PESQUISA 

Último Passe

Chipre não é propriamente um adversário de enorme valor, o jogo era um simples particular, mas a vitória por 4-0 que Portugal conseguiu na preparação para a viagem à Letónia e para a Taça das Confederações deixou indicações positivas, algumas dúvidas e ainda uma curiosa preocupação. Os portugueses fizeram dois golos em cada parte, os dois primeiros beneficiando da inspiração de João Moutinho nos livres diretos, os dois últimos a premiar uma exibição mais bem conseguida do ponto de vista coletivo. Foi neste segundo período que a equipa mostrou coisas melhores, como a aceleração e a criatividade de Gelson, o critério de William na saída de bola ou a chegada de Pizzi à área. Tudo somado, leva à grande preocupação: é que, ao contrário do que sucedeu há um ano, a equipa está bem na entrada para a reta final da época. E, pelo menos nas competições como os Europeus e os Mundiais, isso não costuma ser bem. Falta ver como é na Taça das Confederações. Fernando Santos tinha dito que os campeões europeus não estão nunca em teste, mas a verdade é que têm de estar, quanto mais não seja por comparação com eles mesmos. Primeiro, porque é preciso deslindar a questão do onze titular. E se ao onze de hoje somarmos Pepe e Cristiano Ronaldo, já se vê que é preciso sacar de lá dois homens. Se depois verificarmos que o treinador fez algumas poupanças e muito mais experiências, não fica fácil entender quem vai começar em Riga, no final da próxima semana, ou muito menos quem vai arrancar na Taça das Confederações, daqui a duas semanas. William ou Danilo? João Moutinho ou Adrien? João Mário ou André Gomes? Nani, Bernardo Silva ou Gelson? Ou até Pizzi? Tudo questões de difícil resposta. Porque Danilo fez melhor época que William, mas a equipa respira melhor com este a pautar o jogo de ataque do que com aquele à frente dos centrais. Porque tanto Moutinho como Adrien tiveram esta época Ligas menos extenuantes, o que lhes permite chegar a Junho e disputar o lugar apenas com base na capacidade de cada um. E a coisa complica-se ainda mais quando se percebe que para Ronaldo entrar no onze, no lugar ontem ocupado por Nani – e a partir de meio da segunda parte por Pizzi – os dois terão de disputar vagas noutras posições. Se Fernando Santos persistir na ideia de compor o meio-campo a quatro com um extremo puro e um médio que permita os equilíbrios, a Nani resta disputar a vaga com Bernardo e Gelson, que foi dos três o melhor frente a Chipre, por ser capaz de ir para cima dos adversários e explorar as acelerações e o um contra um. Por outro lado, Pizzi, que foi dos médios o que evidenciou melhor chegada à área – sim, jogou no lugar que vai ser de Ronaldo e isso também conta – poderia bater-se com Moutinho e Adrien pela posição de segundo médio se Fernando Santos fosse mais arrojado, mas restar-lhe-á um lugar de suplente de luxo ou a disputa da vaga de médio-ala mais dado a cair no meio e a equilibrar atrás, em cuja órbita têm andado João Mário e André Gomes. No final do jogo, Fernando Santos dizia que não podia ter opções melhores do que as que teve no Europeu, porque Portugal ganhou o Europeu e os jogadores que lá estiveram foram “absolutamente brilhantes”. Mas a verdade é que o selecionador tem mesmo mais opções. E tem opções em melhor momento. A começar por Ronaldo, que foi poupado a muitos dos jogos do Real Madrid na ponta final da época para poder brilhar na Champions, não se veem neste grupo jogadores presos por arames, como se viam há um ano, antes do Europeu. E isso é bom. Mesmo que daqui por um mês possamos estar a dizer que a equipa chegou ao topo cedo demais para poder aguentar esse momento até à fase decisiva da Taça das Confederações.
2017-06-03
LER MAIS

Artigo

Portugal entra na meia final do Europeu, contra Gales, na condição de favorito mas com a noção das dificuldades que terá de enfrentar. A poucas horas do jogo, Fernando Santos já terá escolhido a equipa que vai fazer jogar, tendo para isso superado algumas dúvidas que a mim ainda me assaltam. Têm a ver com gestão física do plantel, com escolhas técnico-táticas e até com a estratégia a adotar face às particularidades do adversário. As respostas à frente são as minhas. As de Fernando Santos ficam para mais perto do jogo. O que fazer se não houver Pepe? Evidentemente, terá de avançar outro defesa-central. A escolha mais óbvia pode ser Bruno Alves, por várias razões. Porque é um jogador tão impetuoso como Pepe (até mais, provavelmente) e isso não é de desprezar face a uma equipa como Gales. Porque depois da asneira que fez em Wembley também ele sente que deve alguma coisa a esta equipa e isso poderá reforçar-lhe o empenho e a concentração. E finalmente porque esta é a forma de o selecionador provar uma coisa que já afirmou vezes sem conta: que esta equipa não são onze, são 23. Ora além dos dois guarda-redes suplentes, é Bruno Alves o único que ainda não jogou neste campeonato. Quem substitui William Carvalho? Vai ser Danilo. Aqui não há grandes dúvidas. Será um estereótipo – ainda por cima errado – dizer que Gales joga como a Inglaterra ou como a Islândia. Não joga. Esta não é uma equipa de “kick and rush”. Aliás, a Inglaterra não joga como a Islândia e isso percebeu-se na forma como Danilo fez uma exibição excelente em Wembley mas depois isso não lhe chegou para ser mais do que sofrível contra os islandeses. De qualquer modo, mesmo sem a capacidade de William para lançar jogo, para arriscar nos primeiros passes, Danilo é quem melhor cumpre a posição de pêndulo à frente da defesa na ausência do titular. E sim, em caso de necessidade, pode aparecer melhor como auxiliar dos centrais de forma a condicionar os movimentos sem bola de Bale. Se o tiver em condições, Fernando Santos deve arriscar Raphael Guerreiro? Sim. Mesmo que perceba que se o colocar a jogar hoje corre riscos elevados de não o ter na final. É verdade que a gestão da condição física de Raphael Guerreiro tem levado o treinador a alterná-lo entre a relva e a bancada e que basta somar um mais um para perceber que esse risco existe. E que qualquer adversário que Portugal venha a ter numa eventual final colocará problemas mais difíceis de resolver que Gales na meia-final. Tudo isso poderia levar o treinador a pensar em poupar o titular da posição no lado esquerdo da defesa. Mas a única realidade que Portugal tem certa pela frente neste momento é a meia-final. Para haver final, é preciso lá chegar. E para isso há que colocar em campo os que mais garantias derem hoje. Qual é o melhor meio-campo para o jogo de hoje? Esta é a pergunta de mais difícil resolução, uma vez que todos os jogadores que têm vindo a ser chamados em vez dos titulares têm dado boas respostas. Havendo André Gomes e João Moutinho em condições, não deixa de haver Adrien Silva, João Mário e Renato Sanches. Certo é que só há três lugares disponíveis para estes cinco jogadores. Aqui, Fernando Santos tem de tomar decisões com base no que viu nos últimos jogos e nas caraterísticas da equipa adversária. Ora, com estes jogadores, dificilmente Portugal pode apresentar um meio-campo em 4x4x2 clássico, porque além de João Mário não tem quem seja capaz de jogar como médio-ala clássico. A questão é que, como Gales procura sobretudo os laterais na profundidade, isso pode acarretar um problema defensivo na largura para qualquer meio-campo em losango, sobretudo se nas alas estiverem jogadores de menor predisposição defensiva, como Renato Sanches e João Mário. Ainda assim, a melhor opção parece-me ser o regresso ao losango, com uma alteração: com Danilo atrás e Renato à frente, na posição que Santos costuma entregar a João Moutinho, dando-lhe indicações para investir na pressão sobre a saída de bola adversária. Assim, Portugal poderia manter Adrien como interior, a tentar condicionar Joe Allen, e João Mário (ou Moutinho, se preferir um jogador mais forte defensivamente) do outro lado. E como é que isso afeta a dinâmica de Gales? A saída de bola de Gales é geralmente feita por Ashley Williams ou com recurso à baixa de Joe Allen, mas com os dois laterais projetados nas alas, à procura de situações de dois para um com os laterais adversários potenciadas pelo apoio de um dos médios. Com a pujança de Renato na pressão ao central responsável pela saída de bola e Adrien Silva a condicionar Allen, como fez com Modric, Santos obrigaria os galeses a mudar: ou Allen baixava demasiado para pegar no jogo e depois faltava na frente, ou a saída teria de ser mais segura, com os laterais menos projetados no ataque. Aí, Nani e Ronaldo também têm uma palavra a dizer. Não se desgastando em infrutíferas (ainda que vistosas) ações de pressing, mas ocupando o espaço de forma a condicionar o jogo do adversário, como Ronaldo fez, por exemplo, contra a Croácia, quando conseguiu impedir as saídas pelo lado de Srna simplesmente procurando a meia esquerda em momentos de transição defensiva. E Quaresma? Que papel tem reservado? É verdade que o facto de Gales jogar com três centrais poderia levar Portugal a apostar num 4x3x3, deixando-os sem referências óbvias e condicionando também assim a ação dos laterais. Aí, Chris Coleman teria de optar: ou transformava o seu habitual 3x4x2x1 em 5x2x2x1 e perdia força ofensiva nas alas ou arriscava mantê-lo e quase jogava um para um na última linha defensiva. Só que isso também teria implicações na estratégia de Portugal. Quem jogaria no “três” de meio-campo? Danilo, Adrien e Renato? E quem sobraria no banco para dar uma volta ao jogo se isso vier a ser necessário? Só Rafa? Quaresma tem funcionado melhor a sair do banco que a jogar de início. E fazê-lo compreender isso, que as equipas não têm só onze titulares, tem sido uma das maiores vitórias de Fernando Santos.
2016-07-06
LER MAIS

Artigo

Há uma razão acima de todas as outras para que o futebol seja muito baseado em triângulos: é que quando estamos num dos vértices, podemos desenhar o triângulo independentemente do lado que escolhermos. Uma das justificações fundamentais para a melhoria do futebol da seleção nacional no jogo contra a Áustria foi a construção de um triângulo a meio-campo. Outra foi o facto de a Áustria ter dado um pouco mais de espaço. Outra ainda foi a entrada no onze de William Carvalho. Querer atribuir a apenas uma das justificações a melhoria global da equipa é como dizer que o mais alto aí em casa só chega à prateleira de cima do armário porque se põe em cima de um banco ou porque estica o braço, quando na verdade, mesmo esticando-se ou subindo para cima de um banco ele não chegaria lá se não fosse o mais alto. Os “mapas de calor” da equipa portuguesa nos dois primeiros jogos não deixam dúvidas acerca do que foi visível a olho nu. Avaliando o preenchimento do campo pelos jogadores colocados em campo por Fernando Santos é evidente que o selecionador trocou o 4x4x2 por um 4x3x3, com Moutinho e André Gomes à frente de William Carvalho. Desenhou ali o tal triângulo, que ajudou a modificar o futebol da equipa e a que esta conseguisse meter mais gente dentro do bloco defensivo adversário, podendo assim causar mais desequilíbrios atacantes. É por causa desta evidência geométrica que o 4x3x3 é muito mais fácil de interpretar do que o 4x4x2. Mas será o melhor para a equipa? Isso é discutível: Ronaldo pode render mais ofensivamente solto na frente, alternando entre o meio e a esquerda com uma referência frontal, mas cria mais problemas defensivos à própria equipa se lhe for atribuído o fecho de um dos corredores laterais e depois raramente lá estiver no momento de perda da bola. Isso, porém, nunca foi posto à prova por uma Áustria que raramente conseguiu sair com perigo para o ataque. Mas centremo-nos nos momentos ofensivos, para entender o que mudou em Portugal do jogo com a Islândia para o jogo com a Áustria. A análise do circuito preferencial de jogo da equipa de acordo com a estatística oficial fornecida pela UEFA vem confirmar a ideia de que as coisas mudaram. Selecionando o companheiro a quem cada jogador português deu mais passes certos, contra a Islândia a equipa jogou preferencialmente de Rui Patrício para Pepe (oito passes), deste para Ricardo Carvalho (18 passes, contra nove para Danilo), depois para Raphael Guerreiro (17 passes, com onze para Danilo), do lateral esquerdo para Moutinho (15 passes) e desde de volta a Guerreiro (outros 15 passes). Nani (25 passes) e Ronaldo (44 passes) foram os menos solicitados da equipa, tendo Portugal feito chegar apenas 69 passes aos jogadores de ataque. No jogo com a Áustria, o circuito mudou. Rui Patrício fez os mesmos oito passes para Pepe, que no entanto entregou 19 bolas a William Carvalho e apenas oito a Ricardo Carvalho. Teve instruções para isso ou simplesmente passou a ter um médio que se ofereceu mais frequentemente para dar seguimento à construção? Provavelmente as duas coisas. Depois, há outra alteração importante: enquanto no jogo com a Islândia os destinatários preferidos de Danilo foram Pepe e Ricardo Carvalho (doze passes para cada um), frente à Áustria William escolheu João Moutinho (16 passes) e André Gomes (11 passes). Efeitos da criação do triângulo ou uma maior predisposição de William relativamente a Danilo para jogar para a frente? Mais uma vez, provavelmente as duas coisas. O circuito português no jogo com a Áustria prosseguiu com Moutinho a dar onze passes a Quaresma, que por sua vez jogou sobretudo com o mesmo Moutinho (quatro passes) e André Gomes (outros quatro passes). Portugal fez chegar mais bolas ao ataque (91 contra 69), envolveu mais gente no seu circuito preferencial, mas Ronaldo esteve menos em jogo (recebeu só 33 passes, aos quais há a somar 24 para Nani e 34 para Quaresma). Ainda assim, Portugal voltou a não ganhar e, apesar de ter mais bolas na frente, até rematou menos: 23 tiros, contra os 27 totalizados ante a Islândia. A questão é que rematou de melhores posições e em condições normais teria feito mais golos. O que faltou foi o acerto normal de Ronaldo: olhando para as médias de toda a época, entre o Real Madrid e a seleção nacional, Ronaldo faz seis remates a cada 90 minutos, marcando 0,9 golos por jogo: a média dá um golo a cada 6,6 remates. Nos dois jogos do Europeu que já disputou, Ronaldo tentou 22 remates. Em condições normais, já teria feito pelo menos três golos. É isso que é preciso melhorar para Portugal poder ter futuro neste Europeu além da final de quarta-feira próxima contra a Hungria. In Diário de Notícias, 20.06.2016
2016-06-20
LER MAIS

Último Passe

Portugal vai enfrentar a Áustria numa situação que não é brilhante mas também não é desesperada. Saiu com um ponto do primeiro jogo, precisará de fazer mais três – em dois jogos – para se qualificar, uma vez que os quatro pontos darão quase de certeza para se ser um dos quatro melhores terceiros. Contra a Áustria, a obrigação é a mesma que já era ante a Islândia: ganhar. A forma de procurar essa vitória será, no entanto, diferente, porque as circunstâncias próprias e alheias são diferentes. Na conferência de imprensa no Parque dos Príncipes, Fernando Santos não deu muitas respostas que permitam adivinhar o que lhe vai na mente, ao que o próprio diz para não mostrar o jogo todo ao treinador adversário, mas ainda assim é possível fazer sem ele um exercício de pergunta-resposta no qual se colocam as principais dúvidas e se fornecem alguns esclarecimentos com base no mero senso-comum. Pergunta 1: Fernando Santos vai fazer uma revolução no onze? Resposta: Não. Aliás, o próprio o disse na conferência de imprensa. “Revolução foi em 1974”, brincou. Em Portugal muito se tem falado da falsa partida do Europeu de 2004, quando após a derrota com a Grécia no Dragão, Scolari teria feito uma revolução, indispensável para que a equipa chegasse à final. Mas depois olha-se com mais atenção e verifica-se que, do jogo com a Grécia para a segunda partida, frente à Rússia, que Portugal ganhou por 2-0, Felipão só mudou quatro jogadores: Paulo Ferreira por Miguel, Rui Jorge por Nuno Valente, Fernando Couto por Ricardo Carvalho e Rui Costa por Deco. Ronaldo, por exemplo, continuou no banco e só no terceiro jogo, contra a Espanha, ganhou o lugar a Simão. Por isso, desenganem-se os que querem ver muito sangue antes do jogo com a Áustria. No máximo, Fernando Santos mudará quatro jogadores. Mas o mais provável é que só troque dois ou três. Pergunta 2: Portugal pode jogar com Quaresma, Nani e Ronaldo no onze? Resposta: Pode. Aliás, Fernando Santos já o fez em alguns momentos, embora não de início. Na conferência de imprensa, o selecionador limitou-se a dizer que isso “era uma possibilidade”, o que à saída da sala era interpretado de duas formas diferentes pelos vários jornalistas presentes. Uns diziam terem ficado convencidos de que os “três reis magos” iam jogar desde o início, outros que aquilo que Fernando Santos disse veio apenas engrossar o que acham que é um bluff para assustar os austríacos. A questão deve, por isso ser colocada de uma outra forma. Portugal vai jogar com Quaresma, Nani e Ronaldo no onze? Não me parece a hipótese mais provável, sobretudo por duas razões. A primeira – e fundamental – é que essa alteração deixava a equipa com três jogadores que pouco participam no processo defensivo e que veem o jogo sobretudo de uma forma individual. Olhando para os números de toda a época, Ronaldo soma uma média de 1,8 recuperações ou interceções por jogo, Quaresma tem 4,1 e Nani soma 4,6, enquanto que os dois potenciais sacrificados estão acima: André Gomes com 5,9 e João Mário com 6,2. Depois, porque esse onze não deixaria a Fernando Santos muitas hipóteses de reforçar o ataque se as coisas começassem a correr mal. Acresce a isso, para os defensores da disciplina de caserna, que a alteração iria premiar as declarações “fora da caixa” de Quaresma, que de certa forma desautorizou o treinador ao dizer que estava em condições de ter sido titular contra a Islândia, quando Fernando Santos disse que se o tivesse colocado a jogar corria o risco de ter de o tirar aos 40 minutos. Pergunta 3: Se ainda assim Quaresma entrar, qual será o esquema de Portugal? E quem sai? Resposta: O facto de Quaresma entrar não significa que a equipa mude para o 4x3x3, porque com ele não fica resolvido o problema da colocação de Ronaldo, que ainda hoje Fernando Santos voltou a dizer que “nunca será um avançado-centro” na perspetiva de jogar sozinho na frente. A equipa continuará por isso a jogar em 4x4x2, ainda que a presença em simultâneo dos três atacantes permita uma série de alternativas. Até aqui, o extremo do Besiktas tem alinhado sempre numa das alas do meio-campo, deixando na mesma Ronaldo e Nani no centro do ataque, mas pessoalmente acho que faz mais sentido ter Quaresma e Ronaldo na frente, com Nani a ocupar uma posição no meio-campo, seja como “10” num losango ou como ala esquerda no 4x4x2 mais clássico. Mais difícil é definir quem pode sair. E isso depende muito da arrumação inicial dos jogadores. Em condições normais, seja com Nani e Ronaldo na frente e Quaresma numa ala ou com Ronaldo e Quaresma na frente e Nani numa ala, sairia André Gomes, porque além de ter uma melhor percentagem de passe (84% para 83% em termos médios durante a época), João Mário faz mais passes de rotura (3,1 para 2,7 por jogo) e aparece mais na área (sete passes por jogo contra 2,7 são dentro da área). A questão é que com tanta gente que só vê baliza na frente, Fernando Santos pode sentir-se tentado a manter quem pense o jogo mais atrás, e aí André Gomes ganha algum avanço. Até porque os números defensivos dos dois são muito semelhantes. Diferente será se Santos optar por colocar Nani como “10”: aí sairia Moutinho. Pergunta 4: Quem pode então ser sacrificado nas alterações que Fernando Santos anunciou? Resposta: Fernando Santos disse claramente que ia fazer algumas alterações “para refrescar a equipa”. Uma delas será a troca de médio mais recuado, posição que Danilo dificilmente ocupará. A sua entrada contra a Islândia tinha a ver com um aspeto muito específico do jogo islandês, que era o jogo aéreo. Sem essa ameaça, certamente nem seria necessária a lesão de Danilo para que a equipa passasse a apresentar ali um jogador que arrisca mais nos momentos atacantes, como é o caso de William. As outras alterações não são claras. A não ser que queira colocar Nani a “10”, Santos dará provavelmente pelo menos mais um jogo a Moutinho para que ele possa reganhar o ritmo que lhe vem faltando mas que, assim que o recuperar, fará a diferença nos oitavos-de-final, porque é o jogador mais coletivo desta seleção. Adrien e Renato continuarão certamente à espera. Depois, o jogo de Vieirinha contra a Islândia não foi assim tão mau a ponto de justificar uma alteração na hierarquia – e se o facto de o lateral do Wolfsburg ter estado no golo islandês contribui para algo é para que Fernando Santos não o deixe cair em nome da mera rotatividade que noutras circunstâncias talvez até se justificasse. Pergunta 5: O que precisa Portugal de mudar para ter mais garantias de obter um resultado positivo? Resposta: Primeiro que tudo, tem de melhorar a finalização. A seleção nacional foi a que mais rematou na primeira jornada do Euro, mas só fez um golo, que lhe valeu apenas um ponto. As ocasiões de golo, porém, abundaram – e é bom que todos se consciencializem que contra a Áustria não vão ser tantas, porque os austríacos vão querer jogar mais do que os islandeses. Ainda assim, há que perceber que boa parte do baixo índice de certeza na finalização teve a ver com as condições não tão favoráveis em que muitos dos remates foram feitos. E isso já tem a ver com todo o processo de construção de jogo de Portugal. Por raramente ter conseguido meter gente entre as duas linhas defensivas da Islândia, faltou a Portugal o necessário ponto de apoio nas suas jogadas, de onde pudesse partir um passe de rotura para as alas ou para deixar um dos avançados na cara do guarda-redes. Não apareceram ali Nani nem Ronaldo, da mesma forma que nem João Mário nem André Gomes procuraram o corredor central com a frequência recomendada. João Moutinho também andou sempre mais longe da baliza islandesa do que seria desejável, o que pode ter a ver com o facto de Danilo não assumir tanto a construção. O ataque ao espaço central terá de ser uma das prioridades da equipa no jogo de amanhã, o que pode levar à adoção da solução com o meio-campo em losango. Da mesma forma que terá de o ser a agilidade na transição ofensiva. Pergunta 6: E Ronaldo, o que tem de fazer diferente? Resposta: Ronaldo tem sobretudo que compreender que o futebol é um jogo coletivo e que o facto de ser o melhor finalizador do Mundo não recomenda que seja sempre ele a chutar. A luta do CR7 contra os recordes tem destas coisas: se anda obcecado com os golos que lhe permitam ser o melhor marcador da história dos Europeus, acaba por secar tudo à sua volta, não tomando as decisões que seriam mais recomendáveis em benefício da equipa. E nem falo de livres ou de falta de empenho no processo defensivo: isso já faz parte do pacote. Contra a Islândia, no entanto, Ronaldo optou várias vezes por rematar em situações nas quais havia companheiros melhor colocados para dar seguimento a lances que podiam ter tido outro final. Mas este é um problema que só se resolverá quando Ronaldo marcar o primeiro golo e aliviar um pouco a ansiedade que o come por dentro em cada grande competição internacional.
2016-06-17
LER MAIS

Artigo

Um dia, quando se aproximava um jogo contra um adversário que abusava do jogo aéreo, sempre direto para o ponta-de-lança, Johan Cruijff surpreendeu Guardiola dizendo-lhe expressamente que não o queria a saltar com o gigante, mas sim colocado uns metros mais atrás, para se concentrar na tarefa de recolher a bola que iria sobrar do duelo que alguém iria disputar – e quase sempre perder – com ele. Ali, o que importava não era saltar mais alto que o armário, não era ser mais forte do que ele no choque: era só atrapalhá-lo o suficiente para que ele não pudesse escolher o local para onde ia dirigir a bola que lhe caía dos ares. O jogo começaria a seguir e aí estaria Guardiola para lhe dar início. Depois de ver o Portugal-Islândia e de analisar todas as estatísticas do jogo, fiquei convencido de que foi um erro a opção por Danilo em detrimento de William Carvalho, porque ao assumi-la o selecionador nacional estava a escolher as batalhas erradas, aquelas que nunca poderia ganhar, face à qualidade de Sigthorsson no jogo aéreo. Acredito que Fernando Santos concordará e que será ali que começarão as alterações na equipa que empatou com a Islândia quando for preciso ganhar à Áustria. Resta perceber se ficarão por aí. “Se uma batalha não pode ser ganha, não a traves”. Este era o conselho de Sun Tzu, na velha “Arte da Guerra”. Ora a batalha corpo a corpo com os possantes islandeses – não era só uma questão de estatura, mas também de peso e sobretudo de predisposição para aquele tipo de futebol – era das que não podia ser ganha. Depois do jogo, olhando para os números é fácil de entender que esta era uma das batalhas que não devia sequer ser travada. Todos os jogadores baixaram a percentagem de duelos corpo-a-corpo ganhos em comparação, por exemplo, com o jogo ante a Inglaterra. Só na linha defensiva, Vieirinha caiu de 71% para 56%, Ricardo Carvalho de 75% para 64%, Pepe ficou pelos 65% e portanto abaixo dos 66% da soma de Bruno Alves com José Fonte em Wembley, e Raphael Guerreiro conseguiu 43% face aos 50% de Eliseu em Inglaterra. A maior diferença, contudo, esteve em Danilo, que tinha ganho 60% dos duelos em Wembley e se ficou agora por uns 32% que são o seu pior número desde Setembro. É claro que um onze não deve ser escolhido com base nos jogadores que ganham mais duelos corpo-a-corpo… a não ser que a base do jogo da equipa seja essa. A de Portugal não é e não será nunca, o que transformou a escolha de Danilo numa contra-medida paradoxal para a ideia de jogo da equipa. O problema não foi Danilo mas sim o facto de ele estar em campo com base em argumentos que são os da Islândia e não os de Portugal. Em vez de travar a batalha das lutas corpo-a-corpo, Portugal devia ter-se concentrado nas que podia vencer, com bola no chão, triangulações para envolver o adversário e ganhar o espaço entre as linhas defensivas do adversário, de onde poderia solicitar os avançados com muito maior perigo. Pois isso raramente foi conseguido: Portugal só criou perigo a jogar por fora e isso teve muito a ver com a forma como priorizou os valores errados no primeiro momento de construção. Será, evidentemente, impossível definir agora se a incapacidade da equipa nacional para meter gente entre linhas teve a ver com uma má gestão da transição ofensiva – o primeiro passe –, com o facto de tanto João Mário como André Gomes estarem demasiado abertos junto às linhas e procurarem pouco as diagonais para dentro ou ainda com um menor rendimento de Moutinho face ao que o treinador dele espera. Olhemos para João Moutinho, por exemplo. Acabou o jogo com uma boa percentagem de passes certos: ficou-se pelos 91%, acima até da sua média do último mês (que é de 89%) e bem acima da média para toda a época, que é de 84%. Ora este é o primeiro dado que pode fazer-nos desconfiar. A olho nu parece que ele está a jogar menos, mas apresenta uma percentagem de passe melhor do que a sua própria média? Provavelmente porque está a proteger-se mais: desde o jogo com a Noruega que Moutinho não tenta sequer um passe de rotura – daqueles que deixam os companheiros com espaço para correr atrás do bloco adversário – quando a sua média para a temporada é de 2,5 por jogo e fechou os meses de Janeiro e Fevereiro com três tentativas por cada 90 minutos. As médias ofensivas da temporada de Moutinho são de longe as melhores entre os candidatos ao lugar de médio-centro: soma 7,0 passes na área por jogo contra 2,3 de Renato e 1,9 de Adrien; 2,5 passes de rotura contra 2,0 de Renato e 1,6 de Adrien. Defensivamente, o melhor é Adrien, com 6,0 interceções contra 4,2 de Moutinho e 3,5 de Renato; e 6,0 recuperações, contra 4,2 de Renato e 3,7 de Moutinho. Adrien tem ainda a melhor percentagem de passe: 88% de entregas certas, contra 85% de Renato e 84% de Moutinho. Aqui, no entanto, começa aquela área da decisão que tem a ver com as convicções. A aposta de Fernando Santos em João Moutinho tem a ver com o facto de querer devolver-lhe o ritmo que ele perdeu com a lesão a tempo de o ter a carburar nos oitavos-de-final. Neste momento a questão que se coloca é: haverá condições para continuar a assumir o risco? Este é um daqueles momentos em que o treinador é o homem mais só do Mundo.
2016-06-16
LER MAIS

Último Passe

A goleada de 7-0 que Portugal aplicou à Estónia na despedida do público nacional rumo ao Europeu espalhou a euforia entre os adeptos, que já começam a acreditar no sonho de Fernando Santos. Um dos maiores responsáveis pelo clima de euforia é Quaresma, que com dois golos e duas assistências encheu as medidas a quem viu o jogo e ganhou o lugar ao lado de Ronaldo no ataque ao primeiro jogo de competição, frente à Islândia, na terça-feira. Fernando Santos tentará assim tornar-se o primeiro selecionador nacional a resolver a questão da compatibilidade entre Ronaldo e Quaresma, valendo-se da maturidade que os dois não tinham, por exemplo, quando Luís Felipe Scolari o tentou – e desistiu, por perceber que não tinha uma bola para dar a cada um. Para a coisa resultar em jogos a sério – que esta Estónia saiu bem pior do que a encomenda – há ali muito trabalho a ser feito pelo treinador. Ronaldo e Quaresma são incrivelmente talentosos, ainda por cima são amigos e entendem-se bem – o que desde logo resolve a questão de um eventual choque de egos – mas caberá ao treinador fazer-lhes perceber que o facto de possuírem armas individuais muito acima da média não faz com que o jogo deixe de ser um processo coletivo. Contra a Estónia, tanto Ronaldo (ainda que só num lance, na primeira parte, com 0-0 no marcador, quando procurou o remate, tendo colegas melhor colocados) como Quaresma (este por procurar passes ou remates de letra quando a solução simples prometia bastante mais) foram responsáveis pela perda de jogadas que podiam ter causado mais problemas ao adversário. A questão é que é mais fácil fazer estes dois génios evitar os excessos do que dar a jogadores banais a capacidade de resolver jogos, pelo que o risco valerá sempre a pena. Com a Estónia, valeu. Portugal entrou com mais bola mas sem grande capacidade de entrar na área adversária, na maior parte das vezes por causa da timidez do meio-campo: Danilo muito atrás, João Moutinho melhor mas ainda longe do ideal, André Gomes e João Mário sem chegada à área para compensar as constantes derivações para os corredores laterais. Depois de um início mais intenso, o jogo já começava a adormecer, a Estónia segurava a bola por mais tempo entre cada vaga de ataque português, até que Quaresma tirou um coelho da cartola: cruzamento milimétrico de trivela na esquerda para um cabeceamento de Ronaldo e 1-0. Faltavam nove minutos para o intervalo, mas até lá resolver-se-iam o jogo e a corrida do CR7 para o golo: Quaresma fez o 2-0, concluindo com um belo remate em arco um passe simples de João Mário e, mesmo sobre o apito para o descanso, foi outra vez João Mário quem, entendendo aquilo de Fernando Santos queria, pressionou alto, recuperou uma bola e tabelou duas vezes com Ronaldo para dar a este o 3-0. Ronaldo já não voltou para a segunda parte, dando lugar a Nani, mas depressa Fernando Santos emendou a mão e chamou Éder para garantir a presença na área que, sem o CR7, ficava ao abandono. Quaresma passou então para a direita e dali voltou a dar expressão ao marcador: marcou o canto no qual Danilo fez o 4-0; fez o cruzamento do qual nasceu o quinto golo, marcado na própria baliza por Mets e marcou ele mesmo o 6-0, após aceleração de Renato Sanches. O sétimo, obtido por Éder, após cruzamento de André Gomes, completou o ramalhete e mandou a equipa para França no meio da euforia popular, mas não terá resolvido já todas as dúvidas de Fernando Santos. Após os três jogos de preparação, percebe-se que o selecionador está inclinado para Danilo em vez de William, que vai continuar a apostar em Moutinho em vez de Adrien ou Renato, na esperança de que a fase de grupos chegue ao “motorzinho” para recuperar o seu ritmo natural, e que para já prefere Guerreiro a Eliseu e a dupla de centrais formada por Pepe e Ricardo Carvalho. Mas não creio que tenha certezas acerca do defesa-direito (Cédric ou Vieirinha?) ou, sobretudo, do médio-esquerdo. André Gomes é mais consistente mas nunca encheu as medidas, Renato pode aparecer ali e dar ao meio-campo a explosão que lhe tem faltado, Nani ou Rafa verão a candidatura prejudicada pelos excessos individualistas dos dois da frente. Os seis dias que aí vêm darão a resposta.
2016-06-08
LER MAIS

Último Passe

O Inglaterra-Portugal foi um confronto entre duas meias-equipas no qual ganhou a que esteve mais tempo com onze jogadores em campo. O cartão vermelho a Bruno Alves, logo aos 35 minutos de jogo, ajuda a explicar o facto de Portugal quase só ter defendido e de a Inglaterra ter passado tanto tempo no meio-campo ofensivo, mas as limitações de ambas as seleções não se esgotaram nas implicações desse momento de vigor excessivo do central português. Mesmo antes disso, se via que a Inglaterra tinha avançados mas falta de criativos e Portugal anulava os seus criativos por conta da falta de avançados que lhes encontrassem espaço para ter a bola. O golo da vitória inglesa (1-0), marcado por Smalling aos 86 minutos de jogo, na segunda vaga de um canto, a aproveitar um erro de cobertura dos defensores portugueses, nem foi o mais relevante da noite. O jogo era particular e o resultado importava menos do que as ilações a tirar da forma como se chegava a ele. E, além de ter permitido tirar conclusões acerca de algumas exibições individuais – bem Ricardo Carvalho, Rui Patrício e Danilo, íngreme o caminho de Moutinho em direção à recuperação da rotatividade que fez dele o jogador que é – o jogo de Wembley permitiu ver que o modelo de jogo criado para Ronaldo tem dificuldades em subsistir sem ele. A utilização do 4x4x2 com dois avançados móveis, que permite potenciar as caraterísticas do CR7 sem deixar a equipa vulnerável do ponto de vista defensivo, exige que pelo menos um deles dê à equipa alguma profundidade – quando isso falta, quando em vez disso Portugal usa dois avançados que baixam em apoio mas não esticam o jogo, quem mais sofre são os médios criativos. Que em Wembley foram uma sombra do que podem render. Enquanto teve onze jogadores, Portugal não deixou a Inglaterra criar lances de perigo mas também não foi capaz de os criar. Chegou pela primeira vez à baliza num livre lateral ao qual acorreu Ricardo Carvalho. Depois da expulsão de Bruno Alves, sem Rafa para poder enquadrar José Fonte no onze, Portugal baixou as linhas e desistiu de atacar. Metia duas linhas de quatro homens à frente da área e beneficiava da falta de criativos atrás de Kane, Rooney e Vardy, que aliada à timidez atacante dos laterais ingleses e à pouca versatilidade de Dier tornava a equipa de Hodgson mais do que previsível. Os ingleses, aliás, nem cruzavam bolas para a área. Numa das primeiras vezes que o fizeram, deu golo. Mas isso nem foi o mais importante da noite.
2016-06-02
LER MAIS

Último Passe

O resultado foi bom, a exibição não foi má, mas Portugal precisa de melhorar mais do que os 3-0 à Noruega deixam antever para poder fazer um Campeonato da Europa de grande nível. É verdade que faltaram Ronaldo, Nani e Pepe, mas a Noruega, que nem é um dos 24 qualificados para a fase final, ainda chegou para dividir o jogo com os portugueses durante uma boa meia-hora e para deixar a pairar no ar o espectro de um empate que só um livre superiormente executado por Raphael Guerreiro veio extinguir. Quaresma e Éder fizeram os outros dois golos de um ensaio que, pelo menos, permitirá seguir a preparação com tranquilidade e que, além disso, terá levado Fernando Santos a algumas conclusões. Umas mais satisfatórias do que as outras. As boas primeiro? Danilo pode perfeitamente quebrar o galho como defesa-central, posição que ocupou na última meia-hora, em vez de Ricardo Carvalho, acertando sempre no tempo de entrada aos lances. João Mário continua a respirar classe e vai mesmo lançado para um excelente Europeu, como se percebeu no modo como serpenteava entre os adversários a criar desequilíbrios na direita. Anthony Lopes é uma alternativa muito credível a Rui Patrício nas redes e isso viu-se no modo como tirou a King o que podia ter sido o golo do empate, ainda na primeira parte. Adrien entrou bem, a dar dinâmica a um meio-campo que se tinha deixado adormecer pelo jogo pausado e depois direto dos noruegueses. Guerreiro bate bem livres e Quaresma é um génio, mesmo quando faz o contrário do que está no plano de jogo. Porque o primeiro golo português nasce tanto da inspiração do extremo do Besiktas como da constatação de que com ele é difícil pôr em prática a estratégia dos dois avançados móveis e mesmo assim ter gente na área. Durante a transmissão televisiva lembrei-me da velha história de José Maria Pedroto, que um dia, num jogo do FC Porto, teria gritado a António Oliveira para que este soltasse a bola e, tendo este prosseguido com a jogada individual e feito golo, terá depois balbuciado algo como: “também está bem”. O lance do 1-0 de Portugal foi igual. Combinação entre João Mário e Cédric na direita e cruzamento para a área onde, face à tendência de Quaresma para abrir no flanco oposto, só estava Éder e chegava André Gomes. Os noruegueses repeliram a bola, esta chegou ao flanco oposto, onde Quaresma lhe pegou, saiu da frente de um defesa e chutou em arco para um golo de bandeira. Foi a vitória da inspiração sobre a organização e o prémio para 13 minutos de bom nível, nos quais Portugal teve quase sempre a bola e esteve bem, tanto em ataque posicional como, sobretudo, na pressão defensiva que permitia recuperar muitas vezes a iniciativa ainda bem dentro do meio-campo da Noruega. Instantes depois, Éder teve nos pés a oportunidade para o 2-0, mas como o avançado do Lille falhou o golo, o jogo entrou numa fase de indefinição e até de alguma supremacia norueguesa. Os nórdicos começaram tímidos, sobretudo a explorar a profundidade dada pela velocidade de King ou a estampa física de Berisha, a sair da direita para o meio, mas na segunda parte aproveitaram o retraimento português para se assenhorearem do jogo, estando de forma consolidada mais perto do empate. Notou-se aí que João Moutinho está sem ritmo, não espantando que tenha sido o primeiro a sair quando Fernando Santos resolveu mexer. Com Adrien, o meio-campo de Portugal ganhou amplitude e foi numa falta ganha pelo médio à entrada da área e superiormente convertida por Raphael Guerreiro com um remate ao ângulo que, aos 65’, a seleção pôs termo à indefinição. Aos 2-0, os noruegueses desistiram e os portugueses descansaram. Fizeram ainda o terceiro golo, por Éder, a responder cinco minutos depois a mais uma combinação entre Cédric e João Mário com um remate na cara do guarda-redes. E até final o jogo não teve muitos motivos de interesse a não ser a avaliação do que Renato Sanches pode dar à equipa a partir de uma ala. O médio que o Benfica transferiu para o Bayern fez os últimos 18 minutos em vez de João Mário, sobre a meia-direita, e embora fique a sensação de que a meia-esquerda lhe convém mais, até pode lutar por um lugar de médio-ala com André Gomes, desde que aprenda taticamente as necessidades da posição. 
2016-05-29
LER MAIS

Último Passe

O FC Porto colocou um ponto final feliz numa Liga triste, ganhando por 4-0 ao Boavista, no Dragão, e assegurando que na pior das hipóteses terminará a 15 pontos do Benfica na classificação. O terceiro lugar serve de fraca consolação e deixa os responsáveis portistas a pensar no próximo fim-de-semana, quando a final da Taça de Portugal poderá permitir ao clube interromper um jejum de três anos sem troféus. Frente a um Boavista que melhora semana após semana e, a espaços, até conseguiu andar mais próximo da baliza de Casillas, também houve quem já só tivesse a cabeça no Jamor. Não foi o caso de André Silva, cujo golo, o quarto, a dois minutos do fim, foi o momento alto do jogo: na estreia do futebol matinal, horário ao qual estava habituado na equipa B, abriu por fim a sua conta de goleador. No último ensaio antes da final, José Peseiro fez um onze sem Martins-Indi, Sérgio Oliveira, Brahimi ou Aboubakar, deixando a ideia de que quis dar a André André ou a Corona a possibilidade de ainda discutirem um lugar na equipa que fará para o Jamor. Quem jogou e jogará a final foram Chidozie e André Silva: o primeiro, mesmo sem grandes problemas causados pelo Boavista, não complicou, ao passo que o segundo, mesmo antes de marcar o seu golo voltou a trabalhar bastante em prol da equipa, com movimentações de rotura ou de apoio e empenho do ponto de vista defensivo. Foi dele, por exemplo, o passe para o golo de Layun, a jogada que arrumou com a incerteza de que o jogo ainda pudesse estar rodeado, aos 56 minutos. E no entanto o FC Porto começou muito bem, com um futebol fluído e chegadas constantes com perigo à baliza de Mika, protegida por um Boavista organizado, como de costume, em 4x2x3x1. É certo que o golo inaugural, de Danilo, logo aos 11’, não nasceu de um belo movimento, mas sim da presença na área contrária, de um ressalto fortuito em Marcano e do oportunismo do médio, que chutou sem pedir licença. Mas aquilo que o FC Porto mostrou nesses primeiros 20 minutos deixava boas perspetivas. Só que, aos poucos, o FC Porto foi abrandando o ritmo e permitindo que o rival entrasse no jogo. Fê-lo a equipa de Erwin Sanchez com combinações interessantes nos corredores laterais, chegando a deixar uma vez Mesquita na cara de Casillas – com boa defesa do guarda-redes espanhol, que terá feito o último jogo da época. A segunda parte correu no mesmo ritmo, com Ruben Neves e Brahimi em vez de Danilo e Corona, no tal Lado B do ensaio para o Jamor. E no momento em que o FC Porto chegou ao 2-0, num belo remate de Layun a premiar um lance de insistência e visão de André Silva, o jogo fechou. Tudo se resumia a perceber se André Silva conseguia finalmente abrir a sua conta de goleador com a camisola do FC Porto. A primeira boa oportunidade para tal saiu frustrada quando, a cinco minutos do fim, Ruben Ribeiro derrubou Maxi Pereira na área e Carlos Xistra apontou para a marca de grande penalidade. Herrera e Brahimi aproximaram-se para bater, o público assobiou, provavelmente a pedir que fosse André Silva a marcar, mas não se desfez o pré-estabelecido – e bem, porque um penalti falhado faria mais mal do que um golo marcado. Brahimi fez então o terceiro, mas quem foi embora aí perdeu o momento do jogo. Até final, André Silva ainda foi capaz de desbloquear finalmente a conta: respondeu a um passe em profundidade de Brahimi, torneou Mika e chutou para a baliza. O público exultou, porque um golo é sempre um golo, o jovem jogador também, recebendo felicitações de toda a gente, mas a verdade é que mesmo sem esse golo a manhã já tinha sido dele. E, ao contrário do que aconteceu no clássico recente com o Sporting, quando fizer o onze para a final da Taça de Portugal, Peseiro pode começar por ele.
2016-05-14
LER MAIS

Último Passe

Uma entrada contundente, com dois golos em nove minutos, permitiu ao FC Porto de José Peseiro afastar o espectro das duas derrotas consecutivas que subiu ao relvado com os seus jogadores para a partida com o Nacional e deu ao treinador a hipótese de ganhar pela primeira vez ao seu antigo clube. Os 4-0 com que se concluiu a partida, maior vitória do FC Porto desde a chegada de Peseiro, chegaram para que os dragões mantivessem as hipóteses matemáticas de alcançar os dois rivais de Lisboa na classificação mas, muito mais importante do que isso, lançaram mais três jogadores para o foco mediático nesta espécie de pré-época em que se transformaram as semanas que antecedem a final da Taça de Portugal: André Silva, Ruben Neves e Varela juntam-se a Sérgio Oliveira como “descobertas” de fim de temporada. O golaço de Varela, logo aos 2’, na primeira vez que o FC Porto visou as redes de Rui Silva, e o tento que se lhe seguiu, de Herrera, aos 9’, transformaram uma partida que se presumia pudesse ser competitiva num mero exercício de avaliação. A perder por 2-0 desde tão cedo, o Nacional deixou cair grande parte das esperanças de levar pontos do Dragão, pelo que o que havia a ver era sobretudo como se comportavam as novas apostas de Peseiro. E não se portaram nada mal, lançando entre os dragões a esperança de se verem mais representados na escolha final de Fernando Santos para jogar o Europeu, na qual só mesmo Danilo já estava seguro. O treinador recuou o médio para defesa-central, em vez de Chidozie, e dessa forma permitiu, de bónus, o regresso de Ruben Neves à titularidade no comando das operações a meio-campo, a tempo de voltar a ter algumas – poucas, é verdade… – esperanças de ser chamado. Na frente, com Aboubakar sentado no banco, apostou no jovem André Silva, que voltou a não marcar (esteve perto, aos 18’ e aos 67’) mas se mexeu sempre bem e deu o seu contributo para o excelente arranque da equipa. Com 2-0 ao intervalo – e Sérgio Oliveira também esteve perto do terceiro ainda na primeira parte – o Nacional procurou reagir no início do segundo tempo, com Luís Aurélio em vez de Aly Ghazal. Ainda assim foi o FC Porto quem marcou, por Danilo, de cabeça, após cruzamento de Corona. Se dúvidas havia – até então, um golo do Nacional ainda podia reabrir o jogo – elas acabaram nesse momento. E houve ainda tempo para que Aboubakar, que entrou a 15 minuto do fim, reforçasse o seu estatuto de maior goleador da equipa, rompendo a resistência que vinha sendo feita pelo guarda-redes Rui Silva e fechando o marcador num golo de chapéu. Os três pontos não estavam em discussão há muito, mas o jogo valeu mesmo para que vários jogadores dissessem que se o que o clube atravessa neste momento é uma pré-época, então devem contar com eles quando começar a competição.
2016-04-17
LER MAIS

Último Passe

A chamada de Renato Sanches aos jogos que Portugal vai fazer com a Bulgária e a Bélgica, no final deste mês, é absolutamente normal e esperada. Por muito que ela seja contestada, já se viram coisas muito mais estranhas. Aliás, no caso do médio benfiquista, estranho seria que Fernando Santos não aproveitasse os últimos jogos antes da convocatória final para o Europeu para ver a nova coqueluche do Benfica num ambiente de seleção A ao qual regressa Ronaldo, em princípio para voltar a jogar como ponta-de-lança. Renato Sanches tem passado nas seleções, pode dar à equipa nacional coisas que ela não tem em abundância, como a amplitude territorial em que se move, a meia-distância ou o arranque forte com bola. Mesmo longe de ser um jogador feito – ainda se lhe notam inconsistências, sobretudo nos comportamentos sem bola – tem sido fundamental na recuperação que trouxe o Benfica dos sete pontos de atraso que tinha quando ele entrou no onze para os dois de avanço que tem neste momento. Não tem um par de jogos como titular, como alguns elementos chamados no passado recente à seleção nacional, pelo que se justifica plenamente a sua convocatória. Aliás, em rigor, toda a convocatória de Fernando Santos parece absolutamente normal. É normal eu estejam Adrien e João Mário, os dois melhores médios do Sporting que, ainda assim, faz figura de desafiante na corrida ao título. É normal que apareçam William e Danilo, quanto mais não seja para Fernando Santos perceber qual dos dois quer levar ao Europeu, uma vez que não será fácil que caibam ambos. É normal que regressem Ronaldo, Danny e Ricardo Carvalho. Aliás, neste caso, o que foi anormal foi não terem estado na última convocatória. É normal que esteja Rafa, um fenómeno de aceleração de jogo no último terço, que pode ter um papel bem mais ativo do que há dois anos, quando foi a surpresa na lista para o Mundial. É normal que caiam Ruben Neves e Gonçalo Guedes, porque deixaram de ser opção no FC Porto e no Benfica. A única coisa anormal é mesmo que ainda esteja por testar um ponta-de-lança capaz de jogar com Ronaldo, algo que o regresso de Éder não vem propriamente resolver. O que me leva a crer cada vez mais que a ideia de Fernando Santos é mesmo a de sacrificar o CR7 na posição de avançado de referência. Talvez nem haja outra solução, mas a verdade é que não foi feito tudo para a encontrar.
2016-03-18
LER MAIS

Último Passe

O FC Porto despediu-se da Liga Europa, somando a quarta derrota internacional consecutiva, todas sem marcar golos: desta vez foi batido por 1-0 pelo Borussia Dortmund. Os alemães, que já tinham ganho por 2-0 no Westfalen Stadion, mataram cedo a eliminatória, com um autogolo de Casillas, aos 23’, fazendo com que as únicas notas a compensar a frustração portista tenham sido os factos de a expectativa de apuramento já não ser muito elevada e de esta ser já encarada como uma época de transição pós-Lopetegui. Restam ao FC Porto a presença quase certa na final da Taça de Portugal e a esperança de que Sporting e Benfica se atrapalhem mutuamente nas próximas semanas, de forma a que os dragões possam voltar a acreditar mais na hipótese de recuperarem o título de campeões nacionais que já lhes escapa desde 2013. Ante a difícil missão que era ganhar pelo menos por dois golos ao Borussia Dortmund, Peseiro só surpreendeu verdadeiramente nas escolhas de Varela e Evandro em detrimento de Brahimi e Hererra. A primeira opção explica-se com a vontade de, com Varela e Marega perto de Aboubakar, ser mais direto nos últimos metros. A segunda com uma melhor chegada do brasileiro à área. De resto, foi normal a adaptação de Layun a defesa-central, porque assim foi possível manter Danilo a meio-campo. E Danilo foi, com Evandro, um dos melhores do FC Porto no jogo. O problema é que, com o desafio equilibrado, o FC Porto cometeu o já habitual erro em transição defensiva, permitindo que o Borussia Dortmund chegasse em cinco contra três à área (ver imagem). Casillas ainda parou o primeiro remate, de Reus, mas já não pôde fazer nada na recarga de Aubameyang: acabou por ser ele, aliás, a introduzi-la na baliza, quando ela vinha da barra, tornando a missão portista ainda mais impossível. Eram precisos quatro golos para seguir em frente. Depois de absorver o impacto, o FC Porto ainda foi à procura de golos. Evandro, numa boa iniciativa, falhou por pouco o alvo, aos 41’. Varela, de cabeça, obrigou Bürki a grande defesa, dois minutos depois. Aboubakar, de calcanhar, contou mais uma vez com a oposição de qualidade do guardião suíço, mas aí, aos 55’, acabou verdadeiramente a esperança portista. Suk, que substituiu o ponta-de-lança camaronês logo depois desse lance, ainda tentou mostrar serviço, mas o Borussia, que até já tinha retirado de campo Gundogan e Hümmels, passou a controlar a partida sem problemas. Até final, tirando um remate de Brahimi à barra e outro de Mkitharyan ao poste, pouco mais se viu, confirmando a superioridade global da equipa alemã. A eliminatória, na verdade, foi perdida na primeira mão, que o FC Porto encarou com os desequilíbrios só possíveis num plantel onde falta mais gente atrás para qualquer eventualidade.
2016-02-25
LER MAIS

Stats

O Borussia Dortmund-FC Porto de hoje será uma nova experiência para Iker Casillas. O guarda-redes espanhol que o FC Porto foi buscar ao Real Madrid no início da época é um dos futebolistas com mais experiência internacional nas provas europeias, mas nunca jogou outra competição que não seja a Liga dos Campeões. Aos 34 anos, Casillas está pronto para a estreia, precisamente num estádio que para ele tem sido maldito: nunca lá ganhou e sofreu ali as únicas duas derrotas nas últimas deslocações do Real Madrid à Alemanha. Com 163 jogos somados em partidas da UEFA, Iker Casillas é mesmo o líder da lista de jogadores com mais jogos disputados na Liga dos Campeões, excluídas as pré-eliminatórias: entre Real Madrid e FC Porto soma, ao todo, 156, mais cinco que Xavi e mais 21 que Giggs, o terceiro da tabela. Se contarmos todas as partidas das provas europeias, nesse caso o guardião espanhol tem à sua frente Paolo Maldini (174 jogos) e Xavi (173), preparando-se para deixar para trás Seedorf, que com ele divide a terceira posição, ambos com 163 jogos. E no entanto, Casillas nunca jogou na Taça UEFA ou na Liga Europa. O que não é novo para ele são jogos na Alemanha. Este será já o 16º desafio do guarda-redes espanhol em visita a um clube alemão, sempre ao serviço do Real Madrid. Já ganhou (quatro vezes), já empatou (duas) e já perdeu (nove), com a particularidade de só em duas ocasiões ter conseguido manter a baliza inviolada. Bom augúrio pode ser o facto de terem sido as duas últimas: 2-0 ao Schalke há precisamente um ano (18 de Fevereiro de 2015) e 4-0 ao Bayern em Abril de 2014. Mau presságio pode ser o facto de Casillas só ter perdido duas das últimas cinco visitas à Alemanha (ganhando as outras três, mas ambas terem sido em Dortmund: 2-1 em Outubro de 2012 e 2-0 em Abril de 2014. Aliás, o melhor que Casillas trouxe de Dortmund foi um empate a uma bola, em Fevereiro de 2003. Já lá vão quase 13 anos.   O Borussia Dortmund não perdeu nenhum jogo desde a interrupção de Inverno do futebol alemão, somando quatro vitórias e um empate (0-0 com o Hertha). Em casa tem sido uma equipa letal. Se excluirmos a derrota com o PAOK, que já não contava em nada para o apuramento, ganhou todos os jogos menos um, o empate a dois golos frente ao Darmstadt, em Setembro. O jogo com o PAOK foi também o único em que não marcou golos esta época no Westfalenstadion. Soma ao todo 56 golos marcados em 16 jogos em casa, a uma estrondosa média de 3,5 por jogo.   O FC Porto ganhou as últimas três deslocações: 3-1 ao Estoril, 3-0 ao Gil Vicente e 2-1 ao Benfica. Aboubakar marcou em duas delas (Estoril e Benfica), tendo ficado em branco em Barcelos, mas numa partida em que só entrou em campo a 15 minutos do fim.   Maxi Pereira e Danilo estarão fora do jogo de Dortmund, por suspensão, e isso não é boa notícia para José Peseiro. Esta época, o FC Porto só ganhou tês dos oito jogos que fez sem Maxi, todos na Taça de Portugal e contra equipas de escalões secundários (2-0 ao Varzim, 2-0 ao Angrense e 1-0 ao Feirense). Nos outros cinco, empatou a zero com o Sp. Braga (Liga) e perdeu com o Arouca (1-2, Liga), Feirense (0-2, Taça da Liga), Famalicão (0-1, Taça da Liga) e Marítimo (1-3, Taça da Liga). Por sua vez, Danilo só faltou nas três derrotas da Taça da Liga e na vitória frente ao Angrense.   Tanto FC Porto como Borussia Dortmund vêm de duas derrotas nas duas últimas partidas europeias, ambos sem marcar um único golo. O FC Porto viu-se impedido de seguir para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões por ter sido batido nas duas últimas jornadas da fase de grupos por Dynamo Kiev (2-0, no Dragão) e Chelsea (2-0, em Londres). Já o Borussia Dortmund perdeu nas duas últimas rondas da Liga Europa contra o FK Krasnodar (1-0, fora) e o PAOK Salónica (1-0, em casa), mas seguiu para os 16 avos de final porque já somava dez pontos nas primeiras quatro jornadas.   É a segunda vez que José Peseiro leva uma equipa à Alemanha. Já lhe aconteceu em Setembro de 2008, quando se deslocou a Wolfsburg com o Rapid Bucareste e perdeu por 1-0 (golo de Grafite), na primeira eliminatória da Liga Europa. Na segunda mão as duas equipas empataram a uma bola, o que levou ao afastamento do Rapid.   Borussia Dortmund e FC Porto vão defrontar-se pela primeira vez na história das competições europeias. Até aqui, porém, os alemães ganharam sempre que defrontaram equipas portuguesas no seu estádio: 5-0 ao Benfica em 1963/64, 3-1 ao Boavista em 1999/00 e 2-1 ao mesmo Boavista em 2001/02. Por sua vez, o FC Porto ganhou três das 14 visitas à Alemanha: 5-0 ao Werder Bremen em 1993/94, 1-0 ao Hertha Berlim em 1999/00 e 3-1 ao Hamburger em 2006/07.
2016-02-17
LER MAIS

Artigo

Ao vencer o Estoril por 3-1 na Amoreira, o FC Porto voltou a ganhar na zona de Lisboa, algo que já não conseguia desde Outubro de 2012, quando ganhou precisamente naquele mesmo estádio e àquele mesmo adversário, por 2-1. Desde então, foram 14 jogos seguidos sem ganhar na zona de Lisboa, a contar para a Liga, a Taça de Portugal e a Taça da Liga. A saber: 2-2 com o Estoril, 2-2 com o Benfica e 0-0 com o Sporting ainda em 2012/13; 2-2 com o Estoril, 1-1 com o Belenenses, 0-0 com o Sporting, 0-2 com o Benfica, 0-1 com o Sporting e 1-3 com o Benfica em 2013/14; 1-1 com o Sporting, 2-2 com o Estoril, 0-0 com o Benfica e 1-1 com o Belenenses em 2014/15; e ainda o 0-2 com o Sporting desta época.   - Esta foi a segunda vitória do FC Porto de virada esta época, depois de já ter ganho assim em casa ao Paços de Ferreira – na ocasião de 0-1 para 2-1. Fora de casa, os dragões não viravam um jogo desde a abertura do campeonato de 2013/14, quando ganharam em Setúbal por 3-1 depois de a equipa da casa se ter adiantado.   - Em contrapartida, esta foi a segunda jornada consecutiva em que o Estoril fez golos nos primeiros cinco minutos. Há uma semana, em Moreira de Cónegos, marcara ao minuto 1 e ao minuto 3, por Anderson Luís e Diogo Amado; desta vez fê-lo também ao terceiro minuto, por Diego Carlos. Nos últimos três jogos, o Estoril marcou sempre primeiro, mas só ganhou um (3-1 ao Moreirense), tendo perdido os outros dois (1-2 com o Benfica e 1-3 com o FC Porto).   - Layun continua imparável nas assistências. Fez mais duas, para os golos de Aboubakar e Danilo, passando agora a somar 13 em 20 jornadas da Liga. É cada vez mais o maior assistente da competição.   - Aboubakar marcou golos ao Estoril pela terceira partida consecutiva. Já tinha aberto o marcador nos 2-0 do Dragão, na primeira volta, enquanto que na época passada fizera o segundo nos 5-0 com que os canarinhos baquearam no Porto. O camaronês só ficou em branco contra o Estoril no empate a duas bolas na Amoreira, em Novembro de 2014, mas aí entrou apenas a 27 minutos do final.   - Diego Carlos, que passou a época passada no FC Porto B, marcou aos dragões o segundo golo da sua carreira em Portugal. O primeiro, também em casa, contra o Rio Ave, tinha valido um empate a dois golos.   - O médio portista Danilo, que já estivera entre os marcadores frente a U. Madeira, Académica e Boavista, fez o quarto golo da época, que já é a mais goleadora de toda a sua carreira. O seu máximo eram os três golos que fez pelo Marítimo em 2014/15.   - Maxi Pereira viu o nono cartão amarelo, incorrendo na segunda suspensão da época por acumulação de cartões. Na época passada precisou de 28 jornadas para chegar aos nove amarelos, em vez das atuais 20. O mais perto que Maxi esteve do atual registo foi em 2010/11 e em 2011/12, épocas nas quais precisou de 22 jornadas para ver tantos amarelos.   - José Peseiro voltou a ganhar no Estoril, numa fase difícil para a sua equipa. Em 2004/05, quando comandava o Sporting, ganhou lá por 4-1 à sexta jornada, depois de duas derrotas e dois empates. Na altura, tal como agora acontece com o FC Porto em relação ao Sporting, os leões colocaram-se a cinco pontos dos líderes, que eram Benfica e Marítimo. Dez jornadas depois, o Sporting de Peseiro estava isolado em primeiro lugar.
2016-01-31
LER MAIS

Último Passe

Foi muito fácil a vitória do FC Porto no Bessa, por 5-0, sobre um Boavista que terá de mudar muito se quer evitar uma queda na II Liga que só o arreganho nos limites impediu durante a época passada. Lopetegui foi embora há tão pouco tempo que os comportamentos da equipa portista são ainda os que o treinador basco definiu, sendo por isso um abuso atribuir à mudança de comando técnico quaisquer méritos pela vitória. É verdade que Rui Barros não inventou e que a saída do treinador anterior soltou animicamente a equipa, a ponto de a superioridade azul-e-branca no relvado do Bessa ter sido sempre evidente, só sofrendo alguma contestação no início da segunda parte. Mas até isso o FC Porto resolveu à antiga: com um golo de autor marcado por Corona, o maior talento individual da equipa. Mesmo mantendo o onze que tinha empatado com o Rio Ave, na quarta-feira, Rui Barros promoveu, ainda assim, algumas alterações, sobretudo quando teve de chamar os suplentes a entrar no jogo. Só que mesmo estas acabaram por ser apenas simbólicas, porque se Imbula voltou à competição na Liga, onde não atuava desde a vitória na Choupana, há um mês, também só entrou em campo com o jogo resolvido, nos últimos dez minutos. De resto, a equipa também não teve um início arrasador: fez refletir uma superioridade natural na primeira parte num golo de Herrera que até teve algo de fortuito, na forma como a finalização bateu Gideão, e teve depois de aguentar a reação de um Boavista que parece apostar nos argumentos errados para os jogadores que tem. O futebol de Petit, muito feito de arreganho, marcação e agressividade, era o que mais convinha a um plantel muito limitado; o estilo de jogo de Sanchez, mais dado a ideias no plano atacante, expõe demasiado uma equipa sem andamento para isso. Os seis pontos que a equipa já dista da linha de água fazem antever grandes dificuldades. O Boavista ainda chegou a ameaçar enquanto o jogo esteve no 1-0, mas um truque genial de Corona, a passar entre Afonso Figueiredo e Inkoom antes de, com grande velocidade de execução, marcar o 2-0, acabou com a conversa. Com meia-hora para se jogar, já se via que os três pontos estavam atribuídos. Um bis de Aboubakar e um golo de calcanhar de Danilo, em cima do apito final, puseram o rótulo de goleada numa vitória que terá servido para o FC Porto entrar nos eixos. À viragem para a segunda volta, os dragões distam quatro pontos do primeiro lugar. Nada de irrecuperável, quando a equipa assume que está a sair da crise e quando Rui Barros simplifica: basta saber em que clube se está a jogar.
2016-01-10
LER MAIS

Stats

O FC Porto enfrenta a receção ao Rio Ave após duas derrotas consecutivas: 1-3 frente ao Marítimo, em casa, na Taça da Liga, e 0-2 com o Sporting, em Alvalade, para o campeonato. É uma situação invulgar, a pedir reação, e por isso mesmo têm clamado os adeptos azuis-e-brancos. É que os dragões não perdiam dois jogos seguidos desde Novembro e Dezembro de 2012, quando foram sucessivamente batidos por Sp. Braga (1-2, para a Taça de Portugal) e Paris St. Germain (1-2, para a Champions). Para se encontrarem três derrotas seguidas do FC Porto é preciso recuar até Outubro e Novembro de 2008, quando a equipa que era comandada por Jesualdo Ferreira foi sucessivamente batida por Dynamo Kiev (0-1), Leixões (2-3) e Naval (0-1). O que é curioso é que, mesmo assim, essa equipa do FC Porto acabou por se sagrar campeã nacional, com quatro pontos de avanço sobre o segundo, que foi o Sporting. À altura da terceira derrota, os dragões seguiam em sétimo, a cinco pontos do líder, que era o Leixões. Apesar de não ser uma situação tão grave, a equipa portista não conseguiu inverter a situação na última vez que passou três jogos seguidos sem ganhar. Tal sucedeu-lhe pela última vez numa sequência de três empates em Setembro de 2014: 0-0 com o Boavista, 1-1 com o Sporting e 2-2 com o Shakthar Donetsk. O FC Porto saiu do segundo destes empates em segundo lugar na Liga, a quatro pontos do líder, que era o Benfica, e acabou a prova nesse mesmo segundo lugar, a três pontos de distância. Um dos aspetos que mais mudou nos últimos resultados do FC Porto foi a incapacidade para manter o zero nas suas balizas. Iker Casillas segue com quatro jornadas seguidas a sofrer golos na Liga, redundando nas vitórias por 2-1 frente a P. Ferreira e Nacional, nos 3-1 à Académica e na derrota por 2-0 com o Sporting em Alvalade. Para se perceber como a situação é invulgar, basta reparar que o FC Porto só tinha sofrido golos em três das onze primeiras jornadas ou que encaixou mais golos (cinco) nos últimos quatro jogos que nos onze primeiros (em que sofreu apenas quatro). Para se encontrar uma sequência de pelo menos quatro jogos seguidos do FC Porto a sofrer golos na Liga é preciso recuar até Outubro e Novembro de 2013, quando a equipa dirigida por Paulo Fonseca foi incapaz de manter o zero nas suas redes por cinco jogos consecutivos: 3-1 ao Arouca e ao Sporting, 1-1 com Belenenses e Nacional e 0-1 frente à Académica   - O Rio Ave, que só tinha perdido uma vez esta época até ao início de Novembro (1-2 contra o Sporting, em Setembro), já soma mais cinco derrotas desde essa altura: 3-2 com o Marítimo, 1-0 com o Moreirense, 3-1 com o V. Guimarães, 3-1 com o Benfica e 3-2 com o Tondela. É curioso que os vila-condenses tenham feito golos em cinco das seis derrotas da época. Aliás, o Rio Ave só ficou em branco uma vez em 20 jogos oficiais esta temporada, a derrota por 1-0 em Moreira de Cónegos.   - Este jogo será, por isso, o confronto entre um dos melhores ataques da Liga nos jogos fora e a melhor defesa na partidas em casa. O Rio Ave já fez 14 golos em deslocação, menos um que o V. Setúbal, que tem o melhor ataque da prova fora de casa. Mas o FC Porto só sofreu dois golos no Dragão, menos um que o Sporting, a segunda melhor defesa nas partidas em casa.   - Pedro Martins, o treinador do Rio Ave, perdeu os três jogos que fez contra Julen Lopetegui, todos na época passada. O FC Porto do basco impôs-se por 5-0 no Dragão e 3-1 em Vila do Conde nas partidas da Liga e ainda foi ganhar aos Arcos por 1-0 na Taça da Liga.   - Aliás, só por uma vez Pedro Martins viu uma equipa sua marcar um golo no Dragão, em jogos da Liga. E foi logo na primeira vez que lá foi, faz na terça-feira cinco anos: o FC Porto ganhou por 4-1 ao Marítimo do técnico feirense. Depois disso, Martins perdeu sempre no Dragão: 2-0 em 2011/12, 5-0 em 2012/13, 3-0 em 2013/14 (as três vezes com o Marítimo) e outra vez 5-0 em 2014/15 (já com o Rio Ave). A somar a estes jogos há mais uma visita, outra derrota, esta por 3-2, no jogo da Taça da Liga que ficou célebre pelo atraso com que se jogou.   - Martins já ganhou uma vez ao FC Porto em 12 jogos: foi em 2013/14 que o seu Marítimo bateu os dragões por 1-0, mas nos Barreiros.   - Danilo Pereira, médio internacional do FC Porto, foi lançado na Liga por Pedro Martins, quando este dirigia o Marítimo. Aconteceu a 18 de Agosto de 2013, numa vitória dos insulares sobre o Benfica, por 2-1.   - Pedro Moreira pode completar o 50º jogo com a camisola do Rio Ave, depois de ter chegado a Vila do Conde emprestado pelo FC Porto, na época passada. Dos 49 que já fez, 32 foram na Liga portuguesa, sete na Liga Europa, seis na Taça de Portugal, três na Taça da Liga e um na Supertaça.   - Cássio, guarda-redes do Rio Ave, estreou-se na Liga a jogar contra o FC Porto, lançado por Paulo Sérgio a 26 de Setembro de 2008, numa derrota do Paços de Ferreira no Dragão, por 2-0. Também Roderick se estreou na Liga a perder no Dragão, encaixando cinco golos sem resposta com a camisola do Benfica, a 7 de Novembro de 2010 – lançou-o Jorge Jesus. Por fim, Guedes, avançado dos vila-condenses, também chegou à Liga pela porta do Dragão, lançado por Luís Castro numa derrota do Penafiel por 3-1, a 17 de Dezembro de 2005.   - André Vilas Boas, uma das referências do Rio Ave, foi campeão pelo FC Porto, em 2003/04. José Mourinho deu-lhe um minuto nesse campeonato, depois de o mandar de volta para a equipa B e de o devolver ao Rio Ave.   - O FC Porto ganhou os derradeiros sete jogos que fez contra o Rio Ave (e 16 dos últimos 17). Nas últimas 20 vezes que os dois clubes se defrontaram, o máximo que os vila-condenses conseguiram foram três empates: 2-2 em Setembro de 2012, 0-0 em Setembro de 2008 e em Janeiro de 2006. De resto, o Rio Ave só pontuou uma vez no Dragão, num empate a uma bola que faz 11 anos na próxima terça-feira. Ao todo, soma ali três empates e uma vitória, mas as ocasiões anteriores em que voltou do Porto com pontos tinham sido na sequência de jogos nas Antas.   - As últimas três visitas do Rio Ave ao Dragão foram resolvidas de forma clara: 4-0 em 2012/13, 3-0 em 2013/14 e 5-0 em 2014/15. O último golo do Rio Ave neste estádio foi obtido por Braga, numa derrota por 2-1, em Fevereiro de 2013. Jackson tem sido o goleador mais frequente do FC Porto neste confronto, tendo obtido quatro golos nos últimos quatro jogos. Dos que ainda estão no FC Poto, só Tello e Varela marcaram na receção ao Rio Ave, ainda que Maicon e Aboubakar o tenham feito em Vila do Conde.   - Será o 11º jogo em que Rui Costa apita o FC Porto na Liga, sendo que os Dragões nunca perderam com ele. O pior que lhes aconteceu foi ceder dois empates, frente ao P. Ferreira em 2009/10 e ao Belenenses em 2014/15. Com ele, o Rio Ave perdeu sete vezes (em 15 jogos), duas delas na Luz, contra o Benfica.
2016-01-05
LER MAIS

Último Passe

O FC Porto reassumiu a liderança da Liga ao vencer a Académica por 3-1, num jogo que começou a resolver nas bolas paradas de Layun e acabou num calcanhar de Herrera, a passe de Corona. Os dragões não fizeram um jogo tão brilhante como a nota artística do seu terceiro golo poderia fazer crer, permitiram períodos de supremacia da Académica, no final das duas partes, mas ganharam com inteira justiça e podem encarar o clássico de Alvalade, contra o Sporting, no recomeço da prova, com a tranquilidade do primeiro lugar e de serem a única equipa sem derrotas na competição. No final do jogo, na instalação sonora do Dragão, ouviu-se o “A Todos Um Bom Natal”, mas bem podia ter tocado o “Cielito Lindo”. Porque acima deste FC Porto de influência mexicana já não há mais ninguém. Sabendo da derrota do Sporting na Madeira, a entrada do FC Porto no jogo não podia ter sido mais impositiva: logo aos 7’, canto de Layun e golo de Danilo, fortíssimo no ataque à bola. O segundo golo podia ter surgido numa série de ocasiões, mas com o impasse no 1-0 Casillas ainda acabou o primeiro tempo a precisar de se empenhar para manter a vantagem, num período em que o jogo portista baixou de intensidade. E se dúvidas houvesse, um livre lateral do mesmo Layun deu o 2-0 a Aboubakar, ainda a segunda parte não tinha dez minutos. A Académica tentava construir, mas não tinha qualidade suficiente para levar o jogo para perto da baliza de Casillas e desde logo se percebeu que acabaria por sucumbir como sucumbiu na Luz ante o Benfica. Como que a confirmá-lo, tal como nesse jogo, foi o terceiro golo a levar as bancadas ao êxtase: perfuração de Corona, cruzamento e, com o conforto dos dois golos de vantagem, risco máximo assumido por Herrera na finalização de calcanhar. Até final, o FC Porto voltou a perder intensidade, permitindo ainda um golo aos visitantes, obra de Rui Pedro, e pedindo a Casillas que evitasse um segundo que até podia ter reaberto a questão do resultado. Com o 3-1 final, veio a liderança, com mais um ponto que o Sporting e mais cinco que o Benfica, semana e meia depois da contestação dos adeptos a Lopetegui no aeroporto à chegada de Londres, onde a equipa caiu na Liga dos Campeões. Razão suficiente para que todo o grupo tenha um bom Natal.
2015-12-20
LER MAIS

Último Passe

A sexta vitória consecutiva da seleção nacional em jogos competitivos, obtida em Braga frente à Dinamarca (1-0), garantiu a qualificação para a fase final do Europeu e devia valer a esta equipa pouco brilhante mas sempre consistente mais confiança dos portugueses. A seleção raramente entusiasma, é verdade, mas nunca falha – e isso, no fim, é o que conta para um treinador que agora tem oito meses até à fase final do Europeu, onde a tarefa principal terá de ser a de encontrar uma dinâmica que lhe permita resolver os problemas ofensivos que tem enfrentado e o têm levado a sacrificar Ronaldo, abandonando-o aos adversários. A busca da fórmula-Euro é a prioridade, a começar já no domingo, em Belgrado, na partida frente à Sérvia, na qual até por isso convinha ter Ronaldo em campo e não a assistir pela TV, como vai suceder. Portugal voltou a ganhar pela margem mínima – as seis vitórias foram todas por um golo de diferença – mas a verdade é que nunca pairou no estádio a possibilidade de vir a perder o jogo. Fernando Santos podia jogar com a hipótese do empate, que também garantia a qualificação – aliás até a derrota a teria garantido, face à vitória da Sérvia frente à Albânia – e isso fez com que a equipa se sentisse mais em casa face a uma Dinamarca que raramente se desequilibra, mas que em contrapartida sofre horrores para fazer golos. O resultado foi um jogo sempre pouco entusiasmante, na linha, aliás, dos que sempre tem feito esta equipa, mas consistente. E com diferenças estratégicas, sobretudo na primeira parte, durante a qual se viu pela primeira vez uma coordenação muito satisfatória entre o meio-campo e as três peças móveis da frente: Ronaldo começava ao meio, com Nani à esquerda e Bernardo Silva à direita e Moutinho a aproximar-se muito, sobretudo em situações de pressão. A equipa, assim, equilibra-se, ocupa todos os corredores – ao contrário do que sucede se Ronaldo começa num corredor lateral e o deixa para aparecer no meio – e, sobretudo se resistir à tentação de jogar diretamente no CR7, construindo com mais elaboração, até cria condições para que este não fique abandonado aos centrais adversários, condenado a jogar de costas para a baliza e a anular-se em tarefas que não são as que mais o beneficiam, como se viu nas outras vezes em que jogou como 9. Notou-se essa preocupação estratégica frente à Dinamarca, com mais triangulações envolvendo os três homens da frente e os médios, com duas preocupações: a excessiva participação de Ronaldo em fases iniciais da construção e a perda de passes, fruto de alguma insegurança na posse. Ainda assim, o meio-campo mostrou que pode funcionar: Danilo foi forte defensivamente, Tiago definiu bem os momentos de surgir na área e Moutinho, condenado a ser segundo ponta-de-lança em muitos lances e primeiro a pressionar a saída do adversário noutros, acabou por resolver com um golo bem muito trabalhado. Mas pode melhorar, como podem melhorar as inserções ofensivas dos laterais – desta vez melhor Cédric que um Coentrão sempre em dificuldades para segurar Braithwaite. E é por isso que, na deslocação à Sérvia, importa não descomprimir. Portugal tem vários problemas a resolver e não pode agora dar-se ao luxo de libertar jogadores ou de encarar qualquer jogo que aí venha a não ser com uma ideia: a de aperfeiçoar o coletivo. Oito meses chegam para encontrar uma fórmula.
2015-10-08
LER MAIS

Último Passe

A Federação Portuguesa de Futebol quis jogar ao ataque na premente questão do meio-campo e, face aos impedimentos dos lesionados William e Moutinho e do castigado Tiago, mandou Adrien e João Mário, dois dos prováveis substitutos, à sala de imprensa para confrontarem os jornalistas. Fez bem. Não pelo discurso dos dois jogadores - mais vazio seria de todo impossível -, mas porque o ato veio mostrar confiança em dois jovens lobos numa seleção plena de consagrados e a acusar alguma veterania.A verdade é que se o jogo da seleção a meio-campo tem sido difícil de perceber pelos jogadores (e tem), isso só tem tido a ver com o elevado grau de exigência da articulação com este ataque de peças móveis a que forçam a presença do CR7 e a ausência de um ponta-de-lança de qualidade internacional. Nesse aspeto, Adrien e João Mário, bem como Danilo e Bernardo Silva dão todas as garantias de poderem substituir os titulares sem que haja perda exagerada de capacidades. Se Danilo é uma primeira versão do futebol de passada larga de William, João Mário é capaz do jogo vertical, a queimar linhas com bola, que celebrizou Tiago. Adrien não é Moutinho, sobretudo na reacção à perda, mas continuo a achar que é quem mais dele se aproxima nos médios lusos. E Bernardo acrescenta em criatividade o que perde em velocidade para Danny, que está disponível mas tarda em justificar a titularidade.Claro que se estes fossem melhores que os titulares e não apenas boas réplicas, a conversa nem faria sentido. Mas tenho a certeza de que com eles há futuro para a equipa nacional. Talvez já no par de jogos que aí vem, com a França e a Albânia.
2015-09-02
LER MAIS

Último Passe

te. Danilo e Alex Sandro encontram duplos à altura em Maxi Pereira e Cissokho. Sem dúvidas à direita, com algumas reservas na esquerda, pelo menos até se perceber se o francês ainda é capaz de render o que o levou a sair do Dragão há anos. No meio-campo, Casemiro e Oliver voltaram a Madrid, resgatados pelos clubes que os tinham cedido, mas está por provar que as coisas funcionem pior com Imbula e Danilo Pereira. Falta ali criatividade, sim, mas o acréscimo de rotações no motor até pode compensar. Faltará adaptar a equipa às diferenças implicadas por uma troca de pontas-de-lança da qual ela não sai beneficiada: de Osvaldo se verá ainda o que é capaz de fazer; Aboubakar entra tanto no esforço do coletivo como o fazia Jackson, mas é mais jogador de espaços grandes do que de área. E isso não é assim tão bom para quem se vê forçado (por estratégia e pir conjuntura) a passar grande parte do tempo em ataque posicional.À partida, como a tudo isto se junta uma melhoria evidente da baliza - Casillas dá ali uma dimensão que não está à mercê de Helton ou Fabiano - a operação tem tudo para ser um sucesso retumbante. Mas - e nestas coisas há quase sempre um mas - nem tudo são flores. Boa parte do que o FC Porto recebeu agora tinha-o investido antes: há mais-valias, sim, só que estão muito longe dos 100 milhões agora agitados pela propaganda, com a agravante de, com a exceção de Imbula e eventualmente Danilo Pereira, os jogadores agora entrados não serem transaccionáveis. E se isso não prefigura mais do que uma simples alteração na política desportiva, o mesmo não pode dizer-se acerca do crescimento da massa salarial. Casillas é de outro campeonato, Maxi está à porta para lá entrar e isso, mesmo que conte pouco em cofres repletos, no balneário conta bastante. E só há uma maneira de levar o barco avante. Com vitórias que mantenham toda a gente satisfeita: os que ganham muito e os que não ganham assim tanto.
2015-08-19
LER MAIS

Último Passe

Início forte do FC Porto, equipa com ideias claras e quase sempre bem conjugadas, contra um V. Guimarães que poderá certamente mostrar mais contra adversários menos capazes mas que no Dragão mais pareceu o condenado a caminho do cadafalso. Os 3-0 trouxeram a todos os adeptos da casa duas certezas: Aboubakar é solução é o meio-campo funciona. Comungo da segunda, mantenho as dúvidas acerca da primeira.Primeiro, Aboubakar. Fez dois golos (o primeiro sujeito a confirmação no relatório do árbitro, pois fiquei com a ideia de que a bola ia para fora antes do desvio em João Afonso) e deixou os adeptos confiantes de que estará encontrado o sucessor de Jackson Martínez. Perdoem-me os otimistas, mas ainda não estou convencido. O que digo não é que Aboubakar não é um grande avançado. Porque é. Mas tenho dúvidas que seja o avançado que o futebol deste FC Porto pede. O camaronês é um jogador de espaços longos, veloz, pujante, mais forte em momento de transição ofensiva que em ataque posicional, em que aquilo que se pede é uma melhor recepção, um melhor jogo posicional dentro do 4x3x3 e a capacidade para decidir num toque.Depois, o meio-campo. O FC Porto aposta tudo num meio-campo super rotativo, onde não há um 10 mas há dois 8. Francamente, desde que os dois 8 apareçam com frequência na área em posição de conclusão, como sucedeu hoje com Imbula e Herrera, não vejo que daí venha algum mal à organização portista. Até porque um meio-campo altamente rotativo como o formado por Danilo (ou até Ruben Neves), Herrera e Imbula joga no mesmo cumprimento de onda dos dois extremos utilizados (os velozes Varela e Tello) e dos laterais que são primeira escolha de Lopetegui (Maxi e Alex Sandro). A equipa tem o motor no corredor central mas desequilibra nas alas.
2015-08-15
LER MAIS