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Último Passe

Pinto da Costa esteve na exposição destinada a celebrar os 86 anos do andebol do FC Porto e, certamente a isso instado pelos jornalistas – a fazer lembrar o célebre “ainda bem que me faz essa pergunta” – não perdeu a oportunidade de falar daquilo que mais interessa, que é o futebol. Fê-lo para manifestar a sua confiança em Nuno Espírito Santo e no plantel, bem como para manifestar otimismo a respeito do que tem vindo a ver à equipa, tanto em termos de resultados como de espírito, e fez bem. De errado só mesmo a forma como descartou o que se passou nos últimos anos, como se tivesse acabado de chegar de uma viagem a Marte. Este FC Porto teve um início de época complicado, fruto da necessidade de adaptação às ideias do novo treinador e do facto de vir de três anos sem ganhar nada e, por isso mesmo, com um plantel diminuído na qualidade e na moralização. Ainda assim, a equipa respondeu quase sempre bem quando isso foi necessário. Aconteceu em Roma, quando correu riscos de ficar de fora da Champions – e todos sabemos como isso seria problemático para umas contas já a ameaçar o crash – e voltou a acontecer recentemente em Brugges, onde qualquer outro resultado que não fosse a vitória a deixaria em sério risco de desmobilização para a segunda metade do grupo da Liga dos Campeões. A exceção às boas respostas terá sido a visita a Alvalade, onde os dragões perderam com o Sporting, mas mesmo essa derrota terá sido atenuada pelas perdas de pontos sucessivos dos leões – também enfatizadas pelo presidente portista –, podendo ser completamente posta para trás das costas caso o FC Porto ganhe em casa ao Benfica, daqui a semana e meia. Vendo a equipa a crescer ao ritmo da afirmação de André Silva, um ponta-de-lança como o clube não via nascer desde Domingos, há um quarto de século, Pinto da Costa deu-lhe o empurrãozinho que muitas vezes faz a diferença. “Temos uma equipa, um plantel, como eu desejava, e como já não via há algum tempo”, disse, completando: “Nos últimos anos, nem todos os jogadores eram à FC Porto”. Talvez, fruto da longa experiência que já acumulou no cargo de presidente do clube, Pinto da Costa esteja a ver mais longe do que toda a gente, mas o que é mais estranho é que foi acima de tudo ele quem assinou por baixo a tão dispendiosa política de recrutamento dos últimos anos, os anos do Lopeteguismo. E que, depois de um ano sem nada ganhar, manteve a ideia e a política, jogando o “dobro ou nada” que se vê nos filmes e arruína tanta gente nos casinos. O que Pinto da Costa disse agora acerca do espírito criado por Nuno Espírito Santo no plantel do FC Porto é mais do que suficiente para garantir ao treinador a permanência no cargo, mesmo que, por esta ou aquela razão, ele acabe por não ganhar nada. Da mesma forma que o que ele disse da equipa após a derrota caseira contra o Tondela, em início de Abril, chegava a sobrava para que se percebesse que José Peseiro poderia até ganhar a Taça de Portugal que nunca iria continuar em funções na nova época. Mas não foi para nos garantir isso que Pinto da Costa falou agora. Fê-lo para dar o seu empurrão, sob a forma de moral, para evitar um quarto ano sem troféus. Porque não quererá ter de abusar da falta de memória de alguns para voltar a dizer daqui a uns tempos que nos últimos anos, nem todos os jogadores “eram à FC Porto”.
2016-10-26
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Último Passe

A resposta dada na RTP por Julen Lopetegui às declarações de Jorge Nuno Pinto da Costa acerca da situação que ainda o liga ao FC Porto mostrou que o treinador espanhol mudou mais do que a forma física – parece mais gordito, provavelmente por causa dos três meses de inatividade a que foi forçado pela demissão no Dragão. Mudou mesmo uma coisa fundamental: começa finalmente a perceber o que é ser FC Porto e de que é feito o futebol português. Se tivesse entendido antes, talvez ainda estivesse no clube. Há um aspeto em que o treinador basco tem 100 por cento de razão. É que quando chegou a Portugal, o FC Porto tinha ficado a 13 pontos do Benfica; acabou o campeonato seguinte a três e com a desvantagem competitiva de ter estado na Champions até Abril; saiu do atual, a um jogo de terminar a primeira volta, empatado com os encarnados e a quatro pontos do Sporting; e, 14 jogos depois, os dragões estão a dez pontos do Sporting e a doze do Benfica. Além disso, se o FC Porto perdeu sete vezes nos 30 jogos de 2013/14, já foi derrotado apenas três vezes em 50 jogos com ele e entretanto cedeu mais cinco derrotas em 14 jogos, depois da sua saída. Olhando para os números, tem razão Lopetegui quando alega que foi um erro demiti-lo. Mas o futebol não são números. O futebol são títulos. E ele, nesse aspeto, prolongou aquilo que vinha sendo o falhanço do FC Porto – e que, é preciso dizê-lo, não melhorou depois da sua saída. Porque falhou Lopetegui, então? Sempre tive a mesma opinião: Lopetegui chegou a Portugal com a sobranceria natural de quem vem de uma Liga superior e nunca procurou perceber bem o ambiente que o rodeia: basta ver que mesmo tendo estado ano e meio em Portugal e a dar uma entrevista à RTP, que é uma televisão portuguesa, e a uma jornalista portuguesa, para ser vista por portugueses, falou em castelhano. São detalhes? Sem dúvida. Mas não é um detalhe falhar na motivação dos seus jogadores, muitos deles também vindos de ambientes competitivos superiores, sempre que iam jogar a um daqueles “quintais” que são tão vulgares na nossa Liga. Como não é um detalhe não se ter preparado para lidar com a tal “fação” da claque portista onde teve origem a tal “contestação exagerada” após o empate com o Rio Ave. Então Lopetegui veio treinar o FC Porto e não se deu sequer ao trabalho de saber quem foi e como saiu Co Adriaanse do Dragão? Quando diz agora que finalmente começa a compreender essa tal “fação”, Lopetegui pretende enfatizar o que considera ser um processo de manipulação vindo de fora para dentro mas com origem no interior do clube, mas acaba por deixar bem à vista que não tinha feito o trabalho de casa no que respeita à compreensão do ambiente – “el entorno, señor Lopetegui, si es que me entiende” – do qual (também) dependia o seu sucesso. Aliás, não foi só isso que Lopetegui não entendeu logo à primeira: também lhe faltou perceber que, em Portugal, mercado pequeno, quando um clube quer ver-se livre de um treinador, o mais normal é que, para voltar a trabalhar e não ficar com o nome sujo no mercado, esse treinador abdique de receber o que falta do contrato. Tantas vezes ouvi essa história! Aqui, no entanto, quando diz que nem precisa de dois segundos para resolver o assunto, que as negociações foram feitas na altura de assinar o contrato e que depois disso tudo o que as partes têm a fazer é cumpri-lo, é Lopetegui quem tem razão. Neste aspeto, sim, os nossos dirigentes deviam aprender com ele.
2016-04-22
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O regresso de Julen Lopetegui ao palco cénico do futebol espanhol, por via de uma entrevista à Marca, a falar do Real Madrid e do conhecimento que tem de boa parte do plantel de Zidane, não foi propriamente uma surpresa. O basco tem cartel em Espanha, pelo trabalho que por lá fez, levou o FC Porto aos quartos-de-final da Liga dos Campeões e não há-de ser por não ter sido campeão em Portugal que os espanhóis deixam de considerá-lo. Aliás, em boa verdade, não creio que Lopetegui seja mau treinador: já vi piores a dirigir o Real Madrid, clube ao qual os espanhóis dizem agora que ele pode chegar. É certo que o FC Porto não ganhou nenhuma das duas últimas Ligas nem está bem colocado para ganhar a atual, mas o apuramento de responsabilidades não começa nem acaba no treinador. Se não forem campeões este ano, os dragões vão para o terceiro ano seguido sem ganhar a Liga – e para a segunda série de três anos sem lá chegar desde que Pinto da Costa se sentou na cadeira da presidência. A primeira, de 1999 a 2002, teve como treinadores Fernando Santos, Octávio Machado e José Mourinho, que foi também quem operou a revolução que levou o clube de volta a caminhos ganhadores. Desta vez, Paulo Fonseca e Julen Lopetegui já estão na lista negra, só faltando ver se José Peseiro a continua ou interrompe, mas tal como há década e meia a ideia que fica é a de que os treinadores não foram os mais culpados em dois dos três anos deste série. Há dois anos, Paulo Fonseca, que está a fazer um excelente trabalho em Braga e virá a ser um nome incontornável da nova geração de treinadores portugueses – a par de Marco Silva – teve ao dispor um plantel fraco, demasiado fraco para as aspirações portistas. Não sendo fraco, o grupo deste ano é bastante desequilibrado, com excesso de opções e de concorrência para umas posições e falta de alternativas para outras – e aí alguém na SAD deve ser chamado a dar explicações. Resta justificar a época passada, na qual Lopetegui teve um grupo de luxo, aquele que ainda acho que era o melhor plantel da Liga. E perdeu-a para o Benfica. Não por falta de uma boa ideia de jogo, que isso o FC Porto também tinha. O que faltou ao primeiro FC Porto de Lopetegui foi um treinador com mais conhecimento da realidade nacional e menos soberba, um treinador que não menosprezasse alguns dos quintais e algumas das equipas que jogam a Liga portuguesa e que valorizasse mais aquilo que Vítor Pereira, por exemplo, sempre teve como claro. O “Somos Porto” que o treinador de Espinho tantas vezes repetiu nunca entrou na cabeça do treinador basco e foi por isso que não conseguiu convencer os seus jogadores, por exemplo, que era mais importante ganhar na Choupana ao Nacional depois de o Benfica ter perdido com o Rio Ave em Vila do Conde do que fazer boa figura na eliminatória com o Bayern Munique. O problema de Lopetegui foi ter treinado o FC Porto a pensar que estava no Real Madrid. E nisso os espanhóis são muito práticos: se ele alguma vez treinar o Real Madrid, o problema desaparece.
2016-03-23
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Que o FC Porto está a mudar, já há poucas dúvidas. Claro que a vitória de hoje, sobre o Gil Vicente, pode sempre ser contestada na sua clareza (3-0) pelas duas bolas que os donos da casa enviaram aos ferros da baliza de Helton ainda com o resultado em aberto. Mas até nisso José Peseiro, que era tido como um “pé frio” por força da anterior passagem pelo Sporting, parece trazer um upgrade relativamente a Julen Lopetegui. As maiores diferenças, porém, não têm a ver com sorte e azar ou com a evidência de que, sem o basco, os dragões estão prestes a assegurar a presença num jogo que pode dar-lhes o primeiro troféu em quase três anos – desde a Supertaça ganha por Paulo Fonseca em Agosto de 2013. As maiores diferenças percebem-se sobretudo no comportamento coletivo dos jogadores. Não há receitas infalíveis para o sucesso e o próprio Peseiro reconheceu aspetos menos positivos no jogo contra o Gil Vicente, que por sua vez não deixa de ser uma equipa do segundo escalão. Mas, se já se sabe que a proposta do novo treinador portista tem o foco na capacidade de criar desequilíbrios ofensivos e se está à vista de todos que a equipa mete agora mais gente em situações de finalização, é igualmente claro que precisa de trabalhar melhor a transição defensiva, para evitar ser apanhada em campo aberto. E se há algo claro é que, sendo coerente, a ideia de jogo de Lopetegui cerceava a capacidade ofensiva da equipa, pela sua linearidade em cada corredor, pela timidez dos jogadores laterais na exploração do espaço interior e até pela ausência dos jogadores de meio-campo em zonas de finalização. Com a presença na final da Taça de Portugal assegurada a 99 por cento, Peseiro tem agora três meses para trabalhar a equipa para essa tarde em particular. Tempo mais do que suficiente. Bem diferentes são as contas do campeonato, onde os timings são muito mais apertados. A semana e meia da visita ao Estádio da Luz, onde o espera um Benfica que está ofensivamente muito forte, o FC Porto terá de acelerar o seu tempo de resposta em termos defensivos, sob pena de comprometer seriamente o seu encontro com esta Liga. Seja como for, uma coisa é certa: na Luz, de sexta-feira a uma semana, vai jogar-se com os olhos nas balizas do adversário.
2016-02-03
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Foi muito fácil a vitória do FC Porto no Bessa, por 5-0, sobre um Boavista que terá de mudar muito se quer evitar uma queda na II Liga que só o arreganho nos limites impediu durante a época passada. Lopetegui foi embora há tão pouco tempo que os comportamentos da equipa portista são ainda os que o treinador basco definiu, sendo por isso um abuso atribuir à mudança de comando técnico quaisquer méritos pela vitória. É verdade que Rui Barros não inventou e que a saída do treinador anterior soltou animicamente a equipa, a ponto de a superioridade azul-e-branca no relvado do Bessa ter sido sempre evidente, só sofrendo alguma contestação no início da segunda parte. Mas até isso o FC Porto resolveu à antiga: com um golo de autor marcado por Corona, o maior talento individual da equipa. Mesmo mantendo o onze que tinha empatado com o Rio Ave, na quarta-feira, Rui Barros promoveu, ainda assim, algumas alterações, sobretudo quando teve de chamar os suplentes a entrar no jogo. Só que mesmo estas acabaram por ser apenas simbólicas, porque se Imbula voltou à competição na Liga, onde não atuava desde a vitória na Choupana, há um mês, também só entrou em campo com o jogo resolvido, nos últimos dez minutos. De resto, a equipa também não teve um início arrasador: fez refletir uma superioridade natural na primeira parte num golo de Herrera que até teve algo de fortuito, na forma como a finalização bateu Gideão, e teve depois de aguentar a reação de um Boavista que parece apostar nos argumentos errados para os jogadores que tem. O futebol de Petit, muito feito de arreganho, marcação e agressividade, era o que mais convinha a um plantel muito limitado; o estilo de jogo de Sanchez, mais dado a ideias no plano atacante, expõe demasiado uma equipa sem andamento para isso. Os seis pontos que a equipa já dista da linha de água fazem antever grandes dificuldades. O Boavista ainda chegou a ameaçar enquanto o jogo esteve no 1-0, mas um truque genial de Corona, a passar entre Afonso Figueiredo e Inkoom antes de, com grande velocidade de execução, marcar o 2-0, acabou com a conversa. Com meia-hora para se jogar, já se via que os três pontos estavam atribuídos. Um bis de Aboubakar e um golo de calcanhar de Danilo, em cima do apito final, puseram o rótulo de goleada numa vitória que terá servido para o FC Porto entrar nos eixos. À viragem para a segunda volta, os dragões distam quatro pontos do primeiro lugar. Nada de irrecuperável, quando a equipa assume que está a sair da crise e quando Rui Barros simplifica: basta saber em que clube se está a jogar.
2016-01-10
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Há quem olhe para a saída de Julen Lopetegui do FC Porto como uma manifestação da força do poder popular, julgando-a nascida dos lenços brancos que o público agitou nos últimos jogos no Dragão. Há também quem a veja como consequência da gota de água final que fez transbordar o copo da paciência de Pinto da Costa face ao futebol pobre que a equipa vinha exibindo nas últimas semanas. E há ainda quem a julgue injusta, face à evidência dos 37 pontos que os dragões têm ao fim de 16 jornadas, exatamente os mesmos 37 pontos que tinham na época passada, na qual se mostraram capazes de se manter vivos na luta pelo título até bem perto do fim da competição. A mim, a demissão do treinador basco parece-me sobretudo a falência de uma ideia de jogo e vem motivar-me uma curiosidade acima de todas: quem vem a seguir e em que medida é que isso vai influenciar a gestão que Jorge Mendes faz da balança de poderes no futebol nacional? A demissão do treinador basco é um rude golpe na ideia de jogo que o FC Porto vinha professando há ano e meio. O culto da posse, a largura na construção e a presença permanente de extremos tinham como objetivo a implementação de uma espécie de “tiki-taka” à portuguesa, algo que, porém, nunca teve resultados a condizer devido a fatores tão diversos como a falta de maleabilidade tática do treinador, o desinvestimento de alguns jogadores em partidas de menor visibilidade ou a ausência de um finalizador de excelência capaz de colocar o ponto final em tanto jogo pelas alas. A verdade é que, mesmo tendo o FC Porto perdido Jackson Martínez – e há muito que venho dizendo que o futebol de Aboubakar pede outro tipo de construção – o plantel à disposição de Lopetegui continua a ser o mais forte da Liga portuguesa. E mesmo assim tem zero títulos para apresentar e apenas duas vitórias em sete clássicos disputados. Com Lopetegui posto de parte, os nomes dos potenciais sucessores já estão a dançar na agenda mediática. Pinto da Costa tem duas opções: ou aposta num interino até poder contratar o técnico que quer, no final da época, como fez há dois anos, entre Paulo Fonseca e Lopetegui (e muito se tem falado de André Villas-Boas, que no entanto ainda não está disponível); ou avança já para uma solução de futuro. Neste caso, estranhamente, nem se tem falado de Marco Silva, treinador ligado à Doyen que está a arrasar na Grécia. Mas fala-se de Paulo Bento (o que é estranho, porque o ex-selecionador teve vários atritos com Pinto da Costa) e de Nuno Espírito Santo, um treinador do topo da agenda nacional de Mendes, que o super-agente português faria tudo para ajudar. Até equacionar a parceria com Luís Filipe Vieira e o Benfica, que tem sido o aliado preferencial nos negócios portugueses da Gestifute? Essa é a parte mais interessante do problema, a parte que pode afastar Nuno do Dragão.
2016-01-07
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Último Passe

A noite atípica, com os três grandes a jogar ao mesmo tempo durante uma meia-hora, veio fazer mais do que chamar a atenção para uma peculiaridade de calendário raramente vista na Liga em Portugal. Um Marítimo demasiado macio e um V. Setúbal demasiado aberto não fizeram sequer cócegas a Benfica e Sporting, que os despacharam com goleadas de 6-0 construídas desde muito cedo, pelo que a história da noite só podia chegar do Dragão, onde o FC Porto não foi capaz de vencer um Rio Ave taticamente muito adulto, desde logo confirmando os leões como campeões de Inverno: os quatro pontos que levam de avanço sobre a agora dupla de perseguidores deixam-nos ao abrigo de qualquer contratempo na última jornada da primeira volta, no domingo, em casa contra o Sp. Braga. Não vi – ninguém pode ter visto – os três jogos. Fui vendo um pouco de cada, até dois deles estarem resolvidos, permitindo centrar atenções no Dragão. Na Luz, depois de um início algo dividido, o Benfica aproveitou a macieza de um Marítimo que até é campeão das expulsões mas cometeu apenas três faltas durante a primeira parte para construir desde cedo um resultado folgado. Até ao momento em que virei antena, destaque para Pizzi, pelo oportunismo de chegada à área, e Carcela, por ser o desequilibrador que em alguns jogos faltou à equipa de Rui Vitória. Em Setúbal, o Vitória foi, pelo menos, igual a si próprio: futebol positivo, aberto, por isso mesmo sujeito a sofrer golos. Em suma, um convite à maior dinâmica atacante do Sporting, que arrancou uma grande exibição, fazendo brilhar Bruno César com dois golos na estreia e permitindo a Slimani somar mais dois à sua conta pessoal. Complicada foi a vida do FC Porto. O empate ao intervalo, fruto de um golo afortunado para o Rio Ave, até era lisonjeiro para os visitantes, mas o que a equipa remendada de Pedro Martins conseguiu fazer na segunda parte, tanto do ponto de vista defensivo como nas saídas para o contra-ataque, mostra trabalho de muita qualidade. E, como é evidente, enfatiza as dificuldades de Julen Lopetegui no comando do FC Porto. O treinador basco terá ido ao limite da sua visão do que é o risco, acabando o jogo com três defesas e com Aboubakar e André Silva em simultâneo no ataque (ainda que para tal tenha sacrificado Corona e Layun, que são armas ofensivas de peso), mas é preciso dizer que o problema não esteve nas substituições. Os lenços brancos nas bancadas deveram-se ao resultado e ao facto de a equipa ter somado aos pecados habituais – acima de todos a falta de presença no corredor central – muita ansiedade, que se revelou em vários passes transviados logo no início da construção. Para os dragões, o importante agora é tranquilizar: e aí esteve bem o treinador, ao dizer no final que se sente com força para continuar à frente da equipa mas que a decisão cabe ao presidente. O problema é que, numa Liga com jogos ao domingo e à quarta-feira, não há tempo para terapias muito demoradas. Os dragões precisam de responder já no domingo, no Bessa.
2016-01-06
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Último Passe

A conferência de imprensa com que Rui Vitória antecipou o jogo de hoje, contra o Marítimo, correspondeu àquilo que os benfiquistas esperavam dele, porque veio finalmente dar resposta às indiretas que lhe têm sido dirigidas pelos rivais. É certo que Vitoria vinha evitando responder, seja por razões estratégicas ou até por não se sentir assim tão à vontade na lógica de confronto que mais satisfaz Jorge Jesus, por exemplo, mas ao responder não só não entrou em contradição - o que ele tinha dito antes era que só respondia "a quem quiser, quando quiser" - como deu realmente prova de não se ficar, que é o que mais interessa aos adeptos de base do clube.A razão de Rui Vitória, no entanto, fica por aqui. Porque, na realidade, as perguntas incómodas sempre foram feitas. E acima de tudo porque se engana quando, sem os nomear, diz que Jesus e Lopetegui estão obcecados com o Benfica. Porque não estão. Jesus está, como sempre esteve, obcecado consigo próprio. E Lopetegui está obcecado com a ideia de salvar a própria pele, porque certamente já terá tido a curiosidade de ir espreitar a forma como começaram as crises que levaram à substituição de treinadores a meio da época no Dragão. Ponto em comum (julgo que a todos menos a Del Neri): são sempre os treinadores quem pede para sair, seja por terem sido requisitados em outros sítios ou porque já não aguentam a pressão instrumentalizada.Não me espanta, por isso, que Julen Lopetegui agarre com avidez qualquer mão que se lhe apresente como meio de salvação, mesmo que ela seja a do rival que ainda há uns meses gozava com a forma como dizia o seu nome. Já Jesus é um caso diferente. Tem sido norma aos benfiquistas dizerem que o atual técnico do Sporting está obcecado com a Luz. Pois eu acho qe não está. Jesus está - como sempre esteve, de resto, como já estava quando disse que com ele os jogadores do Benfica iam jogar "o dobro" - ofuscado com o brilho que ele próprio julga emitir na qualidade de Rei Sol. Quando Jesus se mete com Vitória, não é por achar que este está a trabalhar mal ou por querer voltar para o local onde foi feliz. É para realçar que quem o substituiu não está a fazer tanto como ele tinha feito. E não é por causa do Benfica. É por causa dele. Não entender isto é não entender a personagem.
2016-01-05
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Stats

O FC Porto enfrenta a receção ao Rio Ave após duas derrotas consecutivas: 1-3 frente ao Marítimo, em casa, na Taça da Liga, e 0-2 com o Sporting, em Alvalade, para o campeonato. É uma situação invulgar, a pedir reação, e por isso mesmo têm clamado os adeptos azuis-e-brancos. É que os dragões não perdiam dois jogos seguidos desde Novembro e Dezembro de 2012, quando foram sucessivamente batidos por Sp. Braga (1-2, para a Taça de Portugal) e Paris St. Germain (1-2, para a Champions). Para se encontrarem três derrotas seguidas do FC Porto é preciso recuar até Outubro e Novembro de 2008, quando a equipa que era comandada por Jesualdo Ferreira foi sucessivamente batida por Dynamo Kiev (0-1), Leixões (2-3) e Naval (0-1). O que é curioso é que, mesmo assim, essa equipa do FC Porto acabou por se sagrar campeã nacional, com quatro pontos de avanço sobre o segundo, que foi o Sporting. À altura da terceira derrota, os dragões seguiam em sétimo, a cinco pontos do líder, que era o Leixões. Apesar de não ser uma situação tão grave, a equipa portista não conseguiu inverter a situação na última vez que passou três jogos seguidos sem ganhar. Tal sucedeu-lhe pela última vez numa sequência de três empates em Setembro de 2014: 0-0 com o Boavista, 1-1 com o Sporting e 2-2 com o Shakthar Donetsk. O FC Porto saiu do segundo destes empates em segundo lugar na Liga, a quatro pontos do líder, que era o Benfica, e acabou a prova nesse mesmo segundo lugar, a três pontos de distância. Um dos aspetos que mais mudou nos últimos resultados do FC Porto foi a incapacidade para manter o zero nas suas balizas. Iker Casillas segue com quatro jornadas seguidas a sofrer golos na Liga, redundando nas vitórias por 2-1 frente a P. Ferreira e Nacional, nos 3-1 à Académica e na derrota por 2-0 com o Sporting em Alvalade. Para se perceber como a situação é invulgar, basta reparar que o FC Porto só tinha sofrido golos em três das onze primeiras jornadas ou que encaixou mais golos (cinco) nos últimos quatro jogos que nos onze primeiros (em que sofreu apenas quatro). Para se encontrar uma sequência de pelo menos quatro jogos seguidos do FC Porto a sofrer golos na Liga é preciso recuar até Outubro e Novembro de 2013, quando a equipa dirigida por Paulo Fonseca foi incapaz de manter o zero nas suas redes por cinco jogos consecutivos: 3-1 ao Arouca e ao Sporting, 1-1 com Belenenses e Nacional e 0-1 frente à Académica   - O Rio Ave, que só tinha perdido uma vez esta época até ao início de Novembro (1-2 contra o Sporting, em Setembro), já soma mais cinco derrotas desde essa altura: 3-2 com o Marítimo, 1-0 com o Moreirense, 3-1 com o V. Guimarães, 3-1 com o Benfica e 3-2 com o Tondela. É curioso que os vila-condenses tenham feito golos em cinco das seis derrotas da época. Aliás, o Rio Ave só ficou em branco uma vez em 20 jogos oficiais esta temporada, a derrota por 1-0 em Moreira de Cónegos.   - Este jogo será, por isso, o confronto entre um dos melhores ataques da Liga nos jogos fora e a melhor defesa na partidas em casa. O Rio Ave já fez 14 golos em deslocação, menos um que o V. Setúbal, que tem o melhor ataque da prova fora de casa. Mas o FC Porto só sofreu dois golos no Dragão, menos um que o Sporting, a segunda melhor defesa nas partidas em casa.   - Pedro Martins, o treinador do Rio Ave, perdeu os três jogos que fez contra Julen Lopetegui, todos na época passada. O FC Porto do basco impôs-se por 5-0 no Dragão e 3-1 em Vila do Conde nas partidas da Liga e ainda foi ganhar aos Arcos por 1-0 na Taça da Liga.   - Aliás, só por uma vez Pedro Martins viu uma equipa sua marcar um golo no Dragão, em jogos da Liga. E foi logo na primeira vez que lá foi, faz na terça-feira cinco anos: o FC Porto ganhou por 4-1 ao Marítimo do técnico feirense. Depois disso, Martins perdeu sempre no Dragão: 2-0 em 2011/12, 5-0 em 2012/13, 3-0 em 2013/14 (as três vezes com o Marítimo) e outra vez 5-0 em 2014/15 (já com o Rio Ave). A somar a estes jogos há mais uma visita, outra derrota, esta por 3-2, no jogo da Taça da Liga que ficou célebre pelo atraso com que se jogou.   - Martins já ganhou uma vez ao FC Porto em 12 jogos: foi em 2013/14 que o seu Marítimo bateu os dragões por 1-0, mas nos Barreiros.   - Danilo Pereira, médio internacional do FC Porto, foi lançado na Liga por Pedro Martins, quando este dirigia o Marítimo. Aconteceu a 18 de Agosto de 2013, numa vitória dos insulares sobre o Benfica, por 2-1.   - Pedro Moreira pode completar o 50º jogo com a camisola do Rio Ave, depois de ter chegado a Vila do Conde emprestado pelo FC Porto, na época passada. Dos 49 que já fez, 32 foram na Liga portuguesa, sete na Liga Europa, seis na Taça de Portugal, três na Taça da Liga e um na Supertaça.   - Cássio, guarda-redes do Rio Ave, estreou-se na Liga a jogar contra o FC Porto, lançado por Paulo Sérgio a 26 de Setembro de 2008, numa derrota do Paços de Ferreira no Dragão, por 2-0. Também Roderick se estreou na Liga a perder no Dragão, encaixando cinco golos sem resposta com a camisola do Benfica, a 7 de Novembro de 2010 – lançou-o Jorge Jesus. Por fim, Guedes, avançado dos vila-condenses, também chegou à Liga pela porta do Dragão, lançado por Luís Castro numa derrota do Penafiel por 3-1, a 17 de Dezembro de 2005.   - André Vilas Boas, uma das referências do Rio Ave, foi campeão pelo FC Porto, em 2003/04. José Mourinho deu-lhe um minuto nesse campeonato, depois de o mandar de volta para a equipa B e de o devolver ao Rio Ave.   - O FC Porto ganhou os derradeiros sete jogos que fez contra o Rio Ave (e 16 dos últimos 17). Nas últimas 20 vezes que os dois clubes se defrontaram, o máximo que os vila-condenses conseguiram foram três empates: 2-2 em Setembro de 2012, 0-0 em Setembro de 2008 e em Janeiro de 2006. De resto, o Rio Ave só pontuou uma vez no Dragão, num empate a uma bola que faz 11 anos na próxima terça-feira. Ao todo, soma ali três empates e uma vitória, mas as ocasiões anteriores em que voltou do Porto com pontos tinham sido na sequência de jogos nas Antas.   - As últimas três visitas do Rio Ave ao Dragão foram resolvidas de forma clara: 4-0 em 2012/13, 3-0 em 2013/14 e 5-0 em 2014/15. O último golo do Rio Ave neste estádio foi obtido por Braga, numa derrota por 2-1, em Fevereiro de 2013. Jackson tem sido o goleador mais frequente do FC Porto neste confronto, tendo obtido quatro golos nos últimos quatro jogos. Dos que ainda estão no FC Poto, só Tello e Varela marcaram na receção ao Rio Ave, ainda que Maicon e Aboubakar o tenham feito em Vila do Conde.   - Será o 11º jogo em que Rui Costa apita o FC Porto na Liga, sendo que os Dragões nunca perderam com ele. O pior que lhes aconteceu foi ceder dois empates, frente ao P. Ferreira em 2009/10 e ao Belenenses em 2014/15. Com ele, o Rio Ave perdeu sete vezes (em 15 jogos), duas delas na Luz, contra o Benfica.
2016-01-05
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O Sporting venceu o FC Porto por 2-0 e continua imparável nos clássicos, tendo ganho os primeiros quatro da época, pois a esta vitória somam-se as três obtidas contra o Benfica na Supertaça, na Liga e na Taça de Portugal. Esta foi a primeira vez que o Sporting ganhou os primeiros quatro clássicos da época, mas não a primeira vez que ganhou quatro clássicos consecutivos: tinha-o conseguido em 1948, quando ganhou ao Benfica a 25 de Abril (4-1, para a Liga), ao FC Porto a 16 de Maio (5-2, para a Liga), e mais duas vezes ao Benfica a 27 de Junho (3-0 para a Taça de Portugal) e a 14 de Novembro (5-1 para a Liga). Encalhou à quinta partida, perdendo por 1-0 frente ao FC Porto a 5 de Dezembro, no Campo da Constituição.   - Continua assim a saga negativa do FC Porto em Alvalade, onde os dragões já não ganham há dez jogos, com seis empates e quatro vitórias leoninas. A última vez que o FC Porto venceu o Sporting em Alvalade foi a 5 de Outubro de 2008, por 2-1, graças a golos de Lisandro López e Bruno Alves, tendo João Moutinh feito o tento dos leões.   - Além de Alvalade, nota-se a incapacidade do FC Porto ganhar em Lisboa. É que são já 12 os jogos seguidos desde a última vitória dos dragões em Lisboa, um 3-2 sobre o Benfica, a 2 de Março de 2012. Desde aí, o FC Porto soma três derrotas e dois empates com o Benfica na Luz, dois empates com o Belenenses no Restelo e duas derrotas e três empates com o Sporting em Alvalade.   - Slimani chegou aos 14 golos na época e está a apenas um de toda a produção na época passada. Fez, além disso, o quarto golo em clássicos nesta temporada, só tendo ficado em branco no desafio da Supertaça. De resto, fez o segundo golo nos 3-0 ao Benfica na Luz, o tento que decidiu o prolongamento (2-1) frente aos encarnados na Taça de Portugal e agora ambos os golos dos 2-0 ao FC Porto em Alvalade.   - O argelino foi, além disso, o primeiro jogador do Sporting a bisar num clássico desde que Liedson o fez numa vitória por 3-2 frente ao Benfica, em Fevereiro de 2009. Num jogo com o FC Porto, o último leão a marcar dois golos tinha sido Romagnoli, nuns 4-1 a contar para a Taça da Liga, poucos dias antes desse jogo com o Benfica.   - O Sporting obteve a décima vitória consecutiva em casa, depois da derrota contra o Lokomotiv de Moscovo, a 17 de Setembro, a contar para a Liga Europa. Os leões continuam a perseguir a série de 2011/12, quando a equipa de Ricardo Sá Pinto ganhou consecutivamente os derradeiros onze jogos no seu estádio.   - Além disso, os leões aumentaram para 24 o total de jogos que levam sem perder me casa para a Liga desde que foram batidos em Alvalade pelo Estoril de Marco Silva, a 11 de Maio de 2014 (1-0, na última jornada desse campeonato). Aqui, perseguem a marca estabelecida pela equipa de Paulo Bento, que esteve 26 jogos seguidos sem perder em Alvalade para a Liga entre um 0-2 contra o Benfica a 1 de Dezembro de 2006 e um 1-2 contra o FC Porto a 5 de Outubro de 2008.   - Foi a primeira derrota do FC Porto na Liga desde 25 de Janeiro do ano passado, quando os dragões foram batidos nos Barreiros pelo Marítimo, por 1-0. Desde aí, a equipa de Lopetegui somara 30 jogos sem perder no campeonato, com 24 vitórias e seis empates.   - Foi, além disso, a segunda derrota seguida do FC Porto em todas as competições, depois de ter sido batido pelo Marítimo, no Dragão, para a Taça da Liga (1-3). Lopetegui nunca tinha perdido dois jogos seguidos no FC Porto, pois a última série de duas derrotas consecutivas dos dragões já datava de Novembro de Dezembro de 2012, quando a equipa de Vítor Pereira foi consecutivamente batida pelo Sp. Braga (2-1, na Taça de Portugal) e pelo Paris St. Germain (2-1 na Liga dos Campeões).   - Apesar de tudo, os 36 pontos que o FC Porto soma nas primeiras 15 jornadas ainda se superiorizam aos 34 que a equipa somou nos primeiros 15 jogos da época passada. Para se encontrar um FC Porto mais forte por esta altura da época há que recuar à última vez que os dragões foram campeões: em 2012/13 tinham 39 pontos à 15ª jornada.   - Muito mais forte está o Sporting, cujos 38 pontos são amplamente mais largos que os 30 que a equipa somava por esta altura da época passada. Para encontrar um Sporting com tantos pontos ao fim de 15 jogos é preciso recuar a 1990/91, quando a equipa de Marinho Peres comandava a Liga com 27 pontos, fruto de 13 vitórias e um empate, que com as regras de pontuação atuais seriam 40.   - O Sporting tem, além disso, a melhor defesa da Liga, com apenas sete golos sofridos, menos cinco do que à mesma altura da Liga anterior. A última vez que os leões chegaram tão pouco vulneráveis à 15ª jornada da Liga foi em 1996/97, quando a equipa que começou a ser comandada pelo belga Robert Waseige e depois viu suceder-lhe Otávio Machado tinha os mesmos sete golos encaixados em 15 jogos.   - Lopetegui apresentou exatamente o mesmo onze inicial que já tinha mostrado na vitória frente à Académica, na 14ª jornada, repetindo onze pela primeira vez na prova desde Março, quando abordou os jogos com o Sporting, no Dragão, e o Sp. Braga, na Pedreira, com os mesmos titulares. Maicon, Herrera e Brahimi são os únicos jogadores em comum às quatro partidas.   - O treinador basco continua sem conseguir ganhar e, pior, sem marcar um único golo em jogos contra equipas dirigidas por Jorge Jesus. Em três jogos, empatou um a zero e perdeu os outros dois pelo mesmo resultado: 2-0.   - O jovem Matheus Pereira foi titular na Liga pela primeira vez, entrando logo num clássico. Já tinha começado vários jogos dos leões esta época, mas nenhum no campeonato: quatro na Liga Europa, um na Taça da Liga e um na Taça de Portugal.   - Estreia na Liga de André Silva, que entrou para o lugar de Aboubakar a 19’ do final depois de já ter sido titular na partida da Taça da Liga frente ao Marítimo.
2016-01-03
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Último Passe

Um Super Slim deu a vitória no clássico sobre o FC Porto a um Sporting "Slim Fit" e devolveu aos leões a liderança da Liga que haviam deixado na Choupana, na derrota com o U. Madeira. Falo de Super Slim porque foi Slimani quem fez os dois golos de um 2-0 que pôs justiça no placar e de "Slim Fit" porque os leões continuam a fazer valer o seu futebol estreito, com concentração de unidades no corredor central, face ao jogo mais feito de largura do adversário de hoje. E porque, além disso, em situações de equilíbrio, como a que se vivia na primeira parte, Jesus adaptou bem a estratégia da equipa às características do atacante argelino, criando condições para o libertar nas bolas paradas, por exemplo. Quando se avalia o que se viu no clássico, é impossível não destacar o papel de Slimani, sempre incansável na pressão sobre a saída de bola do adversário e na busca de profundidade nos flancos quando são os colegas que a têm, mas também por ter feito os dois golos do jogo e ainda ter enviado um cabeceamento à barra. Mas não foi só o argelino a separar duas equipas muito iguais a si mesmas. No Sporting há a realçar ainda uma exibição fulgurante do meio-campo, pela amplitude de movimentos de Adrien, cuja presença atrás não o impediu de aparecer em zonas de conclusão com frequência – também acertou uma vez no poste de Casillas – e de João Mário, sempre o maior causador de desequilíbrios na organização portista, pela facilidade com que saía do corredor direito e aparecia ao meio. E um Naldo sempre certo, a compensar a equipa nos momentos em que era o FC Porto a fazer valer as suas armas. Porque o FC Porto foi também igual a si mesmo, na aposta permanente na construção por fora. E nos momentos em que libertava Brahimi na esquerda ou, sobretudo, quando conseguir girar a bola com rapidez dali para a direita, explorando a estreiteza da organização leonina para descobrir Corona nas costas de Jefferson, criava também condições para chegar com perigo até perto de Rui Patrício. O jogo era assim um confronto de duas ideias diferentes, mas começou a resolver-se num detalhe – nisso tiveram razão os dois treinadores, na avaliação final – fruto do trabalho semanal. O Sporting adiantou-se, por Slimani, no aproveitamento de um livre lateral de Jefferson, graças a uma jogada trabalhada nos treinos e várias vezes tentada no jogo: o argelino escondia-se atrás de um colega e ganhava assim espaço para ludibriar a marcação individual feita pelo FC Porto nas bolas paradas. E ao marcar primeiro pôde gerir o jogo de forma diferente. Lopetegui tentou ganhar presença pelo meio com a troca de um médio mais posicional, como Ruben Neves, por outro com mais capacidade para esticar o jogo, como André André. Mas em vez de dar mais presença na frente ao FC Porto, isso libertou os médios do Sporting para uma segunda parte fulgurante. Pouco importou, de facto, que o basco tenha sido mais uma vez igual a si próprio ao recusar juntar os dois pontas-de-lança, trocando Aboubakar por André Silva. Era o Sporting quem mandava no relvado e se o 2-0 não chegou no tal cabeceamento de Slimani à barra nem num remate de Adrien ao poste, acabou por aparecer quando Ruiz isolou o argelino e este bateu Casillas com repentismo e potência. Confirmava-se a quarta vitória do Sporting em outros tantos clássicos e o estado de graça de Jorge Jesus, que regressa ao topo da Liga, mas o FC Porto está perto e o Benfica não ficou fora de combate – a Liga vai durar.
2016-01-03
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O Estádio José Alvalade está transformado numa espécie de local maldito para o FC Porto, que ali não ganha desde Outubro de 2008. A visita ao Sporting é aquela em que os dragões deixaram mais pontos nos últimos dez campeonatos: 19, ao todo, contra 17 na Luz e 15 nos Barreiros (já contando os dois que lá ficaram na temporada atual). Desde esse sucesso de 2008, o FC Porto já ganhou em todos os estádios do campeonato pelo menos uma vez. Foi Jesualdo Ferreira o último treinador dos dragões a ganhar em Alvalade, nessa quinta jornada da Liga de 2008/09. O FC Porto adiantou-se, por Lisandro López, João Moutinho empatou para os leões, na altura liderados por Paulo Bento, de penalti, e um livre de Bruno Alves permitiu a vitória azul-e-branca, por 2-1. Dos 28 jogadores que nesse dia estiveram em campo só resta nos dois clubes o guardião leonino Rui Patrício, que por esses tempos ainda estava a começar a impor-se na baliza do Sporting. Desde essa vitória, o melhor que o FC Porto conseguiu levar de Alvalade foram empates, ainda que um deles, um mês depois, lhe tenha permitido seguir em frente na Taça de Portugal, no desempate por grandes penalidades, depois de os 120 minutos de jogo não terem desempatado as duas equipas. Na Liga, o Sporting ganhou por 3-0 em 2009/10 (marcaram Yannick, Izmailov e Veloso), verificou-se um empate a uma bola em 2010/11 (golos de Valdés para os leões e Falcao para os dragões) e mais dois, ambos sem golos, em 2011/12 e 2012/13. Em 2013/14 ganhou o Sporting por 1-0 (golo de Slimani) e na época passada as duas equipas voltaram a empatar a um golo (Jonathan Silva adiantou os lisboetas, tendo os portistas empatado através de um autogolo de Sarr). Alvalade é assim o estádio da Liga onde o FC Porto não ganha há mais tempo. São já sete anos (e quase três meses), o máximo período de invencibilidade leonina em casa contra os portistas na Liga desde as décadas de 60 e 70. Nessa altura, os leões estiveram sem perder com o FC Porto em casa para o campeonato entre Março de 1963 (0-1, com golo de Serafim) e Dezembro de 1972 (0-3, com golo de Abel e bis de Flávio).   - O Sporting ganhou os últimos três jogos em casa pelo mesmo resultado: 3-1 ao Besiktas para a Liga Europa, ao Moreirense para a Liga portuguesa e ao Paços de Ferreira para a Taça da Liga. Além disso, os leões seguem com nove vitórias seguidas nos jogos em casa desde que perderam com o Lokomotiv, também por 3-1, na Liga Europa, a 17 de Setembro. No jogo com o FC Porto procuram a décima vitória caseira sucessiva, algo que não conseguem desde o final da época de 2011/12, quando a equipa de Ricardo Sá Pinto venceu consecutivamente os últimos onze jogos caseiros da temporada.   - O FC Porto, por sua vez, vem de uma derrota em casa frente ao Marítimo na Taça da Liga, por 3-1, sendo absolutamente regular nos últimos nove jogos disputados: ganha três e perde o quarto. Venceu Maccabi, V. Setúbal e Angrense antes da derrota com o Dynamo Kiev; bateu Tondela, U. Madeira e P. Ferreira antes de ceder ante o Chelsea; derrotou Nacional, Feirense e Académica antes de ser derrotado pelo Marítimo. Seguindo a série, agora é vez de ganhar.                - Julen Lopetegui nunca ganhou um jogo a Jorge Jesus e nunca viu sequer uma equipa sua marcar um golo a uma liderada pelo atual treinador leonino. Os dois só se defrontaram duas vezes, com o Benfica de Jesus a ganhar no Dragão por 2-0 e a empatar na Luz (0-0). Por sua vez, nos jogos com o Sporting tem uma vitória, um empate e uma derrota: ganhou por 3-0 na Liga, no jogo em casa, perdeu por 3-1 na Taça de Portuigal, também no seu estádio, e empatou a uma bola em Alvalade para o campeonato.   - Nos 19 jogos que fez pelo Benfica contra o FC Porto, Jorge Jesus tem saldo negativo: ganhou sete vezes e perdeu oito, empatando os quatro restantes. Antes de chegar ao Benfica, nunca tinha sequer ganho ao FC Porto, tendo no entanto conseguido empatar com Sp. Braga, Belenenses, Moreirense e Felgueiras.   - Aquilani e Gelson Martins marcaram ambos nas duas últimas partidas do Sporting em casa, contra o Paços de Ferreira e o Moreirense.   - André André estreou-se na Liga a jogar contra o Sporting, lançado por Rui Vitória num empate do V. Guimarães frente aos leões, em casa, a 19 de Agosto de 2012. O mesmo sucedeu a Evandro, que teve o primeiro odor a Liga portuguesa com a camisola do Estoril em Alvalade, noutro empate, a 29 de Setembro de 2012, lançado por Marco Silva.   - O equilíbrio tem sido a nota dominante nos últimos confrontos entre Sporting e FC Porto, pois desde 2012 que nenhum dos dois ganha dois jogos seguidos. Nesse ano, os dragões impuseram-se duas vezes consecutivas por 2-0 no Dragão: na 29ª jornada da Liga de 2011/12 e na sexta ronda da prova de 2012/13. Nas últimas duas épocas, houve sempre três jogos entre ambos, com divisão equitativa dos três resultados possíveis: duas vitórias para cada lado e dois empates.   - Hugo Miguel, o árbitro do clássico, ainda não viu uma vitória das equipas da casa nos seis jogos que apitou esta época. Dois desses jogos envolveram o FC Porto: o empate (1-1) com o Marítimo nos Barreiros e a vitória (2-1) contra o Rio Ave em Vila do Conde. O juiz lisboeta já não dirige um jogo do Sporting na Liga desde a vitória em Braga (1-0) na época passada. Com ele, o Sporting já perdeu duas vezes (no Estoril em 2012/13 e em Guimarães em 2014/15) em dez jogos, ao passo que o FC Porto segue invicto, com 13 vitórias e apenas um empate (o desta época, nos Barreiros) em 14 jogos.
2016-01-01
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Jorge Jesus voltou a dirigir-se aos adeptos que estavam em Alvalade esta semana e recordou aquilo que tinha dito no ato da apresentação: que o Sporting ia ser candidato ao título. Aliás, renovou a promessa de andar lá, “encostado a eles”, num discurso aos adeptos que foram ver a equipa treinar-se e no qual enumerou aquilo que a equipa já conseguiu em cinco meses de trabalho. Mas Jesus, melhor do que ninguém, sabe que para andar lá “encostado a eles”, a equipa precisa de mais um salto em frente. Foi assim que conseguiu dois dos seus três títulos nacionais, sendo que o outro foi ganho a colar com cuspe os remendos de uma equipa que sentiu demasiado os efeitos do mercado de inverno, no qual perdeu Enzo Pérez. O que pode parecer pouco mas se notou muito porque em anos anteriores a equipa já tinha perdido Javi García, Witsel e Matic. A época de 2014/15 foi a exceção nos títulos de Jesus. Nela, o Benfica baixou a média de pontos por jogo do Natal para a frente e mesmo assim conseguiu ser campeão, muito graças a um arranque superlativo: tinha 2,64 pontos por jogo até ao Natal e somou 2,40 pontos por jogo entre o Ano Novo e o fim da Liga. Valeu-lhe um início mais tímido que o atual do FC Porto de Julen Lopetegui, com apenas 2,21 pontos por jogo até à noite de Consoada (contra os 2,57 de agora), e uma ponta final não muito afirmativa dos dragões, com 2,55 pontos por jogo, reflexo, por exemplo, da incapacidade para ganhar o clássico na Luz que os devolveria à luta pelo título. Ora desta vez o FC Porto já está na frente e, se mantiver o “modus operandi” da época passada, Lopetegui não tem a rotatividade para o atrapalhar e lhe roubar pontos. Há um ano, por esta altura, o basco tinha o onze consolidado e, mesmo estando agora também na Taça de Portugal e na Liga Europa com responsabilidades que não tinha na Champions, tudo leva a crer que possa pelo menos manter a pedalada até ao final da Liga. Daí que, caso queira mesmo andar lá em cima, “encostado a eles”, Jesus saiba que tem de repetir o que conseguiu nos seus primeiros dois títulos com o Benfica e subir a média pontual a partir de Janeiro. Em 2009/10 cresceu de 2,35 para 2,68 pontos por jogo e em 2013/14 aumentou a produtividade de 2,35 para 2,56 pontos por jogo. O Sporting de Jesus viaja com uma média de 2,50 pontos por jogo, mas para ser campeão pode ter que melhorar. As duas épocas em que o Benfica de Jesus aumentou a produtividade de Janeiro para a frente tiveram outro ponto em comum, que foi uma vitória sobre o FC Porto em casa, por esta altura do inverno: 1-0 a 20 de Dezembro de 2009 e 2-0 a 12 de Janeiro de 2014. O calendário fez a sua parte e marcou um Sporting-FC Porto para 2 de Janeiro. Resta perceber se a equipa de Jesus faz também a sua ou se, permitindo um bom resultado ao FC Porto, perde a oportunidade de afirmar no campo o que o treinador tem dito aos adeptos. É que se não aproveitar a oportunidade, o Sporting pode vai ter que se ver a contas com o Benfica de Rui Vitória. O Benfica está mais perto do que muitos julgariam possível depois dos 3-0 com que foi despachado pelos leões na Luz, em Outubro, e ainda vem muito a tempo de interferir na guerra do título. Sobretudo se crescer de produção. O histórico de Rui Vitória no V. Guimarães não é de crescimento pós-natalício constante, mas é de crescimento nas épocas em que os inícios defraudaram as expectativas. Como foi o caso com este Benfica, que segue com apenas 2,21 pontos por jogo, a pior produção pré-natalícia na Luz desde 2010/11, a época em que o FC Porto de André Villas-Boas ganhou o campeonato a passear. Voltando a este Benfica, a questão que se coloca é a de saber se o modo de trabalho de Rui Vitória permite pensar num crescimento na segunda metade da temporada. Ora, os dois melhores arranques de Rui Vitória em Guimarães (2,00 pontos por jogo em 2014/15 e 1,64 pontos por jogo em 2013/14) conduziram a um decréscimo de produtividade após o Ano Novo (1,35 e 0,75 pontos por jogo, respetivamente). Aplica-se aqui que nem uma luva a teoria da desresponsabilização que foi usada acerca do estoiro dado pela equipa vimaranense na época passada, por exemplo, na qual até chegou ao Natal à frente do Sporting de Marco Silva. Chegou aos jogadores a mensagem de que estavam a portar-se demasiado bem (iam a par dos Ferraris e só conduziam um Fiat 600) e isso levou-os a baixar o ritmo daí para a frente. Nas épocas em que o início foi mais tremido, porém, Vitória soube reunir a equipa e aumentar as médias na segunda metade da Liga. Foi assim em 2011/12 (de 1,27 para 1,82 pontos por jogo) e em 2012/13 (de 1,25 para 1,38). Ora é desse acréscimo que o Benfica precisa para voltar a entrar na guerra. Claro que tanto na história de Jesus como na de Vitória – na de Lopetegui dificilmente isso será tema – há que ter em conta o papel desempenhado pelo mercado de Janeiro. Mas a ideia que fica para já é a de que vamos ter Liga disputada por mais uns meses. A começar já no sábado que vem, com o V. Guimarães-Benfica e o Sporting-FC Porto.
2015-12-28
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A vitória do FC Porto sobre a Académica (3-1) significa que os dragões chegam à liderança isolada da Liga pela primeira vez desde que chegou Julen Lopetegui. O FC Porto não estava sozinho no primeiro lugar desde 23 de Novembro de 2013, quando ainda eram liderados por Paulo Fonseca. Perderam essa liderança para Benfica e Sporting a 30 de Novembro, ao serem derrotados… pela Académica, em Coimbra (1-0).   - Com esta vitória, o FC Porto assegura que é “campeão de Natal”. Neste século, três em cada quatro campeões de Natal acabaram por ser campeões nacionais na Primavera. Três das quatro exceções ocorreram com equipas do FC Porto: em 1999/00 o campeão acabou por ser o Sporting; em 2000/01 foi o Boavista e em 2004/05 foi o Benfica. A quarta exceção penalizou o Benfica, que liderava em 2008/09 e acabou por ver o FC Porto celebrar a conquista da Liga.   - Além disso, os 36 pontos que o FC Porto soma ao fim de quatro jornadas, fruto de onze vitórias e três empates, são o terceiro melhor pecúlio portista do século à 14ª jornada a seguir aos 38 da equipa de André Villas-Boas em 2010/11 e aos 37 da formação comandada por Jesualdo Ferreira em 2006/07. Nos dois anos de José Mourinho, o FC Porto chegou à 14ª jornada com estes mesmos 36 pontos.   - O FC Porto somou ainda o 30º jogo seguido na Liga sem perder, pois a última derrota aconteceu à 18ª jornada da prova da época passada, a 25 de Janeiro, frente ao Marítimo (0-1). A equipa portista não chegava invicta à 14ª jornada desde 2012/13, quando era orientada por Vítor Pereira.   - Foi ainda a sexta vitória seguida do FC Porto na Liga, depois do empate em casa com o Sp. Braga, a 25 de Outubro. A melhor série de Lopetegui está em sete vitórias consecutivas, conseguidas entre Janeiro e Março, entre a derrota com o Marítimo (0-1) e um empate com o Nacional (1-1), ambos no Funchal.   - Em contrapartida, o FC Poto sofreu um golo em casa pelo terceiro jogo seguido (Dynamo Kiev, Paços de Ferreira e Académica), o segundo na Liga. Mudança de tendência, quando antes do desafio com o Paços os portistas estavam prestes a conseguir um ano inteiro sem golos encaixados em casa para o campeonato – o último tinha sido marcado pelo Benfica, a 14 de Dezembro do ano anterior.   - Layun confirmou-se como melhor assistente do FC Porto, igualando o benfiquista Gaitán no topo da tabela dos passes de golo, com sete. O mexicano, que fez os passes para os golos de Danilo e Aboubakar, assistiu colegas pela segunda jornada consecutiva.   - Vincent Aboubakar marcou golos pelo segundo jogo consecutivo, depois de já ter assegurado a vitória do FC Porto frente ao Feirense, na Taça de Portugal, a meio da semana. É a segunda vez que o consegue esta época, sendo que na primeira alargou a série a três jogos: Estoril, Arouca e Dynamo Kiev.   - O camaronês já superou o total de golos da época passada: leva 10 golos marcados, seis na Liga, três na Champions e um na Taça de Portugal. Na época passada ficou-se pelos oito, quatro na Liga, três na Champions e um na Taça da Liga.   - A Académica perdeu a terceira deslocação deslocação consecutiva, depois dos 3-0 contra o Benfica na Luz e do 1-0 ante o Boavista, no Bessa, para a Taça de Portugal. Voltou a marcar um golo fora, o que já não lhe acontecia desde a visita ao Estoril, a 6 de Novembro. Tal como nesse jogo, que acabou empatado a uma bola, o golo dos estudantes saiu do banco: então foi Rabiola, agora Rui Pedro.
2015-12-21
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O tropeção do Sporting na Choupana, frente ao União da Madeira, seguido da vitória do FC Porto sobre a Académica, no Dragão, trouxe uma inesperada mudança de líder ao campeonato. A equipa de Julen Lopetegui sucedeu à de Jorge Jesus no primeiro lugar, se calhar nem bem consciente da importância que tem passar a consoada no primeiro lugar: doze dos 16 campeões deste século receberam os embrulhos do Pai Natal na frente da Liga. Que a troca tenha acontecido semana e meia depois da espera dos adeptos portistas ao treinador basco, no aeroporto, no regresso de Londres, após a eliminação da Champions, é um detalhe que serve para acentuar que este pode vir a ser um campeonato de jogadores e não de treinadores. A questão foi muito debatida neste início de época, quando Jorge Nuno Pinto da Costa investiu no reforço de um plantel que já era o mais forte da Liga e Bruno de Carvalho apostou as fichas todas no treinador que ganhara os dois últimos campeonatos. De um lado, acreditava-se que era preciso juntar qualidade a um grupo que continuava a ser liderado por um treinador ao qual nem os adeptos portistas comprariam um carro usado. Do outro, achava-se que um grupo reforçado mas ainda assim limitado poderia transcender-se se fosse liderado por um ganhador acima de qualquer suspeita. Ouviram-se e leram-se inúmeras comparações entre os milhões que custaram jogadores de um lado e os que ganhava o treinador do outro. E é claro que só o final do campeonato trará a resposta definitiva, mas a ascensão do FC Porto à liderança na semana do Natal pode prenunciar que a aposta correta acaba por ser a do presidente portista. É que só por três vezes neste século uma equipa conseguiu ser campeã sem estar pelo menos ex-aequo no topo da Liga por esta altura: aconteceu ao Sporting em 1999/00, ao Boavista em 2000/01, ao Benfica em 2004/05 e ao FC Porto em 2008/09. Em três destes casos (em todos os que acabou por perder, portanto), o campeão de Natal foi o FC Porto, pelo que os dragões sabem bem o que é deitar ao lixo um campeonato nestas circunstâncias. E é por já estarem avisados que têm de olhar para o clássico de dia 2 de Janeiro, com o Sporting, em Alvalade, com a necessidade absoluta de não permitirem nova ultrapassagem: em 2000/01, por exemplo, o FC Porto cedeu o primeiro lugar ao Boavista com uma derrota no confronto direto logo no início de Janeiro e nunca mais o recuperou. Isso pode até querer dizer que o empate em Alvalade acabará por ser um bom resultado para o FC Porto, porque manteria a liderança, mas convém os portistas não esquecerem que também o é para o Benfica, que ontem ganhou ao Rio Ave e se colocou a cinco pontos do topo da tabela. Se os rivais empatarem no clássico e o Benfica vencer em Guimarães, essa distância baixará para três pontos apenas. Uma vitória… Claro que este é um cenário de sonho para os benfiquistas, também ele surgido na semana em que a contestação a Rui Vitória subiu tanto de tom que a “estrutura” sentiu a necessidade de divulgar que o presidente Luís Filipe Vieira tinha ido ao balneário puxar as orelhas ao grupo. Mas é um cenário que acaba por premiar a política híbrida, de navegação à vista, assumida por Vieira. O Benfica quis outro treinador para foçar a aposta nos jovens formados no Seixal – e na verdade alguns deles até estão a jogar – mas acabou por ter de abrir os cordões à bolsa quando a passagem de Jesus para Alvalade veio mudar a conjuntura. Vitória não tem sido capaz de fazer do Benfica um coletivo tão ganhador como o do bicampeonato, mas continua a ter jogadores capazes de resolver, como Gaitán numa altura da época e Jonas agora. Na verdade, também no Benfica se torce para que este seja um campeonato de jogadores. Se será ou não, os meses que faltam é que darão a resposta. Mas do dia 2 de Janeiro já será possível ter umas pistas a este respeito. In Diário de Notícias
2015-12-21
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Último Passe

O FC Porto reassumiu a liderança da Liga ao vencer a Académica por 3-1, num jogo que começou a resolver nas bolas paradas de Layun e acabou num calcanhar de Herrera, a passe de Corona. Os dragões não fizeram um jogo tão brilhante como a nota artística do seu terceiro golo poderia fazer crer, permitiram períodos de supremacia da Académica, no final das duas partes, mas ganharam com inteira justiça e podem encarar o clássico de Alvalade, contra o Sporting, no recomeço da prova, com a tranquilidade do primeiro lugar e de serem a única equipa sem derrotas na competição. No final do jogo, na instalação sonora do Dragão, ouviu-se o “A Todos Um Bom Natal”, mas bem podia ter tocado o “Cielito Lindo”. Porque acima deste FC Porto de influência mexicana já não há mais ninguém. Sabendo da derrota do Sporting na Madeira, a entrada do FC Porto no jogo não podia ter sido mais impositiva: logo aos 7’, canto de Layun e golo de Danilo, fortíssimo no ataque à bola. O segundo golo podia ter surgido numa série de ocasiões, mas com o impasse no 1-0 Casillas ainda acabou o primeiro tempo a precisar de se empenhar para manter a vantagem, num período em que o jogo portista baixou de intensidade. E se dúvidas houvesse, um livre lateral do mesmo Layun deu o 2-0 a Aboubakar, ainda a segunda parte não tinha dez minutos. A Académica tentava construir, mas não tinha qualidade suficiente para levar o jogo para perto da baliza de Casillas e desde logo se percebeu que acabaria por sucumbir como sucumbiu na Luz ante o Benfica. Como que a confirmá-lo, tal como nesse jogo, foi o terceiro golo a levar as bancadas ao êxtase: perfuração de Corona, cruzamento e, com o conforto dos dois golos de vantagem, risco máximo assumido por Herrera na finalização de calcanhar. Até final, o FC Porto voltou a perder intensidade, permitindo ainda um golo aos visitantes, obra de Rui Pedro, e pedindo a Casillas que evitasse um segundo que até podia ter reaberto a questão do resultado. Com o 3-1 final, veio a liderança, com mais um ponto que o Sporting e mais cinco que o Benfica, semana e meia depois da contestação dos adeptos a Lopetegui no aeroporto à chegada de Londres, onde a equipa caiu na Liga dos Campeões. Razão suficiente para que todo o grupo tenha um bom Natal.
2015-12-20
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O FC Porto ainda não perdeu esta época na Liga e procura o 30º jogo seguido sem derrotas na prova, desde que foi batido pelo Marítimo, por 1-0, em Janeiro. Uma série que equivaleria a um campeonato inteiro com 16 equipas e que é a mais longa invencibilidade na prova dos dragões desde os 53 jogos seguidos sem perder na Liga conseguidos por Vítor Pereira, André Villas-Boas e Paulo Fonseca entre Janeiro de 2012 e Novembro de 2013 e interrompida precisamente com uma derrota frente à Académica, em Coimbra, por 1-0. Além disso, o FC Porto fez, na semana passada, um ano sem perder em casa para a Liga. A última derrota no Dragão para esta competição foi a 14 de Dezembro de 2014, frente ao Benfica, por 2-0, tendo os dragões jogado ali para esta prova mais 17 vezes. Muito aquém dos 81 jogos que a equipa azul e branca esteve sem perder em casa para o campeonato entre uma derrota com o Leixões em Outubro de 2008 e outra com o Estoril em Fevereiro de 2014. O problema para os academistas é que a sua equipa não marca golos fora há três jogos: empatou a zero com o Trofense na Taça de Portugal, ganhando nas grandes penalidades, sendo depois batida pelo Benfica (3-0, para a Liga) e pelo Boavista (1-0, para a Taça). O último golo da equipa fora de Coimbra foi obtido por Rabiola, no empate (1-1) no Estoril, a 6 de Novembro.   - Julen Lopetegui ganhou os três jogos que fez contra a Académica, todos na época passada: 3-0 em Coimbra e 1-0 no Dragão para a Liga a juntar a um 4-1 em casa para a Taça da Liga. Este último jogo serviu a Gonçalo Paciência, atual jogador da Académica – impedido de jogar por estar emprestado pelos dragões – para marcar o seu único golo com a camisola azul-e-branca.   - Filipe Gouveia, treinador da Académica, só defrontou um grande do futebol nacional como treinador, tendo perdido com o Benfica na Luz, por 3-0. O último que enfrentou enquanto jogador, ao serviço do Gil Vicente, foi precisamente o FC Porto, no Dragão, em Abril de 2006. E também perdeu por 3-0.   - Layun esteve entre os marcadores de golos dos últimos dois jogos do FC Porto em casa para a Liga. Fez, de penalti, o 2-1 decisivo ao Paços de Ferreira e já tinha sido ele a fechar o placar nos 2-0 ao V. Setúbal.   - A Académica teve dois penaltis contra em cada um dos jogos que já fez contra os outros dois grandes. Perdeu com o Sporting em casa por 3-1, num jogo em que Adrien falhou um penalti e Aquilani converteu outro, e foi batido por 3-0 pelo Benfica na Luz, com dois penaltis de Jonas pelo meio.   - Helton, o guarda-redes portista que jogou na Taça de Portugal frente ao Feirense e que deverá estar no banco contra a Académica, estreou-se na Liga portuguesa precisamente frente aos estudantes, a 23 de Março de 2003 (há mais de doze anos!), quando Manuel Cajuda o lançou num empate caseiro da U. Leiria.   - A Académica tem no plantel três jogadores que ganharam campeonato nacional e Taça de Portugal pelo FC Porto. O lateral Emídio Rafael ganhou a dobradinha em 2010/11, o extremo Ivanildo tinha conseguido a mesma dupla de troféus em 2005/06 e o avançado Rabiola fê-lo em 2008/09.   - O FC Porto ganhou os últimos quatro jogos em casa à Académica, que não pontua no Dragão desde Março de 2012, quando esteve mesmo à beira de ganhar: adiantou-se por Edinho e só cedeu o empate nos descontos, graças a um penalti convertido por Hulk. Para encontrar uma vitória da Académica no Porto é preciso recuar a 1971 e ao velhinho Estádio das Antas: na altura a equipa liderada por Juca impôs-se por 3-2 ao FC Porto de António Teixeira.   - O FC Porto nunca perdeu na Liga com Bruno Esteves a apitar, tendo cedido apenas dois empates em oito jogos (Feirense e Rio Ave, ambos fora de casa). A Académica ganhou duas vezes em dez jogos com ele, mas já o teve esta época na receção ao Sporting, que perdeu por 3-1. Nesse jogo, Esteves fez jus à reputação de disciplinador e expulsou Fernando Alexandre. Em cinco jogos da atual Liga, o árbitro de Setúbal já mostrou quatro vermelhos e assinalou quatro grandes penalidades.
2015-12-19
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Artigo

O argelino Brahimi, autor do golo da vitória do FC Porto frente ao Nacional (2-1), na Choupana, marcou nas três últimas deslocações dos dragões: fez o segundo golo nas vitórias face ao Nacional e ao U. Madeira e o único no sucesso contra o Tondela em Aveiro. O último portista a marcar golos em três saídas seguidas na Liga tinha sido Jackson Martínez, que esteve entre os goleadores nas vitórias nos terrenos de Académica (3-0), Gil Vicente (5-1) e Penafiel (3-1), entre Dezembro do ano passado e Janeiro deste ano.   A vitória do FC Porto foi a segunda dos dragões na Madeira esta época, depois de já ali terem ganho ao U. Madeira (4-0). Após ter quebrado nesse jogo a maldição da Madeira, onde não ganhava desde Maio de 2013, o FC Porto voltou agora a imitar essa época, ganhando duas vezes na ilha: nessa altura também tinha ganho por duas vezes na Choupana, ainda que ambas ao Nacional: 3-1 para a Liga e 3-0 para a Taça de Portugal.   - Este jogo significou ainda a primeira derrota caseira do Nacional em quase um ano. A equipa de Manuel Machado não perdia em casa desde 21 de Dezembro de 2014, quando ali foi batida pelo Sporting (1-0, para a Liga). Passou desde então 17 jogos sem perder, com onze vitórias e seis empates.   - Foi a quinta vitória seguida do FC Porto na Liga, desde o empate a zero com o Sp. Braga. A equipa portista consegue a melhor série de vitórias na competição desde Fevereiro e Março, quando alinhou sete sucessos consecutivos entre a derrota com o Marítimo e o empate com o Nacional, ambos no Funchal.   - O FC Porto celebrou ainda a terceira vitória seguida em jogos fora na Liga, depois de se ter imposto a Tondela (1-0) e U. Madeira (4-0), e a 14ª deslocação seguida sem derrotas na competição, pela qual já não perde como visitante desde que foi batida pelo Marítimo, nos Barreiros, a 25 de Janeiro (1-0). No primeiro caso, a equipa de Julen Lopetegui iguala a série de Fevereiro e Março, quando ganhou sucessivamente a Moreirense (2-0), Boavista (2-0) e Sp. Braga (1-0). No segundo vai ainda longe dos 27 jogos seguidos sem perder como visitante obtidos entre uma derrota por 3-1 contra o Gil Vicente em Janeiro de 2012 e outra por 1-0 com a Académica em Novembro de 2013.   - Os 33 pontos que o FC Porto soma ao fim destas 13 jornadas são o melhor registo da equipa azul e branca desde 2012/13, quando chegou à mesma ronda com 35 pontos, fruto de onze vitórias e dois empates. Lopetegui conseguiu mais cinco pontos que na sua primeira época em Portugal.   - No seu 50º jogo com a camisola portista, Marcano voltou a fazer um golo na sequência de um canto, tal como contra o Belenenses. Foi também o segundo golo de canto do FC Porto nesta Liga – fez mais um, na Champions, por Maicon, ao Chelsea. O espanhol não fazia pelo menos dois golos num mesmo campeonato desde 2011/12, quando marcou quatro na Liga grega pelo Olympiakos.   - O golo de Marcano, aos 6 minutos de jogo, foi ainda o mais madrugador do FC Porto esta época, a par do marcado por Aboubakar ao Estoril, na terceira jornada, num jogo que os dragões acabaram por vencer por 2-0.   - Willyan marcou pelo segundo jogo consecutivo na Choupana, depois de já ter estado entre os goleadores na vitória do Nacional contra o Marítimo. Este foi, porém, o primeiro golo de cabeça que marcou com a camisola do Nacional.
2015-12-15
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Último Passe

A frequência com que a meteorologia particular no alto da Choupana, onde se situa o Estádio da Madeira, tem dado problemas à Liga é tanta que já nem pode ser visto com surpresa que o Nacional-FC Porto não tenha chegado ao fim. Há regulamentos, eles foram cumpridos por Jorge Sousa, que ainda levou muito para lá do aceitável as tentativas de concluir a tarefa – porque o calendário que aí vem é tão pesado que não deixa muito espaço para adiamentos –, mas a verdade é que, pelo menos tanto quanto me foi dado ver, já não houve segunda parte, irremediavelmente afetada pelas constantes interrupções e reatamentos, que tiram toda e qualquer hipótese de continuidade no trabalho das equipas em campo. O jogo prossegue amanhã, ao meio-dia e meia, hora muito mais aconselhável para se jogar ali, mas que não será a observada por Benfica e Sporting, que por lá passarão ainda esta semana.  Do que se viu, durante a primeira parte, o jogo estava a ser agradável e competitivo. O FC Porto surgiu mais solto do que o habitual, meteu gente na área, mostrou que queria ganhar e assim dar a única resposta possível à contestação de que foi alvo o treinador à chegada de Londres. Podemos até descontar os dois primeiros golos, ambos nascidos de falhas de marcação na sequência de pontapés de canto: Marcano aproveitou a demora na reação de Soares para fazer o 0-1 e Willyan antecipou-se a Brahimi para empatar logo de seguida. Mas o 1-2 nasce de uma jogada que é pouco habitual no FC Porto de Lopetegui, pois havia quatro jogadores na área do adversário num lance de cruzamento pela esquerda – e o facto de Brahimi surgir solto para fazer a recarga a um primeiro remate de Herrera nasce daí. Este foi, de resto, um jogo em que os golos se anteciparam a tudo. Com 1-2 aos 13’, seria ridículo dizer que alguma das duas equipas tinha já feito o que quer que fosse no plano estratégico para justificar o resultado. Daí até ao intervalo mandou o equilíbrio, com muita bola discutida a meio-campo. Na segunda parte, o Nacional arriscou mais, mas foi o FC Porto quem perdeu as melhores ocasiões para acabar de vez com a discussão do resultado: Aboubakar e Herrera, por exemplo, desperdiçaram lances flagrantes na cara do guarda-redes. Mas já se via pouco no campo. Apesar de os sinais que vinham da relva serem bons, Lopetegui parecia ser o mais intranquilo e interessado naquilo que também era o mais normal para qualquer espectador: o adiamento. Nacional e FC Porto concluirão o jogo amanhã, pela hora de almoço, mas o mais curioso é que tanto Benfica (na terça) como Sporting (no domingo que vem) passarão pela Choupana para defrontar o U. Madeira. A ver se a meteorologia não prega mais partidas à Liga.
2015-12-13
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Stats

A receção ao FC Porto é um duríssimo teste à imbatibilidade caseira do Nacional, que já vai em 17 jogos e é a mais longa de sempre em épocas nas quais o clube madeirense joga a I Liga. Se evitarem a derrota contra os dragões, os alvi-negros completarão um ano seguido sem perder na Choupana, pois a última vez que dali saíram derrotados foi a 21 de Dezembro do ano passado, contra o Sporting, em jogo da Liga. E o próximo jogo do Nacional em casa será apenas a 2 de Janeiro, contra o Arouca, no regresso da Liga. Nesse 21 de Dezembro, um golo do extremo sportinguista Carlos Mané chegou para derrotar pela última vez o Nacional no seu estádio. Desde então, a equipa de Manuel Machado jogou mais 17 vezes em casa, para todas as competições, ganhando onze e empatando seis. Por ali passaram sem perder o Moreirense (1-1, na Taça da Liga), o Sporting (2-2, na Taça de Portugal), o FC Porto (1-1, na Liga), o V. Guimarães (2-2, na Liga), o V. Setúbal (1-1, na Liga) e o Boavista (0-0, na Liga). Os outros onze jogos saldaram-se por vitórias do Nacional: 2-1 ao Boavista, 2-1 ao Belenenses, 1-0 ao Estoril, 3-0 ao V. Setúbal, 3-2 ao Gil Vicente, 2-0 ao Penafiel, 3-0 ao P. Ferreira (todos na Liga da época passada), 1-0 ao U. Madeira, 2-0 à Académica (na Liga desta época), 5-0 ao Cova da Piedade (Taça de Portugal) e 3-1 ao Marítimo (Liga).   - Julen Lopetegui cedeu em Londres, frente ao Chelsea, a sétima derrota (2-0) como treinador do FC Porto. Até aqui, nunca perdeu dois jogos seguidos: o pior que lhe aconteceu a seguir a uma derrota foi empatar a zero com o Benfica, na Luz, depois de ter sido esmagado pelo Bayern em Munique (1-6), na eliminação da Liga dos Campeões da época passada. De resto, respondeu sempre com vitórias: 2-1 ao Athletic Bilbau depois do 1-3 com o Sporting (Outubro de 2014); 4-0 ao V. Setúbal após o 0-2 com o Benfica (Dezembro de 2014); 4-1 à Académica na sequência do 0-1 com o Marítimo (Janeiro de 2015); 5-0 ao Estoril após o 1-2 com o Marítimo (Abril de 2015) e, já esta época, 1-0 ao Tondela depois do 0-2 com o Dynamo Kiev (Novembro de 2015).   - Regresso do FC Porto à Madeira, onde há semana e meia interrompeu uma série de sete jogos sem vitórias, batendo o U. Madeira por 4-0 precisamente no estádio onde vai agora jogar: a Choupana. O adversário desta vez é o Nacional, a quem os dragões não ganham fora de casa desde Maio de 2013, quando ali venceram por 3-1, graças a golos de James Rodríguez, Mangala e Lucho González nos primeiros 22 minutos. Candeias fez o tento dos madeirenses. Depois disso, há a registar uma derrota por 2-1 (2013/14) e um empate a uma bola (2014/15).   - Julen Lopetegui nunca perdeu com Manuel Machado nem com o Nacional. Os dois confrontos entre ambos resumem-se a uma vitória portista no Dragão em Novembro do ano passado (2-0) e a um empate (1-1) na Choupana em Março.   - Sendo um dos treinadores mais experientes da Liga, Manuel Machado tem um longo histórico de confrontos com o FC Porto: vai fazer o 30º. Dos 29 anteriores, foram quatro com o Moreirense (um empate e três derrotas), oito com o V. Guimarães (uma vitória, dois empates e cinco derrotas), dois com a Académica (ambos perdidos), um com o Sp. Braga (mais uma derrota) e 14 com o Nacional (duas vitórias, dois empates e dez derrotas). Ao todo, ganhou quatro vezes, empatou cinco e perdeu 20, entre elas as duas vezes em que esteve mais próximo de levar um troféu para casa: FC Porto 6, V. Guimarães 2 (final da Taça de Portugal de 2010/11) e FC Porto 2, V. Guimarães 1 (Supertaça de 2011/12).   - O FC Porto vem com quatro vitórias seguidas na Liga, na sequência do empate em casa com o Sp. Braga (0-0): 2-0 ao V. Setúbal, 1-0 ao Tondela, 4-0 ao U. Madeira e 2-1 ao P. Ferreira. Esta é já a melhor sequência da época e a melhor desde Fevereiro e Março, quando ganhou sete jogos seguidos na prova até ver a série de vitórias interrompida com um empate (1-1) precisamente frente ao Nacional no Funchal.   - O defesa central Rui Correia marcou em três dos últimos quatro jogos do Nacional na Choupana: 1-1 com o V. Setúbal, 5-0 ao Cova da Piedade e 3-1 ao Marítimo. Só ficou em branco frente ao Boavista e os alvinegros não saíram do 0-0.   - O lateral esquerdo Sequeira estreou-se na Liga a jogar contra o FC Porto, num empate a uma bola na Choupana, a 23 de Novembro de 2013. Manuel Machado lançou-o como titular e Sequeira esteve em campo pelos 90 minutos, vendo um cartão amarelo.   - Brahimi marcou golos nas últimas duas deslocações do FC Porto na Liga: garantiu o 1-0 ao Tondela em Aveiro e fez o segundo dos quatro golos sem resposta com que os dragões se impuseram ao U. Madeira no mesmo estádio onde vão jogar agora com o Nacional.   - Maicon regressa ao estádio onde se projetou para uma carreira no futebol português. Chegou a Portugal em 2008, emprestado pelo Cruzeiro ao Nacional, onde passou apenas uma época, antes de se transferir para o FC Porto. Quem o lançou na Liga portuguesa foi Manuel Machado, que agora vai ser o treinador rival.   - Marcano pode fazer o 50º jogo com a camisola do FC Porto. Dos 49 que já realizou, 31 foram na Liga, 11 na Liga dos Campeões, cinco na Taça da Liga e dois na Taça de Portugal. Só marcou um golo, nos 4-0 ao Belenenses, em Outubro.   - Maxi Pereira estreou-se na Liga portuguesa na Choupana, lançado por José Antonio Camacho num Nacional-Benficva, a 2 de Setembro de 2007. Os encarnados ganharam por 3-0 e Maxi jogou os 90 minutos como médio defensivo.   - Também o árbitro regressa ao estádio onde se estreou na Liga. Foi a 25 de Agosto de 2002 que um então muito jovem Jorge Sousa fez o primeiro jogo na Liga, um Nacional-Gil Vicente que os madeirenses perderam por 0-1. Desde então apitou por mais 19 vezes o Nacional nesta competição e por outras 19 vezes o FC Porto. Com ele, o Nacional ganhou nove vezes e perdeu oito, enquanto que o FC Porto ganhou onze e perdeu quatro (três delas até 2006/07).
2015-12-12
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Último Passe

Julen Lopetegui sempre demonstrou tanto respeito pela história do FC Porto como falta de interesse pelo que dizem da sua equipa os jornalistas em Portugal. Em Stamford Bridge, no entanto, não lhe fez falta seguir as ideias dos comentadores acerca da sua rotatividade excessiva, mas sim uma demonstração de conhecimento acerca de pormenores relativos ao passado do clube. Emulou bem o FC Porto dos anos 70, ao qual, no dizer de Pedroto, “faltavam 30 metros”, mas não aprendeu bem a lição acerca do futebol de Mourinho, que quando se coloca em vantagem baixa as linhas e dificilmente se deixa surpreender por quem quer que seja. A surpresa tática desenhada pelo treinador espanhol foi posta em causa logo aos 12’, quando o autogolo de Marcano a transformou numa má ideia, e conduziu os dragões à eliminação que há duas jornadas parecia impensável. O treinador basco abdicou do ponta-de-lança, deixando Aboubakar no banco e pedindo a Brahimi e Corona que ocupassem a frente de ataque. Abriu Layun na esquerda, povoo o meio-campo com Imbula, Danilo e Herrera e pediu a Martins-Indi que auxiliasse os centrais a partir do lado esquerdo. O resultado foram dez minutos personalizados, mas sem profundidade nem contundência no corredor central. Era o tal futebol ao qual faltavam os últimos 30 metros, por uma razão muito simples: a equipa concentra os jogadores nos outros 75. O Chelsea não precisava de ganhar mas tentava ainda assim chegar à frente e, a cada recuperação de bola, o FC Porto conseguia ligar passes e deixar uma ideia de domínio que até podia ter resultado nalguma coisa de útil se os dragões se adiantassem no marcador. Só que quem marcou foi o Chelsea, no tal autogolo de carambola de Marcano. E foi aí que faltou a segunda lição de portismo a Lopetegui: a que respeita ao futebol de Mourinho em vantagem. A ganhar, o Chelsea baixou as linhas, cedeu o pouco de iniciativa que ainda tinha e impossibilitou os tais lances de contra-ataque que vinham alimentando a esperança portista. Daí para a frente, o que se viu fui um Chelsea perigoso quando saía rápido e um FC Porto com mais bola mas com Brahimi a jogar sozinho contra o Mundo. O segundo golo era uma questão de tempo e apareceu num lance onde se viu outro problema da equipa portuguesa: a indefinição tática. Indi veio fechar ao meio, Layun não terá percebido se tinha de ser ala ou defesa esquerdo e Willian fugiu no espaço entre os dois para fazer o 2-0. Até final, Lopetegui ainda mudou muita coisa, mas já se percebia que as únicas notícias boas que poderiam aparecer teriam de vir de Kiev. Não apareceram, pois o Dynamo ganhou ao Maccabi e ao FC Porto resta o caminho da Liga Europa. Com mais convicção e menos surpresas pode ser um caminho interessante.
2015-12-09
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Ao vencer o Paços de Ferreira por 2-1, depois de ter estado a perder, o FC Porto conseguiu virar o marcador pela primeira vez desde que é treinado por Julen Lopetegui. A última virada dos dragões tinha sido a 5 de Fevereiro de 2014, ainda com Paulo Fonseca aos comandos, num jogo da Taça de Portugal, frente ao Estoril, no Dragão: Babanco adiantou os canarinhos, Quaresma empatou antes do intervalo e Ghilas fez o golo da vitória a três minutos do final.   - Mesmo vencendo, o FC Porto falhou o objetivo de passar um ano inteiro sem sofrer golos em casa em jogos da Liga portuguesa. Faltaram nove dias, pois ninguém marcava no Dragão para o nosso campeonato desde que Lima ali bisou na vitória do Benfica por 2-0, a 14 de Dezembro do ano passado. O golo de Bruno Moreira, logo aos 8 minutos de jogo, significa ainda que a série de minutos de jogo sem sofrer golos em casa para a Liga estancou aos 1483, 98 minutos aquém dos 1581 que Vítor Baía e Cândido estiveram sem sofrer golos nas Antas em 1994   - Pelo segundo jogo consecutivo, o FC Porto teve dois mexicanos a marcar. Na Madeira, contra o União, Herrera e Corona tinham estado entre os goleadores do 4-0 final, ao passo que agora, contra o Paços de Ferreira, Corona e Layun fizeram os tentos portistas. O segundo veio na sequência de um penalti cometido sobre Hererra.   - O primeiro penalti a favor do FC Porto esta época veio finalmente permitir que se perceba quem é “o especialista” dos dragões nesse tipo de lances. É Layun, o primeiro jogador do FC Porto a marcar um penalti desde que Quaresma converteu um frente ao Bayern Munique, a 15 de Abril. Depois disso, a 10 de Maio, o mesmo Quaresma falhou um contra o Gil Vicente.   - O FC Porto obteve a terceira vitória consecutiva, depois dos sucessos contra o Tondela (1-0) e U. Madeira (4-0). Está a um sucesso de igualar a melhor sequência da época, que são quatro vitórias seguidas, contra o Chelsea (2-1), o Belenenses (4-0), o Varzim (2-0) e o Maccabi (2-0), em Setembro e Outubro.   - Na Liga, os dragões ganharam os últimos quatro jogos depois do empate em casa com o Sp. Braga: V. Setúbal (2-0), Tondela (1-0), U. Madeira (4-0) e P. Ferreira (2-1). Não o conseguiam desde as sete vitórias seguidas em Fevereiro e Março.   - Brahimi viu interrompida uma série de dois jogos seguidos a marcar golos, mas fez a terceira assistência da época, ao servir Corona para o primeiro golo portista. Antes, já tinham sido dele os passes para os golos de Aboubakar e Corona que inauguraram o marcador nos jogos com o Estoril e o Belenenses.   - Corona voltou a ser titular e a marcar um golo. Vai com seis jogos a titular pelo FC Porto e seis golos. A jogar de início, só ficou em branco contra o Benfica, mas em contrapartida bisou no jogo com o Arouca.   - Tal como Corona, também o pacense Bruno Moreira marcou pelo segundo jogo consecutivo, depois de ter estado na folha de goleadores da vitória da sua equipa contra o Estoril (2-0). Repete o que já conseguira contra o Nacional e a Naval, em Outubro, com uma nuance: na altura bisou ante os madeirenses e fez quatro tentos aos figueirenses.
2015-12-06
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Último Passe

FC Porto e Sporting responderam bem à vitória do Benfica na abertura da 12ª jornada da Liga, ganharam também e deixaram tudo na mesma no topo da classificação. Não foram vitórias fáceis, mas chegaram com declaração de voto: o FC Porto superou pela primeira vez com Lopetegui o trauma de entrar a perder e virou o jogo contra o Paços de Ferreira, aproveitando da melhor forma a ingenuidade de um penalti nascido do nada, enquanto que o Sporting repetiu mais uma vez a margem mínima que vem sendo a sua imagem de marca, desta vez com direito a sofrimento contra um Marítimo que, com jogadores motivados para salvarem a cabeça do treinador, Ivo Vieira, exigiu o melhor que Rui Patrício tinha para dar. Duas super-defesas do guarda-redes da seleção nacional, uma ainda com o marcador em branco e outra depois de Adrien ter adiantado os líderes, enfatizaram o sucesso de um Sporting de fato-macaco vestido. Em condições difíceis, da relva à humidade do Funchal, que ajudaram o Marítimo a suplantar a equipa de Jorge Jesus na intensidade com que abordava cada duelo, sobretudo durante a primeira parte, os leões tiveram de aguentar um arranque exigente, foram equilibrando a equipa e chegaram à vantagem na mais bonita jogada de todo o desafio, uma triangulação perfeita com rasgo de imaginação de João Mário antes da assistência para o capitão de equipa. Depois, mesmo já não tendo começado com muita gente na frente – a lesão de Gutièrrez e o castigo a Slimani aproximaram mais o Sporting do 4x3x3 que do 4x4x2 preferido do seu treinador – Jesus foi puxando a equipa para trás, entendendo que seria essa a melhor forma de preservar a vantagem. Trocou Gelson por Aquilani e no final, para conter o maior assédio do Marítimo, ainda chamou Naldo ao campo, por troca com João Mário. É feio? Talvez. Mas deu três pontos num campo onde o FC Porto tinha deixado dois. Antes, o FC Porto tinha sofrido também para se colocar em vantagem contra um Paços de Ferreira personalizado e com gente que sabe bem o que está a fazer em campo. O golo de Bruno Moreira, fruto de um erro de posicionamento do bloco defensivo portista na sequência de um canto, apresentava um desafio de monta, pois até aqui nunca o FC Porto de Lopetegui conseguira virar um jogo. Mas os dragões foram empurrando o adversário para trás, criaram várias situações de golo – em noite negativa de Aboubakar, que, traído por um mau primeiro toque, confirmou as dificuldades para ser decisivo em espaços curtos –, empataram ainda antes do intervalo, numa bela movimentação de Corona em direção ao espaço interior, e acabaram por chegar à vantagem no seu primeiro penalti da época. O FC Porto jogou o suficiente para ganhar de outra forma, mas acabou por beneficiar de um mau atraso de Baixinho para o guarda-redes Marafona, de uma insistência pressionante de Herrera – bom jogo do médio mexicano – e de uma rasteira imprudente do mesmo Baixinho para se colocar em vantagem num penalti de Layun.
2015-12-06
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Mais um zero na suas redes e o FC Porto assegurará um ano inteiro sem sofrer golos em casa na Liga. O último jogador a marcar ali nesta competição foi Lima, a 14 de Dezembro do ano passado, na vitória do Benfica por 2-0. Depois de receber o Paços de Ferreira, o FC Porto só volta a jogar em casa na Liga no dia 20, contra a Académica. Mas se a celebração do ano inteiro sem sofrer golos em casa na Liga pode chegar já nesta ronda, os dragões terão ainda outra marca em mente na próxima partida. É que desde o segundo golo do Benfica nessa partida de 2014, os dragões somam já 1475 minutos de jogo sem golos dos adversários no seu estádio. Faltam-lhes 106 minutos para igualarem uma série estabelecida por Vítor Baía e Cândido de Janeiro a Dezembro de 1994. Nessa altura, os dois guarda-redes que o FC Porto usou estiveram 1581 minutos sem sofrer golos em casa no campeonato, entre um golo de Hermé (nos 4-1 ao U. Madeira, a 5 de Janeiro de 1994) e outro de Figo (no 1-1 com o Sporting, a 11 de Dezembro do mesmo ano). Atualmente, Helton, Fabiano e Casillas foram responsáveis pela manutenção do zero nos jogos com V. Setúbal (4-0), Belenenses (3-0), Paços de Ferreira (5-0), V. Guimarães (1-0), Sporting (3-0), Arouca (1-0), Estoril (5-0), Académica (1-0), Gil Vicente (2-0), Penafiel (2-0), V. Guimarães (3-0), Estoril (2-0), Benfica (1-0), Belenenses (4-0), Sp. Braga (0-0) e V. Setúbal (2-0). Dezasseis jogo completos, mais 35 minutos na partida perdida contra o Benfica. A ajudar à festa, Iker Casillas é também o guarda-redes há mais tempo sem sofrer golos na Liga, se contabilizarmos também os jogos fora de casa. O último golo sofrido pelo FC Porto foi obtido por André Fontes, a 2’ do final do empate (2-2) que os dragões cederam ante o Moreirense. Desde aí, são 452 minutos sem sofrer golos na prova, ainda assim a 50 minutos do recorde desta época, que são os 502 minutos fixados pelo bracarense Kritciuk antes dos golos encaixados na partida contra o Benfica, na passada segunda-feira.   - Brahimi marcou golos nos últimos dois jogos do FC Porto, as vitórias em Aveiro contra o Tondela (1-0) e na Choupana ante o U. Madeira (4-0). Se voltar a marcar contra o Paços de Ferreira iguala a sua melhor série de 2014/15, em que fez golos consecutivamente a Nacional, Athletic Bilbau e Estoril.   - Ruben Neves poderá fazer o 50º jogo com a camisola do FC Porto. Soma até este momento 49 partidas e um golo, logo na primeira de todas, os 2-0 ao Marítimo a 15 de Agosto de 2014. Dos 49 jogos, 30 foram na Liga portuguesa, 14 na Liga dos Campeões, três na Taça da Liga e dois na Taça de Portugal.   - Fábio Cardoso estreou-se na Liga portuguesa a jogar contra o FC Porto, mas não levou uma história muito feliz para contar em casa: Paulo Fonseca fê-lo entrar a sete minutos do fim da derrota do Paços no Dragão (5-0) em Fevereiro. O mesmo sucedeu, aliás, com Minhoca, que se estreou na Liga portuguesa contra o FC Porto, lançado como titular por Henrique Calisto na derrota (3-0) no Dragão, em Fevereiro do ano passado.   - Jorge Simão, o treinador do Paços de Ferreira, empatou o único confronto com o FC Porto e com Julen Lopetegui. Foi em Maio e o empate, ainda ao serviço do Belenenses, no Restelo (1-1) valeu a certeza matemática do bi-campeonato ao Benfica de Jorge Jesus, que ao mesmo tempo empatava a zero com o Vitória em Guimarães.   - O FC Porto ganhou os últimos seis jogos com o Paços de Ferreira, todos eles sem sofrer golos. Na última vez que marcaram um golo ao FC Porto, por Melgarejo, em Março de 2012, os pacenses roubaram dois pontos aos dragões, fruto de um empate a uma bola na Mata Real. No Dragão, então, os castores não fazem golos desde Maio de 2011, quando eram dirigidos por Rui Vitória e ali empataram a três golos, com um hat-trick de Pizzi.   - Jackson Martínez marcou nos últimos cinco jogos do FC Porto com o Paços de Ferreira, isto é, em todos desde Janeiro de 2013. Essa vitória portista, por 2-0, no Dragão, representa a última vez em que o sucesso do FC Porto sobre o Paços não teve golos do ponta-de-lança. Boas perspetivas para Aboubakar, que não marca desde a receção ao V. Setúbal (a 8 de Novembro) e fez apenas dois golos nos últimos dois meses: esse um outro, contra o Maccabi, a 20 de Outubro.   - O Paços de Ferreira só ganhou duas vezes ao FC Porto em toda a sua história, ambas em casa, mas a última já foi em Maio de 2003, com os dragões em descompressão, a caminho da final da Taça UEFA, que jogaram dez dias depois. Cadu fez o golo solitário da vitória pacense, já em período de descontos.   - O FC Porto só perdeu duas vezes em 26 jogos com Carlos Xistra a apitar, na Liga, a última das quais em Janeiro de 2008, em Alvalade, com o Sporting (2-0). Nos quase oito anos desde essa partida, Xistra apitou 15 jogos dos dragões, com 12 vitórias e três empates. Sucede que também o Paços de Ferreira costuma dar-se bem com este árbitro, o único da atual primeira categoria com o qual, tendo feito mais de um jogo, têm uma percentagem de vitórias superior a 50%: ganharam 11 das 20 partidas com ele a apitar (55%).
2015-12-04
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Último Passe

Casillas salvou o FC Porto de um empate que seria ao mesmo tempo embaraçoso e preocupante em termos de Liga. Com a defesa de um penalti de Chamorro, perto do final do jogo com o Tondela, o guarda-redes espanhol permitiu a conquista dos três pontos, mantendo a pressão sobre o Sporting, e mascarou uma exibição pouco conseguida dos portistas, que se valeram de um golo magistral de Brahimi para se imporem por 1-0. Não fizeram um bom jogo, mas levam os três pontos para casa e se Lopetegui deixar de parte os excessos de criatividade podem capitalizar em cima de uma boa ideia de jogo e de um plantel que continua a ser o mais forte de Portugal. Contestado após a derrota caseira contra o Dynamo Kiev, que veio complicar muito as contas portistas na Champions, Julen Lopetegui já viu o lance decisivo da tribuna, depois de ter sido expulso ainda durante a primeira parte, mas terá tido razões suficientes para agradecer a Casillas o facto de poder respirar melhor até ao jogo com o U. Madeira, na quarta-feira. É que, com nova arrumação tática, num 4x2x3x1 que incluía Bueno atrás do ponta-de-lança, desviava André André do meio para um das alas e abdicava de jogadores fluídos na construção como Rúben Neves ou Imbula, os dragões perderam qualidade atrás e levaram sempre pouco futebol até Aboubakar. O resultado da inclusão do tal “10” que tanta gente vinha pedindo desde o início da época e que Lopetegui sempre recusara (e bem…), preferindo o meio-campo intenso e rotativo, foi um jogo em que o FC Poto tinha mais bola, mais controlo, mas no qual raramente se tornava perigoso, enquanto o Tondela deixava sempre a sensação de que poderia vir a aproveitar o espaço no meio-campo ofensivo para surpreender numa das ocasiões em que metia um contra-ataque. Para o embaraço final ainda podia ter contribuído a criatividade excessiva do treinador nas substituições. Com os dois centrais amarelados, resolveu tirar Marcano e chamar ao jogo Ruben Neves, recuando Danilo. Nove minutos depois, sacrificou Brahimi, devolveu André André à ala, de onde saíra para permitir a entrada de Tello, recolocou Danilo no meio-campo, chamando Maicon ao jogo. A frio, dois minutos depois de entrar, o novo defesa-central fez um penalti que podia ter tido custos elevados na classificação, não tivesse Casillas defendido o remate de Chamorro. O espanhol, réu no jogo com o Dynamo, pôs o nome nos três pontos. Lopetegui, esse, continua à espera de uma ocasião para se redimir – no fundo, bastar-lhe-ia capitalizar em cima da boa ideia de jogo que soube construir. Mas isso talvez seja demasiado simples.
2015-11-29
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Último Passe

Quando Julen Lopetegui disse, recorrendo à mais fina ironia que em tempos fez escola no FC Porto, que a sua equipa devia ser a única da Europa que ainda guardava em segredo o nome do seu especialista em penaltis, estava a mostrar duas coisas. Um maior conhecimento da realidade do futebol português, onde facto e opinião se misturam de forma indisfarçável, e a noção de que o vazio deixado pelo maior recato recente de Pinto da Costa tem de ser ocupado por alguém para entrar no jogo que Sporting e Benfica estão a disputar. Portugal está muito longe da realidade que serve de base aos manuais de jornalismo, onde os factos são a base de tudo e podem ser lidos de forma impoluta. Em Portugal, quem consome informação sobre futebol está amplamente colonizado pelas diatribes radicais dos programas de comentadores-adeptos e não é capaz de separar o facto da opinião. A ironia de Lopetegui tem essa noção como princípio orientador. O facto é que o FC Porto ainda não teve penaltis a favor na Liga. A opinião é a de que o FC Porto está a ser prejudicado, porque o Benfica já tem um e o Sporting soma cinco. Só que os factos não são só estes. Primeiro porque o FC Porto não é a única equipa da Liga sem penaltis a favor – há mais sete nessas condições. Depois porque FC Porto e Benfica são duas das oito equipas que também não têm nenhum penalti contra (e o Sporting, por exemplo, já tem dois) e isso não quer dizer que estejam a ser beneficiados. Porque ao contrário do que acontece nos programas de segunda-feira à noite, um facto é um facto e uma opinião, podendo ser nele baseada, é uma opinião. Nada mais… Outra questão prende-se com a razão que leva Lopetegui a entrar neste jogo – e essa tem a ver com aquilo que Rui Vitória disse no final do dérbi da Taça de Portugal. É que, tal como o técnico do Benfica, o treinador basco também não quererá “ser comido de cebolada”. Ora este é mais um plano em que o futebol nacional funciona como prolongamento dos programas de segunda-feira, onde quem fala mais alto e radicaliza mais o discurso é quem ganha. Só que aqui, até ver, FC Porto e Benfica estão a correr atrás, a reagir ao Sporting. Jorge Jesus nem precisa de falar do assunto, de se meter com o lado negro da força, porque Bruno de Carvalho e Octávio Machado têm feito todo o trabalho sujo. No Benfica, Rui Costa foi o primeiro a dizer alguma coisa, mas só o fez na viagem a Astana, depois de Rui Vitória ter sido lançado à fogueira na sequência da derrota de Alvalade. No FC Porto, que foi onde este “jogo” foi inventado, o silêncio impera e só é rompido de quando em vez pelo boletim “Dragões Diário”. O futebol seria muito melhor sem estas guerras. Disso não tenho dúvidas, da mesma forma que não tenho certeza de que a pressão dê frutos e se reflita em benefícios. Mas que Benfica e FC Porto estão próximos do Sporting aristocrático de outrora, onde Paulo Bento tinha de fazer a guerra sozinho, ao passo que em Alvalade se recorre às armas que outrora celebrizaram Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira, disso já não me restam dúvidas nenhumas.
2015-11-27
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O FC Porto de Julen Lopetegui vem de uma derrota traumática, em casa, contra o Dynamo Kiev, a complicar bastante a tarefa de qualificação para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões e a cabeça dos jogadores estará seguramente cheia de ideias de reação. Costuma dizer-se que as grandes equipas não perdem dois jogos seguidos e a verdade é que tal não sucede aos dragões há cerca de três anos. Desde então, a reação à derrota tem sido quase sempre boa. Preocupante é o facto de a última sequência de duas derrotas dos azuis-e-brancos ter acontecido numa época em que, tal como agora, a equipa prolongou a invencibilidade até finais de Novembro. Quando perdeu a primeira, caiu logo a segunda. Há uma grande diferença entre as duas situações – o nome do segundo adversário. Em 2012, depois de perder em Braga (2-1) e ser eliminado da Taça de Portugal, interrompendo uma série de 18 jogos sem perder do arranque da época, o FC Porto apanhou pela frente com o Paris St. Germain, no Parque dos Príncipes. Voltou a perder pelo mesmo resultado (2-1, com golos de Thiago Silva e Lavezzi para os franceses e de Jackson para os portistas). Desta vez, o opositor é o bem mais frágil Tondela, o que permite pensar que a reação será certamente mais fácil do que nessa ocasião. Na verdade, bastará ao FC Porto aquilo que é a sua reação normal às derrotas. Desde esse desaire contra o Paris St. Germain, o FC Porto soma 20 derrotas (a de terça-feira foi a 21ª), tendo reagido com 16 vitórias e apenas quatro empates. Em 2012/13 perdeu mais três vezes, ganhando dois jogos e empatando um nas ressacas. Em 2013/14 somou umas invulgares 12 derrotas, mas ganhou dez e empatou dois dos jogos que se seguiram. Por fim, na época passada, perdeu cinco vezes, às quais respondeu com quatro sucessos e um único empate – ainda que tenha sido um empate altamente penalizador, a zero, na Luz, contra o Benfica, depois dos 6-1 de Munique, o que impediu os dragões de se chegarem ao Benfica na tabela da Liga.   - O FC Porto registou, contra o Dynamo Kiev, a primeira derrota da época, ao 16º jogo, ficando assim aquém dos 18 jogos sem perder registados pela equipa de Vítor Pereira em 2012/13. Os 20 jogos oficiais sem perder, desde a derrota em Munique, contra o Bayern, na época passada, são ainda assim um recorde de Lopetegui como treinador de clube.   - Rui Bento e Julen Lopetegui nunca se defrontaram, mas o atual treinador do Tondela já tem experiência de ver uma equipa sua jogar contra o FC Porto. A 10 de Dezembro de 2012, neste mesmo Estádio Municipal de Aveiro, o Beira Mar comandado por Rio Bento ainda esteve a ganhar ao FC Porto de Vítor Pereira (golo de Zhang), mas acabou por perder por 2-1 (marcaram James e Hulk).   - Este será o primeiro jogo da história entre Tondela e FC Porto e o primeiro jogo dos dragões em “campo neutro” na atual Liga. Desde 1 de Setembro de 2013 que o FC Porto não joga fora, no campeonato, contra uma equipa que recorre a um estádio emprestado. Na altura venceu o Paços de Ferreira em Felgueiras por 1-0. Volta agora a fazê-lo em Aveiro, onde o Tondela já perdeu esta época com Sporting (1-2) e Benfica (0-4).   - O Tondela é último da Liga, com apenas cinco pontos em dez jogos. A última equipa a evitar a despromoção nestas condições foi o Gil Vicente de 2004/05: tinha os mesmos cinco pontos à 10ª jornada e acabou a Liga em 13º lugar, seis pontos acima da linha de água. Mas para lá chegar começou a ganhar logo à 11ª ronda (2-1 ao V. Setúbal). Desde então, as cinco equipas que protagonizaram um arranque tão pouco produtivo desceram todas de divisão.   - O Tondela não ganha há nove jogos, desde o 1-0 frente ao Nacional, em casa, a 30 de Agosto. É a mais longa série de jogos sem vitórias desde que a equipa chegou aos campeonatos nacionais, em 2005, quando jogou a Série C da III Divisão.   - Além disso, o Tondela ainda não marcou um único golo na primeira parte dos seus jogos. Os seus cinco golos no campeonato aconteceram todos nas segundas partes, sendo os mais “madrugadores” os marcados ao Arouca e ao Nacional, ambos ao minuto 48. Acresce dizer que só um dos quatro golos sofridos pelo FC Porto apareceu antes do intervalo: foi o encaixado no empate (1-1) contra o Marítimo, nos Barreiros.   - Layun participou nos últimos três golos marcados pelo FC Porto. Fez o terceiro em Haifa, ao Maccabi Tel-Aviv, assistiu Aboubakar para o primeiro ao V. Setúbal e fez ele mesmo o segundo. Ao todo, o lateral mexicano tem dois golos marcados e quatro assistências, todas para golos de cabeça, três deles de Aboubakar.   - O jogador do FC Porto com mais passes de golo é, contudo, Maxi Pereira. São já, ao todo, cinco assistências, todas para jogadores diferentes: Aboubakar, Varela (ambos frente ao V. Guimarães), Brahimi (contra o Belenenses), André André (ante o Maccabi) e Layun (face ao V. Setúbal).   - Tello completou no jogo com o Dynamo Kiev o 50º jogo oficial com a camisola do FC Porto. Desses 50, 32 foram na Liga portuguesa, na qual marcou sete golos. Esta época, o espanhol tem dois golos, mas nenhum no campeonato.   - Manuel Mota é, de longe, o árbitro menos caseiro da Liga. Desde 10 de Janeiro que não vê em campo uma vitória da equipa da casa no campeonato, sendo que dirigiu 12 jogos desde então, com seis empates e seis vitórias dos visitantes. Ao todo, nos 53 jogos do árbitro de Braga, há 34% de vitórias dos anfitriões e 38% dos visitantes, o que o transforma no único árbitro da atual I Liga com pelo menos cinco jogos dirigidoa a ter mais sucessos de quem viaja do que de quem recebe.   - A última vitória de uma equipa da casa com Manuel Mota a apitar foi precisamente num jogo do FC Porto, que com ele se impôs no Dragão ao Belenenses por 3-0, a 10 de Janeiro último. Nos sete jogos com Mota, o FC Porto ganhou seis e empatou apenas um – a visita ao Restelo, em 2013/14 (1-1). O Tondela só o apanhou uma vez, tendo empatado em Arouca (1-1).
2015-11-27
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O FC Porto tem sido uma fortaleza defensiva. Não sofre golos de oposição nacional há quase dois meses, desde 25 de Setembro, quando cedeu um empate em Moreira de Cónegos (2-2). E os dois golos que encaixou desde essa altura nasceram de lances de bola parada, na Liga dos Campeões. O último jogador de uma equipa portuguesa a marcar ao FC Porto foi André Fontes, do Moreirense. Desde então, Casillas sofreu mais dois golos: um livre direto de Willian (Chelsea) e um penalti de Zahava (Maccabi), ambos na Liga dos Campeões. Aliás, dos oito golos sofridos pelo FC Porto esta época, três foram na sequência de bolas paradas, pois há a acrescentar o tento de Buyalskiy, também perto do final do jogo de Kiev, após um livre de Rybalka à barreira. Com a curiosidade acrescida de dois destes três golos terem nascido bem perto do final dos períodos a que dizem respeito: Buyalskiy marcou aos 89’ e Willian aos 45+2’. Em Angra do Heroísmo, no entanto, o guarda-redes do FC Porto será certamente Helton, que já defrontou o Varzim na eliminatória anterior. Como os dragões ganharam esse jogo por 2-0, isso quer dizer que Helton ainda não sofreu golos esta época. O último foi-lhe marcado pelo belenense Tiago Caeiro a 17 de Maio, custou dois pontos (o jogo acabou empatado a uma bola) e valeu a festa do título ao Benfica, que nessa mesma tarde empatava a zero em Guimarães.   - O FC Porto procura o 15º jogo da época sem derrota. Para já, nos 14 que fez, ganhou dez e empatou quatro. Está, ainda assim, a quatro jogos de igualar o arranque da equipa de Vítor Pereira, que em 2012/13 esteve 18 jogos sem perder, até ser eliminado da Taça de Portugal pelo Sp. Braga (2-1), a 30 de Novembro.   - Ao todo, incluindo desafios da época passada, o FC Porto de Julen Lopetegui não perde há 19 jogos. A última derrota foram os 6-1 em Munique, a 21 de Abril, nos quartos-de-final da Liga dos Campeões. Estes 19 jogos são também a melhor série da equipa desde 2012, quando o FC Porto esteve 25 jogos sem perder, entre os 3-2 contra o Benfica, na Taça da Liga, a 20 de Março, e os tais 2-1 com o Sp. Braga, a 30 de Novembro.   - Pedro Aguiar marcou golos nos últimos três jogos do Angrense. Fez o 2-0 momentâneo do empate a dois golos com o Sp. Ideal, mas antes já tinha bisado nos 5-1 ao Pampilhosa e tinha feito o golo do empate (1-1) no terreno do Oliveira do Hospital. É, com o avançado Magina, o melhor marcador do Angrense esta época. Ambos têm dez golos.   - Miguel Layun também marcou nos últimos dois jogos do FC Porto (ao Maccabi Tel Aviv e ao V. Setúbal), mas foi poupado à viagem aos Açores por Lopetegui em virtude de ter estado ao serviço da seleção do México.   - Este é o quarto jogo que o Angrense faz esta época na Taça de Portugal, o que permite igualar a época de 1994/95. Nessa altura, os açorianos eliminaram o 1º Maio do Funchal (2-1), o Vilanovense (2-1) e o Carcavelos (4-1), antes de caírem aos pés do Feramunde (4-0). Desta vez já afastaram a Académica-SF (2-1), o Moura (2-1) e o Torre Moncorvo (4-1).   - Angrense e FC Porto nunca se defrontaram em competição, mas uma das últimas campanhas na Taça de Portugal levaram os açorianos a jogar com o Nacional da Madeira, pelo qual alinhou Maicon, atualmente no FC Porto, embora fora dos convocados de Lopetegui para este jogo. Foi a 18 de Outubro de 2008 e os madeirenses ganharam por 4-0, com bis de Miguel Fidalgo e mais dois golos de Nené (que falhou um penalti) e Juninho. Maicon jogou os 90 minutos e Ruben Micael, que também jogou mais tarde no FC Porto, entrou a meio da segunda parte.   - A única experiência do Angrense com um grande foi traumática. Aconteceu na Taça de Portugal de 1959/60 e os açorianos defrontaram o Benfica. José Augusto e Cavém marcaram os golos do 2-0 para os benfiquistas em Angra do Heroísmo, mas na Luz o resultado foi muito mais desequilibrado: 10-0 para o Benfica com hat-tricks de Águas e José Augusto, bis de Coluna e ainda mais um golo de Cavém e outro de Santana.
2015-11-20
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Ao marcar o golo inaugural da vitória do FC Porto frente ao V. Setúbal, Aboubakar igualou já o total de tentos que tinha feito em toda a época passada: oito. Fê-los em 13 jogos, quando em 2014/15 precisou de 20 partidas, ainda que muitas delas como suplente utilizado. Na temporada mais produtiva da sua carreira precisou de mais algum tempo para lá chegar. Foi em 2012/13 que, ao serviço do Lorient, terminou a época com 16 golos, marcando o oitavo a 30 de Novembro, frente ao Nice, ao 16º jogo.   - Aboubakar e Osvaldo estiveram pela terceira vez lado a lado em campo esta época, pois o italo-argentino entrou a 31 minutos do fim e o camaronês por lá ficou. Ao todo, os dois coincidiram por 48 minutos, tendo o FC Porto marcado três golos nesse período. Já tinha acontecido por 13 minutos em Moreira de Cónegos (com um golo) e por quatro minutos frente ao Chelsea no Dragão (sem efeitos no resultado).   - Apesar de ter igualado a série de 16 jogos seguidos sem sofrer golos em casa na Liga estabelecida em 1994, o FC Porto ainda está a pouco mais de um jogo de bater o recorde de Vítor Baía e Cândido, que entre Janeiro e Dezembro desse ano estiveram 1571 minutos sem ir buscar a bola ao fundo das redes das Antas. Com a ajuda de Fabiano e Helton, que se ocuparam das redes na época passada, Casillas prolongou a série atual para 1475 minutos desde que Lima ali marcou, na vitória do Benfica, por 2-0, a 14 de Dezembro do ano passado.   - O V. Setúbal voltou a sofrer golos na Liga, vendo a série de imbatibilidade que durava desde o tento de Rui Correia (Nacional) interrompida após 384 minutos. Mas Ricardo, o guarda-redes emprestado pelo FC Porto, que nesse dia estava na baliza e ontem não, mantém a folha limpa para a próxima jornada.   - Layun é o homem do momento nos dragões, pois participou nos últimos três golos da equipa. Marcou o terceiro em Haifa, ao Maccabi Tel-Aviv, assistiu Aboubakar para o primeiro ao V. Setúbal e fez ele mesmo o segundo. Ao todo, o lateral mexicano tem dois golos marcados e quatro assistências, todas para golos de cabeça, três deles de Aboubakar.   - Maxi Pereira também voltou a fazer uma assistência para golo, tal como sucedera em Israel, mantendo-se como o jogador com mais passes decisivos no FC Porto esta época. São já, ao todo, cinco assistências, todas para jogadores diferentes: Aboubakar, Varela (ambos frente ao V. Guimarães), Brahimi (contra o Belenenses), André André (ante o Maccabi) e agora Layun (Face ao V. Setúbal).   - Foi a 26ª vitória consecutiva do FC Porto frente ao V. Setúbal, em confrontos válidos para várias competições. O FC Porto ganha sempre que os dois se encontram desde um empate a zero, no Dragão, a 29 de Outubro de 2005. Foi ainda o quarto jogo entre ambos em que os sadinos não fazem sequer um golo, desde a derrota por 3-1, no Bonfim, em Agosto de 2013.   - Foi ainda o 14º jogo do FC Porto sem perder esta época. Ao todo, os dragões somam dez vitórias e quatro empates, mantendo-se na corrida para pelo menos igualar o arranque de época de Vítor Pereira em 2012/13. Nessa época, os azuis e brancos estiveram 18 jogos sem perder, até à eliminação da Taça de Portugal, frente ao Sp. Braga, a 30 de Novembro (1-2).   - Quim Machado estreou o croata Gorupec na Liga. Depois de Hassan, Costinha, Arnold, Vasco Costa, Ruben Semedo e Ruca, foi a sétima estreia absoluta de um jogador do V. Setúbal na Liga esta época.
2015-11-09
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Último Passe

A aposta na dupla de pontas-de-lança a que Julen Lopetegui resistira, por exemplo, nos empates contra o Marítimo e o Sp. Braga, pôs em causa a organização normal do jogo do FC Porto mas permitiu à equipa quebrar o enguiço com as balizas da última partida da Liga e vencer o V. Setúbal por 2-0. Mesmo a fazer um bom jogo e, sobretudo depois de aumentar o ritmo, após o intervalo, a conseguir levar a bola até à área sadina, com criação constante de desequilíbrios, a equipa azul e branca não chegou ao golo enquanto o treinador basco não juntou Aboubakar e Osvaldo na área. Um dos primeiros cruzamentos depois de isso suceder, aos 70 minutos, permitiu ao camaronês abrir o marcador, num cabeceamento sem tirar os pés do chão, e começou a desfazer as dúvidas acerca da atribuição dos três pontos. Uma discussão a que Layun pôs termo pouco depois, com mais um golo de pé direito vindo da sua posição de lateral esquerdo. As bases do jogo do FC Porto são bem conhecidas: posse de bola (acima dos 70 por cento até ao golo de Aboubakar) e triangulações com alternância entre os movimentos dos extremos para dentro com subida dos laterais ou a abertura dos extremos com entrada dos médios na zona do ponta-de-lança. Na primeira parte, jogada a um ritmo mais lento, isso não chegou para tirar da frente as duas linhas defensivas de um bem organizado V. Setúbal que, fruto da qualidade nas saídas de bola, nem parecia jogar com o autocarro à frente da baliza de Raeder. Suk e André Claro eram boas referências atacantes, tornando possível que o meio-campo sadino subisse e que a equipa de Quim Machado se equilibrasse mais acima e pudesse assim respirar. Só nos últimos cinco minutos do primeiro tempo o FC Porto encostou o adversário atrás, o que deixou a dúvida acerca dos efeitos do intervalo. Voltaria o jogo a ser tão dividido como chegara a ser ou manter-se-ia a pressão portista? Na verdade, o FC Porto ainda conseguiu subir o ritmo e o V. Setúbal continuou a enfrentar dificuldades para voltar a jogar no campo todo. Mas isso não chegava para aquilo que o FC Porto queria, que era fazer um golo. Esse só apareceu quando Lopetegui trocou Evandro por Osvaldo e assumiu uma espécie de 4x2x4, com André e Danilo a segurarem o meio-campo. Ao contrário do que sucedeu em Moreira de Cónegos, onde a aposta no segundo ponta-de-lança só surgiu à terceira substituição, sem hipótese de emenda, portanto, desta vez o treinador portista recompôs de imediato o equilíbrio natural da equipa, chamando Imbula ao jogo. Mas, já sem dinâmica atacante, que se extinguira no período de intensa pressão portista, o Vitória limitou-se a esperar o fim do jogo, acabando o 2-0 por aparecer naturalmente, após uma incursão de Imbula que Layun finalizou.
2015-11-08
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O FC Porto já leva 25 vitórias seguidas em jogos contra o V. Setúbal, de longe a sua série vitoriosa mais longa contra equipas do mesmo escalão. A última vez que os sadinos conseguiram não perder com os dragões já fez dez anos na semana passada: foi a 29 de Outubro de 2005 que uma equipa do Vitória comandada por Luís Norton de Matos foi ao Dragão empatar a zero com os comandados de Co Adriaanse. De então para cá, a história tem sido repetitiva, com 25 jogos e 25 vitórias do FC Porto, 66 golos marcados e apenas sete sofridos. A superioridade azul e branca tem sido ainda mais marcada ultimamente, pois há mais de dois anos que os setubalenses não fazem sequer um golo neste desafio. O último fê-lo Rafael Martins, no Bonfim, a dar momentânea vantagem aos então comandados de José Mota, na abertura da Liga de 2013/14. Mas Josué, Quintero e Jackson viraram esse resultado para o 3-1 final, a favor do FC Porto. Nos três jogos seguintes, só houve golos portistas: 3-0 (Jackson, Varela e Carlos Eduardo), 4-0 (Quaresma, Jackson, Brahimi e Danilo) e 2-0 (Brahimi e Jackson). As 25 vitórias consecutivas do FC Porto frente ao V. Setúbal, que incluem uma final da Taça de Portugal (1-0, golo de Adriano) e a Supertaça que se lhe seguiu (3-0, marcados por Adriano, Anderson e Vieirinha), em 2006, não têm sequer comparação com mais nenhuma série em curso na equipa do FC Porto. A seguir aos sadinos, os adversários tradicionalmente mais dóceis para os portistas são o Rio Ave (sete vitórias seguidas), o Paços de Ferreira (seis sucessos de enfiada) e o Arouca (cinco vitórias nos únicos cinco jogos efetuados entre ambos).   - Brahimi marcou nas únicas duas vezes em que defrontou o V. Setúbal. Na época passada, abriu o marcador nos 2-0 do Bonfim e fez o terceiro nos 4-0 do Dragão. Jackson Martínez tinha feito golos nos últimos quatro jogos entre estas duas equipas mas já não está no FC Porto.   - Casillas continuará a tentar aumentar a corrente série de minutos sem golos sofridos pelo FC Porto em casa, na Liga. O último jogador a marcar ali nestas condições foi o benfiquista Lima, a 14 de Dezembro do ano passado, na vitória dos encarnados por 2-0. Desde então, nos jogos em casa para a Liga, o FC Porto vem acumulando zeros nas suas redes, a ponto de, com contributo de Fabiano, Helton e Casillas, somar já 1385 minutos de jogo sem sofrer golos. Está a 196 minutos da série estabelecida por Vítor Baía e Cândido de Janeiro a Dezembro de 1994. Foram na altura 1581 minutos sem sofrer golos em casa para a Liga.   - O FC Porto continua também sem perder esta época. Já lá vão 13 jogos, com nove vitórias e quatro empates, ainda a cinco partidas de igualar o arranque da equipa de Vítor Pereira, que em 2012/13 esteve 18 jogos sem perder até ser eliminado pelo Sp. Braga da Taça da Portugal (2-1), a 30 de Novembro.   - O V. Setúbal só perdeu uma vez nas primeiras nove jornadas (frente ao Marítimo, por 5-2, à quarta) e soma já 14 pontos, que fazem deste o melhor arranque de época sadino desde 2007. Por esta altura, a equipa de Carlos Carvalhal ainda não tinha perdido e somava 15 pontos, tendo acabado essa Liga em sexto lugar.   - Além disso, os sadinos não sofrem golos na Liga há 314 minutos, desde o tento de Rui Correia no empate (1-1) na Choupana com o Nacional. Desde então ganharam por 1-0 ao Estoril, por 2-0 ao Moreirense e empataram a zero com o Arouca. Esta série é a maior desde uma estabelecida em Fevereiro e Março de 2013, quando a equipa dirigida por José Mota esteve 343 minutos sem sofrer golos, entre um 0-3 frente ao Benfica na Luz (último golo de Rodrigo, aos 56’) e um 0-2 em Paços de Ferreira (golo inaugural de Cícero aos 39’). Pelo meio a baliza ficou virgem nas vitórias frente a Gil Vicente, Olhanense e Beira Mar, todas por 1-0.   - Ricardo, o guarda-redes do V. Setúbal que tem estado na baliza na série em curso, não poderá jogar, pois está emprestado pelo FC Porto. Já na altura da anterior série o guarda-redes tinha ligação aos dragões: era Kieszek, que assinara pelo V. Setúbal depois de cumprir um ano de empréstimo no Roda (Holanda).   - O portista Herrera estreou-se na Liga portuguesa contra o V. Setúbal, lançado por Paulo Fonseca a 9 minutos do fim da vitória por 3-1 no Bonfim, a 18 de Agosto de 2013.   - Julen Lopetegui e Quim Machado vão defrontar-se pela primeira vez na história. O treinador do FC Porto ganhou os dois jogos que fez contra o V. Setúbal (4-0 e 2-0 na época passada, pelo FC Porto). Já Quim Machado conseguiu empatar com os dragões ao serviço do Feirense (0-0, em Setembro de 2011), mas foi depois perder ao FC Porto por 2-0 (em Fevereiro de 2012).   - Ao 14º jogo na Liga, o jovem Tiago Martins ainda não viu uma equipa ganhar fora de casa: nos 13 anteriores verificaram-se oito vitórias caseiras e cinco empates. O juiz lisboeta, de 35 anos, vai estrear-se a apitar o FC Porto, mas no currículo já tem uma partida de um grande, pois esteve no Benfica-Estoril da primeira jornada (4-0 para os encarnados). O V. Setúbal fez dois jogos com ele sem ganhar (empate em casa com o V. Guimarães, já esta época, e derrota fora com o Moreirense, na anterior).
2015-11-07
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Em tempos, fazia-se carreira no jornalismo através da bajulação. Era simples: sempre que alguém vivia uma tarde ou noite desastrosa, começava-se a análise com um ponto prévio do tipo “fulano é um extraordinário jogador, mas…” Não gosto de insultar a inteligência de quem faz o favor de me ler e por isso mesmo nunca fui por esse caminho – se escrevo sobre alguém é porque esse alguém já terá feito algo de notável, merecendo por isso a atenção de todos nós. Mesmo que no dia em apreço possa ter estado pior do que habitualmente. E agora que acho que já nos entendemos acerca das regras de convivência acerca de arbitragem para partilharmos este espaço, podemos seguir em frente e definir bem o que se analisa aqui. Não são pessoas! São situações. Quem aqui passa com alguma regularidade já sabe que não vai ler explicações de jogo baseadas em erros de arbitragem. Esse é o caminho mais fácil e, sobretudo, nunca será consensual se quisermos alargar a abrangência. Prefiro sempre colocar o foco naquilo que pode ser debatido com um mínimo de elevação. Já vai sendo altura de chegarmos a acordo acerca de outra coisa. É que não acredito em homens providenciais, em gente que faz sempre tudo bem. Nem em asnos completos, daqueles que fazem sempre tudo mal. Entre os que me dizem “a culpa disto é toda tua!” e os que chegam a comparar o tempo que levo a escrever quando ganha um clube com o tempo que demoro quando ganha outro, aquilo que mais vou lendo por aqui ou que me dizem os que me abordam nos estádios é: “você uma vez disse mal de fulano e agora diz bem!”. Como se isso fosse estranho... Já fiz avaliações positivas a Jorge Jesus, pela forma como mudou o futebol do Benfica ou como preparou os dois jogos com os encarnados esta época e colocou o Sporting na liderança do campeonato. Mas também lhe fiz avaliações negativas, quando geriu mal as substituições em Moscovo ou falhou na motivação dos jogadores que colocou em campo na Liga Europa. Rui Vitória? Já o elogiei quando teve a coragem de apostar em jovens jogadores que se afirmaram, como Nélson Semedo ou Gonçalo Guedes, como o contestei quando essas apostas me parecem pouco criteriosas, como a feita em Clésio. Como antes lhe tinha elogiado o arranque de época que tinha feito em Guimarães, com vários miúdos da equipa B, e criticado a frase alusiva ao Ferrari e ao Fiat 600, que veio tirar exigência à equipa e esteve na génese de uma segunda metade de época menos conseguida. Julen Lopetegui? Já escrevi e disse que construiu uma equipa rotinada, que tem uma ideia de jogo consistente, mas também que a rotatividade que impôs à equipa na época passada atrasou a construção de um onze e que falha na motivação dos seus jogadores para partidas frente a adversários mais modestos da Liga portuguesa. E podia continuar a dar exemplos, porque, repito, não acredito na existência de homens providenciais, daqueles que nunca falham. É aqui chegados que me dizem outras duas coisas. Que analisar é fácil e tomar decisões é difícil. E que elogio muitas vezes os que ganham e critico os que perdem. Pois bem, eis aquilo em que acredito. Acredito que cada um está para o que está. Que os jornalistas fazem jornalismo, os jogadores jogam, os treinadores treinam e os adeptos batem palmas. E que, por isso mesmo, quem quer ler análises que digam sempre bem ou sempre mal – quer os analisados façam o seu trabalho com competência ou sem ela – deve ficar-se pelas páginas de adeptos ou ver os das suas cores nos programas televisivos. Eu prefiro pensar. É uma mania que tenho.
2015-11-06
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O FC Porto desloca-se à Choupana para defrontar o União da Madeira na tentativa de contrariar aquilo a que já pode chamar-se a “maldição da Madeira”. Já lá vão seis jogos no Funchal sem uma vitória azul e branca: três derrotas e um empate com o Marítimo, a que acrescem uma derrota e um empate com o Nacional. A última vitória portista na Madeira aconteceu precisamente na Choupana, a 4 de Maio de 2013, há quase dois anos e meio. O adversário era o dono da casa, o Nacional, e os portistas, ainda comandados por Vítor Pereira, chegaram aos 3-0 em 22 minutos, fruto de golos de James, Mangala e Lucho González (este de grande penalidade). O Nacional ainda reduziu, num penalti de Candeias, mas o resultado ficou pelos 3-1 que, somados ao empate do Benfica em casa ante o Estoril, dois dias depois, permitiu que o golo de Kelvin no clássico da semana seguinte redundasse na ultrapassagem na tabela e na revalidação do título pelos azuis e brancos. Dos 14 portistas que jogaram nesse dia na Choupana, só restam no plantel Helton e Varela, que nem deverão ser titulares frente ao U. Madeira. Depois dessa vitória, nunca mais o FC Porto ganhou na Madeira. Em 2013/14 perdeu os dois jogos ali feitos: 1-0 com o Marítimo e 2-1 com o Nacional. Na época passada, já com Lopetegui aos comandos, foi lá três vezes, mas o melhor que conseguiu foi um empate na Choupana, face ao Nacional (1-1, horas depois de o Benfica ter perdido com o Rio Ave em Vila do Conde, a revelar hesitação no ataque ao título nacional). Com o Marítimo, perdeu as duas vezes: 1-0 para a Liga e 2-1 na meia-final da Taça da Liga, o que transforma a Madeira na ilha maldita na luta do treinador basco pelos títulos. A completar o rol, esta época o FC Porto já foi à Madeira, para jogar com o Marítimo, mas veio de lá com um empate (1-1).   - Luís Norton de Matos, treinador do U. Madeira, só defrontou o FC Porto uma vez no banco, num jogo que fez dez anos na quinta-feira. Foi a 29 de Outubro de 2005 que o V. Setúbal de Norton foi ao Dragão empatar a zero com o FC Porto de Co Adriaanse, em jogo que abriu a nona jornada da Liga.   - O FC Porto não sofre golos há 405 minutos, desde o livre de Willian (Chelsea), no Dragão, à beira do intervalo do jogo da Liga dos Campeões. Depois disso, ganhou por 4-0 ao Belenenses, por 2-0 ao Varzim e ao Maccabi Tel-Aviv e empatou a zero com o Sp. Braga. É a melhor série de imbatibilidade desde os 591 minutos sem sofrer golos registados em Fevereiro e Março, entre o golo de Derlis González em Basileia e o de Wagner (Nacional) na Choupana.   - Os Dragões vão ainda tentar esticar para 13 o número de jogos sem derrota no arranque da época. Os doze que já conseguiram (oito vitórias e quatro empates) superam os 11 da época passada (derrota com o Sporting, por 3-1, na Taça de Portugal, ao 12º jogo) e os oito de 2103/14 (derrota com o Atl. Madrid, por 2-1, na Champions). Em 2012/13, a equipa de Vítor Pereira esteve 18 jogos sem perder até à derrota com o Sp. Braga, na Taça de Portugal (2-1), a 30 de Novembro.   - Em contrapartida, o U. Madeira segue com duas derrotas seguidas na Liga: 1-0 no Restelo com o Belenenses e 2-1 no Estoril. Na época passada perdeu três jogos seguidos de campeonato (Leixões, Feirense e Sp. Covilhã) entre Dezembro e Janeiro.   - O empate a zero com o Sp. Braga foi o primeiro jogo da época em que o FC Porto não fez golos. Pela lógica, vai fazer pelo menos um na Madeira, pois desde Novembro de 2011 que a equipa portista não fica duas vezes seguidas em branco. A última vez aconteceu quando ao empate frente ao Olhanense se seguiu a derrota por 3-0 com a Académica, que custou a eliminação da Taça de Portugal.   -O veterano Miguel Fidalgo sabe bem o que é marcar golos ao FC Porto, pois já o fez por três vezes, com a camisola do Nacional. Nos jogos em que marcou, ganhou dois (4-0 no Dragão em Março de 2005 e 2-1 na Choupana em Janeiro de 2009), tendo perdido o outro (4-2, também em Janeiro de 2009).   - O U. Madeira nunca ganhou ao FC Porto e o máximo que conseguiu foram dois empates, nas três últimas visitas dos dragões ao arquipélago para o defrontar: um 0-0 em Fevereiro de 1995 e um 2-2 em Abril de 1992. Neste, o União esteve mesmo a ganhar por 2-0, fruto de golos de Jairo e Horácio, mas o FC Porto chegou ao empate através de Rui Filipe e Vlk.   - O último confronto entre as duas equipas aconteceu em Janeiro, para a Taça da Liga, no Dragão. O FC Porto ganhou por 3-1, com golos de Quintero, Quaresma e Evandro, tendo Élio Martins marcado pelos insulares.   - Bruno Paixão não dirige um jogo do FC Porto na Liga desde Janeiro de 2012, quando os dragões foram perder a Barcelos (3-1), com ele a apitar. Nesse jogo, Paixão assinalou um penalti contra os azuis e brancos, por mão de Otamendi na área. Ao todo, o FC Porto perdeu três e empatou quatro dos 18 jogos na Liga com Bruno Paixão, apresentando a mais baixa percentagem de vitórias dos três grandes: 61%, contra 71% do Benfica e 76% do Sporting.
2015-10-30
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- O FC Porto voltou a não sofrer golos em casa em jogos da Liga. Já lá vão 1385 minutos de jogo desde a última vez que algum adversário ali marcou um golo em desafios de campeonato. O último foi Lima (Benfica), a 14 de Dezembro do ano passado. Casillas, Fabiano e Helton estão ainda a perseguir a série de 1581 minutos seguidos sem sofrer golos em casa obtida por Vítor Baía e Cândido entre um golo de Hermê (nos 4-1 ao União da Madeira, a 5 de Janeiro de 1994) e outro de Figo (no empate a uma bola com o Sporting, a 11 de Dezembro do mesmo ano).   - O FC Porto ficou-se pelas 20 vitórias caseiras consecutivas, vendo a série estancar a quatro do recorde de Artur Jorge, estabelecido entre Novembro de 1984 e Dezembro de 1985. Desde a derrota (0-2) com o Benfica, a 14 de Dezembro do ano passado, os dragões tinham ganho todos os jogos feitos no seu estádio.   - O Sp. Braga vai com oito jogos seguidos sem perder, desde que foi batido pelo Estoril (1-0), a 12 de Setembro. Está, ainda assim, a dois jogos de igualar a melhor série da época passada, que foi de dez partidas, entre duas derrotas por 2-1, frente ao FC Porto (a 5 de Outubro) e ao União da Madeira (a 28 de Dezembro).   - Perdida a série de vitórias consecutivas, o FC Porto consegue, ainda assim, o arranque de época com maior série de invencibilidade desde 2012/13, quando perdeu a primeira vez à 19ª partida, uma deslocação a Braga, para a Taça de Portugal (com eliminação após derrota por 2-1), a 30 de Novembro. Desta vez, o FC Porto já evitou a derrota nas primeiras 12 partidas. E na verdade não perde há 17 jogos, desde o 6-1 de Munique, a 21 de Abril. Esta é também a maior série de jogos sem perder de Lopetegui e a maior desde os 25 jogos seguidos sem derrota experimentados entre o 2-3 frente ao Benfica, para a Taça da Liga, a 20 de Março de 2012, e o tal 2-1 em Braga, a 20 de Novembro do mesmo ano.   - Paulo Fonseca conseguiu pela primeira vez não perder um jogo com o FC Porto. Até aqui, ao serviço de Paços de Ferreira (quatro vezes) e Pinhalnovense (uma), somava cinco derrotas em cinco tentativas, com zero golos marcados e 12 sofridos. Voltou a não marcar golos, mas fez um ponto.   - Kritciuk não sofre um golo desde 21 de Setembro, somando já 322 minutos de imbatibilidade. O último a marcar-lhe foi o brasileiro Dyego Souza (Marítimo), na vitória bracarense por 5-1. É neste momento o guarda-redes há mais tempo sem sofrer golos na Liga.
2015-10-26
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O Sp. Braga é a ameaça que se segue aos dois recordes que o FC Porto está a tentar estabelecer. A equipa de Julen Lopetegui segue com 1295 minutos sem sofrer golos no Dragão em partidas da Liga, mas os bracarenses marcaram ali em seis dos últimos sete campeonatos. Além disso, os dragões ganharam os últimos 20 jogos em casa e o Sp. Braga vem com uma série de sete jogos sem derrota. O último jogador a fazer um golo ao FC Porto no Dragão em jogos da Liga foi Lima, na altura ainda benfiquista, na vitória por 2-0 que os encarnados ali obtiveram, a 14 de Dezembro de 2014. Desde então, todos os adversários que subiram ao relvado do Dragão de lá saíram sem festejar sequer um golo. São, por isso, já 1295 minutos consecutivos de Helton, Fabiano e Casillas sem sofrer golos no Dragão para a Liga portuguesa, a 286 minutos (pouco mais de três jogos) da marca estabelecida por Vítor Baía e Cândido entre um golo de Hermé (nos 4-1 ao U. Madeira, a 5 de Janeiro de 1994) e outro de Figo (no 1-1 com o Sporting, a 11 de Dezembro do mesmo ano). Foram na altura 1581 minutos seguidos sem sofrer golos em casa em jogos do campeonato nacional. Isso quer dizer que para lá chegar a defesa comandada por Casillas tem de manter o zero frente a Sp. Braga, V. Setúbal, P. Ferreira e parte do jogo com a Académica, a 20 de Dezembro. A questão é que o Sp. Braga criou uma tradição recente de fazer golos no Dragão, onde nas últimas sete temporadas só por uma vez ficou em branco (2-0 em 2013/14). Zé Luís marcou na época passada (2-1 para o FC Porto); Alan em 2012/13 (3-1 no placar final); Lima (esse mesmo!) bisou em 2011/12 (3-2 para os dragões) e já tinha marcado, juntamente com Luís Aguiar, em 2010/11 (ainda 3-2 para os dragões); Alan também marcara em 2009/10 (5-1 para o FC Porto) e Edimar fizera o tento bracarense no empate (1-1) de 2008/09. Reparará o leitor que, marcando quase sempre no Dragão, o Sp. Braga também tem por hábito perder os jogos que ali faz. Ora isso pode ajudar ao outro objetivo portista que, combinando todas as competições, segue com 20 vitórias seguidas em casa, também desde a tal derrota com o Benfica (0-2), a 14 de Dezembro de 2014. Lopetegui já ultrapassou a melhor série de José Mourinho (que eram 19 vitórias) e segue agora em busca do recorde do clube, que são 24 sucessos de enfiada, conseguidos pela equipa de Artur Jorge entre Novembro de 1984 e Dezembro de 1985. O problema é que para continuar nesta perseguição, o FC Porto precisa de anular um objetivo do Sp. Braga, que vem com uma série de sete jogos sem derrota, desde que perdeu no Estoril (1-0), a 12 de Setembro, e quererá manter-se na perseguição às dez partidas seguidas sem perder conseguidas por Sérgio Conceição na época passada, entre duas derrotas por 2-1, com o FC Porto no Dragão (5 de Outubro) e com a U. Madeira na Ribeira Brava, para a Taça da Liga (28 de Dezembro).   - Regresso de Paulo Fonseca ao Dragão, onde na época passada foi goleado por 5-0, na liderança do Paços de Ferreira. Aliás, sempre que defrontou o FC Porto como treinador, o atual técnico bracarense perdeu e nunca fez um golo. Pelo Paços de Ferreira, saiu derrotado por 5-0 no Dragão e por 1-0 na Capital do Móvel na época passada, como tinha saído com dois desaires por 2-0 nos desafios com os portistas em 2012/13, antes de ir parar ao FC Porto. Na estreia no Dragão, pelo Pinhalnovense, tinha perdido pelo mesmo 2-0, em Janeiro de 2011.   - O FC Porto venceu os últimos seis jogos em casa com o Sp. Braga. A última vez que o Sp. Braga pontuou no Dragão foi a 24 de Maio de 2009, num empate a uma bola: Farías adiantou os da casa, Edimar estabeleceu o empate final. Nesse dia, pelo FC Porto de Jesualdo Ferreira jogaram Helton e Cissokho, que ainda fazem parte do atual plantel, enquanto na equipa do Sp. Braga de Jorge Jesus estava Alan.   - O último treinador portista a não ganhar ao Sp. Braga no Dragão foi também o último a ir ali vencer com a equipa minhota. Trata-se de Jesualdo Ferreira, que a 30 de Janeiro de 2005 levou o Sp. Braga a impor-se por 3-1 aos dragões de Victor Fernández. João Tomás, com dois golos, foi a figura do jogo. Marcaram ainda Diego, pelo FC Porto, e Wender, pelos bracarenses.   - O último troféu nacional ganho pelo Sp. Braga foi obtido numa final frente ao FC Porto. Foi a Taça da Liga de 2012/13, vencida (1-0) em Coimbra a 13 de Abril de 2013, com um golo de Alan. O FC Porto também tem várias histórias felizes em jogos com o Sp. Braga. Há a vitória na final da Liga Europa de 2010/11 (1-0), com um golo de Falcao, em Dublin, a 18 de Maio de 2011. E há ainda a interrupção do jejum de 19 anos de campeonatos, a 9 de Junho de 1978, graças a uma vitória por 4-0 nas Antas frente aos bracarenses (dois golos de Gomes, um de Oliveira e outro de Octávio), garantindo o título em igualdade pontual com o Benfica.   - Soares Dias esteve na última derrota do Sp. Braga, no Estoril, tendo na ocasião expulsado dois jogadores arsenalistas: Mauro e Boly. Aliás, o Sp. Braga perdeu os últimos quatro jogos que fez com ele como visitante na Liga (Nacional, Sporting, Benfica e Estoril). O FC Porto, em contrapartida, ganhou sempre com este árbitro em casa, tendo em todo o seu historial com ele apenas um empate (no Estoril) e uma derrota (na Luz) contra 12 vitórias.
2015-10-25
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O FC Porto procurará obter contra o Maccabi Tel Aviv, de Israel, a 20ª vitória consecutiva em casa, superando a melhora marca das equipas de José Mourinho, que segue em 19 sucessos de enfiada. Se o conseguir, continuará a caminho de igualar o recorde da equipa de Artur Jorge, que venceu 24 desafios seguidos, entre Novembro de 1984 e Dezembro de 1985. A última vez que os portistas não ganharam no Dragão foi quando receberam o Benfica, em jogo da última Liga portuguesa. Dois golos de Lima, a 14 de Dezembro de 2014, valeram um 2-0 aos encarnados e atrasaram os portistas na tabela, mas estes aproveitaram o momento para iniciar uma longa série de vitórias no Dragão. Em todas as competições, por ali passaram e foram batidos, entretanto, o V. Setúbal (4-0), o Belenenses (3-0), o U. Madeira (3-1), a Académica (4-1), o Paços de Ferreira (5-0), o V. Guimarães (1-0), o Sporting (3-0), o Basel (4-0), o Arouca (1-0), o Estoril (5-0), o Bayern (3-1), a Académica (1-0), o Gil Vicente (2-0), o Penafiel (2-0) e, já na presente época, o V. Guimarães (3-0), o Estoril (2-0), o Benfica (1-0), o Chelsea (2-1) e o Belenenses (4-0). Ao todo, 19 jogos sempre com vitória em casa. A série atual já iguala a melhor das equipas de José Mourinho, também ela estabelecida em 19 jogos entre uma derrota com o Real Madrid (1-3, a 1 de Outubro de 2003) e um empate com o Deportivo da Corunha (0-0, a 21 de Abril de 2004). Durante essa série, os portistas fizeram boa parte da caminhada que os levou à vitória na Liga dos Campeões de 2004. Se ganharem ao Maccabi, os jogadores de Julen Lopetegui deixam para trás a marca de Mourinho e centram-se numa outra, estabelecida pela equipa de Artur Jorge, mas bem antes da caminhada que a levou à vitória na Taça dos Campeões Europeus de 1987. Entre um empate a zero com o Sporting, a 25 de Novembro de 1984 e outro nulo sem golos com o Benfica, a 4 de Dezembro de 1985, o FC Porto esteve 24 jogos seguidos sempre a ganhar nas Antas. Essa série só teve dois jogos europeus (Ajax e Barcelona, derrotados por 2-0 e 3-1), mas por lá passaram o Sporting e o Benfica, este derrotado por três vezes. - O FC Porto está também numa série muito positiva (onze jogos sem derrota) de resultados em casa para as competições europeias. O Chelsea foi recentemente batido no Dragão, tal como o tinham sido o Bayern e o Basileia, na reta final da época passada. A última equipa estrangeira a empatar ali foi o Shakthar Donetsk (1-1, a 10 de Dezembro do ano passado), sendo que ninguém ali ganha desde que o Zenit o fez, por 1-0, a 22 de Outubro de 2013. Faz dois anos na quinta-feira.   - Os dragões nunca defrontaram uma equipa de Israel nas provas da UEFA, mas o Maccabi já teve pela frente um adversário português. Ganhou por 1-0 ao Boavista na primeira mão da primeira eliminatória da Taça UEFA de 2002/03, num jogo que foi disputado em Sofia, na Bulgária, mas depois perderam por 4-1 no Bessa, graças a golos de Strul (própria baliza), Jocivalter (dois) e Serginho Baiano, aos quais respondeu Torjman.   - Sendo verdade que só uma equipa israelita eliminou uma portuguesa em confronto direto, também é certo que as últimas visitas de israelitas a Portugal têm acabado mal para os lusos. O Hapoel Ramat Gan empatou a zero no Estoril em 2013, o Hapoel Tel Aviv empatou com a Académica (1-1) em Coimbra em 2012 e perdeu na Luz com o Benfica (2-0) em 2010, o Bnei Yehuda ganhou (1-0) ao Paços de Ferreira e o Maccabi Netanya empatou a zero com a U. Leiria em 2007. Antes disso, sim, só vitórias portuguesas: além dos 4-1 do Boavista ao Maccabi Tel Aviv (2002), há um 6-0 do Benfica ao Beitar Jerusalem em 1998, um 3-0 do Sporting ao mesmo Beitar em 1997 e um 4-0 do Sporting ao Maccabi Haifa em 1995.   - Eran Zahavi marcou nos últimos dois jogos do Maccabi. Fez o terceiro e o quinto golos dos 5-0 com que os campeões de Israel ganharam ao Hapoel Acre e marcou de penalti o golo da vitória (2-1) no terreno do Maccabi Petah Tivka, antes da expulsão do guarda-redes Lifshitz ter forçado Bem Haim a acabar o jogo na baliza. Zahavi já tinha marcado dois golos na vitória do Hapoel Tel Aviv sobre o Benfica (3-0) na Liga dos Campeões de 2010/11.   - Vincent Aboubakar, o melhor marcador do FC Porto nesta edição da Champions (fez dois golos no empate em Kiev) segue com quatro jogos consecutivos sem marcar (Benfica, Moreirense, Chelsea e Belenenses). Já é a sua mais longa seca com a camisola portista, sendo que no Lorient esteve seis jogos seguidos sem marcar, entre o início de Fevereiro e o final de Março de 2014.
2015-10-19
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Último Passe

Os resultados largos com que FC Porto e Sporting despacharam os históricos Belenenses e V. Guimarães permitiram que as duas equipas mantivessem a liderança conjunta da Liga mas foram bem diferentes entre si. Acusando o desgaste da épica jornada europeia contra o Chelsea, os dragões fizeram um jogo menos intenso e acabaram por valer-se da inspiração individual dos seus dois extremos, Corona e Brahimi, para desmontar a longa resistência do autocarro azul. Mais tarde, mudando cinco titulares em relação ao empate de Istambul, que até tinha sido dois dias depois, o Sporting voltou ao jogo pressionante e rápido que chegou a mostrar no início da temporada e desde cedo reduziu a escombros a resistência de um Vitória que quis jogar no campo todo. Os dois jogos permitiram ainda que os treinadores provassem razão em duas das suas mais contestadas opções. Lopetegui tirou rendimentos da obsessão pelo jogo pelas faixas laterais, por onde criou os lances que desbloquearam o resultado: Brahimi furou pela esquerda antes de servir Corona com talento para o 1-0; Maxi cruzou na direita para Brahimi fazer o 2-0 e Tello arrancou igualmente pela direita antes de dar o 3-0 a Osvaldo. Marcano ainda fez o último golo da noite numa bola parada. Por sua vez, Jesus mostrou que a opção de fazer repousar parte dos titulares na Liga Europa deu rendimento: aliada a um maior aproveitamento das ocasiões criadas, a capacidade de pressão e recuperação de bola ainda bem no meio-campo adversário permitiu que os leões cedo chegassem aos dois golos de vantagem e partissem daí para a melhor exibição coletiva da época. Depois de João Mário dar o 1-0 a Slimani, Gutierrez aproveitou uma oferta do adversário para dobrar a vantagem; na segunda parte Jefferson fez três assistências para golos de Slimani (dois) e Adrien antes de Josué reduzir para os 5-1 que se verificaram no final. É verdade que a essa subida de rendimento dos leões não é alheia a presença de João Mário no corredor direito ou a subida de forma de William. O médio centro recentemente regressado de lesão dá outra dimensão ao meio-jogo leonino e o jovem convertido em extremo, melhor na tomada de decisão e na capacidade de transformar o jogo em esforço coletivo que todas as alternativas anteriormente testadas para a vaga de Carrillo, permite que os leões liguem melhor os setores e até sejam mais rápidos – porque deixa de haver tanto raide individual com o resto da equipa na expectativa. É que a capacidade de iluminar individualmente o jogo de uma equipa não depende apenas da criatividade ou da capacidade de drible, como tão bem o mostraram Corona e Brahimi no FC Porto. Eles têm tudo: a criatividade, a capacidade de drible, a rapidez de execução, mas sobretudo a inteligência na tomada de decisão que lhes advém de uma maior experiência que já foram adquirindo. Por isso foram investimentos pesados e não são projetos mas sim jogadores feitos.
2015-10-04
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Ricardo Sá Pinto, atual treinador do Belenenses, tem muito boas recordações do FC Porto. Começou a carreira nos iniciados do clube azul-e-branco, antes de se mudar e de se revelar no Salgueiros, e foi nas Antas que marcou o primeiro golo da sua carreira profissional, batendo Vítor Baía, já o guarda-redes da seleção. Depois disso, como jogador, esteve 12 anos sem perder nas Antas e no Dragão. Só como treinador foi infeliz na visita ao FC Porto: perdeu o único jogo que lá fez e acabou com oito jogadores. A promoção dos juniores aos seniores do Salgueiros aconteceu no final da época de 1991/92, mas a estreia na Liga Sá Pinto só a fez a 22 de Agosto de 1992, numa derrota em Faro, contra o Farense, por 2-0. Ao quinto jogo na Liga, fez o primeiro golo. Palco? O Estádio das Antas, a 20 de Setembro de 1992: Sá Pinto desfeiteou Vítor Baía, a estabelecer o momentâneo empate a um golo, mas o FC Porto acabou por vencer esse jogo por 4-1. Foi a primeira derrota naquele estádio, sendo que a segunda surgiu no e meio depois: 1-0 na última vez que lá jogou pelo Salgueiros, antes de se mudar para o Sporting. Ora no Sporting, Sá Pinto nunca perdeu nas Antas nem no Dragão. Foi batido em finais, em jogos em campo neutro, chegou a perder em Alvalade ou a ver a sua equipa perder com ele lesionado. Mas com ele em campo, o saldo é excelente: uma vitória (2-1 para a Liga, em Março de 1997) e quatro empates, todos a um golo, entre Dezembro de 1994 e a última vez que lá jogou, em Março de 2006. Este jogo, da meia-final da Taça de Portugal, foi, aliás, o mais parecido com uma derrota para Sá Pinto no Dragão, pois os portistas acabaram por se impor nas grandes penalidades. Já sem ele em campo, pois saiu no início do prolongamento, para dar lugar a Tello. Como treinador, Sá Pinto só defrontou o FC Porto uma vez. Foi a 5 de Maio de 2012, na liderança do Sporting, e perdeu por 2-0 no Dragão, com bis de Hulk nos últimos dez minutos de um jogo que os leões acabaram com oito homens, devido às expulsões de Onyewu e Polga e a uma lesão de Pereirinha quando o técnico já tinha esgotado as substituições. O segundo confronto esteve para acontecer, mas foi evitado pela demissão do treinador após a derrota na Hungria contra o Videoton, por 3-0. Três dias depois já foi Oceano Cruz quem conduziu a equipa ao Dragão. Para nova derrota por 2-0.   - O FC Porto ganhou os derradeiros 18 jogos em casa. A última equipa a não perder no Dragão foi o Benfica, que ali venceu por 2-0 a 14 de Dezembro de 2014 e desde então já por lá voltou a passar, o mesmo tendo sucedido com Bayern, Chelsea ou Sporting, só para citar os mais fortes adversários. Se ganharem ao Belenenses, os dragões elevam a série de vitórias consecutivas no seu estádio, algo que não conseguiam desde 2003/04, quando estiveram exatamente 19 jogos seguidos a ganhar em casa, entre uma derrota com o Real Madrid (1-3, a 1 de Outubro de 2003) e um empate com o Deportivo da Corunha (0-0, a 21 de Abril de 2004).   - Essa derrota com o Benfica foi também a última vez que o FC Porto sofreu golos no Dragão em partidas da Liga portuguesa – desde então, o zero nas redes azuis e brancas tem sido a regra. Já lá vão 13 jogos inteiros desde o último golo ali marcado por um adversário no campeonato: Lima. São ao todo 1205 minutos, em nome de Fabiano, Helton e Casillas, mas ainda assim aquém dos 1384 minutos consecutivos de imbatibilidade conseguidos por Zé Beto e Vítor Baía entre Outubro de 1988 e Maio de 1989.   - Os 13 golos sofridos pelo Belenenses à sexta jornada são o pior arranque defensivo dos azuis na Liga desde Outubro de 1987, quando chegaram a esta ronda com 14 bolas nas redes (e com elevado contributo dos 7-1 que encaixaram nas Antas, frente ao FC Porto). As coisas nessa época recompuseram-se e a equipa acabou a Liga em terceiro lugar, com a sexta melhor defesa (38 golos em 38 jogos).   - Lopetegui não terá as melhores recordações do Belenenses, pois foi frente aos azuis, no Restelo, que perdeu as esperanças matemáticas de ser campeão nacional da época passada. O empate a uma bola ali obtido significou que o Benfica se sagrou campeão à 33ª jornada, com outro empate, em Guimarães.   - O Belenenses nunca ganhou no Dragão e a última vez que o fez nas Antas foi em Outubro de 2001, vai fazer 14 anos. Filgueira e Zé Afonso marcaram então para os do Restelo, tendo Pena reduzido para os azuis e brancos. Desde essa vitória conseguiu três empates no terreno do FC Porto. Dirigiram essas equipas João Carlos Pereira, Jorge Jesus e Marinho Peres – dois deles passaram pelo banco do Sporting, como Ricardo Sá Pinto.   - As maiores vitórias do Belenenses no terreno do FC Porto foram por quatro golos: 6-2 em 1944/45 e 4-0 em 1974/75. Nesta última vitória estiveram dois jogadores que viriam a ser bicampeões pelo FC Porto em 1978 e 1979: Freitas e González.   - Varela estreou-se na Liga portuguesa contra o Belenenses, lançado por José Peseiro para o lugar de Deivid a 11 minutos do final de uma vitória do Sporting sobre os azuis, em Alvalade, a 19 de Agosto de 2005.   - Ventura, o guarda-redes do Belenenses, foi bicampeão nacional pelo FC Porto em 2007/08 e 2008/09, jogando apenas uma partida em cada edição da Liga.   - André Sousa, médio do Belenenses que fez o primeiro golo no empate em Arouca, na semana passada, estreou-se na Liga no Dragão, lançado por Ulisses Morais numa derrota por 4-0 frente ao FC Porto., a 22 de Setembro de 2012.   - O jogo marca o regresso ao Dragão do árbitro Jorge Ferreira, que ali expulsou Maicon no empate (0-0) do FC Porto com o Boavista, em Setembro de 2014. O FC Porto ganhou os outros dois jogos que fez com este árbitro na Liga (5-2 ao Rio Ave e 3-0 ao Marítimo), ao passo que o Belenenses ainda está para conseguir vencer com ele: soma um empate e uma derrota, esta em casa com o Benfica.    
2015-10-03
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Último Passe

A vitória do FC Porto sobre o Chelsea e sobretudo a exibição superlativa da equipa portuguesa, que encostou o campeão inglês às cordas em várias alturas do jogo, vieram confirmar a razão de Julen Lopetegui na construção do FC Porto dos quatro médios como melhor forma de abordar jogos de elevado grau de dificuldade, como serão os da Liga dos Campeões. Aliás, essa é uma teoria que vem dos tempos de José Mourinho, que trocou o 4x3x3 da equipa que ganhou a Taça UEFA de 2003 pelo 4x4x2 com meio-campo em losango com que haveria de vencer a Champions de 2004. Contando com a inteligência que André André empresta à equipa na dupla missão de quarto médio e terceiro avançado – está encontrado um titular no meio-campo para os dois jogos da seleção em Outubro – a equipa já consegue meter gente na área quando tem a bola no ataque e ao mesmo tempo cria condições para ser defensivamente asfixiante na pressão quando a perde. É verdade que sofre quando o adversário consegue instalar-se no seu meio-campo, mas o jogo acabou por ser uma lição para os que torceram o nariz ao onze inicial apresentado pelo espanhol. É verdade que o FC Porto começou por depender de um par de intervenções de Casillas naquilo em que ele é melhor – a mancha, o jogo entre os postes – antes de se adiantar no marcador, em mais um golo decisivo de André André. Mas aquilo que fez na segunda parte, depois de Willian empatar e de Maicon marcar o 2-1, foi uma demonstração de classe internacional, muito às custas do rendimento de um meio-campo onde, como sempre me pareceu evidente, não faz falta nenhuma um número 10 desde que os dois oitos joguem como sabem. Importa pouco que este Chelsea seja um pesadelo de comportamentos defensivos (as bolas paradas, então, nem parecem de uma equipa de Mourinho). A verdade é que, além de dar mais lastro a Lopetegui na sua construção da equipa, o sucesso do FC Porto conjugado com a vitória do Dynamo Kiev em Israel deixa os portistas de cadeirinha à espera que o Chelsea faça o que têm de fazer no duplo confronto com os ucranianos que aí vem nas jornadas 3 e 4. Isto, claro, desde que nos dois jogos contra o Maccabi a equipa portuguesa não volte a cair no pecado da soberba que já lhe custou pelo menos dois resultados perto do final dos jogos esta época. É isso que falta afinar.
2015-09-29
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Stats

O FC Porto-Chelsea será um teste à forma caseira da equipa de Julen Lopetegui. Os dragões ganharam os últimos 17 jogos oficiais em casa, série iniciada a 19 de Dezembro do ano passado, com uma vitória por 4-0 frente ao V. Setúbal. A última equipa a não perder no Dragão foi o Benfica, que ali ganhou por 2-0, para a Liga portuguesa, a 14 de Dezembro de 2014. E para se encontrar uma série mais longa de vitórias portistas em casa é preciso recuar até 2004, quando a equipa azul e branca era liderada por um certo José Mourinho. Depois dessa derrota com o Benfica, os dragões ganharam sucessivamente no Dragão a V. Setúbal (4-0, Liga), Belenenses (3-0, Liga), U. Madeira (3-1, para a Taça da Liga), Académica (4-1, Taça da Liga), Paços de Ferreira (5-0, Liga), V. Guimarães (1-0, Liga), Sporting (3-0, Liga), Basel (4-0, Champions), Arouca (1-0, Liga), Estoril (5-0, Liga), Bayern Munique (3-1, Champions), Académica (1-0, Liga), Gil Vicente (2-0, Liga), Penafiel (2-0, Liga), V. Guimarães (3-0, Liga), Estoril (2-0, Liga) e Benfica (1-0, Liga). São, ao todo, 17 vitórias consecutivas, algo que o FC Porto não conseguia desde 2003/04. Nessa altura, a equipa comandada por José Mourinho conseguiu estender a série de vitórias caseiras a 19 jogos, entre a derrota com o Real Madrid (1-3 para a Liga dos Campeões, a 1 de Outubro de 2003) e o empate com o Deportivo da Corunha (0-0 nas meias-finais da mesma prova, a 21 de Abril de 2004. Pelo caminho ficaram os seguintes adversários: Académica (4-1, Liga), Nacional (1-0, Liga), Ol. Marseille (1-0, Champions), Boavista (1-0, Taça de Portugal), Partizan (2-1, Champions), Gil Vicente (4-1, Liga), Beira Mar (3-0, Liga), Maia (3-0, Taça), Rio Ave (1-0, Liga), Vilafranquense (4-0, Taça), E. Amadora (2-0, Liga), U. Leiria (2-1, Liga), V. Guimarães (3-0, Liga), Manchester United (2-1, Champions), Belenenses (4-1, Liga), Boavista (1-0, Liga), Lyon (2-0, Champions), Moreirense (1-0, Liga) e Marítimo (1-0, Liga).   - A questão é que José Mourinho também raramente perdeu jogos no estádio do FC Porto. Soma ali, ao todo, apenas seis derrotas em 65 jogos, 63 dos quais foram ao serviço dos dragões. Mas já lá não ganha um jogo desde 9 de Maio de 2004, quando celebrou a conquista do título nacional com um 3-1 ao Paços de Ferreira (hat-trick de Benny McCarthy). Três das derrotas de Mourinho no terreno portista aconteceram em 2001/02: foi batido por 2-1 pelo FC Porto na primeira vez que lá foi, ainda aos comandos da U. Leiria, e perdeu depois com o Beira Mar (2-3) e com o Real Madrid (1-2), já à frente dos azuis e brancos. Depois disso, foi derrotado pelo Panathinaikos (0-1) a caminho da vitória na Taça UEFA de 2002/03, pelo Real Madrid (1-3, com Casillas na baliza) no percurso até à vitória portista na Liga dos Campeões de 2003/04 e pelo FC Porto na fase de grupos da Liga dos Campeões de 2004/05 (2-1), quando já estava no Chelsea.   - A história dos regressos de Mourinho a Portugal inclui apenas mais dois jogos de competição, sempre pelo Chelsea. Um empate com o FC Porto no Dragão nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões de 2006/07 (1-1) e uma vitória em Alvalade, frente ao Sporting, na fase de grupos da da época passada (1-0).   - De resto, todos os regressos de equipas de Mourinho a Portugal foram para jogar particulares de pré-época com o Benfica na Luz: ganhou por 1-0 com o Chelsea em 2005/06, empatou a zero com o Inter (vencendo no desempate por penaltis) em 2008/09 e perdeu por 5-2 com o Real Madrid em 2012/13.   - O Chelsea tem um registo muito favorável no confronto com equipas portuguesas, tendo ganho nove, empatado um e perdido apenas um dos onze jogos que fez e somando neste momento oito vitórias consecutivas. Os londrinos ganharam na época passada os dois jogos ao Sporting (1-0 em Alvalade e 3-1 em Stamford Bridge). Antes disso, tinham vencido o Benfica na final da Liga Europa de 2012/13 (2-1, em Amesterdão) e tinham-se imposto por duas vezes ao mesmo Benfica nos quartos-de-final da Champions de 2011/12 (1-0 na Luz e 2-1 em Londres). Em 2009/10 ganharam também os dois jogos contra o FC Porto (ambos por 1-0) e, em 2006/07, iniciaram a atual série de oito vitórias seguidas com um 2-1 frente aos dragões em Londres. O último jogo não ganho pelo Chelsea foi o empate no Dragão a 21 de Fevereiro de 2007 (1-1, com golos de Raul Meireles e Shevchenko) e dele resistem nas duas equipas Helton, Obi Mikel e John Terry.   - O Chelsea segue ainda com uma série de nove jogos europeus seguidos sem perder. Além dos 4-0 com que despachou o Maccabi Tel-Aviv na primeira ronda da Liga dos Campeões atual, passou sem derrotas pela prova do ano passado (quatro vitórias e quatro empates), da qual foi eliminada pelo Paris St. Germain pela regra dos golos fora. A última derrota europeia do Chelsea aconteceu em Madrid, a 30 de Abril de 2014: 3-1 contra o Atlético, a significarem eliminação nas meias-finais da Champions cuja final se jogou em Lisboa.   - Ao mesmo tempo, o FC Porto segue com 10 jogos europeus seguidos sem perder em casa. Na época passada, ganhou cinco e empatou apenas um (1-1 com o Shakthar Donetsk) e na temporada anterior tinha empatado com o Austria Viena e com o Eintracht Frankfurt antes de ganhar a Napoli e Sevilha. A última derrota sucedeu a 22 de Outubro de 2013, contra o Zenit (1-0, golo de Kerzhakov).   - Em contrapartida, o FC Porto não se dá historicamente bem com clubes ingleses, aos quais ganhou apenas seis de oito jogos. A última vitória portista aconteceu a 17 de Fevereiro de 2010 (2-1 ao Arsenal), mas a esse jogo seguiram-se três derrotas: 5-0 com o Arsenal em Londres; 1-2 e 0-4 com o Manchester City nos 16 avos de final da Liga Europa de 2011/12.   - Iker Casillas deve tornar-se o jogador com mais jogos efetuados na história da Liga dos Campeões. Soma neste momento 151, tantos como o ex-barcelonista Xavi, que alcançou no empate em Kiev, pelo que pode isolar-se na tabela.   - O FC Porto vai com seis jogos consecutivos sem sofrer golos no Dragão. Três já esta época (1-0 ao Benfica, 2-0 ao Estoril e 3-0 ao V. Guimarães) e outros tantos na época passada (2-0 ao Penafiel e ao Gil Vicente e 1-0 à Académica). O último jogador a marcar ali um golo ao FC Porto foi Thiago Alcântara, na derrota (3-1) do Bayern ali, a 15 de Abril. Desde então passaram-se 602 minutos de futebol sem golos na baliza portista.
2015-09-28
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Último Passe

Quando, no rescaldo do Marítimo-FC Porto, Julen Lopetegui explicou as razões que, face ao empate que se eternizava no placar dos Barreiros, o levaram a trocar Aboubakar por Osvaldo, estaria tão convicto do que disse como esteve no momento em que, para desfazer o impasse no jogo de Moreira de Cónegos, há pouco, optou por juntar os dois pontas-de-lança em campo e abdicar de um defesa-central. “Não se joga melhor por ter mais avançados”, disse na altura Lopetegui. Pois não. Mas há jogos que só se resolvem com gente na área. O de Moreira de Cónegos podia ter sido um deles. Contra um Moreirense que estacionou o autocarro à frente da área de Stefanovic, que baixou tanto o bloco que quase convidava os portistas a entrarem pela baliza com a bola controlada, impunha-se ter gente na área. Muita gente na área. O treinador espanhol percebeu-o e somou Aboubakar a Osvaldo, pedindo ainda a Corona que aparecesse também no espaço interior. Foi num lance em que o italo-argentino insistiu e o mexicano recuperou um ressalto que o FC Porto chegou à vantagem, a 12 minutos do final. Claramente, o jogo devia ter ficado ganho para os dragões naquele momento, deixando para trás o livre de Maicon e o golo de Iuri Medeiros, que davam o empate momentâneo. Só que o Moreirense ainda chegou a novo empate, por André Fontes, a dois minutos do final. A tentação mais normal pode ser a de culpar a falta de gente atrás, mas a verdade é que o FC Porto tinha gente na área em números mais do que suficientes para evitar o golo. Não estava Marcano, mas estava Danilo, porque depois do 2-1 Lopetegui mandou recompor o quarteto defensivo com o médio centro ao lado de Maicon. E mesmo assim, antes, já Luís Carlos obrigara Casillas a boa defesa para evitar o que também podia ter sido o empate. A questão é que, porventura iludida pelo facto de o adversário se demitir da opção de jogar (os 30% de posse de bola do Moreirense frente ao FC Porto só encontram paralelo na atual Liga dos 29% que o mesmo Moreirense teve na Luz, onde também esteve a minutos de empatar com o Benfica), o FC Porto fez um jogo lento no ataque e pouco agressivo quando perdia a bola: fez apenas sete faltas, quando o seu mínimo na Liga eram 16. E como disse Lopetegui no final, a Liga vai ser longa e vai ser preciso pedalar muito. Mas isso não basta dizê-lo. Tem é de convencer os seus jogadores.
2015-09-25
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O FC Porto leva neste momento onze jogos seguidos sem derrota, desde que caiu em Munique aos pés do Bayern, por 6-1. Julen Lopetegui igualou assim frente ao Benfica o seu melhor registo da época passada. Se passar em Moreira de Cónegos, estabelece portanto um novo recorde pessoal. Um recorde que já esbarrou por duas vezes no que mais parece ser uma maldição. A maldição do 12º jogo. Desde que perdeu com estrondo em Munique, a 21 de Abril, vendo-se afastado da Liga dos Campeões, a equipa portista empatou fora com Benfica (0-0), Belenenses (1-1), Marítimo (1-1) e Dynamo Kiev (2-2), tendo ganho as restantes sete partidas: V. Setúbal (2-0), Gil Vicente (2-0), Penafiel (2-0), V. Guimarães (3-0), Estoril (2-0), Arouca (3-1) e Benfica (1-0). Curioso que, com exceção da recente deslocação a Arouca, tenha perdido pontos em todos os jogos nos quais sofreu pelo menos um golo. A vitória contra o Benfica significou que Lopetegui igualou o seu máximo pessoal de jogos seguidos sem perder, estabelecido em várias ocasiões da época passada. Depois de ganhar sete e empatar quatro dos onze primeiros jogos da época passada, perdeu a 12ª partida, a receção ao Sporting para a Taça de Portugal (3-1), a 10 de Outubro. Encarreirou de seguida dez jogos sem perder e voltou a ser batido no Dragão, dessa vez pelo Benfica, para a Liga (0-2, a 14 de Dezembro). Após mais sete jogos, perdeu na Madeira com o Marítimo, para a Liga (1-0, a 25 de Janeiro), aí encetando nova série de onze desafios sem conhecer a derrota: ganhou nove e empatou dois, até perder mais uma vez ao 12º jogo, outra vez com o Marítimo, mas agora para a Taça da Liga (2-1, a 2 de Abril). Até final da época, o FC Porto só perdeu mais uma vez, em Munique, na partida que iniciou a terceira série de onze jogos sem derrota de Lopetegui. A ver se desta vez chega aos 12.   - MIguel Leal, treinador do Moreirense, perdeu os três jogos que fez contra o FC Porto. O primeiro foi ao serviço do Penafiel, na Taça da Liga de 2013/14 (0-4 no Dragão contra Paulo Fonseca). E os dois restantes sucederam na época passada, já ele estava em Moreira de Cónegos. Perdeu por 3-0 no Dragão e por 2-0 em casa. Esses foram os dois únicos jogos de Julen Lopetegui contra o Moreirense, pelo que o espanhol tem um registo 100% vitorioso.   - O Moreirense é a equipa menos rematadora da Liga. Apenas 42 remates em cinco jogos, a uma média de 8,4 por jogo. Tendo em conta que o FC Porto só sofre um golo a cada 19 remates do adversário (dois golos sofridos para 38 remates permitidos) não se afigura fácil a tarefa dos cónegos.   - Há dez anos que o Moreirense não marca um golo ao FC Porto. O último foi da autoria de Nei, em Maio de 2005, valeu um empate (1-1) em Moreira de Cónegos mas já não foi suficiente para impedir a despromoção da equipa verde e branca. De então para cá, o FC Porto ganhou os cinco jogos entre os dois clubes e fê-lo sem sofrer golos.   - Nenhum dos jogadores do atual plantel portista marcou golos ao Moreirense pelo FC Porto. Este era um jogo para Jackson Martínez, que fez seis dos nove golos deste confronto desde que o Moreirense regressou à I Liga. Os outros três pertenceram a Fernando, Oliver e Casemiro.   - O Moreirense nunca ganhou ao FC Porto. O melhor que conseguiu foram dois empates, ambos em casa, na anterior passagem pela I Liga. Além disso, não ganhou um único jogo nas primeiras cinco jornadas, seguindo com apenas um ponto. É algo de inédito nas cinco épocas dos cónegos na Liga. O pior que tinham até aqui era uma vitória e quatro derrotas, no ano de estreia (2002/03). Nas últimas três temporadas apresentavam o mesmo registo: uma vitória, dois empates e duas derrotas.   - Evaldo, do Moreirense, foi campeão nacional ao serviço do FC Porto, alinhando na penúltima jornada da Liga de 200/04, quando José Mourinho poupava os titulares para a final da Liga dos Campeões.   - Além disso, o Moreirense também nunca ganhou um jogo da Liga com Vasco Santos a apitar. Empatou duas vezes e perdeu três, a última das quais na receção ao Sporting, na época passada (1-4). O FC Porto também tem uma derrota com este árbitro: em casa com o Estoril, com o golo decisivo a ser marcado de grande penalidade. Mas ganhou os restantes sete jogos com ele a apitar.
2015-09-24
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Último Passe

A paisagem virtual foi ontem agitada pela iniciativa de alguns adeptos do Atlético Paranaense, que colocaram o ex-avançado portista Delatorre à venda no E-Bay por um real, isto é, por um punhado de cêntimos. Teve graça, até pode ter ofendido, mas a lei do futebol é essa: um jogador é querido hoje e indesejado amanhã. Foi isso que percebeu Quaresma e que o levou a trocar o FC Porto pelo Besiktas. Que Lopetegui não gostava do que lhe dava Quaresma ficou bem à vista logo nos primeiros jogos da época passada. Que, não havendo ordens superiores, os adeptos organizados não levariam mais longe a admiração que tinham pelo extremo português era uma evidência que o jogador não ignorava. Viesse a ordem de cima e não faltaria muito para que também o pusessem à venda no E-Bay... Daí que a única opção para Quaresma, que queria estar no Europeu, fosse a saída.  Foi isso que Quaresma explicou na entrevista que concedeu à TSF. Uma entrevista que deixa bem evidente que o extremo que em tempos era visto como um jogador talentoso e estouvado é hoje dos poucos que pensa pela sua própria cabeça num panorama gradualmente mais acéfalo como é o do futebol. Um dos poucos a falar com desassombro de tudo o que tem a ver com aquilo que faz na vida, seja o abraço dado ao treinador adversário ou a relação com quem manda no seu próprio balneário. E só por isso - se outras razões faltassem - já justificava um lugar nos eleitos de Fernando Santos para o Europeu de França.
2015-09-23
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Último Passe

O FC Porto-Benfica apresenta uma série de aliciantes que vão muito para além de saber quem está mais forte e mais bem colocado para ganhar (o que corre sérios riscos de contraditório no confronto com a verdade) ou de antecipar, pressionando, como correrá a noite ao árbitro. A mim, nenhum debate me interessa tanto como o de perceber os onzes que os dois técnicos irão apresentar.De um lado, Julen Lopetegui tem mostrado duas facetas do FC Porto, consoante lhe apetece privilegiar a segurança ou optar pelos desequilíbrios. Tendo em conta o grau de dificuldade do jogo, a versão adotada no início do jogo de Kiev e no final do desafio em Arouca (quando já estava na frente no marcador) parece a mais provável na cabeça do treinador espanhol, pelo que a inclusão de André André no papel duplo de quarto médio e terceiro avançado me parece aposta segura. O ex-Vitória de Guimarães sabe escolher bem os momentos em que tem de abrir no corredor ou aparecer frente à área e depois, após a perda de bola, é capaz de pressionar mas também de baixar para compor a segunda linha defensiva, pelo que me parece evidente que surgirá no onze com Brahimi e Aboubakar. Resta definir quem estará no meio-campo, onde tenho duas apostas firmes em Danilo e Imbula. Se o terceiro homem será Ruben Neves ou Herrera já tenho mais dúvidas, embora me incline para o jovem português.Quanto ao Benfica, Rui Vitória não tem margem para sentar Jonas, que tem estado a par de Gaitán na influência no jogo ofensivo da equipa, mas também já viu, na Supertaça, contra o Sporting, que o brasileiro não rende isolado na frente. Parece-me seguro que Jonas terá a companhia de Mitroglou ou até de Jimenez, jogador mais móvel e mais capaz de defender que o grego. Só que aí Vitória é bem capaz de compensar a presença de dois avançados com uma opção mais conservadora atrás. Creio que Fejsa aparecerá ao lado de Samaris, deixando a Gaitán o corredor esquerdo. E não tenho certeza de que o médio direito seja o jovem Gonçalo Guedes, ainda que ele tenha estado bem nos últimos jogos: admito perfeitamente a opção por Pizzi como forma de ocupar o espaço no corredor central, pedindo ao transmontano que jogasse em diagonais e trocas posicionais constantes com os avançados, de modo a impedir que o espaço entre os dois médios e esses mesmos avançados seja tão grande a ponto de a ligação se tornar impossível, como na primeira parte do jogo com o Astana.Na verdade, certezas só amanhã ao final do dia. Mas estas apostas fazem sentido.
2015-09-19
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O FC Porto-Benfica de domingo servirá para uma de duas coisas. Ou o FC Porto confirma que montou no Dragão uma barreira inexpugnável, que ninguém é capaz de ultrapassar para marcar golos, ou o Benfica espanta de vez os fantasmas que o têm impedido de fazer golos longe do Estádio da Luz. A apimentar a história, o facto de terem sido os encarnados, por Lima, os últimos a marcar golos no Dragão em jogos da Liga. A 14 de Dezembro do ano passado. Desde o bis de Lima que valeu ao Benfica a vitória por 2-0 no Dragão frente ao FC Porto e um avanço mental na luta pelo título que mais ninguém foi capaz de ali marcar em jogos de campeonato. E entretanto por lá passaram V. Setúbal (4-0), Belenenses (3-0), P. Ferreira (5-0), V. Guimarães (1-0), Sporting (3-0), Arouca (1-0), Estoril (5-0), Académica (1-0), Gil Vicente (2-0), Penafiel (2-0) e, já esta época, V. Guimarães (3-0) e Estoril (2-0). Ao todo, são já doze balizas virgens seguidas nos jogos da Liga, em casa. 1115 minutos (pouco mais de 18 horas e meia) sem sofrer golos, o que deixa a equipa atual à beira de poder igualar o registo de 1995/96, quando Vítor Baía (com breve auxílio de Silvino, que o substituiu num dos jogos) esteve 1127 minutos sem sofrer golos em casa para a Liga, entre um 2-1 ao Sporting (golo de Ouattara, a 20 de Agosto de 1995) e um 6-2 ao Felgueiras (marcou Lewis, a 11 de Fevereiro de 1996). Se mantiver o zero frente ao Benfica, no domingo, até aos 12’ de jogo, o FC Porto atual iguala esse registo. Mas um zero no final do encontro com os encarnados faria com que a série de Fabiano, Helton e Casillas passasse para os 1205 minutos. E para encontrar uma série tão longa é preciso recuar até 1988 e 1989, quando Zé Beto e o ainda adolescente Vítor Baía (que o substituiu no final da época) mantiveram a baliza das Antas inviolada durante 1384 minutos em jogos da Liga, entre um golo do maritimista Jorge Silva, em Outubro de 1988 e outro do setubalense Aparício, em Maio de 1989. O facto de ter sido o Benfica o último a marcar no Dragão para a Liga vem, por um lado, apimentar a história, até porque os encarnados têm sentido esta época dificuldades para fazer golos fora de casa: os 15 que somam foram todos obtidos na Luz. É verdade que, fruto de só ter jogado uma vez fora esta época (e mesmo essa no campo neutro de Aveiro, contra o Arouca), a série do Benfica não é assim tão impressionante em termos de Liga. Só ficou a zero com o Arouca (0-1) e na última deslocação da época passada, a Guimarães (0-0), na tarde em que assegurou a conquista do título. Antes disso tinha ganho por 5-0 ao Gil Vicente, em Barcelos. Mas que o teste do Dragão será exigente em termos de se avaliar a capacidade deste Benfica viajar, lá isso será.   - É o primeiro clássico português para Casillas, que em Espanha estava bem habituado a eles. Só na época passada, ao serviço do Real Madrid, disputou oito, seis deles com o Atlético Madrid, ganhando apenas dois: 1-1 e 0-1 na Supertaça; 0-0 e 1-0 na Liga dos Campeões; 1-2 e 0-4 na Liga. Os outros dois foram para a Liga com o Barcelona: ganhou por 3-1 em casa, perdeu por 1-2 no Camp Nou.   - Rui Vitória nunca ganhou ao FC Porto. Ainda assim, foi à conta de uma proeza contra o FC Porto que se tornou conhecido: a 26 de Setembro de 2007 o seu Fátima eliminou os dragões da Taça da Liga, com um empate a zero que foi depois transformado em sucesso no desempate por grandes penalidades. Ao todo, em doze jogos contra os dragões, perdeu oito e empatou quatro. Com destaque para um 3-3 no Dragão, em Maio de 2011, aos comandos do Paços de Ferreira, com hat-trick de… Pizzi.   - Em contrapartida, o atual treinador do Benfica foi o primeiro a causar dissabores a Lopetegui na sua carreira portuguesa. O espanhol tinha ganho os primeiros cinco jogos no FC Porto (2-0 ao Marítimo, 1-0 e 2-0 ao Lille, 1-0 ao Paços de Ferreira e 3-0 ao Moreirense) quando foi empatar a uma bola a Guimarães, a 14 de Setembro do ano passado.   - O Benfica ganhou por três vezes no Estádio do Dragão, inaugurado em Novembro de 2003, e todas pelo mesmo resultado: 2-0. Em Outubro de 2005 valeu-lhe um bis de Nuno Gomes; em Fevereiro de 2011, para a Taça de Portugal, marcaram Coentrão e Javi Garcia, e em Dezembro passado bisou Lima. No mesmo período o FC Porto soma sete vitórias e registaram-se ainda quatro empates – um único sem golos.   - Dos jogadores do atual plantel do FC Porto, só três marcaram pelos azuis e brancos ao Benfica. Foram eles Varela (duas vezes), Maicon (no golo do título, a fazer um 3-2 na Luz, em Março de 2012) e… Maxi Pereira. Apesar de ser a primeira vez que defronta o Benfica, fez um autogolo na baliza de Artur, em Maio de 2013, estabelecendo o momentâneo empate naquele que ficou conhecido como o jogo de Kelvin.   - Do atual plantel do Benfica, já sabem o que é marcar aos dragões de águia ao peito Gaitán (dois golos, ambos em jogos que acabaram empatados a duas bolas), Salvio (que está lesionado e não pode ser opção para Rui Vitória) e Luisão (numa derrota por 3-1 no Dragão antes do título de 2010).   - O médio André André, ultimamente em foco por ter ganho a titularidade no meio-campo do FC Porto, foi lançado na I Liga por Rui Vitória, treinador dos encarnados. Depois de ter sido junior do FC Porto e de ter passado sem sucesso pela equipa B do Deportivo da Corunha, chegou em 2012 do Varzim (II Divisão B) ao V. Guimarães e Vitória não hesitou em dar-lhe 90 minutos logo na primeira jornada da Liga, um empate a zero em casa com o Sporting.   - Defrontam-se a equipa mais faltosa da Liga, que é o FC Porto (a par do Marítimo), com 78 faltas cometidas, e a que menos infrações comete, que é o Benfica, que fez apenas 50 faltas. A diferença disciplinar tem também a ver com isso: o Benfica viu apenas cinco cartões amarelos nas primeiras quatro jornadas (10 faltas por cartão), enquanto que o FC Porto já viu 13 (seis faltas por cartão).   - Defrontam-se ainda o ataque mais realizador da Liga, que é o do Benfica, com 13 golos, e uma das defesas menos batidas, a do FC Porto, que encaixou apenas dois e lidera esta tabela a par do Paços de Ferreira e do U. Madeira. Os portistas apresentam, no entanto, melhores índices de aproveitamento tanto defensivo como ofensivo. Marcaram nove golos em 51 remates (um golo a cada 5,7 remates), enquanto o Benfica precisou de 91 tentativas para fazer 13 golos (entra uma a cada sete). Aliás, o Benfica também sofre um golo a cada sete remates que os adversários lhe fazem (três golos encaixados em 21 remates permitidos), ao passo que o FC Porto já permitiu 32 remates e sofreu apenas dois golos (um a cada 16 tiros).   - Tanto Benfica como FC Porto perderam apenas uma vez com Soares Dias a apitar. Aos dragões aconteceu apenas em Janeiro de 2014, na deslocação à Luz, onde perderam por 2-0 com o Benfica e viram Danilo expulso. De resto, são onze vitórias e um empate, no Estoril, na época passada, a duas bolas (com um penalti contra). As águias, por seu turno, ganharam doze, empataram quatro e só perderam com Soares Dias em Abril de 2012, num 0-1 com o Sporting em Alvalade (um penalti contra e Luisão expulso). Além disso, não sofrem golos em jogos dirigidos por este árbitro desde Agosto de 2012, quando empataram em casa com o Sp. Braga, na abertura da época (2-2). Depois disso defrontaram FC Porto, Sp. Braga e V. Guimarães. 
2015-09-18
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Último Passe

No tempo em que a Grã Bretanha estava isolada do resto do Mundo, os treinadores ingleses tinham por hábito ver as primeiras partes dos jogos na tribuna, só descendo para o banco nos segundos 45 minutos. Essa era uma altura, porém, em que havia apenas um suplente, que só entrava se alguém partisse uma perna e essa observação não fazia assim tanta falta. Vendo todo o desafio do FC Porto com o Dynamo Kiev da tribuna, Julen Lopetegui fez uma gestão de jogo excelente, compreendendo os momentos exatos para fazer a substituições certas. O FC Porto não ganhou – ainda que o merecesse – porque no final toda a equipa cometeu um erro de apreciação, fruto talvez do cansaço aliado à falta de concentração que ele provoca. E nem sequer pode dizer-se que a questão se resolvesse com um grito do treinador, estivesse ele no banco. O 2-2 conseguido pelo FC Porto em Kiev vale pelo ponto conquistado, pelos dois que o Dynamo deixou pelo caminho – um empate fora é sempre um empate fora – mas vale sobretudo pela forma como o comportamento da equipa deixou perceber uma maturidade tática de que não se suspeitava. O plano de jogo foi o de Arouca, mas invertido: a equipa começou num 4x2x3x1 em que André André era, ao mesmo tempo, terceiro avançado e quarto médio, tal como terminara no jogo de sábado. A procura constante do espaço interior pelo número 20 dos Dragões nas fases ofensivas permitia assegurar a presença frente à área que tantas vezes tem faltado; a sua derivação para a ala no momento de perda de bola permitia manter a linha de quatro médios e travar um Dynamo que cedo desistiu de mandar no jogo e passou a limitar-se a chutar bolas longas na frente. Com o jogo controlado e um empate a uma bola no placar, Lopetegui lançou Tello e Corona, voltou ao 4x3x3 mais clássico e criou as condições para chegar à vitória. Marcou o segundo golo, numa jogada que enfatiza as excelentes exibições de Ruben Neves e Aboubakar – o primeiro a assegurar uma segunda vaga ofensiva depois do canto; o segundo a finalizar sem complacência depois de uma falha do guarda-redes Rybka. Previa-se que este fosse um jogo para Aboubakar, avançado de grandes espaços, lutador de excelência, mas ele acabou por se impor também naquilo que menos se esperava: a finalização na área. E com seis golos em cinco jogos, vai lançado para uma grande época. A maturidade tática demonstrada pela equipa do FC Porto não chegou para impedir o golo do empate do Dynamo, mas deixa a equipa em boa posição para lutar pela qualificação – roubou pontos no terreno daquele que se pensa venha a ser o seu maior adversário – e confiante de que sabe ser controladora ou ameaçadora quando o jogo lhe pede uma ou outra face. Teste já no domingo, na receção ao Benfica, no Dragão. Com Lopetegui no banco.
2015-09-16
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A deslocação a Arouca pode ser encarada como especial por Vincent Aboubakar, que marcou sempre que defrontou o adversário de sábado. Mesmo que tenha servido apenas para fixar o resultado nos 5-0 finais e por isso tenha sido pouco mais que irrelevante, foi em Arouca que o camaronês fez o seu primeiro golo no campeonato. Depois, no jogo da segunda volta, foi ele que garantiu os três pontos aos azuis e brancos, marcando o único tento da curta vitória por 1-0 no Dragão. Aboubakar estreou-se com a camisola do FC Porto a 14 de Setembro do ano passado, jogando o último minuto de um empate a uma bola, contra o Vitória, em Guimarães. Três dias depois, na goleada europeia ao Bate Borisov, estreou-se a marcar ao segundo jogo, que foi também o que lhe aconteceu na Liga. À segunda partida, em Arouca, a 25 de Outubro, entrou a 15 minutos do final para o lugar de Jackson Martínez, com o resultado já em 4-0, mas ainda teve tempo para, de pé esquerdo, corresponder a um passe de Quaresma e, fazendo passar a bola por entre as pernas de Goicoechea, fixar o 5-0 final. O registo 100 por cento goleador contra o Arouca manteve-o com mais um golo na segunda volta. Titular no centro do ataque, por lesão de Jackson, já fizera um golo ao Basel, a meio da semana, para a Liga dos Campeões, e voltou a marcar no jogo de campeonato. Foi aos 32’, de cabeça, após cruzamento de (mais uma vez) Quaresma, e valeu uma vitória muito difícil, pois o FC Porto jogava com dez homens desde o minuto 12, por expulsão do guarda-redes Fabiano Freitas. O Arouca foi o único clube a quem Aboubakar fez mais de um golo na primeira época em Portugal, só sendo igualado nesse aspeto agora pelo V. Guimarães, em função do bis que o avançado camaronês assinou na primeira jornada. É, ainda assim, a única equipa à qual, tendo-a defrontado mais de uma vez, Aboubakar marcou sempre.   - O FC Porto ganhou todos os jogos oficiais que fez com o Arouca em toda a sua história. Também foram apenas quatro, sendo que neles o Arouca só fez dois golos (Rui Sampaio e Pintassilgo) e os dragões somam 13. Destes, o único jogador ainda presente no plantel portista é mesmo Aboubakar, que marcou dois. Jackson fez cinco, Quintero e Carlos Eduardo dois cada, Quaresma e Casemiro completam o lote de goleadores.   - Por arrastamento, Julen Lopetegui ganhou sempre que defrontou o Arouca: 5-0 fora e 1-0 em casa, na época passada. Além disso, ganhou no único confronto com Lito Vidigal (3-0, no FC Porto-Belenenses da época passada). Lito, por sua vez, perdeu sempre que defrontou o FC Porto: além desses 3-0, perdeu também por 1-0 no Dragão na sua estreia à frente do Belenenses, em Março de 2014. Em 2009/10, aos comandos da U. Leiria, já tinha perdido por 3-2 no Dragão (Janeiro de 2010) e por 4-1 em casa (Maio de 2010).   - Este Arouca-FC Porto apresenta um atrativo extra: é o primeiro confronto de irmãos na família Roque. Maicon, defesa central do FC Porto, pode apanhar pela frente com o “mano caçula” Maurides, avançado do Arouca que tem sempre entrado no decorrer dos jogos da Liga. O outro irmão, Muller, representa o Gondomar, mas quando Muller e Maurides chegaram a seniores no Brasil já Maicon estava em Portugal.   - O FC Porto empatou os últimos dois jogos que fez fora de casa na Liga. Ao 1-1 verificado já esta época nos Barreiros, com o Marítimo, há a somar o mesmo resultado no Restelo, com o Belenenses, na 33ª jornada da época passada. A última vitória portista como visitante, foi a 3 de Maio, em Setúbal, contra o Vitória, com golos de Brahimi e Jackson. O Arouca, em contrapartida, perdeu o último jogo que fez no seu estádio (1-2 com o Moreirense, a 23 de Maio). Desde então, ganhou o jogo em casa ao Benfica mas disputou-o em Aveiro.   - Jailson, defesa-direito do Arouca, estreou-se na Liga portuguesa a defrontar o FC Porto. Foi lançado por Henrique Calisto a 9 de Fevereiro de 2014, numa derrota do Paços de Ferreira por 3-0 no Dragão.   - O FC Porto perdeu os três últimos jogos que fez na Liga com João Capela a apitar. Sempre fora de casa: 1-0 com a Académica, 2-1 com o Nacional (ambos em 2013/14) e 1-0 com o Marítimo (em 2014/15). A última vitória portista com este árbitro aconteceu em Setúbal, frente ao Vitória local, por 3-1, em 2013/14.
2015-09-11
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Último Passe

Julen Lopetegui dizia há dias que não é por se ter muitos avançados em campo que se ataca melhor. É claro que tem razão. O fundamental é ter uma disposição em campo coerente com a ideia de jogo que se defende. E é esta reflexão que me merecem as vitórias caseiras do FC Porto (2-0 ao Estoril) e Benfica (3-2 ao Moreirense).Por alguma razão o Benfica fez todos os sete golos da época nos últimos 20 minutos dos seus jogos, quando já tem toda a artilharia na grande área adversária. É que se não passam a atacar melhor, com Mitroglou, Jonas e Jiménez os encarnados têm pelo menos mais hipóteses de transformar em golo o recurso ofensivo que mais têm apresentado: circulação de bola (mesmo que seja lenta e previsível) e cruzamento para a área ou remate de meia distância na sequência de uma segunda bola dele originada.O Benfica virou o jogo e não foi por ter passado a atacar ou a jogar mais quando Vitória meteu mais atacantes em campo. O bicampeão voltou a fazer um jogo fraco, com dificuldades na construção ou nas mudanças de velocidade. Atacou muito, mas não é por ter chegado ao intervalo com 71 por cento de posse de bola que pode dar-se por satisfeito com a produção nesse período. Vitória reconheceu-o no final. E é bom que aproveite esta interrupção de duas semanas na Liga para consolidar ideias, de forma a ser capaz de mostrar mais futebol contra o Belenenses.Vitória tem repetido que sabe qual é o caminho e não é por lhe fazer por vezes algumas inversões de marcha que precisa de o abandonar. Já o FC Porto suscitou outro tipo de dúvidas. A equipa de Lopetegui ganhou com mais facilidade ao Estoril, por 2-0, até com um golo cedo (logo aos 6', por Aboubakar), na tarde em que o basco cedeu aos que vêm pedindo Brahimi a 10. O argelino entrou em campo em simultâneo com Tello e Varela, mas ao mesmo tempo Lopetegui usou um lateral esquerdo que sabia conter-se mais que o habitual (Indi tem rotinas de central e não a desenvoltura de Alex Sandro) e aprisionou os outros médios: Danilo e Imbula jogaram a par, muito longe da área (e, claro, de Brahimi).O resultado destas ideias de sentido contrário foi uma atuação bipolar. Por um lado, Brahimi mostrou que pode ser um excelente segundo avançado: o modo como abre a linha de defesa do Estoril para o primeiro golo é um exemplo disso. Por outro, a equipa ficou com linhas muito afastadas e deixou os médios à mercê do trio de meio-campo do Estoril. E nem todas as trocas que o treinador foi fazendo (Varela por André antes do intervalo; Imbula por Herrera logo a começar a segunda parte) mudaram um panorama a que só o livre exemplar de Maicon para o 2-0 veio pôr cobro. Se o que quer é trocar (ou até alternar) o seu 4x3x3 dos três dínamos a meio por um 4x2x3x1 de inspiração espanhola, Lopetegui também precisa de deixar ideias bem claras na cabeça dos seus jogadores. Tal como Vitória, tem é de ser o primeiro a mostrar que crê nelas, para que os jogadores também nele acreditem.
2015-08-29
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Último Passe

Sporting e FC Porto perderam os primeiros pontos na Liga, deixando U. Madeira, Arouca e Benfica com hipóteses de se isolarem na frente da classificação se vencerem as suas partidas relativas à segunda ronda. Leões e dragões não foram capazes de se impor a Paços de Ferreira e Marítimo, em jogos que acabaram empatados a uma bola e nos quais nenhum dos dois fez tudo aquilo que estava ao seu alcance para vencer. Um por não ser igual a si próprio; o outro por ser demasiado igual ao que mostra sempre. Jogou primeiro o Sporting, a mostrar um futebol muitos volts abaixo do que é habitual nas equipas de Jorge Jesus. Carrillo, o autor do golo que quase garantia a vitória, foi um dos poucos a manter o nível num onze que apresentou duas alterações em relação aos habituais titulares mas que, a julgar pelo que se viu, fosse por cansaço ou desfoque, devia ter apresentado mais algumas. João Pereira e Jefferson estiveram muito abaixo do habitual, Ruiz acabou em sacrifício, mas na altura de mexer e de incluir o sempre surpreendente Gelson (que voltou a entrar muito bem), o treinador sacrificou Montero, um dos que não devia estar cansado, pois não entrara em campo frente ao CSKA. O Paços fez um bom jogo, mantendo o rigor posicional e saindo bem para o contra-ataque, mas o empate pode explicar-se muito melhor com aquilo que o Sporting não fez. As equipas de Jesus fazem da velocidade e da intensidade a sua alma e se elas lhes faltam, ficam órfãs de identidade, não conseguem encontrar-se. A ideia que ficou do jogo com o Paços, mesmo quando o Sporting se adiantou, foi a de que a equipa ainda não aparecera sequer em campo, que estava já em trânsito para Moscovo. Sabendo do empate do Sporting, o FC Porto tinha ainda mais obrigação de ganhar ao Marítimo nos Barreiros. Mas nem o começo catastrófico - um golo sofrido aos 5' num erro crasso de Cissokho - nem o cabeceamento de Maxi Pereira à barra nos últimos segundos da partida chegam para se explicar a crença obsessiva de Julen Lopetegui num sistema que à medida que o jogo vai decorrendo vai tendo menos presença na área adversária, fruto do maior desgaste dos médios que devem lá surgir. O FC Porto teve os melhores lances para marcar, mas a ideia que ficou foi a de que o treinador podia ter feito mais para ganhar, nomeadamente ao resistir à ideia de juntar Osvaldo a Aboubakar na frente: o argentino só entrou a 11 minutos do fim e fê-lo por troca com o camaronês. Já tinha dito que não tenho a certeza de que ao FC Porto falte um 10, porque admito que o meio-campo funcione com os dois 8 rotativos, mas para encarar a época com esta ideia, Lopetegui tem de fazer concessões e de perceber que cada jogo pede as suas próprias soluções. E por vezes elas passam por reforçar o ataque e abdicar por momentos do 4x3x3.
2015-08-22
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A Madeira tem sido a ilha maldita para o FC Porto e não é apenas desde que Julen Lopetegui tomou conta da equipa. É verdade que os dragões perderam dois e empataram um dos três jogos feitos no Funchal na época passada e que com esses resultados se explica parte dos desaires na Liga e na Taça da Liga da época passada, mas já no ano anterior a formação liderada por Paulo Fonseca, primeiro, e Luís Castro, depois, ali tinha perdido duas vezes. Para encontrar uma vitória do FC Porto na Madeira é preciso recuar até Maio de 2013, quando, ainda liderada por Vítor Pereira, a equipa azul e branca se impôs ao Nacional na Choupana por 3-1, a caminho do título de campeã da Liga. Nos Barreiros, então, os dragões já não ganham desde Abril de 2012.Na época passada, a Madeira está intimamente ligada ao insucesso portista. A derrota nos Barreiros em Janeiro de 2015, a abrir a segunda volta (1-0, golo de Bruno Gallo), quase deixou o Benfica com o título assegurado, tal seria a vantagem se os encarnados tivessem sido capazes de ganhar em Paços de Ferreira, no encerramento da jornada. Perderam e o FC Porto começou ali a encetar uma recuperação que, após a derrota do Benfica contra o Rio Ave em Vila do Conde, em Março, o deixaria à distância de uma vitória dos campeões, desde que ganhasse ao Nacional na Choupana. Sucede que o FC Porto não foi além de um empate nesse jogo (1-1, com Wagner a responder ao golo de Tello). Com pouca esperança na Liga, o FC Porto voltou à Madeira para jogar a meia-final da Taça da Liga, contra o Marítimo. E nova derrota (1-2, com Bruno Gallo e Marega a responderem a um golo inaugural de Evandro) significou que a época acabaria sem troféus no Dragão.O último treinador portista a ganhar na Madeira foi, assim, Vítor Pereira, a caminho do título nacional em 2013. Em 2013/14, as duas deslocações à “ilha maldita” saldaram-se ambas por derrotas: 1-0 nos Barreiros em Fevereiro com o Marítimo (marcou Derley) e 2-1 na Choupana com o Nacional (os golos de Candeias e Rondón pesaram mais que o obtido por Jackson). São, por isso, cinco, os jogos que o FC Porto leva na Madeira sem ganhar. Desse sucesso sobre o Nacional, na Choupana, em Maio de 2013 (3-1, com os golos de James, Lucho e Mangala a aparecerem todos até aos 22’, antes de Candeias reduzir), só resta um jogador no FC Porto: Varela. Da última vitória nos Barreiros (2-0, em Abril de 2012, com dois penaltis de Hulk) sobram Varela e Maicon. - O primeiro jogo de Maxi Pereira em Portugal foi na Madeira, em Setembro de 2007. Foi lançado de início por Camacho numa vitória do Benfica sobre o Nacional por 3-0, mas alinhou a meio-campo, que era a posição que mais fazia antes de chegar. - Bruno Martins Indi, Tello, Brahimi e Ruben Neves estrearam-se na Liga contra o Marítimo, na jornada inaugural do campeonato passado. O centrocampista, que foi a surpresa de Lopetegui nessa partida, fez mesmo o primeiro golo de uma vitória por 2-0. - Esse jogo também serviu de estreia ao maritimista Dyego Sousa, que porém não foi o único a arrancar no futebol português contra o FC Porto. O guardião Salin e o defesa central Raul Silva também deram os primeiros passos na Liga defrontando o FC Porto: o francês fê-lo em Agosto de 2010, nas redes da Naval, que perdeu em casa com os Dragões por 1-0, enquanto que o brasileiro teve a estreia em Janeiro passado, com a camisola do Marítimo, na vitória por 1-0 que chegou a fazer perigar ao ser expulso a 20’ do fim. - Ivo Vieira, treinador do Marítimo já conheceu alegria e tristeza a defrontar o FC Porto. Em Outubro de 2011, quando dirigia o Nacional, perdeu no Dragão por 5-0 e, embora ainda tenha dirigido a equipa no compromisso seguinte (vitória sobre o Beira Mar, em casa, por 2-1) já sabia que iria ser substituído por Pedro Caixinha no dia seguinte. A “vingança” teve-a na época passada quando, depois de substituir Leonel Pontes aos comandos do Marítimo, ganho ao FC Porto nos Barreiros (2-1) e acedeu à final da Taça da Liga. - O FC Porto tem um registo 100% vitorioso nos jogos dirigidos por Hugo Miguel na Liga. Nas 12 vezes que foram apitados por este árbitro de Lisboa, os dragões somam outras tantas vitórias e um score de 36-5 em golos. Uma dessas vitórias aconteceu precisamente nos Barreiros, contra o Marítimo (2-0, em Maio de 2011, na jornada de consagração da equipa dirigida por André Villas-Boas), que por sua vez só venceu duas de 13 partidas com este árbitro.
2015-08-20
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Último Passe

Ambos com quatro reforços no onze inicial, FC Porto e Sporting fizeram dois testes sérios para se perceber o que podem apresentar na nova época e, apesar da diferença nos resultados, mostraram que estão num patamar semelhante, ainda que por razões diversas. Ambos se mostraram superiores a adversários fortes, mas se ao FC Porto, que mantém treinador e ideia de jogo, falta um goleador que faça as vezes de Jackson Martinez, ao Sporting, que mudou as duas coisas, falta completar a assimilação de processos.Há um ano, o FC Porto apresentava um problema acima de todos: pouco perigo para muita bola, sobretudo por falta de presença dos médios na proximidade da área. Desta vez esse problema parece resolvido e ainda ontem, no jogo com o Valencia, foi a rotatividade de Danilo ou André, bem como a mobilidade de Brahimi, que permitiu uma super-entrada aos dragões, com um par de boas ocasiões de golo. Nessa altura, em que também ficou à vista que já estão com mais ritmo que os espanhóis, ficou a ideia de que com Jackson Martinez outro galo cantaria e o jogo não se arrastaria no 0-0 até final. Será Osvaldo esse goleador? Tal como Aboubakar, o italo-argentino é um jogador muito diferente do colombiano, o que apresenta um desafio a toda a equipa, que também pode ver-se forçada a jogar de outra maneira. Lopetegui já integrou os reforços na sua ideia de jogo, mas ainda tem muito trabalho pela frente para tirar desta equipa tudo aquilo que ela tem para dar.Trabalho já Jorge Jesus sabia que ia ter para transformar o futebol do Sporting e a verdade é que já se viram alguns resultados ontem. A pressão sobre a saída de bola do adversário está bem, a exploração do jogo interior também, fruto das constantes diagonais dos alas para o meio e dando espaço aos laterais para explorar o corredor. Falta trabalhar início da construção, ainda por cima com a agravante de William Carvalho não estar disponível e de Adrien ter visto mudar radicalmente a sua função, mas a verdade é que a equipa mostrou frente à Roma que já está melhor do que seria de esperar por esta altura.Ao contrário do FC Porto, o Sporting já tem os reforços integrados, mas é da sua utilização que nascerá a grande decisão que se apresenta a Jesus neste momento de preparação para a Supertaça. Bryan Ruiz e Teo Gutierrez são, por estatuto, titulares em potência, mas neste momento Carlos Mané e Montero ainda dão mais garantias, seja porque têm mais tempo com a equipa, seja até porque já conheciam a forma de jogar das equipas de Jesus e se sentem mais aptos a interpretá-la. Na Supertaça se verá para onde pende a opção de Jesus, mas eu aposto no mesmo onze de hoje.
2015-08-01
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