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Último Passe

Tenho evitado entrar na polémica do túnel de Alvalade, até porque não tenho nada de relevante a acrescentar ao que toda a gente viu: muita gente a portar-se mal, dos dois lados da barricada. Como não sou juiz, não decreto sentenças nem atribuo culpas. Como não sou advogado nem procurador, não faço a defesa de uns nem a acusação de outros. Sou jornalista. E os jornalistas aquilo que mais fazem são perguntas. É a única coisa que posso fazer neste caso. Deixo, assim, as perguntas que gostaria de fazer aos intervenientes neste caso, porque me parece que ainda não foram devidamente respondidas. Por que razão se dirigiu Carlos Pinho a Bruno de Carvalho de forma apressada e intempestiva, indo mesmo de braço em riste até ao confronto? Houve alguma provocação anterior feita por Bruno de Carvalho? O que disseram um ao outro nessa ocasião? O presidente do Sporting cuspiu na cara de Carlos Pinho? Ou mandou-lhe com vapor do cigarro eletrónico para a face? Se cuspiu e tendo em conta as acusações que foram feitas na altura (insultos e tentativa de agressão), isso não era suficientemente relevante a ponto de ter sido citado na conferência de imprensa que se seguiu pelo diretor desportivo do Arouca? Se vaporizou, isso é um comportamento digno? O que disse o steward a Carlos Pinho para, mesmo tendo ele os braços erguidos e abertos, o presidente do Arouca lhe ter dado um “safanão”? Acha digno tentar bater num homem cuja única intenção era, aparentemente, acalmar os ânimos? Para que estava o presidente do Arouca a chamar reforços de dentro do seu balneário? O que disseram os jogadores que compareceram por ali a acalmar a guerra aos seus presidentes? E os adeptos? Por acaso são capazes de se rever no comportamento dos respetivos dirigentes? Enquanto não souber a resposta a estas onze perguntas, não sou capaz de ter opinião acerca dos incidentes a não ser esta: ali, tirando os futebolistas, ninguém se portou bem. É por isso que gosto mais de falar de futebol.
2016-11-16
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Último Passe

Não me espanta nada o enquadramento do processo disciplinar a Naldo após o defesa central do Sporting ter empurrado Lito Vidigal no jogo em Arouca. E nem é preciso descodificar as razoes para isso em artigos e alíneas dos regulamentos: bastam a memória e uma noção mínima do comportamento que se exige a quem anda nos estádios. As tais que no domingo à noite falharam a muito mais gente.Ver um atleta de alta competição dar um empurrão daqueles num treinador que, mesmo tendo sido futebolista e, tendo a constituição robusta de sempre, não tem a obrigação de estar em forma e suportar este tipo de cargas sem cair, é um claro e grave atropelo às regras da educação e da boa convivência num relvado. Uma coisa são as quezílias entre jogadores e outra é vê-los esbarrar com contundência em gente mais velha. E aqui, o histórico dos castigos a Vandinho ou a Luisão, por exemplo, vinha tornar impossível que Naldo escapasse com uma punição leve, como chegou a ser ventilado nos jornais de hoje. As atenuantes - como o facto de ter reagido a uma ação anterior - deverão servir para que o central do Sporting escape com a pena mínima, mas os dois meses certamente ninguém lhos tirará. O problema é que Naldo não foi o único vilão em campo. A ação de Lito Vidigal foi igualmente muito grave: num misto de irritação com uma decisão do árbitro e de falta de fair-play, tentou impedir o jogador do Sporting de marcar uma falta, entrando pelo campo a dentro e chegando a confrontá-lo fisicamente. Uma ação de que, mais calmo, Lito Vidigal não se orgulhará e que obviamente não pode ser enquadrada nos 40 euros de multa que foram aplicados ao técnico do Arouca. Por fim, mesmo ficando fora do âmbito da Comissão Disciplinar, os festejos provocatórios de Octávio Machado em direção aos adeptos da casa e as palavras desbragadas do presidente do Arouca no final do jogo não deviam passar sem uma chamada de atenção de uma qualquer Comissão de Ética. É que o diretor do Sporting arriscou-se a provocar uma onda incontrolável de protestos dos adeptos da casa, certamente mais preocupados com o seu próprio clube do que Carlos Pinho, que pareceu bem mais consternado com os dois pontos ganhos pelo Sporting do que com o ponto perdido pelo Arouca. É que em vez de se centrar na luta do Arouca pela manutenção, o que se lhe ouviu foram queixas acerca da forma como o Sporting poderá ganhar a Liga. E para isso já há muita gente encartada.
2015-11-10
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