PESQUISA 

Artigo

Benfica e Sporting vão decidir o título de campeão nacional, na última jornada da Liga, sem Renato Sanches e Adrien Silva, os jogadores que são a alma dos respetivos meios-campos e que tão importantes foram na forma como as duas equipas aqui chegaram em condições de serem campeãs. Ninguém mereceria mais do que eles celebrar o título em campo mas, ocorra o que ocorrer no último dia, os patrões dos dois candidatos ao título terão de ficar a torcer por fora. E num dos casos – porque a Liga não pode ter dois campeões – vai ser “dia santo na loja”. Os jogos das duas equipas têm graus de dificuldade muito diferentes: o Benfica recebe o Nacional, enquanto que o Sporting visita o Sp. Braga. Mas festejará o final deste alucinante sprint quem souber ultrapassar melhor a ausência do coração do seu meio-campo. Renato Sanches foi fundamental na refundação do futebol do Benfica, dando à equipa a explosão de que ela necessitava para fazer a ligação do meio-campo a Jonas. Entrou na equipa quando o Benfica defendia o terceiro lugar face aos avanços do Sp. Braga e acabou por ajudar a carregá-la até esta situação privilegiada em que se encontra neste momento, com 19 vitórias nos últimos 20 jogos e a apenas mais uma do tricampeonato, pois lidera com dois pontos de avanço do Sporting. Ao mesmo tempo, Adrien foi um dos argumentos principais que o Sporting apresentou na época em que já garantiu a melhor pontuação da história e em que entra na última jornada em condições de ser campeão pela primeira vez desde 2007. O capitão dá ao meio-campo agressividade no momento da perda de bola, mas também a capacidade de aproximação à área em posse que lhe permite somar golos e assistências semana após semana. A verdade é que, mesmo sabendo-se que mais de metade do país preferirá contestar as arbitragens – e sim, o cartão amarelo a Adrien frente ao V. Setúbal é mal mostrado, da mesma forma que me parece injustificado o primeiro dos dois amarelos a Renato Sanches nos Barreiros –, os afastamentos dos dois jogadores têm a ver com aquilo que eles são neste momento. Pela forma agressiva como disputa cada duelo, Adrien é um jogador muito propenso aos amarelos. É, de longe, o elemento dos três grandes com mais cartões na Liga: soma 12, contra dez de Maxi Pereira, que é quem mais dele se aproxima, e nove de Eliseu, o benfiquista mais admoestado. Por sua vez, Renato Sanches é ainda um jovem bastante inexperiente, que não teve a necessária contenção depois de ter visto o primeiro amarelo e fez, minutos depois, uma falta que lhe valeu o segundo e podia bem ter deixado o Benfica em muito maus lençóis, tivesse o Marítimo condições para discutir o jogo. A culpa foi dos árbitros? Também. Mas a recusa em aceitar as próprias limitações é sempre um primeiro passo para adiar o crescimento. E nem Renato nem Adrien merecem isso. Em casa contra o Nacional, Rui Vitória não deverá ter muitas dúvidas na forma de formar o onze. Se tiver toda a gente em condições, será Talisca a substituir o jovem da Musgueira, até como forma de premiar o baiano pelo extraordinário golo de livre que marcou, a resolver definitivamente o jogo com o Marítimo – um golo semelhante ao que tinha feito ao Bayern, na Liga dos Campeões. Nestas circunstâncias, o treinador do Benfica não costuma inventar, antes acreditando muito na rotina que vai criando. Por sua vez, em Braga, contra uma equipa que até pode sentir a tentação de tirar o pé, a pensar na final da Taça de Portugal, mas que mesmo assim tem mais potencial e já criou muitas dificuldades ao Sporting – uma vitória na Taça e uma derrota tangencial na Liga, com 6-6 em golos no somatório dos dois jogos –, Jesus terá mais dúvidas para decidir. O grau de dificuldade do jogo sugeriria a aposta em Aquilani, que tem sido o substituto de Adrien em quase todas as ausências, mas o italiano não fez um minuto nas últimas quatro partidas e a boa prova de Gelson contra o V. Setúbal – dois golos – pode até aconselhar a sua manutenção em campo e a reentrada de João Mário para a zona central. É que a resposta usual de Jesus a momentos de dificuldade tem sido, este ano, meter mais gente na frente – e tem resultado. In Diário de Notícias, 09.05.2016
2016-05-09
LER MAIS

Stats

O Estádio José Alvalade está transformado numa espécie de local maldito para o FC Porto, que ali não ganha desde Outubro de 2008. A visita ao Sporting é aquela em que os dragões deixaram mais pontos nos últimos dez campeonatos: 19, ao todo, contra 17 na Luz e 15 nos Barreiros (já contando os dois que lá ficaram na temporada atual). Desde esse sucesso de 2008, o FC Porto já ganhou em todos os estádios do campeonato pelo menos uma vez. Foi Jesualdo Ferreira o último treinador dos dragões a ganhar em Alvalade, nessa quinta jornada da Liga de 2008/09. O FC Porto adiantou-se, por Lisandro López, João Moutinho empatou para os leões, na altura liderados por Paulo Bento, de penalti, e um livre de Bruno Alves permitiu a vitória azul-e-branca, por 2-1. Dos 28 jogadores que nesse dia estiveram em campo só resta nos dois clubes o guardião leonino Rui Patrício, que por esses tempos ainda estava a começar a impor-se na baliza do Sporting. Desde essa vitória, o melhor que o FC Porto conseguiu levar de Alvalade foram empates, ainda que um deles, um mês depois, lhe tenha permitido seguir em frente na Taça de Portugal, no desempate por grandes penalidades, depois de os 120 minutos de jogo não terem desempatado as duas equipas. Na Liga, o Sporting ganhou por 3-0 em 2009/10 (marcaram Yannick, Izmailov e Veloso), verificou-se um empate a uma bola em 2010/11 (golos de Valdés para os leões e Falcao para os dragões) e mais dois, ambos sem golos, em 2011/12 e 2012/13. Em 2013/14 ganhou o Sporting por 1-0 (golo de Slimani) e na época passada as duas equipas voltaram a empatar a um golo (Jonathan Silva adiantou os lisboetas, tendo os portistas empatado através de um autogolo de Sarr). Alvalade é assim o estádio da Liga onde o FC Porto não ganha há mais tempo. São já sete anos (e quase três meses), o máximo período de invencibilidade leonina em casa contra os portistas na Liga desde as décadas de 60 e 70. Nessa altura, os leões estiveram sem perder com o FC Porto em casa para o campeonato entre Março de 1963 (0-1, com golo de Serafim) e Dezembro de 1972 (0-3, com golo de Abel e bis de Flávio).   - O Sporting ganhou os últimos três jogos em casa pelo mesmo resultado: 3-1 ao Besiktas para a Liga Europa, ao Moreirense para a Liga portuguesa e ao Paços de Ferreira para a Taça da Liga. Além disso, os leões seguem com nove vitórias seguidas nos jogos em casa desde que perderam com o Lokomotiv, também por 3-1, na Liga Europa, a 17 de Setembro. No jogo com o FC Porto procuram a décima vitória caseira sucessiva, algo que não conseguem desde o final da época de 2011/12, quando a equipa de Ricardo Sá Pinto venceu consecutivamente os últimos onze jogos caseiros da temporada.   - O FC Porto, por sua vez, vem de uma derrota em casa frente ao Marítimo na Taça da Liga, por 3-1, sendo absolutamente regular nos últimos nove jogos disputados: ganha três e perde o quarto. Venceu Maccabi, V. Setúbal e Angrense antes da derrota com o Dynamo Kiev; bateu Tondela, U. Madeira e P. Ferreira antes de ceder ante o Chelsea; derrotou Nacional, Feirense e Académica antes de ser derrotado pelo Marítimo. Seguindo a série, agora é vez de ganhar.                - Julen Lopetegui nunca ganhou um jogo a Jorge Jesus e nunca viu sequer uma equipa sua marcar um golo a uma liderada pelo atual treinador leonino. Os dois só se defrontaram duas vezes, com o Benfica de Jesus a ganhar no Dragão por 2-0 e a empatar na Luz (0-0). Por sua vez, nos jogos com o Sporting tem uma vitória, um empate e uma derrota: ganhou por 3-0 na Liga, no jogo em casa, perdeu por 3-1 na Taça de Portuigal, também no seu estádio, e empatou a uma bola em Alvalade para o campeonato.   - Nos 19 jogos que fez pelo Benfica contra o FC Porto, Jorge Jesus tem saldo negativo: ganhou sete vezes e perdeu oito, empatando os quatro restantes. Antes de chegar ao Benfica, nunca tinha sequer ganho ao FC Porto, tendo no entanto conseguido empatar com Sp. Braga, Belenenses, Moreirense e Felgueiras.   - Aquilani e Gelson Martins marcaram ambos nas duas últimas partidas do Sporting em casa, contra o Paços de Ferreira e o Moreirense.   - André André estreou-se na Liga a jogar contra o Sporting, lançado por Rui Vitória num empate do V. Guimarães frente aos leões, em casa, a 19 de Agosto de 2012. O mesmo sucedeu a Evandro, que teve o primeiro odor a Liga portuguesa com a camisola do Estoril em Alvalade, noutro empate, a 29 de Setembro de 2012, lançado por Marco Silva.   - O equilíbrio tem sido a nota dominante nos últimos confrontos entre Sporting e FC Porto, pois desde 2012 que nenhum dos dois ganha dois jogos seguidos. Nesse ano, os dragões impuseram-se duas vezes consecutivas por 2-0 no Dragão: na 29ª jornada da Liga de 2011/12 e na sexta ronda da prova de 2012/13. Nas últimas duas épocas, houve sempre três jogos entre ambos, com divisão equitativa dos três resultados possíveis: duas vitórias para cada lado e dois empates.   - Hugo Miguel, o árbitro do clássico, ainda não viu uma vitória das equipas da casa nos seis jogos que apitou esta época. Dois desses jogos envolveram o FC Porto: o empate (1-1) com o Marítimo nos Barreiros e a vitória (2-1) contra o Rio Ave em Vila do Conde. O juiz lisboeta já não dirige um jogo do Sporting na Liga desde a vitória em Braga (1-0) na época passada. Com ele, o Sporting já perdeu duas vezes (no Estoril em 2012/13 e em Guimarães em 2014/15) em dez jogos, ao passo que o FC Porto segue invicto, com 13 vitórias e apenas um empate (o desta época, nos Barreiros) em 14 jogos.
2016-01-01
LER MAIS

Artigo

O Sporting ganhou ao Moreirense por 3-1, sentenciando a sétima vitória seguida desde a derrota com o Skenderbeu, na Albânia (3-0). É a melhor série da época e a melhor desde as oito vitórias consecutivas que a equipa de Marco Silva entre um empate com o Moreirense (14 de Dezembro de 2014) e uma derrota com o Belenenses para a Taça da Liga (21 de Janeiro).   - Com a vitória, os leões chegam à 13ª jornada com 35 pontos, fruto de 11 vitórias e dois empates. Este ainda é o seu melhor arranque no campeonato desde 1990, quando atingiram esta fase da prova com 12 vitórias e um empate. Na altura, com as normas de pontuação antiga, os resultados valeram 25 pontos, que seriam 37 com a vitória a três pontos.   - Rui Patrício e Stefanovic entraram em campo como os dois guarda-redes há mais tempo sem sofrer golos na Liga, mas ambos viram as séries interrompidas. O guardião leonino passou 538 minutos sem ir buscar uma bola ao fundo das redes, entre o golo de Josué (V. Guimarães, a 4 de Outubro) e o penalti de Rafael Martins. Bateu assim a melhor marca da atual Liga, que estava na posse do bracarense Kritciuk, com 505 minutos de imbatibilidade.   - Stefanovic, por seu turno, já não sofria golos desde que foi batido por Obiorah (Académica, a 1 de Novembro). Acumulou 374 minutos seguidos sem sofrer golos até ao tento de Gelson Martins, ainda na primeira parte do jogo de Alvalade.   - Gelson Martins fez nessa altura o seu primeiro golo no campeonato. Já tinha marcado por duas vezes, mas sempre noutras competições: nos 4-0 ao Vilafranquense, na Taça de Portugal, e nos 4-2 ao Lokomotiv Moscovo, na Liga Europa.   - Aquilani fez o primeiro golo de bola corrida pelo Sporting, pois os dois que tinha marcado até aqui tinham saído de grandes penalidades convertidas face à Académica e ao Skenderbeu. O italiano não fazia um golo de bola corrida desde 2 de Outubro de 2014, quando abriu o marcador numa vitória da Fiorentina sobre o Dynamo Minsk (3-0), na Liga Europa.   - Jorge Jesus mandou Slimani marcar um penalti, com Adrien em campo. Foi a segunda vez esta época que, estando em campo, Adrien foi preterido na marcação de uma grande penalidade: a anterior foi em Coimbra, contra a Académica, porque o médio já tinha falhado um pontapé dos onze metros nesse jogo. Na altura foi Aquilani o designado para bater.   - O Sporting aumentou para sete o total de penaltis de que beneficiou em 13 jornadas, mantendo-se como equipa que beneficiou de mais grandes penalidades e em linha nesse particular com a época de 2001/02, quando foi campeão pela última vez. Na altura, chegou ao fim das 34 jornadas com 17 penaltis a favor e também tinha sete à passagem da 13ª jornada.   - Em contrapartida, o Sporting já viu os árbitros apitarem-lhe três penaltis contra. Só o Marítimo, com cinco, e a Académica, com quatro, foram tão penalizados como os leões.   - Rafael Martins, que marcou esse penalti, fez um golo ao Sporting em Alvalade depois de já ter feito outro ao Benfica na Luz. Não jogou contra o FC Porto em casa, mas ainda terá a oportunidade de completar o ramalhete na visita ao Dragão, na segunda volta. Em 2013/14, na sua época de estreia em Portugal, pelo V. Setúbal, marcou aos três grandes.   - Slimani falhou um penalti, ainda que marcando o golo na recarga, o que lhe permitiu marcar pelo segundo jogo consecutivo pela terceira vez esta época. Foi ainda a primeira vez que marcou em dois jogos seguidos em Alvalade depois de o ter feito a Boavista e Sp. Braga em Abril e Maio.
2015-12-14
LER MAIS

Último Passe

Jorge Jesus inverteu a sua lógica de poupanças, usou a equipa titular contra o Besiktas, onde o Sporting assegurou a continuidade na Liga Europa, e poupou alguns titulares no desafio com o Moreirense, ganhando-o na mesma, por 3-1, e mantendo a liderança na Liga, mesmo que o FC Porto acabe mesmo por ganhar o seu jogo com o Nacional na Choupana. E se na quinta-feira esteve à beira do falhanço que podia pôr os dois objetivos em causa – perdia a meia-hora do fim um jogo que tinha de ganhar, desgastando a equipa titular – hoje pôde gerir com toda a tranquilidade uma partida que se pôs fácil ainda durante a primeira parte. Tranquilidade a mais, até, numa ponta final que quase complicava os objetivos do treinador. Jesus tinha três objetivos para estes dois jogos: ganhá-los e nivelar o esforço do plantel, poupando os tradicionalmente mais sacrificados e dando rodagem a quem dela precisava, já a pensar na Taça de Portugal, quarta-feira, em Braga. Ora, tirando Rui Patrício, Naldo, Ruiz e Slimani, nenhum leão cumpriu mais de jogo e meio nas duas partidas. O guarda-redes não está assim tão sujeito a esforço físico, Naldo até pode ficar de fora em Braga, Slimani é fisicamente muito forte e, de Ruiz, Jorge Jesus espera sempre superação total, pelo que não será difícil de perceber que as coisas lhe correram exatamente como ele queria, sem desvios ao planeado. Contra o Moreirense, o Sporting entrou tal como o vem fazendo ultimamente: sem chama ofensiva, a beneficiar os equilíbrios. Tinha superioridade territorial mas sofria par criar situações de golo, até que marcou dois na ponta final do primeiro tempo: primeiro Gelson, de livre indireto trabalhado no laboratório; depois Aquilani, num raro lance em que os dois médios-centro apareceram envolvidos até ao fim num movimento ofensivo, pois a assistência para golo foi de Adrien Silva. Com o 3-0, marcado antes da hora de jogo por Slimani, na recarga a um penalti que o treinador quis que fosse ele a bater mas que ele começou por falhar, o Sporting tinha o jogo resolvido, e Jesus passou para o modo gestão. Trocou os dois médios e, ao fazê-lo, perdeu o controlo da partida para um Moreirense que sabe jogar a bola e que, para já, fez golos a Benfica (2-3), FC Porto (2-2) e Sporting (1-3). Desta vez a reação final não lhe valeu pontos, mas chegou para interromper a série de jogos dos leões com a baliza a zeros na Liga: o Moreirense marcou por Rafael Martins, de penalti, mas ainda obrigou Rui Patrício a duas grandes defesas nos últimos dez minutos, mostrando que há limites para a gestão. Não a que é feita pelo treinador, mas a que fazem os homens que estão em campo.
2015-12-13
LER MAIS

Último Passe

O empate do Sporting em Istambul com o Besiktas (1-1) não foi um resultado mau de todo, mas acabou por ser muito pior do que aquele que poderia ter obtido uma equipa leonina que vem repetindo jogos de mais a menos e que cada vez faz mais pensar nas implicações da reinvenção daquilo a que poderia chamar-se “estilo Jesus”. Mantendo a distância de três pontos para o Besiktas, que ainda vão receber no seu estádio, e numa altura em que encaram a jornada dupla com os albaneses do Skenderbeu, a equipa mais fraca do grupo, os leões só têm de pensar que, suceda o que suceder nos desafios entre os turcos e o Lokomotiv, duas vitórias na terceira e quarta jornadas provavelmente os colocarão em lugar de apuramento com duas jornadas por disputar. Resta saber se o desinvestimento que Jorge Jesus tem vindo a fazer na Liga Europa, poupando jogadores importantes, permitirá a obtenção dessas vitórias fundamentais para as aspirações do leão europeu. “Mas isso nem é novidade”, argumentarão os que conhecem o histórico de Jesus no que toca a rotatividade em jogos europeus face à ausência do onze de Jefferson, Adrien ou Slimani, além do lesionado Paulo Oliveira. E não é, de facto. A única novidade quando se compara este Sporting com equipas de Jesus tem sido a baixíssima intensidade com que este Sporting está a jogar as segundas partes. Em Istambul, mais uma vez, o Sporting teve ocasiões mais do que suficientes para resolver a partida – tarde muito desastrada de Téo Gutiérrez, que perdeu três golos cantados – e acabou com o credo na boca para segurar o empate que lhe permitiu manter-se vivo. Na segunda parte, o que se viu foi uma equipa desligada, a jogar devagar, com espaços enormes entre linhas a facilitar o ataque turco à área de Rui Patrício e perdas de bola no início da fase de construção quase sempre não provocadas por um Besiktas que parece perfeitamente ao alcance dos leões. Não ajudou, nessa altura, ter em campo jogadores que até são taticamente cultos e rápidos a pensar mas lentos nas movimentações, como Ruiz ou Aquilani. Mas é aí que aquilo que tem sido o processo de construção deste Sporting de Jesus leva a pensar que o treinador está a reinventar o seu estilo – e não é só por de repente ter começado a lançar miúdos da formação. Se a substituição do futebol vertiginoso que jogava o Benfica por um jogo muito mais contemporizado tem a ver com a presença de Aquilani e Ruiz entre as opções, ainda se percebe: com eles não dá para se jogar a 200 à hora. Mas quando a velocidade e o sentido de baliza que Carlos Mané voltou a mostrar em Istambul é constantemente ignorada, já permite que se desconfie que a ideia seja programática.
2015-10-01
LER MAIS

Artigo

- Maicon marcou, de livre direto, ao Estoril, o 11º golo pelo FC Porto e o primeiro que não foi obtido de cabeça. Os dez anteriores tinham sido todos na sequência de livres laterais ou cantos de Belluschi, João Moutinho, Hulk, James Rodríguez e Carlos Eduardo. A exceção a esta regra foi um golo de livre direto na única ocasião em que o central brasileiro representou a equipa B portista: a 3 de Fevereiro de 2013 surpreendeu João Pinho e marcou, quase de meio-campo, um livre à Oliveirense que ajudou a uma vitória por 3-1.   - Aboubakar marcou nos últimos três jogos do FC Porto em casa. Bisou ao Penafiel nos 2-0 com que os dragões encerraram a última Liga, repetiu a graça nos 3-0 aplicados ao V. Guimarães na abertura da atual e agora abriu o marcador nos 2-0 ao Estoril.   - Ao manter a baliza inviolada contra o Estoril, Iker Casillas voltou a contribuir com mais 90 minutos para o alargamento da série de imbatibilidade dos dragões nos jogos da Liga disputados em casa. São já 1125 minutos que Fabiano, Helton e agora Casillas levam sem sofrer golos em casa para a Liga, desde o segundo tento de Lima, na vitória do Benfica por 2-0, no Dragão, em Dezembro. O próximo jogo dos portistas em casa será precisamente contra o Benfica e, nele, bastarão três minutos para superar a série de 1127 estabelecida por Vítor Baía em 1995/96.   -O FC Porto fez apenas oito remates à baliza do Estoril durante os 90 minutos. O valor é um mínimo desde o empate no Restelo, como o Belenenses, que valeu o título ao Benfica na penúltima jornada da temporada passada, mas para encontrar um total tão baixo num jogo em casa é preciso recuar a 6 de Abril de 2014, quando os dragões bateram a Académica em casa por 3-1 rematando as mesmas oito vezes.   - O Estoril vai com cinco jogos seguidos sem sequer marcar golos no terreno dos grandes. Os 2-0 de sábado frente ao FC Porto somam-se aos 4-0 que encaixou na Luz face ao Benfica na abertura desta Liga e a mais três jogos negativos em 2014/15: 6-0 na Luz, 5-0 no Dragão e 4-0 em Alvalade. Tudo a seguir à melhor época da história do clube neste particular, por em 2013/14 ganhou fora a FC Porto e Sporting pelo mesmo resultado: 1-0.   - O Benfica virou frente ao Moreirense, de 0-1 para o 3-2 final. Foi a primeira reviravolta no marcador dos encarnados desde 8 de Março, quando venceram fora o Arouca por 3-1, depois de ter estado a perder por 1-0. Ponto em comum aos dois jogos é Iuri Medeiros, que em Março marcou o golo do Arouca e no sábado foi titular do Moreirense.   - Samaris marcou o primeiro golo com a camisola do Benfica. A última vez que tinha festejado em nome individual foi a 9 de Março de 2013, quando fez o golo do Olympiakos numa derrota (1-2) em Salónica com o PAOK.   - Jonas fez golos nos últimos quatro jogos do Benfica na Luz. Marcou o tento da vitória frente ao Moreirense, mas antes já tinha feito dois nos 4-0 ao Estoril, outros dois nos 4-1 ao Marítimo na festa do último título nacional e um nos 4-0 ao Penafiel. Não fica em branco na Luz desde 26 de Abril, quando o Benfica empatou a zero com o FC Porto.   - Raul Jiménez precisou de apenas dois jogos para marcar um golo no Benfica. No Atlético de Madrid, só marcou ao sétimo: contribuiu para os 4-0 com que os colchoneros ganharam ao Sevilha, a 27 de Setembro. O problema, porém, é que não marcou mais nenhum no que restou da época passada.   - Este Benfica-Moreirense foi fiel à história recente das duas equipas. Já são quatro jogos seguidos para a Liga com o mesmo resumo: o Moreirense marca primeiro e o Benfica acaba por ganhar. Os três jogos anteriores (a última jornada de 2013/14 e as duas partidas de 2014/15) tinham acabado com 3-1 favorável aos encarnados. Desta vez ficou 3-2.   - A última equipa a marcar duas vezes na Luz tinha sido o Sp. Braga, que ali ganhou por 2-1 nos oitavos de final da Taça de Portugal da época passada. Se contarmos só jogos da Liga, a última equipa a consegui-lo foi o Arouca, que ali empatou (2-2), a 6 de Dezembro de 2013.   - Rafael Martins já tinha marcado ao Benfica na última vez que tinha defrontado os encarnados, em Maio de 2014. Se no sábado abriu o placar, nessa altura fez de grande penalidade o golo que valeu o empate (1-1) ao V. Setúbal.   - A vitória do Sporting em Coimbra por 3-1 significa que tanto o clube como Jorge Jesus mantêm a série positiva nas visitas à Académica. Os leões não perdem em Coimbra desde 8 de Maio de 1977, enquanto que Jesus nunca ali perdeu como treinador.   - Aquilani fez de grande penalidade o primeiro golo com a camisola do Sporting. Não marcava desde de 2 de Outubro de 2014, quando abriu o placar numa vitória da Fiorentina em Minsk (3-0), a contar para a Liga Europa.   - Adrien falhou a primeira grande penalidade desde que, a 11 de Maio de 2014, na jornada de despedida da Liga, permitiu a defesa a Vagner (Estoril). Desde então e até acertar agora no poste da baliza de Lee, marcou a Schalke, Estoril, Marítimo, V. Guimarães, Sp. Braga e Tondela.   - O Sporting viu ser-lhe assinalada uma grande penalidade contra pelo segundo jogo consecutivo na Liga. Não lhe acontecia semelhante coisa desde Outubro e Novembro de 2013, quando perdeu (1-3) no Dragão com o FC Porto e ganhou (3-2) em casa ao Marítimo, sempre com golos sofridos de penalti. Ponto em comum é o árbitro Bruno Esteves, que tinha estado nesse Sporting-Marítimo.   - Bruno Esteves nunca tinha assinalado três grandes penalidades no mesmo jogo da Liga, mas já tinha marcado duas. Foi a 4 de Novembro de 2011, num empate caseiro do Sporting com a Naval, em que começou por apontar para a marca dos onze metros quando Evaldo derrubou Marinho, permitindo aos figueirenses empatar a uma bola, mas depois marcou uma mão de Camora na área, que Postiga converteu no 2-2 momentâneo.   - O último jogo com três penaltis na Liga também tinha sido em Coimbra. Foi o Académica-Gil Vicente, a 25 de Abril último, e os gilistas ganharam por 2-1, com golos de penalti de Ruben Ribeiro e Cadu, a responder a outro penalti de Rui Pedro. O árbitro era Soares Dias. Na época passada houve mais dois jogos com três penaltis: o Estoril-Penafiel (apitado por Tiago Martins) e o Paços de Ferreira-V. Setúbal (Luís Ferreira).   - Fernando Alexandre, expulso pelos dois penaltis cometidos, não via um vermelho desde 11 de Setembro de 2011, quando João Ferreira o expulsou imediatamente antes do intervalo de uma derrota do Olhanense, em casa, contra o Feirense (1-2).   - Além de FC Porto e Sporting, há mais cinco equipas que ainda não perderam nesta Liga: Rio Ave, V. Setúbal, Arouca, Paços de Ferreira e Belenenses. Para os vila-condenses não há grande novidade, uma vez que também não tinham perdido nas três primeiras rondas da época passada e, à 3ª jornada, até lideravam a classificação, mas para o Arouca a sensação é de novidade absoluta, pois nunca por tal tinha passado. O Paços de Ferreira tinha conhecido este arranque em 2012 (e acabou a Liga em terceiro lugar), mas os históricos V. Setúbal e Belenenses já mal se lembram de tal coisa. A última vez que tal sucedeu aos sadinos foi em 2007 (três empates a abrir deram um sexto lugar no final), enquanto que os belenenses têm de recuar até 2004 e a uma Liga que acabaram em nono lugar.   - André Claro, do V. Setúbal, foi o único jogador a marcar golos nas três primeiras jornadas da Liga. O último a conseguir fazê-lo tinha sido Jackson Martínez, que na época passada fez golos a abrir a Marítimo, Paços de Ferreira e Moreirense (dois). Mas para encontrar um português que o tenha feito é preciso recuar a 202, quando o benfiquista Simão marcou consecutivamente a Beira Mar, Moreirense e U. Leiria.   - Ao estabelecer o empate do Rio Ave em Setúbal (2-2), o veterano André Vilas Boas marcou o primeiro golo em 124 jogos na Liga. Misturando todas as competições, só tinha um golo na Taça de Portugal, um na II Liga e outro na II Divisão B. O último tinha sido a 20 de Outubro de 2013, na vitória (3-0) dos vila-condenses fora sobre o Esperança de Lagos.   - O Tondela ganhou pela primeira vez na Liga ao terceiro jogo neste escalão, batendo o Nacional por 1-0. Repetiu a performance do último estreante, o Arouca, que também se impôs pela primeira vez à terceira jornada em 2013, batendo na altura o Rio Ave pelo mesmo score. Pior correu a vida ao Trofense, o estreante anterior: perdeu os primeiros cinco jogos, empatou o sexto e só ganhou à sétima tentativa, batendo fora o V. Setúbal por 2-0.   - Bruno Moreira, que fez o golo do Paços de Ferreira no empate frente ao Arouca, não marcava desde que defrontou… o Arouca. Tinha feito dois dos três golos com que os pacenses venceram fora este mesmo adversário (3-1), a 26 de Abril.   - Rafael Bracalli, guarda-redes do Arouca, liderava a única defensa ainda sem golos sofridos na Liga, mas ainda assim falhou por 13 minutos o seu melhor início de época. Ainda que este tenha sido estabelecido quando era suplente do FC Porto e só atuava em partidas da Taça de Portugal e da Taça da Liga. Os 183 minutos em que manteve a baliza do Arouca inviolada até ao golo de Bruno Moreira só são ultrapassados no seu registo pessoal pelos 196 que durou essa mesma imbatibilidade na baliza do FC Porto em jogos com Pero Pinheiro, Académica e… Paços de Ferreira.   - Alan marcou, na vitória (4-0) sobre o Boavista, o seu 50º golo pelo Sp. Braga. Foram 30 na Liga, dez nas provas da UEFA, sete na Taça da Liga e três na Taça de Portugal. O primeiro acontecera a 23 de Outubro de 2008, na vitória por 3-0 sobre o Portsmouth.   - O U. Madeira-V. Guimarães foi o primeiro jogo sem golos na atual Liga. Aconteceu à 27ª partida, no encerramento da terceira jornada. Na época passada tinha sucedido à 18ª, num Moreirense-Sp. Braga que também fechava a segunda ronda (e também a uma segunda-feira à noite). Há dois anos, em contrapartida, o primeiro 0-0 só aparecera ao 42º jogo, um Académica-Arouca da sexta jornada. Para que se faça uma comparação, a Liga espanhola teve quatro 0-0 na primeira jornada e mais dois na segunda, enquanto que na Premier League inglesa o primeiro nulo surgiu na segunda ronda e na Bundesliga alemã tal só aconteceu à terceira. Em Itália, as primeiras duas semanas de competição ainda não proporcionaram nenhum 0-0  
2015-09-01
LER MAIS

Último Passe

Os 2-1 com que o Sporting bateu o CSKA na primeira mão do playoff da Liga dos Campeões estão muito longe de ser um resultado perfeito, mas se a equipa verde e branca preferiu adotar uma abordagem conservadora e segura para os minutos que se seguiram ao golo de Slimani em vez de tentar capitalizar sobre a euforia na busca de um terceiro golo é porque o seu treinador acredita que pode marcar pelo menos uma vez em Moscovo. A eliminatória continua tão difícil como já se sabia que iria ser, mas o acesso aos milhões continua na base dos 50% para cada lado. Jorge Jesus disse no fim que este foi o melhor jogo que a equipa no que leva da época. Não me pareceu. É verdade que o Sporting fez coisas boas, sobretudo nos 25 minutos iniciais, mas a forma como baixou a intensidade defensiva após chegar ao 1-0 foi comprometedora. Falta a esta equipa a capacidade para mexer como quer nos ritmos do jogo, para baixar a velocidade do ataque e manter a intensidade defensiva, porque assim que esta baixa também surgem os espaços a meio-campo e os adversários passam a poder lançar gente nas costas de uma defesa subida ou, em rápidas variações de flanco, conseguem deixar os extremos do flanco oposto em lances de um para um com o lateral que os acompanha. O puzzle só se resolveu quando o próprio CSKA perdeu rapidez de execução. E aí, com o jogo bem mais fechado, viu-se a tal qualidade de ataque posicional de que falava Jesus. Percebeu-se que Aquilani pode ser uma grande ajuda, pela visão de jogo que empresta à equipa, ou que Mané e Gelson são acrescentos de inventividade a um sector (a linha de apoio ao ponta de lança) que o treinador pode travestir de diversas formas. Foi a derivação de Carrillo da direita para o meio que se revelou decisiva, num lance em que o peruano lançou Slimani para o golo.
2015-08-18
LER MAIS

Último Passe

Alberto Aquilani sabe tudo o que é preciso saber sobre futebol. É um médio de amplos recursos técnicos, do passe curto ao longo e sobretudo ao remate de fora da área. Maneja bem os ritmos de jogo, algo a que não é estranha a experiência que foi acumulando ao serviço de vários grandes de Itália. Mas - e nestas coisas, quando não se fala de um dos clubes mais ricos da Europa há quase sempre um mas - algo o impediu de se afirmar, por exemplo, no Liverpool. Terá sido isso, alguma falta de continuidade, aliada ao facto de não ter feito golos na última Série A, que o trouxe para Portugal. A questão é perceber até que ponto isso pode ser um problema real para quem nele apostou. Tal como acerca de Bryan Ruiz, a quem Jesus já não pode esperar ensinar muita coisa sobre futebol, as dúvidas que podem colocar-se acerca da contratação de Aquilani têm muito mais a ver com a resposta que o jogador possa vir a dar no plano físico do que com argumentos técnicos ou táticos. E se por um lado se sabe que a exigência do futebol em Portugal não é tão alta como em Itália ou, sobretudo, em Inglaterra, por outro há uma certeza nas equipas de Jesus: a meio campo só entra quem consiga jogar a 200 à hora. Por isso, se sempre achei a contratação de Kevin Prince Boateng desadequada (o ganês sempre foi pouco mais que um acelerador), a de Aquilani tem menor margem de risco desportivo. É que com Jesus ele só jogará se tiver resolvido a única mancha visível na expectativa acerca do seu rendimento. Se a não resolver, o risco não é desportivo - é financeiro. Custe ele um ou dois milhões por época.
2015-08-06
LER MAIS