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Último Passe

Benfica, Sporting e FC Porto têm todos, esta época, uma jovem coqueluche. E não há como não ficar entusiasmado com o rendimento de Nelson Semedo, Gelson Martins e André Silva, as melhores notícias do futebol português nesta época. Por indiscutível mérito próprio e dos treinadores que neles apostaram, mas também – se calhar sobretudo – de quem desenhou os plantéis sem consagrados que viessem atrasar a sua natural imposição. Seriam os mesmos jogadores se Maxi Pereira e André Carrillo não tivessem desertado? E se Aboubakar não tivesse sido forçado ao exílio na Turquia? Duvido. Sempre achei que não há treinadores com vontade de apostar na juventude e outros menos propensos a isso. Todos os treinadores querem o mesmo, que é ganhar. Jorge Jesus, o treinador que o Benfica terá deixado cair por não querer abraçar o novo paradigma de aposta nos miúdos do Seixal, está agora a jogar reiteradamente com Ruben Semedo e Gelson Martins no Sporting, remetendo para o banco consagrados como Douglas ou Markovic. É por isso que sempre desconfiei dos que o acusavam de ter deixado que se perdessem talentos como Bernado Silva, André Gomes ou João Cancelo, todos eles hoje na seleção nacional, mas transferidos pelo Benfica antes de terem tido sequer a oportunidade de se afirmarem na equipa principal. Jesus foi bruto na forma como tentou matar os sonhos destes jovens, com a famigerada frase do “têm de nascer dez vezes”? Claro que foi. Jesus é bruto, ponto final. Já o tinha sido no passado e voltará a sê-lo no futuro. Faz parte da personagem que ele encarna. Mas daí a ser o único responsável pelo facto de aqueles três internacionais nunca se terem afirmado na Luz já vai uma distância que me recuso a percorrer. Vejamos o caso de Cancelo, atualmente titular na lateral direita da seleção, depois de quase ter passado diretamente do Benfica B para o Valência. Cancelo pouco jogou no Benfica porque à sua frente estava Maxi Pereira. E agora olhemos para Nelson Semedo, que do meu ponto de vista é até superior a Cancelo, sobretudo na forma como defende. Seria ele o jogador que é se Maxi tivesse ficado no Benfica em vez de assinar pelo FC Porto? Claro que não. Porque lhe faltaria aquilo que faz verdadeiramente os grandes, que é a competição. A verdadeira mudança de paradigma no Benfica, o que permitiu nos últimos doze meses a afirmação de jovens como Renato Sanches, Nelson Semedo, Gonçalo Guedes ou Lindelof, tem mais a ver com a ausência de alternativas indiscutíveis no plantel – quase sempre por causa de lesões – do que com a mudança de treinador. Claro que, até pelo seu percurso ligado à formação, Rui Vitória trabalha melhor os miúdos do que Jesus, transmite-lhes uma confiança que este nunca seria nem alguma vez será capaz de transmitir. E isso também conta. Mas nem Nelson jogaria tanto se houvesse Maxi nem nenhum dos outros estaria hoje onde está sem as ondas de lesões que lhes deram as primeiras oportunidades. O mesmo vale, aliás, para Gelson Martins. Estaria Gelson onde está se Carrillo não tivesse querido mudar para o Benfica? Claro que não. Carrillo era no início da época passada o maior desequilibrador do plantel do Sporting e, mesmo tendo ele afirmado em entrevista que Gelson era o miúdo com mais talento que alguma vez tinha treinado, Jesus faria sempre a equipa com o peruano. Aliás, no íntimo e mesmo que o não diga, o treinador há-de estar convencido de que se Bruno de Carvalho não tivesse imposto o ostracismo a Carrillo a partir do momento em que este se recusou a renovar contrato, teria sido campeão. Afinal, ele tinha sido campeão em 2014/15 no Benfica, com Nelson Semedo na equipa B e Maxi a jogar durante meses, depois de se recusar a renovar. Sem Carrillo, a aposta em Gelson foi tão natural como a de Rui Vitória em Gonçalo Guedes quando se viu privado de Salvio e agora de Jonas. E, por mais hesitante que tenha parecido a primeira época, na qual Gelson terá nascido umas quantas vezes, o extremo é ao segundo ano uma das figuras da equipa e um fixo da seleção nacional. Nenhum caso será tão paradigmático, no entanto, como o de André Silva. Não se pode acusar José Peseiro de andar desatento aos jovens: foi ele que deu continuidade a João Moutinho, por exemplo, levando-o a jogar uma final europeia com 18 anos. E no entanto, na época passada, depois de dar a titularidade a André Silva, reverteu a aposta antes do clássico com o Sporting, recuperando Aboubakar. Quando lhe pediram para justificar a ausência de André Silva no Europeu, aliás, Fernando Santos até se deu ao luxo de dizer que tinha ido vê-lo ao clássico mas ele não tinha jogado. A administração portista terá encaixado a direta e, para evitar recuos na aposta naquele que pode ser o bastião do portismo nos anos que aí vêm, substituiu-se ao mercado: sem propostas por Aboubakar, mandou-o para a Turquia sem remissão, por empréstimo. E essa foi a forma de o FC Porto e a seleção ganharem o ponta-de-lança que fazia (a ambos) tanta falta.
2016-11-21
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Último Passe

O facto de ter sido André Silva, sempre um dos melhores da equipa, a falhar o último penalti na eliminação do FC Porto da Taça de Portugal, em benefício do Desp. Chaves, pode até retirar um pouco de peso à decisão tomada por Nuno Espírito Santo, que antes mandara Depoitre bater a penúltima grande penalidade, tendo o belga também permitido a defesa a António Filipe. Não concordo com Jorge Simão, treinador dos flavienses, que reduziu o desfecho de um desempate por penaltis à sorte – e creio que o guardião do Chaves, que defendeu três remates, também não concordará – mas o que se espera do FC Porto numa eliminatória como esta é que não deixe as coisas chegar tão longe. E, nesse aspeto, bem mais penalizadora que a escolha do até aqui desastrado Depoitre me pareceu a decisão de Nuno Espírito Santo não chamar ao jogo Brahimi, cuja criatividade poderia ter ajudado a desfazer o 0-0 que durou 120 minutos, a segunda metade dos quais com o FC Porto quase sempre instalado no ataque. Hoje estão de parabéns o Chaves e Jorge Simão, como é evidente. Mas este Chaves não me pareceu sequer tão forte como tinha demonstrado contra o Benfica, num jogo que perdeu com alguma infelicidade – o que é diferente de tê-lo perdido por azar. Não creio que tenha sido o Chaves a piorar, admito que tenha sido o FC Porto a bloquear sempre bem as saídas venenosas do adversário, o que lme eva a não ser capaz de dizer que os dragões tenham jogado mal. O FC Porto foi a melhor equipa em campo e, mais, a partir dos 60’, foi a única com andamento para chegar à baliza adversária. Fosse por incapacidade física, técnica ou tática, o Chaves – que tinha mostrado boas ideias no arranque do jogo – deixou de conseguir sair a jogar e aceitou o papel de saco de boxe: desde que o FC Porto não marcasse no processo, tudo estaria bem para os donos da casa. E a verdade é que o FC Porto não marcou. Nuno começou em 4x3x3, com dois extremos velozes e diretos: Varela de um lado e Jota do outro. Passou durante o jogo para um 4x4x2, com Depoitre perto de André Silva, motivando um jogo mais direto. Mais tarde chamou Evandro e Layun, mas deixou no banco Brahimi, que é possivelmente o mais criativo de todos os jogadores do plantel. Quando pela frente tinha uma equipa que baixava as linhas, que fechava todos os espaços de acesso à sua baliza e o importante era conseguir um golpe de prestidigitação, o FC Porto abdicou do seu jogador mais incontrolável. A não ser que existam fatores extra-rendimento desportivo desconhecidos de quem está de fora a justificar o constante ostracismo ao argelino, tudo parece resumir-se precisamente à imprevisibilidade do jogador, ao facto de ele ser tão incontrolável para os adversários como é para o seu próprio treinador. Mas é uma decisão de risco. E é uma decisão que não creio que Nuno Espírito Santo mantenha em Copenhaga, na terça-feira, se chegar a estar perante a possibilidade de se atrasar na obtenção de mais um objetivo, que é a qualificação para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões.
2016-11-18
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Último Passe

A segunda vitória consecutiva de Portugal por 6-0, desta vez no piso sintético de Tórshavn, contra as Ilhas Faroé, começou numa noite perfeita de André Silva, autor de um hat-trick na primeira parte, mas teve igualmente grande influência de João Mário, o maestro que foi permitindo à equipa de Fernando Santos jogar dentro das linhas do adversário. Ronaldo, Moutinho e Cancelo completaram o resultado num segundo tempo onde nem a descontração normal em situação de vantagem permitiu aos donos da casa entrar no jogo. Prova disso é a superioridade estatística dos portugueses e o facto de as Ilhas Faroé só terem rematado por três vezes nos 90 minutos.Portugal manteve o 4x4x2 do jogo com Andorra, mas com a troca de Bernardo Silva e João Moutinho por João Mário e William Carvalho. Estas trocas tinham a intenção de ganhar centímetros que podiam ser decisivos face ao jogo mais direto e físico das Ilhas Faroé, mas também de conseguir jogar dentro do bloco adversário. Partindo da esquerda mas surgindo frequentemente pelo corredor central, quase sempre em trocas posicionais com Ronaldo, que nessas alturas abria na lateral, João Mário foi capaz de encontrar o espaço para jogar entre as linhas das Ilhas Faroé e de dirigir a equipa e André Silva até ao hat-trick que resolveu o jogo bem cedo, após um início no qual a seleção nacional até teve algumas dificuldades na adaptação ao relvado (problemas de tração no arranque e meia dúzia de escorregadelas) e ao tal futebol direto dos nórdicos, com procura dos ressaltos.A verdade é que Portugal marcou na primeira ocasião, logo aos 12': João Mário entrou pelo meio e deu a bola a André Silva, que a ganhou a tempo de bater Nielsen, apesar da tentativa de corte de Nattestad. E depois fez o 2-0 na segunda, dez minutos mais tarde: abertura de João Mário para a direita, de onde, após driblar um adversário, saiu um cruzamento de Quaresma que nem o guarda-redes nem um defesa foram capazes de desfazer, dando a André Silva a oportunidade de bisar, num cabeceamento muito bem colocado. Se dúvidas ainda houvesse, o hat-trick de André Silva, aos 37', em recarga a um tiro do sempre ofensivo João Cancelo, acabou com elas ainda antes do intervalo, o que de certa forma permitiu a Portugal regressar para a segunda parte com a tentação da gestão do jogo e do resultado. Era normal.Ainda assim, após mais um início dividido, os portugueses foram à procura de mais golos. Ronaldo, a passe de João Mário, perdeu o 4-0 logo aos 49', isolado na cara de Nielsen, vindo a fazê-lo aos 65', após dupla tabela com o mesmo João Mário e um remate ao ângulo que lhe saiu tão potente do pé esquerdo que o toque do guardião não fez mais do que confirmar o golo. Com o jogo resolvido, os donos da casa puseram a ideia num golo de honra e até fizeram os seus únicos (três) remates nesses 25 minutos finais, mas sempre sem ameaçar a tranquilidade de Rui Patrício, que foi um espectador durante toda a noite. Foi por essa altura que, vendo a equipa abrandar, Fernando Santos deu sinais de querer mais. Chamou Gelson para o lugar de Quaresma e o jovem leão trouxe a velocidade e a criatividade que já iam faltando ao jogo: praticamente na primeira vez que tocou na bola deu a André Silva a possibilidade de fazer mais um golo, mas desta vez Nielsen foi mais forte e desviou para canto. No canto, Davidsen safou em cima da linha um cabeceamento de Pepe, o que parecia encaminhar o jogo sem mais golos até ao fim. Gelson, no entanto, quis deixar a sua marca e não esteve pelos ajustes, fazendo as assistências para os golos com que Portugal fechou a goleada, já para lá do minuto 90: primeiro deu atrasado para um remate em jeito de Moutinho, muito colocado, junto ao poste, e depois lançou Cancelo nas costas da defesa da casa, para o terceiro golo do lateral direito em outras tantas internacionalizações. Notável.O jogo acabou por resolver-se com mais facilidade do que o esperado por toda a equipa portuguesa - às Ilhas Faroé não tinham sofrido um único golo nas primeiras jornadas - mas isso não significa que Portugal tenha a vida mais facilitada, pois mesmo com dificuldades, a Suíça voltou a ganhar e os 2-1 a Andorra também valeram três pontos.
2016-10-10
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Último Passe

Portugal goleou Andorra por 6-0, numa noite que ficará para a história da seleção e de Cristiano Ronaldo, autor de quatro golos que igualam o recorde de concretizações num só jogo da equipa nacional, até então pertença de Eusébio, Pauleta e Nuno Gomes. A partida serviu a Fernando Santos para começar a emendar o passo em falso dado com a derrota na Suíça, na jornada inaugural, mas não chega para alimentar euforias, não só porque Andorra é uma seleção demasiado fraca para ser tida em conta, como também porque os suíços complicaram as contas nacionais, ganhando na Hungria por 3-2 e superando com o pleno de pontos o obstáculo mais complicado que tinham antes da deslocação a Portugal. O jogo de Aveiro teve pouca história, porque Portugal marcou dois golos nos primeiros quatro minutos, ambos da autoria de Cristiano Ronaldo, que assim assinou o bis mais rápido de sempre na equipa nacional. A questão da atribuição dos pontos ficou logo ali resolvida, mas para a tibieza da reação andorrenha contribuiu igualmente o facto de os visitantes terem jogado os últimos 20 minutos com nove homens, devido a duas expulsões nascidas de um jogo persistentemente faltoso com que tentaram travar a equipa lusa. Fosse por excesso de empenho físico enquanto puderam dá-lo ou devido a um atraso constante na chegada à bola quando começaram a acusar a fadiga, os pupilos de Alvarez foram sendo fustigados com amarelos que lhes retiraram qualquer hipótese de construir jogadas de ataque e permitiram a Portugal acabar o jogo com várias unidades atacantes em campo ao mesmo tempo: Ronaldo, Quaresma, Gelson, Bernardo Silva, André Silva, João Mário e João Moutinho terminaram todos o jogo em campo, numa equipa que já só tinha três defesas e podia ter dispensado o guarda-redes, tão desprovida de sentido foi a permanência entre os postes de um sempre desocupado Rui Patrício Este foi, ainda assim, um jogo com várias pequenas histórias. Foi a história do recorde de golos num só jogo da seleção, que Ronaldo igualou mas podia bem ter superado, não tivesse ele passado os últimos 20 minutos de jogo longe da área, devido a um toque mais violento que sofreu por essa altura. Mas foi também a história do primeiro golo de André Silva na seleção, uma finalização longe de ser brilhante, que beneficiou de um desvio num defesa adversário, mas que nem por isso ou por ele ter perdido antes dois cabeceamentos com selo de golo tira vontade de o ver mais vezes ao lado de Ronaldo, pela forma como trabalha para libertar o capitão de amarras e da necessidade de jogar de costas para a baliza, como referência do ataque. A primeira experiência da dupla foi boa, mas tal como acerca da titularidade de Cancelo na defesa, exige observação mais cuidada perante um adversário de um nível de exigência mais alto para se formarem opiniões mais definitivas. E foi ainda a história da estreia de Gelson na seleção principal, entrando nos últimos 20 minutos para acelerar a equipa – quis o destino que a entrada do extremo leonino coincidisse com a lesão de Ronaldo e a redução de Andorra a nove homens, o que mudou o jogo. Nesses últimos 20 minutos, contra nove, Portugal só fez um golo – o sexto, de André Silva. Até aí tinha feito cinco, que completam a história do que se passou em Aveiro. Ronaldo marcou o primeiro aos 2’, sendo mais rápido a erguer-se que Rebés após uma defesa do guarda-redes Gomez para a frente, e juntou-lhe o segundo logo aos 4’, respondendo da melhor forma a um excelente cruzamento de Quaresma. Portugal entrou nessa altura numa fase de menor fulgor, com vários passes perdidos, nascidos da desconcentração de uma equipa à qual tudo parecia demasiado fácil. João Cancelo, em lance individual, fez o 3-0 pouco antes do intervalo, mas a equipa voltou melhor para o segundo tempo, provavelmente acordada com a insatisfação de Fernando Santos. Ronaldo fez o quarto aos 47’ numa belíssima finalização em volei após cruzamento tenso de André Gomes, e o quinto aos 68’, acorrendo de pé esquerdo a um desvio de José Fonte. Igualado o recorde e com mais de 20 minutos por jogar, esperar-se-ia que ele o batesse, mas foi aí que o capitão recuou no campo e a equipa assumiu o objetivo de dar a André Silva o seu primeiro golo internacional. Fê-lo já perto do final, compondo o resultado e deixando toda a gente à espera de ver o que trará o jogo nas Ilhas Faroe. Mais dificuldades, certamente.
2016-10-08
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Último Passe

Um hat-trick de Diogo Jota ainda na primeira parte transformou a viagem do FC Porto à Choupana num passeio, reduziu a oposição do Nacional a zero e alertou Nuno Espírito Santo para a existência de valores seguros no plantel para os quais talvez nem os mais fervorosos adeptos portistas estivessem alerta. A vitória por 4-0, para a qual contribuiu mais um golo de André Silva, na segunda parte, permitiu aos dragões colarem-se a Sporting e Benfica (que ainda tem de jogar a sua partida desta jornada) no primeiro lugar. E, apesar de a interrupção da Liga não chegar na melhor altura para uma equipa subitamente remoralizada, permitirá um recomeço quase do zero quando o campeonato regressar: este FC Porto jovem, esta equipa dos "jotinhas", apresentou o melhor compromisso dois dragões desde o início da temporada. Para o desequilíbrio final no marcador contribuiu um Nacional fraco, é verdade, mas também um FC Porto outra vez forte. O regresso de Herrera, melhor em posse do que André André, e sobretudo a titularidade de Jota, explicam alguma coisa. Um jogador rápido e objetivo como Jota, que fez 14 golos ainda como júnior, na época de estreia na Liga, não pode ser visto só como elemento de contra-ataque – é uma arma incontornável na construção do processo ofensivo portista, tendo feito mais numa noite do que todos os outros parceiros de André Silva no 4x4x2 no resto da temporada. Fez o 1-0 após tabela com Herrera, logo aos 11’. Perdeu o segundo golo em lance individual ao qual se opôs o guardião Rui Silva, mas apenas para o fazer pouco depois, após passe de André Silva. E antes do intervalo ainda fez o terceiro, de cabeça, após cruzamento vindo da direita. A perder por 3-0, ninguém regressa a um jogo contra um grande a não ser que este facilite. Na segunda parte, o FC Porto não o fez e na verdade não se viu sequer ameaça de regresso do Nacional à luta pelos pontos. Foi o FC Porto quem marcou mais um, aliás, ainda antes dos 60’: André Silva finalizou, após assistência de Otávio, num lance nascido da criatividade de Oliver. Com Herrera, Otávio e Oliver à frente de Danilo, o meio-campo do FC Porto ganha uma capacidade de construção ofensiva a que depois dois bebés com golo nas botas como são Jota e André Silva podem dar a devida sequência. Chegará tanta juventude para os desafios a que se propõe o FC Porto? Não é fácil responder afirmativamente e sem reservas. Mas que ainda não se tinha visto melhor compromisso esta época aos dragões, isso é uma evidência.
2016-10-02
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Último Passe

Portugal é campeão da Europa e ganhou o campeonato jogado em França há menos de três meses com sangue novo no onze e sobretudo nos 23, pelo que mencionar a hipótese de renovação é sempre complicado e sujeita quem levantar o dedo para falar a levar como resposta que ela já está a ser feita. Mas as equipas renovam-se. Mesmo as que ganham. E as melhores renovações são aquelas que nem precisam de debate. É por isso que nem o facto de a taça ainda não ter acumulado pó suficiente para justificar que se lhe passe o pano inibiu Fernando Santos de chamar André Silva ao grupo na viagem à Suíça. E que se tudo correr dentro da normalidade o duplo confronto com Andorra e as Ilhas Faroe pode motivar mais três ou quatro adições ao grupo: Gelson Martins, Pizzi, Ruben Semedo e Nelson Semedo. Parece-lhe demasiado? Olhe que não. Sabia por exemplo quantos jogadores Luiz Felipe Scolari mudou entre a equipa que chegou às meias-finais do Mundial de 2006 e a que foi à Suíça jogar o Europeu de 2008? Foram 12. E acha que foi porque aquela seleção já era veterana e por isso era necessário pensar em renovação? Olhe que se engana. Porque em 2010, no momento de convocar para o Mundial da África do Sul, Carlos Queiroz mudou outros 12 nomes nos 23. E em 2012, quando fez a sua lista para o Europeu da Polónia e da Ucrânia, Paulo Bento voltou a fazer muitas mudanças – se arriscou vaticinar que foram doze, acertou em cheio. O doze não é nenhuma espécie de número mágico para esta conversa, mas serve de referência para que julguemos que a partir desse momento a equipa entrou numa espécie de estagnação. Paulo Bento só mudou sete homens na lista que elaborou para o Mundial do Brasil, em 2014, e face à pobreza dos resultados todo o país passou a achar que ele foi conservador demais. Fernando Santos voltou ao ritmo anterior, mudou onze convocados para 2016 e a seleção ganhou o Europeu. Quer isto dizer que, em condições normais, André Silva não será a única novidade de Portugal na fase final do Mundial de 2018 – se, como se espera, a seleção lá chegar. Já se viu que o ponta-de-lança do FC Porto tem qualidade para a equipa nacional, embora ainda não tenha sido possível testar algo que defendo desde antes do Europeu – que ele é o parceiro ideal para o Ronaldo dos dias de hoje na frente de ataque, porque faz tudo o que o CR7 deixa por fazer. Pressiona sem bola, dá profundidade, luta no corpo-a-corpo, o que já de si vem tornar algo irrelevante se faz poucos ou muitos golos. E ele por acaso até tem feito muitos. Esta semana, Jorge Jesus veio apresentar formalmente mais uma candidatura à próxima convocatória de Fernando Santos. Disse o treinador do Sporting que não há no futebol português nenhum jogador com as caraterísticas de Gelson Martins e tem razão, porque Gelson alia a criatividade de Quaresma em situações de um para um à velocidade que já vai faltando ao Mustang do Besiktas e que entre os mais jovens atacantes nacionais só se encontra, por exemplo, em Rafa. É uma mistura de tal forma explosiva e que foi de tal modo impactante, por exemplo, no Santiago Bernabéu, quando o Sporting lá defrontou o Real Madrid, que estranho seria que Fernando Santos se privasse de a ver em ação. Acontece que não é por ter tido o seu treinador a fazer lobby por ele que Gelson terá de estar sozinho como novidade na próxima convocatória. Pizzi continua a ser, juntamente com João Mário, o melhor médio nacional a articular jogo exterior com jogo interior. Se com Jesus jogava no corredor central – foi a resposta possível à saída de Enzo Pérez a meio de uma época –, com Rui Vitória o transmontano tem sido sempre o médio-ala que mais frequentemente usa o cérebro para se juntar aos colegas do corredor central quando é necessário restabelecer equilíbrios. Entre os médios portugueses, só João Mário o faz melhor, pelo que custa a entender que continue a ser deixado de parte quando se juntam os melhores executantes nacionais. Como custará entender que Ruben e Nelson Semedo fiquem fora da próxima lista. O lateral do Benfica, vigoroso na forma como enche todo o corredor direito, pode até esbarrar no facto de haver boas opções para a sua posição entre os campeões da Europa, mas o central do Sporting, veloz e forte no desarme e na antecipação como mais nenhum outro jogador da sua geração, até ocupa a posição mais necessitada de renovação na equipa campeã europeia. Ricardo Carvalho, aos 38 anos, está sem clube; Bruno Alves (34), Pepe (33) e José Fonte (32) também já não vão para novos, pelo que parece mais ou menos evidente que em 2018 haverá pelo menos um novo central português no Mundial. A ideia é dar-lhe rodagem.
2016-09-26
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A qualidade individual de Otávio e a movimentação sempre inteligente de André Silva, hoje bem complementado por Adrián López, permitiram ao FC Porto ultrapassar o obstáculo constituído por um Boavista que nunca mostrou grande futebol mas teve a capacidade para manter o resultado em aberto até aos últimos minutos. O 3-1, marcado a quatro minutos do fim, quando os axadrezados apostavam num jogo partido, com bola cá-bola lá, permitiu a justa atribuição dos três pontos à equipa de Nuno Espírito Santo, mas a demora no golo da tranquilidade e uma segunda parte muito desinspirada dos dragões não afastaram as nuvens negras do horizonte antes da visita a Leicester, em importante desafio da Liga dos Campeões marcado para terça-feira. Nuno Espírito Santo apostou num 4x4x2 com maior preenchimento do corredor central, pois nele não entraram extremos: a largura era dada pelos dois defesas-laterais e pelas saídas da área dos dois pontas-de-lança, os móveis André Silva e Adrián López, que substituiu o belga Depoitre, nulo no jogo de Tondela. Adrián procurava muito a esquerda, dessa forma compensando as constantes diagonais de Otávio para o meio, nas quais o jovem brasileiro se mostrava o melhor portista na difícil arte de queimar linhas com bola. E isso tornou-se tanto mais importante quanto o início de jogo foi complicado para a equipa da casa, uma vez que o Boavista marcou na primeira vez que chegou perto da baliza de Casillas, logo aos 5’: livre de Fábio Espinho e cabeça de Nuno Henrique para o 0-1. A ganhar desde tão cedo, não se percebeu bem se o Boavista trazia algum plano de jogo a não ser o de impedir os ataques portistas. A equipa de Sánchez juntava linhas perto da área, mostrava um Idris em momento pujante, mas raramente conseguia ligar-se aos jogadores da frente – só Bukia se mostrou, em noite anónima de Iuri Medeiros e Digas. O FC Porto, com Oliver mais atrás do que o habitual e André André a procurar também o corredor central a partir da direita, só entrava na organização defensiva adversária em bolas paradas – dois quase-golos de Danilo, ainda na primeira parte – ou nas tais arrancadas de Otávio. Foi o jovem brasileiro quem descobriu André Silva para o golo do empate, aos 19’, e foi ainda ele quem, numa mudança de velocidade, forçou uma falta de Nuno Henrique junto à linha de fundo. No penalti correspondente, André Silva bisou e colocou o FC Porto na frente do marcador, ainda antes do intervalo. Foi aquilo de que o FC Porto precisou para baixar o ritmo do jogo numa segunda parte que foi correndo mais sonolenta. Foi interessante a entrada de Diogo Jota para o lugar de Adrián, pois permitiu ao jovem português mostrar a rapidez de processos e o descaramento para finalizar que lhe permitirão voar alto, mas o jogo estava por essa altura mais dividido do que seria de supor. Com Schembri em vez de Iuri Medeiros e a subida de rendimento de Fábio Espinho, o Boavista foi ganhando chegada à frente e, mesmo sem ocasiões claras de golo, manteve o suspense no resultado até ao minuto 86, quando um cruzamento de Alex Telles acabou no fundo das redes, fruto de uma intervenção desastrada do guardião Agaev. Estava resolvido o jogo e os dragões podiam finalmente pensar na Champions. Se é que não era já por lá que tinham a cabeça antes disso.  
2016-09-23
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O mesmo défice de criatividade que já lhe custara dois pontos na partida da Liga dos Campeões frente ao Copenhaga, no Dragão, voltou a impedir o FC Porto de vencer na deslocação a Tondela. Num jogo onde beneficiou de iniciativa atacante quase permanente e de amplo domínio territorial, atenuado apenas na segunda parte, quando o jogo partiu e o Tondela conseguiu meter no relvado alguns contra-ataques, a equipa de Nuno Espírito Santo não foi além de um 0-0 que a penaliza. Não foi um problema de esquema tático – voltou o 4x4x2 –, de eficácia ou de falta de homens ofensivos no onze. O que faltou mesmo foi a capacidade para criar desequilíbrios em ataque organizado. Perante um Tondela bem organizado defensivamente e sempre aguerrido, Nuno Espírito Santo voltou ao 4x4x2, juntando Depoitre a André Silva e entregando as faixas laterais ao regressado Brahimi e a Otávio. Os dois alas procuraram sempre o corredor central, para aí promoverem os tais desequilíbrios – algo que Otávio conseguiu sempre melhor do que Brahimi – e para deixarem as laterais aos ofensivos Layun e Alex Telles. Só que, apesar das tentativas de Ruben Neves desempenhar o papel de médio centro de uma forma mais atacante do que o habitual Danilo, os primeiros 45 minutos foram quase um deserto em termos de situações de perigo. De parte a parte: o FC Porto só entrou com perigo na área uma vez, num passe longo de Felipe a, que nem André Silva, primeiro, nem Depoitre, no aproveitamento do ressalto, deram o melhor seguimento. O Tondela, metido num 4x2x3x1 que tinha em Crislan um avançado capaz de segurar a bola e de esperar pela equipa, dando assim tempo aos homens mais recuados para respirar, ia ganhando confiança. E depois de Gonçalves ter procurado, sem sucesso, um dos ângulos superiores da baliza da Casillas, a segunda parte começou com uma equipa da casa mais afoita do ponto de vista atacante. Espírito Santo quis mudar o ataque, primeiro trocando Brahimi por Oliver – e desviando André André para a direita – e depois substituindo o desastrado Depoitre por Adrián López, mas a primeira situação de golo flagrante da partida foi a equipa da casa a perdê-la, quando Murillo se isolou na cara de Casillas e viu o remate esbarrar na mancha do guarda-redes espanhol. Aí, já com Corona em campo, o FC Porto acordou para dez minutos finais melhores, que certamente tiveram a ver também com a quebra física da equipa de Petit, que também perdera Kaká, o seu cérebro defensivo, por lesão. André Silva e Adrián López ainda chegaram com bola à cara de Cláudio Ramos, mas nas duas situações o guarda-redes do Tondela levou a melhor, segurando um 0-0 que manda uma mensagem para o balneário do Dragão. Para ganhar é preciso mais do que um sistema tático ou a acumulação de jogadores de ataque: eles têm de combinar no campo. E isso é que não se tem visto.
2016-09-18
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Último Passe

A dramática derrota do Sporting frente ao Real Madrid no Santiago Bernabéu (1-2) e o insuficiente empate do FC Porto em casa ante o Copenhaga (1-1) puseram um ponto final modesto na semana das equipas portuguesas na Liga dos Campeões. Os dois jogos tiveram histórias muito diferentes mas epílogos semelhantes, de desilusão. Saíram desiludidos os leões, que foram a melhor equipa em campo durante 70 minutos mas não conseguiram congelar o desafio nos últimos 20, ficando à mercê da remontada madridista, como desiludidos saíram os dragões, incapazes de criar desequilíbrios na defesa dinamarquesa, nem mesmo quando o adversário ficou reduzido a dez. A derrota do Sporting veio recheada de uma demonstração de personalidade que não está ao alcance de qualquer equipa. Com um posicionamento irrepreensível e face a um Real pouco dinâmico, a equipa de Jorge Jesus foi sempre assegurando superioridade numérica nos vários duelos a meio-campo, fundando aí a capacidade de assegurar a maior dose de iniciativa de jogo: o Real só chutou à baliza de Rui Patrício à passagem da meia-hora, e de fora da área, por Cristiano Ronaldo. Gelson, mais uma vez o melhor em campo, foi um pesadelo constante para a defesa do Real Madrid, tendo começado nele o lance em que Bruno César abriu o marcador. Foi ainda o jovem ala quem, num lance pela direita, deu a Bas Dost a melhor ocasião do jogo – o holandês tentou meter o pé onde se impunha a cabeça e o cruzamento perdeu-se. O Real acabou por virar o jogo quando já poucos nisso acreditariam, fruto da conjugação de vários fatores. Primeiro, as alterações introduzidas por Zidane: Morata, Lucas Vasquez e James Rodríguez melhoraram muito o rendimento do campeão europeu. Depois, o facto de os leões terem piorado com as trocas de Adrien e Gelson por Elias e Markovic. Por fim, é verdade, a inexperiência de muitos jogadores da equipa portuguesa em momentos como aqueles, em que se impõe quebrar o ímpeto ao adversário. A verdade é que, tendo feito o empate num livre irrepreensível de Ronaldo (após falta de Elias), aos 89’, o Real ainda teve tempo para ganhar, num cabeceamento de Morata após cruzamento de James. Houve muito banco numa reviravolta que deixa o Sporting com zero pontos e a precisar de ganhar ao Legia já na segunda jornada. A pressão, senti-la-á também o FC Porto, que seguirá para Leicester com um ponto e a precisar pelo menos de pontuar em Inglaterra, depois de uma exibição pouco conseguida frente ao Copenhaga. Nuno Espírito Santo voltou ao 4x3x3, remetendo Depoitre para o banco, e parecia até poder sair-se bem, depois de um início premiado com um golaço de Otávio, após bela assistência de André Silva. Já nessa altura, porém, o FC Porto revelava parte dos pecados que haveriam de custar-lhe dois pontos, nomeadamente a falta de controlo do espaço aéreo defensivo face à potência de Santander e Cornelius, os dois avançados dos dinamarqueses. O resto ver-se-ia no segundo tempo, sobretudo depois de o Copenhaga ter empatado – por Cornelius, após mais um cruzamento não desfeito pelo último reduto portista – e de o adversário ter ficado reduzido a dez homens, por expulsão de Gregus. Nessa altura, em que Espírito Santo descobriu falta de eficácia, o que se viu foi falta de capacidade para criar desequilíbrios numa equipa organizada mas de qualidade inferior. O FC Porto voltou então ao 4x4x2, com Depoitre em vez de Corona, e mais tarde com a entrada de Brahimi para as vezes de Herrera, mas nem assim criou verdadeiras ocasiões de golo, parecendo sofrer sempre que as probabilidades estão a seu favor. Talvez não seja esse o caso em Leicester, como não era em Roma.
2016-09-14
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Último Passe

André Silva mantém a média e torna impossível que não se perceba que é nele que tem de começar o renascimento do FC Porto. Foi mais uma vez com um golo do jovem ponta-de-lança – o terceiro em outros tantos jogos oficiais – que os dragões ganharam ao Estoril, numa partida que se jogou nos 40 metros mais próximos da baliza canarinha mas na qual tiveram de esperar até aos últimos cinco minutos para se colocarem em vantagem. Mas o jogo com o Estoril tem outro protagonista: Layún fez o cruzamento fantástico para o golo da vitória, uma espécie de grito de revolta vindo do melhor assistente da última Liga, de repente colocado na situação de reservista. Nuno Espírito Santo não mostrou, com a escolha do onze, que esteja tão obcecado com o jogo de terça-feira em Roma como a importância da continuidade na Liga dos Campeões talvez justificasse. Só mudou quatro nomes em relação à partida anterior, um deles por obrigação: Layún apareceu na lateral esquerda em vez do castigado Alex Telles. As outras trocas, de Adrian Lopez por Varela, de Danilo por Ruben Neves e André André por Corona, derivando Otávio para o meio-campo, foram depois sendo emendadas à medida que a partida se aproximava do fim com o resultado em branco: Adrian entrou ao intervalo, André André a meio da segunda parte. Mas nem assim o FC Porto mudou de cara. Foi até ao fim uma equipa mais dominadora do que o habitual mas com alguma dificuldade em transformar domínio evidente em golos. É verdade que teve algum infortúnio – duas bolas à barra, num remate de Otávio e num quase autogolo de Denkler, e uma noite grande de Moreira, guarda-redes estorilista – mas também não deixa de ser claro que este Estoril jogou de menos e que tanto na terça-feira, em Roma, como na generalidade dos jogos deste campeonato, vai enfrentar maiores dificuldades, a exigirem outras soluções. Faltam melhores cruzamentos para aproveitar o ponta-de-lança que é André Silva – e daí a importância de Layún, seja a lateral ou a médio – como falta maior intensidade e velocidade face a equipas remetidas aos metros mais defensivos do retângulo de jogo. Faltou perceber se falta capacidade atrás, que o Estoril não chegou lá: esse teste vai ser feito em Roma. E num desafio do qual dependerá em boa parte a capacidade de resolver todos esses problemas. É que sem Liga dos Campeões será certamente mais difícil ir ao mercado buscar argumentos.
2016-08-21
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Último Passe

Mudar uma equipa não é tarefa fácil. Rui Vitória percebeu isso no ano passado, quando se sentiu tentado a abdicar de boa parte da herança de Jorge Jesus no Benfica e só acertou o passo lá para Novembro. Nuno Espírito Santo está a abraçar a tarefa no FC Porto, mas o que mostrou o empate (1-1) com a Roma, no Dragão, na primeira mão do play-off da Liga dos Campeões, foi que a este FC Porto falta pelo menos uma referência aglutinadora que seja uma espécie de treinador em campo, de descodificador, para os dias em que a mensagem não passa à primeira. Como foi o caso. Nuno Espírito Santo quer mudar o “chip” a este FC Porto. E isso significa mudar os momentos de jogo em que mais investe. Basicamente quer abandonar o jogo de posse por vezes pouco incisiva e muito especulativa que caraterizou o período anterior e aproximar-se de um jogo com mais aposta no ataque rápido e no contra-ataque. O foco deixa de estar tato na organização ofensiva e na transição defensiva, para passar a estar mais na organização defensiva e na transição ofensiva. É mais Jesualdo Ferreira e menos Julen Lopetegui. É claro que é possível fazê-lo. Mas contra uma Roma que é forte em ataque posicional, era preciso que a mensagem passasse de forma cristalina, para evitar o que aconteceu nos primeiros 25 minutos do jogo, período no qual o FC Porto podia ter hipotecado a eliminatória. Visto de fora, o que pareceu foi que os jogadores do FC Porto entraram em campo a pensar nas ideias-base do treinador e com a noção de que para as pôr em prática era preciso a Roma ter a bola. Como se pode contra-atacar se o adversário não estiver ao ataque? Daí até ao posicionamento expectante do início da partida foi um pequeno passo que a equipa não devia ter dado e ao qual podem ter ajudado indicações de não ir com tudo para cima do adversário: uma equipa mais experiente saberia distinguir as coisas e manter a intensidade, não confundiria a vontade de apostar na transição ofensiva com a cedência do controlo do jogo, porque saberia que qualquer jogo lhe dá todos os momentos treinados. É só saber esperar. O problema é que a passividade portista no que toca à necessidade de assumir o controlo do jogo equivalia a colocar em confronto aquele que por enquanto ainda é o pior momento da equipa de Nuno Espírito Santo – a organização defensiva – com o melhor da Roma – a organização ofensiva. E o que se passou foi que nesses 25 minutos, os italianos tiveram quatro situações de golo claras, tendo concretizado uma. Só depois do intervalo, quando se viu a perder e, mais ainda, com um jogador a mais, por expulsão de Vermaelen, é que o FC Porto assumiu verdadeiramente o que significa jogar em casa numa eliminatória europeia. Mais intenso, mais rápido, mais agressivo na pressão sobre o condutor da bola, esse FC Porto colocou a Roma em dificuldades e até podia ter ido além do empate, obtido de penalti por André Silva. O empate adia a resolução do play-off para Roma, onde o FC Porto precisa de ganhar ou empatar com golos. Os seis dias que faltam podem servir ao treinador para clarificar conceitos, ainda que não lhe seja possível injetar maturidade tática na equipa a tempo de esta ler as situações com mais clareza sem precisar de passar pelo balneário. Para já, basta-lhe ler uma coisa: uma eventual eliminação deixa as coisas mais complicadas no que toca ao que resta de mercado e fará a equipa entrar mais pressionada em Alvalade, para o jogo com o Sporting, no último fim-de-semana de Agosto.
2016-08-18
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Último Passe

Quem tivesse olhado para a primeira parte da vitória do FC Porto em Vila do Conde, frente ao Rio Ave, por 3-1, poderia ter ficado com a ideia de que o meio-campo do FC Porto estava curto demais para o jogo. Danilo, Herrera e André André tinham dificuldades para assegurar a iniciativa, muitas vezes deixados em inferioridade numérica face ao quarteto formado por Wakaso, Pedro Moreira, Tarantini e Ruben Ribeiro e sobretudo com demasiado espaço para cobrir, face à maior distância entre linhas que a equipa mantinha. A forma como o jogo decorreu até final, porém, pode deixar uma sensação diferente: e se tudo isso for estratégico? E se essa for a maior diferença face ao “Lopeteguismo” e ao FC Porto dos últimos dois anos? Este é, na verdade, um FC Porto filosoficamente diferente. Onde a equipa dos últimos anos procurava movimentos de aproximação, encurtar linhas, promover apoios, a equipa de Nuno Espírito Santo quer abrir grandes espaços, procurar o ataque rápido e dar aos médios condição para que, assim que conseguem superar a primeira zona de pressão do adversário, correrem livres em direção a zonas de decisão. O golo de Herrera foi disso exemplo: o passe de Otávio, inteligente no movimento para trás e depois na forma como chamou Wakaso, ajudou a libertar o mexicano, que face à tal maior distância entre as linhas teve à frente uma auto-estrada até à entrada da área, de onde desempatou o desafio com um belo remate ao ângulo. Esse lance marcou a diferença num jogo que teve uma primeira parte sempre equilibrada e pode muito bem ser uma afirmação de identidade deste novo FC Porto, que tem em André Silva um excelente avançado de área e em Corona mais um velocista, capaz de decidir tanto na ala como ao meio. Há um ano, houve quem achasse que a maior lacuna deste FC Porto era a falta de um 10. Nunca tal me pareceu claro, porque a intensidade dada ao jogo pelos médios – sobretudo quando ainda havia Imbula em boa fase – chegava para assegurar a iniciativa durante a maior parte dos jogos e aquilo que mais fazia falta era um 9 com capacidade para resolver no aperto da área, que Aboubakar nunca foi. Por alguma razão o camaronês está atrás de Depoitre, um clone de André Silva... Esta época fala-se menos do 10, porque os movimentos interiores e para o espaço entre-linhas de Otávio, vindo do lado esquerdo, parecem ter como intenção mascarar a falta de soluções para a segunda linha de médios. Ruben Neves é mais um 6 do que um 8, alternativa a Danilo, portanto, e além dos que jogaram ontem (Herrera e André André) só há Sérgio Oliveira, Evandro e João Carlos Teixeira. Faltará mais classe ali? É possível. Classe nunca fez mal a nenhuma equipa. De qualquer modo, a avaliação deste FC Porto pede mais tempo. A capacidade daquele meio-campo não pode ser medida nem pela primeira parte do jogo, em que a teia desenhada pelos médios do Rio Ave acabrunhou os portistas e lhes roubou o controlo do terreno, nem pela segunda parte, quando aumentou o espaço para as correrias e a baliza de Cássio se tornou mais próxima. Numa época tão longa, o FC Porto vai precisar de jogar de muitas formas, de dominar todos os momentos do jogo. É verdade que isso não me parece assegurado. O próprio treinador disse no final do jogo que a equipa está “em construção”. Mas enquanto conseguir ir construindo em cima de vitórias, está a ganhar tempo para consolidar o processo.
2016-08-12
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A história da final da Taça de Portugal escreveu-se com o nome de dois heróis e não com os de quatro réus, como chegou a prometer. Antes assim, que as finais servem para que se cantem canções de glória. Mas nem é seguro que os heróis possam tirar grande proveito da tarde como o não é que os réus tenham o futuro imediato assegurado. O defeso ainda vai ter muitas histórias para contar acerca de todos eles. Primeiro os heróis, com Marafona à cabeça. O guarda-redes do Sp. Braga foi a grande diferença entre o pesadelo de há um ano e a festa de ontem, ao defender dois penaltis que impediram que os minhotos voltassem a morrer na praia. Tal como há um ano, beneficiaram de uma vantagem de dois golos sem terem feito muito por isso. Tal como há um ano, viram o adversário chegar ao 2-2 no último minuto de jogo, lançando-os num prolongamento que, até pelo que tinham vivido antes, cheirava a tragédia por todos os lados. Mas ao contrário do que sucedeu há um ano levaram a taça para casa, muito à conta do guarda-redes que começou a época no Paços de Ferreira. O mais improvável herói da tarde defendeu dois penaltis e esteve quase a deter um terceiro, mas ainda vai ter de se esforçar para manter a preponderância num plantel em constante mutação. Outro herói foi André Silva. O avançado portista veio mostrar a todo o país aquilo que alguns já sabiam: que está mais do que pronto para ser o ponta-de-lança da seleção nacional. Marcou dois golos, o primeiro pleno de oportunismo, o segundo numa execução técnica perfeita, resgatando o FC Porto de uma derrota que parecia inevitável, mas nem precisava de os ter marcado, tão boa é a generalidade das suas intervenções no jogo. Sempre bem a decidir, se busca a profundidade, o movimento de rotura, se passa ou remata ou se baixa em apoio, André Silva tinha na falta de golos o argumento dos que diziam que ainda não fizera o suficiente para “merecer” ir à seleção. Acontece que à seleção não se vai porque se merece – vai-se quando se pode ser útil. E André Silva vai poder ser útil. Não já em 2016, mas seguramente depois dos Jogos Olímpicos, quando assumir o lugar que é dele no futuro do FC Porto e da seleção nacional. O que nos leva ao primeiro réu: José Peseiro. O treinador do FC Porto confirmou as teses dos que o acusam de ser “pé frio”, como se isso existisse no futebol ou na vida. Ao perder a final da Taça de Portugal, Peseiro perdeu também a melhor oportunidade que tinha para agarrar um lugar à frente do plantel para 2016/17. Mas se por um lado não deve ser por um jogo que se julga a competência de um líder, por outro também é evidente que o FC Porto não cresceu o que os seus responsáveis esperariam após a troca de Lopetegui pelo ribatejano. Primeiro porque continuou a promover o “lopeteguismo” sem Lopetegui, na forma de jogar; depois porque a equipa passou a perder muito mais derrotas do que anteriormente. Peseiro não foi capaz de empurrar a equipa para as conquistas que gostaria de ter alcançado, por falta de tempo para trabalhar, de convicção na liderança ou por ter sido vítima de um plantel desequilibrado. Ainda resolveu a lacuna do ponta-de-lança – que Aboubakar nunca foi e André Silva começa a ser – mas não foi capaz de construir uma defesa capaz com tanta falta de qualidade. E ainda que isso em parte o absolva, deverá também chegar para o impedir de continuar. Porque um homem é ele mesmo e as suas circunstâncias e, aos olhos do público, pelo menos, Peseiro é um perdedor. Mesmo que os réus principais no jogo de ontem tenham sido outros. Helton e Chidozie pelo desentendimento no lance do primeiro golo, no qual o defesa se encolheu e o guarda-redes saiu sem resolver; outra vez Helton e Marcano na jogada do segundo, no qual o guarda-redes deu a bola ao central com este de costas para o jogo e prestes a ser pressionado e o defesa não teve a perceção disso mesmo, deixando-se antecipar. Uma coisa é certa: o FC Porto de 2016/17 não deve ter Peseiro ao leme, mas também dificilmente terá Helton, Chidozie ou até Marcano em posições de destaque. Porque o renascimento de um FC Porto ganhador ao fim de três anos de jejum total dependerá muito da construção de uma defesa capaz. In Diário de Notícias, 23.05.2016
2016-05-23
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Último Passe

Dois penaltis defendidos por Marafona permitiram ao Sp. Braga ganhar a segunda Taça de Portugal da sua história, 50 anos exatos depois da anterior. O guarda-redes apareceu quando em Braga já não se pensava noutra coisa a não ser na final do ano passado, perdida contra o Sporting depois de uma vantagem de dois golos que os leões anularam com o empate em cima do minuto 90. Desta vez foi André Silva, o jovem goleador portista, quem reanimou o FC Porto e, com um bis, levou a equipa de José Peseiro a um empate (2-2) que teve pelo menos um mérito: passou para segundo plano a forma como os bracarenses se colocaram em vantagem, com dois erros crassos da defesa portista e de Helton. André Silva e Marafona foram, assim, os dois grandes vencedores de uma tarde que bem podia ter ficado marcada pelo papel dos anti-heróis Helton, Chidozie e Marcano. Foram os protagonistas que asseguraram que os nomes aos quais ficará ligada esta final da Taça de Portugal o são pelas razões certas, por proezas e não por erros. Porque a história até ao 2-0 foi, sobretudo, uma história de erros. Primeiro, erraram Helton e Chidozie, quando ficaram um à espera do outro após um passe para as costas da defesa do FC Porto, permitindo que Rui Fonte, a aposta surpresa de Paulo Fonseca, se intrometesse e marcasse numa baliza deserta. A primeira parte ainda mostrou um Sp. Braga a sair bem do primeiro momento de pressão portista e a encontrar espaço nas costas dos laterais, quinda por cima queimando bem linhas em posse. Ante um FC Porto inoperante na frente, o 1-0 ao intervalo até se compreendia. Para a segunda parte, que Peseiro abordou sem Chidozie, com Ruben Neves a meio-campo e Danilo como defesa-central, apareceu um FC Porto diferente. Melhor, mais acordado, a procurar o empate que Herrera quase conseguiu ao minuto 57, quando fez um remate de ressaca passar a milímetros do poste da baliza de Marafona. E na resposta veio o segundo erro: bola longa, a chegar a Helton, que a entregou a Marcano; desatenção do defesa espanhol, que olhou para um lado quando Josué lhe apareceu do outro, a roubar-lhe o esférico e a marcar. Com 2-0, a sorte do FC Porto dependia do tempo que levasse a reduzir – e fê-lo rapidamente, porque aí começou a grande tarde de André Silva. Primeiro a empurrar para as redes um primeiro remate de Brahimi que Marafona defendera; depois, já em período de compensação, a empatar o jogo com um remate acrobático de excelente execução, após cruzamento de Herrera. O empate fazia nascer na mente dos bracarenses o fantasma daquilo que foi a final do ano passada, perdida nos penaltis depois de o Sporting ter anulado uma desvantagem de dois golos no último minuto da partida. Paulo Fonseca há-de ter centrado a conversa com a equipa na necessidade de reação a uma segunda parte que tinha sido de ampla superioridade portista. E, mesmo não tendo voltado a ser capaz de incomodar Helton, o Sp. Braga conseguiu pelo menos impedir o FC Porto de fazer um terceiro golo e levar a decisão para as grandes penalidades. Só que aí, naquela que podia ser a oportunidade de ouro para a redenção, Helton não brilhou e quem o fez foi Marafona – o guardião bracarense deteve os penaltis de Herrera e Maxi Pereira (e ficou a poucos centímetros de parar o de Ruben Neves também), o que, somado aos 100% de acerto dos seus colegas que bateram, levou o Sp. Braga a fazer a festa e lançou ainda mais dúvidas no que vai ser a próxima época do FC Porto. Se uma eventual vitória na final da Taça de Portugal podia dar a José Peseiro a força de que necessitava para reivindicar o cumprimento do ano de contrato que lhe falta, mesmo depois de seis meses em que não foi capaz de recuperar a equipa, a confirmação de um terceiro ano sem um único troféu deixa-o numa posição frágil, à espera de uma palavra de Pinto da Costa. Do outro lado, Paulo Fonseca celebrou um lugar na história do Sp. Braga recusando-se a garantir que quer prosseguir. Neste aspeto, a final da Taça de Portugal pode ser igual à do ano passado.
2016-05-22
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Último Passe

O FC Porto colocou um ponto final feliz numa Liga triste, ganhando por 4-0 ao Boavista, no Dragão, e assegurando que na pior das hipóteses terminará a 15 pontos do Benfica na classificação. O terceiro lugar serve de fraca consolação e deixa os responsáveis portistas a pensar no próximo fim-de-semana, quando a final da Taça de Portugal poderá permitir ao clube interromper um jejum de três anos sem troféus. Frente a um Boavista que melhora semana após semana e, a espaços, até conseguiu andar mais próximo da baliza de Casillas, também houve quem já só tivesse a cabeça no Jamor. Não foi o caso de André Silva, cujo golo, o quarto, a dois minutos do fim, foi o momento alto do jogo: na estreia do futebol matinal, horário ao qual estava habituado na equipa B, abriu por fim a sua conta de goleador. No último ensaio antes da final, José Peseiro fez um onze sem Martins-Indi, Sérgio Oliveira, Brahimi ou Aboubakar, deixando a ideia de que quis dar a André André ou a Corona a possibilidade de ainda discutirem um lugar na equipa que fará para o Jamor. Quem jogou e jogará a final foram Chidozie e André Silva: o primeiro, mesmo sem grandes problemas causados pelo Boavista, não complicou, ao passo que o segundo, mesmo antes de marcar o seu golo voltou a trabalhar bastante em prol da equipa, com movimentações de rotura ou de apoio e empenho do ponto de vista defensivo. Foi dele, por exemplo, o passe para o golo de Layun, a jogada que arrumou com a incerteza de que o jogo ainda pudesse estar rodeado, aos 56 minutos. E no entanto o FC Porto começou muito bem, com um futebol fluído e chegadas constantes com perigo à baliza de Mika, protegida por um Boavista organizado, como de costume, em 4x2x3x1. É certo que o golo inaugural, de Danilo, logo aos 11’, não nasceu de um belo movimento, mas sim da presença na área contrária, de um ressalto fortuito em Marcano e do oportunismo do médio, que chutou sem pedir licença. Mas aquilo que o FC Porto mostrou nesses primeiros 20 minutos deixava boas perspetivas. Só que, aos poucos, o FC Porto foi abrandando o ritmo e permitindo que o rival entrasse no jogo. Fê-lo a equipa de Erwin Sanchez com combinações interessantes nos corredores laterais, chegando a deixar uma vez Mesquita na cara de Casillas – com boa defesa do guarda-redes espanhol, que terá feito o último jogo da época. A segunda parte correu no mesmo ritmo, com Ruben Neves e Brahimi em vez de Danilo e Corona, no tal Lado B do ensaio para o Jamor. E no momento em que o FC Porto chegou ao 2-0, num belo remate de Layun a premiar um lance de insistência e visão de André Silva, o jogo fechou. Tudo se resumia a perceber se André Silva conseguia finalmente abrir a sua conta de goleador com a camisola do FC Porto. A primeira boa oportunidade para tal saiu frustrada quando, a cinco minutos do fim, Ruben Ribeiro derrubou Maxi Pereira na área e Carlos Xistra apontou para a marca de grande penalidade. Herrera e Brahimi aproximaram-se para bater, o público assobiou, provavelmente a pedir que fosse André Silva a marcar, mas não se desfez o pré-estabelecido – e bem, porque um penalti falhado faria mais mal do que um golo marcado. Brahimi fez então o terceiro, mas quem foi embora aí perdeu o momento do jogo. Até final, André Silva ainda foi capaz de desbloquear finalmente a conta: respondeu a um passe em profundidade de Brahimi, torneou Mika e chutou para a baliza. O público exultou, porque um golo é sempre um golo, o jovem jogador também, recebendo felicitações de toda a gente, mas a verdade é que mesmo sem esse golo a manhã já tinha sido dele. E, ao contrário do que aconteceu no clássico recente com o Sporting, quando fizer o onze para a final da Taça de Portugal, Peseiro pode começar por ele.
2016-05-14
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Uma entrada contundente, com dois golos em nove minutos, permitiu ao FC Porto de José Peseiro afastar o espectro das duas derrotas consecutivas que subiu ao relvado com os seus jogadores para a partida com o Nacional e deu ao treinador a hipótese de ganhar pela primeira vez ao seu antigo clube. Os 4-0 com que se concluiu a partida, maior vitória do FC Porto desde a chegada de Peseiro, chegaram para que os dragões mantivessem as hipóteses matemáticas de alcançar os dois rivais de Lisboa na classificação mas, muito mais importante do que isso, lançaram mais três jogadores para o foco mediático nesta espécie de pré-época em que se transformaram as semanas que antecedem a final da Taça de Portugal: André Silva, Ruben Neves e Varela juntam-se a Sérgio Oliveira como “descobertas” de fim de temporada. O golaço de Varela, logo aos 2’, na primeira vez que o FC Porto visou as redes de Rui Silva, e o tento que se lhe seguiu, de Herrera, aos 9’, transformaram uma partida que se presumia pudesse ser competitiva num mero exercício de avaliação. A perder por 2-0 desde tão cedo, o Nacional deixou cair grande parte das esperanças de levar pontos do Dragão, pelo que o que havia a ver era sobretudo como se comportavam as novas apostas de Peseiro. E não se portaram nada mal, lançando entre os dragões a esperança de se verem mais representados na escolha final de Fernando Santos para jogar o Europeu, na qual só mesmo Danilo já estava seguro. O treinador recuou o médio para defesa-central, em vez de Chidozie, e dessa forma permitiu, de bónus, o regresso de Ruben Neves à titularidade no comando das operações a meio-campo, a tempo de voltar a ter algumas – poucas, é verdade… – esperanças de ser chamado. Na frente, com Aboubakar sentado no banco, apostou no jovem André Silva, que voltou a não marcar (esteve perto, aos 18’ e aos 67’) mas se mexeu sempre bem e deu o seu contributo para o excelente arranque da equipa. Com 2-0 ao intervalo – e Sérgio Oliveira também esteve perto do terceiro ainda na primeira parte – o Nacional procurou reagir no início do segundo tempo, com Luís Aurélio em vez de Aly Ghazal. Ainda assim foi o FC Porto quem marcou, por Danilo, de cabeça, após cruzamento de Corona. Se dúvidas havia – até então, um golo do Nacional ainda podia reabrir o jogo – elas acabaram nesse momento. E houve ainda tempo para que Aboubakar, que entrou a 15 minuto do fim, reforçasse o seu estatuto de maior goleador da equipa, rompendo a resistência que vinha sendo feita pelo guarda-redes Rui Silva e fechando o marcador num golo de chapéu. Os três pontos não estavam em discussão há muito, mas o jogo valeu mesmo para que vários jogadores dissessem que se o que o clube atravessa neste momento é uma pré-época, então devem contar com eles quando começar a competição.
2016-04-17
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O Sporting venceu o FC Porto por 2-0 e continua imparável nos clássicos, tendo ganho os primeiros quatro da época, pois a esta vitória somam-se as três obtidas contra o Benfica na Supertaça, na Liga e na Taça de Portugal. Esta foi a primeira vez que o Sporting ganhou os primeiros quatro clássicos da época, mas não a primeira vez que ganhou quatro clássicos consecutivos: tinha-o conseguido em 1948, quando ganhou ao Benfica a 25 de Abril (4-1, para a Liga), ao FC Porto a 16 de Maio (5-2, para a Liga), e mais duas vezes ao Benfica a 27 de Junho (3-0 para a Taça de Portugal) e a 14 de Novembro (5-1 para a Liga). Encalhou à quinta partida, perdendo por 1-0 frente ao FC Porto a 5 de Dezembro, no Campo da Constituição.   - Continua assim a saga negativa do FC Porto em Alvalade, onde os dragões já não ganham há dez jogos, com seis empates e quatro vitórias leoninas. A última vez que o FC Porto venceu o Sporting em Alvalade foi a 5 de Outubro de 2008, por 2-1, graças a golos de Lisandro López e Bruno Alves, tendo João Moutinh feito o tento dos leões.   - Além de Alvalade, nota-se a incapacidade do FC Porto ganhar em Lisboa. É que são já 12 os jogos seguidos desde a última vitória dos dragões em Lisboa, um 3-2 sobre o Benfica, a 2 de Março de 2012. Desde aí, o FC Porto soma três derrotas e dois empates com o Benfica na Luz, dois empates com o Belenenses no Restelo e duas derrotas e três empates com o Sporting em Alvalade.   - Slimani chegou aos 14 golos na época e está a apenas um de toda a produção na época passada. Fez, além disso, o quarto golo em clássicos nesta temporada, só tendo ficado em branco no desafio da Supertaça. De resto, fez o segundo golo nos 3-0 ao Benfica na Luz, o tento que decidiu o prolongamento (2-1) frente aos encarnados na Taça de Portugal e agora ambos os golos dos 2-0 ao FC Porto em Alvalade.   - O argelino foi, além disso, o primeiro jogador do Sporting a bisar num clássico desde que Liedson o fez numa vitória por 3-2 frente ao Benfica, em Fevereiro de 2009. Num jogo com o FC Porto, o último leão a marcar dois golos tinha sido Romagnoli, nuns 4-1 a contar para a Taça da Liga, poucos dias antes desse jogo com o Benfica.   - O Sporting obteve a décima vitória consecutiva em casa, depois da derrota contra o Lokomotiv de Moscovo, a 17 de Setembro, a contar para a Liga Europa. Os leões continuam a perseguir a série de 2011/12, quando a equipa de Ricardo Sá Pinto ganhou consecutivamente os derradeiros onze jogos no seu estádio.   - Além disso, os leões aumentaram para 24 o total de jogos que levam sem perder me casa para a Liga desde que foram batidos em Alvalade pelo Estoril de Marco Silva, a 11 de Maio de 2014 (1-0, na última jornada desse campeonato). Aqui, perseguem a marca estabelecida pela equipa de Paulo Bento, que esteve 26 jogos seguidos sem perder em Alvalade para a Liga entre um 0-2 contra o Benfica a 1 de Dezembro de 2006 e um 1-2 contra o FC Porto a 5 de Outubro de 2008.   - Foi a primeira derrota do FC Porto na Liga desde 25 de Janeiro do ano passado, quando os dragões foram batidos nos Barreiros pelo Marítimo, por 1-0. Desde aí, a equipa de Lopetegui somara 30 jogos sem perder no campeonato, com 24 vitórias e seis empates.   - Foi, além disso, a segunda derrota seguida do FC Porto em todas as competições, depois de ter sido batido pelo Marítimo, no Dragão, para a Taça da Liga (1-3). Lopetegui nunca tinha perdido dois jogos seguidos no FC Porto, pois a última série de duas derrotas consecutivas dos dragões já datava de Novembro de Dezembro de 2012, quando a equipa de Vítor Pereira foi consecutivamente batida pelo Sp. Braga (2-1, na Taça de Portugal) e pelo Paris St. Germain (2-1 na Liga dos Campeões).   - Apesar de tudo, os 36 pontos que o FC Porto soma nas primeiras 15 jornadas ainda se superiorizam aos 34 que a equipa somou nos primeiros 15 jogos da época passada. Para se encontrar um FC Porto mais forte por esta altura da época há que recuar à última vez que os dragões foram campeões: em 2012/13 tinham 39 pontos à 15ª jornada.   - Muito mais forte está o Sporting, cujos 38 pontos são amplamente mais largos que os 30 que a equipa somava por esta altura da época passada. Para encontrar um Sporting com tantos pontos ao fim de 15 jogos é preciso recuar a 1990/91, quando a equipa de Marinho Peres comandava a Liga com 27 pontos, fruto de 13 vitórias e um empate, que com as regras de pontuação atuais seriam 40.   - O Sporting tem, além disso, a melhor defesa da Liga, com apenas sete golos sofridos, menos cinco do que à mesma altura da Liga anterior. A última vez que os leões chegaram tão pouco vulneráveis à 15ª jornada da Liga foi em 1996/97, quando a equipa que começou a ser comandada pelo belga Robert Waseige e depois viu suceder-lhe Otávio Machado tinha os mesmos sete golos encaixados em 15 jogos.   - Lopetegui apresentou exatamente o mesmo onze inicial que já tinha mostrado na vitória frente à Académica, na 14ª jornada, repetindo onze pela primeira vez na prova desde Março, quando abordou os jogos com o Sporting, no Dragão, e o Sp. Braga, na Pedreira, com os mesmos titulares. Maicon, Herrera e Brahimi são os únicos jogadores em comum às quatro partidas.   - O treinador basco continua sem conseguir ganhar e, pior, sem marcar um único golo em jogos contra equipas dirigidas por Jorge Jesus. Em três jogos, empatou um a zero e perdeu os outros dois pelo mesmo resultado: 2-0.   - O jovem Matheus Pereira foi titular na Liga pela primeira vez, entrando logo num clássico. Já tinha começado vários jogos dos leões esta época, mas nenhum no campeonato: quatro na Liga Europa, um na Taça da Liga e um na Taça de Portugal.   - Estreia na Liga de André Silva, que entrou para o lugar de Aboubakar a 19’ do final depois de já ter sido titular na partida da Taça da Liga frente ao Marítimo.
2016-01-03
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Último Passe

Quando é que deixa de ser cedo para se elevar um jogador jovem a um patamar de exigência máxima? Quando é que se percebe que não se está a precipitar as coisas, correndo riscos de estragar tudo? Não há uma receita certa, mas depende da convicção de que aquele é o jogador certo para uma determinada ideia. André Silva, marcador de cinco golos em cinco jogos pelo FC Porto B esta época, fez há pouco mais um hat-trick na goleada (6-1) da seleção de sub21 à Albânia, deixando implícito que pode ser o ponta-de-lança que falta ao futebol português. Contudo, manda a prudência que se espere. Pela Prova do Nove. Será cedo para ele? De acordo com o que defendia Paulo Bento, não é. Bento levou Nelson Oliveira à seleção antes mesmo de ele se afirmar no Benfica. Mais tarde, deu espaço na equipa principal a Bruma e Ricardo Horta, que ontem jogaram com André Silva na goleada dos sub21. Será que fez bem? A teoria segundo a qual se terá precipitado está bem suportada no facto de todos terem regredido. Nelson desapareceu do Benfica e das seleções; Bruma e Horta regressaram à categoria etária inferior. Para eles era cedo, porque nunca tiveram o enquadramento devido nos clubes, mas foi isso - e não aquelas internacionalizações precoces - que os levou a estagnar. Aquilo que muitos aplaudiram na ideia de Fernando Santos para a seleção - se não jogas no clube, não jogas pela equipa de todos nós - impede a chamada imediata de André Silva. Pelo menos enquanto ele não encontrar espaço no FC Porto, onde a concorrência é formada por Aboubakar ou Osvaldo, ou não jogar e marcar golos com a mesma regularidade numa equipa de um campeonato mais exigente que a II Liga. A seleção chama-se assim por ser isso mesmo: uma seleção, um patamar que se atinge depois de se superarem os anteriores. Ignorá-lo e baixar o nível de exigência a um ponto que pode implicar problemas mais à frente. É por isso mesmo que não acredito em proteccionismos, na obrigatoriedade de os clubes usarem uma quota de jovens que formam - isso anula a seletividade, diminui o grau de exigência. Quando são bons, os jovens acabam por encontrar o espaço competitivo ideal. Acredito que André Silva possa ser o ponta de lança dos anos que aí vêm. Mas primeiro há que dar-lhe a oportunidade de o provar.
2015-09-08
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