anos, a 14 de Setembro de 2003, no Jamor (porque a nova Luz estava a ser construída e a antiga já não estava praticável), o jogo acabou empatado a três golos e Luisão marcou um dos golos encarnados.   - O lateral belenense João Amorim deve a Rui Vitória os primeiros passos na Liga. Estreou-se a 28 de Abril de 2012, jogando a tempo inteiro numa derrota do V. Guimarães em Barcelos, com o Gil Vicente, por 3-1.   - Os benfiquistas têm várias razões para gostar de Tiago Caeiro. Primeiro – e acima de tudo – o ponta-de-lança cujo golo colocou o Belenenses na fase de grupos da Liga Europa fez na época passada o golo do empate com o FC Porto, que garantiu ao Benfica o bicampeonato a uma jornada do final. Além disso, nunca fez um golo ao Benfica.   - O Belenenses é a equipa da Liga com menor percentagem de vitórias em jogos apitados por Bruno Paixão: apenas 14%, correspondendo a três vitórias em 21 jogos. O último sucesso azul com este árbitro foi em 2004/05, frente ao V. Guimarães, no Restelo, por 1-0.
2015-09-10
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