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Último Passe

O FC Porto colocou um ponto final feliz numa Liga triste, ganhando por 4-0 ao Boavista, no Dragão, e assegurando que na pior das hipóteses terminará a 15 pontos do Benfica na classificação. O terceiro lugar serve de fraca consolação e deixa os responsáveis portistas a pensar no próximo fim-de-semana, quando a final da Taça de Portugal poderá permitir ao clube interromper um jejum de três anos sem troféus. Frente a um Boavista que melhora semana após semana e, a espaços, até conseguiu andar mais próximo da baliza de Casillas, também houve quem já só tivesse a cabeça no Jamor. Não foi o caso de André Silva, cujo golo, o quarto, a dois minutos do fim, foi o momento alto do jogo: na estreia do futebol matinal, horário ao qual estava habituado na equipa B, abriu por fim a sua conta de goleador. No último ensaio antes da final, José Peseiro fez um onze sem Martins-Indi, Sérgio Oliveira, Brahimi ou Aboubakar, deixando a ideia de que quis dar a André André ou a Corona a possibilidade de ainda discutirem um lugar na equipa que fará para o Jamor. Quem jogou e jogará a final foram Chidozie e André Silva: o primeiro, mesmo sem grandes problemas causados pelo Boavista, não complicou, ao passo que o segundo, mesmo antes de marcar o seu golo voltou a trabalhar bastante em prol da equipa, com movimentações de rotura ou de apoio e empenho do ponto de vista defensivo. Foi dele, por exemplo, o passe para o golo de Layun, a jogada que arrumou com a incerteza de que o jogo ainda pudesse estar rodeado, aos 56 minutos. E no entanto o FC Porto começou muito bem, com um futebol fluído e chegadas constantes com perigo à baliza de Mika, protegida por um Boavista organizado, como de costume, em 4x2x3x1. É certo que o golo inaugural, de Danilo, logo aos 11’, não nasceu de um belo movimento, mas sim da presença na área contrária, de um ressalto fortuito em Marcano e do oportunismo do médio, que chutou sem pedir licença. Mas aquilo que o FC Porto mostrou nesses primeiros 20 minutos deixava boas perspetivas. Só que, aos poucos, o FC Porto foi abrandando o ritmo e permitindo que o rival entrasse no jogo. Fê-lo a equipa de Erwin Sanchez com combinações interessantes nos corredores laterais, chegando a deixar uma vez Mesquita na cara de Casillas – com boa defesa do guarda-redes espanhol, que terá feito o último jogo da época. A segunda parte correu no mesmo ritmo, com Ruben Neves e Brahimi em vez de Danilo e Corona, no tal Lado B do ensaio para o Jamor. E no momento em que o FC Porto chegou ao 2-0, num belo remate de Layun a premiar um lance de insistência e visão de André Silva, o jogo fechou. Tudo se resumia a perceber se André Silva conseguia finalmente abrir a sua conta de goleador com a camisola do FC Porto. A primeira boa oportunidade para tal saiu frustrada quando, a cinco minutos do fim, Ruben Ribeiro derrubou Maxi Pereira na área e Carlos Xistra apontou para a marca de grande penalidade. Herrera e Brahimi aproximaram-se para bater, o público assobiou, provavelmente a pedir que fosse André Silva a marcar, mas não se desfez o pré-estabelecido – e bem, porque um penalti falhado faria mais mal do que um golo marcado. Brahimi fez então o terceiro, mas quem foi embora aí perdeu o momento do jogo. Até final, André Silva ainda foi capaz de desbloquear finalmente a conta: respondeu a um passe em profundidade de Brahimi, torneou Mika e chutou para a baliza. O público exultou, porque um golo é sempre um golo, o jovem jogador também, recebendo felicitações de toda a gente, mas a verdade é que mesmo sem esse golo a manhã já tinha sido dele. E, ao contrário do que aconteceu no clássico recente com o Sporting, quando fizer o onze para a final da Taça de Portugal, Peseiro pode começar por ele.
2016-05-14
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Último Passe

A derrota do FC Porto em casa com o Arouca, por 2-1, numa noite mágica de González, que fez os dois golos dos visitantes, tem muitas explicações e algumas até são coletivas e estarão relacionadas com a falta de qualidade da equipa portista nas combinações ofensivas ou a com a boa organização defensiva dos visitantes. Mas a justificação principal para os três pontos desperdiçados pelos dragões esteve nos erros individuais, de que é maior exemplo a forma como Maicon falhou no momento que deu o segundo tento ao atacante paraguaio. As perdas de bola do último homem eram um clássico com Lopetegui e resistiram à mudança no comando técnico, deixando a equipa de José Peseiro cada vez mais dependente de uma vitória contra o Benfica, na Luz, na próxima sexta-feira. É que os seis pontos de atraso para os encarnados e os cinco – que hoje podem passar a oito – para o Sporting exigem medidas drásticas. O FC Porto que se viu contra o Arouca, em 4x2x3x1, já exibe comportamentos muito diferentes dos que mostrava com o treinador basco, procurando sobretudo as combinações ofensivas no espaço interior, em busca de um último passe capaz de isolar um dos muitos jogadores que coloca sempre em zonas de finalização. Mas a ideia que fica é a de que Peseiro quis mudar as coisas sem mudar o onze e dessa forma terá sempre grandes dificuldades para fazer valer o novo ideário. André André, por exemplo, que tem sido um dos melhores da equipa até este momento, funciona melhor com espaço à frente do que como 10, onde precisa de tomar decisões e de puxar por argumentos que não são os seus. É um excelente oito, a chegar de trás sem bola, um bom ala, a vir das laterais para dentro numa equipa que queira dar mais iniciativa ao adversário, mas como dez de uma equipa que passa grande parte do jogo a circundar a área à espera de um momento de penetração deixou a desejar. Não foi o único a falhar, como é evidente. Mas as próprias substituições de Peseiro pareciam revelar duas coisas: respeito pelo Arouca e receio de ver a equipa falhar atrás. Porque o Arouca já tinha mostrado na Luz, por exemplo, que tinha qualidade na frente, que pressionava bem a saída do adversário. Fez assim o segundo golo, quando meteu dois homens em cima de Maicon, que não teve a capacidade de perceber que ali não tinha de limpar o lance e precisava era de dar um chutão para fora. E porque na verdade o treinador nunca mudou muita coisa: trocou André por Varela, percebendo que aquela não era a missão para ele, mas não o recuando para onde ele podia ser mais útil; trocou Maicon por Ruben Neves, baixando Danilo, mas porque não tinha alternativas para o centro da defesa e o brasileiro lesionou-se; e trocou Brahimi por Marega quando quis colocar mais potência na frente. Soube a pouco mas, mais uma vez, o problema não esteve aí, pois além de falhar atrás, a equipa ainda falhou lances de golo cantado em número suficiente para conseguir outro resultado.
2016-02-07
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Último Passe

O FC Porto ganhou pela primeira vez nos últimos anos no Estoril (3-1) e já começou a mostrar algumas boas ideias, fruto da mudança recente no comando técnico. Ainda assim, a incerteza que durou no resultado até ao terceiro golo portista, marcado a 10 minutos do final, e a forma como até aí os canarinhos foram sendo capazes de meter a cabeça de fora na procura do empate mostraram que Peseiro tem ainda várias questões para resolver até colocar a equipa a jogar à sua imagem. No Estoril, viram-se um excelente Layun e momentos bons de Aboubakar, a contrastar com a forma incrível como falhou o 3-1 que podia ter resolvido o jogo mais cedo, mas uma equipa ainda sofrível em momentos de transição defensiva e a mostrar dificuldades para ativar os extremos e para os fazer compreender a nova movimentação de André André. O Estoril começou como contra o Benfica, marcando um golo cedo, desta vez por Diego Carlos, após um canto. Ao contrário do que aconteceu no jogo com os encarnados, porém, a equipa de Fabiano Soares não ficou remetida ao seu meio-campo depois de se ver em vantagem. A diferença é que, apesar da supremacia natural, que conseguia por ter melhores jogadores e porque precisava de correr atrás do resultado, o FC Porto não era capaz de responder tão bem à perda de bola e deixava os donos da casa sair com alguma frequência, sobretudo fruto do critério dos médios estorilistas no passe e da velocidade de Gerso na esquerda. O FC Porto repetia o 4x2x3x1 do jogo com o Marítimo, encostando Herrera a Danilo na primeira fase de organização e pedindo a André André que procurasse os corredores laterais, convidando os extremos a virem para dentro, para darem alguma iniciativa aos defesas laterais. E se o médio foi sempre respondendo bem, Corona e Brahimi nunca o fizeram, passando ao lado do desafio durante grande parte do tempo. Acabou por ser Layun a resolver da forma habitual: com assistências. Começou por explorar um desequilíbrio no corredor direito do Estoril para arrancar por ali a fora e oferecer o empate a Aboubakar. Depois, de canto, encontrou a cabeça de Danilo na zona do primeiro poste, deixando o FC Porto em vantagem ainda antes do intervalo. Faltava um terceiro golo para que a equipa pudesse acalmar, mas o que se via era o contrário: alguma passividade no momento da perda de bola, a dar ao Estoril a possibilidade de lançar contra-ataques que o perigoso Bonatini aguardava, ameaçando com o empate. Nunca aconteceu e, depois de Aboubakar falhar o tal golo de baliza aberta, foi André André quem mateou o jogo a nove minutos do fim. Peseiro levou os três pontos para o Dragão, afinal aquilo de que precisa para ir ganhando tempo para dar as suas afinações à máquina. NO Estoril, ganhou mais uma semana.
2016-01-30
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No futebol, há muito quem ligue a estas coisas das superstições. Há quem entre em campo a saltitar em cima do pé direito, porque só ao fim de calcar a relva uma meia dúzia de vezes com aquela chuteira lhes é permitido pousar a esquerda. Há treinadores que não deixam o autocarro da equipa fazer marcha-atrás, causando dores de cabeça infindas aos respetivos motoristas. Há quem vá para os jogos sem fazer a barba ou com uma peça de roupa em particular. E há quem ligue aos inícios. Muita gente liga aos inícios. Como representante de uma escola mais científica, das que acredita mais no valo do trabalho que nos sinais, José Peseiro, espero, não deve ser muito de ligar aos inícios. Porque se o início da sua etapa no FC Porto foi marcado por uma exibição pouco conseguida, nem o prenúncio se salvou. Os adeptos do FC Porto lembram com saudade José Mourinho, o último treinador que lhes deu a alegria de uma Liga dos Campeões, em 2004. Ora Peseiro vem do mesmo sítio: o antigo ISEF, a que agora se chama Faculdade de Motricidade Humana. São dois representantes de uma mesma escola de treino e Peseiro até esteve para ser um continuador de Mourinho, no início do século, quando apurou o Sporting para a final da Taça UEFA de 2005, um ano depois de o Special One ter ganho a tal Liga dos Campeões com o FC Porto. Perdeu-a, é certo, com algum azar – uma bola nos dois postes em resposta à qual o adversário fechou o jogo com o 3-1 – mas já se sabe que a diferença entre uma vitória e uma derrota é tantas vezes tão ténue que se explica com minudências. Assim como as superstições, por exemplo. Ora Peseiro estava lançado para uma estreia de sonho para quem acredita nestas coisas. Chegou ao FC Porto em meados de Janeiro, como Mourinho. Fez o primeiro jogo contra o Marítimo, como Mourinho. No outro banco, tinha como padrinho Nelo Vingada, como Mourinho, quase parecendo que o Marítimo tinha ido a correr contratá-lo só para poder haver mais uma coincidência. Abriu o marcador aos 22 minutos, apenas dois minutos depois de Mourinho. E fê-lo com um autogolo do adversário, como Mourinho. O problema é que se na altura valeu a lei dos jornalistas, que atribuíram o golo de abertura do jogo a Briguel, na própria baliza, agora a Liga tem a mania de se organizar e estende as suas influências por todo o lado. E logo veio, na mesma noite, dizer que o autogolo de Salin, afinal, era um golo de André André. Não vou ao ponto de dizer que a Liga o fez só para estragar a coincidência a Peseiro. Acho que não. Acho francamente que o fez porque, além de andar toda a gente louca com as mãos na bola e as bolas na mão – qualquer dia os futebolistas têm de jogar de mãos amarradas atrás das costas para não causarem aquilo a que os especialistas de arbitragem chamam “volumetria” – o futebol nacional está cheio de especialistas que acham que não há autogolos. Ora o golo de André André é muito parecido com o primeiro do Benfica em Braga. Na altura Pizzi chutou, agora chutou André; na altura a bola foi cortada por um defesa em cima da linha, agora acertou na barra; na altura bateu nas costas de Kritciuk e voltou a assumir a direção da baliza, agora bateu nas pernas de Salin e tomou de novo o caminho das redes. Presumo que, movidos pela maior força motriz do futebol em Portugal, que é o fanatismo clubístico, os que na altura acharam que era golo de Pizzi, agora virão dizer que é autogolo de Salin, enquanto que os que na altura defenderam que era autogolo de Kritciuk virão agora sustentar que é golo de André André. Nesse aspeto, a Liga foi coerente e deu os dois golos a quem chutou: Pizzi e André André. Eu também o sou. Para mim são ambos autogolos. E não é para permitir a Peseiro compor melhor o filme das suas premonições. É mesmo porque sem a intervenção involuntária dos dois guarda-redes, aquelas duas bolas nunca chegariam à baliza. Vinham na direção oposta, aliás. In Diário de Notícias
2016-01-26
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José Peseiro manteve a tradição de todos os treinadores contratados pelo FC Porto desde Ivic, em 1993, e ganhou o jogo de estreia. Bateu o Marítimo por 1-0, graças a um autogolo de Salin, o que trouxe à memória a estreia de Mourinho, em 2002. Tal como então, a estreia foi em Janeiro, o FC Porto ganhou por um golo ao mesmo adversário, o Marítimo, e o primeiro golo do novo consulado foi marcado na própria baliza por um adversário – então Briguel, agora Salin.   - Foi o primeiro autogolo de que o FC Porto beneficiou no campeonato desde Setembro de 2014, quando Sarr marcou na própria baliza o tento que haveria de valer aos dragões um empate (1-1) em Alvalade frente ao Sporting. Em contrapartida, foi o primeiro autogolo de um jogador do Marítimo na Liga desde que Bauer marcou na própria baliza frente ao Sporting, a 26 de Outubro de 2014, numa derrota por 4-2.   - Esta foi a primeira vitória do FC Porto sobre o Marítimo em cinco jogos, mais precisamente desde a estreia de Lopetegui, no Dragão, em 15 de Agosto de 2014: na altura, o FC Porto ganhou por 2-0. Desde então, o Marítimo tinha ganho (1-0) e empatado (1-1) nos Barreiros, para Liga, tendo ainda batido os dragões por duas vezes na Taça da Liga: 2-1 nos Barreiros em Abril de 2015 e 3-1 no Dragão em Dezembro passado.   - Este foi ainda o primeiro jogo do FC Porto sem sofrer golos no Dragão desde o início de Novembro. Após o 2-0 ao V. Setúbal, os azuis e brancos perderam ali com o Dynamo Kiev (0-2), bateram o Paços de Ferreira (2-1) e a Académica (3-1), foram batidos pelo Marítimo (1-3) e empataram com o Rio Ave (1-1).   - Foi a primeira vez que uma equipa de Peseiro marcou golos em casa a uma equipa de Nelo Vingada. Até aqui, o Nacional de Peseiro tinha empatado a zero com o Marítimo de Vingada e, mais tarde, o Sporting de Peseiro somava um empate a zero e uma derrota por 1-0 contra a Académica de Vingada.   - Nelo Vingada, o novo treinador do Marítimo, também regressou à Liga portuguesa. Entrou como tinha saído: a perder. No último jogo que tinha feito, a 5 de Outubro de 2009, o seu V. Guimarães tinha sido batido pelo Nacional, na Choupana, por 2-0.   - O zero no ataque do Marítimo significa que o FC Porto se isolaram como a melhor defesa da Liga. Os portistas sofreram até aqui onze golos, menos um que o Sporting, menos dois que o Benfica e menos três que o Sp. Braga. Têm, ainda assim, uma defesa pior do que a que tinham há um ano, quando encaixaram dez golos nas primeiras 19 jornadas, mesmo assim mais dois do que o Benfica que ganhou o bicampeonato.   - No que o FC Porto está igual é na pontuação. Soma agora 43 pontos, fruto de 13 vitórias, quatro empates e duas derrotas, exatamente os mesmos que tinha à 19ª jornada da época passada. Com duas diferenças. É que na altura os 43 pontos lhe valiam o segundo lugar e agora só chegam para o terceiro. E por outro lado agora estão a cinco pontos do líder, quando na altura estavam a seis.   - Pior está o Marítimo, que soma apenas 21 pontos e há um ano tinha 24. Estes 21 pontos, que resultam de seis vitórias, três empates e dez derrotas, são o pior pecúlio dos verde-rubros à 19ª jornada desde 2010/11, quando aqui chegaram com apenas 19 pontos. Nessa época, ainda assim, o Marítimo recuperou a tempo de acabar em nono lugar.   - Varela celebrou o 200º jogo na Liga portuguesa, curiosamente às ordens do mesmo treinador que lhe tinha dado o primeiro. Foi José Peseiro quem o lançou a 19 de Agosto de 2005, num Sporting-Belenenses que os leões ganharam por 2-1.   - Do outro lado, João Diogo fez o 100º jogo com a camisola do Marítimo com a braçadeira de capitão. O lateral jogou pela primeira vez pelos maritimistas a 19 de Janeiro de 2011, lançado por Pedro Martins numa vitória por 2-1 frente ao Desp. Aves a contar para a Taça da Liga.  
2016-01-25
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Último Passe

Não se ouviram violinos na estreia do FC Porto de José Peseiro. Bem pelo contrário, aliás. A equipa manteve alguns dos defeitos que se lhe vinham vendo ultimamente, como a incerteza no passe e alguma ansiedade sempre nefasta à tomada de decisão, não revelando ainda, como é evidente, o que o novo treinador pode trazer-lhe, sobretudo no processo ofensivo. Salvou-se, para os dragões, o autogolo de Salin, a valer uma vitória por 1-0 frente a um Marítimo que, seja por intervenção de Nelo Vingada ou, o que é mais provável, por ter sentido as fragilidades do adversário, cresceu face às últimas jornadas e apareceu a dividir o jogo durante boa parte dos 90 minutos. O pouco tempo que Peseiro e Vingada levam de trabalho nas novas equipas ainda não poderia, é óbvio, trazer grandes alterações. Peseiro optou por um 4x2x3x1 mais perto do 4x3x3 de Lopetegui do que do seu 4x4x2 tradicional, mas seria um engano pensar que as alterações que o treinador quererá fazer se resumem ao esquema tático ou à escolha dos titulares, que foram os mesmos de Guimarães. O problema é que enquanto não conseguir executar o modelo de jogo que exija mais dos jogadores em termos de mobilidade e troca de posições, como é apanágio das equipas de José Peseiro, é natural que a equipa se veja um pouco perdida, a meio caminho entre dois pontos. Essa dificuldade viu-se sobretudo na exibição de Herrera, que neste jogo fez par de médios com Danilo, a quem Lopetegui pedia passe seguro, muitas vezes lateral, e subida sem bola e a quem Peseiro terá pedido mais risco na saída. O resultado foram as perdas sucessivas de passes, que fizeram o FC Porto duvidar mais à medida que o jogo se aproximava do fim com vantagem mínima no marcador. E que em contrapartida davam ideias ao Marítimo. Mesmo estando privado de vários jogadores, por lesão ou suspensão, o Marítimo tentava provocar a incomodidade do FC Porto, dispondo-se em torno das suas referências ofensivas, sem medo de galgar metros na frente. Peseiro viu-se forçado a injetar confiança na equipa através das substituições e o que é certo é que ela melhorou com Suk, Ruben Neves e Varela: ao colocar mais gente na frente, o treinador fez ver aos que estavam em campo que era preciso jogar mais perto da baliza de Salin e meter um pouco de respeito no adversário, fazê-lo duvidar antes de cada “cavalgada” ao longo do campo. E o final do jogo foi bem mais tranquilo para os portistas, que salvaram os três pontos num jogo em que as equipas se separaram fundamentalmente pelo desfecho diferente de duas bolas à barra, ainda na primeira parte: a de André André bateu nas pernas do guarda-redes Salin e dirigiu-se para a rede; a de Marega bateu no chão e continuou em jogo. O 1-0 serve mais os propósitos dos FC Porto que do Marítimo, mas não restam dúvidas que as duas equipas têm condições para melhorar no que falta de campeonato.
2016-01-24
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Stats

O Estádio José Alvalade está transformado numa espécie de local maldito para o FC Porto, que ali não ganha desde Outubro de 2008. A visita ao Sporting é aquela em que os dragões deixaram mais pontos nos últimos dez campeonatos: 19, ao todo, contra 17 na Luz e 15 nos Barreiros (já contando os dois que lá ficaram na temporada atual). Desde esse sucesso de 2008, o FC Porto já ganhou em todos os estádios do campeonato pelo menos uma vez. Foi Jesualdo Ferreira o último treinador dos dragões a ganhar em Alvalade, nessa quinta jornada da Liga de 2008/09. O FC Porto adiantou-se, por Lisandro López, João Moutinho empatou para os leões, na altura liderados por Paulo Bento, de penalti, e um livre de Bruno Alves permitiu a vitória azul-e-branca, por 2-1. Dos 28 jogadores que nesse dia estiveram em campo só resta nos dois clubes o guardião leonino Rui Patrício, que por esses tempos ainda estava a começar a impor-se na baliza do Sporting. Desde essa vitória, o melhor que o FC Porto conseguiu levar de Alvalade foram empates, ainda que um deles, um mês depois, lhe tenha permitido seguir em frente na Taça de Portugal, no desempate por grandes penalidades, depois de os 120 minutos de jogo não terem desempatado as duas equipas. Na Liga, o Sporting ganhou por 3-0 em 2009/10 (marcaram Yannick, Izmailov e Veloso), verificou-se um empate a uma bola em 2010/11 (golos de Valdés para os leões e Falcao para os dragões) e mais dois, ambos sem golos, em 2011/12 e 2012/13. Em 2013/14 ganhou o Sporting por 1-0 (golo de Slimani) e na época passada as duas equipas voltaram a empatar a um golo (Jonathan Silva adiantou os lisboetas, tendo os portistas empatado através de um autogolo de Sarr). Alvalade é assim o estádio da Liga onde o FC Porto não ganha há mais tempo. São já sete anos (e quase três meses), o máximo período de invencibilidade leonina em casa contra os portistas na Liga desde as décadas de 60 e 70. Nessa altura, os leões estiveram sem perder com o FC Porto em casa para o campeonato entre Março de 1963 (0-1, com golo de Serafim) e Dezembro de 1972 (0-3, com golo de Abel e bis de Flávio).   - O Sporting ganhou os últimos três jogos em casa pelo mesmo resultado: 3-1 ao Besiktas para a Liga Europa, ao Moreirense para a Liga portuguesa e ao Paços de Ferreira para a Taça da Liga. Além disso, os leões seguem com nove vitórias seguidas nos jogos em casa desde que perderam com o Lokomotiv, também por 3-1, na Liga Europa, a 17 de Setembro. No jogo com o FC Porto procuram a décima vitória caseira sucessiva, algo que não conseguem desde o final da época de 2011/12, quando a equipa de Ricardo Sá Pinto venceu consecutivamente os últimos onze jogos caseiros da temporada.   - O FC Porto, por sua vez, vem de uma derrota em casa frente ao Marítimo na Taça da Liga, por 3-1, sendo absolutamente regular nos últimos nove jogos disputados: ganha três e perde o quarto. Venceu Maccabi, V. Setúbal e Angrense antes da derrota com o Dynamo Kiev; bateu Tondela, U. Madeira e P. Ferreira antes de ceder ante o Chelsea; derrotou Nacional, Feirense e Académica antes de ser derrotado pelo Marítimo. Seguindo a série, agora é vez de ganhar.                - Julen Lopetegui nunca ganhou um jogo a Jorge Jesus e nunca viu sequer uma equipa sua marcar um golo a uma liderada pelo atual treinador leonino. Os dois só se defrontaram duas vezes, com o Benfica de Jesus a ganhar no Dragão por 2-0 e a empatar na Luz (0-0). Por sua vez, nos jogos com o Sporting tem uma vitória, um empate e uma derrota: ganhou por 3-0 na Liga, no jogo em casa, perdeu por 3-1 na Taça de Portuigal, também no seu estádio, e empatou a uma bola em Alvalade para o campeonato.   - Nos 19 jogos que fez pelo Benfica contra o FC Porto, Jorge Jesus tem saldo negativo: ganhou sete vezes e perdeu oito, empatando os quatro restantes. Antes de chegar ao Benfica, nunca tinha sequer ganho ao FC Porto, tendo no entanto conseguido empatar com Sp. Braga, Belenenses, Moreirense e Felgueiras.   - Aquilani e Gelson Martins marcaram ambos nas duas últimas partidas do Sporting em casa, contra o Paços de Ferreira e o Moreirense.   - André André estreou-se na Liga a jogar contra o Sporting, lançado por Rui Vitória num empate do V. Guimarães frente aos leões, em casa, a 19 de Agosto de 2012. O mesmo sucedeu a Evandro, que teve o primeiro odor a Liga portuguesa com a camisola do Estoril em Alvalade, noutro empate, a 29 de Setembro de 2012, lançado por Marco Silva.   - O equilíbrio tem sido a nota dominante nos últimos confrontos entre Sporting e FC Porto, pois desde 2012 que nenhum dos dois ganha dois jogos seguidos. Nesse ano, os dragões impuseram-se duas vezes consecutivas por 2-0 no Dragão: na 29ª jornada da Liga de 2011/12 e na sexta ronda da prova de 2012/13. Nas últimas duas épocas, houve sempre três jogos entre ambos, com divisão equitativa dos três resultados possíveis: duas vitórias para cada lado e dois empates.   - Hugo Miguel, o árbitro do clássico, ainda não viu uma vitória das equipas da casa nos seis jogos que apitou esta época. Dois desses jogos envolveram o FC Porto: o empate (1-1) com o Marítimo nos Barreiros e a vitória (2-1) contra o Rio Ave em Vila do Conde. O juiz lisboeta já não dirige um jogo do Sporting na Liga desde a vitória em Braga (1-0) na época passada. Com ele, o Sporting já perdeu duas vezes (no Estoril em 2012/13 e em Guimarães em 2014/15) em dez jogos, ao passo que o FC Porto segue invicto, com 13 vitórias e apenas um empate (o desta época, nos Barreiros) em 14 jogos.
2016-01-01
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Há algumas coisas que me custa compreender na seleção nacional, mas se houve uma que me pareceu clara, limpa e justa foi a divisão dos minutos de jogo entre os selecionados por Fernando Santos nos jogos com a Rússia e o Luxemburgo. Foi por isso com algum espanto que vi a reação enérgica do FC Porto à utilização dos seus três médios no segundo desafio. Pareceu-me desproporcionada e nada mais do que uma tentativa falhada de marcar a agenda num período em que anda por aí muita gente convencida de que os jogos e os campeonatos se ganham nos comunicados, nos boletins ou nas entrevistas dadas por quem não joga. Não percebi, por exemplo, a convocatória de Fernando Santos – e já tinha escrito que preparar o Europeu e testar soluções para a parceria com Cristiano Ronaldo sem levar Cristiano Ronaldo é uma ideia difícil de justificar a não ser com a vontade de agradar ao Real Madrid. Como não tinha percebido outras ausências antes desta, essas com consequências que iam muito para lá da preparação de um jogo tão importante como o clássico de Espanha. Foi o caso, por exemplo, da não convocação de João Moutinho para o Mundial de 2010, da qual se queixou o Sporting, por entender que ela esteve na base da vontade de saída do clube revelada pelo jogador. Ou, agora, da relutância na chamada de Ruben Neves, de que se queixavam os portistas, alegando que ele já é titular e capitão de equipa e que há muito justificava a entrada no lote dos mais credenciados – e por isso mais valorizados. Até por isso, por portistas e sportinguistas andarem constantemente a queixar-se da influência maléfica do Benfica ou de Jorge Mendes nas escolhas dos sucessivos selecionadores, me parece muito retorcido vir agora o boletim Dragões Diário queixar-se de que Fernando Santos andava a “poupar os jogadores do Sporting e do Benfica e a gastar os do FC Porto”. Sim, o FC Porto vai ter seis jogos em 19 dias e tanto Benfica como Sporting terão menos um. Mas o próximo encontro dos dragões tem um grau de dificuldade muito inferior ao de Benfica e Sporting: os dragões jogam com o Angrense horas antes do dérbi de Lisboa. E sim, André André foi o único titular nos dois jogos e o homem que somou mais minutos de jogo (143) nestes dias, mas João Mário jogou apenas menos 28 minutos e Gonçalo Guedes menos 29. E não devia sequer ser preciso lembrar que William Carvalho alinhou por mais nove minutos que Ruben Neves ou que Rui Patrício e Eliseu também estiveram mais tempo em campo que Danilo. É que, por muito que as estruturas de comunicação se esforcem por torcer a realidade, está é bem simples de compreender. E explica-se assim: é melhor jogar na seleção do que não jogar.
2015-11-18
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A vitória de um Portugal cheio de segundas linhas sobre o Luxemburgo foi uma coisa natural. Apesar dos progressos recentes dos luxemburgueses, que ainda no fim-de-semana tinham ganho à Grécia, e da ausência de vários titulares na equipa das quinas, a diferença de qualidade entre as duas seleções era tão evidente que nem o relvado em mau estado, a chuva, a ventania e alguns períodos de menor empenho e intensidade dos portugueses foram suficientes para equilibrar o resultado. Os 2-0 finais pecaram por escassos e permitiram a Fernando Santos a primeira vitória por mais de um golo desde que chegou à seleção, há 13 meses, mas não lhe deram para tirar muitas conclusões acerca dos testes que pretenderia fazer. Só André André deu um passo em frente. Nenhum dos estreantes de Moscovo ontem chamados à titularidade ou dos jogadores que podiam aproveitar a ausência das primeiras linhas para brilhar fez uma declaração de interesses de tal forma forte que lhe permitisse marcar bilhete para o Europeu. Lucas João falhou o encontro com o jogo, Ruben Neves limitou-se a ser regular, Gonçalo Guedes ainda fez um bom remate e sofreu a falta que deu o segundo golo a Nani, mas esteve pouco tempo em campo, tal como Ricardo Pereira. Quer isto dizer que estão fora? Não. Só que não meteram o pé na porta para impedir que ela se fechasse, tal como o não fez Nelson Oliveira, ouro candidato agora recuperado à vaga de parceiro de Ronaldo no ataque. E as dúvidas que restam a Fernando Santos terão de ser esclarecidas em andamento pelo rendimento que os diversos candidatos forem apresentando ao longo da época nos seus clubes. Nos jogos de Março, assumiu o selecionador nacional, o grupo já estará muito mais próximo do que viajará para França. E se alguém marcou lugar para essas datas terá sido André André, o melhor em campo no Luxemburgo e o mais forte candidato a duplo de João Moutinho na fase final. O problema aqui é que as coisas a meio-campo têm duas razões para se complicarem. Por um lado, os candidatos às seis ou sete vagas são pelo menos uma dezena (William, Danilo, Tiago, Moutinho, André André, André Gomes, João Mário, Ruben Neves, Veloso, Adrien ou até Pizzi e André Almeida se entretanto se afirmarem no Benfica). Por outro, ainda falta a Santos definir o modelo de meio-campo que quer. Se é com um médio-centro e dois interiores, se é com dois médios de perfil e outro no apoio direto ao ponta-de-lança ou até se é a quatro, caso encontre um parceiro que permita soltar Ronaldo no ataque.
2015-11-17
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É verdade que o Maccabi Tel-Aviv não é uma equipa digna da Liga dos Campeões e que por isso o FC Porto teve a missão muito facilitada, mas enganem-se os que pensam que o passeio dos dragões a Israel teve a ver apenas com as fragilidades tão evidentes no adversário. A equipa de Lopetegui ganhou com clareza, por 3-1, acertou duas vezes nos postes, falhou dois golos de baliza aberta e tudo porque já está num patamar de construção com o qual os impostores têm muitas dificuldades para conviver. Os impostores são, neste caso, os jogadores do Maccabi, que jogam numa competição para a qual não estão talhados. A forma como os golos portistas surgiram, todos iguais, com a bola a girar da direita do ataque para o jogador mais à esquerda, com este sempre a ganhar ao lateral antes de finalizar, mostra a incapacidade do Macabi para compreender um dos artifícios mais normais neste jogo: a utilização da largura. Foi devido à falta de pressão à entrada da área que André André descobriu Tello bem aberto, escancarando-lhe a via para correr para o guarda-redes e fazer o primeiro golo. Foi a passividade do lateral no ataque à bola que permitiu que André André se lhe antecipasse para responder ao cruzamento de Maxi Pereira no segundo. E a bola voltou a cruzar a área sem interceções antes do bom trabalho de Layun, após passe de Tello, valer o 3-0 que desde logo sentenciava o jogo e quase garantia a qualificação portista para a próxima fase da Liga dos Campeões. Além dos erros israelitas, contudo, há ali também muito trabalho português. Há trabalho tático de uma equipa que já aprendeu a viver com a rotatividade – ontem não estiveram no onze Brahimi nem Imbula… – sem perder qualidade nem rotinas, bem visíveis em cada movimentação do coletivo. E há trabalho mental no convencimento destes homens de que isto de jogar a fase de grupos já é um mero pro-forma para o que verdadeiramente conta, que começa nos oitavos-de-final. É por essa razão que a equipa aparece nesta fase com a confiança normal de quem sabe que é mais forte. E é essa tomada de consciência que se espera já na próxima jornada, onde um empate caseiro frente ao Dynamo de Kiev garantirá matematicamente o apuramento mas onde uma vitória permite continuar em vantagem na luta com o Chelsea pelo primeiro lugar. 
2015-11-04
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Último Passe

A vitória do FC Porto sobre o Chelsea e sobretudo a exibição superlativa da equipa portuguesa, que encostou o campeão inglês às cordas em várias alturas do jogo, vieram confirmar a razão de Julen Lopetegui na construção do FC Porto dos quatro médios como melhor forma de abordar jogos de elevado grau de dificuldade, como serão os da Liga dos Campeões. Aliás, essa é uma teoria que vem dos tempos de José Mourinho, que trocou o 4x3x3 da equipa que ganhou a Taça UEFA de 2003 pelo 4x4x2 com meio-campo em losango com que haveria de vencer a Champions de 2004. Contando com a inteligência que André André empresta à equipa na dupla missão de quarto médio e terceiro avançado – está encontrado um titular no meio-campo para os dois jogos da seleção em Outubro – a equipa já consegue meter gente na área quando tem a bola no ataque e ao mesmo tempo cria condições para ser defensivamente asfixiante na pressão quando a perde. É verdade que sofre quando o adversário consegue instalar-se no seu meio-campo, mas o jogo acabou por ser uma lição para os que torceram o nariz ao onze inicial apresentado pelo espanhol. É verdade que o FC Porto começou por depender de um par de intervenções de Casillas naquilo em que ele é melhor – a mancha, o jogo entre os postes – antes de se adiantar no marcador, em mais um golo decisivo de André André. Mas aquilo que fez na segunda parte, depois de Willian empatar e de Maicon marcar o 2-1, foi uma demonstração de classe internacional, muito às custas do rendimento de um meio-campo onde, como sempre me pareceu evidente, não faz falta nenhuma um número 10 desde que os dois oitos joguem como sabem. Importa pouco que este Chelsea seja um pesadelo de comportamentos defensivos (as bolas paradas, então, nem parecem de uma equipa de Mourinho). A verdade é que, além de dar mais lastro a Lopetegui na sua construção da equipa, o sucesso do FC Porto conjugado com a vitória do Dynamo Kiev em Israel deixa os portistas de cadeirinha à espera que o Chelsea faça o que têm de fazer no duplo confronto com os ucranianos que aí vem nas jornadas 3 e 4. Isto, claro, desde que nos dois jogos contra o Maccabi a equipa portuguesa não volte a cair no pecado da soberba que já lhe custou pelo menos dois resultados perto do final dos jogos esta época. É isso que falta afinar.
2015-09-29
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Histórias invertidas entre André André e o pai, o antigo médio António André. O pai marcou logo no primeiro jogo oficial com a camisola do FC Porto (fez o quinto tento de uma goleada de 5-0 sobre o Farense, em Outubro de 1984), enquanto ele precisou de seis jogos para marcar o primeiro golo. No entanto, André André marcou ao primeiro clássico, enquanto António André só marcou ao… sexto (abriu o ativo numa vitória por 2-1 sobre o Sporting, em Novembro de 1985).   - André André não marcava um golo de bola corrida desde 4 de Janeiro, quando até fez um hat-trick nos 4-0 ao Nacional. Mesmo nesse dia, porém, o primeiro foi de penalti e o segundo num canto. Desde então tinha marcado mais quatro vezes, todas de penalti.   - O FC Porto continua sem sofrer golos para a Liga no Dragão. Já lá vão 13 jogos inteiros desde o último, que foi obtido por Lima, a 14 de Dezembro do ano passado. Ao todo, 1205 minutos  que só encontram paralelo na história recente portista com uma série de 1384 minutos que foi estabelecida por Zé Beto e por um ainda adolescente Vítor Baía entre Outubro de 1988 e Maio de 1989.   - O Benfica, por sua vez, não marca um golo fora da Luz desde a época passada. Os encarnados fizeram todos os seus (15) golos desta época em casa, tendo ficado em branco nas duas saídas (0-1 com o Arouca em Aveiro e 0-1 com o FC Porto no Dragão). A última vez que sucedeu perderem as duas primeiras deslocações foi em 2010 (sempre 1-2, com Nacional e V. Guimarães), mas para encontrar zero golos marcados na primeiras duas partidas fora há que recuar até 2003 (0-0 no Bessa e 0-2 com o FC Porto no Dragão).   - O FC Porto leva onze jogos sem derrota, tendo a último sido os 6-1 em Munique, frente ao Bayern, que lhe custou a saída da Liga dos Campeões. Está igualado o melhor registo de Julen Lopetegui, que na época passada passou exatamente onze jogos sem perder entre as duas derrotas frente ao Marítimo: 1-0 para a Liga a 25 de Janeiro e 2-1 para a Taça da Liga a 2 de Abril.   - Maxi Pereira é um de quatro jogadores que já viram quatro amarelos nas primeiras cinco jornadas da Liga (os outros são Pelé, David Simão e Bouba Saré). O mais cedo que o uruguaio tinha chegado ao quarto amarelo na Liga foi em 2010/11, mas na altura precisou de oito jornadas.   - Os seis remates feitos pelo Benfica no Dragão são o mínimo desta época numa equipa que andava com uma média de 22,7 por jogo. O Benfica não rematava tão pouco num jogo desde 18 de Abril, mas nessa altura os seis remates chegaram-lhe para ganhar por 2-0 ao Belenenses no Restelo.
2015-09-21
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Último Passe

O FC Porto-Benfica não foi um grande jogo, mas foi um jogo em que as duas equipas até mostraram razões para o otimismo dos seus adeptos. A primeira parte mostrou o melhor Benfica da época: compacto, taticamente disciplinado e a ameaçar – ainda que só nas bolas paradas – a baliza de Casillas. A segunda mostrou um FC Porto pressionante, com Aboubakar a cair muito na esquerda e André a soltar-se mais do meio-campo em direção à área, na antevisão repetida da jogada que – já com Osvaldo em campo no lugar do camaronês – acabou por dar o golo da vitória. O FC Porto teve nesse período três ocasiões claras de golo, jogou em crescendo, pelo que foi com justiça que alargou a vantagem sobre o bicampeão para quatro pontos. O Benfica paga as dores de crescimento da juventude que teve em campo e que tão bem se portou até ao momento do 1-0. Como repetiu Luisão até à exaustão na sequência do lance: “Têm que fazer falta!” Quando digo que a primeira parte do clássico mostrou o melhor Benfica da época não estou a esquecer os 6-0 ao Belenenses – esse tinha sido um jogo de sentido único, em que as águias só tiveram de trabalhar a parte ofensiva. No Dragão, a equipa mostrou-se nos primeiros 45 minutos muito competente do ponto de vista defensivo: mesmo em dois para três (Samaris e André Almeida contra Ruben Neves, Imbula e André), serviu-se da pequena distância entre linhas para ganhar a batalha do meio-campo, e ao mesmo tempo conseguia chegar à frente como um bloco. Além disso, se a maior esperança do FC Porto eram os duelos individuais nos corredores laterais, eles não sorriram aos azuis e brancos: surpreendentemente, Nelson (muito mais concentrado e disciplinado a defender do que o habitual) e Eliseu raramente deixaram Corona e Brahimi jogar. Nesse período, o FC Porto chegava sempre à frente com pouca gente e não se via como poderia desbloquear o resultado. A segunda parte trouxe um FC Porto surpreendentemente vivo, tanto na intensidade que manteve no campo (porque não só jogou na Champions um dia mais tarde como o fez em Kiev) como na capacidade para empurrar o Benfica para o seu meio-campo. Lopetegui mandou recuar Imbula para perto de Ruben Neves, assumiu Corona como extremo (em vez de o mandar andar à procura do espaço interior), deu mais liberdade a André no corredor central e terá também ordenado a Aboubakar que procurasse mais os terrenos de Nelson, em trocas posicionais com Brahimi, que fazia o movimento inverso. As trocas deram a supremacia ao FC Porto, Aboubakar teve duas ocasiões claras para marcar, mas já o jogo se encaminhava para o final sem se ver como é que o 0-0 desapareceria do placar quando um desequilíbrio no meio-campo benfiquista deu o golo da vitória ao FC Porto: Jardel saiu na pressão a Osvaldo, perdeu o lance, ninguém o dobrou e o italo-argentino conseguiu soltar a bola para uma arrancada de Brahimi em quatro para três. Ninguém fez a tal falta que Luisão veio depois a reclamar aos seus colegas e um calcanhar de Varela deixou André na cara de Júlio César. Saiu a ganhar o FC Porto, porque já tem quatro pontos de vantagem sobre o bicampeão, mas não sai assim tão mal o Benfica, que jogou muito melhor do que no outro clássico desta época, perdido para o Sporting por 1-0, no Algarve. Rui Vitória sabe bem que lançar jovens tem o seu preço e por isso mesmo disse no final que o “caminho vai ser longo”. Resta-lhe esperar que eles acelerem a aprendizagem.
2015-09-20
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Último Passe

No tempo em que a Grã Bretanha estava isolada do resto do Mundo, os treinadores ingleses tinham por hábito ver as primeiras partes dos jogos na tribuna, só descendo para o banco nos segundos 45 minutos. Essa era uma altura, porém, em que havia apenas um suplente, que só entrava se alguém partisse uma perna e essa observação não fazia assim tanta falta. Vendo todo o desafio do FC Porto com o Dynamo Kiev da tribuna, Julen Lopetegui fez uma gestão de jogo excelente, compreendendo os momentos exatos para fazer a substituições certas. O FC Porto não ganhou – ainda que o merecesse – porque no final toda a equipa cometeu um erro de apreciação, fruto talvez do cansaço aliado à falta de concentração que ele provoca. E nem sequer pode dizer-se que a questão se resolvesse com um grito do treinador, estivesse ele no banco. O 2-2 conseguido pelo FC Porto em Kiev vale pelo ponto conquistado, pelos dois que o Dynamo deixou pelo caminho – um empate fora é sempre um empate fora – mas vale sobretudo pela forma como o comportamento da equipa deixou perceber uma maturidade tática de que não se suspeitava. O plano de jogo foi o de Arouca, mas invertido: a equipa começou num 4x2x3x1 em que André André era, ao mesmo tempo, terceiro avançado e quarto médio, tal como terminara no jogo de sábado. A procura constante do espaço interior pelo número 20 dos Dragões nas fases ofensivas permitia assegurar a presença frente à área que tantas vezes tem faltado; a sua derivação para a ala no momento de perda de bola permitia manter a linha de quatro médios e travar um Dynamo que cedo desistiu de mandar no jogo e passou a limitar-se a chutar bolas longas na frente. Com o jogo controlado e um empate a uma bola no placar, Lopetegui lançou Tello e Corona, voltou ao 4x3x3 mais clássico e criou as condições para chegar à vitória. Marcou o segundo golo, numa jogada que enfatiza as excelentes exibições de Ruben Neves e Aboubakar – o primeiro a assegurar uma segunda vaga ofensiva depois do canto; o segundo a finalizar sem complacência depois de uma falha do guarda-redes Rybka. Previa-se que este fosse um jogo para Aboubakar, avançado de grandes espaços, lutador de excelência, mas ele acabou por se impor também naquilo que menos se esperava: a finalização na área. E com seis golos em cinco jogos, vai lançado para uma grande época. A maturidade tática demonstrada pela equipa do FC Porto não chegou para impedir o golo do empate do Dynamo, mas deixa a equipa em boa posição para lutar pela qualificação – roubou pontos no terreno daquele que se pensa venha a ser o seu maior adversário – e confiante de que sabe ser controladora ou ameaçadora quando o jogo lhe pede uma ou outra face. Teste já no domingo, na receção ao Benfica, no Dragão. Com Lopetegui no banco.
2015-09-16
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Jesus Corona teve uma estreia de sonho: dois golos na baliza do Arouca no primeiro jogo que fez na Liga portuguesa. Foi o primeiro jogador a bisar na estreia no nosso campeonato desde que o romeno Rusescu também marcou dois na vitória do Sp. Braga sobre o V. Guimarães (3-0), a 10 de Janeiro de 2014. Rusescu, no entanto, tinha ficado em branco num jogo anterior para a Taça de Portugal, frente ao Arouca. Para se encontrar um jogador que tenha feito pelo menos dois golos no primeiro jogo competitivo em Portugal é preciso ir buscar Montero, que a 18 de Agosto de 2013 fez um hat-trick nos 5-1 do Sporting ao… Arouca. No FC Porto, o último a bisar na estreia tinha sido Pena, que a 9 de Setembro de 2000 contribuiu com dois golos para os 2-1 do FC Porto, em casa, ao Paços de Ferreira.   - Esta não é a primeira vez que Corona marca na estreia. A 29 de Setembro de 2013 já tinha marcado nos 5-0 do Twente ao Groningen, o primeiro jogo que fez para a Liga holandesa.   - Aboubakar manteve o registo 100 por cento goleador sempre que defronta o Arouca. Na época passada já tinha marcado a fechar os 5-0 no terreno do adversário e feito o único golo na vitória caseira por 1-0. Ontem voltou a encerrar a conta portista, fazendo o que na altura era o 3-0.   - André André foi titular do FC Porto pela primeira vez à quarta tentativa, depois de três jogos como suplente utilizado (V. Guimarães, Marítimo e Estoril). Repete a história do pai, mas com muito mais rapidez, pois fê-lo à quarta ronda: em 1984, António André só foi titular à 11ª jornada, num empate a zero nas Antas contra o Sporting, depois de ter sido suplente utilizado contra Farense, Salgueiros e Penafiel.   - O segundo golo sofrido pelos portistas esta época teve vários pontos em comum com o primeiro. Tal como no Funchal, o golo de Maurides nasceu de um cruzamento na esquerda do ataque e foi marcado nas costas do lateral esquerdo azul e branco. Com menos culpas de Layun neste caso do que de Cissokho no tento de Edgar Costa, que custou ao francês o seu lugar no onze.   - Maurides fez ao FC Porto o seu segundo golo saído do banco nesta Liga, tornando-se o suplente mais goleador do campeonato. Antes já tinha feito o mesmo nos 2-0 com que o Arouca venceu o Moreirense.
2015-09-13
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Último Passe

Falar da vitória do FC Porto frente ao Arouca acaba necessariamente por ser falar de Corona, a estrela na noite de estreia. O extremo mexicano abriu a conta portuguesa com dois golos e mostrou outros pormenores que vão dar-lhe lugar cativo no onze titular de Lopetegui. É veloz como Tello, sabe ser retilíneo como Varela e junta-lhe a criatividade de Brahimi. Fazendo um paralelismo com o resultado do jogo (3-1) é um três em um que pode vir a ocupar a vaga de Quaresma nos corações dos adeptos portistas. E Corona resolveu um jogo que podia ter-se transformado num problema a sério. Porque depois de um arranque forte, com um golo feito no primeiro quarto-de-hora, os dragões voltaram a baixar o ritmo e a intensidade, saindo para o intervalo com a ideia de que era o Arouca a equipa mais ligada ao jogo. A equipa de Lito Vidigal teve mais bola do que o Porto na primeira parte, mostrou princípios sólidos de jogo e levou Lopetegui a sentir a necessidade de dar força ao meio-campo, trocando Brahimi por Danilo, que tinha ficado a descansar da seleção.  Só que então, além de Jesus Corona, apareceu André André, a partir desse momento colocado nas alas do ataque. Na esquerda, rematou para defesa difícil de Bracalli e golo na recarga fácil de Corona. E na direita encontrou Aboubakar em cima da linha de golo e colocou-lhe a bola à frente para o terceiro. Mais um que não deve sair do onze tão cedo.
2015-09-12
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