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Último Passe

Foram o FC Porto e Nuno Espírito Santo que ganharam ou foram o Sporting e Jorge Jesus que perderam? Como sempre, na sequência de um clássico, onde as duas formas de olhar para o jogo assumem igual protagonismo, esta é a pergunta que muitos fazem. A resposta é simples: ambas as afirmações são verdadeiras. Nuno Espírito Santo começou a ganhar o jogo quando apostou em Soares e numa frente de ataque alargada, mas só o ganhou mesmo graças ao compromisso defensivo revelado por jogadores como Corona e Brahimi. E Jorge Jesus começou a perdê-lo, não tanto na aposta-surpresa em Matheus Pereira, mas mais na falta de William Carvalho e na insistência em Bryan Ruiz pelo corredor central, como segundo avançado, quando ainda não ganhou um jogo verdadeiramente competitivo com o costa-riquenho a jogar naquela posição. Soares foi o homem do jogo, pelos dois golos que marcou, mas sobretudo pela volta que permitiu dar ao futebol do FC Porto. Com Soares, o FC Porto pôde mudar para um 4x4x2, porque passou a ter um avançado de referência, com escola a jogar de costas para a baliza, a cobrir a bola, mas que ao mesmo tempo tem finalização e explosão. Talvez fosse isso que o treinador tinha em mente quando contratou Depoitre, mas a verdade é que esses trunfos chegaram com seis meses de atraso. Com Soares na frente, André Silva passou a ser menos massacrado – ainda que ao mesmo tempo tenha perdido protagonismo – e a equipa pôde juntar dois pontas-de-lança a dois extremos puros, como Corona e Brahimi, não perdendo em termos defensivos. Pelo contrário… A diferença para a equipa que atacou no Estoril, há uma semana, com André Silva, Jota, Herrera e André André foi abissal em termos de resultados práticos, mas também de modelo de jogo: o FC Porto de hoje apostou num jogo mais direto, na busca mais rápida da profundidade, juntando linhas atrás e vivendo muito do comportamento defensivo rigoroso dos dois alas, que estiveram sempre bem nos momentos de transição, reduzindo o espaço ao Sporting para atacar. Claro que muito disto teve a ver com o golo madrugador de Soares, obtido logo aos 6’, que permitiu ao FC Porto gerir a vantagem e ao Sporting obter superioridade estatística, porque lhe coube desde cedo a necessidade de recuperar no marcador. E aqui é onde entram os defeitos leoninos. Seria fácil vir agora criticar a aposta surpresa em Matheus Pereira – um minuto jogado na Liga antes de ser titular no Dragão – mas a verdade é que sem ter sido brilhante, não foi por ele que o Sporting começou a claudicar. O início da queda teve a ver com a falta de rotinas de Palhinha com a equipa, mas o essencial passou pela noite má de Zeegelaar e por mais uma manifestação de incapacidade de Bryan Ruiz para jogar como segundo avançado, pelo meio, em jogos onde o patamar de exigência e de competitividade aumentam. Em suma, Jesus não perdeu por ter inventado, como amanha vamos ler um pouco por todo o lado. Perdeu por insistir em soluções que já lhe tinham custado pontos em várias outras situações. É muito por aqui que se explica o jogo. Adiantou-se o FC Porto logo aos 6’, por Soares, num lance onde a criatividade de Corona se juntou ao comportamento insuficiente de Zeegelaar, que o deixou cruzar, e onde depois a eficácia do avançado recrutado ao V. Guimarães veio combinar com a falta de rotina de Palhinha com Coates e Ruben Semedo: os dois centrais definiram bem o momento da subida, um segundo antes do cruzamento, para deixar Soares em fora-de-jogo, mas Palhinha, que estava na área para restabelecer a superioridade numérica, tardou a reagir e deu condição legal ao atacante brasileiro. A ganhar, o FC Porto assumiu o bloco baixo e a busca rápida da profundidade, sobretudo em ataque rápido e contra-ataque. E, mesmo tendo superioridade numérica no corredor central – Palhinha, Adrien e Bryan Ruiz contra Danilo e Oliver – o Sporting não só não tinha saída pelo meio, procurando sempre os corredores laterais, como perdia quase todas as divididas por ali, fruto da inadequação de Bryan Ruiz à posição. O talento está lá, não se discute, mas para jogar a este nível naquela posição é preciso pensar e executar a uma velocidade que o costa-riquenho não tem. Ruiz começou ali contra o FC Porto em Alvalade e Jesus trocou-o por Bruno César quando se viu a perder, ainda na primeira parte; voltou a começar ali contra o Benfica na Luz e Jesus voltou a trocá-lo, desta vez por Alan Ruiz, aos 60’, mais uma vez a perder, mas desta vez por 2-0; por fim, o treinador repetiu a aposta no Dragão, voltando a mudá-lo de posição ao intervalo, outra vez a perder por dois golos. O segundo nascera de um contra-ataque que teve contributo de Danilo, num excelente passe de rotura, e de Soares, que bateu em velocidade a defesa do Sporting, superou Rui Patrício e fez o 2-0. Na segunda parte, com Adrien e Gelson a manterem a bitola elevada, Esgaio na esquerda em vez de Zeegelaar, Palhinha a subir de rendimento – sendo mais médio e menos terceiro central – e sobretudo com Alan Ruiz no apoio direto a Bas Dost, assegurando que o Sporting tinha alguém capaz de jogar dentro do bloco portista, os leões melhoraram. Adrien acertou na trave e Alan Ruiz reduziu, após combinar com Bas Dost. Aqui, foi a vez de o FC Porto repetir o erro que já cometera contra o Benfica, baixando o ritmo, deixando de sair com a certeza dos primeiros 45 minutos, fruto da falta de gente na frente: André Silva deu o lugar a André André, Brahimi foi trocado por Jota e Corona por João Carlos. Podence deu alma ao flanco esquerdo leonino e nos últimos dez minutos pairou sobre o Dragão a hipótese de repetição do golpe de teatro que já sucedera frente ao Benfica. A diferença é que desta vez Casillas fez duas excelentes defesas a cabeceamentos de Coates, impedindo o empate. E em resultado disso não só o FC Porto viu legitimada a sua candidatura ao título, como o Sporting saltou fora da carruagem.
2017-02-04
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Último Passe

O FC Porto-Sporting vai definir que campeonato teremos a partir de Fevereiro. As equipas chegam ao clássico em posições inversas relativamente ao igualmente decisivo desafio da época passada, mas com muito mais jornadas por disputar, o que somado à derrota recente do Benfica em Setúbal permite acalentar esperanças a ambas de ainda terem alguma coisa a dizer na luta pelo título. A esperança é, aliás, a palavra-chave para os que hoje forem ao Dragão. Os portistas vão na esperança de saírem de lá líderes à condição – o Benfica só joga no domingo. E se há um mês estavam a seis pontos de diferença do líder, já não estão na situação de olhar para cima e não ver ninguém desde o jogo de abertura desta Liga, quando foram os primeiros a somar três pontos, com a vitória em Vila do Conde sobre o Rio Ave. Os sportinguistas, por sua vez, vão na esperança de pelo menos manter a distância para o topo – são sete pontos neste momento, os tais que o FC Porto tinha de desvantagem há um mês – e reduzir a que os separa do segundo lugar, para voltarem a entrar na discussão. Ambos os treinadores têm a noção de que o futebol é o momento. E a questão é que o momento não tem sido muito favorável a nenhum dos dois. O FC Porto até vem de três vitórias seguidas depois do empate em Paços de Ferreira que parecia condenar a equipa a uma segunda metade de época sem ambição, mas não tem sido convincente no plano exibicional. No Estoril, por exemplo, a equipa só ganhou asas quando o treinador adicionou homens de ataque a um onze inexplicavelmente tímido de início. Uma das dúvidas acerca de que FC Porto vamos ter prende-se com as opções para acompanhar André Silva. Só Diogo Jota, com Herrera, Oliver e André André é curto, como se viu na Amoreira. É verdade que o treinador vinha escaldado pelos dois golos consentidos em casa ante o Rio Ave e pode ter sido impelido a escolher uma equipa mais conservadora, mas entre Corona e Brahimi, pelo menos um tem de estar de início. Ou até os dois, com Jota de fora. Jesus já dissipou a maior dúvida no onze leonino, que tinha a ver com o homem escolhido para substituir o castigado William Carvalho. Joga Palhinha, igualmente forte fisicamente mas menos desequilibrador no passe e naturalmente menos à vontade com a importância de um jogo como este. Logo aí se deve esperar um Sporting menos virado para o ataque, mas a opção fundamental prende-se com a escolha do homem que vai acompanhar Bas Dost na frente. Em 2015/16, Jesus ganhou com “chapa três” na Luz e no Dragão com dois avançados puros – Slimani e Gutiérrez – mas este é um Sporting diferente, logo à partida por não ter a capacidade de luta do argelino, que era ao mesmo tempo primeiro atacante e primeiro defesa. Os dois clássicos desta época tiveram de início Bruno César e Bryan Ruiz a alternar entre a esquerda e o centro e deverá ser assim também no Dragão, onde lá mais para a frente Jesus pode recorrer a Geraldes e Podence, os dois moreirenses que tão moralizados ali chegam.
2017-02-03
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O empate entre FC Porto e Benfica, que deixa tudo na mesma entre as duas equipas no topo da tabela, resulta da excelente exibição do FC Porto durante cerca de 70 minutos, sempre a mandar no campo, mas também da reação benfiquista na ponta final de uma partida em que esteve encostado às cordas mas conseguiu ir ao fundo da alma buscar aquilo de que precisava para pontuar, já nos descontos. Sim, é verdade que até essa ponta final o meio-campo escalado por Rui Vitória nunca se impôs e o FC Porto podia até ter feito mais de um golo, mas também é certo que a reação benfiquista foi auxiliada pelas trocas feitas por Nuno Espírito Santo, a puxar a equipa para trás. Chegar aqui e decidir o que é mérito próprio ou demérito do adversário é conversa para ter na bancada dos sócios, que de qualquer modo andarão mais entretidos nas próximas horas a debater os méritos de decidir o resultado de um clássico no período de compensação. Essa impossibilidade chega até aos lances dos dois golos. No do FC Porto, há mérito na diagonal de Corona, a descobrir Diogo Jota, como na forma como este saiu de Nelson Semedo e chutou forte e colocado, mas também há culpas de Ederson, que permitiu que a bola entrasse entre ele e o poste mais próximo, o poste do guarda-redes. No do Benfica, viu-se um excelente cruzamento de André Horta e a habitual contundência de Lisandro nas bolas paradas ofensivas, mas também um erro de julgamento de Herrera, a ceder um canto despropositado, e a falta de resposta coletiva dos portistas, que não colocaram ninguém para impedir o canto curto e por terem voltado as costas à jogada deram todo o tempo e espaço do mundo a Horta para cruzar. O jogo foi muito interessante também no plano tático e estratégico. Nuno Espírito Santo fez o onze inicial que se impunha, mantendo Maxi Pereira e fazendo entrar Corona, para ganhar largura e repentismo no campo. Com uma excelente noite de Oliver – a melhor desde que regressou ao FC Porto – a equipa recuperava muitas vezes a bola ainda no meio-campo adversário, remetendo o Benfica a uma primeira parte com pouco ataque. Rui Vitória também fez o que se lhe aconselhava, não inventando e trocando os lesionados Fejsa e Grimaldo por Samaris e Eliseu, mas a equipa não respondeu. Fê-lo apenas quando, já em desvantagem, o treinador mexeu e devolveu Pizzi a uma das alas, mas com a incumbência de auxiliar Samaris e Horta, que a partir daí ficaram no meio, na batalha contra Danilo, Oliver e Otávio, que também procurava vir para dentro com frequência. Vitória ainda reforçou o ataque com Jiménez, ao mesmo tempo que Espírito Santo ia puxando a equipa para trás: Ruben Neves por Corona, Layun por Oliver e Herrera por Jota. Em consequência das trocas – e do resultado, também, como é evidente, pois era ao Benfica que competia fazer pela vida – o jogo foi-se aproximando da baliza de Casillas e o Benfica acabou por chegar ao empate. Ficou tudo igual na classificação, num jogo que mostrou três coisas. Que o FC Porto, afinal, tem intensidade para se bater com o Benfica e lutar pelo título. Que o Benfica continua a sentir enormes dificuldades para assumir o jogo quando enfrenta adversários do mesmo calibre. Mas que mesmo assim consegue resultados úteis e mantém-se na frente da tabela e por isso mesmo é ainda o principal favorito na Liga.
2016-11-06
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A forma como o FC Porto empatou em Setúbal permitiu perceber que, como é natural, por serem ainda recentes, os processos que Nuno Espírito Santo quer ver na equipa não estão ainda totalmente consolidados. A uma semana do confronto que pode definir os próximos meses de campeonato, a receção ao Benfica no Dragão, falta à equipa portista uma maior capacidade para explorar aquela que foi a sua maior arma, por exemplo, na vitória que foi buscar à Luz, na época passada, com José Peseiro ao leme: o controlo da largura em termos atacantes. E isso nota-se mais sempre que adota uma atitude mais conservadora e abdica de Brahimi e Corona, por exemplo. Com todos os jogadores disponíveis – desta vez regressou Otávio a Corona caiu do onze – já se percebeu que Nuno Espírito Santo aposta num meio-campo a quatro com grande propensão para jogar por dentro. Mais desequilibrador Otávio a sair da esquerda, mais dado ao fortalecimento do coletivo e aos equilíbrios Herrera a partir da direita. Pretende Nuno Espírito Santo que sejam os laterais a dar a tal largura atacante – a equipa faz sempre a saída a três, com Danilo entre os centrais, e Layun e Alex Telles subidos – e que a mobilidade dos dois avançados, Diogo Jota e André Silva, faça o resto no que toca à ocupação dos espaços. Só que, dando à equipa um maior volume de jogo, um maior controlo das operações, esta opção tem custos em termos de criação de desequilíbrios atacantes. Porque lhe tem faltado gente em condições de explorar o espaço deixado vago pela basculação defensiva do adversário e capacidade para, com essas variações de flanco, tirar mais vezes a bola das zonas de pressão. E só os laterais são curtos para isso. É verdade que o FC Porto – tal como o Sporting na véspera, na Choupana – até podia ter ganho em Setúbal: bastaria para tal que Bruno Varela não tivesse feito duas defesas impossíveis, a remates de Oliver e Jota. Mas o futebol que se viu à equipa foi menos completo do que aquele que se lhe tinha visto contra o Arouca, que raramente saiu dos últimos 30 metros do campo. Mérito do adversário? Seguramente: este Vitória joga mais e estava no seu estádio. Mas também falta do repentismo e da mistura de criatividade com rapidez que Corona deu ao FC Porto no jogo da semana passada ou da qualidade no um para um que lhe traz Brahimi. A grande decisão que Nuno Espírito Santo tem a resolver por estes dias é a escolha de quem pode sair do onze-base, porque o que salta à vista é que um dos dois extremos tem mesmo de entrar.
2016-10-29
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Por mais facilitada que tenha sido pelo descontrolo emocional do adversário, que fruto disso jogou meio desafio apenas com nove homens, a vitória do FC Porto em Roma (3-0) e o acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões constituem um sucesso ao mesmo tempo indiscutível e vital do grupo dirigido por Nuno Espírito Santo. Ao contrário do que tinha sucedido na primeira mão, desta vez os portistas entraram ligados no jogo, concentrados, e foram os italianos que pareciam adormecidos, excessivamente confiantes na vantagem que o empate com golos no Dragão lhes conferia e seguros de que o apuramento não lhes pedia esforço nenhum. É que o jogo, desta vez, não permitia quaisquer contemplações à equipa portuguesa, que aproveitou bem a necessidade de ir à procura de um resultado que a qualificasse. E se em algum momento a coisa se complicou, foi precisamente quando pareceu demasiado fácil. A chave da vitória portista esteve na entrada intensa, por oposição ao início mais passivo de há uma semana. A pressionar alto, a atrapalhar a saída de bola dos italianos, a recuperar muitas bolas bem dentro do meio-campo ofensivo, o FC Porto marcou logo aos 8 minutos, num cabeceamento de Felipe, após livre de Otávio. É verdade que as linhas portistas depois foram baixando e que a Roma foi conquistando cantos atrás de cantos (9-0 ao ingtervalo), mas quando a equipa de Luciano Spalleti começava a tornar-se ameaçadora, De Rossi fez-se expulsar, ainda antes do intervalo, por uma entrada de sola sobre Maxi Pereira. E se a expectativa acerca do que poderia fazer a Roma com dez na segunda parte, numa espécie de 3x4x2, era grande, depressa se perdeu, porque Emerson também foi expulso, por falta semelhante sobre Corona, logo aos 50’. Com onze contra nove, o FC Porto teria de fazer muita asneira para não seguir em frente. E foi aí que a coisa se complicou. Nos 23 minutos entre a expulsão de Emerson e o golo de Layun, o que se viu foi um jogo partido, com finalizações nas duas balizas, algo que face à flagrante superioridade numérica de que dispunha o FC Porto não devia ter permitido. Nuno Espírito Santo, que já trocara o lesionado Maxi por Layun, tentou ganhar consistência na posse com a entrada de Sérgio Oliveira e velocidade no contra-ataque através de Adrián López. A Roma, por sua vez, mandava-se com todos para a frente, porque precisava de empatar para pelo menos forçar o prolongamento, e Perotti e Naingollan ainda tiveram um par de situações nas quais perderam o empate – fundamental o corte de Layun na perdida do argentino. Ao mesmo tempo, o FC Porto ia desperdiçando também ataques rápidos nos quais chegava perto da área em quatro para três ou até três para dois. Até que o golo de Layun, numa dessas situações, sentenciou a eliminatória a favor da equipa portuguesa. Corona ainda fez o 3-0, mas nessa altura já os romanos tinham entregue os pontos, como se via no semblante carregado de Totti, várias vezes apanhado pela realização televisiva com um ar incrédulo de desalento. A vitória e a presença na fase de grupos da Liga dos Campeões pode ser aquilo de que este FC Porto mais precisava para arrancar para uma temporada consistente. Não só porque o encaixe financeiro garantido lhe permitirá ir ao mercado buscar os reforços de que o treinador necessita, mas também porque a equipa entrará em Alvalade, no domingo, mais solta, mais confiante nas suas hipóteses de enfrentar aquela que, no seu terreno, tem sido a besta negra dos dragões.
2016-08-23
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Quem tivesse olhado para a primeira parte da vitória do FC Porto em Vila do Conde, frente ao Rio Ave, por 3-1, poderia ter ficado com a ideia de que o meio-campo do FC Porto estava curto demais para o jogo. Danilo, Herrera e André André tinham dificuldades para assegurar a iniciativa, muitas vezes deixados em inferioridade numérica face ao quarteto formado por Wakaso, Pedro Moreira, Tarantini e Ruben Ribeiro e sobretudo com demasiado espaço para cobrir, face à maior distância entre linhas que a equipa mantinha. A forma como o jogo decorreu até final, porém, pode deixar uma sensação diferente: e se tudo isso for estratégico? E se essa for a maior diferença face ao “Lopeteguismo” e ao FC Porto dos últimos dois anos? Este é, na verdade, um FC Porto filosoficamente diferente. Onde a equipa dos últimos anos procurava movimentos de aproximação, encurtar linhas, promover apoios, a equipa de Nuno Espírito Santo quer abrir grandes espaços, procurar o ataque rápido e dar aos médios condição para que, assim que conseguem superar a primeira zona de pressão do adversário, correrem livres em direção a zonas de decisão. O golo de Herrera foi disso exemplo: o passe de Otávio, inteligente no movimento para trás e depois na forma como chamou Wakaso, ajudou a libertar o mexicano, que face à tal maior distância entre as linhas teve à frente uma auto-estrada até à entrada da área, de onde desempatou o desafio com um belo remate ao ângulo. Esse lance marcou a diferença num jogo que teve uma primeira parte sempre equilibrada e pode muito bem ser uma afirmação de identidade deste novo FC Porto, que tem em André Silva um excelente avançado de área e em Corona mais um velocista, capaz de decidir tanto na ala como ao meio. Há um ano, houve quem achasse que a maior lacuna deste FC Porto era a falta de um 10. Nunca tal me pareceu claro, porque a intensidade dada ao jogo pelos médios – sobretudo quando ainda havia Imbula em boa fase – chegava para assegurar a iniciativa durante a maior parte dos jogos e aquilo que mais fazia falta era um 9 com capacidade para resolver no aperto da área, que Aboubakar nunca foi. Por alguma razão o camaronês está atrás de Depoitre, um clone de André Silva... Esta época fala-se menos do 10, porque os movimentos interiores e para o espaço entre-linhas de Otávio, vindo do lado esquerdo, parecem ter como intenção mascarar a falta de soluções para a segunda linha de médios. Ruben Neves é mais um 6 do que um 8, alternativa a Danilo, portanto, e além dos que jogaram ontem (Herrera e André André) só há Sérgio Oliveira, Evandro e João Carlos Teixeira. Faltará mais classe ali? É possível. Classe nunca fez mal a nenhuma equipa. De qualquer modo, a avaliação deste FC Porto pede mais tempo. A capacidade daquele meio-campo não pode ser medida nem pela primeira parte do jogo, em que a teia desenhada pelos médios do Rio Ave acabrunhou os portistas e lhes roubou o controlo do terreno, nem pela segunda parte, quando aumentou o espaço para as correrias e a baliza de Cássio se tornou mais próxima. Numa época tão longa, o FC Porto vai precisar de jogar de muitas formas, de dominar todos os momentos do jogo. É verdade que isso não me parece assegurado. O próprio treinador disse no final do jogo que a equipa está “em construção”. Mas enquanto conseguir ir construindo em cima de vitórias, está a ganhar tempo para consolidar o processo.
2016-08-12
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O FC Porto colocou um ponto final feliz numa Liga triste, ganhando por 4-0 ao Boavista, no Dragão, e assegurando que na pior das hipóteses terminará a 15 pontos do Benfica na classificação. O terceiro lugar serve de fraca consolação e deixa os responsáveis portistas a pensar no próximo fim-de-semana, quando a final da Taça de Portugal poderá permitir ao clube interromper um jejum de três anos sem troféus. Frente a um Boavista que melhora semana após semana e, a espaços, até conseguiu andar mais próximo da baliza de Casillas, também houve quem já só tivesse a cabeça no Jamor. Não foi o caso de André Silva, cujo golo, o quarto, a dois minutos do fim, foi o momento alto do jogo: na estreia do futebol matinal, horário ao qual estava habituado na equipa B, abriu por fim a sua conta de goleador. No último ensaio antes da final, José Peseiro fez um onze sem Martins-Indi, Sérgio Oliveira, Brahimi ou Aboubakar, deixando a ideia de que quis dar a André André ou a Corona a possibilidade de ainda discutirem um lugar na equipa que fará para o Jamor. Quem jogou e jogará a final foram Chidozie e André Silva: o primeiro, mesmo sem grandes problemas causados pelo Boavista, não complicou, ao passo que o segundo, mesmo antes de marcar o seu golo voltou a trabalhar bastante em prol da equipa, com movimentações de rotura ou de apoio e empenho do ponto de vista defensivo. Foi dele, por exemplo, o passe para o golo de Layun, a jogada que arrumou com a incerteza de que o jogo ainda pudesse estar rodeado, aos 56 minutos. E no entanto o FC Porto começou muito bem, com um futebol fluído e chegadas constantes com perigo à baliza de Mika, protegida por um Boavista organizado, como de costume, em 4x2x3x1. É certo que o golo inaugural, de Danilo, logo aos 11’, não nasceu de um belo movimento, mas sim da presença na área contrária, de um ressalto fortuito em Marcano e do oportunismo do médio, que chutou sem pedir licença. Mas aquilo que o FC Porto mostrou nesses primeiros 20 minutos deixava boas perspetivas. Só que, aos poucos, o FC Porto foi abrandando o ritmo e permitindo que o rival entrasse no jogo. Fê-lo a equipa de Erwin Sanchez com combinações interessantes nos corredores laterais, chegando a deixar uma vez Mesquita na cara de Casillas – com boa defesa do guarda-redes espanhol, que terá feito o último jogo da época. A segunda parte correu no mesmo ritmo, com Ruben Neves e Brahimi em vez de Danilo e Corona, no tal Lado B do ensaio para o Jamor. E no momento em que o FC Porto chegou ao 2-0, num belo remate de Layun a premiar um lance de insistência e visão de André Silva, o jogo fechou. Tudo se resumia a perceber se André Silva conseguia finalmente abrir a sua conta de goleador com a camisola do FC Porto. A primeira boa oportunidade para tal saiu frustrada quando, a cinco minutos do fim, Ruben Ribeiro derrubou Maxi Pereira na área e Carlos Xistra apontou para a marca de grande penalidade. Herrera e Brahimi aproximaram-se para bater, o público assobiou, provavelmente a pedir que fosse André Silva a marcar, mas não se desfez o pré-estabelecido – e bem, porque um penalti falhado faria mais mal do que um golo marcado. Brahimi fez então o terceiro, mas quem foi embora aí perdeu o momento do jogo. Até final, André Silva ainda foi capaz de desbloquear finalmente a conta: respondeu a um passe em profundidade de Brahimi, torneou Mika e chutou para a baliza. O público exultou, porque um golo é sempre um golo, o jovem jogador também, recebendo felicitações de toda a gente, mas a verdade é que mesmo sem esse golo a manhã já tinha sido dele. E, ao contrário do que aconteceu no clássico recente com o Sporting, quando fizer o onze para a final da Taça de Portugal, Peseiro pode começar por ele.
2016-05-14
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A vitória do FC Porto sobre o U. Madeira (3-2) foi arrancada a ferros pelos dragões, com um golo de Corona perto do final, depois de terem permitido que os madeirenses recuperassem de 2-0 para 2-2. Foi o sétimo jogo de campeonato consecutivo do FC Porto a sofrer golos, que não deixa a baliza a zeros desde o 1-0 ao Marítimo, na estreia de José Peseiro. Desde aí, a equipa portista ganhou por 3-1 ao Estoril, perdeu por 2-1 com o Arouca, ganhou 2-1 ao Benfica, 3-2 ao Moreirense, 2-1 ao Belenenses, perdeu 3-1 com o Sp. Braga e agora bateu por 3-2 o U. Madeira. Para se encontrar uma série defensivamente tão negativa é preciso recuar a Março e Abril de 2007, quando os dragões estiveram as mesmas sete jornadas seguidas a sofrer golos: 2-1 ao Marítimo, 0-1 com o Sporting, 1-1 com o Benfica, 5-1 ao V. Setúbal, 2-1 à Académica, 3-1 ao Belenenses e 1-2 com o Boavista, antes de um 2-0 ao Nacional.   Corona, autor do golo decisivo, já não marcava desde 10 de Janeiro, na última jornada da primeira volta, quando esteve entre os goleadores dos 5-0 ao Boavista, no Bessa. Foi o oitavo golo do ala mexicano esta época, sendo que o FC Porto nunca perdeu com ele a marcar e o pior que lhe sucedeu foi empatar a duas bolas no terreno do Moreirense.   Aboubakar, que abriu o marcado no FC Porto-U. Madeira, voltou a marcar, exatamente um mês depois do seu último golo, que tinha sido obtido a 12 de Fevereiro, frente ao Benfica, na Luz. O golo ao U. Madeira foi o 17º desta época para o camaronês (12º na Liga, aos quais junta três na Liga dos Campeões, um na Taça de Portugal e outro na Taça da Liga), transformando a presente temporada na melhor da carreira do atacante camaronês, que nunca tinha feito mais que os 16 golos obtidos ao serviço do Lorient em 2013/14.   Esta foi apenas a terceira vez que o FC Porto de José Peseiro marcou o primeiro golo de um jogo, em oito jornadas de campeonato. Já o tinha conseguido no 1-0 ao Marítimo e no 2-1 ao Belenenses. Nos outros cinco jogos, começou sempre em desvantagem: no 3-1 ao Estoril, no 1-2 com o Arouca, no 2-1 ao Benfica, no 3-2 ao Moreirense e no 1-3 com o Sp. Braga.   Herrera autor do segundo golo do FC Porto, também marcou pela primeira vez desde o jogo com o Benfica, há exatamente um mês, a 12 de Fevereiro. O mexicano igualou o total de golos da época passada – sete – mas em menos 16 jogos – de 46 para 30. Os sete golos desta época foram todos na Liga portuguesa, enquanto que na temporada anterior o médio mexicano tinha conseguido quatro na Champions.   Danilo Dias, autor dos dois golos do U. Madeira, foi o autor de todos os golos da equipa insular desde a vitória por 3-0 sobre o Nacional, a 23 de Janeiro. Depois disso, já tinha sido ele a marcar na derrota em Guimarães (1-3) e no empate em casa com o Estoril (1-1).   Foi o terceiro jogo consecutivo de campeonato em que o FC Porto sofre dois golos no Dragão, pois antes tinha ganho por 3-2 ao Moreirense e perdido por 2-1 com o Arouca. Em três jogos, o FC Porto sofreu o dobro dos golos no Dragão que tinha sofrido nos dez anteriores (três, marcados por Paços de Ferreira, Académica e Rio Ave). E o dobro dos que ali sofreu em todo o campeonato passado (também três, dois do Benfica e um do Sp. Braga).   Contando todas as competições, o U. Madeira não ganha há sete jogos. A mais longa série de partidas sem vitória dos madeirenses teve início logo após a vitória sobre o Nacional, por 3-0, a 23 de Janeiro e engloba cinco derrotas (V. Guimarães, Moreirense, Arouca, Benfica e FC Porto) e dois empates (Estoril e Belenenses). O União, que esta época já tinha duas sequências de seis jogos sem ganhar, não deixava que elas se alargassem a um sétimo desde Março e Abril de 2013, quando esteve sem vencer entre a 31ª e a 37ª ronda da II Liga.   Com a vitória frente ao U. Madeira, o FC Porto chegou aos 58 pontos, menos quatro do que na época passada. Há dois anos, porém, os dragões estavam pior, com apenas 52 pontos, tendo acabado essa época no terceiro lugar. Já os 23 golos sofridos nas primeiras 26 jornadas de campeonato são um recorde negativo desde os 28 que a equipa de Otávio Machado e depois José Mourinho tinha encaixado em 2001/02.
2016-03-15
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Último Passe

Um golo de Corona, a aproveitar nos últimos minutos a acumulação de gente na área por parte do FC Porto para tabelar com Suk antes de rematar com potência e colocação para o fundo das redes, manteve a equipa de José Peseiro viva na Liga, porque permitiu a dramática vitória por 3-2 sobre o U. Madeira. Naquela altura, já poucos dos adeptos presentes no Dragão acreditariam no sucesso que parecia inevitável quando a equipa chegou aos 2-0, a abrir a segunda parte. Mas aí revelou-se a propensão recente deste FC Porto para a reanimação de adversários moribundos, com dois erros seguidos a permitirem os golos de Danilo Dias que quase tiravam dois pontos de que a equipa azul e branca estava tão necessitada. No fim do jogo, Peseiro reforçou duas ideias recorrentes. A de que as constantes lesões e castigos tiram consistência à equipa, que se vê constantemente forçada a mudar e por isso não assimila os processos, e a de que, apesar de tudo, a equipa está viva, que a falta de consistência ainda não a matou. Contra o U. Madeira, porém, obrigou-a a trabalhos forçados, depois de uma primeira parte com bom futebol – ainda que não isenta de erros defensivos. Sem os dois centrais titulares – os dois que restam no plantel – Peseiro compôs a charneira central do setor mais recuado com Chidozie, uma vez mais requisitado à equipa B, e Layun, desviado da esquerda, para onde entrou José Angel. Depois, como além de Marcano e Indi faltavam também Danilo e André André, o treinador chamou Ruben Neves e Sérgio Oliveira, tendo este sido dos melhores num primeiro tempo com movimentos ofensivos de qualidade. Foi dele, aliás, o passe de rotura que Maxi Pereira aproveitou para oferecer o primeiro golo a Aboubakar, também ele regressado à titularidade. Acontece que aos tais movimentos ofensivos de qualidade, o FC Porto continua a somar a tal inconsistência defensiva preocupante, que se deve à constante necessidade de fazer mudanças, com disse Peseiro, mas também a uma escassez de alternativas de qualidade no plantel que, por uma questão de solidariedade institucional com a administração, o treinador não reconheceu. Miguel Cardoso falhou o empate ainda na primeira parte, num lance em que teve tudo para o fazer, e como Hererra, num belo remate em arco que foi o momento da noite, fez o 2-0 logo a abrir o segundo tempo, a questão do resultado parecia resolvida. Só que aí voltou a entrar a inconsistência defensiva deste FC Porto, em dois erros seguidos que deram dois golos a Danilo Dias, entretanto lançado por Norton de Matos no jogo. Com pouco mais de 20 minutos para o fim, o FC Porto apertou na frente, passando a jogar com dois pontas-de-lança, fruto da junção de Suk (que entrou para o lugar de Ruben Neves) a Aboubakar. Só que isso deixava espaço atrás e a ideia que ficou foi a de que os jogadores do U. Madeira ainda sonharam com a reviravolta completa num terceiro golo em contra-ataque. Acabou por ser o FC Porto a marcar, no tal lance de Corona, alcançando uma vitória tão justa como sofrida que, sendo verdade que mantém a equipa viva na Liga – a quatro pontos do Sporting e três do Benfica, que só joga na segunda-feira – não faz augurar nada de bom para os jogos que aí vêm.
2016-03-13
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Oitenta e seis minutos não chegaram ao FC Porto para, mesmo com mais iniciativa, anular os efeitos do golo madrugador de Bouba Saré com que o V. Guimarães o bateu no Minho, atrasando-o na corrida pelo título face a Sporting e Benfica. O resultado fez-se de um início muito desconcentrado dos dragões, mas também da qualidade que o Vitória revelou. Tanto na frente como atrás. E veio mostrar mais duas coisas. Que, esgotados os efeitos da chicotada, o FC Porto já deveria ter definido a situação do treinador e que, como é evidente, nem Sérgio Conceição se vende nem os dragões poderiam alguma vez apostar num treinador que se vendesse. Primeiro, o jogo. Com o FC Porto a entrar adormecido atrás, expondo-se às diatribes de quatro homens que aliam explosão e agressividade – jogadores à Sérgio Conceição, portanto. Boyd, que se estreava na Liga, quase inaugurou o marcador perante a apatia dos centrais portistas, logo no primeiro minuto, e Bouba Saré fê-lo mesmo aos 4’, a aproveitar uma abordagem inexplicável de Casillas a um remate que lhe pingou sobre a baliza. Em vez de agarrar ou de sacudir para fora, o internacional espanhol amorteceu a bola para a frente, onde o marfinense a recolheu para marcar. Faltava muito jogo para o Vitória poder celebrar desde logo a conquista dos três pontos, porém. E o FC Porto foi entrando na partida aos poucos. Nunca asfixiou o Vitória, porque os vimaranenses conseguiam sempre aproveitar a qualidade na frente para sair a jogar e dar tempo às linhas recuadas para respirar, mas foi alternando jogo exterior com muitas tentativas de combinação por dentro e criou, mesmo assim, ocasiões para poder chegar, pelo menos, ao empate. Faltou aí ao FC Porto mais acerto na finalização de Brahimi, Corona, Aboubakar ou André André, todos eles protagonistas de lances em boa situação. Rui Barros mostrou mais diferenças em relação a Lopetegui. Primeiro, porque a equipa voltou a procurar mais o corredor central para penetrar, muitas vezes em tentativas de tabela que não se lhe viam até há pouco tempo, quando procurava sempre construir por fora. Depois, porque a 17 minutos do final não hesitou em juntar os dois pontas-de-lança disponíveis, trocando Herrera por André Silva e mantendo Aboubakar em campo. Antes, Barros já tinha chamado ao jogo Varela, uma espécie de proscrito para o basco, que voltou a entrar bem e a marcar pontos para continuar no grupo. Respondeu Sérgio Conceição com o reforço progressivo das linhas mais atrasadas: primeiro trocando Boyd por Phete; depois, já perto do fim, chamando ao jogo João Afonso, um terceiro defesa-central, em vez de Saré. Chegou para manter o FC Porto a zeros e para o treinador do V. Guimarães poder, no fim, bater no peito e bradar justificadamente por injustiça dos que suspeitavam da sua honorabilidade. Era tão evidente que Sérgio Conceição não ia facilitar – até porque, se alguma vez quer ser treinador do FC Porto, sabe que nunca lá chegaria se se vendesse – como que o FC Porto precisa de definir o que vai fazer com alguma urgência. Quando viu Lopetegui sair, a equipa soltou-se. Rui Barros foi capaz de tornar as coisas simples no primeiro jogo com o Boavista. Mas se há algo que se sabe é que um interino vai perdendo legitimidade à medida que o seu interinato se prolonga. Ou se aposta nele de forma conclusiva ou chega quem o substitua. Nas voltas da decisão, o FC Porto lá deixou mais três pontos, que farão falta a quem há-de vir.
2016-01-17
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Último Passe

Foi muito fácil a vitória do FC Porto no Bessa, por 5-0, sobre um Boavista que terá de mudar muito se quer evitar uma queda na II Liga que só o arreganho nos limites impediu durante a época passada. Lopetegui foi embora há tão pouco tempo que os comportamentos da equipa portista são ainda os que o treinador basco definiu, sendo por isso um abuso atribuir à mudança de comando técnico quaisquer méritos pela vitória. É verdade que Rui Barros não inventou e que a saída do treinador anterior soltou animicamente a equipa, a ponto de a superioridade azul-e-branca no relvado do Bessa ter sido sempre evidente, só sofrendo alguma contestação no início da segunda parte. Mas até isso o FC Porto resolveu à antiga: com um golo de autor marcado por Corona, o maior talento individual da equipa. Mesmo mantendo o onze que tinha empatado com o Rio Ave, na quarta-feira, Rui Barros promoveu, ainda assim, algumas alterações, sobretudo quando teve de chamar os suplentes a entrar no jogo. Só que mesmo estas acabaram por ser apenas simbólicas, porque se Imbula voltou à competição na Liga, onde não atuava desde a vitória na Choupana, há um mês, também só entrou em campo com o jogo resolvido, nos últimos dez minutos. De resto, a equipa também não teve um início arrasador: fez refletir uma superioridade natural na primeira parte num golo de Herrera que até teve algo de fortuito, na forma como a finalização bateu Gideão, e teve depois de aguentar a reação de um Boavista que parece apostar nos argumentos errados para os jogadores que tem. O futebol de Petit, muito feito de arreganho, marcação e agressividade, era o que mais convinha a um plantel muito limitado; o estilo de jogo de Sanchez, mais dado a ideias no plano atacante, expõe demasiado uma equipa sem andamento para isso. Os seis pontos que a equipa já dista da linha de água fazem antever grandes dificuldades. O Boavista ainda chegou a ameaçar enquanto o jogo esteve no 1-0, mas um truque genial de Corona, a passar entre Afonso Figueiredo e Inkoom antes de, com grande velocidade de execução, marcar o 2-0, acabou com a conversa. Com meia-hora para se jogar, já se via que os três pontos estavam atribuídos. Um bis de Aboubakar e um golo de calcanhar de Danilo, em cima do apito final, puseram o rótulo de goleada numa vitória que terá servido para o FC Porto entrar nos eixos. À viragem para a segunda volta, os dragões distam quatro pontos do primeiro lugar. Nada de irrecuperável, quando a equipa assume que está a sair da crise e quando Rui Barros simplifica: basta saber em que clube se está a jogar.
2016-01-10
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Último Passe

Um Super Slim deu a vitória no clássico sobre o FC Porto a um Sporting "Slim Fit" e devolveu aos leões a liderança da Liga que haviam deixado na Choupana, na derrota com o U. Madeira. Falo de Super Slim porque foi Slimani quem fez os dois golos de um 2-0 que pôs justiça no placar e de "Slim Fit" porque os leões continuam a fazer valer o seu futebol estreito, com concentração de unidades no corredor central, face ao jogo mais feito de largura do adversário de hoje. E porque, além disso, em situações de equilíbrio, como a que se vivia na primeira parte, Jesus adaptou bem a estratégia da equipa às características do atacante argelino, criando condições para o libertar nas bolas paradas, por exemplo. Quando se avalia o que se viu no clássico, é impossível não destacar o papel de Slimani, sempre incansável na pressão sobre a saída de bola do adversário e na busca de profundidade nos flancos quando são os colegas que a têm, mas também por ter feito os dois golos do jogo e ainda ter enviado um cabeceamento à barra. Mas não foi só o argelino a separar duas equipas muito iguais a si mesmas. No Sporting há a realçar ainda uma exibição fulgurante do meio-campo, pela amplitude de movimentos de Adrien, cuja presença atrás não o impediu de aparecer em zonas de conclusão com frequência – também acertou uma vez no poste de Casillas – e de João Mário, sempre o maior causador de desequilíbrios na organização portista, pela facilidade com que saía do corredor direito e aparecia ao meio. E um Naldo sempre certo, a compensar a equipa nos momentos em que era o FC Porto a fazer valer as suas armas. Porque o FC Porto foi também igual a si mesmo, na aposta permanente na construção por fora. E nos momentos em que libertava Brahimi na esquerda ou, sobretudo, quando conseguir girar a bola com rapidez dali para a direita, explorando a estreiteza da organização leonina para descobrir Corona nas costas de Jefferson, criava também condições para chegar com perigo até perto de Rui Patrício. O jogo era assim um confronto de duas ideias diferentes, mas começou a resolver-se num detalhe – nisso tiveram razão os dois treinadores, na avaliação final – fruto do trabalho semanal. O Sporting adiantou-se, por Slimani, no aproveitamento de um livre lateral de Jefferson, graças a uma jogada trabalhada nos treinos e várias vezes tentada no jogo: o argelino escondia-se atrás de um colega e ganhava assim espaço para ludibriar a marcação individual feita pelo FC Porto nas bolas paradas. E ao marcar primeiro pôde gerir o jogo de forma diferente. Lopetegui tentou ganhar presença pelo meio com a troca de um médio mais posicional, como Ruben Neves, por outro com mais capacidade para esticar o jogo, como André André. Mas em vez de dar mais presença na frente ao FC Porto, isso libertou os médios do Sporting para uma segunda parte fulgurante. Pouco importou, de facto, que o basco tenha sido mais uma vez igual a si próprio ao recusar juntar os dois pontas-de-lança, trocando Aboubakar por André Silva. Era o Sporting quem mandava no relvado e se o 2-0 não chegou no tal cabeceamento de Slimani à barra nem num remate de Adrien ao poste, acabou por aparecer quando Ruiz isolou o argelino e este bateu Casillas com repentismo e potência. Confirmava-se a quarta vitória do Sporting em outros tantos clássicos e o estado de graça de Jorge Jesus, que regressa ao topo da Liga, mas o FC Porto está perto e o Benfica não ficou fora de combate – a Liga vai durar.
2016-01-03
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Último Passe

O FC Porto reassumiu a liderança da Liga ao vencer a Académica por 3-1, num jogo que começou a resolver nas bolas paradas de Layun e acabou num calcanhar de Herrera, a passe de Corona. Os dragões não fizeram um jogo tão brilhante como a nota artística do seu terceiro golo poderia fazer crer, permitiram períodos de supremacia da Académica, no final das duas partes, mas ganharam com inteira justiça e podem encarar o clássico de Alvalade, contra o Sporting, no recomeço da prova, com a tranquilidade do primeiro lugar e de serem a única equipa sem derrotas na competição. No final do jogo, na instalação sonora do Dragão, ouviu-se o “A Todos Um Bom Natal”, mas bem podia ter tocado o “Cielito Lindo”. Porque acima deste FC Porto de influência mexicana já não há mais ninguém. Sabendo da derrota do Sporting na Madeira, a entrada do FC Porto no jogo não podia ter sido mais impositiva: logo aos 7’, canto de Layun e golo de Danilo, fortíssimo no ataque à bola. O segundo golo podia ter surgido numa série de ocasiões, mas com o impasse no 1-0 Casillas ainda acabou o primeiro tempo a precisar de se empenhar para manter a vantagem, num período em que o jogo portista baixou de intensidade. E se dúvidas houvesse, um livre lateral do mesmo Layun deu o 2-0 a Aboubakar, ainda a segunda parte não tinha dez minutos. A Académica tentava construir, mas não tinha qualidade suficiente para levar o jogo para perto da baliza de Casillas e desde logo se percebeu que acabaria por sucumbir como sucumbiu na Luz ante o Benfica. Como que a confirmá-lo, tal como nesse jogo, foi o terceiro golo a levar as bancadas ao êxtase: perfuração de Corona, cruzamento e, com o conforto dos dois golos de vantagem, risco máximo assumido por Herrera na finalização de calcanhar. Até final, o FC Porto voltou a perder intensidade, permitindo ainda um golo aos visitantes, obra de Rui Pedro, e pedindo a Casillas que evitasse um segundo que até podia ter reaberto a questão do resultado. Com o 3-1 final, veio a liderança, com mais um ponto que o Sporting e mais cinco que o Benfica, semana e meia depois da contestação dos adeptos a Lopetegui no aeroporto à chegada de Londres, onde a equipa caiu na Liga dos Campeões. Razão suficiente para que todo o grupo tenha um bom Natal.
2015-12-20
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Carlos Manaca era um bom defesa-central, daquele tempo do futebol “rock and roll”, em que os jogadores eram todos bons. Ou pelo menos era isso que ouvíamos contar na rádio. Mas Manaca era mesmo bom. Notabilizou-se com a camisola do Sporting, que deixou aos 28 anos, para jogar nos Estados Unidos, mas nada fez tanto pela eternização do seu nome como um autogolo, já depois de ter regressado a Portugal. Os autogolos são o dia-a-dia dos defesas-centrais, mas o autogolo de Manaca foi especial, porque valeu a vitória do Sporting em Guimarães e porque essa vitória valeu aos leões o título nacional de 1980, ganho ao sprint ao FC Porto. Quase 40 anos depois, a história de Manaca regressou, mas agora Manaca chama-se Tonel. O problema de Tonel, o defesa-central que também se notabilizou com a camisola do Sporting, saiu para a Croácia e depois regressou a Portugal, é que o penalti que ele fez no último minuto do jogo com os leões foi filmado por mais de uma dezena de câmaras de televisão. Mais. Além disso, Tonel fez um penalti que valeu uma vitória ao Sporting – não um título, pelo menos por enquanto – numa altura em que há redes sociais. Tonel, o Manaca turbinado pelo Twitter e pelo Facebook, tem, tal como tinha Manaca, toda uma carreira atrás dele, mas nem isso impediu milhares de adeptos de garantirem que ele tinha feito o serviço encomendado em benefício do ex-clube, que sem o penalti que ele cometeu não teria ganho ao Belenenses. O assunto foi “trending topic” durante uma semana, até que os mesmos adeptos que tinham crucificado Tonel perceberam envergonhados que há por aí mais Manacas. Veio a jornada seguinte e o Benfica ganhou à Académica por 3-0. Não jogou enormidades, mas foi a única equipa em condições de chegar à vitória, a única que a procurou. Ainda assim, colocou-se em vantagem com dois penaltis perfeitamente desnecessários, cometidos por Trigueira e Ofori, e convertidos por Jonas, que aproveitou para passar a barreira dos dez golos antes do Natal pela primeira vez desde que está na Europa. Pressionado pelo Benfica, o FC Porto viu-se a perder contra o Paços de Ferreira, chegou ao empate ainda antes do intervalo, mas só virou o jogo de penalti, na sequência de um lance em que Marco Baixinho, defesa-central do Paços, começou por atrasar mal a bola para o seu guarda-redes, para depois ir rasteirar Herrera dentro da área, impedindo que ele tirasse vantagem do erro original. Manacas? Claro que sim. Mas só no sentido em que os erros podem perfeitamente acontecer a quem vive a profissão no fio da navalha. Quase parecia uma onda solidária, uma espécie de “Je suis Tonel” – ou “Je suis Manaca”… – dos jogadores que defrontaram os grandes. Mas é pena que os que se entretêm a identificar Manacas – ou Toneis -  não sejam capazes de perceber que se Benfica, FC Porto e Sporting ganharam os seus jogos desta jornada não foi por causa dos erros dos adversários. No Benfica-Académica houve o detalhe tático de um meio-campo que começa a carburar melhor devido à dupla missão de Pizzi, que parte de uma das alas mas compõe bem o meio, mas também ao vigor e à potência do júnior Renato Sanches, autor de um jogo muito interessante e de um golaço num remate a 30 metros que terá valido o bilhete a quem foi ao estádio. No FC Porto-Paços de Ferreira houve um excelente golo de Corona, pela ligação entre os dois extremos – ele e Brahimi – e pela classe do mexicano na definição face ao guarda-redes. E houve uma espécie de renascimento de Herrera, a manter os níveis de intensidade e competitividade da equipa. E no Marítimo-Sporting houve um líder operário, a saber sofrer antes e depois da bela jogada coletiva que deu o golo a Adrien, bem como um Rui Patrício de seleção, autor de duas defesas gigantes a preservar a vantagem. Disso, porém, só se lembram os adeptos dos clubes que ganharam. E diz muito sobre o nosso futebol que até esses prefiram lembrar os erros que levaram aos golos dos rivais. Porque quando vemos futebol estamos sempre em busca de um Manaca. Mesmo que Manaca tenha feito muito mais do que aquele autogolo. In Diário de Notícias, 07.12.2015
2015-12-07
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Ao vencer o Paços de Ferreira por 2-1, depois de ter estado a perder, o FC Porto conseguiu virar o marcador pela primeira vez desde que é treinado por Julen Lopetegui. A última virada dos dragões tinha sido a 5 de Fevereiro de 2014, ainda com Paulo Fonseca aos comandos, num jogo da Taça de Portugal, frente ao Estoril, no Dragão: Babanco adiantou os canarinhos, Quaresma empatou antes do intervalo e Ghilas fez o golo da vitória a três minutos do final.   - Mesmo vencendo, o FC Porto falhou o objetivo de passar um ano inteiro sem sofrer golos em casa em jogos da Liga portuguesa. Faltaram nove dias, pois ninguém marcava no Dragão para o nosso campeonato desde que Lima ali bisou na vitória do Benfica por 2-0, a 14 de Dezembro do ano passado. O golo de Bruno Moreira, logo aos 8 minutos de jogo, significa ainda que a série de minutos de jogo sem sofrer golos em casa para a Liga estancou aos 1483, 98 minutos aquém dos 1581 que Vítor Baía e Cândido estiveram sem sofrer golos nas Antas em 1994   - Pelo segundo jogo consecutivo, o FC Porto teve dois mexicanos a marcar. Na Madeira, contra o União, Herrera e Corona tinham estado entre os goleadores do 4-0 final, ao passo que agora, contra o Paços de Ferreira, Corona e Layun fizeram os tentos portistas. O segundo veio na sequência de um penalti cometido sobre Hererra.   - O primeiro penalti a favor do FC Porto esta época veio finalmente permitir que se perceba quem é “o especialista” dos dragões nesse tipo de lances. É Layun, o primeiro jogador do FC Porto a marcar um penalti desde que Quaresma converteu um frente ao Bayern Munique, a 15 de Abril. Depois disso, a 10 de Maio, o mesmo Quaresma falhou um contra o Gil Vicente.   - O FC Porto obteve a terceira vitória consecutiva, depois dos sucessos contra o Tondela (1-0) e U. Madeira (4-0). Está a um sucesso de igualar a melhor sequência da época, que são quatro vitórias seguidas, contra o Chelsea (2-1), o Belenenses (4-0), o Varzim (2-0) e o Maccabi (2-0), em Setembro e Outubro.   - Na Liga, os dragões ganharam os últimos quatro jogos depois do empate em casa com o Sp. Braga: V. Setúbal (2-0), Tondela (1-0), U. Madeira (4-0) e P. Ferreira (2-1). Não o conseguiam desde as sete vitórias seguidas em Fevereiro e Março.   - Brahimi viu interrompida uma série de dois jogos seguidos a marcar golos, mas fez a terceira assistência da época, ao servir Corona para o primeiro golo portista. Antes, já tinham sido dele os passes para os golos de Aboubakar e Corona que inauguraram o marcador nos jogos com o Estoril e o Belenenses.   - Corona voltou a ser titular e a marcar um golo. Vai com seis jogos a titular pelo FC Porto e seis golos. A jogar de início, só ficou em branco contra o Benfica, mas em contrapartida bisou no jogo com o Arouca.   - Tal como Corona, também o pacense Bruno Moreira marcou pelo segundo jogo consecutivo, depois de ter estado na folha de goleadores da vitória da sua equipa contra o Estoril (2-0). Repete o que já conseguira contra o Nacional e a Naval, em Outubro, com uma nuance: na altura bisou ante os madeirenses e fez quatro tentos aos figueirenses.
2015-12-06
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Último Passe

FC Porto e Sporting responderam bem à vitória do Benfica na abertura da 12ª jornada da Liga, ganharam também e deixaram tudo na mesma no topo da classificação. Não foram vitórias fáceis, mas chegaram com declaração de voto: o FC Porto superou pela primeira vez com Lopetegui o trauma de entrar a perder e virou o jogo contra o Paços de Ferreira, aproveitando da melhor forma a ingenuidade de um penalti nascido do nada, enquanto que o Sporting repetiu mais uma vez a margem mínima que vem sendo a sua imagem de marca, desta vez com direito a sofrimento contra um Marítimo que, com jogadores motivados para salvarem a cabeça do treinador, Ivo Vieira, exigiu o melhor que Rui Patrício tinha para dar. Duas super-defesas do guarda-redes da seleção nacional, uma ainda com o marcador em branco e outra depois de Adrien ter adiantado os líderes, enfatizaram o sucesso de um Sporting de fato-macaco vestido. Em condições difíceis, da relva à humidade do Funchal, que ajudaram o Marítimo a suplantar a equipa de Jorge Jesus na intensidade com que abordava cada duelo, sobretudo durante a primeira parte, os leões tiveram de aguentar um arranque exigente, foram equilibrando a equipa e chegaram à vantagem na mais bonita jogada de todo o desafio, uma triangulação perfeita com rasgo de imaginação de João Mário antes da assistência para o capitão de equipa. Depois, mesmo já não tendo começado com muita gente na frente – a lesão de Gutièrrez e o castigo a Slimani aproximaram mais o Sporting do 4x3x3 que do 4x4x2 preferido do seu treinador – Jesus foi puxando a equipa para trás, entendendo que seria essa a melhor forma de preservar a vantagem. Trocou Gelson por Aquilani e no final, para conter o maior assédio do Marítimo, ainda chamou Naldo ao campo, por troca com João Mário. É feio? Talvez. Mas deu três pontos num campo onde o FC Porto tinha deixado dois. Antes, o FC Porto tinha sofrido também para se colocar em vantagem contra um Paços de Ferreira personalizado e com gente que sabe bem o que está a fazer em campo. O golo de Bruno Moreira, fruto de um erro de posicionamento do bloco defensivo portista na sequência de um canto, apresentava um desafio de monta, pois até aqui nunca o FC Porto de Lopetegui conseguira virar um jogo. Mas os dragões foram empurrando o adversário para trás, criaram várias situações de golo – em noite negativa de Aboubakar, que, traído por um mau primeiro toque, confirmou as dificuldades para ser decisivo em espaços curtos –, empataram ainda antes do intervalo, numa bela movimentação de Corona em direção ao espaço interior, e acabaram por chegar à vantagem no seu primeiro penalti da época. O FC Porto jogou o suficiente para ganhar de outra forma, mas acabou por beneficiar de um mau atraso de Baixinho para o guarda-redes Marafona, de uma insistência pressionante de Herrera – bom jogo do médio mexicano – e de uma rasteira imprudente do mesmo Baixinho para se colocar em vantagem num penalti de Layun.
2015-12-06
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Casillas não sofre golos na Liga há 452 minutos de jogo, desde que foi batido por André Fontes, a 2 minutos do final da partida que o FC Porto empatou (2-2) em Moreira de Cónegos, a 25 de Setembro. Desde então, o espanhol manteve a baliza inviolada contra Belenenses (4-0), Sp. Braga (0-0), V. Setúbal (2-0), Tondela (1-0) e agora U. Madeira (4-0). É já o dono da maior série de imbatibilidade em curso na prova, mas ainda a 50 minutos do máximo da temporada, que é do bracarense Kritciuk.   - Em consequência disso, o FC Porto chega à 11ª jornada com apenas quatro golos sofridos na Liga, menos um do que na época passada. Desde 2010/11, do ano em que era liderada por André Villas-Boas, que a equipa portista não tinha tão poucos golos sofridos a esta altura da prova. Nessa época, o FC Porto foi campeão, com 16 golos sofridos em 30 jogos e sem derrotas.   - Foi a primeira vitória do FC Porto na Madeira em sete jogos. A última vez que o FC Porto ali ganhara também tinha sido na Choupana, a 4 de Maio de 2013, mas contra o Nacional, que os dragões tinham batido por 3-1. Nesse jogo, o FC Porto chegou aos 3-0 em 22 minutos; ontem precisou de 23’ para fazer os três primeiros golos.   - O FC Porto segue com cinco vitórias consecutivas em jogos fora de casa: 2-0 ao Varzim, 3-1 ao Maccabi Tel Aviv, 2-0 ao Angrense, 1-0 ao Tondela e agora 4-0 ao U. Madeira. A última vez que tinha ganho cinco deslocações seguidas foi entre Novembro do ano passado e Janeiro, quando se impôs a Bate Borisov (3-0), Académica (3-0), Rio Ave (1-0), Gil Vicente (5-1) e Penafiel (3-1).   - Esta foi a maior vitória do FC Porto em jogos fora de casa desde os 5-1 ao Gil Vicente, em Barcelos, a 3 de Janeiro. Brahimi foi o ponto comum às duas listas de goleadores: marcou o terceiro em Barcelos e o segundo na partida da Choupana.   - Em contrapartida, o U. Madeira não sofria quatro golos em casa desde uma visita do Tirsense, em Setembro de 2007, na qual foi batido por 4-2. Para se encontrar uma derrota caseira por quatro golos de diferença é prciso recuar 21 anos, a 27 de Novembro de 1994, quando o Salgueiros venceu por 4-0 nos Barreiros.   - André Moreira, o jovem guarda-redes do U. Madeira, não sofria quatro golos num só jogo desde Abril de 2014. Nessa altura jogava ainda no Ribeirão e viu a sua equipa empatar (4-4) em Joane, num jogo para a manutenção no Campeonato Nacional de Seniores.   - Foi também a terceira vitória seguida do FC Porto na Liga, depois do 1-0 ao Tondela e dos 2-0 ao V. Setúbal. Os dragões igualaram a melhor série desta época, pois já tinham batido de enfiada Estoril (2-0), Arouca (3-1) e Benfica (1-0).   - Maxi Pereira fez a sexta assistência da época (quinta na Liga), ao oferecer o segundo golo da partida a Brahimi. É o jogador com mais passes de golo do FC Porto, com a curiosidade de ter sido a primeira vez que repetiu o destinatário: antes dera um golo a Aboubakar, outro a Varela, outro a Brahimi, outro a André André e outro ainda a Layun.   - A expulsão de Osvaldo, a 15 minutos do fim, significa que o FC Porto deixa o grupo de equipas que ainda não tinham tido cartões vermelhos na atual Liga, e que agora é composto apenas por Arouca, Benfica, Moreirense e U. Madeira. O último portista expulso na Liga tinha sido o guarda-redes Fabiano, a 15 de Março, na receção ao Arouca, que os dragões ganharam por 1-0. O árbitro desse jogo tinha sido Jorge Tavares.   - Brahimi marcou golo pelo segundo jogo seguido. Já não o conseguia desde Novembro do ano passado, quando esteve na lista de goleadores por três vezes seguidas, contra Nacional, Athletic Bilbau e Estoril.   - Corona fez o quinto golo em outros tantos jogos em que foi titular do FC Porto. Nessas condições, só ficou em branco contra o Benfica, mas em contrapartida bisou no desafio frente ao Arouca. 
2015-12-03
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Os resultados largos com que FC Porto e Sporting despacharam os históricos Belenenses e V. Guimarães permitiram que as duas equipas mantivessem a liderança conjunta da Liga mas foram bem diferentes entre si. Acusando o desgaste da épica jornada europeia contra o Chelsea, os dragões fizeram um jogo menos intenso e acabaram por valer-se da inspiração individual dos seus dois extremos, Corona e Brahimi, para desmontar a longa resistência do autocarro azul. Mais tarde, mudando cinco titulares em relação ao empate de Istambul, que até tinha sido dois dias depois, o Sporting voltou ao jogo pressionante e rápido que chegou a mostrar no início da temporada e desde cedo reduziu a escombros a resistência de um Vitória que quis jogar no campo todo. Os dois jogos permitiram ainda que os treinadores provassem razão em duas das suas mais contestadas opções. Lopetegui tirou rendimentos da obsessão pelo jogo pelas faixas laterais, por onde criou os lances que desbloquearam o resultado: Brahimi furou pela esquerda antes de servir Corona com talento para o 1-0; Maxi cruzou na direita para Brahimi fazer o 2-0 e Tello arrancou igualmente pela direita antes de dar o 3-0 a Osvaldo. Marcano ainda fez o último golo da noite numa bola parada. Por sua vez, Jesus mostrou que a opção de fazer repousar parte dos titulares na Liga Europa deu rendimento: aliada a um maior aproveitamento das ocasiões criadas, a capacidade de pressão e recuperação de bola ainda bem no meio-campo adversário permitiu que os leões cedo chegassem aos dois golos de vantagem e partissem daí para a melhor exibição coletiva da época. Depois de João Mário dar o 1-0 a Slimani, Gutierrez aproveitou uma oferta do adversário para dobrar a vantagem; na segunda parte Jefferson fez três assistências para golos de Slimani (dois) e Adrien antes de Josué reduzir para os 5-1 que se verificaram no final. É verdade que a essa subida de rendimento dos leões não é alheia a presença de João Mário no corredor direito ou a subida de forma de William. O médio centro recentemente regressado de lesão dá outra dimensão ao meio-jogo leonino e o jovem convertido em extremo, melhor na tomada de decisão e na capacidade de transformar o jogo em esforço coletivo que todas as alternativas anteriormente testadas para a vaga de Carrillo, permite que os leões liguem melhor os setores e até sejam mais rápidos – porque deixa de haver tanto raide individual com o resto da equipa na expectativa. É que a capacidade de iluminar individualmente o jogo de uma equipa não depende apenas da criatividade ou da capacidade de drible, como tão bem o mostraram Corona e Brahimi no FC Porto. Eles têm tudo: a criatividade, a capacidade de drible, a rapidez de execução, mas sobretudo a inteligência na tomada de decisão que lhes advém de uma maior experiência que já foram adquirindo. Por isso foram investimentos pesados e não são projetos mas sim jogadores feitos.
2015-10-04
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O FC Porto fez apenas sete faltas no empate (2-2) frente ao Moreirense, mostra de alguma falta de agressividade que não vinha sendo habitual numa equipa que até era das mais faltosas da Liga: somava 94 (18,8 por jogo), total que só era suplantado por Marítimo (100), Estoril (96) e P. Ferreira (95). Para efeitos de comparação deve dizer-se que o mínimo desta época tinham sido as 16 faltas cometidas nos jogos com Marítimo, Estoril e Benfica. Para encontrar um jogo tão bem comportado dos jogadores portistas é preciso recuar até Março, quando a equipa azul e branca venceu em casa o Arouca, por 1-0, fazendo as mesmas sete faltas. Esse não foi, de resto, o único desafio abaixo das dez faltas na última Liga para uma equipa que antes da chegada de Lopetegui e do seu modelo de posse raramente se ficava por um algarismo na contagem das infrações: nos 5-0 ao Estoril, os jogadores portistas tinham feito nove faltas.   - Segundo golo de livre de Maicon esta época, foi também o segundo que marcou na equipa principal do FC Porto (tinha, também, um ao serviço do FC Porto B).  Todos os outros golos de Maicon tinham sido obtidos de cabeça.   - O FC Porto sofreu golos nos últimos cinco jogos fora de casa: antes dos dois marcados pelo Moreirense, tinha sofrido outros tantos em Kiev com o Dynamo (2-2), um em Arouca (3-1), outro no Funchal com o Marítimo (1-1) e, ainda na época passada, outro no Restelo com o Belenenses (1-1). Não acontecia nada de semelhante aos dragões desde o final da época de 2013/14, ainda que nessa altura tenham sido doze jogos consecutivos a sofrer golos em viagem, desde a derrota na Luz por 2-0, com o Benfica, até à última saída da época, perdida no Algarve com o Olhanense (2-1).   - Julen Lopetegui conseguiu pela primeira vez ultrapassar o traumático 12º jogo sem perder. Nas duas anteriores ocasiões em que, como treinador do FC Porto, alinhara 1 jogos seguidos sem derrota, caíra ao 12º. Primeiro contra o Sporting, no Dragão, para a Taça de Portugal (1-3); depois com o Marítimo, na Madeira, para a Taça da Liga (1-2). Desta vez não ganhou, mas também não perdeu.   - Quarto golo na Liga de Iuri Medeiros, o jovem emprestado pelo Sporting ao Moreirense. Antes de marcar ao FC Porto, já tinha feito o mesmo ao Benfica, quando estava cedido ao Arouca, ainda que nessa tarde a sua equipa tenha perdido (1-3).   - Terceiro golo em outras tantas partidas de Corona com a camisola do FC Poro na Liga. Na Liga holandesa, ao serviço do Twente, precisou de 16 jogos para chegar aos três golos.   - Ao entrar para o lugar do lesionado Brahimi, Varela atingiu os 200 jogos pelo FC Porto (em todas as competições). NO atual plantel, só Helton o supera, com 322.   - Os 70% por cento de posse de bola que o FC Porto teve no jogo com o Moreirense são o segundo total mais elevado da atual Liga, apenas atrás dos 71% que o Benfica conseguiu, em casa, contra o mesmo Moreirense.
2015-09-26
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Último Passe

Quando, no rescaldo do Marítimo-FC Porto, Julen Lopetegui explicou as razões que, face ao empate que se eternizava no placar dos Barreiros, o levaram a trocar Aboubakar por Osvaldo, estaria tão convicto do que disse como esteve no momento em que, para desfazer o impasse no jogo de Moreira de Cónegos, há pouco, optou por juntar os dois pontas-de-lança em campo e abdicar de um defesa-central. “Não se joga melhor por ter mais avançados”, disse na altura Lopetegui. Pois não. Mas há jogos que só se resolvem com gente na área. O de Moreira de Cónegos podia ter sido um deles. Contra um Moreirense que estacionou o autocarro à frente da área de Stefanovic, que baixou tanto o bloco que quase convidava os portistas a entrarem pela baliza com a bola controlada, impunha-se ter gente na área. Muita gente na área. O treinador espanhol percebeu-o e somou Aboubakar a Osvaldo, pedindo ainda a Corona que aparecesse também no espaço interior. Foi num lance em que o italo-argentino insistiu e o mexicano recuperou um ressalto que o FC Porto chegou à vantagem, a 12 minutos do final. Claramente, o jogo devia ter ficado ganho para os dragões naquele momento, deixando para trás o livre de Maicon e o golo de Iuri Medeiros, que davam o empate momentâneo. Só que o Moreirense ainda chegou a novo empate, por André Fontes, a dois minutos do final. A tentação mais normal pode ser a de culpar a falta de gente atrás, mas a verdade é que o FC Porto tinha gente na área em números mais do que suficientes para evitar o golo. Não estava Marcano, mas estava Danilo, porque depois do 2-1 Lopetegui mandou recompor o quarteto defensivo com o médio centro ao lado de Maicon. E mesmo assim, antes, já Luís Carlos obrigara Casillas a boa defesa para evitar o que também podia ter sido o empate. A questão é que, porventura iludida pelo facto de o adversário se demitir da opção de jogar (os 30% de posse de bola do Moreirense frente ao FC Porto só encontram paralelo na atual Liga dos 29% que o mesmo Moreirense teve na Luz, onde também esteve a minutos de empatar com o Benfica), o FC Porto fez um jogo lento no ataque e pouco agressivo quando perdia a bola: fez apenas sete faltas, quando o seu mínimo na Liga eram 16. E como disse Lopetegui no final, a Liga vai ser longa e vai ser preciso pedalar muito. Mas isso não basta dizê-lo. Tem é de convencer os seus jogadores.
2015-09-25
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Artigo

Jesus Corona teve uma estreia de sonho: dois golos na baliza do Arouca no primeiro jogo que fez na Liga portuguesa. Foi o primeiro jogador a bisar na estreia no nosso campeonato desde que o romeno Rusescu também marcou dois na vitória do Sp. Braga sobre o V. Guimarães (3-0), a 10 de Janeiro de 2014. Rusescu, no entanto, tinha ficado em branco num jogo anterior para a Taça de Portugal, frente ao Arouca. Para se encontrar um jogador que tenha feito pelo menos dois golos no primeiro jogo competitivo em Portugal é preciso ir buscar Montero, que a 18 de Agosto de 2013 fez um hat-trick nos 5-1 do Sporting ao… Arouca. No FC Porto, o último a bisar na estreia tinha sido Pena, que a 9 de Setembro de 2000 contribuiu com dois golos para os 2-1 do FC Porto, em casa, ao Paços de Ferreira.   - Esta não é a primeira vez que Corona marca na estreia. A 29 de Setembro de 2013 já tinha marcado nos 5-0 do Twente ao Groningen, o primeiro jogo que fez para a Liga holandesa.   - Aboubakar manteve o registo 100 por cento goleador sempre que defronta o Arouca. Na época passada já tinha marcado a fechar os 5-0 no terreno do adversário e feito o único golo na vitória caseira por 1-0. Ontem voltou a encerrar a conta portista, fazendo o que na altura era o 3-0.   - André André foi titular do FC Porto pela primeira vez à quarta tentativa, depois de três jogos como suplente utilizado (V. Guimarães, Marítimo e Estoril). Repete a história do pai, mas com muito mais rapidez, pois fê-lo à quarta ronda: em 1984, António André só foi titular à 11ª jornada, num empate a zero nas Antas contra o Sporting, depois de ter sido suplente utilizado contra Farense, Salgueiros e Penafiel.   - O segundo golo sofrido pelos portistas esta época teve vários pontos em comum com o primeiro. Tal como no Funchal, o golo de Maurides nasceu de um cruzamento na esquerda do ataque e foi marcado nas costas do lateral esquerdo azul e branco. Com menos culpas de Layun neste caso do que de Cissokho no tento de Edgar Costa, que custou ao francês o seu lugar no onze.   - Maurides fez ao FC Porto o seu segundo golo saído do banco nesta Liga, tornando-se o suplente mais goleador do campeonato. Antes já tinha feito o mesmo nos 2-0 com que o Arouca venceu o Moreirense.
2015-09-13
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Último Passe

Falar da vitória do FC Porto frente ao Arouca acaba necessariamente por ser falar de Corona, a estrela na noite de estreia. O extremo mexicano abriu a conta portuguesa com dois golos e mostrou outros pormenores que vão dar-lhe lugar cativo no onze titular de Lopetegui. É veloz como Tello, sabe ser retilíneo como Varela e junta-lhe a criatividade de Brahimi. Fazendo um paralelismo com o resultado do jogo (3-1) é um três em um que pode vir a ocupar a vaga de Quaresma nos corações dos adeptos portistas. E Corona resolveu um jogo que podia ter-se transformado num problema a sério. Porque depois de um arranque forte, com um golo feito no primeiro quarto-de-hora, os dragões voltaram a baixar o ritmo e a intensidade, saindo para o intervalo com a ideia de que era o Arouca a equipa mais ligada ao jogo. A equipa de Lito Vidigal teve mais bola do que o Porto na primeira parte, mostrou princípios sólidos de jogo e levou Lopetegui a sentir a necessidade de dar força ao meio-campo, trocando Brahimi por Danilo, que tinha ficado a descansar da seleção.  Só que então, além de Jesus Corona, apareceu André André, a partir desse momento colocado nas alas do ataque. Na esquerda, rematou para defesa difícil de Bracalli e golo na recarga fácil de Corona. E na direita encontrou Aboubakar em cima da linha de golo e colocou-lhe a bola à frente para o terceiro. Mais um que não deve sair do onze tão cedo.
2015-09-12
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