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Muitas vezes se avalia a competitividade de uma equipa pelo total de faltas que faz. Não é um mau método, mas não pode ser o único – seja porque uma equipa pode ser competitiva tendo a bola nos pés por muito tempo, e consequentemente fazendo menos faltas, ou porque pode conseguir roubar a bola ao adversário sem recorrer à falta. Não deixa de ser sintomático que duas das equipas menos faltosas da Liga tenham sido o Benfica e o FC Porto – as outras foram o Rio Ave, o V. Setúbal, o Nacional e o V. Guimarães –, o que nem por isso significou que tenham sido menos competitivas. Ou que o Sporting tenha sido uma das que mais vezes recorreu à infração e nem por isso tenha sido tão competitivo como na época anterior. Mas vamos ao panorama completo. A Liga encerrou com 10301 faltas cometidas, que é como quem diz 33,6 por jogo. Não são números baixos – bem pelo contrário. A equipa que fez mais faltas foi o Chaves, que se ficou nas 633, isto é, 18,6 por jogo. Seguiram-se o Feirense, com 629, o Tondela, com 628 e o Sporting, com 625. Curioso é que das quatro só o Sporting tenha tido a bola por mais do que metade do tempo de jogo, mas a isso já lá vamos. No polo oposto, a equipa menos faltosa da Liga foi o V. Setúbal, com 498 infrações competidas, ou seja, 14,6 por jogo. A diferença não é muito acentuada, mas é também curioso que neste top das equipas menos faltosas apareçam o Rio Ave (505) e o Benfica (508). O FC Porto, com 537, surge na sexta posição, atrás também de Nacional (510) e V. Guimarães (533). Interessante é cruzar estes dados com os da posse de bola, uma vez que uma equipa está mais sujeita a cometer faltas quando não tem a bola do que quando a tem. Só seis equipas acabaram a Liga com uma posse de bola média superior a 50 por cento: Benfica, Sporting, FC Porto, Rio Ave, Sp. Braga e V. Guimarães. Destas seis, quatro estão no Top6 das menos faltosas, surgindo o Sporting e o Sp. Braga no extremo oposto. E se o normal seria que estas seis equipas fossem também as que mais faltas sofrem, pois fique a saber que também não é exatamente assim. Quatro das seis que tiveram mais bola aparecem entre as mais castigadas com faltas, uma tabela liderada pelo Marítimo, que sofreu 640 infrações (18,8 por jogo) e em cujo Top 6 aparecem também o V. Setúbal (626), o V. Guimarães (626), o Sp. Braga (624), o Sporting (612) e o Rio Ave (600). O FC Porto sofreu ao todo 589 faltas e o Benfica – a exemplo do Sporting no comparativo anterior – surge no ponto oposto da tabela, com 541 faltas sofridas, acima apenas de Nacional, Arouca, Chaves, Estoril e Moreirense. Olhando apenas para os máximos, é portanto possível perceber que Sp. Braga e sobretudo Sporting fizeram demasiadas faltas para o tempo mais reduzido que passaram em momentos defensivos e que, em contrapartida, FC Porto e sobretudo Benfica sofreram muito poucas para tanto tempo com a bola. Sinal de descontrolo de uns e de pouco risco de outros? É possível que sim. No caso de leões e arsenalistas por a época lhes correr mal e passarem muito tempo atrás de resultados negativos, no de benfiquistas e portistas  por estarem a controlar jogos nos quais já se tinham colocado em vantagem.  
2017-05-27
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Só cinco das 18 equipas que compõem a atual I Liga têm hoje os mesmos treinadores que tinham no início da competição e curiosamente quatro delas estão nos quatro primeiros lugares – Benfica, FC Porto, Sporting e V. Guimarães, além do V. Setúbal. Claro que aqui é sempre complicado distinguir o que é causa e o que é efeito, saber se estão bem por não terem mudado de treinador ou se simplesmente não sentiram necessidade de mudar de treinador porque estavam bem. Mas a única coisa que nos diz esta realidade é que a firmeza de convicções, desde que sejam convicções fundadas e certas, traz sempre resultados, porque permite que se tirem frutos do trabalho integrado. Não nos diz que a coragem para mudar não seja um atributo valorizável. Uma vez, em miúdo, consegui impingir a um amigo a ideia de passarmos um bocado a ver uma cassete VHS de produção artesanal com todos os golos dos Mundiais de 1982 e 1986. Além de não gostar particularmente de futebol, esse meu amigo – que veio a dar jornalista, mas da área política – também não sabia grande coisa do assunto. E mantinha uma teoria indefensável segundo a qual os guarda-redes nunca deviam sair dos postes, porque dessa forma a baliza ficava desguarnecida e o golo tornava-se mais provável. E indiferente ao facto de aquela ser uma cassete que só tinha golos, dizia-me com um misto de ingenuidade e autoridade: “Estás a ver? Sempre que o guarda-redes sai é golo!” Seria agora demasiado fácil e simplista vir aqui dizer que todas as equipas que mudaram de treinador a meio da época devem ter-se arrependido, porque se os quatro primeiros não mudaram e estão lá em cima é por terem beneficiado do trabalho continuado de Rui Vitória, Nuno Espírito Santo, Jorge Jesus e Pedro Martins. E não é assim só porque José Couceiro também está aos comandos do seu Vitória desde o início da época e só ontem à tarde teve a certeza matemática da manutenção no escalão principal. É assim porque há muito mais fatores em apreciação. O primeiro e mais evidente é a qualidade do trabalho do treinador no campo e no banco. Se é competente a trabalhar e potenciar os jogadores, se depois consegue tirar deles o que eles têm e até esticar-lhes os limites, se consegue conjugá-los da melhor maneira enquanto equipa. Esse fator, por si só, justifica as maiores subidas de rendimento após chicotada psicológica que se viram esta época. Falo do Marítimo (20 por cento dos pontos ganhos com Paulo César Gusmão face a 58 por cento com Daniel Ramos) e do Feirense (26 por cento dos pontos ganhos com José Mota e 52 por cento com Nuno Manta), por exemplo, mas talvez venhamos a poder alargar esta apreciação ao Estoril, que no entanto ainda não tem tempo suficiente com Pedro Emanuel para se perceber se este é capaz de consolidar a melhoria: passou de 27 por cento entre Fabiano Soares e Pedro Carmona para 61 por cento com o atual treinador (números, como todos os outros, antes da jornada deste fim-de-semana). Augusto Inácio, por exemplo, teve um efeito extraordinário à chegada ao Moreirense, levando mesmo a equipa à conquista da Taça da Liga, mas nunca conseguiu consolidar estas melhorias no médio prazo e em termos de classificação do campeonato, na qual acabou por deixar a equipa onde a tinha encontrado antes de ceder a vaga no banco a Petit. Acontece que nem tudo tem a ver com a qualidade imediata do treinador. De que outra forma se explicaria que homens que têm sucesso numa circunstância não o consigam noutra? Ou que haja treinadores a obter resultados com determinado tipo de jogadores e não com outros, com certos estímulos e não com outros? Petit, que conseguiu o milagre da manutenção no Boavista há dois anos e uma recuperação a todos os títulos notável no Tondela, no ano passado, de repente deixou de servir para o clube beirão? Mas depois já serve para o Moreirense, de onde tinha sido dispensado Pepa, o treinador em quem apostou o mesmo Tondela, na tentativa de voltar a escapar à descida? E por que razão Jorge Simão, que fizera um trabalho notável no Chaves, como antes o fizera no Belenenses e no Paços de Ferreira, de repente chegou a Braga e falhou? Claro que há aqui o efeito da novidade. Por alguma razão se diz “chicotada psicológica” – por ter o efeito surpresa de uma chicotada, de um acordar, e por mexer com a mente de uma equipa. Mas o que os dirigentes têm de entender é que nenhum treinador é pau para toda a obra, que as hipóteses de sucesso crescem sempre que um clube pensa o seu futebol de uma forma integrada, na qual as ideias de uns coincidem com as ideias dos outros e as práticas têm a ver com as ideias de ambos. Quando isso acontece, tudo fica mais simples. Texto publicado originalmente no Diário de Notícias, de 30.04.2017
2017-04-30
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Último Passe

Benfica e FC Porto ganharam os seus jogos da 31ª jornada e mantiveram as distâncias no corpo-a-corpo que vêm disputando pelo título de campeão nacional. Boa notícia para os tricampeões, que superaram mais uma das “finais” de que fala Rui Vitória, mas também para os aspirantes, que saíram sem um arranhão de uma das deslocações que se anteviam mais complicadas e até o fizeram com reforço de moral, uma vez que ganharam mais facilmente em Chaves do que o Benfica o fez na receção ao Estoril. Nas três últimas jornadas, vai colocar-se como nunca a questão do “estofo de campeão”, que entre outras coisas é a capacidade que uma equipa tem para ganhar jogos empatados. E aí, o Benfica tem sido mais forte. Hoje, nenhum dos dois jogou com particular brilhantismo. O Benfica agradece os três pontos a Jonas, que tirou a equipa do buraco em que esta se colocara com um início de segunda parte catastrófico, no qual o Estoril fez um golo mas podia bem ter feito mais dois ou três. No fim, dirão os adeptos, isso não interessa nada, ou pelo menos não interessa tanto como os três pontos somados com a vitória por 2-1. Já o FC Porto voltou a fazer um jogo de menos a mais: arranque cinzento, sem grande fulgor mesmo na melhor fase, mas vitória segura a partir do momento em que fez o primeiro golo do 2-0 a um Chaves que nunca chegou sequer perto da baliza de Casillas. Até final da época, os encarnados sabem que continuam a poder empatar um jogo – têm, portanto, direito ao erro. Já os dragões desbarataram esse direito com os tais empates nos jogos em que não estiveram tão bem, em que deixaram que o medo da liderança os atrofiasse e lhes retirasse a capacidade de conquista, como foi o caso dos recentes desafios em casa com V. Setúbal e Feirense. Esta questão volta a assumir particular importância esta semana, porque os dois candidatos ao título enfrentam as deslocações previsivelmente mais difíceis até final da temporada. Os adversários são o Marítimo (para o FC Porto) e o Rio Ave (para o Benfica), duas equipas cuja competência se demonstra pelo facto de estarem a lutar pelo sexto lugar e cuja necessidade de vencer fica bem à mostra quando se junta à discussão que esse sexto lugar dará acesso à pré-eliminatória da Liga Europa. Mais do que a luta pela vaga europeia que falta atribuir, contudo, interessará destacar que o FC Porto joga primeiro e que em vez de jogar para manter a distância relativamente ao Benfica, como hoje em Chaves, joga para assumir a liderança do campeonato, ainda que à condição. No Funchal, no sábado, se verá qual é o estofo da equipa portista. E se ela responder bem, no dia seguinte, em Vila do Conde, será altura de novo teste à estrutura de campeão deste Benfica. Temos campeonato!
2017-04-29
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Último Passe

Benfica e Sporting deixaram dois pontos pelo caminho face a adversários menos apetrechados, mas fizeram-no por razões diferentes. Os encarnados porque entraram no jogo com o Boavista iludidos com a sucessão de vitórias que transportavam no histórico recente, a ponto de Rui Vitória ter sentido a necessidade de dizer no final que “esta não é uma equipa invencível”; os leões porque mesmo em esforço total e espicaçados pelo tropeção do rival foram curtos para se imporem a um Chaves aguerrido e organizado, porque de facto é como diz Jesus e ali é “sempre o mesmo a marcar os golos”. Quem esteve na Luz pode preferir optar por destacar a recuperação épica do tricampeão nacional, que esteve a perder por 3-0 e ainda salvou um ponto, mas sendo verdade que o volume de jogo ofensivo da equipa encarnada depois de reduzir para 1-3 foi impressionante, não durou sempre e a seguir aos 3-3, já conseguidos em fase de perda, o Boavista até teve a capacidade para criar duas ocasiões de golo claras. A história do jogo está refletida na frase que Rui Vitória disse no final: esta equipa “não é invencível”. Porque a ideia que deu de início, sem rigor nem agressividade atrás foi a de se julgar invencível, como se as camisolas chegassem para ganhar. A ajudar à festa, entrar com Jonas e Gonçalo Guedes na frente roubou-lhe presença na área e uma referência de que o seu jogo precisava para lá chegar em tabelas. Com a entrada de Mitroglou e, ao intervalo, de Cervi para começar a atacar desde a posição de defesa-esquerdo, o Benfica construiu o cenário de que precisava para a tal recuperação. Chegou aos 3-3, mas aí, com mais de 20 minutos por jogar, parou. Falta de pulmão, acerto tático de Miguel Leal com a entrada de Mesquita ou simplesmente a ideia de que esta “equipa não é invencível” e de vez em quando aparecerão adversários capazes de lhe colocar dificuldades, como fez o Boavista com o seu jogo de corredor a corredor. Diferente é a problemática do Sporting. E a frase sintomática, Jesus disse-a na semana passada, depois de ganhar ao Feirense. “Não é normal nas minhas equipas que seja sempre o mesmo a fazer os golos”. Em Chaves, o mesmo fez o seu papel. Bas Dost respondeu com dois golos de oportunidade a um início desconcentrado que permitiu aos transmontanos adiantar-se no marcador. O Sporting até respondeu bem à desvantagem, sempre sem brilhar, é verdade, sem o jogo envolvente que praticava na época passada, mas assumindo a iniciativa do jogo e impedindo o Chaves de criar perigo. Teria chegado, não fosse mais uma vez o descontrolo das emoções em que esta equipa é pródiga: expulsão de Ruben Semedo, necessidade de sacrificar Dost para fazer entrar Paulo Oliveira e um golão de Fábio Martins a dois minutos no fim. O golo do empate do Chaves foi um pouco como a recuperação do Benfica: fez-se anunciar a todos os sentidos antes de se deixar ver por quem estava no estádio. E é destas fatalidades que se faz a história dos campeonatos.
2017-01-14
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Último Passe

O FC Porto ganhou de forma especial ao Chaves, voltou a colar-se ao Benfica no topo da Liga e, no final do jogo, apareceu o Nuno Espírito Certo. Isto é como quem diz que o treinador encontrou finalmente o tom correto para encarar as questões fundamentais que se aproximam. Nem professoral, a roçar o fanfarrão de canudo debaixo do braço, como tinha sido na noite dos desenhos, após a excelente exibição contra o Arouca; nem deprimido, a inspirar comiseração e solidariedade nos que se reviam nas agruras que a equipa ia vivendo, como na sucessão de jogos sem marcar golos. Ontem, Nuno Espírito Santo foi claro nas coisas boas e nas coisas más. E somou pontos. A verdade é que, de forma até tímida, por vezes, o FC Porto está lá em cima, à frente do Sporting de Jesus, que no início da época era tido como principal obstáculo na corrida do Benfica até à conquista do inédito tetra. Nuno até se deu ao luxo de repetir o onze que tinha defrontado o Marítimo dias antes, mas nem por isso viu a equipa fraquejar física ou mentalmente, como acontecera ao Sporting na véspera. É certo que o adversário não era um Sp. Braga, mas se além da amputação do treinador, não perder também jogadores como Battaglia, este Chaves tem personalidade e futebol para ficar muito bem na Liga. E o FC Porto, dentro das suas limitações, foi capaz de dar a volta ao jogo, ganhando até Depoitre para futuras batalhas, de forma mais inesperada do que tinha ganho Brahimi, por exemplo. Nuno foi capaz de fazer uma boa avaliação da primeira metade da época, que foi exigente para ele e para a equipa, desde a necessidade de passar pela pré-eliminatória da Liga dos Campeões às evidentes limitações de um plantel que não tem soluções de sobra. E foi ao mesmo tempo claro mas não impositivo na declaração acerca da necessidade de ir ao mercado em Janeiro. Os dragões continuam na Champions, têm ali uma almofada financeira que pode ao mesmo tempo permitir-lhes e exigir-lhes encontrar mais algumas soluções, por exemplo, para o centro da defesa, as alas do meio-campo e a frente de ataque. Estará Boli à altura? Quem está lá além de Brahimi e Corona, agora que a equipa encontrou o equilíbrio com extremos? E será Depoitre mesmo o avançado de área que o FC Porto precisa para abrir jogos mais fechados? As respostas chegarão depois do Ano Novo.
2016-12-20
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Último Passe

O facto de ter sido André Silva, sempre um dos melhores da equipa, a falhar o último penalti na eliminação do FC Porto da Taça de Portugal, em benefício do Desp. Chaves, pode até retirar um pouco de peso à decisão tomada por Nuno Espírito Santo, que antes mandara Depoitre bater a penúltima grande penalidade, tendo o belga também permitido a defesa a António Filipe. Não concordo com Jorge Simão, treinador dos flavienses, que reduziu o desfecho de um desempate por penaltis à sorte – e creio que o guardião do Chaves, que defendeu três remates, também não concordará – mas o que se espera do FC Porto numa eliminatória como esta é que não deixe as coisas chegar tão longe. E, nesse aspeto, bem mais penalizadora que a escolha do até aqui desastrado Depoitre me pareceu a decisão de Nuno Espírito Santo não chamar ao jogo Brahimi, cuja criatividade poderia ter ajudado a desfazer o 0-0 que durou 120 minutos, a segunda metade dos quais com o FC Porto quase sempre instalado no ataque. Hoje estão de parabéns o Chaves e Jorge Simão, como é evidente. Mas este Chaves não me pareceu sequer tão forte como tinha demonstrado contra o Benfica, num jogo que perdeu com alguma infelicidade – o que é diferente de tê-lo perdido por azar. Não creio que tenha sido o Chaves a piorar, admito que tenha sido o FC Porto a bloquear sempre bem as saídas venenosas do adversário, o que lme eva a não ser capaz de dizer que os dragões tenham jogado mal. O FC Porto foi a melhor equipa em campo e, mais, a partir dos 60’, foi a única com andamento para chegar à baliza adversária. Fosse por incapacidade física, técnica ou tática, o Chaves – que tinha mostrado boas ideias no arranque do jogo – deixou de conseguir sair a jogar e aceitou o papel de saco de boxe: desde que o FC Porto não marcasse no processo, tudo estaria bem para os donos da casa. E a verdade é que o FC Porto não marcou. Nuno começou em 4x3x3, com dois extremos velozes e diretos: Varela de um lado e Jota do outro. Passou durante o jogo para um 4x4x2, com Depoitre perto de André Silva, motivando um jogo mais direto. Mais tarde chamou Evandro e Layun, mas deixou no banco Brahimi, que é possivelmente o mais criativo de todos os jogadores do plantel. Quando pela frente tinha uma equipa que baixava as linhas, que fechava todos os espaços de acesso à sua baliza e o importante era conseguir um golpe de prestidigitação, o FC Porto abdicou do seu jogador mais incontrolável. A não ser que existam fatores extra-rendimento desportivo desconhecidos de quem está de fora a justificar o constante ostracismo ao argelino, tudo parece resumir-se precisamente à imprevisibilidade do jogador, ao facto de ele ser tão incontrolável para os adversários como é para o seu próprio treinador. Mas é uma decisão de risco. E é uma decisão que não creio que Nuno Espírito Santo mantenha em Copenhaga, na terça-feira, se chegar a estar perante a possibilidade de se atrasar na obtenção de mais um objetivo, que é a qualificação para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões.
2016-11-18
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Último Passe

Rui Vitória lembrou esta semana que a máquina do Benfica anda a trabalhar sem várias peças, que espera recuperar em Outubro, mas a verdade é que mesmo sem elas a equipa continua isolada na frente do campeonato. E isso deve-se muito a tardes como a de hoje, nas quais a máquina mostra eficácia máxima nas bolas paradas. De visita a um Chaves tão competente como o seu treinador, Jorge Simão, o Benfica obteve uma complicada vitória por 2-0, graças a mais dois golos nascidos nas bolas paradas: livre lateral de Grimaldo para um ligeiro desvio de Mitroglou, a 20’ do fim, e livre direto do mesmo Grimaldo à barreira, para a rcarga de Pizzi, aos 84’. Esta tem sido, aliás, a receita que o Benfica tem aplicado neste início de campeonato sem asa tais peças que lhe confiram maior qualidade: marcou de bola parada em todas as deslocações, sendo que em duas delas (Nacional e agora Chaves) foi mesmo assim que se adiantou no marcador. Aliás, no jogo de hoje, foi sempre de bola parada que mais ameaçou a baliza de António Filipe: mesmo com dificuldades para evitar que os três médios do Chaves (Assis, Battaglia e Braga) se superiorizassem no corredor central a André Horta e Fejsa, dessa forma gerando várias situações prometedoras que os flavienses desperdiçavam por falta de qualidade no último passe, o Benfica foi tendo as melhores ocasiões de golo até à ponta final da primeira parte. Mitroglou obrigou António Filipe a defesa apertada na ressaca a um livre, logo aos 17’, e Lisandro, na sequência de um canto da esquerda, voltou a cheirar o golo, aos 20’. Não era, porém, um Benfica consistente. As triangulações do Chaves libertavam quase sempre alguém para cruzar – porque Pizzi e Salvio eram muitas vezes chamados a tentar equilibrar ao meio em transição defensiva –, fossem Fábio Martins ou Nelson Lenho na esquerda ou o sempre ofensivo Paulinho à direita. E na sequência de um desses lances, a equipa da casa perdeu por três vezes o golo inaugural, aos 41’: Braga e Fábio Martins acertaram ambos no mesmo poste da baliza de Ederson, tendo depois Rafael Lopes feito a recarga de baliza escancarada ao lado. O Chaves, porém, voltou menos forte para a segunda parte e o jogo entrou num impasse até ao momento em que Mitroglou fez o 1-0, aparecendo no fim de um livre de Grimaldo que nascera de uma falta cometida por João Mário, a seta que Jorge Simão lançara na esquerda para voltar a aparecer nos metros finais do campo. Saiu-lhe mal a receita. A ganhar, o Benfica passou a sentir-se mais à vontade. Simão ainda tentou virar o jogo, chamando a ele Vukcevic para apoiar Rafael Lopes, mas Rui Vitória fechou a partida chamando Cellis para o lado de Fejsa, passando a poder explorar o espaço no meio-campo ofensivo como nunca conseguira até aí. Foi, ainda assim, noutra bola parada que fez o golo da tranquilidade, aos 84’: o livre de Grimaldo, quase em cima da linha de área, bateu na barreira, mas Pizzi estava na meia-lua à espera disso mesmo e teve todo o tempo para colocar a bola rasteira junto ao poste da baliza de António Filipe. Estava definida a atribuição dos pontos e a primeira derrota do Chaves neste campeonato, bem como o regresso do Benfica à liderança. Quando ainda está à espera de peças.
2016-09-24
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