PESQUISA 

Artigo

Foram 27 em 728. Quase quatro por cento dos golos desta Liga portuguesa foram autogolos, havendo neste aspeto dois jogadores que se destacaram: o egípcio Aly Ghazal e o português Pica, que tiveram por três vezes a infelicidade de desfeitear o seu próprio guarda-redes, quando tentavam evitar o pior. Em termos coletivos, a equipa mais fustigada por esta infelicidade foi o Nacional, com cinco autogolos, enquanto que o mais beneficiado foi o Benfica, com quatro autogolos a favor. A propensão para marcar na própria baliza acabou por cortar a progressão a Aly Ghazal na equipa do Nacional. O médio e defesa egípcio tinha sido um dos jogadores-chave para Manuel Machado nos últimos anos, mas esta época correu-lhe particularmente mal. Logo à segunda jornada foi ele a desfazer o 0-0 num Nacional-Benfica, que os encarnados acabaram por ganhar por 3-1. À 11ª ronda, em Novembro, e mais uma vez com o resultado em branco, voltou a bater Rui Silva para estabelecer o 0-1 final de uma partida contra o Estoril. Um mês passou e, outra vez com um 0-0 no marcador, Aly Ghazal assinou mais um autogolo, num jogo que o Nacional acabou por perder por 2-1, contra o Rio Ave, em Vila do Conde. O egípcio só jogou mais uma vez pelo alvi-negros, quatro dias depois, numa derrota em casa contra o Boavista, mas saiu aos 36’, com o resultado já em 0-2, e acabou por deixar o clube no mercado de Janeiro, para jogar no Guizhou Hengfeng Zhicheng, da China. Por sua vez, também Pica viu essa tendência para os autogolos arruinar-lhe a época. Titular no centro da defesa beirã no início da temporada, fez logo um autogolo à terceira jornada, na derrota em casa (0-1) contra o Belenenses. Acabou por perder a vaga em inícios de Outubro, mas reassumiu a titularidade em meados de Novembro, mantendo-a até um jogo terrível, em Setúbal, na antevéspera de Natal. Nessa noite, Pica não fez só um – fez dois autogolos, a abrir e a fechar um score que ficou pelos 3-0 favoráveis aos sadinos. Pepa, que substituiu Petit nos comandos da equipa no início de Janeiro, só o utilizou três vezes até final da época, tendo-o sempre no banco na reta final, marcada pelas cinco vitórias em seis jogos que valeram a salvação à equipa. Com cinco autogolos, o Nacional foi a equipa que mais vezes marcou na própria baliza – além dos três de Aly Ghazal, há a registar um de Nené Bonilha pelo Belenenses e outro de César a favor do Sp. Braga. No final, só quatro equipas não registam autogolos: Benfica, FC Porto, Chaves e Estoril. Por outro lado, o Benfica foi o principal beneficiário, com quatro autogolos a seu favor. Além do já citado, de Aly Ghazal, o tetra-campeão nacional teve ainda mais dois a abrir os resultados, em duas vitórias que acabaram por ser folgadas: um de Luís Aurélio (Feirense) e outro de Luís Martins (Marítimo). Falta referir o autogolo de Fábio Espinho (Boavista), que acabou por dar um ponto, pois estabeleceu o empate final (3-3) no Estádio da Luz. Ao todo, 15 equipas viram os adversários marcar autogolos a seu favor, sendo as exceções o Sporting, o Boavista e o Arouca.
2017-05-23
LER MAIS

Último Passe

O superior talento de Jimenez e Salvio, na noite de regresso de Jonas à competição, valeu ao Benfica uma merecida vitória na Choupana, por 3-1, sobre uma equipa do Nacional que teve muitas vezes a cabeça fora do lugar: aconteceu a Aly Ghazal nos primeiros dois golos dos benfiquistas e na gestão da equipa feita por Manuel Machado, que levou os madeirenses a acabar com dez homens, por lesão do egípcio. Com o resultado, Rui Vitória já pode assim olhar para o Sporting-FC Porto de domingo com a certeza de que sairá sempre a ganhar, seja qual for o resultado. A expectativa na equipa benfiquista era grande, sobretudo devido ao regresso antecipado de Jonas, após a intervenção cirúrgica a que foi submetido. Com Jonas, já se sabe, o coletivo de Rui Vitória ganha poder de finalização e capacidade para ligar o jogo nos últimos 30 metros, mas a verdade é que o brasileiro não foi tão influente assim e perdeu as ocasiões que teve para marcar, o que obrigou o Benfica a recorrer a outras fontes de talento para ganhar os três pontos. Salvio confirmou as indicações que tinha dado frente ao V. Setúbal e abriu avenidas no lado direito do ataque, mas quem melhor apareceu foi mesmo Jiménez. O mexicano fez a diferença em relação às noites mais apáticas que o grego Mitroglou vinha assinando, movendo-se sempre com inteligência, como se viu nos lances do segundo e do terceiro golos do Benfica: no segundo, foi ele quem lançou Salvio para o passe de morte que deu o 1-2 a Carrillo; no terceiro, adivinhou a dificuldade de Washington, médio adaptado a central, para ser último homem, pressionou-o, ganhou-lhe a bola e marcou na cara do desamparado guarda-redes. Por essa altura já se notava a falta de cabeça do Nacional, que acabou o jogo com dez homens, fruto da lesão de Aly Ghazal e do posterior esgotar das substituições por parte de Manuel Machado, que mesmo assim manteve o egípcio em campo quando quis reforçar o ataque. Ghazal, aliás, teve uma noite infeliz. Foi ele quem fez o primeiro golo do Benfica, deixando que um livre de Pizzi, que o guardião Rui Silva devia ter afastado, lhe batesse na cabeça e seguisse para a baliza deserta. Depois, já Tobias Figueiredo tinha empatado, de cabeça, após um canto de Agra, quando surgiu o tal lance de Jimenez e Salvio, no qual Carrillo desempatou. Ao tentar desfazer o cruzamento de Salvio, Ghazal bateu violentamente com a cabeça no relvado, o que veio a impossibilitar que ficasse em campo até final. E foi quando Manuel Machado já tinha dois avançados em campo que o capitão teve de sair de maca: Washington recuou para a linha defensiva, ainda tirou um golo cantado a Jimenez, com um corte sobre a linha de baliza, mas permitiu depois, já em período de compensação, que o mexicano lhe roubasse a bola para fazer esse mesmo terceiro golo, dando mais folga ao resultado. A vitória permite ao Benfica olhar para o clássico de Alvalade com a tranquilidade de quem já fez a sua parte. E a interrupção do campeonato que aí vem, para os jogos da seleção, dará a Rui Vitória o tempo para recuperar o melhor Jonas e trabalhar a equipa com Jimenez, que depois do que fez na Choupana dificilmente perderá a vaga nos tempos mais próximos.
2016-08-27
LER MAIS

Artigo

- Carrillo tomou parte ativa em cinco dos seis golos marcados pelo Sporting esta época. Marcou ao Benfica (ainda que a FPF tenha depois atribuído o golo a Teo Gutièrrez) na Supertaça e agora ao Paços de Ferreira, assistiu Slimani no segundo golo ao CSKA e esteve na origem dos lances dos primeiros golos ao Tondela e à equipa russa, lançando Ruiz nas costas da defesa adversária para o cruzamento que deu golo a João Mário e Téo Gutièrrez. A única exceção foi o golo de Adrien em Tondela, nascido de um penalti sobre Gelson.   - O Sporting sofreu um golo de penalti em casa, mas isso já nem é novidade: os leões viram os árbitros apitar-lhes penaltis contra nos últimos três jogos feitos em Alvalade. Antes deste, de Pelé, que valeu o empate ao Paços de Ferreira, tinha acontecido o mesmo contra o CSKA (falta de Jefferson e defesa de Rui Patrício) e contra o Sp. Braga (infração de Tobias Figueiredo e conversão de Pardo a dar vantagem aos minhotos).   - Em contrapartida, o Paços de Ferreira já não tinha um penalti a favor na Liga desde 13 de Março, data em que ganhou em casa ao Boavista por 1-0, graças à conversão de Manuel José. Curioso é que o último árbitro a marcar um penalti a favor dos pacenses tinha sido o mesmo Manuel Oliveira, que também expulsara o prevaricador: na ocasião o boavisteiro Tengarrinha.   - O Sporting rematou pouco no jogo com o Paços de Ferreira (apenas nove remates, dos quais só três enquadrados na baliza). Não o fazia com tão pouca frequência desde 19 de Abril, quando bateu o Boavista em Alvalade por 2-1 fazendo apenas seis tentativas de chegar ao golo.   - O Paços de Ferreira empatou com o Sporting nas últimas três vezes que defrontou os leões e sempre pelo mesmo resultado: 1-1. A última vitória dos leões foi no Capital do Móvel, a 5 de Abril de 2014, por 3-1, com golos de William, Rojo e Adrien a valerem mais que o tento pacense, de Bebé.   - Rui Patrício sofreu golos nos últimos três jogos na baliza do Sporting (Tondela, CSKA e Paços de Ferreira), repetindo a série com que acabou a época passada (Estoril e duas vezes Sp. Braga, uma vez que não defrontou o Rio Ave, na última jornada da Liga). Para se encontrar uma série pior é preciso recuar a Fevereiro, quando foi batido consecutivamente por Arouca (3-1), Benfica (1-1), Belenenses (1-1) e Wolfsburg (0-2).   - O FC Porto fez na Madeira apenas oito remates, mínimo da equipa azul e branca na Liga desde o empate (1-1, também) no Restelo, a 17 de Maio, que deu o título nacional ao Benfica. Nesse jogo, tinha-o feito apenas seis vezes. Mas para encontrar um jogo em que os dragões tenham rematado menos do que o adversário (o Marítimo tentou o golo em nove ocasiões) é preciso recuar ao empate a zero na Luz, contra o Benfica, a 26 de Abril: nessa tarde, visou as redes de Júlio César por seis vezes contra sete dos encarnados.   - Edgar Costa não fazia um golo de cabeça desde Setembro do ano passado, quando também aproveitou um cruzamento da esquerda (na altura de Ruben Ferreira) para surgir nas costas do lateral esquerdo do V. Guimarães (Traoré). Em contrapartida, três dos seus últimos seis golos surgiram nos primeiros 10’ de jogo: antes de marcar agora ao FC Porto aos 5’,no último ano já tinha marcado ao V. Guimarães aos 6’ e ao Gondomar aos 7’.   - Edgar Costa foi ainda o primeiro a marcar um golo a Casillas na Liga portuguesa, mas não o primeiro português a marcar um golo ao guardião espanhol. O último tinha sido Tiago, a 13 de Setembro do ano passado, numa vitória do Atlético Madrid no Santiago Bernabéu (2-1). E desde então Casillas foi ainda batido por vários conhecidos da Liga portuguesa, como Otamendi, Ghilas ou Nolito.   - O empate nos Barreiros significa que o FC Porto já vai em seis jogos seguidos sem ganhar na Madeira. A última vitória aconteceu na Choupana, por 3-1, ante o Nacional, em Maio de 2013. Desde então e até ao empate de sábado, os dragões tinham perdido por três vezes nos Barreiros com o Marítimo (duas por 1-0 e uma por 2-1) e empataram uma (1-1) e perderam outra (2-1) com o Nacional na Choupana.   - Este foi ainda o primeiro jogo da Liga que o FC Porto não ganhou com o árbitro Hugo Miguel. Até sábado, o juiz lisboeta tinha estado em 12 partidas dos dragões, todas com vitória azul e branca.   - Ao bater o Benfica por 1-0, o Arouca subiu pela primeira vez à liderança da Liga em toda a sua história. Faz até melhor do que o Rio Ave, que liderou da segunda à quarta jornada da época passada, mas graças a uma melhor diferença de golos, uma vez que teve sempre pelo menos mais dois clubes a par.   - O último “não grande” a liderar a Liga isolado foi o Sp. Braga de Domingos Paciência, a 30 de Novembro de 2009: ganhou em casa à U. Leiria por 2-0 e beneficiou do empate a zero do Benfica em Alvalade para ficar com dois pontos de avanço dos encarnados à 11ª jornada.   - O Benfica não marca um golo fora do Estádio da Luz há 190 minutos: fê-lo Ola John, em Coimbra, ao Marítimo, a assegurar a vitória na Taça da Liga, aos 80’ (2-1). Desde então, a equipa encarnada ficou em branco na Supertaça (0-1 com o Sporting) e agora com o Arouca (outra vez 0-1). Se contabilizarmos só os jogos fora na Liga, então o Benfica não marca fora desde 2 de Maio, quando derrotou o Gil Vicente por 5-0. Depois disso empatou a zero em Guimarães (e celebrou o bicampeonato) e perdeu agora com o Arouca.   - A derrota com o Arouca em Aveiro foi a primeira vez dos encarnados contra um adversário que jogava em casa emprestada desde que foram batidos pelo V. Setúbal nas Antas, também à segunda jornada, mas de 1997/98. A 31 de Agosto de 1997, um golo de Kassumov valeu os três pontos aos sadinos e deixou Manuel José em maus lençóis: foi despedido 15 dias depois. A última vez que o Benfica não ganhou nesta circunstância foi em Agosto de 2007, quando empatou no Bessa com o Leixões. Fernando Santos teve menos sorte e foi imediatamente despedido.   - Roberto, autor do golo do Arouca, foi júnior do FC Porto e só agora marcou pela primeira vez a um grande. Em contrapartida, Jonas, avançado do Benfica, ficou pela primeira vez em branco contra o Arouca.   - O Benfica rematou 30 vezes à baliza do Arouca, um recorde da Liga. O anterior máximo tinha sido estabelecido por FC Porto (contra o V. Guimarães) e pelo próprio Benfica (ante o Estoril), com 19 tentativas cada um.   - Rafael Bracalli lidera a única defesa ainda inviolada da Liga, com 180 minutos sem sofrer golos. O melhor arranque do guarda-redes brasileiro tinha acontecido em 2010/11 quando, ainda no Nacional, esteve 179 minutos embatido, até ver Carlos Martins (na altura no Benfica) fazer-lhe um golo nos 2-1 com que os madeirenses bateram o Benfica na Choupana.   - Há 36 jornadas da Liga que não se assistia à incapacidade dos três grandes para ganhar na mesma semana. Sporting e FC Porto empataram com Paços de Ferreira e Marítimo e o Benfica perdeu com o Arouca. A última vez que nenhum dos três ganhara tinha sido a 3 e 4 de Maio de 2014, na 29ª jornada da Liga: o Sporting empatou fora com o Nacional, o Benfica empatou em casa com o V. Setúbal (ambos a um golo) e o FC Porto foi derrotado fora de casa pelo Olhanense (1-2).   - O Rio Ave não ganhava em casa ao Braga para a Liga desde Outubro de 2010, quando golos de Zé Gomes e João Tomás lhe valeram um sucesso por 2-0. Entre esse jogo e o de sexta-feira, ganho graças a um golo de Hassan (1-0), só houve dois repetentes em campo: o vila-condense Tarantini e o árbitro, João Capela.   - O brasileiro Soares, que fez o golo da vitória do Nacional frente ao U. Madeira, e os portugueses Luisinho, que fez o tento da vitória do Boavista contra o Tondela, e André Claro, autor de um dos golos da ampla vitória setubalense em Coimbra foram os únicos a marcar nas primeiras duas jornadas da Liga. Imitam o que tinha sido conseguido na época passada por Jackson Martínez (FC Porto), Bernard (V. Guimarães) e Deyverson (Belenenses). Dos três, há um ano, Jackson foi o único a marcar também na terceira ronda.   - O caso de Luisinho é especial, porque o ex-atacante do Académico de Viseu marcou nos primeiros dois jogos que fez na Liga. Antes dele, tal havia sido conseguido pelo vimaranense Bernard, autor de um golo ao Gil Vicente e dois ao Penafiel nas primeiras duas rondas da época passada. Até final da época, porém, Bernard só marcou mais duas vezes.   - Aly Ghazal não era expulso na Liga portuguesa desde a segunda jornada da época passada, mais precisamente desde 24 de Agosto de 2014, quando Carlos Xistra lhe mostrou o vermelho no Restelo, num jogo que o Nacional perdeu por 3-1 com o Belenenses. Um ano depois, voltou a ser expulso por Bruno Paixão, mas desta vez a sua equipa ganhou por 1-0 ao U. Madeira.   - O Moreirense repetiu o resultado da primeira jornada: voltou a perder por 2-0, agora com o Estoril, e de novo com a particularidade de ter sofrido os dois golos na última meia-hora de jogo. Só o Estoril sofreu tantos golos na reta final das partidas: igualmente quatro, todos no jogo com o Benfica. Ainda que os estorilistas compensem esse resultado com os dois golos que agora fizeram ao Moreirense.   - O empate em Guimarães significa que o Belenenses alarga a presente série de invencibilidade fora de casa para sete jogos. A última derrota dos azuis fora do Restelo aconteceu a 22 de Março, no Bessa, por 1-0, em jogo da Liga. Desde então ganharam em Arouca (1-0), empataram em Braga (1-1) e em Coimbra com a Académica (1-1), voltaram a vencer o Gil Vicente em Barcelos (2-0) a fechar a última Liga e, já esta temporada, empataram em Gotemburgo (0-0), venceram o Altach (1-0) e agora voltaram a empatar em Guimarães (1-1). Desde 2012/13 que o Belenenses não passava sete jogos seguidos sem perder fora de casa, mas nessa altura jogava a II Liga.   - Ao ganhar por 4-0 em Coimbra à Académica, o V. Setúbal obteve o melhor resultado fora desde 27 de Novembro de 2008, quando bateu o Torre de Moncorvo por 4-0 na quarta eliminatória da Taça de Portugal (dois golos de Bruno Gama, um de Ricardo Chaves e outro do Laionel). Para encontrar um resultado tão bom dos sadinos em deslocações mas a contar para a Liga, então é preciso recuar até 18 de Abril de 2004, data em que venceram fora o Salgueiros (4-0, com bis de Zé Pedro, mais um golo de Manuel José e outro de Meyong). Já a Académica perdeu em casa por 4-0 com o Sporting (golos de Rojo, Adrien, Montero e Carrillo) faz hoje precisamente dois anos, a 24 de Agosto de 2013, em partida que também contou para a segunda jornada da Liga.
2015-08-24
LER MAIS