PESQUISA 

Artigo

O Benfica soma golos em cima de golos e Rui Vitória começa a convencer aqueles que dele tanto duvidavam. As reações têm sido múltiplas, entre os que dizem que os verdadeiros testes vão chegar agora, os que atribuem a melhoria à capacidade individual e à criatividade de três ou quatro jogadores muito acima da média e os que dizem que há muto trabalho do treinador na forma como a equipa subiu de rendimento. Todos têm razão. Porque este Benfica não descolou enquanto Rui Vitória não largou o ideário dos últimos anos e isso levou tempo, mas nunca conseguiria fazê-lo sem a capacidade individual dos seus melhores jogadores e, sim, faltam os testes a sério. Porque se já se sabe que este Benfica é capaz de ser muito forte com os mais fracos, ainda não se percebeu se sabe ser igualmente forte com aqueles que estão ao seu nível. Aquilo que se vê neste momento do Benfica é um futebol ofensivo avassalador, muito por culpa da criatividade e da tomada de decisão de Jonas, Gaitán e Pizzi, da presença na área que é assegurada por Mitroglou, das acelerações dadas ao jogo por Carcela e da dinâmica imprimida no transporte de bola por Renato Sanches. Tudo individualidades, ainda que, com exceção de Carcela e Sanches, que eram preteridos em favor de Gonçalo Guedes e da acumulação de Samaris com Fejsa, todos lá estivessem no penoso início de época em que o Benfica perdia tanto como ganhava. Ora é aí que entra o trabalho do treinador. Porque este Benfica comporta-se agora de forma muito diferente do que fazia nesse início de época. O Benfica de agora joga muito mais curto, com linhas mais próximas e sem a obsessão pela largura que revelava há uns meses, dessa forma favorecendo as coberturas e aumentando a possibilidade de tabelas. E ainda que o comportamento de Renato Sanches, que é ofensivamente tão vistoso, deixe muito a desejar quando a equipa perde a bola – seja porque está geralmente fora do sítio em transição defensiva ou porque ainda percebe mal as necessidades da equipa em organização defensiva – torna a equipa muito menos vulnerável aos ataques lançados pelos adversários. Por que é que isto levou tanto tempo a engendrar? Difícil responder. Mas aquilo que o Benfica vem fazendo permite ter teorias. Primeira de todas: as equipas levam tempo a construir. É que o maior problema do Benfica era, simultaneamente, a sua maior vantagem: a herança de seis anos de trabalho com Jesus. Na Supertaça, contra o Sporting, Jesus jogou bem mentalmente e, com o que disse, obrigou Vitória a abdicar dos suportes dessa herança, obrigou-o a mudar quando ainda era demasiado cedo para o fazer. Mas Vitória, que teve uma pré-época catastrófica por força daquilo que o Benfica quis lucrar na digressão à América do Norte, também terá evoluído na sua forma de pensar. O que se viu no dérbi com o Sporting, na Luz, nesses 0-3 de que o Benfica saiu tão diminuído, foi uma equipa com ideias desajustadas ou pelo menos impraticáveis contra adversários do mesmo nível: largura total, muitos passes laterais a atravessar o corredor central sem cobertura defensiva, convidando o adversário à interceção e à transição. O Benfica de hoje já não é isso. Joga com linhas mais próximas e favorece a diagonal dos alas para o corredor central, onde funcionam como ponto de apoio para progressões trianguladas mais seguras. Trocou a largura e a vertigem por uma posse com cabeça. Chegará para ganhar ao FC Porto e inflar ainda mais o balão da expectativa benfiquista? Essa é a grande dúvida da semana que vai entrar. Porque, por exemplo, no jogo da Taça de Portugal em Alvalade, o novo Benfica não foi capaz de se impor a um adversário do mesmo nível, nem mesmo beneficiando de um golo a frio que podia ter encaminhado o jogo para um desfecho completamente diferente. A favor dos encarnados está o facto de também o FC Porto de Peseiro ser uma equipa em mudança de processos e por isso a precisar do tal tempo de que precisou o Benfica de Vitória. Ou o facto de o Zenit de André Villas-Boas estar a regressar das férias de Inverno e ainda sem o ritmo competitivo de que precisaria para dar uma resposta à altura. Certo é que a próxima semana e meia definirá muito do que vai ser esta época para o Benfica. In Diário de Notícias, 08.02.2016
2016-02-08
LER MAIS

Último Passe

Mais uma demonstração de qualidade de Jonas, hoje muito bem acompanhado por Carcela durante a primeira parte num coletivo defensivamente consolidado por Fejsa a todo o terreno, permitiu ao Benfica desembaraçar-se da complicada visita ao Nacional, que a equipa de Rui Vitória ultrapassou com um 4-1, destacando-se ainda mais como melhor ataque da primeira volta da Liga. A finalização clínica do brasileiro, com um hat-trick em três lances que resolveu a um só toque para o fundo das redes, chegou para ganhar um jogo que podia ter-se complicado num erro de Lisandro, mas que o Benfica soube tornar fácil assim que Manuel Machado optou por parti-lo e colocar mais gente na frente. A primeira dificuldade para as duas equipas foi o facto de o jogo ter começado num dia e acabado noutro, depois de ter sido interrompido ao fim de sete minutos. Nunca há garantias de a disposição no recomeço ser a mesma da véspera e o que se viu neste início de tarde foi um Benfica incisivo na frente, onde Carcela lhe dá, de facto, muita qualidade no um para um e nos cruzamentos para a área. O marroquino teve de esperar para ganhar o lugar na equipa, mas já parece estar muito à frente de Gonçalo Guedes na luta pela posição, pois além de veloz é também muito forte nas assistências exteriores, que são fundamentais no futebol sempre largo de Rui Vitória. Depois de ter estado ligado a alguns lances de perigo, foi ele que ofereceu o primeiro golo a Jonas, ainda na primeira parte, deixando dúvidas acerca do que poderá fazer Vitória quando voltar a ter Gaitán e até Salvio. Há abundância de bons extremos para a segunda volta. A perder e dando a batalha do meio-campo como perdida, devido à exibição muito constante de Fejsa, que ganhava duelos sobre duelos na raça, Manuel Machado resolveu partir o jogo. Primeiro, ainda na primeira parte, chamou Jota para o lugar de um central – Rui Correia – recuando Aly Ghazal para a linha mais recuada. Mas foi um erro de Lisandro Lopez, que demorou a afastar a bola da sua área, a permitir o golo do empate a Soares e a lançar a dúvida sobre o resultado. Para tentar tirar partido da supremacia psicológica que o empate lhe trazia, Machado juntou Gustavo a Soares na frente, mas aí foi a vez de o Benfica mostrar que tem golo fácil. Fez o 2-1 de lançamento lateral, num lance em que a conjugação de uma boa movimentação de Jimenez e da desatenção do Nacional deu hipótese para mais uma finalização de Jonas, em volei de pé esquerdo. E o 3-1 em mais um lance de igualdade numérica na área, após cruzamento de André Almeida, outra vez com Jonas a marcar. Mitroglou ainda pôs mais um no resultado final, mas numa altura em que já mais ninguém tinha a cabeça na Choupana – o Nacional já estava em Barcelos, onde depois de amanhã joga com o Gil Vicente para a Taça de Portugal, e os campeões nacionais na segunda volta, em que entram a uma distância ainda assim manobrável de quatro pontos para o primeiro.
2016-01-11
LER MAIS

Último Passe

A noite atípica, com os três grandes a jogar ao mesmo tempo durante uma meia-hora, veio fazer mais do que chamar a atenção para uma peculiaridade de calendário raramente vista na Liga em Portugal. Um Marítimo demasiado macio e um V. Setúbal demasiado aberto não fizeram sequer cócegas a Benfica e Sporting, que os despacharam com goleadas de 6-0 construídas desde muito cedo, pelo que a história da noite só podia chegar do Dragão, onde o FC Porto não foi capaz de vencer um Rio Ave taticamente muito adulto, desde logo confirmando os leões como campeões de Inverno: os quatro pontos que levam de avanço sobre a agora dupla de perseguidores deixam-nos ao abrigo de qualquer contratempo na última jornada da primeira volta, no domingo, em casa contra o Sp. Braga. Não vi – ninguém pode ter visto – os três jogos. Fui vendo um pouco de cada, até dois deles estarem resolvidos, permitindo centrar atenções no Dragão. Na Luz, depois de um início algo dividido, o Benfica aproveitou a macieza de um Marítimo que até é campeão das expulsões mas cometeu apenas três faltas durante a primeira parte para construir desde cedo um resultado folgado. Até ao momento em que virei antena, destaque para Pizzi, pelo oportunismo de chegada à área, e Carcela, por ser o desequilibrador que em alguns jogos faltou à equipa de Rui Vitória. Em Setúbal, o Vitória foi, pelo menos, igual a si próprio: futebol positivo, aberto, por isso mesmo sujeito a sofrer golos. Em suma, um convite à maior dinâmica atacante do Sporting, que arrancou uma grande exibição, fazendo brilhar Bruno César com dois golos na estreia e permitindo a Slimani somar mais dois à sua conta pessoal. Complicada foi a vida do FC Porto. O empate ao intervalo, fruto de um golo afortunado para o Rio Ave, até era lisonjeiro para os visitantes, mas o que a equipa remendada de Pedro Martins conseguiu fazer na segunda parte, tanto do ponto de vista defensivo como nas saídas para o contra-ataque, mostra trabalho de muita qualidade. E, como é evidente, enfatiza as dificuldades de Julen Lopetegui no comando do FC Porto. O treinador basco terá ido ao limite da sua visão do que é o risco, acabando o jogo com três defesas e com Aboubakar e André Silva em simultâneo no ataque (ainda que para tal tenha sacrificado Corona e Layun, que são armas ofensivas de peso), mas é preciso dizer que o problema não esteve nas substituições. Os lenços brancos nas bancadas deveram-se ao resultado e ao facto de a equipa ter somado aos pecados habituais – acima de todos a falta de presença no corredor central – muita ansiedade, que se revelou em vários passes transviados logo no início da construção. Para os dragões, o importante agora é tranquilizar: e aí esteve bem o treinador, ao dizer no final que se sente com força para continuar à frente da equipa mas que a decisão cabe ao presidente. O problema é que, numa Liga com jogos ao domingo e à quarta-feira, não há tempo para terapias muito demoradas. Os dragões precisam de responder já no domingo, no Bessa.
2016-01-06
LER MAIS

Último Passe

O futebol imprevisível de Carcela e a inteligência de Jonas foram imprescindíveis para o Benfica conseguir dar a volta a uma equipa do Rio Ave que, mesmo optando sempre por um futebol positivo, soube fechar bem os espaços à frente da sua área, onde os encarnados mais procuram criar desequilíbrios. O jogo caminhava aceleradamente para um impasse no qual o Benfica tinha sempre mais bola e amplo domínio territorial mas não conseguia criar situações de golo quando Carcela desatou o nó, com um cruzamento de pé esquerdo na direita que Jonas transformou no 2-1, a 10 minutos do final. O jogo valeu sobretudo pela primeira parte. Golo madrugador do Benfica, obtido por Jonas, a dar o mote para o que costumam ser tardes facilitadas da equipa de Rui Vitória, sempre que se coloca cedo em vantagem; empate igualmente rápido do Rio Ave, num livre magistral de Bressan, a entrar no único local onde Júlio César não podia chegar. A coisa ficou por aí nos golos: o que se via era um Benfica forte na pressão defensiva mas com muitas dificuldades para criar situações de golo, porque a transição atacante não lhe estava a sair bem, mesmo tendo em conta que o Rio Ave jogava no campo todo, esticando o seu futebol com frequência até à área encarnada. A lesão de Heldon, à beira do intervalo, forçou Pedro Martins a trocá-lo por Kayembé, na teoria mais explosivo mas na prática muito menos incisivo e, seja por isso, por um maior recato estratégico dos vila-condenses ou por causa da entrada de Fejsa, mais certo defensivamente que Samaris, a verdade é que o Rio Ave apareceu na segunda parte muito menos atacante. Os segundos 45 minutos foram assim passados quase por inteiro no meio-campo do Rio Ave. Contudo, o Benfica sofria para criar situações de golo. Tentava muito de longe mas raramente conseguia libertar os seus finalizadores na área. A chave do jogo quem a tinha era Carcela, o extremo de futebol imprevisível que já começa a justificar a chamada ao onze titular e que, depois de render Gonçalo Guedes, permitiu a Jonas desbloquear o resultado com um cruzamento de morte. Dois minutos depois, o goleador brasileiro confirmou o estatuto de jogador mais influente do Benfica e juntou aos seus dois golos mais uma assistência, para Jiménez acabar com a discussão e fixar o 3-1 final. Rui Vitória terá respirado de alívio com mais três pontos conseguidos sem Gaitán, mas leva para a pausa de Natal a noção de que no regresso não será só o argentino a forçar a entrada no onze: Carcela está com ele.
2015-12-20
LER MAIS

Stats

Rui Vitória e Paulo Fonseca vão defrontar-se pela décima vez e o atual treinador do Benfica ainda não conseguiu ganhar uma única – ainda que um empate entre ambos tenha sido a gota de água que levou à sua saída do FC Porto. Ao todo, em nove jogos, registam-se cinco empates e quatro vitórias do atual técnico do Sp. Braga. E mesmo um desses empates acabou por ser favorável a Paulo Fonseca, que logo no primeiro confronto entre ambos levou o Desp. Aves, da II Liga, a eliminar o V. Guimarães da Taça de Portugal, com 3-2 nos penaltis depois de um empate a zero no final do prolongamento. Foi a 20 de Novembro de 2011 que os dois treinadores se defrontaram pela primeira vez. O Desp. Aves de Paulo Fonseca segurou o V. Guimarães no 0-0 durante 120 minutos e, depois, nos penaltis, Rui Faria deteve os pontapés de João Paulo, Barrientos e Nuno Assis, deixando o resultado em 3-2 para os avenses. Os dois só voltaram a encontrar-se em 2012/13, quando Paulo Fonseca chegou à I Liga, para ocupar a vaga deixada quase um ano antes por Rui Vitória em Paços de Ferreira. Nessa época, o Paços de Fonseca foi empatar a Guimarães (2-2) e venceu no Capital do Móvel (2-1). A excelente época feita no Paços de Ferreira valeu a Paulo Fonseca a chegada ao FC Porto, pelo qual defrontou o V. Guimarães de Rui Vitória em quatro ocasiões, na época de 2013/14. Logo a abrir, na Supertaça, os portistas impuseram-se por 3-0. Ganharam depois no Dragão, para a Liga, por 1-0, e foram vencer a Guimarães, na Taça de Portugal, por 2-0. Por fim, outra vez no Minho, o FC Porto ainda esteve a ganhar por 2-0, mas acabou por permitir o empate a dois golos. Foi a gota de água para Paulo Fonseca, que na sequência do jogo abandonou o comando técnico do FC Porto, que passou a ser orientado por Luís Castro. Paulo Fonseca deu então um passo atrás e regressou ao Paços de Ferreira, com o qual voltou a defrontar Rui Vitória por duas vezes, na época passada: empate a dois na Capital do Móvel e a uma bola em Guimarães.   - Em contrapartida, Paulo Fonseca só ganhou uma vez ao Benfica. Foi em Janeiro deste ano, que o Paços de Ferreira bateu os encarnados em casa, por 1-0, com um golo de penalti nos descontos. Antes disso somava cinco derrotas e apenas um empate, na Luz, na segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal de 2012/13, depois de o Benfica já ter ganho em Paços de Ferreira por 2-0 no primeiro jogo.   - São mais divididos os desfechos de Rui Vitória contra o Sp. Braga: ganhou cinco vezes, empatou três e perdeu outras cinco. Em Braga, contudo, Vitória nunca ganhou pelo V. Guimarães: o melhor que conseguiu foi o empate a zero de Dezembro do ano passado. Venceu ali por duas vezes. Ambas em 2011, quando treinava o Paços de Ferreira: 3-2 para a Taça da Liga com um golo do atual benfiquista Pizzi e 2-1 para o campeonato graças a um autogolo do também agora benfiquista Sílvio.   - O Benfica marcou primeiro em oito dos últimos nove jogos com o Sp. Braga - o outro acabou empatado a zero – mas só ganhou cinco vezes, permitindo dois empates e duas vitórias aos minhotos.   - Jonas fez golos nos últimos dois jogos frente ao Sp. Braga. Aliás, marcou sempre que foi titular contra os bracarenses, pois na única vez que ficou em branco só entrou em campo a meia-hora do final, para o lugar de Samaris.   - Carcela e Gonçalo Guedes marcaram nas duas últimas jornadas da Liga, as vitórias do Benfica frente ao Tondela (4-0) e ao Boavista (2-0). Ambos procuram o terceiro jogo seguido a marcar.   - Kritciuk, guarda-redes que o Sp. Braga tem utilizado na Liga, não sofre golos desde 21 de Setembro, data dos 5-1 que os minhotos aplicaram ao Marítimo. Já leva 502 minutos de jogo sem ir buscar a bola ao fundo das redes, incluindo as visitas a Guimarães e ao Dragão. Tem a mais longa série de imbatibilidade em curso na atual Liga e a maior de um só guarda-redes na história do Sp. Braga desde que Eduardo esteve 586 minutos sem sofrer golos entre Dezembro de 2009 e Fevereiro de 2010.   - Luiz Carlos, médio do Sp. Braga, foi lançado na Liga por Rui Vitória, quando este treinava o Paços de Ferreira. Foi a 14 de Agosto de 2011 e o brasileiro entrou no último quarto-de-hora de um V. Setúbal-P. Ferreira que os pacenses perderam por 2-1.   - Sp. Braga e Benfica têm números muito semelhantes na Liga com Hugo Miguel a apitar. Os bracarenses ganharam 10 de 14 jogos (71%), tendo perdido dois (Nacional em 2012/13 e Sporting em 2014/15). Os benfiquistas, por seu lado, ganharam oito de 11 jogos (73%), perdendo apenas uma vez (E. Amadora, em 2008/09).   - Além disso, Hugo Miguel vai fazer o 100º jogo na Liga. A maioria (43%) acabou com vitória da equipa da casa, mas este juiz ainda não apitou um único jogo na presente Liga que desse “1” no Totobola. A última vez que isso lhe aconteceu foi no Moreirense-V. Guimarães da época passada (2-1), no qual saiu derrotada a equipa de Rui Vitória.
2015-11-29
LER MAIS

Artigo

Ao descobrir Gonçalo Guedes para o primeiro golo do Benfica frente ao Boavista, Gaitán consolidou a sua posição como melhor assistente da temporada. Foi o oitavo passe de golo que o argentino fez esta época, o terceiro dos quais para o extremo direito. Aliás, três dos quatro golos de Guedes pelo Benfica esta época surgiram de passes de Gaitán: a exceção foi o tento em Aveiro ao Tondela, que saiu de uma abertura de Jonas.   - E vão 453 minutos do Boavista sem fazer golos na Liga: contam os últimos três minutos da vitória sobre a Académica, em Coimbra, após o golo de Anderson Carvalho, bem como os cinco zeros somados frente a Sporting, Rio Ave, Nacional, Marítimo e, agora, Benfica. É a mais longa série na história dos boavisteiros sem fazer golos na prova.   - Samaris viu o quinto cartão amarelo em outros tantos jogos consecutivos, depois de já ter sido advertido contra o Atl. Madrid, Galatasaray, Sporting e Tondela. O máximo que tinha eram três jogos seguidos a ver amarelos, em Janeiro de 2013, quando ainda representava o Panionios.   - Sílvio fez o sexto jogo consecutivo a tempo inteiro (Vianense, Galatasaray, Sporting, Tondela, outra vez Galatasaray e agora Boavista), deixando a ideia de que está a voltar ao seu melhor e que as lesões ficaram para trás. O lateral não fazia seis jogos seguidos a tempo inteiro desde Abril de 2013, quando ainda jogava no Deportivo da Corunha, por empréstimo do Atlético Madrid.   - Carcela voltou a marcar, depois de ter estado na folha de goleadores frente ao Vianense e ao Tondela. Apesar de começar frequentemente como suplente, já fez tantos golos em seis jogos esta época (três) como em cada uma das últimas duas épocas: marcou três em 23 partidas pelo Standard Liège em 2014/15 e outros tantos em 33 jogos pelo Anzhi e pelo Standard em 2013/14.   - Tanto Carcela como Gonçalo Guedes marcaram pela segunda jornada consecutiva da Liga, algo que esta época só Jonas tinha feito no Benfica. É uma estreia para o jovem português, ao passo que o marroquino não experimentava esta sensação desde Abril de 2011, quando inscreveu o nome na lista de marcadores do Standard de Liège frente ao Gent e ao Lokeren.   - Mesmo com um jogo a menos que o Sporting (e tantos como o FC Porto), o Benfica alargou a vantagem sobre os dois rivais na tabela do melhor ataque da Liga. Tem agora 22 golos marcados, contra 19 dos leões e 18 dos dragões.   - O boavisteiro Idris foi expulso pela segunda vez nesta Liga, juntando-se aos maritimistas Tiago Rodrigues e Edgar Costa e ao setubalense Fábio Pacheco como únicos jogadores a merecerem essa distinção repetida da parte dos árbitros. Foi ainda a quarta expulsão dos axadrezados na Liga, sendo que a equipa de Petit só perdeu dois dos jogos que acabou com dez homens.   - O jogo serviu para a estreia na Liga do jovem congolês Bukia, que entrou a 13 minutos do final para o lugar de Anderson Carvalho. Depois de Gideão, Inkoom, Tiago Mesquita, Luisinho e Douglas Abner, é a sexta estreia promovida por Petit na atual edição da Liga.
2015-11-09
LER MAIS

Último Passe

Um remate colocadíssimo de Gonçalo Guedes, após passe atrasado de Gaitán, perto do final da primeira parte, e uma recarga vitoriosa de Carcela, mesmo nos últimos minutos da partida, permitiram ao Benfica manter a pressão sobre Sp. Braga, FC Porto e Sporting, através de uma vitória por 2-0 sobre um Boavista que foi sempre revelando uma atração exagerada pela baliza errada. Aliás, o próprio golo inaugural do Benfica, a dar expressão a um jogo de sentido único, nasceu dessa mesma atração, pois os médios axadrezados baixaram tanto e juntaram a sua linha à de defesas no momento em que o argentino se aproximou da linha de fundo, que abriram espaço para o remate vitorioso do jovem recém-convocado por Fernando Santos para os particulares da seleção nacional. Não foi um jogo brilhante do Benfica, ainda que tenha sido uma vitória justa. Além do golo de Guedes, as três melhores ocasiões de golo apareceram na segunda parte, igualmente na baliza de Mika, ainda que todas tenham esbarrado no ferro. Um raro lance em que Jonas teve espaço para se virar e rematar à entrada da área acertou no poste esquerdo, um livre de Talisca da zona frontal raspou na barreira e foi embater no mesmo poste e uma cabeçada de Jardel a canto de Gaitán acertou na barra, mas permitiu a recarga com que Carcela sentenciou a partida. O resto do jogo foi muito repetitivo: Benfica com bola mas sem capacidade para tirar do caminho a organização defensiva de um Boavista que mudou um pouco ao intervalo mas nem por isso passou a chegar mais vezes perto da baliza de Júlio César. Se na primeira parte não quis sequer saber de como superar a linha de meio-campo, depois de se ver a perder, Petit ainda foi mexendo no ataque, chamando os mais velozes Renato Santos e Zé Manuel, mas se a incerteza se foi mantendo no marcador até final foi apenas porque a diferença mínima a isso convidava. O primeiro remate do Boavista à baliza, de meia distância, só apareceu nos últimos dez minutos e até aí pouco mais se viu do que algumas tentativas de saída em contra-ataque, quase todas elas frustradas, a mostrar as razões pelas quais este Boavista não faz um golo na Liga há cinco jogos. Na Luz, a única esperança do Boavista era mesmo a de manter a baliza de Mika a zeros – e daí, talvez, a tal obsessão pela própria baliza que acabou por trair a equipa.
2015-11-08
LER MAIS

Último Passe

O país futebolístico ia ficando em transe com a réplica que o Vianense deu ao Benfica, na estreia encarnada na Taça de Portugal. É verdade que os encarnados deixaram vários titulares de fora e que os pequenos podem agigantar-se em jogos desta natureza, mas não é habitual, de facto, um bicampeão nacional precisar de um golo ao minuto 90 para se desembaraçar de uma equipa que joga dois escalões abaixo e que, ainda por cima, mudou o jogo para um campo neutro, abdicando da vantagem do fator-casa. Ainda assim, tudo o que aconteceu no 2-1 de Barcelos está nos livros. A exibição do Benfica não foi a mais conseguida, como reconheceu Rui Vitória no final, ao dizer que a sua equipa foi “dando oxigénio” ao Vianense. Mas raramente os grandes entram a todo o gás na Taça de Portugal. Normal, portanto. Mesmo assim, o Benfica desperdiçou várias ocasiões de golo antes de Carcela lhe dar vantagem, num remate repentista a pedir mais observações no futuro. Mais uma vez, tudo normal. Aí, entraram em campo a sobranceria nos grandes que passam por este tipo de situações, também ela normal, e o facto de a equipa minhota estar de facto bem organizada por Andrés Madrid, o argentino que andou no futebol de primeira em Portugal ao serviço do Sp. Braga. O Benfica não acabou com o jogo, o Vianense chegou ao empate, num golaço do meio da rua de Coulibaly, a pouco mais de dez minutos do final, e podia mesmo ter-se colocado em vantagem, pois Madior ainda obrigou Júlio César a uma grande defesa. Isso sim, seria anormal. O último golpe de normalidade aconteceu ao minuto 90, quando um golpe de cabeça de Jardel deu expressão àquilo que os grandes tantas vezes conseguem – vitórias in-extremis face a adversários menos cotados, aproveitando aquilo que é a sua maior expressão competitiva. Aquela fase do jogo é a que muitas vezes separa os grandes dos pequenos. Foi o que aconteceu, servindo para que um resultado anormal possa ser explicado com tantas coisas absolutamente normais. O Vianense sai orgulhoso, o Benfica um pouco preocupado por ter tido de sofrer, mas segue na Taça e em breve já ninguém na Luz se lembrará do que aconteceu. Vêm aí a Champions e o dérbi com o Sporting.
2015-10-16
LER MAIS