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Último Passe

Bas Dost bisou e já segue na frente da lista de goleadores do campeonato, Alan Ruiz mostrou durante 45 minutos poder ser o segundo avançado de que Jorge Jesus precisa, Campbell voltou a parecer aposta ganha na esquerda, mas nem assim o Sporting foi capaz de passar um domingo sem sofrimento na receção ao modesto Feirense. Após uma excelente primeira parte, a redução de intensidade e concentração no segundo tempo permitiu aos visitantes reduzir para 2-1 e reentrar no jogo a ponto de ameaçar empatar, servindo de metáfora para aquilo que tem sido a época dos leões: se estão a oito pontos da liderança devem-no também a defeitos próprios, que anulam parte do que de bom a equipa vai fazendo a cada jogo. Uma equipa que tem um avançado letal como Bas Dost tem de fazer mais golos. E se não encontrou ainda um segundo ponta-de-lança capaz de o acompanhar, não deve abdicar das boas sensações que alguns candidatos ao lugar lhe vão dando quando por ali passam. Alan Ruiz voltou ontem de umas férias de Natal excessivamente prolongadas e mostrou condições para o lugar que já não se viam na equipa desde que, de outra forma, ali jogou Campbell, no Bessa. Mas entretanto por lá tem passado muita gente, não se dando continuidade a ninguém: e se ainda se compreende o desvio de Campbell para a esquerda, onde tem sido aposta ganha, pela forma como cria situações de superioridade e conduz a equipa à finalização, já é mais difícil de perceber que pelo meio tenham entretanto passado o próprio Alan Ruiz (na Luz), Bryan Ruiz (quase sempre), Castaignos, Markovic e Bruno César. Até final da época, o Sporting terá, na melhor das hipóteses, 22 jogos – quatro na Taça de Portugal e 18 no campeonato. Já se vê que não há grande necessidade de Jesus andar a mudar muita coisa, até porque só uma campanha muito próximo dos 100 por cento de sucesso poderá dar-lhe as tais razões para festejar em Maio de que falava o presidente antes do desaire de Setúbal. E se a lesão de Adrien não é tão preocupante como chegou a temer-se, permitindo ao capitão ficar no onze e aos leões manter o foco defensivo, esses 100 por cento de sucesso dependerão muito da capacidade de Jesus para acertar nos outros dez jogadores. Com especial atenção para o defesa-esquerdo – Bruno César está no golo do Feirense – e o segundo avançado. Estranho será que em Chaves não jogue Alan Ruiz.
2017-01-08
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Último Passe

É curioso que o golo com que o Sporting ganhou ao Belenenses no Restelo tenha nascido numa casualidade. Sim, o cruzamento de Campbell é excelente. Sim, a finalização de primeira de Bas Dost é igualmente muito boa. Sim, sem jogar uma maravilha, o Sporting já tinha feito o suficiente para se adiantar no marcador antes disso. Mas se Dost estava em posição para marcar deve-o ao facto de ter escorregado e caído, ainda a meio-campo, no momento em que dá início à jogada, num dos seus habituais momentos em que baixa para tabelar com os médios. Só esse “atraso” na chegada à jogada o impediu de estar onde é suposto e, assim, aparecer onde ninguém do Belenenses o esperava: em corrida desenfreada, solto, ao segundo poste. Dost é um jogador muito diferente de Slimani, já aqui o disse vezes sem conta. Mas nem é um jogador assim tão diferente de alguns dos avançados com quem Jesus foi trabalhando ao longo dos tempos. É pesado mas letal na área, um pouco como Cardozo, que foi sempre um jogador contra-natura em todo o jogar daquele Benfica de Jesus: toda a gente corria à volta dele mas ele aparecia a fazer os golos. Nesse aspeto, Dost faz bem o seu papel. É bom finalizador, tem tido um peso incomparável nos resultados da equipa e não é seguramente a ele que o Sporting está a dever a posição em que se encontra na tabela. O que falta fazer é casar a equipa com o avançado que tem e fazer com que ela se esqueça do avançado que deixou de ter. E é nessas contradições, tanto como na fadiga de alguns elementos, que custou ao Sporting os três pontos no jogo com o Sp. Braga, que está a resposta para as dificuldades que a equipa tem vindo a passar nas últimas semanas. O próprio Jesus, que desenha ao mais ínfimo detalhe cada momento, cada triangulação – e por isso é insuperável a treinar – parece ainda enredado nesta teia de indecisões. O que quer do segundo avançado? Alguém que dê a profundidade que Dost não procura, como Markovic ou Campbell? Alguém que traga imprevisibilidade, criatividade e soluções fora da caixa, como Bryan Ruiz ou até, em certa medida, Alan Ruiz? Alguém que seja simultaneamente um terceiro médio, capaz de auxiliar William e Adrien na tarefa de segurar o meio-campo, como Bruno César? Ou ainda alguém que assegure mais presença na área, de forma a aproveitar o facto de Dost exaurir os centrais adversários, como André ou até Castaignos, que desta vez até foi útil? O problema aqui, note-se, não está na diversidade de opções. Isso é bom. O problema está no facto de o resto da equipa não mudar o seu futebol em consonância. Está na busca insistente do espaço interior quando ele não existe fruto da perda da profundidade, por exemplo. Ou até na criação de situações de cruzamento, quando geralmente quem cruza não tem a qualidade necessária para o fazer ou depois falta presença na área (algo pouco habitual nas equipas de Jesus). Quando isto acontece, pode aparecer uma escorregadela que ajude. E isso não é mau nem sequer deslustra. Mas não pode contar-se com isso a cada jornada.
2016-12-22
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Último Passe

A quebra evidente de rendimento do Sporting nos últimos jogos tem sido muitas vezes reduzida a fatores demasiado simples, como a ausência de Adrien, as dificuldades de recuperação após os jogos europeus ou a falta de qualidade de alguns novos jogadores. Na verdade, tudo terá o seu peso para explicar exibições tão pobres como a que a equipa de Jorge Jesus assinou frente ao Tondela. No entanto, a razão mais importante é tática e tem a ver, não com a saída de Slimani, mas com o facto de ninguém estar a dar à equipa aquilo que o argelino dava. E mais difícil do que fazer o diagnóstico é encontrar a profilaxia adequada, que no meu ponto de vista só pode passar por Campbell a jogar no corredor central. É claro que Adrien faz falta, pela intensidade e abrangência que mete no jogo a meio-campo. É claro também que se a equipa faz um jogo de elevada exigência competitiva a meio da semana vai perder velocidade e dinâmica no fim-de-semana seguinte. Mas todas as equipas que andam nas competições europeias vivem com isso e algumas até têm mais lesões – e lesões mais importantes – que o Sporting. Veja-se o caso do Benfica, que perdeu Jonas, o melhor jogador da Liga anterior, numa altura em que também não tinha Mitroglou ou Jiménez. E que teve de passar a viver sem Gaitán e Renato Sanches. O Sporting está sem Adrien e teve de reconstruir-se sem Slimani e João Mário, com Bas Dost a aparecer e Gelson a ganhar preponderância. E a questão é que o todo, a soma das partes, deixou de fazer tanto sentido. O que caraterizava o ataque organizado do Sporting de Jesus era a facilidade com que jogava por dentro, no corredor central. Ali apareciam os dois pontas-de-lança, mas também Adrien, Ruiz e João Mário, sendo que havia sempre facilidade em criar desequilíbrios ofensivos. Porquê? Porque havia espaço, muito espaço entre as duas linhas defensivas dos adversários para os jogadores do Sporting penetrarem em tabelas rápidas que muitas vezes deixavam um deles na cara do golo. Então o que mudou? Será que os adversários deixaram de colaborar e fecharam esse espaço? Ora achar isso é uma idiotice. Na verdade, os adversários nunca quiseram colaborar, abrindo esse espaço. O que se passava é que as movimentações de Slimani na busca da profundidade, indo buscar muitas vezes a bola nas costas da última linha do adversário, obrigavam esta última linha a recuar vezes sem conta, alargando o espaço entre ela e a segunda linha, formada pelos médios. Era aí que o Sporting jogava. Sem Slimani – e com um jogador que faz movimentos contrários, de aproximação à equipa, recuando para tabelar com os médios – Jesus podia fazer uma de duas coisas. Ou encontrava uma réplica, um jogador igualmente capaz de esticar o jogo, ou deixava de apostar tanto no jogo interior, preferindo jogar por fora e aproveitar o superior capacidade de finalização de Bas Dost para aumentar a percentagem de jogadas que conclui com cruzamentos. Neste momento, a equipa hesita entre as duas profilaxias. No jogo contra o Tondela, cruzou muito, mas raramente o fez bem ou no momento mais adequado, mesmo quando tinha superioridade posicional e numérica na área – e nesse particular Zeegelaar, autor do melhor cruzamento no jogo com o Borussia Dortmund, foi desastroso. No sábado, aliás, o Sporting procurou vezes demais o labirinto em que se transformou o corredor central: ao espaço entre-linhas do Tondela acorriam Ruiz, Bas Dost, André e até Elias ou Gelson, que neste contexto faria muito melhor em permanecer aberto, para aumentar as possibilidade de combinação na direita que levassem a cruzamentos. Claro que a equipa pode (deve, aliás) adotar as duas soluções, ser igualmente eficaz no jogo exterior como no interior. Mas para isso tem de dominar melhor cada momento e tomar nele as melhores decisões. O problema é que para isso tem de aperfeiçoar a ideia de jogo e encaixar melhor as peças: o Sporting de 2015/16 tinha um onze encaixado; o desta época ainda não encontrou o parceiro para Bas Dost nem a forma que ele terá de encarar o jogo. Umas vezes joga com Bruno César, outras com Markovic, outras ainda com André, no sábado experimentou até somar Castaignos ao seu compatriota. Olhando para o grupo, vejo duas possibilidades: Bruno César atrás de Dost para jogos em que se quer o bloco mais unido e jogar mais desde trás (FC Porto em casa ou jogos da Champions com Real Madrid e Borussia Dortmund) e Campbell ao lado do holandês nos restantes. Da forma como vejo as coisas, Markovic só pode jogar na ala, onde está condenado a ser suplente de Gelson. Ao sérvio falta presença na área e capacidade de trabalho para jogar no corredor central, onde a pressão em transição defensiva é muito importante. Campbell tem as duas coisas. E até a capacidade de ir à procura da profundidade, como fazia Slimani, dessa forma permitindo que se abra o tal espaço entre as linhas do adversário para que a equipa possa jogar por dentro. Mistério para mim é mesmo a razão pela qual o costa-riquenho ainda não foi experimentado ali.
2016-10-24
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Último Passe

Lazar Markovic e Joel Campbell, emprestados pelo Liverpool e pelo Arsenal, foram apresentados em Alvalade como duas armas fortíssimas no ataque do Sporting ao título e a uma boa Liga dos Campeões. Passaram-se entretanto dois meses de competição e ainda não se viu maneira de isso acontecer. Não são maus jogadores - se fossem não teriam chegado onde chegaram - mas movem-se sempre ao contrário do que pede o futebol de Jesus. E têm sido mais as vezes em que se tornam empecilho do que aquelas em que contribuem ativamente para os sucessos do coletivo. Já sei que vão dizer-me que Markovic até marcou em Guimarães, num jogo que se o Sporting o não ganhou não foi seguramente por culpa dele. E que lhe pertenceu o golo da vitória frente ao Famalicão, na Taça de Porugal. Até acrescento: mais golos marcará, porque é um jogador explosivo, veloz com bola e capaz de ir buscar a profundidade nas costas das defesas adversárias. E se Jesus quis recuperá-lo e juntar-lhe Campbell, que com ele partilha várias dessas características, é porque quer ter um Plano B ao seu futebol habitual. Quer certamente encontrar diversidade, uma forma de contornar obstáculos moldados à sua forma de jogar. Mas duvido muito que um ou outro possam tornar-se ponto de partida no jogo desta equipa. Qual é a marca dominante do jogo ofensivo de Jesus? São as triangulações, os movimentos da ala para o meio, as entradas no espaço entre o central e o lateral, a rapidez no passe para tirar a bola das zonas de pressão. Tudo aquilo que faz Gelson, por exemplo, e que lhe permitiu crescer tanto de um ano para o outro. E exatamente o contrário do que fazem Markovic e Campbell, do que fizeram ainda no jogo com o Borussia Dortmund, no qual insistiram em soluções individuais, sempre de cabeça em baixo e sem ver o resto da equipa, perdendo por isso inúmeras bolas e comprometendo o esforço ofensivo da equipa. O Sporting não perdeu por causa deles, mas para ganhar com eles terá formatá-los à forma de jogar deste grupo. Porque a continuarem assim serão sempre um corpo estranho
2016-10-18
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