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Último Passe

Um hat-trick de Diogo Jota ainda na primeira parte transformou a viagem do FC Porto à Choupana num passeio, reduziu a oposição do Nacional a zero e alertou Nuno Espírito Santo para a existência de valores seguros no plantel para os quais talvez nem os mais fervorosos adeptos portistas estivessem alerta. A vitória por 4-0, para a qual contribuiu mais um golo de André Silva, na segunda parte, permitiu aos dragões colarem-se a Sporting e Benfica (que ainda tem de jogar a sua partida desta jornada) no primeiro lugar. E, apesar de a interrupção da Liga não chegar na melhor altura para uma equipa subitamente remoralizada, permitirá um recomeço quase do zero quando o campeonato regressar: este FC Porto jovem, esta equipa dos "jotinhas", apresentou o melhor compromisso dois dragões desde o início da temporada. Para o desequilíbrio final no marcador contribuiu um Nacional fraco, é verdade, mas também um FC Porto outra vez forte. O regresso de Herrera, melhor em posse do que André André, e sobretudo a titularidade de Jota, explicam alguma coisa. Um jogador rápido e objetivo como Jota, que fez 14 golos ainda como júnior, na época de estreia na Liga, não pode ser visto só como elemento de contra-ataque – é uma arma incontornável na construção do processo ofensivo portista, tendo feito mais numa noite do que todos os outros parceiros de André Silva no 4x4x2 no resto da temporada. Fez o 1-0 após tabela com Herrera, logo aos 11’. Perdeu o segundo golo em lance individual ao qual se opôs o guardião Rui Silva, mas apenas para o fazer pouco depois, após passe de André Silva. E antes do intervalo ainda fez o terceiro, de cabeça, após cruzamento vindo da direita. A perder por 3-0, ninguém regressa a um jogo contra um grande a não ser que este facilite. Na segunda parte, o FC Porto não o fez e na verdade não se viu sequer ameaça de regresso do Nacional à luta pelos pontos. Foi o FC Porto quem marcou mais um, aliás, ainda antes dos 60’: André Silva finalizou, após assistência de Otávio, num lance nascido da criatividade de Oliver. Com Herrera, Otávio e Oliver à frente de Danilo, o meio-campo do FC Porto ganha uma capacidade de construção ofensiva a que depois dois bebés com golo nas botas como são Jota e André Silva podem dar a devida sequência. Chegará tanta juventude para os desafios a que se propõe o FC Porto? Não é fácil responder afirmativamente e sem reservas. Mas que ainda não se tinha visto melhor compromisso esta época aos dragões, isso é uma evidência.
2016-10-02
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Último Passe

Quem tivesse olhado para a primeira parte da vitória do FC Porto em Vila do Conde, frente ao Rio Ave, por 3-1, poderia ter ficado com a ideia de que o meio-campo do FC Porto estava curto demais para o jogo. Danilo, Herrera e André André tinham dificuldades para assegurar a iniciativa, muitas vezes deixados em inferioridade numérica face ao quarteto formado por Wakaso, Pedro Moreira, Tarantini e Ruben Ribeiro e sobretudo com demasiado espaço para cobrir, face à maior distância entre linhas que a equipa mantinha. A forma como o jogo decorreu até final, porém, pode deixar uma sensação diferente: e se tudo isso for estratégico? E se essa for a maior diferença face ao “Lopeteguismo” e ao FC Porto dos últimos dois anos? Este é, na verdade, um FC Porto filosoficamente diferente. Onde a equipa dos últimos anos procurava movimentos de aproximação, encurtar linhas, promover apoios, a equipa de Nuno Espírito Santo quer abrir grandes espaços, procurar o ataque rápido e dar aos médios condição para que, assim que conseguem superar a primeira zona de pressão do adversário, correrem livres em direção a zonas de decisão. O golo de Herrera foi disso exemplo: o passe de Otávio, inteligente no movimento para trás e depois na forma como chamou Wakaso, ajudou a libertar o mexicano, que face à tal maior distância entre as linhas teve à frente uma auto-estrada até à entrada da área, de onde desempatou o desafio com um belo remate ao ângulo. Esse lance marcou a diferença num jogo que teve uma primeira parte sempre equilibrada e pode muito bem ser uma afirmação de identidade deste novo FC Porto, que tem em André Silva um excelente avançado de área e em Corona mais um velocista, capaz de decidir tanto na ala como ao meio. Há um ano, houve quem achasse que a maior lacuna deste FC Porto era a falta de um 10. Nunca tal me pareceu claro, porque a intensidade dada ao jogo pelos médios – sobretudo quando ainda havia Imbula em boa fase – chegava para assegurar a iniciativa durante a maior parte dos jogos e aquilo que mais fazia falta era um 9 com capacidade para resolver no aperto da área, que Aboubakar nunca foi. Por alguma razão o camaronês está atrás de Depoitre, um clone de André Silva... Esta época fala-se menos do 10, porque os movimentos interiores e para o espaço entre-linhas de Otávio, vindo do lado esquerdo, parecem ter como intenção mascarar a falta de soluções para a segunda linha de médios. Ruben Neves é mais um 6 do que um 8, alternativa a Danilo, portanto, e além dos que jogaram ontem (Herrera e André André) só há Sérgio Oliveira, Evandro e João Carlos Teixeira. Faltará mais classe ali? É possível. Classe nunca fez mal a nenhuma equipa. De qualquer modo, a avaliação deste FC Porto pede mais tempo. A capacidade daquele meio-campo não pode ser medida nem pela primeira parte do jogo, em que a teia desenhada pelos médios do Rio Ave acabrunhou os portistas e lhes roubou o controlo do terreno, nem pela segunda parte, quando aumentou o espaço para as correrias e a baliza de Cássio se tornou mais próxima. Numa época tão longa, o FC Porto vai precisar de jogar de muitas formas, de dominar todos os momentos do jogo. É verdade que isso não me parece assegurado. O próprio treinador disse no final do jogo que a equipa está “em construção”. Mas enquanto conseguir ir construindo em cima de vitórias, está a ganhar tempo para consolidar o processo.
2016-08-12
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Último Passe

Uma tarde quase perfeita de Slimani e João Mário, conjugada com alguma fortuna em momentos capitais e com o desacerto dos homens das linhas mais recuadas do FC Porto permitiram ao Sporting uma vitória tão afirmativa como justa no Dragão, por 3-1, e a continuidade na luta pelo título, a dois pontos do Benfica. A equipa de Jorge Jesus mostrou princípios de jogo mais coerentes e uma qualidade superior, tanto na criação como na definição, pelo que saiu do relvado com os três pontos – que na verdade raramente estiveram em dúvida, mesmo que o terceiro golo leonino só tenha sido marcado por Bruno César a quatro minutos do fim. Mesmo com mais iniciativa em toda a segunda parte, sobretudo quando André André veio dar alguma dinâmica ao meio-campo, os comandados de José Peseiro viram sempre a equipa leonina criar mais situações de golo. A diferença entre leões e dragões foi tanto marcada pelos dois golos de Slimani como pelas duas assistências de João Mário, as duas figuras superlativas de um Sporting onde Adrien ocupou muito espaço a meio-campo e Rui Patrício também foi importante. No FC Porto, que na primeira parte só foi perigoso quando procurava a profundidade de Aboubakar ou este fazia movimentos contrários para soltar Herrera, lamentam-se os dois remates aos ferros da baliza de Rui Patrício, mas a verdade é que o guardião leonino teve um papel importante em ambos: no primeiro, é ele que desvia a finalização de Herrera para a base do poste; no segundo, caso o livre de Sérgio Oliveira tivesse saído cinco centímetros mais abaixo, em vez de esbarrar na barra seria desviado pela luva do guarda-redes, que lá estava bem posicionada. Entre estes lances, porém, o que se viu foi um Sporting sempre mais forte. Tanto no espaço interior, muito graças à imprevisibilidade da movimentação de João Mário e à forma como Adrien, Ruiz e Téo Gutièrrez apareciam também a jogar na zona livre entre Danilo e Sérgio Oliveira e o mais avançado Herrera, como quando escolhia procurar a largura, onde Brahimi e Corona nunca foram capazes de ajudar devidamente os defesas-laterais a travar as duplas leoninas para ali destacadas. Depois de um início dividido, a história do jogo começou a escrever-se na superioridade do flanco direito do Sporting sobre a esquerda portista. João Mário, logo aos 3’, tinha deixado bem à vista a sua grande debilidade – a finalização – chutando uma bola que estava a saltitar à entrada da pequena área sobre a barra; Herrera, aos 7’, viu Rui Patrício roubar-lhe o golo, no tal lance que foi bater no poste. E depois de também Slimani (em canto de Ruiz) e Aboubakar (em antecipação a Rui Patrício) terem também estado perto do golo, o Sporting marcou mesmo. William, sem pressão, abriu o jogo na direita, onde João Mário dominou, superou José Angel e descobriu Slimani totalmente à vontade na área – errada a abordagem de Chidozie – para inaugurar o marcador. Havia 23 minutos de jogo e ali começava o melhor período do Sporting, durante o qual Slimani voltou a estar perto do golo, outra vez após lance na direita: dessa vez, porém, Casillas impediu o 0-2. Só que aí, quando parecia entregue, o FC Porto marcou, por Herrera, num penalti a castigar falta de Coates sobre Brahimi. O FC Porto parecia acreditar que podia equilibrar o jogo, mas nessa altura foi de novo traído pelos erros do seu setor mais recuado: primeiro foi Maxi a deixar Ruiz à vontade para cruzar e depois Martins-Indi a não atacar a bola nem o adversário. Como o adversário era Slimani, o melhor cabeceador da Liga, a bola foi parar às redes de Casillas. Faltava um minuto para o intervalo. E à felicidade de marcar no final da primeira parte, o Sporting somou a de não sofrer no início da segunda, primeiro quando Maxi Pereira viu um remate de boa posição negado por uma mancha de Patrício e depois quando Sérgio Oliveira, de livre, acertou na barra da baliza leonina – ainda que a mão de Rui Patrício estivesse logo ali, para deter a bola, se esta viesse um nadinha mais baixa. José Peseiro optou então por trocar Sérgio Oliveira, demasiado preso no meio-campo, por André André, e o FC Porto ganhou algum ascendente, ainda que meramente territorial. A meia hora do final, o Sporting tentava controlar os ritmos de jogo, se conseguia sair com a bola até era mais perigoso que o adversário, mas este andava sempre mais perto da sua área. Aí faltou aos portistas alguma qualidade na frente, algo que também não melhorou com a troca de Corona por Varela. O FC Porto tinha mais bola, mas as melhores situações de golo eram verdes e brancas. Como quando André André veio compensar mais um erro atrás e tirou o 1-3 a João Mário (aos 66’). Ou quando Casillas fez uma defesa monstruosa, a deter sobre a linha um cabeceamento de Slimani que levava selo de golo (aos 69’). Percebendo isto mesmo, José Peseiro tardou a fazer a sua última aposta, que passava por tirar gente de trás e meter mais homens na frente. A cinco minutos do fim, trocou o desastrado Chidozie por mais um ponta-de-lança, na ocasião André Silva. E um minuto depois, o Sporting matou o jogo: João Mário veio para dentro, descobriu um desequilíbrio que a troca provocara na defesa portista e meteu a bola à frente de Bruno César, que entretanto entrara para o lugar de Téo. O “Chuta-Chuta” chutou e Casillas deixou a sua marca no clássico, permitindo que a bola se lhe enrolasse debaixo do corpo e entrasse. O 1-3 acabava com a discussão do jogo e, em contrapartida, mantinha bem acesa a da Liga. O Sporting superava o teste maior com muita personalidade e mantinha-se a dois pontos do Benfica. Os leões serão agora os próximos a jogar, recebendo no sábado o aflito V. Setúbal e, se ganharem, devolvem a pressão ao Benfica, que no domingo visita o Marítimo nos Barreiros. Este campeonato, um dia, vai acabar. Mas ainda não foi desta.
2016-04-30
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Último Passe

Uma entrada contundente, com dois golos em nove minutos, permitiu ao FC Porto de José Peseiro afastar o espectro das duas derrotas consecutivas que subiu ao relvado com os seus jogadores para a partida com o Nacional e deu ao treinador a hipótese de ganhar pela primeira vez ao seu antigo clube. Os 4-0 com que se concluiu a partida, maior vitória do FC Porto desde a chegada de Peseiro, chegaram para que os dragões mantivessem as hipóteses matemáticas de alcançar os dois rivais de Lisboa na classificação mas, muito mais importante do que isso, lançaram mais três jogadores para o foco mediático nesta espécie de pré-época em que se transformaram as semanas que antecedem a final da Taça de Portugal: André Silva, Ruben Neves e Varela juntam-se a Sérgio Oliveira como “descobertas” de fim de temporada. O golaço de Varela, logo aos 2’, na primeira vez que o FC Porto visou as redes de Rui Silva, e o tento que se lhe seguiu, de Herrera, aos 9’, transformaram uma partida que se presumia pudesse ser competitiva num mero exercício de avaliação. A perder por 2-0 desde tão cedo, o Nacional deixou cair grande parte das esperanças de levar pontos do Dragão, pelo que o que havia a ver era sobretudo como se comportavam as novas apostas de Peseiro. E não se portaram nada mal, lançando entre os dragões a esperança de se verem mais representados na escolha final de Fernando Santos para jogar o Europeu, na qual só mesmo Danilo já estava seguro. O treinador recuou o médio para defesa-central, em vez de Chidozie, e dessa forma permitiu, de bónus, o regresso de Ruben Neves à titularidade no comando das operações a meio-campo, a tempo de voltar a ter algumas – poucas, é verdade… – esperanças de ser chamado. Na frente, com Aboubakar sentado no banco, apostou no jovem André Silva, que voltou a não marcar (esteve perto, aos 18’ e aos 67’) mas se mexeu sempre bem e deu o seu contributo para o excelente arranque da equipa. Com 2-0 ao intervalo – e Sérgio Oliveira também esteve perto do terceiro ainda na primeira parte – o Nacional procurou reagir no início do segundo tempo, com Luís Aurélio em vez de Aly Ghazal. Ainda assim foi o FC Porto quem marcou, por Danilo, de cabeça, após cruzamento de Corona. Se dúvidas havia – até então, um golo do Nacional ainda podia reabrir o jogo – elas acabaram nesse momento. E houve ainda tempo para que Aboubakar, que entrou a 15 minuto do fim, reforçasse o seu estatuto de maior goleador da equipa, rompendo a resistência que vinha sendo feita pelo guarda-redes Rui Silva e fechando o marcador num golo de chapéu. Os três pontos não estavam em discussão há muito, mas o jogo valeu mesmo para que vários jogadores dissessem que se o que o clube atravessa neste momento é uma pré-época, então devem contar com eles quando começar a competição.
2016-04-17
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O FC Porto desloca-se a Setúbal, onde defrontará o Vitória num jogo fundamental para, utilizando a expressão de José Peseiro após a última partida, continuar “vivo” na Liga. Fá-lo frente à equipa que tem sido o seu mais habitual “freguês” dos últimos tempos: contabilizando todas as provas, os dragões seguem com 26 vitórias seguidas sobre o V. Setúbal, série sem igual com qualquer outra equipa do primeiro escalão. A última vez que o V. Setúbal defrontou o FC Porto sem perder já foi há mais de dez anos, a 29 de Outubro de 2005. Nessa noite, uma equipa comandada por Luís Norton de Matos, na qual jogava o agora internacional José Fonte, foi empatar ao Dragão (0-0) com o FC Porto de Co Adriaanse, onde alinharam Pepe e Quaresma, por exemplo. E mesmo olhando mais para trás o panorama não melhora muito para os sadinos, que obtiveram apenas dois empates nos últimos 40 jogos entre as duas equipas e não ganham aos dragões desde 7 de Maio de 1989. Foi há quase 27 anos que um golo de Aparício deu a uma equipa liderada por Manuel Fernandes uma vitória por 1-0 nas Antas face ao FC Porto de Artur Jorge. No Bonfim, então, a última vez que o V. Setúbal ganhou ao FC Porto foi em Março de 1983: Manuel de Oliveira levou o Vitória a ganhar por 3-1 ao FC Porto de José Maria Pedroto. A superioridade azul e branca tem sido marcadíssima nos últimos tempos. Há quase três anos que o V. Setúbal não marca sequer um golo neste confronto: o último marcou-o Rafael Martins na ronda de abertura do campeonato de 2013/14, num jogo que o FC Porto acabou por ganhar por 3-1. Desde esse dia 18 de Agosto de 2013, o FC Porto ganhou por 3-0, 4-0 e 2-0 no Dragão e por 2-0 no Bonfim. As 26 vitórias consecutivas do FC Porto contra o V. Setúbal, que incluem uma final da Taça de Portugal (1-0, golo de Adriano) e a Supertaça que se lhe seguiu (3-0, marcados por Adriano, Anderson e Vieirinha) não têm sequer comparação próxima com qualquer outro adversário do atual primeiro escalão. A seguir aos sadinos, o adversário mais dócil para o FC Porto é o Paços de Ferreira, contra o qual os dragões levam sete sucessos de enfiada.   José Peseiro, treinador do FC Porto, e Quim Machado, do V. Setúbal, nunca se defrontaram como treinadores. As equipas do atual técnico sadino nunca ganharam nem fizeram um único golo ao FC Porto, ainda que ele já tenha levado o Feirense a empatar com os dragões (0-0 com o Feirense, em Aveiro, em Setembro de 2011) no único jogo que não fez como visitante. Depois disso, perdeu por duas vezes no Porto: 0-2 com o Feirense e com o V. Setúbal. Peseiro, por sua vez, ganhou na última vez que levou uma equipa a Setúbal: 1-0 com o Braga, em Maio de 2013. Mas antes tinha ali perdido com o Sporting (2-0, em Setembro de 2004) e empatado duas vezes com o Nacional (2-2 em Março de 2003 e Abril de 2001).   O V. Setúbal não faz um golo no campeonato há 301 minutos, equivalentes a três jogos a zero (0-3 no Estoril, 0-1 com o Moreirense e 0-1 em Arouca) e ao período após o golo de André Claro no empate caseiro com o Nacional (1-1), a 21 de Fevereiro.   Além disso, o FC Porto vai em sete jogos seguidos sempre a sofrer golos para o campeonato. A última vez que manteve a baliza a zeros foi na estreia de Peseiro, em que ganhou por 1-0 ao Marítimo. Depois, bateu o Estoril por 3-1, perdeu com o Arouca por 2-1, ganhou ao Benfica por 2-1, ao Moreirense por 3-2, ao Belenenses por 2-1, perdeu com o Sp. Braga por 3-1 e ganhou ao U. Madeira por 3-2. Foi a primeira série de sete jornadas seguidas do FC Porto a sofrer golos desde Março e Abril de 2007, mas se sofrerem pelo menos um golo em Setúbal a sequência aumenta para oito partidas, que os azuis-e-brancos já não conhecem desde 1978/79. Há quase 40 anos, portanto.   Ao todo, os sadinos não ganham há sete jogos, mais precisamente desde o 2-1 em casa à Académica, a 22 de Janeiro. Depois disso empataram com Marítimo (1-1), V. Guimarães (2-2) e Nacional (1-1) e perderam com Rio Ave (1-2), Estoril (0-3), Moreirense (0-1) e Arouca (0-1). A presente série de jogos sem ganhar já é, de longe, a pior da época e só encontra paralelo na ponta final da temporada passada, quando a equipa liderada por Bruno Ribeiro esteve também sete jogos sem ganhar, vencendo o oitavo: 2-1 ao Arouca a 17 de Maio de 2015. Suk, atual jogador do FC Porto, fez o primeiro golo sadino nesse jogo.   Lukas Raeder deve regressar à baliza do V. Setúbal, face à indisponibilidade do titular, Ricardo, que está emprestado pelo FC Porto. Será o primeiro jogo do guarda-redes alemão desde a derrota por 4-0 com o Boavista, no Bessa, a 18 de Janeiro.   O portista Herrera estreou-se na Liga portuguesa contra o V. Setúbal, lançado por Paulo Fonseca a 9 minutos do fim da vitória dos dragões no Bonfim, por 3-1, a 18 de Agosto de 2013. 
2016-03-19
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A vitória do FC Porto sobre o U. Madeira (3-2) foi arrancada a ferros pelos dragões, com um golo de Corona perto do final, depois de terem permitido que os madeirenses recuperassem de 2-0 para 2-2. Foi o sétimo jogo de campeonato consecutivo do FC Porto a sofrer golos, que não deixa a baliza a zeros desde o 1-0 ao Marítimo, na estreia de José Peseiro. Desde aí, a equipa portista ganhou por 3-1 ao Estoril, perdeu por 2-1 com o Arouca, ganhou 2-1 ao Benfica, 3-2 ao Moreirense, 2-1 ao Belenenses, perdeu 3-1 com o Sp. Braga e agora bateu por 3-2 o U. Madeira. Para se encontrar uma série defensivamente tão negativa é preciso recuar a Março e Abril de 2007, quando os dragões estiveram as mesmas sete jornadas seguidas a sofrer golos: 2-1 ao Marítimo, 0-1 com o Sporting, 1-1 com o Benfica, 5-1 ao V. Setúbal, 2-1 à Académica, 3-1 ao Belenenses e 1-2 com o Boavista, antes de um 2-0 ao Nacional.   Corona, autor do golo decisivo, já não marcava desde 10 de Janeiro, na última jornada da primeira volta, quando esteve entre os goleadores dos 5-0 ao Boavista, no Bessa. Foi o oitavo golo do ala mexicano esta época, sendo que o FC Porto nunca perdeu com ele a marcar e o pior que lhe sucedeu foi empatar a duas bolas no terreno do Moreirense.   Aboubakar, que abriu o marcado no FC Porto-U. Madeira, voltou a marcar, exatamente um mês depois do seu último golo, que tinha sido obtido a 12 de Fevereiro, frente ao Benfica, na Luz. O golo ao U. Madeira foi o 17º desta época para o camaronês (12º na Liga, aos quais junta três na Liga dos Campeões, um na Taça de Portugal e outro na Taça da Liga), transformando a presente temporada na melhor da carreira do atacante camaronês, que nunca tinha feito mais que os 16 golos obtidos ao serviço do Lorient em 2013/14.   Esta foi apenas a terceira vez que o FC Porto de José Peseiro marcou o primeiro golo de um jogo, em oito jornadas de campeonato. Já o tinha conseguido no 1-0 ao Marítimo e no 2-1 ao Belenenses. Nos outros cinco jogos, começou sempre em desvantagem: no 3-1 ao Estoril, no 1-2 com o Arouca, no 2-1 ao Benfica, no 3-2 ao Moreirense e no 1-3 com o Sp. Braga.   Herrera autor do segundo golo do FC Porto, também marcou pela primeira vez desde o jogo com o Benfica, há exatamente um mês, a 12 de Fevereiro. O mexicano igualou o total de golos da época passada – sete – mas em menos 16 jogos – de 46 para 30. Os sete golos desta época foram todos na Liga portuguesa, enquanto que na temporada anterior o médio mexicano tinha conseguido quatro na Champions.   Danilo Dias, autor dos dois golos do U. Madeira, foi o autor de todos os golos da equipa insular desde a vitória por 3-0 sobre o Nacional, a 23 de Janeiro. Depois disso, já tinha sido ele a marcar na derrota em Guimarães (1-3) e no empate em casa com o Estoril (1-1).   Foi o terceiro jogo consecutivo de campeonato em que o FC Porto sofre dois golos no Dragão, pois antes tinha ganho por 3-2 ao Moreirense e perdido por 2-1 com o Arouca. Em três jogos, o FC Porto sofreu o dobro dos golos no Dragão que tinha sofrido nos dez anteriores (três, marcados por Paços de Ferreira, Académica e Rio Ave). E o dobro dos que ali sofreu em todo o campeonato passado (também três, dois do Benfica e um do Sp. Braga).   Contando todas as competições, o U. Madeira não ganha há sete jogos. A mais longa série de partidas sem vitória dos madeirenses teve início logo após a vitória sobre o Nacional, por 3-0, a 23 de Janeiro e engloba cinco derrotas (V. Guimarães, Moreirense, Arouca, Benfica e FC Porto) e dois empates (Estoril e Belenenses). O União, que esta época já tinha duas sequências de seis jogos sem ganhar, não deixava que elas se alargassem a um sétimo desde Março e Abril de 2013, quando esteve sem vencer entre a 31ª e a 37ª ronda da II Liga.   Com a vitória frente ao U. Madeira, o FC Porto chegou aos 58 pontos, menos quatro do que na época passada. Há dois anos, porém, os dragões estavam pior, com apenas 52 pontos, tendo acabado essa época no terceiro lugar. Já os 23 golos sofridos nas primeiras 26 jornadas de campeonato são um recorde negativo desde os 28 que a equipa de Otávio Machado e depois José Mourinho tinha encaixado em 2001/02.
2016-03-15
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Último Passe

Um golo de Corona, a aproveitar nos últimos minutos a acumulação de gente na área por parte do FC Porto para tabelar com Suk antes de rematar com potência e colocação para o fundo das redes, manteve a equipa de José Peseiro viva na Liga, porque permitiu a dramática vitória por 3-2 sobre o U. Madeira. Naquela altura, já poucos dos adeptos presentes no Dragão acreditariam no sucesso que parecia inevitável quando a equipa chegou aos 2-0, a abrir a segunda parte. Mas aí revelou-se a propensão recente deste FC Porto para a reanimação de adversários moribundos, com dois erros seguidos a permitirem os golos de Danilo Dias que quase tiravam dois pontos de que a equipa azul e branca estava tão necessitada. No fim do jogo, Peseiro reforçou duas ideias recorrentes. A de que as constantes lesões e castigos tiram consistência à equipa, que se vê constantemente forçada a mudar e por isso não assimila os processos, e a de que, apesar de tudo, a equipa está viva, que a falta de consistência ainda não a matou. Contra o U. Madeira, porém, obrigou-a a trabalhos forçados, depois de uma primeira parte com bom futebol – ainda que não isenta de erros defensivos. Sem os dois centrais titulares – os dois que restam no plantel – Peseiro compôs a charneira central do setor mais recuado com Chidozie, uma vez mais requisitado à equipa B, e Layun, desviado da esquerda, para onde entrou José Angel. Depois, como além de Marcano e Indi faltavam também Danilo e André André, o treinador chamou Ruben Neves e Sérgio Oliveira, tendo este sido dos melhores num primeiro tempo com movimentos ofensivos de qualidade. Foi dele, aliás, o passe de rotura que Maxi Pereira aproveitou para oferecer o primeiro golo a Aboubakar, também ele regressado à titularidade. Acontece que aos tais movimentos ofensivos de qualidade, o FC Porto continua a somar a tal inconsistência defensiva preocupante, que se deve à constante necessidade de fazer mudanças, com disse Peseiro, mas também a uma escassez de alternativas de qualidade no plantel que, por uma questão de solidariedade institucional com a administração, o treinador não reconheceu. Miguel Cardoso falhou o empate ainda na primeira parte, num lance em que teve tudo para o fazer, e como Hererra, num belo remate em arco que foi o momento da noite, fez o 2-0 logo a abrir o segundo tempo, a questão do resultado parecia resolvida. Só que aí voltou a entrar a inconsistência defensiva deste FC Porto, em dois erros seguidos que deram dois golos a Danilo Dias, entretanto lançado por Norton de Matos no jogo. Com pouco mais de 20 minutos para o fim, o FC Porto apertou na frente, passando a jogar com dois pontas-de-lança, fruto da junção de Suk (que entrou para o lugar de Ruben Neves) a Aboubakar. Só que isso deixava espaço atrás e a ideia que ficou foi a de que os jogadores do U. Madeira ainda sonharam com a reviravolta completa num terceiro golo em contra-ataque. Acabou por ser o FC Porto a marcar, no tal lance de Corona, alcançando uma vitória tão justa como sofrida que, sendo verdade que mantém a equipa viva na Liga – a quatro pontos do Sporting e três do Benfica, que só joga na segunda-feira – não faz augurar nada de bom para os jogos que aí vêm.
2016-03-13
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Último Passe

Um super-Iker Casillas foi o suporte principal de uma exibição personalizada do FC Porto, a ganhar por 2-1 ao Benfica na Luz e a manter-se vivo na luta pelo título, pois dista agora três pontos dos dois primeiros – ainda que o Sporting tenha um jogo a menos. A história do jogo, no entanto, não se resume às três ou quatro grandes defesas do guarda-redes espanhol ou à noite perdulária dos avançados encarnados, que em outras jornadas têm sido um exemplo de eficácia. Houve na vitória portista dedo do treinador, nomeadamente na forma como José Peseiro levou o FC Porto a explorar a incapacidade do Benfica para controlar a largura do ponto de vista defensivo. A primeira aposta de Peseiro, contudo, falhou. O FC Porto tentou surpreender com Brahimi ao meio e André sobre um dos corredores laterais, no 4x2x3x1 habitual, mas a troca não trouxe nada de positivo ao jogo portista. Por essa altura, os dragões até tinham mais bola, mas revelavam aquele que é um dos defeitos habituais nas equipas de Peseiro: deficiente transição defensiva, a permitir saídas rápidas e perigosas ao Benfica. Rui Vitória apresentou a equipa habitual, com Renato Sanches eufórico de energia e contagiante sempre que a equipa tinha a bola, e teve a primeira ocasião de golo, por Pizzi, na sequência de um contra-ataque originado numa perda de bola de Aboubakar na área de Júlio César. O golo de Mitroglou, nascido de uma insistência de Renato, não trouxe grandes mudanças ao jogo, pois o FC Porto continuava a precisar de arriscar: expunha-se a atacar, mas quando em posse fazia valer a superioridade numérica a meio-campo para explorar a dificuldade benfiquista no controlo da largura defensiva. Porque o Benfica pressionava num primeiro momento, mas assim que a primeira pressão era ultrapassada dava espaço aos médios dos dragões para lançar os extremos, sobretudo Brahimi, que por essa altura já andava pela esquerda. Um momento de hesitação de Pizzi, apanhando em terra de ninguém, entre apoiar André Almeida na contenção a Layun e controlar Herrera, deu o golo do empate ao FC Porto, marcado pelo médio mexicano num remate muito colocado, ainda na primeira parte. E depois entrou em campo Casillas. Ainda na primeira parte, o espanhol fez uma defesa monumental, a impedir Jonas de desempatar. Depois do intervalo, roubou o golo a Gaitán, em mais um contra-ataque velocíssimo, após um canto a favo do FC Porto. Pelo meio, Mitroglou e Samaris também falharam o 2-1, em boa posição para o fazer. E Aboubakar, que também tinha já desperdiçado uma boa chance de golo, marcou na outra baliza, aproveitando uma boa combinação entre Brahimi e André André. Com o golo do camaronês, aí sim, o jogo mudou. Porque o FC Porto baixou o bloco e deixou de se expor tanto. O Benfica teve então de enfrentar um jogo diferente, face a um adversário defensivamente organizado. Mesmo assim, Casillas ainda brilhou por mais duas vezes, evitando um autogolo de Martins-Indi e opondo-se a uma finalização de Mitroglou para assegurar que os três pontos iam para Norte. Com este resultado, Rui Vitória enfrenta agora um novo desafio. Continua à frente do FC Porto, mas pode ver o Sporting fugir de novo e, sobretudo, precisa de gerir o esvaziar do balão da euforia que as onze vitórias seguidas vinham enchendo e de convencer os seus jogadores de que é capaz de os levar a ganhar um clássico: até aqui, são cinco derrotas em cinco jogos. Do outro lado, José Peseiro marca posição. O que se viu foi um FC Porto mais forte do que ultimamente, perfeitamente dentro das contas do título, pois está a três pontos do Benfica – que ainda tem de ir a Alvalade – e do Sporting – que tem um jogo a menos mas irá ao Dragão na antepenúltima jornada.
2016-02-12
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O FC Porto perdeu no Dragão com o Arouca, por 2-1. Foi a primeira derrota dos azuis e brancos em casa para a Liga desde 14 de Dezembro de 2014, quando ali ganhou o Benfica (2-0). Desde então, porém, já ali tinham ganho o Dynamo Kiev (2-0 para a Liga dos Campeões, a 24 de Novembro de 2015) e o Marítimo (3-1 para a Taça da Liga, a 29 de Dezembro de 2015).   O Arouca tornou-se, com esta vitória, na segunda equipa nacional a ganhar a dois dos grandes de Portugal esta época, uma vez que já tinha batido o Benfica, em Aveiro (1-0). A outra equipa que o fez foi uma das grandes: o Sporting, que ganhou por três vezes ao Benfica e uma ao FC Porto.   A equipa de Lito Vidigal é a equipa nacional que marca golos há mais jornadas seguidas da Liga. São já onze rondas, desde a última vez que o Arouca ficou em branco. Aconteceu a 8 de Novembro de 2015, na derrota em casa contra o Sporting (1-0).   Walter González foi o segundo jogador a bisar frente ao FC Porto esta época, tendo o anterior sido Slimani, na vitória do Sporting frente ao FC Porto (2-0), em Alvalade. González foi, porém, o primeiro adversário a bisar no Dragão desde que Lima o conseguiu, na tal vitória do Benfica por 2-0, em Dezembro de 2014.   O primeiro golo de González foi o mais rápido desta edição da Liga, pois foi obtido com apenas 10 segundos de jogo. Para o FC Porto é uma sensação repetida, pois nos últimos quatro jogos para a Liga só por uma vez não sofreu golos nos primeiros cinco minutos – contra o Marítimo, no jogo que venceu por 1-0. De resto, frente ao V. Guimarães, Casillas foi batido por Bouba Saré aos 4 minutos e no jogo com o Estoril, Diego Carlos marcou aos 3’.   Aboubakar, que marcou o seu 50º jogo com a camisola do FC Porto com mais um golo, continua a manter o registo 100 por cento goleador frente ao Arouca. Em quatro vezes que defrontou esta equipa, marcou sempre. Desta vez, porém, não ganhou – e isso foi uma estreia.   Além disso, Aboubakar marcou golos pela segunda jornada consecutiva da Liga, pois já estivera entre os goleadores na vitória por 3-1 frente ao Estoril, na Amoreira. Repetiu o que já havia conseguido na primeira volta, quando marcou consecutivamente aos mesmos Estoril e Arouca. Até aqui, o camaronês nunca marcou em três jornadas seguidas.   O golo de Aboubakar resultou de mais uma assistência de Layun, a 13ª do mexicano nas primeiras 21 jornadas da competição. Layun é o maior assistente da Liga, com mais quatro passes decisivos que os benfiquistas Gaitán e Jonas.   Ao ganhar ao FC Porto, o Arouca passou a somar 28 pontos, tantos quantos fez nas 34 jornadas da Liga anterior, e 28 golos marcados, mais dois do que em toda a Liga de 2014/15 e os mesmos que no ano de estreia entre os grandes – 2013/14. Faltam três pontos para igualar o total dessa primeira época.   André André fez o 100º jogo na Liga portuguesa, o 19º com a camisola do FC Porto – uma vez que os primeiros 81 foram todos em representação do V. Guimarães. Ao todo soma 19 golos, três deles pelo FC Porto.   Herrera também celebrou um centenário, mas de jogos com a camisola do FC Porto, nem todos na Liga. Dos 100, 67 foram para a Liga portuguesa, 18 na Liga dos Campeões, sete na Taça de Portugal, cinco na Liga Europa e três na Taça da Liga. Nesses 100 jogos não chegou nenhum troféu.
2016-02-09
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Aboubakar, que voltou aos golos na Liga na vitória do FC Porto frente ao Estoril (3-1) marcou sempre nas três vezes que defrontou o Arouca, mas só por uma vez foi decisivo: aconteceu precisamente no magro 1-0 com que os dragões se impuseram no Dragão, na época passada. Nas outras duas ocasiões, o golo do camaronês fechou sempre a conta da equipa azul e branca. Quando se prepara para vestir pela 50ª vez a camisola do FC Porto, o camaronês é a maior aposta de Peseiro para o golo na perseguição aos dois primeiros na tabela. Foi frente ao Arouca, aliás, que Aboubakar marcou o primeiro golo no campeonato português. Aconteceu a 25 de Outubro de 2014, quando o camaronês entrou a 15 minutos do fim de um jogo no Municipal de Arouca, já com o resultado em 4-0 para a equipa então liderada por Lopetegui e ainda fixou o resultado final em 5-0. Este só não foi o primeiro golo de Aboubakar de azul e branco porque antes o camaronês já tinha marcado na goleada ao BATE Borisov (6-0), na Liga dos Campeões. Depois, a 15 de Março de 2015, o jogo foi muito mais complicado. O guardião Fabiano foi expulso logo aos 12 minutos e o FC Porto sofreu para ganhar por 1-0 no Dragão, valendo na ocasião o golo de Aboubakar. Por fim, a 12 de Setembro do ano passado, o camaronês fechou a contagem portista na vitória em Arouca por 3-1, depois de um bis de Corona ter colocado o jogo confortável para os dragões. O Arouca aparece no calendário da equipa agora orientada por José Peseiro numa altura em que Aboubakar parece estar de volta a um bom momento: depois de ser expulso na derrota em Guimarães (1-0) e substituído na magra vitória sobre o Marítimo, na estreia do treinador ribatejano, o camaronês fez o primeiro golo do FC Porto no sucesso por 3-1 frente ao Estoril, elevando a sua contagem particular para 14 golos nesta temporada. Está a dois golos do seu recorde numa só época, que são os 16 golos apontados no Lorient em 2013/14. Numa noite feliz, poderia igualar essa marca e assinalar assim a 50ª partida com a camisola do FC Porto – jogou até aqui 49 vezes, 33 delas na Liga portuguesa, dez na Liga dos Campeões, três na Taça de Portugal e outras tantas na Taça da Liga. Soma, ao todo, 22 golos.   - Hector Herrera pode fazer frente ao Arouca o 100º jogo com a camisola do FC Porto. Dos 99 em que já atuou, 66 foram a contar para a Liga, somando o mexicano ainda mais 18 na Liga dos Campeões, sete na Taça de Portugal, cinco na Liga Europa e três na Taça da Liga. Ao todo, marcou 15 golos.   - José Peseiro, o novo treinador do FC Porto, nunca defrontou Lito Vidigal. Nos anos em que Lito treinou na I Divisão, Peseiro andava pelo estrangeiro. E se quando Peseiro orientou o Sporting ainda Lito crescia nos escalões secundários, quando o ribatejano voltou a Portugal para dirigir o Sp. Braga andava o angolano no estrangeiro. Além disso, Peseiro também nunca viu uma equipa sua jogar contra o Arouca.   - Por sua vez, Lito perdeu sempre que defrontou o FC Porto. Em 2009/10, quando dirigia a U. Leiria, perdeu por 3-2 no Dragão (Janeiro de 2010) e por 4-1 em casa (Maio de 2010). Depois, foi batido por 1-0 no Dragão na estreia à frente do Belenenses, em Março de 2014, regressando lá com os azuis para nova derrota, desta vez por 3-0, em Janeiro de 2015. Na única ocasião em que defrontou o FC Porto aos comandos do Arouca, em Setembro do ano passado, perdeu em casa por 3-1.   -O FC Porto vai com 20 jogos seguidos sem perder em casa na Liga, tendo cedido apenas dois empates desde a derrota contra o Benfica (0-2), em Dezembro de 2014. Uma série ainda assim muito longe dos 81 desafios consecutivos sem ser derrotado para o campeonato no Dragão entre um 2-3 com o Leixões, a 25 de Outubro de 2008, e um 0-1 com o Estoril, a 23 de Fevereiro de 2014.   - O Arouca, em contrapartida, segue com sete jogos sem ganhar, todos desde que bateu o Estoril em casa, por 1-0, a 6 de Janeiro. A equipa de Vidigal já igualou a mais longa série de jogos sem ganhar desde que subiu à I Liga, em 2013. O pior até aqui eram precisamente sete jogos seguidos sem ganhar, entre uma vitória frente ao Belenenses (2-0), a 12 de Janeiro de 2014, e outra ante o Olhanense (2-0), a 16 de Março do mesmo ano.   - Maxi Pereira vai voltar a faltar a uma partia do FC Porto na Liga por castigo: na única vez que tal sucedeu os dragões empataram em casa com o Sp. Braga (0-0). Além disso, o lateral uruguaio não esteve nos três jogos da Taça da Liga (três derrotas, com Marítimo, Famalicão e Feirense), pelo que, sem ele, o FC Porto ainda só ganhou na Taça de Portugal, frente a Varzim, Angrense e Feirense.   - Tal como Maxi, também Marcano estará ausente do jogo, por força do quinto cartão amarelo visto contra o Estoril. A solução pela ausência deve passar pelo regresso de Maicon, o que pode levar a novo encontro de irmãos com Maurides, avançado do Arouca que marcou ao FC Porto no jogo da primeira volta.   - Jailson, lateral do Arouca, estreou-se na Liga portuguesa a jogar contra o FC Porto. Foi lançado por Henrique Calisto, numa derrota do Paços de Ferreira por 3-0 no Dragão, a 9 de Fevereiro de 2014. Faz dois anos na próxima terça-feira.   - O FC Porto ganhou todos os jogos que fez contra o Arouca e só um dos cinco foi pela margem mínima: o do Dragão, na última Liga, vencido por 1-0, com golo de Aboubakar, depois de a equipa portista ter ficado reduzida a dez elementos logo aos 12 minutos, por expulsão do guarda-redes Fabiano. 
2016-02-06
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O V. Guimarães não ganhou nenhum dos três últimos jogos que fez em sua casa, fator através do qual se justifica a incapacidade de a equipa confirmar plenamente os indícios de retoma após a entrada de Sérgio Conceição para o comando técnico: os vimaranenses perderam por 4-3 com o Marítimo, por 1-0 com o Benfica e empataram a duas bolas com o Arouca, já não conseguindo acabar um jogo sem sofrer golos no D. Afonso Henriques desde que ganharam por 1-0 ao Tondela, a 13 de Setembro. Há quatro meses, portanto. O FC Porto, em contrapartida, vem de duas saídas consecutivas a ganhar e sem sofrer golos: ambas no Bessa, frente ao Boavista, com 5-0 na Liga e 1-0 na Taça de Portugal. Não é uma série excelente, sobretudo porque se seguiu à derrota por 2-0 com o Sporting em Alvalade, mas também porque esta época os dragões já ganharam cinco deslocações consecutivas: Varzim (2-0), Maccabi (3-1), Angrense (2-0), Tondela (1-0) e U. Madeira (4-0). Essa série de vitórias foi na altura interrompida na deslocação a Londres, onde os portistas acabaram batidos pelo Chelsea (2-0).   - Herrera marcou nas últimas duas partidas do FC Porto na Liga: adiantou os dragões face ao Rio Ave, no jogo que acabou empatado a um golo, e abriu o ativo na goleada frente ao Boavista (5-0). É a segunda vez que o mexicano marca em duas jornadas consecutivas, pois já tinha estado entre os goleadores na vitória frente ao Rio Ave (3-0) e na derrota contra o Olhanense (1-2), em Abril e Maio de 2014. Na altura ficou em branco ao terceiro jogo, os 2-1 em casa contra o Benfica.   - Sérgio Conceição, o técnico do V. Guimarães, de quem se disse que podia ser hipótese para suceder a Julen Lopetegui no comando do FC Porto, foi jogador portista e, como treinador, já defrontou os dragões por sete vezes, tendo ganho apenas uma: 1-0 no Académica-FC Porto, em 2013/14. Obteve ainda um empate (1-1 com o Sp. Braga, na última Taça da Liga) e perdeu as outras cinco partidas, duas delas em casa.   - Rui Barros, o treinador aparentemente interino do FC Porto, continua com o registo 100 por cento vitorioso nas duas passagens pelo comando da equipa. Em jogos oficiais, não sofreu sequer um golo, tendo ganho por 3-0 ao V. Setúbal na Supertaça de 2006 e agora por 5-0 e 1-0 ao Boavista, em jogos da Liga e da Taça de Portugal.   - Sérgio Conceição e Rui Barros jogaram duas épocas juntos no FC Porto, entre as saídas de um e do outro para o estrangeiro. A última partida em que ambos marcaram presença simultânea correu mal aos dragões: foi a 2 de Maio de 1998, quando os portistas saíram derrotados da Luz por 3-0, frente ao Benfica. O FC Porto acabou por se sagrar tetra-campeão nessa época.   - Bruno Gaspar, lateral do V. Guimarães, estreou-se na Liga a jogar contra o FC Porto, lançado por Rui Vitória a 14 de Setembro de 2014, num empate a uma bola no Minho. - Do outro lado, o avançado Aboubakar tem várias recordações do V. Guimarães, pois foi no D. Afonso Henriques que se estreou na Liga portuguesa. O resultado não foi famoso, pois o FC Porto empatou esse jogo a uma bola, a 14 de Setembro de 2014. O camaronês, ainda assim, só jogou um minuto nessa tarde. E só voltou a defrontar o V. Guimarães na jornada de abertura da atual Liga, obtendo nessa noite o seu primeiro bis pla equipa portista, que ajudou a vencer por 3-0.   - O FC Porto não venceu nenhuma das duas últimas visitas a Guimarães: empatou a duas bolas em Março de 2014, num jogo que ditou a demissão de Paulo Fonseca, e a um golo em Setembro desse mesmo ano. A última vitória portista no D. Afonso Henriques aconteceu em Novembro de 2013, para a Taça de Portugal, por 2-0, com golos de Jackson Martínez e Fernando.   - O Vitória não ganha ao FC Porto desde Outubro de 2004, quando eliminou os dragões da Taça de Portugal com uma vitória por 2-1, graças a um bis de Nuno Assis, a que respondeu Derlei. Para a Liga, os minhotos não vencem desde Dezembro de 2001, quando golos de Marco e Nuno Assis lhes deram uma vitória por 2-0.   - O V. Guimarães nunca ganhou nem perdeu jogos com Manuel Oliveira a apitar: empatou as quatro partidas que fez com este árbitro, que foram duas receções ao P. Ferreira e à Académica e as visitas ao Nacional e à mesma Académica. O FC Porto também empatou um jogo em dois com Manuel Oliveira (1-1 com o Nacional na Choupana), mas ganhou o outro, na ocasião uma receção ao V. Setúbal (4-0).
2016-01-16
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Rui Barros repetiu o que tinha feito na ocasião anterior em que pegou na equipa do FC Porto: ganhou e não sofreu golos. Os 5-0 ao Boavista, depois de substituir Julen Lopetegui, sucedem-se aos 3-0 com que bateu o V. Setúbal na Supertaça de 2006, após suceder a Co Adriaanse. Nessa altura ganhou também ao Portsmouth (2-1) e ao Manchester City (1-0), em particulares de pré-época.   - Manteve-se também a tradição que dura desde que Pinto da Costa é presidente do clube: sempre que um treinador é despedido durante a temporada competitiva, o FC Porto ganha o jogo seguinte. Já tinha acontecido em 1988 quando Murça ocupou interinamente o cargo após a saída de Quinito; em 1994, no momento em que Bobby Robson substituiu Ivic; em 2002 quando José Mourinho sucedeu a Otávio Machado; em 2005 com José Couceiro a ocupar a vaga de Victor Fernandez; e em 2014, quando Luís Castro foi substituir Paulo Fonseca.   - Os 5-0 com que o FC Porto ganhou ao Boavista são a maior goleada da equipa esta época e a maior desde que venceu o Estoril por resultado idêntico, no Dragão, a 6 de Abril do ano passado. Fora de casa, o FC Porto não marcava cinco golos desde a visita ao Gil Vicente (5-1, a 3 de Janeiro de 2015) e não ganhava por cinco de diferença desde os 5-0 em Arouca, a 25 de Outubro de 2014. No Bessa, já não ganhava por tanta vantagem desde Maio de 1982, quando lá se impôs por 6-0.   - Aboubakar fez o terceiro bis da época, o segundo na Liga, depois de já ter marcado duas vezes ao V. Guimarães, no Dragão, logo a abrir a prova, num jogo que o FC Porto venceu por 3-0, em Agosto. Além desse jogo, também tinha bisado em Kiev, no empate a duas bolas contra o Dynamo, a contar para a Liga dos Campeões.   - Herrera marcou pela segunda jornada consecutiva na Liga, depois de já ter feito o tento que deu um ponto na receção ao Rio Ave (1-1). É a segunda vez que o consegue, depois de já ter estado entre os goleadores na vitória frente ao Rio Ave (3-0) e na derrota contra o Olhanense (1-2), em Abril e Maio de 2014.   - Layun consolidou a sua posição como maior assistente desta Liga. Fez o nono passe de golo na prova, desta vez para Aboubakar, enquanto que o benfiquista Gaitán soma sete e segue em segundo nesta tabela.   - Casillas viu o primeiro cartão amarelo da época, por derrubar Luisinho. Foi simultaneamente a sua primeira advertência desde Outubro de 2012, quando foi admoestado numa vitória do Real Madrid sobre o Celta de Vigo, no Santiago Bernabéu (2-0).   - Além disso, o guarda-redes espanhol voltou a manter a baliza virgem, algo que já não lhe acontecia a ele pessoalmente desde a vitória por 4-0 frente ao U. Madeira, a 2 de Dezembro. Entretanto, sofrera golos de P. Ferreira (2-1), Chelsea (0-2), Nacional (2-1), Académica (3-1), Sporting (0-2) e Rio Ave (1-1). O último zero defensivo do FC Porto, contra o Feirense, na Taça de Portugal (1-0) tivera Helton nas redes.   - O FC Porto chega ao fim da primeira volta exatamente com a mesma pontuação que na época passada, fruto das mesmas 12 vitórias, quatro empates e uma derrota – na época passada contra o Benfica, agora contra o Sporting. Mas se há um ano isso lhe garantia o segundo lugar isolado, ainda que a seis pontos do líder, agora obriga-o a partilhar a segunda posição, mas está mais perto do comandante: a apenas quatro pontos.   - O Boavista, em contrapartida, fez as piores 17 jornadas inaugurais de toda a sua história da I Divisão. Soma 10 pontos, piorando os 12 de 1971/72. E atenção que, caso a vitória nessa altura valesse três pontos e não dois, esse Boavista teria 15 pontos à 17ª jornada.
2016-01-11
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Último Passe

Foi muito fácil a vitória do FC Porto no Bessa, por 5-0, sobre um Boavista que terá de mudar muito se quer evitar uma queda na II Liga que só o arreganho nos limites impediu durante a época passada. Lopetegui foi embora há tão pouco tempo que os comportamentos da equipa portista são ainda os que o treinador basco definiu, sendo por isso um abuso atribuir à mudança de comando técnico quaisquer méritos pela vitória. É verdade que Rui Barros não inventou e que a saída do treinador anterior soltou animicamente a equipa, a ponto de a superioridade azul-e-branca no relvado do Bessa ter sido sempre evidente, só sofrendo alguma contestação no início da segunda parte. Mas até isso o FC Porto resolveu à antiga: com um golo de autor marcado por Corona, o maior talento individual da equipa. Mesmo mantendo o onze que tinha empatado com o Rio Ave, na quarta-feira, Rui Barros promoveu, ainda assim, algumas alterações, sobretudo quando teve de chamar os suplentes a entrar no jogo. Só que mesmo estas acabaram por ser apenas simbólicas, porque se Imbula voltou à competição na Liga, onde não atuava desde a vitória na Choupana, há um mês, também só entrou em campo com o jogo resolvido, nos últimos dez minutos. De resto, a equipa também não teve um início arrasador: fez refletir uma superioridade natural na primeira parte num golo de Herrera que até teve algo de fortuito, na forma como a finalização bateu Gideão, e teve depois de aguentar a reação de um Boavista que parece apostar nos argumentos errados para os jogadores que tem. O futebol de Petit, muito feito de arreganho, marcação e agressividade, era o que mais convinha a um plantel muito limitado; o estilo de jogo de Sanchez, mais dado a ideias no plano atacante, expõe demasiado uma equipa sem andamento para isso. Os seis pontos que a equipa já dista da linha de água fazem antever grandes dificuldades. O Boavista ainda chegou a ameaçar enquanto o jogo esteve no 1-0, mas um truque genial de Corona, a passar entre Afonso Figueiredo e Inkoom antes de, com grande velocidade de execução, marcar o 2-0, acabou com a conversa. Com meia-hora para se jogar, já se via que os três pontos estavam atribuídos. Um bis de Aboubakar e um golo de calcanhar de Danilo, em cima do apito final, puseram o rótulo de goleada numa vitória que terá servido para o FC Porto entrar nos eixos. À viragem para a segunda volta, os dragões distam quatro pontos do primeiro lugar. Nada de irrecuperável, quando a equipa assume que está a sair da crise e quando Rui Barros simplifica: basta saber em que clube se está a jogar.
2016-01-10
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Último Passe

O FC Porto reassumiu a liderança da Liga ao vencer a Académica por 3-1, num jogo que começou a resolver nas bolas paradas de Layun e acabou num calcanhar de Herrera, a passe de Corona. Os dragões não fizeram um jogo tão brilhante como a nota artística do seu terceiro golo poderia fazer crer, permitiram períodos de supremacia da Académica, no final das duas partes, mas ganharam com inteira justiça e podem encarar o clássico de Alvalade, contra o Sporting, no recomeço da prova, com a tranquilidade do primeiro lugar e de serem a única equipa sem derrotas na competição. No final do jogo, na instalação sonora do Dragão, ouviu-se o “A Todos Um Bom Natal”, mas bem podia ter tocado o “Cielito Lindo”. Porque acima deste FC Porto de influência mexicana já não há mais ninguém. Sabendo da derrota do Sporting na Madeira, a entrada do FC Porto no jogo não podia ter sido mais impositiva: logo aos 7’, canto de Layun e golo de Danilo, fortíssimo no ataque à bola. O segundo golo podia ter surgido numa série de ocasiões, mas com o impasse no 1-0 Casillas ainda acabou o primeiro tempo a precisar de se empenhar para manter a vantagem, num período em que o jogo portista baixou de intensidade. E se dúvidas houvesse, um livre lateral do mesmo Layun deu o 2-0 a Aboubakar, ainda a segunda parte não tinha dez minutos. A Académica tentava construir, mas não tinha qualidade suficiente para levar o jogo para perto da baliza de Casillas e desde logo se percebeu que acabaria por sucumbir como sucumbiu na Luz ante o Benfica. Como que a confirmá-lo, tal como nesse jogo, foi o terceiro golo a levar as bancadas ao êxtase: perfuração de Corona, cruzamento e, com o conforto dos dois golos de vantagem, risco máximo assumido por Herrera na finalização de calcanhar. Até final, o FC Porto voltou a perder intensidade, permitindo ainda um golo aos visitantes, obra de Rui Pedro, e pedindo a Casillas que evitasse um segundo que até podia ter reaberto a questão do resultado. Com o 3-1 final, veio a liderança, com mais um ponto que o Sporting e mais cinco que o Benfica, semana e meia depois da contestação dos adeptos a Lopetegui no aeroporto à chegada de Londres, onde a equipa caiu na Liga dos Campeões. Razão suficiente para que todo o grupo tenha um bom Natal.
2015-12-20
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Carlos Manaca era um bom defesa-central, daquele tempo do futebol “rock and roll”, em que os jogadores eram todos bons. Ou pelo menos era isso que ouvíamos contar na rádio. Mas Manaca era mesmo bom. Notabilizou-se com a camisola do Sporting, que deixou aos 28 anos, para jogar nos Estados Unidos, mas nada fez tanto pela eternização do seu nome como um autogolo, já depois de ter regressado a Portugal. Os autogolos são o dia-a-dia dos defesas-centrais, mas o autogolo de Manaca foi especial, porque valeu a vitória do Sporting em Guimarães e porque essa vitória valeu aos leões o título nacional de 1980, ganho ao sprint ao FC Porto. Quase 40 anos depois, a história de Manaca regressou, mas agora Manaca chama-se Tonel. O problema de Tonel, o defesa-central que também se notabilizou com a camisola do Sporting, saiu para a Croácia e depois regressou a Portugal, é que o penalti que ele fez no último minuto do jogo com os leões foi filmado por mais de uma dezena de câmaras de televisão. Mais. Além disso, Tonel fez um penalti que valeu uma vitória ao Sporting – não um título, pelo menos por enquanto – numa altura em que há redes sociais. Tonel, o Manaca turbinado pelo Twitter e pelo Facebook, tem, tal como tinha Manaca, toda uma carreira atrás dele, mas nem isso impediu milhares de adeptos de garantirem que ele tinha feito o serviço encomendado em benefício do ex-clube, que sem o penalti que ele cometeu não teria ganho ao Belenenses. O assunto foi “trending topic” durante uma semana, até que os mesmos adeptos que tinham crucificado Tonel perceberam envergonhados que há por aí mais Manacas. Veio a jornada seguinte e o Benfica ganhou à Académica por 3-0. Não jogou enormidades, mas foi a única equipa em condições de chegar à vitória, a única que a procurou. Ainda assim, colocou-se em vantagem com dois penaltis perfeitamente desnecessários, cometidos por Trigueira e Ofori, e convertidos por Jonas, que aproveitou para passar a barreira dos dez golos antes do Natal pela primeira vez desde que está na Europa. Pressionado pelo Benfica, o FC Porto viu-se a perder contra o Paços de Ferreira, chegou ao empate ainda antes do intervalo, mas só virou o jogo de penalti, na sequência de um lance em que Marco Baixinho, defesa-central do Paços, começou por atrasar mal a bola para o seu guarda-redes, para depois ir rasteirar Herrera dentro da área, impedindo que ele tirasse vantagem do erro original. Manacas? Claro que sim. Mas só no sentido em que os erros podem perfeitamente acontecer a quem vive a profissão no fio da navalha. Quase parecia uma onda solidária, uma espécie de “Je suis Tonel” – ou “Je suis Manaca”… – dos jogadores que defrontaram os grandes. Mas é pena que os que se entretêm a identificar Manacas – ou Toneis -  não sejam capazes de perceber que se Benfica, FC Porto e Sporting ganharam os seus jogos desta jornada não foi por causa dos erros dos adversários. No Benfica-Académica houve o detalhe tático de um meio-campo que começa a carburar melhor devido à dupla missão de Pizzi, que parte de uma das alas mas compõe bem o meio, mas também ao vigor e à potência do júnior Renato Sanches, autor de um jogo muito interessante e de um golaço num remate a 30 metros que terá valido o bilhete a quem foi ao estádio. No FC Porto-Paços de Ferreira houve um excelente golo de Corona, pela ligação entre os dois extremos – ele e Brahimi – e pela classe do mexicano na definição face ao guarda-redes. E houve uma espécie de renascimento de Herrera, a manter os níveis de intensidade e competitividade da equipa. E no Marítimo-Sporting houve um líder operário, a saber sofrer antes e depois da bela jogada coletiva que deu o golo a Adrien, bem como um Rui Patrício de seleção, autor de duas defesas gigantes a preservar a vantagem. Disso, porém, só se lembram os adeptos dos clubes que ganharam. E diz muito sobre o nosso futebol que até esses prefiram lembrar os erros que levaram aos golos dos rivais. Porque quando vemos futebol estamos sempre em busca de um Manaca. Mesmo que Manaca tenha feito muito mais do que aquele autogolo. In Diário de Notícias, 07.12.2015
2015-12-07
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O FC Porto já leva 25 vitórias seguidas em jogos contra o V. Setúbal, de longe a sua série vitoriosa mais longa contra equipas do mesmo escalão. A última vez que os sadinos conseguiram não perder com os dragões já fez dez anos na semana passada: foi a 29 de Outubro de 2005 que uma equipa do Vitória comandada por Luís Norton de Matos foi ao Dragão empatar a zero com os comandados de Co Adriaanse. De então para cá, a história tem sido repetitiva, com 25 jogos e 25 vitórias do FC Porto, 66 golos marcados e apenas sete sofridos. A superioridade azul e branca tem sido ainda mais marcada ultimamente, pois há mais de dois anos que os setubalenses não fazem sequer um golo neste desafio. O último fê-lo Rafael Martins, no Bonfim, a dar momentânea vantagem aos então comandados de José Mota, na abertura da Liga de 2013/14. Mas Josué, Quintero e Jackson viraram esse resultado para o 3-1 final, a favor do FC Porto. Nos três jogos seguintes, só houve golos portistas: 3-0 (Jackson, Varela e Carlos Eduardo), 4-0 (Quaresma, Jackson, Brahimi e Danilo) e 2-0 (Brahimi e Jackson). As 25 vitórias consecutivas do FC Porto frente ao V. Setúbal, que incluem uma final da Taça de Portugal (1-0, golo de Adriano) e a Supertaça que se lhe seguiu (3-0, marcados por Adriano, Anderson e Vieirinha), em 2006, não têm sequer comparação com mais nenhuma série em curso na equipa do FC Porto. A seguir aos sadinos, os adversários tradicionalmente mais dóceis para os portistas são o Rio Ave (sete vitórias seguidas), o Paços de Ferreira (seis sucessos de enfiada) e o Arouca (cinco vitórias nos únicos cinco jogos efetuados entre ambos).   - Brahimi marcou nas únicas duas vezes em que defrontou o V. Setúbal. Na época passada, abriu o marcador nos 2-0 do Bonfim e fez o terceiro nos 4-0 do Dragão. Jackson Martínez tinha feito golos nos últimos quatro jogos entre estas duas equipas mas já não está no FC Porto.   - Casillas continuará a tentar aumentar a corrente série de minutos sem golos sofridos pelo FC Porto em casa, na Liga. O último jogador a marcar ali nestas condições foi o benfiquista Lima, a 14 de Dezembro do ano passado, na vitória dos encarnados por 2-0. Desde então, nos jogos em casa para a Liga, o FC Porto vem acumulando zeros nas suas redes, a ponto de, com contributo de Fabiano, Helton e Casillas, somar já 1385 minutos de jogo sem sofrer golos. Está a 196 minutos da série estabelecida por Vítor Baía e Cândido de Janeiro a Dezembro de 1994. Foram na altura 1581 minutos sem sofrer golos em casa para a Liga.   - O FC Porto continua também sem perder esta época. Já lá vão 13 jogos, com nove vitórias e quatro empates, ainda a cinco partidas de igualar o arranque da equipa de Vítor Pereira, que em 2012/13 esteve 18 jogos sem perder até ser eliminado pelo Sp. Braga da Taça da Portugal (2-1), a 30 de Novembro.   - O V. Setúbal só perdeu uma vez nas primeiras nove jornadas (frente ao Marítimo, por 5-2, à quarta) e soma já 14 pontos, que fazem deste o melhor arranque de época sadino desde 2007. Por esta altura, a equipa de Carlos Carvalhal ainda não tinha perdido e somava 15 pontos, tendo acabado essa Liga em sexto lugar.   - Além disso, os sadinos não sofrem golos na Liga há 314 minutos, desde o tento de Rui Correia no empate (1-1) na Choupana com o Nacional. Desde então ganharam por 1-0 ao Estoril, por 2-0 ao Moreirense e empataram a zero com o Arouca. Esta série é a maior desde uma estabelecida em Fevereiro e Março de 2013, quando a equipa dirigida por José Mota esteve 343 minutos sem sofrer golos, entre um 0-3 frente ao Benfica na Luz (último golo de Rodrigo, aos 56’) e um 0-2 em Paços de Ferreira (golo inaugural de Cícero aos 39’). Pelo meio a baliza ficou virgem nas vitórias frente a Gil Vicente, Olhanense e Beira Mar, todas por 1-0.   - Ricardo, o guarda-redes do V. Setúbal que tem estado na baliza na série em curso, não poderá jogar, pois está emprestado pelo FC Porto. Já na altura da anterior série o guarda-redes tinha ligação aos dragões: era Kieszek, que assinara pelo V. Setúbal depois de cumprir um ano de empréstimo no Roda (Holanda).   - O portista Herrera estreou-se na Liga portuguesa contra o V. Setúbal, lançado por Paulo Fonseca a 9 minutos do fim da vitória por 3-1 no Bonfim, a 18 de Agosto de 2013.   - Julen Lopetegui e Quim Machado vão defrontar-se pela primeira vez na história. O treinador do FC Porto ganhou os dois jogos que fez contra o V. Setúbal (4-0 e 2-0 na época passada, pelo FC Porto). Já Quim Machado conseguiu empatar com os dragões ao serviço do Feirense (0-0, em Setembro de 2011), mas foi depois perder ao FC Porto por 2-0 (em Fevereiro de 2012).   - Ao 14º jogo na Liga, o jovem Tiago Martins ainda não viu uma equipa ganhar fora de casa: nos 13 anteriores verificaram-se oito vitórias caseiras e cinco empates. O juiz lisboeta, de 35 anos, vai estrear-se a apitar o FC Porto, mas no currículo já tem uma partida de um grande, pois esteve no Benfica-Estoril da primeira jornada (4-0 para os encarnados). O V. Setúbal fez dois jogos com ele sem ganhar (empate em casa com o V. Guimarães, já esta época, e derrota fora com o Moreirense, na anterior).
2015-11-07
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Último Passe

Início forte do FC Porto, equipa com ideias claras e quase sempre bem conjugadas, contra um V. Guimarães que poderá certamente mostrar mais contra adversários menos capazes mas que no Dragão mais pareceu o condenado a caminho do cadafalso. Os 3-0 trouxeram a todos os adeptos da casa duas certezas: Aboubakar é solução é o meio-campo funciona. Comungo da segunda, mantenho as dúvidas acerca da primeira.Primeiro, Aboubakar. Fez dois golos (o primeiro sujeito a confirmação no relatório do árbitro, pois fiquei com a ideia de que a bola ia para fora antes do desvio em João Afonso) e deixou os adeptos confiantes de que estará encontrado o sucessor de Jackson Martínez. Perdoem-me os otimistas, mas ainda não estou convencido. O que digo não é que Aboubakar não é um grande avançado. Porque é. Mas tenho dúvidas que seja o avançado que o futebol deste FC Porto pede. O camaronês é um jogador de espaços longos, veloz, pujante, mais forte em momento de transição ofensiva que em ataque posicional, em que aquilo que se pede é uma melhor recepção, um melhor jogo posicional dentro do 4x3x3 e a capacidade para decidir num toque.Depois, o meio-campo. O FC Porto aposta tudo num meio-campo super rotativo, onde não há um 10 mas há dois 8. Francamente, desde que os dois 8 apareçam com frequência na área em posição de conclusão, como sucedeu hoje com Imbula e Herrera, não vejo que daí venha algum mal à organização portista. Até porque um meio-campo altamente rotativo como o formado por Danilo (ou até Ruben Neves), Herrera e Imbula joga no mesmo cumprimento de onda dos dois extremos utilizados (os velozes Varela e Tello) e dos laterais que são primeira escolha de Lopetegui (Maxi e Alex Sandro). A equipa tem o motor no corredor central mas desequilibra nas alas.
2015-08-15
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