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Artigo

A notícia do pedido de uma reunião ao Conselho de Arbitragem por parte do Benfica é tão ou tão pouco significativa para o rumo do campeonato que os tricampeões eram até aqui o único dos três grandes que ainda não tinha solicitado um encontro com o órgão presidido por Fontelas Gomes. Agora, que a Liga aqueceu e se aproxima dos momentos decisivos, enquanto os benfiquistas vão alegando que a pressão dos Super Dragões sobre Soares Dias foi fulcral para a aproximação entre os dois emblemas na tabela, os portistas respondem que é o Benfica quem está com medo e a tentar coagir os árbitros. Nunca chegarão a consenso e por isso prefiro falar de futebol, das razões que estão por trás da preparação do sprint final que se adivinha e que passam muito pela alteração estrutural que o mercado de Janeiro permitiu. Muita gente pergunta: mas que raio, será Soares um jogador assim tão fenomenal que justifique, por si só, a transformação do FC Porto ofensivamente inoperante de há uns meses num candidato ao título? Caramba, o homem andou pelo Nacional e pelo V. Guimarães e ninguém reparava assim tanto nele... A questão é que no futebol o que vale mais são as ideias e em segundo lugar as peças que são capazes de as fazer funcionar. Se colocarmos de lado fenómenos como Ronaldo ou Messi, que quase ganham os jogos sozinhos, o que garante vitórias são as ideias e a capacidade de as colocar em prática. Com a chegada ao Dragão de Soares, viu-se finalmente a ideia de Nuno Espírito Santo, uma ideia à qual Depoitre nunca conseguiu dar corpo. Soares não é um craque de nível estratosférico, mas consegue ser a perna que faltava no boneco que o treinador tentou desenhar há tempos na sala de imprensa, o pilar que mantém esse boneco em pé, porque dá à equipa a presença e a profundidade de que esta precisava para o jogo mais direto que ela tentava praticar. É preciso enquadrar o futebol do FC Porto naquilo que os seus jogadores tinham dentro da cabeça. Passaram de um ano para o outro de um futebol que privilegiava a posse e de decisões que conduziam a equipa inevitavelmente para o ataque organizado em detrimento do ataque rápido ou do contra-ataque para outro tipo de jogo, com linhas mais juntas e procura mais rápida da profundidade. Nuns jogos sofriam porque a cabeça lhes fugia para as ideias antigas, noutros porque não tinham quem fosse buscar essa profundidade – André Silva é mais móvel na largura, procura bem a faixa, mas quase nunca ataca o espaço nas costas da defesa adversária – noutros ainda porque era o adversário quem, jogando muito atrás, roubava essa mesma profundidade e exigia ao FC Porto outros argumentos que esta equipa não tinha, como a presença na área para aproveitar os cruzamentos que ainda ia fazendo. A equipa melhorou primeiro com Jota, porque o simples facto de ter um repentista em campo já lhe permitia buscar o espaço atrás da defesa adversária. Mas vivia entre dois fogos: ou procurava essa profundidade na criatividade dos extremos e na sua capacidade de furar linhas no um para um ou tentava assumir o jogo com reforço do meio-campo, dando um passo para cada lado e acabando por trocar os pés. Soares não resolveu todos os problemas, porque este FC Porto ainda tem de entender como se exprime melhor. Se com dois extremos puros, apostando na vertigem mas arriscando perder o controlo dos jogos se os adversários souberem envolver-lhe o meio-campo com três homens no corredor central – porque André Silva tem disponibilidade para correr sem parar mas não deve pedir-se-lhe que seja ele a estabelecer equilíbrios atrás – se com dois médios de coração a partir das alas, apostando na consistência mas perdendo chispa atacante – porque Herrera e André André pensam mais na bola do que no espaço e isso trava a equipa. Otávio é uma solução de compromisso entre as duas facetas, mas ainda precisa de rodagem para estar verdadeiramente pronto. Na forma que Nuno Espírito Santo encontrar para resolver este dilema estará a resposta para o que vai ser da equipa já na eliminatória com a Juventus e, depois, no sprint que se adivinha com um Benfica que perdeu fulgor mas poderá recuperá-lo com Zivkovic, com o regresso do melhor Pizzi ou com a entrada de Jonas, que ainda está por chegar a este campeonato. 
2017-02-19
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Último Passe

Foram o FC Porto e Nuno Espírito Santo que ganharam ou foram o Sporting e Jorge Jesus que perderam? Como sempre, na sequência de um clássico, onde as duas formas de olhar para o jogo assumem igual protagonismo, esta é a pergunta que muitos fazem. A resposta é simples: ambas as afirmações são verdadeiras. Nuno Espírito Santo começou a ganhar o jogo quando apostou em Soares e numa frente de ataque alargada, mas só o ganhou mesmo graças ao compromisso defensivo revelado por jogadores como Corona e Brahimi. E Jorge Jesus começou a perdê-lo, não tanto na aposta-surpresa em Matheus Pereira, mas mais na falta de William Carvalho e na insistência em Bryan Ruiz pelo corredor central, como segundo avançado, quando ainda não ganhou um jogo verdadeiramente competitivo com o costa-riquenho a jogar naquela posição. Soares foi o homem do jogo, pelos dois golos que marcou, mas sobretudo pela volta que permitiu dar ao futebol do FC Porto. Com Soares, o FC Porto pôde mudar para um 4x4x2, porque passou a ter um avançado de referência, com escola a jogar de costas para a baliza, a cobrir a bola, mas que ao mesmo tempo tem finalização e explosão. Talvez fosse isso que o treinador tinha em mente quando contratou Depoitre, mas a verdade é que esses trunfos chegaram com seis meses de atraso. Com Soares na frente, André Silva passou a ser menos massacrado – ainda que ao mesmo tempo tenha perdido protagonismo – e a equipa pôde juntar dois pontas-de-lança a dois extremos puros, como Corona e Brahimi, não perdendo em termos defensivos. Pelo contrário… A diferença para a equipa que atacou no Estoril, há uma semana, com André Silva, Jota, Herrera e André André foi abissal em termos de resultados práticos, mas também de modelo de jogo: o FC Porto de hoje apostou num jogo mais direto, na busca mais rápida da profundidade, juntando linhas atrás e vivendo muito do comportamento defensivo rigoroso dos dois alas, que estiveram sempre bem nos momentos de transição, reduzindo o espaço ao Sporting para atacar. Claro que muito disto teve a ver com o golo madrugador de Soares, obtido logo aos 6’, que permitiu ao FC Porto gerir a vantagem e ao Sporting obter superioridade estatística, porque lhe coube desde cedo a necessidade de recuperar no marcador. E aqui é onde entram os defeitos leoninos. Seria fácil vir agora criticar a aposta surpresa em Matheus Pereira – um minuto jogado na Liga antes de ser titular no Dragão – mas a verdade é que sem ter sido brilhante, não foi por ele que o Sporting começou a claudicar. O início da queda teve a ver com a falta de rotinas de Palhinha com a equipa, mas o essencial passou pela noite má de Zeegelaar e por mais uma manifestação de incapacidade de Bryan Ruiz para jogar como segundo avançado, pelo meio, em jogos onde o patamar de exigência e de competitividade aumentam. Em suma, Jesus não perdeu por ter inventado, como amanha vamos ler um pouco por todo o lado. Perdeu por insistir em soluções que já lhe tinham custado pontos em várias outras situações. É muito por aqui que se explica o jogo. Adiantou-se o FC Porto logo aos 6’, por Soares, num lance onde a criatividade de Corona se juntou ao comportamento insuficiente de Zeegelaar, que o deixou cruzar, e onde depois a eficácia do avançado recrutado ao V. Guimarães veio combinar com a falta de rotina de Palhinha com Coates e Ruben Semedo: os dois centrais definiram bem o momento da subida, um segundo antes do cruzamento, para deixar Soares em fora-de-jogo, mas Palhinha, que estava na área para restabelecer a superioridade numérica, tardou a reagir e deu condição legal ao atacante brasileiro. A ganhar, o FC Porto assumiu o bloco baixo e a busca rápida da profundidade, sobretudo em ataque rápido e contra-ataque. E, mesmo tendo superioridade numérica no corredor central – Palhinha, Adrien e Bryan Ruiz contra Danilo e Oliver – o Sporting não só não tinha saída pelo meio, procurando sempre os corredores laterais, como perdia quase todas as divididas por ali, fruto da inadequação de Bryan Ruiz à posição. O talento está lá, não se discute, mas para jogar a este nível naquela posição é preciso pensar e executar a uma velocidade que o costa-riquenho não tem. Ruiz começou ali contra o FC Porto em Alvalade e Jesus trocou-o por Bruno César quando se viu a perder, ainda na primeira parte; voltou a começar ali contra o Benfica na Luz e Jesus voltou a trocá-lo, desta vez por Alan Ruiz, aos 60’, mais uma vez a perder, mas desta vez por 2-0; por fim, o treinador repetiu a aposta no Dragão, voltando a mudá-lo de posição ao intervalo, outra vez a perder por dois golos. O segundo nascera de um contra-ataque que teve contributo de Danilo, num excelente passe de rotura, e de Soares, que bateu em velocidade a defesa do Sporting, superou Rui Patrício e fez o 2-0. Na segunda parte, com Adrien e Gelson a manterem a bitola elevada, Esgaio na esquerda em vez de Zeegelaar, Palhinha a subir de rendimento – sendo mais médio e menos terceiro central – e sobretudo com Alan Ruiz no apoio direto a Bas Dost, assegurando que o Sporting tinha alguém capaz de jogar dentro do bloco portista, os leões melhoraram. Adrien acertou na trave e Alan Ruiz reduziu, após combinar com Bas Dost. Aqui, foi a vez de o FC Porto repetir o erro que já cometera contra o Benfica, baixando o ritmo, deixando de sair com a certeza dos primeiros 45 minutos, fruto da falta de gente na frente: André Silva deu o lugar a André André, Brahimi foi trocado por Jota e Corona por João Carlos. Podence deu alma ao flanco esquerdo leonino e nos últimos dez minutos pairou sobre o Dragão a hipótese de repetição do golpe de teatro que já sucedera frente ao Benfica. A diferença é que desta vez Casillas fez duas excelentes defesas a cabeceamentos de Coates, impedindo o empate. E em resultado disso não só o FC Porto viu legitimada a sua candidatura ao título, como o Sporting saltou fora da carruagem.
2017-02-04
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Último Passe

Foram bem diferentes as dificuldades sentidas por FC Porto e Sporting para vencerem os seus jogos da 18ª jornada da Liga, na antecâmara do clássico que vai complicar muito mais a vida a um deles – ou até a ambos, se empatarem. Os dragões voltaram a ver-se em défice ofensivo, fruto da recuperação da opção conservadora por parte do treinador, Nuno Espírito Santo, que começou por tentar vencer o Estoril com a equipa muito atrás. Os leões sentiram um défice defensivo quando já ganhavam por 3-0, quando Adrien começou a proteger-se face à hipótese de ver um amarelo que o afastasse da próxima jornada e Jorge Jesus deixou que o seu próprio conservadorismo se manifestasse quando tardou em retirá-lo de campo. No fundo, a história devia ser a de duas vitórias claras. Não foi assim, porém. Na Amoreira, o FC Porto só desbloqueou o 0-0 aos 82 minutos, quando um penalti de André Silva permitiu a Nuno Espírito Santo um suspiro de alívio que as suas opções iniciais dificultaram. A equipa começou com André Silva como ponta-de-lança, Diogo Jota a apoiá-lo e com a missão de cair na esquerda, e com André André e Herrera como médios-ala que frequentemente procuravam o espaço interior. Afinal de contas são essas as suas caraterísticas. As consequências eram duas: falta de largura e falta de gente na frente. Quando Brahimi se levantou do banco para entrar, ainda na primeira parte, não me passou pela cabeça que o sacrificado pudesse ser Jota. O problema manteve-se até que pouco depois da hora de jogo surgiu finalmente a opção atacante, com as entradas de Corona e Rui Pedro com a saída de dois médios. O mexicano dava largura, Rui Pedro acentuava a presença na frente, tirando o foco da defesa estorilista um pouco de cima de André Silva e os golos apareceram. Esse problema, de desbloqueio do jogo, não o teve o Sporting, que marcou cedo e aos 35’ já ganhava por 3-0. Com Gelson de regresso às noites boas, Schelotto a ajudá-lo ofensivamente, Alan Ruiz a desenhar trajetórias menos previsíveis no apoio ao imperturbável Bas Dost, a equipa parecia no caminho de uma vitória tranquila até ao minuto 45. Nessa altura, William Carvalho viu um cartão amarelo que o afastava do clássico de sábado próximo e a situação afetou Bruno César e – sobretudo – Adrien Silva, os outros dois jogadores leoninos que estavam a um cartão da suspensão. O que se viu no regresso para a segunda parte, na qual me surpreendeu até que Adrien tenha sequer reentrado em campo, foi um Sporting defensivamente passivo. Quando não há Adrien – e face ao risco assumido, naquele início de segunda parte foi quase como se não houvesse – o Sporting deixa de funcionar defensivamente. O Paços também sabia disso e Whelton aproveitou para fazer dois golos que, antes do bis de Bas Dost, colocaram o resultado em risco. A dúvida que vai alimentar a semana que aí vem tem a ver com as opções para o clássico. Irá Nuno Espírito Santo repetir a equipa sem pontas e com aposta no meio-campo que titubeou ante o Estoril? Não creio, porque isso equivalerá a dar a iniciativa ao Sporting. E quem irá Jorge Jesus utilizar no lugar de William? Palhinha entrou tímido no jogo com o Paços, mas teve contra ele uma equipa que naquela altura já duvidava muito, e deve ser ainda assim a melhor aposta. A outra opção – Adrien com Bruno César – viria impedir aquele que parece ser o Plano A leonino, no qual Bruno César deverá ser, como foi em Madrid ou na receção ao FC Porto, na primeira volta, simultaneamente segundo avançado e terceiro médio. Porque se é verdade que na época passada Jesus foi à Luz e ao Dragão com dois atacantes (Gutièrrez e Slimani), ganhando ambos os jogos com clareza, as circunstâncias atuais são muito diferentes.
2017-01-28
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Último Passe

É curioso que o golo com que o Sporting ganhou ao Belenenses no Restelo tenha nascido numa casualidade. Sim, o cruzamento de Campbell é excelente. Sim, a finalização de primeira de Bas Dost é igualmente muito boa. Sim, sem jogar uma maravilha, o Sporting já tinha feito o suficiente para se adiantar no marcador antes disso. Mas se Dost estava em posição para marcar deve-o ao facto de ter escorregado e caído, ainda a meio-campo, no momento em que dá início à jogada, num dos seus habituais momentos em que baixa para tabelar com os médios. Só esse “atraso” na chegada à jogada o impediu de estar onde é suposto e, assim, aparecer onde ninguém do Belenenses o esperava: em corrida desenfreada, solto, ao segundo poste. Dost é um jogador muito diferente de Slimani, já aqui o disse vezes sem conta. Mas nem é um jogador assim tão diferente de alguns dos avançados com quem Jesus foi trabalhando ao longo dos tempos. É pesado mas letal na área, um pouco como Cardozo, que foi sempre um jogador contra-natura em todo o jogar daquele Benfica de Jesus: toda a gente corria à volta dele mas ele aparecia a fazer os golos. Nesse aspeto, Dost faz bem o seu papel. É bom finalizador, tem tido um peso incomparável nos resultados da equipa e não é seguramente a ele que o Sporting está a dever a posição em que se encontra na tabela. O que falta fazer é casar a equipa com o avançado que tem e fazer com que ela se esqueça do avançado que deixou de ter. E é nessas contradições, tanto como na fadiga de alguns elementos, que custou ao Sporting os três pontos no jogo com o Sp. Braga, que está a resposta para as dificuldades que a equipa tem vindo a passar nas últimas semanas. O próprio Jesus, que desenha ao mais ínfimo detalhe cada momento, cada triangulação – e por isso é insuperável a treinar – parece ainda enredado nesta teia de indecisões. O que quer do segundo avançado? Alguém que dê a profundidade que Dost não procura, como Markovic ou Campbell? Alguém que traga imprevisibilidade, criatividade e soluções fora da caixa, como Bryan Ruiz ou até, em certa medida, Alan Ruiz? Alguém que seja simultaneamente um terceiro médio, capaz de auxiliar William e Adrien na tarefa de segurar o meio-campo, como Bruno César? Ou ainda alguém que assegure mais presença na área, de forma a aproveitar o facto de Dost exaurir os centrais adversários, como André ou até Castaignos, que desta vez até foi útil? O problema aqui, note-se, não está na diversidade de opções. Isso é bom. O problema está no facto de o resto da equipa não mudar o seu futebol em consonância. Está na busca insistente do espaço interior quando ele não existe fruto da perda da profundidade, por exemplo. Ou até na criação de situações de cruzamento, quando geralmente quem cruza não tem a qualidade necessária para o fazer ou depois falta presença na área (algo pouco habitual nas equipas de Jesus). Quando isto acontece, pode aparecer uma escorregadela que ajude. E isso não é mau nem sequer deslustra. Mas não pode contar-se com isso a cada jornada.
2016-12-22
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Último Passe

A derrota contra o Napoli, mas sobretudo a forma como os italianos foram tantas vezes capazes de expor as debilidades que a equipa do Benfica ainda revela serão as duas maiores preocupações na cabeça de Rui Vitória na noite em que, mesmo perdendo, celebrou um justo segundo apuramento consecutivo para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. A Europa, porém, pode esperar, porque o que aí vem é o escaldante dérbi com o Sporting, onde o tricampeão nacional põe em risco a liderança na Liga. E aí os problemas de hoje até podem voltar para assombrar o treinador. Porque mesmo que Jesus os não conhecesse, teria tido a oportunidade de os ver. O facto de vir de duas derrotas seguidas (contra o Marítimo e o Napoli) tanto pode provocar no Benfica um sentimento de insegurança como a vontade urgente de superação. A verdade é que as duas derrotas acabam por ser muito diferentes. Mais devida a falta de concentração, alguma sobranceria e até uma boa dose de passividade própria de quem acha que tudo se resolverá a encaixada na Madeira; mais natural e saída das próprias debilidades a que o Napoli impôs na Luz. Mesmo quando ainda estava espacialmente concentrada nos 25/30 metros da sua organização defensiva, quando o ritmo de reação à perda ditado por Gonçalo Guedes ainda imperava no campo, o Benfica viu os italianos serem capazes de o desequilibrar sempre da mesma forma: com passes diagonais a explorar as costas dos seus laterais. Não é um problema nascido da falta de Grimaldo, porque não foi só André Almeida a comprometer: Nelson Semedo também foi réu neste particular, mais nascido da projeção ofensiva natural dos dois laterais e da falta de capacidade defensiva demonstrada quando o adversário ultrapassa a feroz primeira linha de pressão encarnada. Fejsa, sozinho, nem sempre consegue disfarçar. Pior, porém, aconteceria quando, seguro face à goleada que o Besiktas já embrulhava em Kiev, Rui Vitória abdicou de Gonçalo Guedes – poupança para domingo? – e o Napoli trocou o corpulento Gabbiadini pelo repentista Mertens. Tal como em Istambul, após a perda da capacidade defensiva de Guedes, o Benfica sofreu dois golos quase seguidos. E se isso pode ser resolúvel, outras questões podem implicar a necessidade de uma decisão. Os problemas de concentração de Lindelof – eventualmente originados pelas vozes de mercado – estiveram na origem do primeiro golo italiano, enquanto que as dificuldades de Luisão face a avançados rápidos a mudar de direção se somaram à falta de solidariedade defensiva dos extremos (no caso Salvio) para gerar o segundo. Não são questões fáceis de resolver – a projeção ofensiva de laterais e extremos é preciosa para a máquina atacante que este Benfica também é – mas esperará Rui Vitória que sejam irrelevantes no domingo. O problema é que Jorge Jesus até já tinha dito que só estava 90% focado no jogo de Varsóvia e os 10% restantes já estarão a pensar na forma de as explorar.
2016-12-06
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Último Passe

Benfica, Sporting e FC Porto têm todos, esta época, uma jovem coqueluche. E não há como não ficar entusiasmado com o rendimento de Nelson Semedo, Gelson Martins e André Silva, as melhores notícias do futebol português nesta época. Por indiscutível mérito próprio e dos treinadores que neles apostaram, mas também – se calhar sobretudo – de quem desenhou os plantéis sem consagrados que viessem atrasar a sua natural imposição. Seriam os mesmos jogadores se Maxi Pereira e André Carrillo não tivessem desertado? E se Aboubakar não tivesse sido forçado ao exílio na Turquia? Duvido. Sempre achei que não há treinadores com vontade de apostar na juventude e outros menos propensos a isso. Todos os treinadores querem o mesmo, que é ganhar. Jorge Jesus, o treinador que o Benfica terá deixado cair por não querer abraçar o novo paradigma de aposta nos miúdos do Seixal, está agora a jogar reiteradamente com Ruben Semedo e Gelson Martins no Sporting, remetendo para o banco consagrados como Douglas ou Markovic. É por isso que sempre desconfiei dos que o acusavam de ter deixado que se perdessem talentos como Bernado Silva, André Gomes ou João Cancelo, todos eles hoje na seleção nacional, mas transferidos pelo Benfica antes de terem tido sequer a oportunidade de se afirmarem na equipa principal. Jesus foi bruto na forma como tentou matar os sonhos destes jovens, com a famigerada frase do “têm de nascer dez vezes”? Claro que foi. Jesus é bruto, ponto final. Já o tinha sido no passado e voltará a sê-lo no futuro. Faz parte da personagem que ele encarna. Mas daí a ser o único responsável pelo facto de aqueles três internacionais nunca se terem afirmado na Luz já vai uma distância que me recuso a percorrer. Vejamos o caso de Cancelo, atualmente titular na lateral direita da seleção, depois de quase ter passado diretamente do Benfica B para o Valência. Cancelo pouco jogou no Benfica porque à sua frente estava Maxi Pereira. E agora olhemos para Nelson Semedo, que do meu ponto de vista é até superior a Cancelo, sobretudo na forma como defende. Seria ele o jogador que é se Maxi tivesse ficado no Benfica em vez de assinar pelo FC Porto? Claro que não. Porque lhe faltaria aquilo que faz verdadeiramente os grandes, que é a competição. A verdadeira mudança de paradigma no Benfica, o que permitiu nos últimos doze meses a afirmação de jovens como Renato Sanches, Nelson Semedo, Gonçalo Guedes ou Lindelof, tem mais a ver com a ausência de alternativas indiscutíveis no plantel – quase sempre por causa de lesões – do que com a mudança de treinador. Claro que, até pelo seu percurso ligado à formação, Rui Vitória trabalha melhor os miúdos do que Jesus, transmite-lhes uma confiança que este nunca seria nem alguma vez será capaz de transmitir. E isso também conta. Mas nem Nelson jogaria tanto se houvesse Maxi nem nenhum dos outros estaria hoje onde está sem as ondas de lesões que lhes deram as primeiras oportunidades. O mesmo vale, aliás, para Gelson Martins. Estaria Gelson onde está se Carrillo não tivesse querido mudar para o Benfica? Claro que não. Carrillo era no início da época passada o maior desequilibrador do plantel do Sporting e, mesmo tendo ele afirmado em entrevista que Gelson era o miúdo com mais talento que alguma vez tinha treinado, Jesus faria sempre a equipa com o peruano. Aliás, no íntimo e mesmo que o não diga, o treinador há-de estar convencido de que se Bruno de Carvalho não tivesse imposto o ostracismo a Carrillo a partir do momento em que este se recusou a renovar contrato, teria sido campeão. Afinal, ele tinha sido campeão em 2014/15 no Benfica, com Nelson Semedo na equipa B e Maxi a jogar durante meses, depois de se recusar a renovar. Sem Carrillo, a aposta em Gelson foi tão natural como a de Rui Vitória em Gonçalo Guedes quando se viu privado de Salvio e agora de Jonas. E, por mais hesitante que tenha parecido a primeira época, na qual Gelson terá nascido umas quantas vezes, o extremo é ao segundo ano uma das figuras da equipa e um fixo da seleção nacional. Nenhum caso será tão paradigmático, no entanto, como o de André Silva. Não se pode acusar José Peseiro de andar desatento aos jovens: foi ele que deu continuidade a João Moutinho, por exemplo, levando-o a jogar uma final europeia com 18 anos. E no entanto, na época passada, depois de dar a titularidade a André Silva, reverteu a aposta antes do clássico com o Sporting, recuperando Aboubakar. Quando lhe pediram para justificar a ausência de André Silva no Europeu, aliás, Fernando Santos até se deu ao luxo de dizer que tinha ido vê-lo ao clássico mas ele não tinha jogado. A administração portista terá encaixado a direta e, para evitar recuos na aposta naquele que pode ser o bastião do portismo nos anos que aí vêm, substituiu-se ao mercado: sem propostas por Aboubakar, mandou-o para a Turquia sem remissão, por empréstimo. E essa foi a forma de o FC Porto e a seleção ganharem o ponta-de-lança que fazia (a ambos) tanta falta.
2016-11-21
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Último Passe

O facto de ter sido André Silva, sempre um dos melhores da equipa, a falhar o último penalti na eliminação do FC Porto da Taça de Portugal, em benefício do Desp. Chaves, pode até retirar um pouco de peso à decisão tomada por Nuno Espírito Santo, que antes mandara Depoitre bater a penúltima grande penalidade, tendo o belga também permitido a defesa a António Filipe. Não concordo com Jorge Simão, treinador dos flavienses, que reduziu o desfecho de um desempate por penaltis à sorte – e creio que o guardião do Chaves, que defendeu três remates, também não concordará – mas o que se espera do FC Porto numa eliminatória como esta é que não deixe as coisas chegar tão longe. E, nesse aspeto, bem mais penalizadora que a escolha do até aqui desastrado Depoitre me pareceu a decisão de Nuno Espírito Santo não chamar ao jogo Brahimi, cuja criatividade poderia ter ajudado a desfazer o 0-0 que durou 120 minutos, a segunda metade dos quais com o FC Porto quase sempre instalado no ataque. Hoje estão de parabéns o Chaves e Jorge Simão, como é evidente. Mas este Chaves não me pareceu sequer tão forte como tinha demonstrado contra o Benfica, num jogo que perdeu com alguma infelicidade – o que é diferente de tê-lo perdido por azar. Não creio que tenha sido o Chaves a piorar, admito que tenha sido o FC Porto a bloquear sempre bem as saídas venenosas do adversário, o que lme eva a não ser capaz de dizer que os dragões tenham jogado mal. O FC Porto foi a melhor equipa em campo e, mais, a partir dos 60’, foi a única com andamento para chegar à baliza adversária. Fosse por incapacidade física, técnica ou tática, o Chaves – que tinha mostrado boas ideias no arranque do jogo – deixou de conseguir sair a jogar e aceitou o papel de saco de boxe: desde que o FC Porto não marcasse no processo, tudo estaria bem para os donos da casa. E a verdade é que o FC Porto não marcou. Nuno começou em 4x3x3, com dois extremos velozes e diretos: Varela de um lado e Jota do outro. Passou durante o jogo para um 4x4x2, com Depoitre perto de André Silva, motivando um jogo mais direto. Mais tarde chamou Evandro e Layun, mas deixou no banco Brahimi, que é possivelmente o mais criativo de todos os jogadores do plantel. Quando pela frente tinha uma equipa que baixava as linhas, que fechava todos os espaços de acesso à sua baliza e o importante era conseguir um golpe de prestidigitação, o FC Porto abdicou do seu jogador mais incontrolável. A não ser que existam fatores extra-rendimento desportivo desconhecidos de quem está de fora a justificar o constante ostracismo ao argelino, tudo parece resumir-se precisamente à imprevisibilidade do jogador, ao facto de ele ser tão incontrolável para os adversários como é para o seu próprio treinador. Mas é uma decisão de risco. E é uma decisão que não creio que Nuno Espírito Santo mantenha em Copenhaga, na terça-feira, se chegar a estar perante a possibilidade de se atrasar na obtenção de mais um objetivo, que é a qualificação para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões.
2016-11-18
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Último Passe

Sempre que um grande defronta um clube de muito menor dimensão em jogo da Taça de Portugal, a conversa mais frequente é acerca de motivação. Da falta de necessidade do treinador do clube mais pequeno motivar os seus jogadores, porque estes estarão já naturalmente espicaçados pela hipótese de se mostrarem a uma audiência muito mais ampla que a normal, mas também da dificuldade do responsável do clube mais forte em focar os seus homens num jogo de resultado previsível e onde estes terão muito mais a perder do que a ganhar. Essa não é, no entanto, a principal variável em campo. Muito mais importantes são a qualidade e o entendimento coletivo, já para não falar do ritmo competitivo ou da confiança que faltam quase sempre aos que aparecem ali como se aquela fosse a sua última praia. No Sporting-Praiense, o que permitiu aos açorianos ficar dentro da eliminatória durante boa parte da partida – na verdade até ao 3-1, que apareceu a meia-hora do fim – não foi a motivação por defrontar um grande ou por jogar em Alvalade. Foi o entendimento que os seus jogadores mostraram entre si, porque estão habituados a jogar uns com os outros e formam uma verdadeira equipa. Depois, o que permitiu aos leões dar a volta à eliminatória até ao 5-1 final não foi a vontade de mostrar serviço dos nove suplentes habituais chamados ao onze por Jorge Jesus, mas sim a qualidade dos dois titulares (Adrien e, sobretudo, Bruno César) que, por não terem jogado na pausa para partidas de seleções, ficaram na equipa inicial. Porque a motivação, nascida da tal vontade que os suplentes mais habituais podem ter de justificar mais chamadas à equipa, pode muito bem dar bons ou maus resultados: no Sporting, aquilo de que mais gente vai lembrar-se é de mais um jogo desastrado de Castaignos, com especial relevo para uma trivela que, a meio da segunda parte, mais pareceu saída de uma tarde de convívio entre solteiros e casados. Quer isto dizer que fazem mal os treinadores que, face a jogos desta natureza, mudam o onze de forma radical? Não. A questão é que os jogadores chamados para este tipo de jogos não são – não podem ser – tão maus como aparentam. Castaignos, por exemplo, tem uma história atrás dele e, por muito que a mais recente seja negra, tem de ser melhor do que o que se viu. Ou do que os dois golos de André, depois de o substituir, podem ajudar a fazer crer. O que lhe falta – a ele, como a Douglas, a Esgaio, a Jefferson ou a Alan Ruiz, por exemplo – é ritmo competitivo. E a confiança que nasce nele. Essa, porém, não vai aparecer por decreto.
2016-11-17
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A segunda vitória consecutiva de Portugal por 6-0, desta vez no piso sintético de Tórshavn, contra as Ilhas Faroé, começou numa noite perfeita de André Silva, autor de um hat-trick na primeira parte, mas teve igualmente grande influência de João Mário, o maestro que foi permitindo à equipa de Fernando Santos jogar dentro das linhas do adversário. Ronaldo, Moutinho e Cancelo completaram o resultado num segundo tempo onde nem a descontração normal em situação de vantagem permitiu aos donos da casa entrar no jogo. Prova disso é a superioridade estatística dos portugueses e o facto de as Ilhas Faroé só terem rematado por três vezes nos 90 minutos.Portugal manteve o 4x4x2 do jogo com Andorra, mas com a troca de Bernardo Silva e João Moutinho por João Mário e William Carvalho. Estas trocas tinham a intenção de ganhar centímetros que podiam ser decisivos face ao jogo mais direto e físico das Ilhas Faroé, mas também de conseguir jogar dentro do bloco adversário. Partindo da esquerda mas surgindo frequentemente pelo corredor central, quase sempre em trocas posicionais com Ronaldo, que nessas alturas abria na lateral, João Mário foi capaz de encontrar o espaço para jogar entre as linhas das Ilhas Faroé e de dirigir a equipa e André Silva até ao hat-trick que resolveu o jogo bem cedo, após um início no qual a seleção nacional até teve algumas dificuldades na adaptação ao relvado (problemas de tração no arranque e meia dúzia de escorregadelas) e ao tal futebol direto dos nórdicos, com procura dos ressaltos.A verdade é que Portugal marcou na primeira ocasião, logo aos 12': João Mário entrou pelo meio e deu a bola a André Silva, que a ganhou a tempo de bater Nielsen, apesar da tentativa de corte de Nattestad. E depois fez o 2-0 na segunda, dez minutos mais tarde: abertura de João Mário para a direita, de onde, após driblar um adversário, saiu um cruzamento de Quaresma que nem o guarda-redes nem um defesa foram capazes de desfazer, dando a André Silva a oportunidade de bisar, num cabeceamento muito bem colocado. Se dúvidas ainda houvesse, o hat-trick de André Silva, aos 37', em recarga a um tiro do sempre ofensivo João Cancelo, acabou com elas ainda antes do intervalo, o que de certa forma permitiu a Portugal regressar para a segunda parte com a tentação da gestão do jogo e do resultado. Era normal.Ainda assim, após mais um início dividido, os portugueses foram à procura de mais golos. Ronaldo, a passe de João Mário, perdeu o 4-0 logo aos 49', isolado na cara de Nielsen, vindo a fazê-lo aos 65', após dupla tabela com o mesmo João Mário e um remate ao ângulo que lhe saiu tão potente do pé esquerdo que o toque do guardião não fez mais do que confirmar o golo. Com o jogo resolvido, os donos da casa puseram a ideia num golo de honra e até fizeram os seus únicos (três) remates nesses 25 minutos finais, mas sempre sem ameaçar a tranquilidade de Rui Patrício, que foi um espectador durante toda a noite. Foi por essa altura que, vendo a equipa abrandar, Fernando Santos deu sinais de querer mais. Chamou Gelson para o lugar de Quaresma e o jovem leão trouxe a velocidade e a criatividade que já iam faltando ao jogo: praticamente na primeira vez que tocou na bola deu a André Silva a possibilidade de fazer mais um golo, mas desta vez Nielsen foi mais forte e desviou para canto. No canto, Davidsen safou em cima da linha um cabeceamento de Pepe, o que parecia encaminhar o jogo sem mais golos até ao fim. Gelson, no entanto, quis deixar a sua marca e não esteve pelos ajustes, fazendo as assistências para os golos com que Portugal fechou a goleada, já para lá do minuto 90: primeiro deu atrasado para um remate em jeito de Moutinho, muito colocado, junto ao poste, e depois lançou Cancelo nas costas da defesa da casa, para o terceiro golo do lateral direito em outras tantas internacionalizações. Notável.O jogo acabou por resolver-se com mais facilidade do que o esperado por toda a equipa portuguesa - às Ilhas Faroé não tinham sofrido um único golo nas primeiras jornadas - mas isso não significa que Portugal tenha a vida mais facilitada, pois mesmo com dificuldades, a Suíça voltou a ganhar e os 2-1 a Andorra também valeram três pontos.
2016-10-10
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Portugal goleou Andorra por 6-0, numa noite que ficará para a história da seleção e de Cristiano Ronaldo, autor de quatro golos que igualam o recorde de concretizações num só jogo da equipa nacional, até então pertença de Eusébio, Pauleta e Nuno Gomes. A partida serviu a Fernando Santos para começar a emendar o passo em falso dado com a derrota na Suíça, na jornada inaugural, mas não chega para alimentar euforias, não só porque Andorra é uma seleção demasiado fraca para ser tida em conta, como também porque os suíços complicaram as contas nacionais, ganhando na Hungria por 3-2 e superando com o pleno de pontos o obstáculo mais complicado que tinham antes da deslocação a Portugal. O jogo de Aveiro teve pouca história, porque Portugal marcou dois golos nos primeiros quatro minutos, ambos da autoria de Cristiano Ronaldo, que assim assinou o bis mais rápido de sempre na equipa nacional. A questão da atribuição dos pontos ficou logo ali resolvida, mas para a tibieza da reação andorrenha contribuiu igualmente o facto de os visitantes terem jogado os últimos 20 minutos com nove homens, devido a duas expulsões nascidas de um jogo persistentemente faltoso com que tentaram travar a equipa lusa. Fosse por excesso de empenho físico enquanto puderam dá-lo ou devido a um atraso constante na chegada à bola quando começaram a acusar a fadiga, os pupilos de Alvarez foram sendo fustigados com amarelos que lhes retiraram qualquer hipótese de construir jogadas de ataque e permitiram a Portugal acabar o jogo com várias unidades atacantes em campo ao mesmo tempo: Ronaldo, Quaresma, Gelson, Bernardo Silva, André Silva, João Mário e João Moutinho terminaram todos o jogo em campo, numa equipa que já só tinha três defesas e podia ter dispensado o guarda-redes, tão desprovida de sentido foi a permanência entre os postes de um sempre desocupado Rui Patrício Este foi, ainda assim, um jogo com várias pequenas histórias. Foi a história do recorde de golos num só jogo da seleção, que Ronaldo igualou mas podia bem ter superado, não tivesse ele passado os últimos 20 minutos de jogo longe da área, devido a um toque mais violento que sofreu por essa altura. Mas foi também a história do primeiro golo de André Silva na seleção, uma finalização longe de ser brilhante, que beneficiou de um desvio num defesa adversário, mas que nem por isso ou por ele ter perdido antes dois cabeceamentos com selo de golo tira vontade de o ver mais vezes ao lado de Ronaldo, pela forma como trabalha para libertar o capitão de amarras e da necessidade de jogar de costas para a baliza, como referência do ataque. A primeira experiência da dupla foi boa, mas tal como acerca da titularidade de Cancelo na defesa, exige observação mais cuidada perante um adversário de um nível de exigência mais alto para se formarem opiniões mais definitivas. E foi ainda a história da estreia de Gelson na seleção principal, entrando nos últimos 20 minutos para acelerar a equipa – quis o destino que a entrada do extremo leonino coincidisse com a lesão de Ronaldo e a redução de Andorra a nove homens, o que mudou o jogo. Nesses últimos 20 minutos, contra nove, Portugal só fez um golo – o sexto, de André Silva. Até aí tinha feito cinco, que completam a história do que se passou em Aveiro. Ronaldo marcou o primeiro aos 2’, sendo mais rápido a erguer-se que Rebés após uma defesa do guarda-redes Gomez para a frente, e juntou-lhe o segundo logo aos 4’, respondendo da melhor forma a um excelente cruzamento de Quaresma. Portugal entrou nessa altura numa fase de menor fulgor, com vários passes perdidos, nascidos da desconcentração de uma equipa à qual tudo parecia demasiado fácil. João Cancelo, em lance individual, fez o 3-0 pouco antes do intervalo, mas a equipa voltou melhor para o segundo tempo, provavelmente acordada com a insatisfação de Fernando Santos. Ronaldo fez o quarto aos 47’ numa belíssima finalização em volei após cruzamento tenso de André Gomes, e o quinto aos 68’, acorrendo de pé esquerdo a um desvio de José Fonte. Igualado o recorde e com mais de 20 minutos por jogar, esperar-se-ia que ele o batesse, mas foi aí que o capitão recuou no campo e a equipa assumiu o objetivo de dar a André Silva o seu primeiro golo internacional. Fê-lo já perto do final, compondo o resultado e deixando toda a gente à espera de ver o que trará o jogo nas Ilhas Faroe. Mais dificuldades, certamente.
2016-10-08
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Um hat-trick de Diogo Jota ainda na primeira parte transformou a viagem do FC Porto à Choupana num passeio, reduziu a oposição do Nacional a zero e alertou Nuno Espírito Santo para a existência de valores seguros no plantel para os quais talvez nem os mais fervorosos adeptos portistas estivessem alerta. A vitória por 4-0, para a qual contribuiu mais um golo de André Silva, na segunda parte, permitiu aos dragões colarem-se a Sporting e Benfica (que ainda tem de jogar a sua partida desta jornada) no primeiro lugar. E, apesar de a interrupção da Liga não chegar na melhor altura para uma equipa subitamente remoralizada, permitirá um recomeço quase do zero quando o campeonato regressar: este FC Porto jovem, esta equipa dos "jotinhas", apresentou o melhor compromisso dois dragões desde o início da temporada. Para o desequilíbrio final no marcador contribuiu um Nacional fraco, é verdade, mas também um FC Porto outra vez forte. O regresso de Herrera, melhor em posse do que André André, e sobretudo a titularidade de Jota, explicam alguma coisa. Um jogador rápido e objetivo como Jota, que fez 14 golos ainda como júnior, na época de estreia na Liga, não pode ser visto só como elemento de contra-ataque – é uma arma incontornável na construção do processo ofensivo portista, tendo feito mais numa noite do que todos os outros parceiros de André Silva no 4x4x2 no resto da temporada. Fez o 1-0 após tabela com Herrera, logo aos 11’. Perdeu o segundo golo em lance individual ao qual se opôs o guardião Rui Silva, mas apenas para o fazer pouco depois, após passe de André Silva. E antes do intervalo ainda fez o terceiro, de cabeça, após cruzamento vindo da direita. A perder por 3-0, ninguém regressa a um jogo contra um grande a não ser que este facilite. Na segunda parte, o FC Porto não o fez e na verdade não se viu sequer ameaça de regresso do Nacional à luta pelos pontos. Foi o FC Porto quem marcou mais um, aliás, ainda antes dos 60’: André Silva finalizou, após assistência de Otávio, num lance nascido da criatividade de Oliver. Com Herrera, Otávio e Oliver à frente de Danilo, o meio-campo do FC Porto ganha uma capacidade de construção ofensiva a que depois dois bebés com golo nas botas como são Jota e André Silva podem dar a devida sequência. Chegará tanta juventude para os desafios a que se propõe o FC Porto? Não é fácil responder afirmativamente e sem reservas. Mas que ainda não se tinha visto melhor compromisso esta época aos dragões, isso é uma evidência.
2016-10-02
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Dizer que o Benfica médio de Nápoles não foi tão mau como os quatro golos sofridos em menos de uma hora parecem fazer crer é como dizer que o Benfica médio da época passada não foi tão bom como os 88 pontos que somou na tabela final da Liga parecem dar a entender. E é tão profundo na análise como seria afirmar que Rui Vitória errou na escolha do onze só porque os dois jogadores que hoje sacrificou à vontade de dar à equipa mais algum controlo – Salvio e Gonçalo Guedes – acabaram por entrar e fazer os golos com que a equipa transformou um resultado catastrófico numa derrota apenas preocupante. Os 4-2 de Nápoles revelaram fundamentalmente duas coisas. Primeiro, uma propensão para o erro, sobretudo nas bolas paradas defensivas, que o Benfica já mostrara em jogos anteriores – a maior parte dos golos sofridos pelos encarnados esta época nasceu de bolas paradas. E depois um adversário mais matreiro e com maior taxa de acerto do que a maioria das equipas que o Benfica já tinha defrontado até aqui e que por isso mesmo foi capaz de transformar um superior volume de jogo em golos. Porque se Rui Vitória começou o jogo com André Almeida ao lado de Fejsa, de forma a que ambos pudessem ser auxiliados por André Horta, que partia de uma posição mais avançada – a de Jonas, que vem sendo ocupada por Gonçalo Guedes – foi por reconhecer que o Benfica tem tido problemas para controlar o ritmo dos jogos a meio-campo. É verdade que também não controlou este e que, genericamente mais atrás no campo, acabou por ver os erros cometidos transformados em golos. Hamsik fez o 1-0 logo aos 20’, de cabeça, num canto em que Fejsa se mostrou pouco agressivo no ataque à bola no primeiro poste. Ao intervalo, esperar-se-ia que Rui Vitória despertasse Carrillo, em sub-rendimento na esquerda do ataque, e que a equipa se juntasse para lutar pelo empate, mas o que se viu foram mais três golos do Napoli. Em sete minutos, Mertens fez o 2-0 num livre muito bem batido, Milik aumentou para 3-0 de penalti e Mertens chegou aos 4-0, num lance do qual Júlio César dai mal-visto, por ter falhado a interceção de um cruzamento que era dele. Com a discussão do resultado arrumada, Rui Vitória ainda fez entrar Salvio e Gonçalo Guedes, atenuando o resultado de 0-4 para 2-4 com dois golos dos dois suplentes, a dar sinal de uma atitude mais agressiva do Benfica, mas também da natural diminuição de intensidade de um Napoli que chegou aos seis pontos e encara a jornada dupla com o Besiktas na perspetiva de carimbar o apuramento. Para o Benfica, pelo contrário, os dois jogos com o Dynamo Kiev serão uma espécie de última praia, na qual um mínimo de quatro pontos se exige para entrar na fase decisiva em condições de discutir a passagem à fase seguinte.
2016-09-28
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Portugal é campeão da Europa e ganhou o campeonato jogado em França há menos de três meses com sangue novo no onze e sobretudo nos 23, pelo que mencionar a hipótese de renovação é sempre complicado e sujeita quem levantar o dedo para falar a levar como resposta que ela já está a ser feita. Mas as equipas renovam-se. Mesmo as que ganham. E as melhores renovações são aquelas que nem precisam de debate. É por isso que nem o facto de a taça ainda não ter acumulado pó suficiente para justificar que se lhe passe o pano inibiu Fernando Santos de chamar André Silva ao grupo na viagem à Suíça. E que se tudo correr dentro da normalidade o duplo confronto com Andorra e as Ilhas Faroe pode motivar mais três ou quatro adições ao grupo: Gelson Martins, Pizzi, Ruben Semedo e Nelson Semedo. Parece-lhe demasiado? Olhe que não. Sabia por exemplo quantos jogadores Luiz Felipe Scolari mudou entre a equipa que chegou às meias-finais do Mundial de 2006 e a que foi à Suíça jogar o Europeu de 2008? Foram 12. E acha que foi porque aquela seleção já era veterana e por isso era necessário pensar em renovação? Olhe que se engana. Porque em 2010, no momento de convocar para o Mundial da África do Sul, Carlos Queiroz mudou outros 12 nomes nos 23. E em 2012, quando fez a sua lista para o Europeu da Polónia e da Ucrânia, Paulo Bento voltou a fazer muitas mudanças – se arriscou vaticinar que foram doze, acertou em cheio. O doze não é nenhuma espécie de número mágico para esta conversa, mas serve de referência para que julguemos que a partir desse momento a equipa entrou numa espécie de estagnação. Paulo Bento só mudou sete homens na lista que elaborou para o Mundial do Brasil, em 2014, e face à pobreza dos resultados todo o país passou a achar que ele foi conservador demais. Fernando Santos voltou ao ritmo anterior, mudou onze convocados para 2016 e a seleção ganhou o Europeu. Quer isto dizer que, em condições normais, André Silva não será a única novidade de Portugal na fase final do Mundial de 2018 – se, como se espera, a seleção lá chegar. Já se viu que o ponta-de-lança do FC Porto tem qualidade para a equipa nacional, embora ainda não tenha sido possível testar algo que defendo desde antes do Europeu – que ele é o parceiro ideal para o Ronaldo dos dias de hoje na frente de ataque, porque faz tudo o que o CR7 deixa por fazer. Pressiona sem bola, dá profundidade, luta no corpo-a-corpo, o que já de si vem tornar algo irrelevante se faz poucos ou muitos golos. E ele por acaso até tem feito muitos. Esta semana, Jorge Jesus veio apresentar formalmente mais uma candidatura à próxima convocatória de Fernando Santos. Disse o treinador do Sporting que não há no futebol português nenhum jogador com as caraterísticas de Gelson Martins e tem razão, porque Gelson alia a criatividade de Quaresma em situações de um para um à velocidade que já vai faltando ao Mustang do Besiktas e que entre os mais jovens atacantes nacionais só se encontra, por exemplo, em Rafa. É uma mistura de tal forma explosiva e que foi de tal modo impactante, por exemplo, no Santiago Bernabéu, quando o Sporting lá defrontou o Real Madrid, que estranho seria que Fernando Santos se privasse de a ver em ação. Acontece que não é por ter tido o seu treinador a fazer lobby por ele que Gelson terá de estar sozinho como novidade na próxima convocatória. Pizzi continua a ser, juntamente com João Mário, o melhor médio nacional a articular jogo exterior com jogo interior. Se com Jesus jogava no corredor central – foi a resposta possível à saída de Enzo Pérez a meio de uma época –, com Rui Vitória o transmontano tem sido sempre o médio-ala que mais frequentemente usa o cérebro para se juntar aos colegas do corredor central quando é necessário restabelecer equilíbrios. Entre os médios portugueses, só João Mário o faz melhor, pelo que custa a entender que continue a ser deixado de parte quando se juntam os melhores executantes nacionais. Como custará entender que Ruben e Nelson Semedo fiquem fora da próxima lista. O lateral do Benfica, vigoroso na forma como enche todo o corredor direito, pode até esbarrar no facto de haver boas opções para a sua posição entre os campeões da Europa, mas o central do Sporting, veloz e forte no desarme e na antecipação como mais nenhum outro jogador da sua geração, até ocupa a posição mais necessitada de renovação na equipa campeã europeia. Ricardo Carvalho, aos 38 anos, está sem clube; Bruno Alves (34), Pepe (33) e José Fonte (32) também já não vão para novos, pelo que parece mais ou menos evidente que em 2018 haverá pelo menos um novo central português no Mundial. A ideia é dar-lhe rodagem.
2016-09-26
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Mais uma noite fulgurante de Gelson Martins, desta vez bem acompanhado pela certeza na finalização de um Bas Dost que começa a ser solução, valeu ao Sporting uma vitória tranquila sobre o Estoril, à qual só uma meia-hora de descompressão final deu números ainda assim equilibrados: o 4-2 definitivo, com três golos nos últimos cinco minutos (dois deles para os visitantes), reflete tanto o amplo domínio que os leões exerceram sobre o adversário até ao momento em que Jorge Jesus deu descanso a alguns titulares como a total desconcentração da equipa na ponta final da partida. Gelson mereceu bem as palavras que Jesus lhe endereçou na flash-interview: está numa forma impressionante, não só pela velocidade que imprime ao jogo, mas também pela capacidade que revela no um para um e às vezes até no um para dois. Com ele colado à direita, o treinador do Sporting sabe que tem uma fonte permanente de desequilíbrio, bastando-lhe depois somar um finalizador e juntar a tudo uma equipa concentrada e taticamente bem colocada no terreno. Foi por isso que, tirando uma investida logo aos 4’, na qual criou alguma sensação de perigo na esquerda do seu ataque, o Estoril só voltou a aproximar-se da área leonina quando já perdia por 3-0. E mais podiam ter sido se Bryan Ruiz não estivesse num daqueles dias de perder golos cantados. É verdade que o Sporting marcou bastante cedo, num lance que pode tornar-se típico no futebol dos leões: desequilíbrio de Gelson na direita, cruzamento para a área, onde Bas Dost se antecipou a Lucas Farias e marcou de cabeça. Apesar de ainda faltar mais de meia-hora para o intervalo e de o jogo se desenrolar todo o meio-campo do Estoril – muito bem os dois centrais leoninos, a jogarem em antecipação e a não deixarem que os adversários construíssem os seus contra-ataques – o resultado não sofreu alterações antes do descanso. Bryan Ruiz pode explicar porquê: teve uma bola a saltitar à entrada da pequena área mas chutou-a para a bancada, perdendo o 2-0. Com André em vez de Alan Ruiz, que desperdiçou mais 45 minutos no onze titular para causar boa impressão, o Sporting entrou forte na segunda parte, chegando aos 3-0 por volta da hora de jogo. Marcou primeiro Coates, de cabeça, após canto de Bryan Ruiz, tendo depois Bas Dost bisado, na conclusão de um contra-ataque à Slimani: recuperação de Gelson, tabela entre André e William, que colocou a bola na profundidade, onde o holandês a foi buscar e bateu Moreira. Fabiano Soares preparava-se para tentar discutir o jogo quando levou com este golpe duplo, mas as entradas de Gustavo e, sobretudo, de Bruno Gomes – que substituiu o ponta-de-lança Paulo Henrique – ainda haviam de dar os seus resultados. Antes disso, porém, foi o Sporting quem perdeu por duas vezes a possibilidade do 4-0: primeiro André, aos 74’, após jogada entre Gelson e Markovic; depois William, aos 78’, após tabela com Gelson; e por fim Bryan Ruiz, aos 81’, a ver Moreira tirar-lhe o golo com o pé. Jesus, nessa altura, já substituíra jogadores fundamentais. Bas Dost e Adrien já viram do banco a forma como os dois suplentes do Estoril combinaram para reduzir a desvantagem: cruzou Gustavo, para uma bela finalização de Bruno Gomes, que por fim conseguiu chegar a uma bola antes de Ruben Semedo. Faltavam cinco minutos para o fim e o golo de André, a passe de Bryan Ruiz, acabava com quaisquer veleidades que os canarinhos ainda tivessem de vir a discutir o resultado, mas não com a possibilidade de lhe dar um cariz mais equilibrado: Bruno Gomes ainda bisou, após um canto em que toda a equipa do Sporting já estava a pensar no Legia de Varsóvia. Com quatro dias de avanço.  
2016-09-24
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A qualidade individual de Otávio e a movimentação sempre inteligente de André Silva, hoje bem complementado por Adrián López, permitiram ao FC Porto ultrapassar o obstáculo constituído por um Boavista que nunca mostrou grande futebol mas teve a capacidade para manter o resultado em aberto até aos últimos minutos. O 3-1, marcado a quatro minutos do fim, quando os axadrezados apostavam num jogo partido, com bola cá-bola lá, permitiu a justa atribuição dos três pontos à equipa de Nuno Espírito Santo, mas a demora no golo da tranquilidade e uma segunda parte muito desinspirada dos dragões não afastaram as nuvens negras do horizonte antes da visita a Leicester, em importante desafio da Liga dos Campeões marcado para terça-feira. Nuno Espírito Santo apostou num 4x4x2 com maior preenchimento do corredor central, pois nele não entraram extremos: a largura era dada pelos dois defesas-laterais e pelas saídas da área dos dois pontas-de-lança, os móveis André Silva e Adrián López, que substituiu o belga Depoitre, nulo no jogo de Tondela. Adrián procurava muito a esquerda, dessa forma compensando as constantes diagonais de Otávio para o meio, nas quais o jovem brasileiro se mostrava o melhor portista na difícil arte de queimar linhas com bola. E isso tornou-se tanto mais importante quanto o início de jogo foi complicado para a equipa da casa, uma vez que o Boavista marcou na primeira vez que chegou perto da baliza de Casillas, logo aos 5’: livre de Fábio Espinho e cabeça de Nuno Henrique para o 0-1. A ganhar desde tão cedo, não se percebeu bem se o Boavista trazia algum plano de jogo a não ser o de impedir os ataques portistas. A equipa de Sánchez juntava linhas perto da área, mostrava um Idris em momento pujante, mas raramente conseguia ligar-se aos jogadores da frente – só Bukia se mostrou, em noite anónima de Iuri Medeiros e Digas. O FC Porto, com Oliver mais atrás do que o habitual e André André a procurar também o corredor central a partir da direita, só entrava na organização defensiva adversária em bolas paradas – dois quase-golos de Danilo, ainda na primeira parte – ou nas tais arrancadas de Otávio. Foi o jovem brasileiro quem descobriu André Silva para o golo do empate, aos 19’, e foi ainda ele quem, numa mudança de velocidade, forçou uma falta de Nuno Henrique junto à linha de fundo. No penalti correspondente, André Silva bisou e colocou o FC Porto na frente do marcador, ainda antes do intervalo. Foi aquilo de que o FC Porto precisou para baixar o ritmo do jogo numa segunda parte que foi correndo mais sonolenta. Foi interessante a entrada de Diogo Jota para o lugar de Adrián, pois permitiu ao jovem português mostrar a rapidez de processos e o descaramento para finalizar que lhe permitirão voar alto, mas o jogo estava por essa altura mais dividido do que seria de supor. Com Schembri em vez de Iuri Medeiros e a subida de rendimento de Fábio Espinho, o Boavista foi ganhando chegada à frente e, mesmo sem ocasiões claras de golo, manteve o suspense no resultado até ao minuto 86, quando um cruzamento de Alex Telles acabou no fundo das redes, fruto de uma intervenção desastrada do guardião Agaev. Estava resolvido o jogo e os dragões podiam finalmente pensar na Champions. Se é que não era já por lá que tinham a cabeça antes disso.  
2016-09-23
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O mesmo défice de criatividade que já lhe custara dois pontos na partida da Liga dos Campeões frente ao Copenhaga, no Dragão, voltou a impedir o FC Porto de vencer na deslocação a Tondela. Num jogo onde beneficiou de iniciativa atacante quase permanente e de amplo domínio territorial, atenuado apenas na segunda parte, quando o jogo partiu e o Tondela conseguiu meter no relvado alguns contra-ataques, a equipa de Nuno Espírito Santo não foi além de um 0-0 que a penaliza. Não foi um problema de esquema tático – voltou o 4x4x2 –, de eficácia ou de falta de homens ofensivos no onze. O que faltou mesmo foi a capacidade para criar desequilíbrios em ataque organizado. Perante um Tondela bem organizado defensivamente e sempre aguerrido, Nuno Espírito Santo voltou ao 4x4x2, juntando Depoitre a André Silva e entregando as faixas laterais ao regressado Brahimi e a Otávio. Os dois alas procuraram sempre o corredor central, para aí promoverem os tais desequilíbrios – algo que Otávio conseguiu sempre melhor do que Brahimi – e para deixarem as laterais aos ofensivos Layun e Alex Telles. Só que, apesar das tentativas de Ruben Neves desempenhar o papel de médio centro de uma forma mais atacante do que o habitual Danilo, os primeiros 45 minutos foram quase um deserto em termos de situações de perigo. De parte a parte: o FC Porto só entrou com perigo na área uma vez, num passe longo de Felipe a, que nem André Silva, primeiro, nem Depoitre, no aproveitamento do ressalto, deram o melhor seguimento. O Tondela, metido num 4x2x3x1 que tinha em Crislan um avançado capaz de segurar a bola e de esperar pela equipa, dando assim tempo aos homens mais recuados para respirar, ia ganhando confiança. E depois de Gonçalves ter procurado, sem sucesso, um dos ângulos superiores da baliza da Casillas, a segunda parte começou com uma equipa da casa mais afoita do ponto de vista atacante. Espírito Santo quis mudar o ataque, primeiro trocando Brahimi por Oliver – e desviando André André para a direita – e depois substituindo o desastrado Depoitre por Adrián López, mas a primeira situação de golo flagrante da partida foi a equipa da casa a perdê-la, quando Murillo se isolou na cara de Casillas e viu o remate esbarrar na mancha do guarda-redes espanhol. Aí, já com Corona em campo, o FC Porto acordou para dez minutos finais melhores, que certamente tiveram a ver também com a quebra física da equipa de Petit, que também perdera Kaká, o seu cérebro defensivo, por lesão. André Silva e Adrián López ainda chegaram com bola à cara de Cláudio Ramos, mas nas duas situações o guarda-redes do Tondela levou a melhor, segurando um 0-0 que manda uma mensagem para o balneário do Dragão. Para ganhar é preciso mais do que um sistema tático ou a acumulação de jogadores de ataque: eles têm de combinar no campo. E isso é que não se tem visto.
2016-09-18
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A dramática derrota do Sporting frente ao Real Madrid no Santiago Bernabéu (1-2) e o insuficiente empate do FC Porto em casa ante o Copenhaga (1-1) puseram um ponto final modesto na semana das equipas portuguesas na Liga dos Campeões. Os dois jogos tiveram histórias muito diferentes mas epílogos semelhantes, de desilusão. Saíram desiludidos os leões, que foram a melhor equipa em campo durante 70 minutos mas não conseguiram congelar o desafio nos últimos 20, ficando à mercê da remontada madridista, como desiludidos saíram os dragões, incapazes de criar desequilíbrios na defesa dinamarquesa, nem mesmo quando o adversário ficou reduzido a dez. A derrota do Sporting veio recheada de uma demonstração de personalidade que não está ao alcance de qualquer equipa. Com um posicionamento irrepreensível e face a um Real pouco dinâmico, a equipa de Jorge Jesus foi sempre assegurando superioridade numérica nos vários duelos a meio-campo, fundando aí a capacidade de assegurar a maior dose de iniciativa de jogo: o Real só chutou à baliza de Rui Patrício à passagem da meia-hora, e de fora da área, por Cristiano Ronaldo. Gelson, mais uma vez o melhor em campo, foi um pesadelo constante para a defesa do Real Madrid, tendo começado nele o lance em que Bruno César abriu o marcador. Foi ainda o jovem ala quem, num lance pela direita, deu a Bas Dost a melhor ocasião do jogo – o holandês tentou meter o pé onde se impunha a cabeça e o cruzamento perdeu-se. O Real acabou por virar o jogo quando já poucos nisso acreditariam, fruto da conjugação de vários fatores. Primeiro, as alterações introduzidas por Zidane: Morata, Lucas Vasquez e James Rodríguez melhoraram muito o rendimento do campeão europeu. Depois, o facto de os leões terem piorado com as trocas de Adrien e Gelson por Elias e Markovic. Por fim, é verdade, a inexperiência de muitos jogadores da equipa portuguesa em momentos como aqueles, em que se impõe quebrar o ímpeto ao adversário. A verdade é que, tendo feito o empate num livre irrepreensível de Ronaldo (após falta de Elias), aos 89’, o Real ainda teve tempo para ganhar, num cabeceamento de Morata após cruzamento de James. Houve muito banco numa reviravolta que deixa o Sporting com zero pontos e a precisar de ganhar ao Legia já na segunda jornada. A pressão, senti-la-á também o FC Porto, que seguirá para Leicester com um ponto e a precisar pelo menos de pontuar em Inglaterra, depois de uma exibição pouco conseguida frente ao Copenhaga. Nuno Espírito Santo voltou ao 4x3x3, remetendo Depoitre para o banco, e parecia até poder sair-se bem, depois de um início premiado com um golaço de Otávio, após bela assistência de André Silva. Já nessa altura, porém, o FC Porto revelava parte dos pecados que haveriam de custar-lhe dois pontos, nomeadamente a falta de controlo do espaço aéreo defensivo face à potência de Santander e Cornelius, os dois avançados dos dinamarqueses. O resto ver-se-ia no segundo tempo, sobretudo depois de o Copenhaga ter empatado – por Cornelius, após mais um cruzamento não desfeito pelo último reduto portista – e de o adversário ter ficado reduzido a dez homens, por expulsão de Gregus. Nessa altura, em que Espírito Santo descobriu falta de eficácia, o que se viu foi falta de capacidade para criar desequilíbrios numa equipa organizada mas de qualidade inferior. O FC Porto voltou então ao 4x4x2, com Depoitre em vez de Corona, e mais tarde com a entrada de Brahimi para as vezes de Herrera, mas nem assim criou verdadeiras ocasiões de golo, parecendo sofrer sempre que as probabilidades estão a seu favor. Talvez não seja esse o caso em Leicester, como não era em Roma.
2016-09-14
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Um livre de Talisca, já em período de compensações, custou ao Benfica dois pontos na estreia na Liga dos Campeões desta temporada. O empate a uma bola, nascido de várias mudanças táticas operadas pela equipa do Besiktas na segunda parte, acaba por punir a quebra dos campeões nacionais nesse mesmo período, depois de em 45 minutos de clara superioridade não ter feito mais de um golo, obra de Cervi. O facto de ter jogado sem as primeiras escolhas no ataque – Jonas, Mitroglou, Jiménez e Rafa estão todos lesionados – acabou por custar caro a Rui Vitória. O Benfica entrou com uma dupla de ataque improvável, formada por Cervi e Gonçalo Guedes, com o primeiro, mais forte em ataque rápido, a jogar nas costas do segundo, que não fazia nada tão bem como a pressão à saída de bola do adversário. A consequência da aliança desta dupla com a excelente exibição de Fejsa e André Horta, os dois médios-centro encarnados, foi o bloqueio total de uma equipa do Besiktas disposta em 4x2x3x1, mas com os dois extremos muito abertos – Quaresma na direita – e Ozyakup perdido no meio das linhas encarnadas no apoio a um isolado Aboubakar. O jogo, no primeiro tempo, tornou-se muito repetitivo: tentativa frustrada de organização ofensiva do Besiktas, bola recuperada pelo meio-campo do Benfica e saída rápida para o ataque. O golo, logo aos 12’, nasceu de um excelente passe de Horta, a rasgar, até encontrar uma diagonal de Salvio da direita para a esquerda. De pé esquerdo, o argentino chutou, o guarda-redes largou a bola e Cervi foi mais rápido que Tosic na reação, fazendo a recarga vitoriosa. A ganhar desde cedo, o Benfica serenou e teve mesmo duas situações de contra-ataque em superioridade numérica que, por erros no passe, não levou sequer até a finalização. Só que aquele Besiktas facilmente manietável da primeira parte voltou diferente para a segunda. Com Talisca em vez de Ozyakup, com Quaresma mais por dentro e Adriano a subir de lateral para extremo-esquerdo, surgindo também mais no corredor central, os turcos subiram de produção. Mais tarde, com a entrada de Tosun para ponta-de-lança e as aproximações de Aboubakar, a equipa de Senol Günes começou mesmo a criar lances de golo: Tosun perdeu um lance na cara de Ederson e este tirou com uma excelente defesa o empate a Marcelo, na sequência de um livre. Nessa altura já o Benfica trocara Cervi por Samaris, numa tentativa provavelmente prematura de encerrar o jogo, fechando a porta ao adversário – talvez se aconselhasse mais nessa altura um ganho de qualidade na frente, com Carrillo, por exemplo. É verdade que mesmo assim Gonçalo Guedes teve nos pés o 2-0. O improvisado ponta-de-lança benfiquista ganhou a bola a Quaresma, que foi fugindo a sucessivos desarmes desde o meio-campo até ser batido à entrada da área, mas depois, isolado frente a Tolga Zengin, não evitou que o guarda-redes turco desviasse o remate com o pé. Esse acabou por ser o lance decisivo do jogo. Antes do final, o Benfica ainda substituiu Fejsa por Celis. E já tinha José Gomes na linha lateral, pronto para entrar e para se tornar o mais jovem de sempre a jogar pelo clube nas provas europeias, quando o médio colombiano meteu a mão a uma bola a uns seis ou sete metros da linha de área. Talisca apontou logo para o peito, a assumir que ia ser ele a bater o livre. E fê-lo de modo imparável, festejando efusivamente o golo que valeu o empate à sua nova equipa frente à que o emprestou.
2016-09-13
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André Silva mantém a média e torna impossível que não se perceba que é nele que tem de começar o renascimento do FC Porto. Foi mais uma vez com um golo do jovem ponta-de-lança – o terceiro em outros tantos jogos oficiais – que os dragões ganharam ao Estoril, numa partida que se jogou nos 40 metros mais próximos da baliza canarinha mas na qual tiveram de esperar até aos últimos cinco minutos para se colocarem em vantagem. Mas o jogo com o Estoril tem outro protagonista: Layún fez o cruzamento fantástico para o golo da vitória, uma espécie de grito de revolta vindo do melhor assistente da última Liga, de repente colocado na situação de reservista. Nuno Espírito Santo não mostrou, com a escolha do onze, que esteja tão obcecado com o jogo de terça-feira em Roma como a importância da continuidade na Liga dos Campeões talvez justificasse. Só mudou quatro nomes em relação à partida anterior, um deles por obrigação: Layún apareceu na lateral esquerda em vez do castigado Alex Telles. As outras trocas, de Adrian Lopez por Varela, de Danilo por Ruben Neves e André André por Corona, derivando Otávio para o meio-campo, foram depois sendo emendadas à medida que a partida se aproximava do fim com o resultado em branco: Adrian entrou ao intervalo, André André a meio da segunda parte. Mas nem assim o FC Porto mudou de cara. Foi até ao fim uma equipa mais dominadora do que o habitual mas com alguma dificuldade em transformar domínio evidente em golos. É verdade que teve algum infortúnio – duas bolas à barra, num remate de Otávio e num quase autogolo de Denkler, e uma noite grande de Moreira, guarda-redes estorilista – mas também não deixa de ser claro que este Estoril jogou de menos e que tanto na terça-feira, em Roma, como na generalidade dos jogos deste campeonato, vai enfrentar maiores dificuldades, a exigirem outras soluções. Faltam melhores cruzamentos para aproveitar o ponta-de-lança que é André Silva – e daí a importância de Layún, seja a lateral ou a médio – como falta maior intensidade e velocidade face a equipas remetidas aos metros mais defensivos do retângulo de jogo. Faltou perceber se falta capacidade atrás, que o Estoril não chegou lá: esse teste vai ser feito em Roma. E num desafio do qual dependerá em boa parte a capacidade de resolver todos esses problemas. É que sem Liga dos Campeões será certamente mais difícil ir ao mercado buscar argumentos.
2016-08-21
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Mudar uma equipa não é tarefa fácil. Rui Vitória percebeu isso no ano passado, quando se sentiu tentado a abdicar de boa parte da herança de Jorge Jesus no Benfica e só acertou o passo lá para Novembro. Nuno Espírito Santo está a abraçar a tarefa no FC Porto, mas o que mostrou o empate (1-1) com a Roma, no Dragão, na primeira mão do play-off da Liga dos Campeões, foi que a este FC Porto falta pelo menos uma referência aglutinadora que seja uma espécie de treinador em campo, de descodificador, para os dias em que a mensagem não passa à primeira. Como foi o caso. Nuno Espírito Santo quer mudar o “chip” a este FC Porto. E isso significa mudar os momentos de jogo em que mais investe. Basicamente quer abandonar o jogo de posse por vezes pouco incisiva e muito especulativa que caraterizou o período anterior e aproximar-se de um jogo com mais aposta no ataque rápido e no contra-ataque. O foco deixa de estar tato na organização ofensiva e na transição defensiva, para passar a estar mais na organização defensiva e na transição ofensiva. É mais Jesualdo Ferreira e menos Julen Lopetegui. É claro que é possível fazê-lo. Mas contra uma Roma que é forte em ataque posicional, era preciso que a mensagem passasse de forma cristalina, para evitar o que aconteceu nos primeiros 25 minutos do jogo, período no qual o FC Porto podia ter hipotecado a eliminatória. Visto de fora, o que pareceu foi que os jogadores do FC Porto entraram em campo a pensar nas ideias-base do treinador e com a noção de que para as pôr em prática era preciso a Roma ter a bola. Como se pode contra-atacar se o adversário não estiver ao ataque? Daí até ao posicionamento expectante do início da partida foi um pequeno passo que a equipa não devia ter dado e ao qual podem ter ajudado indicações de não ir com tudo para cima do adversário: uma equipa mais experiente saberia distinguir as coisas e manter a intensidade, não confundiria a vontade de apostar na transição ofensiva com a cedência do controlo do jogo, porque saberia que qualquer jogo lhe dá todos os momentos treinados. É só saber esperar. O problema é que a passividade portista no que toca à necessidade de assumir o controlo do jogo equivalia a colocar em confronto aquele que por enquanto ainda é o pior momento da equipa de Nuno Espírito Santo – a organização defensiva – com o melhor da Roma – a organização ofensiva. E o que se passou foi que nesses 25 minutos, os italianos tiveram quatro situações de golo claras, tendo concretizado uma. Só depois do intervalo, quando se viu a perder e, mais ainda, com um jogador a mais, por expulsão de Vermaelen, é que o FC Porto assumiu verdadeiramente o que significa jogar em casa numa eliminatória europeia. Mais intenso, mais rápido, mais agressivo na pressão sobre o condutor da bola, esse FC Porto colocou a Roma em dificuldades e até podia ter ido além do empate, obtido de penalti por André Silva. O empate adia a resolução do play-off para Roma, onde o FC Porto precisa de ganhar ou empatar com golos. Os seis dias que faltam podem servir ao treinador para clarificar conceitos, ainda que não lhe seja possível injetar maturidade tática na equipa a tempo de esta ler as situações com mais clareza sem precisar de passar pelo balneário. Para já, basta-lhe ler uma coisa: uma eventual eliminação deixa as coisas mais complicadas no que toca ao que resta de mercado e fará a equipa entrar mais pressionada em Alvalade, para o jogo com o Sporting, no último fim-de-semana de Agosto.
2016-08-18
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Rui Vitória sentiu a necessidade de dizer que não anda “à procura de clones” dos jogadores que perdeu neste início de época, que cada um é aquilo que é e tem as suas próprias caraterísticas. Fê-lo após a vitória do Benfica em Tondela, por 2-0, ainda por cima minutos depois de um golaço de André Horta provar que o miúdo tem mesmo muita categoria e que não tem nada que ser o segundo Renato Sanches. Porque na verdade não tem. As equipas são organismos vivos, que crescem de acordo com o que têm. Levam é tempo a crescer, como se percebe pelo total de situações de golo que o Benfica tem permitido aos adversários que vai encontrando. Uma coisa é certa: o Benfica está hoje muito melhor do que há um ano. Há um ano, com uma pré-época calamitosa, Vitória refreou os ímpetos de mudança, deixando a equipa numa espécie de terra de ninguém tática da qual só a emergência de Renato Sanches, somada à inegável categoria dos seus avançados, a resgatou. Agora, sem um duelo com Jesus a abrir a época, respaldado pelo sucesso que foi a última campanha – foi ele o campeão –, Vitória está a levar a equipa para terrenos que lhe agradam mais. O perfume do futebol de André Horta tem muito mais a ver com o jogar de Vitória que a pujança física de Sanches. Não se trata de dizer se é melhor ou pior: é apenas diferente. E a equipa reage a isso. Em Tondela, sem Jonas, Vitória entrou mais próximo do 4x2x3x1, com Gonçalo Guedes atrás de Mitroglou. O jogo mal conseguido dos dois levou-o a aproximar-se ainda mais à medida que o jogo avançava: primeiro trocou Guedes com Pizzi, alimentando a equipa com a capacidade que o médio transmontano tem para fazer (bem) todos os lugares no meio-campo e ataque. Foi dele, aliás, o livre que Lisandro López aproveitou para inaugurar o marcador, minutos depois de ter entrado para o lugar do lesionado Luisão. Mas ainda que seja mais ou menos claro que a defesa benfiquista tem mais capacidade para controlar a profundidade e as bolas nas costas com o argentino do que com o brasileiro, a verdade é que apesar da troca o Tondela continuou a ameaçar chegar ao empate, perdendo várias situações de golo. Com o resultado em risco, Rui VItória reagiu à investida final do Tondela jogando a partir dos 65 minutos com Samaris ao lado de Fejsa, Pizzi à esquerda e Horta a “10”. Foi assim, neste 4x2x3x1 mais claro, que o miúdo fez o segundo golo, num lance em que serpenteou por entre a defesa adversária antes de marcar e no qual muitos viram sombras de Rui Costa. Mas o melhor mesmo é limitarem-se a pensar nisso, sem o dizer muito alto. Porque se há algo de que Horta não precisa é de se livrar da pressão de ser clone de Renato Sanches para o compararem a um ainda maior ídolo de todos os benfiquistas.
2016-08-14
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Quem tivesse olhado para a primeira parte da vitória do FC Porto em Vila do Conde, frente ao Rio Ave, por 3-1, poderia ter ficado com a ideia de que o meio-campo do FC Porto estava curto demais para o jogo. Danilo, Herrera e André André tinham dificuldades para assegurar a iniciativa, muitas vezes deixados em inferioridade numérica face ao quarteto formado por Wakaso, Pedro Moreira, Tarantini e Ruben Ribeiro e sobretudo com demasiado espaço para cobrir, face à maior distância entre linhas que a equipa mantinha. A forma como o jogo decorreu até final, porém, pode deixar uma sensação diferente: e se tudo isso for estratégico? E se essa for a maior diferença face ao “Lopeteguismo” e ao FC Porto dos últimos dois anos? Este é, na verdade, um FC Porto filosoficamente diferente. Onde a equipa dos últimos anos procurava movimentos de aproximação, encurtar linhas, promover apoios, a equipa de Nuno Espírito Santo quer abrir grandes espaços, procurar o ataque rápido e dar aos médios condição para que, assim que conseguem superar a primeira zona de pressão do adversário, correrem livres em direção a zonas de decisão. O golo de Herrera foi disso exemplo: o passe de Otávio, inteligente no movimento para trás e depois na forma como chamou Wakaso, ajudou a libertar o mexicano, que face à tal maior distância entre as linhas teve à frente uma auto-estrada até à entrada da área, de onde desempatou o desafio com um belo remate ao ângulo. Esse lance marcou a diferença num jogo que teve uma primeira parte sempre equilibrada e pode muito bem ser uma afirmação de identidade deste novo FC Porto, que tem em André Silva um excelente avançado de área e em Corona mais um velocista, capaz de decidir tanto na ala como ao meio. Há um ano, houve quem achasse que a maior lacuna deste FC Porto era a falta de um 10. Nunca tal me pareceu claro, porque a intensidade dada ao jogo pelos médios – sobretudo quando ainda havia Imbula em boa fase – chegava para assegurar a iniciativa durante a maior parte dos jogos e aquilo que mais fazia falta era um 9 com capacidade para resolver no aperto da área, que Aboubakar nunca foi. Por alguma razão o camaronês está atrás de Depoitre, um clone de André Silva... Esta época fala-se menos do 10, porque os movimentos interiores e para o espaço entre-linhas de Otávio, vindo do lado esquerdo, parecem ter como intenção mascarar a falta de soluções para a segunda linha de médios. Ruben Neves é mais um 6 do que um 8, alternativa a Danilo, portanto, e além dos que jogaram ontem (Herrera e André André) só há Sérgio Oliveira, Evandro e João Carlos Teixeira. Faltará mais classe ali? É possível. Classe nunca fez mal a nenhuma equipa. De qualquer modo, a avaliação deste FC Porto pede mais tempo. A capacidade daquele meio-campo não pode ser medida nem pela primeira parte do jogo, em que a teia desenhada pelos médios do Rio Ave acabrunhou os portistas e lhes roubou o controlo do terreno, nem pela segunda parte, quando aumentou o espaço para as correrias e a baliza de Cássio se tornou mais próxima. Numa época tão longa, o FC Porto vai precisar de jogar de muitas formas, de dominar todos os momentos do jogo. É verdade que isso não me parece assegurado. O próprio treinador disse no final do jogo que a equipa está “em construção”. Mas enquanto conseguir ir construindo em cima de vitórias, está a ganhar tempo para consolidar o processo.
2016-08-12
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O Benfica que venceu o Sp. Braga por 3-0 e conquistou a Supertaça foi um Benfica muito diferente do que ganhou a Liga anterior. Mais do que os seis titulares de hoje que não fizeram parte do onze-base no tricampeonato, notou-se uma maneira diferente de encarar o jogo, aproximando a equipa do ideal de Rui Vitória. No melhor e no pior. Além dos reforços André Horta e Cervi, que ocuparam as posições dos tranferidos Renato Sanches e Gaitán, Rui Vitória chamou ao jogo Júlio César, Nelson Semedo, Luisão e Grimaldo, por impedimentos de diversa ordem de Ederson, André Almeida, Jardel e Eliseu. A equipa, naturalmente, comportou-se de uma forma diferente, mesmo tendo mantido a tónica no jogo de avançados que resolvem. Foi diferente no seu período mais eufórico, quando encostou o Sp. Braga atrás, fruto de cavalgadas constantes dos dois laterais, de um jogo elétrico de Cervi e do contributo de Horta, jogador mais cerebral que Renato Sanches. E foi diferente no longo período menos feliz, em que o Sp. Braga acertou posicionamentos, controlou o meio-campo com um losango, passou a criar as melhores ocasiões de golo e ao Benfica faltaram as explosões que Sanches metia no campo, a aproveitar o espaço que nessas ocasiões sempre aparece, a convidar aos contra-ataques ou aos ataques rápidos. Cervi não é Gaitán: é mais extremo, jogador mais linear, mas fez um grande golo e abriu o apetite para o que aí vem. E Horta não é Renato – julgo que Danilo também não o será. O Benfica 2016/17 pode assim aproximar-se mais do ideal de Rui Vitória, na procura de um jogo mais de posse e no desprezo pelo jogo de transições de que Renato se tornou expoente máximo. Vê-se a projeção dos dois laterais, observam-se triangulações constantes entre eles e os extremos, com o auxílio de Pizzi e André Horta, e acentua-se a participação de Jonas na construção que pode levar a equipa para o 4x2x3x1 e arrumar de vez com a herança de Jesus. As alternativas são muitas, mas apesar do 3-0 o teste não foi perfeito. E não necessariamente por causa das ocasiões de golo perdidas pelos bracarenses. Fico à espera de ver o que será esta equipa com Danilo e se Vitória vai manter a aposta em Luisão, tornando mais complicado o controlo da profundidade defensiva. Disso vai depender o que será o Benfica 2016/17.
2016-08-07
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Portugal melhorou do primeiro para o segundo jogo do Europeu, mas voltou a não conseguir ganhar. Desta vez, nem com 23 finalizações e um penalti, nem com duas bolas nos postes da baliza de Almer, nem com uma mudança de sistema que lhe permitiu fazer os médios jogar com mais frequência dentro do bloco adversário os portugueses conseguiram fazer um único golo à Áustria, saindo do Parque dos Príncipes com um 0-0 que é ao mesmo tempo frustrante e pressionante. Frustrante porque a equipa fez mais por ganhar e em condições normais teria ganho, pressionante porque o resultado deve obriga-la a vencer o último jogo, frente à Hungria, na quarta-feira, para seguir para os oitavos-de-final. No fundo faltou à seleção aquilo que Cristiano Ronaldo pode dar-lhe: golos. O capitão teve tudo para os fazer, mas nem de penalti lá chegou: a 11 minutos do fim, ganhou uma grande penalidade, na sequência de um raid de Raphael Guerreiro na esquerda, mas apesar de ter enganado o guarda-redes, fez a bola esbarrar no poste. O segundo penalti consecutivo falhado por Cristiano Ronaldo na seleção – já tinha permitido a defesa do guarda-redes contra a Bulgária, em Março – pode nem levar o selecionador a mudar a hierarquia dos marcadores, mas terá seguramente levado o capitão de equipa a aproximar-se dos restantes “humanos” e procurar tirar mais de si mesmo daqui para a frente. Além de que enfatizou a falta que os golos dele fazem a uma equipa que já na primeira parte tinha acertado no poste, num cabeceamento de Nani, após cruzamento de André Gomes. E essas nem foram as únicas ocasiões flagrantes desperdiçadas por Portugal, o que justifica a forma efusiva como os adeptos austríacos festejaram o empate no final: ficaram a cantar nas bancadas, apesar de a equipa de Koller continuar em último lugar no Grupo F e sem depender apenas de si própria para se apurar. Ao empate não é alheia também a forma como Fernando Santos geriu a equipa no banco. De início, o técnico corrigiu bem os erros táticos cometidos ante a Islândia mas mexeu mal durante o jogo. A entrada de William para o comando do meio-campo trouxe a Portugal a capacidade de afastar a bola das zonas de pressão, graças à sua maior agilidade no passe longo e à capacidade que tem para ganhar terreno com bola, ao passo que passagem para o 4x3x3 também ajudou João Moutinho e André Gomes a entrarem com bola entre as linhas defensivas adversárias: Moutinho foi mesmo designado pela UEFA, com exagero, é verdade, como o melhor em campo (ainda que tenha estado abaixo do rendimento de William e dos dois laterais). A questão é que, com Portugal a encostar a Áustria às cordas, Fernando Santos demorou a mexer. E quando mexeu permitiu que se instalasse a confusão na equipa. Nunca foi claro o que o treinador quis obter, por exemplo, com a entrada de João Mário: impunha-se que ele (ou Renato Sanches) entrasse até antes do minuto 71, mas para jogar em vez de um dos médios-interiores, de forma a dar mais criatividade naquela zona, mas ao fazê-lo entrar para o lugar de Quaresma na direita e mandá-lo explorar o jogo interior, Santos perdeu o flanco. André Gomes acabou por sair, mas apenas a sete minutos do fim, quando o desespero levou o selecionador à entrada de Éder para jogar ao lado de Cristiano no centro do ataque. E Rafa, o último a ser chamado, acabou por ser quem mais trouxe ao jogo – percebeu-se no final que devia ter ocupado a vaga de um Nani que já estava esgotado muito antes do minuto 89, que foi quando ele entrou no relvado. Ainda assim, em condições normais, Portugal devia ter ganho o jogo. Apesar da largueza que os dois centrais portugueses foram dando a Harnik, o ponta-de-lança solitário dos austríacos, para este poder combinar com os médios, a Áustria só chegou três vezes à baliza de Rui Patrício. Logo aos 3’, de cabeça, Harnik soltou-se atrás da defesa portuguesa para cabecear um cruzamento de Sabitzer, mas fê-lo ao lado. O ponta-de-lança voltou a ameaçar aos 41’, na sequência de um livre lateral que Alaba bateu direto à baliza, mas nessa ocasião Vieirinha evitou que ele fizesse a finalização e cortou junto ao poste. E a abrir a segunda parte Rui Patrício fez a sua única defesa, detendo um remate de longe de Illsanker. Até final, com Alaba (que jogou atrás do ponta-de-lança, a ser completamente dominado por William e a ser substituído) os austríacos limitaram-se a conter as ofensivas de Portugal, que só ficou a dever a si próprio a vitória. E aqui Nani e Ronaldo terão de dividir responsabilidades, pois foram perdendo golos à vez. Aos 12’, Nani ganhou um ressalto e isolou-se face a Almer, mas não conseguiu evitar a mancha do guarda-redes. Dez minutos depois, foi Ronaldo quem teve a bola à frente para marcar, após trabalho de Raphael Guerreiro, mas chutou de pé direito ao lado. Nani acertou no poste aos 29’, de cabeça, após cruzamento de André Gomes e aos 38’ foi outra vez Ronaldo quem cabeceou para o guarda-redes, no seguimento de um canto de Quaresma. Na segunda parte, Nani foi-se apagando e teve de ser Ronaldo a assumir as responsabilidades: chutou de longe para grande defesa de Almer aos 55’, cabeceou para o guarda-redes após o canto de Quaresma aos 56’, bateu um livre em boa posição por cima da barra aos 65’ e acertou no poste com o penalti que ganhou aos 79’. Tanto fogo, sem um único tiro certeiro acaba por deixar a equipa numa posição desconfortável e sem o direito a errar de novo no jogo com a Hungria. Santos parece ter acertado no regresso ao 4x3x3, seja com Nani ou Ronaldo ao meio, mas o pouco que se viu neste jogo parece impor a entrada de Rafa na equipa para o último jogo, onde João Mário e Renato Sanches também podem ter um papel a desempenhar – nem que seja saindo do banco – mas para jogar ao meio. 
2016-06-18
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Portugal vai enfrentar a Áustria numa situação que não é brilhante mas também não é desesperada. Saiu com um ponto do primeiro jogo, precisará de fazer mais três – em dois jogos – para se qualificar, uma vez que os quatro pontos darão quase de certeza para se ser um dos quatro melhores terceiros. Contra a Áustria, a obrigação é a mesma que já era ante a Islândia: ganhar. A forma de procurar essa vitória será, no entanto, diferente, porque as circunstâncias próprias e alheias são diferentes. Na conferência de imprensa no Parque dos Príncipes, Fernando Santos não deu muitas respostas que permitam adivinhar o que lhe vai na mente, ao que o próprio diz para não mostrar o jogo todo ao treinador adversário, mas ainda assim é possível fazer sem ele um exercício de pergunta-resposta no qual se colocam as principais dúvidas e se fornecem alguns esclarecimentos com base no mero senso-comum. Pergunta 1: Fernando Santos vai fazer uma revolução no onze? Resposta: Não. Aliás, o próprio o disse na conferência de imprensa. “Revolução foi em 1974”, brincou. Em Portugal muito se tem falado da falsa partida do Europeu de 2004, quando após a derrota com a Grécia no Dragão, Scolari teria feito uma revolução, indispensável para que a equipa chegasse à final. Mas depois olha-se com mais atenção e verifica-se que, do jogo com a Grécia para a segunda partida, frente à Rússia, que Portugal ganhou por 2-0, Felipão só mudou quatro jogadores: Paulo Ferreira por Miguel, Rui Jorge por Nuno Valente, Fernando Couto por Ricardo Carvalho e Rui Costa por Deco. Ronaldo, por exemplo, continuou no banco e só no terceiro jogo, contra a Espanha, ganhou o lugar a Simão. Por isso, desenganem-se os que querem ver muito sangue antes do jogo com a Áustria. No máximo, Fernando Santos mudará quatro jogadores. Mas o mais provável é que só troque dois ou três. Pergunta 2: Portugal pode jogar com Quaresma, Nani e Ronaldo no onze? Resposta: Pode. Aliás, Fernando Santos já o fez em alguns momentos, embora não de início. Na conferência de imprensa, o selecionador limitou-se a dizer que isso “era uma possibilidade”, o que à saída da sala era interpretado de duas formas diferentes pelos vários jornalistas presentes. Uns diziam terem ficado convencidos de que os “três reis magos” iam jogar desde o início, outros que aquilo que Fernando Santos disse veio apenas engrossar o que acham que é um bluff para assustar os austríacos. A questão deve, por isso ser colocada de uma outra forma. Portugal vai jogar com Quaresma, Nani e Ronaldo no onze? Não me parece a hipótese mais provável, sobretudo por duas razões. A primeira – e fundamental – é que essa alteração deixava a equipa com três jogadores que pouco participam no processo defensivo e que veem o jogo sobretudo de uma forma individual. Olhando para os números de toda a época, Ronaldo soma uma média de 1,8 recuperações ou interceções por jogo, Quaresma tem 4,1 e Nani soma 4,6, enquanto que os dois potenciais sacrificados estão acima: André Gomes com 5,9 e João Mário com 6,2. Depois, porque esse onze não deixaria a Fernando Santos muitas hipóteses de reforçar o ataque se as coisas começassem a correr mal. Acresce a isso, para os defensores da disciplina de caserna, que a alteração iria premiar as declarações “fora da caixa” de Quaresma, que de certa forma desautorizou o treinador ao dizer que estava em condições de ter sido titular contra a Islândia, quando Fernando Santos disse que se o tivesse colocado a jogar corria o risco de ter de o tirar aos 40 minutos. Pergunta 3: Se ainda assim Quaresma entrar, qual será o esquema de Portugal? E quem sai? Resposta: O facto de Quaresma entrar não significa que a equipa mude para o 4x3x3, porque com ele não fica resolvido o problema da colocação de Ronaldo, que ainda hoje Fernando Santos voltou a dizer que “nunca será um avançado-centro” na perspetiva de jogar sozinho na frente. A equipa continuará por isso a jogar em 4x4x2, ainda que a presença em simultâneo dos três atacantes permita uma série de alternativas. Até aqui, o extremo do Besiktas tem alinhado sempre numa das alas do meio-campo, deixando na mesma Ronaldo e Nani no centro do ataque, mas pessoalmente acho que faz mais sentido ter Quaresma e Ronaldo na frente, com Nani a ocupar uma posição no meio-campo, seja como “10” num losango ou como ala esquerda no 4x4x2 mais clássico. Mais difícil é definir quem pode sair. E isso depende muito da arrumação inicial dos jogadores. Em condições normais, seja com Nani e Ronaldo na frente e Quaresma numa ala ou com Ronaldo e Quaresma na frente e Nani numa ala, sairia André Gomes, porque além de ter uma melhor percentagem de passe (84% para 83% em termos médios durante a época), João Mário faz mais passes de rotura (3,1 para 2,7 por jogo) e aparece mais na área (sete passes por jogo contra 2,7 são dentro da área). A questão é que com tanta gente que só vê baliza na frente, Fernando Santos pode sentir-se tentado a manter quem pense o jogo mais atrás, e aí André Gomes ganha algum avanço. Até porque os números defensivos dos dois são muito semelhantes. Diferente será se Santos optar por colocar Nani como “10”: aí sairia Moutinho. Pergunta 4: Quem pode então ser sacrificado nas alterações que Fernando Santos anunciou? Resposta: Fernando Santos disse claramente que ia fazer algumas alterações “para refrescar a equipa”. Uma delas será a troca de médio mais recuado, posição que Danilo dificilmente ocupará. A sua entrada contra a Islândia tinha a ver com um aspeto muito específico do jogo islandês, que era o jogo aéreo. Sem essa ameaça, certamente nem seria necessária a lesão de Danilo para que a equipa passasse a apresentar ali um jogador que arrisca mais nos momentos atacantes, como é o caso de William. As outras alterações não são claras. A não ser que queira colocar Nani a “10”, Santos dará provavelmente pelo menos mais um jogo a Moutinho para que ele possa reganhar o ritmo que lhe vem faltando mas que, assim que o recuperar, fará a diferença nos oitavos-de-final, porque é o jogador mais coletivo desta seleção. Adrien e Renato continuarão certamente à espera. Depois, o jogo de Vieirinha contra a Islândia não foi assim tão mau a ponto de justificar uma alteração na hierarquia – e se o facto de o lateral do Wolfsburg ter estado no golo islandês contribui para algo é para que Fernando Santos não o deixe cair em nome da mera rotatividade que noutras circunstâncias talvez até se justificasse. Pergunta 5: O que precisa Portugal de mudar para ter mais garantias de obter um resultado positivo? Resposta: Primeiro que tudo, tem de melhorar a finalização. A seleção nacional foi a que mais rematou na primeira jornada do Euro, mas só fez um golo, que lhe valeu apenas um ponto. As ocasiões de golo, porém, abundaram – e é bom que todos se consciencializem que contra a Áustria não vão ser tantas, porque os austríacos vão querer jogar mais do que os islandeses. Ainda assim, há que perceber que boa parte do baixo índice de certeza na finalização teve a ver com as condições não tão favoráveis em que muitos dos remates foram feitos. E isso já tem a ver com todo o processo de construção de jogo de Portugal. Por raramente ter conseguido meter gente entre as duas linhas defensivas da Islândia, faltou a Portugal o necessário ponto de apoio nas suas jogadas, de onde pudesse partir um passe de rotura para as alas ou para deixar um dos avançados na cara do guarda-redes. Não apareceram ali Nani nem Ronaldo, da mesma forma que nem João Mário nem André Gomes procuraram o corredor central com a frequência recomendada. João Moutinho também andou sempre mais longe da baliza islandesa do que seria desejável, o que pode ter a ver com o facto de Danilo não assumir tanto a construção. O ataque ao espaço central terá de ser uma das prioridades da equipa no jogo de amanhã, o que pode levar à adoção da solução com o meio-campo em losango. Da mesma forma que terá de o ser a agilidade na transição ofensiva. Pergunta 6: E Ronaldo, o que tem de fazer diferente? Resposta: Ronaldo tem sobretudo que compreender que o futebol é um jogo coletivo e que o facto de ser o melhor finalizador do Mundo não recomenda que seja sempre ele a chutar. A luta do CR7 contra os recordes tem destas coisas: se anda obcecado com os golos que lhe permitam ser o melhor marcador da história dos Europeus, acaba por secar tudo à sua volta, não tomando as decisões que seriam mais recomendáveis em benefício da equipa. E nem falo de livres ou de falta de empenho no processo defensivo: isso já faz parte do pacote. Contra a Islândia, no entanto, Ronaldo optou várias vezes por rematar em situações nas quais havia companheiros melhor colocados para dar seguimento a lances que podiam ter tido outro final. Mas este é um problema que só se resolverá quando Ronaldo marcar o primeiro golo e aliviar um pouco a ansiedade que o come por dentro em cada grande competição internacional.
2016-06-17
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A história da final da Taça de Portugal escreveu-se com o nome de dois heróis e não com os de quatro réus, como chegou a prometer. Antes assim, que as finais servem para que se cantem canções de glória. Mas nem é seguro que os heróis possam tirar grande proveito da tarde como o não é que os réus tenham o futuro imediato assegurado. O defeso ainda vai ter muitas histórias para contar acerca de todos eles. Primeiro os heróis, com Marafona à cabeça. O guarda-redes do Sp. Braga foi a grande diferença entre o pesadelo de há um ano e a festa de ontem, ao defender dois penaltis que impediram que os minhotos voltassem a morrer na praia. Tal como há um ano, beneficiaram de uma vantagem de dois golos sem terem feito muito por isso. Tal como há um ano, viram o adversário chegar ao 2-2 no último minuto de jogo, lançando-os num prolongamento que, até pelo que tinham vivido antes, cheirava a tragédia por todos os lados. Mas ao contrário do que sucedeu há um ano levaram a taça para casa, muito à conta do guarda-redes que começou a época no Paços de Ferreira. O mais improvável herói da tarde defendeu dois penaltis e esteve quase a deter um terceiro, mas ainda vai ter de se esforçar para manter a preponderância num plantel em constante mutação. Outro herói foi André Silva. O avançado portista veio mostrar a todo o país aquilo que alguns já sabiam: que está mais do que pronto para ser o ponta-de-lança da seleção nacional. Marcou dois golos, o primeiro pleno de oportunismo, o segundo numa execução técnica perfeita, resgatando o FC Porto de uma derrota que parecia inevitável, mas nem precisava de os ter marcado, tão boa é a generalidade das suas intervenções no jogo. Sempre bem a decidir, se busca a profundidade, o movimento de rotura, se passa ou remata ou se baixa em apoio, André Silva tinha na falta de golos o argumento dos que diziam que ainda não fizera o suficiente para “merecer” ir à seleção. Acontece que à seleção não se vai porque se merece – vai-se quando se pode ser útil. E André Silva vai poder ser útil. Não já em 2016, mas seguramente depois dos Jogos Olímpicos, quando assumir o lugar que é dele no futuro do FC Porto e da seleção nacional. O que nos leva ao primeiro réu: José Peseiro. O treinador do FC Porto confirmou as teses dos que o acusam de ser “pé frio”, como se isso existisse no futebol ou na vida. Ao perder a final da Taça de Portugal, Peseiro perdeu também a melhor oportunidade que tinha para agarrar um lugar à frente do plantel para 2016/17. Mas se por um lado não deve ser por um jogo que se julga a competência de um líder, por outro também é evidente que o FC Porto não cresceu o que os seus responsáveis esperariam após a troca de Lopetegui pelo ribatejano. Primeiro porque continuou a promover o “lopeteguismo” sem Lopetegui, na forma de jogar; depois porque a equipa passou a perder muito mais derrotas do que anteriormente. Peseiro não foi capaz de empurrar a equipa para as conquistas que gostaria de ter alcançado, por falta de tempo para trabalhar, de convicção na liderança ou por ter sido vítima de um plantel desequilibrado. Ainda resolveu a lacuna do ponta-de-lança – que Aboubakar nunca foi e André Silva começa a ser – mas não foi capaz de construir uma defesa capaz com tanta falta de qualidade. E ainda que isso em parte o absolva, deverá também chegar para o impedir de continuar. Porque um homem é ele mesmo e as suas circunstâncias e, aos olhos do público, pelo menos, Peseiro é um perdedor. Mesmo que os réus principais no jogo de ontem tenham sido outros. Helton e Chidozie pelo desentendimento no lance do primeiro golo, no qual o defesa se encolheu e o guarda-redes saiu sem resolver; outra vez Helton e Marcano na jogada do segundo, no qual o guarda-redes deu a bola ao central com este de costas para o jogo e prestes a ser pressionado e o defesa não teve a perceção disso mesmo, deixando-se antecipar. Uma coisa é certa: o FC Porto de 2016/17 não deve ter Peseiro ao leme, mas também dificilmente terá Helton, Chidozie ou até Marcano em posições de destaque. Porque o renascimento de um FC Porto ganhador ao fim de três anos de jejum total dependerá muito da construção de uma defesa capaz. In Diário de Notícias, 23.05.2016
2016-05-23
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Último Passe

Dois penaltis defendidos por Marafona permitiram ao Sp. Braga ganhar a segunda Taça de Portugal da sua história, 50 anos exatos depois da anterior. O guarda-redes apareceu quando em Braga já não se pensava noutra coisa a não ser na final do ano passado, perdida contra o Sporting depois de uma vantagem de dois golos que os leões anularam com o empate em cima do minuto 90. Desta vez foi André Silva, o jovem goleador portista, quem reanimou o FC Porto e, com um bis, levou a equipa de José Peseiro a um empate (2-2) que teve pelo menos um mérito: passou para segundo plano a forma como os bracarenses se colocaram em vantagem, com dois erros crassos da defesa portista e de Helton. André Silva e Marafona foram, assim, os dois grandes vencedores de uma tarde que bem podia ter ficado marcada pelo papel dos anti-heróis Helton, Chidozie e Marcano. Foram os protagonistas que asseguraram que os nomes aos quais ficará ligada esta final da Taça de Portugal o são pelas razões certas, por proezas e não por erros. Porque a história até ao 2-0 foi, sobretudo, uma história de erros. Primeiro, erraram Helton e Chidozie, quando ficaram um à espera do outro após um passe para as costas da defesa do FC Porto, permitindo que Rui Fonte, a aposta surpresa de Paulo Fonseca, se intrometesse e marcasse numa baliza deserta. A primeira parte ainda mostrou um Sp. Braga a sair bem do primeiro momento de pressão portista e a encontrar espaço nas costas dos laterais, quinda por cima queimando bem linhas em posse. Ante um FC Porto inoperante na frente, o 1-0 ao intervalo até se compreendia. Para a segunda parte, que Peseiro abordou sem Chidozie, com Ruben Neves a meio-campo e Danilo como defesa-central, apareceu um FC Porto diferente. Melhor, mais acordado, a procurar o empate que Herrera quase conseguiu ao minuto 57, quando fez um remate de ressaca passar a milímetros do poste da baliza de Marafona. E na resposta veio o segundo erro: bola longa, a chegar a Helton, que a entregou a Marcano; desatenção do defesa espanhol, que olhou para um lado quando Josué lhe apareceu do outro, a roubar-lhe o esférico e a marcar. Com 2-0, a sorte do FC Porto dependia do tempo que levasse a reduzir – e fê-lo rapidamente, porque aí começou a grande tarde de André Silva. Primeiro a empurrar para as redes um primeiro remate de Brahimi que Marafona defendera; depois, já em período de compensação, a empatar o jogo com um remate acrobático de excelente execução, após cruzamento de Herrera. O empate fazia nascer na mente dos bracarenses o fantasma daquilo que foi a final do ano passada, perdida nos penaltis depois de o Sporting ter anulado uma desvantagem de dois golos no último minuto da partida. Paulo Fonseca há-de ter centrado a conversa com a equipa na necessidade de reação a uma segunda parte que tinha sido de ampla superioridade portista. E, mesmo não tendo voltado a ser capaz de incomodar Helton, o Sp. Braga conseguiu pelo menos impedir o FC Porto de fazer um terceiro golo e levar a decisão para as grandes penalidades. Só que aí, naquela que podia ser a oportunidade de ouro para a redenção, Helton não brilhou e quem o fez foi Marafona – o guardião bracarense deteve os penaltis de Herrera e Maxi Pereira (e ficou a poucos centímetros de parar o de Ruben Neves também), o que, somado aos 100% de acerto dos seus colegas que bateram, levou o Sp. Braga a fazer a festa e lançou ainda mais dúvidas no que vai ser a próxima época do FC Porto. Se uma eventual vitória na final da Taça de Portugal podia dar a José Peseiro a força de que necessitava para reivindicar o cumprimento do ano de contrato que lhe falta, mesmo depois de seis meses em que não foi capaz de recuperar a equipa, a confirmação de um terceiro ano sem um único troféu deixa-o numa posição frágil, à espera de uma palavra de Pinto da Costa. Do outro lado, Paulo Fonseca celebrou um lugar na história do Sp. Braga recusando-se a garantir que quer prosseguir. Neste aspeto, a final da Taça de Portugal pode ser igual à do ano passado.
2016-05-22
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Último Passe

O FC Porto colocou um ponto final feliz numa Liga triste, ganhando por 4-0 ao Boavista, no Dragão, e assegurando que na pior das hipóteses terminará a 15 pontos do Benfica na classificação. O terceiro lugar serve de fraca consolação e deixa os responsáveis portistas a pensar no próximo fim-de-semana, quando a final da Taça de Portugal poderá permitir ao clube interromper um jejum de três anos sem troféus. Frente a um Boavista que melhora semana após semana e, a espaços, até conseguiu andar mais próximo da baliza de Casillas, também houve quem já só tivesse a cabeça no Jamor. Não foi o caso de André Silva, cujo golo, o quarto, a dois minutos do fim, foi o momento alto do jogo: na estreia do futebol matinal, horário ao qual estava habituado na equipa B, abriu por fim a sua conta de goleador. No último ensaio antes da final, José Peseiro fez um onze sem Martins-Indi, Sérgio Oliveira, Brahimi ou Aboubakar, deixando a ideia de que quis dar a André André ou a Corona a possibilidade de ainda discutirem um lugar na equipa que fará para o Jamor. Quem jogou e jogará a final foram Chidozie e André Silva: o primeiro, mesmo sem grandes problemas causados pelo Boavista, não complicou, ao passo que o segundo, mesmo antes de marcar o seu golo voltou a trabalhar bastante em prol da equipa, com movimentações de rotura ou de apoio e empenho do ponto de vista defensivo. Foi dele, por exemplo, o passe para o golo de Layun, a jogada que arrumou com a incerteza de que o jogo ainda pudesse estar rodeado, aos 56 minutos. E no entanto o FC Porto começou muito bem, com um futebol fluído e chegadas constantes com perigo à baliza de Mika, protegida por um Boavista organizado, como de costume, em 4x2x3x1. É certo que o golo inaugural, de Danilo, logo aos 11’, não nasceu de um belo movimento, mas sim da presença na área contrária, de um ressalto fortuito em Marcano e do oportunismo do médio, que chutou sem pedir licença. Mas aquilo que o FC Porto mostrou nesses primeiros 20 minutos deixava boas perspetivas. Só que, aos poucos, o FC Porto foi abrandando o ritmo e permitindo que o rival entrasse no jogo. Fê-lo a equipa de Erwin Sanchez com combinações interessantes nos corredores laterais, chegando a deixar uma vez Mesquita na cara de Casillas – com boa defesa do guarda-redes espanhol, que terá feito o último jogo da época. A segunda parte correu no mesmo ritmo, com Ruben Neves e Brahimi em vez de Danilo e Corona, no tal Lado B do ensaio para o Jamor. E no momento em que o FC Porto chegou ao 2-0, num belo remate de Layun a premiar um lance de insistência e visão de André Silva, o jogo fechou. Tudo se resumia a perceber se André Silva conseguia finalmente abrir a sua conta de goleador com a camisola do FC Porto. A primeira boa oportunidade para tal saiu frustrada quando, a cinco minutos do fim, Ruben Ribeiro derrubou Maxi Pereira na área e Carlos Xistra apontou para a marca de grande penalidade. Herrera e Brahimi aproximaram-se para bater, o público assobiou, provavelmente a pedir que fosse André Silva a marcar, mas não se desfez o pré-estabelecido – e bem, porque um penalti falhado faria mais mal do que um golo marcado. Brahimi fez então o terceiro, mas quem foi embora aí perdeu o momento do jogo. Até final, André Silva ainda foi capaz de desbloquear finalmente a conta: respondeu a um passe em profundidade de Brahimi, torneou Mika e chutou para a baliza. O público exultou, porque um golo é sempre um golo, o jovem jogador também, recebendo felicitações de toda a gente, mas a verdade é que mesmo sem esse golo a manhã já tinha sido dele. E, ao contrário do que aconteceu no clássico recente com o Sporting, quando fizer o onze para a final da Taça de Portugal, Peseiro pode começar por ele.
2016-05-14
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Último Passe

Um golo de Jardel, a corresponder de cabeça a um livre muito bem batido por Gaitán, mesmo no início da segunda parte, permitiu ao Benfica vencer o V. Guimarães, por 1-0, e assegurar que, graças à quarta vitória seguida pela margem mínima, continuará isolado na frente da Liga, seja qual for o resultado que o Sporting fizer frente ao FC Porto no Dragão. A equipa de Rui Vitória voltou a sentir dificuldades para somar os três pontos, porque a falta de criatividade e de intensidade raramente lhe permitiu entrar na muito povoada organização defensiva dos minhotos, mas acabou por superar mais uma barreira, a antepenúltima, a caminho do tão desejado tricampeonato. E ficou a dever os três pontos a dois lances em que André Almeida, primeiro, e Ederson, depois, tiraram o empate a Hurtado. Sérgio Conceição entrou na Luz com três defesas centrais, num 5x4x1 que soltava apenas Henrique Dourado na frente, com Hurtado num lado e Cafu no outro, mas a sua principal preocupação era a de manter bem preenchido o corredor central à frente da área, de forma a não permitir liberdade de ação a Jonas. O Benfica ressentiu-se disso e, com Pizzi claramente a perder gás, confirmando uma tendência das últimas semanas, não conseguia criar desequilíbrios. Ia rematando, mas sempre sem grande perigo, a ponto de a primeira defesa do jogo ter sido feita por Ederson, aos 34’: o guardião benfiquista opôs-se a um remate seco, feito de fora da área por Henrique Dourado. Mesmo tendo mais volume de jogo e iniciativa, em toda a primeira parte só por uma vez o Benfica criou um lance de verdadeiro perigo, quando Lindelof chegou a um livre de Gaitán e o amorteceu para um remate que, mesmo em boa posição, Mitroglou dirigiu mal, para fora. Era um anúncio do que estava para vir. Logo a abrir a segunda parte, em novo livre de Gaitán, Jardel foi mais rápido que Pedro Henrique e cabeceou para golo. O jogo entrou nessa altura numa espécie de limbo, porque Sérgio Conceição – expulso na primeira parte, por protestos – não desmontou a sua organização e, por isso, o Vitória demorou a reagir. Otávio soltou-se um pouco mais nos lances de ataque, mas foi Hurtado quem perdeu as melhores situações de golo que se viram até final. Aos 67’, beneficiando de uma perda de bola de Jardel, viu André Almeida tirar-lhe o empate sobre a linha no remate e depois na recarga, já sem guarda-redes. E aos 77’, após boa abertura de Otávio, foi batido por uma saída providencial de Ederson, muito rápido a fazer a mancha. O Vitória chamou reforços para o ataque, mas quem se viu mais depois de sair do banco até foi Jiménez, que substituiu Mitroglou e também esteve à beira do golo, sobretudo quando acertou em cheio na barra da baliza de Miguel Silva (aos 84’). Avisado, Rui Vitória tentou fechar o jogo com a entrada de Samaris para o lugar do explosivo mas defensivamente menos consistente Renato Sanches. Conseguiu assim que a partida acabasse no 1-0 que agora lhe permitirá ver descansado como o Sporting se sai da difícil visita ao Dragão. O pior que pode acontecer-lhe é entrar na penúltima jornada, nos Barreiros, com dois pontos de avanço, numa partida onde ainda poderá contar com André Almeida: o lateral estaria excluído, por ter visto o quinto amarelo da Liga, mas já em período de compensação acabou por ser expulso, o que fará com que continue “à bica” na Liga e falhe antes a partida contra o Sp. Braga na meia-final da Taça da Liga.
2016-04-29
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Último Passe

Um Benfica de duas caras foi suficiente para ganhar por 2-1 ao V. Setúbal e retomar o lugar no topo da classificação da Liga, com dois pontos de avanço sobre o Sporting, quando já só faltam mais quatro jornadas para o termo da competição. A equipa de Rui Vitória fez 25 minutos à campeão, com velocidade, intensidade e criatividade, chegando com inteira justiça à vantagem, depois de ter visto o adversário marcar logo aos 17 segundos. Mas a segunda parte foi à mandrião, a mostrar uma equipa ao mesmo tempo fatigada e desconcentrada, que só não deixou dois pontos pelo caminho porque, no último minuto de compensação, Arnold não foi capaz de aproveitar a oferta de Pizzi e, isolado na cara de Ederson, deixou que o guardião encarnado levasse a melhor e evitasse o golo do empate. O golo do V. Setúbal, no primeiro lance da partida, condicionou a forma como decorreu toda a primeira parte. Gorupec encontrou espaço por fora na direita e cruzou para o outro lado, onde André Claro apareceu atrás de Nelson Semedo a abrir o marcador. Estavam decorridos apenas 17 segundos de jogo e este golo, que podia ter afetado animicamente os bicampeões nacionais, veio antes lançá-los numa ofensiva louca e determinada em direção à baliza de Ricardo. Foi dos melhores períodos do Benfica esta época, com oportunidades de golo umas atrás das outras, a deixar antever que a virada no marcador não tardaria. Jonas esteve perto do golo aos 3’ (evitou Ruca) e aos 6’ (impediu-o Tiago Valente). Mitroglou aproveitou um cruzamento de Gaitán para cabecear ao lado (aos 8’), mostrando à equipa que por cima podia lá chegar. Jardel, após canto de Pizzi, cabeceou para Ricardo defender com dificuldade, aos 11’, Mitroglou imitou-o aos 13’, forçando o guarda-redes a socar de improviso. E foi depois de André Claro falhar em boa posição o que até podia ter sido o 0-2, cabeceando ao lado, aos 15’, que Jonas empatou: iam decorridos 19 minutos, Eliseu cruzou e Gaitán, de cabeça, meteu a bola entre a linha defensiva e o guarda-redes, onde Jonas apareceu de rompante para marcar de primeira. Ainda os adeptos festejaram o primeiro quando Jardel fez o segundo, de cabeça, nas costas de Paulo Tavares – muito mais baixo do que ele – após um canto de Gaitán. Só que aí, com apenas 24' de jogo, o Benfica pareceu tirar o pé do acelerador. Certo que aquele ritmo era impossível de manter até final e que tanto o jogo com o Bayern, na quarta-feira, como a fadiga acumulada por alguns jogadores (Pizzi, por exemplo, está uma sombra do que já foi) ou o facto de outros (Gaitán, MItroglou...) estarem a regressar de lesões prejudicaram a capacidade encarnada. Mas a diferença foi do dia para a noite. Pizzi ainda teve a oportunidade para fazer o 3-1 que descansaria a equipa, a fechar a primeira parte, mas Venâncio cortou o chapéu que o ala fez ao guarda-redes antes de a bola cruzar a linha. E, sem esse golo, o Benfica foi como que apanhado entre dois focos. Forçava em busca da tranquilidade? Defendia a vantagem magra que possuía? Acabou por não se decidir por uma coisa nem pela outra. Em toda a segunda parte, só um cabeceamento de Mitroglou (aos 66’) e outro de Jardel (aos 75’) causaram frisson junto da baliza de Ricardo. O Vitória conseguia equilibrar a meio-campo, mas raramente entrava na área. Fê-lo aos 59', por Arnold, e aos 60', por Ruca, e mesmo assim intranquilizava o campeão, que se foi pondo a jeito para uma surpresa. E esta quase aparecia no segundo minuto de descontos: Pizzi fez mal um atraso e isolou Arnold na cara de Ederson, valendo ao Benfica a qualidade da mancha feita pelo guarda-redes, que dificilmente perderá já o lugar para Júlio César. O 2-1 não se alterou, Arnold acabou o jogo a chorar e os mais de 50 mil adeptos benfiquistas na Luz a festejar. Porque estão um jogo mais perto do objetivo, o tricampeonato, enquanto o do Vitória, que é a manutenção e chegou a parecer garantido, está em risco sério com uma segunda volta muito abaixo da primeira.
2016-04-18
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Último Passe

Uma entrada contundente, com dois golos em nove minutos, permitiu ao FC Porto de José Peseiro afastar o espectro das duas derrotas consecutivas que subiu ao relvado com os seus jogadores para a partida com o Nacional e deu ao treinador a hipótese de ganhar pela primeira vez ao seu antigo clube. Os 4-0 com que se concluiu a partida, maior vitória do FC Porto desde a chegada de Peseiro, chegaram para que os dragões mantivessem as hipóteses matemáticas de alcançar os dois rivais de Lisboa na classificação mas, muito mais importante do que isso, lançaram mais três jogadores para o foco mediático nesta espécie de pré-época em que se transformaram as semanas que antecedem a final da Taça de Portugal: André Silva, Ruben Neves e Varela juntam-se a Sérgio Oliveira como “descobertas” de fim de temporada. O golaço de Varela, logo aos 2’, na primeira vez que o FC Porto visou as redes de Rui Silva, e o tento que se lhe seguiu, de Herrera, aos 9’, transformaram uma partida que se presumia pudesse ser competitiva num mero exercício de avaliação. A perder por 2-0 desde tão cedo, o Nacional deixou cair grande parte das esperanças de levar pontos do Dragão, pelo que o que havia a ver era sobretudo como se comportavam as novas apostas de Peseiro. E não se portaram nada mal, lançando entre os dragões a esperança de se verem mais representados na escolha final de Fernando Santos para jogar o Europeu, na qual só mesmo Danilo já estava seguro. O treinador recuou o médio para defesa-central, em vez de Chidozie, e dessa forma permitiu, de bónus, o regresso de Ruben Neves à titularidade no comando das operações a meio-campo, a tempo de voltar a ter algumas – poucas, é verdade… – esperanças de ser chamado. Na frente, com Aboubakar sentado no banco, apostou no jovem André Silva, que voltou a não marcar (esteve perto, aos 18’ e aos 67’) mas se mexeu sempre bem e deu o seu contributo para o excelente arranque da equipa. Com 2-0 ao intervalo – e Sérgio Oliveira também esteve perto do terceiro ainda na primeira parte – o Nacional procurou reagir no início do segundo tempo, com Luís Aurélio em vez de Aly Ghazal. Ainda assim foi o FC Porto quem marcou, por Danilo, de cabeça, após cruzamento de Corona. Se dúvidas havia – até então, um golo do Nacional ainda podia reabrir o jogo – elas acabaram nesse momento. E houve ainda tempo para que Aboubakar, que entrou a 15 minuto do fim, reforçasse o seu estatuto de maior goleador da equipa, rompendo a resistência que vinha sendo feita pelo guarda-redes Rui Silva e fechando o marcador num golo de chapéu. Os três pontos não estavam em discussão há muito, mas o jogo valeu mesmo para que vários jogadores dissessem que se o que o clube atravessa neste momento é uma pré-época, então devem contar com eles quando começar a competição.
2016-04-17
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Stats

O Sporting entra em campo, frente ao Moreirense, com o intuito de vencer e recuperar, ainda que à condição – pois o Benfica só joga na segunda-feira – a liderança da Liga, mas há outro encontro com a história à mercê dos leões. Basta à equipa de Jorge Jesus repetir os quatro golos marcados na época passada naquele campo para chegar ao centenário de tentos marcados esta época. Os leões somam neste momento 96, entre todas as competições, sendo 64 na Liga, 15 na Liga Europa, nove na Taça de Portugal, quatro na Taça da Liga, três no play-off da Champions e um na Supertaça. Se chegarem aos 100, fazem-no pela segunda época seguida, pois já em 2014/15 terminaram a competição com 105. Para que se veja a importância da proeza, há que dizer que a última vez que o Sporting marcou pelo menos 100 golos em duas épocas seguidas foi entre 1961 e 1963. Há mais de 50 anos, portanto. Em 1961/62 os leões acabaram a época com 101 golos marcados – tendo chegado ao centésimo por Monteiro, na 40ª partida oficial, uma derrota por 4-3 com o Belenenses, na Taça de Portugal – e em 1962/63 fizeram 125 – tendo atingido o 100º por Figueiredo, ao 36º jogo, uma vitória por 2-1 frente ao V. Setúbal. Desde então, contam-se pelos dedos de uma mão as vezes em que os leões fizeram pelo menos 100 golos numa época desportiva. Marcaram 119 em 1973/74, tendo chegado aos 100 ao 36º jogo, por Marinho, que fez o tento solitário na derrota (1-2) com o Magdburg, nas meias-finais da Taça das Taças. Depois disso, os 100 golos só apareceram em 2001/02, tendo o golo 100 chegado por intermédio de Jardel, ao 44º jogo, um empate caseiro com o Benfica (1-1). Em 2004/05, a equipa de Peseiro também superou a marca do centenário, mas o centésimo golo apareceu numa tarde de infelicidade: marcou-o Rogério ao 51º jogo da temporada, a derrota na final da Taça UEFA frente ao CSKA Moscovo. Por fim, na época passada, o golo 100 apareceu também ao 51º jogo, marcado por Tobias Figueiredo na vitória por 4-1 sobre o Sp. Braga. Esta época, os leões podem superar a marca em temos de rapidez a chegar aos 100 golos, pois o jogo em Moreira de Cónegos será apenas o 47º de uma temporada que, suceda o que suceder, terminarão com 51 jogos oficiais realizados. Para Jorge Jesus é que nada disto é novidade, pois já vem com seis épocas seguidas a ver as suas equipas a marcar pelo menos 100 golos. Todas desde que chegou ao Benfica, em 2009, e onde interrompeu uma série de 15 anos sem que os encarnados chegassem à centena de golos. Ainda assim, Jesus já não pode bater a sua própria melhor marca em termos de rapidez – estabelecida em 2009/10, quando o seu Benfica chegou ao 100º golo em 41 jogos – sendo quase impossível atingir também o seu máximo de uma só época, que foi também em 2009/10, quando o Benfica acabou os seus 51 jogos oficiais com 124 golos. Faltam-lhe 28.   Jorge Jesus e Miguel Leal defrontaram-se seis vezes e Jesus ganhou sempre. A estreia foi em Fevereiro de 2014, quando o Benfica de Jesus foi ganhar fora ao Penafiel de Leal, em jogo da Taça de Portugal, mas com muita dificuldade: marcou Sulejmani, a apenas seis minutos do fim. Houve mais quatro confrontos entre o Benfica de Jesus e o Moreirense de Leal, todos em 2014/15: duas vezes 3-1 para a Liga, 2-0 para a Taça da Liga e 4-1 para a Taça de Portugal. Pelo Sporting, Jesus repetiu o resultado nos dois confrontos para a Liga: 3-1 em Alvalade.   Jorge Jesus já treinou o Moreirense, em 2004/05, tendo sido ali que conheceu a última descida de divisão. Chegou à equipa a sete jornadas do fim, em substituição de Vítor Oliveira, que a deixara em 17º lugar, a um ponto da linha de água. Perdeu os dois primeiros jogos – um deles contra o Sporting, por 3-1 – e somou depois três empates e duas vitórias, acabando a Liga em 16º lugar, mas a quatro pontos da salvação.   André Fontes e Danielson, do Moreirense, fizeram a estreia na Liga a jogar contra o Sporting. O médio foi lançado por Rogério Gonçalves na derrota (0-2) da Académica em casa, a 30 de Agosto de 2009. Melhor sorte teve o defesa central brasileiro: Carlos Brito lançou-o como titular na contundente vitória do Rio Ave, por 4-0, a 24 de Abril de 2004.   O Moreirense ainda não ganhou um único jogo em casa em 2016. As quatro vitórias que tem este ano surgiram todas como visitante: 3-0 ao Boavista, 2-1 ao Arouca, 1-0 ao U. Madeira e 1-0 ao V. Setúbal. A última vitória no Joaquim Almeida de Freitas experimentou-a a 20 de Dezembro, quando recebeu e bateu o Nacional por 2-0, graças a um bis de Rafael Martins. Depois disso, o melhor que conseguiu foram dois empates (0-0 com o mesmo Nacional, para a Taça da Liga, e 2-2 com a Académica), tendo perdido os restantes sete jogos.   O Sporting sofre golos há cinco jogos seguidos, não mantendo a baliza a zeros desde o empate (0-0) em Guimarães, a 29 de Fevereiro. Depois disso, perdeu por 1-0 com o Benfica, ganhou 2-1 ao Estoril, 5-1 ao Arouca, 5-2 ao Belenenses e 3-1 ao Marítimo. Está ainda a duas partidas da pior série defensiva da época, que lhe aconteceu logo no início da época, após a vitória sobre o Benfica (1-0) na Supertaça. Nessa altura foram sete jogos seguidos sempre a sofrer golos: 2-1 ao Tondela, 2-1 ao CSKA Moscovo, 1-1 com o Paços de Ferreira, 1-3 na segunda mão com o CSKA, 3-1 à Académica, 2-1 ao Rio Ave e 1-3 com o Lokomotiv Moscovo. Essa série foi interrompida a 21 de Setembro, com o 1-0 ao Nacional em Alvalade.   De fora das escolhas de Miguel Leal no Moreirense estará Iuri Medeiros, o extremo emprestado pelo Sporting que esteve na origem de todos os golos apontados pela equipa nos últimos cinco jogos. Desde que Rafael Martins marcou ao Tondela, a 28 de Fevereiro, numa recarga, sempre que a equipa chegou ao golo houve esse denominador comum: Iuri assistiu Nildo Petrolina para o golo da vitória em Setúbal (1-0), deu a Boateng o primeiro golo e sofreu o penalti no seguimento do qual Rafael Martins fez o segundo ndo empate com a Académica (2-2), pertencendo-lhe ainda a assistência para o golo de Evaldo no recente empate em Braga (1-1).   Simani bisou nas últimas duas saídas do Sporting. Marcou os dois golos nos 2-1 ao Estoril, no António Coimbra da Mota, e dois dos cinco com que o Sporting ganhou ao Belenenses (5-2) no Restelo. Antes do 0-0 em Guimarães, a última saída na qual Slimani não fez mossa, o avançado argelino já tinha bisado em três jogos fora seguidos na Liga: 6-0 em Setúbal, 3-1 em Paços de Ferreira e 4-0 ao Nacional na Choupana.   O Moreirense ganhou duas vezes em 14 jogos contra o Sporting: por 1-0, com golo de Manoel – que depois viria a representar os leões – em Setembro de 2003, e por 3-2, após prolongamento, na Taça de Portugal, em Outubro de 2012. Nas duas últimas épocas em que estiveram na Liga, os cónegos conseguirem sempre pelo menos um ponto contra os lisboetas: empataram a dois golos em casa em Novembro de 2012 e a uma bola em Alvalade em Dezembro de 2014.   Este confronto tem sido o paraíso para quem gosta de golos. Nas últimas nove vezes que estiveram frente a frente, as duas equipas marcaram sempre golos. O último zero que se verificou entre ambos foi em Fevereiro de 2004, quando o Sporting se impôs ao Moreirense por 1-0 em Alvalade, graças a um golo de Rochemback.   O Moreirense-Sporting já se jogou com Jorge Jesus no banco da equipa minhota. Faz na segunda-feira onze anos – a 18 de Abril de 2005 – que os cónegos receberam os leões num sprint final na Liga para tentarem evitar a despromoção, mas perderam por 3-1. Douala, Sá Pinto e Liedson fizeram os golos dos lisboetas, à data orientados por José Peseiro, tendo o brasileiro Fernando feito o golo da equipa da casa.
2016-04-16
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A primeira vitória de uma equipa portuguesa contra o Zenit no Petrovskyi, obtida nos últimos minutos de jogo pelo Benfica (2-1), foi a melhor resposta à tentação resultadista em que, a dada altura, ambas as equipas caíram. Tinha-o feito o Benfica no início da segunda parte, ao baixar as linhas e reduzir a intensidade depois de 45 minutos em que foi sempre capaz de dividir o jogo com os russos, e também o fez o Zenit depois do golo de Hulk, apostando num ritmo mais pausado e na espera por um prolongamento que acabou por não chegar, fruto do empate de Gaitán e, depois, do golo da vitória, marcado no último segundo do jogo por Talisca. O resultado da décima vitória seguida dos encarnados fora de casa foi o justo apuramento para os quartos-de-final da Liga dos Campeões. Afinal, só durante 25 dos 180 minutos da eliminatória os russos justificaram os milhões de que é composto o seu plantel. Rui Vitória fez o onze que se impunha, mexendo só no que tinha mesmo de mexer, por força das ausências de Júlio César, André Almeida e Jardel. Baixou Samaris para central, chamou Fejsa e Nelson Semedo a um onze onde se mantinha Ederson. E o início do jogo foi bom para a equipa portuguesa, que durante toda a primeira parte foi capaz de dividir a iniciativa com os russos. Jonas tinha bola no meio-campo adversário, o meio-campo conseguia manobrar à vontade e a equipa até reagia sempre bem à perda de bola, com uma pressão intensa que impedia as transições ofensivas rápidas ao Zenit. Conseguia o Benfica levar o Zenit para onde queria, impedindo os russos de entrar em contra-ataque e forçando-os a um ataque organizado onde, até por imposições táticas – Witsel e Maurício, por exemplo, nunca saíam da sua área de ação – a equipa de Villas-Boas não é tão forte. Daí que o primeiro tempo se tenha concluído com uma igualdade nos remates e até nas ocasiões de golo. A segunda parte, porém, trouxe um Zenit muito mais ofensivo. E, seja por ter deixado de conseguir sair ou porque abdicou de o fazer, o Benfica pareceu preocupar-se demasiado cedo com a proteção da sua baliza. É certo que na primeira parte tinha tido alguns problemas com o controlo da largura defensiva, permitindo por vezes que os laterais do Zenit aparecessem em boa posição, mas o que saiu desta maior contenção encarnada foram os tais 25 minutos de superioridade clara dos russos, a culminar no golo que Zhirkov ofereceu a Hulk. Faltavam 21 minutos para o jogo acabar e, quando qualquer equipa de sangue quente partiria para cima do adversário, para ganhar vantagem, o que o Zenit fez foi congelar o jogo, à espera de um erro do Benfica ou do prolongamento. E, apesar da reação do Benfica, que voltou a dividir o jogo com os russos, era para aí que o jogo se dirigia quando, num momento de espontaneidade, a cinco minutos do final, Raul Jiménez arrancou um remate de fora da área, Lodygin desviou-o para a barra e Gaitán foi mais rápido que Lombaerts a acorrer à recarga. O golo de Gaitán matou o Zenit, que não conseguiu sequer voltar a organizar-se no período de jogo que faltava. E disso se aproveitou o Benfica, que no último dos cinco minutos de desconto dados pelo árbitro, ainda fez o 2-1, através de Talisca. A vitória no jogo, a décima seguida do Benfica em jogos fora de casa, igualando o recorde da equipa de Jimmy Hagan em 1972/73, talvez tenha sido um presente demasiado generoso – o que as equipas fizeram no campo apontava mais para um empate. Mas a honra de figurar entre as oito equipas que em Abril vão discutir os quartos-de-final da Liga dos Campeões, essa, o Benfica mereceu-a inteiramente.
2016-03-09
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Último Passe

As ausências de André Almeida e Jardel, por castigo, somadas às de Júlio César, Lisandro López e Luisão, estes por lesão, colocam a Rui Vitória um problema de difícil resolução. O Benfica enfrenta o jogo do qual depende a continuidade na Liga dos Campeões, no qual será fundamental manter a solidez atrás, sem o guarda-redes titular, sem as três primeiras escolhas para o centro da defesa e sem ter ainda resolvido por inteiro a questão que se lhe coloca acerca da composição do meio-campo nos jogos de maior grau de exigência. Ainda assim, num jogo em que o primeiro golo pode ser a chave, Vitória deve mexer o mínimo possível, de forma a aproveitar o embalo emocional que o sucesso no dérbi de sábado lhe trouxe. Vai ter de inventar, mas não mais do que o necessário, com a consciência de que este Zenit pode exigir ao Benfica algo que a equipa ainda não mostrou de forma consolidada: que é capaz de ser sólida em desafios de exigência elevada. A vitória em Alvalade, no sábado, como a conquistada em Madrid, no Outono, são as exceções que confirmam a regra: este continua a ser um Benfica mais talhado para jogar contra equipas fracas. Ao todo, em quatro jogos com o Sporting, dois com o FC Porto, dois com o Atlético Madrid, dois com o Galatasaray, um com o Sp. Braga e um com o Zenit, o Benfica, o Benfica só ganhou cinco de doze jogos de grau de dificuldade mais elevado. Pode até chegar para alcançar os objetivos – em São Petersburgo, por exemplo, basta uma derrota pela margem mínima, desde que com golos marcados –, mas deve servir de ponto de partida para uma reflexão interna acerca dos equilíbrios da equipa, que precisa de juntar outro avançado a Jonas para rentabilizar aquele que é o seu melhor jogador e não encontrou ainda uma forma satisfatória de preencher a zona central do meio-campo quando Renato Sanches se torna naquilo a que o treinador chamou “talento selvagem” e perde as referências no jogo sem bola. Problemático é que estas questões se agravem pela ausência de jogadores que são tão importantes nos momentos defensivos, como Jardel ou André Almeida. Lindelof tem respondido muito bem, sobretudo se tivermos em conta que era a quarta opção para o centro da defesa no início da época, mas o que se lhe pedirá no Petrovskyi é que comande o setor, provavelmente com Fejsa a seu lado e sem a ajuda de André Almeida, um lateral cujo principal atributo é a solidez defensiva. A dúvida coloca-se depois, na constituição do meio-campo e do ataque. Salvio à direita com Pizzi no apoio a Mitroglou (ou Jiménez, mais talhado para jogar longe da equipa) ou Jonas com Mitroglou e Pizzi a vir da direita para dentro, no apoio a Samaris e Renato? Rui Vitória saberá melhor que ninguém em que ponto está a recuperação de Salvio e se ele já é capaz de responder num jogo deste grau de exigência, ainda que todos saibamos que nestas coisas o risco maior está na experimentação e não na continuidade. Repetir os seis da frente de Alvalade pode ser uma forma de aproveitar não apenas as rotinas que a equipa vem construindo como a confiança que adquiriu no campo do maior rival. Mas, até pela escassez de golos nos mais recentes jogos do Zenit (0-1, 1-0 e 0-0), a chave da eliminatória estará sempre no primeiro golo. Se o marca o Benfica, pode repetir-se a história do dérbi; se o marca o Zenit o jogo deverá pedir um upgrade àquilo que este Benfica tem mostrado.
2016-03-09
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O Benfica ganhou as últimas nove deslocações, todas as que fez desde o empate frente ao U. Madeira, na Choupana, em meados de Dezembro. Os encarnados igualaram assim a melhor série das épocas em que foram comandados por Jorge Jesus, obtida entre Novembro de 2010 e Fevereiro de 2011. E se ganharem ao Zenit em São Petersburgo não só se apuram para os quartos-de-final da Liga os Campeões como alcançam a dezena de saídas seguidas a ganhar que já não conhecem desde 1972/73, ano do campeonato que acabaram com 28 vitórias em 30 jogos. Após o empate frente ao U. Madeira, os encarnados ganharam por 1-0 ao V. Guimarães, por 4-1 ao Nacional, por 2-1 ao Estoril, por 1-0 ao Oriental, por 6-1 e 4-1 ao Moreirense, por 5-0 ao Belenenses, por 3-1 ao Paços de Ferreira e por 1-0 ao Sporting. São nove vitórias consecutivas em deslocações, tantas como as que conseguiu a equipa de Jorge Jesus em 2010/11. Nessa altura, também depois de um início atribulado, com seis derrotas nas primeiras nove deslocações da época (Nacional, V. Guimarães, Schalke, Lyon, FC Porto e Hapoel Tel-Aviv), o Benfica ganhou nove desafios seguidos fora de casa: 3-1 ao Beira Mar, 3-0 à U. Leiria, 1-0 à Académica, 2-0 ao Rio Ave, 4-0 ao Desp. Aves, 2-0 ao FC Porto, 2-0 ao V. Setúbal, 2-0 ao Sporting e 2-0 ao Stuttgart. A série foi interrompida ao décimo jogo, a 6 de Março de 2011 – fez no domingo cinco anos – com uma derrota em Braga, por 2-1, que deixou os encarnados a nove pontos do FC Porto de um certo André Villas-Boas. Esse acabou por ser um ano mau para o Benfica, que só ganhou a Taça da Liga, sendo segundo na Liga e afastado nas meias-finais da Taça de Portugal e da Liga Europa. Para se encontrarem dez vitórias seguidas do Benfica fora de casa é preciso recuar até à época de maior aproveitamento da história dos encarnados: 1972/73. Nesse ano, a equipa comandada por Jimmy Hagan foi campeã com largo avanço, ganhando os primeiros 23 jogos do campeonato. Daí que após a derrota frente ao Derby County (3-0, para a Taça dos Campeões), a 25 de Outubro de 1972, tenha ganho as dez saídas que se seguiram: 1-0 ao V. Setúbal, 2-0 ao U. Tomar, 2-1 ao V. Guimarães, 1-0 à CUF, 1-0 ao Montijo, 5-1 ao Leixões, 2-1 ao Beira Mar, 2-1 ao Sporting, 2-0 e 4-2 ao Belenenses. A série foi interrompida ao 11º jogo, um empate a dois golos com o FC Porto nas Antas, que chegou para garantir matematicamente o título quando ainda faltavam seis jornadas para o fim da competição.   Os jogos do Zenit após a interrupção invernal têm-se pautado por poucos golos. Além da derrota por 1-0 com o Benfica (golo de Jonas no último minuto), o Zenit ganhou por 1-0 ao Kuban Krasnodar, na Taça da Rússia, mas só no prolongamento (golo de Maurício), e empatou a zero com o Krasnodar no reatamento da Liga russa, onde ocupa a quinta posição, a nove pontos do líder, que é o CSKA Moscovo.   Só por uma vez o Benfica deixou desbaratar uma vantagem de 1-0 nas competições europeias. Foi em 2004/05, quando ganhou por 1-0 ao Anderlecht na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões e depois foi derrotado por 3-0 em Bruxelas, caindo para a Liga Europa. Nas outras 11 ocasiões em que ganhou a primeira mão de uma eliminatória europeia por 1-0, o Benfica seguiu em frente.   Por sua vez, o Zenit só perdeu fora por 1-0 na primeira mão por uma vez e conseguiu dar a volta. Foi na terceira pré-eliminatória da Champions de 2014/15. Os russos perderam por 1-0 no terreno do AEL Limasol de Cadu, Carlitos e Zezinho e venceram depois em casa por 3-0, com golos de Rondón, Danny e Kerzhakov.   Rui Vitória e André Villas-Boas já se defrontaram três vezes, com uma vitória para cada um e um empate. As duas primeiras aconteceram em 2010/11, ano do super-FC Porto. Os azuis e brancos de Villas-Boas venceram por 3-0 em Paços de Ferreira, onde o atual técnico do Benfica estava a começar a carreira na I Divisão, com um golo e duas assistências de Hulk, atual jogador do Zenit. Depois não foram além de um empate a três bolas no Dragão, com a particularidade de ter sido o atual benfiquista Pizzi a marcar os três golos dos castores. O terceiro jogo foi a primeira mão desta eliminatória, favorável ao Benfica por 1-0, com golo de Jonas.   Nunca uma equipa portuguesa ganhou ao Zenit no Petrovskyi, mas em seis dos sete jogos que ali fizeram as equipas de Portugal marcaram golos. A única exceção foi o Benfica, que ali perdeu por 1-0 na fase de grupos da Liga dos Campeões de 2014/15. De resto, o Benfica já ali tinha perdido por  3-2 nos oitavos de final da Champions de 2011/12, passando a eliminatória. O FC Porto já empatou (1-1, em 2013) e perdeu (1-3 em 2011), havendo ainda a registar uma derrota do Paços de Ferreira (4-2, em 2013), um empate do Nacional (1-1, em 2009) e uma derrota do V. Guimarães (1-2 em 2005).   Além disso, o Benfica só ganhou uma vez na Rússia: foi em Outubro de 1996, quando venceu o Lokomotiv por 3-2, graças a golos de Panduru, Donizete e João Pinto. De resto, soma dois empates (0-0 com o Torpedo de Moscovo em 1977 e 2-2 com o Dynamo Moscovo em 1992) e perdeu nas últimas quatro deslocações: 2-0 com o CSKA em 2005, 3-2 com o Zenit e 2-1 com o Spartak em 2012 e 1-0 com o Zenit em 2014.   O Zenit tem no seu plantel três jogadores que já passaram pelo Benfica: os médios Witsel e Javi Garcia e o defesa-central Garay. Além disso, conta ainda com outros jogadores que têm ligações ao futebol português, como Hulk (ex-FC Porto), Danny (ex-Marítimo e Sporting) e Neto (ex-Varzim e Nacional).   O guardião Ederson vai fazer a estreia na Liga dos Campeões, mas já jogou duas vezes nas provas europeias, ambas na baliza do Rio Ave. Sofreu sempre dois golos: 2-2 em casa com o Steaua Bucareste e 0-2 em Kiev com o Dynamo.
2016-03-08
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Último Passe

Um golo de Jonas, a beneficiar do espaço que Jardel lhe ganhou após uma bola parada de Gaitán, no último minuto de jogo, valeu ao Benfica uma vitória suada e difícil mas justa sobre o Zenit e a possibilidade de viajar até São Petersburgo com um 1-0 que pode ser curto, sobretudo em função do esperado crescimento competitivo dos russos nas três semanas que aí vêm, mas que é bem melhor do que parece, por ter sido conseguido sem sofrer golos em casa. Rui Vitória acabou assim por ver recompensada a estratégia de menor vertigem ofensiva que adotou, destinada sobretudo a controlar o contra-ataque de um Zenit sempre demasiado focado na criação de duas barreiras defensivas à frente da sua área e sem capacidade fisica para esticar o jogo até perto da baliza de Júlio César. Vitória acabou por optar pelo 4x4x2 do costume, repetindo mesmo o onze que tinha apresentado contra o FC Porto, mas via-se que a equipa arriscava muito menos do que o habitual, quer nos passes de rotura, quer nas trocas posicionais. A circulação voltou a ser feita com privilégio da segurança, quase sempre por fora e sem procura das penetrações pelo corredor central que têm notabilizado Renato Sanches. E sempre que Pizzi ou Gaitán vinham para dentro, havia a preocupação de Jonas em cair na faixa, de forma a não deixar a equipa descompensada em eventuais momentos de perda de bola. Depois, se André Almeida ainda aparecia com alguma frequência na frente, pela direita, do outro lado Eliseu surgia muito comedido, sempre de olho em Hulk, mesmo quando era o Benfica quem tinha a bola. Tudo somado à organização defensiva impecável dos russos, redundou num jogo muito fechado, sem grandes momentos de perigo. A exceção em toda a primeira parte foi um lance na direita em que Pizzi chutou para as mãos de Lodygin, e um tiro de fora da área de Jonas, que bateu em Lombaerts e podia ter traído o guarda-redes mas saiu ao lado. O Zenit, que no início do jogo dera uma ideia acerca daquilo a que vinha com uma aceleração quase letal de Danny, só voltou a dar um ar de sua graça no início da segunda parte, quando Witsel obrigou Júlio César a uma defesa apertada. Mas, à medida que o jogo avançava, os russos iam perdendo capacidade de chegar à frente e dessa forma ganhar tempo para a sua defesa respirar. Sentindo o adversário a vacilar e o jogo de sentido único, Rui Vitória mexeu. Primeiro Jiménez por Mitroglou, para ganhar mobilidade na frente. Depois, Pizzi por Carcela, de forma a ganhar largura e de meter mais bolas na área. Mas as ocasiões de golo iam na mesma escasseando e as que apareciam eram desperdiçadas. Gaitán podia ter marcado aos 69’, a passe de Jonas, mas chutou contra Lodygin. Jardel também esteve perto do 1-0 aos 72’, depois de solicitado por Lindelof, mas atirou para fora. E já o jogo se arrastava para o final com um 0-0 teimoso quando Jonas finalmente deu expressão ao marcador e uma maior esperança ao Benfica de seguir para os quartos-de-final da Liga dos Campeões. Daqui por três semanas, em São Petersburgo, mesmo sem Jardel e André Almeida – que estão suspensos por via do amarelo que viram na Luz – o Benfica sabe que defende uma vantagem curta, mas que se fizer um golo tem a tarefa muito facilitada. Deve ser essa a sua prioridade. 
2016-02-16
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A crescente afirmação internacional dos treinadores portugueses na Europa tem levado à repetição de uma situação até há bem pouco tempo inédita, que é a de equipas nacionais jogarem eliminatórias europeias contra formações dirigidas por técnicos nacionais. É o que vai passar-se quando o Benfica defrontar o Zenit de André Villas-Boas. O portuense é um dos três treinadores portugueses que já defrontou o Benfica nas provas da UEFA e, tendo sido o único a ganhar na Luz, vai também ser o primeiro a repetir a experiência. Villas-Boas já liderava o Zenit na época passada, quando os russos ganharam os dois jogos ao Benfica na fase de grupos da Liga dos Campeões: 2-0 na Luz e 1-0 em São Petersburgo. Na mesma época, o Benfica defrontou o Mónaco de Leonardo Jardim (0-0 no principado e 1-0 para o Benfica em Lisboa). Antes, em 2011, Domingos Paciência tinha sido o primeiro treinador português a defrontar o Benfica nas provas europeias, ainda que o tenha feito aos comandos do Sp. Braga, nas meias-finais da Liga Europa: perdeu por 2-1 na Luz mas ganhou por 1-0 em Braga e apurou-se para jogar a final da prova contra o FC Porto… de Villas-Boas. André Villas-Boas, de resto, vem com três vitórias consecutivas em visitas à Luz. Perdeu na primeira vez que ali foi, com a Académica, em 2009/10, por 4-0, mas depois ganhou sempre. Em 2010/11, já no FC Porto, ganhou para o campeonato por 2-1 (depois de ter goleado o Benfica de Jesus por 5-0 em casa) e para a Taça de Portugal por 3-1 (invertendo o rumo da meia-final, depois de ter perdido no Dragão por 2-0). Por fim, com o Zenit, voltou a vencer na Luz por 2-0, na época passada. Pelo meio, acabou por não visitar a Luz em mais duas ocasiões que os sorteios teriam ditado. Em 2011/12 foi demitido e substituído por Roberto Di Matteo antes das duas vitórias do Chelsea contra o Benfica: 1-0 na Luz e 2-1 em Stamford Bridge, a caminho da vitória nessa Liga dos Campeões. E em 2013/14 também foi afastado e substituído por Tim Sherwood antes de o Tottenham ser eliminado pelos encarnados, com 3-1 em Londres e 2-2 em Lisboa.   Rui Vitória e André Villas-Boas já se defrontaram duas vezes, com uma vitória e um empate para o atual treinador do Zenit. Foi em 2010/11, ano do super-FC Porto. Os azuis e brancos venceram por 3-0 em Paços de Ferreira, onde o atual técnico do Benfica estava a começar a carreira na I Divisão, com um golo e duas assistências de Hulk, atual jogador do Zenit. Mas depois não foram além de um empate a três bolas no Dragão, com a particularidade de ter sido o atual benfiquista Pizzi a marcar os três golos dos castores.   O Zenit ganhou as três últimas partidas que fez em Portugal. Antes dos 2-0 na Luz, na época passada, tinha batido o FC Porto por 1-0 na fase de grupos da Champions de 2013/14, e o Paços de Ferreira por 4-1 no play-off de acesso a essa mesma fase da competição.   O Benfica vem de uma derrota contra o FC Porto, em casa, que interrompeu uma série de onze vitórias seguidas, em todas as competições, desde o empate contra o U. Madeira (0-0), a 15 de Dezembro. Foi a sétima derrota da época para os encarnados, que até aqui reagiram quase sempre bem aos resultados negativos: na sequência das seis derrotas anteriores, ganharam quatro vezes (4-0 ao Estoril, 3-2 ao Moreirense, 3-0 ao Paços de Ferreira e 4-2 ao V. Setúbal), empataram uma (2-2 em Astana) e perderam outra (1-2 com o Galatasaray).   O Zenit, por sua vez, não faz um jogo competitivo há mais de dois meses. O último foi a derrota com o Gent, na Bélgica, por 2-1, que não impediu a equipa de André Villas-Boas de terminar destacada em primeiro lugar do Grupo H da Liga dos Campeões. Antes, o Zenit empatara com o Ufa e perdera com o Terek Grozny, pelo que já não ganha a ninguém desde 24 de Novembro, quando bateu por 2-0 o Valência que então era comandado por outro treinador português, na ocasião Nuno Espírito Santo.   O Zenit tem no seu plantel três jogadores que já passaram pelo Benfica: os médios Witsel e Javi Garcia e o defesa-central Garay. Além disso, conta ainda com outros jogadores que têm ligações ao futebol português, como Hulk (ex-FC Porto), Danny (ex-Marítimo e Sporting) e Neto (ex-Varzim e Nacional).   O Benfica só perdeu uma vez em casa contra equipas russas, tendo ganho quatro e empatado outras duas. A derrota foi precisamente o 0-2 com o Zenit, na época passada. Na Luz, empataram o Torpedo de Moscovo (0-0, em 1977/78) e o CSKA Moscovo (1-1, em 2004/05). E ali foram batidos o Dynamo de Moscovo (2-0, em 1992/93), o Lokomotiv Moscovo (1-0, em 1996/97), o próprio Zenit (2-0, em 2011/12) e o Spartak de Moscovo (2-0, em 2012/13).  
2016-02-15
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Último Passe

A derrota do FC Porto em casa com o Arouca, por 2-1, numa noite mágica de González, que fez os dois golos dos visitantes, tem muitas explicações e algumas até são coletivas e estarão relacionadas com a falta de qualidade da equipa portista nas combinações ofensivas ou a com a boa organização defensiva dos visitantes. Mas a justificação principal para os três pontos desperdiçados pelos dragões esteve nos erros individuais, de que é maior exemplo a forma como Maicon falhou no momento que deu o segundo tento ao atacante paraguaio. As perdas de bola do último homem eram um clássico com Lopetegui e resistiram à mudança no comando técnico, deixando a equipa de José Peseiro cada vez mais dependente de uma vitória contra o Benfica, na Luz, na próxima sexta-feira. É que os seis pontos de atraso para os encarnados e os cinco – que hoje podem passar a oito – para o Sporting exigem medidas drásticas. O FC Porto que se viu contra o Arouca, em 4x2x3x1, já exibe comportamentos muito diferentes dos que mostrava com o treinador basco, procurando sobretudo as combinações ofensivas no espaço interior, em busca de um último passe capaz de isolar um dos muitos jogadores que coloca sempre em zonas de finalização. Mas a ideia que fica é a de que Peseiro quis mudar as coisas sem mudar o onze e dessa forma terá sempre grandes dificuldades para fazer valer o novo ideário. André André, por exemplo, que tem sido um dos melhores da equipa até este momento, funciona melhor com espaço à frente do que como 10, onde precisa de tomar decisões e de puxar por argumentos que não são os seus. É um excelente oito, a chegar de trás sem bola, um bom ala, a vir das laterais para dentro numa equipa que queira dar mais iniciativa ao adversário, mas como dez de uma equipa que passa grande parte do jogo a circundar a área à espera de um momento de penetração deixou a desejar. Não foi o único a falhar, como é evidente. Mas as próprias substituições de Peseiro pareciam revelar duas coisas: respeito pelo Arouca e receio de ver a equipa falhar atrás. Porque o Arouca já tinha mostrado na Luz, por exemplo, que tinha qualidade na frente, que pressionava bem a saída do adversário. Fez assim o segundo golo, quando meteu dois homens em cima de Maicon, que não teve a capacidade de perceber que ali não tinha de limpar o lance e precisava era de dar um chutão para fora. E porque na verdade o treinador nunca mudou muita coisa: trocou André por Varela, percebendo que aquela não era a missão para ele, mas não o recuando para onde ele podia ser mais útil; trocou Maicon por Ruben Neves, baixando Danilo, mas porque não tinha alternativas para o centro da defesa e o brasileiro lesionou-se; e trocou Brahimi por Marega quando quis colocar mais potência na frente. Soube a pouco mas, mais uma vez, o problema não esteve aí, pois além de falhar atrás, a equipa ainda falhou lances de golo cantado em número suficiente para conseguir outro resultado.
2016-02-07
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Último Passe

O FC Porto ganhou pela primeira vez nos últimos anos no Estoril (3-1) e já começou a mostrar algumas boas ideias, fruto da mudança recente no comando técnico. Ainda assim, a incerteza que durou no resultado até ao terceiro golo portista, marcado a 10 minutos do final, e a forma como até aí os canarinhos foram sendo capazes de meter a cabeça de fora na procura do empate mostraram que Peseiro tem ainda várias questões para resolver até colocar a equipa a jogar à sua imagem. No Estoril, viram-se um excelente Layun e momentos bons de Aboubakar, a contrastar com a forma incrível como falhou o 3-1 que podia ter resolvido o jogo mais cedo, mas uma equipa ainda sofrível em momentos de transição defensiva e a mostrar dificuldades para ativar os extremos e para os fazer compreender a nova movimentação de André André. O Estoril começou como contra o Benfica, marcando um golo cedo, desta vez por Diego Carlos, após um canto. Ao contrário do que aconteceu no jogo com os encarnados, porém, a equipa de Fabiano Soares não ficou remetida ao seu meio-campo depois de se ver em vantagem. A diferença é que, apesar da supremacia natural, que conseguia por ter melhores jogadores e porque precisava de correr atrás do resultado, o FC Porto não era capaz de responder tão bem à perda de bola e deixava os donos da casa sair com alguma frequência, sobretudo fruto do critério dos médios estorilistas no passe e da velocidade de Gerso na esquerda. O FC Porto repetia o 4x2x3x1 do jogo com o Marítimo, encostando Herrera a Danilo na primeira fase de organização e pedindo a André André que procurasse os corredores laterais, convidando os extremos a virem para dentro, para darem alguma iniciativa aos defesas laterais. E se o médio foi sempre respondendo bem, Corona e Brahimi nunca o fizeram, passando ao lado do desafio durante grande parte do tempo. Acabou por ser Layun a resolver da forma habitual: com assistências. Começou por explorar um desequilíbrio no corredor direito do Estoril para arrancar por ali a fora e oferecer o empate a Aboubakar. Depois, de canto, encontrou a cabeça de Danilo na zona do primeiro poste, deixando o FC Porto em vantagem ainda antes do intervalo. Faltava um terceiro golo para que a equipa pudesse acalmar, mas o que se via era o contrário: alguma passividade no momento da perda de bola, a dar ao Estoril a possibilidade de lançar contra-ataques que o perigoso Bonatini aguardava, ameaçando com o empate. Nunca aconteceu e, depois de Aboubakar falhar o tal golo de baliza aberta, foi André André quem mateou o jogo a nove minutos do fim. Peseiro levou os três pontos para o Dragão, afinal aquilo de que precisa para ir ganhando tempo para dar as suas afinações à máquina. NO Estoril, ganhou mais uma semana.
2016-01-30
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No futebol, há muito quem ligue a estas coisas das superstições. Há quem entre em campo a saltitar em cima do pé direito, porque só ao fim de calcar a relva uma meia dúzia de vezes com aquela chuteira lhes é permitido pousar a esquerda. Há treinadores que não deixam o autocarro da equipa fazer marcha-atrás, causando dores de cabeça infindas aos respetivos motoristas. Há quem vá para os jogos sem fazer a barba ou com uma peça de roupa em particular. E há quem ligue aos inícios. Muita gente liga aos inícios. Como representante de uma escola mais científica, das que acredita mais no valo do trabalho que nos sinais, José Peseiro, espero, não deve ser muito de ligar aos inícios. Porque se o início da sua etapa no FC Porto foi marcado por uma exibição pouco conseguida, nem o prenúncio se salvou. Os adeptos do FC Porto lembram com saudade José Mourinho, o último treinador que lhes deu a alegria de uma Liga dos Campeões, em 2004. Ora Peseiro vem do mesmo sítio: o antigo ISEF, a que agora se chama Faculdade de Motricidade Humana. São dois representantes de uma mesma escola de treino e Peseiro até esteve para ser um continuador de Mourinho, no início do século, quando apurou o Sporting para a final da Taça UEFA de 2005, um ano depois de o Special One ter ganho a tal Liga dos Campeões com o FC Porto. Perdeu-a, é certo, com algum azar – uma bola nos dois postes em resposta à qual o adversário fechou o jogo com o 3-1 – mas já se sabe que a diferença entre uma vitória e uma derrota é tantas vezes tão ténue que se explica com minudências. Assim como as superstições, por exemplo. Ora Peseiro estava lançado para uma estreia de sonho para quem acredita nestas coisas. Chegou ao FC Porto em meados de Janeiro, como Mourinho. Fez o primeiro jogo contra o Marítimo, como Mourinho. No outro banco, tinha como padrinho Nelo Vingada, como Mourinho, quase parecendo que o Marítimo tinha ido a correr contratá-lo só para poder haver mais uma coincidência. Abriu o marcador aos 22 minutos, apenas dois minutos depois de Mourinho. E fê-lo com um autogolo do adversário, como Mourinho. O problema é que se na altura valeu a lei dos jornalistas, que atribuíram o golo de abertura do jogo a Briguel, na própria baliza, agora a Liga tem a mania de se organizar e estende as suas influências por todo o lado. E logo veio, na mesma noite, dizer que o autogolo de Salin, afinal, era um golo de André André. Não vou ao ponto de dizer que a Liga o fez só para estragar a coincidência a Peseiro. Acho que não. Acho francamente que o fez porque, além de andar toda a gente louca com as mãos na bola e as bolas na mão – qualquer dia os futebolistas têm de jogar de mãos amarradas atrás das costas para não causarem aquilo a que os especialistas de arbitragem chamam “volumetria” – o futebol nacional está cheio de especialistas que acham que não há autogolos. Ora o golo de André André é muito parecido com o primeiro do Benfica em Braga. Na altura Pizzi chutou, agora chutou André; na altura a bola foi cortada por um defesa em cima da linha, agora acertou na barra; na altura bateu nas costas de Kritciuk e voltou a assumir a direção da baliza, agora bateu nas pernas de Salin e tomou de novo o caminho das redes. Presumo que, movidos pela maior força motriz do futebol em Portugal, que é o fanatismo clubístico, os que na altura acharam que era golo de Pizzi, agora virão dizer que é autogolo de Salin, enquanto que os que na altura defenderam que era autogolo de Kritciuk virão agora sustentar que é golo de André André. Nesse aspeto, a Liga foi coerente e deu os dois golos a quem chutou: Pizzi e André André. Eu também o sou. Para mim são ambos autogolos. E não é para permitir a Peseiro compor melhor o filme das suas premonições. É mesmo porque sem a intervenção involuntária dos dois guarda-redes, aquelas duas bolas nunca chegariam à baliza. Vinham na direção oposta, aliás. In Diário de Notícias
2016-01-26
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José Peseiro manteve a tradição de todos os treinadores contratados pelo FC Porto desde Ivic, em 1993, e ganhou o jogo de estreia. Bateu o Marítimo por 1-0, graças a um autogolo de Salin, o que trouxe à memória a estreia de Mourinho, em 2002. Tal como então, a estreia foi em Janeiro, o FC Porto ganhou por um golo ao mesmo adversário, o Marítimo, e o primeiro golo do novo consulado foi marcado na própria baliza por um adversário – então Briguel, agora Salin.   - Foi o primeiro autogolo de que o FC Porto beneficiou no campeonato desde Setembro de 2014, quando Sarr marcou na própria baliza o tento que haveria de valer aos dragões um empate (1-1) em Alvalade frente ao Sporting. Em contrapartida, foi o primeiro autogolo de um jogador do Marítimo na Liga desde que Bauer marcou na própria baliza frente ao Sporting, a 26 de Outubro de 2014, numa derrota por 4-2.   - Esta foi a primeira vitória do FC Porto sobre o Marítimo em cinco jogos, mais precisamente desde a estreia de Lopetegui, no Dragão, em 15 de Agosto de 2014: na altura, o FC Porto ganhou por 2-0. Desde então, o Marítimo tinha ganho (1-0) e empatado (1-1) nos Barreiros, para Liga, tendo ainda batido os dragões por duas vezes na Taça da Liga: 2-1 nos Barreiros em Abril de 2015 e 3-1 no Dragão em Dezembro passado.   - Este foi ainda o primeiro jogo do FC Porto sem sofrer golos no Dragão desde o início de Novembro. Após o 2-0 ao V. Setúbal, os azuis e brancos perderam ali com o Dynamo Kiev (0-2), bateram o Paços de Ferreira (2-1) e a Académica (3-1), foram batidos pelo Marítimo (1-3) e empataram com o Rio Ave (1-1).   - Foi a primeira vez que uma equipa de Peseiro marcou golos em casa a uma equipa de Nelo Vingada. Até aqui, o Nacional de Peseiro tinha empatado a zero com o Marítimo de Vingada e, mais tarde, o Sporting de Peseiro somava um empate a zero e uma derrota por 1-0 contra a Académica de Vingada.   - Nelo Vingada, o novo treinador do Marítimo, também regressou à Liga portuguesa. Entrou como tinha saído: a perder. No último jogo que tinha feito, a 5 de Outubro de 2009, o seu V. Guimarães tinha sido batido pelo Nacional, na Choupana, por 2-0.   - O zero no ataque do Marítimo significa que o FC Porto se isolaram como a melhor defesa da Liga. Os portistas sofreram até aqui onze golos, menos um que o Sporting, menos dois que o Benfica e menos três que o Sp. Braga. Têm, ainda assim, uma defesa pior do que a que tinham há um ano, quando encaixaram dez golos nas primeiras 19 jornadas, mesmo assim mais dois do que o Benfica que ganhou o bicampeonato.   - No que o FC Porto está igual é na pontuação. Soma agora 43 pontos, fruto de 13 vitórias, quatro empates e duas derrotas, exatamente os mesmos que tinha à 19ª jornada da época passada. Com duas diferenças. É que na altura os 43 pontos lhe valiam o segundo lugar e agora só chegam para o terceiro. E por outro lado agora estão a cinco pontos do líder, quando na altura estavam a seis.   - Pior está o Marítimo, que soma apenas 21 pontos e há um ano tinha 24. Estes 21 pontos, que resultam de seis vitórias, três empates e dez derrotas, são o pior pecúlio dos verde-rubros à 19ª jornada desde 2010/11, quando aqui chegaram com apenas 19 pontos. Nessa época, ainda assim, o Marítimo recuperou a tempo de acabar em nono lugar.   - Varela celebrou o 200º jogo na Liga portuguesa, curiosamente às ordens do mesmo treinador que lhe tinha dado o primeiro. Foi José Peseiro quem o lançou a 19 de Agosto de 2005, num Sporting-Belenenses que os leões ganharam por 2-1.   - Do outro lado, João Diogo fez o 100º jogo com a camisola do Marítimo com a braçadeira de capitão. O lateral jogou pela primeira vez pelos maritimistas a 19 de Janeiro de 2011, lançado por Pedro Martins numa vitória por 2-1 frente ao Desp. Aves a contar para a Taça da Liga.  
2016-01-25
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Último Passe

Não se ouviram violinos na estreia do FC Porto de José Peseiro. Bem pelo contrário, aliás. A equipa manteve alguns dos defeitos que se lhe vinham vendo ultimamente, como a incerteza no passe e alguma ansiedade sempre nefasta à tomada de decisão, não revelando ainda, como é evidente, o que o novo treinador pode trazer-lhe, sobretudo no processo ofensivo. Salvou-se, para os dragões, o autogolo de Salin, a valer uma vitória por 1-0 frente a um Marítimo que, seja por intervenção de Nelo Vingada ou, o que é mais provável, por ter sentido as fragilidades do adversário, cresceu face às últimas jornadas e apareceu a dividir o jogo durante boa parte dos 90 minutos. O pouco tempo que Peseiro e Vingada levam de trabalho nas novas equipas ainda não poderia, é óbvio, trazer grandes alterações. Peseiro optou por um 4x2x3x1 mais perto do 4x3x3 de Lopetegui do que do seu 4x4x2 tradicional, mas seria um engano pensar que as alterações que o treinador quererá fazer se resumem ao esquema tático ou à escolha dos titulares, que foram os mesmos de Guimarães. O problema é que enquanto não conseguir executar o modelo de jogo que exija mais dos jogadores em termos de mobilidade e troca de posições, como é apanágio das equipas de José Peseiro, é natural que a equipa se veja um pouco perdida, a meio caminho entre dois pontos. Essa dificuldade viu-se sobretudo na exibição de Herrera, que neste jogo fez par de médios com Danilo, a quem Lopetegui pedia passe seguro, muitas vezes lateral, e subida sem bola e a quem Peseiro terá pedido mais risco na saída. O resultado foram as perdas sucessivas de passes, que fizeram o FC Porto duvidar mais à medida que o jogo se aproximava do fim com vantagem mínima no marcador. E que em contrapartida davam ideias ao Marítimo. Mesmo estando privado de vários jogadores, por lesão ou suspensão, o Marítimo tentava provocar a incomodidade do FC Porto, dispondo-se em torno das suas referências ofensivas, sem medo de galgar metros na frente. Peseiro viu-se forçado a injetar confiança na equipa através das substituições e o que é certo é que ela melhorou com Suk, Ruben Neves e Varela: ao colocar mais gente na frente, o treinador fez ver aos que estavam em campo que era preciso jogar mais perto da baliza de Salin e meter um pouco de respeito no adversário, fazê-lo duvidar antes de cada “cavalgada” ao longo do campo. E o final do jogo foi bem mais tranquilo para os portistas, que salvaram os três pontos num jogo em que as equipas se separaram fundamentalmente pelo desfecho diferente de duas bolas à barra, ainda na primeira parte: a de André André bateu nas pernas do guarda-redes Salin e dirigiu-se para a rede; a de Marega bateu no chão e continuou em jogo. O 1-0 serve mais os propósitos dos FC Porto que do Marítimo, mas não restam dúvidas que as duas equipas têm condições para melhorar no que falta de campeonato.
2016-01-24
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Stats

O FC Porto enfrenta a receção ao Rio Ave após duas derrotas consecutivas: 1-3 frente ao Marítimo, em casa, na Taça da Liga, e 0-2 com o Sporting, em Alvalade, para o campeonato. É uma situação invulgar, a pedir reação, e por isso mesmo têm clamado os adeptos azuis-e-brancos. É que os dragões não perdiam dois jogos seguidos desde Novembro e Dezembro de 2012, quando foram sucessivamente batidos por Sp. Braga (1-2, para a Taça de Portugal) e Paris St. Germain (1-2, para a Champions). Para se encontrarem três derrotas seguidas do FC Porto é preciso recuar até Outubro e Novembro de 2008, quando a equipa que era comandada por Jesualdo Ferreira foi sucessivamente batida por Dynamo Kiev (0-1), Leixões (2-3) e Naval (0-1). O que é curioso é que, mesmo assim, essa equipa do FC Porto acabou por se sagrar campeã nacional, com quatro pontos de avanço sobre o segundo, que foi o Sporting. À altura da terceira derrota, os dragões seguiam em sétimo, a cinco pontos do líder, que era o Leixões. Apesar de não ser uma situação tão grave, a equipa portista não conseguiu inverter a situação na última vez que passou três jogos seguidos sem ganhar. Tal sucedeu-lhe pela última vez numa sequência de três empates em Setembro de 2014: 0-0 com o Boavista, 1-1 com o Sporting e 2-2 com o Shakthar Donetsk. O FC Porto saiu do segundo destes empates em segundo lugar na Liga, a quatro pontos do líder, que era o Benfica, e acabou a prova nesse mesmo segundo lugar, a três pontos de distância. Um dos aspetos que mais mudou nos últimos resultados do FC Porto foi a incapacidade para manter o zero nas suas balizas. Iker Casillas segue com quatro jornadas seguidas a sofrer golos na Liga, redundando nas vitórias por 2-1 frente a P. Ferreira e Nacional, nos 3-1 à Académica e na derrota por 2-0 com o Sporting em Alvalade. Para se perceber como a situação é invulgar, basta reparar que o FC Porto só tinha sofrido golos em três das onze primeiras jornadas ou que encaixou mais golos (cinco) nos últimos quatro jogos que nos onze primeiros (em que sofreu apenas quatro). Para se encontrar uma sequência de pelo menos quatro jogos seguidos do FC Porto a sofrer golos na Liga é preciso recuar até Outubro e Novembro de 2013, quando a equipa dirigida por Paulo Fonseca foi incapaz de manter o zero nas suas redes por cinco jogos consecutivos: 3-1 ao Arouca e ao Sporting, 1-1 com Belenenses e Nacional e 0-1 frente à Académica   - O Rio Ave, que só tinha perdido uma vez esta época até ao início de Novembro (1-2 contra o Sporting, em Setembro), já soma mais cinco derrotas desde essa altura: 3-2 com o Marítimo, 1-0 com o Moreirense, 3-1 com o V. Guimarães, 3-1 com o Benfica e 3-2 com o Tondela. É curioso que os vila-condenses tenham feito golos em cinco das seis derrotas da época. Aliás, o Rio Ave só ficou em branco uma vez em 20 jogos oficiais esta temporada, a derrota por 1-0 em Moreira de Cónegos.   - Este jogo será, por isso, o confronto entre um dos melhores ataques da Liga nos jogos fora e a melhor defesa na partidas em casa. O Rio Ave já fez 14 golos em deslocação, menos um que o V. Setúbal, que tem o melhor ataque da prova fora de casa. Mas o FC Porto só sofreu dois golos no Dragão, menos um que o Sporting, a segunda melhor defesa nas partidas em casa.   - Pedro Martins, o treinador do Rio Ave, perdeu os três jogos que fez contra Julen Lopetegui, todos na época passada. O FC Porto do basco impôs-se por 5-0 no Dragão e 3-1 em Vila do Conde nas partidas da Liga e ainda foi ganhar aos Arcos por 1-0 na Taça da Liga.   - Aliás, só por uma vez Pedro Martins viu uma equipa sua marcar um golo no Dragão, em jogos da Liga. E foi logo na primeira vez que lá foi, faz na terça-feira cinco anos: o FC Porto ganhou por 4-1 ao Marítimo do técnico feirense. Depois disso, Martins perdeu sempre no Dragão: 2-0 em 2011/12, 5-0 em 2012/13, 3-0 em 2013/14 (as três vezes com o Marítimo) e outra vez 5-0 em 2014/15 (já com o Rio Ave). A somar a estes jogos há mais uma visita, outra derrota, esta por 3-2, no jogo da Taça da Liga que ficou célebre pelo atraso com que se jogou.   - Martins já ganhou uma vez ao FC Porto em 12 jogos: foi em 2013/14 que o seu Marítimo bateu os dragões por 1-0, mas nos Barreiros.   - Danilo Pereira, médio internacional do FC Porto, foi lançado na Liga por Pedro Martins, quando este dirigia o Marítimo. Aconteceu a 18 de Agosto de 2013, numa vitória dos insulares sobre o Benfica, por 2-1.   - Pedro Moreira pode completar o 50º jogo com a camisola do Rio Ave, depois de ter chegado a Vila do Conde emprestado pelo FC Porto, na época passada. Dos 49 que já fez, 32 foram na Liga portuguesa, sete na Liga Europa, seis na Taça de Portugal, três na Taça da Liga e um na Supertaça.   - Cássio, guarda-redes do Rio Ave, estreou-se na Liga a jogar contra o FC Porto, lançado por Paulo Sérgio a 26 de Setembro de 2008, numa derrota do Paços de Ferreira no Dragão, por 2-0. Também Roderick se estreou na Liga a perder no Dragão, encaixando cinco golos sem resposta com a camisola do Benfica, a 7 de Novembro de 2010 – lançou-o Jorge Jesus. Por fim, Guedes, avançado dos vila-condenses, também chegou à Liga pela porta do Dragão, lançado por Luís Castro numa derrota do Penafiel por 3-1, a 17 de Dezembro de 2005.   - André Vilas Boas, uma das referências do Rio Ave, foi campeão pelo FC Porto, em 2003/04. José Mourinho deu-lhe um minuto nesse campeonato, depois de o mandar de volta para a equipa B e de o devolver ao Rio Ave.   - O FC Porto ganhou os derradeiros sete jogos que fez contra o Rio Ave (e 16 dos últimos 17). Nas últimas 20 vezes que os dois clubes se defrontaram, o máximo que os vila-condenses conseguiram foram três empates: 2-2 em Setembro de 2012, 0-0 em Setembro de 2008 e em Janeiro de 2006. De resto, o Rio Ave só pontuou uma vez no Dragão, num empate a uma bola que faz 11 anos na próxima terça-feira. Ao todo, soma ali três empates e uma vitória, mas as ocasiões anteriores em que voltou do Porto com pontos tinham sido na sequência de jogos nas Antas.   - As últimas três visitas do Rio Ave ao Dragão foram resolvidas de forma clara: 4-0 em 2012/13, 3-0 em 2013/14 e 5-0 em 2014/15. O último golo do Rio Ave neste estádio foi obtido por Braga, numa derrota por 2-1, em Fevereiro de 2013. Jackson tem sido o goleador mais frequente do FC Porto neste confronto, tendo obtido quatro golos nos últimos quatro jogos. Dos que ainda estão no FC Poto, só Tello e Varela marcaram na receção ao Rio Ave, ainda que Maicon e Aboubakar o tenham feito em Vila do Conde.   - Será o 11º jogo em que Rui Costa apita o FC Porto na Liga, sendo que os Dragões nunca perderam com ele. O pior que lhes aconteceu foi ceder dois empates, frente ao P. Ferreira em 2009/10 e ao Belenenses em 2014/15. Com ele, o Rio Ave perdeu sete vezes (em 15 jogos), duas delas na Luz, contra o Benfica.
2016-01-05
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Stats

Duas equipas com propensão goleadora, V. Setúbal e Sporting têm montado os ataques muito em cima dos seus avançados-estrela, o coreano Suk e o argelino Slimani, respetivamente o terceiro e o segundo melhor marcadores da Liga, com nove e dez golos. Ambos estão a viver um excelente momento e mostram apetência por marcar ao adversário de agora, não sendo por isso estranho que se comente – até por semelhanças físicas – que os leões tenham pensado em Suk como alternativa a Slimani. Suk, que chegou a Portugal, vindo do futebol holandês, em Janeiro de 2013, fez o seu primeiro golo lusitano, ainda ao serviço do Marítimo, na baliza de Rui Patrício, na altura valendo uma vitória dos insulares em Alvalade, por 1-0. Era o terceiro jogo do asiático com a camisola verde-rubra e logo ali ele deixava um cartão de visita que raramente deixou de honrar. Depois de uma passagem pela Arábia Saudita, regressou a Portugal para vestir a camisola do Nacional – o único clube com o qual não conseguiu marcar ao Sporting, ficando em branco na derrota por 1-0 na Choupana, em Dezembro de 2014. Só voltou a defrontar os leões na Liga em Abril de 2015, já em representação do V. Setúbal, voltando a marcar, para atenuar a derrota da sua equipa por 2-1 no Bonfim. Além disso, Suk fez golos nas três últimas partidas do Vitória no Bonfim, onde não fica em branco desde os 2-2 com o U. Madeira, em Novembro. Desde então, fez um golo nos 2-4 com o Benfica, outro no empate a uma bola frente ao Rio Ave (Taça de Portugal) e outro ainda no 1-1 com o Sp. Braga, no sábado passado. Mas o bom momento é comum ao argelino Slimani, que vem de um bis inspirador nos 2-0 ao FC Porto, estando a apenas um golo do seu recorde para uma época inteira, que são os 15 golos de 2014/15. Ora Slimani tem três golos em outros tantos jogos contra o V. Setúbal, sendo que marcou sempre que foi titular: só ficou em branco nos 2-1 do Bonfim, em Abril, mas aí só entrou em campo a 20’ do fim. Antes, já tinha marcado nos 2-2 de Março de 2014 e bisado nos 3-0 de Novembro do mesmo ano.   - O V. Setúbal só perdeu uma vez no Bonfim esta época. Foram os 4-2 contra o Benfica, em Dezembro. Em contrapartida, também só ganhou uma vez: 1-0 ao Estoril, em Outubro. Soma, além desses dois jogos atípicos, sete empates, seis deles com golos.   - O Sporting segue com duas derrotas consecutivas fora de casa, não ganhando como visitante desde a deslocação ao Funchal, para defrontar o Marítimo, a 5 de Dezembro (1-0). Desde então, foi batido pelo Sp. Braga (4-3, após prolongamento, na Taça de Portugal) e pelo U. Madeira (1-0).   - Quim Machado, treinador do V. Setúbal, perdeu os dois jogos que fez contra o Sporting e nas duas vezes que defrontou Jorge Jesus, mas com nuances diferentes. Frente aos leões o seu Feirense não fez sequer um golo (0-2 em Aveiro e 0-1 em Alvalade). Já nos jogos com o Benfica de Jesus vendeu sempre muito mais cara a derrota: 1-3 na Luz, aguentando o empate até ao último quarto-de-hora, e 1-2 na Feira, de virada.   - Regresso de Jorge Jesus a Setúbal, onde foi jogador (de 1980 a 1983) e treinador (de 2000 a 2002). Desde que saiu do banco do Vitória, após uma derrota com o Varzim, em Janeiro de 2002, Jesus voltou com equipas suas a Setúbal por dez vezes, ganhando sete, empatando duas e perdendo apenas uma, com a U. Leiria (2-0), em Outubro de 2005. A última vez que não ganhou em Setúbal foi em Fevereiro de 2010, quando ali empatou (1-1) com o Benfica.   - Nuno Pinto, lateral do V. Setúbal, estreou-se na Liga portuguesa com a camisola do Boavista num empate a uma bola frente ao Sporting, a 28 de Janeiro de 2007. Foi lançado por Jaime Pacheco. O mesmo sucedeu com o avançado André Claro, a quem Pedro Emanuel deu os primeiros minutos na Liga numa partida com os leões, perdida em Alvalade pelo Arouca (5-1), a 18 de Agosto de 2013.   - Nos leões, Carlos Mané também se estreou na Liga a defrontar o adversdário desta jornada. Foi lançado por Leonardo Jardim nos últimos 7 minutos de uma vitória dos leões frente ao V. Setúbal, por 4-0, a 5 de Outubro de 2013.   - O Sporting não perde com o V. Setúbal desde Novembro de 2012, quando saiu do Bonfim vergado a uma derrota por 2-1, com golos de Meyong e Pedro Santos contra um de Jeffrén. Dos 14 homens que José Mota fez alinhar nessa noite pelo Vitória, subsistem no clube Paulo Tavares e Miguel Lourenço, que até foi expulso. Do Sporting só sobra Rui Patrício.   - O Sporting interrompeu na época passada uma série de três jogos sem ganhar em Setúbal, impondo-se por 2-1 (Carlos Mané e Tanaka marcaram para os leões, Suk fê-lo para os sadinos), mas já não sai do Bonfim sem sofrer golos desde Dezembro de 2010, quando ali venceu por 3-0 (bis de Yannick a somar a um golo de Abel). Foi a última vez que os leões se deslocaram a Setúbal com um treinador que lá tinha jogado: Paulo Sérgio, como agora Jorge Jesus.   - O V. Setúbal empatou todos os jogos que fez com Jorge Ferreira a apitar na Liga, dos quais apenas um foi no Bonfim: o V. Setúbal-Estoril de 2013/14 (1-1). Com este árbitro, o Sporting ganhou seis jogos em oito na Liga, tendo perdido os seus únicos pontos em Alvalade, num 0-1 com o Estoril (2013/14) e um 1-1 contra o Moreirense (2014/15).
2016-01-05
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O Benfica-Marítimo será a quarta tentativa desta época para o Benfica suplantar a barreira das três vitórias consecutivas. Até este momento, os encarnados já conseguiram por três vezes ganhar três jogos seguidos, mas espalharam-se sempre no quarto, frente a FC Porto, Galatasaray e Sporting. A tendência, aliás, já vem da ponta final da época passada, uma vez que o Benfica não vence quatro jogos seguidos desde Março. A última série vitoriosa superior a três jogos registada pelo Benfica data de Fevereiro e Março, quando a equipa então liderada por Jorge Jesus até se impôs seis vezes seguidas, a V. Setúbal (3-0 para a Taça da Liga e mais 3-0 para o campeonato), Moreirense (3-1), Estoril (6-0), Arouca (3-1) e Sp. Braga (2-0). Essa série foi interrompida com a derrota em Vila do Conde, frente ao Rio Ave (1-2), a 21 de Março de 2015. E logo na época anterior o Benfica se revelou incapaz de ultrapassar a barreira do quarto jogo, quando ganhou a Nacional (3-1), Académica (5-1) e Belenenses (2-0), para depois empatar a zero com o FC Porto, no jogo que começou a definir com mais certeza a conquista do bicampeonato. Já esta época, por mais três vezes o Benfica ganhou três partidas consecutivas, mas esbarrou sempre num adversário mais competente ao quarto. Em Agosto e Setembro, ganhou a Moreirense (3-2), Belenenses (6-0) e Astana (2-0), mas perdeu a seguir com o FC Porto no Dragão (1-0). Depois disso, em Setembro e Outubro, voltou a vencer consecutivamente o Paços de Ferreira (3-0), o Atlético Madrid (2-1) e o Vianense (2-1), mas viu a série interrompida em Istambul, onde foi batido pelo Galatasaray (2-1). Por fim, em Outubro e Novembro bateu o Tondela (4-0), o Galatasaray (2-1) e o Boavista (2-0), caindo de seguida frente ao Sporting, na Taça de Portugal (1-2). A quarta tentativa da época (quinta seguida, se contarmos a ponta final de 2014/15) de somar quatro vitórias seguidas começou a ser construída com os sucessos contra o Rio Ave (3-1), o Nacional (1-0) e o V. Guimarães (1-0). O adversário que se segue é o Marítimo.   - Raul Jiménez fez golos nos últimos dois jogos do Benfica na Luz, sempre perto do final das partidas. Marcou o terceiro nos 3-1 ao Rio Ave, a 7’ do fim, e decidiu a partida frente ao Nacional (1-0), já em cima do minuto 90. Em ambos os casos o avançado mexicano saiu do banco para marcar.   - O Marítimo marcou golos nos últimos quatro jogos: vitória por 4-3 em Guimarães, derrota por 4-1 em Arouca, vitória por 3-1 frente ao FC Porto no Dragão e empate a uma bola em casa com o Estoril. Não fica em branco desde a receção ao Sporting (0-1), a 5 de Dezembro. Em contrapartida, a equipa de Ivo Vieira tem sido incapaz de manter a baliza inviolada: há nove jogos seguidos que sofre sempre golos, não segurando o zero desde a vitória no Bessa (1-0), a 1 de Novembro.   - Marega, avançado que fez o golo do Marítimo na derrota na Luz, em Maio, vem com dois jogos seguidos a marcar: fez o terceiro nos 3-1 com que os insulares ganharam ao FC Porto no Dragão e adiantou a equipa no empate em casa com o Estoril (1-1). A melhor série de jogos consecutivos a marcar do maliano ficou em cinco partidas, na ponta final da época passada, tendo sido interrompida precisamente contra o Benfica, mas na final da Taça da Liga: marcou ao Estoril (1-1), ao Arouca (1-1), ao Sp. Braga (3-1), ao Rio Ave (bis nuns 4-0) e ao Benfica (1-4), falhando depois o encontro com as redes no 1-2 contra o mesmo Benfica, na final da Taça da Liga.   - Ruben Ferreira vai estar fora do jogo com o Benfica, porque foi expulso na partida do Marítimo frente ao Estoril. Foi a 12ª expulsão dos verde-rubros em 15 jornadas da Liga, um total que é o mais elevado do campeonato e já bateu o recorde de expulsões do Marítimo numa época inteira de I Divisão.   - Rui Vitória nunca perdeu em casa com o Marítimo em jogos da Liga – a única derrota foi em 2011/12, na Taça da Liga – e só cedeu um empate, mas nunca viu as suas equipas marcarem mais de um golo a este adversário: 1-0 com o Paços de Ferreira em 2010/11; 1-0, 1-1, 1-0 e 1-0 com o V. Guimarães de 2011/12 em diante.   - Ivo Vieira, por sua vez, perdeu os três jogos que fez na carreira contra o Benfica: 2-0 ainda aos comandos do Nacional, em 2011/12, e na época passada 4-1 e 2-1 nas partidas da Liga e da Taça da Liga. No confronto direto com Rui Vitória soma uma vitória (Nacional 1, P. Ferreira 0, em 2010/11) e uma derrota (Nacional 1, V. Guimarães 4, na estreia de Vitória à frente dos minhotos, em 2011/12).   - O benfiquista André Almeida estreou-se na Liga a defrontar o Marítimo. Foi a 29 de Novembro de 2008 que Jaime Pacheco o lançou no Belenenses, para jogar os últimos 9 minutos de uma derrota frente aos verde-rubros, por 2-0. Além do lateral, também Ederson, guarda-redes suplente dos encarnados, se estreou na Liga frente ao Marítimo, lançado por Nuno Espírito Santo no Rio Ave numa derrota (0-1) em casa, a 18 de Agosto de 2012.   - José Sá, que tem sido guarda-redes suplente do Marítimo e fez parte da formação no Benfica, também se estreou na Liga frente ao adversário de agora. Foi lançado por Pedro Martins, a 18 de Agosto de 2013, precisamente na última vez que os maritimistas venceram os encarnados, por 2-1. Além dele, também o médio Alex Soares se estreou nesse dia.   - O Benfica segue com quatro vitórias seguidas em confrontos com o Marítimo, incluindo a final da Taça da Liga da época passada, em Maio, que venceu por 2-1, com golos de Jonas e Ola John, a responder a um tento de João Diogo. A última vez em que o Marítimo evitou a derrota foi na abertura da Liga de 2013/14, quando ganhou por 2-1 nos Barreiros. O Benfica, porém, veio a ser campeão nesse ano.   - Além disso, o bicampeão nacional ganhou as últimas sete receções ao Marítimo na Luz. Todas elas desde o empate a uma bola na abertura do campeonato de 2009/10, quando só evitou a derrota a quatro minutos do fim, com um golo de Weldon, depois de Alonso ter adiantado os madeirenses. Também nesse ano, contudo, o Benfica acabou por ser campeão.   - Jonas marcou golos nas duas últimas vezes em que defrontou os leões do Funchal: além da final da Taça da Liga, na qual abriu o ativo, bisou na Luz, nos 4-1 com que os encarnados despacharam o Marítimo no encerramento da última Liga, uma semana antes.   - O Marítimo só venceu uma vez na Luz. Foi em Setembro de 1987, por 1-0, graças a um golo do brasileiro Paulo Ricardo, que ajudou a avolumar a crise em torno de Ebbe Skovdahl, o treinador dinamarquês que o Benfica demitiu dois meses depois.   - Fábio Veríssimo apita pela segunda vez o Benfica na Liga, depois de já ter estado na vitória dos encarnados frente ao Tondela, em Aveiro, por 4-0. Nunca dirigiu uma partida do Marítimo no campeonato.    
2016-01-05
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O Sporting venceu o FC Porto por 2-0 e continua imparável nos clássicos, tendo ganho os primeiros quatro da época, pois a esta vitória somam-se as três obtidas contra o Benfica na Supertaça, na Liga e na Taça de Portugal. Esta foi a primeira vez que o Sporting ganhou os primeiros quatro clássicos da época, mas não a primeira vez que ganhou quatro clássicos consecutivos: tinha-o conseguido em 1948, quando ganhou ao Benfica a 25 de Abril (4-1, para a Liga), ao FC Porto a 16 de Maio (5-2, para a Liga), e mais duas vezes ao Benfica a 27 de Junho (3-0 para a Taça de Portugal) e a 14 de Novembro (5-1 para a Liga). Encalhou à quinta partida, perdendo por 1-0 frente ao FC Porto a 5 de Dezembro, no Campo da Constituição.   - Continua assim a saga negativa do FC Porto em Alvalade, onde os dragões já não ganham há dez jogos, com seis empates e quatro vitórias leoninas. A última vez que o FC Porto venceu o Sporting em Alvalade foi a 5 de Outubro de 2008, por 2-1, graças a golos de Lisandro López e Bruno Alves, tendo João Moutinh feito o tento dos leões.   - Além de Alvalade, nota-se a incapacidade do FC Porto ganhar em Lisboa. É que são já 12 os jogos seguidos desde a última vitória dos dragões em Lisboa, um 3-2 sobre o Benfica, a 2 de Março de 2012. Desde aí, o FC Porto soma três derrotas e dois empates com o Benfica na Luz, dois empates com o Belenenses no Restelo e duas derrotas e três empates com o Sporting em Alvalade.   - Slimani chegou aos 14 golos na época e está a apenas um de toda a produção na época passada. Fez, além disso, o quarto golo em clássicos nesta temporada, só tendo ficado em branco no desafio da Supertaça. De resto, fez o segundo golo nos 3-0 ao Benfica na Luz, o tento que decidiu o prolongamento (2-1) frente aos encarnados na Taça de Portugal e agora ambos os golos dos 2-0 ao FC Porto em Alvalade.   - O argelino foi, além disso, o primeiro jogador do Sporting a bisar num clássico desde que Liedson o fez numa vitória por 3-2 frente ao Benfica, em Fevereiro de 2009. Num jogo com o FC Porto, o último leão a marcar dois golos tinha sido Romagnoli, nuns 4-1 a contar para a Taça da Liga, poucos dias antes desse jogo com o Benfica.   - O Sporting obteve a décima vitória consecutiva em casa, depois da derrota contra o Lokomotiv de Moscovo, a 17 de Setembro, a contar para a Liga Europa. Os leões continuam a perseguir a série de 2011/12, quando a equipa de Ricardo Sá Pinto ganhou consecutivamente os derradeiros onze jogos no seu estádio.   - Além disso, os leões aumentaram para 24 o total de jogos que levam sem perder me casa para a Liga desde que foram batidos em Alvalade pelo Estoril de Marco Silva, a 11 de Maio de 2014 (1-0, na última jornada desse campeonato). Aqui, perseguem a marca estabelecida pela equipa de Paulo Bento, que esteve 26 jogos seguidos sem perder em Alvalade para a Liga entre um 0-2 contra o Benfica a 1 de Dezembro de 2006 e um 1-2 contra o FC Porto a 5 de Outubro de 2008.   - Foi a primeira derrota do FC Porto na Liga desde 25 de Janeiro do ano passado, quando os dragões foram batidos nos Barreiros pelo Marítimo, por 1-0. Desde aí, a equipa de Lopetegui somara 30 jogos sem perder no campeonato, com 24 vitórias e seis empates.   - Foi, além disso, a segunda derrota seguida do FC Porto em todas as competições, depois de ter sido batido pelo Marítimo, no Dragão, para a Taça da Liga (1-3). Lopetegui nunca tinha perdido dois jogos seguidos no FC Porto, pois a última série de duas derrotas consecutivas dos dragões já datava de Novembro de Dezembro de 2012, quando a equipa de Vítor Pereira foi consecutivamente batida pelo Sp. Braga (2-1, na Taça de Portugal) e pelo Paris St. Germain (2-1 na Liga dos Campeões).   - Apesar de tudo, os 36 pontos que o FC Porto soma nas primeiras 15 jornadas ainda se superiorizam aos 34 que a equipa somou nos primeiros 15 jogos da época passada. Para se encontrar um FC Porto mais forte por esta altura da época há que recuar à última vez que os dragões foram campeões: em 2012/13 tinham 39 pontos à 15ª jornada.   - Muito mais forte está o Sporting, cujos 38 pontos são amplamente mais largos que os 30 que a equipa somava por esta altura da época passada. Para encontrar um Sporting com tantos pontos ao fim de 15 jogos é preciso recuar a 1990/91, quando a equipa de Marinho Peres comandava a Liga com 27 pontos, fruto de 13 vitórias e um empate, que com as regras de pontuação atuais seriam 40.   - O Sporting tem, além disso, a melhor defesa da Liga, com apenas sete golos sofridos, menos cinco do que à mesma altura da Liga anterior. A última vez que os leões chegaram tão pouco vulneráveis à 15ª jornada da Liga foi em 1996/97, quando a equipa que começou a ser comandada pelo belga Robert Waseige e depois viu suceder-lhe Otávio Machado tinha os mesmos sete golos encaixados em 15 jogos.   - Lopetegui apresentou exatamente o mesmo onze inicial que já tinha mostrado na vitória frente à Académica, na 14ª jornada, repetindo onze pela primeira vez na prova desde Março, quando abordou os jogos com o Sporting, no Dragão, e o Sp. Braga, na Pedreira, com os mesmos titulares. Maicon, Herrera e Brahimi são os únicos jogadores em comum às quatro partidas.   - O treinador basco continua sem conseguir ganhar e, pior, sem marcar um único golo em jogos contra equipas dirigidas por Jorge Jesus. Em três jogos, empatou um a zero e perdeu os outros dois pelo mesmo resultado: 2-0.   - O jovem Matheus Pereira foi titular na Liga pela primeira vez, entrando logo num clássico. Já tinha começado vários jogos dos leões esta época, mas nenhum no campeonato: quatro na Liga Europa, um na Taça da Liga e um na Taça de Portugal.   - Estreia na Liga de André Silva, que entrou para o lugar de Aboubakar a 19’ do final depois de já ter sido titular na partida da Taça da Liga frente ao Marítimo.
2016-01-03
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O Estádio José Alvalade está transformado numa espécie de local maldito para o FC Porto, que ali não ganha desde Outubro de 2008. A visita ao Sporting é aquela em que os dragões deixaram mais pontos nos últimos dez campeonatos: 19, ao todo, contra 17 na Luz e 15 nos Barreiros (já contando os dois que lá ficaram na temporada atual). Desde esse sucesso de 2008, o FC Porto já ganhou em todos os estádios do campeonato pelo menos uma vez. Foi Jesualdo Ferreira o último treinador dos dragões a ganhar em Alvalade, nessa quinta jornada da Liga de 2008/09. O FC Porto adiantou-se, por Lisandro López, João Moutinho empatou para os leões, na altura liderados por Paulo Bento, de penalti, e um livre de Bruno Alves permitiu a vitória azul-e-branca, por 2-1. Dos 28 jogadores que nesse dia estiveram em campo só resta nos dois clubes o guardião leonino Rui Patrício, que por esses tempos ainda estava a começar a impor-se na baliza do Sporting. Desde essa vitória, o melhor que o FC Porto conseguiu levar de Alvalade foram empates, ainda que um deles, um mês depois, lhe tenha permitido seguir em frente na Taça de Portugal, no desempate por grandes penalidades, depois de os 120 minutos de jogo não terem desempatado as duas equipas. Na Liga, o Sporting ganhou por 3-0 em 2009/10 (marcaram Yannick, Izmailov e Veloso), verificou-se um empate a uma bola em 2010/11 (golos de Valdés para os leões e Falcao para os dragões) e mais dois, ambos sem golos, em 2011/12 e 2012/13. Em 2013/14 ganhou o Sporting por 1-0 (golo de Slimani) e na época passada as duas equipas voltaram a empatar a um golo (Jonathan Silva adiantou os lisboetas, tendo os portistas empatado através de um autogolo de Sarr). Alvalade é assim o estádio da Liga onde o FC Porto não ganha há mais tempo. São já sete anos (e quase três meses), o máximo período de invencibilidade leonina em casa contra os portistas na Liga desde as décadas de 60 e 70. Nessa altura, os leões estiveram sem perder com o FC Porto em casa para o campeonato entre Março de 1963 (0-1, com golo de Serafim) e Dezembro de 1972 (0-3, com golo de Abel e bis de Flávio).   - O Sporting ganhou os últimos três jogos em casa pelo mesmo resultado: 3-1 ao Besiktas para a Liga Europa, ao Moreirense para a Liga portuguesa e ao Paços de Ferreira para a Taça da Liga. Além disso, os leões seguem com nove vitórias seguidas nos jogos em casa desde que perderam com o Lokomotiv, também por 3-1, na Liga Europa, a 17 de Setembro. No jogo com o FC Porto procuram a décima vitória caseira sucessiva, algo que não conseguem desde o final da época de 2011/12, quando a equipa de Ricardo Sá Pinto venceu consecutivamente os últimos onze jogos caseiros da temporada.   - O FC Porto, por sua vez, vem de uma derrota em casa frente ao Marítimo na Taça da Liga, por 3-1, sendo absolutamente regular nos últimos nove jogos disputados: ganha três e perde o quarto. Venceu Maccabi, V. Setúbal e Angrense antes da derrota com o Dynamo Kiev; bateu Tondela, U. Madeira e P. Ferreira antes de ceder ante o Chelsea; derrotou Nacional, Feirense e Académica antes de ser derrotado pelo Marítimo. Seguindo a série, agora é vez de ganhar.                - Julen Lopetegui nunca ganhou um jogo a Jorge Jesus e nunca viu sequer uma equipa sua marcar um golo a uma liderada pelo atual treinador leonino. Os dois só se defrontaram duas vezes, com o Benfica de Jesus a ganhar no Dragão por 2-0 e a empatar na Luz (0-0). Por sua vez, nos jogos com o Sporting tem uma vitória, um empate e uma derrota: ganhou por 3-0 na Liga, no jogo em casa, perdeu por 3-1 na Taça de Portuigal, também no seu estádio, e empatou a uma bola em Alvalade para o campeonato.   - Nos 19 jogos que fez pelo Benfica contra o FC Porto, Jorge Jesus tem saldo negativo: ganhou sete vezes e perdeu oito, empatando os quatro restantes. Antes de chegar ao Benfica, nunca tinha sequer ganho ao FC Porto, tendo no entanto conseguido empatar com Sp. Braga, Belenenses, Moreirense e Felgueiras.   - Aquilani e Gelson Martins marcaram ambos nas duas últimas partidas do Sporting em casa, contra o Paços de Ferreira e o Moreirense.   - André André estreou-se na Liga a jogar contra o Sporting, lançado por Rui Vitória num empate do V. Guimarães frente aos leões, em casa, a 19 de Agosto de 2012. O mesmo sucedeu a Evandro, que teve o primeiro odor a Liga portuguesa com a camisola do Estoril em Alvalade, noutro empate, a 29 de Setembro de 2012, lançado por Marco Silva.   - O equilíbrio tem sido a nota dominante nos últimos confrontos entre Sporting e FC Porto, pois desde 2012 que nenhum dos dois ganha dois jogos seguidos. Nesse ano, os dragões impuseram-se duas vezes consecutivas por 2-0 no Dragão: na 29ª jornada da Liga de 2011/12 e na sexta ronda da prova de 2012/13. Nas últimas duas épocas, houve sempre três jogos entre ambos, com divisão equitativa dos três resultados possíveis: duas vitórias para cada lado e dois empates.   - Hugo Miguel, o árbitro do clássico, ainda não viu uma vitória das equipas da casa nos seis jogos que apitou esta época. Dois desses jogos envolveram o FC Porto: o empate (1-1) com o Marítimo nos Barreiros e a vitória (2-1) contra o Rio Ave em Vila do Conde. O juiz lisboeta já não dirige um jogo do Sporting na Liga desde a vitória em Braga (1-0) na época passada. Com ele, o Sporting já perdeu duas vezes (no Estoril em 2012/13 e em Guimarães em 2014/15) em dez jogos, ao passo que o FC Porto segue invicto, com 13 vitórias e apenas um empate (o desta época, nos Barreiros) em 14 jogos.
2016-01-01
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A derrota na Choupana contra o União da Madeira implicou a perda da liderança para o Sporting dias antes do Natal. Os leões já não lideram a Liga isolados no Natal desde 2001: nessa altura foram campeões. Há dois anos lideravam de forma partilhada com FC Porto e Benfica uma Liga que acabaram em segundo lugar.   - Tal como em 1990/91, a última vez que tinham prolongado a invencibilidade até tão longe, os leões sofreram a primeira derrota à 14ª jornada. Nessa altura foram derrotados pelo FC Porto nas Antas por 2-0. E também nessa altura cederam a liderança aos dragões. O registo desta época, porém, ainda é ligeiramente pior que o da equipa liderada por Marinho Peres: em 1990, o Sporting tinha 12 vitórias, um empate e uma derrota e agora tem onze vitórias, dois empates e uma derrota.   - Foi primeira derrota do Sporting na Liga desde Março, quando a equipa de Marco Silva perdeu com o FC Porto, e a segunda seguida se considerarmos todas as competições, depois da sofrida em Braga, após prolongamento, na Taça de Portugal. Os leões não perdiam dois jogos seguidos desde Fevereiro de 2013, quando foram sucessivamente batidos por Rio Ave (2-1) e Marítimo (1-0).   - Foi também a primeira série de duas derrotas consecutivas de Jorge Jesus enquanto treinador desde que, em Maio de 2013, perdeu o título nacional contra o FC Porto, no Dragão (1-2) e a Liga Europa ante o Chelsea, em Amesterdão (1-2).   - Foi a segunda vez que o Sporting ficou em branco num jogo esta época. Já tinha acontecido na visita ao Boavista, a 26 de Setembro, num jogo que acabou empatado a zero.   - Danilo Dias marcou o segundo golo da sua carreira ao Sporting. O anterior foi ao serviço do Marítimo, em Fevereiro de 2012, também a meio da segunda parte, e contribuiu para uma vitória por 2-0.   - Com a vitória sobre o Sporting a suceder ao empate contra o Benfica, o União da Madeira passou a ser a equipa com mais pontos ganhos aos grandes neste campeonato: quatro, contra três do Arouca. Foi ainda a primeira vez que o União ganhou um jogo a um dos grandes do futebol nacional.   - Slimani interrompeu uma série de três jogos seguidos a marcar golos com o zero na Madeira. E continua sem marcar golos em visita à ilha, já tendo lá jogado por sete vezes.   - Luís Norton de Matos, treinador do U. Madeira, ganhou pela primeira vez ao Sporting, mas mantém o registo 100 por cento vitorioso nos confrontos com Jorge Jesus: em dois jogos, soma duas vitórias e nunca sofreu sequer um golo.   - Depois da tempestade que foram os seis golos sofridos em Paços de Ferreira, André Moreira manteve a baliza inviolada pela segunda partida seguida, o que tem mais valor por ter sido nos jogos com Benfica e Sporting. O jovem guarda-redes do União já está há 203 minutos sem sofrer golos, atrás apenas do bracaranese Kritciuk nas séries em curso. Ainda está longe dos 361 minutos que já conseguiu esta época, porém.
2015-12-21
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Último Passe

A primeira derrota do Sporting na Liga, inesperadamente surgida frente ao U. Madeira, por 1-0, na Choupana, apareceu num jogo que os leões dominaram de início ao fim e no qual até falharam ocasiões de golo suficientes para ganhar com algum à-vontade, mas veio confirmar a tendência de perda que a equipa de Jorge Jesus vinha revelando nas últimas semanas, naquela série de vitórias arrancadas a ferros por 1-0. Um golo de Danilo Dias, provavelmente na única vez que o União foi até à baliza de Rui Patrício, e um punhado de grandes defesas de André Moreira fizeram o resultado final de um jogo em que o individual se sobrepôs ao coletivo, deixando a liderança leonina à mercê do resultado que o FC Porto fizesse a seguir, em casa, contra a Académica. O União levou para o campo o mesmo autocarro que já lhe tinha valido um empate a zero com o Benfica, na terça-feira: linha de quatro homens atrás, com três médios de trabalho à frente deles no corredor central e os extremos obrigados a baixar para fechar as laterais. Parte do seu sucesso foi, portanto, coletivo: nasceu na união e na organização defensiva. A questão é que, mercê das suas habituais combinações triangulares, o Sporting até teve muito mais situações de finalização na área do que as que tinha conseguido o Benfica. Mas ou os remates saíam desenquadrados ou aparecia André Moreira, o super-inspirado condutor do veículo, absolutamente inultrapassável nesta noite, a detê-los, mantendo o zero nas suas redes. Ao Sporting terá faltado alguma frescura física – que a equipa deixou em Braga, nos 120 minutos de quarta-feira. Slimani foi menos intenso, Jefferson e Ruiz apareceram pouco… O perigo leonino saía quase sempre do flanco direito, onde estavam Esgaio (poupado em Braga) e Gelson (que só jogou 60 minutos nessa partida), o que dixa pensar que no resto do campo havia jogadores fatigados e que parte do insucesso terá de encontrar explicação no facto de Jesus ter deixado de rodar totalmente a equipa numa sequência de quatro jogos em 11 dias (Besiktas, Moreirense, Sp. Braga e U. Madeira). Daí a ansiedade dos responsáveis leoninos, a pressa para contarem com os reforços de Inverno. Só que a este Sporting não falta só acrescentar em números: é preciso acrescentar em qualidade também, é preciso ter quem resolva individualmente os jogos que o coletivo não ganha.
2015-12-20
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O Sporting vai receber o Moreirense em Alvalade no que vai ser um duelo entre duas das defesas que melhor se têm portado nas últimas jornadas da Liga. Os leões são a equipa há mais tempo sem sofrer golos na competição, com 458 minutos de imbatibilidade, mas à frente dos 345 minutos a zeros do Moreirense só aparece mais uma equipa: o Benfica, com 414. Um golo pode chegar para resolver o desafio de Alvalade. Essa tem sido, aliás, a norma dos últimos jogos do Sporting na Liga. Depois de ganhar por 5-1 ao V. Guimarães, a 4 de Outubro, quando sofreu o seu último golo nesta prova (marcou-o o central vimaranense Josué, na sequência de um canto), a equipa de Jorge Jesus fechou a porta guardada por Rui Patrício e impôs-se por 3-0 ao Benfica e por 1-0 a Estoril, Arouca, Belenenses e Marítimo. Os zeros defensivos, porém, têm sido guardados apenas para os jogos da Liga, uma vez que desde essa altura o Sporting sofreu golos em quase todos os jogos que fez para outras competições: ganhou por 5-1 ao Skenderbeu, perdeu por 3-0 com a mesma equipa albanesa, ganhou por 2-1 ao Benfica, por 4-2 ao Lokomotiv e por 3-1 ao Besiktas. A exceção foram os 4-0 ao Vilafranquense (dos distritais), na Taça de Portugal. O Moreirense, por sua vez, não sofre golos desde o empate (1-1) em Coimbra, com a Académica, a 1 de Novembro. Obiorah bateu Stefanovic logo aos 15’ dessa partida, mas o guarda-redes sérvio já leva, desde então, 345 minutos sem sofrer golos, fruto das vitórias por 2-0 contra o Paços de Ferreira e por 1-0 frente ao Rio Ave e do empate sem golos com o Sp. Braga.   - Stefanovic, que não sofre golos há 345 minutos e está num excelente momento na baliza do Moreirense, regressa ao palco da sua estreia na Liga, na altura com a camisola do Arouca. Foi a 18 de Agosto de 2013 e não lhe correu nada bem, pois o Arouca perdeu por 5-1 e o guardião não só não voltou a jogar nessa época como voltou recambiado para o FC Porto (a quem pertencia o seu passe) no mercado de Janeiro.   - A vitória do Sporting frente ao Besiktas (3-1) foi a sexta consecutiva desde que os leões perderam com o Skenderbeu, em Elbasan, na Liga Europa: 1-0 ao Arouca, 2-1 (após prolongamento) ao Benfica, 4-2 ao Lokomotiv Moscovo, 1-0 a Belenenses e Marítimo e 3-1 ao Besiktas. Para encontrar uma série melhor dos leões é preciso recuar a Dezembro e Janeiro, quando a equipa de Marco Silva venceu oito jogos seguidos, entre o empate com o Moreirense (1-1) e a derrota com o Belenenses (3-2, para a Taça da Liga).   - Na Liga portuguesa, o Sporting também leva seis vitórias seguidas, desde o empate com o Boavista (0-0, a 26 de Setembro). Já igualou as melhores séries das equipas de Marco Silva e Leonardo Jardim. Silva somou seis vitórias seguidas entre o empate com o Moreirense (14 de Dezembro de 2014) e o empate com o Benfica (8 de Fevereiro de 2015), enquanto os seis sucessos de enfiada de Jardim se deram entre o empate com o V. Setúbal (9 de Março de 2014)  e o empate com o Nacional (3 de Maio de 2014). O Sporting não ganha sete jogos seguidos na Liga desde Setembro a Novembro de 2011, quando a equipa de Domingos Paciência venceu sucessivamente P. Ferreira (3-2), Rio Ave (3-2), V. Setúbal (3-0), V. Guimarães (1-0), Gil Vicente (6-1), Feirense (2-0) e U. Leiria (3-1), antes de perder na Luz (1-0) com o Benfica de Jorge Jesus.   - Evaldo, atual defesa esquerdo do Moreirense, esteve em alguns dos jogos dessa série de sete vitórias, pois nessa altura alinhava pelo Sporting, ao serviço do qual fez 72 jogos em duas épocas, marcando três golos.   - Jorge Jesus e Miguel Leal defrontaram-se por cinco vezes e Jesus ganhou sempre. A estreia foi em Fevereiro de 2014, na Taça de Portugal, quando o Benfica de Jesus foi ganhar ao Penafiel de Leal por 1-0, mas com muita dificuldade: marcou Sulejmani, a apenas seis minutos do fim. Na época passada, mais quatro confrontos entre o Benfica de Jesus e o Moreirense de Leal: duas vezes 3-1 para a Liga (e o Moreirense esteve sempre em vantagem, até se ver reduzido a dez jogadores), 2-0 para a Taça da Liga e 4-1 para a Taça de Portugal.   - Na última vez que estiveram frente a frente, Jorge Jesus e Miguel Leal, treinadores do Sporting e do Moreirense, foram expulsos pelo árbitro Jorge Ferreira. Jesus era então treinador do Benfica e acabou na bancada por ter entrado dentro do campo de jogo, o mesmo tendo sucedido com Leal, que alegou ter entrado no relvado para acalmar os seus jogadores na sequência da expulsão do jogador André Simões. O Benfica ganhou esse jogo por 3-1.   - Jesus já treinou o Moreirense, em 2004/05, mas não conseguiu evitar a descida de divisão dos cónegos. Chegou à equipa a sete jornadas do fim, em substituição de Vítor Oliveira, que a deixara em 17º lugar, a um ponto da linha de água. Perdeu os dois primeiros jogos – um deles contra o Sporting, por 3-1 – e somou depois três empates e duas vitórias, acabando em 16º, mas a quatro pontos da salvação.   - O Moreirense não perde há quatro jogos: desde a derrota em Setúbal, por 2-0, a 25 de Outubro, ganhou ao Paços de Ferreir (2-0) e ao Rio Ave (1-0), empatando com a Académica (1-1) e o Sp. Braga (0-0). Depois de um arranque de época muito difícil, esta é já a mais longa série de invencibilidade dos cónegos desde Dezembro do ano passado, quando ganharam ao Paços de Ferreira (2-0), ao Boavista (1-0) e ao Arouca (2-0) e empataram com o Sporting em Alvalade (1-1). Para se encontrar melhor é preciso recuar a Setembro e Outubro do ano passado, quando estiveram cinco jogos seguidos sem perder.   - O Moreirense nunca ganhou em Alvalade, mas empatou lá dois dos últimos três jogos, tendo perdido o outro com um golo no último minuto. Na época passada, faz na segunda feira um ano, saiu de Lisboa com um amargo empate a um golo que os leões só alcançaram aos 90+2’, por Montero, depois de Cardozo ter adiantado os minhotos ainda na primeira parte. Em Abril de 2013 o resultado ficou em 3-2 para os leões, mas só porque Viola separou as equipas com um golo aos 90’. E em Janeiro de 2012, para a Taça da Liga, o jogo entre ambos acabou empatado a uma bola.   - Em toda a sua história, o Sporting só perdeu duas vezes com o Moreirense: 1-0 em Setembro de 2003 (marcou Manoel, que viria a assinar pelos leões, aos 90’) e 3-2 após prolongamento, na Taça de Portugal, em Outubro de 2012. Os leões ganharam oito dos 13 jogos entre os dois clubes.   - André Fontes, do Moreirense, fez a estreia na Liga portuguesa a defrontar o Sporting, lançado por Rogério Gonçalves na derrota (0-2) da Académica em casa, frente aos leões, a 30 de Agosto de 2009.   - O mesmo sucedeu com Danielson, o defesa central que regressou à equipa no empate a zero com o Sp. Braga. Danielson, contudo, foi mais feliz na estreia, pois Carlos Brito lançou-o como titular na vitória do Rio Ave sobre os leões por um expressivo 4-0, a 24 de Abril de 2004.   - Nono jogo do Sporting na Liga com Nuno Almeida a apitar. Dos oito anteriores, os leões ganharam seis, empataram um (2-2 com o Estoril, em 2012/13) e perderam um (0-2 com o Penafiel, em 2004/05). Por sua vez, o Moreirense ganhou apenas dois dos oito jogos que fez com este árbitro, empatando três e perdendo outros três. E apadrinhou-lhe a estreia: um empate a duas bolas com o V. Setúbal, a 3 de Janeiro de 2002.
2015-12-12
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O Benfica vem da sétima derrota da época, em casa com o Atlético Madrid, por 2-1, na Liga dos Campeões. Já igualou em quatro meses o total de desaires de toda a época anterior e a esperança na revalidação do título passa por evitar avolumar esta conta. Até aqui, os encarnados responderam a quatro das seis derrotas anteriores com uma vitória no jogo imediatamente a seguir. As exceções foram o empate em Astana depois da derrota com o Sporting na Taça de Portugal e a derrota com os leões no campeonato logo a seguir ao desaire com o Galatasaray em Istambul. Em comum entre os dois casos está o facto de terem sido os únicos em que, depois de perder, o Benfica não teve pelo menos cinco dias para digerir a desilusão e preparar o jogo seguinte. Como agora. A primeira derrota da temporada apareceu logo no jogo de estreia, contra o Sporting, na Supertaça (0-1), a 9 de Agosto. A equipa de Rui Vitória voltou a jogar sete dias depois, na estreia na Liga, e ganhou ao Estoril por 4-0. Voltou depois a perder com o Arouca, em Aveiro, por 1-0, na segunda jornada da Liga, a 23 de Agosto. Contudo, sem ter jogos a meio da semana que a apoquentassem, a equipa recompôs-se e, seis dias depois, ganhou ao Moreirense na Luz por 3-2. Só à quinta jornada da Liga o Benfica voltou a perder: foi o 0-1 com o FC Porto no Dragão, a 20 de Setembro. Mais uma vez, o calendário permitiu-lhe seis dias de recuperação e preparação do jogo seguinte e o Benfica respondeu bem: 3-0 ao Paços de Ferreira, seis dias volvidos. A quarta e a quinta derrotas foram seguidas e assinalam também a primeira vez que o Benfica não teve pelo menos cinco dias para digerir um mau resultado. A 21 de Outubro perdeu por 2-1 com o Galatasaray em Istambul e quatro dias depois não foi capaz de superar o Sporting em casa, saindo vergado ao peso de um concludente 0-3. Rui Vitória teve então cinco dias para preparar os seus jogadores para nova deslocação a Aveiro, onde o Benfica ganhou facilmente ao Tondela por 4-0. A sexta derrota, contra o Sporting, na Taça de Portugal, a 21 de Novembro, veio de certa forma atenuar esta tese, pois com apenas quatro dias de recuperação – e uma longa viagem pelo meio – o Benfica já não perdeu o jogo a seguir. Mas também não o ganhou: empatou a dois golos com o Astana no Cazaquistão. A sétima derrota, frente ao Atlético de Madrid, a 8 de Dezembro, servirá de tira-teimas. O Benfica vai apresentar-se em Setúbal, quatro dias depois, com a responsabilidade de ganhar.   - O V. Setúbal-Benfica pode colocar frente a frente os dois jogadores que se têm revelado ofensivamente mais valiosos da Liga. Jonas, que soma dez golos e quatro assistências, contra Suk, que tem sete golos e as mesmas quatro assistências.   - O V. Setúbal ainda não perdeu no Bonfim esta época, mas também só ganhou um jogo em seis: 1-0 ao Estoril, a 2 de Outubro. Os outros cinco acabaram empatados, quatro deles a duas bolas (Boavista, Rio Ave, V. Guimarães e U. Madeira). O Arouca, que ali empatou a zero, foi a única equipa que segurou o ataque sadino e lhe impôs um nulo goleador.   - Quim Machado, treinador do V. Setúbal, perdeu os dois jogos que fez contra o Benfica, quando comandava o Feirense, mas em ambos marcou golos e vendeu sempre muito cara a derrota: na Luz, em Agosto de 2011, esteve empatado até ao último quarto-de-hora (golos de Nolito e Rabiola), quando Cardozo e Bruno César fizeram o 3-1 final. E na Feira, em Janeiro de 2012, até esteve a ganhar (golo de Varela), mas viu depois o Benfica virar para 1-2, fruto de um autogolo do mesmo Varela e de um penalti de Cardozo.   - Em contrapartida, nunca uma equipa de Quim Machado marcou um golo a uma equipa de Rui Vitória. Os confrontos entre ambos datam de 2011/12, sempre com Machado no Feirense. Primeiro, um Feirense-Paços de Ferreira que acabou empatado a zero e marcou precisamente a despedida de Rui Vitória da Mata Real, para assumir o desafio de liderar o V. Guimarães. E depois um V. Guimarães-Feirense que os vimaranenses ganharam por 1-0, com golo do brasileiro Toscano. Na visita do V. Guimarães à Feira já Quim Machado tinha sido substituído por Henrique Nunes.   - O Benfica ganhou as últimas cinco visitas a Setúbal, todas pelo menos por dois golos de diferença. A última vez que ali deixou pontos foi em Fevereiro de 2010, num jogo que acabou empatado a uma bola, fruto de dois autogolos: Ricardo Silva marcou pelo Benfica e David Luiz pelo V. Setúbal. De então para cá, cinco vitórias encarnadas: 2-0 em 2010/11 (Gaitán e Jara); 3-1 em 2011/12 (bis de Bruno César e golo de Cardozo contra um de Rafael Lopes); 5-0 em 2012/13 (bis de Rodrigo, acrescido de golos de Salvio, Enzo Pérez e Nolito); 2-0 em 2013/14 (Rodrigo e Lima) e outro 5-0 em 2014/15 (Salvio e Ola John complementados por um hat-trick de Talisca).   - O V. Setúbal não ganha ao Benfica há 17 jogos. A última vitória dos sadinos foi em Outubro de 2007, para a Taça da Liga: 2-1, de virada, com golos de Matheus e Edinho depois de Adu ter aberto o ativo para os encarnados. No campeonato, então, o Vitória já não vence desde um 1-0 em Maio de 1999, com golo de Toñito.   - Os últimos troféus conquistados pelo V. Setúbal envolveram vitórias sobre o Benfica. Foi assim na Taça da Liga de 2007/08, na qual a equipa sadina teve de afastar o Benfica e na Taça de Portugal de 2004/05, onde venceu os encarnados na final. Em ambos os casos o sucesso do V. Setúbal sucedeu-se a reviravoltas no marcador: no Jamor, Manuel José e Meyong cancelaram um golo de penalti de Simão logo a abrir.   - Também o único troféu nacional ganho por Rui Vitória envolveu uma passagem pelo Bonfim. Foi a Taça de Portugal de 2012/13, ganha na final ao Benfica com o V. Guimarães: logo na quarta eliminatória, os vimaranenses empataram a duas bolas com o V. Setúbal no Bonfim, tendo-se qualificado graças a uma vitória por 5-3 no desempate por grandes penalidades. Esse foi, de resto, o único jogo de Rui Vitória contra o V. Setúbal que acabou empatado. Dos outros onze, ganhou cinco e perdeu seis.   - Miguel Lourenço, defesa central do V. Setúbal, estreou-se na Liga a jogar contra o Benfica, lançado por José Mota ao intervalo de um jogo que se apresentava complicado, a 26 de Agosto de 2012: o Vitória jogava com dez e já perdia por 3-0. Os 5-0 finais mostram que não pôde ajudar muito.   - Samaris e Cristante também se estrearam na Liga portuguesa com um 5-0 ao V. Setúbal, a 12 de Setembro de 2014. Samaris jogou os 90 minutos, enquanto que Cristante entrou a 17 minutos do final para o lugar de Enzo Pérez. O jogo já estava resolvido, com 4-0, mas Ola John ainda marcou o quinto.   - André Hora celebra no dia do jogo um ano sobre a sua estreia a jogar na Liga e na equipa principal do V. Setúbal. Foi lançado por Domingos Paciência ao intervalo de um jogo com o Boavista que estava empatado a zero, mas o Vitória acabou por perder (0-1).   - O Benfica ganhou todos os jogos que fez na Liga com o árbitro Manuel Mota, quatro deles fora de casa: 1-0 ao Beira Mar e 2-1 ao Marítimo em 2012/13; 2-1 ao Estoril e 4-2 ao Nacional em 2013/14. Só no último destes jogos é que o Benfica não teve um penalti a favor. Em contrapartida, o V. Setúbal ganhou três dos nove jogos com este árbitro, o último dos quais uma receção à Académica, em Setembro de 2013.
2015-12-11
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Casillas não sofre golos na Liga há 452 minutos de jogo, desde que foi batido por André Fontes, a 2 minutos do final da partida que o FC Porto empatou (2-2) em Moreira de Cónegos, a 25 de Setembro. Desde então, o espanhol manteve a baliza inviolada contra Belenenses (4-0), Sp. Braga (0-0), V. Setúbal (2-0), Tondela (1-0) e agora U. Madeira (4-0). É já o dono da maior série de imbatibilidade em curso na prova, mas ainda a 50 minutos do máximo da temporada, que é do bracarense Kritciuk.   - Em consequência disso, o FC Porto chega à 11ª jornada com apenas quatro golos sofridos na Liga, menos um do que na época passada. Desde 2010/11, do ano em que era liderada por André Villas-Boas, que a equipa portista não tinha tão poucos golos sofridos a esta altura da prova. Nessa época, o FC Porto foi campeão, com 16 golos sofridos em 30 jogos e sem derrotas.   - Foi a primeira vitória do FC Porto na Madeira em sete jogos. A última vez que o FC Porto ali ganhara também tinha sido na Choupana, a 4 de Maio de 2013, mas contra o Nacional, que os dragões tinham batido por 3-1. Nesse jogo, o FC Porto chegou aos 3-0 em 22 minutos; ontem precisou de 23’ para fazer os três primeiros golos.   - O FC Porto segue com cinco vitórias consecutivas em jogos fora de casa: 2-0 ao Varzim, 3-1 ao Maccabi Tel Aviv, 2-0 ao Angrense, 1-0 ao Tondela e agora 4-0 ao U. Madeira. A última vez que tinha ganho cinco deslocações seguidas foi entre Novembro do ano passado e Janeiro, quando se impôs a Bate Borisov (3-0), Académica (3-0), Rio Ave (1-0), Gil Vicente (5-1) e Penafiel (3-1).   - Esta foi a maior vitória do FC Porto em jogos fora de casa desde os 5-1 ao Gil Vicente, em Barcelos, a 3 de Janeiro. Brahimi foi o ponto comum às duas listas de goleadores: marcou o terceiro em Barcelos e o segundo na partida da Choupana.   - Em contrapartida, o U. Madeira não sofria quatro golos em casa desde uma visita do Tirsense, em Setembro de 2007, na qual foi batido por 4-2. Para se encontrar uma derrota caseira por quatro golos de diferença é prciso recuar 21 anos, a 27 de Novembro de 1994, quando o Salgueiros venceu por 4-0 nos Barreiros.   - André Moreira, o jovem guarda-redes do U. Madeira, não sofria quatro golos num só jogo desde Abril de 2014. Nessa altura jogava ainda no Ribeirão e viu a sua equipa empatar (4-4) em Joane, num jogo para a manutenção no Campeonato Nacional de Seniores.   - Foi também a terceira vitória seguida do FC Porto na Liga, depois do 1-0 ao Tondela e dos 2-0 ao V. Setúbal. Os dragões igualaram a melhor série desta época, pois já tinham batido de enfiada Estoril (2-0), Arouca (3-1) e Benfica (1-0).   - Maxi Pereira fez a sexta assistência da época (quinta na Liga), ao oferecer o segundo golo da partida a Brahimi. É o jogador com mais passes de golo do FC Porto, com a curiosidade de ter sido a primeira vez que repetiu o destinatário: antes dera um golo a Aboubakar, outro a Varela, outro a Brahimi, outro a André André e outro ainda a Layun.   - A expulsão de Osvaldo, a 15 minutos do fim, significa que o FC Porto deixa o grupo de equipas que ainda não tinham tido cartões vermelhos na atual Liga, e que agora é composto apenas por Arouca, Benfica, Moreirense e U. Madeira. O último portista expulso na Liga tinha sido o guarda-redes Fabiano, a 15 de Março, na receção ao Arouca, que os dragões ganharam por 1-0. O árbitro desse jogo tinha sido Jorge Tavares.   - Brahimi marcou golo pelo segundo jogo seguido. Já não o conseguia desde Novembro do ano passado, quando esteve na lista de goleadores por três vezes seguidas, contra Nacional, Athletic Bilbau e Estoril.   - Corona fez o quinto golo em outros tantos jogos em que foi titular do FC Porto. Nessas condições, só ficou em branco contra o Benfica, mas em contrapartida bisou no desafio frente ao Arouca. 
2015-12-03
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Jorge Jesus e Ricardo Sá Pinto têm uma história longa de ligações ao adversário desta segunda-feira. Jesus, treinador do Sporting, já jogou e treinou no Belenenses, enquanto Sá Pinto, técnico dos azuis, também jogou e dirigiu os leões. A diferença de idades explica que nunca se tenham defrontado em campo. Mas nos bancos Sá Pinto é certamente dos poucos que pode gabar-se de apresentar um saldo positivo contra o treinador bicampeão nacional, pois ganhou o único confronto direto: 1-0 num Sporting-Benfica de 9 de Abril de 2012, graças a um golo de Van Wolfswinkel. Como jogadores, ambos vestiram a camisola verde-e-branca do Sporting. Mais velho, Jesus foi lá formado, mas resumiu a sua carreira a 12 jogos e um golo, em 1975/76. Um desses jogos, porém, teve como adversário o Belenenses: a 23 de Novembro de 1975, fez na semana passada 40 anos, o jovem Jesus entrou para o lugar de Chico Faria a 14 minutos do fim, ajudando os leões a ganharem por 1-0, com golo de Marinho no último minuto. Mais novo, Sá Pinto entrou na Liga com a camisola do Salgueiros e logo em Alvalade, contra o Sporting. A 21 de Agosto de 1993, o Salgueiros deixou Lisboa com uma derrota por 2-1, mas o jovem Ricardo fez o golo que atenuou o resultado. Nessa mesma época, ainda defrontou o Sporting por mais uma vez (derrota por 1-0, na Maia), mas no Verão de 1994 já vestia de verde-e-branco. Pelo Sporting, Sá Pinto fez 227 jogos, marcando 50 golos. A primeira vez que jogou pelos leões em Alvalade foi precisamente contra o Belenenses (2-1, em Agosto de 1994). Foi o primeiro de 13 jogos pelo Sporting contra a equipa que agora comanda, nos quais Sá Pinto só perdeu uma vez (1-0 no Restelo em 2004/05), ganhando nove e empatando três. Já Jesus fez 13 jogos pelo Belenenses em 1976/77, dois dos quais contra o Sporting. E perdeu ambos: 1-0 no Restelo e 4-0 em Alvalade. Já como treinador, Jesus dirigiu o Belenenses entre 2006 e 2008, registando quatro derrotas e uma vitória (1-0 no Restelo, em Fevereiro de 2008, com golo de José Pedro) contra os leões. Uma das derrotas foi a final da Taça de Portugal de 2007 (1-0, marcou Liedson). Por sua vez, Sá Pinto comandou o Sporting durante boa parte do ano de 2012, mas nunca defrontou o Belenenses, que por esses tempos estava na II Liga.   - Há três jogos que o Sporting não ganha ao Belenenses. A última vitória, em Abril de 2014, fruto de um golo de Adrien no Restelo (1-0), valeu a certeza matemática da qualificação para a Liga dos Campeões seguinte. Desde então, verificaram-se dois empates a um golo para a Liga (Carrillo e Deyverson marcaram em Alvalade; Rui Fonte e Carlos Mané no Restelo) e uma vitória azul por 3-2 para a Taça da Liga (bis de Camará e golo de Dálcio para o Belenenses após dois golos madrugadores de Gauld para o Sporting).   - Há 60 anos que o Belenenses não ganha em casa do Sporting para a Liga. A última vitória azul (2-1) verificou-se a 2 de Janeiro de 1955, ainda não havia Estádio José Alvalade, graças a dois golos de Matateu, enquanto pelo Sporting marcou Juca. Desde essa altura, os azuis empataram sete vezes e perderam todos os outros jogos.   - O Sporting marca golos em casa há 14 jogos consecutivos, tendo o último zero sido a 26 de Fevereiro, contra o Wolfsburg. Já igualou a melhor série da época passada – 14 jogos sempre a marcar em casa entre o 0-1 com o Chelsea e o 0-0 com o Wolfsburg –, que é também a melhor série desde 2007/08, quando a equipa de Paulo Bento fez consecutivamente golos em Alvalade por 21 jogos, entre o 0-1 com o Manchester United e o 0-2 com o Glasgow Rangers.   - O Belenenses completa a quadrilogia das visitas às equipas mais fortes da Liga e ainda está por conseguir fazer um golo. Até aqui, perdeu por 6-0 com o Benfica, por 4-0 com o FC Porto e por 4-0 com o Sp. Braga.   - André Martins, que fez em Moscovo o 100º jogo com a camisola do Sporting, passou pelo Belenenses em 2010/11, mas não foi feliz: só jogou cinco vezes e não ganhou um único jogo de azul vestido.   - Gonçalo Brandão, capitão do Belenenses, estreou-se na Liga em Alvalade, com uma derrota por 4-2 contra o Sporting. Foi em Agosto de 2003 que Manuel José o lançou a 26 minutos do fim, para o lugar de Rui Borges.   - Artur Soares Dias, o árbitro deste jogo, já apitou o único confronto direto entre Jesus e Sá Pinto, o tal Sporting-Benfica de 2012 que os leões de Sá Pinto venceram por 1-0. Com ele, contudo, o Sporting perdeu cinco vezes em 25 jogos, não tendo ganho nenhuma das duas últimas (3-0 contra o FC Porto no Dragão, em Março, e 0-0 com o Boavista no Bessa, já na atual Liga). O Belenenses não o tem a apitar desde uma vitória por 3-1 contra o V. Guimarães, na parte final de 2013/14.
2015-11-28
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Último Passe

Há algumas coisas que me custa compreender na seleção nacional, mas se houve uma que me pareceu clara, limpa e justa foi a divisão dos minutos de jogo entre os selecionados por Fernando Santos nos jogos com a Rússia e o Luxemburgo. Foi por isso com algum espanto que vi a reação enérgica do FC Porto à utilização dos seus três médios no segundo desafio. Pareceu-me desproporcionada e nada mais do que uma tentativa falhada de marcar a agenda num período em que anda por aí muita gente convencida de que os jogos e os campeonatos se ganham nos comunicados, nos boletins ou nas entrevistas dadas por quem não joga. Não percebi, por exemplo, a convocatória de Fernando Santos – e já tinha escrito que preparar o Europeu e testar soluções para a parceria com Cristiano Ronaldo sem levar Cristiano Ronaldo é uma ideia difícil de justificar a não ser com a vontade de agradar ao Real Madrid. Como não tinha percebido outras ausências antes desta, essas com consequências que iam muito para lá da preparação de um jogo tão importante como o clássico de Espanha. Foi o caso, por exemplo, da não convocação de João Moutinho para o Mundial de 2010, da qual se queixou o Sporting, por entender que ela esteve na base da vontade de saída do clube revelada pelo jogador. Ou, agora, da relutância na chamada de Ruben Neves, de que se queixavam os portistas, alegando que ele já é titular e capitão de equipa e que há muito justificava a entrada no lote dos mais credenciados – e por isso mais valorizados. Até por isso, por portistas e sportinguistas andarem constantemente a queixar-se da influência maléfica do Benfica ou de Jorge Mendes nas escolhas dos sucessivos selecionadores, me parece muito retorcido vir agora o boletim Dragões Diário queixar-se de que Fernando Santos andava a “poupar os jogadores do Sporting e do Benfica e a gastar os do FC Porto”. Sim, o FC Porto vai ter seis jogos em 19 dias e tanto Benfica como Sporting terão menos um. Mas o próximo encontro dos dragões tem um grau de dificuldade muito inferior ao de Benfica e Sporting: os dragões jogam com o Angrense horas antes do dérbi de Lisboa. E sim, André André foi o único titular nos dois jogos e o homem que somou mais minutos de jogo (143) nestes dias, mas João Mário jogou apenas menos 28 minutos e Gonçalo Guedes menos 29. E não devia sequer ser preciso lembrar que William Carvalho alinhou por mais nove minutos que Ruben Neves ou que Rui Patrício e Eliseu também estiveram mais tempo em campo que Danilo. É que, por muito que as estruturas de comunicação se esforcem por torcer a realidade, está é bem simples de compreender. E explica-se assim: é melhor jogar na seleção do que não jogar.
2015-11-18
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Último Passe

A vitória de um Portugal cheio de segundas linhas sobre o Luxemburgo foi uma coisa natural. Apesar dos progressos recentes dos luxemburgueses, que ainda no fim-de-semana tinham ganho à Grécia, e da ausência de vários titulares na equipa das quinas, a diferença de qualidade entre as duas seleções era tão evidente que nem o relvado em mau estado, a chuva, a ventania e alguns períodos de menor empenho e intensidade dos portugueses foram suficientes para equilibrar o resultado. Os 2-0 finais pecaram por escassos e permitiram a Fernando Santos a primeira vitória por mais de um golo desde que chegou à seleção, há 13 meses, mas não lhe deram para tirar muitas conclusões acerca dos testes que pretenderia fazer. Só André André deu um passo em frente. Nenhum dos estreantes de Moscovo ontem chamados à titularidade ou dos jogadores que podiam aproveitar a ausência das primeiras linhas para brilhar fez uma declaração de interesses de tal forma forte que lhe permitisse marcar bilhete para o Europeu. Lucas João falhou o encontro com o jogo, Ruben Neves limitou-se a ser regular, Gonçalo Guedes ainda fez um bom remate e sofreu a falta que deu o segundo golo a Nani, mas esteve pouco tempo em campo, tal como Ricardo Pereira. Quer isto dizer que estão fora? Não. Só que não meteram o pé na porta para impedir que ela se fechasse, tal como o não fez Nelson Oliveira, ouro candidato agora recuperado à vaga de parceiro de Ronaldo no ataque. E as dúvidas que restam a Fernando Santos terão de ser esclarecidas em andamento pelo rendimento que os diversos candidatos forem apresentando ao longo da época nos seus clubes. Nos jogos de Março, assumiu o selecionador nacional, o grupo já estará muito mais próximo do que viajará para França. E se alguém marcou lugar para essas datas terá sido André André, o melhor em campo no Luxemburgo e o mais forte candidato a duplo de João Moutinho na fase final. O problema aqui é que as coisas a meio-campo têm duas razões para se complicarem. Por um lado, os candidatos às seis ou sete vagas são pelo menos uma dezena (William, Danilo, Tiago, Moutinho, André André, André Gomes, João Mário, Ruben Neves, Veloso, Adrien ou até Pizzi e André Almeida se entretanto se afirmarem no Benfica). Por outro, ainda falta a Santos definir o modelo de meio-campo que quer. Se é com um médio-centro e dois interiores, se é com dois médios de perfil e outro no apoio direto ao ponta-de-lança ou até se é a quatro, caso encontre um parceiro que permita soltar Ronaldo no ataque.
2015-11-17
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Último Passe

É verdade que o Maccabi Tel-Aviv não é uma equipa digna da Liga dos Campeões e que por isso o FC Porto teve a missão muito facilitada, mas enganem-se os que pensam que o passeio dos dragões a Israel teve a ver apenas com as fragilidades tão evidentes no adversário. A equipa de Lopetegui ganhou com clareza, por 3-1, acertou duas vezes nos postes, falhou dois golos de baliza aberta e tudo porque já está num patamar de construção com o qual os impostores têm muitas dificuldades para conviver. Os impostores são, neste caso, os jogadores do Maccabi, que jogam numa competição para a qual não estão talhados. A forma como os golos portistas surgiram, todos iguais, com a bola a girar da direita do ataque para o jogador mais à esquerda, com este sempre a ganhar ao lateral antes de finalizar, mostra a incapacidade do Macabi para compreender um dos artifícios mais normais neste jogo: a utilização da largura. Foi devido à falta de pressão à entrada da área que André André descobriu Tello bem aberto, escancarando-lhe a via para correr para o guarda-redes e fazer o primeiro golo. Foi a passividade do lateral no ataque à bola que permitiu que André André se lhe antecipasse para responder ao cruzamento de Maxi Pereira no segundo. E a bola voltou a cruzar a área sem interceções antes do bom trabalho de Layun, após passe de Tello, valer o 3-0 que desde logo sentenciava o jogo e quase garantia a qualificação portista para a próxima fase da Liga dos Campeões. Além dos erros israelitas, contudo, há ali também muito trabalho português. Há trabalho tático de uma equipa que já aprendeu a viver com a rotatividade – ontem não estiveram no onze Brahimi nem Imbula… – sem perder qualidade nem rotinas, bem visíveis em cada movimentação do coletivo. E há trabalho mental no convencimento destes homens de que isto de jogar a fase de grupos já é um mero pro-forma para o que verdadeiramente conta, que começa nos oitavos-de-final. É por essa razão que a equipa aparece nesta fase com a confiança normal de quem sabe que é mais forte. E é essa tomada de consciência que se espera já na próxima jornada, onde um empate caseiro frente ao Dynamo de Kiev garantirá matematicamente o apuramento mas onde uma vitória permite continuar em vantagem na luta com o Chelsea pelo primeiro lugar. 
2015-11-04
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Talisca voltou a ser titular e o Benfica voltou a ganhar, o que continua a inverter a tendência da época passada. Esta época, na Liga, o brasileiro só foi titular em Aveiro frente ao Tondela e em casa face ao Belenenses: duas vitórias e 10-0 em golos. Na época passada, o Benfica não ganhou nenhum dos três jogos da segunda volta em que o baiano começou de início: 0-0 em casa com o FC Porto, 1-2 fora com o Rio Ave e 0-1 fora com o Paços de Ferreira.   - Gaitán fez, no primeiro golo do Benfica ante o Tondela, a sexta assistência em 20 golos do Benfica na Liga, o que lhe reforça a posição de melhor assistente do campeonato. O curioso é que as cinco anteriores beneficiaram cinco jogadores diferentes: Mitroglou, Nelson Semedo, Jiménez, Jonas e Gonçalo Guedes. Jonas foi o primeiro repetente.   - Berger marcou o segundo autogolo do Tondela nesta Liga e o seu primeiro em Portugal. O anterior autogolo do Tondela tinha sido da lavra de Bruno Nascimento e valera a derrota por 1-0 frente ao V. Guimarães. O Tondela é assim a equipa que mais autogolos fez na Liga, ao passo que o Benfica não beneficiava de um desde a nona jornada de 2013/14, quando Marcelo Goiano (Académica), fez o segundo golo de um 3-0 com que os encarnados ganharam à Académica. Faz amanhã, dia 1 de Novembro, dois anos.   - Jonas marcou o primeiro golo do Benfica fora do Estádio da Luz na Liga desde 2 de Maio, quando os encarnados ganharam por 5-0 em Barcelos ao Gil Vicente. Desde aí o Benfica tinha ficado em branco em Guimarães (0-0), em Aveiro contra o Arouca e no Dragão (ambos 0-1).   - Jonas interrompeu ainda uma série de três jogos sem golos, frente a Atlético Madrid, Galatasaray e Sporting, depois de ter bisado em casa frente ao Paços de Ferreira. O máximo que Jonas tinha ficado sem marcar tinham sido dois jogos seguidos, em duas ocasiões: Sp. Braga e Rio Ave em Outubro do ano passado e Académica e Belenenses em Novembro e Dezembro.   - André Almeida fez o 100º jogo com a camisola do Benfica, entrando aos 64 minutos para o lugar do estreante Clésio. Dos 100, 51 foram na Liga. No mesmo jogo, Rui Vitória estreou mais dois jogadores: o moçambicano Clésio e o júnior Renato Sanches.   - Este foi o quarto jogo de Rui Bento no Tondela, depois de ter substituído Vítor Paneira. O novo treinador continua à espera da primeira vitória, o que é inédito em todos os técnicos que comandaram a equipa beirã desde a subida à II Divisão B, em 2009.   - Além disso, o Tondela não ganha há oito jogos, desde a vitória por 1-0 frente ao Nacional, a 30 de Agosto. É também a mais longa série de jogos sem vitória do clube desde que subiu à II Divisão B. A anterior datava de Fevereiro e Março de 2013 e tinha incluído cinco derrotas seguidas entre vitórias sobre o Benfica B e o V. Guimarães B.
2015-10-31
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O Benfica desloca-se a Aveiro para defrontar o Tondela com o intuito de interromper uma série de derrotas consecutivas sem precedentes desde Agosto de 2010. Os encarnados já perderam dois jogos consecutivos, com o Galatasaray e o Sporting, e desde esse arranque catastrófico da temporada a seguir ao primeiro título de Jorge Jesus que não deixam a série de derrotas chegar ao terceiro episódio. O último jogo sem derrota do Benfica foi a deslocação a Barcelos, para defrontar o Vianense, na Taça de Portugal. Ganhou por 2-1 e assegurou a passagem à quarta ronda da prova, na qual vai agora visitar o Sporting. Depois desse jogo com o Vianense, a equipa de Rui Vitória foi batida em Istambul pelo Galatasaray (2-1), em desafio da Liga dos Campeões, e em casa pelo Sporting (0-3), em jogo da Liga portuguesa. A deslocação a Aveiro para defrontar o Tondela é a ocasião para evitar uma série tão negra como a que experimentou em Agosto de 2010, quando perdeu consecutivamente com o FC Porto (0-2, na Supertaça), a Académica (1-2, na Liga) e o Nacional (1-2, também na Liga). Essa série foi interrompida a 28 de Agosto, frente ao V. Setúbal, na Luz, em jogo que até teve tudo para correr mal: aos 22’, o guarda-redes Júlio César (não o atual, mas o anterior, com o mesmo nome) fez penalti e foi expulso, levando ao regresso de Roberto às redes. O espanhol defendeu o penalti e o Benfica acabou por ganhar por 3-0. Desde essa altura, uma sequência de duas derrotas nem tem sido assim tão rara no Benfica: esta é já a quinta vez que acontece. Mas foi sempre interrompida à terceira partida. Em Fevereiro de 2012, os encarnados perderam com o Zenit (2-3, Liga dos Campeões) e o V. Guimarães (0-1, na Liga portuguesa), mas empataram de seguida com a Académica (0-0, Liga). Em Abril do mesmo ano, foram batidos pelo Chelsea (1-2, Champions) e pelo Sporting (0-1, Liga), mas venceram depois o Gil Vicente (2-1, Taça da Liga). Em Maio de 2013, no histórico final de época em que perdeu tudo, o Benfica foi derrotado pelo FC Porto (1-2, Liga) e pelo Chelsea (1-2, Liga Europa), mas ganhou a seguir ao Moreirense (3-1, Liga). Essa época não terminou sem nova desilusão, com o V. Guimarães (1-2, Taça de Portugal), que somada a uma outra a abrir a temporada de 2013/14, perante o Marítimo (1-2, Liga) constituiu nova série de duas derrotas consecutivas, interrompida face ao Gil Vicente, na segunda jornada. E mais uma vez em circunstâncias anormais: à entrada para os descontos, o Benfica perdia por 1-0, mas com dois golos depois do minuto 90 ainda conseguiu ganhar por 2-1.   - Há sete jogos consecutivos que o Benfica sofre sempre golos fora da Luz. A última vez que conseguiu manter a baliza virgem foi a 17 de Maio, onde o empate sem golos na visita ao V. Guimarães de Rui Vitória lhe garantiu a renovação do título nacional. Desde então, sofreu golos frente a Marítimo (2-1, na final da Taça da Liga), Sporting (0-1, Supertaça), Arouca (0-1, Liga), FC Porto (0-1, Liga), Atl. Madrid (2-1, Champions), Vianense (2-1, Taça de Portugal) e Galatasaray (1-2, Champions).   - Nico Gaitán marcou golos nas últimas duas deslocações em que tomou parte, em Madrid e Istambul. É o melhor marcador do Benfica em jogos fora da Luz esta época.   - André Almeida pode fazer o 100º jogo com a camisola do Benfica. A estreia fê-la a 18 de Janeiro de 2012, como titular, numa vitória por 2-0 frente ao Santa Clara, a contar para a Taça da Liga. Com ele nesse dia jogaram Gaitán e Jardel, que também deverão fazer parte do onze que vai defrontar o Tondela.   - O Tondela vai jogar sem Romário Baldé, o avançado emprestado pelo Benfica, que marcou dois (ao Arouca e ao Moreirense) e assistiu para um (ao Gil Vicente) dos três golos que a equipa fez desde o início de Setembro.   - É a segunda vez que o Tondela joga em Aveiro esta época. Na primeira, perdeu por 2-1 com o Sporting, mas vendeu cara a derrota, que só surgiu de penalti e já em período de compensação.   - Rui Bento, o treinador que substituiu Vítor Paneira à frente do Tondela, ainda não ganhou um jogo desde que chegou: empatou com o Nacional (0-0, perdendo nos penaltis, na Taça da Liga), perdeu com o Gil Vicente (1-2, Taça de Portugal) e empatou com o Arouca (1-1, Liga). Já tem lugar na história recente do clube como o treinador que precisou de mais jogos para obter uma vitória. Vítor Paneira, o seu antecessor, tinha ganho pela primeira vez ao terceiro jogo (Nacional, 1-0). Na época passada, tanto Quim Machado (3-1 ao União da Madeira) como Carlos Pinto (1-0 ao Leixões) ganharam na estreia. Em 2013/14, Álvaro Magalhães também só precisou de três jogos para somar uma vitória (3-0 ao Portimonense).   - O primeiro golo em Portugal de Markus Berger, defesa central austríaco do Tondela, foi marcado ao Benfica, na Luz, numa vitória histórica da Académica, por 3-0, a 11 de Abril de 2008. Kaká, outro central do Tondela, também marcou presença nesse jogo.   - Luís Alberto, o médio do Tondela que marcou ao Sporting, também já fez golos ao Benfica, com a camisola do Nacional. Marcou frente aos encarnados numa vitória (2-1), a 21 de Agosto de 2010, e depois na segunda volta, mas aí a sua equipa perdeu por 4-2.   - Fábio Veríssimo vai estrear-se a apitar quer o Benfica quer o Tondela na Liga. Em onze jogos que dirigiu na prova, já esteve num do FC Porto (3-0 ao V. Guimarães) e num do Sporting (1-0 ao Nacional). Do atual elenco de juízes de primeira categoria com pelo menos dez jogos na competição, é o segundo com mais baixa percentagem de vitórias do visitante: apenas 9%, relativas a um sucesso do V. Guimarães de Rui Vitória no Restelo, contra 0% de Tiago Martins em 12 desafios.
2015-10-29
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O desastre benfiquista no dérbi provocou ondas de todas as espécies. De um lado, vieram o ex-internacional Romeu Silva e o professor Manuel Sérgio considerar que André Almeida não tem qualidade para jogar no Benfica e que Luisão está acabado. Do outro, a famosa estrutura, que afinal se destina menos a proteger o clube ou a equipa de futebol do que a limpar a sua própria imagem, já fez chegar à comunicação social o relambório dos milhões que Rui Vitória tem desprezado. São duas formas radicais de ver a coisa. E a verdade, como de costume, está mais ao meio do que todos creem. André Almeida não é um craque de qualidade internacional, nunca foi brilhante, mas é um jogador útil, rigoroso e polivalente, que já esteve num Campeonato do Mundo a representar Portugal. E foi bicampeão com Jorge Jesus, jogando em cada uma dessas duas épocas mais vezes do que aquelas que Romeu, por exemplo, alinhou pelo Benfica na soma dos dois anos que passou na Luz. Luisão está um ano mais velho do que no segundo título do bicampeonato, mas se há uns meses era fundamental, nenhum fenómeno conhecido poderia conduzi-lo a uma decadência tão rápida que de repente ficasse obsoleto e acabado. Na verdade, embora seja fácil vir agora dizer que o plantel do Benfica é fraquíssimo e que com ele Rui Vitória não tem forma de se desenrascar, ele não é pior do que aquele que Jesus levou a ganhar os dois últimos títulos nacionais. Falta Maxi? Falta Lima? Mas há Nelson Semedo – ainda por cima a personificação daquilo que o clube quer em termos de política desportiva, que é a aposta na formação – e há Mitroglou e Raul Jiménez. Salvio está lesionado? Mas certamente que os problemas do Benfica não nascem da presença de Gonçalo Guedes nas escolhas do treinador. Além de que se tem havido algo normal em Salvio nas últimas épocas tem sido o facto de se lesionar com alguma regularidade. Por outro lado, é curioso que vários jornais se tenham lembrado, no mesmo dia, de mencionar as resmas de talento que Rui Vitória tem desperdiçado. Falou-se de novas apostas, como Taarabt e Carcela, mas também de Cristante, Djuricic, Talisca ou Lisandro Lopez. Uma coisa é certa: como a combinação de primeiras páginas ainda não é uma realidade entre jornais concorrentes, estas coincidências só revelam a capacidade de persuasão da face visível daquilo a que convencionou chamar-se “a estrutura”. Que neste caso está mais preocupada em salvar a face de quem manda do que em atenuar a pressão em cima do treinador, que afinal de contas seria culpado de desbaratar tanto talento que por lá tem. Mas, é preciso que se diga, Jesus também não aproveitou esse talento: Djuricic, Lisandro e Cristante nunca contaram para o ex-treinador e até Talisca só foi titular três vezes na segunda metade da época passada. O problema, afinal, pode estar no talento... Na verdade, o plantel à disposição de Rui Vitória é tão bom como aquele que Jorge Jesus levou ao bicampeonato. Tem os mesmos pontos fortes e os mesmos pontos fracos. Simplesmente, Jesus conhecia-o melhor, sabia melhor como exaltar-lhe as forças e esconder-lhe as fraquezas. Mas isso a estrutura já devia saber.
2015-10-29
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A oitava jornada da Liga teve oito expulsões, recorde da competição esta época e marca mais vermelha desde a 24ª ronda da época passada, quando foram expulsos nove jogadores. Neste fim-de-semana tiveram ordem de expulsão Jota (Nacional), Renato Santos (Boavista), Tiago Rodrigues (Marítimo), Leo Bonatini (Estoril), Capela (Rio Ave), Moreno e Alex (ambos do V. Guimarães) e Dolly Menga (Tondela). Na 24ª jornada de 2014/15, jogada entre 6 e 9 de Março deste ano, tinham ido mais cedo para o duche Miguel Lourenço (V. Setúbal), Ebinho (Marítimo), Hugo Basto (Arouca), Nii Plange, Bernard e Sami (todos do V. Guimarães), Tobias (Sporting), Dani e Pedro Ribeiro (os dois do Penafiel).   - O empate do Nacional em casa com o Boavista (0-0) permitiu aos madeirenses alargar a mais longa série de jogos sem perder em casa em épocas nas quais estão na I Liga para 15 jogos. A última derrota do Nacional no seu estádio foi a 21 de Dezembro, com o Sporting, para a Liga (0-1) e entretanto já lá voltaram a passar os leões e o FC Porto, tendo ambos saído dali com empates.   - O Boavista voltou a ter um jogador expulso na Madeira. Desta vez foi Renato Santos, que viu o vermelho no empate a zero no terreno do Nacional. Na época passada Afonso Figueiredo tinha sido expulso no desaire (1-2) na Choupana, enquanto os 0-4 encaixados nos Barreiros contra o Marítimo tinham ficado pontuados pelos vermelhos a Beckeles, Philippe Sampaio e Mika.   - Tiago Rodrigues viu o segundo vermelho desta temporada, na derrota do Marítimo em casa ante o Paços de Ferreira, igualando o setubalense Fábio Pacheco como jogador mais vezes expulso na atual edição da Liga. Estranho no caso do médio do Marítimo, que já foi expulso tantas vezes neste início de época como no total dos jogos feitos em quatro temporadas de senior.   - O Paços de Ferreira conseguiu nos Barreiros a terceira vitória seguida depois da derrota na Luz com o Benfica, a 26 de Setembro. Ganhou em casa ao Nacional (3-1) e fora à Naval (7-1) e ao Marítimo (2-0). Está a um jogo de igualar a melhor série de vitórias consecutivas da época passada, fixada precisamente nesta altura: de 29 de Setembro a 25 de Outubro ganhou sucessivamente a Belenenses (2-0), Marítimo (3-2), Atlético Reguengos (4-0) e Boavista (2-1).   - Guedes, que fez o segundo golo do Rio Ave no empate (2-2) no Estoril, marcou pelo terceiro jogo consecutivo, depois de ter bisado na vitória frente ao V. Guimarães (3-2, na Taça da Liga) e de ter marcado também no sucesso contra o União (3-0, Taça de Portugal). Já igualou a melhor série da sua carreira, estabelecida em Fevereiro e Março deste ano, quando ao serviço do Penafiel fez golos sucessivamente a Marítimo, V. Setúbal e Moreirense.   - Tomané, do V. Guimarães, fez o primeiro golo na Liga portuguesa esta época, na qual já tinha marcado mas aos austríacos do Altach, na pré-eliminatória da Liga Europa. Marcou à Académica, o seu adversário predileto, uma vez que já tinha sido aos estudantes que tinha feito os dois golos anteriores na competição: um na vitória por 4-2 em Coimbra a 23 de Maio e outro no sucesso por 4-0 em Guimarães, a 17 de Janeiro.            - O Arouca não conseguiu ganhar ao Tondela (empatou a uma bola, em casa), mas alargou a corrente série de invencibilidade para seis jogos, depois da derrota frente ao FC Porto, a 12 de Setembro (1-3). Todos eles deram empate: U. Madeira (0-0), Belenenses (2-2), Sp. Braga (0-0), Varzim (0-0, na Taça da Liga, com vitória nos penaltis), Leixões (1-1, na Taça de Portugal, com sucesso no prolongamento) e agora Tondela (1-1). Para encontrar seis jogos seguidos do Arouca sem derrotas é preciso ir até Outubro e Novembro de 2012, na época em que subiu ao escalão principal. Nessa altura, entre Taça de Portugal e II Liga, foram sete jogos seguidos sem derrotas.   - André Claro voltou a marcar na vitória do V. Setúbal ante o Moreirense (2-0), fazendo o sexto golo da época. Esta já é a segunda melhor temporada de toda a sua carreira, igualando a de 2012/13, quando fez seis golos com a camisola do Arouca, na II Liga. Para encontrar melhor é preciso recuar até 2011/12, quando representou o Famalicão e marcou 11 vezes na II Divisão B. Mas mesmo aí só chegou ao sexto golo em Fevereiro.   - O golo de Tiago Caeiro, no último minuto do jogo com o U. Madeira, garantiu a quarta vitória seguida do Belenenses, depois dos sucessos contra Atlético (2-0, na Taça da Liga), Olhanense (1-0, na Taça de Portugal) e Basileia (2-1, na Liga Europa). Desde Outubro e Novembro do ano passado que os azuis não ganhavam tantas vezes seguidas. Na altura foram cinco vitórias, com Estoril (2-1), Ac. Viseu (2-0), Boavista (3-1), Moreirense (1-0) e Trofense (5-0).
2015-10-27
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Ricardo Sá Pinto, atual treinador do Belenenses, tem muito boas recordações do FC Porto. Começou a carreira nos iniciados do clube azul-e-branco, antes de se mudar e de se revelar no Salgueiros, e foi nas Antas que marcou o primeiro golo da sua carreira profissional, batendo Vítor Baía, já o guarda-redes da seleção. Depois disso, como jogador, esteve 12 anos sem perder nas Antas e no Dragão. Só como treinador foi infeliz na visita ao FC Porto: perdeu o único jogo que lá fez e acabou com oito jogadores. A promoção dos juniores aos seniores do Salgueiros aconteceu no final da época de 1991/92, mas a estreia na Liga Sá Pinto só a fez a 22 de Agosto de 1992, numa derrota em Faro, contra o Farense, por 2-0. Ao quinto jogo na Liga, fez o primeiro golo. Palco? O Estádio das Antas, a 20 de Setembro de 1992: Sá Pinto desfeiteou Vítor Baía, a estabelecer o momentâneo empate a um golo, mas o FC Porto acabou por vencer esse jogo por 4-1. Foi a primeira derrota naquele estádio, sendo que a segunda surgiu no e meio depois: 1-0 na última vez que lá jogou pelo Salgueiros, antes de se mudar para o Sporting. Ora no Sporting, Sá Pinto nunca perdeu nas Antas nem no Dragão. Foi batido em finais, em jogos em campo neutro, chegou a perder em Alvalade ou a ver a sua equipa perder com ele lesionado. Mas com ele em campo, o saldo é excelente: uma vitória (2-1 para a Liga, em Março de 1997) e quatro empates, todos a um golo, entre Dezembro de 1994 e a última vez que lá jogou, em Março de 2006. Este jogo, da meia-final da Taça de Portugal, foi, aliás, o mais parecido com uma derrota para Sá Pinto no Dragão, pois os portistas acabaram por se impor nas grandes penalidades. Já sem ele em campo, pois saiu no início do prolongamento, para dar lugar a Tello. Como treinador, Sá Pinto só defrontou o FC Porto uma vez. Foi a 5 de Maio de 2012, na liderança do Sporting, e perdeu por 2-0 no Dragão, com bis de Hulk nos últimos dez minutos de um jogo que os leões acabaram com oito homens, devido às expulsões de Onyewu e Polga e a uma lesão de Pereirinha quando o técnico já tinha esgotado as substituições. O segundo confronto esteve para acontecer, mas foi evitado pela demissão do treinador após a derrota na Hungria contra o Videoton, por 3-0. Três dias depois já foi Oceano Cruz quem conduziu a equipa ao Dragão. Para nova derrota por 2-0.   - O FC Porto ganhou os derradeiros 18 jogos em casa. A última equipa a não perder no Dragão foi o Benfica, que ali venceu por 2-0 a 14 de Dezembro de 2014 e desde então já por lá voltou a passar, o mesmo tendo sucedido com Bayern, Chelsea ou Sporting, só para citar os mais fortes adversários. Se ganharem ao Belenenses, os dragões elevam a série de vitórias consecutivas no seu estádio, algo que não conseguiam desde 2003/04, quando estiveram exatamente 19 jogos seguidos a ganhar em casa, entre uma derrota com o Real Madrid (1-3, a 1 de Outubro de 2003) e um empate com o Deportivo da Corunha (0-0, a 21 de Abril de 2004).   - Essa derrota com o Benfica foi também a última vez que o FC Porto sofreu golos no Dragão em partidas da Liga portuguesa – desde então, o zero nas redes azuis e brancas tem sido a regra. Já lá vão 13 jogos inteiros desde o último golo ali marcado por um adversário no campeonato: Lima. São ao todo 1205 minutos, em nome de Fabiano, Helton e Casillas, mas ainda assim aquém dos 1384 minutos consecutivos de imbatibilidade conseguidos por Zé Beto e Vítor Baía entre Outubro de 1988 e Maio de 1989.   - Os 13 golos sofridos pelo Belenenses à sexta jornada são o pior arranque defensivo dos azuis na Liga desde Outubro de 1987, quando chegaram a esta ronda com 14 bolas nas redes (e com elevado contributo dos 7-1 que encaixaram nas Antas, frente ao FC Porto). As coisas nessa época recompuseram-se e a equipa acabou a Liga em terceiro lugar, com a sexta melhor defesa (38 golos em 38 jogos).   - Lopetegui não terá as melhores recordações do Belenenses, pois foi frente aos azuis, no Restelo, que perdeu as esperanças matemáticas de ser campeão nacional da época passada. O empate a uma bola ali obtido significou que o Benfica se sagrou campeão à 33ª jornada, com outro empate, em Guimarães.   - O Belenenses nunca ganhou no Dragão e a última vez que o fez nas Antas foi em Outubro de 2001, vai fazer 14 anos. Filgueira e Zé Afonso marcaram então para os do Restelo, tendo Pena reduzido para os azuis e brancos. Desde essa vitória conseguiu três empates no terreno do FC Porto. Dirigiram essas equipas João Carlos Pereira, Jorge Jesus e Marinho Peres – dois deles passaram pelo banco do Sporting, como Ricardo Sá Pinto.   - As maiores vitórias do Belenenses no terreno do FC Porto foram por quatro golos: 6-2 em 1944/45 e 4-0 em 1974/75. Nesta última vitória estiveram dois jogadores que viriam a ser bicampeões pelo FC Porto em 1978 e 1979: Freitas e González.   - Varela estreou-se na Liga portuguesa contra o Belenenses, lançado por José Peseiro para o lugar de Deivid a 11 minutos do final de uma vitória do Sporting sobre os azuis, em Alvalade, a 19 de Agosto de 2005.   - Ventura, o guarda-redes do Belenenses, foi bicampeão nacional pelo FC Porto em 2007/08 e 2008/09, jogando apenas uma partida em cada edição da Liga.   - André Sousa, médio do Belenenses que fez o primeiro golo no empate em Arouca, na semana passada, estreou-se na Liga no Dragão, lançado por Ulisses Morais numa derrota por 4-0 frente ao FC Porto., a 22 de Setembro de 2012.   - O jogo marca o regresso ao Dragão do árbitro Jorge Ferreira, que ali expulsou Maicon no empate (0-0) do FC Porto com o Boavista, em Setembro de 2014. O FC Porto ganhou os outros dois jogos que fez com este árbitro na Liga (5-2 ao Rio Ave e 3-0 ao Marítimo), ao passo que o Belenenses ainda está para conseguir vencer com ele: soma um empate e uma derrota, esta em casa com o Benfica.    
2015-10-03
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O Benfica ganhou nas últimas quatro visitas à Madeira, não perdendo ali desde que caiu aos pés do Marítimo na abertura da Liga de 2013/14. Rui Vitória, por sua vez, não tem sido feliz na sequência das viagens à Pérola do Atlântico, onde não ganhou nenhum dos derradeiros oito jogos. A sua última vitória – e única na Madeira ao serviço do V. Guimarães – aconteceu há quatro anos, quando bateu o Nacional por 4-1 em partida da Liga, precisamente no Estádio da Madeira (Choupana), onde vai agora disputar-se o U. Madeira-Benfica. Ainda assim, a conquista mais importante na carreira do atual treinador encarnado passou pelo Funchal: empatou ali com o Marítimo nos oitavos-de-final da Taça de Portugal de 2012/13, qualificou-se no desempate por grandes penalidades e acabou por vencer a prova, na final, contra… o Benfica. Ora é precisamente o Benfica que tem transformado as viagens à Madeira numa limpeza. Depois da derrota frente ao Marítimo, a 18 de Agosto de 2013, na primeira jornada da Liga de 2013/14 (2-1, com golos de Derley e Sami para os verde-rubros e de Rodrigo para as águias), os encarnados ganharam sempre no Funchal. Ainda nessa época, impuseram-se por duas vezes ao Nacional (1-0 para a Taça da Liga e 4-2 para o campeonato). Na temporada passada, sempre a contar para o campeonato, venceram o Nacional por 2-1 e o Marítimo por 4-0, com um nome comum a ambas as fichas de goleadores: o do agora lesionado Salvio. Já Rui Vitória tem tido mais problemas com os voos até ao Funchal. Ao comando do V. Guimarães só lá ganhou uma vez, ainda que possa apresentar como bom auspício o facto de ter sido logo a primeira (como é agora a primeira que ali leva o Benfica) e na primeira vez que orientou a equipa minhota. Manuel Machado saiu após a derrota em casa com o FC Porto (0-1), na primeira jornada da Liga de 2011/12, Basílio Marques orientou a equipa nos 0-3 com o Beira Mar e nem chegou a aquecer o lugar, de modo que Rui Vitória saltou do banco do Paços de Ferreira para o do mais ambicioso V. Guimarães. No jogo de estreia, à terceira jornada, já ganhava por 2-0 ao intervalo, acabando por se impor por 4-1 (marcaram N’Diaye, Toscano e Edgar, este por duas vezes). Aquela foi, porém, a única vitória do atual treinador benfiquista no Funchal. Depois disso, na mesma temporada, ainda perdeu (2-1) com o Marítimo. Nos restantes seis jogos que lá fez para a Liga, empatou duas vezes com o Nacional na Choupana (1-1 em 2013/14 e 2-2 na época passada) e perdeu nas outras quatro ocasiões (2-1 com o Nacional em 2012/13 e todos os jogos nos Barreiros com o Marítimo: 1-0 em 2012/13, 2-1 em 2013/14 e 4-0 em 2014/15). A Madeira está, ainda assim, ligada à conquista da Taça de Portugal, que obteve pelo V. Guimarães em 2012/13. A 2 de Dezembro de 2012, empatou nos Barreiros com o Marítimo a uma bola (Ricardo igualou após um primeiro golo de Fidelis), acabando por se qualificar no desempate por grandes penalidades, numa noite mágica de Douglas, que defendeu dois pontapés dos onze metros. Chegou à final, onde venceu o Benfica, mas ainda há-de lembrar-se que nunca como nesse dia esteve tão perto de soçobrar: aquele foi o único dos sete jogos da caminhada que o V. Guimarães não venceu.   - O Benfica tem o melhor marcador da Liga (Jonas, com sete golos), mas também o melhor assistente, que é Gaitán, com cinco passes decisivos (mais um na Liga dos Campeões). A equipa de Rui Vitória é ainda a que mais remata na prova: soma 114 remates, a uma média de 19 por jogo.   - Em contrapartida, o U. Madeira tem uma das melhores defesas do campeonato (só quatro golos sofridos, a par de Benfica, FC Porto, Sp. Braga e Sporting), sendo ainda aquela que aguenta mais remates sem sofrer um golo. Os quatro golos sofridos pela equipa de Luís Norton de Matos nasceram de 83 remates, a uma média de um golo a cada 20,8 tentativas. A segunda melhor média da Liga é a do Arouca (um golo por cada 16,3 remates).   - Gaitán fez o primeiro jogo pelo Benfica na Liga na Choupana, o estádio do Nacional que servirá de casa emprestada à U. Madeira para receber o Benfica. Não tem boas memórias dessa noite, porém. Foi a 21 de Agosto de 2010, o argentino saiu aos 65’, com o Benfica a perder por 2-0 com o Nacional. Ainda viu Carlos Martins reduzir para 2-1, mas a derrota acabou por marcar-lhe a estreia.   - Luís Norton de Matos, treinador do U. Madeira, fez uma época no Benfica B (na qual lançou Lindelof, jogador do atual plantel encarnado), mas nunca defrontou o Benfica na carreira de treinador. O mais perto que esteve de o fazer foi em 2005, época que iniciou com o V. Setúbal. Conduziu os sadinos até à 15ª jornada, quando se demitiu, alegando salários em atraso, deixando a equipa num excelente terceiro lugar. Na 16ª jornada, o V. Setúbal defrontou o Benfica, perdendo por 1-0.   - Se jogar, como tudo indica que pode acontecer, Luisão ultrapassa o malogrado guarda-redes Bento como sexto jogador com mais jogos na história do Benfica. Luisão e Bento têm ambos 465 jogos de águia ao peito, sendo que à frente de ambos só se encontram Sheu (487), Humberto Coelho (498), Coluna (525), Veloso (538) e Nené (575).   - Jonas e Lisandro López completam na segunda-feira, um dia depois do jogo, um ano sobre a estreia pelo Benfica na Liga. Ambos abriram a conta a 5 de Outubro de 2014 nos 4-0 com que o Benfica ganhou ao Arouca.   - André Moreira, jovem guarda-redes do U. Madeira, é dono da mais longa série de minutos sem sofrer golos na atual Liga. Foram 361 minutos entre o golo de Soares (Nacional), na segunda jornada, e o marcado por Leo Bonatini (Estoril) no último domingo.   - O União da Madeira perdeu todos os dez jogos que fez com o Benfica na Liga e só marcou quatro golos, todos eles na Luz. Em casa, ficou sempre em branco. A exceção a esta regra válida para a Liga foi uma partida da Taça de Portugal, em Dezembro de 1993, que acabou empatada a uma bola, no Estádio dos Barreiros. No prolongamento, porém, o Benfica impôs-se por 5-1.   - O Benfica continua sem marcar um golo em provas nacionais fora do Estádio da Luz desde 29 de Maio de 2015, quando ganhou por 2-1 na final da Taça da Liga, em Coimbra, a uma equipa madeirense: o Marítimo. Para o campeonato, o último golo fora aconteceu a 2 de Maio, em Barcelos, nos 5-0 ao Gil Vicente. Depois disso, o Benfica já empatou (0-0) com o V. Guimarães e perdeu (sempre 1-0) com Arouca e FC Porto   - Cosme Machado, que será o árbitro do U. Madeira-Benfica, expulsou um jogador nos últimos três jogos que dirigiu na Liga, dois deles esta época. O setubalense Fábio Pacheco (na visita à Académica) e o estorilista Diego Carlos (em Tondela) foram tomar duche mais cedo, ambos por acumulação de cartões amarelos.
2015-10-02
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Último Passe

A vitória do FC Porto sobre o Chelsea e sobretudo a exibição superlativa da equipa portuguesa, que encostou o campeão inglês às cordas em várias alturas do jogo, vieram confirmar a razão de Julen Lopetegui na construção do FC Porto dos quatro médios como melhor forma de abordar jogos de elevado grau de dificuldade, como serão os da Liga dos Campeões. Aliás, essa é uma teoria que vem dos tempos de José Mourinho, que trocou o 4x3x3 da equipa que ganhou a Taça UEFA de 2003 pelo 4x4x2 com meio-campo em losango com que haveria de vencer a Champions de 2004. Contando com a inteligência que André André empresta à equipa na dupla missão de quarto médio e terceiro avançado – está encontrado um titular no meio-campo para os dois jogos da seleção em Outubro – a equipa já consegue meter gente na área quando tem a bola no ataque e ao mesmo tempo cria condições para ser defensivamente asfixiante na pressão quando a perde. É verdade que sofre quando o adversário consegue instalar-se no seu meio-campo, mas o jogo acabou por ser uma lição para os que torceram o nariz ao onze inicial apresentado pelo espanhol. É verdade que o FC Porto começou por depender de um par de intervenções de Casillas naquilo em que ele é melhor – a mancha, o jogo entre os postes – antes de se adiantar no marcador, em mais um golo decisivo de André André. Mas aquilo que fez na segunda parte, depois de Willian empatar e de Maicon marcar o 2-1, foi uma demonstração de classe internacional, muito às custas do rendimento de um meio-campo onde, como sempre me pareceu evidente, não faz falta nenhuma um número 10 desde que os dois oitos joguem como sabem. Importa pouco que este Chelsea seja um pesadelo de comportamentos defensivos (as bolas paradas, então, nem parecem de uma equipa de Mourinho). A verdade é que, além de dar mais lastro a Lopetegui na sua construção da equipa, o sucesso do FC Porto conjugado com a vitória do Dynamo Kiev em Israel deixa os portistas de cadeirinha à espera que o Chelsea faça o que têm de fazer no duplo confronto com os ucranianos que aí vem nas jornadas 3 e 4. Isto, claro, desde que nos dois jogos contra o Maccabi a equipa portuguesa não volte a cair no pecado da soberba que já lhe custou pelo menos dois resultados perto do final dos jogos esta época. É isso que falta afinar.
2015-09-29
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- Ao empatar com o V. Setúbal na Choupana, o Nacional estabeleceu a mais longa série de jogos seguidos sem perder em casa: 14. A última vez que os alvi-negros perderam ali foi a 21 de Dezembro do ano passado, com o Sporting (0-1), para a Liga. Entretanto voltaram a passar por lá os leões, bem como o FC Porto, mas ambos empataram. A melhor série do Nacional em épocas nas quais esteve na I Liga estava em 13 jogos, entre uma derrota com o Marítimo (0-1), a 14 de Dezembro de 2003 e outra com o Sevilha (1-2), a 30 de Setembro de 2004. Nesses 13 jogos, porém, o Nacional ganhou 11 (empatou apenas com o Sporting e o FC Porto), enquanto nos atuais 14 já vai com cinco empates (Moreirense, Sporting, FC Porto, V. Guimarães e V. Setúbal).   - Ao mesmo tempo, o facto de ter empatado com o V. Setúbal impediu o Nacional de passar, mais uma vez, a barreira das três vitórias seguidas em casa. Depois de bater P. Ferreira (3-0, ainda na época passada), U. Madeira (1-0) e Académica (2-0), esta foi a nona vez que a equipa madeirense falhou desde a última ocasião em que conseguiu as tais quatro vitórias consecutivas no seu estádio, que foi entre Abril e Setembro de 2004, quando ali ganhou a Beira Mar (3-0), Ro Ave (4-0), outra vez Beira Mar (2-1, já na nova época) e Académica (2-1). - Arranque extraordinário do coreano Suk, autor do golo que deu o empate ao V. Setúbal frente ao Nacional na Choupana (1-1). Marcou em quatro dos seis jogos da sua equipa, somando até ao momento cinco golos e três assistências. Curioso ainda o facto de ter marcado ao Nacional depois de o ter feito ao Marítimo: foram as outras duas equipas que representou em Portugal.   - O golo de Marega, que valeu a vitória do Marítimo sobre o Tondela (1-0), foi o terceiro a chegar depois do minuto 90 nesta Liga. Desses, dois foram obtidos pelo Marítimo (já tinha sucedido com Dyego Souza contra o V. Setúbal) e outros tantos foram sofridos pelo Tondela (que já tinha perdido com o Sporting com um golo de Adrien Silva nos descontos).   - Marega fez o nono golo em Portugal (oitavo na Liga), mas apenas o segundo como suplente utilizado. A única vez que tinha marcado depois de saltar do banco foi em Fevereiro, quando ajudou o Marítimo a vencer em Penafiel por 4-3.   - Diallo, que em Portugal já representara Arouca e Académica, foi expulso pela primeira vez no nosso país no Marítimo-Tondela. Com a sua expulsão, o Marítimo torna-se a equipa que mais vermelhos viu na Liga: quatro em seis jornadas.   - O empate com o Arouca foi a segunda vez que o Belenenses desperdiçou uma vantagem de dois golos na atual Liga. Já lhe tinha sucedido quando deixou que o Rio Ave recuperasse de 3-1 para 3-3 no Restelo. Nas duas vezes, o adversário marcou os dois golos nos derradeiros 15’ de jogo.   - Luís Leal voltou a marcar em Arouca, mantendo o registo 100% goleador nos jogos do Belenenses na Liga que começa como titular. Já tinha sido titular e marcado em casa com o Moreirense.   - Os dois golos do Arouca no jogo foram obtidos de fora da área: livre de Nuno Valente a desviar na barreira e remate de muito longa distância de Hugo Basto. Foram os dois primeiros golos de fora da área do Arouca esta época. O Belenenses já tinha sofrido um, marcado pelo benfiquista Talisca.   - Os 13 golos sofridos pelo Belenenses à sexta jornada são o pior arranque defensivo dos azuis desde Outubro de 1987, quando chegaram a esta ronda com 14 bolas nas redes (na altura com o contributo dos 7-1 encaixados nas Antas frente ao FC Porto). Essa equipa acabou a Liga em terceiro lugar, com a sexta melhor defesa da Liga (38 golos em 38 jogos).   - A série de imbatibilidade do guarda-redes André Moreira, do U. Madeira, foi interrompida na derrota do clube insular no Estoril, por 2-1. Ficou nos 361 minutos, entre o golo do nacionalista Soares, na segunda jornada, e o primeiro do Estoril no domingo, marcado por Leo Bonatini. É a maior série da atual Liga, mas não a mais longa do U. Madeira no campeonato. Essa continua a pertencer a Zivanovic, que a estabeleceu em 413 minutos entre 6 de Março e 23 de Abril de 1994.   - Leo Bonatini voltou a marcar pelo Estoril, fazendo-o pelo quarto jogo consecutivo (incluída aqui a derrota frente ao Oriental na Taça da Liga). Já fez mais golos neste início de época (cinco) que em toda a temporada passada (quatro).   - A vitória por 2-1 frente ao U. Madeira, quarta em seis jogos, significa que os canarinhos estão a assinar o melhor arranque de época desde 1947/48, quando ganharam quatro jogos e empataram um dos primeiros seis. O Estoril acabou essa época em quarto lugar, vendo-se ultrapassado pelo Belenenses apenas na última jornada, na qual empatou com o FC Porto na Constituição.   - Sérgio Conceição estreou-se no banco do V. Guimarães com uma derrota frente ao Sp. Braga (0-1). Foram exatamente o mesmo resultado e o mesmo adversário que já lhe tinha assinalado a estreia na Académica: 0-1 em Braga. No Olhanense também começara a perder: 2-1 nos Barreiros com o Marítimo. O único clube português onde se estreara a ganhar foi mesmo o Sp. Braga, onde abriu conta com um conclusivo 3-0 ao Boavista.   - Rafa marcou pelo terceiro jogo consecutivo no Sp. Braga, a mostrar que lhe fez bem o banco nos jogos com Boavista e Estoril. Antes de marcar ao V. Guimarães já tinha sido ele a obter o golo da vitória frente ao Slovan Liberec, tendo contribuído com um golo na goleada (5-1) ao Marítimo. O máximo de jogos consecutivos em que Rafa tinha feito golos era de dois, o que conseguira por duas vezes: Estoril e Arouca em 2013/14 e V. Guimarães e Penafiel em 2014/15. Nas duas vezes, o terceiro jogo, no qual ficou em branco, tinha sido contra o V. Guimarães.   - Ao perder em Vila do Conde, com o Rio Ave, a Académica superou o arranque de 1977, no qual perdeu os cinco primeiros jogos, tendo contudo ganho o sexto. Para encontrar um início de campeonato tão mau da Briosa há que recuar até 1943/44. Nesse campeonato, a equipa dirigida por Severiano Correia perdeu os primeiros seis jogos, mas cinco foram fora de casa: FC Porto (3-2), Olhanense (5-1), Salgueiros (3-1), Atlético (2-1) e Benfica (2-1). Pelo meio, caiu também aos pés do Sporting em Coimbra (3-4). Ganhou pela primeira vez à sétima jornada, em casa, ao V. Guimarães (3-2). Acabou a época em nono lugar, assegurando a manutenção à custa do Salgueiros.
2015-09-29
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Quando, no rescaldo do Marítimo-FC Porto, Julen Lopetegui explicou as razões que, face ao empate que se eternizava no placar dos Barreiros, o levaram a trocar Aboubakar por Osvaldo, estaria tão convicto do que disse como esteve no momento em que, para desfazer o impasse no jogo de Moreira de Cónegos, há pouco, optou por juntar os dois pontas-de-lança em campo e abdicar de um defesa-central. “Não se joga melhor por ter mais avançados”, disse na altura Lopetegui. Pois não. Mas há jogos que só se resolvem com gente na área. O de Moreira de Cónegos podia ter sido um deles. Contra um Moreirense que estacionou o autocarro à frente da área de Stefanovic, que baixou tanto o bloco que quase convidava os portistas a entrarem pela baliza com a bola controlada, impunha-se ter gente na área. Muita gente na área. O treinador espanhol percebeu-o e somou Aboubakar a Osvaldo, pedindo ainda a Corona que aparecesse também no espaço interior. Foi num lance em que o italo-argentino insistiu e o mexicano recuperou um ressalto que o FC Porto chegou à vantagem, a 12 minutos do final. Claramente, o jogo devia ter ficado ganho para os dragões naquele momento, deixando para trás o livre de Maicon e o golo de Iuri Medeiros, que davam o empate momentâneo. Só que o Moreirense ainda chegou a novo empate, por André Fontes, a dois minutos do final. A tentação mais normal pode ser a de culpar a falta de gente atrás, mas a verdade é que o FC Porto tinha gente na área em números mais do que suficientes para evitar o golo. Não estava Marcano, mas estava Danilo, porque depois do 2-1 Lopetegui mandou recompor o quarteto defensivo com o médio centro ao lado de Maicon. E mesmo assim, antes, já Luís Carlos obrigara Casillas a boa defesa para evitar o que também podia ter sido o empate. A questão é que, porventura iludida pelo facto de o adversário se demitir da opção de jogar (os 30% de posse de bola do Moreirense frente ao FC Porto só encontram paralelo na atual Liga dos 29% que o mesmo Moreirense teve na Luz, onde também esteve a minutos de empatar com o Benfica), o FC Porto fez um jogo lento no ataque e pouco agressivo quando perdia a bola: fez apenas sete faltas, quando o seu mínimo na Liga eram 16. E como disse Lopetegui no final, a Liga vai ser longa e vai ser preciso pedalar muito. Mas isso não basta dizê-lo. Tem é de convencer os seus jogadores.
2015-09-25
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O guarda-redes André Moreira manteve a baliza a zeros pela terceira vez consecutiva na Liga, na receção do U. Madeira ao Arouca, que terminou empatada a zero. São já 321 minutos consecutivos de imbatibilidade, desde o golo de Soares, na derrota do União frente ao Nacional, na segunda jornada. O jovem guardião do União estabelece assim o melhor registo da atual Liga e o mais longo de toda a sua ainda curta carreira (tem apenas 19 anos). Esta não é, ainda assim, a melhor série do U. Madeira na I Liga. Essa foi estabelecida por Goran Zivanovic entre 6 de Março e 23 de Abril de 1994. Foram nessa altura 413 minutos sem sofrer golos, a começar no segundo de Ricardo Lopes, numa derrota no terreno do E. Amadora (2-0), passando por três empates a zero (Sporting e Farense em casa e Gil Vicente fora) e numa vitória por 2-0 frente ao V. Guimarães e terminando num golo de Tavares, a abrir uma derrota por 3-0 frente ao Boavista no Bessa.   - Fábio Pacheco, do V. Setúbal, foi o primeiro jogador a ser expulso por duas vezes na atual Liga: antes de ver o vermelho aos 2 minutos da receção ao V. Guimarães, já tinha visto outro aos 78’, na visita à Académica. Os sadinos não perderam nenhum dos jogos, pois se agora empataram a dois golos, em Coimbra ganharam por 4-0.   - O congolês Arnold (V. Setúbal) obteve na baliza do V. Guimarães o segundo bis da sua carreira. O anterior tinha sido a 22 de Outubro do ano passado, quando ajudou o Chaves a ganhar ao Santa Clara por 2-1, na II Liga.   - Armando Evangelista deixou o comando técnico do V. Guimarães após o empate em Setúbal. Foi a primeira chicotada psicológica no clube minhoto desde a saída de Manuel Machado, após a primeira jornada da Liga de 2011/12. Na altura, Basílio Marques assegurou a transição até à entrada de Rui Vitória.   - Ao mesmo tempo que Armando Evangelista, saiu José Viterbo da Académica. A equipa de Coimbra repete a “medicação” da época passada, quando afastou Paulo Sérgio, mas fá-lo mais cedo, pois o treinador anterior resistiu até à 21ª jornada. Viterbo caiu após sete derrotas consecutivas na Liga (cinco nesta ápoca, duas na anterior) e 14 jornadas seguidas sem ganhar, desde os 2-1 ao Nacional, a 15 de Março. Paulo Sérgio tinha resistido 15 jornadas sem o sabor da vitória.   - As cinco derrotas com que a Académica arrancou na Liga são o pior registo da equipa de Coimbra desde 1977. Na altura, perdeu consecutivamente com Riopele (fora, 0-2), Sporting (casa, 1-5), Belenenses (fora, 0-2), V. Guimarães (casa, 1-3) e Varzim (fora, 1-0). O treinador, que era Juca, manteve-se e a Académica ganhou à sexta jornada ao Boavista, por 3-2. No final da época acabou em oitavo lugar.   - A última equipa a somar zero pontos à quinta jornada foi o Trofense, em 2008. O treinador, que era Toni, só resistiu às três primeiras derrotas, entrou Tulipa, o Trofense ainda chegou ao 12º lugar mas depois acabou a época em último e desceu de divisão.   - Ao marcar dois golos na vitória do Rio Ave frente ao Paços de Ferreira (3-0), Heldon obteve o primeiro bis desde Dezembro de 2013, quando foi fundamental no empate a dois golos do Marítimo em casa frente ao Nacional. Aliás, nesse dia repetiu a dose da semana anterior, quando marcara os dois golos da vitória maritimista em Arouca. À atenção da Académica, o próximo adversário dos vila-condenses.   - O primeiro golo de Heldon foi ainda o centésimo da Liga. Ao 39º jogo. Na época passada tinha sido o benfiquista Lima a obter o 100º golo da prova, nos 3-1 do Benfica ao Moreirense, mas ao 42º jogo. Há dois anos marcara-o Evandro, do Estoril, no empate a dois que os canarinhos obtiveram em casa frente ao FC Porto, também ao 39º desafio.   - Edimar marcou, de livre, o terceiro da vitória do Rio Ave. Não fazia um golo na Liga desde Dezembro de 2013, quando inscreveu o nome na lista de marcadores na derrota do Rio Ave frente ao FC Porto (1-3). De livre, já não marcava desde 23 de Setembro de 2012, quando bateu Beto noutra derrota do Rio Ave (4-1) em Braga.   - O Paços de Ferreira perdeu pela primeira vez em casa desde Janeiro, quando ali passara o Nacional (3-2). E não perdia na Mata Real com tanta clareza desde Abril de 2014, quando o mesmo Nacional lá ganhara por 5-0.   - Leo Bonatini fez em Tondela o primeiro golo fora de casa desde que chegou a Portugal e ao Estoril. Os seis que tinha marcado desde o início da época passada tinham acontecido todos no António Coimbra da Mota.   - Luís Leal abriu o marcador na vitória do Belenenses sobre o Moreirense (2-0), fazendo o seu primeiro golo na Liga portuguesa desde Novembro de 2013, quando bisou na vitória do Estoril sobre o Rio Ave, em Vila do Conde, pelo mesmo resultado. Desde essa data, porém, só foi titular mais uma vez, num Estoril-V. Guimarães que antecedeu a sua transferência para a Arábia Saudita.   - O Moreirense não ganhou um único jogo nas primeiras cinco jornadas, seguindo com apenas um ponto. É algo de inédito nas cinco épocas dos cónegos na Liga. O pior que tinham até aqui era uma vitória e quatro derrotas, no ano de estreia (2002/03). Nas últimas três temporadas apresentavam o mesmo registo: uma vitória, dois empates e duas derrotas.   - Ao entrar, a 10 minutos do final, para o lugar de Stojlikovic, na goleada bracarense sobre o Marítimo (5-1), Wilson Eduardo estreou-se com a camisola do Sp. Braga na Liga e ainda fez o 100º jogo na competição. Soma 27 partidas no Beira Mar, 27 no Olhanense, 25 na Académica, 20 no Sporting e agora 1 no Sp. Braga.   - O lateral Lionn, do Rio Ave, foi o outro “centenário” da jornada. É, contudo, mais constante nas camisolas do que Wilson Eduardo. Dos 100 jogos, 81 foram com o verde-e-branco do Rio Ave vestido, completando o lote com 8 jogos no Olhanense e 11 no V. Guimarães.   - Depois do golo ao Slovan Liberec, Rafa marcou também ao Marítimo. Não lhe acontecia marcar em dois jogos consecutivos desde que ajudou o Sp. Braga a vencer fora o V. Guimarães (2-1 para a Taça de Portugal) e o Penafiel (6-1 para a Liga) em Novembro do ano passado.   - O Marítimo não levava cinco golos num jogo desde Novembro de 2012, quando foi batido pelo FC Porto no Dragão por 5-0. Ruben Ferreira foi o único do onze que jogou nesse dia a repetir a experiência ontem.
2015-09-22
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Histórias invertidas entre André André e o pai, o antigo médio António André. O pai marcou logo no primeiro jogo oficial com a camisola do FC Porto (fez o quinto tento de uma goleada de 5-0 sobre o Farense, em Outubro de 1984), enquanto ele precisou de seis jogos para marcar o primeiro golo. No entanto, André André marcou ao primeiro clássico, enquanto António André só marcou ao… sexto (abriu o ativo numa vitória por 2-1 sobre o Sporting, em Novembro de 1985).   - André André não marcava um golo de bola corrida desde 4 de Janeiro, quando até fez um hat-trick nos 4-0 ao Nacional. Mesmo nesse dia, porém, o primeiro foi de penalti e o segundo num canto. Desde então tinha marcado mais quatro vezes, todas de penalti.   - O FC Porto continua sem sofrer golos para a Liga no Dragão. Já lá vão 13 jogos inteiros desde o último, que foi obtido por Lima, a 14 de Dezembro do ano passado. Ao todo, 1205 minutos  que só encontram paralelo na história recente portista com uma série de 1384 minutos que foi estabelecida por Zé Beto e por um ainda adolescente Vítor Baía entre Outubro de 1988 e Maio de 1989.   - O Benfica, por sua vez, não marca um golo fora da Luz desde a época passada. Os encarnados fizeram todos os seus (15) golos desta época em casa, tendo ficado em branco nas duas saídas (0-1 com o Arouca em Aveiro e 0-1 com o FC Porto no Dragão). A última vez que sucedeu perderem as duas primeiras deslocações foi em 2010 (sempre 1-2, com Nacional e V. Guimarães), mas para encontrar zero golos marcados na primeiras duas partidas fora há que recuar até 2003 (0-0 no Bessa e 0-2 com o FC Porto no Dragão).   - O FC Porto leva onze jogos sem derrota, tendo a último sido os 6-1 em Munique, frente ao Bayern, que lhe custou a saída da Liga dos Campeões. Está igualado o melhor registo de Julen Lopetegui, que na época passada passou exatamente onze jogos sem perder entre as duas derrotas frente ao Marítimo: 1-0 para a Liga a 25 de Janeiro e 2-1 para a Taça da Liga a 2 de Abril.   - Maxi Pereira é um de quatro jogadores que já viram quatro amarelos nas primeiras cinco jornadas da Liga (os outros são Pelé, David Simão e Bouba Saré). O mais cedo que o uruguaio tinha chegado ao quarto amarelo na Liga foi em 2010/11, mas na altura precisou de oito jornadas.   - Os seis remates feitos pelo Benfica no Dragão são o mínimo desta época numa equipa que andava com uma média de 22,7 por jogo. O Benfica não rematava tão pouco num jogo desde 18 de Abril, mas nessa altura os seis remates chegaram-lhe para ganhar por 2-0 ao Belenenses no Restelo.
2015-09-21
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Último Passe

O FC Porto-Benfica não foi um grande jogo, mas foi um jogo em que as duas equipas até mostraram razões para o otimismo dos seus adeptos. A primeira parte mostrou o melhor Benfica da época: compacto, taticamente disciplinado e a ameaçar – ainda que só nas bolas paradas – a baliza de Casillas. A segunda mostrou um FC Porto pressionante, com Aboubakar a cair muito na esquerda e André a soltar-se mais do meio-campo em direção à área, na antevisão repetida da jogada que – já com Osvaldo em campo no lugar do camaronês – acabou por dar o golo da vitória. O FC Porto teve nesse período três ocasiões claras de golo, jogou em crescendo, pelo que foi com justiça que alargou a vantagem sobre o bicampeão para quatro pontos. O Benfica paga as dores de crescimento da juventude que teve em campo e que tão bem se portou até ao momento do 1-0. Como repetiu Luisão até à exaustão na sequência do lance: “Têm que fazer falta!” Quando digo que a primeira parte do clássico mostrou o melhor Benfica da época não estou a esquecer os 6-0 ao Belenenses – esse tinha sido um jogo de sentido único, em que as águias só tiveram de trabalhar a parte ofensiva. No Dragão, a equipa mostrou-se nos primeiros 45 minutos muito competente do ponto de vista defensivo: mesmo em dois para três (Samaris e André Almeida contra Ruben Neves, Imbula e André), serviu-se da pequena distância entre linhas para ganhar a batalha do meio-campo, e ao mesmo tempo conseguia chegar à frente como um bloco. Além disso, se a maior esperança do FC Porto eram os duelos individuais nos corredores laterais, eles não sorriram aos azuis e brancos: surpreendentemente, Nelson (muito mais concentrado e disciplinado a defender do que o habitual) e Eliseu raramente deixaram Corona e Brahimi jogar. Nesse período, o FC Porto chegava sempre à frente com pouca gente e não se via como poderia desbloquear o resultado. A segunda parte trouxe um FC Porto surpreendentemente vivo, tanto na intensidade que manteve no campo (porque não só jogou na Champions um dia mais tarde como o fez em Kiev) como na capacidade para empurrar o Benfica para o seu meio-campo. Lopetegui mandou recuar Imbula para perto de Ruben Neves, assumiu Corona como extremo (em vez de o mandar andar à procura do espaço interior), deu mais liberdade a André no corredor central e terá também ordenado a Aboubakar que procurasse mais os terrenos de Nelson, em trocas posicionais com Brahimi, que fazia o movimento inverso. As trocas deram a supremacia ao FC Porto, Aboubakar teve duas ocasiões claras para marcar, mas já o jogo se encaminhava para o final sem se ver como é que o 0-0 desapareceria do placar quando um desequilíbrio no meio-campo benfiquista deu o golo da vitória ao FC Porto: Jardel saiu na pressão a Osvaldo, perdeu o lance, ninguém o dobrou e o italo-argentino conseguiu soltar a bola para uma arrancada de Brahimi em quatro para três. Ninguém fez a tal falta que Luisão veio depois a reclamar aos seus colegas e um calcanhar de Varela deixou André na cara de Júlio César. Saiu a ganhar o FC Porto, porque já tem quatro pontos de vantagem sobre o bicampeão, mas não sai assim tão mal o Benfica, que jogou muito melhor do que no outro clássico desta época, perdido para o Sporting por 1-0, no Algarve. Rui Vitória sabe bem que lançar jovens tem o seu preço e por isso mesmo disse no final que o “caminho vai ser longo”. Resta-lhe esperar que eles acelerem a aprendizagem.
2015-09-20
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Stats

O Sporting marcou golos em todos os oito jogos desta época e não fica em branco numa partida oficial desde 1 de Março, quando foi batido pelo FC Porto no Dragão por 3-0, a contar para a Liga. São, ao todo, 22 jogos seguidos sempre a marcar. Está igualada a melhor série da época passada, que consistiu exatamente em 22 jogos, entre o 0-3 em Guimarães, a 1 de Novembro, e o 0-2 em Wolfsburgo, a 19 de Fevereiro. Se marcar ao Nacional, equipa que esteve no início da corrente série, com um empate a dois golos na Choupana, para a Taça de Portugal, a 5 de Março, aumenta a caminhada para 23 jogos a marcar, algo que já não consegue há 45 anos. Ainda Jorge Jesus jogava nas camadas jovens. A última vez que o Sporting esteve tantos jogos seguidos a fazer golos foi entre Dezembro de 1969 e Novembro de 1970. Pelo meio, a equipa então comandada por Fernando Vaz ganhou o título nacional de 1969/70, mas perdeu a final da Taça de Portugal, com o Benfica, por 3-1. Esse Sporting ficou em branco na deslocação ao Bessa, onde empatou a zero com o Boavista, a 21 de Dezembro de 1969. E só voltou a acabar um jogo sem golos a 22 de Novembro de 1970, quando empatou sem golos em Guimarães com o Vitória. Entre o zero imposto pelo guardião boavisteiro Luz e aquele que soube segurar o guarda-redes vimaranense Rodrigues mediaram 36 jogos sempre com golos. Desses, o Sporting empatou quatro (1-1 com o Varzim, duas vezes 1-1 com o Benfica e 2-2 com o Belenenses), perdeu três (1-3 com o Benfica na final da Taça de Portugal de 1970 e duas vezes por 2-1 com o Carl Zeis Jena na segunda ronda da Taça dos Campeões Europeus), ganhando os restantes 29. Nesses 36 jogos, o Sporting marcou um total de 90 golos, com duas particularidades. Houve apenas onze marcadores e nenhum deles se destacou dos restantes: Nelson celebrou 20, Marinho assinou 17, Peres 15 e Lourenço 14. Na atual série de 22 jogos, os leões empataram cinco (2-2 com o Nacional, duas vezes 1-1 com o P. Ferreira, 1-1 com o Estoril e 2-2 com o Sp. Braga) e perderam dois (1-3 com o CSKA Moscovo e com o Lokomotiv Moscovo), ganhando os restantes 15. Ao todo marcaram 43 golos, com a particularidade de eles serem divididos por mais jogadores: foram 13 marcadores, destacando-se Slimani, com nove, Arien, com sete, e Montero, com seis.   - Em contrapartida, o Sporting já vai com sete jogos seguidos sempre a sofrer golos. A última vez que Rui Patrício conseguiu uma baliza virgem foi na Supertaça, contra o Benfica, a 9 de Agosto (vitória por 1-0). Na Liga, então, já não chega ao fim de um jogo sem ir buscar pelo menos uma bola ao fundo das redes desde 2 de Maio, quando recebeu em Alvalade… o Nacional (vitória leonina por 2-0). Depois disso o Sporting ainda ganhou ao Rio Ave em Vila do Conde, no fecho do último campeonato, mas foi Boeck quem esteve na baliza.   - O Nacional só ganhou uma vez em Alvalade para a Liga, em Maio de 2005, por 4-2, ajudando a tonar essa época como de pesadelo para o Sporting, que já perdera Liga Europa e Liga portuguesa numa semana. Além disso, os alvi-negros não marcam um golo no terreno do Sporting desde finais de Abril de 2013, quando Candeias estabeleceu o momentâneo empate a um golo, antes de Rojo dar a vitória por 2-1 aos leões nos últimos minutos da partida.   - Jorge Jesus e Manual Machado já tiveram desentendimentos públicos, mas os encontros entre os dois têm sido geralmente favorável ao atual treinador do Sportimg. Jesus ganhou os últimos seis confrontos com Machado, quatro para a Liga e dois para a Taça da Liga, e não perde pontos com ele desde Fevereiro de 2013, quando o seu Benfica foi empatar com o Nacional à Choupana, a dois golos. Machado não ganha a Jesus desde Setembro de 2010, quando o seu V. Guimarães se impôs no Minho ao Benfica por 2-1.   - Jonathan Silva celebra no dia do jogo um ano sobre a sua estreia na Liga portuguesa, pois foi lançado como titular nos 4-0 com que o Sporting ganhou fora ao Gil Vicente a 21 de Setembro de 2015. André Martins, por outro lado, pode reencontrar o adversário que enfrentou na estreia: abriu a sua conta na Liga portuguesa lançado por Domingos Paciência com uma vitória por 1-0 frente ao Nacional, em Alvalade, em Dezembro de 2011.   - Fábio Veríssimo apita apenas o 11º jogo na Liga e o segundo de um clube grande (já esteve, esta época, na vitória por 3-0 do FC Porto sobre o V. Guimarães). Entre os árbitros com pelo menos dez jogos na competição, é o segundo que apresenta maior percentagem de vitórias da equipa da casa: 60 por cento, apenas atrás dos 64% de Tiago Martins e à frente dos 53% de Soares Dias, que é terceiro.
2015-09-19
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Último Passe

No tempo em que a Grã Bretanha estava isolada do resto do Mundo, os treinadores ingleses tinham por hábito ver as primeiras partes dos jogos na tribuna, só descendo para o banco nos segundos 45 minutos. Essa era uma altura, porém, em que havia apenas um suplente, que só entrava se alguém partisse uma perna e essa observação não fazia assim tanta falta. Vendo todo o desafio do FC Porto com o Dynamo Kiev da tribuna, Julen Lopetegui fez uma gestão de jogo excelente, compreendendo os momentos exatos para fazer a substituições certas. O FC Porto não ganhou – ainda que o merecesse – porque no final toda a equipa cometeu um erro de apreciação, fruto talvez do cansaço aliado à falta de concentração que ele provoca. E nem sequer pode dizer-se que a questão se resolvesse com um grito do treinador, estivesse ele no banco. O 2-2 conseguido pelo FC Porto em Kiev vale pelo ponto conquistado, pelos dois que o Dynamo deixou pelo caminho – um empate fora é sempre um empate fora – mas vale sobretudo pela forma como o comportamento da equipa deixou perceber uma maturidade tática de que não se suspeitava. O plano de jogo foi o de Arouca, mas invertido: a equipa começou num 4x2x3x1 em que André André era, ao mesmo tempo, terceiro avançado e quarto médio, tal como terminara no jogo de sábado. A procura constante do espaço interior pelo número 20 dos Dragões nas fases ofensivas permitia assegurar a presença frente à área que tantas vezes tem faltado; a sua derivação para a ala no momento de perda de bola permitia manter a linha de quatro médios e travar um Dynamo que cedo desistiu de mandar no jogo e passou a limitar-se a chutar bolas longas na frente. Com o jogo controlado e um empate a uma bola no placar, Lopetegui lançou Tello e Corona, voltou ao 4x3x3 mais clássico e criou as condições para chegar à vitória. Marcou o segundo golo, numa jogada que enfatiza as excelentes exibições de Ruben Neves e Aboubakar – o primeiro a assegurar uma segunda vaga ofensiva depois do canto; o segundo a finalizar sem complacência depois de uma falha do guarda-redes Rybka. Previa-se que este fosse um jogo para Aboubakar, avançado de grandes espaços, lutador de excelência, mas ele acabou por se impor também naquilo que menos se esperava: a finalização na área. E com seis golos em cinco jogos, vai lançado para uma grande época. A maturidade tática demonstrada pela equipa do FC Porto não chegou para impedir o golo do empate do Dynamo, mas deixa a equipa em boa posição para lutar pela qualificação – roubou pontos no terreno daquele que se pensa venha a ser o seu maior adversário – e confiante de que sabe ser controladora ou ameaçadora quando o jogo lhe pede uma ou outra face. Teste já no domingo, na receção ao Benfica, no Dragão. Com Lopetegui no banco.
2015-09-16
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- Leo Bonatini fez ao Sp. Braga o sexto golo com a camisola do Estoril. Todos em casa. Esta época já tinha marcado ao Moreirense, na anterior fez golos ao Arouca, à Académica, ao Penafiel e ao Boavista.   - As expulsões de Mauro e Boly, no Estoril, fizeram do Sp. Braga a primeira equipa a ver dois vermelhos num jogo na atual Liga. A última vez que tal sucedera aos bracarenses foi a 24 de Abril, no empate em casa frente ao Belenenses, com vermelhos a Pedro Santos e Pedro Tiba.   - Mauro foi expulso pela segunda vez na equipa principal do Sp. Braga e o curioso é que as duas aconteceram nos últimos três jogos que fez como titular: este e a final da Taça de Portugal, frente ao Sporting. Pelo meio escapou a qualquer punição disciplinar na receção ao Boavista.   - Artur Soares Dias não expulsava dois jogadores na mesma partida da Liga desde 12 de Abril de 2014, quando mostrou duplo amarelo a Malonga e vermelho direto a Deyverson, num Belenenses-V. Guimarães que acabou com 3-1 favorável aos azuis.   - O V. Setúbal marcou sempre pelo menos dois golos nos quatro jogos da Liga, mas só ganhou um, empatando dois e perdendo o último, por 5-2 frente ao Marítimo. Os nove golos sofridos nas primeiras quatro jornadas não são, ainda assim, um registo tão mau como o apresentado há dois anos, em que Kieszek e Adilson Jr. já tinham ido buscar a bola ao fundo das redes por dez vezes nos primeiros quatro jogos.   - Ao fazer dois golos nos 5-2 do Marítimo ao V. Setúbal, o arménio Ghazaryan obteve o primeiro bis da sua carreira desde um hat-trick nos 7-0 com que o Mettalurg Donetsk goleou o Celik, do Montenegro, na segunda pré-eliminatória da Liga Europa de 2012/13, a 19 de Julho de 2012.   - No mesmo jogo também bisou o brasileiro Dyego Souza, cujo último bis tinha sido ao serviço do Portimonense, na II Liga, a 16 de Março de 2014. Fê-lo numa vitória sobre o Marítimo B (2-1). Repetidos desse jogo em campo no domingo só mesmo Dyego Souza e Fransérgio, que subiu à equipa principal verde-rubra.   - O segundo 0-0 seguido na Liga para o U. Madeira, desta vez contra o Moreirense, vale ao jovem guarda-redes André Moreira a maior série de imbatibilidade da atual Liga. São já 231 minutos sem sofrer golos, desde que foi batido por Soares, do Nacional, na segunda jornada. Supera os 184 estabelecidos por Bracalli até ao golo de Bruno Moreira (P. Ferreira), na terceira.   - Danielson, do Moreirense, cumpriu o 200º jogo na Liga, dos quais só 38 foram ao serviço do atual clube (tem 26 no Gil Vicente, 55 no Nacional, 40 no Paços de Ferreira e 41 no Rio Ave). É, ainda, o jogador de campo que há mais tempo joga consecutivamente, sem falhar um minuto na Liga. Fá-lo desde que foi substituído por Simy, aos 68 minutos de uma derrota do Gil Vicente em Arouca (1-0).   - O Nacional venceu a Académica por 2-0 e ainda não sofreu golos na Choupana esta época. O último a marcar ali foi Bernard, então no V. Guimarães, num empate a dois golos a 11 de Maio.   - A derrota significa que a Académica, que ainda soma zero pontos, vai registando o pior início de temporada desde 1977. Na altura – em que os tempos revolucionários levaram à mudança temporária de nome, para Académico – os conimbricenses perderam com Riopele (fora, 0-2), Sporting (casa, 1-5), Belenenses (fora, 0-2) e V. Guimarães (casa, 1-3). Só pontuaram à sexta jornada, batendo o Boavista em casa por 3-2. Mantendo sempre Juca como treinador, acabaram o campeonato em oitavo lugar.   - João Real somou o 100º jogo na Liga, 69 dos quais pela Académica. Tem ainda mais 31 pela Naval, onde chegou depois de vários anos nas divisões secundárias, a representar o Sp. Covilhã.   - Embora a questão não seja alvo de unanimidade, Edu Machado, do Tondela, fez o segundo autogolo da Liga, depois de outro da autoria de Gonçalo Brandão, do Belenenses. O V. Guimarães, que beneficiou do golo na própria baliza de Edu Machado para obter a primeira vitória da época, não tinha um autogolo a favor na Liga desde que Maurício (Sporting) também fez um na derrota leonina no D. Afonso Henriques por 3-0, a 1 de Novembro do ano passado.   - O Paços de Ferreira ganhou fora ao Boavista graças a um golo de Diogo Jota, o primeiro que ele faz esta época e o quinto desde que foi promovido aos seniores do clube da capital do móvel. Sempre que ele marca, o Paços ganha. Já tinha sido assim na época passada, nos 4-0 ao Reguengos, nos 9-0 ao Riachense (ambos para a Taça de Portugal) e nos 3-2 à Académica (jogo no qual bisou).
2015-09-14
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Jesus Corona teve uma estreia de sonho: dois golos na baliza do Arouca no primeiro jogo que fez na Liga portuguesa. Foi o primeiro jogador a bisar na estreia no nosso campeonato desde que o romeno Rusescu também marcou dois na vitória do Sp. Braga sobre o V. Guimarães (3-0), a 10 de Janeiro de 2014. Rusescu, no entanto, tinha ficado em branco num jogo anterior para a Taça de Portugal, frente ao Arouca. Para se encontrar um jogador que tenha feito pelo menos dois golos no primeiro jogo competitivo em Portugal é preciso ir buscar Montero, que a 18 de Agosto de 2013 fez um hat-trick nos 5-1 do Sporting ao… Arouca. No FC Porto, o último a bisar na estreia tinha sido Pena, que a 9 de Setembro de 2000 contribuiu com dois golos para os 2-1 do FC Porto, em casa, ao Paços de Ferreira.   - Esta não é a primeira vez que Corona marca na estreia. A 29 de Setembro de 2013 já tinha marcado nos 5-0 do Twente ao Groningen, o primeiro jogo que fez para a Liga holandesa.   - Aboubakar manteve o registo 100 por cento goleador sempre que defronta o Arouca. Na época passada já tinha marcado a fechar os 5-0 no terreno do adversário e feito o único golo na vitória caseira por 1-0. Ontem voltou a encerrar a conta portista, fazendo o que na altura era o 3-0.   - André André foi titular do FC Porto pela primeira vez à quarta tentativa, depois de três jogos como suplente utilizado (V. Guimarães, Marítimo e Estoril). Repete a história do pai, mas com muito mais rapidez, pois fê-lo à quarta ronda: em 1984, António André só foi titular à 11ª jornada, num empate a zero nas Antas contra o Sporting, depois de ter sido suplente utilizado contra Farense, Salgueiros e Penafiel.   - O segundo golo sofrido pelos portistas esta época teve vários pontos em comum com o primeiro. Tal como no Funchal, o golo de Maurides nasceu de um cruzamento na esquerda do ataque e foi marcado nas costas do lateral esquerdo azul e branco. Com menos culpas de Layun neste caso do que de Cissokho no tento de Edgar Costa, que custou ao francês o seu lugar no onze.   - Maurides fez ao FC Porto o seu segundo golo saído do banco nesta Liga, tornando-se o suplente mais goleador do campeonato. Antes já tinha feito o mesmo nos 2-0 com que o Arouca venceu o Moreirense.
2015-09-13
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Último Passe

Falar da vitória do FC Porto frente ao Arouca acaba necessariamente por ser falar de Corona, a estrela na noite de estreia. O extremo mexicano abriu a conta portuguesa com dois golos e mostrou outros pormenores que vão dar-lhe lugar cativo no onze titular de Lopetegui. É veloz como Tello, sabe ser retilíneo como Varela e junta-lhe a criatividade de Brahimi. Fazendo um paralelismo com o resultado do jogo (3-1) é um três em um que pode vir a ocupar a vaga de Quaresma nos corações dos adeptos portistas. E Corona resolveu um jogo que podia ter-se transformado num problema a sério. Porque depois de um arranque forte, com um golo feito no primeiro quarto-de-hora, os dragões voltaram a baixar o ritmo e a intensidade, saindo para o intervalo com a ideia de que era o Arouca a equipa mais ligada ao jogo. A equipa de Lito Vidigal teve mais bola do que o Porto na primeira parte, mostrou princípios sólidos de jogo e levou Lopetegui a sentir a necessidade de dar força ao meio-campo, trocando Brahimi por Danilo, que tinha ficado a descansar da seleção.  Só que então, além de Jesus Corona, apareceu André André, a partir desse momento colocado nas alas do ataque. Na esquerda, rematou para defesa difícil de Bracalli e golo na recarga fácil de Corona. E na direita encontrou Aboubakar em cima da linha de golo e colocou-lhe a bola à frente para o terceiro. Mais um que não deve sair do onze tão cedo.
2015-09-12
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Último Passe

Quando é que deixa de ser cedo para se elevar um jogador jovem a um patamar de exigência máxima? Quando é que se percebe que não se está a precipitar as coisas, correndo riscos de estragar tudo? Não há uma receita certa, mas depende da convicção de que aquele é o jogador certo para uma determinada ideia. André Silva, marcador de cinco golos em cinco jogos pelo FC Porto B esta época, fez há pouco mais um hat-trick na goleada (6-1) da seleção de sub21 à Albânia, deixando implícito que pode ser o ponta-de-lança que falta ao futebol português. Contudo, manda a prudência que se espere. Pela Prova do Nove. Será cedo para ele? De acordo com o que defendia Paulo Bento, não é. Bento levou Nelson Oliveira à seleção antes mesmo de ele se afirmar no Benfica. Mais tarde, deu espaço na equipa principal a Bruma e Ricardo Horta, que ontem jogaram com André Silva na goleada dos sub21. Será que fez bem? A teoria segundo a qual se terá precipitado está bem suportada no facto de todos terem regredido. Nelson desapareceu do Benfica e das seleções; Bruma e Horta regressaram à categoria etária inferior. Para eles era cedo, porque nunca tiveram o enquadramento devido nos clubes, mas foi isso - e não aquelas internacionalizações precoces - que os levou a estagnar. Aquilo que muitos aplaudiram na ideia de Fernando Santos para a seleção - se não jogas no clube, não jogas pela equipa de todos nós - impede a chamada imediata de André Silva. Pelo menos enquanto ele não encontrar espaço no FC Porto, onde a concorrência é formada por Aboubakar ou Osvaldo, ou não jogar e marcar golos com a mesma regularidade numa equipa de um campeonato mais exigente que a II Liga. A seleção chama-se assim por ser isso mesmo: uma seleção, um patamar que se atinge depois de se superarem os anteriores. Ignorá-lo e baixar o nível de exigência a um ponto que pode implicar problemas mais à frente. É por isso mesmo que não acredito em proteccionismos, na obrigatoriedade de os clubes usarem uma quota de jovens que formam - isso anula a seletividade, diminui o grau de exigência. Quando são bons, os jovens acabam por encontrar o espaço competitivo ideal. Acredito que André Silva possa ser o ponta de lança dos anos que aí vêm. Mas primeiro há que dar-lhe a oportunidade de o provar.
2015-09-08
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- Maicon marcou, de livre direto, ao Estoril, o 11º golo pelo FC Porto e o primeiro que não foi obtido de cabeça. Os dez anteriores tinham sido todos na sequência de livres laterais ou cantos de Belluschi, João Moutinho, Hulk, James Rodríguez e Carlos Eduardo. A exceção a esta regra foi um golo de livre direto na única ocasião em que o central brasileiro representou a equipa B portista: a 3 de Fevereiro de 2013 surpreendeu João Pinho e marcou, quase de meio-campo, um livre à Oliveirense que ajudou a uma vitória por 3-1.   - Aboubakar marcou nos últimos três jogos do FC Porto em casa. Bisou ao Penafiel nos 2-0 com que os dragões encerraram a última Liga, repetiu a graça nos 3-0 aplicados ao V. Guimarães na abertura da atual e agora abriu o marcador nos 2-0 ao Estoril.   - Ao manter a baliza inviolada contra o Estoril, Iker Casillas voltou a contribuir com mais 90 minutos para o alargamento da série de imbatibilidade dos dragões nos jogos da Liga disputados em casa. São já 1125 minutos que Fabiano, Helton e agora Casillas levam sem sofrer golos em casa para a Liga, desde o segundo tento de Lima, na vitória do Benfica por 2-0, no Dragão, em Dezembro. O próximo jogo dos portistas em casa será precisamente contra o Benfica e, nele, bastarão três minutos para superar a série de 1127 estabelecida por Vítor Baía em 1995/96.   -O FC Porto fez apenas oito remates à baliza do Estoril durante os 90 minutos. O valor é um mínimo desde o empate no Restelo, como o Belenenses, que valeu o título ao Benfica na penúltima jornada da temporada passada, mas para encontrar um total tão baixo num jogo em casa é preciso recuar a 6 de Abril de 2014, quando os dragões bateram a Académica em casa por 3-1 rematando as mesmas oito vezes.   - O Estoril vai com cinco jogos seguidos sem sequer marcar golos no terreno dos grandes. Os 2-0 de sábado frente ao FC Porto somam-se aos 4-0 que encaixou na Luz face ao Benfica na abertura desta Liga e a mais três jogos negativos em 2014/15: 6-0 na Luz, 5-0 no Dragão e 4-0 em Alvalade. Tudo a seguir à melhor época da história do clube neste particular, por em 2013/14 ganhou fora a FC Porto e Sporting pelo mesmo resultado: 1-0.   - O Benfica virou frente ao Moreirense, de 0-1 para o 3-2 final. Foi a primeira reviravolta no marcador dos encarnados desde 8 de Março, quando venceram fora o Arouca por 3-1, depois de ter estado a perder por 1-0. Ponto em comum aos dois jogos é Iuri Medeiros, que em Março marcou o golo do Arouca e no sábado foi titular do Moreirense.   - Samaris marcou o primeiro golo com a camisola do Benfica. A última vez que tinha festejado em nome individual foi a 9 de Março de 2013, quando fez o golo do Olympiakos numa derrota (1-2) em Salónica com o PAOK.   - Jonas fez golos nos últimos quatro jogos do Benfica na Luz. Marcou o tento da vitória frente ao Moreirense, mas antes já tinha feito dois nos 4-0 ao Estoril, outros dois nos 4-1 ao Marítimo na festa do último título nacional e um nos 4-0 ao Penafiel. Não fica em branco na Luz desde 26 de Abril, quando o Benfica empatou a zero com o FC Porto.   - Raul Jiménez precisou de apenas dois jogos para marcar um golo no Benfica. No Atlético de Madrid, só marcou ao sétimo: contribuiu para os 4-0 com que os colchoneros ganharam ao Sevilha, a 27 de Setembro. O problema, porém, é que não marcou mais nenhum no que restou da época passada.   - Este Benfica-Moreirense foi fiel à história recente das duas equipas. Já são quatro jogos seguidos para a Liga com o mesmo resumo: o Moreirense marca primeiro e o Benfica acaba por ganhar. Os três jogos anteriores (a última jornada de 2013/14 e as duas partidas de 2014/15) tinham acabado com 3-1 favorável aos encarnados. Desta vez ficou 3-2.   - A última equipa a marcar duas vezes na Luz tinha sido o Sp. Braga, que ali ganhou por 2-1 nos oitavos de final da Taça de Portugal da época passada. Se contarmos só jogos da Liga, a última equipa a consegui-lo foi o Arouca, que ali empatou (2-2), a 6 de Dezembro de 2013.   - Rafael Martins já tinha marcado ao Benfica na última vez que tinha defrontado os encarnados, em Maio de 2014. Se no sábado abriu o placar, nessa altura fez de grande penalidade o golo que valeu o empate (1-1) ao V. Setúbal.   - A vitória do Sporting em Coimbra por 3-1 significa que tanto o clube como Jorge Jesus mantêm a série positiva nas visitas à Académica. Os leões não perdem em Coimbra desde 8 de Maio de 1977, enquanto que Jesus nunca ali perdeu como treinador.   - Aquilani fez de grande penalidade o primeiro golo com a camisola do Sporting. Não marcava desde de 2 de Outubro de 2014, quando abriu o placar numa vitória da Fiorentina em Minsk (3-0), a contar para a Liga Europa.   - Adrien falhou a primeira grande penalidade desde que, a 11 de Maio de 2014, na jornada de despedida da Liga, permitiu a defesa a Vagner (Estoril). Desde então e até acertar agora no poste da baliza de Lee, marcou a Schalke, Estoril, Marítimo, V. Guimarães, Sp. Braga e Tondela.   - O Sporting viu ser-lhe assinalada uma grande penalidade contra pelo segundo jogo consecutivo na Liga. Não lhe acontecia semelhante coisa desde Outubro e Novembro de 2013, quando perdeu (1-3) no Dragão com o FC Porto e ganhou (3-2) em casa ao Marítimo, sempre com golos sofridos de penalti. Ponto em comum é o árbitro Bruno Esteves, que tinha estado nesse Sporting-Marítimo.   - Bruno Esteves nunca tinha assinalado três grandes penalidades no mesmo jogo da Liga, mas já tinha marcado duas. Foi a 4 de Novembro de 2011, num empate caseiro do Sporting com a Naval, em que começou por apontar para a marca dos onze metros quando Evaldo derrubou Marinho, permitindo aos figueirenses empatar a uma bola, mas depois marcou uma mão de Camora na área, que Postiga converteu no 2-2 momentâneo.   - O último jogo com três penaltis na Liga também tinha sido em Coimbra. Foi o Académica-Gil Vicente, a 25 de Abril último, e os gilistas ganharam por 2-1, com golos de penalti de Ruben Ribeiro e Cadu, a responder a outro penalti de Rui Pedro. O árbitro era Soares Dias. Na época passada houve mais dois jogos com três penaltis: o Estoril-Penafiel (apitado por Tiago Martins) e o Paços de Ferreira-V. Setúbal (Luís Ferreira).   - Fernando Alexandre, expulso pelos dois penaltis cometidos, não via um vermelho desde 11 de Setembro de 2011, quando João Ferreira o expulsou imediatamente antes do intervalo de uma derrota do Olhanense, em casa, contra o Feirense (1-2).   - Além de FC Porto e Sporting, há mais cinco equipas que ainda não perderam nesta Liga: Rio Ave, V. Setúbal, Arouca, Paços de Ferreira e Belenenses. Para os vila-condenses não há grande novidade, uma vez que também não tinham perdido nas três primeiras rondas da época passada e, à 3ª jornada, até lideravam a classificação, mas para o Arouca a sensação é de novidade absoluta, pois nunca por tal tinha passado. O Paços de Ferreira tinha conhecido este arranque em 2012 (e acabou a Liga em terceiro lugar), mas os históricos V. Setúbal e Belenenses já mal se lembram de tal coisa. A última vez que tal sucedeu aos sadinos foi em 2007 (três empates a abrir deram um sexto lugar no final), enquanto que os belenenses têm de recuar até 2004 e a uma Liga que acabaram em nono lugar.   - André Claro, do V. Setúbal, foi o único jogador a marcar golos nas três primeiras jornadas da Liga. O último a conseguir fazê-lo tinha sido Jackson Martínez, que na época passada fez golos a abrir a Marítimo, Paços de Ferreira e Moreirense (dois). Mas para encontrar um português que o tenha feito é preciso recuar a 202, quando o benfiquista Simão marcou consecutivamente a Beira Mar, Moreirense e U. Leiria.   - Ao estabelecer o empate do Rio Ave em Setúbal (2-2), o veterano André Vilas Boas marcou o primeiro golo em 124 jogos na Liga. Misturando todas as competições, só tinha um golo na Taça de Portugal, um na II Liga e outro na II Divisão B. O último tinha sido a 20 de Outubro de 2013, na vitória (3-0) dos vila-condenses fora sobre o Esperança de Lagos.   - O Tondela ganhou pela primeira vez na Liga ao terceiro jogo neste escalão, batendo o Nacional por 1-0. Repetiu a performance do último estreante, o Arouca, que também se impôs pela primeira vez à terceira jornada em 2013, batendo na altura o Rio Ave pelo mesmo score. Pior correu a vida ao Trofense, o estreante anterior: perdeu os primeiros cinco jogos, empatou o sexto e só ganhou à sétima tentativa, batendo fora o V. Setúbal por 2-0.   - Bruno Moreira, que fez o golo do Paços de Ferreira no empate frente ao Arouca, não marcava desde que defrontou… o Arouca. Tinha feito dois dos três golos com que os pacenses venceram fora este mesmo adversário (3-1), a 26 de Abril.   - Rafael Bracalli, guarda-redes do Arouca, liderava a única defensa ainda sem golos sofridos na Liga, mas ainda assim falhou por 13 minutos o seu melhor início de época. Ainda que este tenha sido estabelecido quando era suplente do FC Porto e só atuava em partidas da Taça de Portugal e da Taça da Liga. Os 183 minutos em que manteve a baliza do Arouca inviolada até ao golo de Bruno Moreira só são ultrapassados no seu registo pessoal pelos 196 que durou essa mesma imbatibilidade na baliza do FC Porto em jogos com Pero Pinheiro, Académica e… Paços de Ferreira.   - Alan marcou, na vitória (4-0) sobre o Boavista, o seu 50º golo pelo Sp. Braga. Foram 30 na Liga, dez nas provas da UEFA, sete na Taça da Liga e três na Taça de Portugal. O primeiro acontecera a 23 de Outubro de 2008, na vitória por 3-0 sobre o Portsmouth.   - O U. Madeira-V. Guimarães foi o primeiro jogo sem golos na atual Liga. Aconteceu à 27ª partida, no encerramento da terceira jornada. Na época passada tinha sucedido à 18ª, num Moreirense-Sp. Braga que também fechava a segunda ronda (e também a uma segunda-feira à noite). Há dois anos, em contrapartida, o primeiro 0-0 só aparecera ao 42º jogo, um Académica-Arouca da sexta jornada. Para que se faça uma comparação, a Liga espanhola teve quatro 0-0 na primeira jornada e mais dois na segunda, enquanto que na Premier League inglesa o primeiro nulo surgiu na segunda ronda e na Bundesliga alemã tal só aconteceu à terceira. Em Itália, as primeiras duas semanas de competição ainda não proporcionaram nenhum 0-0  
2015-09-01
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- Carrillo tomou parte ativa em cinco dos seis golos marcados pelo Sporting esta época. Marcou ao Benfica (ainda que a FPF tenha depois atribuído o golo a Teo Gutièrrez) na Supertaça e agora ao Paços de Ferreira, assistiu Slimani no segundo golo ao CSKA e esteve na origem dos lances dos primeiros golos ao Tondela e à equipa russa, lançando Ruiz nas costas da defesa adversária para o cruzamento que deu golo a João Mário e Téo Gutièrrez. A única exceção foi o golo de Adrien em Tondela, nascido de um penalti sobre Gelson.   - O Sporting sofreu um golo de penalti em casa, mas isso já nem é novidade: os leões viram os árbitros apitar-lhes penaltis contra nos últimos três jogos feitos em Alvalade. Antes deste, de Pelé, que valeu o empate ao Paços de Ferreira, tinha acontecido o mesmo contra o CSKA (falta de Jefferson e defesa de Rui Patrício) e contra o Sp. Braga (infração de Tobias Figueiredo e conversão de Pardo a dar vantagem aos minhotos).   - Em contrapartida, o Paços de Ferreira já não tinha um penalti a favor na Liga desde 13 de Março, data em que ganhou em casa ao Boavista por 1-0, graças à conversão de Manuel José. Curioso é que o último árbitro a marcar um penalti a favor dos pacenses tinha sido o mesmo Manuel Oliveira, que também expulsara o prevaricador: na ocasião o boavisteiro Tengarrinha.   - O Sporting rematou pouco no jogo com o Paços de Ferreira (apenas nove remates, dos quais só três enquadrados na baliza). Não o fazia com tão pouca frequência desde 19 de Abril, quando bateu o Boavista em Alvalade por 2-1 fazendo apenas seis tentativas de chegar ao golo.   - O Paços de Ferreira empatou com o Sporting nas últimas três vezes que defrontou os leões e sempre pelo mesmo resultado: 1-1. A última vitória dos leões foi no Capital do Móvel, a 5 de Abril de 2014, por 3-1, com golos de William, Rojo e Adrien a valerem mais que o tento pacense, de Bebé.   - Rui Patrício sofreu golos nos últimos três jogos na baliza do Sporting (Tondela, CSKA e Paços de Ferreira), repetindo a série com que acabou a época passada (Estoril e duas vezes Sp. Braga, uma vez que não defrontou o Rio Ave, na última jornada da Liga). Para se encontrar uma série pior é preciso recuar a Fevereiro, quando foi batido consecutivamente por Arouca (3-1), Benfica (1-1), Belenenses (1-1) e Wolfsburg (0-2).   - O FC Porto fez na Madeira apenas oito remates, mínimo da equipa azul e branca na Liga desde o empate (1-1, também) no Restelo, a 17 de Maio, que deu o título nacional ao Benfica. Nesse jogo, tinha-o feito apenas seis vezes. Mas para encontrar um jogo em que os dragões tenham rematado menos do que o adversário (o Marítimo tentou o golo em nove ocasiões) é preciso recuar ao empate a zero na Luz, contra o Benfica, a 26 de Abril: nessa tarde, visou as redes de Júlio César por seis vezes contra sete dos encarnados.   - Edgar Costa não fazia um golo de cabeça desde Setembro do ano passado, quando também aproveitou um cruzamento da esquerda (na altura de Ruben Ferreira) para surgir nas costas do lateral esquerdo do V. Guimarães (Traoré). Em contrapartida, três dos seus últimos seis golos surgiram nos primeiros 10’ de jogo: antes de marcar agora ao FC Porto aos 5’,no último ano já tinha marcado ao V. Guimarães aos 6’ e ao Gondomar aos 7’.   - Edgar Costa foi ainda o primeiro a marcar um golo a Casillas na Liga portuguesa, mas não o primeiro português a marcar um golo ao guardião espanhol. O último tinha sido Tiago, a 13 de Setembro do ano passado, numa vitória do Atlético Madrid no Santiago Bernabéu (2-1). E desde então Casillas foi ainda batido por vários conhecidos da Liga portuguesa, como Otamendi, Ghilas ou Nolito.   - O empate nos Barreiros significa que o FC Porto já vai em seis jogos seguidos sem ganhar na Madeira. A última vitória aconteceu na Choupana, por 3-1, ante o Nacional, em Maio de 2013. Desde então e até ao empate de sábado, os dragões tinham perdido por três vezes nos Barreiros com o Marítimo (duas por 1-0 e uma por 2-1) e empataram uma (1-1) e perderam outra (2-1) com o Nacional na Choupana.   - Este foi ainda o primeiro jogo da Liga que o FC Porto não ganhou com o árbitro Hugo Miguel. Até sábado, o juiz lisboeta tinha estado em 12 partidas dos dragões, todas com vitória azul e branca.   - Ao bater o Benfica por 1-0, o Arouca subiu pela primeira vez à liderança da Liga em toda a sua história. Faz até melhor do que o Rio Ave, que liderou da segunda à quarta jornada da época passada, mas graças a uma melhor diferença de golos, uma vez que teve sempre pelo menos mais dois clubes a par.   - O último “não grande” a liderar a Liga isolado foi o Sp. Braga de Domingos Paciência, a 30 de Novembro de 2009: ganhou em casa à U. Leiria por 2-0 e beneficiou do empate a zero do Benfica em Alvalade para ficar com dois pontos de avanço dos encarnados à 11ª jornada.   - O Benfica não marca um golo fora do Estádio da Luz há 190 minutos: fê-lo Ola John, em Coimbra, ao Marítimo, a assegurar a vitória na Taça da Liga, aos 80’ (2-1). Desde então, a equipa encarnada ficou em branco na Supertaça (0-1 com o Sporting) e agora com o Arouca (outra vez 0-1). Se contabilizarmos só os jogos fora na Liga, então o Benfica não marca fora desde 2 de Maio, quando derrotou o Gil Vicente por 5-0. Depois disso empatou a zero em Guimarães (e celebrou o bicampeonato) e perdeu agora com o Arouca.   - A derrota com o Arouca em Aveiro foi a primeira vez dos encarnados contra um adversário que jogava em casa emprestada desde que foram batidos pelo V. Setúbal nas Antas, também à segunda jornada, mas de 1997/98. A 31 de Agosto de 1997, um golo de Kassumov valeu os três pontos aos sadinos e deixou Manuel José em maus lençóis: foi despedido 15 dias depois. A última vez que o Benfica não ganhou nesta circunstância foi em Agosto de 2007, quando empatou no Bessa com o Leixões. Fernando Santos teve menos sorte e foi imediatamente despedido.   - Roberto, autor do golo do Arouca, foi júnior do FC Porto e só agora marcou pela primeira vez a um grande. Em contrapartida, Jonas, avançado do Benfica, ficou pela primeira vez em branco contra o Arouca.   - O Benfica rematou 30 vezes à baliza do Arouca, um recorde da Liga. O anterior máximo tinha sido estabelecido por FC Porto (contra o V. Guimarães) e pelo próprio Benfica (ante o Estoril), com 19 tentativas cada um.   - Rafael Bracalli lidera a única defesa ainda inviolada da Liga, com 180 minutos sem sofrer golos. O melhor arranque do guarda-redes brasileiro tinha acontecido em 2010/11 quando, ainda no Nacional, esteve 179 minutos embatido, até ver Carlos Martins (na altura no Benfica) fazer-lhe um golo nos 2-1 com que os madeirenses bateram o Benfica na Choupana.   - Há 36 jornadas da Liga que não se assistia à incapacidade dos três grandes para ganhar na mesma semana. Sporting e FC Porto empataram com Paços de Ferreira e Marítimo e o Benfica perdeu com o Arouca. A última vez que nenhum dos três ganhara tinha sido a 3 e 4 de Maio de 2014, na 29ª jornada da Liga: o Sporting empatou fora com o Nacional, o Benfica empatou em casa com o V. Setúbal (ambos a um golo) e o FC Porto foi derrotado fora de casa pelo Olhanense (1-2).   - O Rio Ave não ganhava em casa ao Braga para a Liga desde Outubro de 2010, quando golos de Zé Gomes e João Tomás lhe valeram um sucesso por 2-0. Entre esse jogo e o de sexta-feira, ganho graças a um golo de Hassan (1-0), só houve dois repetentes em campo: o vila-condense Tarantini e o árbitro, João Capela.   - O brasileiro Soares, que fez o golo da vitória do Nacional frente ao U. Madeira, e os portugueses Luisinho, que fez o tento da vitória do Boavista contra o Tondela, e André Claro, autor de um dos golos da ampla vitória setubalense em Coimbra foram os únicos a marcar nas primeiras duas jornadas da Liga. Imitam o que tinha sido conseguido na época passada por Jackson Martínez (FC Porto), Bernard (V. Guimarães) e Deyverson (Belenenses). Dos três, há um ano, Jackson foi o único a marcar também na terceira ronda.   - O caso de Luisinho é especial, porque o ex-atacante do Académico de Viseu marcou nos primeiros dois jogos que fez na Liga. Antes dele, tal havia sido conseguido pelo vimaranense Bernard, autor de um golo ao Gil Vicente e dois ao Penafiel nas primeiras duas rondas da época passada. Até final da época, porém, Bernard só marcou mais duas vezes.   - Aly Ghazal não era expulso na Liga portuguesa desde a segunda jornada da época passada, mais precisamente desde 24 de Agosto de 2014, quando Carlos Xistra lhe mostrou o vermelho no Restelo, num jogo que o Nacional perdeu por 3-1 com o Belenenses. Um ano depois, voltou a ser expulso por Bruno Paixão, mas desta vez a sua equipa ganhou por 1-0 ao U. Madeira.   - O Moreirense repetiu o resultado da primeira jornada: voltou a perder por 2-0, agora com o Estoril, e de novo com a particularidade de ter sofrido os dois golos na última meia-hora de jogo. Só o Estoril sofreu tantos golos na reta final das partidas: igualmente quatro, todos no jogo com o Benfica. Ainda que os estorilistas compensem esse resultado com os dois golos que agora fizeram ao Moreirense.   - O empate em Guimarães significa que o Belenenses alarga a presente série de invencibilidade fora de casa para sete jogos. A última derrota dos azuis fora do Restelo aconteceu a 22 de Março, no Bessa, por 1-0, em jogo da Liga. Desde então ganharam em Arouca (1-0), empataram em Braga (1-1) e em Coimbra com a Académica (1-1), voltaram a vencer o Gil Vicente em Barcelos (2-0) a fechar a última Liga e, já esta temporada, empataram em Gotemburgo (0-0), venceram o Altach (1-0) e agora voltaram a empatar em Guimarães (1-1). Desde 2012/13 que o Belenenses não passava sete jogos seguidos sem perder fora de casa, mas nessa altura jogava a II Liga.   - Ao ganhar por 4-0 em Coimbra à Académica, o V. Setúbal obteve o melhor resultado fora desde 27 de Novembro de 2008, quando bateu o Torre de Moncorvo por 4-0 na quarta eliminatória da Taça de Portugal (dois golos de Bruno Gama, um de Ricardo Chaves e outro do Laionel). Para encontrar um resultado tão bom dos sadinos em deslocações mas a contar para a Liga, então é preciso recuar até 18 de Abril de 2004, data em que venceram fora o Salgueiros (4-0, com bis de Zé Pedro, mais um golo de Manuel José e outro de Meyong). Já a Académica perdeu em casa por 4-0 com o Sporting (golos de Rojo, Adrien, Montero e Carrillo) faz hoje precisamente dois anos, a 24 de Agosto de 2013, em partida que também contou para a segunda jornada da Liga.
2015-08-24
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Último Passe

Raul Jimenez é um excelente jogador. Não foi muito feliz no ano de estreia no futebol europeu, no Atlético Madrid, porque a transição do futebol mexicano para a Europa não é fácil e nem toda a gente a consegue fazer como Jackson Martínez: Jimenez fez apenas um golo na Liga espanhola. De qualquer modo, deixar a prova espanhola, mais exigente, e entrar na portuguesa, onde Jackson se impôs, pode muito bem ser o passo atrás de que ele precisa para depois dar dois em frente. O que me inquieta na transferência do atacante mexicano para o Benfica não são as suas hipóteses de sucesso, que é evidente que as tem. Com ele e Mitroglu associados a Jonas e ao promissor Jonathan, o Benfica fica com quatro pontas de lança de grande qualidade. O que me inquieta é ver tamanha diferença no valor da transferência anunciado pelos jornais, entre os três e os nove milhões de euros pela metade do passe que não fica nas mãos de Jorge Mendes. É evidente que as fontes de informação não são as mesmas e que parte delas está enganada. Ou a enganar, que é o mais provável. A verdade é que Jimenez custou há um ano 10,5 milhões de euros ao Atlético Madrid (pela totalidade do passe) e não vejo como é que um golo em 28 jogos na Liga espanhola pode tê-lo valorizado para o dobro. Mas a verdade também é que esta não seria a primeira vez que o super-agente português conseguia aplicar uma lente de aumento aos valores praticados em transferências de jogadores envolvendo clubes nacionais. E estes já tantas vezes disso beneficiaram: Bebé é o caso mais flagrante, mas também João Cancelo, Ivan Cavaleiro e até Bernardo Silva ou André Gomes (embora estes tenham já justificado o que por eles pagaram) pareceram hiper-inflacionados. A questão é que com Jimenez a lupa está virada ao contrário.
2015-08-11
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