PESQUISA 

Último Passe

O empate (2-2) na longínqua Astana não foi um resultado fantástico para o Benfica, mas acabará certamente por cumprir os propósitos da deslocação, pois a não ser que o Galatasaray ganhe mais logo ao Atlético, em Madrid, os encarnados já aterrarão em Lisboa qualificados para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Depois, sendo verdade que a responsabilidade de ganhar era sobretudo do campeão português – que em condições nomais deveria sempre superiorizar-se ao campeão cazaque – a forma como o jogo correu e o facto de nem Atlético nem Galatasaray terem ali ganho fazem com que o resultado seja um mal menor, do qual até é possível retirar aspetos positivos, como o despertar de Jiménez ou a revelação de Renato. Os dois golos do Astana, a punir um início errático do Benfica – no qual se viram os mesmos defeitos de posicionamento e de construção que a equipa tem revelado muitas vezes quando quer assumir o comando dos jogos – fizeram pensar em catástrofe, porque ainda havia muito tempo para jogar, mas a equipa de Rui Vitória foi capaz de juntar as peças e de recuperar para um empate que não envergonha e que por isso mesmo a deixa em condições de acreditar que será capaz de ganhar em Braga, já na segunda-feira. Se depois o faz ou não já dependerá muito da erradicação dos tais defeitos, porque o Sp. Braga será seguramente mais capaz de capitalizar em cima desses problemas do Benfica do que foi um Astana que rebentou cedo demais para um jogo que tem 90 minutos. De Astana, ficam assim algumas boas notícias. Fica o despertar de Raul Jiménez. Dois golos são sempre dois golos e num jogo da Liga dos Campeões são seguramente um fator de motivação extra para os tempos mais próximos, quando se fala de um ponta-de-lança que tem sido o preferido de Rui Vitória sempre que joga com dois na frente mas que tão arredado das balizas tinha andado até aqui. E fica a exibição de Renato Sanches, a subir um patamar no seu plano de afirmação: já se tinha percebido que é capaz de queimar linhas e carregar a equipa às costas na II Liga portuguesa ou na UEFA Youth League, fê-lo agora num jogo da Liga dos Campeões. Foi contra o Astana, é verdade, pelo que faltará perceber se consegue subir ainda mais um patamar e reexibir credenciais contra o Sp. Braga, equipa mais intensa e taticamente competente, já na segunda-feira. Vontade não faltará a Rui Vitória de o experimentar.
2015-11-25
LER MAIS

Stats

Há muito que o Benfica sabia que não ia poder contar com Gaitán na viagem a Astana, porque o argentino foi expulso perto do final da receção ao Galatasaray. Novidade mais recente é a ausência forçada de Luisão, que se lesionou no dérbi da Taça de Portugal contra o Sporting. Será sem a sua maior estrela e sem o seu capitão e principal referência que os encarnados tentarão ganhar ao bicampeão cazaque para desde logo assegurarem a qualificação para os oitavos-de-final da Liga os Campeões sem dependerem do resultado do Atlético Madrid-Galatasaray, que se joga mais à noite. O precedente histórico é animador. Desde que Gaitán chegou ao Benfica, em 2010, só houve dois jogos europeus em que o Benfica não o utilizou a ele nem a Luisão. E não perdeu nenhum: venceu em casa o Spartak Moscovo por 2-0 na Champions de 2012/13 e, também na Luz, empatou sem golos com o Leverkusen, na edição do ano passado. Aliás, as ausências europeias de Gaitán – que marcou golos nas primeiras três jornadas da atual Liga dos Campeões – nem têm sido assim tão importantes, pois o Benfica nunca perdeu sem ele: em nove jogos, soma seis vitórias (4-3 ao Lyon, 2-0 ao Spartak Moscovo, 2-0 ao Anderlecht, 1-0 ao PAOK Salónica, 2-0 ao Alkmaar e 2-1 à Juventus) e três empates (0-0 com o Leverkusen e em Barcelona e 2-2 com o Tottenham). Mais complicada é a história no que toca às ausências de Luisão. No mesmo período, o capitão também faltou a nove partidas, das quais o Benfica só ganhou três: os 2-0 ao Spartak Moscovo já anteriormente mencionados, 3-2 ao Bordéus e 1-0 ao Otelul. Soma, de resto, dois empates (0-0 com o Leverkusen e com o Celtic, em Glasgow) e quatro derrotas (2-1 com o Chelsea, 2-0 em Barcelona, 2-1 com o Spartak Moscovo e 1-0 com o Fenerbahçe).   - Só a vitória permitirá ao Benfica assegurar a qualificação antes do Atlético de Madrid-Galatasaray, que se jogará à noite. Ganhando, o Benfica soma 12 pontos, garante pelo menos o segundo lugar do grupo e só perder o primeiro se o Atlético ganhar os dois jogos que lhe restam (Galatasaray em casa e Benfica fora). Empatando, os encarnados chegam aos 10 pontos e até podem qualificar-se enquanto viajam de regresso a Portugal, desde que à noite o Galatasaray não ganhe em Madrid – caso em que os turcos chegariam, no máximo, aos oito pontos. Nesse caso, aliás, até a derrota em Astana pode garantir a qualificação.   - O Astana, por seu turno, luta ainda pela entrada na Liga Europa. Se ganhar ao Benfica e beneficiar da derrota do Galatasaray em Madrid fica à frente dos turcos e ganha o direito a ir a Istambul decidir o terceiro lugar. Nesse caso, bastar-lhe-ia um empate.   - O Benfica procura o quinto jogo consecutivo a marcar pelo menos um golo, coisa que já não consegue desde Abril, quando encerrou na Luz, frente ao FC Porto (0-0), uma série de 22 jogos seguidos sempre com golos. Esta época, os encarnados encalharam ao quarto jogo de uma sequência no Dragão com o FC Porto (0-1) e ao quinto de outra na Luz contra o Sporting (0-3). Seguem neste momento com quatro jogos sempre a marcar: 4-0 ao Tondela, 2-1 ao Galatasaray, 2-0 ao Boavista e 1-2 com o Sporting.   - O Astana perdeu no sábado a final da Taça do Cazaquistão. Apesar de se ter colocado em vantagem, por Twumasi, viu o Kairat Almaty virar para 1-2 e perdeu assim a oportunidade de vencer a dobradinha, uma vez que a 8 de Novembro se sagrou bi-campeão nacional, ao vencer o Aqtobe por 1-0, graças a um golo de Kabananga, a 3’ do fim.   - O Astana é a primeira equipa do Cazaquistão a jogar a Liga dos Campeões. Chegou aqui depois de eliminar os campeões da Eslovénia (Maribor), da Finlândia (HJK Helsínquia) e de Chipre (Apoel Nicosia), ganhando sempre os jogos em casa. Na fase de grupos ainda não ganhou mas também não perdeu em casa: Galatasaray (2-2) e Atlético de Madrid (0-0) saíram de Astana com empates. A última equipa estrangeira a ganhar no Astana Arena foi o Villarreal, que ali venceu por 3-0 a 21 de Agosto de 2014.   - Stanimir Stoilov, treinador do Astana, jogou durante duas épocas no Campomaiorense, defrontando por duas vezes o Benfica. A 9 de Dezembro de 1995 perdeu por 2-0 na Luz (golos de Edgar e Marcelo, já na segunda parte) e a 14 de Abril de 1996 empatou a zero em Campo Maior. O Campomaiorense desceu de divisão, mas Stoilov ainda ficou por mais um ano.  
2015-11-24
LER MAIS

Último Passe

Onze minutos chegaram para reduzir a escombros o que tinha sido meio jogo de apatia e indiferença. Quando os seus jogadores finalmente se consciencializaram que para atacar é preciso moverem-se, saírem das posições, de forma a abrir a organização de quem defende, Gaitán abriu o livro e o Benfica resolveu o problema que lhe estava a ser colocado pelo Astana. Onze minutos depois, Mitroglou fechou o resultado. A vitória por 2-0 com que os encarnados resolveram a primeira jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões foi justa, mas dela resultam tanto sinais de satisfação como de preocupação. De satisfação porque há ali gente muito forte do ponto de vista individual, gente capaz de desequilibrar; de preocupação porque não fico com a certeza que o estatismo da primeira parte não seja mais programático ou estratégico do que fruto de um dia mau. O Benfica começou o jogo num 4x1x3x2 clássico e com saída de bola quase sempre feita pelas laterais. Tinha dois extremos (Gonçalo Guedes e Gaitán) cuja obsessão pela largura ficou bem à vista no momento do pontapé de saída, com cada um encostado à sua linha lateral. Tinha dois pontas-de-lança (Mitroglou e Jonas) muito metidos no corredor central e raramente procurando movimentos em direção aos médios ou aos extremos. E tinha dois médios-centro (Samaris e Talisca) que ou tinham bola e uma cortina de jogadores adversários à frente (e Talisca é inútil nesse tipo de futebol) ou viam o jogo de lado, sem conseguirem cobrir toda a extensão de campo que ia de um ala ao outro para deles se aproximarem. O 4x1x3x2 da primeira parte não só parecia demasiado rígido, como desprezava o fundamental deste esquema táctico – a profundidade dada ao jogo atacante pelos laterais. Como estavam sempre na saída de bola e a dirigiam ao extremo do seu lado, mas a este não eram dadas opções de passe pelos médios centro ou pelos avançados, os laterais não podiam dobrar os extremos em busca de profundidade ou fazer movimentos interiores, com receio que o momento de transição defensiva os apanhasse fora do lugar. Resultado: primeira parte lenta do Benfica (não é possível correr depressa se não se tem para onde) e confortável para o Astana, que nesse período foi mesmo capaz de dividir o jogo. A segunda parte foi diferente. Mitroglou procurou mais os corredores laterais e numa dessas movimentações criou condições para a aceleração de Gaitán que deu o 1-0: notável a forma como, com bola, o argentino conseguiu ser mais rápido que os três adversários que estavam na sua zona. Jonas fez mais desmarcações de apoio para o espaço entre as linhas defensiva e de meio-campo do Astana e numa delas lançou Eliseu no bico da área, para que este pudesse oferecer o 2-0 a Mitroglou. Aquilo que a segunda parte mostrou aos jogadores do Benfica é que é preciso correr, mas com noção exata de que se corre para criar um desequilíbrio. Se assim for – como foi depois do intervalo – as coisas podem correr muito melhor. Se a ideia for pura e simplesmente correr em frente, então mais vale estarem quietinhos.
2015-09-15
LER MAIS

Stats

Muitos benfiquistas ligam o desastre que foi a presença encarnada na Liga dos Campeões da época passada à impossibilidade de utilizar Jonas, que chegou depois de fecharem as inscrições para a fase de grupos. E, além de se ter dado bem na Liga dos Campeões quando representava o Valencia, Jonas vai com cinco jogos seguidos na Luz sempre a marcar golos. É nele que se se centram as esperanças encarnadas quando a equipa receber o Astana para a abertura da temporada europeia. A forma caseira de Jonas tem sido determinante para um Benfica implacável nos jogos na Luz. Desde o empate com o FC Porto (0-0) a 26 de Abril, os encarnados marcaram sempre pelo menos três golos como visitados: 4-0 ao Penafiel, 4-1 ao Marítimo, 4-0 ao Estoril, 3-2 ao Moreirense e agora 6-0 ao Belenenses. Jonas marcou em todos esses jogos: um ao Penafiel, dois ao Marítimo, outros dois ao Estoril, um ao Moreirense e mais dois ao Belenenses. Ficam os benfiquistas à espera que ele meta a sexta no desafio com o Astana. Até porque este conta para uma competição onde o brasileiro tem sido feliz. Ao todo, Jonas tem oito golos em 14 jogos para a Liga dos Campeões, tendo mesmo marcado na despedida, a 6 de Março de 2013, no empate (1-1) frente ao Paris St. Germain, que deixou os espanhóis fora de competição, nos oitavos-de-final. Além desse golo, Jonas fez ainda três ao Lille, um ao Bate Borisov (sempre em 12/13), dois ao Leverkusen e um ao Genk (estes em 11/12). Em 2014/15 não jogou competições europeias, fruto do quarto lugar do Benfica na fase de grupos da Liga dos Campeões, e em 2013/14 andou pela Liga Europa com o Valência, mas sem o mesmo rendimento: ao todo, em duas épocas a jogar a segunda competição da UEFA, marcou apenas duas vezes em 16 jogos.   - Jonas não é, ainda assim, o jogador do Benfica com mais golos na Liga dos Campeões. Aos oito do brasileiro responde o grego Kostas Mitroglou com 13, todos ao serviço do Olympiakos. Aliás, também Mitroglou marcou no último jogo que fez para esta competição: a vitória por 4-2 sobre o Malmö, em Dezembro do ano passado, que permitiu à equipa grega seguir para a Liga Europa. E se Jonas não fez mais do que bisar, numa circunstância, Mitroglou pode gabar-se de ter feito um hat-trick na Champions: foi a 2 de Outubro de 2013 que obteve todos os golos na vitória do Olympiakos por 3-0 frente ao Anderlecht em Bruxelas, desde logo deixando o Benfica (que fazia parte desse grupo) em maus lençóis.   - O Astana é a primeira equipa do Cazaquistão a jogar a Liga dos Campeões. Chegou aqui depois de eliminar os campeões da Eslovénia (Maribor), da Finlândia (HJK Helsínquia) e de Chipre (Apoel Nicosia). A equipa cazaque nunca ganhou fora, mas empatou dois dos três jogos que fez como visitante: 0-0 em Helsínquia e 1-1 em Nicosia.   - Stanimir Stoilov, treinador do Astana, jogou durante duas épocas no Campomaiorense, defrontando por duas vezes o Benfica. A 9 de Dezembro de 1995 perdeu por 2-0 na Luz (golos de Edgar e Marcelo, já na segunda parte) e a 14 de Abril de 1996 empatou a zero em Campo Maior. O Campomaiorense desceu de divisão, mas Stoilov ainda ficou por mais um ano.   - Twumasi (que está suspenso), Cañas e Dzholchiyev, com dois golos cada, são os melhores marcadores do Astana nos seis jogos que a equipa fez até chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões.   - O Astana não perde desde 14 de Julho, quando foi batido pelo Maribor, por 1-0. No último quarto-de-hora desse jogo atuou Luka Zahovic, que passou pelas camadas jovens do Benfica. Desde aí, os cazaques somam sete vitórias e dois empates, nas duas deslocações europeias que entretanto fizeram.
2015-09-14
LER MAIS