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Último Passe

Foram o FC Porto e Nuno Espírito Santo que ganharam ou foram o Sporting e Jorge Jesus que perderam? Como sempre, na sequência de um clássico, onde as duas formas de olhar para o jogo assumem igual protagonismo, esta é a pergunta que muitos fazem. A resposta é simples: ambas as afirmações são verdadeiras. Nuno Espírito Santo começou a ganhar o jogo quando apostou em Soares e numa frente de ataque alargada, mas só o ganhou mesmo graças ao compromisso defensivo revelado por jogadores como Corona e Brahimi. E Jorge Jesus começou a perdê-lo, não tanto na aposta-surpresa em Matheus Pereira, mas mais na falta de William Carvalho e na insistência em Bryan Ruiz pelo corredor central, como segundo avançado, quando ainda não ganhou um jogo verdadeiramente competitivo com o costa-riquenho a jogar naquela posição. Soares foi o homem do jogo, pelos dois golos que marcou, mas sobretudo pela volta que permitiu dar ao futebol do FC Porto. Com Soares, o FC Porto pôde mudar para um 4x4x2, porque passou a ter um avançado de referência, com escola a jogar de costas para a baliza, a cobrir a bola, mas que ao mesmo tempo tem finalização e explosão. Talvez fosse isso que o treinador tinha em mente quando contratou Depoitre, mas a verdade é que esses trunfos chegaram com seis meses de atraso. Com Soares na frente, André Silva passou a ser menos massacrado – ainda que ao mesmo tempo tenha perdido protagonismo – e a equipa pôde juntar dois pontas-de-lança a dois extremos puros, como Corona e Brahimi, não perdendo em termos defensivos. Pelo contrário… A diferença para a equipa que atacou no Estoril, há uma semana, com André Silva, Jota, Herrera e André André foi abissal em termos de resultados práticos, mas também de modelo de jogo: o FC Porto de hoje apostou num jogo mais direto, na busca mais rápida da profundidade, juntando linhas atrás e vivendo muito do comportamento defensivo rigoroso dos dois alas, que estiveram sempre bem nos momentos de transição, reduzindo o espaço ao Sporting para atacar. Claro que muito disto teve a ver com o golo madrugador de Soares, obtido logo aos 6’, que permitiu ao FC Porto gerir a vantagem e ao Sporting obter superioridade estatística, porque lhe coube desde cedo a necessidade de recuperar no marcador. E aqui é onde entram os defeitos leoninos. Seria fácil vir agora criticar a aposta surpresa em Matheus Pereira – um minuto jogado na Liga antes de ser titular no Dragão – mas a verdade é que sem ter sido brilhante, não foi por ele que o Sporting começou a claudicar. O início da queda teve a ver com a falta de rotinas de Palhinha com a equipa, mas o essencial passou pela noite má de Zeegelaar e por mais uma manifestação de incapacidade de Bryan Ruiz para jogar como segundo avançado, pelo meio, em jogos onde o patamar de exigência e de competitividade aumentam. Em suma, Jesus não perdeu por ter inventado, como amanha vamos ler um pouco por todo o lado. Perdeu por insistir em soluções que já lhe tinham custado pontos em várias outras situações. É muito por aqui que se explica o jogo. Adiantou-se o FC Porto logo aos 6’, por Soares, num lance onde a criatividade de Corona se juntou ao comportamento insuficiente de Zeegelaar, que o deixou cruzar, e onde depois a eficácia do avançado recrutado ao V. Guimarães veio combinar com a falta de rotina de Palhinha com Coates e Ruben Semedo: os dois centrais definiram bem o momento da subida, um segundo antes do cruzamento, para deixar Soares em fora-de-jogo, mas Palhinha, que estava na área para restabelecer a superioridade numérica, tardou a reagir e deu condição legal ao atacante brasileiro. A ganhar, o FC Porto assumiu o bloco baixo e a busca rápida da profundidade, sobretudo em ataque rápido e contra-ataque. E, mesmo tendo superioridade numérica no corredor central – Palhinha, Adrien e Bryan Ruiz contra Danilo e Oliver – o Sporting não só não tinha saída pelo meio, procurando sempre os corredores laterais, como perdia quase todas as divididas por ali, fruto da inadequação de Bryan Ruiz à posição. O talento está lá, não se discute, mas para jogar a este nível naquela posição é preciso pensar e executar a uma velocidade que o costa-riquenho não tem. Ruiz começou ali contra o FC Porto em Alvalade e Jesus trocou-o por Bruno César quando se viu a perder, ainda na primeira parte; voltou a começar ali contra o Benfica na Luz e Jesus voltou a trocá-lo, desta vez por Alan Ruiz, aos 60’, mais uma vez a perder, mas desta vez por 2-0; por fim, o treinador repetiu a aposta no Dragão, voltando a mudá-lo de posição ao intervalo, outra vez a perder por dois golos. O segundo nascera de um contra-ataque que teve contributo de Danilo, num excelente passe de rotura, e de Soares, que bateu em velocidade a defesa do Sporting, superou Rui Patrício e fez o 2-0. Na segunda parte, com Adrien e Gelson a manterem a bitola elevada, Esgaio na esquerda em vez de Zeegelaar, Palhinha a subir de rendimento – sendo mais médio e menos terceiro central – e sobretudo com Alan Ruiz no apoio direto a Bas Dost, assegurando que o Sporting tinha alguém capaz de jogar dentro do bloco portista, os leões melhoraram. Adrien acertou na trave e Alan Ruiz reduziu, após combinar com Bas Dost. Aqui, foi a vez de o FC Porto repetir o erro que já cometera contra o Benfica, baixando o ritmo, deixando de sair com a certeza dos primeiros 45 minutos, fruto da falta de gente na frente: André Silva deu o lugar a André André, Brahimi foi trocado por Jota e Corona por João Carlos. Podence deu alma ao flanco esquerdo leonino e nos últimos dez minutos pairou sobre o Dragão a hipótese de repetição do golpe de teatro que já sucedera frente ao Benfica. A diferença é que desta vez Casillas fez duas excelentes defesas a cabeceamentos de Coates, impedindo o empate. E em resultado disso não só o FC Porto viu legitimada a sua candidatura ao título, como o Sporting saltou fora da carruagem.
2017-02-04
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Último Passe

O FC Porto-Sporting vai definir que campeonato teremos a partir de Fevereiro. As equipas chegam ao clássico em posições inversas relativamente ao igualmente decisivo desafio da época passada, mas com muito mais jornadas por disputar, o que somado à derrota recente do Benfica em Setúbal permite acalentar esperanças a ambas de ainda terem alguma coisa a dizer na luta pelo título. A esperança é, aliás, a palavra-chave para os que hoje forem ao Dragão. Os portistas vão na esperança de saírem de lá líderes à condição – o Benfica só joga no domingo. E se há um mês estavam a seis pontos de diferença do líder, já não estão na situação de olhar para cima e não ver ninguém desde o jogo de abertura desta Liga, quando foram os primeiros a somar três pontos, com a vitória em Vila do Conde sobre o Rio Ave. Os sportinguistas, por sua vez, vão na esperança de pelo menos manter a distância para o topo – são sete pontos neste momento, os tais que o FC Porto tinha de desvantagem há um mês – e reduzir a que os separa do segundo lugar, para voltarem a entrar na discussão. Ambos os treinadores têm a noção de que o futebol é o momento. E a questão é que o momento não tem sido muito favorável a nenhum dos dois. O FC Porto até vem de três vitórias seguidas depois do empate em Paços de Ferreira que parecia condenar a equipa a uma segunda metade de época sem ambição, mas não tem sido convincente no plano exibicional. No Estoril, por exemplo, a equipa só ganhou asas quando o treinador adicionou homens de ataque a um onze inexplicavelmente tímido de início. Uma das dúvidas acerca de que FC Porto vamos ter prende-se com as opções para acompanhar André Silva. Só Diogo Jota, com Herrera, Oliver e André André é curto, como se viu na Amoreira. É verdade que o treinador vinha escaldado pelos dois golos consentidos em casa ante o Rio Ave e pode ter sido impelido a escolher uma equipa mais conservadora, mas entre Corona e Brahimi, pelo menos um tem de estar de início. Ou até os dois, com Jota de fora. Jesus já dissipou a maior dúvida no onze leonino, que tinha a ver com o homem escolhido para substituir o castigado William Carvalho. Joga Palhinha, igualmente forte fisicamente mas menos desequilibrador no passe e naturalmente menos à vontade com a importância de um jogo como este. Logo aí se deve esperar um Sporting menos virado para o ataque, mas a opção fundamental prende-se com a escolha do homem que vai acompanhar Bas Dost na frente. Em 2015/16, Jesus ganhou com “chapa três” na Luz e no Dragão com dois avançados puros – Slimani e Gutiérrez – mas este é um Sporting diferente, logo à partida por não ter a capacidade de luta do argelino, que era ao mesmo tempo primeiro atacante e primeiro defesa. Os dois clássicos desta época tiveram de início Bruno César e Bryan Ruiz a alternar entre a esquerda e o centro e deverá ser assim também no Dragão, onde lá mais para a frente Jesus pode recorrer a Geraldes e Podence, os dois moreirenses que tão moralizados ali chegam.
2017-02-03
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Último Passe

É curioso que o golo com que o Sporting ganhou ao Belenenses no Restelo tenha nascido numa casualidade. Sim, o cruzamento de Campbell é excelente. Sim, a finalização de primeira de Bas Dost é igualmente muito boa. Sim, sem jogar uma maravilha, o Sporting já tinha feito o suficiente para se adiantar no marcador antes disso. Mas se Dost estava em posição para marcar deve-o ao facto de ter escorregado e caído, ainda a meio-campo, no momento em que dá início à jogada, num dos seus habituais momentos em que baixa para tabelar com os médios. Só esse “atraso” na chegada à jogada o impediu de estar onde é suposto e, assim, aparecer onde ninguém do Belenenses o esperava: em corrida desenfreada, solto, ao segundo poste. Dost é um jogador muito diferente de Slimani, já aqui o disse vezes sem conta. Mas nem é um jogador assim tão diferente de alguns dos avançados com quem Jesus foi trabalhando ao longo dos tempos. É pesado mas letal na área, um pouco como Cardozo, que foi sempre um jogador contra-natura em todo o jogar daquele Benfica de Jesus: toda a gente corria à volta dele mas ele aparecia a fazer os golos. Nesse aspeto, Dost faz bem o seu papel. É bom finalizador, tem tido um peso incomparável nos resultados da equipa e não é seguramente a ele que o Sporting está a dever a posição em que se encontra na tabela. O que falta fazer é casar a equipa com o avançado que tem e fazer com que ela se esqueça do avançado que deixou de ter. E é nessas contradições, tanto como na fadiga de alguns elementos, que custou ao Sporting os três pontos no jogo com o Sp. Braga, que está a resposta para as dificuldades que a equipa tem vindo a passar nas últimas semanas. O próprio Jesus, que desenha ao mais ínfimo detalhe cada momento, cada triangulação – e por isso é insuperável a treinar – parece ainda enredado nesta teia de indecisões. O que quer do segundo avançado? Alguém que dê a profundidade que Dost não procura, como Markovic ou Campbell? Alguém que traga imprevisibilidade, criatividade e soluções fora da caixa, como Bryan Ruiz ou até, em certa medida, Alan Ruiz? Alguém que seja simultaneamente um terceiro médio, capaz de auxiliar William e Adrien na tarefa de segurar o meio-campo, como Bruno César? Ou ainda alguém que assegure mais presença na área, de forma a aproveitar o facto de Dost exaurir os centrais adversários, como André ou até Castaignos, que desta vez até foi útil? O problema aqui, note-se, não está na diversidade de opções. Isso é bom. O problema está no facto de o resto da equipa não mudar o seu futebol em consonância. Está na busca insistente do espaço interior quando ele não existe fruto da perda da profundidade, por exemplo. Ou até na criação de situações de cruzamento, quando geralmente quem cruza não tem a qualidade necessária para o fazer ou depois falta presença na área (algo pouco habitual nas equipas de Jesus). Quando isto acontece, pode aparecer uma escorregadela que ajude. E isso não é mau nem sequer deslustra. Mas não pode contar-se com isso a cada jornada.
2016-12-22
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Último Passe

Um Sporting poupado, tanto nos golos como na exibição que assinou na segunda parte, chegou para ganhar por 2-0 ao Legia Varsóvia, a pior equipa do grupo na Champions, e entrar na dupla jornada contra o Borussia Dortmund com os alemães à vista na tabela. Bryan Ruiz e o inevitável Bas Dost fizeram dois golos em nove minutos, no melhor período dos leões, que depois, ainda antes do intervalo, fecharam a loja e deixaram que o campeão polaco revelasse alguma vulgaridade: nem com os leões em ritmo de treino o Legia foi capaz de ameaçar discutir o resultado. Notava-se, de início, que o Legia vinha com duas ideias fixas: pressionar a saída de bola leonina, sobretudo quando ela era feita por William Carvalho, e quando recuperava a iniciativa mais atrás, explorar as costas dos laterais adversários com passes rápidos. Isso chegou para que os leões – ontem escalados com Bruno César como segundo avançado, num onze mais conservador do que o habitual – tivessem dúvidas. Mas só por uns minutos. Assim que acertou posicionamentos, a equipa dirigida por Raul José encostou o adversário à sua baliza, raramente o deixando sequer passar a linha de meio-campo. Gelson surgia ao nível habitual, imparável na direita, e tanto Adrien como Bryan Ruiz se aproximavam com critério de Bas Dost, o pivot ofensivo do esquema. Como resultado disso, acumulavam-se as ocasiões de golo na baliza de Malarz. Antes do 1-0, Gelson já tinha acertado na barra, numa finalização de baliza aberta, e tanto Dost como Adrien e Ruiz tinham estado também perto do golo. O golo de Ruiz, mesmo nascido de um mau corte de um polaco, justificava-se, o mesmo sucedendo com o segundo, que Dost marcou nove minutos depois, após bela abertura de Adrian. Até ao intervalo, Coates ainda obrigou o guardião Malarz a uma grande defesa, para evitar o 3-0, o mesmo tendo acontecido logo a abrir a segunda parte com Adrien. Só que aí já o Sporting entrara em modo de poupança. Os leões chamaram ao campo Markovic, Campbell e até Petrovic, acabando o jogo num assumido 4x2x3x1, revelando que não estavam assim tão interessados em correr riscos para ir à procura do 3-0. Com mais bola, o Legia também não foi capaz de deixar sequer a sensação de que podia vir a discutir o jogo: teve uma ocasião de perigo, por Radovic, mas a bola saiu ao lado da baliza de Rui Patrício. Terá de melhorar muito o Legia se quer evitar uma dupla goleada nos jogos com o Real Madrid que aí vêm. Ao mesmo tempo, o Sporting vai tentar discutir a qualificação com o Borussia Dortmund. Sem poupanças, nesse caso.
2016-09-28
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O Benfica ganhou, como se previa, ao Nacional, por 4-1, na Luz, tornando infrutífera a vitória do Sporting em Braga, por 4-0, e conquistando o seu primeiro tricampeonato desde 1977. Foi um sprint final alucinante, no qual nenhum dos dois primeiros classificados cedeu, acabando o Benfica por impor os seus argumentos e terminar a Liga com uns impressionantes 88 pontos, que tornam irrelevante qualquer discussão à volta da justiça deste título. O Benfica é um campeão justo, porque fez mais pontos. Não jogou o futebol mais bonito, mas foi sempre a equipa mais eficaz, a que teve mais qualidade dentro da área – e isso paga-se com troféus como o que os encarnados acabam de conquistar. No último dia, só por três minutos o Sporting se colocou na frente da tabela provisória. Marcou primeiro, aos 20’, por Téo Gutièrrez, num daqueles lances-tipo do Sporting: bola de João Mário para a esquerda, onde Ruiz alargou a organização defensiva bracarense e devolveu para o meio, para a finalização de primeira do colombiano. O Sporting já tinha estado perto do golo por um par de vezes e desde cedo se percebeu que tinha tudo para ganhar em Braga. Só que os leões precisavam de mais. Precisavam que o Benfica não ganhasse em casa ao Nacional. E três minutos depois do golo de Gutièrrez, Gaitán abriu a festa da Luz, num lance que também é típico do futebol benfiquista: bola em busca da profundidade no corredor central, corte a impedir a finalização de Pizzi, mas para os pés do argentino, que estava solto e marcou num remate cruzado. Daí até final, na classificação, só deu Benfica. Slimani marcou o 2-0 para o Sporting em Braga, após cruzamento de Bruno César, num momento em que a equipa de Paulo Fonseca já tinha ficado reduzida a dez homens, por expulsão de Arghus, que derrubou William quando este se isolava. Só que Jonas também só esperou quatro minutos para dar o segundo ao Benfica, em mais um passe longo, desta vez de Gaitán, a pedir a velocidade de Jonas, que ganhou o duelo com o guarda-redes Gottardi. Ao intervalo dos dois jogos, toda a gente percebia que muito dificilmente o título escaparia ao Benfica. O Nacional ainda veio para a segunda parte a pensar num golo, que poderia reabrir a discussão, mas quem o marcou foi o Benfica, outra vez por Gaitán: recuperação de bola no último terço, cruzamento de Jonas, remate de Mitroglou à barra e recarga do argentino, de cabeça, para a baliza deserta. Começou aí a cantar-se nas bancadas, onde já ninguém estaria preocupado com o resultado do Sporting. Que entretanto chegou também ao terceiro, por Ruiz. E depois ao quarto, também pelo costa-riquenho. Mas, mais golo, menos golo, já nada disso importava. Pizzi ainda fez o 4-0 para o Benfica, já depois de Rui Vitória ter chamado ao relvado Paulo Lopes, o terceiro guarda-redes, que pôde fazer uns minutos e juntar o seu nome ao dos campeões – só mesmo Taarabt subiu ao palanque sem ter jogado. Já era Paulo Lopes quem estava na baliza quando Agra marcou o golo de honra do Nacional, tirando ao Benfica o título de melhor defesa da Liga: os encarnados acabaram com 22 golos sofridos contra 21 do Sporting. Sobrava o título que mais interessava: o de campeão. 
2016-05-15
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Último Passe

Foi um Sporting muito forte, aquele que goleou o V. Setúbal por 5-0, em jogo da penúltima jornada da Liga, regressando à liderança pelo menos até ao momento em que o Benfica visitar o Marítimo e forçando desde já o suspense acerca do campeão até à última ronda. O clima de festa com que os jogadores se despediram dos adeptos, no final do jogo, deixa perceber que todos acreditam ainda que o bicampeão possa escorregar no seu duplo compromisso madeirense e só foi atenuado com a desilusão que foi perder o capitão, Adrien Silva, para a última batalha, devido ao 12º cartão amarelo na Liga. Mas ficou evidente que os leões continuam a sonhar com a possibilidade de interromperem o jejum de 14 anos sem títulos nacionais já na primeira época de Jorge Jesus. Sem João Mário, que Jesus preferiu não arriscar, face a uma questão muscular, e com Gelson a jogar pela direita num onze que tinha Bruno César como lateral-esquerdo, o Sporting deparou-se com um V. Setúbal que repetiu a organização com três defesas-centrais que já tinha utilizado contra o Benfica na Luz. E se é certo que nessa noite perdeu apenas por um golo e conseguiu durante boa parte do jogo anular o jogo interior dos encarnados, também viveu 20 minutos de terror, até ver o adversário chegar ao 2-1 que acabou por ser o score final. Desta vez, a diferença é que o terror durou mais tempo, porque este Sporting chega ao fim da Liga com mais gás e não parou de cavalgar a onda. Gelson – com Ruiz e Ruben Semedo os melhores em campo – só abriu o marcador aos 25’, picando a bola sobre Ricardo depois de ser isolado por um excelente passe do costa-riquenho, mas antes disso já o guardião setubalense tinha tirado dois golos cantados a Bruno César e Slimani e Ruca evitara sobre a linha de golo um cabeceamento de Coates que parecia destinado às redes no seguimento de um canto. O Sporting estava pujante e colocou o jogo em segurança ainda antes do intervalo, num ataque rápido em que William descobriu Gutièrrez para um remate que entrou junto ao poste mais próximo. E se dúvidas houvesse, o bis de Gelson, aos 55’, após passe de Adrien, veio acabar com elas. Só depois (tarde…) Quim Machado mexeu, chamando ao jogo André Horta – muito assobiado o futuro reforço do Benfica – e Miguel Lourenço. Com 3-0 e vendo que não havia perigo de reação do adversário, Jesus precaveu-se em relação a Braga, retirando de campo Slimani – também à beira da suspensão, tal como Adrien, que já tinha visto o cartão amarelo proibido na primeira parte – e acabando por ver a ponta final da partida coroada com mais dois golos de Ruiz, ambos em bolas paradas. Notável a execução, em vólei, do remate que deu o 4-0; mais fruto da inspiração do momento e de alguma ratice o livre direto que passou debaixo da barreira para fixar o resultado nos tais 5-0 que fazem crescer a pressão sobre o Benfica. É agora a vez da equipa de Rui Vitória responder, neste sprint alucinante em que já leva dez vitórias seguidas. Provavelmente vai precisar de mais duas para ser tricampeão e evitar a concretização do sonho leonino. Desde 1993 que nenhuma equipa perde a Liga nas últimas jornadas sem ser no confronto direto com o que haveria de ser campeão. Sucedeu nessa altura ao Benfica, que perdeu em Aveiro com o Beira Mar (1-0), deixando-se ultrapassar pelo FC Porto à 31ª de 34 jornadas. Depois disso, só houve mais duas ultrapassagens consumadas na reta final: o Benfica de Trapattoni superou o Sporting de Peseiro ganhando-lhe o dérbi na penúltima partida de 2004/05 e o FC Porto de Vítor Pereira passou o Benfica de Jesus batendo-o no Dragão, igualmente na penúltima partida de 2012/13. Aquilo em que os sportinguistas acreditam agora é que seja o Marítimo ou o Nacional a fazer encalhar o Benfica. E acreditam mesmo, a julgar pela forma efusiva como celebraram os seus na partida frente ao V. Setúbal.
2016-05-08
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Ao aguentar 15 minutos sem sofrer golos em Alvalade, Rafael Bracalli, guarda-redes do Arouca, passou a ser o dono da mais longa série de minutos sem sofrer golos no presente campeonato, superando precisamente Rui Patrício, guarda-redes do Sporting. Bracalli, que não sofria um golo na Liga desde que foi batido por Aboubakar, do FC Porto, a 7 de Fevereiro, aguentou 541 minutos sem ir buscar a bola ao fundo das redes, tendo durante esse período defendido duas grandes penalidades. Patrício tinha estado 538 minutos sem sofrer golos, entre um marcado por Josué (V. Guimarães) e outro de Rafael Martins (Moreirense).   Rui Patrício continua, no entanto, a ser o líder da defesa menos batida do campeonato, com 17 golos sofridos em 27 jornadas. É a melhor performance defensiva do Sporting num campeonato desde 2006/07, quando a equipa chegou à 27ª ronda com 14 golos sofridos, tendo acabado a prova com a melhor defesa, com 15 golos sofridos em 30 jornadas. O guarda-redes do Sporting era então o internacional Ricardo.   A principal nota do jogo de Alvalade foi, contudo, a performance ofensiva do Sporting, com bis de Teo Gutièrrez e João Mário. O colombiano, que não marcava desde 10 de Dezembro (nos 3-1 ao Besiktas) e que na Liga estava em jejum desde o penalti ao Estoril, a 31 de Outubro, fez o primeiro bis com a camisola leonina e o primeiro desde 16 de Fevereiro de 2015, quando marcou dois golos nos 4-1 do River Plate ao Sarmiento de Junin, na Liga argentina.   Já no caso de João Mário, este foi mesmo o primeiro bis na carreira sénior do jovem médio, que não fazia um golo desde a derrota por 3-1 em Leverkusen, na eliminação leonina da Liga Europa (1-3), a 25 de Fevereiro. Os quatro golos de João Mário em 2015/16 tinham sido todos em deslocações, pelo que o médio não marcava em Alvalade há um ano: o último que fizera ali tinha sido a 22 de Março de 2015, nos 4-1 ao V. Guimarães.   Quem regressou aos golos foi Bryan Ruiz, que tinha falhado ocasiões relativamente fáceis contra o V. Guimarães, o Benfica e o Estoril. Ruiz, pelo contrário, tem escolhido sempre Alvalade para fazer os seus golos. Não marcava desde os 2-0 ao Boavista, a 22 de Fevereiro, sendo que este foi o seu quarto golo consecutivo em Alvalade depois de ter feito um em Braga, na eliminação do Sporting da Taça de Portugal (3-4).   Em branco ficou Slimani – daí, provavelmente, a insatisfação que revelou no momento em que foi substituído por Barcos. O argelino não marca em casa desde 15 de Janeiro, quando fez um golo no empate (2-2) contra o Tondela, tendo desde essa data feito três bis, mas todos em deslocações, nos campos de Paços de Ferreira, Nacional e Estoril.   Gegé, autor do golo do Arouca, fez o primeiro golo na I Divisão. O cabo-verdiano não festejava um golo em nome próprio desde 18 de Novembro de 2012, quando contribuiu para atenuar uma derrota caseira do Marítimo B com a Naval (2-3), na II Liga.   O Arouca voltou a perder um jogo, oito desafios depois de ter sido batido em casa por este mesmo Sporting, por 1-0, em jogo da Taça da Liga. A série de sete partidas sem perder assim estabelecida igualou a melhor que a equipa de Lito Vidigal tinha conseguido nesta época, entre as derrotas com o FC Porto (1-3, a 12 de Setembro de 2015) e com o Sporting (0-1, a 8 de Novembro de 2015). São as duas maiores séries de invencibilidade do Arouca desde que subiu à I Divisão, em 2013.   O Sporting chega assim à 27ª jornada com 65 pontos, mais oito do que tinha na mesma ronda da época passada. Este continua a ser o melhor registo do Sporting à 27ª jornada desde que a vitória vale três pontos. E para encontrar um melhor, mesmo aplicando as atuais regras de pontuação às Ligas anteriores, é preciso recuar a 1979/80, campeonato em que os leões somavam por esta altura 21 vitórias, quatro empates e duas derrotas – que seriam 67 pontos pelas regras atuais.
2016-03-20
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Uma exibição quase perfeita do Sporting valeu à equipa de Jorge Jesus uma goleada (5-1) sobre um Arouca que chegava a Alvalade com o lastro do quinto lugar e de quase nove noras seguidas sem sofrer golos. O resultado permitiu que os leões reassumissem, à condição, a liderança da Liga, à espera do jogo que o Benfica fará amanhã no Bessa, mas esse primeiro lugar provisório nem terá sido tão festejado como o regresso aos golos de Bryan Ruiz e Téo Gutièrrez ou a grande noite de João Mário. Ao contrário do habitual, o Sporting de hoje teve uma boa relação com o golo – e por aí se explica em parte o resultado amplo que conseguiu. Se o que é normal é os leões precisarem de várias ocasiões para desbloquearem um resultado, desta vez os níveis de eficácia do seu ataque estiveram em alta. Ruiz ainda teve na cabeça o 1-0 antes do primeiro golo ser efetivamente marcado, mas nem pelo facto de ter desviado para fora um cruzamento perfeito do improvisado lateral esquerdo Bruno César a abertura do marcador demorou: ao quarto-de-hora, após um canto ganho ao primeiro poste por Coates, Téo Gutièrrez apareceu a desviar ao segundo, na cara do guarda-redes. O Arouca, que até já beneficiara de um canto e dois livres laterais perto da área de Rui Patrício, mostrava na mesma os dentes. Mas isso servia-lhe de pouco: Walter González perdeu um mano a mano com Rui Patrício, após lance veloz na esquerda, aos 17’, e na resposta os leões ampliaram para 2-0, por João Mário, após assistência de Téo. O Sporting tem sentido na pele como é ingrato um resultado de 2-0 e a equipa de Lito Vidigal sabia disso. Só que os leões continuavam pressionantes sem bola e acertados nas triangulações no último terço, criando mais situações de golo. João Mário bisou aos 32’, a culminar uma grande jogada de Adrien Silva e, antes do intervalo, Téo imitou o colega, voltando a surgir ao segundo poste após um canto, desta vez para emendar na cara do guarda-redes uma primeira bola ganha por William Carvalho. Se com 4-0 ao intervalo já não havia dúvidas, o quinto golo, marcado por Ruiz com um remate ao ângulo, após passe de Slimani, aos 60’, só terá servido mesmo para que o costa-riquenho afastasse de vez a má sina que vinha experimentando nos últimos jogos, nos quais falhou golos fáceis. Foi a deixa perfeita para que Jesus o tirasse de campo e lhe desse duas coisas: repouso e moral, vindo das bancadas como uma ovação que mostrou que os adeptos estão com ele. Antes, já Adrien e Slimani, que estão a um cartão amarelo da suspensão, tinham dado os seus lugares a Aquilani e Barcos, este ainda uma incógnita, quase dois meses depois de ter chegado. O Arouca ainda reduziu, por Gegé, após um canto, dando ao resultado uma expressão diferente, mas cedo terá entendido que deste jogo não ia levar nada. A guerra de Lito Vidigal é outra. E a do Sporting começa amanhã, no Bessa, onde os leões têm de esperar que o Boavista tire pontos ao Benfica.
2016-03-19
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Islam Slimani voltou a resolver um jogo do Sporting, marcando os dois golos dos leões na vitória (2-1) frente ao Estoril, na Amoreira. Com os dois golos de sábado, o argelino aumentou a sua conta de leão ao peito para 49, ultrapassando Acosta e Oceano, que concluíram as passagens por Alvalade com 48, e igualando Paulinho Cascavel, ainda que em menos sete jogos (de 101 para 108). À frente de Slimani, que é agora o 34º maior goleador da história do Sporting, estão agora Sá Pinto e Hugo, ambos com 50 golos marcados.   Slimani interrompeu, além disso, o seu maior jejum de golos desta época. Estava em branco há cinco jogos, pois após o bis frente ao Nacional, na Choupana, a 13 de Fevereiro, não marcou nos dois jogos com o Leverkusen (nos quais foi suplente utilizado), nem nas partidas com Boavista, V. Guimarães e Benfica. O argelino não passava cinco jogos seguidos sem marcar desde Dezembro de 2014, quando ficou em branco face a Boavista, Chelsea, Moreirense, Vizela e Nacional, interrompendo a série negra a 3 de Janeiro de 2015, com um golo ao… Estoril.   Os últimos seis golos de Slimani aconteceram fora de Alvalade e sempre aos pares. Depois de ter marcado no empate a duas bolas com o Tondela, no seu estádio, a 15 de Janeiro, o avançado do Sporting só festejou longe de casa, bisando contra o Paços de Ferreira, o Nacional e agora o Estoril.   Outro jogador com a pontaria afinada foi Leo Bonatini, que marcou o golo do Estoril, dando início ao período de reação da equipa da casa, a 11 minutos do final. O avançado brasileiro, que esta época já tinha marcado ao Benfica, mas que ficou em branco nas duas partidas contra o FC Porto, fez golo pela terceira jornada consecutiva, pois vinha de um hat-trick ao V. Setúbal e de um golo ao Rio Ave. Foi a primeira vez que Bonatini marcou em três jornadas seguidas do campeonato.   Rui Patrício, guarda-redes do Sporting, fez o 254º jogo na baliza dos leões a contar para a Liga, superando Azevedo, que atuou em 253 partidas de campeonato. O único guarda-redes com mais jogos na baliza leonina na principal prova nacional passa agora a ser Vítor Damas, que esteve em 332. Patrício precisará pelo menos de mais três épocas para o alcançar.   Bruno César, que até começou a época no Estoril e defrontou o Sporting no jogo da primeira volta com a camisola canarinha, somou a 50ª presença em jogos de campeonato, a oitava pelo Sporting. A estas oito, nas quais fez três golos, o brasileiro junta dez pelo Estoril (com um golo) e 32 no Benfica (com dez golos).   Bryan Ruiz, que fez o cruzamento para o segundo golo de Slimani, assinou a sétima assistência na Liga, não sendo, ainda assim, o melhor entre os leões neste capítulo. É que João Mário tem oito passes decisivos.   Ganhando ao Estoril, o Sporting chegou aos 62 pontos, ainda acima dos 56 que tinha à 26ª jornada da época passada ou dos 60 que somava na mesma fase da Liga de há dois anos. Esta ainda é a maior pontuação do Sporting em 26 jornadas desde que a vitória vale três pontos, superando os 61 feitos pela equipa de Fernando Santos em 2003/04. Para se encontrar melhor entre os leões há que recuar à formação que foi campeã nacional em 1979/80 e que chegou à 26ª jornada com 21 vitórias, três empates e duas derrotas, que pelas atuais regras de pontuação corresponderiam a 65 pontos.   Apesar do golo sofrido, os leões continuam a ter a melhor defesa do campeonato, com 16 golos sofridos. Esta é a melhor performance defensiva de uma equipa do Sporting desde 2006/07, quando os comandados de Paulo Bento chegaram à 26ª jornada com apenas 13 golos sofridos.
2016-03-15
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Há um momento em “A vida de Brian”, a genial sátira à religião dos Monty Phytom, em que Graham Chapman, que passa a história a ser confundido com Jesus, vocifera: “Eu não sou o Messias! Podem por favor escutar-me? Eu não sou o Messias, compreendem? Honestamente!”. E logo uma rapariga na multidão clama: “Só o verdeiro Messias nega a Sua divindade”. Outro Bryan, este com y, o Ruiz, passou toda a época a ser confundido como a arma principal que inevitavelmente conduziria o Sporting ao título nacional de futebol, para em duas jornadas seguidas e decisivas, contra V. Guimarães e Benfica, falhar duas bolas de golo, de baliza aberta, já sem guarda-redes nem nada. Os dois falhanços fizeram a diferença entre os leões ficarem três pontos à frente do Benfica ou, como acontece neste momento, dois pontos atrás. E Rui Vitória, cujo apelido levou no início da época a tantas piadas sem a graça dos Phyton – “Tratem-me só por Rui, por favor!” – acabou por conseguir a vitória que mais interessava e que, a nove jornadas do fim da época, deixa o Benfica como principal favorito à conquista do título. No fim do dérbi de sábado, Jorge Jesus deixou que a frustração lhe tomasse conta do espírito e diminuiu de forma muito exagerada o mérito do Benfica na vitória de Alvalade. Dizer que “o Benfica ganhou aqui sem saber como” ou que aquele foi o Benfica “mais fraco” dos que esta época defrontou o Sporting é um erro de apreciação inaceitável para quem tem a experiência do treinador leonino. O Benfica de sábado foi mais forte que aquele que se apresentou receoso na Supertaça, que o que se mostrou desorientado na partida da Luz ou que o que se revelou impotente no jogo da Taça de Portugal, que também abriu com um golo no primeiro remate à baliza. Foi um Benfica defensivo? Foi. Mas foi um Benfica que, enquanto o jogo esteve a zero, mandou no jogo e obteve alguma supremacia territorial, abdicando depois de atacar quando se viu em vantagem. Podia ter perdido? Claro que sim. Mas isso não invalida que este tenha sido, isso sim, sem qualquer dúvida, o Sporting “mais fraco” dos quatro dérbis da época. Podia mesmo assim ter ganho? Claro que sim. Bastava que a bola que Jefferson mandou à barra tivesse entrado e que Bryan Ruiz não tivesse sido traído pela relva (que fez subir a bola) e pelo seu excesso de confiança no momento de concluir aquele cruzamento que o deixou a um par de metros da baliza, sem guarda-redes pela frente. Este não foi o Benfica mais fraco dos quatro dérbis. Foi o mais forte. Porque levou sempre o jogo para onde quis e quando quis. Porque, como é seu hábito – e isso é um elogio, não é uma crítica – foi uma equipa de golo fácil, que marcou na primeira vez que rematou. E porque, ao contrário do que aconteceu no jogo da Taça de Portugal em Alvalade, mesmo tendo abdicado da iniciativa quando se viu em vantagem, mesmo tendo baixado o bloco e colocado duas linhas à frente da sua área, mesmo tendo perdido o guarda-redes e um dos centrais titulares, não foi pisado pelos leões. Em contrapartida, o Sporting não mostrou a mesma capacidade para impor o seu jogo ofensivo aos encarnados. Porque nenhuma das três substituições feitas trouxe alguma coisa ao jogo. Porque há ali muita gente a render menos do que há uns meses: Slimani é disso o caso mais paradigmático, mas William (apesar da boa segunda parte, depois de 45 minutos muito fracos), Adrien ou o próprio Bruno César (que não tem o efeito no jogo que tinha Téo no Outono) também são bons exemplos. E francamente, com tanta poupança feita nas provas europeias, não se percebem as razões para a quebra de rendimento dos leões, sobretudo no plano ofensivo – três jogos a zero nos últimos cinco – levando a que as opções feitas na gestão do grupo e na sua recomposição no mercado de Janeiro devam ser avaliadas. O campeonato não ficou resolvido, mas teve mudança de favorito. Ao ganhar em Alvalade, ficando na frente e tendo o calendário mais fácil até final, o Benfica passou a ser a aposta mais segura para a conquista do título. Enquanto o Sporting ainda tem de se deslocar ao Dragão e a Braga (terceiro e quarto classificados) e, mais atrás na classificação, além do jogo com os leões, o FC Porto tem também deslocações complicadas pela frente, a Setúbal, Paços de Ferreira ou Vila do Conde, o Benfica joga cinco vezes em casa e, nas saídas, só Marítimo e Rio Ave parecem poder tirar-lhe pontos. O Sporting manteve a vantagem no confronto direto e provavelmente até poderá fazê-la valer… se ganhar todos os seus jogos. Mas para isso, Jesus, precisa de fazer valer o palmarés, de provar que não é um qualquer Brian, a cantar “Always looking on the bright side of life” enquanto os seus objetivos se esfumam.
2016-03-07
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A vitória do Sporting, em Alvalade, frente ao Boavista, por 2-0, pôs termo a uma sequência de dois jogos seguidos dos leões sem marcar golos em casa (0-0 com o Rio Ave e 0-1 com o Leverkusen) e interrompeu aos 365’ a série de minutos sem sofrer golos na Liga do guardião boavisteiro Mika. O último a bater Mika tinha sido Nathan Júnior, do Tondela, de penalti, aos 32 minutos do jogo de 25 de Janeiro. Desde então até ao golo obtido por Ewerton, num canto, aos 37 minutos do jogo contra o Sporting, o Boavista tinha mantido a baliza fechada face a Sp. Braga (0-0), P. Ferreira (1-0) e Académica (0-0).   Rui Patrício substituiu agora Mika como o guarda-redes há mais tempo sem sofrer golos na Liga: são já 302 minutos de inviolabilidade desde um lance que também envolveu Ewerton, que tocou na bola na tentativa de cortar o remate: o segundo golo da Académica em Alvalade, aos 58 minutos de um jogo que os leões acabaram por ganhar por 3-2, no dia 30 de Janeiro. Desde então, o Sporting não sofreu mais golos na Liga, empatando a zero com o Rio Ave e ganhando a Nacional (4-0) e Boavista (2-0).   Ewerton marcou o primeiro golo da época e o terceiro com a camisola do Sporting. Não marcava desde 10 de Maio, quando fez o tento do empate leonino frente ao Estoril (1-1), também com um cabeceamento na sequência de uma bola parada, na ocasião um livre lateral. Aliás, todos os golos (foram três) de Ewerton pelo Sporting foram de cabeça e nasceram em bolas paradas, como é normal num defesa-central: o primeiro, em Abril, a dar uma vitória sobre o Nacional (1-0), na Taça de Portugal, também saiu de um livre lateral, batido por Jefferson.   Ruiz, por sua vez, fez o oitavo golo da época e terceiro na Liga portuguesa. Dos oito, este foi o primeiro de livre direto. Aliás, o Sporting ainda não tinha marcado de livre direto esta época: a única situação em que esteve próximo disso foi no jogo com o V. Guimarães, em que Adrien marcou de livre, mas após um pequeno toque de Jefferson.   Além de marcar o segundo golo, Ruiz assistiu Ewerton no lance do primeiro. Foi a terceira vez esta época que o costa-riquenho conseguiu marcar e assistir no mesmo jogo: tal já lhe tinha sucedido contra o Besiktas (marcou e assistiu Slimani nos 3-1 de Alvalade) e contra o Sp. Braga (também marcou e assistiu o argelino nos 3-4 da Pedreira).   Jorge Jesus obteve a 250ª vitória como treinador na Liga portuguesa. Fê-lo em 475 jogos, dos quais ganhou 250, empatou 112 e perdeu 113. A primeira destas 250 vitórias já tem mais de 20 anos: conseguiu-a a 27 de Agosto de 1995, num Marítimo-Felgueiras que os nortenhos venceram por 2-0.   Ao manter a baliza a zeros, o Sporting destacou-se ainda mais como melhor defesa do campeonato. Tem agora 14 golos sofridos em 23 jornadas contra o 17 de Benfica e FC Porto. Os leões não têm uma defesa tão sólida como tinham as duas menos batidas por esta altura da época passada – Benfica e FC Porto tinham sofrido apenas 10 golos nas primeiras 23 partidas de 2014/15 – mas têm a melhor marca do clube desde 2008/09, quando a equipa de Paulo Bento aqui chegou com os mesmos 14 golos encaixados.   Os 58 pontos que o Sporting soma à 23 ª jornada estão na linha daquilo que Jorge Jesus vinha conseguindo fazer no Benfica nas últimas épocas: tinha 59 na época passada e 58 há dois anos, na época que deu início ao bicampeonato. São, ainda assim, a melhor marca do Sporting desde que a vitória vale três pontos. E mesmo aplicando as atuais regras de pontuação a Ligas mais antigas, só em 1969/70 a equipa estava tão bem: tinha as mesmas 18 vitórias, quatro empates e uma derrota, com a diferença de que já era virtual campeã, pois a Liga tinha apenas 26 jornadas, e os segundos, V. Setúbal e Benfica, estavam bem longe.
2016-02-23
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Último Passe

O Sporting não precisou de ser brilhante para ganhar ao Boavista, por 2-0, voltando assim a isolar-se no topo da tabela da Liga, num jogo em que Jorge Jesus acabou por poupar mais titulares do que tinha feito contra o Leverkusen, deixando a ideia de que na quinta-feira poderá ir com a equipa mais completa possível à Alemanha, para ficar na Liga Europa. Os leões voltaram a começar mal um jogo em casa, entrando devagar e sem grande ligação, mas serviram-se daquele que o seu treinador batizou como o quinto momento de um jogo de futebol (as bolas paradas) para ganhar sem contestação. Ewerton, após um canto, e Ruiz, num livre com ressalto na barreira, deixaram o jogo resolvido antes do intervalo. Jorge Jesus começou o jogo sem várias das que têm sido as suas primeiras escolhas: entre castigos, lesões e poupanças, faltaram João Pereira, Jefferson, Coates, William e Mané ou Bruno César. A equipa, no entanto, voltou a mostrar a cara do costume nos últimos jogos em casa. Lento, pouco agressivo e dinâmico, o Sporting permitiu que o Boavista ganhasse confiança e se instalasse no meio-campo ofensivo nos primeiros 15 minutos. Só a partir dessa altura, quando Schelotto começou a acelerar e descobriu a forma de combinar com Gelson, na direita, os leões começaram a empurrar o adversário para trás. Ruiz foi dos que respondeu bem à subida de nível do flanco oposto e, na esquerda, ofereceu a Teo Gutièrrez a primeira grande ocasião de golo do jogo. O colombiano falhou escandalosamente – mesmo assim, quando saiu, já na segunda parte, o público aplaudiu-o, respondendo positivamente ao que o treinador tinha pedido. Se mesmo assim não conseguia jogar rápido, se continuavam a faltar-lhe as desmarcações profundas de Slimani, que estão na base do seu futebol atacante, o Sporting só podia fazer uma coisa: parar a bola. E foi de bola parada – que Jesus define como o quinto momento do jogo, além das organizações e transições defensivas e ofensivas – que a equipa ganhou o desafio. Aos 37’, Ewerton, que já tinha ameaçado em dois livres laterais, movimentou-se bem na área, aproveitou a desconcentração de Idris e concluiu de cabeça ao primeiro poste um canto batido por Ruiz. E, antes do intervalo, o costa-riquenho fez ele mesmo o 2-0, num livre frontal em que contou com um desvio na barreira para trair o guardião Mika. Percebia-se que, com dois golos de desvantagem, muito dificilmente o Boavista inverteria as coisas na segunda parte. Um golo podia reabrir o jogo, mas o poste, primeiro, e Rui Patrício, depois, tiraram esse golo a Anderson Carvalho. Em consequência disso, o Sporting conseguiu gerir a partida sem problemas até final. Slimani ainda viu, por duas vezes, Mika tirar-lhe o 3-0 – na segunda Mané fez a recarga, a dois metros da baliza, ao poste – mas o jogo chegou ao fim sem mais novidades. Os leões asseguram que irão a Guimarães, antes de receber o Benfica, três pontos à frente dos rivais. Antes, porém, há a viagem a Leverkusen, onde Jesus poderá fazer regressar alguns dos titulares que desta vez repousaram. Mesmo que o tenha desdenhado com o que disse no final deste jogo. Mas isso é Jesus a ser Jesus.
2016-02-22
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Último Passe

Um Sporting muito abaixo do exigível comprometeu seriamente a continuidade na Liga Europa, ao perder em casa com o Leverkusen, por 1-0, numa noite em que Jesus até foi parco nas poupanças, mas na qual a equipa se mostrou demasiado descontraída e sempre incapaz de meter em campo combinações ofensivas e de criar situações de perigo. Como resultado, os leões foram submetidos durante quase todo o jogo à superioridade dos alemães. O 0-1 foi mesmo um resultado lisonjeiro para a equipa portuguesa, que viu os alemães desperdiçarem as melhores ocasiões para ampliar a marca, incluindo um remate de Bellarabi ao poste a quatro minutos do fim, e podia bem ter ido para casa com a eliminatória resolvida e sem o dilema acrescido acerca do que fazer na segunda mão: poupar ou arriscar para tentar virar. Desta vez, nem a poupança de titulares ou a prioridade à Liga portuguesa serve de justificação para o que se viu em campo. Jesus entrou em campo com a melhor equipa possível, exceção feita às poupanças de Adrien e Slimani, que foram substituídos por Aquilani e Teo Gutièrrez e entraram apenas a meia-hora do fim. Ainda assim, desde cedo se percebeu que o Leverkusen mandava no campo, fruto da superioridade no corredor central, não só em números, pois Mané estava sempre mais perto de Gutièrrez do que dos dois médios, mas também em vigor físico, uma vez que Kramer e Brandt impunham a sua força a William e Aquilani e empurravam a equipa para a frente. O jogo corria pouco fluído, muito à base de ressaltos, e ainda nem tinha tido muitas situações de golo (só um cabeceamento de Toprak por cima e um remate de Jefferson defendido por Leno) quando Bellarabi aproveitou um cruzamento de Jedvaj e a desatenção de Coates e João Pereira para surgir ao segundo poste a emendar para o 0-1. Jesus não mexeu, nem sequer ao intervalo, obedecendo impassível ao plano de jogo previamente desenhado. O desafio pedia um flanqueador como Gelson, pedia a intensidade de Adrien e a profundidade de Slimani, mas se o primeiro não chegou a entrar, os outros dois subiram ao relvado apenas aos 60’, fazendo com que o melhor que se viu dos leões tenham sido as iniciativas individuais de Ruiz e Mané. Quando Adrien e Slimani entraram, já Mehmedi tinha obrigado Rui Patrício a empenhar-se para evitar o 0-2. E antes de as substituições se refletirem no jogo, Ruben Semedo fez-se expulsar com segundo amarelo, acabando de matar as esperanças na reviravolta. Até final, com William Carvalho a defesa-central ao lado de Ewerton, que pouco antes substituíra Coates, o Sporting não chegou sequer a mostrar os dentes. A melhor ocasião de golo ainda pertenceu aos alemães, num remate de Bellarabi ao poste, mas o 0-1 já não se alterou. O que deixa os responsáveis leoninos ante um dilema: o que fazer na segunda mão? É que se as perspetivas de seguir em frente são agora menores, há ainda a somar a tudo isso a certeza de que o jogo de campeonato que se segue à viagem a Leverkusen (visita a Guimarães) pede muito mais poupança do que o próximo (receção ao Boavista).ruiz
2016-02-18
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William Carvalho pode fazer contra o Leverkusen o 100º jogo com a camisola do Sporting. Dias depois de ter renovado contrato com os leões, quando parece estar a recuperar de uma notória baixa de forma, o médio parte para uma ponta final de época em que tem de pedalar para assegurar um lugar na convocatória de Fernando Santos para a fase final do Europeu – e nada como jogos internacionais para convencer o selecionador. Dos 99 jogos de William pelo Sporting desde que se estreou, a 3 de Abril de 2011, entrando a um minuto do fim para o lugar de Matías Fernández num jogo em Guimarães – e nessa noite ainda viu o Vitória estabelecer o empate a uma bola, com um golo de João Paulo – só dez foram para as competições europeias. Com ele a jogar na Europa, o Sporting ganhou quatro vezes, empatou três e perdeu outras três, a última das quais em Londres, contra o Chelsea (3-1), em Dezembro de 2014. Desde então, William esteve no empate caseiro com o Wolfsburg (0-0), no empate com o Besiktas em Istambul (1-1) e nas vitórias caseiras contra o Skenderbeu (5-1) e o Besiktas (3-1). A maior porção dos 99 jogos de William pelo Sporting aconteceu, naturalmente, na Liga portuguesa- São 76 jogos, nos quais o médio marcou seis dos seus sete golos. O sétimo apareceu na edição deste ano da Taça de Portugal, no jogo em que os leões foram eliminados pelo Sp. Braga (3-4). Na Taça de Portugal, para cuja conquista contribuiu na época passada, William fez nove partidas (e esse golo), somando ainda quatro desafios na Taça da Liga.   O Sporting defende uma série de 14 jogos seguidos (em todas as competições) sem perder em casa, desde que foi batido em Alvalade pelo Lokomotiv Moscovo (3-1), em Setembro, na abertura da fase de grupos desta mesma Liga Europa. Conseguiu depois onze vitórias seguidas mas tem vindo a afrouxar e já empatou duas das últimas três partidas: 2-2 com o Tondela e 0-0 com o Rio Ave. Além disso, sofreu golos em seis dos últimos oito jogos em casa, pois desde o início de Dezembro só o FC Porto e o Rio Ave ali ficaram em branco.   Também o Leverkusen tem tendência para marcar golos fora de casa, pois não fica em branco desde um 0-0 em visita ao Hamburger, em meados de Outubro. Daí para cá, ganhou cinco vezes, ganhou duas e perdeu três, mas com um aspeto em comum: marcou sempre golos.   Bryan Ruiz marcou nas duas últimas partidas europeias do Sporting, fazendo sempre o segundo golo da equipa portuguesa, na altura a consumar a reviravolta no marcador. Marcou o 2-1 em Moscovo, ao Lokomotiv, depois de Maicon ter adiantado os russos e Montero ter empatado e depois voltou a marcar o 2-1 em casa ao Besiktas depois de Mario Gomez ter feito o 0-1 e Slimani ter empatado.   O Sporting ganhou as últimas duas partidas caseiras nas competições europeias: 5-1 ao Skenderbeu e 3-1 ao Besiktas. Antes, foi batido (3-1) pelo Lokomotiv Moscovo. Já o Leverkusen vem com seis jogos europeus fora de casa consecutivos sem ganhar, desde que foi vencer o Zenit em São Petersburgo (2-1) em Novembro de 2014. Depois disso, empatou com o Benfica (0-0), perdeu com o Atlético Madrid (1-0), com a Lazio (1-0), com o Barcelona (2-1), com a Roma (3-2) e empatou com o Bate Borisov (1-1).   Se contarmos todos os jogos europeus, o Leverkusen chega a Lisboa com cinco partidas seguidas sem vitória, desde que ganhou em casa ao Bate Borisov (4-1), a 16 de Setembro: 1-2 em Barcelona, 4-4 com a Roma em casa, 2-3 em Roma, 1-1 no terreno do Bate Borisov e 1-1 com o Barcelona na Bay Arena. O Sporting, por sua vez, ganhou duas partidas após a escandalosa derrota (0-3) com o Skenderbeu em Elbasan: 4-2 ao Lokomotiv em Moscovo e 3-1 ao Besiktas em Alvalade.   Apesar de a última visita do Leverkusen a Lisboa – e para enfrentar uma equipa de Jorge Jesus, na ocasião o Benfica – ter acabado num empate a zero, a tendência das duas equipas nos jogos europeus é a de participarem em jogos com muitos golos. Ambas as equipas marcaram esta época nos três jogos do Sporting em Alvalade na Liga Europa (1-3, 5-1 e 3-1), bem como nos três jogos do Leverkusen fora da Alemanha na Champions (2-1, 3-2 e 1-1).   O Sporting nunca ganhou ao Leverkusen, em quatro partidas entre aos dois clubes. O máximo que os portugueses conseguiram foi um empate a zero em Alvalade, em Novembro de 2000, na fase de grupos da Liga dos Campeões. Antes disso, tinha perdido por 3-2 na Alemanha. E na Champions de 1997/98 perdeu ambos os jogos: 2-0 em Alvalade e 4-1 em Leverkusen.   De resto, os leões têm um saldo amplamente negativo em jogos contra equipas alemãs, tendo ganho apenas dois de 22 jogos: 1-0 ao Hertha de Berlim em Outubro de 2009 e 4-2 ao Schalke em Novembro de 2014. A última equipa alemã a ganhar ao Sporting em Alvalade foi o Bayern, em Fevereiro de 2009, mas fê-lo com estrondo: 5-0.   O Leverkusen tem saldo neutro contra adversários portugueses, pois venceu cinco de 14 partidas, perdendo outras cinco. Curiosamente, três dessas cinco vitórias foram contra o Sporting, sendo as outras frente à U. Leiria (3-1, em Setembro de 2007) e ao Benfica de Jorge Jesus (3-1 em Outubro de 2014).
2016-02-18
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Último Passe

Um golo de Montero, a seis minutos do final da partida, deu ao Sporting uma vitória por 3-2 sobre a Académica e três pontos muito importantes na luta pelo título, porque permitem pelo menos manter os adversários à distância e evitam que caia sobre a equipa a pressão acrescida que esta teria de suportar se fosse alcançada. Claro que na sequência do jogo se falará muito mais sobre a arbitragem de Cosme Machado do que sobre as dificuldades que o líder do campeonato vem revelando jornada a jornada, mas estas também devem ser dignas de análise em Alvalade. Porque se, como disse no final da partida Adrien Silva, “há fatores que a equipa não consegue controlar”, mais vale centrar-se naqueles que controla. Para Jesus, o que tem de importar é manter o foco no jogo. Frente à Académica, tal como acontecera nas receções ao Sp. Braga e ao Tondela, o Sporting viu-se em desvantagem no marcador durante a primeira parte, dando avanço ao adversário, tanto no marcador como na confiança com que este passou a enfrentar o jogo. Tal como há uma semana fizera o Paços de Ferreira, a Académica marcou numa bola parada ofensiva em que a equipa leonina desligou. Os gestos de Jesus no banco após o golo de Rafa Soares são sintomáticos do que pensou do lance. Certo é que, a perder, o Sporting teve de redobrar a energia com que se lançou sobre a baliza de Pedro Trigueira, tendo acabado por virar o resultado ainda antes do intervalo. Valeram um golo de bandeira de Adrien Silva e uma excelente jogada de Mané – mais uma opção para Jesus, a julgar pelo que mostrou até ser substituído – a oferecer uma concretização fácil a Ruiz. Temendo a repetição do que se passara frente ao Tondela, em que também chegou ao 2-1 depois de estar a perder, Jesus terá mandado forçar o andamento e substituiu William por Gelson à procura de um terceiro golo que matasse o jogo. Só que o Sporting já não estava com a velocidade nem com a certeza de passe da primeira parte, permitia que a Académica também chegasse perto da baliza de Patrício e acabou por ceder o empate, em mais uma bola parada onde nem o erro do árbitro anula a descoordenação entre o guarda-redes e o estreante Ruben Semedo no ataque à bola. Acabou por ser Montero a garantir o 3-2, a seis minutos do final, num lance em que os leões fizeram valer a superioridade numérica na área adversária, mas nem os três pontos devem desviar Jesus do que mais lhe importa neste momento. E, lamento desiludir os mais radicais, não é de arbitragem que falo.
2016-01-31
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Último Passe

O Sporting deixou dois pontos que podem vir a fazer-lhe muita falta na luta pelo título ao empatar em casa com o último classificado, o Tondela, na partida de abertura da segunda volta. O 2-2 final reflete uma exibição positiva da equipa de Petit, que soube jogar em todo o campo e aproveitar os desequilíbrios defensivos dos leões no corredor central, mas também o facto de o líder ter tirado o pé do acelerador assim que chegou à vantagem, numa virada em que muitos não acreditariam. O destaque vai para os velocistas que o Tondela teve na frente, sempre capazes de desestabilizar a linha defensiva leonina, mas também para Gelson Martins e Ruiz, que pelo que fizeram no início da segunda parte não mereciam a traição dos jogadores das linhas recuadas. O primeiro problema para o Sporting foi ter entrado desligado. Falhando muitos passes no início de organização, onde o Tondela metia sempre gente, recusando defender à entrada da sua área, o líder aparecia desconcentrado e lento. Quando o Tondela chegou à vantagem, num penalti convertido por Nathan, a meio da primeira parte, o Sporting não tinha feito nada para justificar aquilo a que vinha, parecendo estar apenas à espera de ver o que o jogo lhe trazia. Como se o facto de o primeiro receber o último em clima de euforia bastasse para somar três pontos. A expulsão de Rui Patrício, no lance da grande penalidade, veio retardar a reação leonina até à segunda parte. Mas aí, sim, com a entrada de Gelson por William – mais um mau jogo do 14 leonino – e certamente as palavras de Jesus no balneário, o leão pareceu o líder do campeonato. Concentrado no que interessa e finalmente a meter velocidade no jogo, muito por força do futebol de filigrana de Bryan Ruiz e da capacidade de Gelson Martins para desequilibrar no um contra um, o Sporting chegou com naturalidade à vantagem. Teve alguma sorte no golo com que Slimani fez o empate – o ressalto num adversário traiu Matt Jones – mas continuou a carregar e viu o esforço premiado com o 2-1, marcado por Gelson. Aí, a jogar com menos um, com meia hora por jogar, a tentação do Sporting foi controlar o ritmo de jogo, algo que já se sabe que esta equipa faz menos bem. Petit percebeu que podia tirar alguma coisa do jogo, fez entrar mais um avançado – Chamorro – e teve prémio no golo em que o espanhol bateu Jefferson em velocidade antes de fazer a bola passar entre as pernas de Boeck. O Sporting até tem tirado pontos dos últimos minutos dos jogos, mas uma coisa é fazê-lo quando está centrado na busca de um objetivo e outra, bem mais complicada, é voltar a ligar o motor depois de ter feito tudo para o desligar. Isso, o Sporting já não conseguiu fazer. E fica agora à mercê dos resultados que Benfica e FC Porto fizerem no Estoril e em Guimarães e pode ver a vantagem na liderança reduzida para dois pontos.
2016-01-15
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Último Passe

Há pelo menos duas formas de olhar para a reviravolta que o Sporting conseguiu contra o Sp. Braga em Alvalade, acabando por vencer por 3-2 um jogo que parecia perdido ao intervalo, quando eram os minhotos a liderar por 2-0. Uma é concentrarmo-nos no caráter, na coragem e na qualidade de jogo ofensivo que os leões mostraram na segunda parte. Outra é olhar para a apatia do seu jogo defensivo durante o primeiro tempo. Sem descontar a qualidade do Sp. Braga, que está perto dos grandes e pode sempre discutir qualquer jogo com eles, consensual será apenas que este foi o terceiro grande espetáculo de futebol consecutivo em jogos entre estas duas equipas. Os três pontos que os leões somaram – e a forma como a eles chegaram, com um golo de Slimani em cima do minuto 90 – foram celebrados de forma entusiasta por um estádio cheio, que verá neles uma espécie de premonição de conquistas que estarão para vir. Mas, mesmo tendo reforçado que no primeiro tempo o Sporting teve ocasiões para fazer golos, certamente que Jorge Jesus não deixará de alertar os seus jogadores para o facto de na primeira parte se terem mostrado apáticos, lentos na reação e passivos sem bola. É certo que Slimani podia ter aberto o ativo, que Paulo Oliveira acertou com uma cabeçada no poste, mas defensivamente a equipa não se entendia com o futebol rápido dos bracarenses, sobretudo de Rafa, uma enguia a escapulir-se aos defensores leoninos. E se tinha escapado incólume a um início fraco, com o Sp. Braga por cima, o Sporting acabou por sucumbir a dois lances perto do intervalo, que valeram outros tantos golos a Wilson Eduardo e ao próprio Rafa. À entrada para a segunda parte, já se sabia que só um Sporting intenso podia sonhar com a ideia de uma reviravolta. Gelson entrou para o lugar de um William demasiado pausado e mexeu com o jogo por três ordens de razões. Primeiro, porque, forçando muitas vezes o um-para-um, desestabilizou a defesa do Sp. Braga. Depois porque, permitindo a passagem de João Mário para o corredor central, deu aos leões mais qualidade no seu jogo. E por fim porque foi num cruzamento dele que André Pinto cometeu o penalti que deu o 1-2 à equipa da casa, marcado por Adrien. Depois do golo, o Sporting acreditou, forçou ainda mais, com a entrada de Montero para o lugar de Bruno César, e esteve muitas vezes perto do empate, que acabou por obter com alguma sorte, quando Jefferson falhou um remate, Montero recuperou a bola e bateu Kritciuk. Faltava um quarto de hora para o final. E se por um lado o Sp. Braga se recompunha, com as entradas de Alan e Stojiljkovic, aproximando-se mais do 4x3x3, o Sporting acusava o esforço. A saída de João Mário, esgotado, parecia corresponder a uma desistência leonina de chegar mais longe e foi Rafa, nessa altura, quem esteve mais perto de desbloquear o jogo para os visitantes. Até que Ruiz e Slimani resolveram o jogo – o costa-riquenho com um cruzamento milimétrico, o argelino, que até já tinha falhado dois golos cantados, com um cabeceamento letal. O Sporting ganhava um jogo que parecia ter perdido e, antes de FC Porto e Benfica jogarem, garantira que chegará ao fim da primeira volta pelo menos com quatro pontos de avanço sobre o segundo. Mas para os manter – e tendo em conta que acaba o campeonato com deslocações ao Dragão e a Braga nas últimas três jornadas, convém que os mantenha – terá de ser mais vezes a equipa intensa da segunda parte e menos o coletivo apático da primeira.
2016-01-10
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Último Passe

O despertador tocado por Slimani, a acordar o Sporting de 67 minutos de letargia na partida frente ao Besiktas, veio outra vez provar que o problema que quase custava o apuramento aos leões na Liga Europa não foi nunca a rotatividade promovida por Jorge Jesus, que enfrentou a maioria dos compromissos com segundas escolhas, mas sim a noção de que os jogos europeus não eram para dar tudo. Em dez minutos de futebol intenso, os leões viraram de um 0-1 que até era lisonjeiro para um 3-1 que acabaram por justificar, evitando o que seria um ato falhado do seu treinador na noite em que finalmente decidiu meter as fichas todas. Pela primeira vez nesta competição, naquele que era o jogo do “tudo-ou-nada”, onde ou ganhava ou saltava fora, Jesus entrou com o onze de gala, mas a cabeça dos jogadores parecia balançar entre a vontade de evitar uma eliminação desprestigiante e o discurso tantas vezes ouvido, segundo o qual a Liga Europa não interessa nada. Que Jesus queria ganhar, era evidente. Caso contrário teria poupado as munições para o jogo com o Moreirense, no domingo. Mas a ideia que ficou foi a de que era nesse jogo que os seus escolhidos mais pensavam. Perdiam a generalidade dos duelos, falhavam passes em cima de passes no seu próprio meio-campo e se chegaram ao intervalo com o placard a zero bem podem agradecer a Rui Patrício e a um par de falhanços comprometedores dos atacantes do Besiktas. Na segunda parte, Jesus tentou mudar. Deve ter deixado muitas orelhas a arder com o que disse aos jogadores no balneário e chamou Gelson para o lugar de Montero, desviando João Mário para o apoio a Slimani, de forma a equilibrar as coisas com o meio-campo do Besiktas. O Sporting até melhorou, mas mais um erro no início da construção permitiu a Quaresma oferecer o 0-1 a Mario Gómez. Faltava meia-hora para jogar e o Sporting tinha de melhorar muito para virar o jogo. E se nos minutos que se seguiram ao golo não o fez, parecendo resignado, foi já com Teo Gutierrez em vez de Adrien e de regresso ao 4x4x2 que um lance inventado por Ruiz e Slimani, sempre nos limites, acordou a equipa. Cinco minutos depois, Ruiz fez o 2-1 e, volvidos mais cinco minutos, Teo aproveitou um passe de Gelson para marcar ele próprio o 3-1, acabando com qualquer ideia de recuperação do Besiktas. O Sporting segue merecidamente para os 16 avos de final da Liga Europa, porque era a melhor equipa de um grupo forte para os standards da competição – haverá na próxima fase da prova muitas equipas piores que o Besiktas, que fica pelo caminho – e evita um problema de consciência a Jesus, que correu riscos sérios de ser o homem que apostou tudo numa cor e perdeu. Livre da maldição de ter cansado os titulares e mesmo assim acabar eliminado, o treinador terá agora de esperar por domingo para saber se tem direito a “jackpot” contra o Moreirense.
2015-12-10
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A deslocação a Elbasan, para defrontar o Skenderbeu, é mais uma oportunidade para o Sporting ultrapassar a corrente série de maus resultados fora de casa nas competições europeias. Há 16 jogos europeus consecutivos que os leões não vencem fora de Alvalade – a última vitória ocorreu há mais de quatro anos, a 15 de Setembro de 2011, no Letzigrund de Zurique, frente ao FC Zurich, por 2-0 (golos de Insúa e van Wolfswinkel). Desde esse dia, a equipa leonina conseguiu apenas cinco empates, perdendo os restantes 11 jogos. Mesmo nessa época de 2011/12, o Sporting conseguiu chegar à meia-final da Liga Europa não voltando a ganhar fora. Perdeu as outras duas deslocações na fase de grupos (0-1 com o Vaslui e 0-2 com a Lazio), somando depois um empate em Varsóvia com o Legia (2-2), uma derrota com o City em Manchester (2-3), novo empate com o Mettalist (1-1) e a derrota fatal com o Athletic Bilbau (1-3). Em 2012/13 só o play-off permitiu ao Sporting regressar a Portugal com um resultado que não a derrota: empatou a uma bola com o Horsens, na Dinamarca. Depois disso, uma fase de grupos catastrófica, com três derrotas: 0-3 com o Videoton, 1-2 com o Genk e 0-3 com o Basel. Como o desastre europeu de 2012/13 teve reflexos na campanha interna, os leões não se qualificaram para as provas internacionais de 2013/14. Regressaram em 2014/15 na Liga dos Campeões e nunca terão estado tão próximo de uma vitória como em Maribor: estiveram em vantagem até ao último lance da partida, onde uma gaffe combinada de Maurício e Sarr permitiu a Luka Zahovic fixar o resultado final num empate a uma bola. Seguiram-se as derrotas com o Schalke (3-4), o Chlesea (1-3) e o Wolfsburg (0-2, esta já na Liga Europa). Esta época, por fim, o 15º e o 16º jogos da série foram a derrota por 3-1 com o CSKA em Moscovo e o empate a uma bola com o Besiktas em Istambul. Agora impõe-se uma vitória na Albânia, terminando a série de jogos sem ganhar fora do país. Outro resultado deixará o Sporting ante contas muito complicadas para seguir em frente na prova.   - Bryan Ruiz, que falhou o jogo em casa com o Skenderbeu, marcou nas duas últimas deslocações em que subiu ao relvado: abriu o placar no empate com o Besiktas em Istambul e fez o terceiro golo nos 3-0 ao Benfica na Luz. Vem, além disso, com uma série inédita desde que chegou a Alvalade de dois jogos a alinhar durante 90 minutos (Benfica e Estoril).   - O Sporting segue com uma série de cinco vitórias seguidas, desde o empate na Turquia. Ganhou ao V. Guimarães (5-1), ao Vilafranquense (4-0), ao Skenderbeu (5-1), ao Benfica (3-0) e ao Estoril (1-0). A ideia em Elbasan é ir à procura da sexta, que já não consegue desde Dezembro e Janeiro últimos. Na altura, a equipa comandada por Marco Silva ganhou oito jogos consecutivos, a Vizela (3-2), Nacional (1-0), V. Guimarães (2-0), Estoril (3-0), Famalicão (4-0), Sp. Braga (1-0), Boavista (1-0) e Rio Ave (4-2), antes de perder com o Belenenses, no Restelo (3-2), para a Taça da Liga.   - Os leões estão também há dois jogos consecutivos sem sofrer golos (e podiam ser cinco, não tivessem acontecido as duas desatenções finais com V. Guimarães e Skenderbeu). Vão à procura do terceiro, algo que também já não conseguem desde Janeiro, quando estiveram seis desafios seguidos com a baliza a zeros.   - O Skenderbeu perdeu os derradeiros cinco jogos internacionais. Na fase de grupos da Liga Europa foi batido em casa pelo Besiktas (1-0) e fora pelo Lokomotiv Moscovo (2-0) e pelo Sporting (5-1). Antes disso, no play-off da Liga dos Campeões, tinha sido duas vezes derrotado pelo Dynamo Zagreb: 4-1 em Zagreb e 2-1 em Elbasan. A última vitória europeia do Skenderbeu aconteceu a 5 de Agosto, por 2-0, em casa, na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, frente ao Milsami Orhei, com arbitragem do português Soares Dias.   - O Skenderbeu não poderá contar com Hamdi Salihi, avançado que foi expulso em Alvalade, e que leva 11 golos marcados em 13 jogos oficiais esta época: seis na Liga albanesa e cinco nas pré-eliminatórias da Liga dos Campeões.   - Nunca nenhuma equipa albanesa conseguiu ganhar a uma equipa portuguesa nas provas da UEFA. O melhor resultado obtido por clubes albaneses foi o empate a zero do Dinamo de Tirana precisamente frente ao Sporting, na capital albanesa, a 23 de Outubro de 1985. O Sporting passou a eliminatória, ganhando por 1-0 na segunda mão, graças a um golo de Venâncio.   - Depois dessa eliminatória entre Sporting e Dinamo, houve apenas mais dois jogos entre clubes portugueses e albaneses. O Benfica ganhou por 4-0 na Luz ao Partizan Tirana, mas o mau comportamento dos jogadores visitantes (quatro expulsões), levaram a UEFA a anular a segunda mão. Há duas semanas, o Sporting goleou o Skenderbeu em Alvalade por 5-1, tendo Jashanica marcado nessa data o primeiro golo de uma equipa albanesa a uma equipa portuguesa.   - O Skenderbeu é de Korce, mas o jogo com o Sporting vai decorrer em Elbasan, no mesmo estádio em que recentemente a seleção nacional portuguesa venceu a Albânia por 1-0 (golo de Miguel Veloso, já nos descontos). Rui Patrício foi o único jogador do Sporting em campo nesse dia, tendo Paulo Oliveira, Adrien e João Mário ficado no banco.
2015-11-04
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Artigo

Jorge Jesus conseguiu a operação perfeita na Luz. Ganhou ali pela primeira vez na condição de adversário, pois até aqui perdera os oito jogos lá efetuados como treinador e o melhor que conseguira tinham sido três empates como jogador. Venceu o Benfica pela segunda vez seguida, algo que os leões não conseguiam desde 2005/06, quando Peseiro ganhou em Alvalade por 2-1 e depois Paulo Bento se impôs na Luz por 3-1. E ainda imitou Carlos Queiroz, que foi o último treinador a conduzir o Sporting a duas vitórias sucessivas sobre o rival (1-0 em Alvalade em Dezembro de 1994 e 2-1 na Luz, no famoso jogo da expulsão de Caniggia, em Abril de 1995).   - A vitória do Sporting na Luz garantiu ao clube a primeira liderança isolada da Liga desde Dezembro de 2013, quando venceu o Belenenses por 3-0, mantendo dois pontos de avanço sobre FC Porto e Benfica. Essa equipa, liderada por Leonardo Jardim, encalhou depois na 14ª jornada em casa com o Nacional (0-0), permitindo que os três grandes chegassem ao Natal com os mesmos 33 pontos.   - O Sporting marcou mais golos nos últimos quatro jogos (17, resultantes dos 3-0 ao Benfica, dos 5-1 ao Skenderbeu, dos 4-0 ao Vilafranquense e dos 5-1 ao V. Guimarães) que nos 11 primeiros encontros da época (nos quais fez 15 golos).   - Esta é a sétima vez que o Benfica chega à oitava ronda com três derrotas. Nas seis anteriores acabou a Liga em segundo lugar. Aconteceu-lhe em 2010/11 (perdeu um total de sete jogos e ficou a 19 pontos do FC Porto), em 1987/88 (perdeu seis vezes e acabou a 15 pontos do FC Porto, mas ainda com a vitória a valer apenas dois pontos), em 1981/82 (acabou com seis desaires e a dois pontos do Sporting), em 1978/79 (perdeu quatro vezes e terminou a um ponto do FC Porto), em 1952/53 (também perdeu quatro vezes e acabou a quatro pontos do Sporting) e em 1946/47 (perdeu cinco vezes e terminou a seis pontos do Sporting).   - Em toda a história da Liga portuguesa só houve um campeão com três derrotas à oitava jornada. Foi o Sporting de Laszlo Bölöni, em 2001/02. Os leões perderam na segunda jornada com o Belenenses (0-3), na terceira em casa com o Alverca (0-1) e na oitava em Braga (1-2). Seguiam nessa altura em quarto lugar, a três pontos do líder, que era o FC Porto, mas não voltaram a perder na Liga, que acabaram na frente, com cinco pontos de avanço sobre o Boavista.   - Slimani fez ainda golos em três das quatro vezes que foi ao Estádio da Luz. Já tinha marcado na derrota (3-4, após prolongamento) de Novembro de 2013 e no empate (1-1) na Liga passada. Na Luz, o argelino só ficou em branco na derrota leonina por 2-0 em Fevereiro de 2014. E nunca marcou ao Benfica fora daquele relvado: nem em Alvalade nem no Algarve, onde jogou a Supertaça.   - O golo de cabeça entre os centrais do Benfica valeu a Slimani tornar-se o melhor marcador da Liga no futebol aéreo. O argelino já fez quatro golos nos ares, depois de ter marcado assim ao Rio Ave e, por duas vezes, ao V. Guimarães. Dyego Souza, do Marítimo, tem três.   - Bryan Ruiz fez ao Benfica o primeiro golo na Liga portuguesa, acentuando a tradição de marcar ao clube da Luz e sempre que visita aquele estádio. O costa-riquenho já tinha marcado aos encarnados pelo Twente, nas duas partidas da pré-eliminatória da Liga dos Campeões de 2011/12: empate (2-2) na Holanda e derrota (3-1) na Luz. Só ficou em branco na Supertaça.   - Também Téo Gutièrrez vem com um registo 100 por cento goleador ao Benfica. Uma vez que o árbitro lhe atribuiu o golo da vitória na Supertaça, marcou nas duas primeiras vezes que defrontou os encarnados. O último avançado do Sporting a fazê-lo tinha sido Jardel, que bisou num empate (2-2) na Luz em Dezembro de 2001 e voltou a marcar noutro empate (1-1) em Abril de 2002.   - À décima visita à Luz com a camisola do Sporting, Rui Patrício conseguiu pela primeira vez manter a baliza a zeros. Até aqui perdera sete jogos e empatara dois (um deles depois perdido no prolongamento), sofrendo 18 golos, a uma média de dois por jogo.   - O Benfica somou a segunda derrota consecutiva, depois de ter sido batido pelo Galatasaray por 2-1, na quarta-feira, em Istambul. A última vez que tal lhe tinha acontecido tinha sido entre épocas: perdeu a final da Taça de Portugal de 2012/13, frente ao V. Guimarães (1-2) e depois saiu derrotado do confronto com o Marítimo, no Funchal, na abertura da Liga de 2013/14 (1-2). Se procurarmos duas derrotas seguidas na mesma época é preciso recuar até Maio de 2013, quando o Benfica perdeu no Dragão com o FC Porto (1-2), entregando essa Liga, e logo a seguir foi batido pelo Chelsea na final da Liga Europa (1-2).   - Esta foi também a primeira derrota do Benfica em casa na Liga desde Março de 2012, quando ali perdeu com o FC Porto, por 3-2. Desde então, os encarnados somavam 55 jogos sem derrotas, com 47 vitórias e oito empates.   - O Benfica não perdia por três golos de diferença desde a visita ao Paris St. Germain, em Outubro de 2013, para a Liga dos Campeões. Tal como ontem, também aí estava a perder por 3-0 ao intervalo. Na Luz, ninguém ganhava por três golos desde que a Académica de Domingos ali se impôs a um Benfica comandado por Chalana, em Abril de 2008.
2015-10-26
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Último Passe

O empate do Sporting em Istambul com o Besiktas (1-1) não foi um resultado mau de todo, mas acabou por ser muito pior do que aquele que poderia ter obtido uma equipa leonina que vem repetindo jogos de mais a menos e que cada vez faz mais pensar nas implicações da reinvenção daquilo a que poderia chamar-se “estilo Jesus”. Mantendo a distância de três pontos para o Besiktas, que ainda vão receber no seu estádio, e numa altura em que encaram a jornada dupla com os albaneses do Skenderbeu, a equipa mais fraca do grupo, os leões só têm de pensar que, suceda o que suceder nos desafios entre os turcos e o Lokomotiv, duas vitórias na terceira e quarta jornadas provavelmente os colocarão em lugar de apuramento com duas jornadas por disputar. Resta saber se o desinvestimento que Jorge Jesus tem vindo a fazer na Liga Europa, poupando jogadores importantes, permitirá a obtenção dessas vitórias fundamentais para as aspirações do leão europeu. “Mas isso nem é novidade”, argumentarão os que conhecem o histórico de Jesus no que toca a rotatividade em jogos europeus face à ausência do onze de Jefferson, Adrien ou Slimani, além do lesionado Paulo Oliveira. E não é, de facto. A única novidade quando se compara este Sporting com equipas de Jesus tem sido a baixíssima intensidade com que este Sporting está a jogar as segundas partes. Em Istambul, mais uma vez, o Sporting teve ocasiões mais do que suficientes para resolver a partida – tarde muito desastrada de Téo Gutiérrez, que perdeu três golos cantados – e acabou com o credo na boca para segurar o empate que lhe permitiu manter-se vivo. Na segunda parte, o que se viu foi uma equipa desligada, a jogar devagar, com espaços enormes entre linhas a facilitar o ataque turco à área de Rui Patrício e perdas de bola no início da fase de construção quase sempre não provocadas por um Besiktas que parece perfeitamente ao alcance dos leões. Não ajudou, nessa altura, ter em campo jogadores que até são taticamente cultos e rápidos a pensar mas lentos nas movimentações, como Ruiz ou Aquilani. Mas é aí que aquilo que tem sido o processo de construção deste Sporting de Jesus leva a pensar que o treinador está a reinventar o seu estilo – e não é só por de repente ter começado a lançar miúdos da formação. Se a substituição do futebol vertiginoso que jogava o Benfica por um jogo muito mais contemporizado tem a ver com a presença de Aquilani e Ruiz entre as opções, ainda se percebe: com eles não dá para se jogar a 200 à hora. Mas quando a velocidade e o sentido de baliza que Carlos Mané voltou a mostrar em Istambul é constantemente ignorada, já permite que se desconfie que a ideia seja programática.
2015-10-01
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1. Vitória justa do Sporting. O jogo foi dividido nalguns momentos, mas os leões foram mais fortes nas entradas da primeira e da segunda parte, criando aí as situações de perigo que justificaram a vantagem.2. A maior limitação do Benfica nem foi futebolística mas de atitude perante o jogo. A única altura em que o Benfica quis mandar no jogo foi quando se viu a perder e aí já era tarde. 3. Grande jogo de João Mário, o melhor em campo. Seguro na posse e no passe, com capacidade para queimar linhas com a bola nos pés foi a cola que os leões nem sempre tiveram para unir 11 jogadores que estavam em campo a 200 à hora.4. O golo de Carrillo até pode ser visto como algo fortuito, porque a bola raspou em Teo Gutierrez, mas nasce de um movimento bem feito da direita para o meio do ala leonino e da "ausência" de Talisca, a aposta mais falhada de Rui Vitória no jogo.5. Além de João Mário, os melhores do Sporting foram os atacantes, tanto pela forma como criaram desequilíbrios como sobretudo pela disponibilidade física que mostraram para pressionar a saída de bola do Benfica. Slimani nesse aspeto foi um monstro. Ruiz foi, ele sim, o cérebro.6. Rui Vitória apresentou um onze longe da estrutura que Jesus utilizava e com ideias muito diferentes: menos largura, menos profundidade, menos velocidade, mais ênfase na posse que a equipa não conseguiu controlar, porém. Mas quando quis ir atrás do resultado, o Benfica regressou ao 4x4x2 de Jesus, com Mitroglu a fazer de Lima, Fejsa a fazer de Samaris e John a fazer de Salvio.7. Lisandro fez um bom jogo, a mostrar que podia ter sido alternativa mais cedo. A seguir ao argentino, os melhores do Benfica foram Pizzi (foi um erro deixá-lo de fora) e Ola John, que carrilou sempre mais jogo que Gaitán.8. Nelson Semedo fez coisas boas e coisas menos boas. Deu profundidade à equipa no corredor direito, mas nalguns momentos acusou ansiedade e falta de experiência. Mas está ali jogador.9. Depois desta vitória, o Sporting vê caucionadas as mudanças que fez, mas tem desafios bem mais complicados pela frente no futuro próximo. O Benfica vê aumentar as dúvidas, mas resta-lhe crescer e acreditar no processo.10. Jorge Sousa teve dois erros graves no jogo. Anulou mal um golo a Teo Gutierrez na primeira parte e deixou passar em claro um penalti sobre Gaitán na segunda. Ninguém tem verdadeira legitimidade para se queixar, portanto.
2015-08-09
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