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Último Passe

O novo Sporting de Jorge Jesus é uma incógnita quase tão grande como o novo FC Porto de Sérgio Conceição. O segundo falhanço na tentativa de ataque ao título nacional – e sobretudo a clara noção de que a equipa esteve mais longe de lá chegar do que na primeira vez – levaram a mais uma revolução no plantel, a um abalo que pode até estar ainda longe de conhecer o fim, uma vez que falta saber o que vai acontecer com os alvos que o leão tem mais apetecíveis no mercado internacional: Rui Patrício, William, Adrien e Gelson. No fundo, tudo depende deles e da política adotada por Bruno de Carvalho para lidar com os apetites internacionais por eles. Nem tão mole como era tradição em Alvalade antes da sua chegada, nem tão inflexível como se mostrou há um ano. A grande dificuldade na condução de uma equipa da dimensão do Sporting – que é grande num mercado periférico, mas cujos resultados internacionais e salários praticados mostram que é pouco mais do que irrelevante no panorama internacional – tem precisamente a ver com a gestão de expetativas dos jogadores mais renomados. A excelente primeira época de Jesus, seguida de um Europeu onde Portugal foi muito para lá do esperado, sagrando-se campeão europeu com uma série de jogadores leoninos no onze, levou a que lá fora se olhasse para Alvalade como se de um mercado de pechinchas se tratasse. Porque os jogadores até podem ter cláusulas de rescisão muito altas, mas se elas forem pouco condizentes com os salários que lhes são pagos isso acaba sempre por se virar contra o clube que as estabelece. De que serve proteger um jogador com uma cláusula de rescisão de 100 milhões de euros, se depois ele ganha dez vezes menos do que os jogadores cujo valor real de mercado são mesmo esses 100 milhões de euros?  Na prática, serve para que o clube possa segurar o jogador, é verdade. Mas isso é bom se de repente houver quem lhe ofereça um salário quatro ou cinco vezes maior do que ele ganha mas queira pagar apenas um terço da cláusula de rescisão, isto é, o real valor do jogador? A dúvida é: vale a pena ficar com jogadores contrariados? Não há certezas a este respeito. No ano passado, Bruno de Carvalho aceitou perder João Mário e Slimani, mas teve de se atravessar para ficar com Adrien, por exemplo, que fez de tudo – incluindo uma entrevista à revelia do clube, na qual assumiu a vontade de ir embora – para forçar a saída para o Leicester. E se é verdade que nenhuma equipa que tenha aspirações deve ser de um ano para o outro forçada a perder mais do que dois ou três jogadores, o que o fracasso da última época terá dito é que também não pode assentar a estrutura em elementos cuja cabeça esteja longe. O mais razoável é que haja um fluxo de comunicação desempoeirado entre clube e jogadores, em que estes aceitem a lógica do par de saídas por ano e o clube assuma uma fila de prioritários. Olhemos para casos práticos. Em 2003, por exemplo, José Eduardo Bettencourt assumira que, já tendo vendido Quaresma ao Barcelona, e sem necessidades de tesouraria prementes, não ia deixar sair mais nenhum jogador de peso. Mas apareceu o Manchester United por Ronaldo e o Sporting não resistiu. Foi um erro? Creio que sim. Um ano depois, o jogador poderia certamente ser muito mais rentabilizado financeiramente e de caminho até poderia ter conquistado algo com a camisola do Sporting. Saiu logo ali porquê, então? Porque o clube não era capaz de resistir à pressão do mercado, dos jogadores, dos empresários, dos colossos europeus. A cena repetiu-se vezes sem conta no Sporting desde essa altura. Jogadores a saírem antes de tempo, antes da glória desportiva, antes de terem um valor decente no mercado, um valor que compensasse o clube por se separar deles. Porquê? Porque eles queriam. Chegava-se ao ponto de qualquer jogador formado no Sporting já não ter como objetivo imediato de carreira o fixar-se na equipa principal mas sim o sair para o estrangeiro. A geração dos Bruma, dos Ilori, dos Edgar Ié, já não tem raiz em Portugal. Bruno de Carvalho mudou isso e assumiu a atitude rigorosamente inversa desde o seu primeiro defeso, onde teve de lidar com os casos Dier e Bruma, por exemplo. O Sporting passou a ser capaz de vender menos e muito melhor, mas a forma como correu a última época desportiva deixa dúvidas acerca de tanta inflexibilidade e pode ser uma forma de lançar o que aí vem. Até ver, os leões estão a construir um super-plantel. Falta perceber duas coisas. Se as estrelas que por cá estavam ficam e se, em caso afirmativo, isso não pode transformar os novos recrutas em peças sobressalentes sem uso, acabando por torná-los tão inúteis como aconteceu há um ano com Petrovic, Elias ou Markovic.
2017-07-09
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Último Passe

Chega-se ao dia de estreia numa grande competição e a tentação maior é a de descobrir a equipa com que Portugal vai começar. E as maiores dúvidas – únicas, na verdade – estão nas alas do meio-campo/ataque. Sem hipótese de ver os treinos, há que recorrer ao pensamento normal do selecionador, que nos conta duas histórias. Primeiro, e fundamentalmente, que com Santos costuma jogar um ala mais dado a labor de centrocampista e outro com mais caraterísticas de extremo, para que o 4x4x2 possa transformar-se com 4x3x3 sempre que a equipa assim o entender. E depois que cada um destes alas tem geralmente um corredor preferencial, sendo raramente tidos em conta para o lado oposto. É por isso que, se tivesse de responder agora, ainda sem qualquer informação privilegiada mas numa espécie de jogo do “MasterMind”, arriscaria dizer que Fernando Santos vai começar com Bernardo Silva à direta e André Gomes à esquerda. Nove-onze-avos da equipa que mais daqui a pouco vai defrontar o México está definida. São eles: Rui Patrício, Cédric, Pepe, José Fonte, Guerreiro, William, Moutinho, André Silva e, claro, Ronaldo. Restam depois os dois lugares nas alas. Aplica-se o primeiro princípio do “Santismo” e separam-se os seis jogadores que podem jogar nas alas em dois grupos. De um lado, por um dos lugares, lutam os que têm caraterísticas de terceiro médio: André Gomes, Pizzi, eventualmente Bernardo Silva. Do outro, pela outra vaga no onze, lutam os que têm caraterísticas de terceiro avançado: Nani, Quaresma, Gelson e eventualmente Bernardo Silva, que assume uma espécie de papel dúplice por força da ausência de João Mário. Quer isto dizer que, a não ser em situações de vantagem, dificilmente se verá um Portugal tão conservador que junte em campo Pizzi e André Gomes nas duas alas. Mas também será difícil que, exceção feita a momentos em que seja preciso ir à procura do golo, vejamos ao mesmo tempo uma equipa tão ofensiva a ponto de somar Quaresma e Nani nas alas, por exemplo. Aqui chegados, antes de se aplicar o segundo princípio do “Santismo” vai-se buscar o senso comum. E o senso comum diz-nos várias coisas. Que Gelson, por exemplo, ganhou o lugar à direita pelo que fez depois de entrar ao intervalo no particular contra Chipre, no qual Bernardo Silva tinha estado mais discreto, mas que depois não confirmou essa tendência de crescimento contra a Letónia em Riga. Que Quaresma entrou bem em Riga, mas que Santos gosta de o ter perto dele no banco, graças a essa capacidade rara que o extremo do Besiktas tem para entrar bem em qualquer jogo que não faz de início. E que Nani, um fixo desta equipa, estará a regressar ao melhor momento depois da lesão que lhe roubou protagonismo, mas ainda não confirmou esse crescimento em campo – e a concorrência na seleção nacional é cada vez mais dura. É à luz destes conhecimentos que deve aplicar-se então o segundo princípio do “Santismo”. E este diz que André Gomes e Nani jogam sempre à esquerda e que Pizzi, Bernardo, Quaresma e Gelson partem sempre da direita. Agora é aplicar a lógica “santista” e completar as vagas. Neste momento, antes de chegar ao estádio ou de ter contacto com alguém que saiba algo de concreto, diria que Portugal começará hoje contra o México com Bernardo Silva à direita e André Gomes na esquerda, ambos à procura do espaço interior, dando mais projeção aos dois laterais. Que, depois, se começar com Quaresma não joga Bernardo Silva. E se começar com Nani não joga André Gomes. Mas que me parece improvável que a equipa arranque na partida com dois extremos tão claramente pronunciados como são Quaresma e Nani, a somar a Ronaldo e André Silva, estes seguros na frente, pela complementaridade que asseguram e pelo rendimento que têm dado.
2017-06-18
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Último Passe

Chipre não é propriamente um adversário de enorme valor, o jogo era um simples particular, mas a vitória por 4-0 que Portugal conseguiu na preparação para a viagem à Letónia e para a Taça das Confederações deixou indicações positivas, algumas dúvidas e ainda uma curiosa preocupação. Os portugueses fizeram dois golos em cada parte, os dois primeiros beneficiando da inspiração de João Moutinho nos livres diretos, os dois últimos a premiar uma exibição mais bem conseguida do ponto de vista coletivo. Foi neste segundo período que a equipa mostrou coisas melhores, como a aceleração e a criatividade de Gelson, o critério de William na saída de bola ou a chegada de Pizzi à área. Tudo somado, leva à grande preocupação: é que, ao contrário do que sucedeu há um ano, a equipa está bem na entrada para a reta final da época. E, pelo menos nas competições como os Europeus e os Mundiais, isso não costuma ser bem. Falta ver como é na Taça das Confederações. Fernando Santos tinha dito que os campeões europeus não estão nunca em teste, mas a verdade é que têm de estar, quanto mais não seja por comparação com eles mesmos. Primeiro, porque é preciso deslindar a questão do onze titular. E se ao onze de hoje somarmos Pepe e Cristiano Ronaldo, já se vê que é preciso sacar de lá dois homens. Se depois verificarmos que o treinador fez algumas poupanças e muito mais experiências, não fica fácil entender quem vai começar em Riga, no final da próxima semana, ou muito menos quem vai arrancar na Taça das Confederações, daqui a duas semanas. William ou Danilo? João Moutinho ou Adrien? João Mário ou André Gomes? Nani, Bernardo Silva ou Gelson? Ou até Pizzi? Tudo questões de difícil resposta. Porque Danilo fez melhor época que William, mas a equipa respira melhor com este a pautar o jogo de ataque do que com aquele à frente dos centrais. Porque tanto Moutinho como Adrien tiveram esta época Ligas menos extenuantes, o que lhes permite chegar a Junho e disputar o lugar apenas com base na capacidade de cada um. E a coisa complica-se ainda mais quando se percebe que para Ronaldo entrar no onze, no lugar ontem ocupado por Nani – e a partir de meio da segunda parte por Pizzi – os dois terão de disputar vagas noutras posições. Se Fernando Santos persistir na ideia de compor o meio-campo a quatro com um extremo puro e um médio que permita os equilíbrios, a Nani resta disputar a vaga com Bernardo e Gelson, que foi dos três o melhor frente a Chipre, por ser capaz de ir para cima dos adversários e explorar as acelerações e o um contra um. Por outro lado, Pizzi, que foi dos médios o que evidenciou melhor chegada à área – sim, jogou no lugar que vai ser de Ronaldo e isso também conta – poderia bater-se com Moutinho e Adrien pela posição de segundo médio se Fernando Santos fosse mais arrojado, mas restar-lhe-á um lugar de suplente de luxo ou a disputa da vaga de médio-ala mais dado a cair no meio e a equilibrar atrás, em cuja órbita têm andado João Mário e André Gomes. No final do jogo, Fernando Santos dizia que não podia ter opções melhores do que as que teve no Europeu, porque Portugal ganhou o Europeu e os jogadores que lá estiveram foram “absolutamente brilhantes”. Mas a verdade é que o selecionador tem mesmo mais opções. E tem opções em melhor momento. A começar por Ronaldo, que foi poupado a muitos dos jogos do Real Madrid na ponta final da época para poder brilhar na Champions, não se veem neste grupo jogadores presos por arames, como se viam há um ano, antes do Europeu. E isso é bom. Mesmo que daqui por um mês possamos estar a dizer que a equipa chegou ao topo cedo demais para poder aguentar esse momento até à fase decisiva da Taça das Confederações.
2017-06-03
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Gelson Martins foi o maior assistente da Liga portuguesa em 2016/17, assinando dez passes para golo. O jovem extremo do Sporting sucedeu assim ao lateral portista Layún, que na edição anterior tinha protagonizado 15 assistências, ficando o decréscimo no total associado ao facto de Gelson não ter feito nenhum passe decisivo na sequência de bolas paradas, uma das especialidades do mexicano. Os maiores rivais de Gelson na lista desta época foram o lateral portista Alex Telles – sucessor de Layún no onze do FC Porto – e o extremo Iuri Medeiros, que esteve emprestado pelo Sporting ao Boavista. Ambos terminaram a Liga com oito assistências no currículo. A produção de Gelson Martins, no entanto, esteve longe de ser regular. Das suas dez assistências para golo, oito apareceram na primeira volta e sete nas primeiras doze rondas – enquanto o Sporting esteve vivo na luta pelo título. Desde a derrota na Luz, à 13ª jornada, o jovem extremo fez apenas mais três passes para golo: assistiu Bas Dost no empate em Chaves com que se encerrou a primeira volta, em meados de Janeiro; deu um golo a Alan Ruiz em Arouca, nos inícios de Abril; e outro a Matheus Pereira na receção ao Chaves, no último domingo. Se foi o Sporting que se ressentiu da quebra de Gelson ou este a sentir a quebra da equipa, isso já é mais difícil de definir. Certo é que Gelson vinha sendo de uma regularidade extraordinária, pois dava golos em quase todos os jogos (as suas dez assistências apareceram em dez jogos diferentes) e a vários companheiros: Bas Dost, com quatro golos após passes de Gelson, foi o único repetente, sendo os outros beneficiados Bryan Ruiz, Adrien Silva, Campbell, William Carvalho, Alan Ruiz e Matheus Pereira. A lista dos maiores criadores de golos da Liga segue, como já foi escrito, com Alex Telles e Iuri Medeiros, ambos com oito assistências. Com sete aparece o primeiro assistente do Benfica, campeão nacional: o médio Pizzi somou sete assistências, ainda assim mais uma do que na época anterior, na qual o principal criador do Benfica tinha sido Gaitán, entretanto transferido para o Atlético de Madrid. E Pizzi não está sozinho: também com sete passes de golo aparecem o avançado vimaranense Marega (emprestado pelo FC Porto) e o lateral maritimista Patrick. O top 10 dos assistentes completa-se com André Silva (FC Porto), Nelson Semedo (Benfica), Otávio (FC Porto), Pedro Santos (Sp. Braga), Raphinha (V. Guimarães), Salvio (Benfica) e Wilson Eduardo (Sp. Braga). Todos somaram seis assistências.
2017-05-23
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Há um ano, se me perguntassem, diria que, em função da dinâmica de vitória que apresentava, o Sporting era o principal favorito a ganhar a Liga que se seguia. E no entanto as coisas mudaram tanto que os leões não passaram do terceiro lugar. Nesta altura, tudo indica que o Benfica vai sair à frente dos rivais para o campeonato de 2017/18. Falta perceber o que vai mudar daqui até lá, seja em termos de mercado (entradas e saídas de jogadores), da força dos treinadores dentro do contexto do clube ou de variáveis internas de balneário. Há um ano, a gestão de todos estes fatores contribuiu para que o Sporting caísse a pique em termos de produção. Caberá agora ao Benfica gerir os três meses até ao início do campeonato de forma a evitar os erros cometidos pelos outros. Começo hoje a antevisão desses três meses que vão definir aquilo que vai ser a nova época precisamente pelo Sporting, onde a atualidade é mais efervescente. A pressão mediática está naturalmente mais em cima de quem mais falhou, que foi o Sporting. Saem notícias de desentendimentos entre treinador e presidente, seguidas de desmentidos formais de ambos, mas falta perceber como vai ser montada a equipa leonina para atacar a nova época. Há um ano, a adoção de uma política errada de perfis na altura de substituir os jogadores perdidos, seguida da alegada perda de poderes do treinador e, a montante disto, a pressão exterior nascida no êxito da seleção nacional e na consequente procura – e vontade de sair – de elementos fundamentais do balneário foi uma montanha demasiado íngreme para a equipa escalar.  Bas Dost e Gelson foram os melhores leões em 2016/17, mas aquilo que deram à equipa foi sobretudo individual – os golos de Dost, a imprevisibilidade e as assistências de Gelson – e não substituiu aquilo que lhe davam Slimani e João Mário, que era altruísmo, capacidade para fazer brilhar os outros e poder coletivo de controlo sobre os jogos. Não é por acaso que além de Dost e Gelson mais ninguém tenha feito uma boa época no Sporting e que vários jogadores fundamentais tenham mesmo caído a pique em termos de rendimento – Bryan Ruiz é disso exemplo paradigmático.  Em paralelo, obedecendo a uma teoria de vasos comunicantes mas não só por causa deles, houve muitas contratações falhadas: uns por umas razões, outros por outras, Markovic, Castaignos, Elias, Douglas, Meli, Petrovic, Campbell ou André nunca justificaram a entrada no plantel. Tudo somado, os resultados foram maus e a empatia entre presidente e treinador começou necessariamente a diminuir.  Jesus pode ou não continuar à frente da equipa do Sporting – e o melhor para os leões é que continue, porque os dois anos que lá passou levam a que não haja ninguém em melhores condições de compreender aquele balneário e de devolver ao clube o futebol que jogava há um ano. Mas o fundamental mesmo é que treinador e presidente compreendam que precisam de uma política comum, o que implica algumas cedências de parte a parte. Bruno de Carvalho tem de conceder que se o treinador tem uma ideia para a equipa, ou concorda com ela ou, se discorda, assume que errou na escolha – porque se há verdade absoluta na cartilha dos treinadores é a de que se deve viver e morrer de acordo com as suas próprias ideias e parte já para outra, sem perder mais tempo e dinheiro. E Jesus tem de assumir que o poder económico do Sporting não está, nem pouco mais ou menos, de acordo com aquilo que gasta na equipa técnica e que, por isso, não lhe resta outra alternativa a não ser continuar a aproveitar miúdos saídos da formação – como fez, bem, com Gelson ou Ruben Semedo e se prepara para fazer com Podence – e acertar mais nas escolhas dos craques que o clube contrata a peso de ouro. No fundo, o desmentido que os adeptos esperam de Bruno de Carvalho e Jesus não é o de que estão pontualmente em desacordo. O que eles precisam de desmentir agora é aquilo que muitos anteviam como principal problema da parceria, que era o excesso de ego de ambos. Este não veio à tona nos primeiros 18 meses de convivência porque o que estava lá à frente – a perspetiva de ganhar a Liga – era mais forte do que aquilo que tinham deixado para trás – nada, na época de arranque, e um campeonato perdido com recorde de pontos e excelente futebol, no início da segunda temporada. Agora, no rescaldo de uma época totalmente falhada, a tentação é grande e manda apurar responsabilidades. E muito daquilo que anda por aí tem menos a ver com uma reivindicação de poder do que com uma declaração de isenção de culpa. Quando se diz que o que está aqui em causa é a decisão acerca de quem vai formar o plantel, no fundo, o que está a debater-se é quem fez asneira a formar o anterior. Porque nem presidente nem treinador – nem os seus defensores acérrimos, de resto – alguma vez admitirão que a miséria que foi a época de 2017/18 tem a ver com culpas próprias.
2017-05-21
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Ainda sou do tempo em que havia quem tentasse aplicar ao futebol regras do direito comum do trabalho, advogando que para se libertar de um contrato, rescindindo-o, a um jogador bastaria pagar ao clube a que estava ligado o valor correspondente aos salários que ainda teria a receber. Não era assim, não viria a ser assim, porque o futebol obteve neste particular o direito a uma especificidade que tem a ver com os milhões pelos quais são transacionados os passes dos jogadores e até com os salários muito acima da média que alguns destes recebem. E aí nasceram as cláusulas de rescisão. Que não servem para definir quanto vale um jogador nem muito menos para se fazer um campeonato, ao contrário do que acham os adeptos mais fervorosos e aqueles que se entretêm a alegrar-lhes os dias. Quando um clube contrata um jogador, é porque acredita nele e quer contar com ele até o ver corresponder em campo, até o ver pagar com rendimento desportivo o que nele foi investido. A dada altura, passou a ser habitual que se lhe fixasse uma cláusula de rescisão, que entra num contrato como parâmetro negocial ao nível dos anos de duração, do salário ou do prémio de assinatura. Às vezes há coisas exageradas, como as cláusulas de dezenas de milhões de euros que o Sporting fixou para alguns jogadores da formação que andavam na equipa B ou os 80 milhões em que parece ir ficar a cláusula de rescisão de Nelson Semedo com o Benfica. São casos diferentes – o Sporting blindava os miúdos por ainda não saber se ali ia aparecer um novo Ronaldo, o Benfica blinda Semedo por estar a vê-lo crescer na equipa principal – mas têm em comum uma coisa: ambos os clubes ficaram aquelas cláusulas porque puderam fazê-lo, porque no ato de assinatura dos contratos os jogadores e os seus agentes concordaram com isso. Nunca os clubes insinuaram sequer que aqueles jogadores valiam aquele dinheiro: queriam apenas assegurar que se um dia viessem a valer algo próximo daquilo não podiam fugir a não ser por aquele valor. Cissé não valia 60 milhões de euros, Semedo não vale 80 milhões e, mesmo que venha a assinar o novo contrato com a cláusula que o Sporting quer impor-lhe, Gelson não valerá ainda 100 milhões. O que vale então um jogador? Era costume dizer-se que valia aquilo que alguém se oferecesse para pagar por ele. É assim a lei do mercado. Se eu tenho um ativo – o passe de um jogador –, se me oferecem dez milhões por ele e se eu aceito, esse ativo valerá esses dez milhões. Só que, tal como em tudo na vida, o mercado de futebolistas mudou muito com as intervenções dos mega-agentes e dos fundos de investimento. Não é sequer uma questão exclusiva do futebol. Todas as áreas onde há mega-investimento para criação de mais-valias acolhem este tipo de especulação. Seja o imobiliário, a bolsa de valores ou até o trading em apostas desportivas. Aquilo que mais influencia os mercados hoje em dia não é a qualidade dos jogadores, mas sim o dinheiro dos investidores. Os principais fatores determinantes nos valores das transferências dos jogadores não são a vontade dos clubes vendedores ou compradores ou a qualidade dos futebolistas mas sim a determinação estratégica de grandes grupos financeiros que entraram no futebol. São estes que, de acordo com o caminho que querem dar ao negócio, decidem se é altura de fazer dumping e vender abaixo do preço justo ou se, usando as influências que têm em clubes de vários países e dimensões, o que lhes convém é subir os preços numa espécie futebolística de cartelização. Exemplos disto são as chegadas a Portugal de jogadores como Elias (da primeira vez que veio para o Sporting), Jiménez ou Imbula, mas também saídas como as de Rodrigo para o Valência ou do mesmo Imbula, que fracassou e mesmo assim se valorizou. É por isso, sobretudo, que cada vez fazem menos sentido estes campeonatos da venda de jogadores que só os tais adeptos mais fervorosos vão alimentando. Nem as mais-valias são assim tão grandes, porque para vender caro é preciso comprar caro e manter a roda a girar um nível mais abaixo, nem o objetivo principal dos clubes é vender jogadores. É ganhar campeonatos, daqueles a sério, em que se somam pontos.
2016-11-28
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Último Passe

Benfica, Sporting e FC Porto têm todos, esta época, uma jovem coqueluche. E não há como não ficar entusiasmado com o rendimento de Nelson Semedo, Gelson Martins e André Silva, as melhores notícias do futebol português nesta época. Por indiscutível mérito próprio e dos treinadores que neles apostaram, mas também – se calhar sobretudo – de quem desenhou os plantéis sem consagrados que viessem atrasar a sua natural imposição. Seriam os mesmos jogadores se Maxi Pereira e André Carrillo não tivessem desertado? E se Aboubakar não tivesse sido forçado ao exílio na Turquia? Duvido. Sempre achei que não há treinadores com vontade de apostar na juventude e outros menos propensos a isso. Todos os treinadores querem o mesmo, que é ganhar. Jorge Jesus, o treinador que o Benfica terá deixado cair por não querer abraçar o novo paradigma de aposta nos miúdos do Seixal, está agora a jogar reiteradamente com Ruben Semedo e Gelson Martins no Sporting, remetendo para o banco consagrados como Douglas ou Markovic. É por isso que sempre desconfiei dos que o acusavam de ter deixado que se perdessem talentos como Bernado Silva, André Gomes ou João Cancelo, todos eles hoje na seleção nacional, mas transferidos pelo Benfica antes de terem tido sequer a oportunidade de se afirmarem na equipa principal. Jesus foi bruto na forma como tentou matar os sonhos destes jovens, com a famigerada frase do “têm de nascer dez vezes”? Claro que foi. Jesus é bruto, ponto final. Já o tinha sido no passado e voltará a sê-lo no futuro. Faz parte da personagem que ele encarna. Mas daí a ser o único responsável pelo facto de aqueles três internacionais nunca se terem afirmado na Luz já vai uma distância que me recuso a percorrer. Vejamos o caso de Cancelo, atualmente titular na lateral direita da seleção, depois de quase ter passado diretamente do Benfica B para o Valência. Cancelo pouco jogou no Benfica porque à sua frente estava Maxi Pereira. E agora olhemos para Nelson Semedo, que do meu ponto de vista é até superior a Cancelo, sobretudo na forma como defende. Seria ele o jogador que é se Maxi tivesse ficado no Benfica em vez de assinar pelo FC Porto? Claro que não. Porque lhe faltaria aquilo que faz verdadeiramente os grandes, que é a competição. A verdadeira mudança de paradigma no Benfica, o que permitiu nos últimos doze meses a afirmação de jovens como Renato Sanches, Nelson Semedo, Gonçalo Guedes ou Lindelof, tem mais a ver com a ausência de alternativas indiscutíveis no plantel – quase sempre por causa de lesões – do que com a mudança de treinador. Claro que, até pelo seu percurso ligado à formação, Rui Vitória trabalha melhor os miúdos do que Jesus, transmite-lhes uma confiança que este nunca seria nem alguma vez será capaz de transmitir. E isso também conta. Mas nem Nelson jogaria tanto se houvesse Maxi nem nenhum dos outros estaria hoje onde está sem as ondas de lesões que lhes deram as primeiras oportunidades. O mesmo vale, aliás, para Gelson Martins. Estaria Gelson onde está se Carrillo não tivesse querido mudar para o Benfica? Claro que não. Carrillo era no início da época passada o maior desequilibrador do plantel do Sporting e, mesmo tendo ele afirmado em entrevista que Gelson era o miúdo com mais talento que alguma vez tinha treinado, Jesus faria sempre a equipa com o peruano. Aliás, no íntimo e mesmo que o não diga, o treinador há-de estar convencido de que se Bruno de Carvalho não tivesse imposto o ostracismo a Carrillo a partir do momento em que este se recusou a renovar contrato, teria sido campeão. Afinal, ele tinha sido campeão em 2014/15 no Benfica, com Nelson Semedo na equipa B e Maxi a jogar durante meses, depois de se recusar a renovar. Sem Carrillo, a aposta em Gelson foi tão natural como a de Rui Vitória em Gonçalo Guedes quando se viu privado de Salvio e agora de Jonas. E, por mais hesitante que tenha parecido a primeira época, na qual Gelson terá nascido umas quantas vezes, o extremo é ao segundo ano uma das figuras da equipa e um fixo da seleção nacional. Nenhum caso será tão paradigmático, no entanto, como o de André Silva. Não se pode acusar José Peseiro de andar desatento aos jovens: foi ele que deu continuidade a João Moutinho, por exemplo, levando-o a jogar uma final europeia com 18 anos. E no entanto, na época passada, depois de dar a titularidade a André Silva, reverteu a aposta antes do clássico com o Sporting, recuperando Aboubakar. Quando lhe pediram para justificar a ausência de André Silva no Europeu, aliás, Fernando Santos até se deu ao luxo de dizer que tinha ido vê-lo ao clássico mas ele não tinha jogado. A administração portista terá encaixado a direta e, para evitar recuos na aposta naquele que pode ser o bastião do portismo nos anos que aí vêm, substituiu-se ao mercado: sem propostas por Aboubakar, mandou-o para a Turquia sem remissão, por empréstimo. E essa foi a forma de o FC Porto e a seleção ganharem o ponta-de-lança que fazia (a ambos) tanta falta.
2016-11-21
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Passei grande parte do Portugal-Letónia a achar que a seleção nacional estava a jogar pouco por dentro e a procurar com demasiada frequência os dois corredores laterais, onde era quase sempre travada em situações de inferioridade numérica. No final, Fernando Santos veio à sala de imprensa reclamar que a equipa insistiu demais no jogo interior e que devia ter ido mais vezes à procura dos corredores laterais. E no entanto ambos queríamos dizer o mesmo: que a seleção estava a cair onde não tinha condições para criar situações de desequilíbrio e que por isso o seu futebol entrou em bloqueio atacante. O jogo com a Letónia acabou por se resolver nos corredores laterais, com a entrada de Quaresma. Só então, com o extremo do Besiktas de um lado e Gelson do outro (e mais tarde Ronaldo, quando o capitão encostou à esquerda e mandou o ponta sportinguista mais para dentro) Portugal começou a ter presença suficiente nas alas. Porque até aí Cancelo e Guerreiro tinham estado sempre muito abandonados, em virtude dos constantes movimentos interiores de João Mário e Nani, e eram quase sempre apanhados em momentos de um para dois com as duas duplas de duplas laterais que o adversário tinha, uma de cada lado. Se a bola chegasse à ala com rapidez suficiente para apanhar os adversários ainda a bascular, a mudar de um lado para o outro, até podiam criar lances de perigo, mas isso não era a norma. Na verdade, havendo adeptos de um jogo mais interior e outros de um futebol com mais largura, não creio que seja possível estabelecer a superioridade de uma das opções sobre a outra em abstrato. O que é importante é apenas e só a coerência. E se Fernando Santos queria jogo exterior, o erro foi ter entrado com dois alas que a cada oportunidade que tinham para o fazer vinham para dentro. A equipa só começou a ser ameaçadora no momento em que teve em campo gente capaz de executar a ideia escolhida pelo treinador: extremos flanqueadores para jogo exterior. E o problema não era de Nani e João Mário - a coisa também poderia resultar com os dois, desde que se mudasse a ideia e se apostasse mais nas tabelas entre as linhas do opositor para as penetrações pelo corredor central. É essa capacidade para dançar conforme a música que torna esta equipa forte e dá ao treinador garantias de que pode bater-se com qualquer adversário com chances reais de lhe ganhar. Desde que o faça com coerência.
2016-11-13
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Portugal goleou Andorra por 6-0, numa noite que ficará para a história da seleção e de Cristiano Ronaldo, autor de quatro golos que igualam o recorde de concretizações num só jogo da equipa nacional, até então pertença de Eusébio, Pauleta e Nuno Gomes. A partida serviu a Fernando Santos para começar a emendar o passo em falso dado com a derrota na Suíça, na jornada inaugural, mas não chega para alimentar euforias, não só porque Andorra é uma seleção demasiado fraca para ser tida em conta, como também porque os suíços complicaram as contas nacionais, ganhando na Hungria por 3-2 e superando com o pleno de pontos o obstáculo mais complicado que tinham antes da deslocação a Portugal. O jogo de Aveiro teve pouca história, porque Portugal marcou dois golos nos primeiros quatro minutos, ambos da autoria de Cristiano Ronaldo, que assim assinou o bis mais rápido de sempre na equipa nacional. A questão da atribuição dos pontos ficou logo ali resolvida, mas para a tibieza da reação andorrenha contribuiu igualmente o facto de os visitantes terem jogado os últimos 20 minutos com nove homens, devido a duas expulsões nascidas de um jogo persistentemente faltoso com que tentaram travar a equipa lusa. Fosse por excesso de empenho físico enquanto puderam dá-lo ou devido a um atraso constante na chegada à bola quando começaram a acusar a fadiga, os pupilos de Alvarez foram sendo fustigados com amarelos que lhes retiraram qualquer hipótese de construir jogadas de ataque e permitiram a Portugal acabar o jogo com várias unidades atacantes em campo ao mesmo tempo: Ronaldo, Quaresma, Gelson, Bernardo Silva, André Silva, João Mário e João Moutinho terminaram todos o jogo em campo, numa equipa que já só tinha três defesas e podia ter dispensado o guarda-redes, tão desprovida de sentido foi a permanência entre os postes de um sempre desocupado Rui Patrício Este foi, ainda assim, um jogo com várias pequenas histórias. Foi a história do recorde de golos num só jogo da seleção, que Ronaldo igualou mas podia bem ter superado, não tivesse ele passado os últimos 20 minutos de jogo longe da área, devido a um toque mais violento que sofreu por essa altura. Mas foi também a história do primeiro golo de André Silva na seleção, uma finalização longe de ser brilhante, que beneficiou de um desvio num defesa adversário, mas que nem por isso ou por ele ter perdido antes dois cabeceamentos com selo de golo tira vontade de o ver mais vezes ao lado de Ronaldo, pela forma como trabalha para libertar o capitão de amarras e da necessidade de jogar de costas para a baliza, como referência do ataque. A primeira experiência da dupla foi boa, mas tal como acerca da titularidade de Cancelo na defesa, exige observação mais cuidada perante um adversário de um nível de exigência mais alto para se formarem opiniões mais definitivas. E foi ainda a história da estreia de Gelson na seleção principal, entrando nos últimos 20 minutos para acelerar a equipa – quis o destino que a entrada do extremo leonino coincidisse com a lesão de Ronaldo e a redução de Andorra a nove homens, o que mudou o jogo. Nesses últimos 20 minutos, contra nove, Portugal só fez um golo – o sexto, de André Silva. Até aí tinha feito cinco, que completam a história do que se passou em Aveiro. Ronaldo marcou o primeiro aos 2’, sendo mais rápido a erguer-se que Rebés após uma defesa do guarda-redes Gomez para a frente, e juntou-lhe o segundo logo aos 4’, respondendo da melhor forma a um excelente cruzamento de Quaresma. Portugal entrou nessa altura numa fase de menor fulgor, com vários passes perdidos, nascidos da desconcentração de uma equipa à qual tudo parecia demasiado fácil. João Cancelo, em lance individual, fez o 3-0 pouco antes do intervalo, mas a equipa voltou melhor para o segundo tempo, provavelmente acordada com a insatisfação de Fernando Santos. Ronaldo fez o quarto aos 47’ numa belíssima finalização em volei após cruzamento tenso de André Gomes, e o quinto aos 68’, acorrendo de pé esquerdo a um desvio de José Fonte. Igualado o recorde e com mais de 20 minutos por jogar, esperar-se-ia que ele o batesse, mas foi aí que o capitão recuou no campo e a equipa assumiu o objetivo de dar a André Silva o seu primeiro golo internacional. Fê-lo já perto do final, compondo o resultado e deixando toda a gente à espera de ver o que trará o jogo nas Ilhas Faroe. Mais dificuldades, certamente.
2016-10-08
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A incapacidade do Sporting para controlar os jogos em situações de vantagem custou à equipa de Jorge Jesus dois pontos numa partida que dominou por completo até aos 75 minutos, mas onde um quarto-de-hora de pesadelo lhe custou um empate a três bolas, frente ao Vitória, em Guimarães. A ganhar por 3-0 e tendo perdido mais três ou quatro situações claras de golo, foi a equipa do Sporting que, a 15 minutos do final, levantou o ânimo aos minhotos, cedendo um penalti escusado e falhando depois na marcação a Marega num cruzamento. Num ápice, um jogo que estava fechado, reabriu, de 0-3 para 2-3. O Vitória acreditou e já sobre o minuto 90 chegou a um empate que o muito maior volume de jogo leonino não faria prever, mas que castigou a desconcentração e a tremedeira final dos leões. Esta não foi a primeira vez que os leões cederam neste tipo de situações. Basta lembrar o jogo de Madrid (de 1-0 para 1-2 nos últimos dois minutos) ou até a partida caseira com o Estoril (dois golos sofridos nos últimos cinco minutos, transformando uma noite tranquila num jogo de emoção no final). Em Guimarães, hoje, nada o faria prever, face ao que o jogo vinha dando. Jesus apresentou um onze muito próximo da sua equipa de gala, mudando apenas os dois defesas-laterais e apresentando Markovic na frente, no apoio a um Bas Dost desta vez mais apagado e distante da equipa. O Vitória, com três homens declaradamente na frente – Soares, Marega e Hernâni – ainda ameaçou num passe longo para as costas da defesa leonina que o malinês não conseguiu captar em condições, mas depois desse lance os leões passaram a mandar no jogo. Gelson voltou a mostrar o futebol que o levou à convocatória para a seleção nacional e numa arrancada pelo corredor central inventou o primeiro golo: passou por vários adversários e chutou para uma defesa incompleta de Douglas, tendo Markovic sido o mais rápido a chegar para a recarga. O facto de ter perdido o capitão, Adrien, pouco depois, com uma lesão muscular, poderia ter afetado o rendimento leonino, mas não foi pela presença de Elias que a equipa fraquejou, pois o brasileiro até entrou bem na manobra geral. Coates ainda fez o segundo golo antes do intervalo, na sequência de um canto de Ruiz e o Sporting parecia rumar tranquilamente a mais três pontos. Até pela facilidade com que criava – e perdia – lances de golo. Isso viu-se, por exemplo, no arranque da segunda parte. Elias, em boa posição, chutou ao lado, aos 46’, tendo Douglas tirado o terceiro a Markovic um minuto depois, quando o sérvio lhe surgiu isolado pela frente em mais um belo lance de Gelson. O guarda-redes vimaranense, que já não tinha ficado isento de culpas no golo de Coates, tentava redimir-se, mas acabou por voltar ao lado errado da partida, deixando escapar para as redes um remate de Elias que queria enviar pela linha de fundo. Com 0-3, a 19 minutos do fim, o jogo parecia ter acabado. Mas não. Um penalti escusado de William sobre Hernâni, convertido por Marega aos 74’, podia ser um incidente meramente folclórico, não tivesse o mesmo Marega feito o 2-3 logo um minuto depois, surgindo entre Coates e Schelloto na sequência de um cruzamento da direita. De repente, o jogo reabria. O Vitória voltava a acreditar, puxado de forma entusiasta pelo seu público. E chegou mesmo ao empate num dos muitos livres de que beneficiou nessa ponta final: cobrança de Rafinha e cabeça de Soares, ao segundo poste, nas costas de Schelloto. O golo premiava 15 minutos finais com muito coração da equipa de Pedro Martins, mas acabava por ser bem mais o reflexo das dificuldades defensivas que este Sporting vem enfrentando: desde Madrid, em cinco jogos, o Sporting sofreu dez golos. Começa a ser uma tendência.
2016-10-01
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Portugal é campeão da Europa e ganhou o campeonato jogado em França há menos de três meses com sangue novo no onze e sobretudo nos 23, pelo que mencionar a hipótese de renovação é sempre complicado e sujeita quem levantar o dedo para falar a levar como resposta que ela já está a ser feita. Mas as equipas renovam-se. Mesmo as que ganham. E as melhores renovações são aquelas que nem precisam de debate. É por isso que nem o facto de a taça ainda não ter acumulado pó suficiente para justificar que se lhe passe o pano inibiu Fernando Santos de chamar André Silva ao grupo na viagem à Suíça. E que se tudo correr dentro da normalidade o duplo confronto com Andorra e as Ilhas Faroe pode motivar mais três ou quatro adições ao grupo: Gelson Martins, Pizzi, Ruben Semedo e Nelson Semedo. Parece-lhe demasiado? Olhe que não. Sabia por exemplo quantos jogadores Luiz Felipe Scolari mudou entre a equipa que chegou às meias-finais do Mundial de 2006 e a que foi à Suíça jogar o Europeu de 2008? Foram 12. E acha que foi porque aquela seleção já era veterana e por isso era necessário pensar em renovação? Olhe que se engana. Porque em 2010, no momento de convocar para o Mundial da África do Sul, Carlos Queiroz mudou outros 12 nomes nos 23. E em 2012, quando fez a sua lista para o Europeu da Polónia e da Ucrânia, Paulo Bento voltou a fazer muitas mudanças – se arriscou vaticinar que foram doze, acertou em cheio. O doze não é nenhuma espécie de número mágico para esta conversa, mas serve de referência para que julguemos que a partir desse momento a equipa entrou numa espécie de estagnação. Paulo Bento só mudou sete homens na lista que elaborou para o Mundial do Brasil, em 2014, e face à pobreza dos resultados todo o país passou a achar que ele foi conservador demais. Fernando Santos voltou ao ritmo anterior, mudou onze convocados para 2016 e a seleção ganhou o Europeu. Quer isto dizer que, em condições normais, André Silva não será a única novidade de Portugal na fase final do Mundial de 2018 – se, como se espera, a seleção lá chegar. Já se viu que o ponta-de-lança do FC Porto tem qualidade para a equipa nacional, embora ainda não tenha sido possível testar algo que defendo desde antes do Europeu – que ele é o parceiro ideal para o Ronaldo dos dias de hoje na frente de ataque, porque faz tudo o que o CR7 deixa por fazer. Pressiona sem bola, dá profundidade, luta no corpo-a-corpo, o que já de si vem tornar algo irrelevante se faz poucos ou muitos golos. E ele por acaso até tem feito muitos. Esta semana, Jorge Jesus veio apresentar formalmente mais uma candidatura à próxima convocatória de Fernando Santos. Disse o treinador do Sporting que não há no futebol português nenhum jogador com as caraterísticas de Gelson Martins e tem razão, porque Gelson alia a criatividade de Quaresma em situações de um para um à velocidade que já vai faltando ao Mustang do Besiktas e que entre os mais jovens atacantes nacionais só se encontra, por exemplo, em Rafa. É uma mistura de tal forma explosiva e que foi de tal modo impactante, por exemplo, no Santiago Bernabéu, quando o Sporting lá defrontou o Real Madrid, que estranho seria que Fernando Santos se privasse de a ver em ação. Acontece que não é por ter tido o seu treinador a fazer lobby por ele que Gelson terá de estar sozinho como novidade na próxima convocatória. Pizzi continua a ser, juntamente com João Mário, o melhor médio nacional a articular jogo exterior com jogo interior. Se com Jesus jogava no corredor central – foi a resposta possível à saída de Enzo Pérez a meio de uma época –, com Rui Vitória o transmontano tem sido sempre o médio-ala que mais frequentemente usa o cérebro para se juntar aos colegas do corredor central quando é necessário restabelecer equilíbrios. Entre os médios portugueses, só João Mário o faz melhor, pelo que custa a entender que continue a ser deixado de parte quando se juntam os melhores executantes nacionais. Como custará entender que Ruben e Nelson Semedo fiquem fora da próxima lista. O lateral do Benfica, vigoroso na forma como enche todo o corredor direito, pode até esbarrar no facto de haver boas opções para a sua posição entre os campeões da Europa, mas o central do Sporting, veloz e forte no desarme e na antecipação como mais nenhum outro jogador da sua geração, até ocupa a posição mais necessitada de renovação na equipa campeã europeia. Ricardo Carvalho, aos 38 anos, está sem clube; Bruno Alves (34), Pepe (33) e José Fonte (32) também já não vão para novos, pelo que parece mais ou menos evidente que em 2018 haverá pelo menos um novo central português no Mundial. A ideia é dar-lhe rodagem.
2016-09-26
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Mais uma noite fulgurante de Gelson Martins, desta vez bem acompanhado pela certeza na finalização de um Bas Dost que começa a ser solução, valeu ao Sporting uma vitória tranquila sobre o Estoril, à qual só uma meia-hora de descompressão final deu números ainda assim equilibrados: o 4-2 definitivo, com três golos nos últimos cinco minutos (dois deles para os visitantes), reflete tanto o amplo domínio que os leões exerceram sobre o adversário até ao momento em que Jorge Jesus deu descanso a alguns titulares como a total desconcentração da equipa na ponta final da partida. Gelson mereceu bem as palavras que Jesus lhe endereçou na flash-interview: está numa forma impressionante, não só pela velocidade que imprime ao jogo, mas também pela capacidade que revela no um para um e às vezes até no um para dois. Com ele colado à direita, o treinador do Sporting sabe que tem uma fonte permanente de desequilíbrio, bastando-lhe depois somar um finalizador e juntar a tudo uma equipa concentrada e taticamente bem colocada no terreno. Foi por isso que, tirando uma investida logo aos 4’, na qual criou alguma sensação de perigo na esquerda do seu ataque, o Estoril só voltou a aproximar-se da área leonina quando já perdia por 3-0. E mais podiam ter sido se Bryan Ruiz não estivesse num daqueles dias de perder golos cantados. É verdade que o Sporting marcou bastante cedo, num lance que pode tornar-se típico no futebol dos leões: desequilíbrio de Gelson na direita, cruzamento para a área, onde Bas Dost se antecipou a Lucas Farias e marcou de cabeça. Apesar de ainda faltar mais de meia-hora para o intervalo e de o jogo se desenrolar todo o meio-campo do Estoril – muito bem os dois centrais leoninos, a jogarem em antecipação e a não deixarem que os adversários construíssem os seus contra-ataques – o resultado não sofreu alterações antes do descanso. Bryan Ruiz pode explicar porquê: teve uma bola a saltitar à entrada da pequena área mas chutou-a para a bancada, perdendo o 2-0. Com André em vez de Alan Ruiz, que desperdiçou mais 45 minutos no onze titular para causar boa impressão, o Sporting entrou forte na segunda parte, chegando aos 3-0 por volta da hora de jogo. Marcou primeiro Coates, de cabeça, após canto de Bryan Ruiz, tendo depois Bas Dost bisado, na conclusão de um contra-ataque à Slimani: recuperação de Gelson, tabela entre André e William, que colocou a bola na profundidade, onde o holandês a foi buscar e bateu Moreira. Fabiano Soares preparava-se para tentar discutir o jogo quando levou com este golpe duplo, mas as entradas de Gustavo e, sobretudo, de Bruno Gomes – que substituiu o ponta-de-lança Paulo Henrique – ainda haviam de dar os seus resultados. Antes disso, porém, foi o Sporting quem perdeu por duas vezes a possibilidade do 4-0: primeiro André, aos 74’, após jogada entre Gelson e Markovic; depois William, aos 78’, após tabela com Gelson; e por fim Bryan Ruiz, aos 81’, a ver Moreira tirar-lhe o golo com o pé. Jesus, nessa altura, já substituíra jogadores fundamentais. Bas Dost e Adrien já viram do banco a forma como os dois suplentes do Estoril combinaram para reduzir a desvantagem: cruzou Gustavo, para uma bela finalização de Bruno Gomes, que por fim conseguiu chegar a uma bola antes de Ruben Semedo. Faltavam cinco minutos para o fim e o golo de André, a passe de Bryan Ruiz, acabava com quaisquer veleidades que os canarinhos ainda tivessem de vir a discutir o resultado, mas não com a possibilidade de lhe dar um cariz mais equilibrado: Bruno Gomes ainda bisou, após um canto em que toda a equipa do Sporting já estava a pensar no Legia de Varsóvia. Com quatro dias de avanço.  
2016-09-24
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A dramática derrota do Sporting frente ao Real Madrid no Santiago Bernabéu (1-2) e o insuficiente empate do FC Porto em casa ante o Copenhaga (1-1) puseram um ponto final modesto na semana das equipas portuguesas na Liga dos Campeões. Os dois jogos tiveram histórias muito diferentes mas epílogos semelhantes, de desilusão. Saíram desiludidos os leões, que foram a melhor equipa em campo durante 70 minutos mas não conseguiram congelar o desafio nos últimos 20, ficando à mercê da remontada madridista, como desiludidos saíram os dragões, incapazes de criar desequilíbrios na defesa dinamarquesa, nem mesmo quando o adversário ficou reduzido a dez. A derrota do Sporting veio recheada de uma demonstração de personalidade que não está ao alcance de qualquer equipa. Com um posicionamento irrepreensível e face a um Real pouco dinâmico, a equipa de Jorge Jesus foi sempre assegurando superioridade numérica nos vários duelos a meio-campo, fundando aí a capacidade de assegurar a maior dose de iniciativa de jogo: o Real só chutou à baliza de Rui Patrício à passagem da meia-hora, e de fora da área, por Cristiano Ronaldo. Gelson, mais uma vez o melhor em campo, foi um pesadelo constante para a defesa do Real Madrid, tendo começado nele o lance em que Bruno César abriu o marcador. Foi ainda o jovem ala quem, num lance pela direita, deu a Bas Dost a melhor ocasião do jogo – o holandês tentou meter o pé onde se impunha a cabeça e o cruzamento perdeu-se. O Real acabou por virar o jogo quando já poucos nisso acreditariam, fruto da conjugação de vários fatores. Primeiro, as alterações introduzidas por Zidane: Morata, Lucas Vasquez e James Rodríguez melhoraram muito o rendimento do campeão europeu. Depois, o facto de os leões terem piorado com as trocas de Adrien e Gelson por Elias e Markovic. Por fim, é verdade, a inexperiência de muitos jogadores da equipa portuguesa em momentos como aqueles, em que se impõe quebrar o ímpeto ao adversário. A verdade é que, tendo feito o empate num livre irrepreensível de Ronaldo (após falta de Elias), aos 89’, o Real ainda teve tempo para ganhar, num cabeceamento de Morata após cruzamento de James. Houve muito banco numa reviravolta que deixa o Sporting com zero pontos e a precisar de ganhar ao Legia já na segunda jornada. A pressão, senti-la-á também o FC Porto, que seguirá para Leicester com um ponto e a precisar pelo menos de pontuar em Inglaterra, depois de uma exibição pouco conseguida frente ao Copenhaga. Nuno Espírito Santo voltou ao 4x3x3, remetendo Depoitre para o banco, e parecia até poder sair-se bem, depois de um início premiado com um golaço de Otávio, após bela assistência de André Silva. Já nessa altura, porém, o FC Porto revelava parte dos pecados que haveriam de custar-lhe dois pontos, nomeadamente a falta de controlo do espaço aéreo defensivo face à potência de Santander e Cornelius, os dois avançados dos dinamarqueses. O resto ver-se-ia no segundo tempo, sobretudo depois de o Copenhaga ter empatado – por Cornelius, após mais um cruzamento não desfeito pelo último reduto portista – e de o adversário ter ficado reduzido a dez homens, por expulsão de Gregus. Nessa altura, em que Espírito Santo descobriu falta de eficácia, o que se viu foi falta de capacidade para criar desequilíbrios numa equipa organizada mas de qualidade inferior. O FC Porto voltou então ao 4x4x2, com Depoitre em vez de Corona, e mais tarde com a entrada de Brahimi para as vezes de Herrera, mas nem assim criou verdadeiras ocasiões de golo, parecendo sofrer sempre que as probabilidades estão a seu favor. Talvez não seja esse o caso em Leicester, como não era em Roma.
2016-09-14
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A vitória fácil do Sporting frente ao Moreirense, em Alvalade, por 3-0, permitiu aos reforços Campbell e Bas Dost estrearem-se a marcar com a camisola leonina, deu para a substituição antecipada de Adrien, de forma ao capitão poder ser aplaudido de pé pelos adeptos, mas serviu acima de tudo para mostrar que Gelson está um homem. A jogar pela direita de um ataque onde era o único jogador com mais de um par de meses a trabalhar com Jorge Jesus, o jovem Gelson era o único a conhecer de cor as movimentações que o treinador tanto preza e serviu-se desse conhecimento e da sua indiscutível qualidade para se cotar como melhor jogador em campo. Com tanta gente a chegar para o ataque leonino, uma coisa é certa: não vai ser fácil tirar o lugar ao miúdo. A influência de Gelson no jogo ofensivo do Sporting foi mais visível na primeira parte, um período onde o fantasma de Slimani pairou sobre Alvalade. Bas Dost é um finalizador por excelência, mas nem dá à equipa a busca permanente da profundidade ou dos corredores laterais a que esta estava habituada com o argelino, nem teve ainda o tempo suficiente de treino com os colegas para os compreender e para que estes o compreendam a ele. A jogar pela esquerda, Campbell mostrou velocidade e repentismo, mas não é o jogador cerebral que é Bryan Ruiz, provavelmente poupado a pensar em Madrid. O resultado da soma dos dois a um Alan Ruiz que também não estava a atravessar uma tarde-sim foi um início de partida em que o Sporting dominava territorialmente mas onde tinha dificuldades para criar lances de golo iminente. Com um Dramé motivado pelo regresso a Alvalade, o Moreirense tinha menos bola mas dava a ideia de poder surpreender caso o 0-0 se prolongasse por muito mais tempo. Só que aí entrou em ação Gelson. Numa diagonal da direita para o corredor central, o extremo apareceu no fim de um excelente passe de William e inaugurou o marcador. O golo, aliado à expulsão de Neto, poucos minutos depois, podia ter entusiasmado os leões, mas o que aconteceu foi precisamente o contrário: a equipa adormeceu face à facilidade que antevia. E só depois de ouvir das boas ao intervalo resolveu definitivamente o jogo. Entrando na segunda parte com mais intensidade, fez dois golos rápidos e viu o guardião Mackaridze impedir mais dois. Campbell fez o 2-0, de cabeça, após cruzamento de Alan Ruiz, e Bas Dost fechou a conta com um remate feito quando estava já sentado no chão, depois de ter falhado a entrada à bola cruzada por Schelotto e aproveitado o ressalto num adversário. Jesus aproveitou então para promover mais duas estreias e um regresso, mas a equipa voltou a perder concentração e as entradas de Markovic, Elias e André não lhe trouxeram nada de novo em termos de foco e qualidade, a ponto de Rui Patrício ainda ter tido que se empenhar para manter o zero na sua baliza. A altura era tanto de celebrar a continuação da liderança isolada no campeonato, com pleno de vitórias, como de pensar no jogo de quarta-feira em Madrid, frente ao Real, na estreia na Liga dos Campeões. E para esse Jesus bem gostaria de ter mais algum tempo de treino para ensinar o seu futebol a todos estes reforços – é que sem ele quase mais vale pensar em enfrentar o Bernabéu com jogadores que sabem ao que jogam.
2016-09-10
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A vitória (2-1) sobre o FC Porto em Alvalade permitiu ao Sporting assumir a liderança isolada da Liga pela primeira vez desde a derrota contra o Benfica naquele mesmo palco, em Março, e deixou Jorge Jesus nas condições ideais para atacar Setembro, quando regressar a competição e já estiver o mercado encerrado. Os leões ganharam com justiça, num jogo intenso, no qual o FC Porto até começou melhor, mas onde Jesus corrigiu a tempo o erro tantas vezes repetido de colocar Bryan Ruiz ao meio. Muito do jogo do Sporting se baseia nas movimentações e na intensidade dos dois homens da frente, na forma como Slimani busca a profundidade ou a largura e como o seu parceiro o compensa ou se aproxima do meio-campo. Com Ruiz ali em vez de estar à esquerda, a equipa leonina foi perdendo a batalha do meio-campo, setor onde o trio portista, formado por Danilo, Herrera e André André, se impunha com naturalidade a William e Adrien, desamparados face à falta de genica do costa-riquenho. Havia sempre um portista a soltar-se para lançamentos capazes de aproveitar as diagonais de André Silva para o espaço entre o central e o lateral do Sporting, pelo que foi com alguma naturalidade que os dragões se adiantaram bem cedo no jogo. Foi de livre, à semelhança da abertura do marcador no jogo de Roma, desta vez de Layun para Felipe. O resto do jogo, contudo, foi muito diferente do de terça-feira. Porque Jesus reagiu a tempo e devolveu Ruiz ao lugar onde faz mais sentido, que é na esquerda, derivando Bruno César para o meio. Com o brasileiro ali, os leões ganharam ascendente e foram capazes de virar o marcador. O 1-1 saiu de um livre marcado por Bruno César ao poste, de uma primeira recarga de Gelson e de uma segunda de Slimani, a impedir que Casillas fizesse uma segunda defesa. E o 2-1 de um belo remate de Gelson, depois de beneficiar de um ressalto em Ruiz de uma bola mal aliviada por Felipe. Após o intervalo, Nuno Espírito Santo tentou mexer com o jogo, mas as coisas não lhe saíram bem. Oliver fez a estreia, entrando para o meio, com a passagem de Herrera para a direita,  mas mostrou que ainda não está em condições de ser a mais-valia que será assim que compreender melhor a equipa. Depoitre e Adrian Lopez entraram depois, na tentativa de dar outra acutilância ao ataque, mas por essa altura já o Sporting reforçara o meio-campo com Bruno Paulista e só não aproveitou o balanceamento do adversário porque Campbell também ainda não parece preparado. Sporting e FC Porto enfrentam agora duas semanas de paragem nas quais terão de fechar os planteis e de dar aos novos elementos a capacidade de compreender melhor as dinâmicas  coletivas. O primeiro clássico da época mostrou que há ali matéria prima para se trabalhar.
2016-08-28
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Benfica e Sporting vão decidir o título de campeão nacional, na última jornada da Liga, sem Renato Sanches e Adrien Silva, os jogadores que são a alma dos respetivos meios-campos e que tão importantes foram na forma como as duas equipas aqui chegaram em condições de serem campeãs. Ninguém mereceria mais do que eles celebrar o título em campo mas, ocorra o que ocorrer no último dia, os patrões dos dois candidatos ao título terão de ficar a torcer por fora. E num dos casos – porque a Liga não pode ter dois campeões – vai ser “dia santo na loja”. Os jogos das duas equipas têm graus de dificuldade muito diferentes: o Benfica recebe o Nacional, enquanto que o Sporting visita o Sp. Braga. Mas festejará o final deste alucinante sprint quem souber ultrapassar melhor a ausência do coração do seu meio-campo. Renato Sanches foi fundamental na refundação do futebol do Benfica, dando à equipa a explosão de que ela necessitava para fazer a ligação do meio-campo a Jonas. Entrou na equipa quando o Benfica defendia o terceiro lugar face aos avanços do Sp. Braga e acabou por ajudar a carregá-la até esta situação privilegiada em que se encontra neste momento, com 19 vitórias nos últimos 20 jogos e a apenas mais uma do tricampeonato, pois lidera com dois pontos de avanço do Sporting. Ao mesmo tempo, Adrien foi um dos argumentos principais que o Sporting apresentou na época em que já garantiu a melhor pontuação da história e em que entra na última jornada em condições de ser campeão pela primeira vez desde 2007. O capitão dá ao meio-campo agressividade no momento da perda de bola, mas também a capacidade de aproximação à área em posse que lhe permite somar golos e assistências semana após semana. A verdade é que, mesmo sabendo-se que mais de metade do país preferirá contestar as arbitragens – e sim, o cartão amarelo a Adrien frente ao V. Setúbal é mal mostrado, da mesma forma que me parece injustificado o primeiro dos dois amarelos a Renato Sanches nos Barreiros –, os afastamentos dos dois jogadores têm a ver com aquilo que eles são neste momento. Pela forma agressiva como disputa cada duelo, Adrien é um jogador muito propenso aos amarelos. É, de longe, o elemento dos três grandes com mais cartões na Liga: soma 12, contra dez de Maxi Pereira, que é quem mais dele se aproxima, e nove de Eliseu, o benfiquista mais admoestado. Por sua vez, Renato Sanches é ainda um jovem bastante inexperiente, que não teve a necessária contenção depois de ter visto o primeiro amarelo e fez, minutos depois, uma falta que lhe valeu o segundo e podia bem ter deixado o Benfica em muito maus lençóis, tivesse o Marítimo condições para discutir o jogo. A culpa foi dos árbitros? Também. Mas a recusa em aceitar as próprias limitações é sempre um primeiro passo para adiar o crescimento. E nem Renato nem Adrien merecem isso. Em casa contra o Nacional, Rui Vitória não deverá ter muitas dúvidas na forma de formar o onze. Se tiver toda a gente em condições, será Talisca a substituir o jovem da Musgueira, até como forma de premiar o baiano pelo extraordinário golo de livre que marcou, a resolver definitivamente o jogo com o Marítimo – um golo semelhante ao que tinha feito ao Bayern, na Liga dos Campeões. Nestas circunstâncias, o treinador do Benfica não costuma inventar, antes acreditando muito na rotina que vai criando. Por sua vez, em Braga, contra uma equipa que até pode sentir a tentação de tirar o pé, a pensar na final da Taça de Portugal, mas que mesmo assim tem mais potencial e já criou muitas dificuldades ao Sporting – uma vitória na Taça e uma derrota tangencial na Liga, com 6-6 em golos no somatório dos dois jogos –, Jesus terá mais dúvidas para decidir. O grau de dificuldade do jogo sugeriria a aposta em Aquilani, que tem sido o substituto de Adrien em quase todas as ausências, mas o italiano não fez um minuto nas últimas quatro partidas e a boa prova de Gelson contra o V. Setúbal – dois golos – pode até aconselhar a sua manutenção em campo e a reentrada de João Mário para a zona central. É que a resposta usual de Jesus a momentos de dificuldade tem sido, este ano, meter mais gente na frente – e tem resultado. In Diário de Notícias, 09.05.2016
2016-05-09
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Último Passe

Foi um Sporting muito forte, aquele que goleou o V. Setúbal por 5-0, em jogo da penúltima jornada da Liga, regressando à liderança pelo menos até ao momento em que o Benfica visitar o Marítimo e forçando desde já o suspense acerca do campeão até à última ronda. O clima de festa com que os jogadores se despediram dos adeptos, no final do jogo, deixa perceber que todos acreditam ainda que o bicampeão possa escorregar no seu duplo compromisso madeirense e só foi atenuado com a desilusão que foi perder o capitão, Adrien Silva, para a última batalha, devido ao 12º cartão amarelo na Liga. Mas ficou evidente que os leões continuam a sonhar com a possibilidade de interromperem o jejum de 14 anos sem títulos nacionais já na primeira época de Jorge Jesus. Sem João Mário, que Jesus preferiu não arriscar, face a uma questão muscular, e com Gelson a jogar pela direita num onze que tinha Bruno César como lateral-esquerdo, o Sporting deparou-se com um V. Setúbal que repetiu a organização com três defesas-centrais que já tinha utilizado contra o Benfica na Luz. E se é certo que nessa noite perdeu apenas por um golo e conseguiu durante boa parte do jogo anular o jogo interior dos encarnados, também viveu 20 minutos de terror, até ver o adversário chegar ao 2-1 que acabou por ser o score final. Desta vez, a diferença é que o terror durou mais tempo, porque este Sporting chega ao fim da Liga com mais gás e não parou de cavalgar a onda. Gelson – com Ruiz e Ruben Semedo os melhores em campo – só abriu o marcador aos 25’, picando a bola sobre Ricardo depois de ser isolado por um excelente passe do costa-riquenho, mas antes disso já o guardião setubalense tinha tirado dois golos cantados a Bruno César e Slimani e Ruca evitara sobre a linha de golo um cabeceamento de Coates que parecia destinado às redes no seguimento de um canto. O Sporting estava pujante e colocou o jogo em segurança ainda antes do intervalo, num ataque rápido em que William descobriu Gutièrrez para um remate que entrou junto ao poste mais próximo. E se dúvidas houvesse, o bis de Gelson, aos 55’, após passe de Adrien, veio acabar com elas. Só depois (tarde…) Quim Machado mexeu, chamando ao jogo André Horta – muito assobiado o futuro reforço do Benfica – e Miguel Lourenço. Com 3-0 e vendo que não havia perigo de reação do adversário, Jesus precaveu-se em relação a Braga, retirando de campo Slimani – também à beira da suspensão, tal como Adrien, que já tinha visto o cartão amarelo proibido na primeira parte – e acabando por ver a ponta final da partida coroada com mais dois golos de Ruiz, ambos em bolas paradas. Notável a execução, em vólei, do remate que deu o 4-0; mais fruto da inspiração do momento e de alguma ratice o livre direto que passou debaixo da barreira para fixar o resultado nos tais 5-0 que fazem crescer a pressão sobre o Benfica. É agora a vez da equipa de Rui Vitória responder, neste sprint alucinante em que já leva dez vitórias seguidas. Provavelmente vai precisar de mais duas para ser tricampeão e evitar a concretização do sonho leonino. Desde 1993 que nenhuma equipa perde a Liga nas últimas jornadas sem ser no confronto direto com o que haveria de ser campeão. Sucedeu nessa altura ao Benfica, que perdeu em Aveiro com o Beira Mar (1-0), deixando-se ultrapassar pelo FC Porto à 31ª de 34 jornadas. Depois disso, só houve mais duas ultrapassagens consumadas na reta final: o Benfica de Trapattoni superou o Sporting de Peseiro ganhando-lhe o dérbi na penúltima partida de 2004/05 e o FC Porto de Vítor Pereira passou o Benfica de Jesus batendo-o no Dragão, igualmente na penúltima partida de 2012/13. Aquilo em que os sportinguistas acreditam agora é que seja o Marítimo ou o Nacional a fazer encalhar o Benfica. E acreditam mesmo, a julgar pela forma efusiva como celebraram os seus na partida frente ao V. Setúbal.
2016-05-08
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Último Passe

O Sporting não precisou de ser brilhante para ganhar ao Boavista, por 2-0, voltando assim a isolar-se no topo da tabela da Liga, num jogo em que Jorge Jesus acabou por poupar mais titulares do que tinha feito contra o Leverkusen, deixando a ideia de que na quinta-feira poderá ir com a equipa mais completa possível à Alemanha, para ficar na Liga Europa. Os leões voltaram a começar mal um jogo em casa, entrando devagar e sem grande ligação, mas serviram-se daquele que o seu treinador batizou como o quinto momento de um jogo de futebol (as bolas paradas) para ganhar sem contestação. Ewerton, após um canto, e Ruiz, num livre com ressalto na barreira, deixaram o jogo resolvido antes do intervalo. Jorge Jesus começou o jogo sem várias das que têm sido as suas primeiras escolhas: entre castigos, lesões e poupanças, faltaram João Pereira, Jefferson, Coates, William e Mané ou Bruno César. A equipa, no entanto, voltou a mostrar a cara do costume nos últimos jogos em casa. Lento, pouco agressivo e dinâmico, o Sporting permitiu que o Boavista ganhasse confiança e se instalasse no meio-campo ofensivo nos primeiros 15 minutos. Só a partir dessa altura, quando Schelotto começou a acelerar e descobriu a forma de combinar com Gelson, na direita, os leões começaram a empurrar o adversário para trás. Ruiz foi dos que respondeu bem à subida de nível do flanco oposto e, na esquerda, ofereceu a Teo Gutièrrez a primeira grande ocasião de golo do jogo. O colombiano falhou escandalosamente – mesmo assim, quando saiu, já na segunda parte, o público aplaudiu-o, respondendo positivamente ao que o treinador tinha pedido. Se mesmo assim não conseguia jogar rápido, se continuavam a faltar-lhe as desmarcações profundas de Slimani, que estão na base do seu futebol atacante, o Sporting só podia fazer uma coisa: parar a bola. E foi de bola parada – que Jesus define como o quinto momento do jogo, além das organizações e transições defensivas e ofensivas – que a equipa ganhou o desafio. Aos 37’, Ewerton, que já tinha ameaçado em dois livres laterais, movimentou-se bem na área, aproveitou a desconcentração de Idris e concluiu de cabeça ao primeiro poste um canto batido por Ruiz. E, antes do intervalo, o costa-riquenho fez ele mesmo o 2-0, num livre frontal em que contou com um desvio na barreira para trair o guardião Mika. Percebia-se que, com dois golos de desvantagem, muito dificilmente o Boavista inverteria as coisas na segunda parte. Um golo podia reabrir o jogo, mas o poste, primeiro, e Rui Patrício, depois, tiraram esse golo a Anderson Carvalho. Em consequência disso, o Sporting conseguiu gerir a partida sem problemas até final. Slimani ainda viu, por duas vezes, Mika tirar-lhe o 3-0 – na segunda Mané fez a recarga, a dois metros da baliza, ao poste – mas o jogo chegou ao fim sem mais novidades. Os leões asseguram que irão a Guimarães, antes de receber o Benfica, três pontos à frente dos rivais. Antes, porém, há a viagem a Leverkusen, onde Jesus poderá fazer regressar alguns dos titulares que desta vez repousaram. Mesmo que o tenha desdenhado com o que disse no final deste jogo. Mas isso é Jesus a ser Jesus.
2016-02-22
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Artigo

Ao empatar com o Tondela (2-2), o Sporting não conseguiu obter a 12ª vitória consecutiva em jogos em casa, ficando a um jogo de igualar a série estabelecida em 1999/00 pela equipa que era comandada por Giuseppe Materazzi e depois Augusto Inácio e que acabou por ser campeã nacional. Ao todo, os leões obtiveram agora 11 vitórias seguidas desde a derrota contra o Lokomotiv Moscovo (1-3), a 17 de Setembro do ano passado, igualando outras duas séries de onze vitórias conseguidas em 2007/08 e em 2012.   - O facto de terem feito dois golos ao Tondela permitiu aos leões marcarem em 21 jogos seguidos em Alvalade, não ficando ali em branco desde o empate a zero com o Wolfsburg, em Fevereiro do ano passado. A equipa atual igualou assim a série obtida em 2007/08, entre uma derrota com o Manchester United (0-1, em Setembro de 2007) e outra com o Glasgow Rangers (0-2, em Abril de 2008).   - Entre os autores dos golos leoninos esteve Slimani, que marcou o primeiro, nessa altura a fazer o empate (1-1). Dessa forma, Slimani marcou nos últimos quatro jogos do Sporting, igualando a sua melhor série desde que chegou a Alvalade. O argelino fez agora golos a FC Porto, V. Setúbal, Sp. Braga e Tondela, quando em Fevereiro e Março de 2014 tinha marcado sucessivamente a Rio Ave, Sp. Braga, V. Setúbal e FC Porto.   - Os golos de Slimani e Gelson Martins foram obtidos em inferioridade numérica, devido à expulsão de Rui Patrício, sendo a segunda vez esta época que o Sporting consegue chegar ao golo nessas condições. Já lhe tinha acontecido em Arouca, quando Slimani marcou o 1-0 após a expulsão de Naldo.   - Rui Patrício foi expulso pela segunda vez esta época, depois de ter visto o vermelho, também por causa de uma grande penalidade, em Elbasan, contra o Skenderbeu. Ao todo, os leões já viram cinco cartões vermelhos, pois além de Patrício e Naldo (nesse jogo com o Arouca) também João Pereira (contra o P. Ferreira) e João Mário (frente ao CSKA) receberam ordem de expulsão.   - Petit tirou mais dois pontos ao Sporting, depois de já ter forçado os leões a um empate quando ainda comandava o Boavista: 0-0 no Bessa. A presença do treinador no banco visitante e o facto de o Sporting ter chegado à vantagem por 2-1 com menos um jogador são dois factos em comum com a última visita do árbitro Luís Ferreira a Alvalade. No campeonato passado, foi depois de Ferreira ter mostrado o vermelho a Tobias Figueiredo que o Sporting chegou ao 2-1 frente ao Boavista, mas ao contrário do que aconteceu agora, a equipa de Petit já não conseguiu empatar.   - O penalti convertido por Nathan Junior foi o primeiro que o Tondela transformou em golo esta época, depois de a equipa beirã já ter falhado quatro, contra o Estoril (Piojo), o Nacional (Nathan), o FC Porto (Chamorro) e o V. Setúbal (Guzzo).   - Foi também o quinto golo de penalti sofrido pelo Sporting esta época, depois de já ter sido assim batido por P. Ferreira (Pelé), Académica (Rabiola), Lilaj (Skenderbeu) e Rafael Martins (Moreirense).   - O Tondela marcou golos pela terceira deslocação consecutiva, depois de ter ganho por 3-2 no terreno do Rio Ave e de ter perdido por 2-1 em Coimbra com a Académica.   - Com os dois golos sofridos contra o Tondela, o Sporting deixou de ter a defesa menos batida da Liga, pelo menos até o FC Porto (10 golos sofridos) jogar em Guimarães. Os leões sofreram onze golos nas primeiras 18 jornadas (quatro deles nos últimos dois jogos) e têm, mesmo assim, a melhor defesa do clube neste total de partidas desde que lá chegaram com 10, em 1996/97.
2016-01-16
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Último Passe

O Sporting deixou dois pontos que podem vir a fazer-lhe muita falta na luta pelo título ao empatar em casa com o último classificado, o Tondela, na partida de abertura da segunda volta. O 2-2 final reflete uma exibição positiva da equipa de Petit, que soube jogar em todo o campo e aproveitar os desequilíbrios defensivos dos leões no corredor central, mas também o facto de o líder ter tirado o pé do acelerador assim que chegou à vantagem, numa virada em que muitos não acreditariam. O destaque vai para os velocistas que o Tondela teve na frente, sempre capazes de desestabilizar a linha defensiva leonina, mas também para Gelson Martins e Ruiz, que pelo que fizeram no início da segunda parte não mereciam a traição dos jogadores das linhas recuadas. O primeiro problema para o Sporting foi ter entrado desligado. Falhando muitos passes no início de organização, onde o Tondela metia sempre gente, recusando defender à entrada da sua área, o líder aparecia desconcentrado e lento. Quando o Tondela chegou à vantagem, num penalti convertido por Nathan, a meio da primeira parte, o Sporting não tinha feito nada para justificar aquilo a que vinha, parecendo estar apenas à espera de ver o que o jogo lhe trazia. Como se o facto de o primeiro receber o último em clima de euforia bastasse para somar três pontos. A expulsão de Rui Patrício, no lance da grande penalidade, veio retardar a reação leonina até à segunda parte. Mas aí, sim, com a entrada de Gelson por William – mais um mau jogo do 14 leonino – e certamente as palavras de Jesus no balneário, o leão pareceu o líder do campeonato. Concentrado no que interessa e finalmente a meter velocidade no jogo, muito por força do futebol de filigrana de Bryan Ruiz e da capacidade de Gelson Martins para desequilibrar no um contra um, o Sporting chegou com naturalidade à vantagem. Teve alguma sorte no golo com que Slimani fez o empate – o ressalto num adversário traiu Matt Jones – mas continuou a carregar e viu o esforço premiado com o 2-1, marcado por Gelson. Aí, a jogar com menos um, com meia hora por jogar, a tentação do Sporting foi controlar o ritmo de jogo, algo que já se sabe que esta equipa faz menos bem. Petit percebeu que podia tirar alguma coisa do jogo, fez entrar mais um avançado – Chamorro – e teve prémio no golo em que o espanhol bateu Jefferson em velocidade antes de fazer a bola passar entre as pernas de Boeck. O Sporting até tem tirado pontos dos últimos minutos dos jogos, mas uma coisa é fazê-lo quando está centrado na busca de um objetivo e outra, bem mais complicada, é voltar a ligar o motor depois de ter feito tudo para o desligar. Isso, o Sporting já não conseguiu fazer. E fica agora à mercê dos resultados que Benfica e FC Porto fizerem no Estoril e em Guimarães e pode ver a vantagem na liderança reduzida para dois pontos.
2016-01-15
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Último Passe

Há pelo menos duas formas de olhar para a reviravolta que o Sporting conseguiu contra o Sp. Braga em Alvalade, acabando por vencer por 3-2 um jogo que parecia perdido ao intervalo, quando eram os minhotos a liderar por 2-0. Uma é concentrarmo-nos no caráter, na coragem e na qualidade de jogo ofensivo que os leões mostraram na segunda parte. Outra é olhar para a apatia do seu jogo defensivo durante o primeiro tempo. Sem descontar a qualidade do Sp. Braga, que está perto dos grandes e pode sempre discutir qualquer jogo com eles, consensual será apenas que este foi o terceiro grande espetáculo de futebol consecutivo em jogos entre estas duas equipas. Os três pontos que os leões somaram – e a forma como a eles chegaram, com um golo de Slimani em cima do minuto 90 – foram celebrados de forma entusiasta por um estádio cheio, que verá neles uma espécie de premonição de conquistas que estarão para vir. Mas, mesmo tendo reforçado que no primeiro tempo o Sporting teve ocasiões para fazer golos, certamente que Jorge Jesus não deixará de alertar os seus jogadores para o facto de na primeira parte se terem mostrado apáticos, lentos na reação e passivos sem bola. É certo que Slimani podia ter aberto o ativo, que Paulo Oliveira acertou com uma cabeçada no poste, mas defensivamente a equipa não se entendia com o futebol rápido dos bracarenses, sobretudo de Rafa, uma enguia a escapulir-se aos defensores leoninos. E se tinha escapado incólume a um início fraco, com o Sp. Braga por cima, o Sporting acabou por sucumbir a dois lances perto do intervalo, que valeram outros tantos golos a Wilson Eduardo e ao próprio Rafa. À entrada para a segunda parte, já se sabia que só um Sporting intenso podia sonhar com a ideia de uma reviravolta. Gelson entrou para o lugar de um William demasiado pausado e mexeu com o jogo por três ordens de razões. Primeiro, porque, forçando muitas vezes o um-para-um, desestabilizou a defesa do Sp. Braga. Depois porque, permitindo a passagem de João Mário para o corredor central, deu aos leões mais qualidade no seu jogo. E por fim porque foi num cruzamento dele que André Pinto cometeu o penalti que deu o 1-2 à equipa da casa, marcado por Adrien. Depois do golo, o Sporting acreditou, forçou ainda mais, com a entrada de Montero para o lugar de Bruno César, e esteve muitas vezes perto do empate, que acabou por obter com alguma sorte, quando Jefferson falhou um remate, Montero recuperou a bola e bateu Kritciuk. Faltava um quarto de hora para o final. E se por um lado o Sp. Braga se recompunha, com as entradas de Alan e Stojiljkovic, aproximando-se mais do 4x3x3, o Sporting acusava o esforço. A saída de João Mário, esgotado, parecia corresponder a uma desistência leonina de chegar mais longe e foi Rafa, nessa altura, quem esteve mais perto de desbloquear o jogo para os visitantes. Até que Ruiz e Slimani resolveram o jogo – o costa-riquenho com um cruzamento milimétrico, o argelino, que até já tinha falhado dois golos cantados, com um cabeceamento letal. O Sporting ganhava um jogo que parecia ter perdido e, antes de FC Porto e Benfica jogarem, garantira que chegará ao fim da primeira volta pelo menos com quatro pontos de avanço sobre o segundo. Mas para os manter – e tendo em conta que acaba o campeonato com deslocações ao Dragão e a Braga nas últimas três jornadas, convém que os mantenha – terá de ser mais vezes a equipa intensa da segunda parte e menos o coletivo apático da primeira.
2016-01-10
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Stats

O Estádio José Alvalade está transformado numa espécie de local maldito para o FC Porto, que ali não ganha desde Outubro de 2008. A visita ao Sporting é aquela em que os dragões deixaram mais pontos nos últimos dez campeonatos: 19, ao todo, contra 17 na Luz e 15 nos Barreiros (já contando os dois que lá ficaram na temporada atual). Desde esse sucesso de 2008, o FC Porto já ganhou em todos os estádios do campeonato pelo menos uma vez. Foi Jesualdo Ferreira o último treinador dos dragões a ganhar em Alvalade, nessa quinta jornada da Liga de 2008/09. O FC Porto adiantou-se, por Lisandro López, João Moutinho empatou para os leões, na altura liderados por Paulo Bento, de penalti, e um livre de Bruno Alves permitiu a vitória azul-e-branca, por 2-1. Dos 28 jogadores que nesse dia estiveram em campo só resta nos dois clubes o guardião leonino Rui Patrício, que por esses tempos ainda estava a começar a impor-se na baliza do Sporting. Desde essa vitória, o melhor que o FC Porto conseguiu levar de Alvalade foram empates, ainda que um deles, um mês depois, lhe tenha permitido seguir em frente na Taça de Portugal, no desempate por grandes penalidades, depois de os 120 minutos de jogo não terem desempatado as duas equipas. Na Liga, o Sporting ganhou por 3-0 em 2009/10 (marcaram Yannick, Izmailov e Veloso), verificou-se um empate a uma bola em 2010/11 (golos de Valdés para os leões e Falcao para os dragões) e mais dois, ambos sem golos, em 2011/12 e 2012/13. Em 2013/14 ganhou o Sporting por 1-0 (golo de Slimani) e na época passada as duas equipas voltaram a empatar a um golo (Jonathan Silva adiantou os lisboetas, tendo os portistas empatado através de um autogolo de Sarr). Alvalade é assim o estádio da Liga onde o FC Porto não ganha há mais tempo. São já sete anos (e quase três meses), o máximo período de invencibilidade leonina em casa contra os portistas na Liga desde as décadas de 60 e 70. Nessa altura, os leões estiveram sem perder com o FC Porto em casa para o campeonato entre Março de 1963 (0-1, com golo de Serafim) e Dezembro de 1972 (0-3, com golo de Abel e bis de Flávio).   - O Sporting ganhou os últimos três jogos em casa pelo mesmo resultado: 3-1 ao Besiktas para a Liga Europa, ao Moreirense para a Liga portuguesa e ao Paços de Ferreira para a Taça da Liga. Além disso, os leões seguem com nove vitórias seguidas nos jogos em casa desde que perderam com o Lokomotiv, também por 3-1, na Liga Europa, a 17 de Setembro. No jogo com o FC Porto procuram a décima vitória caseira sucessiva, algo que não conseguem desde o final da época de 2011/12, quando a equipa de Ricardo Sá Pinto venceu consecutivamente os últimos onze jogos caseiros da temporada.   - O FC Porto, por sua vez, vem de uma derrota em casa frente ao Marítimo na Taça da Liga, por 3-1, sendo absolutamente regular nos últimos nove jogos disputados: ganha três e perde o quarto. Venceu Maccabi, V. Setúbal e Angrense antes da derrota com o Dynamo Kiev; bateu Tondela, U. Madeira e P. Ferreira antes de ceder ante o Chelsea; derrotou Nacional, Feirense e Académica antes de ser derrotado pelo Marítimo. Seguindo a série, agora é vez de ganhar.                - Julen Lopetegui nunca ganhou um jogo a Jorge Jesus e nunca viu sequer uma equipa sua marcar um golo a uma liderada pelo atual treinador leonino. Os dois só se defrontaram duas vezes, com o Benfica de Jesus a ganhar no Dragão por 2-0 e a empatar na Luz (0-0). Por sua vez, nos jogos com o Sporting tem uma vitória, um empate e uma derrota: ganhou por 3-0 na Liga, no jogo em casa, perdeu por 3-1 na Taça de Portuigal, também no seu estádio, e empatou a uma bola em Alvalade para o campeonato.   - Nos 19 jogos que fez pelo Benfica contra o FC Porto, Jorge Jesus tem saldo negativo: ganhou sete vezes e perdeu oito, empatando os quatro restantes. Antes de chegar ao Benfica, nunca tinha sequer ganho ao FC Porto, tendo no entanto conseguido empatar com Sp. Braga, Belenenses, Moreirense e Felgueiras.   - Aquilani e Gelson Martins marcaram ambos nas duas últimas partidas do Sporting em casa, contra o Paços de Ferreira e o Moreirense.   - André André estreou-se na Liga a jogar contra o Sporting, lançado por Rui Vitória num empate do V. Guimarães frente aos leões, em casa, a 19 de Agosto de 2012. O mesmo sucedeu a Evandro, que teve o primeiro odor a Liga portuguesa com a camisola do Estoril em Alvalade, noutro empate, a 29 de Setembro de 2012, lançado por Marco Silva.   - O equilíbrio tem sido a nota dominante nos últimos confrontos entre Sporting e FC Porto, pois desde 2012 que nenhum dos dois ganha dois jogos seguidos. Nesse ano, os dragões impuseram-se duas vezes consecutivas por 2-0 no Dragão: na 29ª jornada da Liga de 2011/12 e na sexta ronda da prova de 2012/13. Nas últimas duas épocas, houve sempre três jogos entre ambos, com divisão equitativa dos três resultados possíveis: duas vitórias para cada lado e dois empates.   - Hugo Miguel, o árbitro do clássico, ainda não viu uma vitória das equipas da casa nos seis jogos que apitou esta época. Dois desses jogos envolveram o FC Porto: o empate (1-1) com o Marítimo nos Barreiros e a vitória (2-1) contra o Rio Ave em Vila do Conde. O juiz lisboeta já não dirige um jogo do Sporting na Liga desde a vitória em Braga (1-0) na época passada. Com ele, o Sporting já perdeu duas vezes (no Estoril em 2012/13 e em Guimarães em 2014/15) em dez jogos, ao passo que o FC Porto segue invicto, com 13 vitórias e apenas um empate (o desta época, nos Barreiros) em 14 jogos.
2016-01-01
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Último Passe

A primeira derrota do Sporting na Liga, inesperadamente surgida frente ao U. Madeira, por 1-0, na Choupana, apareceu num jogo que os leões dominaram de início ao fim e no qual até falharam ocasiões de golo suficientes para ganhar com algum à-vontade, mas veio confirmar a tendência de perda que a equipa de Jorge Jesus vinha revelando nas últimas semanas, naquela série de vitórias arrancadas a ferros por 1-0. Um golo de Danilo Dias, provavelmente na única vez que o União foi até à baliza de Rui Patrício, e um punhado de grandes defesas de André Moreira fizeram o resultado final de um jogo em que o individual se sobrepôs ao coletivo, deixando a liderança leonina à mercê do resultado que o FC Porto fizesse a seguir, em casa, contra a Académica. O União levou para o campo o mesmo autocarro que já lhe tinha valido um empate a zero com o Benfica, na terça-feira: linha de quatro homens atrás, com três médios de trabalho à frente deles no corredor central e os extremos obrigados a baixar para fechar as laterais. Parte do seu sucesso foi, portanto, coletivo: nasceu na união e na organização defensiva. A questão é que, mercê das suas habituais combinações triangulares, o Sporting até teve muito mais situações de finalização na área do que as que tinha conseguido o Benfica. Mas ou os remates saíam desenquadrados ou aparecia André Moreira, o super-inspirado condutor do veículo, absolutamente inultrapassável nesta noite, a detê-los, mantendo o zero nas suas redes. Ao Sporting terá faltado alguma frescura física – que a equipa deixou em Braga, nos 120 minutos de quarta-feira. Slimani foi menos intenso, Jefferson e Ruiz apareceram pouco… O perigo leonino saía quase sempre do flanco direito, onde estavam Esgaio (poupado em Braga) e Gelson (que só jogou 60 minutos nessa partida), o que dixa pensar que no resto do campo havia jogadores fatigados e que parte do insucesso terá de encontrar explicação no facto de Jesus ter deixado de rodar totalmente a equipa numa sequência de quatro jogos em 11 dias (Besiktas, Moreirense, Sp. Braga e U. Madeira). Daí a ansiedade dos responsáveis leoninos, a pressa para contarem com os reforços de Inverno. Só que a este Sporting não falta só acrescentar em números: é preciso acrescentar em qualidade também, é preciso ter quem resolva individualmente os jogos que o coletivo não ganha.
2015-12-20
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Artigo

O Sporting ganhou ao Moreirense por 3-1, sentenciando a sétima vitória seguida desde a derrota com o Skenderbeu, na Albânia (3-0). É a melhor série da época e a melhor desde as oito vitórias consecutivas que a equipa de Marco Silva entre um empate com o Moreirense (14 de Dezembro de 2014) e uma derrota com o Belenenses para a Taça da Liga (21 de Janeiro).   - Com a vitória, os leões chegam à 13ª jornada com 35 pontos, fruto de 11 vitórias e dois empates. Este ainda é o seu melhor arranque no campeonato desde 1990, quando atingiram esta fase da prova com 12 vitórias e um empate. Na altura, com as normas de pontuação antiga, os resultados valeram 25 pontos, que seriam 37 com a vitória a três pontos.   - Rui Patrício e Stefanovic entraram em campo como os dois guarda-redes há mais tempo sem sofrer golos na Liga, mas ambos viram as séries interrompidas. O guardião leonino passou 538 minutos sem ir buscar uma bola ao fundo das redes, entre o golo de Josué (V. Guimarães, a 4 de Outubro) e o penalti de Rafael Martins. Bateu assim a melhor marca da atual Liga, que estava na posse do bracarense Kritciuk, com 505 minutos de imbatibilidade.   - Stefanovic, por seu turno, já não sofria golos desde que foi batido por Obiorah (Académica, a 1 de Novembro). Acumulou 374 minutos seguidos sem sofrer golos até ao tento de Gelson Martins, ainda na primeira parte do jogo de Alvalade.   - Gelson Martins fez nessa altura o seu primeiro golo no campeonato. Já tinha marcado por duas vezes, mas sempre noutras competições: nos 4-0 ao Vilafranquense, na Taça de Portugal, e nos 4-2 ao Lokomotiv Moscovo, na Liga Europa.   - Aquilani fez o primeiro golo de bola corrida pelo Sporting, pois os dois que tinha marcado até aqui tinham saído de grandes penalidades convertidas face à Académica e ao Skenderbeu. O italiano não fazia um golo de bola corrida desde 2 de Outubro de 2014, quando abriu o marcador numa vitória da Fiorentina sobre o Dynamo Minsk (3-0), na Liga Europa.   - Jorge Jesus mandou Slimani marcar um penalti, com Adrien em campo. Foi a segunda vez esta época que, estando em campo, Adrien foi preterido na marcação de uma grande penalidade: a anterior foi em Coimbra, contra a Académica, porque o médio já tinha falhado um pontapé dos onze metros nesse jogo. Na altura foi Aquilani o designado para bater.   - O Sporting aumentou para sete o total de penaltis de que beneficiou em 13 jornadas, mantendo-se como equipa que beneficiou de mais grandes penalidades e em linha nesse particular com a época de 2001/02, quando foi campeão pela última vez. Na altura, chegou ao fim das 34 jornadas com 17 penaltis a favor e também tinha sete à passagem da 13ª jornada.   - Em contrapartida, o Sporting já viu os árbitros apitarem-lhe três penaltis contra. Só o Marítimo, com cinco, e a Académica, com quatro, foram tão penalizados como os leões.   - Rafael Martins, que marcou esse penalti, fez um golo ao Sporting em Alvalade depois de já ter feito outro ao Benfica na Luz. Não jogou contra o FC Porto em casa, mas ainda terá a oportunidade de completar o ramalhete na visita ao Dragão, na segunda volta. Em 2013/14, na sua época de estreia em Portugal, pelo V. Setúbal, marcou aos três grandes.   - Slimani falhou um penalti, ainda que marcando o golo na recarga, o que lhe permitiu marcar pelo segundo jogo consecutivo pela terceira vez esta época. Foi ainda a primeira vez que marcou em dois jogos seguidos em Alvalade depois de o ter feito a Boavista e Sp. Braga em Abril e Maio.
2015-12-14
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Último Passe

Jorge Jesus inverteu a sua lógica de poupanças, usou a equipa titular contra o Besiktas, onde o Sporting assegurou a continuidade na Liga Europa, e poupou alguns titulares no desafio com o Moreirense, ganhando-o na mesma, por 3-1, e mantendo a liderança na Liga, mesmo que o FC Porto acabe mesmo por ganhar o seu jogo com o Nacional na Choupana. E se na quinta-feira esteve à beira do falhanço que podia pôr os dois objetivos em causa – perdia a meia-hora do fim um jogo que tinha de ganhar, desgastando a equipa titular – hoje pôde gerir com toda a tranquilidade uma partida que se pôs fácil ainda durante a primeira parte. Tranquilidade a mais, até, numa ponta final que quase complicava os objetivos do treinador. Jesus tinha três objetivos para estes dois jogos: ganhá-los e nivelar o esforço do plantel, poupando os tradicionalmente mais sacrificados e dando rodagem a quem dela precisava, já a pensar na Taça de Portugal, quarta-feira, em Braga. Ora, tirando Rui Patrício, Naldo, Ruiz e Slimani, nenhum leão cumpriu mais de jogo e meio nas duas partidas. O guarda-redes não está assim tão sujeito a esforço físico, Naldo até pode ficar de fora em Braga, Slimani é fisicamente muito forte e, de Ruiz, Jorge Jesus espera sempre superação total, pelo que não será difícil de perceber que as coisas lhe correram exatamente como ele queria, sem desvios ao planeado. Contra o Moreirense, o Sporting entrou tal como o vem fazendo ultimamente: sem chama ofensiva, a beneficiar os equilíbrios. Tinha superioridade territorial mas sofria par criar situações de golo, até que marcou dois na ponta final do primeiro tempo: primeiro Gelson, de livre indireto trabalhado no laboratório; depois Aquilani, num raro lance em que os dois médios-centro apareceram envolvidos até ao fim num movimento ofensivo, pois a assistência para golo foi de Adrien Silva. Com o 3-0, marcado antes da hora de jogo por Slimani, na recarga a um penalti que o treinador quis que fosse ele a bater mas que ele começou por falhar, o Sporting tinha o jogo resolvido, e Jesus passou para o modo gestão. Trocou os dois médios e, ao fazê-lo, perdeu o controlo da partida para um Moreirense que sabe jogar a bola e que, para já, fez golos a Benfica (2-3), FC Porto (2-2) e Sporting (1-3). Desta vez a reação final não lhe valeu pontos, mas chegou para interromper a série de jogos dos leões com a baliza a zeros na Liga: o Moreirense marcou por Rafael Martins, de penalti, mas ainda obrigou Rui Patrício a duas grandes defesas nos últimos dez minutos, mostrando que há limites para a gestão. Não a que é feita pelo treinador, mas a que fazem os homens que estão em campo.
2015-12-13
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Último Passe

A vitória clara do Benfica sobre o Paços de Ferreira (3-0) e o empate do Sporting com o Boavista (0-0) permitiram que os três primeiros ficassem mais juntos no topo da tabela e que a Liga reencontrasse os seus equilíbrios naturais. O Benfica não jogou uma maravilha, mas teve a fazer a diferença aquilo que ao Sporting vem faltando: talento. Contudo, houve mais do que isso.A forma mais evidente de separar o que fez o Benfica do que fez o Sporting é o recurso ao primeiro golo de Jonas, uma obra de arte inventada quase a solo pelo goleador brasileiro. Até aí, o Paços tinha mostrado qualidade na saída de bola e na organização defensiva e ameaçava complicar muito a tarde aos encarnados. Depois disso, até dividiu o jogo, ameaçou chegar ao empate, mas acabou vitimado por mais um lance onde o talento fez a diferença: Gaitán foi para cima de João Góis, ultrapassou-o e deu o golo a Gonçalo Guedes.Outra forma, mais rebuscada, de perceber a diferença é comparar o contributo dado no Benfica por Gonçalo Guedes com o que ofereceu a nova coqueluche dos leões, o jovem Gelson. Gonçalo é um jogador direto, reitilíneo, que fez um golo e assistiu Jonas para mais dois. Gelson mostra criatividade e técnica de drible mas uma compreensão muito menor do que exige o jogo de equipa. Até admito que Jesus tenha razão quando diz que Gelson é o jovem mais talentoso que alguma vez lhe passou pelas mãos, mas a verdade é que ele vai passando pelos jogos sem lhes deixar a sua marca, ao contrário do que faz Gonçalo, a quem o mesmo Jesus na época passada deu tão pouco tempo no onze.De onde se chega à terceira forma de separar o que fez o Benfica daquilo que fez o Sporting. É que Gonçalo não jogava no Benfica de Jesus porque havia Salvio e Gelson joga no Sporting porque deixou de haver Carrillo. E sem Carrillo, os leões têm sentido grandes dificuldades para mudar a velocidade do seu jogo ofensivo e para penetrar em defesas tão cerradas como a que o Boavista apresentou. Com duas linhas muito juntas, os axadrezados roubaram o espaço à entradxa da área que serve de destino habitual às diagonais dos alas leoninos e até às desmarcações de apoio do segundo avançdo. E sem essas duas armas, o ataque do Sporting passa a depender em excesso da entrega de Slimani. Que no Bessa, claramente, não chegou.
2015-09-27
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Último Passe

Quando Jorge Jesus decidiu lançar no jogo contra o Lokomotiv de Moscovo os jovens Tobias, Gelson e Carlos Mané, sabia que estaria a conseguir uma de duas coisas. Ou corria bem e tinha a aposta nos miúdos como cortina de fumo para justificar a exclusão de Carrillo – afinal, não seria o único titular a ficar de fora, como o próprio treinador vinco no final – ou corria mal, toda a gente percebia que os miúdos ainda não estão prontos e a ausência do peruano voltava à ribalta. Confirmou-se a segunda hipótese. A derrota por 3-1 frente aos russos não permitiu sequer ver o Sporting que até já desenha bons movimentos ofensivos, quando o faz com velocidade (que ontem só se viu no início da segunda parte), mas escancarou as portas para que toda a gente visse uma equipa que continua a defender muito mal: onze golos sofridos em oito jogos não deixam dúvidas. Carlos Mané até esteve no lance do golo de Montero, mas de Gelson pouco ou nada se viu a ponto de justificar 90 minutos em campo e Tobias terá feito a pior exibição de um defesa-central de que há memória nos tempos mais próximos em Alvalade: foi mais lento que Samedov a reagir ao ressalto que deu o primeiro golo; escapou à expulsão pouco depois, ainda na primeira parte, por entrada de sola sobre N’Dinga; não atacou a bola que permitiu ao mesmo Samedov fazer o segundo golo (em dois para cinco na área) e deixou Niasse virar-se, ainda fora da área, antes de o senegalês arrancar para o 3-1 final. Jesus era acusado na Luz de não dar oportunidade aos miúdos, ao mesmo tempo que Marco Silva era criticado em Alvalade pela inconstância nos resultados de uma equipa em que eles eram opções principais. Afinal, mudam-se os treinadores, mas não as realidades. A primeira derrota em casa em toda a sua história na fase de grupos da Liga Europa, além disso, deixa o Sporting em posição delicada para lutar pela qualificação numa prova em que o técnico afirmara de véspera ser candidato a uma presença na final. Perder em casa com outro dos candidatos ao apuramento significa que estes pontos terão de ser recuperados em algum lado. A primeira oportunidade será já a saída até Istambul, o inferno onde joga o Besiktas. E para sair de lá com um bom resultado vai ser preciso resolver o problema defensivo que tem afetado esta equipa desde o início da época. Este Sporting até tem sabido defender na frente, sobretudo nos jogos que lhe correm melhor. É uma questão de acerto posicional ou de agressividade dos homens que jogam mais atrás: sempre que o adversário passa aquela primeira zona de pressão, o Sporting treme. E a tremer assim, Jesus pode ter os objetivos que só ele sabe na cabeça, mas nem o campeonato estará ao seu alcance.
2015-09-17
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Último Passe

Os 2-1 com que o Sporting bateu o CSKA na primeira mão do playoff da Liga dos Campeões estão muito longe de ser um resultado perfeito, mas se a equipa verde e branca preferiu adotar uma abordagem conservadora e segura para os minutos que se seguiram ao golo de Slimani em vez de tentar capitalizar sobre a euforia na busca de um terceiro golo é porque o seu treinador acredita que pode marcar pelo menos uma vez em Moscovo. A eliminatória continua tão difícil como já se sabia que iria ser, mas o acesso aos milhões continua na base dos 50% para cada lado. Jorge Jesus disse no fim que este foi o melhor jogo que a equipa no que leva da época. Não me pareceu. É verdade que o Sporting fez coisas boas, sobretudo nos 25 minutos iniciais, mas a forma como baixou a intensidade defensiva após chegar ao 1-0 foi comprometedora. Falta a esta equipa a capacidade para mexer como quer nos ritmos do jogo, para baixar a velocidade do ataque e manter a intensidade defensiva, porque assim que esta baixa também surgem os espaços a meio-campo e os adversários passam a poder lançar gente nas costas de uma defesa subida ou, em rápidas variações de flanco, conseguem deixar os extremos do flanco oposto em lances de um para um com o lateral que os acompanha. O puzzle só se resolveu quando o próprio CSKA perdeu rapidez de execução. E aí, com o jogo bem mais fechado, viu-se a tal qualidade de ataque posicional de que falava Jesus. Percebeu-se que Aquilani pode ser uma grande ajuda, pela visão de jogo que empresta à equipa, ou que Mané e Gelson são acrescentos de inventividade a um sector (a linha de apoio ao ponta de lança) que o treinador pode travestir de diversas formas. Foi a derivação de Carrillo da direita para o meio que se revelou decisiva, num lance em que o peruano lançou Slimani para o golo.
2015-08-18
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