PESQUISA 

Artigo

Cinco a cinco. Cristiano Ronaldo igualou o total de Bolas de Ouro de Lionel Messi e a luta, que ultimamente até tem andado dentro dos limites do desportivismo, ganhou novo fôlego. Esta é uma era nunca antes vista, de superioridade de dois futebolistas sobre os demais, mas o facto de eles não caminharem para novos leva a que se suponha que a próxima edição é que vai ser decisiva para atribuir o título de rei absoluto. A Bola de Ouro de 2018 vai ser um bocado como aquele primeiro golo de um prolongamento: pode ser o passo definitivo para a vitória. E do que vai depender? Do Mundial? Talvez já não seja tanto assim. Sempre se gerou a ideia de que a vitória nesta votação dependia, sobretudo, das grandes competições de seleções. Pode até já ter sido assim. Beckenbauer ganhou em 1972, ano da RFA campeã europeia. Perdeu em 1974 para Cruijff, mas este estivera, ainda assim, na final do Mundial, prova em que a Holanda foi a melhor equipa. Rummenigge ganhou em 1980, ano de mais um Europeu pintado com as cores alemãs; Rossi ganhou em 1982, a colocar a última pincelada no título mundial da Itália. Platini mandou em 1984, ano do super-Europeu francês e van Basten em 1988, no ano em que a Holanda acabou com a sua malapata. Depois, Matthäus ganhou em 1990, Sammer em 1996, Zidane em 1998, Ronaldo em 2002 e Cannavaro e 2006, todos em anos de grandes títulos das suas seleções. Mas aqueles eram outros tempos. Tempos sem Messi nem Ronaldo. E tempos sem uma Liga dos Campeões com o peso que a competição tem por estes dias. É que se a Argentina não ganha nada desde que Messi chegou à seleção e se Portugal só em 2016 venceu, por fim, uma grande prova de seleções, como explicar que os dois tenham dividido entre si as últimas dez Bolas de Ouro? Ou que Messi esteja há onze anos seguidos no “Top 2” desta votação (cinco vezes primeiro, cinco vezes segundo atrás de Ronaldo e uma primeira vez segundo atrás de Kaká)? Ou ainda que nesses mesmos onze anos Ronaldo só tenha falhado o mesmo “Top 2” por duas vezes (foi sexto em 2010 e terceiro em 2007)? A eclosão destes dois fenómenos teve a ver com o aumento de popularidade da Liga dos Campeões. É lá que eles aparecem com uma regularidade tal que é capaz de ofuscar o que se vai fazendo nas grandes provas de seleções. Neuer, campeão mundial em 2014 com a Alemanha, foi apenas terceiro na Bola de Ouro, atrás de Ronaldo e Messi. Iniesta, estrela maior da Espanha que ganhou o Mundial de 2010 e o Europeu de 2012 não foi, nesses anos, além de um segundo (em 2010) e de um terceiro lugar (em 2012) na Bola de Ouro. O mesmo terceiro posto que ficou reservado a Torres, o goleador da Espanha campeã europeia em 2008. Por isso, é verdade que um título mundial na Rússia, no próximo Verão, poderá desequilibrar os pratos da balança a favor de um candidato, mas à partida apenas se ele se chamar Ronaldo ou Messi. Ou eventualmente Neymar, se a campanha do Paris Saint-Germain na Liga dos Campeões corresponder ao nível do investimento feito na equipa. Portanto, não devem ser vistos como fatores à partida desequilibradores a maior idade de Ronaldo (que é dois anos e meio mais velho que Messi e sete anos mais velho que Neymar), uma pretensa superioridade da seleção brasileira sobre a argentina ou a portuguesa ou a vantagem do FC Barcelona na Liga espanhola, onde o Real Madrid arrancou a gasóleo, bem devagar. Da mesma forma que o facto de, na semana em que recebeu a quinta Bola de Ouro, Ronaldo ter estabelecido um novo recorde, ao marcar em todos os jogos da fase de grupos da Champions, também não será mais do que uma simples indicação de prioridades. Os jogos deste Outono já não contam para a Bola de Ouro de 2018, mas quando se vê o contraste entre o Ronaldo triste e incapaz da Liga espanhola e o goleador pujante e influente da Liga dos Campeões, percebe-se ao menos que Zidane está a pôr a prioridade da equipa na competição europeia. Tem sido esse o maior contraste na gestão da época destes dois extra-terrestres, já ambos para lá dos 30 anos e por isso nada aconselhados a fazerem 50 ou 60 jogos a tope numa só época. É que enquanto Zidane, a ver o Real Madrid a uma distância inegociável, se prepara para repetir o que já fez na época passada e poupar Ronaldo nos jogos da Liga interna, durante a segunda metade da época, Ernesto Valverde tem optado por poupar Messi na competição europeia: o argentino saiu do banco contra o Sporting, tal como já lhe tinha sucedido perante a Juventus. É certo que esta prioridade será seguramente invertida na fase decisiva da Champions, quando o FC Barcelona precisar do seu astro a 100 por cento, a tempo de influenciar uma possível caminhada do Barça até à final mas talvez já não de roubar a Cristiano Ronaldo o cetro de melhor marcador da prova: Messi segue para já com três golos, a seis de Ronaldo e a três de Neymar, Cavani ou Kane. Coisa pouca? Talvez não. É que há onze anos seguidos (os cinco de Ronaldo, os cinco de Messi e ainda o de Kaká) que o Bola de Ouro é o melhor marcador da Liga dos Campeões.
2017-12-10
LER MAIS

Artigo

Cristiano Ronaldo, Messi ou Neymar. Um deles vai ganhar hoje a Bola de Ouro para o melhor futebolista do Mundo de 2015. O Mundo inteiro aposta em Messi, líder do Barcelona que ganhou tudo no ano passado e que assim poderia alargar para 5-3 a sua batalha privada com Ronaldo, que já dura desde Janeiro de 2009. Mas há nesta Bola de Ouro uma série de nuances que podem baralhar as contas, como a política do voto por blocos ou a definição do que deve ser privilegiado num prémio individual. A segunda questão já não é nova e é uma daquelas que não tem nem terá nunca resposta – só serve para entreter. A primeira é a mais interessante, porque depende dos blocos onde a solidariedade funcionar melhor. Ainda assim, nem toda a política do Mundo deve roubar a Messi mais uma consagração. Olha-se para os três nomeados e descobrem-se três máquinas de fazer golos. Ronaldo, vencedor em 2008, 2013 e 2014, fez no ano de 2015 54 golos em 52 jogos pelo Real Madrid, aos quais somou mais três em cinco jogos pela seleção portuguesa. Messi, que ganhou em 2009, 2010, 2011 e 2012, marcou 48 golos em 53 desafios pelo Barcelona, juntando-lhes mais quatro em oito partidas pela Argentina. E Neymar, que sucede a Xavi (2011), Iniesta (2012), Ribery (2013) e Neuer (2014) como desafiante do ano – todos os anos aparece um a partilhar o plateau com os dois donos da bola –, somou 41 golos em 54 jogos pelo mesmo Barcelona, mais quatro em nove jogos pelo Brasil. Logo à partida, nas estatísticas, a superioridade vai para Ronaldo. Mas os jogadores do Barcelona contrariam essa vantagem com a evidência da sua superioridade coletiva: ganharam Liga espanhola, Taça do Rei, Liga dos Campeões e Mundial de clubes contra um rotundo zero do Real Madrid de Ronaldo. É aqui que aparecem uns a dizer que este não é um prémio de goleadores – para isso está lá a Bota de Ouro – e outros a responder que também não é um prémio coletivo – que para isso existem as competições de clubes. Essa é, portanto, uma discussão estéril, porque todos têm razão e porque não é isso que está em causa. A Bola de Ouro baseia-se em votações subjetivas de jogadores, treinadores e jornalistas e se tanto os golos como os títulos coletivos ganhos são fatores capazes de influenciar a decisão de quem vota, não é menos verdade que a escolha nunca será científica e baseada em fatores mensuráveis. Há coisas a medir, mas não são essas. As influências, por exemplo. Os mais velhos lembrar-se-ão das transmissões dos festivais da Eurovisão de antigamente, onde a canção portuguesa tinha sempre uns pontinhos assegurados, vindos do júri espanhol, fosse por solidariedade geográfica ou política, quando os dois países ibéricos eram as últimas ditaduras de direita da Europa. No futebol, a coisa funciona um bocado assim também. O problema é que a globalização veio baralhar os blocos. De um lado, o bloco do Barcelona – Neymar e Messi – contra o bloco do Real Madrid – Cristiano Ronaldo. Depois, o bloco dos sul-americanos – os mesmos Neymar e Messi – contra o bloco europeu – mais uma vez representado por Ronaldo. De seguida, o bloco de idioma castelhano – Messi sozinho – contra o dos luso-falantes – aqui Ronaldo e Neymar, sendo que o português pode ter pelo seu lado os que falam inglês, por ter jogado na Premiership. E, mesmo que não se fale em verbas a circular de cá para lá e de lá para cá, algo tão em voga quando se vota pela atribuição de sedes de campeonatos do Mundo da FIFA, há ainda uma dúvida remanescente: poderão os membros de um mesmo bloco dividir os votos respetivos entre si, facilitando a vitória de quem está sozinho? É que se nas presidenciais portuguesas, por exemplo, a esquerda prefere pulverizar e dividir os votos a ver se consegue forçar uma segunda volta, na Bola de Ouro não há segunda volta. Ganha quem tiver mais um voto. Messi? Creio que sim. Mas espero para ver. In Diario de Notícias
2016-01-11
LER MAIS