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Último Passe

O FC Porto ganhou de forma especial ao Chaves, voltou a colar-se ao Benfica no topo da Liga e, no final do jogo, apareceu o Nuno Espírito Certo. Isto é como quem diz que o treinador encontrou finalmente o tom correto para encarar as questões fundamentais que se aproximam. Nem professoral, a roçar o fanfarrão de canudo debaixo do braço, como tinha sido na noite dos desenhos, após a excelente exibição contra o Arouca; nem deprimido, a inspirar comiseração e solidariedade nos que se reviam nas agruras que a equipa ia vivendo, como na sucessão de jogos sem marcar golos. Ontem, Nuno Espírito Santo foi claro nas coisas boas e nas coisas más. E somou pontos. A verdade é que, de forma até tímida, por vezes, o FC Porto está lá em cima, à frente do Sporting de Jesus, que no início da época era tido como principal obstáculo na corrida do Benfica até à conquista do inédito tetra. Nuno até se deu ao luxo de repetir o onze que tinha defrontado o Marítimo dias antes, mas nem por isso viu a equipa fraquejar física ou mentalmente, como acontecera ao Sporting na véspera. É certo que o adversário não era um Sp. Braga, mas se além da amputação do treinador, não perder também jogadores como Battaglia, este Chaves tem personalidade e futebol para ficar muito bem na Liga. E o FC Porto, dentro das suas limitações, foi capaz de dar a volta ao jogo, ganhando até Depoitre para futuras batalhas, de forma mais inesperada do que tinha ganho Brahimi, por exemplo. Nuno foi capaz de fazer uma boa avaliação da primeira metade da época, que foi exigente para ele e para a equipa, desde a necessidade de passar pela pré-eliminatória da Liga dos Campeões às evidentes limitações de um plantel que não tem soluções de sobra. E foi ao mesmo tempo claro mas não impositivo na declaração acerca da necessidade de ir ao mercado em Janeiro. Os dragões continuam na Champions, têm ali uma almofada financeira que pode ao mesmo tempo permitir-lhes e exigir-lhes encontrar mais algumas soluções, por exemplo, para o centro da defesa, as alas do meio-campo e a frente de ataque. Estará Boli à altura? Quem está lá além de Brahimi e Corona, agora que a equipa encontrou o equilíbrio com extremos? E será Depoitre mesmo o avançado de área que o FC Porto precisa para abrir jogos mais fechados? As respostas chegarão depois do Ano Novo.
2016-12-20
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Último Passe

Uma equipa que passa 430 minutos sem fazer um golo, como acontece atualmente com o FC Porto, pode queixar-se de muita coisa. Porque quem não marca um golo em mais de sete horas de futebol não tem apenas um problema de criatividade na organização do ataque, de ineficácia na finalização, de falta de qualidade de alguns elementos ou até de infelicidade face a algumas decisões. Tem esses problemas todos ao mesmo tempo. E no segundo 0-0 consecutivo contra o Belenenses de nada serviu a Nuno Espírito Santo recuperar Brahimi e Ruben Neves, cuja presença até vinha sendo reclamada há algum tempo, porque lhes faltou o contexto. Além de ser uma equipa mal trabalhada do ponto de vista do ataque organizado, a este FC Porto já lhe falta confiança em cada movimento, nota-se-lhe a indisponibilidade para assumir o risco de muitos jogadores, que com medo de falhar preferem jogar seguro a procurar o desequilíbrio – e nesse particular Brahimi até foi dos poucos que chamou a si as decisões de risco, acabando até por meter alguns bons cruzamentos na área. A questão é que essa predisposição para o risco também não é ajudada pela presença em campo de jogadores que estão num patamar claramente inferior de qualidade. E aqui, falo por exemplo de Depoitre. Porque quanto mais vejo jogar este lento e complicativo avançado belga mais me confunde que, mesmo com toda a sua altura, possa ser ele o reforço de ataque para uma equipa que quer ganhar a Liga e chegar longe na Champions. Não me recordo de um FC Porto com um avançado tão fraco desde que Tomislav Ivic “inventou” o comprido Vinha para a frente quando queria desbloquear jogos. E Vinha até chegou a fazer alguns golos, como os fará inevitavelmente Depoitre se continuar a jogar. Mas não resolveu, como não resolverá Depoitre, por mais que o treinador o faça jogar. O empate, mais um a chamar lenços brancos às bancadas onde estão adeptos portistas, pode até deixar Nuno Espírito Santo com vontade de acordar cedo para continuar a trabalhar amanhã, mas diminui-lhe ainda mais a margem de manobra e pode deixá-lo em breve sem razões profissionais para se levantar da cama. Contra o Sp. Braga e o Leicester, os adversários que aí vêm, só duas vitórias interessam, porque só ganhando aos minhotos os dragões regressam ao Top 3 da Liga e só batendo o segundo terão a certeza de seguir para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões sem depender do resultado entre Copenhaga e Brugges. E para isso são precisos golos.
2016-11-29
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Último Passe

O facto de ter sido André Silva, sempre um dos melhores da equipa, a falhar o último penalti na eliminação do FC Porto da Taça de Portugal, em benefício do Desp. Chaves, pode até retirar um pouco de peso à decisão tomada por Nuno Espírito Santo, que antes mandara Depoitre bater a penúltima grande penalidade, tendo o belga também permitido a defesa a António Filipe. Não concordo com Jorge Simão, treinador dos flavienses, que reduziu o desfecho de um desempate por penaltis à sorte – e creio que o guardião do Chaves, que defendeu três remates, também não concordará – mas o que se espera do FC Porto numa eliminatória como esta é que não deixe as coisas chegar tão longe. E, nesse aspeto, bem mais penalizadora que a escolha do até aqui desastrado Depoitre me pareceu a decisão de Nuno Espírito Santo não chamar ao jogo Brahimi, cuja criatividade poderia ter ajudado a desfazer o 0-0 que durou 120 minutos, a segunda metade dos quais com o FC Porto quase sempre instalado no ataque. Hoje estão de parabéns o Chaves e Jorge Simão, como é evidente. Mas este Chaves não me pareceu sequer tão forte como tinha demonstrado contra o Benfica, num jogo que perdeu com alguma infelicidade – o que é diferente de tê-lo perdido por azar. Não creio que tenha sido o Chaves a piorar, admito que tenha sido o FC Porto a bloquear sempre bem as saídas venenosas do adversário, o que lme eva a não ser capaz de dizer que os dragões tenham jogado mal. O FC Porto foi a melhor equipa em campo e, mais, a partir dos 60’, foi a única com andamento para chegar à baliza adversária. Fosse por incapacidade física, técnica ou tática, o Chaves – que tinha mostrado boas ideias no arranque do jogo – deixou de conseguir sair a jogar e aceitou o papel de saco de boxe: desde que o FC Porto não marcasse no processo, tudo estaria bem para os donos da casa. E a verdade é que o FC Porto não marcou. Nuno começou em 4x3x3, com dois extremos velozes e diretos: Varela de um lado e Jota do outro. Passou durante o jogo para um 4x4x2, com Depoitre perto de André Silva, motivando um jogo mais direto. Mais tarde chamou Evandro e Layun, mas deixou no banco Brahimi, que é possivelmente o mais criativo de todos os jogadores do plantel. Quando pela frente tinha uma equipa que baixava as linhas, que fechava todos os espaços de acesso à sua baliza e o importante era conseguir um golpe de prestidigitação, o FC Porto abdicou do seu jogador mais incontrolável. A não ser que existam fatores extra-rendimento desportivo desconhecidos de quem está de fora a justificar o constante ostracismo ao argelino, tudo parece resumir-se precisamente à imprevisibilidade do jogador, ao facto de ele ser tão incontrolável para os adversários como é para o seu próprio treinador. Mas é uma decisão de risco. E é uma decisão que não creio que Nuno Espírito Santo mantenha em Copenhaga, na terça-feira, se chegar a estar perante a possibilidade de se atrasar na obtenção de mais um objetivo, que é a qualificação para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões.
2016-11-18
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Último Passe

O mesmo défice de criatividade que já lhe custara dois pontos na partida da Liga dos Campeões frente ao Copenhaga, no Dragão, voltou a impedir o FC Porto de vencer na deslocação a Tondela. Num jogo onde beneficiou de iniciativa atacante quase permanente e de amplo domínio territorial, atenuado apenas na segunda parte, quando o jogo partiu e o Tondela conseguiu meter no relvado alguns contra-ataques, a equipa de Nuno Espírito Santo não foi além de um 0-0 que a penaliza. Não foi um problema de esquema tático – voltou o 4x4x2 –, de eficácia ou de falta de homens ofensivos no onze. O que faltou mesmo foi a capacidade para criar desequilíbrios em ataque organizado. Perante um Tondela bem organizado defensivamente e sempre aguerrido, Nuno Espírito Santo voltou ao 4x4x2, juntando Depoitre a André Silva e entregando as faixas laterais ao regressado Brahimi e a Otávio. Os dois alas procuraram sempre o corredor central, para aí promoverem os tais desequilíbrios – algo que Otávio conseguiu sempre melhor do que Brahimi – e para deixarem as laterais aos ofensivos Layun e Alex Telles. Só que, apesar das tentativas de Ruben Neves desempenhar o papel de médio centro de uma forma mais atacante do que o habitual Danilo, os primeiros 45 minutos foram quase um deserto em termos de situações de perigo. De parte a parte: o FC Porto só entrou com perigo na área uma vez, num passe longo de Felipe a, que nem André Silva, primeiro, nem Depoitre, no aproveitamento do ressalto, deram o melhor seguimento. O Tondela, metido num 4x2x3x1 que tinha em Crislan um avançado capaz de segurar a bola e de esperar pela equipa, dando assim tempo aos homens mais recuados para respirar, ia ganhando confiança. E depois de Gonçalves ter procurado, sem sucesso, um dos ângulos superiores da baliza da Casillas, a segunda parte começou com uma equipa da casa mais afoita do ponto de vista atacante. Espírito Santo quis mudar o ataque, primeiro trocando Brahimi por Oliver – e desviando André André para a direita – e depois substituindo o desastrado Depoitre por Adrián López, mas a primeira situação de golo flagrante da partida foi a equipa da casa a perdê-la, quando Murillo se isolou na cara de Casillas e viu o remate esbarrar na mancha do guarda-redes espanhol. Aí, já com Corona em campo, o FC Porto acordou para dez minutos finais melhores, que certamente tiveram a ver também com a quebra física da equipa de Petit, que também perdera Kaká, o seu cérebro defensivo, por lesão. André Silva e Adrián López ainda chegaram com bola à cara de Cláudio Ramos, mas nas duas situações o guarda-redes do Tondela levou a melhor, segurando um 0-0 que manda uma mensagem para o balneário do Dragão. Para ganhar é preciso mais do que um sistema tático ou a acumulação de jogadores de ataque: eles têm de combinar no campo. E isso é que não se tem visto.
2016-09-18
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