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Último Passe

As competições europeias não têm necessariamente que afetar o rendimento das equipas na Liga e a prova disso é dada a cada jornada do campeonato pelo Benfica, que venceu todos os seus jogos após as partidas na Champions. Hoje, ante o Belenenses, no Restelo, fê-lo mesmo de uma forma convincente, por duas razões muito simples: tinha melhores jogadores do que o adversário e eles sabiam perfeitamente ao que jogam. Já tinha escrito aqui que o Benfica joga sempre como grande, porque os seus princípios de jogo nunca deixaram de ser os de um grande, mas ganha muitos jogos com armas de um pequeno: a grande eficácia no aproveitamento das ocasiões de golo e a forma como nega esse mesmo golo aos adversários nas ocasiões que ainda assim lhes permite. Pois na noite em que bateu o seu próprio recorde de vitórias consecutivas fora de casa no campeonato (são agora 16, uma acima das 15 conseguidas em 1972 e 1973), a equipa de Rui Vitória foi mais dominadora do que tem sido hábito, sem os períodos de ocaso no jogo que tinham valido alguns sustos nas anteriores deslocações e tendo mesmo a maior dose de desperdício: além dos dois golos, acertou duas vezes no ferro e perdeu mais dois ou três golos cantados. A vitória no Restelo premiou, por isso, a melhor exibição do Benfica em todas as deslocações desta época, provando que a fadiga nem sempre é um problema irresolúvel e que desde que se saiba para onde se deve correr, toda a gente parece bem mais veloz. A questão é que, dos três grandes, este Benfica é aquele que tem o modelo de jogo mais consolidado. E isso sucede mesmo tendo em conta que ali falta Jonas (lesionado) e que, se Cervi compõe bem a ausência de Gaitán, com a sua rapidez na esquerda, ninguém traz à equipa os esticões que lhe dava Renato Sanches. Rui Vitória teve, por isso, que recompor algumas coisas. Manteve dois laterais muito ofensivos, a darem largura, Fejsa como pêndulo ao meio, mas beneficia agora da inteligência de Pizzi, que dá mais consistência à equipa no corredor central (andava toda a gente a exagerar com André Horta, não vos parece?). E, não garantindo a qualidade ofensiva e os golos de Jonas, a capacidade de trabalho de Gonçalo Guedes permite defender muito melhor e desde muito mais à frente no campo. Para os jogos contra a maioria das equipas da Liga portuguesa, chega perfeitamente. Saber se chegará para a próxima deslocação, ao Dragão, em inícios de Novembro, é a questão da qual depende o futuro deste campeonato.
2016-10-23
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Último Passe

Duas carambolas felizes transformaram o que corria riscos de se tornar um jogo difícil num passeio agradável para o Benfica. Os encarnados ganharam por 4-0 ao Feirense e já seguem com três pontos de avanço sobre os rivais, isolados na liderança do campeonato e indiferentes à onda de lesões que lhes roubou vários titulares nestes primeiros meses de competição. O resultado amplo encerrou também quaisquer questões que a derrota de Nápoles pudesse levantar: aos quatro golos da Champions, respondeu a equipa de Rui Vitória com mais quatro na Liga portuguesa. E no entanto o jogo começou por não se apresentar fácil para os encarnados. Rui Vitória chamou ao onze Ederson e Luisão, por troca com Júlio César e Lisandro, promovendo ainda os regressos de Salvio e Gonçalo Guedes, que em Itália tinham sido sacrificados à estratégia. Pizzi apareceu a jogar pelo meio, devido à ausência de André Horta por lesão, mas os primeiros momentos do jogo mostravam na mesma um Benfica com dificuldades para se opor ao jogo apoiado do adversário. O tricampeão nacional tinha muito mais bola, sim, criava até perigo sempre que chegava à frente em cantos ou livres laterais – a influência de Luisão cresce nesses momentos e faz-se notar – mas ao mesmo tempo o Feirense conseguia chegar à frente em boas condições, quase sempre em contra-ataque, bem ao estilo das equipas de José Mota. O primeiro golo do Benfica, marcado na própria baliza por Luís Aurélio, aos 35’, no seguimento de um lançamento lateral longo, de Salvio, no qual mais ninguém tocou antes do desvio no sentido errado, veio premiar o maior volume de jogo dos encarnados, mas não uma boa exibição. Longe disso. Consciente de que o jogo não estava resolvido, Rui Vitória terá pedido mais aos jogadores durante o intervalo, o que se refletiu num Benfica mais pressionante e intenso na entrada da segunda parte. Foi, ainda assim, noutra carambola feliz que a equipa da casa chegou aos 2-0, aos 61’: o alívio de Ícaro encontrou Salvio pelo caminho e o ressalto tomou a direção da baliza de Peçanha, que estaria à espera de tudo menos daquilo. E aí, de facto, o jogo mudou. O Feirense deixou de acreditar na possibilidade de levar pontos para casa e o Benfica começou a articular belas jogadas de ataque, como a que lhe deu o 3-0, por exemplo: movimentação coletiva a libertar Semedo na direita e cruzamento deste para o cabeceamento de Cervi, que quatro minutos antes entrara para o lugar de Carrillo. Com o jogo ganho, ao Benfica faltava somar mais um golo para se isolar também na lista dos melhores ataques do campeonato. Depois de várias ocasiões, acabou por fazê-lo no último minuto de compensação, num livre direto superiormente executado por Grimaldo. Os 4-0, talvez demasiado penalizantes para um Feirense que até começou o jogo de forma personalizada, valeram ao Benfica o aumento da vantagem para os perseguidores na classificação, a manutenção da melhor defesa (quatro golos sofridos, tantos como o FC Porto) e o regresso ao comando dos ataques (com 17 golos marcados, mais um do que o Sporting). Quando o campeonato segue para uma interrupção de três semanas antes da deslocação ao Restelo, na qual Rui Vitória já deverá ter vários dos lesionados, eis vários motivos para a equipa encarar o que aí vem com otimismo.
2016-10-02
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Último Passe

Um livre de Talisca, já em período de compensações, custou ao Benfica dois pontos na estreia na Liga dos Campeões desta temporada. O empate a uma bola, nascido de várias mudanças táticas operadas pela equipa do Besiktas na segunda parte, acaba por punir a quebra dos campeões nacionais nesse mesmo período, depois de em 45 minutos de clara superioridade não ter feito mais de um golo, obra de Cervi. O facto de ter jogado sem as primeiras escolhas no ataque – Jonas, Mitroglou, Jiménez e Rafa estão todos lesionados – acabou por custar caro a Rui Vitória. O Benfica entrou com uma dupla de ataque improvável, formada por Cervi e Gonçalo Guedes, com o primeiro, mais forte em ataque rápido, a jogar nas costas do segundo, que não fazia nada tão bem como a pressão à saída de bola do adversário. A consequência da aliança desta dupla com a excelente exibição de Fejsa e André Horta, os dois médios-centro encarnados, foi o bloqueio total de uma equipa do Besiktas disposta em 4x2x3x1, mas com os dois extremos muito abertos – Quaresma na direita – e Ozyakup perdido no meio das linhas encarnadas no apoio a um isolado Aboubakar. O jogo, no primeiro tempo, tornou-se muito repetitivo: tentativa frustrada de organização ofensiva do Besiktas, bola recuperada pelo meio-campo do Benfica e saída rápida para o ataque. O golo, logo aos 12’, nasceu de um excelente passe de Horta, a rasgar, até encontrar uma diagonal de Salvio da direita para a esquerda. De pé esquerdo, o argentino chutou, o guarda-redes largou a bola e Cervi foi mais rápido que Tosic na reação, fazendo a recarga vitoriosa. A ganhar desde cedo, o Benfica serenou e teve mesmo duas situações de contra-ataque em superioridade numérica que, por erros no passe, não levou sequer até a finalização. Só que aquele Besiktas facilmente manietável da primeira parte voltou diferente para a segunda. Com Talisca em vez de Ozyakup, com Quaresma mais por dentro e Adriano a subir de lateral para extremo-esquerdo, surgindo também mais no corredor central, os turcos subiram de produção. Mais tarde, com a entrada de Tosun para ponta-de-lança e as aproximações de Aboubakar, a equipa de Senol Günes começou mesmo a criar lances de golo: Tosun perdeu um lance na cara de Ederson e este tirou com uma excelente defesa o empate a Marcelo, na sequência de um livre. Nessa altura já o Benfica trocara Cervi por Samaris, numa tentativa provavelmente prematura de encerrar o jogo, fechando a porta ao adversário – talvez se aconselhasse mais nessa altura um ganho de qualidade na frente, com Carrillo, por exemplo. É verdade que mesmo assim Gonçalo Guedes teve nos pés o 2-0. O improvisado ponta-de-lança benfiquista ganhou a bola a Quaresma, que foi fugindo a sucessivos desarmes desde o meio-campo até ser batido à entrada da área, mas depois, isolado frente a Tolga Zengin, não evitou que o guarda-redes turco desviasse o remate com o pé. Esse acabou por ser o lance decisivo do jogo. Antes do final, o Benfica ainda substituiu Fejsa por Celis. E já tinha José Gomes na linha lateral, pronto para entrar e para se tornar o mais jovem de sempre a jogar pelo clube nas provas europeias, quando o médio colombiano meteu a mão a uma bola a uns seis ou sete metros da linha de área. Talisca apontou logo para o peito, a assumir que ia ser ele a bater o livre. E fê-lo de modo imparável, festejando efusivamente o golo que valeu o empate à sua nova equipa frente à que o emprestou.
2016-09-13
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Último Passe

O Benfica que venceu o Sp. Braga por 3-0 e conquistou a Supertaça foi um Benfica muito diferente do que ganhou a Liga anterior. Mais do que os seis titulares de hoje que não fizeram parte do onze-base no tricampeonato, notou-se uma maneira diferente de encarar o jogo, aproximando a equipa do ideal de Rui Vitória. No melhor e no pior. Além dos reforços André Horta e Cervi, que ocuparam as posições dos tranferidos Renato Sanches e Gaitán, Rui Vitória chamou ao jogo Júlio César, Nelson Semedo, Luisão e Grimaldo, por impedimentos de diversa ordem de Ederson, André Almeida, Jardel e Eliseu. A equipa, naturalmente, comportou-se de uma forma diferente, mesmo tendo mantido a tónica no jogo de avançados que resolvem. Foi diferente no seu período mais eufórico, quando encostou o Sp. Braga atrás, fruto de cavalgadas constantes dos dois laterais, de um jogo elétrico de Cervi e do contributo de Horta, jogador mais cerebral que Renato Sanches. E foi diferente no longo período menos feliz, em que o Sp. Braga acertou posicionamentos, controlou o meio-campo com um losango, passou a criar as melhores ocasiões de golo e ao Benfica faltaram as explosões que Sanches metia no campo, a aproveitar o espaço que nessas ocasiões sempre aparece, a convidar aos contra-ataques ou aos ataques rápidos. Cervi não é Gaitán: é mais extremo, jogador mais linear, mas fez um grande golo e abriu o apetite para o que aí vem. E Horta não é Renato – julgo que Danilo também não o será. O Benfica 2016/17 pode assim aproximar-se mais do ideal de Rui Vitória, na procura de um jogo mais de posse e no desprezo pelo jogo de transições de que Renato se tornou expoente máximo. Vê-se a projeção dos dois laterais, observam-se triangulações constantes entre eles e os extremos, com o auxílio de Pizzi e André Horta, e acentua-se a participação de Jonas na construção que pode levar a equipa para o 4x2x3x1 e arrumar de vez com a herança de Jesus. As alternativas são muitas, mas apesar do 3-0 o teste não foi perfeito. E não necessariamente por causa das ocasiões de golo perdidas pelos bracarenses. Fico à espera de ver o que será esta equipa com Danilo e se Vitória vai manter a aposta em Luisão, tornando mais complicado o controlo da profundidade defensiva. Disso vai depender o que será o Benfica 2016/17.
2016-08-07
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Último Passe

Franco Cervi chegará em breve à Luz. É um jovem talento, dos melhores que a Argentina produziu nos últimos tempos, que já vi comparado a Di Maria ou a Saviola. Se tiver metade de cada um já será uma boa aquisição, ainda por cima depois da forma como foi conseguida pelo Benfica, ganhando o sprint ao Sporting e lançando a confusão nas fileiras imediatamente debaixo de Bruno de Carvalho. É bom, contudo, que Cervi não valha só por isso – e neste momento estou a lembrar-me de Hanuch, que fez manchetes de jornais quando o Sporting o roubou ao Benfica mas a quem os leões nunca chegaram a dar grandes préstimos. Os tempos são outros, a globalização já é uma realidade, os clubes portugueses conhecem bem e já podem chegar aos melhores jovens da Argentina e estou convicto de que Cervi é aquilo que Hanuch nunca sonhou sequer ser. No entanto, esgotado o início da temporada e o efeito da mudança de Jesus da Luz para o rival, já vai sendo tempo de os adeptos benfiquistas se alegrarem pelo que têm e não pelo que o adversário do outro lado da segunda circular deixa de ter. A motivação dos benfiquistas não tem de ser o off-the-record das entrevistas de Jesus ou o que este falou ao almoço com Carrillo, numa refeição que se fosse para ser secreta não tinha sido marcada para o Ritz. A motivação dos benfiquistas tem de ser o regresso à Liga dos Campeões, com um jogo em casa, ainda por cima frente a um adversário frágil, o mais fraco do grupo, o Astana, que pode permitir à equipa de Rui Vitória manter o registo super-goleador das últimas partidas no seu estádio. A motivação dos benfiquistas tem de ser a passagem aos oitavos de final da Liga dos Campeões, num grupo onde se não tivessem obrigação de passar não seriam cabeças-de-série. Lembrar que a equipa de Jesus falhou clamorosamente esse objetivo nas últimas duas épocas – e sim, também o enfrentou como cabeça-de-série – é lembrar uma realidade. Mas é uma realidade que não traz agarrado o instinto vencedor de que o Benfica precisa. E se não é para manter a polémica com o rival em cima da mesa é para desculpabilizar antecipadamente a eventualidade de uma terceira falha consecutiva. Ora isso não é boa política.
2015-09-14
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