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A matemática não engana e esta semana soube-se que muito provavelmente Portugal vai perder uma das três vagas que ocupa na Liga dos Campeões já em 2018/19. Podemos até dizer que é normal, consequência natural de termos as equipas mais fortes a jogar na I Divisão do futebol europeu, porque se sabe que elas pontuaram – e pontuariam – muito mais na Liga Europa, onde estão agora os russos e os belgas, que nos ameaçam. O sinal de preocupação não vem, portanto, da pura aritmética. E também não vem de onde devia vir: da eliminação do Sp. Braga na fase de grupos da Liga Europa, precisamente face a ucranianos e belgas; da incapacidade do Sporting se sobrepor ao modesto campeão polaco na corrida à permanência na Europa, esgotada a hipótese de continuidade na Champions; ou, por fim, da constatação de inferioridade evidente de Benfica e FC Porto face a Borussia Dortmund e Juventus (esta última ainda por confirmar no jogo da segunda mão, é verdade, mas com pouca esperança de êxito face ao resultado que se verificou no Dragão). Estes sinais do apocalipse deviam chegar para se pôr a mexer as ideias e se fazer algo, tanto no plano do contexto como no do negócio. Tem a palavra a Liga.Jorge Jesus ainda esta semana falou do assunto e voltou a dizer que Portugal produz dos melhores treinadores que o futebol europeu vai vendo. Há Fernando Santos campeão da Europa. Há Mourinho para o confirmar. Há Jardim para ajudar à festa. Já houve Villas-Boas, antes do exílio dourado na China. Mas então se temos bons treinadores, dos melhores que a Europa produz, se vamos renovando a produção de jogadores de alto nível, capazes de serem campeões da Europa e de se imporem nos melhores clubes do continente, por que raio estaremos condenados a ficar apenas pela classe média da Champions e a perder influência numa Liga Europa que já foi feudo nosso?Aqui chegados, toda a gente se foca na questão dos orçamentos. Mas a este propósito só tenho duas coisas a dizer. A primeira é que a questão dos orçamentos não tem de ser decisiva e só aparece sempre à tona do debate porque nos serve de bode expiatório perfeito. A cada vez que uma equipa portuguesa cai na Europa, aparece a justificação: o orçamento do adversário era superior e portanto está o assunto arrumado, não haveria nada a fazer. Perdão?! É para superar esta desvantagem que existem os tais excelentes treinadores e a tal renovação permanente de um quadro que tem dos melhores jogadores da Europa. E a segunda é que se a questão é a dos orçamentos, então o que tem de ser feito é mexer no futebol em termos de negócio, criar condições para que os orçamentos possam crescer e o jogo seja um oásis de prosperidade que não dependa apenas da criação de mais-valias nascidas na transferência dos melhores jogadores. Foi o que fizeram os ingleses há 25 anos, quando os resultados dos seus clubes definhavam e eles não só criaram a Premier League como lhe associaram uma estratégia de divulgação global do futebol que por lá se joga.Claro que há coisas a melhorar em ambos os planos. No que toca ao contexto, era bom que os adeptos portugueses se preocupassem mais em perceber o processo de jogo das suas equipas, as condições físicas, táticas e técnicas enfrentadas pelos jogadores e treinadores em cada situação e pusessem de lado a atual obsessão pelos cinco centímetros fora-de-jogo ou pelo intensómetro no toque do defesa no avançado. E termina nas pessoas mas começa nos clubes, que não entenderam ainda que só têm a ganhar em abrir onde hoje fecham, em utilizar o conhecimento dos seus treinadores em sessões públicas em vez de se fecharem sobre si mesmos, remetendo os néscios para a discussão das arbitragens. Já viram Vitória, Jesus ou Espírito Santo falar de forma aberta do processo de jogo das suas equipas? Claro que não, porque sempre que eles falam as conversas se limitam a aspetos banais, à busca do soundbyte televisivo, da polémica que queima mais depressa mas não cria valor.Já acerca dos orçamentos, há uma coisa que não podemos mudar, que é a dimensão do país. Mas podemos mudar a dimensão do mercado. Portugal tem durante quatro anos uma vantagem competitiva enorme no plano do marketing: é campeão da Europa. Já tem há uma década outra vantagem do mesmo calibre: produziu Cristiano Ronaldo, crónico candidato ao título de melhor jogador do Mundo. Se mesmo assim não conseguimos que o Mundo queira ver os nossos jogos, é porque, das duas uma: ou não estamos a fazer o que podemos para os mostrar ou não lhes associámos as vantagens competitivas que temos. Há 30 anos, quando se viu perante um quadro de falta de talentos, a FPF lançou um plano de formação revolucionário que alimentou o futebol nacional durante duas gerações. Mais recentemente, colocada face ao mesmo problema, integrou as equipas B na II Liga e criou condições para voltar a ter de forma repetida a melhor seleção de sub21 da Europa e, consequência disso, a seleção campeã da Europa. O plano do negócio pertence à Liga. E acho que já era altura de a Liga fazer qualquer coisa.
2017-03-12
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Último Passe

Que o futebol vai mudar em breve, toda a gente já percebeu. Podemos ficar à espera que os grandes agentes de mudança avancem - e nessa altura não nos restará nada a não ser aceitar o que eles terão para impor. Em alternativa, podemos tentar cavalgar essa onda de mudança e conduzi-la para um desfecho mais justo e racional. Foi isso que a UEFA fez no início da década de 90, quando travou as iniciativas de secessão com a criação da Liga dos Campeões. Isso, hoje, porém já não chega. E não chega porque nos conduziu a uma realidade em que clubes e seleções estão sempre no caminho uns dos outros (os últimos Jogos Olímpicos deviam ter sido a gota de água a fazer transbordar o copo da insanidade) e em que não se está a explorar devidamente a possibilidade de passar a competição para a escala normal dos dias de hoje, que é a continental. As alterações nos tempos mais próximos serão, como defendi no artigo da semana passada, nestes dois âmbitos. Hoje deixo a minha proposta. Não estou convencido de ser dono da razão. Mas sei que recusar o que aqui vai ler só porque "isso é impossível" ou porque muda muitas das realidades tidas por imutáveis é ficar à mercê de uma mudança que é inevitável e será então regulada apenas por interesses económicos dos mercados mais imponentes. Seria como a NBA recusar equipas de estados mais pequenos dos EUA só porque neles a TV tem menos audiência potencial. Em tempos já escrevi sobre um projeto de Superliga europeia. Acho que ela vai chegar mais cedo ou mais tarde e, francamente, quanto mais cedo melhor. Porque os campeonatos nacionais estão de tal modo desvirtuados com o dinheiro da Champions que, à exceção da Premier League, onde o dinheiro da TV pode competir com o da prova europeia, os maiores clubes passeiam impavidamente por eles. A Superliga europeia vem aí. Pode ser é de uma forma justa, em que os lugares são distribuídos de acordo com o mérito desportivo, com subidas e descidas e sem matar os campeonatos de cada país, ou à bruta, com atribuição de vagas numa Liga fechada, de acordo com a força que os clubes têm nos mercados, e sem preocupação com os campeonatos nacionais. O que vai fazer a diferença aqui é a proatividade que as federações que terão mais a perder com uma competição desenhada de acordo com os maiores interesses económicos (como a portuguesa, por exemplo) irão ou não assumir.Imaginemos então uma Superliga europeia com 24 clubes, os 16 melhores da Liga dos Campeões de um ano e os oito mais fortes da Liga Europa do mesmo ano. E imaginemos que os dividimos em dois grupos de 12, que jogariam todos contra todos a duas voltas (22 jornadas). Aqui chegados, apuramos os oito melhores para os quartos-de final (seguidos de meias-finais e final) os oito piores para a fuga à despromoção. No fim, em 27 jogos, teríamos um campeão europeu e dois despromovidos, que na época logo a seguir dariam o lugar aos finalistas da Liga Europa, que se manteria nos moldes atuais. São 27 semanas de competição, com jogos todas as semanas: supondo que se começava na terceira semana de Agosto e que se interrompia por três semanas por alturas do Natal e Ano Novo, podia jogar-se a final no primeiro domingo de Março. Ao mesmo tempo, jogar-se-iam os campeonatos nacionais, também por jornadas. Equipas haveria que teriam de jogar as duas competições, mas esse seria um problema bom. Por um lado porque o que ganhariam na Liga Europeia lhes permitiria pagar planteis com a profundidade necessária para as "duas cadeiras"; por outro porque ao terem de dividir as atenções entre ambas as provas, deixariam de ser tão dominantes dentro de portas, incrementando a competitividade. Com o tempo, o normal é os campeonatos nacionais acabarem por sofrer o mesmo destino que tiveram os regionais em meados do século passado. Mas aí morrerão de morte natural, sendo substituídos por mais escalões na competição continental. Ninguém os assassinará. E haverá tanta gente a bater-se pela sua continuidade como houve na altura gente a dizer que acabar com o campeonato de Lisboa ou do Porto era matar o futebol. Em Março, findos os campeonatos nacionais e europeus, era a altura ideal para entrarem em ação as seleções, com três ou quatro meses anuais para jogarem qualificacão e, se fosse caso disso, fases finais, sem os jogadores terem de andar a saltitar de uma realidade para a outra e de preferência dividindo as seleções em escalões, para evitar a profusão de jogos com amadores que hoje se realizam. Já sei qual é a primeira objeção: como sobreviveriam os clubes nesses meses? Os que tivessem internacionais receberiam pela cedência desses jogadores, que a FIFA e a UEFA geram receita suficiente para tal. Além disso, havia sempre a positividade de se jogarem provas de menor importância, como as Taças da Liga, disputadas sem os internacionais. Podiam organizar clínicas para jovens, porque vai caber-lhes cada vez mais a formação transformada em negócio. Podiam organizar digressões. Porque essa ideia segundo a qual os clubes têm de estar em ação permanente para serem um sucesso financeiro é desmentida, também, pela NBA. As finais de 2016 chegaram ao sétimo jogo e concluíram-se a 19 de Junho. A competição recomeça a 25 de Outubro, mais de quatro meses depois. E as equipas que não chegarem ao playoff ficam despachadas em inícios de Abril, quase seis meses antes de voltarem à competição. E não tenho ideia de as franchises andarem a perder dinheiro
2016-10-17
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Último Passe

Benfica e Sp. Braga não foram bafejados pela sorte nos sorteios dos quartos-de-final da Liga dos Campeões e da Liga Europa. Aos bicampeões nacionais saiu o Bayern, um dos tubarões que havia no sorteio – e havia quatro –, a tornar muito complicado pensar mais à frente nesta competição, enquanto que a equipa minhota terá de defrontar o Shakthar Donetsk, poderosa equipa do Leste europeu, que já se sabe vai ganhando ritmo competitivo à medida que a Primavera substitui o inverno. Não sendo proibido pensar em apuramentos, o que mais interessa agora é ver até que ponto a UEFA justifica um descentrar de ideias na Liga. Ora isso não será um problema para o Sp. Braga, que está a onde pontos do terceiro lugar, tem o quinto a seis pontos ainda assim geríveis e pode dar-se ao luxo de pensar sobretudo nas provas a eliminar que tem pela frente: meia-final da Taça da Liga com o Benfica, final da Taça de Portugal com o FC Porto e quartos-de-final da Liga Europa, com o Shakthar. Ainda assim, e mesmo tendo em conta que tem um plantel muito equilibrado, com 16/17 jogadores do mesmo nível, Paulo Fonseca deve lembrar-se que já teve o quinto lugar mais longe e que não lhe convirá tirar por inteiro a cabeça da Liga portuguesa. O Shakthar, ainda por cima, sendo um adversário forte, não é um opositor que pareça inultrapassável. Os ucranianos acabam de afastar o Anderlecht, com duas vitórias, depois de mesmo em férias ativas terem eliminado o Schalke, sem sofrer golos; estão a apenas três pontos do Dynamo Kiev no topo da sua própria Liga e além disso já vão chegar a Abril mais rodados que neste momento, mas não têm um histórico recente nada famoso contra equipas portuguesas. Muito mais complicada é a tarefa à frente do Benfica. É verdade que, sem alguns dos seus titulares, este Bayern Munique parece uma equipa manejável. A Juventus esteve a um minuto de eliminar os alemães, que durante uma hora pareceram irreconhecíveis, na lentidão com que saíam a jogar, por exemplo. Mas o peso competitivo de um plantel que, recorde-se, ainda há um ano goleou o FC Porto em Munique é incomensurável – e isso viu-se na forma como fez o 2-2 no último minuto e partiu dali para ganhar por 4-2 no prolongamento. Só um super-Benfica poderá pensar em equilibrar a eliminatória com o Bayern – e o FC Porto, apesar de tudo, ainda ganhou a primeira mão, há um ano, antes de soçobrar em Munique – e não é líquido que Rui Vitória esteja em condições para meter tudo na Liga dos Campeões, deixando momentaneamente para segundo plano a Liga portuguesa. É claro que qualquer treinador dirá que aborda um jogo de cada vez, mas alguém duvida que a estratégia e o comportamento do FC Porto no jogo do título da época passada (0-0 com o Benfica na Luz) foi condicionado pelo 6-1 que os dragões tinham apanhado em Munique uns dias antes? Porque uma eliminatória com o Bayern pode pesar de inúmeras formas e a física nem é a mais importante.
2016-03-18
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Que a SuperLiga vem aí, já toda a gente com olhos na cara percebeu há uns 25 anos. Tem a ver com a compreensão daquilo que é o futebol, mas também com a noção daquilo que é o Mundo, que se reflete sempre no futebol. As instâncias que governam o futebol têm vindo a dar pequenos passos numa direção que por vezes nem é a que mais lhes convém, porque perceberam que essa é a única forma de impedir as forças motrizes do negócio de dar o grande salto em frente. Mas chegará o momento em que as ligeiras travagens não são suficientes. E ele já não está muito longe, pelo que o que há a fazer não é tentar impedi-lo. É prepararmo-nos para ele. De preferência com a UEFA à cabeça – mas para isso, as federações que mais podem perder com isto têm de se mexer. E a portuguesa é uma delas. Quem me acordou para esta realidade foi Alex Fynn, em inícios da década de 90. Na altura um executivo de topo da Saatchi & Saatchi, o homem que primeiro defendeu a criação desta SuperLiga europeia explicou-me, a mim e a quem fez o favor de me ler, nas páginas do “Expresso”, as razões pelas quais a prova já estava ali ao virar da esquina. Se a melhoria dos transportes ferroviários e da rede de autoestradas nos permitiu passar dos campeonatos regionais aos nacionais e, depois, a evolução dos transportes aéreos permitiu a criação das competições europeias, a sua vulgarização levaria a que fosse possível jogar-se uma verdadeira Liga europeia. E Fynn falava muitos anos antes do fenómeno “low cost” na aviação e das implicações que ele trouxe para a mobilidade das pessoas em geral. Fynn não falava sem interesse – tinha feito um estudo encomendado por Silvio Berlusconi, na altura ainda apenas dono do Milan e de uma rede de media. Berlusconi tinha um clube e os meios de o rentabilizar e queria ver avanço no negócio. Porque para o Milan era mais atrativo jogar com o Manchester United do que com o Bari. Tal como agora para o Bayern é mais interessante defrontar o Barcelonado que o Hoffenheim. E é mais rentável. Sobretudo, é mais rentável. Por isso, se algo me surpreende, agora que recupero as notas dessa conversa com mais de 20 anos, é que a SuperLiga ainda não tenha arrancado. Não arrancou porque a UEFA tem andado sempre um passo à frente. Em 1992, para impedir o avanço da SuperLiga, criou a Liga dos Campeões, assegurando mais jogos a cada clube. Em 1998, quando se falou outra vez de secessão, aumentou para dois o número de vagas para cada um dos principais países. Em 2010, face a mais conversas, o total de vagas cresceu para quatro nos três primeiros países do ranking. Agora, que os cinco maiores clubes ingleses abriram conversações para jogarem partidas da Champions nos EUA ou no Oriente, não se vê o que mais pode a UEFA oferecer-lhes a não ser criar ela própria uma nova competição. E mesmo assim não é garantido que os clubes decidam ficar, pois o organismo que tutela o futebol europeu já não é um garante de legitimidade que era há 20 ou 30 anos, quando ainda não se falava de corrupção como se fala agora. Aqui chegados, a SuperLiga não é uma má ideia. Pelo contrário. É uma excelente ideia. O que nos trouxe a globalização, com a vulgarização das transmissões de futebol de todo o Mundo para todo o Mundo, é que as novas gerações de portugueses já sabem melhor como joga o Barcelona, o Real Madrid ou até o Leicester do que o Tondela, o Arouca ou o V. Setúbal. Podemos gostar ou não gostar – e a mim não me incomoda por aí além – mas não podemos mudar o Mundo de uma penada. E se o que as pessoas querem é grande futebol, pois que se lhes dê grande futebol. De preferência com a UEFA a mandar, porque essa, ainda assim, é a única forma de desviar alguma da receita para o desenvolvimento do futebol jovem e das federações menos ricas, de evitar, não que os ricos fiquem mais ricos, mas que os pobres fiquem mais pobres. Salvaguardados esses princípios de justiça relativa, é preciso depois pensar que SuperLiga se cria. Porque uma coisa é aquilo que é justo e outra é aquilo que é melhor para o negócio. O que é justo é pegar-se nas 20 melhores equipas da Europa (por exemplo os 16 apurados na fase de grupos de uma próxima Champions e os quatro semi-finalistas da Liga Europa do mesmo ano), criar para elas um escalão supra-nacional, acima dos campeonatos de cada país e das atuais provas europeias, com quatro despromoções e quatro subidas, a serem entregues aos finalistas das duas competições continentais de cada ano. Jogar-se-ia em 38 jornadas, ao fim-de-semana e, para não se esvaziar totalmente os campeonatos nacionais, os clubes da SuperLiga até poderiam participar neles com equipas B. O que é melhor para o negócio é fazer uma Liga fechada, tipo NBA, sem subidas nem descidas, com cinco equipas de Inglaterra, quatro da Alemanha, quatro de Espanha, quatro de Itália e dar as três vagas restantes ao Paris St. Germain, ao Mónaco e ao Zenit. Eventualmente, o Celtic, o Ajax, o Galatasaray, o Benfica ou o Shakthar Donetsk podiam tentar entrar, ainda que sem grandes hipóteses de sucesso. Portugal quer isto? Creio que não. Então mexam-se! In Diário de Notícias, 14.03.2016
2016-03-14
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Último Passe

ay e Dynamo Kiev, Benfica e FC Porto não ficaram mal servidos.O Galatasaray conseguiu ganhar Liga e Taça da Turquia, mas saiu da última Champions logo à primeira fase, sem sequer aceder à Liga Europa. Como o Benfica, aliás. Deixando de parte o contributo exótico dado pelo Astana, o Benfica tem de ser considerado o favorito face aos turcos, seja porque não é normal uma equipa ser cabeça de série três anos seguidos e não ir aos oitavos de final (e o Benfica já vai em dois...), seja porque beneficia de uma última jornada em casa com os espanhóis do Atlético de Madrid, um clube amigo e que pode chegar aí já apurado.Por sua vez, o Dynamo Kiev volta à Champions após dois anos de fora, fruto de ter também ganho a dupla campeonato-taça na Ucrânia. E da última vez que por lá esteve saiu pela porta da Liga Europa, chutado para fora precisamente pelo FC Porto. Os dragões terão gostado pouco de ter de acabar o grupo em Londres, com o Chelsea, mas podem tirar frutos da sempre decisiva jornada dupla com o Maccabi Tel Aviv. E a obrigação que têm também é a de seguir em frente na prova.Resta agora que Sporting, Sp. Braga e Belenenses tenham pelo menos a mesma sorte de Benfica e FC Porto no sorteio da Liga Europa. É que por ali ainda há muito tubarão à solta e nem mesmo o Sporting, na condição de cabeça de série, pode garantir um grupo fácil, com equipas como o FC Liverpool, o Mónaco, a Fiorentina ou a Lazio fora do grupo dos privilegiados.
2015-08-27
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Último Passe

A UEFA continua a ser uma organização desconcertante. Por um lado pisca o olho à modernidade e a uma autêntica Liga europeia, ao alargar as vagas espanholas na fase de grupos da Liga dos Campeões para cinco, com a inclusão do FC Sevilha, na qualidade de vencedor da Liga Europa. Por outro, olha para trás, para a antiga Taça dos Campeões Europeus, enchendo o pote de cabeças de série com o atual campeão da Europa e os campeões nacionais dos sete países mais bem colocados no ranking após a Espanha.Vai haver quem queira vender esta medida como um passo no sentido da democratização do sorteio de quinta-feira, mas isso é uma falácia. Basta olhar para o Pote 2 em construção. Nele, além do FC Porto, perspectiva-se a presença de Real Madrid, Atlético Madrid, Valencia, Arsenal, Manchester City, Manchester United e Leverkusen. Um lote de pesadelo para Benfica (que será cabeça de série) e Sporting (que se conseguir apurar-se cairá no Pote 3). Quando entre os cabeças de série há equipas do calibre do Zenit ou do PSV Eindhoven, já se vê que bom mesmo para este sorteio é não ter sido campeão nacional: dá mais hipóteses de se apanhar um grupo fácil.
2015-08-25
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