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Último Passe

Quando o Benfica sofreu três golos do Boavista e outros três do Moreirense, toda a gente falou de Fejsa e da falta que o sérvio fazia nos equilíbrios defensivos da equipa de Rui Vitória. Hoje, Felsa estava de volta e o Benfica perdeu com o V. Setúbal no Bonfim. O problema não foram tanto os desequilíbrios defensivos – o Vitória não chegou muitas vezes com perigo perto da baliza de Ederson – mas sim a falta de capacidade para criar desequilíbrios ofensivos. Foi por isso que os tricampeões nacionais registaram o primeiro zero no ataque desde a derrota com o Bayern em Munique (em Abril). Ou, se limitarmos a amostra à Liga portuguesa, desde o empate a zero com o U. Madeira no Funchal, em Dezembro de 2015. Tal como tinha feito o Moreirense, o V. Setúbal fechou bem o corredor central. Aos dois centrais habituais – Venâncio e Fábio Cardoso – juntou Vasco Fernandes na missão de lateral direito, pedindo depois a Mikel e Bonilha, os dois médios-centro, que fizessem um jogo sobretudo rigoroso em termos posicionais. Bloqueado pelo meio, o Benfica só teve saída pela direita, onde Nelson Semedo e Zivkovic ainda iam criando algumas dificuldades, em contraste com o jogo menos conseguido de André Almeida e Cervi do outro lado. Vitória ainda tentou trocar os laterais, mas foi na segunda parte, com Rafa no lugar do argentino, que o Benfica ganhou flanco direito. E nem aí foi capaz de tirar de Jonas a influência que o brasileiro tinha na época anterior. Com o 10 sempre emparedado, o Benfica dependia da capacidade de Mitroglou chegar a um cruzamento, de um remate de longe ou de Luisão transformar um dos muitos cantos de que beneficiou num golo. Não aconteceu. Depois, pode até falar-se da ausência de Rui Vitória, ausente do banco por castigo, mas a verdade é que mesmo com ele este Benfica não vira jogos. Como se viu em desvantagem a meio da primeira parte, no seguimento de uma boa combinação de Edinho e Arnold na direita, que o congolês cruzou para o cabeceamento vitorioso de Zé Manuel, o Benfica deixou que dele se apoderasse o sentimento de fatalidade que lhe custou um dissabor em todos os jogos nos quais deixou que o adversário se adiantasse. Todas as equipas que lhe marcaram primeiro tiraram algo dos jogos: já tinha acontecido com este mesmo V. Setúbal na Luz (1-1), mas repetiu-se duas vezes com o Napoli (4-2 em Itália e 2-1 em Lisboa), com o FC Porto (1-1), o Marítimo (2-1) e o Boavista (3-3). Esta não é uma equipa programada para virar resultados, mas sim para marcar cedo e gerir a vantagem com um apetite atacante que quase sempre lhe permite ampliá-la. É, apesar de tudo, e sobretudo com Fejsa, uma equipa mais forte nos momentos defensivos do que nos ofensivos. E por isso mesmo encara agora o duplo compromisso caseiro com Nacional e Arouca sabendo que em vez de poder fechar o campeonato em caso de derrota portista no clássico de sábado, terá sempre de continuar a pedalar até ao fim se quer garantir o tetra.
2017-01-30
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Último Passe

Augusto Inácio tinha dito no lançamento da meia-final da Taça da Liga que se o Moreirense chegasse à final toda a gente ia dizer com espanto: “Ahhhh, o Moreirense ganhou ao Benfica!” No entanto, quando a equipa minhota venceu de facto os tricampeões nacionais, a maioria dos observadores vai dizer outra coisa: “Ahhh, o Benfica perdeu com o Moreirense!” É o normal num futebol tão tricéfalo como o português, mas a verdade é que a surpresa do Algarve tem dois lados. Um fala da perda de qualidade defensiva de um Benfica que entrou em quebra quando perdeu Fejsa e que passou a sofrer muito mais na primeira zona de pressão quando recuperou Jonas. O outro de uma segunda parte épica de um Moreirense seguro por Fernando Alexandre, com Geraldes, Podence, Dramé e Boateng a darem um recital de contra-ataque. A história faz-se dos vencedores. Depois de uma primeira parte sem chama, Augusto Inácio foi à procura da felicidade com duas substituições que ajudam a explicar o desfecho do jogo. O velocíssimo Podence e o sempre inteligente Geraldes já lá estavam, mas faltava a âncora que veio a ser Fernando Alexandre e uma outra seta na frente que foi Dramé. O Moreirense fez três golos, mas podia ter feito mais, fruto da velocidade nos últimos metros, da capacidade de lançar os seus velocistas em passes de rutura desde a zona de meio-campo, mas também da forma de sair a jogar desde trás, iludindo um Benfica muito menos eficaz na reação à perda do que tem sido habitual: uma coisa é ter ali Jiménez, Cervi ou Gonçalo Guedes, que correm sempre atrás da bola e travam a organização adversária desde cedo, e outra, bem diferente, é entrar com Jonas, Rafa e Carrillo, muito mais passivos do ponto de vista defensivo. Não é só por aí que se explicam os três golos encaixados pelo Benfica, porém. Sobretudo porque se sucedem a dois feitos pelo Leixões e outros três pelo Boavista. Fejsa lesionou-se em Guimarães, no dia 7 deste mês, e nos cinco jogos que se seguiram a equipa de Rui Vitória sofreu oito golos. Tantos como nos onze jogos anteriores, sendo que nessa série mais antiga – que incluiu sete partidas seguidas em branco – os adversários foram do calibre de Napoli, Sporting ou Besiktas. A falta do sérvio fez-se sentir na forma como a equipa não tem sido capaz de travar trocas de bola aos adversários, tanto no espaço interior como nos corredores laterais, onde a ação de limpa-pára-brisas de Fejsa costuma ser igualmente importante. É verdade que mesmo assim o Benfica ainda podia ter chegado ao empate – acertou duas vezes nos postes da baliza de Makharidze – mas ninguém estranhará que se diga neste momento que do regresso pronto de Fejsa dependerá a capacidade de impedir que este mau momento defensivo se alargue ao campeonato.
2017-01-26
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Último Passe

Quando Pep Guardiola disse que a organização defensiva do Benfica era “digna de uma equipa de Arrigo Sacchi” não tinha visto a forma como os encarnados ganharam em Guimarães, superando um dos obstáculos mais complicados no caminho que pretendem seja o do inédito tetracampeonato. Mais uma vez a equipa de Rui Vitória marcou primeiro e pôde depois sentar-se no cadeirão a gerir a vantagem, conseguindo a proeza rara para um grande de ter sempre mais espaço no ataque do que o adversário – algo que teria dado muito jeito ao FC Porto em Paços de Ferreira, onde não foi além de um empate a zero. Quando um clube grande joga, o normal é ter pela frente equipas fechadas. Isso não acontece tantas vezes com o Benfica e leva muitas vezes os adeptos a insinuar que estes adversários se abrem quando defrontam os tricampeões. Mas não é assim. É que com o Benfica, há dois fatores-extra a ter em conta. Primeiro, o comportamento da equipa nas transições: agressividade na transição defensiva, que permite recuperar a bola mais vezes, mais cedo e mais perto da área adversária; e velocidade na transição ofensiva, levando-a a uma percentagem maior de ataques rápidos e contra-ataques do que os outros grandes, forçados a cair mais vezes em organização ofensiva e a defrontar defesas mais bem posicionadas e organizadas. Neste aspeto, o futebol do Benfica é menos trabalhado no ataque posicional que o do Sporting ou do FC Porto – vale-lhe o facto de fazer por que isso quase nunca lhe faça falta. Depois, os níveis de eficácia na finalização benfiquista permitem que a equipa se coloque quase sempre em vantagem antes de o adversário poder marcar e dão-lhe a oportunidade de fazer o jogo de que gosta. Não é um jogo defensivo, mas é um jogo defensivamente competente, com um posicionamento impecável em organização defensiva, onde se vêem as tais duas linhas bem juntas, entre as quais Guardiola dizia que não cabia sequer “um cabelo”. Não será bem assim, sobretudo quando ali falta Fejsa. Ter Samaris não é a mesma coisa, pela forma como o grego não é capaz de antecipar as ideias do adversário para equilibrar. Em Guimarães, mesmo sem Fejsa durante quase todo o jogo, o Benfica manteve as redes de Ederson a zeros, mas esse já não foi tanto um triunfo da organização como foi da ocasião.
2017-01-07
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Último Passe

A importante vitória do Benfica sobre o Dynamo Kiev (1-0), que permitiu ao campeão português continuar bem vivo na Liga dos Campeões, teve o contraponto na infeliz lesão de Fejsa, que abandonou o campo a meio da segunda parte e está em dúvida, pelo menos, para o jogo com o FC Porto, no Dragão, no domingo, do qual depende muito do que será a Liga portuguesa nos próximos tempos. Rui Vitória já se viu a braços com tantas ausências – até Jonas – que há-de haver muito quem pense que mais uma, menos uma, não lhe fará assim tão grande diferença. Mas Fejsa é provavelmente o jogador mais difícil de substituir no Benfica. Porque se a falta de Jonas se sente mais quando o Benfica tem a bola – e portanto a capacidade de escolher caminhos alternativos – a de Fejsa nota-se sobretudo quando é o adversário a controlar a iniciativa. Fejsa é fundamental no processo defensivo do Benfica, porque é capaz de estabelecer o equilíbrio permanente da equipa, aparecendo onde faz mais falta. Depois, joga bem com o corpo, cobrindo a bola e impondo o físico no desarme. Samaris, em comparação, sai mais da posição, oferece mais de si próprio ao ataque, aparece mais até em posições de finalização, mas não tem a leitura de jogo do homem que hoje substituiu. E enganem-se os que pensam que Fejsa é irrelevante a atacar. Não sai com a bola em posse, não dribla, nem tem por hábito fazer golos – e Samaris até os faz com alguma frequência – mas não é de perder passes e até tem vindo a arriscar mais quando os faz, ligando por vezes com os avançados. Lembra-se das derrotas do Benfica na Liga do ano passado? Com o Arouca? Fejsa foi suplente. Com o FC Porto, no Dragão? Estava lesionado. Com o Sporting na Luz? Entrou para a segunda parte, já com 0-3 no marcador, mas magoou-se e teve de sair. E com o FC Porto na Luz? Estava outra vez lesionado. Na época passada, Fejsa não foi apenas campeão. Jogou apenas 22 minutos numa das quatro derrotas da sua equipa, e depois de esta já ter entregue o resultado. Aliás, não é por acaso que ele vem com oito títulos de campeão nacional consecutivos: campeão sérvio pelo Partizan em 2009, 2010 e 2011; campeão grego pelo Olympiakos em 2012 e 2013; campeão português pelo Benfica em 2014, 2015 e 2016. A vitória sobre o Dynamo Kiev deixa o Benfica relativamente bem posicionado para seguir em frente na Champions – precisa, na pior das hipóteses, de uma vitória e um empate nos dois últimos jogos, sendo que se a vitória vier em Istambul a última jornada será irrelevante – mas é seguro que esta noite Rui Vitória não estará tão preocupado a fazer contas a cenários de qualificação como à espera das necessárias 24 horas para que seja feita a reavaliação do estado físico do seu médio-centro. Porque se a equipa soube readaptar-se até à perda de Jonas – Guedes joga diferente, mas a equipa percebeu-o e mudou – mais difícil lhe será habituar-se a não ter Fejsa, cuja importância é mais dificilmente catalogável, por se notar sobretudo em que a iniciativa é do adversário.
2016-11-01
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Último Passe

Um livre de Talisca, já em período de compensações, custou ao Benfica dois pontos na estreia na Liga dos Campeões desta temporada. O empate a uma bola, nascido de várias mudanças táticas operadas pela equipa do Besiktas na segunda parte, acaba por punir a quebra dos campeões nacionais nesse mesmo período, depois de em 45 minutos de clara superioridade não ter feito mais de um golo, obra de Cervi. O facto de ter jogado sem as primeiras escolhas no ataque – Jonas, Mitroglou, Jiménez e Rafa estão todos lesionados – acabou por custar caro a Rui Vitória. O Benfica entrou com uma dupla de ataque improvável, formada por Cervi e Gonçalo Guedes, com o primeiro, mais forte em ataque rápido, a jogar nas costas do segundo, que não fazia nada tão bem como a pressão à saída de bola do adversário. A consequência da aliança desta dupla com a excelente exibição de Fejsa e André Horta, os dois médios-centro encarnados, foi o bloqueio total de uma equipa do Besiktas disposta em 4x2x3x1, mas com os dois extremos muito abertos – Quaresma na direita – e Ozyakup perdido no meio das linhas encarnadas no apoio a um isolado Aboubakar. O jogo, no primeiro tempo, tornou-se muito repetitivo: tentativa frustrada de organização ofensiva do Besiktas, bola recuperada pelo meio-campo do Benfica e saída rápida para o ataque. O golo, logo aos 12’, nasceu de um excelente passe de Horta, a rasgar, até encontrar uma diagonal de Salvio da direita para a esquerda. De pé esquerdo, o argentino chutou, o guarda-redes largou a bola e Cervi foi mais rápido que Tosic na reação, fazendo a recarga vitoriosa. A ganhar desde cedo, o Benfica serenou e teve mesmo duas situações de contra-ataque em superioridade numérica que, por erros no passe, não levou sequer até a finalização. Só que aquele Besiktas facilmente manietável da primeira parte voltou diferente para a segunda. Com Talisca em vez de Ozyakup, com Quaresma mais por dentro e Adriano a subir de lateral para extremo-esquerdo, surgindo também mais no corredor central, os turcos subiram de produção. Mais tarde, com a entrada de Tosun para ponta-de-lança e as aproximações de Aboubakar, a equipa de Senol Günes começou mesmo a criar lances de golo: Tosun perdeu um lance na cara de Ederson e este tirou com uma excelente defesa o empate a Marcelo, na sequência de um livre. Nessa altura já o Benfica trocara Cervi por Samaris, numa tentativa provavelmente prematura de encerrar o jogo, fechando a porta ao adversário – talvez se aconselhasse mais nessa altura um ganho de qualidade na frente, com Carrillo, por exemplo. É verdade que mesmo assim Gonçalo Guedes teve nos pés o 2-0. O improvisado ponta-de-lança benfiquista ganhou a bola a Quaresma, que foi fugindo a sucessivos desarmes desde o meio-campo até ser batido à entrada da área, mas depois, isolado frente a Tolga Zengin, não evitou que o guarda-redes turco desviasse o remate com o pé. Esse acabou por ser o lance decisivo do jogo. Antes do final, o Benfica ainda substituiu Fejsa por Celis. E já tinha José Gomes na linha lateral, pronto para entrar e para se tornar o mais jovem de sempre a jogar pelo clube nas provas europeias, quando o médio colombiano meteu a mão a uma bola a uns seis ou sete metros da linha de área. Talisca apontou logo para o peito, a assumir que ia ser ele a bater o livre. E fê-lo de modo imparável, festejando efusivamente o golo que valeu o empate à sua nova equipa frente à que o emprestou.
2016-09-13
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Último Passe

As ausências de André Almeida e Jardel, por castigo, somadas às de Júlio César, Lisandro López e Luisão, estes por lesão, colocam a Rui Vitória um problema de difícil resolução. O Benfica enfrenta o jogo do qual depende a continuidade na Liga dos Campeões, no qual será fundamental manter a solidez atrás, sem o guarda-redes titular, sem as três primeiras escolhas para o centro da defesa e sem ter ainda resolvido por inteiro a questão que se lhe coloca acerca da composição do meio-campo nos jogos de maior grau de exigência. Ainda assim, num jogo em que o primeiro golo pode ser a chave, Vitória deve mexer o mínimo possível, de forma a aproveitar o embalo emocional que o sucesso no dérbi de sábado lhe trouxe. Vai ter de inventar, mas não mais do que o necessário, com a consciência de que este Zenit pode exigir ao Benfica algo que a equipa ainda não mostrou de forma consolidada: que é capaz de ser sólida em desafios de exigência elevada. A vitória em Alvalade, no sábado, como a conquistada em Madrid, no Outono, são as exceções que confirmam a regra: este continua a ser um Benfica mais talhado para jogar contra equipas fracas. Ao todo, em quatro jogos com o Sporting, dois com o FC Porto, dois com o Atlético Madrid, dois com o Galatasaray, um com o Sp. Braga e um com o Zenit, o Benfica, o Benfica só ganhou cinco de doze jogos de grau de dificuldade mais elevado. Pode até chegar para alcançar os objetivos – em São Petersburgo, por exemplo, basta uma derrota pela margem mínima, desde que com golos marcados –, mas deve servir de ponto de partida para uma reflexão interna acerca dos equilíbrios da equipa, que precisa de juntar outro avançado a Jonas para rentabilizar aquele que é o seu melhor jogador e não encontrou ainda uma forma satisfatória de preencher a zona central do meio-campo quando Renato Sanches se torna naquilo a que o treinador chamou “talento selvagem” e perde as referências no jogo sem bola. Problemático é que estas questões se agravem pela ausência de jogadores que são tão importantes nos momentos defensivos, como Jardel ou André Almeida. Lindelof tem respondido muito bem, sobretudo se tivermos em conta que era a quarta opção para o centro da defesa no início da época, mas o que se lhe pedirá no Petrovskyi é que comande o setor, provavelmente com Fejsa a seu lado e sem a ajuda de André Almeida, um lateral cujo principal atributo é a solidez defensiva. A dúvida coloca-se depois, na constituição do meio-campo e do ataque. Salvio à direita com Pizzi no apoio a Mitroglou (ou Jiménez, mais talhado para jogar longe da equipa) ou Jonas com Mitroglou e Pizzi a vir da direita para dentro, no apoio a Samaris e Renato? Rui Vitória saberá melhor que ninguém em que ponto está a recuperação de Salvio e se ele já é capaz de responder num jogo deste grau de exigência, ainda que todos saibamos que nestas coisas o risco maior está na experimentação e não na continuidade. Repetir os seis da frente de Alvalade pode ser uma forma de aproveitar não apenas as rotinas que a equipa vem construindo como a confiança que adquiriu no campo do maior rival. Mas, até pela escassez de golos nos mais recentes jogos do Zenit (0-1, 1-0 e 0-0), a chave da eliminatória estará sempre no primeiro golo. Se o marca o Benfica, pode repetir-se a história do dérbi; se o marca o Zenit o jogo deverá pedir um upgrade àquilo que este Benfica tem mostrado.
2016-03-09
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Kostas Mitroglou marcou golos nas últimas seis jornadas da Liga, o que é um recorde desta época e a melhor marca da Liga portuguesa desde 2012/13, época em que o portista Jackson Martínez chegou às sete rondas seguidas a marcar. Se marcar ao Paços de Ferreira, o grego pode igualá-lo, bem como a Óscar Cardozo, que tinha sido o último a marcar em sete jornadas seguidas com a camisola do Benfica, em 2011/12. Na verdade, há 15 anos que ninguém consegue melhor – o último a chegar às oito jornadas seguidas a marcar foi Pena, em 2000/01. Mitroglou começou a saga na 17ª jornada, entrando a 18 minutos do fim para fazer um golo na vitória do Benfica por 4-1. Na 18ª já subiu ao relvado logo no início da segunda parte, participando igualmente com um golo na vitória encarnada sobre o Estoril (2-1). Na 19ª ronda já foi titular, marcando mais um golo nos 3-1 em casa ao Arouca. Depois disso, voltou a ser titular e a fazer um golo nos 4-1 com que o Benfica ganhou fora de casa ao Moreirense, na 20ª jornada. O hat-trick que conseguiu marcar ao Belenenses, nos 5-0 com que os encarnados venceram no Restelo, na 21ª jornada, aumentou a série de jogos a marcar para cinco, sendo os seis atingidos com o golo ao FC Porto, ainda que na derrota do Benfica (1-2), na Luz. Ao marcar em seis jornadas seguidas, Mitroglou estabeleceu um novo recorde da presente edição da Liga, na qual o máximo anterior pertencia ao sportinguista Slimani, que marcara em cinco rondas consecutivas. E tem agora a hipótese de chegar a uma série goleadora que ninguém obtinha desde 2012/13, quando o portista Jackson Martínez marcou oito golos em sete jogos, entre as jornadas 2 e 8 da Liga. Ficou em branco ao oitavo jogo, uma vitória do FC Porto frente à Académica (2-1). Aliás, a maldição do oitavo jogo tem atacado todos os grandes goleadores do campeonato português. O zero no jogo oito da sequência já afetou Cardozo em 2011/12 (oito golos em sete jogos, entre as jornadas 12 e 18, e depois nenhum na derrota do Benfica em Guimarães, à 19ª), Lima na mesma época (dez golos em sete jogos, entre a 18ª e a 24ª jornada, e depois nenhum na derrota do Sp. Braga na Luz, à 25ª), Jardel em 2001/02 (onze golos em sete jogos entre as jornadas 10 e 16 e depois nenhum na vitória do Sporting em Aveiro frente ao Beira Mar, na 17ª) e Derlei nessa mesma época (dez golos em sete jogos, entre a 14ª e a 20ª jornada, e depois nenhum na 21ª, na derrota da U. Leiria frente ao Sporting). O último a conseguir marcar em oito jornadas seguidas na Liga portuguesa foi, assim, o brasileiro Pena, que o FC Porto contratou em 2000, depois de transferir Jardel para o Galatasaray. Pena, aliás, não parou sequer ao nono jogo: teve uma entrada de rompante no futebol português, estreando-se à terceira jornada com um bis ao Paços de Ferreira, e foi marcando sempre até à 11ª. Nesses nove jogos seguidos fez 13 golos, ficando pela primeira vez em branco na vitória do FC Porto no terreno do Desp. Aves, por 1-0, a 19 de Novembro de 2000. Até final da época só fez mais nove golos, mas o acumulado permitiu-lhe ser o melhor marcador da Liga.   Jorge Simão, jovem treinador do Paços de Ferreira, nunca pontuou frente ao Benfica. Quando ainda comandava o Belenenses, perdeu com os encarnados em casa, por 2-0, na Liga passada. E esta época já levou o Paços a ser batido na Luz, por 3-0. Dois aspetos em comum aos dois jogos: a equipa de Simão nunca fez um golo e em ambos Jonas bisou pelo Benfica.   Rui Vitória, por sua vez, tem história no Paços de Ferreira, equipa que comandou em 2010/11 e no início de 2011/12, quando foi chamado a orientar o V. Guimarães. Desde que saiu da Mata Real, ganhou apenas quatro dos nove jogos contra os pacenses, dois dos quais fora de casa, empatando três e perdendo dois. Em todos os jogos a equipa de Rui Vitória (oito vezes o V. Guimarães e uma vez o Benfica) marcou golos.   O Benfica vem com sete vitórias seguidas fora de casa, tendo ganho todas as deslocações (em todas as provas) desde o empate na Choupana com o U. Madeira, a 15 de Dezembro. Pelo caminho ficaram V. Guimarães (1-0), Nacional (4-1), Estoril (2-1), Oriental (1-0), Moreirense (6-1 e 4-1) e Belenenses (5-0).   O Paços de Ferreira, por sua vez, vem com sete jogos seguidos sem conhecer a vitória, três deles em casa. Desde que ganhou na Capital do Móvel ao V. Setúbal, por 2-1, a 11 de Janeiro, a equipa de Jorge Simão empatou fora com Académica e Arouca (ambos 1-1), perdeu em casa com Sporting (1-3) e Portimonense (2-3), empatou fora com o Arouca (2-2), perdeu em casa com o Boavista (1-0) e empatou no terreno do Rio Ave (1-1).   As três derrotas seguidas do Paços de Ferreira em casa (1-3 com o Sporting na Liga, 2-3 com o Portimonense na Taça da Liga e 0-1 com o Boavista na Liga) igualam a pior série da época passada. Na altura, a equipa pacense foi sucessivamente batida por Famalicão (1-2, na Taça de Portugal), Rio Ave (1-2, Liga) e Nacional (2-3, Liga) reagindo precisamente no jogo com o Benfica para a Liga, que ganhou por 1-0.   Fejsa jogou pela primeira vez com a camisola do Benfica contra o Paços de Ferreira. Foi a 14 de Setembro de 2013 que Jorge Jesus o lançou, ainda na primeira parte, no lugar de Ruben Amorim. O Benfica já ganhava por 2-0 e acabou por vencer esse jogo por 3-1. Se recuperasse de lesão a tempo de defrontar os pacenses, o sérvio poderia fazer contra o mesmo adversário a 50ª partida pelos encarnados.   Talisca já tinha jogado pelo Benfica na Supertaça, mas estreou-se na Liga a defrontar o Paços de Ferreira, em partida da primeira jornada da época passada, a 17 de Agosto de 2014. Foi titular na vitória por 2-0, tendo saído aos 74 minutos, já com o jogo muito bem encaminhado. Esse foi também o jogo de estreia na Liga portuguesa de Rafael Defendi, o guarda-redes brasileiro do Paços.   Bruno Moreira, avançado do Paços de Ferreira, já marcou esta época ao Sporting e ao FC Porto. Nos joros em que marcou aos grandes, porém, o Paços perdeu: 1-2 com o FC Porto no Dragão e 1-3 com o Sporting na Mata Real.   O Paços de Ferreira interrompeu a 26 de Janeiro do ano passado uma série de nove vitórias consecutivas do Benfica na Mata Real, ganhando aos encarnados por 1-0, com um golo de penalti de Sérgio Oliveira, no último minuto. Antes desse jogo, a última vez que o Benfica não tinha ganho ali fora em Setembro de 2006, quando as duas equipas empataram a uma bola, com um golo de Katsouranis para os lisboetas e outro de João Paulo, já nos descontos, para os donos da casa.   Entre esses dois jogos, o Paços de Ferreira ainda empatou uma vez na Luz, a uma bola, na meia-final da Taça de Portugal de 2012/13 (marcaram Cardozo e Cícero), mas tal aconteceu quando o Benfica já tinha vencido a primeira mão, no Estádio Capital do Móvel, por 2-0. A superioridade encarnada neste duelo é esmagadora nos últimos anos: o Benfica ganhou 18 dos últimos 20 jogos entre ambos, empatando um e perdendo outro.
2016-02-19
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Rui Vitória vai defrontar a equipa pela qual se estreou na Liga portuguesa, há cinco anos, mas na qual passou apenas uma época, saindo no início da segunda para se ocupar do V. Guimarães. Ora o histórico do treinador do Benfica nem tem sido particularmente feliz frente a ex-equipas: ganhou apenas três dos oito jogos contra o Paços de Ferreira, dois dos quais fora de casa. Em Guimarães a única vitória foi em Abril de 2012. Há duas ilações a tirar deste histórico. A primeira é que nos oito jogos de Vitória contra uma ex-equipa sua, o ataque foi a tónica dominante: não houve um único zero de nenhuma das equipas, pois ambas marcaram sempre. E a segunda é que Rui Vitória se sente melhor como visitante a um estádio onde já foi feliz do que como anfitrião das suas ex-equipas: tem uma vitória, dois empates e uma derrota nos jogos com o Paços em Guimarães e duas vitórias, um empate e uma derrota nas visitas ao Estádio Capital do Móvel. O melhor resultado, aliás, obteve-o em Paços de Ferreira. Foi uma vitória por 5-1 logo em Novembro de 2011, com hat-trick de Edgar, que era o ponta-de-lança desse V. Guimarães. Essa primeira época – que, recorde-se, Vitória ainda começou em Paços de Ferreira, tendo por isso amplo conhecimento do adversário – foi a melhor no confronto com a ex-equipa, tendo o atual técnico do Benfica obtido duas vitórias, por 3-e e 5-1. Em 2012/13 perdeu em Paços de Ferreira por 2-1 e empatou em Guimarães a dois golos. Em 2013/14 ganhou em Paços (3-1), mas perdeu em casa (1-2). E na época passada ambos os jogos redundaram em empates: 1-1 em Guimarães e 2-2 em Paços de Ferreira.   - Na sua ainda curta carreira como treinador de top, Jorge Simão já defrontou os três grandes e só perdeu com o Benfica. Ainda dirigia o Belenenses quando foi batido em casa (0-2) pelos encarnados, na ponta final da época passada. Foi ainda no Restelo que impôs um empate (1-1) ao FC Porto, dando o bi-campeonato ao Benfica. E já esta época trouxe o Paços de Ferreira a empatar em Alvalade com o Sporting (1-1).   - Aliás, Simão tem quatro derrotas 14 jogos na Liga e só uma delas foi fora de casa, o que faz dele um especialista em viagens. Perdeu no Bessa no seu jogo de estreia (1-0 com o Boavista, a 22 de Março) ao serviço do Belenenses, e depois só voltou a perder em casa, com Benfica, Rio Ave (ambos ainda no Belenenses) e agora outra vez Rio Ave (já no Paços de Ferreira). Fora de casa, vai com uma série de seis jogos sem perder, com três vitórias e três empates.   - O Benfica ganhou os quatro jogos que fez esta época na Luz e marca sempre golos nos jogos em casa há seis jogos consecutivos, desde o empate a zero com o FC Porto, em finais de Abril. Nesses seis jogos, Jonas fez golos em todos menos no último, os 2-0 ao Astana: nos outros cinco marcou por oito vezes, com três bis.   - Luisão é o único jogador disponível para Rui Vitória que já marcou golos ao Paços de Ferreira na Luz. Todos os outros ou já saíram (Maxi, Enzo Pérez, Garay, Cardozo, Saviola, Nolito, Aimar…) ou estão lesionados (Salvio). Do outro lado, Cícero, que ainda começou a época no Paços mas entretanto saiu para o Samsunspor, da Turquia, era o único a já ter festejado um golo nas balizas da Luz com a camisola amarela dos castores.   - Fejsa jogou pela primeira vez com a camisola do Benfica contra o Paços de Ferreira. Foi a 14 de Setembro de 2013 que Jorge Jesus o lançou, ainda na primeira parte, no lugar de Ruben Amorim. O Benfica já ganhava por 2-0 e acabou por vencer esse jogo por 3-1.   - Talisca já tinha jogado pelo Benfica na Supertaça, contra o Rio Ave, mas estreou-se na Liga frente ao Paços de Ferreira, em partida da primeira jornada da época passada, a 17 de Agosto. Foi titular na vitória por 2-0, tendo saído aos 74 minutos, já com o jogo resolvido. Esse foi também o jogo de estreia na Liga portuguesa para Rafael Defendi, atual guarda-redes suplente dos pacenses.   - O Paços de Ferreira só ganhou uma vez na Luz, mas já foi há 14 anos e meio. Dois golos de Rafael e um de Leonardo permitiram uma vitória por 3-2 da equipa de José Mota sobre a dirigida por Toni, em Março de 2001. O Benfica venceu todos os jogos na Luz para a Liga desde o regresso do Paços à divisão mais importante, em 2005, cedendo apenas um empate de todo irrelevante na segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal, em Abril de 2013, depois de ter ganho a primeira partida na Mata Real.   - O Paços de Ferreira, de qualquer modo, vem com três visitas consecutivas a Lisboa sem perder. Já esta época, empatou com o Sporting em Alvalade e, na anterior, depois de perder na Luz com o Benfica por 2-0, foi empatar a Alvalade com o Sporting (1-1) e ganhou no Restelo ao Belenenses (1-0).   - O último confronto entre Paços de Ferreira e Benfica, porém, acabou com vitória dos pacenses. Foi na Mata Real, em Janeiro, e um penalti cometido por Eliseu permitiu a Sérgio Oliveira fazer, já em tempo de compensação, o golo da vitória da equipa da casa (1-0).   - O Benfica continua a ser a equipa mais rematadora da Liga, com 97 remates (19,4 por jogo), mas o Paços de Ferreira é uma das que melhor se defende e menos remates permite: 45, apenas nove por jogo, no que só é suplantado por Sp. Braga (5,6), Benfica (6,6), Sporting (7,2) e FC Porto (7,6).   - O Paços de Ferreira nunca ganhou com Rui Costa a apitar. Soma duas derrotas e três empates, ainda que um deles tenha sido feliz, pois aconteceu frente ao FC Porto no Dragão. Quanto ao Benfica, ganhou 14 dos 17 jogos com este árbitro, sendo mesmo a equipa da Liga com maior percentagem de vitórias com ele a dirigir jogos: 82 por cento, contra 80% do FC Porto. A última vitória dos encarnados com Rui Costa foi no Restelo, na época passada, contra o Belenenses de… Jorge Simão.
2015-09-25
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