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Último Passe

A segunda vitória consecutiva de Portugal por 6-0, desta vez no piso sintético de Tórshavn, contra as Ilhas Faroé, começou numa noite perfeita de André Silva, autor de um hat-trick na primeira parte, mas teve igualmente grande influência de João Mário, o maestro que foi permitindo à equipa de Fernando Santos jogar dentro das linhas do adversário. Ronaldo, Moutinho e Cancelo completaram o resultado num segundo tempo onde nem a descontração normal em situação de vantagem permitiu aos donos da casa entrar no jogo. Prova disso é a superioridade estatística dos portugueses e o facto de as Ilhas Faroé só terem rematado por três vezes nos 90 minutos.Portugal manteve o 4x4x2 do jogo com Andorra, mas com a troca de Bernardo Silva e João Moutinho por João Mário e William Carvalho. Estas trocas tinham a intenção de ganhar centímetros que podiam ser decisivos face ao jogo mais direto e físico das Ilhas Faroé, mas também de conseguir jogar dentro do bloco adversário. Partindo da esquerda mas surgindo frequentemente pelo corredor central, quase sempre em trocas posicionais com Ronaldo, que nessas alturas abria na lateral, João Mário foi capaz de encontrar o espaço para jogar entre as linhas das Ilhas Faroé e de dirigir a equipa e André Silva até ao hat-trick que resolveu o jogo bem cedo, após um início no qual a seleção nacional até teve algumas dificuldades na adaptação ao relvado (problemas de tração no arranque e meia dúzia de escorregadelas) e ao tal futebol direto dos nórdicos, com procura dos ressaltos.A verdade é que Portugal marcou na primeira ocasião, logo aos 12': João Mário entrou pelo meio e deu a bola a André Silva, que a ganhou a tempo de bater Nielsen, apesar da tentativa de corte de Nattestad. E depois fez o 2-0 na segunda, dez minutos mais tarde: abertura de João Mário para a direita, de onde, após driblar um adversário, saiu um cruzamento de Quaresma que nem o guarda-redes nem um defesa foram capazes de desfazer, dando a André Silva a oportunidade de bisar, num cabeceamento muito bem colocado. Se dúvidas ainda houvesse, o hat-trick de André Silva, aos 37', em recarga a um tiro do sempre ofensivo João Cancelo, acabou com elas ainda antes do intervalo, o que de certa forma permitiu a Portugal regressar para a segunda parte com a tentação da gestão do jogo e do resultado. Era normal.Ainda assim, após mais um início dividido, os portugueses foram à procura de mais golos. Ronaldo, a passe de João Mário, perdeu o 4-0 logo aos 49', isolado na cara de Nielsen, vindo a fazê-lo aos 65', após dupla tabela com o mesmo João Mário e um remate ao ângulo que lhe saiu tão potente do pé esquerdo que o toque do guardião não fez mais do que confirmar o golo. Com o jogo resolvido, os donos da casa puseram a ideia num golo de honra e até fizeram os seus únicos (três) remates nesses 25 minutos finais, mas sempre sem ameaçar a tranquilidade de Rui Patrício, que foi um espectador durante toda a noite. Foi por essa altura que, vendo a equipa abrandar, Fernando Santos deu sinais de querer mais. Chamou Gelson para o lugar de Quaresma e o jovem leão trouxe a velocidade e a criatividade que já iam faltando ao jogo: praticamente na primeira vez que tocou na bola deu a André Silva a possibilidade de fazer mais um golo, mas desta vez Nielsen foi mais forte e desviou para canto. No canto, Davidsen safou em cima da linha um cabeceamento de Pepe, o que parecia encaminhar o jogo sem mais golos até ao fim. Gelson, no entanto, quis deixar a sua marca e não esteve pelos ajustes, fazendo as assistências para os golos com que Portugal fechou a goleada, já para lá do minuto 90: primeiro deu atrasado para um remate em jeito de Moutinho, muito colocado, junto ao poste, e depois lançou Cancelo nas costas da defesa da casa, para o terceiro golo do lateral direito em outras tantas internacionalizações. Notável.O jogo acabou por resolver-se com mais facilidade do que o esperado por toda a equipa portuguesa - às Ilhas Faroé não tinham sofrido um único golo nas primeiras jornadas - mas isso não significa que Portugal tenha a vida mais facilitada, pois mesmo com dificuldades, a Suíça voltou a ganhar e os 2-1 a Andorra também valeram três pontos.
2016-10-10
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Último Passe

Portugal goleou Andorra por 6-0, numa noite que ficará para a história da seleção e de Cristiano Ronaldo, autor de quatro golos que igualam o recorde de concretizações num só jogo da equipa nacional, até então pertença de Eusébio, Pauleta e Nuno Gomes. A partida serviu a Fernando Santos para começar a emendar o passo em falso dado com a derrota na Suíça, na jornada inaugural, mas não chega para alimentar euforias, não só porque Andorra é uma seleção demasiado fraca para ser tida em conta, como também porque os suíços complicaram as contas nacionais, ganhando na Hungria por 3-2 e superando com o pleno de pontos o obstáculo mais complicado que tinham antes da deslocação a Portugal. O jogo de Aveiro teve pouca história, porque Portugal marcou dois golos nos primeiros quatro minutos, ambos da autoria de Cristiano Ronaldo, que assim assinou o bis mais rápido de sempre na equipa nacional. A questão da atribuição dos pontos ficou logo ali resolvida, mas para a tibieza da reação andorrenha contribuiu igualmente o facto de os visitantes terem jogado os últimos 20 minutos com nove homens, devido a duas expulsões nascidas de um jogo persistentemente faltoso com que tentaram travar a equipa lusa. Fosse por excesso de empenho físico enquanto puderam dá-lo ou devido a um atraso constante na chegada à bola quando começaram a acusar a fadiga, os pupilos de Alvarez foram sendo fustigados com amarelos que lhes retiraram qualquer hipótese de construir jogadas de ataque e permitiram a Portugal acabar o jogo com várias unidades atacantes em campo ao mesmo tempo: Ronaldo, Quaresma, Gelson, Bernardo Silva, André Silva, João Mário e João Moutinho terminaram todos o jogo em campo, numa equipa que já só tinha três defesas e podia ter dispensado o guarda-redes, tão desprovida de sentido foi a permanência entre os postes de um sempre desocupado Rui Patrício Este foi, ainda assim, um jogo com várias pequenas histórias. Foi a história do recorde de golos num só jogo da seleção, que Ronaldo igualou mas podia bem ter superado, não tivesse ele passado os últimos 20 minutos de jogo longe da área, devido a um toque mais violento que sofreu por essa altura. Mas foi também a história do primeiro golo de André Silva na seleção, uma finalização longe de ser brilhante, que beneficiou de um desvio num defesa adversário, mas que nem por isso ou por ele ter perdido antes dois cabeceamentos com selo de golo tira vontade de o ver mais vezes ao lado de Ronaldo, pela forma como trabalha para libertar o capitão de amarras e da necessidade de jogar de costas para a baliza, como referência do ataque. A primeira experiência da dupla foi boa, mas tal como acerca da titularidade de Cancelo na defesa, exige observação mais cuidada perante um adversário de um nível de exigência mais alto para se formarem opiniões mais definitivas. E foi ainda a história da estreia de Gelson na seleção principal, entrando nos últimos 20 minutos para acelerar a equipa – quis o destino que a entrada do extremo leonino coincidisse com a lesão de Ronaldo e a redução de Andorra a nove homens, o que mudou o jogo. Nesses últimos 20 minutos, contra nove, Portugal só fez um golo – o sexto, de André Silva. Até aí tinha feito cinco, que completam a história do que se passou em Aveiro. Ronaldo marcou o primeiro aos 2’, sendo mais rápido a erguer-se que Rebés após uma defesa do guarda-redes Gomez para a frente, e juntou-lhe o segundo logo aos 4’, respondendo da melhor forma a um excelente cruzamento de Quaresma. Portugal entrou nessa altura numa fase de menor fulgor, com vários passes perdidos, nascidos da desconcentração de uma equipa à qual tudo parecia demasiado fácil. João Cancelo, em lance individual, fez o 3-0 pouco antes do intervalo, mas a equipa voltou melhor para o segundo tempo, provavelmente acordada com a insatisfação de Fernando Santos. Ronaldo fez o quarto aos 47’ numa belíssima finalização em volei após cruzamento tenso de André Gomes, e o quinto aos 68’, acorrendo de pé esquerdo a um desvio de José Fonte. Igualado o recorde e com mais de 20 minutos por jogar, esperar-se-ia que ele o batesse, mas foi aí que o capitão recuou no campo e a equipa assumiu o objetivo de dar a André Silva o seu primeiro golo internacional. Fê-lo já perto do final, compondo o resultado e deixando toda a gente à espera de ver o que trará o jogo nas Ilhas Faroe. Mais dificuldades, certamente.
2016-10-08
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Último Passe

Raul Jimenez é um excelente jogador. Não foi muito feliz no ano de estreia no futebol europeu, no Atlético Madrid, porque a transição do futebol mexicano para a Europa não é fácil e nem toda a gente a consegue fazer como Jackson Martínez: Jimenez fez apenas um golo na Liga espanhola. De qualquer modo, deixar a prova espanhola, mais exigente, e entrar na portuguesa, onde Jackson se impôs, pode muito bem ser o passo atrás de que ele precisa para depois dar dois em frente. O que me inquieta na transferência do atacante mexicano para o Benfica não são as suas hipóteses de sucesso, que é evidente que as tem. Com ele e Mitroglu associados a Jonas e ao promissor Jonathan, o Benfica fica com quatro pontas de lança de grande qualidade. O que me inquieta é ver tamanha diferença no valor da transferência anunciado pelos jornais, entre os três e os nove milhões de euros pela metade do passe que não fica nas mãos de Jorge Mendes. É evidente que as fontes de informação não são as mesmas e que parte delas está enganada. Ou a enganar, que é o mais provável. A verdade é que Jimenez custou há um ano 10,5 milhões de euros ao Atlético Madrid (pela totalidade do passe) e não vejo como é que um golo em 28 jogos na Liga espanhola pode tê-lo valorizado para o dobro. Mas a verdade também é que esta não seria a primeira vez que o super-agente português conseguia aplicar uma lente de aumento aos valores praticados em transferências de jogadores envolvendo clubes nacionais. E estes já tantas vezes disso beneficiaram: Bebé é o caso mais flagrante, mas também João Cancelo, Ivan Cavaleiro e até Bernardo Silva ou André Gomes (embora estes tenham já justificado o que por eles pagaram) pareceram hiper-inflacionados. A questão é que com Jimenez a lupa está virada ao contrário.
2015-08-11
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