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Os resultados de hoje nos Grupos C e D ajudaram bastante a definir o que vai passar-se com Portugal no último jogo do seu grupo, contra a Hungria. Na verdade, além de definirem o apuramento de Alemanha, Polónia (primeiro e segundo do Grupo C), Croácia e Espanha (primeiro e segundo do Grupo D), e de situarem a Irlanda do Norte e a Turquia como terceiros desses dois grupos, os jogos de hoje apuraram ainda a Eslováquia e a Irlanda Norte, que já sabem que não serão um dos dois piores terceiros. À entrada para o último dia da primeira fase, também a Hungria já sabe que mesmo perdendo com Portugal estará sempre apurada, enquanto que os portugueses e os islandeses ficaram a saber que um empate no último dia lhes garante também a passagem aos oitavos-de-final da competição. Assim sendo, já estão apuradas para os oitavos-de-final as seguintes equipas: França, Suíça, Gales, Inglaterra, Eslováquia, Alemanha, Polónia, Irlanda do Norte, Croácia, Espanha, Itália e Hungria. Falta definir quatro vagas, uma em cada grupo de amanhã, mais as de dois dos quatro melhores terceiros colocados. No que toca a Portugal, já se sabia desde o final da tarde que um empate com golos – sem ver mais de dois amarelos – garantia um dos quatro melhores terceiros classificados. Depois da jornada da noite, o crivo alargou: quando entrar em campo, amanhã, Portugal sabe que qualquer empate lhe garante os oitavos-de-final e sem ter de defrontar a Espanha nem a Alemanha. Se empatar, Portugal faz três pontos com diferença de golos neutra, o que já se sabe será sempre melhor que o score dos terceiros classificados dos grupos A (a Albânia, com três pontos e dois golos negativos) e D (a Turquia, com três pontos e igualmente dois golos negativos). O panorama que se desenha à frente da seleção de Fernando Santos é simples: se perder, é eliminada; se empatar e no outro jogo a Islândia ganhar, perder ou empatar também, mas marcando pelo menos tantos golos como os portugueses, qualifica-se como um dos melhores terceiros e joga no sábado, com a Croácia, em Lens; se empatar, mas no Áustria-Islândia se verificar um empate com menos golos, Portugal fica em segundo e joga na segunda-feira, em Nice, com a Inglaterra; por fim, se ganhar e a Islândia não ganhar à Áustria, joga no domingo em Toulouse, com o segundo classificado do Grupo E, que se calcula possa ser a Bélgica. O que já se sabe é que, suceda o que suceder no apuramento dos terceiros classificados, se torna impossível que a seleção nacional venha a enfrentar a Alemanha no domingo em Lille. Isso só aconteceria em cenários nos quais o terceiro do Grupo A (Albânia, com três pontos e diferença de golos negativa) se qualificasse, não estando o terceiro do Grupo B (Eslováquia, com quatro pontos) ou o terceiro do Grupo C (Irlanda do Norte, com três pontos e diferença de golos neutra). E tanto eslovacos como irlandeses estão já qualificados. É que a UEFA desenhou um esquema complicado para assegurar que as equipas não defrontam adversários do mesmo grupo antes das meias-finais e, ainda que só mesmo quando se souber quem são os quatro melhores terceiros classificados se possa definir os emparelhamentos finais, nove das 15 hipóteses possíveis de início já estão afastadas. Assim sendo, já é possível estabelecer quais serão alguns dos jogos dos oitavos-de-final. No sábado joga-se um Suíça-Polónia, Gales defrontará a Turquia, a Albânia ou a Irlanda do Norte e a Croácia enfrenta a Eslováquia, ou ainda o terceiro do Grupo E ou do Grupo F (que pode ser Portugal). No domingo, jogam-se mais três partidas: França contra a Irlanda do Norte ou o terceiro do Grupo E; Alemanha frente à Albânia ou à Eslováquia; e o vencedor do Grupo E ante o vencedor do Grupo F (que pode ser Portugal). Por fim, na segunda-feira, jogam-se as últimas duas partidas, a começar com um escaldante Itália-Espanha e a acabar com o confronto entre a Inglaterra e o segundo do Grupo F (que também pode ser Portugal).
2016-06-21
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Último Passe

Quando alguém perguntou a Fernando Santos se já sabia o onze que ia colocar em jogo frente à Islândia, o selecionador nacional disse que sim. Depois de um par de segundos de pausa, corrigiu: “Quer dizer… Mais ou menos”. Mesmo que Santos a tenha justificado com o facto de ainda ter um treino pela frente, a blague diz-nos sobretudo uma coisa: que não há dúvidas na cabeça do técnico acerca da utilização de Quaresma. Ou tudo não passa de bluff, no que sinceramente não acredito, ou o facto de este ser apenas o primeiro jogo da fase final e de face às facilidades crescentes de apuramento – passam dois, eventualmente três – levará Santos a fugir do risco que ponderaria assumir se tudo se decidisse nestes 90 minutos. Sem Quaresma – é mais avisado pensar assim – reentra no onze Nani, que não oferece à equipa o brilhantismo individual do atacante do Besiktas mas até é coletiva e taticamente mais fiável. Foi com Nani e Ronaldo que o esquema dos dois atacantes móveis melhor funcionou, nos jogos com a Bulgária e a Bélgica, ainda que seja legítimo que se diga que este já não é o Nani de Março. Porque está em pior momento de forma e também porque a perda do lugar na hierarquia pode ter deixado mazelas psicológicas num jogador que, ainda por cima, é mais frágil mentalmente que o sempre crente Quaresma. A Nani resta pensar uma coisa como fator motivacional: nem sempre se tem uma segunda oportunidade de causar uma boa primeira impressão e ele vai tê-la.   Em St. Etiènne para ver o Euro? Cheguei hoje a St. Etiènne e estive já no Geuffroy-Guichard, um estádio que estava no meu imaginário desde que, em criança, quando começaram a chegar a Portugal as primeiras revistas Onze (assim mesmo, sem o sufixo Mondial), imaginava como jogaria a equipa de Robert Herbin, dito a “Esfinge”. O primeiro dia em França foi também o primeiro dia em que não vi um único jogo do Europeu. Entre a viagem, os procedimentos burocráticos para a recolha da acreditação, as conferências de imprensa de Lars Lagerback e Fernando Santos e a necessidade de sair para jantar, foram-se as três partidas do dia. Isto não é novidade para mim, ainda que fosse bem diferente há 24 anos, quando acompanhei no local o meu primeiro Europeu. Em 1992, na Suécia, havia só oito equipas, muito menos jornalistas, maior espaçamento entre os jogos e muito menos confusão para se chegar perto dos jogadores e treinadores, aos quais hoje só se chega por interposta pessoa e depois de recolher senhas para isto e passes para aquilo. Não é um lamento, é uma constatação. Quanto ao futebol, pelo resumo pareceu-me que a Espanha jogou bem e talvez seja mais favorita do que eu esperava. E que a Itália, sendo uma máquina terrivelmente concreta, é tão favorita como eu presumia – nunca se deve riscar uma seleção italiana enquanto ela não se riscar a si mesma. E, por fim, que a Bélgica é tão pouco favorita como eu calculava. Ainda que, pelo que pude ir vendo nas vezes que espreitei para o ecrã gigante no meio da confusão do restaurante em que jantei, se Marc Wilmots de repente conseguir pensar um pouco fora da caixa aquela equipa tem muito para melhorar.   E os golos que não aparecem. O Europeu tem trazido grandes golos, mas poucos golos. O resultado mais frequente é o 1-0. Reflexos de um futebol cada vez mais defensivo? Também. Mas a minha teoria é outra. É reflexo, sim, de uma preocupação excessiva da UEFA com o peso do negócio. É verdade que o alargamento da fase final para 24 países permitiu a chegada a França de mais equipas sem tanta qualidade, abrindo a porta às goleadas. Mas o facto de 16 dessas 24 equipas passarem à fase seguinte faz com que muitas das grandes nações do futebol encarem os primeiros jogos como mero aquecimento para um Europeu que, na realidade, só começa daqui a pouco mais de uma semana: há jogadores a meio-gás, outros a ganhar ritmo. A UEFA consegue assim manter mais gente ligada durante mais tempo à competição, faz crescer as audiências globais, o dinheiro gasto em tudo aquilo que anda à volta do futebol, mas está a tornar esta primeira fase um deserto em termos atacantes.
2016-06-14
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Último Passe

Portugal conseguiu uma boa vitória sobre a Bélgica, por 2-1, numa partida em que mostrou menos capacidade para criar desequilíbrios na frente do que tinha feito contra a Bulgária mas onde, em contrapartida, se mostrou uma equipa muito mais segura e disciplinada do que na passada sexta-feira. No último jogo antes da escolha final dos 23 convocados por Fernando Santos, o selecionador deixou algumas pistas acerca não só acerca dos homens que tenciona levar para França mas também da evolução do modelo e da organização que tenciona aplicar quando a competição começar a apertar. A aposta na mobilidade na frente manteve-se, com Nani e Cristiano Ronaldo a funcionarem como os dois elementos mais avançados do esquema. Depois, no entanto, Santos acertou um pouco os equilíbrios na forma como escolheu quatro jogadores que são tendencialmente médios para jogar atrás destes dois avançados. Uma coisa é jogar contra uma Bulgária que só ataca pela certa e outra é fazê-lo contra uma Bélgica que assume o jogo e até acabou a partida com mais posse de bola do que Portugal. No primeiro jogo, Fernando Santos soltou João Mário e Rafa, neste chamou antes André Gomes em vez do atacante bracarense, levando a que a equipa não tivesse sempre tanta gente na frente e se colocasse de forma diferente no momento defensivo. Durante o jogo, mesmo mantendo o modelo, Santos ainda experimentou o 4x3x3, quando chamou Éder ao campo, e o 4x2x3x1, quando sentiu a necessidade de fechar o espaço à frente da sua área com a utilização simultânea de Danilo e William, para controlar uma Bélgica com cada vez mais gente na frente. O jogo, em certa medida, diferiu do de sexta-feira sobretudo na eficácia das finalizações nacionais. Os portugueses não foram exemplares, porém. Após um início em que os belgas pareciam querer monopolizar a bola, Portugal começou a acertar nas combinações ofensivas e, antes de Nani abrir o marcador, aos 20’, na sequência de um bom lance de Cristiano Ronaldo e André Gomes, já o guarda-redes Courtois se tinha oposto com qualidade a remates de João Mário, Adrien, Nani e Ronaldo. E antes de Ronaldo fazer o 2-0, aos 40’, após um excelente cruzamento de João Mário, já este tinha perdido uma ocasião claríssima, traído pela forma como fez a receção a um passe do CR7 que era meio golo. O 2-0 ao intervalo justificava-se, por isso, perfeitamente. Santos trocou então Adrien e João Mário, que já tinham sido titulares na sexta-feira (e essa dupla titularidade é seguramente uma pista acerca dos 23), por Renato Sanches e Bernardo Silva. E Portugal baixou a intensidade. Não tanto pelas substituições – ainda que Renato tenha parecido muito mais tímido do que nos jogos do Benfica, ganhando em disciplina tática o que perde em capacidade de explosão atacante – mas muito pela forma como a equipa decidiu gerir a vantagem. A Bélgica voltou a pegar no jogo e a entrada de Jordan Lukaku, dando profundidade ofensiva ao corredor esquerdo, colocou Portugal em sentido. Santos continuou a sua gestão, trocou Ronaldo e Nani por Quaresma e Éder e mudou para 4x3x3, com Danilo atrás de Renato e André Gomes no meio-campo, e Quaresma e Bernardo abertos no ataque. E foi nessa altura que a Bélgica marcou, numa combinação dos irmãos Lukaku, que Romelu concluiu de cabeça. Nessa altura, com meia-hora para jogar e já sem Ronaldo em campo, Marc Wilmots quis ir à procura do empate. Chamou Batsuayi para jogar perto de Lukaku na frente e Portugal tremeu até ao momento em que Fernando Santos mudou para o 4x2x3x1, com William Carvalho ao lado de Danilo como médios mais recuados (outra pista, a indicar que é possível tê-los em simultâneo em campo). Com a troca, a equipa portuguesa fechou o jogo e segurou o 2-1 até final, vindo mesmo a ter uma ou outra ocasião para ampliar a vantagem. Ainda assim, mesmo pela margem mínima, a vitória chegou para animar um pouco os semblantes, que tão carregados tinham saído depois da derrota com a Bulgária. Afinal, mesmo tendo em conta que à Bélgica faltavam vários titulares, a seleção deixou indicações de que pode ser competitiva.
2016-03-30
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