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Último Passe

O empate a zero do Sporting contra o Steaua de Bucareste, que deixa mais complicado o acesso leonino à fase de grupos da Liga dos Campeões, veio trazer mais evidências para a constatação que já se tinha podido fazer na vitória por 1-0 que a equipa de Jorge Jesus arrancara a ferros contra o Vitória de Setúbal na sexta-feira: falta qualidade na construção pelo corredor central sempre que a equipa deixa de contar com William Carvalho. Ter ali Adrien e Battaglia juntos torna-se um problema para uma equipa que, tal como na última partida, voltou a não conseguir ter posse de bola dentro do bloco adversário e se viu forçada a um jogo de cruzamentos para um Bas Dost sempre muito só na área. O problema pode avolumar-se se o mercado acabar por levar William. Battaglia converteu-se numa coqueluche para Jesus, que ainda hoje voltou a elogiar-lhe a exibição, mas o seu futebol muito físico, com dificuldades na recepção, no passe e na arquitetura dos ataques dificilmente será conciliável com o jogo de Adrien, também um médio mais intenso do que criativo. Tanto um como o outro podem ser muito úteis, mas dificilmente o serão em simultâneo. Adrien precisa de William, da mesma forma que Battaglia precisa de Bruno Fernandes. Quer isto dizer que se vai vender um dos seus dois médios campeões da Europa, o Sporting bem podia vender os dois, de forma a poder construir um meio-campo do zero, sem amarras a um passado feito de um entendimento perfeito entre a dupla que marcou os últimos anos. Assim, se é levado a somar Adrien a Battaglia, Jesus está a fazer deste Sporting uma equipa que não terá nada a ver com as que vem construindo nos últimos anos. O que caracteriza as equipas de Jesus? Entre muitas outras coisas, a exploração do espaço interior, a capacidade para jogar dentro do bloco adversário, para triangular ali. Ora com esta dupla de médios, raramente o conseguiu nestes dois jogos. Culpa de Podence, o segundo avançado que se coloca nas costas de Bas Dost e deveria ocupar esse espaço entre linhas? Nem por isso. Culpa sobretudo de um meio-campo que nunca fez movimentos de aproximação com bola para tirar os médios do Steaua da poltrona onde se sentaram desde o início da partida, à entrada da área. Só Mathieu tentou fazer isso em todo o jogo de hoje. O que isso provoca é que os leões sejam forçados a abusar dos corredores laterais e, se não aparecem um Gelson ou um Acuña superlativos, nota-se mais o paradoxo que é ter Bas Dost sozinho a batalhar pelas bolas aéreas entre as torres adversárias. No final do jogo, Jesus voltou a citar o mercado como fator dissuasor para contar com William, por exemplo, nos jogos que se aproximam. Os dois jogos que aí vêm, contudo, serão bem diferentes destes dois últimos: em Guimarães e em Bucareste, frente ao outro Vitória e outra vez ao Steaua, os leões não vão ter de enfrentar adversários tão fechados e poderão jogar mais em ataque rápido e contra-ataque. Podem ser mais duas oportunidades para esta dupla de médios. E se não correrem bem talvez sejam as duas ultimas.
2017-08-15
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Piojo, do Tondela, marcou ao Belenenses o 200º golo da Liga. Os Golo 200 surgiu ao 97º jogo, 19 jogos mais tarde que na época passada, em que 78 jogos bastaram para se marcarem 200 golos. A Liga atual, com 201 golos em 10 jornadas (88 jogos apenas, fruto do adiamento dos jogos do U. Madeira com Benfica e FC Porto), segue com uma média de 2,28 golos por jogo, o que representa uma baixa em relação à edição anterior, que tinha 229 golos nas mesmas 10 rondas, a uma média de 2,54 golos por jogo.   - Leo Bonatini (Estoril) superou no jogo com a Académica o total de golos que tinha na Liga anterior. Em 2014/15 fez quatro golos em 11 jogos, enquanto na temporada atual já leva cinco em apenas nove partidas. A Académica foi o único adversário ao qual repetiu a gracinha de fazer um golo.   - O Estoril de Fabiano Soares empatou pela segunda vez consecutiva em casa, onde já não perde precisamente desde a visita da Académica na época passada, a 22 de Fevereiro. São onze jogos de invencibilidade caseira na Liga, igualando o melhor registo de Fernando Santos, estabelecido entre Abril de 1992 e Janeiro de 1993. Marco Silva, por exemplo, nunca passou das dez partidas seguidas sem perder em casa. O recorde do clube na I Liga são 14 jogos seguidos sem derrota na Amoreira, fixado entre Maio de 1980 e Abril de 1982 (com uma interrupção devida à passagem pela II Divisão) por equipas comandadas por José Torres, Jimmy Hagan e Celestino Ruas.   - Ao vencer em Guimarães por 1-0, o Nacional pontuou pela primeira vez fora de casa esta época. O último ponto como visitante tinha sido em 18 de Maio, no encerramento da última Liga, quando foi ganhar ao Boavista por 1-0 no Bessa.   - O Marítimo ganhou em casa ao Rio Ave por 3-2 e pôs termo a uma série de cinco jogos seguidos com jogadores expulsos. Desde 13 de Setembro, quando ganharam em casa ao V. Setúbal por 5-2, que os verde-rubros não chegavam ao fim de um jogo da Liga com onze homens em campo.   - Dyego Souza (Marítimo) abriu o ativo no jogo com o Rio Ave com mais um golo de cabeça: o seu quinto nessas condições na Liga, o que o deixa como rei dos ares na competição, com mais uma finalização bem sucedida no futebol aéreo que Slimani.   - Zeegelaar (Rio Ave) marcou pelo terceiro jogo consecutivo pela primeira vez na sua carreira. Fez um golo ao Marítimo, depois de já ter marcado ao Nacional e ao Estoril. O holandês juntou-se assim aos setubalenses André Claro e Suk, ao estorilista Leo Bonatini e ao sportinguista Teo Gutièrrez como únicos jogadores a marcarem em três jornadas seguidas. Todos os outros pararam à quarta.   - O Moreirense ganhou por 2-0 ao Paços de Ferreira, obtendo à décima jornada a sua primeira vitória no campeonato. Não prolongou a agonia por tanto tempo como o Gil Vicente de 2014/15, que só ganhou à 16ª jornada.   - O argentino Battaglia esteve entre os goleadores desse jogo, recordando um momento feliz, pois já tinha sido ao Paços de Ferreira que marcara o seu primeiro golo na Liga portuguesa. Foi a 7 de Dezembro do ano passado e, tal como agora, o Moreirense ganhou por 2-0.   - Tiago Silva (Belenenses) marcou ao Tondela precisamente um ano depois do seu último golo na Liga portuguesa. Não marcava desde 9 de Novembro de 2014, na vitória dos azuis por 1-0 no terreno do Moreirense.   - Os 2-1 com que bateu o Tondela significaram a terceira vitória seguida do Belenenses em casa, algo que o clube já não conseguia desde Março, Abril e Maio de 2007, quando ganhou cinco jogos em sequência. Treinava essa equipa Jorge Jesus.   - O Tondela chega à 10ª jornada em último lugar, com apenas cinco pontos. As duas equipas que estavam assim tão mal (pior, na verdade) na época passada, acabaram por descer: o Penafiel tinha quatro pontos e o Gil Vicente três. A última equipa a salvar-se nestas condições foi o Gil Vicente de 2004/05: tinha cinco pontos à décima jornada e acabou a Liga em 13º, seis pontos acima da linha de água. Depois disso, todas as equipas que arrancaram tão mal como este Tondela desceram – além dos dois exemplos da época passada, aconteceu ainda ao Aves em 2006/07, à U. Leiria em 2007/08 e à Naval em 2010/11.   - Kritciuk, guarda-redes do Sp. Braga, continua a sua série de imbatibilidade. O russo, que só tem feito os jogos da Liga, já não sofre golos desde 21 de Setembro, quando foi batido na vitória por 5-1do Sp. Braga sobre o Marítimo. São já 502 minutos sem ir buscar a bola ao fundo das redes, incluindo as visitas a Guimarães e ao Dragão. Tem a mais longa série de imbatibilidade em curso na atual Liga e a maior de um só guarda-redes na história do Sp. Braga desde que Eduardo esteve 586 minutos sem sofrer golos entre Dezembro de 2009 e Fevereiro de 2010.
2015-11-10
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