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O fim de semana foi de sentimentos mistos para os adeptos de futebol portugueses. No sábado, Cristiano Ronaldo fez um jogo de sofrimento e sem a qualidade habitual na final da Liga dos Campeões pelo Real Madrid, lançando a preocupação entre os que tanto esperam dele no Europeu. E se a lesão não é ainda parte do passado? No domingo, sem ele, a seleção ganhou por 3-0 à Noruega, permitindo aos que mais duvidam acreditar que o milagre pedido por Fernando Santos até é possível. Afinal, há Portugal sem Ronaldo! Só que há aqui uns quantos “mas”. Porque nem tudo o que parece é. Primeiro Ronaldo. Mesmo sem ser decisivo, o craque respondeu presente em Milão. Meteu a defesa do Atlético em respeito com uns quantos sprints e até marcou o penalti que deu a décima-primeira Champions ao Real Madrid. No momento da decisão, foi ele quem respondeu presente. Não se escondeu, e nenhuma equipa pode prescindir de um capitão assim, que não se esconde. Depois, Portugal. Mesmo ganhando por 3-0, a seleção mostrou algumas debilidades ante uma Noruega fraquinha, que não está sequer entre os 24 apurados para o Europeu. Coletivamente deixou que os noruegueses se apoderassem do jogo entre os 30’ e os 65’, quando Guerreiro fez o 2-0 num livre exemplarmente batido. Individualmente, Cédric teve períodos de desconcentração; Fonte cometeu um erro que até podia ter custado o empate momentâneo; Moutinho está sem ritmo, depois de dois meses a lutar com uma lesão, a ponto de a equipa melhorar quando ele saiu; Quaresma fez um grande golo, mas nunca deu à equipa presença na área, custando a perceber como pode encaixar no 4x4x2 engendrado por Fernando Santos; e Éder, que também marcou, parece um corpo estranho naquele onze. Para fazer o tal Europeu de grande qualidade, a equipa precisa de melhorar – e o próprio Fernando Santos o reconheceu no final. Há, é evidente, muita margem para que tal aconteça. A renovação do onze está bem à vista no facto de ter sido Éder quem acabou o jogo com a braçadeira de capitão: todos os outros estão ainda menos habituados a estas coisas do que ele. Fernando Santos começou a partida com um meio-campo que, à exceção de João Moutinho, veio do último Europeu de sub21 – William, João Mário e André Gomes – e podia bem estar nos Jogos Olímpicos e não no Europeu de seleções A. Isso é bom? Claro que sim. Porque a renovação não foi forçada, porque se estão a jogar é porque fizeram por isso. E sobretudo porque já mostraram há um ano que têm qualidade coletiva ao chegarem à final da categoria etária a que então pertenciam. Só que é aí que entra Ronaldo. Teria aquela seleção de sub21 resistido a um Ronaldo em mau momento? Provavelmente não. Uma das qualidades a permitir que o meio-campo das esperanças portuguesas mandasse no último Europeu foi o facto de à sua frente ter dois avançados que não resolviam mas também não atrapalhavam. E a verdade é que Ronaldo faz as duas coisas. Quase sempre a primeira, mas infelizmente às vezes também a segunda. A seleção de 2014 valia mais do que os resultados mostraram, mas caiu logo na primeira fase do Mundial porque Ronaldo estava magoado e a equipa não foi capaz de superar esse inconveniente. Em contrapartida, a de 2012 valia menos do que os resultados mostraram, mas chegou às meias-finais do Europeu porque Ronaldo estava inspirado e a equipa seguiu atrás do exemplo dele. Posto de outra forma. Com um bom Ronaldo, o meio-campo de Portugal vai necessariamente render menos, mas ninguém vai reparar, porque o CR7 é um dos melhores do Mundo e ganha jogos praticamente sozinho. Com um mau Ronaldo, o meio-campo de Portugal também vai render menos, porque o facto de ele estar em campo é o suficiente para que tudo no jogo tenha de passar por ele e, mesmo sendo um dos melhores do Mundo, se ele não estiver bem, a equipa vai ressentir-se disso. Aqui chegado, Fernando Santos não pode fazer muita coisa a não ser esperar que venhamos a ter um bom Ronaldo e criar condições ao nível do treino, da recuperação física e da idealização do jogo para que ele emirja. Se assim não for, é esperar pela próxima oportunidade. Porque ter Ronaldo é e será sempre uma benesse. E ainda que a renovação da equipa prove a quem quer ver que há e haverá sempre futuro quando ele acabar, ainda é cedo para se pensar nisso. Por enquanto é aproveitar. E esperar que ele apareça como Portugal precisa. In Diário de Notícias, 30.05.2016
2016-05-30
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Último Passe

A lesão de última hora de Bernardo Silva poupou Fernando Santos ao embaraço da escolha e permitiu-lhe uma convocatória de consensos, sem precisar de riscar nenhum dos 24 jogadores que tinham mais expectativas de ser convocados. A somar às indisponibilidades já conhecidas de Fábio Coentrão e Danny e ao regresso demasiado recente de Tiago à competição, a exclusão do médio ofensivo do Mónaco resultou numa lista muito conservadora, em que nem a faísca provocada pela chamada de Renato Sanches corre riscos de provocar celeuma. Os que estão na metade do país que não gosta do jogador – por oposição à metade que o venera – até poderão ensaiar a contestação, mas esbarrarão sempre na falta de argumentos que se sucede ao “se não fosse ele então era quem?” Se houvesse Bernardo Silva, Fernando Santos ver-se-ia obrigado a fazer uma escolha que teria sempre algo de polémica em si. Quem ficava de fora? O próprio Renato Sanches, que pode dar à equipa as suas arrancadas com bola e a explosão a meio-campo? André Gomes, médio de fino recorte, que além do mais pode jogar a partir da meia-esquerda? O ponta-de-lança, deixando a equipa descalça numa qualquer eventualidade em que precise de meter mais peso na área? Um dos defesas-centrais, correndo o risco de, face à idade de todos eles, se ver a contas com lesões que o forçassem a fazer adaptações? Um dos atacantes com menos estatuto mas enorme potencial, como Rafa? Um dos defesas-laterais suplentes, ou até os dois, chamando um polivalente para cobrir os titulares? Tudo serviria para apimentar um pouco as reações à escolha. Assim, não: ninguém fará mais do que erguer um pouco uma sobrancelha, seguindo de imediato com o que estava a fazer antes. Não digo que isso seja mau. O consenso é uma posição difícil de atingir e é de consensos que esta seleção precisa para seguir sem ondas na competição. Soubesse eu da impossibilidade de Bernardo Silva e a minha lista só teria uma diferença relativamente à de Fernando Santos: a chamada de André Silva em vez de Éder. Sei que Éder fez um bom final de época no Lille, que até marcou alguns golos decisivos, mas a minha questão não era tanto de golos – esses pode fazê-los Ronaldo – mas mais de compatibilidade com o CR7 na frente. E aí acho que André Silva dá mais garantias, porque faz tudo aquilo que Ronaldo não faz. A ideia do selecionador é, no entanto, a de jogar com Nani e Ronaldo na frente, guardando Éder para alguma emergência. Não é a minha, mas até essa pode ser relativamente consensual.
2016-05-17
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Fernando Santos vai divulgar amanhã a lista de 23 jogadores portugueses para o Campeonato da Europa e, tal como venho prometendo há meses, deixo aqui a minha lista com umas horas de avanço. Desta vez não faço a lista do selecionador: escolhi os meus 23, ainda que com a certeza de que eles não serão muito diferentes dos oficiais. Terão, no máximo, dois nomes trocados. Porque tanto na minha cabeça como certamente na de Fernando Santos não haverá mais do que duas dúvidas. A saber: Renato Sanches e o ponta-de-lança. A minha decisão? Sim a Renato e venha de lá André Silva. Onde as minhas escolhas divergem mais das do selecionador é nas ideias para a formação da equipa-base. Ambos concordaremos que o 4x4x2 é o melhor sistema para a seleção, porque é o único que permite a perfeita integração de Cristiano Ronaldo – e todos sabemos que Portugal será tão mais forte quanto melhor estiver o CR7. O 4x3x3 encerra dois problemas graves sob este prisma: se, nele, Ronaldo for ponta-de-lança, passa grande parte do jogo de costas para a baliza e sem poder explorar a sua velocidade e o poder de explosão; se for extremo-esquerdo e não ficar amarrado ao corredor, a equipa ficará sempre descompensada, sobretudo em momentos de transição defensiva, nos quais o corredor esquerdo ficaria sempre abandonado (e sem Coentrão, que ainda assim dava bastantes mais garantias que Eliseu). A resposta, portanto, passa pelo 4x4x2, com um avançado a libertar Ronaldo, a ganhar-lhe aqueles metros de que ele necessita até se cruzar com a linha defensiva do adversário. E é aqui que as minhas ideias se separam das de Fernando Santos. O selecionador apostou em Nani para fazer esse papel, eu acho que Nani faz mais sentido na esquerda do meio-campo. Nani pode ser um dos dois pontas-de-lança no 4x4x2 – fez esse papel nos particulares com a Bulgária e a Bélgica – mas parece-me que para aquela posição a equipa precisa de um jogador diferente. Precisa de um jogador que faça tudo aquilo que Ronaldo não faz. O quê? Que pressione no momento defensivo, que seja o primeiro a lutar corpo-a-corpo com os centrais adversários pelas bolas divididas, que os prenda, para dar espaço a Ronaldo. Pelo que fez nos últimos meses de época, André Silva mostra que pode ser esse jogador. Porque é possante, trabalhador e inteligente a ler o jogo, sabendo quando deve baixar em apoio ou procurar movimentos de rotura. E ainda porque, em início de carreira, fará tudo para entrar nesta lista. Só fez um golo? E depois? Nem que não tivesse feito nenhum. Se marcar golos, excelente; mas o que esta seleção precisa do seu ponta-de-lança não é que ele seja um goleador frequente. Para isso está lá Ronaldo. Esclarecida a dúvida acerca do ponta-de-lança, não é difícil escolher os outros atacantes: Ronaldo, Quaresma, Bernardo Silva, Rafa e Nani. A lesão de Danny veio simplificar as coisas. Como simples será a escolha dos três guarda-redes – Rui Patrício, Anthony Lopes e Eduardo. Ou dos laterais, que com a lesão de Coentrão ficará resumida a Vieirinha, Cédric, Eliseu e Raphael Guerreiro. De certeza também levaria os centrais Pepe, Ricardo Carvalho e José Fonte, os médios-defensivos William Carvalho e Danilo, os médios-centro João Moutinho e Adrien Silva, e ainda João Mário e André Gomes, que servem múltiplos propósitos: podem jogar na meia-direita ou na meia-esquerda num esquema de quatro médios que privilegie um ala mais ofensivo (Nani) e um que seja mais médio (João Mário) ou até passar para o meio se de repente a equipa quiser entrar em 4x3x3. Aliás, até os defesas-laterais chamados nesta lista podem, em caso de necessidade, jogar a meio-campo numa linha de quatro. Aqui chegados, temos 22 jogadores na lista. A opção para o 23º é entre um quarto defesa-central, que seria Bruno Alves, ou mais um médio, a forma de integrar o joker Renato Sanches. Sei que a veterania dos três centrais portugueses poderia obrigar a que esse quarto homem fosse chamado e que Bruno Alves, além do mais, faz bom balneário e poderia até ser solução de recurso para jogar na área adversária, mas Renato Sanches traz outras valências. Mesmo sem ter lugar no onze – especialmente num meio-campo a quatro, onde as suas deficiências de posicionamento, contra equipas mais fortes do que as que andam pela Liga portuguesa, se notariam melhor – poderia sempre ser uma adição interessante em jogos nos quais fosse necessário aumentar o ritmo e o risco ofensivo. Não acho, nem pouco mais ou menos, que Renato seja um jogador feito, mas gostaria de tê-lo neste Campeonato da Europa. Mesmo que isso implicasse que, numa situação de emergência, Danilo tivesse de ser utilizado como defesa-central, posição na qual não me convence tanto como a âncora do meio-campo. Assim sendo, a minha lista seria esta: Guarda-redes – Rui Patrício, Anthony Lopes e Eduardo; Defesas – Vieirinha, Cédric, Pepe, Ricardo Carvalho, José Fonte, Eliseu e Guerreiro; Médios – William Carvalho, Danilo, João Mário, Adrien Silva, João Moutinho, André Gomes e Renato Sanches; Avançados – Ronaldo, Nani, Quaresma, Bernardo Silva, Rafa e André Silva. E o onze: Rui Patrício; Vieirinha, Pepe, Ricardo Carvalho e Eliseu; William; João Mário, João Moutinho e Nani; Ronaldo e André Silva.
2016-05-17
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Fernando Santos disse após o jogo com a Bélgica que se tivesse que fazer agora a lista final de 23 convocados para o Europeu ainda tinha de pensar algum tempo, mas a verdade é que se os dois jogos da semana passada lhe terão servido para esclarecer algumas dúvidas, terão servido ainda mais para deixar pistas aos observadores externos acerca do que lhe vai na cabeça. E a julgar pelo que as suas opções nestas duas partidas deixaram transparecer, as dúvidas do selecionador nacional já não são muitas. A não ser que apareçam surpresas indesejáveis, como lesões, restarão no máximo duas ou três vagas no avião que levará a seleção para França. Uma no meio-campo, outra no ataque e uma nas laterais da defesa. No ataque, tendo em conta a aposta recente de Santos em dois avançados móveis – Nani e Ronaldo foram titulares nas duas partidas – a dúvida tem a ver com uma opção nuclear: haverá na lista lugar para um ponta-de-lança mais fixo, daqueles tradicionais, que permita mudar de modelo e até de sistema, para um 4x3x3 mais clássico? Tudo indica que sim, o que implica que Éder esteja bem posicionado para se juntar aos homens seguros na lista, que são Ronaldo, Nani e Quaresma. A questão é que se vai Éder, isso implica que entre Danny, Rafa e Bernardo Silva terá de haver um sacrificado. Ou então Santos resolve a questão levando os três e deixando Éder de férias. A meio-campo, os dois jogos também serviram para confirmar nomes. Adrien e João Mário, duas vezes titulares, estão seguros, numa lista onde Moutinho era o único médio a 100 por cento seguro de fazer a viagem. A forma como o selecionador acumulou Danilo e William Carvalho numa altura em que quis fechar o jogo contra a Bélgica – e a forma como conseguiu fazê-lo – significa que os dois não só são compatíveis como que passa pela cabeça de Fernando Santos repetir o estratagema em futuras situações. O que significa que ficam ocupados cinco dos seis lugares a meio-campo. Para a vaga que resta, aberta pela lesão de longa duração de Tiago, há imensos candidatos. A começar pelo próprio Tiago, caso recupere e nas últimas semanas da época ainda mostre argumentos que justifiquem a chamada para lá da gratidão pelo papel desempenhado na qualificação. André Gomes, que equilibrou bem a equipa frente à Bélgica, também é hipótese, como o são Renato Sanches, André André e até Veloso ou Ruben Neves. A verdade, porém, é que só há lugar para um. Ou dois, no limite, caso em vez de substituir Éder por um dos atacantes mais móveis, Santos opte por levar mais um médio. Importante nessa matéria é também a evolução de Fábio Coentrão, que tem passado mais tempo lesionado do que a jogar. Porque, em boas condições, Coentrão pode ser lateral esquerdo ou o sétimo médio, o ala que Santos pode usar para equilibrar a equipa. Raphael Guerreiro também pode sê-lo, mas a sua entrada na lista depende de Coentrão. Porque com os quatro centrais mais ou menos definidos – Pepe, Ricardo Carvalho, José Fonte e Bruno Alves estão muito à frente da concorrência e a sua veterania e propensão para as lesões impedirá Santos de levar só três para ganhar um lugar na lista – a defesa só tem ligeiramente abertas duas vagas. Vieirinha e Eliseu estão seguros no avião, Cédric em princípio também – só uma super-ponta final de época poderia agora valer a Nelson Semedo – e se Coentrão estiver ao seu nível, Guerreiro terá de esperar por outra oportunidade. Como terão de esperar todos os que almejam entrar na lista de guarda-redes, onde Patricio, Anthony Lopes e Eduardo já devem ter cadeiras reservadas.   Guarda-redes (3) Rui Patrício – 100% Anthony Lopes – 95% Eduardo – 80% Beto – 23% Ventura – 1% Marafona – 1%   Lateral direito (2) Vieirinha – 100% Cédric – 80% Nelson Semedo – 18% Bosingwa – 1% Ivo Pinto – 1%   Lateral esquerdo (2) Eliseu – 100% Coentrão – 70% Raphael Guerreiro – 20% Antunes – 8% Tiago Gomes – 1% Tiago Pinto – 1%   Defesa central (4) Ricardo Carvalho – 100% Pepe – 100% Bruno Alves – 90% José Fonte – 90% Neto – 15% Paulo Oliveira – 2% Carriço – 2% André Pinto – 1%   Médios (6) João Moutinho – 100% William Carvalho – 100% Danilo – 100% João Mário – 100% Adrien Silva -100% André Gomes – 40% Tiago – 20% Renato Sanches – 15% André André – 10% Veloso – 6% Ruben Neves – 5% André Almeida – 2% Pizzi – 2%   Avançados (6) Ronaldo – 100% Nani – 100% Quaresma – 100% Bernardo Silva – 80% Danny – 80% Rafa – 80% Éder – 50% Varela – 1% Gonçalo Guedes – 1% Cavaleiro – 1% Rui Fonte – 1% Nelson Oliveira – 1% Lucas João – 1% Ricardo – 1% Hugo Almeida – 1% Ukra – 1% Postiga – 1%
2016-03-30
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A já proverbial sorte de Fernando Santos voltou a atacar no sorteio da fase final do Europeu de 2016, no qual a Portugal calhou o grupo mais acessível com que seria possível sonhar. É verdade que nas fases finais os portugueses até costumam dar-se melhor com os chamados “grupos da morte” do que com adversários fáceis, mas ter Islândia, Hungria e Áustria no caminho para os oitavos-de-final e ainda por cima com a noção de que até o terceiro classificado pode apurar-se não era admissível nem de encomenda. O pior mesmo pode vir depois, porque o vencedor do Grupo F apanhará logo com o segundo classificado do Grupo E, onde estão Bélgica e Itália. A Áustria não é uma equipa fácil, é verdade. Não perdeu nenhum jogo na fase de qualificação, tendo ganho o Grupo G com nove vitórias e um empate apenas. Não perde um jogo competitivo desde Outubro de 2013, quando foi batida pela Suécia por 3-1, na qualificação para o Mundial do Brasil. Tem uma série de jogadores batidos na Bundesliga, construiu uma seleção competitiva em cima da geração semi-finalista do Mundial de sub20 em 2007, mas só esteve numa fase final neste século: a do Europeu de 2008, e na qualidade de país organizador. Compará-la com outras seleções que estavam no Pote 2, como a Itália ou até a Rússia, a Ucrânia ou a Croácia, permite perceber como Portugal teve sorte. Também a Hungria regressa a uma fase final depois de décadas de ausência. Apurou-se ganhando os dois jogos do play-off à Noruega, mas era claramente a equipa mais fraca do Pote 3, muitos furoa abaixo da Rep. Checa, da Suécia ou da Polónia, por exemplo. Quanto à Islândia, um dos estreantes em fases finais, é verdade que ganhou à Holanda na qualificação, onde também ficou à frente da Turquia, e que está a crescer a olhos vistos no futebol europeu, muito graças ao investimento da federação em infra-estruturas que permitem às crianças jogar futebol durante todo o ano, mas além de já ter ficado esfusiante por entrar na fase final (perdeu os três jogos feitos desde que se qualificou), continua a ser uma seleção de terceira linha do futebol continental. Conhece Finnbogasson, suplente do Olympiakos? E Sigurdsson, do Swansea? Ou Sigborsson, do Nantes, e Bjarnason, do Basel? E Priskin, avançado do Slovan Bratislava? Ou Nikolic, do Legia Varsóvia? Ou Lovrencsics, do Lech Poznan, e Nemeth, do Kansas City? Aproveite o Europeu, porque o mais provável é que, a não ser que a seleção nacional borre seriamente a pintura, não volte a ouvir falar muito deles.
2015-12-12
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Os dois jogos particulares deste Novembro permitiram a Fernando Santos testar mais algumas alternativas na caminhada para a lista final dos 23 convocados para a fase final do Europeu. É certo que não terá tirado conclusões definitivas, mas o próprio selecionador afirmou após a vitória no Luxemburgo que em Março, quando fizer a próxima convocatória, ela já vai estar mais perto da definitiva. Ainda assim, não houve grandes variações na tabela que estabeleço, com as probabilidades de cada jogador vir a marcar presença na fase final, com presença de todos os elementos já convocados por Santos desde que chegou à seleção. André André terá sido quem mais pontos marcou numa lista na qual entraram Ruben Neves, Nelson Oliveira e Gonçalo Guedes, as duas novidades nas convocatórias de Santos (Lucas João e Ricardo Pereira já tinham sido convocados). Eduardo (mesmo não jogando…), Cédric, Luís Neto e Rafa também terão aproveitado para ganhar ascendente, às custas de Beto, Bosingwa, Carriço e Éder. E as coisas também não estão fáceis para André Almeida, Veloso ou Pizzi, todos eles em perda face à última tabela. Eis o ponto da situação feito a sete meses da fase final, apenas com elementos pelo menos uma vez chamados por Fernando Santos – e onde figuram todos esses elementos, mesmo aqueles que dificilmente terão acesso à lista final e que por isso mesmo surgem com apenas 5% de hipóteses. Guarda-redes (3) Rui Patrício – 100% Anthony Lopes – 80% Eduardo – 75% Beto – 35% Ventura – 5% Marafona – 5%   Lateral direito (2) Vieirinha – 90% Cédric – 70% Nelson Semedo – 30% Bosingwa – 5% Ivo Pinto – 5%   Lateral esquerdo (2) Coentrão – 100% Eliseu – 60% Raphael Guerreiro – 20% Antunes – 10% Tiago Gomes – 5% Tiago Pinto – 5%   Defesa central (4) Ricardo Carvalho – 100% Pepe – 100% Bruno Alves – 90% José Fonte – 65% Paulo Oliveira – 15% Neto – 15% Carriço – 10% André Pinto – 5%   Médios (6) João Moutinho – 100% Tiago – 100% William Carvalho – 90% Danilo – 80% André André – 70% João Mário – 60% Veloso – 25% André Gomes – 20% Adrien Silva - 20% Ruben Neves – 20% André Almeida – 10% Pizzi – 5%   Avançados (6) Ronaldo – 100% Nani – 100% Quaresma – 80% Bernardo Silva – 70% Danny – 70% Rafa – 35% Éder – 30% Gonçalo Guedes – 20% Varela – 15% Cavaleiro – 15% Rui Fonte – 15% Nelson Oliveira – 15% Lucas João – 10% Ricardo – 10% Hugo Almeida – 5% Ukra – 5% Postiga – 5%
2015-11-18
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Último Passe

A UEFA fez a única coisa que podia fazer ao manter o Europeu de 2016 em França. E era a única coisa que podia fazer por várias razões. Porque não pode ceder ao medo instigado pelos terroristas – isso, sim, significaria a derrota total. Porque mesmo que quisesse ceder não poderia encontrar um ambiente seguro capaz de substituir os estádios e as cidades que até já estão a preparar-se para receber equipas e adeptos. E porque se há coisa em que o futebol está muito à frente de tudo nesta sociedade é na segurança. Os atentados de sexta-feira mostraram a quem quis ver que se houve local onde os terroristas não entraram foi no Stade de France, onde jogavam as seleções de França e Alemanha. É claro que, mesmo deixando toda a gente mais tranquila no que diz respeito ao sorteio de dia 12, em Paris, ou aos estádios do Europeu, no final da época, essa sensação de segurança deixa ainda tudo muito em suspenso acerca das concentrações de adeptos nas ruas ou nos cafés, muito mais difíceis – ou até impossíveis – de controlar. Mas, ainda que um hooligan não represente o mesmo nível de ameaça de um terrorista do Estado Islâmico, os mais de 30 anos de experiência no combate aos arruaceiros que se alimentam das concentrações do futebol serviu às polícias europeias para construir redes eficazes de deteção e desenvolver estratégias de combate no terreno. Ninguém pode garantir que o próximo Europeu de futebol seja livre de incidentes. Mas o que já começou a passar-se hoje em Paris, com relatos de aumento exponencial do controlo à entrada de todos os espaços públicos, provocando mesmo a revolta de alguns cidadãos menos dados, menos suscetíveis de se submeterem ao controlo policial, é um sinal do que aí vem. Exagerando um pouco, é quase caso para se dizer que poderemos começar a reler Orwell e encarar o 1984 como um manual de boas práticas. O futebol, nesse aspeto, já está na vanguarda há muito.
2015-11-16
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Stats

Mesmo estado ausente, dispensado por Fernando Santos, Cristiano Ronaldo é incontornável na visita da seleção nacional à Sérvia. É dele que se fala, é dele que os sérvios querem saber. Afinal, o que vale Portugal sem Ronaldo? A verdade é que, em termos numéricos, vale menos, mas não vale assim tanto a menos. O exercício é simples de fazer: anda-se para trás e vão buscar-se os últimos 20 jogos que Portugal fez sem Ronaldo. É preciso recuar Setembro de 2008. Desses 20 jogos, a equipa ganhou apenas dez (50%), empatando cinco (25%) e perdendo outros cinco (25%). Como todas as estatísticas, esta só é válida se houver um termo de comparação. Há então que ver que resultados fez Portugal nesse mesmo período com o CR7 em campo. Ora desde a vitória em Malta por 4-0, na qualificação para o Mundial de 2010, na qual Ronaldo esteve ausente, a equipa portuguesa jogou 65 partidas com ele em campo, ganhando 38 (58%), empatando 16 (25%) e perdendo onze (17%). O que diz a frieza dos números é que, sem Ronaldo, Portugal tem menos oito por cento de hipóteses de ganhar à Sérvia em Belgrado. Os números não explicam tudo, porém. Há depois uma série de fatores subjetivos a ter em conta, tais como o grau de dificuldade dos jogos. E a verdade é que muitas vezes Ronaldo tem estado fora de jogos menos exigentes: metade destas 20 ausências foram em particulares, percentagem que sobe para 70 por cento se olharmos apenas para as últimas dez ausências do CR7. É verdade que na última falta de Ronaldo Portugal até ganhou à Itália (resolveu um golo de Éder), num particular em campo neutro, mas antes disso o panorama não era muito animador: derrota com Cabo Verde (0-2) e com a Albânia (0-1), vitória no último suspiro frente ao México (1-0) e empate com a Grécia (0-0) na antecâmara do Mundial 2014. Dois golos marcados nos últimos cinco jogos sem Ronaldo, portanto. Antes disso, ainda assim, a equipa reagia melhor ofensivamente à falta de Ronaldo. Nos três jogos de 2013 em que ele faltou, houve duas vitórias (3-0 ao Luxemburgo e 2-0 ao Azerbaijão) e uma derrota compreensível (1-3 no Brasil). Em 2012, na sua única ausência – a excursão ao Gabão – não foi o ataque que falhou, num jogo que acabou empatado a duas bolas. E em 2011, o CR7 só faltou a dois particulares, em Março, que redundaram numa vitória (2-0) sobre a Finlândia e num empate (1-1) face ao Chile. Antes disso, é que veio o pior e o melhor da história recente sem Ronaldo. Em 2010, no rescaldo do desentendimento com Carlos Queiroz, que aqueceu a fase final do Mundial, Ronaldo esteve ausente no empate (4-4) com Chipre e na derrota com a Noruega em Oslo (0-1), que redundaram na troca de selecionador. Em 2009, porém, tinha sido sem ele que a equipa se reencontrou e garantiu a qualificação para a África do Sul: Ronaldo não esteve nas duas vitórias do play-off com a Bósnia (ambas por 1-0) nem no último jogo do grupo de apuramento (4-0 a Malta) como já não tinha estado nos particulares com o Liechtenstein (3-0) e a Estónia (0-0). Completam o lote das derradeiras 20 ausências de Ronaldo a derrota caseira com a Dinamarca (2-3) e a tal vitória (4-0) em Malta, a 6 de Setembro de 2008.   - Portugal procura a sétima vitória seguida em jogo de competição, algo que nunca obteve em toda a sua história. A atual série, de seis vitórias consecutivas (contra Dinamarca, Arménia, Sérvia, outra vez Arménia, Albânia e mais uma vez Dinamarca), todas pela margem mínima, só encontra paralelo na estabelecida pela equipa que chegou às meias-finais do Mundial de 2006. Na altura, dirigido por Luiz Felipe Scolari, Portugal ganhou os dois últimos jogos de qualificação (Liechtenstein e Letónia) e os quatro primeiros na fase final (Angola, Irão, México e Holanda). Empatou à sétima partida, com a Inglaterra, mas apurou-se na mesma, ganhando nas grandes penalidades.   - A Sérvia também ganhou os dois últimos jogos de competição: 2-0 em Novi Sad à Arménia e 2-0 à Albânia em Tirana. Ainda assim, não ganha um jogo em Belgrado desde Setembro de 2011 (dois empates e três derrotas desde uns 3-1 às Ilhas Faroé) e vem com uma série repetitiva de alternância entre vitórias e derrotas nos últimos oito jogos: perdeu com a Dinamarca, ganhou à Grécia; perdeu com Portugal, ganhou ao Azerbaijão; perdeu outra vez com a Dinamarca, ganhou à Arménia; perdeu com a França, ganhou à Albânia. É a vez de perder de novo.   - Num jogo sem nada por decidir, Fernando Santos pode adicionar mais algumas estreias ao lote de jogadores aos quais deu a primeira internacionalização. O guarda-redes Ventura (Belenenses), o lateral Nelson Semedo (Benfica), o ala Ricardo (Nice) e o avançado Rui Fonte (Sp. Braga) esperarão ser o 15º estreante da era Fernando Santos, depois de Cédric, João Mário, Raphael Guerreiro, Tiago Gomes, José Fonte, Adrien Silva, Anthony Lopes, André Pinto, Paulo Oliveira, Bernardo Silva, Danilo, André André, Ukra e Carriço.   - Portugal nunca perdeu com a Sérvia, mas também só ganhou uma vez, precisamente nesta fase de qualificação (2-1, na Luz). Os dois jogos de apuramento para o Euro’2008 acabaram empatados a um golo: Tiago e Jankovic marcaram em Belgrado; Simão e Ivanovic fizeram-no em Portugal. Em Março, na Luz, Ricardo Carvalho e Coentrão marcaram por Portugal e Matic fê-lo pelos sérvios. Mais equilibrado foi o confronto entre portugueses e jugoslavos: três vitórias para Portugal; duas para a Jugoslávia. Os jugoslavos levaram a melhor no apuramento para o Europeu de 1960 (5-1 em cada depois de perderem 2-1 fora) e verificou-se uma vitória para cada lado em particulares, a portuguesa em 1932, a jugoslava em 1984. O desempate fez-se a favor de Portugal nos Jogos Olímpicos de 1928.   - Adem Ljajic marcou nas três vitórias da Sérvia em 2015, fazendo sempre o segundo golo da sua equipa nos 4-1 ao Azerbaijão, nos 2-0 à Arménia e nos 2-0 à Albânia.   - Fejsa, Eliseu e Nelson Semedo jogam todos no Benfica, mas não são casos únicos de colegas de clube que poderão estar em lados opostos da barricada neste jogo. Tosic e Quaresma são colegas no Besiktas; Cédric, José Fonte e Tadic alinham no Southampton. E se olharmos para o passado haveria ainda mais casos.
2015-10-10
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Com a qualificação para a fase final do Europeu assegurada na penúltima jornada, Fernando Santos começa já no domingo, em Belgrado, a preparação para a prova francesa. Aliás, só assim se entendem as dispensas de Ricardo Carvalho, Tiago e Ronaldo e as chamadas ao grupo de dois potenciais estreantes, como são Ricardo Pereira e Rui Fonte. A altura é, já, de olhar para quem poderá fazer a viagem e, embora os oito meses de competição que vão seguir-se nos clubes tenham uma palavra muito forte a dizer, é evidente que há gente com mais de meio bilhete tirado numa equipa onde, apesar de não parecer, a renovação até tem vindo a ser feita de forma gradual. Manda a história recente, porém, que ela seja acelerada. E isso dificilmente se fará antes da aventura nos relvados franceses. Olhemos para as lições que nos ensina o passado recente. Desde 2000, desde o Europeu em que Portugal inaugurou uma série de oito presenças consecutivas em fases finais, há duas regras às quais só a equipa escolhida por António Oliveira, em 2002, escapou. E com tristes resultados, diga-se, pois caiu na primeira fase. A primeira é que, havendo mudança de selecionador, mudam pelo menos 12 convocados de uma fase final para a seguinte. A segunda a de que a uma fase final com convocatória mais conservadora (com menos alterações, como foi a de 2014, em que só foram alterados sete nomes) segue-se sempre outra em que muda pelo menos meio plantel. Portugal encarou três dessas oito fases finais (2006, 2008 e 2014) com o mesmo responsável da anterior e em dois desses casos viu-se alguma continuidade: Luiz Felipe Scolari mudou apenas seis nomes de 2004 para 2006 e até foi às meias-finais e Paulo Bento alterou sete de 2012 para 2014, onde foi eliminado na fase inaugural. Zero conclusões, portanto. Mas o próprio Scolari, que se manteve de 2006 para 2008, já sentiu a necessidade de mudar doze nomes na sua terceira fase final. E, com a tal exceção de 2002, sempre que houve mudança de selecionador, como sucederá agora, com a troca de Paulo Bento por Fernando Santos, nunca a equipa teve menos do que essas doze alterações. Foram as feitas por Scolari de 2002 para 2004 e depois por Paulo Bento de 2010 para 2012. E teriam também sido as operadas por Carlos Queiroz de 2008 para 2010 não tivesse a lesão de Nani forçado a sua troca por Ruben Amorim, elevando assim o total de alterações do professor para 13. Em 2002, Oliveira mudou apenas oito nomes relativamente aos que tinham estado no Euro’2000 e Portugal baqueou na primeira fase. Aliás, se repararmos, as três convocatórias com menos alterações (2002, 2006 e 2014) seguiram-se às três competições nas quais Portugal atingiu as meias-finais. Algo que não acontece desta vez. Como de 2014 para 2016 houve mudança de selecionador e ainda por cima a convocatória de 2014 foi conservadora e nesse ano a prestação nacional foi fraca, mandam a lógica e a tradição que se façam pelo menos umas doze mudanças no lote de convocados que esteve no último Mundial. A questão é que o grupo que Fernando Santos tem vindo a utilizar não as prenuncia. Nos seis jogos de qualificação que o engenheiro dirigiu, ganhando-os todos, foram utilizados 25 jogadores: o guarda-redes Rui Patrício; os laterais Vieirinha, Cédric e Bosingwa à direita e Fábio Coentrão, Eliseu e Raphael Guerreiro à esquerda; os centrais Ricardo Carvalho, Pepe, Bruno Alves e José Fonte; os médios João Moutinho, Tiago, Danilo, William Carvalho, João Mário, Adrien Silva e Veloso; e os avançados Ronaldo, Nani, Danny, Quaresma, Éder, Bernardo Silva e Postiga. É verdade que 13 destes 25 não estiveram na fase final do Mundial do Brasil, mas nem é verosímil que o grupo ande só em torno deles (há só um guarda-redes e depois há três laterais de cada lado) nem algumas das alterações feitas equivaleriam a um rejuvenescimento, pois passaram pelo regresso de alguns veteranos anteriormente proscritos por Paulo Bento, como Ricardo Carvalho, Tiago ou Bosingwa. Ainda assim, o melhor é ver-se a coisa caso a caso. Na baliza, Rui Patrício é aposta segura, pois foi titular em todos os jogos “a doer” com Santos (6 vezes titular/0 vezes suplente utilizado), devendo os dois lugares restantes sobrar para Anthony Lopes (0/0) e quem estiver melhor entre Beto (0/0) e Eduardo (0/0). Ventura (0/0) e Marafona (0/0), que também passaram pelo banco no período de Fernando Santos, deverão ter de esperar pela sua vez. Assumindo que o engenheiro levará quatro laterais à fase final, pois nenhum deles está à vontade para jogar nos dois corredores, libertando assim uma vaga, haveria que riscar dois do lote de utilizados na qualificação. Assim sendo, as coisas ficam difíceis para Bosingwa (2/0) e Raphael Guerreiro (1/0), podendo a escolha cair em Vieirinha (2/0) e Cédric (2/1) para a direita e em Coentrão (3/0) e Eliseu (4/0) na esquerda. Ivo Pinto (0/0), Tiago Pinto (0/0) e Tiago Gomes (0/0), que também chegaram a ser chamados, devem ser cartas fora do baralho, mas o mesmo já não poderá dizer-se de Nelson Semedo (0/0) e Antunes (0/0), aos quais uma boa época pode assegurar uma vaga. Outra tentação habitual para os selecionadores que sabem que só podem levar 23 jogadores a uma fase final é a de cortar um central, levando apenas três e aproveitando a possibilidade de fazerem baixar um dos médios defensivos em caso de improvável necessidade. Fernando Santos, porém, pode ver-se impedido de o fazer, dada a veterania dos seus centrais. Poderia ser um risco encarar uma fase final só com Ricardo Carvalho (6/0), Pepe (3/0) e Bruno Alves (3/0), além de que José Fonte, suplente utilizado em três partidas (0/3) fez o suficiente nesta fase de qualificação para justificar a chamada. Carriço (0/0), Paulo Oliveira (0/0), Luís Neto (0/0) e André Pinto (0/0) foram os outros defesas-centrais chamados por Fernando Santos, o que lhes deixa uma réstia de esperança de virem a estar em França. Com onze vagas ocupadas (três guarda-redes, quatro laterais e quatro centrais), sobram apenas doze para o meio-campo e o ataque. Quando assim é, o normal é que elas sejam dividias ao meio. Ora nos médios não se adivinha que Santos venha a prescindir de Moutinho (5/0) e Tiago (5/0), sempre titulares a não ser na Albânia, quando de tal se viram impedidos, o primeiro por lesão e o segundo por suspensão. Para as quatro vagas restantes partem na “pole position” William Carvalho (1/3) e Danilo (2/0), os dois elementos mais defensivos. Muito em aberto estão as duas vagas restantes (que até pode ser só uma, se Santos entender que pode utilizar Coentrão a meio-campo). Entre os que jogaram a qualificação há Veloso (1/0 e um golo importante, a dar a vitória na Albânia), João Mário (0/1) e Adrien (0/1), mas a época está a correr particularmente bem a André André (0/0), não se podendo ainda desprezar as hipóteses André Gomes (0/0), André Almeida (0/0) ou Pizzi (0/0), todos eles episodicamente chamados durante o período de Fernando Santos. Assumindo que sobram seis vagas para o ataque, parece evidente que cinco jogadores têm bilhete reservado. São eles Ronaldo (6/0), Nani (6/0), Danny (5/1), Quaresma (0/5) e até Bernardo Silva (2/0). Sobra um lugar, que em condições ideais seria para o tal ponta-de-lança que fosse capaz de fazer tudo aquilo que Ronaldo não faz (fixar os centrais, arranjar espaço para o CR7, pressionar a saída de bola do adversário…). Não se encontrando esse jogador, sobram o também utilizado Éder (0/3). Mais difícil está a hipotética convocatória de Postiga (1/0) ou até Hugo Almeida (0/0), mas uma vez que esta vaga dependerá muito daquilo que os jogadores farão durante esta época, há que tomar atenção a todos os outros que o engenheiro chegou a chamar: Varela (0/0), Cavaleiro (0/0), Ukra (0/0), Rafa (0/0), Lucas João (0/0), Rui Fonte (0/0) ou Ricardo Pereira (0/0). E quem sabe se não é aqui que aparece a tradicional surpresa de última hora, proporcionada pela fase final da época desportiva. Em 2014 foi Rafa. Desta vez pode ser qualquer um, com Rúben Neves a assumir a dianteira entre os candidatos.  PONTO DA SITAÇÃO FACE À CONVOCATÓRIA (só elementos chamados por Fernando Santos)   Guarda-redes (3) Rui Patrício – 100% Anthony Lopes – 50% Beto – 20% Eduardo – 20% Ventura – 5% Marafona – 5%   Lateral direito (2) Vieirinha – 90% Cédric – 60% Nelson Semedo – 30% Bosingwa – 15% Ivo Pinto – 5%   Lateral esquerdo (2) Coentrão – 100% Eliseu – 60% Raphael Guerreiro – 20% Antunes – 10% Tiago Gomes – 5% Tiago Pinto – 5%   Defesa central (4) Ricardo Carvalho – 100% Pepe – 100% Bruno Alves – 90% José Fonte – 65% Paulo Oliveira – 15% Carriço – 15% Neto – 10% André Pinto – 5%   Médios (6) João Moutinho – 100% Tiago – 100% William Carvalho – 90% Danilo – 80% João Mário – 60% André André – 60% Veloso – 50% Adrien Silva - 25% André Almeida – 15% André Gomes – 15% Pizzi – 5%   Avançados (6) Ronaldo – 100% Nani – 100% Danny – 80% Quaresma – 80% Bernardo Silva – 70% Éder – 50% Rafa – 25% Varela – 20% Cavaleiro – 15% Rui Fonte – 15% Ricardo – 15% Lucas João – 10% Hugo Almeida – 10% Ukra – 5% Postiga – 5%
2015-10-09
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Só um cataclismo matemático poderá afastar Portugal da fase final do Europeu. Primeiro, porque é muito difícil os portugueses não ficarem nos dois primeiros lugares do seu grupo. Depois, porque mesmo que isso viesse a suceder, Portugal teria boas perspetivas de ser o melhor terceiro classificado e, assim, evitar o play-off. Percorramos as contas, grupo a grupo, com um sublinhado final para as seleções que ainda podem ser terceiras. E só uma conjugação improvável de resultados impediria Portugal de ser, ainda assim, o melhor terceiro.   GRUPO I A vitória na Albânia, somada ao empate da Dinamarca em Yerevan com a Arménia, significa que Portugal está a um simples ponto de garantir um dos dois primeiros lugares do seu grupo. Mas esse ponto até pode não ser preciso, desde que a Albânia não ganhe as duas partidas que lhe faltam. Portugueses, albaneses e dinamarqueses já tinham garantido as três primeiras posições. Agora, para ter a certeza de que é um dos dois primeiros sem ter de complicar as contas, a Portugal fica a faltar apenas um ponto, que tanto pode chegar na receção à Dinamarca (que depois desse jogo folga na última jornada) como na visita à Sérvia. Mesmo que perca os dois jogos, porém, Portugal só seria terceiro se, ao mesmo tempo, a Albânia ganhasse as duas partidas (a receção à Sérvia e a visita à Arménia). Na eventualidade de Portugal perder os dois jogos e ficar com os mesmos 15 pontos que tem agora, perderia necessariamente o confronto direto com a Dinamarca, que acabaria com os mesmos 15, mas seria primeiro do grupo se este desempate se fizesse a três, isto é, se a Albânia fizesse mais quatro pontos a somar aos 11 que tem agora. A três, o desempate por mini-campeonato ditaria seis pontos para Portugal e cinco para cada uma das duas outras equipas, que empataram as duas partidas entre si. Portanto, mesmo perdendo com a Dinamarca em casa, Portugal só não festeja desde logo se a Albânia ganhar à Sérvia. Diferente é a luta pela outra vaga. A Dinamarca tem mais um ponto e vantagem no confronto direto com a Albânia. Se ganhar em Portugal, qualifica-se desde que a Albânia não ganhe os seus dois jogos; se empatar em Portugal, precisa que os albaneses não ganhem nenhum dos dois; se perder em Portugal, só se apura se a Albânia não for além de um empate nas duas últimas partidas. Apuramento: Portugal – 99% Albânia – 61% Dinamarca – 40%   GRUPO A O Grupo A tem os apuramentos diretos resolvidos e as duas jornadas que sobram servirão apenas para definir quem fica em terceiro lugar. A Islândia e a Rep. Checa asseguraram as vagas na fase final, enquanto que Turquia e Holanda lutarão pela terceira posição. Os turcos têm dois pontos de vantagem e levaram a melhor no confronto direto, pelo que lhes basta ganhar um jogo e empatar o outro. Enfrentam, porém, um calendário difícil, pois visitam a Rep. Checa e recebem a Islândia. Se a Turquia fizer só dois ou três pontos, a Holanda será terceira desde que ganhe os seus dois jogos: fora com o Cazaquistão e em casa com a Rep. Checa. Se a Turquia fizer só um ponto, a Holanda pode ser terceira se ganhar um jogo e empatar o outro. Apuramento: Islândia – 100% Rep. Checa – 100%   GRUPO B Gales e a Bélgica estão praticamente apurados, pois só se não ganharem o jogo que cada um tem com Andorra (0 pontos e 3-30 em golos até ao momento) falharão a qualificação direta. Gales soma 18 pontos e Israel, que é terceiro, tem 13 e só pode chegar aos 19. Fazendo contas e sabendo que os galeses têm vantagem no confronto direto com os israelitas (e que não é possível haver um empate a três com 19 pontos) vê-se que aos galeses falta apenas um ponto para festejarem. Podem fazê-lo na visita à Bósnia ou na última jornada, em casa com Andorra. A Bélgica, que tem 17, até pode qualificar-se primeiro, se ganhar em Andorra na próxima ronda, passando para a quota 20. Se empatar ou perder, é simples: terá de evitar a derrota no último dia, em casa com Israel. Os israelitas, que na próxima ronda recebem Chipre, precisam de ganhar e de esperar que Gales e Bélgica não ganhem para manterem as opções em aberto para o último dia. Se assim for, resta-lhes vencer em Bruxelas. Muito difícil. A Bósnia, que até pode forçar um empate a três para o segundo lugar, nos 17 pontos (tem 11) perde em todas as fórmulas de desempate, pelo que só lhe resta lutar pela terceira posição com os israelitas: para tal terá de fazer mais três pontos na receção a Gales e na visita a Chipre do que os israelitas farão em casa com Chipre e na visita à Bélgica. Apuramento: Gales – 99% Bélgica – 99% Israel – 2%   GRUPO C A Espanha comanda com 21 pontos e qualifica-se desde que faça mais dois, o que parece evidente que vai acontecer, pois na próxima ronda recebe o Luxemburgo em Logroño. Se ganhar deixa de ficar à mercê da Ucrânia, que soma 16 e por isso mesmo só pode chegar aos 22. A Eslováquia é a favorita para chegar à segunda vaga, pois leva três pontos de avanço da Ucrânia e tem vantagem no confronto direto, seja ele feito a dois (só com ucranianos) ou a três (na eventualidade de os três primeiros acabarem com 22 pontos). Aos eslovacos basta, portanto, ganhar um dos dois últimos jogos: começam por receber a Bielorrússia e de seguida visitam o Luxemburgo. Mesmo que percam os dois, só caem para o terceiro lugar se ao mesmo tempo a Ucrânia fizer pelo menos quatro pontos na visita à Macedónia e na receção à Espanha. Vida difícil, portanto. Apuramento: Espanha – 99% Eslováquia – 98% Ucrânia – 3%     GRUPO D Três equipas lutam por duas vagas. A Alemanha, que soma 19 pontos, garante o apuramento se pelo menos empatar em Dublin na próxima jornada, protegendo-se contra uma eventual boa ponta final da Rep. Irlanda. Se perder, terá segunda oportunidade na receção à Geórgia, no último dia. Aí bastar-lhe-á uma vitória, que se apresenta como altamente provável, dado que o único jogo não perdido pelos georgianos fora de casa foi o que ganharam a Gibraltar, no Algarve. Assunto quase arrumado, portanto. Mais terá ainda de pedalar a Polónia, porque tem um calendário muito mais difícil: vai à Escócia (ainda empenhada na pelo terceiro lugar) e recebe a Rep.Irlanda. Os polacos somam 17 pontos, mais dois que os irlandeses e menos dois que os alemães, mas se perderem em Glasgow e a Irlanda ganhar à Alemanha nesse mesmo dia, entrarão na última jornada com a obrigatoriedade de vencer os irlandeses em Varsóvia. Mais simples fica a vida para eles se os irlandeses não baterem a Alemanha: nesse caso, mesmo perdendo em Glasgow, até podem jogar para o empate no último dia. Para a Irlanda, as contas são muito simples: ou ganham à Alemanha e aproveitam uma eventual escorregadela da Polónia na Escócia para se apurarem empatando ou ganhando em Varsóvia no último dia ou, caso não batam os alemães, mantêm a esperança se a Polónia não ganhar em Glasgow, bastando-lhes para tal vencer os polacos em Varsóvia. A Escócia, que até pode fazer 17 pontos (tantos quantos tem agora o segundo) já não pode qualificar-se a não ser para o play-off, pois para ser segunda precisaria que a Polónia perdesse os dois jogos e que a Irlanda não ganhasse nenhum. Impossível, pois jogam uma com a outra. Para ficarem em terceiro, precisam de ganhar os dois jogos (Polónia em casa e Gibraltar fora) e de esperar que a Irlanda não ganhe nenhum dos seus, ou em alternativa de ganhar um e empatar outro e esperar que os irlandeses percam nas duas últimas rondas. Apuramento: Alemanha -95% Polónia – 65% Rep. Irlanda – 40%   Grupo E Com oito vitórias em oito jogos, a Inglaterra já está apurada. Suíça, Eslovénia e Estónia lutam ainda pela segunda posição, embora esta seja uma luta sem grande história: a Suíça só perde a vaga se fizer menos de quatro pontos nos dois jogos que lhe faltam (San Marino em casa e Estónia fora) e ao mesmo tempo a Eslovénia ganhar as suas duas partidas (Lituânia em casa e San Marino fora). Improvável, mas ainda possível, sobretudo porque os eslovenos têm vantagem no confronto direto (perderam por 3-2 fora e ganharam por 1-0 em casa). A Eslovénia tem, isso sim, o caminho aberto para o terceiro lugar e uma vaga no play-off. Leva dois pontos e sete golos de avanço sobre a Estónia, o que significa que só deixa escapar a vaga se fizer menos de quatro pontos, o que se afigura improvável, pois recebe a Lituânia e visita San Marino, e ao mesmo tempo a seleção báltica ganhar as duas partidas (uma com a Inglaterra em Wembley e a outra com a Suíça em Tallin). Duas vitórias da Lituânia ainda poderiam complicar as contas, mas também elas são altamente improváveis, pois os lituanos vão jogar à Eslovénia e revebem a Inglaterra. Apuramento: Inglaterra – 100% Suíça – 98% Eslovénia – 1,5% Estónia – 0,5%   Grupo F Quatro equipas lutam ainda pela qualificação, no grupo mais aberto após a oitava jornada. Eliminadas, só estão mesmo as Ilhas Faroé e a Grécia. A Irlanda do Norte lidera com 17 pontos, mais um que a Roménia, mais quatro que a Hungria e mais sete que a Finlândia. Como tem vantagem num confronto direto a três, com romenos e húngaros, a Irlanda do Norte precisa de apenas dois pontos nas últimas duas jornadas para se qualificar. Chegam-lhe uma vitória ou dois empates, na receção à Grécia e na visita à Finlândia. Se fizer só um ponto nesses dois jogos, a equipa irlandesa, mesmo assim, só fica de fora se a Roménia ganhar pelo menos um jogo (recebe a Finlândia e visita as Ilhas Faroé) e se ao mesmo tempo a Hungria vencer os dois (recebe as Faroé e vai à Grécia) ou, em alternativa, se vencer um e empatar o outro e anular os quatro golos que tem de desvantagem. Para o segundo lugar, a Roménia leva três pontos de avanço sobre a Hungria mas tem desvantagem no confronto direto (1-1 em casa e 0-0 fora). Quer isso dizer que, para estar à vontade, precisa de fazer quatro pontos nas duas últimas partidas: serve-lhe um empate e uma vitória na receção à Finlândia e na visita às Ilhas Faroé. A Hungria tem a tarefa mais dificultada, pois tem de vencer as suas duas partidas (Faroé em Budapeste e Grécia em Atenas) e esperar que os romenos não ganhem uma das deles. Basta que a Hungria ceda pelo menos um empate para que a Roménia se qualifique com apenas uma vitória. A Finlândia ainda poderá forçar um cenário de desempate a 16 pontos, mas isso só a qualifica se ganhar na Roménia por mais de dois golos, se voltar depois a ganhar em casa à Irlanda do Norte e se ao mesmo tempo os romenos perderem em Torshavn com as Ilhas Faroé e a Hungria não ganhar em casa às mesmas Faroé. Eis um cenário de ficção pura! Os finlandeses terão, ainda assim, dificuldades para roubar o terceiro lugar à Hungria, da qual distam três pontos, com desvantagem no confronto direto. Precisam portanto que a Hungria não ganhe nenhuma das suas ultimas partidas (Faroé em casa e Grécia fora) e de ganhar eles mesmos os jogos que lhes restam (Roménia fora e Irlanda do Norte em casa). No caso altamente improvável de os húngaros perderem os últimos dois jogos, a Finlândia podia dar-se ao luxo de ceder um empate. Apuramento: Irlanda do Norte – 90% Roménia – 75% Hungria – 34,5% Finlândia -0,5%   Grupo G A Áustria já está apurada, restando a Rússia, Suécia e Montenegro lutar pelos segundo e terceiro lugares. Os russos têm 14 pontos, os suecos 12 e os montenegrinos 11. Além disso, a Rússia tem vantagem no confronto direto sobre a Suécia, o que significa que se tirar pelo menos quatro pontos dos últimos dois jogos (Moldova fora e Montenegro em casa) faz a festa. Os suecos têm o calendário mais fácil (visitam o Liechtenstein e recebem a Moldova), mas a desvantagem de depender de escorregadelas alheias: se ganharem os dois jogos, como é previsível, só se apuram se a Rússia perder pelo menos um ou empatar os dois; se cederem nem que seja um empate, já necessitam que os russos não consigam mais do que um empate. Mais complicada é a tarefa do Montenegro. Mesmo que ganhem os seus jogos (Áustria em casa e Rússia fora) e cheguem aos 17 pontos, os montenegrinos ainda precisariam que a Rússia não ganhasse na Moldova e que a Suécia perdesse pontos nas jornadas contra as seleções do fundo da tabela. Um empate num dos jogos (necessariamente na receção à Áustria, porque para manter chances de qualificação Montenegro tem sempre de ganhar na Rússia) já faz depender a festa montenegrina de uma derrota russa na Moldova e de derrotas ou empates suecos contra a Moldova e o Liechtenstein. Apuramento: Áustria – 100% Rússia – 80% Suécia – 19% Montenegro – 1%   Grupo H Itália, Noruega e Croácia lutam pelas duas vagas disponíveis, pelo menos enquanto não se resolver o caso da suástica no relvado dos croatas, que pode levá-los a sanções disciplinares e resolver o assunto. Os italianos têm 18 pontos, os noruegueses 16 e os croatas 15, sabendo-se que – sem intervenção administrativa – dois seguem para o Europeu e um terceiro para os play-off. A Itália nunca pode ser terceira num desempate a três, caso todos acabassem com os mesmos pontos – aí, a não ser que vença em Itália por seis golos, seria a Noruega a sacrificada – pelo que lhe bastará ganhar um dos dois últimos jogos (Azerbaijão fora e Noruega em casa), para chegar aos 21 pontos, ou empatar os dois para, mesmo ficando pelos 20, assegurar que os noruegueses não farão mais de 20, com vantagem italiana no confronto direto. Mesmo um empate no Azerbaijão e derrota pela margem mínima em casa com a Noruega só deixam a Itália de fora se a Noruega ganhar em casa a Malta e a Croácia somar pelo menos quatro pontos na receção à Bulgária e visita a Malta. Verifica-se, portanto, que a Itália tem elevada probabilidade de seguir para a fase final. A luta pela segunda vaga é bem mais a aberta. A Noruega tem um ponto de vantagem, mas desvantagem no confronto direto com a Croácia, pelo que tem de fazer pelo menos os mesmos pontos que os croatas na jornada dupla que aí vem. E no calendário a vantagem já pende para o lado croata, pois os noruegueses visitam a Itália em Roma depois de receberem Malta, enquanto os croatas acabam em Malta e antes disso recebem a Bulgária. Presumindo que ambos ganham a Malta, isso quer dizer que a Noruega tem de fazer em Roma pelo menos o mesmo resultado que a Croácia na receção à Itália. Apuramento: Itália – 95% Croácia – 55% Noruega – 50%     DEFINIÇÃO DO MELHOR TERCEIRO São milhares as hipóteses ainda possíveis, porque variam não só em função dos pontos que os eventuais terceiros classificados podem fazer até final, mas também de quem vai ser o último em cada grupo, pois nos grupos A a H (os de seis equipas), para definição do melhor terceiro contam apenas os resultados feitos contra os cinco primeiros, excluindo-se os jogos contra o sexto colocado. Assim sendo, o que interessa aqui é ver as coisas em função de Portugal, que por fazer parte do grupo de cinco equipas vê contarem todos os pontos que fez. Ora Portugal já tem 15 pontos e só pode ser terceiro se perder os dois jogos que lhe restam e se, ao mesmo tempo, a Albânia ganhar as duas partidas que lhe faltam. Nesse caso, importa ver quem pode ser terceiro dos seus grupos com 15 ou mais pontos. Apenas a Turquia (Grupo A) e a Ucrânia (Grupo C) podem chegar aos 16 pontos, ao passo que Espanha (Grupo C), Roménia (Grupo F) e Croácia (Grupo H) podem terminar com 15. Destes manda o bom-senso que se exclua a hipótese-Espanha, que só será terceira no Grupo C se perder os seus dois jogos (Luxemburgo em casa e Ucrânia fora). Passemos então a hipóteses reais. A maior ameaça vem também do Grupo C, mas da provável terceira classificada, a Ucrânia. Os ucranianos somam 16 pontos e podem ser terceiros com 22, desde que a Espanha e a Eslováquia também ganhem pelo menos um dos que lhes faltam (o que é provável, pois ambos jogam ainda com o Luxemburgo). Se assim for, a Ucrânia verá descontados os seis pontos que fez com qualquer dos candidatos à última posição e surge na definição de melhor terceiro com 16. Simples. O que já não é tão simples é chegar lá, pois para o fazer a Ucrânia precisa de ganhar as suas duas partidas: Macedónia, fora, e Espanha em Kiev. Aí a coisa complica-se. No Grupo A, a Turquia pode chegar a um total de 16 pontos na definição do melhor terceiro. Para tal, no entanto, precisa de ganhar os seus dois jogos (Rep. Checa em Praga e Islândia em Bursa) e, ao mesmo tempo, precisa ainda que o Cazaquistão ultrapasse a Letónia no fundo da tabela, algo que só acontecerá se os cazaques ganharem na Letónia ou à Holanda em casa. Improvável. Mantendo-se o Cazaquistão em último lugar, mesmo que os turcos acabem com 18 pontos, verão descontados seis (em vez dos dois saídos dos dois empates com os letões), para um total de 12. Curto. No Grupo F, a Roménia até pode ser terceira, mas para ficar à frente de Portugal teria de ganhar um jogo e perder outro dos dois que lhe faltam (recebe a Finlândia e visita as Ilhas Faroé), caso em que somaria 19 pontos. E aí tudo dependeria de quem vai ser o último, porque os romenos somam quatro potos com a Grécia (atual último) e três com Faroé (com quem ainda vão jogar). Ora se ganharem às Ilhas Faroé e perderem com a Finlândia, apresentam-se no desempate com 15 pontos (se a Grécia não ultrapassar as Faroé, de quem dista três pontos); se for ao contrário (isto é, se ganharem à Finlândia e perderem com as Faroé); isso significa que a Grécia será sempre última e que a pontuação romena para efeitos de definição do melhor terceiro será também de 15 pontos. Por fim, no Grupo H, a Croácia pode ser terceira ganhando os dois jogos (Bulgária em casa e Malta fora) e passar dos atuais 15 para 21 pontos. Só que nesse caso inviabiliza a ultrapassagem de Malta ao Azerbaijão (com quem os croatas perderam dois pontos). Portanto, o máximo a que pode almejar na definição do melhor terceiro é a um total de 15 pontos, descontando os seis feitos contra Malta.   Grupo   Seleção                               Máximo de Pontos         Mínimo de Pontos A             Turquia                16           6 A             Holanda               10           8 B             Gales    12           12 B             Bélgica  12           12 B             Israel     13           11 B             Bósnia  11           8 C             Espanha              15           15 C             Eslováquia          14           13 C             Ucrânia                16           10 D             Alemanha           14           13 D             Polónia 14           11 D             Rep. Irlanda       13           9 D             Escócia 11           9 E             Suíça     12           9 E             Eslovénia            12           6 E             Estónia 10           7 E             Lituânia                11           9 F             Irlanda do Norte              14           11 F             Roménia             15           10 F             Hungria                13           9 F             Finlândia             12           8 G            Rússia   13           8 G            Suécia   12           9 G            Montenegro     13           7 H             Itália      14           12 H             Noruega              14           12 H             Croácia 15           9 I              Portugal              15           15 I              Dinamarca          15           12 I              Albânia 15           11
2015-09-09
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