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A vitória do FC Porto frente ao Moreirense foi a terceira reviravolta dos dragões em oito jogos desde a chegada de José Peseiro: antes de virar este jogo de 0-2 para 3-2, o FC Porto já tinha ganho depois de começar a perder frente ao Estoril (fora, de 0-1 para 3-1) e ao Benfica (fora, de 0-1 para 2-1). Em ano e meio com Julen Lopetegui, só por uma vez a equipa azul e branca virou um resultado. Foi esta época, contra o Paços de Ferreira, no Dragão: esteve a perder por 1-0 e ganhou por 2-1.   A reviravolta contra o Moreirense teve ainda outra particularidade: foi a primeira que o FC Porto conseguiu na Liga depois de estar a perder por dois golos de diferença desde 1976. Agora, partiu de um 0-2 para acabar por ganhar por 3-2, da mesma forma que em Maio de 1976, na jornada de encerramento do campeonato – que o Benfica ganhou – virou o jogo frente aos encarnados na Luz. Toni e Vítor Batista tinham colocado o Benfica a ganhar por 2-0 à meia-hora, mas na segunda parte os suplentes Ademir e Júlio (este bisou) fizeram o 3-2 final.   A razão primeira para o FC Porto estar a virar resultados é que sofre golos cedo nos jogos. Nos oito jogos com Peseiro aos comandos, o FC Porto só não sofreu golos por duas vezes – Marítimo, em casa, na Liga, e Gil Vicente, fora, na Taça de Portugal. Nos seis em que sofreu golos, esteve sempre em desvantagem. Ganhou três (Estoril, Benfica e Moreirense) e perdeu os outros três (Feirense, Arouca e Borussia Dortmund).   Ao fazer dois golos no Dragão, o Moreirense alargou para onze o total de jogos em que faz golos fora de casa. Todos desde a derrota por 2-0 frente ao Belenenses, no Restelo, a 21 de Setembro. É a maior série do clube de Moreira de Cónegos se contarmos apenas as épocas em que esteve na I Divisão. E supera os dez jogos que conseguira entre Março e Setembro de 1997, entre a II Divisão de Honra e a Taça de Portugal dessas duas épocas.   Iuri Medeiros, autor do primeiro golo do Moreirense ao FC Porto, já tinha marcado aos dragões na primeira volta (2-2) e ao Benfica nos dois jogos contra os encarnados em casa (1-6 na Taça da Liga e 1-4 na Liga). Como não joga contra o Sporting, por ser emprestado pelos leões, vai com quatro jogos seguidos a marcar aos grandes, desde que ficou em branco na derrota por 3-2 frente ao Benfica na Luz, em Agosto.   Fábio Espinho, autor do segundo golo do Moreirense, marcou pela primeira vez na Liga portuguesa desde Maio de 2013, antes de trocar os cónegos pelo Ludogorets. Na altura marcou ao Sp. Braga, mas o Moreirense também acabou por perder esse jogo por 3-2.   Layun voltou a fazer um golo e uma assistência num jogo do FC Porto, repetindo o que conseguira frente ao V. Setúbal, partida na qual assistiu Aboubakar para o primeiro e marcou ele próprio o segundo tento de uma vitória por 2-0. Com o cruzamento para o golo de Suk, o mexicano ganhou ainda mais vantagem sobre os benfiquistas Gaitán e Jonas na lista dos melhores assistentes da Liga: tem agora 15 passes para golo, contra nove dos rivais.   Suk marcou o segundo golo com a camisola do FC Porto, mas o primeiro na Liga, uma vez que se estreara a marcar na Taça de Portugal, contra o Gil Vicente. Nos quatro jogos em que foi titular, só não marcou ao Feirense e ao Famalicão, na Taça da Liga, nas primeiras vezes que começou de início pelos dragões, que nessas noites apresentaram equipas alternativas.   Evandro, que fez o golo da vitória do FC Porto, ainda não tinha marcado esta época. O último golo fizera-o na Taça da Liga, a 2 de Abril do ano passado, na noite em que o FC Porto foi eliminado pelo Marítimo (1-2, nos Barreiros). Na Liga não marcava há mais de um ano, desde 10 de Janeiro de 2015, quando saiu do banco a 20 minutos do fim e estabeleceu o 3-0 final ao Belenenses já em período de descontos.   Os 52 pontos que o FC Porto passou a somar após 23 jornadas são o pior pecúlio acumulado pelos portistas nesta ronda do campeonato desde 2013/14, quando aqui chegaram com apenas 46. Mas nesse ano não foram campeões. Para encontrar um FC Porto campeão com tão poucos pontos à 23ª jornada há que recuar até 2008/09, quando a equipa de Jesualdo Ferreira somava apenas 51… mas mesmo assim liderava, com quatro pontos de avanço do Sporting.
2016-02-23
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Último Passe

O FC Porto teve de sofrer para ganhar ao Moreirense e manter-se vivo na luta pelo título. Valeu-lhe a terceira reviravolta em cinco vitórias que tem a era-Peseiro, desta vez com direito a trabalho dobrado, pois a equipa portista chegou a estar a perder por 2-0 e acabou por vencer por 3-2. Quer isto dizer que o FC Porto precisou de forçar muito o ataque, de meter mais e mais gente na frente e de se sujeitar ao perigo dos contra-ataques do Moreirense, só chegando à vantagem quando os cónegos deixaram de ter pulmão ou organização para surgir perto de Casillas e foram baixando, baixando, até encostarem à baliza de Stefanovic. Os dragões salvaram os três pontos, mas devem rever o jogo para compreenderem que, sobretudo defensivamente, continuam a fazer muita coisa mal. Peseiro introduziu sete jogadores novos face à equipa de Dortmund, o que nem deve ter sido muito difícil, dada a possibilidade de fazer regressar alguns titulares – Maxi, Marcano, Danilo – e o recente impedimento de outros, como Martins-Indi. As restantes alterações explicam-se com razões de pura estratégia, como as que explicam as ausências de André André ou Corona no jogo da Alemanha ou a alternância no ataque, onde apareceu Suk em vez de Aboubakar. A verdade é que, mesmo com tanta gente fresca, a equipa portista não teve uma entrada forte, permitindo sempre o tempo e o espaço ao Moreirense para se tornar ameaçador. Boateng quase marcou, Iuri fê-lo mesmo e Fábio Espinho dobrou a marca antes da meia-hora, sempre em lances onde o FC Porto mostrou as dificuldades no controlo da profundidade defensiva que já tinha exibido na Luz, contra o Benfica, por exemplo, ou a imensidão de espaço que se cria entre central e lateral em alguns momentos do seu processo defensivo. A reação do FC Porto foi, primeiro, emocional. A equipa foi metendo mais e mais gente na área, tentando jogar depressa – mas nem sempre bem. Suk ainda cabeceou uma vez à barra – e o jogo de cabeça do coreano pareceu ser uma arma a que o FC Porto terá de recorrer mais vezes – antes de Layun reduzir, de penalti, já muito perto do intervalo. O facto de ter ido para o balneário apenas a um golo de distância pode ter sido fundamental no discurso de Peseiro aos seus jogadores, mas na verdade não foi uma forma de atemorizar o Moreirense. O treinador do FC Porto trocou Corona por Evandro, de forma a ganhar ascendente por dentro, mas as duas primeiras ocasiões de golo da segunda parte ainda pertenceram aos visitantes, quando Nildo e Iuri Medeiros obrigaram Casillas a duas boas defesas. E apesar do reforço do ataque portista – entrou Marega para o lugar de Chidozie – não se via como o FC Porto poderia dar a volta ao texto. A equipa de Peseiro ia chegando mais vezes, o Moreirense deixava de conseguir sair, mas faltavam ocasiões claras de golo em cima das quais os dragões pudessem montar o espírito da reviravolta. O que sucede é que quando os jogos se colocam assim, quando se jogam tão dentro de uma área, o normal é quem defende cometer erros, fruto da elevada exigência física e emocional do jogo. Foi o que sucedeu quando um erro de marcação num canto deu a Suk a oportunidade para, de cabeça, empatar o jogo. Quatro minutos depois, Herrera viu o esforço de ir buscar uma bola na linha de fundo recompensado com o terceiro golo, marcado por Evandro. O Moreirense já não tinha maneira de voltar dali.
2016-02-21
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A vitória por 4-1 do Benfica frente ao Moreirense distanciou ainda mais a equipa da Luz como melhor ataque do campeonato. São agora 54 golos marcados em 20 jogos, o melhor parcial nas primeiras 20 jornadas da Liga portuguesa em mais de 30 anos. A última equipa a marcar mais do que este Benfica nas primeiras 20 partidas da Liga portuguesa foi o FC Porto, que em 1984/85 chegou à 20ª jornada com 55 golos marcados. Nas dez últimas jornadas fez mais 23, acabando com 78 e sagrando-se campeão nacional.   - O último Benfica tão goleador também tirou boas recordações da época em que tirou tanto do ataque. Aconteceu um ano antes, em 1983/84, quando a equipa liderada por Eriksson chegou à 20ª ronda com 56 golos marcados. Fez mais 30 nas derradeiras 10 partidas, acabando com 86 (quase três por jogo, de média) e também campeã nacional.   - O maior contribuinte benfiquista para tanto golo é Jonas, que chegou à 20ª jornada com 21 golos no ativo. Nenhum jogador tinha mais golos do que jogos à 20ª jornada na Liga portuguesa desde Jackson Martínez, que em 2012/13 lá chegou com 22 golos marcados, mas até ao fim da Liga só marcou mais quatro. No Benfica, o último a fazê-lo foi o sueco Magnusson, que em 1989/90 fez 22 golos nas primeiras 20 jornadas. Acabou a Liga com 33.   - Jonas já superou o total de golos que fez em toda a Liga passada. Em 2014/15 chegou ao fim da prova com 20 golos marcados em 27 partidas, enquanto que na atual atuou nos 20 jogos que o Benfica já realizou e soma 21 golos. Ainda assim, Jonas soma apenas mais um golo nesta época – feito na Liga dos Campeões – o que leva a que esteja ainda abaixo do total da temporada anterior, que terminou com 31 golos, contando com seis na Taça de Portugal e cinco na Taça da Liga.   - Além do destaque do seu ataque, o Benfica conseguiu em Moreira de Cónegos a décima vitória seguida, contando todas as competições. A última vez que os encarnados não ganharam foi na visita ao U. Madeira, que terminaram com um empate a zero. As dez vitórias seguidas superam o melhor registo da época passada e igualam o recorde de 2013/14. O próximo objetivo são as onze vitórias consecutivas, que o Benfica festejou em 2011/12. E se as conseguir parte ao assalto da série de 18 sucessos de enfiada obtido em 2010/11.   - Muito graças a estas dez vitórias consecutivas, o Benfica segue com 49 pontos na Liga, tendo já reduzido substancialmente a desvantagem que apresentava em relação ao registo parcial da época passada. Há um ano, o Benfica somou 50 pontos nas primeiras 20 jornadas. Mas o registo deste ano já é igual ao de 2013/14, a primeira época do bicampeonato.   - O Moreirense perdeu pela terceira vez consecutiva em casa, depois das derrotas frente a Estoril (1-3, na Liga) e também Benfica (1-6, na Taça da Liga). Além disso, os cónegos vêm com cinco jogos seguidos sem conseguir a vitória como visitados: todos desde o sucesso contra o Nacional (2-0), a 20 de Dezembro. Estão, ainda assim, a um jogo da pior série caseira da época passada, na qual estiveram seis jogos sem ganhar em casa, entre 18 de Janeiro e 11 de Abril.   - Mitroglou marcou o segundo golo do Benfica em Moreira de Cónegos, conseguindo assim a quarta jornada seguida da Liga sempre a marcar, depois de já ter estado nos goleadores dos jogos com o Nacional, o Estoril e o Arouca. Fica por enquanto a um jogo do recorde desta Liga, que pertence a Slimani, goleador em cinco jornadas consecutivas.   - O golo do Moreirense foi marcado por Iuri Medeiros, que já tinha feito o tento solitário da outra derrota da equipa de Moreira de Cónegos frente ao Benfica, na Taça da Liga, a meio da semana. Aliás, esta época Iuri Medeiros também tinha marcado no empate a duas bolas que o Moreirense conseguiu contra o FC Porto, o que faz com que leve três jogos seguidos a marcar aos grandes – não jogou contra o Sporting, que é o detentor do seu passe.   - O jogo assinalou o regresso à Liga portuguesa de Fábio Espinho, médio que em 2013 trocou o Moreirense pelo Ludogorets, da Bulgária, e que entretanto assinou pelo Málaga. O último jogo de Espinho na Liga portuguesa tinha sido no Estádio da Luz, também contra o Benfica e também marcado pela derrota da equipa minhota, na altura por 3-1.
2016-02-01
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