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Último Passe

A eliminação do Sporting da fase de grupos da Liga dos Campeões teve erros de muita gente. Teve erros dos árbitros, sim, nos dois jogos, quase sempre em prejuizo da equipa portuguesa, mas teve também vários erros dos jogadores e do treinador dos leões. A frustração levou muitos adeptos a centrar toda a ira nas arbitragens, mas o bom-senso manda que os responsáveis leoninos se centrem antes naquilo em que podem de facto intervir. O resto é fogo de artifício e não leva a lado nenhum. Em Moscovo, o Sporting entrou bem, a mandar no jogo com personalidade. Foi capaz de levar a bola para o meio-campo ofensivo e, mesmo não sendo capaz de criar muitas situações de perigo, fez um golo que lhe deixava o futuro nas mãos. A segunda parte, porém, foi um somar de erros. Primeiro errou Adrien, desatento no momento de um livre lateral, que o levou a reagir tarde e a cortar a bola na direção da baliza. Depois, errou Rui Patrício, que permitiu que Doumbia chegasse primeiro à bola dividida entre os dois. De seguida, errou o árbitro, ignorando que o atacante do CSKA tinha feito o golo com o braço. E por fim errou Jesus, tardando a mexer na equipa, não lhe vendo sinais evidentes de abrandamento que se refletiram no 2-1 e aos quais só reagiu após o 3-1, tirando os apagados Aquilani e Ruiz. Tarde demais para daí tirar resultados.No final do jogo da primeira mão, disse-me um responsável leonino que o clube não ia queixar-se formalmente do árbitro "porque a UEFA não gosta que se façam ondas". Agora, que o caldo entornou, até podem aparecer o capitão da equipa de andebol ou a mulher do presidente a fazer queixas no facebook, ou o próprio Jorge Jesus a comentar a arbitragem em conferência de imprensa. Têm razão. O problema é que não ganham nada com isso. OOnde há realmente muito a ganhar é numa análise racional dos erros próprios. E começa a ser habitual um abaixamento dos leões quando se vêem em vantagem: aconteceu na Supertaça com o Benfica; repetiu-se em Aveiro frente ao Tondela; voltou a ver-se em Alvalade com o CSKA e o Paços de Ferreira e culminou agora em Moscovo, com a perda do grande objetivo financeiro da época. Uma perda cujas consequências ainda terão de ser avaliadas.Francamente, interessa-me muito mais perceber as razões que estão por trás desse abaixamento do que aquelas que levaram o árbitro auxiliar a achar que o canto de Carrillo no qual Slimani fez o 2-2 que não contou tinha passado por fora do campo. E não é só por serem mais suscetíveis de prova concreta do que quaisquer alusões ao poderio económico da Rússia ou à influência da Gazprom.
2015-08-26
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Stats

A vitória por 2-1 em casa na primeira mão é o resultado mais “nulo” na história das competições europeias: geralmente, significa que as duas equipas passam a ter rigorosamente a mesma possibilidade de se apurarem. Em 51% das vezes que se verificou em todo o historial das competições da UEFA, apurou-se a equipa que ganhou em casa; em 49% qualificou-se a equipa que perdeu fora. O registo do Sporting, ainda assim, é ligeiramente melhor do que a média, pois os leões qualificaram-se três vezes em cinco, num historial 60% vitorioso. Um apuramento na quarta-feira deixará o Sporting como uma espécie de anormalidade estatística, com 66% de eliminatórias bem sucedidas depois de ganhar por 2-1 em casa; uma eliminação deixa tudo a nulos: três vezes apurado; outras tantas eliminado.A última vez que tal sucedeu ao Sporting foi em 2011/12, na Liga Europa. Primeiro, a equipa dirigida por Ricardo Sá Pinto ainda se apurou nos quartos-de-final: ganhou por 2-1 ao Mettalist, em Alvalade (golos de Izmailov e Insúa), e empatou depois a uma bola em Kharkiv (Wolfswinkel ainda deu vantagem aos leões, Cristaldo empatou e Rui Patrício defendeu um penalti). Mais tarde na mesma época, o mesmo resultado já não foi suficiente. Após o mesmo 2-1 em casa frente ao Athletic Bilbau (marcaram Insúa e Capel, a virar um jogo que os lisboetas estiveram a perder), o Sporting foi batido por 3-1 no País Basco (marcou Wolfswinkel, mas um golo de Llorente a 2 minutos do fim impediu que a eliminatória seguisse para prolongamento e que os portugueses atingissem a final da Liga Europa.Aliás, a última presença do Sporting numa final europeia, a Taça UEFA de 2005, fez-se com duas eliminatórias bem sucedidas após um 2-1 em casa na primeira mão. Nessa época, a equipa liderada por José Peseiro eliminou assim duas equipas holandesas: o Alkmaar e o Feyenoord. Primeiro, o Feyenoord: Goor abriu o placar para os holandeses em Lisboa, mas Custódio e Liedson viraram o jogo ainda na primeira parte; depois, na Banheira de Roterdão, os leões até voltaram a ganhar pelo mesmo resultado, graças a tentos de Liedson e Rochemback, aos quais Hofs só respondeu no último instante. Mais à frente, na meia-final, o Sporting voltou a vencer em casa o Alkmaar por 2-1 (Landzaat marcou primeiro para os holandeses, Douala e Pinilla viraram o jogo). Como o resultado se repetiu na segunda mão (Pérez e Huysegems fizeram os tentos da equipa de Adriaanse, Liedson respondeu para o Sporting), a meia-final teve prolongamento. Neste, Jaliens ainda fez o 3-1 que qualificava o Alkmaar para a final de Alvalade, mas o golo de Miguel Garcia, num canto em que até o guarda-redes Ricardo foi à área adversária, aos 120’, valeu o 3-2 final e a presença leonina na final. Uma final onde acabou batida pelo CSKA Moscovo.Antes destas duas campanhas, o Sporting já tinha experimentado o 2-1 caseiro na primeira mão por uma vez. E não guardara boas memórias. Foi em 1971 e o adversário eram os escoceses do Hibernian. Fraguito e Manaca ainda colocaram os portugueses a ganhar por 2-0 em casa, mas um golo de Duncan deixou tudo em aberto. Na segunda mão, os escoceses marcaram primeiro, por Gordon, Yazalde ainda empatou, mas a segunda parte trouxe mais cinco golos à equipa da casa (um hat-trick de O’Rourke, mais um de Gordon e um autogolo de Manaca) e uma eliminação sem contestação possível. - O CSKA Moscovo não ganhou nenhum dos últimos seis jogos europeus em casa. A última vitória da equipa russa data de Outubro de 2013, quando venceu o Viktoria Plzen (Rep. Checa) por 3-2. Depois disso, perdeu com o Manchester City (1-2), com o Bayern (1-3 e 0-1) e empataram com Manchester City (2-2), Roma (1-1) e Sparta Praga (2-2). A última vitória por um resultado que agora lhe garantiria a qualificação aconteceu em Outubro de 2011, quando bateu o Trabzonspor (Turquia) por 3-0. Doumbia, autor do golo russo em Alvalade, fez nessa noite dois golos. - O Sporting, em contrapartida, não ganhou nenhum dos últimos 14 jogos europeus fora de casa. A última vitória como viajante data de Setembro de 2011, quando se impôs por 2-0 ao Zurique, com golos de Insúa e Van Wolfswinkel. - O CSKA nunca ganhou a equipas portuguesas no seu estádio: perdeu lá por três vezes, sempre contra o FC Porto. A única vitória contra uma equipa portuguesa em casa aconteceu contra o Benfica, em Fevereiro de 2005, mas o jogo decorreu em Krasnodar, no Sul, perto do Mar Negro, porque o clima em Moscovo era demasiado severo. - Uma das derrotas do CSKA com o FC Porto em casa aconteceu precisamente depois de ter perdido por 2-1 no Dragão. Foi em Março de 2011: Tosic deu esperança aos russos, depois de Hulk e Guarín terem colocado o FC Porto em vantagem, mas os portugueses voltaram a ganhar depois em Moscovo, por 1-0, graças a mais um golo de Guarín.
2015-08-24
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