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Último Passe

Augusto Inácio tinha dito no lançamento da meia-final da Taça da Liga que se o Moreirense chegasse à final toda a gente ia dizer com espanto: “Ahhhh, o Moreirense ganhou ao Benfica!” No entanto, quando a equipa minhota venceu de facto os tricampeões nacionais, a maioria dos observadores vai dizer outra coisa: “Ahhh, o Benfica perdeu com o Moreirense!” É o normal num futebol tão tricéfalo como o português, mas a verdade é que a surpresa do Algarve tem dois lados. Um fala da perda de qualidade defensiva de um Benfica que entrou em quebra quando perdeu Fejsa e que passou a sofrer muito mais na primeira zona de pressão quando recuperou Jonas. O outro de uma segunda parte épica de um Moreirense seguro por Fernando Alexandre, com Geraldes, Podence, Dramé e Boateng a darem um recital de contra-ataque. A história faz-se dos vencedores. Depois de uma primeira parte sem chama, Augusto Inácio foi à procura da felicidade com duas substituições que ajudam a explicar o desfecho do jogo. O velocíssimo Podence e o sempre inteligente Geraldes já lá estavam, mas faltava a âncora que veio a ser Fernando Alexandre e uma outra seta na frente que foi Dramé. O Moreirense fez três golos, mas podia ter feito mais, fruto da velocidade nos últimos metros, da capacidade de lançar os seus velocistas em passes de rutura desde a zona de meio-campo, mas também da forma de sair a jogar desde trás, iludindo um Benfica muito menos eficaz na reação à perda do que tem sido habitual: uma coisa é ter ali Jiménez, Cervi ou Gonçalo Guedes, que correm sempre atrás da bola e travam a organização adversária desde cedo, e outra, bem diferente, é entrar com Jonas, Rafa e Carrillo, muito mais passivos do ponto de vista defensivo. Não é só por aí que se explicam os três golos encaixados pelo Benfica, porém. Sobretudo porque se sucedem a dois feitos pelo Leixões e outros três pelo Boavista. Fejsa lesionou-se em Guimarães, no dia 7 deste mês, e nos cinco jogos que se seguiram a equipa de Rui Vitória sofreu oito golos. Tantos como nos onze jogos anteriores, sendo que nessa série mais antiga – que incluiu sete partidas seguidas em branco – os adversários foram do calibre de Napoli, Sporting ou Besiktas. A falta do sérvio fez-se sentir na forma como a equipa não tem sido capaz de travar trocas de bola aos adversários, tanto no espaço interior como nos corredores laterais, onde a ação de limpa-pára-brisas de Fejsa costuma ser igualmente importante. É verdade que mesmo assim o Benfica ainda podia ter chegado ao empate – acertou duas vezes nos postes da baliza de Makharidze – mas ninguém estranhará que se diga neste momento que do regresso pronto de Fejsa dependerá a capacidade de impedir que este mau momento defensivo se alargue ao campeonato.
2017-01-26
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Último Passe

Alex Ferguson contou um dia que só com o aparecimento da chamada “classe de 92” pôs em causa uma das verdades absolutas mais antigas do futebol: a de que não é possível ganhar nada com miúdos. Regra geral, isso acontece e é por isso mesmo que vemos os adeptos do Sporting agarrarem-se ao título oficioso de campeão da formação, ignorando por exemplo que muitos dos seus formandos (Simão, Moutinho, Quaresma, Varela, Carlos Martins…) andaram a ser campeões, mas com a camisola dos rivais. A questão é que, tal como Ferguson percebeu ao ter na equipa os dois manos Neville, Beckham, Giggs, Scholes e Butt, não tem de ser assim: o que mais interessa é a qualidade e se quem tem mais qualidade são os miúdos terão de ser eles a jogar.Foi por ser contra qualquer tipo de protecionismo e por saber que a qualidade acaba sempre por se impor que nunca liguei muito às teorias segundo as quais Jorge Jesus ia pulverizar a formação do Sporting. Não tinha de ser assim e nem o histórico do treinador funciona como tendência de sentido absoluto – se até aqui ligou pouco à formação, por exemplo, no Benfica, foi porque lhe iam sempre dando jogadores melhores. E até aqui essa estava a ser também a regra no Sporting. João Pereira é melhor que Esgaio, mesmo para quem admita que durante a época este possa dar-lhe luta; Naldo é melhor que o promissor mas ainda desequilibrado Tobias; Ruiz tem tudo para ser melhor que Mané, que até funciona às mil maravilhas quando sai do banco para abanar os jogos; e, mesmo não metendo formação ao barulho, Teo Gutièrrez é titular da seleção do país de Montero, a Colômbia, de onde se infere que também ele deve ser melhor que o compatriota.A teoria pode ser posta à prova com Kevin Prince Boateng, que vai chegar do Schalke com um salário de top no clube. O germano-ganês ganha a João Mário ou Adrien – presumindo que é para médio centro ofensivo que Jesus o quer – em poder físico e experiência, mas perde em muitos outros parâmetros. Logo à partida no salário, mas também na ascensão na carreira. E quando o que está em causa já é a possibilidade de colocar de lado dois jogadores que andam nas escolhas regulares de Fernando Santos para a seleção nacional, das duas uma: ou Boateng chega e rebenta com o meio-campo de tal maneira que ninguém se arrepende ou o que vai parecer é que mais valia a Bruno de Carvalho investir o dinheiro para garantir as renovações de Carrillo ou Jefferson.
2015-08-04
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