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Bouba Saré, que fez o golo que derrotou o FC Porto em Guimarães, tem queda para marcar aos grandes: na época passada, o seu golo de estreia na Liga tinha sido obtido na vitória (3-0) frente ao Sporting, no Minho. Com este golo, Saré já igualou o total de tentos do último campeonato (dois), com a particularidade de agora os ter feito em jornadas consecutivas, a Arouca e FC Porto. Foi a primeira vez que o marfinense fez golos em dois jogos seguidos desde que é sénior.   - Confirma-se ainda a tendência de Casillas para sofrer sempre pelo menos um golo. O guarda-redes espanhol foi batido em sete das últimas oito partidas na baliza dos dragões. Desde os 4-0 ao U. Madeira, a 2 de Dezembro, só manteve o zero nas redes na visita ao Boavista, ganha pelo FC Porto por um score ainda mais imponente: 5-0. Nos outros dois zeros que se verificaram desde então (1-0 ao Feirense e ao Boavista, na Taça), quem estava na baliza era Helton.   - Em contrapartida, a vitória dos minhotos ficou a dever-se à capacidade invulgar para manterem a baliza inviolada nos jogos em casa. A última vez que tal acontecera tinha sido a 13 de Setembro, na vitória frente ao Tondela (1-0), ainda a equipa era dirigida por Armando Evangelista. Com Sérgio Conceição, o Vitória só tinha mantido o zero nas suas redes por duas vezes, ambas fora de casa: 1-0 em Paços de Ferreira e no Estoril.   - Aboubakar foi expulso pela primeira vez desde que chegou à Europa, em 2010, para jogar no Valenciennes. No FC Porto, tinha visto cinco amarelos em 47 jogos, mas viu dois na mesma partida frente ao V. Guimarães.   - Foi a segunda expulsão de um jogador do FC Porto em partidas consecutivas, depois de Imbula ter visto o vermelho no jogo da Taça de Portugal frente ao Boavista. Os dragões só tinham tido um jogador expulso no resto da época, que foi Osvaldo na vitória (4-0) sobre o U. Madeira. Na época passada tinham tido dois expulsos no mesmo jogo (Reyes e Evandro contra o Sp. Braga, na meia-final da Taça da Liga), mas para se encontrar dois expulsos em jogos consecutivos é preciso recuar até 2008, quando Lucho González foi expulso no último minuto da vitória em Kiev (2-1), a 5 de Novembro, e depois Pedro Emanuel e Hulk viram o vermelho na eliminatória da Taça de Portugal ganha nos penaltis ao Sporting, (1-1 no prolongamento), no dia 9.   - Ao perder em Guimarães, o FC Porto chega à 18ª jornada com 40 pontos, mantendo-se a par do que fez na época passada, na qual também entrou a perder na segunda volta (1-0 com o Marítimo, nos Barreiros) e somava 40 pontos. Se na altura o líder, que era o Benfica, estava a seis pontos de distância, agora o Sporting está a cinco. A diferença é que agora há mais uma equipa metida na luta (o Benfica, que é segundo).   - Há exatamente 30 anos que a equipa portista não ganha um campeonato saindo do terceiro lugar à 18ª jornada. A última vez que tal aconteceu foi em 1985/86 e numa Liga de apenas 30 jornadas, mas nessa altura a equipa de Artur Jorge era terceira a apenas dois pontos do Benfica (que seriam três com a vitória a três pontos) e a um do Sporting (também um, com vitória a três pontos). No fim da época, o FC Porto foi campeão com mais dois pontos que o Benfica e mais três que o Sporting.   - Rui Barros ter-se-á despedido da tarefa de treinador principal do FC Porto com a primeira derrota em todos os jogos em que foi máximo responsável, tanto agora como em 2006, quando assegurou o interinato entre Co Adriaanse e Jesualdo Ferreira. O golo de Saré foi ainda o primeiro golo que uma equipa de Rui Barros sofreu em quatro jogos oficiais: um em 2006 e três agora.
2016-01-18
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Último Passe

Oitenta e seis minutos não chegaram ao FC Porto para, mesmo com mais iniciativa, anular os efeitos do golo madrugador de Bouba Saré com que o V. Guimarães o bateu no Minho, atrasando-o na corrida pelo título face a Sporting e Benfica. O resultado fez-se de um início muito desconcentrado dos dragões, mas também da qualidade que o Vitória revelou. Tanto na frente como atrás. E veio mostrar mais duas coisas. Que, esgotados os efeitos da chicotada, o FC Porto já deveria ter definido a situação do treinador e que, como é evidente, nem Sérgio Conceição se vende nem os dragões poderiam alguma vez apostar num treinador que se vendesse. Primeiro, o jogo. Com o FC Porto a entrar adormecido atrás, expondo-se às diatribes de quatro homens que aliam explosão e agressividade – jogadores à Sérgio Conceição, portanto. Boyd, que se estreava na Liga, quase inaugurou o marcador perante a apatia dos centrais portistas, logo no primeiro minuto, e Bouba Saré fê-lo mesmo aos 4’, a aproveitar uma abordagem inexplicável de Casillas a um remate que lhe pingou sobre a baliza. Em vez de agarrar ou de sacudir para fora, o internacional espanhol amorteceu a bola para a frente, onde o marfinense a recolheu para marcar. Faltava muito jogo para o Vitória poder celebrar desde logo a conquista dos três pontos, porém. E o FC Porto foi entrando na partida aos poucos. Nunca asfixiou o Vitória, porque os vimaranenses conseguiam sempre aproveitar a qualidade na frente para sair a jogar e dar tempo às linhas recuadas para respirar, mas foi alternando jogo exterior com muitas tentativas de combinação por dentro e criou, mesmo assim, ocasiões para poder chegar, pelo menos, ao empate. Faltou aí ao FC Porto mais acerto na finalização de Brahimi, Corona, Aboubakar ou André André, todos eles protagonistas de lances em boa situação. Rui Barros mostrou mais diferenças em relação a Lopetegui. Primeiro, porque a equipa voltou a procurar mais o corredor central para penetrar, muitas vezes em tentativas de tabela que não se lhe viam até há pouco tempo, quando procurava sempre construir por fora. Depois, porque a 17 minutos do final não hesitou em juntar os dois pontas-de-lança disponíveis, trocando Herrera por André Silva e mantendo Aboubakar em campo. Antes, Barros já tinha chamado ao jogo Varela, uma espécie de proscrito para o basco, que voltou a entrar bem e a marcar pontos para continuar no grupo. Respondeu Sérgio Conceição com o reforço progressivo das linhas mais atrasadas: primeiro trocando Boyd por Phete; depois, já perto do fim, chamando ao jogo João Afonso, um terceiro defesa-central, em vez de Saré. Chegou para manter o FC Porto a zeros e para o treinador do V. Guimarães poder, no fim, bater no peito e bradar justificadamente por injustiça dos que suspeitavam da sua honorabilidade. Era tão evidente que Sérgio Conceição não ia facilitar – até porque, se alguma vez quer ser treinador do FC Porto, sabe que nunca lá chegaria se se vendesse – como que o FC Porto precisa de definir o que vai fazer com alguma urgência. Quando viu Lopetegui sair, a equipa soltou-se. Rui Barros foi capaz de tornar as coisas simples no primeiro jogo com o Boavista. Mas se há algo que se sabe é que um interino vai perdendo legitimidade à medida que o seu interinato se prolonga. Ou se aposta nele de forma conclusiva ou chega quem o substitua. Nas voltas da decisão, o FC Porto lá deixou mais três pontos, que farão falta a quem há-de vir.
2016-01-17
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