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Último Passe

Que este é um Benfica cheio de contradições, já aqui foi escrito vezes sem conta. Mas o empate frente ao Besiktas em Istambul, após estar a ganhar por 3-0 a meia-hora do fim, foi o expoente máximo da bipolaridade encarnada, da forma como esta equipa é capaz de alternar o melhor com o pior. O melhor, com as armas do costume, durou uma hora e devia ter chegado perfeitamente para sentenciar o apuramento para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. O pior, na incapacidade para controlar um jogo quando deixa de ter a bola, adiou tudo por duas semanas e cobriu a última jornada do grupo de incerteza, com a hipótese de Benfica e Napoli se defrontarem quase como se fosse em eliminação direta. O futebol está cheio de clichés que este Benfica desmente a cada vez que entra em campo. Rui Vitória tem muitos jogadores velozes na frente e para muitos isso faria todo o sentido numa equipa especializada em contra-ataque e ataque rápido, mas a rapidez de pernas e de decisão de muitos destes elementos transforma este Benfica numa máquina a jogar em ataque organizado, primeiro fixando as linhas defensivas adversárias no local onde têm de estar só para poder depois dinamitá-las. Foi a isso, que aliás já se vira nos 6-0 ao Marítimo, que se assistiu no arranque do jogo de Istambul e na forma como o Benfica chegou a 3-0. Depois, Vitória tem muita gente forte na reação à perda da bola, o que permite à equipa muitas recuperações altas, e devia transformar o Benfica numa máquina defensiva. E a verdade é que, na maior parte dos casos, isso acontece. Só que, fortíssimo em transição defensiva, na definição desse primeiro momento de pressão, este Benfica sofre essa reação inicial falha e a equipa se vê obrigada a fazer duas coisas: a passar mais tempo sem a bola e a abusar do momento de jogo que menos lhe agrada, que é a organização defensiva a qual todas as equipas que passam mais tempo sem bola se vêem obrigadas a recorrer. Aí, já se lhe notam lacunas de preenchimento de espaços. Claro que no empate de Istambul há erros à mistura: nem outra coisa seria possível quando se fala de uma recuperação de 0-3 para 3-3. Há erro de Lindelof na forma como concede o penalti que origina o segundo golo turco, há deficiências de agressividade no ataque à bola no golo do empate, como há também um erro de Rui Vitória na forma como, trocando Guedes por Samaris, leva a equipa para onde ela é menos forte – para trás. Guedes é uma das chaves do comportamento defensivo do Benfica na frente e apesar de toda a sua inteligência tática, Pizzi corre menos e não condiciona os adversários como ele faz. Tendo em conta que todas as equipas atacam e defendem com onze, a troca de um avançado por um médio defensivo não leva necessariamente a que uma equipa defenda melhor – leva, isso sim, a que ela defenda noutra zona. E essa troca de zona de foco defensivo custou caro ao Benfica.
2016-11-23
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Último Passe

Um livre de Talisca, já em período de compensações, custou ao Benfica dois pontos na estreia na Liga dos Campeões desta temporada. O empate a uma bola, nascido de várias mudanças táticas operadas pela equipa do Besiktas na segunda parte, acaba por punir a quebra dos campeões nacionais nesse mesmo período, depois de em 45 minutos de clara superioridade não ter feito mais de um golo, obra de Cervi. O facto de ter jogado sem as primeiras escolhas no ataque – Jonas, Mitroglou, Jiménez e Rafa estão todos lesionados – acabou por custar caro a Rui Vitória. O Benfica entrou com uma dupla de ataque improvável, formada por Cervi e Gonçalo Guedes, com o primeiro, mais forte em ataque rápido, a jogar nas costas do segundo, que não fazia nada tão bem como a pressão à saída de bola do adversário. A consequência da aliança desta dupla com a excelente exibição de Fejsa e André Horta, os dois médios-centro encarnados, foi o bloqueio total de uma equipa do Besiktas disposta em 4x2x3x1, mas com os dois extremos muito abertos – Quaresma na direita – e Ozyakup perdido no meio das linhas encarnadas no apoio a um isolado Aboubakar. O jogo, no primeiro tempo, tornou-se muito repetitivo: tentativa frustrada de organização ofensiva do Besiktas, bola recuperada pelo meio-campo do Benfica e saída rápida para o ataque. O golo, logo aos 12’, nasceu de um excelente passe de Horta, a rasgar, até encontrar uma diagonal de Salvio da direita para a esquerda. De pé esquerdo, o argentino chutou, o guarda-redes largou a bola e Cervi foi mais rápido que Tosic na reação, fazendo a recarga vitoriosa. A ganhar desde cedo, o Benfica serenou e teve mesmo duas situações de contra-ataque em superioridade numérica que, por erros no passe, não levou sequer até a finalização. Só que aquele Besiktas facilmente manietável da primeira parte voltou diferente para a segunda. Com Talisca em vez de Ozyakup, com Quaresma mais por dentro e Adriano a subir de lateral para extremo-esquerdo, surgindo também mais no corredor central, os turcos subiram de produção. Mais tarde, com a entrada de Tosun para ponta-de-lança e as aproximações de Aboubakar, a equipa de Senol Günes começou mesmo a criar lances de golo: Tosun perdeu um lance na cara de Ederson e este tirou com uma excelente defesa o empate a Marcelo, na sequência de um livre. Nessa altura já o Benfica trocara Cervi por Samaris, numa tentativa provavelmente prematura de encerrar o jogo, fechando a porta ao adversário – talvez se aconselhasse mais nessa altura um ganho de qualidade na frente, com Carrillo, por exemplo. É verdade que mesmo assim Gonçalo Guedes teve nos pés o 2-0. O improvisado ponta-de-lança benfiquista ganhou a bola a Quaresma, que foi fugindo a sucessivos desarmes desde o meio-campo até ser batido à entrada da área, mas depois, isolado frente a Tolga Zengin, não evitou que o guarda-redes turco desviasse o remate com o pé. Esse acabou por ser o lance decisivo do jogo. Antes do final, o Benfica ainda substituiu Fejsa por Celis. E já tinha José Gomes na linha lateral, pronto para entrar e para se tornar o mais jovem de sempre a jogar pelo clube nas provas europeias, quando o médio colombiano meteu a mão a uma bola a uns seis ou sete metros da linha de área. Talisca apontou logo para o peito, a assumir que ia ser ele a bater o livre. E fê-lo de modo imparável, festejando efusivamente o golo que valeu o empate à sua nova equipa frente à que o emprestou.
2016-09-13
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Último Passe

O despertador tocado por Slimani, a acordar o Sporting de 67 minutos de letargia na partida frente ao Besiktas, veio outra vez provar que o problema que quase custava o apuramento aos leões na Liga Europa não foi nunca a rotatividade promovida por Jorge Jesus, que enfrentou a maioria dos compromissos com segundas escolhas, mas sim a noção de que os jogos europeus não eram para dar tudo. Em dez minutos de futebol intenso, os leões viraram de um 0-1 que até era lisonjeiro para um 3-1 que acabaram por justificar, evitando o que seria um ato falhado do seu treinador na noite em que finalmente decidiu meter as fichas todas. Pela primeira vez nesta competição, naquele que era o jogo do “tudo-ou-nada”, onde ou ganhava ou saltava fora, Jesus entrou com o onze de gala, mas a cabeça dos jogadores parecia balançar entre a vontade de evitar uma eliminação desprestigiante e o discurso tantas vezes ouvido, segundo o qual a Liga Europa não interessa nada. Que Jesus queria ganhar, era evidente. Caso contrário teria poupado as munições para o jogo com o Moreirense, no domingo. Mas a ideia que ficou foi a de que era nesse jogo que os seus escolhidos mais pensavam. Perdiam a generalidade dos duelos, falhavam passes em cima de passes no seu próprio meio-campo e se chegaram ao intervalo com o placard a zero bem podem agradecer a Rui Patrício e a um par de falhanços comprometedores dos atacantes do Besiktas. Na segunda parte, Jesus tentou mudar. Deve ter deixado muitas orelhas a arder com o que disse aos jogadores no balneário e chamou Gelson para o lugar de Montero, desviando João Mário para o apoio a Slimani, de forma a equilibrar as coisas com o meio-campo do Besiktas. O Sporting até melhorou, mas mais um erro no início da construção permitiu a Quaresma oferecer o 0-1 a Mario Gómez. Faltava meia-hora para jogar e o Sporting tinha de melhorar muito para virar o jogo. E se nos minutos que se seguiram ao golo não o fez, parecendo resignado, foi já com Teo Gutierrez em vez de Adrien e de regresso ao 4x4x2 que um lance inventado por Ruiz e Slimani, sempre nos limites, acordou a equipa. Cinco minutos depois, Ruiz fez o 2-1 e, volvidos mais cinco minutos, Teo aproveitou um passe de Gelson para marcar ele próprio o 3-1, acabando com qualquer ideia de recuperação do Besiktas. O Sporting segue merecidamente para os 16 avos de final da Liga Europa, porque era a melhor equipa de um grupo forte para os standards da competição – haverá na próxima fase da prova muitas equipas piores que o Besiktas, que fica pelo caminho – e evita um problema de consciência a Jesus, que correu riscos sérios de ser o homem que apostou tudo numa cor e perdeu. Livre da maldição de ter cansado os titulares e mesmo assim acabar eliminado, o treinador terá agora de esperar por domingo para saber se tem direito a “jackpot” contra o Moreirense.
2015-12-10
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Stats

O Sporting precisa de meter a sexta pela primeira vez esta época se quer seguir em frente na Liga Europa. Na receção ao Besiktas, apenas um resultado assegura o apuramento aos leões independentemente do que vier a passar-se no jogo entre Skenderbeu e Lokomotiv: a vitória. Que, se vier, será a sexta consecutiva, depois dos sucessos contra o Arouca (1-0), o Benfica (2-1), o Lokomotiv (4-2), o Belenenses (1-0) e o Marítimo (1-0). Na única vez que encarreiraram cinco vitórias seguidas esta época, os leões encalharam à sexta. Já aconteceu à equipa de Jorge Jesus ganhar cinco vezes seguidas, precisamente a seguir ao empate em Istambul frente ao Besiktas. Despacharam o V. Guimarães por 5-1, o Vilafranquense por 4-0, o Skenderbeu por novos 5-1, o Benfica por 3-0 e o Estoril por 1-0. A sexta partida da sequência foi a deslocação a Elbasan, para defrontar o Skenderbeu, e saldou-se com a humilhante derrota por 3-0 que deixou a equipa portuguesa em tão maus lençóis na Liga Europa. Já na época passada a última grande série do Sporting encalhara à sexta partida: empate a uma bola no Estoril, em Maio, depois de cinco vitórias contra Nacional (1-0 e 2-0), V. Setúbal (2-1), Boavista (2-1) e Moreirense (4-1). As almejadas seis vitórias seguidas não acontecem ao Sporting desde Janeiro, quando a equipa então liderada por Marco Silva até ganhou oito vezes seguidas: 3-2ao Vizela, 1-0 ao Nacional, 2-0 ao V. Guimarães, 3-0 ao Estoril, 4-0 ao Famalicão, 1-0 ao Sp. Braga e ao Boavista e 4-2 ao Rio Ave. A série foi interrompida no Restelo, em partida da Taça da Liga, contra o Belenenses, que os leões perderam por 3-2 e para a qual não foram escolhidos os titulares. Essa tem sido a política de Jorge Jesus na Liga Europa. Veremos se a mantém ou se ataca a sexta com toda a artilharia disponível.   - O Sporting só garante a qualificação se ganhar ao Besiktas. Se empatar, só se apura se o Lokomotiv Moscovo perder com o Skenderbeu na Albânia. Em contrapartida, o Besiktas qualifica-se sempre em caso de empate e, na eventualidade de vir a perder, só segue em frente no cenário de derrota dos russos. Um empate entre Lokomotiv e Skenderbeu deixaria russos e turcos com nove pontos e igualdade no confronto direto, a desempatarem na diferença de golos, que é favorável ao Besiktas por um golo, pelo que tudo dependeria da diferença de golos em Alvalade – derrota turca por um golo deixaria ambos com dois golos à maior – e do total de golos marcados, aspeto em que os turcos têm três de vantagem.   - O Sporting ganhou sete dos nove jogos feitos em casa este ano. As exceções foram o empate com o P. Ferreira (1-1, a 22 de Agosto) e a derrota com o Lokomotiv Moscovo (1-3, a 17 de Setembro). Os últimos seis jogos saldaram-se por vitórias. Se ganhar ao Besiktas, somará sete vitórias seguidas em casa, igualando a série estabelecida entre o final da época passada e o início da atual.   - O Besiktas ainda não perdeu fora de casa esta época, somando sete vitórias e apenas dois empates (1-1 com o Gençlerbirligi e o Lokomotiv Moscovo). A última derrota fora de casa da equipa turca foi a 24 de Maio, por 2-0, frente ao Galatasaray, o que permitiu aos grandes rivais sagrarem-se campeões turcos a uma jornada do fim, em despique com o Fenerbahçe.   - Além disso, o Besiktas não perde um jogo internacional desde a época passada. Vai com cinco jogos de invencibilidade desde o 1-3 com que foi afastado da última Liga Europa, pelo Brugge, a 19 de Março. Se não perder em Alvalade, o Besiktas acaba a fase de grupos sem derrotas pela segunda época consecutiva.   - Este será o quarto jogo entre Jorge Jesus e Senol Gunes. Até aqui, Jesus ganhou uma vez (2-0, no Benfica-Trabzonspor de Julho de 2011) e empatou duas (sempre 1-1, pelo Benfica em Trabzon e pelo Sporting contra o Besiktas em Istambul). Além disso, Jesus ganhou sempre que defrontou turcos em casa: 3-0 pelo Sp. Braga contra o Sivaspor em 2008/09, 2-0 pelo Benfica ao Trabzonspor em 2011/12 e 3-1 pelo Benfica ao Fenerbahçe em 2012/13.   - Teo Gutièrrez, que está fora do jogo com o Besiktas, passou um ano na Turquia, onde jogou pelo Trabzonspor. O último jogo que fez com a camisola do clube turco foi precisamente uma vitória por 1-0 contra o Besiktas, a 3 de Outubro de 2010. Foi expulso com duplo cartão amarelo e não voltou a alinhar pelo Trabzonspor, onde tinha como treinador o atual treinador do Besiktas, Senol Gunes.   - Ricardo Quaresma, uma das estrelas do Besiktas em quem se diz que o Sporting pode estar interessado, fez a formação nos leões, por quem foi campeão nacional em 2001/02. Passou no entanto várias épocas na Liga portuguesa em representação do FC Porto. Ao todo, entre FC Porto e Besiktas, já jogou 15 vezes contra os leões, ganhando apenas quatro (uma em Alvalade, em 2005/06). Quaresma perdeu ainda cinco vezes com o Sporting, quatro delas em Lisboa.   - O Sporting já jogou duas vezes contra turcos em Alvalade, ganhando uma e perdendo a outra. Venceu por 2-0 o Kocaelispor em 1993/94 e perdeu por 3-0 com o Gençlerbirligi em 2003/04. Sempre na sequência de empates na Turquia nas partidas da primeira mão.   - O Besiktas ganhou duas vezes em oito jogos contra equipas portuguesas, ambas fora de casa: 3-1 ao V. Guimarães em 2005/06 e 2-0 ao Sp. Braga em 2011/12. Nesses oito jogos contam-se ainda quatro derrotas, mas três delas foram na Turquia. A única equipa portuguesa a ganhar aos turcos em casa foi o FC Porto, que os bateu no Dragão por 2-0, em 2007/08. Lucho González e Quaresma marcaram os golos portistas.   - Mario Gomez, o avançado alemão que fez o primeiro golo da recente vitória do Besiktas frente ao Kayserispor, por 2-1, e que já soma 12 golos esta época, já marcou uma vez a Rui Patrício, no 1-0 com que a sua seleção se impôs a Portugal na estreia no Europeu de 2012.    
2015-12-09
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Último Passe

O empate do Sporting em Istambul com o Besiktas (1-1) não foi um resultado mau de todo, mas acabou por ser muito pior do que aquele que poderia ter obtido uma equipa leonina que vem repetindo jogos de mais a menos e que cada vez faz mais pensar nas implicações da reinvenção daquilo a que poderia chamar-se “estilo Jesus”. Mantendo a distância de três pontos para o Besiktas, que ainda vão receber no seu estádio, e numa altura em que encaram a jornada dupla com os albaneses do Skenderbeu, a equipa mais fraca do grupo, os leões só têm de pensar que, suceda o que suceder nos desafios entre os turcos e o Lokomotiv, duas vitórias na terceira e quarta jornadas provavelmente os colocarão em lugar de apuramento com duas jornadas por disputar. Resta saber se o desinvestimento que Jorge Jesus tem vindo a fazer na Liga Europa, poupando jogadores importantes, permitirá a obtenção dessas vitórias fundamentais para as aspirações do leão europeu. “Mas isso nem é novidade”, argumentarão os que conhecem o histórico de Jesus no que toca a rotatividade em jogos europeus face à ausência do onze de Jefferson, Adrien ou Slimani, além do lesionado Paulo Oliveira. E não é, de facto. A única novidade quando se compara este Sporting com equipas de Jesus tem sido a baixíssima intensidade com que este Sporting está a jogar as segundas partes. Em Istambul, mais uma vez, o Sporting teve ocasiões mais do que suficientes para resolver a partida – tarde muito desastrada de Téo Gutiérrez, que perdeu três golos cantados – e acabou com o credo na boca para segurar o empate que lhe permitiu manter-se vivo. Na segunda parte, o que se viu foi uma equipa desligada, a jogar devagar, com espaços enormes entre linhas a facilitar o ataque turco à área de Rui Patrício e perdas de bola no início da fase de construção quase sempre não provocadas por um Besiktas que parece perfeitamente ao alcance dos leões. Não ajudou, nessa altura, ter em campo jogadores que até são taticamente cultos e rápidos a pensar mas lentos nas movimentações, como Ruiz ou Aquilani. Mas é aí que aquilo que tem sido o processo de construção deste Sporting de Jesus leva a pensar que o treinador está a reinventar o seu estilo – e não é só por de repente ter começado a lançar miúdos da formação. Se a substituição do futebol vertiginoso que jogava o Benfica por um jogo muito mais contemporizado tem a ver com a presença de Aquilani e Ruiz entre as opções, ainda se percebe: com eles não dá para se jogar a 200 à hora. Mas quando a velocidade e o sentido de baliza que Carlos Mané voltou a mostrar em Istambul é constantemente ignorada, já permite que se desconfie que a ideia seja programática.
2015-10-01
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Stats

A deslocação a Istambul, para defrontar o Besiktas, é mais uma oportunidade para o Sporting ultrapassar a corrente série de maus resultados fora de casa nas competições europeias. Há 15 jogos consecutivos que os leões não vencem um jogo europeu fora de Alvalade – a última vitória ocorreu há mais de quatro anos, a 15 de Setembro de 2011, no Letzigrund de Zurique, frente ao FC Zurich, por 2-0 (golos de Insua e van Wolfswinkel). Desde esse dia, a equipa leonina conseguiu apenas quatro empates, perdendo os restantes 11 jogos. Mesmo nessa época de 2011/12, o Sporting conseguiu chegar à meia-final da Liga Europa não voltando a ganhar fora. Perdeu as outras duas deslocações na fase de grupos (0-1 com o Vaslui e 0-2 com a Lazio), somando depois um empate em Varsóvia com o Legia (2-2), uma derrota com o City em Manchester (2-3), novo empate com o Mettalist (1-1) e a derrota fatal com o Athletic Bilbau (1-3). Em 2012/13 só o play-off permitiu ao Sporting regressar a Portugal com um resultado que não a derrota: empatou a uma bola com o Horsens, na Dinamarca. Depois disso, uma fase de grupos catastrófica, com três derrotas: 0-3 com o Videoton, 1-2 com o Genk e 0-3 com o Basel. Como o desastre europeu de 2012/13 teve reflexos na campanha interna, os leões não se qualificaram para as provas internacionais de 2013/14. Regressaram em 2014/15 na Liga dos Campeões e nunca terá estado tão próximo de uma vitória como em Maribor: esteve em vantagem até ao último lance da partida, onde uma gaffe combinada de Maurício e Sarr permitiu a Luka Zahovic fixar o resultado final num empate a uma bola. Seguiram-se as derrotas com o Schalke (3-4), o Chlesea (1-3) e o Wolfsburg (0-2, esta já na Liga Europa). Esta época, por fim, o 15º jogo da série foi a derrota por 3-1 com o CSKA em Moscovo. Agora, face à derrota caseira com o Lokomotiv, que pôs termo a uma já longa série de invencibilidade caseira em jogos da Liga Europa, impõe-se uma vitória no estádio do Besiktas, terminando também a série de jogos sem ganhar fora do país. Outro resultado deixará o Sporting ante contas muito complicadas.   - Teo Gutiérrez, o colombiano que o Sporting contratou esta época ao River Plate, passou durante um ano pela Turquia, onde jogou no Trabzonspor. O último jogo que fez com a camisola do clube turco foi precisamente uma vitória por 1-0 contra o Besiktas, a 3 de Outubro de 2010 (faz no sábado cinco anos). Foi expulso com duplo cartão amarelo já perto do final e não voltou a atuar pelo Trabzonspor, onde tinha como treinador o atual técnico do Besiktas, Senol Gunes. Na única vez que defrontou o Besiktas em Istambul, perdeu por 1-0.   - Paulo Oliveira, que está lesionado e por isso não fez a vigem para Istambul, fixou-se como titular do Sporting há exatamente um ano: foi a 30 de Setembro de 2014 que, a meio da segunda parte, entrou a substituir Maurício na derrota em casa contra o Chelsea, sendo titular pela primeira vez na viagem a Penafiel (vitória por 4-0), cinco dias depois. Excetuando os jogos da Taça da Liga, em que o Sporting fez alinhar uma equipa de reservas, falhou apenas três jogos neste ano: a vitória por 5-0 frente ao Sp. Espinho, na Taça de Portugal, o empate em Paços de Ferreira (1-1)  e o sucesso (1-0) em Vila do Conde ante o Rio Ave, ambos na Liga.   - Ricardo Quaresma, uma das estrelas do Besiktas, fez a formação no Sporting, mas passou várias épocas na Liga portuguesa em representação do FC Porto. Jogou 14 vezes contra os leões, das quais ganhou apenas quatro, todas a contar para a Liga: 3-0 em casa em 2004/05, 1-0 em Alvalade em 2005/06, 1-0 no Dragão em 2007/08 e outra vez 3-0 em casa na época passada. Quaresma perdeu ainda cinco partidas com o Sporting, mas só uma foi a jogar em casa. Foi o 0-1 de 2006/07, com golo de livre de outro homem que jogou no Sporting e no Besiktas: o chileno Rodrigo Tello.   - O Besiktas nunca ganhou a um clube português no seu estádio, o reconhecidamente infernal Inonu. Aliás, perdeu todos os jogos que ali fez com oposição lusa: 0-1 com o FC Porto em 2007/08, 1-3 com o FC Porto em 2010/11 e 0-1 com o Sp. Braga em 2011/12. As duas vitórias que tem contra portugueses foram ambas no Minho: 3-1 ao V. Guimarães em 2005/06 e 2-0 ao Sp. Braga em 2011/12. Além disso, empatou (1-1 em 2010/11) e perdeu (2-0 em 2007/08) com o FC Porto no Dragão.   - O Sporting também nunca perdeu na Turquia. Aliás, empatou os dois jogos que ali fez: 0-0 com o Kocaelispor em 1993/94 e 1-1 com o Gençlerbirligi em 2003/04. Na primeira vez os leões passaram a eliminatória graças a uma vitória por 2-0 em Alvalade, mas na segunda sucumbiram a um inesperado 0-3 no jogo da segunda mão.   - Mário Gomez, avançado alemão que fez dois golos na vitória do Besiktas frente ao Fenerbahçe (3-2), no último fim-de-semana, já marcou a Rui Patrício no jogo de abertura da sua seleção no Europeu de 2012: 1-0 da Alemanha a Portugal.   - O Besiktas perdeu o último jogo internacional que fez em casa: 1-3 com os belgas do Brugges nos oitavos de final da Liga Europa, em Março. Mas antes disso vinha com sete jogos consecutivos sem perder, desde um 0-3 com o Atlético de Madrid, a 15 de Março de 2012. Nesse período, passaram por Istambul sem ganhar o Arsenal (0-0), o Tottenham e o Liverpool (ambos batidos por 1-0).
2015-09-30
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