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Último Passe

Um mérito ninguém tira a Renato Sanches: polarizou o país. Digam o que disserem acerca dele, ninguém lhe fica indiferente. Os benfiquistas acham que acima dele só estará Eusébio, mas os sportinguistas e os portistas – num fenómeno que, tal como a adoração benfiquista, também terá a sua explicação na área da psicanálise – não lhe descobrem sequer nível para jogar no Águias da Musgueira. Diga-se o que se disser, isso já é uma proeza. A transferência para o Bayern trouxe à tona uma série de mitos e de verdades acerca do “Bulo”. Vamos a eles. Renato Sanches passa mal a bola – Não é verdade. Se há coisa que Renato Sanches faz bem é atacar. Com bola, no jeito “selvagem” que lhe identificou Rui Vitória, é extraordinário. Qualquer um é capaz de lhe ver a capacidade de explosão, a mudança de ritmo e de velocidade, que lhe permite queimar linhas em posse. Mas basta recorrer às estatísticas dos dois jogos com o Bayern – para não haver conversas acerca da sobre-valorização por parte da imprensa portuguesa ou da proteção feita pelos árbitros nacionais – para perceber que Renato não só tem uma excelente percentagem de acerto nos passes, como arrisca nos seus destinatários. Em Munique, acertou 20 dos 22 passes que tentou (91%) e o principal destinatário desses passes foi Jonas (seis passes). O jogo da segunda mão, na Luz, já lhe correu um pouco pior, com 19 passes certos em 24 (71%), mas isso terá tido sobretudo a ver com a ausência de Jonas, o que levou a que o jovem perdesse a sua principal referência de passe, entregando mais bolas a Fejsa (quatro passes). Renato Sanches só dá porrada – Também não é verdade. É um jogador agressivo, sim senhores. Talvez até lhe tenham ficado a dever alguns cartões no campeonato nacional, sobretudo à conta da exuberância própria da juventude e das suas características. Mas não é um jogador especialmente faltoso. Recorramos de novo às estatísticas dos jogos com o Bayern, na Liga dos Campeões. Foram zero faltas cometidas na primeira mão, em Munique, e uma na segunda mão, na Luz. Uma falta em 180 minutos. E sem árbitros nomeados por Vítor Pereira. Renato Sanches é o melhor médio do campeonato português – Outro mito. Não é. Renato Sanches foi fulcral na recuperação do Benfica, que sem ele não estaria em condições de ser campeão nacional. Mas não é ainda um jogador completo, sobretudo do ponto de vista tático. Sai muito da posição e, se é certo que os comportamentos sem bola não são alvo de escrutínio por parte dos adeptos comuns – que, sobretudo na TV, só olham para quem tem a bola nos pés – eles constituem 95% das ações de um futebolista. E Renato, nesse aspeto, é um risco defensivo, sobretudo para uma equipa que joga apenas com dois médios na zona central. Precisa de melhorar no jogo posicional, precisa de compreender melhor as necessidades da equipa do ponto de vista defensivo – e para isso Ancelotti pode ser de uma utilidade extrema – e se teve o sucesso que teve na Liga portuguesa isso fica a dever-se à fragilidade e à incapacidade da maior parte das equipas. Numa Liga mais competitiva, para aquela posição, escolheria primeiro Adrien Silva. Porque tem mais oito anos de experiência. Renato Sanches deve ser titular da seleção – Não vejo como. Num enquadramento competitivo mais exigente, como será o do Campeonato da Europa, sobretudo se Fernando Santos decidir jogar em 4x4x2, Portugal não pode arriscar-se a jogar com Renato Sanches na zona central, correndo risco de ficar defensivamente exposto com frequência. O lugar é de João Moutinho e, se não for dele, será de Adrien. Renato pode aparecer como terceira opção, para jogos em que seja preciso atacar e não se preveja grande exigência defensiva ou para jogos em que o treinador opte por jogar com três ao meio. Essa, aliás, é a decisão fulcral na convocatória de Fernando Santos, porque se quer jogar em 4x4x2 vai precisar de quem seja capaz de jogar tanto ao meio como numa das alas – e André Gomes, ao contrário de Renato Sanches, pode fazê-lo. Sendo que só pelo sacrifício de um defesa central ou do ponta-de-lança haverá lugar para os dois. Renato Sanches está sobrevalorizado – Não está. Porque quem compra está a pagar o que ele vale agora e também o que ele pode valer no futuro. Numa avaliação puramente subjetiva, eu diria que, neste momento, Renato valerá entre os 15 e os 20 milhões de euros. Mas nestas coisas paga-se o potencial. Quem mostra o que Renato mostra aos 18 anos, poderá mostrar muito mais quando tiver 23, 24 ou 25, porque agora vai ser submetido a treino de altíssimo rendimento e terá de crescer para continuar a jogar. Extremamente sobrevalorizados foram jogadores como João Cancelo, Ivan Cavaleiro e até, pelo que já tinham mostrado na altura, Bernardo Silva e André Gomes. Mas esses saíram para clubes do circuito-Gestifute (Valência e Mónaco). Com o Bayern, com o rigor e a exigência alemãs, as coisas mudam de figura. E não serve de nada aos “haters” irem agora para a página de Facebook do Bayern dizer que há melhor lá na rua deles. Isso é mesmo para ser levado a sério? Renato Sanches tem a idade aldrabada – Duvido. Mas também não é particularmente importante para o caso, a não ser para estabelecer o preço ou punir legalmente que tenha cometido a ilegalidade (e isso pode sempre correr à margem da discussão presente). Claro que isso só pode ser definido com testes, mas olha-se para a cara dele e vê-se um miúdo. Não tenho dificuldade em acreditar que tem mesmo os 18 anos que apresenta no BI, mas repito: o Bayern contratou-o para jogar nos seniores e tendo em conta o que ele mostra em campo hoje. Claro que os alemães esperarão que Renato melhore e essa margem de progressão dependerá em muito da idade que ele tem neste momento. Mas ninguém paga 35 milhões de euros por uma esperança se não lhe vir condições para ser uma certeza no imediato.
2016-05-11
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Último Passe

O Benfica comunicou à CMVM a venda dos direitos desportivos de Renato Sanches ao Bayern Munique por 35 milhões de euros, informando ainda que “estão previstos valores adicionais, num montante global de 45 milhões de euros, dependentes da concretização de objetivos” até 30 de Junho de 2021. Diz a Kicker que esses objetivos passam pela nomeação de Renato Sanches para o Onze do Ano da FIFA ou para a Bola de Ouro. Subsiste, no entanto, uma dúvida, alimentada pelo facto de estarmos todos habituados ao português insondável de quem escreve estes comunicados: são 35 milhões mais 10 ou 35 milhões mais 45? Uma vírgula, aqui, faz muita diferença. Em todo o caso, mesmo que o valor real seja o mais baixo, trata-se de um excelente negócio para o Benfica. Só divergirá quem está de tal forma iludido pelos valores das transferências de jovens da formação encarnada para os clubes do circuito-Gestifute (Mónaco, Valência…) que acha que a base de licitação de qualquer futebolista está nos 15 milhões de euros. Renato Sanches foi uma das chaves da atual situação do Benfica. Se o clube for tricampeão é em boa parte a ele que o deve, pela explosão que trouxe ao futebol da equipa. Renato já é ofensivamente um extraordinário médio, porque ao contrário do que os seus detratores repetem à exaustão não perde muitos passes (tem uma margem de acerto na ordem dos 90%) e não joga só para trás e para o lado (o destinatário preferencial dos seus passes é Jonas). Além disso tem uma mudança de velocidade que lhe permite queimar linhas em posse como poucos jogadores na Liga portuguesa. E, no entanto, não é ainda um jogador feito. É “um pouco selvagem”, como diz Rui Vitória: defensivamente apresenta lacunas de posicionamento, mesmo que seja preciso procurar bem para as descobrir (o jogo sem bola é sempre menos visível que o jogo com bola). Mas quanto vale Renato Sanches? Valerá menos que um T1 no meio do pântano do Amazonas? Claro que não. O transfermarkt dava-lhe hoje de manhã um valor de mercado de 10 milhões de euros. Acho pouco. Na verdade, o transfermarkt serve-se de um algoritmo que estabelece variações médias e Renato Sanches valorizou a um ritmo extraordinário esta época, pelo que rebenta com esse algoritmo. Eu diria que, até tendo em contra o potencial, só um valor acima dos 25 milhões seria um bom negócio. Se o Bayern já pagou pelo menos 35, esta transferência entra na categoria dos negócios extraordinários – até porque sendo a venda para o Bayern, perdem imediatamente terreno os que virão dizer que o valor está muito inflacionado pela interferência de Jorge Mendes, o empresário que conseguiu vender João Cancelo ou Ivan Cavaleiro por 15 milhões cada um. Se chegar aos 45 milhões, o negócio será ainda melhor. Se, tal como está a ser interpretado pela generalidade dos órgãos de comunicação – que, já se sabe, na área do futebol querem é ver as pessoas felizes e, em caso de dúvida, “beneficiam sempre o ataque” –, o valor por objetivos elevar a transferência para os 80 milhões, então é um negócio da China. Para isso, porém, antes de ficarmos a saber quanto vale Renato Sanches, será necessário a CMVM ter a curiosidade de saber quanto vale uma vírgula. A vírgula que define se a expressão “montante global” se aplica ao negócio em si ou à totalidade do valor por objetivos.
2016-05-10
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O Benfica vendeu cara a eliminação da Liga dos Campeões, forçando o Bayern Munique a um empate na Luz (2-2) que se justificou plenamente, face ao que as duas equipas fizeram em campo, e chegando a lançar a dúvida sobre o destino da eliminatória, ao adiantar-se no marcador antes da meia-hora, com um cabeceamento de Jiménez. O Bayern tem outros argumentos, tanto ao nível das individualidades como no plano tático, chegou rapidamente ao empate e até à vantagem, mas Pep Guardiola chegou a irritar-se com os seus jogadores no banco pela forma como estes permitiram que os encarnados colocassem a passagem às meias-finais em dúvida. Rui Vitória já sabia que não ia ter Jonas, que estava castigado, devido ao amarelo que viu em Munique. No dia do jogo ficou a saber também que não poderia contar com Mitroglou e Gaitán, as suas duas outras principais armas ofensivas, que se ressentiram de lesões contraídas em Coimbra, no sábado. Armou a equipa em 4x2x3x1, com Jiménez na frente, apoiado por um Pizzi que não está a viver uma fase particularmente fulgurante, e com Salvio e Carcela nas alas. Provavelmente sabendo que o Benfica ia apresentar três médios, Guardiola abdicou de um dos pontas-de-lança (no caso Lewandowski), fazendo jogar Müller sozinho em cunha, com Douglas de um lado e Ribery do outro, igualando a batalha a meio-campo com a junção de Xabi Alonso a Tiago Alcântara e Vidal. E apesar de um início forte do Benfica, aos 5’ o Bayern congelou o jogo com o seu futebol de posse e variação constante de flancos. Lahm, pela forma como aparecia sempre a aproveitar as manobras de diversão de Douglas Costa, era o principal causador de perigo para Ederson, como se viu no modo como descobriu Lahm (19’) para um volei que este fez passar rente ao poste, ou como esteve na base do lance em que Tiago Alcântara solicitou o cabeceamento de Vidal, para defesa de Ederson (22’). Só que aí o Benfica marcou. A pressão do Bayern a meio-campo falhou, a equipa portuguesa fez a bola chegar a Eliseu, que tinha espaço para correr na esquerda. Rui Vitória percebeu o que aí vinha e correu a incentivar Eliseu, que galgou campo e cruzou para Jiménez, que ganhou o sprint aos dois centrais do Bayern e aproveitou a saída sem sentido de Neuer para cabecear para o 1-0. Eliminatória igualada aos 27’, portanto. O jogo convidava à contemporização, mas três minutos depois Salvio ganhou uma bola na direita e cruzou rasteiro para uma falha de Alonso no corte e um remate fraco de Jiménez, que teve tempo e espaço para fazer mais do que entregar a bola a Neuer. Ora se o Benfica não marcou foi o Bayern que o fez, logo aos 38’, num belo lance de envolvimento na direita que terminou com cruzamento de Lahm. Ederson ainda afastou, mas aí os médios do Benfica foram batidos pela sua própria sofreguidão: acorreram à área, onde o Bayern não tinha assim tanta gente, e deixaram a meia-lua à mercê de Vidal, que fez o golo de primeira. Com 1-1, a eliminatória não ficava sentenciada -o Benfica voltava a precisar de dois golos. Mas o que a equipa sentiu foi que a montanha à sua frente tinha ficado repentinamente inultrapassável, de tão íngreme, tendo perdido concentração e permitido mais espaço às trocas de bola do Bayern. O problema, de resto, não se resolveu após o intervalo, pois foi outra vez o Bayern quem entrou melhor. E aproveitando uma desconcentração global na zona defensiva do Benfica após um canto da esquerda, o Bayern fez o 2-1, aos 52’, por Müller, o único a acorrer a uma primeira bola ganha por Javi Martínez nos ares. Foi o pior período do Benfica no jogo. Ederson teve de se esforçar para impedir o 1-3 logo aos 55’, num contra-ataque, e viu depois Douglas Costa chutar ao poste, aos 60’. Rui Vitória trocou então Pizzi por Gonçalo Guedes, procurando ganhar velocidade no corredor central, e o jovem extremo foi providencial na forma como o Benfica regressou ao jogo: travado em falta por Javi Martínez, após uma arrancada da direita para o meio, deu a Talisca – que entretanto substituíra Salvio – a possibilidade de, num livre magistral, estabelecer o empate. O golo acordou o público e a equipa do Benfica, mas só faltavam 14 minutos para o final da partida. Rui Vitória, expulso do banco por protestos, viu da bancada como o Benfica, já em 4x2x4, com Jovic a juntar-se ao ataque e Carcela a fazer de defesa-esquerdo improvisado, tentou impor ao Bayern uma derrota que talvez os alemães não merecessem. Valeu a tentativa, prova de caráter de uma equipa que fez das tripas coração para estar entre as maiores da Europa e não sai envergonhada da tentativa. Com a certeza de que para o ano haverá mais.
2016-04-13
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O 1-0, na primeira mão de uma eliminatória europeia, é o resultado mais ambíguo que pode haver, pois mantém as duas equipas à mesma distância do apuramento. É o resultado que, por excelência, leva à menção do 50/50. Basta ver que nas oito vezes em que perdeu a primeira mão de uma eliminatória por 1-0 no terreno do adversário, o Benfica se apurou em quatro. E nas cinco em que saiu do seu estádio com esta vantagem, o Bayern seguiu em frente por três vezes. Sempre números muito próximos do 50/50. A última vez que o Benfica entrou na Luz a precisar de recuperar de uma desvantagem de 1-0 nas competições europeias saiu-se bem. Foi em 2013, na meia-final da Liga Europa, e os encarnados tinham perdido por 1-0 com o Fenerbahçe em Istambul. Igualaram a eliminatória bem cedo, com um golo de Gaitán, os turcos fizeram o golo fora que costuma ser fatal, por Huyt, ainda na primeira parte, mas depois o Benfica chegou aos 3-1, graças a um bis de Cardozo. Antes desta proeza, porém, o Benfica já não revertia um 1-0 no terreno do adversário desde 1980, tendo sido eliminado quatro vezes consecutivas. Em 1997/98, depois de perder por 1-0 no terreno do Bastia, não foi além de um empate a zero na Luz; em 1990/91, contra a Roma, perdeu ambas as partidas pelo mesmo score (sempre 1-0, primeiro em Itália e depois em Lisboa); em 1985/86 ainda ganhou a segunda mão, ao Dukla Praga, mas por 2-1, o que permitiu o apuramento dos checoslovacos; e em 1982/83 perdeu assim a final da Taça UEFA: derrota por 1-0 com o Anderlecht em Bruxelas, empate a uma bola (golo português de Shéu) na Luz. Tirando o sucesso contra o Fenerbahçe, todas as situações em que o Benfica reverteu o 1-0 no terreno do adversário aconteceram em tempos antigos. Sucedeu pela primeira vez em Março de 1972, quando um hat-trick de Nené e um bis de Jordão resultaram num 5-1 ao Feyenoord, que se tinha imposto aos encarnados por 1-0 na primeira mão, em Roterdão. Depois disso, em Setembro do mesmo ano, Eusébio (duas vezes), Jordão e Simões marcaram num 4-1 aos suecos do Malmö, que tinham ganho a primeira mão por 1-0. E não aprenderam: em Outubro de 1980, o mesmo Malmö ganhou ao Benfica por 1-0 na Suécia, perdendo depois a segunda mão na Luz por 2-0, com um bis de Nené. Menos frequente é, na sua história, o Bayern sair da primeira mão de uma eliminatória com um 1-0 a seu favor. Mesmo assim, já sucedeu em cinco ocasiões, uma delas contra opositor português. Foi em Setembro de 2007 que um golo do italiano Toni permitiu aos bávaros ganhar a primeira mão de uma eliminatória europeia ao Belenenses, que assim entrou na segunda mão, no Restelo, com esperanças de apuramento. Só que nessa altura Toni e Altintop marcaram em nova vitória do Bayern, desta vez por mais amplos 2-0. Depois disso, o Bayern já fez valer o 1-0 caseiro da primeira mão mais uma vez: em Abril de 2010, na meia-final da Champions, começou por ganhar por 1-0 ao Lyon em casa (golo de Robben), para depois ir vencer a França por 3-0 (hat-trick de Olic). A primeira vez que o Bayern se viu metido numa situação destas também se saiu bem (1-0 e 1-1 com o Glasgow Rangers, em 1970/71). Mas depois disso foi mesmo eliminado por duas vezes. Em Março de 1977 valeu-se de um golo de Künkel para ganhar por 1-0 ao Dynamo Kiev, nos quartos-de-final da Taça dos Campeões (jogo apitado por António Garrido), mas depois perdeu por 2-0 na então URSS, com dois golos nos últimos dez minutos (Burjak e Slobodyan). Por fim, em Novembro e Dezembro de 1983, contra o Tottenham, também se deu mal: ganhou por 1-0 no Estádio Olímpico, graças a um golo tardio de Michael Rümmenigge, mas depois foi batido por 2-0 em Londres, com Archibald e Falco a qualificarem a equipa de Keith Burkinshaw para os quartos-de-final da Taça UEFA.   O Benfica ganhou os últimos quatro jogos em casa, todos desde a derrota contra o FC Porto (1-2), a 12 de Fevereiro. A equipa encarnada já foi batida três vezes na Luz esta época, por Sporting (3-0 a 25 de Outubro), Atlético Madrid (2-1, a 8 de Novembro) e pelos dragões. O jogo com os leões foi o único em que não marcou golos em casa esta época.   Jonas, que não vai jogar contra o Bayern, por estar suspenso, marcou nos últimos quatro jogos do Benfica em casa: fez o golo da vitória contra o Zenit (1-0), bisou nos 2-0 ao U. Madeira, voltou a bisar nos 4-1 ao Tondela, e fez de penalti um dos golos nos 5-1 ao Sp. Braga. Além de Jonas, o jogador com mais jogos seguidos a marcar na Luz é Mitroglou, que deixou o nome ligado às duas últimas vitórias, com um golo ao U. Madeira e dois ao Sp. Braga.   Jonas só falhou três dos 44 jogos que o Benfica já fez esta época, nenhum deles das provas mais importantes (Liga portuguesa ou Champions). Esteve de fora, por opção, na vitória por 2-1 frente ao Vianense, em meados de Outubro, para a Taça de Portugal, e voltou depois a ser poupado nos sucessos por 1-0 contra o Oriental e por 6-1 contra o Moreirense, ambos em Janeiro, para a Taça da Liga.   O Benfica ganhou três dos quatro jogos europeus feitos no seu estádio esta época: 2-0 ao Astana, 2-1 ao Galatasaray e 1-0 ao Zenit. Em contrapartida, o Bayern só perdeu um dos quatro desafios europeus que fez fora de casa esta época: 2-0 com o Arsenal. Dos outros, empatou um (2-2 com a Juventus) e ganhou dois (2-0 ao Dynamo Zagreb e 3-0 ao Olympiakos).   O Bayern entra na Luz com uma série de seis vitórias seguidas, correspondentes a todos os jogos desde o empate a zero no terreno do Borussia Dortmund, a 5 de Março, para a Bundesliga. É a melhor série de vitórias da equipa de Pep Guardiola desde o início de época, quando arrancou com 12 sucessos consecutivos, travados na derrota por 2-0 em Londres, frente ao Arsenal, a 20 de Outubro.   O Benfica procura atingir a primeira meia-final da Liga dos Campeões desde 1990, época em que ultrapassou o Dnipro para defrontar o Ol. Marseille, antes da final contra o Milan. Por sua vez, o Bayern vai tentar atingir a quinta meia-final consecutiva nesta competição. Se o fizerem, os bávaros não atingirão um recorde, mas entram no lote restrito de clubes que já o conseguiram, que para já está limitado a Barcelona e Real Madrid.   O Benfica nunca ganhou um jogo ao Bayern Munique, tendo obtido apenas dois empates em sete partidas, ambos na Luz: 0-0 em Março de 1976 e em Outubro de 1981. Empatou, curiosamente, em dois dos três jogos em que não fez golos – o terceiro foi a recente derrota por 1-0, em Munique. Na Luz, o Benfica só marcou um golo ao Bayern: foi em Dezembro de 1995, numa derrota por 3-1 que se seguiu a um desaire por 4-1 em Munique.   Nos jogos em casa contra equipas alemãs, o Benfica só perdeu duas vezes em 20, tendo ganho dez. Na Luz, só ganharam o Bayern, nesses 3-1 de 1995, e o Schalke, por 2-1, em 2010. Ali já foram batidos o Leverkusen (2-1, em 2013), o Stuttgart (2-1, em 2011), o Hertha (4-0, em 2010), o Nurnberg (1-0, em 2008, e 6-0, em 1962), o Kaiserslautern (2-1, em 1998), o Carl Zeiss (1-0, em 1981), o Fortuna Dusseldorf (1-0, em 1981), o Vorwaerts Berlin (2-0, em 1970) e o Borussia Dortmund (2-1, em 1963).   Por sua vez, o Bayern só perdeu uma vez em 12 visitas a Portugal: foi no ano passado, no jogo dos quartos-de-final da Liga dos Campeões contra o FC Porto, por 3-1. Soma de resto seis empates (dois com o Benfica, um com o FC Porto, um com o Boavista, um com o V. Setúbal e um com o Sp. Braga) e cinco vitórias (uma com o Benfica, duas com o Sporting, uma com o Belenenses e uma com o FC Porto).
2016-04-12
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Último Passe

O Benfica sobreviveu ao teste de Munique e fê-lo com personalidade e um futebol adulto que Pep Guardiola até se deu ao luxo de anunciar mas que talvez não esperasse ver tão bem interpretado em campo. É certo que a equipa portuguesa perdeu, que não fez o golo fora que tanto jeito lhe daria – e até teve oportunidades claras para o fazer –, mas conseguiu mesmo assim levar a discussão da eliminatória com o Bayern para o seu estádio, graças a uma derrota pela margem mínima (1-0). O golo de Vidal, logo aos 2’ de jogo, fez temer um descalabro, mas a pouco e pouco Rui Vitória foi juntando as peças e com isso anulando uma das máquinas atacantes mais poderosas desta Liga dos Campeões. Os encarnados tiveram um início difícil, pois Ribery e Douglas Costa, sempre muito abertos nas duas alas, causavam problemas constantes à organização defensiva benfiquista, viciada nas derivações de Pizzi e Gaitán para o espaço interior. Sempre que o Bayern virava o flanco, André Almeida e Eliseu eram apanhados em situação de inferioridade, porque aos extremos o Bayern juntava laterais sempre prontos a ajudar no ataque e médios sem medo de entrar na área. O golo nasce desse “excesso de gente” do Bayern na frente: Ribery veio para dentro, descobriu Lewandowski, que descaiu na esquerda para solicitar o cruzamento de Bernat, entretanto deixado sozinho. E quando o espanhol cruzou, havia na mesma quatro homens do Bayern em zona de finalização. Marcou Vidal, em antecipação a Eliseu. Era o pior começo possível, porque a equipa tremeu. Naturalmente. E nessa altura foi Ederson quem a segurou no jogo, com um punhado de boas intervenções a impedir um 2-0 do qual já seria muito difícil recuperar. Destacou-se o jovem guardião brasileiro em oposição a Lewandowski (16’) e a Müller (20’), mas a partir de dada altura o Benfica corrigiu. Pizzi deixou de se preocupar tanto com o corredor central, obrigando a que Renato Sanches fosse mais posicional – e com isso também menos vistoso, porque o seu futebol atacante ganha com a explosão aquilo que perde se tiver de jogar de pé para pé – e o Benfica começou a ganhar as segundas bolas que vinham de Mitroglou, partindo delas para chegar também à área de Neuer. E a verdade é que, mesmo tendo o Bayern sempre mais bola, o jogo não voltou a estar tão desequilibrado como naqueles primeiros 15 ou 20 minutos. Müller, aos 33’, e Vidal, aos 36’, ainda podiam ter ampliado o marcador, mas ao primeiro opôs-se Ederson, enquanto que o cabeceamento do segundo saiu sobre a barra. E a primeira grande ocasião da segunda parte até pertenceu ao Benfica, quando Jonas se virou bem sobre Alaba e, face a face com Neuer, não conseguiu desviar a bola do guarda-redes alemão. O brasileiro, que viu um cartão amarelo e não poderá estar na segunda mão, teve ainda mais uma situação dourada para empatar, aos 64’, quando um cruzamento de André Almeida o encontrou solto na área, mas o remate acertou em cheio em Javi Martínez, que Guardiola chamara ao campo para substituir Kimmisch, de modo a ganhar presença na área. O maior desafio que o Benfica tinha pela frente nessa altura era segurar os últimos minutos do Bayern, aqueles em que a Juventus, por exemplo, baqueou. Porque contrariar uma equipa que tem tanta bola cansa e a dada altura o mais natural é recolher para perto da área. Guardiola ainda tentou animar o ataque da sua equipa, com Coman e Götze, mas o Bayern nunca chegou ao segundo golo. Ribery, aos 81’, viu Ederson negar-lhe esse intento, após um raide da esquerda para a área. E Lewandowski, aos 89’, preferiu dar a bola a Lahm em vez de tentar bater o guardião brasileiro, que lhe fez a mancha para evitar o que parecia um golo certo: valeu ao Benfica que o passe saiu muito largo e o capitão do Bayern não o captou. O resultado ficava assim numa margem mínima que, não sendo excelente, permite ao Benfica opções sérias para a segunda mão.
2016-04-05
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A tarefa que espera o Benfica nos quartos-de-final da Liga dos Campeões é gigantesca. Pela frente, a equipa de Rui Vitória tem uma das mais poderosas formações da Europa, um Bayern Munique que procura atingir a quinta meia-final consecutiva nesta competição. Se o fizerem, os bávaros não atingirão um recorde, mas entram no lote restrito de clubes que já o conseguiram, que para já está limitado a Barcelona e Real Madrid. O Bayern esteve nas últimas quatro meias-finais da Liga dos Campeões. Em 2010/11, a última época em que lá não chegou, caiu nos oitavos-de-final, eliminado pelo Inter Milão, mas depois foi sempre a aviar: em 2011/12 eliminou o Ol. Marseille nos quartos-de-final, perdendo depois a final nos penaltis para o Chelses; em 2012/13 chegou à meia-final afastando a Juventus, vindo depois a ganhar na final ao Borussia Dortmund; em 2013/14 afastou nesta fase o Manchester United, mas caiu na meia-final face ao Real Madrid; por fim, na época passada, eliminou o FC Porto nos quartos-de-final, caindo depois na eliminatória seguinte ante o Barcelona. Ora o Barcelona é precisamente a equipa com maior número de meias-finais consecutivas na Liga dos Campões – esteve em seis, nunca falhando esta fase entre 2007/08 e 2012/13, sendo na época seguinte afastado nos quartos-de-final pelo Atlético Madrid. As quatro meias-finais consecutivas do Bayern Munique não são exclusivo europeu na atualidade, nem sequer a melhor série em curso. O Real Madrid lutará pela sexta presença seguida nos últimos quatro clubes a disputar o troféu, depois do falhanço de 2009/10, época em que foi eliminado pelo Lyon, nos oitavos-de-final. A verdade é que, com o alargamento da Liga dos Campeões a mais de um clube por país, ficou mais fácil aos mais fortes das grandes potências chegarem tão longe. Antes do novo formato da Liga dos Campeões, o recorde pertencia ao Inter Milão, que chegou à meia-final por quatro anos seguidos, de 1963/64 a 1966/67. Também a Juventus tem quatro meias-finais consecutivas, mas já com o formato “Champions”, de 1995/96 a 1998/99. Ao Benfica resta sempre o peso da história e de ser o clube português com mais meias-finais consecutivas: três, de 1960/61 a 1962/63, com duas taças para recordar.   Ponto a favor do Benfica é a sua corrente série de resultados: ganhou 19 dos últimos 20 jogos, sendo a única exceção a derrota na Luz contra o FC Porto (2-1), a 12 de Fevereiro. E nesses 20 jogos fez sempre golos: a última vez que o seu ataque ficou em branco foi a 15 de Dezembro do ano passado, no empate a zero contra o U. Madeira.   Consequência dessa série extraordinária, o Benfica está a atravessar a melhor sequência de jogos fora de casa em toda a sua história. Quando entrar no relvado do Allianz Arena fá-lo-á com o peso de onze vitórias consecutivas fora do seu estádio: 1-0 ao V. Guimarães, 4-1 ao Nacional, 2-1 ao Estoril, 1-0 ao Oriental, 6-1 e 4-1 ao Moreirense, 5-0 ao Belenenses, 3-1 ao Paços de Ferreira, 1-0 ao Sporting, 2-1 ao Zenit e 1-0 ao Boavista.   Jonas marcou nas últimas três partidas do Benfica. Bisou nos 4-1 em casa ao Tondela, fez o golo solitário no sucesso no Bessa ante o Boavista (1-0) e voltou a marcar nos 5-1 ao Sp. Braga, na Luz. Naquela que já é a sua melhor época europeia de sempre (já leva 32 golos), o brasileiro fez dois tentos na Liga dos Campeões, ainda assim aquém dos cinco que marcou nesta mesma competição pelo Valencia em 2012/13. Nessa temporada, marcou a todos os adversários europeus do Valencia (Lille, Bate Borisov e Paris Saint Germain) à exceção do Bayern Munique, que defrontou duas vezes, na fase de grupos.   Ribery fez no sábado o golo da vitória do Bayern sobre o Eintracht Frankfurt (1-0). Foi o primeiro golo do francês em 2016: não marcava desde 5 de Dezembro, quando regressou de lesão e ajudou à vitória sobre o Borussia M’Gladbach, por 3-1.   Quem anda de pé quente é o polaco Lewandowski, que ficou em branco contra o Eintracht mas já leva 36 golos esta época, oito dos quais na Liga dos Campeões, competição na qual marcou em todos os jogos do Bayern em casa: assinou um hat-trick nos 5-0 ao Dynamo Zagreb, marcou uma vez nos 5-1 ao Arsenal, outra nos 4-0 ao Olympiakos e ainda mais uma nos 4-2 (após prolongamento) à Juventus.   Esse jogo com a Juventus foi o primeiro em casa na Liga dos Campeões que o Bayern não ganhou em 90 minutos desde 29 de Abril de 2014, quando foi batido em casa pelo Real Madrid, por contundentes 4-0. Depois desse descalabro, a equipa bávara alinhou dez vitórias seguidas no Allianz Arena: 1-0 ao Manchester City, 2-0 à Roma, 3-0 ao CSKA Moscovo, 7-0 ao Shakthar Donetsk, 6-1 ao FC Porto, 3-2 ao Barcelona, 5-0 ao Dynamo Zagreb, 5-1 ao Arsenal, 4-0 ao Olympiakos e 4-2 (o tal, ganho no prolongamento) à Juventus.   O Benfica nunca ganhou um jogo ao Bayern Munique, tendo obtido apenas dois empates em seis partidas, ambos na Luz: 0-0 em Março de 1976 e em Outubro de 1981. Empatou, curiosamente, nos dois únicos jogos em que não fez golos, porque sempre que jogaram no velho Estádio Olímpico de Munique os encarnados acabaram por marcar uma vez. Ali perderam por 5-1 em Março de 1976 (o golo de Nené não chegou para os bis de Dürnberger e Müller, aos quais se somou mais um de Karl Heinz Rummenigge), por 4-1 em Novembro de 1981 (mais uma vez Nené a amenizar um hat-trick de Dieter Höness e um golo de Breitner) e outra vez por 4-1 em Novembro de 1995 (golo de Dimas face ao histórico póquer de Klinsmann).   Ainda assim, mesmo só tendo ganho duas vezes em 20 visitas à Alemanha, o Benfica pode gabar-se de o ter feito recentemente: bateu o Stuttgart por 2-0 em Fevereiro de 2011 e o Leverkusen por 1-0 em Fevereiro de 2013. O paraguaio Cardozo foi o ponto em comum às duas vitórias em solo alemão, pois marcou em ambos os jogos.   Já houve duas equipas portuguesas a conseguirem um resultado positivo em Munique contra o Bayern: o FC Porto empatou, ainda no velho Estádio Olímpico, a um golo, em Março de 1991 (golo de Domingos, a responder a um primeiro, de Bender) e o Sporting levou um 0-0 já do Allianz Arena, em Outubro de 2006. Curiosamente, dragões e leões foram também as equipas submetidas às maiores goleadas do Bayern a equipas portuguesas, nas últimas duas vezes que se deslocaram a Munique: o Sporting encaixou 7-1 em Março de 2009 e o FC Porto 6-1 em Abril do ano passado.   O Bayern, de resto, só perdeu duas vezes contra uma equipa portuguesa e essa foi o FC Porto, que se impôs aos bávaros por 2-1 na final da Taça dos Campeões de 1987 (golos de Madjer e Juary, após um primeiro tento de Kögl) e depois por 3-1 nos quartos-de-final da Champions do ano passado (bis de Quaresma e golo de Jackson contra um de Thiago Alcântara). Em 24 jogos contra portugueses, o Bayern cedeu ainda oito empates, a FC Porto (dois), Benfica (dois), V. Setúbal, Boavista, Sp. Braga e Sporting.
2016-04-05
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