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Último Passe

Uma das coisas que mais vezes se dizem acerca do futebol é que a melhor coisa que ele tem são os jogadores. Mas quando duas partes numa discórdia estão tão radicalmente distantes como estavam José Mourinho e o seu grupo de jogadores no Chelsea, não há que escolher lados. O futebol não é o universo de George Lucas, não há lado bom e lado negro da força: há gente que tem de se entender em nome de um bem comum e, se não se entende, há ainda a noção da impossibilidade prática de despedir um plantel inteiro quando se pode resolver tudo com a cabeça de um só homem num espeto de pau. Ainda assim, a coisa mais certa dita por Michael Emenalo, diretor técnico do Chelsea, ao justificar o despedimento de Mourinho, foi que “o clube está num sarilho”. Mourinho há-de ser culpado de alguma coisa. Seja por ter deliberadamente quebrado uma qualquer solidariedade de grupo ao despedir a fisioterapeuta Eva Carneiro ou por ter feito confiança nos jogadores que ganharam a Premier League e a Taça da Liga no Verão mas estão um ano mais velhos. Mas isso não explica tudo: a resposta desta espécie de democracia corintiana que se estabeleceu no balneário para mostrar desagrado face ao treinador foi tudo menos inocente. Se há coisa que Mourinho faz bem é treinar – pode discordar-se da estratégia de liderança ou de comunicação, dos “mind games” ou da falta de respeito pelos adversários, mas nunca vi ninguém dizer que Mourinho trabalhava mal no campo de treinos. E basta ver esta equipa do Chelsea a jogar para perceber que os jogadores defendem como solteiros e atacam como casados, que jogam como amadores que se juntam ao domingo de manhã. Roman Abramovich terá concluído aquilo que muitos desconfiavam. A equipa não joga mais porque os jogadores não querem este treinador. E resolveu a questão como podia… para já. Mas quando Emenalo fala no “sarilho” em que o Chelsea está não se refere só à posição na classificação. Tudo o que vai passar-se a seguir é um grande sarilho. Porque, tal como o cônsul romano Quinto Cépio se recusou a recompensar os assassinos de Viriato, também Abramovich tem ar de quem não paga a traidores.
2015-12-17
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Artigo

Já fui suficientemente massacrado acerca de autogolos e no entanto volto ao assunto. Porquê? Porque a Liga portuguesa não dá autogolos a favor dos nossos grandes clubes. Sei que a Liga nem sequer atribui marcadores aos golos, quem o faz são os árbitros. Mas quem quiser que enfie a carapuça. Para mim, que sigo as normas em recomendadas pela FIFA há vários anos, o quarto golo do Benfica em Setúbal é autogolo de Ricardo. Tal como o primeiro do Chelsea ao FC Porto é autogolo de Marcano. Para a Liga portuguesa, quem marcou o quarto golo do Benfica em Setúbal foi Mitroglou. Para a UEFA, quem fez o primeiro do Chelsea ao FC Porto foi mesmo Marcano, na própria baliza. Quem perceber as diferenças entre os dois lances que me explique, mas por favor sem recurso ao discurso gasto e velho da imparcialidade. Não há forma mais imparcial de ver a coisa do que a recomendação da FIFA. Que diz o seguinte: se o último toque na bola antes de ela entrar na baliza é involuntário ou infeliz – como são os toques dos defesas que tentam evitar os golos – deve analisar-se a trajetória da bola levava antes desse mesmo toque. Se a bola ia em direção da baliza, é golo do atacante que a chutou; se ia noutra direcção, então esse último toque ganha caráter decisivo e deve ser atribuído o golo ao seu autor. Parece-me simples. Mas há muito quem complique. Os adeptos por causa da cor das camisolas; as Ligas, sei lá por que razão. Vamos a casos concretos. Quarto golo do Benfica em Setúbal: Mitroglou chuta ao poste, a bola vinha para trás quando bateu nas pernas do guarda-redes Ricardo e voltou em direção da baliza. Não dá para duvidar: é autogolo de Ricardo. Se o tirarmos do lance não há golo. Para a Liga portuguesa, no entanto, o golo é de Mitroglou. Primeiro golo do Chelsea ao FC Porto em Londres: Diego Costa segue isolado em direção à baliza do FC Porto, chuta contra Casillas, a bola vem em direção oposta à da baliza quando bate no peito de Marcano e acaba nas redes. Também não dá para duvidar: é autogolo de Marcano. Foi, aliás, essa, a decisão da UEFA. A lógica é a mesma da que apliquei no primeiro golo do Benfica em Braga. Recordo o que se passou: Pizzi chutou, Baiano impediu a bola de seguir para a baliza e cortou-a, mas ela acabou por bater nas costas de Kritciuk, reassumindo a direção das redes. Para mim, também não há dúvidas: é autogolo de Kritciuk, porque se ele lá não estivesse a bola não iria para a baliza. Para a Liga portuguesa, no entanto, foi golo de Pizzi. É que, por muito que se esforcem, esse lance não tem nada a ver com o do primeiro golo do Benfica em Setúbal, a não ser no facto de também nesse ter sido Pizzi a chutar. Neste caso, Pizzi chuta, Ricardo tenta defender, toca na bola mas não a detém e ela acaba mesmo no fundo das redes. Sucede que, sem a intervenção do guarda-redes, abola ia na mesma para a baliza, pelo que o golo é de Pizzi. Aqui, a Liga portuguesa acertou. Para não dizerem que estou sempre contra.
2015-12-14
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Último Passe

Julen Lopetegui sempre demonstrou tanto respeito pela história do FC Porto como falta de interesse pelo que dizem da sua equipa os jornalistas em Portugal. Em Stamford Bridge, no entanto, não lhe fez falta seguir as ideias dos comentadores acerca da sua rotatividade excessiva, mas sim uma demonstração de conhecimento acerca de pormenores relativos ao passado do clube. Emulou bem o FC Porto dos anos 70, ao qual, no dizer de Pedroto, “faltavam 30 metros”, mas não aprendeu bem a lição acerca do futebol de Mourinho, que quando se coloca em vantagem baixa as linhas e dificilmente se deixa surpreender por quem quer que seja. A surpresa tática desenhada pelo treinador espanhol foi posta em causa logo aos 12’, quando o autogolo de Marcano a transformou numa má ideia, e conduziu os dragões à eliminação que há duas jornadas parecia impensável. O treinador basco abdicou do ponta-de-lança, deixando Aboubakar no banco e pedindo a Brahimi e Corona que ocupassem a frente de ataque. Abriu Layun na esquerda, povoo o meio-campo com Imbula, Danilo e Herrera e pediu a Martins-Indi que auxiliasse os centrais a partir do lado esquerdo. O resultado foram dez minutos personalizados, mas sem profundidade nem contundência no corredor central. Era o tal futebol ao qual faltavam os últimos 30 metros, por uma razão muito simples: a equipa concentra os jogadores nos outros 75. O Chelsea não precisava de ganhar mas tentava ainda assim chegar à frente e, a cada recuperação de bola, o FC Porto conseguia ligar passes e deixar uma ideia de domínio que até podia ter resultado nalguma coisa de útil se os dragões se adiantassem no marcador. Só que quem marcou foi o Chelsea, no tal autogolo de carambola de Marcano. E foi aí que faltou a segunda lição de portismo a Lopetegui: a que respeita ao futebol de Mourinho em vantagem. A ganhar, o Chelsea baixou as linhas, cedeu o pouco de iniciativa que ainda tinha e impossibilitou os tais lances de contra-ataque que vinham alimentando a esperança portista. Daí para a frente, o que se viu fui um Chelsea perigoso quando saía rápido e um FC Porto com mais bola mas com Brahimi a jogar sozinho contra o Mundo. O segundo golo era uma questão de tempo e apareceu num lance onde se viu outro problema da equipa portuguesa: a indefinição tática. Indi veio fechar ao meio, Layun não terá percebido se tinha de ser ala ou defesa esquerdo e Willian fugiu no espaço entre os dois para fazer o 2-0. Até final, Lopetegui ainda mudou muita coisa, mas já se percebia que as únicas notícias boas que poderiam aparecer teriam de vir de Kiev. Não apareceram, pois o Dynamo ganhou ao Maccabi e ao FC Porto resta o caminho da Liga Europa. Com mais convicção e menos surpresas pode ser um caminho interessante.
2015-12-09
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Stats

O FC Porto entra em Stamford Bridge com uma certeza: a não ser que o Dynamo Kiev não ganhe em casa ao Maccabi (que até agora perdeu todos os jogos), só se qualifica para os oitavos de final da Liga dos Campeões se ganhar ao Chelsea. E isso significaria o afastamento dos londrinos da prova. Complicado, se olharmos aos precedentes históricos. É que em 16 visitas a Inglaterra, tudo o que os dragões conseguiram foram dois empates. E num deles a equipa era liderada por José Mourinho – que agora treina o Chelsea – e acabou por sagrar-se campeã da Europa. Os empates aconteceram ambos no mesmo cenário: Old Trafford, em Manchester. Em 2003/04, um golo de Costinha, já perto do fim da partida, valeu um empate a uma bola contra o United, que tinha perdido no Dragão por 2-1 e assim ficou pelo caminho nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões que o FC Porto acabou por vencer. O outro empate foi em 2008/09, mas a dois golos: marcaram pelos portistas Cristian Rodriguez a abrir e Mariano González a um minuto do fim. O resultado deixava a equipa de Jesualdo Ferreira numa boa posição para seguir para os quartos-de-final da Liga dos Campeões, mas um golo de Cristiano Ronaldo valeu ao United uma vitória no Dragão (1-0) na segunda mão e a caminhada até à final, que acabou por perder com o Barcelona. De resto, as outras 11 visitas do FC Porto a Inglaterra saldaram-se todas por derrotas, algumas delas com números concludentes. Três delas, aliás, aconteceram em Stamford Bridge: 3-1 em Setembro de 2004, 2-1 em Março de 2007 e 1-0 em Setembro de 2009. Além desses jogos, o FC Porto perdeu ainda com o Newcastle (1-0 em 1969/70), o Wolverhampton (3-1 em 1974/75), o Manchester United (5-2 em 1977/78 e 4-0 em 1996/97), o Tottenham (3-1 em 1991/92), o Liverpool (2-0 em 2000/01 e 4-1 em 2007/08), o Arsenal (2-0 em 2006/07, 4-0 em 2008/09 e 5-0 em 2009/10) e o Manchester City (4-0 em 2011/12).   - O Chelsea entra em campo sabendo que a vitória lhe garante sempre o primeiro lugar do grupo e que o empate lhe vale a qualificação, mas em segundo lugar: se o Dynamo ganhar ao Maccabi, ficaria atrás dos ucranianos; caso o Maccabi consiga pontuar em Kiev, o Chelsea continuaria a ser segundo, mas nesse caso atrás do FC Porto. A derrota só chega ao Chelsea para ser segundo no caso de o Dynamo não ganhar ao Maccabi.   - Nunca uma equipa portuguesa conseguiu ganhar ao Chelsea em Stamford Bridge. Além do FC Porto, também já ali perderam o Benfica (2-1 em 2011/12) e o Sporting (3-1 em 2014/15). O FC Poirto foi, porém, a única equipa nacional que já ganhou aos “blues”, ainda que sempre no Dragão: 2-1 na fase de grupos de 2004/05 (fez na segunda feira onze anos) e outra vez 2-1 na presente época.   - O Chelsea já perdeu quatro vezes em casa nesta época negra: 2-1 com o Crystal Palace, 3-1 com o Southampton, 3-1 com o Liverpool e 1-0 com o Bournemouth. Todas as derrotas aconteceram em jogos da Premier League. Em partidas internacionais o Chelsea não perde em casa desde Abril de 2014, quando o Atlético Madrid ali venceu por 3-1 nas meias-finais da Liga dos Campeões.   - Além disso, o Chelsea não faz golos há dois jogos seguidos: 0-0 com o Tottenham e 0-1 com o Bournemouth. Não lhe acontecia semelhante coisa desde Novembro de 2012, quando até esteve três jogos seguidos sem marcar golos: uma derrota por 3-0 em Turim com a Juventus seguida de dois empates a zero com Manchester City e Fulham. Na altura o Chelsea esteve seis jogos sem ganhar e Roberto Di Matteo foi demitido, cedendo o lugar a Rafa Benítez.   - O FC Porto vem com três vitórias seguidas: 1-0 ao Tondela, 4-0 ao U. Madeira e 2-1 ao P. Ferreira. Procura a quarta da sequência, o que já conseguiu esta época quando bateu sucessivamente Chelsea (2-1), Belenenses (4-0), Varzim (2-0) e Maccabi Tel Aviv (2-0).   - Além disso, os dragões ganharam o último jogo fora de casa na Liga dos Campeões (3-1 ao Maccabi). Não ganham duas deslocações europeias consecutivas desde Novembro do ano passado, quando se impuseram a Athletic Bilbau (2-0) e Bate Borisov (3-0).   - Bruno Martins Indi poide fazer o 50º jogo com a camisola do FC Porto. Tem até aqui 49, 30 deles na Liga portuguesa. Os restantes dividem-se entre a Liga dos Campeões (16), a Taça da Liga (dois) e a Taça de Portugal (um). Marcou dois golos, a Gil Vicente e Sp. Braga.
2015-12-08
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Último Passe

É de dois portugueses que se fala em Inglaterra. De José Mourinho, como é habitual, mas também de Carlos Carvalhal. O primeiro continua sem conseguir acertar o passo ao Chelsea, que foi eliminado da Taça da Liga pelo Stoke, mesmo depois de ter forçado o empate nos descontos e de ter jogado o prolongamento com um homem a mais, e faz com que meia Inglaterra do futebol se questione acerca do que lhe permite manter o lugar. O segundo continua a galvanizar os adeptos do Sheffield Wednesday e afastou o Arsenal com um 3-0 contundente, que leva a que mais uma vez se pergunte por que razão anda ele perdido no segundo escalão inglês e nunca chega a aquecer o lugar nos clubes por onde passa. Mourinho está a viver um ano atípico, provavelmente o pior de toda a sua brilhante carreira. O Chelsea perdeu a Supertaça, segue em 15º lugar na Premier League e terá de pedalar para ser primeiro no seu grupo da Liga dos Campeões, pois saiu derrotado do Dragão e não fez melhor do que o FC Porto na visita a Kiev. Mourinho está seguro, pois assinou um novo contrato de quatro épocas no início da presente temporada, mas basta ver o Chelsea jogar para se perceber que aquilo não é uma equipa “à Mourinho”. Falta rigor defensivo, falta espírito competitivo, falta até qualidade nas posições mais recuadas, o que vem denunciar também algum défice de planificação no recrutamento. Pensaria Mourinho que com este grupo de jogadores poderia ir longe? Não creio. E na resposta a essa pergunta está a génese de uma outra: quererá ele ficar os quatro anos em Stamford Bridge? Diferente é a situação de Carlos Carvalhal. Não tenho dúvidas quando digo que Carvalhal é um dos treinadores mais bem preparados que conheço. Sabe do jogo, do treino, exprime-se com clareza, explica futebol como poucos. O Sheffield Wednesday é o 16º clube em que trabalha nas 18 épocas que leva como técnico de futebol, tendo pelo caminho conduzido o Leixões à final da Taça de Portugal, ganho a Taça da Liga com o V. Setúbal e experimentado o futebol grego, turco ou dos Emiratos Árabes. E no entanto, quando o nível de exigência sobe, tem falhado. Foi assim no Sporting, por exemplo. Em Alvalade, a ideia que ficou foi a de um homem demasiado brando para um balneário habituado à disciplina férrea de Paulo Bento, ao qual sucedeu. Em Sheffield, num país onde o código de ética profissional dos jogadores é bem diferente do português, a preparação de Carvalhal pode ser suficiente para lhe garantir o sucesso sem ter de se preocupar com esquemas de controlo de balneário. Para já, as coisas estão a correr-lhe bem. Ainda que no caso de Carvalhal, o verdadeiro desafio seja sempre o início da segunda época.
2015-10-28
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Último Passe

A vitória do FC Porto sobre o Chelsea e sobretudo a exibição superlativa da equipa portuguesa, que encostou o campeão inglês às cordas em várias alturas do jogo, vieram confirmar a razão de Julen Lopetegui na construção do FC Porto dos quatro médios como melhor forma de abordar jogos de elevado grau de dificuldade, como serão os da Liga dos Campeões. Aliás, essa é uma teoria que vem dos tempos de José Mourinho, que trocou o 4x3x3 da equipa que ganhou a Taça UEFA de 2003 pelo 4x4x2 com meio-campo em losango com que haveria de vencer a Champions de 2004. Contando com a inteligência que André André empresta à equipa na dupla missão de quarto médio e terceiro avançado – está encontrado um titular no meio-campo para os dois jogos da seleção em Outubro – a equipa já consegue meter gente na área quando tem a bola no ataque e ao mesmo tempo cria condições para ser defensivamente asfixiante na pressão quando a perde. É verdade que sofre quando o adversário consegue instalar-se no seu meio-campo, mas o jogo acabou por ser uma lição para os que torceram o nariz ao onze inicial apresentado pelo espanhol. É verdade que o FC Porto começou por depender de um par de intervenções de Casillas naquilo em que ele é melhor – a mancha, o jogo entre os postes – antes de se adiantar no marcador, em mais um golo decisivo de André André. Mas aquilo que fez na segunda parte, depois de Willian empatar e de Maicon marcar o 2-1, foi uma demonstração de classe internacional, muito às custas do rendimento de um meio-campo onde, como sempre me pareceu evidente, não faz falta nenhuma um número 10 desde que os dois oitos joguem como sabem. Importa pouco que este Chelsea seja um pesadelo de comportamentos defensivos (as bolas paradas, então, nem parecem de uma equipa de Mourinho). A verdade é que, além de dar mais lastro a Lopetegui na sua construção da equipa, o sucesso do FC Porto conjugado com a vitória do Dynamo Kiev em Israel deixa os portistas de cadeirinha à espera que o Chelsea faça o que têm de fazer no duplo confronto com os ucranianos que aí vem nas jornadas 3 e 4. Isto, claro, desde que nos dois jogos contra o Maccabi a equipa portuguesa não volte a cair no pecado da soberba que já lhe custou pelo menos dois resultados perto do final dos jogos esta época. É isso que falta afinar.
2015-09-29
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O FC Porto-Chelsea será um teste à forma caseira da equipa de Julen Lopetegui. Os dragões ganharam os últimos 17 jogos oficiais em casa, série iniciada a 19 de Dezembro do ano passado, com uma vitória por 4-0 frente ao V. Setúbal. A última equipa a não perder no Dragão foi o Benfica, que ali ganhou por 2-0, para a Liga portuguesa, a 14 de Dezembro de 2014. E para se encontrar uma série mais longa de vitórias portistas em casa é preciso recuar até 2004, quando a equipa azul e branca era liderada por um certo José Mourinho. Depois dessa derrota com o Benfica, os dragões ganharam sucessivamente no Dragão a V. Setúbal (4-0, Liga), Belenenses (3-0, Liga), U. Madeira (3-1, para a Taça da Liga), Académica (4-1, Taça da Liga), Paços de Ferreira (5-0, Liga), V. Guimarães (1-0, Liga), Sporting (3-0, Liga), Basel (4-0, Champions), Arouca (1-0, Liga), Estoril (5-0, Liga), Bayern Munique (3-1, Champions), Académica (1-0, Liga), Gil Vicente (2-0, Liga), Penafiel (2-0, Liga), V. Guimarães (3-0, Liga), Estoril (2-0, Liga) e Benfica (1-0, Liga). São, ao todo, 17 vitórias consecutivas, algo que o FC Porto não conseguia desde 2003/04. Nessa altura, a equipa comandada por José Mourinho conseguiu estender a série de vitórias caseiras a 19 jogos, entre a derrota com o Real Madrid (1-3 para a Liga dos Campeões, a 1 de Outubro de 2003) e o empate com o Deportivo da Corunha (0-0 nas meias-finais da mesma prova, a 21 de Abril de 2004. Pelo caminho ficaram os seguintes adversários: Académica (4-1, Liga), Nacional (1-0, Liga), Ol. Marseille (1-0, Champions), Boavista (1-0, Taça de Portugal), Partizan (2-1, Champions), Gil Vicente (4-1, Liga), Beira Mar (3-0, Liga), Maia (3-0, Taça), Rio Ave (1-0, Liga), Vilafranquense (4-0, Taça), E. Amadora (2-0, Liga), U. Leiria (2-1, Liga), V. Guimarães (3-0, Liga), Manchester United (2-1, Champions), Belenenses (4-1, Liga), Boavista (1-0, Liga), Lyon (2-0, Champions), Moreirense (1-0, Liga) e Marítimo (1-0, Liga).   - A questão é que José Mourinho também raramente perdeu jogos no estádio do FC Porto. Soma ali, ao todo, apenas seis derrotas em 65 jogos, 63 dos quais foram ao serviço dos dragões. Mas já lá não ganha um jogo desde 9 de Maio de 2004, quando celebrou a conquista do título nacional com um 3-1 ao Paços de Ferreira (hat-trick de Benny McCarthy). Três das derrotas de Mourinho no terreno portista aconteceram em 2001/02: foi batido por 2-1 pelo FC Porto na primeira vez que lá foi, ainda aos comandos da U. Leiria, e perdeu depois com o Beira Mar (2-3) e com o Real Madrid (1-2), já à frente dos azuis e brancos. Depois disso, foi derrotado pelo Panathinaikos (0-1) a caminho da vitória na Taça UEFA de 2002/03, pelo Real Madrid (1-3, com Casillas na baliza) no percurso até à vitória portista na Liga dos Campeões de 2003/04 e pelo FC Porto na fase de grupos da Liga dos Campeões de 2004/05 (2-1), quando já estava no Chelsea.   - A história dos regressos de Mourinho a Portugal inclui apenas mais dois jogos de competição, sempre pelo Chelsea. Um empate com o FC Porto no Dragão nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões de 2006/07 (1-1) e uma vitória em Alvalade, frente ao Sporting, na fase de grupos da da época passada (1-0).   - De resto, todos os regressos de equipas de Mourinho a Portugal foram para jogar particulares de pré-época com o Benfica na Luz: ganhou por 1-0 com o Chelsea em 2005/06, empatou a zero com o Inter (vencendo no desempate por penaltis) em 2008/09 e perdeu por 5-2 com o Real Madrid em 2012/13.   - O Chelsea tem um registo muito favorável no confronto com equipas portuguesas, tendo ganho nove, empatado um e perdido apenas um dos onze jogos que fez e somando neste momento oito vitórias consecutivas. Os londrinos ganharam na época passada os dois jogos ao Sporting (1-0 em Alvalade e 3-1 em Stamford Bridge). Antes disso, tinham vencido o Benfica na final da Liga Europa de 2012/13 (2-1, em Amesterdão) e tinham-se imposto por duas vezes ao mesmo Benfica nos quartos-de-final da Champions de 2011/12 (1-0 na Luz e 2-1 em Londres). Em 2009/10 ganharam também os dois jogos contra o FC Porto (ambos por 1-0) e, em 2006/07, iniciaram a atual série de oito vitórias seguidas com um 2-1 frente aos dragões em Londres. O último jogo não ganho pelo Chelsea foi o empate no Dragão a 21 de Fevereiro de 2007 (1-1, com golos de Raul Meireles e Shevchenko) e dele resistem nas duas equipas Helton, Obi Mikel e John Terry.   - O Chelsea segue ainda com uma série de nove jogos europeus seguidos sem perder. Além dos 4-0 com que despachou o Maccabi Tel-Aviv na primeira ronda da Liga dos Campeões atual, passou sem derrotas pela prova do ano passado (quatro vitórias e quatro empates), da qual foi eliminada pelo Paris St. Germain pela regra dos golos fora. A última derrota europeia do Chelsea aconteceu em Madrid, a 30 de Abril de 2014: 3-1 contra o Atlético, a significarem eliminação nas meias-finais da Champions cuja final se jogou em Lisboa.   - Ao mesmo tempo, o FC Porto segue com 10 jogos europeus seguidos sem perder em casa. Na época passada, ganhou cinco e empatou apenas um (1-1 com o Shakthar Donetsk) e na temporada anterior tinha empatado com o Austria Viena e com o Eintracht Frankfurt antes de ganhar a Napoli e Sevilha. A última derrota sucedeu a 22 de Outubro de 2013, contra o Zenit (1-0, golo de Kerzhakov).   - Em contrapartida, o FC Porto não se dá historicamente bem com clubes ingleses, aos quais ganhou apenas seis de oito jogos. A última vitória portista aconteceu a 17 de Fevereiro de 2010 (2-1 ao Arsenal), mas a esse jogo seguiram-se três derrotas: 5-0 com o Arsenal em Londres; 1-2 e 0-4 com o Manchester City nos 16 avos de final da Liga Europa de 2011/12.   - Iker Casillas deve tornar-se o jogador com mais jogos efetuados na história da Liga dos Campeões. Soma neste momento 151, tantos como o ex-barcelonista Xavi, que alcançou no empate em Kiev, pelo que pode isolar-se na tabela.   - O FC Porto vai com seis jogos consecutivos sem sofrer golos no Dragão. Três já esta época (1-0 ao Benfica, 2-0 ao Estoril e 3-0 ao V. Guimarães) e outros tantos na época passada (2-0 ao Penafiel e ao Gil Vicente e 1-0 à Académica). O último jogador a marcar ali um golo ao FC Porto foi Thiago Alcântara, na derrota (3-1) do Bayern ali, a 15 de Abril. Desde então passaram-se 602 minutos de futebol sem golos na baliza portista.
2015-09-28
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